E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se do 
céu esta voz: Tu és o meu Filho amado; em ti me comprazo. 
1 
WELINGTON CORPORATION
2 
INTRODUÇÃO 
Soldada de Shirion – Baal–Hermom – das forças armadas israelenses 
Sim. Eu sei que “Sunamita” significa pacífica. E pacificadora 
Veja que a bela moça está calma. 
E pacífica. 
http://www.rakkav.com/song/pages/song01.htm 
jewish traditional music ancient song of songs BALKANEL GROUP Serbia.mp3 
A EXTRAORDINÁRIA 
WELINGTON CORPORATION 
Indo aonde nenhum outro mestre ou profeta jamais ousou.
3 
Apresenta
4
5 
Preludio 
Uma observação preliminar. O Cântico dos cânticos é uma canção cuja melodia para nós é 
desconhecida. Ele é composto com uma melodia original, por Salomão. Suzanne Haik - 
Vantoura é uma musicóloga que compreendeu que a bíblia massorética possuía sinais que 
representavam notações musicais e gestuais dos músicos e que apesar da notação 
massorética (sinais que representam as vogais, tonalidades, expressividade do texto do 
Velho Testamento em hebraico) ser do segundo século d. C, eles remontam à tradições 
musicais da antiguidade. 
https://musicofthebiblerevealed.wordpress.com/tag/suzanne-haik-vantoura/ 
http://www.rakkav.com/song/pages/song01.htm 
Desde os tempos antigos os judeus têm reverenciado Cânticos como sublime. Eles 
compararam Provérbios para o átrio exterior do templo; Eclesiastes coma o lugar santo; e 
Cantares de Salomão para o Santo dos santos. (Ibid) 
O Estudo do Livro de Cantares possui várias escolas de interpretação. 
O autor deste estudo em especial toma empréstimo de estudos linguísticos, referencias 
geográficas, ecológicas, históricas, sociais e culturais de Israel, sua divisão política, reino, 
tribo, a identificação da família na antiguidade oriental, a literatura da antiguidade, incluindo 
a do Egito, como bases para sua pesquisa. 
Não satisfeito traça alguns paralelos com a Índia, onde encontramos ainda hoje vários 
pontos culturais que nos fazem retroceder na história até o oriente e as tradições narradas 
em Cantares. Essa é uma das ferramentas mais interessantes da caixa de ferramentas
do autor. A sociedade Israelita moderna foi transformada pelo seu contato com diversas 
nações. Embora mantenha suas tradições, não manteve seu vestuário. Ou seus enfeites. 
Ou não manteve alguns dos aspectos que o casamento israelita possuía na antiguidade. 
Uma noiva israelita da atualidade veste-se de modo similar a uma noiva norte-americana, 
inglesa, francesa ou brasileira. E se algum israelita ler este estudo, e quiser ver, ao 
menos como se vestia em seu passado, viajando na máquina do tempo, olhe para a 
Índia. E para o Paquistão. E para o Irã. 
A segunda ferramenta para compreender Cantares é que ele é uma canção. E sendo 
um cântico compartilha da essência das artes cênicas, da dança, do canto e da música. 
Em alguns momentos compreender essa característica será de grande valia. 
6 
Cantares é 
Um poema de amor - Um cântico de amor - Um cântico espiritual 
Ele caminha do coração apaixonado do homem pela sua amada aos mistérios do coração 
de Deus e do seu tremendo amor pelo ser humano, em especial por aqueles por quem, 
amando, se deu, e se entregando, os tornou seus, através da Igreja a quem considera Noiva. 
Em terceiro lugar é importante compreender a beleza do romance de Cantares. Ele nos 
ensina coisas extraordinárias, e traçará paralelos maravilhosos com a dimensão 
espiritual das Escrituras. 
Em quarto lugar será usada uma ferramenta que soará estranha para a maioria dos 
estudiosos das Escrituras. 
“A voz do meu amado é doce”. 
O cântico convida você a interpretá-lo com doçura. Sem arbitrariedades, sem certezas 
absolutas, sem fixar limites. A ciência bíblica usa a palavra “tipologia” para dizer que uma 
coisa é “símbolo” de uma realidade espiritual. Há a “alegorização” que basicamente enseja 
ver os símbolos, as representações, as símiles e as as parábolas evocadas por Cantares. Vou 
usar em vez da palavra “tipo” a palavra “representação”. E vou deixar as imagens de 
Cantares evocarem imagens, recordações, reminiscências, paralelos poéticos, nas 
representações de Cristo, nas operações espirituais e proféticas contidas nas Escrituras, 
viajando no tempo, sem me limitar a história humana. Viajo para eternidade passada, 
caminho para a eternidade futura e no caminho passeio pelos jardins que o espírito plantou, 
Israel, a Igreja gentílica, a revelação concedida de Deus aos povos, raças tribos e nações. 
Eu uso livremente de associações de um modo que todo ser humano lê a história de sua 
própria existência. Relembrando. Através da reminiscência. Toda moça lembra -se do 
primeiro beijo. Todo filho lembra de fatos marcantes que envolveram eles e seus pais. Ve r 
seu nome na lista de aprovados, a festa de colação de grau daquela faculdade, o momento 
eletrizante em que você recebe a prova mais difícil de sua vida e descobre que tirou acima 
do necessário para passar. Nós associamos presentes a eventos, pergunte a sua esposa 
onde ela ganhou cada presente que Ela possui. Cada brinco. Cada jóia. E queria que você 
soubesse que se não permite que ela use enfeites você está em pecado e com certeza não irá 
herdar a salvação. Ao menos mereceria receber a mais longa e tediosa reprimenda espiritual 
dada pelo Senhor na frente de toda sua comunidade angelical. Porque você acha que o 
maior Cântico do Espírito Santo é justamente uma canção onde a amada é magnificamente 
enfeitada, ornada? Igrejas que proíbem atavios leram os dois versos de I Timóteo 2.9 e I 
Pedro 3.3 e rasgaram os 177 versos de Cânticos! Violentaram os textos bíblicos, que
formalizam o desejo que o cuidado com o interior deve suplantar o desejo de ornamenta - 
se, e nunca anulá-lo. O feminino é belo aos olhos do Espírito, que deseja ver espiritualmente 
esses atavios, essa ornamentação, também no coração da mulher. 
Com doçura é que a voz do Amado deve ser percebida em todo o contexto das Escrituras. 
Quando o interprete da Palavra de Deus se afasta de uma visão amorosa, liberta, plena, 
abundante de graça, misericórdia, compaixão e alegria, perderá sua viagem. 
Essa dimensão de entendimento das em Cantares significa que não “imponho” símbolos. 
Antes deixarei que as imagens nos conduzam até outras cenas das Escrituras, e que os 
textos nos relembrem realidades espirituais para nela meditarmos. 
O que o autor viu nos textos não limita o que cada leitor poderá enxergar ou associar. 
Temos aqui as limitações humanas de quem escreveu esse comentário, as suas 
limitações do conhecimento das Escrituras, suas limitações culturais, históricas, linguísticas 
e seus limites de conhecimento das realidades espirituais. 
7 
Desejo dançar com a Sunamita, não forçá-la a caminhar comigo por lugares estranhos. 
Aconselho aos que forem ministrar aulas de Cantares baseados neste estudo a 
comprarem essências de nardo, mirra, aloés, cálamo, cássia e distribuírem a multidão 
(com devolução das mesas e higienização dos frasquinhos, para apresentar a próxima 
turma). Não, não estou ganhando comissão para fazer essa propaganda de essências.
Cantares usará a figura do amor humano, a menina, o pastoreio, o jardim, os irmãos, a mãe, 
o castelo e o muro, a tenda, até as tranças da moça adorável para contar o drama do amor 
de Deus manifesto na história humana, e também na história escondida, a história da 
eternidade e a história do grande amor, vivido por Ele, manifesto por Ele e só conhecido 
dele e dos seus profetas. 
Em Cantares Deus revela seu coração, descortina sua alma e manifesta seus sent imentos, 
através do tempo, não do tempo humano, mas do seu tempo, de seus dias refletindo sua 
eternidade. 
É um livro de belíssimos e de impressionantes mistérios, contado nos passos ligeiros da 
dançarina, da musa inspiradora que arrebata ao coração de Salomão, e nestes passos 
dançados lemos um pequeno musical que conta e canta todas as histórias divinas numa só. 
Nós iremos dançar com a Sulamita e ela levará nosso coração a refletir sobre um amor que 
sublima a vida, que reinterpreta o mundo e que nos conduz a contemplação da eternidade e 
de uma paixão tremenda maravilhosa, manifesta diante de incontáveis testemunhas, que 
nos convidará a dançar com ele. 
Cantares é Salomão apaixonado pela moça de caráter pacifico e é igualmente o Espírito de 
Deus nos convidando a dançar. 
Para sempre. 
O livro de Cantares traduz um enredo, um drama, um afastamento, um reencontro. Há 
nele zombaria, escravidão, desprezo familiar. Há nele o inigualável contraste da pobreza da 
noiva que é a escolhida em relação àquele que a desposa. A uma perseguição, risco de 
morte iminente, sofrimento. Há nele dança, festejos, um casamento, um banquete e uma 
apresentação magnifica da amada à sua corte. 
Há nele os desfiles das mulheres de Jerusalém, o cortejo nupcial com os soldados. Um 
festival de visões e de citações ecológicas e geográficas. 
Cantares é rico em citações: 
Geográficas 
Ecológicas 
Adornos 
Estações 
Especiarias 
Aromas 
Climas 
Temporais 
Sociais. 
Sentimentais 
Emocionais. 
Ele é rico em sensações. 
Ele é rico na sonoridade, nas expressões de doçura nas quais as palavras são pequenas e 
curtas, carinhosas como Dodi, (amado) similar aos apelidos carinhosos que as pessoas 
enamoradas se dão. 
Ele é rico na originalidade das suas palavras, algumas que na língua hebraica somente 
são encontrados neste livro. Existem cerca de 50 harpax, cinquenta palavras únicas que só 
são mencionadas no livro de Cantares. 
8
As dimensões psicológicas de cantares são múltiplas, elas tratam do romance à sexualidade, 
do desejo, da atração, da entrega, da paixão, da celebração da vida, da dança, da busca pela 
felicidade, da relação amorosa numa dimensão superior a dimensão erótica. Todos os 
trabalhos que tentam redefinir Cantares com uma redução ao erotismo é invariavelmente 
falha. Invariavelmente incompleta. Imprecisa. 
A ênfase do cântico não é a mesma do Kama Sutra indiano. A voz, a tônica, o acorde 
magistral que ecoa do início ao fim de Cantares é o ROMANCE. 
A dimensão espiritual de Cantares é o romance elevado a perfeição de Deus, é o 
amor divino. Numa símile diria que o romance é o amor em trajes de festa e o amor divino 
é o amor em trajes de guerra. 
O Espírito de Deus tomará do romance de um jovem rei pela jovem que guarda as 
vinhas e nele, neste romance, derramará sua voz, seu cântico, seu amor profundo, 
tendo como pano de fundo a sua história, a história da eternidade. 
Livro das Escrituras, Velho Testamento. O mais belo cântico de amor escrito. Um hino 
que possui em sua essência duas dimensões que se entrelaçam de modo 
maravilhoso: a dimensão do amor divino e a dimensão do amor humano. Nele, a 
paixão do amado pela amada, o amor de Deus pelo seu povo. Nele, o amor do Espírito 
pelo ser humano, de Cristo por sua Igreja, de Deus pela humanidade, do Senhor pelo seu 
povo, do príncipe pela pastora, do rei pela Sunamita. 
Cada pedaço, cada trecho do livro dos cânticos é repleto de imagens e abundante de figuras 
que entrelaçam o sacerdócio à terra, a ecologia ao amor, o clima às eras; O livro é repleto 
de sentimentos e de sensações. Ele retrata a dança, instrumentos. Em Cantares a amada 
dança. Ele evoca cheiros, nos fala de odores, fragrâncias, perfumes, especiarias! Evoca 
cores, árvores, plantas, pássaros, animais e a natureza em todas as suas estações, primavera , 
inverno, verão, outono. As suas palavras possuem ritmo, expressões de sonoridade e 
métrica, a natureza do livro é a de uma composição musical, de uma poesia cantada, uma 
canção, um cântico. 
As suas palavras possuem imagens sonoras que expressam ora doçura, ora raiva, ora 
frustração, ora júbilo, na língua original. E é magistral em todas as línguas, qualquer 
tradução, é encantadora. 
O Cântico dos Cânticos santifica a paixão entre o homem e a mulher, é uma 
declaração profética, sacerdotal, da beleza deste amor. É a mais importante 
declaração religiosa sobre o caráter do amor conjugal. Se lido, se amado, se exercido, 
traria uma qualidade conjugal maravilhosa para todos os casais em todas as culturas do 
mundo. Todo posicionamento filosófico, doutrinário ou religioso que contradiga o 
cântico dos cânticos é um ato contra a liberdade do amor promulgada por Ele. 
9 
Ele é a constituição universal e soberana da paixão, na dimensão humana. 
Contudo, não existe somente uma dimensão em Cânticos, ele é uma dádiva humana, e é 
um canto de amor do Espirito de Deus, pela humanidade, por Israel, pela Igreja. Por isso 
nele existe uma leitura profética tão impactante quanto há em Salmos. Ele é tão cheio de 
imagens espirituais quanto os Evangelhos ou o Apocalipse. É uma história de amor que 
transita entre dois universos, entre duas realidades. Nos olhos do rei que apaixonado pede 
para que sua amada desvie seus olhos dos dele porque seu olhar o faz desvanecer, 
enrubescer, envergonhar-se lemos a belíssima história de amor que retrata de modo 
singular o descompasso de muitos corações. Dos nossos, dos personagens, de todos os que
se apaixonarem e de Deus. Um filme Indiano contado pelo mais sábio ser humano que 
viveu na terra, num dia apaixonado, de modo apaixonante, repleto de inspiração divina. 
Para compreendê-lo é importante conhecer antes alguns capítulos e de textos do Velho 
Testamento, lugares, paisagens, acontecimentos. 
Cantares possui 117 versos onde há um número surpreendente de palavras raras, palavras 
que ocorrem apenas no Cântico dos Cânticos, muitos só uma vez lá, ou que ocorrem 
pouquíssimas vezes em todo o resto do corpo do Antigo Testamento. Nele há cerca de 470 
palavras diferentes. E destas 470 palavras, cerca de 50 destes são “harpax legomena”. Esse 
termo místico significa que na língua hebraica só ocorrem em Cantares. O resultado é que 
muitas vezes há incerteza quanto ao exato significado destes termos e seu correto uso nas 
frases. 
“Como óleo purificado, como unguento derramado”- Cânticos utiliza como principal 
figura a comparação, a símile. As símiles são facilmente identificáveis pela precedência de 
“como” ou “semelhante”. Como as usadas nos versos: Semelhante é usada 9 vezes - 
Cantares 5:6, 8, 11, 15; 6:4, 10, 13; 8:6, 10. “como” é usado 47X em 36 versos - Cantares 
1:3, 5, 7, 9, 15; 2:2, 3, 9, 17; 3:6; 4:1, 2, 3, 4, 5, 11; 5:11, 12, 13, 15; 6:5, 6, 7, 10; 7:1, 2, 3, 4, 
5, 7, 8, 9; 8:1, 6, 10, 14. Questione ao Espírito de Deus sobre a profundidade para 
compreender a profundidade destas comparações. 
A palavra hebraica para "Águia" é nesher; nun, shin, reish. As duas letras finais de nesher 
podemos dizer shar, que significa "canção". Em Hebraico, “cântico”, que inclui poesia, 
é chamado shir, como representado pelas letras hebraicas shin e reish de nesher 
- Salomão, Shulamit - Sulamita, Shalom - paz, Ierushalaim - Jerusalém. Trata-se inclusive 
de uma ênfase à letra _ (shin) do hebraico e que é a 21ª letra do alfabeto - a letra que tem 
a forma do candelabro do Tabernáculo. 
A sibilação das palavras transmitidas pelo shin, Sholomoh, Shulamit, Shalom, 
Ierushlaim põe em evidência o desejo do autor, caprichoso em seus mínimos detalhes. 
Ierushalaim significa herança eterna de paz (Ierushaolam). E essa sibilação é como 
que um som trazido pelo sopro do Espírito Santo de Deus, como que a dizer: 
- Paz, paz, paz. 
(Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão) 
L. A. Schökel inclui, também, esse critério de sonoridade como elemento de análise 
poética. Segundo este autor, existem “fenômenos estilísticos”, que acontecem através da 
repetição de sons semelhantes ou iguais, e são possíveis de detectar mesmo sem conhecer a 
10
sonoridade exata dos fonemas. A língua hebraica usa mais efeitos sonoros do que as línguas 
modernas 
O cântico retrata um grande amor vivido por um homem gerado por uma tragédia (o 
assassinato de Urias), fruto de uma paixão insana (vivido por Davi), tendo vivido em meio 
a uma família marcada por um incesto (Amon e Tamar) e tendo se tornado o mais 
poderoso e rico homem que a terra presenciou. E que, apesar de tudo isso, apaixonou-se 
por uma aldeã, por uma plebeia, por uma jovem comum, que correspondeu a esse amor 
louco! 
E enfrentando as tradições, as diferenças sociais, de ambos, conseguindo por fim desposá - 
la. E nesse amor Deus enxerga a sua própria odisseia, o seu próprio amor, e o seu 
apaixonado coração. 
A feliz unidade revelada em Cantares é inconcebível à parte do Espírito Santo. 
Um jogo de palavras, baseado no “sopro” divino do fôlego da vida (o Espírito Santo) de 
Gênesis 2.7 parece vir à tona em Cantares. Isso acontece em “antes que refresque o dia” 
(2.17; 4.6), no “soprar” do vento no jardim da Sulamita (4.16) e, surpreendentemente, na 
fragrância da respiração e do fruto da macieira (7.8). 
11 
“almá” 
Moça, Virgem.
12 
A Sublimidade De Cantares 
As Escrituras possuem outros Cânticos, nomeados assim, compostos assim, todos com 
estupendo e notório caráter profético. Essa lista não é exaustiva: 
 Êxodo 15:1 
ENTÃO cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor, e falaram, 
dizendo: Cantarei ao Senhor, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o 
cavalo e o seu cavaleiro. 
 Êxodo 15:2 
O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu 
Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o 
exaltarei. 
 Números 21:17 
Então Israel cantou este cântico: Brota, ó poço! Cantai dele: 
 Deuteronômio 31:19 
Agora, pois, escrevei-vos este cântico, e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na 
sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel. 
 Juízes 5:12 
Desperta, desperta, Débora, desperta, desperta, entoa um cântico; levanta-te, 
Baraque, e leva presos os teus cativos, tu, filho de Abinoão. 
 2 Samuel 22:1 
E FALOU Davi ao Senhor as palavras deste cântico, no dia em que o Senhor o 
livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. 
 Salmos 33:3 
Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo. 
 Salmos 40:3 
E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e 
temerão, e confiarão no Senhor. 
 Salmos 69:12 
Aqueles que se assentam à porta falam contra mim; e fui o cântico dos bebedores 
de bebida forte. 
 Salmos 69:30 
Louvarei o nome de Deus com um cântico, e engrandecê-lo-ei com ação de graças. 
 Salmos 77:6 
De noite chamei à lembrança o meu cântico; meditei em meu coração, e o meu 
espírito esquadrinhou. 
 Salmos 96:1 
CANTAI ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor toda a terra. 
 Salmos 98:1
CANTAI ao Senhor um cântico novo, porque fez maravilhas; a sua destra e o seu 
braço santo lhe alcançaram a salvação. 
13 
 Salmos 118:14 
O Senhor é a minha força e o meu cântico; e se fez a minha salvação. 
 Salmos 126:2 
Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia 
entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes. 
 Salmos 144:9 
A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com o saltério e instrumento de dez cordas 
te cantarei louvores; 
 Salmos 149:1 
LOUVAI ao Senhor. Cantai ao Senhor um cântico novo, e o seu louvor na 
congregação dos santos. 
 Cantares 1:1 
CÂNTICO dos cânticos, que é de Salomão. 
 Isaías 5:1 
AGORA cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. 
O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil. 
 Isaías 12:2 
Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o Senhor 
Deus é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação. 
 Isaías 25:5 
Como o calor em lugar seco, assim abaterás o ímpeto dos estranhos; como se 
abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o cântico dos tiranos será 
humilhado. 
 Isaías 26:1 
NAQUELE dia se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte, a 
que Deus pôs a salvação por muros e antemuros. 
 Isaías 30:29 
Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa santa; e 
alegria de coração, como a daquele que vai com flauta, para entrar no monte do 
Senhor, à Rocha de Israel. 
 Isaías 42:10 
Cantai ao Senhor um cântico novo, e o seu louvor desde a extremidade da terra; 
vós os que navegais pelo mar, e tudo quanto há nele; vós, ilhas, e seus habitantes. 
 Isaías 54:1 
CANTA alegremente, ó estéril, que não deste à luz; rompe em cântico, e exclama 
com alegria, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher 
solitária, do que os filhos da casada, diz o Senhor. 
 Isaías 55:12 
Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros 
romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. 
 Apocalipse 5:9 
E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os 
seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens 
de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; 
 Apocalipse 14:3 
E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e 
dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e 
quatro mil que foram comprados da terra. 
 Apocalipse 15:3
E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: 
Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e 
verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos. 
14 
Mas somente um é chamado de Cântico dos cânticos. 
FORMOSA 
Formosa - Yapheh - (yapheh) é um adjetivo que significa beleza, usado para descrever a 
beleza das mulheres (Gênesis 12:11, 14, 2Sa 13:01, Esther 2:7). E boa aparência ou belos 
homens (2Sa 14:25). usos estão em Cantares de Salomão) - Gen 1:11, 14; 29:17; 39:6; 41:2, 
4, 18; Dt 21:11; 1 Sa 16:12; 17:42; 25:3; 2Sa 13:1; 14:25, 27; 1Rs 1:3, 4; Ester 2:7; Jó 42:15; 
Ps 48:2; Pr 11:22; Eclesiastes 3:11; 5:18; Canticos 1:8, 15, 16; 2:10, 13; 4:1, 7; 5:9; 6:1, 4, 10; 
Jer 11:16; Ez 31:3, 9; 33:32; Amós 8:13. 
Ele fez tudo formoso no seu tempo. 
Ele também pôs a eternidade no coração deles, mas para que o homem não vai descobrir a 
obra que Deus fez desde o princípio até o fim. (Eclesiastes 3:11) . 
Há uma misteriosa conexão entre a palavra “formosura”, “tempo” e “eternidade” nas 
Escrituras. Salomão associará anos mais tarde, quando já um ancião a palavra formoso com 
o tempo. A expressão “formoso em seu tempo” evoca a mocidade, a beleza da juventude, 
a beleza da criança, ao instante em que a mulher atinge o apogeu de sua beleza, o instante 
em que o homem atinge o apogeu de sua força, virtudes que serão afetadas pelo processo 
do envelhecimento natural. Percebemos a transitoriedade da vida, e sabemos que tais 
momentos são passageiros, ainda que venham a durar anos ou mesmo dezenas de anos,
Não se mantém. Não é eterno. Porém o texto nos surpreende. Ele associa-se com o 
conceito de “eternidade”, implantada no coração humano. Uma vocação para não quere r 
envelhecer, não desejar morrer, antes manter a saúde, a beleza, a virilidade, para todo o 
sempre. Há um sonho no espírito humano. Uma das engrenagens mestras que movem a 
ciência é a manutenção da eterna juventude e a busca da imortalidade humana. Milhares de 
pessoas hoje buscam camaras criogênicas para manutenção de seus corpos após a morte na 
esperança de um dia ressuscitarem e serem restauradas. 
A revelação contida em Eclesiastes vai além da percepção do desejo de imortalidade 
humana. Diz que a ETERNIDADE foi colocada no espírito humano. Que de algum modo 
o ser humano entende que nele habita um espírito que não cessa com a morte física. Que 
há algo que aponta para a existência de um universo no qual a morte não possui domínio. 
Que há uma dimensão que não é afetada pelo tempo. Em sua alma ecoa a dimensão 
angelical, em sonhos, em percepções, em inspirações momentâneas ele sente, ele é tocado 
pelos poderes espirituais ao seu redor. Dom Richardson nos concederá uma maravilhosa 
visão sobre a profundidade do testemunho divino, e tremendas revelações sobre sua pessoa 
concedida aos povos, raças, tribos e nações, preparando-as para conhecerem a Cristo, seu 
amor, e seu projeto. 
Fator Melquisedeque 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaYTVpVGhzcjM2dHM/edit?usp=sharin 
g 
Há uma razão para que a eternidade tenha sido implantada na esfera humana. Porque no 
Projeto divino há um convite, um chamado, um desejo COMPARTILHADO. Do mesmo 
modo que o espírito humano anseia viver eternamente, o Espírito de Deus anseia que o ser 
humano seja purificado, seja limpo, seja curado, seja transformado, para receber o 
DIREITO a participar de sua ETERNIDADE. Deus deseja intimamente que “formoso ao 
seu tempo” seja mudado para “formoso eternamente”. 
15
16 
A HISTÓRIA DE SALOMÃO 
Há uma tremenda diferença entre Davi e Salomão. Porém, dezenas de similaridades. 
Salomão herdou do pai a musicalidade e a inspiração. Um poeta por excelência, um luthier, 
um estadista, um cantor e instrumentista. Não está declarado, mas quem escreveu este 
estudo é um musico. E nós músicos reconhecemos músicos com certa facilidade. Salomão 
fabrica instrumentos únicos e é autor de milhares de canções. Tinha um pai que organizou 
a primeira orquestra de Israel. Viveu sua infância16 e adolescência ouvindo as dezenas de 
melodias inspiradas da boca do maior menestrel, do maior cantor, musico e compositor de 
Israel. A facilidade que Salomão possui de compor cânticos, sua proximidade com Davi e 
mesmo com o Templo, sua vida vivida próximo dos maiores mestres de música de sua era, 
Hemã, Asafe e Jedutum, sua capacidade na escolha de uma madeira especialíssima para 
confecção de instrumentos que originariam um dia os violões, guitarras, alaúdes e seus 
parentes nos indicam com “maestria” o grau de musicalidade de Salomão. E nos conduzem 
a reconhecê-lo como exímio cantor. Até porque a moça de Cantares reconhece a beleza e 
suavidade de sua voz. 
...e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba 
minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das 
gotas da noite... 
Salomão escreveu cerca de 1005 cânticos. (I Reis 4.32,33) mas, somente um destes foi 
preservado. Sendo Salomão seu autor, o livro foi provavelmente escrito depois de ele 
tornar-se rei, ter adquirido muitas carruagens do Egito e ter ampliado suas vinhas até o vale 
de Jezreel. O rabino Akiba (135 d.C.) afirmou que este era o mais sagrado dos Livros 
Sagrados de Israel. Foi considerado sagrado por sua alegoria do relacionamento amoroso 
entre Israel e o Senhor da Aliança. Como tal, era lido anualmente pela nação por ocasião da 
Festa da Páscoa. 
Esse Cântico de Amor, porém, foi também apreciado e julgado sagrado por Israel devido à 
sua descrição áurea do amor conjugal. Este livro eleva o relacionamento entre esposo e 
esposa a um alto plano de dever sagrado e experiência espiritual, cumprindo a ordem divina 
da intimidade conjugal de Gênesis 2.24. Enfatiza também a importância de adiar tal 
intimidade, “nem desperteis o amor” (8.4), até o momento propício, que é simbolizado no 
Casamento. 
A grande diferença entre Salomão e seu pai é que Salomão manejava com maestria 
um alaúde, mas não a espada. Salomão não guerreou como seu pai, não esteve em 
batalhas sangrentas, não viveu sob o toldo das estrelas junto a batalhões de mercenários, 
em lutas dramáticas e sobrevivendo à custa de livramentos espetaculares. Davi havia 
participado de batalhas até não ter mais condições físicas de restar num campo de combate. 
Um guerreiro por excelência. Salomão não possui tais capacidades, não era um guerreiro 
porque as lutas de seu amado pai haviam lhe proporcionado uma dádiva única. A paz. Davi 
vencera todos os inimigos. Israel pela primeira, única e última veza em toda sua história 
milenar gozava de paz, ainda que por submissão através da força com algumas nações, com 
todos os seus vizinhos.
Salomão significa pacifico. Ele é filho do maior rei de Israel, filho de Davi. Seu pai era 
poeta, um profeta e um grande musico. Sua mãe é Betseba, a maior paixão da vida de seu 
pai e também a fonte de seu maior pecado. Davi a conheceu muito jovem, desposada de 
um de seus mais valorosos guerreiros. A história do Rei Arthur e de Lancelot é a resposta 
literária para a tragédia que envolve o episódio com Betseba. Em dias de guerra quando seu 
esposo estava lutando as guerras de Israel Betseba foi com suas servas banhar-se num 
riacho próximo ao palácio do rei e ele ao vê-la banhar-se, contemplando sua extrema 
formosura, a deseja. Informa-se com seus servos sobre quem é a moça que se banhou ao 
lado de seu castelo e descobre que ela é esposa de um de seus mais valentes e nobres 
soldados. E que pertencia a sua guarda pessoal conhecida como “os valentes de Davi” . 
Movido pelo desejo ele a convida para jantar com ele no palácio. A moça se sente honrada 
e certamente Davi utilizou-se de todos os seus recursos para seduzi-la. E conseguiu. 
Mesmo casada ela consente em ter uma noite com o rei e depois volta para casa. Porém 
nessa única experiência extraconjugal fica grávida e manda avisar ao rei. Após vários planos 
de tentar encobrir sua culpa não funcionar, incluindo embebedar ao esposo de sua amante 
grávida, Davi querendo evitar a vergonha do acontecimento e a exposição da situação 
embaraçosa ao público decide colocar um sórdido plano em ação na qual faz o marido de 
Betseba ir para a mais perigosa frente de batalha tendo em mãos uma carta na qual havia, 
sem que soubesse disso, sua própria sentença de morte. Na carta que Urias carregou para o 
general à frente de uma longa batalha para tomada de uma cidade estavam ordens para que 
o infeliz soldado fosse conduzido a pior frente de batalha e em algum momento, 
abandonado pelos companheiros. Assim cumpre a ordem imoral, sem pestanejar, o general 
Joabe. E Urias morre naquela mesma noite. O rei é avisado da morte de Urias e env ia 
servos para avisar a Betseba do triste fim de seu esposo. Dias após ele manda recolher a 
belíssima moça viúva em seu palácio. Sendo considerado um nobre por todos os seus 
contemporâneos, fortalecido pelo fato de aceitar a esposa grávida, de outro homem - pois 
de nada desconfiavam, senão Joabe, que tudo sabia. Porém enquanto representava seu 
sórdido papel o Espírito de Deus revelou toda a trama ao profeta do reino de Davi. A 
criança que iria nascer desta união ilegal, morre. Porém meses depois nasceri a uma 
segunda criança. Essa criança é Salomão a quem Davi chamou de PAZ. Porque agora 
entendia que poderia sentir a paz que a culpa de suas ações torpes haviam dele retirado. 
Muitos dramas viveria Davi em virtude desta paixão seguida da morte de um amigo. 
Incluindo o drama de sua filha Tamar, possuída por um de seus filhos, Amon. Tamar foi 
vingada através de um filho de outra esposa de Davi, Absalão e Absalão morreria nas mãos 
do mesmo general que um dia recebeu a carta que enviou para Urias para a morte, em 
virtude de um motim que terminou em tragédia. 
Porém seu arrependimento e sua conduta futura mostraram ser ele um dos mais singulares 
homens que já viveu sobre a terra. Deus o chama de “meu amado”. Suas canções de 
louvor e adoração eram tão cheias do espírito de Deus que ainda podemos nelas ler 
profecias que um dia se cumprirão sobre a terra. Mil anos antes da crucificação leremos no 
salmo 22 a exata reconstrução da cena do calvário. Davi envelheceu e deixou o reino para 
seu filho Salomão. Salomão teve um passado conturbado. E sob a sombra de um futuro 
incerto Salomão recebeu por intermédio de um sonho uma dádiva que transformaria toda 
sua vida. O Espírito de Deus se manifesta num sonho e pergunta-lhe o que gostaria de ter. 
E ele responde: 
- Capacidade de discernir entre o certo e o errado. Sabedoria para poder julgar com justiça 
as causas de meu povo. 
E Deus lhe concedeu o que solicitou. E num patamar que nós desconhecemos. Temos 
uma vaga noção de seu discernimento através de Eclesiastes e do livro de Provérbios e de 
17
sua capacidade de julgar os corações humanos restou-nos uma única decisão jurídica, que é, 
para todos que leem uma das mais inteligentes e justas decisões que a história nos legou. 
Quase imprescindível em cursos de Direito deixar de mencionar a cena das prostitutas e da 
espada. 
Salomão Foi um grande administrador, sua riqueza narrada nas Escrituras é para nós quase 
que mítica. 
Um pouco antes da morte de seu pai, quando já envelhecido, é dito que Davi sente muito 
frio num dramático inverno em Israel. Os conselheiros solicitam a vinda de uma jovem 
para aquecer ao rei. Uma moça da região de Sunem, Abisaque, é conduzida até o palácio e 
sua única missão é dormir ao lado do rei para aquecê-lo, e assim ela o faz até os últimos 
dias daquele inverno, no qual Davi falecerá. Ela é conhecida pelo povoado de onde viera, é 
Sunamita. Suném estava localizada em uma elevação de terras a cinco quilômetros ao norte 
do vale de Jezreel. Sunen é conhecida como a atual Sulan, 
Shulen Sulam (Arabic: ملوس ; Hebrew: . סוּלַם 
18
19 
Sobre Sunamita 
As duas pronunciam são possíveis, Sunamita ou Sulamita. Porque podemos pronunciar 
Sunem ou Sulen. A cidade atualmente é chamada de Sulan. Sulamita é mais próxima a 
pronuncia do nome do rei Salomão. Neste estudo optou-se por nomeá-la, a maior parte 
do tempo, de Sunamita. 
Importante observar que Jerusalém possui “Salém” muito próxima a “sulem/sunem” 
escreve-se do mesmo modo. Yerou – Cidade – Salém – da paz. Salém é um modo 
carinhoso de chamar Jerusalém. 
Sulan/Sunem fazia parte da porção de terra dada aos descendentes de Issacar, de frente ao 
monte Gilboa onde o rei Saul realizou sua última batalha e onde morreram também seus 
filhos. Era Rodeada por cactos e pomares, logo a sua frente estava o monte Carmelo, onde 
um dia o profeta Elias lutaria com quatrocentos profetas de Baal. É parte da região que 
será chamada um dia de Galiléia. Sunem é a cidade onde, quatrocentos anos após a 
composição de Cantares, uma moça infértil terá um filho que morrerá e ressuscitará pelo 
ministério do profeta Eliseu. Bem próximo ao sul, podia se ver o caminho inclinado que 
levava ao monte Gilboa. A Sunamita vem de uma cidade que ao norte possui o vale de 
Jezreel, ao sul ao monte Gilboa. Cada pedaço da geografia da terra santa é coberto de 
significados. Um dia esse vale, o qual era uma propriedade agrícola na época de Salomão,
será o palco da maior batalha feita pelo ser humano, profetizada por João em Apocalipse, a 
batalha de Ar-magedom. Ou Batalha do monte Megido, em referencia ao monte que fica no 
meio do vale de Jezrel. Nesse vale Jesus caminhará um dia e enfrentará os exércitos do 
mundo que se reunirão para destruir a Israel, segundo a profecia dada em Apocalipse. 
20 
Sunem em 1914 
A Sunamita neste momento do cântico não evoca tantas realidades. Ainda. Mas é 
importante ver o futuro para compreender o caráter profético do Cântico. 
400 anos após: 
A cena da ressurreição do filho da Sunamita do futuro:
"Sucedeu também um dia que, indo Eliseu a Suném, havia ali uma mulher importante, a 
qual o reteve para comer pão; e sucedeu que todas as vezes que passava por ali entrava para 
comer pão." 2 Reis 4:8 
"E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é 
um santo homem de Deus." 2 Reis 4:9 
"Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto junto ao muro, e ali lhe ponhamos uma cama, uma 
mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, vindo ele a nós, para ali se recolherá." 2 
Reis 4:10 
"Haverá alguma coisa de que se fale por ti ao rei, ou ao capitão do exército? E disse ela: Eu 
habito no meio do meu povo." 2 Reis 4:13 
"E concebeu a mulher, e deu à luz um filho, no tempo determinado, no ano seguinte, 
segundo Eliseu lhe dissera." 2 Reis 4:17 
"E, crescendo o filho, sucedeu que um dia saiu para ter com seu pai, que estava com os 
segadores, E disse a seu pai: Ai, a minha cabeça! Ai, a minha cabeça! Então disse a um 
moço: Leva-o à sua mãe." 2 Reis 4:18-19 
"Chegando ela, pois, ao homem de Deus, ao monte, pegou nos seus pés; mas chegou Geazi 
para retirá-la; disse porém o homem de Deus: Deixa-a, porque a sua alma está triste de 
amargura, e o SENHOR me encobriu, e não me manifestou." 2 Reis 4:27 
21 
Retornado a época do Cântico: 
A beleza dessa moradora de Sunem devia ser impressionante. A moça passa a habitar o 
palácio agora pertencente a Salomão. Tão impactante é sua formosura ou talvez por 
motivos políticos, um dos irmãos de Salomão, Adonias, que havia pretendido ser o rei após 
a morte de Davi, solicita a Salomão que lhe envie a moça. Salomão Já tinha recebido ordens 
expressas de Davi para lidar com as artimanhas de Adonias. E por considerar a moça quase 
como “esposa” de seu pai, Salomão ultrajado nega-se a envia-la e ainda o condena com 
dura punição. Talvez Adonias quisesse maltratar da moça, e Salomão interpretou que ao 
envia-la estaria na verdade condenando-a a prisão, desterro ou mesmo a morte. 
Salomão praticaria durante sua vida a prática de unirem-se as famílias dos reis através de 
casamentos. Tornando-se parente dos soberanos, evitaria a guerra. Mas essa união se dava 
através de seu casamento com as filhas dos vizires, dos nobres e governantes de diversos 
povos.
22 
Quando Salomão escreve os Cânticos numa de suas linhas ele diz: 
“Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número” 
Isso coloca o tempo da Autoria de Cantares em sua Juventude, nos primeiros anos de seu 
reinado. Porque ao fim de seu reinado de mais de quarenta anos, Salomão terá acumulado 
cerca de 1000 mulheres! 
I Reis 11 
O rei Salomão casou com muitas mulheres estrangeiras, além da princesa egípcia. Muitas 
delas vieram de nações onde se adoravam ídolos — Moabe, Amom, Edom, Sidom e dos 
heteus — 2 apesar do Senhor ter dado instruções expressas ao seu povo para que não 
casasse com pessoas dessas nações, porque as mulheres com quem eles casassem haviam 
de os levar adorar os seus deuses. Apesar disso, Salomão deixou-se levar pelo amor por 
essas mulheres. 3/4 Teve setecentas mulheres e trezentas concubinas; elas foram, sem 
dúvida, responsáveis por ele ter desviado o seu coração do Senhor, especialmente no 
tempo já da sua velhice. Encorajaram-no a adorar os seus deuses em lugar de confiar 
inteiramente no Senhor, como fazia seu pai David. 5 Salomão prestou culto a Asterote, 
deusa dos sidónios, e a Milcom, o abominável deus dos amonitas. 
E em troca do ganho politico Salomão teve que construir uma “cidadela” para abrigar suas 
esposas e concubinas. E de seu relacionamento com essas mulheres, podemos imaginar as 
intrigas palacianas, os festivais, as grandes comemorações, as danças, e a necessidade de 
aceitar a religiosidade, as culturas e as tradições destas mulheres. Elas não poderiam viver 
da “intimidade” com o rei, não poderiam desfrutar sequer de sua presença a sós, na maioria 
do tempo. Então elas tinham direito a tudo que pudesse tornar sua vida mais confortável. 
Mas ao curvar-se diante de tantos caprichos de tantas princesas Salomão praticou atos 
contrários a sua fé. Algumas das religiões apresentadas introduziam práticas abominadas 
por Deus. Incluindo sacrifícios de animais impuros, ritos de sangue, bebidas alucinógenas, 
cultos sexuais e até mesmo sacrifícios humanos, que se não realizados literalmente, eram no 
mínimo, ritualizados ou simulados. 
Enquanto é jovem Salomão ainda teve condição de viver, de um modo milagroso, um 
grande amor. Depois ele se perderá em futilidades, em atos que necessitará repensar. Esse 
autojulgamento, essa reavaliação de sua vida, de seus ideais, de seus valores e do que 
realmente importou após uma vida plena de recursos, num nível para a maioria de nós 
inimaginável, nós leremos no livro de Eclesiastes. 
Como então, você perguntaria, um homem que teve 700 esposas pode ter gerado um 
cântico tão profundo que fala sobre uma única grande paixão? E de que adiantou narrar 
tamanha história de amor se diante de tão grande poligamia um sentimento como este 
parece perder o sentido? Ou porque Deus permitiu que o Cântico de um sujeito com 
tantos envolvimentos, tão “mulherengo” servisse como pano de fundo de seu amor 
exclusivo? 
As Escrituras falam-nos de seres humanos, com defeitos, vícios e falhas que receberam a 
graça de serem portadores de voz de Deus, de sua Palavra, de seu Amor. Foi em meio a 
humanidade pecadora que Deus manifestou-se maravilhosamente, não levando em conta 
seus pecados, mas abençoando e escolhendo momentos especiais de suas vidas para 
comunicar-nos a sua Palavra. O Espírito de Deus capturou um momento especial na
vida de Salomão, um momento único, ainda que passageiro, e dele usou para falar 
de seu amor que nunca cessa. O que foi vivido por algumas semanas, meses ou 
anos, é retratado de modo magnifico, é relembrado e preservado pelo Espírito, de 
mil e cinco cânticos, somente este Deus escolheu para representar seu coração. Um 
momento da vida de um homem que ele abençoou, que refletem do mesmo modo UM 
MOMENTO da VIDA DE DEUS. Deus é eterno, toda a história humana equivale a 
momentos desta eternidade. Da criação até a Redenção, da Ressurreição até a Nova 
Criação, pode ser um longo período para nós que passamos como uma sombra. 
Mas, não para Ele. 
23
Cantares possui muitas dimensões. Ele é ao mesmo tempo o mais belo cântico de amor 
humano escrito e adorna os mais sublimes mistérios proféticos contidos dentro das 
Escrituras. 
Perfaz uma viagem transcendental até o interior de Deus, evocando poeticamente toda a 
magia da beleza do amor divino, transmitindo os rubores e rumores, a excelência e a 
profundidade de um amor que excede ao nosso entendimento, através de um cântico 
tecido através de imagens, gestos, sentimentos, sombras, personagens e um amor que vai 
crescendo até atingir a mais poderosa expressão que já foi expressa sobre o seu significado, 
no capitulo oitavo. O livro cresce em intensidade e paixão, trafegando por paisagens 
belíssimas, transportando-nos a realidades que representam os céus, a terra, os anjos, ao 
espírito humano, a alma, aos sonhos, a vida e a morte, a eternidade e a profecia, 
desvendando através de uma singela história de amor, ao amor de um modo completo. 
24
25 
O apogeu de Cantares é um grito enciumado que impressiona-nos profundamente: 
Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor 
é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de 
fogo, com veementes labaredas.
O amor desafia afrontosamente ao poder que mais alvoroça os sentimentos dos homens, 
que desafia ao dinheiro, ao prestigio, à fama e ao poder que destroniza reis, que lança por 
chão a soberba humana, que enterra na cova dos pobres aos altivos desta terra e que nivela 
o arrogante ao humilde, o déspota ao servo errante. A morte afronta aos poderosos, 
afronta a sociedade, a ciência humana, a soberba do homem. Mas não é capaz de declarar-se 
vitoriosa diante do amor. E mesmo que o fosse por milênios, na ressurreição de Cristo a 
morte é afrontada com a verdade desta essência imortal, poderosa e deslumbrante. O 
cântico dos cânticos PROFETIZA a vitória de um poder que é tão grande quanto o poder 
da morte. E avança na declaração dizendo que este amor gera CIUME, um CIUME tão 
monstruoso, tão aterrador, tão poderoso, que as sepulturas não são mais resistentes do que 
ele. E que as suas brasas são maiores do que as sepulturas, cujo fogo é veemente, 
incansável, inextinguível. E é por causa deste CIUME que a morte não poderá SEPARAR 
do AMADO a vida de sua amada. A morte não resistirá a tamanho amor. Não poderá 
conter aos redimidos em seu seio, ou os que morreram aguardando a vinda do Amado sob 
seu poder. Paulo declarará de outro modo esse epíteto: 
26 
“Quem nos SEPARARÁ do AMOR de CRISTO? A morte, ou os principados?” 
Fruto de idêntica inspiração. 
Nossas vidas são limitadas aos nossos dias que passam ligeiro. Trazemos conosco 
memórias, carregamos a esperança no colo. Nosso mundo envelhece juntamente conosco, 
basta ver uma foto do jardim da infância ou das ruas de nossa cidade transformadas pela 
urbanização. Nossa história muda no decorrer dos anos, assim como nossos 
relacionamentos, nossos projetos. Alguns sonhos se realizam, outros se desfazem, 
sofremos perdas e alcançamos gigantescas vitórias. Somos marcados por pessoas.
Marcados por amizades, ou por inimizades, pelo afeto que deixou marcas ou pelas 
perseguições que do mesmo modo deixaram em nós marcas na alma. Cantares canta um 
momento da vida de dois jovens enamorados. E se pudéssemos transcender a história dos 
dois enamorados até a história divina? Nosso ontem retrocede até nosso nascimento. 
Nosso amanhã vai até nossa sepultura, caso não aconteça algo sobrenatural, humanamente 
falando. Cristo muda dramaticamente essa métrica. Porém a história de Deus se inicia, por 
assim dizer, na eternidade passada, ou no passado da eternidade e finda...não. Não finda. 
Mas independente de não ter início e nem fim, Deus possui uma história. Ele também 
possui marcas deixadas por afetos e inimizades em sua essência. Em sua memória, em suas 
obras, em suas realizações. A história divina é profundamente impactada pela nossa. Por 
mais paradoxal que possa parecer este enunciado. 
Para torná-la inteligível, compreensível a nós Ele a retratou em Cantares. Toda ela. O amor 
de Salomão e Sunamita é uma dança, um cântico, um drama, uma canção. Nessa canção o 
Espírito entoará um cântico de amor, a sua própria canção. Em cada passo da dançarina 
de Cantares ele verá a dança da Sunamita Celestial, que representará o seu amor pela Igreja 
terrena e pela misteriosa e invisível Igreja Celestial. Aquela que aparece num momento 
assombroso lá no Livro de Hebreus, a multidão de espírito dos justos aperfeiçoados e aos 
incontáveis anjos. 
O livro acontece em 8 capítulos, que percorrem alguns dias. Talvez 7 dias mais um do 
casamento futuro e outro especial da recompensa dos guardas. Uma semana memorável, 
mágica. Um momento único da vida de um jovem e uma adolescente. 
Toda a história da Redenção, que compreende fatos anteriores a existência do homem e 
fatos posteriores à história humana, representam somente um instante, um momento da 
Vida daquele que Vive para Todo o Sempre. Mas, que são profundos para o seu coração. 
O livro então será um dueto. E uma dança. Anjos irão dançar nos céus testemunhando a 
dança da menina caçadora de raposas, o Espírito comporá a quatro mãos a melodia, 
juntamente com o apaixonado Salomão. Salomão olha para sua amada e nela Deus 
contemplará sua paixão. 
Cantares nos apresentará o amor de Deus pela Igreja, por Israel e pela Humanidade, de 
maneira: 
27 
Lúdica e Profética 
De modo Humano e de modo Sobrenatural 
Percorrendo a história e a eternidade. 
https://www.youtube.com/watch?v=O9CG_PoEWCg 
Este Estudo tem a intenção de descortinar o segundo véu. Indo além da dimensão 
humana de Cantares, ir de encontro ao Sobrenatural e a Eternidade. A palavra 
“sombra” no Novo testamento é um termo técnico quando usado para descrever 
realidades espirituais. Por “sombra” entendemos que uma cena que aconteceu no Velho 
Testamento representa algo transcendente, algo futuro, ainda desconhecido. Como se 
víssemos uma imagem refletida por um espelho de cobre, por um pedaço de metal limpo, 
ou um reflexo na água. Nos concede uma ideia. Uma vaga noção. Uma “sombra”. O 
Cântico também apresenta-nos como uma “sombra”. E é atrás de uma das dimensões 
desta “sombra” que os comentários irão focar, na esfera das coisas invisíveis, eternas,
celestiais. Cantares não se limita ao que será exposto. Haveria espaço para uma abordagem 
humana que vai desde a intimidade de um casal, a psicologia do afeto, as questões lúdicas 
(essas eu trato, mas com enfoque nas coisas eternas) as questões sociais presentes... as quais 
esboço. 
Como falei, Cantares é um DUETO. Espiritual e humano. 
Não há uma espiritualização ou alegorização que CONTENHA os significados de 
Cantares. Pregar as questões proféticas não anula as demais questões do livro. 
Ele é mais profundo do que nós mestres somos capazes de explicar e do que os profetas 
são capazes de enxergar. 
Se um profeta disser para você que ele sabe o significado completo, que o que ele sabe é o 
que DEFINE CANTARES, se sua visão profética é tudo, para todos, 
28 
Ria. Baixinho. Pode ser que ele esteja do seu lado. 
Welington José Ferreira
29
As Escrituras vertem vinho. O único livro do antigo Testamento que não menciona o 
vinho é o livro de Jonas. E tem uma razão. O vinho é uma figura que quando usada com 
o Espírito de Deus evoca uma de suas qualidades de caráter. Assim como o óleo, quando 
aplicado como representação do Espírito. O Vinho simboliza, em relação ao Espírito a sua 
presença NO INTERIOR, em especial sua Vida, sua Alegria. O óleo, igualmente, 
simboliza a unção, a MANIFESTAÇÃO EXTERNA, de modo mais amplo ao PODER 
do ESPÍRITO. Jonas foi um dos homens mais ungidos que já pisou este mundo. Tem algo 
a ver com o que ocorreu com ele lá no interior do peixe abissal que o engoliu. Para todos 
os efeitos, literal ou espiritualmente, Jonas é um MORTO que saiu das ÁGUAS e das 
profundezas para PREGAR aos mortos espirituais de Nínive. E sua pregação é tão 
poderosa que fazem 200.000 pessoas ou mais, chorarem, gritarem, clamarem a Deus sua 
graça, implorarem sua misericórdia e seu perdão. Três dias sem dormir, três dias sem para 
de falar. Três dias que transformaram pela primeira vez e última na história da humanidade, 
toda uma geração, toda uma nação. Impressionante. 
Mesmo assim, Jonas, o fez a base de óleo. Mas não de vinho. Ele ODIAVA aos ninivitas. 
Ele ansiava que eles o rejeitassem, para serem destruídos como Sodoma e Gomorra. Ao 
final da pregação fez um acampamento do lado de fora da cidade aguardando o fogo cair 
do céu e consumi-los pela sua descrença. Só que não aconteceu. Jonas possuía o chamado, 
a vocação, a unção e o poder. Mas não tinha a Alegria, o Amor espiritual ainda derramado 
em seu coração. Ele é um profeta do Velho Testamento que não possui ainda seu espírito 
REGENERADO. Mas não impedia que Deus através deles, operasse grandes sinais e 
maravilhas. Mas já mostra a profundidade do uso do Vinho nas Escrituras. 
A outra cena, antes de iniciar o assunto. Jesus recebe das mãos de um soldado, enquanto 
crucificado, uma esponja embebida em um tipo de vinagre misturado a especiarias, mirra e 
30
bálsamos. Uma bebida que amenizaria um pouco suas dores, um fortíssimo narcótico. Mas, 
ele a recusa, veementemente. 
Porque Jesus recusou beber o narcótico? 
Tem a ver com uma promessa, e com uma profunda representação. A promessa foi dada 
na ceia “nunca mais beberei vinho a não ser convosco, na casa de meu Pai” 
E Jesus SEMPRE cumpre suas promessas. Esse detalhe é belíssimo. Maravilhosíssimo. 
Aquilo era vinagre, um vinho decomposto, degradado, mas ainda era vinho. E em 
segundo lugar, porque Aquele que iniciou seu ministério com a geração 
sobrenatural de um vinho de excelente qualidade, não iria finalizá-lo tomando um 
vinho estragado. Um vinho inferior. 
Por oito vezes Cânticos evocará figura do vinho para evocar os sentimentos do amado pela 
amada: 
Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o 
31 
vinho. 
Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos 
regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; 
os retos te amam. 
Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu 
amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias! 
Já entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra com a 
minha especiaria, comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite; 
comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados. 
E a tua boca como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, 
e faz com que falem os lábios dos que dormem. 
Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a 
beber do vinho aromático e do mosto das minhas romãs. 
E compreender o significados, o simbolismo e as representações relacionadas ao vinho nas 
Escrituras será essencial para compreender a profundidade espiritual, além da dimensão 
humana contida em Cantares. Importante frisar que a semelhança da festa de Assuero em 
Susã, quando apresenta à emissários das províncias persas de todo o mundo, a glória de seu 
reino, Cânticos é banhado em vinho. É época das festas de Benjamim, da festa das
colheitas, da maturação da uva e em todo o oriente e além estão sendo realizados festivais 
movidos a dança, canções e vinho. Muito vinho. A cor de Cântico dos Cânticos é purpura. 
No Egito festivais com um vinho preservado a base de uma química somente conhecida 
por sábios sacerdotes e de uso exclusivo de Faraó está sendo fartamente consumido. Os 
jônios, os aqueus, os eólios e os dórios festejam festas regadas a vinho. As primeiras 
famílias pastoris aryas, entraram na Índia aproximadamente no segundo milênio antes de 
Cristo, período em que os aqueus – com quem estavam, de certo modo, aparentados e cuja 
a língua pertence ao mesmo grupo linguístico do sânscrito – chegavam ao território que, 
posteriormente, formaria a Grécia. O Rig-Veda menciona um tipo de bebida (soma) que se 
assemelha ao vinho misturado com especiarias citado em Cantares. A Índia da época de 
Cânticos não possuía os preceitos de proibição ao vinho que vieram a posterior em sua 
coleção de livros religiosos, porém em todos os épicos os personagens míticos e divindades 
estão festejando suas vitórias com vinho. Os povos semitas estão celebrando aos seus 
deuses com sacrifícios e oferendas de vinho derramado, chamado de libação, e também 
bebendo muito. O vinho possuía um simbolismo relacionado a ressurreição, ao sangue 
derramado, ao sacrifício, em muitas culturas da antiguidade. E incondicionalmente 
conectado às histórias de amor dos deuses do mundo antigo. As festas religiosas em 
Cânticos evocam, nas terras estrangeiras, aos mitos de fertilidade, sempre envolvendo 
deusas, seus pares e a terra que recebia o efeito desse amor. Ou seja, o pano de fundo é 
um mundo literalmente embriagado durante a realização dessas festas. 
Poderia citar que as vestes do Messias cheiram a um vinho cheio de especiarias. Porque o 
vinho da época de Cânticos era comumente misturado a diversas especiarias. Isaías 
mostrará a libertação trazida por parte do Messias por meio de força descomunal, onde 
suas vestes estarão manchadas de vinho, após seu árduo trabalho no lagar. 
32
A cena de Isaias é de um trabalhador do lagar com as vestes completamente cor de vinho 
em virtude dos respingos. A cena é dos inimigos de Deus sendo destruídos, esmagados 
debaixo de grande ira, mas o resultado é que o sangue salpica suas vestes. É a cena de uma 
batalha transformada na cena de uma “batalha” no lagar. 
33 
Para compreender a simbolismo do vinho nas Escrituras temos que estudar um pouco a 
história do vinho. 
A Babilônia já tinha leis que tratavam da exportação de vinhos e A Epopéia de Gilgamesh, 
mais antigo texto literário conhecido, data do século XVIII antes de Cristo. Na Grécia e em 
Roma, o vinho tinha sua origem cercada de lendas. Já no Egito antigo inscreviam nas jarras 
informações sobre a safra, a vinha de proveniência e o nome do vinhateiro – eram os 
primeiros rótulos. A terra dos antigos faraós nos legou listas com seus vinhos 
Os egípcios também se dedicavam ao vinho, fato que fora comprovado em 1922 por 
estudiosos. Na tumba do jovem faraó Tutankamon (1371- 1352 a .C.) foram encontradas 
36 ânforas de vinho. Algumas delas continham inscrições sobre a região onde fora
produzido, a safra, nome do comerciante. Especialmente em uma havia até mesmo o 
seguinte comentário: "muito boa qualidade". 
Os médicos gregos foram os primeiros a prescreverem o vinho como medicamento, 
incluindo Hipócrates, considerado mais tarde o pai da medicina. Os gregos também 
aprenderam a adicionar ervas e especiarias ao vinho para disfarçar a deterioração. 
34 
Se hoje os vinhos nos chegam engarrafado, e com o selo fiscal, no passado distante ele 
chegava em ânforas, fechadas com cera. 
Séculos antes de Cristo, o transporte de vinho e de azeite e, eventualmente, de figos e 
nozes era realizado em ânforas. Os gregos e depois os romanos transportavam e 
exportavam seus vinhos e azeites nessas ânforas. Uma vez chegadas ao destino, o líquido 
era colocado em recipientes menores. Barricas e barris, uma invenção dos gauleses ou 
celtas, chegaram muitos séculos depois. 
As ânforas eram feitas de terracota e revestidas por uma resina. Eram produzidas em 
massa e dentro de padrões de capacidade pré-estabelecidos. Às vezes traziam como 
garantia o carimbo do artesão numa das alças ou no gargalo da ânfora.
Os egípcios foram os primeiros a saber como registar e celebrar os detalhes da 
vinificação em suas pinturas que datam de 1.000 a 3.000 a.C. Nas tumbas dos faraós 
são vistas cenas mostrando como os vinhos eram bebidos. O consumo de vinho 
estava limitados aos ricos, nobres e sacerdotes. Os vinhedos e o vinho eram 
oferecidos ao deuses, especialmente pelos faraós, como mostram os registos do 
presente que Ramses III (1100 a.C.) fez ao deus Amun. 
Na Ilíada Homero fala de vinhos e descreve com lirismo a colheita durante o 
Outono. 
Entre as muitas evidências da sabedoria grega para o uso do vinho, são os escritos 
atribuídos a Eubulus por volta de 375 a.C. : “Eu preparo três taças para o 
moderado: uma para a saúde, que ele sorverá primeiro, a segunda para o amor e o 
prazer e a terceira para o sono. Quando essa taça acabou, os convidados sábios vão 
para casa. A quarta taça é a menos demorada, mas é a da violência; a quinta é a do 
tumulto, a sexta da orgia, a sétima a do olho roxo, a oitava é a do policial, a nona da 
ranzinzice e a décima a da loucura e da quebradeira dos móveis.” 
Columela, calculava que o cultivo de um hectare de cereal acarretava que uma só pessoa 
disponibilizasse quarenta e duas jornadas de trabalho ao longo do ano, enquanto uma 
mesma extensão de terreno ocupado por vinha, necessitaria de seis vezes mais jornadas, ou 
seja, duzentas e cinquenta e duas. 
Os egípcios criaram uma prensa tipo parafuso usando tiras vegetais e torção para extração 
do suco das uvas. 
35
Existiram vários sistemas de prensas e também os lagares rupestres onde as uvas eram 
batidas ou pisadas. 
36 
( Lagar de Cortegaça – da época do império Romano – em Portugal) 
A mais citada de todas as lendas sobre a descoberta do vinho é uma versão persa que fala 
sobre Jamshid , um rei persa semi-mitológico que parece estar relacionado a Noé, pois teria 
construído um grande muro para salvar os animais do dilúvio. Na corte de Jamshid, as uvas 
eram mantidas em jarras para serem comidas fora da estação. Certa vez, uma das jarras 
estava cheia de suco e as uvas espumavam e exalavam um cheiro estranho sendo deixadas 
de lado por serem inapropriadas para comer e consideradas possível veneno. Uma donzela 
do harém tentou se matar ingerindo o possível veneno. Ao invés da morte ela encontrou 
alegria e um repousante sono. Ela narrou o ocorrido ao rei que ordenou, então, que uma 
grande quantidade de vinho fosse feita e Jamshid e sua corte beberam da nova bebida.
A propósito, o código de Hammurabi e o código dos hititas são os dois primeiros livros 
sobre leis de que temos conhecimento e ambos fazem referência aos vinhos. No código de 
Hammurabi há três tópicos relacionados com as "casas de vinho". O primeiro diz que "a 
vendedora de vinhos que errar a conta será atirada à água"; o segundo afirma que "se a 
vendedora não prender marginais que estiverem tramando e os levar ao palácio seria 
punida com a morte"; a última diz que "uma sacerdotisa abrir uma casa de vinhos ou nela 
entrar para tomar um drinque, será queimada viva". 
Provavelmente havia predileção pelos vinhos doces (Homero descreve uvas secadas 
ao sol), mas haviam vários tipos diferentes de vinho. Laerte, o pai de Odisseu, cujos 
vinhedos eram seu orgulho e alegria, vangloriava-se de ter 50 tipos, cada um de um tipo 
diferente de uva. 
Com relação à prática de adicionar resina de pinheiro no vinho, utilizada na elaboração do 
moderno Retsina, parece que era rara na Grécia Antiga. No entanto, era comum fazer 
outras misturas com os vinhos e, na verdade, raramente eram bebidos puros. Era normal 
adicionar-se pelo menos água e, quanto mais formal a ocasião e mais sofisticada a comida, 
mais especiarias aromáticas eram adicionadas ao vinho. 
Tudo que se queira saber sobre a vitivinicultura romana da época está no manual "De Re 
Rústica" (Sobre Temas do Campo), de aproximadamente 65 d.C, de autoria de um 
espanhol de Gades (hoje Cádiz), Lucius Columella. O manual chega a detalhes como: a 
produção por área plantada (que, surpreendentemente, é a mesma dos melhores vinhedos 
da França de hoje), a técnica de plantio em estacas com distância de dois passos entre elas 
(mais ou menos a mesma técnica usada hoje em vários vinhedos europeus), tipo de terreno, 
drenagem, colheita, prensagem, fermentação, etc. 
Galeno (131-201 d.C.), o famoso grego médico dos gladiadores e, posteriormente médico 
particular do imperador Marco Aurélio, escreveu um tratado denominado "De antídotos" 
sobre o uso de preparações à base de vinho e ervas, usadas como antídotos de venenos. 
Nesse tratado existem considerações perfeitas sobre os vinhos, tanto italianos como gregos, 
bebidos em Roma nessa época: como deveriam ser analisados, guardados e envelhecidos 
A maneira de Galeno escolher o melhor era começar com vinhos de 20 anos, que se 
esperava serem amargos, e, então, provar as safras mais novas até chegar-se ao vinho mais 
velho sem amargor. Segundo Galeno, o vinho "Falerniano" era ainda nessa época o melhor 
(tão famoso que era falsificado com freqüência) e o "Surrentino" o igualava em qualidade, 
embora mais duro e mais austero. A palavra "austero" é usada inúmeras vezes nas 
descrições de Galeno para a escolha dos vinhos e indica que o gosto de Roma estava se 
afastando dos vinhos espessos e doces que faziam da Campania a mais prestigiada região. 
Os vinhedos próximos a Roma, que anteriormente eram desprestigiados por causa de seus 
vinhos ásperos e ácidos, estavam entre os preferidos de Galeno. Ele descreveu os "grands 
crus" romanos, todos brancos, como fluídos, mas fortes e levemente adstringentes, 
variando entre encorpados e leves. Parece que o vinho tinto era a bebida do dia a dia nas 
tavernas. 
Após a queda do Império Romano seguiu-se uma época de obscuridade em 
praticamente todas as áreas da criatividade humana e os vinhedos parecem ter permanecido 
37
38 
em latência até que alguém os fizesse renascer. 
Chegamos à Idade Média, época em que a Igreja Católica passa a ser a detentora das 
verdades humanas e divinas. Felizmente, o simbolismo do vinho na liturgia católica faz 
com que a Igreja desempenhe, nessa época, o papel mais importante do renascimento, 
desenvolvimentoe aprimoramento dos vinhedos e do vinho. Assim, nos séculos que se 
seguiram, a Igreja foi proprietária de inúmeros vinhedos nos mosteiros das principais 
ordens religiosas da época, como os franciscanos, beneditinos e cistercienses (ordem de 
São Bernardo), que se espalharam por toda Europa, levando consigo a sabedoria da 
elaboração do vinho. 
Dessa época são importantes três mosteiros franceses. Dois situam-se na Borgonha: 
um beneditino em Cluny, próximo de Mâcon (fundado em 529) e um cisterciense em 
Citeaux, próximo de Beaunne (fundado em 1098). O terceiro, cisterciense, está em 
Clairvaux na região de Champagne. Também famoso é o mosteiro cisterciense de 
Eberbach, na região do Rheingau, na Alemanha. Esse mosteiro, construido em 1136 por 12 
monges de Clairvaux, enviados por São Bernardo, foi o maior estabelecimento vinícola do 
mundo durante os séculos XII e XIII e hoje abriga um excelente vinhedo estatal. 
Os hospitais também foram centros de produção e distribuição de vinhos e, à época, 
cuidavam não apenas dos doentes, mas também recebiam pobres, viajantes, estudantes e 
peregrinos. Um dos mais famosos é o Hôtel-Dieu ou Hospice de Beaune, fundado em 
1443, até hoje mantido pelas vendas de vinho. 
Também as universidades tiveram seu papel na divulgação e no consumo do vinho 
durante a Idade Média. Numa forma primitiva de turismo, iniciada pela Universidade de 
Paris e propagada pela Europa, os estudantes recebiam salvo conduto e ajuda de custo para 
viagens de intercâmbio cultural com outras universidades. Curiosamente, os estudantes 
andarilhos gastavam mais tempo em tavernas do que em salas de aulas e, embora cultos, 
estavam mais interessados em mulheres, músicas e vinhos. Eles se denominavam a "Ordem 
dos Goliardos" e, conheciam mais do que ninguém, os vinhos de toda a Europa. 
Hypocraz 
VINHO DE ESPECIARIAS (hipocraz) 
O Hipocraz é uma bebida medieval inventada por um médico grego do século 5 aC. Esta 
bebida é produzida a partir de vinho vermelho, mel e especiarias. Este vinho doce é criado
com as especiarias reias como a canela, o cardamomo (tipo de gengibre), o cravo e o 
gengibre. 
É interessante observar que é da idade média, por volta do ano de 1.300, o primeiro 
livro impresso sobre o vinho: "Liber de Vinis". Escrito pelo espanhol ou catalão Arnaldus 
de Villanova, médico e professor da Universidade de Montpellier, o livro continha uma 
visão médica do vinho, provavelmente a primeira desde a escrita por Galeno. O livro cita 
as propriedades curativas de vinhos aromatizados com ervas em uma infinidade de 
doenças. Entre eles, o vinho aromatizado com arlequim teria "qualidades maravilhosas" tais 
como: "restabelecer o apetite e as energias, exaltar a alma, embelezar a face, promover o 
crescimento dos cabelos, limpar os dentes e manter a pessoa jovem". O autor também 
descreve aspectos interessantes como o costume fraudulento dos comerciantes oferecerem 
aos fregueses alcaçuz, nozes ou queijos salgados, antes que eles provassem seus vinhos, de 
modo a não perceberem o seu amargor e a acidez. Recomendava que os degustadores 
"poderiam safar-se de tal engodo degustando os vinhos pela manhã, após terem lavado a 
boca e comido algumas nacos de pão umedecido em água, pois com o estômago 
totalmente vazio ou muito cheio estraga o paladar ". Arnaldus Villanova, falecido em 1311, 
era uma figura polêmica e acreditava na segunda vinda do Messias no ano de 1378, o que 
lhe valeu uma longa rixa com os monges dominicanos que acabaram por queimar seu livro. 
É importante mencionar um fato importantíssimo e trágico na história da 
vitivinicultura, ocorrido da segunda metade do século passado, em especial na década de 
1870, até o início deste século. Trata-se de uma doença parasitária das vinhas, provocada 
pelo inseto Phylloxera vastatrix, cuja larva ataca as raízes. A Phylloxera, trazida à Europa 
em vinhas americanas contaminadas, destruiu praticamente todas as videiras européias. A 
salvação para o grande mal foi a descoberta de que as raízes das videiras americanas eram 
resistentes ao inseto e passaram a ser usadas como porta-enxerto para vinhas européias. 
Desse modo, as videiras americanas foram o remédio para a desgraça que elas próprias 
causaram às vitis européias. 
39
40 
Extraído em sua maior parte da obra de Hugh Johnson "The Story of Wine" da editora 
Mitchell-Beazley, Londres, 1989 
CICLO DA VIDEIRA 
Tal como todas as plantas de folha caduca, a videira depende da temperatura ambiente para 
suportar toda a actividade enzimática que está na base do seu ciclo vegetativo. Após a 
vindima, com o avançar do Outono e o consequente abaixamento das temperaturas, a 
videira vai deixando de ter condições que suportem a sua actividade, as folhas amarelecem 
e acabam por cair. Entre fim do Outono e o princípio do Inverno a videira entra em 
repouso vegetativo e só dele sairá quando as temperaturas médias do solo ultrapassarem os 
12°C. É durante este período de repouso vegetativo que se realiza a já referida poda.
41 
CHORO 
Dá-se nos últimos dias do Inverno ou início da Primavera e representa o fim do repouso 
vegetativo e o início de um novo ciclo vegetativo da videira, manifestando-se através da 
perda de seiva pelos cortes da poda. Tal só acontece porque as condições de temperatura 
começam a permitir a actividade enzimática da planta.
42 
ABROLHAMENTO 
Inicialmente os gomos dos nós deixados pela poda começam a intumescer, parecendo 
como que cobertos de algodão. Em seguida aparece uma ponta verde, ficando 
posteriormente as pequenas folhas perfeitamente visíveis e separadas
43 
PERIODO DE ANTERIOR À FLORAÇÃO 
Depois das pequenas folhas estarem visíveis, segue-se um período de expansão vegetativa 
durante o qual os factos mais importantes, por ordem cronológica, são: o aparecimento dos 
cachos, a separação dos cachos e a separação dos botões florais. 
FLORAÇÃO 
Decorre durante cerca de uma semana e meia, normalmente na metade final da Primavera. 
É um período crucial para a definição de uma colheita. Se a floração decorrer debaixo de 
chuva, o pólen é lavado dos estames e das flores, não se dá a polinização e a consequente 
fecundação. A flor não “vinga” em fruto (desavinho) e a colheita será bastante afectada
44 
CRESCIMENTO DOS BAGOS 
É um período de grande expansão vegetativa coincidente com uma época de temperaturas 
mais elevadas. Os bagos passam pelo tamanho de "grãos de chumbo" e "bago de ervilha", 
até atingirem um certo tamanho que faz com que os cachos fiquem completamente 
fechados. Até esta fase os bagos das castas brancas e tintas mantêm a coloração verde 
opaca. 
MATURAÇÃO
Podemos definir o início da maturação com o aparecimento do "pintor", que representa a 
fase do ciclo vegetativo da videira que coincide com o aparecimento da cor tinta nas 
películas dos bagos tintos e da película translúcida nas castas brancas. O "pintor" poderá 
durar de uma a duas semanas, mas um bago muda de cor em 24 horas. A partir do "pintor" 
inicia-se uma fase de 35 a 55 dias durante a qual a uva acumula açúcares livres (glucose e 
frutose), potássio, aminoácidos e compostos fenólicos e vai perdendo ácido tart árico e 
ácido málico (dois ácidos que representam 90% dos ácidos presentes nos bagos de uva). 
Este período termina com a vindima, que poderá ocorrer no final do Verão ou no princípio 
do Outono. 
A partir daqui o ciclo repete-se e o viticultor passa a aguardar ansiosamente a nova colheita! 
45
46 
A Adubação 
Ao solo 
Fazem-se normalmente no Inverno para que a água da chuva faça a incorporação dos 
nutrientes no perfil do solo: 
1. Com matéria orgânica 
2. Com adubos minerais 
A PODA 
A poda é a operação realizada durante o período de repouso vegetativo da videira, que 
ocorre normalmente no Inverno. É o processo através do qual se contraria a tendência 
natural da videira para crescer, trepar, ocupar território e competir pela luz e que tem como 
objetivo obrigá-la a produzir equilibradamente e com qualidade. A poda consiste no corte 
das varas que se desenvolveram no ano anterior, deixando gomos na sua base que darão 
origem a novas varas carregadas de frutos. O número de gomos que se deixam durante a 
poda é função do sistema de condução, da densidade de plantação, da fertilidade do solo, 
da disponibilidade de água e do estado de vigor da videira.
Detalhe da poda seca Os galhos mais frágeis são retirados de modo a permitir a 
circulação da seiva apenas nos galhos frondosos, diminuindo a produtividade e 
aumentando a qualidade das uvas em formação. 
47 
EMPA 
Utilizado em sistemas de condução do tipo Guyot, a empa consiste em dobrar e amarrar a 
vara ao arame de forma a distribuir a vegetação que se vai desenvolver, contrariando a 
tendência natural que a videira tem para fazer abrolhar os gomos mais distantes, um 
fenómeno denominado "dominância apical". Ao dobrar a vara, dificulta-se a passagem da 
seiva, obrigando ao desenvolvimento dos gomos da base que, de outra forma, não 
frutificariam.
48 
REPLANTAÇÕES 
Caso haja plantas mortas há que substituí-las por plantas novas, normalmente sob a forma 
de enxertos prontos, que deverão ser plantados no início da Primavera. 
Quinta de Azevedo – Vinhal – videiras verdes 
PRAGAS 
1. Pragas: 
1. Ácaros 
2. Coleópteros 
3. Cochonilha 
4. Cicadela 
5. Traça da vinha 
6. Moluscos 
1. Lesmas 
2. Caracóis 
7. Nemátodos 
8. Filoxera
49 
2. Doenças: 
1. Provocadas por Fungos 
1. Escoriose (Phomopsis vitícola) 
2. Míldio (Plasmopara vitícola) 
3. Oídio (Uncinula necator, Oidium tuckeri 
4. Podridão cinzenta (Botrytis cinérea) 
5. Doenças do lenho 
1. Eutipiose (Eutypa lata) 
2. Esca (Stereum hirsutum) 
2. Provocadas por bactérias 
Normalmente tendo insectos como vectores. 
3. Provocadas por vírus 
Normalmente tendo nemátodos como vectores, são doenças facilmente 
transmissíveis de planta para planta através das tesouras de poda ou outro 
material de corte. 
Ácaro vermelho europeu Panonychus ulmi 
Efeito do ácaro nas folhas da vide
50 
Traça da vinha 
Doença – oido
51 
Doença - mildio
52 
Doença Mildio nas folhas 
Eutipiose.
53 
Antigo lagar de Vinho em Cafarnaum no mar da Galiléia 
No Jardim do local onde é considerada a tumba que guardou momentaneamente a Cristo 
Há significativamente um Lagar
54 
Bet Sames, escola infantil
Em todo o Antigo Testamento bíblico, apenas o Livro de Jonas não tem referência 
à videira. 
As mulheres romanas foram proibidas de beber vinho, e um marido que encontrasse a sua 
esposa bebendo tinha liberdade para matá-la. Um divórcio com os mesmos fundamentos 
foi último gravado em Roma em 194 BCG 
O vinho muitas vezes cria uma "sinergia" interessante com alimentos Quando o vinho e 
comida são colocados juntos, eles têm "sinergia" ou geram um terceiro sabor além do que a 
comida ou bebida oferece sozinha. 
Nem todos os vinhos melhoram com o tempo. Na verdade, a grande maioria dos vinhos 
produzidos estão prontos para beber e não tem muito potencial para o envelhecimento. 
Apenas alguns raros vai durar mais tempo do que um decada. O vinho tem um efeito mais 
concentrado em mulheres do que em homens As mulheres estão mais susceptíveis aos 
efeitos de vinho do que nos homens, em parte, porque elas têm menos de uma enzima no 
revestimento do estômago, que é necessária para metabolizar o álcool eficientemente. 
No centro da vida social e intelectual grego existiu o Simpósio, que significa, literalmente, 
"beber juntos." De fato, o simpósio reflete carinho grego para a mistura de vinho e 
discussão intelectual. A combinação do tipo de solo, clima, grau de inclinação e exposição 
ao sol constitui o terroir de uma vinha eo que faz cada vinhedo e de cada vinho, unicos 
Os Odres eram uma forma comum para o transporte de vinho no mundo antigo. Peles de 
animais (geralmente cabras) eram limpas e cozinhadas e virando-se do avesso para que o 
lado peludo já tratado ficasse em contato com o vinho. 
Com a idade, os vinhos tintos tendem a perder a cor e eventualmente, acabar por uma cor 
de tijolo vermelho. Por outro lado, os vinhos brancos ganham cor, tornando-se de 
dourados, eventualmente, marrom-amararelados. 
55
Na lingua Inglesa a palavra "vinho" pode ser enraizada em “yayin” semita (significando 
lamentação e choro). 
Em árabe, a palavra para vinho é carroça. Em grego, é oinos. Nas línguas românicas é vin, 
vino, vina, vinho. 
No antigo Egito, a capacidade de armazenar o vinho até o vencimento era considerado 
alquimia ou magia e era privilégio apenas dos faraós. A viinificação é um tema importante 
em uma das mais antigas obras literárias conhecidas, a Epopéia de Gilgamesh. A divindade 
responsável pelo vinho era a deusa Siduri, cuja representação sugere uma associação 
simbólica entre o vinho ea fertilitilidade. 
A festa do amor entre Baal e Anat, irmãos e noivos, era regada pelo vinho produzido 
graças às chuvas que caíram durante o inverno. A gratidão era dirigida principalmente à 
Deusa, grande heroína, cujo amor era representado pelo vinho. 
56 
Borra do vinho 
O Padrão de Ur é a mais antiga imagem do mundo representando o consumo do vinho. 
Possui cerca de 5000 anos de idade.
57 
Quarenta ânforas encontradas na parte interna de uma adega de um palácio israelense, 
contém resíduos de um dos mais antigos vinhos do mundo: 
Detalhes das ânforas encontradas. Fonte: scienze.fanpage.it 
Os arqueólogos, há muito tempo sabiam que se tivéssemos tido a oportunidade de provar 
o vinho como era feito antigamente, sentiríamos uma quantidade de aromas e especiarias 
que sem dúvida, o tornavam peculiar. Esses arqueólogos agora terão mais informaçõe s, 
devido ao que foi descoberto recentemente na adega de um palácio de uma cidade 
cananéia, em Israel setentrional, no sítio arqueológico de Tel Kabri: foi encontrada uma 
“reserva de garrafas” de 1.700 a.C! Arqueólogos israelenses e americanos foram os autores 
dessa descoberta, divulgada há alguns dias, em Baltimore, no encontro anual da . 
Sempre se soube que os vinhos da antiguidade era uma bebida da qual nos aproximaríamos 
com muita dificuldade: eram muitos os ingredientes colocados nele – um pouco por causas
ligadas ao paladar da época, mas sobretudo porque alguns ingredientes tinham função 
bactericida. Mas é interessante lembrar que, para favorecer a conservação dos alimentos, a 
culinária dos nossos antepassados, muitas vezes, era rica de sal (sabemos, por exemplo, do 
molho que os romanos usavam na maioria dos seus pratos, o garum, que era obtido através 
da parte interna dos peixes e do peixe salgado), o que exigia que os pratos fossem 
acompanhados por uma bebida de sabor bem marcante. 
Foram encontrados restos de 40 ânforas, que foram conservadas na sala onde os antigos 
proprietários faziam as suas refeições ou festejavam juntos com seus hóspedes. 
Considerando a quantidade e a dimensão dos recipientes encontrados, feitos em terracotta 
(argila), na adega cabiam 3.000 garrafas de vinho, brancos e tintos. Infelizmente a maior 
parte desses recipientes estava quebrada por causa de um desabamento que, cerca de 3.600 
anos atrás, sepultou esse tesouro alcoólico. De acordo com os estudiosos, é muito provável 
que tenha sido um terremoto, a causa desse desabamento. Apesar do líquido das ânforas ter 
desaparecido com o tempo, traços desse liquido se revelaram extremamente interessantes. 
Os pesquisadores tiveram que trabalhar muito rapidamente nos resíduos encontrados, 
antes que eles fossem contaminados pela exposição ocorrida, após séculos dormindo 
secretamente. 
Assim, a pesquisa que tinha como objetivo encontrar um dos vinhos mais antigos da 
história, foi apresentado com orgulho pelos arqueólogos da George Washington University 
e da University of Haifa, que trabalharam juntos nessa grande descoberta. As análises 
químicas dos resíduos que resistiram ao tempo, restituíram o “sabor” do líquido que 
continha nas ânforas, ou pelo menos deram uma ideia aproximada de como o vinho da 
Antiguidade era diferente do nosso vinho: menta, mel, canela, zimbro e resinas estavam 
entre os ingredientes principais e eram utilizados principalmente para evitar a deterioração 
desses vinhos. 
Uma “receita” que pra nós parece insólita, não era para os contemporâneos desses 
senhores que viveram nessa terra israelense de 3.700 anos atrás, e também não era para 
aqueles que vieram logo depois deles, mesmo após muitos séculos. Basta pensar ao vinho 
que os romanos bebiam, cujos vestígios foram encontrados no fundo de algumas ânforas, 
também analisadas quimicamente. Traços de um vinho que devia ser muito parecido com 
os traços dos vinhos dos romanos, foram encontrados em odres (recipientes feitos de pele 
de cabra), provenientes também, da Palestina, na tumba do Rei Escorpião I, soberano que 
governou o Egito e morreu em torno de 3.150 a.C.. O uso de especiarias, aromas e resinas, 
além de servir para melhorar a conservação dos vinhos, deve ser visto do ponto de vista 
medicinal, que era atribuído à bebida “descoberta” por Noé: era utilizado normalmente 
como medicamento, e continha ingredientes que ajudavam a potencializar seus efeitos 
benéficos no organismo. 
Em resumo, usado nas festas e rituais da antiguidade, como meio de união de estudantes 
para debate, misturado como libações a divindades, usado como remédio e para despertar a 
paixão, para conquista feminina, como sinal de status e poder, como reminiscência das 
histórias de amor do mundo mítico da antiguidade, como referência direta a pessoa do 
Messias, como moeda para compra de bens, produzido por vinhais exclusivos, e cuja 
qualidade dependia do clima, do terreno e dos cuidados. O vinho de qualidade era um 
produto precioso na antiguidade, presença continua nos banquetes reais e nas grandes 
solenidades cívicas e religiosas. Os nobres e soberanos possuíam acesso a uma qualidade 
especial de vinho, que na antiguidade era misturado com mel e preservado em ânforas de 
terracota, transportados em odres de peles de animais tratadas, que não sofriam 
deterioração com o tempo de uso, por isso Jesus afirma que não se guarda vinho novo em 
58
odres velhos, porque senão se rompem os odres velhos e se desperdiçaria o vinho novo. A 
generosidade das famílias era relacionada a quantidade do vinho oferecido nas festas e a 
estima dos convidados relacionados à qualidade do vinho oferecido. O vinho novo era 
sempre o melhor, recém-colhido, recém fabricado. O melhor vinho de todos pertencia a 
adega real. O vinho percorre as Escrituras ligando a época dos pais – Noé, passando por 
Abraão, testemunhando os grandes eventos da história de Israel. Votos especiais eram 
feitos à Deus em busca de bênçãos com a abstinência de vinho, o chamado voto de 
nazireado. O mais fabuloso nazireu das Escrituras foi, divertidamente, um grande beberrão. 
Sansão. O vinho estava presente como testemunho da cura dos leprosos, derramado no 
chão, estava presente na morte dos sacrifícios pelo pecado, incluindo a grande oferta do dia 
da expiação. Quando a bezerra vermelha ou o cordeiro foi oferecido na hora nona, a 
segundo sacrifício da sexta-feira de páscoa, o vinho também era derramado. Jesus faz a sua 
última oração no Getsemani, um lagar de azeite. Mas que também poderia ser usado para 
esmagar uvas. Pouco antes Jesus levantava um cálice com vinho cheio de especiarias e dizia 
“este é o meu sangue, vertido por amor a vós” na última ceia. No mesmo Getsemani Jesus 
intercede tão intensamente que de seus poros brotam sangue. E suas roupas ficam 
salpicadas dele. É a cena profetizada em Isaias. 
Jesus é a “videira verdadeira”, ele se compara a uma vinha, e usa as comparações com 
vinicultura, manutenção das vides, para nos ensinar sobre frutificação. 
A videira é um símbolo então para Cristo, assim como o foi para Israel e assim como o será 
para a Igreja de Cristo. A igreja é videira, é vide, é vinha. 
O processo de crescimento e o trabalho com uma vinha é repleto de símiles com o 
crescimento espiritual da Igreja. 
Como um dos símbolos mais profundos do vinho é também o Espírito de Deus, e o vinho 
se identifica com o sangue que é símbolo de vida, temos uma bela representação da 
E os processos de cuidado com a Vinha, todos possuem paralelos com o crescimento 
espiritual. Tanto o individual como o do grupo, da congregação. E numa visão mais ampla, 
de todo a Igreja. E sendo mais abrangente a dimensão humana, sua história, suas 
conquistas e derrotas podem ser representadas pela videira. 
As pragas e as doenças refletem as questões que destroem a vinha. A doença é mais atroz, 
deixa marcas visíveis, se alastra com maior dificuldade em seu combate. 
Ministérios espirituais doentes são como casas assombradas. 
A parábola porém não se limita a Igreja. A sabedoria de Deus é extraordinária. E ilimitada. 
A aplicação dos paralelos se estendem a toda forma de relacionamento humano. Gerentes 
doentes pelo autoritarismo fruto do poder que sua organização lhes concede, políticos 
embriagados pelo poder usufruindo de bens que não lhe pertencem, astros que adoeceram 
em virtude da fama e por não terem raízes mais profundas na terra chamada vida, 
murcharam pela ausência de alimento espiritual para suas vidas. O Estado, vinha 
contaminada e doente se assenhorou do trabalho de muitos e em nome de preservar a si 
mesmo, matou a milhões. Políticos assenhorados pela praga da ganancia, não deram fruto, 
antes os comeram sozinhos. A religiosidade é uma vinha apodrecida, repleta de pragas e de 
doenças espirituais profundas, e hoje milhões são atraídos por filosofias inúteis, rituais 
vazios, ou mesmo práticas espirituais que os aprisionam a falsos profetas ou a espíritos 
malignos. Na Índia, procissões de pessoas se flagelam em nome de suas divindades, no 
Brasil milhões se escravizam a poderes que deles exigem oferendas, sacrifícios, rituais de 
feitiçaria e todo tipo de enfermidade espiritual. Famílias como videiras adoentadas, 
destruídas pela violência contra a mulher, contra os filhos, problemas de drogas, 
embriagues, brigas e dor. A videira da política absolutamente contaminada por interesses 
59
de grandes empreiteiras. A videira do ensino contaminada pelo orgulho de muitos 
profissionais que confiaram mais em seus méritos que na cooperação com seus alunos. 
Milhares de alunos são destratados nas faculdades pela praga do orgulho acadêmico. O 
mundo humano parece viver embriagado, políticos e banqueiros agem como se estivessem 
bêbados, sem considerar a dor de seus atos e os males às gerações futuras 
Mas de modo inigualável a vinha e o vinho nos traduz coisas espirituais. Realidades 
espirituais. 
Há um momento nas Escrituras que a escola de profetas se corrompe. Nas religiões da 
antiguidade era comum o uso de drogas alucinógenas para que alguns sacerdotes 
invocassem ou recebessem visões. Os profetas corrompidos usando de seus cargos como 
profissão, em dado momento na cidade de Jerusalém, embriagavam-se diariamente. 
Em Isaias capitulo 28 o Espírito concede um texto que lembra o andar de um bêbado, uma 
poesia que trata de profetas bêbados 
Também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham: Os sacerdotes e os profetas 
erram por causa de bebida forte, e são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se (se envolve com coisas 
erradas) por causa da bebida forte (mas o início, se começa com bebida fraca), andam errados na visão 
(deixaram a visão de Deus), e tropeçam no juízo. 
Todas as suas mesas estão cheias de vômitos e de imundícia, e não há nenhum lugar 
limpo. Isaias 28. 7 
60
61 
A: Mas também estes cambaleiam por causa do vinho, 
B: e com a bebida forte se desencaminham; 
C: até o sacerdote 
C: e o profeta 
B: erram por causa da bebida forte; 
A: são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; 
andam 
errados 
na visão 
e tropeçam 
no juízo. 
Todas as suas mesas estão cheias de vômitos e de imundícia, e não há nenhum lugar limpo. 
Isaias 28. 7, 8 
Eles erravam, significava que AINDA que estivessem recebendo algo da parte de Deus ou 
ainda exercessem o ofício profético e o sacerdotal, erravam por causa da bebida, o profeta 
não entendia o que estava vendo, de tão alucinado e o sacerdote não dizia coisa com coisa. 
As funções do sacerdote do Velho Testamento era a de ensinar as Escrituras, interceder, 
julgar causas em alguns momentos. Imagine um professor, um padre e um juiz bêbados e 
você terá ideia da tragédia. 
A visão é pior ainda, quando passavam mal de tanto beber e o efeito era devastador. 
Porque as vezes eles faziam isso em grupo, centenas e até milhares.
Em dado momento, num estado ainda mais degradante os profetas desacreditados e já 
dependentes da bebida começavam a “trocar” profecias por bebida. 
O que as Escrituras denominam “bebida forte” eram vinhos e misturas com forte teor 
alcoólico. 
A “embriagues espiritual” significa para o teólogo a mistura de doutrinas espúrias e 
filosofias meramente humanas a interpretação das Escrituras. Para os que exercem 
ministérios proféticos, significa outra coisa muito mais grave. 
62 
Num sentido restrito o vinho é símbolo do espírito. 
E sabemos que há pelos menos quatro qualidades de seres espirituais distintos. 
Deus – O espírito de Deus 
Anjos – espíritos ministradores 
Homens – espírito humano 
Demônios. – espíritos imundos. 
Quatro tipos de bebidas. Quatro tipos de vinho. 
Quando uma igreja corrompe seus ministérios mistura o vinho do Espírito com o vinho de 
demônios. Significa que parte das garrafas na mesa da comunhão, uma parábola, é de bom 
vinho. Porém, outras estão envenenadas. Imagine um lugar onde profecias verdadeiras se 
misturam a falsas profecias. Onde o entendimento profundo das Escrituras se mistura a 
doutrinas malignas. Imagine um lugar em que há a unção, e em algum instante, uma 
falsificação humana. Uma mentira. 
Uma videira enferma simboliza uma igreja que possui doutrinas que a impedem de crescer, 
ou operações espirituais falsificadas. Em alguns casos o ministério de uma nação pode ser 
impactado com uma doutrina que contamine diversos ministérios, com alguma coisa 
espúria que impede o crescimento e o fortalecimento da verdadeira vinha. 
Cada vinha representa uma igreja ou determinado ministério. Cada vinha é única, nasce e 
cresce sobre certas condições. O que define a qualidade do vinho de uma vinha é o clima, o 
solo, os nutrientes, a umidade, as chuvas. Não há como existir uma única vinha com um 
tipo de vinho. Não existe uma doutrina, uma única revelação, um tipo de visão ou um 
grupo que se assenhore a vinha da terra. A igreja não possui dono que não seja CRISTO. 
Todos os pastores são trabalhadores e responsáveis pela sua vinha. Só dela. Assim como 
cada um de nós de sua videira particular, nossas vidas espirituais. 
A qualidade do vinho é dada pela pureza da água, pela nutrição adequada. 
Uma obra espiritual é marcada pelo grau de pureza e exatidão de seu evangelho, pela 
sinceridade e exatidão na interpretação e aplicação das realidades espirituais que fluem dos 
céus. A Igreja é um organismo cujo crescimento está ligado a uma outra dimensão. Ela é 
necessariamente sobrenatural e dependente do Espírito de Deus que a VIVIFICA. 
Plinio, o Velho ( História Natural XIV,22,2) ATRIBUI AOS VINHOS DO Líbano “um 
aroma de incenso”, informa-nos que estes eram oferecidos aos deuses. O vinho de Israel 
produzido pelas vinhas de Salomão eram tão apreciados que Hirão o rei de Tiro o exigia 
em seus acordos, ainda que Tiro na antiguidade fosse exportadora de vinho e de azeite. Nas 
ruínas de Tiro foram descobertas ânforas palestinas, contendo restos de vinho.
63 
Sidon exportava seu vinho para o Egito na época do Império Persa. 
O vinho é revestido de profundo simbolismo nas Escrituras. Ele está presente na profissão 
de Noé, na cena de sua embriagues e nudez, é presente nas ofertas sacerdotais onde era 
derramado na terra junto com as libações, está atrelado a uma profecia que aponta para 
Cristo em Genesis. 
Gênesis 27:28 
Ele amarrará seu jumento 
a uma videira; 
e o seu jumentinho, 
ao ramo mais seleto; 
lavará no vinho as suas roupas; 
no sangue das uvas, 
as suas vestimentas. 
Era proibido aos sacerdotes entrarem embriagados na tenda da congregação. Haviam votos 
específicos de não bebe-lo, como o voto do nazireado do qual Sansão, que por sinal bebia 
muito, é um dos personagens mais conhecidos. Leremos em Jeremias a respeito de uma 
família que promete a seu patriarca jamais beber do fruto da videira e que quatro gerações 
depois os homens do clã ainda guardavam aquele preceito. O que gerou uma “enciumada” 
resposta profética. Deus usa o exemplo de uma única ordem emitida por um homem 
humilde, uma única vez, cumprida rigorosamente, à custa de certo sacrifício, por mais de 
quatro gerações! E suas centenas de ordens, dele, o Criador, Senhor, Todo-poderoso, 
Altíssimo, que foram repetidas milhares de vezes, anos seguidos, por meio de inúmeros 
ministérios, incluindo o profético, serem ignoradas desrespeitosamente. O sangue 
simbolizava alegria, vida e ao mesmo tempo o sangue. Era sinal de prosperidade, de festa e 
também alimento básico. Era usado para festejar o nascimento, para a oferta, para lamentar 
a morte. Presente do nascimento ao enterro, presentes em todas as festas judaicas, 
incluindo a páscoa. O bom nome era como o bom vinho. A angustia, a amargura, o fel, 
como o vinho estragado, como o vinagre. O vinho derramado como desperdício. O vinho 
novo indicava a prosperidade, a boa-colheita, sua venda era a base da economia de milhares 
de vinhateiros. Um casamento era medido em importância pela quantidade do vinho 
distribuído. Se o vinho não fosse o suficiente para que os convidados brindassem até o 
final da festa, simbolizava que o casamento estava sendo oferecido por uma família 
humilde. Se o vinho acabasse no meio da festa de casamento, que em Israel duraria por 
muitos dias, significava vergonha para os pais da noiva. Se terminasse no início, quase uma 
tragédia familiar. Nas bodas de Cana, após a água ser transformada em vinho, um dos 
convidados se espantará, não com a quantidade do mesmo. Mas com a qualidade, com sua 
excelência, porque de modo generoso e fabuloso quem os convidou para a festa guardou o 
melhor para o final e para os convidados! Não para si próprios. Sentia-se honrado pela 
generosidade do casal, sem saber que aquilo era generosidade do Espírito de Deus. Os 
sacrifícios e os holocaustos eram acompanhados pelo derramamento do vinho! Quando às 
três horas da tarde Jesus morrer no calvário, neste instante o segundo cordeiro do dia 
estava sendo morto. Num sacrifício único, o de Yom Kipur, o que representava toda a 
nação, que teria seu sangue derramado sobre a arca do concerto, se ela ainda existisse na 
época de Cristo. O Sumo sacerdote degolaria o cordeiro, ou o bezerro de cor avermelhada, 
e entraria no santo dos santos. Porém, antes derramaria um litro de vinho no chão.
64 
Jesus o denominara na instituição da ceia de “meu sangue”. 
7,10 – “O céu da tua boca é como vinho bom” (wehikeké kéeyyn hatôv). O poema 
semelhante aos wasfs árabes, da Sulamita (7,3a) trata de um tipo de vinho chamado 
maseg. Ao citar a palavra “taça” (‘agan), indicará um ambiente refinado. 
É um vinho excelente. Um vinho que era usado pelos reis. Um vinho da adega real, usado 
em ocasiões especiais. No Livro de Ester o rei Assuero prepara uma festa de longa duração 
e quando o vinho está acabando, solicita aos seus oficiais que abram e distribuam a vontade 
o vinho especial, da maior adaga da história que poderia sustentar por anos o consumo de 
vinho dos palácios persas. 
Em Apocalipse oito vezes a figura do vinho será invocado. Denominado do “vinho da 
ira”. O vinho é inebriante e potencializa emoções. Ele “altera” os sentidos e se uma pessoa 
for dominada pela raiva enquanto estiver alcoolizada perde a capacidade de raciocinar. 
Milhares de lares brasileiros provaram do “vinho da ira” que é a tragédia causada por 
maridos bêbados que batem em seus filhos, filhas e esposas. Muitas foram mortas pelos 
seus esposos embriagados que só deram conta do que fizeram após siar do estado de 
embriaguez. Em Apocalipse é utilizada a sua figura no juízo, onde a repreensão e o juízo, 
agem sem repressão, sem interferência, sem poderem ser contidos. 
Em Cantares veremos toda essa multiformidade do vinho. Basicamente os dois vão 
passar grande parte de Cantares, embriagados . 
Ela chora ruidosamente quando ele não chega, ele tece um milhão de elogios à amada, os 
guardas bêbados a espancam, ele bebe pra ter coragem pra dar-lhe um beijão, ela bebe pra 
ter coragem pra roubar o grupo de cabritos e ir em direção a um grupo de desconhecidos, 
ele está meio embriagado na festa em que a moça irá dançar e depois eles que eles se casam 
há uma festança, regada, logicamente, a vinho da melhor qualidade. 
E dependendo do contexto o vinho adotará uma das muitas figuras que o referenciam na 
linguagem das Escrituras. 
Vida, Ira, Alegria, Amor, sangue derramado, comunhão. 
Incluindo o Espírito de Deus: 
E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei -vos do Espírito, 
Paulo ordena que se alguém tiver que ficar bêbado, que fique embriagado do Espírito de 
Deus. 
Vinho 
“E o vinho que alegra o coração do homem, e faz reluzir o seu rosto como o azeite, 
e o pão que fortalece o seu coração” (Sl 104.15). 
Este texto une o símbolo do Vinho ao do Azeite. 
O vinho nos fala de uma das características da presença do Espírito de Deus em nós. A 
ALEGRIA. 
Vinhal ou Vinha em Israel
65 
Mapa dos vinhas atuais em Israel
66 
https://maps.google.com/maps/ms?msa=0&msid=214578225427714183971.00 
04a2592f15a10f6bd85 
Vinho (7 times in 7 verses - Song 1:2; 1:4; 4:10; 5:1; 7:2; 7:9; 8:2) 
O vinho é parecido com o ser humano ser for de baixa qualidade, quando envelhece vira 
vinagre, de boa qualidade, ao envelhecer, enobrece. 
Ê condição básica, que as variedades destinadas ao preparo do suco de uva possuam a 
particularidade de conservar os seus cachos por longo tempo na planta, sem sofrerem 
estragos ou apodrecimento, a fim de que atinjam sua perfeita maturação e adquiram todas 
as características necessárias à obtenção de um produto de alta qualidade.
67 
Preludio a partir do livro O Homem Ludico de Johan Huizinga 
Existe uma terceira função, que se verifica tanto na vida humana como na animal, e é tão 
importante como o raciocínio e o fabrico de objetos: o jogo. Creio que, depois de Homo 
faber e talvez ao mesmo nível de Homo sapiens, a expressão Homo ludens merece um lugar 
em nossa nomenclatura. A antropologia e as ciências a ela ligadas têm, até hoje, prestado 
muito pouca atenção ao conceito de jogo e à importância fundamental do fator lúdico para 
a civilização. O jogo é fato mais antigo que a cultura, pois esta, mesmo em suas 
definições menos rigorosas, pressupõe sempre a sociedade humana; mas, os animais não 
esperaram que os homens os iniciassem na atividade lúdica. É-nos possível afirmar com 
segurança que a civilização humana não acrescentou característica essencial alguma à ideia 
geral de jogo. Os animais brincam tal como os homens. Bastará que observemos os 
cachorrinhos para constatar que, em suas alegres evoluções, encontram-se presentes todos 
os elementos essenciais do jogo humano. Convidam-se uns aos outros para brincar 
mediante um certo ritual de atitudes e gestos. Respeitam a regra que os proíbe morderem, 
ou pelo menos com violência, a orelha do próximo. Fingem ficar zangados e, o que é mais 
importante, eles, em tudo isto, experimentam evidentemente imenso prazer e divertimento. 
Essas brincadeiras dos cachorrinhos constituem apenas uma das formas mais simples de 
jogo entre os animais. Existem outras formas muito mais complexas, verdadeiras 
competições, belas representações destinadas a um público Desde já encontramos aqui um 
aspecto muito importante: mesmo em suas formas mais simples, ao nível animal, o 
jogo é mais do que um fenômeno fisiológico ou um reflexo psicológico. Ultrapassa 
os limites da atividade puramente física ou biológica. É uma função significante , isto é, 
encerra um determinado sentido. No jogo existe alguma coisa "em jogo" que 
transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido à ação. Todo 
jogo significa alguma coisa. Não se explica nada chamando "instinto" ao princípio at ivo que 
constitui a essência do jogo; chamar-lhe "espírito" ou "vontade" seria dizer demasiado. Seja 
qual for a maneira como o considerem, o simples fato de o jogo encerrar um sentido 
implica a presença de um elemento não material em sua própria essência. 
Por que razão o bebê grita de prazer? Por que motivo o jogador se deixa absorver 
inteiramente por sua paixão? Por que uma multidão imensa pode ser levada até ao delírio 
por um jogo de futebol? 
A intensidade do jogo e seu poder de fascinação não podem ser explicados por análises 
biológicas. E, contudo, é nessa intensidade, nessa fascinação, nessa capacidade de 
excitar que reside a própria essência e a característica primordial do jogo. O mais
simples raciocínio nos indica que a natureza poderia igualmente ter oferecido a suas 
criaturas todas essas úteis funções de descarga de energia excessiva, de distensão após um 
esforço, de preparação para as exigências da vida, de compensação de desejos insatisfeitos 
etc., sob a forma de exercícios e reações puramente mecânicos. Mas não, ela nos deu a 
tensão, a alegria e o divertimento do jogo. 
Como a realidade do jogo ultrapassa a esfera da vida humana, é impossível que tenha 
seu fundamento em qualquer elemento racional, pois nesse caso, limitar-se-ia à 
humanidade. A existência do jogo não está ligada a qualquer grau determinado de 
civilização, ou a qualquer concepção do universo. Todo ser pensante é capaz de 
entender à primeira vista que o jogo possui uma realidade autônoma, mesmo que 
sua língua não possua um termo geral capaz de defini-lo. A existência do jogo é 
inegável. É possível negar, se se quiser, quase todas as abstrações: a justiça, a beleza, a 
verdade, o bem, Deus. É possível negar-se a seriedade, mas não o jogo. 
A própria existência do jogo é uma confirmação permanente da natureza supralógica da 
situação humana. Se os animais são capazes de brincar, é porque são alguma coisa 
mais do que simples seres mecânicos. Se brincamos e jogamos, e temos 
consciência disso, é porque somos mais do que simples seres racionais, pois o jogo 
é irracional. Só se toma possível, pensável e compreensível quando a presença do 
espírito destrói o determinismo absoluto do cosmos Se verificarmos que o jogo se 
baseia na manipulação de certas imagens, numa certa "imaginação" da realidade (ou seja, a 
transformação desta em imagens), nossa preocupação fundamental será, então, captar o 
valor e o significado dessas imagens e dessa "imaginação". Observaremos a ação destas no 
próprio jogo, procurando assim compreendê-lo como fator cultural da vida As grandes 
atividades arquetípicas da sociedade humana são, desde início, inteiramente 
marcadas pelo ludico. Como por exemplo, no caso da linguagem, esse primeiro e 
supremo instrumento que o homem forjou a fim de poder comunicar, ensinar e 
comandar. É a linguagem que lhe permite distinguir as coisas, defini -las e constatá-las, em 
resumo, designá-las e com essa designação elevá-las ao domínio do espírito. Na criação da 
fala e da linguagem, brincando com essa maravilhosa faculdade de designar, é 
como se o espírito estivesse constantemente saltando entre a matéria e as coisas 
pensadas. Por detrás de toda expressão abstrata se oculta uma metáfora, e toda 
metáfora é jogo de palavras. Assim, ao dar expressão à vida, o homem cria um outro 
mundo, um mundo poético, ao lado do da natureza. Em todas as caprichosas invenções da 
mitologia, há um espírito fantasista que joga no extremo limite entre a brincadeira e a 
seriedade. Se, finalmente, observarmos o fenômeno do culto, verificaremos que as 
sociedades celebram seus ritos sagrados, seus sacrifícios, consagrações e mistérios, 
destinados a assegurarem a tranquilidade do mundo, dentro de um espírito de puro 
lúdico, tomando-se aqui o verdadeiro sentido da palavra. Ora, é no mito e no culto que 
têm origem as grandes forças instintivas da vida civilizada: o direito e a ordem, o 
comércio e o lucro, a indústria e a arte, a poesia, a sabedoria e a ciência. Todas elas 
têm suas raízes no solo primevo do lúdico. 
O jogo não é compreendido pela antítese entre sabedoria e loucura, ou pelas que opõem a 
verdade e a falsidade, ou o bem e o mal. Embora seja uma atividade não material, não 
desempenha uma função moral, sendo impossível aplicar-lhe as noções de vício e virtude. 
Antes de mais nada, o jogo é uma atividade voluntária. Sujeito a ordens, deixa de ser 
jogo, podendo no máximo ser uma imitação forçada. Basta esta característica de 
liberdade para afastá-lo definitivamente do curso da evolução natural. Chegamos, 
assim, à primeira das características fundamentais do jogo: o fato de ser livre, de ser 
ele próprio liberdade. Uma segunda característica, intimamente ligada à primeira, é que o 
jogo não é vida "corrente" nem vida "real". Pelo contrário, trata-se de uma evasão da vida 
"real" para uma esfera temporária de atividade com orientação própria. Toda criança 
68
sabe perfeitamente quando está "só fazendo de conta" ou quando está "só brincando". É 
possível ao jogo alcançar extremos de beleza e de perfeição que ultrapassam em muito a 
seriedade. É pelo menos assim que, em primeira instância, o ele se nos apresenta: como um 
intervalo em nossa vida quotidiana. Todavia, em sua qualidade de distensão regularmente 
verificada, ele se torna um acompanhamento, um complemento e, em última análise, uma 
parte integrante da vida em geral. Ornamenta a vida, ampliando-a, e nessa medida toma-se 
uma necessidade tanto para o indivíduo, como função vital, quanto para a sociedade, 
devido ao sentido que encerra, à sua significação, a seu valor expressivo, a suas associações 
espirituais e sociais, em resumo, como função cultural. 
O jogo distingue-se da vida "comum" tanto pelo lugar quanto pela duração que ocupa. É 
esta a terceira de suas características principais: o isolamento, a limitação. É "jogado 
até ao fim" dentro de certos limites de tempo e de espaço. Possui um caminho e um 
sentido próprios. 
É transmitido, toma-se tradição. Pode ser repetido a qualquer momento, quer seja "jogo 
infantil" ou jogo de xadrez, ou em períodos determinados, como um mistério. Uma de 
suas qualidades fundamentais reside nesta capacidade de repetição, que não se aplica apenas 
ao jogo em geral, mas também à sua estrutura interna. Em quase todas as formas mais 
elevadas de jogo, os elementos de repetição e de alternância (como no refrain) constituem 
como que o fio e a tessitura do objeto. A limitação no espaço é ainda mais flagrante do que 
a limitação no tempo. Todo jogo se processa e existe no interior de um campo 
previamente delimitado, de maneira material ou imaginária, deliberada ou 
espontânea. Tal como não há diferença formal entre o jogo e o culto, do mesmo modo o 
"lugar sagrado" não pode ser formalmente distinguido do terreno de jogo. A arena, 
a mesa de jogo, o círculo mágico, o templo, o palco, a tela, o campo de tênis, o tribunal 
etc., têm todos a forma e a função de terrenos que o jogo igualmente representa, isto é, 
lugares proibidos, isolados, fechados, sagrados, em cujo interior se respeitam 
determinadas regras. Todos eles são mundos temporários dentro do mundo 
habitual, dedicados à prática de uma atividade especial. 
69
Reina dentro do domínio do jogo uma ordem específica e absoluta. E aqui chegamos a 
sua outra característica, mais positiva ainda: ele cria ordem e é ordem. Introduz na 
confusão da vida e na imperfeição do mundo uma perfeição temporária e limitada, 
exige uma ordem suprema e absoluta: a menor desobediência a esta "estraga o jogo", 
privando-o de seu caráter próprio e de todo e qualquer valor. É, talvez, devido a esta 
afinidade profunda entre a ordem e o jogo que este, como assinalamos de passagem, parece 
estar em tão larga medida ligado ao domínio da estética. Há nele uma tendência 
para ser belo. Talvez este fator estético seja idêntico aquele impulso de criar formas 
ordenadas que penetra o jogo em todos os seus aspectos. As palavras que empregamos 
para designar seus elementos pertencem quase todas à estética. São as mesmas palavras 
com as quais procuramos descrever os efeitos da beleza: tensão, equilíbrio, compensação, 
contraste, variação, solução, união e desunião. 
70
O jogo lança sobre nós um feitiço: é "fascinante", "cativante". Está cheio das duas 
qualidades mais nobres que somos capazes de ver nas coisas: o ritmo e a harmonia. 
O elemento de tensão, a que acabamos de nos referir, desempenha no jogo um papel 
especialmente importante. 
71
Tensão significa incerteza, acaso. Há um esforço para levar o jogo até ao desenlace, 
o jogador quer que alguma coisa "vá" ou "saia", pretende "ganhar" à custa de seu próprio 
esforço. Uma criança estendendo a mão para um brinquedo, um gatinho brincando com 
um novelo, uma garotinha jogando bola, todos eles procuram conseguir alguma coisa 
difícil, ganhar, acabar com uma tensão. 
72
O jogo é "tenso", como se costuma dizer. É este elemento de tensão e solução que domina 
em todos os jogos solitários de destreza e aplicação, como os quebra-cabeças, as charadas, 
os jogos de armar, as paciências, o tiro ao alvo, e quanto mais estiver presente o 
elemento competitivo mais apaixonante se torna o jogo. 
Esta tensão chega ao extremo nos jogos de azar e nas competições esportivas. Embora o 
jogo enquanto tal esteja para além do domínio do bem e do mal, o elemento de tensão 
lhe confere um certo valor ético, na medida em que são postas à prova as 
qualidades do jogador: sua força e tenacidade, sua habilidade e coragem e, 
igualmente, suas capacidades espirituais, sua "lealdade". Porque, apesar de seu 
ardente desejo de ganhar, deve sempre obedecer às regras do jogo. Por sua vez, estas 
regras são um fator muito importante para o conceito de jogo. Todo jogo tem suas 
regras. São estas que determinam aquilo que "vale" dentro do mundo temporário 
por ele circunscrito. As regras de todos os jogos são absolutas e não permitem discussão. 
Uma vez, de passagem, Paul Valéry exprimiu uma ideia das mais importantes: "No que diz 
respeito às regras de um jogo, nenhum ceticismo é possível, pois o princípio no qual elas 
assentam é uma verdade apresentada como inabalável". E não há dúvida de que a 
desobediência às regras implica a derrocada do mundo do jogo. O jogo acaba: O apito do 
árbitro quebra o feitiço e a vida "real" recomeça. O jogador que desrespeita ou ignora as 
regras é um "desmancha-prazeres". Este, porém, difere do jogador desonesto, do batoteiro, 
já que o último finge jogar seriamente o jogo e aparenta reconhecer o círculo mágico. É 
curioso notar como os jogadores são muito mais indulgentes para com o batoteiro do que 
com o desmancha-prazeres; o que se deve ao fato de este último abalar o próprio mundo 
do jogo. Retirando-se do jogo, denuncia o caráter relativo e frágil desse mundo no qual, 
temporariamente, se havia encerrado com os outros. Priva o jogo da ilusão — palavra cheia 
de sentido que significa literalmente "em jogo" (de inlusio, illudere ou inludere). Torna-se, 
portanto, necessário expulsá-lo, pois ele ameaça a existência da comunidade dos jogadores. 
A figura do desmancha-prazeres desenha-se com mais nitidez nos jogos infantis. A 
pequena comunidade não procura averiguar se o desmancha-prazeres abandona o jogo por 
73
incapacidade ou por imposição alheia, ou melhor, não reconhece sua incapacidade e acusa - 
o de falta de audácia. Para ela, o problema da obediência e da consciência é reduzido ao do 
medo ao castigo. O desmancha-prazeres destrói o mundo mágico, portanto, é um covarde 
e precisa ser expulso. Mesmo no universo da seriedade, os hipócritas e os batoteiros 
sempre tiveram mais sorte do que os desmancha-prazeres: os apóstatas, os hereges, os 
reformadores, os profetas e os objetores de consciência. Todavia, frequentemente acontece 
que, por sua vez, os desmancha-prazeres fundam uma nova comunidade, dotada de regras 
próprias. Os fora da lei, os revolucionários, os membros das sociedades secretas, os hereges 
de todos os tipos têm tendências fortemente associativas, se não sociáveis, e todas as suas 
ações são marcadas por um certo elemento lúdico. 
O caráter especial e excepcional do jogo é ilustrado de maneira flagrante pelo ar de 
mistério em que frequentemente se envolve. Desde a mais tenra infância, o encanto do 
jogo é reforçado por se fazer dele um segredo. 
Representar significa mostrar, e isto pode consistir simplesmente na exibição, perante um 
público, de uma característica natural. 
74
O pavão e o peru limitam-se a mostrar às fêmeas o esplendor de sua plumagem, mas aqui o 
aspecto essencial é a exibição de um fenômeno invulgar destinado a provocar admiração. 
Se a ave acompanha essa exibição com alguns passos de dança passamos a ter um 
espetáculo, uma passagem da realidade vulgar para um plano mais elevado. Nada 
sabemos daquilo que o animal sente durante esses atos, mas sabemos que as exibições das 
crianças mostram, desde a mais tenra infância, um alto grau de imaginação. 
A criança representa alguma coisa diferente, ou mais bela, ou mais nobre, ou mais perigosa 
do que habitualmente é. Finge ser um príncipe, um papai, uma bruxa malvada ou um tigre. 
A criança fica literalmente "transportada" de prazer, superando-se a si mesma a tal ponto 
75
que quase chega a acreditar que realmente é esta ou aquela coisa, sem contudo perder 
inteiramente o sentido da "realidade habitual". Mais do que uma realidade falsa, sua 
representação é a realização de uma aparência: é "imaginação", no sentido original do 
termo. 
Se passarmos agora das brincadeiras infantis para as representações sagradas das 
civilizações primitivas, veremos que nestas se encontra "em jogo" um elemento espiritual 
diferente, que é muito difícil de definir. A representação sagrada é mais do que a simples 
realização de uma aparência é até mais do que uma realização simbólica: é uma realização 
mística. Algo de invisível e inefável adquire nela uma forma bela, real e sagrada. Os 
participantes do ritual estão certos de que o ato concretiza e efetua uma certa beatificação, 
faz surgir uma ordem de coisas mais elevada do que aquela em que habitualmente vivem. 
Mas tudo isto não impede que essa "realização pela representação" conserve, sob todos os 
aspectos, as características formais do jogo. É executada no interior de um espaço 
circunscrito sob a forma de festa, isto é, dentro de um espírito de alegria e liberdade. Em 
sua intenção é delimitado um universo próprio de valor temporário. Mas seus efeitos não 
cessam depois de acabado o jogo; seu esplendor continua sendo projetado sobre o mundo 
de todos os dias, influência benéfica que garante a segurança, a ordem e a prosperidade de 
todo o grupo até à próxima época dos rituais sagrados. 
76
Segundo uma velha crença chinesa, a música e a dança têm a finalidade de manter o mundo 
em seu devido curso e obrigar a natureza a proteger o homem. A prosperidade de cada ano 
depende da fiel execução de competições sagradas na época das festas. Caso essas reuniões 
não se realizem, as colheitas não poderão amadurecer. 
O ritual é um dromenon, isto é, uma coisa que é feita, uma ação. A matéria desta ação é um 
drama, isto é, uma vez mais, um ato, uma ação representada num palco. Esta ação pode 
revestir a forma de um espetáculo ou de uma competição. O rito, ou "ato ritual", 
representa um acontecimento cósmico, um evento dentro do processo natural. Contudo, a 
palavra "representa" não exprime o sentido exato da ação, pelo menos na conotação mais 
vaga que atualmente predomina; porque aqui "representação" é realmente identificação, a 
repetição mística ou a representação do acontecimento. O ritual produz um efeito que, mais 
do que figurativamente mostrado, é realmente reproduzido na ação. Portanto, a função do rito está 
longe de ser simplesmente imitativa, leva a uma verdadeira participação no próprio ato 
sagrado7. É um fator helping the action out8. A psicologia poderá tentar arrumar a questão 
definindo o ritual como identificação compensadora, uma espécie de substituto, "um ato 
representativo devido à impossibilidade de levar a cabo uma ação real e intencional"9. O 
que é importante para a ciência da cultura é procurar compreender o significado dessas 
figurações no espírito dos povos que as praticam e nelas crêem. Tocamos aqui no próprio 
âmago da religião comparada: a natureza e a essência do ritual e do mistério. 
Todos os antigos sacrifícios rituais dos Vedas baseiam-se na ideia de que a cerimônia — 
seja ela sacrifício, competição ou representação, — representando um certo acontecimento 
cósmico que se deseja, obriga os deuses a provocar sua realização efetiva. Há, portanto, um 
jogo, no sentido pleno do termo. Deixaremos agora de lado os aspectos especificamente 
religiosos, concentrando-nos na análise dos elementos lúdicos nos rituais primitivos. 
O culto é, portanto, um espetáculo, uma representação dramática, uma figuração imaginária 
de uma realidade desejada. Na época das grandes festas, o grupo social celebra os 
acontecimentos principais da vida da natureza levando a efeito representações sagradas, que 
representam a mudança das estações, o surgimento e o declínio dos astros, o crescimento e 
o amadurecimento das colheitas, a vida e a morte dos homens e dos animais. 
Como escreve Leo Frobenius, a humanidade "joga", representa a ordem da natureza tal 
como ela está impressa em sua consciência10. Num passado remoto, segundo Frobenius, 
os homens começaram por tomar consciência dos fenômenos do mundo vegetal e animal 
só depois, adquirindo as ideias de tempo e espaço, dos meses e das estações, do percurso 
do sol e da lua. Passaram depois a representar esta grande ordem da existência em 
cerimônias sagradas, nas quais e através das quais realizavam de novo, ou "recriavam", os 
acontecimentos representados, contribuindo assim para a preservação da ordem cósmica. E 
há mais. As formas desse jogo litúrgico deram origem à ordem da própria comunidade, às 
instituições políticas primitivas. O rei é o sol, e seu reinado é a imagem do curso do sol. 
Durante toda sua vida o rei desempenha o papel do sol, e no final sofre o mesmo destino 
que o sol: deve ser morto, de forma ritual, por seu próprio povo. 
A concepção deste processo espiritual defendida por Frobenius é mais ou menos a 
seguinte: a experiência, ainda inexpressa da natureza e da vida, manifesta -se no homem 
primitivo sob a forma de "arrebatamento"13. "A capacidade criadora, tanto nos povos 
quanto nas crianças ou em qualquer indivíduo criador, deriva desse estado de 
arrebatamento. "Os homens são arrebatados pela revelação do destino". "A realidade do 
ritmo natural da gênese e da extinção arrebata sua consciência e este fato leva -o a 
representar sua emoção em um ato, inevitável e como que reflexo"14. Assim, segundo ele, 
trata-se aqui de um processo espiritual de transformação que é absolutamente necessário. A 
emoção, o arrebatamento perante os fenômenos da vida e da natureza é condensado pela 
ação reflexa e elevado à expressão poética e à arte. É esta a maneira mais aproximada para 
77
dar conta do processo de imaginação criadora, mas está longe de poder ser considerada 
uma verdadeira explicação. Continua tão obscuro como antes o caminho que leva da 
percepção estética ou mística, ou pelo menos metalógica, da ordem cósmica até aos rituais 
sagrados. 
Diríamos, então, que, na sociedade primitiva, verifica-se a presença do jogo, tal como nas 
crianças e nos animais, e que, desde a origem, nele se verificam todas as características 
lúdicas: ordem, tensão, movimento, mudança, solenidade, ritmo, entusiasmo. 
Só em fase mais tardia da sociedade o jogo se encontra associado à expressão de alguma 
coisa, nomeadamente aquilo a que podemos chamar "vida" ou "natureza". O que era jogo 
desprovido de expressão verbal adquire agora uma forma poética. Na forma e na função do 
jogo, que em si mesmo é uma entidade independente desprovida de sentido e de 
racionalidade, a consciência que o homem tem de estar integrado numa ordem cósmica 
encontra sua expressão primeira, mais alta e mais sagrada. Pouco a pouco, o jogo vai 
adquirindo a significação de ato sagrado. O culto vem-se juntar ao jogo; foi este, contudo, 
o fato inicial. Encontramo-nos aqui em regiões difíceis de penetrar, tanto pela psicologia 
quanto pela filosofia. São questões que tocam no que há de mais profundo em nossa 
consciência. O culto é a forma mais alta e mais sagrada da seriedade. Como pode ele, 
apesar disso, ser jogo? Começamos por dizer que todo jogo, tanto das crianças como dos 
adultos, pode efetuar-se dentro do mais completo espírito de seriedade. Mas irá isto a 
ponto de implicar que o jogo continua sempre ligado à emoção sagrada do ato sacramentai? 
Quanto a isto, nossas conclusões são de certa maneira obstruídas pela rigidez de nossas 
ideias habituais. Estamos habituados a considerar o jogo e a seriedade como constituindo 
uma antítese absoluta. Contudo, parece que isto não permite chegar ao nó do problema. 
Prestemos um momento de atenção aos seguintes aspectos. A criança joga e brinca dentro 
da mais perfeita seriedade, que a justo título podemos considerar sagrada. Mas sabe 
perfeitamente que o que está fazendo é um jogo. 
Também o esportista joga com o mais fervoroso entusiasmo, ao mesmo tempo que sabe 
estar jogando. O mesmo verificamos no ator, que, quando está no palco, deixa-se absorver 
inteiramente pelo "jogo" da representação teatral, ao mesmo tempo que tem consciência da 
natureza desta. O mesmo é válido para o violinista, que se eleva a um mundo superior ao 
de todos os dias, sem perder a consciência do caráter lúdico de sua atividade. Portanto, a 
qualidade lúdica pode ser própria das ações mais elevadas. Mas permitirá isto que 
prolonguemos a série de maneira a incluir o culto, afirmando ser também meramente lúdica 
a atividade do sacerdote que executa os rituais do sacrifício? À primeira vista isto parece 
absurdo, pois, aceitá-lo para uma religião nos obrigaria a aceitá-lo para todas. 
Assim, nossas ideias de culto, magia, liturgia, sacramento e mistério seriam todas 
abrangidas pelo conceito do LUDICO. Ora, quando lidamos com abstrações devemos 
sempre evitar o exagero de sua importância, e estender demasiado o conceito de jogo não 
levaria a mais do que a um mero jogo de palavras. Mas, levando em conta todos os 
aspectos do problema, não creio que seja um erro definirmos o ritual em termos lúdicos. O 
ato de culto possui todas as características formais e essenciais do jogo, que anteriormente 
enumeramos, sobretudo na medida em que transfere os participantes para um mundo 
diferente. Esta identidade do ritual e do jogo era reconhecida sem reservas por Platão, que 
não hesitava em incluir o sagrado na categoria de jogo. A identificação platônica entre o 
jogo e o sagrado não desqualifica este último, reduzindo-o ao jogo, mas, pelo 
contrário, equivale a exaltar o primeiro, elevando-o às mais altas regiões do espírito. 
As Escrituras não DESQUALIFICAM a palavra jogo, mas em vista da sua 
conotação negativa e moderna associação do termo aos jogos de azar, 
principalmente nos meios religiosos, essa apostila usa a palavra “jogo” como 
78
sinônimo de LÚDICO, abordando toda sua essência, não limitando de modo 
algum o seus conceito ao caráter competitivo ou de apostas. 
Adotando este ponto de vista, podemos agora definir de maneira mais rigorosa as relações 
entre o ritual e o jogo. A extrema semelhança das duas formas não nos deixa mais 
perplexos, e nossa atenção continua presa ao problema de saber até que ponto todos os 
atos de culto são abrangidos pela categoria do jogo. 
Verificamos que uma das características mais importantes do jogo é sua separação espacial 
em relação à vida quotidiana. É-lhe reservado, quer material ou idealmente, um espaço 
fechado, isolado do ambiente quotidiano, e é dentro desse espaço que o jogo se processa e 
que suas regras têm validade. Ora, a delimitação de um lugar sagrado é também a 
característica primordial de todo ato de culto. Esta exigência de isolamento para o ritual, 
incluindo a magia e a vida jurídica, tem um alcance superior ao meramente espacial e 
temporal. Quase todos os rituais de consagração e iniciação implicam um certo isolamento 
artificial tanto dos ministros como dos neófitos. Sempre que se trata de proferir um voto, 
de ser recebido numa Ordem ou numa confraria, de fazer um juramento ou de entrar para 
uma sociedade secreta, de uma maneira ou de outra há sempre essa delimitação de um lugar 
do jogo. O mágico, o áugure e o sacrificador começam sempre por circunscrever seu 
espaço sagrado. O sacramento e o mistério implicam sempre um lugar santificado. A 
extrema semelhança que se verifica entre os rituais dos sacrifícios de todo o mundo mostra 
que esses costumes devem ter suas raízes em alguma característica fundamental e essencial 
do espírito humano. É costume reduzir esta analogia geral das formas de cultura a qualquer 
causa "racional" ou "lógica", explicando a necessidade de isolamento e separação pela ânsia 
de proteger os indivíduos consagrados de influências maléficas, pois eles, em seu estado de 
consagração, são particularmente vulneráveis às práticas dos espíritos malignos, além de 
constituírem eles mesmos um perigo para os que os rodeiam. 
O sábio húngaro Karl Kerényi publicou um estudo sobre a natureza da festa cuja ligação 
com nosso tema é das mais estreitas19. Segundo Kerényi, também as festas possuem 
aquele caráter de independência primeira e absoluta que atribuímos ao jogo. "Entre as 
realidades 
psíquicas", diz ele, "a festa é uma entidade autônoma, impossível de se assimilar a qualquer 
outra coisa que exista no mundo20. Tal como nós em relação ao conceito de jogo, também 
Kerényi considera que a festa foi tratada de maneira insuficiente pelos estudiosos da 
cultura. "O fenômeno da festa parece ter sido inteiramente ignorado pelos etnólogos21." O 
fato real da festa é ignorado, "como se não existisse para a ciência22". Exatamente da 
mesma maneira que o jogo, poderíamos nós acrescentar. 
Em resumo, a festa e o jogo têm em comuns suas características principais. O modo mais 
intimo de união de ambos parece poder encontrar-se na dança. Segundo Kerényi, os índios 
Cora, da costa oriental do México, chamam a suas festas religiosas realizadas por ocasião da 
trituração e da torrefação do milho o "jogo" de seu deus supremo23. 
Dos estranhos e bárbaros rituais dos indígenas da África, da América e da Austrália o olhar 
passa naturalmente para os sacrifícios rituais dos Vedas, os quais contêm já, nos hinos do 
Rig-Veda, toda a sabedoria dos Upanishads, para as profundamente místicas homologias 
entre deus, homem e animal na religião dos egípcios, para os mistérios de Orfeu ou de 
Elêusis. Tanto quanto à forma como quanto à prática, todos estes estão intimamente 
ligados às chamadas religiões primitivas, mesmo quanto aos pormenores mais cruéis e 
bizarros. Mas o elevado grau de sabedoria e de verdade que neles vemos, ou julgamos ver, 
nos impede de a eles nos referirmos com aquele ar de superioridade que, afinal de contas, 
era igualmente despropositado no caso das culturas '"primitivas". É preciso determinar se 
esta semelhança formal nos autoriza a aplicar a noção de jogo à consciência do sagrado, à 
79
crença que essas formas superiores contêm. Se aceitarmos a definição platônica do jogo, 
nada haverá de incorreto ou irreverente em que o façamos. Segundo a concepção de Platão, 
a religião é essencialmente constituída pelos jogos dedicados à divindade, os quais são para 
os homens a mais elevada atividade possível. Seguir esta concepção não implica de maneira 
alguma que se abandone o mistério sagrado, ou que se deixe de considerar este a mais alta 
expressão possível daquilo que escapa às regras da lógica. Os atos de culto, pelo menos sob 
uma parte importante de seus aspectos, serão sempre abrangidos pela categoria de jogo, 
mas esta aparente subordinação em nada implica o não reconhecimento de seu caráter 
sagrado. 
O hebreu sahaq também associa o riso e o jogo. Em aramaico la'ab significa rir e troçar. 
Além disso, em árabe e em sírio a mesma raiz significa "babar-se" (talvez devido ao hábito 
que têm as crianças de formar bolas com a saliva, o que pode muito bem ser interpretado 
como um jogo Por último, é curioso notar que em árabe la'iba serve para indicar o "jogo" 
de um instrumento musical, tal como em algumas línguas européias modernas. o latim 
cobre todo o terreno do jogo com uma única palavra: ludus, de ludere, de onde deriva 
diretamente lusus. Convém salientar que jocus, jocari, no sentido especial de fazer humor, de 
dizer piadas, não significa exatamente jogo em latim clássico. Embora ludere possa ser usado 
para designar os saltos dos peixes, o esvoaçar dos pássaros e o borbulhar das águas, sua 
etimologia não parece residir na esfera do movimento rápido, e sim na da não-seriedade, e 
particularmente na da "ilusão" e da "simulação". Ludus abrange os jogos infantis, a 
recreação, as competições, as representações litúrgicas e teatrais e os jogos de azar. Na 
expressão lares ludentes, significa "dançar". Parece estar no primeiro plano a ideia de 
"simular" ou de "tomar o aspecto de". Os compostos alludo, colludo, illudo apontam todos na 
direção do irreal, do ilusório. Esta base semântica está oculta em ludi, no sentido dos 
grandes jogos públicos que desempenhavam um papel tão importante na vida romana, ou 
então no sentido de "escolas". No primeiro caso o ponto de partida semântico é a 
competição; no segundo, é provavelmente a "prática". Ê interessante notar que ludus, como 
termo equivalente a jogo em geral, não apenas deixa de aparecer nas línguas românicas mas 
igualmente, tanto quanto sei, quase não deixou nelas qualquer vestígio. Em todas essas 
línguas, desde muito cedo, ludus foi suplantado por um derivado de jocus, cujo sentido 
específico (gracejar, troçar) foi ampliado para o de jogo em geral. É o caso do francês jeu, 
jouer, do italiano gioco, giocare, do espanhol juego, jugar, do português jogo, jogar, e do mesmo joc, 
juca8. Deixamos aqui de lado o problema de saber se o desaparecimento de ludus e ludere se 
deve a causas fonéticas ou semânticas. a tradução de 
Marcos X, 34, χαι εμπαιξονονσιν αΰτώ ("e eles troçarão dele") pelas palavras jah bilaikand ina 
faz parecer mais ou menos certo que o gótico exprimia a ideia do jogo com o mesmo laikan 
que está na origem da palavra que designa o jogo nas línguas escandinavas, e também 
aparece, no mesmo sentido, no inglês antigo e no alto e baixo alemão. Nos textos góticos, 
laikan só aparece no sentido de "saltar". Conforme já vimos, o movimento rápido deve ser 
considerado o ponto de partida concreto de muitos dos vocábulos que designam o jogo 
Nenhum exemplo da identidade essencial entre o jogo e o combate nas culturas primitivas 
pode ser mais decisivo do que aquele que aparece no Antigo Testamento. No Segundo 
Livro de Samuel (II, 14), Abner diz a Joab: 
"Que agora os jovens se ergam e joguem perante nós. (Reg. II, 2 -14: Surgant pueri et ludant 
coram nobis.) E vieram doze de cada lado, e agarrou cada um deles seu companheiro pela 
cabeça, e cada um deles enterrou sua espada no flanco de seu companheiro, de modo que 
caíam juntos. E o lugar onde caíram se chamou desde então o Campo dos Fortes." 
80
A tradução ludant é impecável: "que joguem". O texto hebreu emprega aqui uma forma do 
verbo sahaq, que significa fundamentalmente "rir", assim como "fazer algo jocosamente", e 
também "dançar". 
Evidentemente é impossível que aqui se trate de liberdade poética; o fato é que é possível 
um jogo ser mortal sem por isso deixar de ser um jogo, o que constitui mais uma razão 
para não se estabelecer separação entre os conceitos de jogo e de competição21. Isto nos 
conduz a uma outra conclusão: dada a indivisibilidade entre o jogo e o combate, no espírito 
primitivo, segue-se naturalmente a assimilação entre a caça e o jogo. Esta se encontra em 
numerosos aspectos da língua e da literatura, e não há necessidade de nela insistirmos. 
Muitos dos heróis da mitologia conseguem ganhar por meio da astúcia ou graças a uma 
ajuda exterior. Pélops suborna o auriga de Enomeu para que ele coloque cravos de cera nos 
eixos das rodas. Jasão e Teseu passam suas provas com êxito graças à ajuda de Medéia e 
Ariadne. Gunther deve sua vitória a Siegfried. No Mahabharata, os kauravas alcançam a 
vitória fazendo trapaça nos jogos de dados. Frigga engana Wotan para que este conceda a 
vitória aos lombardos. Os Ases quebram o juramento que fizeram aos gigantes. Em todos 
estes casos, o ato de superar o outro em astúcia, fraudulentamente, tornou-se ele próprio o 
motivo da competição, como se fosse um novo tema lúdico5. A indeterminação das 
fronteiras entre o jogo e a seriedade tem um exemplo perfeito na expressão "jogar na 
Bolsa". O final da Idade Média assiste, tanto em Gênova como em Antuérpia, ao 
surgimento do seguro de vida sob a forma de apostas sobre futuras eventualidades de 
caráter não econômico. Apostava-se, por exemplo, "sobre a vida e a morte de pessoas, o 
nascimento de um menino ou uma menina, o resultado de viagens e peregrinações, a 
conquista de várias terras, praças, fortes ou cidades6. Este tipo de contrato, embora 
houvesse já assumido um caráter puramente comercial, foi diversas vezes proibido sob a 
alegação de tratar-se de jogo ilegal, entre outros por Carlos V7. Apostava-se sobre a escolha 
de um novo Papa tal como hoje se aposta em corridas de cavalos8. E ainda no século XVII 
os contratos de seguro de vida eram conhecidos pelo nome de "apostas". 
Os estudos antropológicos têm mostrado de maneira cada vez mais clara que normalmente 
a vida social primitiva assenta na estrutura antagonística e antitética da própria 
comunidade, e que todo o mundo espiritual deste tipo de comunidade corresponde 
a esse profundo dualismo. Por todo o lado encontram-se vestígios desse fato. A tribo é 
dividida cm duas metades opostas, chamadas fratrias pelos antropólogos, as quais são 
separadas pela mais rigorosa exogamia. A distinção entre os dois grupos é estabelecida 
também pelo totem (termo de emprego um tanto duvidoso fora do terreno específico a que 
pertence, mas muito útil para uso científico). Um indivíduo pode ser homem-corvo ou 
homem-tartaruga, adquirindo assim todo um sistema de obrigações, tabus, costumes e 
objetos de veneração próprios da ordem do corvo ou da tartaruga, conforme for o caso. 
Entre as duas metades da tribo as relações são de competição e rivalidade, mas ao mesmo 
tempo de ajuda recíproca e mútua prestação de bons serviços. O conjunto destas relações 
transforma toda a vida pública da tribo numa interminável série de cerimônias, formuladas 
com a maior precisão e cumpridas com o maior rigor. O dualismo que diversifica as duas 
metades se estende a todo o mundo conceptual e imaginativo da tribo. Todas as criaturas, 
todas as coisas têm seu lugar com um ou outro dos dois lados, de tal modo que todo o 
cosmos é abrangido por essa classificação. Em nenhuma grande cultura a importantíssima 
influência civilizadora destas competições festivas foi mais claramente elucidada do que no 
caso da China antiga, graças aos trabalhos de Marcel Granet. Baseando sua reconstrução 
numa interpretação antropológica dos cantos rituais da China antiga, Granet conseguiu 
elaborar um estudo das fases primitivas da cultura chinesa, notável tanto por sua 
simplicidade quanto por seu rigor científico9. 
81
Segundo Granet, na fase mais primitiva os clãs rurais celebravam as festas das estações por 
meio de competições destinadas a favorecer a fertilidade e o amadurecimento das colheitas. 
É fato bem conhecido que essa 
é uma ideia subjacente à maior parte dos ritos primitivos. No espírito do homem primitivo, 
toda cerimônia corretamente celebrada, todo jogo ou competição ganho de acordo com as 
regras, todo sacrifício devidamente realizado, está intimamente ligado à aquisição pelo 
grupo de uma nova prosperidade. Se os sacrifícios e as danças foram concluídos com 
sucesso, podemos ficar certos de que tudo está bem, que os poderes superiores nos são 
propícios, que a ordem cósmica está salvaguardada, que o bem-estar social está garantido 
para nós e os nossos. 
Evidentemente este sentimento não deve ser pensado como o resultado final de uma série 
de deduções racionais. Trata-se mais de uma consciência da vida, de um sentimento de 
satisfação cristalizado em uma fé mais ou menos formulada pelo espírito. 
Na China primitiva, quase todas as atividades assumiam a forma de uma competição ritual: 
atravessar um rio, escalar uma montanha, cortar árvores ou colher flores11. O esquema 
característico das lendas chinesas relativas à fundação tios reinos é o do herói derrotando 
seus adversários por meio de proezas espantosas e miraculosas demonstrações de força, 
provando, assim, sua superioridade. Regra geral, o torneio acaba com a morte dos 
vencidos. Há muitos povos que colocam o jogo de dados no número das práticas 
religiosas14. Por vezes, as sociedades divididas em fratrias exprimem sua estrutura dualis ta 
nas duas cores de seus tabuleiros de jogo ou de seus dados. A palavra sânscrita dyutam 
significa ao mesmo tempo "lutar" e "jogar aos dados". 
Existem grandes afinidades entre os dados e as flechas15. No Mahabharata, o próprio 
mundo é concebido como um jogo de dados que Siva joga com sua esposa16. As estações, 
rtu, são representadas sob a forma de seis homens jogando com dados de ouro e prata. 
Também a mitologia germânica faz referência a um jogo jogado pelos deuses em seu 
tabuleiro: quando o mundo foi ordenado, os deuses reuniram-se para jogar aos dados, e 
quando ele renascer de novo após sua destruição, os Ases rejuvenescidos voltarão a 
encontrar os tabuleiros de jogo em ouro que originariamente possuíam1. A ação principal 
do Mahabharata assenta no jogo de (lados jogados pelo rei Yudhistira contra os kauravas. 
No livro acima referido, G. J. Held tira deste fato diversas conclusões de caráter etnológico. 
De nosso ponto de vista, o mais importante é o lugar onde o jogo é executado. Geralmente 
é um simples círculo, dyutamandalam, traçado no solo. O círculo enquanto tal, todavia, 
reveste-se de um significado mágico. É traçado com o maior cuidado, sendo tomada toda a 
espécie de precauções contra a possibilidade de haver batota. Não é permitido aos 
jogadores deixar o terreno antes de terem cumprido todas as suas obrigações. Mas, por 
vezes, é provisoriamente erigido um recinto especial para o jogo, e esse recinto é 
considerado terreno sagrado. O Mahabharata consagra todo um capítulo à ereção do recinto 
dos dados, — sabha — no qual os Pandavas deverão defrontar seus adversários. 
Em conclusão, os jogos de azar têm o seu lado sério. Fazem parte integrante do ritual, e 
Tácito cometeu um erro ao se espantar por ver os germanos jogando dados com todo o 
empenho, como se fosse uma ocupação séria. 
82 
O POTLACH 
Os fundamentos agonísticos da vida cultural da sociedade primitiva só foram esclarecidos a 
partir do momento em que a etnologia foi enriquecida por uma rigorosa descrição dos 
curiosos costumes de certas tribos índias da Colômbia britânica, que se tornaram 
conhecidos sob o nome de potlatch20. Em sua forma mais típica, encontrada na tribo dos 
Kwakiutl, o potlatch é uma grande festa solene, durante a qual um de dois grupos, com 
grande pompa e cerimônia, faz ofertas em grande escala ao outro grupo, com a finalidade
expressa de demonstrar sua superioridade. A única retribuição esperada pelos doadores, e 
que é devida pelos que recebem, consiste na 
obrigação de estes últimos darem por sua vez uma festa, dentro de um certo período, se 
possível ultrapassando a primeira. Este curioso festival de donativos domina toda a vida 
comunitária das tribos que o praticam: os rituais, as leis, as artes. Qualquer acontecimento 
importante pode servir de pretexto para um potlatch, seja um nascimento, uma morte, um 
casamento, uma cerimônia de iniciação ou de tatuagem, a construção de um túmulo etc. É 
costume o chefe oferecer um potlatch sempre que constrói uma casa ou um totem. No 
potlatch, as famílias ou clãs apresentam-se sob sua forma mais brilhante, cantando suas 
canções sagradas e exibindo suas máscaras, enquanto os feiticeiros, possuídos pelos 
espíritos do clã, entregam-se a sua fúria. Mas o principal é sempre a distribuição de bens. O 
promotor da festa dissipa nesta todas as posses de seu clã. Contudo, o fato de participarem 
da festa dá aos outros clãs a obrigação de oferecer um potlatch em escala ainda mais 
grandiosa. Caso contrário, destroem seu nome, sua honra, seu emblema e seus totens, e até 
seus direitos civis e religiosos. O resultado de tudo isto é que as posses de toda a tribo vão 
circulando por entre as "grandes famílias", ao acaso. Supõe-se que, originariamente, o 
potlatch fosse sempre realizado entre duas fratrias da mesma tribo. 
Quem oferece um potlatch demonstra sua superioridade, não apenas devido à pródiga 
distribuição de riquezas mas também, e isto é ainda mais impressionante, pela destruição 
completa de seus bens, só para mostrar que pode passar sem eles. Além disso, essas 
destruições são levadas a efeito de acordo com um ritual dramático, e acompanhadas por 
altivos desafios. A ação assume sempre a forma de uma competição: se um chefe quebra 
um pote de cobre, ou queima uma pilha de mantas, ou estraçalha uma canoa, seu 
adversário fica na obrigação de destruir pelo menos o mesmo, e se possível mais. Os 
destroços são enviados ao rival, como provocação, ou exibidos como sinal de honra. 
Conta-se dos Tlinkit, tribo aparentada aos Kwakiutl, que quando um chefe queria defrontar 
um rival matava um certo número de seus escravos, e o outro, para vingar-se, tinha que 
matar um número ainda maior dos seus. 
Marcel Mauss fala da presença, na Melanésia, de costumes exatamente idênticos ao potlatch. 
Em seu Essai sur le don, aponta vestígios de costumes semelhantes nas culturas da Grécia, da 
Roma e da Germânia da antigüidade. Granet apresenta exemplos de competições tanto de 
doação como de destruição na tradição chinesa primitiva. Na Arábia pagã dos tempos pré-islâmicos, 
essas competições tinham um nome especial, o que prova sua existência como 
instituição formal. São chamadas mu'aqara, um nomen actionis da terceira forma do verbo 
'aqara, que nos velhos dicionários, os quais nada sabiam do pano de fundo etnológico, 
recebe a definição de "rivalizar em glória cortando as patas dos camelos". Mauss resume 
mais ou menos o tema tratado por Held da seguinte maneira: "O Mahabharata é a história 
de um gigantesco potlatch"24. O potlatch, e tudo quanto com ele se relaciona, tem como 
centro de interesse a vitória, a afirmação de superioridade, a aquisição de glória ou prestígio 
e, pormenor não destituído de importância, a vingança. Em todos os casos, mesmo quando 
é apenas uma pessoa que oferece a festa, há dois grupos numa situação de oposição, mas 
ligados por um espírito que é ao mesmo tempo de hostilidade e de amizade. Para 
compreender esta atitude ambivalente, é preciso reconhecer que o mais importante no 
potlatch é ganhá-lo. Os grupos adversários não disputam riquezas nem poder, competem 
apenas pelo prazer de exibir sua superioridade, em resumo, pela glória. No casamento de 
um chefe Ma-malekala, descrito por Boas25 o grupo anfitrião declara-se "pronto a iniciar o 
combate", querendo com isto designar a cerimônia no fim da qual o futuro sogro concede 
a mão de sua filha. O potlatch possui também alguma coisa de um combate, um elemento de 
provação e sacrifício. A solenidade decorre sob a forma de um ritual acompanhado de 
antífonas e danças de mascarados. Esse ritual é extremamente rigoroso: basta a menor 
infração para invalidar tudo. A tosse ou o riso são castigados com severas penalidades. O 
83
mundo espiritual no interior do qual se realizam essas cerimônias é o mundo da honra, da 
pompa, da fanfarronice e do desafio. É um mundo de cavalaria e de heroísmo, dominado 
pelos brasões e nomes ilustres, onde prima a nobreza de linhagem. Não é o mundo dos 
cuidados e da subsistência quotidiana, do cálculo das vantagens e da aquisição de bens 
úteis. Aqui, as aspirações voltam-se para o prestígio dentro do grupo, para um lugar de 
destaque, quaisquer sinais de superioridade. As relações e obrigações recíprocas das duas 
fratrias dos Tlinkit são designadas por uma palavra que significa "manifestar respeito". 
Estas relações estão constantemente sendo expressas em ações concretas, mediante a troca 
de serviços e presentes. Um dos mais fortes incentivos para atingir a perfeição, tanto 
individual quanto social, e desde a vida infantil até aos aspectos mais elevados da 
civilização, é o desejo que cada um sente de ser elogiado e homenageado por suas 
qualidades. Elogiando o outro, cada um elogia a si próprio. Queremos ser honrados por 
nossas virtudes, queremos a satisfação de ter realizado corretamente alguma coisa. Realizar 
corretamente uma coisa equivale a realizá-la melhor que os outros. Atingir a perfeição 
implica que esta seja mostrada aos outros; para merecer o reconhecimento, o mérito tem 
que ser manifesto. A competição serve para cada um dar provas de sua superioridade. E 
isto se verifica principalmente na sociedade primitiva. 
A virtude de um homem de qualidade consiste numa série de propriedades que o tornam 
capaz de lutar e de comandar. Entre estas ocupam um lugar eminente a generosidade, a 
sabedoria e a justiça. É perfeitamente natural que em muitas línguas a palavra que designa a 
virtude derive da ideia de masculinidade ou "virilidade", como por exemplo no latim virtus, 
que durante muito tempo conservou seu sentido de “coragem" — até ao momento em que 
o pensamento cristão se tornou predominante. O mesmo se passa com o árabe muru'a, o 
qual, do mesmo modo que o grego άφετη, abrange todo o complexo semântico da força, 
valentia, riqueza, direito, boa conduta, moralidade, urbanidade, boas maneiras, 
magnanimidade, generosidade e perfeição moral. Em toda sociedade primitiva que seja 
saudável, baseada na vida tribal de guerreiros e nobres, floresce um ideal de cavalaria e 
conduta cavalheiresca, quer seja na Grécia ou na Arábia, no Japão ou na Europa cristã da 
Idade Média. E o ideal viril da virtude está sempre ligado à convicção de que a honra para 
ser válida, deve ser publicamente reconhecida, sendo este reconhecimento, se necessário, 
imposto pela força. 
Mesmo em Aristóteles a honra é ainda chamada "o preço da virtude". "Os homens aspiram 
à honra para se convencerem de seu próprio valor, de sua virtude. Aspiram a ser honrados 
por seu próprio valor por aqueles que têm a capacidade de julgar38." Portanto, a virtude e a 
honra, a nobreza e a glória encontram-se desde início dentro do quadro da competição, isto 
é, do jogo. A vida do jovem guerreiro de nobre extração é um permanente exercício de 
virtude, uma luta permanente pela honra de sua posição. Este ideal é exprimido de maneira 
perfeita no famoso verso de Homero: αιεν αφιστευειν χαι υφειφοχον έμεναι αλλων ("ser 
sempre melhor, ultrapassando os outros")39'. Por isso o interesse da epopéia não depende 
das proezas militares enquanto tais, e sim da αφιστεια dos heróis individuais. A formação 
em vista da vida aristocrática conduz à formação para a vida no Estado e para o Estado. 
Também aqui a palavra αφετη não possui ainda um sentido puramente ético. Continua 
significando antes a capacidade do cidadão para suas tarefas na polis, conservando ainda 
grande parte de sua importância primitiva a ideia nela originalmente contida de exercício 
por meio de uma competição. O nobre demonstra sua "virtude" por meio de proezas de 
força, destreza, coragem, engenho, sabedoria, riqueza ou generosidade. Na falta destas, 
pode ainda distinguir-se numa competição de palavras, isto é, ou ele mesmo louva as 
virtudes nas quais deseja superar seus rivais, ou manda que elas lhe sejam louvadas por um 
poeta ou um arauto. Esta exaltação da própria virtude, como forma de competição, 
transforma-se muito naturalmente em depreciação da do adversário, o que, por sua vez, 
passa a ser um outro tipo de competição. É extraordinária a importância do papel que estas 
84
fanfarronadas e ultrajes ocupam nas mais diversas civilizações. Seu caráter lúdico é 
indiscutível: basta lembrarmo-nos do comportamento dos garotinhos para classificarmos 
esses torneios de insultos como uma forma de jogo. Não obstante, é preciso estabelecer 
uma cuidadosa distinção entre os torneios formais de fanfarronadas ou insultos e as 
invectivas mais espontâneas que costumam iniciar ou acompanhar o combate armado, 
embora não seja nada fácil traçar essa linha divisória. Segundo antigos textos chineses, a 
batalha é uma confusa mistura de fanfarronadas, insultos, altruísmo e cumprimentos. Trata - 
se mais de uma competição com armas morais, um choque de honras ofendidas, do que 
um combate armado40. Há toda uma série de atos, alguns dos quais de caráter bastante 
extraordinário, possuidores de um significado técnico como marcas de vergonha ou de 
honra para aquele que os pratica ou os sofre. Assim, o gesto de desprezo de Remo, 
saltando por cima da muralha de Rômulo na alvorada da história de Roma, constitui, 
segundo a tradição militar chinesa, um desafio obrigatório. 
Uma variante desse gesto mostra o guerreiro cavalgando até ao portão do inimigo e 
calmamente contando as tábuas com seu chicote41. Situam-se na mesma tradição os 
cidadãos de Meaux que, encontrando-se sobre as muralhas, sacudiram o pó dos chapéus 
quando os sitiantes dispararam seus canhões. Voltaremos mais adiante a tratar deste tipo de 
atitude, quando tratarmos do elemento agonístico, ou mesmo lúdico, da guerra. O que 
neste momento nos interessa é a joute de jactance em regra. 
Entre os indígenas das Trobriand, conforme relata Malinowski, encontram-se formas 
intermediárias entre os torneios de jactância e as competições de riqueza. O valor atribuído 
aos alimentos não depende apenas de sua utilidade, mas também de suas qualidades como 
meio de ostentação da riqueza. As habitações yam são construídas de maneira a permitir 
que se veja do exterior tudo o que encerram, e que se avalie sua riqueza olhando através 
dos largos interstícios das tábuas. Os melhores alimentos são postos em evidência e os 
exemplares especialmente valiosos são emoldurados, ornamentados com cores vivas, e 
pendurados do lado de fora da habitação. Nas aldeias onde reside um grande chefe, os 
membros comuns da tribo têm que cobrir suas habitações com folhas de coqueiro, para 
não competirem com a do chefe42. Encontramos nas lendas chinesas um eco de costumes 
semelhantes na narrativa do festim do mau rei Cheu-Sin, que mandou erguer uma 
montanha de alimentos sobre a qual podia passar um carro, e mandou escavar um lago 
cheio de vinho onde podiam navegar barcos à vela. Um letrado chinês descreve o 
desperdício que acompanha os torneios populares de fanfarronice44. 
A competição pela honra pode também, como na China, assumir uma forma invertida, 
transformando-se numa competição de boas maneiras. A palavra que designa esta última, 
jang, significa à letra "ceder o lugar a outrem"45. Derrota--se o adversário por ter melhores 
maneiras, ou por lhe dar precedência. Possivelmente é na China que a competição de 
cortesia é mais formalizada, mas pode ser encontrada em toda a parte do mundo. 
Podemos considerá-la uma competição de fanfarronice invertida, pois a razão desta 
exibição de delicadeza para com os outros é um profundo interesse pela própria honra. 
As competições formais de invectivas e vitupérios eram muito espalhadas na Arábia pré - 
islâmica, e são especialmente claras suas relações com as competições de destruição da 
propriedade, um dos aspectos centrais do potlatch. Já fizemos referência ao costume 
chamado mu'aqara, no qual os adversários cortavam os tendões de seus camelos. A forma 
básica do verbo ao qual mu'aqara pertence no terceiro grau significa ferir ou mutilar. E entre 
os significados de mu'aqara encontramos também: conviciis et dictis satyricis certavit cum aliquo — 
lutar com invectivas e linguagem insultuosa. O que lembra o torneio de destruição dos 
ciganos egípcios, que tem o nome de vantardise. Mas além de mu'aqara os árabes pré-islâmicos 
designavam os torneios de destruição e formas aparentadas com dois outros 
termos técnicos: munafara e mufakhara. Convém assinalar que as três palavras são formadas 
85
da mesma maneira. São substantivos verbais derivados da chamada terceira forma do 
verbo, e é talvez este o aspecto mais interessante de toda a questão. Porque em árabe existe 
uma forma verbal especial, que pode dar a qualquer raiz o 
sentido de competir em alguma coisa, ou ultrapassar alguém em alguma coisa. Quase 
poderíamos chamar-Ihe uma espécie de superlativo verbal da própria raiz. Além disso, a 
chamada "sexta forma", derivada da terceira, exprime a ideia de atração recíproca. Assim a 
raiz hasaba (contar, enumerar) dá muhasaba, competição pela boa reputação; e kathara 
(exceder em número) dá mukathara, competição em quantidade. Mas voltando a nosso 
assunto: mujakhara provém de uma raiz que significa "vangloriar-se", ao passo que 
munafara deriva do campo semântico de "derrota", "pôr em fuga". Existe em árabe 
um parentesco semântico entre honra, virtude, elogio e glória, exatamente como em grego 
as mesmas ideias gravitam em torno da αφετη47". No árabe a ideia central é 'irá, que pode 
ser traduzida por "honra", desde que seja tomada em sentido extremamente concreto. A 
principal exigência de uma vida nobre é a obrigação de preservar a integridade e a 
segurança de sua honra. De outro lado, supõe-se que o adversário esteja animado por um 
ardente desejo de destruir e degradar nosso 'ird com insultos. Tal como na Grécia, também 
aqui qualquer superioridade física, social ou moral constitui um fundamento de honra e de 
glória, sendo portanto um elemento de virtude. O árabe tira glória de suas vitórias e sua 
coragem, do número de seus filhos ou de seu clã, de sua liberdade, sua autoridade, sua 
força, a acuidade de sua vista ou a beleza de seu cabelo. Tudo isto compõe seu 'izz, 'izza, 
ou seja, sua superioridade sobre os outros e, conseqüentemente, sua autoridade e seu 
prestígio. 
Os ultrajes e insultos dirigidos ao adversário ocupam um lugar importante nesta exaltação 
do 'izz pessoal, e possuem a designação técnica de hidja'. As lutas pela honra, os 
mufakhara, costumavam ser realizadas em datas préfixadas, ao mesmo tempo que 
as feiras anuais e depois das peregrinações. Os ultrajes e insultos dirigidos ao 
adversário ocupam um lugar importante nesta exaltação do 'izz pessoal, e possuem a 
designação técnica de hidja'. As lutas pela honra, os mufakhara, costumavam ser realizadas 
em datas préfixadas, ao mesmo tempo que as feiras anuais e depois das peregrinações. 
As competições travavam-se entre tribos ou clãs inteiros, ou entre indivíduos. 
Sempre que acontecia dois grupos se encontrarem, tratava-se entre eles uma justa 
de honra. Havia um porta-voz oficial para cada grupo, o sha'ir (poeta ou orador), 
que desempenhava um papel importante. Esse costume possuía um caráter nitidamente 
ritual, servindo para manter acesas as poderosas tensões sociais que davam unidade à 
cultura árabe pré-islâmica. Mas, o surgimento do Islão veio atenuar este antigo costume, 
conferindo-lhe uma nova dimensão religiosa ou reduzindo-o a um divertimento de corte. 
Nos tempos do paganismo era freqüente o mufakhara terminar num massacre e numa 
guerra tribal. Na tradição grega, encontram-se numerosos vestígios de torneios de 
injúrias cerimoniais e solenes. Alguns autores afirmam que a palavra iambos significava 
originalmente "sarcasmo", estando especialmente relacionada com os cantos públicos de 
insultos e sarcasmos que faziam parte das lestas de Deméter e Dionísio. Julga-se que 
foi a partir desta tradição de troça em público que surgiu a sátira de Arquíloco, cuja 
recitação, acompanhada por música, era incluída nas competições. A poesia jâmbica 
passou, assim, de um costume imemorial de natureza ritual a instrumento de crítica pública. 
Mesmo o tema das diatribes contra as mulheres parece constituir um vestígio dos cantos 
alternados de sarcasmo entre os homens e as mulheres que eram realizados no decurso das 
festas de Deméter e Apoio. Deve estar na base desses costumes um jogo sagrado de 
emulação pública, o psogo0. 
Também a tradição da antigüidade germânica apresenta vestígios muito antigos de duelos 
de injúrias na história de Alboin, na corte dos gépidas, que foi manifestamente recolhida 
por Paulo, o Diácono, nas canções épicas. Os chefes lombardos foram convidados para um 
86
banquete real por Turisindo, rei dos gépidas. Quando o rei começa a lamentar seu filho 
Turismundo, morto em combate contra os lombardos, outro de seus filhos levantasse e 
começa a cobrir os lombardos de injúrias (iniuriis lacessere coepit). Chama-Ihes éguas de pés 
brancos, acrescentando que cheiram mal. Ao que um dos lombardos responde: "Vai ao 
campo de batalha de Asfeld, onde poderás verificar a valentia com que essas 'éguas' de que 
falas sabem defender-se, lá onde estão os ossos de teu irmão, espalhados pelo campo como 
os ossos de uma velha pileca". O rei evita que os dois passem a vias de fato, "e o banquete 
foi levado a um fim feliz" (laetis animis conviviam peragunt). Estas últimas palavras revelam 
claramente o caráter lúdico da altercação. Não resta dúvida que se trata de um exemplo de 
torneio de insultos. Este existe também na literatura nórdica arcaica, sob uma forma 
especial chamada mannjafnaôr, "comparação dos homens". Faz parte da festa do Jul, do 
mesmo modo que a competição de juramentos. Um exemplo é a saga de Orvar Odd. Orvar 
Odd está incógnit o de visita à corte de um rei estrangeiro e aposta sua cabeça que é capaz 
de vencer na bebida dois dos homens do rei. A cada vez que um deles passa o corno de 
beber ao seu rival, vangloria-se de qualquer heroico feito de guerra em que ele esteve 
presente, enquanto o outro se deixa ficar vergonhosamente ao canto do lume, junto com as 
mulheres52. À vezes, são dois reis que procuram vencer um ao outro em linguagem 
jactanciosa. Uma das canções dos Edda, o Harbarosljoô, trata de uma competição deste 
gênero entre Thor e Odin53. Devemos também incluir no mesmo gênero as disputas de 
Loki com os Ases, durante uma sessão de bebida54. O caráter ritual destas competições é 
revelado pela referência expressa ao fato de o recinto onde elas se realizavam ser "um 
grande lugar de paz" (griaastaar mikill), e de nele não ser permitido a ninguém exercer 
violência contra o outro, diga este o que disser. Embora todos estes exemplos sejam 
redações literárias de temas pertencentes a um passado muito remoto, a existência de um 
pano de fundo ritualístico é demasiado evidente para que se possa considerá -los apenas o 
produto de uma ficção poética mais tardia. As lendas primitivas irlandesas do porco de Mac 
Datho e da festa de Bricrend apresentam uma "comparação de homens" semelhante. De 
Vries está certo da origem religiosa do Mannjafnaôr. A importância que era atribuída a este 
gênero de insultos é ilustrada de maneira evidente pelo caso de Harald Gormsson, que 
queria empreender uma expedição punitiva contra a Islândia por causa de um simples 
epigrama de que fora vítima. Durante todo o período de sua existência, os jogos helênicos 
permaneceram intimamente ligados à religião, mesmo nas épocas mais tardias em que, à 
primeira vista, poderiam assumir a aparência dos esportes nacionais puros e simples. Os 
cantos triunfais de Píndaro, em honra das grandes competições, pertencem inteiramente ao 
quadro de sua rica poesia sagrada, da qual eles constituem a única parte conservada até 
nossos dias72. O caráter sagrado do agon (competição) manifesta-se em toda a parte. O 
zelo competitivo dos jovens espartanos em submeter-se a dolorosas experiências perante o 
altar é apenas um exemplo entre as muitas práticas cruéis relacionadas com a iniciação à 
vida adulta, semelhantes às que podem ser encontradas entre os povos primitivos de toda a 
Terra. Píndaro mostra um vencedor dos Jogos Olímpicos insuflando uma nova força vital 
nos pulmões de seu velho avô. 
A tradição grega estabelece uma divisão entre as competições: de um lado as públicas ou 
nacionais, militares e jurídicas, e, de outro, as relacionadas com a força, a sabedoria e a 
riqueza. Esta classificação parece refletir uma fase agonística, mais primitiva, da cultura. O 
fato de se chamar "agon" à disputa perante um juiz não deve ser tomado, ao contrário do 
que pensa Burckhardt74, como uma simples expressão metafórica de uma época mais 
tardia 
mas, pelo contrário, como prova de uma imemorial associação de ideias, à qual mais 
adiante voltaremos a fazer referência. De fato, houve um tempo em que o julgamento em 
tribunal foi um agon no sentido restrito do termo. 
87
Era costume entre os gregos organizar competições a propósito de tudo o que oferecesse a 
possibilidade de uma luta. Os concursos de beleza masculina faziam parte das Panatenéias e 
das festas de Teseu. Nos simpósios eram organizados concursos de canto, decifração de 
enigmas, de resistência em se conservar acordado e bebendo. Mesmo neste último caso, o 
elemento sagrado não está ausente: os πολυποσία e os αχφατοποσία (beber muito e sem 
mistura) faziam parte da festa de Coeno. Alexandre celebrou a morte de Calanos com um 
agon ginástico e musical, com prêmios para os melhores bebedores, tendo daí resultado que 
trinta e cinco dos competidores morreram na hora, e seis deles mais tarde, entre os quais o 
vencedor75. Notemos de passagem que as competições que consistiam em absorver 
grandes quantidades de comida e bebida estão também ligadas ao potlatch. 
O Ludico no Direito 
Um antigo juiz escreveu-me o seguinte: "O estilo e o conteúdo das intervenções nos 
tribunais revelam o ardor esportivo com que nossos advogados se atacam uns aos outros 
por meio de argumentos e contra-argumentos (alguns dos quais são razoavelmente 
sofisticados). Sua mentalidade por mais de uma vez me fez pensar naqueles oradores dos 
processos adat7' que, a cada argumento, espetam na terra uma vara, sendo considerado 
vencedor aquele que no final puder apresentar o maior número de varas". O caráter lúdico 
da prática judicial foi fielmente observado por Goethe em sua descrição de uma sessão do 
tribunal de Veneza, realizada no palácio dos Doges. Dada esta fraqueza dos padrões éticos, 
o fator agonístico (competitivo) vai ganhando imenso terreno na prática judicial à medida 
que recuamos no tempo. E, à medida que o elemento agonístico vai aumentando, o mesmo 
acontece com o fator sorte, e daqui resulta que depressa nos encontramos na esfera lúdica. 
Estamos perante um mundo espiritual em que a ideia da decisão por oráculos, pelo juízo 
divino, pela sorte, por sortilégio — isto é, pelo jogo — e a da decisão por sentença judicial 
fundem-se num único complexo de pensamento. E ainda hoje reconhecemos o caráter 
absoluto dessas decisões todas as vezes que, quando não conseguimos ser nós próprios a 
decidir qualquer coisa, resolvemos "tirá-la à sorte". A vontade divina, o destino e a sorte 
parecem a nossos olhos entidades mais ou menos distintas, ou pelo menos procurando 
estabelecer entre elas uma distinção conceptual. Mas, para o espírito primitivo, são mais ou 
menos equivalentes. Pode-se conhecer o "destino" fazendo que ele se pronuncie. Para 
conhecer o oráculo, é preciso recorrer à sorte. Pode-se jogar com paus, com pedras, ou 
abrir à sorte as páginas do livro sagrado, e o oráculo responderá. Assim o Exodo, XXVII, 
30, ordena a Moisés que "ponha no peitoral o urim e o tummin" (sejam estes o que forem), a 
fim de que Aarão "possa julgar os filhos de Israel em seu coração perante o Senhor 
continuamente". O peitoral é usado pelo grande sacerdote, e é por intermédio deste que o 
sacerdote Eleazar pede conselho, em Números, XXVII, 21, em favor de Josué, "segundo o 
julgamento de Urim". De maneira semelhante, em I Samuel, XIX, 42, Saul ordena que seja 
tirada a sorte entre ele e seu filho Jônatas. As relações entre o oráculo, a sorte e o 
julgamento são ilustradas de maneira perfeitamente clara nestes exemplos. Também na 
Arábia pré-islâmica, encontra-se este tipo de sortilégio9. E, afinal, não será 
fundamentalmente o mesmo a balança sagrada na qual Zeus, na llíada, pesa as 
possibilidades que cada homem, antes do início da batalha, tem de morrer? "Então o Pai 
estendeu os dois pratos de ouro e colocou neles as duas porções de morte amarga, uma 
para os troianos domadores de cavalos e outra para os aqueus cobertos de bronze” 
muito mais tarde. Umas das figuras que se encontram no escudo de Aquiles, segundo a 
descrição do oitavo livro da llíada, representa um julgamento com os juízes sentados no 
interior do círculo sagrado, estando no centro da cena os "dois talentos de ouro" (δνό 
χφυσοίο τάλαντα), que se destinam àquele que proferir a sentença mais justa11. Em geral, 
consideram-se esses dois talentos como a quantia em dinheiro disputada pelas duas partes. 
Mas, bem vistas as coisas, eles parecem ser mais um prêmio que um objeto de litígio; 
88
seriam, portanto, mais adequados a um jogo do que a uma sessão de tribunal. Além disso, 
convém notar que originariamente talanta significava "balança". Creio, assim, que o poeta 
tinha em mente uma pintura em vaso que mostrava dois litigantes sentados cada qual em 
um dos pratos de uma balança, a verdadeira "balança da justiça", na qual a sentença era 
dada mediante uma pesagem segundo o costume primitivo, isto é, por oráculo ou pela 
sorte. Este costume ainda não era conhecido na época em que foi composto o poema, e daí 
resultou que talanta, os dois pratos da balança, foi considerado, devido a uma transposição 
de significado, como dinheiro. O grego δίχη (direito, justiça) possui uma escala de 
significados que vai desde o puramente abstrato até o mais declaradamente concreto. Pode 
significar a justiça enquanto conceito abstrato, ou uma divisão eqüitativa, ou uma 
indenização, ou mais ainda: as partes num julgamento dão e recebem δίχη, os juízes 
atribuem δίχη. Significa também o próprio processo jurídico, o veredicto e a punição. 
Embora se possa supor que os significados mais concretos de uma palavra são os mais 
antigos, Werner Jaeger defende, neste caso, o ponto de vista contrário. 
Segundo ele, o significado abstrato é o mais primitivo, e o concreto deriva dele12. Isto não 
me parece compatível com o fato de serem precisamente as abstrações — δίχαιο, 
eqüitativo, e δίχαιοσύνη], eqüidade — formadas em seguida a partir de dikê. A relação acima 
discutida entre a administração da justiça e a prova da sorte deveria, pelo contrário, 
orientar-nos no sentido da etimologia expressamente rejeitada por Jaeger, a qual faz derivar 
δίχη de διχέίν, arremessar ou lançar, embora seja evidente a existência de uma afinidade 
entre δίχη e δείχνυμι. Em hebraico também há uma associação idêntica entre "direito" e 
"arremessar", pois thorah (direito, justiça, lei) possui evidentes afinidades com uma raiz que 
significa tirar à sorte, disparar, e a sentença de um oráculo. Também é significativo que, nas 
moedas, a figura de Dikê por vezes se confunda com a de Tykê, a deusa do destino incerto. 
Também ela segura uma balança. J. E. Harrison afirma em sua Themis: "Não é que haja um 
'sincretismo' tardio entre estas figuras divinas; ambas partem de uma mesma concepção, e 
depois divergem". Também na tradição germânica verifica-se a presença . da associação 
primitiva entre a justiça, o destino e a sorte. A palavra holandesa lot conserva até hoje o 
sentido do destino do homem — aquilo que lhe é destinado ou enviado (Schicksal em 
alemão) — e designa também o sinal material da sorte, como por exemplo o palito de 
fósforo mais comprido ou mais curto, ou um bilhete de loteria. É difícil decidir qual dos 
dois significados é o mais original, porque no pensamento primitivo as duas ideias estão 
fundidas em uma só. Zeus segura os divinos decretos do destino e da justiça em uma 
mesma balança. Os Ases jogam aos dados o destino do mundo15. O espírito primitivo não 
distingue, como manifestações da Vontade Divina, entre o resultado de uma prova de 
força, ou o de uma luta armada, ou a maneira como cai um punhado de pedras ou de 
pauzinhos. A leitura da sorte através das cartas é um costume com profundas raízes no 
passado humano, numa tradição que é muito mais remota do que as próprias cartas. Talvez 
o problema fique mais claro se dedicarmos agora nossa atenção a um dos aspectos mais 
notáveis da íntima relação entre a cultura e o jogo, a saber, os concursos de tambor e os 
concursos de canto dos esquimós da Groenlândia. Trataremos deste assunto um pouco 
mais detidamente, porque, neste caso, estamos perante uma prática ainda existente (ou que 
pelo menos ainda recentemente o era), na qual a função cultural que conhecemos como 
jurisdição não se separou ainda da esfera do jogo5. 
Quando um esquimó tem alguma queixa contra outro, desafia-o para um concurso de 
tambor (Troinmesang, em dinamarquês). O clã ou tribo se reúne festivamente, todos com 
seus melhores trajos e num ambiente de alegria. Os dois adversários passam depois a 
atacar-se sucessivamente um ao outro com canções insultuosas acompanhadas por tambor, 
nas quais cada um censura os malefícios do outro. Não se estabelece distinção alguma entre 
acusações com fundamento, ditos de espírito destinados a divertir o público e a calúnia 
pura e simples. Por exemplo, um cantor enumerou todas as pessoas que haviam sido 
89
devoradas pela mulher e a sogra de seu adversário durante um período de penúria, o que 
levou todo o público a desfazer-se em lágrimas. Estes cantos insultuosos são 
acompanhados por toda a espécie de ofensas físicas ao adversário, como espirrar ou soprar 
na cara dele, dar-lhe cabeçadas, abrir-lhe os maxilares, amarrá-lo a uma estaca da tenda — 
tendo o "acusado" a obrigação de suportar sem protestar, permitindo-se apenas um riso de 
troça. A maior parte dos espectadores acompanha os estribilhos das canções, aplaudindo e 
incitando os adversários. Outros se limitam a dormir um pouco. Durante as pausas os 
contendores conversam em termos amigáveis. As sessões deste gênero de competição 
podem prolongar-se por vários anos, em que os adversários aproveitam para inventar 
novas canções e descobrir novas malfeitorias para denunciar. Por fim, são os espectadores 
que decidem quem é o vencedor. Na maior parte dos casos, a amizade é imediatamente 
restabelecida, mas, por vezes, acontece uma família emigrar devido à vergonha de ter sido 
derrotada. 
É possível a uma pessoa estar participando, ao mesmo tempo, em diversos concursos de 
tambor. As mulheres também podem participar. 
É aqui da maior importância o fato de, entre as tribos que as praticam, estas competições 
desempenharem o papel de decisões jurídicas. Não existe qualquer forma de jurisdição 
além dos concursos de tambor. Estes são os únicos meios de resolver as dissensões, e não 
existe qualquer outra maneira de influenciar a opinião pública. 
Mesmo os assassinos são denunciados desta curiosa maneira. A vitória num concurso de 
tambor não é seguida por qualquer espécie de sentença. Essas competições são, na grande 
maioria dos casos, provocadas pelos mexericos das mulheres. É preciso distinguir entre as 
tribos que praticam esse costume como meio de administração da justiça e aquelas para as 
quais ele constitui apenas um divertimento festivo. As violências autorizadas são 
estabelecidas de diferentes maneiras: permite-se bater ou apenas amarrar etc. Além do 
concurso de tambor, os conflitos são, por vezes, resolvidos por uma luta a murro ou corpo 
a corpo. Trata-se aqui, portanto, de um costume cultural que desempenha a função judicial 
sob uma forma perfeitamente agonística, sem contudo deixar de constituir um jogo no 
sentido mais próprio do termo. Tudo decorre no meio de risos e da maior alegria, porque o 
que mais importa é conseguir divertir o público. "Da próxima vez", diz Igsiavik, "vou fazer 
uma canção nova. Vai ser muito divertido, e vou amarrar o outro a uma estaca da tenda". 
Não há dúvida que os concursos de tambor são a principal fonte de diversão para toda a 
população. Se não houver uma disputa que sirva de pretexto, os concursos mesmo assim se 
realizam, pelo puro divertimento que proporcionam. Em certas ocasiões, como 
demonstração de talento fora do comum, as canções assumem a forma de enigmas. 
Nas Atenas de Péricles e Fídias, a eloquência jurídica ainda era principalmente uma 
competição de habilidade retórica, na qual eram permitidos todos os artifícios de persuasão 
que fossem possíveis de imaginar. Considerava-se o tribunal e a arena política como os dois 
lugares por excelência onde a arte podia ser aprendida. Esta arte, juntamente com a 
violência militar, o roubo e a tirania, constitui a "caça ao homem" definida no Sofista de 
Platã31. Era possível aprender com os sofistas a transformar uma má causa numa boa 
causa, e até conseguir fazê-la prevalecer. O jovem que entrava na vida política geralmente 
iniciava sua carreira acusando alguém num processo escandaloso. Também em Roma 
durante muito tempo foi considerado legítimo todo e qualquer meio de prejudicar o 
adversário num julgamento. As partes vestiam-se de luto, suspiravam, gemiam, invocavam 
em altas vozes o bem comum, rodeavam-se de grande número de testemunhas e clientes, 
procurando impressionar o tribunal. Em resumo, faziam tudo aquilo que nós hoje fazemos. 
Basta lembrar o advogado que, no processo Hauptmann, deu palmadas na Bíblia e fez 
tremular a bandeira americana, ou seu colega holandês que, num sensacional processo 
criminal, reduziu a pedaços um relatório psiquiátrico. Littmann descreve da seguinte 
maneira um julgamento na Abissínia33: "Numa oratória cuidadosamente estudada e 
90
extremamente hábil o acusador desenvolve sua argumentação O humor, a sátira, alusões 
sutis, provérbios apropriados à circunstância, o escárnio e o frio desprezo, acompanhados 
de vez em quando pela mais viva gesticulação e por tremendos berros, tudo isso tende a 
reforçar a acusação e a confundir o acusado". 
91 
E assim ad infinitum 
Segundo a tradição, a guerra entre as duas cidades da Eubéia, Calcis e Eretria, no século 
VII antes de Cristo, desenrolou-se inteiramente sob a forma de uma competição. Um pacto 
solene contendo as regras estabelecidas foi previamente depositado no templo de Artemisa. 
Nele eram indicados o momento e o local do combate. Eram proibidos todos os projéteis, 
dardos, flechas, ou fundas, sendo permitidas apenas a espada e a lança. Há outro exemplo 
mais conhecido, embora menos ingênuo. Após a batalha de Salamina, os gregos vitoriosos 
navegaram para o Istmo, a fim de distribuir prêmios, aqui chamados aristeia, àqueles que 
mais se haviam distinguido durante a batalha. Os chefes deviam depositar seus votos no 
altar de Poseidon, indicando um primeiro e um segundo candidato. Cada um dos chefes se 
colocou a si mesmo em primeiro lugar, e a maior parte deles votou em Temístocles para 
segundo, de modo que este último obteve a maioria. Mas os problemas de inveja surgidos 
entre eles impediram a ratificação deste veredicto 
Os acampamentos são sempre cuidadosamente orientados em direção aos quatro cantos do 
zodíaco. Tudo o que dizia respeito à organização de um acampamento militar, em épocas 
culturais como a China antiga, era prescrito da maneira mais rigorosa e possuía um 
significado sagrado, porque o acampamento seguia o modelo da cidade imperial, e esta por 
sua vez seguia o modelo do céu. Estes pormenores mostram claramente que tudo isto é 
abrangido pela esfera do sagrado19. Os acampamentos militares romanos também 
apresentavam vestígios de sua origem ritualística, conforme afirmam F. Muller e outros. 
Embora na Idade Média cristã esses vestígios tivessem desaparecido completamente, a 
suntuosidade e o esplendor da decoração do acampamento de Carlos, o Temerário, no 
cerco de Neuss, em 1475, prova a estreita relação existente entre a guerra e o torneio, e 
também, conseqüentemente, o jogo. 
O samurai japonês era de opinião que o que é sério para o homem comum não passa de 
um jogo para o valente. O supremo mandamento de sua vida é o nobre autocontrole em 
face do perigo e da morte. A competição de linguagem insultuosa, que anteriormente 
referimos, pode assumir a forma de uma prova de resistência, numa sociedade em que uma 
conduta sóbria e cavalheiresca é prova de um estilo de vida heróico. Um dos sinais deste 
heroísmo é o completo desprezo que o homem de espírito nobre professa por todas as 
coisas materiais. O nobre japonês mostra sua educação e a superioridade de sua cultura não 
sabendo, ou pretendendo não saber, o valor das moedas. Um príncipe japonês, Kenshin, 
que estava em guerra contra um outro príncipe chamado Shingen, soube que um terceiro 
senhor feudal, embora não estivesse em conflito aberto com o príncipe Shingen, havia 
cortado o fornecimento de sal deste último. 
Em vista disso, o príncipe Kenshin ordenou a seus súditos que enviassem sal ao inimigo, 
exprimindo seu desprezo por essa luta econômica através das seguintes palavras: "Não 
combato com sal, e sim com a espada”! 
O LUDICO E O ENIGMA 
A surpreendente semelhança que caracteriza os costumes agonísticos em todas as culturas 
talvez tenha seu exemplo mais impressionante no domínio do próprio espírito humano, 
quer dizer, no do conhecimento e da sabedoria. Para o homem primitivo as proezas físicas
são uma fonte de poder, mas o conhecimento é uma fonte de poder mágico. Para ele lodo 
saber é um saber sagrado, uma sabedoria esotérica capaz de obrar milagres, pois todo 
conhecimento está diretamente ligado à própria ordem cósmica. A ordem das coisas, 
decretada pelos deuses e conservada pelo ritual para a preservação da vida e a salvação do 
homem, esta ordem universal ou rtam, como era chamada em sânscrito, tem sua mais 
poderosa salvaguarda no conhecimento das coisas sagradas, de seus nomes secretos e da 
origem do mundo. É por isso que há competições nesse tipo de conhecimento nas festas 
sagradas, pois a palavra pronunciada tem uma influência direta sobre a ordem do mundo. A 
competição em conhecimentos esotéricos está profundamente enraizada no ritual, e 
constitui uma parte essencial deste. As perguntas que os sacrificadores fazem uns aos 
outros, cada um por sua vez ou mediante desafios, são enigmas no sentido pleno do termo, 
exatamente idênticos, salvo em sua significação sagrada, às adivinhas de salão. É na 
tradição védica que se pode ver mais claramente a função dessas competições rituais de 
enigmas. Nos grandes sacrifícios solenes, elas constituíam uma parte da cerimônia tão 
essencial como o sacrifício propriamente dito. Os brâmanes competiam em jatavidya 
conhecimento das origens, ou em brahmodya, cuja tradução mais aproximada seria 
"expressão das coisas sagradas". Estas designações mostram claramente que as perguntas 
feitas possuíam um caráter predominantemente cosmogônico. Vários dos hinos do Rigveda 
encerram a produção poética direta dessas competições. No hino Rigveda 1, 64, algumas das 
perguntas dizem respeito a fenômenos cósmicos, e outras às particularidades rituais do 
sacrifício: 
"Interrogo-vos sobre a extremidade mais longínqua da terra, pergunto-vos onde está o 
umbigo da terra. Interrogo-vos sobre o esperma do garanhão, pergunto-vos qual é a mais 
alta instância da palavra"1. 
No hino VIII, 29, dez enigmas típicos descrevem os atributos das principais divindades, 
seguindo-se a cada resposta o nome de uma dessas divindades2: 
"Um deles tem a pele marrom avermelhada, é multiforme, generoso, jovem; usa 
ornamentos de ouro (Soma). Em seu seio desceu um ser refulgente, o deus sábio por 
excelência (Agni), etc.". 
O elemento predominante destes hinos é sua forma de enigma, cuja solução depende do 
conhecimento do ritual e - de seus símbolos. Mas esta forma de enigma encerra a mais 
profunda sabedoria a respeito das origens da existência. Paul Deussen, com uma certa 
razão, chama ao Rigveda X, 129 "provavelmente o mais admirável texto filosófico que 
chegou desde os tempos antigos até nós". 
"Então, o ser não era, nem o não-ser. O ar não era, nem o firmamento acima dele. O que 
se movia? Onde? Sob a guarda de quem? E a profundeza do abismo era toda água? "Então, 
a morte não era, nem a não-morte; não havia distinção entre o dia e a noite. Nada respirava 
salvo Aquilo, cm si mesmo sem vento. Em parte alguma havia algo além de Aquilo". A 
forma interrogativa do enigma foi aqui em parte suplantada pela forma afirmativa, mas a 
estrutura poética do hino continua refletindo seu caráter original de enigma. Depois do 
verso 5 volta a aparecer a forma interrogativa: 
"Quem sabe, quem dirá aqui, de onde nasceu e de onde veio esta Criação?" 
Uma vez aceite que este hino deriva da canção-enigma ritual, a qual por sua vez é a redação 
literária de concursos de enigmas que efetivamente se realizaram, fica estabelecida da 
maneira mais convincente possível a ligação genética entre o jogo de enigmas e a filosofia 
esotérica. Em alguns dos hinos do Atharvaveda, como por exemplo em X, 7 e 8, parece 
haver séries inteiras de perguntas enigmáticas, agrupadas sob um denominador comum, 
pouco importando que a questão seja resolvida ou fique sem resposta: 
"Onde vão os meios meses, onde vai o ano a que eles se juntam? Onde vão as estações -— 
dizei-me qual é seu skambha!5 Para onde correm, em seu desejo, as duas donzelas de formas 
92
diferentes, o dia e a noite? Para onde, em seu desejo, correm as águas? Dizei -me qual é seu 
skambha! 
"Como pode o vento não parar, nem o espírito repousar? Por que as águas, desejosas da 
verdade, jamais param de correr"? 
O pensamento arcaico, arrebatado pelos mistérios do Ser, encontra-se aqui situado no 
limite entre a poesia sagrada, a mais profunda sabedoria, o misticismo e a mistificação 
verbal pura e simples. Não compete a nós dar conta de cada um dos elementos particulares 
destas efusões. O poeta-sacerdote está constantemente batendo à porta do Incognoscível, 
ao qual nem ele nem nós podemos ter acesso. Sobre esses veneráveis textos, tudo o 
quepodemos dizer é que neles assistimos ao nascimento da filosofia, não em um jogo inútil, 
mas no seio de um jogo sagrado. A mais alta sabedoria é praticada sob a forma de uma 
prova esotérica. Pode-se observar de passagem que o problema cosmogônico de saber 
como o mundo surgiu constitui uma das preocupações fundamentais do espírito humano. 
A psicologia experimental infantil mostrou que uma grande parte das perguntas feitas pelas 
crianças de seis anos possui um caráter autenticamente cosmogônico, como por exemplo o 
que faz a água correr, de onde vem o vento, o que é estar morto etc.7. 
O concurso de enigmas está longe de constituir um simples divertimento, constitui um 
elemento essencial da cerimônia do sacrifício. A resolução dos enigmas é tão indispensável 
quanto o próprio sacrifício8. Ela exerce uma certa pressão sobre os deuses. Nas Celebes 
centrais, entre os Toradja, encontra-se um interessante paralelo com esse antigo costume 
védico9. Em suas festas a parte destinada aos enigmas é estritamente limitada no tempo, 
começando no momento em que o arroz fica "prenhe" e prolongando-se até à colheita, e 
naturalmente a resolução dos enigmas é considerada favorável a esta. De cada vez que um 
enigma é resolvido, o coro canta: "Sai, arroz, saiam, gordas espigas, do alto da montanha ou 
do fundo dos vales!" Durante a época que precede imediatamente 
este período todas as atividades literárias são proibidas, pois poderiam prejudicar o 
crescimento do arroz. A mesma palavra wailo significa tanto "enigma" quanto "painço", o 
cereal que foi substituído pelo arroz como alimento popular10. Pode-se acrescentar o 
exemplo exatamente paralelo dos grisões da Suíça, onde, segundo se diz11, "os habitantes 
se entregam às mais loucas excentricidades para ajudar o trigo a crescer melhor" (thorechten 
atentem treiben, dass ihnen das korn destobas geraten solle). 
O enigma é uma coisa sagrada cheia de um poder secreto e, portanto, é uma coisa perigosa. 
Em seu contexto mitológico ou ritualístico, ele é quase sempre aquilo que os filólogos 
alemães chamam de Halsrãtel ou "enigma capital", em que se arrisca a cabeça caso não se 
consiga decifrá-lo. A vida do jogador está em jogo. Um corolário disto constitui a formação 
de um enigma que ninguém consiga resolver como sendo considerada a mais alta 
manifestação de sabedoria. Ambos estes temas encontram-se reunidos na velha lenda hindu 
do rei Yanaka, que realizou um concurso de enigmas teológicos entre os brâmanes que 
assistiam a seu sacrifício solene, oferecendo um prêmio de mil vacas13. O sábio Yaj - 
flavalkya, considerando certa a vitória, mandou que as vacas lhe fossem previamente 
entregues e, naturalmente, derrotou seus adversários. Um destes, Vidaghdha Sakalya, 
verificando ser incapaz de resolver um enigma, perdeu literalmente a cabeça, a qual se 
separou de seu corpo e lhe caiu no colo. Esta estória é sem dúvida uma versão pedagógica 
do tema segundo o qual a incapacidade de responder era punida com a pena capital. 
Finalmente, quando ninguém mais se atreve a fazer perguntas, Yajnavalkya triunfalmente 
exclama: 
"Reverendos brâmanes, se algum de vós deseja fazer alguma pergunta que a faça, ou todos 
vós, se quiserdes; ou então permiti que eu faça uma pergunta a um de vós, ou a todos, se 
quiserdes"! É claro como o dia o caráter perfeitamente lúdico desta competição. A própria 
tradição sagrada participa do jogo, e é impossível definir o grau de seriedade com que a 
estória foi aceita no cânon sagrado, grau que aliás em última análise é tão irrelevante como 
93
o problema de saber se efetivamente alguém perdeu a cabeça por ser incapaz de resolver 
um enigma. Não é este o aspecto mais interessante da questão. O principal, o que é 
realmente notável, é o tema lúdico enquanto tal. 
Também na tradição grega encontra-se o tema da solução de enigmas e da pena de morte 
na estória dos videntes Calcas e Mopsos. Alguém vaticinou que Calcas morreria se alguma 
vez encontrasse um outro vidente mais sábio do que ele. Um dia encontra Mopsos e 
disputa com ele um concurso de enigmas, que é ganho por Mopsos. 
Calcas morre de desgosto, ou mata-se de despeito, e seus discípulos tornam-se seguidores 
de Mopsos14. Creio ser evidente neste caso a presença do tema do enigma fatal, embora 
sob forma corrompida. O concurso de enigmas em que a vida é posta em jogo é um dos 
temas principais da mitologia dos Eddas. 
No Vajthrúdnismal, Odin mede-se em sabedoria com o sapientíssimo gigante Vafthrúdnir, 
cada um fazendo alternadamente perguntas ao outro. As perguntas são de caráter 
mitológico e cosmogônico, semelhantes às dos textos védicos que citamos: De onde vieram 
o Dia e a Noite, o Inverno e o Verão, e o Vento? No Alvissmã, Thor pergunta ao anão 
Alvis como são chamadas as diversas coisas entre os Ases, os Vanes (o panteão secundário 
dos Eddas), os homens, os gigantes, os anões, e por último no Hel; mas antes de terminar a 
competição o dia nasce, e o anão é posto a ferros. O Canto de Fjõlsvinn possui forma 
semelhante, assim como os Enigmas do rei Heidrek, o qual fez a promessa de perdoar todo 
condenado à morte que lhe apresentasse um enigma que ele próprio não pudesse resolver. 
A maior parte destes cantos são atribuídos ao período final dos Eddas, e é provável que os 
especialistas tenham razão quando afirmam que se trata apenas de exemplos de um artifício 
poético deliberado. O que não impede, todavia, que sua relação com os concursos de 
enigmas de um passado remoto seja demasiado evidente para ser negada. 
Não é através da reflexão ou do raciocínio lógico que se consegue encontrar a resposta a 
uma pergunta enigmática. A resposta surge literalmente numa solução brusca — o desfazer 
dos nós em que o interrogador tem preso o interrogado. O corolário disto é que dar a 
resposta correta deixa impotente o primeiro. Em princípio, há apenas uma resposta para 
cada pergunta. Quando se conhecem as regras do jogo. é possível encontrar essa resposta. 
As regras são de ordem gramatical, poética ou ritualística, conforme o caso. É preciso 
conhecer a linguagem secreta dos iniciados e saber o significado de todos os símbolos — 
roda, pássaro, vaca, etc. — das diversas categorias de fenômenos. Se for verificada a 
possibilidade de uma segunda resposta, de acordo com as regras e na qual o interrogador 
não tenha pensado, este último ficará em má situação, apanhado em sua própria armadilha. 
De outro lado, é possível uma coisa ser figurativamente representada de tantas maneiras 
que pode ser dissimulada num grande número de enigmas. Muitas vezes, a solução depende 
inteiramente do conhecimento dos nomes secretos ou sagrados das coisas, como o 
Alvissmál acima referido. Não nos interessamos aqui pelo enigma enquanto forma literária, 
mas apenas por sua qualidade lúdica e sua função na cultura. Não precisamos, portanto, 
investigar em profundidade as relações etimológicas e semânticas 
entre os termos alemães e holandeses Ratsel e raadsel (enigma; em inglês, riddle), Rat e raad 
(conselho), erraten. (adivinhar) e raden, verbo holandês que ainda hoje significa ao mesmo 
tempo "aconselhar" e "resolver" (um enigma). Também em grego existem afinidades entre 
alvos (sentença, provérbio) e αινιγμα (enigma). Há uma estreita interligação cultural entre 
palavras como conselho, enigma, mito, lenda, provérbio etc. Mas basta lembrar de 
passagem estes aspectos, para imediatamente passar às diversas direções seguidas pelo 
enigma em sua evolução. Podemos concluir que originariamente o enigma era um jogo 
sagrado, e por isso se encontrava para além de toda distinção possível entre o jogo e a 
seriedade. Era ambas as coisas ao mesmo tempo: um elemento ritualístico da mais alta 
importância, sem deixar de ser essencialmente um jogo. À medida que a civilização vai 
94
evoluindo, o enigma bifurca-se em dois sentidos diferentes: de um lado a filosofia mística e 
de outro, o simples divertimento. 
Mas não devemos pensar que nesta evolução se tenha verificado uma decadência da 
seriedade, passando a ser jogo, ou uma elevação do jogo até o nível da seriedade. Pelo 
contrário, o que se passa é que a civilização vai gradualmente fazendo surgir uma certa 
divisão entre dois modos da vida espiritual, aos quais chamamos "jogo" e "seriedade", e 
que originariamente constituía um meio espiritual contínuo, do qual surgiu a própria 
civilização O enigma ou, em termos menos específicos, a adivinhação, é, considerando à 
parte seus efeitos mágicos, um elemento importante das relações sociais. Como forma de 
divertimento social se adapta a toda a espécie de esquemas literários e rítmicos, como por 
exemplo as perguntas em cadeia, onde cada pergunta conduz a outra, do conhecido tipo 
"O que é mais doce que o mel?" etc. Os gregos gostavam muito da aporia como jogo de 
sociedade, ou seja, de fazer perguntas às quais era impossível dar uma resposta definitiva. 
Isto pode ser considerado uma forma moderada do enigma fatal. O "enigma da Esfinge" 
ainda ecoa vagamente nas formas mais tardias do jogo de enigmas, o tema da pena de 
morte permanece sempre no pano de fundo. Um dos exemplos mais característicos da 
maneira como a tradição o modificou é a estória do encontro de Alexandre o Grande com 
os "gimnosofistas" indianos. O conquistador tomou uma cidade que ousara oferecer 
resistência, e mandou que trouxessem à sua presença os dez sábios responsáveis por essa 
decisão. Deviam eles responder a um certo número de perguntas insolúveis feitas pelo 
próprio conquistador. Cada resposta errada significaria a morte, e o que respondesse pior 
morreria primeiro. O juiz deste último aspecto deveria ser um dos dez sábios. Caso seu 
julgamento fosse considerado acertado, sua vida seria poupada. A maior parte das 
perguntas são dilemas de caráter cosmológico, variantes dos enigmas védicos sagrados. Por 
exemplo: Quem é mais, os vivos ou os mortos? Qual é o maior, a terra ou o mar? Qual 
apareceu primeiro, o dia ou a noite? As respostas são artifícios lógicos, e não exemplos de 
sabedoria mística. Quando, finalmente, foi feita a pergunta: "Quem respondeu pior?", o 
juiz respondeu: "Cada um pior do que o outro", inutilizando assim todo o plano, pois se 
tornava impossível que algum deles fosse morto. 
A intenção de "pegar" o adversário é essencial no dilema, cuja resposta, obrigando o 
adversário a admitir alguma coisa que não estava prevista na formulação original, 
invariavelmente redunda em desvantagem para ele. O mesmo se verifica no enigma que 
comporta duas soluções, a mais óbvia das quais é obscena. No Atharvaveda encontram-se 
enigmas deste tipo. 
Merece especial atenção uma das formas literárias derivadas do enigma, por mostrar de 
modo muito expressivo a relação entre o lúdico e o sagrado. Esta forma é o diálogo 
interrogativo filosófico ou teológico O tema é sempre o mesmo: um sábio que é 
interrogado por outro sábio ou um determinado número de sábios. Como Zaratustra, 
obrigado a responder às perguntas dos sessenta sábios do rei Vistaspa, ou Salomão, 
respondendo às perguntas da rainha de Sabá. Na literatura brâmane, um dos temas mais 
freqüentes é o do jovem discípulo, o bramatchárin, chegando à corte do rei e lá sendo 
interrogado pelos mestres, até o momento em que a sabedoria de suas respostas leva a uma 
inversão dos papéis, passando ele a interrogá-los, revelando-se assim como um mestre e 
não um discípulo. Desnecessário seria assinalar a extrema afinidade existente entre este 
tema e os concursos de enigmas rituais da época arcaica. Um dos contos do Mahabharata é 
especialmente característico a este respeito. Os Pandavas, em sua peregrinação através das 
florestas, chegam às margens de uma bela lagoa. O espírito que mora em suas águas proíbe-os 
de beber antes de responderem a algumas perguntas. Todos os que desprezam esta 
exigência caem mortos por terra. Ao que Yudhisthira se declara pronto a responder às 
perguntas do espírito, seguindo-se um jogo de perguntas e respostas através do qual é 
95
exposto quase todo o sistema ético dos hindus— notável exemplo da transição entre o 
enigma cosmológico sagrado e o jeu d'esprit. Uma visão correta das disputas teológicas da 
Reforma, com a de Lutero contra Zwingli em Marburgo, em 1529, ou a de Theodore Beza 
contra seus colegas calvinistas e alguns prelados católicos em Poissy, em 1561, revelará que 
elas não passam de uma continuação direta de um imemorial costume ritualístico. 
Os aspectos literários do diálogo interrogativo são especialmente interessantes no caso do 
tratado Fali chamado Milindapanha — as Questões do rei Menandro, um dos príncipes 
greco-indianos, que reinou na Bactriana no século II A. C. Embora este texto não fizesse 
oficialmente parte dos Tripitaka, os textos sagrados dos budistas meridionais, era altamente 
considerado tanto por estes últimos quanto por seus irmãos do Norte, e deve ter sido 
composto cerca do início da era cristã. Mostra-nos ele a disputa entre Menandro e o grande 
Arhat, Nagasena. A obra é de teor puramente filosófico e teológico, mas pela forma e pelo 
tom possui um parentesco com o concurso de enigmas. Quanto a este último aspecto, o 
preâmbulo é um exemplo típico: 
Disse o rei: "Venerável Nagasena, quereis conversar comigo?" 
Nagasena: "Fá-lo-ei, se Vossa Majestade conversar comigo da maneira como falam os 
sábios; mas não o farei, se Vossa Majestade conversar comigo da maneira como falam os 
reis." 
"E qual a maneira como conversam os sábios, venerável Nagasena?" 
"Ao contrário dos reis, os sábios não ficam irritados quando são postos entre a espada e a 
parede." 
E o rei consente em discutir com ele em pé de igualdade, tal como no gaber do duque de 
Anjou. Alguns dos sábios da corte também participam; e o público é formado por 
quinhentos yonakas, isto é, jônios e gregos, assim como por oitenta mil monges budistas. 
Em atitude de desafio, Nagasena propõe um problema "que implica dois aspectos, muito 
profundo, difícil de resolver, mais duro que um nó". Os sábios do rei queixam-se de que 
Nagasena os atormenta com perguntas astuciosas de tendência herética. Muitas delas são 
típicos dilemas, atirados com um triunfante: "Veja Vossa Majestade se consegue sair desta!" 
E assim são passados em revista os problemas fundamentais da doutrina budista, expressos 
numa simples forma socrática. 
O tratado inicial da Snorra Edda, conhecido como Gyl-fagmning, também pertence ao gênero 
do discurso teológico interrogativo. Gangleri inicia sua disputa com Har sob a forma de 
uma aposta, depois de ter começado 
por atrair a atenção do rei Gylf com seus habilidosos malabarismos com sete espadas. O 
concurso de enigmas sagrado relativo à origem das coisas está ligado por transições 
graduais ao concurso de enigmas em que estão em jogo a honra, as posses ou a vida, e 
finalmente às discussões filosóficas e teológicas. Outras formas de diálogo se encontram 
intimamente relacionadas com estas últimas, tais como a litania e o catecismo das doutrinas 
religiosas. Não existe exemplo mais flagrante de inextricável mistura de todas estas formas 
do que o cânon do Avesta, onde a doutrina é apresentada sobretudo numa série de 
perguntas e respostas trocadas entre Zaratustra e Ahura Mazda18. Especialmente os 
Yasnas, os textos litúrgicos para os rituais de sacrifício, conservam ainda numerosos 
vestígios da forma lúdica primitiva. Típicas questões teológicas, relativas à doutrina, à ética 
e ao ritual, alternam com velhos enigmas cosmogônicos, como em Yasna, 44. Todos os 
versos iniciam-se pela frase de Zaratustra: "Isto te pergunto, dá-me a resposta certa, 
Ahura!" As perguntas iniciam-se por: "Quem é aquele que. . .?" Por exemplo: "Quem é 
aquele que sustentava cá em baixo a terra, e lá em cima o céu, para que não caíssem?" 
"Quem é aquele que uniu a rapidez ao vento e às nuvens?" "Quem é aquele que criou a 
bendita luz e a escuridão ... o sono e a vigília?" Ao fim, uma passagem notável mostra 
claramente que nos encontramos perante vestígios de um antigo concurso de enigmas: 
96
"Isto te pergunto, dá-me a resposta certa, Ahura! Conseguirei eu o prêmio de dez éguas, 
um garanhão e um camelo que me foi prometido?" Além das questões cosmogônicas, há 
outras de natureza mais catequética, relativas às origem e à definição da piedade, a distinção 
entre o bem e o mal, a pureza e a impureza, as melhores maneiras de lutar contra o espírito 
do mal etc. Aquele pastor suíço que, no país e no tempo de Pestalozzi, escreveu um 
catecismo para crianças intitulado 
"Pequeno livro de adivinhas" (Ratselhüchleiit) não podia saber até que ponto sua ideia era 
próxima da verdadeira fonte de todos os credos e catecismos. 
Os gregos da época mais tardia tinham plena consciência das relações existentes entre o 
jogo dos enigmas e as origens da filosofia. Clearco, um dos discípulos de Aristóteles, 
escreveu um tratado sobre os provérbios, o qual encerrava uma teoria dos enigmas, 
provando que originariamente o enigma fora um assunto filosófico. Diz ele: "Os antigos 
usavam-no como prova de sua educação (παιδεια)21, observação que nitidamente se refere 
ao jogo de enigmas de que acima tratamos. E, com efeito, não seria exagerado considerar 
os primeiros produtos da filosofia grega como derivados dos enigmas primitivos. Para 
Heráclito, o "filósofo obscuro", a natureza e a vida são um griphos, um enigma, e ele próprio 
é um decifrador de enigmas. As afirmações de Empédocles têm muitas vezes a ressonância 
da solução de enigmas místicos, e se revestem ainda de uma forma poética. 
97 
A POESIA E O LUDICO 
Em qualquer civilização viva e florescente, sobretudo nas culturas arcaicas, a poesia 
desempenha uma função vital que é social e litúrgica ao mesmo tempo. Toda a poesia da 
antigüidade é simultaneamente ritual, divertimento, arte, invenção de enigmas, doutrina, 
persuasão, feitiçaria, adivinhação, profecia e competição. Praticamente, todos os motivos 
característicos da poesia e do ritual arcaicos encontram-se no terceiro Canto da epopéia 
popular finlandesa Kalevala. O velho e sábio Vainamõinen encanta o jovem presunçoso que 
se atreve a desafiá-lo para uma competição de feitiçaria. A primeira competição é sobre o 
conhecimento das coisas naturais, a segunda sobre o conhecimento esotérico relativo às 
origens. Neste momento, o jovem Joukahainen pretende que parte da criação se deve a ele 
mesmo; ao que o velho feiticeiro canta-o para dentro da terra, para dentro do pântano, para 
dentro da água, e a água sobe-lhe até à cintura, até às axilas, depois até à boca, até que 
finalmente o jovem lhe promete sua irmã Aino. Só então Vainamõinen, sentado na "pedra 
da canção", canta durante mais três horas para desfazer sua poderosa mágica e libertar o 
ousado desafiante. Nesta façanha encontram-se unidas todas as formas de competição a 
que anteriormente nos referimos: 
concurso de insultos, de jactância, a "comparação dos homens", a competição em 
conhecimento cosmogônico, a competição pela noiva, o teste de resistência, o ordálio — 
uma prova/teste que os juristas da idade média infringiam aos acusados, que caso 
vencessem eram considerados inocentes, segundo o juízo divino.- num jacto ao mesmo 
tempo selvagem e sóbrio de imaginação poética. A verdadeira designação do poeta arcaico 
é Vates, o possesso, inspirado por Deus, em transe. Estas qualificações implicam ao mesmo 
tempo que ele possui um conhecimento extraordinário. Ele é um sábio, sha’ir, como lhe 
chamavam os árabes. Na mitologia dos Eddas o hidromel que é preciso beber para se 
transformar em poeta é preparado com o sangue de Kvasir, a mais sábia de todas as 
criaturas, que nunca foi interrogada em vão. O poeta-vidente vai gradualmente assumindo 
as figuras do profeta, do sacerdote, do adivinho, do mistagogo e do poeta tal como o 
conhecemos; e também o filósofo, o legislador, o orador, o demagogo, o sofista e o mestre 
de retórica brotam desse tipo compósito primordial que é o Vates. Todos os poetas gregos 
arcaicos revelam vestígios de seu progenitor comum. Sua função é eminentemente social;
falam como educadores e guias do povo. São os líderes da nação, cujo lugar foi mais tarde 
usurpado pelos sofistas A figura do antigo vates aparece sob muitos de seus aspectos no 
thulr da velha literatura nórdica, que corresponde ao thyle anglo-saxão. A moderna filologia 
alemã traduz essa palavra por Kultredner, que significa "orador do culto. O exemplo mais 
típico do thulr é o starkaar, que Saxo Grammaticus corretamente traduz por vates. O thulr 
aparece, às vezes, como orador das fórmulas litúrgicas, em outras, como ator de um drama 
sagrado; em certas ocasiões, como sacerdote dos sacrifícios, e até como feiticeiro. Em 
outros casos, parece não passar de um poeta e orador de corte, tendo simplesmente a 
função do scurra — bobo ou jogral. O verbo correspondente, thylja, designa a recitação de 
textos religiosos, a prática da feitiçaria, ou simplesmente resmungar. O thulr é o repositório 
de todo o conhecimento mitológico e folclore poético. Ele é o velho sábio que conhece 
toda a história e tradição de um povo, que nas festas desempenha o papel de orador e é 
capaz de recitar de cor a genealogia dos heróis e dos nobres. Sua função específica é a 
peroração competitiva e o concurso de sabedoria. É sob esta forma que o encontramos 
como Unferd, no Beowulf. O mannjafnaar, a que antes nos referimos e os concursos de 
sabedoria entre Odin e os gigantes ou anões são abrangidos pelo thulr. Os conhecidos 
poemas anglo-saxões Widsid e O vagabundo parecem ser típicos produtos do versátil poeta 
da corte. Todas as características acima referidas entram muito naturalmente em nossa 
descrição do poeta arcaico, cuja função foi em todas as épocas ao mesmo tempo sagrada 
literária. Mas, fosse sagrada ou profana, sua função sempre se encontra enraizada numa 
forma lúdica. Os habitantes da Buru central, também chamada Rana, praticam uma forma 
de antífona cerimonial conhecida pelo nome de Inga fuka. Os homens e as mulheres 
sentam-se uns em frente dos outros e cantam pequenas canções, algumas delas 
improvisadas, acompanhados por um tambor. As canções são sempre de troça ou de 
desafio. São conhecidas nada menos de cinco espécies diferentes de Inga fuka. As canções 
assumem sempre a forma da estrofe e da antiestrofe, do ataque e da réplica, da pergunta e 
da resposta, do desafio e da desforra. Por vezes, assemelham-se a enigmas. O Inga fuka mais 
típico chama-se 'Inga fuka de preceder e seguir"; cada estrofe começa pelas palavras 
"perseguir" ou "seguir uns aos outros", como em certos jogos infantis. O elemento poético 
formal é constituído pela assonância que, repetindo a mesma palavra ou uma variação dela, 
estabelece uma ligação entre a tese e a antítese. O elemento puramente poético é 
constituído por uma alusão, por uma ideia brilhante surgida bruscamente, o jogo de 
palavras ou simplesmente o som das próprias palavras, sendo que neste processo o sentido 
pode perder-se completamente. Esta forma de poesia só pode ser descrita e compreendida 
em termos de jogo, embora obedeça a um complexo sistema de regras prosódicas. Quanto 
ao conteúdo, as canções são sobretudo de inspiração amorosa, ou pequenas homilias sobre 
a prudência e as virtudes, ou ainda de caráter satírico. Embora exista todo um repertório de 
Inga fukas tradicionais, a essência do gênero é a improvisação. Também acontece que os 
versos já existentes sejam aperfeiçoados por adições e correções. O virtuosismo é 
grandemente considerado, não faltando a habilidade artística. Quanto ao sentimento e ao 
tom, as traduções fazem lembrar o pantun malaio, o qual deve ter exercido uma certa 
influência na literatura de Buru, e também o muito mais remoto hai-kai japonês. 
Além do Inga fuka, existem em Rana outras formas de poesia, todas elas baseadas nos 
mesmos princípios formais, mas consistindo, por exemplo, em longas altercações entre as 
famílias da noiva e do noivo, durante a troca cerimonial de presentes que se realiza por 
ocasião do casamento a forma japonesa de poesia vulgarmente conhecida como hai-kai, 
pequeno poema de apenas três versos, com cinco, sete e cinco sílabas sucessivamente, que 
evoca uma delicada impressão do mundo das plantas ou dos animais, da natureza ou do 
homem, às vezes com um toque de lirismo melancólico ou de nostalgia, outras, com um 
rasgo de ligeiro humor. Basta dar aqui dois exemplos: 
98
99 
Quantas coisas 
Em meu coração! 
Deixa-as flutuar 
No fremir do salgueiro! 
Ao sol, 
secam quimonos. 
Oh, 
as pequenas mangas 
Da criança morta! 
O hai-kai foi certamente, em sua origem, um jogo de rimas em cadeia, iniciado por um 
jogador e continuado pelo seguinte. Um exemplo característico da fusão entre o jogo e a 
poesia é ainda hoje conservado no método tradicional de recitação do Kalevala finlandês. 
Lõnroth, que coligiu as canções, encontrou ainda em vigor o curioso costume de dois 
cantores se sentarem num banco um em frente do outro, segurando as mãos um do outro e 
balançando-se para a frente e para trás ao mesmo tempo que vão competindo em 
conhecimentos das estâncias. Ás sagas islandesas descrevem uma forma semelhante de 
recitação (Eddas escrito em nórdico antigo). 
Todas estas formas tiveram um grande desenvolvimento no extremo oriente. Em sua 
lúcida interpretação e reconstituição dos textos da China antiga, Marcel Granet oferece-nos 
um quadro de todo o sistema de competições poéticas entre rapazes e moças que floresceu 
na época pastoril. No Anam foi descoberto um sistema semelhante ainda vigente, o qual foi 
descrito com grande exatidão pelo erudito anamita Nguyen van Huyen12. Aqui, o 
"argumento" poético, que pouco encobre o namoro declarado, possui frequentemente um 
caráter altamente sofisticado, baseado numa série de provérbios que, aparecendo no final 
de cada estância, servem como testemunhos irrefutáveis da causa do amante. Encontra-se 
uma forma idêntica nos débats da França do século XV. Todavia há outras formas de 
poesia, especialmente no Extremo Oriente, que devem ser consideradas atividades culturais 
realizadas dentro de um espírito agonístico. Como por exemplo quando se impõe a alguém 
a tarefa de improvisar um poema a fim de quebrar um "feitiço" ou sair de uma situação 
difícil. O que importa aqui não é que esse costume tenha ou não chegado a possuir alguma 
importância prática para a vida quotidiana, e sim que o espírito humano tenha inúmeras 
vezes visto neste motivo lúdico, que é aparentado tanto ao enigma "fatal" quanto à aposta, 
uma maneira de exprimir, e talvez de resolver, os intrincados problemas da vida, e que a 
arte poética, sem visar diretamente a um efeito estético, tenha encontrado neste jogo o mais 
fértil solo para seu desenvolvimento. Citemos alguns exemplos tirados da obra de Nguyen 
van Huyen: Os alunos de um certo Dr. Tan precisavam sempre passar, em seu caminho 
para a escola, pela casa de uma moça que morava ao lado do professor. Quando passavam 
diziam sempre: "És adorável, és realmente um amor!" 
Isto enfurecia a moça, a qual um dia esperou por eles e lhes disse: "Bem, se vocês me 
amam, vou dar a vocês uma frase. Se algum de vocês for capaz de responder-me a frase 
correspondente dar-lhe-ei meu amor, caso contrário vocês se comprometem a dar sempre a 
volta para evitar passar diante de minha porta." Ela recitou a frase, e nenhum dos 
estudantes foi capaz de dar a resposta certa, de modo que no futuro viram-se obrigados a 
dar sempre uma volta à roda da casa do professor15. 
Trata-se de algo semelhante ao svayamvara épico, ou à corte feita a Brunilde, que aqui temos 
sob a forma de um idílio aldeão de estudantes anamitas. 
Khanh-du, da dinastia Tran, foi demitido de seu cargo devido a uma falta grave, e tornou-se 
vendedor de carvão em Chi Linh. Quando uma vez, durante uma de suas campanhas, o 
Imperador passou por essa região, encontrou o antigo mandarim e ordenou-lhe que fizesse
um poema sobre o comércio do carvão. Khanh-du fez imediatamente o poema, ao que o 
Imperador, profundamente comovido, devolveu-lhe seus antigos títulos. 
A improvisação de versos em frases paralelas era um talento sem o qual ninguém podia 
facilmente passar no Extremo Oriente. O sucesso de uma embaixada anamita em Pequim 
podia por vezes depender do talento do embaixador para a improvisação em verso. Todos 
os membros das embaixadas precisavam ser constantemente preparados para toda a 
espécie de perguntas, e saber as respostas para as mil e uma charadas e enigmas que ao 
Imperador ou a seus mandarins apetecia perguntar17. Era a diplomacia sob forma lúdica. 
O jogo de perguntas e respostas em forma de verso pode também ter uma função de 
armazenamento de toda uma massa de conhecimentos úteis. Uma moça acaba de dizer sim 
a seu noivo, e ambos pretendem abrir juntos uma loja. O noivo pede-lhe para lhe dizer os 
nomes dos medicamentos, e todo o tesouro da farmacopéia se segue em verso. A arte da 
aritmética, o conhecimento das diversas mercadorias e o uso do calendário na agricultura 
também podem ser transmitidos de forma extremamente sucinta por este processo. As 
vezes, os namorados interrogam-se mutuamente, sobre questões de literatura. Fizemos 
notar acima que todas as formas de catecismo se relacionam diretamente com o jogo dos 
enigmas. O mesmo é também o caso do exame, que sempre desempenhou um papel 
extraordinariamente importante na vida social do Extremo Oriente. Toda civilização só 
muito lentamente vai abandonando a forma poética como principal método de expressão 
das coisas importantes para a vida da comunidade social. A poesia sempre antecede a 
prosa; para a expressão de coisas solenes ou sagradas, a poesia é o único veículo adequado. 
Não são apenas os hinos e os provérbios que são postos em verso, são também extensos 
tratados com por exemplo os sutras e sastras da índia antiga, ou os primeiros produtos da 
filosofia grega. Empédocles encerra todo seu saber em um poema, e ainda Lucrécio 
continua utilizando a mesma forma. Talvez, em parte, a preferência pelos versos tenha sido 
determinada por considerações utilitárias: uma sociedade sem livros acha mais fácil 
memorizar seus textos desta maneira. Mas existe uma razão mais profunda, a saber que a 
própria vida da sociedade arcaica possui como que uma estrutura métrica e estrófica. A 
poesia continua ainda hoje sendo o modo de expressão mais natural para as coisas mais 
"elevadas". Até 1868, os japoneses costumavam escrever em forma poética as partes mais 
importantes dos documentos de Estado 
Os historiadores do direito prestaram uma atenção especial aos vestígios de poesia no 
direito, pelo menos na tradição germânica. Todo estudante das leis germânicas conhece o 
antigo texto jurídico frisão em que uma cláusula relativa às diversas "necessidades" ou 
ocasiões de necessidade nas quais é preciso vender a herança de um órfão, passa de repente 
a um estilo lírico aliterativo: 
100 
"A segunda necessidade é quando o ano se torna custoso 
e a fome ardente invade a terra, 
e a criança vai morrer de fome. 
Pode, então, a mãe pôr à venda o patrimônio da criança, 
comprando para ela uma vaca, trigo etc. 
A terceira necessidade é quando a criança está nua 
e sem teto, 
e vem o escuro nevoeiro 
e o frio inverno, e cada homem se abriga em seu lar, 
num quente refúgio, 
e o animal selvagem procura a árvore oca 
e o refúgio das montanhas, 
para salvar sua vida. 
Então a criança menor chorará
101 
e gritará, 
e lamentará a nudez de seus membros 
e sua falta de abrigo, 
e a ausência de seu pai, 
que deveria tê-la defendido contra a fome 
e as frias névoas do inverno, e 
que agora jaz numa funda e escura cova, 
sob o carvalho e a terra, 
preso por quatro pregos." 
Creio que aqui estamos perante algo que não é apenas uma ornamentação deliberada, mas 
sobretudo a circunstância de a formulação da lei pertencer ainda àquela exaltada esfera do 
espírito em que a forma poética é o modo natural de expressão. Devido precisamente à sua 
brusca entrada na poesia, este exemplo frisão é típico de muitos outros; em certo sentido, é 
mais típico do que o Tryggdamal da antiga Islândia que, numa série de estrofes aliterantes, 
narra o restabelecimento da paz, comunica o pagamento de uma indenização, proíbe 
energicamente novas lutas e nesse momento, o propósito da declaração de que os 
"perturbadores da paz" serão em toda a parte considerados fora da lei, passa a ampliar este 
"em toda a parte" por meio de uma série de imagens poéticas: 
"Onde quer que os homens 
cacem lobos, 
vão à igreja 
os cristãos, 
no recinto sagrado 
sacrifiquem os pagãos, 
arda o fogo, 
reverdesça o campo, 
a criança chame pela mãe, 
a mãe alimente o filho, 
se cuide o fogo da lareira, 
naveguem os barcos, 
cintilem os escudos, 
brilhe o sol, 
caia a neve, 
cresçam os pinheiros, 
voe o falcão 
no longo dia de primavera 
(vento forte 
em ambas as asas), 
onde quer que o céu 
se eleve, 
se construa a casa, 
sopre o vento, 
corram para o mar as águas, 
semeiem o trigo os servos" 
Toda poesia tem origem no jogo: o jogo sagrado do culto, o jogo festivo da corte amorosa, 
o jogo marcial da competição, o jogo combativo da emulação da troca e da invectiva, o 
jogo ligeiro do humor e da prontidão.
O que a linguagem poética faz é essencialmente jogar com as palavras. Ordena -as de 
maneira harmoniosa, e injeta mistério em cada uma delas, de modo tal que cada imagem 
passa a encerrar a solução de um enigma Na cultura arcaica, a linguagem dos poetas é o 
mais eficaz dos meios de expressão, desempenhando uma função muito mais ampla e vital 
do que a mera satisfação das aspirações literárias. Põe o ritual em palavras, é o árbitro das 
relações sociais, o veículo da sabedoria, da justiça e da moral. E faz tudo isto sem 
prejudicar seu caráter lúdico, pois o próprio quadro da cultura primitiva é um círculo 
lúdico. Nesta fase, as atividades culturais realizam-se sob a forma de jogos sociais; mesmo 
as mais utilitárias gravitam cm torno de um ou outro dos grupos lúdicos. Mas, à medida 
que a civilização vai ganhando maior amplitude espiritual, as regiões nas quais o fator 
lúdico é fraco ou quase imperceptível desenvolvem-se à custa daquelas em que ele tem livre 
curso. 
Nunca se perderam inteiramente as íntimas relações entre a poesia e o enigma. Nos skalds 
islandeses o excesso de clareza é considerado uma falha técnica. Os gregos também exigiam 
que a palavra do poeta fosse obscura. Entre os trovadores, em cuja arte a função lúdica é 
mais patente do que em qualquer outra, são atribuídos méritos especiais ao trobardus — o 
que à letra significa "poesia hermética" 
A representação em forma humana de coisas incorpóreas ou inanimadas é a essência de 
toda formação mítica e de quase toda a poesia. Neste sentido, a personificação surge a 
partir do momento em que alguém sente a necessidade de comunicar aos outros suas 
percepções. Assim, as concepções surgem enquanto atos da imaginação. 
Haverá razões para chamar a este hábito inato do espírito, a esta tendência para criar um 
mundo imaginário de seres vivos (ou talvez um mundo de ideias animadas), um jogo do 
espírito ou um jogo mental? 
Tomemos como exemplo uma das formas mais elementares da personificação, as 
especulações míticas a respeito da origem do mundo e das coisas, nas quais a criação é 
concebida como obra de alguns deuses a partir do corpo de um gigante universal. 
Encontramos esta concepção no Rig-Veda c no primeiro Edda. Atualmente, a filologia 
tende a considerar os textos onde se encontra esta lenda como uma redação literária 
ocorrida em época relativamente tardia. O décimo hino do Rig-Veda nos oferece uma 
paráfrase mística de uma matéria mítica primordial, paráfrase feita pelos sacerdotes 
sacrificadores, que a interpretaram em termos ritualísticos. O Ser primordial, Purusha (isto 
é, o homem) serviu de matéria para o universo1. Todas as coisas foram formadas a partir 
deste corpo, "os animais do ar, e as florestas e as aldeias"; "a lua veio de seu espírito; o sol, 
de seu olho; de sua boca vieram Indra e Agni; de seu hálito, o vento; de seu umbigo, a 
atmosfera; de sua cabeça, o céu; de seus pés, a terra; e de seus ouvidos, os quatro 
quadrantes do horizonte; assim eles (os deuses2) fizeram os mundos". Queimaram Purusha 
como oferenda. O hino é uma mistura de antigas fantasias míticas e de especulações 
místicas de uma fase mais tardia da cultura religiosa. Note-se de passagem que num dos 
versos, o décimo primeiro, surge repentinamente a nossa já conhecida interrogação: 
"Quando dividiram eles Purusha, em quantas partes o dividiram eles? Como foi chamada 
sua boca, e seus braços, e suas coxas, e seus pés?" Por que os homens subordinam as 
palavras à métrica, à cadência e ao ritmo? Se respondermos que é por causa da beleza ou da 
emoção, estaremos deslocando o problema para um terreno ainda mais difícil. Mas se 
respondermos que os homens fazem poesia porque sentem a necessidade do jogo social já 
estaremos mais próximos do alvo. A palavra rítmica nasce dessa necessidade. Só na 
atividade lúdica da comunidade a poesia desempenha uma função vital e possui seu pleno 
valor, e estes se perdem à medida em que os jogos sociais perdem seu caráter ritual ou 
festivo. Elementos como a rima e o dístico só adquirem sentido dentro das estruturas 
lúdicas intemporais e onipresentes de que derivam: golpe e contragolpe, ascensão e queda, 
102
pergunta e resposta, numa palavra, ritmo. Sua origem está inseparavelmente ligada aos 
princípios da canção e da dança, os quais por sua vez fazem parte da imemorial função do 
jogo. Todas as qualidades da poesia reconhecidas como próprias, como a beleza, o caráter 
sagrado, a magia, são desde início abrangidas pela qualidade lúdica fundamental. Segundo 
os imortais modelos gregos, distinguimos na poesia três grandes gêneros, o lírico, o épico e 
o dramático. O lírico é o que permanece mais próximo da esfera lúdica da qual todos 
derivam. Aqui, o lírico deve ser tomado cm sentido extremamente amplo, incluindo, além 
do gênero enquanto tal, todos os modos que exprimem o arrebatamento. Na escala da 
linguagem poética, a expressão lírica é a mais distante da lógica e a mais próxima da música 
e da dança. É a linguagem da contemplação mística, dos oráculos e da magia. É nela que o 
poeta experimenta mais intensamente a sensação de ser inspirado de fora, é nela que se 
encontra mais próximo da suprema sabedoria, mas também da demência. O abandono 
total da razão e da lógica é característico da linguagem dos sacerdotes e dos oráculos entre 
os povos primitivos, chegando muitas vezes a ser uma algaraviada incompreensível. 
Emile Faguet refere-se algures a "le grain de sottise nécessaire au lyrique moderne". Mas não é só o 
poeta lírico moderno que precisa dela; todo o gênero forçosamente precisa não estar 
submetido às limitações do intelecto. Um dos traços fundamentais da imaginação lírica é a 
tendência para o exagero. A poesia precisa ser exorbitante. 
São necessárias mais algumas explicações sobre o papel da competição na evolução da arte. 
Praticamente todos os exemplos conhecidos de competições em que foram dadas mostras 
de uma habilidade espantosa pertencem mais à mitologia, à lenda e à literatura do que 
propriamente à história da arte. O gosto pelo exorbitante e o miraculoso encontra seu 
terreno mais fértil nas estórias fantásticas contadas acerca dos artistas do passado. Os 
grandes portadores de cultura dos tempos primitivos, segundo as mitologias, invent aram 
todas as artes e ofícios que hoje constituem os tesouros da civilização em conseqüência de 
uma ou outra espécie de conquista, muitas vezes com risco da própria vida. Os Vedas dão 
a seu deus faber um nome especial: tvashtar, ou seja, aquele que faz. Foi ele que forjou o raio 
(vajra) para Indra. Participou de um concurso de destreza com os três rbhu ou artífices 
divinos, os quais fizeram os cavalos de Indra, o carro dos Asvins (os Dioscuru dos hindus) e 
a vaca milagrosa de Brhaspati. Os gregos tinham uma lenda sobre Politecnos e sua esposa 
Aeden, os quais se gabavam de amar-se mais um ao outro do que Zeus e Hera, ao que Zeus 
lhes enviou Eris (a Emulação), que os induziu a competir um com o outro em 
toda a espécie de trabalhos artísticos. Os anões artífices da mitologia nórdica pertencem à 
mesma tradição, assim como Wieland o Ferreiro, cuja espada era tão afiada que era capaz 
de cortar novelos de lã flutuando num rio. Assim também Dédalo, que sabia fazer tudo: 
construiu o Labirinto, fez estátuas que caminhavam, e uma vez, perante o problema de 
fazer passar um fio pelas sinuosidades de uma concha, resolveu-o amarrando o fio a uma 
formiga. Aqui, a proeza técnica encontra-se ligada ao enigma; mas, enquanto o bom enigma 
encontra solução num contato espiritual inesperado e surpreendente, num espécie de curto-circuito 
mental, a primeira muitas vezes se perde no absurdo, como na lenda da corda de 
areia usada para coser pedaços de pedra relatos de milagres e o espírito lúdico. 
Além de ser um tema dos mais freqüentes no mito e na lenda, o artesanato competitivo 
desempenhou um papel perfeitamente claro no desenvolvimento efetivo das artes e das 
técnicas. A competição em destreza, narrada pelo mito, que se estabeleceu entre Politecnos 
e Aedon teve de fato seus correspondentes na realidade histórica, como a competição entre 
Parrhasios e seu rival na ilha de Samos, para ver quem era capaz de executar a melhor 
representação da luta entre Ajax e Ulisses, ou a que se realizou nas festas Pítias entre 
Panainos e Timágoras de Calcis. Um outro exemplo é o da competição entre Fídias, 
Policleto e outros para a execução da mais bela estátua de uma Amazona. O caráter 
autenticamente histórico desses duelos é comprovado por diversos epigramas e inscrições. 
103
No pedestal de uma estátua de Nice pode ler-se: "Isto foi feito por Panainos que foi 
também o autor da acrotheria do templo, tendo com isso ganho o prêmio 
O lúdico está presente em todas as atividades humanas. Está inserido na esfera do universo 
e na alma humana, sendo uma representação dos fatos espirituais que nos cercam, uma 
forma poética que faz parte da imaginação humana, indissociável da essência humana, 
concedido a nós como expressão de liberdade do espírito e da alma humana, assim como 
expressão da liberdade e da vida dos seres viventes. A brincadeira é a morte da 
predestinação absoluta, do determinismo, da soberania absoluta, do destino, fim da mentira 
da imutabilidade da existência ou da pré-existência de um roteiro que determine e delimite 
a essência da vida. O lúdico é uma realidade espiritual e psicológica, que transcende a vida, 
que apoia a capacidade de crescermos, aprendermos e amadurecermos, ele nos capacita à 
realidade, nos prepara para vivermos e representa numerosas faces do universo em que 
nascemos, vivemos e morremos. É uma dimensão da alma humana. A representação, o 
simbolismo, os arquétipos, o drama, a dramatização, o teatro, a dança, a musica, a poesia, 
o canto, as artes, a escrita, a linguagem, a jurisprudência, as relações humanas, incluindo a 
paixão, estão permeadas pelo lúdico. 
Nas Escrituras veremos a apresentação de inúmeras realidades espirituais através do lúdico. 
Quando Sansão elabora o enigma aos convidados de seu casamento com a filisteia, quando 
ele arranca as portas da cidadela de Gaza está fazendo galhofa com seus habitantes, quando 
ele mente para Dalila por diversas vezes está brincando com ela. Quando Hamã o agagita 
lança sortes, ou dados, para decidir a data da matança dos judeus, está num universo lúdico. 
A ABERTURA DO LIVRO DE JÓ É PROPOSITADAMENTE LUDICA. Pela 
arbitrariedade com que a o homem moderno trata o lúdico, não compreende o “jogo” que 
está sendo “disputado” entre Deus e Satanás. O jogo é estigmatizado como algo ruim, é 
desprezado como brincadeira, mas ele é bem maior que algumas de suas percepções, ele é 
abrangente, ele é uma representação cósmica, “dentro de uma lampadazinha” 
parafraseando o Gênio de Aladim. O Espírito de Deus não lê ilegitimidade em representar 
a realidade espiritual como uma “disputa” porque é um pedagogo perfei to que 
“descomplica” para nós conceitos abstratos além de nossa capacidade e juízo. O lúdico 
representa o mistério, a alegria, o deslumbramento, de um modo soberbo, genial, 
envolvendo no mesmo instante nossos sentidos e nossa imaginação. Todo ENIGMA das 
Escrituras que solicita resolução é lúdico, assim como diversas profecias que adquirem 
caráter lúdico, propositadamente. Jeremias e Isaias emitem “zombarias” proféticas, como 
uma disputa de insultos, contra os falsos profetas; o falso profeta Ananias tece um colar de 
contas de madeira, e cria uma pequena peça teatral para representar uma profecia, 
colocando-o ao redor do pescoço de Jeremias. Davi se auto-convida para uma disputa 
entre campeões com Golias, quem vencesse representaria seu exército e teria outro como 
derrotado. 
Se ele puder pelejar comigo, e me ferir, a vós seremos por servos; porém, se eu o vencer, e 
o ferir, então a nós sereis por servos, e nos servireis. 1 Samuel 17:9 
Paulo fala que a carreia cristã é como uma prova e que só podem permanecer nelas aqueles 
que “militam segundo suas regras” declarando o universo lúdico ao qual pertence a vida 
espiritual cristã. Anjos são vistos em visões dançando, cantando, tocando instrumentos, 
pulando de alegria, deslumbrados com a salvação humana, em cenas de lúdicas. Jesus 
disputava com os rabinos fariseus e saduceus utilizando sua linguagem técnica, suas 
técnicas de apodo, parábolas, questionamentos são de notório conhecimento rabínico, ele 
104
lança lhes questões de acordo com suas regras de interpretação e ensino. Apocalipse lança mão de 
uma solene profecia em que a figura do vencedor de um jogo é o símbolo daqueles que 
receberão o prêmio maior que é a Vida Eterna. 
Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. Apocalipse 
21:7 
A Lei é o estabelecimento das regras e a vitória de Cristo contra o pecado é a vitória de um 
jogador que disputou contra o império das mortes segundo as regras humanas e o venceu 
dentro do domínio do tempo, num lugar determinado, a terra. Ele vence um terrível 
adversário sem quebrar as regras que ele mesmo impôs ao universo que em muitos 
aspectos é lúdico. 
Quem vence um jogo, recebe ao final uma recompensa, tal é o estabelecido no nosso 
lúdico universo: 
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano 
da segunda morte. Apocalipse 2:11 
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer 
da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus. Apocalipse 2:7 
Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e 
me assentei com meu Pai no seu trono. Apocalipse 3:21 
E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, 
Jó lembra-se dos dias de sua felicidade como uma criança brincando diante de Deus e de 
seus adversários: 
105 
Se eu ria para eles, não o criam, e a luz do meu rosto não faziam abater; Jó 29:24 
Jesus em uma de suas parábolas em Lucas dá o exemplo de uma atividade lúdica, uma 
batalha em que o vencedor despoja das roupas ao perdedor 
Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura 
em que confiava, e reparte os seus despojos. Lucas 11:22 
A zombaria dos derrotados num jogo, como crianças que riem quando as outras perdem é 
retratada em Provérbios: 
Também de minha parte eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo o vosso 
temor. Provérbios 1:26
Apocalipse faz clara referência ao lúdico da existência, ao lúdico da profecia, da profecia 
como ensino de caráter lúdico quando declara: 
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do 
maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual 
ninguém conhece senão aquele que o recebe. Apocalipse 2:17 
Quando Ester caminha corajosamente no jardim persa d Xerxes o fará contra todas as 
regras vigentes arriscando a sua vida num perigoso jogo, numa cartada triunfal, o prêmio é 
a salvação de seu povo e a derrota significaria a perda de sua cabeça. Cerca de três anos 
separam a última vez que Xerxes a visitara no palácio as mulheres, e ela sem ser convidada 
entrará num jardim proibido, exclusivo do rei, desejando obter uma audiência. Sua caminha 
é o início do jogo e existem dois possíveis resultados, mas necessitará que o rei interfira nas 
regras do jardim, com uma peça única, seu cetro, a única coisa em todo reino da persa que 
pode interferir no cumprimento de uma lei pré-estabelecida pelos persas. Para sorte de 
Ester, antes que toquem na moça, ele levanta seu cetro real. 
Isaías 25 concede uma visão lúdica e assombrosa da grande vitória do Cordeiro sobre a 
morte no monte calvário: 
Como o calor em lugar seco, assim abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o 
calor pela sombra da espessa nuvem, assim o cântico dos tiranos será humilhado. 
E o SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos uma festa com 
animais gordos, uma festa de vinhos velhos, com tutanos gordos, e com vinhos 
velhos, bem purificados. 
E destruirá neste monte a face da cobertura, com que todos os povos andam cobertos, 
e o véu com que todas as nações se cobrem. 
Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor DEUS as lágrimas de todos 
os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o SENHOR o disse. 
A ceia de Cristo é uma atividade lúdica, uma representação de um evento profético que 
simboliza a vitória de Cristo contra a morte. A páscoa é uma festa, uma grandiosa festa em 
que cordeiros eram imolados, numa profunda representação. Antes do calvário o mundo 
mágico estava a mercê do cântico dos tiranos. Os grandes déspotas recebiam hinos em 
louvor a sua história e glória, eles se magnificavam, pois queriam ser lembrados como 
deuses-na-terra, como potentados, tendo seus nome gravados em rochas, suas imagens 
esculpidas em mármore para perpetuar a memória de seus grandes feitos. Para a população 
escravizada os cânticos dos tiranos era-lhes dolorosos. O mundo submisso a poderes 
malignos viu as civilizações praticarem atos de profunda indignidade. Atos de tremenda 
crueldade. Falsas religiões, falsos deuses, a escravidão, as guerras, as maldições rogadas 
pelos magos e feiticeiros. Na cruz o inferno é vencido e Deus concede sua Graça e sua 
Misericórdia, concedendo dons aos homens, e concede ao ser humano poder contra as 
hostes, potestades, poderes e soberanias. Paulo exaltará o momento do monte com um 
cântico de escárnio, uma zombaria profética: 
“Ó morte, ó morte, onde está teu aguilhão? E ó morte, onde deixastes cair as tuas armas?” 
O cântico dos tiranos foi substituído pelo cântico da vitória. Que é de caráter 
lúdico. 
106
Veja que apesar da dor e da vergonha da morte na cruz, ela simboliza um banquete. Jesus 
se refere ao banquete que celebra sua morte, a ceia. O Cordeiro era sacrificado no altar pelo 
sumo-sacerdote no dia de Com Kepler às três horas da tarde, uma garrafa de vinho 
aromático, com especiarias, era derramado no chão no mesmo instante e logo após ter 
entrado com o sangue no lugar santíssimo ele repartiria o cordeiro com os familiares dos 
ofertantes, no caso do cordeiro da páscoa, com os sacerdotes auxiliares e seus familiares. 
O vinho derramado no chão após o sacrifício do cordeiro era um vinho antigo. Vinho 
guardado nas recamaras do templo por anos. 
A morte é ZOMBADA profeticamente. Uma imagem de uma criança rindo após a derrota 
de um adversário numa brincadeira. Para que entendamos o caráter lúdico das coisas 
criadas. 
A cena em que Rute é “resgatada” das mãos de um parente de Boaz é uma cena lúdica. A 
cerimonia do pé descalço é uma representação da exoneração voluntária do direito de casar 
com a viúva. 
O termo que Paulo usa em Romanos “Jactância” é a parola dos competidores que exaltam 
suas próprias qualidades físicas e atléticas em detrimento dos adversários, numa 
competição esportiva. 
A poesia é filha da profecia, é baseada em jogos de palavras e nas Escrituras se reveste de 
solenidade, resolução de enigmas, formas e paralelismos especiais. A poesia das Escrituras é 
“formosa” ela possui dimensões estéticas profundas que vão desde a sonoridade das 
palavras, a construção das estrofes. Toda palavra dos profetas é em forma de poesia, 
incluindo as palavras de Jesus. Tudo que é Jesus fala ENSINANDO é inabalavelmente 
conectado com a poesia oriental e suas formas. É comum o uso do paralelismo hebraico, 
dos quiasmas, de provérbios numéricos, das perguntas enigmáticas, das pequenas histórias, 
o uso de parábolas. A ligação entre Jesus e a poesia, entre Cristo e o dom Palavra de 
Conhecimento, manifesto nas suas parábolas, que na verdade representavam ENIGMAS a 
serem interpretados, a serem entendidos. Uma profecia do Antigo Testamento define o 
modo com que Cristo proporá o seu ensino e doutrina: 
107 
Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade. Salmos 78:2 
A linguagem profética é cheia de símiles e parábolas, essa lei é espiritual faz parte do 
mistério profético, do mistério da poesia e do mistério do lúdico: 
Falei aos profetas, e multipliquei a visão; e pelo ministério dos profetas propus símiles. 
Oséias 12:10 
E aconteceu que Jesus, concluindo estas parábolas, se retirou dali. Mateus 13:53 
Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: Mateus 22:1 
E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina: Marcos 4:2 
Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; Mateus 
13:34
108 
O LUDICO EM CANTARES 
A beleza divina evoca o lúdico. Toda a Escritura é permeada pelo lúdico, pela poesia, pelo 
ritmo, pela música, pela harmonia, pelo mistério, utilizando do conceito do jogo, com 
todos seus elementos, incluindo o mistério, o espaço delimitado, as regras, a representação, 
a tensão, a recompensa, a nobreza, o esforço, as dificuldades, a realização, a alegria, o limite 
de tempo, a vitória, a derrota, os adversários. 
Vemos isso nas danças de Miriã, na ritmada e longa conversa das moças na entrada de Siló, 
que propositadamente alongam a conversa para reter um pouco mais o belo jovem Saul, 
vemos isso nas tentativas de “burlar” os desígnios divinos pagando uma recompensa ao 
mago Balaão e na lúdica cena da repreensão de sua mula. Há em Cantares um jogo com o 
som das palavras, em que o poema é construído a partir da palavra Sunamita, que em 
hebraico é o feminino de Salomão. Shelomite, Shelomom. Em Isaias há uma profecia que 
imita uma cartilha de alfabetização, simulando os sons do aprendizado da língua aramaica. 
Há o lúdico da cena em que Ezequiel fica estático da manhã até o entardecer, paralisado 
como uma estátua viva, parando a emissão de uma profecia que inicia pela manhã e que só 
dará continuidade ao entardecer, recomeçando do exato ponto onde parou, como se o 
tempo não tivesse acontecido para ele. 
Cantares é em absoluto, lúdico. O romance é um jogo em que a alma usa todos os recursos 
para conquistar a pessoa amada, disputando o coração desta segundo as regras do amor,
que não são conhecidas por ninguém. O romance traduz um mistério, uma aceitação que 
depende de leis invisíveis, regras não escritas e sentimentos indeterminados. Ele é frágil, 
possui um tempo determinado no qual acontece, que não é definido, casais se apaixonam 
em segundos, minutos, horas, dias semanas! O livro é uma canção, nele ocorrerão danças e 
cantigas, está acontecendo uma semana de festas, o rei se disfarçará uma brincadeira, a 
moça correrá atrás de raposas, os irmãos correrão atrás da irmã fujona, Salomão fugirá dos 
afazeres, as raposas fugirão de Sunamita, Salomão fugirá de Sunamita que fugindo dos 
irmãos, correrá em direção do amado. A festa das vinhas que é o palco da maior de todas 
as Canções é banhada em vinho, cercada de banquetes, coroada de milhares de visitantes e 
cercada de intensa e frenética atividade na natureza, pastoris, na cidade, no palácio. O rei a 
conhecerá, BRINCANDO nas vinhas e ele correrá atrás dela BRINCANDO também. O 
jogo de palavras amorosas de cantares é uma paquera sem fim. A primeira frase que ela 
dirige a Salomão é uma paquera desavergonhada. “Porque seria eu como a que ERRA aos 
pés do rebanho de teus companheiros?”. Quando ela “conjura” as filhas de Jerusalém, é 
como uma cantiga de roda, em que o refrão é repetido para evitar que alguém seja tirado da 
brincadeira. O livro é um drama, se desenvolve como uma comédia, apresenta-se como 
uma canção, era recitado em casamentos e festas de Israel, era acompanhado de 
instrumentos e possuía uma melodia que hoje é por nós desconhecida. 
109
Cantares apresenta-nos através do lúdico uma realidade misteriosa e transcendente, de 
Deus amando sua Igreja brincando com ela. Dançando com ela. Festejando sua alegria, 
comunhão e amor. 
Nota: 
Relendo o Evangelho a luz do lúdico na cultura mundial há muitas associações e 
representações que nos ajudam a compreender muitas realidades celestiais. 
A Cruz do calvário é mujakhara provém de uma raiz que significa "vangloriar-se", e o 
resultado de sua obra munafara, que significa “por em Fuga”. A Cruz é uma declaração 
insultuosa às hostes e potestades de Satanás, ela declara e expõe o inferno ao vitupério, ou 
a vergonha, ela é o sinal da derrota vergonhosa, eterna, de todo o exército adversário. 
Bilhões de demônios lutaram em vão. Foram todos derrotados por um só. A Profecia age 
como os argumentos num duelo de insultos, denegrindo as obras de Satanás e as 
destinando à destruição. Porque a história do ceticismo e das religiões é um insulto 
declarado, proposital as coisas de Deus. Quando em Romanos 1 lemos: 
23 E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem 
corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 
Tudo isso é uma zombaria. Um escárnio. Por detrás dessa caracterização inspirada pelos 
demônios há o eco da zombaria, do desprezo, do insulto, do ódio do inimigo que rejeita e 
minimiza a glória de Deus. Ele reduziu a nada, a coisas criadas, a animais, Àquele que é 
tudo, que é maior que tudo, que está acima de todos e que não possui no universo algo que 
a ele se assemelhe, para que possa ser feita alguma comparação justa. Tudo que Satanás 
inspira tem o escárnio como uma de suas bases. Logo após, ainda em Romanos Paulo 
continua: 
26 Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram 
o uso natural, no contrário à natureza. 
27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se 
inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo 
torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. 
É uma outra zombaria. É engraçado para o inferno “mudar” o que por Deus foi 
estabelecido, contradizer a natureza, mudar o comportamento natural humano, alterar 
psicologicamente suas identidades de homem e mulher. 
110
Decidi reunir algumas informações espalhadas na análise dos versos de Cantares, em alguns 
tópicos separados, dado a sua importância. 
O lúdico e o profético se entrelaçam muitas vezes nas Escrituras. Vemos isso nas danças de 
Miriã, na ritmada e longa conversa das moças na entrada de Siló, que propositadamente 
longam a conversa para reter um pouco mais o belo jovem Saul, vemos isso nas tentativas 
de “burlar” os desígnios divinos pagando uma recompensa ao mago Balaão e na lúdica 
cena da repreensão de sua mula. 
Quando acontecer a Dança de Maanaim necessitamos compreende-la como uma dança 
sagrada. E sem compreender Siló, perdemos parte da beleza do que está sendo poetizado. 
Perderiamos parte da essência profética da dança. 
A dança aconteceu de modo deslumbrante, com rica coreografia de um grande grupo de 
dançarinas. Ao menos duas fileiras. 
Sobre uma dessas fileiras é que gostaria de dar um foco muito especial. 
Há uma tradição profética que remonta dos dias anteriores ao nascimento de Davi, Pai de 
Salomão. 
Siló continuou a ser a capital de Israel durante 369 anos, até que a morte do grande Cohain 
Godol, Eli. (Zevachim 118). Até que por desrespeito ao lugar santo o Senhor permitiu que 
esta cidade fosse arrasada pelos filisteus (Jer. 26:6,9). é aqui que o representante e grande 
servo de Deus dá a ordem (ordem no sentido real) de separar a terra santa da terra dos 
"sh'fatim" (Js 18:1,8) O nome moderno da área é Khirbet Seilun. Há uma colina em 
Khirbet Seilun com uma plataforma de pedra no cume. Muitas pessoas acreditam que este 
é o lugar onde o Tabernáculo foi construído na Siló antiga. 
111
112
113 
Atualmente, na região fica a cidade de Rosh Ha’ayin. 
Veremo ao profeta Aijá que morava em Silo. (1Rs 12:15; 14:2, 4) anos após a morte de 
Salomão. 
Siló é o lugar do inicio das danças das Vinhas. Foi de lá que as moças raptadas formaram a 
nova tribo dos benjameitas. Todavia, 400 virgens de Jabes-Gileade foram levadas a Silo e mais 
tarde entregues aos benjamitas. Os benjamitas foram também instruídos a obterem mais 
esposas dentre as filhas de Silo, levando-as à força quando as moças participassem em danças 
de roda por ocasião da festividade anual para Jeová, realizada em Silo. — Jz 21:8-23. 
Em Siló morava Samuel e é nela que Saul se encontra com as namoradeiras dançarinas da 
cidade. Numa cena engraçadíssima, quando ele vai procurar Samuel na cidade, ele as 
encontra no caminho e pergunta onde é que pode encontrá-lo. A resposta é uma enrolação 
sem tamanho, elas esticam o quanto podem a conversa, afinal Saul era na época o jovem 
mais bonito de Israel.
1 Ao subirem a colina para chegar à cidade, encontraram algumas jovens que estavam saindo 
para buscar água e perguntaram a elas: “O vidente está na cidade?” 
12 Elas responderam: “Sim. Ele está ali adiante. Apressem-se; ele chegou hoje à nossa cidade, 
porque o povo vai oferecer um sacrifício no altar que há no monte. 13 Assim que entrarem na 
cidade, vocês o encontrarão antes que suba ao altar do monte para comer. O povo não 
começará a comer antes que ele chegue, pois ele deve abençoar o sacrifício; depois disso, os 
convidados irão comer. Subam agora e vocês logo o encontrarão”. 
114 
Bastava um sim... Mas... Assim...Elas não teriam assunto... para segurar o rapaz... 
As filhas de Siló eram mestras em dança. Para lá afluíam todas as tribos de Israel nas 
festividades que aconteceram por 369 anos em Siló. E Siló também, inundada numa atmosfera 
de culto a Deus por tanto tempo, tornou-se a primeira escola de profetas da TERRA. A 
profissão de profeta no mundo, como ministério, iniciou-se em Siló. Abraão, Jacó, José e 
Moisés e mesmo Davi foram grandes profetas, mas é com sanuel que uma instituição que 
capacitava profetas surgiria. Única no mundo, cujos ensinamentos e práticas jamais forma 
mencionadas, presidida por Samuel, sue primeiro grão-mestre. Os aprendizes ou separados 
para exercer o ministério no Velho Testamento eram chamados de “filhos de profetas”. 
Mesmo quendo Deus separava um agricultor ou um vinhateiro de outra região para ser 
profeta, em algum instante, ele conheceria pessoas que nasceram do movimento espiritual 
originado em Siló. 
Compreender Siló é importante. Assim que Samuel se aposentou de ser juiz de Israel ele 
começou a presidir esse colégio, o grupo, essa escola não nomeada. Samuel se reunia com 
muitos, na região onde ainda existia o tabernáculo, já vazio, sem a arca que fora tomada pelos 
filisteus, e que depois ficou 20 anos numa fazenda Israelita. E lá havia poder espiritual, unção 
divina, a manifestação do Espírito de Deus num nível que muitos ministros da Graça, ministros 
do Novo Testamento jamais conhecerão. 
Siló é o lugar onde Jeftá, juiz de Israel, homem de origem humilde e desconsiderada, tratado 
como sujeito sem dignidade por ser filho de uma prostituta, será usado por Deus para operar 
um grande livramento. Não tinha “pai” por assim dizer, mas homem de coragem e poderoso 
guerreiro, que tinha uma filha dançarina e musica. Para obter uma vitória impossível ele faz 
um voto infeliz, que fará com que sua filha seja oferecida como serva do santuário de Siló, e 
por isso, não poderia se casar. Isso representava quase a morte para uma menina israelita. 
Mas a moça sabendo que foi ofertada como sacrifício vivo a Deus, (já que Jeftá esperava que 
viesse um cordeiro ou uma vaca ao seu encontro, que ofereceria em sacrifício) decide 
permanecer virgem e dedicando-se ao sacerdócio pelo resto de sua vida. Por 30 dias suas 
amigas sobem com ela até o monte da cidade para chorar sua virgindade eterna. Chorar o fato 
de que ela jamais poderia ser mãe. 
Creio que essa moça será a “mãe” das filhas de Siló. 
Ela manterá viva as tradições de dança, ela criará uma escola de dança em Siló. Ela será 
conhecida por todos, que de ano em ano a verão dançando nas festas de Israel. Ela é uma 
promessa viva, que jamais foi quebrada. 
Siló é o lugar onde ANA chora por sua esterilidade, recebendo de Deus 7 filhos. O primeiro ela 
ofereceu ao ministério do tabernáculo. Seu nome é Samuel. 
Em Siló a arca será tomada e o fogo que ficava acesso dentro do tabernáculo, aceso a mais de 
370 anos, se apagará. 
Em Siló o sacerdócio Levitico será é rejeitado. Lá o último sacerdote levita legitimo, debaixo da 
ordem de Araão( irmão de Moisés), ordem ainda vigente, morrerá. Ao saber que a arca foi 
tomada. É lá que é dado a profecia do surgimento de uma nova ordem sacerdotal.
Os levitas que ministraram no templo de Salomão já estavam debaixo de outra ordenação, ou 
num prazo de misericórdia concedido ainda à antiga ordem. 
Siló será finalmente destruída e queimada a fogo. Juntamente com o antigo tabernáculo, 
quando o templo de Salomão estava de pé. 
115 
Salmos 78:60 
Abandonou o tabernáculo de Siló, a tenda onde fazia morada entre os homens. 
Salmos 78:61 
Entregou o símbolo do seu poder ao cativeiro, e seu esplendor, nas mãos do opressor. 
6 então farei deste Templo o que fiz do Santuário de Siló, e desta cidade, um objeto de 
maldição entre todas as nações da terra!” 
Os filisteus ou os Assírios tomaram Siló, levaram cativos seus habitantes e incendiaram as 
casas e o tabernáculo. Tudo virou cinza. 
O ultimo sacerdote levítico que ministrou no tabernáculo se chamava Eli e possuía dois filhos. 
Nadabe e Abiu. Seriam os próximos sacerdotes e herdeiros das tradições sacerdotais, 
históricas, jurídicas e de sabedoria de Israel. Todo o Israel se reunia em Siló para aprender 
sobre Deus. Mas, Nadabe e Abiu eram ímpios. Moralmente deturpados. Desonestos. Avaros. 
Irreverentes. Neles não habitava nenhum tipo de respeito pelas coisas divinas. Usavam os 
sacrifícios que o povo levava para seu próprio proveito. A cena mais grotesca em relação as 
ofertas do Velho Testamento demonstra a completa ignorância que tinham com relação ao 
ofício que receberma por herança. Interromperam o Yom Kipur para retirar de sobre o altar a 
carne dos sacrifícios, bebâdos, e a levarem em pedaços fincados num garfo, saindo pelas 
cortindas do santuário, passando pela porta da tenda, em direção de suas casas. Diante de 
toda a multidão estarrecida. Fizeram isso diante de toda a nação, ou de pelo menos, milhares 
de peregrinos que se locomoveram por dias e até semanas para terem o privilégio de adorar a 
Deus no lugar mais sagrado da terra desta época. 
Esse ato é o ato final. Essa foi a atitude foi considerada tão grave por Deus que o sacerdócio foi 
sumariamente rejeitado. Os dois morreriam semanas depois num confronto com os filitesu, 
ambos, no mesmo instante em que a arca seria tomada por um exército estrangeiro. Ao 
receber o anuncio da morte dos filhos e da tomada da Arca, o velho Eli cairia de sua cadeira e 
quebraria o pescoço tendo morte imediata. 
Na época de Sunamita e Salomão, Siló ainda existe. Ainda existem as danças, ainda há uma 
escola de dançarinas. A segunda geração de profetas após Samuel está lá em Siló. Muitas das 
dançarinas de Siló eram filhas de profetas. As filhas de Siló eram próximas, moravam no local 
do maior movimento profético do Velho Testamento. Eram descendentes de Benjamitas. 
Todas as mães de Siló nasceram de mulheres que um dia dançaram e corriam nas festas 
dedicadas a Deus. E todas as moças de Siló tinham origem em avós ou bisavós raptadas. 
Paulo de Tarso que nascerá mil anos após esses eventos, é provavelmente, descendente de 
uma dessas mulheres Benjamitas. De umas das filhas de Siló. 
A palavra Maanaim é traduzida como (fileira de dois exércitos) em algumas versões, em outras 
é deixada sem tradução. 
Para estar ali como dançarina na presença do Rei, como dançarina principal Sunamita é 
extremamente formosa. E necessita ser exímia dançarina. Ela é morena, mas iluminada pelas 
tochas do salão, adornada de pedras e adereços brilhantes, ela literalmente, brilha. Ela 
ilumina o chão por onde passa, refletindo as luzes nos cristais de suas vestes. Seus véus
coloridos se abrem, se desfraldam como bandeiras, e os guizos deseus pés batido 
ritmadamente parecem o pisar de uma tropa, os passos de um grupo de soldados correndo. Os 
guizos amarrados nos pés agem como instrumentos de percussão, eles marcam o ritmo, em 
contratempo com o barulho das pulseiras e do tamboril. Ela roda como um soldado que se 
movimenta com a espada em alguns instantes. Ela lembra uma guerreira. Jamais desistiu. E 
jamais desistirá de seu amor por Salomão. Salomão usa uma palavra que designa o 
sentimento (TERRIVEL) que teríamos se estivéssemos ao lado de uma tropa da antiguidade em 
marcha, com seus gritos de guerra. Sunamita grita, tece trechos de melodia com a voz, ainda 
comum nas expressões vocais Árabes, Persas Sírias e Indianas. Faz parte da requintada 
coreografia. Seu pano de fundo sonoro. E seus gritos são tão espetaculares que os milhares 
ali presentes se arrepiam. Os videos abaixo dão uma noção de vozes árabes de cantoras. 
116 
http://www.youtube.com/watch?v=A5z236LbZg8 
http://www.youtube.com/watch?v=sSBM4l2g0SY 
Para que você tenha uma idéia de como as filhas de Siló... E como a Sunamita dançariam à 
época de Salomão. 
Há uma identidade preservada das danças da antiguidade nas danças folclóricas da India, e 
mesmo em Bollywood. A dança Israelita atual não é a dança da época de Cantares. Elas tomam 
de empréstimo as tradições do Exilio, que remontam ao cativeiro Assirio e Babilonico. Siló é 
destruida quando Israel é levado cativo pela Assiiria. E a perda de Siló é também a perda de 
grande parte das tradições culturais Israelitas da antiguidade, afetando profundamente as 
artes, o modo de vestir e a dança. As Sinagogas e a tradição oral preservaram parte dessa área, 
mas o testemunho bíblico é que Israel deixou de dançar nos 70 anos que passou cativo. Um 
dos salmos do cativeiro é uma lamentação que retrata isso "junto aos salgueiros penduramos 
as nossas harpas". Esse tom de saudade, um eco de tristeza ainda é presente nas musicas e nas 
danças atuais de Israel. Mas a tradição de Siló não se perdeu. Ela inf luenciou escolas de dança 
da antiguidade. A formação do estado da India possui ligação com Israel no passado. 
Profundas relações comerciais com Salomão. A economia da India, grande parte de suas 
exportações na época de Cantares estavam relacionados a Salomão. Os historiadores, dizem 
que o Aramaico deu sua origem ao Kharosthi (lingua raiz Hindu), tal é a identidade dos dois 
alfabetos. Mas foi o Kharosthi que se desenvolveu no noroeste da Índia, então influenciando a 
escrita Brahmi. O Brahmi, sem dúvida, foi a língua e escrita que influenciou mais de 40 línguas, 
estando presente no moderno alfabeto indiano. Podemos notar a influência desta língua no 
Khmer, no Tibetano. E, evidentemente, o Sânscrito e o Prakrit. palavra "Aramaico" vem do 
Aram bíblico, filho de Shem e neto de Noé. Como não havia exatamente uma porção de 
pessoas vivas no mundo naquela época (foi logo depois do Dilúvio), nacionalidades inteiras 
brotaram a partir de indivíduos. Assim, Aram era o pai da antiga civilização dos Arameanos, 
que falavam - sim, isso mesmo - Aramaico. O Aramaico é um grupo quase que totalmente 
extinto de dialetos semíticos originários do hebraico, com o qual se assemelham muito. Sua 
semelhança estende-se ao alfabeto escrito, que parece um tipo de hebraico e também se 
escreve da direita para a esquerda. Os povos da India nascem de um invasão de um grupo 
étnico que vem do atual Irã, denominados Areanos, ou arianos. Olhando o mapa, veremos que 
esse grupo "nomade" que invadiu a India tem mais a ver com os semitas, com os árabes e com 
Israel. Há dentre os grandes segredos de Cantares, uma pista. Salomão pede que SUNAMITA O 
SIGA À MORADA DOS LEOPARDOS, QUE OLHE EM DIREÇÃO AO LIBANO, QUE VENHA EM 
DIREÇÃO A ESTRADA DE DAMASCO, QUE ERGA OS OLHOS NESSA DIREÇÃO. Pegue um mapa e 
trace uma reta na direção que Salomão pede que Sunamita olhe. Você verá a INDIA. Deus 
guardou parte das tradições de Israel na India. Guardou parte da dança, parte de sua cultura,
parte de seu passado. Deus preservou uma visão das Escrituras nas tradições, na cultu ra e 
sobretudo, na DANÇA. Até os dias de hoje a India possui problemas graves relacionados a 
morte de pessoas de diversas cidades, ocasionado por ataque de LEOPARDOS. O desconhecido 
autor deste Estudo compreendeu que as escolas de dança Indiana guardam consigo essa 
herança, escondida, dissimulada, aspergida, das antigas danças das filhas de Siló. O Natya 
Shastra, tratado de dança, drama, música e poesia declara por exemplo 9 estados de 
sentimentos ou expressões usadas nas danças. Estes nove estados são todos vistos em 
Cantares. 
117 
------------ 
A história da Dança Indiana 
Segundo a tradição hindu, a dança não foi uma criação humana, mas divina. De acordo com os 
Vedas, textos sagrados do hinduísmo, a humanidade aprendeu a dançar aravés da relação 
divina. Os deuses eram excelentes dançarinos, e a sua arte marcava todos os momentos da 
existência ao longo das eras. A dança não era apenas uma expressão da dinâmica universal, 
mas a própria dinâmica em si. É quase impossível, portanto, dissociarmos a dança de valores 
eternos advindos da religião. Existem várias versões sobre a origem da dança vamos sinetizar 
em quatro: 
1 – O conquistadores Arianos afirmam que a dança foi criada por Brahmam. 
2 – Os povos que viviam na Índia antes da invasão ariana os Dravidianos afirmam que a dança 
foi criada por Shiva. O mais antigo deus da Índia seu culto é mais popular no Sul. Segundo a 
mitologia, foi na cidade de Chidambaram, Estado de Tamil Nadu –Sudeste da índia-, que Shiva 
teria colocado o universo em movimento por meio de sua dança. Shiva Nataraja – o Senhor 
dos Dançarinos. 
3 – A filisofia Vaishnava aponta Krishna como criador da dança. 
4 – O sistema devadasi. As mulheres celestiais, apsara, como criadoras da dança hindu. 
Dançavam nas festividades dos céus, e visitavam a terra. 
Todas as versões tem de agum modo, suas raízes nos dois tratados de dança Natya Shastra e 
Abhinaya Darpanam, considerados os textos mais antigos sobre a dança hindu. 
NATYA SHASTRA =(tratado sobre o Teatro). Escrito pos vola do século II a.C., é o mais antigo 
existente sobre as artes cênicas. Enciclopédia sobre teatro, detalhando todos os aspectos 
envolvidos em uma apresentação artística, por exemplo, as cores adequadas para a 
maquiagem, os tipos de movimentos de cada parte do corpo e a maneira correta de construir 
o palco em suas proporções exatas.
ABHINAYA DARPANAM= de Nandikesvara – é um manual de gestos e posturas de dança e 
drama datado do século III d.C.. A palavra chave é Abhinaya, ligada à comunicação de um 
sentimento a uma platéia. Abhinaya significa o despertar dos 9 sentimentos chamados 
navarasa por meio das expressões faciais: surpresa, repulsa, coragem, amor, medo, fúria, 
serenidade, compaixão. A plavra abhinaya pode também significar o desvelamento da beleza 
ou dos vários aspectos da representação por meio das palavras, gestos, maquiagem, figurinos, 
cenários, etc. DARPANAM = espelho,que ajuda o expectador ver toda a linguagem articulada 
no palco e compreender sua condição pessoal. 
----------------- 
Dos textos acima podemos ler alguns conceitos interessantes, dentro de uma perspectiva 
biblica. Os Indianos concedem a dança um caráter divino, uma origem divina, que aproxima-nos 
da visão do livro de Jó quando evocava a dança e o cantico dos anjos na Criação do 
Universo. Também nos leva as festas com danças de origem em ORDENS DIVINAS, as 7 festas 
de Israel instituidas por Deus. Nos remete a dança ungida de Miriã, onde dançando ela 
PROFETIZA e ADORA, após o milagre da destruição do exército de Faraó. 
Eu acho muito interessante as nove expressões faciais num TRATADO DE DRAMA, TEATRO 
POESIA E DANÇA da antiguidade, que aproxima-se a essencia de Cantares, tudo isso, drama, 
teatro, poesia e dança e também muisca e canto estão presentes em CANTARES. 
A Sunamita vai mostrar as nove expressões faciais do tratado de Abhinaya em Cantares. Não é 
por coincidencia. 
118 
Surpresa: dos irmãos - Quem é esta que aparece como a Alva do dia? 
Repulsa: Já lavei os meus vestidos, já tirei as minhas vestes... 
Coragem: Conjuro-vos! Ó filhas de Jerusalém! 
Medo: (susto) Antes de eu sentir vi-me no carro de meu nobre povo 
Amor: Eu sou do meu amado e ele é meu 
Furia: Por que quereis contemplar a Sunamita? 
Serenidade: Eu sou ao seus olhos como aquela que acha a paz. 
Compaixão: Temos uma irmã pequena...que faremos dela? 
Alefria: Vem tu vento norte! E tu vento sul! 
Essas correlações não são efêmeras. Elas nos conduzem até as Escrituras, desde Noé e Sem e 
Aram até Salomão. E necessariamente até Siló. 
O vídeo abaixo é para que você tenha uma idéia de como as filhas de Siló dançariam ... e como 
foi a dança de Sunamita diante de Salomão. 
http://www.youtube.com/watch?v=xYRfLjbuUlI
O livro não conta uma história de modo linear. Por isso é tão complicado encontrar a 
diretriz da trama, entender o enredo de sua história. 
Ele é contado em forma de “Flashback” ele é contado a partir de lembranças, ele vai 
narrando uma história onde você vê coisas que acontecerão num tempo futuro, antes que 
aconteçam. E depois será contado um pedaço do passado para você se situar na história. O 
tempo não flui de modo LINEAR em Cantares. 
Para realizar esse trabalho de “linearização” da história o autor bebeu da fonte mais 
próxima na dramaturgia de nossos dias a esfera do livro de cantares: 
119 
Os filmes românticos indianos. 
Segue uma lista de filmes imprescindíveis, na minha opinião, para ampliar ao leitor uma 
visão da narrativa, da poesia e do sentimento do livro de cantares, na dimensão humana: 
Rab ne Bana Jodi 
Veer Zaara 
Jab We Meet 
A linearização. 
Cantares é uma obra moderna, apesar de sua antiguidade. Ele entrecorta o passado, 
presente e o futuro. Como se o personagem nas primeiras cenas do filme já estivesse 
vivendo as cenas finais e decidisse contar sua história antes do momento decisivo do filme. 
O momento decisivo de Canatares é a dança de Maanaim, ou a dança dos dois coros, a 
dança dos dois exércitos. Na opinião do autor, há uma trama que encaminha o canção, e o 
conto. Há um conto escondido em Cantares. Cantares inicia-se com uma recordação, do 
primeiro beijo, depois menciosa ao rei e ao seu castelo, suas recamaras, menciona 
Jerusalém e suas filhas, como se se estivesse preparando-se para uma apresentação, e então 
começa a contar sua história. O encontro com o misterioso pastor, seu namoro, seu 
noivado, suas promessas, sua separação, seu reencontro e sua vida futura. 
O verso 3 mostra o instante em que o mistério do pastor é desfeito, momento em que ela 
conhece ao nome da pessoa que ela ama, ao verdadeiro nome. 
Resumidamente Salomão se disfarçará de pastor para conquistar seu amor. Se enamorará 
com ela, apaixonadamente. Mas o que ele faz, o faz em oculto, porque já possui nessa 
época cerca de sessenta rainhas. Ao se deslocar para a Casa do Líbano com sua gigantesca 
comitiva trouxera suas esposas, incluindo a filha de faraó. Para se encontrar com Sunamita 
terá que usar todos os seus fantásticos recursos, que envolverão desde os guardas até seus 
amigos, para conseguir o tempo necessário para viver seus dias de liberdade. Os 
casamentos de Salomão eram diplomáticos, eram formais, feitos para alcançar alianças 
politicas com diversos reinos, embora Salomão tivesse carinho com suas esposas, era uma 
obrigação, uma estratégia para alcançar e manter a paz. No dueto Sunamita, Salomão, eles 
estarão cantando as aventuras para se encontrarem. Nisso existem perigos para ambos, se
a família dela descobre, ela irá apanhar muito. Se os nobres descobrem, incluindo as 
esposas e dentre elas a filha de faraó, as coisas ficariam muito complicadas para Salomão. 
Cantares é caminhar sobre o fio da navalha, é um romance que encobre uma aventura. 
Apesar de estar apaixonado, apesar de desejar estar com Sunamita, eles se separam, e para 
que Sunamita reencontre e o conquiste definitivamente ela deverá dançar diante do rei. 
Não somente diante do rei. Diante de todas as esposas e concumbinas, que são retratadas 
no capítulo 7. Creio que a história é uma reminiscência, que ela acontece num instante. 
Dentro da mente de Sunamita. Ela está parada diante dos convidados, usa um véu para não 
ser reconhecida, faz uma petição em seu coração. “filhas de Jerusalém, não olheis para mim 
pelo fato de eu ser morena” antes de iniciar a dança que definirá sua vida. 
No capítulo 5 há um pesadelo que começa com as palavras “eu dormia, mas meu coração 
velava. O pesadelo acontece até o capitulo 6, instante em que ela volta a adormecer 
suavemente, como se suspirasse nos versos: 
120 
Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta o rebanho entre os lírios. 
Entre os versos 3 e 4 do capítulo 6 há uma grande mudança 
Formosa és, amada minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, imponente como um 
exército com bandeiras. 
No anterior ela adormece como um cordeiro entre os lírios e agora ela se apresenta como 
uma cidade, como um exército, como se fosse guerrear. 
Essa é uma das pontes de Cantares. Toda a história é contada até o momento em que 
ela adormece, como uma lembrança. Mas agora a moça acordou. Esse já não é o seu 
passado. É o seu presente. 
A aventura de Cantares é chegar nesse verso. Ela não está mais no campo. Ela está no 
palácio, ela está diante de todos. A dançarina dançará. Está trajada como uma dançarina 
oriental com seus véus, há guisos ao redor de seus pés, ela está na posisão inicial de sua 
apresentação. E centenas tem seus olhos voltados para ela, que ousadamente se aproximou 
tanto do rei, que ele sente até o seu perfume, que ela fez questão de derramar sobre si 
mesma, abundantemente. É um grandioso banquete e ela cheira a nardo, dos 
primeiros versos do poema. Porque foi com esse perfume que Salomão a conheceu. Ela 
não está ali para entreter ao rei. Ela está ali para caçá-lo. A caçadora de raposas realizará sua 
maior caçada. Ela não está ali para consquistar aplausos. Ela quer somente uma única coisa. 
O coração do rei. É nele que a filha de Manassés (por parte de mãe), e filha de...(segredo 
até o final do estudo) que a maior dançarina que Sarom viu em todos os dias de sua glória, 
está mirando suas flechas. Ele fÊz promessas, ele a conquistou, ele conheceu sua mãe, ele 
dormiu com ela no campo, ele falou palavras que a mudaram, nunca homem algum teceu 
para mulher alguma, em toda a história da literatura, os palavras de ternura que ela recebeu. 
Ele cantou para ela. Ele tocou instrumentos feitos de madeira de sândalo, a coisa mais bela 
que que ela já ouvira. Eles cantaram juntos canções de seu povo. Ele arrancou o coração 
dela de dentro do peito. E agora ela iria dar o troco. Ele pode ser o rei de toda a terra. Mas 
ele, ainda que não saiba ainda, pertence a ela! 
Essa é uma das chaves de Cantares. A dança. A cena da dança de Maanaim. O capitulo 7 é 
a conquista final. É a dança em todo seu resplendor, ela baila, ela o atrai para ela. Ela 
desperta nele o afeto, a promessa, o amor.
E o resultado não poderia ser outro: 
 A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça como a púrpura; 
o rei está preso pelas tuas tranças!!!! 
121 
FIM DE JOGO. 
No capítulo 7 verso 10 termina a dança. 
E logo após, os próximos versos recomeça a correria da menina já com o rei a tiracolo, 
correndo como sempre pelos canteiros de bálsamo, e ai sim, a lua de mel. 
Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se estão abertas 
as suas flores, e se as romanzeiras já estão em flor; ali te darei o meu amor. 
(Cantares de Salomão 7:12) 
Capitulo 1 O encontro 
O inicio da história, as recordações, a menção do nome do amado, que em nenhuma parte 
da história é revelado a ela. O ambiente do palácio, no qual ela só chegará no capítulo 7. 
No qual ocorrerá as cenas finais do capitulo 6, a fabulosa dança. Ela está adiantando 
trechos da história. 
A caçadora de raposas se disfarça de pastora 
O medo de dançar, o ciúme das filhas de Jerusalém 
Capitulo 2 O namoro, a festa da Vinhas, a lembrança que esqueceu de caçar as raposas, 
eles cantam, dança, bebem e dorme juntos embriagados. 
Capitulo 3 O desencontro, elea é deixada sozinha, busca-o, encontra-o na festa, apresenta-o 
a sua família. 
Capitulo 4 O noivado e a proposta de casamento. A honra de Betseba que aprova o 
noivado. Porém Sunamita ainda não sabe que ele é muito mais que um pastor. 
Capitulo 5 O pesadelo, a busca pelo amado. Salomão demora a voltar, a saudade de 
Sunamita dá origem a um terrível pesadelo. Se não foi um pesadelo, ela quase morre 
sendo espancada pelos guardas, e essa crise a prepara para seu ato de suprema ousadia. 
Capitulo 6 O fim do pesadelo, ou o fim de uma crise que lhe concederá a condição de 
dançar diante do rei. As filhas de Jerusalém a ajudaram, ela ludibriou os guardas, ela fugiu 
dos irmão que fazem um coro pedindo que ela retorne para as vinhas, que em dado
momento descobrem que ela dançará. Mas não poderão assistir. É o capítulo da preparação 
da dança, das vestimentas que a fazem parecer uma cidade iluminada. 
Capitulo 7 A dança de Maanaim. A conquista, a vitória, onde a moça se revela diante do 
rei pelo qual se apixonou 
Capitulo 8 O futuro. A filha. O misterioso dono das vinhas. A recompensa dos guardas. 
122
Apresenta o romance de Salomão e a Sulamita. O rei Salomão, ao visitar a sua vinha do 
monte Líbano, na época das colheitas, da migração de pombas e de várias festas pastoris 
com milhares de moças dançando as antigas tradições das festas de Benjamim. Encontra-se 
por acaso com a formosa donzela Sulamita, que foi dançar contra a vontade dos irmãos. 
Deixará suas obrigações para dançar nas festas da primavera, nas festas de Benjamim. Ela 
procura sua liberdade nos braços de um esposo! Ela anseia agarrar algum jovem e com ele 
formar uma família e fugir daquela condição de servidão. E para tal irá beber muito vinho 
para ter a coragem de realizar a aventura do livro. É um romance regado a vinho. Em 
todos os instantes o vinho jorra abundante, nas palavras, nas atitudes, no palácio. Os 
guardas que a espancam estão bêbados. Só isso explicaria sua leviandade. Só que por ir à 
festa, desguarnecendo as vides permite que as raposinhas façam o maior estrago nas vinhas. 
Sunamita o observa atentamente a uma certa distância. Em algum instante seus olhares de 
cruzam e mesmo diante de tamanha pompa ela foge dele. Foge também porque também vê 
nele um culpado por sua situação, porque ela trabalha como ESCRAVA numa das vinhas 
que pertence a ele. 
123 
Líbano
124 
- 
- 
-
125 
- - 
Sunamita é tratada como uma escrava por seus irmãos que a forçaram a trabalhar nas 
vinhas sem nenhum tipo de pagamento. O trabalho duro debaixo do sol fez com que 
ficasse diferente das suas irmãs e das antigas amigas da cidade que habitavam, Jerusalém. 
Uma de suas funções era armar armadilhas para capturar as raposinhas. Suas fugas e 
escapadelas durarão dias, a maior parte nas noites, e nesse tempo as raposinhas irão dar seu 
jeito de quebrar as grades ou roer as cordas. Salomão ao ver tamanha beleza se apaixona 
perdidamente. Poderia se dizer que ao vê-la perdeu em seu olhar ao próprio coração. 
Informando-se da situação o rapaz colocará a sua imensa sabedoria para trabalhar em 
proveito próprio. Ele, disfarçado de pastor, visitará a moça e conquistará ao seu amor. Do 
mesmo modo a moça se disfarçará de pastora para procura-lo. Passam uma noite de 
liberdade e de promessas, depois marcam um encontro frustrado. Abandonada, 
encrencada pela destruição causada na vinha pelas raposas, que fizeram lá um escarcéu, 
seguirá à sua procura sem saber quem ele é. 
Ela vivia submetida ao poder dos guardas, tanto nos campos quanto na cidade de 
Jerusalém (cf. 5,7). O drama acontece com sua separação do amado. Preparou uma noite 
romântica no intuito de fisgá-lo, Usará das artimanhas femininas que aprendeu, só 
que dará tudo errado. Ele não tinha tempo para aproximar-se sem ser reconhecido, e tem 
que se esconder porque o que Salomão fazia, o fazia na calada da noite. Consegue 
encontra-lo na cidade, convence-o a conhecer seus pais e Salomão faz-lhe promessas, até 
noiva com ela. Nos dias que se seguem é realizada um cerimonia de noivado, sua mãe 
Betseba participará, mas Salomão ainda não re3vlou sua identidade. Para Sunamita ele 
ainda é um pastor de ovelhas. Sem despertar suspeitas o jovem rei fugira do palácio e 
agora necessitava correr de volta. Não sabemos quanto tempo se passa, quando 
desesperada Sunamita vai atrás dele, crendo que o encontrará na cidade, mas, ali é 
violentamente espancada. Ou literalmente ou somente em seu pesadelo. 
O tempo está terminando, Salomão em breve estará deixando o Líbano para voltar para as 
suas atividades, porque a primavera está terminando. Em algum momento a Sunamita 
descobre sua identidade após muito questionar. Após descobrir quem ele é o drama se 
intensifica. Ela descobriu que seu amado, era somente o homem mais importante de Israel 
e que ele está indo embora! Após muito esforço ela o encontrará, através de um artificio. 
Entrará no palácio e dançará diante do rei e seus convidados. Num plano ousado ela 
entrará corajosamente no palácio e se revelará a ele dançando diante dos convivas, na sala 
do vinho. (Daí o paralelo com Ester). Ela descobriu quase no mesmo instante em que é 
desposada que seu amado é na verdade o rei de toda terra. Após reconhecer seu amor 
diante de todos, Salomão casa-se com ela e no último instante de Cantares veremos uma 
menina pequena, fruto dessa união. 
O rei Salomão possuía uma vinha, na região montanhosa de Efraim, a cerca de 50 km ao 
norte de Jerusalém, próximo a jezreel e do Libano, próximo as colinas de Golan. Cantares 
8:11. Ele arrendou-a a administradores, Cantares 8:11, constituídas por uma mãe, dois
filhos, canates 1:6, e uma filha a Sulamita, Cantares 6:13, e o que aparentava ser uma irmã 
mais nova, e é chamada de irmã é a grande surpresa final do livro. 
Ela é filha de Sunamita. Cantares 8:08. 
A Sulamita era "Cinderela" da família, Cantares 1:5, naturalmente bela, mas despercebida. 
Seus irmãos eram prováveis meio-irmãos, Cantares 1:06. Eles lhe outorgaram um trabalho 
difícilimo cuidar das vinhas, de modo que ela teve pouca oportunidade de cuidar de sua 
aparência pessoal, Cantares 1:06. Podava as vinhas e armadilhas para as raposinhas, 
Canção 2:15. Disfarçada, se diz pastora. Cantares 1:08. Trabalhando a céu aberto tanto, ela 
tornou-se morena, Cantares 1:05. Salomão disfarçadamente participará da festa e a 
encontrará dançando e cantando. Ele mostrou um profundo interesse nela, apesar dela 
mostrar-se constrangida a respeito de sua aparência pessoal; Canticos 1:06. Ela dança e 
canta, é bejada por ele e vai atrás dele que está disfarçado de um pastor., Canção 1:07. Ele 
responde evasivamente porque queria marca um encontro e sondar o interesse da 
menina. Cantares 1:8, mas também falou palavras de amor a ela, 1:8-10, e prometeu ricos 
presentes para o futuro, Cantares 1:11. Ele ganhou seu coração, noivou com ela e partiu 
com a promessa de que um dia voltaria. Ela sonhou com ele à noite e às vezes pensava que 
ele estava perto, Cantares 3:01. Após uma crise ela define sua vida através da dança de 
Maanaim. Cantares 3:6-7.3 (adaptado de HA Ironside, sobre o Cântico dos Cânticos, pp 
17-21, resumido por Merrill Unger, Manual Bíblico de Unger, pp 299 -300 modificado pelo 
Welington) 
126
Acalme-se rabino! Aquieta-te teólogo! Arreda de mim profeta ignorante! Não te desesperes 
mestre! Não sou escravo da teologia sistemática. E nem da espiritualização errante. Es se 
capitulo não significa que vou reler Cantares com base de alguma doutrina mística, algum 
manual de práticas magicas ou percorrer o Caminho de Santiago do conhecimento bíblico, 
abraçar ternamente a maçonaria e numa bela visão ecumênica propor uma conciliação entre 
a Cabala e o Caminho. Acalme-se, respire fundo e acompanhe-me. Afinal, porque seria eu 
como a que caminha errante junto ao rebanho de teus companheiros... Jesus é Senhor, Salvador, 
ressurreto ao terceiro dia, manifestado na carne, justificado em espírito, nenhum outro 
nome há dado entre os homens pelo qual possamos ser salvos, todo joelho se dobrará e 
toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. Jesus que 
subindo, concedeu dons aos homens, no qual também temos a remissão dos pecados. 
Pronto. Pode colocar o lenço de volta ao bolso. Toma um analgésico e sigamos. 
As Escrituras brotam, qual ramos de uma videira, num mundo absurdamente mágico. O 
homem busca dominar as forças naturais desde o início das civilizações. Ele não somente 
se curvava em adoração ás divindades da antiguidade, antes desejava em muitos casos 
receber dela poderes, virtudes, forças para destruição de seus inimigos. Lemos a batalha de 
Moisés contra os magos do Egito instruídos em artes mágicas, em manuais desconhecidos 
por nós no qual invocaram os poderes com os quais realizavam seus atos de magia. Lemos 
sobre o encontro com Balaão e sua invocação em meio a rituais desconhecidos de espíritos 
para lhe concederem o poder de amaldiçoar. Balaão utilizava-se de uma antiga crença em 
que cada nação possuía seus espíritos protetores, e que para que uma nação sobrepujasse a 
outra na guerra deveria ter deuses mais poderosos, ou negociar através de TRAPAÇA, 
COMPRANDO a tal divindade da outra nação mediante sacrifícios (irresistíveis) para que a 
mesma deixasse de proteger sua nação. Não havia entre os povos na maioria dos 
sacerdócios e crenças vigentes a figura de um Deus supremo, antes de um panteão de 
divindades que se equivaliam em força e poder. Mesmo as deidades ou divindades 
consideradas as chefes, maiores, as que reinavam sobre as outras de uma determinada 
mitologia, egípcia, suméria, acádica, babilônica, persa, grego-romana, semita, védica, 
nórdica, não eram soberanas no sentido em que consideramos Deus. O nível de poder 
entre elas era muito próximo, dando origem a toda sorte de semi -deuses, deuses 
intermediários e poderes que poderiam até impedir a atuação de determinadas divindades. 
Grande parte das oblações, ofertas, sacrifícios da antiguidade tinham um caráter de 
SEDUÇÃO. Os magos, os pajés, os sacerdotes de toda espécie usavam de artifícios para 
“seduzir” os deuses, inebriar seus sentidos, mudar suas sentenças, perverter suas ameaças, 
distraindo-as, comprando-as, e em último caso, controlando-as. A base da magia antiga e 
mesmo moderna é uma tentativa humana de “controlar” os poderes espirituais. Através de 
palavras, atos, gestos, rituais. Os egípcios criam, assim como muitas civilizações no “poder 
oculto” das palavras. Evitavam citar os seus nomes pessoais na presença de estranhos 
porque o nome das pessoas estava conectada a sua essência e se a outra soubesse seu nome 
e fosse inimiga poderia usar o “nome” para invocar uma praga ou maldição sobre a pessoa. 
Palavras especiais deveriam ser escritas nas paredes dos túmulos para proporcionar ao 
morto poderes para ultrapassar os perigos do mundo dos mortos. Eram essas palavras 
mágicas escritas que seriam mais fortes que os delitos cometidos, fazendo com que a 
balança da justiça divina pendesse ao seu favor. Veremos a Saul consultando uma pitonisa, 
uma necromante, uma moça espírita que consultava entidades que julgava falecidas, num 
127
macabro ritual. Leremos um estranho ritual praticado por “bruxas israelitas” ou “falsas 
profetizas” no livro de Ezequiel que faziam trabalhos de crochê e as amarravam às suas 
mãos e invocavam forças para “prender” ou “amarrar” almas às suas mãos (!), significava 
que elas realizavam atos mágicos para mudar o comportamento dos que as consultavam de 
maneira que elas fizessem aquilo que a “falsa profeta” as induzia, escravizando-as 
espiritualmente às suas vontades. Bruxas. Leremos sobre Jezabel, considerada pelas 
Escrituras como um padrão de feitiçaria, talvez a mulher mais opressa (inspirada, 
dominada, repleta de poderes das trevas) que já tenha pisado a terra, tão cheia de feitiçaria 
que é relembrada profeticamente em Apocalipse. 
Leremos sobre as atitudes mágicas, divinatórias, práticas de adivinhação do malfadado 
Hamã no livro de Ester que usando ritos de magia atirava runas, ossos, pedras místicas ou 
qualquer coisa similar para “sortear” o dia em que ele instituiria o decreto, que se 
cumprido, equivaleria ao holocausto nazista. Leremos sobre o patriarca Jacó, realizando um 
ato mágico! Na cena em que faz “riscas” em galhos de árvores consideradas sagradas pelos 
povos da região onde morava, fazendo com que as ovelhas se unissem diante delas para 
gerar crias fortes. Leremos sobre Léia correndo com um ramalhete de mandrágoras em 
suas mãos, planta desde a antiguidade considerada com poderes mágicos para conceder a 
fertilidade feminina. O tabernáculo para os povos da antiguidade era um lugar de magos. 
Moisés ao levantar as mãos sobre o mar Vermelho, e fazer com este abrisse diante dos 
olhos trêmulos dos generais de Faraó, o faz como se fosse um poderoso mago. As pragas 
são “conjurações”, agem como se fossem e as palavras que Moisés falam possuem 
VERDADEIRAMENTE poder nelas contidas. Porque por detrás dela está a verdadeira 
magia, o PODER DIVINO. 
Toda magia da antiguidade e até a dos dias presentes é baseada na transmissão de um poder 
espiritual a partir de um espirito. Toda atividade mediúnica, toda manifestação de forças 
sobrenaturais tem como base a comunicação de forças de um ou de milhares de espíritos. 
Na Índia ainda existem escolas de magia, crianças são separadas em determinadas tribos e 
convocadas a serem treinadas na invocação e manifestação de poderes espirituais. 
Aprendem a praguejar, a amaldiçoar, a matar inimigos. Aprendem a contatar entidades. O 
misticismo árabe, judaico, africano, jamaicano, buscam poderes, normalmente invocando 
forças para roubar, matar ou destruir. Há neles uma herança maldita. E um destino pior 
que as maldições que invoca, para aqueles que tais artes praticam. Porém é assim que o 
ministério profético se apresenta, aparenta, aos olhos de uma mago. As manifestações do 
Espírito de Deus no Velho Testamento são extremamente mágicas, elas refletem a busca 
humana do “controle” de todas as coisas, e ao lermos sobre Samuel invocando a Deus e 
fazendo relampejar sobre toda a região, ao lermos sobre o poderoso raio (fogo que cai do 
céu) e consome o holocausto de Elias, ou lemos sobre o velo de lã que fica seco ao ser 
deixado ao sabor do orvalho, como prova solicitada por Gideão, são atos mágicos que 
estamos observando. Os mais mágicos atos que alguém poderia presenciar. A ressurreição 
de mortos no Velho Testamento foi buscada por todas as civilizações! Uma das coisas mais 
extraordinárias, mais cheias de magia divina verdadeira que ocorreu na terra dos viventes 
foi a ressurreição do filho mulher de Sunem. Quando Eliseu sabe de sua morte envia a 
Geazi, seu aprendiz, discípulo, servo e companheiro até a criança morta, carregando nas 
suas mãos seu bordão. 
Eliseu disse a Geazi: Põe o teu cinto, toma na mão o meu bastão e parte. Se encontrares 
alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe respondas. Porás o meu bastão no 
rosto do menino. 
128
E as ordens são para que ele carregue um bastão, um cajado, não permitindo tocar ou 
abraçar a ninguém e que somente parasse ao encostar na face da criança morta o seu 
cajado. 
Os atos proféticos do Velho Testamento são extremamente mágicos. Eles são revestidos 
de uma profunda semelhança com atos de magia. 
129 
Propositalmente. 
A magia é a tentativa humana de realizar aquilo que o Espírito de Deus realiza 
naturalmente. 
Ela é o anseio humano do PODER que pertence a DEUS e que ele concede 
GRATUITAMENTE a quem ele assim desejar. 
O mago anseia aquilo que a psique, a alma humana, o espírito humano, não é capaz de 
realizar nem com apoio de milhões de almas. Que não se obtém por invocação de palavras 
mágicas. 
Uma cena que ilustra isso é do mágico que ao ver os MILAGRES que Pedro realiza, tenta 
COMPRAR o dom que o apóstolo possui! 
O PODER das trevas é negociável. Mas o poder do Espírito é uma dádiva. 
Deus é um operador de milagres sui generis. Nele reside o PODER, nele reside a 
Autoridade, a Força. Pela palavra de DEUS o universo inteiro veio a existir. Pelo Nome de 
Jesus os espíritos malignos são submissos. Pela intercessão da Igreja, mudamos o coração 
de pessoas! Não para nossos propósitos, mas para que elas sejam LIVRES! O Poder do 
Espírito opera a magia dos MILAGRES. Opera a magia das Curas. Opera a magia da 
PROFECIA. 
A magia então, neste contexto, age como REPRESENTAÇÃO, um PERFEITO símbolo 
da operação divina. Poucas coisas poderiam representar poeticamente de modo tão 
deslumbrante ao PODER de Deus do que um ato mágico. 
Nós vivemos numa realidade transcendente, envoltos num universo divino onde anjos são 
reais, onde a profecia é manifesta, onde milagres operam o impossível. Nas igrejas vemos o 
poder da oração destruindo o câncer, restaurando a visão aos cegos, e operando 
livramentos fantásticos. 
Nós vivemos do mesmo modo cercados da mesmíssima magia maligna vista no Velho 
testamento. Milhares de pessoas invocam hoje a entidades e a poderes. Em cada esquina de 
nossas cidades lê-se em alguma parede: “Trago seu amado em três dias”. “Joga -se búzios”. 
Alguns dos jornais descaradamente anunciam bruxos que invocam “magia negra”. Nos 
carros das cidades brasileiras aumentam os decalques com as figuras de “São Jorge” ou 
uma figura que representa espíritos invocados em rituais. Vivemos num mundo que invoca 
as trevas. Um mundo que caminha orientado por vozes de seres cuja missão não é 
auxiliar ao ser humano. O livro de Apocalipse mostra o triste momento em que três 
indivíduos que dominarão os sistemas econômicos, religiosos e políticos em algum 
momento da história futura, vomitam aquilo que os CONTROLA. 
Em Cantares creio que o Espírito de Deus, parafraseando a linguagem mágica, 
INVOCARÁ uma imagem. CONJURARÁ uma visão de sua GLÓRIA. Evocará essa 
realidade do seu Poder, da AUTORIDADE que ele concedeu a Igreja. 
Numa espetacular Cena no Livro de Cantares. 
Antecedendo a cena sete vezes as filhas de Jerusalém aparecem no poema, e por quatro 
vezes serão “conjuradas”. Uma vez elas perguntarão, porque você nos “conjura” tanto!
130 
Conjura das filhas de Jerusalém, em Ct 2,7; 3,5; 5,8 e 8,4 
Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, 
pelas gazelas ou pelas corças do campo, 
não agiteis e não inquieteis 
o amor até que deseje. 
Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, 
pelas gazelas ou pelas corças do campo, 
não agiteis e não inquieteis, 
o amor até que deseje. 
Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, 
se encontrardes o meu amado, 
que direis para ele? 
Que estou eu adoentada de amor. 
Conjuro-vos, 
filhas de Jerusalém, 
por que agitarias e por que inquietarias 
o amor antes que deseje? 
O que é teu amado mais do que um amado, 
ó bela entre as mulheres? 
O que é teu amado mais do que um amado, 
que assim nos conjuras? 
Em dado momento, escrevendo algo que JAMAIS seria escrito por um escritor 
“evangélico” nas Escrituras Salomão exclama: 
4.9 Enfeitiçaste-me o coração, minha irmã noiva. 
Enfeitiçaste-me o coração, com um olhar, 
com um adorno no teu colar. 
E finalmente a cena: 
Ventos no jardim 
4.16 Move-te Safon (vento norte) e vem Temã (vento sul), 
sopra no meu jardim para que fluam seus bálsamos. 
Que venha meu amado para seu jardim 
e que coma os seus deliciosos frutos 
As filhas de Jerusalém são amigas da cidade. Possivelmente filhas de nobres, mercadores, 
filhas de sacerdotes. Elas habitam a cidade com maior fama em Israel, vivem numa das 
maiores metrópoles da antiguidade. O livro de lamentações de Jeremias tra ça o perfil das 
jovens da cidade, de como, até para caminhar sobre o chão, realizavam toda ginástica para 
não sujarem muito os pés. Elas eram enfeitadas, de uma pele muito branca, e mimadas.
Jamais foram submetidas a trabalhos forçados e aparentemente se vestiam muitisso bem. 
E prendadas na arte do amor. O texto nos conduz a mulheres que parecem ter o poder de 
“despertar o amor”, antes mesmo que o sujeito se apixone naturalmente. Evoca “sedução”. 
Elas usam seus atributos e dotes físicos para despertar paixões. Mas o desejo carnal, sexual 
não significa necessariamente a paixão, o amor, o despertar de um grande amor. Significa 
“forçar a barra”, substituir por estímulos químicos algo que necessita muitas vezes de 
tempo para acontecer. E como é algo “forçado” nos leva diretamente a outra situação. 
Desveladamente mágica. A das antigas poções do amor. O termo que a Sunamita utiliza-se 
é bem forte e carregado de significados. Saul fará um voto e usará uma “conjuração” de 
amaldiçoamento, e um dos homens de Israel. vira-se para Jonas e o comunica nestes 
termos: 
Então disse um do povo: Teu pai solenemente conjurou o povo, dizendo: Maldito o 
homem que comer pão hoje. E o povo ainda desfalecia. 
A conjuração de Saul consistia numa MALDIÇÃO. Uma única vez o termo é usado no 
Novo Testamento por Paulo. Significava uma ORDEM. 
131 
7 Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os irmãos. 
A palavra conjuração também se aplicava a ENCANTADORES. Os que lançavam 
encantamentos ou maldições eram denominados, de CONJURADORES. 
A palavra hebraica usada no texto é עַבָׁש 
Shaba. Que é traduzida por jurar, juramento, conjurar, amaldiçoar. 
Conjurar vem do Latim, “jurar juntamente com”, é a cena final de muitos cursos de 
formação: 
É o instante em que a menina levanta o dedo mindinho e exige uma promessa.
Evocando que a quebra de uma promessa geralmente causa a quebra da amizade, a quebra 
da confiança depositada, ou dá origem a uma dívida ou maldição. 
A Sunamita está dizendo: - Jurem-me juntas que não vão tentar seduzir meu amor! A 
resposta depois do quarto refrão é divertidíssima: 
132 
O que é teu amado mais do que um amado, 
que assim nos conjuras? 
- Quem é que disse que a gente está interessada nele? Quem é esse sujeito “maravilhoso” 
de quem você tanto fala? 
Elas DESDENHAM o amado de Sunamita porque jamais desconfiariam que tratava-se de 
Salomão. 
Mas deixando a dimensão humana do texto que é a rixa entre as meninas, entraremos na 
questão mágica, poeticamente falando, do texto. 
A Sunamita não CONJURA elas com base em algum texto das Escrituras. Não invoca o 
nome de Deus, ou qualquer coisa que sequer se pareça com o sacerdócio para legitimar sua 
“conjuração”. Ela diz, “pelas gazelas do campo”. Ela invoca a natureza. Ela pede que não 
façam aquilo, por amor aos animais da floresta. Parece uma fada dos filmes da Disney. 
Parece uma musa desses tempos de clamor ecológico no qual vivemos. Uma personagem 
de conto de fadas. Ela não usa termos sacerdotais, embora Cantares seja repleto de imagens 
que nos remete ao templo. Como se fosse uma velha que mora na floresta e faz magia 
campestre, como a figura de Baba Yaga, a bruxa dos contos russos. Ela não é uma feiticeira, 
mas ameaça como se fosse. Está enciumada. E se há algo que nos relembre uma bruxa, é uma 
avó com raiva. Em Cantares o nome de Deus só aparecerá de maneira sutil. Ele é uma 
canção amorosa e seu propósito principal não é a adoração. A canção não é sacerdotal. O 
objetivo da canção é ela. Sua musa. Sunamita é a inspiração. Salomão usa todos seus 
recursos literários para ela. Do mesmo modo, essa canção não é da IGREJA para DEUS. 
É dele para a igreja. A maravilha de Cantares é que representa o Espírito de Deus cantando 
sua paixão pela sua Amada. E sua amada responde a luz do seu mundo, do seu universo, 
da esfera das coisas de sua vida. E o que vemos neste texto é uma bruxa dizendo para sua 
amiguinhas feiticeiras:
- Se vocês se aproximarem...eu amaldiço-o vocês. Se usarem de magia pra tentar fisgar o 
coração de meu amado, suas bruxas, eu amaldiçoo vocês! 
133 
Num sentido figurado. 
A moça pobre ameaça as moças ricas com um poder que não possui, já que não 
tem a MINIMA IDÉIA de como INVOCAR uma maldição. 
É só ler os textos das maldições sobre o monte Ebal concedidas por Moisés, as maldições 
da Lei, que você ficará “encantado” com a “suavidade” da maldição da Sunamita. 
Ela é uma “bruxinha boa”. 
Nem amaldiçoar ela sabe. 
O texto é muito divertido. 
Entendendo isso fica mais claro a expressão do noivo: 
4.9 Enfeitiçaste-me o coração, minha irmã noiva. 
Enfeitiçaste-me o coração, com um olhar, 
com um adorno no teu colar.
O “feitiço” do qual Salomão fala é a paixão. Ele apaixonou-se perdidamente pela moça. 
Mas os termos que usa evocam a imagem da magia e da mágica. Como se fosse arrebatado 
por um “poder invisível” que ele não consegue explicar . O que também é muito 
engraçado. Porque ele é simplesmente o homem mais sábio que já existiu. E ainda assim 
não conseguia compreender ao amor. Nem depois. Já maduro ao escrever Provérbios 
tomará para si as palavras de um dos maiores sábios do oriente, Agur, que ele conheceu em 
vida, reunindo sua visão à sua coleção de provérbios, 
Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço: - O caminho da águia no 
ar; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do 
homem com uma virgem. 
Ele se diz “enfeitiçado” e “acusa” uma peça do colar do pescoço da amada. Ele brinca com 
ela dizendo que ela colocou uma “peça” enfeitiçada, um “talismã” em seu colar e que é 
por isso que ele ficou desse jeito. 
Cabe esclarecer a diferença entre o conceito de amuleto e talismã. 
O amuleto é um objeto a que se atribui poderes capazes de afastar os maus-espiritos e 
forças malévolas. 
O talismã é o objeto cuja função atribuída é a de conceder proteção ou boa-sorte, invocar 
ou atrair espíritos benévolos, que concederiam seu poder para proteção. 
Ele está então brincando com ela, dizendo que ela possui uma peça encantada em seu colar 
que age como talismã. 
Mais uma vez a imagem de uma maga. De uma feiticeira. Ele não usa a palavra “feiticeira” 
de um modo pejorativo. Seria para nós como o uso de “fada” dos contos europeus. 
Porque ela para ele é uma fada. A fada pela qual se apaixonou. Eu particularmente prefiro 
maga. Desde pequeno lia as aventuras da “maga patológica” em busca da moedinha 
numero “um” do tio Patinhas, gosto do termo, que também é usado de modo neutro nas 
Escrituras pelo menos duas vezes: Na corte do rei Nabucodonozor, Daniel foi consagrado 
“mago” e quando Jesus é visitado pelos “magos” do Oriente. Os “magos” nada mais eram 
que conselheiros, com vasto conhecimento astronômico, linguístico, matemático, jurídico, 
134
administrativo, cultural, poético, político, social, somado a leitura de ciências divinatórias e 
religiosas. 
TUDO ISSO para chegarmos a este momento. Ao jardim. Agora podemos compreender a 
beleza da imagem: 
135 
Ventos no jardim 
4.16 Move-te Safon! (vento norte) 
e vem Temã! (vento sul),
136 
sopra no meu jardim! 
Para que fluam seus bálsamos!
137 
Que venha meu amado para seu jardim 
e que coma os seus deliciosos frutos 
Agora sim. Essa é a cena que se desenvolve diante de nossos atônitos olhos. Para o mal 
essa moça não tem vocação, mas para o bem... Como pode, a “bruxinha de Sunem” (sim, 
bem notado, as bruxas de salém são um escárnio dessa passagem bíblica) que mal 
sabia fazer uma “conjuração” de maldição se levanta como uma profeta cheia da unção e 
profetiza poeticamente a beleza do Pentecostes onde um “som como de um vento 
impetuoso” enche o JARDIM onde estavam reunida (O cenáculo ficava envolto em 
magníficos jardins) a primeira igreja do Novo Testamento, e profetiza a Autoridade de 
Jesus quando repreende os ventos e o mar da Galiléia, diante de um grupo de discípulos 
aterrorizados. Mais com a o poder manifesto do que com a tempestade. E diga -se de 
passagem, que essa passagem bíblica ocorreu no mar da galilléia, uma passagem marítma para a 
antiga torre de Sunem, de onde vem, ADIVINHA QUEM? 
A Sunamita. 
Fiquei tonto. 
Bom, a visão é de uma moça que poeticamente tem poder para invocar os elementos, com 
a intenção de encher de aromas e misturar as flagrâncias do inenarrável jardim. 
Os paralelos são impressionantes. A moça não sabe maldizer. Nem de longe. A Igreja 
não pragueja, não amaldiçoa, não fere em resposta a agressão. Ela não odeia ainda que 
invejada, ainda que odiada. Ela não uma fonte corrompida que ora verte água pura, e em 
outro instante água contaminada. Ela não anseia pela morte de seus opositores. Antes ora 
para que alcancem a Salvação. Ela não paga o mal com o mal. Porque não é a sua natureza.
Essa figura dela não saber como amaldiçoar é belíssima. Sua palavra é sempre uma palavra 
de Salvação. O que me lembra como as ameaças da perdição invadiram as bocas dos 
pregadores. E como dezenas de estudos sobre proibir à igreja de assistir isso, ou aquilo e 
que como os olhos malignos de muitos só conseguem perceber o inferno em tudo que é 
feito pelo gênero humano, num ato de hipocrisia que beira a loucura. 
Não desperteis o meu amor até que queira é a vocação da Sunamita em relação a Salomão. 
E aplica-se para a Igreja. Não pela força e nem pela violência, mas pelo meu Espírito diz o 
Senhor. Ela não faz violência contra seu grandioso amor. Não força interpretações 
expurias das Escrituras para casar-se com sua ignorância. Não grita revelações 
falsas para granjear autoridade espiritual falsificada. Ela não usa de argumentos 
humanos em substituição aquilo que não depende dela. Mas, que depende dele. 
Algumas jovens viveram uma vida sexual precoce, imaginaram que através do prazer 
poderiam forçar seus namorados a ficarem com elas. Do mesmo modo esposas desiludidas 
com seus esposos ofereceram-se a amantes, crendo que seu amor seria o suficiente. 
Profissionais de todo gênero se envolveram com colegas de trabalho em busca de 
promoção, reconhecimento, ou mesmo uma relação estável. Algumas meninas 
engravidaram para prender seus namorados. Mas o amor necessita despertar por si 
mesmo. Ninguém pode amar no lugar de outra pessoa. Deve haver por parte da pessoa que 
se ama CORRESPONDENCIA. E isso é fruto da vontade desta pessoa. 
Não desperteis o meu amor até que queira, significa não “emular” uma revelação, não 
inventar uma visão, não impor uma doutrina, sem que haja a clara manifestação do espírito 
nas coisas que estão sendo compartilhadas. Sua paz, sua alegria, sua edificação, seu consolo, 
sua presença. É assim quando ele “desperta”. 
No jardim a moça é revestida de glória. Ela age de modo teatral, magnifica, PODEROSA. 
Ela representa uma Igreja revestida de Autoridade. “Esses sinais seguirão aos que crerem” 
em uma cena. “maiores obras do que estas farão”. O Espírito concedendo a Igreja a 
dispensação de seu Poder. Ela fala e realidades espirituais são manifestas! Ela profetiza e 
acontece. A realidade transforma-se através de sua oração, de sua intercessão. O universo 
ouve sua voz, e debaixo da unção do Espírito, lhe obedece! A fé plena, desenvolvida, 
manifestando de modo maravilhoso o Poder divino, seja em curas, seja em sinais, seja na 
alegria e no amor não fingido, na mistura das fragrâncias. 
138 
É o momento da canção que corresponde a um forte movimento orquestral. 
É a igreja na sua plenitude! 
É uma imagem de uma deusa. Não porque ela é uma divindade. O Espírito não vê nela 
uma menina que não mora nessa terra dos homens. Que aprendeu com Ele, a fazer coisas 
extraordinárias e incomuns. (Esse texto foi escrito para o bibliólatra acender a pira 
incendiária com meu nome dentro, o que me lembra outro estudo – Tens demônio! 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaaEJZSVdWX0luQWM/edit?usp=sharin 
g 
O bibliólatra é o sujeito que “divinizou” a moral e as Escrituras... Ele sutilmente substituiu 
Cristo como seu Senhor e Salvador, pela Bíblia como sua senhora e salvadora. Em vez de permitir-se 
ter uma mente renovada em Cristo e ouvir a voz do Espírito ele deixou a MORAL ensinar -lhe o que 
era bom e o que era mal. Ele amou a letra e odiou ao Espírito de Deus; ele odiou aos dons 
espirituais, ele negou a palavra de Conhecimento, ele lacrou a interpretação bíblica como o 
fizeram os fariseus em seu tempo à sua pobre ortodoxia. Não conhecem a Cristo, se o 
conhecessem não negariam aos dons espirituais. Ninguém que conhece a Cristo e nega
veementemente ao seu Espírito. Contudo conhecem os bibliólatatras alguma versão das 
Escrituras, morreriam por uma tradução baseada na stuggard pleolambum do Rei de Narnia e 
dariam a vida pela versão meta-paleo-massorética-setptuagintica ou por alguma versão baseada 
nos “melhores, mais belos, mais manuseados, mais inspirados e criticados manuscritos” das Escrituras, 
odiando profundamente qualquer um que ouse discordar deles. 
Desejamos que todos os estudiosos das Escrituras sejam versados nas duas áreas, na 
literária e nas coisas do Espírito, que manejem com excelência as ferramentas da erudição e 
as ferramentas da revelação. Que amem o estudo 
Depois deste doce momento... Representa-o com ela agindo como se não fosse deste 
mundo. Se você visse uma mulher invocando o vento e este lhe obedecendo, com certeza, 
pedia um autógrafo imaginando ser ela a Tempestade do X-men ou estaria correndo até 
agora. Não é uma coisa que se vê todo dia. Ela não pertence a este mundo. Ela possui 
características celestiais, como se provasse de poderes de alguma espécie de universo 
diferente do nosso. 
O Livro de Hebreus fala do dilema das pessoas que rejeitarão a Cristo mesmo após terem 
provado de poderes do MUNDO VINDOURO. Mas deixando de lado a crise anunciada 
neste versículo chama atenção a frase espetacular: 
139 
Hb 6.5 
e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, 
Provaram dos poderes do mundo vindouro. 
Provaram – no passado - dos poderes do mundo vindouro – mundo do futuro. 
Que loucura é essa? Que mistério é esse, pessoas hoje exercendo poderes sobrenaturais, 
uma amostra, de um mundo que ainda não veio a existir? 
Essa é a cena representada belissimamente em Cantares. Do contato HOJE com a 
realidade mágica e maravilhosa a qual o crente em Cristo foi chamado, expressa de outro 
modo também lá em Hebreus: 
Hebreus 12:22-24 
Mas tendes chegado ao Monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e 
incontáveis hostes de anjos; à assembleia geral e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos 
céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; 
e a Jesus, o mediador da nova Aliança, e ao sangue da aspersão, que fala coisas melhores do que o 
de Abel. 
Então agora você compreende a cena. 
Ventos no jardim 
Move-te Safon (vento norte) e vem Temã (vento sul), 
sopra no meu jardim para que fluam seus bálsamos. 
Que venha meu amado para seu jardim 
e que coma os seus deliciosos frutos
Agora que eu já sei chamar o safon e convocar o temã, que meu amado venha ao seu 
jardim, absolutamente perfumado... 
140 
Fluam seus bálsamos 
Bálsamo é uma resina conhecida muito antes de ser relatada na Bíblia; o comércio era 
progressivo principalmente entre os árabes, que guardavam segredo quanto à origem da 
manufatura inventada; costumavam assustar as pessoas dizendo que as árvores eram 
guardadas por serpentes ardentes. As árvores de En Gedi e Jericó eram famosas pela 
qualidade e o bálsamo foi trazido pela rainha de Sabá, em sementes, e dado ao rei Salomão 
juntamente com outros presentes. 
O uso do bálsamo era feito de 3 formas: Óleo santo, como um agente para cura de feridas 
e como antídoto para mordida de cobra e ainda um ingrediente para perfume, para o qual a 
resina pungente era espremida até transformar-se em óleo ou pasta. O arbusto do bálsamo 
chamado de bálsamo de Gileade, por engano, deve ter sido cultivado dos troncos nativos e 
produzidos pelos camponeses de Jericó e En Gedi em variedades superiores, do qual deriva 
a reputação do bálsamo de Israel. O bálsamo servia para curar, embalsamar e como 
incenso. 
O bálsamo é um arbusto de uma pequena árvores que cresce nos desertos e em áreas semi-desérticas. 
Pequenos cachos de flores brancas produzem fruto que são pequenas drupas 
contendo uma semente amarela e de muita fragrância. Aproximadamente umas 100 
espécies de basamodendero como se diz do bálsamo, são resinas notáveis. As resinas são 
fragrâncias do bálsamo, transpiram espontaneamente ou são obtidas artificialmente pela 
incisão dos caules e galhos, gotas que se acumulam em blocos. Inicialmente a cor é de um 
verde claro brilhante que se torna marrom quando pingam no solo de onde são coletadas. 
Os bálsamos eram o que para nós equivale aos antibióticos, a penicilina, a água oxigenada e 
a anestesia, tudo junto. Eram a base do tratamento das feridas da antiguidade. O bálsamo 
para muitos era a diferença entre viver e morrer, dele se fazia o unguento, e ele era 
colocado em tiras e atado a ferida. Aquecido e inalado em forma de vapores. Imagine um 
mundo em que o único remédio existente, ao menos para feridas, é o bálsamo e você 
entenderá sua importância para o mundo antigo. 
A moça invoca os ventos para que eles carreguem o bálsamo. A igreja invoca o poder do 
Espírito para que a cura milagrosa seja manifesta em meio ao jardim dos amados. Para que 
qualquer um que entre nesse jardim receba o benefício da cura, da operação milagrosa, da 
restauração. Os gregos buscaram por anos a “panaceia” uma planta mítica que tinha o 
poder de curar qualquer enfermidade. Só estavam olhando para o lado errado. Tal planta 
não cresce na terra. Ezequiel e Apocalipse falam da árvore cujo fruto concede cura para as 
nações. É Cristo. 
http://vimeo.com/100386164
141
142
143 
O ROMANCE DE CANTARES
Muitos teólogos não compreenderam o caráter lúdico de Cantares. Não compreenderam 
que o pastor e o rei eram o mesmo personagem e ao interpretarem o livro colocam 
Sunamita apaixonada pelo pastor e sendo tomada a força para o harém do rei, criando uma 
trama insolúvel. Os discursos se confundiriam, o maior cântico de Salomão, cantaria, não 
o seu grande amor, mas o amor de outro, que roubou dele, seu grande amor. Há uma 
qualidade nos discursos do amado que o identificam como uma única pessoa. Sua unidade. 
Sua sabedoria, seu profundo conhecimento sobre as questões do palácio, seu tremendo 
conhecimento sobre os procedimentos da guarda. O modo como o amado a nomeia do 
início ao fim de Cantares. O modo como o amado ama Sunamita. Pode se ver até na 
generosidade a alegria de Salomão, que ao final recompensa regiamente aos guardas da 
Vinha, com uma comissão assombrosa ao final do texto, que não condiz com a lamentação 
de alguém que perdeu o amor de sua vida. 
O livro não trata de uma farsa, Salomão não está “seduzindo” Sunamita. Em nenhum 
momento das Escrituras Salomão é retratado como possuindo caráter de sedutor. Mesmo 
porque seu passado se inicia com uma tragédia familiar que certamente deixou marcas 
profundas em sua psique. O livro é de um autoria de um jovem e é a suprema poesia de 
Salomão, justamente porque é a suprema expressão de seu amor. Salomão guardou 
debaixo do travesseiro uma cópia dele, seu tesouro particular. Sua maior composição, seu mais 
belo cântico. 
As declarações de Salomão fora de Cantares estão em Provérbios, e Eclesiastes. Em 
Provérbios ele relembra o amor de sua juventude: 
Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. 
Ele assume para si um provérbio egípcio de um grande amigo, Agur, no qual ele declara 
coisas que o maravilhavam 
Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço: 
O caminho da águia no ar; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do 
mar; e o caminho do homem com uma virgem. 
O livro de Reis declara que em sua velhice suas mulheres é que o influenciaram, de tal 
maneira que ele construiu templos e foi com elas neles para oferecer incenso a divindades 
estrangeiras. E em Eclesiastes, no qual ele reclama que devia ter vivido com ela para 
sempre. 
Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te 
deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e 
no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol. 
O conhecimento geográfico do amado, sua visão perfeita sobre estações, ecológicas, 
correspondem ao conhecimento de um único personagem daquela época. Salomão. O 
único discurso do pastor deixa claro que ela não o conhece e anseia conhece-lo. Uma 
cantada avultosa. Até na resposta do pastor há a mesma descrição que Salomão fará sobre 
ela, do início ao fim do poema. “Formosa”. 
144 
Cantares 1:8 
Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do 
rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores. 
Cantares 6:4 
Formosa és, meu amor, como Tirza, aprazível como Jerusalém, terrível como um
145 
exército com bandeiras. 
É indubitavelmente, Salomão. 
O Romance 
Algumas palavras preliminares. Esse livro é embebido em vinho. Se tivesse alguma cor nas 
páginas seria púrpura. A atmosfera ocorre nas vinhas, os enamorados correm entre as 
vides, é a época das safras, da coleta, dos cantos dos pisadores de uva, do amadurecimento 
da safra antiga, da confecção do vinho novo, é tempo de PENTECOSTES! É a primavera 
israelita, são as festas dos camponeses e camponesas, é época do Templo Novo! Sunamita 
está literalmente embriagada e Salomão também, em alguns momentos do livro. Se 
espremer Cantares, pingará vinho. 
A moça que é a personagem principal do livro (Sunamita) é moradora de Sunem, uma 
cidade que fica localizada na região da Galiléia. Uma cidade pequena, porém de mulheres 
cujo caráter será exaltado mais que uma vez nas Escrituras. Ela é uma moça de uma família 
humilde, trabalhadora desde a infância, mas que participava das várias festividades agrícolas 
e festivais religiosos de sua época. Haviam sete festas instituídas por Moisés, mais os 
eventos da cidade de Jerusalém, incluindo as peregrinações de diversas regiões por ocasião 
das festas do recém-inaugurado templo, que substituía a antiquíssima tenda da congregação 
e mudava radicalmente os locais sagrados de peregrinação, antes localizado na região 
agrícola de Betel para a paisagem urbana de Jerusalém. Era provavelmente a moça mais 
nova da família e foi forçada a tomar conta de uma vinha que era possessão hereditária de 
sua família. Em determinada cena do texto os irmãos colocam a menina para correr e 
apanhar as raposas que estão tentando comer as uvas das parreiras. Imagine o que é correr 
atrás de um bando de raposas famintas dentro de um imenso vinhal. Dona de uma beleza 
extraordinária e de uma ousadia inimaginada. Sua mãe ainda vivia, mas seu pai não é 
mencionado em Cantares.
Salomão é o segundo personagem. Filho de Davi com Betseba, após uma tragédia familiar 
provocada por uma paixão seguida de um ato impensado e cruel de seu pai, conforme sua 
história de vida. 
Com a implantação da nova administração de Salomão os encargos e tributos aumentaram 
bastante sobre os israelitas em busca de financiar as extravagancias causadas pela vaidade 
do novo rei. Diferentemente de seu pai Davi, Salomão era dado a alguns excessos no que 
dizia a manutenção da pompa, na demonstração efusiva da “glória” de seu reinado. 
Salomão instituiu a primeira frota de navios de Israel, com todos os barcos de projeto e 
tripulação estrangeira, composta a maioria de tirios e fenícios, construídos de um tipo de 
madeira caríssimo para sua época, transportada por centenas de quilômetros a partir de 
troncos com dezenas de metros de comprimento. Salomão havia equipado a seu exército 
com um uma infantaria com cavalos de raça, importados da Arábia e do Egito. Os cavalos 
de Salomão eram importados do Egito e de Keve, Cilícia. O preço de cada cavalo era de 
1800 gramas de prata. E o gasto com sua cavalaria era imenso. Diz-se que no apogeu da 
cavalaria de Salomão o número de estábulos para guardar os animais era da ordem de 4000. 
146 
Israel: descoberta ruínas do palácio do rei Davi 
Pesquisadores dizem ter descoberto palácio do Rei Davi em Israel.
147 
Pesquisadores da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Universidade Hebraica de Jerusalém 
descobriram o que seriam dois edifícios reais com cerca de 3 mil anos na antiga cidade fortificada 
de Khirbet Qeiyafa. 
Ruínas associadas ao lendário personagem bíblico têm cerca de 3 mil 
anos. Depósito real para guardar impostos também foi identificado. 
http://www.sci-news.com/ e http://g1.globo.com 
Atualizado em 21/07/2013 06h30 
Um desses edifícios foi identificado pelos cientistas como um palácio do lendário Rei Davi, 
importante figura para o cristianismo, judaísmo e islamismo, famoso pelo episódio bíblico 
da luta com o gigante Golias, entre outros. A segunda construção, afirmam os cientistas, é 
uma espécie de depósito real. 
Vista aérea da cidade murada (Foto: Divulgação/Sky View/Autoridade de 
Antiguidades de Israel/Universidade Hebraica) 
Os trabalhos arqueológicos da equipe de Yossi Garfinkel e Saar Ganor revelaram parte de 
um palácio que teria mil metros quadrados, com vários cômodos ao seu redor onde foram 
encontrados recipientes de alabastro, potes e vestígios da prática de metalurgia.
Achados de relíquias arqueológicas encontradas em Khirbet Qeiyafa (Clara Amit / 
148 
Israel Antiquities Authority) 
O palácio é a construção mais alta da antiga localidade, permitindo o controle sobre todas 
as outras casas, bem como uma vista a grandes distâncias, chegando até o Mar 
Mediterrâneo. 
De acordo com nota da Autoridade de Antiguidades, o local é ideal para mandar 
mensagens por meio de sinais de fumaça. 
O palácio, no entanto, foi muito destruído cerca de 1.400 anos após seu surgimento, 
quando foi transformado em sede de uma fazenda, no período do Império Bizantino.
149 
Palacio do Rei David desenterrado em Khirbet Qeiyafa (Sky View / Hebrew 
University / Israel Antiquities Authority) 
O depósito identificado mais ao norte era um local para guardar impostos, na época 
coletados na forma de produtos agrícolas. Essa estrutura corrobora a ideia da existência de 
um reino estruturado, que cobrava tributos e tinha centros administrativos. 
1 Reis 4 
Durante toda a vida de Salomão, Judá e Israel viveram em plena paz e segurança em seus 
territórios, cada cidadão debaixo da sua videira e da sua figueira, desde Dã até Berseba. 
Salomão possuía quatro mil baias para os cavalos dos seus carros de guerra e doze mil 
cavalos de sua infantaria de guerra. 
Não satisfeito com sua cavalaria ele ainda solicitou a construção de 1400 carros de guerra, 
bigas para transporte de arqueiros e de armas. 
2 Crônicas 1:14 
Então Salomão juntou carros e cavaleiros; chegando a possuir mil e quatrocentos carros e 
doze mil cavaleiros. E os posicionou uma parte nas guarnições de algumas cidades e a outra 
próxima de si, em Jerusalém. 
Hermon
Vista para o Hermon 
Quando a Sunamita andava pelas planícies do Líbano era comum ver centenas de carros de 
guerra desfilando diante de seus olhos. Milhares de cavaleiros percorriam todo o reino para 
vigilância das cidades e um enorme efetivo de soldados ficava constantemente acampado 
ao redor de Jerusalém. 
150
151 
Vale de Jezreel 
Diz o Josefo historiador: que havia 12.000 cavaleiros: 6.000 nas torres de atalaia, e 6.000 
andava com o rei pra todo lado. Os Cavaleiros: vestiam púrpura, tírias, andavam em 
cavalos brancos, todos com cabeleiras compridas, e nelas eram colocados papelotes de 
ouro. E quando Salomão ia refrescar os pés, desciam as montanhas para o Riacho, 6.000 o 
acompanhavam, diz Josefo, que os raios do sol batiam na cabeleira e resplandeciam os 
rostos, por causa do brilho do ouro. Foram gastos13 anos para construir o palácio, por 
causa de sua vaidade, mais 7 anos para fazer o templo de Deus. Havia 1.400 carros de 
guerra, mesmo sem precisar, ninguém desafia tamanho poder na época. Diz a historia que 
60.000 pessoas freqüentavam seu palácio diariamente para assentar á grande mesa com o 
rei. Não eram oferecidos copos de vidro, plásticos e prata, eram de ouro maciço.Para 
atender o numero de pessoas: 6.730 litros de farinha, mais 100 ovelhas, 30 bois e fora 
animais de caça. 
Como não havia guerras, todos os reis vinham trabalhar no reinado de Salomão e 
mandavam trabalhadores. A bíblia diz: que eram 153.600 no governo do rei. Sendo que 
70.000 subiam montanhas para trazer madeiras de: Cedro, Acácia e Cetim, outros 80.000 
subiam montanhas para buscar ouro, prata e pedras preciosas, outros 3.600 eram 
inspetores. 
Além disso, a moça morava numa região próxima a um vale por onde passavam grandes 
caravanas, vindas de diversas nações para homenagear o ‘grande rei’ e para conhecer o 
mistério de sua sabedoria, herdada de modo sobrenatural. O grande mistério que envolvia 
o rei Salomão é que o que ele sabia e manifestava aos ouvidos de todos os que o conheciam 
é um saber que não recebera dos polos de conhecimento de sua época. Os nomes mais 
notórios de conhecimento de homens reconhecidos como sábios e que obtiveram essa 
sabedoria através de diversas escolas de conhecimento, que significa aprendizado e contato 
com diversas civilizações, incluindo os egípcios e os árabes, foram ultrapassados por um 
jovem de 23 anos que não teve contato com nenhuma escola ou grupo notável dos seus 
dias. 
Tabela Como referencia para a idade de Salomão à época de Cantares: 
A rainha de Sabá deve ter passado diante de seus olhos arregalados quando da visita ao 
soberbo rei.
Cafarnaum e Cesaréia cidades marítimas cujos portos ficavam a uns 60 km da habitação da 
Sunamita, onde chegavam os navios de Tarsis trazendo madeira de sândalo, pavões, tigres, 
macacos e aves raras. 
Salomão, tal como seu pai, foi exímio luthier (fabricante de instrumentos musicais). 
Percebendo a sonoridade da madeira de sândalo para uso de instrumentos projetou e 
construiu junto a um grupo de artesões, alaúdes. 
152 
(exemplos de alaúdes da antiguidade) 
A árvore do sândalo (Santalum album) é originário da Índia e outras partes da Ásia
Na Índia, o sândalo é uma árvore sagrada, e o governo a tem declarado como propriedade 
nacional para preservá-la da depredação ao qual tem sido exposta. Só é permitido o seu 
corte quando o exemplar possuir mais de trinta anos, momento em que naturalmente 
começa a morrer. Um tronco do sândalo demora 25 anos para adquirir uma espessura de 
6 cm. 
Salomão realizava obras grandiosas, incluindo fortificações, cidades, aquedutos (inferência) 
e utilizava-se de trabalhadores forçados em todo o reino. 
I Reis 9:20-22 
Salomão convocou para o trabalho forçado todos os não israelitas, descendentes dos 
amorreus, hititas, ferezeus, heveus e dos jebuzeus, sobreviventes de guerra e presos pelos 
israelitas, cujos descendentes continuam a trabalhar como escravos até hoje. Mas Salomão 
não impôs trabalho forçado a nenhum dos filhos de Israel; eles eram homens de guerra, 
seus capitães, os comandantes dos seus carros de guerra, oficiais, escudeiros e os 
condutores de carros. 
153
A menina que trabalhava nas vinhas era tratada como escrava por seus irmãos se sentia 
duplamente injustiçada. Enquanto seus irmãos eram honrados pelo rei, que impunha 
trabalhos forçados Às nações conquistadas, ela era tratada como estrangeira, como uma 
presidiária, como uma capturada, como uma sobrevivente de guerra. Seus irmãos retiraram 
dela sua dignidade como israelita e agora ela trabalhava como escrava num vinhal de 
Salomão nas terras do Líbano. 
154 
E com certeza absoluta, Salomão podia estar sendo venerado por toda a terra. 
Mas, não por ela.
Para ela ele simbolizava usurpação. Tirania. Escravidão. O dono de toda a terra permitia 
que seus cruéis irmãos dela se servissem, dela abusassem com trabalho duro numa vinha 
que não lhe pertencia. Mas que eles diziam que era responsabilidade dela. 
Podemos imaginar a raiva com que ela via sem poder participar, das manifestações de 
pompa, de glória, de poder militar, econômico, que desfilavam diariamente diante de seus 
olhos. 
E eis que chegara a época da primavera nas terras libanesas. A ecologia de Israel explodia 
multicolorida, as neves derretiam sobre o monte Hermon, corredeiras e cascatas eram 
criadas em vários locais nas subidas das encostas, dava-se inicio a migração de diversas 
aves, ao tempo de acasalamento de diversos animais, incluindo as pombas selvagens e os 
gamos dos bosques cheios de figueiras, oliveiras e lírios. Os pastores iniciariam as 
atividades de retirada da lã dos carneiros e tinha início as festas primaveris, as festas das 
colheitas. Entre as comunidades não israelitas aconteciam fest ivais a Baal com referencia ao 
amor de sua esposa Anat que o traria de volta da morte, e com relação aos judeus as danças 
da vinha, as festas de Benjamim. As festas de benjamim não tinham origem na Lei, eram 
festividades civis, elas tinham um caráter cultural. “Estas festas das vinhas surgiram para 
festejar ou rir de uma ‘trapaça”. Ou rir de uma situação criada por uma promessa 
impensada fruto de tremenda hostilidade entre as tribos. A hostilidade envolveu uma 
tragédia, a morte da esposa de um levita, estuprada por cinco homens. Eram habitantes de 
uma cidade benjamita, os quais se recusaram a entrega-los a justiça. A situação gerou uma 
guerra cerca de 120 anos antes do reinado de Salomão, benjamim contra todas as demais. 
Depois de terríveis batalhas todas a tribo dos benjamitas (Binyāmîn,"filho da felicidade) é quase 
totalmente extinta, menos 600 homens que sobreviveram fugindo para uma montanha 
conhecida como rocha de Rimon, próximo a Galiléia, 
155
156 
que é também palco de Cantares. 
Antes das batalhas os líderes das tribos amaldiçoaram a si mesmo e se ESCONJURAM 
dizendo “maldito aquele que oferecer uma de suas filhas em casamento a um benjamita”
Após a guerra eles se arrependeram de terem dizimado a uma tribo inteira. Mas, como 
haviam conjurado uma maldição contra si mesmos, não podiam ceder mulheres para os 
sobreviventes. Fizeram um censo para ver se alguma tribo não havia participado da guerra 
contra os Benjamitas e descobriam que duas delas não haviam guerreado. Então eles 
enviaram uma carta de paz aos benjamitas e disseram que fossem e raptassem as moças que 
pudessem pegar entre os vinhais daquelas tribos e com elas casassem e pudessem crescer 
novamente. Afinal “raptar” não significa “oferecer”, elas não foram “dadas” foram 
“tomadas”. Os pais das moças “raptadas” vieram reclamar no conselho das tribos e os 
líderes os convenceram a não tentar retomá-las. Foram devidamente “recompensados” e 
assim que puderam visitaram suas filhas já casadas. Quando as viram tratadas como esposas 
e não como servas ou escravas, e que teriam netos e netas, se tranquilizaram. E então as 
moças de todas as tribos que ansiavam se casar também queriam a chance de serem 
raptadas. E começaram a correr no meio das vinhas brincando com seus futuros 
pretendentes. E assim nascia uma das mais engraçadas, festivas e alegres festas de Israel, a 
festa das vinhas. Milhares de adolescentes dançavam e cantavam em busca de seus amores. 
157
E não seria diferente para a Sunamita de cantares. Ela irá se misturar as milhares de jovens 
que irão entrar mesmo que os guardas não permitam, correndo pelo interior dos vinhais 
enquanto fogem de seus pretendentes. Um festival regado a cânticos, instrumentos 
musicais, danças, brincadeiras e muito vinho. 
E é no meio dessa bagunça toda, que chegará o rei Salomão. 
O contexto rural da festa também transparece com vigor em 4,12-15, que fala de rebentos, 
flores silvestres e correntes d’água. A água das chuvas, ou a neve derretida, parece ter sido 
um elemento muito celebrado na festividade que deu origem a estes poemas 
A Sunamita participa da festa regada a vinho, a danças, canções e gritaria. E o rei com seus 
soldados, seus nobres, sua corte real, suas provisões e administradores, com inumeráveis 
camelos de provisões e protegido por centenas de cavaleiros e soldados armados, cercado 
de carros de guerra. 
A moça vê ao cortejo real e em algum momento os olhos dela se encontram com o do rei, 
que curioso com a jovem deve ter parado a procissão. Só que ela foge. Não quer contato 
com o home que a explora através de seus irmãos. A noite chegará e Salomão em algum 
momento estará imerso na atmosfera das diversas festas e intentará ir até um de seus 
vinhais para participar da festa. Ao que entendemos do poema de amor ele não o faz 
declaradamente. Salomão sabe que não poderá participar das festas de seu povo 
declaradamente. Não poderia dar um passo sem estar literalmente cercado de centenas de 
oficiais do estado. Então ele se disfarça de pastor com um grupo de amigos e vai escondido 
para a grande festa. 
E é lá que comecará a aventura narrada em Cantares. Podemos imaginar ele observando as 
moças correndo, as brincadeiras e finalmente a jovem Sunamita dançando, que não 
reconhece ao rei, a quem na verdade odeia. Indo em direção a Vinha onde avistou a 
Sunamita, Salomão a virá correndo e dançando. Ao se aproximar dela descobrirá mais um 
encanto da moça. Sua voz maravilhosa. Ela é uma exímia cantora. Como ele é. 
158
Ela dança diante dele e o convida a correr atrás delas nas vinhas, após muito beber vinho. 
Ela se perde por entre as vides, e ele convidado por ela, a segue como um adolescente, e 
em algum instante ele a perde de vista. Quando ela começa a cantar. Ele se guia pela sua 
voz e a alcança... e a derruba no chão. E então beija a menina. 
Ele faaz aquilo que Ariel estava tentando com o príncipe sem ter sucesso 
159 
E então foge! 
Deixando para trás de si uma moradora de Sunem, embriagada e absolutamente 
apaixonada. 
E assim começa o Cântico dos Cânticos. 
Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o 
vinho.
A moça tentará encontrar o jovem, procurando-o em virtude de suas roupas, junto aos 
grupos de pastores que estão nas festas. 
No inicio imaginei que não Salomão não soubesse quem era ela. Mas a medida que lermos 
Cantares veremos que ele investigou profundamente a “vitima” de sua paixão. E 
elaborou um estratagema minucioso para ficar com a moça. Usou todos os seus recursos, 
sua juventude, seu charme, disfarçou-se e talvez tenha, tocou e cantou para ela em algum 
momento. 
Sunamita necessita encontrar o sujeito ousado. E da mesma forma ela vai ser ousada. Sabe-se 
lá como, a menina ROUBOU um bando de cabritos. Na pior hipótese, na melhor ela 
pediu emprestado. Com certeza os cabritos não lhe pertenciam porque cuidar das vinhas e 
correr atrás de raposas o dia inteiro não lhe dariam tempo para exercer um segundo oficio. 
A doce trapaceira usurpando o grupo de desnorteados cabritos vai até onde fica o grupo de 
pastores e lá estará disfarçado Salomão. Ela o encontra com seus amigos. Tudo armação. A 
frase em que ela pergunta onde é que ele leva as ovelhas para beber água é uma desculpa 
esfarrapada, só para dar uma “cantada” nele. Na primeira frase que ela fala já insinua que 
sem não queria ficar “errante”que aos pés de seus companheiros...” sem você estou 
perdida”...Salomão percebe a deixa e ESTRATEGICAMENTE imagina um lugar longe 
dos olhos da multidão, mas que é conhecido de de facílimo acesso cuidando para que a 
moça não se perca! Marcarão um encontro entre eles na manhã seguinte, num lugar que 
eles escolhem, longe dos olhos da multidão, perto de onde ficam os rebanhos, em campos 
fora da cidade. Em dado instante em Cantares ela irá elogiar a voz melodiosa do amado. 
Salomão cantava para ela um dos seus primeiros 60 Cânticos...afinal ele ainda estava 
começando sua carreira de compositor. Lá o conquistador cantará, dançará e passará com ela 
a primeira noite de liberdade, para ambos. Ela, livre de seus afazeres na vinha (ela fugiu!) e 
ele das atividades administrativas reais. E ele pela primeira vez em sua vida, tem alguém ao 
seu lado não por causa de sua posição ou poder. Sequer conhece seu nome. Ele também 
não a chama pelo nome. Ela não sabe quem ele é ou de onde vem, e ele não leva em conta 
sua posição social, ou seu passado. Ela o amava de verdade, voluntária e espontaneamente 
e ele, apesar de ter um harém, se enamora da humildade, da franqueza, da beleza e da 
pureza do amor da Sunamita. Mas amanhece e o “Cinderelo” tem que deixar seu “disfarce 
ao contrário” para voltar a sua posição real. Porém marca com ela um segundo encontro. 
Um encontro onde a moça decide contra as condições sociais, assumindo riscos absurdos, 
entregar-se ao seu amado. Para fugir com ele daquela vida de opressão. O que ela fará será 
contra a vontade e sem o conhecimento de seus irmãos. Que se descobrirem são capazes 
de matá-la. 
Nesse interim várias coisas irão acontecer. As raposas farão a festa na vinha desguarnecida. 
A menina embriagada dormirá até tarde e só a muito custo Salomão irá acordá-la. A moça 
se desencontrará pelo menos duas vezes com Salomão, e duas vezes com os guardas da 
cidade, o primeiro de oficiais idôneos e o segundo com policiais truculentos e cruéis. As 
meninas de Jerusalém perceberão a beleza do pastor e intentarão paquerá -lo e ela 
enciumada usará de artimanhas, invocará mágicas que não sabe realizar para tentar 
intimidá-las com maldições inexistentes. Salomão em dado instante noiva com a moça, 
apresenta-lhe a su mãe, Betseba! Assume um compromisso com e menina diante de seus 
parentes realizando uma humilde mas belíssima celebração. Então haverá o instante 
dramático da história, o pesadelo da separação, depois de dias afastado, ele retorna de 
surpresa numa noite, mas ela revoltada pelo distanciamento, sem saber que o rei vivia uma 
vida-dupla, e sem saber que ele era o rei, o rechaça, mas quando finalmente decide abrir a 
porta do quarto onde está, Salomão já não tem mais tempo, indo de novo para o palácio 
realizar sua extensa agenda oficial. 
160
Na noite úmida em que ele vai até a casa de Sunamita a moça inventa uma desculpa 
esfarrapada para que ele não entre. Quando ela finalmente se dispõe a abrir a porta, para 
não ser descoberto, Salomão terá fugido para uma festividade que haverá no palácio. Ao 
ver que o rapaz por quem se apaixonou não está na porta ela vai até cidade mais próxima e 
o busca, mas estava vestida ainda do modo que se preparou para receber a Salomão, e é 
confundida e tratada como uma prostituta pelos guardas que cercam a cidade. Ela é 
atacada, fica quase despida sendo auxiliada pelas moças da cidade que se ajuntam, ou a 
encontram após sua desesperada fuga. É salva justamente pelas moças da cidade, que tanto 
implicava, que a reconhecem. Ela dá uma descrição de seu amado, mas sua descrição é de 
um homem perfeito, etéreo, ele pode ser só um sonho! Ninguém sabe onde ele está ou 
para onde foi. Na minha versão: Eem algum momento um cortejo passará, e dentre eles 
alguém que ela reconhece muito bem. O safado. Sem-vergonha. O bandido. Então ela cai 
em si. Tinha se apaixonado justamente pelo homem que ela mais desprezava. E sem 
retorno. Ou ela finalmente compreendeu em algum instante, quem era a pessoa por quem 
se apaixonou 
Está, confusa, e em vez de voltar para sua vida comum, em vez de retornar para a opressão 
da escravidão decide realizar um ato de insanidade. Maior ainda que a “fuga” que 
não deu certo. E numa grande comédia, ela que devia perseguir as raposas, agora é 
perseguida pelos seus irmãos, irá em perseguição de Salomão, fugindo dos guardas que 
também a perseguem e seguidas de perto pelas filhas de Jerusalém. 
A Sunamita entrará sem ser convidada no salão real, entrará dentro do palácio e ali dançará 
diante do rei e de todos os seus nobres. O que ele fez encoberto pelas sombras, ela o 
publicará diante de todos. A dança de Maanaim é um epíteto para a dança de dois 
exércitos, uma competição de dança, uma apresentação com dois coros ou duas 
fileiras de dançarinas. 
A dança de Maanaim ocorrerá no capítulo 7. 
E assim ela o faz. Entrará no palácio de algum modo e conseguirá dançar diante do rei e de 
seus convidados. E em algum momento ela tirará o véu e se revelará. 
E diante de tal ato de coragem, não resta ao rei nenhum outro artifício se não agir da 
mesma maneira. Declarar seu amor pela moça diante de toda a multidão e desposar uma 
plebeia diante dos olhos atônitos das “filhas de Jerusalém”. 
161
O capítulo posterior, o 6 mostrará um casamento magnífico, a moça honrada e vestida 
como uma princesa que haveria de se tornar, o próximo, capitulo 7 a lua de mel do casal 
apaixonado 
162
163 
e o capítulo 8 nos trará um surpresa. 
Uma maravilhosa surpresa. 
Uma menina. Uma menina nascida da união de Salomão com a Sunamita.
164
165 
O MISTÉRIO de CANTARES 
Deus moldou a existência e a percebe de um modo esplendido. O amor em toda sua 
dimensão é imaginado e exercido nele, por ele e para ele. Paulo afirma que tudo existe para 
Cristo, e que sem ele, nada do que foi feito, se fez. Cristo concede significado aos 
arcabouços, as galerias, aos fios que entretecidos dão origem a realidade. Nele as dimensões 
divinas e a vida e a existência de todos os seres vivos, e de todos os seres viventes, 
convergem. Os mundos, dos lugares celestiais aos confins do universo, das dimensões 
invisíveis e eternas as regiões da escuridão e da morte. Converge também o tempo, e o que 
existe além de seus domínios. A eternidade é contida nele, e seus pensamentos abarcam das 
coisas anteriores a criação do cosmos às coisas inexistentes e incriadas ainda, mas já 
antevistas, esperadas e de antemão convocadas a existir num tempo futuro predeterminado. 
O que para nós ainda é inexistente o coração de Cristo já visualizava antes que 
nascêssemos. 
Na dimensão das coisas criadas o amor e a paixão humana, o afeto, o carinho, a amizade, o 
desejo, a saudade, a leveza do coração, o maravilhamento, o deslumbramento, a epifania, o 
assombro, a admiração, a celebração, o ciúme, a ira, o ódio, o medo, o terror, a angustia, o 
regozijo, a euforia, a ternura, a compaixão, a candura, a doçura dos sentimentos e a 
mudança dos nossos sentidos diante da visão de coisas afetuosas, o impacto emocionante 
quando adiante de sonhos realizados, desejos manifestos, das coisas que tornam nosso 
coração um forno, ora uma caldeira, ora um incêndio, onde as palavras não descrevem o 
que percebemos ou o que transformamos em sentimentos. Deus tomou nas mãos a dádiva 
do sentimento e através dele revelou sua beleza, seus mistério e o seu amor. A alma 
humana transcende a física e a química na qual subsiste. O corpo e suas reações são 
somente o veículo, um presente para participarmos e percebemos o universo. Tudo na 
terra, as folhas, o vinho, o choro e o vento, a chuva e o trovão, o canto das aves ao barulho 
da onda, o reflexo do luar passando por entre as folhas, o tênue brilho das estrelas no rosto 
da pessoa amiga, cada pedaço do universo possui marcas, emoldurando e desvendando a 
sublime voz daquele que ama nossa alma, que ama nosso espírito que anseia pela 
reciprocidade deste grandioso amor.
166 
Welington Corporation
Existe mais poesia fantástica e dramática, na história da eternidade do que poderíamos 
imaginar. Algumas vezes lírica, outras vezes um lamento, outras partes dramáticas, ou 
tecidas de vivas cores. 
A humanidade se inicia numa mulher. Numa única mulher. Esse argumento não é sujeito a 
refutação. Nem filosoficamente, nem cientificamente e nem religiosamente. Se contarem 
para você outra história estão tentando te enganar. Todos os seres humanos são parentes 
entre si. Fato. O resto é ficção. Somente por isso já somos, todos nós e nós todos, uma 
fantástica história. Se em algum lugar do universo você contasse para alguém que todos os 
sete bilhões e meio de pessoas vieram de uma mulher só, essa criatura gargalharia, bateria 
nas suas costas e diria: 
167 
- Essa foi ótima! Conta outra! 
Se estivesse em 1800 e te dissessem que em duzentos anos a população do mundo inteiro 
seria setes vezes maior, daqui a dois séculos, olhariam para você e procurariam alguma 
instituição psiquiátrica ao redor, local de onde, certamente, você fugiu. 
http://www.worldometers.info/br/ 
Fantástico, maravilhoso, milagroso, perturbador, incrível, qualquer adjetivo ainda é pobre 
para classificar a maravilha do processo. O cético olha com desdém e diz “natural” e 
suspira um inexpressivo “interessante” diante da tremenda história humana. O ceticismo 
lança seu olhar depressivo diante da majestade da existência. Depressivo e ingrato, diga -se 
de passagem. O coração humano enfermo pela incredulidade não consegue deslumbra -se 
com a maravilha da existência. O deslumbramento é arte de um coração de uma criança. Já 
dizia assim O gato que renasceu do Yogurte. 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaU2dwV0NiQm5TYVU/edit?usp=sharin 
g
Mas voltando ao assunto da poesia fantástica, na mente divina ele propôs uma existência com 
enredo, uma história repleta de poesia. Preenchendo toda a história humana e também 
todas as histórias pessoais que dela fazem parte. A história do universo divino se entrelaça 
com a história humana, o celestial com o terreno, o invisível com o visível, o eterno com o 
temporal. Essa história que compõe a história da eternidade é trazida a existência, escrita, 
por assim dizer pelas mãos de um destro escritor. O Salmo 45 assim afirmava a respeito 
das palavras da boca do Messias. “Tuas palavras são como se tivessem sido escritas pela 
pena de um destro escritor”. 
Melhor do que falar a respeito da excelência dessa história, invisível aos olhos dos que não 
creem, proclamada aos ouvidos dos que creem, melhor que exaltar a poesia fantástica 
presente na existência, melhor demonstrá-la. 
168 
O Espírito Santo tinha uma proposta em comunicar seu Ensino no Antigo Testamento.
Como ensinar o homem, incapaz desde o nascimento de compreender os mistérios divinos, 
169 
com limitações espirituais tremendas que lhe concedessem a aptidão necessária 
para discernir valores espirituais, valores eternos e ternos, distinguindo entre as milhares 
de vozes sem sentido uma mensagem única, profunda de um amor incomparável e 
gracioso, 
como dar ao ser humano a capacidade de ouvir o inefável, de conhecer o sublime, de 
compreender
170 
a ternura da vocação celestial, a beleza do caminho de Deus? 
Propôs Deus contar histórias, propôs Deus escrever revestido de humanidade, propôs 
Deus sublimar as lágrimas, recontar os contos e recantar os cantos, deixou-se manifestar de 
um modo extraordinário, 
chamativo, cheio de contrastes e fascínio, cheio de cores e rituais que representassem a 
essência
171 
das coisas que o coração não pode captar e que os olhos humanos não podem ver. 
Essa é a proposta e esse vídeo concede uma ideia da voz do espírito de Deus 
por detrás das versos e da poesia do Antigo Testamento.
172 
E é mais ou menos assim… 
http://www.youtube.com/watch?v=kdqtxEH59hE 
https://drive.google.com/file/d/0B54HJJ80jPtmSDlRb0pxbk1kd1U/edit?usp=sharing 
As Escrituras chamam a primeira mulher de Eva, mãe dos viventes. Com ela se inicia a 
história e dela todos somos partícipes. Ela recebe a primeira profecia “ele te morderá o 
calcanhar mas tua descendência lhe pisará a cabeça”. E Deus amou a humanidade como se 
amasse sua esposa. Israel é uma nação separada, porém representa também a humanidade. 
Uma mulher come do fruto proibido, a mesma que recebe a promessa de sua absolvição. 
Como nos contos onde a menina é amaldiçoada, mas uma porta de escape é deixada 
por quem faz a maldição, que quebrará o feitiço. Os contos de fada possuem uma mensagem 
subliminar...
Uma mulher deixará o paraíso, guardado por querubins. Saindo ela dele, junto com ela, 
saímos todos nós. Deus se apaixona pela humanidade no Éden. O namoro é a revelação 
dada a Abraão. 
“Sai da casa de tua parentela” é a primeira instancia do casamento ordenado em Genesis 
“E deixará o homem seu pai e a sua mãe e unir-se-á a sua mulher” 
Ou “E deixará a mulher seu pai e a sua mãe e unir-se-á ao seu homem” 
173 
A PROFECIA ESTÁ INTIMAMENTE LIGADA COM CANTARES. 
O profeta Joel declara numa PROFECIA: 
A vinha está seca, e a figueira murchou; a romãzeira, a palmeira, a macieira e todas as árvores 
do campo secaram. Secou-se, mais ainda, a alegria dos homens. 
Essa cena é o LIVRO DE CANTARES a beira do abismo. É como se uma horda de 
zumbis tivesse invadido Cantares e detonado seus jardins. Joel evoca a beleza de Cantares, 
a vinha, a figueira, a romãzeira, a palmeira e a macieira que são as árvores principais do 
livro para através de sua destruição declarar um juízo sobre Israel. 
Jesus é descendente de Salomão, afirma sua existência como fato histórico e também a 
fidedignidade do relato bíblico sobre sua grandeza e riqueza de modo magistral, numa 
única frase quando diz “Que nem mesmo Salomão em toda sua glória se vestiu como um 
lírio do campo”. Jesus possui em sua descendência de modo claro a família de Davi, a 
matriarca de Judá, Tamar, cujo nome é uma das chaves do livro. Até os montes evocados 
em Cantares são proféticos, um de modo surreal. O monte Carmelo é o palco de uma das 
maiores batalhas entre um profeta e seus inimigos, local de operação milagrosa única em 
que vemos um capitão de exército se ajoelhar diante de um profeta e pedir humildemente” 
desce comigo, seja preciosa a vida de meus soldados e a minha diante de ti” 
As pedras que são citadas em Cantares estão presentes do Efode, a coisa mais “mágica” 
que existia no Santuário, estão presentes na cobertura do querubim ungido na profecia de 
Isaias e também fazem parte dos muros de Jerusalém celestial. 
Jesus morre na páscoa, enquanto em todas as casas e sinagogas de Isareal eram lidas 
porções do livro de Cantares. Seu ministério começa com vinho novo, num casamento e 
termina com vinho novo numa ceia com os amigos. Ele se recusa a tomar vinho estragado. 
Cantares é embebido em vinho novo do início ao fim. 
Lendo as Escrituras percebemos que namoro e noivado com a Igreja acontecerão no 
EGITO. 
Na entrega da Lei, Israel é conduzido por Moisés, toda a nação, após três dias de 
preparação. E ali é anunciado um CONTRATO, a entrega da lei é o CASAMENTO. 
No momento em que Israel exigir um rei, sela-se o início do fim do relacionamento. 
O profeta Samuel fica irritado com a rejeição da palavra profética e Deus fala “Não foi a ti 
que desprezaram, foi a mim”. Como falaria um jovem que recebeu um fora.
Israel simboliza o macrocosmo da humanidade. Se prostitui com ídolos, divindades e 
demônios. 
Pratica toda sorte de culto, que coincidentemente tem caráter sexual. 
A sexualidade humana foi transformada num festival religioso, explorado e mantido por 
diversas religiões. O conhecido hieros gamo - “casamento sagrado”. 
Era um libidinoso e cruel modo de escravagismo, práticas de fantasias eróticas revestidas 
de caráter sagrado, que serviam para a prática da pedofilia, para a destruição da 
adolescência e da contaminação dos casamentos dessas culturas. O resultado era o ul traje e 
o constrangimento, a vergonha, muitas vezes o isolamento. A prostituta cultual não era 
honrada ou dignificada. Ela era vendida aos templos, assim como na Grécia antiga e 
posteriormente em Roma. Na Índia pais ainda vendem suas filhas ao comércio sexual. 
Nos últimos dias (2014) temos algumas noticias que nos permitem compreender o caráter 
da situação: 
Modernamente: 
“O grupo "Defensores de Cristo" supostamente recrutava mulheres para manterem 
relações sexuais com um espanhol que alegava ser a reencarnação de Cristo, de acordo com 
um funcionário de um grupo de defesa das vítimas, que falou sob condição de anonimato 
por não estar autorizado a falar publicamente sobre o caso. 
174
Suas seguidoras foram submetidas a trabalho forçado ou serviços sexuais, incluindo 
prostituição, de acordo com o Instituto Nacional de Imigração que disse ter aberto um 
processo contra o culto há mais de um ano.” 
As liturgias a algumas divindades da antiguidade envolviam ingestão de drogas afrodisíacas, 
e a pratica de sexo com prostitutas cultuais que ofereciam seus serviços como oferta aos 
deuses. Ofereciam sua virgindade aos templos, que recebiam o pagamento das moças que o 
praticavam em nome da religião. Gore Vidal conta que em seu livro “Criação” que as 
moças de Babilônia se sentavam milhares delas, nas entradas das cidades na época dos 
festivais de Tamuz, e que era costume dos visitantes lançarem uma moeda de prata em seus 
colos, que significava marcar um encontro dentro dos Zigurates, templos babilônicos cuja 
arquitetura poderia ser a mesma ou inspiradas na antiga torre de babel, e lá separadas por 
véus ofereciam-se aos viajantes, doando o dinheiro arrecadado, a duras penas, à divindade. 
Em Babilônia parece que em determinado momento da história se tornou um padrão de 
conduta, um rito de passagem, de tal maneira que não já não existiam mulheres adultas 
que se casassem virgens. O que nos leva a um texto profético que é um contraste, 
quando Babilônia é chamada de “virgem”. 
175 
Israel se prostitui com deuses, fere seu esposo, que a desposou no HOREBE. 
Espiritualmente Deus escolheu para si uma nação. Como um rapaz que se enamora. Como 
se ela fosse espiritualmente uma adolescente, uma escolhida, uma prometida. 
Esta é a palavra que o Senhor falou a respeito dele: A virgem, a filha de Sião, te despreza 
e te escarnece; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti. 
Jeremias 14 
17 
Diga-lhes isto: Que os meus olhos derramem lágrimas, noite e dia sem cessar; pois 
a minha filha virgem, o meu povo, sofreu um ferimento terrível, um golpe fatal. 
Jeremias 18 
13 
Portanto, assim diz o Senhor: Perguntem entre as nações se alguém já ouviu uma 
coisa dessas; coisa tremendamente horrível fez a virgem, Israel! 
Israel não se satisfaz com uma nova divindade. Uma só é pouco. Ela adota todas. Baal, 
Dagon, à rainha do céu, ao panteão de divindades femininas, pratica as festas da fertilidade, 
queima filhos para Tamuz, importa deuses do Egito, restaura os terafins que trouxera 
escondidos na bagagem de Raquel, aplica as práticas sexuais religiosas sugeridas por Balaão, 
aprende a feitiçaria e a pratica, aprende a necromancia, curva-se diante do sol, ergue 
objetos fálicos em todo Israel, faz procissões com imagens de toda espécie de deuses e 
ainda cria novos ministérios, novas ordens sacerdotais. 
Jeremias 
Que direito tem a minha amada na minha casa, visto que com muitos tem cometido 
grande abominação, e as carnes santas se desviaram de ti? Quando tu fazes mal, então 
andas saltando de prazer.
Cria uma indústria nacional de fabricação de deuses. Institui sacerdócios das mais 
ignorantes entre os povos e desprezam absolutamente ao culto levítico. 
Há uma triste cena nas Escrituras em que após dezenas de anos encontram o ultimo 
exemplar da LEI DE MOISÈS guardada a dezenas de anos dentro de um recinto 
abandonado do TEMPLO DE SALOMÃO. Santificam árvores, terebintos, ciprestes, 
sândalos e ali criam árvores oraculares. Implantam postes ídolos em centenas de lugares. 
Estabelecem templos a diversas divindades em TODOS os montes de Israel. Mais de um. 
Guardam carros alegóricos das procissões dentro da área do santuário. 
E então Deus lhe concede uma carta de divórcio. Rasga o ministério Levítico e o rejeita. 
176 
Jeremias 3 
8 
Viu também que dei à infiel Israel uma certidão de divórcio e a mandei 
embora, por causa de todos os seus adultérios. Entretanto, a sua irmã Judá, a 
traidora, também se prostituiu, sem temor algum. 
9 
E por ter feito pouco caso da imoralidade, Judá contaminou a terra, cometendo 
adultério com ídolos de pedra e madeira. 
Simboliza isso pela menina que perde a inocência, se prostitui por dinheiro e depois 
gananciosa vai se degradando até que chega o ponto em que vira uma ninfomanica. Já não 
necessita de pagamento, busca ser saciada em qualquer lugar, por qualquer tipo de 
religiosidade que possa lhe oferecer alívio. E esse espírito religioso é também tem reflexo 
social. 
Jeremias 29 
23 
Porque cometeram loucura em Israel: adulteraram com as mulheres de seus 
amigos e em meu nome falaram mentiras, que eu não ordenei que falassem. Mas 
eu estou sabendo; sou testemunha disso”, declara o Senhor. 
Deus separou uma porção da humanidade para amá-lo e conhece-lo, só que ela o traiu. 
Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a amada da minha 
alma na mão de seus inimigos. 
Ezequiel 16 
32 Você, mulher adúltera! Prefere estranhos ao seu próprio marido! 
Oséas 1 
2 
Quando o Senhor começou a falar por meio de Oséias, disse-lhe: “Vá, tome uma 
mulher adúltera e filhos da infidelidade, porque a nação é culpada do mais 
vergonhoso adultério por afastar-se do Senhor”. 
Oséas 2
177 
2 
Repreendam sua mãe, repreendam-na, pois ela não é minha mulher, e eu não sou 
seu marido. Que ela retire do rosto o sinal de adúltera e do meio dos seios a 
infidelidade. 
Oséas 3 
1 
O Senhor me disse: “Vá, trate novamente com amor sua mulher, apesar de ela ser 
amada por outro e ser adúltera. Ame-a como o Senhor ama os israelitas, apesar de 
eles se voltarem para outros deuses e de amarem os bolos sagrados de uvas 
passas”. 
Oséas 4 
13 
Sacrificam no alto dos montes e queimam incenso nas colinas, debaixo de um 
carvalho, de um estoraque[14]ou de um terebinto[15], onde a sombra é agradável. 
Por isso as suas filhas se prostituem e as suas noras adulteram. 
14 
Não castigarei suas filhas por se prostituírem, nem suas noras por adulterarem, 
porque os próprios homens se associam a meretrizes e participam dos sacrifícios 
oferecidos pelas prostitutas cultuais — um povo sem entendimento precipita-se à 
ruína! 
Mateus 12 
39 
Ele respondeu: Uma geração perversa e adúltera pede um sinal milagroso! Mas 
nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. 
Isaias e Ezequiel: 
Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava 
nela, mas agora homicidas. 
Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta, entregue ao esquecimento; toca bem, canta 
muitos cânticos, para que haja memória de ti. 
E será consagrado ao Senhor o seu comércio e a sua ganância de prostituta; não se 
entesourará, nem se guardará; mas o seu comércio será para os que habitam perante o 
Senhor, para que comam suficientemente; e tenham vestimenta esplêndida. 
Já há muito quebraste o teu jugo, e rompeste as tuas ataduras, e disseste: Não servirei: 
Pois em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa te deitaste, fazendo-te 
prostituta. 
Quão fraco é teu coração, diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, obra duma 
prostituta desenfreada, 
edificando o teu prostíbulo de culto no canto de cada caminho, e fazendo o teu lugar 
alto em cada rua! Não foste sequer como a prostituta, pois desprezaste a paga; 
E queimarão as tuas casas a fogo, e executarão juízos contra ti, à vista de muitas 
mulheres; e te farei cessar de ser prostituta, e paga não darás mais.
Todas as suas imagens esculpidas serão despedaçadas, todos os seus salários serão 
queimados pelo fogo, e de todos os seus ídolos farei uma assolação; porque pelo salário 
de prostituta os ajuntou, e em salário de prostituta se tornarão. 
178 
Sidom 
Isaías 23 
12 
e disse: “Você não se alegrará mais, ó cidade de Sidom, virgem derrotada! 
“Levante-se, atravesse o mar até Chipre; nem lá você terá descanso” 
Jeremias 46 
11 
Suba a Gileade em busca de bálsamo, ó virgem, filha do Egito! Você multiplica 
remédios em vão; não há cura para você. 
Tiro 
Is 47:8 
Agora pois ouve isto, tu que és dada a prazeres, que habitas descuidada, que dizes 
no teu coração: Eu sou, e fora de mim não há outra; não ficarei viúva, nem 
conhecerei a perda de filhos. 
Babilonia 
Desce, e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão sem trono, ó 
filha dos caldeus, porque nunca mais seras chamada a mimosa nem a delicada. 
Apocalipse 
Apocalipse 18:7 
Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e de pranto; pois 
que ela diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo 
algum verei o pranto. 
Veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei 
a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; 
Disse-me ainda: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, multidões, 
nações e línguas. 
E os dez chifres que viste, e a besta, estes odiarão a prostituta e a tornarão desolada e 
nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo. 
porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que 
havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos 
seus servos. 
Isaías: “Não temas, porque não serás confundida; não te envergonhes, porque não serás 
afrontada. Esquecer-te-ás da vileza da tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróbrio 
da tua viuvez. Com efeito, o teu esposo é o teu Criador, que se chama o Senhor dos 
exércitos; o teu Redentor é o Santo de Israel, chama-se o Deus de toda a terra. Sim, o
Senhor te chamou como uma mulher abandonada e angustiada. Pode-se repudiar uma 
mulher desposada na juventude? — diz o Senhor teu Deus. Por uma hora, por um 
momento Eu te abandonei, mas, no Meu grande amor, volto a chamar-te. (…) Ainda que 
os montes sejam abalados e tremam as colinas, o Meu amor jamais se apartará de ti, e a 
Minha aliança de paz não se mudará, diz o Senhor, compadecido de ti”i. 
Em deslumbrante amor Deus amou o ser humano de tal modo que violou suas próprias regras 
para poder amar sua Escolhida. Levítico determinava com quem o sacerdote não poderia 
se casar: 
Viúva, ou repudiada, ou desonrada, ou prostituta, destas não tomará; mas virgem 
do seu povo tomará por mulher. 
Então O Espírito escolherá uma virgem, que representará a prostituta. A virgem que 
representa a menina dos olhos de Deus, o modo como Ele almeja enxergar ao homem, não 
contaminado com nenhum outro amor espiritual que senão Ele. 
Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à 
luz um filho, e será o seu nome Emanuel. 
179 
Lucas 1 
27 
a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, 
descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. 
Lucas 1 
34 Perguntou Maria ao anjo: “Como acontecerá isso, se sou virgem?” 
Jeremias 31 
4 
Eu a edificarei mais uma vez, ó virgem, Israel! Você será reconstruída! Mais uma vez 
vocês e enfeitará com guizos e sairá dançando com os que se alegram. 
2 Coríntios 11 
2 
O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus. Eu os prometi a um único 
marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura. 
Jesus é o noivo. 
Mas o noivo morrerá. Jesus será morto. 
Joel 1 
8 
Pranteiem como uma virgem em vestes de luto que se lamenta pelo noivo[2]da 
sua mocidade. 
Em Provérbios (15:25) Salomão dirá:
180 
O Senhor desarraiga a casa dos soberbos, mas estabelece a herança da viúva. 
A visão profética de Cantares. 
A luz dos textos lidos podemos compreender agora que o ciúme, como labaredas do 
Senhor, é tão forte como a morte projeta Cantares em toda a eternidade, conectando-se a 
CRISTO e também à Apocalipse. 
A mulher que é descrita nos textos proféticos além de Cantares parece sofrer de 
esquizofrenia. Ora ela é uma feiteira, outra age como uma prostituta cultual. Ela não se 
satisfaz com Deus, ela corre atrás de qualquer coisa que lhe conceda prazer, poder, jóias. 
Ela parece uma meretriz que se vende pelo luxo e que depois já viciada, só pelo direito de 
ter prazer. O estado dela é tal que é necessário que ela seja repudiada, Deus, seu marido 
desprezado e abandonado lhe concede uma carta de divórcio e ainda assim ela não se 
arrepende. 
Oséias é um profeta que é levantado por Deus para representar com sua vida pessoal esse 
dilema, amando uma prostituta e comprando-a ainda nova de um bordel. Ele lhe dá uma 
casa, lhe concede um nome, ela tem filhos com ele, mas numa noite foge para o bordel no 
qual recebia paga e jóias, e regalias, só que numa condição de dívidas ainda pior. E depois 
do segundo filho ela perde parte de sua formosura, é preterida em lugar das prostitutas 
mais novas e já não tem mais clientes é brutalmente maltratada e mantiva em cativeiro no 
prostíbulo. Não somente isso, ela se casa com o dono do prostíbulo. Mesmo sem ter se 
divorciado de Oséias. Tal ato anula o casamento anterior. Mesmo assim Oséias vai até lá e a 
reclama como esposa, pagando pela segunda vez o resgate por ela. Mais caro que o 
primeiro, por uma mulher agora, destruída. Ele a leva para casa, trata dela e a recebe como 
legitima esposa, de quem por sinal nunca se separara. Então ela terá um terceiro filho. E 
finalmente sua vida mudará para sempre. O amor do profeta é inacreditável diante de todo 
o Israel. Assim como diante de todas as mulheres da região e mesmo fora dela. Nenhuma 
mulher jamais fora amada assim. Ela era a mulher mais indigna e ao mesmo tempo a mais 
amada. Antes desprezada, agora era invejada. Invejada por todas as outras mulheres de sua 
época.
181 
Prostituição infantil na Índia 
Posted by proudtobeawoman on Quinta-feira, Abril 12, 2012 
A prostituição infantil é uma barbaridade que nos choca e incomoda e, por vezes, 
preferimos pensar que esta é uma realidade distante de nós. Mas não é, a pedofilia, rapto, 
escravidão e prostituição infantil são dramas de todas as sociedades e culturas, dos países 
ricos e dos pobres. Um dos locais no mundo onde se verificam mais casos de abuso dos 
direitos das crianças é a Índia, situação essa que é fruto da extrema pobreza. Muitas famílias 
de pequenas localidades, por ignorância e levadas por falsas promessas, ou até mesmo com 
conhecimento, acabam por vender por uma ninharia as suas filhas a desconhecidos que as 
vendem a bordéis em cidades grandes.
A pequena quantia que leva familiares e conhecidos da criança a vendê-la pode fazer toda a 
diferença entre a morte e a vida de uma família que passa fome. 
A vida de uma prostituta na Índia é terrivelmente difícil e dolorosa. Quando primeiro 
chegam, as prostitutas são “domesticadas” através de espancamentos selvagens, estupros e 
outras formas de tortura psicológica e física. Aquelas que resistem são tratadas com 
punições ainda mais rígidas, e a vida ainda pode piorar, dependendo das condições do 
bordel. Os piores são chamados de “casas de travesseiros”, onde prostitutas são separadas 
por panos que dividem os quartos minúsculos. Visitantes podem pagar $3 por alguns 
minutos e não é permitido que as prostitutas falem com seus clientes. O dono do bordel 
fica com o dinheiro e, pode até permitir, num único dia, quarenta visitantes. 
Escapar não é uma opção. Uma vez que a prostituta chega no bordel e o trato está fei to 
entre o agente e o dono do bordel, a prostituta deve trabalhar para pagar o seu custo ao 
dono do bordel. Em alguns casos, juros são cobrados para impedir a saída da prostituta, 
enquanto alguns donos de bordel simplesmente nunca diminuem a dívida da pros tituta. 
Apesar de inicialmente comprada por alguns poucos dólares, a prostituta pode ser vendida 
por mais de mil, dando uma enorme margem de lucro para os agentes e tornando o tráfico 
de prostitutas um negócio extremamente lucrativo. 
A problemática da prostituição infantil é também preocupante. A situação é tão comum e 
grave que a UNICEF estima que há 500.000 prostitutas infantis só na Índia. 
182 
http://www.vimeo.com/34598166 
A prostituta em Apocalipse é a moça humanidade envolvida em feitiçaria, em rituais 
macabros, em religiões mortas. Em doutrinas vãs, em busca de ouro, dinheiro, poder, em 
sua ganancia mandou a KGB eliminar inocentes, enviou a CIA para ensinar tortura, 
ensinou as tropas do Hamas a colocar bombas atrás de hospitais, orfanatos e creches, 
vendeu armas para os grupos separatistas da Libia, virou as costas par os massacres de 
Timor Leste, torturou em nome da religião usando as Escrituras como escudo, espalhou 
gás mostarda nas trincheiras da primeira guerra mundial, adotou as doutrinas de Nietchz e 
tentou criar com base em experiências anti-éticas ao novo homem, por meio de Mengele. 
Dizimou por causa do vil metal as crianças da Peru, exterminou pelo ouro a cultura Asteca,
mandou derrubar as torres gêmeas para obter o seguro e uma guerra desnecessária, criou 
uma emnda para torturar legitimamente em gantanamo, destituiu a o congresso par 
implantar a tortura em 1964. Ela nos fala do ser humano vestido de maldade. Está 
embriagada com vinho podre. Ela é o símbolo da religiosidade, e da falsa religião, que 
escraviza ao invés de libertar. Que seduz com ofertas de licenciosidade, de poder, como a 
Maçonaria, como o O Evangelho da Recompensa Financeira. A prostituta é o ministério 
profético falsificado, é o sacerdócio corrompido, que são iguais a feitiçaria. A prostituta fala 
do casamento ilegítimo da religião com o poder politico. Ela igualmente nos revela a seus 
Senhores. Desde a antiguidade havia a figura do cafetão e cafetina do dono ou das donas de 
bordéis. Ela é escrava e é drogada, fazem com que ela fique constantemente ébria para que 
não deseje fugir do cortiço. 
A prostituta de Apocalispe, no entanto, ama o que faz. Ama a escravidão. Ama a seus 
senhores. As hostes, potestades, poderes e soberanias. 
183 
“almá” 
Moça, Virgem. 
A palavra alma em português possui o gênero feminino. Ela possui a mesma a mesma 
sonoridade de “almá” da palavra moça, virgem o hebraico. O termo traduzido por alma no 
hebraico é “nephesh” que também é do gênero feminino. O termo para espírito é “ruah” 
que também é feminino. 
Entre as tribos, povos, nações e raças, Deus separou para si uma amada. Como se fossem 
duas irmãs, duas que se corromperam, mais uma se arrepende e retorna para seu marido e a 
outra se profissionaliza, ela aperfeiçoou a arte da prostituição espiritual. 
O Evangelho fala do amor profundo de Deus pela humanidade através de Cristo. Ele é o 
Esposo que vem resgatar a esposa presa, vivendo uma vida de separação, de exploração e 
cativeiro. O Oséias celestial está disposto a tudo para libertar sua amada humanidade, seus 
filhos e filhas dispersos entre as nações, e para isso está disposto a dará tudo, até mesmo a 
própria vida. 
Porém, já não há esperança para uma parcela da humanidade, porque ela institucionalizou a 
maldade, porque ela abraçou e ritualizou a dominação, a exploração. Porque ela praticou e 
amou a pratica da feitiçaria. 
Purpura que é a cor de Cantares. Cor do VINHO que jorra nele abundantemente. A 
PROFECIA é uma extensão de Cantares. 
A Prostituta se veste de PURPURA porque se julga RAINHA, porque compreende ter 
poder, poder para seduzir as nações, poder para escravizar aos homens para que façam 
aquilo que ela deseje. Ela é adornada de talismãs. Ela tem um cálice nas mãso que usa para 
fazer suas adivinhações. Ela é uma BRUXA.
No Brasil milhares de homens e mulheres recorrem a cultos afro-brasileiros em busca de 
feitiçaria, recorrendo ao poder de entidades que INTERAGEM COM A 
SEXUALIDADE. Milhares de pais-de-santo são homossexuais porque tiveram sua 
sexualidade oferecida num ritual de transformação. As entidades aceitam ofertas da 
sexualidade das meninas em troca de favores, mesmo que ainda bebês, para que elas – as 
entidades - decidam, independente do sexo da criança, o comportamento sexual que ela irá 
adotar ao crescer. Cultos de caráter sexual são realizados com pessoas tomadas por 
possessão, EMBRIAGADAS. Milhares de lares brasileiros foram vítimas de ataques de 
feitiçaria, chamados de “trabalhos” orientados por espíritos. A maioria buscando roubar o 
afeto da esposa ou do esposo de alguém logrando a destruição de laços familiares. 
Centenas de anúncios pintados nas paredes evoca, “trago seu amado em 3 dias” que são 
um eufemismo para “invoco poderes das trevas para escravizar a alma de quem você deseja 
a você”. 
Cantares lerá esse tipo de prática amaldiçoada que ocorre da antiguidade aos 
nossos dias: 
184 
“Conjuro-vos ó filhas de Jerusalém, não desperteis o amor até que ele queira” 
Compreender a relação que o Espírito de Deus anseia com a humanidade é intrinsicamente 
relacionado a palavra “virgem”. Ela evoca a menina, a adolescente, a pureza, a infância. 
Evoca a menina correndo e brincado com os amigos sem a condição do peso, da 
responsabilidade, da gravidade que o exercício da sexualidade trás. 
A profecia em Cantares viajará no tempo, acompanhando as batidas do coação de Deus, 
nas cores do berilo, enxergará sua glória e os querubins, enxergará as jóia do peitoral do 
juízo e também a as pedras que cobriam alguém que um dia recebeu a honra, o poder, a 
glória, a unção, e rejeitou tudo, traindo a confiança nele depositada, antes que existisse o 
homem. Nos passos da dançarina o Espírito vê a dança da vitória, a dança angelical da festa 
do encontro, o cumprimento final de pentecostes e da festa das vinhas. A dança de 
Sunamita é estabelecida diante de suas rivais, das rainhas, das comcunbinas, e ela desfila 
graciosa, levando nos seus movimentos ao coração de Deus arrebatado, ela dança porque 
venceu a morte, porque venceu ao mundo, porque despojou os principados, porque seu 
amor reina para sempre, assentado sobre o trono de Davi, sobre o trono de Salomão, 
que também é o governo do Messias e ao mesmo tempo, o governo do Reino dos 
Céus, do Reino de Deus. A Sunamita de Cantares representa a paixão da Igreja pelo Rei, e 
a admiração de Salomão, seu arrebatamento, a paixão do Espírito pelos filhos que resgatou, 
de uma vida de servidão, para um lugar, onde Sunamita celestial não terá mais que se 
incomodar com o sol, porque seu Amado será para ela um sol eterno, que sobre ela 
brilhará sem a machucar. Cantares narra o encontro de Cristo com Israel, seus apóstolos, 
traduz em poesia o derramamento do Espírito num Pentecostes para a Igreja gentíli ca, 
pentecostes que só cessa por alguns instantes, antes que venha o Sábado do Milenio e 
depois o novo amanhecer, da Nova Criação. Onde Sunamita dançará eternamente nos 
braços de seu amor.
Na coletânea do Líbano o imaginário está vinculado à paisagem das montanhas; há uma 
forte ênfase nas correntes de água e ao vinho que rega as festas da fertilidade (5,1); 
possivelmente se faça também alusão às oferendas líquidas colocadas sobre os altares ou 
libações. As montanhas do Líbano são também uma forte referência nos mitos de Baal- 
Anat-Mot. Segundo F.F. Hvidberg, rituais da fertilidade eram desenvolvidos principalmente 
no outono, 
quando se lamentava a descida da divindade masculina da chuva ao “mundo dos mortos” 
(Xeol), ao mesmo tempo, que se invocava a aparição da divindade feminina que o 
resgataria 
185 
a. Nas tradições de Sara e Abraão (Gn 12,10-19;14;19-20). 
b. Nas tradições de Rebeca e Isaque (Gn 26). 
c. Nas tradições de Raquel, Lia e Jacó (Gn 33,18-34,31). 
Dentre todas as referências veterotestamentárias que vinculam a vida 
pastoril com a vida urbana, uma das mais ilustrativas é a que descreve a 
relação entre Judá e Tamar, em Gn 38. No texto, Judá e Hira (pastores de 
ovelhas), se dirigem à cidade de Timna para a tosquia das ovelhas (cf. Gn 
38,12b.13). Nessa ocasião, Tamar espera por Judá, na entrada da cidade, 
vestida de “prostituta” (zonah). 
A referência à vida pastoril no primeiro poema das filhas de Jerusalém é 
dominada por perguntas: “Onde apascentas? Onde fazes repousar (o rebanho) 
ao meio dia?” (1,7). Estas perguntas são dirigidas diretamente ao pastor (1,8), 
o que parece distanciar a mulher que pergunta da atividade pastoril. 
A distância entre a mulher e a atividade pastoril não deve ser 
interpretada como parte da divisão social de tarefas, que a impossibilitaria de 
realizar este tipo de trabalho, já que no Antigo Testamento a função de 
“pastora” é mencionada explicitamente (cf. Gn 29,9; Êx 2,16 -17). 
O próprio pronome interrogativo “onde” (‘eykáh), segundo indicam Ariel 
e Chana Bloch, é um aramaísmo equivalente ao termo hebraico antigo ’eyfoh 
(Jz 8,18;9,38;Jr 49,21).O caráter tardio deste texto fica ainda mais evidente 
pelo uso do hapax legomenon, shalámáh (“lá estarei”), derivado do hebraico 
“lemah” usado em Esd 7,23 e em Dn 1,10231. 
Este primeiro poema não permite, por si só, determinar se a mulher que 
pergunta sobre o pastor, seu rebanho e seus companheiros, pertence ao meio 
rural, suburbano ou urbano. No entanto, parece que, pelo menos, a mulher que 
pergunta, não participa diretamente da atividade pastoril. 
W. R. Smith 
indica que, em Dt 7,13, o produto da lã é chamado de “astarote da ovelha” 
(` shterot tzo’nêka), sendo esta uma expressão antiga, de origem religiosa. A 
231 Ar iel e Chana BLOCH. The Song of Songs, p.141-143. 
144 
ovelha-Afrodite foi especialmente adorada em Chipre232. Se a ovelha era 
diretamente identificada com divindades femininas, o pastor poderia ser um 
epíteto para seus sacerdotes e/ou adoradores. Em um antigo texto ugarítico, o 
seu subscritor Ilmilku se autodenomina “chefe dos sacerdotes e chefe dos 
pastores”. 
O sincretismo diplomático oficial teria se deslocado para o ambiente da 
“religiosidade privada”, como entende R. Albertz, quando os cultos
186 
estrangeiros foram se instalando também na prática religiosa familiar em 
altares construídos nos terraços (Sf 1,5; 2 Rs 23,12; Jr 19,13; 32,29). Entre 
estes hábitos sincretistas familiares, destacam-se os chamados “rituais 
babilônicos de conjuro”, que já se praticavam em Jerusalém, de outras formas, 
desde os tempos antigos243 
Os carneiros (ha‘áyliym), mencionados em 2,9;2,17 e 8,14, são 
geralmente traduzidos como “corço”267, “gazela”268, “gamo”269 e “corça”270. No 
entanto, em todos os outros textos do Antigo Testamento onde aparece o plural 
‘áyliym (Lv 8,2; Ez 40,49; 41,1) e o singular ‘aiyl (Ex 29,15s; Lv 8,18s; entre 
outros), referem-se a um animal doméstico usado principalmente nos rituais de 
sacrifício. 
CONJURO-VOS é uma invocação mágica. Em nome das gazelas, 
Por que as “filhas de Jerusalém” invocariam esses poderes? 
Um texto cuneiforme do terceiro milênio, contendo uma conjura de amor, 
vinculado por J. M. Sasson ao Cântico dos Cânticos, termina com a expressão: 
“Eu te conjuro, por Inanna e Ishara”. 
Gordis sugeriu que a expressão “pelas gazelas e pelas 
corças do campo” (bitzevá’ôt ‘ô be’aeylôt hasádéh) poderia ser uma 
“relutância deliberada de usar o nome divino (...) be’lohei sheb’aót ou be’el 
shaddai (...), escolhendo animais que simbolizam o amor como substituição 
A menção das gazelas e corças na conjura das filhas de Jerusalém 
aparece em 2,7 e 3,5 
Uma das explicações para o desenvolvimento da imagem da pomba em 
Jerusalém pode estar no adjetivo que a acompanha: “perfeita” (tamát). O 
adjetivo “perfeito/a” ou “sem defeito” foi usado em Judá para se referir aos 
animais aceitos para o sacrifício no Templo (Lv 1,3; 3,1.6; 4,21.23 entre outros 
e em Ez 43,22-23.25; 45,18.23). No entanto, nos textos do Antigo Testamento, 
este adjetivo nunca é aplicado às pombas rolas, mas aos quadrúpedes. Quando 
o profeta Ezequiel e o livro de Lamentações se referem à beleza “perfeita” 
usam o adjetivo keliylah e não tamát, como em Ct 5,2 e 6,9. 
O adjetivo “pomba perfeita” parece nascer da junção entre a linguagem 
de amor e a linguagem sacrifical em Jerusalém. As filhas de Jerusalém, 
acostumadas a conviver com o templo 
Cedros ‘aráziym 1,17; 5,15 8,9 
Ciprestes berôtiym 1,17;4,13;7,12 
Narcisos shôshaniym 2,1.16 4,5;5,13;7,3 6,2.3 
Lírio hávatzêlêt 2,1 
Nardos néredeym 4,13.14 1,12; 
Macieiras/Maçãs tapûah 2.3.6;7,9 8,5 
Romãs/Romeiras rimôniym 4,13;7,13 4,3;6,7 8,2 6,11 
Tamareira támár 7,8.9* 5,11 
Mirra mir 4,14;5,1 5,13 5,5 1,13; 3,6 
Mandrágoras duda’iym 7,14 
Hena kofêr 1,14
187 
Espinheiros hôhiym 2,2 
Figueira/figo te‘énah 2,13; 
Olíbano levônáh 4,14; 3,6; 
Cana qanêh 4,14 
Cinamomo qinamôn 4,14 
Açafrão karekom 4,14 
Aloés ‘ahálôt 4,14 
Nozes ‘egoz 6,11 
Palmeira náhal 
É o caso de 1,17, onde se descreve uma casa verde de 
cedros e ciprestes vivos, descritos ali como o teto de uma cama verdejante. O 
mesmo acontece em 2,13, onde a figueira e seus figos pequenos fazem parte do 
ambiente primaveril. 
O uso feito no poema canônico das bodas de Salomão tem forte 
paralelo com o Sl 45, que também é um hino de bodas342. No entanto, em Sl 
45,9, onde a mirra é citada junto com aloés como em Ct 4,14, ela é 
usada como perfume para as vestes e não como bálsamo para o corpo 
A mirra como bálsamo aprece também em Ester 2,12 como parte dos 
preparativos das moças no harém do rei persa: 
Ao fim de doze meses, chegava o momento de um jovem se aproximar do 
rei. O período dos preparativos se desenrolava assim: durante seis meses, 
ela se untava com óleo de mirra, depois, durante seis meses, com 
bálsamos e cremes femininos343 
Segundo explica W. Von Soden, a tamareira e a palmeira tiveram grande 
importância na Babilônia como espécie cultivada. Este tipo de árvore precisa 
de grandes quantidades de água e foi muito pouco cultivada na assíria e no 
corredor siro-palestinense. Um dos lugares mais antigos vinculados às palmas 
foi Jericó “cidade das palmeiras” (cf. Dt 34,3; Jz 1,16; 3,13 e 2 Cr 28,15)345. 
Contudo, no Antigo Testamento existe uma referência à tamareira que, do 
ponto de vista das tradições camponesas femininas, é muito importante trata -se 
da “Palmeira de Débora”, ou “Tamareira de Débora” (tomêr debôrah) em Jz 
4,5346. W. R. Smith interpreta esta tamareira como uma das que ele chama de 
“árvores oraculares cananéias” (canaanite tree oracle) e afirma que “a crença 
em árvores como lugares de revelação divina deve ter sido muito comum em 
Canaã”347. 
A guarda real é mencionada de duas diferentes formas no Cântico dos 
Cânticos: como escolta do rei nas suas bodas (Ct 3,7-8) e como metáfora para o 
corpo e seus enfeites (4,4). 
Segundo indica R. De Vaux, esta guarda pessoal do rei era geralmente 
formada por mercenários (cf. 2 Sm 20,7; 2 Sm 15,18 e 1 Rs 1,38-44). Outra 
forma de designar a guarda real foi rátziym ou “corredores” que marchavam na 
frente dos carros de guerra (cf. 1 Sm 22,17; 2 Sm 15,1 e 1 Rs 1,5). Estes 
guardas também tinham a função de vigiar as entradas do palácio real 
carregado escudos de bronze (1 Rs 14,27-28 e 2 Dr 12,10-11) 367.
188 
No Cântico dos Cânticos o termo usado tanto em 3,7 quanto em 4,4 para 
os guardas é gibôryim, isto é, “valentes” ou “bravos”. Em 2 Sm 23,8 usa -se 
esta terminologia para falar do exército de Davi como “os valentes de Davi: ha 
gibôriym ‘esher ledavid. 
http://qbible.com/hebrew-old-testament/song-of-songs/ 
Canatres referencia 15 locações geográficas do Libano até o norte do Egypto 
• Kedar (1:5) 
• Senir (4:8) Onde nascia o Rio Jordão!
189 
• Egypt (1:9) 
• Hermon (4:8) 
• En Gedi (1:14) 
• Tizrah (6:4) 
• Sharon (2:1) 
• Heshbon (7:4) 
• Jerusalem (2:7) 
• Damascus (7:4) 
• Lebanon (3:9) 
MONTE DE LEOPARDOS, Cnt. 4:8: Leopardo se traduce de la palabra hebrea 
namer que se 
deriva de una raíz que significa filtrar, ser limpio. 
MONTE DE MIRRA, Cnt. 4:6: Mirra se traduce de la palabra hebrea marar que 
significa 
amargura, angustia. 
MONTE GALAAD, Cnt. 4:1: Galaad significa región montañosa y se origina de 
Gal‘ed que significa testimonio acumulado. 
MONTE DE BETER, Cnt. 2:17: Beter significa divisible, división. 
• Carmel (7:5) 
• Mount Gilead (4:1)
190 
• Baal-Hamon (8:11) 
MONTE HERMON, Cnt. 4:8: Hermón significa un santuario
191 
Baal Hermon, Shirion, Sirion, Har Hermom. É a fronteira com o Libano 
Har Hermon, do hebraico, significa “Monte Sagrado”, completamente compatível com o 
“Monte Santo” citado por Pedro quando ele fala da Transfiguração. O Hermom, ponto 
culminante de Israel, fica no sul da cordilheira do Antilíbano, na fronteira de Israel com a 
Síria e o Líbano. Parte de sua encosta sul une-se às colinas de Golã. A importante elevação 
ganhou vários apelidos, como “montanha das neves” ou “monte dos cabelos brancos”. 
Porém o mais conhecido é o de “Olhos de Israel”, pois, por ser bem alto, proporciona um 
mirante de onde sentinelas podiam ver à distância se algum exército inimigo se aproximava 
nos tempos bíblicos, como as Forças de Defesa de Israel fazem até hoje no chamado 
Mirante das Neves, a 2,2 mil metros de altura, de onde monitoram atividades na Síria e no 
Líbano. Hoje, a vista também é bastante apreciada por turistas em sua famosa estação de 
esqui.
(...) “pois Ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória 
Excelsa Lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o Meu Filho amado, em quem 
192 
me comprazo. 
Ora, Esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando 
estávamos com Ele no Monte Santo." – 2 Pedro 1:17-18 
• Amana (4:8) 
MONTE AMANA, Cnt. 4:8: Amana significa apoyo, constancia, perseverancia. 
Local onde era a nascente do rio Abana, em Damasco. O limpíssimo rio Abana.
193 
n “Shulamite” may have been derived from the town of 
Shunem, located southwest of the Sea of Galilee in 
the land assigned to Issachar. 
n 49 words appear in Song of Solomon that are not to be 
found any where else in the Bible 
} “love” There are several different words for “love” in Hebrew. They are all used in this 
book. 
1. The Book’s Structure Shows the Secrets of Romancing for Life 
It is written in a chiasm, which is a Hebrew poetry technique that rhymes ideas for 
emphasis. 
The chapters “rhyme” and parallel to point the reader to the central themes of the book. 
A. Home: Beginning of romance (Chapter 1) 
B. Developing love while dating (Chapter 2) 
C. Dream: Taking each other for granted in dating (Chapter 3) 
D. Wedding night (Chapter 4) 
C. Dream: Taking each other for granted in marriage (Chapter 5) 
B. Developing love in marriage (Chapter 6) 
A. Home: The lifelong romance (Chapter 7-8) 
1. A estrutura do livro mostra os segredos de Romancing para a Vida 
Ele é escrito em um quiasma, que é uma técnica de poesia hebraica que rima idéias para dar 
ênfase. 
Os capítulos "rima" e paralelo para apontar o leitor aos temas centrais do livro. 
A. Início: Início de romance (Capítulo 1)
194 
B. Desenvolvimento de amor enquanto namoro (Capítulo 2) 
C. Dream: Tomando para si concedida em namoro (Capítulo 3) 
D. Noite de núpcias (Capítulo 4) 
C. Dream: Tomando para si concedida em casamento (Capítulo 5) 
B. Desenvolvimento de amor no casamento (capítulo 6) 
A. Home: O romantismo ao longo da vida (capítulo 7-8) 
"An ancient keyhole would form a large enough opening to 
place an adult's hand through because the key would be 
large."118 uh... 
A. This chapter has several commands and exhortations: 
1. “Kiss me,” v. 1, BDB 676, KB 730, Qal IMPERFECT, used in a JUSSIVE SENSE 
2. “Draw me after you,” v. 4, BDB 604, KB 645, Qal IMPERATIVE 
3. “Let us run together,” v. 4, BDB 930, KB 1207, Qal COHORTATIVE 
4. “We will rejoice,” v. 4, BDB 162, KB 189, Qal COHORTATIVE 
5. “Be glad,” v. 4, BDB 970, KB 1333, Qal COHORTATIVE 
6. “We will extol your love,” v. 4, BDB 269, KB 269, Hiphil COHORTATIVE 
7. “Do not stare at me,” v. 6, BDB 906, KB 1157, Qal IMPERFECT used in a JUSSIVE 
sense 
8. “Tell me,” v. 7, BDB 616, KB 665, Hiphil IMPERATIVE 
9. “Go forth,” v. 8, BDB 422, KB 425, Qal IMPERATIVE 
10. “pasture” (i.e. feed), v. 8, BDB 944, KB 1258, Qal IMPERATIVE 
gazelles and our inner life and our virtues, that is our behavior in Christ Jesus. 
In the book of Proverbs, the wife is compared to the gazelle and her children to the doe, 
being the image of the church, the true bride, the loving wife to her Bridegroom, full of 
grace. 
Therefore, it was said, "As a loving deer and a graceful doe…" (Prov. 5:19) 
Cidades 
A primeira cidade mencionada é Heshbon (hêshebôn). Em Js 21,38-39 
esta cidade é mencionada, junto com outras, como cidade refúgio para 
homicidas na tribo de Gade (cf, Js 13,25-26). 
Damasco, a segunda cidade citada no wasf da Sulamita, é a conhecida 
capital da Síria. Ela é nomeada como uma localidade distante que é vigiada a 
partir da chamada “torre do Líbano
É rica a ornamentação da moça, citada e elogiada por Salomão. Fruto de trabalho 
especializados de ourivesaria, joalheria, e diversos processos de fabricação envolvendo 
inclusive a fundição. O material era trabalhado por diversos artesãos que usavam 
instrumentos difíceis de fabricar. Imagine a arte da ourivesaria há milênios sem os recursos 
tecnológicos que hoje possuímos. As gemas vinham de minas subterrâneas, de lugares 
tenebrosos e escuros, escavados por mineiros em situações de insalubridade que fariam um 
técnico de segurança da atualidade sofrer um enfarte do miocárdio. Os riscos nas minas 
eram tamanhos que a maior parte das gemas era escavada por escravos. Ainda é assim na 
escavação de minas de diamantes na africa, na aquisição e garimpo de ouro, como foi em 
serra-pelada. As pedras semipreciosas que compunham os braceletes, os anéis, colares e 
brincos vinham de diversos lugares da terra, importados de locais distantes. Parte das 
divindades da época era finamente ornada com tais jóias. As princesas e rainhas eram 
ricamente adornadas com jóias. Do mesmo modo que hoje, quanto mais rica, mais nobres, 
raras e preciosas as jóias. Existem hoje colares de milhões de dólares. Anéis de diamante 
que custam milhares de reais. Jóias que caracterizam a realeza britânica, as princesas e 
rainhas das monarquias da atualidade. 
O artesão mencionado no poema da dança da Sulamita (7,2b) é metaforicamente 
relacionado com “enfeites” (helá‘iym) que servem de imagem para ilustrar as curvas dos 
quadris da dançarina. No livro do profeta Jeremias (10,9) a produção de enfeites por 
diversos tipos de artesãos também é vinculado aos cultos da fertilidade: “Seus ídolos não 
passam de prata laminada, importada de Tarsis, ouro de ufaz (záháb me’ûfáz), trabalhado 
pelo artista (hárash) e pel [a mão do] ourives (viydey tzôréf), revestido de púrpura (‘aregámán) 
violeta e vermelha. São apenas obras de artistas (hekámiyn)”381 
No poema da égua do faraó as bochechas são vistas “entre pingentes”, o pescoço “entre 
colares” (1,10). O “fio escarlate” (shániy), mencionado em 4,3, é também vinculado, em Êx 
26,1, ao “trabalho do artesão” (hosheb). Especialmente ilustrativa é a menção ao marfim 
(shén), em 5,14 e 7,5, já que este material foi uma marca reconhecida dos palácios da 
Samaria (6,4; cf. 1 Rs 17,1; 1 Rs 22,1-6). Enfim, o imaginário artesanal nos wasfs, poemas 
árabes, podem ser entendidos como herdeiros desta tradição. 
A primeira referência bíblica a uma pedra preciosa ocorre em Gênesis 2:11, 12, onde Havilá 
é identificada como terra de ouro bom, tendo também “o bdélio e a pedra de ônix”. 
A opulência da pessoa era parcialmente medida pela posse de pedras preciosas; reis tais 
como Salomão e Ezequias, pelo que parece, as tinham em grande quantidade. (1Rs 
10:11; 2Cr 9:10; 32:27) Pedras preciosas eram dadas de presente (1Rs 10:2, 10; 2Cr 9:1, 9), 
podiam constituir parte de um despojo de guerra (2Sa 12:29, 30; 1Cr 20:2) e eram artigos de 
intercâmbio comercial, como entre os antigos tírios (Ez 27:16, 22). Numa endecha 
inspirada a respeito do “rei de Tiro”, Ezequiel declarou: “Toda pedra preciosa era a tua 
cobertura: rubi, topázio e jaspe; crisólito, ônix e jade; safira, turquesa e esmera lda; e era de 
ouro o artesanato dos teus engastes e dos teus encaixes em ti.” (Ez 28:12, 13) Retrata-se a 
simbólica Babilônia, a Grande, como estando ricamente adornada de pedras preciosas. — 
Re 17:3-5; 18:11-17. 
Embora os antigos arredondassem e polissem as pedras preciosas, em geral não parecem 
ter sido feitas angulares ou facetadas, como fazem os lapidadores dos tempos modernos. O 
195
esmeril (coríndon) ou o pó de esmeril eram usados pelos hebreus e pelos egípcios para 
polir pedras preciosas. Muitas vezes, estas eram esculpidas e gravadas. Pelo que parece, os 
hebreus sabiam fazer gravações em pedras preciosas muito antes da sua servidão no Egito, 
onde a gravação também era arte. O anel de chancela de Judá, evidentemente, era gravado. 
(Gên 38:18) 
196 
Colar 
Corrente ou cordão ornamental de contas, de ouro, de prata, de corais, de pedras preciosas 
e de coisas semelhantes, usado em torno do pescoço. Antigamente, os colares eram usados 
por mulheres (Cân 1:10; 4:9; compare isso com Ez 16:11) e até por homens, especialmente 
os em alta posição. (Gên 41:41, 42; Da 5:7, 16, 17, 29) Os midianitas, nos dias de Gideão, 
colocavam colares no pescoço dos seus camelos, e nestes colares, pelo que parece, havia 
pendentes em forma de lua. (Jz 8:21, 26) Às vezes usavam-se correntes em estilo de colares 
quais ornamentos, como no caso das colunas do templo, Jaquim e Boaz. — 2Cr 3:15-17. 
A respeito dos jactanciosos e iníquos, diz-se que “a altivez serviu-lhes de colar”. (Sal 
73:3, 6) Por outro lado, a disciplina do pai e a lei da mãe são como um fino colar para a 
garganta do filho. — Pr 1:8, 9. 
Enfeites (ornamentos) 
Adornos, nem sempre essenciais, mas destinados a melhorar a aparência de alguém ou de 
alguma coisa. Enfeites eram usados especialmente por mulheres, mas também por homens; 
eram usados para decorar prédios; às vezes eram colocados em animais. 
As referências bíblicas e a evidência descoberta pelos arqueólogos revelam não só um 
grande interesse pela ornamentação, desde tempos antiqüíssimos, mas também grande 
habilidade e perícia na produção de enfeites de alto calibre artístico. Os artesãos realizavam 
trabalhos altamente decorativos em tecelagens, bordados, esculturas de madeira e de 
marfim, e em artesanato com metais. Os restos de palácios na Assíria, em Babilônia, na 
Pérsia e na cidade de Mari suprem todos evidência de rica decoração, havendo grandes 
murais em paredes interiores e baixos-relevos excelentemente esculpidos, apresentando 
cenas de guerra, de caçadas e de assuntos palacianos, que adornam tanto paredes internas 
como externas. Os portais dos palácios eram não raro guardados por grandes figuras de 
poderosos animais. As representações do rei e de outros, nos relevos, revelam excelentes 
bordados na sua vestimenta. Até mesmo os arreios dos cavalos acham-se altamente 
decorados com borlas e gravuras. (Compare isso com os colares dos camelos dos 
midianitas; Jz 8:21, 26.) Pinturas em sepulcros fornecem a fonte primária da evidência 
procedente do Egito, embora alguns artefatos na forma de tronos, carros régios e de outros 
objetos ainda existam. 
Ornamentação na Profecia. Devido a Sua bênção sobre Jerusalém, Jeová assemelhou 
esta capital de Judá a uma mulher vestida de roupas custosas, ricamente enfeitada e 
adornada de jóias. A perda de espiritualidade da parte dela e sua prostituição espiritual com 
as nações resultaram em ela ser despojada de seus enfeites e deixada como que nua. (Ez 
16:2, 10-39) Tal despojamento não ocorreu apenas em sentido espiritual, mas também em 
sentido literal, à medida que seus conquistadores cobiçosos tomaram as riquezas da cidade, 
inclusive as manilhas, as fitas para a cabeça, os ornamentos em forma de lua, os pingentes , 
os braceletes, os véus, as coberturas para a cabeça, as correntinhas para os pés, as faixas 
para o busto, as “casas da alma” (referindo-se, talvez, aos receptáculos de perfume), as
197 
ornamentais conchas zunzunantes (amuletos), os anéis, e as argolas para o nariz que “as 
filhas de Sião” usavam. (Is 3:16-26) Seria um tempo de pesar, pois, no pesar, 
costumeiramente se removiam os enfeites. — Êx 33:4-6. 
No entanto, quando Jeová resgatasse Sião do cativeiro babilônico, ele figurativamente a 
construiria com alicerce de safira, com ameias de rubis e portões de pedras fulgurosas, isto 
por causa da paz e da justiça que Ele traria (Is 54:7, 8, 11-14), e ela seria revestida de atavios 
e enfeites como os duma noiva. (Is 49:14-18; compare isso com Is 61:10.) Este último 
quadro se assemelha um pouco à descrição da Nova Jerusalém, com seus portões de 
pérolas e seus alicerces semelhantes a pedras preciosas, como estando preparada qual 
“noiva adornada para seu marido”. (Re 21:2, 9-21) De novo, torna-se evidente que os 
enfeites e adornos se relacionam com qualidades e bênçãos espirituais que resultam da 
aprovação e do favor de Deus. 
Em contraste, Babilônia, a Grande, a mulher simbólica que comete fornicação com os reis 
da terra, adorna-se de roupas e enfeites régios, e vive em vergonhosa luxúria, mas será 
despojada de todos os seus suntuosos adereços, deixada nua e destruída. A beleza dela é 
enganosa, e ela ‘se glorifica’; assim, seus enfeites não representam a bênção e o favor 
divinos, mas, ao invés disso, as pretensões dela, e os benefícios que seu proceder meretrício 
lhe traz no sentido de poder e de riquezas. — Re 17:3-5, 16; 18:7-20. 
No Êxodo, os israelitas receberam dos egípcios muitos objetos de prata e de ouro, e, sem 
dúvida, destes é que provinham muitos dos broches, arrecadas, anéis e outros itens que 
contribuíram para a preparação do tabernáculo, assim como haviam contribuído 
erroneamente arrecadas de ouro para a fabricação de um bezerro idólatra. (Êx 
12:35, 36; 32:1-4; 35:20-24) O tabernáculo e seu equipamento refletiam muito trabalho de 
artesãos hábeis em madeira e em metais preciosos e gemas, bem como em tecelagem e em 
bordados. (Êx 35:25-35) O posterior templo de Salomão foi ainda mais gloriosamente 
ornamentado. Seus painéis de cedro, bem como suas portas, de madeira oleaginosa e de 
junípero, tinham esculpidas neles figuras tais como ornamentos em forma de bagas, 
grinaldas de flores, querubins e figuras de palmeiras, recobertos de ouro, ao passo que as 
duas colunas de cobre, na frente do prédio, tinham trabalhos de rede, de corrente, de 
romãs e de lírio adornando seus capitéis. (1Rs 6:18, 29, 35; 7:15-22) Salomão mostrou 
grande apreço pela beleza artística, e seu grande trono de marfim, recoberto de ouro, com 
figuras de leões ao lado de cada braço, e mais 12 nos seis degraus diante dele, era único no 
mundo antigo. — 1Rs 10:16-21. 
Uma argola ornamental usada no nariz. Era inserida, quer na narina esquerda, quer na 
direita, ou no septo nasal, e era especialmente usada pelas mulheres. (Gên 24:22, 30, 47; Is 
3:21) De acordo com algumas traduções, porém, homens ismaelitas também usavam 
argolas para as narinas. — Jz 8:24-26. 
A palavra hebraica para “argola para as narinas” (né·zem) também pode ser aplicada a uma 
arrecada, ou brinco, e, em alguns casos, talvez houvesse pouca diferença na forma de tais 
ornamentos. Às vezes, o contexto torna possível determinar se se refere a uma argola para 
as narinas ou a uma arrecada, ou brinco. — Compare Gên 24:47 com Gên 35:4; Ez 16:12; 
veja ANEL. 
Embora as argolas para as narinas em geral fossem de ouro, também se usavam outros 
materiais, tais como a prata. As argolas para as narinas podiam estar ornamentadas com 
pingentes de contas, de pedacinhos de coral, ou de jóias. O diâmetro dessas argolas pa ra o
198 
nariz podia variar entre 2,5 a tantos quantos 7,5 cm. Visto que a argola para o nariz caía 
sobre a boca, ela tinha de ser movida quando se comia. 
Em Provérbios 11:22, a mulher exteriormente linda, mas que rejeita a sensatez, é 
comparada a “uma argola de ouro, para as narinas, no focinho dum porco”. 
Pequena tira circular ou argola. Adornos anelados de vários tipos, usados tanto por homens 
como por mulheres, eram comuns entre os hebreus, egípcios, assírios, babilônios, gregos, 
romanos e outros povos da antiguidade. Argolas eram usadas no nariz e nas orelhas, e anéis 
nos dedos. (Veja ARGOLA PARA AS NARINAS; ARRECADA.) Os materiais usados 
incluíam ouro, prata, latão, bronze, vidro, ferro e marfim; alguns anéis eram cravejados de 
pedras. Especialmente os egípcios favoreciam anéis com a imagem do escaravelho, que 
para eles era símbolo de vida eterna. Entre as muitas jóias recuperadas do túmulo do faraó 
egípcio Tutancâmen havia um anel de três tiras com três escaravelhos, um de lápis -lazúli e 
dois de ouro. Alguns anéis dos romanos tinham entalhados neles desenhos mitológicos ou 
mesmo representações de seus antepassados ou amigos. 
Na ilustração de Jesus sobre o filho pródigo, ele apresentou o pai perdoador como 
ordenando que se pusesse um anel na mão do filho pródigo que voltava. (Lu 15:22) Este 
ato demonstrava o favor e a afeição do pai, bem como a dignidade, a honra e a alta posição 
concedidas ao filho restaurado. Tiago, meio-irmão de Jesus, aconselhou os cristãos a não 
mostrar favoritismo aos vestidos de modo esplêndido e que usavam anéis de ouro nos 
dedos (indicando riqueza e posição social). (Tg 2:1-9) Em sentido similar, o apóstolo 
Pedro, embora não condenasse o uso de tais adornos, indicou que o adorno espiritual era 
muito mais importante. — 1Pe 3:1-5. 
Anéis de Sinete. Palavras hebraicas usadas para designar um anel, ou um anel de sinete ou 
de chancela, derivam de raízes que significam “afundar” (Je 38:6) e ‘selar’. (1Rs 21:8) Estes 
termos podem ser relacionados com o principal uso de alguns dos antigos anéis, a saber, 
fazer uma impressão em argila ou em cera, por serem ‘afundados’ ou premidos nelas. Os 
anéis deste tipo eram de ouro, prata ou bronze; alguns eram engastados com uma pedra 
gravada com o nome ou o símbolo do dono. Esses anéis tinham engaste fixo, ou então 
eram do tipo giratório ou cilíndrico. Alguns eram usados pendurados, provavelmente no 
pescoço, num cordão ornamental. — Gên 38:18, 25. 
O anel de sinete dum governante ou dum alto oficial era símbolo de sua autoridade. (Gên 
41:41, 42) Documentos oficiais, ou coisas nas quais não se devia mexer, nem fazer 
alterações, eram selados com eles, de modo similar a que se apõem selos ou assinaturas 
oficiais nos tempos modernos. — Est 3:10-13; 8:2, 8-12; Da 6:16, 17. 
Uso Figurativo. Nos tempos antigos, o anel de sinete parece ter-se tornado símbolo 
proverbial dum objeto ou duma pessoa valiosos. A profecia de Jeremias indicava que o rei 
Conias (Joaquim), de Judá, não seria poupado à calamidade, mesmo que fosse um ‘anel de 
chancela na mão direita de Jeová’. Joaquim foi destronado depois dum reinado muito 
breve. (Je 22:24; 2Rs 24:8-15) Também, Jeová disse com respeito ao fiel Zorobabel: 
“Tomar-te-ei . . . e hei de constituir-te em anel de chancela, porque és tu a quem escolhi.” 
(Ag 2:23) Zorobabel, que servia a Jeová num cargo oficial em conexão com a reconstrução 
do templo em Jerusalém, era precioso para Jeová, igual a um anel de sinete na própria mão 
de Deus. Zorobabel obedecera destemidamente ao incentivo de Jeová dado por meio dos
199 
profetas Ageu e Zacarias, e empreendera a obra da construção do templo apesar da 
proscrição por um mal-informado rei da Pérsia. (Esd 4:24-5:2) Jeová continuaria a usar 
Zorobabel para cumprir Seu propósito declarado, e nenhum governante humano seria 
capaz de removê-lo daquele serviço honroso.
200 
Ezequiel 16:17 
E tomaste as tuas jóias de enfeite, que eu te dei do meu ouro e da minha prata, e 
fizeste imagens de homens, e te prostituíste com elas.
201
202
203
204
205
206 
Dança Classica indiana Kathak
207
208
209 
IMPORTANTE
As Escrituras se entrelaçam, todos os seus livros, todas as passagens, formando um tecido 
multicolorido. Ela é como uma bandeira desfraldada tremulando ao vento, toda ela. Um 
boradado, uma obra de tecelação, como um tapete persa. 
Significa que necessito procurar as palavras e onde se aplicam, porque as citações de um 
vocábulo associam-no com eventos, com cenas, com significados. Se eu olho para um 
pedaço de um tapete, as linhas que possuem determinada cor seguem para formar uma 
figura. E as figuras se ajuntando forma um quadro, uma belíssima estampa. 
Cores, sentimentos, emoções, jóias, flores, árvores, roupas, não foram colocadas 
aleatoriamente pelo Perfeito Escritor nas Escrituras. Ele é um mago! o Espírito realiza 
magia quando escreve as Escrituras. (perceba que não tenho preconceito contra o 
termo mágico, mago ou magia – porém só o uso relacionado ao Espírito de Deus -) 
Dezenas de pessoas são o instrumento usado por Deus, que escreve a sua Palavra com a 
humanidade, com o choro, com o riso, com a alegria, com a dor. Sentimentos profundos, 
sonhos. Amores. Mistura prosa, narrativa, descrição, crônicas, poesias, máximas, 
instruções, diálogos. A língua muda seus fonemas, a forma das letras (hebraico da 
antiguidade, paleo-hebraico, hebraico moderno), os sentimentos são entoados em forma de 
cânticos como em Samos. E a voz é a mesma, a essência é a mesma. É inacreditavelmente 
uma única grandiosa história, e os detalhes nos ajudam a compreender o todo. 
As jóias eram muitas vezes objetos sagrados para muitos povos! E tão sagrados que eram 
usados também como amuletos. E talismãs. Há uma pequena diferença entre o significado 
de amuleto e talismã. O amuleto era usado para proteção contra espíritos que intentavam 
fazer o mal. E o talismã para atrair espíritos que realizavam o bem. De onde vem o 
conceito de azar e sorte. Um para afastar coisas ruins e o outro para atrais coisas boas. 
Jóias eram assim usadas pela maioria das mulheres do mundo da antiguidade. Em israel 
210
perderam o vínculo mágico que possuíam nas demais culturas. Mas não perderam tal 
vínculo todas as jóias. A coroa ainda simbolizava autoridade concedida por meio da unção 
e era cheia de jóias. O sumo-sacerdote usava um peitoral denominado peitoral do juízo 
com doze pedras semipreciosas, e ele era absolutamente sagrado só usado em dias 
especiais. 
211 
As safiras ou “lápis lazúli” (Ct 5,14) são muito mencionadas nos textos 
palacianos da fertilidade no Antigo Oriente. No Egito esta pedra é 
especialmente reverenciada. Na descrição do corpo do Deus Re, no mito da 
criação do ser humano, se afirma: “seus ossos eram de prata, sua carne de ouro, 
e seu cabelo de genuíno lápis lazúli"382. Outro texto que apresenta o drama de 
Osíris em Abidos, onde o lápis lazúli aparece formando o enfeite da divindade: 
“Eu adornei o peito do Senhor de Abydos com lápis lazúli e turquesa, ouro
212 
fino, e todas as mais custosas pedras que existem para adornar o corpo de um 
deus”383. 
Em Ugarite também se encontram descrições semelhantes, como a de Ludingir-ra 
estudada por M. Civil e os textos sumério-acádicos estudados 
Cooper, cujas conclusões foram registradas e discutidas por M. Pope. Cooper 
observou que os metais e pedras preciosas faziam parte dos ornamentos da 
Deusa Ishtar: 
Minha mãe é brilhante nos céus, 
Uma corça nas montanhas, 
Uma estrela da manha aparecendo ao meio dia, 
Preciosa cornalina, um topázio de Marhasi (...) 
Um bracelete de estanho (...) 
Uma peça brilhante de outro e prata (...) 
Uma estatueta de alabastro colocada em um pedestal de lápis-lazúli, 
Um bastão vivo de marfim; cujos braços foram recheados de encanto384. 
A discussão provocada pela observação de Cooper foi se estas imagens 
A linguagem militar em Cantares 
Waṣf is an ancient style of Arabic poetry. In waṣf love poems, each part of a lover's body is 
described and praised in turn, often using exotic, extravagant, or even far-fetched 
metaphors. 
. As imagens encontradas nestes poemas são: 
a. Os carros de guerra, no singular rêkêb (1,9). 
b. Torre (migedol), em 4,3 e 7,5, ou torres (migedelôt) com em 5,13. 
c. Estandartes (nidegálôt) como em 6,4. 
d. Esquadrão (‘êlêf), defesa (hamáén), escudos (shileteiym) e guerreiros 
(gibôriym), todas em 4,4. 
Em Ne 5,5b há indicativos de abusos sexuais contra as moças pobres 
usando o termo hebraico koveshiym, que em Est 7,8 é usado como 
“violentar/forçar” sexualmente397. A violência sexual contra a mulher que busca 
seu amado pode estar presente na denúncia de Ct 5,7a: “Encontraram-me os 
guardas, bateram-me, feriram-me, tiraram o manto de sobre mim”. A venda 
das mulheres com finalidade sexual também parece ser denunciada na conjura: 
“não agiteis, não acordeis o amor até que deseje” (Ct 2,7;3,5;8,4) e 
396 Tradução própr ia. 
397 Rudi TÜNNERMANN – A reconstrução de Jerusalém, p.116 (nota de rodapé 107) . 
201 
especialmente no poema contra os irmãos, em 8,8-10. Esta advertência pode ser 
um convite à resistência contra a violência sexual ou a venda de jovens 
mulheres para saldar dívidas familiares. 
No entanto, especialmente com Esdras, parece que todas as mulheres que 
não faziam parte da “golah”, isto é, das famílias exiladas e repatriadas da 
Babilônia, eram consideradas “estrangeiras”441. Em Esd 10,11 a segregação se 
dirige a dois grupos: “os povos da terra” e “as mulheres estrangeiras”. T.
213 
Ezkenazi e E. Judd entendem que as mulheres banidas podiam também ter sido 
judaítas ou israelitas que não pertenciam às famílias da “golah” e que diferiam 
do grupo dos descendentes dos exilados por diversas razões, inclusive por 
práticas religiosas (cf. Jr 52,16)442. Neste caso as mulheres banidas, quando 
naturais de Judá, podiam ser classificadas dentro dos “povos da terra”. Deve -se 
considerar que, de toda a população de Jerusalém na metade do século 5o, 
apenas dez por cento eram da “golah”, o que pode dar uma noção da dimensão 
da repressão perpetrada contra as mulheres e suas famílias nesta época443. 
O trabalho forçado nas vinhas (Ct 1,7 e 8,11-12) também pode ser 
compreendido neste mesmo contexto. Segundo indica a pesquisa de R. 
Tünnermann, na época de Neemias “o império ainda podia recrutar pessoas 
para trabalhos na agricultura ou nas construções”, assim os detentores das 
terra, isto é as famílias da golah, possivelmente chamados de “filhos da minha 
mãe” em Ct 1,7, “ganhavam uma renda pela administração e repassavam ao rei 
o valor pelo arrendamento”. A moeda oficial para o pagamento deste 
“arrendamento” era uma moeda de ouro, chamada “dárico” sob Dario I sendo 
que as moedas locais eram de prata. Os valores dos arrendamentos passaram a 
serem calculados em moedas de prata444. Este contexto explica melhor do que 
nenhum outro o sentido da denúncia de Ct 8,11: “Havia uma vinha de Salomão, 
em Baal-Amon, deu a vinha para os cuidadores, cada um trazia pelo seu fruto 
mil pratas”. 
A denúncia de uma possível “venda” da irmã moça por parte do seus 
irmãos pode refletir à situação vivida pelas famílias empobrecidas no pósexílio 
persa. Para R. Tünnermann, algumas famílias se viram obrigadas a 
vender filhos e filhas como escravos. Em Ne 5,5b, segundo interpreta este 
autor, se “indica que muito provavelmente as moças eram abusadas 
sexualmente445. 
6:11-13 Verses 11-12 are probably the Shulammite's words. She had gone down to 
Solomon's garden (v. 2), more to see if his love for her was still in bloom, 
than to examine the natural foliage (v. 11). Immediately, because of his 
affirmation of his love (vv. 4-10), she felt elevated in her spirit, as though 
she were chief over all the 1,400 chariots in Solomon's great army (1 
Kings 10:26). Evidently, in her fantasy, she rode out of the garden in a 
chariot accompanied by Solomon. As she did, the people they passed 
called out to her to come back, so they might look on her beauty longer (v. 
13a). However, Solomon answered them, "Why should you gaze at the 
Shulammite as you do at the dance at Mahanaim?" Perhaps he was 
referring to a celebration held at that Transjordanian town that drew an 
especially large crowd of onlookers. However, we have no record that 
such an event took place there. 
C. THE WIFE'S INITIATIVE 7:11-13 
Secure in her love, the Shulammite now felt free to initiate sex directly, rather than 
indirectly as earlier (cf. 1:2a, 2:6). The references to spring suggest the freshness and 
vigor of love. Mandrakes were fruits that resembled small apples, and the roots possessed 
narcotic properties.131 They were traditionally aphrodisiacs (cf. Gen. 30:14-16). 
"The unusual shape of the large forked roots of the mandrake resembles 
the human body with extended arms and legs. This similarity gave rise to 
the popular superstition that the mandrake could induce conception and it 
was therefore used as a fertility drug."
214 
She asked to be his most valued possession; she wanted him to be jealous 
over her in the proper sense (cf. Prov. 6:34). 
"The word 'seal' (hotam) refers to an engraved stone used 
for authenticating a document or other possession. This 
could be suspended by a cord around the neck (over the 
heart) as in Genesis 38:18. The word hotam can also refer 
to a 'seal ring' worn on the hand (in Song of Songs 5:14 
'hand' is used to mean 'arm'). The hotam was something 
highly precious to the owner and could be used 
symbolically for a person whom one valued [cf. Jer. 22:24; 
Hag. 2:23]. . . . The bride was asking Solomon that he 
treasure her, that he regard her as a prized seal."134 
A. THE PAST 8:8-12 
8:8-9 These words by the Shulammite's older brothers (cf. 1:6) reveal their 
desire to prepare her for a proper marriage. Comparing her to a wall may 
mean that she might use self-restraint and exclude all unwarranted 
advances against her purity. If she behaved this way, her brothers would 
honor her by providing her with various adornments. However, if she 
proved susceptible to these advances, as an open door, they would have to 
guard her purity for her by keeping undesirable individuals from her. 
Palavras Chaves 
Amado (31 usos em 26 versos - Canticos 1:13; 1:14; 1:16; 2:3; 2:8; 2:9; 2:10; 2:16; 2:17; 
4:16; 5:2; 5:4; 5:5; 5:6; 5:8; 5:9; 5:10; 5:16; 6:1; 6:2; 6:3; 7:9; 7:11; 7:13; 8:5; 8:14) 
Formosa (15 uses in 13 verses - Song 1:8; 1:15; 2:10; 2:13; 4:1; 4:7; 4:10; 5:9; 6:1; 6:4; 
6:10; 7:1; 7:6) 
Vem! (14 times in 9 verses - Song 2:10; 2:13; 4:2; 4:8; 4:16; 5:1; 6:6; 6:13; 7:11) 
Amada (9 uses in 9 verses - Song 1:9; 1:15; 2:2; 2:10; 2:13; 4:1; 4:7; 5:2; 6:4) 
Medo (in KJV) (11 times in 9 verses - Song 1:15; 1:16; 2:10; 2:13; 4:1; 4:7; 4:10; 6:10; 
7:6) 
Buscar (4 uses - Song 3:1; 3:2; 5:6; 5:8) 
Fruto (4 uses in 4 verses - Song 2:3; 7:8; 8:11; 8:12), 
Rei (5 times in 5 verses - Song 1:4; 1:12; 3:9; 3:11; 7:5) 
Amor (28 times in 25 verses {in every chapter!} - Song 1:2; 1:3; 1:4; 1:5; 1:7; 1:10; 2:4; 
2:5; 2:7; 2:14; 3:1; 3:2; 3:3; 3:4; 3:5; 4:3; 4:10; 5:1; 5:8; 6:4; 7:6; 7:12; 8:4; 8:6; 8:7) 
Salomão (5 times in 5 verses - Song 1:5; 3:9; 3:11; 8:11; 8:12)
215 
Vinha (9 times in 6 verses - Song 1:6; 1:14; 2:15; 7:12; 8:11; 8:12)
216 
ESBOÇO DO LIVRO 
I. Cenas de abertura 1.1-2.7 
Lembrando o amor do rei de bom nome 1.1-4 
A morena e agradável guarda de vinhas 1.5,6 
Procurando amor nas pisadas do rebanho 1.7,8 
Removendo as marcas da escravidão 1.9-11 
A linguagem do amor 1.12-17 
O espírito e a árvore 2.1-6 
A primeira súplica 2.7 
II. A busca por abertura 2.8-3.5 
Começando a busca 2.8-15 
A alegria do amor no frescor do dia 2.16,17 
A procura determinada pelo objetivo principal 3.1-4 
A segunda súplica 3.5 
III. A busca por mutualidade 3.6-5.8 
A carruagem matrimonial real do amor da aliança 3.6-11 
Conhecendo Sulamita 4.1-7 
Uma visão sobre a terra de cima do monte Hermom 4.8 
Uma vida de união íntima num banquete no jardim 4.9-5.1 
A queda da Sulamita 5.2-7 
A terceira súplica 5.8 
IV. A busca por unidade 5.9 –8.4 
Conhecendo Salomão 5.9-6.3 
A glória triunfante da Sulamita 6.4-10 
O nobre povo da Sulamita 6.11-12 
A dança memorial de Maanaim 6.13-7.9 
O início do novo amor de iguais 7.9 –8.3 
A quarta súplica 8.4 
V. Últimas cenas com resumo de realizações 8.5-14 
Alcançando o objetivo principal 8.5 
Alcançando o amor autêntico 8.6,7 
Alcançando a maternidade e a paz 8.8-10 
Obtendo uma vinha igual a de Salomão 8.11-12 
Obtendo a herança 8.13-14 
Cântico dos cânticos 
(tradução João F. Almeida Corr.e Revis., Fiel)
1. O banquete 
2. {The Shulamite} 
3. שׁיר השׁירים אשׁר לשׁלמה׃ 1:1 
4. Shir hashirim asher liShlomo: 
Salomão, Shelomo, paz, aquele que cuja natureza é pacífica. Ele simboliza a pessoa do 
Espírito, assim como Davi simboliza a pessoa de Cristo. O Espírito é chamado de Espírito 
de sabedoria. Salomão lembra e guarda a sua maior criação, sua mais bela canção. A 
melodia original de Cantares se perdeu, embora muitos estudiosos tenham visto nos sinais 
musicais ao lado do texto E o Espírito Santo narra seu mais profundo cântico. Derrama 
seus mais profundos pensamentos e sentimentos nesse cântico em que empresta toda a 
beleza de seus sonhos, toda a poesia de seu coração, para narrar a mais importante, a mais 
memorável, a mais transcendente história de amor de sua existência eterna. 
217
218 
ישׁקני מנשׁיקות פיהו כי־טובים דדיך מיין׃ 1:2 
Yishakeni minshikot pihu ki-tovim dodeikha miyayin: 
A menina recebeu de sopetão um beijo de um jovem rei apaixonado. Estava embriagada 
ainda pelo excesso de vinho da festa de Benjamim e até da vinha que deveria estar 
guardando... das raposinhas. 
A Sunamita é aquela moça de caráter esplendido que tipifica a amada de Cristo, a igreja que 
considera a intimidade com Cristo uma das coisas mais preciosas que já provou. É o inicio 
de uma vida maravilhosa, quando Cristo desfila seus sinais e prodígios diante de uma 
humanidade deslumbrada com sua tremenda glória. A boca desde a antiguidade é um 
símbolo para falar de voz. Da palavra. Sua palavra é apaixonante. Maravilhante. 
Transformadora. Num determinado contexto, esse amor que a Sunamita sente é melhor 
que o mundo que festeja as festividades da primavera, as celebrações do vinho, da alaegria e 
da colheita. Essa é a cena de Jesus na mesma festa mil anos depois quando no dia de maior 
alegria e embriaguez, no dia das mais intensas danças e dos mais apaixonados cânticos, 
grita em João 7: 
“quem tem sede, venha a mim e beba!” 
A Sunamita fica deslumbrada. O primeiro beijo foi arrebatador. 
A festa parou no dia em que Jesus gritou. Até os bêbados ficaram sóbrios. O impacto é tão 
violento que mudou a dinâmica da festa. No mesmo instante em que Jesus gritou, alguns 
soldados romanos haviam sido enviados para prende-lo, E retornam de mãos vazias. 
Quando interrogados sobre o fracasso de sua missão tudo o que conseguem expressar é: 
“Nunca homem nenhum falou como aquele homem!” 
Havia mais poder embriagante na palavra ungida de Cristo do que todo o vinho da festa 
que acontecia. 
Para muitos este é o instante em que seus olhos são abertos para entenderem quem é Jesus. 
Quando os olhos se abrem para entender sua Soberania, seu reino, sua eternidade, seu 
Poder e sua realidade. Quando os olhos se abrem para compreender que ele é o Dono de 
todas as coisas e que a visão de Apocalipse, quando João o enxerga com olhos de chama de 
fogo e CABELOS BRANCOS COMO A NEVE é só o eco de “Este é meu filho Amado, 
a Ele eu ouvi” quando Jesus é transfigurado sobre o BAAL-HERMOM, sobre o har 
Hermom, a montanha sagrada eternamente coberta pela neve cujo apelido é “cabelos 
brancos”. Há um momento em que uma paixão se inicia. Esse momento é distinto para 
muitos casais, mas a partir dele ambos passam a estar unidos em seus pensamentos. 
Carregam dentro de si a pessoa amada, a pessoa querida, ela é pensada e repensada, 
imaginada, lembrada, torna-se o refrão de uma musica impossível de ser esquecida. Passa a 
ser desejada como um sonho, e o afastamento já não é uma opção prazeirosa. O encontro 
e do despertar a fé na pessoa de Cristo produz em nós emoções profundas. Sua s palavras 
reverberam vida, suas obras e atitudes nos trazem intima alegria. E surge a necessidade que 
antes não existia de termos comunhão com ele. Amar a Cristo não é amar uma história, 
uma carta ou abraçar uma fé. Ressurreto dos mortos e assentado a direita do Pai, numa 
dimensão invisível está o Amado. E por ser vivo e ter poder para tal pode comunicar-se, 
revelar-se, manifestar-se, tornar-se presente e interagir conosco espiritualmente. Ele pode
encher-nos de sua paz, pode compartilhar a sua alegria. Pode conceder-nos sentir o amor 
com que nos ama. Esse mistério é denominado “comunhão”. 
219 
לריח שׁמניך טובים שׁמן תורק שׁמך על־כן עלמות אהבוך׃ 1:3 
Lereiakh shemaneikha tovim shemen turak shemekha al-ken alamot ahevukha: 
Unguento era o uma mistura de ervas que eram utilizadas para cura de feridas. Há um jogo 
com as palavras unguento e nome, possuem uma sonoridade próxima sem, shem, e a raiz 
de onde vem Semente. O nome de Jesus é como um bálsamo que foi dado para curar 
feridas que o mundo e o inferno causaram. Ele é revestido de um poder sobrenatural 
capaz de curar as feridas da alma, do coração e mesmo físicas. A Igreja dos primeiros dias 
invocava o poder do Nome, a Autoridade que havia no nome, de modo que Pedro para 
diante de um paralítico diante do templo, que lhe pede esmola e lhe declara: dinheiro eu 
não possuo. Mas tenho algo muito mais PRECIOSO. Porque o unguento da antiguidade 
era uma coisa muito cara, rara, preparada em lugares especiais, segundo técnicas que eram 
passadas somente às famílias médicas que os preparavam. Pedro cheio de “unguento” ou 
completamente cheio de fé na Autoridade da SEMENTE declara: Em NOME de JESUS, 
levanta e anda! E a Autoridade escondida no nome, assim como o poder de vida escondido 
na semente, faz germinar uma fé sobrenatural no coração do paralítico e este é curado 
imediatamente. 
משׁכני אחריך נרוצה הביאני המלך חדריו נגילה ונשׂמחה בך נזכירה דדיך מיין מישׁרים אהבוך׃ 1:4 
Mashkheni akhareikha narutza heviani hamelekhkha darav nagila venismekha bakh 
nazkirah dodeikha miyayin meisharim ahevukha: 
שׁחורה אני ונאוה בנות ירושׁלם כאהלי קדר כיריעות שׁלמה׃ 1:5
Shekhorah ani venavah benot Yerushalayim keaholei kedar kiriot Shelomo: 
I [am] black, but lovely, ye Daughters of Yerushalayim, as the tents of Kedar, as 
220 
the curtains of Shlomo. 
אל־תראוני שׁאני שׁחרחרת שׁשׁזפתני השׁמשׁ בני אמי נחרו־בי שׂמני נטרה את־הכרמים כרמי 1:6 
שׁלי לא נטרתי׃ 
Al- tiruni sheani shekharkhoret sheshezafatni hashamesh benei imi nikharu – vi 
samuni noterah et-hakeramim karmi sheli lo natarti: 
{to her beloved - Shephard} 
São ínumeras dimensões da Sunamita. Uma é a identidade da própria moça. Outro é a 
representação da comunidade judaica, em relação ao seu passado, a lembrança da 
escravidão no Egito. E a que desenvolvo nesse verso é a a da universal assembléia, da 
Igreja sem restrição de raça, tribo ou nação. Que vou denominar por simplificação de 
Nossos agradecimentos a Deepika Padukone... 
...sem a qual... 
...o estudo bíblico deste verso 
...não seria 
...o mesmo...
221
Na Índia a tonalidade branca da pele feminina ainda é valorizada em muitas regiões. Na 
antiguidade as mulheres de tez branca gozavam de prestígio também. A maioria das moças 
de famílias menos abastadas eram invariavelmente morenas. Quanto mais escura a pele 
mais ela aproximava-se de pertencer a uma descendência que traria à memória: povos 
conquistados, diversas tribos nômades do deserto. Certamente traria à memória duras 
condições do deserto. Lembraria ao sol escaldante, ao calor, lembraria duras condições de 
vida das moças morenas, castigadas pelo sol, numa sociedade em que tinham que realizar 
muitas atividades sob o sol, tais como cuidar de crianças, carregar água, lavar roupa. Isso as 
envelhecia antes do tempo. O pano de fundo do cântico dos cânticos é a sociedade pastoril 
israelita, e os povos que habitam na terra que hoje denominamos oriente médio. 
A moça de Cantares de Salomão possui um trunfo que a torna superior a todas as questões 
culturais que envolvem sua situação. 
222 
Ela é linda.
Ela reconhece sem parcimônia que é formosa ao extremo. Tão bela de corpo que as moças 
da cidade olham com inveja para ela. Ardem de inveja. E sem falsa modéstia diz que é 
maravilhosa. Que não seria a cor de sua pele que diminuiria a beleza que reconhecia que 
tinha e que lhe tornava tão esplendida como as mais belas tendas das tribos de Cedar. Ela 
que é morena de nascimento trata com desdém a quem a desdenha. Seus irmãos invejosos 
a colocaram para tomar conta de uma vinha, serviço de homens, perigoso, e ela zomba das 
que a tratam mal dando uma desculpa esfarrapada a respeito de sua cor. A ultima frase ecoa 
um sentimento de perda. Forçada a trabalhar nas vinhas alheias, de quem não teve 
responsabilidade, acabou por perder o cuidado com a que lhe pertencia. A moça de beleza 
sem par é parte de um poema de amor composto a quatro mãos. É um dueto da alma 
humana e do coração divino. O Espírito Santo inspira o amor apaixonado e nele celebra 
igualmente seu amor por nós. Pelo ser humano. Pelo mundo. E pela amada por quem se 
apaixonou a quem chama de Igreja. Sua Igreja. A Igreja é a soma dos que amam ao Espírito 
de Deus, daqueles que o recebem e permitem serem transformados por ele. Que amam o 
que ele falou, sua carta escrita ao coração dos homens, as Escrituras. 
A mulher que foi desprezada pelas filhas de Jerusalém sabe o quanto é formosa. As filhas 
de Jerusalém são as filhas dos nobres, dos príncipes e da realeza; são filhas de mercadores e 
de sacerdotes. 
223
Pertenciam ao lugar mais caro para se morar na terra santa. E era caríssimo morar ali, desde 
a antiguidade. Ali habitavam os músicos e a corte de Salomão. 
As filhas de Jerusalém retratadas no poema são soberbas, altivas, criam estar acima de todas 
as outras mulheres. 
Elas nos lembram, neste instante ao menos, aos ricos do mundo, aos políticos que ao 
assumirem seus cargos usam ao poder como um escudo, aos religiosos que proclamam 
uma vida que não possuem, aos intelectuais e seu desprezo por Deus e pela extrema beleza 
espiritual da igreja que ama a Cristo. Estes últimos riem da busca da pureza, da necessidade 
da santidade, do chamado ao arrependimento pelos pecados. Eles desprezam a necessidade 
de Deus, e olham para os que anseiam pela eternidade e pelo Reino dos Céus com 
tremendo desdém. 
A Igreja gentílica, nascida da antiquíssima promessa dada a Abraão " Em ti serão benditas 
todas as famílias da terra" foi desprezada pelos irmãos mais velhos. Os judeus perderam a 
universalidade do evangelho a eles confiado e advogaram somente para si uma promessa 
que pertencia a todos. Trataram a irmã mais nova como um serviçal. Entenderam a si como 
herdeiros e não entenderam que ela era dona de direitos que não podiam ter negado. A 
igreja gentílica vem de homens e mulheres de toda a terra que viram seu mundo espiritual 
ruir. As nações não guardaram as antigas visões ou revelações dadas por Deus. Elas 
transformaram as palavras de seus profetas em imagens de animais e diante delas se 
encurvaram. As nações adoraram a deuses que não eram deuses. A vinha que lhe pertencia 
ela não guardou. 
224
Mas algo mudou nessa moça atrevida. Ela tem um olhar diferente, uma postura diferente. 
A Igreja de Cristo sabe que sua herança espiritual a torna tão formosa aos olhos de Deus 
como os pavilhões de Salomão! Mas Salomão não habitava uma tenda. Pavilhão é o espaço 
coberto interior ou exterior de uma tenda. Ou um amplo salão de uma construção. 
225
226
A moça se compara à casa com gigantescos salões, a fabulosa casa do bosque, a casa que 
Salomão construiu para si feita de madeira de cedro do Líbano. 
E ao mesmo tempo aos pavilhões do templo de Salomão. Ela é tão formosa quanto o mais 
sagrado templo construído na terra. 
227
Cedar (Quedar) era uma antiga região da Arábia, significa "cedro", uma região onde 
deveriam haver bosques frondosos de árvores de cedros. Os Cedros permanecem verdes 
durante todas as estações. Numa padraria coberta de neve eles se destacariam como as 
únicas árvores verdes. Ela irrita as filhas de Jerusalém com a suprema ousadia, 
comparando-se ao mesmo tempo com as tendas dos árabes que descendem de Ismael e 
com aquilo que elas consideram mais sagrado na capital de Israel, ao templo. 
Ismael era filho que Abraão teve de uma escrava, Hagar. Hagar foi expulsa de casa por sua 
senhora, Sara, esposa de Abraão. Vagando no deserto da Arábia ela se aproxima do bosque 
de cedros sem provisões, sem destino e sem condições de alimentar a criança que agora 
desfalece sobre uma rocha próximo a Cedar. Hagar se afasta para não ver o jovem morrer. 
Então um anjo aparece a jovem escrava e lhe provê as condições de sobrevivência para ela 
e seu filho. E ainda lhe concede uma promessa. Da promessa concedida a Hagar hoje 
temos o mundo árabe (em árabe: او عرب ي او عاو س , transl. al-'Alam al-'Arabi), relativo ao 
conjunto de países que falam o árabe e se distribuem, geograficamente, do oceano 
Atlântico, a oeste, até o mar Arábico, a leste, e do mar Mediterrâneo, a norte do Corno de 
África, até o nordeste do oceano Índico. É constituído por 22 países e territórios com uma 
população combinada de 360 milhões de pessoas abrangendo o Norte de África e a Ásia 
Ocidental. 
228
Eu sou tão bela quanto as tendas de Hagar! Aquela escrava que os vossos pais 
desprezaram... Eu sou tão linda como as tribos de Ismael! 
Eu sou árabe (calma judeu messiânico!) e formosa como o templo de Salomão! 
Quando Cristo anunciava o evangelho os escribas saduceus e os fariseus cheios de orgulho 
e desprezando até onde puderam o que ele lhes ensinava perguntavam-lhe: 
- Quem te deu tal autoridade? Porque imaginavam-se como sendo os únicos que tinham o 
direito de falar e ensinar sobre as coisas contidas nas Escrituras. Imaginavam como 
legítimos intérpretes da Lei e viam a si mesmos como representantes oficiais de Moisés. 
Logo após a ressurreição de Cristo a Igreja anuncia o evangelho e relê as profecia s do 
Velho Testamento e grita que tem direito as promessas dadas aso judeus, manifestando a 
presença divina de tal modo que nela há profetas, visões, revelações, visitações angelicais e 
toda sorte de milagres como os judeus só conheciam ao ler as antigas páginas do cânon 
hebraico. 
Quem deu a Cristo a sua Autoridade é o mesmo que inspirou as formas do templo de 
Salomão. Uma noite a três mil anos atrás Davi, pai de Salomão o chamou e abriu diante de 
seus olhos a planta de uma magnifico edifício. Um edifício que fora sendo-lhe inspirado 
gradativamente e que planejara construir. A planta do prédio fora concedida a ele como 
uma revelação é dada a um profeta. Os planos não vieram de sua mente. Davi acumulou 
materiais para o projeto por cerca de 14 anos. Antes de morrer ele passou os desenhos para 
seu filho Salomão que levou sete anos para edificá-lo. 
A igreja possui a beleza do ministério do Espírito Santo, de múltiplas formas, concedendo-lhe 
uma imagem tão bela quanto os pavilhões do templo mais belo que já existiu. Ela é 
estrangeira mas é adornada com graça e unção, ela ora com convicção e fé ela adora com 
emoção e sinceridade. 
229
230
231 
(nossos agradecimentos aos pais d Padukone) 
הגידה לי שׁאהבה נפשׁי איכה תרעה איכה תרביץ בצהרים שׁלמה אהיה כעטיה על עדרי חבריך׃ 1:7 
Hagidah li sheahava nafshiei khatir eeikha tarbitz batzahorayim shalama ehye 
keotyah al edrei khavereikha: 
Tell me, O thou whom my soul loves, where thou feed, where you make your flock 
to rest at noon: for why should I be as one that turns aside by the flocks of thy 
companions? 
אם־לא תדעי לך היפה בנשׁים צאי־לך בעקבי הצאן ורעי את־גדיתיך על משׁכנות הרעים׃ 1:8 
Im-lo tedi lakh hayafah banashim tzei-lakh beikvei hatzon urei et-gediyotayikh al 
mishkenot haroim: If thou know not, O thou fairest among women, go thy way 
forth by the footsteps of the flock, and feed thy kids beside the shepherds' tents. 
A moça foi procurar a Salomão que estava disfarçado de pastor. E não perde seu tempo. 
De alguma maneira ela encontrou algum grupo de cabritos e para se aproximar sem
levantar suspeitas do grupo de pastores vai arrastando com certa dificuldade o grupo de 
animais, fingindo ser pastora. Uma engraçadíssima cena. Para não levantar suspeitas de sua 
verdadeira intenção. Então ela o avista. E mais uma vez perde a respiração e 
OUSADAMENTE ela é que lhe dá uma cantada! Onde você está indo, me leva! Eu não 
quero mais ninguém (porque seria eu ‘como a que anda errante” junto ao rebanho de teus 
companheiros). Não quero andar “errante”. Porque com você...eu me encontrei! Não 
tenho que correr atrás de mais ninguém. Onde você vai estar “descansando” para que ali 
eu possa “descansar” também? 
Uma belíssima parábola do amor da Igreja por Cristo. Lembra a ousadia da moça que vai 
empurrando a multidão para tocar as vestes de Jesus, da outra que para toda a multidão que 
segue a Jesus com seus gritos e que é convocada as pressas pelos discípulos e mesmo 
destratada por Jesus não permite que ele continue seu caminho sem atende-la, fazendo os 
olhos de Jesus brilharem de alegria com sua fé desmedida e ousada: 
232 
- Mulher! Grande é a tua fé! Nem emsmo em Israel encontre uma fé como a tua! 
A menina é ousada. Ousada como Jesus espera que a Igreja seja para com as coisas 
celestiais. Paulo, apóstolo, rabino, mestre, reivindica: “tendo pois ousadia entremos diante 
do trono de Deus! 
Ela anseia conhece-lo! Saber o que vai fazer enquanto há luz. Ela não quer perder-se! O 
coração da igreja fiel não anseia um evangelho qualquer. Uma revelação qualquer. Uma 
direção que a distancie do amor de Cristo. Não quer andar errante. Como tantos estão. 
Milhares de igrejas caminham sem nenhuma orientação divina, desviando-se, errantes, 
porque não seguem aos conselhos do Senhor: 
Aquele que tem ouvidos ouça o que o espírito hoje diz ás igrejas. 
“porque seria eu como a que CAMINHA errante” 
Andar é um símbolo nas Escrituras, Salmos exorta: “Bem-aventurado aquele que não 
ANDA no caminho dos pecadores e nem se ASSENTA na roda dos escarnecedores”. 
A menina não quer andar perdida. Ela não anseia PERDER-SE. Ela não quer errar o 
caminho. 
Vivemos hoje num mundo de controvérsias, de milhares de doutrinas julgadas bíblicas, 
movimentos espirituais falsificados. 
Ontem ouvia a rádio (01/julho/2014) e alguém falava a respeito de uma “substancia” 
exatamente usando o termo “substancia” a ser misturada ao “sangue do cordeiro” para 
libertação de vícios. A rádio FM, ao menos no RJ, protagoniza um assassinato da 
interpretação bíblica, que chega a ser dolorosa. Dezenas de pregadores que desconhecem a 
beleza e a profundidade das Escrituras, palestrando sobre coisa alguma. O nada é nada não 
importa se veio da boca de um Querubim ou da minha. Porcaria é sempre porcaria. Lixo 
espiritual é sempre lixo. Imagina-se que se um sujeito diz que recebeu uma visão dada por 
um anjo em meio a pelo menos uma miríade de anjos, essa tal palavra, escrita em papel 
celestial, seja algo maravilhoso. Se não é, não importa o pacote. O falso profeta parece 
um bruxo. Ele ameaça até arrancar o seu nome do livro da vida se você não crer no 
que ele fala. E se a porcaria que ele fala é lixo, sem sentindo, destituída de qualquer coisa 
nova, uma REPETIÇÃO de algo que uma criança de 6 anos aprende numa noite qualquer 
numa escola bíblica dominical, ele diz que você não compreendeu o mistério. O que é 
intrigante. A tal revelação parece morta, tá em putrefação, tá fedendo, tá de desfazendo e 
ele diz a coisa que ele está trazendo da parte de Deus, está viva! E se você diz que não, ele 
te condena ao inferno.
A Sunamita não deseja andar errante. Ela quer ouvir a voz de seu amado e ir descansar em 
seus braços. Não quer uma interpretação espúria, pobre, inexata, um evangelho que a 
confunda. Que a deprima. 
Um dos anseios do coração da Igreja é ACERTAR. É saber o que está fazendo, é orientar-se 
corretamente! A voz do Espírito é essencial para que ela não se perca. Para que ela não 
vá parar num lugar que pregue um “outro” evangelho. Para não se tornar como a Igreja de 
Laodicéia. Pobre, miserável, cega e nua. No final deste estudo tem uma visão mais 
abrangente sobre as duas faces de Laodicéia. 
Neste momento vemos que a moça está acompanhada de um grupinho de cabritos. Gente! 
Onde ela arranjou esses cabritos? Salomão sabe quem ela é. É tudo uma armação. Ele 
montou a cena, ele está atuando e não perde a chance e as portas abertas e manifestas do 
amor da bela moça. Nem pisca, a resposta é imediata. “mais formosa entre as mulheres” é 
mais que um elogio. É assim que ele a enxerga. É assim que ela o impacta, é assim que ele 
enxerga do balançar dos seus cabelos ao modo como ela caminha. Salomão possui dois 
cuidados, o primeiro é se afastar dos outros pastores num lugar em que possa ficar a sós 
com a moça. O segundo é que ele não quer que ela SE PERCA. Ele não cita um lugar 
desconhecido, distante demais, impossível de se acessar. Mas um caminho conhecido, com 
pistas à vista, de facílimo acesso. Um que mesmo uma “leiga” em atividades pastoris 
pudesse reconhecer e percorrer. 
Ele a chama de Formosa, que é a mesma designação dada a Raquel e a Ester, e ao próprio 
Messias que virá: 
233 
Salmos 
45.2 Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; nos teus lábios se extravasou a graça; 
por isso, Deus te abençoou para sempre. 
Salomão no futuro publicaria em Eclesiastes: “Tudo Deus fez formoso em seu tempo” 
Isaías relatará centenas de anos depois: 
52.7 Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz 
ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus 
reina! 
A beleza da moça o constrange. O conceito de formosura da antiguidade se estabelece por 
harmonia, graça, leveza, beleza, luminosidade e é parente do conceito de perfeição. Elas se 
misturam e completam. Inclusive uma PROFECIA ume os dois conceitos numa única 
visão: 
Ezq: 27.3 
3 e dize a Tiro, que habita na entrada do mar, e negocia com os povos em muitas ilhas: 
Assim diz o Senhor Deus: Ó Tiro, tu dizes: Eu sou perfeita em formosura. 
E 
Ezq 16.14 
14 Correu a tua fama entre as nações, por causa da tua beleza, pois era perfeita, graças 
ao esplendor que eu tinha posto sobre ti, diz o Senhor Deus.
A Sunamita celestial, a Igreja universal de Cristo é de uma beleza única aos olhos do 
Espirito de Deus. Porque se vê refletido em seus atos de justiça, mansidão, paciência, amor 
não fingido, ternura, fé. A igreja é dentre a humanidade a parcela de homens e mulheres 
que se apaixonaram pelo Pastor Supremo, que ouviram sua voz e deixando para trás o 
mundo e tudo que nele há, o seguiram. Ela não compreende nenhum assunto desta 
existência como tão maravilhoso como o amor de Cristo. E por ter dele se aproximado foi 
transformada, recebeu um esplendor de justiça, foi feita morada de Deus, habitação do 
Espírito e em virtude disso, suas palavras e atitudes são diferentes. Ela não pragueja e nem 
amaldiçoa! Ela não deseja e nem planeja o mal. Ela anseia por não portar-se 
inconvenientemente. Essa idoneidade do coração dos separados é vista por Deus como 
algo de extrema beleza. 
Tito chama a lealdade, para com todos, da Igreja de Cristo de “ornamentos da doutrina” 
10 nem defraudando, antes mostrando perfeita lealdade, para que em tudo sejam 
ornamento da doutrina de Deus nosso Salvador. 
Quando a Igreja vive a doutrina de Cristo é uma figura belíssima. Porque sua doutrina 
torna a humanidade belíssima aos olhos de Deus. Vivemos num mundo de políticos 
corruptos, de pastores que pastoreiam para si mesmos, numa realidade em que nos leva as 
portas do templo em Jerusalém quando um grupo de malfeitores se assenhorou do 
Sinédrio, quando o sacerdócio corrompido enche o templo de Jerusalém de vendilhões 
com intenso comércio dos animais que seriam necessários para as festas da páscoa, 
cobrando preços exorbitantes pelos animais que seriam sacrificados, inflacionados pela 
festa e pela ganancia. Os judeus eram quase que dirigidos ao monopólio de animais que 
pertencia a família de Caifás para terem o que oferecer nos dias antecedentes ao Yom 
Kipur, o dia da expiação nacional, que era encerrado solenemente pelo segundo sacrifício 
do cordeiro vespertino, exatamente as três horas da tarde. 
A beleza dos ministérios das igrejas é justamente medida pela idoneidade desse ministério. 
Como é feio um escândalo financeiro, moral. Como é feio um evangelho distorcido, uma 
manifestação espiritual falsificada. Como é feio quando profetas entregam profecias que 
não existem, contam visões que jamais tiveram e impõem à congregação obrigações 
espirituais as quais o Espírito Santo jamais ordenou. 
Políticos destroem seus nomes e sua carreira em busca de ganhos financeiros. A corrupção 
enfeia as cidades, a desonestidade desvia o dinheiro necessário para as reformas que trariam 
educação, cultura, emprego, prosperidade. A amargura humana, a maldade, a 
desonestidade, destroem a beleza que Deus anseia ver nos homens. O afastamento dos 
ideais divinos, da compaixão; do amor não fingido; da amizade verdadeira e de todos os 
caminhos agradáveis ao coração de Deus tornam ao ser humano, absurdamente feio. 
A Sunamita é abusivamente formosa e agradável a vista. É extremamente agradável 
contempla-la. Fitá-la. Olhar para seus passos, vê-la dançar, correr, rir, brincar. 
É assim que da eternidade Deus contemplou um grupo de pessoas que ouviria sua voz, 
infelizmente não todos. Não que ele não os amasse. Não que não fosse da vontade divina 
que todos fossem formosos como seu Jesus é a seus olhos. 
O contraste com a beleza é a imperfeição, o distorcido. O que não é agradável, o que não 
desejamos ver. O abominável. 
234
20 Abominação para o Senhor são os perversos de coração; mas os que são perfeitos em 
seu caminho são o seu deleite. 
E para que todos fossem formosos, Deus concedeu-nos o Desejado das nações, o Messias, 
o Cristo, o seu único Filho. Concedendo-lhes um caminho fácil de ser encontrado 
235 
Como diz a versão de Welington (o sujeito que escreve este texto) de João 3:16 
Jo 3:16 
Porque Deus amou-nos de tal modo que enlouqueceu. Abraçando uma causa louca 
com coragem inadmissível, lançando-se numa empreitada suicida, sob a égide de 
riscos incalculáveis, apoiando-se de modo inusitado na fragilidade da esperança 
humana dando ao homem o que tinha de mais absoluto dentro de si sua Vida, seu 
sonho, sua essência, seu Filho Amado, tão precioso a si quanto o único de sua 
espécie, Para que todo aquele que vier a nascer na terra e crer nesse ato impossível 
da mais absurda viagem transcendental cheia de humilhação, tormento, loucura e 
confiança, já realizada com sucesso indescritível, possa receber o direito inalienável 
de viver para toda a eternidade. 
Evangelho do apóstolo João, capitulo Terceiro, Décimo Sexto Versículo. 
Ele amou a humanidade e a ela quis formosear. O que me lembra de como é abominável 
aos olhos de Cristo uma doutrina distorcida. O uso dos dons espirituais para domínio ou 
proveito próprio. O anuncio de falsos milagres. Salomão anseia a beleza de uma moça que 
não o busca por causa de sua riqueza. Por causa de sua glória. O Espírito de Deus anseia 
por corações que almejem a sua presença. 
E seu anuncio é um anuncio de Graça, de Favor. Salvação. Uma das preocupações de 
Salomão com a moça é que enquanto a orienta, enquanto a conduz para perto de si, ela 
NÃO SE PERCA. 
Porque é desejo dele que todo ser humano se salve. Não há e nunca houve em tempo 
algum algum grupo separado para a perdição. Jamais nasceu na terra um homem sem 
esperança dessa formosura. 
Basta seguir o caminho das ovelhas. O pastor oriental vai à frente do rebanho cantando, ou 
falando, ou citando o nome das ovelhas. Ele as chama, faz carinho nelas e segue em frente, 
e elas vão se guinado pela sua voz. O caminho das ovelhas é a participação da comunhão 
com os irmãos, de sua alegria, de suas lutas. É aprender com a experiência, com o 
testemunho, com o aprendizado dos que já estão um pouco a frente. É o lugar onde a voz 
do Espírito Santo é ouvida. Se uma ovelha não ouvisse o grito do pastor, ela se di spersa, ela 
sai do caminho em busca dele! Púlpitos sem unção não norteiam ovelhas. Ensino sem 
base espiritual, sem profundidade não as mantém no caminho. Revelações sem sentido, 
sem verdade, sem discernimento espiritual não pode guiá-las! Exegese espúria, 
hermenêutica torta, meramente humana, palavras dadas fora de seu tempo. 
Uma das grandiosas lutas de todos os pregadores é de serem porta-vozes de Deus. Eles 
anseiam falar palavras que o Espírito de Deus dirigirá à Igreja. Anseiam ser “canais” serem 
mensageiros dos desígnios divinos, ministros de um evangelho não contaminado, profundo
e transformador. O efeito de uma pregação ungida, de uma meditação profunda, de uma 
palavra entregue no tempo e segundo a vontade de Deus, ou segundo uma revelação é algo 
extraordinário. 
A moça da canção se ‘disfarça’ de pastora. Mas é assim que O Espírito enxerga a Sunamita 
celestial. Pastoreando. Cristo chama a igreja para participar de seu pastorado. Para do 
mesmo modo aprender a cuidar de ovelhas, aprender a cuidar de vidas, a alimentar 
espiritualmente aos que se tornarem parte do rebanho, do mesmo modo que o pastor cuida 
e ama suas ovelhas. 
1. לססתי ברכבי פרעה דמיתיך רעיתי׃ 1:9 
2. Lesusati berikhvei Paroh dimitikh rayati: 
3. I have compared thee, O my love, to a mare of Pharaoh's chariots. 
236 
As éguas dos carros de Faraó. 
As éguas 
As variações básicas dos árabes puro sangue a entre muitas variações são o Muniqi, 
Saglawi, Abayyan e Kuhailan, todos descendo do Kuhaylan, que significa "puro-sangue". 
Cada cepa apresentou características distintas, não há dúvida que o resultado das 
necessidades individuais ou tipo preferência dos membros da tribo. O cavalo árabe de hoje 
é um produto de cruzamento constante dessas cepas. Como nenhum indivíduo carrega o 
sangue de um único, não diluído. Isso não quer dizer que um árabe do deserto puro, não 
diluído. É aí que reside uma das principais diferenças entre o árabe egípcio e os de outras 
linhagens. Seus descendentes são um padrão internacional para a raça dos puros-sangue 
árabes.
As éguas de faraó são animais de guerra. Usados por tribos árabes à milênios. As forças 
inglesas compreenderam que seria impossível combater aos árabes montados em puros-sangues. 
Dos primeiros cavalos documentados no Egito haviam se estabelecido como de maior 
importância. Eles foram amados, admirados e queridos da nobreza aos nômades do 
deserto. O Alcorão de Mohamed ensina que: "todo homem deve amar seu cavalo." 
Guerreiros beduínos montados em seus melhores cavalos árabes provaram serem 
invencíveis como a propagação de energia do Islã em todo o mundo civilizado. Ahmad Ibn 
Tuleu, (1193-1250), um cavaleiro extraordinário mameluco construíu jardins palacianos e 
um magnífico hipódromo para abrigar sua coleção de cavalos árabes escolhidos. Os 
cavalos de Saladino impediram Ricardo Coração de Leão de conquistar ao Egito e foram 
saudados por Sir Walter Scott em The Talisman. "Desprezavam a areia atrás deles - pareciam 
devorar o deserto diante deles". 
237 
Os carros de Farão
Somente 11 carruagens de faraós foram preservadas da antiguidade. Seis delas na tumba de 
Tuntankamon. Este rei é de aproximadamente 340 anos antes da época de Cantares (1.327 
ou 1.323 a.C.), então temos uma excelente base para comparação dos carros das dinastias 
egípcias posteriores. 
Os carros de faraó se dividiam em dois tipos, os de guerra/caça e os cerimoniais. Eles 
eram de exclusivo uso do faró e de sua familia. No carro de guerra havia as imagens no 
interior e no exterior, com asas da deusa Isis que segundo a mitologia egípcia protegia o 
corpo de seu marido Osíris dos ataques de uma outra divindade. Há neste carro uma 
representação do céu com um sinal que simbolizava as duas terras do Egito, e figuras de 
escravos que circudam as duas terras. O deus Horus do qual o faraó invocava sua 
sacendencia divina estava ali representado também. Com duas significativas inscrições: O 
grande Deus e Senhor dos céus. 
O falcão que representava Hórus segurava um símbolo chamado shen que significava 
ETERNIDADE. Sob as figuras o nome de Faraó e de sua esposa. Debaixo do nome de 
Faraó o título: Imagem viva de Amom e Senhor da Existência. Ao lado do nome de sua 
esposa: Aquela que vive para Amon. 
Depois a figura de um pássaro ( RKHYT) com as asas levantadas e o sina l tb (todos) Na 
frente do pássaro uma estrela. A cena inteira significava que todas as pessoas do Egito 
deveriam adorar ao rei que era ao mesmo tempo OSIRIS e 'TUTANKHAMUN'. 
Na parte inferior há uma representação do sinal SEMATAWY que se refere à unificação 
do Alto e do Baixo Egito, há também dois cativos emaranhados dentro do sinal Sematawy. 
O segundo carro é decorado com padrões em espiral e esta é a principal diferença na 
decoração da estrutura destes dois carros. Ele é semelhante ao primeiro, porém o corpo 
inteiro é coberto com folhas de ouro e incrustada com pedras semipreciosas. 
Seu nome em egípcio antigo foi wrrt ou mrkbt. 
238 
O Carro de Tutankamon 
Após a reconstrução dos carros deste faraó, foi possível distinguir entre dois tipos 
diferentes de carros. Estes dois tipos são os seguintes: 
Estaduais ou cerimoniais 
De caça ou guerra.
A carruagem cerimonial foi usada pelo rei durante as cerimônias ou ao visitar diferentes 
partes do país para verificar o seu povo. Temos cenas do reinado de Akhenaton 
representando o rei andava de carro seguido por outros carros que transportam sua esposa 
e filhas, e o resto de seus funcionários. 
Esses carros eram mais pesados do que os carros de guerra e foram incrustados com 
pedras semi-preciosas, ouro, prata e bronze e decorado com desenhos, altamente 
ornamentado. Estes carros não foram construídos para serem velozes; Foram construídos 
para causar efeito. Também foram construídos para o conforto com grandes guarda-chuvas 
anexados para oferecer sombra para aqueles que andavam neles. 
Salomão compara a moça a um dos mais cobiçados bens de consumo de sua época. Um 
dos animais mais notáveis que a terra do Egito havia presenciado e cuja descendencia 
originaria toda a família de puro-sangues árabes da terra. Mas numa época em que ainda 
não havia mistura de raças, representam uma puríssima raça de cavalos, superiores às 
melhores raças que possuimos na atualidade. Cavalos amados por sua força, lealdade, 
beleza, habilidade e coragem. Não havia na época as questões éticas sobre ‘inferioridade’ 
dos animais e da ‘supremacia’ do homem de tal modo que houvesse indignidade em ser 
chamado pelas virtudes dos animais. Até hoje possuimos adjetivos, ‘forte como um touro’ , 
graciosa como uma ‘gazela’ rápido como um ‘guepardo’. Fiel como um ‘pombo’. A moça 
é elogiada de modo espetacular. E não é uma égua puro-sangue qualquer. Faz parte de um 
grupo dos mais seletos cavalos da terra, os mais puros, raros e caros cavalos de sua raça, 
que sãos certamente os reprodutores ou principais de sua linhagem, separados somente 
para uso do Faraó. Somente dele. Cavalos destinados àquele que era considerado “Deus” 
na terra do Egito. E ainda associado a uma das obras de arte mais cobiçadas da 
antiguidade. Os carros de faraó. As éguas que puxavam o carro de fa raó desfilavam 
constantemente pelas terras do egito sendo reverenciados pela multidão. Era o faraó que 
era o supremo sacerdote da terra do egito e graindiosos cermoniais eram presididos por ele. 
Ele desfilaria com os mais belos cavalos que o mundo pode contemplar, num carro 
preciosíssimo, para realizar atos tais como invocar a cheia do Rio Nilo. Tudo em seu carro 
era representativo. Nele estava simbolizado, domínio, poder, autoridade, filiação divina, 
natureza divina e proteção do amor de uma esposa. Até no carro de faraó havia uma 
história de amor. 
A Sunamita era comparada a uma raça única, separada a serviço de um homem que era 
tratado como uma divindade. Uma moça pobre, serva, com roupas de uma pastora, cercada 
no meio de cabritos roubados, com a pele descascando de tanto sol, que foi forçada a adiar 
sua infancia e a colocar de lado sua adolescencia recebia queima-rosto simplesmente que 
era maravilhosa, corajosa, determinada, única, invejada, belíssima, forte, digna de estar 
desfilando diante de milhares de pessoas. Uma dos bens mais valiosos da terra. E que ele 
sabia de sua luta e de seu trabalho servil. Na carruagem de Faraó tinha pintado alguns 
escravos. Ou seja, mesmo te tratando como uma escrava, observação ao detalhe, ele está 
disfarçado de pastor, como se fosse um homem igual a ela, um trabalhador. Ele diz que ela 
é algo que vai muito além de tudo que ele um dia imaginaria possuir. Uma égua de Faraó 
não possuía valor. Eram 7 vezes mais caras que o mais precioso cavalo da terra de todo 
Egito. E tá dando uma indireta. Desde a antiguidade é o pai que dá o dote da filha. Há um 
"preço" a ser pago pelo casamento dela. "ele sutilmente diz que é ele que está disposto a 
pagar o dote, mas que sabe que não possui os recursos porque para ele ,ela é de valor 
inigualável, acima de suas posses . 
239 
Não é pouco elogio não.
Não é pouco elogio não. 
Nunca em tempo algum em qualquer romance uma moça foi tão elogiada em tão poucas 
palavras. Lesusati berikhvei Paroh dimitikh rayati, foram CINCO palavras em hebraico 
para dizer isso tudo! Sendo que o elogio própriamente dito são somente QUATRO 
palavras. Lesusati berikhvei Paroh dimitikh. 
240 
Se alguém algum dia questionou a sabedoria de Salomão, desafio a fazer o mesmo. 
É claro que com a ajuda do Espírito de Deus fazer poesia é um ato de suprema covardia. 
Deixando de lado as reclamações invejosas da minha parte, podemos ver a alta estima e como o 
Espírito de Deus vê sua mada, ou anseia ve-la. No carro do Faraó há a figura de uma 
deusa protegendo o corpo de seu amado! 
Na madrugada do domingo Maria irmã de Lázaro (posso ter errado de Maria) vai até o 
sepulcro para ungir o corpo de Jesus. Nardo ela tinha bastante. Quando chega lá se 
desespera ao ver que a pedra fora removida e (com certeza absoluta) ter entrado lá e 
vasculhado o lugar em busca do corpo do amado mestre e nada encontrar. Ela se senta em 
desespero e chora em meio ao jardim, gritando de dor em sua alma. Então alguém que ela 
pensa ser o jardineiro se aproxima dela e ela vê nele a possibilidade de saber onde haviam 
levado o corpo de seu Senhor. Ela o convoca e cai aos seus pés dizendo clamando para 
que ele lhe indique onde levaram o corpo dele e que se ele lhe mostrar ira lá e SOZINHA o 
trará de volta ser for necessário. 
O mesmo tipo de amor é evocado na cena do carro de Faraó. Jesus vê na Igreja coragem e 
ousadia. Os apóstolos são açoitados e coagidos pela alta corte israelita, o sinédrio, que 
inclusive havia condenado injustamente à morte a Cristo e quando saem de lá pregam mais 
ainda. Milhares seriam os testemunhos dos atos de coragem desmedida dos que amam a 
Cristo ao redor da terra. O Espírito de Deus não nos vê como nós nos vemos a nós 
mesmos. A moça está mal vestida, fugindo do trabalho forçado e é chamada de única em 
toda a terra. O Espírito vê os dons, os ministérios, as operações celestiais e coisas 
invisiveis presentes na igreja de valor inestimável. O carro cerimonial do faraó era coberto 
de ouro e cravaejado de jóias. É assim que Deus nos vê, preciosos diante dele, revestidos 
de valor, cobertos de riquezas celestiais. E é essa a visão que quer que tenhamos de nós 
mesmos. 
Uma coisa invisivel, propositalmente invisvel no texto, um tesouro escondido. Os Carros 
de faraó eram carregados por 4 animais. Quatro animais magníficos, de valor inestimável 
treinados para andar em perfeita harmonia e sincronismo. O quatro é muito usado em 
Cantares. Neste verso esse número aparece de forma visível, quatro palavras e de forma 
invisível (poucos sabem que eram uma quadriga de cavalos que arrastava o carro). Os 
cavalos só podiam estar ali após treinados para trotarem como se fosse um único animal. 
Essa belíssima imagem nos conduz a quatro Querubins que possuem face de animais, que 
andam SINCRONIZADAMENTE lá no Livro de Ezequiel. E que são chamados de 
animais viventes lá em Apocalipse. 
Porque o Espírito enxerga a Igreja tão gloriosa quanto os Querubins. 
Tem uma outra questão no texto. Em todo o texto. 
O Espírito Santo suplantará espiritualmente a qualidade dos elogios de Salomão na 
dimensão humana. É como uma competição santa. Mas neste dueto, a voz do Espírito 
canta mais alto que a voz de Salomão.
נאוו לחייך בתרים צוארך בחרוזים׃ 1:10 
Navu lekhayayikh batorim tzavarekh bakharuzim: 
Thy cheeks are comely with rows [of jewels], thy neck with chains [of zahav]. 
241
Moça do Exército Israelense 
Salomão observa-a por inteiro. E diferente de alguns namorados, noivos e esposos, vê cada 
parte da beleza da futura esposa. Ele diz que ela é tão bela quanto as jóias que está usando. 
Mais detalhadamente, que o rosto dela é uma jóia engastada entre outras jóias. O rei está 
maravilhado com sua beleza e seus olhos ultrapassam os enfeites que a cobrem porque ela 
aos seus olhos é mais bela do que tudo que usa para tornar-se aos seus próprios olhos, mais 
bonita. Desde a antiguidade as mulheres usam jóias e enfeites. Elas se enfeitavam mais ou 
menos como hoje, porém com uma variedade maior de enfeites, e com mais motivos. As 
jóias eram cobertas de significados, as pedras faziam referência em alguns casos a 
divindades, eram usadas como amuletos também. Tidas com poderes mágicos por diversas 
civilizações, ou como peças que atraiam a sorte e que afastavam os espíritos maus. 
Algumas designavam a origem de quem usava, assim como a sua classe social. Ou seja, 
ainda encontramos nos nossos dias os mesmos variados simbolismos das jóias do passado. 
As jóias que ela usa são trabalhos de exímios artesãos, como poderemos perceber na leitura 
de Cantares. Como era uma moça pobre deduzimos que ela as usa por empréstimo da mãe 
que a enfeitou, ou das amigas. 
242
Mais uma vez O Espírito de Deus vê a preciosidade da Igreja. Sua beleza espiritual vale 
mais que as obras da criação. O valor da alma humana é tamanho que Davi, pai de 
Salomão cantava uma outra canção com este tema: 
243 
Sl 49:8 
pois a redenção da sua vida é caríssima, de sorte que os seus recursos não dariam; 
O pescoço é usado nas Escrituras em diversas cenas e dependendo de como é tratado, há 
um significado diferente. Como símbolo de reencontro, que agarrado quando irmãos se 
abraçam após a briga, símbolo da própria pessoa, o equivalente a expressão idiomática com 
palavra ‘costas’ na frase “sai de cima de minhas costas’, ‘colocam tudo nas minhas costas’. 
Os prisioneiros cativos eram acorrentados pelo pescoço, colocar a mão no pescoço de 
alguém ainda hoje é considerado um ato de extrema descortesia e violência. Quando Josué 
vence uma batalha contra vários reis, estes são trazidos e colocados no chão, os chefes das 
tribos pisam simbolicamente seus pescoços, significava que os dominadores haviam sido 
dominados. Que estavam subjugados. Jesus é chamado de o cabeça da igreja por Paulo. 
Vendo na Sunamita a Igreja podemos chamá-la de o Corpo de Cristo. O pescoço é aquilo 
que liga o corpo a cabeça e que ferido, pode matar ao corpo. Salomão irá elogiar ao 
pescoço da amada pelo menos QUATRO vezes no texto de Cantares. E aparecerá quatro 
vezes nos Evangelhos e saiba que não é coincidência. A diferença é que aqui Salomão olha 
para a Sunamita. Representando o olhar amoroso de deus pela sua Igreja, Lá nos 
evangelhos Cristo olha não para um “pescoço” amigo. Olha para o pescoço de inimigos. E 
de um inimigo que aparentemente deveria estar cuidando de sua amada. Nas 
considerações finais que abordam a profecia deste estudo a gente aprofunda o tema. De 
modos distintos. Ele ama aos enfeites nele, aos adornos dele. O Espírito ama aquilo que 
sustenta a cabeça de sua amada. Aquilo que liga a cabeça ao corpo, Cristo à sua igreja. A 
comunhão, a adoração, a intercessão, o louvor, os afetos, a alegria, a santidade, a justiça, o 
amor, a fé. O pescoço simboliza, espiritualmente, a todas essas realidades em conjunto, o 
que aos olhos dele é um conjunto admirável, belíssimo. 
Que necessita de perfeição. Que ele almeja ver cheio de beleza. Enfeitado. Com obras de 
exímios artesões. O Espírito de Deus quer ver sua igreja do modo apaixonado com que 
Salomão se deslumbra com a beleza do pescoço de sua amada. 
Anel grego com selo Beaded Armlet Period: New Kingdom Dynasty: Dynasty 18 
Date: ca. 1550–1525 B.C. Geography: Country of Origin Egypt Medium: Gold, carnelian, 
lapis lazuli, blue and green glass, faience on bronze or copper wire
244 
Filhas de Jerusalém 
תורי זהב נעשׂה־לך עם נקדות הכסף׃ 1:11 
Torei zahav naase-lakh im nekudot hakasef: 
We will make thee borders of gold with studs of silver. 
Cantares é uma peça que era interpretada por um coro de vozes com vários personagens. 
Temos diversos personagens em Cantares e quatro vozes distintas: 
A amada – a Sunamita 
O amado – Salomão 
Os irmãos de Sunamita 
As filhas de Jerusalém 
Quem canta este trecho são as filhas de Jerusalém. Elas querem enfeitar seus cabelos para 
que ela se encontre com Salomão. Intentam fazer tranças douradas, ou enrolar fios de ouro 
em seus cabelos, tratados com hena. Seus cabelos ganham um tom avermelhado com fios 
dourados e pontos trechos prateados. A simplicidade da menina ganha contornos de uma 
princesa. Ela está sendo enfeitada como uma princesa egípcia. Como uma noiva indiana. 
Como uma menina da alta sociedade israelita de sua época. Ouro e a prata são materiais 
raros, trazidos de minas que ficam na África e na Ásia. O processo de fabricação de 
pingentes de prata e correntes de ouro envolve fogo, fundição, altíssimas temperaturas e 
moldes, e posterior trabalho de ourivesaria. O ouro e a prata são revestidos de significados 
sacerdotais, intimamente relacionados ao templo e ao culto nos dias do templo de Salomão. 
O ouro simbolização a riqueza de uma nação, seu poderio econômico e logo seu poderio 
militar, pela capacidade de manutenção de exércitos, uma atividade extremamente 
dispendiosa. Os soldados de elite eram geralmente mercenários, soldados estrangeiros que 
vendiam seus serviços de proteção por meio de altos salários. Até hoje o ouro simboliza 
poder. Mobiliza o poder político, é lastro de diversas moedas. A prata era o material dos 
incensários, dela se faziam várias peças do santuário, material das moedas israelitas. Lemos 
sobre o preço de um escravo 30 moedas, restituição por um escravo ferido por uma 
chifrada ou coice de um boi, 30 moedas, o preço pelo resgate do homem, imposto pagão 
ao templo, do israelita ao atingir 20 anos, uma moeda de prata, meio siclo. Lemos sobre 
Abimeleque pagando mil moedas a Abraão como pedido de desculpas por ter tocado em 
Sara sem saber que era sua esposa. E lemos sobre a traição do Messias por 30 moedas , 
cada moeda valia meio-siclo. Metade do valor da multa por uma chifrada de um boi. A 
prata associa-se com o preço pago pela nossa salvação. Ela representa preço de resgate, ela
simboliza dívida sendo paga, multa. Prata nas Escrituras lembra-nos remissão de pecados, 
lembra-nos preço pago pela nossa Salvação. A Igreja de Cristo tem seus cabelos enfeitados 
pelas riquezas celestiais, pelo PODER tremendo que o Espírito lhe concede e pelo preço 
do sacrifício. 
Este momento em que as amigas da noiva a enfeitam os cabelos da Sunamita com ouro 
e prata, vem nos à mente os anjos que Jesus avisou a Natanael que desceriam sobre seu 
ministério. 
João 1:48-51 
Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te 
chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu 
és o Filho de Deus, tu és rei de Israel. Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo 
da figueira, crês? Coisas maiores do que estas, verás. E acrescentou: Em verdade, em 
verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo 
sobre o Filho do homem. 
A igreja possui amigos que dela cuidam e a ela enfeitam. Espíritos ministradores 
que descem e trazem dons e talentos, que adornam-na com Poder para herdar a 
Salvação. Nesse momento a voz do cântico reflete um cuidado, um presente, uma dádiva 
que a deixa ainda mais bela. Ainda mais preparada para seu grande propósito. 
Que é CONQUISTAR ao noivo! Sem entender ainda que o coração de Salomão já lhe 
pertence. Mas, ainda que a Sunamita neste ponto do livro não saiba, a Igreja deve saber, 
que o coração de Cristo já se enchia de amor por ela antes que ela viesse a existir. 
O Ouro é uma dimensão de PODER e AUTORIDADE Espiritual presente nos 
pensamentos, que enfeitam a cabeça da Amada. E a prata fala da Redenção, que a torna 
humilde. Ela não se ensoberbece, não se enaltece ainda que opere milagres, ainda que 
expulse demônios e ainda que ressuscite mortos. Ela não se contamina com o ouro que 
usa. Porque tão importante para enfeitá-la são os pingentes de prata. É isso que estabelece 
o contraste. Todas as jóias são engastadas em materiais de cores diferentes, criando um 
belíssimo efeito pelo contraste ou combinação das cores. Eu quase me senti um design de 
jóias agora. Uma perfeita combinação entre Poder e Gratidão, Autoridade exercida com 
humildade. Porque pelo sacrifício de Cristo é que alcançamos o direito as riquezas 
celestiais. 
245 
עד־שׁהמלך במסבו נרדי נתן ריחו׃ 1:12 
Ad-shehamelekh bimsibo nirdi natan reikho: 
While the melekh [sitteth] at his table, my spikenard sendeth forth its fragrance.
Nem sempre há uma ordem cronológica dos eventos em Cantares, as vezes há um 
contracanto, há um acontecimento que se nós tivéssemos escrito, teríamos colocado mais 
adiante. Mas é propositalmente poético. E descaradamente profético. Nesse caso é uma 
janela de seu amanhã... que irá chegar mais adiante na canção. Como um trecho antecipado 
de um conto, de uma narrativa. Como se ela “percebesse” o futuro. Esse movimento do 
texto é uma forma poética de mostrar o amanhã. E no manhã ela estará assentada na mesa 
do Rei enquanto seu nardo dará o seu perfume. O nardo era uma substancia aromática 
raríssima e importada da Índia. Há um mistério em Israel que envolve a Índia. E que nos 
envolve. Um amor profundo do Senhor pela nação que HOJE vive a atmosfera de 
divindades, a atmosfera espiritual na qual Israel viveu a três mil nos atrás. O nardo era 
usado para o embalsamamento dos mortos, para evitar o mal cheiro dos cadáveres, e 
também para ungir os cabelos de homens e mulheres, em sinal de profundo respeito, em 
ocasiões especiais. Era um perfume caríssimo, guardado em vasos cerâmicos, alguns de 
alabastro. 
Ela se vê perfumada com uma preciosa essência. Essência que um dia será abundantemente 
derramada sobre a cabeça de Cristo. Com a qual ele ainda estará perfumado ao ressuscitar 
dos mortos! Jesus cheirava a nardo! O lugar onde ele estava sepultado estava impregnado 
ainda pela essência quando os apóstolos desceram para ver se o corpo ainda estava lá. 
Maria após abraçar a Cristo ressurreto no Jardim do sepulcro fica cheirando a nardo! Nas 
escrituras associamos pequenos detalhes. Memórias, sonhos, atitudes. Reminiscências. 
Tendo em vista a eternidade de seu Escritor, o Espírito de Deus, ele a teceu como exímio 
roteirista. De Genesis a Apocalipse são deixadas pistas, eventos e ligações que só vamos 
conectar lendo a história completa. O nardo vai ganhando significados na medida em que 
nós o vemos presentes em tantos momentos significantes. Como os presentes de um 
amigo, de uma amiga, a lembrança de uma viagem, os artefatos encontrados após muitos 
anos, que tem um significado especial porque fazem parte de importantes eventos de nossa 
vida. O rei assentado a mesa nos dá a impressão que está ceando, ou conversando. Com os 
olhos voltados para a Sunamita. Mas mesmo que ela estivesse num ponto em que ele não 
pudesse vê-la, ele sentiria sua presença pelo seu perfume! 
Esta passagem de Cantares é repetida por Paulo de outro modo: 
246 
ll Cor. 2:15, 16
“… porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão salvos e os que estão 
perecendo. Para estes somos cheiro de morte, para aqueles, fragrância de vida…” 
Cheiro de vida, perfume da ressurreição. Cheiro de morte, preparo para o sepultamento. 
Jesus afirma que o mundo JAZ no maligno. Que está morto espiritualmente. Jazer é um 
terrível tempo verbal. A ressurreição aponta para a recompensa, para o significado de ser 
agradável a Deus. Fala-nos de vida que suplanta a morte. E ao mesmo tempo vindica a 
autoridade e a verdade de que os homens amaram mais as trevas que a luz. Que a um 
princípio de vida e um de morte, que há uma diferença para os que buscavam a Deus e os 
que não fazem. Uma lembrança de que haverá um juízo e que há uma herança, mas não 
para os que viverem na maldade, pois não a herdarão. 
247 
צרור המר דודי לי בין שׁדי ילין׃ 1:13 
1. Tzeror hamor Dodi li bein shadai yalin: 
2. A bundle of myrrh is my beloved unto me; he shall lie all night between my breasts. 
A moça pensa nele de modo íntimo, anseia carrega-lo próximo do coração. Junto a sua 
respiração. A moça da antiguidade se perfumava de muitos modos. Um deles era 
carregando um saquinho de linho com um pouco de folhas de mirra moídas, e por dias este 
exalaria o perfume da mirra. Perfumando-a. 
M I R R A 
As especiarias têm grande sentido na Bíblia. A mirra foi usada de diversas formas. Cantares 
usa essas especiarias, é como se o livro destilasse as mais variadas fragrâncias, e é verdade. 
O tema leva à consideração desses famosos perfumes do Oriente e da terra de Israel. 
Vimos Jacó enviando em tempo de seca, dessas especiarias ao Faraó do Egito. 
Sobre as vestes do Messias, profeticamente o livro de Salmos anunciaria: 
“Todos os teus vestidos cheiram a mirra e a aloés, a cássia”. Salmo 45:5, 
Mateus 2:11 fala da mirra com a qual os magos presentearam a Jesus. 
A vida de Jesus está muito entrelaçada com a mirra. 
O nome mirra com leves variações, é encontrado em várias línguas: murru (acadiano), 
marra (árabe); marra (grego). Em português “amargo”. Provavelmente trata-se de gosto 
amargo da resina. Paradoxalmente este arbusto deleitável foi encontrado no mercado em
forma cristalina, o mor dror, um dos ingredientes do incenso do Templo (Êxodo 30:23). 
Dor significa - como pérola. 
Os cristais eram vendidos em saquinhos, daí a expressão “um saquitel de mirra” (Cantares 
1:13). Dissolvidos em óleo, os cristais se tornam mais amargos que a mirra líquida ou fluída 
- Cantares 5:5). 
A Mirra aparecerá sólida num saquitel entre os seios da moça e liquida gotejando pelas 
mãos dela ao abrir a porta para seu amado. 
A mirra foi como que a preferida de Salomão que a cita 7 (sete) vezes no livro de Cantares. 
A mirra é uma resina derivada da planta de mesmo nome. 
A mirra verdadeira era valiosa e estimada pelos antigos tanto como perfume como incenso 
nos templos. Era também usada como unguento e bálsamo. Natural das costas orientais da 
África, Abssinia, Arábia e Somália. Antigamente a substância obtida de sua resina era 
comercializada. Hoje cresce em áreas rochosas, nos montes calcáreos do Oriente Médio e 
em muitas partes do norte da África. 
Em Cantares 5:13, a mirra é proeminente: a mirra foi usada por Davi e Salomão e também 
é descrita em Mateus 2:11, Marcos, João e em Salmos 45:8. 
A Bíblia descreve a mirra como a mais popular e preciosa resina. Os egípcios antigamente 
usavam a mirra como incenso nos templos e como embalsamento para seus mortos. 
Apocalipse 18:13 fala do comércio dos grandes impérios do Oriente. A mirra está ligada a 
Jesus do seu nascimento à sua morte. 
Mateus 2:11 e ainda na crucificação Jesus provou dela. Marcos 15:23 
Nicodemos trouxe um mistura de mirra e aloés com lençóis para enrolar o corpo de Jesus 
(João 19:39-40, Êxodo 30:23, Ester 2:12, Salmos 45:8, Provérbios 7:17, Cantares 1:3, 3:6, 
5:5-14, Mateus 2:11, Marcos 15:23, João 19:39 e Apocalipse 18:13). 
São arbustos baixos, do tipo moita, galhos grossos e duros. As folhas crescem em cachos e 
no caule encontram-se espinhos afiados. 
A resina é abundante e é obtida pela incisão artificial. A madeira e a casca são fortemente 
odoríferas. Logo que é exsudada a resina é macia, clara, dura, branca ou amarela-escuro. 
Por um pouco é oleosa, solidificando-se rapidamente quando pinga sobre as pedras em 
baixo dos galhos. É amarga e levemente pungente ao paladar. Já se usou em medicina 
como tônico adstringente externamente como um agente de limpeza. Nos países orientais é 
muito apreciada como substância aromática, medicinal e como perfume. 
As mulheres que foram ao sepulcro de Jesus também levaram, entre as especiarias, a mirra. 
Era embalada em vasos. Os israelitas também usavam-na muito como perfume e Davi a 
canta pela sua fragrância e Salomão deliciou-se nela. Foi um dos ingredientes do santo óleo, 
como aloés, cássia e canela. 
Cantares se refere a um cano de mirra em vez de um pedaço como se poderia esperar de 
uma tal resina. 
Como dissemos, Jesus provou dela no Gólgota, talvez uma bebida existente entre os 
soldados, mas seja qual fosse, era de um gosto amargo. Jesus quando ferido na cruz, 
quando no Getsemani suou sangue, foi como se pedaços de mirra se lhe tivessem atingido. 
A igreja de Jesus se orna com mirra e todos os unguentos aromáticos. Então esta especiaria 
se associa a ele do nascer ao morrer. Sua vida foi pontilhada de pedaços amargos, de mirra. 
O Gólgota foi para Jesus o jardim da mirra. A semelhança da extração da mirra através da 
incisão, Jesus também foi ferido ali. O sangue de Jesus ensopou aquele lugar - era a mirra 
que pingava em gotas brilhantes como água e sangue - a água da vida e o sangue da 
salvação. Foi a hora mais amarga de Jesus mas também de onde se desprendeu o precioso 
perfume de Cristo. Era a hora da amargura, a hora do perfume, a hora do incenso no 
248
Templo, a hora da oferta da tarde da minhah - presente de Deus para o homem, a hora em 
que Ele garantiu nossa entrada no Santuário e no Santo dos Santos. Foi a hora do rasgar-se 
do véu por inteiro, como Jesus por inteiro se deu ao mundo. A hora mais sublime para o 
Pai, porque o Filho cumpriu tudo o que dele exigiu. 
E tudo isso a Sunamita celestial guarda entre os seus seios. Os seios falam desde a 
antiguidade da intimidade nupcial. As mulheres orientais não descobriam sequer a fronte 
diante de estranhos. Que se dirá dos seios. Todas as estátuas de divindades antigas são 
retratadas com seios desnudos. Com grandes seios. A beleza de uma moça era julgada pela 
beleza de seus seios, a fertilidade dela estabelecida pelo tamanho deles e de sua capacidade 
de amamentação. A pobreza e a fome representados pela magreza dos mesmos, a infância 
por sua ausência. A moça está falando de algo que não é visível aos olhos de ninguém. 
Porque nessa época ao menos, ela está recoberta de vestidos que não permitem ver um 
decote. Simboliza que ela está contando um segredo. Um mistério. A igreja revela que 
no coração guarda o sofrimento de Cristo, de modo profundo, íntimo e por isso, por amar 
seu sacrifício, cheira a mirra. 
249
250 
אשׁכל הכפר דודי לי בכרמי עין גדי׃ 1:14 
1. Eshkol hakofer Dodi li bekharmei Ein Gedi: 
2. My beloved is unto me as a cluster of henna blossoms in the vineyards of Ein Gedi.
251 
Engedi.
En Gedi (em hebraico: גדי עין , lit. Nascente do Cabrito; é um oásis localizado a Oeste do Mar 
Morto, perto de Massada e das cavernas de Qumran. Localização 31° 27' N 35° 23' E. É 
conhecido pelas suas grutas, nascentes, e a sua rica diversidade de fauna e flora. Engedi 
Significa – Fonte do cabrito. Lá atualmente existe um Jardim Botanico 
252
A cidade judaica de Ein Gedi era uma importante fonte de bálsamo para o mundo Greco- 
Romano. 
253
254 
Ramalhete de Henna.
255
Sunamita compara Salomão a um ramalhete de Henna, um produto precioso para as 
mulheres da época, usado por diversos motivos, de um lugar especial. Engedi ainda possui 
hoje, passados milhares de anos, um excepcional jardim Botânico. Podemos imaginar o que 
foi a 3000 anos atrás. Ou melhor. Não podemos. Basicamente, o paraíso em terras 
Israelenses. A hena era na época uma das poucas opções para o exercício da cidadania 
feminina de seus cabelos. A pintura. Temos hoje no mercado centenas de produtos, talvez 
mais que mil tinturas diferentes. Mas na época de Cantares só existia uma. A hena. A moça 
que leu essas linhas até aqui tem agora a PERFEITA noção da PRECIOSIDADE daquele 
produto para uma menina daquela época. Sunamita afirma que seu amado é como um 
produto raro, indispensável para que ela se sinta mais bela, se torne agradável à vista. E 
trate de sua longa cabeleira. Era moda, prática comum entre as jovens de Israel, assim 
como das meninas dos povos de todo o Oriente e além. E ela era uma moça pobre, que 
dificilmente tinha acesso a produtos de beleza de tamanha qualidade. Alguns produtos de 
beleza são tão caros que até escrever o preço aqui nestas folhas traria escândalo. Ela 
orgulhosamente fala de algo que está nos limites de sua economia, mas que lhe traria 
imensa alegria. Essa parte da canção é o refrão da Igreja que ama a Cristo. Por muitos 
256
anos dezenas de igrejas entoaram um cântico que dizia “como é precioso, ó Deus, estar 
junto de ti” e entoam dezenas de cânticos com o mesmo teor. A hena penetra os fios do 
cabelo e os restaura. Regenera o cabelo danificado. Eu não vou continuar dado as minhas 
limitações nessa área capilar. Mas relembra imediatamente, reconstrução, cura, restauração. 
Uma das grandiosas faculdades do Espírito de Deus em comunhão com a Igreja de Cristo é 
seu poder de restaurar. De regenerar. De curar feridas, de refazer laços familiares partidos, 
de reconstruir a mente de uma pessoa castigada pelo vício, pelo medo, pela angustia. Sua 
presença é restauradora. Ministérios bíblicos são conhecidos e amados quando uma de suas 
grandes características é de ter pessoas restauradas. Gente reconciliada com a vida, lares 
onde havia violência sendo uma morada de paz. A grande obra do Espírito Santo é 
justamente a restauração de nossas vidas, reconstruindo que se destruiu com o tempo, 
trazendo esperança onde só havia desespero. Não há a presença do Espírito onde não há 
restauração. Não há visão verdadeira ou dom verdadeiro se não existir restauração, cura, 
maravilhamento, deslumbramento, vida abundante e alegria indisfarçável. Ele é hena para 
nossos cabelos, ele é paz para nosso coração. 
257
1. {The Beloved} 
2. הנך יפה רעיתי הנך יפה עיניך יונים׃ 1:15 
3. Hinakh yafarah rayati hinakh yafah einayikh yonim: 
4. Behold, thou are fair, my love; behold, thou are fair; thou have doves' eyes. 
258
259
260 
http://www.tatzpit.com/site/en/pages/inPage.asp?catID=9&subID=27 
http://www.tatzpit.com/site/en/pages/inPage.asp?catID=9&subID=27 
Israel possui uma variedade de pombas, mas Salomão caracteriza uma que habita nas 
rochas, que morava em alats montanhas e se abrigava do inverno nas fendas do penhasco. 
A pomba era uma o anima que os pobres sacrificama no templo, por não disporem de 
recursos para disporem de uma ovelha, cabrito ou bezerro. Os olhos de Salomão fitam os 
olhos de Sunamita e dizem que eles são parecidos com o da pomba. Que algo neles 
lembrava o olhar deste pássaro. A pomba não possui expressão, não é capaz de demonstrar 
nem alegria e nem sofrimento através de seus olhos. Os animais apresentam-se por vezes 
com expressões na qual enxergamos emoções. 
Mas a pomba não.
O modo como um pombo expressa suas emoções é movendo-se ou arrulhando. Correndo, 
voando, dançando. Um pombo apaixonado realiza uma engraçadíssima dança diante da 
amada. Os pombos têm um caráter pacífico. Não veremos um filme de terror baseado em 
pombos (bem...). Salomão está dizendo que pagaria para saber o que ela está pensando. 
Quando uma namorada fica em silencio é um momento de grande temor para o homem. 
Os olhos dela não descortinavam seu interior, não transmitiam nem sua dor, nem sua 
alegria e nem sua paixão. Um olhar chio de mistério. Quando chegar o dia em que Jesus 
for dar início ao seu ministério sobre ele será visto pela primeira, e quase última vez, o 
Espírito Santo em forma de um ser vivo. A primeira vez que ele, o Espírito Criador, se 
deixa ENXERGAR, o faz em forma de uma pomba. O Espírito vê na amada sua natureza, 
sua simplicidade, sua paz. Note que o Espírito de Deus não desce na forma de um 
POMBO. Mas de uma Pomba, a mesma palavra usada em Cânticos. Em hebraico o gênero 
da palavra “espírito” é feminino. É ruah. No grego também. A pneuma. Alma, outra 
palavra relacionada à nossa formação espiritual é também feminino, tanto em grego como 
em hebraico. Psique e Nefesh, respecticamente. 
O Espírito se vê INTEGRALMENTE refletido na Igreja. Em Cristo não há diferença, 
servo, livre, judeu, gentio, homem ou mulher. Todos somos tratados de modo semelhante, 
com os mesmos direitos, herdeiros da mesma vocação, das mesmas riquezas. Ouvi sobre 
determinadas igrejas que impedem das mulheres ensinarem ou pregarem em seus púlpitos. 
Não é assim que o Espírito enxerga o ministério feminino, ou a condição espiritual da 
mulher em Cristo. O olhar da amada não permite que ela expresse o que sente, é uma 
CORTESIA. A Sunamita está vermelha e seus olhos brilham. A moça apaixonada se 
denuncia até pela dilatação das pupilas. 
261
Mas Salomão de modo cortês não a deixa envergonhada. Há uma bela representação dessa 
relação entre a Igreja e o Espírito de Deus. Paulo afirma em Romanos que nós não 
sabemos nos expressar diante de Deus. Não sabemos na maioria das vezes como orar, 
como pedir e nem o que pedir. Oramos para que Deus modifique em nós aquilo que nem 
sequer conhecemos. Falamos coisas em orações e ajuntamos trechos das Escrituras ás 
nossas súplicas, confundimos realidades espirituais, e é dito que o mesmo Espírito 
conhecendo a nossa incapacidade de nos expressarmos corretamente diante de Deus, 
reconhecendo profundamente a intenção de nosso espírito, intercedendo a Deus 
juntamente conosco com gemidos inexprimíveis. A pomba não precisa dizer nada. Ele 
percebe seus sentimentos. Uma belíssima representação de nossa condição. A pomba da 
paz, (Sunamita também significa paz). 
Existem duas possibilidades para o texto. A segunda é traduzir por “seus olhos são como 
pombas”. 
Significaria nesse momento que eles não param quietos. Nunca estão imóveis. Estão 
sempre à procura de algo. E que ela estava intencionalmente desviando os olhos dele por 
que estava com vergonha. 
Se traduzirmos deste modo teremos outro belíssimo paralelo. Inquietação lembra 
ansiedade. Não andeis ansiosos e nem preocupados com que haveis de beber, comer ou 
vestir. Conduz-nos ao sermão do Amado diante de uma inquieta multidão no Sermão do 
monte. E a vergonha que ela sente conduz-nos a outra passagem das Escrituras: “porque 
não se envergonha de nos chamar de filhos”. 
Os olhos nas Escrituras representam o espírito humano. O interior do ser humano. As 
intenções mais profundas da alma. 
Gênesis 3.5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os 
olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. 
262 
Jesus declarará: 
São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu 
corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas. 
Olhos são representações da alma, do coração, da consciência. “Abrir os olhos” é sinônimo 
de compreender profundamente. Daí as “visões” dos profetas, que “enxergam” a realidade 
invisível. Na antiguidade a revelação era tão intimamente ligada a visão espiritual que o 
profeta era chamado de “vidente”. Antes de se chamar profeta, os profetas eram 
chamados de “videntes”: Aqueles que enxergam; aqueles que veem. 
Os olhos da moça são como as pombas. Salomão se encanta com o movimento dos olhos 
da amada. O Espírito se encanta com o mover do coração da Igreja. Com a mudança de 
consciência. Quando a alma, o coração, o caráter, as atitudes e visão espiritual da Igreja
refletem a ele mesmo. Parecem pombas! E não pombas comuns. São pombas imaculadas. 
Ou no hebraico: PERFEITAS. Nossos textos traduzem o adjetivo “tamát” por Imaculada. 
As ofertas deveriam ser “tamát” para Deus. A moça é chamada de “perfeita” mas , a 
palavra que Salomão usa é quase de uso exclusivo do sacerdócio. Quando o profeta 
Ezequiel e o livro de lamentações se referem à beleza “perfeita” usam o adjetivo keliylah e 
não tamát, como em Ct 5,2 e 6,9. 
O Espírito de Deus olha nela um caráter sacerdotal. Ele vê uma pomba que é usada para o 
sacrifício dos pobres. E na verdade ele se vê assim. Porque o sacrifício de Cristo está nas 
suas recordações, profundamente gravado na pessoa do Espírito. Porque ele estava em 
Cristo reconciliando o mundo com Deus, poderia afirmar. Ela é perfeita e aperfeiçoada 
nele. Com base num Sacerdócio Eterno. Mesmo porque as pombas não recebiam “tamat” 
quando eram sacrificadas. Somente os cordeiros, bezerros e cabritos. A igreja é inferior aos 
anjos. Humanamente somos inferiores a Cristo, na carne. Ele venceu a morte porque na 
nossa imperfeição não poderíamos. Jesus viveu e morreu sem pecado, mas nós fomos 
inclusos nessa perfeição mediante seu sacrifício. 
Em Cânticos Salomão chamará sua amada sete vezes de Pomba. 
Eis que és formosa, ó amada minha, eis que és formosa; os teus olhos são como 
pombas. 
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me 
o teu semblante faze-me ouvir a tua voz; porque a tua voz é doce, e o teu semblante 
formoso. 
Eu dormia, mas o meu coração velava. Eis a voz do meu amado! Está batendo: Abre-me, 
minha irmã, amada minha, pomba minha, minha imaculada; porque a minha cabeça está 
cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite. 
Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada; ela e a única de sua mãe, a 
escolhida da que a deu à luz. As filhas viram-na e lhe chamaram bem-aventurada; viram-na 
as rainhas e as concubinas, e louvaram-na. 
Como és formosa, amada minha, eis que és formosa! Os teus olhos são como pombas 
por detrás do teu véu; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que descem pelas colinas 
de Gileade. 
Os seus olhos são como pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, 
postos em engaste. 
263
1. {The Shulamite} 
2. הנך יפה דודי אף נעים אף־ערשׂנו רעננה׃ 1:16 
3. Hinkha yafeh Dodi af naim af-arsenu raananah: 
4. Behold, thou are handsome, my beloved, yea, pleasant: also our bed is green. 
A Sunamita contempla o jovem Salomão. O rapaz é lindo aos seus olhos. Não só aos seus, 
mas aos olhos de toda uma geração de moças. Não parece ter existido muita oposição por 
parte de várias princesas em se casarem com o belo rei. A começar da mais poderosa 
princesa de sua época. A filha do faraó. E agora Sunamita tem a chance de estar sozinha 
com um dos homens mais cobiçados de sua época. Como a lei permitia o casamento com 
várias esposas, apesar dela ainda não saber de quem se tratava o moço, equivaleria em 
nossa cultura a um dos solteiros mais requisitados do momento. E na conversa com ele, 
musico, cantor, poeta, ensaísta e só Deus sabe mais o que, ela descobriu mais uma virtude. 
Ele era uma pessoa amável. Ele a tratava com imenso carinho. Sentada no gramado, 
perto das cabras roubadas, ao lado de belíssima floresta, como no próximo verso, ela está 
admirada com a ternura do rapaz. 
Prestai atenção nesse fato, ó homens de toda terra. 
Na dimensão espiritual lemos o encontro com a beleza da Palavra de Cristo. Com a ternura 
do convite da salvação. Com a amabilidade do perdão, com a visão de um Espírito que 
conhece as nossas fraquezas. Nossos medos. Nossas dores. E que fala-nos suavemente, a 
maior parte do tempo. O leito é verde. Sunamita está num campo verdejante. Talvez numa 
colina. Evoca imediatamente o mais famoso e conhecido Salmo das Escrituras, o Salmo de 
Davi, quando o mesmo fala: “deitar-me faz em VERDES campos!” Lembrando que 
Salomão está “metamorfoseado” de pastor! O termo “deitar” nas Escrituras evoca 
repouso, segurança, o sono. Deitamo-nos para repousar. Os campos são verdejantes, 
não são feitos de palha seca, reverberam vida, novidade de vida. A grama sempre se 
renova. O Espírito não nos convida para repousar sobre um mundo morto de regras 
religiosas. Não nos convida a seguir a letra das Escrituras vivendo com base nas 
experiências já vividas por aqueles que a escreveram. TODOS OS ESCRITORES E 
PERSONAGENS DAS ESCRITURAS ESTÃO MORTOS. Com a exceção de três, 
talvez quatro (Enoque transladado, Elias raptado, Jesus ressurreto e possivelmente Moisés, 
ludibriando a morte. Oficialmente declarado morto, mas pode ter sido só por questões 
burocráticas celestiais, por assim dizer. Lembre-se que Satanás e Miguel discutiram a 
respeito do corpo de Moisés? Basicamente Satanás questionava a Miguel: - Onde está a 
evidencia? Onde está o cadáver? Cadê o corpo? – o que nos leva a questão... Como o 
sujeito que tinha nas mãos a chave da morte, pelo menos a época dos acontecimentos, não 
sabia onde estava o corpo do falecido...). Deixando de lado esses quatro personagens, 
todos os demais estão devidamente enterrados. A LETRA É MORTA. Ela relata o 
PASSADO. Nós vivemos no PRESENTE. As Escrituras nos indicam o CAMINHO da 
VIDA PLENA, a partir de experiências pessoais com Cristo e seu Espírito. Nós vivemos 
as Escrituras em nós. Não vivemos NELA. Não resumimos nossa vida ao que está 
ESCRITO. Nós vivemos em NOVIDADE DE VIDA, inspirados pelas ESCRITURAS, 
264
coisas novas, experiências novas, na dimensão humana e na dimensão espiritual. Uma das 
maiores LOUCURAS dos teólogos é tentar NORMATIZAR a revelação divina, ou criar 
REGRAS para manutenção do STATUS QUO da BIBLIA SELANDO NELA a VOZ do 
ESPÍRITO de DEUS. Vivemos no ESPÍRITO inspirados na PALAVRA, alicerçados 
NELA, podendo receber INCLUSIVE novas visões sobre as coisas de Deus. Em qualquer 
momento. Isso se chama LIBERDADE, se não CONTRADIZEREM frontalmente 
aquilo que está ESCRITO. 
265 
II Corintios 3:17 
Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. 
RECLAMAÇÕES 
Desde que, claro, não inventem um segundo Messias, uma quinta pessoa da trindade, uma 
Obra Espiritual qualquer que substitua a Cristo como Salvador, e a instituição de coisas 
mágicas originalíssimas, tais como a unção do sal, como subsídio para péssimo uso desta 
liberdade. 
A imaginação humana não é substituta do Espírito de Deus. O espírito humano não 
recebeu poderes mágicos. Nem a capacidade de “profetizar” ou de “declarar” aquilo que 
não saiu da boca de Deus. Isso se chama de “alucinação”. A mentira espiritual é uma 
PRAGA que pode se desdobrar e em vários aspectos. 
DOUTRINÁRIOS – Evangelho espúrio, antologicamente errado, grosseiro no 
conhecimento da Palavra em vários níveis, contaminado pela incredulidade, pelo 
materialismo, pela rejeição dos dons, pela escravidão teológica a um sistema doutrinário 
qualquer, carecendo de integridade intelectual. No outro extremo, indo às raias da 
interpretação espiritualista, mítica, alegórica, imaginativa, desprovida de fundamentos de 
interpretação, literários, por desprezo completo do vasto trabalho intelectual dos estudiosos 
das Escrituras. 
ESPIRITUAIS - Em substituição a liberdade espiritual em CRISTO que necessita de 
SUBMISSÃO a voz do Espírito, a criação de um monstro espiritual qualquer. Uma 
BRUXA. Um dragão. Um monstro em que é misturado a cobiça humana, à perversão 
sexual, ao fanatismo, à falácia, e a dons falsificados. 
No meio termo há igrejas em que há desejo de ter experiências verdadeiras e que possui 
dons espirituais, onde há curas, mas a liderança é corrompida pelo amor ao dinheiro, que 
como todos já deviam saber, é o que rege o mundo, e não as conjecturas do Adam Smith. 
No livro “Hitler ganhou a guerra” – Graziliano Ramos os leitores podem ter uma profunda 
noção do significado da frase “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Outra 
situação é onde os dons espirituais são manifestos, juntamente com outras situações 
espirituais falsificadas. Fake. Um misto entre joio e trigo na seara dos dons espirituais. 
Uma fonte de água contaminada, que é a coisa MAIS VENENOSA que a terra já viu. A 
diluição das coisas de Deus com uma doutrina amaldiçoada é algo TENEBROSO. Por 
demais tenebroso. 
COMPORTAMENTAIS – Boa doutrina, coerente, abrangente, dons espirituais 
verdadeiros e falta de uma visão amorosa, escrava de usos e costumes, presa a questões 
menores, escravidão ministerial, criação de obrigações em relação a Igreja, intromissão na 
vida pessoal de membros, individualismo exacerbado, desvios de conduta em função do 
“endeusamento” do grupo em relação aos demais.
A chave para a profundidade das Escrituras é a meditação nela, é a aplicação das verdades 
nela contidas em nossa vida. Um manual de vida só faz sentido aplicado, corretamente. 
Como não tinha exatamente onde encaixar essa frase, coloquei aqui, dai a quebra de 
contexto. Não reclame não. 
Isso tudo porque a grama é verde. Porque os pastos são verdejantes. A brisa passa pelo 
gramado em rajadas vibrantes, lá do alto da colina Sunamita vê a dança das folhas verdes 
das árvores, a beleza da natureza cheia de vida. A igreja é permeada de Vida, que se 
manifesta HOJE, que a alegra, renova, energiza, fá-la suspirar, hoje. 
1. קרות בתינו ארזים רחיטנו ברותים׃ 1:17 
2. Korot bateinu arazim rakhi tenu rahi tenu berotim: 
266 
The beams of our house are cedars, and our rafters and panels are cypresses or pines 
Cedro-do-líbano pertence à família das Pináceas. O seu principal habitat é nas cordilheiras 
do do Líbano, sendo esta última o seu limite mais meridional. O tronco dos maiores 
exemplares, que desta árvore existem na floresta do Líbano, mede 15 metros de 
circunferência, sendo a sua altura de quase 30 metros. Os poetas hebreus consideravam o 
cedro-do-líbano, como o símbolo do poder e da majestade, da grandeza e da beleza, da 
força e da permanência (is 2.13 – Ez 17.3,22,23 – 31.3 a 18 – Am 2.9 – Zc 11.1,2). O cedro, 
no seu firme e contínuo crescimento, é comparado ao progresso espiritual do homem justo 
(Sl 92.12). Nas suas florestas naturais, a madeira do cedro é de superior qualidade. O 
principal madeiramento do primeiro templo e dos palácios reais, como o de Davi (1 Cr 
14.1) era de cedro, sendo este último edifício chamado ‘a Casa do Boaque do Líbano’ (1 Rs 
7.2). O cedro tornou-se tão comum em Jerusalém durante o reinado de Salomão que 
substituiu a madeira do sicômoro, considerada de qualidade inferior. (1 Rs 10.27 – 2 Cr 
9.27 – Ct 1.17). Os posteriores reis de Judá, os imperadores da Assíria tinham habitações 
igualmente feitas daquela preciosa madeira (Jr 22. 14,15 – Sf 2.14). Os navios de Tiro 
tiveram os seus mastros feitos de troncos dos cedros-do-líbano (Ez 27.5). Foi ainda o 
Líbano que forneceu a madeira dos seus cedros para o segundo templo de Zorobabel (Ed 
3.7), e para o templo de Herodes. 
Quando Jesus entrar no templo em Jerusalém, mil anos após Cânticos, pisará uma 
habitação feita de Cedros. Sunamita olha a imensidão cercada de florestas com cedros, 
cipestres, tamareiras, palmeiras. O céu estrelado por telhado, as colunas erguidas são os 
cipestres e debaixo de sua sombra era o lugar em que gostaria de passar grnde parte de seus 
dias. A varanda de sua humilde e majestosa residência. Os cedros evocam a justiça, que os 
profetas ansiavam plena. Um pedaço de Cedro era usado nos rituais do tabernáculo:
267 
Levítico 14:52 
Assim expiará aquela casa com o sangue da ave, e com as águas correntes, e com a 
ave viva, e com o pau de cedro, e com o hissopo, e com o carmesim. 
Um bastão de madeira trabalhada. O Cedro unia-se ao hissopo e ao carmesim, misturava-se 
ao sangue da ave e aspargia gostas de seu sangue nos aposentos da casa que se desejava 
santificar. No hebraico, o termo "expiação" é kaphar. Segundo a definição dos estudiosos, 
significa "cobrir". Este conceito está descrito em textos como Sl 32:1 e 85:2, no texto 
hebraico. Além disto, a palavra "expiação" é definida como: "aplacar", "apaziguar", 
"perdoar", "purificar", pacificar", "reconciliar por". 
A união dessas figuras aponta para A crucificação. Os soldados romanos oferecerão uma 
bebida à base de vinagre e mirra ao crucificado numa esponja de hissopo. 
Tito Lívio (em latim: Titus Livius; Pádua c. 59 a.C.) ,Marco Túlio Cícero, em latim Marcus 
Tullius Cicero (Arpino, 3 de Janeiro de 106 a.C. — Formia, 7 de Dezembro de 43 a.C.), 
Públio (Caio) Cornélio Tácito ou simplesmente Tácito, (55 - 120 d.C.), Tito Mácio Plauto 
(cerca de 230 a.C. - 180 a.C E Julius Firmicus Maternus nos concedem relatos sobre a 
crucificação romana na antiguidade. Ao usar o “cedro” para “expiar” unindo-o ao sangue, 
ao hissopo, águas correntes e ao carmesim, vemos uma cena profética, uma representação 
diária das realidades espirituais que se tornariam reais naquela fatítica páscoa onde Jesus 
morreu. 
O Cedro vinha de longe, era usado nas naus de Tiro, a mais orgulhosa cidade da 
antiguidade que ficava numa ilha a 600 mestros da costa, servia para construção das casas 
dos Israelitas, na época do cântico poderia dizer que Jerusalém era praticamente feita de 
madeira de cedro. A bela moça não mora na cidade, na riquíssima cidade, mas ali deitada 
sob o toldo das estrelas fez sua casa da terra e das árvores as vigas de sua residência.
O Espírito santo cercou a Igreja de justiça. Equipou-a com justos ou justificados. A base da 
justiça é a fé, fé num sacrifício que para nós é passado, mas para a Sunamita era futuro. Os 
cedros evocam majestade. Força. Grandiosidade. As Escrituras afirmam que Deus 
demonstra a grandeza de seu poder na ressurreição de Cristo. Imaginaríamos que seria isso 
na criação do universo. Mas na mente de Deus, a maior manifestação de seu poder é a 
ressurreição do pedaço de cedro misturado com sangue de aves, hissopo e carmesim. Há 
um poder que emana da ressurreição que ultrapassa nossos entendimentos. Isso concede 
PODER ao justo, FORÇA que lhe dá robustez no frio, ao vento, a geada. O que 
aconteceu no calvário nos colocou em uma condição de grande poder, acima de TODO 
PODER QUE SE LEVANTA NESTE MUNDO. 
O cedro é muito forte. Porque ele representa o poder estabelecido pela justiça, fruto da 
expiação, que está e atua sobre nós. 
268 
E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a 
operação da força do seu poder, 
20 
Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita 
nos céus. 
21 
Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se 
nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; 
E as varandas são de Cipreste
Onde há muita sombra, muito refrigério. Muito agradável é a vida a qual o Espírito 
convidou-nos a viver. 
1. {The Shulamite} 
2. אני חבצלת השׁרון שׁושׁנת העמקים׃ 2:1 
3. Ani khavatselet haSharon shoshanat haamakim: 
269 
I am the rose of Sharon, and the lily of the valleys
270
Sulamita morava na Galiléia e se chamava pelo nome de duas flores uma das redondezas de 
Nazaré e outra de um vale que ficava na região que um dia seria chamada de SAMARIA: O 
havatzélet era da planície de Samaria e os shoshanim das redondezas de Nazareth 
(Nivalda os coloca ambos como pertencentes á região de Nazareth, podem estar ali 
presentes também, – mas é importante que compreender ela nãopensava numa uma planta 
da região de Nazareth, mas numa flor da planície de Sarom). O lírio (havatzélet), existe em 
Israel há mais de 3.000 anos. Esta palavra vem de uma raiz relativa a flores nativas batzal e 
a maior característica é que ela é planta de bulbo (as rosas não o são). De acordo com o 
targum o havatzélet, é o narciso (tradução também preferida pela Bíblia de Jerusalém). 
Shoshanat, shoshanim (pl) são lírios, bem como a palavra havatzélet, que quer dizer lírio, se 
assemelha aos crocus de outono que eram vermelhos como os lírios do oriente, lilazes ou 
brancos. Os shoshanim lírios comuns dos vales profundos entre montanhas, enquanto que 
o primeiro (havatzélet), é lírio das montanhas conforme já dissemos. O lírio tem 6 pétalas e 
shoshana vem da raiz de shesh que quer dizer seis. O havatzélet é um lírio diferente, citado 
juntamente com os lírios dos vales. Os lírios dos vales são plantas também de bulbo e 
ambas se identificam plenamente. O havatzélet, é portanto, um lírio dos montes da Galiléia 
e os shoshanim são os lírios do vale. A brancura do havatzélet chamou a atenção da noiva. 
(Extraido do Livro - Jesus na Ecologia de Israel - Nivalda Gueiros Leitão). 
Sunamita é se compara a uma flor de Sarom. Está revelando um grande segredo. Ela 
aponta para a terra de seu NASCIMENTO. Quem diria! Viveu sua vida toda em Sunem, 
mas suas origens são de outro lugar. Ali era a região onde viviam os descendentes da tribo 
de Manassés. Ela pode ser natural da tribo de Manassés! Se não por parte de pai, ao 
menos por parte de mãe. Possivelmente Sarom é a terra natal de sua mãe. Sendo sua mãe 
viúva, já que na descrição de sua família há referencia aos irmãos e a mãe, mas não ao pai, e 
tendo em vista que a Sunamita NUNCA cita seu pai no poema, entendemos que em algum 
momento da infância da menina, talvez motivado pela morte do pai, a família migrou para 
Sarom, onde teria apoio da paremntela. Talvez não Sunamita não saiba quem é seu pai. 
Porém CANTARES é um livro de inúmeras reviravoltas. 
E se ela é descendente de Manassés, por parte de mãe, nos reserva uma grande surpresa. 
271 
Gênesis 46:20 
E nasceram a José na terra do Egito Manassés e Efraim, que lhe deu Asenate, filha de 
Potífera, sacerdote de Om. 
Ela é descendente de José, e tem como ancestral uma egípcia! Que era filha de um 
sacerdote. Sua herança espiritual vinha de um sacerdócio egípcio! Israel viveu uma 
profunda ligação com o Egito. 
E agora vemos a profundidade do elogio que Salomão lhe fez ao associá -la aos carros de 
Faraó! 
Jacó ao morrer abençoa a José: 
21 Depois disse Israel a José: Eis que eu morro; mas Deus será convosco, e vos fará tornar 
para a terra de vossos pais.
22 E eu te dou um pedaço de terra a mais do que a teus irmãos, o qual tomei com a 
minha espada e com o meu arco da mão dos amorreus. 
José recebeu um pequeno pedaço de terra que seu pai havia conseguido numa batalha. É 
uma batalha invisível, nós não a percebemos em Genesis, porque dela nada foi escrito. É 
para nós uma revelação. Não imaginamos Jacó com uma espada nas mãos, além da cena da 
luta com o anjo. Além das terras prometidas a Abrãao e a Moisés, descobrimos uma 
pequena propriedade que já pertencia legitimamente aos descendentes de Israel. Um 
pequeno sítio. Fora da palestina. A igreja é uma grandiosa propriedade tomada das mãos 
dos amorreus, pela força e poder de Cristo. 
A Planície de Sarom é mencionada na Bíblia (1 Crônicas 5:16, 1 Crônicas 27:29; Isaías 33:9, 
Isaías 35:2, Isaías 65:10), incluindo a famosa referência à "rosa de Sarom" (Cântico 2:1). Ela 
pertence a Samaria da época de Cristo. Nos tempos antigos, a planície foi particularmente 
fértil e populosa. Imigrantes sionistas chegaram no início do século 20, e povoaram a região 
com muitos assentamentos. Sharon, Sarom ou Sarona (em hebraico: וֹןר ןָׁ ) é a metade 
norte da planície costeira de Israel, norte de Gush Dan e sua maior cidade é Netanya. As 
outras maiores cidades nesta região são Ra'anana, Ramat Hasharon e Kefar Sava. 
272
Sunamita se compara a uma flor de uma planície costeira, de uma região célebre, onde ao 
fundo se vê o Carmelo, monte da luta entre os profetas de Baal e Elias. 
O distrito de Cesaréia de Filipe se encontra aos pés do monte. É uma área preciosa. Ali 
havia muitos cervos. O Salmo 42 foi escrito aqui: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, 
assim clama por ti, Oh Deus, a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando 
virei, e me apresentarei diante de Deus?”. Esses cervos desejavam águas vivas, onde podiam 
achá-las? 
Esta área está muito próxima do Mar da Galiléia, para o norte. Em Isaías 9:1 lemos: “Mas 
não haverá sempre escuridão para a que está agora em angústia, tal como a aflição que lhe veio no tempo 
que levianamente tocaram a primeira vez à terra de Zabulom e à terra de Naftali; pois ao fim encherá de 
glória o caminho do mar, daquele lado do Jordão, na Galiléia dos gentios”. 
Esta é uma profecia maravilhosa. Um dia, o Messias viria, e ele faria deste lugar – O mar da 
Galiléia– o centro da sua obra. “O povo que andava em trevas viu grande luz; os que moravam na 
terra da sombra de morte, luz resplandeceu sobre eles”. Por que diz “terra de sombra”? Porque essa 
era uma zona de vulcões. Toda a terra nesse lugar é de uma cor escura, e por isso absorve 
muito a luz solar. Por essa razão, também o trigo cresce muito rapidamente, porque recebe 
muita energia do sol. Por isso, quando os sacerdotes ofereciam as primícias no templo, eles 
tinham muito claro que os primeiros frutos vinham da terra da Galiléia. Se voc ê olhar à 
distância todas as casas estão construídas com rocha escura. Quando o Senhor estava em 
Cafarnaum, ou no mar da Galiléia, olhando à distância via uma terra escura. É a “terra de 
sombra”. 
273 
Planicie de Sarom. Cidade de Cesaréia. Ao fundo o monte Carmelo.
É nessa planície que ocorreram eventos muito significativos. Depois de uma visão 
extraordinária que teve enquanto estava em Jope, Pedro iniciou o ministério entre os 
gentios, pregando a um centurião romano chamado Cornélio na Cesaréia (Atos 10) que fica 
situada em Sharom. Filipe pregou e viveu aqui e teve quatro filhas que profetizavam (Atos 
8:40; 21:8–9). Paulo foi prisioneiro na cidade durante dois anos, na mesma planície (Atos 
23–26). Ele pregou a Félix, Festo e a Herodes Agripa II, que disse: “Por pouco me queres 
persuadir a que me faça cristão!” (Atos 26:28). 
É em Sarom que se inicia o ministério do Espírito a todos os povos da terra, através de 
Pedro. Lá o primeiro gentio será batizado com Espírito Santo e abrirá as portas do 
Evangelho aos povos, raças, tribos e nações. Em Sharom finalmente se inciará o 
cumprimento da antiga promessa “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” , dito 
para Abrãao. Em Sarom Pedro terá a visão extraordinária dos animais puros e impuros 
sendo descidos até ele num lençol por quatro vezes. Porque Deus amou o mundo de tal 
maneira que o santificou. Cada pedaço dele. Cada animal. 
Quando Jesus morre no calvário seu sangue purificava a terra inteira. Toda ela foi 
comprada para Deus através de Cristo. Cada centro de tortura, cada prisão, cada zona de 
prostituição, cada cidade destruídas pelas drogas, cada lugar onde corpos são lançados 
mutilados, cada pedaço de chão onde um monge budista cai incendiado depois de um 
suicídio ritual, cada pedaço de terreiro que é usado para rituais macabros de magia negra. 
Toda a terra foi santificada para Deus. Já não existem lugares sagrados, como no Velho 
Testamento. Nem coisas separadas como flores ou púlpitos. O chão de uma igreja não é 
mais sagrado que um pedaço de cemitério de indigentes. Este é o mistério revelado 
a mulher Samaritana que cria que o único local sagrado da terra, o único em que poderia 
“cultuar” a Deus, eram as ruínas de um antigo templo samaritano, no monte de Samaria. É 
o segredo contado por Jesus “onde quer que houverem dois ou três reunidos em meu 
nome, ai eu estarei”. Todo o UNIVERSO físico foi impactado pela morte de Jesus. E 
preparado por ele. Basta que a Sunamita chegue. Baste que ela pise o local. 
Josué é obrigado a tirar as sandálias para pisar um lugar santo, porque ali o anjo do senhor 
estava pisando e santificando o local, na época da tomada de Jericó. Agora, onde quer que 
pisar a Igreja, sobre ela repousa o PODER que habitava o Anjo do Senhor. Ela é que 
santifica a terra onde habita. Onde quer que a igreja ore, toda maldição terá que deixar o 
local. Tanto faz se era um centro de excelência na busca do diabo, ou uma antiga casa de 
prostituição. 
Sunamita é a rosa de Saron. Mas também é uma moça da região da Galiléia. Em Sarom a 
revelação que Cristo deu sobre si seria anunciado ao mundo inteiro. 
1. {The Beloved} 
2. כשׁושׁנה בין החוחים כן רעיתי בין הבנות׃ 2:2 
3. Keshoshanah bein hakhokhim ken rayati bein habanot: 
274 
As the lily among thorns, so [is] my love among the daughters
A palavra no hebraico para espinho é hoah hohim (pl). Estes espinhos são comuns, como 
planta nociva aos campos de trigo, em ruinas ou lugares abandonados (II Reis 14:9, 
Provérbios 26:9, Jó 31:39-40, Isaías 34:13, Mateus 13:7 ). Esta planta nociva brota 
também em solos de aluvião ou nas altitudes mais baixas do país (Israel). Geralmente trata-se 
de uma planta chamada “espinho dourado” que é comum se ver nas regiões do Golan e 
Galiléia. Espinhos nos levam a visão de uma coroa de espinhos, nos levam a amargura 
humana, a raiva, o ódio, a mentira, a traição. Os maltratos. Dentre as dimensões humanas 
de Cantares o Espírito enxerga a humanidade. Toda ela. E vê dentro desta os ímpios e os 
inocentes. Ele contempla as violações dos direitos humanos em toda a terra. É o caso de 
duas primas indianas de 14 e 16 anos encontradas mortas por enforcamento na última 
quarta-feira depois de terem sido vítimas de estupro coletivo no estado de Uttar Pradesh. 
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140530_estupro_enforcamento_ind 
ia_rb.shtml 
Quase 17 mil mulheres foram mortas vítimas de agressões, entre 2009 e 2011, por causa de 
conflitos de gênero, ou seja, apenas por ser do sexo feminino, segundo o estudo Violência 
Contra a mulher: Feminicídios no Brasil, divulgado nesta quarta -feira (25) pelo Ipea 
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O número representa uma média de 5.664 
mortes de mulheres por causas violentas a cada ano, 472 a cada mês, 15,52 a cada dia ou 
ainda um óbito a cada hora e meia. Segundo Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia de 
1998, mais de 100 milhões de mulheres desapareceram ou foram mortas em todo o mundo 
vítimas da discriminação em 10 anos. 
De acordo com uma pesquisa mundial com os dados disponíveis de 2013, 35 por cento 
das mulheres em todo o mundo têm experimentado ou violência física e /ou sexual por 
parceiro íntimo ou violência sexual por estranhos. No entanto, alguns estudos mostram que 
em alguns países a violência alcança até 70 por cento das mulheres. 
275
Na Austrália, Canadá, Israel, África do Sul e Estados Unidos, v iolência por parceiro íntimo 
é responsável por entre 40 e 70 por cento das vítimas de assassinato do sexo feminino. 
Mais de 64 milhões de meninas no mundo inteiro estão noivas ainda crianças. 46 por cento 
das mulheres com idades entre 20-24 no Sul da Ásia e 41 por cento na África Ocidental e 
Central relataram que elas se casaram antes da idade de 18 anos. 
Casamento infantil, resultando em gravides precoce e indesejada, apresenta riscos que 
ameaçam a vida de meninas adolescentes; Em todo o mundo, as compl icações relacionadas 
com a gravidez são a principal causa de morte de 15 a 19 anos de idade, as meninas. 
Aproximadamente 140 milhões de meninas e mulheres no mundo sofreram mutilação 
genital feminina / excisão. 
O tráfico enreda milhões de mulheres e meninas em escravidão moderna. Mulheres e 
meninas representam 55 por cento dos cerca de 20,9 milhões de vítimas de trabalho 
forçado no mundo. Destas 4,5 milhões de mulheres foram forçadas à exploração sexual. 
O estupro tem sido uma tática crescente em guerras modernas. Estimativas conservadoras 
sugerem que 20.000 a 50.000 mulheres foram estupradas durante a guerra de 1992 -1995 na 
Bósnia e Herzegovina, enquanto que cerca de 250.000 a 500.000 mulheres e meninas foram 
alvo do genocídio de 1994 em Ruanda. 40 e 50 por cento das mulheres em países da União 
Europeia experimentam assédios sexuais não desejados, contato físico ou outras formas de 
assédio sexual no trabalho. Nos Estados Unidos, 83 por cento das adolescentes com idades 
compreendidas entre 12 e 16 sofreram algum tipo de assédio sexual nas escolas públicas. 
Nos Estados Unidos, 11,8 por cento das novas infecções pelo HIV entre as mulheres de 
mais de 20 anos de idade durante o ano anterior foram atribuídas à violência por parceiro 
íntimo. 
Espinhos evocam dor. Muita dor. A dor da cruz, a dor da mentira, a dor da maldade. 
Espinhos fala-nos de ministros corruptos, de profetas falsos, de políticos mentirosos, do 
roubo, da vilania, da violência, material, física, moral ou espiritual. Jesus ao ser condenado a 
morte provou a violência jurídica, a perda injusta de direitos, a violência do estado, perda 
da liberdade a que tinha direito, a perda da cidadania, morrendo como um estrangeiro, a 
perda da honra, tratado como um assassino, a violência física religiosa, bateram nele dentro 
do templo, a violência física das autoridades, os soldados não tinham ordem de tripudiar 
dos prisioneiros, o fazem por prazer, a violência física do estado, a pena de morte. 
‘Espinhos’ falam-nos de mestres contaminados por doutrinas malignas, fala de filosofias 
cuja origem é o inferno e cujo fim é a perdição. A mentira religiosa, a profética, a 
doutrinária, todas ferem como espinhos. A falta de amor, a animosidade, o sectarismo, a 
falta de compaixão, de solidariedade, de sinceridade. Pais que maltratam seus filhos, 
maridos maltratando esposas, ministros pastores suas ovelhas. Líderes aproveitando de sua 
posição para roubar o que não lhe pertence, induzir pessoas a realizarem a sua vontade 
pessoal. O que gera dor, decepção, e angustia. O ministério destruído pela fofoca, pela 
mentira, pelo ato ardiloso. A menina enganada pela amiga, o negócio sem ética, a confiança 
não correspondida de quem se esperava responsabilidade e cujos atos trouxeram perda, 
perda violenta. Espinhos. 
A Sunamita é um lírio entre os espinhos. É bom tocar nela, não nos fere, não nos machuca, 
não nos causa dor. 
Ela é o amor entre as filhas. Ela é conhecida não porque domina, não porque coage, não 
porque abusa de sua autoridade. Antes porque ama. 
Um ministério segundo o Espírito não será conhecido no futuro pela grandeza de suas 
curas. Pela beleza ou profundidade de suas revelações. Pela gloriosidade das visitações 
angelicasi. Pela notoriedade das curas operadas. Mas será reconhecida pelo amor não 
fingido, pelo carinho de uma igreja que age amorosamente. Por isso se distingue entre as 
276
filhas. São dezenas ou centenas de ministérios. Muitos eram flores e agora deles só restaram 
espinhos. Mas o Espírito olha para uma Igreja que se sobressai no meio de muitas, que 
ainda que sejam filhas, ou participantes dos mistérios, da graça, da filiação, não se 
sobressaem no profundo e desinteressado amor. Hoje são milhares que se deixam igrejas 
por causa da indiferença, pela fragilidade das relações humanas. Pela falta de amizade. 
Paulo profetiza quando anuncia que ainda que falasse a língua dos homens e dos anjos e 
não tivesse amor, de nada isso adiantaria. Nada servem revelações divinas, nada adianta 
poder, unção, revelação, profecia, milagres, se não houver genuína saudade, 
companheirismo, amizade, amor ao próximo. A profecia, a revelação, a operação milagrosa, 
dependem exclusivamente da fé. Mas a fé pode ser exercida sem amor. Porque os dons são 
uma dádiva inalienável, o poder concedido ao homem não é retomado pela sua 
intransigência, pelo seu desamor. O nome disso é Graça. Mas a revelação não opera 
salvação. Por isso os desastres absolutos de ministérios onde apesar da operação dos dons, 
não há preservação de vidas, não há crescimento. A mistura da profecia e da falta de 
amizade é a morte espiritual é o ESCANDALO. Escândalo é a lgo mais profundo do que 
desvios de conduta da liderança da Igreja. Escandalizar significa ultrajar a consciência 
alheia, horrorizar, leva o outro ao repudio, é vilipendiar a alma do outro de um modo tão 
profundo que este não mais quer ver, ouvir, sentir as coisas que o feriram. O escândalo leva 
a rejeição completa, ao nojo, a abominação da alma. Conduz a uma condição de 
inacessibilidade do coração. Escandalizar significa gerar uma condição de rejeição profunda 
em virtude de um ato, de uma atitude ou de um conjunto de atitudes que imprimem uma 
impressão duradoura, por vezes permanentes na outra pessoa. A profecia falsa, a doutrina 
espúria, o comportamento hipócrita, etc. 
Porém, onde há abundancia do amor, há uma grande distinção. Salomão já tinha neste 
momento muitas mulheres. Mas ele se apaixona pela doçura de Sunamita. Ela é muito 
doce. 
1. {The Shulamite} 
2. כתפוח בעצי היער כן דודי בין הבנים בצלו חמדתי וישׁבתי ופריו מתוק לחכי׃ 2:3 
3. Ketapuakh baatzei hayaar ken Dodi bein habanim betzilo khimadti veyashavti 
ufiryo matok lekhiki 
4. As the apple tree among the trees of the wood, so is my beloved among the sons. I 
sat down under his shadow with great delight, and his fruit was sweet to my taste. 
277
A Sunamita distingue seu amado, pela sua beleza, pela sua doçura, dentre as árvores do 
bosque. A maçã é um fruto que era iguaria da mesa de reis. Era apreciada por crianças, por 
adultos, por adolescentes, gente de todas as classes sociais. E apreciada por todas as 
nações. Importada ou cultivada, se distinguia pelas flores, pelo cheiro. 
278
Algumas espécies de macieiras crescidas concedem excelente sombra. O fruto de polpa 
branca que quando exposto vai escurecendo pela oxidação, de um vermelho que lembra os 
lábios femininos, por isso mesmo usado como símbolo de amor por diversos poemas e 
textos religiosos da antiguidade. 
279
A palavra hebraica para maçã é tapuach, cujo valor numérico equivale à expressão Sekh 
Akeida, que quer dizer algo como Cordeiro do Aliança. 
A macieira tem uma imagem que desde a antiguidade a tornou a árvore preferida para 
designar outra famosa árvore. A árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A macieira era 
conhecida desde a antiguidade e associada em diversas culturas a alimento dos deuses. 
Sunamita vive debaixo de uma cultura que representava, que evocava, que simbolizava a 
árvore de Genesis, através da macieira. O fruto da árvore do Conhecimento é denominado 
de pomo, simplesmente, fruto. Ao passar o texto do grego para o latim, os tradutores 
usaram o termo "pomum", que acabaria sendo traduzido como maçã nas línguas modernas. 
280
A Sunamita vê a árvore mais romântica de sua época. Uma das mais belas e perfumadas e 
debaixo dela, numa cobertura de flores, ela desejava estar assentada. Salomão é para ela 
esse lugar especial. A representação do texto nos leva a outro lugar bem mais distante. A 
Igreja de Cristo olha para ele como a sombra de outra árvore. Uma árvore celestial debaixo 
da qual ela gostaria de repousar. Porém essa árvore estava no Éden, um jardim que existiu 
no início dos tempos. Para a igreja descansar debaixo dela teria que entrar no Éden. 
Ezequiel recebe a revelação de uma árvore cujo fruto é para a cura das nações. E em 
Apocalipse nos é mostrada essa árvore, no NOVO UNIVERSO que Deus criará: 
281 
Apocalipse 22 
2 
no meio da rua principal da cidade. De cada lado do rio estava a árvore da vida, 
que frutifica doze vezes por ano, uma por mês. As folhas da árvore servem para a 
cura das nações. 
14 
Felizes os que lavam as suas vestes, e assim têm direito à árvore da vida e podem 
entrar na cidade pelas portas. 
Para a Sunamita celestial deitar-se à sombra dessa árvore celestial terá que ascender aos 
céus, alcançar a eternidade, chegar ao amanhã, e ao que virá depois dele. É uma bela figura 
em forma de poesia, o sonho da eterna salvação, a esperança dos céus, a a spiração à 
presença do Amado, cujo fruto é a Vida Eterna. 
desejo muito a sua sombra 
Esse é um dos mistérios que norteiam as orações, os sonhos, os pensamentos da Igreja de 
Cristo. Ela deseja muito essa sombra. Muito. 
e debaixo dela me assento
Em seus sonhos Sunamita já se vê protegida e guardada debaixo da Macieira. Já está 
assentada debaixo dela, já tomou uma decisão. Esse sujeito é o homem de minha vida. É 
com ele que anseio viver. 
A Igreja de Cristo não herdará sua salvação amanhã. Ou um dia. Ela já se assentou nas 
regiões celestiais em Cristo. Já tem direito a árvore da Vida. Ela já está debaixo da sombra, 
embora ainda não tenha efetivamente comido do seu fruto. Somos mortais. Ainda não 
recebemos corpos que suportem viver no lugar onde os anjos habitam. Mas já nos 
assentamos, já participamos deste mistério de salvação. E do que ele manifesta. A cura que 
um dia alcançará TODAS AS NAÇÕES já acontece hoje no seio da Igreja. A restauração 
que um dia mudará o universo, já se iniciou nos corações, nas mentes e corpos dos que 
amaram a Cristo. 
282 
{The Shulamite to Banot Yerushalayim} 
הביאני אל־בית היין ודגלו עלי אהבה׃ 2:4 
Heviani el-beit hayayin vediglo alai ahavah:
He brought me into the house of wine, and his banner over me was love. 
A expressão beyt haáyiyn (Ct 2,4) só tem paralelos no livro de Ester (7,2 “casa de festas” e 
7,8 “casa de banquetes”). A vinculação da expressão “casa do vinho” com a “casa de 
festas” e a “casa de banquetes”, em Ester, pode ajudar a identificar o ambiente deste grupo, 
pois reúne vinho, cultura popular e presença feminina. O Cântico dos Cânticos, no século 
primeiro da era cristã, ainda era usado, conforme denunciava o Rabi Akiba, em adegas ou 
casas de festas, onde se bebia muito vinho. Assim, estas mulheres responsáveis por 
organizar banquetes, como Ester, podem ter sido responsáveis pela preservação dos 
poemas e sua releitura em Judá. Pode ser que, mesmo após o início do uso canônico, as 
mulheres continuassem cantando partes do Cântico dos Cânticos nas “casas do vinho” 
283 
O BANQUETE REAL 
Sargão II, na inauguração de seus palácios, Dur-Sarrukin, deu um grandioso banquete. 
Senaqueribe fez o mesmo para o de Ninive. Assurbanipal II ( 883-859 a. C.) ofereceu, após 
a conclusão do palácio de Kalhu um banquete para 69.574 convidados. (pag 62 História da 
Alimentação, ed. Estação Liberdade). Os convidados eram presenteados nos banquetes 
reais com roupas de grande valor, jóias, vinhos caros e até porções dos alimentos especiais 
da corte. Em Babilonia e Assiria os alimentos consumidos eram primeiramente oferecidos 
aos deuses (Constituiam uma libação. Literalmente oferecidos, depositados e deixados 
diante das estátuas das divindades, como oferendas. A comida real era composta do mesmo 
tipo de alimentos oferecidos aos deuses) separavam parte do que havia sido consagrado aos 
deuses, que eram trazidos ao rei que poderia dele repartir aos altos funcionários de sua 
hierarquia. Dezenas ou centenas de mesas eram separadas com a proximidade real 
selecionada a partir de rígida hierarquia, que ia de membros de sua família, seus 
conselheiros reais, seus generais e nobres, os altos funcionários da corte, os governadores 
das províncias, os nobres da cidade e ricos comerciários, os dignatários e as autoridades, os 
convidados divesos, os profissionais do palácio, os guardas do palácio. Era uma grande 
honra participar do banquete real que poderia se estender por dias, com um cardápio 
requintado, uma organização minuciosa, com artistas convidados, músicos, danças com 
belíssimas dançarinas, e várias atrações para diversão dos convidados. Um grupo imenso 
trabalhava intensamente no preparo do banquete, na distribuição, na limpeza dos salões, na 
distribuição de presentes, nos ritos de entrada e saída do palácio, na vilgilancia do evento. 
Os banquetes celebravam os grandes eventos da vida nacional, as grandes vitórias e 
conquistas bélicas, o casamento real. Os haréns reais realizavam normalmente sus 
banquetes separadamente, haviam listas diferentes de alimentação e o próprio suprimento 
de vinho para os palácios das mulheres. Havia uma questão de hábitos alimentares 
distintos das princesas e rainhas, a maioria das mulheres dos reis da antiguidade eram 
estrangeiras, princesas estrangeiras que trouxeram com elas seu séquito real, as mulheres 
que as vestiam e banhavam, enfeitavam e perfumavam, oficiais eunucos, cozinheiros e 
oficiais. 
O BANQUETE SAGRADO
O ofício em homenagem aos deuses criou uma categoria especial de funcionários dos 
templos das divindades da antiguidade. Padeiros, açougueiros, cervejeiros, pasteleiros, 
cozinheiros cuja função era receber a oferta em alimento bruto e prepara -los para os 
banquetes religiosos. Eles preparavam os pratos oferecidos as estátuas dos deuses. Os 
oficiais e sacerdotes recebiam uma parte do que eles ofereciam então era uma comida de 
qualidade. Seguiam um calendário litúrgico com responsáveis determinando as datas 
festivas a essa ou aquela divindade. As refeições servidas refletiam a hierarquia e 
importância das divindades. Em alguns rituais os sacerdotes traziam as estátuas para fora 
dos santuários e as posicionavam como num banquete real, onde eram servidas como um 
banquete real, por funcionários do templo. Os sacerdotes se misturavam às divindades e se 
assentavam junto com elas comendo parte dos alimentos oferecidos, com queima de 
incenso, lavando a mão com óleo perfumado, ungindo suas frontes, cantando hinos e 
tocando músicas religiosas de adoração aos deuses. ( festa de Akinu, afrescos do templo 
de Anu, na cidade de Uruk, época selêucida, século III ao século I a. C). 
Salomão sai dos campos e volta cidade conduzindo a moça a uma faustosa refeição. E é ele 
que paga a comanda. Ele a leva a um lugar que para ela é um restaurante de luxo. Um 
aposento separado de uma das pousadas da festa que acontece, um lugar separado, no 
povoado mais próximo ao campo onde tinham passado o entardecer. Ela caminhará ao 
seu lado, vai desviar das poças, vai suspender os galhos por onde ela passar. Ele a carregará 
no colo para que ela não suje os pés. Oferecerá a ela o que ela mais gosta numa sala de 
banquete. E o que ela sente enquanto ele a CONDUZ à sala é o seu carinho desvelado. 
Como uma bandeira desfraldada de um exército, cujas insígnias escritas não traziam o 
nome de um reino, antes estivesse escrito “amor”. 
Essa é a cena retratada nos evangelhos quando Jesus separa o local para a última ceia, uma 
refeição preparada por um misterioso estaleiro cujo nome nunca foi revelado, com um 
jantar finíssimo capaz de alimentar sobejamente a pelo menos 13 pessoas. Lá onde ele lava 
os pés dos discípulos, lá onde ele faz a última oração de seu ministério por eles, lá onde ele 
declara-lhes seu amor e se despede. Porque o estandarte sobre sua Igreja é o seu 
impressionante e corajoso amor. 
Salomão havia coberto a Sunamita para protegê-la do vento, do frio, talvez da chuva que 
caía nessa região. Ele a enrolou desajeitamente, como se a envolvesse com uma bandeira. 
Na verdade... bem que poderia ser uma bandeira, literalmente. Jamais teria conseguido 
chegar nos campos sem ser escoltado por guardas fortemente armados. Mas teriam que 
estar disfarçados também para que a “trapaça” da conquista desse certo. Em algum 
instante ele pegou alguma manta de algum dos soldados disfarçados de pastores. E há uma 
possibilidade não tão remota que a tal manta tivesse os símbolos de Salomão. 
Porém...um pastor a convidou a cear...na “casa do banquete” do texto é também traduzida 
como “casa do vinho”. Uma taberna da antiguidade. Mas a história possui reviravoltas 
tremendas. Ele estará naquela semana na presença de seus súditos e nobres como rei, e 
Sunamita irá entrar no segundo banquete, um banquete que não aparece no texto, um 
banquete real. No primeiro ela é convidada, mas no segundo ela entrará com ousadia, 
sem ser convidada. Um dia ela será levada voluntariamente, já como rainha, para a sala do 
banquete onde será honrada. O primeiro banquete lembra a ceia com o pastor que dá a 
vida pelas ovelhas. E o segundo lembra o reencontro com o ressurreto, não na terra. Mas 
no céu. Há um evento magnífico para qual a Igreja foi convocada. E que só poderá estar lá 
por plena ousadia. Ela é denominada de “as bodas do Cordeiro”. 
284
Os banquetes da antiguidade evocavam o divino, embora não fossem deuses o que ali se 
representava, embora Daniel tenha rejeitado tal “privilégio” na corte do rei 
Nabucodonozor, por oferecerem a ídolos aquilo que deveria ser dedicado a Deus, os 
banquetes da antiguidade possuem uma sombra, uma aspiração, um desejo, que se cumpre 
de modo profético no evento denominado “ARREBATAMENTO”. Paulo recebeu uma 
revelação sobre um “rapto” dos que creem “convocados” para uma reunião, ou assembleia 
celestial. Um rapto da Amada que é o cumprimento espiritual das brincadeiras das vinhas, 
das festas de Benjamim. Note a poesia, quem recebe a revelação do “rapto” dos amados de 
Deus é justamente um benjamita. Paulo de Tarso, era descendente da tribo de benjamim. O 
banquete em que a Igreja recebe a perfeição, a transformação, onde o processo de 
transfiguração que Pedro, João e Tiago viram ocorrer sobre o monte Hermon em Jesus, 
quando ele brilha intensamente como se fosse o amanhecer, acontece com a Igreja de 
Cristo. Ela receberá “roupas celestiais” ou corpos glorificados, ela será conduzida por 
“oficiais do rei” até a sala do banquete, anjos a conduzirão até o encontro celestial onde 
haverá uma grande festa, com direito a cantos de adoração, a unção, não com azeite, mas 
com o Espírito de Deus, num lugar que “cheira a incenso”, que representa o anelo de 
milhões de intercessores, que oraram, creram, intercederam por ele. Ele, o ressurreto que é 
o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores concederá presentes, galardões, honrará a fé com 
bens inalienáveis. O encontro celestial é na verdade um banquete real e um banquete sagrado. 
Apocalipse 19.7 
Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, 
cuja esposa a si mesma já se ataviou, 
Apocalipse 19.9 
Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das 
bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus 
O estandarte era a bandeira que os oficiais carregavam à frente das tribos quando 
marchavam, elas representam os brasões dos reinos da idade média, elas dão origem as 
bandeiras dos países na modernidade. Sobre a Igreja repousa a bandeira do amor de 
Cristo. A bandeira ou o estandarte não poderia ser tocado por qualquer pessoa. A águia 
romana era o estandarte das legiões romanas, aparece colocada sobre o tumulo de Cristo, 
significando que ali repousava a autoridade de Roma e que ninguém poderia tocar naquele 
estandarte, ou no tumulo sem a ordem de um governador. 
A lealdade das tropas romanas aos seus estandartes, em que estava a águia e as letras SPQR 
(Senatus Populusque Romanus - Senado e Povo de Roma), era inspirada pela influência 
conjunta da religião e da honra. A águia que rebrilhava à frente da legião tornava -se objeto 
da sua mais profunda devoção; era considerado tão ímpio quão ignominioso o abandono 
dessa insígnia sagrada numa hora de perigo. 
Hitler retomando as tradições da antiguidade consagrou as bandeiras do partido nazista 
com o sangue de aliados mortos, para reforçar o simbolismo da suática. 
285
Os estandartes e bandeiras eram símbolos de muita importância para a Legião, e venerados 
pelos soldados. A partir de 104 a.C., após a reforma de Mario, cada legião passou a usar 
uma aquila (águia) como símbolo de estandarte. O símbolo era levado por um oficial 
conhecido como aquilifer, e sua perda era considerada uma grande vergonha e 
freqüentemente levava à dispersão da própria legião. 
Com o nascimento do Império Romano, as legiões criaram uma ligação com seu líder, o 
próprio Imperador. Cada legião possuía outro oficial, chamado imaginifer, cuja tarefa era 
carregar uma lança com um imago (imagem, escultura) do imperador como pontifex maximus. 
Além disso, cada legião possuía um vexillifer, que carregava um vexillum ou signum, com 
nome e emblema da legião descritos, próprios da legião. 
286
Cada tribo israelita possui uma bandeira, como não há evidencias arqueológicas os 
estudiosos usam as referencias das Escrituras para imaginar o que elas poderiam conter 
com base nas profecias dadas por meio de Jacó. 
287
288 
Ou
289
Sunamita expressa que o estandarte sobre ela, não era a identidade de uma das tribos de 
Israel, ou símbolo da Casa de Davi. Era algo para ela de muito maior valor que uma 
identidade cívica. Que um símbolo de guerra. Era o amor que seu amado tinha por ela. 
O amor de Cristo sobre a Igreja é um estandarte sagrado, um símbolo de guerra, de 
proteção, de suprema importância. Ele não carrega a bandeira, ele a protege com ela. 
Porque era o símbolo numa guerra da coisa mais importante a ser guarnecida por um 
exército, e ele a coloca debaixo dela! ELA É PARA ELE, MAIS IMPORTANTE QUE 
SUA BANDEIRA. Ela é a razão de sua bandeira. É pela alma humana, pela salvação do 
ser humano, pela vida de sua Igreja que o amor de Deus resplandece, manifesta-se de 
modo incomparável. É por amor de nós, por amor de sua escolhida, e esse é o significado 
do Evangelho. Cristo estendendo sua bandeira sobre nós. 
1. סמכוני באשׁישׁות רפדוני בתפוחים כי־חולת אהבה אני׃ 2:5 
2. Samkhuni baashishot rapduni batapukhim ki-kholat ahavah ani: 
3. Strengthen me! with the raisins, refresh me! with apples: for I am sick with love. 
As passas são as uvas secas pelo sol ou desidratadas por forte calor. Chegou o momento 
em que a moça se apaixona pelo rapaz. 
290 
Dil ye mera bas mein nahi (hindi) 
Este meu coração não está no meu controle 
(musica do filme Barfi) 
Kahin pyaar na ho jaaye 
Não deixe que eu me apaixone 
Pyaar na ho jaaye 
Não deixe que eu me apaixone 
Ae dil bataa yeh tujhe kya hua 
Oh coração, me diga, o que aconteceu com você 
Tu hai kyoon beqaraar itnaa 
Por que está tão inquieto 
Kahin pyaar na ho jaaye 
Não deixe que eu me apaixone 
(musica do filme Barfi) 
http://www.hindilyrics.net/hindi-songs-translations.html 
Paixão, do latim passione = sofrimento, sentimento excessivo; amor ardente; afecto 
violento.
Paixão, palavra de origem Grega derivada de paschein, padecer uma determinada acção ou 
efeito de algum evento. É algo que acontece à pessoa independente de sua vontade ou 
mesmo contra ela. De paschein deriva pathos e patologia. Pathos designa tanto emoção como 
sofrimento e doença. As paixões, entendidas como emoções, mobilizam a pessoa 
impondo-se à sua vontade e à sua razão. 
291 
No Blog abaixo há um artigo mais abrangente sobre o assunto: 
http://consultoriodepsicologia.blogs.sapo.pt/65740.html 
Sunamita sente tudo isso. O Cântico é quase uma peça de teatro, um jogral, é o momento 
na musica em que ela se vira para o back-vocal da banda e canta o refrão. Se fosse um filme 
é o momento em que ela se vira para o telespectador e revela, num monólogo, o drama de 
seu coração. Ela se sente tão “enfraquecida” pelo sentimento que pede que alguém lhe dê 
passas, justamente o produto já acabado das uvas da fazenda na qual ela devia estar 
trabalhando, em vez de estar namorando. As adolescentes americanas quando terminam 
um namoro pegam um pote de sorvete de chocolate e o comem inteiro. Moças adoram 
doces. Note que ela não pede nada que seja salgado para alimentá-la. E vem logo a 
contradição em nossa mente, como é que alguém imagina curar-se ou consolar-se dos 
males do coração com doces? 
É só uma distração. Ela quer algo que atordoe seus sentidos para não pensar nele, porque 
seu amor por ele a faz sofrer. Você provavelmente perguntaria, mas os dois não estão 
juntos? Sim e não. Ele está com ela, mas ela sofre antecipadamente pelo fato que terá que 
se separar dele assim que terminar o jantar. E talvez nunca mais o encontre. Pesa sobre ela 
a vida que desejaria ter e ainda não tinha. Ela ainda era a menina pobre que caçava raposas 
para sobreviver, diante de um sonho. 
É o momento profético em que a Igreja é separada de Cristo pelo Sinédrio. É o sofrimento 
dos seguidores de Cristo ao saber que ele será crucificado. É a angustia após sua morte, 
sem saber o que irá acontecer com eles. 
- Rapazes, guardem as guitarras. Para sempre. O sonho acabou. 
No nosso hoje, a Igreja necessita da presença de Cristo, mas Cristo não está na terra. Ainda 
não. Ele está à direita do Pai. Ela o ouve e o percebe, tem comunhão com ele através do 
Espírito Santo que o representa na terra. Mas... se o amanhã não chegar? E se as 
intercessões, nossa vida, nossa oração não for o bastante para alcançarmos o lugar onde 
Jesus está, para com ele vivermos para sempre? E se a pregação não for ungida, se a 
presença divina não for manifesta por causa de nossos erros? A igreja que ama a Cristo 
sofre também, aspira um amanhã de vida plena; livre da escravidão da fazenda, e das 
malditas raposas. Nós gostaríamos de não mais sofrer dores. Medo. Enfermidades. 
Pavores. Insegurança. Perdas. Queríamos não sentir saudade. Nem dor.
1. שׂמאלו תחת לראשׁי וימינו תחבקני׃ 2:6 
2. Semolo takhat leroshi vimino tekhabkeni: 
3. His left hand [is] under my head, and his right hand doth embrace me. 
E por isso mesmo ela deseja não sentir medo, segura fortemente pelos braços do amado. 
Porque nos braços de Salomão, ela simplesmente esquecerá o mundo que a envolve. O 
abraço é uma das formas mais belas da manifestação do carinho humano. É uma 
linguagem de afeto universal. O termo “mão” em hebraico muitas vezes significa “força”. 
Ou alcance do poder ou da autoridade de alguém. A mão esquerda e a mão direita tem 
uma diferença de significado nas diversas culturas do Oriente. A direita era a mão que os 
reis utilizavam para erguer o cetro ou a espada, gestos com muitos significados 
relacionados ao poder real, para acenar e pedir silencio, para convocar uma pessoa, para 
selar os atos do estado. Sunamita não sabe que Salomão é o mais poderoso rei de sua 
época. Ela não imagina que ao envolvida por ele estará sendo abraçada pela mão que 
decreta todos os atos oficiais do estado israelita. A mão que repousará sobre sua cintura 
tem o poder de vida e morte sobre milhões de pessoas. A cabeça da moça israelita é envolta 
numa manta, a cena é dela literalmente ‘caindo’ sobre os braços dele que a segura para que 
ela não estatele no chão. Ela se imagina sustentada como uma criança é sustentada para ser 
colocada no berço ou na rede. Se você não segurar sua cabeça ela penderá para trás. A mão 
esquerda não tinha um grande significado para os orientais. Na Índia ela é usada 
exclusivamente para o asseio pessoal, para trabalhos mais pesados e rústicos. Eles a 
consideram impura. Não se cumprimentam e nem pegam na comida com a mão esquerda. 
Os canhotos eram mais desprezados que os destros. Quase considerados anormai s. Por 
isso é extraordinário quando as escrituras colocam a existência na tribo de Benjamim de um 
grupo de lançadores de funda que eram extremamente hábeis, porém canhotos. Mas há 
passagens reveladoras: 
Então o sacerdote pegará um pouco de óleo da caneca e o derramará na palma da sua 
própria mão esquerda, 
292 
Levítico 14:15 
E outra em Provérbios 
Na mão direita, a sabedoria garante a você vida longa; 
na mão esquerda, riquezas e honra. 
Provérbios 3:16
Então derrubarei o arco da sua mão esquerda e farei suas flechas caírem da sua mão 
direita. 
Ezequiel 39:3 
as três companhias tocaram as trombetas e despedaçaram os jarros. Empunhando as 
tochas com a mão esquerda e as trombetas com a direita, gritaram: "À espada, pelo 
Senhor e por Gideão!" 
293 
Juízes 7:20 
A mão esquerda segurava o arco que era retesado com a direita. No testemunho da cura de 
um leproso o sacerdote derramava óleo sobre a palma da mão esquerda, depois de alguns 
ritos colocava a palma da mão esquerda na cabeça do leproso que era declarado limpo. 
O Espírito de Deus anseia firmar a mente da Igreja com a sua mão que detém suas 
riquezas, sua honra, seu arco, sua tocha de luz. E purificar sua mente com sua presença 
para declarar sua cura e sua purificação. Arco era o rifle de longa distância da antiguidade. 
Os arqueiros eram temidos pelo seu terrível poder de matar a distância. As tochas eram a 
iluminação navegante, luz pessoal que iluminava o caminho de um viajante. 
A mão direita de Cristo possui suas riquezas e sua honra. E na esquerda ele segura o arco. 
Na esquerda ele derruba o óleo e como sacerdote celestial o derrama em nossa cabeça. 
1. The Maiden's charge to the banot Yerushalayim 
2. 2:7 {Refrain} 
השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם בצבאות או באילות השׂדה אם־תעירו ואם־תעוררו את־האהבה עד . 3 
שׁתחפץ׃ 
4. Hishbati etkhem benot Yerushalayim bitzvaot o beailot hasade im-tairu veim-teorru 
et-haahavah ad shetekhpatz: 
I charge you, O ye daughters of Yerushalayim, by the roes, and by the hinds of the field, 
that ye stir not up, nor awake [my] dod (love), till he please. 
7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis 
nem desperteis o meu amor, até que queira.
294 
Leiam o capitulo “ A magia em cantares”. 
Ampliando a visão do texto, deixando de lado a perturbação das meninas de Jerusalém, 
vamos olhar a natureza citada no verso. Gazelas e Cervas do Campo. A Sunamita é muito 
suave no falar. Muito doce. Nesse instante da canção ela mostra o quanto é meiga. Ela não 
amaldiçoa, não invoca uma lei, ou seus direitos, que ela humildemente sabe que não possui. 
Ela está diante de mulheres lindas, perfumadas, ricas, ela uma menina trabalhadora do 
campo, elas representantes de ricos comerciários. Ela reclama com os olhos na natureza 
israelita e neste momento da canção nossos olhos se voltam para os cervos e as gazelas, que 
são naturalmente tão pacíficos quanto a Sunamita. Elas fogem ao menor sinal de perigo, se 
escondem a qualquer mudança de odor. Os cervos conseguem perceber água a enormes 
distancias e pelo fato de não terem meios de ataque a sua defesa é correr. São 
extremamente ágeis. E o modo como se movimentam foi cantado em poesias de vários 
povos e em pinturas diversas. São harmoniosas correndo, graciosas. Elas quase nunca 
tropeçam, ainda que correndo por uma floresta escura. 
Su Dongpo, poeta chinês declarará: 
Quando olha para si em uniforme de gala, sorri: "Sou por natureza um gamo selvagem/ 
e não consigo suportar canga ou freio/ Para quê estes dourados e trajes grotescos/ os 
botões de jade e as presilhas de seda?"
295 
(Le Monde"Amanhã: Murasaki Shikibu, a primeira romancista do Japão) 
São indomesticáveis. Não suportam o jugo, o peso ou o trabalho forçado. Elas sentem 
muita sede e correm desesperadamente em busca de água. Elas cantam quando querem se 
acasalar. São considerados animais puros. 
A tribo de Naftali é comparado a uma gazela: 
Gênesis 49:21 
Naftali é uma gazela solta; ele dá palavras formosas. 
Eram animais carinhosos, as femeas da espécie se ligavam somente a um único macho por 
toda sua vida, que as protegia. 
Eram provimento de alimentação aos israelitas, faziam parte do provimento da realeza, o 
palácio de Salomão recebia cervos e gazelas abatidas para alimentação. Embora servissem 
de alimentos não eram animais sacrificiais. Não eram oferecidos ou aceitos como 
holocausto ou sacrifício no templo. 
Elas eram símbolo de liberdade. Habitam o alto das montanhas, enfrentavam o frio, 
abrigavam-se nas rochas. Tinham filhotes aos pares, geralmente gêmeos. 
A visão de liberdade, de vida plena, amorosa, o tremendo desejo de viver, simbolizado pela 
sede, quando a corça berrava, gritava e gemia, e sua alegria simbolizada pela sua 
impressionante corrida. 
A Sunamita sabe que se as moças da cidade olharem para a formosura de seu amado, irão 
deseja-lo. Irão usar sua sedução, malícia, charme, posição, riqueza e até poder para atraí-lo, 
APRISIONÁ-LO. Lembremos que Sunamita não sabe que o pastor é Salomão disfarçado. 
Ela não tem ideia que nenhuma delas tem o mínimo efeito sobre ele, acostumado a intriga 
dos palácios, recebendo diariamente seus pais para tratar de negócios. Mas a moça teme 
perde-lo. Teme que elas despertem nele o sentimento que ela já despertou nele, e ainda 
não sabe! 
Ela olha o quadro de liberdade plena das corças e pede para que elas se inspirem nisso. 
Emite ordens (conjuro-vos), não porque tenha autoridade humana para isso. Com base na 
esperança. Com base no sonho. Crendo que ao ver o unicervo, ou melhor, o universo, elas 
despertarão... 
Ela almeja a liberdade, evoca o texto que Paulo fala que a própria criação geme, 
aguardando a liberdade dos filhos de Deus! 
{The Shulamite} 
1. קול דודי הנה־זה בא מדלג על־ההרים מקפץ על־הגבעות׃ 2:8 
2. Kol dodi hineh-zeh ba medaleg al-heharim mekapetz al-hagevaot: 
3. The voice of my beloved, behold, he cometh leaping upon the mountains, 
skipping upon the hills.
Sunamita ouve Salomão a chamar, vindo correndo encontrá-la. Voz que ela já aprendeu a 
reconhecer. Aos 23 anos Salomão é uma atleta. Corre vigorosamente, mesmo porque 
possui pouco tempo para se encontrar as escondidas com a menina. O gamo corre sobre 
montes escarpados pisando com muita firmeza no solo, difilmente um animal conseguiria 
alcançá-lo. As cabras montesas são exímias alpinistas, mas os gamos conseguem correr 
sobre as escarpas e tem força para pular enquanto sobem uma montanha. Numa terra de 
tantos acidentes geográficos como Israel o caminho mais rápido, um atalho é sobre os 
montes e encostas, mais rápido que contorna-los. Muitas das estratégias de guerra dos 
israelitas passava necessariamente pelas montanhas, fosse a fuga, fosse a emboscada, fosse 
alcançar uma tropa que por causa dos carros seguiria sempre por terreno plano. Anibal, 
célebre general utilizou-se de montanhas como estratégia. O exército de Aníbal, um dos 
maiores estrategistas militares da história, saiu da Península Ibérica, passou pelos Pirineus e 
pelos Alpes e acabou na planície do Pó, onde triunfou sobre três legiões que Roma envia ra 
para derrotá-lo. As batalhas ficaram conhecidas como Ticino (novembro de 218 a.C), 
Trebia (dezembro de 218 a.C) e Trasímeno (junho de 217 a.C). 
Os montes na época de Sunamita eram ainda desprovidos de totens, postes-ídolos e 
templos. Nos anos posteriores seriam tomados por toda sorte de culto e adoração às 
deidades das nações. 
Ela ainda os contempla cheios de excelente natureza e desprovidos de urbanização. 
Uma antiga profecia associa os montes a vinda do Messias. Os judeus criam que quando 
este viesse até os mortos ressuscitariam. 
“Naquele dia estarão os Seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de 
Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, do oriente para o 
ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se removerá para o norte, e a 
outra metade dele para o sul.”. Zacarias 14:4. 
296 
Tanto que muitos israelitas procuram ser enterrados no monte das oliveiras. 
Tumbas judaicas no monte das Oliveiras. Enterravam seus entes ali porque imaginaram que 
seriam os primeiros a ressuscitar em sua vinda,
297 
http://graftedinelena.wordpress.com/israel-travel/ 
Os montes de Israel são ricos em significados. A cidade de Jerusalém era chamada de Sião 
em virtude de uma de suas colinas, o monte Sião onde um dia existiu uma fortaleza dos 
jebuzeus tomada por Davi. 
O templo é edificado sobre um monte, outra colina da cidade, o monte Moriá, onde um dia 
Abraão levou Isaque para ser sacrificado. Ao seu lado está o monte das Oliveiras. Foi no 
vale entre os dois que seu pai se encontrou com um anjo. O templo que Salomão 
construíra e cujas colunas resplandeciam como fogo ao pôr do sol, por serem feias de 
bronze, construiu sobre o monte Moriá. O Getsemani ficava na encosta do monte das 
oliveiras. Jesus morre sobre outra colina denominada calvário, do lado externo da antiga 
cidade de Jerusalém. 
Sobre um monte a Lei foi concedida a Moisés, o Horebe, sobre outro monte ele é 
enterrado, sobre o Carmelo ocorrerá a famosa luta entre os profetas de Baal e Elias, e é 
justamente sobre um monte que Gideão obterá tremenda vitória sobre os midianitas. Num 
monte, sobre o Hermom, Jesus se transfigurará diante de seus discípulos, ficando com 
vestes celestiais, brilhando intensamente. 
Os montes evocam muitas cenas proféticas. 
Sunamita anseia que seu amado volte depressa, e esse é o sentimento da pequena 
comunidade de discípulos quando Jesus caminha pela última vez com suas testemunhas 
fora da cidade e vai até um monte. Outro monte. E dessa colina ascende aos céus. Os 
apóstolos criam que Jesus voltaria a qualquer instante, ainda em sua geração. A última frase 
do último livro das Escrituras escritas pelo último apóstolo vivo, escrito pela última 
testemunha ocular da paixão de Cristo declara uma profecia que nos diz: 
“Certamente, cedo venho” 
É a resposta ao anseio da Sunamita celestial. Ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes.
דומה דודי לצבי או לעפר האילים הנה־זה עומד אחר כתלנו משׁגיח מן־החלנות מציץ מן־ 2:9 
298 
החרכים׃ 
1. Domeh Dodi litzvi o leofer haayalim hineh-zeh omed akhar katlenu mashgiakh 
min-hakhalonot metzitz min-hakharakim 
2. My beloved is like a gazelle or a young stag. Behold, he stands behind our wall; He 
is gazing through the windows, peering through the lattice. 
Sorrateiramente Salomão aparece do nada e assusta a menina. Veloz e arisco, brincando 
com ela. As casas da antiguidade possuíam dois pavimentos, varandas, quartos no alto, 
cortinas, grades. Não eram de difícil acesso aos animais. Era facílimo para uma gazela subir 
num terraço de uma casa. E se ela o fizesse, chegaria de mansinho, quase imperceptível, 
enconstaria o nariz para sentir os odores do quarto, normalmente perfumados com 
essências, com especiarias. Seu olfato poderoso sentiria o cheiro de uma tamara esquecida 
sobre uma mesa ou sofá. 
E uma dona de casa só perceberia ele a noite, pois as sombras o abrigariam, quando 
erguesse a lamparina e os olhos da corça refletissem a luz da lanterna. Antes que pudesse 
alcançar o animal ele já estaria a dezenas de metros do terraço. 
O mundo espiritual nos enxerga. O tempo inteiro. Anjos descem e sobem, espíritos de 
toda sorte e origem passam ao nosso redor e até em nossos lares sem que os percebamos. 
Apesar de assustador e estranho, esse parágrafo é absolutamente correto. Vivemos e nos 
movemos num universo espiritual, entre forças, poderes, potestades, vivemos entre dois 
mundos. Mas para nossa grata surpresa o Espírito amorosamente nos observa. E nos vigia. 
Ele nos guarda. Envia anjos, realiza coisas espirituais enquanto dormimos, enquanto 
descansamos. Declara-nos o que está oculto, escondido. Abre para nós janelas para que 
possamos vê-lo. Percebe-lo. 
Os dons espirituais as vezes nos assustam. Uma visão é dada repentinamente. Uma 
revelação que surge no momento mais inesperado. Nós não vemos a Deus, mas ele está 
presente, atrás da parede das dimensões, atrás do muro das nossas limitações. 
Espreitando por entre as grades.
1. ענה דודי ואמר לי קומי לך רעיתי יפתי ולכי־לך׃ 2:10 
2. Anah Dodi veamar li kumi lakh rayati yafati ulekhi-lakh: 
3. My beloved spoke, and said to me: 
4. {HE} "Rise up, my love, my fair one, And come away. 
299
A cena é de Sunamita deitada no segundo andar num quarto cercado de grades e cortinas, e 
Salomão anseia dançar com ela na festas, ele anseia sua presença, sua companhia e não quer 
deixa-la dormindo! As noites foram de intensa atividade e correria, o dia de muitos 
afazeres, a moça fugia a noitinha para estar com ele, dormia altas horas da madrugada e ia 
para o labor diário de correr atrás das raposas, estava exausta. Mas o tempo de Salomão 
terminava, suas obrigações lhe chamavam e sabia que tinha pouco tempo para estar com 
seu amor. Ele a acha linda até dormindo. A imagem é muito bela, dentro da dimensão 
espiritual, vivemos a situação paradoxal. O Espírito é eterno e imortal. Deus não tem 
início e nem fim de dias. Mas nós somos finitos e passageiros. Nossos dias passam ligeiros 
como a sombra. Acordamos infantes, ao meio-dia somos adolescentes, ao entardecer 
somos adultos e ao anoitecer já estamos idosos. Nós temos muito pouco tempo para 
desfrutarmos da presença divina, do amor e da festa que acontece ao nosso redor. A 
urgência em que nos levantemos é nossa, para desfrutarmos dEle. A profundidade do 
conhecimento de Deus vem pela meditação e pelo estudo da Escrituras, que toma tempo, 
dedicação, apesar do cansaço da vida, dos afazeres, das dificuldades. Levantar nas 
Escrituras é sempre associado a uma postura de estar atento, preparar-se para realizar algo, 
ou no caso dos profetas, para ouvi-lo. Samuel está deitado e é chamado, necessita levantar-se. 
Ezequiel é solicitado a estar de pé porque deus queria falar com ele. Os homens 
respeitados no Oriente eram cumprimentados por todos que ficavam de pé ao passarem. E 
o Espírito anseia que estejamos despertos, ouvindo-o, indo com ele à lugares que ele quer 
nos conduzir. Ele deseja que passeemos com ele. Nunca nos vê senão com olhos 
amorosos. Ele vê sua Igreja Formosa. A palavra que também é traduzida por PERFEITA. 
1. כי־הנה הסתו עבר הגשׁם חלף הלך לו׃ 2:11 
2. Ki-hineh hasetav avar hageshem khalaf halakh lo: 
3. For, Behold, the winter is past, the rain is over [and] gone; 
Chovia muito nessa época do ano e a estiagem era o momento propício para as festas, para 
a colheita, para a fabricação do vinho. No final do inverno os frutos que foram colhidos no 
final do outono estavam maduros. Era o início da época das flores, do acasalamento das 
aves e dos animais da floresta, os cantos se tornavam melodiosos. A natureza explodia em 
cores vívidas. Os dias chuvoso perto do Hermon eram gélidos. Dias gelados. Parte das 
fontes agora degelava, corredeiras podiam ser vistas. A primavera era o tempo de namoro 
por causa da festa, por causa da representação da própria primavera. Era uma época 
extremamente romântica na dimensão do Oriente. A primavera evoca espiritualidade, 
calor, frutos, flores. Na dimensão espiritual sugere o desejo da Igreja de sentir e viver a 
plenitude de sua vida espiritual. Um dos anseios da Igreja é a unção, a manifestação dos 
dons, a operação milagrosa, a manifestação do espírito trazendo renovação, cura, 
renovação. As Igrejas denominam essa primavera espiritual de “avivamento”. Frio nas 
Escrituras é tempo de mãos adormecidas, lembra frieza de coração, sentidos amortecidos. 
Desconforto. O frio matava os pobres por não possuírem roupas adequadas. Os profetas 
viram cenas terríveis de que banqueiros sem escrúpulos emprestavam a juros altos a uma 
comunidade trabalhadora e se esta não tivesse como pagar, penhoravam suas roupas e se 
no tempo devido não pudessem pagar os juros, após terem perdido as posses, após terem 
seus filhos vendidos como escravos, eram deixados nus. Um dos bens mais preciosos dos 
tempos antigos era uma capa para proteção do frio. Ela era um equipamento básico de 
300
proteção contra a intempérie. Os agiotas tomavam a capa e deixavam os endividados 
morrerem de frio. O frio espiritual mata. Centenas de seminários ao redor do mundo já 
pregaram um evangelho frio. Morto. Sem vida. Roubaram a fé sobrenatural de muitos, 
debocharam da profecia, dos dons, das operações espirituais. Negaram veementemente a 
pessoa do espírito de Deus. Negaram sonhos que foram ordenados à Igreja pela Profecia 
de Joel. Ainda hoje, 2014, milhares negam milagres, sinais e maravilhas. Pregam um 
evangelho mentiroso, ou usurário. Centenas de denominações exigem dinheiro de seus 
membros e formalizam isso com textos do Velho Testamento, pregam um Evangelho de 
Usura, com solicitações de dinheiro antiéticas. Expõem os que os seguem a todo tipo de 
exploração. Criam necessidades financeiras gigantescas em nome da manutenção de seu 
império, televisivo, radiofônico, imobiliário. A primavera fala da alegria da comunhão, sem 
obrigações. Onde a generosidade é fruto de um coração voluntário e movido pela alegria. 
Onde o Espírito flui sem restrições e sem a contaminação da avareza intelectual, espiritual, 
teológica. 
1. הנצנים נראו בארץ עת הזמיר הגיע וקול התור נשׁמע בארצנו׃ 2:12 
2. Hanitzanim niru baeretz et hazamir higia vekol hator nishma beartzenu: 
3. The flowers appear on the land; the time of the singing [of birds] is come, and the 
voice of the turtle is heard in our land; 
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Eclesiastes 3:3 
A primavera havia chegado em Israel. Salomão evoca a beleza da natureza manifestando 
toda sua glória para motivar a menina cansada para mais uma noite de folguedo, al egria, 
canto, danças e vinho. Não era o tempo de estar deitada. A ordem em que ele vai 
descrevendo a floração e a frutificação da vide e da figueira, logo após este verso tem um 
eco profundo na história de Israel e da Igreja. A rola neste texto é o Zamir. 
Desconhece-se a origem deste pássaro, todavia sabe-se que passava por Israel logo 
depois do Outono. A Palestina era o local onde ele escolhia sua fêmea para seu 
acasalamento, por isso o Zamir cantava, exibindo todo o seu repertório, uma variedade de 
28 cantos distintos. 
Interessante é notar que tanto o macho como a fêmea eram pássaros migratórios, e 
andando tanto tempo juntos só acasalavam na Palestina, e não aceitavam as espécies 
naturais da terra. 
Muitos ornitólogos tem comparado o Zamir daquelas pairagens com o Rouxinol 
301 
Brasileiro ou o Cardeal Americano. 
A primeira coisa que o Zamir fazia ao chegar na planície de Sarom, por ocasião do 
Nitsanim, era demarcar seu território com um claro e conhecido assobio, tal qual o Cardeal
Americano. Esta ação especificava o local onde nenhum outro macho poderia descer, nem 
tão pouco se aproximar. 
Este lindo pássaro tinha cerca de 20 cm de comprimento e uma plumagem de 
302 
brilhantes penas vermelhas. 
Diz o original hebraico em Cantares 2:12 [`eit hazamir higía] = tempo do Zamir cantar / 
chegar / vir / alcançar / ationgir / tocar / infectar / apalpar. 
Toda a natureza é lúdica e nela foi estabelecido pela sabedoria de Deus símbolos de sua 
graça, de seu amor, de seu poder. Os céus DECLARAM a glória do senhor, não é uma 
paráfrase, é uma revelação. Em cada nação poderíamos reconhecer com facilidade o 
passaredo nacional, ou regional e nele encontrar símiles profundas, pequenas poesias, 
contos, histórias e representações que nos ensinariam sobre O espírito, sobre o Pai, sobre 
Cristo. O mundo é repleto de suas marcas. Israel é descrito vividamente nas Escrituras, sua 
ecologia, sua geografia e nele podemos observar essas “declarações proféticas” essas 
“palavras de Conhecimento” ou imagens cheias de significados, esclarecendo-nos um 
pouco mais sobre os mistérios da Salvação. A vide representa a Igreja, Israel se reconhece 
na Figueira, as flores nos falam de renovação, e vem-nos a mente a regeneração do 
Espírito, a transição entre as épocas evoca o tempo passando, reflete o tempo humano, e o 
tempo de Deus, as coisas passageiras e as coisas eternas. A moça que desperta e que viu de 
perto o inverno, sentindo seu abraço gelado, viu o tempo passando pelas estações que se 
repetem, também para a moça eterna, a Igreja de Cristo, que nasce junto de Adão, no 
Jardim e percorre o tempo ao lado do Espírito até o raiar do Novo dia, a Nova Criação, a 
eterna Primavera num universo pleno de Vida abundante. O tempo em Cantares, tarde, 
manhã, noite, madrugada refletem as épocas de Deus, seus dias, que coincidem com os 
milênios da história humana, e dentro dessa história uma em particular, a do Seu Amor, a 
dos eventos mais importantes para o seu coração em relação ao ser humano. Sem entrar na 
questão profética, esse estudo é limitado a enfatizar algumas visões do texto, limitado pelas 
limitações do autor, cabendo ao leitor meditar nas demais. A Palavra de Deus é ilimitada. 
Quero focar, enfatizar um tempo, um período que o texto evoca. O HOJE. O AGORA. 
O Amado convoca sua Amada e afirma para ela que era chegado o tempo de cantar. 
A dimensão do HOJE nas Escrituras é muito importante. O Livro de Hebreus afirma se 
HOJE ouvirdes a voz do Espirito de Deus; mostrando que algo que para o Sunamita era o 
futuro, e algo que para nós é o passado, A CRUZ, produz um efeito no HOJE de nossas 
vidas. Antigas profecias foram cumpridas e nos dão HOJE direitos espirituais, Graça, 
Perdão, Acesso ao Trono. Os milagres do Velho Testamento ocorrerão com base num 
Evento Futuro. A Ressurreição de Cristo é que selou os tempos, mais eu poder retroagia 
até o Éden. Nós vivemos após o cumprimento da profecia de Joel, Nos últimos dias diz o 
Senhor eis que derramarei o meu espírito sobre toda a carne! Após o cumprimento do 
Pentecostes “ Ficai em Jerusalém até que do alto sejais revest idos de Poder”, e embora haja 
profecias bíblicas ainda não cumpridas, temos HOJE operando sobre nós esferas de poder 
celestial, dons concedidos e a Autoridade presente que Abraão, Moisés ou Elias jamais 
sonharam. Vivemos HOJE no cumprimento de TUDO que a natureza israelita apontava. 
Vivemos HOJE na esfera do TUDO ESTÁ CUMPRIDO. Por isso podemos 
LEVANTAR-NOS porque o TEMPO DE CANTAR CHEGOU. 
O TEMPO E O INTERCESSOR
O nome com que os judeus conheciam a Deus significa “Eu sou”. Quando os soldados 
que vão capturar a Cristo perguntam quem é o tal de “Jesus” ao grupo dos apóstolos, é este 
que responde: SOU EU. Mas, quando o fala para os soldados, diz exatamente - EU SOU - 
ou o equivalente em aramaico. Quando Jesus diz isso, os guardas caem. Ou, são lançados 
para trás por uma tremenda manifestação de poder. Eram cerca de 50 homens que 
tombaram ruidosamente no chão quando Jesus assim pronúncia “Eu sou” 
O termo “eu sou” dá uma ideia de PRESENTE, algo contínuo, algo que o passado não 
alterou algo que o futuro não afetará. 
303 
Hebreus estabelece essa visão de outra maneira 
Jesus Cristo é o mesmo HOJE, sempre e eternamente. 
O tempo nos leva para o PRESENTE. Não é um Cristo do passado, não realizou coisas 
que Hoje não possa realizar, e não haverá tempo em que não poderá FAZER as coisas que 
hoje faz. Os apóstolos não criam numa época passada do poder de Deus. 
Os profetas do Velho Testamento falavam num tempo verbal do hebraico que muitos leem 
as profecias como se já tivessem ocorrido no passado. Quando falavam do futuro ‘dia do 
Senhor’, que ainda ocorrerá no final dos tempos, narravam como se o tivesse acontecido. 
Como se fossem historiadores da eternidade. 
O profeta vê o futuro, como já fosse o passado. 
O adorador vê o futuro como se fosse o presente. 
E o Intercessor? 
O intercessor só possui um único tempo verbal. O presente. Ele não tem o amanhã, ele 
não se importa com o ontem. O passado ou o futuro não lhe interessam. O intercessor 
reclama para o AGORA tanto as promessas do PASSADO, quanto as profecias sobre o 
AMANHÃ. 
O Adorador medita na Nova Criação, na Jerusalém que chegará. Ele é cheio de esperança. 
O Intercessor quer saber no que a Nova Criação e a tal da Jerusalém celestial respondem 
AGORA às suas necessidades. 
Ele é o médico habilidoso que pergunta ao participante de sua equipe qual a temperatura 
do paciente e quando responde que estava com 39 graus há cerca de duas horas ele diz: 
- Não me interessa nem a temperatura dele no mês passado e nem a que ele vai ter na 
próxima semana. A única temperatura de um paciente que me importa é do paciente 
AGORA.
O tempo do intercessor é HOJE. Ele é como o Espírito de Deus que quer uma 
RESPOSTA IMEDIATA a sua convocação ao arrependimento, 
“Se hoje ouvirdes a voz do Espírito de Deus, não endureçais a cerviz dos vossos corações” 
Diz o escritor de Hebreus. 
O intercessor é nascido do Espírito de Deus. Possui a mesma natureza espiritual daquele 
que o gerou. Ele necessita de uma RESPOSTA agora. 
304 
O tempo de Deus para um intercessor é sempre hoje. 
Para o intercessor todos os instantes de Eclesiastes ocorrem no mesmo momento. 
Eclesiastes 3:1 Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito 
debaixo do céu. 
Eclesiastes 3:2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e 
tempo de arrancar o que se plantou; 
Eclesiastes 3:3 tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de 
edificar; 
Eclesiastes 3:4 tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de 
dançar; 
Eclesiastes 3:5 tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de 
abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; 
Eclesiastes 3:6 tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo 
de deitar fora; 
Eclesiastes 3:7 tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e
305 
tempo de falar; 
Eclesiastes 3:8 tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de 
paz. 
Porque o aflito pode não ter amanhã, a enfermidade pode não esperar mais um dia, porque 
o coração pode não mais suportar. 
Deus estabelece que o TEMPO DETERMINADO PARA O PROPÓSITO DA 
INTERCESSÃO SEJA O AGORA. Esse é o tempo que foi DETERMI-NADO por Deus 
para que nossas orações se baseiem. 
Pedi e dar-se-vos-á - remete-nos ao presente da oração. Batei e ABRIR-SE-VOS-Á nos 
coloca na expectativa IMEDIATA da abertura da porta. Buscai e achareis nos convida a 
certeza de que PRÓXIMO está o que procuramos. Quando a Jesus expõe sobre o filho que 
pede ao pai um pão, já imaginamos o pai indo até a cozinha e trazendo o pão. 
Quando observamos o ministério de Cristo percebemos que quase TODOS os milagres de 
Jesus são IMEDIATOS! A Exceção dos leprosos que vão sendo curados na medida em 
que caminham para se apresentar ao sacerdote, não há distancia a ser percorrida no 
tempo entre a intercessão de Cristo e os milagres do Espírito de Deus. Jesus estava 
como MINISTRO e EXEMPLO, como PADRÃO de conduta a ser IMITADO por seus 
OBREIROS. Não foi como DEUS que ele operou seus sinais. Foi como HOMEM 
UNGIDO. JAMAIS Jesus USURPOU a sua condição divina, deixando de lado a condição 
de SERVO para realizar qualquer ato sobrenatural. Tudo que Jesus realizou, fez porque 
recebeu do Espírito Santo a capacitação para realizá-lo. E toda vez que o Espírito ungiu-o 
com poder ou MANIFESTAVA PODER através de CRISTO, o fazia 
IMEDIATAMENTE. 
Não havia PAUSA, tal qual o sinal musical, ou período de espera entre a sua intercessão e o 
milagre. Jesus jamais esperou o amanhã de suas orações. Porque o amanhã do PODER de 
Deus é o AGORA. 
Tal qual JESUS na carne, nós NÃO TEMOS TEMPO. Nossa vida é como a sombra. 
Depressa passamos.
Não serão necessários NO POVIR, NA NOVA CRIAÇÃO OU NA ETERNIDADE, os 
milagres de cura, restauração, livramento ou destruição de cadeias e prisões espirituais. 
Hoje é o tempo da libertação, da restauração, do CUMPRIMENTO da VONTADE DE 
DEUS no que diz respeito à cura, ao prodígio, á maravilha, ao ato sobrenatural. 
306 
IMEDIATAMENTE. ENQUANTO ORANDO. 
Qualquer outro instante entre horas e anos depois é ATRASO. 
É TARDE. O Intercessor não se interessa pelos motivos que levaram a cura a ser 
atrasada, a falta de fé que impediu o milagre, a falta de humildade que fez com que o 
ministério profetizado aguardasse o crente amadurecer, a vocação que não foi abraçada por 
ausência de coragem. 
Por não existir o amanhã para o Intercessor, se a benção prometida não chegou hoje, se a 
luta não findou, se o milagre não se manifestou, quando amanhã o intercessor orar 
novamente, vai buscar para o seu PRESENTE, como se ajoelhasse pela primeira vez, 
como se o ontem não tivesse acontecido, com a mesma determinação. 
O intercessor não vislumbra um dia no futuro enquanto ora. Ele reclama para o hoje o seu 
amanhã. 
Ele fecha os olhos orando pelo aleijado e quando os abre, o convida a tentar andar. 
Ele estende as mãos e toca os olhos do cego, e quando abre os seus próprios olhos, pede 
para que o cego diga o que está vendo. 
Ele imagina o hospitalizado sendo curado enquanto ora, 
Ele imagina a conversão de quem está sem cristo, enquanto ainda suplica a Deus. 
Ele não quer voltar de mãos vazias para casa. Ele possui urgência. E se não acontecer o que 
espera, ele lutará para que não haja atrasos. 
Ele olha para o relógio de sua vida, ele consulta os minutos do tempo de seu coração e 
quando orar novamente, o cronômetro de seu coração dirá 
- Hoje é tempo. Porque a VOZ do ZAMIR já se ouve em nossa terra.
Então abrirá sua boca como os pintainhos que aguardam receber o alimento de sua mãe. 
1. התאנה חנטה פגיה והגפנים סמדר נתנו ריח קומי לכי רעיתי יפתי ולכי־לך׃ 2:13 
2. Hateenah khantah fageh yehagfanim semadar natnu reiakh kumi lakhi rayati yafati 
ulekhi-lakh: 
3. The fig tree puts forth her green figs, And the vines with the tender grapes Give a 
good smell. Rise up, my love, my fair one, And come away! 
307
Apesar das vides estarem maduras, as figueiras ainda davam seus primeiros frutos. Ele olha 
para os frutos verdes da Figueira e logo após para a videira, para as suas flores. 
308
309
Cada videira possui seu próprio tipo de flor. E finalmente fala do aroma, do perfume que 
elas exalam. Então a convoca, com o levanta-te, MEU AMOR. Esse é o momento da 
declaração em que ele revela seu coração. Ela já não pertencerá a mais de ninguém. Ela j á 
não será concedida como esposa a mais ninguém. Ela lhe pertence. Essa linguagem 
amorosa é bem clara, o amado tem uma ligação de posse, de propriedade, do direito 
indivisível de sua afeição. Ele não quer que ela reparta sua afeição maior, sua paixão, com 
mais ninguém, esse afeto do qual exige EXCLUSIVIDADE. 
Antes de declarar FORMOSA mais uma vez, ele a consagra a ele. 
Na dimensão espiritual um ser eterno olha os dias da história, e vê Israel dando seus 
primeiros frutos, ainda amadurecendo. É a igreja primitiva, ainda completamente israelita, 
sãos os recentes movimentos messiânicos dos judeus ao redor da terra. São os judeus 
tornando-se videira! Ou permanecendo figueira e dando frutos de novidade, a renovação 
espiritual onde ao aceitar a Cristo como Messias recebem o benefício que a descrença lhes 
retira, da manifestação do Espírito de Deus, conhecido da história de seu povo desde a 
antiguidade. E nesses dias de primavera, do cumprimento da profecia de Joel, ele repete 
pela segunda vez o convite para a vida que lhes aguarda. Vem! Em 
310 
QUATRO vezes em Cantares Ele a Convidará a ergue-se e vir com ele. 
Cantares 2:10 
O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem. 
Cantares 2:13 
A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta -te, 
meu amor, formosa minha, e vem. 
Cantares 4:8 
Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de 
Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leöes, desde os montes 
dos leopardos. 
No Evangelho de MATEUS que enfatiza a Descendência de Cristo de Davi e Salomão e
311 
seu direito ao REINO, Jesus repetirá QUATRO vezes o convite “VINDE” 
Mateus 4:19 E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. 
Mateus 11:28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. 
Mateus 22:4 Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho 
o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às 
bodas. 
Mateus 25:34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu 
Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; 
O penúltimo verso da poesia das Escrituras repete esse convite poético diversas vezes, 
repetido por quatro pessoas. O Espírito, A Esposa, Os que Ouvem. E qualquer um que 
tiver SEDE. 
APOCALIPSE 22:17 
E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, 
venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. 
1. יונתי בחגוי הסלע בסתר המדרגה הראיני את־מראיך השׁמיעיני את־קולך כי־קולך ערב 2:14 
ומראיך נאוה׃ 
2. Yonati bekhagvei hasela beseter hamadregah hareini et-marayikh hashemiini et-kolekh 
ki-kolekh arev umarekh nave: 
3. "O my dove, in the clefts of the rock, In the secret places of the cliff, Let me see thy 
face, Let me hear thy voice; For thy voice is sweet, And thy face is lovely." 
A moça de Sarom subia as escarpas e montanhas de Israel onde habitavam as pombas. Ela 
contou-lhe segredos de seu passado. Falou de seus passeios de infância, de suas fantásticas 
viagens pelo interior da palestina. Lá no alto dos montes do Líbano e em diversas colinas 
há uma grande variedade de fauna. Engedi, que conhecia bem de onde vinha a preciosa 
hena que pintava seus cabelos possui vales cujas paredes eram de rocha com muitas 
reentrâncias e cavernas, escarpas rochosas escaladas por cabras selvagens, gamos e de difícil 
acesso. Nas partes mais altas das colinas em paredões de pedras inacessíveis a predadores
as pombas montavam seus ninhos. As pombas são célebres pelo cuidado com a prole e 
pela capacidade de orientação em relação a seu ninho. Um sistema de navegação biológico 
permite que possam se afastar centenas de quilômetros e ainda assim retornarem para seus 
próprios ninhos. As reentrâncias ficavam em partes escondidas e mesmo subindo a pé não 
eram fáceis de serem percebidas. A Sunamita em algum momento de sua vida havia se 
escondido numa dessas ladeiras, numa dessas subidas das montanhas, brincando, fugindo 
ou se escondendo de alguém. Salomão nos mostrará outra característica da bela moça. Sua 
voz. Ela tem a voz doce, o que nos conduz ao fato de que ela canta! Por isso ele a convida 
insistentemente nos versos anteriores. Ela é uma exímia cantora. Sua voz excepcional o 
deixou encantado. Percebemos agora como ele a percebeu nas vinhas. Como ele a achou 
com tamanha facilidade, como ele a buscou entre as vides e como ele a primeira vez a 
percebeu. Cantando. Ela cantava e dançava e quando seus olhos reparam sua face ele 
percebeu que jamais a esqueceria, ainda que assim desejasse. Nesse momento ele fala de 
como sua face o comove. Ele usará um termo que significa perfeição. Harmonia, seus 
traços finos são harmoniosos. Graciosidade é uma das virtudes exaltadas no Oriente, que 
se traduz nos movimentos, no andar, no falar, nos gestos. A mulher chinesa e a japonesa da 
antiguidade possuem um rico ritual de gestos para aproximarem-se de seus amados, escolas 
de gesticulação existiam para as cortesãs gregas, chinesas e japonesas. As escolas de dança e 
tratados específicos sobre os gestos são ainda fonte da dança clássica Indiana. 
312 
http://www.youtube.com/watch?v=bofVgC2b6lk 
http://www.youtube.com/watch?v=wacWAuRjvJQ 
Outra vez ele a compara a pomba. 
A Igreja possui um mistério que se traduz numa chamada de lugares de difíceis acessos. É 
dramático o testemunho daqueles que foram tocados por Cristo, que se encontravam sob o 
jugo das drogas, da prostituição, da perseguição, lares destruídos pelo álcool, pessoas sem 
vontade de viver, sonhos despedaçados, alguns com situações de enfermidade gravíssimas, 
desesperançados. Outros envolvidos em coisas sinistras, escondidas, fazendo coisas das 
quais sequer gostariam de mencionar de novo. Mas ele nos amou primei ro. As Escrituras 
falam que Deus prova o seu amor para conosco porque nos amou enquanto alguns de nós, 
ainda estávamos vivendo em plena desobediência as suas leis. Os atos de humanidade, de 
gentileza, de coragem, de altruísmo, de humildade, de bondade lhe são doces em todos os 
seres humanos. Deus é apaixonado pela beleza da alma humana, embora não suporte a sua 
vileza e para isso necessite transformá-la. Por isso ele a chama de pomba. Porque parte do 
mistério do Espírito de Deus é insuflar em nós a natureza de Deus. Colocar em nós a 
natureza que Ele possui. Uma natureza Espiritual. 
A amada de Cristo ainda se esconde pelas penhas. Pelos penhascos, ainda foge dos 
predadores, da enfermidade, da angustia, do medo, das prisões espirituais, das prisões 
psicológicas, da depressão e da morte. 
Na Arábia, na China, na Ásia, no Japão. Na Índia. Na África, em Timor Leste. 
Nas praças de viciados da Grécia, nas cidades destruídas pelo Crocodile na Rússia, nas 
comunidades escravizadas pelo Opio, nas encostas andinas de gente viciada pela coca, nas 
trincheiras da guerra contra o narcotráfico mexicanas, nas ruas de prostituição de 
Hamburgo, nas avenidas de são Paulo, nas subidas de drogas dos morros do rio de janeiro,
nos bolsões de pobreza da Europa, nas escolas, nos bairros, nas fazendas, seja no campo 
ou na cidade, o Espírito ouve a voz de sua Igreja, ouve a voz de seus amados, ouve a voz 
dos injustiçados, dos inocentes, dos desesperados. E essa voz é doce, é um canto que o 
atrai. 
1. {Her Brothers} 
2. אחזו־לנו שׁועלים שׁועלים קטנים מחבלים כרמים וכרמינו סמדר׃ 2:15 
3. Ekhezu-lanu shualim shualim ketanim mekhablim keramim ukherameinu semadar: 
4. Take us the foxes, the little foxes, that spoil the vines: for our vines [have] tender 
grapes. 
As raposas são animais astutos e inteligentes, já o exaltava o grego Esopo em suas fábulas. 
As pequenas eram vivazes, ariscas e extremamente rápidas. Elas amavam as vinhas, o 
gosto das uvas e até das folhas das parreiras. Comiam os brotos, atacavam os cachos e se 
as videiras estivessem brotando o estrago poderia impedir até a coleta de uma safra inteira. 
Embora já não causassem tantos problemas numa safra já madura ou em vides crescidas, 
elas diminuíam o lucro da safra comendo cachos. Ou atrapalhando a floração, que poderia 
impactar a geração futura de videiras. As raposas eram mais um incomodo que uma praga 
ou uma doença das vinhas. As enfermidades eram muito mais maléficas que as raposas. 
Mas as raposas perturbavam a vida dos vinhateiros. E lhe roubavam seus lanches, comiam 
a comida dos trabalhadores! As raposas são muito silenciosas. Tão silenciosas que geraram 
na atualidade um vídeo: “What does the foxes say”? O que as raposas falam? Nenhuma 
língua possui onomatopeias para o som de uma raposa. Porque ninguém sabe como é o 
som de uma raposa. 
Uma tarefa ingrata dada a Sulamita era a de correr atrás das raposas. Capturá -las! O inferno 
na terra. Não serviam como animal de estimação, não serviam de alimentos, eram animais 
“fofinhos”, tinham o olhar naturalmente “triste” o que lhes confere simpatia, era muito 
doloroso ter que abater uma raposa. As videiras em flor significam cuidados significativos 
pois logo após a floração vem a frutificação, e é nesse momento que a polinização 
acontece. 
Uma videira tem, situada acima de um conjunto de flores, uma folha em forma de prato 
que aparece para ajudar os morcegos a encontrar a planta (e seu saboroso néctar). 
313
A videira, Marcgravia Evenia, cresce em árvores nas florestas tropicais do sudeste de Cuba. 
Suas flores são suspensas em um anel, acima de estruturas que seguram um copo de néctar 
adocicado que pretende atrair morcegos polinizadores, cujo pescoço e ombros são 
pulverizados com o pólen ao beberem o néctar. Os morcegos, em seguida, transportam o 
pólen entre as vinhas, fertilizando outras flores e ajudando a videira a se reproduzir. 
314
315 
UMA BOA VARIEDADE DE VIDEIRA DEVE ATENDER 
Deve preencher os seguintes requisitos, uma boa variedade de videira : 
l.°) resistência às moléstias que lhe são mais prejudiciais, e cujo combate 
seja mais difícil e dispendioso ; 
2.°) apresentar adaptação às condições de clima da região, para que 
sua cultura possa expandir-se em vastas áreas; 
3.°) ser produtiva, fornecendo boas colheitas com regularidade; 
4.°) seus frutos devem atingir completa maturação, e se apresentar 
livres de apodrecimento e de outros estragos, ser de boa qualidade, com alto 
teor de açúcar e com acidez relativamente baixa, bem como ter os demais 
elementos constitutivos em equilíbrio harmônico ; 
5.°) preencher satisfatoriamente os diferentes estágios do ciclo biológico 
característico da videira. 
Dentro destas considerações 
A inflorescência da videira é do tipo cacho composto, também chamada panícula. E de sua 
perfeita floração dependerão os CINCO FATORES ANTERIORES. 
Muitas plantas que conhecemos são capazes de formar flores e frutos. Os frutos são, na 
verdade, o resultado de transformações que ocorrem na flor, após sua fecundação. 
A fecundação da flor acontece da seguinte forma: uma estrutura, o estame, produz 
o grão-de-pólen dentro de uma região chamada antera. 
Quando a antera amadurece, ela libera esses grãos. Eles, se entrarem em outro 
local da flor, chamado estigma, vão até o ovário da flor, fecundando-o. 
Depois da fecundação, a flor sofre algumas modificações, transformando suas 
partes em fruto e semente.
Esse encontro entre o pólen e o ovário é chamado de polinização. Ela pode ocorrer 
entre o pólen e o ovário da mesma flor ou de flores diferentes. O vento ajuda bastante 
nessa missão, levando o pólen consigo para outras plantas. 
Além do vento e da água das chuvas, alguns animais também podem fazer a 
polinização, sabe como? 
As flores geralmente possuem cheiro e cores chamativas. Além disso, podem ter um 
nectário, que é o local onde são encontradas substâncias com sabor bem agradável 
para muitos animais (néctar). 
Ao visitarem a flor, seja para se alimentarem do néctar, do pólen ou mesmo de 
outras estruturas, como as pétalas, o pólen pode grudar no corpo desses animais. 
Assim, ao se direcionarem para outra planta da mesma espécie, podem fazer com 
que pólens entrem em seu estilete, fecundando o ovário! 
Alguns animais polinizadores são: abelhas, joaninhas e outros besouros, moscas, 
mariposas, borboletas, pássaros (como o beija-flor) e certos morcegos. 
316
Quando a polinização é feita pelo vento, ela é chamada de anemofilia. Quando é 
feita pela água, hidrofilia. No caso de animais efetuando a polinização, o nome 
dado a esse fenômeno é zoofilia. 
317 
Se as raposas comem as flores, A VIDEIRA NÃO GERA FRUTOS!!!!!!!!!! 
Raposas não são doenças, não simbolizam PECADO, como tantas representações das 
pobre-coitadas em milhares de estudos bíblicos, para as quais neste gostaria de resgatar-lhes 
um pouco da honra destruída. Elas não são uma PRAGA. Mas causam o terror na 
plantação. Além do incomodo da vergonha. Imagine a Sunamita tendo que ouvir dos 20 
caras que trabalhavam na Vinha piadinhas o dia todo. Para cada raposa perdida uma piada 
nova. 
Raposas simbolizam tudo aquilo que apesar de ser natural, apesar de ser licito, não convém. 
Simboliza tudo que não é de origem maligna, mas sua manifestação é destrutiva. Sua 
atuação é incomoda e sua interferência tem a capacidade de inutilizar os frutos da videira 
espiritual. Paulo fala que aquele que faz as guerras de Deus não se embaraça ou se mistura 
com os negócios desta vida. Na doutrina temos a filosofia, o humanismo exagerado, a 
desmitificação dos milagres, tantas teologias destituídas de coisas espirituais. Tratam a 
Cristo num plano psicológico e nada mais. As associações da Igreja com ativida des 
comerciais, a mistura da Igreja com a política. Na vida individual as questões pessoais que 
tomam o tempo essencial de uma vida de comunhão. A preguiça, a falta de disciplina, a 
raposa da acomodação. A raposa da vaidade humana, da necessidade de bens, conforto, 
fama, poder, admiração. A raposa da autossuficiência. Jesus fala das sementes que caíram 
entre as pedras. Essa é a parte das raposas. Quando aquilo que é natural, humano, comum, 
toca o que não pode ser tocado, interfere-se com o que deveria ser protegido. 
A vinha é símbolo de um projeto sobrenatural, plantada desde a eternidade. As flores falam 
dos ministérios, das operações sobrenaturais do espírito, dos sinais e maravilhas, da 
operação milagrosa, dos dons espirituais que se forem tocados pelas raposas impedem os 
frutos do Espírito de Deus. Visões mal interpretadas, milagres usados como forma de 
justificar atitudes ministeriais. Flores destruídas pela doutrina destituída do sobrenatural, 
humanizada, a rejeição dos dons espirituais, a rejeição da profecia, a substituição de 
ferramentas espirituais por carnais.
A polinização das flores é a prova de que o universo é um projeto inteligente e um 
argumento intransponível quanto um universo inteligente, propositalmente constituído. A 
maioria das plantas não podem polinizar a si mesmas. Elas dependem de outros seres 
distintos de seu universo vegetal. Dependem de abelhas, besouros, morcegos e até de 
elementos físicos imprevisíveis como o vento. A formação de novas videiras fortes, que 
resistam a pragas e inimigos externos é fruto de um processo deslumbrante, maravilhoso. 
Profundamente mágico. Cientistas em depressão não enxergam, mas o cientista que ama a 
vida fica assombrado com a beleza do processo. Porque ele foi idealizado para ser assim. 
Assombroso. 
A Igreja cresce de modo assombroso, ela amadurece e gera fruto a partir de recursos que 
ela não possui. Estão além dela. A cura, a operação milagrosa, o discernimento espiritual, a 
expulsão de demônios, a destruição de fortalezas espirituais. A revelação, a palavra 
profética, a interpretação de línguas. A palavra de sabedoria. Não depende dela, depende da 
ministração angelical, depende de um processo invisível e maravilhoso. 
1. {The Shulamite} 
2. דודי לי ואני לו הרעה בשׁושׁנים׃ 2:16 
3. Dodi li vaani lo haroeh bashoshanim: 
4. My Beloved [is] mine, and I [am] his: he feedeth among the lilies. 
A moça agora é ousada. A declaração de amor de posse, de domínio, do direito de dispor, 
juridicamente falando. Dominium e Potestas do antigo Direito Romano para Propriedade nascem 
do casamento. Ou do amor. E um amor que exige MUTUALIDADE. Ou 
correspondência. Ela relembra pensa nele pastoreando seu rebanho, que ele tem e não tem, 
diga-se de passagem, afinal ele é Rei e não Pastor, mas ao mesmo tempo sendo Rei é dono 
de inúmeros rebanhos. Aquela confusão criada desde o início da canção. Entre os lírios 
evocam uma determinada planície. A planície de seu nascimento, Sarom, abundante de 
lírios que enchem os campos, de grande beleza e muito brancos, mais brancos que as mais 
alvas vestes da antiguidade. As roupas brancas eram muito apreciadas e difíceis de serem 
conseguidas, com tecidos tratados com uso de agentes químicos tais como soda e potassa, 
conhecidos desde a antiguidade. Havia uma arte de embranquecimento de tecidos. Veja que 
o Amado apascenta entre os lírios, não entre os espinhos. A visão é muito lírica, bela, 
pastoril, e relembra o cuidado, o pastor cuidadoso não leva suas ovelhas para campos onde 
as ovelhas possam ser feridas ou se ferir. É complicado para os lobos ficarem se 
arrastando entre os lírios para pegarem traiçoeiramente as ovelhas. É um bom local para 
pastorear. Lírios não são venenosos, as ovelhas eventualmente irão comer os lírios além do 
pasto. Ovelhas são criaturas sem-noção. Ela já antevê um esposo TRABALHADOR e 
CUIDADOSO. E que pertence a ela, tirem a mão dele, meninas. Achem um igual para 
vocês que este aqui já tem DONA. 
318
Cristo é o Amado para o qual a Igreja entregou seu coração e que confia em sua Palavra, no 
seu Cuidado, em seu Amor. Confia nele para ser Protegida, para ser conduzida. A Palavra 
de Cristo formaliza seu cuidado para com a Igreja, sua proteção. Sua presença continua. 
“Eis que estarei convosco até o final dos séculos”. “Não temais pequeno rebanho de meu 
pai, porque de vós ele se agradou para vos dar o reino.” 
1. {to her Beloved} 
2. עד שׁיפוח היום ונסו הצללים סב דמה־לך דודי לצבי או לעפר האילים על־הרי בתר׃ 2:17 
3. Ad sheyafuakh hayom venasu hatzelalim sov demeh-lekha Dodi litzvi o leofer 
haayalim al-harei vater: 
4. Until the day breaks, and the shadows flee away, turn, my beloved, and be like a 
gazelle or a young stag upon the mountains of Beter. 
Beter - Montanhas de Beth´er. (Beth´Er - Casa de Er) Montanhas da casa de Er...O 
significado da palavra em é Divisão. Separação 
É um lugar que ninguém sabe onde é que fica. O nome da montanha evoca um antigo e 
conhecido personagem das Escrituras, conhecido como Er. Chegamos a outra história de 
amor, uma que não deu certo... Er foi o primeiro filho de Judá, que morreu por fazer algo 
que não se sabe o que foi, mas que não era boa coisa. Er é filho de Sua pois é...o nome da 
mãe é Sua) filha de um cananeu desconhecido, que foi desposada num "casamento 
forçado" por Judá, Judá por sua vez realiza outro "casamento forçado" de Er com uma 
moça chamada Tamar. É a versão da antiguidade dos casamentos da Índia, onde quem 
escolhe os cônjuges são os pais e não os noivos. 
E aconteceu no mesmo tempo que Judá desceu de entre seus irmãos e entrou 
na casa de um homem de Adulão, cujo nome era Hira, E viu Judá ali a filha de um 
homem cananeu, cujo nome era Sua; e tomou-a por mulher, e a possuiu. E ela 
concebeu e deu à luz um filho, e chamou-lhe Er. Judá, pois, tomou uma mulher 
para Er, o seu primogênito, e o seu nome era Tamar. Er, porém, o primogênito de 
Judá, era mau aos olhos do Senhor, por isso o Senhor o matou. 
Montanhas de Bether, creio, trazem a memória essas cenas, a um leitor judeu. A Amada de 
Cantares quer que o Amado que se distanciou retorne rapidamente, veloz que nem um 
gamo pulando as montanhas, montanhas cujo nome lembram uma trágica história de amor 
319
do passado, que envolve a tribo que deu origem a realeza, Judá é o patriarca da tribo da 
qual nascerá Davi, pai do enamorado autor de Cantares, Salomão. 
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante 
ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter. 
Em cantares há uma sucessão de períodos do dia manhãs, tardes, noites, madrugadas, 
manhã novamente, etc. Eu creio que esse momento - até que refresque o dia é o entardecer - 
e que fujam as sombras - o anoitecer - 
Esclarecendo: Anoitecendo, tudo vai escurecendo, então aparece a luz das estrelas e o luar. 
O dia vai refrescando, escurecendo, então uma luz suave toma conta do mundo, a luz lua 
e das estrelas. 
320 
O próximo capitulo começa com "De noite". 
Ela quer que o dia passe rápido para poder estar com ele, quer que sua história seja melhor 
que a de Tamar. E de Sua. Diferente das duas mulheres evocadas pelo nome das 
montanhas, ela quer viver a dita situação, é apaixonada, é voluntária. E ansiosa. E 
impaciente. 
Na dimensão humana dá até pra ver a menina desesperada aguardando o contato do 
namorado, antigamente o telefonema. Atualmente o SMS. 
Na dimensão espiritual a moça ansiosa é a Igreja de Cristo, que anseia sua presença, seu 
amor, seu retorno. O tempo em Cantares retrata o tempo da eternidade. Mil anos são como 
um dia e um dia como mil anos para Deus, já dizia cantava Moisés. João no final de 
Apocalipse exclama MARANATA, uma expressão que antigamente significava somente: 
Volta logo! Ora, vem! Depois que uma visita estava indo embora e o anfit rião já incitava 
seu retorno. Maranata foi resignificado para a igreja antiga que lia: Ora vem Senhor Jesus! 
Volta logo Senhor! 
Sunamita não anseia por divisão ou separação, ela não quer ficar separada de seu amor. A 
palavra separação lembra distancia, briga, desavença. Um casal brigado, separado, 
irreconciliado. Nos montes da Beter a ultima coisa que ela anseia é viver uma separação. 
Fala de reconciliação para os casais, de afastar-se de se afastar. Para a Igreja, do mesmo 
modo, como é duro o divisionismo. A separação, a desarmonia. Líderes que não cedem de 
suas posições, do outro lado pessoas que não aceitam serem aconselhadas. Que não se 
perturbam com em viver em desunião. 
As montanhas de Beter são o lugar em que escombros de milhares de ministérios, 
profeticamente falando, podem ser avistados. Das montanhas de Beter se vêem os lares 
divididos, as amizades desfeitas, o vínculo entre o coração do doutrinador e a essência das 
Escrituras sendo dividido pelo conceito humano, leviano, religioso ou mundano. Quando o 
profeta se separa da humildade e c do coração amoroso e abraça sua autodivinização. 
Quando a o homem se insurge contra sua própria natureza e batalha contra sua própria 
sexualidade. Sua mente não concorda com seu corpo e ele age contra seu próprio corpo. 
De lá se avistam os políticos que abandonaram seus ideais, e divididos pela ganância 
correrão atrás de financiadores. Eles que amavam a pátria agora partem para apoiar o
capital estrangeiro, o interesse mesquinho, ainda que o resultado seja a morte da amada 
pátria. 
E de lá que se vê o profeta alucinado, o mestre que ergueu altares às doutrinas que ele 
mesmo compilou. 
E antes que haja tal separação a Sunamita grita: 
Vem correr comigo, Espírito, pelas colinas, pelos montes, aproxima -te. Eu sei que este 
lugar se chama separação. Mas é sobre ele que quero viver agora um grande encontro. E 
dar início a uma vida nova. Junto a ti. 
321 
Capítulo 3 A separação e o Casamento 
1. {The Shulamite} 
2. על־משׁכבי בלילות בקשׁתי את שׁאהבה נפשׁי בקשׁתיו ולא מצאתיו׃ 3:1 
3. Al-mishkavi baleilot bikashti et sheahavah nafshi bikashtiv velo metzativ: 
4. By night on my bed I sought him whom my nefesh loveth: I sought him, but I 
found him not. 
Esse é o momento do pesadelo de Sunamita. Ela adormeceu e quando abriu seus olhos na 
madrugada seu Amado já não estava lá. A declaração é profunda, ela evoca uma palavra 
nova, a palavra alma. Alma é em hebraico Nefesh. É sinônimo de vida, da essência 
humana, traduzida no Novo Testamento por Psique de onde deriva psicológico, a 
psicologia é a ciência que cuida da alma humana, da mente do ser humano. Ela o ama com 
sua imaginação, até onde pode entender, ou compreender, ela o ama. Ele é o objeto de seus 
pensamentos. Por ele ela “perdeu a cabeça”, ele é o que impacta seu raciocínio. Só que a 
razão de sua vida não está mais ao seu lado. Lembra a dor dos discípulos após a morte de 
Cristo, lembra a angustia do povo judeu após a destruição do templo de Jerusalém, lembra 
a moça que chora no meio da noite porque desmanchou o namoro e tenta se consolar no
travesseiro. Jesus fala de uma cena em que estarão dois deitados numa cama em certa noite 
e que um dos membros do casal será deixado e o outro tomado. A cena que se apresenta 
representa também este instante profético, a cena da pessoa que vê a outra desaparecer e a 
busca freneticamente sem saber o que aconteceu. 
A canção mudou, a cena mudou de uma momento de alegria, uma esperança de 
permanecerem juntos, para uma súbita separação. 
BETER aconteceu nessa noite para Sunamita! 
Ao menos em seus sonhos. Salomão não podia estar neste momento o tempo integral com 
ela. E afinal a canção é um drama. Ela desperta e vai à luta. Não, de jeito algum. Ela o 
buscou no lugar errado, em sua cama. Não o encontrou. A fé exige atitudes, trabalho. 
Nós ansiamos descansar. Mas a Igreja é sacerdotal, ela é sacerdócio, significa que trabalha 
as vezes em turnos. Descansar, dormir, neste contexto de Cantares, significava não 
aproveitar o momento único que viviam. A igreja necessita permanecer intercedendo, 
orando, buscando, crendo, perseverando. Ela não se deixa abater pelo cansaço. Mas a 
moça não parou por ali. 
1. אקומה נא ואסובבה בעיר בשׁוקים וברחבות אבקשׁה את שׁאהבה נפשׁי בקשׁתיו ולא מצאתיו׃ 3:2 
2. Akumah na vaasovvah vair bashvakim uvarkhovot avakshah et sheahavah nafshi 
bikashtiv velo metzativ: 
3. I will rise now, and go about the city in the streets, and in the broad ways I will seek 
him whom my nefesh loveth: I sought him, but I found him not. 
Ela tomou uma atitude corajosa. No meio da madrugada, desprezando os bêbados, ela 
correu e rodou a cidade. Não satisfeita correu pelo meio das Praças. Mas ele não estava em 
nenhum desses lugares. 
322 
Referencias Urbanas 
Os poemas que compõem o gênero o wasf de Cantares caracterizam-se pelo uso freqüente 
de imagens do meio urbano para exaltar aspectos do corpo humano: 
a. “Como torre de Davi é teu pescoço, construída em camadas de pedras, um esquadrão 
é a defesa; pendurados sobre ela (estão) todos os escudos dos guerreiros” (Ct 4,4). 
b. “As suas mãos são cilindros de ouro, incrustados de ‘ pedras de Tarsis’. O seu abdome 
é lamina de marfim, que foi coberta de safiras. As suas coxas são pilares fundados sobre 
bases de ouro puro” (Ct 5,14-15a). 
c. “Bela és tu minha amada como Tirza, graciosa como Jerusalém, pavorosa como 
quem carrega estandartes” (Ct 6,4). 
d. “As curvas dos teus quadris são como enfeites obra de mãos de artesão” 
(Ct 7,2b). 
e. “Teu pescoço é como torre de marfim, teus olhos são como as piscinas de 
Hesbon, sobre o portão da ‘filha de multidões’ (Bat-rabim).
Teu nariz é como torre do Líbano, vigiando diante de Damasco. 
Tua cabeça sobre ti é como o Carmelo, e o cabelo da tua cabeça como púrpura, rei preso 
com tiras de couro” (Ct 7,5-6) 
323 
A cidade como lugar de sofrimento 
Paradoxalmente, Jerusalém em Cantares não é celebrada, não é chamada de “graciosa” nem 
é exaltada sua pompa e luxo. As referências a Salomão que é, depois de Davi, o rei mais 
tradicionalmente ligado a Jerusalém, nas duas das três vezes que acontecem, são negativas 
vinculadas a denúncias (cf. Ct 8,11-12). 
O imaginário deste verso, a cidade, suas habitações, ruas, praças, guardas, muralhas e até 
sua simbologia como centro de poder (Salomão), compõe um quadro de frustração e 
sofrimento. 
Descrições semelhantes à feita pelas filhas de Jerusalém aparecem em outros textos 
jerusalemitas do Antigo Testamento. Em Jr 5,1 onde possivelmente se descreve uma 
Jerusalém pré-exílica com ruas e praças, se lê? 
Dai voltas às ruas (“behutzôt”) de Jerusalém, e vede agora, e informaivos, e buscai 
pelas tuas praças (“rehaboteka”), para ver se achais alguém ou se há um homem que 
pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei. 
Em Zacarias 8,4 se descreve a Jerusalém pós-exílica: 
“Ainda nas praças de Jerusalém (berehabôt iyerúshálám) habitarão velhos e velhas, 
levando cada um na mão o seu bordão, por causa da sua muita idade”. 
Mas, diferentemente do que nos textos citados acima, a cidade não é o lugar da utopia para 
as filhas de Jerusalém. A cidade não aparece como metáfora para a amada como acontece 
nos poemas de Lamentações (2,12-13a): 
Para suas mães (‘imotám) eles diziam, onde estão o trigo e o vinho? 
Estando eles a enfraquecer, como feridos mortalmente, nas praças 
(rehobôt) A cidade (` iyr) a derramar sua vida (nafeshám) sobre o peito 
das suas mães (‘imotám). Qual seria o testemunho? Com que te 
compararia, ó filha de Jerusalém (habat yerûshálam)?. 
A cidade é a mãe do ESTADO MODERNO. Todos os grandes problemas urbanos hoje 
são vinculados às grandes cidades. Os índices de violência, as quadrilhas, o tráfico de 
drogas, os grandes currais eleitorais, os grandes gastos públicos, a tremenda quantidade de 
poluição gerada, a despersonalização, a desivindualização. A prostituição, as questões 
ambientais, socais, de saúde, de ensino. 
Jerusalém já era uma grandiosa metrópole na época de Salomão. Um centro administrativo 
e politico. Não é citada o nome da cidade onde ocorrem os eventos descritos até este 
capítulo de Cantares. Pode ser uma outra próxima ao Líbano, poderia ser inclusive uma 
cidade costeira. Cesárea, ou Cafarnaum. Mas é uma grande cidade cercada de muros e com 
praças. O leitor em seu coração viaja até a cidade de Jerusalém, pois a todo instante são 
citadas “as filhas de Jerusalém”. 
Na dimensão espiritual a representação de que não está nas bases da economia, da 
antropologia, das ciências sociais, não está no escopo da tecnologia ou na indústria do 
entretenimento o lugar do Amado. As coisas do Espírito não estão na construção do 
mundo. Porque o mundo rejeitou a Deus. A indústria, o progresso, a economia mundial, os 
modelos políticos que hoje norteiam a vida das nações, nelas não se encontrará ao Amado. 
Por toda parte o espírito que endossa nossa era é o da especulação, não o da sinceridade.
São praças aonde o que se vê é a injustiça social. Não há praça de uma cidade do mundo 
que não tenha testemunhado um assassinato. Poucas ruas não testemunharam tragédias. E 
certamente nenhuma construção humana deixou de testemunhar alguma mentira. 
No livro A Cidade Antiga o prof. Fustel de Coulanges (1830-1889) fez um tratado do 
desnvolvimento das instituições que dão base à sociedade moderna. 
324 
Trecho de A cidade Antiga 
Essas crenças logo deram lugar a regras de conduta. Desde que o morto tinha necessidade 
de alimento e de bebida, pensou-se que era dever dos vivos satisfazer às suas necessidades. 
O cuidado de levar alimentos aos mortos não foi abandonado ao capricho, ou aos 
sentimentos mutáveis dos homens; era obrigatório. Estabeleceu-se desse modo uma 
verdadeira religião da morte, cujos dogmas logo se reduziram a nada, mas cujos ritos 
duraram até o triunfo do Cristianismo. 
Os mortos eram considerados criaturas sagradas. Os antigos davam-lhes os epítetos mais 
respeitosos que podiam encontrar; chamavam-nos de bons, de santos, de bem-aventurados. 
Tinham por eles toda a veneração que o homem pode ter para com a divindade, que ama e 
teme. Segundo seu modo de pensar, cada morto era um deus. 
Essa espécie de apoteose não era privilégio dos grandes homens; não se faziam distinções 
entre os mortos. Cícero afirma: “Nossos ancestrais quiseram que os homens que deixaram 
de viver fossem contados entre os deuses.” — Não era necessário ter sido um homem 
virtuoso; o mau tornava-se deus tanto quanto o homem de bem; apenas continuava, nessa 
segunda existência, com todas as más inclinações que tivera na primeira. 
Os gregos de boa mente davam aos mortos o nome de deuses subterrâneos. Em Ésquilo 
um filho invoca deste modo o pai morto: “Ó tu, que és um deus sob a terra.” — Eurípides 
diz, falando de Alceste: “Junto a seu túmulo o viandante há de parar, e dizer: Esta é agora 
uma divindade feliz.” — Os romanos davam aos mortos o nome de deuses manes: “Prestai 
aos deuses 
manes as honras que lhes são devidas — diz Cícero — pois são homens que deixaram de 
viver; reverenciai-os como criaturas divinas.” 
Os túmulos eram os templos dessas divindades. Assim exibiam eles, em latim e em grego, a 
inscrição sacramental: Dis Manibus, theõis ethoníois. — Era lá que o deus permanecia 
sepultado: Manesque sepulti — diz Virgílio. Diante do túmulo havia um altar para os 
sacrifícios, como diante do túmulo dos deuses. 
Encontramos o culto dos mortos entre os helenos, entre os latinos, entre os sabinos e entre 
os etruscos; encontramo-lo também entre os árias da Índia, como mencionam os hinos do 
Rig-Veda. Os livros das Leis de Manu falam desse culto como do mais antigo entre os 
homens. Vê-se por esse livro que a ideia da metempsicose desconheceu essa velha crença; 
mesmo antes disso já existia a religião de Brama, e, contudo, tanto sob o culto de Brama 
como sob a doutrina da metempsicose a religião das almas dos ancestrais subsiste ainda, 
viva e indestrutível, e força o redator das Leis de Manu a levá-la em conta, e a admitir ainda 
suas prescrições no livro sagrado. Não é esta a menor singularidade desse livro estranho: 
conservar regras relativas a crenças antigas quando foi redigido, evidentemente, em época 
na qual outras crenças opostas prevaleciam. Isso prova que, se é necessário muito tempo 
para que as crenças humanas se transformem, é necessário mais tempo ainda para que as 
práticas 
exteriores e as leis se modifiquem. Hoje mesmo, depois de tantos séculos e revoluções, os 
hindus continuam a oferecer dádivas aos antepassados. Essas idéias e ritos são o que há de 
mais antigo na raça indo-européia, assim como o que há de mais persistente.
Esse culto era idêntico tanto na Índia quanto na Grécia e na Itália. O hindu devia oferecer 
aos manes a refeição chamada sraddha: “Que o chefe da casa faça o sraddha com arroz, leite, 
raízes, frutos, a fim de atrair sobre si a proteção dos manes”. — O hindu acreditava que no 
momento em que oferecia esse banquete fúnebre, os manes dos antepassados vinham 
sentar-se a seu 
lado, e recebiam os alimentos que lhes eram oferecidos. Acreditava também que esse 
banquete proporcionava grande alegria aos mortos: “Quando o sraddha é oferecido de 
acordo com o ritual, os antepassados daquele que oferece o banquete experimentam uma 
satisfação inalterável.” Assim os árias do Oriente, em sua origem, pensaram como os do 
Ocidente com relação ao mistério do destino depois da morte. Antes de acreditar na 
metempsicose, que supunha absoluta distinção entre a alma e o corpo, acreditaram na 
existência vaga e indecisa da criatura humana, invisível, mas não imaterial, e exigindo dos 
mortais comida e bebida. O hindu, como o grego, olhava para os mortos como seres 
divinos, que gozavam de existência bem-aventurada. Mas havia uma condição para sua 
felicidade: era necessário que as ofertas fossem levadas regularmente. Se deixavam de 
oferecer o sraddha por um morto, sua alma saía de sua morada de paz, e tornava-se errante, 
atormentando os vivos; de sorte que os manes só eram considerados deuses em razão das 
ofertas que lhes eram feitas pelo culto. Os gregos e romanos tinham exatamente as mesmas 
opiniões. Se deixassem de oferecer aos mortos o banquete fúnebre, logo estes saíam de 
seus túmulos, e, como sombras errantes, ouviam-nos gemer na noite silenciosa. 
Censuravam os vivos por sua impiedosa negligência; procuravam então castigá-los, 
mandavam-lhes doenças, ou castigavam-lhes as terras com a esterilidade. Enfim, não 
davam descanso aos vivos até o dia em que voltassem a oferecer-lhes o banquete fúnebre. 
O sacrifício, a oferta de alimentos e a libação levavam-nos de volta ao túmulo, e 
proporcionavam-lhes o repouso e atributos divinos. O homem assim estava em paz com 
eles. 
A casa do grego ou do romano obrigava um altar; sobre esse altar devia haver sempre um 
pouco de cinza e carvões acesos. Era obrigação sagrada, para o chefe de cada casa, manter 
aceso o fogo dia e noite. Infeliz da casa onde se apagasse! Cada noite cobriam-se de cinza 
os carvões, para impedir que se consumissem por completo; pela manhã, o primeiro 
cuidado era reavivar o fogo, e alimentá-lo com ramos. O fogo não cessava de brilhar diante 
do altar senão quando se extinguia toda uma família; a extinção do fogo e da família eram 
expressões sinônimas entre os antigos. 
Há três coisas que, desde as mais antigas eras, encontram-se fundadas e solidamente 
estabelecidas nas sociedades grega e itálica: a religião doméstica, a família, o direito de 
propriedade; três coisas que tiveram entre si, na origem, uma relação evidente, e que 
parecem terem sido inseparáveis. 
A ideia de propriedade privada fazia parte da própria religião. Cada família tinha seu lar e 
seus antepassados. Esses deuses não podiam ser adorados senão por ela, e não protegiam 
senão a ela; eram sua propriedade exclusiva 
Ora, entre esses deuses e o solo, os homens das épocas mais antigas divisavam uma relação 
misteriosa. Tomemos, em primeiro lugar, o lar; esse altar é o símbolo da vida sedentária, 
como o nome bem o indica. Deve ser colocado sobre a terra, e, uma vez construído, não o 
devem mudar mais de lugar. O deus da família deseja possuir morada fixa; materialmente, é 
difícil transportar a terra sobre a qual ele brilha; religiosamente, isso é mais difícil ainda, e 
não é permitido ao homem senão quando é premido pela dura necessidade, expulso por 
um inimigo, ou se a terra não o puder sustentar por ser estéril. Quando se constrói o lar, é 
com o pensamento e a esperança de que continue sempre no mesmo lugar. O deus ali se 
instala, não por um dia, nem pelo espaço de uma vida humana, mas por todo o tempo em 
325
que dure essa família, e enquanto restar alguém que alimente a chama do sacrifício. Assim o 
lar toma posse da terra; essa parte da terra torna-se sua, é sua propriedade. A casa situava-se 
sempre no recinto sagrado. Entre os gregos, dividia-se em duas partes o quadrado formado 
pela cerca: a primeira parte era o pátio; a casa 
ocupava a segunda parte. O altar, colocado mais ou menos no centro da área total, 
encontrava-se assim no fundo do pátio, e perto da entrada da casa. Em Roma a disposição 
era diferente, mas o princípio era o mesmo. O altar ficava colocado no meio do recinto, 
mas as paredes elevavam-se ao seu redor pelos quatro lados, de maneira a fechá-lo no meio 
de um pequeno pátio. Vê-se claramente o pensamento que inspirou esse sistema de 
Construção: as paredes levantam-se ao redor do altar, para isolá-lo e protegê-lo; e podemos 
afirmar, como diziam os gregos, que a religião ensinou a construir casas. Como o caráter de 
propriedade privada está manifesto em tudo isso! Os mortos são deuses que pertencem 
apenas a uma família, e que apenas ela tem o direito de invocar. Esses mortos tomaram 
posse do solo, vivem sob esse pequeno outeiro, e ninguém, que não pertença à família, 
pode pensar em unir-se a eles. Ninguém, aliás, tem o direito de privá-los da terra que 
ocupam; um túmulo, entre os antigos, jamais pode ser mudado ou destruído; as leis mais 
severas o proíbem. Eis, portanto, uma parte da terra que, em nome da religião, torna -se 
objeto de propriedade perpétua para cada família. A família apropriou-se da terra 
enterrando nela os mortos, e ali se fixa para sempre. O membro mais novo dessa família 
pode dizer legitimamente: Esta terra é minha. — E ela lhe pertence de tal modo, que lhe é 
inseparável, não tendo nem mesmo o direito de desfazer-se dela. O solo onde repousam 
seus mortos é inalienável e imprescritível. A lei romana exige que, se uma família vende o 
campo onde está o túmulo, continua no entanto proprietária desse túmulo, e conserva 
eternamente o direito de atravessar o campo para nele cumprir as cerimônias do culto Era 
antigo costume enterrar os mortos, não em cemitérios, ou à beira das estradas, mas no 
campo de cada família. Esse costume dos tempos antigos é confirmado por uma lei de 
Sólon, e por diversas passagens de Plutarco. Lemos em um discurso de Demóstenes que, 
ainda em seu tempo, cada família enterrava seus mortos no próprio campo, e que quando 
se comprava uma propriedade na Ática, nela encontravam a sepultura dos antigos 
proprietários . Quanto à Itália, esse mesmo costume nos é atestado por uma lei das Doze 
Tábuas, pelos textos de dois jurisconsultos, e por esta frase de Siculo Flaco: “Antigamente 
havia duas maneiras de colocar os túmulos: uns punhamnos no limite dos campos, outros 
no meio.” 
É bastante evidente que a propriedade privada era uma instituição da qual a religião 
doméstica não se podia eximir. Essa religião prescrevia que se isolasse o domicílio e a 
sepultura: a vida em comum, portanto, tornava-se impossível. A mesma religião ordenava 
que o altar fosse fixado ao solo, e que a sepultura não fosse nem mudada, nem destruída. 
Suprimi a propriedade, e o altar ficará errante, as famílias confundir-se-ão, os mortos 
ficarão abandonados e sem culto. Por causa do altar irremovível e da sepultura permanente, 
a família tomou posse do solo; a terra, de certo modo, foi imbuída e penetrada pela religião 
do lar e dos antepassados Abarquemos com o olhar o caminho percorrido pelos homens. 
Na origem, a família vive isolada, e o homem não conhece senão deuses domésticos, theòi 
patrõi, dii gentiles. Acima da família forma-se a fratria, com seu deus, theòs 
phrátrios, Juno curialis. Em seguida vem a tribo, e o deus da tribo theòs phylios. Chega-se, 
enfim, à cidade, e imagina-se um deus que abraça toda a cidade, theòs polièus, penates publici. 
Hierarquia de crenças, hierarquia de associações. A idéia religiosa foi, entre os antigos, o 
sopro inspirador e organizador da sociedade. As tradições dos hindus, dos gregos, dos 
etruscos, contavam que os deuses haviam revelado aos homens as leis sociais. Sob essa 
forma legendária há uma verdade. As leis sociais foram obra dos deuses; mas esses deuses, 
tão poderosos e tão benfajezos, não eram nada mais que as crenças dos homens. 
326
Não devemos imaginar as cidades antigas de acordo com as que costumamos ver nos dias 
de hoje. Constroem-se algumas casas, e temos uma aldeia. Insensivelmente o número de 
casas aumenta, e temos a cidade; e, se for o caso, acabamos por rodeá -la por um fosso e 
uma muralha. Uma cidade, entre os antigos, não se formava com o tempo, pelo lento 
crescimento do número dos homens e das construções. Fundava-se uma cidade de um só 
golpe, inteiramente, em um dia. 
Mas era necessário que a cidade fosse constituída antes, o que era a obra mais difícil, e 
ordinariamente a mais longa. Uma vez que as famílias, as fratrias e as tribos concordavam 
em se unir, e em adotar o mesmo culto, logo se fundava a cidade, para ser o santuário desse 
culto comum. Também a fundação de uma cidade sempre constituiu ato religioso. 
O primeiro cuidado do fundador é escolher o local da nova cidade. Mas essa escolha, coisa 
grave, e da qual se crê depender o destino do povo, sempre foi deixada à decisão dos 
deuses. Se Rômulo fosse grego, teria consultado o oráculo de Delfos; se fosse samnita, teria 
seguido o animal sagrado, o lobo ou o picanço. Latino, muito vizinho dos etruscos, iniciado 
na ciência augural, pede aos deuses que lhe revelem sua vontade pelo vôo dos pássaros. Os 
deuses apontam-lhe o Palatino. 
Depois que essa cerimônia preliminar preparou o povo para o grande ato da fundação, 
Rômulo cava um pequeno fosso de forma circular, onde lança um torrão, por ele trazido da 
cidade de Alba. Depois, cada um de seus companheiros, um por um, lança no mesmo lugar 
um pouco de terra, trazida de seu país de origem. Esse rito é notável, e revela nesses 
homens um pensamento que é preciso assinalar. Antes de chegar ao Palatino, eles 
moravam em Alba, ou em alguma outra cidade vizinha. Lá estava seu lar, lá seus pais 
haviam vivido, e estavam sepultados. Ora, a religião proibia abandonar a terra onde o lar 
estava fixado e onde repousavam os antepassados divinos. Era preciso, pois, para se 
livrarem de toda impiedade, que cada um daqueles homens usasse de uma ficção, e que 
levasse consigo, sob o símbolo de um torrão de terra, o solo sagrado em que seus 
antepassados estavam 
sepultados, e ao qual estavam ligados os manes. O homem não podia mudar se sem levar 
consigo a terra e seus ancestrais. Era necessário que observasse esse rito para que pudesse 
dizer, mostrando o novo lugar que adotara: Esta é ainda a terra de meus pais: Terra patruum, 
patria, aqui é minha pátria, porque aqui estão os manes de minha família. O fosso onde 
cada um lançara um pouco de terra chamava-se mundus; ora, essa palavra designava, 
especialmente na antiga língua religiosa, a região dos 
manes. Desse mesmo lugar, segundo a tradição, os manes dos mortos escapavam três vezes 
por ano, desejosos de rever a luz por um momento. Não vemos ainda, nessa tradição, o 
verdadeiro pensamento dos homens antigos? Lançando ao fosso um torrão de terra da 
antiga pátria, acreditavam encerrar nela também as almas dos antepassados. Essas almas, ali 
reunidas, deviam receber culto perpétuo, e velar sobre seus descendentes. Rômulo, nesse 
mesmo lugar, levantou um altar, e acendeu o fogo. Este foi o fogo sagrado da nova cidade. 
Não estão distantes as tradições referentes das cidades de Israel. As que foram tomadas 
tinham casas construídas segundo tais preceitos. O direito à propriedade da antiguidade 
nasce do culto aos morros. A limitação das propriedades era feita por pedras consagradas 
denominadas termos. Os parentes eram enterrados na propriedade em que moravam e era 
necessário que tivesse acesso livre até o túmulo para oferecerem libações aos mortos, e isso 
não poderia ser interrompido pelas gerações futuras, tornando-se uma obrigação 
sucessória, e ao mesmo tempo dando origem ao conceito de herança e do direito á herança, 
direito sucessório, já que seria de responsabilidade do filho mais velho a obrigação de 
alimentar aos mortos. 
327
328 
É neste mundo mágico, de crenças que exaltavam a morte e que dela faziam sua religião 
que as cidades e a civilização foi inspirada. 
Não é nessa cidade onde pessoas fazem culto aos espíritos familiares que Sunamita 
encontrará seu Amado. Não numa cidade onde exercem um sacerdócio baseado em 
tradições religiosas que as prendem a ritos de culto funerário, contendo um “fogo sagrado” 
cujo o símbolo é belíssimo mas que não é dedicado a Vida, 
Vivemos num mundo religioso cheio de tradições, rituais, ritos, mistificações e mágica. 
Com belíssimas representações da realidade espiritual, corrompidas pelo erro, poluídas pela 
imaginação, enganando os homens e os conduzindo na direção do cemitério. Literalmente 
falando. 
O conceito de Estado parece ter origem nas antigas cidades-estados que se desenvolveram 
na antiguidade, em várias regiões do mundo, como a Suméria, a América Central e no 
Extremo Oriente. Em muitos casos, estas cidades-estados foram a certa altura da história 
colocadas sob a tutela do governo de um reino ou império, seja por interesses económicos 
mútuos, seja por dominação pela força. O estado como unidade política básica no mundo 
tem, em parte, vindo a evoluir no sentido de um supranacionalismo, na forma de 
organizações regionais, como é o caso da União Europeia 
A quem pertence, legitimamente a terra? 
O que legitima o direito de propriedade humana ao solo em que vive e habita? 
O mundo e a terra pertencem ao Senhor. Criada, Arrendada, Roubada e Retomada. 
Criada em Genesis 
Arrendada ao Homem no Jardim 
Roubada por Satanás na Queda 
Retomada na Ressurreição. 
Mas para todos os efeitos, SEMPRE pertenceu a um único possuidor. Deus. E só este 
poderia entregá-la, delegá-la, reparti-la ao ser humano. O modo como Deus estabeleceu 
essa partilha, é a Profecia. A Profecia é uma instituição anterior à existência da LEI, 
qualquer que seja o código humano. E anterior às religiões e ao culto aos mortos. 
O único pedaço de terra do mundo em que vivemos, delegado por Deus a alguém, 
que possui uma PROFECIA DECLANDO POSSE até a presente data, 2014, é a 
terra de Israel. Fora um ou outro local que habitem anjos, ou separados por Deus para o
exercício da cidadania celestial, alguns acampamentos, alguns terrenos que foram doados 
por Profecia para alguma finalidade em alguma geração. Mas, genericamente falando, nós, 
egípcios, gregos, romanos, brasileiros, argentinos, ingleses e franceses ou porto-riquenhos 
somos no máximo “posseiros”. Os papéis que legitimam nosso direito a propriedade não 
tem valor algum, diante da Eternidade. 
Não foi dado a nenhum Estado o Direito Absoluto sobre a Propriedade. Inclusive o 
mundo de amanhã sofrerá uma redistribuição de terras. Embora o Direito Romano 
nos tenha influenciado. 
A profecia já definiu a quem pertence à terra, terra como sinônimo de mundo, muito 
tempo atrás: 
“Os justos herdarão a terra”. 
Mas, antes de chegar esse “amanhã”, as Escrituras determinaram um pedaço de terra para 
os israelitas. 
A Sunamita não pode encontrar o Amado na cidade porque a cidade e suas praças lembram 
essa origem religiosa, possuem uma identidade que a identificam a busca dos mortos, com 
a necromancia, com a adoração aos mortos. Ela evoca a morte. Ela é lugar de violência, ela 
é uma referência a práticas de injustiça. 
Por isso é que também um dia descerá dos céus uma cidade CELESTIAL. 
E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como 
uma esposa ataviada para o seu marido. 
E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, 
pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o 
seu Deus. 
E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem 
clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. 
329 
Apocalipse 21:2-4 
Uma cidade que não possui CEMITÉRIOS. Os fundamentos desta cidade não é a morte. 
Ela não tem pranto e nem choro, porque não viu e nem jamais verá procissões de 
sepultamento. Porque ela é baseada em VIDA. As casas da antiguidade eram imaginadas 
para serem possessão perpétua de uma família. Pois esta cidade será. A referência a “não 
haverá mais morte” associado a uma cidade divina fica bem mais profunda lendo um 
pouco sobre a origem das cidades da antiguidade. 
As casas da antiguidade possuíam um altar. Eram inspiradas em templos. Tinham até o 
fogo sagrado acesso em suas salas. Mas sublimavam, exaltavam a morte, substituíam o 
Espírito da Vida, pelos espírito dos mortos. 
Porém, é numa dessas nossas cidades cobertas de violência que a Sunamita está correndo, 
aflita e chorando. 
1. מצאוני השׁמרים הסבבים בעיר את שׁאהבה נפשׁי ראיתם׃ 3:3 
2. Metsauni hashomrim hasovvim bair et sheahavah nafshi reitem: 
3. The shomrim (watchmen) that go about the city found me: [to whom I said], Saw 
ye him whom my nefesh loveth?
A palavra guarda em hebraico é Shamar, significa Sentinela, Vigia, Observador, Protetor. 
Os guardas a encontram, e não a tratam mal. São dois grupos distintos. Este ao ver a moça 
chorando se preocupam e vão socorrê-la. O segundo, um grupo de guardas bêbados a 
colocará numa situação embaraçosa. Eles são profissionais corretos exercendo dignamente 
sua função de patrulhamento da cidade e logo percebem que não se trata de um caso 
policial. Eles, infelizmente, não têm meios de ajudá-la, não são versados em problemas do 
coração. Tão pouco eles fazem ideia de quem ela realmente está procurando. Simplesmente 
ela procura ao chefão, the Big Boss, ao rei, devidamente disfarçado. Os guardas neste 
momento representam um papel digno. Limitados ao seu ofício, as obrigações e a escala de 
serviço, não serão de muito auxilio. Se ao menos entre eles houvesse um detetive ao nível 
de um Sherlock Holmes...Mas a moça está com pressa. A pergunta que ela faz é bem 
interessante. Ela não o DESCREVE. Ela não diz como ele está vestido, sua altura, ela dá 
um retrato falado que lembra o quadro “Depoimento” de Porta -dos-Fundos, canal de 
comédia brasileiro no Youtube. 
330 
https://www.youtube.com/watch?v=T3UiOCry06w 
Na dimensão espiritual os guardas da cidade designam aqueles que protegem a integridade 
intelectual da sociedade. Os que a cercam e a vigiam. O saber acadêmico, a filosofia, as 
artes, a tecnologia e as ciências. A política, o sentimento religioso, o direito, a cultura. A 
cidade é uma representação do Estado, representa o mundo humano e suas complicadas 
relações. O que guarda sua integridade? O que faz com que a civilização permaneça digna 
do nome civilização? Os civilizadores. Os filósofos, os poetas, seus músicos. Seus 
intelectuais, seus políticos, seus historiadores, seus químicos e físicos, engenheiros e
estadistas, teólogos e sacerdotes. Seus legisladores. Um dos pilares da sociedade humana é 
o direito, as leis, as normas de conduta, a jurisprudência, as regras que estabelecem as 
relações. Essas regras agem como guardas. A constituição é um guarda dos direitos e da 
integridade dos indivíduos de uma nação. As regras econômicas, protegem-nos dos 
processos comerciais ilícitos, impedem até certo ponto as práticas desleais da concorrência. 
Nem todos os guardas são fiéis, of course. Platão, Aristóteles, Wittgenstein, Quine, Émile 
Durkheim, Tzvetan Todorov, Jakob Bernoulli, Pierre Simon Laplace ou Srinivasa 
Ramanujan, poderiam responder-nos coisas espetaculares. Mas não compreenderiam os 
mistérios do Reino, se o Espírito de Deus para eles não o revelasse. Os guardas não são 
o suficiente, todo o conhecimento humano não é suficiente para saciar a alma da 
Sunamita Celestial. Ela só é plena nEle, ao ouvir sua Voz, ao conhecer seus 
segredos, seus mistérios, só fica encantada com a sua Sabedoria. 
É importante frisar este aspecto. Nenhum outro ser humano na terra recebeu de Deus 
uma profecia que dissesse a ele que depois dele ninguém seria tão sábio. Os 
especialistas em muitas áreas descobriram coisas maravilhosas, certamente 
DESCONHECIDAS por Salomão. Mas certamente ele recebeu de modo sobrenatural a 
capacidade de apreendê-las, de compreendê-las e ir além de todos estes, mestres em suas 
respectivas cadeiras, se ele lhes fosse contemporâneo. Nenhum deles havia nascido ainda 
na época de Salomão. E mesmo após eles, ninguém recebeu alguma declaração que 
mudasse o julgamento divino sobre a sabedoria de Salomão. Continua valendo 
hoje, em meio a uma sociedade tecnológica, que diante do Espírito de Deus não se 
levantou na terra homem tão sábio quanto Ele. (Jesus não conta na premissa anterior, 
que senão é covardia). 
A moça está atrás do homem mais inteligente da terra. Se ele se esconder os guardas 
não saberão como achá-lo. 
A Igreja também. Cristo é a Sabedoria divina em forma humana. Nele estão escondidos os 
segredos e mistérios da Sabedoria. Os guardas do Éden eram querubins. Os guardas da 
Cidade Celestial, da Nova Jerusalém, são anjos. Mas, nem eles sabem as respostas que 
habitam somente o coração de Cristo. Na verdade os anjos são mensageiros justamente 
porque somente Nele estão os mistérios da Criação, da Eternidade, da Salvação. 
1. כמעט שׁעברתי מהם עד שׁמצאתי את שׁאהבה נפשׁי אחזתיו ולא ארפנו עד־שׁהביאתיו אל־בית 3:4 
אמי ואל־חדר הורתי׃ 
2. Kimat sheavarti mehem ad shematzati et sheahavah nafshi akhaztiv velo arpenu ad-shehaveitiv 
el-beit imi veel-kheder horati: 
3. [It was] but a little that I passed from them, but I found him whom my soul loveth: 
I held him, and would not let him go, until I had brought him into my mother's 
house, and into the chamber of her that conceived me. 
331
Não foi necessário ir muito longe. A moça enamorada encontrou ao amado e o agarrou 
disposta a nunca mais deixá-lo. Sunamita possui irmãos e mãe, embora não seja referido no 
poema seu pai, fazendo os leitores enxergá-la como uma órfã, como a princesa que um dia 
nasceria no reino da Persa, como Ester. A primeira providencia da moça é conduzi -lo até a 
morada de sua mãe. A antiga casa de seus pais. O lugar onde seus pais a geraram. Onde 
sua existência teve início. Ousadamente ela o conduz até o lugar onde ela 
começou, por assim dizer, na história anterior a sua própria história, a história de 
amor de seus pais, do qual somente uma testemunha restava, que era sua mãe. A 
moça orgulhosamente apresenta o “desconhecido” a sua mãe. Seu pretendente. A mãe o 
saúda, lhe enche de mimos, põe ele para comer até quase arrebentar, conta histórias. E o rei 
fica ali naquela casa humilde se divertindo com a mãe de Sunamita. 
A Igreja não necessita desprezar a sabedoria humana para contemplar os mistérios divinos 
ou receber revelações do Espirito. Só necessita “afastar-se um pouco”. Ela não pode 
permanecer sob sua “proteção”, sob sua “vigilância”. Não é a sabedoria humana que tem 
analisa ou interpreta as coisas das Escrituras. Só o Espírito de Deus é o interprete 
autorizado. Os limites da inteligência são as profundezas das Escrituras, seus mistérios e as 
coisas sequer sonhadas ou imaginadas. O mundo de Deus é vasto e maravilhoso, suas 
dimensões, seus planos, suas realidades transcendentes. 
Jesus ao falar das realidades espirituais proclama para um versado doutor da Lei: 
“necessário te é nascer de novo” 
Porque quem é nascido e criado a luz somente do que a sociedade sabe, não está 
capacitado para compreender as coisas espirituais. Ou indo mais longe: O espírito humano 
necessita sofrer uma transformação profunda em sua natureza, uma mudança tão radical, 
tão incomparável, para compreender a profecia, os dons espirituais, o batismo com espirito 
santo, a Eternidade, os mistérios da Salvação, a Nova Criação, os mistérios da Autoridade e 
da Fé, que sem RECOMEÇAR lhe é impossível. Sunamita conduz Salomão até o local 
mais primordial, mais primevo, mais inicial de sua carreira como ser humano. 
É um símbolo. É óbvio, uma INDIRETA, uma insinuação, eu quero ter filhos, casar-me como 
meus pais e você é a pessoa com a qual eu quero ter uma história de vida. 
E na dimensão espiritual esse símbolo se reveste de muitos outros. 
II CO 5:14 “Aquele que está em Cristo Nova Criatura é, as coisas velhas já passaram, eis 
que tudo se fêz novo” 
332 
3:5 {Refrão} 
השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם בצבאות או באילות השׂדה אם־תעירו ואם־תעוררו את־האהבה עד . 1 
שׁתחפץ׃ 
2. Hishbati etkhem benot Yerushalayim bitzvaot o beailot hasadeh im-tairu veim-teorru 
et-haahavah ad shetekhpatz: 
3. I charge you, O ye Daughters of Yerushalayim, by the roes, and by the hinds of 
the field, that ye stir not up, nor awake [my] love, till he please.
Por quatro vezes essa expressão será concedida, como explicado na parte “A Magia de 
Cantares”. A cada vez que aparecer no texto nós acrescentamos algumas cores ao texto. 
Outra vez sua mente se volta às ricas jovens de Jerusalém. Ela está num lugar humilde. Sua 
casa é uma casa de uma família que vive da agricultura, dona de uma única Vinha da qual 
retira todo o sustento. Ela pensa em na nobreza e riqueza das adversárias e como seria fácil 
para elas impressionar ao seu pretendente. Não sabe ela que ele é o dono, poeticamente 
falando, de toda a terra. Ele não está ali por causa da casa. Ele esta ali por causa dela. 
1. {The Shulamite} 
2. מי זאת עלה מן־המדבר כתימרות עשׁן מקטרת מור ולבונה מכל אבקת רוכל׃ 3:6 
3. Mi zot olah min-hamidbar ketimarot ashan mekuteret mor ulevona mikol avkat 
rokhel: 
4. Who [is] this that cometh out of the wilderness like pillars of smoke, perfumed with 
myrrh and Levonah (frankincense), with all powders of the merchant? 
Ainda ao sair da casa humilde de sua mãe. Ela se depara com um dos maiores espetáculos 
do mundo da antiguidade. Salomão era extremamente vaidoso. Ele não tinha na sua 
juventude um pingo de senso de sobriedade. Todas as suas obras eram embriagantes. Eram 
soberbas, grandiosas. Por causa da falta de comedimento nos gastos reais depois de sua 
morte o povo reclamará dos elevados gastos públicos criados pela gigantesca administração 
dos enormes, suntuosos e variados palácios reais, casas de descanso, navios, cava rias e 
monumentos espalhados em todo o reino. As dividas com governos estrangeiros, a 
manutenção do staff público, dos serviços administrativos, da cavalaria, do imenso 
exército. E por alguma razão ele a havia convocado a sua liteira real, sua carruagem 
humana, levada por dezenas de escravos, cercada de centenas de soldados uniformizados, 
seguida de centenas de carros de guerra, com serventes para molhar a região por onde 
passava, outros para purificar com queima de incenso os lugares por onde trafegaria, para 
que o rei não fosse incomodado com os cheiros proveniente da falta de asseio ou higiene 
das pequenas comunidades, ou com o cheiro dos excrementos dos bois, cavalos e animais, 
para que não se importunasse com o cheiro do adubo das fazendas. Anunciada sua chegada 
por arautos, precedida de danças e de música. Não um liteira comum, mas uma liteira que 
mais parecia ser uma embarcação terrestre. Quase um ônibus-liteira. Era tão comprida que 
sessenta pessoas podiam ficar ao seu redor, munidas de escudos e lanças. 
333
E ela estava anunciando que em breve o rei estaria partindo. Para todos os efeitos, nela 
estava Salomão. Ela é transportada como se o rei ali estivesse. Porque Sunamita não pode 
desconfiar que o rei está justamente ao seu lado. A comitiva parece uma caravana de 
mercadores, faz alusão as tribos dos árabes. Sua grandiosidade evoca os desfiles do Faraó 
do Egito. Quem a carrega são escravos das nações subjugadas, de diversas nacionalidades, 
todos estrangeiros. A Liteira é uma obra de engenharia feita com madeira caríssima das 
montanhas do Líbano, país que fazia divisa com Israel. A liteira tem outra representação 
também. Ela ao longe lembra ao tabernáculo sendo transportado no deserto, precedido por 
colunas de fumaça gigantescas e seguido de colunas de fogo. Ela é perfumada de mirra, da 
mesma mirra que Sunamita carrega entre os seios para se perfumar. Ela tem o cheiro de 
Sunamita. A procissão real parece uma procissão sacerdotal. 
1. הנה מטתו שׁלשׁלמה שׁשׁים גברים סביב לה מגברי ישׂראל׃ 3:7 
2. Hineh mitato sheliShlomoh shishim giborim saviv lah migiborei Yisrael: 
3. Behold his bed, which [is] Shlomoh's; threescore valiant men [are] about it, of the 
valiant of Yisrael. 
Então… quebrando o silencio da cena Salomão fala em terceira pessoa... Como se falasse 
de outro... Aponta o dedo e comenta de quem é a liteira... mas exagera um pouco... ele 
concede MUITAS INFORMAÇÕES sobre ela... detalhes que um pastor comum... não 
deveria ter conhecimento... Ele sabe, por exemplo que TODOS os soldados ao redor são 
CAPACITADOS e que possuem larga EXPERIENCIA (destros na guerra); reconhece o 
tipo de armamento que usam, onde eles o carregam ainda conhece bem o motivo, o 
porquê deles estarem tão fortemente armados... 
Salomão afirma que viajar a noite era muitíssimo perigoso (ele fala dos temores noturnos). 
Por dois grandes motivos. Ladrões de caravanas e por causa dos animais selvagens. Havia 
leões, chacais, lobos, ursos. A terra da antiguidade é repleta de animais selvagens próximas 
aos centros urbanos, próximos às comunidades e vilas. É o interior do Brasil de 1950. A 
guarda pessoal de Davi possuía 37 homens. Salomão possuía 23 a mais. Esta equipe 
selecionada eram os guardas do presidente. A carruagem é um veículo de luxo, caríssimo e 
basicamente reservado ao transporte de reis. A liteira era usada pelas jovens noivas, em 
festas. Esse hibrido de Salomão é um exagero de liteira. 
Era realmente uma liteira diferente, única. Trazida com pompa e também usada nos 
casamentos reais. O sonho de uma menina israelita seria estar sentada naquela liteira ao 
lado de Salomão desfilando diante da multidão. 
A palavra “liteira” só aparece aqui em toda a Escritura. 
A quantidade “60” é um número bem presente em diversas listas das Escrituras, 
individualmente ou somado à alguma quantidade. Uma em especifico nos interessa 
bastante. Cercado pelos guardas do templo, os discípulos iniciam um combate desigual, 
Pedro com uma espada arranca a orelha do filho de um dos sacerdotes. Jesus para a 
334
batalha, e mesmo sabendo que seria preso, cura a orelha decepada do rapaz. Logo após 
afirma que se Ele reivindicasse o Pai enviaria legiões de anjos. 
53 Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora 
mesmo mais de doze legiões de anjos? 
Cada legião da época de Cristo tinha no máximo 6000 soldados. O que nos remeteria a 
72000 anjos. Que é um múltiplo de 60. 1200 x 60. 
Na dimensão espiritual há uma simbologia profunda neste texto. Salomão representa o 
Espírito de Deus, e onde ele se move, habita, transita é cercado por uma multidão de anjos. 
A primeira função designada para um ser celestial que vemos nas Escrituras é de 
SENTINELA, ou guarda. A primeira vez que lemos sobre anjos, os veremos na figura de 
Querubins, uma classe especial de anjos, próximos a uma espada flamejante e guardando o 
caminho para a árvore da vida. A cena é uma tragédia, a da expulsão do homem e da 
mulher do paraíso, mas o que nos salta os olhos é a disparidade de poder entre duas 
criaturas mortais e os seres imortais de poder desconhecido impedindo-o os de retornarem. 
O que não havia entendido é que tamanho poder tinha uma razão de ser. Não era por 
causa do ser humano que eles foram ali colocados. Estavam ali para impedir que os 
homens retornassem munidos de forças sobrenaturais e espirituais e tentassem pela força, 
numa associação maligna, homem mais inferno, tomar o que não lhes pertencia por direito. 
Durante o ministério de Cristo tremenda oposição maligna lhe será impetrado. É nos dito 
que o a maior demonstração de poder divino é uma confrontação de poderes, uma 
realização na qual Deus impõe força, em que há uma resistência à sua operação, o que não 
ocorreu na criação do universo, mas que aconteceu na ressurreição. Algo, alguém, poderes, 
forças, antagonizaram, lutaram, resistiram, intentaram impedir a ressurreição. Algo resistiu 
a voz divina de tal modo que o Espírito considera esse momento a maior manifestação da 
grandeza de seu poder. Um dos mistérios que envolvem a Igreja é a proteção, é a guarda, é 
a presença e participação de poderes espirituais que PELEJAM em seu favor. Há uma 
guerra, uma resistência feroz, animalesca, de ódio as coisas de deus que anseiam ver a 
destruição das coisas relacionadas ao Espírito de Deus. A liteira era um símbolo do reino 
de Israel, um símbolo da realeza e da riqueza de Salomão. Era um insulto a todos as nações 
conquistadas e uma máquina de propaganda, uma obra que engrandecia e tornava ao rei 
mais famoso ainda. 
O desejo dos inimigos de Israel era que aquela liteira ardesse em chamas. 
Salomão chama atenção para os salteadores. Do mesmo modo, o Espírito chama atenção 
para as realidades espirituais que estão presentes na escuridão. Os anjos não estão ao redor 
da Igreja por uma simples referencia. Estão organizados e preparados para fazer o que for 
necessário para que a liteira não seja danificada. 
1. כלם אחזי חרב מלמדי מלחמה אישׁ חרבו על־ירכו מפחד בלילות׃ 3:8 
2. Kulam akhuzei kherev melumdei milkhamah ish kharbo al-yerekho mipakhad 
baleilot: 
3. They all hold swords, [being] expert in war: every man [hath] his sword upon his 
thigh because of fear in the night. 
335
A carruagem é fortemente armada. Protegida, guarnecida e projetada como um pequeno 
tanque de guerra. La é assim por causa da importância de quem ela conduz. A carruagem 
ou liteira não tocava o solo. Ela era erguida pelos braços de escravos que a pisavam no 
chão, nas poças, na lama e nas pedras, por isso com botas e sapatos apropriados. Havia um 
rito para erguer, para parar e para descer a carruagem. Uma estratégia que envolveria a 
comitiva e os soldados. 
Há um eco distante neste texto. Destros na guerra vai falar-nos de preparo físico e 
estratégico que os guerreiros necessitavam, algo que só poderia ser conseguido em campo 
de batalha. Na dimensão espiritual fala-nos da necessidade de experiências na guerra que 
agora se trava no mundo espiritual Experiências que só são conseguidas por meio da 
intercessão. Por meio da vivencia e amadurecimento ministerial. A espada nas Escrituras 
simboliza espiritualmente a ela mesma. A Palavra, do conhecido texto de Hebreus do Novo 
Testamento. A guerra espiritual não é uma parábola. Ou uma invenção psicológica. O ser 
humano guerreia para sobreviver desde o instante de seu nascimento. O processo de 
amadurecimento é uma guerra que ocorre na alma, a saúde é o resultado de muitas vitórias 
ganhas contra enfermidades. Pais lutam para sobreviver contra situações econômicas 
contrárias, há lutas para obter-se a formação acadêmica. Muitas vezes a sanidade 
psicológica é obtida por resistir a insultos, a coação, a tragédias familiares, a decepções 
sentimentais, a perda de pessoas que amamos. A guerra espiritual é um desdobramento das 
realidades que já nos acostumamos a viver, as guerras da alma. Ela é tão real quanto as 
demais, tão poderosa em relação ao ser humano quanto poderíamos acreditar. Por detrás 
de inúmeras guerras há claros envolvimentos como ocultismo, em muitos lugares homens 
tomados por forças espirituais agem realizando atos malignos, de origem humana e de 
origem maligna. Desprezar que há um mundo de poderes malignos é o suicídio que parte 
da humanidade cometeu ao rejeitar a espiritualidade em nome do cientificismo. Abolindo a 
alma, renegando a existência do espírito, negando a dimensão espiritual, e a quaisquer 
eventos sobrenaturais, juntamente o ser humano negou a si mesmo as únicas armas que lhe 
concederiam capacidade de vencer. 
336 
http://www.youtube.com/watch?v=APptOuDHUD8 
O rei não havia feito para mais ninguém. Era de seu uso exclusivo e fez questão que a 
madeira fosse das montanhas libanesas. 
1. עמודיו עשׂה כסף רפידתו זהב מרכבו ארגמן תוכו רצוף אהבה מבנות ירושׁלם׃ 3:10 
2. Amudav asah khesef refidato zahav merkavo argaman tokho ratzuf ahavah 
mibanot Yerushalayim: 
3. He made the pillars thereof [of] silver, the bottom thereof [of] gold, the covering of 
it [of] purple, the midst thereof being paved [with] love, for the Daughters of 
Yerushalayim.
1. צאינה וראינה בנות ציון במלך שׁלמה בעטרה שׁעטרה־לו אמו ביום חתנתו וביום שׂמחת לבו׃ 3:11 
2. Tzeeinah ureeinah benot Tziyon baMelekh Shelomoh baatarah sheitra-lo imo 
beyom khatunato uveyom simkhat libo: 
3. Go forth, O ye Daughters of Tzyon, and Behold King Shelomoh with the crown 
wherewith his mother crowned him in the day of his espousals, and in the day of 
the gladness of his heart. 
A beleza da Liteira começa a ser-nos desvendada. Suas colunas são deitas de prata, ela 
possui um piso coberto de placas de ouro e e assentos ou tronos que tem uma forração 
especial revestida de púrpura. Vinho. Ela era uma obra de tingimento de tecidos caros, que 
foram tecidos e costurados pelas moças nobres da cidade de Jerusalém. Cada pedaço da 
liteira lembra o interior do templo de algum modo, evoca a imagem do tabernáculo e de 
um dos estofos da cortinada que separava o átrio do santo dos santos. A cobertura de ouro 
fica sustentada por colunas de prata, como as peças especiais da antiga tenda que fixavam 
os tecidos das paredes nos postes fincados no chão. O tabernáculo tinha uma cerca feita de 
tecido, amarrada a postes ou colunas através de ganchos de prata. O assento de Salomão 
era uma obra de finíssima tapeçaria, e a tintura utilizada era muito difícil de se conseguir. A 
púrpura designa os mais importantes e mais caros corantes da História, utilizados pelas 
elites até à queda de Constantinopla em meados do século XV. A púrpura era obtida a 
partir da secreção mucosa produzida pela glândula hipocondrial situada junto do tracto 
respiratório de moluscos do género Purpura, por exemplo purpura haemostoma, e do género 
Murex. Encontram-se enormes pilhas de cascas destes moluscos em alguns sítios históricos 
na costa grega já que se estima que eram necessários cerca de 10 000 destes elusivos 
moluscos para produzir 1 grama de corante, cujos diferentes tons dependem do tipo de 
molusco e extração utilizados. Não é por isso de espantar que o seu preço fosse muitas 
vezes mais elevado que o ouro e que apenas pessoas muito abastadas se pudessem dar ao 
luxo de usar roupa tingida com estes corantes, normalmente associados à realeza e ao clero. 
Durante o Império Romano, apenas o imperador Romano podia aparecer em público com 
um manto tingido de púrpura imperial, enquanto que aos senadores imperiais estaria 
reservado apenas o uso de uma barra púrpura na toga branca. já os textos bíblicos referem 
o púrpura, argaman, que deveria tingir as cortinas do tabernáculo e as vestes sacerdot ais, e 
o tekhelet, um corante azul obtido de uma criatura marinha que a Torah refere como 
chilazon. 
Aqui o reconhecimento do trabalho esmerado e do amor das meninas de Jerusalém. Elas 
amam o rei, apesar de seus exageros. Participaram efetivamente da construção de sua liteira, 
que simboliza o engrandecimento de seu Reino. A púrpura simboliza dentro e fora das 
Escrituras à realeza, ela era a cor das vestes dos governantes. Tão caro era um manto 
tingido inteiramente por essa cor que somente reis tinham o privilégio de usar tal 
vestimenta. É um trabalho preciosíssimo, por assim dizer, de valor tão alto para um 
camponês, que para ele é de imensurável valor. Enfim temos uma visão majestosa, das obras 
337
de Salomão. A Liteira simboliza a Obra do Espírito, seus ministérios, seus serviços, as 
Operações espirituais. Simboliza o Reino. A Sunamita representa a Igreja vendo desfilar 
diante dela, enfeitada por colunas de areia e pó que ascendem aos céus, perfumada com 
incenso e revestida de amor, ao Ministério do Espírito. Que possui o seu perfume. A Igreja 
não é o Ministério. A Igreja não é o Serviço. A Igreja não é sua Obra. O Reino é eterno, 
não tem inicio nem fim, mas sua existência só tem significado no amor que o Espírito 
possui pela Igreja. A glória de Deus é tremenda, sua magnificência chega a ser ultrajante. O 
universo é criado pela palavra de sua boca, estendendo-se pelo cosmos, em trilhões de 
quilômetros. Centenas ou milhares de galáxias declaram em alto e bom som a sua grandeza. 
Mas o que mais nos emociona em toda a existência é o amor com que as filhas de 
Jerusalém tecem um manto de púrpura. O universo toma outro sentido diante do amor. 
Diante da vida e da perspectiva da vida eterna, não baseada na servidão, na obrigação, antes 
no amor. Não nos perturba a grandeza de Deus, o homem nasce nela, vive nela e morre 
nela. Mas deslumbra-nos o seu tremendo amor. As colunas de prata chamam a atenção 
para um gesto de sacrifício. Elas lembram as 30 dracmas de prata atiradas no chão do 
santuário por um homem que se deu conta da vilania de seu ato, lembram os pratos 
que conduziam o sangue das vítimas até o interior do santo dos santos. Lembram o 
preço de um irmão vendido pelos seus irmãos a um grupo de comerciantes. A um 
grupo de mercadores, do mesmo tipo que eleva o pó aos céus ao passar com suas 
grandiosas caravanas cheias de objetos, mirra, tapeçaria e até escravos. 
As colunas da Obra, do Ministério, do Serviço, das Realizações, do Reino, são de PRATA. 
Apontam para o preço paga para Salvação, preço pago para Redenção, num ato de amor 
intencional. E espetacular. 
A púrpura exalta a REALEZA. Que nos evoca o PODER e a AUTORIDADE. Uma das 
características do Ministério é a cor púrpura. Demônios se ajoelham, gritam, são expelidos, 
poderes malignos são destruídos, pela manifestação dessa Autoridade e deste Poder. O 
Evangelho é revestido de Autoridade e as filhas de Jerusalém o revestiram. De Jerusalém 
sairão os apóstolos, lá a Igreja receberá a Autoridade e o Poder. 
338 
“Ficai em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de PODER” 
E nos evoca uma Jerusalém celestial de onde anjos, espíritos ministradores, foram 
enviados para derramarem o poder sobre a Igreja que nascia no último dia de uma 
festa movida a VINHO. A festa de Pentecostes ou festa das semanas é a festa da colheita 
e na época de Sunamita é profundamente associada a festa de Benjamim. Comparo os 
anjos às filhas de Jerusalém neste instante, quando refiro-me a Jerusalém celestial. A palavra 
“espírito” tanto em grego como em hebraico são do gênero feminino. Ainda guardamos a 
identidade feminina para a palavra “alma” na língua portuguesa. Embora o conceito de 
masculino ou feminino não se aplique aos anjos, fica uma sombra, lúdica, porque em 
relação a Igreja Terrena que é a Sunamita, os anjos são certamente as filhas de Jerusalém. 
Eles são nobres, separados, pertencem a cidade, moram nela, habitam nela, possuem casas 
e propriedades hereditárias. Nós ansiamos viver a riqueza celestial. Os anjos VIVEM nela. 
Nós ansiamos alcançar a Jerusalém que é do alto. Os anjos MORAM nela. O mistério do 
PODER concedido à IGREJA está profundamente associada a ministração angelical. E 
fica uma outra grandiosa revelação neste texto. As filhas de Jerusalém não enfeitaram o 
assento por obrigação. Mas porque amavam a Salomão. 
Assim como o púrpura evoca o Poder do Espírito, o “amor” das filhas de Jerusalém evoca 
algo que foi falado poucas vezes. Ou quase e nunca. Os anjos eleitos AMAM a Deus. E 
seus atos são movidos não por SUBORDINAÇÃO. Mas por lealdade, fruto de amor 
profundo.
Os materiais neste texto são o tecido tingido de púrpura, ouro, prata, madeira do Líbano. 
Essa cor do interior da Liteira, é a mesma das tranças da Sulamita (Cantares 7:5). 
O INTERIOR da Liteira é púrpura. Seu exterior é madeira do Líbano. O ministério não 
OSTENTA o PODER, não APARENTA o que seu interior REVELA. O PODER 
ministerial é exercido a partir do homem interior e não de seus pensamentos, é manifesto a 
partir do Espírito de Deus para o seu espírito, é fruto de uma busca “secreta”, vem de um 
lugar oculto, escondido à vista só percebível de quem se aproxima. Não aparentar é uma 
339
escolha da humildade. Um grande professor não humilha seus alunos debaixo da glória de 
seus grandes conhecimentos. Uma das cenas mais tristes que podemos assistir é a de um 
homem o qual após honrado com um cargo por uma instituição age como se fosse uma 
divindade, como uma celebridade. A igreja não celebra seus pregadores, não apresenta seus 
fabulosos apóstolos. Porque o poder espiritual vem do coração, se estabelece através da 
comunhão, é exercido de dentro para fora. Do coração ele é manifesto, inunda a mente e 
daí se derrama. Os cabelos de Sunamita também são tingidos de púrpura. Significa que 
quem olha para ela vê a beleza dessa Autoridade real retratada sobre a sua cabeça. Muitas 
visões são dadas que representam os cabelos como uma extensão dos pensamentos. O 
Israelita ao mostrar extremo sofrimento da alma, da mente, arrancava seus cabelos. Os 
cabelos representavam a dignidade feminina. Eram tratados com esmero, são 
diferenciadores de povos, nacionalidades, culturas. As moças indianas oferecem ainda hoje 
os cabelos em oferenda a uma determinada deusa. A maioria das perucas do mundo é feita 
com cabelos das mulheres da Índia. Um profeta recebe uma visão em que o Espírito o 
toma pelos cabelos e assim o transporta espiritualmente. Eles refletem carinho das mães, o 
amor do esposo e da esposa. A cabeça da mulher israelita nessa época só pode ser tocada 
pelo seu esposo, ou familiares próximos. O cuidado pelo ser humano é retratado por Cristo 
em que até os fios de cabelos da cabeça de qualquer de seus discípulos fora contabilizado 
por Deus. E nenhum cairia sem uma permissão divina. 
340 
Esdras 9:3 
E, ouvindo eu tal coisa, rasguei as minhas vestes e o meu manto, e arranquei os 
cabelos da minha cabeça e da minha barba, e sentei-me atónito. 
Jó 4:15 
Então um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos da 
minha carne. 
Lucas 12:7 
E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; mais 
valeis vós do que muitos passarinhos. 
Ezequiel 8:3 
E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha 
cabeça; e o Espírito me levantou entre a terra e o céu, e levou-me a Jerusalém em 
visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde 
estava o assento da imagem do ciúmes, que provoca ciúmes. 
O Espírito vê essa parcela do ser humano, seus pensamentos, seus sentimentos, sua 
dignidade, sua essência, púrpura. Revestido de AUTORIDADE. Revestido de REALEZA. 
Revestido de PODER. 
De modo poético, a pomba de penas púrpuras evoca o textos: 
I Pedro 2:9 
Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real , a nação santa, o povo adquirido, para 
que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa 
luz;
A PROFECIA de PEDRO é reveladora. Um hibrido de dois ministérios, a REALEZA e o 
SACERDÓCIO unidos num mesmo ministério. Porque a Igreja foi chamada para Reinar 
através da Oração, para chamar a existência as coisas que não são, através da Intercessão. 
Ela possui o coração de um intercessor e a ousadia de um operador de milagres. Ela é 
partícipe de um ministério que une a unção que era derramada sobre o rei com o óleo 
perfumado que era derramado sobre o sacerdote. 
Em Cristo, unidos a ele, nos tornamos filhos da fé, filhos de Abraão, herdeiros da 
promessa. Jesus nos chama de irmãos, co-herdeiros. Ele como descendente de Judá é a 
pessoa que os profetas disseram que se assentaria no trono de Davi para sempre. Jesus é o 
herdeiro de um reino que foi dito ETERNO, ele dá CONTINUIDADE ao REINADO de 
SALOMÃO. Ele é segundo a carne, descendente real. Se Israel continuasse a existir como 
nação Jesus poderia reclamar para si o direito a soberania, porque segundo o talmude 
somente o messias tem direito ao governo de Israel. 
Também há um grupo de judeus ultra ortodoxos, chamado Neturei Karta (Guardiões da 
Cidade). São antissionistas, por assim dizer, que se opõem à existência do Estado israelense 
por razões religiosas: eles acreditam que, até a vinda do Messias, estão proibidos de 
ter seu próprio Estado. 
341 
Jesus repartiu o REINO com sua IGREJA. 
Lucas 12:32 
Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. 
Literalmente, se refeito o cerimonial da ungidura do rei, todos os crentes em Cristo 
teriam que se ajoelhar e receber sobre suas cabeças o mesmo óleo que Jesus 
receberia ao ser ungido rei. 
E isso já foi feito ESPIRITUALMENTE. 
O casamento de Salomão com Sunamita ainda ocorrerá no futuro. Esse texto quebra a 
linearidade da estória, ele distorce o tempo, ele muda os períodos, traz do futuro da poesia 
para o seu presente uma esperança que adornava o coração de Sunamita. Ela vê algo 
fabuloso, excepcional, como se num sonho em que ela vê o mais extraordinário casamento. 
A cena é de um casamento oriental onde a mãe coroa seu “príncipe” para que ele poss a 
como assim receber as mãos de sua princesa. Todo israelita era assim tratado, o cerimonial 
não mudava do camponês para o nobre, do sacerdote para o rei, senão a pompa e os 
detalhes com que seria realizado, mas na essência era essa a cena que aconteceria com 
todos. O casamento israelita durava sete dias. 
Tradições do casamento hebraico antigo 
O Noivado
De acordo com costumes antigos, a cerimônia do noivado (ou Desposório) ocorreria um 
ano ou mais, antes de chegar o dia das Bodas. Durante o noivado (ou Desposório) as 
famílias da noiva e do noivo reunir-se-iam com algumas pessoas que não eram membros da 
família, as quais serviriam como testemunhas. O noivo daria à noiva um anel de ouro ou 
outros itens de valor. E se eles eram pobres, e tais coisas estivessem além de sua 
capacidade, simplesmente o noivo daria para a noiva um documento que no qual se 
comprometia a casar com ela. O noivo em seguida diria para a noiva: "Olha, com esse anel 
(ou com este sinal) declaro que você está reservada para mim, de a cordo com a lei de 
Moisés e Israel”. A família e amigos, então, concederiam presentes para a noiva. 
Após esta cerimônia, a noiva voltava para a casa de seu pai e o noivo de volta para a dele. A 
vida continuaria como antes, no entanto, a partir deste dia ela seria sua noiva e legítima 
esposa do noivo. 
342
Foi durante este período de noivado que Maria descobriu que tinha concebido um filho. 
José profundamente magoado, sem dúvida, teria diversas opções de acordo com a lei. Já 
que Maria era sua esposa legítima, José poderia ter permitido que ela fosse punida com a 
morte. (Levítico 20:10), ou poderia ter concedido imediatamente um certificado de 
divórcio. (Deuteronômio 24:1). A Bíblia nos diz que porque José era um homem justo e 
reto escolheu assumir a culpa, não arriscando a vida de Maria. No entanto, ele poderia ter 
escolhido contar a comunidade o que aconteceu a uma mulher casada que foi descoberta 
em aparente infidelidade. Mas ele preferiu que a sua conduta ilícita fosse mantida em 
segredo, seguindo para longe e após deixá-la silenciosamente. Foi neste momento um anjo 
do Senhor lhe assegurou que Maria tinha sido fiel e que a criança que esperava fora gerada 
pelo Espírito Santo. (Mateus 1:18-25) 
343 
Procissão de casamento 
Um ano depois, mais ou menos, depois de ter sido realizado a cerimônia de noivado, a 
noiva sabia que o dia do casamento se aproximava. PORÉM não tinha certeza sobre o dia 
e a hora exata que seu namorado voltaria para ela. Todas as moças da época de Jesus 
estavam familiarizadas com o termo, "Corra! Apresse-se! Apronte-se! ", que parece 
descrever a situação da noiva enquanto ela verificava seu calendário e contava os dias até 
que ele completasse o ano de noivado. Ela sabia que o tempo de sua partida estava se 
aproximando. A noiva sabia que tinha que estar pronta para ser "levada" a qualquer 
momento, mas não sabia a data exata ou o dia exato em que o noivo viria para ela. Pois, 
segundo a cultura judaica, o dia começa ao pôr do sol. O noivo chegaria em geral à noite. 
Muitos meses antes do dia do casamento, a noiva faria todo o possível para suavizar a sua 
pele e fazer o seu cabelo brilhar. Quando considerava que o dia do casamento já estava 
perto, estaria usando o vestido de casamento durante os dias próximos, pois não tinha 
certeza se o noivo viria para buscá-la na noite anterior ou posterior. Possivelmente seu 
cabelo seria trançado com ouro e pérolas. Colocaria uma coroa em sua cabeça e pulseiras e 
brincos e enfeitaria a sua cabeça com jóias e pedras preciosas da família. Se o pai da noiva
era um homem pobre, então ela iria pedir que fossem presenteados a ela por seus amigos, 
adereços, para que ela se apresentasse mais bonita. 
O pai do noivo após haver verificado que todos os preparativos na casa da noiva foram 
realizados, daria permissão para o seu filho para trazer a noiva à sua casa. O noivo reuniria 
os seus amigos que o ajudariam a se vestir com roupas bonitas. Seria perfumado com 
incenso e mirra. Usaria uma coroa de ouro ou teria uma guirlanda de flores colocada 
em sua cabeça para que pudesse se parecer o mais próximo possível com um rei. 
Os amigos estariam fazendo uma brincadeira - iriam se curvar diante dele como se o noivo 
fosse um membro da realeza - Uma banda de músicos e cantores iria acompanhá-los. 
Alguns convidados do casamento estariam esperando ao longo do caminho para levar o 
grupo de amigos e ao noivo para a casa da noiva e o cortejo nupcial se juntaria aos amigos 
do noivo Quando chegassem à casa da noiva, o noivo, seus amigos e os convidados 
expressariam sua alegria cantando. o Esposo "tomaria" a sua esposa e a levaria para fora da 
casa de seu pai. Hoje, é normal aquele que preside uma cerimônia de casamento dizer: 
"Você toma esta mulher como sua legítima esposa?" Provavelmente a parte mais 
emocionante da cerimônia de casamento é quando o noivo 
"Toma ou recebe" a noiva. Onde o noivo vai fazer isso dependerá de sua condição 
social. Se você fosse rico, provavelmente já teria um lugar preparado para dois. Se fosse 
pobre iria para a casa dos pais do noivo. 
O cortejo nupcial partiria da casa dos pais da noiva e iria para a casa do noivo, onde se 
realizaria o banquete de casamento. Esperando a procissão e atentos à voz de alegria e 
celebração, os outros convidados da noiva e suas madrinhas se juntariam ao cortejo nupcial 
ao longo do caminho. 
Uma vez que as ruas eram muito escuras, era necessário para quem viaja à noite, levasse 
uma lanterna ou uma lâmpada. O termo "tomar as suas lâmpadas" significava que os 
convidados estavam prontos e esperando para fazer parte da celebração. Algo como ter 
feito um convite. Sem uma tocha ou uma lâmpada não poderiam juntar-se a procissão nem 
344
entrar na casa do noivo. Uma vez dentro da casa, o anfitrião da festa de casamento, que era 
geralmente o pai do noivo, daria aos convidados preciosas roupas para vestir. 
Baseado em 
Fred H. Wight , Maneras & Costumbres de las Tierras Bíblicas (Chicago, Illinois: Moody 
Press 1953), p. 130-134; 235 
Sunamita estava vendo em sua mente, sonhando com algo que levaria pelo menos 1 ano 
para ocorrer! 
Mesmo que Salomão a desposasse naquela semana, só retornaria depois de 1 ano para 
finalizar o casamento. 
Poeticamente ela antevia um amanhã maravilhoso. 
Há uma surpresa profunda no texto, de beleza ímpar. A mãe do esposo é nada mais nada 
menos do que Betseba. A moça que foi privada de seu casamento, que teve o marido 
morto pela vergonha de um rei. A moça que perdeu seu primeiro filho concebido a partir 
de um adultério. Agora era ela que de modo LEGITIMAVA a união voluntária e amorosa 
de seu amado filho Salomão. As mãos que colocam a coroa de flores na cabeça de seu filho 
são de uma dupla viúva, que testemunhou uma vida cheia de problemas familiares, que 
intimamente ela sabia que era parcialmente a culpada. Tinha responsabilidade, ainda que 
involuntária na morte de Urias, na morte de seu filho, e até nas consequências espirituais 
desastrosas que culminariam na morte de Absalão, Amon e no isolamento de Tama r. 
É a representação do desejo de Salomão ver sua mãe sendo honrada. 
Num dos mais belos trechos das Escrituras. 
Nesse momento Betseba representa-nos, representa a Igreja, sendo dignificada, honrada, 
no mesmo instante que dignifica ao Espirito de Deus. É o cumprimento da palavra de 
Jesus dada a samaritana, “porque o Pai busca aqueles que o adoram em Espírito e 
Verdade” é o momento em que a Igreja o adora, glorifica, ENTRONIZA ao rei. O coroa 
com flores, com seus dons, com seus talentos. Foi Betseba que teceu a coroa de flores, ela 
que escolheu cada uma das flores que compõe a coroa. Quando isso acontece, o passado já 
não é levado em conta. Porque as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo, diria Paulo. 
345
O pastor desposou a jovem! Ele a pediu em casamento, ele se apresentou aos irmãos e a 
quer como esposa! Em algum momento antes ou após a revelação da sua pessoa, Salomão 
assume com ela um compromisso. 
1. {The Beloved} 
2. הנך יפה רעיתי הנך יפה עיניך יונים מבעד לצמתך שׂערך כעדר העזים שׁגלשׁו מהר גלעד׃ 4:1 
3. Hinakh yafarayati hinakh yafa einayikh yonim mibaad letzamatekh sarekh keeder 
haizim shegalshu mehar gilad: 
4. Behold, thou [art] fair, my ra'yah (maiden); Behold, thou [art] fair; thou [hast] 
Yonah (dove)s' eyes within thy locks: thy hair [is] as a flock of goats, that appear 
from mount Gil'ad. 
Por todo este trecho Sunamita está dançando. Ela está rindo, cantando, brincando e 
dançando. Por isso nos versos anteriores Salomão vê suas tranças encobrindo seus olhos. 
Ela lançou sua trança para frente de sua cabeça. 
346
Estabeleceu com a moça um novo nível de intimidade. Já não são dois estranhos. São 
partícipes de um futuro, de uma história, de uma promessa de vida. E neste momento 
Salomão derrama seu coração de um modo pleno. Ele a vê duplamente formosa. Repete 
duas vezes na mesma frase, enfatiza sua beleza. E ela está com o cabelo enfeitado de uma 
noiva. Suas tranças pendem atrás e a frente de sua cabeça, amarradas por cordões 
dourados, alisados por hena, tingidos de púrpura, num tom avermelhado e púrpura. Mais 
uma vez ele olha diretamente nos seus olhos que agora se escondem por usa timidez no 
cabelo que ela usa como véu. 
347 
As cortinas do Tabernáculo eram feitas de pelo de cabra. 
"26: 7 Farás também cortinas de pêlos de cabras para servirem de tenda sobre o 
tabernáculo.: Onze cortinas farás 
26: 8 O comprimento de cada cortina será de 13,5 metros, e a largura de cada cortina de 
1,80 metros; as onze cortinas serão de uma medida 
26.: 9 E cinco cortinas à parte, e as outras seis cortinas à parte, e será dupla a sexta cortina 
na frente da tenda 
Enquanto as cortinas eram peles de cabras, o próprio pelo também foi tecido para fazer 
pano.
348
349
350
351
352 
http://www.etar.org/crafts/mutafen.htm 
"35:25 E todas as mulheres que eram hábeis fiavam com as mãos, e traziam o que 
tinham fiado, o azul, e de púrpura, e de carmesim, e de linho fino 35:26. E todas as 
mulheres cujo coração o moveu-los no cabelo sabedoria girou das cabras. "(Êxodo 35: 25- 
26 KJV) 
Em tempo de guerra, roupas, "toda a roupa, e tudo o que é feito de peles, e toda obra de 
pêlos de cabras", deveria ser purificada. 
"31:19 E deverão permanecer fora do arraial por sete dias: 
todo aquele que tiver matado alguma pessoa, 
como o que tiver tocado algum morto, 
purificareis a vós ea vossos cativos no terceiro dia, e no sétimo dia 
31:20 E deveis purificar tudo, sua roupa, e tudo o que é feito de peles, e toda obra de 
pêlos de cabras, e todas as coisas feitas de madeira. 
"(Números 31: 19-20 KJV) 
Nos anos posteriores, o pêlo de cabra também foi usado para coisas como travesseiros. 
"19:12 Então Mical desceu Davi por uma janela, e ele se foi, e fugiu, e escapou 
19:13 Mical tomou uma estátua, deitou-a na cama, pôs um travesseiro de pêlos de cabras 
para sua cabeceira. , e cobriu-a com um pano. 
19:14 quando Saul enviou mensageiros para prenderem a Davi, ela disse: Está doente. 
19:15 e Saul enviou mensageiros novamente para ver Davi, dizendo: Trazei-mo na cama , 
para que eu possa matá-lo.
19:16 E quando os mensageiros foram entrar, eis que havia uma imagem na cama, com 
uma almofada de pêlos de cabra para sua cabeceira. "(1 Samuel 19: 12-16 KJV) 
353 
. 
A moça tem os cabelos negros-azulados e cacheados e compridos. A pista nos é dada pela 
cabras. A tonalidade da pelagem das cabras era normalmente negra, marrom, ou pintadas, 
mas, o pelo que mais se parecia com o cabelo humano era a pelagem negra das cabras. 
Algumas tinham o pelo muito comprido, tão comprido que até modernamente são feitos 
apliques de cabelo baseados em pelos de cabra e são confundidos com o cabelo negro 
natural.
354 
Este aplique acima é feito com o finíssimo pelo de cabra angorá. 
A moça tem os cabelos negros, o verbo que ele usa para descrever é traduzido de diversas 
formas, como se as cabras pulassem, corressem, descessem os montes, lembrando as 
curvas sinuosas do cabelo da menina. Embora não nos seja contemporânea ou comum 
essa expressão, ela era carregada de figuras cotidianas, com a qual Sunamita poderia 
facilmente se identificar. E rir das comparações. Mas elas também são carregadas de outras 
representações. O pelo de cabra lembrava uma passagem de uma fuga romântica de Davi, 
pai de Salomão, quando invadiu sorrateiramente o castelo de seu maior inimigo, 
justamente o rei Saul e lá passou uma noite com Mical, sua filha. Poucas vezes na história 
uma rapaz foi tão ousado. Sua cabeça estava a prêmio, o castelo fortemente guardado, ele 
escalou as paredes até a janela da menina, e desafiando a morte, ficou ali com ela. A moça 
havia sido prometida a ele se tivesse uma vitória impossível contra uma tropa de filisteus. 
Davi lutou, venceu e reclamou a premiação real, que era a mão da princesa. Só que o rei 
não fez caso da promessa cumprida. Para que Davi tivesse tempo de fugir Mical fez uma 
figura humana com lençóis e ai o detalhe, para simular a cabeça do amado, usou um 
travesseiro que era feito com fios de pelo de cabra. Na escuridão os soldados enfiaram a 
espada no travesseiro enquanto Davi conseguia fugir. Até na descrição dos cabelos da 
menina havia uma história de amor escondida... 
Os fios de pelo de cabra eram usados para confecção de tecidos e para criação de enormes 
mantas que cobriram a tenda que era o objeto mais sagrado de Israel, o tabernáculo, a 
famosa tenda da Congregação.
a) 1ª Cobertura 
Era feita de Linho Branco, entrelaçado e bordado com fios de azul, púrpura e carmesim 
com bordados de desenhos de querubins. Os querubins só eram vistos nesta cortina e nas 
entradas do Santo Lugar e no Santíssimo Lugar ou Santo dos Santos. Os querubins est ão 
sempre associados à santidade de Deus. Eles foram colocados na entrada do Éden, quando 
Adão pecou para guardarem o caminho que levava à árvore da vida (Gn 3:24). Os 
sacerdotes que ministravam no Lugar Santo, viam em toda a sua volta os Querubins, 
fazendo-os a lembra de santificarem-se. 
355 
b) 2ª Cobertura
Era colocada sobre a primeira e era maior atrás. Era feitas de pele de cabras. Eram duas 
grandes metades entrelaçadas. Levítico 16:7 fala da ordem dada por Deus para separar 2 
bodes: um para sacrifício e outro para ser enviado ao deserto. O primeiro era sacrificado e 
tinha o seu sangue derramado – “Sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22). O 
segundo que era enviado para o deserto, para longe da presença de Deus, longe do 
santuário. Este ato revelava que Deus iria prover aquele que enviaria para longe todos os 
nossos pecados: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl 
103:12). 
c) 3ª Cobertura 
Era feita de peles de carneiro, tingidas de vermelho. Era a primeira das duas últimas que 
seriam às intempéries (s.f. Quaisquer condições climáticas que estejam mais intensas; vento 
forte, chuva tropical, chuva torrencial). É interessante notar que nenhuma medida foi dada 
para esta cobertura. 
d) 4ª Cobertura 
Era feita de peles de carneiro, tingidas de boi marinho, chamado “Dugong”. Era um 
mamífero aquático (parecido com um Delfin) que era encontrado às margens do Mar 
Vermelho. A cobertura final de peles não tinha uma aparência agradável. Quem passava de 
longe via uma tenda não muito atrativa. 
356
A aparência dos cabelos de Sunamita era da terceira cortinada de fora para dentro, terceira 
cobertura, ou véu. Ou a segunda camada de dentro para fora. 
Há uma identidade entre o tabernáculo e Cristo, ao estudarmos o tabenáculo podemos ler 
todos os detalhes da missão, dos evangelhos e da obra de Cristo. Tudo que Jesus é, tudo 
que Jesus representa, está contido no tabernáculo. As cortinas representam, na ordem 
1,2,3,4: 
357 
Divindade de Cristo 
Realeza de Cristo 
Serviço de Cristo 
Humanidade de Cristo 
A de pele de cabras é a número 2. As peles de cabras e de ovelhas representam o sacrifício. 
Porque a de cabra representa a Realeza? Porque ela está encostada na cobertura que 
simboliza a Deidade. Na antiguidade os reis eram tidos como descendentes dos deuses. A 
monarquia era vindicada assim, os egípcios faziam o faraó ser filho de Hórus, a coalizão 
medo-persa que seus reis eram descendentes do lendário Perseu, os babilônios do mesmo 
modo. A descendência divina era uma ideia comum aos governos da antiguidade. Ou a 
ideia de eleição, escolha, separação, de onde vem a figura da nomeação a partir dos magos, 
dos sacerdotes, dos oráculos da antiguidade, em último caso pelos prostignosticadores 
através de artes mágicas e em Israel através da escolha profética. A primeira cortina era 
adornada de Querubins, ficava imediatamente no interior do Santo dos santos, estava 
continuamente exposta, cobrindo a Arca da Aliança. Essa cortina, escondida aos olhos, 
oculta a vista de todos, mas visível apenas pelos sacerdotes simbolizava a Deus. E 
encostada nela, a próxima de pele de cabra, tecida pelas mãos de sábias mulheres israelitas. 
A primeira era de origem vegetal, linho, essa outra de origem animal, pelo de cabra. Dois 
reinos distintos, mas feitos de uma obra de tapeçaria que os assemelhava. Quando o 
Messias é crucificado tem uma placa que diz uma grande verdade aos pés da cruz. “Rei dos 
judeus”. Jesus é descendente de Davi. Ele é o Messias que tem direito ao trono, herdeiro 
legítimo e ainda assim, assassinado por um sacerdócio ilegítimo. A cabra, ou o macho da 
espécie, o bode, era um animal que tinha um rito especial de sacrifício. Eram sacrificados 
aos pares. Sempre dois. Um morria e tinha seu sangue derramado no interior do 
tabernáculo, o outro era enviado ao deserto. Vivo. 
Não é bem o assunto do verso, mas aproveito para esclarecer um mistério, já que estamos 
falando das cabras.
358 
7 Depois pegará os dois bodes e os apresentará ao Senhor, à entrada da Tenda do 
Encontro. 
8 E lançará sortes quanto aos dois bodes: uma para o Senhor e a outra para Azazel. 
9 Arão trará o bode cuja sorte caiu para o Senhor e o sacrificará como oferta pelo pecado. 
10 Mas o bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel será apresentado vivo ao Senhor para 
fazer propiciação e será enviado para Azazel no deserto. 
O mundo do Velho Testamento acontece de modo pleno no interior da África, é Nova 
Orleans nas áreas de Vudu, é o interior da Romenia, de várias ilhas do arquipélago japonês, 
é parte da ásia, da Índia, está viva em vilas da Mongólia, da Russia, do Paquistão. Acontece 
hoje em áreas nobres de Nova York, em rituais macabros em fazendas do Arkanas. 
Terreiros de Uabanda e e Candomblé, nos ritos das bruxas escocesas, nas festas a deusa 
morte do Mexico, nas procissões de sacrifícios do Peru. Cito as que me ocorrem de 
memória.
Vivemos num mundo mágico, um mundo que busca a magia, que exerce desde a 
antiguidade a prática de adoração a ídolos que são atos de magia, de busca de poderes, de 
forças sobrenaturais, que não significam verdadeira adoração a Deus. A maioria buscados 
ídolos o que se busca em objetos mágicos. Um talismã. Trocam libações, ofertas, oferendas 
por recompensas. 
Há em alguns o desejo de realizar o bem, de servir aos deuses com gratidão. Embora 
sirvam a deeses que não são deuses, Deus contempla o anseio destas pessoas de 
conhecerem e servirem ao Deus verdadeiro. E em algum momento, pelo seu tremendo 
amor, os afastará da mentira os conduzirá a Verdade. 
Quando o tabernáculo está erguido e os rituais estão sendo realizados, o mundo da época é 
completamente mágico. A filosofia é uma sombra, não existe o materialismo ainda, ou 
uma ciência separada, todo evento físico é algo sobrenatural, tudo tem origem no divino, 
não há uma segunda ou terceira explicação para os eventos biológicos, físicos, climáticos. 
O mundo moderno caminhou no sentido contrário, destituiu Deus de seu cargo e 
concedeu a Razão a detentora de status divino, insurgindo-se contra a própria ideia de 
Deus, mas isso é um mal da humanidade, sua Soberba. A Soberba é uma praga. Mas sem 
levar em conta a ciência enferma, e sua loucura pela excesso de sua arrogância, não hav ia 
no mundo antigo nenhuma outra divisão. Tudo era essencialmente mágico. 
E não concebiam CRER em DEUS sem atos, sem rituais, sem cenas, sem representações. 
Porque o ser humano não compreenderia as coisas invisíveis sem um tutorial, sem alguma 
representação visível. Essa é a escola do Velho Testamento. 
Uma das representações mais enigmáticas, o mais misterioso ato litúrgico, ato sacerdotal é 
a cena dos dois bodes. 
De tudo que se faz no tabernáculo, nada se equivale em mistério. Um enigma. O 
ato representa algo além da imaginação e mesmo após os escritos dos profetas e 
apóstolos do Novo testamento ainda é dificílimo explicar a profundidade do que tal 
coisa representa. Porque só conhecemos PARCIALMENTE a história de nossa 
Salvação. 
359
360 
Tem coisas que talvez seja melhor não sabermos. 
Então vou até onde creio que é possível chegar, e a partir daí, retorno sem respostas. 
Um dos bodes será sacrificado, já compreendemos a representação do sacrifício. A Cruz. 
O outro bode não morrerá. Será enviado ao deserto para alguém que faz oposição ao 
Senhor cujo nome é Azazel. E o será enviado por meio de SORTES. Será sorteado 
aleatoriamente quem vai e quem fica. O “destino” se encarregaria de “decidir” aquilo que a 
vontade de Deus deixou, por assim dizer “indefinido”. 
Azazel não tem significado unanime nem em hebraico. E não termina com EL, como as 
palavras que se relacionam a Deus em hebraico. Só o som é que é parecido ( .(עזאזל 
Os dois bodes são considerados uma única obrigação, um único evento, um único ritual. 
São representantes de uma única realidade espiritual. 
A morte do calvário é muito mais complicada que imaginamos. A missão de Cristo 
envolvia não somente o nosso universo e não somente a nossa dimensão. 
 «no qual também foi [Jesus] pregar aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram 
desobedientes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé...» (I Pedro 
3:19-20) 
 «Pois por isto foi o Evangelho pregado até aos mortos...» (I Pedro 4:6) 
Atos 2:27 e Atos 2:31, que declaram explicitamente que Cristo não seria deixado no Hades, 
e que a sua carne não veria a corrupção. 
 Efésios 4:8-10 também diz: "Por isso diz: Quando ele subiu ao alto, levou cativo o cativeiro, 
Deu dons aos homens. (Ora que quer dizer isto: Ele subiu, senão que também desceu aos lugares 
mais baixos da terra? Aquele que desceu é também o que subiu muito acima de todos os céus, 
para encher todas as coisas.)" 
Este versículo é uma paráfrase de Salmos 68:18,: "Subiste ao alto, levaste cativos os prisioneiros; 
Recebeste dons dos homens, Mesmo dos rebeldes, para Deus Jeová habitar entre eles." 
E finalmente 
Apoc 1:17 Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre 
mim e disse: “Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. 18 Sou Aquele que Vive. 
Estive morto, mas, agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da 
morte e do Hades[f].
A vitória sobre o poder das trevas tinha duas partes. Uma era o sacrifício do Calvário. 
Cabrito sendo sacrificado. A segunda, bem mais sinistra, envolvia um CONFRONTO 
dentro da região da morte, dentro de lugares e regiões espirituais por nós desconhecidas, 
onde eventos proféticos também não revelados, ocorrerão. Num mundo que não 
conhecemos, numa dimensão que abrigava ou ainda abriga aos mortos, imaginada com 
separações, com regiões de vários nomes no grego e no hebraico, Jesus realizou coisas que 
não estão descritas nas Escrituras. Coisas das quais só sabemos os resultados. Pregou o 
Evangelho aos mortos. Não sabemos se a todos ou se somente par os que morreram no 
Diluvio. Não sabemos qual o grau de consciência, de suas almas ou de seus espíritos. A 
realidade que se descortina é a de consciência após a morte, que já tinha sido referenciada 
na parábola de Lázaro. Mas só que em Lucas era somente uma parábola, aqui é um evento 
profético e não uma parábola. 
Algumas denominações se abrigam em visões doutrinárias especificas sobre a morte para 
não comentar ou meditar em tais versos. Há uma doutrina sobre o “sono da morte” em 
que os mortos não estariam conscientes. Há a visão do “desaparecimento” do 
espírito/alma humana e que ele só seria “recomposto” durante a segunda vinda de Cristo. 
Mas não é isto que os textos nos conduzem a entender. 
Não temos respostas absolutas porque Deus encobriu para nós seres humanos parte dessas 
realidades. Seu amor, sua graça e sua misericórdia são maiores e mais profundas que o 
abismo sobre o qual vivemos. 
E em seu maravilhoso amor ele simplesmente foi até o pior lugar do universo, para o mais 
distante deserto. Ai a beleza do segundo bode. 
361 
VIVO. 
Ele desceu lá como se fosse um morto. Só que a morte não tinha direitos sobre ele. Ele 
SUBVERTEU o sistema. Ele deu um “loop” na programação, ele destruiu a morte de 
dentro dela mesma, ele afrontou a dimensão das trevas, ele entrou voluntariamente na 
prisão e em vez de ficar encarcerado ou preso, explodiu as suas portas e detonou o império 
das trevas. Lá no hades, ou região da morte, Jesus simplesmente fez o que já tinha feito lá 
sobre o cume do Hermon. Transfigurou-se. Lá ele cumpre o mistério do profeta que 
morreu no interior do grande peixe. Jesus é o único ser humano que morto intercedeu a 
Deus e Deus o escutou de dentro da morte. Porque ainda que fisicamente morto, Jesus 
estava numa condição única, estava ESPIRITUALMENTE VIVO. Jesus era um 
semimorto, um vivo entre os mortos, “fingindo de morto” por assim dizer. 
Prenderam o cara errado. Ele não é uma alma sujeita às leis da vida e da morte, aos 
mistérios do universo ou a algum tipo de administração da morte exercida pelo tal do 
Azazel. Azazel significa, Condenação, Desolação. Tanto faz se era um espírito da alta 
administração do inferno, uma potestade ou se outro nome para Satanás. Não devia ter 
recebido aquele bode. 
Essa é a representação simples por detrás do segundo bode. O bode que por sua vez 
simbolizava a IMORTALIDADE. Jamais seria capturado novamente. Jamais seria 
oferecido pela segunda vez como sacrifício. Os cabritinhos tinham que ser gêmeos, ou 
idênticos. Mesmo que fosse achado, no próximo ano, já não se enquadraria nas condições. 
É a voz do texto de apocalipse:
Apoc 1:17 Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre 
mim e disse: “Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. 18 Sou Aquele que Vive. 
Estive morto, mas, agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da 
morte e do Hades[f]. 
362 
Estive morto? O bode vivo nunca morreu. 
Na verdade por um instante esteve morto sim. 
Outra beleza das representações das Escrituras 
Do instante em que os dois bodes são separados e até que sobre eles sejam 
lançadas as sortes. Até o instante em que os ossos, moedas, pedras ou seja lá o que 
forem sejam lançados pelo sacerdote até cair no manto, chão, ou na mão, até este 
instante desgraçado, os dois estão mortos. 
É a importante figura que falta para completar a perfeição da profecia citada em 
Apocalipse. 
Sunamita celestial carrega seus cabelos revoltos, caindo sobre os ombros, com todas essas 
figuras antevistas pelo Espírito de Deus. 
E Salomão vê os olhos escondidos pelas mechas de cabelo que cobriam seu rosto enquanto 
girava dançando. 
Assim como Cristo que vê o coração de sua Igreja por detrás deste UNIVERSO de 
realidades espirituais. 
1. שׁניך כעדר הקצובות שׁעלו מן־הרחצה שׁכלם מתאימות ושׁכלה אין בהם׃ 4:2 
2. Shinayikh keeder haketzuvot shealu min-harakhtzah shekulam matimot veshakulah 
ein bahem: 
3. Thy teeth [are] like a flock [of sheep that are even] shorn, which came up from the 
washing; whereof every one bear twins, and none [is] barren among them. 
Na antiguidade era complicado manter uma boa dentição. E a dentição humana é uma das 
partes do rosto que mais define a sua formosura, sua harmonia. Não importará a beleza dos 
olhos de retirarmos da face da modelo um dente, qualquer que seja. Eles nos dão ideia da 
simetria, eles compõem para o nosso espírito uma medida de harmonia, seja na anatomia 
masculina ou feminina que são identificáveis em todas as culturas. Não há padrão de beleza 
que não seja amortecido ou anulado pela ausência, escurecimento ou pela perda de dentes.
363 
Até a diferença de um espaçamento entre os dentes causa diminuição da beleza
(Desculpem-me a imperfeição corretiva, dentistas, foi uma correção didática feita com um 
photo editor) 
364 
Não ia colocar, mas não resisti. 
Até a modelo Adriana Lima se torna uma “vampira” 
se você mudar o tamanho dos caninos da moça. Não serviu muito para o exemplo porque 
continuou linda. Mas se tirar seus dentes...ai não tem jeito...vai ficar feia. 
Não há imperfeição no sorriso de Sunamita! Ele vê nela um sorriso perfeito, de dentes 
indelevelmente brancos. Uma moça que chamava atenção pelo sorriso onde quer que 
passasse.
E se ele vê seus dentes é porque ela está SORRINDO. É porque ela está feliz. Porque ela 
transborda ALEGRIA, jorra PAZ, derrama-se em felicidade pelo fato de estar amando, e 
não consegue esconder. Um dos fatos é que toda conquista bem sucedida é sempre 
precedida de um sorriso. Pode não ser dado na hora da cantada horrível, pode não ser visto 
por ninguém. Mas o fato é que se o “encantamento” surtiu efeito...vai acontecer um 
sorriso. Os bebês manifestam desde muito pequenos sua felicidade gargalhando. Sorrindo. 
365
366 
E já sorri mesmo sem nenhum dente! 
A seriedade do rosto mostra outros sentimentos. 
Que podem ser diversos. Um milhão de dólares pelo pensamento desta menina no 
momento desta foto. 
Mas o sorriso espontâneo, é o sinal físico de que algo bom está batendo a porta de nosso 
coração. Sorrimos de modo falso também, podemos eventualmente simular diversos
sentimentos que não os verdadeiros, para isso há a arte cênica, a representação teatral, que 
na Grécia era representada através de máscaras. 
Essas mascararas eram denominadas “Hipócrites”, de onde surgiu o nosso famoso termo 
“hipócrita”. Aquele que representa, age na vida real, como se representasse. Ele simula 
sentimentos que não possui, do dissimulado, do falso até o sociopata, e no último estágio o 
psicopata, destituído de emoções, que finge parecer normal. A hipocrisia é a arte de 
enganar através de sentimentos que não existem. Caifás fez uso de uma profunda e 
magistral interpretação teatral na condenação de Cristo. Ele rasgou as caríssimas e 
sacrossantas vestes de sumo-sacerdote, ato proibido inclusive pela lei Mosaica, como ato 
desesperado para tentar angariar o voto de condenação de Cristo. E foi convincente. 
Mas Sunamita sorri extasiada. E ele, Salomão continua a comparação, como ovelhas que 
sobem do bebedouro, tosquiadas. 
367
A tosquia ocorria após o inverno, antes que o verão chegasse e deixava as peludas ovelhas 
limpas e lisas, e muito brancas. Toda a sujeira de meses de pastos, era retirada junto da 
tosquia e da retirada da lã. Elas ficavam muito parecidas umas com as outras. Quase 
idênticas, só reconhecíveis pelo próprio pastor. E as vezes nem por ele, que teria que 
368
chama-las pelos nomes para reabituar-se com elas. Ovelhas gêmeas tosquiadas são 
virtualmente indistinguíveis. São idênticas. Os dentes da moça além de brancos eram 
harmoniosos, eram similares, deixando seu sorriso ainda mais perfeito. Elas subiam do 
lavadouro, após tosquiadas elas ainda estavam limpíssimas. Salomão imagina ovelhas 
gêmeas e que não possuem nenhum problema, nenhum defeito, nenhuma ovelha estéril há 
entre elas, todas são capazes de gerar novas ovelhas. 
Há um eco na poesia da aparência dos dentes da bela moça. Uma nota de que nos lembra 
de que nos tempos da antiguidade em grupos camponeses de algumas culturas acreditava-se 
que o beijo podia engravidar a moça. E que não é sem razão que Salomão sutilmente 
aponta para o fato de que deseja ter filhos com a menina! 
Ele usa uma figura do campo e projeta através dela uma família futura! E até gêmeos! Para 
a mulher da antiguidade a quantidade de filhos era algo que a enobrecia. Quanto mais filhos 
tinha, mais venerada e honrada era na sua vila, na sua comunidade. A ferti lidade era um 
ideal buscado, amado, sonhado por todas as meninas. Todas, sem exceção, queriam e 
sonhavam em ser mães. O status de uma mulher infértil, o fantasma da esterilidade 
feminina, era para uma mulher do oriente, uma maldição. 
Diante do sorriso de Sunamita nós ficamos diante de belas representações espirituais. A 
Sunamita celestial é feliz. A alegria habita nela. Porque se sente amada. Porque se sente 
protegida. O sorriso não é sem razão de ser. Jesus prometeu que “rios de água viva” 
sairiam do coração daquele que nele cresse, os discípulos gritavam de alegria quando viam 
que os demônios eram expulsos com a imposição de suas mãos. A maior maravilha, a 
maior satisfação de obreiros que ministram no ministério de curas é ver a operação de 
milagres. No íntimo são eles os que mais se alegram, vibram ao ver as operações de 
maravilhas quando Deus opera através deles milagres. O milagre em si, qualquer que seja 
ele, onde quer que ocorra, é sempre um sinal de alegria indisfarçável. Lares destruídos pela 
amargura ganham um renovo de vida quando Cristo se faz presente, quando Ele começa a 
transformar pais violentos em cordeirinhos. Filhos rebeldes são tosquiados pela presença 
divina e em vez de xingamentos para com suas mães agora se derramam em abraços e 
ternura. A filha que estava presa pelas drogas é liberta dos poderes químicos e espirituais 
que a aprisionavam e o resultado é o sorriso. Os corais, os grupos de louvor, em todos os 
lugares cantam, louvam, traduzem em canções a alegria que nenhuma festa do mundo 
poderia traduzir. O ser humano busca inúmeras fontes de alegrias, em intermináveis raves, 
festivais, festas e atividades, mas o grito de alegria do mais fanático torcedor não se 
compara a alegria que a Igreja de Cristo possui com a presença de seu noivo. A boca da 
Sunamita é perfeita, QUANDO ela anuncia um Evangelho perfeito. Senão faltam dentes. 
Quando a profecia é verdadeira, quando o amor é sem interesse, quando a afeição é plena, 
quando seus ministros não a dominam, mas sobre ela exercem uma liderança amorosa. A 
Boca da Sunamita é perfeita quando prega um evangelho sábio, amoroso, universal, 
profundo. Senão ela não tem dentes. Muitas denominações são uma versão desdentada da 
Igreja de Cristo. Anunciam um evangelho morto, uma revelação falsa, ou uma palavra 
interpretada a base de marijuana. Substituem sutilmente o amor ao noivo pelo amor a 
denominação, pela escravidão doutrinária, ou pelo amor ao dinheiro. O sorriso de 
Sunamita Celestial é ESPONTANEO. Porque ela não vive uma tragédia grega, ela não us a 
máscaras para esconder suas reais intenções ou reais sentimentos. Ela não INVENTA 
milagres que não existem, ela não anuncia REVELAÇÕES que nunca foram entregues, ela 
não PREGA o que não entende, ela não assume como VERDADE aquilo que não possui 
certeza. Ela não simula o riso falso para aquilo que não a comove, que não a deslumbra. 
Que não a faz sorrir. 
A Igreja de Cristo só é feliz com o amor pleno do Amado. Quando a voz do Espírito é 
pura, perene, doce, completa, franca, idônea, aos seus ouvidos. Pregadores que usam de 
369
psicologia para gerar EMOÇÕES, que usam de teatralidade para darem credibilidade a sua 
“autoridade” espiritual, nada disso faz Sunamita sorrir. 
370 
Já dizia o meio-profeta Gentileza, 
Parafraseando o Gentileza: 
Somente o Espírito de Deus, gera coisas verdadeiramente espirituais. E somente 
nEle, no Espírito, a Igreja sorri, festeja, dança. 
( pois é, você, profeta sem-vergonha, pensou no íntimo...ah...agora ele erra!). 
O que me lembra o professor Girafales:
Por todo este trecho Sunamita está dançando. Ela está rindo, cantando, brincando e 
dançando. Por isso nos versos anteriores Salomão vê suas tranças encobrindo seus olhos. 
Ela lançou sua trança para frente de sua cabeça. 
371
1. כחוט השׁני שׂפתתיך ומדבריך נאוה כפלח הרמון רקתך מבעד לצמתך׃ 4:3 
2. Kekhut hashani siftotayikh umidbarekh naveh kefelakh harimon rakatekh mibaad 
letzamatekh: 
Thy lips [are] like a thread of scarlet, and thy speech [is] comely: thy raah [are] like a piece 
of a rimmon (pomegranate) within thy locks. 
372
373
A moça usava batom. Ou uma tintura a base de romãs que lhe concediam uma belíssima 
cor de escarlata para seus lábios. 
Com uma cor mais intensa talvez que a cor dos lábios da menina acima. Salomão ama ouvi - 
la falar, mas antes compara seus lábios a uma expressão que era muito conhecida por todas 
374
as mulheres de Israel. “fio de escarlate”. Quando ele faz essa comparação ele evoca uma 
única cena em todas as Escrituras que contém um “fio de escarlate”. Na antiga cidadela de 
Jericó morava uma moça explorada sexualmente, de nome Raabe. Ela vivia como uma 
prostituta, presa com sua família sendo obrigada a morar numa pequena construção que 
ficava sobre os muros da cidade, a cada da prostituta, visível por praticamente toda a 
cidadela. As prostitutas da antiguidade se dividiam em castas, refletindo um pouco da 
prostituição moderna. As prostitutas de luxo são jovens, universitárias, ajuntam-se com 
políticos, empresários e cobram altas taxas por seus serviços, porém com seu 
envelhecimento vão sendo colocadas a parte do mercado do sexo. Aparentam liberdade, 
mas não são livres. A outra classe é chamada de baixo meretrício, são meninas adolescentes 
oriundas de famílias pobres, ou meninos, ou prostitutas idosas que vivem em vilas e locais 
específicos espalhados em várias zonas de prostituição. E há ainda a escravidão sexual, o 
tráfico de mulheres para bordéis do mundo onde trabalham contra sua vontade, muitas 
morrendo no exercício de sua exploração. A antiguidade possuía os mesmos gêneros de 
prostituição agregando a prostituição cultual, onde várias religiões permitiam e 
incentivavam a pratica sexual como um tipo de ritual místico, litúrgico, dentro de templos 
preparados para isso. Ainda há tais práticas até os dias modernos, como as devassi, 
prostitutas sagradas da Índia que se prostituem em nome de certa deusa, e uma variação 
ocidental em que grupos fazem isso voluntariamente com funções religiosas ligadas a 
correntes de ocultismo. 
Para Raabe a vida era complicada e cheia de humilhação e sofrimento. Não tinha futuro, 
senão a escravidão a um sistema de castas de sua nação que a obrigaria a viver e morrer 
como uma prostituta. E não havia sequer a possibilidade de uma guerra ou coisa similar 
que lhe desse condições de fugir, porque a cidade era inconquistável. Talvez por mais de 
500 anos estive ali, sem que mesmo o Egito pudesse lograr êxito em sua conquista. Era o 
equivalente terrestre da cidadela marítima de Tiro. Até que chegaram os israelitas. A 
história da batalha de Jericó é muito conhecida, mas a grande história secundária é a da 
coragem de uma prostituta que mesmo sob risco de morte sob tortura, segurou-se a única 
chance de ser liberta de um destino sem livramento. Ou dois espiões de Israel e recebeu 
uma promessa de ser livrada de uma guerra iminente. Souberam que os dois israelitas 
estavam na cidade, invadiram sua casa e com uma inteligência sobrenatural Raabe os 
escondeu sob uma moenda, lançando cascas de cereal para fingir que debulhava trigo sobre 
ele, e recebeu uma promessa que dependeria de uma única coisa para ser cumprida: 
“Um fio de escarlate”. 
Ela amarraria este fio na janela de sua pequena habitação, numa das torres que ficavam 
num dos cantos do muro de Jericó. E seria esse fio que salvaria a ela e a toda sua família, 
Salomão compara os lábios de Sunamita a este fio de escarlate. Porque é isso que ele tem 
em mente quando canta. Porque envolve a história de coragem de uma mulher que não se 
375
deixou vencer pela história de seu passado. E nem pelos riscos assumidos em seu presente. 
E nem pelo medo da incerteza do amanhã. 
Logo após ele fala de seu rosto. Que ao ouvir tal elogio COROU. Ela fica vermelha que 
nem uma romã. Ela fica tão envergonhada que quase brilha na cor vermelha. E todas essas 
qualidades espirituais se refletem na segunda voz do dueto. A romã era uma fruta 
belíssima, compunha a alimentação de princesas e reis, era usada em chás e também para 
cura de enfermidades. Era presente para as meninas e sempre um presente com segundas 
intenções. Uma paquera. A Igreja de Cristo é aquela que possui lábios como “um fio de 
escarlate”, porque essa é a história da transformação de milhares de pessoas tocadas e 
transformadas pelo amor de Cristo. A Sunamita celestial recebeu uma marca, um sinal, uma 
esperança quando lhe foi concedido um fio de escarlate, tingindo com o sangue do Amado. 
Escarlate é a cor do sangue e evoca imediatamente um jardim onde as vestes de linho de 
Jesus se tornam tingidas de seu sangue quando ele sua abundante, e na cruz quando ele 
também o derrama. Quando o soldado romano vai até a cruz para certificar-se de sua 
morte ele atravessa seu lado direito até o coração e do rasgo verte o sangue que se derrama 
no formato de uma corda até seus pés. “Um fio de escarlate”. 
Há um mistério no amor do Noivo que envolve sua paixão e morte, e ao ouvir tamanho 
amor a Igreja fica sem jeito, fica envergonhada. A cruz envergonha a Igreja, porque ela só 
é uma necessidade por causa do pecado humano. Mas é de uma Igreja que reconhece a 
grandeza do amor do Amado que as grandes curas espirituais acontecem. A romã na face 
da Igreja é vista não quando ela confia em sua própria identidade, em seus esforços, em sua 
santidade. Mas quando medita que é porque ela é amada que os sinais e maravilhas 
acontecem. 
E assim como Salomão encantava-se com a beleza do rosto envergonhado e emocionado 
de Sunamita, em contraste com sua longa cabeleira, assim o Espírito se encanta com o 
rosto de uma Igreja que ama e reconhece o sacrifício e o esforço do Amado. 
1. כמגדל דויד צוארך בנוי לתלפיות אלף המגן תלוי עליו כל שׁלטי הגבורים׃ 4:4 
2. Kemigdal David tzavarekh banui letalpiyot elef hamagen talui alav kol shiltei 
hagiborim: 
Thy neck [is] like the tower of David builded for an armoury, whereon there hang a 
thousand bucklers, all shields of mighty men 
1. שׁני שׁדיך כשׁני עפרים תאומי צביה הרועים בשׁושׁנים׃ 4:5 
2. Shenei shadayikh kishnei ofarim teomei tzeviyah haroim bashoshanim: 
376 
Thy two breasts [are] like two young fawns that are twins, which feed among the lilies 
Salomão está empolgado e vai contemplando a Sunamita por inteiro, da cabeça aos pés. Ele 
olha para seu pescoço e mais uma vez relembra a imagem de seu herói maior, seu pai Davi, 
que lhe vem à mente. Lembra-se da torre que um dia mandou construir para guardar as
melhores armas de seu exército. Havia uma torre em especial que tinha um caráter lúdico. 
Só os melhores poderiam guardar nelas seus escudos. Parece ser uma brincadeira de 
guerreiros. E só cabiam mil escudos nela. Não devia ser muito fácil fazer a votação. Todos 
estes eram exímios guerreiros. Mil combatentes de elite. E são chamados de poderosos, 
homens robustos de tremenda força física. Essa é uma imagem nova em Cantares, Salomão 
vai contrastando as cenas pastoris, seus olhos vão seguindo uma direção que passa pelas 
montanhas, até finalmente chegar na cidade de Jerusalém, em sua muralha. Ele tirou seus 
olhos do campo, sem tirar os olhos de Sunamita, e viajou até a cidade de Davi. 
A moça tem um pescoço comprido como de uma modelo! 
E é bem forte o pescoço da moça. Caçar raposas a tinha tornado uma fisiculturista! 
A imagem é uma imagem militar. Ele a chama de valente, de poderosa, de guerreira. Ele vê 
nela o caráter de uma batalhadora, lutadora. Ele vê nela fortaleza. Força. A torre de Davi 
era o símbolo maior do poder de guerra israelita. 
377
As mulheres Israelitas fazem desde a implantação dos Kibutz em Israel parte efetiva da 
força bélica Israelita. David Gurion adotou um plano de defesa que criou os exércitos de 
cidadãos que incluíam meninas e meninos adolescentes para defesa do ainda inexistente 
estado de Israel 
Há um vídeo que esclarece o processo de assentamento dos judeus, com muitas imagens 
históricas, denominado Palestina: História de Uma Terra - Completo - Português 
www.youtube.com/watch?v=1MXBL0Mc6XM 
No qual podemos ver a formação das moças para o combate. 
O autor deste estudo não conhece e nem endossa qualquer ideologia do vídeo, mas reconhece seu valor 
histórico. 
A Sunamita Celestial é vista pelo Espírito como uma fortaleza, a quem foi concedida 
armas para destruição de fortalezas espirituais. Ele enxerga no Corpo de Cristo armas 
para defesa, assim como para o ataque (vistas no verso da liteira de Salomão) e reconhece 
que nela há PODER. Não compreendemos isso na maior parte de nossas vidas. Alguns 
nunca chegarão a compreender. A Igreja possui PODER. Possui Autoridade Espiritual. 
Possui Recursos e Poderes a ela concedidos. Que estão ao redor de seu pescoço que é um 
símbolo de união, comunhão. Cristo é o Cabeça e a Igreja seu Corpo, misticamente 
falando. Outra comparação que Paulo faz sobre a Igreja, em que Cristo e a Igreja estão 
FUNDIDOS espiritualmente. Não imagine a cabeça de Jesus num corpo de mulher, por 
favor. Imagine que ela pensa como Cristo. Como se na terra o poder de Cristo possa ser 
manifestado pela IGREJA. 
Essa é a visão. 
378
O Cântico dos Cânticos não é um hino de exaltação ao erotismo, a sua grandiosa melodia 
gira em torno do romance. Ele é algo único para a época em que foi criado, num mundo 
que girava em torno de cultos sexuais. O mundo da antiguidade misturou o desejo sexual, 
a imoralidade, a devassidão dos desejos e tornou público algo que era para ser mistério. 
Algo que era para ser íntimo tornou-se um espetáculo e a isso denominou-se de sagrado. 
Criaram um hibrido de sexualidade exercida como oficio divino público. Descobriram a 
nudez feminina, transformaram o padrão da exclusividade do amor devido entre o casal, 
com o amor devido a divindade, ofereceram o que era uma dádiva humana a deuses ou 
entidades que usurparam para si um direito que não lhes pertencia. Um sacerdócio 
corrompido pelo desejo deu asas a sua imaginação e “sacralizou” ou tornou “sagrado” ao 
sexo para que ele pudesse ser usado em rituais em diversas religiões. Só que chamaram algo 
de “sagrado” que na verdade era “santo”, ou separado, não para os deuses ou espíritos, mas 
para o ser humano. Essa sutil e macabra inversão de valores seduziu multidões, milhões de 
pessoas participaram de tais práticas e com isso transgrediram a maior verdade a respeito 
da realidade sexual humana. A exclusividade, o mistério, a intimidade. Por isso a 
prostituição cultual era tão maligna, porque sua prática era constrangedora para a menina, 
para o pai, para os parentes. A perda da inocência de uma menina ou de um menino num 
templo, trazia obrigações e consequências profundas. Mesmo que o sacerdócio corrompido 
reiterasse tais práticas por milhares de anos em diversas civilizações, o resultado era sempre 
o mesmo. Angustia, prisão, desterro, perda de laços familiares, vergonha. Em todos os 
povos o que sobrava depois de anos destas práticas de culto eram mulheres doentes, moças 
abandonadas por suas famílias. Quando Balaão viu que todos os seus terríveis esforços 
mágicos foram impedidos, que não conseguiu amaldiçoara de nenhuma forma ao povo de 
Israel ele deu uma última cartada. Ensinou aos moabitas a convidarem os homens e 
mulheres israelitas a participarem de cultos com prostituição cul tual. E Israel foi envolvido 
num mundo que levariam próximos até dos bacanais romanos. Chegariam a praticar isso 
diante da Tenda da Congregação e posteriormente no Templo de Salomão. Essa questão é 
aprofundada no capítulo “A Profecia em Cantares”. 
Salomão ama com simplicidade, e sua contemplação da beleza física de Sunamita é um 
extraordinário ponto da liberdade e da expressão humana do amor entre o homem e uma 
mulher. Porém o livro de Cantares não enfatiza o erotismo, antes o romance. Ele possui 
notas de erotismo na sua dimensão humana, no meio de uma melodia de abundante 
romance, não o inverso. Alguns autores se perdem em tentar encontrar expressões ocultas 
de sexualidade plena, procuram o Kama Sutra em Cantares, mas estão errando o enredo, a 
tônica, a música e a canção. Estão dançando o ritmo errado da canção. 
A moça está vestida e envolta num véu. Sua roupa é clara, toda adornada de bordados de 
flores e pela descrição dos narcisos, nesse momento sua roupa é branca ou amarela, quase 
dourada. A adolescente do oriente não usa um decote e nem fica exposta como nas 
vestimentas da atualidade. Ela está coberta, envolta. Mas quando ela corre e pula e dança, 
seus seios se movimentam com o corpo. E ele os vê balançarem sobre as vestes e faz uma 
engraçada comparação. Os veados pequenos num campo de narcisos não aparecem. 
379
380
381 
Essa seria a foto de um veado ADULTO num campo de narcisos. 
Os filhotes estariam escondidos. Ocultos
382 
Se eles corressem o que você veria balançar seriam AS FLORES. 
Ele vê em seu corpo simetria, ele afirma que seus seios são como filhotes GEMEOS, vê 
nela beleza PERFEITA, simetria até quando ela se movimenta. 
Sunamita não para quieta. 
A proporcionalidade é um bem estético exaustivamente buscado pelas mulheres até os 
nossos dias. Que o digam os consultórios de cirurgias plásticas. 
Os Estados Unidos e o Brasil são os países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo. 
No primeiro foram realizados 1.094.146 procedimentos em 2011, enquanto mais de 905 
mil brasileiros passaram pelo bisturi no mesmo ano, segundo dados da Sociedade 
Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia 
Plástica (SBPC). Em seguida aparecem países como China, Japão, Itália, México, Coreia do 
Sul, Índia, França e Alemanha. 
(http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/brasil-no-mundo/2014/08/13/tendencias-das-cirurgias- 
plasticas-no-mundo/) 
Ver a menina correr é uma aventura para a alma de Salomão.
A capacidade de observação do rapaz é extraordinária, o detalhismo com que ele 
interpreta até os gestos e movimentos do corpo da sua amada, por mais sutis que 
sejam, são fontes inesgotáveis para sua poesia. 
Cristo contempla sua Igreja e a vê perfeitamente, detalhadamente, ele ama seus 
movimentos quando ela corre em sua Direção. Há um prazer divino, um regozijo, uma 
alegria espiritual profunda em Deus que é manifesto pelo Espírito quando a Igreja caminha, 
salta, dança, respira. A vida de seus filhos é preciosa diante de seus olhos. O 
deslumbramento de Salomão tem um reflexo celestial quando Jesus inundado do Espírito 
Santo EXULTA e exclama espontaneamente: 
21 Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó 
Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as 
revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. 
O ESPÍRITO de Deus sente alegria, opera alegria, manifesta alegria, compartilha -a. A 
Expressão “No Espírito” significa, entre outras coisas, na esfera de, debaixo da influência 
de, mergulhado em, envolto em, cercado de, dentro de. 
Bêbado. Embriagado do Espírito, Jesus exalta. Porque ouviu algo extraordinário, porque 
diante de seus olhos contemplou gente que compreendeu os seus mistérios. 
O Espírito de Deus anseia pelo mover de sua Noiva. Pela sua corrida, pelo exercício da fé 
PLENA, pelo compartilhar com sua Igreja, da sua vida. E sobretudo, de detalhadamente 
observá-la PERFEITA, sem desfeitos, sem falhas diante de seus olhos. 
1. עד שׁיפוח היום ונסו הצללים אלך לי אל־הר המור ואל־גבעת הלבונה׃ 4:6 
2. Ad sheyafuakh hayom venasu hatzelalim elekh li el-har hamor veel-givat halevona: 
3. Until the day break, and the shadows flee away, I will get me to the mountain of 
myrrh, and to the hill of Levonah (frankincense). 
No meio da contemplação da moça dançando e correndo, um verso que sublima o 
mistério. Fora do contexto, fora da ordem, quebrando a continuidade e a visão da 
Amada. Salomão Fala de um compromisso inadiável que enche seu coração e o 
distancia momentaneamente da contemplação de sua Amada. Um pensamento 
soturno, uma nota triste, profunda. Grave. Para que aquele amor tivesse continuidade, algo 
sinistro, noturno, encoberto em mistério teria que acontecer. As duas expressões nos levam 
a locais de culto, dois lugares em específico preenchem as lacunas deste texto. O templo 
ficava erigido sobre o monte Moriá, lá era onde os sacerdotes balançavam seus incensários 
e o monte inteiro cheirava a aloés, a nardo, a especiarias diversas, que compunham um 
perfume que só podia ser produzido por perfumistas sacerdotes e só podia ser usado no 
383
templo. E a segunda referencia nos leva ao mesmo monte próximo dali, conhecido como 
EIRA DE ARAÚNA 
No Google Maps, o bonequinho está entre o Monte Moria e o Monte das Oliveiras onde 
fica o Getsemani. Ele está olhando em direção ao Getsemani nest momento. 
384
Do outro lado da rua, que fica no meio de um vale ( vale de Cedron) está a colina do 
monte Moriá, cercada atualmente por um muro, sobre ela não existe mais o templo de 
Salomão, há um Domo, um templo mulçumano. 
385 
Jerusalém é uma cidade com muitas histórias proféticas. 
Por um ato de desobediência Davi sofreu um julgamento divino que ocasionou uma grande 
tragédia em seu exército. 
Estendendo, pois, o anjo a sua mão sobre Jerusalém, para a destruir, o SENHOR se 
arrependeu daquele mal; e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora 
retira a tua mão. E o anjo do SENHOR estava junto à eira de Araúna, o jebuseu. 2 Samuel 
24:16 
E Gade veio naquele mesmo dia a Davi, e disse-lhe: Sobe, levanta ao SENHOR um altar 
na eira de Araúna, o jebuseu. 2 Samuel 24:18 
E olhou Araúna, e viu que vinham para ele o rei e os seus servos; saiu, pois, Araúna e 
inclinou-se diante do rei com o rosto em terra. 2 Samuel 24:20 
E disse Araúna: Por que vem o rei meu SENHOR ao seu servo? E disse Davi: Para 
comprar de ti esta eira, a fim de edificar nela um altar ao SENHOR, para que este castigo 
cesse de sobre o povo. 2 Samuel 24:21 
Então disse Araúna a Davi: Tome, e ofereça o rei meu senhor o que bem parecer aos seus 
olhos; eis aí bois para o holocausto, e os trilhos, e o aparelho dos bois para a lenha. 2 
Samuel 24:22 
Tudo isto deu Araúna ao rei; disse mais Araúna ao rei: O SENHOR teu Deus tome prazer 
em ti. 2 Samuel 24:23
Porém o rei disse a Araúna: Não, mas por preço justo to comprarei, porque não oferecerei 
ao SENHOR meu Deus holocaustos que não me custem nada. Assim Davi comprou a eira 
e os bois por cinquenta siclos de prata. 
386 
No lugar em que encontro ao anjo ele indicará a localização futura do templo. 
Nos tempos do Antigo Testamento, o povo de Israel costumava construir no topo da 
melhor e 
mais conveniente colina de cada cidade um lugar onde se pudesse malhar o trigo. Esse 
lugar 
geralmente de forma circular, tinha em torno de vinte metros quadrados e era cercado por 
uma muralha de pedra cuja altura não ultrapassava meio metro. Com sua base sólida, era 
capaz de suportar uma prancha de madeira com dentes de pedra ou ferro, puxada sobre as 
espigas espalhadas pelo chão. Este trilho, girado por um boi ou jumento, quebrava os grãos 
separando-os da palha (Isaías 41.15). 
O animal que trabalhasse na eira tinha o direito de comer à vontade enquanto estivesse 
executando a sua tarefa (Deuteronômio 25.4:1 Coríntios 9.9-14). Após ter sido trilhado, os 
grãos são isolados com a ajuda de um tridente. Isto é, com um tridente ati ram-se os grãos e 
a palha para o alto, e a brisa que sopra naquela colina lança a palha para fora da eira 
enquanto que os grãos permanecem na eira. O vento que faz esta separação, em hebraico, é 
a mesma palavra usada para designar a expressão Espírito. O que sugere um julgamento, e 
mostra a diferença entre aquele que é de Deus daquele que não é (Oséias 13.3 e Lucas 
3.17). 
A eira tinha duas finalidades principais: uma era a de separar o trigo da palha e a outra a de 
servir como tribunal de julgamento das pessoas da aldeia. Pois quando alguém cometia 
alguma falta passível de julgamento, os anciãos da cidade sentavam-se uns defronte dos 
outros na eira e julgavam aquela causa. Além disso, ela servia para a realização de 
cerimônias religiosas como a feita pelo rei Davi, na eira de Araúna (2 Samuel 24.16-25)
Monte de mirra lembrava para Salomão o monte onde Davi havia sido julgado, onde ele 
INTERCEDERA, onde Davi agiu pela primeira vez em sua vida como um SACERDOTE. 
Onde ele pessoalmente ofereceu um sacrifício, onde derramou seu coração como 
INCENSO. Lá onde seria construído o templo de Salomão. 
Mas, a oriente deste haviam três montes que formavam uma cadeia montanhosa. Essa 
cadeia de morros arredondados de calcário, situada do lado leste de Jerusalém, à distância 
da “jornada de um sábado”, e separada da cidade pelo vale do Cédron. (Ez 11:23; Za 
14:4; At 1:12) Essa cadeia inclui três cumes principais. O monte Scopus, de maior altura e 
situado mais ao norte, eleva-se a cerca de 820 m e, assim, ultrapassa a elevação geral de 
Jerusalém. O chamado monte da Ofensa, ou monte da Ruína, é o mais sulino dos cumes 
e eleva-se a cerca de 740m. O cume central, defronte do monte do Templo, tem por 
volta de 812m no ponto mais elevado e é aquele geralmente mencionado na Bíblia como o 
monte das Oliveiras. Antigamente esta serra estava coberta de palmeiras, de murtas, de 
árvores oleaginosas, e, especialmente, de oliveiras. (Ne 8:15) Foi das oliveiras que esta serra 
obteve seu nome. Durante o sítio de Jerusalém pelos romanos em 70 EC, contudo, o 
monte das Oliveiras foi desnudado de suas árvores. — The Jewish War (A Guerra Judaica), 
V, 523 (xii, 4). 
Notáveis eventos da história bíblica estão relacionados com o monte das Oliveiras. Um em 
especial muito nos interessa. 
O Rei Davi, descalço e chorando, subiu o monte das Oliveiras ao fugir de seu filho 
rebelde, Absalão. (2Sa 15:14, 30, 32) 
387
Ficava na frente do monte no qual um dia o anjo aparecera a Davi. Na frente do futuro 
templo. 
E também evocava muito sofrimento, muita angustia. Um dos filhos de Davi decidiu 
usurpar o reino, causou uma guerra, causou sua humilhação e o levou ao desterro. 
Enquanto foge da revolta aramada Davi sobe o monte das Oliveiras, fugindo de seu 
palácio, deixando para trás seu reino e esposas, sendo veementemente amaldiçoado por um 
dos parentes, Simei, do rei anterior, de nome Saul. 
A cena de maior dor e vergonha e humilhação da história da vida de seu Pai. 
O monte da mirra. 
Desde a eternidade há um instante da história humana para qual os olhos de Deus estão 
continuamente voltados. 
A cruz já habitava o coração de Cristo, antes da criação do homem. Há uma frase de 
significado fantástico que reverbera essa realidade. 
Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que 
vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. 
João 17:24 
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no 
livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Apocalipse 13:8 
Neste momento a voz do Espírito soa mais alto no dueto do que a de Salomão. Em sua 
mente divina ele vai até a eternidade passada e vislumbra o plano da salvação e seu 
momento mais tenebroso. O Calvário e o Getsemani já estavam no coração de Cristo antes 
que existissem o ser humano. 
Salomão pensava no Moria e no Monte da Ruína. 
Lá no monte das Oliveiras um anjo irá ao encontro de Jesus, de nosso Davi Celestial, que 
fará a mais profunda e difícil intercessão de seu ministério na terra. A oração do 
Getsemani. 
É desta intercessão que nós NASCEMOS, poeticamente e profeticamente falando. Dela 
dependemos nós, os ministérios, a graça e a salvação. Ela define, humanamente falando, ir 
em frente, realizar a loucura ou a possibilidade de não prosseguir. Ela define a submissão 
completa de Cristo a vontade de Deus, quando deixa de lado sua fé INFINITA e deixa-se 
abraçar pelo AMOR INSONDÀVEL e em vez de RESTAURAR a SUA GLÒRIA e evitar 
o escárnio e a tortura, DECIDE suportar, em vez do PODER de MUDAR o UNIVERSO, 
Jesus decide CRER e CONFIAR ( em coisas que na minha opinião estavam além de sua 
compreensão, há um mistério entre as pessoas divinas, entre o Pai e o Filho, que nós 
sequer imaginamos) no Pai e seguir o plano que já era conhecedor há milênios. 
O Espírito apontava para o Monte das Oliveiras e para um lugar do lado de fora dos muros 
da cidade. 
Desconhecido, ermo, desolado, maldito. Lugar de execução de condenados à morte pela 
justiça Romana. O monte Calvário. 
No instante em que o incenso estivesse sendo oferecido, em que o vinho estivesse sendo 
derramado e ovelha fosse sacrificada no alto do monte Moriá, enquanto o bode emissário 
está sendo conduzido a caminho do deserto, o CORDEIRO DE DEUS estaria morrendo 
na cruz às três horas da tarde da sexta-feira da Páscoa. 
388
É quando o Espírito suspira, porque o esforço será tremendo. É uma visão profética 
profunda que se mistura a beleza da canção. 
Não sabemos, no entanto qual a preocupação do coração de Salomão. Esses 
paradoxos da revelação divina...risos.... 
1. כלך יפה רעיתי ומום אין בך׃ 4:7 
2. Kulakh yafah rayati umum ein bakh: 
3. Thou [art] all fair, my ra'yah (maiden); [there is] no spot in thee. 
4. 
Logo após essa meditação, essa nota dissonante na composição, os olhos de Salomão 
retornam a sua amada. Repete o refrão, a mesma opinião que dela tem desde o início. Linda 
demais. Formosa. Quando mais ele a vê, mais ele a ama. Mais encontra nela mais beleza. 
Por cerca de 10 vezes ele a chamará de meu amor no poema, 32 vezes ele a dirá que ela lhe 
pertence. E agora acrescenta uma coisa nova em seu arcabouço de elogios. Apesar de estar 
enegrecida pelo sol, morena, bronzeada da exposição diária ao trabalho de caçadora de 
raposas, ele concede-lhe um belíssimo elogio. Em ti não há mancha. Era lendária a vocação 
das mulheres da antiguidade para valorizar a tonalidade de sua pele branqueando-a. Até 
hoje a pele branca, a tez branca, é altamente valorizada em várias regiões da Índia. Segundo 
a empresa de pesquisas Euro monitor International, o mercado de produtos 
dermatológicos cresceu 42,7% desde 2001 e hoje movimenta US$ 318 milhões. 
Para Didier Villanueva, gerente nacional da L'Óreal Índia, a ideia de "clareza 
resplandecente" não guarda relação com o colonialismo ou a idealização da aparência 
europeia. É um conceito que "tem raízes profundas na cultura do país". 
Não há como negar que o conceito de "fairness", como é descrita a pele clara na Índia, está 
profundamente entranhado na cultura indiana. Quase todas as principais atrizes de 
Bollywood têm pele bastante pálida, apesar da gama de tonalidades de pele presente na 
população indiana, de quase 1 bilhão de pessoas. 
Nos tempos da antiguidade esse padrão também era perseguido. Com os tratamentos 
vigentes da época. Salomão diz que ela é alva como a neve, usa um vocábulo sacerdotal 
que se referia também a pureza das vestes dos sumo sacerdotes e das ofertas sagradas, uma 
expressão que simbolizava a pureza, a idoneidade, a honestidade das relações. Em ti não 
há mancha era uma expressão jurídica de inocência do réu, era também semelhante ao que 
um leproso receberia ao se apresentar curado diante de um sumo-sacerdote após ser 
severamente examinado. E significava que ela era branca. Apesar de ser morena. Equivale 
a dizer, você é o padrão de beleza para mim. A opinião dele sobre ela é contrastante. Ela se 
vê feia. Ou ao menos, não do jeito como gostaria que fosse. Ele a vê imaculada. 
Na dimensão espiritual algo similar acontece. Ao olhar a Igreja, sua fé, sua busca, seu amor 
e sua intercessão, o Espírito repete: Em ti não há mancha. 
Não há delito. Paulo lerá essa realidade na justificação que vem por meio da fé, através do 
milagre da justiça segundo a fé. O amor a Cristo PURIFICA o coração da Igreja. O 
389
Espírito a adorna de PUREZA, do desejo antes inexistente de SANTIDADE. O apóstolo 
João dirá “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os 
pecados e nos PURIFICAR de toda a injustiça!” 
Apocalipse repetirá “Bem aventurados aqueles que LAVAM as suas vestiduras no sangue 
do Cordeiro” 
Jesus afirmará “Já estais LIMPOS pela Palavra que vos tenho dito” 
390 
Hebreus 9:14 quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de 
forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à 
morte[39], para que sirvamos ao Deus vivo! 
1 Pedro 1:22 Agora que vocês purificaram a sua vida pela obediência à verdade, visando 
ao amor fraternal e sincero, amem sinceramente uns aos outros e de todo o 
coração. 
E o Amado Jesus morrerá para que aquilo que Salomão falou se torne verdade 
ESPIRITUAL na essência de sua IGREJA 
Efésios 5:27 e para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga 
ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. 
Há um mistério no amor de Cristo que se correspondido, nos torna puros. 
O eco de nossos atos é nos vermos sujos. Não que haja simbolismo na pele morena, mas 
há o contraste das manchas causadas pelo sol, com a pele de uma criança. O espírito quer 
que nos vejamos como ele nos vê. Por isso o dom da Profecia, a Palavra de sabedoria, a 
Palavra de Conhecimento, e os dons espirituais manifestos, para que de modo sobrenatural 
ouçamos continuamente sua voz nos fortalecendo o coração. Para que não olhemos os 
fracassos, os erros, as falhas. O ministério do Espírito é em grande parte a de alguém que 
nos EDIFICA, que nos ensina a CRER contra nossos SENTIMENTOS naturais. Nossos 
olhos naturais focam as tragédias, as fraquezas, nós decidimos muitas vezes com base no 
que percebemos, no que vemos. Mas ele não nos vê assim. O ministério de uma Igreja que 
intercede é algo glorioso, belíssimo, envolto em uma condição de justificação, pureza, e 
santidades impressionantes. 
1. אתי מלבנון כלה אתי מלבנון תבואי תשׁורי מראשׁ אמנה מראשׁ שׂניר וחרמון ממענות אריות 4:8 
מהררי נמרים׃ 
2. Iti milvanon kalah iti milvanon tavoi tashuri merosh amanah merosh senir vekher 
monmimonot arayot meharrei nemerim: 
Come with me from Levanon, [my] spouse, with me from Levanon: look from the top of 
Amana, from the top of Shenir and Hermon, from the lions' dens, from the mountains of 
the leopards
Neste momento uma revelação nova. Salomão a chama de esposa. A ordem da história é 
complicada. Mas ele já a desposou, já noivou com ela e agora deseja levá-lo com ele. Deseja 
que ela saia da aldeia. Que ela viaje e conheça o mundo. E a primira divisa entre o Israel e a 
Ásia era o Líbano. O Líbano era um lugar maravilho a época de Cantares. O que parece ser 
um SONHO IMPOSSÍVEL. Até este momento a moça está casando com um PASTOR. 
Ele ainda não se revelou. ELA AINDA não sabe quem é o rapaz. Cantares é lúdico, é um 
conto de fadas, é uma canção de amor cheia de belíssimos nuances. 
391 
- - 
- -
392 
- - 
- - 
Salomão deseja que ela suba com ele os montes mais altos, de onde a visão será 
deslumbrante, e dali partir para regiões ainda mais distantes. Uma nova perspectiva de vida. 
Ele citará quatros montanhas, Senir, Amana, Hebrom e o monte dos leopardos, ou 
montanha dos leões. Um lugar onde habitam bestas-feras. Uma destes lugares é 
provavelmente a montanha da transfiguração, o monte Hermon. A velha “montanha de 
cabelos brancos”. 
É Cristo convidando sua Noiva a subir as regiões celestiais, a pensar nas coisas que são do 
alto. É dentro da mente do Espírito a vocação GENTILICA da Igreja, a pregação do 
Evangelgo ETERNO que é presente para TODO HOMEM e não somente dos judeus. É 
a visão que foi dada a Abraão sendo cantada de outra forma “Em ti serão benditas todas as 
famílias da terra”, além do LIBANO, além do HERMON que é a montanha que é o limite 
de Israel. 
Mas antes, Salomão deseja que ela suba neles. Os montes das antiguidades eram chamados 
de “moradas dos deuses”. Seja o monte Olimpo, seja o Carmelo, seja o Horebe. Em cada 
ponto da Ásia, ou da antiga Europa, da Índia ou das terras que comporiam um dia a China, 
os montes foram considerados sagrados. É comum a existência de templos em diversos 
montes ao redor do mundo.
393
394
Foi num monte que A Lei foi entregue a Moisés, foi num monte que Jesus transfigurou-se 
diante dos espantados apóstolos, foi num monte que ocorreu a luta entre os profetas de 
Baal e Elias e também num monte em que pereceram cerca de 100 soldados por intenta rem 
arrastar a força o profeta Elias sobre as ordens do rei Acabe. 
As montanhas simbolizam o poder de Deus, e sobre elas milhares de templos de ídolos 
foram erguidos. Incluindo Salomão que em sua velhice construiu um templo por influência 
de suas mulheres, sobre um dos lados do monte da Ruina, do complexo do monte das 
Oliveiras, perto do lugar por onde seu pai Davi desceu chorando. Perto do túmulo de seu 
irmão, Absalão. Salomão construiu próximo ao Pilar que Absalão pediu para construir 
enquanto ainda era vivo, em sua memória. 
395
396 
Está situado ao pé do Monte das Oliveiras, de frente para o Monte do Templo. 
Os montes nos contam histórias espirituais, evocam o sagrado e são testemunhas de 
eventos espirituais profundos, alguns maravilhosos, outros nem tanto. 
Na tentação de Cristo ele foi elevado por Satanás a um alto monte. Um gigantesco e 
desconhecido monte. De lá ele ESPIRITUALMENTE pode contemplar os reinos políticos 
e terrenos do mundo e ali lhe foi oferecido o mundo político, a glória humana, a sociedade
semi-organizada e escravizada por demônios, como se oferece um presente de casamento 
para alguém. Novamente numa montanha. 
Há profecias do Velho Testamento sobre o Senhor pisando os montes e fazendo-os 
fumegar e o retorno de Cristo, sal segunda vinda está relacionada profundamente ao 
complexo do monte das Oliveiras, conforme profetizado por Zacarias. 
E diante de tantos significados que devemos compreender a beleza da poesia na boca de 
Salomão. Subir além das coisas do mundo, do sagrado nessa terra, ir além dos limites 
geográficos. Ver o invisível. Experimentar novos montes. Novas regiões, inexploradas. 
Belíssimas. 
O Espírito anseia conduzir a Igreja a novos patamares de ENTENDIMENTO das coisas 
do seu Reino. Conduzi-la a novas percepções de sua grandeza e a novas dimensões de seu 
poder. 
A promessa de Cristo foi de vida abundante. Certo momento Jesus vira-se par os discípulos 
e diz “maiores obras que estas fareis”. Como se fosse fácil. Como se fosse possível. Como 
se fosse uma realidade palpável. Cegos de nascença viram, leprosos foram curados, mortos 
ressuscitaram. Sempre imagino o que significa, num mundo tão carente de sinais e 
prodígios reais, num mundo de tamanha apostasia, o significado de excedermos os padrões 
de operação milagrosa que Cristo estabeleceu. 
Esse é em parte a beleza do chamado da Sunamita Celestial pela voz do Espírito. Além do 
Hermon. Além do Amana. Além do Senir. 
E independente se ali habitam poderes celestiais contrários. Há grande oposição maligna 
contra a manifestação do Poder de Deus. Grandiosa. Monstruosa. As bestas-feras do 
inferno gritam, lutam, pelejam contra a Igreja de Cristo de todas as formas para que ela não 
alcance sua vocação celestial. Para que ela não suba aos montes. Mas quem convida tem 
poder e autoridade e uma guarda armada, poderosíssima. Que fujam os leões antes que o 
rei chegue com sua Amada. 
O lúdico da história era a Sunamita imaginar como é que aquele sujeito magro, com aquele 
cajado, com a funda e o bastão, que são os apetrechos de guerra de um pastor israelita da 
época, poderiam ajudá-la se realmente fossem atacados por leões... 
1. לבבתני אחתי כלה לבבתיני באחד מעיניך באחד ענק מצורניך׃ 4:9 
2. Libavtini akhoti khalah libavtini beekhad meeinayikh beekhad anak mitzavronayikh: 
3. Thou hast ravished my heart, my sister, [my] spouse; thou hast ravished my lev 
with one of thine eyes, with one chain of thy neck. 
O coração de Salomão queima. Na fornalha da paixão. O coração de Salomão fica 
descompassado, acelera-se. Não há em hebraico e talvez em nenhuma língua uma palavra 
que descreva tal estado emocional. O coração representa hoje o que os antigos viam nele 
literalmente. Centro das emoções, lugar onde mora ou habita a alma humana. Não havia o 
397
conhecimento do papel do cérebro ou conhecimento das funções cerebrais e cognitivas a 
partir da mente. Mas a alma humana não habita um lugar geográfico determinado pela 
fisiologia humana. Nós somos mais que ossos, músculos e sangue, uma cadeia de proteínas 
e enzimas, fenômenos físicos, químicos e elétricos. Nós transcendemos a matéria na qual 
habitamos, temos dimensões espirituais. O ser humano possui dimensões divinas a ele 
doadas em sua concepção, uma alma e um espírito. Duas realidades que se misturam, 
complementam-se, duas dimensões espirituais profundamente interligadas. Mente e 
coração, psique e pneuma, nefesh e ruah, alma e espírito. A psicologia é uma ciência cuja 
área de atuação é o estudo do comportamento e do pensamento, da alma humana. O 
coração é nas Escrituras sinônimo do “homem oculto do coração”, sinônimo do espírito 
humano que é chamado de “lâmpada do senhor”, outras vezes de “nosso interior”. Aquilo 
que move nosso “coração” espiritual reflete muitas vezes no “coração” físico. Nossas 
emoções exercem profundo papel sobre nossas reações físicas. Os egípcios compreendiam 
o coração como centro do ser humano. E veja que eles não dividiam o ser humano em 
duas partes espirituais como nós, mas pelo menos em sete ou nove partes! Como se 
possuímos ao invés de um, sete espíritos e umas duas almas. E mesmo assim, o coração era 
tão importante que ele é que seria, segundo o livro dos mortos, pesado numa balança do 
juízo diante de seus maiores deuses, e se estivesse PESADO, faria a balança descer e 
condenar o morto a perda definitiva de sua essência. 
O coração que Salomão cita é o que os poetas conhecem muito bem e seu reflexo no 
coração que os médicos conhecem muito pouco. Apesar de eventualmente realizarem até 
transplantes. (Essa citação é inspirada em o Homem, Esse Desconhecido). 
Salomão brinca com ela, as traduções repetem a essência de que o amor é mágico. 
398 
Lucas e Luan 
Fui enfeitiçado por ela 
Ela é a razão dessa dor 
Bebo sofro choro por ela 
Dou a vida por esse amor 
É tão profunda essa ligação entre o sentimento e o comportamento humano que há uma 
indústria mercadológica sobre ao amor hoje em dia, há ainda a prática de feitiçaria para que 
pessoas consigam uma grande paixão. 
Milhares de pessoas buscam todos os dias em qualquer tipo de poder, ritual, simpatia, ou 
invocação, não importa a fonte, vudu, feitiçaria, macumba, candomblé , magia negra ou 
branca, azul, musgo-esverdeada, no misticismo, numa “poção”, em algo que possa obrigar
alguém a “cair” em “encantos” de alguém. Anseiam a paixão com base num poder 
externo, querem “comprar” o amor com base em invocações de poderes espirituais. Essa 
realidade é muito próxima, infelizmente, da alma do povo brasileiro. 
399 
Essa questão é melhor abordada no verso “Não desperteis o amor até que queira” . 
Poeticamente falando, Salomão sente uma força avassaladora, que o desconcerta. 
Porque ela o fitou demoradamente. Então ele brinca sobre uma das peças do colar, desvia 
o assunto, culpa o fator de estar se sentindo assim com base na beleza do colar que ela 
usa... no talismã que ela colocou entre as pedras para o atrair. Ele se derrete com o olhar 
da menina e culpa ao colar. 
O colar que Sunamita usa na poesia é belíssimo, uma obra de artesãos. Não há na 
antiguidade a distinção entre pedras semi-preciosas e preciosas. São sempre jóias, são 
caríssimas, são estimadas do mesmo modo. As jóias sempre irão refletir em cantares a 
essência da beleza, da perfeição, do trabalho esmerado. O belo é uma palavra que se 
origina na mesma raiz “perfeição” em hebraico.
Há uma representação espiritual que retrata um dos mistérios do coração de Deus. Um 
segredo. Ou uma constatação. Quando uma pessoa aceita o convite do Evangelho é dito 
que os anjos se alegram. A salvação fo homem, o despertar espiritual é para eles tão BELO 
que eles sentem profundíssima alegria na conversão. Quando Jesus foi batizado nas águas 
uma voz ecoou como um trovão, rimbobou nos céus, como se o universo inteiro se 
regozijasse: “Este é o meu Filho Amado, aquele em quem tenho prazer!” Este verso das 
Escrituras vem da boca de Deus Pai, reverbera o instante de sua maior alegria e 
contentamento. Quando Deus cria o universo há um eco de sua alegria e o relato de 
Genesis diz: “E viu Deus que tudo que tinha criado era bom”, uma manifestação pacífica, 
um sorriso suave. Mas quando Cristo é batizado, há um grito. Um grito de regozijo. O 
universo estremece de alegria na realização dos mistérios divinos através de Cristo. E do 
mesmo modo, o Espírito é movido, tocado, emocionado, perturbado, sensibilizado, 
constrangido pelo “olhar” da Igreja, quando a Sunamita celestial nele fita seus olhos e a 
nele se concentra. O olhar é algo que projeta-nos além de nós, é a única expressão de 
sentimentos e sentidos que arremessa de nós, uma parte de nós. Os olhos são tratados nas 
Escrituras como expressão dos sentimentos, dos sonhos, expressão da alma, como janela 
para o mais interior e escondido da essência humana. Quando a Sunamita encara a 
Salomão, é como se ele olhasse para pelas paredes da casa de seu coração até o canto mais 
distante, até o lugar mais escondido. Quando a Igreja ora e intercede, quando ela se expõe 
integralmente, inteiramente, confiada e ousadamente dem deus, ela abre as janelas de sua 
alma, ela está “fitando”, está “encarando”, está ligando os céus à terra, está tendo uma 
comunhão que REFLETE no Espírito de Deus uma alteração. Um descompasso. Um 
400
arrebatamento dos sentidos. Um feitiço. Um encantamento. O Espírito de Deus que 
sonda as profundezas de Deus percebe-nos, ama-nos, compartilha conosco de sua vida, 
assim como nós compartilhamos com ele de nossa essência. E nos responde. 
1. מה־יפו דדיך אחתי כלה מה־טבו דדיך מיין וריח שׁמניך מכל־בשׂמים׃ 4:10 
2. Mah-yafu Dodayikh akhoti khalah mah-tovu Dodayikh miyayin vereiakh 
shemanayikh mikol-besamim: 
3. How fair is thy love, My sister, my spouse! How much better than wine is your love, 
And the scent of thy perfumes Than all spices! 
Salomão coloca o amor de Sunamita de maneira plural “amores”. Dá uma nova visão de 
sua relação. Ele a chama de “irmã”, uma carinhosa imagem que lhe une ao povo, que a 
trás para o seio de sua família, que retira as diferenças tribais, que o torna tão humano, 
partícipe da humanidade quanto ela. É um epiteto (apelido) doce como o mel, ele não é 
para ela um rei, ela não é para ele uma serva, não há distinção social ou econômica. Ele a 
“adota”. Como se houvesse nascido da mesma mãe. Um tratamento comum entre os 
orientais, respeitoso para com as esposas, ainda que não existissem laços sanguíneos entre 
os conjugues. Imediatamente vem até nossa memória a cena de Abraão e Sara, quando por 
duas vezes ele a apresentou exclusivamente como irmã (e era na verdade sua meia-irmã), 
em dois episódios, no Egito e na Filistia. Eram o tempo das festas e Salomão estava ali 
para a colheita do vinho, de centenas de vinhais que produziam vinhos de excepcional 
qualidade. E Salomão diz que nada que está ao seu redor, nenhuma das centenas de 
milhares de botijas de vinho se comparam a ela. Os vinhos eram produzitos com diversas 
especiarias e possuíam os mais diversificados aromas. Salomão diz que o perfume dela é 
mais agradável para ele que todos os sofisticados preparados com perfumadas e raras 
especiarias. A alegria que ele sente nela é mais embriagante que o efeito do vinho. 
Cantares reflete a história do amor divino pela humanidade, e dentro desta a paixão de 
Cristo. Os dias de Cantares são proféticos também, porque refletem o amor do Espírito 
cuja extensão dos dias é a eternidade. Este instante da história acontece logo após o 
momento de tristeza do Getsamani e do calvário, do verso seis. Jesus, descendente de Davi 
e Salomão, já subiu ao monte de incenso e a colina de mirra. As mulheres do ministério 
vão até ao jardim e ao lugar do túmulo de Jesus e em suas mãos trazem unguento. Nardo 
puríssimo e um preparado de mirra para ungir o corpo de Jesus. É domingo da 
ressurreição, Maria arrasada vem com o coração pesaroso em direção ao jardim e lá 
descobre que o tumulo está vazio. E abandonado. Os guardas fugiram após o terremoto 
que fêz com que a rocha do sepulcro gira-se e o deixasse aberto. Os romanos 
supersticiosos entenderam que os mortos estavam saindo de seus túmulos. 
Tomada pelo desespero Maria não percebe a chegada do jardineiro e quando o vê pede-lhe 
auxílio para encontrar o corpo que imaginava terem escondido. E Então Jesus revela -se a 
401
ela e nos surpreende também. Pela primeira vez nos Evangelhos Jesus se refere aos que 
creram como “irmãos”. 
João 20 
16Então Jesus a chamou: “Miriâm!” Ela, voltando-se, exclamou também em aramaico: 
“Rabôni!” . 17Recomendou-lhe Jesus: “Não me segures, pois ainda não voltei para o Pai. Mas 
vai, e ao encontrar meus irmãos, dize-lhes assim: ‘estou ascendendo ao meu Pai e vosso Pai, 
para meu Deus e vosso Deus’.” 18E assim foi Maria Madalena e anunciou aos discípulos: “Eu vi 
o Senhor 
Jesus ainda cheirava ao nardo que Maria tinha derramado alguns dias antes. Os unguentos 
nas mãos de Maria não serviriam mais para seu propósito inicial. Mesmo assim, 
continuavam sendo uma prova de amor profundo. 
A Igreja ainda carrega nas mãos o unguento, afinal Maria não o utilizou, Jesus não 
necessitará mais, porque vive para todo o sempre. Como se representasse que estamos com 
ele nas mãos e necessitamos usá-lo em alguém! 
Unguento espiritualmente falando evoca CURA. A Igreja possui provisão para CURA. 
Provisão espiritual, celestial, sobrenatural. E são melhores que todas as especiarias. 
1. נפת תטפנה שׂפתותיך כלה דבשׁ וחלב תחת לשׁונך וריח שׂלמתיך כריח לבנון׃ 4:11 
2. Nofet titofnah siftotayikh kalah devash vekhalav takhat leshonekh vereiakh 
salmotayikh kereiakh Levanon: 
3. Thy lips, O [my] spouse, drop [as] the honeycomb: honey and milk [are] under thy 
tongue; and the smell of thy garments [is] like the smell of Levanon. 
1. גן נעול אחתי כלה גל נעול מעין חתום׃ 4:12 
2. Gan naul akhoti khalah gal naul mayan khatum: 
3. A garden inclosed [is] my sister, [my] spouse; a spring shut up, a fountain sealed. 
O beijo é uma expressão de amor em quase todas asculturas, e Salomão usará de poesia 
para falar do beijo de sua amada, invocando as figuras do campo, as figuras de dois bens 
que eram a base da alimentação dos povos da antiguidade, apreciados por todos, que as 
crianças conheciam desde pequenas, o leite e o mel. A terra de Israel é cantada em termos 
de leite e mel, os dois juntos compunahm uma bebida aromatizada, faziam parte de 
coquetéis, ou batidas especiais, sendo um dos tipos de bebida em voga, além do próprio 
vinho abundantemente derramado em Cantares. O cheiro dos vestidos é como o do 
402
Libano, que era uma floresta exuberante, marcado por bosques com fragrâncias especiais, 
dependendo do local onde você estivesse. O amor que ele transborda vai até as vestes da 
Sunamita, ele repara no que ela está vestindo, e além, num nível de sentidos que para o 
homem moderno passa despercebido, o cheiro dos tecidos que compõem o vestido. Nós 
olhamos para vestes, nós tocamos, usaríamos o sentido visual e o tátil para descrever um 
vestido, ele extrapola o conceito, ele usar os odores, o cheiro para evocar uma lembrança. 
O texto mostra um antigo costume de perfurmar não somente o corpo feminino, mas até 
suas vestimentas. Vem nos a mente a imagem de Isaque, cheirando as vestes de Esau para 
saber se realmente é seu filho. O homem conhece o perfume de sua amada, ou ao menos, 
deveria. Salomão fixava uma imagem profundamente na sua mente. Ele usava todos os 
recursos para criar uma imagem de Sunamita, inesquecível. Uma memória que unia 
emoção, sentimentos e sensações. Parte da arte da memória dos tempos da antiguidade era 
a de unir os mais diversos elementos a uma cena, para torna-la indelével na memória. Por 
isso as mulheres raramente esquecem de algo, elas vivenciam com emoções as coisas que 
vivem, e isso converva nelas, fixa nelas a memória das coisas que vivenciaram. 
Na dimensão humana, emocional, psicológica, afetiva, há um mumdo de intimidade para 
se ensinar aos casais, na dimensão espiritual, nossa ênfase, outras tantas coisas. 
O Espírito vê Leite e Mel na boca da Igreja. Não FEL. Não amargura, antes doçura. Jesus 
guarda do mesmo modo, uma imagem vivida, profunda, perene, do tempo de sua 
encarnação. Uma imagem indelével. Que jamais irá esquecer. Ele possui marcas, ele nasceu, 
viveu, correu, suou, lutou, amou, chorou, sofreu, morreu e ressuscitou! Ele tem guardado 
na memória uma existência humana e como se não bastasse, um pedaço da humanidade 
nele habitará para sempre. Um corpo humano, tecido em Maria, que ele habita, que o 
envolve, que ele glorificou, que ele fez assentar com ele nas regiões celestes. Jesus está 
ligado ao ser humano, a sua história, a nossa geração e a nossa humanidade de um modo 
inquebrável, insepravel. O cheiro das vestes da Sunamita o envolve tempo inteiro... 
É o cheiro do Libano porque ele amou ao MUNDO. A Todo o MUNDO. Sunamita 
representa a HUMANIDADE diante de Cristo. O Libano evoca o que vai além de Israel, é 
a vocação gentílica, são os povos, as nações, as raças, as tribos. 
Salomão a compara com um jardim, como os muitos que ele edificou. Salomão foi um 
grandioso botânico, ele ergueu talvez os primeiros parques ecológicos da história. 
403
O Egipcios, os persas, os gregos, os romanos, os arabes, os sultões indianos, tiveram 
suntuosos jardins. Um jardim fechado era um jardim exclusivo, que poderia ser religioso, 
num templo que só os sacerdotes poderiam ter acesso, de uma academia ou escola, só para 
os discípulos, o de uma residência ou cemitérios especiais, os palacianos ou reais, de 
exclusivo acesso aos reis. Salomão a compara a este último, o jardim de uso exclusivo, 
guardado, sem acesso a estranhos, privado, onde somente trabalhadores especializados 
tinham acesso para usufruto de uma única família ou pessoa. O manancial selado é da 
mesmo modo uma fonte protegida, ou tapada, que possui águas puras mas de difícil acesso, 
cercada de árvores ou muro, e se tivesse um selo, um fonte exclusiva num propriedade 
separada. Uma fonte real era somente para uso do castelo, nenhuma pessoa poderia retirar 
água desta fonte sem autorização real. 
A Igreja é um lugar que não pertence aos homens. Nem pode ser usada para beneficio 
politico, pessoal. Não serve a propósitos humanos, ela é uma criação divina, ela possui um 
propósito espiritual, a ela não tem acesso o estranho. Nem o sentimento estranho. O 
Salmista pergunta quem habitará com Deus? A resposta solene: 
“SENHOR, quem habitará no teu Tabernáculo ? Quem morará no teu Santo Monte ? 
Aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça, e fala verazmente segundo o seu 
coração; Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita 
nenhuma afronta contra o seu próximo; 
Aquele a cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao SENHOR; 
Aquele que, mesmo que jure com dano seu, não muda. Aquele que não empresta o seu 
dinheiro com usura, nem recebe subornos contra o inocente; 
404
405 
Quem faz isto nunca será abalado.” 
(Salmo 15, Salmo de Davi) 
Nesse jardim habita a justiça. 
Esse jardim é fechado, é exclusivo, é guardado. Não há jardim do Espírito onde reina a 
injustiça, onde há a mentira, a falsidade. Não há Igreja onde não há exclusividade de 
CRISTO, ou exclusividade para CRISTO. 
A Posse do jardim significa que os demônios não tem acesso a ele. Que ele não será tocado 
pelo poder das trevas, que ela não será lugar para realização do mal. 
O jardim é fechado porque o acesso é uma porta que fica no invisível. O filósofo, o 
cientista, o politico, o intelectual, não possuem acesso. Não há como entrar senão pela fé, 
não há como ve-lo senão pela fé, não há como tocar as flores, ou compreender as suas 
fragrancias senão passando pelo único caminho que dá acesso ao jardim. 
O selo mostra soberania. É o anel da aliança no dedo da Noiva. É necessário permissão 
divina para estar nele. Ninguém entrará e nem permanecerá nele sem essa permissão. 
1. שׁלחיך פרדס רמונים עם פרי מגדים כפרים עם־נרדים׃ 4:13 
2. Shelakhayikh pardes rimonim im peri megadim kefarim im-neradim: 
3. Thy plants [are] an orchard of rimmon (pomegranates), with pleasant fruits; 
kopher (henna, camphire), with spikenard, 
Aos olhos de Salomão ela é um jardim especial de especiarias. O Jardim botânico no Rio de 
janeiro foi criado com o objetivo da aclimatação das especiarias da India. Sunamita já era 
isso aos olhos de Salomão. As Romãs, o Cipreste e o Nardo formam um belíssimo jardim, 
com árvores grandiosas, perfumado e com flores vermelhas.
O termo RENOVO possui um significado grandioso quando relacionado a Casa de Davi. 
Renovo fala de príncipes, de novos herdeiros nascendo. É a visão dos brotos da videira, é a 
visão da renovação do jardim. O renovo são as novas folhas, os novos caules, as novas 
árvores, as novas frutas. Os frutos sempre se renovam nas árvores frutíferas sadias. São a 
prova da saúde de um jardim, de que as plantas não envelheceram. Isaías nos falará de um 
príncipe da paz, nos conduzirá a visão do renovo, uma criança que nos seria dada e que 
sobre ela haveria um reino, um principado que jamais teria fim. Renovo evoca uma 
mudança, uma transformação, um jardim renovado, uma humanidade renovada. 
Revitalizada, REGENERADA. Canatres aponta-nos um amanhã de sonho, uma manhã 
gloriosa. Aponta um mundo velho sendo mudado. E um mundo novo sendo criado. De 
modo perene, uma profecia que abrange todas as coisas. Essa renovação final e eterna nos 
é mostrada em Apocalipse 22. E vi um novo céu e uma nova terra, porque o que era velho, 
já não existe mais... 
O Cipreste evoca a justiça que fez sombra sobre as romanzeiras, que nos lembram os 
frutos que a Igreja produziu, em meio ao Nardo que é sempre o perfume do rapaz que saiu 
vivo do túmulo vazio. O Cheiro da Ressurreição. 
Esse belíssimo jardim, cheio de justiça, cheio de frutos espirituais, com fortíssimo cheiro de 
gente RESSURRETA! 
1. נרד וכרכם קנה וקנמון עם כל־עצי לבונה מר ואהלות עם כל־ראשׁי בשׂמים׃ 4:14 
2. Nerde vekharkom kaneh vekinamon im kol-atzei levonah mor vaahalot im kol-rashei 
besamim: 
3. Spikenard and saffron; calamus and cinnamon, with all trees of Levonah 
(frankincense); myrrh and aloes, with all the chief spices: 
A visão do jardim se torna mais detalhado, mais amplo, mais espaçoso e espacial. Ele tem 
outras essências, outras especiarias. Ele é feito das árvores que produzem o incenso do 
406
Templo, ele é o sonho dos perfumistas-sacerdotes. Ele possui produtos que adoçam, que 
dão sabor e aroma, caríssimos, fonte de riqueza de comerciantes, um dos motivos das 
grandes navegações. Produtos vindos de terras distantes, representam a África, a Índia, a 
Russia, o Marrocos, as ilhas. Representam o melhor das terras, os temperos que 
temperavam os banquetes reais, presentes também na casa dos camponeses. Parte se 
misturava com o vinho, parte com as comidas. Árvores de inceno eram mais raras, 
significava que haviam crescido, amadurecido. Como o incenso estava sempre sendo 
colhido não havia muito tempo para que árvores crescessem, os jardins com plantas e 
arbstos eram comuns, mas uma floresta de árvores de inceno eriam muito raras. Há uma 
relação profunda entre o incenso e a oração. Sua representação é estabelecida por um verso 
em Apocalipse, que desvenda o significado do Incenso, um anjo nos revela o que ele 
significa, ORAÇÃO. Havia no templo um alatra para o incenso, um alatar só para ele. Os 
incensários eram objeto sagrados e o incenso ofertado através deles, inclusive seu preparo, 
era de uso exclusivo para o santuário. Haviam vários tipo de incenso, incluindo para 
aromatizar as residências, havia uma para os encontros amorosos. Mas o do templo era 
único. 
Àrvores de incenso falam de uma das coisas mais raras desta terra. Homens e mulheres 
desenvolvidos, crescidos, amadurecidos em oração. São chamados de INTERCESSORES. 
São homens e mulheres de oração, que oram com grandiosa fé, que oram com grandioso 
conhecimento da Palvra, que lutam veementemente pelos direitos, pelos recursos, com 
muita e extremada ousadia. Àrvores de incenso são colunas nas igrejas, mudaram a face do 
mundo, trabalhando no invisível. Uma floresta de árvores de Incenso é impenetrável. É 
aterrorizante. É fabulosa. Uma das funções ministeriais é gerar florestas de árvores de 
Incenso. 
1. מעין גנים באר מים חיים ונזלים מן־לבנון׃ 4:15 
2. Ayan ganim beer mayim khayim venozlim min-Levanon: 
407 
A fountain of gardens, a well of chayim mayim, and streams from Levanon
408
409 
Waterfalls in Baaklin – ElChouf
410
411 
Balaa Gorge Waterfall A.K.A, Libano. 
Croácia. 
Na antiguidade um dos maiores bens era uma fonte de água que não fosse salobra. Àgua 
potável era um tesouro, num mundo sem distribuição de água, sem aquedutos, sem água 
encanada. E a região do Líbano possuía fontes belíssimas. Algumas que já não podemos 
mais avistar. As guerras das nações devastaram inúmeros lugares da terra, inúmeras 
fontes foram tapadas, locais que antes eram paraísos naturais foram queimados. O 
Líbano possui até hoje algumas dessas fontes da antiguidade, talvez a mesma fonte com 
que Salomão comparou a Sunamita. Ela para ele é a fonte dos jardins. Dela nasce o 
jardim, dela depende o jardim. Sem ela o jardim se seca, deixa de existir. Ela emoldura, 
enfeita e VIVIFICA o jardim! Dela procede a VIDA! As águas da neve derretendo-se 
na chegada do verão formavam cachoeiras lindíssimas. A água do Hermom, o Velho de 
Cabelos Brancos aliementava as fontes. 
Muitas imagens que traduzem o significado da Igreja, da dimensão espiritual que ela 
possui. Da importância que o Espírito lhe concede, como ele enxerga o ministério, sua 
importância. Como a vida da terra, do mundo, da humanidade, como seu destino está 
ligado a Igreja. O mistério da vida se cumpre no amor que Deus possui pela Igreja. E 
nesse amor a Vida é derramada na terra. Essa é a função do sacerdócio, VIVIFICAR as 
nações, manifestar VIDA, alegria, paz, abundancia, uma dimensão de esperança que 
nutra, que hidrate, que limpe, que purifique o jardim inteiro. A Vida desce de Cristo, se 
derrama através do Espírito e manifesta-se em alegria, em curas, sinais e prodígios, em 
operações espirituais e paz. 
Sunamita é Vida para Salomão. Ele a exalta como fonte de sua inspiração, fonte de sua 
vida. Há um mistério na Igreja. Em nós e na humanidade. Deus propôs uma vida que 
nos abrange, que nos abriga e que não é COMPLETA sem nós. Ele fez de NÓS sua
razão de viver, seus sonhos, sua esperança e sua história! Ele poderia tudo, mas 
escolheu andar conosco, viver conosco, compartilhar-se conosco. Estar ao nosso redor. 
Deus estima-nos acima de nosso entendimento. Ele também bebe dessa fonte dos 
jardins. Porque ama sua Igreja. 
1. {The Shulamite} 
2. עורי צפון ובואי תימן הפיחי גני יזלו בשׂמיו יבא דודי לגנו ויאכל פרי מגדיו׃ 4:16 
3. Urit tzafon uvoi teiman hafikhi gani yizlu vesamav yavo Dodi legano veyokhal peri 
megadav: 
Awake, O north wind; and come, thou south; blow upon my garden, [that] the spices 
thereof may flow out. Let my love come into his garden, and eat his pleasant fruits. 
Esse verso é desenvolvido no capítulo A Magia em Cantares. A moça dança, na poesia, ela 
levanta suas mãos, roda as tranças e suas pulseiras, ergue a voz e canta, oferecendo-se 
integralmente ao seu Amado, já reconhecida como fonte, como o próprio jardim e até 
como seu perfume, ela é o jardim, ela é parte dos aromoas, ela compartilha dos frutos 
excelentes. E é ela que invoca o Vento, que lá em Genesis vem pairando sozinho! É a cena 
de Gesnesis com um personagem a mais, com a dançarina brincando com o Espírito de 
Deus. 
412
413 
Capítulo 5 O desencontro e a busca 
1. {The Beloved} 
2. באתי לגני אחתי כלה אריתי מורי עם־בשׂמי אכלתי יערי עם־דבשׁי שׁתיתי ייני עם־חלבי אכלו 5:1 
רעים שׁתו ושׁכרו דודים׃ 
3. Bati legani akhoti khalah ariti mori im-besami akhalti yari im-divshi shatiti yeini im-khalahvi 
ikhlu reim shetu veshikh rudodim: 
4. I am come (bo) into my garden, my sister, [my] spouse: 
5. I have gathered my myrrh with my spice; 
6. I have eaten my honeycomb with my honey; 
7. I have drunk my yayin (wine) with my milk: 
8. {To His Friends} 
9. {Refrain} 
10. eat, O friends; drink, yea, 
11. drink abundantly, 
 dodi. 
O verbo que Salomão usa neste verso está no passado. Ele se aproximou, ele provou de 
um amor exclusivo, ele conheceu a Sunamita, ele a convidou para festejar com ele, para 
brindar e banquetear com ele. Ele fala de um evento ocorrido, ele já colheu, ele já comeu, 
ele já entrou no jardim. Porém a festa continua. O favo de mel era um doce natural muito 
apreciado, associado a fartura e a riqueza da terra, se houvessem flores e árvores frutíferas, 
ali existiriam abelhas e colmeias. A apicultura é uma ciência antiga e os apicultores orientais 
eram tão especializados que tinham um apito ou assobio especial para ajuntar abelhas das 
colmeias que tratavam. Comer um favo de mel era desfrutar de uma sobremesa após um 
farto banquete ou lanche. O verso ainda enumera o leite, que na época era misturado ao 
vinho e ao mel criando outros sabores e outras bebidas. 
Salomão canta seu namoro, e retrata sua comemoração de noivado, ou uma festa que 
concedeu em virtude de grande alegria. O texto evoca ema entrada em um jardim de 
especiarias, a coleta de especiarias para perfumar a festa, para temperar os alimentos e 
misturar as bebidas. 
Este texto lembra um encontro, íntimo, pessoal, em que Salomão compartilha vinho, leite, 
vida alegria. É a primeira cena de Atos. É a festa inicial que os discípulos agora se torama 
amigos, onde servos se tornam filhos, co-herdeiros, família. Sunamita é chamada irmã, 
porque a Igreja de Cristo é também sua irmã. Somos irmãos de Jesus, ele tornou-se nosso 
irmão para que pudéssemos herdar seus bens, participar de sua herança celestial e até do 
reino messiânico. Jesus é herdeiro real, legítimo do trono de Davi e de Salomão. Ao nos 
fazer irmãos dele, nos torna também, herdeiros do trono. A IGREJA é legitima herdeira do
trono de Davi pela filiação, pela inclusão, por ser adotada, inclusa em Cristo. Ele estende o 
Reino a sua Igreja, que é parte dele, que é seu corpo. Quando Jesus se assentar no trono de 
Davi, literalmente, a Igreja também reinará na terra. O Reino de Davi é um símbolo de um 
reino maior, mais abrangente, eterno, e muitíssimo mais poderoso. O Reino de Cristo 
abrange o de Davi, o de Israel e ao reino divino. Jesus é REI de dois reinos. A Igreja 
recebeu de Cristo o direito a vários tronos. Tudo isso incluso na palavra IRMÃ. 
Essa visão só se cumpre a partir de Pentecostes. 
CANTARES OCORRE DURANTE O PENTECOSTES. 
Quando Jesus morre no calvário seu sangue purificava a terra inteira. Toda ela foi 
comprada para Deus através de Cristo. Cada centro de tortura, cada prisão, cada zona de 
prostituição, cada cidade destruídas pelas drogas, cada lugar onde corpos são lançados 
mutilados, cada pedaço de chão onde um monge budista cai incendiado depois de um 
suicídio ritual, cada pedaço de terreiro que é usado para rituais macabros de magia negra. 
Toda a terra foi santificada para Deus. Já não existem lugares sagrados, como no Velho 
Testamento. Nem coisas separadas como flores ou púlpitos. O chão de uma igreja não é 
mais sagrado que um pedaço de cemitério de indigentes. Este é o mistério revelado a 
mulher Samaritana que cria que o único local sagrado da terra era as ruínas de um antigo 
templo samaritano, no monte de Samaria. É o segredo contado por Jesus “onde quer que 
houverem dois ou três reunidos em meu nome, ai eu estarei”. Todo o UNIVERSO físico 
foi impactado pela morte de Jesus. E preparado por ele. Basta que a Sunamita chegue. 
Baste que ela pise neste local 
Josué é obrigado a tirar as sandálias para pisar um lugar santo, porque ali o anjo do senhor 
estava pisando e santificando o local, na época da tomada de Jericó. Agora, onde quer que 
pisar a Igreja, sobre ela repousa o PODER que habitava o Anjo do Senhor. Ela é que 
santifica a terra onde habita. Onde quer que a igreja ore, toda maldição terá que deixar o 
local. Tanto faz se era um centro de excelência na busca do diabo, ou uma antiga casa de 
prostituição. 
1. {The Shulamite} 
2. אני ישׁנה ולבי ער קול דודי דופק פתחי־לי אחתי רעיתי יונתי תמתי שׁראשׁי נמלא־טל קוצותי 5:2 
רסיסי לילה׃ 
3. Ani yeshenah velibi er kol Dodi dofek pitkhi-li akhoti rayati yonati tamati sheroshi 
nimla-tal kevutzotai resisei laila: 
4. I yashen (sleep), but my lev waketh: 
5. [it is] the voice of my dodi that knocketh, [saying], 
6. {HE} 
7. Open to me, my sister, my ra'yah (maiden), my Yonah (dove), my undefiled: for my 
head is filled with dew, [and] my locks with the drops of the night. 
414
Do verso do Noivado caímos no verso onde a maior crise de Cantares tem inicio. É o 
começo de um terrível pesadelo. Ou de uma cena real, em que o tempo de Salomão estava 
terminando, fortemente vigiado já não pode mais fugir de seus afazeres. Seu tempo está 
terminando. O texto trás uma figura belíssima, a Sunamita sente que algo está errado. Ela 
adormeceu, mas seu noivo chega repentinamente e ela está com preguiça, ele chega no 
meio da madrugada, um frio de dar inveja, ela está quentinha debaixo das cobertas, após ter 
lavado os pés numa bacia, já que o piso de sua casa era muito empoeirado, como era 
comum nas casas da antiguidade. A cena é pastoril, Israel é uma terra em que a noite é 
extremamente úmida, as roupas ou pessoas que ficassem ao sereno ficariam cobertas de 
orvalho. As plantas e árvores pingavam gotas, abundantemente ao amanhecer. Ele levou 
algum tempo para chegar até ali, e sua longa cabeleira pinga gotas de orvalho. Ela está 
perfumada, faz birra para não levantar, ele tenta abrir a fechadura da porta e não consegue, 
seu tempo acaba e ele tem que fugir. Ela se levanta, mas é tarde demais, Salomão partiu. 
Partiu para talvez, não voltar mais. 
Há uma revelação espiritual no texto “eu dormia, mas meu coração velava.” A diferença 
entre a alma e o espírito, entre a mente e o coração. Algo que SURPREENDENTEMEN-TE 
415 
Salomão já CONHECIA. 
Foi num sonho, coincidentemente que Salomão recebeu Sabedoria sobrenatural. Este texto 
mostra a profundidade dessa sabedoria. Paulo e a carta de Hebreus nos trarão iluminação 
sobre esse tema, mil anos depois deste texto. Sunamita faz pirraça. Não quer se levantar. 
Ao final da cena eu comento o contexto. 
1. פשׁטתי את־כתנתי איככה אלבשׁנה רחצתי את־רגלי איככה אטנפם׃ 5:3 
2. Pashatti et-kutanti eikhakha elbashenah rakhatzti et-raglai eikhakha atanfem: 
3. I have put off my coat; how shall I put it on? I have washed my feet; how shall I 
defile them? 
Está frio, ela resolveu não sair da cama, mesmo sabendo que o seu noivo veio visitá-la no 
meio da noite. Ela faz um questionamento inválido, uma desculpa esfarrapada, eu tirei a 
roupa pra ficar em casa dormindo, não quero me arrumar toda novamente. Era um ritual 
meio que demorado vestir a roupa da antiguidade, se fosse do tipo que era enrolado ao 
corpo da mulher, mais difícil ainda. Apesar disso, não era desculpa o suficiente para não 
receber seu amado. Ela sabia disso. Na verdade estava só atrasando um encontro inevitável. 
Ela estava fazendo isso de propósito. Ela ansiava vê-lo, mas estava se fazendo de difícil. 
Ela o rejeitava de brincadeira. É o movimento que na dança indiana equivale à briga do 
casal. São várias danças tradicionais em que as moças representam desprezar o rapaz antes
de aceitá-lo. A questão é que havia pouco tempo para Salomão estar ali, e Sunamita não se 
deu conta disso. Enquanto ela brincava com ele, ele teve repentinamente que se ausentar. 
Aqui começará o pesadelo com muitas implicações na vida espiritual. Olhando para a 
Sunamita Celestial há uma história que aponta para a eternidade. Hebreus fala de um tempo 
chamado “hoje”. Aponta para o presente de nossas vidas. Não para o ontem e nem para o 
amanhã. Mas para o instante em que vivemos. Nossa vida é passageira, nossos dias são 
velozes e furiosos, para parafrasear o filme homônimo, e o Espírito anseia estar conosco, 
continuamente. Ele que atuar no nosso presente. A cena de tirar a roupa, de estar 
dormindo, de rejeita ao amado por brincadeira, ou preguiça, por pirraça, lembra-nos a 
imagem de uma Igreja que desprezou aos dons espirituais, porque quis. Por pirraça. 
Lembra-nos da Igreja Legalista que nascia em Jerusalém que depressa passou do evangelho 
da Graça para o evangelho da Lei, porque quis. Por birra. Lembra-nos de Israel nos tempos 
da antiguidade, servindo a falsos deuses, a tal ponto que Ezequiel é levado espiritualmente 
numa viagem transcendental até o interior do templo de Salomão, distante 600 km de onde 
o sacerdote estava exilado, e ao ir até as câmaras mais sagradas lá encontra um grupo de 
mulheres chorando sentidamente a morte de Tamuz, num ritual dirigido a uma antiga 
divindade de Canaã e depois de Babilônia. Elas choravam a um deus inexistente, cruel e 
bárbaro, que jamais viveu e jamais morreu, dentro do templo do Deus Vivo, absolutamente 
ignorado. Tratavam ao inexistente como real, e ao real como inexistente. 
Só por birra, só porque quiseram. 
Tirar as vestes era um sinônimo de preparar-se para descansar, pousar ou dormir, mas tinha 
uma conotação profética muito infeliz. Para um sacerdote tirar as vestes durante seu 
cerimonial representaria a morte. Apocalipse vai nos mostrar uma fase da Igreja em que ela 
pensa estar vestida, mas está nua. A cena da Sunamita não representa algo ruim, mas evoca 
a cena do Éden, quando Adão é chamado e ele não responde por que está nu. 
Normalmente “não sujar” simboliza pureza. Mas nesse caso, sujar-se era necessário. 
Há uma crise de identidade com as Igrejas que anseiam viver “sem se sujar” e na 
verdade, desprezam o mais importante, ao amor. Elas gritam para que os seus 
membros não vejam filmes, não andem aqui ou ali, não se vistam assim ou daquele modo, 
elas impedem que pessoas trajando determinadas vestes entrem em seus templos. Não 
permitem que seus membros leiam determinada literatura, não ouçam ou vejam 
determinadas coisas. E ao mesmo tempo impedem que pessoas possam se aproximar, tem 
tanto horror a se sujarem, que PERDEM o essencial. Compartilhar vida. 
1. דודי שׁלח ידו מן־החר ומעי המו עליו׃ 5:4 
2. Dodi shalakh yado min-hakhor umeai hamu alav: 
Dodi (My beloved) put in his hand by the hole [of the door], and my bowels were moved 
for him. 
416
Na sequencia o Amado se aproxima ainda mais, mas encontra uma porta trancada. As 
fechaduras da antiguidade eram enormes, algumas tinham um mecanismo que podia ser 
usado par empurrar a tranca e destrancar pelo lado de dentro. 
417
O amado conseguiu colocar a mão entre as frestas na esperança de alcançar o mecanismo 
ou achar uma chave próxima, mas não conseguiu. 
Existem coisas que estão além do alcance divino. Dependem de nós. Não que o espírito 
não possua o poder ou a autoridade para fazer o impossível. Mas suas leis são eternas e 
inquebrantáveis. A escolha é nossa. Não há sujeição da Criação senão segundo a liberdade 
para a qual a Criação foi chamada. A sujeição ou escravidão da Criação não é obra de 
Deus. Aonde há o Espírito, seja no hades, na terra, ou nos céus, ai há liberdade. Isso 
destrói vários amaldiçoados conceitos sobre soberania divina, incluindo quase todos os 
postulados malignos e impressionante mentirosos do Calvinismo. Para terror completo e 
além da compreensão dos que se perderam entre o caminho que vai das frondosas árvores 
dos jardins suspensos das Institutas até o sombrio vale de Westminster... A liberdade é uma 
dádiva e um dom, e Deus espera decisões. Cristo morreu por todo homem, qualquer 
doutrina que desminta isso é mentirosa, maligna e maldita. Mas, mesmo assim, dependerá 
418
de sua decisão o destino de sua alma. O Espírito é aquele que CONVIDA. Aconselha, 
admoesta, ensina. A lei do Espírito e da Vida é um principio de amor e liberdade. Quando 
as institutas elaboraram um Deus cuja soberania obriga aos homens a fazerem o que ele 
quer, e que decide no lugar do homem, apresentou-nos ao Deus-diabo, a Satanás e ao 
significado de todo oferenda feita aos demônios ao redor do mundo. A história de cada 
pai-de-santo, de cada mago, de cada feiticeiro é de um poder dominante que os obriga a o 
servirem. O reino das trevas é estabelecido segundo uma ordenação. E é representado por 
estruturas de poder, de dominação, de servidão. Elas não são chamadas de Principados e 
Potestades, de Poderes e Soberanias sem razão de ser. As institutas revelam uma 
doutrina de Soberania que na verdade é o conceito da Soberania Maligna que Paulo 
citou como sendo a razão de nossa luta espiritual. 
419 
http://www.welingtoncorp.xpg.com.br/pre2.pdf 
A liberdade e o direito de salvação dependem de “destrancarem por dentro” as portas do 
coração. Jamais os homens serão SUBMISSOS à força ao milagre da salvação. A ultima 
palavra do evangelho no livro da PROFECIA é a seguinte: 
O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! 
Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a 
água da vida" (Apocalipse 22.17) 
Sunamita necessitava querer para se encontrar com Salomão. Nenhuma doutrina humana 
tem o direito de obrigar em nome de ministério, presbitério, doutrina, revelação ou seja o 
que for, aos homens a abandonarem sua vontade, a se conformarem a algum tipo de 
ensinamento. Por isso um ministério não possui o direito de escolher a esposa ou o 
esposo de ninguém. por isso o ministério não tem o direito de interferir em uma 
área que é pessoal, que diz respeito ao individuo. Uma pessoa pode ser orientada a se 
comportar de determinado modo num grupo, podem haver usos e costumes, má 
administração de um ministério com líderes, que se voluntariam a seguir normas de 
conduta, de ´´ética, de convivência, os PEDIDOS dos pastores. A Igreja respeita seus 
líderes, tem alegria em servir, em cooperar, em compartilhar, em atender questões relativas 
ao governo da Igreja. Os pastores possuem autoridade dentro de sua esfera pastoral. Os 
líderes possuem autoridade dentro de sua esfera de liderança ou ministerial. A porta de abre 
por dentro, somente por dentro. Qualquer outra situação ou mecanismo de persuasão 
psicológico, emocional que tente invadir o que é função da alma, de uma escolha 
individual, é MALIGNO. 
Veja que a moça ESTREMECE por AMOR do Noivo. Algo a toca, comove, arrebata seu 
coração e então ela se dispõe. Tantos hoje sendo OBRIGADOS a fazer algo sem que seus 
corações tenham sido movidos para tal. O resultado é a morte. 
A moça ama ao amado, se enternece, tenta abrir, mas é tarde. 
1. קמתי אני לפתח לדודי וידי נטפו־מור ואצבעתי מור עבר על כפות המנעול׃ 5:5 
2. Kamti ani liftoakh leDodi veyadai natfu-mor veetz beotai mor over al kapot 
hamanul:
3. I rose up to open to my dodi; and my hands dropped [with] myrrh, and my fingers 
[with] sweet smelling myrrh, upon the handles of the lock. 
Enfim Sunamita se levanta e corre para abrir. Lembremos, é a parte dramática da história. 
Ela está perfumada, tão perfumada, tão cheia da mirra que ela passou na pele como se 
fosse um óleo, mirra em forma liquida, que ela quase derrete. Em outras traduções é como 
se ela se tornasse mirra, seus dedos vão se tornando liquido que se derramam pela 
fechadura e pela porta. Mas é o inicio de seu pesadelo. A mirra é um dos perfumes que 
compunham o incenso sacerdotal, é o presente dado a Jesus em seu nascimento, presente 
até em sua morte. 
420 
E deram-lhe a beber vinho com mirra, mas ele não o tomou. 
Nicodemos levará para prepara o corpo de Jesus um composto de Mirra e Aloés. 
E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando 
quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. João 19:39 
Esse momento é o que a moça perde a razão de sua vida. Perde a sua essência, em que, 
poeticamente, ela morre. Ela que estava enferma, doente de amor desde o capítulo 2 . E 
agora desfalece de vez. Ela ouviu sua voz, mas não atendeu. E agora ele se foi. Para 
sempre.
1. פתחתי אני לדודי ודודי חמק עבר נפשׁי יצאה בדברו בקשׁתיהו ולא מצאתיהו קראתיו ולא ענני׃ 5:6 
421
2. Patakhti ani leDodi ve Dodi khamak avar nafshi yatzah vedabro bikashtihu velo 
metzatihu kerativ velo anani: 
I opened to my dodi; but my dodi had withdrawn himself, [and] was gone: my nefesh failed 
when he spake: I sought him, but I could not find him; I called him, but he gave me no 
answer 
Quando ela abre, ele já não está mais lá. Ela repete de forma ritmada, ele se retirou, ele se 
foi. Ela confessa que quando ele a chamou queria ter corrido ao seu encontro, mas não o 
fez. O verbo traduzido como “desfalecer” em outras traduções está como “desmaiar”. Ela 
que poeticamente se transformou em mirra, desmaiou. Ficou perdida, sozinha, 
desorientada. 
Dentro da história da eternidade é o pesadelo espiritual da Igreja na terra. Individualmente 
fala daqueles que não ouviram o que o Espírito estava falando em suas igrejas. Fala -nos da 
perda da essência, da perda do amado, da perda da visão espiritual. Da perda da razão de 
viver. É o ministério que deixou a Cristo pelo dinheiro, que trocou ao poder do espírito 
pelo poder da mídia. Que preferiu a glória, a fama, qualquer coisa, em detrimento da 
presença do Espírito. Evoca a igreja se fundindo com o estado, fala-nos dos ministérios 
que deixam a pregação e o pastorado para dedicar-se a politica. Dos cantores que trocaram 
a unção pela fama. Pelo dinheiro. Fala dos que inventaram milagres para não perder o 
status. Dos que falsificaram revelações para continuarem sendo considerados grandes 
profetas. Dos falsos mestres que defenderam posicionamentos doutrinários, que abraçaram 
e ensinaram mentiras, que negaram os dons, que pregaram o domínio a um presbitério, que 
negaram a Cristo em nome do nada. Que foram repreendidos pelo Espírito e continuaram 
vivendo uma vida falsa. 
422
E fala de rejeição. Em seu pesadelo, Sunamita se vê rejeitada. Abandonada. A Igreja que 
viver defraudando, roubando, mentindo, dominando, que continuamente rejeita a voz do 
Espirito poderá viver um pesadelo real. Essa é a visão do arrebatamento da Igreja, que o 
noivo profetizou, que ele veio no meio da noite, a hora que ninguém sabia, e não 
permitiram que ele entrasse, porque a porta estava trancada por dentro. 
423 
Essa é a cena mais triste e dolorosa de Cantares. 
Apesar de estar longe o fim do pesadelo. 
1. מצאני השׁמרים הסבבים בעיר הכוני פצעוני נשׂאו את־רדידי מעלי שׁמרי החמות׃ 5:7 
2. Metzauni hashomrim hasovvim bair hikuni fetzauni nasu et-redodi mealai shomrei 
hakhomot: 
The shomrim (watchmen) that went about the city found me, they smote me, they 
wounded me; the keepers of the walls took away my veil from me 
1. השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם אם־תמצאו את־דודי מה־תגידו לו שׁחולת אהבה אני׃ 5:8 
2. Hishbati etkhem banot Yerushalayim im-timtzeu et-Dodi mah-tagidu lo shekholat 
ahavah ani: 
3. I charge you, O banot Yerushalayim, if ye find my dod, that ye tell him, that I [am] 
sick of dod (love). 
O primeiro grupo de guardas que atendeu a Sunamita eram guardas respeitáveis. Estes aqui 
não. São cruéis. A menina saiu correndo no meio da noite vestida somente do saari ou uma 
veste equivalente.
424 
A vestes de 3000 anos atrás do Oriente ainda podem ser vistas na India.
Na medida que ela corre no meio da noite o orvalho vai molhando suas finas vestes. 
Quando ela chega na cidade são altas horas da noite e seu cabelo está todo orvalhado, suas 
roupar esta colada no corpo. Como a base de sua roupa é uma longa tira de pano, que é 
também o seu manto, basta um puxão para que ela fique semi-nia caída no chão. Eles estão 
bêbados, estão fora-de-si e tratam-na como uma prostituta, se divertem com ela, espancam 
a adolescente que quando cai no chão rochoso, fica ensanguentada e ferida. Eles eram 
quem deveria proteger e guardar os habitantes da cidade, mas insanos, bêbados, fazem mal 
até a uma menina. Não deveriam tratar sequer a uma prostituta assim, muito menos a uma 
menina. Ela consegue fugir, seus gritos são ouvidos e as otras mulheres vem em seu 
socorro, são as filhas de Jerusalém. 
425
Na dimensão espiritual nós vemos os que feriarm a Igreja. Os filósofos vazios, a ciência 
hipócrita e soberba, os que a odeiam e a denigrem. Nós vemos os falsos mestres, falsos 
pastores, falsos profetas, milhares de doutrinadores espúrios. Que ao invés de edificar, 
consolar e fortalecer a Igreja, a torturaram, a feriram, a humilharam e tiraram dela seu 
manto. O manto de Sunamita era um finíssimo véu, assim como o da Igreja, que 
espiritualmente simboliza sua Autoridade. Negaram ao Poder, negaram os Dons, negaram 
aos Sobrenatural, negaram a direção ea orientação do Espírito. Negaram os sinais e 
prodígios, a deixaram semi-nua. Quem deveria cuidar dela, a feriu de modo cruel. 
Negaram-lhe a cura divina. Negaram a fé, disseram que “estes sinais seguirão aos que 
crerem” foi um acréscimo tardio e falsificado às palavras de Marcos. Disseram que os dons 
acabaram junto dos apóstolos. E a deixaram ferida, professores incompetentes que não 
compreendem que o divino é parte de sua natureza, que não há Evangelho que não 
manifeste o Poder de Deus e que o ministério do Espírito profetizado seria de maior glória 
que o de Moises. 
1. {Daughters of Yerushalayim -Nashim} 
2. מה־דודך מדוד היפה בנשׁים מה־דודך מדוד שׁככה השׁבעתנו׃ 5:9 
3. Mah-dodekh midod hayafa banashim mah-dodekh midod shekakha hishbatanu: 
4. What [is] thy dodi more than [another] dodi, O thou fairest among women? what 
[is] thy dod more than [another] dod, that thou dost so charge us? 
A crise faz com que ela procure suas altivas amigas. Mas elas não poderão lhe ajudar. Pois 
não o conhecem. Sunamita sabia muito pouco a respeito de Salomão. E suas amigas jamais 
acreditariam que aquela fedelha, camponesa, caçadora de raposas, poderia ter algum 
contato com a maior autoridade de Israel. A dor que Sunamita sente não são das feridas 
no corpo. É a ausência dele em sua alma. 
1. דודי צח ואדום דגול מרבבה׃ 5:10 
2. Dodi tzakh veadom dagul mervavah: 
3. My dodi [is] white and ruddy, the chiefest among ten thousand. 
426
Neste momento as meninas de Jerusalém tentaram ajuda-la, com um certo desdém. Afinal 
elas acham que Sunamita está exagerando. Elas não sabem quem é ele, imaginam um 
pastor igual a todos os outros que transitam próximos a cidades, pobres. Mas poderia ser 
um nobre e isso lhes atiça a curiosidade. E depois de tantos “conjuramentos” lembraemo-nos 
que por toda a canção ela as adverte enciumadamente, até as ameaça, do jeito que 
pode, para que não se aproximem de seu amado, com medo de perde-lo para sua sedução. 
E agora, dias sendo perturbadas, elas querem saber, afinal de contas, quem é esse homem? 
1. ראשׁו כתם פז קוצותיו תלתלים שׁחרות כעורב׃ 5:11 
2. Rosho ketem paz keutzo tavtaltalim shekhorot kaorev: 
3. His head [is as] the most fine zahav, his locks [are] bushy, [and] black as a raven. 
E aqui ela começa a maravilhosa e poética descrição de seu amado. E ela o coloca como 
um entre dez mil, ele é mais perfeito, mais bonito, mais especial que dez mil outros 
homens! Ela exagera muito, esse numero é enorme. Para uma camponesa de sua época é 
um dos limites para sua matemática. Uma quantidade inumerável. E na dimensão espiritual 
nós teremos nestes dois próximos versos uma surpresa. Uma bela surpresa. 
Salomão era rosado, possuía a pele branca, tinhas uma vasta cabeleira negra e de cabelos 
crespos. 
Nós não possuímos nas Escrituras uma única linha sobre a aparência de Cristo, senão uma 
descrição em Isaias que retrata mais seu minstério que sua aparência. E mesmo porque 
“como raiz de uma terra seca, não víamos nele nenhuma beleza ou formosura” é a pior 
descrição que poderíamos esperar a respeito de alguém. Mas ela não o descreve 
fisicamente. É uma descrição profética, da sua condição social, de sua rejeição. Não, nem 
mesmo os pais da igreja nos legaram quaisquer descrição sobre a aparência física de Jesus. 
Entretanto, antes de sua encarnação, o Espírito o avistou. 
Jesus é descendente de Salomão, por parte de mãe. Esse texto é, para o autor, a descrição 
da aparência física do MESSIAS. Jesus tinha o rosto rosado, e seu baelo crespo, negro 
como um corvo. Representa a encarnação, o momento em que Jesus conviveu e 
compartilhou de nossa humanidade. Representa o instante em que sobre sua cabeça a 
maldição do pecado foi lançada. O corvo não está ai a toa. O corvo é considerado um 
animal sinistro, por muitas civilizações. Os corvos são considerados animais impuros, não 
poderiam ser comidos. Certa cidade que sofre juízo em Isaias é povoada por vários 
animais, dentre eles, corvos. Mas há uma cena belíssima em que os corvos são bem vistos: 
Job 38:41 Quem prepara ao corvo o seu alimento, quando os seus pintainhos 
clamam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer? 
427
Há uma profecia neste texto de Jó. Pintainho é o filhote de corvo, que clama a Deus pelo 
alimento para sobreviver. Clama a Deus? Seus piados angustiados são chamados por Deus 
que está em Litigio com Jó, de ORAÇÃO. De CLAMOR. Deus OUVE seus pios 
dolorosos como se ouvisse a oração de um ser humano. Essa declaração eleva a natureza a 
uma coisa muito maior do que nós imaginamos. E a interação que o Espírito possui com 
os animais, com as flores, com todos os seres vivos, num nível que nós 
DESCONHECEMOS. Nós não compreendemos o amor de Deus pela sua criação. Há 
mistérios no texto de Jó. Parte dele diz respeito aos dias em que Jesus que aparecerá 
glorificado com cabelos brancos, clamará a Ele em espírito, ainda ornado com seus cabelos 
crespos no seu corpo humano deitado numa tumba fria, e será ouvido! Lá do interior do 
hades. 
Sunamita, poeticamente, declara um dos fatos da vida de seu amado, coisas que ela não 
conhece... ela diz que a sua cabeça é como o ouro puro... Sem saber ela anunciou sua 
fabulosa riqueza. Ela o imagina um pastor de ovelhas e para ela os seus pensamentos, suas 
palavras, seus sentimentos são valiosos para ela como o ouro puro. 
1. עיניו כיונים על־אפיקי מים רחצות בחלב ישׁבות על־מלאת׃ 5:12 
2. Einav keyonim al-afikei mayim rokhatsot vekhalav yoshvot al-milet: 
3. His eyes [are] as [the eyes] of Yonah (dove)s by the rivers of waters, washed with 
milk, [and] fitly set. 
Agora ela lhe atribui algo que um dia ele falou dela também. Só que diferente de seu olhar 
inquieto, o olhar dele é mais sereno. As pombas que ela cita estão próximas, ou bebendo 
ou paradas junto a uma corredeira. E ela lembra do brilho do seu olhar e até do contraste 
entre suas pupilas e o restante de seus olhos. 
1. לחיו כערוגת הבשׂם מגדלות מרקחים שׂפתותיו שׁושׁנים נטפות מור עבר׃ 5:13 
2. Lekhayav kaarugat habosem migdelot merkakhim siftotav shoshanim notfot mor 
over: 
3. His cheeks [are] as a bed of spices, [as] sweet flowers: his lips [like] lilies, dropping 
sweet smelling myrrh. 
428
E suas faces rosadas e coradas lhe lembram um canteiro de bálsamos. O bálsamo era o 
grande remédio da antiguidade. Olhar para ele trazia cura para sua enfermidade, lembremos 
que ela estava enferma de amor. Ou seja, estar junto a ele fazia desaparecer a dor de seu 
coração. E o que ele falava era muito prazeroso, suas palavras eram perfumadas, ela mistura 
um mundo de sensações, auditivas, visuais, gustativas, olfativas para falar do que era ouvi - 
lo! 
Essa é a palavra de Cristo, seu efeito, quando homens e mulheres falam debaixo da unção. 
Não dá para descrever. Elas geram em nós uma multidão de cores, uma multidão de 
sentimentos. A unção do Espírito acessa locais em nós desconhecidos. Jesus alivia as dores 
da alma, e também do corpo e nos concede esperança, uma esperança tão transcendente 
que chega a ser inefável, uma coisa que não conseguimos traduzir em linguagem humana. 
1. ידיו גלילי זהב ממלאים בתרשׁישׁ מעיו עשׁת שׁן מעלפת ספירים׃ 5:14 
2. Yadav gelilei zahav memulaim batarshish meave ashet shen meulefet sapirim: 
3. His hands [are as] zahav rings set with the beryl: his belly [is as] bright ivory 
overlaid [with] sapphires. 
Sunamita vai até os limites da sua imaginação, avança para o mundo de jóias e das coisas 
que ela compreende como mais caras e mais belas. 
429 
Safira Marfim
430 
Berilo engastado num anel 
Ela fala de peças de jóias existentes em sua época. Coisas que ela lembrava. Sua descrição 
não ajudaria muito a reconhecermos alguém, ela é poética, ela exalta sua beleza física de um 
modo único. Ela diz o quanto ele é precioso para ela. E com coisa sublimes, caras até 
mesmo para as filhas de Jerusalém. Ela descreveu duas pedras do peitoraldo juízo, que era 
vestidas pelo Sumo-sacerdote. Berilo e Safira. Que representavam as tribos de... não 
sabemos. Existem várias ordens possíveis.
431 
Chanel Joaillerie 
Chanel’s Lion Rugissant yellow gold ring set with 7 brilliant-cut orange diamonds, 54 yellow 
sapphires, 132 orange garnets and a 92-carat beryl stone. Price on request. 
Pedra de Berilo
Mas as pedras estavam enfileiradas segundo uma ordem determinada. A de Safiras a azul 
Fica bem em cima do CORAÇÃO. A de Berilo ficava na linha inferior. No canto direito. A 
safira é o segundo fundamento do muro da Jerusalém celestial e o berilo o oitavo. 
“O muro será de jaspe. Os alicerces do muro serão de jaspe, safira, calcedônia, esmeralda, 
sardônica, sárdio, crisólito, berilo, topázio, crisópaso, jacinto, ametista.” 
E o Berilo, tarshit no Hebraico/ Thessalos em grego, era importada de uma região da 
Espanha. Que foi conhecida como Tarso. De onde o apóstolo Paulo é natural. 
Outro detalhe importante é que no livro de Isaías nos é citado as pedras celestiais que 
fazem cobertura de Lúcifer, antes da queda. E duas delas são o Berilo e a Safira. 
Temos então duas pedras citadas na poesia que nos ligam ao sacerdócio, a veste mais 
sagrada, o efod e o peitoral do juízo, nos liga a coisas celestiais anteriores a Criação da terra, 
a cobertura do querubim Ungido e finalmente as bases da Jerusalém celestial. Há uma voz 
432
que se eleva no cântico, a voz do espírito de Deus que traz a luz imagens profundas sob a 
doçura de Sunamita. Seu amado é uma pedra preciosa, se ela estivesse usando o peitoral, 
estaria sobre seu coração. E a segunda pedra, o berilo, fica numa ingrata posição. Ela 
fica no ponto em que o sumosacerdote de nossa confissão, já morto, irá levar uma 
“lançada” das mãos do centurião romano, que o perfura para se certificar que Jesus 
está morto. Jesus é a rocha ferida, do qual jorrou água e sangue. 
Berilo nas Escrituras possui uma cor específica como se afirma em Ezequiel 1:16 e 10: 9, as 
rodas da visão de Ezequiel tinham a cor de berilo. A cor nunca é mencionada diretamente, 
mas, pode-se descobrir sua tonalidade, Daniel teve uma visão semelhante das 
mesmas rodas em Dan. 7: 9, onde disse que as rodas eram como um fogo ardente. A partir 
disso, pode-se concluir que o berilo nas Escrituras é amarelo. (Para mais uma prova, em Daniel 
há a visão de um anjo, cujo corpo era como berilo em Daniel. 10). 
Berilo é a cor das rodas da visão de Ezequiel, e também a cor do anjo que se apresenta a 
Daniel. O anjo que diz a Daniel “Eis que és muito amado”. 
O amado de Sunamita “incandesce” em seu coração. Ele parece uma chama, ele brilha. As 
duas pedras que Salomão coloca na boca de sua heróina, na personagem principla de seu 
poema, sçoa gemas fantásticas que evocam uma história fantástica, uma história de amor 
eterno, que se inicia antes do inicio das eras e que jamais termina. O Espírito de Deus em 
dueto com Salomão contempla coisas além da imaginação, que somente profetas puderam 
testemunhar. O tempo não flui linear para Deus, como flui para nós. Ou ao menos, não como 
nós entendemos. O Berilo trás lembranças profundas e dolorosas, que envolvem a história por 
detrás da redenção, que não se inicia na terra. Jesus se compara com uma “rocha” com uma 
pedra “angular” e para Daniel se apresenta como um anjo com corpo de berilo 
resplandecente. Que relembra as dimensões celestiais, a eternidade, os fatos anteriores à 
Criação, que associam Querubins, as rodas e até Satanás, ainda um Querubim ungido, que 
resplandece na cor do berilo, que é uma de suas coberturas. O reino das trevas é um reino 
onde as “pedras afogueadas”, as pedras incandescentes, se apagaram. Elas não brilham mais, 
porque nelas já não reside a glória divina. O Espírito vê em Cristo uma chama que jamais se 
apaga. Vê nele a glória que tinha com o Pai antes de vir a este mundo. Apocalipse vai mostrar 
Jesus para um outro profeta e suas pernas tem a cor de berilo incandescente, que se brilhasse 
ainda mais, seria como metal refinado. A glória de Cristo HOJE é ainda maior que a que Ele 
possuia antes de vir a este mundo. 
433
O marfim que Sunamita usa é um material belissimo após trabalhado. Era a base das teclas dos 
pianos entre 1800 e 1920. Mas trazem consigo uma trágica herança. A herança da morte e 
sacrificio de milhares de elefantes. O Antigo Testamento mencionava Malabar, o atual estado 
de Kerala, na Índia, como a fonte do marfim comprado por Salomão. Lá o marfim foi entalhado 
por quase 3000 anos, ininterruptamente, até 1989 quando a Convenção das Nações Unidas 
para o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites) introduziu a proibição do 
comércio de marfim. 
434
435 
Kerala é o estado de origem de Mohiniyattom, a dança clássica do Kerala. 
Depois eu esclareço a mistura de Cantares e Kerala, da dança clássica e do marfim. 
Ela é executada através de uma personagem que simboliza uma feiticeira. Essa dança sinuosa 
da feiticeira é uma forma de dança clássica distintiva de Kerala. Movimentos lentos, graciosos 
e oscilantes do corpo e dos membros, gestos altamente emotivos dos olhos e das mãos, são 
únicos nesta forma de dança. Um vestido simples, elegante e com filigranas de ouro, de cor 
branca ou marfim, é semelhante ao traje tradicional das mulheres de Kerala. 
As origens da Mohiniyattom estão enraizadas na mitologia Hindu. Certa vez, um oceano de 
leite foi agitado pelos deuses e demónios para extrair-se o elixir da vida e da imortalidade. 
Os demónios acabaram por ficar com esse preparado divino. 
O Deus Vishnu salvou os deuses em pânico e assumiu a forma feminina de uma dama 
celestial amorosa, chamada Mohini. Após cativar os demónios com o seu charme, Mohini 
roubou-lhes o elixir e devolveu-o aos deuses. Esta dança foi adotada pelas Devadaso, 
dançarinas do templo, também chamadas de “Dasiattam,” que era um termo popular durante 
o reino Chera, entre os séculos IX e XII.
436
437
As mulheres em Kerala, de onde Salomão importava o marfim do qual era feito seu 
TRONO: 
438 
1 Reis 10:18 
Fez mais o rei um grande trono de marfim, e o revestiu de ouro puríssimo. 
Elas se vestiam de marfim e de dourado. Lembrando da lenda que dá origem a dança de 
Kerala, o marfim parece leite, tem a cor do leite. 
Todas as tuas vestes cheiram a mirra e aloés e cássia, desde os palácios de marfim de onde te 
alegram. Salmos 45:8 
Até na dança tradicional de Kerala, há uma parábola! Se nós analisássemos a história que dá 
origem a dança, e desvincularmos da mitologia hindu, ficamos espantados como um mito 
indiano retrata tão poeticamente o mistério da Salvação! O mito é quase Cantares de Salomão 
“dançado” de outra forma. 
O Espírito de Deus nos legou histórias dentro das milhares de histórias hindus que poderíamos 
hoje estar utilizando para a evangelização dos Indianos. Paulo fez coisas que os grupos 
religiosos que se dizem cristãos, negam, violentam, rejeitam, em detrimento de suas visões 
doutrinárias e do medo de se contaminarem. É a teologia do “já lavei os meus pés, como 
tornarei a sujá-los”. Evitando o contato e o estudo, a percepção dos elementos culturais e 
espirituais comuns, deturpam essa necessidade com termos tais como “ecumenismo” a 
responsabilidade de aproximação, de compreensão dos princípios e dos valores, que uma vez 
ILUMINADOS pela Escritura podem conduzir-nos a um amor profundo. Essa questão para ser 
bem desenvolvida envolve DISCERNIMENTO ESPIRITUAL, MATURIDADE, e fantástico 
CONHECIMENTO das ESCRITURAS. 
O EVANGELHO que milhares pregam é o do horror as culturas, aos artesanatos, as expressões 
artísticas, até a música. Impõem um mundo espiritual limitado a suas concupiscências, aos 
seus limites espirituais, impõe seus preconceitos e visões distorcidas espirituais. Chamam de 
“demônio” a tudo que não compreendem. E verdadeiramente, nada compreendem.
Deixando de lado a exortação, o marfim evoca antes de qualquer coisa, ao sacrifício que 
vencerá ao inferno. Falo como se estivesse na época de Salomão. Ou, olhando para trás, como 
os gregos, que viam o passado como um lugar que ficou para trás numa longa viagem, ao 
sacrifício que já venceu ao inferno. Que une as coisas celestiais, as criadas, as eternas e até as 
coisas que ainda haverão de existir. 
1. שׁוקיו עמודי שׁשׁ מיסדים על־אדני־פז מראהו כלבנון בחור כארזים׃ 5:15 
2. Shokav amudei shesh meyusadim al-adnei-faz marehu kalvanon bakhur kaarazim: 
3. His legs [are as] pillars of marble, set upon sockets of fine zahav: his countenance 
[is] as Levanon, excellent as the cedars. 
439 
O palácio lá atrás a direita é feito de mármore antigo...
440 
Uma tumba romana de mármore 
Sunamita canta seu amado da cabeça aos pés, e compara suas pernas a colunas de mármore, 
seu aspecto como os cedros do Líbano, Salomão devia ser bem alto em relação a ela. 
Quando diz que sua base é de ouro ela fala de sua imensa riqueza, que por sinal, ainda não 
conhece! Seus sapatos deviam ter enfeites dourados, e a descrição do mármore realça a 
brancura de Salomão em relação a ela que se vê morena. O mármore era usado na 
antiguidade para as paredes dos templos, para as suas colunas também, ele era empregado, 
como até hoje, para piso de palácios e para mausoléus, cobertura de túmulos de reis, 
nobres e ricos, pois era um material nobre, extraído por trabalho pesado e na maioria das
vezes, escravo. O templo de Salomão era pavimentado com mármore. O mármore 
acompanha a humanidade da antiguidade até os nossos dias. Enquanto existir o comércio, 
até que as profecias de Apocalipse 18 se cumpram, veremos obras de mármore. Elas 
produziram as estátuas dos reis, nobres, artistas da antiguidade. 
441
Sunamita se refere a seu amado como a uma escultura de mármore. Como a obra de um 
artesão. O mármore estará presente em muitos momentos solenes das Escrituras, tendo em 
vista que ele pavimentava ao templo de Salomão, profetas pisaram neles. E quando foram 
mortos, centenas de anos depois, suas humildes sepulturas foram fartamente enfeitadas 
com o mármore. 
442
Este é considerado o tumulo do profeta Zacarias, ao mesmo tempo alguns consideram o 
monumento erguido por Absalão. Independentemente de serem os monumentos 
autênticos, temos uma visão de como foram enfeitados os túmulos dos profetas. Jesus 
seria o profeta dos profetas, a razão maior da vida de todos eles, sendo o portador das mais 
poderosas profecias, das mais importantes já emitidas ao ser humano e sendo ele mesmo a 
maior profecia já manifesta na terra. Tudo que Jesus fazia estava já profetizado em algum 
lugar, pelo menos 430 anos que nascesse. O mármore lembra, infelizmente, o respeito 
tardio, a tentativa de honrar os profetas após sua morte. Em vida tiveram suas palavras 
rejeitadas. Em vão os honrariam enfeitando seus túmulos, porque viveram rejeitando suas 
profecias. 
Para Sunamita o mármore realçava a beleza de Salomão, mas para o Espírito de Deus o 
mármore lembra a Jesus como profeta e a sua REJEIÇÃO. “Veio para os que eram seus, 
mas eles não o receberam”. 
443 
E a estatura do amado era como os cedros do Líbano,
Que exaltava a sua justiça, sua retidão, sua excelência. 
Salomão foi um homem justo e o maior juiz da história humana. Nenhum outro homem da 
terra decidiu juridicamente como ele, graças ao aporte de sabedoria que recebeu de Deus. 
Ele deixava que a inspiração divina o guiasse, o aconselhasse, e nele essa inspiração operava 
de modo a capacitá-lo com inteligência e discernimento, tão profundo e tão incrível que 
Salomão ficou conhecido internacionalmente por causa disso, e não havia homem vivo 
enquanto ele viveu, capaz de sobrepujá-lo. Sua sabedoria foi tão reconhecida que uma das 
soberanas da antiguidade, de uma nação reconhecida pelos seus sábios, viajou milhares de 
quilômetros para conhece-lo. Conhecida entre os povos etíopes como Makeda (em ge'ez 
ማክዳ, transl. mākidā), esta rainha recebeu diferentes nomes ao longo dos tempos. Para o rei 
Salomão de Israel ela era a "rainha de Sabá". Na tradição islâmica ela era Balkis ou Bilkis. 
Flávio Josefo, historiador romano de origem judaica, a chamou de Nicaula. O reino de Sabá, 
segundo algumas fontes, ficava na parte oriental do que até há pouco era a República Árabe 
do Iêmen. Sua capital, evidentemente, era Marib, no lado L da cordilheira e a uns 100 km ao L 
de Sanʽa. 
Essa sabedoria quando usada juridicamente era uma coisa formidável. 
Lembremos...Sunamita vê seu porte majestoso, com o perdão do trocadilho, mas as figuras 
que ela usa são assim reconhecidas em todas as Escrituras. Como se Salomão que 
compõe o Cantico também puxasse brasa para sua sardinha, ou, numa linguagem 
menos figurada, tecesse elogios a si mesmo. Sem saber que ao fazê-lo, exaltaria a pessoa 
que REPRESENTAVA. 
Cantares é uma viagem muito divertida, belíssima, muito lúdica. 
1. חכו ממתקים וכלו מחמדים זה דודי וזה רעי בנות ירושׁלם׃ 5:16 
2. Khiko mamtakim vekhulo makhamadim zeh Dodi vezeh rei banot Yerushalayim: 
444
His mouth [is] most sweet: yea, he [is] altogether lovely. This [is] my dod, and this [is] my 
friend, O banot Yerushalayim. 
E por fim, ainda em meio ao pesadelo, ou realmente ferida, ela conversa n0o meio da noite 
gelada com suas amigas da cidade. Ela gosta até dos lábios dele, usa uma figura que exalta a 
sua voz, pois ele cantou muito aos seus ouvidos e a sua voz era de um exímio cantor, uma 
voz que ela relembra como doce, como suave, como melodiosa. O Michael Jackson 
cantando na antiguidade. Nada nele lhe desagrada. Ele é o seu amado, mas também se 
tornou seu confidente, ela contou-lhe seus segredos, abriu seu coração, ela sentia saudade 
de suas brincadeiras, de sua fanfarronice, de sua companhia. Ela sentia falta de sua amizade 
e o chama pela primeira vez de amigo. 
Seu relato, sua descrição é tão deslumbrante que as moças ficam atônitas ou suspirando. 
Sunamita realmente conseguiu a atenção delas. Quem é esse sujeito fantástico! Quem é 
esse homem! 
O ouvinte da melodia já sabe de quem ela fala! E na dimensão espiritual também 
compreendemos quem Ele é. 
445
1. {The Daughters of Yerushalayim} 
2. אנה הלך דודך היפה בנשׁים אנה פנה דודך ונבקשׁנו עמך׃ 6:1 
3. Anah halakh Dodekh hayafah banashim anah panah Dodekh unevakshenu imakh: 
4. Whither is thy dodi gone, 
 thou fairest among women? 
5. Where has is thy dod turned aside? 
6. That we may seek him with thee? 
Essa questão é complicada de responder. Sunamita não sabe. Neste momento do pesadelo 
ela está quase despertando. Desde o verso “eu dormia” os versos se assemelham a contar 
um grande pesadelo, que foi do momento mais intenso, de grande agonia, quando 
Sunamita se debate na cama, até que ela vai retornando suavemente, ela vai se acalmando, 
até que quase suspirando ela adormece no verso de numero três deste capítulo. Tomada de 
súbito interesse após uma descrição maravilhosa do amado, e que gerou nelas profunda 
desconfiança com relação à verdadeira identidade do tal “pastor”, agora as meninas 
anseiam saber quem é esse monumento vivo, esse sonho de companheiro, demonstrando 
vivo interesse em encontrá-lo, só que de acordo com as diversas conjurações anteriores de 
Sunamita... talvez não com boas intenções. Elas querem o pastor para elas mesmas. Elas se 
oferecem voluntariamente para encontrá-lo, para buscá-lo, pra procurá-lo. A palavra 
“buscar” é um dos termos que o Antigo Testamento usa para a “procura” da comunhão 
divina pelo crente, da busca do profeta de conhecer a vontade de Deus. Porque Deus é 
invisível, ele aparenta estar “oculto” nós não o vemos, não o tocamos, não sabemos, ao 
menos geograficamente, onde ele se “encontra”. O profeta Jeremias vaticina “buscar-me-eis 
e me achareis quando me buscardes de todo coração”. Haviam no passado locais 
sagrados onde Deus era invocado, e todos os que o “buscavam” entendiam que tinham que 
se dirigir até eles que serviam como portais para o mundo divino. Eram exatamente assim 
considerados. Um dos locais de “busca” divina é assim denominado, BETEL significa 
“portal de Deus”. Durante a noite, Deus apareceu a Jacó e lhe mostrou uma escada da terra ao 
céu, pela qual anjos desciam e subiam. Deus repetiu a Jacó as três partes da grande promessa 
feita a Abrão em Gênesis 12: Terra prometida; Povo numeroso; Bênçãos para todas as 
famílias da terra por meio de seu descendente. Quando acordou, Jacó disse: "Na verdade, 
o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E temendo, disse: Quão temível é este 
lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus" . Jacó mudou o nome do lugar, chamando-o 
de "Betel", que significa "casa de Deus" (Gênesis 28:1-22). 
Salomão voltara ao palácio, a casa do Líbano, gigantesca construção da antiguidade cuja 
opulência só se comparava ao templo que construiu. Os dois maiores edifícios de Israel da 
antiguidade eram a Casa do Líbano e a o Templo de Salomão. Significava que eram na 
antiguidade dois dos maiores prédios/palácios já construídos até então. 
446
A cena evoca uma moça desorientada, saudosa, em busca do amor de sua vida, sonolenta, 
cansada, com frio, angustiada, que não sabe onde ele está que não sabe o que fazer, 
ouvindo das amigas uma voz de consolo, de ajuda. 
Esse momento que equivale ao pesadelo de Israel no Velho Testamento é o quando o 
primeiro templo é destruído, após a triste cena em que o profeta Ezequiel vê o Espírito 
Santo se erguendo em forma de uma nuvem e deixando o templo, após uma caminhada 
espiritual com o profeta pelo seu interior, onde são vistos atos de idolatria, e de 
imoralidade. Momentos antes do Espírito deixar ao templo, ele caminha com Ezequiel e 
mostra para eles as imagens eróticas que haviam colocado à entrada e no pátio. 
À entrada da porta Norte do pátio interno, onde havia sido instalado o trono da 
imagem do ídolo que provoca o ciúme de Deus. 
Ergui meus olhos para o lado Norte, e vi, junto à porta do altar, aquela imagem do 
ídolo que inflama o zelo de Deus 
E vi toda a forma de criaturas rastejantes e animais considerados impuros e todas 
as imagens de ídolos que os israelitas estavam cultuando! E muitos desses ídolos 
estavam pintados em figuras nas paredes por todo lado. Setenta líderes e anciãos da 
Casa de Israel, incluindo Iaazaniáhu ben Shafán, Jazanias filho de Safã, estavam em pé 
diante de tais pinturas 
Cada um tinha na mão o seu incensário, e forte cheiro de incenso subia como uma 
nuvem aromática. Então ele me questionou: “Filho do homem, viste o que os líderes e 
anciãos da nação de Israel estão fazendo em oculto, nas trevas? 
Vê que cada um está escondido em sua câmara e santuário pessoal adorando a 
imagem esculpida de seu ídolo particular? 
Então ele me levou para a entrada da porta Norte da Casa de Yahweh, o Templo. Lá eu 
observei mulheres assentadas, chorando e clamando pelo deus Tamuz. E ele 
indagou-me: “Viste isto, filho do homem? Pois verás abominações ainda maiores que 
estas!” me transportou ao átrio de dentro, o pátio interior da Casa de Yahweh, o 
Templo do SENHOR; e lá estavam cerca de vinte e cinco homens, à entrada do Santuário 
do Eterno, entre o pórtico e o altar, de costas para o Templo de Yahweh, e tinham 
seus rostos voltados para o Oriente, e estavam prostrados adorando o deus sol. 
Vê! Olha lá o que fazem! Estão levando um ramo ao nariz como gesto cerimonial de 
culto à natureza! 
Não bastava adorarem falsos deuses, elevaram essa situação a uma situação de excelência. 
Escondidos pelas estruturas externas do templo, dentro dele, os israelitas e as mais altas 
autoridades, a estrutura que um dia daria origem ao sinédrio, fazem atos mágicos, rituais 
estranhos, magia, feitiçaria. Os símbolos dos quais são ditos “imagens de ciúme” são 
símbolos de fertilidade e fálicos, comuns nas religiões da mesopotâmia da antiguidade. 
Falos gigantes, basicamente. Israel não é chamado de “adultera” a toa. As mulheres 
israelitas praticavam sexo sagrado, causando “ciúmes”, as virgens de Israel se entregavam 
em “adoração” oferecendo seus corpos a prostituição. Quando o apóstolo Paulo fala de 
“apresentarmos os nossos corpos como instrumentos de iniquidade” é essa a mais 
profunda figura que as Escrituras nos oferecem sobre a situação. 
447 
Romanos 6:13 
Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de 
iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos 
membros a Deus, como instrumentos de justiça.
448 
2. Romanos 12:1 
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos 
em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 
Para onde se RETIROU o teu Amado, para que o busquemos contigo? Essa pergunta 
soaria dolorosa aos judeus no cativeiro. No tempo do silencio profético intertestamentário, 
sem profecias, onde dezenas de textos apócrifos, livros de falsas profecias e falsas aparições 
divinas foram compostos, porque já não havia a revelação divina. 
Para a Sunamita celestial lembra o momento de dor dos discípulos durante a morte de 
Cristo, seu abandono, sua angustia, seu medo. Três anos ouvindo os céus manifestos e 
agora, o mais maravilhoso dos profetas, as mais extraordinários milagres vistos pelo ser 
humano, cessarão, porque mataram ao mensageiro celestial. Ele SE FOI! Foi embora, para 
sempre! E os apóstolos não sabiam como encontrá-lo, acabou! 
E retrata também um momento de escuridão para a Igreja na terra. Ou muitos deles. A 
idade média assiste a transformação da Igreja de Cristo, com seu casamento com o estado, 
dando origem a uma religião, a Igreja Romana, a Senhora do Mundo, distante do amor do 
Amado, vivendo para a riqueza, para a devassidão de um clero corrupto e corrompido. E 
poucos viveram nessas épocas com vestes não contaminadas. Retrata também o pesadelo 
maior, a noite em que os povos são tomados. Assim como o templo de Salomão foi 
tomado pela mentira, pela prática de coisas que Deus abominava na terra uma parte da 
Igreja tornou-se pagã. Perdeu sua identidade com a Videira Verdadeira. Nós assistimos de 
camarote a um festival de escândalos terríveis. Pastores que matam suas amantes. Falsos 
profetas que dominam sobre comunidades de milhares de pastores com centenas de 
milhares de membros, inundando estes membros com vinho falsificado. Simulando visões 
celestiais, bêbados por vinho destilado no inferno. Pastores que amealham acordos 
políticos, que usam o púlpito como palanque, com o objetivo voltado não para a Jerusalém 
celestial, antes para uma cadeira em Brasília. Templos gigantescos erguidos para arrecadar 
dinheiro, poder e fama. Milhares de pastores envolvidos em escândalos sexuais, munidos 
de pregações morais sem valor, sem compreender nem o mistério do sexo e nem o da 
santidade necessária para que sua pregação fosse incontaminada. Não compreenderam a 
necessidade do romance, e nem da paixão, usaram de regras inúteis para burlar seus 
sentimentos, criaram doutrinas mutilando a sexualidade de seus membros e as suas 
próprias. A Igreja católica adotou o celibato, desprezando as escrituras, negando dons 
legítimos dados ao ser humano e gerou um clero atormentado pela privação de desejos 
legítimos e abençoados. Impediram homens e mulheres de vivenciarem a dimensão 
humana de Cântico dos Cânticos. 
Praticaram atos de magia, pregaram ocultismo disfarçado de doutrinas bíblicas, tais como a 
predestinação absoluta, associaram-se a doadores e bem-feitores ligados a todo tipo de 
busca oculta, ou prática mágica. Pastores e pastoras fizeram acordos para evitar falar a 
verdade, com os mesmos canais de televisão ou entidades que um dia veementemente 
condenaram. Por causa do dinheiro. 
E então num dia profetizado por todos os profetas, Jesus voltou. E milhares que viveram 
uma vida de escuridão, no lugar onde antes brilhava a luz do Espírito, foram deixados para 
trás. Porque Ele se RETIROU. Momentos após esses versos haverá uma brusca mudança 
do contexto. Sunamita vai adormecendo suavemente, vai se apagando como uma criança
que cai no sono, dizendo “eu sou do meu amado e ele é meu” como se dissesse, eu não 
vou desistir de você e então a cena muda para uma mulher vestida para a guerra, melhor 
para a dança. 
Esse é o instante em que o passado vira presente, é o final do flashback. Creio que o verso 
Quatro deste capitulo é a nota mais intensa de nossa canção. É o inicio da dança de 
Maanaim. Há uma mudança da reminiscência, para a experiência, da memória para a 
vivencia, de contar a história e agora vivencia-la. É o tempo presente de Sunamita. Essa 
mudança do tempo em Cantares evoca a mudança que acontece durante o arrebatamento, 
quando a Igreja que vive dentro do tempo do nosso universo passa a viver o tempo do 
universo de Deus, quando ela sai do temporal para o atemporal, do passageiro para o 
eterno, o instante em que a experiência humana é mergulhada na experiência divina, 
quando o corpo corruptível é revestido da incorruptibilidade, pois o tempo de dançar 
chegou! 
Na vida da Igreja gentílica, há um processo que é semelhante ao conhecimento, ao namoro, 
ao noivado, ao casamento, a lua de mel. Jesus usa a parábola do casamento para ilustrar os 
tempos proféticos que viriam sobre a Igreja. 
O casamento hebraico era composto de um noivado, uma aliança realizada em que a noiva 
já era considerada esposa. A festa de casamento era realizada em duas etapas, quase que 
consecutivas, havia a festa de casamento que duraria cerca de Sete dias, parte dos 
convidados na casa da noiva, parte na casa do noivo. Haveria uma procissão com os 
amigos do noivo da casa do noivo, de madrugada, que se encontrariam no caminho com as 
adolescentes, as virgens que esperam pela chegada da procissão na entrada da vila, indo 
todos para a casa da noiva. A lista de convidados era checada pelo pai da noiva, de 
memória, já que conhecia a todos os convidados. Nesse momento festejariam, ele coroaria 
sua noiva e partiria com ela para a casa de seu pai, levada numa liteira, se o casal tivesse 
posses, e lá na casa do pai aconteceria a segunda parte do casamento. Eles festejariam por 
algumas horas e depois, sutilmente, desapareceriam do casamento para poderem 
FINALMENTE ficar sozinhos. 
O início do ministério de Jesus é a sua apresentação, seu ministério na terra sua conquista 
da amada, a conversa com a moça para ver se seria aceito por ela. A ultima ceia, a proposta 
de noivado. A ressurreição é a primeira etapa da festa de casamento hebraico. A ascensão é 
a ida do noivo para a casa do Pai preparar suas posses para receber a esposa. E a segunda 
449
vinda de Cristo o retorno do Noivo para conduzir a Noiva á casa do Pai. Onde acontecerá 
a segunda parte do casamento. 
A dança de Maanaim é também chamada dança dos anjos, porque é o momento em que o 
noivo, Cristo, chega acompanhado de seus amigos, os anjos, para festejar sua condição de 
ESPOSO. 
É o momento em que para sempre acontece a união da Igreja com Cristo. 
É na canção quando Sunamita entrará COM OUSADIA na presença do REI. 
“Para onde se retirou seu amado para que o busquemos contigo? Ele ascendeu aos céus. 
A cena evoca poeticamente a tristeza da Igreja que viveu DORMINDO. Que viveu uma 
vida falsa, que fingiu ser santa, mas em seu interior abrigava pinturas de escaravelhos. 
E vi toda a forma de criaturas rastejantes e animais considerados impuros e todas 
as imagens de ídolos que os israelitas estavam cultuando! E muitos desses ídolos 
estavam pintados em figuras nas paredes por todo lado 
Pinturas no interior de templos e tumbas nos levam diretamente aos Egípcios. De todos os 
demais povos que transacionavam com os israelitas, este é o que desenvolveu mais as 
práticas relacionadas à pintura no interior de templos. A próxima escola seria a de 
babilônia, mas nesse instante os israelitas ainda não são cativos. Os egípcios pintavam 
Horus, pintavam anubis e diversas deidades, assim como palavras mágicas. Animais 
rastejantes são cobras, lagartos, crocodilos. Animais impuros eram os insetos. Daí os 
Escaravelhos. 
AO LONGO DOS SÉCULOS os egípcios prestaram cultos a várias espécies, tais como 
gatos, falcões e íbis, e divinizaram alguns animais vivos. Estatuetas, amuletos, e paletas de 
ardósia que representavam animais foram encontrados em vários túmulos. Nas 
representações artísticas os animais sagrados usavam um enfeite de cabeça que os 
identificava com o deus que encarnavam. O disco solar com o uraeus era o enfeite mais 
comum, mas existiam outros como veremos aqui. Nas épocas mais primitivas os animais 
eram adorados em si mesmos. Com o passar dos séculos passou-se a entender que o deus 
não residia em cada vaca ou em cada crocodilo. O culto era dirigido a um só indivíduo da 
espécie, escolhido de acordo com determinados sinais, com determinadas características do 
450
corpo e entronizado num recinto especial. Tais animais eram considerados a imagem viva 
do deus, o corpo no qual a divindade havia decidido habitar para viver entre os homens. A 
eles eram dedicados honras e cuidados especiais e ao morrerem os animais sagrados eram 
cuidadosamente mumificados e sepultados em cemitérios exclusivos. A maioria dos deuses 
egípcios tinha forma de animais considerados impuros. Lobo, falcão, garça, crocodilo, gato. 
No texto do profeta Deus reclama de um gesto especifico, uma “aspersão” de água ou 
azeite sobre as figuras nas paredes feitas com um ramo. Esse detalhe específico é bem 
doloroso, ele era parte do RITUAL REVELADO por Deus a Moisés, que agora era usado 
não apara abençoar o POVO, antes para “abençoar” as pinturas. 
Esse é uma triste, porém realista PINTURA do significado da APOSTASIA. A rejeição de 
Cristo, a substituição por cobras e lagartos, escaravelhos e sabe-se mais o que. 
Esse é o instante do pesadelo que representa o ABANDONO. Ele foi embora, porque 
você abusou do erro. 
1. דודי ירד לגנו לערוגות הבשׂם לרעות בגנים וללקט שׁושׁנים׃ 6:2 
2. Dodi yarad legano laarugot habosem lirot baganim velilkot shoshanim: 
My dodi is gone down into his garden, to the beds of spices, to feed in the gardens, and to 
gather lilies 
Sunamita ainda imagina-o como pastor. Ele deve ter ido fazer o que sempre faz, foi 
pastorear seu rebanho, deve ter ido aos canteiros colher bálsamo, deve estar colhendo 
flores para me enfeitar. 
Só que não era assim. Ele subira ao trono, a sala real do banquete, ele tratava de assuntos 
do reino. Lá estava Salomão envolvido com uma grandiosa festa, com centenas ou milhares 
de convidaos de diversas nacionalidades. Lá estaria sua esposa egípcia, lá talvez estivesse a 
rainha de Sabá. Lá estavam suas novas princesas e concumbinas, num palácio fortificado, 
cercado de centenas de homens aramados e treinados. Lá estavam provando o vinho das 
províncias, chegando as caravanas com especiarias. Mas espiritualmente o que ela suspira 
sonolenta é a verdade. Na dimensão espiritual retratando o instante profético do 
arrebatamento, Jesus desceu dos altos céus até seu jardim, para colher aqueles que são para 
ele aquilo que era o remédio do mundo. É a Igreja que cura a terra, através de sua 
intercessão, de sua oração, de sua adoração. Mas quando a Igreja for arrebatada, Jesus 
colheu o bálsamo e o levou para si. 
1. 6:3 {Refrain} 
אני לדודי ודודי לי הרעה בשׁושׁנים׃ . 2 
3. Ani leDodi veDodi li haroeh bashoshanim: 
4. I [am] my dod's, and my dod [is] mine: 
451
5. He feedeth among the lilies. 
Este é o final de seu pesadelo, ela adormece profundamente, vai espaçando as palavras, 
falando suavemente. Ela imagina seu amado correndo pelos canteiros, apascentando entre 
os lírios, fecha-se a cortina, termina o ato. 
Ela tem o nítido senso de propriedade. Ela pertence a Salomão e Salomão pertence a ela. E 
de mais ninguém. 
Os lírios falam de pureza, de santidade. São abundantes, perfazem uma imagem de um 
tapete branco, igual ao vestido que ela usava em certo momento. Ela se vê nos lírios, e 
imagina-o como num sonho, caminhando sobre ela, gigantesca, com suas curvas 
transformadas nas montanhas. Admito, exagerei. Mas é o momento em que o seu mundo 
será transformado para sempre. Importante lembrar que Jesus dirá que nem mesmo 
Salomão se vestiu como um lírio. 
1. {The Beloved} 
2. יפה את רעיתי כתרצה נאוה כירושׁלם אימה כנדגלות׃ 6:4 
3. Yafah at rayati ketirtzah navah kirushalayim ayumah kanidgalot: 
4. Thou [art] beautiful, O my ra'yah (maiden), as Tirzah, 
5. Lovely as Yerushalayim, 
6. Awesome as [an army] with banners! 
452
A menção a Tirza em Ct 6,4 é interpretada, por J. Snaith e outros autores como um jogo de 
palavras constituído pela semelhança entre o termo tiretzah (“Tirza”) e o usado para beleza 
feminina rtzh. A mesma expressão consonantal no Antigo Testamento, isto é, trtzh se 
repete nove vezes, das quais três denominam diretamente a cidade (Nm 36,11; Js 
12:24; 1 Rs 16,17). Em outras quatro vezes (Lv 26,34; Dt 33,11; 1 Cr 29,17 e Sl 51,18) trata-se 
da expressão tiretzêh que pode ser traduzida como “pagar, saldar, expiar (culpa); obter 
453
a restituição (dos sábados cumpridos)”371. É usada, duas vezes, entre os dez 
mandamentos com o sentido de “matar”. (Êx 20,13 e Dt 5,7), com uma composição 
consonantal e vocálica exatamente igual. 
Salomão vê nela a beleza de uma das maiores cidades da antiguidade, porém estrangeira. E 
compara Tirza a Jerusalém. A beleza cativante de Sunamita agora deixa nele um profundo 
impacto 
Tanto a cidade de Tirza como a de Jerusalém possuiam magníficos edifícios, belos palácios. 
Possuiam templos fabulosos e também uma arquitetura arrojada. 
Ao anoitecer ambas eram profusamente iluminadas. 
Ambas tinham fachadas de bronze que ao amanhecer refletiam ao sol. Os seus habitantes 
eram acordados por toque de trombetas. As cidades eram locais de festivais diversos, sendo 
foco de comércio. Nelas, multidões caminhavam todos os dias. Elas eram a base dos 
exércitos dos seus estados e local da realeza. 
Nelas aconteciam procissões diversas e nelas eram ouvidos por todos os lados numerosos 
cânticos. Em alguns dias do ano compartilhavam de festas religiosas com inúmeras 
lâmpadas que as faziam parecer uma fonte de luz, iluminando até montanhas distantes 
quilômetros das mesmas. 
Sunamita se preparou com todas as suas jóias, com suas melhores vestes, com um véu com 
pequenas jóias, com uma veste que reluz enquanto caminha, seus tornozelos estão com 
guizos amarrados, suas vestes de dançarina oriental deixam que seu umbigo que carrega 
uma jóia esteja a mostra por debaixo do fino véu. 
Ela se preparou e perfumou, seus cabelos estão magnificamente enfeitados com longas 
tranças trabalhadas com fios dourados, avermelhados pela hena, com reflexos de púrpura 
pela tintura especial, a mesma utilizada para pintar a roupa dos reis. 
Dessa vez Sunamita não foi contida no decote de sua roupa. 
Havia já algum tempo que não se encontravam e nesse interim o coração de Salomão 
queimava de saudade. Esse é o ponto grandioso da canção. O rei assentado em seu trono 
solicita para que entrem as dançarinas que vêm em duas imensas fileiras. Os músicos se 
preparam para tocar, quando em meio delas Sunamita aparece, trajando a mais cara veste 
que uma dançarina jamais vestiu. As filhas de Jerusalém não pouparam nem um pouco 
para ajudá-la. Creio que são elas que conseguiram o encontro, que usaram seus recursos 
políticos da alta nobreza, que insistiram junto aos seus pais. São elas que agora desfilam em 
uma das imensas fileiras ao redor de Sunamita. 
É o inicio da dança de Maanaim. É o momento em que a caçadora de raposas caçará seu 
homem. É o instante em que a serva REINARÁ. 
Esse momento evoca uma mudança de atitude. A moça está muito irritada. Aquele sujeito 
TRATANTE a enganou. A seduziu, conheceu sua mãe, apresentou-se como pastor, até 
NOIVOU COM ELA! 
454 
Suas roupas são tão coloridas que lembram as insigneas de dois exércitos diferentes. 
A igreja de Cristo diante dele é para ele um tremendo espetáculo. A palavra terrível é a 
mesma utilizada, e com a mesma emoção, de quando Deus manifesto na audiência de Jó, 
descreve ao poder do Leviatã. 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaeHVHc09sTmZwdzQ/edit?usp=sharing
Ela luta pela sua Dignidade. Seu respirar é tenso. Praticamente não respira. Na verdade ela 
solta fogo. 
O mistério da intercessão se cumpre na dança de Sunamita. Sua postura admirável, sua 
tremenda coragem, sua ousadia absurda. 
Lá fora os irmãos gritam para poderem entrar, mas não podem, não possuem a dignidade 
necessária para tal, não que fossem indignos pela sua posição de trabalhadores, mas não 
tinham as credenciais que lhes dessem acesso ao lugar onde Sunamita agora está. 
Ela não será separada de seu amado. Ela lembra dos montes de Beter e da história de 
Tamar 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KadWhtZVNGVDFzd0U/edit?usp=sharin 
g 
Ela não se importa com as dignidades ale presentes. As mais poderosas mulheres do 
mundo de sua época estão ali presentes na Casa do Líbano. Creio que ali está a rainha de 
Sabá. Ali está a filha de Faraó. E se duvidar, ali está presente também o próprio Faraó, 
acompanhando a filha numa das festividades. 
Mas ela não se imporá em caminhar sobre o fio-da-navalha, sobre a corda suspensa sobre o 
abismo. 
Porque nessa noite ela olhará para o abismo. E ao abismo não ousará encará-la. 
ALELUIA. 
1. הסבי עיניך מנגדי שׁהם הרהיבני שׂערך כעדר העזים שׁגלשׁו מן־הגלעד׃ 6:5 
2. Hasebi einayikh minegdi shehem hirhivuni sarekh keeder haizim shegalshu min-haGilad: 
3. Turn away thine eyes from me, for they have overcome me: thy hair [is] as a flock 
of goats that appear from Gil'ad. 
455
Sunamita vem dançando e se aproximando do trono, aplaudida pela multidão que sequer 
tem a vaga noção do que está acontecendo. A multidão está ali para festejar, comer e beber 
as custas de Salomão. Ela não deseja a comida ou o excelente vinho do rei. Sunamita anseia 
algo muito mais precioso. Seu combate é muito maior e o drama que ocorre por detrás 
daquele véu é mais mágico, mais inefável que alguém poderia imaginar. A caçadora se 
aproxima, e em seus voleios tem as suas armas. Seus membros são instrumentos de sua 
doce vingança, ela usará sua tremenda habilidade de dançarina para alcançar o premio mais 
lato. O coração do rei. O confronto se dará quando ela estiver face a face com o rei. 
Ninguém pode se aproximar de um rei sem sua autorização, na antiguidade isso era uma 
norma de segurança seguida arisca e exigia tremendos protocolos. Mas aquilo é uma festa e 
ela a dançarina oficial. Ela vai rodando, saltitante, passo a passo intrepidamente até que 
num brusco movimento ela se ajoelha diante do rei e levanta lentamente a sua cabeça 
enfeitada cabeça fitando a Salomão longamente. 
E ele a reconhece. Reconhe muito bem. 
E treme. O príncipe da paz perdia a sua mais admirável batalha. O olhar da moça o 
envergonha. O enternece, o desarma. Seus olhos são de um verde profundo. Ele nos 
revelará isso daqui a pouco, nos próximos versos, só estou adiantando. Salomão não 
456
consegue fitá-la, ela é seu grandioso amor, sua paixão juvenil, ele queima por dentro, fica 
profundamente perturbado. 
Esse olhar é para ele a morte. Morte dos subterfúgios, das armações, da camuflagem, da 
brincadeira. 
Certa feita Moisés pediu a Deus para avistá-lo, mas a resposta é que ele não poderia fitar 
seu rosto, somente observá-lo a passar de costas. O Israelita temia a visão dvina, porque 
ver a Deus significava estar frente a frente com um poder tão glorioso e admirável que o 
ser humano se desfaria. 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaaTU0SHY4MzMtS2c/edit?usp=sharing 
Daniel cai prostrado ao ver o anjo que lhe vem ao encontro, Davi também diante do anjo 
do juízo em Jerusalém, o profeta João desfalece ao ter a visão de Cristo glorificado. 
457 
Jesus afirma que somente os de coração limpo poderão no futuro ver a Deus. 
Mas, em Cantares, a ordem natural das coisas é mudada. Salomão representa ao Espírito 
de Deus. E é ele que se diz perturbado. A IGREJA mira os olhos de Deus, olha 
profundamente para ele através de sua expressão de vida, de comunhão, de oração, de 
súplica, de adoração e de Intercessão. E ao fazer, ao derramar pelo seu espírito as 
aspirações mais profundas de seu coração, não é ela que MORRE... É Deus que vira seu 
rosto de lado. Espiritualmente falando, como se envergonhado. A suplica da Igreja move o 
coração de Deus de um modo que sequer somos capazes de entender. Não é sem razão 
que as Escrituras dizem que muito pode um justo em suas orações. 
É um momento de grandiosa emoção, compartilhada por somente duas pessoas naquele 
salão. Ou três. Salomão e sua mãe, Betseba que sabe muito bem quem é aquela menina, 
afinal ela esteve presente em seu casamento. Os outros olhares são de CIUME. Muito 
cíume. Ao fazer o que faz, Sunamita está CONFRONTANDO seu amor ao de TODAS as 
outras mulheres ali presentes, fazendo uma invulgar aposta em si mesma! 
1. שׁניך כעדר הרחלים שׁעלו מן־הרחצה שׁכלם מתאימות ושׁכלה אין בהם׃ 6:6 
2. Shinayikh keeder harkhelim shealu min-harakhtza shekulam matimot veshakulah 
ein bahem: 
3. Thy teeth [are] as a flock of sheep which go up from the washing, whereof every 
one beareth twins, and [there is] not one barren among them.
Então depois desta pequena e gloriosa guerra de dois personagens, deste que é o momento 
mais TENSO de Cantares, o dos olhos de Sunamita nos olhos de Salomão, Sunamita abre 
um largo sorriso. O sorriso que fez com que um dia Salomão por ela se apaixonasse, o 
sorriso que um dia arrebatou seu coração. O sorriso que era a maior alegria de sua própria 
vida. E a repetição de um refrão, que se não senão foi expresso de modo audível, foi 
458
correspondido com um largo sorriso. Salomão trás a memória cada sentimento sent ido, 
cada momento vivido, lembrando das danças, das vinhas, das noites sob o luar, da menina 
deitada em seu colo, das tranças jogadas de brincadeira em seu rosto, e do primeiro beijo. 
Lembra de sua voz. De suas próprias cantadas. Das suas insinuações de um futuro, de 
filhos e filhas (quais todas produzem GEMEOS e não há ESTERIL entre elas). 
Seu sorriso vem de um motivo nobre. Algo aconteceu alguns instantes antes. Ela não está 
sorrindo em vão. Ela se sente ACEITA. 
Esse é o sentimento profético mais abundante em todos os ressurretos. Eles acordam nas 
nuvens, em mio a muitos milhões de anjo. A quem vencer, darei um novo nome, darei o 
maná e uma pedra escondida. Eles venceram a batalha, eles saíram da morte para a vida. A 
igreja vitoriosa ouve “vinde benditos do meu pai e possui o reino que vos está destinado!” 
A graça superabundou onde havia o pecado, a lei do espírito e da Vida provou-se superior 
a lei do pecado e da morte. Aceitação que se traduz em Dignidade Eterna. Nunca mais 
haverá fome, nem calor e nem raposas para srem caçadas. Nunca mais haverão meio-irmãos 
aproveitadores, nem as cores da pobreza. O mundo da escravidão ficou 
definitivamente para trás. O risco, o perigo, a possibilidade da rejeição, a possibilidade de 
tudo que foi feito ter sido em vão, acabou! 
O Espírito de Deus já nos vê vitoriosos, já nos antevê nos céus. Ele já nos imagina 
dançando e cantando e adorando-o para sempre. Os sinais e prodígios, as curas, as línguas 
estranhas, as profecias e todas as operações espirituais, as doces consolações do Espírito, o 
desejo de orar, a sede de Deus, eram só sintomas da mesma enfermidade do inicio do 
poema. “Estou enferma de amor”. São sintomas de um amor que não tem como deixar de 
ser correspondido. Desde que Sunamita não desista de seus sonhos, não desista do Amado. 
1. כפלח הרמון רקתך מבעד לצמתך׃ 6:7 
2. Kefelakh harimon rakatekh mibaad letzamatekh: 
3. As a piece of a rimmon (pomegranate) [are] thy ra'ah within thy locks. 
459
Salomão já perdeu alma...Sunamita gira e suas tranças bailam sobre sua cabeça. Mas parte da 
tranças já se desfizeram. Parte do seu cabelo está solto e esvoaçante. Ela está vermelha de 
vergonha, vermelha de emoção, vermelha de paixão. E vermelha de felicidade. Está 
corada. E os olhos de Salomão que a NADA deixam escapar, nota essa emoção estampada 
no rosto de sua Amada. Salomão perdeu a alma...poeticamente falando...lembra o instante 
em que Cristo diz que DEU sua vida voluntariamente, e que tinha poder para retomá -la. 
460
1. שׁשׁים המה מלכות ושׁמנים פילגשׁים ועלמות אין מספר׃ 6:8 
2. Shishim hemah melakhot ushemonim pilagshim vaalamot ein mispar: 
3. There are threescore queens, and fourscore concubines, and maidens without 
number. 
E nesse momento, a coroação, o reconhecimento de um amor que é maior que o mundo. 
O coração do rei foi arrebatado, arrebatado pela beleza de uma Igreja que dança de alegria, 
que o ama apaixonadamente. Ali está, provavelmente, a rainha de Sabá. Soberana da 
Etiópia. Ali está a filha de Faraó. Ali estão gregas e fenícias, libanesas e árabes. Mas já não 
existem rainhas e nem comcumbinas. Nem os milhares de convidados. Ele sequer atenta 
para as duas fileiras de dançarinas. As filhas de Jerusalém e as filhas de Siló. 
1. אחת היא יונתי תמתי אחת היא לאמה ברה היא ליולדתה ראוה בנות ויאשׁרוה מלכות ופילגשׁים 6:9 
ויהללוה׃ 
2. Akhat hi yonati tamati akhat hi leimah barah hi leyoladtah rauha vanot vayeashruha 
melakhot ufilagshim vayehalluha: 
3. My Yonah (dove), my undefiled is [but] one; she [is] the [only] one of her mother, 
she [is] the choice [one] of her that bare her. The banot saw her, and blessed her; 
[yea], the queens and the concubines, and they praised her. 
Porque seus olhos, coração, pulmões e baço, pertencem a ela. Só a ela. Então ele relembra 
sua essência, pacífica, igual a dele. E acrescenta-nos um segredo, um fato escondido até este 
momento. Ela é filha única. A única moça da família. Mas o texto traduz um mistério. Ela é 
filha única, em meio a outras filhas. Filhas de SALOMÃO. Ele possui MENINAS! E elas 
se alegram com o fato de Sunamita ser uma adolescente! As meninas são pequenas, 
Salomão possui trinta e poucos anos, a idade aproximada de Jesus durante os dias de seu 
ministério, e já possui uma multidão de filhinhas. O que mostram seu amor extraordinário, 
ter filhas na antiguidade não era uma coisa bem-vista por centenas de culturas. Mas 
Salomão não se importa. Ele as ama, e as conduziu para sua maior festa diante de todos o 
seus conviados. Ele as honrava diante de todos e dava o exemplo como rei. E veja. AS 
MENINAS COMPREENDEM O QUE ESTÀ O QUE ESTÀ ACONTECENDO!!!!! 
461
É o ESPIRITO de DEUS que reconhece e dignifica sua Igreja. As muitas mulheres de 
Salomão eram fruto de acordos políticos. Alexandre O Grande, por exemplo casou com pelo 
menos duas mulheres, Roxana, filha de um nobre pouco importante, e a princesa persa 
Estatira, filha de Dario III. Getúlio Vargas casou-se, em 1911, com Darcy Lima Sarmanho, com 
quem teve cinco filhos: Lutero Vargas, Getulinho, que morreu cedo, Alzira Vargas, Jandira e 
Manuel Sarmanho Vargas, (o Maneco). Este casamento foi um ato de conciliação, pois as 
famílias dos noivos eram apoiadoras de partidos políticos rivais na Revolução Federalista de 
1893. A família de Darcy Sarmanho era maragato e a de Getúlio chimango. Em 24 de agosto de 
1572 estava marcado o casamento de Henrique, rei de Navarra e chefe da dinastia dos 
huguenotes, e Margarida Valois, princesa da França, filha do falecido rei Henrique II e de 
Catarina de Médici, e irmã de Carlos IX. O casamento foi arranjado para cessar as lutas 
religiosas entre católicos e huguenotes que predominou na França durante anos, com 
assassinatos, depredações e estupros. Milhares de huguenotes e de católicos foram 
convidados para participar da celebração em Paris. Mais tarde, eles saberiam que tudo não 
passava de uma armadilha francesa preparada pela nobreza francesa. A família Guise 
observava com profunda desconfiança a cerimônia ao lado da catedral de Notre Dame. Vale 
lembrar que a cerimônia não foi realizada dentro da catedral. O noivo protestante não deveria 
entrar na Notre Dame, ou assistir à missa. Diante do portal ocidental da catedral, foi 
construído um palco sobre o rio Sena, no qual se celebrou o matrimônio. Margarida não 
respondeu com um “sim” à pergunta se desejava desposar Henrique, mas com um aceno 
positivo com a cabeça. Como era comum na época, o casamento tinha motivação 
exclusivamente política. 
Salomão fez isso não somente duas ou três vezes. Fez isso SETECENTAS VEZES. Para manter a 
paz em todas as suas fronteiras Salomão recebeu a mão de princesas Persas, Moabitas, 
Edomitas, filisteias, Jonicas, Médias, Libanesas, Árabes, Amonitas, Indianas. Neste momento de 
sua vida ele já acumula SESSENTA delas. Ele nãso as ama, pode ser que sequer tenha 
intimidade com elas. Estão ali por conveniência politica. Porém não será nehuma delas que ele 
exaltará por todos os dias de sua vida. Certamente ele compôs cânticos para a maioria delas. 
Mas nenhum destes cânticos foi preservado. Somente um dentre 1005 Cânticos. 
A Expressão Cântico dos Cânticos possui a mesma forma de Santo dos Santos. Ou Santíssimo. 
Duas únicas expressões nas Escrituras possuem essa forma. Uma exalta a santidade do Santo 
dos Santos e a outra a superioridade de Cantares. 
Aquela moça encrenqueira, aquela caçadora de raposas, aquela dançarina mágica, aquela 
moça cheia de colares, colares com pedras encantadas, ela, só ela, recebeu a expressão 
maior do amor de Salomão. Não pela sua posição, não pela sua importância no cenário 
político internacional. Não pela sua erudição. Ao lado de Salomão estavam doutas 
princesas. Uma se sobressaía entre elas. Alguém que tinha fome de conhecimento e de 
sabedoria. 
Makeda. 
A rainha de Sabá, que coloco (por minha conta e risco) presente nesse Cântico 
monumental. 
Os paralelos são belíssimos. “Eu vos escolhi a vós”. “Meu Pai é que vos trouxe a mim”. 
Sunamita é um presente de Deus para Salomão. Assim como a Igreja, cada vida em 
particular, escolhida no meio do mundo, amados por Deus, antes de serem formalmente 
apresentados. 
Porque não é pelas obras, nem pelo esforço humano. A justificação vem pela fé. Não da 
grandeza de nossos atos, antes da beleza de nossa fé nele. O amor é que nos constrange até 
Cristo e é por esse amor que cremos, e ao crermos, nos faz aceitos. A fé nos exalta, nos 
coloca diante do Rei, e nos concede um lugar especial em seu coração. 
462 
Este é o Cântico dos Cânticos, porque é maravilhos demais.
1. מי־זאת הנשׁקפה כמו־שׁחר יפה כלבנה ברה כחמה אימה כנדגלות׃ 6:10 
2. Mi-zot hanishkafah kemo-shakhar yafah khalvanah barah kakhamah ayumah 
kanidgalot: 
3. Who [is] she [that] looketh forth as the morning, fair as the moon, clear as the sun, 
[and] terrible as [an army] with banners? 
A dança aconteceu de modo deslumbrante, com rica coreografia de um grande grupo de 
dançarinas. Ao menos duas fileiras. Há uma tradição profética que remonta dos dias 
anteriores ao nascimento de Davi, Pai de Salomão. 
Siló continuou a ser a capital de Israel durante 369 anos, até que a morte do grande Cohain 
Godol, Eli. (Zevachim 118). Até que por desrespeito ao lugar santo o Senhor permitiu que 
esta cidade fosse arrasada pelos filisteus (Jer. 26:6,9). é aqui que o representante e grande 
servo de Deus dá a ordem (ordem no sentido real) de separar a terra santa da terra dos 
"sh'fatim" (Js 18:1,8) O nome moderno da área é Khirbet Seilun. Há uma colina em 
Khirbet Seilun com uma plataforma de pedra no cume. Muitas pessoas acreditam que este 
é o lugar onde o Tabernáculo foi construído na Siló antiga. 
463
464
465 
Atualmente, na região fica a cidade de Rosh Ha’ayin. 
o profeta Aijá morava em Silo. (1Rs 12:15; 14:2, 4) 
Siló é o lugar do inicio das danças das Vinhas. Foi de lá que as moças raptadas formaram a 
nova tribo dos benjameitas. Todavia, 400 virgens de Jabes-Gileade foram levadas a Silo e mais 
tarde entregues aos benjamitas. Os benjamitas foram também instruídos a obterem mais 
esposas dentre as filhas de Silo, levando-as à força quando as moças participassem em danças 
de roda por ocasião da festividade anual para Jeová, realizada em Silo. — Jz 21:8-23. 
Em Siló morava Samuel e é nela que Saul se encontra com as namoradeiras dançarinas da 
cidade. Numa cena engraçadíssima, quando ele vai procurar Samuel na cidade, ele as 
encontra no caminho e pergunta onde é que pode encontrá-lo. A resposta é uma enrolação 
sem tamanho, elas esticam o quanto podem a conversa, afinal Saul era na época o jovem 
mais bonito de Israel. 
1 Ao subirem a colina para chegar à cidade, encontraram algumas jovens que estavam saindo 
para buscar água e perguntaram a elas: “O vidente está na cidade?”
12 Elas responderam: “Sim. Ele está ali adiante. Apressem-se; ele chegou hoje à nossa cidade, 
porque o povo vai oferecer um sacrifício no altar que há no monte. 13 Assim que entrarem na 
cidade, vocês o encontrarão antes que suba ao altar do monte para comer. O povo não 
começará a comer antes que ele chegue, pois ele deve abençoar o sacrifício; depois disso, os 
convidados irão comer. Subam agora e vocês logo o encontrarão”. 
Bastava um sim... Mas assim elas não teriam assunto para segurar o rapaz... 
As filhas de Siló eram mestras em dança. Para lá afluíam todas as tribos de Israel nas 
festividades que aconteceram por 369 anos em Siló. E Siló também, inundada numa atmosfera 
de culto a Deus por tanto tempo, tornou-se a primeira escola de profetas da TERRA. A 
profissão de profeta no mundo, como ministério, iniciou-se em Siló. Abraão, Jacó, José e 
Moisés e mesmo Davi foram grandes profetas, mas é com sanuel que uma instituição que 
capacitava profetas surgiria. Única no mundo, cujos ensinamentos e práticas jamais forma 
mencionadas, presidida por Samuel, sue primeiro grão-mestre. Os aprendizes ou separados 
para exercer o ministério no Velho Testamento eram chamados de “filhos de profetas”. 
Mesmo quendo Deus separava um agricultor ou um vinhateiro de outra região para ser 
profeta, em algum instante, ele conheceria pessoas que nasceram do movimento espiritual 
originado em Siló. 
Compreender Siló é importante. Assim que Samuel se aposentou de ser juiz de Israel ele 
começou a presidir esse colégio, o grupo, essa escola não nomeada. Samuel se reunia com 
muitos, na região onde ainda existia o tabernáculo, já vazio, sem a arca que fora tomada pelos 
filisteus, e que depois ficou 20 anos numa fazenda Israelita. E lá havia poder espiritual, unção 
divina, a manifestação do Espírito de Deus num nível que muitos ministros da Graça, ministros 
do Novo Testamento jamais conhecerão. 
Siló é o lugar onde Jeftá, juiz de Israel, homem de origem humilde e desconsiderada, tratado 
como sujeito sem dignidade por ser filho de uma prostituta. Não tinha “pai” por assim dizer, 
mas homem de coragem e poderoso guerreiro, que tinha uma filha dançarina e musica. Para 
obter uma vitória impossível ele faz um voto infeliz, que fará com que sua filha seja oferecida 
como serva do santuário de Siló, e por isso, não poderia se casar. Isso representava quase a 
morte para uma menina israelita. Mas a moça sabendo que foi ofertada como sacrifício vivo a 
Deus, (já que Jeftá esperava que viesse um cordeiro ou uma vaca ao seu encontro, que 
ofereceria em sacrifício) decide permanecer virgem e dedicando-se ao sacerdócio pelo resto 
de sua vida. Por 30 dias suas amigas sobem com ela até o monte da cidade para chorar sua 
virgindade eterna. Chorar o fato de que ela jamais poderia ser mãe. 
Creio que essa moça será a “mãe” das filhas de Siló. Ela manterá viva as tradições de dança, ela 
criará uma escola de dança em Siló. Ela será conhecida por todos, que de ano em ano a verão 
dançando nas festas de Israel. Ela é uma promessa viva, que jamais foi quebrada. 
Siló é o lugar onde ANA chora por sua esterilidade, recebendo de Deus 7 filhos. O primeiro ela 
ofereceu ao ministério do tabernáculo. Seu nome é Samuel. 
Em Siló a arca será tomada e o fogo que ficava acesso dentro do tabernáculo, aceso a mais de 
370 anos, se apagará. 
Em Siló o sacerdócio Levitico será é rejeitado. Lá o último sacerdote levita legitimo, debaixo da 
ordem de Araão( irmão de Moisés), ordem ainda vigente, morrerá. Ao saber que a arca foi 
tomada. É lá que é dado a profecia do surgimento de uma nova ordem sacerdotal. 
Os levitas que ministraram no templo de Salomão já estavam debaixo de outra ordenação, ou 
num prazo de misericórdia concedido ainda à antiga ordem. 
Siló será finalmente destruída e queimada a fogo. Juntamente com o antigo tabernáculo, 
quando o templo de Salomão estava de pé. 
466 
Salmos 78:60 
Abandonou o tabernáculo de Siló, a tenda onde fazia morada entre os homens. 
Salmos 78:61
467 
Entregou o símbolo do seu poder ao cativeiro, e seu esplendor, nas mãos do opressor. 
6então farei deste Templo o que fiz do Santuário de Siló, e desta cidade, um objeto de 
maldição entre todas as nações da terra!” 
Os filisteus ou os Assírios tomaram Siló, levaram cativo seus habitantes e incendiaram as casas 
e o tabernáculo. Tudo virou cinza. 
O ultimo sacerdote levítico que ministrou no tabernáculo se chamava Eli e possuía dois filhos. 
Nadabe e Abiu. Seriam os próximos sacerdotes e herdeiros das tradições sacerdotais, 
históricas, jurídicas e de sabedoria de Israel. Todo o Israel se reunia em Siló para aprender 
sobre Deus. Mas, Nadabe e Abiu eram ímpios. Moralmente deturpados. Desonestos. Aváros. 
Irreverentes. Neles não habitava nenhum tipo de respeito pelas coisas divinas. Usavam os 
sacrifícios que o povo levava para seu próprio proveito. A cena mais grotesca em relação as 
ofertas do Velho Testamento demonstra a completa ignorância que tinham com relção ao 
ofício que receberma por herança. Interromperam o Yom Kipur para retirar de sobre o altar a 
carne dos sacrifícios, bebâdos, e a levarem em pedaços fincados num garfo, saindo pelas 
cortindas do santuário, passando pela porta da tenda, em direção de suas casas. Diante de 
toda a multidão estarrecida. Fizeram isso diante de toda a nação, ou de pelo menos, milhares 
de peregrinos que se locomoveram por dias e até semanas para terem o privilégio de adorar a 
Deus no lugar mais sagrado da terra desta época. 
Esse ato é o ato final. Essa foi a atitude foi considerada tão grave por Deus que o sacerdócio foi 
sumariamente rejeitado. Os dois morreriam semanas depois num confronto com os filitesu, 
ambos, no mesmo instante em que a arca seria tomada por um exército estrangeiro. Ao 
receber o anuncio da morte dos filhos e da tomada da Arca, o velho Eli cairia de sua cadeira e 
quebraria o pescoço tendo morte imediata. 
Na época de Sunamita e Salomão, Siló ainda existe. Ainda existem as danças, ainda há uma 
escola de dançarinas. A segunda geração de profetas após Samuel está lá em Siló. Muitas das 
dançarinas de Siló eram filhas de profetas. As filhas de Siló eram próximas, moravam no local 
do maior movimento profético do Velho Testamento. Eram descendentes de Benjamitas. 
Todas as mães de Siló nasceram de mulheres que um dia dançaram e corriam nas festas 
dedicadas a Deus. E todas as moças de Siló tinham origem em avós ou bisavós raptadas. 
Paulo de Tarso que nascerá mil anos após esses eventos, é provavelmente, descendente de 
uma dessas mulheres Benjamitas. De umas das filhas de Siló. 
A palavra Maanaim é traduzida como (fileira de dois exércitos) em algumas versões, em outras 
é deixada sem tradução. 
Para estar ali como dançarina na presença do Rei, como dançarina principal Sunamita é 
extremamente formosa. E necessita ser exímia dançarina. Ela é morena, mas iluminada pelas 
tochas do salão, adornada de pedras e adereços brilhantes, ela literalmente, brilha. Ela 
ilumina o chão por onde passa, refletindo as luzes nos cristais de suas vestes. Seus véus 
coloridos se abrem, se desfraldam como bandeiras, e os guizos deseus pés batido 
ritmadamente parecem o pisar de uma tropa, os passos de um grupo de soldados correndo. Os 
guizos amarrados nos pés agem como instrumentos de percussão, eles marcam o ritmo, em 
contratempo com o barulho das pulseiras e do tamboril. Ela roda como um soldado que se 
movimenta com a espada em alguns instantes. Ela lembra uma guerreira. Jamais desistiu. E 
jamais desistirá de seu amor por Salomão. Salomão usa uma palavra que designa o 
sentimento (TERRIVEL) que teríamos se estivéssemos ao lado de uma tropa da antiguidade em 
marcha, com seus gritos de guerra. Sunamita grita, tece trechos de melodia com a voz, ainda 
comum nas expressões vocais Árabes, Persas Sírias e Indianas. Faz parte da requintada
coreografia. Seu pano de fundo sonoro. E seus gritos são tão espetaculares que os milhares 
ali presentes se arrepiam. Os videos abaixo dão uma noção de vozes árabes de cantoras. 
468 
http://www.youtube.com/watch?v=A5z236LbZg8 
http://www.youtube.com/watch?v=sSBM4l2g0SY 
Essa aventura na terra tem um grande eco celestial. 
Após a volta de Cristo a Igreja brilhará como o sol. Ela resplanderá, literalmente, graças a 
transformação causada pelo evento que Paulo chamou docemente de ADOÇÃO. A 
Adoção na antiguidade tinha um rito. Para os Romanos se dava por uma cerimônia de 
transmissão. Esta cerimônia era realizada diante de um tribunal de justiça romano, onde a 
pessoa que estava sendo adotada era transferida à família do adotante. Esta transferência 
tinha que ser testemunhada e atestada por uma outra pessoa fidedigna. A adoção romana 
poderia ser efetuada independentemente da idade da pessoa que estava sendo adotada. O 
Apóstolo Paulo é o único escritor do Novo Testamento que usa a palavra adoção. Paulo 
usa este termo cinco vezes no Novo Testamento. A palavra “adoção” é usada uma vez em 
referência a Israel (Rm 9:4); é usada três vezes em relação à vida do crente nascido de novo 
(Rm 8:12-17; Gl 4:1-5; Ef 1:3-6); e, finalmente, Paulo usa “adoção” para referir-se à 
nossa esperança pelo futuro em que plenamente experimentaremos o 
completamento da nossa fé por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (Rm 8:22,23). 
É com este ultimo uso da palavra que estamos nomeando ao reencontro entre Cristo e a 
Igreja, literalmente falando. 
Essa aparição é a mais emblemática reunião, a mais aterrorizante visão da Eternidade. Pose 
ser que a humanidade não veja o que acontecerá neste dia. Mas está visível para todas as 
demais dimensões espirituais. As Potestades, as Hostes, os Poderes e as Soberanias, verão 
esse evento. E TREMERÃO. Lidar com a Igreja ainda revestida de humanidade, flhas, 
erros, medo, dores, cansaço, desanimo, já é uma cois complicadíssima para o inferno. Hoje 
se cumpre na vida de muitos o FORMOSA COMO A LUA. Esse termo nos remete a 
Igreja que cheia do Espírito REFLETE a glória divina, reflete o amor de Deus, reflete a 
luz, luz da presença, da unção, do carinho, do amor não fingindo. Luz do conhecimento da 
Palavra de Deus, luz da esperança. Ela é formosa como uma lua cheia
Formosa como a Lua, Brilhante como o Sol, há uma sequencia proposital. Certa feita Jesus lia um 
rolo da profecia de Isaias 
Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: 
- "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para 
anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos 
469
cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano aceitável 
do Senhor." 
Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que 
estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 
Então Jesus começou a dizer-lhes: - "Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês 
acabam de ouvir". 
Mas... Não é ai que o parágrafo para. Qualquer rabino judeu teria lido até o final do 
verso, ou do capítulo. Faltou um pedaço para terminar o trecho. 
Isaias 61:2 a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; 
Porque a Profecia de Isaias que estava se CUMPRINDO até aquele instante era ATÉ onde 
Jesus leu. O “ano da vingançado nosso Deus” é conhecido nas Escrituras como o “Dia do 
Senhor” é um tempo de julgamento, de juízo, uma época pertencente AINDA ao futuro da 
humanidade. Jesus manifestava a Graça, a Misericórdia e o Amor de Deus. Não veio para 
o JULGAMENTO do mundo, veio para manifestar RECONCILIAÇÃO antes dos 
tempos de JULGAMENTO. A distancia de tempo, até agora, entre o ano aceitável do Senhor e 
o dia da vingança é pelo menos de 2000 anos. Ainda vivemos sob a esfera da Graça, 
ainda permanecemos dentro de O ANO ACEITÁVEL DO SENHOR. 
A profundidade da PROFECIA nas Escrituras é algo verdadeiramente 
SOBRENATURAL. Com trocadilho. 
470 
Do mesmo modo: 
Há entre as frases, creio, esse mesmo fenômeno, o tempo. Como se transmitesse a nós a 
idéia de épocas distintas. 
Como a alva do dia, como o amanhecer nos lembra a Igreja apostólica. Que se inicia com o 
BATISMO de JESUS. Recebe um intervalo de 10 dias entre a ASCENSÃO e o 
PENTECOSTES, para respirar e começar a trabalhar. 
Nós vivemos hoje a profecia poetizada no trecho FORMOSA COMO A LUA.
471 
Bem, Nem todos... 
Um pastor e tenente reformado da Marinha foi preso, ontem (4), sob acusação de ter 
matado uma mulher, que seria sua amante e ainda por ter estuprado a filha da mesma, na 
Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. 
Marcos Antônio da Silva Lima, de 53 anos, levou as duas vítimas para um matagal. Ele 
estuprou a filha da mulher e depois atirou contra elas. A menor, de 14 anos, conseguiu 
escapar, fingindo que estava morta. 
Foto: Reprodução 
A motivação do crime seria vingança. O pastor mantinha um caso extra conjugal com a 
mulher, Jane da Silva de Jesus, de 36 anos. Ela se negou a continuar o romance e ele a 
matou; a jovem que estava no local na hora do crime, era filha da vítima e também foi 
alvejada, mas, não morreu. Ao ser baleada a jovem se fingiu de morta e conseguiu escapar. 
A mãe dela não resistiu aos ferimentos e morreu no local. 
A polícia apreendeu, em poder do suspeito, três armas, munição, facas, toucas, luvas, 
documentos. 
Mas, a IGREJA FIEL vive essa POSSIBILIDADE, esse tempo em que pode BRILHAR. 
Em que pode ser FORMOSA COMO A LUA. 
Para que um dia BRILHE ou seja PURA como o SOL. 
אל־גנת אגוז ירדתי לראות באבי הנחל לראות הפרחה הגפן הנצו הרמנים׃ 6:11 
1. El-ginat egoz yaradti lirot beibei hanakhal lirot hafarkha hagefen henetzu 
harimonim: 
2. I went down into the garden of nuts to see the fruits of the valley, [and] to see 
whether the vine flourished, [and] the rimmon (pomegranates) budded.
472 
Nogueiras são árvores que levam tempo para se tornarem adultas.
O porte desta árvore impressiona, principalmente nos indivíduos mais velhos, que chegam a 
alcançar 44 metros de altura. Seu crescimento no entanto é bastante lento, e com 10 anos, 
alcança cerca de 5 metros de altura. 
Mudas oriundas de sementes iniciam a produção entre 15 a 20 anos após o plantio. Em ambos 
os casos a longevidade das plantas é bastante elevada, superando 300 anos. Suas folhas 
contêm um óleo aromático. 
473 
Árvores de fruto: Nogueira (Juglans regia) 
(árvore jovem)
474 
(inflorescência de flores masculinas) 
(flores femininas)
475 
(frutos imaturos) 
Fruto mduro pronto para cair da árvore
Existe mercado tanto para a madeira quanto para as nozes fornecidas pela nogueira. 
Entretanto, devido a diferentes práticas culturais necessárias para maximizar cada uso, 
madeira de alta qualidade e produção excelente de nozes geralmente não vêm da mesma 
árvore. Não importa o uso, pode levar várias décadas para uma jovem nogueira dar retorno 
sobre o investimento. As nogueiras começam a produzir nozes após cerca de dez anos, mas 
levará cerca de 30 anos antes que alcancem seus anos mais produtivos. A produção de 
madeira leva cerca de 50 anos. O maior valor da madeira das nogueiras ocorre quando as 
árvores têm cerca de 80 anos 
476 
Móvel feito com madeira de nogueira
477 
http://www.youtube.com/watch?v=YuI5BnTcOQE 
http://www.youtube.com/watch?v=13ux62FiDwA 
http://www.youtube.com/watch?v=pX-yT0y9-y8 
Som das guitarras acústicas de madeira de Nogueira. 
Salomão expressa uma nota NOSTÁLGICA. Ele está relembrando algo que era a razão de 
ele ter descido até o Libano. A expressão “subir” é normalmente usada para ir para 
Jerusalém, que ficava sobre uma elvação chamada monte Sião. Para ir até ao Libano saindo 
de Jerusalém ele estaria “descendo”. Passaria por alguns vales. Apesar do Líbano ter 
também locais bem altos. Mas Salomão um dia foi inspecionar seus pertences, suas 
fazendas, seus hardins, seus olivais, seus vinhedos, suas plantações de nogueiras. Ele 
relembra a razão de se encontrar ali onde está. Nessa nota da canção Salomão evoca que 
não era sua intenção se apaixonar. Que os motivos que o trouxeram até ali eram outros. 
Mas ele foi atropelado pela Sunamita. Literalmente. É a outra possibilidade. Ela esbarrou 
nele de propósito lá no vinhedo. É é também uma desculpa esfarrapada... Nogueiras levam 
DEZENAS de anos para estarem prontas... se haviam sido plantadas em sua 
administração... Ele está brincando com ela. Não foi um acidente. Não foi o destino que 
proporcionou seu encontro. Ele a viu correndo atrás das raposas. Ele a viu desprezando-o, 
fugindo dele. Ele sabia que a moça não queria nada com ele. Que ela o desprezava. Que 
ela o detestava. E para conquistá-la, arriscou sua cabeça e seu reino. 
Porque ele a amou, antes que ela o conhecesse. 
Nogueiras falam de amadurecimento espiritual. Frutos que só se alcança após anos de 
preparo. Fala de um processo lento de crescimento. Mas que torna um jardim admirável. 
A Qualidade da madeira de nogueira é extraordinária. Piso, móveis belíssimos, 
instrumentos musicais de timbres especiais. Ouçam o timbre dos exemplos dos links 
acima. Uma madeira que produz instrumentos de altíssima qualidade.
O jardim de nogueiras evoca uma Igreja madura, com pessoas capacitadas, com 
crescimento e fortalecimento espiritual. 
Esse é o motivo da Vinda de Cristo. A Noiva estava pronta. As três figuras apontam para 
Sunamita Celestial. Nogueira, Vides, Romeiras ou Romanzeiras. 
Nogueira- Vides - Romeiras 
Madura - Cheia do Espírito - Curada. 
Poderosa - Ungida - Manifestando curas. 
Firmada na fé - Embriagada de alegria divina - Acompanhada de Sinais, Maravilhas e 
Prodígios 
478 
Preparada para viver mais que 300 anos. Preparada para viver PARA SEMPRE. 
1. לא ידעתי נפשׁי שׂמתני מרכבות עמי־נדיב׃ 6:12 
2. Lo yadati nafshi samatni markevot ami-nadiv: 
3. Or ever I was aware, my nefesh made me [like] the chariots of Amminadiv. 
Então Salomão diz que todos os seus planos morreram na praia. 
A voz se aplica aos dois. É um dueto de Salomão e de Sunamita. 
Salomão diz, eu desci ao jardim, mas algo me arrebatou e quando vi estava em outro lugar. 
Minha aventura começou no jardim, mas terminou nesse desfile. É o desfile em que a moça 
é apresentada oficialmente. 
Sunamita diz, eu estava dançando, eu estava diante do rei. Mas, agora estou aqui, sendo 
HONRADA. O “carro de meu nobre povo” poderia ser a liteira, mas o termo “carro” é 
termo técnico desde a época de Moisés para as bigas, em que só cabem duas pessoas. E que 
no caso específico, eram conduzidas por quatro éguas compradas do Egito. Do harém de 
Faraó. Sunamita já não está mais no palácio. Ela venceu a batalha, ela agora desfila na 
carruagem do rei, seguida por dezenas de cavaleiros. 
A imagem é a de Débora, profetiza convocada para ir a guerra, dentro do carro do general. 
É a imagem de Elias sendo levado para os céus diante dos olhos de seu aprendiz, diante 
dos olhos de Eliseu, testemunha solitária de um dos maiores acontecimentos da história 
humana. Uma carruagem celestial, guiada por anjos, conduzida por animais desconhecidos, 
arrebata da terra um dos maiores profetas que já existiu, o levando VIVO para uma 
dimensão desconhecida pelo homem. O profeta Elias é um dos dois únicos seres humanos 
da antiguidade que jamais provaram a morte. 
A imagem é de um arrebatamento de sentidos. é como a visão do arrebatamento da Igreja, 
e explicação do que SENTIRÃO aqueles que se encontrarem com Jesus nos ares. Eles não 
sabem. Algo tão instantâneo quanto um piscar de olhos. Algo tão rápido que os sentidos 
não poderão traduzir. É uma belíssima imagem. Uma profecia cantada. Salomão evoca o
arrebatamento de Elias e o coloca na boca de Sunamita, para expressar o processo. Antes 
que ele percebesse, já amava Sunamita de um modo incomparável. 
Mas este evento ainda não ocorreu no Cantico. Ele é uma cena do futuro, do amanhã. 
Porque ela ainda está dançando. 
Como se passasse uma cena futura e voltasse ao presente. E no presente Sunamita ainda 
roda diante do rei. 
1. The Beloved and His Friends} 
2. 6:13( שׁובי שׁובי השׁולמית שׁובי שׁובי ונחזה־בך מה־תחזו בשׁולמית כמחלת המחנים׃( 7:1 
3. Shuvi shuvi hashulamit shuvi shuvi venekhezeh-bakh mah-tekhezu bashulamit 
kimekholat hamakhanayim: 
4. Return, return, O Shulamite; 
5. Return, return, that we may look upon thee! 
6. {The Shulamite} 
7. What will ye see in the Shulamite? As it were the company of two armies. 
Os irmãos que correram atrás da moça, não a alcançaram e não tiveram acesso. Querem 
que ela retorne para as vinhas. E também, por mais incrível que pareça, estão preocupados. 
Não sabem o que está acontecendo. E não podem entrar. Lá dentro a multidão delira. 
Eles sabem que a moça dança diante do rei. O texto evoca duas fileiras de dançarinas. E 
as melhores seriam as filhas de Siló, as habitantes da antiga região do tabernáculo. 
As duas fileiras representam dois grupos distintos. Creio que as filhas de Jerusalém estão 
representadas pelo primeiro grupo e as filhas de Siló pelo segundo. Não creio que as filhas 
de Jerisalém perderiam ao evento por nada. E elas acompanham a canção desde o inicio. 
Não seria agora, no momento mais imponente do poema, que não haveriam de estar 
presentes. 
É delas que é considerada a voz que pergunta ao irmãos: 
479 
“Porque quereis contemplar a Sunamita na dança de Maanaim?” 
Maanaim é o termo interpretado como fileira de dois exércitos, o que reforça que são dois 
grupos distintos de bailarinas. E se elas se parecem com exércitos, tem roupas tão 
extravagantes e barulhentas quanto Sunamita. E agem em sincronia de movimentos, como 
um grande grupo de dança, como um corpo. 
A palavra Maanaim é o nome de um lugar da antiguidade, onde o patriarca Jacó viu 
milhares de anjos acampados, com tendas aramadas, como os árabes do deserto. Milhares 
de tendas e milhares de anjos, numa região da terra, um grande mistério. As moças 
dançando lembram nobreza- filhas de Jerusalém e profecia – filhas de Siló.
480 
From הָבָׁוֹןוֹחמ (H4284) 
O texto inglês traduz a expressão “Maanaim” (hamaha nayim) como “dois exércitos. A 
palavra mechwulat ou kimekholat é “dança” no original. 
Os indicativos do ambiente da corte podem ser acrescentados: o adjetivo “filha de nobre” 
(bat nádiyv), usado para a Sulamita, e a referência direta ao “artesão” (‘ámán) em 7,2. O 
contexto geográfico aponta para cidades como Hesbon e Damasco em 7,5, isto é, no 
centro e norte da Palestina. A dança da Sulamita está, em função deste imaginário, 
acontecendo na corte, em um ambiente seleto e freqüentado pela elite. Assim, seu corpo é 
comparado com alguns dos elementos comuns nas festas da corte. 
A pergunta misteriosa concedida aos irmãos: Porque vocês querem ver o que acontece no 
palácio? Porque vocês desejam ver a dança de Sunamita? 
Eles queriam participar da nobreza. Das recompenas, das festas, da comida. Queriam 
também ver sua irmã interpretando a dança real, a dança de entretenimento, estavam 
enciumados. Teriam proibido ela de fazer o que fazia se pudessem. E se entrarem, a 
primeira coisa que fariam era, assim que tivessem oportunidade, levá-la de volta para casa. 
No contexto da dimensão espiritual a dança significa HOJE: 
A aventura de uma Igreja que se apresenta com ousadia diante de Deus e que é cercada de 
nobreza, conhecimento, e ao mesmo tempo da profecia. O natural e o sobrenatural se 
misturam, a dimensão do estudo, de atos de justiça, que tornam ao ser humano nobre 
diante de Deus, e a dimensão profética, a dimensão da justiça segundo a fé, que é a base 
para o evangelho que o Poder de Deus. A dança mistura alma e coração, entendimento e 
espiritualidade. Culto racional, e culto profético. Inteligencia e Comunhão. As dua s fileiras 
trabalham unidas. 
Significará no AMANHÃ: 
Dois grupos se misturarão nos céus. Os que estiverem vivos e os que já morreram que 
ressucitarão. Esses grupos se umem como um só, o primeiro grupo que chega nos ares é 
do passado. Os que dormiram em Cristo. O segundo que chega é o dos que estiverem 
vivos. Misturam-se e se encontram com dois outros grandes grupos. Os anjos que são 
enviados para toda a terra, com os anjos que descerão diretamente do céu para o evento. 
Alguns saindo da dimensão espiritual, dos céus, pela primeira vez, possivelmente.
1. {The Beloved} 
2. 7:1( מה־יפו פעמיך בנעלים בת־נדיב חמוקי ירכיך כמו חלאים מעשׂה ידי אמן׃( 7:2 
3. Mah-yafu feamayikh banalim bat-nadiv khamukei yerekhayikh kemo khalaim 
maaseh yedei aman: 
4. How beautiful are thy feet with shoes, O prince's daughter! the joints of thy thighs 
[are] like jewels, the work of the hands of a cunning workman. 
Correr atrás de raposas torneia o corpo. Salomão contempla Sunamita num sentido 
diferente. Nas vezes que ele a ficou fitando detalhadamente nos capítulos anteriores ele o 
fêz de cima para baixo. Agora ele começa pelos pés. Dos pés até o alto da cabeça. Há uma 
mudança sutil. Psicológica. Olhar de cima-para-baixo é uma expressão que denota 
arrogância. Mesmo não seja um olhar arrogante, ele representa na maioria das culturas esse 
sentimento. Há um modo como nós, inconscientemente fitamos as coisas. E existem 
gestos característicos para alguns sentimentos. Vi em um blog a autora denominando esse 
olhar que normalmente as mulheres lançam sobre as outras de “olhar tipo scanner”. 
Scanner é o equipamento que digitaliza imagens, atualmente vem junto das maiorias das 
impressoras chamadas multifunção, sua lâmpada faz uma varredura da foto ou texto. No 
sentido inverso o olhar denota ADMIRAÇÃO. No verso é extamente isso, elevado a nona 
potencia. A moça que ele ama é de uma beleza escultural. Enquanto dança fica mais 
evidente ainda como suas pernas são bonitas. Ela usa sapatos especialmente preparados 
para a ocasião, há guizos amarrados em seus tornozelos, ela usa saias esvoaçantes que ao 
rodar permitem que ele veja suas curvas que a melhor comparação que lhe vem em poesia é 
a de jóias trabalhadas pelas mãos de um artista. Elas são tão belas para ele como seriam 
jóias, que necessitavam de mesespara estarem prontas. Os instrumentos da antiguidade 
eram bem rudimentares. Para que uma jóis ficassse polida e simétrica exigia uma habil idade 
muito grande. E uma visão excepcional. O rei nota com ela fica bem, calçada. Ele nota a 
forma dos pés dela dentro dos sapatos. É muito detalhista. Em dado instante ele 
acrescenta uma nova realidade. Uma novidade. Conta-nos algo que não fora dito nem 
nenhum momento do Cantico. Ó filha do príncipe. 
Aquela menina que trabalhava caçando raposinhas no vinhedo de seus irmãos, cujo pai 
nunca é anunciado, tinha sua origem na nobreza. Ela era filha de um príncipe! 
Começamos a compreender porque uma moça humilde é tão excelente dançarina. 
Começamos a compreender porque ela se considera a Rosa de Sarom, rica planície das 
cidades costeriras de Cafarnaum e ainda assim mora na Galileía, reconhecidamente um 
bairro humilde desde sempre. Compreendwmos de onde vem suas posses, quando ela 
descrevia nos versos anteriores que haviam grades em seus quartos, quando ela descrevia 
suas vestes ao dormir, sua indumentárias, suas jóias, seus caros perfumes, nardo, mirra, 
mirra em abudancia, o púrpura real que ela usa nos cabelos. Sua primazia na dança, onde 
ela entra não como assistente de palco, antes como protagonista principal. 
481
Essa moça foi rica um dia! E Salomão SABIA DISSO desde o início. Mas nós não! 
UM CONTO DE MISTÉRIO! Cada trecho uma surpresa nova! 
Encantados com as pernas da moça os comentaristas deixaram passar essa belíssima pista da 
origem da moça. 
E de sua infância. E agora duas coisas se descortinam. A aceitação por parte das outras 
esposas não poderia ser negada com base na sua origem ou posição social! Embora vivesse 
uma vida de necessidades, era de origem nobre! Não sabemos o que aconteceu. Sabemos 
somente que seus irmãos mais velhos assumem o vinhedo, sendo ela a caçula, a filha única. 
E entendemos o jogo por detrás das aparências. Ele sabia de TUDO! Ele a ESPERAVA! 
Ele facilitou sua entrada no palácio! Ele sabia que ela ousaria, que ela arriscaria tudo! Ele a 
buscou PROPOSITADAMENTE. Para honrá-la, para resgatá-la! 
TUDO ARMAÇÃO! 
A dança de Maanaim é uma vitória que foi alcançada antes do primeiro passo e da primeira 
batida de tambor. Ela aconteceu nos vinhedos. No primeiro olhar. 
Essa questão reflete o Éden, onde o homem possuía a Dignidade, a honra e a riqueza. 
Todo o mundo era dele. E então ele perdeu essa dignidade. E com ela ao mundo. Até que 
o descendente de Salomão veio resgatá-la. Cristo que se fêz pobre par que nos tornássemos 
ricos nEle. 
Não era somente uma moça da aldeia que dançava ali, era acima de tudo, uma PRINCESA. 
Salomão fazia duas coisa. Resgatava a honra da moça e sua posição, herança natural, 
herança paterna. E concedia-lhe outra que ela não teria acesso de modo natural. 
Cristo resgata a honra de Eva através de Cristo, o segundo Adão. E não bastasse restaura - 
nos a posição que tínhamos diante de Deus antes da queda. Concedeu-nos uma dignidade 
ainda maior, quando nos consagrou a si como FILHOS. Antes criaturas, mas agora 
HERDEIROS, CO-HERDEIROS de Cristo, que é o dono de todas as coisas. 
Uma belíssima figura na pessoa de Sunamita. 
1. Shlomo's final approach proves to be in vain (7:1-10) 
2. 7:2( שׁררך אגן הסהר אל־יחסר המזג בטנך ערמת חטים סוגה בשׁושׁנים׃( 7:3 
3. Sharrekh agan hasahar al-yekhsar hamazeg bitnekh aremat khitim sugah 
bashoshanim: 
4. Thy navel [is like] a round goblet, [which] wanteth not liquor: thy belly [is like] an 
heap of wheat set about with lilies. 
482
483
Sunamita usa um Saree ou as vestes que um dia originariam o Saree, com muitos adereços. 
O Livro de Cantares fala do amor conjugal, mas ua ênfase é o romance com um dueto 
entre Salomão e o espírito de Deus. Não possui a ótica do Kama Sutra Indiano, não é essa 
sua finalidade e nem tão pouco o motivo que conduz a trama ou a canção. Autores que 
lerem conotações eróticas como o principal, abusam do texto, literalmente. Paralelos com 
textos da antiguidade ajudam, mas não são a ponte para os mistérios de Cantares. Este 
estudo não dá ênfase a dimensão humana, outros que tratam da intimidade, do namoro, 
noivado, casamento e da liberdade conjugal e da expressão do amor humano, lidarão com 
essas questões melhores do que eu. A visão profética não exclui o mundo de dimensões de 
Cantares. Mas esta versão é para toda a Igreja. Para as crianças rirem com a caçadora de 
raposas, com os adolescentes imaginarem as danças, os encontros e desencontros a luz de 
um amor encantador, e sob a luz da coisas espirituais. 
484 
Mas deixo as fotos que ilutram o texto. Elas ilustram o texto, 
E permitem a visualização do que está escrito. Se vc se sentir incomodado, substitua por 
fotos mais doces, ou de crianças vetindo as roupas, ou só dos vestidos. Entenda que cada 
ser humano possui sensibilidades diferentes. Não se pertube com as fotos ou ilustrações. 
Mas, pense que é necessário ilutrar o que você ensinará, como pedagogo de nossa época de 
mídia, aconselho a ser bem visual.
Essa moça da foto anterior retrataria para mim uma da melhores representações da 
Sunamita, a não ser pelos olhos que deveriam ser VERDES. 
Sunamita veste-e a moda oriental, aproxima-e do rei com uma saia bordada. O bordado 
desc pelo seu colo. Ele vê um umbigo perfeito, compara a uma taça, usando uma palavra 
que referencia um objeto do palácio e eis que novamente vem o vinho. Ele a vê como uma 
fonte de perene alegria, ela é seu prazer, ela girando diante dele é como uma taça de ouro, 
que na mãso do rei tinha vinho perene. Os serviçais do rei jamais permitiriam que sua t aça 
e esvaziasse, até que o rei ordenasse que parassem. 
Os campos de trigo evocam fartura, e os lírios a beleza de um campo, separado, nas terras 
floridas israelitas. Um lugar separado para a colheita do trigo, junto a um pasto ou local 
preparado onde é colhido. (No trecho Ecologia de Cantares, há outras referencias e 
meditações sobre o trigo). 
O trigo nos leva a uma cena de namoro dos bisavós de Salomão, Rute e Boaz. Boaz deita - 
se perto de um monte de trigo e Rute deita-se aos seus pés. Boaz se esticou no meio da 
noite e tocou o corpo da jovem que dormia próximo a ele. Imagine o susto. Esse ato foi 
reconhecido por Boaz como “quero me enamorar de ti”. Devia ser um costume da época, 
o que mostra que as mulheres já paqueravam aos homens desde...sempre. Que o cortejo 
não ocorria somente do homem para a mulher, como aparentam as regras sociais de muitos 
povos. Há o “culturalmente” apregoado, escrito, divulgado. E há o que ocorre também, é 
fato cultural, é realidade social, mas não considerada como “oficial”. Como não era usual 
entre as mulheres da antiguidade a conquista do homem, esperava-se justamente o oposto, 
em determinado instante no livro de Jeremias uma das profecias fala justamente disso, 
“vocês já viram uma mulher se aproximar, de um homem, ela fazer a proposta de 
namoro?” 
485 
Jeremias 31:22 
Até quando andarás errante, ó filha rebelde? Porque o SENHOR criou uma coisa 
nova sobre a terra; uma mulher cercará a um homem. 
Sunamita está se apresentando diante do rei e sua vestimenta não está com bordados que se 
parecem com trigo...a toa... Ela está seduzindo ao rei. É uma referencia a uma história de 
amor que era conhecida por todo Israel da época e que fazia parte da identidade de 
Salomão. 
O trigo levava 50 dias para amdurecer. Extamente a quantidade de dias entre a páscoa e o 
PENTECOTESTES. Após a ressurreição de Cristo, ele passou 40 dias na terra! 
40 dias. É comum perguntarem o que Jesus fez dos 13 ao 30 anos. O que qualquer judeu 
teria feito. 17 peregrinações até Jerusalém, 17 anos brincando com seus irmãos, vendo as 
irmãs crescerem, participando da páscoa, aprendendo o Evangelho na Sinagoga, ouvindo 
os rabinos famosos de sua época, tal como Gamaliel. Quando Jesus Paulo está aprendendo 
assentado aos pés de Gamaliel, deve ter visto um galileu com perguntas admiráveis que vez 
por outra questionava seu professor. Mas poucas pessoas imaginam o que Jesus ressurreto 
realizou nos 40 dias de sua peregrinação na terra após seu triunfal retorno dos mortos. 
O trigo aponta para Cristo, o pão da vida, que nasceu numa cidade cujo nome é “casa do 
pão”. Beth lém.
Sunamita provoca Salomão com uma insinuação de que é EM SEU COLO que ele deve se 
deitar. Perto do trigo e das flores de lírios que enfeitam sua vestimenta. 
1. 7:3( שׁני שׁדיך כשׁני עפרים תאמי צביה׃( 7:4 
2. Shenei shadayikh kishnei ofarim taomei tzeviyah: 
3. Thy two breasts [are] like two young roes [that are] twins. 
Sunamita não está tão coberta como estava nas vezes anteriores. Embora não use um 
decote como os vestidos da atualidade, o modo como prende o vestido, parente do Saree 
Indiano mostram sua perfeição de modelo. A referencia que ele faz a “gêmeos” mostra 
como ele a enxerga perfeita. A referencia a gazela lembra o movimento dos filhotes em 
meio do campo de cevada, ela está girando e se movimenta com ênfase num movimento de 
dança onde as moças balançam o corpo e se inclinam mostrando o tronco, balançando os 
seios. Na dança indiana nos filmes de Bollywood esse movimento é teatral. Ele é uma 
provocação, uma brincadeira da dançarina. Émbora haja sensualidade o que prevalece é o 
jogo de sedução, uma representação. Um exagero. Como as expressões dos atores no teatro 
que necessitam de gestos amplos, de usar o corpo para expressar atitudes ou emoções, 
porque se forem sutis não serão compreendidos. O cinema aproxima o espectador da cena 
de tal modo que podemos discernir um suspiro, uma mudança na direção do olhar. No 
teatro e na dança não perceberíamos tais sutilezas. Caso algum curioso queira saber qual é 
o movimento que estou me referindo: 
1. 7:4( צוארך כמגדל השׁן עיניך ברכות בחשׁבון על־שׁער בת־רבים אפך כמגדל הלבנון צופה ( 7:5 
פני דמשׂק׃ 
2. Tzavarekh kemigdal hashen einayikh berekhot bekheshbon al-shaar bat-rabim 
apekh kemigdal halevanon tzofeh penei Damasek: 
3. Thy neck [is] as a tower of ivory; thine eyes [like] the fishpools in Heshbon, by the 
gate of Bat rabbiyim: thy nose [is] as the tower of Levanon which looketh toward 
Demesek. 
486
O cabelo de Sunamita deixa transparecer que apesar de ter seu rosto, braços e pernas 
morenas, o pescoço oculto pela longa cabeleira é branco. Ela é uma branquela disfarçada 
de morena. Seu pescoço é esguio e longo, na medida que baila ela esvoaça os cabelos 
deixando a mostra seu pescoço. O que demonstra mais uma vez a estupenda capacidade de 
observação de Salomão. A moça está enfeitada, com colares, eles estaõ no meio de um 
salão repeltos de convidados e nobres, há pelos menos mais umas vinte dançarinas com a 
Sunamita, todas desejando granjear um olhar do rei, está acontecendo uma algazarra, uma 
gritaria, dezenas de músicos tocam seus instrumentos, harpas, alaúdes, instrumentos de 
sopro, tambores, pandeiros, chocalhos, címbalos sononos e altissonantes. E ainda assim 
Salomão percebe, com o salão iluminado por tochas, que o pescoço dela possui a cor clara! 
É muito poder de observação. 
Ele compara o seu pescoço a uma Torre de Marfim. Atualmente o uso comum da 
expressão ivory tower ("torre de marfim") designa o mundo acadêmico das instituições de 
ensino superior e universidades, particularmente os estudiosos de humanidades. A 
expressão Torre de Marfim designa também um mundo ou atmosfera onde intelectuais se 
envolvem em questionamentos desvinculados das preocupações práticas do dia -a-dia. 
Como tal, tem uma conotação pejorativa, indicando uma desvinculação deliberada do 
mundo cotidiano; pesquisas esotéricas, superespecializadas ou mesmo inúteis, e elitismo 
acadêmico, se não, desdém ilimitado por aqueles que habitam a proverbial torre de marfim. 
Interessante é que hoje a ATIVIDADE acadêmica se relaciona com uma expressão de 
3000 anos cunhada por SALOMÃO. 
Salomão fala de uma torre em especial que parece ser revestida externamente de marfim. 
Ou que abriga em seu interior muitas peças de artesanato desse material. O salmo 45 
referencia a existência de um palácio de marfim. O próprio Salomão construiu um trono 
inteiramente de marfim. A interação entre a arqueologia ea Bíblia é, talvez, nenhum lugar 
melhor ilustrado do que no assunto do marfim. A Bíblia nos ajuda a entender os artefatos 
arqueológicos e os artefatos arqueológicos nos ajudar a entender a Bíblia. 
Na Bíblia, somos informados do marfim trono do Rei Salomão (1 Reis 10:18, 2 Crônicas 
9:17) e da ostentação do Rei Acabe que construíu uma casa inteira de marfim (1 Reis 
22:39). Às vezes o marfim foi usado como usamos o dinheiro, para permuta, tributo ou 
troca (Ezequiel 27:15). Nós aprendemos sobre os marfins preciosos trazidos a partir de três 
487
viagens por ano dos navios de Salomão que operavam numa rota de comércio entre Társis 
e Ofir (1 Reis 10:22, 2 Crônicas 9:21). E aprendemos também sobre o marfim como um 
símbolo de riqueza e decadência: Amós investe contra Israel que dormita sobre suas camas 
de marfim (Amós 6: 4). Ele profetiza em nome do Senhor, que a casa de marfim perecerá e 
será demolida (Amós 3:15). A beleza de marfim foi universalmente reconhecida: No 
Cântico dos Cânticos, o amante cuja estatura é tão majestosa como o Líbano, imponente 
como os cedros, tem uma o ventre como um bloco de marfim polido (Cântico dos 
Cânticos 5:14); sua amada tem um pescoço como uma torre de marfim (Cântico dos 
Cânticos 7, 4). 
Salomão compara o pescoço da Amada a uma raríssima torre de marfim, uma das coisas 
mais preciosas de Israel, e do mundo de então. 
Quando ainda nos campos, deitado sobre a luz do luar e das estrelas Salomão elogiava os 
colares ao redor do pescoço da Amada. Mas agora ele está além dos colares. 
Ele que começou a observá-la dos pés até a cabeça, pula a boca e o nariz e segue até os 
olhos . Depois ele desce com o olhar até seu nariz. Esse movimento é novo, ele seguiu sem 
interrupção seus olhos da cabeça aos pés da moça quando namorava, e agora na 
visualização ao inverso, de baixo para cima, vai até os olhos, desce ao nariz e depois subirá 
até a cabeça. 
No inicio da dança Salomão: 
488 
Olha para ela por inteiro 
Fixa os seus olhos 
Sobe com o olhar para seus cabelos 
Desce o olhar para sua boca 
E finaliza olhando sua face ou suas bochechas. 
Desce até seus pés 
Sobe o olhar para as pernas, 
Sobe o olhar ao umbigo 
Desce para o ventre 
Sobe para os seios 
Segue até o pescoço 
Segue até os olhos 
Desce ao nariz 
E segue para sua cabeça. 
Ao parar em seus olhos temos uma surpresa, uma nova revelação sobre a aparência de 
Sunamita.
Seus olhos são como as piscinas de água límpida e esverdeada de Hesbom. Que nessa 
época ficava encostada a uma das portas da cidade tomada pelos israelitas. 
489
Wadi Mujib, historicamente conhecido como ribeiro de Arnon, das terras dos amorreus, e 
de Hesbom. 
Hesbom ficava na terra dos amorreus. É uma cidade que foi a capital do reino de Seom, 
um rei que não permitiu que Moisés passasse com os israelitas de passagem para Canaã. 
Os olhos de Sunamita são verdes como as águas destas piscina naturais. As pi scinas eram 
alimentadas por cascatas naturais, provenientes de rios subterraneos. 
O que nos leva a uma outra observação. 
490 
SUNAMITA ESTÁ CHORANDO DE ALEGRIA. 
Do fundo de sua alma, vem suas lágrimas. 
Isso torna perfeita a poesia. 
Junto a porta de Baate-Rabin, que significa “filha de multidões”. Porque um dia multidões 
a conheceriam. Milhões e milhões por milhares de anos. Sunamita foi cantada e festejada 
por quase mil anos nas festas de Israel, em cada páscoa. 
Enquanto Jesus está sendo crucificado está sendo feita a leitura de CANTARES 
DE SALOMÃO. 
Talvez não tenha sido o melhor local do estudo para colocar essa afirmação, bem ao lado 
da alegria de Sunamita, mas perceba a PROFECIA, a ligação que há entre CANTARES e 
CRISTO. 
Seja no primeiro milagre num casamento relacionado ao vinho, abundante em Cantares, 
seja na sua morte com aleitura do livro em muitas casas e sinagogas, nas festividades 
acontecendo enquanto o sinédrio está julgando ao Messias, seja no instante em que el 
rejeita o vinagre que lhe oferecem por ser vinho estragado, vinho sem qualidade, sem 
excelência. 
Por fim o nariz de Sunamita, tão reto, tão fino, que é comparado a uma torre 
TRIANGULAR que ficava no Líbano, voltada para Damasco. 
Este instante de Canatres é outro onde no dueto com o Espírito de Deus a sua voz é a 
principal. 
Olhando para Damasco é a visão que a caminho de Damasco um dia Deus se encontrará 
com um descendente de Benjamim, um rabino, e o convencerá que seu amor é verdadeiro. 
A caminho de Damasco Deus levantará o apóstolo que entenderá que foi para o mundo 
inteiro que o Evangelho foi escrito, e não somente para seu povo. A caminho de Damasco
Deus elegerá um mestre, um sábio, um profundo conhecedor das Escrituras que se tornará 
o principal professor do evangelho para a Sunamita Celestial. O apóstolo Paulo. 
O belíssimo nariz de Sunamita, enfeitado com brincos, encantava Salomão. 
O nariz nas Escrituras hebraicas aponta para a respiração, e para estados de animo, ira, 
raiva, decepção, desespero, cansaço, excitação. Sunamita resfolega, inspira o ar fortemente, 
após seus poderosos passos de dança. Puxa o ar pelo nariz e enche os pulmões de ar, e ele 
ama até a respiração de sua Amada. 
1. 7:5( ראשׁך עליך ככרמל ודלת ראשׁך כארגמן מלך אסור ברהטים׃( 7:6 
2. Roshekh alayikh kakarmel vedalat roshekh kaargaman melekh asur barhatim: 
Thine head upon thee [is] like Carmel, and the hair of thine head like purple; the melekh 
[is] held in the galleries 
491 
5 
As tranças de Sunamita estão tingidas de púrpura, uma das cores da realeza. Ela esconde 
um segredo, que não sei se ela é conhecedora. Sua IDENTIDADE. Afinal de contas, 
QUEM È ESSA MOÇA? 
Quem é a mais bela das camponesas, que possui condições de ter caríssimos perfumes e 
ainda assim é tratada de tal modo que é obrigada a caçar raposinhas durante o dias? Quem 
é que tem o privilégio de dançar com trahjes de gala diante de pelo menos duas escolas de 
dança diferentes, sendo escolhida diante das filhas de Siló cujas tradições de dança 
remontam a mais de 370 anos? Porque recebe tamanha honra e tamanho afeto? Porque há 
silencio das rainhas e concubinas com relação a essa nova “paixão” do rei, e ao invés de 
rejeição plena e condenação a execração sumária, elas a LOUVAM? 
Aguardem. 
Salomão diz que sua cabeça é comparada ao monte Carmelo, palavra que significa 
“jardim”. A um monte comum em sua época. Só um belíssimo monte. Aos olhos de 
Salomão ele pensa na belíssima paisagem evocada pelo monte. Mas o FUTURO tornaria 
esse monte um dos mais impactados por eventos proféticos. Onde um profeta sozinho 
enfrentou cerca de 100 homens sem mover sequer sua mão. E venceu. Carmelo é citado 
como o sendo o local onde Elias desconcertou os profetas Baal, levando de novo o povo 
de Israel à obediência ao Senhor. Foi também no Monte Carmelo que, segundo a Bíblia, 
Elias fez descer fogo do céu, que consumiu por duas vezes os 50 soldados com o seu 
capitão, que o Rei Acazias tinha mandado ali para prender o profeta, em virtude ter este 
feito parar os seus mensageiros que iam consultar Baal: Zebube, deus de Ecrom." (2 reis 
1.9 a 15). A bíblia ainda cita esta montanha como o local em que a mulher sunamita que 
perdera seu filho, foi encontrar-se com o profeta Eliseu (2 Reis 4.8 a 31) para entender a 
sua perda. 
Os cabelos de Sunamita estão enfeitados com adornos, com jóias que representam flores. 
E O Espírito vê nela sua AUTORIDADE ESPIRITUAL. Uma vocação profética, um 
ministério de Unção e de Poder. Elias é o único ser humano que jamais morreu. Dando a 
entender a eternidade da profecia, dando a entender que Deus tem um destino de VIDA
ETERNA para seus profetas. A carta de Hebreus dirá isso em outras palavras, sobre os 
profetas que não aceitaram seu livramento (eita coragem) porque aguardavam uma pátria 
eterna. Porque se consideravam estrangeiros neste mundo passageiro. 
Os cabelos de Sunamita são enfeitados de púrpura, como se representasse que seus 
pensamentos, o que está em sua cabeça, o que enfeita-a, o que a embeleza, o que a 
enobrece, está relacionado a REALEZA. A Sunamita Celestial reflete a glória de um Reino, 
pensa nas coisas do Reino, deseja manifestar o domínio do Rei, em seus sentimentos, nas 
situações da vida. “estes sinais seguirão aqueles que crêem, em meu nome...”. Ela deseja 
Reinar através de Cristo. Ou ao menos, manifestar as cores vivas do manto de seu Senhor. 
492 
E claro, 
XEQUE-MATE. O jogo acabou. O Rei está PRESO pelas tuas tranças. Sem escapatória. 
Ele foi capturado. A caçadora caçou sua maior raposa. O mais astuto dos animais. 
Uma Raposa, morta de fome, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas ramas de 
uma viçosa videira, alguns cachos de exuberantes Uvas negras, e o mais importante, 
maduras. Não pensou duas vezes, e depois de certificar-se que o caminho estava livre de 
intrusos, resolveu colher seu alimento. Ela então usou de todos os seus dotes, 
conhecimentos e artifícios para pegá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou se 
cansando em vão, e nada conseguiu. Desolada, cansada, faminta, frustrada com o insucesso 
de sua empreitada, suspirando, deu de ombros, e se deu por vencida. Por fim deu meia 
volta e foi embora. Saiu consolando a si mesma, desapontada, dizendo: 
"Na verdade, olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas 
estragadas, e não maduras como eu imaginei a princípio..." 
ESOPO 
O Rei está preso em suas tranças fala de “tudo que pedirdes em meu nome, vos será feito” 
Fala-nos dos segredos da comunhão, da reciprocidade, da certeza de sermos ouvidos por 
Deus, fala-nos de “tudo que ligardes na terra, terá sido do mesmo modo, ligado nos céus”. 
Retrata o mistério da intercessão, da oração, do coração de Deus “preso”, seguro, voltado
para o coração e para a mente da Igreja. “Preso” lembra a situação do Espírito em nosso 
interior, “contido” em vasos de barro, unido a nossas vidas pelo milagre da 
REGENERAÇÃO. E que habita em nós, que está UNIDO, ligado a nossas vidas por 
vínculos profundos. 
“Preso” lembra-nos o mistério da encarnação. Jesus habitará um corpo de carne para 
TODO O SEMPRE. Não sabemos como era sua manifestação antes da encarnação. Se 
tinha um corpo separado, como um anjo, ou se compartilhava da essência divina e do 
corpo de Deus, que é outro mistério insondável. Mas, o passdao ficou para trás, pois 
quando decidiu formar um corpo para si através de MARIA, quando ele se FEZ CARNE 
e habitou entre n[os, o fez para sempre. Jesus ressuscita com um corpo humano. Aparece 
glorificado para na ilha de Patmos com um corpo humano. Ou aparece simplesmente 
ressurreto, aguardando ainda a glorificação juntamente com a IGREJA. Significaria que 
HOJE Jesus é exatamente aquele que caminhou na terra por 40 dias após sua ressurreição, 
com alguma mudança em virtude da proximidade com a glória divina, como Moisés nos 80 
dias que ficou no Sinai e quando desceu brilhava. E que permancerá “preso” a este corpo 
para sempre. 
As tranças falam de fortalecimento, coerência, fortaleza, harmonia, beleza. E tudo o mais 
que uma trança evoca. 
493
1. 7:6( מה־יפית ומה־נעמת אהבה בתענוגים׃( 7:7 
2. Mah-yafit umah-naamte ahavah bataanugim: 
3. How fair and how pleasant art thou, O dod (love), for delights! 
Salomão repete algo que começou a dizer no inicio do poema. Sua visão da formosura 
de Sunamita arrebata-o, sendo para ele muito prazeirozo contemplá-la. Então ele pinta esse 
quadro diante de seus olhos com uma expressão única na história dos romances. Ele a 
chama de “Ó amor em delícias”; ele cria um epiteto, uma definição nova para ela que reúne 
o amor em movimento com a pluralidade de gostos, como de doces, bebidas. Ela é para ele 
um prazer culinário que se degusta com a visão. As moças conhecem bem a expressão 
“devorar com os olhos” quando são fitadas de tal maneira que se sentem como um frango 
assado numa televisão de cachorro: 
O olhar transmite muitas coisas, também pode transmitir sentimentos inapropriados, 
dando a entender uma “violência”, um ato que constrange por tornar claro uma intenção, 
em alguns casos, fruto de um desejo egoísta, não correspondido, não solicitado, impróprio 
e na maioria das vezes, grosseiro. 
Salomão não usa desse modo a expressão. Não é essa a nota tonica da canção. Embora 
seja ela sua noiva, sua esposa, e ele possa olhar para ela do jeito que bem entender, porque 
ela lhe pertence, ela se doou de corpo e alma ao seu amor, que recebeu o direito de 
observá-la e de desejá-la. 
No entanto, Salomão é doce. A palavra delícia (naamate) significa, deleite, prazer, gozo, 
encantamento, doçura. 
Cada pedaço da canção é envolvido em reminiscências de Salomão. De fatos que 
abrangem desde sua infância até a vida adulta. Profundamente marcado pela vida de seu 
pai, pelos dramas familiares, pelas situações que o trasnformaram na pessoa que é. 
494
495 
O que lembra a musica de Clarisse Falcão 
http://www.youtube.com/watch?v=HUUwNd_cvrg 
Se não fossem as minhas malas cheias de memórias 
Ou aquela história que faz mais de um ano 
Não fossem os danos 
Não seria eu 
Se não fossem as minhas tias com todos os mimos 
Ou se eu menino fosse mais amado 
Se não desse errado 
Não seria eu 
Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado 
Não quero ser chato 
Mas vou ser honesto 
Eu não sei o que você tem contra mim 
Você pode tentar por horas me deixar culpado 
Mas vai dar errado 
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim 
Se não fossem os ais 
E não fosse a dor 
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador 
Se não fosse Deus 
Bancando o escritor 
Se não fosse o mickey e as terças feiras e os ursos pandas e o andar de cima da 
Primeira casa em que eu morei e dava pra chegar no morro só pela varanda se 
Não fosse a fome e essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança se não fosse o 
Koni e o Capitão Gancho 
Não seria eu!
496 
A palavra que Salomão usa é ־נעמת 
Na´amat, ou Na´amati 
NAAMA, hebraico: agradável, prazer, delícia 
NAAMA, hebraico: doce agradável, prazer 
Há uma situação especial relacionada ao passado em que essa expressão também será 
utilizada numa canção. Numa antiga canção que celebrava um amgo que morrera, uma 
elegia ou canção fúnebre. Uma homenagem póstuma. 
II Sm 1:26 
Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; muito agradável éras tu, teu amor para 
mim foi maravilhoso, mais que o amor das mulheres. 
Salmo 141: 6 
Saul o primeiro rei de Israel odiava a Davi. E o perseguiu por anos tentando assassiná -lo. 
No entanto possui uma filho da mesma idade que Davi, de nome Jonatas, que amava-o. 
As Escrituras dizem que Jonatas teve uma amizade tão profunda por Davi que arriscou sua 
vida diversas vezes junto a seu pai, para socorre-lo. Davi amava a família do rei. Era 
apaixonado pela irmã de Jonatas, Mical, respeitava e dignificava ao rei, tendo preservado 
sua vida todas as vezes que em batalha se apresentou a oportinidade de matá -lo, realiza 
uma aliança de vida, um pacto de amizade com seu filho e quando Jonatas morre, trás para 
o palácio ao seu filho (Mefibosete), que era aleijado, para viver sob o sustento real. Davi é 
leal a Jonatas mesmo após sua morte. 
A morte de Jonatas é dolorosa, em batalha, flechado, morre junto de seu pai. Os inimigos 
escarnecem dos mortos profanado seus corpos, colocando suas cabeças em estacas no 
muro de uma cidade próxima da batalha final. 
Davi fica consternado. E a expressão que ele usa para designar a alegria dessa amizade foi 
muito agradável éras tu, teu amor para mim foi maravilhoso, mais que o amor das 
mulheres. 
Davi teve várias esposas e dezenas de concumbinas. Várias de suas aventuras são em 
função de sua paixão por mulheres. A expressão “amor das mulheres” designava para Davi 
a relação sensual, a relação íntima, ao prazer. Acusam mediante este texto a Davi de t er um 
relacionamento sexual com Jonatas. O texto mostra uma outra realidade. Compara o afeto, 
a amizade, a saudade de Jonatas com o desejo sensual. Compara Agape com Eros. O eros 
Davi o sente em relação as mulheres. Mas ele viveria como celibatário, faria um voto de 
castidade, se pudesse ter a alegria da presença de seu amigo amado, novamente ao seu lado. 
O trecho bíblico de modo algum enfatiza uma relação sensual ou erótica, seria uma 
deturpação grosseira, uma perversão do sentimento de amizade por uma pessoa falecida, 
por um amigo morto. Enfatiza acima de qualquer coisa o amor de irmãos, contrasta 
vividamente, amizade com sexualidade. 
Salomão usa a palavra “em delícias”, usa a mesma palavra que um dia foi entoada numa 
canção de despedida, que evoca a história do amor entre Jonatas e seu pai, Davi. 
O amor que Salomão sente por Sunamita, independentemente da questão sensual, é 
tão grande quando um dia Jonatas sentiu por um amigo que partira. Ele sentia saudade 
dela, olhando para ela, estando ela dançando diante dele, viva.
497 
Não consigo explicar melhor o que falei nessa ultima frase... 
Por todo o texto Salomão a chama de “amor” ou “amada”. Na maioria das vezes ele 
utilizou um termo “ra'yah” que é traduzido por “minha amiga” em outros textos das 
Escrituras. Diz respeito auma pessoa do sexo feminino que tem uma relação de amizade 
com uma pessoa do sexo masculino. Ele vem chamando ela de “amiga” toda vez que a 
chamou de “meu amor” em todas as ocasiões anteriores. 
Está havendo um processo. Ele a conheceu e brincou com ela, até mesmo a paquerou. Mas 
não CONFESSA isso. Para nós que lemos parece que ele a ama na mesma intensidade do 
inicio ao fim do poema. Mas não é assim. Ele está mudando a medida que vive com ela. A 
expressão que ele usa “amor em delícias” usa uma outra palavra para amor. Ele usa 
“naamate”. Veio chamndo ela de “ra'yah” até quando pode...risos. 
Agora não tem mais jeito. 
Ela é muito mais que uma “amiga” agora para ele. 
No paralelo espiritual há um desnvolvimento entre a intimidade de Jesus com seus 
discípulos. Ele os convoca para o ministério, e os chama de “discípulos”. Então chega a 
hora que declara que já não são somente isso. São seus “amigos”. E após a ressurreição, há 
um novo patamar. Jesus os chama de “irmãos”. 
1. 7:7( זאת קומתך דמתה לתמר ושׁדיך לאשׁכלות׃( 7:8 
2. Zot komatekh damtah letamar veshadayikh leashkolot: 
3. This thy stature is like to a palm tree, and thy breasts to clusters [of grapes]. 
Comparando a poesia de Salomão com as das primitivas tribos árabes, se estas não se 
destacavam em outros campos da cultura, na poesia, pelo menos, eram imbatíveis: graças 
ao espírito contemplativo e observador, desenvolvido e propiciado pelo ambiente e pelo 
modo de vida nômade. Desde a infância, aprendia-se a refletir e a descrever o camelo, o 
vento, as montanhas, o céu, as estrelas, a noite do deserto... 
Havia feiras literárias anuais e gravava-se em ouro, sobre folha de palmeira, as peças 
vitoriosas que eram dependuradas (daí seu nome mu'alaqat). 
Esse texto é o mais carregado de imagens de sensualidade de Cantares. Dentre as várias 
dimensões de Cantares, na dimensão humana ele expressa o desejo de intimidade, mas 
também encobre outros mistérios. Para ver o que seesconde além da intimidade que nos 
leva a imaginar é necessário a alma de um médico. Na ética médica a visão de um corpo nu 
não evoca a sensualidade e nem pode. Grandes questões são levantadas pela fal ta de ética 
profissional de médicos, por mulheres que se sentiram lesadas física e moralmente por 
terem sido tocadas ou observadas com intenções sexuais. Para o exercício da medicina 
exige-se um controle da natureza, dos sentimentos, dos pensamentos. Um professor de 
crianças não pode, do mesmo modo, deixar-se levar por qualquer sentimento sensual
diante de crianças, se o fizer estará transgredindo sua profissão, estará aviltando a dignidade 
e causando danos profundos as crianças sobre sua guarda. A mesma realidade de 
autocontrole se aplica a soldados, policiais, bombeiros, socorristas, onde a visão do corpo, 
por mais belo que seja, não é mais importante que sua preservação. Há lugar para ver a 
sensualidade de Cantares, mas não na dmensão espiritual. Não no uso congregacional ou 
profético. Pois há m patamar superior, uma história que está sendo contada, e ela é tão 
profunda quanto o impacto que o texto causa visualmente. 
Lembrando que a ênfase deste estudo são as questões espirituais e humanas relacionadas 
aos versos. 
O segredo deste verso para edificação espiritual, assim como o do seguinte é a á rvore. Os 
nossos olhos tem que parar de prestar atenção nos seios da Sunamita e ir, contrariamente 
à natureza humana, em direção à palmeira. Semelhante a Palmeira. 
498 
A palavra “palmeira” em hebraico é TAMAR.
“Voltou a falar de como as coisas belas e importantes morrem e disse sobre na morte 
embelezarmos a vida com uma rara palmeira que tem no Aterro do Flamengo - Corypha 
umbraculifera – que vive entre 40 e 80 anos e dá apenas uma florada. Ele disse que passando 
viu elas todas brancas, flores brancas florindo. Elas morrem estas sementes que vem com as 
flores semeiam novamente a terra.” (Rev. Mozart Noronha) 
“Acima da copa de folhas em leque, que começam a secar e cair, forma -se nova copa, de 
oito metros de diâmetro, instituída de mais de um milhão de pequenas flores brancas. 
Quase um quinto das flores oferecem sementes férteis e, cumprida sua parte na tarefa de 
perpetuação da espécie, a palmeira morre". Algumas palmeiras da espécie Corypha 
umbraculifera estão florindo no Aterro do Flamengo, onde foram plantadas na época da 
inauguração do parque, em 1965. A característica dessas palmeiras é que dão apenas uma 
florada durante toda a vida, que dura entre 40 e 80 anos. Depois da florada ela morre. É 
a maior florada do reino vegetal” 
(inclusive depois que li esse texto quase parei de continuar o estudo, vai que ele é prova que 
estou florescendo) 
Tamar ou tamareira era uma árvore citada nas Escrituras desde os tempos de Abrãao. E 
também um antiquíssimo nome próprio FEMININO. 
As meninas são chamadas de “Tamar” por tribos árabes, pelos israelitas e até pelos persas. 
Uma das histórias mais impressionantes de fé das Escrituras era a história de uma jovem 
chamada Tamar. 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KadWhtZVNGVDFzd0U/edit?usp=sharin 
g 
A mulher que pela sua ousadia tornou-se a matriarca de todos os descendentes de Judá, 
incluindo Davi e Salomão. E a Jesus. Este é um trecho da genealogia de Jesus: 
499 
Judá gerou de Tamar a Perez e a Zara; Perez gerou a Esrom; Esrom gerou a Arão; 
Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe gerou a Naassom; Naassom gerou a Salmom;
500 
Salmom gerou de Raabe a Boaz; Boaz gerou de Rute a Obede; Obede gerou a Jessé, 
Jessé gerou ao rei David. David gerou a Salomão daquela que fora mulher de Urias; 
E há mais duas mulheres de nome TAMAR que serão de muita importância na vida de 
Salomão. 
E aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era 
Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a. 2 Samuel 13:1 
Uma delas é sua meia-irmã, Tamar, uma princesa, irmã legítima de Absalão, cuja mãe, 
Maaca, era uma rainha do reino de Gesuritas, com a qual Davi casou-se. Essa moça foi 
violentada por Amon, um outro filho de Davi. A moça violentada e desprezada foi morar 
com seu irmão Absalão, na casa dos avós, em um outro páis, Gesur. Esse ato de violência e 
o silencio de Davi com relação ao que aconteceu gerou uma crise que destruiu a sua família. 
Salomão viu uma irmã enclausurar-se, viver como viúva pelo resto de seus dias, a morte de 
Amon por vingança de Absalão e por fim a morte de Absalão por sua tentativa de tomar o 
trono de Davi, ainda fruto do remorso e de ter um pai que não exerceu a justiça. 
Ainda estamos no imenso salão. Sunamita ainda dança diante do rei. 
Os eventos como o estrupo de Tamar ocorreram há cerca de 19 anos passados. Absalão já 
morreu há cerca de 13 anos. A moça ainda morava com os avós. Porém nesses dias de 
festa toda a parentela seria convidada. A referencia de “princesas” e de “rainhas” evoca a 
presença desta irmã, uma princesa, em sua festa, assim como de sua mãe, Maaca. 
E Tamar está ali, presente, nem que seja em poesia. 
E ele a vê como nos dias de outrora, quando era uma menina correndo junto de Amon, 
Absalão, e ele, pelos pomares. Quando ela tinha formas arredondadas, os cachos evocam 
sua beleza. A imagem de cahos de uvas lembra os vinhais, a frutificação, a fartura. Quando 
Tamar tinha sonhos que não havim sido roubados, ansiava ser esposa, amada, mãe. Um 
palmeira não dá uvas. Mas ele vê frutos diferentes, excelentes, purpuras, que possuem a cor 
da realeza, frutos doces, nela. Frutos que já não existem mais. 
1. 7:8( אמרתי אעלה בתמר אחזה בסנסניו ויהיו־נא שׁדיך כאשׁכלות הגפן וריח אפך כתפוחים׃( 7:9 
2. Amarti eeleh vetamar okhazah besansinav veyihyu-na shadayikh keeshkelot 
hagefen vereiakh apekh katapukhim: 
3. I said, I will go up to the palm tree, I will take hold of the boughs thereof: now also 
thy breasts shall be as clusters of the vine, and the smell of thy nose like apples;
Ele evoca uma vida que já existia. Subir a Palmeira, é subir a Tamar, significa entre as linhas 
da poesia que sua irmã desprezada estava num lugar mais alto que ele. Toda sua glória não 
alcançava a dignidade de sua irmã, ultrajada. Os ramos falam da parte mais alta da 
Palameira, fala dos cabelos de Tamar. Os seios como cachos na vide refletem, ao 
contrário do que uma leitura rápida nos levaria a ver, uvas NÃO TOCADAS AINDA. Não 
foram esmagadas, não foram colhidas, não foram usadas. Estão na vide, elas só são belas, 
estão ligadas a videira e ainda estão crescendo. A cena é de Salomão abraçando Tamar e 
apertando junto de si, de modo que sente ela tão próxima que até seu hálito, que descreve 
como o cheiro das maçãs, ele sentiria. Uma moça sorrindo, amada, sendo apertada nos 
braços do irmão, num tempo de juventude, de alegria. Abraçada depois de ter roubado 
maçãs do rei, ainda mastigando elas. Feliz. Muito feliz. 
Mas essa Tamar cheia de felicidade está rindo de longe, ainda ferida. Ela se alegra com as 
bailarinas, ela dança, mas ao findar a festa retornará ao seu auto-exílio. Para nós que lemos 
as Escrituras, Tamar jamais deixou a casa dos pais de Maaca. 
Por duas vezes Salomão repete o termo “palmeiras”. Ele repete o nome da irmã duas 
vezes. Ou não. Há ainda uma TERCEIRA TAMAR em nosso história. 
Quando era jovem Absalão imaginando não ter filhos jamais mandou erguer um pilar, um 
monumento para preservar sua memória após a sua morte. 
Mas ele errou. 
Seu MEMORIAL estava já erguido na cidade de Jerusalém, quando anos após a morte de 
Amon, Absalão CASOU-SE. 
Também nasceram a Absalão três filhos e uma filha, cujo nome era Tamar; e esta era mulher 
formosa à vista. 2 Samuel 14:27 
501 
E teve filhos e uma filha. Uma filha que batizou com o nome de sua irmã amada. 
TAMAR. 
Não soubemos o que aconteceu com a família de Absalão após a sua morte. Até agora. 
Na medida em que lemos ess parte da poesia começamos a juntar as peças do tabuleiro. A 
SUNAMITA é chamada na poesia de A FILHA DO PRINCIPE. Ela é a filha mais nova 
única, com vários irmãos mais velhos. Ela trabalha numa Vinha, mas sua casa é quase um 
pequeno palácio, ela se veste de modo esplendido, ela aprendeu a dançar com as melhores 
dançarinas do reino. Ela é a principal dançarina daquele salão. Salomão associa a palavra 
Palmeira à palavra Vide. Tamar e Vinha. 
A moça não cita seu pai porque não estava com ela, ou porque havia morrido. As citações 
bíblicas sobre Absalão exaltam a sua beleza extraordinária. E sua longa cabeleira negra. 
Da morte de Absalão até aquele dia são cerca de 19 anos.
502 
Gesur, local dos avós de Absalão, ficava próximo a Galileía. Onde Sunamita morava. 
A mãe da Sunamita possuía um vinhal, cuidado pelos irmãos mais velhos de Sunamita.
Sunamita não é rejeitada pelas outras mulheres. AS RAINHAS A RECONHECEM. 
E quando Salomão nomeia que ela é a filha de um príncipe enquanto dança demonstra que 
sabia MUITO BEM quem era aquela moça. 
Todas essas pistas apontam para TAMAR, filha de Absalão. Ele é aquele que foi príncipe, 
mas que Salomão ainda o considera como tal, e essa menina, de 19 anos, filha de um nobre, 
de pele clara, de olhos verdes, de cabelos negros e ondulados, é verdadeiramente uma 
princesa desde o inicio. Ela é parte da corte, ainda que ignorada, ainda que tendo vivido 
como caçadora de raposas, essa mulher FORMOSA a vista, restaurada a honra, amada por 
503
Salomão era TAMAR filha de ABSALÃO, que nós chamamos de SUNAMITA do início 
ao fim do texto. 
504 
Esse é outro grande segredo de Cantares 
Salomão canta em sua canção a história de duas Tamares, a uma que ele desejava resgatar 
da tristeza e a outra, que desejava resgatar do trabalho forçado. As duas que se misturam 
em sua poesia como uma só, que desejaria que dançassem para sempre em sua presença. 
Tamar evoca a Igreja, sua luta, suas angustias, a necessidade de sermos resgatados da 
tribulação do mundo, da servidão do pecado, do medo, da desonra, da morte. 
Evoca a fé que gera coragem e que transcende o medo, o mundo e tudo que nele há. Para 
nos fazer dançar. 
A cena evoca o Edén. Como se Cristo abraçasse a Eva com ela ainda comendo os frutos da 
árvore do Conhecimento do bem e do mal. Para que ela não sofresse os danos daquele 
fruto envenenado. O “cheiro da respiração” simboliza vida, vida que ele deseja que tenha 
cheiro de maça, que seja representa vida plena, a capacidade de viver provando os frutos e 
sentindo seus gostos, seus aromas. Sem limitações impostas pela velhice, pela enfermidade, 
pela necessidade. 
1. 7:9( וחכך כיין הטוב הולך לדודי למישׁרים דובב שׂפתי ישׁנים׃( 7:10 
2. Vekhikekh keyein hatov holekh leDodi lemeisharim dovev siftei yeshenim: 
3. And the roof of thy mouth like the best yayin (wine) 
4. {The Shulamite} 
5. for my dod, that goeth [down] sweetly, causing the lips of those that are ayashen 
(sleep) to speak. 
A cena vai se desfazendo... a dança vai se distanciando... como num sonho... A cena não 
tem uma finalização, como se a dança JAMAIS TERMINASSE. Mas, já não há mais 
referencia ao palácio, aos convidados... Como se a festa tivesse terminado...a moça cansada 
também provou do vinho...deitada e ainda vestida das indumentárias vai caindo no sono.. 
.adormece ainda falando... e interrompe o sono para falar algo com que está 
sonhando...sem abrir os olhos e depois volta a dormir. 
Salomão canta até o início do verso e então é interrompido pela cantora, que completa o 
pensamento. 
Bêbada. Embriagada..de novo! 
O poema começa com vinho e segue embebido nele até o final.
Como o bom vinho significa como um vinho de excelente qualidade, como o vinho da 
adega real. O que flui de sua boca possui a excelência de um vinho de excelência. 
O vinho que faz TAMAR celestial falar dormindo é visto em JOEL: 
505 
Joel proclama: 
Acordem, bêbados, e chorem! Lamentem-se todos vocês, bebedores de vinho; gritem por causa do 
vinho novo, pois ele foi tirado dos seus lábios. 
Joel vê a morte do jardim de Cantares. 
A vinha está seca, e a figueira murchou; a romãzeira, a palmeira, a macieira e todas as árvores 
do campo secaram. Secou-se, mais ainda, a alegria dos homens. 
Porém vê também o cumprimento deste verso. 
E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e 
vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; 
Essa é o significado profético do texto. Pelo Espírito santo sonhos seriam dados a Igreja, 
sonhos frutos da manifestação do Espírito, sonhos fruto da operação do Espírito. A 
promessa de Joel retrata os “lábios que falam enquanto dormem” fruto do “vinho que se 
derrama ou escorre suavemente”. 
As Escrituras são repletas de revelações concedidas por Deus mediante sonhos. Jesus é 
salvo da morte mediante um sonho que ordena que seus pais saiam da cidade de Belém, 
sem voltar a Nazareth (que ficava na Galiléia de Sunamita). Onde quer que hajam pessoas 
que tenham o Espírito de Deus, ali haverão sonhos dados por ele, contendo orientações, 
avisos, mensagens, profecias. 
E nós não necessitaremos chorar que nem os bêbados de Jerusalém, porque o cerco estava 
chegando, e em breve a fartura e a gastança desenfreada teria um fim. A nobreza judaica da 
época de Joel enriquecera ilicitamente, criara latifúndios, explorava a mão de obra escrava. 
Vivia nababescamente. Realizava festas quase todos os dias regadas a vinho novo. 
O deles foi tirado, vinho novo, liiteral. 
Para que sobre nós, o vinho novo espiritual pudesse ser abundantemente derramado. 
Quando Sunamita acordar, acordará num mundo novo. Nunca mais haverá de caçar 
raposas. Nunca mais ficará horas debaixo do sol, queimando. Porque ela dormiu como 
uma camponesa. Mas acordará como uma princesa. Que ela nunca deixou de ser.
1. 7:10(7:11){Refrain} 
אני לדודי ועלי תשׁוקתו׃ . 2 
3. Ani leDodi vealai teshukato: 
506 
I [am] my dod's, and his desire [is] toward me. 
O termo que ela usa é uma pelido carinhoso, meu “Dodi”. E dentre todas ela sabe que ele 
a escolheu, que ele a ama. Que ele deseja estar com ela, mais que estar com qualquer outra 
mulher. 
Há um mistério na união e na paixão de um homem por uma mulher. Uma dádiva 
tamanha que o apóstolo Paulo chama de HERESIA a doutrina dos falsos mestres, que um 
dia ensinariam o celibato na Igreja. A negação desta realidade na vida humana é aos olhos 
do Espirito entende com CONTINGENCIA, nunca como plenitude. O homem ou 
mulher que desejarem voluntariamente não viver tal experiência estarão vivendo uma 
EXCEPCIONALIDADE. Não a plenitude. Irá faltar uma dimensão em suas vidas. Por 
isso sem que DEUS conceda GRAÇA, sem que haja fortalecimento espiritual, a privação 
desta dimensão da vida humana é algo ruim. A solidão não é o melhor caminho. Embora 
seja melhor viver só que numa guerra conjugal, que viver entre agressões. Mas um amor 
correspondido é um beneficio extraordinário. A reciprocidade. O afeto. 
O mistério que envolve a Igreja e Cristo é que Jesus entende a Igreja como dele. Não 
pertence a um grupo de pessoas, não pertence a um ministério, não pertenece a um pastor. 
Pertence a Ele e ele cuida de cada um que a ela pertence de um modo muito pessoal. 
Próximo. Pertencer a Cristo significa que nenhum outro pder espiritual possui a 
legitimidade de tomar “confiança”. Ninguém pode “desrespeitar” espiritualmente, a Igreja 
de Cristo. Ela não pde ser “humilhada”, maltratada sem que haja interferência do Amado. 
Ela não é uma terra de ninguém. Ela tem dono. Um possuidor. Essa visão de posse é 
deturpada nas relações humanas até na antiguidade. Os maridos consideravam suas esposas 
suas “posses”, como “propriedades”. Em algumas culturas tinham o direito de castiga-las, 
repudiá-las, e até dispor de suas vidas. As mulheres foram tratadas literalmente como 
“objetos” como “bens” e serviram até como cambio. É uma deturpação da essência do 
amor, de doação voluntária, do sentimento de pertencer a alguém e de ter a posse do 
coração. A figura é poética, a sociedade a usou como ferramenta de dominação feminina. 
Apesar da perversão do conceito, quem se ama exerce a beleza da figura. Porque é fruto de 
uma entrega voluntária. Sunamita PERTENCE a Salomão. Ela sabe disso. E não pertence 
a mais ninguém. E Salomão PERTENCE a ela. Ela não se envergonha de ter um 
“possuidor”. E nem ele de ser chamado de “posse”. Esse sentimento é o que estabelece o 
vínculo de exclusividade, e a força do CIUME. 
O Ciume é o sentimento que é fruto da transgressão da condição, ainda que 
PRESUMIDA, da exclusividade. 
Os paralelos e os desdobramentos são inúmeros.
O cenário mudou. Já não estão mais no castelo. E não sabemos onde estão, ao menos 
neste verso. Como se viajassem. Porque FINALMENTE eles estão em viagem. Viagem de 
lua-de-mel. A moça fêz questão de voltar aos locais de sua residência. Ela quer apresentar 
seu noivo às amigas. Ela quer que seus irmãos o conheçam. Ela quer brincar com sua mãe. 
Ela quer mostrar as gaiolas quebradas e talvez, se tiver sorte, até mesmo uma raposa. Ela 
quer lembrar onde tudo teve inicio. As vinhas. 
1. 7:11( לכה דודי נצא השׂדה נלינה בכפרים׃( 7:12 
2. Lekha Dodi netze hasadeh nalinah bakfarim: 
3. Come, my dod, let us go forth into the field; let us lodge in the villages. 
E por fim eles chegam. Voltaram. Ela está tão ansiosa que não anseia sequer descansar da 
viagem. Ela quer correr. Que energia! Ela quer sair. Essa “morcego” não dorme! Ela quer 
caminhar com Salomão, quer apresenta-lo às suas amigas, anseia por participar das festas 
locais, ver as dançarinas de cada aldeia com seus passos exclusivos, suas vestimentas e cores 
próprias, suas guloseimas, os pratos típicos de cada uma delas. Agora ela as visita não mais 
como uma trabalhadora das vinhas. Chega as aldeias como princesa e trazendo a tira -colo 
aninguém menos que o próprio rei de Israel. Não sei se é possível o que ela está insistindo 
para fazer. Multidões afluiriam de todas as localidades se souberem que sua princesa 
chegou junto com Salomão. 
É o inicio de algo novo. Um novo tempo, um magnífico amanhecer. Evoca a chegada da 
Igreja na terra, após as bodas do Cordeiro, quando ela retorna ao mundo, desejosa de rever 
os lugares onde um dia viveu, morou e sofreu. Milhões participaram da ceia e anseiam rever 
agora, sem as limitações impostas pela natureza humana, os lugares de onde um dia saíram, 
onde um dia viveram. 
1. 12( נשׁכימה לכרמים נראה אם פרחה הגפן פתח הסמדר הנצו הרמונים שׁם אתן את־דדי לך׃( 7:13 
2. Nashkimah lakramim nireh im parkhah hagefen pitakh hasemadar henetzu 
harimonim sham eten et-Dodai lakh: 
3. Let us get up early to the vineyards; let us see if the vine flourish, [whether] the 
tender grape appear, [and] the rimmon (pomegranates)s bud forth: there will I give 
thee my dod (loves). 
A herança da vinha é grande no coração de Sunamita. Ali ela conheceu a Salomão, ali ela o 
amou, ali ela foi amada. Ali ela se apaixonou pelo rei e ali o rei por ela perdeu seu coração. 
É a herança de seus pais, é onde fica a casa de sua mãe, casa que Salomão já visitou, 
arrastado por ela na metade da poesia. Um período de tempo passou, como se tivesse 
507
chegado outra primavera. Como se desde o início da história um ano tivesse ocorrido. 
Sunamita ficou fora um certo tempo, o bastante para renovação da vinha. É o momento da 
chegada de uma nova safra de uvas. De um novo tempo para as romanzeiras. E ali no meio 
dessa renovação, desta mudança, deste novo dia, Sunamita promete que irá viver sua lua - 
de-mel. Cantares evoca uma dança como apíce da sua ação, mas ao mesmo tempo é como 
se os dois estivessedançando do inicio ao fim. Agora se inicia o fim da dança do livro. A 
batalha terminou, Tamar foi reconhecida, honrada, dignificada. Ela está oficialmente 
casada, comprometida com o rei. E diferente da pressa de Amon que vitimou a sua prima 
Tamar, ele esperou. Ele não a envergonhou, ele não a cortejou para abandonar. Ele nã o 
abusou da inocência ou do desejo dela, para depois da aventura, desprezá -la. Por todo o 
livro a moça anseia “prende-lo”, e ele vai fugindo dela, deixa que ela se aproxime, mas não 
a força a nada. Não usa de seu poder, tão pouco de sua sabedoria para enganá-la. Havia 
desde o primeiro beijo, um propósito bem alicerçado no coração de Salomão. Um plano 
ousado e louco. Mas ao mesmo tempo, benigno. Nem tudo ocorreu como deveria, os 
guardas acharam a moça, espancaram ela por estarem bêbados, os irmãos a persegui ram, as 
filhas de Jerusalém a intimidaram para revelar sua identidade, ela o arrastou de surpresa 
para a casa de sua mãe, ela esqueceu de preparar as armadilhas das raposas, mas apesar de 
tudo, tudo deu certo. 
Há um mistério de renovação da terra que começa até mesmo durante a Grande 
Tribulação. Há um mistério de Salvação que ocorrerá durante o Milênio. “tenras uvas” 
revelam um milagre de novas vides. 
Hoje, em toda a terra nós ouvimos falar de “tenras uvas”. Pessoas tendo novas 
experiências, jovens sendo separados para os diversos ministérios, adultos recebendo visões 
espirituais que revolucionam comunidades inteiras, cânticos sendo concedidos, que 
encantam Igrejas, profundamente inspirados. 
Vivemos num mundo de vinhas destruídas. Num mundo de romanzeiras secas. Onde as 
palmeiras foram cortadas. Onde o fogo se assenhorou de Siló e onde aos jardins de Engedi 
se tornaram desertos. 
Porém o Espírito vê também uma Igreja que reina, uma princesa dignificada, honrada, que 
intercede com ousadia e o resultado é a cura da alma, a conversão de milhares que crendo 
se tornam “tenras uvas”. 
Essa Igreja não está numa “denominação”. Ela se espalha por toda a terra, em muitos 
lugares. 
E espiritualmente ela anseia viver um tempo de profundo relacionamento com Deus. 
1. 7:13( הדודאים נתנו־ריח ועל־פתחינו כל־מגדים חדשׁים גם־ישׁנים דודי צפנתי לך׃( 7:14 
2. Hadudaim natnu-reiakh veal-petakheinu kol-megadim khadashim gam-yeshanim 
Dodi tzafanti lakh: 
3. The mandrakes give a smell, and at our gates [are] all manner of pleasant [fruits], 
new and old, [which] I have laid up for thee, O my dod 
508 
As mandrágoras são frutas com raízes bem interessantes. As raízes lembram gente.
Assim é, também, a mandrágora. Planta da família das solanáceas, a Mandragora 
officinarum é nativa do Mediterrâneo, de caule muito curto, com uma roseta de folhas, de 
cujo centro alteiam-se hastes de flores de coloração entre o violeta e o azul. A raiz, 
freqüentemente bifurcada, possui contornos de uma forma humana — mais 
especificamente, a de uma mulher — e, sendo grossa e carnuda, assemelha-se a um par de 
pernas. Conhecida há milhares de anos, foi muito utilizada na Antigüidade e na Idade 
Média, em manipulações, quer na medicina, quer na feitiçaria e nas religiões campesinas e 
entre os escravos, por conter propriedades — extraídas de suas folhas e raiz dissolvidas ou 
maceradas em leite ou álcool — afrodisíacas, analgésicas, narcóticas e alucinógenas. 
Em Gênesis, a mandrágora representa, para as mulheres estéreis, o caminho de esperança 
para a fertilidade e a maternidade. No caso do Cântico dos Cânticos, é integradora dos 
corpos e do amor. Em ambos, notamos sua propriedade afrodisíaca. O termo 
“mandrágora”, ãåãàéí (dûdä´îm) em hebraico, deriva da mesma raiz de “amor”: o que 
reforça a idéia de fertilidade e de seu elemento afrodisíaco Na verdade a mandrágora é 
provavelmente o anestésico mais antigo utilizado pelo homem. 
509
Nos tempos mais remotos, a raiz era utilizada para colocar os pacientes prestes a passar por 
uma cirurgia em estado de sono profundo, durante o qual as operações poderiam ser 
realizadas. A raiz era infundida ou fervida e um pouco era dado para o paciente beber, 
entretanto, tomava-se certos cuidados quanto à dose, porque quando usada em excesso 
poderia causar um sono do qual não se acordava mais. Outras vezes era usada apenas 
umedecendo um tecido para ser ministrada externamente. 
Na idade média acreditavam que suas folhas brilhavam magicamente, que a mandrágora 
podia enlouquecer ao ser humano e que ela gritaria se fosse arrancada da terra. 
510
A crença de que a mandrágora brilha a noite tem uma base de fato. Por alguma razão suas 
folhas atraem os vaga-lumes, e são essas pequenas criaturas, cuja luminescência esverdeada 
é muito impressionante, que fazem a planta brilhar na escuridão. Qualquer desavisado 
certamente poderia sentir-se assustado com a aparência da planta no escuro e achar que as 
antigas lendas sobre seus poderes diabólicos eram verdadeiras. 
Até mesmo o grito temeroso pode ter ao menos um pouco de verdade de onde a lenda foi 
ganhando mais força. Essas plantas com raízes grandes e encorpadas geralmente crescem 
em lugares úmidos e quando são arrancadas da terra, soltam um ruído gritante (Claro que 
não tão alto quanto diziam). 
Ela é marrom-escura por fora e branca por dentro e curiosamente bifurcada, evocando 
vagamente um tronco prolongado por coxas. Com um pouco de imaginação é possível 
encontrar nessa raiz, que os pitagóricos chamavam Anthropomorphon, uma silhue ta 
humana, com uma cabeça um pouco acima do nível do solo e coroada por uma opulenta 
cabeleira, as folhas, principalmente, como às vezes acontece, se duas outras raízes 
adventícias se colocam no alto dos membros anteriores. E claro que as raízes mais 
procuradas e as mais caras eram as que lembravam melhor a forma humana, principalmente 
quando o sexo estava aparente, pois havia mandrágoras macho e mandrágoras fêmea. 
Diziam até que certos mágicos conseguiam “animar” essas raízes, isto é, fazer delas 
verdadeiros homúnculos. 
As moças da antiguidade tomavam o chá de mandrágora para engravidar. O perfume da 
mandrágora era entorpecente. A Sunamita está dizendo, de um modo pouco sutil, que ela 
quer ter filhos! Era assim que Lia subornou a Jacó, para que este passasse a noite com ela, 
uma história contada e recontada a mais de 600 anos. Quando a palvra “mandrágora” 
aparece na canção, uma moça israelita associaria isso com uma moça que foi “doada” por 
assim dizer, num casamento “forçado” contra a vontade do marido, que esperava, outra. A 
conhecida história de Raquel, Jacó e Lia. Lia amava Jacó que amava a Raquel e viu um dia 
na planta de caráter “mágico” (até hoje, vide Harry Potter) a possibilidade de “mudar” a 
sua sorte. Lia queria “encantar” a Jacó, com a plant inha e com a fertilidade. Na época 
quanto mais filhos tivesse uma mulher, maior sua importância na sociedade. E entendia que 
511
seria mais considerada, mais cuidada por Jaco que Raquel. Lia queria o “amor” de Jacó, 
ainda que por meio de um “encantamento”. 
Mas Sunamita já possuía o coração do esposo. E agora declarava que ansiava ter filhos. 
Salomão morava num palácio que levou 13 anos para ser terminado. A casa do Líbano. 
Quase um palácio de marfim. Diante deste palácio a moça pediu que os administradores 
das fazendas, dos jardins, das hortas e da Vinha trouxesse presentes. A moça que caçava 
raposas, agora é a HERDEIRA DE TUDO. Manda mais que seus irmãos! Ela separou o 
vinho de qualidade que estava maturando em garrafas de argila especial, vinhos antigos que 
misturados com especiarias e de excelente qualidade, melhoravam com o passar do tempo, 
sob determinados cuidados. E ofereceu também vinho novo, recém-fabricado. Ofereceu 
grãos e especiarias, assim como frutas recém tiradas dos pomares. 
512 
Outra vez a “mágica” é insinuada ao citar as mandrágoras. 
No final do tempo em que Cristo reinar sobre as nações, teremos uma situação 
inimaginável na terra. Um mundo reconstruído ecologicamente. Haverão sobreviventes dos 
dias difíceis, dos tempos anteriores. Da época em que o Anticristo exerceu seu domínio 
sobre a terra. Esse não é nosso passado e nem o presente. Falamos do futuro. A terra não 
será destruída pelas catástrofes, ou pelo ser humano. Mas, segundo Cristo, sobrevirão 
tempode de calamidade ao mundo, de mudanças climáticas, terremotos e com o resultado, 
a morte de mais pessoas do que qualquer outra turbulência vivida pelo mundo. Mas, 
haverão sobreviventes. Bilhões de pessoas. Essas pessoas rceberão privilégio de começar a 
viver uma nova realidade. Com uma radical mudança das leis que regem o cosmos. Não 
completa, mas extraordinária. Diz Isaiás que haverá uma mudança no processo de 
envelhecimento humano. Diz João que principados espirituais serão presos, que significa, 
que a atuação de poderes malignos externos ao ser humano será restringida ou anulada. E 
que as crianças que nascerem neste tempo, viverão um mundo estando as PORTAS de um 
outro, já que é um estado transitório, serão considerdas “frutos novos”. Haverá salvação no 
MILENIO. Ela os “guardou” para ele. A pregação do evangelho preservou vidas durante 
a grande tribulação, e fez nascer frutos durante o tempo que virá depois. Seja esse período 
de 10, 1000, 10000 anos. 
A mandrágora aponta para algo “mágico” para um “encantamento”. Para uma “operação 
sobrenatural” que é capaz de mudar a vida de uma moça estéril num moça fértil. 
Aponta para uma operação que mudará a humanidade de um modo fabuloso. 
Toda ela. 
O mundo sentirá o cheiro da mandrágora. Os que viverem na terra durante a volta de 
Jesus verão seu PODER manifesto em PLENITUDE.
1. מי יתנך כאח לי יונק שׁדי אמי אמצאך בחוץ אשׁקך גם לא־יבוזו לי׃ 8:1 
2. Mi yitenkha keakh li yonek shedei imi emtzaakha vakhutz eshakkha gam lo-yavuzu 
li: 
that thou [wert] as my brother, that sucked the breasts of my mother! [when] I should find 
thee without, I would kiss thee; yea, I should not be despised. 
Sunamita amou Salomão, lutou pelo seu amor, no caminho de sua aventura apaixonada ela 
dançou diante das filhas de Siló e das filhas de Jerusalém, enfrentou os olhares enciumados 
da filha de faraó e até da rainha de Sabá, conquistou o coração de Betseba e mesmo das 
filhas de Salomão. O texto que nos apresenta as filhas de Salomão rindo e correndo, e 
tentando dançar como a jovem aparece (em algum lugar lá atrás que eu tenho que terminar 
esse estudo) na dança de Maanaim e na expressão admirada da boca do rei. O sonho teve 
início, a restauração de Tamar, a restituição dos direitos de princesa, o reconhecimento de 
sua hgerança real, herdeira dos benefícios do palácio, NETA de DAVI. 
Mudou-se o cenário, os tempos das grandes festas terminou e agora ouvimos sua voz de 
um modo novo. Como se tudo tivesse recomeçado, como se fosse uma lembrança do 
inicio do namoro. Se essa fosse a voz de Sunamita. 
Essa voz de insegurança, essa voz que parece estar RECONTANDO a história de 
Sunamita, essa voz ADOLESCENTE, suave, doce, tremula, não é a voz de uma ESPOSA. 
Não é a voz daquela que tem CERTEZA de que ela é de seu Amado e que ele lhe pertence. 
Aqui nós apresentamos aos leitores uma nova personagem. 
513 
UMA NOVA CANTORA. 
Uma jovem que começa a contar sua história. Seus medos, seus pavores. Sua vergonha de 
ficar exposta beijando ou abraçando um estranho e sendo mal-interpretada por todos. Uma 
jovem israelita com medo do que vão dizer se a encontrarem em qualquer lugar abraçando 
um jovem. Ela seria ridicularizada, repreendida duramente pela cultura de sua época. 
Ela anseia ser como uma irmã para o seu amado, não pela razão correta, mas para não ter 
vergonha de ficar a sós com ele. Para não ser DISCRIMINADA. 
Essa ai não é a cara-de-pau da Sunamita, ah! Não é mesmo. 
Ela é medrosa, reticente, cuidadosa e envergonhada. 
Ela é uma menina. 
1. אנהגך אביאך אל־בית אמי תלמדני אשׁקך מיין הרקח מעסיס רמני׃ 8:2 
2. Enhagakha aviakha el-beit imi telamdeni ashkekha miyayin harekakh measis rimoni:
3. I would lead thee, [and] bring thee into my mother's house, [who] would instruct 
me: I would cause thee to drink of spiced yayin (wine) of the juice of my rimmon 
(pmegranate). 
Essa mãe a quem esta NOVA CANTORA se refere é muito especial. Ela conhece bem as 
aventuras e desventuras de um grande amor. E ela é uma menina rica, herdeira de um 
grande vinhal e de um grandioso pomar. Já tem fabricação de licor de romãs e até produz 
vinho aromático, um vinho especial que levava alguns anos para ser preparado. Essas 
romanzeiras são da casa de seus pais. E ela já considera-se POSSUIDORA do jardim. 
1. שׂמאלו תחת ראשׁי וימינו תחבקני׃ 8:3 
2. se mo lo ta khat ro shi vi mi no te khab ke ni: 
3. His left hand [should be] under my head, and his right hand should embrace me. 
Então lemos uma nova história de amor. Com as mesmas cenas que nós conhecemos 
muito bem. Mas não nos é ainda revelado quem é esse amado. Mas vou revelar quem é a 
menina. Cujo nome desconheço. Ela é aos meus olhos, a filha de Tamar. Adolescente e tão 
amorosa quanto a mãe. Vivendo do mesmo modo seu amor juvenil. 
1. השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם מה־תעירו ומה־תעררו את־האהבה עד שׁתחפץ׃ 8:4 
2. Hishbati etkhem benot Yerushalayim mah-tairu umah-teorru et-haahavah ad 
shetekhpatz: 
3. I charge you, O banot Yerushalayim, that ye stir not up, nor awake [my] dod (love), 
until he please. 
514
E na geração dela, já tem amigas como as amigas de sua mãe. E que também dançam com 
sensualidade, que também paqueram descaradamente, que também estão se insinuando 
para seu grandioso amor. E ela do mesmo modo que a mãe também aprendeu a defender 
o que lhe pertence. Ela desde pequena sabe “conjurar”, ela se posiciona como uma 
pequena profeta desde o início. Ela aprendeu que o amor não se desperta pela força e nem 
pela violência. 
A menina possui a natureza de sua mãe! Aprendeu suas lições, ela repete suas palavras, seus 
sentimentos e sua paixão. 
1. מי זאת עלה מן־המדבר מתרפקת על־דודה תחת התפוח עוררתיך שׁמה חבלתך אמך שׁמה חבלה 8:5 
ילדתך׃ 
2. Mi zot olah min-hamidbar mitrapeket al-Dodah takhat hatapuakh orartikha shamah 
khiblatkha imekha shamah khiblah yeladatkha: 
3. Who [is] this that cometh up from the wilderness, leaning upon her dod? I raised 
thee up 
515
516
517 
5 
Então as filhas de Jerusalém interrompem a crise existencial da menina com a chegada de 
um casal muito especial. Salomão e Sunamita. Sunamita vem com o rei até onde está e 
menina, olha ternamente para ela e diz: 
“debaixo da macieira te despertei, ali esteve a tua mãe com dores!” 
Conta para ela sobre os dias de gestação, do momento em que ela estva pronta para nascer 
e quase por um triz não nasceu debaixo da macieira. A menina é fruto de um grande amor 
e agora Salomão reconta para a menina a grande história de como foi gerada, conta -lhe 
sobre o sacrifício e as dores de ser mãe. As dores de Tamar. A gestação é um processo 
complicado, demanda cuidados com a mãe, significa transformações no corpo da mãe, 
mudança de sentimentos, de sensações, vontades, calafrios, dores intensas. E Salomão faz 
questão de contar essas coisas a menina pequena. Ele quer que a menina admire a sua mãe. 
Porque ela merece seu amor. 
O GRANDIOSO FINAL DE CANTARES! 
Queria caminhar até o final de todas as coisas. Até após o capitulo 21 de Apocalipse. 
Depois do Milenio. Queria seguir com a Sunamita celestial até os dias que sequer temos 
idéia de como serão. A vida nos foi muito difícil. A história da Salvação é absurda e louca, 
uma novela irreal num mundo sobrenatural, um conto de mistério, de drama, de terror, um 
romance transbordante do fantástico. Que mistura em parcelas desiguais ao visível e ao 
invisível. Uma história que dependeu de ministérios, de serviços espirituais, que envolveu 
poderes, soberanias, potestades, operações milagrosas, operação angelical. Uma história que 
tem um universo abalado por forças do mal, no qual caminharam bilhões de demônios, que 
tinha dimensões da morte, prisões celestiais, um lugar oculto que é habitação de anjos e que 
tinha sobre tudo que acontecia a figura presente de um Deus poderoso, sábio e amoroso. 
Num dado instante o universo inteiro foi despido de suas velhas leis, do caos das estrelas, 
nebulosas e galáxias, das estruturas celestiais tais como a morte, as questões transitórias 
como a enfermidade, como a fragilidade dos corpos dos seres vivos da terra. Em dado 
instante tudo se fez novo. Tudo. Não sobrou uma estrela sequer das inúmeras que pudesse 
fazer parte da Nova Criação. O antigo universo foi desfeito, colapsado, reconstruído. 
E agora Sunamita vive para todo o sempre. Mas a história ainda não terminou. O “felizes 
para sempre” dos contos de fadas está próximo, mas não é um universo sem dinamismo. A 
vida não cessou. Não terminou. Sunamita não é estéril. O ultimo ser humano não 
aconteceu. A humanidade não findou. Nem findará. Nós não sabemos como os anjos são 
gerados. Além do Salmo 33.6, nada sabemos 
6 Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles. 
Os anjos foram criados pelo sopro de sua boca. Certo dia um pastor nos ensinou que “o 
respirar do Senhor produz anjos” 
Mas nçao podemos imaginar o que é abrir os olhos numa dimensão espiritual e começar a 
viver. O que um anjo sente quando é criado, o que ele vê ou é capaz de entender assim 
que começa a existir. E começa para jamais TERMINAR.
Os Querubins tem um rito de criação ainda mais elaborado. 
Mas em nenhum momento as Escrituras nos falam que a geração de anjos, a quem Deus 
trata também como a filhos (embora não os tenha assim concedido esse TITULO 
OFICIALMENTE nas ESCRITURAS – somente Cristo o recebeu, ao menos em primeiro 
lugar) CESSOU. 
E em nenhum momento é dito que a aventura humana se finda com a ultimo nascimento 
humano neste nosso universo. 
Então a menina que nasce aponta para algo. Para uma realidade transcendental. A 
possibilidade de filhos e filhas que nascerão no novo Universo. Como os anjos, como 
Querubins, de um outro modo. 
São duas as possibilidades: 
A novidade de vida para a geração que nasceu durante o milênio 
A continuidade da geração de vida humana, ainda que glorificada, remida, na eternidade 
após o milênio. 
518 
Eu abraço a segunda versão. 
Já não existirão as relações que temos no nosso universo. A palavra “filhos e filhas” não se 
aplica adequadamente. Mas uma palavra herança de nossa humanidade ainda permancerá 
valendo. Irmão. 
Essa menina precisa aprender a amar, mas para que seu amor seja perfeito, ela necessita 
ouvir a história da salvação. Ela necessita ser aperfeiçoada, através dos testemunhos, dos 
milagres, das histórias, dos testemunhos, das dores vencidas, através da terrível história. 
Salomão lhe apresenta o mundo que existiu antes de Apocalipse 21. Porque as dores agora 
são somente um memorial. Mas o processo de crescimento e amadurecimento no mundo 
do povir dependerá das coisas vividas aqui. 
E então chegamos ao mais poderoso verso das Escrituras. O equivalente a João 3:16 no 
Velho Testamento. 
1. שׂימני כחותם על־לבך כחותם על־זרועך כי־עזה כמות אהבה קשׁה כשׁאול קנאה רשׁפיה רשׁפי 8:6 
אשׁ שׁלהבתיה׃ 
2. Simeni khakhotam al-libekha kakhotam al-zeroekha ki-azah khamavet ahavah 
kashah khishol kinah reshafei harishpei esh shalhevetya: 
Set me as a seal upon thine lev, as a seal upon thine arm: for dod (love) [is] strong as death; 
jealousy [is] cruel as the grave: the coals thereof [are] coals of fire, [which hath a] flame of 
Yaweh 
Este é o mais fabuloso verso do cântico da existência. Traduz a redenção, 
afronta a morte, a coloca no seu devido lugar. Profetiza a manifestação de um
poder que é capaz de confronta-la de igual para igual. É o ápice de Cantares, 
é a mais profunda declaração divina sobre a essência do Amor. E da 
obstinação do Calvário e de Cristo. A morte não poderia conter ao amor de 
Deus manifestado em Cristo. E mesmo que a morte pudesse enfrentar ao 
amor, não poderia enfrentar a ira que dele procede, ao CIUME. 
O Ciúme é a paixão em trajes de guerra, quando a moça percebe que a 
OUTRA deseja para si o afeto a que não tem DIREITO. 
As Escrituras afirma que o Espírito tem CIÚMES de nós. Significa que a 
morte pode até nos cortejar. Pode até se aproximar. Ou nos envolver. Mas 
pelo ardente desejo que o espírito de Deus possui pela nossa alma, não 
permitirá que nos PERCAMOS. Que pereçamos. Ou que venhamos a 
PERMANECER mortos. Digo isso a respeito de nossos corpos. Jesus nos 
ama, integralmente. Sua morte abrange a totalidade do que somos. Até os fios 
de cabelos de nossa cabeças estão devidamente registrados. Quando o 
CIÚME do Espírito se manifestar, o universo VOMITARÁ nossos corpos. 
Terá que renunciar até aos átomos espalhados. 
Porque ele anseia que VIVAMOS com ele, enquanto ELE VIVER. 
O selo sobre o coração significa pegar o anel de selo com cera quente e fazer 
uma marca no peito. Uma tatuagem. E sobre seu braço. Para toda a 
eternidade estará gravado no coração de Deus as nossa orações. As nossas 
intercessões. As nossas lágrimas. As tremendas batalhas travadas. E não 
somente no coração, no Espírito de Deus, mas em seu braço. O braço 
simboliza FORÇA. Representa ao PODER, a ONIPOTÊNCIA de Deus. O 
sacrifício e a existência humana não ocorreu em vão. 
O verso é tão paradoxal que muitos tradutores não quiseram colocar o nome 
divino no texto e traduzem “labaredas do Senhor” como “veementes 
labaredas”, em virtude de comparar o ciúme do amor humano, ciúme fruto da 
paixão entre o homem e a mulher exaltados ao nível do fogo sagrado que 
representa o poder e a santidade divina. As visões de Ezequiel retratarão um 
anjo que retira brasas vivas do trono, o fogo do altar era inextinguível e sobre 
ele era queimado o cordeiro que simbolizava a Cristo. O fogo simboliza o 
juízo divino, simboliza o fim da morte, o fim dos poderes das trevas, é parte 
do olhar de Jesus na visão dada a João na ilha de Patmos. 
Os sentimentos humanos não existem por acaso. Até deles exist em uma 
imagem, uma representação espiritual. Há sentimentos na eternidade! 
Se o ciúme é tratado com tanto valor, tão dignificado que se compara ao fogo 
divino, podemos imaginar que eles são parte do plano de Deus, são parte 
integrante do universo divino, e que uma vez que a criação for LIVRE do 
poder do pecado e de suas marcas, continuarão a ser exercidos, 
incontaminados. Sem nenhuma condenação. 
Há nas visões sobre o céu uma tendência a destruição dos sentimentos. O 
Budismo reclama que o estado de integração máxima entre o humano e o 
519
divino se alcança através da SUPRESSÃO dos sentimentos. Os sentimentos 
são tidos como sinal de FRAQUEZA. Quando os teólogos falam sobre 
sentimentos em Deus eles usam o termo ANTROPOMORFISMO, como se 
os sentimentos fossem uma falha humana, e que ao imaginarmos tais 
características em Deus é porque nos o “humanizamos”. Parte da filosofia e 
da ciência estabeleceu um conceito de conhecimento desvinculado do 
sentimento, o racionalismo estigmatizou o sentimento em detrimento da 
intelectualidade. No filme “Lucy” (2014) a personagem principal vai perdendo 
os sentimentos na medida que sublima suas capacidades intelectuais e há uma 
cientologia que concede o tom à ficção, que reitera de modo sutil a 
condenação aos sentimentos como um subproduto, um pedaço da alma que 
atrapalha ao crescimento. Diversos filmes abordam atualmente uma temática 
de que uma sociedade perfeita é uma sociedade que suprimiu seus “instintos 
básicos” através de drogas (Milenium, O Doador de Memórias, etc) para 
trazer a “paz” a humanidade. Nietzche estabelecia o dogma do “super-homem” 
desprovido de sentimentos, desprovido de compaixão, misericórdia, 
estigmatizando ao cristianismo pelo seu deus “fraco” que demonstrava sua 
“fraqueza” através de sua compaixão pelo ser humano. As histórias em 
quadrinhos são repletas de seres fantásticos que batalham contra a terra e 
contra os seres humanos, e sempre acusam os defensores da terra de serem 
mais “fracos” por causa de seus sentimentos. O livro de Nieztch, Assim falou 
Zaratustra trás um pseudo-profeta que vocifera acusações a fraqueza dos 
sentimentos e da compaixão. Hitler substituiu a visão religiosa das suas tropas 
exaltando figuras nórdicas e trazendo do panteão mitológico os lendários 
deuses da guerra que ignoravam a dor, a compaixão e o medo nas batalhas. O 
amor era completamente contra os ideais nazistas do controle. O capitalismo 
se baseia num mundo destituído de sentimento. Os grandes negociadores não 
se importam com a falência de centenas de empresas, com a demissão de 
milhares de empregados e a dissolução de milhares de famílias, desde que 
alcancem a margem de lucro desejada. Os processos de transformar homens 
em guerreiros passam pela sua “desumanização”. Apresentem a desprezar a 
dor alheia, do mesmo modo como o processo da criação de feiticeiros. Os 
rituais que fazem exumação de cadáveres, os assassinatos de crianças, as 
práticas macabras tem uma função. Fazer com que não se importem com 
quem irão destruir com seuas invocações. Não podem sentir pena, compaixão 
ou amor pelas vítimas de seus feitiços. Porque se não não produzirão o 
“poder” necessário para a realização do mal. 
Quando Salomão declara que o “ciúme são as labaredas do Senhor” ele está 
falando da imagem divina em nós. De uma semelhança angelical. Eles não 
rejubilam como uma figura de expressão. Por isso os anjos dançam. Porque 
SENTEM. 
520
Esse verso aponta para a realidade de uma VIDA que SENTIREMOS no 
povir e que EXPRESSAREMOS de um modo semelhante ao que 
expressamos hoje. Só que de um modo aperfeiçoado. A glorificação não nos 
muda a ponto de não termos raiva, alegria, ciúme, incapacidade de sofrer, 
amar, rir, sonhar. Despidos de algumas características humanas que pertencem 
somente a este universo, mas completos como filhos de Deus. A beleza ainda 
nos emocionará, os cheiros, os odores, os sons, os cânticos, a ternura, o 
carinho. O abraço. 
Há surpresas sobre o futuro e DESLUMBRAMENTO com sentimentos que 
ainda não temos. O modo como o Espírito percebe as coisas é mais profundo 
e mais consciente do que nós percebemos os sentimos. Nós somos “anjos 
embotados”. O ser humano é para a eternidade aquilo que um gripado é para 
uma lauda refeição. Ele até sente o gosto, mas não na sua plenitude. 
521 
Põe-me como selo sobre o teu coração 
Selo Sumeriano
522 
Anel de Selar egípcio
Um selo hebraico da antiguidade com hebraico antigo, similar ao hebraico com que o livro 
de Cantares foi escrito. 
O Selo na antiguidade era uma marca criada a partir da punção ou rolamento de uma peça 
entalhada em baixo ou alto relevo sobre um material maleável que enrijecesse ao esfriar ou 
secar. Como argila ou cera. Os selos significavam uma autentificação, que o produto era de 
origem conhecida. Significava a autenticação de documentos de estado, dos produtos de 
alta qualidade. Cada selo era único. E de difícil cópia. E havia um cuidado especial para que 
os selos não caíssem em mão errada. Eram a assinatura que validada os documentos 
oficiais. Atestavam autenticidade. Atestavam a procedência. Equivale aos selos das marcas, 
aos logotipos que identificam os produtos e a sua qualidade. 
O selo simboliza uma marca indelével, feita para durar. 
Por como selo sobre o coração é o pedido de pegar um rolo e passar com ele sobre o 
coração deixando um alto relevo, uma marca que jamais se apagaria. A Sunamita anseia ser 
esse selo, essa marca no coração de Salomão. 
Ser “selo” para alguém é algo extraordinário. Pessoas que “marcam” a nossa vida não o 
fizeram gratuitamente. Elas não podem inventar isso. A não ser de modo ruim, através de 
feridas tais como a desonestidade, a mentira e a violência. Jesus recebeu a marca da traição 
que ficou gravada nele a partir de um beijo. Mas as marcas de valor, as de afeto, ternura, 
bondade, benignidade, socorro, não dependem de quem as quer fazer. Dependem das 
circunstancias da vida, não estão sobre o nosso controle. O nascimento de um filho marca 
de modo profundo uma família, mas não foi por esforço dele. O resgate após um acidente, 
o impacto de um professor extraordinário, a marca deixada por um amor verdadeiro, que 
não dependeu de uma estratégia, acontecendo independente da vontade. Alguém que não 
conhecíamos passa a fazer parte de nossas vidas em um determinado instante e quando 
523
vemos, estamos casados em com dois filhos... Coisas que não dependem do nosso esforço. 
Participamos da vida das pessoas e as circunstancias que não controlamos podem nos 
tornar selos. Atos de coragem, de ousadia, de desinteresse, de amor, realizados em 
momentos de necessidade, tornam para nós os seus feitores, selos que marcam-nos para 
sempre. Experiências únicas. Circunstancias extraordinárias e externas a nós nos conduzem 
até os “selos”. Assim como nos conduzem a ser “selo” de alguém. 
Não podemos forçar a alguém a nos tornar um “selo” para ela. Os fãs adorariam marcar a 
vida de seus astros. Gostaríamos de conhecer pessoas e sermos importantes, marcantes, 
inesquecíveis para elas. Mas tais coisas não se conseguem artificialmente. Os que tentaram 
seduzir a amizade ou o afeto a partir de planos, de estratagemas artificiais simulando a 
coincidência, só tiveram êxito em sua missão se no decorrer dessa empreitada, possuíam 
mais que palavras, tinham conteúdo, forjaram a partir dessas situações “fake” marcas 
REAIS. Ninguém consegue manter as aparências por muito tempo. E marcas mentirosas 
feitas para parecem reais quando descobertas como falsificações geram um mar de 
problemas. Um falsificador de um selo real era punido com a morte. Milhares de casais se 
separam por terem simulado sentimentos, por terem simulado afeto inexistente, por terem 
se comportado de um modo interesseiro, limitando-se em nome do dinheiro, do conforto, 
do desejo ou sabe-se lá por quais razões. 
A Sunamita Celestial pede que ELE mesmo faça essas marcas. Que ele a tome em suas 
mãos como se fosse um rolo e imprima em seu coração uma marca que jamais passe. 
“eu anseio ser importante para tua vida, tão importante que você me carregue contigo para 
onde for, e jamais esqueça de mim, não importa o que esteja fazendo!” 
E Cristo fez isso. Ouviu a voz de Sunamita. Ouviu o desejo de sua Igreja. Tomou-a e a 
marcou nele mesmo. O corpo que Maria lhe cedeu na encarnação é parte desse mistério. 
Ele foi envolto em um corpo humano, envolto em fraqueza, participando de nossos 
sofrimentos. Estamos indelevelmente unidos e gravados em Deus. Para sempre. A voz dos 
seus filhos ressoa altissonante em seu coração. Quem se faz participante da Noiva, é parte 
deste SELO. 
Não há louvores que sejam esquecidos, não há uma lágrima perdida. Não há um suspiro 
dado em vão. Não há abandono de nossas vidas, apesar de nossas falhas. Jamais 
deixaremos de ser ouvidos em oração. 
Essa é a razão de Cristo levar sua noiva para os céus. Porque ele não pode mais estar 
DISTANTE dela, ele já a carrega na mente, nos sonhos, nas intercessões, nas lágrimas 
derramadas em seu ministério, nas atitudes e ações que hoje toma a Direita do Pai. 
A selagem era feita para ser inalterável e durar por muitos dias. Algumas marcas e 
inscrições em alto e baixo relevo de 4000 anos atrás podem ser observados em alguns 
museus, exposições arqueológicas e universidades. 
Quando as eras do futuro chegarem, e o Juízo for manifesto na terra, ou os mortos forem 
chamados para serem julgados de suas obras. A Igreja ainda estará “tatuada” no coração de 
Cristo. Quando Deus estender suas mãos e disser ao universo: “Cesse!” e todas as galáxias 
se contorcerem e colapsarem, quando toda a matéria e energia forem reabsorvidas para Ele 
e ele criar um Novo Universo, enquanto ele diz as palavras finais que fazem todas as 
estrelas deixarem de existir, em seu Espírito está em alto relevo a imagem de sua Igreja. 
Quando os demônios e anjos que caíram forem julgados pelo abandono de sua ordenação, 
ainda estará ARDENDO no coração de Deus o amor pela sua Igreja. 
Forte como a morte. A morte não possui os recursos necessários para vencer o amor 
declarado na cruz, imposto através da ressurreição, manifesto através da encarnação, 
anunciado pelos profetas e até por anjos. 
524
O verso mais profundo das Escrituras – isso mesmo que você leu – 
Possui várias figuras, ELE VAI CRESCENDO EM INTENSIDADE ATÉ ALCANÇAR 
O PATAMAR MAIS ELEVADO DE PODER, DEUS. 
525 
SELO 
CORAÇÃO 
AMOR 
FORTALEZA 
MORTE 
SEPULTURA 
CIUME 
BRASAS 
LABAREDAS 
SENHOR 
O amor é comparado a um fogo que vai ardendo, do brasa até alcançar a dimensão de 
labaredas. 
Do carvão até um incêndio, de um incendi até a explosão de uma bomba H, o fogo 
constitui uma das mais poderosas manifestações da energia. 
A maior manifestação de energia conhecida pelo ser humano é visível todos os dias. O sol 
de perto é incandescente. Ele eleva de sua superfície labaredas que percorrem milhões de 
quilômetros.
São de magnitude maior que a terra. Se estivéssemos mais próximos do sol durante uma 
tempestade solar, deixaríamos de existir. 
O fogo era um dos componentes dos cerimoniais do Antigo Testamento, fazia parte do 
altar, e continuamente abastecido de madeira e carvão para jamais se apagar. O altar ficava 
na parte exterior do santuário, mas, estava também presente no interior do mesmo, nas 
lâmpadas do candelabro de sete pontas. 
Estas duas chamas separadas, a do altar e a do candelabro jamais deveriam se apagar. Na 
verdade elas permaneceram por centenas de anos acesas ininterruptamente. Somente com a 
destruição de Siló essas chamas foram apagadas, o que significa um período de no mínimo 
369 anos acesos. O culto levou essas chamas para o templo de Salomão, onde um novo 
altar e novos candelabros permaneceram acessos por cerca de 400 anos. O templo de 
Salomão original foi destruído por Nabucodonozor, um novo foi erguido, chamado o 
segundo templo, cerca de 70 anos após esse evento. Quando Jesus nasce esse segundo 
templo possui também chamas acesas há mais de 400 anos. 
Há um simbolismo profundo nas chamas. Elas evocam juízo, destruição, poder. E em 
Cantares o poder da paixão, a força do amor. Jesus transfigura-se em luz diante dos 
discípulos e em Apocalipse aparece com as pernas incandescentes (brasas) e seus olhos 
como labaredas de fogo. Jesus está “vestido” em Apocalipse de Cantares 8.6. 
O amor em Cristo RESPLANDECE. Não é somente juízo, ou poder. Acostumamos a 
pensar no poder de Deus em coisas como tempestades, maremotos, vulcões, estrelas, 
nebulosas, na criação do universo ou na abertura do mar vermelho. O cósmico nos declara 
PODER divino ilimitado. Mas, o amor de CRISTO é tão poderoso quanto a FORÇA de 
DEUS. Há uma dimensão de PODER indescritível no tremendo AMOR manifestado para 
a SALAVAÇÃO. 
1. מים רבים לא יוכלו לכבות את־האהבה ונהרות לא ישׁטפוה אם־יתן אישׁ את־כל־הון ביתו 8:7 
באהבה בוז יבוזו לו׃ 
2. Mayim rabim lo yukhlu lekhabot et-haahavah uneharot lo yishtefuha im-yiten ish 
et-kol-hon beito baahavah bozyavuzu lo: 
526
3. Many waters cannot quench dod (love), neither can the floods drown it: if [a] man 
would give all the substance of his house for dod (love), it would utterly be 
contemned. 
Sunamita comparou o amor que está vivendo a uma chama que queima e que não pode ser 
apagada. E as muitas águas, uma correnteza, até mesmo um rio, não poderiam apagar. 
Como um vulcão submarino 
527
Um amor que não pode ser comprado. Um amor que não pode ser subornado. Que não 
pode ser adquirido por meio de jóias, do uso da força, ou por meio de qualquer tipo de 
expediente. 
Um casal apaixonado não vende, não troca, não negocia ao amor que sente. Porque não 
podem. Eles podem até mesmo se separar por interesses, mas não podem negociar o afeto 
que sentem um pelo outro. Porque isso não depende de escolhas racionais, de suas 
mentes. Depende exclusivamente de seus corações. Nosso coração é intransigente com 
relação a quem nos afeiçoamos. Quem já lutou contra uma paixão entende a intensidade 
dessa intransigência. Não são poucas as histórias de pessoas de diferentes classes sociais, de 
nacionalidades, de costumes, de origens diversas, de cultura ou formação, que contra todos 
os argumentos imagináveis, anseiam viver um para o outro, deixando de lado outros 
pretendentes, mais atraentes, com maiores recursos, por alguém que racionalmente 
pensando, não imaginaríamos estar juntas. 
Inclusive este é o roteiro de Pyaar impossible (Amor 
528 
impossível) 
Titanic
529 
E é claro 
Alguns exemplos.
As imagens deste verso ecoam bem longe nas Escrituras. 
Lá em Apocalipse. Quando numa das visões do livro João vê o dragão lançando um rio 
para tentar matar a mulher que tinha doze estrelas em sua cabeça e que deu luz a um 
menino que iria reger as nações com um bastão real feito de ferro. 
530 
Cantares já profetizava que esse rio não poderá afogá-la! 
Davi um dia falou a respeito de algo cujo valor é caríssimo 
Salmos 49 : 7 a 9 
7 Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele 
8 ( Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre ), 
9 Para que viva para sempre, e não veja corrupção. 
Jesus fez duas perguntas que nos conduzem até a poesia deste verso: “De que proveito é 
para um homem ganhar o mundo inteiro e pagar com a perda da sua alma?” e “O que, 
realmente, daria o homem em troca de sua alma?” (Mar. 8:36, 37) De nada adianta alguém 
ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida, ou alma. Os bens são úteis apenas se a pessoa 
está viva para usufruí-los. A segunda pergunta de Jesus (“O que, realmente, daria o homem 
em troca de sua alma?”) 
Essa alegação Satanás a fez nos dias de Jó: “Tudo o que o homem tem dará pela sua alma.” 
(Jó 2:4) 
Mas o amor não se compra, não se negocia. Ele acontece. Ele é GRATUITO. Ele não 
pode ser forçado. Basta olhar para Cristo. Basta abrir seu coração, basta amá -lo e receber 
uma resposta. Não há um “não” para aqueles que se arriscam a amar a Jesus. Mas sem esse 
amor é impossível agradar a Deus. Porque sem fé não há vínculo, não há comunhão, não 
existe modo de amarmos o que não crermos existir. 
Há uma marca nos que creem em Jesus. Uma marca profunda de amor, amam sua Palavra, 
sua doutrina, sua sabedoria, seu sacrifício. Amam adorar a Cristo. Amam meditar naquilo 
que sobre ele foi escrito pelos profetas e no que ele falou. 
E não substituem isso, essa relação com a doutrina, com a revelação, com a comunhão 
com Cristo, por coisa alguma. A ciência, a filosofia, a religião, o mistici smo, a magia, a 
cultura, tudo que envolve o ser humano, toda expressão de vida, não bastari a para que 
alguém renunciasse esse amor grandioso. Porque perder o vínculo com esse amor é como 
perder a própria alma. 
As águas turbulentas simbolizam as guerras da alma, as aflições, as coisas da vida. Mas a 
chamar arde até debaixo da água, esse é o mistério. 
Quando os ninivitas limpavam suas redes viram um sujeito emergindo do meio das águas, 
roto, sujo, com um péssimo humor. Barbudo e malcheiroso. Jonas havia passado os três 
piores dias de sua vida dentro de um peixe abissal. Na verdade suas ultimas palavras 
haviam sido pronunciadas dentro daquele maldito peixe. Certamente na medida em que o 
peixe afundava Jonas havia desmaiado e depois de alguns minutos, estava morto. Passou 
três dias morto. E ali ficaria até virar ossos, esquecido, como um dos milhares de marujos 
que o mar afogou, um corpo desaparecido de um hebreu desconhecido, citado talvez em 
um pequeno texto de algum outro profeta que faria menção a um sujeito que desapareceu 
no mar por causa de sua desobediência. 
Em algum instante o sopro de Deus voltou as suas narinas, e ele expulsou tossindo a água 
salgada presente em seus pulmões na praia diante dos pescadores incrédulos. 
Jonas se levantou e sem olhar para trás caminhou por dias, entrou na cidade como um 
fantasma e ali por dias sem cessar, falou de um juízo iminente, que ele mais que ninguém, 
ansiava que acontecesse.
Porém as muitas águas não podem afogar esse amor. E nem os rios apagá -lo. A brasa 
desceu ao fundo do mar. E apagou lá. 
Porém, ainda lá, reacendeu. E quando subiu para a terra havia se tornado uma labareda. 
1. אחות לנו קטנה ושׁדים אין לה מה־נעשׂה לאחתנו ביום שׁידבר־בה׃ 8:8 
2. Akhot lanu ketanah veshadayim ein lah mah-naaseh laakhotenu bayom sheidubar-bah: 
3. We have a little sister, and she hath no breasts: what shall we do for our sister in the 
day when she shall be spoken for? 
531
Essa é a voz que normalmente é considerada cantada pelos irmãos de Sunamita. Porém ao 
estudarmos a dança de Maanaim e o perfil de sentimentos adolescentes da menina que nos 
é apresentada no capítulo oitavo de Cantares nós a percebemos como a filha de Sunamita e 
de Salomão. Que agora ouve atenta da voz do pai a história do amor de sua mãe, a história 
de seu romance. Alguém então interrompe a poesia que exaltava a força do amor para 
desviar-nos a atenção para a jovem menina. A palavra “irmã” já nos denuncia de quem 
seriam essas vozes. Essa parte da canção é entoada pelas outras filhas de Salomão, já 
crescidas, irmãs mais velhas que agora olham para a pirralha apaixonada. Nem teve inicio a 
sua adolescência ainda e já está “reclamando” seu “grande amor”, ou sua vergonha de estar 
com alguém por quem tem sentimentos, ela já sente vergonha de estar com o menino, 
conforme os versos iniciais. Elas já estão preocupadas com o falatório que isso vai dar 
assim que ela alcançar a puberdade. Elas estão preocupadas com seu comportamento e 
sabem que a adolescência isso vai ganhar contornos mais sérios, estão zelando pela irmã. 
Na sociedade oriental a passagem da mulher para a vida adulta é cercada de cuidados e 
preconceitos. Ela já não pode ser vista em publico conversando com meninos, ela já não 
vai poder ir a determinados lugares, ela já não vai poder participar de certas brincadeiras. 
Ela será “cercada” ou bem vigiada, tanto pelos familiares como pelos externos, pelas 
pessoas do vilarejo. Não era difícil alguém imputar por ciúme, inveja ou desprezo uma 
acusação dolosa ao comportamento de uma jovem donzela, tornando-a uma “pária” uma 
rejeitada. Há um desenho animado que fala do treinamento do Batman – (dessa vez eu 
perco todo o respeito duramente conseguido com toda o desfile de conhecimento dos 
comentários anteriores...) (Gothan Knight) no qual o Cavaleiro irá ser treinado por uma 
indiana na arte de ignorar a dor – ela é uma espécie de “faquir” 
A personagem de ficção é rejeitada pelo vilarejo de onde vive por ter ousado quebrar as 
tradições dos líderes religiosos de sua região. 
Na antiguidade a rejeição de uma mulher das funções sociais, a retirada dos privilégios ou a 
quebra dos vínculos familiares por motivos fúteis não era algo incomum. As irmãs estão 
preocupadas com a menina, cujo nome não conhecemos, e cujo nome não nos é revelado, 
para que ela não faça algo que “escandalize’ a família, ou que traga para si mesmo um 
estigma, ou vergonha. A vergonha é um dos humores (a língua inglesa usa de modo 
literário “humores” para “sentimentos” – aprendi vendo Doctor Who) que impacta 
profundamente a sociedade oriental. Da Africa até aos confins do continente asiático a 
vergonha é um componente tão forte que poderiam “matar” para não senti-la. 
Envergonhar propositamente alguém era tido como um crime em determinadas situações. 
Há uma cena no Velho Testamento que dois emissários enviados por Davi são mal - 
tratados e tem suas roupas cortadas para que voltem mostrando as nádegas descobertas 
diante de todo o exército inimigo e retornam extremamente envergonhados. Esse ato é 
considerado tão grave que Davi destruiu todo o exército inimigo. As irmãs não querem 
532
que a moça “envergonhe” a família. E não querem que ela seja “humilhada” ou 
“envergonhada” dinate de ninguém. Sua honra deve ser prerservada, ela leva sobre si o 
status de uma princesa, suas roupas tem o símbolo da realeza. Ela é, tal como elas, filha do 
rei, filha de Salomão. 
Em breve ela deixará de ser uma menina e medidas de proteção tem que ser tomadas. Um 
PLANO é concebido pelas irmãs. Não importa como ela irá se comportar. Nós vamos dar 
um jeito nessa criança. Independente do gênio indomável da menina, de sua personalidade, 
elas iriam agir para resguardá-la. O próximo verso é o desenvolvimento de seu plano. 
O verso é meio incomum, o modo como a menina é tratada na antiguidade. Os termos 
usados para definir a fase de crescimento em que a menina está, aos nossos ouvidos, são 
bem estranhos. O hebraico possui poucos termos para definir as fases de desenvolvimento 
– criança, adolescente, jovem. A menina passa por transformações que são bem visíveis e a 
puberdade tem pelo menos dois grandes indicativos no universo feminino, a mudança 
física e a menstruação. No hebraico são citadas as expressões: “crescerem-lhe os seios” e 
“dias de sua separação” para o aspecto da menstruação prque as mulheres ficam separadas, 
literalmente, do contato com outros familiares nesse período do mês. O autor a vê como 
uma menina que não necessita ficar em um lugar “separado”, ela está crescendo e ficando 
cada vez mais formosa, mas ainda não corre o risco de ser mãe. Este é o instante da 
preocupação das irmãs. 
1. אם־חומה היא נבנה עליה טירת כסף ואם־דלת היא נצור עליה לוח ארז׃ 8:9 
2. Im-khomah hi nivneh aleihah tirat kasef veim-delet hi natzur aleiha luakh arez: 
3. If she [be] a wall, we will build upon her a palace of Kesef: and if she [be] a door, 
we will inclose her with boards of cedar. 
O plano das demais filhas de Salomão é simples. Tem duas linhas de estratégia, dependem 
do comportamento da moça. Os termos que elas utilizam para designar a postura da moça 
nesses dias de crescimento são: 
533 
MURO E PORTA. 
Ou ela é um MURO, ou ela é uma PORTA. As portas eram as entradas oficiais das 
cidadelas da antiguidade, normalmente circundadas por muralhas. Pelas portas tosdos os 
recursos e pessoas transitavam entrando ou saindo da cidade. Os MUROS eram a defesa, 
eles protegiam, fechavam os acessos, impediam o transito e a passagem que através deles 
era proibida, fazendo com que tudo tivesse necessariamente que passar pelas portas. Portas 
falam de acesso. E muros falam de impedimentos. Se a menina é como uma porta, ela 
deixa entrar qualquer coisa. Significa que ela é por demais “acessível”, que ela é frágil nos 
relacionamentos, que ela é dócil. Que ela não vai oferecer “resistência” a cantadas, que 
podem ser feitas por indivíduos interesseiros. Afinal, ela é a filha de um homem riquíssimo, 
ela é um excelente partido. Ela é nobre, filha de uma grande autoridade judicial e politica . 
Muitos a bajulariam em busca de sua “mão”. Não iriam faltar pretendentes e se isso fosse
o caso, dela ser uma “porta” então as irmãs EDIFICARIAM SOBRE ELA UM PALÁCIO 
DE PRATA. Ninguém se aproxima de um palácio sem permissão real. E quanto mais 
precioso for um palácio, mais bem guardado ele é. 
Para nós imaginar um palácio inteiro feito de prata é algo notável. Algo que deveria ser 
caríssimo. Há um detalhe nessa consideração. Na época de Salomão, tendo em vista a 
abundancia do ouro, a prata não era tão ESTIMADA. Era factível a idéia. O ouro era 
pesado, mas havia prata em tamanha quantidade que não chegou a ser PESADA na época 
de Salomão. Não temos a noção da quantidade de prata existente em Israel há época de 
Salomão. 
Se essa menina agir “sem noção” se ela necessitar de vigilância, então nós vamos cercá-la 
de tal maneira que ninguém vai chegar nem perto. 
Mas, se ela for um MURO, se ela for uma moça “fechada” mais comedida, agir de modo a 
evitar estranhos, ser mais reticente quanto a conhecer pessoas, se ela ficar na “defensiva”, 
tiver uma “base” maior, bem “estabelecida” em sua mente quanto ao que deve ou não 
permitir que façam em relação a ela...(veja os desdobramentos da alusão. Há muitas 
pequenas parábolas relacionadas a palavra “muro” que poderíamos abordar....) NESTE 
CASO, e SOMENTE NESTE CASO, a gente “a cerca de tábuas de Cedro”. As tábuas 
nesse caso são um enfeite, elas não chegam a proteger ao muro, mas tornam o muro mais 
atraente. Bem trabalhadas elas são extremamente LISAS. O muro fica mais bonito, mais 
nobre. Mais perfumado. Imagine um muro de uma cidade inteira recoberto de madeira de 
Cedro. A cidadela inteira iria cheirar a Cedro. Não é uma coisa muito fácil de se fazer. Mas 
resultado seria muito bonito. O Cedro evoca a justiça, e assim também ao “justo”. Vamos 
permitir que ela fique próxima de gente boa. De gente CORRETA. Já que ela sabe se 
proteger...não precisamos temer se ela se relacionar com jovens de sua idade, ela vai saber 
se comportar DIREITO. 
Até este instante do texto, ainda há uma necessidade profunda de proteção. Como se a 
LUTA ainda não tivesse TERMINADO. Como se ainda existisse PERIGOS. 
534 
PROFETICAMENTE FALANDO 
O capitulo oitavo de Cantares é uma viagem profética até o amanhã. Nele o Espírito de 
Deus contempla as coisas escritas em Apocalipse. Após os eventos dos Selos e das 
Trombetas, após os juízos no mundo, as crises das guerras da época do Anti -Cristo, 
Apocalipse afirma que os poderes das trevas, as forças malignas agora presentes e 
representadas pelo diabo, serão encarceradas. Háverá um futuro sem demônios para os 
seres humanos! Essa época ou período é chamado pelos estudiosos de MILENIO. 
Apocalipse prevê uma época em que a humanidade do jeito que conhecemos 
biologicamente, viverá num mundo ESPIRITUALMENTE diferente. Aquilo que 
CONTAMINA espiritualmente o mundo será retirado. Representa um período de 
grandiosa paz. Um mundo que poderá vir a ser, talvez, uma extensão do que teria sido sem 
a manifestação do pecado. 
Versículos do Apocalipse 20 do livro Apocalipse 
Os mil anos 
1 Vi descer dos céus um anjo que trazia na mão a chave do Abismo e uma grande corrente. 
2 Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo, Satanás, e o acorrentou por mil 
anos;
3 lançou-o no Abismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar 
as nações, até que terminassem os mil anos. Depois disso, é necessário que ele seja solto 
por um pouco de tempo. 
4 Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi 
as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de 
Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua 
marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos. 
5 (O restante dos mortos não voltou a viver até se completarem os mil anos.) Esta é a 
primeira ressurreição. 
6 Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem 
poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos. 
A condenação de Satanás 
7 Quando terminarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão 
8 e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a 
fim de reuni-las para a batalha. Seu número é como a areia do mar. 
Uma geração de bilhões de seres humanos nascerá dentro dessa realidade espiritual, 
diferente da que vivemos. Eles não conhecerão a fome, os pesadelos, as tremendas 
desgraças que são operadas pelos poderes das trevas, ou influenciadas diretamente por eles. 
O mal que haverá na terra terá uma única fonte, a HUMANA. Porque o homem que 
nascer na terra ainda trará em si a semente que herdou da época do Édem. 
Essa menina que nós vemos, insegura, que necessita aprender a história de seus pais e que 
fica extasiada com a chegada de sua mãe, é uma imagem poética, um sonho, dessa 
humanidade que haverá de nascer. 
Essa é a FILHA SE SUNAMITA CELESTIAL 
Só haverá esse amanhã maravilhoso porque a IGREJA amou, lutou, sofreu e chorou, pelo 
amor do Amado. 
A “reclamação” das irmãs é a evocação da necessidade de preparar essa humanidade 
nascida num mundo novo, para os tempos de provação que antecederão o fim de todas as 
coisas. Até Satanás, as potestades e os espíritos malignos tem um papel a desempenhar no 
fim. Porque a humanidade que nasceu nesta chamada “dispensação” ainda possui um elo 
com o passado, com o ÉDEM. 
Sobre uma visão mais especifica sobre os eventos do Éden leia “A árvore do 
Conhecimento do Bem e do Mal” 
https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaVXpPVzg2T09TUk0/edit?usp=sharing 
E esse elo tem que ser quebrado. Eles terão que fazer uma ESCOLHA. Assim como os 
“anjos eleitos” o fizeram na eternidade passada, e a humanidade que antecedeu a este 
grupo, que viveram pela fé. “O justo viverá pela fé” tem validade até que venha o “dia do 
Senhor”, que significa a RECRIAÇÃO do universo. Ou seja, o milagre da “puberdade” da 
menina, ou do CRESCIMENTO ESPIRITUAL, em que a humanidade do amanhã se 
tornará Co-Participante da promessa através da fé. 
E parem de reclamar. Os que lêem essa passagem sempre se perguntam: “Meu Deus! 
Satanás tava preso! Soltou o bandidão, porque?” 
535
Tem a ver com o mistério da fé, da ligação do ser humano ainda com os fatos do Édem e 
do Plano Divino que nós só temos uma vaga noção.. 
1. אני חומה ושׁדי כמגדלות אז הייתי בעיניו כמוצאת שׁלום׃ 8:10 
2. Ani khomah veshadai kamigdalot az hayiti veeinav kemotzet shalom: 
3. I [am] a wall, and my breasts like towers: then was I in his eyes as one that found 
favour. 
São duas as possibilidades. Ou é a Sunamita que desta vez entoa essa parte da canção ou é a 
sua filha. Ou é um dueto. Já que as duas tem o caráter parecido. Como a Sunamita foi a 
“estrela” de todos os capítulos anteriores, compreendo que esse momento ainda é o de sua 
filha. Nesta parte da poesia é ela que “brilha”, ou é ela que se sobressai. A menina só é 
pequena no tamanho. Já tem uma consciência muito grande sobre si mesma. 
Ela mesma faz uma declaração sobre sua “maturidade”. Ela tem sobre si mesma uma visão 
clara de como deve se comportar. Ela não irá agir de qualquer maneira, sem ter cuidado. 
Ela é um MURO. 
Ela é um muro. 
Ela diz que não vai ser fácil chegar nela. Os seus seios são como as INEXPUGNÁVEIS 
torres de seu muro. Não é uma coisa simples alcançar as torres de uma muralha da 
antiguidade. Eles estão fortemente cercados, ficam nos cantos dos muros e servem como 
locais para guardar armamentos. Mas a moça do capítulo 8 ainda não possui suas “torres”. 
Ela ainda não desenvolveu seios! Ela fala dela mesma, não no PRESENTE. Ela se 
vislumbra NO FUTURO! 
536
Ela manterá sua personalidade, sua conduta. Ela será um muro hoje e continuará sendo um 
muro sempre. 
537
O texto de CANTARES é sempre desconcertante. Ele é cheio de detalhes 
inteligentíssimos. Ele é tecido para que, a primeira vista, pareça contrastar com o que foi 
dito antes. A canção é cheia de magia. Da magia da poesia. De encontros e desencontros, 
de novas revelações. Tal como encontrar o nome de Tamar ou as filhas de Salomão, 
descobrir que ele ainda pensa em Absalão, ou compreender o nível de relacionamento entre 
Cantares e a palavra profética do restante das Escrituras.. 
O capitulo Oitavo fala de uma menina. Ou inicia com uma menina insegura. Desfila um 
pouco de sua história que se inicia com seus pais, após um desfile mágico onde Sunamita 
chega e abraça a Salomão, eleva-se a mais profunda frase das Escrituras falando sobre o 
amor e por fim a ultima declaração. 
538 
THE END 
Terminou. 
Essa frase termina a história de Sunamita que chega até a beleza de sua filha. É o ultimo 
momento do DESENVOLVIMENTO da história que envolve Sunamita. E a ultima frase 
antes dos créditos finais da canção: 
Salomão vê nela SERENIDADE. A luta acabou, a vitória foi concedida, o sofrimento 
terminou. Ela encontrou a paz. 
Esse texto encerra a história da menina e de Sunamita na bela canção. E evoca o final da 
existência humana, não a apocalíptica, a das dores e dos terrores da Grande Tribulação. 
Este verso aponta para um dia do amanhã tão mágico como o poder de Deus, tão inefável 
como seus maiores mistérios. 
Esse verso é como uma profecia que aponta para os dias da nova criação, após as lutas, 
após o milênio, após a recriação do universo. Após o dia do senhor, após os dias de 
julgamento. O final da canção é o final da etapa que teve inicio antes da criação do mundo. 
Antes da queda dos anjos. 
Esse verso é o coração da Igreja sussurrando ao Espírito de Deus, após tudo, já com os 
pés fincados numa terra que mana leite e mel, próxima à cidade que não necessita de sol, 
no lugar que não necessita de templo, diante do desconhecido, diante do amanhã glorioso 
e inimaginado, onde a morte já não mais existe. 
Esse é o verso final da canção, da humanidade vencedora. 
Jesus estende suas mãos em direção a sua Noiva celestial que lhe sorri ternamente, ele olha 
para o futuro depois do amanhã e a convida a prosseguir. A Igreja levanta sua mão em 
reciprocidade, sorri de volta, caminha até ele e diz: 
- Vamos! 
Sobre certo muro feito de jaspe 
Porque uma cidade cujo Guardiães são os anjos de Deus, necessita de muro? 
Porque Deus necessita de uma cidade celestial, se habita as dimensões? 
Porque ela possui pedras preciosas? 
Porque o muro não tem nome, mas os fundamentos do muro, que normalmente não 
podem ser visto, são nomeados?
Porque vemos os fundamentos de modo tão claro se eram para estarem OCULTOS? 
Porque necessita possuir uma variedade tamanha de cristais, jóias preciosíssimas, os mais 
belos minerais apresentados pela natureza se é para estar OCULTO? 
E porque no final de toda a história da salvação, no livro dos fechamentos de todas as 
profecias, imeditamente antes do início de uma Nova Criação, tendo tanta coisas 
grandiosas para serem MOSTRADAS, o desfile das hostes angelicais, o fim do universo, a 
chegada da Nova Criação, etc, Deus me mostra uma construção? UM MURO? 
PORQUE QUE EU QUERO VER UM MURO NO CÉU? PORQUE DEUS DENTRE 
TANTAS COISAS INDISCRITIVEIS, ME MOSTRA UM MURO? 
E qual o significado de eu homenagear alguém dando seus nomes para um fundamento de 
uma muralha? Veja que não são os edifícios da cidade que recebem os nomes dos 
apóstolos. Veja que eles não nomeiam nada do INTERIOR da dita cidade. 
539 
APOCALIPSE 21.12-18 
E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos 
sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Do lado do levante tinha 
três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, 
três portas. E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze 
apóstolos do Cordeiro. E aquele que falava comigo tinha uma cana de ouro, para medir a 
cidade, e as suas portas, e o seu muro. E a cidade estava situada em quadrado; e o seu 
comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até doze mil 
estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais. E mediu o seu muro, de cento e 
quarenta e quatro côvados, conforme a medida de homem, que é a de um anjo. E a 
construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro. E 
os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O 
primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, 
esmeralda; O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, 
topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista.
Em primeiro lugar a eternidade não é fruto da imaginação humana. Não é criação 
fundamentada em arquétipos ancestrais da alma. Todas as imagens de coisas celestiais não 
são fruto de porres monumentais de profetas suburbanos misturadas a lembranças vívidas 
de imagens religiosas de seus tempos de infância. Profetas bêbados não tem carteira. A 
profecia não é de origem humana. Não é psicologicamente induzível por drogas 
alucinógicas ou fruto de alterações na fábrica química das percepções do tecido 
cerebral. Deus propôs coisas espirituais com autoria, feitas do jeito que imaginou com 
razões especiais. Não há uma eternidade na qual não haja uma cidade celestial, não há 
como se aproximar da fonte do universo e da origem de todas as coisas sem ser impactado 
pela beleza de muros que parecem ser feitos de jaspe. Porque do mesmo modo que 
imaginou o bentevi e o uirapuru, assim Deus imaginou as coisas invisíveis. Do mesmo 
modo que doou a cor aos olhos de aishwarya, 
540
assim no lugar das coisas essenciais, no mundo de significados plenos, na terra sonhada por 
sonhos maiores que os sonhos dos anjos. Ele encheu o lugar de Sua Habitação de coisas 
que são plenas de evocações, lembranças, alegorias, representações e substancia. 
Essencialmente plenas de significados e de mistérios que abrangem aquilo que DEUS mais 
preza, mais ama, mais considera. No lugar mais sublime, ele sublimou os significados, no 
lugar mais divino, tudo resplandece o que em Deus é mais importante. Ele está refletido 
nas obras da Criação, mas no céu, são os segredos mais íntimos e as coisas mais profundas 
que estão manifestas. O céu mostra Deus desnudando sua alma, revelando seu interior. 
E o muro de jaspe é uma das peças desta revelação. 
541
Ele é a chave para os mistérios dos propósitos anteriores a criação. Ele é guardado por 
anjos, ele envolve o bem mais precioso do universo, ele envolve, circunda o amanhã de um 
lugar onde só habitará a alegria e onde filhos e filhas festejarão a vitória contra a morte, a 
dor e a perda. Onde o pecado não possui espaço ou memorial, onde os demônios não 
entram e nem podem entrar, onde a essência dos homens é plena de luz. 
O muro é feito de jaspe, uma pedra semipreciosa vermelha como o sangue, de matizes e 
sombras, de texturas que jamais se repetem. Nele ficam portas por onde se acessará a 
cidade. Ele não possui um nome. Mas aquilo que lhe sustenta possui o nome dos que um 
dia testemunharam o ministério de Cristo na terra e foram por eles separados para serem 
suas testemunhas. 
O muro se assemelha a um tecido que lembra um coração real, e o sangue que corre neles, 
de um vermelho vivo. O muro representa a vida de milhares que viveram e creram, que 
morreram e perseveraram. O muro fala da fé no coração humano, cuja base é o 
testemunho de doze enviados, que representam a todos os que foram enviados por Deus 
para pregar sua Palavra, para falar de seu Evangelho. 
Ele circunda a cidade, porque não há como acessar tal lugar, tal dimensão, tal patamar de 
vida, tal esfera de coisas, tal esperança sublime, sem passar por aqueles que fa zem parte 
deste muro. Moisés, Davi, Isaias, João, Jesus, Maria, Paulo. Barnabé. Gláucia. Amanda. 
Felipe. José. Manuela. Ivan. Caio. 
Nenhum ser humano entrará pelas portas sem ser impactado pela vida de outro, que 
derramou um dia seu coração diante de tamanha esperança. Que sofreu por amar ao 
próximo, que lutou pelo direito de ser digno diante daquele que vive para todo sempre. 
Esse muro é um memorial eterno, diante de Deus, nada é mais vistoso, nada se vê mais 
longe, nada é tão impactante quanto avistá-lo. Porque nada é maior dentro de Deus. Não 
existe coisa mais cheia de significados, do que a vida exercida por aqueles que crêem em 
sua Palavra. Diante de DEUS para todo sempre ele coroou a expressão de sua Adoração, 
de sua Vida, de sua Existência. 
O muro é a soma de todos os medos, de todas as dores, de todas as intercessões, de todas 
as orações, de cada gemido, de cada suspiro. De cada ai. 
E a dimensão da oração do coração que crê é tão extrema, é de tamanho valor a intercessão 
dos que oram, que o muro possui a mesma medida da cidade, cidade esta que 
SIMBOLIZA a grandeza das coisas que hão de vir. 
O muro tem a mesma extensão da cidade. 
Assim Deus imaginou aquilo que representa o choro de Ana, o choro de Maria, o choro de 
Jesus. Assim Deus imaginou o que significa a morte de Cristo, a morte de João Batista, a 
morte de Estevão. Assim Deus representou na visão dada a João aquilo que lhe arrebata a 
alma. Aquilo que lhe arrebata os sonhos. Porque o Apocalipse não fala dos sonhos dos 
homens. Mas dos sonhos de Deus. Fala de suas intenções e de suas finalidades. A história 
da salvação nele está representada. Por isso é coberto de pedras de valor incalculável aos 
olhos do apóstolo João. Porque NADA é mais precioso para DEUS que a vida de seus 
filhos e filhas, nada é capaz de estremecer a Deidade como a manifestação da vida dos que 
nele estabeleceram sua confiança. Que foram conectados a ele pelo vinculo da esperança e 
que amaram amar mais que odiar. Que amaram o bem e rejeitaram o mal. 
Assim se estabelece a visão final de Apocalipse. 
Esse muro. A cidade. Representa o amor humano expressado em amor a Deus e o 
amor divino revelado na pessoa daquele que se fez homem e sangrou entre nós. 
Um muro de jaspe. 
542 
Quebrada de Jaspe
La cascada de la quebrada de Jaspe 
Cerca de Santa Elena de Uairén, en el kilómetro 273, se encuentra la quebrada de Jaspe. La 
quebrada de Jaspe es uno de los lugares más visitados en la Gran Sabana. De fácil acceso, 
bien organizado y señalizado, es una parada obligada. Desde el estacionamiento, se debe 
hacer un pequeño y fácil recorrido por la selva y se llega a la quebrada. 
La quebrada de Jaspe, río abajo 
Allí se observa una gran laja de unos 300 metros de longitud, en donde el agua apenas tiene 
unos centímetros de profundidad. A la derecha, se encuentra una pequeña cascada que es 
un lugar excelente para recibir unos agradables masajes de agua, o sencillamente para 
disfrutar del agua con una temperatura muy agradable. 
543
Detalle de la cascada 
El nombre de la quebrada de Jaspe, se debe a que el fondo es de una piedra semi-preciosa 
llamada Jaspe, que es en realidad un compuesto de cuarzo y sílice, con un color rojo muy 
fuerte. 
544 
El piso de la quebrada 
La quebrada de Jaspe es uno de los "monumentos naturales" de Venezuela. 
A partir deste momento são as cenas após a história. 
1. כרם היה לשׁלמה בבעל המון נתן את־הכרם לנטרים אישׁ יבא בפריו אלף כסף׃ 8:11 
2. Kerem hayah liShlomoh bevaal hamon natan et-hakerem lanotrim ish yavi befiryo 
elef kasef: 
3. Shlomo had a vineyard at Baal-Hamon; he let out the vineyard unto keepers; every 
one for the fruit thereof was to bring a thousand [pieces] of Kesef.
11 Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom; entregou-a a uns guardas; e cada um lhe 
trazia pelo seu fruto mil peças de prata. 
1. כרמי שׁלי לפני האלף לך שׁלמה ומאתים לנטרים את־פריו׃ 8:12 
2. Karmi sheli lefanai haelef lekha Shelomoh umatayim lenotrim et-piryo: 
My vineyard, which [is] mine, [is] before me: thou, O Shlomo, [must have] a thousand, and 
those that keep the fruit thereof two hundred 
12 A minha vinha, que me pertence, está diante de mim; as mil peças de prata são para ti, ó 
Salomão, e duzentas para os que guardam o seu fruto. 
1. היושׁבת בגנים חברים מקשׁיבים לקולך השׁמיעיני׃ 8:13 
2. Hayoshevet baganim khaverim makshivim lekolekh hashemiini: 
3. Thou that dwellest in the gardens, the companions hearken to thy voice: cause me 
to hear [it]. 
13 O tu, que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz; faze-me, 
545 
pois, também ouvi-la. 
1. ברח דודי ודמה־לך לצבי או לעפר האילים על הרי בשׂמים׃ 8:14 
2. Berakh Dodi udemeh-lekha litzvi ole ofer haayalim al harei vesamim: 
3. Make haste, my dod, and be thou like to a roe or to a young hart upon the 
mountains of spices. 
14 Vem depressa, amado meu, e faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre 
os montes dos aromas.
(extraído em grande parte do livro Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão. 
Com comentário geral sobre a aplicação do principio para a ecologia mundial e alguns 
ajustes nas representações – Nivalda estabelece belíssimas (e espirituais) comparações da 
área ecológica israelita com a pessoa de Cristo 
Interessante ´notar que no original hebraico fala desta púrpura como argaman melech 
(púrpura da realeza). Há um paralelismo entre Carmel e argaman (púrpura) que não 
significa uma alusão ao Carmelo mas à tintura da púrpura e a palavra carmil que fala de 
carmezim (II Crônicas 2:7). O texto de Crônicas fala de púrpura, carmezim e azul as três 
palavras aqui narradas: argaman (púrpura), carmil (carmezim) e techelet (azul) - trata-se 
de um azul profundo. 
As ervas amargas eram comidas por ocasião da Páscoa, no mes de Aviv, o mes do 
renascimento, o mes das chuvas, o mes da primavera 
546 
(Números 17:8 e Jeremias 1:11-12) . 
A amendoeira começa a florir na primeira metade de fevereiro e continua
547 
por cerca de um mês 
(Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão) 
Por volta de 15 do mês Av (julho-agosto) a terra de Israel alcança o fim do seu período de 
verão mais quente. Pelas manhãs, nesta época, a umidade, algumas vezes, se condensa 
numa grossa camada de névoa branca, nas terras baixas e nos vales de Israel. Três tipos de 
flores, todas elas brancas, são as primeiras a responderem a estas mudanças de tempo. O 
havatzélet (traduzido por rosa de Sarom) tem duas especificações: havatzélet hahar, lírio 
das montanhas e colinas das regiões de Israel chamado de “cabeça” e o havatzélet hahof, 
que é o lírio das areias que crescem ao longo da costa arenosa da planície de Sarom - são 
chamados os “pés”. Florescem por volta de julho-agosto e pontilham as costas do 
Mediterrâneo como lindos retalhos de branco e flores perfumadas. No monte Hermon - o 
monte mais alto de Israel, pode-se encontrar, nos penhascos dos montes os lírios 
chamados de shoshanim. 
Na mesma linha de imitação do novo colorido da terra, as jovens do antigo Israel se 
vestiam de branco e iam dançar nos pomares de oliveira em Tu B´Av (15º dia do mês Av). 
Este é o período do ano quando as oliveiras começam a amadurecer. Os árabes costumam 
chamar de Tu B´Av o “Dia das Oliveiras”. 
Uma canção de louvor que o próprio Cântico dos Cânticos, como o é também o cântido 
do Zamir, o murmúrio da voz da rola “Porque eis que passou o inverno, cessou a 
chuva e so foi: aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves, e a 
voz da rola ouve-se em nossa terra.” (Cantares 2:11-12) . Não se trata aqui de as aves 
mas de um pássaro específico de Israel - o zamir. Na época do acasalamento exatamente 
este período em que cessam as chuvas e o inverno passou, este pássaro emite um som, 
enche o seu papo e o som é onomatopaico: tor, tor, tor. É um simbolismo do momento 
do arrebatamento da Igreja - o casamento do noivo com a noiva. 
Lemos em Cantares 2:12 - “As flores (os nitzanim) aparecem sobre a terra”. Nitzanim 
provavelmente deriva do verbo habetz florir, empregada na Bíblia. Este grupo de flores 
vermelhas é chamado de nissan pelos iraquianos o que sugere o mes de Nissan, isto pelo 
eclodir dos nitzanim. 
(Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão) 
O mês de Aviv é, portanto, o mês durante o qual o grão (primeiramente a cevada, depois o 
trigo), alcançam o período de desenvolvimento chamado simplesmente aviv. Uma vez que 
o crescimento da planta é controlado pelo sol, o mês de aviv bíblico, cai na estação solar de 
cada ano. É claro, entretanto, que o o primeiro mês Nisan um dos meses lunares, não é 
idêntico ao “mês de aviv” que é determinado pelo sol. Apesar disto, a Bíblia ordena aos 
israelitas observarem, em específico, o feriado do êxodo do Egito que ocorreu “ao 
primeiro mês” no 14º dia do mês, à tarde, o que deverá cair sempre durante o “mês de 
aviv”. 
O trigo é semeado dois meses após as primeiras chuvas de Israel. Se as chuvas de inverno 
caem regulamente e em suficiente quantidade o trigo continua a se desenvolver e florescerá 
em março. As plantas são então polinizadas e formam os núcleos do grão. Então em 
princípio de abril, por volta da páscoa no mês hebraico de Nisan, os núcleos do trigo em
Israel começam a se encher com a fécula. Estes, porém, tem que enfrentar um perigoso 
período de 50 dias antes dele amadurecer completamente. 
O tempo da colheita começa somente no fim do período de 50 dias, por volta de Shavuot 
(Semanas) dando origem ao “Festival da Colheita” (festa das semanas). Entre páscoa 
(Pesach) e shavuot (semanas), Israel está sujeito a um vento muito quente e seco que sopra 
do deserto da Arábia. Este vento provê uma estação ideal para abertura dos botões da 
oliveira em flôr. Este vento quente é chamado de hamsin, originado de uma palavra árabe 
similar ao hebraico hamishim, que significa 50 - são os 50 dias entre Páscoa e Shavuot 
(semanas). Porém, se este vento seco e quente sopra muito cedo, imediatamente após a 
Páscoa, pode queimar os núcleos ainda imaturos do trigo. O trigo maduro se tornaria 
tórrido, os talos do trigo se tornariam amarronzados com os núcleos vazios e imprestáveis. 
Se, entretanto as primeiras semanas do período de 50 dias fossem relativamente frias, os 
núcleos do trigo se encheriam com fécula e o trigo dourado continuaria a amadurecer sem 
o perigo de ser crestado. Se houvesse então uma chuva copiosa quando os núcleos do trigo 
já estão maduros, uma espécie de fungos pretos se desenvolvia, os chamados “ferrugem 
negra”. Estes fungos envenenam o grão e os tornam inapropriados para o uso. 
O equilíbrio da estação necessária durante o período de 50 dias tanto para as oliveiras 
como para o trigo era importante. O Talmude explica que o vento norte (que representa o 
frio, mesmo chuva) é benéfico para o trigo enquanto os seus núcleos não estão ainda 
cheios, mas nocivo às oliveiras, ainda em flor; o vento sul (seco e quente o hamsin) é 
prejudicial para o trigo enquanto alcança sua maturidade porque se tornará crestado), 
porém, benéfico para as oliveiras em flor. 
Daí a necessidade deles estarem sempre obedecendo aos mandamentos de Deus para que 
não castigasse suas colheitas. Era importante, e uma ordenança de Deus a observação às 
festas: “E a festa da sega dos primeiros frutos do teu trabalho, que houveres s emeado no campo, e a festa 
da colheita à saída do ano, quando tiveres colhido do campo o teu trabalho.” - Êxodo 23:14-16 . As 
festas eram Páscoa, Pentecostes (semanas) e Tabernáculo. Cada uma delas contém a 
história da nação do Israel tecida dentro da natureza e agricultura da terra de Israel. 
Encontramos em Cantares 7:2 uma associação ao trigo: “... o teu ventre como um monte de 
trigo” o que vem precisar um verdade combinada com a agricultura. Após a debulha, a 
separação os núcleos do trigo são empilhados nas eiras e guardados cuidadosamente até 
serem levados para casa. É assim que vamos encontrar Boaz dormindo no fim de um 
monte de cevada como seu gardião (Rute 3:7) . O contraste entre grão e espinho Jó bem o 
enfatiza: “por trigo me produzem cardos e por cevada joio” - Jó 31:40. O espinho é idêntico ao que 
prolifera como fogo nos sulcos dos trigais dos desertos e em terras onde crescem o lírio 
Madona. Ambas as 
plantas florescem no começo do verão, e o lírio com sua florescência branca e luminosa 
aparece entre as flores dos arbustos de espinho, acentuado nas plavras “como um lírio entres os 
espinhos” - Cantares 2:2. Por fim é interessante acrescentar aqui alguns versículos que falam 
do cuidado do Senhor com relação às culturas de Israel: “E a terra responderá ao trigo e ao 
mosto e ao azeite e aos cordeiros e aos bezerros; e a sua alma será como um jardim regado, e 
nunca mais andarão tristes” - Jeremias 31:12. “E juntamente com eles prepararás um oferta de 
manjares todas as manhãs a sexta parte de um efa, e de azeite a 3ª parte de um him, para misturar com a 
flor de farinha; por oferta de manjares para o Senhor, em estatuto 
perpétuo e contínuo”. - Ezequiel 46:14. 
O livro de Cantares de Salomão está repleto de personagens que delineiam épocas 
548 
ou estações pictóricas em Israel e dentre tantas podemos destacar um pássaro muito
Neste livro encontramos um verdadeiro tratado de fauna (animais de uma região) e 
da flora (plantas de uma região) de Israel. Aqui deparamos com 21 tipos de plantas e cerca 
de 15 animais distintos, sem falar nas estações tão bem assinaladas, tais como: 
- Nitsanim = período que sucedia ao tempo chuvoso, quando o Habatselet (uma 
549 
planta natural de Israel) se abria. 
- Semadar = época que as flores das videiras apareciam. 
- Setar = tempo do frio. 
É neste ambiente gostoso e agradável que um belo dia Salomão, passeando pela 
planície de Sarom, depara-se com o intrigante Zamir. 
Na Palestina o tempo da primavera era marcado por algumas fortes ocorrencias 
bem distintas e amplamente conhecida dos campesinos e do povo de modo geral. Havia 
algumas plantas ou animais que sinalizam a entrada do tempo seco, entre outras podemos 
destacar: 
- A Shoqueid = amendoeira – primeira flor a abrir-se. 
- O Nitsanim = tapete de flores na Planície de Sarom. 
- Habatselet = flor única de Israel 
- A Torr = rola torquaz de coleira em emigração 
- O Zamir = pássaro especial. 
Segundo O. Borowski, o termo gefen, associado a zemádar em Ct 2,13.15 e 7,13, este último 
em geral traduzido como “botão”, pode indicar um tipo de videira, ou “videira zemádar” 
(gefaniym zemádar, 2,13a; ou kerámiyn zemádar, 2,15b; ou simplesmente zemádar, como em 
7,13b). Esta hipótese tem como base a descoberta de uma inscrição em Hazor, onde se lê 
“lpqh zmdr” (“pertencente a Pecah zemádar”)213. 
Os elementos presentes em 2,11-15 e 7,9-13, citados acima, podem corresponder às 
celebrações da fertilidade, ligadas à produção das vinhas e marcadas pelo ambiente idílico 
primaveril. Este tipo de festival acontecia na vida tribal israelita desde os primeiros tempos, 
sempre vinculado à adoração de divindades da fertilidade: “saíram ao campo, e vindimaram 
as suas vinhas (kareméynhêm), e pisaram as uvas, e fizeram canções de louvor; e foram à casa 
de seu Deus” (Jz 9,27a). A festa da tribo de Benjamin, já citada na identificação da tradição 
poética camponesa e feminina em Israel, também tem as vinhas com cenário (kerámiyn; Jz 
21,20). Para F.F. Hvidberg, o choro pela filha de Jefté, realizado por virgens nas 
regiões montanhosas (cf. Jz 11,30-40) 
A referência ao imaginário da viticultura dentro da Coletânea de Sharon aparece em dois 
poemas seguidos: Ct 2,10-14 e 15-17. Nestes poemas, as videiras são colocadas dentro de 
uma paisagem idílica e primaveril, perfumando o ambiente com o cheiro de suas flores
(2,13). Também se chama a atenção para o ataque de raposas (2,15). A mesma paisagem 
reaparece em 7,11, quando os enamorados se propõem a passar a noite debaixo dos 
ciprestes e amanhecer ali para ver as videiras florescidas. A menção do fim do inverno, 
além da floração, indica o começo da primavera. J. Snaith cita a pesquisa de D. Lys, que 
situa as cenas destes poemas no tempo da migração das pombas rolas (cf. Ct 2,12.14), o 
que segundo mostra D. Lys, corresponderia aos meses de Abril e Maio212. 
Testamento, mesmo com outros sentidos. Para O. Borowski, os homens que cuidavam 
das vinhas, chamados noteriym em Ct 8,11-12, eram guardas pagos, conforme indica a 
variante nôserîm usada em Jr 31,5 e Is 27,3; Pr 27,18 e Jó 27,18, esta última no contexto 
agrícola . ( a coitada era FORÇADA a trabalhar. Era uma ESCRAVA) 
550 
Mirra
551
552 
Aloés
553 
Cinamono 
Lirios
554 
JESUS NA ECOLOGIA DE ISRAEL 
Se pararmos para pensar podemos descobrir grandes identificações da humanidade de 
Jesus com a ecologia de Israel. 
A Palavra está pontilhada da semelhança à dor e ao sofrimento de Jesus, assim como sua 
majestade, sua glória, sua alegria, semelhanças essas, muitas vezes imperceptíveis. Um dia, 
porém, o Espírito nos toca e nos revela coisas grandiosas em detalhes pequeninos, até 
quase imperceptíveis. Assim é o caso dessa identificação de Jesus com plantinhas simples, 
outras mais grandiosas e até mesmo os tipos de especiarias tão usadas no Oriente. O livro 
de Cantares é um jardim maravilhoso onde o Espírito Santo de Deus se deleitou com cada 
detalhe que colocou no livro. 
Necessário frisar que tal identidade com a natureza de Israel não é gratuita e nem 
EXCLUSIVA. O Estudo da ecologia de Israel nos dá uma visão nítida a esse respeito, mas 
Cristo não está somente mostrado na ecologia de Israel. Antes em TODA A ECOLOGIA. 
Onde há vida manifesta, alie estarão detalhes que nos conduzirão ao Espírito de Deus. O 
exercício abaixo é uma surpreendente e LIMITADA visão da beleza da revelação divina, 
presente em TODA A CRIAÇÃO. 
A natureza de todas as nações é inundada da presença de símiles, parábolas, retratos, 
identificações com os mistérios divinos, porque o mundo pertence ao Senhor. Isso é 
importante comentar, porque cada nação, cada estudioso que estudar 
profundamente a botânica de seu país encontrará paralelos belíssimos com as 
coisas tratadas aqui. 
Não só Cantares, mas os profetas, em geral, nos mostram aspectos curiosos de árvores, 
arbustos, flores e de muitas facetas ecológicas especialmente de Israel. 
E é assim que penso dar enfoque a alguns detalhes curiosos nesse campo da ecologia, 
identificando-os com Jesus nos mais variados aspectos de sua vida, de suas caminhadas e 
jornadas pelos grandes desertos e nas regiões onde o seu ministério aflorou: os confins da 
Galiléia, a feia e montanhosa Nazaré, Cafarnaum e todos os territórios tão intimamente 
ligados ao seu caminhar quotidiano na terra de Israel. 
Assim é que vamos encontrar a ERVA AMARGA, comida às pressas à hora da partida do 
Egito para Canaã. Era um momento por demais solene que marcava o fim da escravidão. É 
interessante notar como os mais insignificantes detalhes são até os mais importantes, pois 
que muitas vezes passam despercebidos. Quem diria que a erva amarga tem espinhos 
semelhantes aos da coroa de Jesus? 
Entre os vários tipos de ervas amargas destacam-se dois: a HARHAVINA que no inverno 
é macia e adocicada, no verão cheia de espinho e amarga; a dardar saborosa no meio do 
inverno cujas folhas são colhidas para salada. No fim do verão as folhas se tornam 
barbeadas e em espinhos de cinco pontas. Na páscoa, ambos os tipos são ainda 
comestíveis, fibrosas mas não duras ainda. As ervas amargas simbolizavam a amargura dos 
israelitas no Egito. Mas Jesus também se identifica com elas, sua vida no deserto, o destino 
que o aguardava na cruz, os mesmos espinhos da coroa que aviltaram sua cabeça. O 
sofrimento no Getsemane foi como se ele tivesse provado das ervas amargas, nas horas 
que precederam à sua vitória. E estava próxima a Páscoa na qual o Cordeiro de Deus foi 
sacrificado. As ervas amargas eram comidas por ocasião da Páscoa, no mês de Aviv, o mês 
do renascimento, o mês das chuvas, o mês da primavera, o mês das bênçãos do Espírito, o 
Pai dos meses e ainda o mês do Pai (Av). O mês da Redenção.
O L I V E I R A S 
Quando Jesus nasceu em Belém, todo o vale dos pastores estava coberto de oliveira zait ou 
etz-zait, nome no original hebraico. Jesus é a oliveira verdadeira. 
Há uma característica na folha desta árvore. A parte inferior da folha é coberta por uma 
miniatura em escalas esbranquiçadas e prateadas, enquanto que a parte superior é de um 
verde escuro. O contraste das sombras produz um brilho prateado único, quando o vento 
tange as suas folhas. Os galhos externos movimentam-se na brisa e expõem o lado 
prateado de suas folhas, em contraste com a parte verde escuro no topo das folhas do 
interior dos galhos imóveis. 
555
Quando o vento sopra nas folhas estas nuvens de luz prateada parecem pular de uma 
árvore à outra, sucedendo-se de oliveira à oliveira. Naquela madrugada específica, a 
redenção era anunciada em Belém, os pastores foram privilegiados em contemplar o campo 
ser agitado com a brisa que enchia o vale da prata remidora (Jeremias 11:16). Israel foi 
chamado de oliveira, cheia e bela porque em tudo elas fazem brilhar a luz. 
Esse mesmo motivo é encontrado na MANDRAGORA. Só que mais fantasmagórico, pela 
presença de vagalumes que davam a planta na escuridão uma aparência mágica. 
Sobrenatural. 
A visão do candelabro de Zacarias ladeado por duas oliveiras - o rei e o sumo-sacerdote, 
que outro não é senão Jesus, o único que tem prerrogativas de rei e sumo-sacerdote ao 
mesmo tempo. “Não por força nem por violência mas pelo meu espírito”. (Zacarias 4:6). O 
menorah enchido com o óleo das olivas fala de Jesus como a luz do mundo e que se 
tornou no próprio símbolo do emblema de Israel: o candelabro ladeado de duas oliveiras - 
Jesus como emblema de Israel, Jesus no monte Sião, tremulando onde quer que este 
emblema seja colocado. 
É importante observar a parte da oliveira no trono de onde se formam os galhos. Dali é 
cortado o cajado do pastor e que se chama em hebraico bíblico antigo de hoter, e nas raízes 
bem junto à planta, há um galhinho que é a muda da planta. O galhinho que brota junto às 
raízes é chamado de netzer que quer dizer renovo. Este renovo é o guardador e protetor da 
planta que vai propagar a nova geração de oliveiras. “Porque brotará um rebento (hoter) do 
tronco de Jessé e das suas raízes um renovo (netzer) (no original hebraico) frutificará”. 
556
Isaías 11:1. O hoter é essa ramificação do trono que dá lugar a um ramo vigoroso que 
cortado no ponto de ligação (nó) e é trabalhado, polido e transformado em cajado de 
pastor. Serve tanto como arma ou como instrumento de direção do pastor. A palavra 
netzer deriva da palavra hebraica natzor que significa guardar (Salmo 128) “Teus filhos são 
como oliveiras novas ao redor de tua mesa”. São como o netzar. Jesus é este renovo que 
conforme diz Isaías nasceu de debaixo de sua própria terra: “e foi subindo como um 
renovo...” - o guardador de suas raízes. Jesus o netzar é o responsável pela geração de 
oliveiras. 
Vale dizer que Saul foi comparado em Israel como sendo a ramificação de um 
SICÔMORO (Figueira brava). Davi era como a ramificação da oliveira. A ramificação (o 
netzer); 
557
logo murcha após ser removida da árvore, e por isso não serve para plantar uma nova 
árvore. Saul, então, ramificação do sicômoro não teve dinastia (II Samuel 21:1), mas Davi 
como ramificação da oliveira após o seu plantio, cresceu numa oliveira de grande porte. A 
muda da oliveira pode sobreviver por dias após ser cortada da oliveira original, mesmo sem 
o solo ou a água. 
Jesus o renovo - o Messias - , um descendente de Davi, filho de Jessé, o líder do seu 
rebanho representado pelo hoter, o cajado do pastor com o qual ele conduzirá o seu 
rebanho. 
A oliveira foi uma das mais importantes colheitas da terra de Israel. Jeremias compara o 
povo de Israel à oliveira frutífera (Jeremias 11:16). A oliveira quando usada para alimento é 
fonte de óleo, que era extraído em prensas antigas, como algumas ainda hoje existentes em 
Israel. Uma vez amadurecidas as oliveiras na árvore são colhidas e então prensadas secas 
pela pedra que rola sobre elas, pedra de grande peso. O óleo pinga em tanques debaixo da 
prensa. A melhor qualidade do óleo é o processo de purificação, comparado ao processo 
através do qual Israel passou, os acontecimentos históricos foram como que uma prensa 
pesada. Diz-se que o povo foi chamado por Jeremias como uma oliveira nova porque eles 
espargem luz em tudo para sempre. 
A oliveira produz a melhor fonte de óleo para a candeia (óleo de oliva) e é por si mesma 
chamada de “a árvore da luz”, vindo a ser um símbolo de paz. É por isto que Jesus é a 
oliveira verdadeira. “Eu sou a luz do mundo”. E Jesus não precisa do óleo da oliveira 
verdadeira. “Eu sou a luz do mundo”. E Jesus não precisa do óleo da oliveira para ser a luz 
do mundo, mas a ela se compara, porque a luz que o óleo da oliveira produz é luz firme, 
luz que não vacila, além da pureza com que era obtido o óleo das olivas, daí o candelabro 
ter sido iluminado com a luz da oliveira. 
Na Palavra de Deus, por intermédio do apóstolo Paulo, os gentios são comparados ao 
zambujeiro (oliveira brava) enxertado e Israel a vara ou ramo que não dá fruto, quando ele 
diz: “E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e 
feito participante da raiz e da seiva da oliveira”. dirão os gentios: “...os ramos foram quebrados para 
que eu fosse enxertado” - Romanos 11:12-17. 
A oliveira "brava"No Novo Testamento, o capítulo no livro de Romanos que nos dá a 
chave e nos informa quem são os dois ramos da oliveira! Paulo aqui nos apresenta um fato 
(que Israel foi "dividido" em pedaços - confirmando Jr 11.16) e também nos informa o que 
acontecerá com estes ramos: "E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo 
zambujeiro, foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira" 
(Rm 11:17). 
De quem Paulo nos fala aqui? O "zambujeiro" ou oliveira brava é a igreja! Todos os crentes 
em Jesus são considerados como enxertados na oliveira boa (Israel). 
Vejamos que o zambujeiro ou oliveira brava são árvores da mesma espécie da oliveira, 
porém com uma diferença: na língua grega, a palavra que designa oliveira (e fala de Israel) 
diz respeito à uma planta cultivada, tratada. Já quando se refere ao zambujeiro ou oliveira 
brava, está se referindo a uma planta silvestre ou selvagem! Sabemos então que o enxerto (a 
Igreja) é que recebe a seiva da oliveira para se manter viva e que o enxerto foi ali colocado 
por Deus para ser aperfeiçoado através da oliveira! Nunca na natureza ocorre o contrário, 
ou seja, a planta mãe ser aperfeiçoada pelo enxerto! 
As olivas eram batidas uma à uma dentro do almofariz, não eram prensadas, o tratamento 
era específico para que se obtivesse essa qualidade de óleo. Vamos sempre encontrar esse 
558
traço de sofrimento nas plantas - moídas, batidas, que tanto se aproxima dos sofrimentos 
de Jesus. 
559 
V I D E I R A 
Isaías fala de uma vinha plantada num outeiro fértil. É interessante observar esta vinha 
deste outeiro fértil, e as características que envolvem esse verso de Isaías 5:1. Trata -se de 
uma canção. A pessoa a quem se refere, a quem é aplicada. Era o próprio cantor amado. 
A canção do amado é realmente uma canção ao vinhateiro amado; e esta canção é a canção 
do próprio amado, não uma canção escrita sobre ele ou atribuída a ele, mas uma canção 
que ele mesmo cantou e ainda há de cantar. Interessante é notar aqui que esta vinha se 
situava no pico de uma montanha proeminente, projetada como um chifre e por 
conseguinte aberta para o sol em todos os lados. Esta montanha em forma de chifres era, 
no original hebraico, um filho do óleo (ben-chamen). O óleo era natural, pertencia à 
própria vinha por natureza e denotava a fertilidade de um solo margoso. Após o solo ter 
sido preparado, separado de todas as impurezas ele plantou “sorek” a melhor espécie de 
uvas do oriente, que produziam uvas pequenas e de um vermelho como o vinho, cujas 
sementes eram imperceptíveis à língua. Apesar de todo o rigor da plantação de uvas do tipo 
“sorek”, a vinha deu uvas bravas.
Uma vinha oferece uma imagem de nobreza, fertilidade como a própria palavra Carmelo 
que significa “vinha de Deus”, também é sinônimo de jardim, pomar e é tida na Bíblia 
como “a excelência do Carmelo”. A primeira preocupação era cerdar a vinha de um valado 
ou cercas, isolá-la. O lagar era peça importante e não podia faltar, era onde se processava a 
vindima e onde eram pisadas as uvas. Nessa ocasião havia festa, muito júbilo, cantavam-se 
canções de louvor, comiam e bebiam e gritavam hurra! Havia ainda a torre onde o vigia 
espreitava tudo em derredor daquela vinha. Cantares 2:15. As cercas podiam ser bosques 
ou paredes de pedra. Se a vinha era mal cuidada se enchia de cardos, de urtigas e a parede 
de pedra era derribada. (Provérbios 24:31). Por isso era necessário cercar e limpar a vinha e 
plantá-la com excelentes vides - vides tipo sorek. Jesus o vinhateiro - o herdeiro da vinha - 
Jesus a Videira verdadeira. 
A videira é também símbolo da Igreja do Senhor. Em Deuteronômio 22:9 há uma 
recomendação: “não semearás a tua vinha de diferentes espécies de semente, para que não 
se profane o fruto da semente que semeares e a novidade da vinha”. É a igreja de Cantares: 
“para que as raposas não venham devorar as vides em flor exalando o seu perfume”. O 
perfume é o de Cristo. “Naquele dia haverá uma vinha de vinho tinto, cantai -lhe. Eu o 
Senhor a guardo, e a cada momento a regarei; para que ninguém a faça dano, de noite e de 
dia a guardarei”. Isaías. 
A Igreja é hoje esta videira. Igreja que possui um único possuidor. Lugar escolhido, 
preparado, cuidado. Lugar de alegria, de cânticos. Lugar onde há frutificação e colheita, 
lugar onde o vinho novo é continuamente fabricado. 
O Senhor está derramando do vinho aromático, ele prepara o lagar para a festa da 
redenção, que hoje à semelhança de Israel quando comemorava suas vindimas, a igreja 
extrai o mosto no lagar. À semelhança de Israel quando cessaram os folguedos e as 
vindimas se extinguiram, a terra se transformou em deserto, e a igreja também saiu do 
deserto de um tempo de secura. Encontra-se hoje encostada ao vinhateiro que 
pacientemente tem cuidado dela, tirou-lhe os cardos, as urtigas, recompos-lhe as cercas e 
560
nela não permitiu que se plantassem outras sementes para que não se consumisse o fruto 
da terra. A igreja já tem o selo do Senhor e o selo é fonte, é jardim fechado, é a vinha 
cercada. A igreja é de frutos, é um pomar e tem a excelência do Carmelo. 
Como se planta uma videira? 
1 - Cava-se um buraco na terra. A cavidade deve ser bastante ampla para que as raízes 
se espalhem comodamente, com espaço suficiente para elas crescerem na terra. 
2 - Cobre-se então o cepo com bastante terra, terra boa e fértil, soca-se bem a terra, até 
serem eliminadas as bolhas de ar. Rega-se abundantemente a videira para que ela já comece 
a crescer com vigor. 
3 - Quando ela começa a crescer deve-se amarrá-la à vara, ou às varas, de forma a dar-lhe 
561 
suporte. 
Se passarmos o plantio da videira para o terreno espiritual vamos encontrar grandes 
riquezas. João 15:1 diz: “Eu sou a videira verdadeiro e meu Pai é o lavrador”. Jesus é a 
videira verdadeira. Então vamos plantar essa videira. O solo é o nosso coração que à 
semelhança da terra, deve ser espaçoso o bastante para deixarmos que as raízes do Senhor 
penetrem profundamente em nós e se acomodem nos espaços do nosso ser. As raízes do 
Senhor em nós farão nascer frutos excelentes - os frutos do Espírito - os dons que vão 
enriquecer nossa vida e nossa intimidade com Jesus, pois que ele está plantando dentro de 
nós e se ele não estiver em nós também não estaremos nele. Ele próprio nos fará passar à 
segunda etapa do plantio: Impregnar-mos de Jesus, tirar as bolhas da contaminação deste 
mundo. Regar a videira. Ele nos dá o seu espírito para regá-la com a água que vem dele 
mesmo: a água da vida. Uma vez crescida a videira em nós, ela vai aparecer e vai se espalhar 
por sobre as varas. “Toda a vara em mim que não dá fruto a tira; e limpa toda aquela que 
dá fruto, para dê mais fruto”. 
Como dissemos a vinha tem características importantes. O terreno é limpo, ela é cercada. É 
como o jardim de Deus -fechada (Isaías 5:1). No meio há a torre. É a torre de vigia 
“apanhai-me as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas 
estão em flor”. (Cantares 3:15). O próprio Senhor ele é o guarda na torre de vigia que 
protege a sua vinha, ele espreita tudo em redor para que o inimigo que tantas vezes quantas 
pode assedia a vinha de Deus. 
Os vinhedos eles se estendem por sobre as varas, um imenso varal. E quando ela fica cheia 
de folhas e frutos as varas não são vistas. Esta é a função das varas - o Senhor Jesus é quem 
aparece, somos apenas os suportes da videira, dos meus frutos; se entrarmos debaixo dos 
vinhedos, vamos contemplar uma imagem singular: Olhando para cima veremos aquela 
plantação verdinha estendida por sobre as varas, veremos os cachos de uvas imensas (do 
tipo sorek), pendurados no meio das varas. Há uma sombra benfazeja ali se abraça às varas, 
como que permanece de braços dados com aquele imenso número de varais. É a sombra 
do Todo Poderoso, do El Shaddai, sobre a sua igreja. 
A destruição da vinha era um castigo de Deus e Jeremias exorta (Jeremias 8:13) - 
“Certamente os apanharei, diz o Senhor, já não há uvas na vide...”. Oséias 2:12 também 
anunciava - “E devastarei a sua vide e a sua figueira”. O Senhor enviou os profetas 
madrugando para avisar ao povo do que sucederia se houvesse descuido com a vinha e 
com a figueira. 
Estamos vivendo uma época em que é tempo de semear, de segar e de plantar vinhas. É o 
tempo do derramar do espírito. É o tempo da colheita dos frutos, pois o dono desta vinha 
voltará a este tempo para buscar os frutos.
O Pai é o lavrador e o vinhateiro é Jesus, o herdeiro da vinha, porque ele que é a videira 
verdadeira está plantado num outeiro fértil, e a vinha é a sua igreja que também está neste 
outeiro fértil “Filho do óleo”. Os filhos do óleo eram o rei e o Sumo Sacerdote. Jesus é 
tanto rei como Sumo-Sacerdote por isso ele é o filho do óleo que habita este outeiro fértil. 
A igreja é também esta vinha onde não foram plantadas semente diferentes para que não se 
consumisse o fruto da terra. 
A igreja como que está cercada de muros, onde existe uma torre de vigia para que as 
raposas não venham devorar as vides em flor. O Senhor está preparando o vinho 
aromático (os dons do Espírito) para nos dar o mosto no lagar que preparou para a festa da 
redenção - o Espírito Santo que flui na igreja do outeiro fértil. 
A igreja está nesta hora encostada ao vinhateiro que pacientemente tem cuidado desta 
vinha. Não permitirá que sementes de outras espécies fossem plantadas nesta vinha, se essa 
vinha ouvir sua voz. Se amar o evangelho e confrontar o que nela é plantado com a 
revelação das Escrituras. Porém não é possível ao Senhor da Vinha impedir o surgimento do 
Joio. Toda vinha local terá joio. (O autor reclamou bastante outro dia a esse respeito). Há 
um mistério de misericórdia que cerca a humanidade e o Senhor da Vinha entende que 
pode transformar Joio em Trigo. 
A Vinha está espalhada em toda a terra, não possui uma única visão, uma única orientação, 
ou um padrão. Ela é confiada àqueles que Cristo escolhe e não delegou a qualquer grupo de 
pessoas essa separação de seus obreiros, de seus profetas, de seus apóstolos. 
O Senhor da Igreja é aquele que separa os homens para seus ministérios e para o seu 
mistério. A presunção profética é uma coisa aterradora. O sujeito acorda outro dia e recebe 
um punhado de visões e pronto. Imagina-se o “dono de toda a revelação”. Nem se o 
grupo de indivíduos tivesse passado dois anos no sétimo céu, ouvindo coisas inefáveis ao 
ser humano, e trouxesse de lá um termo assinado por anjos, em papel feito de árvores 
celestiais, teriam estes o DIREITO de decidir sobre a VINHA de DEUS, que enche todo o 
mundo. 
Repartida nas denominações, nas igrejas, nos múltiplos ministérios e até longe de qualquer 
contato com cristãos. A Igreja é um organismo vivificado por um Espírito Eterno, que faz 
nascer homens e mulheres de Deus até nos confins da terra. A cada instante. 
Centenas de mulçulmanos se converteram por meio de visões, onde a igreja não pode 
alcançar, vendo a Cristo sem te-lo anteriormente conhecido. 
A soberba espiritual é uma praga, uma enfermidade tão maligna que é capaz de devastar 
uma vidira inteira. No inicio oferecem vinho de boa qualidade, mas ao final da festa, depois 
que todos estão embriagados do vinho bom, começam a oferecer vinho de péssima 
qualidade. Homens que misturarm vinhos e por isso estragaram toda a safra. 
Porém, a igreja que é a vinha do Senhor tem também o seu selo, é vinha cercada, separada. 
A Igreja é de frutos, é um pomar e tem a excelência do Carmelo, e se prepara para as bodas 
do Cordeiro. As vides estão em flor. “Passou o inverno e a chuva cessou e em toda a terra 
já se ouve a voz da rola”. 
Essa Igreja não é um ministério. Não é uma denominação. Não é fruto de uma revelação, 
ela tem inicio na eternidade, parte é celestial e parte é terrena, parte está espalhada nos 
apriscos do Reino, parte está fora dos apriscos. Parte já está em Cristo, já descnasou das 
obras, parte está trabalhando, parte ainda nascerá, em épocas determindas, sobre diferentes 
dispensações, incluindo a Grande tribulação e o Milenio e até depois. 
562
A Igreja não irá prara de crescer mesmo após o final dos tempos. Não parara de frutificar, a vida não 
deixará de ser RENOVADA mesmo na Nova Criação. 
Este é o grande mistério de CANTARES capítulo 8. 
IGREJA não é simplesmente uma OBRA DO ESPÍRITO. Ela é mais que uma operação 
espiritual, mais que um evento profético. Ela é VIDA. Ela é a soma da humanidade remida 
com o amor de Cristo. Ela é maior que qualquer OBRA, ela é o CORPO de CRISTO, um 
mistério, um milagre, uma dimensão inserida em Deus através da morte e da ressurreição. 
A OBRA está na IGREJA, mas não é a IGREJA. O Espírito VIVIVICA a IGREJA, e ela é 
PARTE de CRISTO. Jesus não é OBRA de Deus. Não é OBRA do Espírito e nem de 
ninguém, ele é uma das dimensões de Deus, nele habita o Espirito, mas ele é maior que a 
revelação e que a profecia. A Igreja, INCLUSA NELE, não é e nem pode ser resumida a 
MINISTÉRIOS porque ela não é um SERVIÇO, ela não é uma ESCRAVA, ela não é uma 
SERVIÇAL. Ela é AMADA, é a esposa do CORDEIRO. Que o serve porquye o ama, não 
sendo salva pela sua OBEDIENCIA, antes pelo seu amor e pela sua FÉ. 
A OBEDIENCIA não salva. Essa lição já nos foi dada no primário da revelação. Ela se 
chama LEI. 
O justo somente VIVERÁ pela fé. Por isso a Lei de OBEDECER foi substituída pela LEI 
do Espírito e da Vida. Significa que a salvação é fruto do amor, da comunhão, e o Epírito 
não trabalha pela força ou pela violência, não nos impõe OBRIGAÇÕES. Nos conduz a 
VIDA através do CONSELHO. 
563 
F I G U E I R A 
Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira 
("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden 
mencionada pelo nome. Para mim, a menção da figueira já nas primeiras páginas da Bíblia (ao 
lado de inúmeras outras árvores paradisíacas criadas por Deus, cujos nomes não são citados) é 
uma gloriosa figura da eleição de Israel: "...o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses 
o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7.6). 
A primeira distinção é que no Éden, a primeira árvore conhecida pelo ser humano, será a 
figueira. Cujos frutos já eram comidos antes. Fazia parte do jardim original. 
As folhas da figueira cobrem a nudez física, mas não a nudez espiritual. Israel receberia 
através de Moisés a Lei e o Sacerdócio Levitico, e ambos só poderiam COBRIR, proteger. A 
palavra “cobrir” é um dos verbos hebraicos para a ação dos sacrifícios. Eles escondem, mas 
não restauram. 
O milagre da Restauração viria através da Igreja de Cristo, ao invés da Lei, pela operação da 
Graça, e em contraste com o sacerdócio Levitico, um sacerdócio segundo uma desconhecida 
ordem, a ordem de Melquisedeque.
A figueira representa Israel, a luz das representações em Genesis. Os sacrifícios e ofertas 
segundo a Lei (a cobertura do homem caído), uma eleição feita por Deus antes que Israel se 
torna-se um povo (a citação da figueira ainda no éden). 
A figueira foi o primeiro fruto a ser mencionado na Bíblia, na história de Adão e Eva 
(Gênesis 3:6-7). Seu nome no hebraico teenah-teenim (pl.). Nas escavações de Gezer foram 
encontrados figos secos datando do período neolítico (5.000 AC), cuja localidade se situa 
nas escarpas ao oeste das montanhas da Judéia. Folhas espalmadas, largas, ásperas ao toque 
e com nervuras salientes. No outono caem e florescem no inverno no começo da 
primavera. A figueira tem um lugar proeminente nas escrituras, embora não gozasse de 
uma alta estima como a oliveira entre as pessoas da Bíblia. Os figos eram comidos frescos 
nos 2 meses em que as figueiras produziam seus frutos e depois, como secos, proviam 
alimento; na época a terra não os produzia. O figo é mencionado com o mesmo fôlego da 
produtiva e valiosa videira, em virtude de suas uvas e do vinho (Joel 2:21-22) “...a vide e a 
figueira darão a sua força”. Em toda vinha havia uma figueira. 
A figueira brota em fins de março. Nessa época os ramos são tenros e brotam folhas novas. 
Exatamente nesta época é que o Senhor, em Marcos 13:28, adverte: “quando o seu ramo se 
torna tenro e brota as folhas, bem sabeis que está próximo o verão”. Jesus está falando de 
um tempo definido, o tempo do arrebatamento da Igreja, tomando como imagem a 
figueira. E Israel como figueira brotou exatamente nesta época do brotar da figueira. 
No ponto de contato com o velho tronco, ao mesmo tempo com as folhas, nascem 
pequenos figos, que com um vento forte caem. São os figos apontados em Cantares 2:13. 
Em Apocalipse 6:13 encontraremos também uma alusão bastante sugestiva aos figos desta 
época. Os figos desta época são os chamados temporão e as melhores espécies de figos se 
conservam até à maturidade, que ocorre em junho: esses figos temporãos são muito doces 
e bons e encontramos muitos dos profetas exaltando a excelência desses figos: Miquéias 7:1 
- “Os figos que a sua alma desejou”; - Naum 3:12 compara as fortalezas de Israel à figueira, 
“cujos figos temporãos, quando sacudidos, caem na boca do que passa”. Jeremias 24:2 fala 
dos cestos de figos em que os figos bons eram os temporãos; Oséias 9:10 compara Israel 
como “uvas no deserto”, e a seus pais como “a fruta temporã da figueira no seu princípio”. 
Os figos tardios brotam lá para agosto nos galhos de cima e nesta época dá -se a segunda 
grande colheita. 
Uma ocasião Jesus se aproxima de Betfagé (que significa “casa dos figos”), como ele 
esperava encontrar ali uma figueira, os figos temporãos ele amaldiçoou a figueira, pois, que 
nela não havia tais figos. O Senhor anunciava assim um castigo para Israel que não 
respondeu aos cuidados do vinhateiro. 
564
A sombra da figueira é de igual modo muito apreciada, suas folhas espalmadas e seus 
grandiosos galhos, formam uma tela impenetrável e o oriental gosta de ficar debaixo dela 
para meditar. E foi assim meditando que Jesus viu Natanael debaixo da figueira: “...não te 
vi eu, estando tu debaixo da figueira?”. 
565
Em Lucas 13:6 há outra parábola de Jesus sobre a figueira e a vinha. Jesus estava marcando 
tempos: “há 3 anos o vinhateiro vinha procurar frutos sem encontrar”. A figueira é 
símbolo político de Israel, e Israel foi quantas vezes advertido pelos profetas: “Certamente 
os apanharei, diz o Senhor, já não há uvas na vide, nem irá deles”. (Jeremias 8:13) - “Fez da 
minha vide uma assolação e tirou a casca da minha figueira; despiu-a toda, e a lançou por 
terra; os seus sarmentos se embranqueceram”. (Joel 1:7). 
Vimos então que a época do brotar dos figos começa no fim da primavera, o que ocorre 
em Israel em fins de maio indo até agosto. Curioso é notar que a figueira, no sentido 
político de Israel brotou no dia 14 de maio de 1948, próximo do verão, época em que os 
figuinhos temporãos estão agarrados ao tronco; Israel neste tempo, já cumprida a parábola, 
frutificará. Lemos em Zacarias 8:13 - “E há de acontecer oh casa de Judá, e oh casa de 
Israel, que assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis um 
bênção; não temais, esforcem-se as vossas mãos”. E esta figueira - Israel - tem frutificado e 
se tornou como o jardim do Éden. Floriu, reverdeceu e Jesus tão ligado à figueira, breve 
receberá na nuvem que o vimos subir, na mesma nuvem - shechinah - a sua igreja o ouvirá 
dizer: “sobe para cá”, cumprindo-se assim a Palavra. Jesus está interligado com a figueira. A 
Palavra diz que no seu tempo, a figueira daria raízes para baixo e fruto para cima. As raízes 
estendem-se para abaixo indo a Adão e Noé onde o plano de Deus se iniciou - no jardim 
do Éden. As folhas para cima são o indício de que a figueira está anunciando o grande 
evento tão esperado desde a antiguidade - o arrebatamento da igreja. No milênio o 
vinhateiro - o dono da vinha e da figueira - entregará ao seu dono a vinha e a figueira com 
os seus figuinhos. O espaço que ela ocupou não foi inútil. 
Diz-se em Israel que como os figos não amadurecem todos a um só tempo, assim foi com 
o desenvolvimento do povo de Israel. O primeiro a amadurecer foi Abraão. Ainda é dito 
que a forma da figueira é comparada a Jerusalém e ao povo de Israel. A semelhança decorre 
do fato de que o tronco da figueira é pequeno, enquanto seus galhos se espalham e formam 
566
um círculo enorme em volta do tronco. De modo semelhante o “tronco” de Jerusalém foi 
eventualmente cercado por um enorme círculo proveniente da colheita do povo de Israel. 
Assim, a colheita do figo em Israel, ocorre às vezes duas vezes por ano, em período curto 
de 2 meses. Naum 3:12 diz que não se trata de árvores tão imponentes como a oliveira nem 
tão pouco em tempos antigos, mas sem dúvida a figueira é tida como uma das árvores mais 
renomadas da Bíblia. Há figos bons e figos de figueira brava, como o sicômoro. Os 
sicômoros são também muito referido na Bíblia. (I Crônicas 27:28; II Crônicas 1:15). Ele 
difere da figueira em várias maneiras, é sempre verde e tem folhas pequenas sem lóbulos. 
Cresce abundantemente nos vales mais baixos, provê sombra gostosa ao longo das estradas 
no climas do Mediterrâneo. Há uma curiosidade quanto aos sicômoros. Amós era boieiro e 
cultivador de sicômoros e deve ter seguido a prática dos pastores de Tecoa donde ele era, 
quando à noite vigiava seus rebanhos juntamente com os pastores da área. No fim do seco 
e quente verão, quando todos os pastos do deserto da Judéia tinham se esgotado, ele movia 
os seus rebanhos de cabras e ovelha para as planícies do Jordão, no vale de Jericó. Esta é 
uma área rica em verdes forragens durante todo o período de verão escaldante em Israel. 
Esta é a estação em que os frutos do sicômoro, verdes, cobrem as pontas dos galhos. Este 
fruto embriônico tem que ser perfurado (um processo chamado blissá) em hebraico, e 
esfregado com óleo. Este cuidado era necessário para que o fruto alcançasse um 
amadurecimento suculento. Hoje, na indústria agrícola de Israel, não é prático investir no 
trabalho manual, com vistas (pelo processo blissá) a assegurar um colheita de alto nível do 
fruto do sicômoro, apesar de o fruto não ser apresentado no mercado. A estação adequada 
para a perfuração do fruto do sicômoro, pelo menos os que crescem no vale de Jericó, se 
dava por volta da época em que os pastores desciam dos declives desérticos da Judéia e 
Samaria para o vale. Os rebanhos pastavam no vale, enquanto os pastores se dedicavam a 
outros trabalhos. O pastor trepava nos amplos galhos dos sicômoros, enquanto vigiavam 
com os olhos os rebanhos, executavam o monótono serviço de perfuração e oleificação do 
fruto ainda verde. Os pastores de Betel ficavam nos montes Efraim e Amós nos montes de 
Tecoa na Judéia. 
567
O figueira brava ou sicômoro também foi objeto de Jesus em suas palavras. Quando ele 
passava por Jericó, havia uma figueira brava e como que se debruçava por sobre a estrada. 
Jesus olhando para cima viu a Zaqueu e disse-lhe: “...desce dai para baixo porque hoje me 
convém pousar em tua casa”. 
Voltando à figueira há ainda uma curiosidade a ser considerada no calendário de Deus: Da 
criação do mundo até o nascimento de Abraão se passaram 1948 anos. Do nascimento de 
Abraão até o estabelecimento do Estado de Israel foram 3.730 anos. Da criação do mundo 
até o início da era comum, também 3.760 anos. Do começo da Era Comum até o Estado 
de Israel, 1948 anos. Como que o plano de Deus, em termos de datas, está praticamente 
cumprido. Só nos resta esperar um pouquinho mais, por um tempinho que não foi 
revelado. Mas a palavra também diz que: “não passará esta geração sem que estas coisas 
aconteçam”. Estamos na contagem da geração que tem presenciado o cumprimento das 
profecias. 
A C Á C I A 
Uma outra planta identificada com Jesus é a acácia. Planta típica dos desertos de Israel, 
especialmente do Arvá e das regiões secas e áridas do Mar Morto. Há vários tipos de acácia. 
A acácia mais comum cujo nome em hebraico é shittah foi usada na construção do 
tabernáculo (Êxodo 26:15 - Josué 2:11). O vale de Sitim - no mar Morto -, também é 
chamado de vale das acácias. A madeira da acácia não é madeira de cetim, como muitos 
pensam, não se trata de madeira mole, mas de madeira dura, incorruptível, cheia de nós. O 
vale é que se chama de Sitim, da mesma palavra hebraica Shittim, portanto vale dos Sitim, 
que é referido na Bíblia 24 vezes, das quais 9 se referem a acácia em si, e outras 5 
associadas ao local onde se encontra a acácia (Vale de Sitim). A palavra s itim, shittim 
significa acácia. A palavra sunt que vem do árabe determina certos tipos de acácia 
provenientes do Egito, Arábia e sul de Israel. Isaías 41:19 cita a acácia como árvore de sita 
568
(no hebraico shittah). A acácia comum atinge 5 a 8m e é copada na parte superior. Os 
espinhos longos, brancos e afiados dos galhos são os estípulos das folhas que são divididas 
em pequenas folhas lisas, oblongas e alipticas. As flores crescem em hastes longas e 
florescem na primavera ou no fim do verão. Os frutos são cheios de sementes e lisos, caem 
da árvore e são consumidos por vários animais. 
Quando se viaja pelo Negueve, Aravá e toda a região do Mar Morto é comum ver-se as 
acácias. O que chama a atenção na paisagem, especialmente ao longo de todo o Negueve, e 
no Sinai, são estas árvores retorcidas, pequenas, a maioria, cobertas de pó, secas e pouco 
copadas, crestadas pelo sol. Esta visão nos leva a identificá -las com Jesus em sua 
humanidade, nas suas caminhadas ao longo do deserto. Quantas vezes ele também teve 
seus pés e suas roupas cobertas de pó das regiões secas e quaradas pelo sol, suas difíceis 
jornadas com o sol a pino, cansado sem ter onde reclinar a cabeça, despojado de si mesmo 
como a acácia, relegada aos desertos. É assim que vejo estas acácias do deserto, 
semelhantes a Jesus também retorcido, moído pelas nossas iniqüidades. 
A acácia foi muito usada no tabernáculo, no Sinai. As barras, as pranchas, a arca, a mesa 
dos pães da proposição, o altar de incenso e o altar externo. As acácias no Sinai são altas e 
os filhos de Israel, durante peregrinação no deserto trouxeram madeira de acácia e 
trabalharam-na para aplicação nos vasos citados. Eram trabalhadas, lixdas para se extraírem 
os nós que as caracteriza. A acácia é uma espécie de cedro, madeira incorruptível, entre as 
variedades do cedro a acácia foi escolhida por Deus. Havia acácias em Migdol, Tzabaia e 
elas eram santificadas, proibidas para uso por causa da santidade da arca. 
569
570 
L I N H O 
A planta do linho pishtah, existem dela 200 espécies. Ela cresce tanto 
pelas fibras como pelas sementes e é rica em óleo. Biblicamente falando, ela é 
exclusivamente uma planta de fibra. Seu cultivo data de 5.000 AC nos países do médio-oriente, 
incluindo a terra de Israel. É uma planta anual. Seus galhos têm folhas longas e 
estreitas e apresenta flores azuis consistindo de 5 sépalas, 5 estames. O fruto contém 
muitas semente oleaginosas. 
As vestes sacerdotais simbolizavam a humanidade de Jesus. Eram de linho fino torcido. 
Jesus no seu sepultamento foi envolvid
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos
cântico dos cânticos

cântico dos cânticos

  • 1.
    E o EspíritoSanto desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se do céu esta voz: Tu és o meu Filho amado; em ti me comprazo. 1 WELINGTON CORPORATION
  • 2.
    2 INTRODUÇÃO Soldadade Shirion – Baal–Hermom – das forças armadas israelenses Sim. Eu sei que “Sunamita” significa pacífica. E pacificadora Veja que a bela moça está calma. E pacífica. http://www.rakkav.com/song/pages/song01.htm jewish traditional music ancient song of songs BALKANEL GROUP Serbia.mp3 A EXTRAORDINÁRIA WELINGTON CORPORATION Indo aonde nenhum outro mestre ou profeta jamais ousou.
  • 3.
  • 4.
  • 5.
    5 Preludio Umaobservação preliminar. O Cântico dos cânticos é uma canção cuja melodia para nós é desconhecida. Ele é composto com uma melodia original, por Salomão. Suzanne Haik - Vantoura é uma musicóloga que compreendeu que a bíblia massorética possuía sinais que representavam notações musicais e gestuais dos músicos e que apesar da notação massorética (sinais que representam as vogais, tonalidades, expressividade do texto do Velho Testamento em hebraico) ser do segundo século d. C, eles remontam à tradições musicais da antiguidade. https://musicofthebiblerevealed.wordpress.com/tag/suzanne-haik-vantoura/ http://www.rakkav.com/song/pages/song01.htm Desde os tempos antigos os judeus têm reverenciado Cânticos como sublime. Eles compararam Provérbios para o átrio exterior do templo; Eclesiastes coma o lugar santo; e Cantares de Salomão para o Santo dos santos. (Ibid) O Estudo do Livro de Cantares possui várias escolas de interpretação. O autor deste estudo em especial toma empréstimo de estudos linguísticos, referencias geográficas, ecológicas, históricas, sociais e culturais de Israel, sua divisão política, reino, tribo, a identificação da família na antiguidade oriental, a literatura da antiguidade, incluindo a do Egito, como bases para sua pesquisa. Não satisfeito traça alguns paralelos com a Índia, onde encontramos ainda hoje vários pontos culturais que nos fazem retroceder na história até o oriente e as tradições narradas em Cantares. Essa é uma das ferramentas mais interessantes da caixa de ferramentas
  • 6.
    do autor. Asociedade Israelita moderna foi transformada pelo seu contato com diversas nações. Embora mantenha suas tradições, não manteve seu vestuário. Ou seus enfeites. Ou não manteve alguns dos aspectos que o casamento israelita possuía na antiguidade. Uma noiva israelita da atualidade veste-se de modo similar a uma noiva norte-americana, inglesa, francesa ou brasileira. E se algum israelita ler este estudo, e quiser ver, ao menos como se vestia em seu passado, viajando na máquina do tempo, olhe para a Índia. E para o Paquistão. E para o Irã. A segunda ferramenta para compreender Cantares é que ele é uma canção. E sendo um cântico compartilha da essência das artes cênicas, da dança, do canto e da música. Em alguns momentos compreender essa característica será de grande valia. 6 Cantares é Um poema de amor - Um cântico de amor - Um cântico espiritual Ele caminha do coração apaixonado do homem pela sua amada aos mistérios do coração de Deus e do seu tremendo amor pelo ser humano, em especial por aqueles por quem, amando, se deu, e se entregando, os tornou seus, através da Igreja a quem considera Noiva. Em terceiro lugar é importante compreender a beleza do romance de Cantares. Ele nos ensina coisas extraordinárias, e traçará paralelos maravilhosos com a dimensão espiritual das Escrituras. Em quarto lugar será usada uma ferramenta que soará estranha para a maioria dos estudiosos das Escrituras. “A voz do meu amado é doce”. O cântico convida você a interpretá-lo com doçura. Sem arbitrariedades, sem certezas absolutas, sem fixar limites. A ciência bíblica usa a palavra “tipologia” para dizer que uma coisa é “símbolo” de uma realidade espiritual. Há a “alegorização” que basicamente enseja ver os símbolos, as representações, as símiles e as as parábolas evocadas por Cantares. Vou usar em vez da palavra “tipo” a palavra “representação”. E vou deixar as imagens de Cantares evocarem imagens, recordações, reminiscências, paralelos poéticos, nas representações de Cristo, nas operações espirituais e proféticas contidas nas Escrituras, viajando no tempo, sem me limitar a história humana. Viajo para eternidade passada, caminho para a eternidade futura e no caminho passeio pelos jardins que o espírito plantou, Israel, a Igreja gentílica, a revelação concedida de Deus aos povos, raças tribos e nações. Eu uso livremente de associações de um modo que todo ser humano lê a história de sua própria existência. Relembrando. Através da reminiscência. Toda moça lembra -se do primeiro beijo. Todo filho lembra de fatos marcantes que envolveram eles e seus pais. Ve r seu nome na lista de aprovados, a festa de colação de grau daquela faculdade, o momento eletrizante em que você recebe a prova mais difícil de sua vida e descobre que tirou acima do necessário para passar. Nós associamos presentes a eventos, pergunte a sua esposa onde ela ganhou cada presente que Ela possui. Cada brinco. Cada jóia. E queria que você soubesse que se não permite que ela use enfeites você está em pecado e com certeza não irá herdar a salvação. Ao menos mereceria receber a mais longa e tediosa reprimenda espiritual dada pelo Senhor na frente de toda sua comunidade angelical. Porque você acha que o maior Cântico do Espírito Santo é justamente uma canção onde a amada é magnificamente enfeitada, ornada? Igrejas que proíbem atavios leram os dois versos de I Timóteo 2.9 e I Pedro 3.3 e rasgaram os 177 versos de Cânticos! Violentaram os textos bíblicos, que
  • 7.
    formalizam o desejoque o cuidado com o interior deve suplantar o desejo de ornamenta - se, e nunca anulá-lo. O feminino é belo aos olhos do Espírito, que deseja ver espiritualmente esses atavios, essa ornamentação, também no coração da mulher. Com doçura é que a voz do Amado deve ser percebida em todo o contexto das Escrituras. Quando o interprete da Palavra de Deus se afasta de uma visão amorosa, liberta, plena, abundante de graça, misericórdia, compaixão e alegria, perderá sua viagem. Essa dimensão de entendimento das em Cantares significa que não “imponho” símbolos. Antes deixarei que as imagens nos conduzam até outras cenas das Escrituras, e que os textos nos relembrem realidades espirituais para nela meditarmos. O que o autor viu nos textos não limita o que cada leitor poderá enxergar ou associar. Temos aqui as limitações humanas de quem escreveu esse comentário, as suas limitações do conhecimento das Escrituras, suas limitações culturais, históricas, linguísticas e seus limites de conhecimento das realidades espirituais. 7 Desejo dançar com a Sunamita, não forçá-la a caminhar comigo por lugares estranhos. Aconselho aos que forem ministrar aulas de Cantares baseados neste estudo a comprarem essências de nardo, mirra, aloés, cálamo, cássia e distribuírem a multidão (com devolução das mesas e higienização dos frasquinhos, para apresentar a próxima turma). Não, não estou ganhando comissão para fazer essa propaganda de essências.
  • 8.
    Cantares usará afigura do amor humano, a menina, o pastoreio, o jardim, os irmãos, a mãe, o castelo e o muro, a tenda, até as tranças da moça adorável para contar o drama do amor de Deus manifesto na história humana, e também na história escondida, a história da eternidade e a história do grande amor, vivido por Ele, manifesto por Ele e só conhecido dele e dos seus profetas. Em Cantares Deus revela seu coração, descortina sua alma e manifesta seus sent imentos, através do tempo, não do tempo humano, mas do seu tempo, de seus dias refletindo sua eternidade. É um livro de belíssimos e de impressionantes mistérios, contado nos passos ligeiros da dançarina, da musa inspiradora que arrebata ao coração de Salomão, e nestes passos dançados lemos um pequeno musical que conta e canta todas as histórias divinas numa só. Nós iremos dançar com a Sulamita e ela levará nosso coração a refletir sobre um amor que sublima a vida, que reinterpreta o mundo e que nos conduz a contemplação da eternidade e de uma paixão tremenda maravilhosa, manifesta diante de incontáveis testemunhas, que nos convidará a dançar com ele. Cantares é Salomão apaixonado pela moça de caráter pacifico e é igualmente o Espírito de Deus nos convidando a dançar. Para sempre. O livro de Cantares traduz um enredo, um drama, um afastamento, um reencontro. Há nele zombaria, escravidão, desprezo familiar. Há nele o inigualável contraste da pobreza da noiva que é a escolhida em relação àquele que a desposa. A uma perseguição, risco de morte iminente, sofrimento. Há nele dança, festejos, um casamento, um banquete e uma apresentação magnifica da amada à sua corte. Há nele os desfiles das mulheres de Jerusalém, o cortejo nupcial com os soldados. Um festival de visões e de citações ecológicas e geográficas. Cantares é rico em citações: Geográficas Ecológicas Adornos Estações Especiarias Aromas Climas Temporais Sociais. Sentimentais Emocionais. Ele é rico em sensações. Ele é rico na sonoridade, nas expressões de doçura nas quais as palavras são pequenas e curtas, carinhosas como Dodi, (amado) similar aos apelidos carinhosos que as pessoas enamoradas se dão. Ele é rico na originalidade das suas palavras, algumas que na língua hebraica somente são encontrados neste livro. Existem cerca de 50 harpax, cinquenta palavras únicas que só são mencionadas no livro de Cantares. 8
  • 9.
    As dimensões psicológicasde cantares são múltiplas, elas tratam do romance à sexualidade, do desejo, da atração, da entrega, da paixão, da celebração da vida, da dança, da busca pela felicidade, da relação amorosa numa dimensão superior a dimensão erótica. Todos os trabalhos que tentam redefinir Cantares com uma redução ao erotismo é invariavelmente falha. Invariavelmente incompleta. Imprecisa. A ênfase do cântico não é a mesma do Kama Sutra indiano. A voz, a tônica, o acorde magistral que ecoa do início ao fim de Cantares é o ROMANCE. A dimensão espiritual de Cantares é o romance elevado a perfeição de Deus, é o amor divino. Numa símile diria que o romance é o amor em trajes de festa e o amor divino é o amor em trajes de guerra. O Espírito de Deus tomará do romance de um jovem rei pela jovem que guarda as vinhas e nele, neste romance, derramará sua voz, seu cântico, seu amor profundo, tendo como pano de fundo a sua história, a história da eternidade. Livro das Escrituras, Velho Testamento. O mais belo cântico de amor escrito. Um hino que possui em sua essência duas dimensões que se entrelaçam de modo maravilhoso: a dimensão do amor divino e a dimensão do amor humano. Nele, a paixão do amado pela amada, o amor de Deus pelo seu povo. Nele, o amor do Espírito pelo ser humano, de Cristo por sua Igreja, de Deus pela humanidade, do Senhor pelo seu povo, do príncipe pela pastora, do rei pela Sunamita. Cada pedaço, cada trecho do livro dos cânticos é repleto de imagens e abundante de figuras que entrelaçam o sacerdócio à terra, a ecologia ao amor, o clima às eras; O livro é repleto de sentimentos e de sensações. Ele retrata a dança, instrumentos. Em Cantares a amada dança. Ele evoca cheiros, nos fala de odores, fragrâncias, perfumes, especiarias! Evoca cores, árvores, plantas, pássaros, animais e a natureza em todas as suas estações, primavera , inverno, verão, outono. As suas palavras possuem ritmo, expressões de sonoridade e métrica, a natureza do livro é a de uma composição musical, de uma poesia cantada, uma canção, um cântico. As suas palavras possuem imagens sonoras que expressam ora doçura, ora raiva, ora frustração, ora júbilo, na língua original. E é magistral em todas as línguas, qualquer tradução, é encantadora. O Cântico dos Cânticos santifica a paixão entre o homem e a mulher, é uma declaração profética, sacerdotal, da beleza deste amor. É a mais importante declaração religiosa sobre o caráter do amor conjugal. Se lido, se amado, se exercido, traria uma qualidade conjugal maravilhosa para todos os casais em todas as culturas do mundo. Todo posicionamento filosófico, doutrinário ou religioso que contradiga o cântico dos cânticos é um ato contra a liberdade do amor promulgada por Ele. 9 Ele é a constituição universal e soberana da paixão, na dimensão humana. Contudo, não existe somente uma dimensão em Cânticos, ele é uma dádiva humana, e é um canto de amor do Espirito de Deus, pela humanidade, por Israel, pela Igreja. Por isso nele existe uma leitura profética tão impactante quanto há em Salmos. Ele é tão cheio de imagens espirituais quanto os Evangelhos ou o Apocalipse. É uma história de amor que transita entre dois universos, entre duas realidades. Nos olhos do rei que apaixonado pede para que sua amada desvie seus olhos dos dele porque seu olhar o faz desvanecer, enrubescer, envergonhar-se lemos a belíssima história de amor que retrata de modo singular o descompasso de muitos corações. Dos nossos, dos personagens, de todos os que
  • 10.
    se apaixonarem ede Deus. Um filme Indiano contado pelo mais sábio ser humano que viveu na terra, num dia apaixonado, de modo apaixonante, repleto de inspiração divina. Para compreendê-lo é importante conhecer antes alguns capítulos e de textos do Velho Testamento, lugares, paisagens, acontecimentos. Cantares possui 117 versos onde há um número surpreendente de palavras raras, palavras que ocorrem apenas no Cântico dos Cânticos, muitos só uma vez lá, ou que ocorrem pouquíssimas vezes em todo o resto do corpo do Antigo Testamento. Nele há cerca de 470 palavras diferentes. E destas 470 palavras, cerca de 50 destes são “harpax legomena”. Esse termo místico significa que na língua hebraica só ocorrem em Cantares. O resultado é que muitas vezes há incerteza quanto ao exato significado destes termos e seu correto uso nas frases. “Como óleo purificado, como unguento derramado”- Cânticos utiliza como principal figura a comparação, a símile. As símiles são facilmente identificáveis pela precedência de “como” ou “semelhante”. Como as usadas nos versos: Semelhante é usada 9 vezes - Cantares 5:6, 8, 11, 15; 6:4, 10, 13; 8:6, 10. “como” é usado 47X em 36 versos - Cantares 1:3, 5, 7, 9, 15; 2:2, 3, 9, 17; 3:6; 4:1, 2, 3, 4, 5, 11; 5:11, 12, 13, 15; 6:5, 6, 7, 10; 7:1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 9; 8:1, 6, 10, 14. Questione ao Espírito de Deus sobre a profundidade para compreender a profundidade destas comparações. A palavra hebraica para "Águia" é nesher; nun, shin, reish. As duas letras finais de nesher podemos dizer shar, que significa "canção". Em Hebraico, “cântico”, que inclui poesia, é chamado shir, como representado pelas letras hebraicas shin e reish de nesher - Salomão, Shulamit - Sulamita, Shalom - paz, Ierushalaim - Jerusalém. Trata-se inclusive de uma ênfase à letra _ (shin) do hebraico e que é a 21ª letra do alfabeto - a letra que tem a forma do candelabro do Tabernáculo. A sibilação das palavras transmitidas pelo shin, Sholomoh, Shulamit, Shalom, Ierushlaim põe em evidência o desejo do autor, caprichoso em seus mínimos detalhes. Ierushalaim significa herança eterna de paz (Ierushaolam). E essa sibilação é como que um som trazido pelo sopro do Espírito Santo de Deus, como que a dizer: - Paz, paz, paz. (Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão) L. A. Schökel inclui, também, esse critério de sonoridade como elemento de análise poética. Segundo este autor, existem “fenômenos estilísticos”, que acontecem através da repetição de sons semelhantes ou iguais, e são possíveis de detectar mesmo sem conhecer a 10
  • 11.
    sonoridade exata dosfonemas. A língua hebraica usa mais efeitos sonoros do que as línguas modernas O cântico retrata um grande amor vivido por um homem gerado por uma tragédia (o assassinato de Urias), fruto de uma paixão insana (vivido por Davi), tendo vivido em meio a uma família marcada por um incesto (Amon e Tamar) e tendo se tornado o mais poderoso e rico homem que a terra presenciou. E que, apesar de tudo isso, apaixonou-se por uma aldeã, por uma plebeia, por uma jovem comum, que correspondeu a esse amor louco! E enfrentando as tradições, as diferenças sociais, de ambos, conseguindo por fim desposá - la. E nesse amor Deus enxerga a sua própria odisseia, o seu próprio amor, e o seu apaixonado coração. A feliz unidade revelada em Cantares é inconcebível à parte do Espírito Santo. Um jogo de palavras, baseado no “sopro” divino do fôlego da vida (o Espírito Santo) de Gênesis 2.7 parece vir à tona em Cantares. Isso acontece em “antes que refresque o dia” (2.17; 4.6), no “soprar” do vento no jardim da Sulamita (4.16) e, surpreendentemente, na fragrância da respiração e do fruto da macieira (7.8). 11 “almá” Moça, Virgem.
  • 12.
    12 A SublimidadeDe Cantares As Escrituras possuem outros Cânticos, nomeados assim, compostos assim, todos com estupendo e notório caráter profético. Essa lista não é exaustiva:  Êxodo 15:1 ENTÃO cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor, e falaram, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.  Êxodo 15:2 O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei.  Números 21:17 Então Israel cantou este cântico: Brota, ó poço! Cantai dele:  Deuteronômio 31:19 Agora, pois, escrevei-vos este cântico, e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel.  Juízes 5:12 Desperta, desperta, Débora, desperta, desperta, entoa um cântico; levanta-te, Baraque, e leva presos os teus cativos, tu, filho de Abinoão.  2 Samuel 22:1 E FALOU Davi ao Senhor as palavras deste cântico, no dia em que o Senhor o livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.  Salmos 33:3 Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.  Salmos 40:3 E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor.  Salmos 69:12 Aqueles que se assentam à porta falam contra mim; e fui o cântico dos bebedores de bebida forte.  Salmos 69:30 Louvarei o nome de Deus com um cântico, e engrandecê-lo-ei com ação de graças.  Salmos 77:6 De noite chamei à lembrança o meu cântico; meditei em meu coração, e o meu espírito esquadrinhou.  Salmos 96:1 CANTAI ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor toda a terra.  Salmos 98:1
  • 13.
    CANTAI ao Senhorum cântico novo, porque fez maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a salvação. 13  Salmos 118:14 O Senhor é a minha força e o meu cântico; e se fez a minha salvação.  Salmos 126:2 Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes.  Salmos 144:9 A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com o saltério e instrumento de dez cordas te cantarei louvores;  Salmos 149:1 LOUVAI ao Senhor. Cantai ao Senhor um cântico novo, e o seu louvor na congregação dos santos.  Cantares 1:1 CÂNTICO dos cânticos, que é de Salomão.  Isaías 5:1 AGORA cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil.  Isaías 12:2 Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação.  Isaías 25:5 Como o calor em lugar seco, assim abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o cântico dos tiranos será humilhado.  Isaías 26:1 NAQUELE dia se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte, a que Deus pôs a salvação por muros e antemuros.  Isaías 30:29 Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa santa; e alegria de coração, como a daquele que vai com flauta, para entrar no monte do Senhor, à Rocha de Israel.  Isaías 42:10 Cantai ao Senhor um cântico novo, e o seu louvor desde a extremidade da terra; vós os que navegais pelo mar, e tudo quanto há nele; vós, ilhas, e seus habitantes.  Isaías 54:1 CANTA alegremente, ó estéril, que não deste à luz; rompe em cântico, e exclama com alegria, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária, do que os filhos da casada, diz o Senhor.  Isaías 55:12 Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.  Apocalipse 5:9 E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;  Apocalipse 14:3 E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.  Apocalipse 15:3
  • 14.
    E cantavam ocântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos. 14 Mas somente um é chamado de Cântico dos cânticos. FORMOSA Formosa - Yapheh - (yapheh) é um adjetivo que significa beleza, usado para descrever a beleza das mulheres (Gênesis 12:11, 14, 2Sa 13:01, Esther 2:7). E boa aparência ou belos homens (2Sa 14:25). usos estão em Cantares de Salomão) - Gen 1:11, 14; 29:17; 39:6; 41:2, 4, 18; Dt 21:11; 1 Sa 16:12; 17:42; 25:3; 2Sa 13:1; 14:25, 27; 1Rs 1:3, 4; Ester 2:7; Jó 42:15; Ps 48:2; Pr 11:22; Eclesiastes 3:11; 5:18; Canticos 1:8, 15, 16; 2:10, 13; 4:1, 7; 5:9; 6:1, 4, 10; Jer 11:16; Ez 31:3, 9; 33:32; Amós 8:13. Ele fez tudo formoso no seu tempo. Ele também pôs a eternidade no coração deles, mas para que o homem não vai descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim. (Eclesiastes 3:11) . Há uma misteriosa conexão entre a palavra “formosura”, “tempo” e “eternidade” nas Escrituras. Salomão associará anos mais tarde, quando já um ancião a palavra formoso com o tempo. A expressão “formoso em seu tempo” evoca a mocidade, a beleza da juventude, a beleza da criança, ao instante em que a mulher atinge o apogeu de sua beleza, o instante em que o homem atinge o apogeu de sua força, virtudes que serão afetadas pelo processo do envelhecimento natural. Percebemos a transitoriedade da vida, e sabemos que tais momentos são passageiros, ainda que venham a durar anos ou mesmo dezenas de anos,
  • 15.
    Não se mantém.Não é eterno. Porém o texto nos surpreende. Ele associa-se com o conceito de “eternidade”, implantada no coração humano. Uma vocação para não quere r envelhecer, não desejar morrer, antes manter a saúde, a beleza, a virilidade, para todo o sempre. Há um sonho no espírito humano. Uma das engrenagens mestras que movem a ciência é a manutenção da eterna juventude e a busca da imortalidade humana. Milhares de pessoas hoje buscam camaras criogênicas para manutenção de seus corpos após a morte na esperança de um dia ressuscitarem e serem restauradas. A revelação contida em Eclesiastes vai além da percepção do desejo de imortalidade humana. Diz que a ETERNIDADE foi colocada no espírito humano. Que de algum modo o ser humano entende que nele habita um espírito que não cessa com a morte física. Que há algo que aponta para a existência de um universo no qual a morte não possui domínio. Que há uma dimensão que não é afetada pelo tempo. Em sua alma ecoa a dimensão angelical, em sonhos, em percepções, em inspirações momentâneas ele sente, ele é tocado pelos poderes espirituais ao seu redor. Dom Richardson nos concederá uma maravilhosa visão sobre a profundidade do testemunho divino, e tremendas revelações sobre sua pessoa concedida aos povos, raças, tribos e nações, preparando-as para conhecerem a Cristo, seu amor, e seu projeto. Fator Melquisedeque https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaYTVpVGhzcjM2dHM/edit?usp=sharin g Há uma razão para que a eternidade tenha sido implantada na esfera humana. Porque no Projeto divino há um convite, um chamado, um desejo COMPARTILHADO. Do mesmo modo que o espírito humano anseia viver eternamente, o Espírito de Deus anseia que o ser humano seja purificado, seja limpo, seja curado, seja transformado, para receber o DIREITO a participar de sua ETERNIDADE. Deus deseja intimamente que “formoso ao seu tempo” seja mudado para “formoso eternamente”. 15
  • 16.
    16 A HISTÓRIADE SALOMÃO Há uma tremenda diferença entre Davi e Salomão. Porém, dezenas de similaridades. Salomão herdou do pai a musicalidade e a inspiração. Um poeta por excelência, um luthier, um estadista, um cantor e instrumentista. Não está declarado, mas quem escreveu este estudo é um musico. E nós músicos reconhecemos músicos com certa facilidade. Salomão fabrica instrumentos únicos e é autor de milhares de canções. Tinha um pai que organizou a primeira orquestra de Israel. Viveu sua infância16 e adolescência ouvindo as dezenas de melodias inspiradas da boca do maior menestrel, do maior cantor, musico e compositor de Israel. A facilidade que Salomão possui de compor cânticos, sua proximidade com Davi e mesmo com o Templo, sua vida vivida próximo dos maiores mestres de música de sua era, Hemã, Asafe e Jedutum, sua capacidade na escolha de uma madeira especialíssima para confecção de instrumentos que originariam um dia os violões, guitarras, alaúdes e seus parentes nos indicam com “maestria” o grau de musicalidade de Salomão. E nos conduzem a reconhecê-lo como exímio cantor. Até porque a moça de Cantares reconhece a beleza e suavidade de sua voz. ...e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite... Salomão escreveu cerca de 1005 cânticos. (I Reis 4.32,33) mas, somente um destes foi preservado. Sendo Salomão seu autor, o livro foi provavelmente escrito depois de ele tornar-se rei, ter adquirido muitas carruagens do Egito e ter ampliado suas vinhas até o vale de Jezreel. O rabino Akiba (135 d.C.) afirmou que este era o mais sagrado dos Livros Sagrados de Israel. Foi considerado sagrado por sua alegoria do relacionamento amoroso entre Israel e o Senhor da Aliança. Como tal, era lido anualmente pela nação por ocasião da Festa da Páscoa. Esse Cântico de Amor, porém, foi também apreciado e julgado sagrado por Israel devido à sua descrição áurea do amor conjugal. Este livro eleva o relacionamento entre esposo e esposa a um alto plano de dever sagrado e experiência espiritual, cumprindo a ordem divina da intimidade conjugal de Gênesis 2.24. Enfatiza também a importância de adiar tal intimidade, “nem desperteis o amor” (8.4), até o momento propício, que é simbolizado no Casamento. A grande diferença entre Salomão e seu pai é que Salomão manejava com maestria um alaúde, mas não a espada. Salomão não guerreou como seu pai, não esteve em batalhas sangrentas, não viveu sob o toldo das estrelas junto a batalhões de mercenários, em lutas dramáticas e sobrevivendo à custa de livramentos espetaculares. Davi havia participado de batalhas até não ter mais condições físicas de restar num campo de combate. Um guerreiro por excelência. Salomão não possui tais capacidades, não era um guerreiro porque as lutas de seu amado pai haviam lhe proporcionado uma dádiva única. A paz. Davi vencera todos os inimigos. Israel pela primeira, única e última veza em toda sua história milenar gozava de paz, ainda que por submissão através da força com algumas nações, com todos os seus vizinhos.
  • 17.
    Salomão significa pacifico.Ele é filho do maior rei de Israel, filho de Davi. Seu pai era poeta, um profeta e um grande musico. Sua mãe é Betseba, a maior paixão da vida de seu pai e também a fonte de seu maior pecado. Davi a conheceu muito jovem, desposada de um de seus mais valorosos guerreiros. A história do Rei Arthur e de Lancelot é a resposta literária para a tragédia que envolve o episódio com Betseba. Em dias de guerra quando seu esposo estava lutando as guerras de Israel Betseba foi com suas servas banhar-se num riacho próximo ao palácio do rei e ele ao vê-la banhar-se, contemplando sua extrema formosura, a deseja. Informa-se com seus servos sobre quem é a moça que se banhou ao lado de seu castelo e descobre que ela é esposa de um de seus mais valentes e nobres soldados. E que pertencia a sua guarda pessoal conhecida como “os valentes de Davi” . Movido pelo desejo ele a convida para jantar com ele no palácio. A moça se sente honrada e certamente Davi utilizou-se de todos os seus recursos para seduzi-la. E conseguiu. Mesmo casada ela consente em ter uma noite com o rei e depois volta para casa. Porém nessa única experiência extraconjugal fica grávida e manda avisar ao rei. Após vários planos de tentar encobrir sua culpa não funcionar, incluindo embebedar ao esposo de sua amante grávida, Davi querendo evitar a vergonha do acontecimento e a exposição da situação embaraçosa ao público decide colocar um sórdido plano em ação na qual faz o marido de Betseba ir para a mais perigosa frente de batalha tendo em mãos uma carta na qual havia, sem que soubesse disso, sua própria sentença de morte. Na carta que Urias carregou para o general à frente de uma longa batalha para tomada de uma cidade estavam ordens para que o infeliz soldado fosse conduzido a pior frente de batalha e em algum momento, abandonado pelos companheiros. Assim cumpre a ordem imoral, sem pestanejar, o general Joabe. E Urias morre naquela mesma noite. O rei é avisado da morte de Urias e env ia servos para avisar a Betseba do triste fim de seu esposo. Dias após ele manda recolher a belíssima moça viúva em seu palácio. Sendo considerado um nobre por todos os seus contemporâneos, fortalecido pelo fato de aceitar a esposa grávida, de outro homem - pois de nada desconfiavam, senão Joabe, que tudo sabia. Porém enquanto representava seu sórdido papel o Espírito de Deus revelou toda a trama ao profeta do reino de Davi. A criança que iria nascer desta união ilegal, morre. Porém meses depois nasceri a uma segunda criança. Essa criança é Salomão a quem Davi chamou de PAZ. Porque agora entendia que poderia sentir a paz que a culpa de suas ações torpes haviam dele retirado. Muitos dramas viveria Davi em virtude desta paixão seguida da morte de um amigo. Incluindo o drama de sua filha Tamar, possuída por um de seus filhos, Amon. Tamar foi vingada através de um filho de outra esposa de Davi, Absalão e Absalão morreria nas mãos do mesmo general que um dia recebeu a carta que enviou para Urias para a morte, em virtude de um motim que terminou em tragédia. Porém seu arrependimento e sua conduta futura mostraram ser ele um dos mais singulares homens que já viveu sobre a terra. Deus o chama de “meu amado”. Suas canções de louvor e adoração eram tão cheias do espírito de Deus que ainda podemos nelas ler profecias que um dia se cumprirão sobre a terra. Mil anos antes da crucificação leremos no salmo 22 a exata reconstrução da cena do calvário. Davi envelheceu e deixou o reino para seu filho Salomão. Salomão teve um passado conturbado. E sob a sombra de um futuro incerto Salomão recebeu por intermédio de um sonho uma dádiva que transformaria toda sua vida. O Espírito de Deus se manifesta num sonho e pergunta-lhe o que gostaria de ter. E ele responde: - Capacidade de discernir entre o certo e o errado. Sabedoria para poder julgar com justiça as causas de meu povo. E Deus lhe concedeu o que solicitou. E num patamar que nós desconhecemos. Temos uma vaga noção de seu discernimento através de Eclesiastes e do livro de Provérbios e de 17
  • 18.
    sua capacidade dejulgar os corações humanos restou-nos uma única decisão jurídica, que é, para todos que leem uma das mais inteligentes e justas decisões que a história nos legou. Quase imprescindível em cursos de Direito deixar de mencionar a cena das prostitutas e da espada. Salomão Foi um grande administrador, sua riqueza narrada nas Escrituras é para nós quase que mítica. Um pouco antes da morte de seu pai, quando já envelhecido, é dito que Davi sente muito frio num dramático inverno em Israel. Os conselheiros solicitam a vinda de uma jovem para aquecer ao rei. Uma moça da região de Sunem, Abisaque, é conduzida até o palácio e sua única missão é dormir ao lado do rei para aquecê-lo, e assim ela o faz até os últimos dias daquele inverno, no qual Davi falecerá. Ela é conhecida pelo povoado de onde viera, é Sunamita. Suném estava localizada em uma elevação de terras a cinco quilômetros ao norte do vale de Jezreel. Sunen é conhecida como a atual Sulan, Shulen Sulam (Arabic: ملوس ; Hebrew: . סוּלַם 18
  • 19.
    19 Sobre Sunamita As duas pronunciam são possíveis, Sunamita ou Sulamita. Porque podemos pronunciar Sunem ou Sulen. A cidade atualmente é chamada de Sulan. Sulamita é mais próxima a pronuncia do nome do rei Salomão. Neste estudo optou-se por nomeá-la, a maior parte do tempo, de Sunamita. Importante observar que Jerusalém possui “Salém” muito próxima a “sulem/sunem” escreve-se do mesmo modo. Yerou – Cidade – Salém – da paz. Salém é um modo carinhoso de chamar Jerusalém. Sulan/Sunem fazia parte da porção de terra dada aos descendentes de Issacar, de frente ao monte Gilboa onde o rei Saul realizou sua última batalha e onde morreram também seus filhos. Era Rodeada por cactos e pomares, logo a sua frente estava o monte Carmelo, onde um dia o profeta Elias lutaria com quatrocentos profetas de Baal. É parte da região que será chamada um dia de Galiléia. Sunem é a cidade onde, quatrocentos anos após a composição de Cantares, uma moça infértil terá um filho que morrerá e ressuscitará pelo ministério do profeta Eliseu. Bem próximo ao sul, podia se ver o caminho inclinado que levava ao monte Gilboa. A Sunamita vem de uma cidade que ao norte possui o vale de Jezreel, ao sul ao monte Gilboa. Cada pedaço da geografia da terra santa é coberto de significados. Um dia esse vale, o qual era uma propriedade agrícola na época de Salomão,
  • 20.
    será o palcoda maior batalha feita pelo ser humano, profetizada por João em Apocalipse, a batalha de Ar-magedom. Ou Batalha do monte Megido, em referencia ao monte que fica no meio do vale de Jezrel. Nesse vale Jesus caminhará um dia e enfrentará os exércitos do mundo que se reunirão para destruir a Israel, segundo a profecia dada em Apocalipse. 20 Sunem em 1914 A Sunamita neste momento do cântico não evoca tantas realidades. Ainda. Mas é importante ver o futuro para compreender o caráter profético do Cântico. 400 anos após: A cena da ressurreição do filho da Sunamita do futuro:
  • 21.
    "Sucedeu também umdia que, indo Eliseu a Suném, havia ali uma mulher importante, a qual o reteve para comer pão; e sucedeu que todas as vezes que passava por ali entrava para comer pão." 2 Reis 4:8 "E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus." 2 Reis 4:9 "Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto junto ao muro, e ali lhe ponhamos uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, vindo ele a nós, para ali se recolherá." 2 Reis 4:10 "Haverá alguma coisa de que se fale por ti ao rei, ou ao capitão do exército? E disse ela: Eu habito no meio do meu povo." 2 Reis 4:13 "E concebeu a mulher, e deu à luz um filho, no tempo determinado, no ano seguinte, segundo Eliseu lhe dissera." 2 Reis 4:17 "E, crescendo o filho, sucedeu que um dia saiu para ter com seu pai, que estava com os segadores, E disse a seu pai: Ai, a minha cabeça! Ai, a minha cabeça! Então disse a um moço: Leva-o à sua mãe." 2 Reis 4:18-19 "Chegando ela, pois, ao homem de Deus, ao monte, pegou nos seus pés; mas chegou Geazi para retirá-la; disse porém o homem de Deus: Deixa-a, porque a sua alma está triste de amargura, e o SENHOR me encobriu, e não me manifestou." 2 Reis 4:27 21 Retornado a época do Cântico: A beleza dessa moradora de Sunem devia ser impressionante. A moça passa a habitar o palácio agora pertencente a Salomão. Tão impactante é sua formosura ou talvez por motivos políticos, um dos irmãos de Salomão, Adonias, que havia pretendido ser o rei após a morte de Davi, solicita a Salomão que lhe envie a moça. Salomão Já tinha recebido ordens expressas de Davi para lidar com as artimanhas de Adonias. E por considerar a moça quase como “esposa” de seu pai, Salomão ultrajado nega-se a envia-la e ainda o condena com dura punição. Talvez Adonias quisesse maltratar da moça, e Salomão interpretou que ao envia-la estaria na verdade condenando-a a prisão, desterro ou mesmo a morte. Salomão praticaria durante sua vida a prática de unirem-se as famílias dos reis através de casamentos. Tornando-se parente dos soberanos, evitaria a guerra. Mas essa união se dava através de seu casamento com as filhas dos vizires, dos nobres e governantes de diversos povos.
  • 22.
    22 Quando Salomãoescreve os Cânticos numa de suas linhas ele diz: “Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número” Isso coloca o tempo da Autoria de Cantares em sua Juventude, nos primeiros anos de seu reinado. Porque ao fim de seu reinado de mais de quarenta anos, Salomão terá acumulado cerca de 1000 mulheres! I Reis 11 O rei Salomão casou com muitas mulheres estrangeiras, além da princesa egípcia. Muitas delas vieram de nações onde se adoravam ídolos — Moabe, Amom, Edom, Sidom e dos heteus — 2 apesar do Senhor ter dado instruções expressas ao seu povo para que não casasse com pessoas dessas nações, porque as mulheres com quem eles casassem haviam de os levar adorar os seus deuses. Apesar disso, Salomão deixou-se levar pelo amor por essas mulheres. 3/4 Teve setecentas mulheres e trezentas concubinas; elas foram, sem dúvida, responsáveis por ele ter desviado o seu coração do Senhor, especialmente no tempo já da sua velhice. Encorajaram-no a adorar os seus deuses em lugar de confiar inteiramente no Senhor, como fazia seu pai David. 5 Salomão prestou culto a Asterote, deusa dos sidónios, e a Milcom, o abominável deus dos amonitas. E em troca do ganho politico Salomão teve que construir uma “cidadela” para abrigar suas esposas e concubinas. E de seu relacionamento com essas mulheres, podemos imaginar as intrigas palacianas, os festivais, as grandes comemorações, as danças, e a necessidade de aceitar a religiosidade, as culturas e as tradições destas mulheres. Elas não poderiam viver da “intimidade” com o rei, não poderiam desfrutar sequer de sua presença a sós, na maioria do tempo. Então elas tinham direito a tudo que pudesse tornar sua vida mais confortável. Mas ao curvar-se diante de tantos caprichos de tantas princesas Salomão praticou atos contrários a sua fé. Algumas das religiões apresentadas introduziam práticas abominadas por Deus. Incluindo sacrifícios de animais impuros, ritos de sangue, bebidas alucinógenas, cultos sexuais e até mesmo sacrifícios humanos, que se não realizados literalmente, eram no mínimo, ritualizados ou simulados. Enquanto é jovem Salomão ainda teve condição de viver, de um modo milagroso, um grande amor. Depois ele se perderá em futilidades, em atos que necessitará repensar. Esse autojulgamento, essa reavaliação de sua vida, de seus ideais, de seus valores e do que realmente importou após uma vida plena de recursos, num nível para a maioria de nós inimaginável, nós leremos no livro de Eclesiastes. Como então, você perguntaria, um homem que teve 700 esposas pode ter gerado um cântico tão profundo que fala sobre uma única grande paixão? E de que adiantou narrar tamanha história de amor se diante de tão grande poligamia um sentimento como este parece perder o sentido? Ou porque Deus permitiu que o Cântico de um sujeito com tantos envolvimentos, tão “mulherengo” servisse como pano de fundo de seu amor exclusivo? As Escrituras falam-nos de seres humanos, com defeitos, vícios e falhas que receberam a graça de serem portadores de voz de Deus, de sua Palavra, de seu Amor. Foi em meio a humanidade pecadora que Deus manifestou-se maravilhosamente, não levando em conta seus pecados, mas abençoando e escolhendo momentos especiais de suas vidas para comunicar-nos a sua Palavra. O Espírito de Deus capturou um momento especial na
  • 23.
    vida de Salomão,um momento único, ainda que passageiro, e dele usou para falar de seu amor que nunca cessa. O que foi vivido por algumas semanas, meses ou anos, é retratado de modo magnifico, é relembrado e preservado pelo Espírito, de mil e cinco cânticos, somente este Deus escolheu para representar seu coração. Um momento da vida de um homem que ele abençoou, que refletem do mesmo modo UM MOMENTO da VIDA DE DEUS. Deus é eterno, toda a história humana equivale a momentos desta eternidade. Da criação até a Redenção, da Ressurreição até a Nova Criação, pode ser um longo período para nós que passamos como uma sombra. Mas, não para Ele. 23
  • 24.
    Cantares possui muitasdimensões. Ele é ao mesmo tempo o mais belo cântico de amor humano escrito e adorna os mais sublimes mistérios proféticos contidos dentro das Escrituras. Perfaz uma viagem transcendental até o interior de Deus, evocando poeticamente toda a magia da beleza do amor divino, transmitindo os rubores e rumores, a excelência e a profundidade de um amor que excede ao nosso entendimento, através de um cântico tecido através de imagens, gestos, sentimentos, sombras, personagens e um amor que vai crescendo até atingir a mais poderosa expressão que já foi expressa sobre o seu significado, no capitulo oitavo. O livro cresce em intensidade e paixão, trafegando por paisagens belíssimas, transportando-nos a realidades que representam os céus, a terra, os anjos, ao espírito humano, a alma, aos sonhos, a vida e a morte, a eternidade e a profecia, desvendando através de uma singela história de amor, ao amor de um modo completo. 24
  • 25.
    25 O apogeude Cantares é um grito enciumado que impressiona-nos profundamente: Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas.
  • 26.
    O amor desafiaafrontosamente ao poder que mais alvoroça os sentimentos dos homens, que desafia ao dinheiro, ao prestigio, à fama e ao poder que destroniza reis, que lança por chão a soberba humana, que enterra na cova dos pobres aos altivos desta terra e que nivela o arrogante ao humilde, o déspota ao servo errante. A morte afronta aos poderosos, afronta a sociedade, a ciência humana, a soberba do homem. Mas não é capaz de declarar-se vitoriosa diante do amor. E mesmo que o fosse por milênios, na ressurreição de Cristo a morte é afrontada com a verdade desta essência imortal, poderosa e deslumbrante. O cântico dos cânticos PROFETIZA a vitória de um poder que é tão grande quanto o poder da morte. E avança na declaração dizendo que este amor gera CIUME, um CIUME tão monstruoso, tão aterrador, tão poderoso, que as sepulturas não são mais resistentes do que ele. E que as suas brasas são maiores do que as sepulturas, cujo fogo é veemente, incansável, inextinguível. E é por causa deste CIUME que a morte não poderá SEPARAR do AMADO a vida de sua amada. A morte não resistirá a tamanho amor. Não poderá conter aos redimidos em seu seio, ou os que morreram aguardando a vinda do Amado sob seu poder. Paulo declarará de outro modo esse epíteto: 26 “Quem nos SEPARARÁ do AMOR de CRISTO? A morte, ou os principados?” Fruto de idêntica inspiração. Nossas vidas são limitadas aos nossos dias que passam ligeiro. Trazemos conosco memórias, carregamos a esperança no colo. Nosso mundo envelhece juntamente conosco, basta ver uma foto do jardim da infância ou das ruas de nossa cidade transformadas pela urbanização. Nossa história muda no decorrer dos anos, assim como nossos relacionamentos, nossos projetos. Alguns sonhos se realizam, outros se desfazem, sofremos perdas e alcançamos gigantescas vitórias. Somos marcados por pessoas.
  • 27.
    Marcados por amizades,ou por inimizades, pelo afeto que deixou marcas ou pelas perseguições que do mesmo modo deixaram em nós marcas na alma. Cantares canta um momento da vida de dois jovens enamorados. E se pudéssemos transcender a história dos dois enamorados até a história divina? Nosso ontem retrocede até nosso nascimento. Nosso amanhã vai até nossa sepultura, caso não aconteça algo sobrenatural, humanamente falando. Cristo muda dramaticamente essa métrica. Porém a história de Deus se inicia, por assim dizer, na eternidade passada, ou no passado da eternidade e finda...não. Não finda. Mas independente de não ter início e nem fim, Deus possui uma história. Ele também possui marcas deixadas por afetos e inimizades em sua essência. Em sua memória, em suas obras, em suas realizações. A história divina é profundamente impactada pela nossa. Por mais paradoxal que possa parecer este enunciado. Para torná-la inteligível, compreensível a nós Ele a retratou em Cantares. Toda ela. O amor de Salomão e Sunamita é uma dança, um cântico, um drama, uma canção. Nessa canção o Espírito entoará um cântico de amor, a sua própria canção. Em cada passo da dançarina de Cantares ele verá a dança da Sunamita Celestial, que representará o seu amor pela Igreja terrena e pela misteriosa e invisível Igreja Celestial. Aquela que aparece num momento assombroso lá no Livro de Hebreus, a multidão de espírito dos justos aperfeiçoados e aos incontáveis anjos. O livro acontece em 8 capítulos, que percorrem alguns dias. Talvez 7 dias mais um do casamento futuro e outro especial da recompensa dos guardas. Uma semana memorável, mágica. Um momento único da vida de um jovem e uma adolescente. Toda a história da Redenção, que compreende fatos anteriores a existência do homem e fatos posteriores à história humana, representam somente um instante, um momento da Vida daquele que Vive para Todo o Sempre. Mas, que são profundos para o seu coração. O livro então será um dueto. E uma dança. Anjos irão dançar nos céus testemunhando a dança da menina caçadora de raposas, o Espírito comporá a quatro mãos a melodia, juntamente com o apaixonado Salomão. Salomão olha para sua amada e nela Deus contemplará sua paixão. Cantares nos apresentará o amor de Deus pela Igreja, por Israel e pela Humanidade, de maneira: 27 Lúdica e Profética De modo Humano e de modo Sobrenatural Percorrendo a história e a eternidade. https://www.youtube.com/watch?v=O9CG_PoEWCg Este Estudo tem a intenção de descortinar o segundo véu. Indo além da dimensão humana de Cantares, ir de encontro ao Sobrenatural e a Eternidade. A palavra “sombra” no Novo testamento é um termo técnico quando usado para descrever realidades espirituais. Por “sombra” entendemos que uma cena que aconteceu no Velho Testamento representa algo transcendente, algo futuro, ainda desconhecido. Como se víssemos uma imagem refletida por um espelho de cobre, por um pedaço de metal limpo, ou um reflexo na água. Nos concede uma ideia. Uma vaga noção. Uma “sombra”. O Cântico também apresenta-nos como uma “sombra”. E é atrás de uma das dimensões desta “sombra” que os comentários irão focar, na esfera das coisas invisíveis, eternas,
  • 28.
    celestiais. Cantares nãose limita ao que será exposto. Haveria espaço para uma abordagem humana que vai desde a intimidade de um casal, a psicologia do afeto, as questões lúdicas (essas eu trato, mas com enfoque nas coisas eternas) as questões sociais presentes... as quais esboço. Como falei, Cantares é um DUETO. Espiritual e humano. Não há uma espiritualização ou alegorização que CONTENHA os significados de Cantares. Pregar as questões proféticas não anula as demais questões do livro. Ele é mais profundo do que nós mestres somos capazes de explicar e do que os profetas são capazes de enxergar. Se um profeta disser para você que ele sabe o significado completo, que o que ele sabe é o que DEFINE CANTARES, se sua visão profética é tudo, para todos, 28 Ria. Baixinho. Pode ser que ele esteja do seu lado. Welington José Ferreira
  • 29.
  • 30.
    As Escrituras vertemvinho. O único livro do antigo Testamento que não menciona o vinho é o livro de Jonas. E tem uma razão. O vinho é uma figura que quando usada com o Espírito de Deus evoca uma de suas qualidades de caráter. Assim como o óleo, quando aplicado como representação do Espírito. O Vinho simboliza, em relação ao Espírito a sua presença NO INTERIOR, em especial sua Vida, sua Alegria. O óleo, igualmente, simboliza a unção, a MANIFESTAÇÃO EXTERNA, de modo mais amplo ao PODER do ESPÍRITO. Jonas foi um dos homens mais ungidos que já pisou este mundo. Tem algo a ver com o que ocorreu com ele lá no interior do peixe abissal que o engoliu. Para todos os efeitos, literal ou espiritualmente, Jonas é um MORTO que saiu das ÁGUAS e das profundezas para PREGAR aos mortos espirituais de Nínive. E sua pregação é tão poderosa que fazem 200.000 pessoas ou mais, chorarem, gritarem, clamarem a Deus sua graça, implorarem sua misericórdia e seu perdão. Três dias sem dormir, três dias sem para de falar. Três dias que transformaram pela primeira vez e última na história da humanidade, toda uma geração, toda uma nação. Impressionante. Mesmo assim, Jonas, o fez a base de óleo. Mas não de vinho. Ele ODIAVA aos ninivitas. Ele ansiava que eles o rejeitassem, para serem destruídos como Sodoma e Gomorra. Ao final da pregação fez um acampamento do lado de fora da cidade aguardando o fogo cair do céu e consumi-los pela sua descrença. Só que não aconteceu. Jonas possuía o chamado, a vocação, a unção e o poder. Mas não tinha a Alegria, o Amor espiritual ainda derramado em seu coração. Ele é um profeta do Velho Testamento que não possui ainda seu espírito REGENERADO. Mas não impedia que Deus através deles, operasse grandes sinais e maravilhas. Mas já mostra a profundidade do uso do Vinho nas Escrituras. A outra cena, antes de iniciar o assunto. Jesus recebe das mãos de um soldado, enquanto crucificado, uma esponja embebida em um tipo de vinagre misturado a especiarias, mirra e 30
  • 31.
    bálsamos. Uma bebidaque amenizaria um pouco suas dores, um fortíssimo narcótico. Mas, ele a recusa, veementemente. Porque Jesus recusou beber o narcótico? Tem a ver com uma promessa, e com uma profunda representação. A promessa foi dada na ceia “nunca mais beberei vinho a não ser convosco, na casa de meu Pai” E Jesus SEMPRE cumpre suas promessas. Esse detalhe é belíssimo. Maravilhosíssimo. Aquilo era vinagre, um vinho decomposto, degradado, mas ainda era vinho. E em segundo lugar, porque Aquele que iniciou seu ministério com a geração sobrenatural de um vinho de excelente qualidade, não iria finalizá-lo tomando um vinho estragado. Um vinho inferior. Por oito vezes Cânticos evocará figura do vinho para evocar os sentimentos do amado pela amada: Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o 31 vinho. Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam. Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias! Já entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra com a minha especiaria, comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite; comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados. E a tua boca como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e faz com que falem os lábios dos que dormem. Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a beber do vinho aromático e do mosto das minhas romãs. E compreender o significados, o simbolismo e as representações relacionadas ao vinho nas Escrituras será essencial para compreender a profundidade espiritual, além da dimensão humana contida em Cantares. Importante frisar que a semelhança da festa de Assuero em Susã, quando apresenta à emissários das províncias persas de todo o mundo, a glória de seu reino, Cânticos é banhado em vinho. É época das festas de Benjamim, da festa das
  • 32.
    colheitas, da maturaçãoda uva e em todo o oriente e além estão sendo realizados festivais movidos a dança, canções e vinho. Muito vinho. A cor de Cântico dos Cânticos é purpura. No Egito festivais com um vinho preservado a base de uma química somente conhecida por sábios sacerdotes e de uso exclusivo de Faraó está sendo fartamente consumido. Os jônios, os aqueus, os eólios e os dórios festejam festas regadas a vinho. As primeiras famílias pastoris aryas, entraram na Índia aproximadamente no segundo milênio antes de Cristo, período em que os aqueus – com quem estavam, de certo modo, aparentados e cuja a língua pertence ao mesmo grupo linguístico do sânscrito – chegavam ao território que, posteriormente, formaria a Grécia. O Rig-Veda menciona um tipo de bebida (soma) que se assemelha ao vinho misturado com especiarias citado em Cantares. A Índia da época de Cânticos não possuía os preceitos de proibição ao vinho que vieram a posterior em sua coleção de livros religiosos, porém em todos os épicos os personagens míticos e divindades estão festejando suas vitórias com vinho. Os povos semitas estão celebrando aos seus deuses com sacrifícios e oferendas de vinho derramado, chamado de libação, e também bebendo muito. O vinho possuía um simbolismo relacionado a ressurreição, ao sangue derramado, ao sacrifício, em muitas culturas da antiguidade. E incondicionalmente conectado às histórias de amor dos deuses do mundo antigo. As festas religiosas em Cânticos evocam, nas terras estrangeiras, aos mitos de fertilidade, sempre envolvendo deusas, seus pares e a terra que recebia o efeito desse amor. Ou seja, o pano de fundo é um mundo literalmente embriagado durante a realização dessas festas. Poderia citar que as vestes do Messias cheiram a um vinho cheio de especiarias. Porque o vinho da época de Cânticos era comumente misturado a diversas especiarias. Isaías mostrará a libertação trazida por parte do Messias por meio de força descomunal, onde suas vestes estarão manchadas de vinho, após seu árduo trabalho no lagar. 32
  • 33.
    A cena deIsaias é de um trabalhador do lagar com as vestes completamente cor de vinho em virtude dos respingos. A cena é dos inimigos de Deus sendo destruídos, esmagados debaixo de grande ira, mas o resultado é que o sangue salpica suas vestes. É a cena de uma batalha transformada na cena de uma “batalha” no lagar. 33 Para compreender a simbolismo do vinho nas Escrituras temos que estudar um pouco a história do vinho. A Babilônia já tinha leis que tratavam da exportação de vinhos e A Epopéia de Gilgamesh, mais antigo texto literário conhecido, data do século XVIII antes de Cristo. Na Grécia e em Roma, o vinho tinha sua origem cercada de lendas. Já no Egito antigo inscreviam nas jarras informações sobre a safra, a vinha de proveniência e o nome do vinhateiro – eram os primeiros rótulos. A terra dos antigos faraós nos legou listas com seus vinhos Os egípcios também se dedicavam ao vinho, fato que fora comprovado em 1922 por estudiosos. Na tumba do jovem faraó Tutankamon (1371- 1352 a .C.) foram encontradas 36 ânforas de vinho. Algumas delas continham inscrições sobre a região onde fora
  • 34.
    produzido, a safra,nome do comerciante. Especialmente em uma havia até mesmo o seguinte comentário: "muito boa qualidade". Os médicos gregos foram os primeiros a prescreverem o vinho como medicamento, incluindo Hipócrates, considerado mais tarde o pai da medicina. Os gregos também aprenderam a adicionar ervas e especiarias ao vinho para disfarçar a deterioração. 34 Se hoje os vinhos nos chegam engarrafado, e com o selo fiscal, no passado distante ele chegava em ânforas, fechadas com cera. Séculos antes de Cristo, o transporte de vinho e de azeite e, eventualmente, de figos e nozes era realizado em ânforas. Os gregos e depois os romanos transportavam e exportavam seus vinhos e azeites nessas ânforas. Uma vez chegadas ao destino, o líquido era colocado em recipientes menores. Barricas e barris, uma invenção dos gauleses ou celtas, chegaram muitos séculos depois. As ânforas eram feitas de terracota e revestidas por uma resina. Eram produzidas em massa e dentro de padrões de capacidade pré-estabelecidos. Às vezes traziam como garantia o carimbo do artesão numa das alças ou no gargalo da ânfora.
  • 35.
    Os egípcios foramos primeiros a saber como registar e celebrar os detalhes da vinificação em suas pinturas que datam de 1.000 a 3.000 a.C. Nas tumbas dos faraós são vistas cenas mostrando como os vinhos eram bebidos. O consumo de vinho estava limitados aos ricos, nobres e sacerdotes. Os vinhedos e o vinho eram oferecidos ao deuses, especialmente pelos faraós, como mostram os registos do presente que Ramses III (1100 a.C.) fez ao deus Amun. Na Ilíada Homero fala de vinhos e descreve com lirismo a colheita durante o Outono. Entre as muitas evidências da sabedoria grega para o uso do vinho, são os escritos atribuídos a Eubulus por volta de 375 a.C. : “Eu preparo três taças para o moderado: uma para a saúde, que ele sorverá primeiro, a segunda para o amor e o prazer e a terceira para o sono. Quando essa taça acabou, os convidados sábios vão para casa. A quarta taça é a menos demorada, mas é a da violência; a quinta é a do tumulto, a sexta da orgia, a sétima a do olho roxo, a oitava é a do policial, a nona da ranzinzice e a décima a da loucura e da quebradeira dos móveis.” Columela, calculava que o cultivo de um hectare de cereal acarretava que uma só pessoa disponibilizasse quarenta e duas jornadas de trabalho ao longo do ano, enquanto uma mesma extensão de terreno ocupado por vinha, necessitaria de seis vezes mais jornadas, ou seja, duzentas e cinquenta e duas. Os egípcios criaram uma prensa tipo parafuso usando tiras vegetais e torção para extração do suco das uvas. 35
  • 36.
    Existiram vários sistemasde prensas e também os lagares rupestres onde as uvas eram batidas ou pisadas. 36 ( Lagar de Cortegaça – da época do império Romano – em Portugal) A mais citada de todas as lendas sobre a descoberta do vinho é uma versão persa que fala sobre Jamshid , um rei persa semi-mitológico que parece estar relacionado a Noé, pois teria construído um grande muro para salvar os animais do dilúvio. Na corte de Jamshid, as uvas eram mantidas em jarras para serem comidas fora da estação. Certa vez, uma das jarras estava cheia de suco e as uvas espumavam e exalavam um cheiro estranho sendo deixadas de lado por serem inapropriadas para comer e consideradas possível veneno. Uma donzela do harém tentou se matar ingerindo o possível veneno. Ao invés da morte ela encontrou alegria e um repousante sono. Ela narrou o ocorrido ao rei que ordenou, então, que uma grande quantidade de vinho fosse feita e Jamshid e sua corte beberam da nova bebida.
  • 37.
    A propósito, ocódigo de Hammurabi e o código dos hititas são os dois primeiros livros sobre leis de que temos conhecimento e ambos fazem referência aos vinhos. No código de Hammurabi há três tópicos relacionados com as "casas de vinho". O primeiro diz que "a vendedora de vinhos que errar a conta será atirada à água"; o segundo afirma que "se a vendedora não prender marginais que estiverem tramando e os levar ao palácio seria punida com a morte"; a última diz que "uma sacerdotisa abrir uma casa de vinhos ou nela entrar para tomar um drinque, será queimada viva". Provavelmente havia predileção pelos vinhos doces (Homero descreve uvas secadas ao sol), mas haviam vários tipos diferentes de vinho. Laerte, o pai de Odisseu, cujos vinhedos eram seu orgulho e alegria, vangloriava-se de ter 50 tipos, cada um de um tipo diferente de uva. Com relação à prática de adicionar resina de pinheiro no vinho, utilizada na elaboração do moderno Retsina, parece que era rara na Grécia Antiga. No entanto, era comum fazer outras misturas com os vinhos e, na verdade, raramente eram bebidos puros. Era normal adicionar-se pelo menos água e, quanto mais formal a ocasião e mais sofisticada a comida, mais especiarias aromáticas eram adicionadas ao vinho. Tudo que se queira saber sobre a vitivinicultura romana da época está no manual "De Re Rústica" (Sobre Temas do Campo), de aproximadamente 65 d.C, de autoria de um espanhol de Gades (hoje Cádiz), Lucius Columella. O manual chega a detalhes como: a produção por área plantada (que, surpreendentemente, é a mesma dos melhores vinhedos da França de hoje), a técnica de plantio em estacas com distância de dois passos entre elas (mais ou menos a mesma técnica usada hoje em vários vinhedos europeus), tipo de terreno, drenagem, colheita, prensagem, fermentação, etc. Galeno (131-201 d.C.), o famoso grego médico dos gladiadores e, posteriormente médico particular do imperador Marco Aurélio, escreveu um tratado denominado "De antídotos" sobre o uso de preparações à base de vinho e ervas, usadas como antídotos de venenos. Nesse tratado existem considerações perfeitas sobre os vinhos, tanto italianos como gregos, bebidos em Roma nessa época: como deveriam ser analisados, guardados e envelhecidos A maneira de Galeno escolher o melhor era começar com vinhos de 20 anos, que se esperava serem amargos, e, então, provar as safras mais novas até chegar-se ao vinho mais velho sem amargor. Segundo Galeno, o vinho "Falerniano" era ainda nessa época o melhor (tão famoso que era falsificado com freqüência) e o "Surrentino" o igualava em qualidade, embora mais duro e mais austero. A palavra "austero" é usada inúmeras vezes nas descrições de Galeno para a escolha dos vinhos e indica que o gosto de Roma estava se afastando dos vinhos espessos e doces que faziam da Campania a mais prestigiada região. Os vinhedos próximos a Roma, que anteriormente eram desprestigiados por causa de seus vinhos ásperos e ácidos, estavam entre os preferidos de Galeno. Ele descreveu os "grands crus" romanos, todos brancos, como fluídos, mas fortes e levemente adstringentes, variando entre encorpados e leves. Parece que o vinho tinto era a bebida do dia a dia nas tavernas. Após a queda do Império Romano seguiu-se uma época de obscuridade em praticamente todas as áreas da criatividade humana e os vinhedos parecem ter permanecido 37
  • 38.
    38 em latênciaaté que alguém os fizesse renascer. Chegamos à Idade Média, época em que a Igreja Católica passa a ser a detentora das verdades humanas e divinas. Felizmente, o simbolismo do vinho na liturgia católica faz com que a Igreja desempenhe, nessa época, o papel mais importante do renascimento, desenvolvimentoe aprimoramento dos vinhedos e do vinho. Assim, nos séculos que se seguiram, a Igreja foi proprietária de inúmeros vinhedos nos mosteiros das principais ordens religiosas da época, como os franciscanos, beneditinos e cistercienses (ordem de São Bernardo), que se espalharam por toda Europa, levando consigo a sabedoria da elaboração do vinho. Dessa época são importantes três mosteiros franceses. Dois situam-se na Borgonha: um beneditino em Cluny, próximo de Mâcon (fundado em 529) e um cisterciense em Citeaux, próximo de Beaunne (fundado em 1098). O terceiro, cisterciense, está em Clairvaux na região de Champagne. Também famoso é o mosteiro cisterciense de Eberbach, na região do Rheingau, na Alemanha. Esse mosteiro, construido em 1136 por 12 monges de Clairvaux, enviados por São Bernardo, foi o maior estabelecimento vinícola do mundo durante os séculos XII e XIII e hoje abriga um excelente vinhedo estatal. Os hospitais também foram centros de produção e distribuição de vinhos e, à época, cuidavam não apenas dos doentes, mas também recebiam pobres, viajantes, estudantes e peregrinos. Um dos mais famosos é o Hôtel-Dieu ou Hospice de Beaune, fundado em 1443, até hoje mantido pelas vendas de vinho. Também as universidades tiveram seu papel na divulgação e no consumo do vinho durante a Idade Média. Numa forma primitiva de turismo, iniciada pela Universidade de Paris e propagada pela Europa, os estudantes recebiam salvo conduto e ajuda de custo para viagens de intercâmbio cultural com outras universidades. Curiosamente, os estudantes andarilhos gastavam mais tempo em tavernas do que em salas de aulas e, embora cultos, estavam mais interessados em mulheres, músicas e vinhos. Eles se denominavam a "Ordem dos Goliardos" e, conheciam mais do que ninguém, os vinhos de toda a Europa. Hypocraz VINHO DE ESPECIARIAS (hipocraz) O Hipocraz é uma bebida medieval inventada por um médico grego do século 5 aC. Esta bebida é produzida a partir de vinho vermelho, mel e especiarias. Este vinho doce é criado
  • 39.
    com as especiariasreias como a canela, o cardamomo (tipo de gengibre), o cravo e o gengibre. É interessante observar que é da idade média, por volta do ano de 1.300, o primeiro livro impresso sobre o vinho: "Liber de Vinis". Escrito pelo espanhol ou catalão Arnaldus de Villanova, médico e professor da Universidade de Montpellier, o livro continha uma visão médica do vinho, provavelmente a primeira desde a escrita por Galeno. O livro cita as propriedades curativas de vinhos aromatizados com ervas em uma infinidade de doenças. Entre eles, o vinho aromatizado com arlequim teria "qualidades maravilhosas" tais como: "restabelecer o apetite e as energias, exaltar a alma, embelezar a face, promover o crescimento dos cabelos, limpar os dentes e manter a pessoa jovem". O autor também descreve aspectos interessantes como o costume fraudulento dos comerciantes oferecerem aos fregueses alcaçuz, nozes ou queijos salgados, antes que eles provassem seus vinhos, de modo a não perceberem o seu amargor e a acidez. Recomendava que os degustadores "poderiam safar-se de tal engodo degustando os vinhos pela manhã, após terem lavado a boca e comido algumas nacos de pão umedecido em água, pois com o estômago totalmente vazio ou muito cheio estraga o paladar ". Arnaldus Villanova, falecido em 1311, era uma figura polêmica e acreditava na segunda vinda do Messias no ano de 1378, o que lhe valeu uma longa rixa com os monges dominicanos que acabaram por queimar seu livro. É importante mencionar um fato importantíssimo e trágico na história da vitivinicultura, ocorrido da segunda metade do século passado, em especial na década de 1870, até o início deste século. Trata-se de uma doença parasitária das vinhas, provocada pelo inseto Phylloxera vastatrix, cuja larva ataca as raízes. A Phylloxera, trazida à Europa em vinhas americanas contaminadas, destruiu praticamente todas as videiras européias. A salvação para o grande mal foi a descoberta de que as raízes das videiras americanas eram resistentes ao inseto e passaram a ser usadas como porta-enxerto para vinhas européias. Desse modo, as videiras americanas foram o remédio para a desgraça que elas próprias causaram às vitis européias. 39
  • 40.
    40 Extraído emsua maior parte da obra de Hugh Johnson "The Story of Wine" da editora Mitchell-Beazley, Londres, 1989 CICLO DA VIDEIRA Tal como todas as plantas de folha caduca, a videira depende da temperatura ambiente para suportar toda a actividade enzimática que está na base do seu ciclo vegetativo. Após a vindima, com o avançar do Outono e o consequente abaixamento das temperaturas, a videira vai deixando de ter condições que suportem a sua actividade, as folhas amarelecem e acabam por cair. Entre fim do Outono e o princípio do Inverno a videira entra em repouso vegetativo e só dele sairá quando as temperaturas médias do solo ultrapassarem os 12°C. É durante este período de repouso vegetativo que se realiza a já referida poda.
  • 41.
    41 CHORO Dá-senos últimos dias do Inverno ou início da Primavera e representa o fim do repouso vegetativo e o início de um novo ciclo vegetativo da videira, manifestando-se através da perda de seiva pelos cortes da poda. Tal só acontece porque as condições de temperatura começam a permitir a actividade enzimática da planta.
  • 42.
    42 ABROLHAMENTO Inicialmenteos gomos dos nós deixados pela poda começam a intumescer, parecendo como que cobertos de algodão. Em seguida aparece uma ponta verde, ficando posteriormente as pequenas folhas perfeitamente visíveis e separadas
  • 43.
    43 PERIODO DEANTERIOR À FLORAÇÃO Depois das pequenas folhas estarem visíveis, segue-se um período de expansão vegetativa durante o qual os factos mais importantes, por ordem cronológica, são: o aparecimento dos cachos, a separação dos cachos e a separação dos botões florais. FLORAÇÃO Decorre durante cerca de uma semana e meia, normalmente na metade final da Primavera. É um período crucial para a definição de uma colheita. Se a floração decorrer debaixo de chuva, o pólen é lavado dos estames e das flores, não se dá a polinização e a consequente fecundação. A flor não “vinga” em fruto (desavinho) e a colheita será bastante afectada
  • 44.
    44 CRESCIMENTO DOSBAGOS É um período de grande expansão vegetativa coincidente com uma época de temperaturas mais elevadas. Os bagos passam pelo tamanho de "grãos de chumbo" e "bago de ervilha", até atingirem um certo tamanho que faz com que os cachos fiquem completamente fechados. Até esta fase os bagos das castas brancas e tintas mantêm a coloração verde opaca. MATURAÇÃO
  • 45.
    Podemos definir oinício da maturação com o aparecimento do "pintor", que representa a fase do ciclo vegetativo da videira que coincide com o aparecimento da cor tinta nas películas dos bagos tintos e da película translúcida nas castas brancas. O "pintor" poderá durar de uma a duas semanas, mas um bago muda de cor em 24 horas. A partir do "pintor" inicia-se uma fase de 35 a 55 dias durante a qual a uva acumula açúcares livres (glucose e frutose), potássio, aminoácidos e compostos fenólicos e vai perdendo ácido tart árico e ácido málico (dois ácidos que representam 90% dos ácidos presentes nos bagos de uva). Este período termina com a vindima, que poderá ocorrer no final do Verão ou no princípio do Outono. A partir daqui o ciclo repete-se e o viticultor passa a aguardar ansiosamente a nova colheita! 45
  • 46.
    46 A Adubação Ao solo Fazem-se normalmente no Inverno para que a água da chuva faça a incorporação dos nutrientes no perfil do solo: 1. Com matéria orgânica 2. Com adubos minerais A PODA A poda é a operação realizada durante o período de repouso vegetativo da videira, que ocorre normalmente no Inverno. É o processo através do qual se contraria a tendência natural da videira para crescer, trepar, ocupar território e competir pela luz e que tem como objetivo obrigá-la a produzir equilibradamente e com qualidade. A poda consiste no corte das varas que se desenvolveram no ano anterior, deixando gomos na sua base que darão origem a novas varas carregadas de frutos. O número de gomos que se deixam durante a poda é função do sistema de condução, da densidade de plantação, da fertilidade do solo, da disponibilidade de água e do estado de vigor da videira.
  • 47.
    Detalhe da podaseca Os galhos mais frágeis são retirados de modo a permitir a circulação da seiva apenas nos galhos frondosos, diminuindo a produtividade e aumentando a qualidade das uvas em formação. 47 EMPA Utilizado em sistemas de condução do tipo Guyot, a empa consiste em dobrar e amarrar a vara ao arame de forma a distribuir a vegetação que se vai desenvolver, contrariando a tendência natural que a videira tem para fazer abrolhar os gomos mais distantes, um fenómeno denominado "dominância apical". Ao dobrar a vara, dificulta-se a passagem da seiva, obrigando ao desenvolvimento dos gomos da base que, de outra forma, não frutificariam.
  • 48.
    48 REPLANTAÇÕES Casohaja plantas mortas há que substituí-las por plantas novas, normalmente sob a forma de enxertos prontos, que deverão ser plantados no início da Primavera. Quinta de Azevedo – Vinhal – videiras verdes PRAGAS 1. Pragas: 1. Ácaros 2. Coleópteros 3. Cochonilha 4. Cicadela 5. Traça da vinha 6. Moluscos 1. Lesmas 2. Caracóis 7. Nemátodos 8. Filoxera
  • 49.
    49 2. Doenças: 1. Provocadas por Fungos 1. Escoriose (Phomopsis vitícola) 2. Míldio (Plasmopara vitícola) 3. Oídio (Uncinula necator, Oidium tuckeri 4. Podridão cinzenta (Botrytis cinérea) 5. Doenças do lenho 1. Eutipiose (Eutypa lata) 2. Esca (Stereum hirsutum) 2. Provocadas por bactérias Normalmente tendo insectos como vectores. 3. Provocadas por vírus Normalmente tendo nemátodos como vectores, são doenças facilmente transmissíveis de planta para planta através das tesouras de poda ou outro material de corte. Ácaro vermelho europeu Panonychus ulmi Efeito do ácaro nas folhas da vide
  • 50.
    50 Traça davinha Doença – oido
  • 51.
  • 52.
    52 Doença Mildionas folhas Eutipiose.
  • 53.
    53 Antigo lagarde Vinho em Cafarnaum no mar da Galiléia No Jardim do local onde é considerada a tumba que guardou momentaneamente a Cristo Há significativamente um Lagar
  • 54.
    54 Bet Sames,escola infantil
  • 55.
    Em todo oAntigo Testamento bíblico, apenas o Livro de Jonas não tem referência à videira. As mulheres romanas foram proibidas de beber vinho, e um marido que encontrasse a sua esposa bebendo tinha liberdade para matá-la. Um divórcio com os mesmos fundamentos foi último gravado em Roma em 194 BCG O vinho muitas vezes cria uma "sinergia" interessante com alimentos Quando o vinho e comida são colocados juntos, eles têm "sinergia" ou geram um terceiro sabor além do que a comida ou bebida oferece sozinha. Nem todos os vinhos melhoram com o tempo. Na verdade, a grande maioria dos vinhos produzidos estão prontos para beber e não tem muito potencial para o envelhecimento. Apenas alguns raros vai durar mais tempo do que um decada. O vinho tem um efeito mais concentrado em mulheres do que em homens As mulheres estão mais susceptíveis aos efeitos de vinho do que nos homens, em parte, porque elas têm menos de uma enzima no revestimento do estômago, que é necessária para metabolizar o álcool eficientemente. No centro da vida social e intelectual grego existiu o Simpósio, que significa, literalmente, "beber juntos." De fato, o simpósio reflete carinho grego para a mistura de vinho e discussão intelectual. A combinação do tipo de solo, clima, grau de inclinação e exposição ao sol constitui o terroir de uma vinha eo que faz cada vinhedo e de cada vinho, unicos Os Odres eram uma forma comum para o transporte de vinho no mundo antigo. Peles de animais (geralmente cabras) eram limpas e cozinhadas e virando-se do avesso para que o lado peludo já tratado ficasse em contato com o vinho. Com a idade, os vinhos tintos tendem a perder a cor e eventualmente, acabar por uma cor de tijolo vermelho. Por outro lado, os vinhos brancos ganham cor, tornando-se de dourados, eventualmente, marrom-amararelados. 55
  • 56.
    Na lingua Inglesaa palavra "vinho" pode ser enraizada em “yayin” semita (significando lamentação e choro). Em árabe, a palavra para vinho é carroça. Em grego, é oinos. Nas línguas românicas é vin, vino, vina, vinho. No antigo Egito, a capacidade de armazenar o vinho até o vencimento era considerado alquimia ou magia e era privilégio apenas dos faraós. A viinificação é um tema importante em uma das mais antigas obras literárias conhecidas, a Epopéia de Gilgamesh. A divindade responsável pelo vinho era a deusa Siduri, cuja representação sugere uma associação simbólica entre o vinho ea fertilitilidade. A festa do amor entre Baal e Anat, irmãos e noivos, era regada pelo vinho produzido graças às chuvas que caíram durante o inverno. A gratidão era dirigida principalmente à Deusa, grande heroína, cujo amor era representado pelo vinho. 56 Borra do vinho O Padrão de Ur é a mais antiga imagem do mundo representando o consumo do vinho. Possui cerca de 5000 anos de idade.
  • 57.
    57 Quarenta ânforasencontradas na parte interna de uma adega de um palácio israelense, contém resíduos de um dos mais antigos vinhos do mundo: Detalhes das ânforas encontradas. Fonte: scienze.fanpage.it Os arqueólogos, há muito tempo sabiam que se tivéssemos tido a oportunidade de provar o vinho como era feito antigamente, sentiríamos uma quantidade de aromas e especiarias que sem dúvida, o tornavam peculiar. Esses arqueólogos agora terão mais informaçõe s, devido ao que foi descoberto recentemente na adega de um palácio de uma cidade cananéia, em Israel setentrional, no sítio arqueológico de Tel Kabri: foi encontrada uma “reserva de garrafas” de 1.700 a.C! Arqueólogos israelenses e americanos foram os autores dessa descoberta, divulgada há alguns dias, em Baltimore, no encontro anual da . Sempre se soube que os vinhos da antiguidade era uma bebida da qual nos aproximaríamos com muita dificuldade: eram muitos os ingredientes colocados nele – um pouco por causas
  • 58.
    ligadas ao paladarda época, mas sobretudo porque alguns ingredientes tinham função bactericida. Mas é interessante lembrar que, para favorecer a conservação dos alimentos, a culinária dos nossos antepassados, muitas vezes, era rica de sal (sabemos, por exemplo, do molho que os romanos usavam na maioria dos seus pratos, o garum, que era obtido através da parte interna dos peixes e do peixe salgado), o que exigia que os pratos fossem acompanhados por uma bebida de sabor bem marcante. Foram encontrados restos de 40 ânforas, que foram conservadas na sala onde os antigos proprietários faziam as suas refeições ou festejavam juntos com seus hóspedes. Considerando a quantidade e a dimensão dos recipientes encontrados, feitos em terracotta (argila), na adega cabiam 3.000 garrafas de vinho, brancos e tintos. Infelizmente a maior parte desses recipientes estava quebrada por causa de um desabamento que, cerca de 3.600 anos atrás, sepultou esse tesouro alcoólico. De acordo com os estudiosos, é muito provável que tenha sido um terremoto, a causa desse desabamento. Apesar do líquido das ânforas ter desaparecido com o tempo, traços desse liquido se revelaram extremamente interessantes. Os pesquisadores tiveram que trabalhar muito rapidamente nos resíduos encontrados, antes que eles fossem contaminados pela exposição ocorrida, após séculos dormindo secretamente. Assim, a pesquisa que tinha como objetivo encontrar um dos vinhos mais antigos da história, foi apresentado com orgulho pelos arqueólogos da George Washington University e da University of Haifa, que trabalharam juntos nessa grande descoberta. As análises químicas dos resíduos que resistiram ao tempo, restituíram o “sabor” do líquido que continha nas ânforas, ou pelo menos deram uma ideia aproximada de como o vinho da Antiguidade era diferente do nosso vinho: menta, mel, canela, zimbro e resinas estavam entre os ingredientes principais e eram utilizados principalmente para evitar a deterioração desses vinhos. Uma “receita” que pra nós parece insólita, não era para os contemporâneos desses senhores que viveram nessa terra israelense de 3.700 anos atrás, e também não era para aqueles que vieram logo depois deles, mesmo após muitos séculos. Basta pensar ao vinho que os romanos bebiam, cujos vestígios foram encontrados no fundo de algumas ânforas, também analisadas quimicamente. Traços de um vinho que devia ser muito parecido com os traços dos vinhos dos romanos, foram encontrados em odres (recipientes feitos de pele de cabra), provenientes também, da Palestina, na tumba do Rei Escorpião I, soberano que governou o Egito e morreu em torno de 3.150 a.C.. O uso de especiarias, aromas e resinas, além de servir para melhorar a conservação dos vinhos, deve ser visto do ponto de vista medicinal, que era atribuído à bebida “descoberta” por Noé: era utilizado normalmente como medicamento, e continha ingredientes que ajudavam a potencializar seus efeitos benéficos no organismo. Em resumo, usado nas festas e rituais da antiguidade, como meio de união de estudantes para debate, misturado como libações a divindades, usado como remédio e para despertar a paixão, para conquista feminina, como sinal de status e poder, como reminiscência das histórias de amor do mundo mítico da antiguidade, como referência direta a pessoa do Messias, como moeda para compra de bens, produzido por vinhais exclusivos, e cuja qualidade dependia do clima, do terreno e dos cuidados. O vinho de qualidade era um produto precioso na antiguidade, presença continua nos banquetes reais e nas grandes solenidades cívicas e religiosas. Os nobres e soberanos possuíam acesso a uma qualidade especial de vinho, que na antiguidade era misturado com mel e preservado em ânforas de terracota, transportados em odres de peles de animais tratadas, que não sofriam deterioração com o tempo de uso, por isso Jesus afirma que não se guarda vinho novo em 58
  • 59.
    odres velhos, porquesenão se rompem os odres velhos e se desperdiçaria o vinho novo. A generosidade das famílias era relacionada a quantidade do vinho oferecido nas festas e a estima dos convidados relacionados à qualidade do vinho oferecido. O vinho novo era sempre o melhor, recém-colhido, recém fabricado. O melhor vinho de todos pertencia a adega real. O vinho percorre as Escrituras ligando a época dos pais – Noé, passando por Abraão, testemunhando os grandes eventos da história de Israel. Votos especiais eram feitos à Deus em busca de bênçãos com a abstinência de vinho, o chamado voto de nazireado. O mais fabuloso nazireu das Escrituras foi, divertidamente, um grande beberrão. Sansão. O vinho estava presente como testemunho da cura dos leprosos, derramado no chão, estava presente na morte dos sacrifícios pelo pecado, incluindo a grande oferta do dia da expiação. Quando a bezerra vermelha ou o cordeiro foi oferecido na hora nona, a segundo sacrifício da sexta-feira de páscoa, o vinho também era derramado. Jesus faz a sua última oração no Getsemani, um lagar de azeite. Mas que também poderia ser usado para esmagar uvas. Pouco antes Jesus levantava um cálice com vinho cheio de especiarias e dizia “este é o meu sangue, vertido por amor a vós” na última ceia. No mesmo Getsemani Jesus intercede tão intensamente que de seus poros brotam sangue. E suas roupas ficam salpicadas dele. É a cena profetizada em Isaias. Jesus é a “videira verdadeira”, ele se compara a uma vinha, e usa as comparações com vinicultura, manutenção das vides, para nos ensinar sobre frutificação. A videira é um símbolo então para Cristo, assim como o foi para Israel e assim como o será para a Igreja de Cristo. A igreja é videira, é vide, é vinha. O processo de crescimento e o trabalho com uma vinha é repleto de símiles com o crescimento espiritual da Igreja. Como um dos símbolos mais profundos do vinho é também o Espírito de Deus, e o vinho se identifica com o sangue que é símbolo de vida, temos uma bela representação da E os processos de cuidado com a Vinha, todos possuem paralelos com o crescimento espiritual. Tanto o individual como o do grupo, da congregação. E numa visão mais ampla, de todo a Igreja. E sendo mais abrangente a dimensão humana, sua história, suas conquistas e derrotas podem ser representadas pela videira. As pragas e as doenças refletem as questões que destroem a vinha. A doença é mais atroz, deixa marcas visíveis, se alastra com maior dificuldade em seu combate. Ministérios espirituais doentes são como casas assombradas. A parábola porém não se limita a Igreja. A sabedoria de Deus é extraordinária. E ilimitada. A aplicação dos paralelos se estendem a toda forma de relacionamento humano. Gerentes doentes pelo autoritarismo fruto do poder que sua organização lhes concede, políticos embriagados pelo poder usufruindo de bens que não lhe pertencem, astros que adoeceram em virtude da fama e por não terem raízes mais profundas na terra chamada vida, murcharam pela ausência de alimento espiritual para suas vidas. O Estado, vinha contaminada e doente se assenhorou do trabalho de muitos e em nome de preservar a si mesmo, matou a milhões. Políticos assenhorados pela praga da ganancia, não deram fruto, antes os comeram sozinhos. A religiosidade é uma vinha apodrecida, repleta de pragas e de doenças espirituais profundas, e hoje milhões são atraídos por filosofias inúteis, rituais vazios, ou mesmo práticas espirituais que os aprisionam a falsos profetas ou a espíritos malignos. Na Índia, procissões de pessoas se flagelam em nome de suas divindades, no Brasil milhões se escravizam a poderes que deles exigem oferendas, sacrifícios, rituais de feitiçaria e todo tipo de enfermidade espiritual. Famílias como videiras adoentadas, destruídas pela violência contra a mulher, contra os filhos, problemas de drogas, embriagues, brigas e dor. A videira da política absolutamente contaminada por interesses 59
  • 60.
    de grandes empreiteiras.A videira do ensino contaminada pelo orgulho de muitos profissionais que confiaram mais em seus méritos que na cooperação com seus alunos. Milhares de alunos são destratados nas faculdades pela praga do orgulho acadêmico. O mundo humano parece viver embriagado, políticos e banqueiros agem como se estivessem bêbados, sem considerar a dor de seus atos e os males às gerações futuras Mas de modo inigualável a vinha e o vinho nos traduz coisas espirituais. Realidades espirituais. Há um momento nas Escrituras que a escola de profetas se corrompe. Nas religiões da antiguidade era comum o uso de drogas alucinógenas para que alguns sacerdotes invocassem ou recebessem visões. Os profetas corrompidos usando de seus cargos como profissão, em dado momento na cidade de Jerusalém, embriagavam-se diariamente. Em Isaias capitulo 28 o Espírito concede um texto que lembra o andar de um bêbado, uma poesia que trata de profetas bêbados Também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham: Os sacerdotes e os profetas erram por causa de bebida forte, e são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se (se envolve com coisas erradas) por causa da bebida forte (mas o início, se começa com bebida fraca), andam errados na visão (deixaram a visão de Deus), e tropeçam no juízo. Todas as suas mesas estão cheias de vômitos e de imundícia, e não há nenhum lugar limpo. Isaias 28. 7 60
  • 61.
    61 A: Mastambém estes cambaleiam por causa do vinho, B: e com a bebida forte se desencaminham; C: até o sacerdote C: e o profeta B: erram por causa da bebida forte; A: são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo. Todas as suas mesas estão cheias de vômitos e de imundícia, e não há nenhum lugar limpo. Isaias 28. 7, 8 Eles erravam, significava que AINDA que estivessem recebendo algo da parte de Deus ou ainda exercessem o ofício profético e o sacerdotal, erravam por causa da bebida, o profeta não entendia o que estava vendo, de tão alucinado e o sacerdote não dizia coisa com coisa. As funções do sacerdote do Velho Testamento era a de ensinar as Escrituras, interceder, julgar causas em alguns momentos. Imagine um professor, um padre e um juiz bêbados e você terá ideia da tragédia. A visão é pior ainda, quando passavam mal de tanto beber e o efeito era devastador. Porque as vezes eles faziam isso em grupo, centenas e até milhares.
  • 62.
    Em dado momento,num estado ainda mais degradante os profetas desacreditados e já dependentes da bebida começavam a “trocar” profecias por bebida. O que as Escrituras denominam “bebida forte” eram vinhos e misturas com forte teor alcoólico. A “embriagues espiritual” significa para o teólogo a mistura de doutrinas espúrias e filosofias meramente humanas a interpretação das Escrituras. Para os que exercem ministérios proféticos, significa outra coisa muito mais grave. 62 Num sentido restrito o vinho é símbolo do espírito. E sabemos que há pelos menos quatro qualidades de seres espirituais distintos. Deus – O espírito de Deus Anjos – espíritos ministradores Homens – espírito humano Demônios. – espíritos imundos. Quatro tipos de bebidas. Quatro tipos de vinho. Quando uma igreja corrompe seus ministérios mistura o vinho do Espírito com o vinho de demônios. Significa que parte das garrafas na mesa da comunhão, uma parábola, é de bom vinho. Porém, outras estão envenenadas. Imagine um lugar onde profecias verdadeiras se misturam a falsas profecias. Onde o entendimento profundo das Escrituras se mistura a doutrinas malignas. Imagine um lugar em que há a unção, e em algum instante, uma falsificação humana. Uma mentira. Uma videira enferma simboliza uma igreja que possui doutrinas que a impedem de crescer, ou operações espirituais falsificadas. Em alguns casos o ministério de uma nação pode ser impactado com uma doutrina que contamine diversos ministérios, com alguma coisa espúria que impede o crescimento e o fortalecimento da verdadeira vinha. Cada vinha representa uma igreja ou determinado ministério. Cada vinha é única, nasce e cresce sobre certas condições. O que define a qualidade do vinho de uma vinha é o clima, o solo, os nutrientes, a umidade, as chuvas. Não há como existir uma única vinha com um tipo de vinho. Não existe uma doutrina, uma única revelação, um tipo de visão ou um grupo que se assenhore a vinha da terra. A igreja não possui dono que não seja CRISTO. Todos os pastores são trabalhadores e responsáveis pela sua vinha. Só dela. Assim como cada um de nós de sua videira particular, nossas vidas espirituais. A qualidade do vinho é dada pela pureza da água, pela nutrição adequada. Uma obra espiritual é marcada pelo grau de pureza e exatidão de seu evangelho, pela sinceridade e exatidão na interpretação e aplicação das realidades espirituais que fluem dos céus. A Igreja é um organismo cujo crescimento está ligado a uma outra dimensão. Ela é necessariamente sobrenatural e dependente do Espírito de Deus que a VIVIFICA. Plinio, o Velho ( História Natural XIV,22,2) ATRIBUI AOS VINHOS DO Líbano “um aroma de incenso”, informa-nos que estes eram oferecidos aos deuses. O vinho de Israel produzido pelas vinhas de Salomão eram tão apreciados que Hirão o rei de Tiro o exigia em seus acordos, ainda que Tiro na antiguidade fosse exportadora de vinho e de azeite. Nas ruínas de Tiro foram descobertas ânforas palestinas, contendo restos de vinho.
  • 63.
    63 Sidon exportavaseu vinho para o Egito na época do Império Persa. O vinho é revestido de profundo simbolismo nas Escrituras. Ele está presente na profissão de Noé, na cena de sua embriagues e nudez, é presente nas ofertas sacerdotais onde era derramado na terra junto com as libações, está atrelado a uma profecia que aponta para Cristo em Genesis. Gênesis 27:28 Ele amarrará seu jumento a uma videira; e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas; no sangue das uvas, as suas vestimentas. Era proibido aos sacerdotes entrarem embriagados na tenda da congregação. Haviam votos específicos de não bebe-lo, como o voto do nazireado do qual Sansão, que por sinal bebia muito, é um dos personagens mais conhecidos. Leremos em Jeremias a respeito de uma família que promete a seu patriarca jamais beber do fruto da videira e que quatro gerações depois os homens do clã ainda guardavam aquele preceito. O que gerou uma “enciumada” resposta profética. Deus usa o exemplo de uma única ordem emitida por um homem humilde, uma única vez, cumprida rigorosamente, à custa de certo sacrifício, por mais de quatro gerações! E suas centenas de ordens, dele, o Criador, Senhor, Todo-poderoso, Altíssimo, que foram repetidas milhares de vezes, anos seguidos, por meio de inúmeros ministérios, incluindo o profético, serem ignoradas desrespeitosamente. O sangue simbolizava alegria, vida e ao mesmo tempo o sangue. Era sinal de prosperidade, de festa e também alimento básico. Era usado para festejar o nascimento, para a oferta, para lamentar a morte. Presente do nascimento ao enterro, presentes em todas as festas judaicas, incluindo a páscoa. O bom nome era como o bom vinho. A angustia, a amargura, o fel, como o vinho estragado, como o vinagre. O vinho derramado como desperdício. O vinho novo indicava a prosperidade, a boa-colheita, sua venda era a base da economia de milhares de vinhateiros. Um casamento era medido em importância pela quantidade do vinho distribuído. Se o vinho não fosse o suficiente para que os convidados brindassem até o final da festa, simbolizava que o casamento estava sendo oferecido por uma família humilde. Se o vinho acabasse no meio da festa de casamento, que em Israel duraria por muitos dias, significava vergonha para os pais da noiva. Se terminasse no início, quase uma tragédia familiar. Nas bodas de Cana, após a água ser transformada em vinho, um dos convidados se espantará, não com a quantidade do mesmo. Mas com a qualidade, com sua excelência, porque de modo generoso e fabuloso quem os convidou para a festa guardou o melhor para o final e para os convidados! Não para si próprios. Sentia-se honrado pela generosidade do casal, sem saber que aquilo era generosidade do Espírito de Deus. Os sacrifícios e os holocaustos eram acompanhados pelo derramamento do vinho! Quando às três horas da tarde Jesus morrer no calvário, neste instante o segundo cordeiro do dia estava sendo morto. Num sacrifício único, o de Yom Kipur, o que representava toda a nação, que teria seu sangue derramado sobre a arca do concerto, se ela ainda existisse na época de Cristo. O Sumo sacerdote degolaria o cordeiro, ou o bezerro de cor avermelhada, e entraria no santo dos santos. Porém, antes derramaria um litro de vinho no chão.
  • 64.
    64 Jesus odenominara na instituição da ceia de “meu sangue”. 7,10 – “O céu da tua boca é como vinho bom” (wehikeké kéeyyn hatôv). O poema semelhante aos wasfs árabes, da Sulamita (7,3a) trata de um tipo de vinho chamado maseg. Ao citar a palavra “taça” (‘agan), indicará um ambiente refinado. É um vinho excelente. Um vinho que era usado pelos reis. Um vinho da adega real, usado em ocasiões especiais. No Livro de Ester o rei Assuero prepara uma festa de longa duração e quando o vinho está acabando, solicita aos seus oficiais que abram e distribuam a vontade o vinho especial, da maior adaga da história que poderia sustentar por anos o consumo de vinho dos palácios persas. Em Apocalipse oito vezes a figura do vinho será invocado. Denominado do “vinho da ira”. O vinho é inebriante e potencializa emoções. Ele “altera” os sentidos e se uma pessoa for dominada pela raiva enquanto estiver alcoolizada perde a capacidade de raciocinar. Milhares de lares brasileiros provaram do “vinho da ira” que é a tragédia causada por maridos bêbados que batem em seus filhos, filhas e esposas. Muitas foram mortas pelos seus esposos embriagados que só deram conta do que fizeram após siar do estado de embriaguez. Em Apocalipse é utilizada a sua figura no juízo, onde a repreensão e o juízo, agem sem repressão, sem interferência, sem poderem ser contidos. Em Cantares veremos toda essa multiformidade do vinho. Basicamente os dois vão passar grande parte de Cantares, embriagados . Ela chora ruidosamente quando ele não chega, ele tece um milhão de elogios à amada, os guardas bêbados a espancam, ele bebe pra ter coragem pra dar-lhe um beijão, ela bebe pra ter coragem pra roubar o grupo de cabritos e ir em direção a um grupo de desconhecidos, ele está meio embriagado na festa em que a moça irá dançar e depois eles que eles se casam há uma festança, regada, logicamente, a vinho da melhor qualidade. E dependendo do contexto o vinho adotará uma das muitas figuras que o referenciam na linguagem das Escrituras. Vida, Ira, Alegria, Amor, sangue derramado, comunhão. Incluindo o Espírito de Deus: E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei -vos do Espírito, Paulo ordena que se alguém tiver que ficar bêbado, que fique embriagado do Espírito de Deus. Vinho “E o vinho que alegra o coração do homem, e faz reluzir o seu rosto como o azeite, e o pão que fortalece o seu coração” (Sl 104.15). Este texto une o símbolo do Vinho ao do Azeite. O vinho nos fala de uma das características da presença do Espírito de Deus em nós. A ALEGRIA. Vinhal ou Vinha em Israel
  • 65.
    65 Mapa dosvinhas atuais em Israel
  • 66.
    66 https://maps.google.com/maps/ms?msa=0&msid=214578225427714183971.00 04a2592f15a10f6bd85 Vinho (7 times in 7 verses - Song 1:2; 1:4; 4:10; 5:1; 7:2; 7:9; 8:2) O vinho é parecido com o ser humano ser for de baixa qualidade, quando envelhece vira vinagre, de boa qualidade, ao envelhecer, enobrece. Ê condição básica, que as variedades destinadas ao preparo do suco de uva possuam a particularidade de conservar os seus cachos por longo tempo na planta, sem sofrerem estragos ou apodrecimento, a fim de que atinjam sua perfeita maturação e adquiram todas as características necessárias à obtenção de um produto de alta qualidade.
  • 67.
    67 Preludio apartir do livro O Homem Ludico de Johan Huizinga Existe uma terceira função, que se verifica tanto na vida humana como na animal, e é tão importante como o raciocínio e o fabrico de objetos: o jogo. Creio que, depois de Homo faber e talvez ao mesmo nível de Homo sapiens, a expressão Homo ludens merece um lugar em nossa nomenclatura. A antropologia e as ciências a ela ligadas têm, até hoje, prestado muito pouca atenção ao conceito de jogo e à importância fundamental do fator lúdico para a civilização. O jogo é fato mais antigo que a cultura, pois esta, mesmo em suas definições menos rigorosas, pressupõe sempre a sociedade humana; mas, os animais não esperaram que os homens os iniciassem na atividade lúdica. É-nos possível afirmar com segurança que a civilização humana não acrescentou característica essencial alguma à ideia geral de jogo. Os animais brincam tal como os homens. Bastará que observemos os cachorrinhos para constatar que, em suas alegres evoluções, encontram-se presentes todos os elementos essenciais do jogo humano. Convidam-se uns aos outros para brincar mediante um certo ritual de atitudes e gestos. Respeitam a regra que os proíbe morderem, ou pelo menos com violência, a orelha do próximo. Fingem ficar zangados e, o que é mais importante, eles, em tudo isto, experimentam evidentemente imenso prazer e divertimento. Essas brincadeiras dos cachorrinhos constituem apenas uma das formas mais simples de jogo entre os animais. Existem outras formas muito mais complexas, verdadeiras competições, belas representações destinadas a um público Desde já encontramos aqui um aspecto muito importante: mesmo em suas formas mais simples, ao nível animal, o jogo é mais do que um fenômeno fisiológico ou um reflexo psicológico. Ultrapassa os limites da atividade puramente física ou biológica. É uma função significante , isto é, encerra um determinado sentido. No jogo existe alguma coisa "em jogo" que transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido à ação. Todo jogo significa alguma coisa. Não se explica nada chamando "instinto" ao princípio at ivo que constitui a essência do jogo; chamar-lhe "espírito" ou "vontade" seria dizer demasiado. Seja qual for a maneira como o considerem, o simples fato de o jogo encerrar um sentido implica a presença de um elemento não material em sua própria essência. Por que razão o bebê grita de prazer? Por que motivo o jogador se deixa absorver inteiramente por sua paixão? Por que uma multidão imensa pode ser levada até ao delírio por um jogo de futebol? A intensidade do jogo e seu poder de fascinação não podem ser explicados por análises biológicas. E, contudo, é nessa intensidade, nessa fascinação, nessa capacidade de excitar que reside a própria essência e a característica primordial do jogo. O mais
  • 68.
    simples raciocínio nosindica que a natureza poderia igualmente ter oferecido a suas criaturas todas essas úteis funções de descarga de energia excessiva, de distensão após um esforço, de preparação para as exigências da vida, de compensação de desejos insatisfeitos etc., sob a forma de exercícios e reações puramente mecânicos. Mas não, ela nos deu a tensão, a alegria e o divertimento do jogo. Como a realidade do jogo ultrapassa a esfera da vida humana, é impossível que tenha seu fundamento em qualquer elemento racional, pois nesse caso, limitar-se-ia à humanidade. A existência do jogo não está ligada a qualquer grau determinado de civilização, ou a qualquer concepção do universo. Todo ser pensante é capaz de entender à primeira vista que o jogo possui uma realidade autônoma, mesmo que sua língua não possua um termo geral capaz de defini-lo. A existência do jogo é inegável. É possível negar, se se quiser, quase todas as abstrações: a justiça, a beleza, a verdade, o bem, Deus. É possível negar-se a seriedade, mas não o jogo. A própria existência do jogo é uma confirmação permanente da natureza supralógica da situação humana. Se os animais são capazes de brincar, é porque são alguma coisa mais do que simples seres mecânicos. Se brincamos e jogamos, e temos consciência disso, é porque somos mais do que simples seres racionais, pois o jogo é irracional. Só se toma possível, pensável e compreensível quando a presença do espírito destrói o determinismo absoluto do cosmos Se verificarmos que o jogo se baseia na manipulação de certas imagens, numa certa "imaginação" da realidade (ou seja, a transformação desta em imagens), nossa preocupação fundamental será, então, captar o valor e o significado dessas imagens e dessa "imaginação". Observaremos a ação destas no próprio jogo, procurando assim compreendê-lo como fator cultural da vida As grandes atividades arquetípicas da sociedade humana são, desde início, inteiramente marcadas pelo ludico. Como por exemplo, no caso da linguagem, esse primeiro e supremo instrumento que o homem forjou a fim de poder comunicar, ensinar e comandar. É a linguagem que lhe permite distinguir as coisas, defini -las e constatá-las, em resumo, designá-las e com essa designação elevá-las ao domínio do espírito. Na criação da fala e da linguagem, brincando com essa maravilhosa faculdade de designar, é como se o espírito estivesse constantemente saltando entre a matéria e as coisas pensadas. Por detrás de toda expressão abstrata se oculta uma metáfora, e toda metáfora é jogo de palavras. Assim, ao dar expressão à vida, o homem cria um outro mundo, um mundo poético, ao lado do da natureza. Em todas as caprichosas invenções da mitologia, há um espírito fantasista que joga no extremo limite entre a brincadeira e a seriedade. Se, finalmente, observarmos o fenômeno do culto, verificaremos que as sociedades celebram seus ritos sagrados, seus sacrifícios, consagrações e mistérios, destinados a assegurarem a tranquilidade do mundo, dentro de um espírito de puro lúdico, tomando-se aqui o verdadeiro sentido da palavra. Ora, é no mito e no culto que têm origem as grandes forças instintivas da vida civilizada: o direito e a ordem, o comércio e o lucro, a indústria e a arte, a poesia, a sabedoria e a ciência. Todas elas têm suas raízes no solo primevo do lúdico. O jogo não é compreendido pela antítese entre sabedoria e loucura, ou pelas que opõem a verdade e a falsidade, ou o bem e o mal. Embora seja uma atividade não material, não desempenha uma função moral, sendo impossível aplicar-lhe as noções de vício e virtude. Antes de mais nada, o jogo é uma atividade voluntária. Sujeito a ordens, deixa de ser jogo, podendo no máximo ser uma imitação forçada. Basta esta característica de liberdade para afastá-lo definitivamente do curso da evolução natural. Chegamos, assim, à primeira das características fundamentais do jogo: o fato de ser livre, de ser ele próprio liberdade. Uma segunda característica, intimamente ligada à primeira, é que o jogo não é vida "corrente" nem vida "real". Pelo contrário, trata-se de uma evasão da vida "real" para uma esfera temporária de atividade com orientação própria. Toda criança 68
  • 69.
    sabe perfeitamente quandoestá "só fazendo de conta" ou quando está "só brincando". É possível ao jogo alcançar extremos de beleza e de perfeição que ultrapassam em muito a seriedade. É pelo menos assim que, em primeira instância, o ele se nos apresenta: como um intervalo em nossa vida quotidiana. Todavia, em sua qualidade de distensão regularmente verificada, ele se torna um acompanhamento, um complemento e, em última análise, uma parte integrante da vida em geral. Ornamenta a vida, ampliando-a, e nessa medida toma-se uma necessidade tanto para o indivíduo, como função vital, quanto para a sociedade, devido ao sentido que encerra, à sua significação, a seu valor expressivo, a suas associações espirituais e sociais, em resumo, como função cultural. O jogo distingue-se da vida "comum" tanto pelo lugar quanto pela duração que ocupa. É esta a terceira de suas características principais: o isolamento, a limitação. É "jogado até ao fim" dentro de certos limites de tempo e de espaço. Possui um caminho e um sentido próprios. É transmitido, toma-se tradição. Pode ser repetido a qualquer momento, quer seja "jogo infantil" ou jogo de xadrez, ou em períodos determinados, como um mistério. Uma de suas qualidades fundamentais reside nesta capacidade de repetição, que não se aplica apenas ao jogo em geral, mas também à sua estrutura interna. Em quase todas as formas mais elevadas de jogo, os elementos de repetição e de alternância (como no refrain) constituem como que o fio e a tessitura do objeto. A limitação no espaço é ainda mais flagrante do que a limitação no tempo. Todo jogo se processa e existe no interior de um campo previamente delimitado, de maneira material ou imaginária, deliberada ou espontânea. Tal como não há diferença formal entre o jogo e o culto, do mesmo modo o "lugar sagrado" não pode ser formalmente distinguido do terreno de jogo. A arena, a mesa de jogo, o círculo mágico, o templo, o palco, a tela, o campo de tênis, o tribunal etc., têm todos a forma e a função de terrenos que o jogo igualmente representa, isto é, lugares proibidos, isolados, fechados, sagrados, em cujo interior se respeitam determinadas regras. Todos eles são mundos temporários dentro do mundo habitual, dedicados à prática de uma atividade especial. 69
  • 70.
    Reina dentro dodomínio do jogo uma ordem específica e absoluta. E aqui chegamos a sua outra característica, mais positiva ainda: ele cria ordem e é ordem. Introduz na confusão da vida e na imperfeição do mundo uma perfeição temporária e limitada, exige uma ordem suprema e absoluta: a menor desobediência a esta "estraga o jogo", privando-o de seu caráter próprio e de todo e qualquer valor. É, talvez, devido a esta afinidade profunda entre a ordem e o jogo que este, como assinalamos de passagem, parece estar em tão larga medida ligado ao domínio da estética. Há nele uma tendência para ser belo. Talvez este fator estético seja idêntico aquele impulso de criar formas ordenadas que penetra o jogo em todos os seus aspectos. As palavras que empregamos para designar seus elementos pertencem quase todas à estética. São as mesmas palavras com as quais procuramos descrever os efeitos da beleza: tensão, equilíbrio, compensação, contraste, variação, solução, união e desunião. 70
  • 71.
    O jogo lançasobre nós um feitiço: é "fascinante", "cativante". Está cheio das duas qualidades mais nobres que somos capazes de ver nas coisas: o ritmo e a harmonia. O elemento de tensão, a que acabamos de nos referir, desempenha no jogo um papel especialmente importante. 71
  • 72.
    Tensão significa incerteza,acaso. Há um esforço para levar o jogo até ao desenlace, o jogador quer que alguma coisa "vá" ou "saia", pretende "ganhar" à custa de seu próprio esforço. Uma criança estendendo a mão para um brinquedo, um gatinho brincando com um novelo, uma garotinha jogando bola, todos eles procuram conseguir alguma coisa difícil, ganhar, acabar com uma tensão. 72
  • 73.
    O jogo é"tenso", como se costuma dizer. É este elemento de tensão e solução que domina em todos os jogos solitários de destreza e aplicação, como os quebra-cabeças, as charadas, os jogos de armar, as paciências, o tiro ao alvo, e quanto mais estiver presente o elemento competitivo mais apaixonante se torna o jogo. Esta tensão chega ao extremo nos jogos de azar e nas competições esportivas. Embora o jogo enquanto tal esteja para além do domínio do bem e do mal, o elemento de tensão lhe confere um certo valor ético, na medida em que são postas à prova as qualidades do jogador: sua força e tenacidade, sua habilidade e coragem e, igualmente, suas capacidades espirituais, sua "lealdade". Porque, apesar de seu ardente desejo de ganhar, deve sempre obedecer às regras do jogo. Por sua vez, estas regras são um fator muito importante para o conceito de jogo. Todo jogo tem suas regras. São estas que determinam aquilo que "vale" dentro do mundo temporário por ele circunscrito. As regras de todos os jogos são absolutas e não permitem discussão. Uma vez, de passagem, Paul Valéry exprimiu uma ideia das mais importantes: "No que diz respeito às regras de um jogo, nenhum ceticismo é possível, pois o princípio no qual elas assentam é uma verdade apresentada como inabalável". E não há dúvida de que a desobediência às regras implica a derrocada do mundo do jogo. O jogo acaba: O apito do árbitro quebra o feitiço e a vida "real" recomeça. O jogador que desrespeita ou ignora as regras é um "desmancha-prazeres". Este, porém, difere do jogador desonesto, do batoteiro, já que o último finge jogar seriamente o jogo e aparenta reconhecer o círculo mágico. É curioso notar como os jogadores são muito mais indulgentes para com o batoteiro do que com o desmancha-prazeres; o que se deve ao fato de este último abalar o próprio mundo do jogo. Retirando-se do jogo, denuncia o caráter relativo e frágil desse mundo no qual, temporariamente, se havia encerrado com os outros. Priva o jogo da ilusão — palavra cheia de sentido que significa literalmente "em jogo" (de inlusio, illudere ou inludere). Torna-se, portanto, necessário expulsá-lo, pois ele ameaça a existência da comunidade dos jogadores. A figura do desmancha-prazeres desenha-se com mais nitidez nos jogos infantis. A pequena comunidade não procura averiguar se o desmancha-prazeres abandona o jogo por 73
  • 74.
    incapacidade ou porimposição alheia, ou melhor, não reconhece sua incapacidade e acusa - o de falta de audácia. Para ela, o problema da obediência e da consciência é reduzido ao do medo ao castigo. O desmancha-prazeres destrói o mundo mágico, portanto, é um covarde e precisa ser expulso. Mesmo no universo da seriedade, os hipócritas e os batoteiros sempre tiveram mais sorte do que os desmancha-prazeres: os apóstatas, os hereges, os reformadores, os profetas e os objetores de consciência. Todavia, frequentemente acontece que, por sua vez, os desmancha-prazeres fundam uma nova comunidade, dotada de regras próprias. Os fora da lei, os revolucionários, os membros das sociedades secretas, os hereges de todos os tipos têm tendências fortemente associativas, se não sociáveis, e todas as suas ações são marcadas por um certo elemento lúdico. O caráter especial e excepcional do jogo é ilustrado de maneira flagrante pelo ar de mistério em que frequentemente se envolve. Desde a mais tenra infância, o encanto do jogo é reforçado por se fazer dele um segredo. Representar significa mostrar, e isto pode consistir simplesmente na exibição, perante um público, de uma característica natural. 74
  • 75.
    O pavão eo peru limitam-se a mostrar às fêmeas o esplendor de sua plumagem, mas aqui o aspecto essencial é a exibição de um fenômeno invulgar destinado a provocar admiração. Se a ave acompanha essa exibição com alguns passos de dança passamos a ter um espetáculo, uma passagem da realidade vulgar para um plano mais elevado. Nada sabemos daquilo que o animal sente durante esses atos, mas sabemos que as exibições das crianças mostram, desde a mais tenra infância, um alto grau de imaginação. A criança representa alguma coisa diferente, ou mais bela, ou mais nobre, ou mais perigosa do que habitualmente é. Finge ser um príncipe, um papai, uma bruxa malvada ou um tigre. A criança fica literalmente "transportada" de prazer, superando-se a si mesma a tal ponto 75
  • 76.
    que quase chegaa acreditar que realmente é esta ou aquela coisa, sem contudo perder inteiramente o sentido da "realidade habitual". Mais do que uma realidade falsa, sua representação é a realização de uma aparência: é "imaginação", no sentido original do termo. Se passarmos agora das brincadeiras infantis para as representações sagradas das civilizações primitivas, veremos que nestas se encontra "em jogo" um elemento espiritual diferente, que é muito difícil de definir. A representação sagrada é mais do que a simples realização de uma aparência é até mais do que uma realização simbólica: é uma realização mística. Algo de invisível e inefável adquire nela uma forma bela, real e sagrada. Os participantes do ritual estão certos de que o ato concretiza e efetua uma certa beatificação, faz surgir uma ordem de coisas mais elevada do que aquela em que habitualmente vivem. Mas tudo isto não impede que essa "realização pela representação" conserve, sob todos os aspectos, as características formais do jogo. É executada no interior de um espaço circunscrito sob a forma de festa, isto é, dentro de um espírito de alegria e liberdade. Em sua intenção é delimitado um universo próprio de valor temporário. Mas seus efeitos não cessam depois de acabado o jogo; seu esplendor continua sendo projetado sobre o mundo de todos os dias, influência benéfica que garante a segurança, a ordem e a prosperidade de todo o grupo até à próxima época dos rituais sagrados. 76
  • 77.
    Segundo uma velhacrença chinesa, a música e a dança têm a finalidade de manter o mundo em seu devido curso e obrigar a natureza a proteger o homem. A prosperidade de cada ano depende da fiel execução de competições sagradas na época das festas. Caso essas reuniões não se realizem, as colheitas não poderão amadurecer. O ritual é um dromenon, isto é, uma coisa que é feita, uma ação. A matéria desta ação é um drama, isto é, uma vez mais, um ato, uma ação representada num palco. Esta ação pode revestir a forma de um espetáculo ou de uma competição. O rito, ou "ato ritual", representa um acontecimento cósmico, um evento dentro do processo natural. Contudo, a palavra "representa" não exprime o sentido exato da ação, pelo menos na conotação mais vaga que atualmente predomina; porque aqui "representação" é realmente identificação, a repetição mística ou a representação do acontecimento. O ritual produz um efeito que, mais do que figurativamente mostrado, é realmente reproduzido na ação. Portanto, a função do rito está longe de ser simplesmente imitativa, leva a uma verdadeira participação no próprio ato sagrado7. É um fator helping the action out8. A psicologia poderá tentar arrumar a questão definindo o ritual como identificação compensadora, uma espécie de substituto, "um ato representativo devido à impossibilidade de levar a cabo uma ação real e intencional"9. O que é importante para a ciência da cultura é procurar compreender o significado dessas figurações no espírito dos povos que as praticam e nelas crêem. Tocamos aqui no próprio âmago da religião comparada: a natureza e a essência do ritual e do mistério. Todos os antigos sacrifícios rituais dos Vedas baseiam-se na ideia de que a cerimônia — seja ela sacrifício, competição ou representação, — representando um certo acontecimento cósmico que se deseja, obriga os deuses a provocar sua realização efetiva. Há, portanto, um jogo, no sentido pleno do termo. Deixaremos agora de lado os aspectos especificamente religiosos, concentrando-nos na análise dos elementos lúdicos nos rituais primitivos. O culto é, portanto, um espetáculo, uma representação dramática, uma figuração imaginária de uma realidade desejada. Na época das grandes festas, o grupo social celebra os acontecimentos principais da vida da natureza levando a efeito representações sagradas, que representam a mudança das estações, o surgimento e o declínio dos astros, o crescimento e o amadurecimento das colheitas, a vida e a morte dos homens e dos animais. Como escreve Leo Frobenius, a humanidade "joga", representa a ordem da natureza tal como ela está impressa em sua consciência10. Num passado remoto, segundo Frobenius, os homens começaram por tomar consciência dos fenômenos do mundo vegetal e animal só depois, adquirindo as ideias de tempo e espaço, dos meses e das estações, do percurso do sol e da lua. Passaram depois a representar esta grande ordem da existência em cerimônias sagradas, nas quais e através das quais realizavam de novo, ou "recriavam", os acontecimentos representados, contribuindo assim para a preservação da ordem cósmica. E há mais. As formas desse jogo litúrgico deram origem à ordem da própria comunidade, às instituições políticas primitivas. O rei é o sol, e seu reinado é a imagem do curso do sol. Durante toda sua vida o rei desempenha o papel do sol, e no final sofre o mesmo destino que o sol: deve ser morto, de forma ritual, por seu próprio povo. A concepção deste processo espiritual defendida por Frobenius é mais ou menos a seguinte: a experiência, ainda inexpressa da natureza e da vida, manifesta -se no homem primitivo sob a forma de "arrebatamento"13. "A capacidade criadora, tanto nos povos quanto nas crianças ou em qualquer indivíduo criador, deriva desse estado de arrebatamento. "Os homens são arrebatados pela revelação do destino". "A realidade do ritmo natural da gênese e da extinção arrebata sua consciência e este fato leva -o a representar sua emoção em um ato, inevitável e como que reflexo"14. Assim, segundo ele, trata-se aqui de um processo espiritual de transformação que é absolutamente necessário. A emoção, o arrebatamento perante os fenômenos da vida e da natureza é condensado pela ação reflexa e elevado à expressão poética e à arte. É esta a maneira mais aproximada para 77
  • 78.
    dar conta doprocesso de imaginação criadora, mas está longe de poder ser considerada uma verdadeira explicação. Continua tão obscuro como antes o caminho que leva da percepção estética ou mística, ou pelo menos metalógica, da ordem cósmica até aos rituais sagrados. Diríamos, então, que, na sociedade primitiva, verifica-se a presença do jogo, tal como nas crianças e nos animais, e que, desde a origem, nele se verificam todas as características lúdicas: ordem, tensão, movimento, mudança, solenidade, ritmo, entusiasmo. Só em fase mais tardia da sociedade o jogo se encontra associado à expressão de alguma coisa, nomeadamente aquilo a que podemos chamar "vida" ou "natureza". O que era jogo desprovido de expressão verbal adquire agora uma forma poética. Na forma e na função do jogo, que em si mesmo é uma entidade independente desprovida de sentido e de racionalidade, a consciência que o homem tem de estar integrado numa ordem cósmica encontra sua expressão primeira, mais alta e mais sagrada. Pouco a pouco, o jogo vai adquirindo a significação de ato sagrado. O culto vem-se juntar ao jogo; foi este, contudo, o fato inicial. Encontramo-nos aqui em regiões difíceis de penetrar, tanto pela psicologia quanto pela filosofia. São questões que tocam no que há de mais profundo em nossa consciência. O culto é a forma mais alta e mais sagrada da seriedade. Como pode ele, apesar disso, ser jogo? Começamos por dizer que todo jogo, tanto das crianças como dos adultos, pode efetuar-se dentro do mais completo espírito de seriedade. Mas irá isto a ponto de implicar que o jogo continua sempre ligado à emoção sagrada do ato sacramentai? Quanto a isto, nossas conclusões são de certa maneira obstruídas pela rigidez de nossas ideias habituais. Estamos habituados a considerar o jogo e a seriedade como constituindo uma antítese absoluta. Contudo, parece que isto não permite chegar ao nó do problema. Prestemos um momento de atenção aos seguintes aspectos. A criança joga e brinca dentro da mais perfeita seriedade, que a justo título podemos considerar sagrada. Mas sabe perfeitamente que o que está fazendo é um jogo. Também o esportista joga com o mais fervoroso entusiasmo, ao mesmo tempo que sabe estar jogando. O mesmo verificamos no ator, que, quando está no palco, deixa-se absorver inteiramente pelo "jogo" da representação teatral, ao mesmo tempo que tem consciência da natureza desta. O mesmo é válido para o violinista, que se eleva a um mundo superior ao de todos os dias, sem perder a consciência do caráter lúdico de sua atividade. Portanto, a qualidade lúdica pode ser própria das ações mais elevadas. Mas permitirá isto que prolonguemos a série de maneira a incluir o culto, afirmando ser também meramente lúdica a atividade do sacerdote que executa os rituais do sacrifício? À primeira vista isto parece absurdo, pois, aceitá-lo para uma religião nos obrigaria a aceitá-lo para todas. Assim, nossas ideias de culto, magia, liturgia, sacramento e mistério seriam todas abrangidas pelo conceito do LUDICO. Ora, quando lidamos com abstrações devemos sempre evitar o exagero de sua importância, e estender demasiado o conceito de jogo não levaria a mais do que a um mero jogo de palavras. Mas, levando em conta todos os aspectos do problema, não creio que seja um erro definirmos o ritual em termos lúdicos. O ato de culto possui todas as características formais e essenciais do jogo, que anteriormente enumeramos, sobretudo na medida em que transfere os participantes para um mundo diferente. Esta identidade do ritual e do jogo era reconhecida sem reservas por Platão, que não hesitava em incluir o sagrado na categoria de jogo. A identificação platônica entre o jogo e o sagrado não desqualifica este último, reduzindo-o ao jogo, mas, pelo contrário, equivale a exaltar o primeiro, elevando-o às mais altas regiões do espírito. As Escrituras não DESQUALIFICAM a palavra jogo, mas em vista da sua conotação negativa e moderna associação do termo aos jogos de azar, principalmente nos meios religiosos, essa apostila usa a palavra “jogo” como 78
  • 79.
    sinônimo de LÚDICO,abordando toda sua essência, não limitando de modo algum o seus conceito ao caráter competitivo ou de apostas. Adotando este ponto de vista, podemos agora definir de maneira mais rigorosa as relações entre o ritual e o jogo. A extrema semelhança das duas formas não nos deixa mais perplexos, e nossa atenção continua presa ao problema de saber até que ponto todos os atos de culto são abrangidos pela categoria do jogo. Verificamos que uma das características mais importantes do jogo é sua separação espacial em relação à vida quotidiana. É-lhe reservado, quer material ou idealmente, um espaço fechado, isolado do ambiente quotidiano, e é dentro desse espaço que o jogo se processa e que suas regras têm validade. Ora, a delimitação de um lugar sagrado é também a característica primordial de todo ato de culto. Esta exigência de isolamento para o ritual, incluindo a magia e a vida jurídica, tem um alcance superior ao meramente espacial e temporal. Quase todos os rituais de consagração e iniciação implicam um certo isolamento artificial tanto dos ministros como dos neófitos. Sempre que se trata de proferir um voto, de ser recebido numa Ordem ou numa confraria, de fazer um juramento ou de entrar para uma sociedade secreta, de uma maneira ou de outra há sempre essa delimitação de um lugar do jogo. O mágico, o áugure e o sacrificador começam sempre por circunscrever seu espaço sagrado. O sacramento e o mistério implicam sempre um lugar santificado. A extrema semelhança que se verifica entre os rituais dos sacrifícios de todo o mundo mostra que esses costumes devem ter suas raízes em alguma característica fundamental e essencial do espírito humano. É costume reduzir esta analogia geral das formas de cultura a qualquer causa "racional" ou "lógica", explicando a necessidade de isolamento e separação pela ânsia de proteger os indivíduos consagrados de influências maléficas, pois eles, em seu estado de consagração, são particularmente vulneráveis às práticas dos espíritos malignos, além de constituírem eles mesmos um perigo para os que os rodeiam. O sábio húngaro Karl Kerényi publicou um estudo sobre a natureza da festa cuja ligação com nosso tema é das mais estreitas19. Segundo Kerényi, também as festas possuem aquele caráter de independência primeira e absoluta que atribuímos ao jogo. "Entre as realidades psíquicas", diz ele, "a festa é uma entidade autônoma, impossível de se assimilar a qualquer outra coisa que exista no mundo20. Tal como nós em relação ao conceito de jogo, também Kerényi considera que a festa foi tratada de maneira insuficiente pelos estudiosos da cultura. "O fenômeno da festa parece ter sido inteiramente ignorado pelos etnólogos21." O fato real da festa é ignorado, "como se não existisse para a ciência22". Exatamente da mesma maneira que o jogo, poderíamos nós acrescentar. Em resumo, a festa e o jogo têm em comuns suas características principais. O modo mais intimo de união de ambos parece poder encontrar-se na dança. Segundo Kerényi, os índios Cora, da costa oriental do México, chamam a suas festas religiosas realizadas por ocasião da trituração e da torrefação do milho o "jogo" de seu deus supremo23. Dos estranhos e bárbaros rituais dos indígenas da África, da América e da Austrália o olhar passa naturalmente para os sacrifícios rituais dos Vedas, os quais contêm já, nos hinos do Rig-Veda, toda a sabedoria dos Upanishads, para as profundamente místicas homologias entre deus, homem e animal na religião dos egípcios, para os mistérios de Orfeu ou de Elêusis. Tanto quanto à forma como quanto à prática, todos estes estão intimamente ligados às chamadas religiões primitivas, mesmo quanto aos pormenores mais cruéis e bizarros. Mas o elevado grau de sabedoria e de verdade que neles vemos, ou julgamos ver, nos impede de a eles nos referirmos com aquele ar de superioridade que, afinal de contas, era igualmente despropositado no caso das culturas '"primitivas". É preciso determinar se esta semelhança formal nos autoriza a aplicar a noção de jogo à consciência do sagrado, à 79
  • 80.
    crença que essasformas superiores contêm. Se aceitarmos a definição platônica do jogo, nada haverá de incorreto ou irreverente em que o façamos. Segundo a concepção de Platão, a religião é essencialmente constituída pelos jogos dedicados à divindade, os quais são para os homens a mais elevada atividade possível. Seguir esta concepção não implica de maneira alguma que se abandone o mistério sagrado, ou que se deixe de considerar este a mais alta expressão possível daquilo que escapa às regras da lógica. Os atos de culto, pelo menos sob uma parte importante de seus aspectos, serão sempre abrangidos pela categoria de jogo, mas esta aparente subordinação em nada implica o não reconhecimento de seu caráter sagrado. O hebreu sahaq também associa o riso e o jogo. Em aramaico la'ab significa rir e troçar. Além disso, em árabe e em sírio a mesma raiz significa "babar-se" (talvez devido ao hábito que têm as crianças de formar bolas com a saliva, o que pode muito bem ser interpretado como um jogo Por último, é curioso notar que em árabe la'iba serve para indicar o "jogo" de um instrumento musical, tal como em algumas línguas européias modernas. o latim cobre todo o terreno do jogo com uma única palavra: ludus, de ludere, de onde deriva diretamente lusus. Convém salientar que jocus, jocari, no sentido especial de fazer humor, de dizer piadas, não significa exatamente jogo em latim clássico. Embora ludere possa ser usado para designar os saltos dos peixes, o esvoaçar dos pássaros e o borbulhar das águas, sua etimologia não parece residir na esfera do movimento rápido, e sim na da não-seriedade, e particularmente na da "ilusão" e da "simulação". Ludus abrange os jogos infantis, a recreação, as competições, as representações litúrgicas e teatrais e os jogos de azar. Na expressão lares ludentes, significa "dançar". Parece estar no primeiro plano a ideia de "simular" ou de "tomar o aspecto de". Os compostos alludo, colludo, illudo apontam todos na direção do irreal, do ilusório. Esta base semântica está oculta em ludi, no sentido dos grandes jogos públicos que desempenhavam um papel tão importante na vida romana, ou então no sentido de "escolas". No primeiro caso o ponto de partida semântico é a competição; no segundo, é provavelmente a "prática". Ê interessante notar que ludus, como termo equivalente a jogo em geral, não apenas deixa de aparecer nas línguas românicas mas igualmente, tanto quanto sei, quase não deixou nelas qualquer vestígio. Em todas essas línguas, desde muito cedo, ludus foi suplantado por um derivado de jocus, cujo sentido específico (gracejar, troçar) foi ampliado para o de jogo em geral. É o caso do francês jeu, jouer, do italiano gioco, giocare, do espanhol juego, jugar, do português jogo, jogar, e do mesmo joc, juca8. Deixamos aqui de lado o problema de saber se o desaparecimento de ludus e ludere se deve a causas fonéticas ou semânticas. a tradução de Marcos X, 34, χαι εμπαιξονονσιν αΰτώ ("e eles troçarão dele") pelas palavras jah bilaikand ina faz parecer mais ou menos certo que o gótico exprimia a ideia do jogo com o mesmo laikan que está na origem da palavra que designa o jogo nas línguas escandinavas, e também aparece, no mesmo sentido, no inglês antigo e no alto e baixo alemão. Nos textos góticos, laikan só aparece no sentido de "saltar". Conforme já vimos, o movimento rápido deve ser considerado o ponto de partida concreto de muitos dos vocábulos que designam o jogo Nenhum exemplo da identidade essencial entre o jogo e o combate nas culturas primitivas pode ser mais decisivo do que aquele que aparece no Antigo Testamento. No Segundo Livro de Samuel (II, 14), Abner diz a Joab: "Que agora os jovens se ergam e joguem perante nós. (Reg. II, 2 -14: Surgant pueri et ludant coram nobis.) E vieram doze de cada lado, e agarrou cada um deles seu companheiro pela cabeça, e cada um deles enterrou sua espada no flanco de seu companheiro, de modo que caíam juntos. E o lugar onde caíram se chamou desde então o Campo dos Fortes." 80
  • 81.
    A tradução ludanté impecável: "que joguem". O texto hebreu emprega aqui uma forma do verbo sahaq, que significa fundamentalmente "rir", assim como "fazer algo jocosamente", e também "dançar". Evidentemente é impossível que aqui se trate de liberdade poética; o fato é que é possível um jogo ser mortal sem por isso deixar de ser um jogo, o que constitui mais uma razão para não se estabelecer separação entre os conceitos de jogo e de competição21. Isto nos conduz a uma outra conclusão: dada a indivisibilidade entre o jogo e o combate, no espírito primitivo, segue-se naturalmente a assimilação entre a caça e o jogo. Esta se encontra em numerosos aspectos da língua e da literatura, e não há necessidade de nela insistirmos. Muitos dos heróis da mitologia conseguem ganhar por meio da astúcia ou graças a uma ajuda exterior. Pélops suborna o auriga de Enomeu para que ele coloque cravos de cera nos eixos das rodas. Jasão e Teseu passam suas provas com êxito graças à ajuda de Medéia e Ariadne. Gunther deve sua vitória a Siegfried. No Mahabharata, os kauravas alcançam a vitória fazendo trapaça nos jogos de dados. Frigga engana Wotan para que este conceda a vitória aos lombardos. Os Ases quebram o juramento que fizeram aos gigantes. Em todos estes casos, o ato de superar o outro em astúcia, fraudulentamente, tornou-se ele próprio o motivo da competição, como se fosse um novo tema lúdico5. A indeterminação das fronteiras entre o jogo e a seriedade tem um exemplo perfeito na expressão "jogar na Bolsa". O final da Idade Média assiste, tanto em Gênova como em Antuérpia, ao surgimento do seguro de vida sob a forma de apostas sobre futuras eventualidades de caráter não econômico. Apostava-se, por exemplo, "sobre a vida e a morte de pessoas, o nascimento de um menino ou uma menina, o resultado de viagens e peregrinações, a conquista de várias terras, praças, fortes ou cidades6. Este tipo de contrato, embora houvesse já assumido um caráter puramente comercial, foi diversas vezes proibido sob a alegação de tratar-se de jogo ilegal, entre outros por Carlos V7. Apostava-se sobre a escolha de um novo Papa tal como hoje se aposta em corridas de cavalos8. E ainda no século XVII os contratos de seguro de vida eram conhecidos pelo nome de "apostas". Os estudos antropológicos têm mostrado de maneira cada vez mais clara que normalmente a vida social primitiva assenta na estrutura antagonística e antitética da própria comunidade, e que todo o mundo espiritual deste tipo de comunidade corresponde a esse profundo dualismo. Por todo o lado encontram-se vestígios desse fato. A tribo é dividida cm duas metades opostas, chamadas fratrias pelos antropólogos, as quais são separadas pela mais rigorosa exogamia. A distinção entre os dois grupos é estabelecida também pelo totem (termo de emprego um tanto duvidoso fora do terreno específico a que pertence, mas muito útil para uso científico). Um indivíduo pode ser homem-corvo ou homem-tartaruga, adquirindo assim todo um sistema de obrigações, tabus, costumes e objetos de veneração próprios da ordem do corvo ou da tartaruga, conforme for o caso. Entre as duas metades da tribo as relações são de competição e rivalidade, mas ao mesmo tempo de ajuda recíproca e mútua prestação de bons serviços. O conjunto destas relações transforma toda a vida pública da tribo numa interminável série de cerimônias, formuladas com a maior precisão e cumpridas com o maior rigor. O dualismo que diversifica as duas metades se estende a todo o mundo conceptual e imaginativo da tribo. Todas as criaturas, todas as coisas têm seu lugar com um ou outro dos dois lados, de tal modo que todo o cosmos é abrangido por essa classificação. Em nenhuma grande cultura a importantíssima influência civilizadora destas competições festivas foi mais claramente elucidada do que no caso da China antiga, graças aos trabalhos de Marcel Granet. Baseando sua reconstrução numa interpretação antropológica dos cantos rituais da China antiga, Granet conseguiu elaborar um estudo das fases primitivas da cultura chinesa, notável tanto por sua simplicidade quanto por seu rigor científico9. 81
  • 82.
    Segundo Granet, nafase mais primitiva os clãs rurais celebravam as festas das estações por meio de competições destinadas a favorecer a fertilidade e o amadurecimento das colheitas. É fato bem conhecido que essa é uma ideia subjacente à maior parte dos ritos primitivos. No espírito do homem primitivo, toda cerimônia corretamente celebrada, todo jogo ou competição ganho de acordo com as regras, todo sacrifício devidamente realizado, está intimamente ligado à aquisição pelo grupo de uma nova prosperidade. Se os sacrifícios e as danças foram concluídos com sucesso, podemos ficar certos de que tudo está bem, que os poderes superiores nos são propícios, que a ordem cósmica está salvaguardada, que o bem-estar social está garantido para nós e os nossos. Evidentemente este sentimento não deve ser pensado como o resultado final de uma série de deduções racionais. Trata-se mais de uma consciência da vida, de um sentimento de satisfação cristalizado em uma fé mais ou menos formulada pelo espírito. Na China primitiva, quase todas as atividades assumiam a forma de uma competição ritual: atravessar um rio, escalar uma montanha, cortar árvores ou colher flores11. O esquema característico das lendas chinesas relativas à fundação tios reinos é o do herói derrotando seus adversários por meio de proezas espantosas e miraculosas demonstrações de força, provando, assim, sua superioridade. Regra geral, o torneio acaba com a morte dos vencidos. Há muitos povos que colocam o jogo de dados no número das práticas religiosas14. Por vezes, as sociedades divididas em fratrias exprimem sua estrutura dualis ta nas duas cores de seus tabuleiros de jogo ou de seus dados. A palavra sânscrita dyutam significa ao mesmo tempo "lutar" e "jogar aos dados". Existem grandes afinidades entre os dados e as flechas15. No Mahabharata, o próprio mundo é concebido como um jogo de dados que Siva joga com sua esposa16. As estações, rtu, são representadas sob a forma de seis homens jogando com dados de ouro e prata. Também a mitologia germânica faz referência a um jogo jogado pelos deuses em seu tabuleiro: quando o mundo foi ordenado, os deuses reuniram-se para jogar aos dados, e quando ele renascer de novo após sua destruição, os Ases rejuvenescidos voltarão a encontrar os tabuleiros de jogo em ouro que originariamente possuíam1. A ação principal do Mahabharata assenta no jogo de (lados jogados pelo rei Yudhistira contra os kauravas. No livro acima referido, G. J. Held tira deste fato diversas conclusões de caráter etnológico. De nosso ponto de vista, o mais importante é o lugar onde o jogo é executado. Geralmente é um simples círculo, dyutamandalam, traçado no solo. O círculo enquanto tal, todavia, reveste-se de um significado mágico. É traçado com o maior cuidado, sendo tomada toda a espécie de precauções contra a possibilidade de haver batota. Não é permitido aos jogadores deixar o terreno antes de terem cumprido todas as suas obrigações. Mas, por vezes, é provisoriamente erigido um recinto especial para o jogo, e esse recinto é considerado terreno sagrado. O Mahabharata consagra todo um capítulo à ereção do recinto dos dados, — sabha — no qual os Pandavas deverão defrontar seus adversários. Em conclusão, os jogos de azar têm o seu lado sério. Fazem parte integrante do ritual, e Tácito cometeu um erro ao se espantar por ver os germanos jogando dados com todo o empenho, como se fosse uma ocupação séria. 82 O POTLACH Os fundamentos agonísticos da vida cultural da sociedade primitiva só foram esclarecidos a partir do momento em que a etnologia foi enriquecida por uma rigorosa descrição dos curiosos costumes de certas tribos índias da Colômbia britânica, que se tornaram conhecidos sob o nome de potlatch20. Em sua forma mais típica, encontrada na tribo dos Kwakiutl, o potlatch é uma grande festa solene, durante a qual um de dois grupos, com grande pompa e cerimônia, faz ofertas em grande escala ao outro grupo, com a finalidade
  • 83.
    expressa de demonstrarsua superioridade. A única retribuição esperada pelos doadores, e que é devida pelos que recebem, consiste na obrigação de estes últimos darem por sua vez uma festa, dentro de um certo período, se possível ultrapassando a primeira. Este curioso festival de donativos domina toda a vida comunitária das tribos que o praticam: os rituais, as leis, as artes. Qualquer acontecimento importante pode servir de pretexto para um potlatch, seja um nascimento, uma morte, um casamento, uma cerimônia de iniciação ou de tatuagem, a construção de um túmulo etc. É costume o chefe oferecer um potlatch sempre que constrói uma casa ou um totem. No potlatch, as famílias ou clãs apresentam-se sob sua forma mais brilhante, cantando suas canções sagradas e exibindo suas máscaras, enquanto os feiticeiros, possuídos pelos espíritos do clã, entregam-se a sua fúria. Mas o principal é sempre a distribuição de bens. O promotor da festa dissipa nesta todas as posses de seu clã. Contudo, o fato de participarem da festa dá aos outros clãs a obrigação de oferecer um potlatch em escala ainda mais grandiosa. Caso contrário, destroem seu nome, sua honra, seu emblema e seus totens, e até seus direitos civis e religiosos. O resultado de tudo isto é que as posses de toda a tribo vão circulando por entre as "grandes famílias", ao acaso. Supõe-se que, originariamente, o potlatch fosse sempre realizado entre duas fratrias da mesma tribo. Quem oferece um potlatch demonstra sua superioridade, não apenas devido à pródiga distribuição de riquezas mas também, e isto é ainda mais impressionante, pela destruição completa de seus bens, só para mostrar que pode passar sem eles. Além disso, essas destruições são levadas a efeito de acordo com um ritual dramático, e acompanhadas por altivos desafios. A ação assume sempre a forma de uma competição: se um chefe quebra um pote de cobre, ou queima uma pilha de mantas, ou estraçalha uma canoa, seu adversário fica na obrigação de destruir pelo menos o mesmo, e se possível mais. Os destroços são enviados ao rival, como provocação, ou exibidos como sinal de honra. Conta-se dos Tlinkit, tribo aparentada aos Kwakiutl, que quando um chefe queria defrontar um rival matava um certo número de seus escravos, e o outro, para vingar-se, tinha que matar um número ainda maior dos seus. Marcel Mauss fala da presença, na Melanésia, de costumes exatamente idênticos ao potlatch. Em seu Essai sur le don, aponta vestígios de costumes semelhantes nas culturas da Grécia, da Roma e da Germânia da antigüidade. Granet apresenta exemplos de competições tanto de doação como de destruição na tradição chinesa primitiva. Na Arábia pagã dos tempos pré-islâmicos, essas competições tinham um nome especial, o que prova sua existência como instituição formal. São chamadas mu'aqara, um nomen actionis da terceira forma do verbo 'aqara, que nos velhos dicionários, os quais nada sabiam do pano de fundo etnológico, recebe a definição de "rivalizar em glória cortando as patas dos camelos". Mauss resume mais ou menos o tema tratado por Held da seguinte maneira: "O Mahabharata é a história de um gigantesco potlatch"24. O potlatch, e tudo quanto com ele se relaciona, tem como centro de interesse a vitória, a afirmação de superioridade, a aquisição de glória ou prestígio e, pormenor não destituído de importância, a vingança. Em todos os casos, mesmo quando é apenas uma pessoa que oferece a festa, há dois grupos numa situação de oposição, mas ligados por um espírito que é ao mesmo tempo de hostilidade e de amizade. Para compreender esta atitude ambivalente, é preciso reconhecer que o mais importante no potlatch é ganhá-lo. Os grupos adversários não disputam riquezas nem poder, competem apenas pelo prazer de exibir sua superioridade, em resumo, pela glória. No casamento de um chefe Ma-malekala, descrito por Boas25 o grupo anfitrião declara-se "pronto a iniciar o combate", querendo com isto designar a cerimônia no fim da qual o futuro sogro concede a mão de sua filha. O potlatch possui também alguma coisa de um combate, um elemento de provação e sacrifício. A solenidade decorre sob a forma de um ritual acompanhado de antífonas e danças de mascarados. Esse ritual é extremamente rigoroso: basta a menor infração para invalidar tudo. A tosse ou o riso são castigados com severas penalidades. O 83
  • 84.
    mundo espiritual nointerior do qual se realizam essas cerimônias é o mundo da honra, da pompa, da fanfarronice e do desafio. É um mundo de cavalaria e de heroísmo, dominado pelos brasões e nomes ilustres, onde prima a nobreza de linhagem. Não é o mundo dos cuidados e da subsistência quotidiana, do cálculo das vantagens e da aquisição de bens úteis. Aqui, as aspirações voltam-se para o prestígio dentro do grupo, para um lugar de destaque, quaisquer sinais de superioridade. As relações e obrigações recíprocas das duas fratrias dos Tlinkit são designadas por uma palavra que significa "manifestar respeito". Estas relações estão constantemente sendo expressas em ações concretas, mediante a troca de serviços e presentes. Um dos mais fortes incentivos para atingir a perfeição, tanto individual quanto social, e desde a vida infantil até aos aspectos mais elevados da civilização, é o desejo que cada um sente de ser elogiado e homenageado por suas qualidades. Elogiando o outro, cada um elogia a si próprio. Queremos ser honrados por nossas virtudes, queremos a satisfação de ter realizado corretamente alguma coisa. Realizar corretamente uma coisa equivale a realizá-la melhor que os outros. Atingir a perfeição implica que esta seja mostrada aos outros; para merecer o reconhecimento, o mérito tem que ser manifesto. A competição serve para cada um dar provas de sua superioridade. E isto se verifica principalmente na sociedade primitiva. A virtude de um homem de qualidade consiste numa série de propriedades que o tornam capaz de lutar e de comandar. Entre estas ocupam um lugar eminente a generosidade, a sabedoria e a justiça. É perfeitamente natural que em muitas línguas a palavra que designa a virtude derive da ideia de masculinidade ou "virilidade", como por exemplo no latim virtus, que durante muito tempo conservou seu sentido de “coragem" — até ao momento em que o pensamento cristão se tornou predominante. O mesmo se passa com o árabe muru'a, o qual, do mesmo modo que o grego άφετη, abrange todo o complexo semântico da força, valentia, riqueza, direito, boa conduta, moralidade, urbanidade, boas maneiras, magnanimidade, generosidade e perfeição moral. Em toda sociedade primitiva que seja saudável, baseada na vida tribal de guerreiros e nobres, floresce um ideal de cavalaria e conduta cavalheiresca, quer seja na Grécia ou na Arábia, no Japão ou na Europa cristã da Idade Média. E o ideal viril da virtude está sempre ligado à convicção de que a honra para ser válida, deve ser publicamente reconhecida, sendo este reconhecimento, se necessário, imposto pela força. Mesmo em Aristóteles a honra é ainda chamada "o preço da virtude". "Os homens aspiram à honra para se convencerem de seu próprio valor, de sua virtude. Aspiram a ser honrados por seu próprio valor por aqueles que têm a capacidade de julgar38." Portanto, a virtude e a honra, a nobreza e a glória encontram-se desde início dentro do quadro da competição, isto é, do jogo. A vida do jovem guerreiro de nobre extração é um permanente exercício de virtude, uma luta permanente pela honra de sua posição. Este ideal é exprimido de maneira perfeita no famoso verso de Homero: αιεν αφιστευειν χαι υφειφοχον έμεναι αλλων ("ser sempre melhor, ultrapassando os outros")39'. Por isso o interesse da epopéia não depende das proezas militares enquanto tais, e sim da αφιστεια dos heróis individuais. A formação em vista da vida aristocrática conduz à formação para a vida no Estado e para o Estado. Também aqui a palavra αφετη não possui ainda um sentido puramente ético. Continua significando antes a capacidade do cidadão para suas tarefas na polis, conservando ainda grande parte de sua importância primitiva a ideia nela originalmente contida de exercício por meio de uma competição. O nobre demonstra sua "virtude" por meio de proezas de força, destreza, coragem, engenho, sabedoria, riqueza ou generosidade. Na falta destas, pode ainda distinguir-se numa competição de palavras, isto é, ou ele mesmo louva as virtudes nas quais deseja superar seus rivais, ou manda que elas lhe sejam louvadas por um poeta ou um arauto. Esta exaltação da própria virtude, como forma de competição, transforma-se muito naturalmente em depreciação da do adversário, o que, por sua vez, passa a ser um outro tipo de competição. É extraordinária a importância do papel que estas 84
  • 85.
    fanfarronadas e ultrajesocupam nas mais diversas civilizações. Seu caráter lúdico é indiscutível: basta lembrarmo-nos do comportamento dos garotinhos para classificarmos esses torneios de insultos como uma forma de jogo. Não obstante, é preciso estabelecer uma cuidadosa distinção entre os torneios formais de fanfarronadas ou insultos e as invectivas mais espontâneas que costumam iniciar ou acompanhar o combate armado, embora não seja nada fácil traçar essa linha divisória. Segundo antigos textos chineses, a batalha é uma confusa mistura de fanfarronadas, insultos, altruísmo e cumprimentos. Trata - se mais de uma competição com armas morais, um choque de honras ofendidas, do que um combate armado40. Há toda uma série de atos, alguns dos quais de caráter bastante extraordinário, possuidores de um significado técnico como marcas de vergonha ou de honra para aquele que os pratica ou os sofre. Assim, o gesto de desprezo de Remo, saltando por cima da muralha de Rômulo na alvorada da história de Roma, constitui, segundo a tradição militar chinesa, um desafio obrigatório. Uma variante desse gesto mostra o guerreiro cavalgando até ao portão do inimigo e calmamente contando as tábuas com seu chicote41. Situam-se na mesma tradição os cidadãos de Meaux que, encontrando-se sobre as muralhas, sacudiram o pó dos chapéus quando os sitiantes dispararam seus canhões. Voltaremos mais adiante a tratar deste tipo de atitude, quando tratarmos do elemento agonístico, ou mesmo lúdico, da guerra. O que neste momento nos interessa é a joute de jactance em regra. Entre os indígenas das Trobriand, conforme relata Malinowski, encontram-se formas intermediárias entre os torneios de jactância e as competições de riqueza. O valor atribuído aos alimentos não depende apenas de sua utilidade, mas também de suas qualidades como meio de ostentação da riqueza. As habitações yam são construídas de maneira a permitir que se veja do exterior tudo o que encerram, e que se avalie sua riqueza olhando através dos largos interstícios das tábuas. Os melhores alimentos são postos em evidência e os exemplares especialmente valiosos são emoldurados, ornamentados com cores vivas, e pendurados do lado de fora da habitação. Nas aldeias onde reside um grande chefe, os membros comuns da tribo têm que cobrir suas habitações com folhas de coqueiro, para não competirem com a do chefe42. Encontramos nas lendas chinesas um eco de costumes semelhantes na narrativa do festim do mau rei Cheu-Sin, que mandou erguer uma montanha de alimentos sobre a qual podia passar um carro, e mandou escavar um lago cheio de vinho onde podiam navegar barcos à vela. Um letrado chinês descreve o desperdício que acompanha os torneios populares de fanfarronice44. A competição pela honra pode também, como na China, assumir uma forma invertida, transformando-se numa competição de boas maneiras. A palavra que designa esta última, jang, significa à letra "ceder o lugar a outrem"45. Derrota--se o adversário por ter melhores maneiras, ou por lhe dar precedência. Possivelmente é na China que a competição de cortesia é mais formalizada, mas pode ser encontrada em toda a parte do mundo. Podemos considerá-la uma competição de fanfarronice invertida, pois a razão desta exibição de delicadeza para com os outros é um profundo interesse pela própria honra. As competições formais de invectivas e vitupérios eram muito espalhadas na Arábia pré - islâmica, e são especialmente claras suas relações com as competições de destruição da propriedade, um dos aspectos centrais do potlatch. Já fizemos referência ao costume chamado mu'aqara, no qual os adversários cortavam os tendões de seus camelos. A forma básica do verbo ao qual mu'aqara pertence no terceiro grau significa ferir ou mutilar. E entre os significados de mu'aqara encontramos também: conviciis et dictis satyricis certavit cum aliquo — lutar com invectivas e linguagem insultuosa. O que lembra o torneio de destruição dos ciganos egípcios, que tem o nome de vantardise. Mas além de mu'aqara os árabes pré-islâmicos designavam os torneios de destruição e formas aparentadas com dois outros termos técnicos: munafara e mufakhara. Convém assinalar que as três palavras são formadas 85
  • 86.
    da mesma maneira.São substantivos verbais derivados da chamada terceira forma do verbo, e é talvez este o aspecto mais interessante de toda a questão. Porque em árabe existe uma forma verbal especial, que pode dar a qualquer raiz o sentido de competir em alguma coisa, ou ultrapassar alguém em alguma coisa. Quase poderíamos chamar-Ihe uma espécie de superlativo verbal da própria raiz. Além disso, a chamada "sexta forma", derivada da terceira, exprime a ideia de atração recíproca. Assim a raiz hasaba (contar, enumerar) dá muhasaba, competição pela boa reputação; e kathara (exceder em número) dá mukathara, competição em quantidade. Mas voltando a nosso assunto: mujakhara provém de uma raiz que significa "vangloriar-se", ao passo que munafara deriva do campo semântico de "derrota", "pôr em fuga". Existe em árabe um parentesco semântico entre honra, virtude, elogio e glória, exatamente como em grego as mesmas ideias gravitam em torno da αφετη47". No árabe a ideia central é 'irá, que pode ser traduzida por "honra", desde que seja tomada em sentido extremamente concreto. A principal exigência de uma vida nobre é a obrigação de preservar a integridade e a segurança de sua honra. De outro lado, supõe-se que o adversário esteja animado por um ardente desejo de destruir e degradar nosso 'ird com insultos. Tal como na Grécia, também aqui qualquer superioridade física, social ou moral constitui um fundamento de honra e de glória, sendo portanto um elemento de virtude. O árabe tira glória de suas vitórias e sua coragem, do número de seus filhos ou de seu clã, de sua liberdade, sua autoridade, sua força, a acuidade de sua vista ou a beleza de seu cabelo. Tudo isto compõe seu 'izz, 'izza, ou seja, sua superioridade sobre os outros e, conseqüentemente, sua autoridade e seu prestígio. Os ultrajes e insultos dirigidos ao adversário ocupam um lugar importante nesta exaltação do 'izz pessoal, e possuem a designação técnica de hidja'. As lutas pela honra, os mufakhara, costumavam ser realizadas em datas préfixadas, ao mesmo tempo que as feiras anuais e depois das peregrinações. Os ultrajes e insultos dirigidos ao adversário ocupam um lugar importante nesta exaltação do 'izz pessoal, e possuem a designação técnica de hidja'. As lutas pela honra, os mufakhara, costumavam ser realizadas em datas préfixadas, ao mesmo tempo que as feiras anuais e depois das peregrinações. As competições travavam-se entre tribos ou clãs inteiros, ou entre indivíduos. Sempre que acontecia dois grupos se encontrarem, tratava-se entre eles uma justa de honra. Havia um porta-voz oficial para cada grupo, o sha'ir (poeta ou orador), que desempenhava um papel importante. Esse costume possuía um caráter nitidamente ritual, servindo para manter acesas as poderosas tensões sociais que davam unidade à cultura árabe pré-islâmica. Mas, o surgimento do Islão veio atenuar este antigo costume, conferindo-lhe uma nova dimensão religiosa ou reduzindo-o a um divertimento de corte. Nos tempos do paganismo era freqüente o mufakhara terminar num massacre e numa guerra tribal. Na tradição grega, encontram-se numerosos vestígios de torneios de injúrias cerimoniais e solenes. Alguns autores afirmam que a palavra iambos significava originalmente "sarcasmo", estando especialmente relacionada com os cantos públicos de insultos e sarcasmos que faziam parte das lestas de Deméter e Dionísio. Julga-se que foi a partir desta tradição de troça em público que surgiu a sátira de Arquíloco, cuja recitação, acompanhada por música, era incluída nas competições. A poesia jâmbica passou, assim, de um costume imemorial de natureza ritual a instrumento de crítica pública. Mesmo o tema das diatribes contra as mulheres parece constituir um vestígio dos cantos alternados de sarcasmo entre os homens e as mulheres que eram realizados no decurso das festas de Deméter e Apoio. Deve estar na base desses costumes um jogo sagrado de emulação pública, o psogo0. Também a tradição da antigüidade germânica apresenta vestígios muito antigos de duelos de injúrias na história de Alboin, na corte dos gépidas, que foi manifestamente recolhida por Paulo, o Diácono, nas canções épicas. Os chefes lombardos foram convidados para um 86
  • 87.
    banquete real porTurisindo, rei dos gépidas. Quando o rei começa a lamentar seu filho Turismundo, morto em combate contra os lombardos, outro de seus filhos levantasse e começa a cobrir os lombardos de injúrias (iniuriis lacessere coepit). Chama-Ihes éguas de pés brancos, acrescentando que cheiram mal. Ao que um dos lombardos responde: "Vai ao campo de batalha de Asfeld, onde poderás verificar a valentia com que essas 'éguas' de que falas sabem defender-se, lá onde estão os ossos de teu irmão, espalhados pelo campo como os ossos de uma velha pileca". O rei evita que os dois passem a vias de fato, "e o banquete foi levado a um fim feliz" (laetis animis conviviam peragunt). Estas últimas palavras revelam claramente o caráter lúdico da altercação. Não resta dúvida que se trata de um exemplo de torneio de insultos. Este existe também na literatura nórdica arcaica, sob uma forma especial chamada mannjafnaôr, "comparação dos homens". Faz parte da festa do Jul, do mesmo modo que a competição de juramentos. Um exemplo é a saga de Orvar Odd. Orvar Odd está incógnit o de visita à corte de um rei estrangeiro e aposta sua cabeça que é capaz de vencer na bebida dois dos homens do rei. A cada vez que um deles passa o corno de beber ao seu rival, vangloria-se de qualquer heroico feito de guerra em que ele esteve presente, enquanto o outro se deixa ficar vergonhosamente ao canto do lume, junto com as mulheres52. À vezes, são dois reis que procuram vencer um ao outro em linguagem jactanciosa. Uma das canções dos Edda, o Harbarosljoô, trata de uma competição deste gênero entre Thor e Odin53. Devemos também incluir no mesmo gênero as disputas de Loki com os Ases, durante uma sessão de bebida54. O caráter ritual destas competições é revelado pela referência expressa ao fato de o recinto onde elas se realizavam ser "um grande lugar de paz" (griaastaar mikill), e de nele não ser permitido a ninguém exercer violência contra o outro, diga este o que disser. Embora todos estes exemplos sejam redações literárias de temas pertencentes a um passado muito remoto, a existência de um pano de fundo ritualístico é demasiado evidente para que se possa considerá -los apenas o produto de uma ficção poética mais tardia. As lendas primitivas irlandesas do porco de Mac Datho e da festa de Bricrend apresentam uma "comparação de homens" semelhante. De Vries está certo da origem religiosa do Mannjafnaôr. A importância que era atribuída a este gênero de insultos é ilustrada de maneira evidente pelo caso de Harald Gormsson, que queria empreender uma expedição punitiva contra a Islândia por causa de um simples epigrama de que fora vítima. Durante todo o período de sua existência, os jogos helênicos permaneceram intimamente ligados à religião, mesmo nas épocas mais tardias em que, à primeira vista, poderiam assumir a aparência dos esportes nacionais puros e simples. Os cantos triunfais de Píndaro, em honra das grandes competições, pertencem inteiramente ao quadro de sua rica poesia sagrada, da qual eles constituem a única parte conservada até nossos dias72. O caráter sagrado do agon (competição) manifesta-se em toda a parte. O zelo competitivo dos jovens espartanos em submeter-se a dolorosas experiências perante o altar é apenas um exemplo entre as muitas práticas cruéis relacionadas com a iniciação à vida adulta, semelhantes às que podem ser encontradas entre os povos primitivos de toda a Terra. Píndaro mostra um vencedor dos Jogos Olímpicos insuflando uma nova força vital nos pulmões de seu velho avô. A tradição grega estabelece uma divisão entre as competições: de um lado as públicas ou nacionais, militares e jurídicas, e, de outro, as relacionadas com a força, a sabedoria e a riqueza. Esta classificação parece refletir uma fase agonística, mais primitiva, da cultura. O fato de se chamar "agon" à disputa perante um juiz não deve ser tomado, ao contrário do que pensa Burckhardt74, como uma simples expressão metafórica de uma época mais tardia mas, pelo contrário, como prova de uma imemorial associação de ideias, à qual mais adiante voltaremos a fazer referência. De fato, houve um tempo em que o julgamento em tribunal foi um agon no sentido restrito do termo. 87
  • 88.
    Era costume entreos gregos organizar competições a propósito de tudo o que oferecesse a possibilidade de uma luta. Os concursos de beleza masculina faziam parte das Panatenéias e das festas de Teseu. Nos simpósios eram organizados concursos de canto, decifração de enigmas, de resistência em se conservar acordado e bebendo. Mesmo neste último caso, o elemento sagrado não está ausente: os πολυποσία e os αχφατοποσία (beber muito e sem mistura) faziam parte da festa de Coeno. Alexandre celebrou a morte de Calanos com um agon ginástico e musical, com prêmios para os melhores bebedores, tendo daí resultado que trinta e cinco dos competidores morreram na hora, e seis deles mais tarde, entre os quais o vencedor75. Notemos de passagem que as competições que consistiam em absorver grandes quantidades de comida e bebida estão também ligadas ao potlatch. O Ludico no Direito Um antigo juiz escreveu-me o seguinte: "O estilo e o conteúdo das intervenções nos tribunais revelam o ardor esportivo com que nossos advogados se atacam uns aos outros por meio de argumentos e contra-argumentos (alguns dos quais são razoavelmente sofisticados). Sua mentalidade por mais de uma vez me fez pensar naqueles oradores dos processos adat7' que, a cada argumento, espetam na terra uma vara, sendo considerado vencedor aquele que no final puder apresentar o maior número de varas". O caráter lúdico da prática judicial foi fielmente observado por Goethe em sua descrição de uma sessão do tribunal de Veneza, realizada no palácio dos Doges. Dada esta fraqueza dos padrões éticos, o fator agonístico (competitivo) vai ganhando imenso terreno na prática judicial à medida que recuamos no tempo. E, à medida que o elemento agonístico vai aumentando, o mesmo acontece com o fator sorte, e daqui resulta que depressa nos encontramos na esfera lúdica. Estamos perante um mundo espiritual em que a ideia da decisão por oráculos, pelo juízo divino, pela sorte, por sortilégio — isto é, pelo jogo — e a da decisão por sentença judicial fundem-se num único complexo de pensamento. E ainda hoje reconhecemos o caráter absoluto dessas decisões todas as vezes que, quando não conseguimos ser nós próprios a decidir qualquer coisa, resolvemos "tirá-la à sorte". A vontade divina, o destino e a sorte parecem a nossos olhos entidades mais ou menos distintas, ou pelo menos procurando estabelecer entre elas uma distinção conceptual. Mas, para o espírito primitivo, são mais ou menos equivalentes. Pode-se conhecer o "destino" fazendo que ele se pronuncie. Para conhecer o oráculo, é preciso recorrer à sorte. Pode-se jogar com paus, com pedras, ou abrir à sorte as páginas do livro sagrado, e o oráculo responderá. Assim o Exodo, XXVII, 30, ordena a Moisés que "ponha no peitoral o urim e o tummin" (sejam estes o que forem), a fim de que Aarão "possa julgar os filhos de Israel em seu coração perante o Senhor continuamente". O peitoral é usado pelo grande sacerdote, e é por intermédio deste que o sacerdote Eleazar pede conselho, em Números, XXVII, 21, em favor de Josué, "segundo o julgamento de Urim". De maneira semelhante, em I Samuel, XIX, 42, Saul ordena que seja tirada a sorte entre ele e seu filho Jônatas. As relações entre o oráculo, a sorte e o julgamento são ilustradas de maneira perfeitamente clara nestes exemplos. Também na Arábia pré-islâmica, encontra-se este tipo de sortilégio9. E, afinal, não será fundamentalmente o mesmo a balança sagrada na qual Zeus, na llíada, pesa as possibilidades que cada homem, antes do início da batalha, tem de morrer? "Então o Pai estendeu os dois pratos de ouro e colocou neles as duas porções de morte amarga, uma para os troianos domadores de cavalos e outra para os aqueus cobertos de bronze” muito mais tarde. Umas das figuras que se encontram no escudo de Aquiles, segundo a descrição do oitavo livro da llíada, representa um julgamento com os juízes sentados no interior do círculo sagrado, estando no centro da cena os "dois talentos de ouro" (δνό χφυσοίο τάλαντα), que se destinam àquele que proferir a sentença mais justa11. Em geral, consideram-se esses dois talentos como a quantia em dinheiro disputada pelas duas partes. Mas, bem vistas as coisas, eles parecem ser mais um prêmio que um objeto de litígio; 88
  • 89.
    seriam, portanto, maisadequados a um jogo do que a uma sessão de tribunal. Além disso, convém notar que originariamente talanta significava "balança". Creio, assim, que o poeta tinha em mente uma pintura em vaso que mostrava dois litigantes sentados cada qual em um dos pratos de uma balança, a verdadeira "balança da justiça", na qual a sentença era dada mediante uma pesagem segundo o costume primitivo, isto é, por oráculo ou pela sorte. Este costume ainda não era conhecido na época em que foi composto o poema, e daí resultou que talanta, os dois pratos da balança, foi considerado, devido a uma transposição de significado, como dinheiro. O grego δίχη (direito, justiça) possui uma escala de significados que vai desde o puramente abstrato até o mais declaradamente concreto. Pode significar a justiça enquanto conceito abstrato, ou uma divisão eqüitativa, ou uma indenização, ou mais ainda: as partes num julgamento dão e recebem δίχη, os juízes atribuem δίχη. Significa também o próprio processo jurídico, o veredicto e a punição. Embora se possa supor que os significados mais concretos de uma palavra são os mais antigos, Werner Jaeger defende, neste caso, o ponto de vista contrário. Segundo ele, o significado abstrato é o mais primitivo, e o concreto deriva dele12. Isto não me parece compatível com o fato de serem precisamente as abstrações — δίχαιο, eqüitativo, e δίχαιοσύνη], eqüidade — formadas em seguida a partir de dikê. A relação acima discutida entre a administração da justiça e a prova da sorte deveria, pelo contrário, orientar-nos no sentido da etimologia expressamente rejeitada por Jaeger, a qual faz derivar δίχη de διχέίν, arremessar ou lançar, embora seja evidente a existência de uma afinidade entre δίχη e δείχνυμι. Em hebraico também há uma associação idêntica entre "direito" e "arremessar", pois thorah (direito, justiça, lei) possui evidentes afinidades com uma raiz que significa tirar à sorte, disparar, e a sentença de um oráculo. Também é significativo que, nas moedas, a figura de Dikê por vezes se confunda com a de Tykê, a deusa do destino incerto. Também ela segura uma balança. J. E. Harrison afirma em sua Themis: "Não é que haja um 'sincretismo' tardio entre estas figuras divinas; ambas partem de uma mesma concepção, e depois divergem". Também na tradição germânica verifica-se a presença . da associação primitiva entre a justiça, o destino e a sorte. A palavra holandesa lot conserva até hoje o sentido do destino do homem — aquilo que lhe é destinado ou enviado (Schicksal em alemão) — e designa também o sinal material da sorte, como por exemplo o palito de fósforo mais comprido ou mais curto, ou um bilhete de loteria. É difícil decidir qual dos dois significados é o mais original, porque no pensamento primitivo as duas ideias estão fundidas em uma só. Zeus segura os divinos decretos do destino e da justiça em uma mesma balança. Os Ases jogam aos dados o destino do mundo15. O espírito primitivo não distingue, como manifestações da Vontade Divina, entre o resultado de uma prova de força, ou o de uma luta armada, ou a maneira como cai um punhado de pedras ou de pauzinhos. A leitura da sorte através das cartas é um costume com profundas raízes no passado humano, numa tradição que é muito mais remota do que as próprias cartas. Talvez o problema fique mais claro se dedicarmos agora nossa atenção a um dos aspectos mais notáveis da íntima relação entre a cultura e o jogo, a saber, os concursos de tambor e os concursos de canto dos esquimós da Groenlândia. Trataremos deste assunto um pouco mais detidamente, porque, neste caso, estamos perante uma prática ainda existente (ou que pelo menos ainda recentemente o era), na qual a função cultural que conhecemos como jurisdição não se separou ainda da esfera do jogo5. Quando um esquimó tem alguma queixa contra outro, desafia-o para um concurso de tambor (Troinmesang, em dinamarquês). O clã ou tribo se reúne festivamente, todos com seus melhores trajos e num ambiente de alegria. Os dois adversários passam depois a atacar-se sucessivamente um ao outro com canções insultuosas acompanhadas por tambor, nas quais cada um censura os malefícios do outro. Não se estabelece distinção alguma entre acusações com fundamento, ditos de espírito destinados a divertir o público e a calúnia pura e simples. Por exemplo, um cantor enumerou todas as pessoas que haviam sido 89
  • 90.
    devoradas pela mulhere a sogra de seu adversário durante um período de penúria, o que levou todo o público a desfazer-se em lágrimas. Estes cantos insultuosos são acompanhados por toda a espécie de ofensas físicas ao adversário, como espirrar ou soprar na cara dele, dar-lhe cabeçadas, abrir-lhe os maxilares, amarrá-lo a uma estaca da tenda — tendo o "acusado" a obrigação de suportar sem protestar, permitindo-se apenas um riso de troça. A maior parte dos espectadores acompanha os estribilhos das canções, aplaudindo e incitando os adversários. Outros se limitam a dormir um pouco. Durante as pausas os contendores conversam em termos amigáveis. As sessões deste gênero de competição podem prolongar-se por vários anos, em que os adversários aproveitam para inventar novas canções e descobrir novas malfeitorias para denunciar. Por fim, são os espectadores que decidem quem é o vencedor. Na maior parte dos casos, a amizade é imediatamente restabelecida, mas, por vezes, acontece uma família emigrar devido à vergonha de ter sido derrotada. É possível a uma pessoa estar participando, ao mesmo tempo, em diversos concursos de tambor. As mulheres também podem participar. É aqui da maior importância o fato de, entre as tribos que as praticam, estas competições desempenharem o papel de decisões jurídicas. Não existe qualquer forma de jurisdição além dos concursos de tambor. Estes são os únicos meios de resolver as dissensões, e não existe qualquer outra maneira de influenciar a opinião pública. Mesmo os assassinos são denunciados desta curiosa maneira. A vitória num concurso de tambor não é seguida por qualquer espécie de sentença. Essas competições são, na grande maioria dos casos, provocadas pelos mexericos das mulheres. É preciso distinguir entre as tribos que praticam esse costume como meio de administração da justiça e aquelas para as quais ele constitui apenas um divertimento festivo. As violências autorizadas são estabelecidas de diferentes maneiras: permite-se bater ou apenas amarrar etc. Além do concurso de tambor, os conflitos são, por vezes, resolvidos por uma luta a murro ou corpo a corpo. Trata-se aqui, portanto, de um costume cultural que desempenha a função judicial sob uma forma perfeitamente agonística, sem contudo deixar de constituir um jogo no sentido mais próprio do termo. Tudo decorre no meio de risos e da maior alegria, porque o que mais importa é conseguir divertir o público. "Da próxima vez", diz Igsiavik, "vou fazer uma canção nova. Vai ser muito divertido, e vou amarrar o outro a uma estaca da tenda". Não há dúvida que os concursos de tambor são a principal fonte de diversão para toda a população. Se não houver uma disputa que sirva de pretexto, os concursos mesmo assim se realizam, pelo puro divertimento que proporcionam. Em certas ocasiões, como demonstração de talento fora do comum, as canções assumem a forma de enigmas. Nas Atenas de Péricles e Fídias, a eloquência jurídica ainda era principalmente uma competição de habilidade retórica, na qual eram permitidos todos os artifícios de persuasão que fossem possíveis de imaginar. Considerava-se o tribunal e a arena política como os dois lugares por excelência onde a arte podia ser aprendida. Esta arte, juntamente com a violência militar, o roubo e a tirania, constitui a "caça ao homem" definida no Sofista de Platã31. Era possível aprender com os sofistas a transformar uma má causa numa boa causa, e até conseguir fazê-la prevalecer. O jovem que entrava na vida política geralmente iniciava sua carreira acusando alguém num processo escandaloso. Também em Roma durante muito tempo foi considerado legítimo todo e qualquer meio de prejudicar o adversário num julgamento. As partes vestiam-se de luto, suspiravam, gemiam, invocavam em altas vozes o bem comum, rodeavam-se de grande número de testemunhas e clientes, procurando impressionar o tribunal. Em resumo, faziam tudo aquilo que nós hoje fazemos. Basta lembrar o advogado que, no processo Hauptmann, deu palmadas na Bíblia e fez tremular a bandeira americana, ou seu colega holandês que, num sensacional processo criminal, reduziu a pedaços um relatório psiquiátrico. Littmann descreve da seguinte maneira um julgamento na Abissínia33: "Numa oratória cuidadosamente estudada e 90
  • 91.
    extremamente hábil oacusador desenvolve sua argumentação O humor, a sátira, alusões sutis, provérbios apropriados à circunstância, o escárnio e o frio desprezo, acompanhados de vez em quando pela mais viva gesticulação e por tremendos berros, tudo isso tende a reforçar a acusação e a confundir o acusado". 91 E assim ad infinitum Segundo a tradição, a guerra entre as duas cidades da Eubéia, Calcis e Eretria, no século VII antes de Cristo, desenrolou-se inteiramente sob a forma de uma competição. Um pacto solene contendo as regras estabelecidas foi previamente depositado no templo de Artemisa. Nele eram indicados o momento e o local do combate. Eram proibidos todos os projéteis, dardos, flechas, ou fundas, sendo permitidas apenas a espada e a lança. Há outro exemplo mais conhecido, embora menos ingênuo. Após a batalha de Salamina, os gregos vitoriosos navegaram para o Istmo, a fim de distribuir prêmios, aqui chamados aristeia, àqueles que mais se haviam distinguido durante a batalha. Os chefes deviam depositar seus votos no altar de Poseidon, indicando um primeiro e um segundo candidato. Cada um dos chefes se colocou a si mesmo em primeiro lugar, e a maior parte deles votou em Temístocles para segundo, de modo que este último obteve a maioria. Mas os problemas de inveja surgidos entre eles impediram a ratificação deste veredicto Os acampamentos são sempre cuidadosamente orientados em direção aos quatro cantos do zodíaco. Tudo o que dizia respeito à organização de um acampamento militar, em épocas culturais como a China antiga, era prescrito da maneira mais rigorosa e possuía um significado sagrado, porque o acampamento seguia o modelo da cidade imperial, e esta por sua vez seguia o modelo do céu. Estes pormenores mostram claramente que tudo isto é abrangido pela esfera do sagrado19. Os acampamentos militares romanos também apresentavam vestígios de sua origem ritualística, conforme afirmam F. Muller e outros. Embora na Idade Média cristã esses vestígios tivessem desaparecido completamente, a suntuosidade e o esplendor da decoração do acampamento de Carlos, o Temerário, no cerco de Neuss, em 1475, prova a estreita relação existente entre a guerra e o torneio, e também, conseqüentemente, o jogo. O samurai japonês era de opinião que o que é sério para o homem comum não passa de um jogo para o valente. O supremo mandamento de sua vida é o nobre autocontrole em face do perigo e da morte. A competição de linguagem insultuosa, que anteriormente referimos, pode assumir a forma de uma prova de resistência, numa sociedade em que uma conduta sóbria e cavalheiresca é prova de um estilo de vida heróico. Um dos sinais deste heroísmo é o completo desprezo que o homem de espírito nobre professa por todas as coisas materiais. O nobre japonês mostra sua educação e a superioridade de sua cultura não sabendo, ou pretendendo não saber, o valor das moedas. Um príncipe japonês, Kenshin, que estava em guerra contra um outro príncipe chamado Shingen, soube que um terceiro senhor feudal, embora não estivesse em conflito aberto com o príncipe Shingen, havia cortado o fornecimento de sal deste último. Em vista disso, o príncipe Kenshin ordenou a seus súditos que enviassem sal ao inimigo, exprimindo seu desprezo por essa luta econômica através das seguintes palavras: "Não combato com sal, e sim com a espada”! O LUDICO E O ENIGMA A surpreendente semelhança que caracteriza os costumes agonísticos em todas as culturas talvez tenha seu exemplo mais impressionante no domínio do próprio espírito humano, quer dizer, no do conhecimento e da sabedoria. Para o homem primitivo as proezas físicas
  • 92.
    são uma fontede poder, mas o conhecimento é uma fonte de poder mágico. Para ele lodo saber é um saber sagrado, uma sabedoria esotérica capaz de obrar milagres, pois todo conhecimento está diretamente ligado à própria ordem cósmica. A ordem das coisas, decretada pelos deuses e conservada pelo ritual para a preservação da vida e a salvação do homem, esta ordem universal ou rtam, como era chamada em sânscrito, tem sua mais poderosa salvaguarda no conhecimento das coisas sagradas, de seus nomes secretos e da origem do mundo. É por isso que há competições nesse tipo de conhecimento nas festas sagradas, pois a palavra pronunciada tem uma influência direta sobre a ordem do mundo. A competição em conhecimentos esotéricos está profundamente enraizada no ritual, e constitui uma parte essencial deste. As perguntas que os sacrificadores fazem uns aos outros, cada um por sua vez ou mediante desafios, são enigmas no sentido pleno do termo, exatamente idênticos, salvo em sua significação sagrada, às adivinhas de salão. É na tradição védica que se pode ver mais claramente a função dessas competições rituais de enigmas. Nos grandes sacrifícios solenes, elas constituíam uma parte da cerimônia tão essencial como o sacrifício propriamente dito. Os brâmanes competiam em jatavidya conhecimento das origens, ou em brahmodya, cuja tradução mais aproximada seria "expressão das coisas sagradas". Estas designações mostram claramente que as perguntas feitas possuíam um caráter predominantemente cosmogônico. Vários dos hinos do Rigveda encerram a produção poética direta dessas competições. No hino Rigveda 1, 64, algumas das perguntas dizem respeito a fenômenos cósmicos, e outras às particularidades rituais do sacrifício: "Interrogo-vos sobre a extremidade mais longínqua da terra, pergunto-vos onde está o umbigo da terra. Interrogo-vos sobre o esperma do garanhão, pergunto-vos qual é a mais alta instância da palavra"1. No hino VIII, 29, dez enigmas típicos descrevem os atributos das principais divindades, seguindo-se a cada resposta o nome de uma dessas divindades2: "Um deles tem a pele marrom avermelhada, é multiforme, generoso, jovem; usa ornamentos de ouro (Soma). Em seu seio desceu um ser refulgente, o deus sábio por excelência (Agni), etc.". O elemento predominante destes hinos é sua forma de enigma, cuja solução depende do conhecimento do ritual e - de seus símbolos. Mas esta forma de enigma encerra a mais profunda sabedoria a respeito das origens da existência. Paul Deussen, com uma certa razão, chama ao Rigveda X, 129 "provavelmente o mais admirável texto filosófico que chegou desde os tempos antigos até nós". "Então, o ser não era, nem o não-ser. O ar não era, nem o firmamento acima dele. O que se movia? Onde? Sob a guarda de quem? E a profundeza do abismo era toda água? "Então, a morte não era, nem a não-morte; não havia distinção entre o dia e a noite. Nada respirava salvo Aquilo, cm si mesmo sem vento. Em parte alguma havia algo além de Aquilo". A forma interrogativa do enigma foi aqui em parte suplantada pela forma afirmativa, mas a estrutura poética do hino continua refletindo seu caráter original de enigma. Depois do verso 5 volta a aparecer a forma interrogativa: "Quem sabe, quem dirá aqui, de onde nasceu e de onde veio esta Criação?" Uma vez aceite que este hino deriva da canção-enigma ritual, a qual por sua vez é a redação literária de concursos de enigmas que efetivamente se realizaram, fica estabelecida da maneira mais convincente possível a ligação genética entre o jogo de enigmas e a filosofia esotérica. Em alguns dos hinos do Atharvaveda, como por exemplo em X, 7 e 8, parece haver séries inteiras de perguntas enigmáticas, agrupadas sob um denominador comum, pouco importando que a questão seja resolvida ou fique sem resposta: "Onde vão os meios meses, onde vai o ano a que eles se juntam? Onde vão as estações -— dizei-me qual é seu skambha!5 Para onde correm, em seu desejo, as duas donzelas de formas 92
  • 93.
    diferentes, o diae a noite? Para onde, em seu desejo, correm as águas? Dizei -me qual é seu skambha! "Como pode o vento não parar, nem o espírito repousar? Por que as águas, desejosas da verdade, jamais param de correr"? O pensamento arcaico, arrebatado pelos mistérios do Ser, encontra-se aqui situado no limite entre a poesia sagrada, a mais profunda sabedoria, o misticismo e a mistificação verbal pura e simples. Não compete a nós dar conta de cada um dos elementos particulares destas efusões. O poeta-sacerdote está constantemente batendo à porta do Incognoscível, ao qual nem ele nem nós podemos ter acesso. Sobre esses veneráveis textos, tudo o quepodemos dizer é que neles assistimos ao nascimento da filosofia, não em um jogo inútil, mas no seio de um jogo sagrado. A mais alta sabedoria é praticada sob a forma de uma prova esotérica. Pode-se observar de passagem que o problema cosmogônico de saber como o mundo surgiu constitui uma das preocupações fundamentais do espírito humano. A psicologia experimental infantil mostrou que uma grande parte das perguntas feitas pelas crianças de seis anos possui um caráter autenticamente cosmogônico, como por exemplo o que faz a água correr, de onde vem o vento, o que é estar morto etc.7. O concurso de enigmas está longe de constituir um simples divertimento, constitui um elemento essencial da cerimônia do sacrifício. A resolução dos enigmas é tão indispensável quanto o próprio sacrifício8. Ela exerce uma certa pressão sobre os deuses. Nas Celebes centrais, entre os Toradja, encontra-se um interessante paralelo com esse antigo costume védico9. Em suas festas a parte destinada aos enigmas é estritamente limitada no tempo, começando no momento em que o arroz fica "prenhe" e prolongando-se até à colheita, e naturalmente a resolução dos enigmas é considerada favorável a esta. De cada vez que um enigma é resolvido, o coro canta: "Sai, arroz, saiam, gordas espigas, do alto da montanha ou do fundo dos vales!" Durante a época que precede imediatamente este período todas as atividades literárias são proibidas, pois poderiam prejudicar o crescimento do arroz. A mesma palavra wailo significa tanto "enigma" quanto "painço", o cereal que foi substituído pelo arroz como alimento popular10. Pode-se acrescentar o exemplo exatamente paralelo dos grisões da Suíça, onde, segundo se diz11, "os habitantes se entregam às mais loucas excentricidades para ajudar o trigo a crescer melhor" (thorechten atentem treiben, dass ihnen das korn destobas geraten solle). O enigma é uma coisa sagrada cheia de um poder secreto e, portanto, é uma coisa perigosa. Em seu contexto mitológico ou ritualístico, ele é quase sempre aquilo que os filólogos alemães chamam de Halsrãtel ou "enigma capital", em que se arrisca a cabeça caso não se consiga decifrá-lo. A vida do jogador está em jogo. Um corolário disto constitui a formação de um enigma que ninguém consiga resolver como sendo considerada a mais alta manifestação de sabedoria. Ambos estes temas encontram-se reunidos na velha lenda hindu do rei Yanaka, que realizou um concurso de enigmas teológicos entre os brâmanes que assistiam a seu sacrifício solene, oferecendo um prêmio de mil vacas13. O sábio Yaj - flavalkya, considerando certa a vitória, mandou que as vacas lhe fossem previamente entregues e, naturalmente, derrotou seus adversários. Um destes, Vidaghdha Sakalya, verificando ser incapaz de resolver um enigma, perdeu literalmente a cabeça, a qual se separou de seu corpo e lhe caiu no colo. Esta estória é sem dúvida uma versão pedagógica do tema segundo o qual a incapacidade de responder era punida com a pena capital. Finalmente, quando ninguém mais se atreve a fazer perguntas, Yajnavalkya triunfalmente exclama: "Reverendos brâmanes, se algum de vós deseja fazer alguma pergunta que a faça, ou todos vós, se quiserdes; ou então permiti que eu faça uma pergunta a um de vós, ou a todos, se quiserdes"! É claro como o dia o caráter perfeitamente lúdico desta competição. A própria tradição sagrada participa do jogo, e é impossível definir o grau de seriedade com que a estória foi aceita no cânon sagrado, grau que aliás em última análise é tão irrelevante como 93
  • 94.
    o problema desaber se efetivamente alguém perdeu a cabeça por ser incapaz de resolver um enigma. Não é este o aspecto mais interessante da questão. O principal, o que é realmente notável, é o tema lúdico enquanto tal. Também na tradição grega encontra-se o tema da solução de enigmas e da pena de morte na estória dos videntes Calcas e Mopsos. Alguém vaticinou que Calcas morreria se alguma vez encontrasse um outro vidente mais sábio do que ele. Um dia encontra Mopsos e disputa com ele um concurso de enigmas, que é ganho por Mopsos. Calcas morre de desgosto, ou mata-se de despeito, e seus discípulos tornam-se seguidores de Mopsos14. Creio ser evidente neste caso a presença do tema do enigma fatal, embora sob forma corrompida. O concurso de enigmas em que a vida é posta em jogo é um dos temas principais da mitologia dos Eddas. No Vajthrúdnismal, Odin mede-se em sabedoria com o sapientíssimo gigante Vafthrúdnir, cada um fazendo alternadamente perguntas ao outro. As perguntas são de caráter mitológico e cosmogônico, semelhantes às dos textos védicos que citamos: De onde vieram o Dia e a Noite, o Inverno e o Verão, e o Vento? No Alvissmã, Thor pergunta ao anão Alvis como são chamadas as diversas coisas entre os Ases, os Vanes (o panteão secundário dos Eddas), os homens, os gigantes, os anões, e por último no Hel; mas antes de terminar a competição o dia nasce, e o anão é posto a ferros. O Canto de Fjõlsvinn possui forma semelhante, assim como os Enigmas do rei Heidrek, o qual fez a promessa de perdoar todo condenado à morte que lhe apresentasse um enigma que ele próprio não pudesse resolver. A maior parte destes cantos são atribuídos ao período final dos Eddas, e é provável que os especialistas tenham razão quando afirmam que se trata apenas de exemplos de um artifício poético deliberado. O que não impede, todavia, que sua relação com os concursos de enigmas de um passado remoto seja demasiado evidente para ser negada. Não é através da reflexão ou do raciocínio lógico que se consegue encontrar a resposta a uma pergunta enigmática. A resposta surge literalmente numa solução brusca — o desfazer dos nós em que o interrogador tem preso o interrogado. O corolário disto é que dar a resposta correta deixa impotente o primeiro. Em princípio, há apenas uma resposta para cada pergunta. Quando se conhecem as regras do jogo. é possível encontrar essa resposta. As regras são de ordem gramatical, poética ou ritualística, conforme o caso. É preciso conhecer a linguagem secreta dos iniciados e saber o significado de todos os símbolos — roda, pássaro, vaca, etc. — das diversas categorias de fenômenos. Se for verificada a possibilidade de uma segunda resposta, de acordo com as regras e na qual o interrogador não tenha pensado, este último ficará em má situação, apanhado em sua própria armadilha. De outro lado, é possível uma coisa ser figurativamente representada de tantas maneiras que pode ser dissimulada num grande número de enigmas. Muitas vezes, a solução depende inteiramente do conhecimento dos nomes secretos ou sagrados das coisas, como o Alvissmál acima referido. Não nos interessamos aqui pelo enigma enquanto forma literária, mas apenas por sua qualidade lúdica e sua função na cultura. Não precisamos, portanto, investigar em profundidade as relações etimológicas e semânticas entre os termos alemães e holandeses Ratsel e raadsel (enigma; em inglês, riddle), Rat e raad (conselho), erraten. (adivinhar) e raden, verbo holandês que ainda hoje significa ao mesmo tempo "aconselhar" e "resolver" (um enigma). Também em grego existem afinidades entre alvos (sentença, provérbio) e αινιγμα (enigma). Há uma estreita interligação cultural entre palavras como conselho, enigma, mito, lenda, provérbio etc. Mas basta lembrar de passagem estes aspectos, para imediatamente passar às diversas direções seguidas pelo enigma em sua evolução. Podemos concluir que originariamente o enigma era um jogo sagrado, e por isso se encontrava para além de toda distinção possível entre o jogo e a seriedade. Era ambas as coisas ao mesmo tempo: um elemento ritualístico da mais alta importância, sem deixar de ser essencialmente um jogo. À medida que a civilização vai 94
  • 95.
    evoluindo, o enigmabifurca-se em dois sentidos diferentes: de um lado a filosofia mística e de outro, o simples divertimento. Mas não devemos pensar que nesta evolução se tenha verificado uma decadência da seriedade, passando a ser jogo, ou uma elevação do jogo até o nível da seriedade. Pelo contrário, o que se passa é que a civilização vai gradualmente fazendo surgir uma certa divisão entre dois modos da vida espiritual, aos quais chamamos "jogo" e "seriedade", e que originariamente constituía um meio espiritual contínuo, do qual surgiu a própria civilização O enigma ou, em termos menos específicos, a adivinhação, é, considerando à parte seus efeitos mágicos, um elemento importante das relações sociais. Como forma de divertimento social se adapta a toda a espécie de esquemas literários e rítmicos, como por exemplo as perguntas em cadeia, onde cada pergunta conduz a outra, do conhecido tipo "O que é mais doce que o mel?" etc. Os gregos gostavam muito da aporia como jogo de sociedade, ou seja, de fazer perguntas às quais era impossível dar uma resposta definitiva. Isto pode ser considerado uma forma moderada do enigma fatal. O "enigma da Esfinge" ainda ecoa vagamente nas formas mais tardias do jogo de enigmas, o tema da pena de morte permanece sempre no pano de fundo. Um dos exemplos mais característicos da maneira como a tradição o modificou é a estória do encontro de Alexandre o Grande com os "gimnosofistas" indianos. O conquistador tomou uma cidade que ousara oferecer resistência, e mandou que trouxessem à sua presença os dez sábios responsáveis por essa decisão. Deviam eles responder a um certo número de perguntas insolúveis feitas pelo próprio conquistador. Cada resposta errada significaria a morte, e o que respondesse pior morreria primeiro. O juiz deste último aspecto deveria ser um dos dez sábios. Caso seu julgamento fosse considerado acertado, sua vida seria poupada. A maior parte das perguntas são dilemas de caráter cosmológico, variantes dos enigmas védicos sagrados. Por exemplo: Quem é mais, os vivos ou os mortos? Qual é o maior, a terra ou o mar? Qual apareceu primeiro, o dia ou a noite? As respostas são artifícios lógicos, e não exemplos de sabedoria mística. Quando, finalmente, foi feita a pergunta: "Quem respondeu pior?", o juiz respondeu: "Cada um pior do que o outro", inutilizando assim todo o plano, pois se tornava impossível que algum deles fosse morto. A intenção de "pegar" o adversário é essencial no dilema, cuja resposta, obrigando o adversário a admitir alguma coisa que não estava prevista na formulação original, invariavelmente redunda em desvantagem para ele. O mesmo se verifica no enigma que comporta duas soluções, a mais óbvia das quais é obscena. No Atharvaveda encontram-se enigmas deste tipo. Merece especial atenção uma das formas literárias derivadas do enigma, por mostrar de modo muito expressivo a relação entre o lúdico e o sagrado. Esta forma é o diálogo interrogativo filosófico ou teológico O tema é sempre o mesmo: um sábio que é interrogado por outro sábio ou um determinado número de sábios. Como Zaratustra, obrigado a responder às perguntas dos sessenta sábios do rei Vistaspa, ou Salomão, respondendo às perguntas da rainha de Sabá. Na literatura brâmane, um dos temas mais freqüentes é o do jovem discípulo, o bramatchárin, chegando à corte do rei e lá sendo interrogado pelos mestres, até o momento em que a sabedoria de suas respostas leva a uma inversão dos papéis, passando ele a interrogá-los, revelando-se assim como um mestre e não um discípulo. Desnecessário seria assinalar a extrema afinidade existente entre este tema e os concursos de enigmas rituais da época arcaica. Um dos contos do Mahabharata é especialmente característico a este respeito. Os Pandavas, em sua peregrinação através das florestas, chegam às margens de uma bela lagoa. O espírito que mora em suas águas proíbe-os de beber antes de responderem a algumas perguntas. Todos os que desprezam esta exigência caem mortos por terra. Ao que Yudhisthira se declara pronto a responder às perguntas do espírito, seguindo-se um jogo de perguntas e respostas através do qual é 95
  • 96.
    exposto quase todoo sistema ético dos hindus— notável exemplo da transição entre o enigma cosmológico sagrado e o jeu d'esprit. Uma visão correta das disputas teológicas da Reforma, com a de Lutero contra Zwingli em Marburgo, em 1529, ou a de Theodore Beza contra seus colegas calvinistas e alguns prelados católicos em Poissy, em 1561, revelará que elas não passam de uma continuação direta de um imemorial costume ritualístico. Os aspectos literários do diálogo interrogativo são especialmente interessantes no caso do tratado Fali chamado Milindapanha — as Questões do rei Menandro, um dos príncipes greco-indianos, que reinou na Bactriana no século II A. C. Embora este texto não fizesse oficialmente parte dos Tripitaka, os textos sagrados dos budistas meridionais, era altamente considerado tanto por estes últimos quanto por seus irmãos do Norte, e deve ter sido composto cerca do início da era cristã. Mostra-nos ele a disputa entre Menandro e o grande Arhat, Nagasena. A obra é de teor puramente filosófico e teológico, mas pela forma e pelo tom possui um parentesco com o concurso de enigmas. Quanto a este último aspecto, o preâmbulo é um exemplo típico: Disse o rei: "Venerável Nagasena, quereis conversar comigo?" Nagasena: "Fá-lo-ei, se Vossa Majestade conversar comigo da maneira como falam os sábios; mas não o farei, se Vossa Majestade conversar comigo da maneira como falam os reis." "E qual a maneira como conversam os sábios, venerável Nagasena?" "Ao contrário dos reis, os sábios não ficam irritados quando são postos entre a espada e a parede." E o rei consente em discutir com ele em pé de igualdade, tal como no gaber do duque de Anjou. Alguns dos sábios da corte também participam; e o público é formado por quinhentos yonakas, isto é, jônios e gregos, assim como por oitenta mil monges budistas. Em atitude de desafio, Nagasena propõe um problema "que implica dois aspectos, muito profundo, difícil de resolver, mais duro que um nó". Os sábios do rei queixam-se de que Nagasena os atormenta com perguntas astuciosas de tendência herética. Muitas delas são típicos dilemas, atirados com um triunfante: "Veja Vossa Majestade se consegue sair desta!" E assim são passados em revista os problemas fundamentais da doutrina budista, expressos numa simples forma socrática. O tratado inicial da Snorra Edda, conhecido como Gyl-fagmning, também pertence ao gênero do discurso teológico interrogativo. Gangleri inicia sua disputa com Har sob a forma de uma aposta, depois de ter começado por atrair a atenção do rei Gylf com seus habilidosos malabarismos com sete espadas. O concurso de enigmas sagrado relativo à origem das coisas está ligado por transições graduais ao concurso de enigmas em que estão em jogo a honra, as posses ou a vida, e finalmente às discussões filosóficas e teológicas. Outras formas de diálogo se encontram intimamente relacionadas com estas últimas, tais como a litania e o catecismo das doutrinas religiosas. Não existe exemplo mais flagrante de inextricável mistura de todas estas formas do que o cânon do Avesta, onde a doutrina é apresentada sobretudo numa série de perguntas e respostas trocadas entre Zaratustra e Ahura Mazda18. Especialmente os Yasnas, os textos litúrgicos para os rituais de sacrifício, conservam ainda numerosos vestígios da forma lúdica primitiva. Típicas questões teológicas, relativas à doutrina, à ética e ao ritual, alternam com velhos enigmas cosmogônicos, como em Yasna, 44. Todos os versos iniciam-se pela frase de Zaratustra: "Isto te pergunto, dá-me a resposta certa, Ahura!" As perguntas iniciam-se por: "Quem é aquele que. . .?" Por exemplo: "Quem é aquele que sustentava cá em baixo a terra, e lá em cima o céu, para que não caíssem?" "Quem é aquele que uniu a rapidez ao vento e às nuvens?" "Quem é aquele que criou a bendita luz e a escuridão ... o sono e a vigília?" Ao fim, uma passagem notável mostra claramente que nos encontramos perante vestígios de um antigo concurso de enigmas: 96
  • 97.
    "Isto te pergunto,dá-me a resposta certa, Ahura! Conseguirei eu o prêmio de dez éguas, um garanhão e um camelo que me foi prometido?" Além das questões cosmogônicas, há outras de natureza mais catequética, relativas às origem e à definição da piedade, a distinção entre o bem e o mal, a pureza e a impureza, as melhores maneiras de lutar contra o espírito do mal etc. Aquele pastor suíço que, no país e no tempo de Pestalozzi, escreveu um catecismo para crianças intitulado "Pequeno livro de adivinhas" (Ratselhüchleiit) não podia saber até que ponto sua ideia era próxima da verdadeira fonte de todos os credos e catecismos. Os gregos da época mais tardia tinham plena consciência das relações existentes entre o jogo dos enigmas e as origens da filosofia. Clearco, um dos discípulos de Aristóteles, escreveu um tratado sobre os provérbios, o qual encerrava uma teoria dos enigmas, provando que originariamente o enigma fora um assunto filosófico. Diz ele: "Os antigos usavam-no como prova de sua educação (παιδεια)21, observação que nitidamente se refere ao jogo de enigmas de que acima tratamos. E, com efeito, não seria exagerado considerar os primeiros produtos da filosofia grega como derivados dos enigmas primitivos. Para Heráclito, o "filósofo obscuro", a natureza e a vida são um griphos, um enigma, e ele próprio é um decifrador de enigmas. As afirmações de Empédocles têm muitas vezes a ressonância da solução de enigmas místicos, e se revestem ainda de uma forma poética. 97 A POESIA E O LUDICO Em qualquer civilização viva e florescente, sobretudo nas culturas arcaicas, a poesia desempenha uma função vital que é social e litúrgica ao mesmo tempo. Toda a poesia da antigüidade é simultaneamente ritual, divertimento, arte, invenção de enigmas, doutrina, persuasão, feitiçaria, adivinhação, profecia e competição. Praticamente, todos os motivos característicos da poesia e do ritual arcaicos encontram-se no terceiro Canto da epopéia popular finlandesa Kalevala. O velho e sábio Vainamõinen encanta o jovem presunçoso que se atreve a desafiá-lo para uma competição de feitiçaria. A primeira competição é sobre o conhecimento das coisas naturais, a segunda sobre o conhecimento esotérico relativo às origens. Neste momento, o jovem Joukahainen pretende que parte da criação se deve a ele mesmo; ao que o velho feiticeiro canta-o para dentro da terra, para dentro do pântano, para dentro da água, e a água sobe-lhe até à cintura, até às axilas, depois até à boca, até que finalmente o jovem lhe promete sua irmã Aino. Só então Vainamõinen, sentado na "pedra da canção", canta durante mais três horas para desfazer sua poderosa mágica e libertar o ousado desafiante. Nesta façanha encontram-se unidas todas as formas de competição a que anteriormente nos referimos: concurso de insultos, de jactância, a "comparação dos homens", a competição em conhecimento cosmogônico, a competição pela noiva, o teste de resistência, o ordálio — uma prova/teste que os juristas da idade média infringiam aos acusados, que caso vencessem eram considerados inocentes, segundo o juízo divino.- num jacto ao mesmo tempo selvagem e sóbrio de imaginação poética. A verdadeira designação do poeta arcaico é Vates, o possesso, inspirado por Deus, em transe. Estas qualificações implicam ao mesmo tempo que ele possui um conhecimento extraordinário. Ele é um sábio, sha’ir, como lhe chamavam os árabes. Na mitologia dos Eddas o hidromel que é preciso beber para se transformar em poeta é preparado com o sangue de Kvasir, a mais sábia de todas as criaturas, que nunca foi interrogada em vão. O poeta-vidente vai gradualmente assumindo as figuras do profeta, do sacerdote, do adivinho, do mistagogo e do poeta tal como o conhecemos; e também o filósofo, o legislador, o orador, o demagogo, o sofista e o mestre de retórica brotam desse tipo compósito primordial que é o Vates. Todos os poetas gregos arcaicos revelam vestígios de seu progenitor comum. Sua função é eminentemente social;
  • 98.
    falam como educadorese guias do povo. São os líderes da nação, cujo lugar foi mais tarde usurpado pelos sofistas A figura do antigo vates aparece sob muitos de seus aspectos no thulr da velha literatura nórdica, que corresponde ao thyle anglo-saxão. A moderna filologia alemã traduz essa palavra por Kultredner, que significa "orador do culto. O exemplo mais típico do thulr é o starkaar, que Saxo Grammaticus corretamente traduz por vates. O thulr aparece, às vezes, como orador das fórmulas litúrgicas, em outras, como ator de um drama sagrado; em certas ocasiões, como sacerdote dos sacrifícios, e até como feiticeiro. Em outros casos, parece não passar de um poeta e orador de corte, tendo simplesmente a função do scurra — bobo ou jogral. O verbo correspondente, thylja, designa a recitação de textos religiosos, a prática da feitiçaria, ou simplesmente resmungar. O thulr é o repositório de todo o conhecimento mitológico e folclore poético. Ele é o velho sábio que conhece toda a história e tradição de um povo, que nas festas desempenha o papel de orador e é capaz de recitar de cor a genealogia dos heróis e dos nobres. Sua função específica é a peroração competitiva e o concurso de sabedoria. É sob esta forma que o encontramos como Unferd, no Beowulf. O mannjafnaar, a que antes nos referimos e os concursos de sabedoria entre Odin e os gigantes ou anões são abrangidos pelo thulr. Os conhecidos poemas anglo-saxões Widsid e O vagabundo parecem ser típicos produtos do versátil poeta da corte. Todas as características acima referidas entram muito naturalmente em nossa descrição do poeta arcaico, cuja função foi em todas as épocas ao mesmo tempo sagrada literária. Mas, fosse sagrada ou profana, sua função sempre se encontra enraizada numa forma lúdica. Os habitantes da Buru central, também chamada Rana, praticam uma forma de antífona cerimonial conhecida pelo nome de Inga fuka. Os homens e as mulheres sentam-se uns em frente dos outros e cantam pequenas canções, algumas delas improvisadas, acompanhados por um tambor. As canções são sempre de troça ou de desafio. São conhecidas nada menos de cinco espécies diferentes de Inga fuka. As canções assumem sempre a forma da estrofe e da antiestrofe, do ataque e da réplica, da pergunta e da resposta, do desafio e da desforra. Por vezes, assemelham-se a enigmas. O Inga fuka mais típico chama-se 'Inga fuka de preceder e seguir"; cada estrofe começa pelas palavras "perseguir" ou "seguir uns aos outros", como em certos jogos infantis. O elemento poético formal é constituído pela assonância que, repetindo a mesma palavra ou uma variação dela, estabelece uma ligação entre a tese e a antítese. O elemento puramente poético é constituído por uma alusão, por uma ideia brilhante surgida bruscamente, o jogo de palavras ou simplesmente o som das próprias palavras, sendo que neste processo o sentido pode perder-se completamente. Esta forma de poesia só pode ser descrita e compreendida em termos de jogo, embora obedeça a um complexo sistema de regras prosódicas. Quanto ao conteúdo, as canções são sobretudo de inspiração amorosa, ou pequenas homilias sobre a prudência e as virtudes, ou ainda de caráter satírico. Embora exista todo um repertório de Inga fukas tradicionais, a essência do gênero é a improvisação. Também acontece que os versos já existentes sejam aperfeiçoados por adições e correções. O virtuosismo é grandemente considerado, não faltando a habilidade artística. Quanto ao sentimento e ao tom, as traduções fazem lembrar o pantun malaio, o qual deve ter exercido uma certa influência na literatura de Buru, e também o muito mais remoto hai-kai japonês. Além do Inga fuka, existem em Rana outras formas de poesia, todas elas baseadas nos mesmos princípios formais, mas consistindo, por exemplo, em longas altercações entre as famílias da noiva e do noivo, durante a troca cerimonial de presentes que se realiza por ocasião do casamento a forma japonesa de poesia vulgarmente conhecida como hai-kai, pequeno poema de apenas três versos, com cinco, sete e cinco sílabas sucessivamente, que evoca uma delicada impressão do mundo das plantas ou dos animais, da natureza ou do homem, às vezes com um toque de lirismo melancólico ou de nostalgia, outras, com um rasgo de ligeiro humor. Basta dar aqui dois exemplos: 98
  • 99.
    99 Quantas coisas Em meu coração! Deixa-as flutuar No fremir do salgueiro! Ao sol, secam quimonos. Oh, as pequenas mangas Da criança morta! O hai-kai foi certamente, em sua origem, um jogo de rimas em cadeia, iniciado por um jogador e continuado pelo seguinte. Um exemplo característico da fusão entre o jogo e a poesia é ainda hoje conservado no método tradicional de recitação do Kalevala finlandês. Lõnroth, que coligiu as canções, encontrou ainda em vigor o curioso costume de dois cantores se sentarem num banco um em frente do outro, segurando as mãos um do outro e balançando-se para a frente e para trás ao mesmo tempo que vão competindo em conhecimentos das estâncias. Ás sagas islandesas descrevem uma forma semelhante de recitação (Eddas escrito em nórdico antigo). Todas estas formas tiveram um grande desenvolvimento no extremo oriente. Em sua lúcida interpretação e reconstituição dos textos da China antiga, Marcel Granet oferece-nos um quadro de todo o sistema de competições poéticas entre rapazes e moças que floresceu na época pastoril. No Anam foi descoberto um sistema semelhante ainda vigente, o qual foi descrito com grande exatidão pelo erudito anamita Nguyen van Huyen12. Aqui, o "argumento" poético, que pouco encobre o namoro declarado, possui frequentemente um caráter altamente sofisticado, baseado numa série de provérbios que, aparecendo no final de cada estância, servem como testemunhos irrefutáveis da causa do amante. Encontra-se uma forma idêntica nos débats da França do século XV. Todavia há outras formas de poesia, especialmente no Extremo Oriente, que devem ser consideradas atividades culturais realizadas dentro de um espírito agonístico. Como por exemplo quando se impõe a alguém a tarefa de improvisar um poema a fim de quebrar um "feitiço" ou sair de uma situação difícil. O que importa aqui não é que esse costume tenha ou não chegado a possuir alguma importância prática para a vida quotidiana, e sim que o espírito humano tenha inúmeras vezes visto neste motivo lúdico, que é aparentado tanto ao enigma "fatal" quanto à aposta, uma maneira de exprimir, e talvez de resolver, os intrincados problemas da vida, e que a arte poética, sem visar diretamente a um efeito estético, tenha encontrado neste jogo o mais fértil solo para seu desenvolvimento. Citemos alguns exemplos tirados da obra de Nguyen van Huyen: Os alunos de um certo Dr. Tan precisavam sempre passar, em seu caminho para a escola, pela casa de uma moça que morava ao lado do professor. Quando passavam diziam sempre: "És adorável, és realmente um amor!" Isto enfurecia a moça, a qual um dia esperou por eles e lhes disse: "Bem, se vocês me amam, vou dar a vocês uma frase. Se algum de vocês for capaz de responder-me a frase correspondente dar-lhe-ei meu amor, caso contrário vocês se comprometem a dar sempre a volta para evitar passar diante de minha porta." Ela recitou a frase, e nenhum dos estudantes foi capaz de dar a resposta certa, de modo que no futuro viram-se obrigados a dar sempre uma volta à roda da casa do professor15. Trata-se de algo semelhante ao svayamvara épico, ou à corte feita a Brunilde, que aqui temos sob a forma de um idílio aldeão de estudantes anamitas. Khanh-du, da dinastia Tran, foi demitido de seu cargo devido a uma falta grave, e tornou-se vendedor de carvão em Chi Linh. Quando uma vez, durante uma de suas campanhas, o Imperador passou por essa região, encontrou o antigo mandarim e ordenou-lhe que fizesse
  • 100.
    um poema sobreo comércio do carvão. Khanh-du fez imediatamente o poema, ao que o Imperador, profundamente comovido, devolveu-lhe seus antigos títulos. A improvisação de versos em frases paralelas era um talento sem o qual ninguém podia facilmente passar no Extremo Oriente. O sucesso de uma embaixada anamita em Pequim podia por vezes depender do talento do embaixador para a improvisação em verso. Todos os membros das embaixadas precisavam ser constantemente preparados para toda a espécie de perguntas, e saber as respostas para as mil e uma charadas e enigmas que ao Imperador ou a seus mandarins apetecia perguntar17. Era a diplomacia sob forma lúdica. O jogo de perguntas e respostas em forma de verso pode também ter uma função de armazenamento de toda uma massa de conhecimentos úteis. Uma moça acaba de dizer sim a seu noivo, e ambos pretendem abrir juntos uma loja. O noivo pede-lhe para lhe dizer os nomes dos medicamentos, e todo o tesouro da farmacopéia se segue em verso. A arte da aritmética, o conhecimento das diversas mercadorias e o uso do calendário na agricultura também podem ser transmitidos de forma extremamente sucinta por este processo. As vezes, os namorados interrogam-se mutuamente, sobre questões de literatura. Fizemos notar acima que todas as formas de catecismo se relacionam diretamente com o jogo dos enigmas. O mesmo é também o caso do exame, que sempre desempenhou um papel extraordinariamente importante na vida social do Extremo Oriente. Toda civilização só muito lentamente vai abandonando a forma poética como principal método de expressão das coisas importantes para a vida da comunidade social. A poesia sempre antecede a prosa; para a expressão de coisas solenes ou sagradas, a poesia é o único veículo adequado. Não são apenas os hinos e os provérbios que são postos em verso, são também extensos tratados com por exemplo os sutras e sastras da índia antiga, ou os primeiros produtos da filosofia grega. Empédocles encerra todo seu saber em um poema, e ainda Lucrécio continua utilizando a mesma forma. Talvez, em parte, a preferência pelos versos tenha sido determinada por considerações utilitárias: uma sociedade sem livros acha mais fácil memorizar seus textos desta maneira. Mas existe uma razão mais profunda, a saber que a própria vida da sociedade arcaica possui como que uma estrutura métrica e estrófica. A poesia continua ainda hoje sendo o modo de expressão mais natural para as coisas mais "elevadas". Até 1868, os japoneses costumavam escrever em forma poética as partes mais importantes dos documentos de Estado Os historiadores do direito prestaram uma atenção especial aos vestígios de poesia no direito, pelo menos na tradição germânica. Todo estudante das leis germânicas conhece o antigo texto jurídico frisão em que uma cláusula relativa às diversas "necessidades" ou ocasiões de necessidade nas quais é preciso vender a herança de um órfão, passa de repente a um estilo lírico aliterativo: 100 "A segunda necessidade é quando o ano se torna custoso e a fome ardente invade a terra, e a criança vai morrer de fome. Pode, então, a mãe pôr à venda o patrimônio da criança, comprando para ela uma vaca, trigo etc. A terceira necessidade é quando a criança está nua e sem teto, e vem o escuro nevoeiro e o frio inverno, e cada homem se abriga em seu lar, num quente refúgio, e o animal selvagem procura a árvore oca e o refúgio das montanhas, para salvar sua vida. Então a criança menor chorará
  • 101.
    101 e gritará, e lamentará a nudez de seus membros e sua falta de abrigo, e a ausência de seu pai, que deveria tê-la defendido contra a fome e as frias névoas do inverno, e que agora jaz numa funda e escura cova, sob o carvalho e a terra, preso por quatro pregos." Creio que aqui estamos perante algo que não é apenas uma ornamentação deliberada, mas sobretudo a circunstância de a formulação da lei pertencer ainda àquela exaltada esfera do espírito em que a forma poética é o modo natural de expressão. Devido precisamente à sua brusca entrada na poesia, este exemplo frisão é típico de muitos outros; em certo sentido, é mais típico do que o Tryggdamal da antiga Islândia que, numa série de estrofes aliterantes, narra o restabelecimento da paz, comunica o pagamento de uma indenização, proíbe energicamente novas lutas e nesse momento, o propósito da declaração de que os "perturbadores da paz" serão em toda a parte considerados fora da lei, passa a ampliar este "em toda a parte" por meio de uma série de imagens poéticas: "Onde quer que os homens cacem lobos, vão à igreja os cristãos, no recinto sagrado sacrifiquem os pagãos, arda o fogo, reverdesça o campo, a criança chame pela mãe, a mãe alimente o filho, se cuide o fogo da lareira, naveguem os barcos, cintilem os escudos, brilhe o sol, caia a neve, cresçam os pinheiros, voe o falcão no longo dia de primavera (vento forte em ambas as asas), onde quer que o céu se eleve, se construa a casa, sopre o vento, corram para o mar as águas, semeiem o trigo os servos" Toda poesia tem origem no jogo: o jogo sagrado do culto, o jogo festivo da corte amorosa, o jogo marcial da competição, o jogo combativo da emulação da troca e da invectiva, o jogo ligeiro do humor e da prontidão.
  • 102.
    O que alinguagem poética faz é essencialmente jogar com as palavras. Ordena -as de maneira harmoniosa, e injeta mistério em cada uma delas, de modo tal que cada imagem passa a encerrar a solução de um enigma Na cultura arcaica, a linguagem dos poetas é o mais eficaz dos meios de expressão, desempenhando uma função muito mais ampla e vital do que a mera satisfação das aspirações literárias. Põe o ritual em palavras, é o árbitro das relações sociais, o veículo da sabedoria, da justiça e da moral. E faz tudo isto sem prejudicar seu caráter lúdico, pois o próprio quadro da cultura primitiva é um círculo lúdico. Nesta fase, as atividades culturais realizam-se sob a forma de jogos sociais; mesmo as mais utilitárias gravitam cm torno de um ou outro dos grupos lúdicos. Mas, à medida que a civilização vai ganhando maior amplitude espiritual, as regiões nas quais o fator lúdico é fraco ou quase imperceptível desenvolvem-se à custa daquelas em que ele tem livre curso. Nunca se perderam inteiramente as íntimas relações entre a poesia e o enigma. Nos skalds islandeses o excesso de clareza é considerado uma falha técnica. Os gregos também exigiam que a palavra do poeta fosse obscura. Entre os trovadores, em cuja arte a função lúdica é mais patente do que em qualquer outra, são atribuídos méritos especiais ao trobardus — o que à letra significa "poesia hermética" A representação em forma humana de coisas incorpóreas ou inanimadas é a essência de toda formação mítica e de quase toda a poesia. Neste sentido, a personificação surge a partir do momento em que alguém sente a necessidade de comunicar aos outros suas percepções. Assim, as concepções surgem enquanto atos da imaginação. Haverá razões para chamar a este hábito inato do espírito, a esta tendência para criar um mundo imaginário de seres vivos (ou talvez um mundo de ideias animadas), um jogo do espírito ou um jogo mental? Tomemos como exemplo uma das formas mais elementares da personificação, as especulações míticas a respeito da origem do mundo e das coisas, nas quais a criação é concebida como obra de alguns deuses a partir do corpo de um gigante universal. Encontramos esta concepção no Rig-Veda c no primeiro Edda. Atualmente, a filologia tende a considerar os textos onde se encontra esta lenda como uma redação literária ocorrida em época relativamente tardia. O décimo hino do Rig-Veda nos oferece uma paráfrase mística de uma matéria mítica primordial, paráfrase feita pelos sacerdotes sacrificadores, que a interpretaram em termos ritualísticos. O Ser primordial, Purusha (isto é, o homem) serviu de matéria para o universo1. Todas as coisas foram formadas a partir deste corpo, "os animais do ar, e as florestas e as aldeias"; "a lua veio de seu espírito; o sol, de seu olho; de sua boca vieram Indra e Agni; de seu hálito, o vento; de seu umbigo, a atmosfera; de sua cabeça, o céu; de seus pés, a terra; e de seus ouvidos, os quatro quadrantes do horizonte; assim eles (os deuses2) fizeram os mundos". Queimaram Purusha como oferenda. O hino é uma mistura de antigas fantasias míticas e de especulações místicas de uma fase mais tardia da cultura religiosa. Note-se de passagem que num dos versos, o décimo primeiro, surge repentinamente a nossa já conhecida interrogação: "Quando dividiram eles Purusha, em quantas partes o dividiram eles? Como foi chamada sua boca, e seus braços, e suas coxas, e seus pés?" Por que os homens subordinam as palavras à métrica, à cadência e ao ritmo? Se respondermos que é por causa da beleza ou da emoção, estaremos deslocando o problema para um terreno ainda mais difícil. Mas se respondermos que os homens fazem poesia porque sentem a necessidade do jogo social já estaremos mais próximos do alvo. A palavra rítmica nasce dessa necessidade. Só na atividade lúdica da comunidade a poesia desempenha uma função vital e possui seu pleno valor, e estes se perdem à medida em que os jogos sociais perdem seu caráter ritual ou festivo. Elementos como a rima e o dístico só adquirem sentido dentro das estruturas lúdicas intemporais e onipresentes de que derivam: golpe e contragolpe, ascensão e queda, 102
  • 103.
    pergunta e resposta,numa palavra, ritmo. Sua origem está inseparavelmente ligada aos princípios da canção e da dança, os quais por sua vez fazem parte da imemorial função do jogo. Todas as qualidades da poesia reconhecidas como próprias, como a beleza, o caráter sagrado, a magia, são desde início abrangidas pela qualidade lúdica fundamental. Segundo os imortais modelos gregos, distinguimos na poesia três grandes gêneros, o lírico, o épico e o dramático. O lírico é o que permanece mais próximo da esfera lúdica da qual todos derivam. Aqui, o lírico deve ser tomado cm sentido extremamente amplo, incluindo, além do gênero enquanto tal, todos os modos que exprimem o arrebatamento. Na escala da linguagem poética, a expressão lírica é a mais distante da lógica e a mais próxima da música e da dança. É a linguagem da contemplação mística, dos oráculos e da magia. É nela que o poeta experimenta mais intensamente a sensação de ser inspirado de fora, é nela que se encontra mais próximo da suprema sabedoria, mas também da demência. O abandono total da razão e da lógica é característico da linguagem dos sacerdotes e dos oráculos entre os povos primitivos, chegando muitas vezes a ser uma algaraviada incompreensível. Emile Faguet refere-se algures a "le grain de sottise nécessaire au lyrique moderne". Mas não é só o poeta lírico moderno que precisa dela; todo o gênero forçosamente precisa não estar submetido às limitações do intelecto. Um dos traços fundamentais da imaginação lírica é a tendência para o exagero. A poesia precisa ser exorbitante. São necessárias mais algumas explicações sobre o papel da competição na evolução da arte. Praticamente todos os exemplos conhecidos de competições em que foram dadas mostras de uma habilidade espantosa pertencem mais à mitologia, à lenda e à literatura do que propriamente à história da arte. O gosto pelo exorbitante e o miraculoso encontra seu terreno mais fértil nas estórias fantásticas contadas acerca dos artistas do passado. Os grandes portadores de cultura dos tempos primitivos, segundo as mitologias, invent aram todas as artes e ofícios que hoje constituem os tesouros da civilização em conseqüência de uma ou outra espécie de conquista, muitas vezes com risco da própria vida. Os Vedas dão a seu deus faber um nome especial: tvashtar, ou seja, aquele que faz. Foi ele que forjou o raio (vajra) para Indra. Participou de um concurso de destreza com os três rbhu ou artífices divinos, os quais fizeram os cavalos de Indra, o carro dos Asvins (os Dioscuru dos hindus) e a vaca milagrosa de Brhaspati. Os gregos tinham uma lenda sobre Politecnos e sua esposa Aeden, os quais se gabavam de amar-se mais um ao outro do que Zeus e Hera, ao que Zeus lhes enviou Eris (a Emulação), que os induziu a competir um com o outro em toda a espécie de trabalhos artísticos. Os anões artífices da mitologia nórdica pertencem à mesma tradição, assim como Wieland o Ferreiro, cuja espada era tão afiada que era capaz de cortar novelos de lã flutuando num rio. Assim também Dédalo, que sabia fazer tudo: construiu o Labirinto, fez estátuas que caminhavam, e uma vez, perante o problema de fazer passar um fio pelas sinuosidades de uma concha, resolveu-o amarrando o fio a uma formiga. Aqui, a proeza técnica encontra-se ligada ao enigma; mas, enquanto o bom enigma encontra solução num contato espiritual inesperado e surpreendente, num espécie de curto-circuito mental, a primeira muitas vezes se perde no absurdo, como na lenda da corda de areia usada para coser pedaços de pedra relatos de milagres e o espírito lúdico. Além de ser um tema dos mais freqüentes no mito e na lenda, o artesanato competitivo desempenhou um papel perfeitamente claro no desenvolvimento efetivo das artes e das técnicas. A competição em destreza, narrada pelo mito, que se estabeleceu entre Politecnos e Aedon teve de fato seus correspondentes na realidade histórica, como a competição entre Parrhasios e seu rival na ilha de Samos, para ver quem era capaz de executar a melhor representação da luta entre Ajax e Ulisses, ou a que se realizou nas festas Pítias entre Panainos e Timágoras de Calcis. Um outro exemplo é o da competição entre Fídias, Policleto e outros para a execução da mais bela estátua de uma Amazona. O caráter autenticamente histórico desses duelos é comprovado por diversos epigramas e inscrições. 103
  • 104.
    No pedestal deuma estátua de Nice pode ler-se: "Isto foi feito por Panainos que foi também o autor da acrotheria do templo, tendo com isso ganho o prêmio O lúdico está presente em todas as atividades humanas. Está inserido na esfera do universo e na alma humana, sendo uma representação dos fatos espirituais que nos cercam, uma forma poética que faz parte da imaginação humana, indissociável da essência humana, concedido a nós como expressão de liberdade do espírito e da alma humana, assim como expressão da liberdade e da vida dos seres viventes. A brincadeira é a morte da predestinação absoluta, do determinismo, da soberania absoluta, do destino, fim da mentira da imutabilidade da existência ou da pré-existência de um roteiro que determine e delimite a essência da vida. O lúdico é uma realidade espiritual e psicológica, que transcende a vida, que apoia a capacidade de crescermos, aprendermos e amadurecermos, ele nos capacita à realidade, nos prepara para vivermos e representa numerosas faces do universo em que nascemos, vivemos e morremos. É uma dimensão da alma humana. A representação, o simbolismo, os arquétipos, o drama, a dramatização, o teatro, a dança, a musica, a poesia, o canto, as artes, a escrita, a linguagem, a jurisprudência, as relações humanas, incluindo a paixão, estão permeadas pelo lúdico. Nas Escrituras veremos a apresentação de inúmeras realidades espirituais através do lúdico. Quando Sansão elabora o enigma aos convidados de seu casamento com a filisteia, quando ele arranca as portas da cidadela de Gaza está fazendo galhofa com seus habitantes, quando ele mente para Dalila por diversas vezes está brincando com ela. Quando Hamã o agagita lança sortes, ou dados, para decidir a data da matança dos judeus, está num universo lúdico. A ABERTURA DO LIVRO DE JÓ É PROPOSITADAMENTE LUDICA. Pela arbitrariedade com que a o homem moderno trata o lúdico, não compreende o “jogo” que está sendo “disputado” entre Deus e Satanás. O jogo é estigmatizado como algo ruim, é desprezado como brincadeira, mas ele é bem maior que algumas de suas percepções, ele é abrangente, ele é uma representação cósmica, “dentro de uma lampadazinha” parafraseando o Gênio de Aladim. O Espírito de Deus não lê ilegitimidade em representar a realidade espiritual como uma “disputa” porque é um pedagogo perfei to que “descomplica” para nós conceitos abstratos além de nossa capacidade e juízo. O lúdico representa o mistério, a alegria, o deslumbramento, de um modo soberbo, genial, envolvendo no mesmo instante nossos sentidos e nossa imaginação. Todo ENIGMA das Escrituras que solicita resolução é lúdico, assim como diversas profecias que adquirem caráter lúdico, propositadamente. Jeremias e Isaias emitem “zombarias” proféticas, como uma disputa de insultos, contra os falsos profetas; o falso profeta Ananias tece um colar de contas de madeira, e cria uma pequena peça teatral para representar uma profecia, colocando-o ao redor do pescoço de Jeremias. Davi se auto-convida para uma disputa entre campeões com Golias, quem vencesse representaria seu exército e teria outro como derrotado. Se ele puder pelejar comigo, e me ferir, a vós seremos por servos; porém, se eu o vencer, e o ferir, então a nós sereis por servos, e nos servireis. 1 Samuel 17:9 Paulo fala que a carreia cristã é como uma prova e que só podem permanecer nelas aqueles que “militam segundo suas regras” declarando o universo lúdico ao qual pertence a vida espiritual cristã. Anjos são vistos em visões dançando, cantando, tocando instrumentos, pulando de alegria, deslumbrados com a salvação humana, em cenas de lúdicas. Jesus disputava com os rabinos fariseus e saduceus utilizando sua linguagem técnica, suas técnicas de apodo, parábolas, questionamentos são de notório conhecimento rabínico, ele 104
  • 105.
    lança lhes questõesde acordo com suas regras de interpretação e ensino. Apocalipse lança mão de uma solene profecia em que a figura do vencedor de um jogo é o símbolo daqueles que receberão o prêmio maior que é a Vida Eterna. Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. Apocalipse 21:7 A Lei é o estabelecimento das regras e a vitória de Cristo contra o pecado é a vitória de um jogador que disputou contra o império das mortes segundo as regras humanas e o venceu dentro do domínio do tempo, num lugar determinado, a terra. Ele vence um terrível adversário sem quebrar as regras que ele mesmo impôs ao universo que em muitos aspectos é lúdico. Quem vence um jogo, recebe ao final uma recompensa, tal é o estabelecido no nosso lúdico universo: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte. Apocalipse 2:11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus. Apocalipse 2:7 Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. Apocalipse 3:21 E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, Jó lembra-se dos dias de sua felicidade como uma criança brincando diante de Deus e de seus adversários: 105 Se eu ria para eles, não o criam, e a luz do meu rosto não faziam abater; Jó 29:24 Jesus em uma de suas parábolas em Lucas dá o exemplo de uma atividade lúdica, uma batalha em que o vencedor despoja das roupas ao perdedor Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos. Lucas 11:22 A zombaria dos derrotados num jogo, como crianças que riem quando as outras perdem é retratada em Provérbios: Também de minha parte eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo o vosso temor. Provérbios 1:26
  • 106.
    Apocalipse faz clarareferência ao lúdico da existência, ao lúdico da profecia, da profecia como ensino de caráter lúdico quando declara: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. Apocalipse 2:17 Quando Ester caminha corajosamente no jardim persa d Xerxes o fará contra todas as regras vigentes arriscando a sua vida num perigoso jogo, numa cartada triunfal, o prêmio é a salvação de seu povo e a derrota significaria a perda de sua cabeça. Cerca de três anos separam a última vez que Xerxes a visitara no palácio as mulheres, e ela sem ser convidada entrará num jardim proibido, exclusivo do rei, desejando obter uma audiência. Sua caminha é o início do jogo e existem dois possíveis resultados, mas necessitará que o rei interfira nas regras do jardim, com uma peça única, seu cetro, a única coisa em todo reino da persa que pode interferir no cumprimento de uma lei pré-estabelecida pelos persas. Para sorte de Ester, antes que toquem na moça, ele levanta seu cetro real. Isaías 25 concede uma visão lúdica e assombrosa da grande vitória do Cordeiro sobre a morte no monte calvário: Como o calor em lugar seco, assim abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o cântico dos tiranos será humilhado. E o SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos uma festa com animais gordos, uma festa de vinhos velhos, com tutanos gordos, e com vinhos velhos, bem purificados. E destruirá neste monte a face da cobertura, com que todos os povos andam cobertos, e o véu com que todas as nações se cobrem. Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor DEUS as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o SENHOR o disse. A ceia de Cristo é uma atividade lúdica, uma representação de um evento profético que simboliza a vitória de Cristo contra a morte. A páscoa é uma festa, uma grandiosa festa em que cordeiros eram imolados, numa profunda representação. Antes do calvário o mundo mágico estava a mercê do cântico dos tiranos. Os grandes déspotas recebiam hinos em louvor a sua história e glória, eles se magnificavam, pois queriam ser lembrados como deuses-na-terra, como potentados, tendo seus nome gravados em rochas, suas imagens esculpidas em mármore para perpetuar a memória de seus grandes feitos. Para a população escravizada os cânticos dos tiranos era-lhes dolorosos. O mundo submisso a poderes malignos viu as civilizações praticarem atos de profunda indignidade. Atos de tremenda crueldade. Falsas religiões, falsos deuses, a escravidão, as guerras, as maldições rogadas pelos magos e feiticeiros. Na cruz o inferno é vencido e Deus concede sua Graça e sua Misericórdia, concedendo dons aos homens, e concede ao ser humano poder contra as hostes, potestades, poderes e soberanias. Paulo exaltará o momento do monte com um cântico de escárnio, uma zombaria profética: “Ó morte, ó morte, onde está teu aguilhão? E ó morte, onde deixastes cair as tuas armas?” O cântico dos tiranos foi substituído pelo cântico da vitória. Que é de caráter lúdico. 106
  • 107.
    Veja que apesarda dor e da vergonha da morte na cruz, ela simboliza um banquete. Jesus se refere ao banquete que celebra sua morte, a ceia. O Cordeiro era sacrificado no altar pelo sumo-sacerdote no dia de Com Kepler às três horas da tarde, uma garrafa de vinho aromático, com especiarias, era derramado no chão no mesmo instante e logo após ter entrado com o sangue no lugar santíssimo ele repartiria o cordeiro com os familiares dos ofertantes, no caso do cordeiro da páscoa, com os sacerdotes auxiliares e seus familiares. O vinho derramado no chão após o sacrifício do cordeiro era um vinho antigo. Vinho guardado nas recamaras do templo por anos. A morte é ZOMBADA profeticamente. Uma imagem de uma criança rindo após a derrota de um adversário numa brincadeira. Para que entendamos o caráter lúdico das coisas criadas. A cena em que Rute é “resgatada” das mãos de um parente de Boaz é uma cena lúdica. A cerimonia do pé descalço é uma representação da exoneração voluntária do direito de casar com a viúva. O termo que Paulo usa em Romanos “Jactância” é a parola dos competidores que exaltam suas próprias qualidades físicas e atléticas em detrimento dos adversários, numa competição esportiva. A poesia é filha da profecia, é baseada em jogos de palavras e nas Escrituras se reveste de solenidade, resolução de enigmas, formas e paralelismos especiais. A poesia das Escrituras é “formosa” ela possui dimensões estéticas profundas que vão desde a sonoridade das palavras, a construção das estrofes. Toda palavra dos profetas é em forma de poesia, incluindo as palavras de Jesus. Tudo que é Jesus fala ENSINANDO é inabalavelmente conectado com a poesia oriental e suas formas. É comum o uso do paralelismo hebraico, dos quiasmas, de provérbios numéricos, das perguntas enigmáticas, das pequenas histórias, o uso de parábolas. A ligação entre Jesus e a poesia, entre Cristo e o dom Palavra de Conhecimento, manifesto nas suas parábolas, que na verdade representavam ENIGMAS a serem interpretados, a serem entendidos. Uma profecia do Antigo Testamento define o modo com que Cristo proporá o seu ensino e doutrina: 107 Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade. Salmos 78:2 A linguagem profética é cheia de símiles e parábolas, essa lei é espiritual faz parte do mistério profético, do mistério da poesia e do mistério do lúdico: Falei aos profetas, e multipliquei a visão; e pelo ministério dos profetas propus símiles. Oséias 12:10 E aconteceu que Jesus, concluindo estas parábolas, se retirou dali. Mateus 13:53 Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: Mateus 22:1 E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina: Marcos 4:2 Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; Mateus 13:34
  • 108.
    108 O LUDICOEM CANTARES A beleza divina evoca o lúdico. Toda a Escritura é permeada pelo lúdico, pela poesia, pelo ritmo, pela música, pela harmonia, pelo mistério, utilizando do conceito do jogo, com todos seus elementos, incluindo o mistério, o espaço delimitado, as regras, a representação, a tensão, a recompensa, a nobreza, o esforço, as dificuldades, a realização, a alegria, o limite de tempo, a vitória, a derrota, os adversários. Vemos isso nas danças de Miriã, na ritmada e longa conversa das moças na entrada de Siló, que propositadamente alongam a conversa para reter um pouco mais o belo jovem Saul, vemos isso nas tentativas de “burlar” os desígnios divinos pagando uma recompensa ao mago Balaão e na lúdica cena da repreensão de sua mula. Há em Cantares um jogo com o som das palavras, em que o poema é construído a partir da palavra Sunamita, que em hebraico é o feminino de Salomão. Shelomite, Shelomom. Em Isaias há uma profecia que imita uma cartilha de alfabetização, simulando os sons do aprendizado da língua aramaica. Há o lúdico da cena em que Ezequiel fica estático da manhã até o entardecer, paralisado como uma estátua viva, parando a emissão de uma profecia que inicia pela manhã e que só dará continuidade ao entardecer, recomeçando do exato ponto onde parou, como se o tempo não tivesse acontecido para ele. Cantares é em absoluto, lúdico. O romance é um jogo em que a alma usa todos os recursos para conquistar a pessoa amada, disputando o coração desta segundo as regras do amor,
  • 109.
    que não sãoconhecidas por ninguém. O romance traduz um mistério, uma aceitação que depende de leis invisíveis, regras não escritas e sentimentos indeterminados. Ele é frágil, possui um tempo determinado no qual acontece, que não é definido, casais se apaixonam em segundos, minutos, horas, dias semanas! O livro é uma canção, nele ocorrerão danças e cantigas, está acontecendo uma semana de festas, o rei se disfarçará uma brincadeira, a moça correrá atrás de raposas, os irmãos correrão atrás da irmã fujona, Salomão fugirá dos afazeres, as raposas fugirão de Sunamita, Salomão fugirá de Sunamita que fugindo dos irmãos, correrá em direção do amado. A festa das vinhas que é o palco da maior de todas as Canções é banhada em vinho, cercada de banquetes, coroada de milhares de visitantes e cercada de intensa e frenética atividade na natureza, pastoris, na cidade, no palácio. O rei a conhecerá, BRINCANDO nas vinhas e ele correrá atrás dela BRINCANDO também. O jogo de palavras amorosas de cantares é uma paquera sem fim. A primeira frase que ela dirige a Salomão é uma paquera desavergonhada. “Porque seria eu como a que ERRA aos pés do rebanho de teus companheiros?”. Quando ela “conjura” as filhas de Jerusalém, é como uma cantiga de roda, em que o refrão é repetido para evitar que alguém seja tirado da brincadeira. O livro é um drama, se desenvolve como uma comédia, apresenta-se como uma canção, era recitado em casamentos e festas de Israel, era acompanhado de instrumentos e possuía uma melodia que hoje é por nós desconhecida. 109
  • 110.
    Cantares apresenta-nos atravésdo lúdico uma realidade misteriosa e transcendente, de Deus amando sua Igreja brincando com ela. Dançando com ela. Festejando sua alegria, comunhão e amor. Nota: Relendo o Evangelho a luz do lúdico na cultura mundial há muitas associações e representações que nos ajudam a compreender muitas realidades celestiais. A Cruz do calvário é mujakhara provém de uma raiz que significa "vangloriar-se", e o resultado de sua obra munafara, que significa “por em Fuga”. A Cruz é uma declaração insultuosa às hostes e potestades de Satanás, ela declara e expõe o inferno ao vitupério, ou a vergonha, ela é o sinal da derrota vergonhosa, eterna, de todo o exército adversário. Bilhões de demônios lutaram em vão. Foram todos derrotados por um só. A Profecia age como os argumentos num duelo de insultos, denegrindo as obras de Satanás e as destinando à destruição. Porque a história do ceticismo e das religiões é um insulto declarado, proposital as coisas de Deus. Quando em Romanos 1 lemos: 23 E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Tudo isso é uma zombaria. Um escárnio. Por detrás dessa caracterização inspirada pelos demônios há o eco da zombaria, do desprezo, do insulto, do ódio do inimigo que rejeita e minimiza a glória de Deus. Ele reduziu a nada, a coisas criadas, a animais, Àquele que é tudo, que é maior que tudo, que está acima de todos e que não possui no universo algo que a ele se assemelhe, para que possa ser feita alguma comparação justa. Tudo que Satanás inspira tem o escárnio como uma de suas bases. Logo após, ainda em Romanos Paulo continua: 26 Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. É uma outra zombaria. É engraçado para o inferno “mudar” o que por Deus foi estabelecido, contradizer a natureza, mudar o comportamento natural humano, alterar psicologicamente suas identidades de homem e mulher. 110
  • 111.
    Decidi reunir algumasinformações espalhadas na análise dos versos de Cantares, em alguns tópicos separados, dado a sua importância. O lúdico e o profético se entrelaçam muitas vezes nas Escrituras. Vemos isso nas danças de Miriã, na ritmada e longa conversa das moças na entrada de Siló, que propositadamente longam a conversa para reter um pouco mais o belo jovem Saul, vemos isso nas tentativas de “burlar” os desígnios divinos pagando uma recompensa ao mago Balaão e na lúdica cena da repreensão de sua mula. Quando acontecer a Dança de Maanaim necessitamos compreende-la como uma dança sagrada. E sem compreender Siló, perdemos parte da beleza do que está sendo poetizado. Perderiamos parte da essência profética da dança. A dança aconteceu de modo deslumbrante, com rica coreografia de um grande grupo de dançarinas. Ao menos duas fileiras. Sobre uma dessas fileiras é que gostaria de dar um foco muito especial. Há uma tradição profética que remonta dos dias anteriores ao nascimento de Davi, Pai de Salomão. Siló continuou a ser a capital de Israel durante 369 anos, até que a morte do grande Cohain Godol, Eli. (Zevachim 118). Até que por desrespeito ao lugar santo o Senhor permitiu que esta cidade fosse arrasada pelos filisteus (Jer. 26:6,9). é aqui que o representante e grande servo de Deus dá a ordem (ordem no sentido real) de separar a terra santa da terra dos "sh'fatim" (Js 18:1,8) O nome moderno da área é Khirbet Seilun. Há uma colina em Khirbet Seilun com uma plataforma de pedra no cume. Muitas pessoas acreditam que este é o lugar onde o Tabernáculo foi construído na Siló antiga. 111
  • 112.
  • 113.
    113 Atualmente, naregião fica a cidade de Rosh Ha’ayin. Veremo ao profeta Aijá que morava em Silo. (1Rs 12:15; 14:2, 4) anos após a morte de Salomão. Siló é o lugar do inicio das danças das Vinhas. Foi de lá que as moças raptadas formaram a nova tribo dos benjameitas. Todavia, 400 virgens de Jabes-Gileade foram levadas a Silo e mais tarde entregues aos benjamitas. Os benjamitas foram também instruídos a obterem mais esposas dentre as filhas de Silo, levando-as à força quando as moças participassem em danças de roda por ocasião da festividade anual para Jeová, realizada em Silo. — Jz 21:8-23. Em Siló morava Samuel e é nela que Saul se encontra com as namoradeiras dançarinas da cidade. Numa cena engraçadíssima, quando ele vai procurar Samuel na cidade, ele as encontra no caminho e pergunta onde é que pode encontrá-lo. A resposta é uma enrolação sem tamanho, elas esticam o quanto podem a conversa, afinal Saul era na época o jovem mais bonito de Israel.
  • 114.
    1 Ao subirema colina para chegar à cidade, encontraram algumas jovens que estavam saindo para buscar água e perguntaram a elas: “O vidente está na cidade?” 12 Elas responderam: “Sim. Ele está ali adiante. Apressem-se; ele chegou hoje à nossa cidade, porque o povo vai oferecer um sacrifício no altar que há no monte. 13 Assim que entrarem na cidade, vocês o encontrarão antes que suba ao altar do monte para comer. O povo não começará a comer antes que ele chegue, pois ele deve abençoar o sacrifício; depois disso, os convidados irão comer. Subam agora e vocês logo o encontrarão”. 114 Bastava um sim... Mas... Assim...Elas não teriam assunto... para segurar o rapaz... As filhas de Siló eram mestras em dança. Para lá afluíam todas as tribos de Israel nas festividades que aconteceram por 369 anos em Siló. E Siló também, inundada numa atmosfera de culto a Deus por tanto tempo, tornou-se a primeira escola de profetas da TERRA. A profissão de profeta no mundo, como ministério, iniciou-se em Siló. Abraão, Jacó, José e Moisés e mesmo Davi foram grandes profetas, mas é com sanuel que uma instituição que capacitava profetas surgiria. Única no mundo, cujos ensinamentos e práticas jamais forma mencionadas, presidida por Samuel, sue primeiro grão-mestre. Os aprendizes ou separados para exercer o ministério no Velho Testamento eram chamados de “filhos de profetas”. Mesmo quendo Deus separava um agricultor ou um vinhateiro de outra região para ser profeta, em algum instante, ele conheceria pessoas que nasceram do movimento espiritual originado em Siló. Compreender Siló é importante. Assim que Samuel se aposentou de ser juiz de Israel ele começou a presidir esse colégio, o grupo, essa escola não nomeada. Samuel se reunia com muitos, na região onde ainda existia o tabernáculo, já vazio, sem a arca que fora tomada pelos filisteus, e que depois ficou 20 anos numa fazenda Israelita. E lá havia poder espiritual, unção divina, a manifestação do Espírito de Deus num nível que muitos ministros da Graça, ministros do Novo Testamento jamais conhecerão. Siló é o lugar onde Jeftá, juiz de Israel, homem de origem humilde e desconsiderada, tratado como sujeito sem dignidade por ser filho de uma prostituta, será usado por Deus para operar um grande livramento. Não tinha “pai” por assim dizer, mas homem de coragem e poderoso guerreiro, que tinha uma filha dançarina e musica. Para obter uma vitória impossível ele faz um voto infeliz, que fará com que sua filha seja oferecida como serva do santuário de Siló, e por isso, não poderia se casar. Isso representava quase a morte para uma menina israelita. Mas a moça sabendo que foi ofertada como sacrifício vivo a Deus, (já que Jeftá esperava que viesse um cordeiro ou uma vaca ao seu encontro, que ofereceria em sacrifício) decide permanecer virgem e dedicando-se ao sacerdócio pelo resto de sua vida. Por 30 dias suas amigas sobem com ela até o monte da cidade para chorar sua virgindade eterna. Chorar o fato de que ela jamais poderia ser mãe. Creio que essa moça será a “mãe” das filhas de Siló. Ela manterá viva as tradições de dança, ela criará uma escola de dança em Siló. Ela será conhecida por todos, que de ano em ano a verão dançando nas festas de Israel. Ela é uma promessa viva, que jamais foi quebrada. Siló é o lugar onde ANA chora por sua esterilidade, recebendo de Deus 7 filhos. O primeiro ela ofereceu ao ministério do tabernáculo. Seu nome é Samuel. Em Siló a arca será tomada e o fogo que ficava acesso dentro do tabernáculo, aceso a mais de 370 anos, se apagará. Em Siló o sacerdócio Levitico será é rejeitado. Lá o último sacerdote levita legitimo, debaixo da ordem de Araão( irmão de Moisés), ordem ainda vigente, morrerá. Ao saber que a arca foi tomada. É lá que é dado a profecia do surgimento de uma nova ordem sacerdotal.
  • 115.
    Os levitas queministraram no templo de Salomão já estavam debaixo de outra ordenação, ou num prazo de misericórdia concedido ainda à antiga ordem. Siló será finalmente destruída e queimada a fogo. Juntamente com o antigo tabernáculo, quando o templo de Salomão estava de pé. 115 Salmos 78:60 Abandonou o tabernáculo de Siló, a tenda onde fazia morada entre os homens. Salmos 78:61 Entregou o símbolo do seu poder ao cativeiro, e seu esplendor, nas mãos do opressor. 6 então farei deste Templo o que fiz do Santuário de Siló, e desta cidade, um objeto de maldição entre todas as nações da terra!” Os filisteus ou os Assírios tomaram Siló, levaram cativos seus habitantes e incendiaram as casas e o tabernáculo. Tudo virou cinza. O ultimo sacerdote levítico que ministrou no tabernáculo se chamava Eli e possuía dois filhos. Nadabe e Abiu. Seriam os próximos sacerdotes e herdeiros das tradições sacerdotais, históricas, jurídicas e de sabedoria de Israel. Todo o Israel se reunia em Siló para aprender sobre Deus. Mas, Nadabe e Abiu eram ímpios. Moralmente deturpados. Desonestos. Avaros. Irreverentes. Neles não habitava nenhum tipo de respeito pelas coisas divinas. Usavam os sacrifícios que o povo levava para seu próprio proveito. A cena mais grotesca em relação as ofertas do Velho Testamento demonstra a completa ignorância que tinham com relação ao ofício que receberma por herança. Interromperam o Yom Kipur para retirar de sobre o altar a carne dos sacrifícios, bebâdos, e a levarem em pedaços fincados num garfo, saindo pelas cortindas do santuário, passando pela porta da tenda, em direção de suas casas. Diante de toda a multidão estarrecida. Fizeram isso diante de toda a nação, ou de pelo menos, milhares de peregrinos que se locomoveram por dias e até semanas para terem o privilégio de adorar a Deus no lugar mais sagrado da terra desta época. Esse ato é o ato final. Essa foi a atitude foi considerada tão grave por Deus que o sacerdócio foi sumariamente rejeitado. Os dois morreriam semanas depois num confronto com os filitesu, ambos, no mesmo instante em que a arca seria tomada por um exército estrangeiro. Ao receber o anuncio da morte dos filhos e da tomada da Arca, o velho Eli cairia de sua cadeira e quebraria o pescoço tendo morte imediata. Na época de Sunamita e Salomão, Siló ainda existe. Ainda existem as danças, ainda há uma escola de dançarinas. A segunda geração de profetas após Samuel está lá em Siló. Muitas das dançarinas de Siló eram filhas de profetas. As filhas de Siló eram próximas, moravam no local do maior movimento profético do Velho Testamento. Eram descendentes de Benjamitas. Todas as mães de Siló nasceram de mulheres que um dia dançaram e corriam nas festas dedicadas a Deus. E todas as moças de Siló tinham origem em avós ou bisavós raptadas. Paulo de Tarso que nascerá mil anos após esses eventos, é provavelmente, descendente de uma dessas mulheres Benjamitas. De umas das filhas de Siló. A palavra Maanaim é traduzida como (fileira de dois exércitos) em algumas versões, em outras é deixada sem tradução. Para estar ali como dançarina na presença do Rei, como dançarina principal Sunamita é extremamente formosa. E necessita ser exímia dançarina. Ela é morena, mas iluminada pelas tochas do salão, adornada de pedras e adereços brilhantes, ela literalmente, brilha. Ela ilumina o chão por onde passa, refletindo as luzes nos cristais de suas vestes. Seus véus
  • 116.
    coloridos se abrem,se desfraldam como bandeiras, e os guizos deseus pés batido ritmadamente parecem o pisar de uma tropa, os passos de um grupo de soldados correndo. Os guizos amarrados nos pés agem como instrumentos de percussão, eles marcam o ritmo, em contratempo com o barulho das pulseiras e do tamboril. Ela roda como um soldado que se movimenta com a espada em alguns instantes. Ela lembra uma guerreira. Jamais desistiu. E jamais desistirá de seu amor por Salomão. Salomão usa uma palavra que designa o sentimento (TERRIVEL) que teríamos se estivéssemos ao lado de uma tropa da antiguidade em marcha, com seus gritos de guerra. Sunamita grita, tece trechos de melodia com a voz, ainda comum nas expressões vocais Árabes, Persas Sírias e Indianas. Faz parte da requintada coreografia. Seu pano de fundo sonoro. E seus gritos são tão espetaculares que os milhares ali presentes se arrepiam. Os videos abaixo dão uma noção de vozes árabes de cantoras. 116 http://www.youtube.com/watch?v=A5z236LbZg8 http://www.youtube.com/watch?v=sSBM4l2g0SY Para que você tenha uma idéia de como as filhas de Siló... E como a Sunamita dançariam à época de Salomão. Há uma identidade preservada das danças da antiguidade nas danças folclóricas da India, e mesmo em Bollywood. A dança Israelita atual não é a dança da época de Cantares. Elas tomam de empréstimo as tradições do Exilio, que remontam ao cativeiro Assirio e Babilonico. Siló é destruida quando Israel é levado cativo pela Assiiria. E a perda de Siló é também a perda de grande parte das tradições culturais Israelitas da antiguidade, afetando profundamente as artes, o modo de vestir e a dança. As Sinagogas e a tradição oral preservaram parte dessa área, mas o testemunho bíblico é que Israel deixou de dançar nos 70 anos que passou cativo. Um dos salmos do cativeiro é uma lamentação que retrata isso "junto aos salgueiros penduramos as nossas harpas". Esse tom de saudade, um eco de tristeza ainda é presente nas musicas e nas danças atuais de Israel. Mas a tradição de Siló não se perdeu. Ela inf luenciou escolas de dança da antiguidade. A formação do estado da India possui ligação com Israel no passado. Profundas relações comerciais com Salomão. A economia da India, grande parte de suas exportações na época de Cantares estavam relacionados a Salomão. Os historiadores, dizem que o Aramaico deu sua origem ao Kharosthi (lingua raiz Hindu), tal é a identidade dos dois alfabetos. Mas foi o Kharosthi que se desenvolveu no noroeste da Índia, então influenciando a escrita Brahmi. O Brahmi, sem dúvida, foi a língua e escrita que influenciou mais de 40 línguas, estando presente no moderno alfabeto indiano. Podemos notar a influência desta língua no Khmer, no Tibetano. E, evidentemente, o Sânscrito e o Prakrit. palavra "Aramaico" vem do Aram bíblico, filho de Shem e neto de Noé. Como não havia exatamente uma porção de pessoas vivas no mundo naquela época (foi logo depois do Dilúvio), nacionalidades inteiras brotaram a partir de indivíduos. Assim, Aram era o pai da antiga civilização dos Arameanos, que falavam - sim, isso mesmo - Aramaico. O Aramaico é um grupo quase que totalmente extinto de dialetos semíticos originários do hebraico, com o qual se assemelham muito. Sua semelhança estende-se ao alfabeto escrito, que parece um tipo de hebraico e também se escreve da direita para a esquerda. Os povos da India nascem de um invasão de um grupo étnico que vem do atual Irã, denominados Areanos, ou arianos. Olhando o mapa, veremos que esse grupo "nomade" que invadiu a India tem mais a ver com os semitas, com os árabes e com Israel. Há dentre os grandes segredos de Cantares, uma pista. Salomão pede que SUNAMITA O SIGA À MORADA DOS LEOPARDOS, QUE OLHE EM DIREÇÃO AO LIBANO, QUE VENHA EM DIREÇÃO A ESTRADA DE DAMASCO, QUE ERGA OS OLHOS NESSA DIREÇÃO. Pegue um mapa e trace uma reta na direção que Salomão pede que Sunamita olhe. Você verá a INDIA. Deus guardou parte das tradições de Israel na India. Guardou parte da dança, parte de sua cultura,
  • 117.
    parte de seupassado. Deus preservou uma visão das Escrituras nas tradições, na cultu ra e sobretudo, na DANÇA. Até os dias de hoje a India possui problemas graves relacionados a morte de pessoas de diversas cidades, ocasionado por ataque de LEOPARDOS. O desconhecido autor deste Estudo compreendeu que as escolas de dança Indiana guardam consigo essa herança, escondida, dissimulada, aspergida, das antigas danças das filhas de Siló. O Natya Shastra, tratado de dança, drama, música e poesia declara por exemplo 9 estados de sentimentos ou expressões usadas nas danças. Estes nove estados são todos vistos em Cantares. 117 ------------ A história da Dança Indiana Segundo a tradição hindu, a dança não foi uma criação humana, mas divina. De acordo com os Vedas, textos sagrados do hinduísmo, a humanidade aprendeu a dançar aravés da relação divina. Os deuses eram excelentes dançarinos, e a sua arte marcava todos os momentos da existência ao longo das eras. A dança não era apenas uma expressão da dinâmica universal, mas a própria dinâmica em si. É quase impossível, portanto, dissociarmos a dança de valores eternos advindos da religião. Existem várias versões sobre a origem da dança vamos sinetizar em quatro: 1 – O conquistadores Arianos afirmam que a dança foi criada por Brahmam. 2 – Os povos que viviam na Índia antes da invasão ariana os Dravidianos afirmam que a dança foi criada por Shiva. O mais antigo deus da Índia seu culto é mais popular no Sul. Segundo a mitologia, foi na cidade de Chidambaram, Estado de Tamil Nadu –Sudeste da índia-, que Shiva teria colocado o universo em movimento por meio de sua dança. Shiva Nataraja – o Senhor dos Dançarinos. 3 – A filisofia Vaishnava aponta Krishna como criador da dança. 4 – O sistema devadasi. As mulheres celestiais, apsara, como criadoras da dança hindu. Dançavam nas festividades dos céus, e visitavam a terra. Todas as versões tem de agum modo, suas raízes nos dois tratados de dança Natya Shastra e Abhinaya Darpanam, considerados os textos mais antigos sobre a dança hindu. NATYA SHASTRA =(tratado sobre o Teatro). Escrito pos vola do século II a.C., é o mais antigo existente sobre as artes cênicas. Enciclopédia sobre teatro, detalhando todos os aspectos envolvidos em uma apresentação artística, por exemplo, as cores adequadas para a maquiagem, os tipos de movimentos de cada parte do corpo e a maneira correta de construir o palco em suas proporções exatas.
  • 118.
    ABHINAYA DARPANAM= deNandikesvara – é um manual de gestos e posturas de dança e drama datado do século III d.C.. A palavra chave é Abhinaya, ligada à comunicação de um sentimento a uma platéia. Abhinaya significa o despertar dos 9 sentimentos chamados navarasa por meio das expressões faciais: surpresa, repulsa, coragem, amor, medo, fúria, serenidade, compaixão. A plavra abhinaya pode também significar o desvelamento da beleza ou dos vários aspectos da representação por meio das palavras, gestos, maquiagem, figurinos, cenários, etc. DARPANAM = espelho,que ajuda o expectador ver toda a linguagem articulada no palco e compreender sua condição pessoal. ----------------- Dos textos acima podemos ler alguns conceitos interessantes, dentro de uma perspectiva biblica. Os Indianos concedem a dança um caráter divino, uma origem divina, que aproxima-nos da visão do livro de Jó quando evocava a dança e o cantico dos anjos na Criação do Universo. Também nos leva as festas com danças de origem em ORDENS DIVINAS, as 7 festas de Israel instituidas por Deus. Nos remete a dança ungida de Miriã, onde dançando ela PROFETIZA e ADORA, após o milagre da destruição do exército de Faraó. Eu acho muito interessante as nove expressões faciais num TRATADO DE DRAMA, TEATRO POESIA E DANÇA da antiguidade, que aproxima-se a essencia de Cantares, tudo isso, drama, teatro, poesia e dança e também muisca e canto estão presentes em CANTARES. A Sunamita vai mostrar as nove expressões faciais do tratado de Abhinaya em Cantares. Não é por coincidencia. 118 Surpresa: dos irmãos - Quem é esta que aparece como a Alva do dia? Repulsa: Já lavei os meus vestidos, já tirei as minhas vestes... Coragem: Conjuro-vos! Ó filhas de Jerusalém! Medo: (susto) Antes de eu sentir vi-me no carro de meu nobre povo Amor: Eu sou do meu amado e ele é meu Furia: Por que quereis contemplar a Sunamita? Serenidade: Eu sou ao seus olhos como aquela que acha a paz. Compaixão: Temos uma irmã pequena...que faremos dela? Alefria: Vem tu vento norte! E tu vento sul! Essas correlações não são efêmeras. Elas nos conduzem até as Escrituras, desde Noé e Sem e Aram até Salomão. E necessariamente até Siló. O vídeo abaixo é para que você tenha uma idéia de como as filhas de Siló dançariam ... e como foi a dança de Sunamita diante de Salomão. http://www.youtube.com/watch?v=xYRfLjbuUlI
  • 119.
    O livro nãoconta uma história de modo linear. Por isso é tão complicado encontrar a diretriz da trama, entender o enredo de sua história. Ele é contado em forma de “Flashback” ele é contado a partir de lembranças, ele vai narrando uma história onde você vê coisas que acontecerão num tempo futuro, antes que aconteçam. E depois será contado um pedaço do passado para você se situar na história. O tempo não flui de modo LINEAR em Cantares. Para realizar esse trabalho de “linearização” da história o autor bebeu da fonte mais próxima na dramaturgia de nossos dias a esfera do livro de cantares: 119 Os filmes românticos indianos. Segue uma lista de filmes imprescindíveis, na minha opinião, para ampliar ao leitor uma visão da narrativa, da poesia e do sentimento do livro de cantares, na dimensão humana: Rab ne Bana Jodi Veer Zaara Jab We Meet A linearização. Cantares é uma obra moderna, apesar de sua antiguidade. Ele entrecorta o passado, presente e o futuro. Como se o personagem nas primeiras cenas do filme já estivesse vivendo as cenas finais e decidisse contar sua história antes do momento decisivo do filme. O momento decisivo de Canatares é a dança de Maanaim, ou a dança dos dois coros, a dança dos dois exércitos. Na opinião do autor, há uma trama que encaminha o canção, e o conto. Há um conto escondido em Cantares. Cantares inicia-se com uma recordação, do primeiro beijo, depois menciosa ao rei e ao seu castelo, suas recamaras, menciona Jerusalém e suas filhas, como se se estivesse preparando-se para uma apresentação, e então começa a contar sua história. O encontro com o misterioso pastor, seu namoro, seu noivado, suas promessas, sua separação, seu reencontro e sua vida futura. O verso 3 mostra o instante em que o mistério do pastor é desfeito, momento em que ela conhece ao nome da pessoa que ela ama, ao verdadeiro nome. Resumidamente Salomão se disfarçará de pastor para conquistar seu amor. Se enamorará com ela, apaixonadamente. Mas o que ele faz, o faz em oculto, porque já possui nessa época cerca de sessenta rainhas. Ao se deslocar para a Casa do Líbano com sua gigantesca comitiva trouxera suas esposas, incluindo a filha de faraó. Para se encontrar com Sunamita terá que usar todos os seus fantásticos recursos, que envolverão desde os guardas até seus amigos, para conseguir o tempo necessário para viver seus dias de liberdade. Os casamentos de Salomão eram diplomáticos, eram formais, feitos para alcançar alianças politicas com diversos reinos, embora Salomão tivesse carinho com suas esposas, era uma obrigação, uma estratégia para alcançar e manter a paz. No dueto Sunamita, Salomão, eles estarão cantando as aventuras para se encontrarem. Nisso existem perigos para ambos, se
  • 120.
    a família deladescobre, ela irá apanhar muito. Se os nobres descobrem, incluindo as esposas e dentre elas a filha de faraó, as coisas ficariam muito complicadas para Salomão. Cantares é caminhar sobre o fio da navalha, é um romance que encobre uma aventura. Apesar de estar apaixonado, apesar de desejar estar com Sunamita, eles se separam, e para que Sunamita reencontre e o conquiste definitivamente ela deverá dançar diante do rei. Não somente diante do rei. Diante de todas as esposas e concumbinas, que são retratadas no capítulo 7. Creio que a história é uma reminiscência, que ela acontece num instante. Dentro da mente de Sunamita. Ela está parada diante dos convidados, usa um véu para não ser reconhecida, faz uma petição em seu coração. “filhas de Jerusalém, não olheis para mim pelo fato de eu ser morena” antes de iniciar a dança que definirá sua vida. No capítulo 5 há um pesadelo que começa com as palavras “eu dormia, mas meu coração velava. O pesadelo acontece até o capitulo 6, instante em que ela volta a adormecer suavemente, como se suspirasse nos versos: 120 Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta o rebanho entre os lírios. Entre os versos 3 e 4 do capítulo 6 há uma grande mudança Formosa és, amada minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, imponente como um exército com bandeiras. No anterior ela adormece como um cordeiro entre os lírios e agora ela se apresenta como uma cidade, como um exército, como se fosse guerrear. Essa é uma das pontes de Cantares. Toda a história é contada até o momento em que ela adormece, como uma lembrança. Mas agora a moça acordou. Esse já não é o seu passado. É o seu presente. A aventura de Cantares é chegar nesse verso. Ela não está mais no campo. Ela está no palácio, ela está diante de todos. A dançarina dançará. Está trajada como uma dançarina oriental com seus véus, há guisos ao redor de seus pés, ela está na posisão inicial de sua apresentação. E centenas tem seus olhos voltados para ela, que ousadamente se aproximou tanto do rei, que ele sente até o seu perfume, que ela fez questão de derramar sobre si mesma, abundantemente. É um grandioso banquete e ela cheira a nardo, dos primeiros versos do poema. Porque foi com esse perfume que Salomão a conheceu. Ela não está ali para entreter ao rei. Ela está ali para caçá-lo. A caçadora de raposas realizará sua maior caçada. Ela não está ali para consquistar aplausos. Ela quer somente uma única coisa. O coração do rei. É nele que a filha de Manassés (por parte de mãe), e filha de...(segredo até o final do estudo) que a maior dançarina que Sarom viu em todos os dias de sua glória, está mirando suas flechas. Ele fÊz promessas, ele a conquistou, ele conheceu sua mãe, ele dormiu com ela no campo, ele falou palavras que a mudaram, nunca homem algum teceu para mulher alguma, em toda a história da literatura, os palavras de ternura que ela recebeu. Ele cantou para ela. Ele tocou instrumentos feitos de madeira de sândalo, a coisa mais bela que que ela já ouvira. Eles cantaram juntos canções de seu povo. Ele arrancou o coração dela de dentro do peito. E agora ela iria dar o troco. Ele pode ser o rei de toda a terra. Mas ele, ainda que não saiba ainda, pertence a ela! Essa é uma das chaves de Cantares. A dança. A cena da dança de Maanaim. O capitulo 7 é a conquista final. É a dança em todo seu resplendor, ela baila, ela o atrai para ela. Ela desperta nele o afeto, a promessa, o amor.
  • 121.
    E o resultadonão poderia ser outro:  A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça como a púrpura; o rei está preso pelas tuas tranças!!!! 121 FIM DE JOGO. No capítulo 7 verso 10 termina a dança. E logo após, os próximos versos recomeça a correria da menina já com o rei a tiracolo, correndo como sempre pelos canteiros de bálsamo, e ai sim, a lua de mel. Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se estão abertas as suas flores, e se as romanzeiras já estão em flor; ali te darei o meu amor. (Cantares de Salomão 7:12) Capitulo 1 O encontro O inicio da história, as recordações, a menção do nome do amado, que em nenhuma parte da história é revelado a ela. O ambiente do palácio, no qual ela só chegará no capítulo 7. No qual ocorrerá as cenas finais do capitulo 6, a fabulosa dança. Ela está adiantando trechos da história. A caçadora de raposas se disfarça de pastora O medo de dançar, o ciúme das filhas de Jerusalém Capitulo 2 O namoro, a festa da Vinhas, a lembrança que esqueceu de caçar as raposas, eles cantam, dança, bebem e dorme juntos embriagados. Capitulo 3 O desencontro, elea é deixada sozinha, busca-o, encontra-o na festa, apresenta-o a sua família. Capitulo 4 O noivado e a proposta de casamento. A honra de Betseba que aprova o noivado. Porém Sunamita ainda não sabe que ele é muito mais que um pastor. Capitulo 5 O pesadelo, a busca pelo amado. Salomão demora a voltar, a saudade de Sunamita dá origem a um terrível pesadelo. Se não foi um pesadelo, ela quase morre sendo espancada pelos guardas, e essa crise a prepara para seu ato de suprema ousadia. Capitulo 6 O fim do pesadelo, ou o fim de uma crise que lhe concederá a condição de dançar diante do rei. As filhas de Jerusalém a ajudaram, ela ludibriou os guardas, ela fugiu dos irmão que fazem um coro pedindo que ela retorne para as vinhas, que em dado
  • 122.
    momento descobrem queela dançará. Mas não poderão assistir. É o capítulo da preparação da dança, das vestimentas que a fazem parecer uma cidade iluminada. Capitulo 7 A dança de Maanaim. A conquista, a vitória, onde a moça se revela diante do rei pelo qual se apixonou Capitulo 8 O futuro. A filha. O misterioso dono das vinhas. A recompensa dos guardas. 122
  • 123.
    Apresenta o romancede Salomão e a Sulamita. O rei Salomão, ao visitar a sua vinha do monte Líbano, na época das colheitas, da migração de pombas e de várias festas pastoris com milhares de moças dançando as antigas tradições das festas de Benjamim. Encontra-se por acaso com a formosa donzela Sulamita, que foi dançar contra a vontade dos irmãos. Deixará suas obrigações para dançar nas festas da primavera, nas festas de Benjamim. Ela procura sua liberdade nos braços de um esposo! Ela anseia agarrar algum jovem e com ele formar uma família e fugir daquela condição de servidão. E para tal irá beber muito vinho para ter a coragem de realizar a aventura do livro. É um romance regado a vinho. Em todos os instantes o vinho jorra abundante, nas palavras, nas atitudes, no palácio. Os guardas que a espancam estão bêbados. Só isso explicaria sua leviandade. Só que por ir à festa, desguarnecendo as vides permite que as raposinhas façam o maior estrago nas vinhas. Sunamita o observa atentamente a uma certa distância. Em algum instante seus olhares de cruzam e mesmo diante de tamanha pompa ela foge dele. Foge também porque também vê nele um culpado por sua situação, porque ela trabalha como ESCRAVA numa das vinhas que pertence a ele. 123 Líbano
  • 124.
  • 125.
    125 - - Sunamita é tratada como uma escrava por seus irmãos que a forçaram a trabalhar nas vinhas sem nenhum tipo de pagamento. O trabalho duro debaixo do sol fez com que ficasse diferente das suas irmãs e das antigas amigas da cidade que habitavam, Jerusalém. Uma de suas funções era armar armadilhas para capturar as raposinhas. Suas fugas e escapadelas durarão dias, a maior parte nas noites, e nesse tempo as raposinhas irão dar seu jeito de quebrar as grades ou roer as cordas. Salomão ao ver tamanha beleza se apaixona perdidamente. Poderia se dizer que ao vê-la perdeu em seu olhar ao próprio coração. Informando-se da situação o rapaz colocará a sua imensa sabedoria para trabalhar em proveito próprio. Ele, disfarçado de pastor, visitará a moça e conquistará ao seu amor. Do mesmo modo a moça se disfarçará de pastora para procura-lo. Passam uma noite de liberdade e de promessas, depois marcam um encontro frustrado. Abandonada, encrencada pela destruição causada na vinha pelas raposas, que fizeram lá um escarcéu, seguirá à sua procura sem saber quem ele é. Ela vivia submetida ao poder dos guardas, tanto nos campos quanto na cidade de Jerusalém (cf. 5,7). O drama acontece com sua separação do amado. Preparou uma noite romântica no intuito de fisgá-lo, Usará das artimanhas femininas que aprendeu, só que dará tudo errado. Ele não tinha tempo para aproximar-se sem ser reconhecido, e tem que se esconder porque o que Salomão fazia, o fazia na calada da noite. Consegue encontra-lo na cidade, convence-o a conhecer seus pais e Salomão faz-lhe promessas, até noiva com ela. Nos dias que se seguem é realizada um cerimonia de noivado, sua mãe Betseba participará, mas Salomão ainda não re3vlou sua identidade. Para Sunamita ele ainda é um pastor de ovelhas. Sem despertar suspeitas o jovem rei fugira do palácio e agora necessitava correr de volta. Não sabemos quanto tempo se passa, quando desesperada Sunamita vai atrás dele, crendo que o encontrará na cidade, mas, ali é violentamente espancada. Ou literalmente ou somente em seu pesadelo. O tempo está terminando, Salomão em breve estará deixando o Líbano para voltar para as suas atividades, porque a primavera está terminando. Em algum momento a Sunamita descobre sua identidade após muito questionar. Após descobrir quem ele é o drama se intensifica. Ela descobriu que seu amado, era somente o homem mais importante de Israel e que ele está indo embora! Após muito esforço ela o encontrará, através de um artificio. Entrará no palácio e dançará diante do rei e seus convidados. Num plano ousado ela entrará corajosamente no palácio e se revelará a ele dançando diante dos convivas, na sala do vinho. (Daí o paralelo com Ester). Ela descobriu quase no mesmo instante em que é desposada que seu amado é na verdade o rei de toda terra. Após reconhecer seu amor diante de todos, Salomão casa-se com ela e no último instante de Cantares veremos uma menina pequena, fruto dessa união. O rei Salomão possuía uma vinha, na região montanhosa de Efraim, a cerca de 50 km ao norte de Jerusalém, próximo a jezreel e do Libano, próximo as colinas de Golan. Cantares 8:11. Ele arrendou-a a administradores, Cantares 8:11, constituídas por uma mãe, dois
  • 126.
    filhos, canates 1:6,e uma filha a Sulamita, Cantares 6:13, e o que aparentava ser uma irmã mais nova, e é chamada de irmã é a grande surpresa final do livro. Ela é filha de Sunamita. Cantares 8:08. A Sulamita era "Cinderela" da família, Cantares 1:5, naturalmente bela, mas despercebida. Seus irmãos eram prováveis meio-irmãos, Cantares 1:06. Eles lhe outorgaram um trabalho difícilimo cuidar das vinhas, de modo que ela teve pouca oportunidade de cuidar de sua aparência pessoal, Cantares 1:06. Podava as vinhas e armadilhas para as raposinhas, Canção 2:15. Disfarçada, se diz pastora. Cantares 1:08. Trabalhando a céu aberto tanto, ela tornou-se morena, Cantares 1:05. Salomão disfarçadamente participará da festa e a encontrará dançando e cantando. Ele mostrou um profundo interesse nela, apesar dela mostrar-se constrangida a respeito de sua aparência pessoal; Canticos 1:06. Ela dança e canta, é bejada por ele e vai atrás dele que está disfarçado de um pastor., Canção 1:07. Ele responde evasivamente porque queria marca um encontro e sondar o interesse da menina. Cantares 1:8, mas também falou palavras de amor a ela, 1:8-10, e prometeu ricos presentes para o futuro, Cantares 1:11. Ele ganhou seu coração, noivou com ela e partiu com a promessa de que um dia voltaria. Ela sonhou com ele à noite e às vezes pensava que ele estava perto, Cantares 3:01. Após uma crise ela define sua vida através da dança de Maanaim. Cantares 3:6-7.3 (adaptado de HA Ironside, sobre o Cântico dos Cânticos, pp 17-21, resumido por Merrill Unger, Manual Bíblico de Unger, pp 299 -300 modificado pelo Welington) 126
  • 127.
    Acalme-se rabino! Aquieta-teteólogo! Arreda de mim profeta ignorante! Não te desesperes mestre! Não sou escravo da teologia sistemática. E nem da espiritualização errante. Es se capitulo não significa que vou reler Cantares com base de alguma doutrina mística, algum manual de práticas magicas ou percorrer o Caminho de Santiago do conhecimento bíblico, abraçar ternamente a maçonaria e numa bela visão ecumênica propor uma conciliação entre a Cabala e o Caminho. Acalme-se, respire fundo e acompanhe-me. Afinal, porque seria eu como a que caminha errante junto ao rebanho de teus companheiros... Jesus é Senhor, Salvador, ressurreto ao terceiro dia, manifestado na carne, justificado em espírito, nenhum outro nome há dado entre os homens pelo qual possamos ser salvos, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. Jesus que subindo, concedeu dons aos homens, no qual também temos a remissão dos pecados. Pronto. Pode colocar o lenço de volta ao bolso. Toma um analgésico e sigamos. As Escrituras brotam, qual ramos de uma videira, num mundo absurdamente mágico. O homem busca dominar as forças naturais desde o início das civilizações. Ele não somente se curvava em adoração ás divindades da antiguidade, antes desejava em muitos casos receber dela poderes, virtudes, forças para destruição de seus inimigos. Lemos a batalha de Moisés contra os magos do Egito instruídos em artes mágicas, em manuais desconhecidos por nós no qual invocaram os poderes com os quais realizavam seus atos de magia. Lemos sobre o encontro com Balaão e sua invocação em meio a rituais desconhecidos de espíritos para lhe concederem o poder de amaldiçoar. Balaão utilizava-se de uma antiga crença em que cada nação possuía seus espíritos protetores, e que para que uma nação sobrepujasse a outra na guerra deveria ter deuses mais poderosos, ou negociar através de TRAPAÇA, COMPRANDO a tal divindade da outra nação mediante sacrifícios (irresistíveis) para que a mesma deixasse de proteger sua nação. Não havia entre os povos na maioria dos sacerdócios e crenças vigentes a figura de um Deus supremo, antes de um panteão de divindades que se equivaliam em força e poder. Mesmo as deidades ou divindades consideradas as chefes, maiores, as que reinavam sobre as outras de uma determinada mitologia, egípcia, suméria, acádica, babilônica, persa, grego-romana, semita, védica, nórdica, não eram soberanas no sentido em que consideramos Deus. O nível de poder entre elas era muito próximo, dando origem a toda sorte de semi -deuses, deuses intermediários e poderes que poderiam até impedir a atuação de determinadas divindades. Grande parte das oblações, ofertas, sacrifícios da antiguidade tinham um caráter de SEDUÇÃO. Os magos, os pajés, os sacerdotes de toda espécie usavam de artifícios para “seduzir” os deuses, inebriar seus sentidos, mudar suas sentenças, perverter suas ameaças, distraindo-as, comprando-as, e em último caso, controlando-as. A base da magia antiga e mesmo moderna é uma tentativa humana de “controlar” os poderes espirituais. Através de palavras, atos, gestos, rituais. Os egípcios criam, assim como muitas civilizações no “poder oculto” das palavras. Evitavam citar os seus nomes pessoais na presença de estranhos porque o nome das pessoas estava conectada a sua essência e se a outra soubesse seu nome e fosse inimiga poderia usar o “nome” para invocar uma praga ou maldição sobre a pessoa. Palavras especiais deveriam ser escritas nas paredes dos túmulos para proporcionar ao morto poderes para ultrapassar os perigos do mundo dos mortos. Eram essas palavras mágicas escritas que seriam mais fortes que os delitos cometidos, fazendo com que a balança da justiça divina pendesse ao seu favor. Veremos a Saul consultando uma pitonisa, uma necromante, uma moça espírita que consultava entidades que julgava falecidas, num 127
  • 128.
    macabro ritual. Leremosum estranho ritual praticado por “bruxas israelitas” ou “falsas profetizas” no livro de Ezequiel que faziam trabalhos de crochê e as amarravam às suas mãos e invocavam forças para “prender” ou “amarrar” almas às suas mãos (!), significava que elas realizavam atos mágicos para mudar o comportamento dos que as consultavam de maneira que elas fizessem aquilo que a “falsa profeta” as induzia, escravizando-as espiritualmente às suas vontades. Bruxas. Leremos sobre Jezabel, considerada pelas Escrituras como um padrão de feitiçaria, talvez a mulher mais opressa (inspirada, dominada, repleta de poderes das trevas) que já tenha pisado a terra, tão cheia de feitiçaria que é relembrada profeticamente em Apocalipse. Leremos sobre as atitudes mágicas, divinatórias, práticas de adivinhação do malfadado Hamã no livro de Ester que usando ritos de magia atirava runas, ossos, pedras místicas ou qualquer coisa similar para “sortear” o dia em que ele instituiria o decreto, que se cumprido, equivaleria ao holocausto nazista. Leremos sobre o patriarca Jacó, realizando um ato mágico! Na cena em que faz “riscas” em galhos de árvores consideradas sagradas pelos povos da região onde morava, fazendo com que as ovelhas se unissem diante delas para gerar crias fortes. Leremos sobre Léia correndo com um ramalhete de mandrágoras em suas mãos, planta desde a antiguidade considerada com poderes mágicos para conceder a fertilidade feminina. O tabernáculo para os povos da antiguidade era um lugar de magos. Moisés ao levantar as mãos sobre o mar Vermelho, e fazer com este abrisse diante dos olhos trêmulos dos generais de Faraó, o faz como se fosse um poderoso mago. As pragas são “conjurações”, agem como se fossem e as palavras que Moisés falam possuem VERDADEIRAMENTE poder nelas contidas. Porque por detrás dela está a verdadeira magia, o PODER DIVINO. Toda magia da antiguidade e até a dos dias presentes é baseada na transmissão de um poder espiritual a partir de um espirito. Toda atividade mediúnica, toda manifestação de forças sobrenaturais tem como base a comunicação de forças de um ou de milhares de espíritos. Na Índia ainda existem escolas de magia, crianças são separadas em determinadas tribos e convocadas a serem treinadas na invocação e manifestação de poderes espirituais. Aprendem a praguejar, a amaldiçoar, a matar inimigos. Aprendem a contatar entidades. O misticismo árabe, judaico, africano, jamaicano, buscam poderes, normalmente invocando forças para roubar, matar ou destruir. Há neles uma herança maldita. E um destino pior que as maldições que invoca, para aqueles que tais artes praticam. Porém é assim que o ministério profético se apresenta, aparenta, aos olhos de uma mago. As manifestações do Espírito de Deus no Velho Testamento são extremamente mágicas, elas refletem a busca humana do “controle” de todas as coisas, e ao lermos sobre Samuel invocando a Deus e fazendo relampejar sobre toda a região, ao lermos sobre o poderoso raio (fogo que cai do céu) e consome o holocausto de Elias, ou lemos sobre o velo de lã que fica seco ao ser deixado ao sabor do orvalho, como prova solicitada por Gideão, são atos mágicos que estamos observando. Os mais mágicos atos que alguém poderia presenciar. A ressurreição de mortos no Velho Testamento foi buscada por todas as civilizações! Uma das coisas mais extraordinárias, mais cheias de magia divina verdadeira que ocorreu na terra dos viventes foi a ressurreição do filho mulher de Sunem. Quando Eliseu sabe de sua morte envia a Geazi, seu aprendiz, discípulo, servo e companheiro até a criança morta, carregando nas suas mãos seu bordão. Eliseu disse a Geazi: Põe o teu cinto, toma na mão o meu bastão e parte. Se encontrares alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe respondas. Porás o meu bastão no rosto do menino. 128
  • 129.
    E as ordenssão para que ele carregue um bastão, um cajado, não permitindo tocar ou abraçar a ninguém e que somente parasse ao encostar na face da criança morta o seu cajado. Os atos proféticos do Velho Testamento são extremamente mágicos. Eles são revestidos de uma profunda semelhança com atos de magia. 129 Propositalmente. A magia é a tentativa humana de realizar aquilo que o Espírito de Deus realiza naturalmente. Ela é o anseio humano do PODER que pertence a DEUS e que ele concede GRATUITAMENTE a quem ele assim desejar. O mago anseia aquilo que a psique, a alma humana, o espírito humano, não é capaz de realizar nem com apoio de milhões de almas. Que não se obtém por invocação de palavras mágicas. Uma cena que ilustra isso é do mágico que ao ver os MILAGRES que Pedro realiza, tenta COMPRAR o dom que o apóstolo possui! O PODER das trevas é negociável. Mas o poder do Espírito é uma dádiva. Deus é um operador de milagres sui generis. Nele reside o PODER, nele reside a Autoridade, a Força. Pela palavra de DEUS o universo inteiro veio a existir. Pelo Nome de Jesus os espíritos malignos são submissos. Pela intercessão da Igreja, mudamos o coração de pessoas! Não para nossos propósitos, mas para que elas sejam LIVRES! O Poder do Espírito opera a magia dos MILAGRES. Opera a magia das Curas. Opera a magia da PROFECIA. A magia então, neste contexto, age como REPRESENTAÇÃO, um PERFEITO símbolo da operação divina. Poucas coisas poderiam representar poeticamente de modo tão deslumbrante ao PODER de Deus do que um ato mágico. Nós vivemos numa realidade transcendente, envoltos num universo divino onde anjos são reais, onde a profecia é manifesta, onde milagres operam o impossível. Nas igrejas vemos o poder da oração destruindo o câncer, restaurando a visão aos cegos, e operando livramentos fantásticos. Nós vivemos do mesmo modo cercados da mesmíssima magia maligna vista no Velho testamento. Milhares de pessoas invocam hoje a entidades e a poderes. Em cada esquina de nossas cidades lê-se em alguma parede: “Trago seu amado em três dias”. “Joga -se búzios”. Alguns dos jornais descaradamente anunciam bruxos que invocam “magia negra”. Nos carros das cidades brasileiras aumentam os decalques com as figuras de “São Jorge” ou uma figura que representa espíritos invocados em rituais. Vivemos num mundo que invoca as trevas. Um mundo que caminha orientado por vozes de seres cuja missão não é auxiliar ao ser humano. O livro de Apocalipse mostra o triste momento em que três indivíduos que dominarão os sistemas econômicos, religiosos e políticos em algum momento da história futura, vomitam aquilo que os CONTROLA. Em Cantares creio que o Espírito de Deus, parafraseando a linguagem mágica, INVOCARÁ uma imagem. CONJURARÁ uma visão de sua GLÓRIA. Evocará essa realidade do seu Poder, da AUTORIDADE que ele concedeu a Igreja. Numa espetacular Cena no Livro de Cantares. Antecedendo a cena sete vezes as filhas de Jerusalém aparecem no poema, e por quatro vezes serão “conjuradas”. Uma vez elas perguntarão, porque você nos “conjura” tanto!
  • 130.
    130 Conjura dasfilhas de Jerusalém, em Ct 2,7; 3,5; 5,8 e 8,4 Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, pelas gazelas ou pelas corças do campo, não agiteis e não inquieteis o amor até que deseje. Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, pelas gazelas ou pelas corças do campo, não agiteis e não inquieteis, o amor até que deseje. Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que direis para ele? Que estou eu adoentada de amor. Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, por que agitarias e por que inquietarias o amor antes que deseje? O que é teu amado mais do que um amado, ó bela entre as mulheres? O que é teu amado mais do que um amado, que assim nos conjuras? Em dado momento, escrevendo algo que JAMAIS seria escrito por um escritor “evangélico” nas Escrituras Salomão exclama: 4.9 Enfeitiçaste-me o coração, minha irmã noiva. Enfeitiçaste-me o coração, com um olhar, com um adorno no teu colar. E finalmente a cena: Ventos no jardim 4.16 Move-te Safon (vento norte) e vem Temã (vento sul), sopra no meu jardim para que fluam seus bálsamos. Que venha meu amado para seu jardim e que coma os seus deliciosos frutos As filhas de Jerusalém são amigas da cidade. Possivelmente filhas de nobres, mercadores, filhas de sacerdotes. Elas habitam a cidade com maior fama em Israel, vivem numa das maiores metrópoles da antiguidade. O livro de lamentações de Jeremias tra ça o perfil das jovens da cidade, de como, até para caminhar sobre o chão, realizavam toda ginástica para não sujarem muito os pés. Elas eram enfeitadas, de uma pele muito branca, e mimadas.
  • 131.
    Jamais foram submetidasa trabalhos forçados e aparentemente se vestiam muitisso bem. E prendadas na arte do amor. O texto nos conduz a mulheres que parecem ter o poder de “despertar o amor”, antes mesmo que o sujeito se apixone naturalmente. Evoca “sedução”. Elas usam seus atributos e dotes físicos para despertar paixões. Mas o desejo carnal, sexual não significa necessariamente a paixão, o amor, o despertar de um grande amor. Significa “forçar a barra”, substituir por estímulos químicos algo que necessita muitas vezes de tempo para acontecer. E como é algo “forçado” nos leva diretamente a outra situação. Desveladamente mágica. A das antigas poções do amor. O termo que a Sunamita utiliza-se é bem forte e carregado de significados. Saul fará um voto e usará uma “conjuração” de amaldiçoamento, e um dos homens de Israel. vira-se para Jonas e o comunica nestes termos: Então disse um do povo: Teu pai solenemente conjurou o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão hoje. E o povo ainda desfalecia. A conjuração de Saul consistia numa MALDIÇÃO. Uma única vez o termo é usado no Novo Testamento por Paulo. Significava uma ORDEM. 131 7 Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os irmãos. A palavra conjuração também se aplicava a ENCANTADORES. Os que lançavam encantamentos ou maldições eram denominados, de CONJURADORES. A palavra hebraica usada no texto é עַבָׁש Shaba. Que é traduzida por jurar, juramento, conjurar, amaldiçoar. Conjurar vem do Latim, “jurar juntamente com”, é a cena final de muitos cursos de formação: É o instante em que a menina levanta o dedo mindinho e exige uma promessa.
  • 132.
    Evocando que aquebra de uma promessa geralmente causa a quebra da amizade, a quebra da confiança depositada, ou dá origem a uma dívida ou maldição. A Sunamita está dizendo: - Jurem-me juntas que não vão tentar seduzir meu amor! A resposta depois do quarto refrão é divertidíssima: 132 O que é teu amado mais do que um amado, que assim nos conjuras? - Quem é que disse que a gente está interessada nele? Quem é esse sujeito “maravilhoso” de quem você tanto fala? Elas DESDENHAM o amado de Sunamita porque jamais desconfiariam que tratava-se de Salomão. Mas deixando a dimensão humana do texto que é a rixa entre as meninas, entraremos na questão mágica, poeticamente falando, do texto. A Sunamita não CONJURA elas com base em algum texto das Escrituras. Não invoca o nome de Deus, ou qualquer coisa que sequer se pareça com o sacerdócio para legitimar sua “conjuração”. Ela diz, “pelas gazelas do campo”. Ela invoca a natureza. Ela pede que não façam aquilo, por amor aos animais da floresta. Parece uma fada dos filmes da Disney. Parece uma musa desses tempos de clamor ecológico no qual vivemos. Uma personagem de conto de fadas. Ela não usa termos sacerdotais, embora Cantares seja repleto de imagens que nos remete ao templo. Como se fosse uma velha que mora na floresta e faz magia campestre, como a figura de Baba Yaga, a bruxa dos contos russos. Ela não é uma feiticeira, mas ameaça como se fosse. Está enciumada. E se há algo que nos relembre uma bruxa, é uma avó com raiva. Em Cantares o nome de Deus só aparecerá de maneira sutil. Ele é uma canção amorosa e seu propósito principal não é a adoração. A canção não é sacerdotal. O objetivo da canção é ela. Sua musa. Sunamita é a inspiração. Salomão usa todos seus recursos literários para ela. Do mesmo modo, essa canção não é da IGREJA para DEUS. É dele para a igreja. A maravilha de Cantares é que representa o Espírito de Deus cantando sua paixão pela sua Amada. E sua amada responde a luz do seu mundo, do seu universo, da esfera das coisas de sua vida. E o que vemos neste texto é uma bruxa dizendo para sua amiguinhas feiticeiras:
  • 133.
    - Se vocêsse aproximarem...eu amaldiço-o vocês. Se usarem de magia pra tentar fisgar o coração de meu amado, suas bruxas, eu amaldiçoo vocês! 133 Num sentido figurado. A moça pobre ameaça as moças ricas com um poder que não possui, já que não tem a MINIMA IDÉIA de como INVOCAR uma maldição. É só ler os textos das maldições sobre o monte Ebal concedidas por Moisés, as maldições da Lei, que você ficará “encantado” com a “suavidade” da maldição da Sunamita. Ela é uma “bruxinha boa”. Nem amaldiçoar ela sabe. O texto é muito divertido. Entendendo isso fica mais claro a expressão do noivo: 4.9 Enfeitiçaste-me o coração, minha irmã noiva. Enfeitiçaste-me o coração, com um olhar, com um adorno no teu colar.
  • 134.
    O “feitiço” doqual Salomão fala é a paixão. Ele apaixonou-se perdidamente pela moça. Mas os termos que usa evocam a imagem da magia e da mágica. Como se fosse arrebatado por um “poder invisível” que ele não consegue explicar . O que também é muito engraçado. Porque ele é simplesmente o homem mais sábio que já existiu. E ainda assim não conseguia compreender ao amor. Nem depois. Já maduro ao escrever Provérbios tomará para si as palavras de um dos maiores sábios do oriente, Agur, que ele conheceu em vida, reunindo sua visão à sua coleção de provérbios, Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço: - O caminho da águia no ar; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem. Ele se diz “enfeitiçado” e “acusa” uma peça do colar do pescoço da amada. Ele brinca com ela dizendo que ela colocou uma “peça” enfeitiçada, um “talismã” em seu colar e que é por isso que ele ficou desse jeito. Cabe esclarecer a diferença entre o conceito de amuleto e talismã. O amuleto é um objeto a que se atribui poderes capazes de afastar os maus-espiritos e forças malévolas. O talismã é o objeto cuja função atribuída é a de conceder proteção ou boa-sorte, invocar ou atrair espíritos benévolos, que concederiam seu poder para proteção. Ele está então brincando com ela, dizendo que ela possui uma peça encantada em seu colar que age como talismã. Mais uma vez a imagem de uma maga. De uma feiticeira. Ele não usa a palavra “feiticeira” de um modo pejorativo. Seria para nós como o uso de “fada” dos contos europeus. Porque ela para ele é uma fada. A fada pela qual se apaixonou. Eu particularmente prefiro maga. Desde pequeno lia as aventuras da “maga patológica” em busca da moedinha numero “um” do tio Patinhas, gosto do termo, que também é usado de modo neutro nas Escrituras pelo menos duas vezes: Na corte do rei Nabucodonozor, Daniel foi consagrado “mago” e quando Jesus é visitado pelos “magos” do Oriente. Os “magos” nada mais eram que conselheiros, com vasto conhecimento astronômico, linguístico, matemático, jurídico, 134
  • 135.
    administrativo, cultural, poético,político, social, somado a leitura de ciências divinatórias e religiosas. TUDO ISSO para chegarmos a este momento. Ao jardim. Agora podemos compreender a beleza da imagem: 135 Ventos no jardim 4.16 Move-te Safon! (vento norte) e vem Temã! (vento sul),
  • 136.
    136 sopra nomeu jardim! Para que fluam seus bálsamos!
  • 137.
    137 Que venhameu amado para seu jardim e que coma os seus deliciosos frutos Agora sim. Essa é a cena que se desenvolve diante de nossos atônitos olhos. Para o mal essa moça não tem vocação, mas para o bem... Como pode, a “bruxinha de Sunem” (sim, bem notado, as bruxas de salém são um escárnio dessa passagem bíblica) que mal sabia fazer uma “conjuração” de maldição se levanta como uma profeta cheia da unção e profetiza poeticamente a beleza do Pentecostes onde um “som como de um vento impetuoso” enche o JARDIM onde estavam reunida (O cenáculo ficava envolto em magníficos jardins) a primeira igreja do Novo Testamento, e profetiza a Autoridade de Jesus quando repreende os ventos e o mar da Galiléia, diante de um grupo de discípulos aterrorizados. Mais com a o poder manifesto do que com a tempestade. E diga -se de passagem, que essa passagem bíblica ocorreu no mar da galilléia, uma passagem marítma para a antiga torre de Sunem, de onde vem, ADIVINHA QUEM? A Sunamita. Fiquei tonto. Bom, a visão é de uma moça que poeticamente tem poder para invocar os elementos, com a intenção de encher de aromas e misturar as flagrâncias do inenarrável jardim. Os paralelos são impressionantes. A moça não sabe maldizer. Nem de longe. A Igreja não pragueja, não amaldiçoa, não fere em resposta a agressão. Ela não odeia ainda que invejada, ainda que odiada. Ela não uma fonte corrompida que ora verte água pura, e em outro instante água contaminada. Ela não anseia pela morte de seus opositores. Antes ora para que alcancem a Salvação. Ela não paga o mal com o mal. Porque não é a sua natureza.
  • 138.
    Essa figura delanão saber como amaldiçoar é belíssima. Sua palavra é sempre uma palavra de Salvação. O que me lembra como as ameaças da perdição invadiram as bocas dos pregadores. E como dezenas de estudos sobre proibir à igreja de assistir isso, ou aquilo e que como os olhos malignos de muitos só conseguem perceber o inferno em tudo que é feito pelo gênero humano, num ato de hipocrisia que beira a loucura. Não desperteis o meu amor até que queira é a vocação da Sunamita em relação a Salomão. E aplica-se para a Igreja. Não pela força e nem pela violência, mas pelo meu Espírito diz o Senhor. Ela não faz violência contra seu grandioso amor. Não força interpretações expurias das Escrituras para casar-se com sua ignorância. Não grita revelações falsas para granjear autoridade espiritual falsificada. Ela não usa de argumentos humanos em substituição aquilo que não depende dela. Mas, que depende dele. Algumas jovens viveram uma vida sexual precoce, imaginaram que através do prazer poderiam forçar seus namorados a ficarem com elas. Do mesmo modo esposas desiludidas com seus esposos ofereceram-se a amantes, crendo que seu amor seria o suficiente. Profissionais de todo gênero se envolveram com colegas de trabalho em busca de promoção, reconhecimento, ou mesmo uma relação estável. Algumas meninas engravidaram para prender seus namorados. Mas o amor necessita despertar por si mesmo. Ninguém pode amar no lugar de outra pessoa. Deve haver por parte da pessoa que se ama CORRESPONDENCIA. E isso é fruto da vontade desta pessoa. Não desperteis o meu amor até que queira, significa não “emular” uma revelação, não inventar uma visão, não impor uma doutrina, sem que haja a clara manifestação do espírito nas coisas que estão sendo compartilhadas. Sua paz, sua alegria, sua edificação, seu consolo, sua presença. É assim quando ele “desperta”. No jardim a moça é revestida de glória. Ela age de modo teatral, magnifica, PODEROSA. Ela representa uma Igreja revestida de Autoridade. “Esses sinais seguirão aos que crerem” em uma cena. “maiores obras do que estas farão”. O Espírito concedendo a Igreja a dispensação de seu Poder. Ela fala e realidades espirituais são manifestas! Ela profetiza e acontece. A realidade transforma-se através de sua oração, de sua intercessão. O universo ouve sua voz, e debaixo da unção do Espírito, lhe obedece! A fé plena, desenvolvida, manifestando de modo maravilhoso o Poder divino, seja em curas, seja em sinais, seja na alegria e no amor não fingido, na mistura das fragrâncias. 138 É o momento da canção que corresponde a um forte movimento orquestral. É a igreja na sua plenitude! É uma imagem de uma deusa. Não porque ela é uma divindade. O Espírito não vê nela uma menina que não mora nessa terra dos homens. Que aprendeu com Ele, a fazer coisas extraordinárias e incomuns. (Esse texto foi escrito para o bibliólatra acender a pira incendiária com meu nome dentro, o que me lembra outro estudo – Tens demônio! https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaaEJZSVdWX0luQWM/edit?usp=sharin g O bibliólatra é o sujeito que “divinizou” a moral e as Escrituras... Ele sutilmente substituiu Cristo como seu Senhor e Salvador, pela Bíblia como sua senhora e salvadora. Em vez de permitir-se ter uma mente renovada em Cristo e ouvir a voz do Espírito ele deixou a MORAL ensinar -lhe o que era bom e o que era mal. Ele amou a letra e odiou ao Espírito de Deus; ele odiou aos dons espirituais, ele negou a palavra de Conhecimento, ele lacrou a interpretação bíblica como o fizeram os fariseus em seu tempo à sua pobre ortodoxia. Não conhecem a Cristo, se o conhecessem não negariam aos dons espirituais. Ninguém que conhece a Cristo e nega
  • 139.
    veementemente ao seuEspírito. Contudo conhecem os bibliólatatras alguma versão das Escrituras, morreriam por uma tradução baseada na stuggard pleolambum do Rei de Narnia e dariam a vida pela versão meta-paleo-massorética-setptuagintica ou por alguma versão baseada nos “melhores, mais belos, mais manuseados, mais inspirados e criticados manuscritos” das Escrituras, odiando profundamente qualquer um que ouse discordar deles. Desejamos que todos os estudiosos das Escrituras sejam versados nas duas áreas, na literária e nas coisas do Espírito, que manejem com excelência as ferramentas da erudição e as ferramentas da revelação. Que amem o estudo Depois deste doce momento... Representa-o com ela agindo como se não fosse deste mundo. Se você visse uma mulher invocando o vento e este lhe obedecendo, com certeza, pedia um autógrafo imaginando ser ela a Tempestade do X-men ou estaria correndo até agora. Não é uma coisa que se vê todo dia. Ela não pertence a este mundo. Ela possui características celestiais, como se provasse de poderes de alguma espécie de universo diferente do nosso. O Livro de Hebreus fala do dilema das pessoas que rejeitarão a Cristo mesmo após terem provado de poderes do MUNDO VINDOURO. Mas deixando de lado a crise anunciada neste versículo chama atenção a frase espetacular: 139 Hb 6.5 e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, Provaram dos poderes do mundo vindouro. Provaram – no passado - dos poderes do mundo vindouro – mundo do futuro. Que loucura é essa? Que mistério é esse, pessoas hoje exercendo poderes sobrenaturais, uma amostra, de um mundo que ainda não veio a existir? Essa é a cena representada belissimamente em Cantares. Do contato HOJE com a realidade mágica e maravilhosa a qual o crente em Cristo foi chamado, expressa de outro modo também lá em Hebreus: Hebreus 12:22-24 Mas tendes chegado ao Monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e incontáveis hostes de anjos; à assembleia geral e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a Jesus, o mediador da nova Aliança, e ao sangue da aspersão, que fala coisas melhores do que o de Abel. Então agora você compreende a cena. Ventos no jardim Move-te Safon (vento norte) e vem Temã (vento sul), sopra no meu jardim para que fluam seus bálsamos. Que venha meu amado para seu jardim e que coma os seus deliciosos frutos
  • 140.
    Agora que eujá sei chamar o safon e convocar o temã, que meu amado venha ao seu jardim, absolutamente perfumado... 140 Fluam seus bálsamos Bálsamo é uma resina conhecida muito antes de ser relatada na Bíblia; o comércio era progressivo principalmente entre os árabes, que guardavam segredo quanto à origem da manufatura inventada; costumavam assustar as pessoas dizendo que as árvores eram guardadas por serpentes ardentes. As árvores de En Gedi e Jericó eram famosas pela qualidade e o bálsamo foi trazido pela rainha de Sabá, em sementes, e dado ao rei Salomão juntamente com outros presentes. O uso do bálsamo era feito de 3 formas: Óleo santo, como um agente para cura de feridas e como antídoto para mordida de cobra e ainda um ingrediente para perfume, para o qual a resina pungente era espremida até transformar-se em óleo ou pasta. O arbusto do bálsamo chamado de bálsamo de Gileade, por engano, deve ter sido cultivado dos troncos nativos e produzidos pelos camponeses de Jericó e En Gedi em variedades superiores, do qual deriva a reputação do bálsamo de Israel. O bálsamo servia para curar, embalsamar e como incenso. O bálsamo é um arbusto de uma pequena árvores que cresce nos desertos e em áreas semi-desérticas. Pequenos cachos de flores brancas produzem fruto que são pequenas drupas contendo uma semente amarela e de muita fragrância. Aproximadamente umas 100 espécies de basamodendero como se diz do bálsamo, são resinas notáveis. As resinas são fragrâncias do bálsamo, transpiram espontaneamente ou são obtidas artificialmente pela incisão dos caules e galhos, gotas que se acumulam em blocos. Inicialmente a cor é de um verde claro brilhante que se torna marrom quando pingam no solo de onde são coletadas. Os bálsamos eram o que para nós equivale aos antibióticos, a penicilina, a água oxigenada e a anestesia, tudo junto. Eram a base do tratamento das feridas da antiguidade. O bálsamo para muitos era a diferença entre viver e morrer, dele se fazia o unguento, e ele era colocado em tiras e atado a ferida. Aquecido e inalado em forma de vapores. Imagine um mundo em que o único remédio existente, ao menos para feridas, é o bálsamo e você entenderá sua importância para o mundo antigo. A moça invoca os ventos para que eles carreguem o bálsamo. A igreja invoca o poder do Espírito para que a cura milagrosa seja manifesta em meio ao jardim dos amados. Para que qualquer um que entre nesse jardim receba o benefício da cura, da operação milagrosa, da restauração. Os gregos buscaram por anos a “panaceia” uma planta mítica que tinha o poder de curar qualquer enfermidade. Só estavam olhando para o lado errado. Tal planta não cresce na terra. Ezequiel e Apocalipse falam da árvore cujo fruto concede cura para as nações. É Cristo. http://vimeo.com/100386164
  • 141.
  • 142.
  • 143.
    143 O ROMANCEDE CANTARES
  • 144.
    Muitos teólogos nãocompreenderam o caráter lúdico de Cantares. Não compreenderam que o pastor e o rei eram o mesmo personagem e ao interpretarem o livro colocam Sunamita apaixonada pelo pastor e sendo tomada a força para o harém do rei, criando uma trama insolúvel. Os discursos se confundiriam, o maior cântico de Salomão, cantaria, não o seu grande amor, mas o amor de outro, que roubou dele, seu grande amor. Há uma qualidade nos discursos do amado que o identificam como uma única pessoa. Sua unidade. Sua sabedoria, seu profundo conhecimento sobre as questões do palácio, seu tremendo conhecimento sobre os procedimentos da guarda. O modo como o amado a nomeia do início ao fim de Cantares. O modo como o amado ama Sunamita. Pode se ver até na generosidade a alegria de Salomão, que ao final recompensa regiamente aos guardas da Vinha, com uma comissão assombrosa ao final do texto, que não condiz com a lamentação de alguém que perdeu o amor de sua vida. O livro não trata de uma farsa, Salomão não está “seduzindo” Sunamita. Em nenhum momento das Escrituras Salomão é retratado como possuindo caráter de sedutor. Mesmo porque seu passado se inicia com uma tragédia familiar que certamente deixou marcas profundas em sua psique. O livro é de um autoria de um jovem e é a suprema poesia de Salomão, justamente porque é a suprema expressão de seu amor. Salomão guardou debaixo do travesseiro uma cópia dele, seu tesouro particular. Sua maior composição, seu mais belo cântico. As declarações de Salomão fora de Cantares estão em Provérbios, e Eclesiastes. Em Provérbios ele relembra o amor de sua juventude: Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Ele assume para si um provérbio egípcio de um grande amigo, Agur, no qual ele declara coisas que o maravilhavam Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço: O caminho da águia no ar; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem. O livro de Reis declara que em sua velhice suas mulheres é que o influenciaram, de tal maneira que ele construiu templos e foi com elas neles para oferecer incenso a divindades estrangeiras. E em Eclesiastes, no qual ele reclama que devia ter vivido com ela para sempre. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol. O conhecimento geográfico do amado, sua visão perfeita sobre estações, ecológicas, correspondem ao conhecimento de um único personagem daquela época. Salomão. O único discurso do pastor deixa claro que ela não o conhece e anseia conhece-lo. Uma cantada avultosa. Até na resposta do pastor há a mesma descrição que Salomão fará sobre ela, do início ao fim do poema. “Formosa”. 144 Cantares 1:8 Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores. Cantares 6:4 Formosa és, meu amor, como Tirza, aprazível como Jerusalém, terrível como um
  • 145.
    145 exército combandeiras. É indubitavelmente, Salomão. O Romance Algumas palavras preliminares. Esse livro é embebido em vinho. Se tivesse alguma cor nas páginas seria púrpura. A atmosfera ocorre nas vinhas, os enamorados correm entre as vides, é a época das safras, da coleta, dos cantos dos pisadores de uva, do amadurecimento da safra antiga, da confecção do vinho novo, é tempo de PENTECOSTES! É a primavera israelita, são as festas dos camponeses e camponesas, é época do Templo Novo! Sunamita está literalmente embriagada e Salomão também, em alguns momentos do livro. Se espremer Cantares, pingará vinho. A moça que é a personagem principal do livro (Sunamita) é moradora de Sunem, uma cidade que fica localizada na região da Galiléia. Uma cidade pequena, porém de mulheres cujo caráter será exaltado mais que uma vez nas Escrituras. Ela é uma moça de uma família humilde, trabalhadora desde a infância, mas que participava das várias festividades agrícolas e festivais religiosos de sua época. Haviam sete festas instituídas por Moisés, mais os eventos da cidade de Jerusalém, incluindo as peregrinações de diversas regiões por ocasião das festas do recém-inaugurado templo, que substituía a antiquíssima tenda da congregação e mudava radicalmente os locais sagrados de peregrinação, antes localizado na região agrícola de Betel para a paisagem urbana de Jerusalém. Era provavelmente a moça mais nova da família e foi forçada a tomar conta de uma vinha que era possessão hereditária de sua família. Em determinada cena do texto os irmãos colocam a menina para correr e apanhar as raposas que estão tentando comer as uvas das parreiras. Imagine o que é correr atrás de um bando de raposas famintas dentro de um imenso vinhal. Dona de uma beleza extraordinária e de uma ousadia inimaginada. Sua mãe ainda vivia, mas seu pai não é mencionado em Cantares.
  • 146.
    Salomão é osegundo personagem. Filho de Davi com Betseba, após uma tragédia familiar provocada por uma paixão seguida de um ato impensado e cruel de seu pai, conforme sua história de vida. Com a implantação da nova administração de Salomão os encargos e tributos aumentaram bastante sobre os israelitas em busca de financiar as extravagancias causadas pela vaidade do novo rei. Diferentemente de seu pai Davi, Salomão era dado a alguns excessos no que dizia a manutenção da pompa, na demonstração efusiva da “glória” de seu reinado. Salomão instituiu a primeira frota de navios de Israel, com todos os barcos de projeto e tripulação estrangeira, composta a maioria de tirios e fenícios, construídos de um tipo de madeira caríssimo para sua época, transportada por centenas de quilômetros a partir de troncos com dezenas de metros de comprimento. Salomão havia equipado a seu exército com um uma infantaria com cavalos de raça, importados da Arábia e do Egito. Os cavalos de Salomão eram importados do Egito e de Keve, Cilícia. O preço de cada cavalo era de 1800 gramas de prata. E o gasto com sua cavalaria era imenso. Diz-se que no apogeu da cavalaria de Salomão o número de estábulos para guardar os animais era da ordem de 4000. 146 Israel: descoberta ruínas do palácio do rei Davi Pesquisadores dizem ter descoberto palácio do Rei Davi em Israel.
  • 147.
    147 Pesquisadores daAutoridade de Antiguidades de Israel e da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriram o que seriam dois edifícios reais com cerca de 3 mil anos na antiga cidade fortificada de Khirbet Qeiyafa. Ruínas associadas ao lendário personagem bíblico têm cerca de 3 mil anos. Depósito real para guardar impostos também foi identificado. http://www.sci-news.com/ e http://g1.globo.com Atualizado em 21/07/2013 06h30 Um desses edifícios foi identificado pelos cientistas como um palácio do lendário Rei Davi, importante figura para o cristianismo, judaísmo e islamismo, famoso pelo episódio bíblico da luta com o gigante Golias, entre outros. A segunda construção, afirmam os cientistas, é uma espécie de depósito real. Vista aérea da cidade murada (Foto: Divulgação/Sky View/Autoridade de Antiguidades de Israel/Universidade Hebraica) Os trabalhos arqueológicos da equipe de Yossi Garfinkel e Saar Ganor revelaram parte de um palácio que teria mil metros quadrados, com vários cômodos ao seu redor onde foram encontrados recipientes de alabastro, potes e vestígios da prática de metalurgia.
  • 148.
    Achados de relíquiasarqueológicas encontradas em Khirbet Qeiyafa (Clara Amit / 148 Israel Antiquities Authority) O palácio é a construção mais alta da antiga localidade, permitindo o controle sobre todas as outras casas, bem como uma vista a grandes distâncias, chegando até o Mar Mediterrâneo. De acordo com nota da Autoridade de Antiguidades, o local é ideal para mandar mensagens por meio de sinais de fumaça. O palácio, no entanto, foi muito destruído cerca de 1.400 anos após seu surgimento, quando foi transformado em sede de uma fazenda, no período do Império Bizantino.
  • 149.
    149 Palacio doRei David desenterrado em Khirbet Qeiyafa (Sky View / Hebrew University / Israel Antiquities Authority) O depósito identificado mais ao norte era um local para guardar impostos, na época coletados na forma de produtos agrícolas. Essa estrutura corrobora a ideia da existência de um reino estruturado, que cobrava tributos e tinha centros administrativos. 1 Reis 4 Durante toda a vida de Salomão, Judá e Israel viveram em plena paz e segurança em seus territórios, cada cidadão debaixo da sua videira e da sua figueira, desde Dã até Berseba. Salomão possuía quatro mil baias para os cavalos dos seus carros de guerra e doze mil cavalos de sua infantaria de guerra. Não satisfeito com sua cavalaria ele ainda solicitou a construção de 1400 carros de guerra, bigas para transporte de arqueiros e de armas. 2 Crônicas 1:14 Então Salomão juntou carros e cavaleiros; chegando a possuir mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros. E os posicionou uma parte nas guarnições de algumas cidades e a outra próxima de si, em Jerusalém. Hermon
  • 150.
    Vista para oHermon Quando a Sunamita andava pelas planícies do Líbano era comum ver centenas de carros de guerra desfilando diante de seus olhos. Milhares de cavaleiros percorriam todo o reino para vigilância das cidades e um enorme efetivo de soldados ficava constantemente acampado ao redor de Jerusalém. 150
  • 151.
    151 Vale deJezreel Diz o Josefo historiador: que havia 12.000 cavaleiros: 6.000 nas torres de atalaia, e 6.000 andava com o rei pra todo lado. Os Cavaleiros: vestiam púrpura, tírias, andavam em cavalos brancos, todos com cabeleiras compridas, e nelas eram colocados papelotes de ouro. E quando Salomão ia refrescar os pés, desciam as montanhas para o Riacho, 6.000 o acompanhavam, diz Josefo, que os raios do sol batiam na cabeleira e resplandeciam os rostos, por causa do brilho do ouro. Foram gastos13 anos para construir o palácio, por causa de sua vaidade, mais 7 anos para fazer o templo de Deus. Havia 1.400 carros de guerra, mesmo sem precisar, ninguém desafia tamanho poder na época. Diz a historia que 60.000 pessoas freqüentavam seu palácio diariamente para assentar á grande mesa com o rei. Não eram oferecidos copos de vidro, plásticos e prata, eram de ouro maciço.Para atender o numero de pessoas: 6.730 litros de farinha, mais 100 ovelhas, 30 bois e fora animais de caça. Como não havia guerras, todos os reis vinham trabalhar no reinado de Salomão e mandavam trabalhadores. A bíblia diz: que eram 153.600 no governo do rei. Sendo que 70.000 subiam montanhas para trazer madeiras de: Cedro, Acácia e Cetim, outros 80.000 subiam montanhas para buscar ouro, prata e pedras preciosas, outros 3.600 eram inspetores. Além disso, a moça morava numa região próxima a um vale por onde passavam grandes caravanas, vindas de diversas nações para homenagear o ‘grande rei’ e para conhecer o mistério de sua sabedoria, herdada de modo sobrenatural. O grande mistério que envolvia o rei Salomão é que o que ele sabia e manifestava aos ouvidos de todos os que o conheciam é um saber que não recebera dos polos de conhecimento de sua época. Os nomes mais notórios de conhecimento de homens reconhecidos como sábios e que obtiveram essa sabedoria através de diversas escolas de conhecimento, que significa aprendizado e contato com diversas civilizações, incluindo os egípcios e os árabes, foram ultrapassados por um jovem de 23 anos que não teve contato com nenhuma escola ou grupo notável dos seus dias. Tabela Como referencia para a idade de Salomão à época de Cantares: A rainha de Sabá deve ter passado diante de seus olhos arregalados quando da visita ao soberbo rei.
  • 152.
    Cafarnaum e Cesaréiacidades marítimas cujos portos ficavam a uns 60 km da habitação da Sunamita, onde chegavam os navios de Tarsis trazendo madeira de sândalo, pavões, tigres, macacos e aves raras. Salomão, tal como seu pai, foi exímio luthier (fabricante de instrumentos musicais). Percebendo a sonoridade da madeira de sândalo para uso de instrumentos projetou e construiu junto a um grupo de artesões, alaúdes. 152 (exemplos de alaúdes da antiguidade) A árvore do sândalo (Santalum album) é originário da Índia e outras partes da Ásia
  • 153.
    Na Índia, osândalo é uma árvore sagrada, e o governo a tem declarado como propriedade nacional para preservá-la da depredação ao qual tem sido exposta. Só é permitido o seu corte quando o exemplar possuir mais de trinta anos, momento em que naturalmente começa a morrer. Um tronco do sândalo demora 25 anos para adquirir uma espessura de 6 cm. Salomão realizava obras grandiosas, incluindo fortificações, cidades, aquedutos (inferência) e utilizava-se de trabalhadores forçados em todo o reino. I Reis 9:20-22 Salomão convocou para o trabalho forçado todos os não israelitas, descendentes dos amorreus, hititas, ferezeus, heveus e dos jebuzeus, sobreviventes de guerra e presos pelos israelitas, cujos descendentes continuam a trabalhar como escravos até hoje. Mas Salomão não impôs trabalho forçado a nenhum dos filhos de Israel; eles eram homens de guerra, seus capitães, os comandantes dos seus carros de guerra, oficiais, escudeiros e os condutores de carros. 153
  • 154.
    A menina quetrabalhava nas vinhas era tratada como escrava por seus irmãos se sentia duplamente injustiçada. Enquanto seus irmãos eram honrados pelo rei, que impunha trabalhos forçados Às nações conquistadas, ela era tratada como estrangeira, como uma presidiária, como uma capturada, como uma sobrevivente de guerra. Seus irmãos retiraram dela sua dignidade como israelita e agora ela trabalhava como escrava num vinhal de Salomão nas terras do Líbano. 154 E com certeza absoluta, Salomão podia estar sendo venerado por toda a terra. Mas, não por ela.
  • 155.
    Para ela elesimbolizava usurpação. Tirania. Escravidão. O dono de toda a terra permitia que seus cruéis irmãos dela se servissem, dela abusassem com trabalho duro numa vinha que não lhe pertencia. Mas que eles diziam que era responsabilidade dela. Podemos imaginar a raiva com que ela via sem poder participar, das manifestações de pompa, de glória, de poder militar, econômico, que desfilavam diariamente diante de seus olhos. E eis que chegara a época da primavera nas terras libanesas. A ecologia de Israel explodia multicolorida, as neves derretiam sobre o monte Hermon, corredeiras e cascatas eram criadas em vários locais nas subidas das encostas, dava-se inicio a migração de diversas aves, ao tempo de acasalamento de diversos animais, incluindo as pombas selvagens e os gamos dos bosques cheios de figueiras, oliveiras e lírios. Os pastores iniciariam as atividades de retirada da lã dos carneiros e tinha início as festas primaveris, as festas das colheitas. Entre as comunidades não israelitas aconteciam fest ivais a Baal com referencia ao amor de sua esposa Anat que o traria de volta da morte, e com relação aos judeus as danças da vinha, as festas de Benjamim. As festas de benjamim não tinham origem na Lei, eram festividades civis, elas tinham um caráter cultural. “Estas festas das vinhas surgiram para festejar ou rir de uma ‘trapaça”. Ou rir de uma situação criada por uma promessa impensada fruto de tremenda hostilidade entre as tribos. A hostilidade envolveu uma tragédia, a morte da esposa de um levita, estuprada por cinco homens. Eram habitantes de uma cidade benjamita, os quais se recusaram a entrega-los a justiça. A situação gerou uma guerra cerca de 120 anos antes do reinado de Salomão, benjamim contra todas as demais. Depois de terríveis batalhas todas a tribo dos benjamitas (Binyāmîn,"filho da felicidade) é quase totalmente extinta, menos 600 homens que sobreviveram fugindo para uma montanha conhecida como rocha de Rimon, próximo a Galiléia, 155
  • 156.
    156 que étambém palco de Cantares. Antes das batalhas os líderes das tribos amaldiçoaram a si mesmo e se ESCONJURAM dizendo “maldito aquele que oferecer uma de suas filhas em casamento a um benjamita”
  • 157.
    Após a guerraeles se arrependeram de terem dizimado a uma tribo inteira. Mas, como haviam conjurado uma maldição contra si mesmos, não podiam ceder mulheres para os sobreviventes. Fizeram um censo para ver se alguma tribo não havia participado da guerra contra os Benjamitas e descobriam que duas delas não haviam guerreado. Então eles enviaram uma carta de paz aos benjamitas e disseram que fossem e raptassem as moças que pudessem pegar entre os vinhais daquelas tribos e com elas casassem e pudessem crescer novamente. Afinal “raptar” não significa “oferecer”, elas não foram “dadas” foram “tomadas”. Os pais das moças “raptadas” vieram reclamar no conselho das tribos e os líderes os convenceram a não tentar retomá-las. Foram devidamente “recompensados” e assim que puderam visitaram suas filhas já casadas. Quando as viram tratadas como esposas e não como servas ou escravas, e que teriam netos e netas, se tranquilizaram. E então as moças de todas as tribos que ansiavam se casar também queriam a chance de serem raptadas. E começaram a correr no meio das vinhas brincando com seus futuros pretendentes. E assim nascia uma das mais engraçadas, festivas e alegres festas de Israel, a festa das vinhas. Milhares de adolescentes dançavam e cantavam em busca de seus amores. 157
  • 158.
    E não seriadiferente para a Sunamita de cantares. Ela irá se misturar as milhares de jovens que irão entrar mesmo que os guardas não permitam, correndo pelo interior dos vinhais enquanto fogem de seus pretendentes. Um festival regado a cânticos, instrumentos musicais, danças, brincadeiras e muito vinho. E é no meio dessa bagunça toda, que chegará o rei Salomão. O contexto rural da festa também transparece com vigor em 4,12-15, que fala de rebentos, flores silvestres e correntes d’água. A água das chuvas, ou a neve derretida, parece ter sido um elemento muito celebrado na festividade que deu origem a estes poemas A Sunamita participa da festa regada a vinho, a danças, canções e gritaria. E o rei com seus soldados, seus nobres, sua corte real, suas provisões e administradores, com inumeráveis camelos de provisões e protegido por centenas de cavaleiros e soldados armados, cercado de carros de guerra. A moça vê ao cortejo real e em algum momento os olhos dela se encontram com o do rei, que curioso com a jovem deve ter parado a procissão. Só que ela foge. Não quer contato com o home que a explora através de seus irmãos. A noite chegará e Salomão em algum momento estará imerso na atmosfera das diversas festas e intentará ir até um de seus vinhais para participar da festa. Ao que entendemos do poema de amor ele não o faz declaradamente. Salomão sabe que não poderá participar das festas de seu povo declaradamente. Não poderia dar um passo sem estar literalmente cercado de centenas de oficiais do estado. Então ele se disfarça de pastor com um grupo de amigos e vai escondido para a grande festa. E é lá que comecará a aventura narrada em Cantares. Podemos imaginar ele observando as moças correndo, as brincadeiras e finalmente a jovem Sunamita dançando, que não reconhece ao rei, a quem na verdade odeia. Indo em direção a Vinha onde avistou a Sunamita, Salomão a virá correndo e dançando. Ao se aproximar dela descobrirá mais um encanto da moça. Sua voz maravilhosa. Ela é uma exímia cantora. Como ele é. 158
  • 159.
    Ela dança diantedele e o convida a correr atrás delas nas vinhas, após muito beber vinho. Ela se perde por entre as vides, e ele convidado por ela, a segue como um adolescente, e em algum instante ele a perde de vista. Quando ela começa a cantar. Ele se guia pela sua voz e a alcança... e a derruba no chão. E então beija a menina. Ele faaz aquilo que Ariel estava tentando com o príncipe sem ter sucesso 159 E então foge! Deixando para trás de si uma moradora de Sunem, embriagada e absolutamente apaixonada. E assim começa o Cântico dos Cânticos. Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.
  • 160.
    A moça tentaráencontrar o jovem, procurando-o em virtude de suas roupas, junto aos grupos de pastores que estão nas festas. No inicio imaginei que não Salomão não soubesse quem era ela. Mas a medida que lermos Cantares veremos que ele investigou profundamente a “vitima” de sua paixão. E elaborou um estratagema minucioso para ficar com a moça. Usou todos os seus recursos, sua juventude, seu charme, disfarçou-se e talvez tenha, tocou e cantou para ela em algum momento. Sunamita necessita encontrar o sujeito ousado. E da mesma forma ela vai ser ousada. Sabe-se lá como, a menina ROUBOU um bando de cabritos. Na pior hipótese, na melhor ela pediu emprestado. Com certeza os cabritos não lhe pertenciam porque cuidar das vinhas e correr atrás de raposas o dia inteiro não lhe dariam tempo para exercer um segundo oficio. A doce trapaceira usurpando o grupo de desnorteados cabritos vai até onde fica o grupo de pastores e lá estará disfarçado Salomão. Ela o encontra com seus amigos. Tudo armação. A frase em que ela pergunta onde é que ele leva as ovelhas para beber água é uma desculpa esfarrapada, só para dar uma “cantada” nele. Na primeira frase que ela fala já insinua que sem não queria ficar “errante”que aos pés de seus companheiros...” sem você estou perdida”...Salomão percebe a deixa e ESTRATEGICAMENTE imagina um lugar longe dos olhos da multidão, mas que é conhecido de de facílimo acesso cuidando para que a moça não se perca! Marcarão um encontro entre eles na manhã seguinte, num lugar que eles escolhem, longe dos olhos da multidão, perto de onde ficam os rebanhos, em campos fora da cidade. Em dado instante em Cantares ela irá elogiar a voz melodiosa do amado. Salomão cantava para ela um dos seus primeiros 60 Cânticos...afinal ele ainda estava começando sua carreira de compositor. Lá o conquistador cantará, dançará e passará com ela a primeira noite de liberdade, para ambos. Ela, livre de seus afazeres na vinha (ela fugiu!) e ele das atividades administrativas reais. E ele pela primeira vez em sua vida, tem alguém ao seu lado não por causa de sua posição ou poder. Sequer conhece seu nome. Ele também não a chama pelo nome. Ela não sabe quem ele é ou de onde vem, e ele não leva em conta sua posição social, ou seu passado. Ela o amava de verdade, voluntária e espontaneamente e ele, apesar de ter um harém, se enamora da humildade, da franqueza, da beleza e da pureza do amor da Sunamita. Mas amanhece e o “Cinderelo” tem que deixar seu “disfarce ao contrário” para voltar a sua posição real. Porém marca com ela um segundo encontro. Um encontro onde a moça decide contra as condições sociais, assumindo riscos absurdos, entregar-se ao seu amado. Para fugir com ele daquela vida de opressão. O que ela fará será contra a vontade e sem o conhecimento de seus irmãos. Que se descobrirem são capazes de matá-la. Nesse interim várias coisas irão acontecer. As raposas farão a festa na vinha desguarnecida. A menina embriagada dormirá até tarde e só a muito custo Salomão irá acordá-la. A moça se desencontrará pelo menos duas vezes com Salomão, e duas vezes com os guardas da cidade, o primeiro de oficiais idôneos e o segundo com policiais truculentos e cruéis. As meninas de Jerusalém perceberão a beleza do pastor e intentarão paquerá -lo e ela enciumada usará de artimanhas, invocará mágicas que não sabe realizar para tentar intimidá-las com maldições inexistentes. Salomão em dado instante noiva com a moça, apresenta-lhe a su mãe, Betseba! Assume um compromisso com e menina diante de seus parentes realizando uma humilde mas belíssima celebração. Então haverá o instante dramático da história, o pesadelo da separação, depois de dias afastado, ele retorna de surpresa numa noite, mas ela revoltada pelo distanciamento, sem saber que o rei vivia uma vida-dupla, e sem saber que ele era o rei, o rechaça, mas quando finalmente decide abrir a porta do quarto onde está, Salomão já não tem mais tempo, indo de novo para o palácio realizar sua extensa agenda oficial. 160
  • 161.
    Na noite úmidaem que ele vai até a casa de Sunamita a moça inventa uma desculpa esfarrapada para que ele não entre. Quando ela finalmente se dispõe a abrir a porta, para não ser descoberto, Salomão terá fugido para uma festividade que haverá no palácio. Ao ver que o rapaz por quem se apaixonou não está na porta ela vai até cidade mais próxima e o busca, mas estava vestida ainda do modo que se preparou para receber a Salomão, e é confundida e tratada como uma prostituta pelos guardas que cercam a cidade. Ela é atacada, fica quase despida sendo auxiliada pelas moças da cidade que se ajuntam, ou a encontram após sua desesperada fuga. É salva justamente pelas moças da cidade, que tanto implicava, que a reconhecem. Ela dá uma descrição de seu amado, mas sua descrição é de um homem perfeito, etéreo, ele pode ser só um sonho! Ninguém sabe onde ele está ou para onde foi. Na minha versão: Eem algum momento um cortejo passará, e dentre eles alguém que ela reconhece muito bem. O safado. Sem-vergonha. O bandido. Então ela cai em si. Tinha se apaixonado justamente pelo homem que ela mais desprezava. E sem retorno. Ou ela finalmente compreendeu em algum instante, quem era a pessoa por quem se apaixonou Está, confusa, e em vez de voltar para sua vida comum, em vez de retornar para a opressão da escravidão decide realizar um ato de insanidade. Maior ainda que a “fuga” que não deu certo. E numa grande comédia, ela que devia perseguir as raposas, agora é perseguida pelos seus irmãos, irá em perseguição de Salomão, fugindo dos guardas que também a perseguem e seguidas de perto pelas filhas de Jerusalém. A Sunamita entrará sem ser convidada no salão real, entrará dentro do palácio e ali dançará diante do rei e de todos os seus nobres. O que ele fez encoberto pelas sombras, ela o publicará diante de todos. A dança de Maanaim é um epíteto para a dança de dois exércitos, uma competição de dança, uma apresentação com dois coros ou duas fileiras de dançarinas. A dança de Maanaim ocorrerá no capítulo 7. E assim ela o faz. Entrará no palácio de algum modo e conseguirá dançar diante do rei e de seus convidados. E em algum momento ela tirará o véu e se revelará. E diante de tal ato de coragem, não resta ao rei nenhum outro artifício se não agir da mesma maneira. Declarar seu amor pela moça diante de toda a multidão e desposar uma plebeia diante dos olhos atônitos das “filhas de Jerusalém”. 161
  • 162.
    O capítulo posterior,o 6 mostrará um casamento magnífico, a moça honrada e vestida como uma princesa que haveria de se tornar, o próximo, capitulo 7 a lua de mel do casal apaixonado 162
  • 163.
    163 e ocapítulo 8 nos trará um surpresa. Uma maravilhosa surpresa. Uma menina. Uma menina nascida da união de Salomão com a Sunamita.
  • 164.
  • 165.
    165 O MISTÉRIOde CANTARES Deus moldou a existência e a percebe de um modo esplendido. O amor em toda sua dimensão é imaginado e exercido nele, por ele e para ele. Paulo afirma que tudo existe para Cristo, e que sem ele, nada do que foi feito, se fez. Cristo concede significado aos arcabouços, as galerias, aos fios que entretecidos dão origem a realidade. Nele as dimensões divinas e a vida e a existência de todos os seres vivos, e de todos os seres viventes, convergem. Os mundos, dos lugares celestiais aos confins do universo, das dimensões invisíveis e eternas as regiões da escuridão e da morte. Converge também o tempo, e o que existe além de seus domínios. A eternidade é contida nele, e seus pensamentos abarcam das coisas anteriores a criação do cosmos às coisas inexistentes e incriadas ainda, mas já antevistas, esperadas e de antemão convocadas a existir num tempo futuro predeterminado. O que para nós ainda é inexistente o coração de Cristo já visualizava antes que nascêssemos. Na dimensão das coisas criadas o amor e a paixão humana, o afeto, o carinho, a amizade, o desejo, a saudade, a leveza do coração, o maravilhamento, o deslumbramento, a epifania, o assombro, a admiração, a celebração, o ciúme, a ira, o ódio, o medo, o terror, a angustia, o regozijo, a euforia, a ternura, a compaixão, a candura, a doçura dos sentimentos e a mudança dos nossos sentidos diante da visão de coisas afetuosas, o impacto emocionante quando adiante de sonhos realizados, desejos manifestos, das coisas que tornam nosso coração um forno, ora uma caldeira, ora um incêndio, onde as palavras não descrevem o que percebemos ou o que transformamos em sentimentos. Deus tomou nas mãos a dádiva do sentimento e através dele revelou sua beleza, seus mistério e o seu amor. A alma humana transcende a física e a química na qual subsiste. O corpo e suas reações são somente o veículo, um presente para participarmos e percebemos o universo. Tudo na terra, as folhas, o vinho, o choro e o vento, a chuva e o trovão, o canto das aves ao barulho da onda, o reflexo do luar passando por entre as folhas, o tênue brilho das estrelas no rosto da pessoa amiga, cada pedaço do universo possui marcas, emoldurando e desvendando a sublime voz daquele que ama nossa alma, que ama nosso espírito que anseia pela reciprocidade deste grandioso amor.
  • 166.
  • 167.
    Existe mais poesiafantástica e dramática, na história da eternidade do que poderíamos imaginar. Algumas vezes lírica, outras vezes um lamento, outras partes dramáticas, ou tecidas de vivas cores. A humanidade se inicia numa mulher. Numa única mulher. Esse argumento não é sujeito a refutação. Nem filosoficamente, nem cientificamente e nem religiosamente. Se contarem para você outra história estão tentando te enganar. Todos os seres humanos são parentes entre si. Fato. O resto é ficção. Somente por isso já somos, todos nós e nós todos, uma fantástica história. Se em algum lugar do universo você contasse para alguém que todos os sete bilhões e meio de pessoas vieram de uma mulher só, essa criatura gargalharia, bateria nas suas costas e diria: 167 - Essa foi ótima! Conta outra! Se estivesse em 1800 e te dissessem que em duzentos anos a população do mundo inteiro seria setes vezes maior, daqui a dois séculos, olhariam para você e procurariam alguma instituição psiquiátrica ao redor, local de onde, certamente, você fugiu. http://www.worldometers.info/br/ Fantástico, maravilhoso, milagroso, perturbador, incrível, qualquer adjetivo ainda é pobre para classificar a maravilha do processo. O cético olha com desdém e diz “natural” e suspira um inexpressivo “interessante” diante da tremenda história humana. O ceticismo lança seu olhar depressivo diante da majestade da existência. Depressivo e ingrato, diga -se de passagem. O coração humano enfermo pela incredulidade não consegue deslumbra -se com a maravilha da existência. O deslumbramento é arte de um coração de uma criança. Já dizia assim O gato que renasceu do Yogurte. https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaU2dwV0NiQm5TYVU/edit?usp=sharin g
  • 168.
    Mas voltando aoassunto da poesia fantástica, na mente divina ele propôs uma existência com enredo, uma história repleta de poesia. Preenchendo toda a história humana e também todas as histórias pessoais que dela fazem parte. A história do universo divino se entrelaça com a história humana, o celestial com o terreno, o invisível com o visível, o eterno com o temporal. Essa história que compõe a história da eternidade é trazida a existência, escrita, por assim dizer pelas mãos de um destro escritor. O Salmo 45 assim afirmava a respeito das palavras da boca do Messias. “Tuas palavras são como se tivessem sido escritas pela pena de um destro escritor”. Melhor do que falar a respeito da excelência dessa história, invisível aos olhos dos que não creem, proclamada aos ouvidos dos que creem, melhor que exaltar a poesia fantástica presente na existência, melhor demonstrá-la. 168 O Espírito Santo tinha uma proposta em comunicar seu Ensino no Antigo Testamento.
  • 169.
    Como ensinar ohomem, incapaz desde o nascimento de compreender os mistérios divinos, 169 com limitações espirituais tremendas que lhe concedessem a aptidão necessária para discernir valores espirituais, valores eternos e ternos, distinguindo entre as milhares de vozes sem sentido uma mensagem única, profunda de um amor incomparável e gracioso, como dar ao ser humano a capacidade de ouvir o inefável, de conhecer o sublime, de compreender
  • 170.
    170 a ternurada vocação celestial, a beleza do caminho de Deus? Propôs Deus contar histórias, propôs Deus escrever revestido de humanidade, propôs Deus sublimar as lágrimas, recontar os contos e recantar os cantos, deixou-se manifestar de um modo extraordinário, chamativo, cheio de contrastes e fascínio, cheio de cores e rituais que representassem a essência
  • 171.
    171 das coisasque o coração não pode captar e que os olhos humanos não podem ver. Essa é a proposta e esse vídeo concede uma ideia da voz do espírito de Deus por detrás das versos e da poesia do Antigo Testamento.
  • 172.
    172 E émais ou menos assim… http://www.youtube.com/watch?v=kdqtxEH59hE https://drive.google.com/file/d/0B54HJJ80jPtmSDlRb0pxbk1kd1U/edit?usp=sharing As Escrituras chamam a primeira mulher de Eva, mãe dos viventes. Com ela se inicia a história e dela todos somos partícipes. Ela recebe a primeira profecia “ele te morderá o calcanhar mas tua descendência lhe pisará a cabeça”. E Deus amou a humanidade como se amasse sua esposa. Israel é uma nação separada, porém representa também a humanidade. Uma mulher come do fruto proibido, a mesma que recebe a promessa de sua absolvição. Como nos contos onde a menina é amaldiçoada, mas uma porta de escape é deixada por quem faz a maldição, que quebrará o feitiço. Os contos de fada possuem uma mensagem subliminar...
  • 173.
    Uma mulher deixaráo paraíso, guardado por querubins. Saindo ela dele, junto com ela, saímos todos nós. Deus se apaixona pela humanidade no Éden. O namoro é a revelação dada a Abraão. “Sai da casa de tua parentela” é a primeira instancia do casamento ordenado em Genesis “E deixará o homem seu pai e a sua mãe e unir-se-á a sua mulher” Ou “E deixará a mulher seu pai e a sua mãe e unir-se-á ao seu homem” 173 A PROFECIA ESTÁ INTIMAMENTE LIGADA COM CANTARES. O profeta Joel declara numa PROFECIA: A vinha está seca, e a figueira murchou; a romãzeira, a palmeira, a macieira e todas as árvores do campo secaram. Secou-se, mais ainda, a alegria dos homens. Essa cena é o LIVRO DE CANTARES a beira do abismo. É como se uma horda de zumbis tivesse invadido Cantares e detonado seus jardins. Joel evoca a beleza de Cantares, a vinha, a figueira, a romãzeira, a palmeira e a macieira que são as árvores principais do livro para através de sua destruição declarar um juízo sobre Israel. Jesus é descendente de Salomão, afirma sua existência como fato histórico e também a fidedignidade do relato bíblico sobre sua grandeza e riqueza de modo magistral, numa única frase quando diz “Que nem mesmo Salomão em toda sua glória se vestiu como um lírio do campo”. Jesus possui em sua descendência de modo claro a família de Davi, a matriarca de Judá, Tamar, cujo nome é uma das chaves do livro. Até os montes evocados em Cantares são proféticos, um de modo surreal. O monte Carmelo é o palco de uma das maiores batalhas entre um profeta e seus inimigos, local de operação milagrosa única em que vemos um capitão de exército se ajoelhar diante de um profeta e pedir humildemente” desce comigo, seja preciosa a vida de meus soldados e a minha diante de ti” As pedras que são citadas em Cantares estão presentes do Efode, a coisa mais “mágica” que existia no Santuário, estão presentes na cobertura do querubim ungido na profecia de Isaias e também fazem parte dos muros de Jerusalém celestial. Jesus morre na páscoa, enquanto em todas as casas e sinagogas de Isareal eram lidas porções do livro de Cantares. Seu ministério começa com vinho novo, num casamento e termina com vinho novo numa ceia com os amigos. Ele se recusa a tomar vinho estragado. Cantares é embebido em vinho novo do início ao fim. Lendo as Escrituras percebemos que namoro e noivado com a Igreja acontecerão no EGITO. Na entrega da Lei, Israel é conduzido por Moisés, toda a nação, após três dias de preparação. E ali é anunciado um CONTRATO, a entrega da lei é o CASAMENTO. No momento em que Israel exigir um rei, sela-se o início do fim do relacionamento. O profeta Samuel fica irritado com a rejeição da palavra profética e Deus fala “Não foi a ti que desprezaram, foi a mim”. Como falaria um jovem que recebeu um fora.
  • 174.
    Israel simboliza omacrocosmo da humanidade. Se prostitui com ídolos, divindades e demônios. Pratica toda sorte de culto, que coincidentemente tem caráter sexual. A sexualidade humana foi transformada num festival religioso, explorado e mantido por diversas religiões. O conhecido hieros gamo - “casamento sagrado”. Era um libidinoso e cruel modo de escravagismo, práticas de fantasias eróticas revestidas de caráter sagrado, que serviam para a prática da pedofilia, para a destruição da adolescência e da contaminação dos casamentos dessas culturas. O resultado era o ul traje e o constrangimento, a vergonha, muitas vezes o isolamento. A prostituta cultual não era honrada ou dignificada. Ela era vendida aos templos, assim como na Grécia antiga e posteriormente em Roma. Na Índia pais ainda vendem suas filhas ao comércio sexual. Nos últimos dias (2014) temos algumas noticias que nos permitem compreender o caráter da situação: Modernamente: “O grupo "Defensores de Cristo" supostamente recrutava mulheres para manterem relações sexuais com um espanhol que alegava ser a reencarnação de Cristo, de acordo com um funcionário de um grupo de defesa das vítimas, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente sobre o caso. 174
  • 175.
    Suas seguidoras foramsubmetidas a trabalho forçado ou serviços sexuais, incluindo prostituição, de acordo com o Instituto Nacional de Imigração que disse ter aberto um processo contra o culto há mais de um ano.” As liturgias a algumas divindades da antiguidade envolviam ingestão de drogas afrodisíacas, e a pratica de sexo com prostitutas cultuais que ofereciam seus serviços como oferta aos deuses. Ofereciam sua virgindade aos templos, que recebiam o pagamento das moças que o praticavam em nome da religião. Gore Vidal conta que em seu livro “Criação” que as moças de Babilônia se sentavam milhares delas, nas entradas das cidades na época dos festivais de Tamuz, e que era costume dos visitantes lançarem uma moeda de prata em seus colos, que significava marcar um encontro dentro dos Zigurates, templos babilônicos cuja arquitetura poderia ser a mesma ou inspiradas na antiga torre de babel, e lá separadas por véus ofereciam-se aos viajantes, doando o dinheiro arrecadado, a duras penas, à divindade. Em Babilônia parece que em determinado momento da história se tornou um padrão de conduta, um rito de passagem, de tal maneira que não já não existiam mulheres adultas que se casassem virgens. O que nos leva a um texto profético que é um contraste, quando Babilônia é chamada de “virgem”. 175 Israel se prostitui com deuses, fere seu esposo, que a desposou no HOREBE. Espiritualmente Deus escolheu para si uma nação. Como um rapaz que se enamora. Como se ela fosse espiritualmente uma adolescente, uma escolhida, uma prometida. Esta é a palavra que o Senhor falou a respeito dele: A virgem, a filha de Sião, te despreza e te escarnece; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti. Jeremias 14 17 Diga-lhes isto: Que os meus olhos derramem lágrimas, noite e dia sem cessar; pois a minha filha virgem, o meu povo, sofreu um ferimento terrível, um golpe fatal. Jeremias 18 13 Portanto, assim diz o Senhor: Perguntem entre as nações se alguém já ouviu uma coisa dessas; coisa tremendamente horrível fez a virgem, Israel! Israel não se satisfaz com uma nova divindade. Uma só é pouco. Ela adota todas. Baal, Dagon, à rainha do céu, ao panteão de divindades femininas, pratica as festas da fertilidade, queima filhos para Tamuz, importa deuses do Egito, restaura os terafins que trouxera escondidos na bagagem de Raquel, aplica as práticas sexuais religiosas sugeridas por Balaão, aprende a feitiçaria e a pratica, aprende a necromancia, curva-se diante do sol, ergue objetos fálicos em todo Israel, faz procissões com imagens de toda espécie de deuses e ainda cria novos ministérios, novas ordens sacerdotais. Jeremias Que direito tem a minha amada na minha casa, visto que com muitos tem cometido grande abominação, e as carnes santas se desviaram de ti? Quando tu fazes mal, então andas saltando de prazer.
  • 176.
    Cria uma indústrianacional de fabricação de deuses. Institui sacerdócios das mais ignorantes entre os povos e desprezam absolutamente ao culto levítico. Há uma triste cena nas Escrituras em que após dezenas de anos encontram o ultimo exemplar da LEI DE MOISÈS guardada a dezenas de anos dentro de um recinto abandonado do TEMPLO DE SALOMÃO. Santificam árvores, terebintos, ciprestes, sândalos e ali criam árvores oraculares. Implantam postes ídolos em centenas de lugares. Estabelecem templos a diversas divindades em TODOS os montes de Israel. Mais de um. Guardam carros alegóricos das procissões dentro da área do santuário. E então Deus lhe concede uma carta de divórcio. Rasga o ministério Levítico e o rejeita. 176 Jeremias 3 8 Viu também que dei à infiel Israel uma certidão de divórcio e a mandei embora, por causa de todos os seus adultérios. Entretanto, a sua irmã Judá, a traidora, também se prostituiu, sem temor algum. 9 E por ter feito pouco caso da imoralidade, Judá contaminou a terra, cometendo adultério com ídolos de pedra e madeira. Simboliza isso pela menina que perde a inocência, se prostitui por dinheiro e depois gananciosa vai se degradando até que chega o ponto em que vira uma ninfomanica. Já não necessita de pagamento, busca ser saciada em qualquer lugar, por qualquer tipo de religiosidade que possa lhe oferecer alívio. E esse espírito religioso é também tem reflexo social. Jeremias 29 23 Porque cometeram loucura em Israel: adulteraram com as mulheres de seus amigos e em meu nome falaram mentiras, que eu não ordenei que falassem. Mas eu estou sabendo; sou testemunha disso”, declara o Senhor. Deus separou uma porção da humanidade para amá-lo e conhece-lo, só que ela o traiu. Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a amada da minha alma na mão de seus inimigos. Ezequiel 16 32 Você, mulher adúltera! Prefere estranhos ao seu próprio marido! Oséas 1 2 Quando o Senhor começou a falar por meio de Oséias, disse-lhe: “Vá, tome uma mulher adúltera e filhos da infidelidade, porque a nação é culpada do mais vergonhoso adultério por afastar-se do Senhor”. Oséas 2
  • 177.
    177 2 Repreendamsua mãe, repreendam-na, pois ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido. Que ela retire do rosto o sinal de adúltera e do meio dos seios a infidelidade. Oséas 3 1 O Senhor me disse: “Vá, trate novamente com amor sua mulher, apesar de ela ser amada por outro e ser adúltera. Ame-a como o Senhor ama os israelitas, apesar de eles se voltarem para outros deuses e de amarem os bolos sagrados de uvas passas”. Oséas 4 13 Sacrificam no alto dos montes e queimam incenso nas colinas, debaixo de um carvalho, de um estoraque[14]ou de um terebinto[15], onde a sombra é agradável. Por isso as suas filhas se prostituem e as suas noras adulteram. 14 Não castigarei suas filhas por se prostituírem, nem suas noras por adulterarem, porque os próprios homens se associam a meretrizes e participam dos sacrifícios oferecidos pelas prostitutas cultuais — um povo sem entendimento precipita-se à ruína! Mateus 12 39 Ele respondeu: Uma geração perversa e adúltera pede um sinal milagroso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Isaias e Ezequiel: Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas. Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta, entregue ao esquecimento; toca bem, canta muitos cânticos, para que haja memória de ti. E será consagrado ao Senhor o seu comércio e a sua ganância de prostituta; não se entesourará, nem se guardará; mas o seu comércio será para os que habitam perante o Senhor, para que comam suficientemente; e tenham vestimenta esplêndida. Já há muito quebraste o teu jugo, e rompeste as tuas ataduras, e disseste: Não servirei: Pois em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa te deitaste, fazendo-te prostituta. Quão fraco é teu coração, diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, obra duma prostituta desenfreada, edificando o teu prostíbulo de culto no canto de cada caminho, e fazendo o teu lugar alto em cada rua! Não foste sequer como a prostituta, pois desprezaste a paga; E queimarão as tuas casas a fogo, e executarão juízos contra ti, à vista de muitas mulheres; e te farei cessar de ser prostituta, e paga não darás mais.
  • 178.
    Todas as suasimagens esculpidas serão despedaçadas, todos os seus salários serão queimados pelo fogo, e de todos os seus ídolos farei uma assolação; porque pelo salário de prostituta os ajuntou, e em salário de prostituta se tornarão. 178 Sidom Isaías 23 12 e disse: “Você não se alegrará mais, ó cidade de Sidom, virgem derrotada! “Levante-se, atravesse o mar até Chipre; nem lá você terá descanso” Jeremias 46 11 Suba a Gileade em busca de bálsamo, ó virgem, filha do Egito! Você multiplica remédios em vão; não há cura para você. Tiro Is 47:8 Agora pois ouve isto, tu que és dada a prazeres, que habitas descuidada, que dizes no teu coração: Eu sou, e fora de mim não há outra; não ficarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos. Babilonia Desce, e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão sem trono, ó filha dos caldeus, porque nunca mais seras chamada a mimosa nem a delicada. Apocalipse Apocalipse 18:7 Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e de pranto; pois que ela diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo algum verei o pranto. Veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; Disse-me ainda: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, multidões, nações e línguas. E os dez chifres que viste, e a besta, estes odiarão a prostituta e a tornarão desolada e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo. porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. Isaías: “Não temas, porque não serás confundida; não te envergonhes, porque não serás afrontada. Esquecer-te-ás da vileza da tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez. Com efeito, o teu esposo é o teu Criador, que se chama o Senhor dos exércitos; o teu Redentor é o Santo de Israel, chama-se o Deus de toda a terra. Sim, o
  • 179.
    Senhor te chamoucomo uma mulher abandonada e angustiada. Pode-se repudiar uma mulher desposada na juventude? — diz o Senhor teu Deus. Por uma hora, por um momento Eu te abandonei, mas, no Meu grande amor, volto a chamar-te. (…) Ainda que os montes sejam abalados e tremam as colinas, o Meu amor jamais se apartará de ti, e a Minha aliança de paz não se mudará, diz o Senhor, compadecido de ti”i. Em deslumbrante amor Deus amou o ser humano de tal modo que violou suas próprias regras para poder amar sua Escolhida. Levítico determinava com quem o sacerdote não poderia se casar: Viúva, ou repudiada, ou desonrada, ou prostituta, destas não tomará; mas virgem do seu povo tomará por mulher. Então O Espírito escolherá uma virgem, que representará a prostituta. A virgem que representa a menina dos olhos de Deus, o modo como Ele almeja enxergar ao homem, não contaminado com nenhum outro amor espiritual que senão Ele. Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. 179 Lucas 1 27 a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. Lucas 1 34 Perguntou Maria ao anjo: “Como acontecerá isso, se sou virgem?” Jeremias 31 4 Eu a edificarei mais uma vez, ó virgem, Israel! Você será reconstruída! Mais uma vez vocês e enfeitará com guizos e sairá dançando com os que se alegram. 2 Coríntios 11 2 O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus. Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura. Jesus é o noivo. Mas o noivo morrerá. Jesus será morto. Joel 1 8 Pranteiem como uma virgem em vestes de luto que se lamenta pelo noivo[2]da sua mocidade. Em Provérbios (15:25) Salomão dirá:
  • 180.
    180 O Senhordesarraiga a casa dos soberbos, mas estabelece a herança da viúva. A visão profética de Cantares. A luz dos textos lidos podemos compreender agora que o ciúme, como labaredas do Senhor, é tão forte como a morte projeta Cantares em toda a eternidade, conectando-se a CRISTO e também à Apocalipse. A mulher que é descrita nos textos proféticos além de Cantares parece sofrer de esquizofrenia. Ora ela é uma feiteira, outra age como uma prostituta cultual. Ela não se satisfaz com Deus, ela corre atrás de qualquer coisa que lhe conceda prazer, poder, jóias. Ela parece uma meretriz que se vende pelo luxo e que depois já viciada, só pelo direito de ter prazer. O estado dela é tal que é necessário que ela seja repudiada, Deus, seu marido desprezado e abandonado lhe concede uma carta de divórcio e ainda assim ela não se arrepende. Oséias é um profeta que é levantado por Deus para representar com sua vida pessoal esse dilema, amando uma prostituta e comprando-a ainda nova de um bordel. Ele lhe dá uma casa, lhe concede um nome, ela tem filhos com ele, mas numa noite foge para o bordel no qual recebia paga e jóias, e regalias, só que numa condição de dívidas ainda pior. E depois do segundo filho ela perde parte de sua formosura, é preterida em lugar das prostitutas mais novas e já não tem mais clientes é brutalmente maltratada e mantiva em cativeiro no prostíbulo. Não somente isso, ela se casa com o dono do prostíbulo. Mesmo sem ter se divorciado de Oséias. Tal ato anula o casamento anterior. Mesmo assim Oséias vai até lá e a reclama como esposa, pagando pela segunda vez o resgate por ela. Mais caro que o primeiro, por uma mulher agora, destruída. Ele a leva para casa, trata dela e a recebe como legitima esposa, de quem por sinal nunca se separara. Então ela terá um terceiro filho. E finalmente sua vida mudará para sempre. O amor do profeta é inacreditável diante de todo o Israel. Assim como diante de todas as mulheres da região e mesmo fora dela. Nenhuma mulher jamais fora amada assim. Ela era a mulher mais indigna e ao mesmo tempo a mais amada. Antes desprezada, agora era invejada. Invejada por todas as outras mulheres de sua época.
  • 181.
    181 Prostituição infantilna Índia Posted by proudtobeawoman on Quinta-feira, Abril 12, 2012 A prostituição infantil é uma barbaridade que nos choca e incomoda e, por vezes, preferimos pensar que esta é uma realidade distante de nós. Mas não é, a pedofilia, rapto, escravidão e prostituição infantil são dramas de todas as sociedades e culturas, dos países ricos e dos pobres. Um dos locais no mundo onde se verificam mais casos de abuso dos direitos das crianças é a Índia, situação essa que é fruto da extrema pobreza. Muitas famílias de pequenas localidades, por ignorância e levadas por falsas promessas, ou até mesmo com conhecimento, acabam por vender por uma ninharia as suas filhas a desconhecidos que as vendem a bordéis em cidades grandes.
  • 182.
    A pequena quantiaque leva familiares e conhecidos da criança a vendê-la pode fazer toda a diferença entre a morte e a vida de uma família que passa fome. A vida de uma prostituta na Índia é terrivelmente difícil e dolorosa. Quando primeiro chegam, as prostitutas são “domesticadas” através de espancamentos selvagens, estupros e outras formas de tortura psicológica e física. Aquelas que resistem são tratadas com punições ainda mais rígidas, e a vida ainda pode piorar, dependendo das condições do bordel. Os piores são chamados de “casas de travesseiros”, onde prostitutas são separadas por panos que dividem os quartos minúsculos. Visitantes podem pagar $3 por alguns minutos e não é permitido que as prostitutas falem com seus clientes. O dono do bordel fica com o dinheiro e, pode até permitir, num único dia, quarenta visitantes. Escapar não é uma opção. Uma vez que a prostituta chega no bordel e o trato está fei to entre o agente e o dono do bordel, a prostituta deve trabalhar para pagar o seu custo ao dono do bordel. Em alguns casos, juros são cobrados para impedir a saída da prostituta, enquanto alguns donos de bordel simplesmente nunca diminuem a dívida da pros tituta. Apesar de inicialmente comprada por alguns poucos dólares, a prostituta pode ser vendida por mais de mil, dando uma enorme margem de lucro para os agentes e tornando o tráfico de prostitutas um negócio extremamente lucrativo. A problemática da prostituição infantil é também preocupante. A situação é tão comum e grave que a UNICEF estima que há 500.000 prostitutas infantis só na Índia. 182 http://www.vimeo.com/34598166 A prostituta em Apocalipse é a moça humanidade envolvida em feitiçaria, em rituais macabros, em religiões mortas. Em doutrinas vãs, em busca de ouro, dinheiro, poder, em sua ganancia mandou a KGB eliminar inocentes, enviou a CIA para ensinar tortura, ensinou as tropas do Hamas a colocar bombas atrás de hospitais, orfanatos e creches, vendeu armas para os grupos separatistas da Libia, virou as costas par os massacres de Timor Leste, torturou em nome da religião usando as Escrituras como escudo, espalhou gás mostarda nas trincheiras da primeira guerra mundial, adotou as doutrinas de Nietchz e tentou criar com base em experiências anti-éticas ao novo homem, por meio de Mengele. Dizimou por causa do vil metal as crianças da Peru, exterminou pelo ouro a cultura Asteca,
  • 183.
    mandou derrubar astorres gêmeas para obter o seguro e uma guerra desnecessária, criou uma emnda para torturar legitimamente em gantanamo, destituiu a o congresso par implantar a tortura em 1964. Ela nos fala do ser humano vestido de maldade. Está embriagada com vinho podre. Ela é o símbolo da religiosidade, e da falsa religião, que escraviza ao invés de libertar. Que seduz com ofertas de licenciosidade, de poder, como a Maçonaria, como o O Evangelho da Recompensa Financeira. A prostituta é o ministério profético falsificado, é o sacerdócio corrompido, que são iguais a feitiçaria. A prostituta fala do casamento ilegítimo da religião com o poder politico. Ela igualmente nos revela a seus Senhores. Desde a antiguidade havia a figura do cafetão e cafetina do dono ou das donas de bordéis. Ela é escrava e é drogada, fazem com que ela fique constantemente ébria para que não deseje fugir do cortiço. A prostituta de Apocalispe, no entanto, ama o que faz. Ama a escravidão. Ama a seus senhores. As hostes, potestades, poderes e soberanias. 183 “almá” Moça, Virgem. A palavra alma em português possui o gênero feminino. Ela possui a mesma a mesma sonoridade de “almá” da palavra moça, virgem o hebraico. O termo traduzido por alma no hebraico é “nephesh” que também é do gênero feminino. O termo para espírito é “ruah” que também é feminino. Entre as tribos, povos, nações e raças, Deus separou para si uma amada. Como se fossem duas irmãs, duas que se corromperam, mais uma se arrepende e retorna para seu marido e a outra se profissionaliza, ela aperfeiçoou a arte da prostituição espiritual. O Evangelho fala do amor profundo de Deus pela humanidade através de Cristo. Ele é o Esposo que vem resgatar a esposa presa, vivendo uma vida de separação, de exploração e cativeiro. O Oséias celestial está disposto a tudo para libertar sua amada humanidade, seus filhos e filhas dispersos entre as nações, e para isso está disposto a dará tudo, até mesmo a própria vida. Porém, já não há esperança para uma parcela da humanidade, porque ela institucionalizou a maldade, porque ela abraçou e ritualizou a dominação, a exploração. Porque ela praticou e amou a pratica da feitiçaria. Purpura que é a cor de Cantares. Cor do VINHO que jorra nele abundantemente. A PROFECIA é uma extensão de Cantares. A Prostituta se veste de PURPURA porque se julga RAINHA, porque compreende ter poder, poder para seduzir as nações, poder para escravizar aos homens para que façam aquilo que ela deseje. Ela é adornada de talismãs. Ela tem um cálice nas mãso que usa para fazer suas adivinhações. Ela é uma BRUXA.
  • 184.
    No Brasil milharesde homens e mulheres recorrem a cultos afro-brasileiros em busca de feitiçaria, recorrendo ao poder de entidades que INTERAGEM COM A SEXUALIDADE. Milhares de pais-de-santo são homossexuais porque tiveram sua sexualidade oferecida num ritual de transformação. As entidades aceitam ofertas da sexualidade das meninas em troca de favores, mesmo que ainda bebês, para que elas – as entidades - decidam, independente do sexo da criança, o comportamento sexual que ela irá adotar ao crescer. Cultos de caráter sexual são realizados com pessoas tomadas por possessão, EMBRIAGADAS. Milhares de lares brasileiros foram vítimas de ataques de feitiçaria, chamados de “trabalhos” orientados por espíritos. A maioria buscando roubar o afeto da esposa ou do esposo de alguém logrando a destruição de laços familiares. Centenas de anúncios pintados nas paredes evoca, “trago seu amado em 3 dias” que são um eufemismo para “invoco poderes das trevas para escravizar a alma de quem você deseja a você”. Cantares lerá esse tipo de prática amaldiçoada que ocorre da antiguidade aos nossos dias: 184 “Conjuro-vos ó filhas de Jerusalém, não desperteis o amor até que ele queira” Compreender a relação que o Espírito de Deus anseia com a humanidade é intrinsicamente relacionado a palavra “virgem”. Ela evoca a menina, a adolescente, a pureza, a infância. Evoca a menina correndo e brincado com os amigos sem a condição do peso, da responsabilidade, da gravidade que o exercício da sexualidade trás. A profecia em Cantares viajará no tempo, acompanhando as batidas do coação de Deus, nas cores do berilo, enxergará sua glória e os querubins, enxergará as jóia do peitoral do juízo e também a as pedras que cobriam alguém que um dia recebeu a honra, o poder, a glória, a unção, e rejeitou tudo, traindo a confiança nele depositada, antes que existisse o homem. Nos passos da dançarina o Espírito vê a dança da vitória, a dança angelical da festa do encontro, o cumprimento final de pentecostes e da festa das vinhas. A dança de Sunamita é estabelecida diante de suas rivais, das rainhas, das comcunbinas, e ela desfila graciosa, levando nos seus movimentos ao coração de Deus arrebatado, ela dança porque venceu a morte, porque venceu ao mundo, porque despojou os principados, porque seu amor reina para sempre, assentado sobre o trono de Davi, sobre o trono de Salomão, que também é o governo do Messias e ao mesmo tempo, o governo do Reino dos Céus, do Reino de Deus. A Sunamita de Cantares representa a paixão da Igreja pelo Rei, e a admiração de Salomão, seu arrebatamento, a paixão do Espírito pelos filhos que resgatou, de uma vida de servidão, para um lugar, onde Sunamita celestial não terá mais que se incomodar com o sol, porque seu Amado será para ela um sol eterno, que sobre ela brilhará sem a machucar. Cantares narra o encontro de Cristo com Israel, seus apóstolos, traduz em poesia o derramamento do Espírito num Pentecostes para a Igreja gentíli ca, pentecostes que só cessa por alguns instantes, antes que venha o Sábado do Milenio e depois o novo amanhecer, da Nova Criação. Onde Sunamita dançará eternamente nos braços de seu amor.
  • 185.
    Na coletânea doLíbano o imaginário está vinculado à paisagem das montanhas; há uma forte ênfase nas correntes de água e ao vinho que rega as festas da fertilidade (5,1); possivelmente se faça também alusão às oferendas líquidas colocadas sobre os altares ou libações. As montanhas do Líbano são também uma forte referência nos mitos de Baal- Anat-Mot. Segundo F.F. Hvidberg, rituais da fertilidade eram desenvolvidos principalmente no outono, quando se lamentava a descida da divindade masculina da chuva ao “mundo dos mortos” (Xeol), ao mesmo tempo, que se invocava a aparição da divindade feminina que o resgataria 185 a. Nas tradições de Sara e Abraão (Gn 12,10-19;14;19-20). b. Nas tradições de Rebeca e Isaque (Gn 26). c. Nas tradições de Raquel, Lia e Jacó (Gn 33,18-34,31). Dentre todas as referências veterotestamentárias que vinculam a vida pastoril com a vida urbana, uma das mais ilustrativas é a que descreve a relação entre Judá e Tamar, em Gn 38. No texto, Judá e Hira (pastores de ovelhas), se dirigem à cidade de Timna para a tosquia das ovelhas (cf. Gn 38,12b.13). Nessa ocasião, Tamar espera por Judá, na entrada da cidade, vestida de “prostituta” (zonah). A referência à vida pastoril no primeiro poema das filhas de Jerusalém é dominada por perguntas: “Onde apascentas? Onde fazes repousar (o rebanho) ao meio dia?” (1,7). Estas perguntas são dirigidas diretamente ao pastor (1,8), o que parece distanciar a mulher que pergunta da atividade pastoril. A distância entre a mulher e a atividade pastoril não deve ser interpretada como parte da divisão social de tarefas, que a impossibilitaria de realizar este tipo de trabalho, já que no Antigo Testamento a função de “pastora” é mencionada explicitamente (cf. Gn 29,9; Êx 2,16 -17). O próprio pronome interrogativo “onde” (‘eykáh), segundo indicam Ariel e Chana Bloch, é um aramaísmo equivalente ao termo hebraico antigo ’eyfoh (Jz 8,18;9,38;Jr 49,21).O caráter tardio deste texto fica ainda mais evidente pelo uso do hapax legomenon, shalámáh (“lá estarei”), derivado do hebraico “lemah” usado em Esd 7,23 e em Dn 1,10231. Este primeiro poema não permite, por si só, determinar se a mulher que pergunta sobre o pastor, seu rebanho e seus companheiros, pertence ao meio rural, suburbano ou urbano. No entanto, parece que, pelo menos, a mulher que pergunta, não participa diretamente da atividade pastoril. W. R. Smith indica que, em Dt 7,13, o produto da lã é chamado de “astarote da ovelha” (` shterot tzo’nêka), sendo esta uma expressão antiga, de origem religiosa. A 231 Ar iel e Chana BLOCH. The Song of Songs, p.141-143. 144 ovelha-Afrodite foi especialmente adorada em Chipre232. Se a ovelha era diretamente identificada com divindades femininas, o pastor poderia ser um epíteto para seus sacerdotes e/ou adoradores. Em um antigo texto ugarítico, o seu subscritor Ilmilku se autodenomina “chefe dos sacerdotes e chefe dos pastores”. O sincretismo diplomático oficial teria se deslocado para o ambiente da “religiosidade privada”, como entende R. Albertz, quando os cultos
  • 186.
    186 estrangeiros foramse instalando também na prática religiosa familiar em altares construídos nos terraços (Sf 1,5; 2 Rs 23,12; Jr 19,13; 32,29). Entre estes hábitos sincretistas familiares, destacam-se os chamados “rituais babilônicos de conjuro”, que já se praticavam em Jerusalém, de outras formas, desde os tempos antigos243 Os carneiros (ha‘áyliym), mencionados em 2,9;2,17 e 8,14, são geralmente traduzidos como “corço”267, “gazela”268, “gamo”269 e “corça”270. No entanto, em todos os outros textos do Antigo Testamento onde aparece o plural ‘áyliym (Lv 8,2; Ez 40,49; 41,1) e o singular ‘aiyl (Ex 29,15s; Lv 8,18s; entre outros), referem-se a um animal doméstico usado principalmente nos rituais de sacrifício. CONJURO-VOS é uma invocação mágica. Em nome das gazelas, Por que as “filhas de Jerusalém” invocariam esses poderes? Um texto cuneiforme do terceiro milênio, contendo uma conjura de amor, vinculado por J. M. Sasson ao Cântico dos Cânticos, termina com a expressão: “Eu te conjuro, por Inanna e Ishara”. Gordis sugeriu que a expressão “pelas gazelas e pelas corças do campo” (bitzevá’ôt ‘ô be’aeylôt hasádéh) poderia ser uma “relutância deliberada de usar o nome divino (...) be’lohei sheb’aót ou be’el shaddai (...), escolhendo animais que simbolizam o amor como substituição A menção das gazelas e corças na conjura das filhas de Jerusalém aparece em 2,7 e 3,5 Uma das explicações para o desenvolvimento da imagem da pomba em Jerusalém pode estar no adjetivo que a acompanha: “perfeita” (tamát). O adjetivo “perfeito/a” ou “sem defeito” foi usado em Judá para se referir aos animais aceitos para o sacrifício no Templo (Lv 1,3; 3,1.6; 4,21.23 entre outros e em Ez 43,22-23.25; 45,18.23). No entanto, nos textos do Antigo Testamento, este adjetivo nunca é aplicado às pombas rolas, mas aos quadrúpedes. Quando o profeta Ezequiel e o livro de Lamentações se referem à beleza “perfeita” usam o adjetivo keliylah e não tamát, como em Ct 5,2 e 6,9. O adjetivo “pomba perfeita” parece nascer da junção entre a linguagem de amor e a linguagem sacrifical em Jerusalém. As filhas de Jerusalém, acostumadas a conviver com o templo Cedros ‘aráziym 1,17; 5,15 8,9 Ciprestes berôtiym 1,17;4,13;7,12 Narcisos shôshaniym 2,1.16 4,5;5,13;7,3 6,2.3 Lírio hávatzêlêt 2,1 Nardos néredeym 4,13.14 1,12; Macieiras/Maçãs tapûah 2.3.6;7,9 8,5 Romãs/Romeiras rimôniym 4,13;7,13 4,3;6,7 8,2 6,11 Tamareira támár 7,8.9* 5,11 Mirra mir 4,14;5,1 5,13 5,5 1,13; 3,6 Mandrágoras duda’iym 7,14 Hena kofêr 1,14
  • 187.
    187 Espinheiros hôhiym2,2 Figueira/figo te‘énah 2,13; Olíbano levônáh 4,14; 3,6; Cana qanêh 4,14 Cinamomo qinamôn 4,14 Açafrão karekom 4,14 Aloés ‘ahálôt 4,14 Nozes ‘egoz 6,11 Palmeira náhal É o caso de 1,17, onde se descreve uma casa verde de cedros e ciprestes vivos, descritos ali como o teto de uma cama verdejante. O mesmo acontece em 2,13, onde a figueira e seus figos pequenos fazem parte do ambiente primaveril. O uso feito no poema canônico das bodas de Salomão tem forte paralelo com o Sl 45, que também é um hino de bodas342. No entanto, em Sl 45,9, onde a mirra é citada junto com aloés como em Ct 4,14, ela é usada como perfume para as vestes e não como bálsamo para o corpo A mirra como bálsamo aprece também em Ester 2,12 como parte dos preparativos das moças no harém do rei persa: Ao fim de doze meses, chegava o momento de um jovem se aproximar do rei. O período dos preparativos se desenrolava assim: durante seis meses, ela se untava com óleo de mirra, depois, durante seis meses, com bálsamos e cremes femininos343 Segundo explica W. Von Soden, a tamareira e a palmeira tiveram grande importância na Babilônia como espécie cultivada. Este tipo de árvore precisa de grandes quantidades de água e foi muito pouco cultivada na assíria e no corredor siro-palestinense. Um dos lugares mais antigos vinculados às palmas foi Jericó “cidade das palmeiras” (cf. Dt 34,3; Jz 1,16; 3,13 e 2 Cr 28,15)345. Contudo, no Antigo Testamento existe uma referência à tamareira que, do ponto de vista das tradições camponesas femininas, é muito importante trata -se da “Palmeira de Débora”, ou “Tamareira de Débora” (tomêr debôrah) em Jz 4,5346. W. R. Smith interpreta esta tamareira como uma das que ele chama de “árvores oraculares cananéias” (canaanite tree oracle) e afirma que “a crença em árvores como lugares de revelação divina deve ter sido muito comum em Canaã”347. A guarda real é mencionada de duas diferentes formas no Cântico dos Cânticos: como escolta do rei nas suas bodas (Ct 3,7-8) e como metáfora para o corpo e seus enfeites (4,4). Segundo indica R. De Vaux, esta guarda pessoal do rei era geralmente formada por mercenários (cf. 2 Sm 20,7; 2 Sm 15,18 e 1 Rs 1,38-44). Outra forma de designar a guarda real foi rátziym ou “corredores” que marchavam na frente dos carros de guerra (cf. 1 Sm 22,17; 2 Sm 15,1 e 1 Rs 1,5). Estes guardas também tinham a função de vigiar as entradas do palácio real carregado escudos de bronze (1 Rs 14,27-28 e 2 Dr 12,10-11) 367.
  • 188.
    188 No Cânticodos Cânticos o termo usado tanto em 3,7 quanto em 4,4 para os guardas é gibôryim, isto é, “valentes” ou “bravos”. Em 2 Sm 23,8 usa -se esta terminologia para falar do exército de Davi como “os valentes de Davi: ha gibôriym ‘esher ledavid. http://qbible.com/hebrew-old-testament/song-of-songs/ Canatres referencia 15 locações geográficas do Libano até o norte do Egypto • Kedar (1:5) • Senir (4:8) Onde nascia o Rio Jordão!
  • 189.
    189 • Egypt(1:9) • Hermon (4:8) • En Gedi (1:14) • Tizrah (6:4) • Sharon (2:1) • Heshbon (7:4) • Jerusalem (2:7) • Damascus (7:4) • Lebanon (3:9) MONTE DE LEOPARDOS, Cnt. 4:8: Leopardo se traduce de la palabra hebrea namer que se deriva de una raíz que significa filtrar, ser limpio. MONTE DE MIRRA, Cnt. 4:6: Mirra se traduce de la palabra hebrea marar que significa amargura, angustia. MONTE GALAAD, Cnt. 4:1: Galaad significa región montañosa y se origina de Gal‘ed que significa testimonio acumulado. MONTE DE BETER, Cnt. 2:17: Beter significa divisible, división. • Carmel (7:5) • Mount Gilead (4:1)
  • 190.
    190 • Baal-Hamon(8:11) MONTE HERMON, Cnt. 4:8: Hermón significa un santuario
  • 191.
    191 Baal Hermon,Shirion, Sirion, Har Hermom. É a fronteira com o Libano Har Hermon, do hebraico, significa “Monte Sagrado”, completamente compatível com o “Monte Santo” citado por Pedro quando ele fala da Transfiguração. O Hermom, ponto culminante de Israel, fica no sul da cordilheira do Antilíbano, na fronteira de Israel com a Síria e o Líbano. Parte de sua encosta sul une-se às colinas de Golã. A importante elevação ganhou vários apelidos, como “montanha das neves” ou “monte dos cabelos brancos”. Porém o mais conhecido é o de “Olhos de Israel”, pois, por ser bem alto, proporciona um mirante de onde sentinelas podiam ver à distância se algum exército inimigo se aproximava nos tempos bíblicos, como as Forças de Defesa de Israel fazem até hoje no chamado Mirante das Neves, a 2,2 mil metros de altura, de onde monitoram atividades na Síria e no Líbano. Hoje, a vista também é bastante apreciada por turistas em sua famosa estação de esqui.
  • 192.
    (...) “pois Elerecebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa Lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o Meu Filho amado, em quem 192 me comprazo. Ora, Esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com Ele no Monte Santo." – 2 Pedro 1:17-18 • Amana (4:8) MONTE AMANA, Cnt. 4:8: Amana significa apoyo, constancia, perseverancia. Local onde era a nascente do rio Abana, em Damasco. O limpíssimo rio Abana.
  • 193.
    193 n “Shulamite”may have been derived from the town of Shunem, located southwest of the Sea of Galilee in the land assigned to Issachar. n 49 words appear in Song of Solomon that are not to be found any where else in the Bible } “love” There are several different words for “love” in Hebrew. They are all used in this book. 1. The Book’s Structure Shows the Secrets of Romancing for Life It is written in a chiasm, which is a Hebrew poetry technique that rhymes ideas for emphasis. The chapters “rhyme” and parallel to point the reader to the central themes of the book. A. Home: Beginning of romance (Chapter 1) B. Developing love while dating (Chapter 2) C. Dream: Taking each other for granted in dating (Chapter 3) D. Wedding night (Chapter 4) C. Dream: Taking each other for granted in marriage (Chapter 5) B. Developing love in marriage (Chapter 6) A. Home: The lifelong romance (Chapter 7-8) 1. A estrutura do livro mostra os segredos de Romancing para a Vida Ele é escrito em um quiasma, que é uma técnica de poesia hebraica que rima idéias para dar ênfase. Os capítulos "rima" e paralelo para apontar o leitor aos temas centrais do livro. A. Início: Início de romance (Capítulo 1)
  • 194.
    194 B. Desenvolvimentode amor enquanto namoro (Capítulo 2) C. Dream: Tomando para si concedida em namoro (Capítulo 3) D. Noite de núpcias (Capítulo 4) C. Dream: Tomando para si concedida em casamento (Capítulo 5) B. Desenvolvimento de amor no casamento (capítulo 6) A. Home: O romantismo ao longo da vida (capítulo 7-8) "An ancient keyhole would form a large enough opening to place an adult's hand through because the key would be large."118 uh... A. This chapter has several commands and exhortations: 1. “Kiss me,” v. 1, BDB 676, KB 730, Qal IMPERFECT, used in a JUSSIVE SENSE 2. “Draw me after you,” v. 4, BDB 604, KB 645, Qal IMPERATIVE 3. “Let us run together,” v. 4, BDB 930, KB 1207, Qal COHORTATIVE 4. “We will rejoice,” v. 4, BDB 162, KB 189, Qal COHORTATIVE 5. “Be glad,” v. 4, BDB 970, KB 1333, Qal COHORTATIVE 6. “We will extol your love,” v. 4, BDB 269, KB 269, Hiphil COHORTATIVE 7. “Do not stare at me,” v. 6, BDB 906, KB 1157, Qal IMPERFECT used in a JUSSIVE sense 8. “Tell me,” v. 7, BDB 616, KB 665, Hiphil IMPERATIVE 9. “Go forth,” v. 8, BDB 422, KB 425, Qal IMPERATIVE 10. “pasture” (i.e. feed), v. 8, BDB 944, KB 1258, Qal IMPERATIVE gazelles and our inner life and our virtues, that is our behavior in Christ Jesus. In the book of Proverbs, the wife is compared to the gazelle and her children to the doe, being the image of the church, the true bride, the loving wife to her Bridegroom, full of grace. Therefore, it was said, "As a loving deer and a graceful doe…" (Prov. 5:19) Cidades A primeira cidade mencionada é Heshbon (hêshebôn). Em Js 21,38-39 esta cidade é mencionada, junto com outras, como cidade refúgio para homicidas na tribo de Gade (cf, Js 13,25-26). Damasco, a segunda cidade citada no wasf da Sulamita, é a conhecida capital da Síria. Ela é nomeada como uma localidade distante que é vigiada a partir da chamada “torre do Líbano
  • 195.
    É rica aornamentação da moça, citada e elogiada por Salomão. Fruto de trabalho especializados de ourivesaria, joalheria, e diversos processos de fabricação envolvendo inclusive a fundição. O material era trabalhado por diversos artesãos que usavam instrumentos difíceis de fabricar. Imagine a arte da ourivesaria há milênios sem os recursos tecnológicos que hoje possuímos. As gemas vinham de minas subterrâneas, de lugares tenebrosos e escuros, escavados por mineiros em situações de insalubridade que fariam um técnico de segurança da atualidade sofrer um enfarte do miocárdio. Os riscos nas minas eram tamanhos que a maior parte das gemas era escavada por escravos. Ainda é assim na escavação de minas de diamantes na africa, na aquisição e garimpo de ouro, como foi em serra-pelada. As pedras semipreciosas que compunham os braceletes, os anéis, colares e brincos vinham de diversos lugares da terra, importados de locais distantes. Parte das divindades da época era finamente ornada com tais jóias. As princesas e rainhas eram ricamente adornadas com jóias. Do mesmo modo que hoje, quanto mais rica, mais nobres, raras e preciosas as jóias. Existem hoje colares de milhões de dólares. Anéis de diamante que custam milhares de reais. Jóias que caracterizam a realeza britânica, as princesas e rainhas das monarquias da atualidade. O artesão mencionado no poema da dança da Sulamita (7,2b) é metaforicamente relacionado com “enfeites” (helá‘iym) que servem de imagem para ilustrar as curvas dos quadris da dançarina. No livro do profeta Jeremias (10,9) a produção de enfeites por diversos tipos de artesãos também é vinculado aos cultos da fertilidade: “Seus ídolos não passam de prata laminada, importada de Tarsis, ouro de ufaz (záháb me’ûfáz), trabalhado pelo artista (hárash) e pel [a mão do] ourives (viydey tzôréf), revestido de púrpura (‘aregámán) violeta e vermelha. São apenas obras de artistas (hekámiyn)”381 No poema da égua do faraó as bochechas são vistas “entre pingentes”, o pescoço “entre colares” (1,10). O “fio escarlate” (shániy), mencionado em 4,3, é também vinculado, em Êx 26,1, ao “trabalho do artesão” (hosheb). Especialmente ilustrativa é a menção ao marfim (shén), em 5,14 e 7,5, já que este material foi uma marca reconhecida dos palácios da Samaria (6,4; cf. 1 Rs 17,1; 1 Rs 22,1-6). Enfim, o imaginário artesanal nos wasfs, poemas árabes, podem ser entendidos como herdeiros desta tradição. A primeira referência bíblica a uma pedra preciosa ocorre em Gênesis 2:11, 12, onde Havilá é identificada como terra de ouro bom, tendo também “o bdélio e a pedra de ônix”. A opulência da pessoa era parcialmente medida pela posse de pedras preciosas; reis tais como Salomão e Ezequias, pelo que parece, as tinham em grande quantidade. (1Rs 10:11; 2Cr 9:10; 32:27) Pedras preciosas eram dadas de presente (1Rs 10:2, 10; 2Cr 9:1, 9), podiam constituir parte de um despojo de guerra (2Sa 12:29, 30; 1Cr 20:2) e eram artigos de intercâmbio comercial, como entre os antigos tírios (Ez 27:16, 22). Numa endecha inspirada a respeito do “rei de Tiro”, Ezequiel declarou: “Toda pedra preciosa era a tua cobertura: rubi, topázio e jaspe; crisólito, ônix e jade; safira, turquesa e esmera lda; e era de ouro o artesanato dos teus engastes e dos teus encaixes em ti.” (Ez 28:12, 13) Retrata-se a simbólica Babilônia, a Grande, como estando ricamente adornada de pedras preciosas. — Re 17:3-5; 18:11-17. Embora os antigos arredondassem e polissem as pedras preciosas, em geral não parecem ter sido feitas angulares ou facetadas, como fazem os lapidadores dos tempos modernos. O 195
  • 196.
    esmeril (coríndon) ouo pó de esmeril eram usados pelos hebreus e pelos egípcios para polir pedras preciosas. Muitas vezes, estas eram esculpidas e gravadas. Pelo que parece, os hebreus sabiam fazer gravações em pedras preciosas muito antes da sua servidão no Egito, onde a gravação também era arte. O anel de chancela de Judá, evidentemente, era gravado. (Gên 38:18) 196 Colar Corrente ou cordão ornamental de contas, de ouro, de prata, de corais, de pedras preciosas e de coisas semelhantes, usado em torno do pescoço. Antigamente, os colares eram usados por mulheres (Cân 1:10; 4:9; compare isso com Ez 16:11) e até por homens, especialmente os em alta posição. (Gên 41:41, 42; Da 5:7, 16, 17, 29) Os midianitas, nos dias de Gideão, colocavam colares no pescoço dos seus camelos, e nestes colares, pelo que parece, havia pendentes em forma de lua. (Jz 8:21, 26) Às vezes usavam-se correntes em estilo de colares quais ornamentos, como no caso das colunas do templo, Jaquim e Boaz. — 2Cr 3:15-17. A respeito dos jactanciosos e iníquos, diz-se que “a altivez serviu-lhes de colar”. (Sal 73:3, 6) Por outro lado, a disciplina do pai e a lei da mãe são como um fino colar para a garganta do filho. — Pr 1:8, 9. Enfeites (ornamentos) Adornos, nem sempre essenciais, mas destinados a melhorar a aparência de alguém ou de alguma coisa. Enfeites eram usados especialmente por mulheres, mas também por homens; eram usados para decorar prédios; às vezes eram colocados em animais. As referências bíblicas e a evidência descoberta pelos arqueólogos revelam não só um grande interesse pela ornamentação, desde tempos antiqüíssimos, mas também grande habilidade e perícia na produção de enfeites de alto calibre artístico. Os artesãos realizavam trabalhos altamente decorativos em tecelagens, bordados, esculturas de madeira e de marfim, e em artesanato com metais. Os restos de palácios na Assíria, em Babilônia, na Pérsia e na cidade de Mari suprem todos evidência de rica decoração, havendo grandes murais em paredes interiores e baixos-relevos excelentemente esculpidos, apresentando cenas de guerra, de caçadas e de assuntos palacianos, que adornam tanto paredes internas como externas. Os portais dos palácios eram não raro guardados por grandes figuras de poderosos animais. As representações do rei e de outros, nos relevos, revelam excelentes bordados na sua vestimenta. Até mesmo os arreios dos cavalos acham-se altamente decorados com borlas e gravuras. (Compare isso com os colares dos camelos dos midianitas; Jz 8:21, 26.) Pinturas em sepulcros fornecem a fonte primária da evidência procedente do Egito, embora alguns artefatos na forma de tronos, carros régios e de outros objetos ainda existam. Ornamentação na Profecia. Devido a Sua bênção sobre Jerusalém, Jeová assemelhou esta capital de Judá a uma mulher vestida de roupas custosas, ricamente enfeitada e adornada de jóias. A perda de espiritualidade da parte dela e sua prostituição espiritual com as nações resultaram em ela ser despojada de seus enfeites e deixada como que nua. (Ez 16:2, 10-39) Tal despojamento não ocorreu apenas em sentido espiritual, mas também em sentido literal, à medida que seus conquistadores cobiçosos tomaram as riquezas da cidade, inclusive as manilhas, as fitas para a cabeça, os ornamentos em forma de lua, os pingentes , os braceletes, os véus, as coberturas para a cabeça, as correntinhas para os pés, as faixas para o busto, as “casas da alma” (referindo-se, talvez, aos receptáculos de perfume), as
  • 197.
    197 ornamentais conchaszunzunantes (amuletos), os anéis, e as argolas para o nariz que “as filhas de Sião” usavam. (Is 3:16-26) Seria um tempo de pesar, pois, no pesar, costumeiramente se removiam os enfeites. — Êx 33:4-6. No entanto, quando Jeová resgatasse Sião do cativeiro babilônico, ele figurativamente a construiria com alicerce de safira, com ameias de rubis e portões de pedras fulgurosas, isto por causa da paz e da justiça que Ele traria (Is 54:7, 8, 11-14), e ela seria revestida de atavios e enfeites como os duma noiva. (Is 49:14-18; compare isso com Is 61:10.) Este último quadro se assemelha um pouco à descrição da Nova Jerusalém, com seus portões de pérolas e seus alicerces semelhantes a pedras preciosas, como estando preparada qual “noiva adornada para seu marido”. (Re 21:2, 9-21) De novo, torna-se evidente que os enfeites e adornos se relacionam com qualidades e bênçãos espirituais que resultam da aprovação e do favor de Deus. Em contraste, Babilônia, a Grande, a mulher simbólica que comete fornicação com os reis da terra, adorna-se de roupas e enfeites régios, e vive em vergonhosa luxúria, mas será despojada de todos os seus suntuosos adereços, deixada nua e destruída. A beleza dela é enganosa, e ela ‘se glorifica’; assim, seus enfeites não representam a bênção e o favor divinos, mas, ao invés disso, as pretensões dela, e os benefícios que seu proceder meretrício lhe traz no sentido de poder e de riquezas. — Re 17:3-5, 16; 18:7-20. No Êxodo, os israelitas receberam dos egípcios muitos objetos de prata e de ouro, e, sem dúvida, destes é que provinham muitos dos broches, arrecadas, anéis e outros itens que contribuíram para a preparação do tabernáculo, assim como haviam contribuído erroneamente arrecadas de ouro para a fabricação de um bezerro idólatra. (Êx 12:35, 36; 32:1-4; 35:20-24) O tabernáculo e seu equipamento refletiam muito trabalho de artesãos hábeis em madeira e em metais preciosos e gemas, bem como em tecelagem e em bordados. (Êx 35:25-35) O posterior templo de Salomão foi ainda mais gloriosamente ornamentado. Seus painéis de cedro, bem como suas portas, de madeira oleaginosa e de junípero, tinham esculpidas neles figuras tais como ornamentos em forma de bagas, grinaldas de flores, querubins e figuras de palmeiras, recobertos de ouro, ao passo que as duas colunas de cobre, na frente do prédio, tinham trabalhos de rede, de corrente, de romãs e de lírio adornando seus capitéis. (1Rs 6:18, 29, 35; 7:15-22) Salomão mostrou grande apreço pela beleza artística, e seu grande trono de marfim, recoberto de ouro, com figuras de leões ao lado de cada braço, e mais 12 nos seis degraus diante dele, era único no mundo antigo. — 1Rs 10:16-21. Uma argola ornamental usada no nariz. Era inserida, quer na narina esquerda, quer na direita, ou no septo nasal, e era especialmente usada pelas mulheres. (Gên 24:22, 30, 47; Is 3:21) De acordo com algumas traduções, porém, homens ismaelitas também usavam argolas para as narinas. — Jz 8:24-26. A palavra hebraica para “argola para as narinas” (né·zem) também pode ser aplicada a uma arrecada, ou brinco, e, em alguns casos, talvez houvesse pouca diferença na forma de tais ornamentos. Às vezes, o contexto torna possível determinar se se refere a uma argola para as narinas ou a uma arrecada, ou brinco. — Compare Gên 24:47 com Gên 35:4; Ez 16:12; veja ANEL. Embora as argolas para as narinas em geral fossem de ouro, também se usavam outros materiais, tais como a prata. As argolas para as narinas podiam estar ornamentadas com pingentes de contas, de pedacinhos de coral, ou de jóias. O diâmetro dessas argolas pa ra o
  • 198.
    198 nariz podiavariar entre 2,5 a tantos quantos 7,5 cm. Visto que a argola para o nariz caía sobre a boca, ela tinha de ser movida quando se comia. Em Provérbios 11:22, a mulher exteriormente linda, mas que rejeita a sensatez, é comparada a “uma argola de ouro, para as narinas, no focinho dum porco”. Pequena tira circular ou argola. Adornos anelados de vários tipos, usados tanto por homens como por mulheres, eram comuns entre os hebreus, egípcios, assírios, babilônios, gregos, romanos e outros povos da antiguidade. Argolas eram usadas no nariz e nas orelhas, e anéis nos dedos. (Veja ARGOLA PARA AS NARINAS; ARRECADA.) Os materiais usados incluíam ouro, prata, latão, bronze, vidro, ferro e marfim; alguns anéis eram cravejados de pedras. Especialmente os egípcios favoreciam anéis com a imagem do escaravelho, que para eles era símbolo de vida eterna. Entre as muitas jóias recuperadas do túmulo do faraó egípcio Tutancâmen havia um anel de três tiras com três escaravelhos, um de lápis -lazúli e dois de ouro. Alguns anéis dos romanos tinham entalhados neles desenhos mitológicos ou mesmo representações de seus antepassados ou amigos. Na ilustração de Jesus sobre o filho pródigo, ele apresentou o pai perdoador como ordenando que se pusesse um anel na mão do filho pródigo que voltava. (Lu 15:22) Este ato demonstrava o favor e a afeição do pai, bem como a dignidade, a honra e a alta posição concedidas ao filho restaurado. Tiago, meio-irmão de Jesus, aconselhou os cristãos a não mostrar favoritismo aos vestidos de modo esplêndido e que usavam anéis de ouro nos dedos (indicando riqueza e posição social). (Tg 2:1-9) Em sentido similar, o apóstolo Pedro, embora não condenasse o uso de tais adornos, indicou que o adorno espiritual era muito mais importante. — 1Pe 3:1-5. Anéis de Sinete. Palavras hebraicas usadas para designar um anel, ou um anel de sinete ou de chancela, derivam de raízes que significam “afundar” (Je 38:6) e ‘selar’. (1Rs 21:8) Estes termos podem ser relacionados com o principal uso de alguns dos antigos anéis, a saber, fazer uma impressão em argila ou em cera, por serem ‘afundados’ ou premidos nelas. Os anéis deste tipo eram de ouro, prata ou bronze; alguns eram engastados com uma pedra gravada com o nome ou o símbolo do dono. Esses anéis tinham engaste fixo, ou então eram do tipo giratório ou cilíndrico. Alguns eram usados pendurados, provavelmente no pescoço, num cordão ornamental. — Gên 38:18, 25. O anel de sinete dum governante ou dum alto oficial era símbolo de sua autoridade. (Gên 41:41, 42) Documentos oficiais, ou coisas nas quais não se devia mexer, nem fazer alterações, eram selados com eles, de modo similar a que se apõem selos ou assinaturas oficiais nos tempos modernos. — Est 3:10-13; 8:2, 8-12; Da 6:16, 17. Uso Figurativo. Nos tempos antigos, o anel de sinete parece ter-se tornado símbolo proverbial dum objeto ou duma pessoa valiosos. A profecia de Jeremias indicava que o rei Conias (Joaquim), de Judá, não seria poupado à calamidade, mesmo que fosse um ‘anel de chancela na mão direita de Jeová’. Joaquim foi destronado depois dum reinado muito breve. (Je 22:24; 2Rs 24:8-15) Também, Jeová disse com respeito ao fiel Zorobabel: “Tomar-te-ei . . . e hei de constituir-te em anel de chancela, porque és tu a quem escolhi.” (Ag 2:23) Zorobabel, que servia a Jeová num cargo oficial em conexão com a reconstrução do templo em Jerusalém, era precioso para Jeová, igual a um anel de sinete na própria mão de Deus. Zorobabel obedecera destemidamente ao incentivo de Jeová dado por meio dos
  • 199.
    199 profetas Ageue Zacarias, e empreendera a obra da construção do templo apesar da proscrição por um mal-informado rei da Pérsia. (Esd 4:24-5:2) Jeová continuaria a usar Zorobabel para cumprir Seu propósito declarado, e nenhum governante humano seria capaz de removê-lo daquele serviço honroso.
  • 200.
    200 Ezequiel 16:17 E tomaste as tuas jóias de enfeite, que eu te dei do meu ouro e da minha prata, e fizeste imagens de homens, e te prostituíste com elas.
  • 201.
  • 202.
  • 203.
  • 204.
  • 205.
  • 206.
    206 Dança Classicaindiana Kathak
  • 207.
  • 208.
  • 209.
  • 210.
    As Escrituras seentrelaçam, todos os seus livros, todas as passagens, formando um tecido multicolorido. Ela é como uma bandeira desfraldada tremulando ao vento, toda ela. Um boradado, uma obra de tecelação, como um tapete persa. Significa que necessito procurar as palavras e onde se aplicam, porque as citações de um vocábulo associam-no com eventos, com cenas, com significados. Se eu olho para um pedaço de um tapete, as linhas que possuem determinada cor seguem para formar uma figura. E as figuras se ajuntando forma um quadro, uma belíssima estampa. Cores, sentimentos, emoções, jóias, flores, árvores, roupas, não foram colocadas aleatoriamente pelo Perfeito Escritor nas Escrituras. Ele é um mago! o Espírito realiza magia quando escreve as Escrituras. (perceba que não tenho preconceito contra o termo mágico, mago ou magia – porém só o uso relacionado ao Espírito de Deus -) Dezenas de pessoas são o instrumento usado por Deus, que escreve a sua Palavra com a humanidade, com o choro, com o riso, com a alegria, com a dor. Sentimentos profundos, sonhos. Amores. Mistura prosa, narrativa, descrição, crônicas, poesias, máximas, instruções, diálogos. A língua muda seus fonemas, a forma das letras (hebraico da antiguidade, paleo-hebraico, hebraico moderno), os sentimentos são entoados em forma de cânticos como em Samos. E a voz é a mesma, a essência é a mesma. É inacreditavelmente uma única grandiosa história, e os detalhes nos ajudam a compreender o todo. As jóias eram muitas vezes objetos sagrados para muitos povos! E tão sagrados que eram usados também como amuletos. E talismãs. Há uma pequena diferença entre o significado de amuleto e talismã. O amuleto era usado para proteção contra espíritos que intentavam fazer o mal. E o talismã para atrair espíritos que realizavam o bem. De onde vem o conceito de azar e sorte. Um para afastar coisas ruins e o outro para atrais coisas boas. Jóias eram assim usadas pela maioria das mulheres do mundo da antiguidade. Em israel 210
  • 211.
    perderam o vínculomágico que possuíam nas demais culturas. Mas não perderam tal vínculo todas as jóias. A coroa ainda simbolizava autoridade concedida por meio da unção e era cheia de jóias. O sumo-sacerdote usava um peitoral denominado peitoral do juízo com doze pedras semipreciosas, e ele era absolutamente sagrado só usado em dias especiais. 211 As safiras ou “lápis lazúli” (Ct 5,14) são muito mencionadas nos textos palacianos da fertilidade no Antigo Oriente. No Egito esta pedra é especialmente reverenciada. Na descrição do corpo do Deus Re, no mito da criação do ser humano, se afirma: “seus ossos eram de prata, sua carne de ouro, e seu cabelo de genuíno lápis lazúli"382. Outro texto que apresenta o drama de Osíris em Abidos, onde o lápis lazúli aparece formando o enfeite da divindade: “Eu adornei o peito do Senhor de Abydos com lápis lazúli e turquesa, ouro
  • 212.
    212 fino, etodas as mais custosas pedras que existem para adornar o corpo de um deus”383. Em Ugarite também se encontram descrições semelhantes, como a de Ludingir-ra estudada por M. Civil e os textos sumério-acádicos estudados Cooper, cujas conclusões foram registradas e discutidas por M. Pope. Cooper observou que os metais e pedras preciosas faziam parte dos ornamentos da Deusa Ishtar: Minha mãe é brilhante nos céus, Uma corça nas montanhas, Uma estrela da manha aparecendo ao meio dia, Preciosa cornalina, um topázio de Marhasi (...) Um bracelete de estanho (...) Uma peça brilhante de outro e prata (...) Uma estatueta de alabastro colocada em um pedestal de lápis-lazúli, Um bastão vivo de marfim; cujos braços foram recheados de encanto384. A discussão provocada pela observação de Cooper foi se estas imagens A linguagem militar em Cantares Waṣf is an ancient style of Arabic poetry. In waṣf love poems, each part of a lover's body is described and praised in turn, often using exotic, extravagant, or even far-fetched metaphors. . As imagens encontradas nestes poemas são: a. Os carros de guerra, no singular rêkêb (1,9). b. Torre (migedol), em 4,3 e 7,5, ou torres (migedelôt) com em 5,13. c. Estandartes (nidegálôt) como em 6,4. d. Esquadrão (‘êlêf), defesa (hamáén), escudos (shileteiym) e guerreiros (gibôriym), todas em 4,4. Em Ne 5,5b há indicativos de abusos sexuais contra as moças pobres usando o termo hebraico koveshiym, que em Est 7,8 é usado como “violentar/forçar” sexualmente397. A violência sexual contra a mulher que busca seu amado pode estar presente na denúncia de Ct 5,7a: “Encontraram-me os guardas, bateram-me, feriram-me, tiraram o manto de sobre mim”. A venda das mulheres com finalidade sexual também parece ser denunciada na conjura: “não agiteis, não acordeis o amor até que deseje” (Ct 2,7;3,5;8,4) e 396 Tradução própr ia. 397 Rudi TÜNNERMANN – A reconstrução de Jerusalém, p.116 (nota de rodapé 107) . 201 especialmente no poema contra os irmãos, em 8,8-10. Esta advertência pode ser um convite à resistência contra a violência sexual ou a venda de jovens mulheres para saldar dívidas familiares. No entanto, especialmente com Esdras, parece que todas as mulheres que não faziam parte da “golah”, isto é, das famílias exiladas e repatriadas da Babilônia, eram consideradas “estrangeiras”441. Em Esd 10,11 a segregação se dirige a dois grupos: “os povos da terra” e “as mulheres estrangeiras”. T.
  • 213.
    213 Ezkenazi eE. Judd entendem que as mulheres banidas podiam também ter sido judaítas ou israelitas que não pertenciam às famílias da “golah” e que diferiam do grupo dos descendentes dos exilados por diversas razões, inclusive por práticas religiosas (cf. Jr 52,16)442. Neste caso as mulheres banidas, quando naturais de Judá, podiam ser classificadas dentro dos “povos da terra”. Deve -se considerar que, de toda a população de Jerusalém na metade do século 5o, apenas dez por cento eram da “golah”, o que pode dar uma noção da dimensão da repressão perpetrada contra as mulheres e suas famílias nesta época443. O trabalho forçado nas vinhas (Ct 1,7 e 8,11-12) também pode ser compreendido neste mesmo contexto. Segundo indica a pesquisa de R. Tünnermann, na época de Neemias “o império ainda podia recrutar pessoas para trabalhos na agricultura ou nas construções”, assim os detentores das terra, isto é as famílias da golah, possivelmente chamados de “filhos da minha mãe” em Ct 1,7, “ganhavam uma renda pela administração e repassavam ao rei o valor pelo arrendamento”. A moeda oficial para o pagamento deste “arrendamento” era uma moeda de ouro, chamada “dárico” sob Dario I sendo que as moedas locais eram de prata. Os valores dos arrendamentos passaram a serem calculados em moedas de prata444. Este contexto explica melhor do que nenhum outro o sentido da denúncia de Ct 8,11: “Havia uma vinha de Salomão, em Baal-Amon, deu a vinha para os cuidadores, cada um trazia pelo seu fruto mil pratas”. A denúncia de uma possível “venda” da irmã moça por parte do seus irmãos pode refletir à situação vivida pelas famílias empobrecidas no pósexílio persa. Para R. Tünnermann, algumas famílias se viram obrigadas a vender filhos e filhas como escravos. Em Ne 5,5b, segundo interpreta este autor, se “indica que muito provavelmente as moças eram abusadas sexualmente445. 6:11-13 Verses 11-12 are probably the Shulammite's words. She had gone down to Solomon's garden (v. 2), more to see if his love for her was still in bloom, than to examine the natural foliage (v. 11). Immediately, because of his affirmation of his love (vv. 4-10), she felt elevated in her spirit, as though she were chief over all the 1,400 chariots in Solomon's great army (1 Kings 10:26). Evidently, in her fantasy, she rode out of the garden in a chariot accompanied by Solomon. As she did, the people they passed called out to her to come back, so they might look on her beauty longer (v. 13a). However, Solomon answered them, "Why should you gaze at the Shulammite as you do at the dance at Mahanaim?" Perhaps he was referring to a celebration held at that Transjordanian town that drew an especially large crowd of onlookers. However, we have no record that such an event took place there. C. THE WIFE'S INITIATIVE 7:11-13 Secure in her love, the Shulammite now felt free to initiate sex directly, rather than indirectly as earlier (cf. 1:2a, 2:6). The references to spring suggest the freshness and vigor of love. Mandrakes were fruits that resembled small apples, and the roots possessed narcotic properties.131 They were traditionally aphrodisiacs (cf. Gen. 30:14-16). "The unusual shape of the large forked roots of the mandrake resembles the human body with extended arms and legs. This similarity gave rise to the popular superstition that the mandrake could induce conception and it was therefore used as a fertility drug."
  • 214.
    214 She askedto be his most valued possession; she wanted him to be jealous over her in the proper sense (cf. Prov. 6:34). "The word 'seal' (hotam) refers to an engraved stone used for authenticating a document or other possession. This could be suspended by a cord around the neck (over the heart) as in Genesis 38:18. The word hotam can also refer to a 'seal ring' worn on the hand (in Song of Songs 5:14 'hand' is used to mean 'arm'). The hotam was something highly precious to the owner and could be used symbolically for a person whom one valued [cf. Jer. 22:24; Hag. 2:23]. . . . The bride was asking Solomon that he treasure her, that he regard her as a prized seal."134 A. THE PAST 8:8-12 8:8-9 These words by the Shulammite's older brothers (cf. 1:6) reveal their desire to prepare her for a proper marriage. Comparing her to a wall may mean that she might use self-restraint and exclude all unwarranted advances against her purity. If she behaved this way, her brothers would honor her by providing her with various adornments. However, if she proved susceptible to these advances, as an open door, they would have to guard her purity for her by keeping undesirable individuals from her. Palavras Chaves Amado (31 usos em 26 versos - Canticos 1:13; 1:14; 1:16; 2:3; 2:8; 2:9; 2:10; 2:16; 2:17; 4:16; 5:2; 5:4; 5:5; 5:6; 5:8; 5:9; 5:10; 5:16; 6:1; 6:2; 6:3; 7:9; 7:11; 7:13; 8:5; 8:14) Formosa (15 uses in 13 verses - Song 1:8; 1:15; 2:10; 2:13; 4:1; 4:7; 4:10; 5:9; 6:1; 6:4; 6:10; 7:1; 7:6) Vem! (14 times in 9 verses - Song 2:10; 2:13; 4:2; 4:8; 4:16; 5:1; 6:6; 6:13; 7:11) Amada (9 uses in 9 verses - Song 1:9; 1:15; 2:2; 2:10; 2:13; 4:1; 4:7; 5:2; 6:4) Medo (in KJV) (11 times in 9 verses - Song 1:15; 1:16; 2:10; 2:13; 4:1; 4:7; 4:10; 6:10; 7:6) Buscar (4 uses - Song 3:1; 3:2; 5:6; 5:8) Fruto (4 uses in 4 verses - Song 2:3; 7:8; 8:11; 8:12), Rei (5 times in 5 verses - Song 1:4; 1:12; 3:9; 3:11; 7:5) Amor (28 times in 25 verses {in every chapter!} - Song 1:2; 1:3; 1:4; 1:5; 1:7; 1:10; 2:4; 2:5; 2:7; 2:14; 3:1; 3:2; 3:3; 3:4; 3:5; 4:3; 4:10; 5:1; 5:8; 6:4; 7:6; 7:12; 8:4; 8:6; 8:7) Salomão (5 times in 5 verses - Song 1:5; 3:9; 3:11; 8:11; 8:12)
  • 215.
    215 Vinha (9times in 6 verses - Song 1:6; 1:14; 2:15; 7:12; 8:11; 8:12)
  • 216.
    216 ESBOÇO DOLIVRO I. Cenas de abertura 1.1-2.7 Lembrando o amor do rei de bom nome 1.1-4 A morena e agradável guarda de vinhas 1.5,6 Procurando amor nas pisadas do rebanho 1.7,8 Removendo as marcas da escravidão 1.9-11 A linguagem do amor 1.12-17 O espírito e a árvore 2.1-6 A primeira súplica 2.7 II. A busca por abertura 2.8-3.5 Começando a busca 2.8-15 A alegria do amor no frescor do dia 2.16,17 A procura determinada pelo objetivo principal 3.1-4 A segunda súplica 3.5 III. A busca por mutualidade 3.6-5.8 A carruagem matrimonial real do amor da aliança 3.6-11 Conhecendo Sulamita 4.1-7 Uma visão sobre a terra de cima do monte Hermom 4.8 Uma vida de união íntima num banquete no jardim 4.9-5.1 A queda da Sulamita 5.2-7 A terceira súplica 5.8 IV. A busca por unidade 5.9 –8.4 Conhecendo Salomão 5.9-6.3 A glória triunfante da Sulamita 6.4-10 O nobre povo da Sulamita 6.11-12 A dança memorial de Maanaim 6.13-7.9 O início do novo amor de iguais 7.9 –8.3 A quarta súplica 8.4 V. Últimas cenas com resumo de realizações 8.5-14 Alcançando o objetivo principal 8.5 Alcançando o amor autêntico 8.6,7 Alcançando a maternidade e a paz 8.8-10 Obtendo uma vinha igual a de Salomão 8.11-12 Obtendo a herança 8.13-14 Cântico dos cânticos (tradução João F. Almeida Corr.e Revis., Fiel)
  • 217.
    1. O banquete 2. {The Shulamite} 3. שׁיר השׁירים אשׁר לשׁלמה׃ 1:1 4. Shir hashirim asher liShlomo: Salomão, Shelomo, paz, aquele que cuja natureza é pacífica. Ele simboliza a pessoa do Espírito, assim como Davi simboliza a pessoa de Cristo. O Espírito é chamado de Espírito de sabedoria. Salomão lembra e guarda a sua maior criação, sua mais bela canção. A melodia original de Cantares se perdeu, embora muitos estudiosos tenham visto nos sinais musicais ao lado do texto E o Espírito Santo narra seu mais profundo cântico. Derrama seus mais profundos pensamentos e sentimentos nesse cântico em que empresta toda a beleza de seus sonhos, toda a poesia de seu coração, para narrar a mais importante, a mais memorável, a mais transcendente história de amor de sua existência eterna. 217
  • 218.
    218 ישׁקני מנשׁיקותפיהו כי־טובים דדיך מיין׃ 1:2 Yishakeni minshikot pihu ki-tovim dodeikha miyayin: A menina recebeu de sopetão um beijo de um jovem rei apaixonado. Estava embriagada ainda pelo excesso de vinho da festa de Benjamim e até da vinha que deveria estar guardando... das raposinhas. A Sunamita é aquela moça de caráter esplendido que tipifica a amada de Cristo, a igreja que considera a intimidade com Cristo uma das coisas mais preciosas que já provou. É o inicio de uma vida maravilhosa, quando Cristo desfila seus sinais e prodígios diante de uma humanidade deslumbrada com sua tremenda glória. A boca desde a antiguidade é um símbolo para falar de voz. Da palavra. Sua palavra é apaixonante. Maravilhante. Transformadora. Num determinado contexto, esse amor que a Sunamita sente é melhor que o mundo que festeja as festividades da primavera, as celebrações do vinho, da alaegria e da colheita. Essa é a cena de Jesus na mesma festa mil anos depois quando no dia de maior alegria e embriaguez, no dia das mais intensas danças e dos mais apaixonados cânticos, grita em João 7: “quem tem sede, venha a mim e beba!” A Sunamita fica deslumbrada. O primeiro beijo foi arrebatador. A festa parou no dia em que Jesus gritou. Até os bêbados ficaram sóbrios. O impacto é tão violento que mudou a dinâmica da festa. No mesmo instante em que Jesus gritou, alguns soldados romanos haviam sido enviados para prende-lo, E retornam de mãos vazias. Quando interrogados sobre o fracasso de sua missão tudo o que conseguem expressar é: “Nunca homem nenhum falou como aquele homem!” Havia mais poder embriagante na palavra ungida de Cristo do que todo o vinho da festa que acontecia. Para muitos este é o instante em que seus olhos são abertos para entenderem quem é Jesus. Quando os olhos se abrem para entender sua Soberania, seu reino, sua eternidade, seu Poder e sua realidade. Quando os olhos se abrem para compreender que ele é o Dono de todas as coisas e que a visão de Apocalipse, quando João o enxerga com olhos de chama de fogo e CABELOS BRANCOS COMO A NEVE é só o eco de “Este é meu filho Amado, a Ele eu ouvi” quando Jesus é transfigurado sobre o BAAL-HERMOM, sobre o har Hermom, a montanha sagrada eternamente coberta pela neve cujo apelido é “cabelos brancos”. Há um momento em que uma paixão se inicia. Esse momento é distinto para muitos casais, mas a partir dele ambos passam a estar unidos em seus pensamentos. Carregam dentro de si a pessoa amada, a pessoa querida, ela é pensada e repensada, imaginada, lembrada, torna-se o refrão de uma musica impossível de ser esquecida. Passa a ser desejada como um sonho, e o afastamento já não é uma opção prazeirosa. O encontro e do despertar a fé na pessoa de Cristo produz em nós emoções profundas. Sua s palavras reverberam vida, suas obras e atitudes nos trazem intima alegria. E surge a necessidade que antes não existia de termos comunhão com ele. Amar a Cristo não é amar uma história, uma carta ou abraçar uma fé. Ressurreto dos mortos e assentado a direita do Pai, numa dimensão invisível está o Amado. E por ser vivo e ter poder para tal pode comunicar-se, revelar-se, manifestar-se, tornar-se presente e interagir conosco espiritualmente. Ele pode
  • 219.
    encher-nos de suapaz, pode compartilhar a sua alegria. Pode conceder-nos sentir o amor com que nos ama. Esse mistério é denominado “comunhão”. 219 לריח שׁמניך טובים שׁמן תורק שׁמך על־כן עלמות אהבוך׃ 1:3 Lereiakh shemaneikha tovim shemen turak shemekha al-ken alamot ahevukha: Unguento era o uma mistura de ervas que eram utilizadas para cura de feridas. Há um jogo com as palavras unguento e nome, possuem uma sonoridade próxima sem, shem, e a raiz de onde vem Semente. O nome de Jesus é como um bálsamo que foi dado para curar feridas que o mundo e o inferno causaram. Ele é revestido de um poder sobrenatural capaz de curar as feridas da alma, do coração e mesmo físicas. A Igreja dos primeiros dias invocava o poder do Nome, a Autoridade que havia no nome, de modo que Pedro para diante de um paralítico diante do templo, que lhe pede esmola e lhe declara: dinheiro eu não possuo. Mas tenho algo muito mais PRECIOSO. Porque o unguento da antiguidade era uma coisa muito cara, rara, preparada em lugares especiais, segundo técnicas que eram passadas somente às famílias médicas que os preparavam. Pedro cheio de “unguento” ou completamente cheio de fé na Autoridade da SEMENTE declara: Em NOME de JESUS, levanta e anda! E a Autoridade escondida no nome, assim como o poder de vida escondido na semente, faz germinar uma fé sobrenatural no coração do paralítico e este é curado imediatamente. משׁכני אחריך נרוצה הביאני המלך חדריו נגילה ונשׂמחה בך נזכירה דדיך מיין מישׁרים אהבוך׃ 1:4 Mashkheni akhareikha narutza heviani hamelekhkha darav nagila venismekha bakh nazkirah dodeikha miyayin meisharim ahevukha: שׁחורה אני ונאוה בנות ירושׁלם כאהלי קדר כיריעות שׁלמה׃ 1:5
  • 220.
    Shekhorah ani venavahbenot Yerushalayim keaholei kedar kiriot Shelomo: I [am] black, but lovely, ye Daughters of Yerushalayim, as the tents of Kedar, as 220 the curtains of Shlomo. אל־תראוני שׁאני שׁחרחרת שׁשׁזפתני השׁמשׁ בני אמי נחרו־בי שׂמני נטרה את־הכרמים כרמי 1:6 שׁלי לא נטרתי׃ Al- tiruni sheani shekharkhoret sheshezafatni hashamesh benei imi nikharu – vi samuni noterah et-hakeramim karmi sheli lo natarti: {to her beloved - Shephard} São ínumeras dimensões da Sunamita. Uma é a identidade da própria moça. Outro é a representação da comunidade judaica, em relação ao seu passado, a lembrança da escravidão no Egito. E a que desenvolvo nesse verso é a a da universal assembléia, da Igreja sem restrição de raça, tribo ou nação. Que vou denominar por simplificação de Nossos agradecimentos a Deepika Padukone... ...sem a qual... ...o estudo bíblico deste verso ...não seria ...o mesmo...
  • 221.
  • 222.
    Na Índia atonalidade branca da pele feminina ainda é valorizada em muitas regiões. Na antiguidade as mulheres de tez branca gozavam de prestígio também. A maioria das moças de famílias menos abastadas eram invariavelmente morenas. Quanto mais escura a pele mais ela aproximava-se de pertencer a uma descendência que traria à memória: povos conquistados, diversas tribos nômades do deserto. Certamente traria à memória duras condições do deserto. Lembraria ao sol escaldante, ao calor, lembraria duras condições de vida das moças morenas, castigadas pelo sol, numa sociedade em que tinham que realizar muitas atividades sob o sol, tais como cuidar de crianças, carregar água, lavar roupa. Isso as envelhecia antes do tempo. O pano de fundo do cântico dos cânticos é a sociedade pastoril israelita, e os povos que habitam na terra que hoje denominamos oriente médio. A moça de Cantares de Salomão possui um trunfo que a torna superior a todas as questões culturais que envolvem sua situação. 222 Ela é linda.
  • 223.
    Ela reconhece semparcimônia que é formosa ao extremo. Tão bela de corpo que as moças da cidade olham com inveja para ela. Ardem de inveja. E sem falsa modéstia diz que é maravilhosa. Que não seria a cor de sua pele que diminuiria a beleza que reconhecia que tinha e que lhe tornava tão esplendida como as mais belas tendas das tribos de Cedar. Ela que é morena de nascimento trata com desdém a quem a desdenha. Seus irmãos invejosos a colocaram para tomar conta de uma vinha, serviço de homens, perigoso, e ela zomba das que a tratam mal dando uma desculpa esfarrapada a respeito de sua cor. A ultima frase ecoa um sentimento de perda. Forçada a trabalhar nas vinhas alheias, de quem não teve responsabilidade, acabou por perder o cuidado com a que lhe pertencia. A moça de beleza sem par é parte de um poema de amor composto a quatro mãos. É um dueto da alma humana e do coração divino. O Espírito Santo inspira o amor apaixonado e nele celebra igualmente seu amor por nós. Pelo ser humano. Pelo mundo. E pela amada por quem se apaixonou a quem chama de Igreja. Sua Igreja. A Igreja é a soma dos que amam ao Espírito de Deus, daqueles que o recebem e permitem serem transformados por ele. Que amam o que ele falou, sua carta escrita ao coração dos homens, as Escrituras. A mulher que foi desprezada pelas filhas de Jerusalém sabe o quanto é formosa. As filhas de Jerusalém são as filhas dos nobres, dos príncipes e da realeza; são filhas de mercadores e de sacerdotes. 223
  • 224.
    Pertenciam ao lugarmais caro para se morar na terra santa. E era caríssimo morar ali, desde a antiguidade. Ali habitavam os músicos e a corte de Salomão. As filhas de Jerusalém retratadas no poema são soberbas, altivas, criam estar acima de todas as outras mulheres. Elas nos lembram, neste instante ao menos, aos ricos do mundo, aos políticos que ao assumirem seus cargos usam ao poder como um escudo, aos religiosos que proclamam uma vida que não possuem, aos intelectuais e seu desprezo por Deus e pela extrema beleza espiritual da igreja que ama a Cristo. Estes últimos riem da busca da pureza, da necessidade da santidade, do chamado ao arrependimento pelos pecados. Eles desprezam a necessidade de Deus, e olham para os que anseiam pela eternidade e pelo Reino dos Céus com tremendo desdém. A Igreja gentílica, nascida da antiquíssima promessa dada a Abraão " Em ti serão benditas todas as famílias da terra" foi desprezada pelos irmãos mais velhos. Os judeus perderam a universalidade do evangelho a eles confiado e advogaram somente para si uma promessa que pertencia a todos. Trataram a irmã mais nova como um serviçal. Entenderam a si como herdeiros e não entenderam que ela era dona de direitos que não podiam ter negado. A igreja gentílica vem de homens e mulheres de toda a terra que viram seu mundo espiritual ruir. As nações não guardaram as antigas visões ou revelações dadas por Deus. Elas transformaram as palavras de seus profetas em imagens de animais e diante delas se encurvaram. As nações adoraram a deuses que não eram deuses. A vinha que lhe pertencia ela não guardou. 224
  • 225.
    Mas algo mudounessa moça atrevida. Ela tem um olhar diferente, uma postura diferente. A Igreja de Cristo sabe que sua herança espiritual a torna tão formosa aos olhos de Deus como os pavilhões de Salomão! Mas Salomão não habitava uma tenda. Pavilhão é o espaço coberto interior ou exterior de uma tenda. Ou um amplo salão de uma construção. 225
  • 226.
  • 227.
    A moça secompara à casa com gigantescos salões, a fabulosa casa do bosque, a casa que Salomão construiu para si feita de madeira de cedro do Líbano. E ao mesmo tempo aos pavilhões do templo de Salomão. Ela é tão formosa quanto o mais sagrado templo construído na terra. 227
  • 228.
    Cedar (Quedar) erauma antiga região da Arábia, significa "cedro", uma região onde deveriam haver bosques frondosos de árvores de cedros. Os Cedros permanecem verdes durante todas as estações. Numa padraria coberta de neve eles se destacariam como as únicas árvores verdes. Ela irrita as filhas de Jerusalém com a suprema ousadia, comparando-se ao mesmo tempo com as tendas dos árabes que descendem de Ismael e com aquilo que elas consideram mais sagrado na capital de Israel, ao templo. Ismael era filho que Abraão teve de uma escrava, Hagar. Hagar foi expulsa de casa por sua senhora, Sara, esposa de Abraão. Vagando no deserto da Arábia ela se aproxima do bosque de cedros sem provisões, sem destino e sem condições de alimentar a criança que agora desfalece sobre uma rocha próximo a Cedar. Hagar se afasta para não ver o jovem morrer. Então um anjo aparece a jovem escrava e lhe provê as condições de sobrevivência para ela e seu filho. E ainda lhe concede uma promessa. Da promessa concedida a Hagar hoje temos o mundo árabe (em árabe: او عرب ي او عاو س , transl. al-'Alam al-'Arabi), relativo ao conjunto de países que falam o árabe e se distribuem, geograficamente, do oceano Atlântico, a oeste, até o mar Arábico, a leste, e do mar Mediterrâneo, a norte do Corno de África, até o nordeste do oceano Índico. É constituído por 22 países e territórios com uma população combinada de 360 milhões de pessoas abrangendo o Norte de África e a Ásia Ocidental. 228
  • 229.
    Eu sou tãobela quanto as tendas de Hagar! Aquela escrava que os vossos pais desprezaram... Eu sou tão linda como as tribos de Ismael! Eu sou árabe (calma judeu messiânico!) e formosa como o templo de Salomão! Quando Cristo anunciava o evangelho os escribas saduceus e os fariseus cheios de orgulho e desprezando até onde puderam o que ele lhes ensinava perguntavam-lhe: - Quem te deu tal autoridade? Porque imaginavam-se como sendo os únicos que tinham o direito de falar e ensinar sobre as coisas contidas nas Escrituras. Imaginavam como legítimos intérpretes da Lei e viam a si mesmos como representantes oficiais de Moisés. Logo após a ressurreição de Cristo a Igreja anuncia o evangelho e relê as profecia s do Velho Testamento e grita que tem direito as promessas dadas aso judeus, manifestando a presença divina de tal modo que nela há profetas, visões, revelações, visitações angelicais e toda sorte de milagres como os judeus só conheciam ao ler as antigas páginas do cânon hebraico. Quem deu a Cristo a sua Autoridade é o mesmo que inspirou as formas do templo de Salomão. Uma noite a três mil anos atrás Davi, pai de Salomão o chamou e abriu diante de seus olhos a planta de uma magnifico edifício. Um edifício que fora sendo-lhe inspirado gradativamente e que planejara construir. A planta do prédio fora concedida a ele como uma revelação é dada a um profeta. Os planos não vieram de sua mente. Davi acumulou materiais para o projeto por cerca de 14 anos. Antes de morrer ele passou os desenhos para seu filho Salomão que levou sete anos para edificá-lo. A igreja possui a beleza do ministério do Espírito Santo, de múltiplas formas, concedendo-lhe uma imagem tão bela quanto os pavilhões do templo mais belo que já existiu. Ela é estrangeira mas é adornada com graça e unção, ela ora com convicção e fé ela adora com emoção e sinceridade. 229
  • 230.
  • 231.
    231 (nossos agradecimentosaos pais d Padukone) הגידה לי שׁאהבה נפשׁי איכה תרעה איכה תרביץ בצהרים שׁלמה אהיה כעטיה על עדרי חבריך׃ 1:7 Hagidah li sheahava nafshiei khatir eeikha tarbitz batzahorayim shalama ehye keotyah al edrei khavereikha: Tell me, O thou whom my soul loves, where thou feed, where you make your flock to rest at noon: for why should I be as one that turns aside by the flocks of thy companions? אם־לא תדעי לך היפה בנשׁים צאי־לך בעקבי הצאן ורעי את־גדיתיך על משׁכנות הרעים׃ 1:8 Im-lo tedi lakh hayafah banashim tzei-lakh beikvei hatzon urei et-gediyotayikh al mishkenot haroim: If thou know not, O thou fairest among women, go thy way forth by the footsteps of the flock, and feed thy kids beside the shepherds' tents. A moça foi procurar a Salomão que estava disfarçado de pastor. E não perde seu tempo. De alguma maneira ela encontrou algum grupo de cabritos e para se aproximar sem
  • 232.
    levantar suspeitas dogrupo de pastores vai arrastando com certa dificuldade o grupo de animais, fingindo ser pastora. Uma engraçadíssima cena. Para não levantar suspeitas de sua verdadeira intenção. Então ela o avista. E mais uma vez perde a respiração e OUSADAMENTE ela é que lhe dá uma cantada! Onde você está indo, me leva! Eu não quero mais ninguém (porque seria eu ‘como a que anda errante” junto ao rebanho de teus companheiros). Não quero andar “errante”. Porque com você...eu me encontrei! Não tenho que correr atrás de mais ninguém. Onde você vai estar “descansando” para que ali eu possa “descansar” também? Uma belíssima parábola do amor da Igreja por Cristo. Lembra a ousadia da moça que vai empurrando a multidão para tocar as vestes de Jesus, da outra que para toda a multidão que segue a Jesus com seus gritos e que é convocada as pressas pelos discípulos e mesmo destratada por Jesus não permite que ele continue seu caminho sem atende-la, fazendo os olhos de Jesus brilharem de alegria com sua fé desmedida e ousada: 232 - Mulher! Grande é a tua fé! Nem emsmo em Israel encontre uma fé como a tua! A menina é ousada. Ousada como Jesus espera que a Igreja seja para com as coisas celestiais. Paulo, apóstolo, rabino, mestre, reivindica: “tendo pois ousadia entremos diante do trono de Deus! Ela anseia conhece-lo! Saber o que vai fazer enquanto há luz. Ela não quer perder-se! O coração da igreja fiel não anseia um evangelho qualquer. Uma revelação qualquer. Uma direção que a distancie do amor de Cristo. Não quer andar errante. Como tantos estão. Milhares de igrejas caminham sem nenhuma orientação divina, desviando-se, errantes, porque não seguem aos conselhos do Senhor: Aquele que tem ouvidos ouça o que o espírito hoje diz ás igrejas. “porque seria eu como a que CAMINHA errante” Andar é um símbolo nas Escrituras, Salmos exorta: “Bem-aventurado aquele que não ANDA no caminho dos pecadores e nem se ASSENTA na roda dos escarnecedores”. A menina não quer andar perdida. Ela não anseia PERDER-SE. Ela não quer errar o caminho. Vivemos hoje num mundo de controvérsias, de milhares de doutrinas julgadas bíblicas, movimentos espirituais falsificados. Ontem ouvia a rádio (01/julho/2014) e alguém falava a respeito de uma “substancia” exatamente usando o termo “substancia” a ser misturada ao “sangue do cordeiro” para libertação de vícios. A rádio FM, ao menos no RJ, protagoniza um assassinato da interpretação bíblica, que chega a ser dolorosa. Dezenas de pregadores que desconhecem a beleza e a profundidade das Escrituras, palestrando sobre coisa alguma. O nada é nada não importa se veio da boca de um Querubim ou da minha. Porcaria é sempre porcaria. Lixo espiritual é sempre lixo. Imagina-se que se um sujeito diz que recebeu uma visão dada por um anjo em meio a pelo menos uma miríade de anjos, essa tal palavra, escrita em papel celestial, seja algo maravilhoso. Se não é, não importa o pacote. O falso profeta parece um bruxo. Ele ameaça até arrancar o seu nome do livro da vida se você não crer no que ele fala. E se a porcaria que ele fala é lixo, sem sentindo, destituída de qualquer coisa nova, uma REPETIÇÃO de algo que uma criança de 6 anos aprende numa noite qualquer numa escola bíblica dominical, ele diz que você não compreendeu o mistério. O que é intrigante. A tal revelação parece morta, tá em putrefação, tá fedendo, tá de desfazendo e ele diz a coisa que ele está trazendo da parte de Deus, está viva! E se você diz que não, ele te condena ao inferno.
  • 233.
    A Sunamita nãodeseja andar errante. Ela quer ouvir a voz de seu amado e ir descansar em seus braços. Não quer uma interpretação espúria, pobre, inexata, um evangelho que a confunda. Que a deprima. Um dos anseios do coração da Igreja é ACERTAR. É saber o que está fazendo, é orientar-se corretamente! A voz do Espírito é essencial para que ela não se perca. Para que ela não vá parar num lugar que pregue um “outro” evangelho. Para não se tornar como a Igreja de Laodicéia. Pobre, miserável, cega e nua. No final deste estudo tem uma visão mais abrangente sobre as duas faces de Laodicéia. Neste momento vemos que a moça está acompanhada de um grupinho de cabritos. Gente! Onde ela arranjou esses cabritos? Salomão sabe quem ela é. É tudo uma armação. Ele montou a cena, ele está atuando e não perde a chance e as portas abertas e manifestas do amor da bela moça. Nem pisca, a resposta é imediata. “mais formosa entre as mulheres” é mais que um elogio. É assim que ele a enxerga. É assim que ela o impacta, é assim que ele enxerga do balançar dos seus cabelos ao modo como ela caminha. Salomão possui dois cuidados, o primeiro é se afastar dos outros pastores num lugar em que possa ficar a sós com a moça. O segundo é que ele não quer que ela SE PERCA. Ele não cita um lugar desconhecido, distante demais, impossível de se acessar. Mas um caminho conhecido, com pistas à vista, de facílimo acesso. Um que mesmo uma “leiga” em atividades pastoris pudesse reconhecer e percorrer. Ele a chama de Formosa, que é a mesma designação dada a Raquel e a Ester, e ao próprio Messias que virá: 233 Salmos 45.2 Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; nos teus lábios se extravasou a graça; por isso, Deus te abençoou para sempre. Salomão no futuro publicaria em Eclesiastes: “Tudo Deus fez formoso em seu tempo” Isaías relatará centenas de anos depois: 52.7 Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! A beleza da moça o constrange. O conceito de formosura da antiguidade se estabelece por harmonia, graça, leveza, beleza, luminosidade e é parente do conceito de perfeição. Elas se misturam e completam. Inclusive uma PROFECIA ume os dois conceitos numa única visão: Ezq: 27.3 3 e dize a Tiro, que habita na entrada do mar, e negocia com os povos em muitas ilhas: Assim diz o Senhor Deus: Ó Tiro, tu dizes: Eu sou perfeita em formosura. E Ezq 16.14 14 Correu a tua fama entre as nações, por causa da tua beleza, pois era perfeita, graças ao esplendor que eu tinha posto sobre ti, diz o Senhor Deus.
  • 234.
    A Sunamita celestial,a Igreja universal de Cristo é de uma beleza única aos olhos do Espirito de Deus. Porque se vê refletido em seus atos de justiça, mansidão, paciência, amor não fingido, ternura, fé. A igreja é dentre a humanidade a parcela de homens e mulheres que se apaixonaram pelo Pastor Supremo, que ouviram sua voz e deixando para trás o mundo e tudo que nele há, o seguiram. Ela não compreende nenhum assunto desta existência como tão maravilhoso como o amor de Cristo. E por ter dele se aproximado foi transformada, recebeu um esplendor de justiça, foi feita morada de Deus, habitação do Espírito e em virtude disso, suas palavras e atitudes são diferentes. Ela não pragueja e nem amaldiçoa! Ela não deseja e nem planeja o mal. Ela anseia por não portar-se inconvenientemente. Essa idoneidade do coração dos separados é vista por Deus como algo de extrema beleza. Tito chama a lealdade, para com todos, da Igreja de Cristo de “ornamentos da doutrina” 10 nem defraudando, antes mostrando perfeita lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus nosso Salvador. Quando a Igreja vive a doutrina de Cristo é uma figura belíssima. Porque sua doutrina torna a humanidade belíssima aos olhos de Deus. Vivemos num mundo de políticos corruptos, de pastores que pastoreiam para si mesmos, numa realidade em que nos leva as portas do templo em Jerusalém quando um grupo de malfeitores se assenhorou do Sinédrio, quando o sacerdócio corrompido enche o templo de Jerusalém de vendilhões com intenso comércio dos animais que seriam necessários para as festas da páscoa, cobrando preços exorbitantes pelos animais que seriam sacrificados, inflacionados pela festa e pela ganancia. Os judeus eram quase que dirigidos ao monopólio de animais que pertencia a família de Caifás para terem o que oferecer nos dias antecedentes ao Yom Kipur, o dia da expiação nacional, que era encerrado solenemente pelo segundo sacrifício do cordeiro vespertino, exatamente as três horas da tarde. A beleza dos ministérios das igrejas é justamente medida pela idoneidade desse ministério. Como é feio um escândalo financeiro, moral. Como é feio um evangelho distorcido, uma manifestação espiritual falsificada. Como é feio quando profetas entregam profecias que não existem, contam visões que jamais tiveram e impõem à congregação obrigações espirituais as quais o Espírito Santo jamais ordenou. Políticos destroem seus nomes e sua carreira em busca de ganhos financeiros. A corrupção enfeia as cidades, a desonestidade desvia o dinheiro necessário para as reformas que trariam educação, cultura, emprego, prosperidade. A amargura humana, a maldade, a desonestidade, destroem a beleza que Deus anseia ver nos homens. O afastamento dos ideais divinos, da compaixão; do amor não fingido; da amizade verdadeira e de todos os caminhos agradáveis ao coração de Deus tornam ao ser humano, absurdamente feio. A Sunamita é abusivamente formosa e agradável a vista. É extremamente agradável contempla-la. Fitá-la. Olhar para seus passos, vê-la dançar, correr, rir, brincar. É assim que da eternidade Deus contemplou um grupo de pessoas que ouviria sua voz, infelizmente não todos. Não que ele não os amasse. Não que não fosse da vontade divina que todos fossem formosos como seu Jesus é a seus olhos. O contraste com a beleza é a imperfeição, o distorcido. O que não é agradável, o que não desejamos ver. O abominável. 234
  • 235.
    20 Abominação parao Senhor são os perversos de coração; mas os que são perfeitos em seu caminho são o seu deleite. E para que todos fossem formosos, Deus concedeu-nos o Desejado das nações, o Messias, o Cristo, o seu único Filho. Concedendo-lhes um caminho fácil de ser encontrado 235 Como diz a versão de Welington (o sujeito que escreve este texto) de João 3:16 Jo 3:16 Porque Deus amou-nos de tal modo que enlouqueceu. Abraçando uma causa louca com coragem inadmissível, lançando-se numa empreitada suicida, sob a égide de riscos incalculáveis, apoiando-se de modo inusitado na fragilidade da esperança humana dando ao homem o que tinha de mais absoluto dentro de si sua Vida, seu sonho, sua essência, seu Filho Amado, tão precioso a si quanto o único de sua espécie, Para que todo aquele que vier a nascer na terra e crer nesse ato impossível da mais absurda viagem transcendental cheia de humilhação, tormento, loucura e confiança, já realizada com sucesso indescritível, possa receber o direito inalienável de viver para toda a eternidade. Evangelho do apóstolo João, capitulo Terceiro, Décimo Sexto Versículo. Ele amou a humanidade e a ela quis formosear. O que me lembra de como é abominável aos olhos de Cristo uma doutrina distorcida. O uso dos dons espirituais para domínio ou proveito próprio. O anuncio de falsos milagres. Salomão anseia a beleza de uma moça que não o busca por causa de sua riqueza. Por causa de sua glória. O Espírito de Deus anseia por corações que almejem a sua presença. E seu anuncio é um anuncio de Graça, de Favor. Salvação. Uma das preocupações de Salomão com a moça é que enquanto a orienta, enquanto a conduz para perto de si, ela NÃO SE PERCA. Porque é desejo dele que todo ser humano se salve. Não há e nunca houve em tempo algum algum grupo separado para a perdição. Jamais nasceu na terra um homem sem esperança dessa formosura. Basta seguir o caminho das ovelhas. O pastor oriental vai à frente do rebanho cantando, ou falando, ou citando o nome das ovelhas. Ele as chama, faz carinho nelas e segue em frente, e elas vão se guinado pela sua voz. O caminho das ovelhas é a participação da comunhão com os irmãos, de sua alegria, de suas lutas. É aprender com a experiência, com o testemunho, com o aprendizado dos que já estão um pouco a frente. É o lugar onde a voz do Espírito Santo é ouvida. Se uma ovelha não ouvisse o grito do pastor, ela se di spersa, ela sai do caminho em busca dele! Púlpitos sem unção não norteiam ovelhas. Ensino sem base espiritual, sem profundidade não as mantém no caminho. Revelações sem sentido, sem verdade, sem discernimento espiritual não pode guiá-las! Exegese espúria, hermenêutica torta, meramente humana, palavras dadas fora de seu tempo. Uma das grandiosas lutas de todos os pregadores é de serem porta-vozes de Deus. Eles anseiam falar palavras que o Espírito de Deus dirigirá à Igreja. Anseiam ser “canais” serem mensageiros dos desígnios divinos, ministros de um evangelho não contaminado, profundo
  • 236.
    e transformador. Oefeito de uma pregação ungida, de uma meditação profunda, de uma palavra entregue no tempo e segundo a vontade de Deus, ou segundo uma revelação é algo extraordinário. A moça da canção se ‘disfarça’ de pastora. Mas é assim que O Espírito enxerga a Sunamita celestial. Pastoreando. Cristo chama a igreja para participar de seu pastorado. Para do mesmo modo aprender a cuidar de ovelhas, aprender a cuidar de vidas, a alimentar espiritualmente aos que se tornarem parte do rebanho, do mesmo modo que o pastor cuida e ama suas ovelhas. 1. לססתי ברכבי פרעה דמיתיך רעיתי׃ 1:9 2. Lesusati berikhvei Paroh dimitikh rayati: 3. I have compared thee, O my love, to a mare of Pharaoh's chariots. 236 As éguas dos carros de Faraó. As éguas As variações básicas dos árabes puro sangue a entre muitas variações são o Muniqi, Saglawi, Abayyan e Kuhailan, todos descendo do Kuhaylan, que significa "puro-sangue". Cada cepa apresentou características distintas, não há dúvida que o resultado das necessidades individuais ou tipo preferência dos membros da tribo. O cavalo árabe de hoje é um produto de cruzamento constante dessas cepas. Como nenhum indivíduo carrega o sangue de um único, não diluído. Isso não quer dizer que um árabe do deserto puro, não diluído. É aí que reside uma das principais diferenças entre o árabe egípcio e os de outras linhagens. Seus descendentes são um padrão internacional para a raça dos puros-sangue árabes.
  • 237.
    As éguas defaraó são animais de guerra. Usados por tribos árabes à milênios. As forças inglesas compreenderam que seria impossível combater aos árabes montados em puros-sangues. Dos primeiros cavalos documentados no Egito haviam se estabelecido como de maior importância. Eles foram amados, admirados e queridos da nobreza aos nômades do deserto. O Alcorão de Mohamed ensina que: "todo homem deve amar seu cavalo." Guerreiros beduínos montados em seus melhores cavalos árabes provaram serem invencíveis como a propagação de energia do Islã em todo o mundo civilizado. Ahmad Ibn Tuleu, (1193-1250), um cavaleiro extraordinário mameluco construíu jardins palacianos e um magnífico hipódromo para abrigar sua coleção de cavalos árabes escolhidos. Os cavalos de Saladino impediram Ricardo Coração de Leão de conquistar ao Egito e foram saudados por Sir Walter Scott em The Talisman. "Desprezavam a areia atrás deles - pareciam devorar o deserto diante deles". 237 Os carros de Farão
  • 238.
    Somente 11 carruagensde faraós foram preservadas da antiguidade. Seis delas na tumba de Tuntankamon. Este rei é de aproximadamente 340 anos antes da época de Cantares (1.327 ou 1.323 a.C.), então temos uma excelente base para comparação dos carros das dinastias egípcias posteriores. Os carros de faraó se dividiam em dois tipos, os de guerra/caça e os cerimoniais. Eles eram de exclusivo uso do faró e de sua familia. No carro de guerra havia as imagens no interior e no exterior, com asas da deusa Isis que segundo a mitologia egípcia protegia o corpo de seu marido Osíris dos ataques de uma outra divindade. Há neste carro uma representação do céu com um sinal que simbolizava as duas terras do Egito, e figuras de escravos que circudam as duas terras. O deus Horus do qual o faraó invocava sua sacendencia divina estava ali representado também. Com duas significativas inscrições: O grande Deus e Senhor dos céus. O falcão que representava Hórus segurava um símbolo chamado shen que significava ETERNIDADE. Sob as figuras o nome de Faraó e de sua esposa. Debaixo do nome de Faraó o título: Imagem viva de Amom e Senhor da Existência. Ao lado do nome de sua esposa: Aquela que vive para Amon. Depois a figura de um pássaro ( RKHYT) com as asas levantadas e o sina l tb (todos) Na frente do pássaro uma estrela. A cena inteira significava que todas as pessoas do Egito deveriam adorar ao rei que era ao mesmo tempo OSIRIS e 'TUTANKHAMUN'. Na parte inferior há uma representação do sinal SEMATAWY que se refere à unificação do Alto e do Baixo Egito, há também dois cativos emaranhados dentro do sinal Sematawy. O segundo carro é decorado com padrões em espiral e esta é a principal diferença na decoração da estrutura destes dois carros. Ele é semelhante ao primeiro, porém o corpo inteiro é coberto com folhas de ouro e incrustada com pedras semipreciosas. Seu nome em egípcio antigo foi wrrt ou mrkbt. 238 O Carro de Tutankamon Após a reconstrução dos carros deste faraó, foi possível distinguir entre dois tipos diferentes de carros. Estes dois tipos são os seguintes: Estaduais ou cerimoniais De caça ou guerra.
  • 239.
    A carruagem cerimonialfoi usada pelo rei durante as cerimônias ou ao visitar diferentes partes do país para verificar o seu povo. Temos cenas do reinado de Akhenaton representando o rei andava de carro seguido por outros carros que transportam sua esposa e filhas, e o resto de seus funcionários. Esses carros eram mais pesados do que os carros de guerra e foram incrustados com pedras semi-preciosas, ouro, prata e bronze e decorado com desenhos, altamente ornamentado. Estes carros não foram construídos para serem velozes; Foram construídos para causar efeito. Também foram construídos para o conforto com grandes guarda-chuvas anexados para oferecer sombra para aqueles que andavam neles. Salomão compara a moça a um dos mais cobiçados bens de consumo de sua época. Um dos animais mais notáveis que a terra do Egito havia presenciado e cuja descendencia originaria toda a família de puro-sangues árabes da terra. Mas numa época em que ainda não havia mistura de raças, representam uma puríssima raça de cavalos, superiores às melhores raças que possuimos na atualidade. Cavalos amados por sua força, lealdade, beleza, habilidade e coragem. Não havia na época as questões éticas sobre ‘inferioridade’ dos animais e da ‘supremacia’ do homem de tal modo que houvesse indignidade em ser chamado pelas virtudes dos animais. Até hoje possuimos adjetivos, ‘forte como um touro’ , graciosa como uma ‘gazela’ rápido como um ‘guepardo’. Fiel como um ‘pombo’. A moça é elogiada de modo espetacular. E não é uma égua puro-sangue qualquer. Faz parte de um grupo dos mais seletos cavalos da terra, os mais puros, raros e caros cavalos de sua raça, que sãos certamente os reprodutores ou principais de sua linhagem, separados somente para uso do Faraó. Somente dele. Cavalos destinados àquele que era considerado “Deus” na terra do Egito. E ainda associado a uma das obras de arte mais cobiçadas da antiguidade. Os carros de faraó. As éguas que puxavam o carro de fa raó desfilavam constantemente pelas terras do egito sendo reverenciados pela multidão. Era o faraó que era o supremo sacerdote da terra do egito e graindiosos cermoniais eram presididos por ele. Ele desfilaria com os mais belos cavalos que o mundo pode contemplar, num carro preciosíssimo, para realizar atos tais como invocar a cheia do Rio Nilo. Tudo em seu carro era representativo. Nele estava simbolizado, domínio, poder, autoridade, filiação divina, natureza divina e proteção do amor de uma esposa. Até no carro de faraó havia uma história de amor. A Sunamita era comparada a uma raça única, separada a serviço de um homem que era tratado como uma divindade. Uma moça pobre, serva, com roupas de uma pastora, cercada no meio de cabritos roubados, com a pele descascando de tanto sol, que foi forçada a adiar sua infancia e a colocar de lado sua adolescencia recebia queima-rosto simplesmente que era maravilhosa, corajosa, determinada, única, invejada, belíssima, forte, digna de estar desfilando diante de milhares de pessoas. Uma dos bens mais valiosos da terra. E que ele sabia de sua luta e de seu trabalho servil. Na carruagem de Faraó tinha pintado alguns escravos. Ou seja, mesmo te tratando como uma escrava, observação ao detalhe, ele está disfarçado de pastor, como se fosse um homem igual a ela, um trabalhador. Ele diz que ela é algo que vai muito além de tudo que ele um dia imaginaria possuir. Uma égua de Faraó não possuía valor. Eram 7 vezes mais caras que o mais precioso cavalo da terra de todo Egito. E tá dando uma indireta. Desde a antiguidade é o pai que dá o dote da filha. Há um "preço" a ser pago pelo casamento dela. "ele sutilmente diz que é ele que está disposto a pagar o dote, mas que sabe que não possui os recursos porque para ele ,ela é de valor inigualável, acima de suas posses . 239 Não é pouco elogio não.
  • 240.
    Não é poucoelogio não. Nunca em tempo algum em qualquer romance uma moça foi tão elogiada em tão poucas palavras. Lesusati berikhvei Paroh dimitikh rayati, foram CINCO palavras em hebraico para dizer isso tudo! Sendo que o elogio própriamente dito são somente QUATRO palavras. Lesusati berikhvei Paroh dimitikh. 240 Se alguém algum dia questionou a sabedoria de Salomão, desafio a fazer o mesmo. É claro que com a ajuda do Espírito de Deus fazer poesia é um ato de suprema covardia. Deixando de lado as reclamações invejosas da minha parte, podemos ver a alta estima e como o Espírito de Deus vê sua mada, ou anseia ve-la. No carro do Faraó há a figura de uma deusa protegendo o corpo de seu amado! Na madrugada do domingo Maria irmã de Lázaro (posso ter errado de Maria) vai até o sepulcro para ungir o corpo de Jesus. Nardo ela tinha bastante. Quando chega lá se desespera ao ver que a pedra fora removida e (com certeza absoluta) ter entrado lá e vasculhado o lugar em busca do corpo do amado mestre e nada encontrar. Ela se senta em desespero e chora em meio ao jardim, gritando de dor em sua alma. Então alguém que ela pensa ser o jardineiro se aproxima dela e ela vê nele a possibilidade de saber onde haviam levado o corpo de seu Senhor. Ela o convoca e cai aos seus pés dizendo clamando para que ele lhe indique onde levaram o corpo dele e que se ele lhe mostrar ira lá e SOZINHA o trará de volta ser for necessário. O mesmo tipo de amor é evocado na cena do carro de Faraó. Jesus vê na Igreja coragem e ousadia. Os apóstolos são açoitados e coagidos pela alta corte israelita, o sinédrio, que inclusive havia condenado injustamente à morte a Cristo e quando saem de lá pregam mais ainda. Milhares seriam os testemunhos dos atos de coragem desmedida dos que amam a Cristo ao redor da terra. O Espírito de Deus não nos vê como nós nos vemos a nós mesmos. A moça está mal vestida, fugindo do trabalho forçado e é chamada de única em toda a terra. O Espírito vê os dons, os ministérios, as operações celestiais e coisas invisiveis presentes na igreja de valor inestimável. O carro cerimonial do faraó era coberto de ouro e cravaejado de jóias. É assim que Deus nos vê, preciosos diante dele, revestidos de valor, cobertos de riquezas celestiais. E é essa a visão que quer que tenhamos de nós mesmos. Uma coisa invisivel, propositalmente invisvel no texto, um tesouro escondido. Os Carros de faraó eram carregados por 4 animais. Quatro animais magníficos, de valor inestimável treinados para andar em perfeita harmonia e sincronismo. O quatro é muito usado em Cantares. Neste verso esse número aparece de forma visível, quatro palavras e de forma invisível (poucos sabem que eram uma quadriga de cavalos que arrastava o carro). Os cavalos só podiam estar ali após treinados para trotarem como se fosse um único animal. Essa belíssima imagem nos conduz a quatro Querubins que possuem face de animais, que andam SINCRONIZADAMENTE lá no Livro de Ezequiel. E que são chamados de animais viventes lá em Apocalipse. Porque o Espírito enxerga a Igreja tão gloriosa quanto os Querubins. Tem uma outra questão no texto. Em todo o texto. O Espírito Santo suplantará espiritualmente a qualidade dos elogios de Salomão na dimensão humana. É como uma competição santa. Mas neste dueto, a voz do Espírito canta mais alto que a voz de Salomão.
  • 241.
    נאוו לחייך בתריםצוארך בחרוזים׃ 1:10 Navu lekhayayikh batorim tzavarekh bakharuzim: Thy cheeks are comely with rows [of jewels], thy neck with chains [of zahav]. 241
  • 242.
    Moça do ExércitoIsraelense Salomão observa-a por inteiro. E diferente de alguns namorados, noivos e esposos, vê cada parte da beleza da futura esposa. Ele diz que ela é tão bela quanto as jóias que está usando. Mais detalhadamente, que o rosto dela é uma jóia engastada entre outras jóias. O rei está maravilhado com sua beleza e seus olhos ultrapassam os enfeites que a cobrem porque ela aos seus olhos é mais bela do que tudo que usa para tornar-se aos seus próprios olhos, mais bonita. Desde a antiguidade as mulheres usam jóias e enfeites. Elas se enfeitavam mais ou menos como hoje, porém com uma variedade maior de enfeites, e com mais motivos. As jóias eram cobertas de significados, as pedras faziam referência em alguns casos a divindades, eram usadas como amuletos também. Tidas com poderes mágicos por diversas civilizações, ou como peças que atraiam a sorte e que afastavam os espíritos maus. Algumas designavam a origem de quem usava, assim como a sua classe social. Ou seja, ainda encontramos nos nossos dias os mesmos variados simbolismos das jóias do passado. As jóias que ela usa são trabalhos de exímios artesãos, como poderemos perceber na leitura de Cantares. Como era uma moça pobre deduzimos que ela as usa por empréstimo da mãe que a enfeitou, ou das amigas. 242
  • 243.
    Mais uma vezO Espírito de Deus vê a preciosidade da Igreja. Sua beleza espiritual vale mais que as obras da criação. O valor da alma humana é tamanho que Davi, pai de Salomão cantava uma outra canção com este tema: 243 Sl 49:8 pois a redenção da sua vida é caríssima, de sorte que os seus recursos não dariam; O pescoço é usado nas Escrituras em diversas cenas e dependendo de como é tratado, há um significado diferente. Como símbolo de reencontro, que agarrado quando irmãos se abraçam após a briga, símbolo da própria pessoa, o equivalente a expressão idiomática com palavra ‘costas’ na frase “sai de cima de minhas costas’, ‘colocam tudo nas minhas costas’. Os prisioneiros cativos eram acorrentados pelo pescoço, colocar a mão no pescoço de alguém ainda hoje é considerado um ato de extrema descortesia e violência. Quando Josué vence uma batalha contra vários reis, estes são trazidos e colocados no chão, os chefes das tribos pisam simbolicamente seus pescoços, significava que os dominadores haviam sido dominados. Que estavam subjugados. Jesus é chamado de o cabeça da igreja por Paulo. Vendo na Sunamita a Igreja podemos chamá-la de o Corpo de Cristo. O pescoço é aquilo que liga o corpo a cabeça e que ferido, pode matar ao corpo. Salomão irá elogiar ao pescoço da amada pelo menos QUATRO vezes no texto de Cantares. E aparecerá quatro vezes nos Evangelhos e saiba que não é coincidência. A diferença é que aqui Salomão olha para a Sunamita. Representando o olhar amoroso de deus pela sua Igreja, Lá nos evangelhos Cristo olha não para um “pescoço” amigo. Olha para o pescoço de inimigos. E de um inimigo que aparentemente deveria estar cuidando de sua amada. Nas considerações finais que abordam a profecia deste estudo a gente aprofunda o tema. De modos distintos. Ele ama aos enfeites nele, aos adornos dele. O Espírito ama aquilo que sustenta a cabeça de sua amada. Aquilo que liga a cabeça ao corpo, Cristo à sua igreja. A comunhão, a adoração, a intercessão, o louvor, os afetos, a alegria, a santidade, a justiça, o amor, a fé. O pescoço simboliza, espiritualmente, a todas essas realidades em conjunto, o que aos olhos dele é um conjunto admirável, belíssimo. Que necessita de perfeição. Que ele almeja ver cheio de beleza. Enfeitado. Com obras de exímios artesões. O Espírito de Deus quer ver sua igreja do modo apaixonado com que Salomão se deslumbra com a beleza do pescoço de sua amada. Anel grego com selo Beaded Armlet Period: New Kingdom Dynasty: Dynasty 18 Date: ca. 1550–1525 B.C. Geography: Country of Origin Egypt Medium: Gold, carnelian, lapis lazuli, blue and green glass, faience on bronze or copper wire
  • 244.
    244 Filhas deJerusalém תורי זהב נעשׂה־לך עם נקדות הכסף׃ 1:11 Torei zahav naase-lakh im nekudot hakasef: We will make thee borders of gold with studs of silver. Cantares é uma peça que era interpretada por um coro de vozes com vários personagens. Temos diversos personagens em Cantares e quatro vozes distintas: A amada – a Sunamita O amado – Salomão Os irmãos de Sunamita As filhas de Jerusalém Quem canta este trecho são as filhas de Jerusalém. Elas querem enfeitar seus cabelos para que ela se encontre com Salomão. Intentam fazer tranças douradas, ou enrolar fios de ouro em seus cabelos, tratados com hena. Seus cabelos ganham um tom avermelhado com fios dourados e pontos trechos prateados. A simplicidade da menina ganha contornos de uma princesa. Ela está sendo enfeitada como uma princesa egípcia. Como uma noiva indiana. Como uma menina da alta sociedade israelita de sua época. Ouro e a prata são materiais raros, trazidos de minas que ficam na África e na Ásia. O processo de fabricação de pingentes de prata e correntes de ouro envolve fogo, fundição, altíssimas temperaturas e moldes, e posterior trabalho de ourivesaria. O ouro e a prata são revestidos de significados sacerdotais, intimamente relacionados ao templo e ao culto nos dias do templo de Salomão. O ouro simbolização a riqueza de uma nação, seu poderio econômico e logo seu poderio militar, pela capacidade de manutenção de exércitos, uma atividade extremamente dispendiosa. Os soldados de elite eram geralmente mercenários, soldados estrangeiros que vendiam seus serviços de proteção por meio de altos salários. Até hoje o ouro simboliza poder. Mobiliza o poder político, é lastro de diversas moedas. A prata era o material dos incensários, dela se faziam várias peças do santuário, material das moedas israelitas. Lemos sobre o preço de um escravo 30 moedas, restituição por um escravo ferido por uma chifrada ou coice de um boi, 30 moedas, o preço pelo resgate do homem, imposto pagão ao templo, do israelita ao atingir 20 anos, uma moeda de prata, meio siclo. Lemos sobre Abimeleque pagando mil moedas a Abraão como pedido de desculpas por ter tocado em Sara sem saber que era sua esposa. E lemos sobre a traição do Messias por 30 moedas , cada moeda valia meio-siclo. Metade do valor da multa por uma chifrada de um boi. A prata associa-se com o preço pago pela nossa salvação. Ela representa preço de resgate, ela
  • 245.
    simboliza dívida sendopaga, multa. Prata nas Escrituras lembra-nos remissão de pecados, lembra-nos preço pago pela nossa Salvação. A Igreja de Cristo tem seus cabelos enfeitados pelas riquezas celestiais, pelo PODER tremendo que o Espírito lhe concede e pelo preço do sacrifício. Este momento em que as amigas da noiva a enfeitam os cabelos da Sunamita com ouro e prata, vem nos à mente os anjos que Jesus avisou a Natanael que desceriam sobre seu ministério. João 1:48-51 Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel. Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas, verás. E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem. A igreja possui amigos que dela cuidam e a ela enfeitam. Espíritos ministradores que descem e trazem dons e talentos, que adornam-na com Poder para herdar a Salvação. Nesse momento a voz do cântico reflete um cuidado, um presente, uma dádiva que a deixa ainda mais bela. Ainda mais preparada para seu grande propósito. Que é CONQUISTAR ao noivo! Sem entender ainda que o coração de Salomão já lhe pertence. Mas, ainda que a Sunamita neste ponto do livro não saiba, a Igreja deve saber, que o coração de Cristo já se enchia de amor por ela antes que ela viesse a existir. O Ouro é uma dimensão de PODER e AUTORIDADE Espiritual presente nos pensamentos, que enfeitam a cabeça da Amada. E a prata fala da Redenção, que a torna humilde. Ela não se ensoberbece, não se enaltece ainda que opere milagres, ainda que expulse demônios e ainda que ressuscite mortos. Ela não se contamina com o ouro que usa. Porque tão importante para enfeitá-la são os pingentes de prata. É isso que estabelece o contraste. Todas as jóias são engastadas em materiais de cores diferentes, criando um belíssimo efeito pelo contraste ou combinação das cores. Eu quase me senti um design de jóias agora. Uma perfeita combinação entre Poder e Gratidão, Autoridade exercida com humildade. Porque pelo sacrifício de Cristo é que alcançamos o direito as riquezas celestiais. 245 עד־שׁהמלך במסבו נרדי נתן ריחו׃ 1:12 Ad-shehamelekh bimsibo nirdi natan reikho: While the melekh [sitteth] at his table, my spikenard sendeth forth its fragrance.
  • 246.
    Nem sempre háuma ordem cronológica dos eventos em Cantares, as vezes há um contracanto, há um acontecimento que se nós tivéssemos escrito, teríamos colocado mais adiante. Mas é propositalmente poético. E descaradamente profético. Nesse caso é uma janela de seu amanhã... que irá chegar mais adiante na canção. Como um trecho antecipado de um conto, de uma narrativa. Como se ela “percebesse” o futuro. Esse movimento do texto é uma forma poética de mostrar o amanhã. E no manhã ela estará assentada na mesa do Rei enquanto seu nardo dará o seu perfume. O nardo era uma substancia aromática raríssima e importada da Índia. Há um mistério em Israel que envolve a Índia. E que nos envolve. Um amor profundo do Senhor pela nação que HOJE vive a atmosfera de divindades, a atmosfera espiritual na qual Israel viveu a três mil nos atrás. O nardo era usado para o embalsamamento dos mortos, para evitar o mal cheiro dos cadáveres, e também para ungir os cabelos de homens e mulheres, em sinal de profundo respeito, em ocasiões especiais. Era um perfume caríssimo, guardado em vasos cerâmicos, alguns de alabastro. Ela se vê perfumada com uma preciosa essência. Essência que um dia será abundantemente derramada sobre a cabeça de Cristo. Com a qual ele ainda estará perfumado ao ressuscitar dos mortos! Jesus cheirava a nardo! O lugar onde ele estava sepultado estava impregnado ainda pela essência quando os apóstolos desceram para ver se o corpo ainda estava lá. Maria após abraçar a Cristo ressurreto no Jardim do sepulcro fica cheirando a nardo! Nas escrituras associamos pequenos detalhes. Memórias, sonhos, atitudes. Reminiscências. Tendo em vista a eternidade de seu Escritor, o Espírito de Deus, ele a teceu como exímio roteirista. De Genesis a Apocalipse são deixadas pistas, eventos e ligações que só vamos conectar lendo a história completa. O nardo vai ganhando significados na medida em que nós o vemos presentes em tantos momentos significantes. Como os presentes de um amigo, de uma amiga, a lembrança de uma viagem, os artefatos encontrados após muitos anos, que tem um significado especial porque fazem parte de importantes eventos de nossa vida. O rei assentado a mesa nos dá a impressão que está ceando, ou conversando. Com os olhos voltados para a Sunamita. Mas mesmo que ela estivesse num ponto em que ele não pudesse vê-la, ele sentiria sua presença pelo seu perfume! Esta passagem de Cantares é repetida por Paulo de outro modo: 246 ll Cor. 2:15, 16
  • 247.
    “… porque paraDeus somos o aroma de Cristo entre os que estão salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte, para aqueles, fragrância de vida…” Cheiro de vida, perfume da ressurreição. Cheiro de morte, preparo para o sepultamento. Jesus afirma que o mundo JAZ no maligno. Que está morto espiritualmente. Jazer é um terrível tempo verbal. A ressurreição aponta para a recompensa, para o significado de ser agradável a Deus. Fala-nos de vida que suplanta a morte. E ao mesmo tempo vindica a autoridade e a verdade de que os homens amaram mais as trevas que a luz. Que a um princípio de vida e um de morte, que há uma diferença para os que buscavam a Deus e os que não fazem. Uma lembrança de que haverá um juízo e que há uma herança, mas não para os que viverem na maldade, pois não a herdarão. 247 צרור המר דודי לי בין שׁדי ילין׃ 1:13 1. Tzeror hamor Dodi li bein shadai yalin: 2. A bundle of myrrh is my beloved unto me; he shall lie all night between my breasts. A moça pensa nele de modo íntimo, anseia carrega-lo próximo do coração. Junto a sua respiração. A moça da antiguidade se perfumava de muitos modos. Um deles era carregando um saquinho de linho com um pouco de folhas de mirra moídas, e por dias este exalaria o perfume da mirra. Perfumando-a. M I R R A As especiarias têm grande sentido na Bíblia. A mirra foi usada de diversas formas. Cantares usa essas especiarias, é como se o livro destilasse as mais variadas fragrâncias, e é verdade. O tema leva à consideração desses famosos perfumes do Oriente e da terra de Israel. Vimos Jacó enviando em tempo de seca, dessas especiarias ao Faraó do Egito. Sobre as vestes do Messias, profeticamente o livro de Salmos anunciaria: “Todos os teus vestidos cheiram a mirra e a aloés, a cássia”. Salmo 45:5, Mateus 2:11 fala da mirra com a qual os magos presentearam a Jesus. A vida de Jesus está muito entrelaçada com a mirra. O nome mirra com leves variações, é encontrado em várias línguas: murru (acadiano), marra (árabe); marra (grego). Em português “amargo”. Provavelmente trata-se de gosto amargo da resina. Paradoxalmente este arbusto deleitável foi encontrado no mercado em
  • 248.
    forma cristalina, omor dror, um dos ingredientes do incenso do Templo (Êxodo 30:23). Dor significa - como pérola. Os cristais eram vendidos em saquinhos, daí a expressão “um saquitel de mirra” (Cantares 1:13). Dissolvidos em óleo, os cristais se tornam mais amargos que a mirra líquida ou fluída - Cantares 5:5). A Mirra aparecerá sólida num saquitel entre os seios da moça e liquida gotejando pelas mãos dela ao abrir a porta para seu amado. A mirra foi como que a preferida de Salomão que a cita 7 (sete) vezes no livro de Cantares. A mirra é uma resina derivada da planta de mesmo nome. A mirra verdadeira era valiosa e estimada pelos antigos tanto como perfume como incenso nos templos. Era também usada como unguento e bálsamo. Natural das costas orientais da África, Abssinia, Arábia e Somália. Antigamente a substância obtida de sua resina era comercializada. Hoje cresce em áreas rochosas, nos montes calcáreos do Oriente Médio e em muitas partes do norte da África. Em Cantares 5:13, a mirra é proeminente: a mirra foi usada por Davi e Salomão e também é descrita em Mateus 2:11, Marcos, João e em Salmos 45:8. A Bíblia descreve a mirra como a mais popular e preciosa resina. Os egípcios antigamente usavam a mirra como incenso nos templos e como embalsamento para seus mortos. Apocalipse 18:13 fala do comércio dos grandes impérios do Oriente. A mirra está ligada a Jesus do seu nascimento à sua morte. Mateus 2:11 e ainda na crucificação Jesus provou dela. Marcos 15:23 Nicodemos trouxe um mistura de mirra e aloés com lençóis para enrolar o corpo de Jesus (João 19:39-40, Êxodo 30:23, Ester 2:12, Salmos 45:8, Provérbios 7:17, Cantares 1:3, 3:6, 5:5-14, Mateus 2:11, Marcos 15:23, João 19:39 e Apocalipse 18:13). São arbustos baixos, do tipo moita, galhos grossos e duros. As folhas crescem em cachos e no caule encontram-se espinhos afiados. A resina é abundante e é obtida pela incisão artificial. A madeira e a casca são fortemente odoríferas. Logo que é exsudada a resina é macia, clara, dura, branca ou amarela-escuro. Por um pouco é oleosa, solidificando-se rapidamente quando pinga sobre as pedras em baixo dos galhos. É amarga e levemente pungente ao paladar. Já se usou em medicina como tônico adstringente externamente como um agente de limpeza. Nos países orientais é muito apreciada como substância aromática, medicinal e como perfume. As mulheres que foram ao sepulcro de Jesus também levaram, entre as especiarias, a mirra. Era embalada em vasos. Os israelitas também usavam-na muito como perfume e Davi a canta pela sua fragrância e Salomão deliciou-se nela. Foi um dos ingredientes do santo óleo, como aloés, cássia e canela. Cantares se refere a um cano de mirra em vez de um pedaço como se poderia esperar de uma tal resina. Como dissemos, Jesus provou dela no Gólgota, talvez uma bebida existente entre os soldados, mas seja qual fosse, era de um gosto amargo. Jesus quando ferido na cruz, quando no Getsemani suou sangue, foi como se pedaços de mirra se lhe tivessem atingido. A igreja de Jesus se orna com mirra e todos os unguentos aromáticos. Então esta especiaria se associa a ele do nascer ao morrer. Sua vida foi pontilhada de pedaços amargos, de mirra. O Gólgota foi para Jesus o jardim da mirra. A semelhança da extração da mirra através da incisão, Jesus também foi ferido ali. O sangue de Jesus ensopou aquele lugar - era a mirra que pingava em gotas brilhantes como água e sangue - a água da vida e o sangue da salvação. Foi a hora mais amarga de Jesus mas também de onde se desprendeu o precioso perfume de Cristo. Era a hora da amargura, a hora do perfume, a hora do incenso no 248
  • 249.
    Templo, a horada oferta da tarde da minhah - presente de Deus para o homem, a hora em que Ele garantiu nossa entrada no Santuário e no Santo dos Santos. Foi a hora do rasgar-se do véu por inteiro, como Jesus por inteiro se deu ao mundo. A hora mais sublime para o Pai, porque o Filho cumpriu tudo o que dele exigiu. E tudo isso a Sunamita celestial guarda entre os seus seios. Os seios falam desde a antiguidade da intimidade nupcial. As mulheres orientais não descobriam sequer a fronte diante de estranhos. Que se dirá dos seios. Todas as estátuas de divindades antigas são retratadas com seios desnudos. Com grandes seios. A beleza de uma moça era julgada pela beleza de seus seios, a fertilidade dela estabelecida pelo tamanho deles e de sua capacidade de amamentação. A pobreza e a fome representados pela magreza dos mesmos, a infância por sua ausência. A moça está falando de algo que não é visível aos olhos de ninguém. Porque nessa época ao menos, ela está recoberta de vestidos que não permitem ver um decote. Simboliza que ela está contando um segredo. Um mistério. A igreja revela que no coração guarda o sofrimento de Cristo, de modo profundo, íntimo e por isso, por amar seu sacrifício, cheira a mirra. 249
  • 250.
    250 אשׁכל הכפרדודי לי בכרמי עין גדי׃ 1:14 1. Eshkol hakofer Dodi li bekharmei Ein Gedi: 2. My beloved is unto me as a cluster of henna blossoms in the vineyards of Ein Gedi.
  • 251.
  • 252.
    En Gedi (emhebraico: גדי עין , lit. Nascente do Cabrito; é um oásis localizado a Oeste do Mar Morto, perto de Massada e das cavernas de Qumran. Localização 31° 27' N 35° 23' E. É conhecido pelas suas grutas, nascentes, e a sua rica diversidade de fauna e flora. Engedi Significa – Fonte do cabrito. Lá atualmente existe um Jardim Botanico 252
  • 253.
    A cidade judaicade Ein Gedi era uma importante fonte de bálsamo para o mundo Greco- Romano. 253
  • 254.
  • 255.
  • 256.
    Sunamita compara Salomãoa um ramalhete de Henna, um produto precioso para as mulheres da época, usado por diversos motivos, de um lugar especial. Engedi ainda possui hoje, passados milhares de anos, um excepcional jardim Botânico. Podemos imaginar o que foi a 3000 anos atrás. Ou melhor. Não podemos. Basicamente, o paraíso em terras Israelenses. A hena era na época uma das poucas opções para o exercício da cidadania feminina de seus cabelos. A pintura. Temos hoje no mercado centenas de produtos, talvez mais que mil tinturas diferentes. Mas na época de Cantares só existia uma. A hena. A moça que leu essas linhas até aqui tem agora a PERFEITA noção da PRECIOSIDADE daquele produto para uma menina daquela época. Sunamita afirma que seu amado é como um produto raro, indispensável para que ela se sinta mais bela, se torne agradável à vista. E trate de sua longa cabeleira. Era moda, prática comum entre as jovens de Israel, assim como das meninas dos povos de todo o Oriente e além. E ela era uma moça pobre, que dificilmente tinha acesso a produtos de beleza de tamanha qualidade. Alguns produtos de beleza são tão caros que até escrever o preço aqui nestas folhas traria escândalo. Ela orgulhosamente fala de algo que está nos limites de sua economia, mas que lhe traria imensa alegria. Essa parte da canção é o refrão da Igreja que ama a Cristo. Por muitos 256
  • 257.
    anos dezenas deigrejas entoaram um cântico que dizia “como é precioso, ó Deus, estar junto de ti” e entoam dezenas de cânticos com o mesmo teor. A hena penetra os fios do cabelo e os restaura. Regenera o cabelo danificado. Eu não vou continuar dado as minhas limitações nessa área capilar. Mas relembra imediatamente, reconstrução, cura, restauração. Uma das grandiosas faculdades do Espírito de Deus em comunhão com a Igreja de Cristo é seu poder de restaurar. De regenerar. De curar feridas, de refazer laços familiares partidos, de reconstruir a mente de uma pessoa castigada pelo vício, pelo medo, pela angustia. Sua presença é restauradora. Ministérios bíblicos são conhecidos e amados quando uma de suas grandes características é de ter pessoas restauradas. Gente reconciliada com a vida, lares onde havia violência sendo uma morada de paz. A grande obra do Espírito Santo é justamente a restauração de nossas vidas, reconstruindo que se destruiu com o tempo, trazendo esperança onde só havia desespero. Não há a presença do Espírito onde não há restauração. Não há visão verdadeira ou dom verdadeiro se não existir restauração, cura, maravilhamento, deslumbramento, vida abundante e alegria indisfarçável. Ele é hena para nossos cabelos, ele é paz para nosso coração. 257
  • 258.
    1. {The Beloved} 2. הנך יפה רעיתי הנך יפה עיניך יונים׃ 1:15 3. Hinakh yafarah rayati hinakh yafah einayikh yonim: 4. Behold, thou are fair, my love; behold, thou are fair; thou have doves' eyes. 258
  • 259.
  • 260.
    260 http://www.tatzpit.com/site/en/pages/inPage.asp?catID=9&subID=27 http://www.tatzpit.com/site/en/pages/inPage.asp?catID=9&subID=27 Israel possui uma variedade de pombas, mas Salomão caracteriza uma que habita nas rochas, que morava em alats montanhas e se abrigava do inverno nas fendas do penhasco. A pomba era uma o anima que os pobres sacrificama no templo, por não disporem de recursos para disporem de uma ovelha, cabrito ou bezerro. Os olhos de Salomão fitam os olhos de Sunamita e dizem que eles são parecidos com o da pomba. Que algo neles lembrava o olhar deste pássaro. A pomba não possui expressão, não é capaz de demonstrar nem alegria e nem sofrimento através de seus olhos. Os animais apresentam-se por vezes com expressões na qual enxergamos emoções. Mas a pomba não.
  • 261.
    O modo comoum pombo expressa suas emoções é movendo-se ou arrulhando. Correndo, voando, dançando. Um pombo apaixonado realiza uma engraçadíssima dança diante da amada. Os pombos têm um caráter pacífico. Não veremos um filme de terror baseado em pombos (bem...). Salomão está dizendo que pagaria para saber o que ela está pensando. Quando uma namorada fica em silencio é um momento de grande temor para o homem. Os olhos dela não descortinavam seu interior, não transmitiam nem sua dor, nem sua alegria e nem sua paixão. Um olhar chio de mistério. Quando chegar o dia em que Jesus for dar início ao seu ministério sobre ele será visto pela primeira, e quase última vez, o Espírito Santo em forma de um ser vivo. A primeira vez que ele, o Espírito Criador, se deixa ENXERGAR, o faz em forma de uma pomba. O Espírito vê na amada sua natureza, sua simplicidade, sua paz. Note que o Espírito de Deus não desce na forma de um POMBO. Mas de uma Pomba, a mesma palavra usada em Cânticos. Em hebraico o gênero da palavra “espírito” é feminino. É ruah. No grego também. A pneuma. Alma, outra palavra relacionada à nossa formação espiritual é também feminino, tanto em grego como em hebraico. Psique e Nefesh, respecticamente. O Espírito se vê INTEGRALMENTE refletido na Igreja. Em Cristo não há diferença, servo, livre, judeu, gentio, homem ou mulher. Todos somos tratados de modo semelhante, com os mesmos direitos, herdeiros da mesma vocação, das mesmas riquezas. Ouvi sobre determinadas igrejas que impedem das mulheres ensinarem ou pregarem em seus púlpitos. Não é assim que o Espírito enxerga o ministério feminino, ou a condição espiritual da mulher em Cristo. O olhar da amada não permite que ela expresse o que sente, é uma CORTESIA. A Sunamita está vermelha e seus olhos brilham. A moça apaixonada se denuncia até pela dilatação das pupilas. 261
  • 262.
    Mas Salomão demodo cortês não a deixa envergonhada. Há uma bela representação dessa relação entre a Igreja e o Espírito de Deus. Paulo afirma em Romanos que nós não sabemos nos expressar diante de Deus. Não sabemos na maioria das vezes como orar, como pedir e nem o que pedir. Oramos para que Deus modifique em nós aquilo que nem sequer conhecemos. Falamos coisas em orações e ajuntamos trechos das Escrituras ás nossas súplicas, confundimos realidades espirituais, e é dito que o mesmo Espírito conhecendo a nossa incapacidade de nos expressarmos corretamente diante de Deus, reconhecendo profundamente a intenção de nosso espírito, intercedendo a Deus juntamente conosco com gemidos inexprimíveis. A pomba não precisa dizer nada. Ele percebe seus sentimentos. Uma belíssima representação de nossa condição. A pomba da paz, (Sunamita também significa paz). Existem duas possibilidades para o texto. A segunda é traduzir por “seus olhos são como pombas”. Significaria nesse momento que eles não param quietos. Nunca estão imóveis. Estão sempre à procura de algo. E que ela estava intencionalmente desviando os olhos dele por que estava com vergonha. Se traduzirmos deste modo teremos outro belíssimo paralelo. Inquietação lembra ansiedade. Não andeis ansiosos e nem preocupados com que haveis de beber, comer ou vestir. Conduz-nos ao sermão do Amado diante de uma inquieta multidão no Sermão do monte. E a vergonha que ela sente conduz-nos a outra passagem das Escrituras: “porque não se envergonha de nos chamar de filhos”. Os olhos nas Escrituras representam o espírito humano. O interior do ser humano. As intenções mais profundas da alma. Gênesis 3.5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. 262 Jesus declarará: São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas. Olhos são representações da alma, do coração, da consciência. “Abrir os olhos” é sinônimo de compreender profundamente. Daí as “visões” dos profetas, que “enxergam” a realidade invisível. Na antiguidade a revelação era tão intimamente ligada a visão espiritual que o profeta era chamado de “vidente”. Antes de se chamar profeta, os profetas eram chamados de “videntes”: Aqueles que enxergam; aqueles que veem. Os olhos da moça são como as pombas. Salomão se encanta com o movimento dos olhos da amada. O Espírito se encanta com o mover do coração da Igreja. Com a mudança de consciência. Quando a alma, o coração, o caráter, as atitudes e visão espiritual da Igreja
  • 263.
    refletem a elemesmo. Parecem pombas! E não pombas comuns. São pombas imaculadas. Ou no hebraico: PERFEITAS. Nossos textos traduzem o adjetivo “tamát” por Imaculada. As ofertas deveriam ser “tamát” para Deus. A moça é chamada de “perfeita” mas , a palavra que Salomão usa é quase de uso exclusivo do sacerdócio. Quando o profeta Ezequiel e o livro de lamentações se referem à beleza “perfeita” usam o adjetivo keliylah e não tamát, como em Ct 5,2 e 6,9. O Espírito de Deus olha nela um caráter sacerdotal. Ele vê uma pomba que é usada para o sacrifício dos pobres. E na verdade ele se vê assim. Porque o sacrifício de Cristo está nas suas recordações, profundamente gravado na pessoa do Espírito. Porque ele estava em Cristo reconciliando o mundo com Deus, poderia afirmar. Ela é perfeita e aperfeiçoada nele. Com base num Sacerdócio Eterno. Mesmo porque as pombas não recebiam “tamat” quando eram sacrificadas. Somente os cordeiros, bezerros e cabritos. A igreja é inferior aos anjos. Humanamente somos inferiores a Cristo, na carne. Ele venceu a morte porque na nossa imperfeição não poderíamos. Jesus viveu e morreu sem pecado, mas nós fomos inclusos nessa perfeição mediante seu sacrifício. Em Cânticos Salomão chamará sua amada sete vezes de Pomba. Eis que és formosa, ó amada minha, eis que és formosa; os teus olhos são como pombas. Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me o teu semblante faze-me ouvir a tua voz; porque a tua voz é doce, e o teu semblante formoso. Eu dormia, mas o meu coração velava. Eis a voz do meu amado! Está batendo: Abre-me, minha irmã, amada minha, pomba minha, minha imaculada; porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite. Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada; ela e a única de sua mãe, a escolhida da que a deu à luz. As filhas viram-na e lhe chamaram bem-aventurada; viram-na as rainhas e as concubinas, e louvaram-na. Como és formosa, amada minha, eis que és formosa! Os teus olhos são como pombas por detrás do teu véu; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que descem pelas colinas de Gileade. Os seus olhos são como pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, postos em engaste. 263
  • 264.
    1. {The Shulamite} 2. הנך יפה דודי אף נעים אף־ערשׂנו רעננה׃ 1:16 3. Hinkha yafeh Dodi af naim af-arsenu raananah: 4. Behold, thou are handsome, my beloved, yea, pleasant: also our bed is green. A Sunamita contempla o jovem Salomão. O rapaz é lindo aos seus olhos. Não só aos seus, mas aos olhos de toda uma geração de moças. Não parece ter existido muita oposição por parte de várias princesas em se casarem com o belo rei. A começar da mais poderosa princesa de sua época. A filha do faraó. E agora Sunamita tem a chance de estar sozinha com um dos homens mais cobiçados de sua época. Como a lei permitia o casamento com várias esposas, apesar dela ainda não saber de quem se tratava o moço, equivaleria em nossa cultura a um dos solteiros mais requisitados do momento. E na conversa com ele, musico, cantor, poeta, ensaísta e só Deus sabe mais o que, ela descobriu mais uma virtude. Ele era uma pessoa amável. Ele a tratava com imenso carinho. Sentada no gramado, perto das cabras roubadas, ao lado de belíssima floresta, como no próximo verso, ela está admirada com a ternura do rapaz. Prestai atenção nesse fato, ó homens de toda terra. Na dimensão espiritual lemos o encontro com a beleza da Palavra de Cristo. Com a ternura do convite da salvação. Com a amabilidade do perdão, com a visão de um Espírito que conhece as nossas fraquezas. Nossos medos. Nossas dores. E que fala-nos suavemente, a maior parte do tempo. O leito é verde. Sunamita está num campo verdejante. Talvez numa colina. Evoca imediatamente o mais famoso e conhecido Salmo das Escrituras, o Salmo de Davi, quando o mesmo fala: “deitar-me faz em VERDES campos!” Lembrando que Salomão está “metamorfoseado” de pastor! O termo “deitar” nas Escrituras evoca repouso, segurança, o sono. Deitamo-nos para repousar. Os campos são verdejantes, não são feitos de palha seca, reverberam vida, novidade de vida. A grama sempre se renova. O Espírito não nos convida para repousar sobre um mundo morto de regras religiosas. Não nos convida a seguir a letra das Escrituras vivendo com base nas experiências já vividas por aqueles que a escreveram. TODOS OS ESCRITORES E PERSONAGENS DAS ESCRITURAS ESTÃO MORTOS. Com a exceção de três, talvez quatro (Enoque transladado, Elias raptado, Jesus ressurreto e possivelmente Moisés, ludibriando a morte. Oficialmente declarado morto, mas pode ter sido só por questões burocráticas celestiais, por assim dizer. Lembre-se que Satanás e Miguel discutiram a respeito do corpo de Moisés? Basicamente Satanás questionava a Miguel: - Onde está a evidencia? Onde está o cadáver? Cadê o corpo? – o que nos leva a questão... Como o sujeito que tinha nas mãos a chave da morte, pelo menos a época dos acontecimentos, não sabia onde estava o corpo do falecido...). Deixando de lado esses quatro personagens, todos os demais estão devidamente enterrados. A LETRA É MORTA. Ela relata o PASSADO. Nós vivemos no PRESENTE. As Escrituras nos indicam o CAMINHO da VIDA PLENA, a partir de experiências pessoais com Cristo e seu Espírito. Nós vivemos as Escrituras em nós. Não vivemos NELA. Não resumimos nossa vida ao que está ESCRITO. Nós vivemos em NOVIDADE DE VIDA, inspirados pelas ESCRITURAS, 264
  • 265.
    coisas novas, experiênciasnovas, na dimensão humana e na dimensão espiritual. Uma das maiores LOUCURAS dos teólogos é tentar NORMATIZAR a revelação divina, ou criar REGRAS para manutenção do STATUS QUO da BIBLIA SELANDO NELA a VOZ do ESPÍRITO de DEUS. Vivemos no ESPÍRITO inspirados na PALAVRA, alicerçados NELA, podendo receber INCLUSIVE novas visões sobre as coisas de Deus. Em qualquer momento. Isso se chama LIBERDADE, se não CONTRADIZEREM frontalmente aquilo que está ESCRITO. 265 II Corintios 3:17 Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. RECLAMAÇÕES Desde que, claro, não inventem um segundo Messias, uma quinta pessoa da trindade, uma Obra Espiritual qualquer que substitua a Cristo como Salvador, e a instituição de coisas mágicas originalíssimas, tais como a unção do sal, como subsídio para péssimo uso desta liberdade. A imaginação humana não é substituta do Espírito de Deus. O espírito humano não recebeu poderes mágicos. Nem a capacidade de “profetizar” ou de “declarar” aquilo que não saiu da boca de Deus. Isso se chama de “alucinação”. A mentira espiritual é uma PRAGA que pode se desdobrar e em vários aspectos. DOUTRINÁRIOS – Evangelho espúrio, antologicamente errado, grosseiro no conhecimento da Palavra em vários níveis, contaminado pela incredulidade, pelo materialismo, pela rejeição dos dons, pela escravidão teológica a um sistema doutrinário qualquer, carecendo de integridade intelectual. No outro extremo, indo às raias da interpretação espiritualista, mítica, alegórica, imaginativa, desprovida de fundamentos de interpretação, literários, por desprezo completo do vasto trabalho intelectual dos estudiosos das Escrituras. ESPIRITUAIS - Em substituição a liberdade espiritual em CRISTO que necessita de SUBMISSÃO a voz do Espírito, a criação de um monstro espiritual qualquer. Uma BRUXA. Um dragão. Um monstro em que é misturado a cobiça humana, à perversão sexual, ao fanatismo, à falácia, e a dons falsificados. No meio termo há igrejas em que há desejo de ter experiências verdadeiras e que possui dons espirituais, onde há curas, mas a liderança é corrompida pelo amor ao dinheiro, que como todos já deviam saber, é o que rege o mundo, e não as conjecturas do Adam Smith. No livro “Hitler ganhou a guerra” – Graziliano Ramos os leitores podem ter uma profunda noção do significado da frase “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Outra situação é onde os dons espirituais são manifestos, juntamente com outras situações espirituais falsificadas. Fake. Um misto entre joio e trigo na seara dos dons espirituais. Uma fonte de água contaminada, que é a coisa MAIS VENENOSA que a terra já viu. A diluição das coisas de Deus com uma doutrina amaldiçoada é algo TENEBROSO. Por demais tenebroso. COMPORTAMENTAIS – Boa doutrina, coerente, abrangente, dons espirituais verdadeiros e falta de uma visão amorosa, escrava de usos e costumes, presa a questões menores, escravidão ministerial, criação de obrigações em relação a Igreja, intromissão na vida pessoal de membros, individualismo exacerbado, desvios de conduta em função do “endeusamento” do grupo em relação aos demais.
  • 266.
    A chave paraa profundidade das Escrituras é a meditação nela, é a aplicação das verdades nela contidas em nossa vida. Um manual de vida só faz sentido aplicado, corretamente. Como não tinha exatamente onde encaixar essa frase, coloquei aqui, dai a quebra de contexto. Não reclame não. Isso tudo porque a grama é verde. Porque os pastos são verdejantes. A brisa passa pelo gramado em rajadas vibrantes, lá do alto da colina Sunamita vê a dança das folhas verdes das árvores, a beleza da natureza cheia de vida. A igreja é permeada de Vida, que se manifesta HOJE, que a alegra, renova, energiza, fá-la suspirar, hoje. 1. קרות בתינו ארזים רחיטנו ברותים׃ 1:17 2. Korot bateinu arazim rakhi tenu rahi tenu berotim: 266 The beams of our house are cedars, and our rafters and panels are cypresses or pines Cedro-do-líbano pertence à família das Pináceas. O seu principal habitat é nas cordilheiras do do Líbano, sendo esta última o seu limite mais meridional. O tronco dos maiores exemplares, que desta árvore existem na floresta do Líbano, mede 15 metros de circunferência, sendo a sua altura de quase 30 metros. Os poetas hebreus consideravam o cedro-do-líbano, como o símbolo do poder e da majestade, da grandeza e da beleza, da força e da permanência (is 2.13 – Ez 17.3,22,23 – 31.3 a 18 – Am 2.9 – Zc 11.1,2). O cedro, no seu firme e contínuo crescimento, é comparado ao progresso espiritual do homem justo (Sl 92.12). Nas suas florestas naturais, a madeira do cedro é de superior qualidade. O principal madeiramento do primeiro templo e dos palácios reais, como o de Davi (1 Cr 14.1) era de cedro, sendo este último edifício chamado ‘a Casa do Boaque do Líbano’ (1 Rs 7.2). O cedro tornou-se tão comum em Jerusalém durante o reinado de Salomão que substituiu a madeira do sicômoro, considerada de qualidade inferior. (1 Rs 10.27 – 2 Cr 9.27 – Ct 1.17). Os posteriores reis de Judá, os imperadores da Assíria tinham habitações igualmente feitas daquela preciosa madeira (Jr 22. 14,15 – Sf 2.14). Os navios de Tiro tiveram os seus mastros feitos de troncos dos cedros-do-líbano (Ez 27.5). Foi ainda o Líbano que forneceu a madeira dos seus cedros para o segundo templo de Zorobabel (Ed 3.7), e para o templo de Herodes. Quando Jesus entrar no templo em Jerusalém, mil anos após Cânticos, pisará uma habitação feita de Cedros. Sunamita olha a imensidão cercada de florestas com cedros, cipestres, tamareiras, palmeiras. O céu estrelado por telhado, as colunas erguidas são os cipestres e debaixo de sua sombra era o lugar em que gostaria de passar grnde parte de seus dias. A varanda de sua humilde e majestosa residência. Os cedros evocam a justiça, que os profetas ansiavam plena. Um pedaço de Cedro era usado nos rituais do tabernáculo:
  • 267.
    267 Levítico 14:52 Assim expiará aquela casa com o sangue da ave, e com as águas correntes, e com a ave viva, e com o pau de cedro, e com o hissopo, e com o carmesim. Um bastão de madeira trabalhada. O Cedro unia-se ao hissopo e ao carmesim, misturava-se ao sangue da ave e aspargia gostas de seu sangue nos aposentos da casa que se desejava santificar. No hebraico, o termo "expiação" é kaphar. Segundo a definição dos estudiosos, significa "cobrir". Este conceito está descrito em textos como Sl 32:1 e 85:2, no texto hebraico. Além disto, a palavra "expiação" é definida como: "aplacar", "apaziguar", "perdoar", "purificar", pacificar", "reconciliar por". A união dessas figuras aponta para A crucificação. Os soldados romanos oferecerão uma bebida à base de vinagre e mirra ao crucificado numa esponja de hissopo. Tito Lívio (em latim: Titus Livius; Pádua c. 59 a.C.) ,Marco Túlio Cícero, em latim Marcus Tullius Cicero (Arpino, 3 de Janeiro de 106 a.C. — Formia, 7 de Dezembro de 43 a.C.), Públio (Caio) Cornélio Tácito ou simplesmente Tácito, (55 - 120 d.C.), Tito Mácio Plauto (cerca de 230 a.C. - 180 a.C E Julius Firmicus Maternus nos concedem relatos sobre a crucificação romana na antiguidade. Ao usar o “cedro” para “expiar” unindo-o ao sangue, ao hissopo, águas correntes e ao carmesim, vemos uma cena profética, uma representação diária das realidades espirituais que se tornariam reais naquela fatítica páscoa onde Jesus morreu. O Cedro vinha de longe, era usado nas naus de Tiro, a mais orgulhosa cidade da antiguidade que ficava numa ilha a 600 mestros da costa, servia para construção das casas dos Israelitas, na época do cântico poderia dizer que Jerusalém era praticamente feita de madeira de cedro. A bela moça não mora na cidade, na riquíssima cidade, mas ali deitada sob o toldo das estrelas fez sua casa da terra e das árvores as vigas de sua residência.
  • 268.
    O Espírito santocercou a Igreja de justiça. Equipou-a com justos ou justificados. A base da justiça é a fé, fé num sacrifício que para nós é passado, mas para a Sunamita era futuro. Os cedros evocam majestade. Força. Grandiosidade. As Escrituras afirmam que Deus demonstra a grandeza de seu poder na ressurreição de Cristo. Imaginaríamos que seria isso na criação do universo. Mas na mente de Deus, a maior manifestação de seu poder é a ressurreição do pedaço de cedro misturado com sangue de aves, hissopo e carmesim. Há um poder que emana da ressurreição que ultrapassa nossos entendimentos. Isso concede PODER ao justo, FORÇA que lhe dá robustez no frio, ao vento, a geada. O que aconteceu no calvário nos colocou em uma condição de grande poder, acima de TODO PODER QUE SE LEVANTA NESTE MUNDO. O cedro é muito forte. Porque ele representa o poder estabelecido pela justiça, fruto da expiação, que está e atua sobre nós. 268 E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, 20 Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus. 21 Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E as varandas são de Cipreste
  • 269.
    Onde há muitasombra, muito refrigério. Muito agradável é a vida a qual o Espírito convidou-nos a viver. 1. {The Shulamite} 2. אני חבצלת השׁרון שׁושׁנת העמקים׃ 2:1 3. Ani khavatselet haSharon shoshanat haamakim: 269 I am the rose of Sharon, and the lily of the valleys
  • 270.
  • 271.
    Sulamita morava naGaliléia e se chamava pelo nome de duas flores uma das redondezas de Nazaré e outra de um vale que ficava na região que um dia seria chamada de SAMARIA: O havatzélet era da planície de Samaria e os shoshanim das redondezas de Nazareth (Nivalda os coloca ambos como pertencentes á região de Nazareth, podem estar ali presentes também, – mas é importante que compreender ela nãopensava numa uma planta da região de Nazareth, mas numa flor da planície de Sarom). O lírio (havatzélet), existe em Israel há mais de 3.000 anos. Esta palavra vem de uma raiz relativa a flores nativas batzal e a maior característica é que ela é planta de bulbo (as rosas não o são). De acordo com o targum o havatzélet, é o narciso (tradução também preferida pela Bíblia de Jerusalém). Shoshanat, shoshanim (pl) são lírios, bem como a palavra havatzélet, que quer dizer lírio, se assemelha aos crocus de outono que eram vermelhos como os lírios do oriente, lilazes ou brancos. Os shoshanim lírios comuns dos vales profundos entre montanhas, enquanto que o primeiro (havatzélet), é lírio das montanhas conforme já dissemos. O lírio tem 6 pétalas e shoshana vem da raiz de shesh que quer dizer seis. O havatzélet é um lírio diferente, citado juntamente com os lírios dos vales. Os lírios dos vales são plantas também de bulbo e ambas se identificam plenamente. O havatzélet, é portanto, um lírio dos montes da Galiléia e os shoshanim são os lírios do vale. A brancura do havatzélet chamou a atenção da noiva. (Extraido do Livro - Jesus na Ecologia de Israel - Nivalda Gueiros Leitão). Sunamita é se compara a uma flor de Sarom. Está revelando um grande segredo. Ela aponta para a terra de seu NASCIMENTO. Quem diria! Viveu sua vida toda em Sunem, mas suas origens são de outro lugar. Ali era a região onde viviam os descendentes da tribo de Manassés. Ela pode ser natural da tribo de Manassés! Se não por parte de pai, ao menos por parte de mãe. Possivelmente Sarom é a terra natal de sua mãe. Sendo sua mãe viúva, já que na descrição de sua família há referencia aos irmãos e a mãe, mas não ao pai, e tendo em vista que a Sunamita NUNCA cita seu pai no poema, entendemos que em algum momento da infância da menina, talvez motivado pela morte do pai, a família migrou para Sarom, onde teria apoio da paremntela. Talvez não Sunamita não saiba quem é seu pai. Porém CANTARES é um livro de inúmeras reviravoltas. E se ela é descendente de Manassés, por parte de mãe, nos reserva uma grande surpresa. 271 Gênesis 46:20 E nasceram a José na terra do Egito Manassés e Efraim, que lhe deu Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Ela é descendente de José, e tem como ancestral uma egípcia! Que era filha de um sacerdote. Sua herança espiritual vinha de um sacerdócio egípcio! Israel viveu uma profunda ligação com o Egito. E agora vemos a profundidade do elogio que Salomão lhe fez ao associá -la aos carros de Faraó! Jacó ao morrer abençoa a José: 21 Depois disse Israel a José: Eis que eu morro; mas Deus será convosco, e vos fará tornar para a terra de vossos pais.
  • 272.
    22 E eute dou um pedaço de terra a mais do que a teus irmãos, o qual tomei com a minha espada e com o meu arco da mão dos amorreus. José recebeu um pequeno pedaço de terra que seu pai havia conseguido numa batalha. É uma batalha invisível, nós não a percebemos em Genesis, porque dela nada foi escrito. É para nós uma revelação. Não imaginamos Jacó com uma espada nas mãos, além da cena da luta com o anjo. Além das terras prometidas a Abrãao e a Moisés, descobrimos uma pequena propriedade que já pertencia legitimamente aos descendentes de Israel. Um pequeno sítio. Fora da palestina. A igreja é uma grandiosa propriedade tomada das mãos dos amorreus, pela força e poder de Cristo. A Planície de Sarom é mencionada na Bíblia (1 Crônicas 5:16, 1 Crônicas 27:29; Isaías 33:9, Isaías 35:2, Isaías 65:10), incluindo a famosa referência à "rosa de Sarom" (Cântico 2:1). Ela pertence a Samaria da época de Cristo. Nos tempos antigos, a planície foi particularmente fértil e populosa. Imigrantes sionistas chegaram no início do século 20, e povoaram a região com muitos assentamentos. Sharon, Sarom ou Sarona (em hebraico: וֹןר ןָׁ ) é a metade norte da planície costeira de Israel, norte de Gush Dan e sua maior cidade é Netanya. As outras maiores cidades nesta região são Ra'anana, Ramat Hasharon e Kefar Sava. 272
  • 273.
    Sunamita se comparaa uma flor de uma planície costeira, de uma região célebre, onde ao fundo se vê o Carmelo, monte da luta entre os profetas de Baal e Elias. O distrito de Cesaréia de Filipe se encontra aos pés do monte. É uma área preciosa. Ali havia muitos cervos. O Salmo 42 foi escrito aqui: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim clama por ti, Oh Deus, a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando virei, e me apresentarei diante de Deus?”. Esses cervos desejavam águas vivas, onde podiam achá-las? Esta área está muito próxima do Mar da Galiléia, para o norte. Em Isaías 9:1 lemos: “Mas não haverá sempre escuridão para a que está agora em angústia, tal como a aflição que lhe veio no tempo que levianamente tocaram a primeira vez à terra de Zabulom e à terra de Naftali; pois ao fim encherá de glória o caminho do mar, daquele lado do Jordão, na Galiléia dos gentios”. Esta é uma profecia maravilhosa. Um dia, o Messias viria, e ele faria deste lugar – O mar da Galiléia– o centro da sua obra. “O povo que andava em trevas viu grande luz; os que moravam na terra da sombra de morte, luz resplandeceu sobre eles”. Por que diz “terra de sombra”? Porque essa era uma zona de vulcões. Toda a terra nesse lugar é de uma cor escura, e por isso absorve muito a luz solar. Por essa razão, também o trigo cresce muito rapidamente, porque recebe muita energia do sol. Por isso, quando os sacerdotes ofereciam as primícias no templo, eles tinham muito claro que os primeiros frutos vinham da terra da Galiléia. Se voc ê olhar à distância todas as casas estão construídas com rocha escura. Quando o Senhor estava em Cafarnaum, ou no mar da Galiléia, olhando à distância via uma terra escura. É a “terra de sombra”. 273 Planicie de Sarom. Cidade de Cesaréia. Ao fundo o monte Carmelo.
  • 274.
    É nessa planícieque ocorreram eventos muito significativos. Depois de uma visão extraordinária que teve enquanto estava em Jope, Pedro iniciou o ministério entre os gentios, pregando a um centurião romano chamado Cornélio na Cesaréia (Atos 10) que fica situada em Sharom. Filipe pregou e viveu aqui e teve quatro filhas que profetizavam (Atos 8:40; 21:8–9). Paulo foi prisioneiro na cidade durante dois anos, na mesma planície (Atos 23–26). Ele pregou a Félix, Festo e a Herodes Agripa II, que disse: “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” (Atos 26:28). É em Sarom que se inicia o ministério do Espírito a todos os povos da terra, através de Pedro. Lá o primeiro gentio será batizado com Espírito Santo e abrirá as portas do Evangelho aos povos, raças, tribos e nações. Em Sharom finalmente se inciará o cumprimento da antiga promessa “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” , dito para Abrãao. Em Sarom Pedro terá a visão extraordinária dos animais puros e impuros sendo descidos até ele num lençol por quatro vezes. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que o santificou. Cada pedaço dele. Cada animal. Quando Jesus morre no calvário seu sangue purificava a terra inteira. Toda ela foi comprada para Deus através de Cristo. Cada centro de tortura, cada prisão, cada zona de prostituição, cada cidade destruídas pelas drogas, cada lugar onde corpos são lançados mutilados, cada pedaço de chão onde um monge budista cai incendiado depois de um suicídio ritual, cada pedaço de terreiro que é usado para rituais macabros de magia negra. Toda a terra foi santificada para Deus. Já não existem lugares sagrados, como no Velho Testamento. Nem coisas separadas como flores ou púlpitos. O chão de uma igreja não é mais sagrado que um pedaço de cemitério de indigentes. Este é o mistério revelado a mulher Samaritana que cria que o único local sagrado da terra, o único em que poderia “cultuar” a Deus, eram as ruínas de um antigo templo samaritano, no monte de Samaria. É o segredo contado por Jesus “onde quer que houverem dois ou três reunidos em meu nome, ai eu estarei”. Todo o UNIVERSO físico foi impactado pela morte de Jesus. E preparado por ele. Basta que a Sunamita chegue. Baste que ela pise o local. Josué é obrigado a tirar as sandálias para pisar um lugar santo, porque ali o anjo do senhor estava pisando e santificando o local, na época da tomada de Jericó. Agora, onde quer que pisar a Igreja, sobre ela repousa o PODER que habitava o Anjo do Senhor. Ela é que santifica a terra onde habita. Onde quer que a igreja ore, toda maldição terá que deixar o local. Tanto faz se era um centro de excelência na busca do diabo, ou uma antiga casa de prostituição. Sunamita é a rosa de Saron. Mas também é uma moça da região da Galiléia. Em Sarom a revelação que Cristo deu sobre si seria anunciado ao mundo inteiro. 1. {The Beloved} 2. כשׁושׁנה בין החוחים כן רעיתי בין הבנות׃ 2:2 3. Keshoshanah bein hakhokhim ken rayati bein habanot: 274 As the lily among thorns, so [is] my love among the daughters
  • 275.
    A palavra nohebraico para espinho é hoah hohim (pl). Estes espinhos são comuns, como planta nociva aos campos de trigo, em ruinas ou lugares abandonados (II Reis 14:9, Provérbios 26:9, Jó 31:39-40, Isaías 34:13, Mateus 13:7 ). Esta planta nociva brota também em solos de aluvião ou nas altitudes mais baixas do país (Israel). Geralmente trata-se de uma planta chamada “espinho dourado” que é comum se ver nas regiões do Golan e Galiléia. Espinhos nos levam a visão de uma coroa de espinhos, nos levam a amargura humana, a raiva, o ódio, a mentira, a traição. Os maltratos. Dentre as dimensões humanas de Cantares o Espírito enxerga a humanidade. Toda ela. E vê dentro desta os ímpios e os inocentes. Ele contempla as violações dos direitos humanos em toda a terra. É o caso de duas primas indianas de 14 e 16 anos encontradas mortas por enforcamento na última quarta-feira depois de terem sido vítimas de estupro coletivo no estado de Uttar Pradesh. http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140530_estupro_enforcamento_ind ia_rb.shtml Quase 17 mil mulheres foram mortas vítimas de agressões, entre 2009 e 2011, por causa de conflitos de gênero, ou seja, apenas por ser do sexo feminino, segundo o estudo Violência Contra a mulher: Feminicídios no Brasil, divulgado nesta quarta -feira (25) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O número representa uma média de 5.664 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano, 472 a cada mês, 15,52 a cada dia ou ainda um óbito a cada hora e meia. Segundo Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia de 1998, mais de 100 milhões de mulheres desapareceram ou foram mortas em todo o mundo vítimas da discriminação em 10 anos. De acordo com uma pesquisa mundial com os dados disponíveis de 2013, 35 por cento das mulheres em todo o mundo têm experimentado ou violência física e /ou sexual por parceiro íntimo ou violência sexual por estranhos. No entanto, alguns estudos mostram que em alguns países a violência alcança até 70 por cento das mulheres. 275
  • 276.
    Na Austrália, Canadá,Israel, África do Sul e Estados Unidos, v iolência por parceiro íntimo é responsável por entre 40 e 70 por cento das vítimas de assassinato do sexo feminino. Mais de 64 milhões de meninas no mundo inteiro estão noivas ainda crianças. 46 por cento das mulheres com idades entre 20-24 no Sul da Ásia e 41 por cento na África Ocidental e Central relataram que elas se casaram antes da idade de 18 anos. Casamento infantil, resultando em gravides precoce e indesejada, apresenta riscos que ameaçam a vida de meninas adolescentes; Em todo o mundo, as compl icações relacionadas com a gravidez são a principal causa de morte de 15 a 19 anos de idade, as meninas. Aproximadamente 140 milhões de meninas e mulheres no mundo sofreram mutilação genital feminina / excisão. O tráfico enreda milhões de mulheres e meninas em escravidão moderna. Mulheres e meninas representam 55 por cento dos cerca de 20,9 milhões de vítimas de trabalho forçado no mundo. Destas 4,5 milhões de mulheres foram forçadas à exploração sexual. O estupro tem sido uma tática crescente em guerras modernas. Estimativas conservadoras sugerem que 20.000 a 50.000 mulheres foram estupradas durante a guerra de 1992 -1995 na Bósnia e Herzegovina, enquanto que cerca de 250.000 a 500.000 mulheres e meninas foram alvo do genocídio de 1994 em Ruanda. 40 e 50 por cento das mulheres em países da União Europeia experimentam assédios sexuais não desejados, contato físico ou outras formas de assédio sexual no trabalho. Nos Estados Unidos, 83 por cento das adolescentes com idades compreendidas entre 12 e 16 sofreram algum tipo de assédio sexual nas escolas públicas. Nos Estados Unidos, 11,8 por cento das novas infecções pelo HIV entre as mulheres de mais de 20 anos de idade durante o ano anterior foram atribuídas à violência por parceiro íntimo. Espinhos evocam dor. Muita dor. A dor da cruz, a dor da mentira, a dor da maldade. Espinhos fala-nos de ministros corruptos, de profetas falsos, de políticos mentirosos, do roubo, da vilania, da violência, material, física, moral ou espiritual. Jesus ao ser condenado a morte provou a violência jurídica, a perda injusta de direitos, a violência do estado, perda da liberdade a que tinha direito, a perda da cidadania, morrendo como um estrangeiro, a perda da honra, tratado como um assassino, a violência física religiosa, bateram nele dentro do templo, a violência física das autoridades, os soldados não tinham ordem de tripudiar dos prisioneiros, o fazem por prazer, a violência física do estado, a pena de morte. ‘Espinhos’ falam-nos de mestres contaminados por doutrinas malignas, fala de filosofias cuja origem é o inferno e cujo fim é a perdição. A mentira religiosa, a profética, a doutrinária, todas ferem como espinhos. A falta de amor, a animosidade, o sectarismo, a falta de compaixão, de solidariedade, de sinceridade. Pais que maltratam seus filhos, maridos maltratando esposas, ministros pastores suas ovelhas. Líderes aproveitando de sua posição para roubar o que não lhe pertence, induzir pessoas a realizarem a sua vontade pessoal. O que gera dor, decepção, e angustia. O ministério destruído pela fofoca, pela mentira, pelo ato ardiloso. A menina enganada pela amiga, o negócio sem ética, a confiança não correspondida de quem se esperava responsabilidade e cujos atos trouxeram perda, perda violenta. Espinhos. A Sunamita é um lírio entre os espinhos. É bom tocar nela, não nos fere, não nos machuca, não nos causa dor. Ela é o amor entre as filhas. Ela é conhecida não porque domina, não porque coage, não porque abusa de sua autoridade. Antes porque ama. Um ministério segundo o Espírito não será conhecido no futuro pela grandeza de suas curas. Pela beleza ou profundidade de suas revelações. Pela gloriosidade das visitações angelicasi. Pela notoriedade das curas operadas. Mas será reconhecida pelo amor não fingido, pelo carinho de uma igreja que age amorosamente. Por isso se distingue entre as 276
  • 277.
    filhas. São dezenasou centenas de ministérios. Muitos eram flores e agora deles só restaram espinhos. Mas o Espírito olha para uma Igreja que se sobressai no meio de muitas, que ainda que sejam filhas, ou participantes dos mistérios, da graça, da filiação, não se sobressaem no profundo e desinteressado amor. Hoje são milhares que se deixam igrejas por causa da indiferença, pela fragilidade das relações humanas. Pela falta de amizade. Paulo profetiza quando anuncia que ainda que falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse amor, de nada isso adiantaria. Nada servem revelações divinas, nada adianta poder, unção, revelação, profecia, milagres, se não houver genuína saudade, companheirismo, amizade, amor ao próximo. A profecia, a revelação, a operação milagrosa, dependem exclusivamente da fé. Mas a fé pode ser exercida sem amor. Porque os dons são uma dádiva inalienável, o poder concedido ao homem não é retomado pela sua intransigência, pelo seu desamor. O nome disso é Graça. Mas a revelação não opera salvação. Por isso os desastres absolutos de ministérios onde apesar da operação dos dons, não há preservação de vidas, não há crescimento. A mistura da profecia e da falta de amizade é a morte espiritual é o ESCANDALO. Escândalo é a lgo mais profundo do que desvios de conduta da liderança da Igreja. Escandalizar significa ultrajar a consciência alheia, horrorizar, leva o outro ao repudio, é vilipendiar a alma do outro de um modo tão profundo que este não mais quer ver, ouvir, sentir as coisas que o feriram. O escândalo leva a rejeição completa, ao nojo, a abominação da alma. Conduz a uma condição de inacessibilidade do coração. Escandalizar significa gerar uma condição de rejeição profunda em virtude de um ato, de uma atitude ou de um conjunto de atitudes que imprimem uma impressão duradoura, por vezes permanentes na outra pessoa. A profecia falsa, a doutrina espúria, o comportamento hipócrita, etc. Porém, onde há abundancia do amor, há uma grande distinção. Salomão já tinha neste momento muitas mulheres. Mas ele se apaixona pela doçura de Sunamita. Ela é muito doce. 1. {The Shulamite} 2. כתפוח בעצי היער כן דודי בין הבנים בצלו חמדתי וישׁבתי ופריו מתוק לחכי׃ 2:3 3. Ketapuakh baatzei hayaar ken Dodi bein habanim betzilo khimadti veyashavti ufiryo matok lekhiki 4. As the apple tree among the trees of the wood, so is my beloved among the sons. I sat down under his shadow with great delight, and his fruit was sweet to my taste. 277
  • 278.
    A Sunamita distingueseu amado, pela sua beleza, pela sua doçura, dentre as árvores do bosque. A maçã é um fruto que era iguaria da mesa de reis. Era apreciada por crianças, por adultos, por adolescentes, gente de todas as classes sociais. E apreciada por todas as nações. Importada ou cultivada, se distinguia pelas flores, pelo cheiro. 278
  • 279.
    Algumas espécies demacieiras crescidas concedem excelente sombra. O fruto de polpa branca que quando exposto vai escurecendo pela oxidação, de um vermelho que lembra os lábios femininos, por isso mesmo usado como símbolo de amor por diversos poemas e textos religiosos da antiguidade. 279
  • 280.
    A palavra hebraicapara maçã é tapuach, cujo valor numérico equivale à expressão Sekh Akeida, que quer dizer algo como Cordeiro do Aliança. A macieira tem uma imagem que desde a antiguidade a tornou a árvore preferida para designar outra famosa árvore. A árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A macieira era conhecida desde a antiguidade e associada em diversas culturas a alimento dos deuses. Sunamita vive debaixo de uma cultura que representava, que evocava, que simbolizava a árvore de Genesis, através da macieira. O fruto da árvore do Conhecimento é denominado de pomo, simplesmente, fruto. Ao passar o texto do grego para o latim, os tradutores usaram o termo "pomum", que acabaria sendo traduzido como maçã nas línguas modernas. 280
  • 281.
    A Sunamita vêa árvore mais romântica de sua época. Uma das mais belas e perfumadas e debaixo dela, numa cobertura de flores, ela desejava estar assentada. Salomão é para ela esse lugar especial. A representação do texto nos leva a outro lugar bem mais distante. A Igreja de Cristo olha para ele como a sombra de outra árvore. Uma árvore celestial debaixo da qual ela gostaria de repousar. Porém essa árvore estava no Éden, um jardim que existiu no início dos tempos. Para a igreja descansar debaixo dela teria que entrar no Éden. Ezequiel recebe a revelação de uma árvore cujo fruto é para a cura das nações. E em Apocalipse nos é mostrada essa árvore, no NOVO UNIVERSO que Deus criará: 281 Apocalipse 22 2 no meio da rua principal da cidade. De cada lado do rio estava a árvore da vida, que frutifica doze vezes por ano, uma por mês. As folhas da árvore servem para a cura das nações. 14 Felizes os que lavam as suas vestes, e assim têm direito à árvore da vida e podem entrar na cidade pelas portas. Para a Sunamita celestial deitar-se à sombra dessa árvore celestial terá que ascender aos céus, alcançar a eternidade, chegar ao amanhã, e ao que virá depois dele. É uma bela figura em forma de poesia, o sonho da eterna salvação, a esperança dos céus, a a spiração à presença do Amado, cujo fruto é a Vida Eterna. desejo muito a sua sombra Esse é um dos mistérios que norteiam as orações, os sonhos, os pensamentos da Igreja de Cristo. Ela deseja muito essa sombra. Muito. e debaixo dela me assento
  • 282.
    Em seus sonhosSunamita já se vê protegida e guardada debaixo da Macieira. Já está assentada debaixo dela, já tomou uma decisão. Esse sujeito é o homem de minha vida. É com ele que anseio viver. A Igreja de Cristo não herdará sua salvação amanhã. Ou um dia. Ela já se assentou nas regiões celestiais em Cristo. Já tem direito a árvore da Vida. Ela já está debaixo da sombra, embora ainda não tenha efetivamente comido do seu fruto. Somos mortais. Ainda não recebemos corpos que suportem viver no lugar onde os anjos habitam. Mas já nos assentamos, já participamos deste mistério de salvação. E do que ele manifesta. A cura que um dia alcançará TODAS AS NAÇÕES já acontece hoje no seio da Igreja. A restauração que um dia mudará o universo, já se iniciou nos corações, nas mentes e corpos dos que amaram a Cristo. 282 {The Shulamite to Banot Yerushalayim} הביאני אל־בית היין ודגלו עלי אהבה׃ 2:4 Heviani el-beit hayayin vediglo alai ahavah:
  • 283.
    He brought meinto the house of wine, and his banner over me was love. A expressão beyt haáyiyn (Ct 2,4) só tem paralelos no livro de Ester (7,2 “casa de festas” e 7,8 “casa de banquetes”). A vinculação da expressão “casa do vinho” com a “casa de festas” e a “casa de banquetes”, em Ester, pode ajudar a identificar o ambiente deste grupo, pois reúne vinho, cultura popular e presença feminina. O Cântico dos Cânticos, no século primeiro da era cristã, ainda era usado, conforme denunciava o Rabi Akiba, em adegas ou casas de festas, onde se bebia muito vinho. Assim, estas mulheres responsáveis por organizar banquetes, como Ester, podem ter sido responsáveis pela preservação dos poemas e sua releitura em Judá. Pode ser que, mesmo após o início do uso canônico, as mulheres continuassem cantando partes do Cântico dos Cânticos nas “casas do vinho” 283 O BANQUETE REAL Sargão II, na inauguração de seus palácios, Dur-Sarrukin, deu um grandioso banquete. Senaqueribe fez o mesmo para o de Ninive. Assurbanipal II ( 883-859 a. C.) ofereceu, após a conclusão do palácio de Kalhu um banquete para 69.574 convidados. (pag 62 História da Alimentação, ed. Estação Liberdade). Os convidados eram presenteados nos banquetes reais com roupas de grande valor, jóias, vinhos caros e até porções dos alimentos especiais da corte. Em Babilonia e Assiria os alimentos consumidos eram primeiramente oferecidos aos deuses (Constituiam uma libação. Literalmente oferecidos, depositados e deixados diante das estátuas das divindades, como oferendas. A comida real era composta do mesmo tipo de alimentos oferecidos aos deuses) separavam parte do que havia sido consagrado aos deuses, que eram trazidos ao rei que poderia dele repartir aos altos funcionários de sua hierarquia. Dezenas ou centenas de mesas eram separadas com a proximidade real selecionada a partir de rígida hierarquia, que ia de membros de sua família, seus conselheiros reais, seus generais e nobres, os altos funcionários da corte, os governadores das províncias, os nobres da cidade e ricos comerciários, os dignatários e as autoridades, os convidados divesos, os profissionais do palácio, os guardas do palácio. Era uma grande honra participar do banquete real que poderia se estender por dias, com um cardápio requintado, uma organização minuciosa, com artistas convidados, músicos, danças com belíssimas dançarinas, e várias atrações para diversão dos convidados. Um grupo imenso trabalhava intensamente no preparo do banquete, na distribuição, na limpeza dos salões, na distribuição de presentes, nos ritos de entrada e saída do palácio, na vilgilancia do evento. Os banquetes celebravam os grandes eventos da vida nacional, as grandes vitórias e conquistas bélicas, o casamento real. Os haréns reais realizavam normalmente sus banquetes separadamente, haviam listas diferentes de alimentação e o próprio suprimento de vinho para os palácios das mulheres. Havia uma questão de hábitos alimentares distintos das princesas e rainhas, a maioria das mulheres dos reis da antiguidade eram estrangeiras, princesas estrangeiras que trouxeram com elas seu séquito real, as mulheres que as vestiam e banhavam, enfeitavam e perfumavam, oficiais eunucos, cozinheiros e oficiais. O BANQUETE SAGRADO
  • 284.
    O ofício emhomenagem aos deuses criou uma categoria especial de funcionários dos templos das divindades da antiguidade. Padeiros, açougueiros, cervejeiros, pasteleiros, cozinheiros cuja função era receber a oferta em alimento bruto e prepara -los para os banquetes religiosos. Eles preparavam os pratos oferecidos as estátuas dos deuses. Os oficiais e sacerdotes recebiam uma parte do que eles ofereciam então era uma comida de qualidade. Seguiam um calendário litúrgico com responsáveis determinando as datas festivas a essa ou aquela divindade. As refeições servidas refletiam a hierarquia e importância das divindades. Em alguns rituais os sacerdotes traziam as estátuas para fora dos santuários e as posicionavam como num banquete real, onde eram servidas como um banquete real, por funcionários do templo. Os sacerdotes se misturavam às divindades e se assentavam junto com elas comendo parte dos alimentos oferecidos, com queima de incenso, lavando a mão com óleo perfumado, ungindo suas frontes, cantando hinos e tocando músicas religiosas de adoração aos deuses. ( festa de Akinu, afrescos do templo de Anu, na cidade de Uruk, época selêucida, século III ao século I a. C). Salomão sai dos campos e volta cidade conduzindo a moça a uma faustosa refeição. E é ele que paga a comanda. Ele a leva a um lugar que para ela é um restaurante de luxo. Um aposento separado de uma das pousadas da festa que acontece, um lugar separado, no povoado mais próximo ao campo onde tinham passado o entardecer. Ela caminhará ao seu lado, vai desviar das poças, vai suspender os galhos por onde ela passar. Ele a carregará no colo para que ela não suje os pés. Oferecerá a ela o que ela mais gosta numa sala de banquete. E o que ela sente enquanto ele a CONDUZ à sala é o seu carinho desvelado. Como uma bandeira desfraldada de um exército, cujas insígnias escritas não traziam o nome de um reino, antes estivesse escrito “amor”. Essa é a cena retratada nos evangelhos quando Jesus separa o local para a última ceia, uma refeição preparada por um misterioso estaleiro cujo nome nunca foi revelado, com um jantar finíssimo capaz de alimentar sobejamente a pelo menos 13 pessoas. Lá onde ele lava os pés dos discípulos, lá onde ele faz a última oração de seu ministério por eles, lá onde ele declara-lhes seu amor e se despede. Porque o estandarte sobre sua Igreja é o seu impressionante e corajoso amor. Salomão havia coberto a Sunamita para protegê-la do vento, do frio, talvez da chuva que caía nessa região. Ele a enrolou desajeitamente, como se a envolvesse com uma bandeira. Na verdade... bem que poderia ser uma bandeira, literalmente. Jamais teria conseguido chegar nos campos sem ser escoltado por guardas fortemente armados. Mas teriam que estar disfarçados também para que a “trapaça” da conquista desse certo. Em algum instante ele pegou alguma manta de algum dos soldados disfarçados de pastores. E há uma possibilidade não tão remota que a tal manta tivesse os símbolos de Salomão. Porém...um pastor a convidou a cear...na “casa do banquete” do texto é também traduzida como “casa do vinho”. Uma taberna da antiguidade. Mas a história possui reviravoltas tremendas. Ele estará naquela semana na presença de seus súditos e nobres como rei, e Sunamita irá entrar no segundo banquete, um banquete que não aparece no texto, um banquete real. No primeiro ela é convidada, mas no segundo ela entrará com ousadia, sem ser convidada. Um dia ela será levada voluntariamente, já como rainha, para a sala do banquete onde será honrada. O primeiro banquete lembra a ceia com o pastor que dá a vida pelas ovelhas. E o segundo lembra o reencontro com o ressurreto, não na terra. Mas no céu. Há um evento magnífico para qual a Igreja foi convocada. E que só poderá estar lá por plena ousadia. Ela é denominada de “as bodas do Cordeiro”. 284
  • 285.
    Os banquetes daantiguidade evocavam o divino, embora não fossem deuses o que ali se representava, embora Daniel tenha rejeitado tal “privilégio” na corte do rei Nabucodonozor, por oferecerem a ídolos aquilo que deveria ser dedicado a Deus, os banquetes da antiguidade possuem uma sombra, uma aspiração, um desejo, que se cumpre de modo profético no evento denominado “ARREBATAMENTO”. Paulo recebeu uma revelação sobre um “rapto” dos que creem “convocados” para uma reunião, ou assembleia celestial. Um rapto da Amada que é o cumprimento espiritual das brincadeiras das vinhas, das festas de Benjamim. Note a poesia, quem recebe a revelação do “rapto” dos amados de Deus é justamente um benjamita. Paulo de Tarso, era descendente da tribo de benjamim. O banquete em que a Igreja recebe a perfeição, a transformação, onde o processo de transfiguração que Pedro, João e Tiago viram ocorrer sobre o monte Hermon em Jesus, quando ele brilha intensamente como se fosse o amanhecer, acontece com a Igreja de Cristo. Ela receberá “roupas celestiais” ou corpos glorificados, ela será conduzida por “oficiais do rei” até a sala do banquete, anjos a conduzirão até o encontro celestial onde haverá uma grande festa, com direito a cantos de adoração, a unção, não com azeite, mas com o Espírito de Deus, num lugar que “cheira a incenso”, que representa o anelo de milhões de intercessores, que oraram, creram, intercederam por ele. Ele, o ressurreto que é o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores concederá presentes, galardões, honrará a fé com bens inalienáveis. O encontro celestial é na verdade um banquete real e um banquete sagrado. Apocalipse 19.7 Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, Apocalipse 19.9 Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus O estandarte era a bandeira que os oficiais carregavam à frente das tribos quando marchavam, elas representam os brasões dos reinos da idade média, elas dão origem as bandeiras dos países na modernidade. Sobre a Igreja repousa a bandeira do amor de Cristo. A bandeira ou o estandarte não poderia ser tocado por qualquer pessoa. A águia romana era o estandarte das legiões romanas, aparece colocada sobre o tumulo de Cristo, significando que ali repousava a autoridade de Roma e que ninguém poderia tocar naquele estandarte, ou no tumulo sem a ordem de um governador. A lealdade das tropas romanas aos seus estandartes, em que estava a águia e as letras SPQR (Senatus Populusque Romanus - Senado e Povo de Roma), era inspirada pela influência conjunta da religião e da honra. A águia que rebrilhava à frente da legião tornava -se objeto da sua mais profunda devoção; era considerado tão ímpio quão ignominioso o abandono dessa insígnia sagrada numa hora de perigo. Hitler retomando as tradições da antiguidade consagrou as bandeiras do partido nazista com o sangue de aliados mortos, para reforçar o simbolismo da suática. 285
  • 286.
    Os estandartes ebandeiras eram símbolos de muita importância para a Legião, e venerados pelos soldados. A partir de 104 a.C., após a reforma de Mario, cada legião passou a usar uma aquila (águia) como símbolo de estandarte. O símbolo era levado por um oficial conhecido como aquilifer, e sua perda era considerada uma grande vergonha e freqüentemente levava à dispersão da própria legião. Com o nascimento do Império Romano, as legiões criaram uma ligação com seu líder, o próprio Imperador. Cada legião possuía outro oficial, chamado imaginifer, cuja tarefa era carregar uma lança com um imago (imagem, escultura) do imperador como pontifex maximus. Além disso, cada legião possuía um vexillifer, que carregava um vexillum ou signum, com nome e emblema da legião descritos, próprios da legião. 286
  • 287.
    Cada tribo israelitapossui uma bandeira, como não há evidencias arqueológicas os estudiosos usam as referencias das Escrituras para imaginar o que elas poderiam conter com base nas profecias dadas por meio de Jacó. 287
  • 288.
  • 289.
  • 290.
    Sunamita expressa queo estandarte sobre ela, não era a identidade de uma das tribos de Israel, ou símbolo da Casa de Davi. Era algo para ela de muito maior valor que uma identidade cívica. Que um símbolo de guerra. Era o amor que seu amado tinha por ela. O amor de Cristo sobre a Igreja é um estandarte sagrado, um símbolo de guerra, de proteção, de suprema importância. Ele não carrega a bandeira, ele a protege com ela. Porque era o símbolo numa guerra da coisa mais importante a ser guarnecida por um exército, e ele a coloca debaixo dela! ELA É PARA ELE, MAIS IMPORTANTE QUE SUA BANDEIRA. Ela é a razão de sua bandeira. É pela alma humana, pela salvação do ser humano, pela vida de sua Igreja que o amor de Deus resplandece, manifesta-se de modo incomparável. É por amor de nós, por amor de sua escolhida, e esse é o significado do Evangelho. Cristo estendendo sua bandeira sobre nós. 1. סמכוני באשׁישׁות רפדוני בתפוחים כי־חולת אהבה אני׃ 2:5 2. Samkhuni baashishot rapduni batapukhim ki-kholat ahavah ani: 3. Strengthen me! with the raisins, refresh me! with apples: for I am sick with love. As passas são as uvas secas pelo sol ou desidratadas por forte calor. Chegou o momento em que a moça se apaixona pelo rapaz. 290 Dil ye mera bas mein nahi (hindi) Este meu coração não está no meu controle (musica do filme Barfi) Kahin pyaar na ho jaaye Não deixe que eu me apaixone Pyaar na ho jaaye Não deixe que eu me apaixone Ae dil bataa yeh tujhe kya hua Oh coração, me diga, o que aconteceu com você Tu hai kyoon beqaraar itnaa Por que está tão inquieto Kahin pyaar na ho jaaye Não deixe que eu me apaixone (musica do filme Barfi) http://www.hindilyrics.net/hindi-songs-translations.html Paixão, do latim passione = sofrimento, sentimento excessivo; amor ardente; afecto violento.
  • 291.
    Paixão, palavra deorigem Grega derivada de paschein, padecer uma determinada acção ou efeito de algum evento. É algo que acontece à pessoa independente de sua vontade ou mesmo contra ela. De paschein deriva pathos e patologia. Pathos designa tanto emoção como sofrimento e doença. As paixões, entendidas como emoções, mobilizam a pessoa impondo-se à sua vontade e à sua razão. 291 No Blog abaixo há um artigo mais abrangente sobre o assunto: http://consultoriodepsicologia.blogs.sapo.pt/65740.html Sunamita sente tudo isso. O Cântico é quase uma peça de teatro, um jogral, é o momento na musica em que ela se vira para o back-vocal da banda e canta o refrão. Se fosse um filme é o momento em que ela se vira para o telespectador e revela, num monólogo, o drama de seu coração. Ela se sente tão “enfraquecida” pelo sentimento que pede que alguém lhe dê passas, justamente o produto já acabado das uvas da fazenda na qual ela devia estar trabalhando, em vez de estar namorando. As adolescentes americanas quando terminam um namoro pegam um pote de sorvete de chocolate e o comem inteiro. Moças adoram doces. Note que ela não pede nada que seja salgado para alimentá-la. E vem logo a contradição em nossa mente, como é que alguém imagina curar-se ou consolar-se dos males do coração com doces? É só uma distração. Ela quer algo que atordoe seus sentidos para não pensar nele, porque seu amor por ele a faz sofrer. Você provavelmente perguntaria, mas os dois não estão juntos? Sim e não. Ele está com ela, mas ela sofre antecipadamente pelo fato que terá que se separar dele assim que terminar o jantar. E talvez nunca mais o encontre. Pesa sobre ela a vida que desejaria ter e ainda não tinha. Ela ainda era a menina pobre que caçava raposas para sobreviver, diante de um sonho. É o momento profético em que a Igreja é separada de Cristo pelo Sinédrio. É o sofrimento dos seguidores de Cristo ao saber que ele será crucificado. É a angustia após sua morte, sem saber o que irá acontecer com eles. - Rapazes, guardem as guitarras. Para sempre. O sonho acabou. No nosso hoje, a Igreja necessita da presença de Cristo, mas Cristo não está na terra. Ainda não. Ele está à direita do Pai. Ela o ouve e o percebe, tem comunhão com ele através do Espírito Santo que o representa na terra. Mas... se o amanhã não chegar? E se as intercessões, nossa vida, nossa oração não for o bastante para alcançarmos o lugar onde Jesus está, para com ele vivermos para sempre? E se a pregação não for ungida, se a presença divina não for manifesta por causa de nossos erros? A igreja que ama a Cristo sofre também, aspira um amanhã de vida plena; livre da escravidão da fazenda, e das malditas raposas. Nós gostaríamos de não mais sofrer dores. Medo. Enfermidades. Pavores. Insegurança. Perdas. Queríamos não sentir saudade. Nem dor.
  • 292.
    1. שׂמאלו תחתלראשׁי וימינו תחבקני׃ 2:6 2. Semolo takhat leroshi vimino tekhabkeni: 3. His left hand [is] under my head, and his right hand doth embrace me. E por isso mesmo ela deseja não sentir medo, segura fortemente pelos braços do amado. Porque nos braços de Salomão, ela simplesmente esquecerá o mundo que a envolve. O abraço é uma das formas mais belas da manifestação do carinho humano. É uma linguagem de afeto universal. O termo “mão” em hebraico muitas vezes significa “força”. Ou alcance do poder ou da autoridade de alguém. A mão esquerda e a mão direita tem uma diferença de significado nas diversas culturas do Oriente. A direita era a mão que os reis utilizavam para erguer o cetro ou a espada, gestos com muitos significados relacionados ao poder real, para acenar e pedir silencio, para convocar uma pessoa, para selar os atos do estado. Sunamita não sabe que Salomão é o mais poderoso rei de sua época. Ela não imagina que ao envolvida por ele estará sendo abraçada pela mão que decreta todos os atos oficiais do estado israelita. A mão que repousará sobre sua cintura tem o poder de vida e morte sobre milhões de pessoas. A cabeça da moça israelita é envolta numa manta, a cena é dela literalmente ‘caindo’ sobre os braços dele que a segura para que ela não estatele no chão. Ela se imagina sustentada como uma criança é sustentada para ser colocada no berço ou na rede. Se você não segurar sua cabeça ela penderá para trás. A mão esquerda não tinha um grande significado para os orientais. Na Índia ela é usada exclusivamente para o asseio pessoal, para trabalhos mais pesados e rústicos. Eles a consideram impura. Não se cumprimentam e nem pegam na comida com a mão esquerda. Os canhotos eram mais desprezados que os destros. Quase considerados anormai s. Por isso é extraordinário quando as escrituras colocam a existência na tribo de Benjamim de um grupo de lançadores de funda que eram extremamente hábeis, porém canhotos. Mas há passagens reveladoras: Então o sacerdote pegará um pouco de óleo da caneca e o derramará na palma da sua própria mão esquerda, 292 Levítico 14:15 E outra em Provérbios Na mão direita, a sabedoria garante a você vida longa; na mão esquerda, riquezas e honra. Provérbios 3:16
  • 293.
    Então derrubarei oarco da sua mão esquerda e farei suas flechas caírem da sua mão direita. Ezequiel 39:3 as três companhias tocaram as trombetas e despedaçaram os jarros. Empunhando as tochas com a mão esquerda e as trombetas com a direita, gritaram: "À espada, pelo Senhor e por Gideão!" 293 Juízes 7:20 A mão esquerda segurava o arco que era retesado com a direita. No testemunho da cura de um leproso o sacerdote derramava óleo sobre a palma da mão esquerda, depois de alguns ritos colocava a palma da mão esquerda na cabeça do leproso que era declarado limpo. O Espírito de Deus anseia firmar a mente da Igreja com a sua mão que detém suas riquezas, sua honra, seu arco, sua tocha de luz. E purificar sua mente com sua presença para declarar sua cura e sua purificação. Arco era o rifle de longa distância da antiguidade. Os arqueiros eram temidos pelo seu terrível poder de matar a distância. As tochas eram a iluminação navegante, luz pessoal que iluminava o caminho de um viajante. A mão direita de Cristo possui suas riquezas e sua honra. E na esquerda ele segura o arco. Na esquerda ele derruba o óleo e como sacerdote celestial o derrama em nossa cabeça. 1. The Maiden's charge to the banot Yerushalayim 2. 2:7 {Refrain} השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם בצבאות או באילות השׂדה אם־תעירו ואם־תעוררו את־האהבה עד . 3 שׁתחפץ׃ 4. Hishbati etkhem benot Yerushalayim bitzvaot o beailot hasade im-tairu veim-teorru et-haahavah ad shetekhpatz: I charge you, O ye daughters of Yerushalayim, by the roes, and by the hinds of the field, that ye stir not up, nor awake [my] dod (love), till he please. 7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
  • 294.
    294 Leiam ocapitulo “ A magia em cantares”. Ampliando a visão do texto, deixando de lado a perturbação das meninas de Jerusalém, vamos olhar a natureza citada no verso. Gazelas e Cervas do Campo. A Sunamita é muito suave no falar. Muito doce. Nesse instante da canção ela mostra o quanto é meiga. Ela não amaldiçoa, não invoca uma lei, ou seus direitos, que ela humildemente sabe que não possui. Ela está diante de mulheres lindas, perfumadas, ricas, ela uma menina trabalhadora do campo, elas representantes de ricos comerciários. Ela reclama com os olhos na natureza israelita e neste momento da canção nossos olhos se voltam para os cervos e as gazelas, que são naturalmente tão pacíficos quanto a Sunamita. Elas fogem ao menor sinal de perigo, se escondem a qualquer mudança de odor. Os cervos conseguem perceber água a enormes distancias e pelo fato de não terem meios de ataque a sua defesa é correr. São extremamente ágeis. E o modo como se movimentam foi cantado em poesias de vários povos e em pinturas diversas. São harmoniosas correndo, graciosas. Elas quase nunca tropeçam, ainda que correndo por uma floresta escura. Su Dongpo, poeta chinês declarará: Quando olha para si em uniforme de gala, sorri: "Sou por natureza um gamo selvagem/ e não consigo suportar canga ou freio/ Para quê estes dourados e trajes grotescos/ os botões de jade e as presilhas de seda?"
  • 295.
    295 (Le Monde"Amanhã:Murasaki Shikibu, a primeira romancista do Japão) São indomesticáveis. Não suportam o jugo, o peso ou o trabalho forçado. Elas sentem muita sede e correm desesperadamente em busca de água. Elas cantam quando querem se acasalar. São considerados animais puros. A tribo de Naftali é comparado a uma gazela: Gênesis 49:21 Naftali é uma gazela solta; ele dá palavras formosas. Eram animais carinhosos, as femeas da espécie se ligavam somente a um único macho por toda sua vida, que as protegia. Eram provimento de alimentação aos israelitas, faziam parte do provimento da realeza, o palácio de Salomão recebia cervos e gazelas abatidas para alimentação. Embora servissem de alimentos não eram animais sacrificiais. Não eram oferecidos ou aceitos como holocausto ou sacrifício no templo. Elas eram símbolo de liberdade. Habitam o alto das montanhas, enfrentavam o frio, abrigavam-se nas rochas. Tinham filhotes aos pares, geralmente gêmeos. A visão de liberdade, de vida plena, amorosa, o tremendo desejo de viver, simbolizado pela sede, quando a corça berrava, gritava e gemia, e sua alegria simbolizada pela sua impressionante corrida. A Sunamita sabe que se as moças da cidade olharem para a formosura de seu amado, irão deseja-lo. Irão usar sua sedução, malícia, charme, posição, riqueza e até poder para atraí-lo, APRISIONÁ-LO. Lembremos que Sunamita não sabe que o pastor é Salomão disfarçado. Ela não tem ideia que nenhuma delas tem o mínimo efeito sobre ele, acostumado a intriga dos palácios, recebendo diariamente seus pais para tratar de negócios. Mas a moça teme perde-lo. Teme que elas despertem nele o sentimento que ela já despertou nele, e ainda não sabe! Ela olha o quadro de liberdade plena das corças e pede para que elas se inspirem nisso. Emite ordens (conjuro-vos), não porque tenha autoridade humana para isso. Com base na esperança. Com base no sonho. Crendo que ao ver o unicervo, ou melhor, o universo, elas despertarão... Ela almeja a liberdade, evoca o texto que Paulo fala que a própria criação geme, aguardando a liberdade dos filhos de Deus! {The Shulamite} 1. קול דודי הנה־זה בא מדלג על־ההרים מקפץ על־הגבעות׃ 2:8 2. Kol dodi hineh-zeh ba medaleg al-heharim mekapetz al-hagevaot: 3. The voice of my beloved, behold, he cometh leaping upon the mountains, skipping upon the hills.
  • 296.
    Sunamita ouve Salomãoa chamar, vindo correndo encontrá-la. Voz que ela já aprendeu a reconhecer. Aos 23 anos Salomão é uma atleta. Corre vigorosamente, mesmo porque possui pouco tempo para se encontrar as escondidas com a menina. O gamo corre sobre montes escarpados pisando com muita firmeza no solo, difilmente um animal conseguiria alcançá-lo. As cabras montesas são exímias alpinistas, mas os gamos conseguem correr sobre as escarpas e tem força para pular enquanto sobem uma montanha. Numa terra de tantos acidentes geográficos como Israel o caminho mais rápido, um atalho é sobre os montes e encostas, mais rápido que contorna-los. Muitas das estratégias de guerra dos israelitas passava necessariamente pelas montanhas, fosse a fuga, fosse a emboscada, fosse alcançar uma tropa que por causa dos carros seguiria sempre por terreno plano. Anibal, célebre general utilizou-se de montanhas como estratégia. O exército de Aníbal, um dos maiores estrategistas militares da história, saiu da Península Ibérica, passou pelos Pirineus e pelos Alpes e acabou na planície do Pó, onde triunfou sobre três legiões que Roma envia ra para derrotá-lo. As batalhas ficaram conhecidas como Ticino (novembro de 218 a.C), Trebia (dezembro de 218 a.C) e Trasímeno (junho de 217 a.C). Os montes na época de Sunamita eram ainda desprovidos de totens, postes-ídolos e templos. Nos anos posteriores seriam tomados por toda sorte de culto e adoração às deidades das nações. Ela ainda os contempla cheios de excelente natureza e desprovidos de urbanização. Uma antiga profecia associa os montes a vinda do Messias. Os judeus criam que quando este viesse até os mortos ressuscitariam. “Naquele dia estarão os Seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, do oriente para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se removerá para o norte, e a outra metade dele para o sul.”. Zacarias 14:4. 296 Tanto que muitos israelitas procuram ser enterrados no monte das oliveiras. Tumbas judaicas no monte das Oliveiras. Enterravam seus entes ali porque imaginaram que seriam os primeiros a ressuscitar em sua vinda,
  • 297.
    297 http://graftedinelena.wordpress.com/israel-travel/ Osmontes de Israel são ricos em significados. A cidade de Jerusalém era chamada de Sião em virtude de uma de suas colinas, o monte Sião onde um dia existiu uma fortaleza dos jebuzeus tomada por Davi. O templo é edificado sobre um monte, outra colina da cidade, o monte Moriá, onde um dia Abraão levou Isaque para ser sacrificado. Ao seu lado está o monte das Oliveiras. Foi no vale entre os dois que seu pai se encontrou com um anjo. O templo que Salomão construíra e cujas colunas resplandeciam como fogo ao pôr do sol, por serem feias de bronze, construiu sobre o monte Moriá. O Getsemani ficava na encosta do monte das oliveiras. Jesus morre sobre outra colina denominada calvário, do lado externo da antiga cidade de Jerusalém. Sobre um monte a Lei foi concedida a Moisés, o Horebe, sobre outro monte ele é enterrado, sobre o Carmelo ocorrerá a famosa luta entre os profetas de Baal e Elias, e é justamente sobre um monte que Gideão obterá tremenda vitória sobre os midianitas. Num monte, sobre o Hermom, Jesus se transfigurará diante de seus discípulos, ficando com vestes celestiais, brilhando intensamente. Os montes evocam muitas cenas proféticas. Sunamita anseia que seu amado volte depressa, e esse é o sentimento da pequena comunidade de discípulos quando Jesus caminha pela última vez com suas testemunhas fora da cidade e vai até um monte. Outro monte. E dessa colina ascende aos céus. Os apóstolos criam que Jesus voltaria a qualquer instante, ainda em sua geração. A última frase do último livro das Escrituras escritas pelo último apóstolo vivo, escrito pela última testemunha ocular da paixão de Cristo declara uma profecia que nos diz: “Certamente, cedo venho” É a resposta ao anseio da Sunamita celestial. Ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes.
  • 298.
    דומה דודי לצביאו לעפר האילים הנה־זה עומד אחר כתלנו משׁגיח מן־החלנות מציץ מן־ 2:9 298 החרכים׃ 1. Domeh Dodi litzvi o leofer haayalim hineh-zeh omed akhar katlenu mashgiakh min-hakhalonot metzitz min-hakharakim 2. My beloved is like a gazelle or a young stag. Behold, he stands behind our wall; He is gazing through the windows, peering through the lattice. Sorrateiramente Salomão aparece do nada e assusta a menina. Veloz e arisco, brincando com ela. As casas da antiguidade possuíam dois pavimentos, varandas, quartos no alto, cortinas, grades. Não eram de difícil acesso aos animais. Era facílimo para uma gazela subir num terraço de uma casa. E se ela o fizesse, chegaria de mansinho, quase imperceptível, enconstaria o nariz para sentir os odores do quarto, normalmente perfumados com essências, com especiarias. Seu olfato poderoso sentiria o cheiro de uma tamara esquecida sobre uma mesa ou sofá. E uma dona de casa só perceberia ele a noite, pois as sombras o abrigariam, quando erguesse a lamparina e os olhos da corça refletissem a luz da lanterna. Antes que pudesse alcançar o animal ele já estaria a dezenas de metros do terraço. O mundo espiritual nos enxerga. O tempo inteiro. Anjos descem e sobem, espíritos de toda sorte e origem passam ao nosso redor e até em nossos lares sem que os percebamos. Apesar de assustador e estranho, esse parágrafo é absolutamente correto. Vivemos e nos movemos num universo espiritual, entre forças, poderes, potestades, vivemos entre dois mundos. Mas para nossa grata surpresa o Espírito amorosamente nos observa. E nos vigia. Ele nos guarda. Envia anjos, realiza coisas espirituais enquanto dormimos, enquanto descansamos. Declara-nos o que está oculto, escondido. Abre para nós janelas para que possamos vê-lo. Percebe-lo. Os dons espirituais as vezes nos assustam. Uma visão é dada repentinamente. Uma revelação que surge no momento mais inesperado. Nós não vemos a Deus, mas ele está presente, atrás da parede das dimensões, atrás do muro das nossas limitações. Espreitando por entre as grades.
  • 299.
    1. ענה דודיואמר לי קומי לך רעיתי יפתי ולכי־לך׃ 2:10 2. Anah Dodi veamar li kumi lakh rayati yafati ulekhi-lakh: 3. My beloved spoke, and said to me: 4. {HE} "Rise up, my love, my fair one, And come away. 299
  • 300.
    A cena éde Sunamita deitada no segundo andar num quarto cercado de grades e cortinas, e Salomão anseia dançar com ela na festas, ele anseia sua presença, sua companhia e não quer deixa-la dormindo! As noites foram de intensa atividade e correria, o dia de muitos afazeres, a moça fugia a noitinha para estar com ele, dormia altas horas da madrugada e ia para o labor diário de correr atrás das raposas, estava exausta. Mas o tempo de Salomão terminava, suas obrigações lhe chamavam e sabia que tinha pouco tempo para estar com seu amor. Ele a acha linda até dormindo. A imagem é muito bela, dentro da dimensão espiritual, vivemos a situação paradoxal. O Espírito é eterno e imortal. Deus não tem início e nem fim de dias. Mas nós somos finitos e passageiros. Nossos dias passam ligeiros como a sombra. Acordamos infantes, ao meio-dia somos adolescentes, ao entardecer somos adultos e ao anoitecer já estamos idosos. Nós temos muito pouco tempo para desfrutarmos da presença divina, do amor e da festa que acontece ao nosso redor. A urgência em que nos levantemos é nossa, para desfrutarmos dEle. A profundidade do conhecimento de Deus vem pela meditação e pelo estudo da Escrituras, que toma tempo, dedicação, apesar do cansaço da vida, dos afazeres, das dificuldades. Levantar nas Escrituras é sempre associado a uma postura de estar atento, preparar-se para realizar algo, ou no caso dos profetas, para ouvi-lo. Samuel está deitado e é chamado, necessita levantar-se. Ezequiel é solicitado a estar de pé porque deus queria falar com ele. Os homens respeitados no Oriente eram cumprimentados por todos que ficavam de pé ao passarem. E o Espírito anseia que estejamos despertos, ouvindo-o, indo com ele à lugares que ele quer nos conduzir. Ele deseja que passeemos com ele. Nunca nos vê senão com olhos amorosos. Ele vê sua Igreja Formosa. A palavra que também é traduzida por PERFEITA. 1. כי־הנה הסתו עבר הגשׁם חלף הלך לו׃ 2:11 2. Ki-hineh hasetav avar hageshem khalaf halakh lo: 3. For, Behold, the winter is past, the rain is over [and] gone; Chovia muito nessa época do ano e a estiagem era o momento propício para as festas, para a colheita, para a fabricação do vinho. No final do inverno os frutos que foram colhidos no final do outono estavam maduros. Era o início da época das flores, do acasalamento das aves e dos animais da floresta, os cantos se tornavam melodiosos. A natureza explodia em cores vívidas. Os dias chuvoso perto do Hermon eram gélidos. Dias gelados. Parte das fontes agora degelava, corredeiras podiam ser vistas. A primavera era o tempo de namoro por causa da festa, por causa da representação da própria primavera. Era uma época extremamente romântica na dimensão do Oriente. A primavera evoca espiritualidade, calor, frutos, flores. Na dimensão espiritual sugere o desejo da Igreja de sentir e viver a plenitude de sua vida espiritual. Um dos anseios da Igreja é a unção, a manifestação dos dons, a operação milagrosa, a manifestação do espírito trazendo renovação, cura, renovação. As Igrejas denominam essa primavera espiritual de “avivamento”. Frio nas Escrituras é tempo de mãos adormecidas, lembra frieza de coração, sentidos amortecidos. Desconforto. O frio matava os pobres por não possuírem roupas adequadas. Os profetas viram cenas terríveis de que banqueiros sem escrúpulos emprestavam a juros altos a uma comunidade trabalhadora e se esta não tivesse como pagar, penhoravam suas roupas e se no tempo devido não pudessem pagar os juros, após terem perdido as posses, após terem seus filhos vendidos como escravos, eram deixados nus. Um dos bens mais preciosos dos tempos antigos era uma capa para proteção do frio. Ela era um equipamento básico de 300
  • 301.
    proteção contra aintempérie. Os agiotas tomavam a capa e deixavam os endividados morrerem de frio. O frio espiritual mata. Centenas de seminários ao redor do mundo já pregaram um evangelho frio. Morto. Sem vida. Roubaram a fé sobrenatural de muitos, debocharam da profecia, dos dons, das operações espirituais. Negaram veementemente a pessoa do espírito de Deus. Negaram sonhos que foram ordenados à Igreja pela Profecia de Joel. Ainda hoje, 2014, milhares negam milagres, sinais e maravilhas. Pregam um evangelho mentiroso, ou usurário. Centenas de denominações exigem dinheiro de seus membros e formalizam isso com textos do Velho Testamento, pregam um Evangelho de Usura, com solicitações de dinheiro antiéticas. Expõem os que os seguem a todo tipo de exploração. Criam necessidades financeiras gigantescas em nome da manutenção de seu império, televisivo, radiofônico, imobiliário. A primavera fala da alegria da comunhão, sem obrigações. Onde a generosidade é fruto de um coração voluntário e movido pela alegria. Onde o Espírito flui sem restrições e sem a contaminação da avareza intelectual, espiritual, teológica. 1. הנצנים נראו בארץ עת הזמיר הגיע וקול התור נשׁמע בארצנו׃ 2:12 2. Hanitzanim niru baeretz et hazamir higia vekol hator nishma beartzenu: 3. The flowers appear on the land; the time of the singing [of birds] is come, and the voice of the turtle is heard in our land; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Eclesiastes 3:3 A primavera havia chegado em Israel. Salomão evoca a beleza da natureza manifestando toda sua glória para motivar a menina cansada para mais uma noite de folguedo, al egria, canto, danças e vinho. Não era o tempo de estar deitada. A ordem em que ele vai descrevendo a floração e a frutificação da vide e da figueira, logo após este verso tem um eco profundo na história de Israel e da Igreja. A rola neste texto é o Zamir. Desconhece-se a origem deste pássaro, todavia sabe-se que passava por Israel logo depois do Outono. A Palestina era o local onde ele escolhia sua fêmea para seu acasalamento, por isso o Zamir cantava, exibindo todo o seu repertório, uma variedade de 28 cantos distintos. Interessante é notar que tanto o macho como a fêmea eram pássaros migratórios, e andando tanto tempo juntos só acasalavam na Palestina, e não aceitavam as espécies naturais da terra. Muitos ornitólogos tem comparado o Zamir daquelas pairagens com o Rouxinol 301 Brasileiro ou o Cardeal Americano. A primeira coisa que o Zamir fazia ao chegar na planície de Sarom, por ocasião do Nitsanim, era demarcar seu território com um claro e conhecido assobio, tal qual o Cardeal
  • 302.
    Americano. Esta açãoespecificava o local onde nenhum outro macho poderia descer, nem tão pouco se aproximar. Este lindo pássaro tinha cerca de 20 cm de comprimento e uma plumagem de 302 brilhantes penas vermelhas. Diz o original hebraico em Cantares 2:12 [`eit hazamir higía] = tempo do Zamir cantar / chegar / vir / alcançar / ationgir / tocar / infectar / apalpar. Toda a natureza é lúdica e nela foi estabelecido pela sabedoria de Deus símbolos de sua graça, de seu amor, de seu poder. Os céus DECLARAM a glória do senhor, não é uma paráfrase, é uma revelação. Em cada nação poderíamos reconhecer com facilidade o passaredo nacional, ou regional e nele encontrar símiles profundas, pequenas poesias, contos, histórias e representações que nos ensinariam sobre O espírito, sobre o Pai, sobre Cristo. O mundo é repleto de suas marcas. Israel é descrito vividamente nas Escrituras, sua ecologia, sua geografia e nele podemos observar essas “declarações proféticas” essas “palavras de Conhecimento” ou imagens cheias de significados, esclarecendo-nos um pouco mais sobre os mistérios da Salvação. A vide representa a Igreja, Israel se reconhece na Figueira, as flores nos falam de renovação, e vem-nos a mente a regeneração do Espírito, a transição entre as épocas evoca o tempo passando, reflete o tempo humano, e o tempo de Deus, as coisas passageiras e as coisas eternas. A moça que desperta e que viu de perto o inverno, sentindo seu abraço gelado, viu o tempo passando pelas estações que se repetem, também para a moça eterna, a Igreja de Cristo, que nasce junto de Adão, no Jardim e percorre o tempo ao lado do Espírito até o raiar do Novo dia, a Nova Criação, a eterna Primavera num universo pleno de Vida abundante. O tempo em Cantares, tarde, manhã, noite, madrugada refletem as épocas de Deus, seus dias, que coincidem com os milênios da história humana, e dentro dessa história uma em particular, a do Seu Amor, a dos eventos mais importantes para o seu coração em relação ao ser humano. Sem entrar na questão profética, esse estudo é limitado a enfatizar algumas visões do texto, limitado pelas limitações do autor, cabendo ao leitor meditar nas demais. A Palavra de Deus é ilimitada. Quero focar, enfatizar um tempo, um período que o texto evoca. O HOJE. O AGORA. O Amado convoca sua Amada e afirma para ela que era chegado o tempo de cantar. A dimensão do HOJE nas Escrituras é muito importante. O Livro de Hebreus afirma se HOJE ouvirdes a voz do Espirito de Deus; mostrando que algo que para o Sunamita era o futuro, e algo que para nós é o passado, A CRUZ, produz um efeito no HOJE de nossas vidas. Antigas profecias foram cumpridas e nos dão HOJE direitos espirituais, Graça, Perdão, Acesso ao Trono. Os milagres do Velho Testamento ocorrerão com base num Evento Futuro. A Ressurreição de Cristo é que selou os tempos, mais eu poder retroagia até o Éden. Nós vivemos após o cumprimento da profecia de Joel, Nos últimos dias diz o Senhor eis que derramarei o meu espírito sobre toda a carne! Após o cumprimento do Pentecostes “ Ficai em Jerusalém até que do alto sejais revest idos de Poder”, e embora haja profecias bíblicas ainda não cumpridas, temos HOJE operando sobre nós esferas de poder celestial, dons concedidos e a Autoridade presente que Abraão, Moisés ou Elias jamais sonharam. Vivemos HOJE no cumprimento de TUDO que a natureza israelita apontava. Vivemos HOJE na esfera do TUDO ESTÁ CUMPRIDO. Por isso podemos LEVANTAR-NOS porque o TEMPO DE CANTAR CHEGOU. O TEMPO E O INTERCESSOR
  • 303.
    O nome comque os judeus conheciam a Deus significa “Eu sou”. Quando os soldados que vão capturar a Cristo perguntam quem é o tal de “Jesus” ao grupo dos apóstolos, é este que responde: SOU EU. Mas, quando o fala para os soldados, diz exatamente - EU SOU - ou o equivalente em aramaico. Quando Jesus diz isso, os guardas caem. Ou, são lançados para trás por uma tremenda manifestação de poder. Eram cerca de 50 homens que tombaram ruidosamente no chão quando Jesus assim pronúncia “Eu sou” O termo “eu sou” dá uma ideia de PRESENTE, algo contínuo, algo que o passado não alterou algo que o futuro não afetará. 303 Hebreus estabelece essa visão de outra maneira Jesus Cristo é o mesmo HOJE, sempre e eternamente. O tempo nos leva para o PRESENTE. Não é um Cristo do passado, não realizou coisas que Hoje não possa realizar, e não haverá tempo em que não poderá FAZER as coisas que hoje faz. Os apóstolos não criam numa época passada do poder de Deus. Os profetas do Velho Testamento falavam num tempo verbal do hebraico que muitos leem as profecias como se já tivessem ocorrido no passado. Quando falavam do futuro ‘dia do Senhor’, que ainda ocorrerá no final dos tempos, narravam como se o tivesse acontecido. Como se fossem historiadores da eternidade. O profeta vê o futuro, como já fosse o passado. O adorador vê o futuro como se fosse o presente. E o Intercessor? O intercessor só possui um único tempo verbal. O presente. Ele não tem o amanhã, ele não se importa com o ontem. O passado ou o futuro não lhe interessam. O intercessor reclama para o AGORA tanto as promessas do PASSADO, quanto as profecias sobre o AMANHÃ. O Adorador medita na Nova Criação, na Jerusalém que chegará. Ele é cheio de esperança. O Intercessor quer saber no que a Nova Criação e a tal da Jerusalém celestial respondem AGORA às suas necessidades. Ele é o médico habilidoso que pergunta ao participante de sua equipe qual a temperatura do paciente e quando responde que estava com 39 graus há cerca de duas horas ele diz: - Não me interessa nem a temperatura dele no mês passado e nem a que ele vai ter na próxima semana. A única temperatura de um paciente que me importa é do paciente AGORA.
  • 304.
    O tempo dointercessor é HOJE. Ele é como o Espírito de Deus que quer uma RESPOSTA IMEDIATA a sua convocação ao arrependimento, “Se hoje ouvirdes a voz do Espírito de Deus, não endureçais a cerviz dos vossos corações” Diz o escritor de Hebreus. O intercessor é nascido do Espírito de Deus. Possui a mesma natureza espiritual daquele que o gerou. Ele necessita de uma RESPOSTA agora. 304 O tempo de Deus para um intercessor é sempre hoje. Para o intercessor todos os instantes de Eclesiastes ocorrem no mesmo momento. Eclesiastes 3:1 Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Eclesiastes 3:2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Eclesiastes 3:3 tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; Eclesiastes 3:4 tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Eclesiastes 3:5 tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; Eclesiastes 3:6 tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; Eclesiastes 3:7 tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e
  • 305.
    305 tempo defalar; Eclesiastes 3:8 tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. Porque o aflito pode não ter amanhã, a enfermidade pode não esperar mais um dia, porque o coração pode não mais suportar. Deus estabelece que o TEMPO DETERMINADO PARA O PROPÓSITO DA INTERCESSÃO SEJA O AGORA. Esse é o tempo que foi DETERMI-NADO por Deus para que nossas orações se baseiem. Pedi e dar-se-vos-á - remete-nos ao presente da oração. Batei e ABRIR-SE-VOS-Á nos coloca na expectativa IMEDIATA da abertura da porta. Buscai e achareis nos convida a certeza de que PRÓXIMO está o que procuramos. Quando a Jesus expõe sobre o filho que pede ao pai um pão, já imaginamos o pai indo até a cozinha e trazendo o pão. Quando observamos o ministério de Cristo percebemos que quase TODOS os milagres de Jesus são IMEDIATOS! A Exceção dos leprosos que vão sendo curados na medida em que caminham para se apresentar ao sacerdote, não há distancia a ser percorrida no tempo entre a intercessão de Cristo e os milagres do Espírito de Deus. Jesus estava como MINISTRO e EXEMPLO, como PADRÃO de conduta a ser IMITADO por seus OBREIROS. Não foi como DEUS que ele operou seus sinais. Foi como HOMEM UNGIDO. JAMAIS Jesus USURPOU a sua condição divina, deixando de lado a condição de SERVO para realizar qualquer ato sobrenatural. Tudo que Jesus realizou, fez porque recebeu do Espírito Santo a capacitação para realizá-lo. E toda vez que o Espírito ungiu-o com poder ou MANIFESTAVA PODER através de CRISTO, o fazia IMEDIATAMENTE. Não havia PAUSA, tal qual o sinal musical, ou período de espera entre a sua intercessão e o milagre. Jesus jamais esperou o amanhã de suas orações. Porque o amanhã do PODER de Deus é o AGORA. Tal qual JESUS na carne, nós NÃO TEMOS TEMPO. Nossa vida é como a sombra. Depressa passamos.
  • 306.
    Não serão necessáriosNO POVIR, NA NOVA CRIAÇÃO OU NA ETERNIDADE, os milagres de cura, restauração, livramento ou destruição de cadeias e prisões espirituais. Hoje é o tempo da libertação, da restauração, do CUMPRIMENTO da VONTADE DE DEUS no que diz respeito à cura, ao prodígio, á maravilha, ao ato sobrenatural. 306 IMEDIATAMENTE. ENQUANTO ORANDO. Qualquer outro instante entre horas e anos depois é ATRASO. É TARDE. O Intercessor não se interessa pelos motivos que levaram a cura a ser atrasada, a falta de fé que impediu o milagre, a falta de humildade que fez com que o ministério profetizado aguardasse o crente amadurecer, a vocação que não foi abraçada por ausência de coragem. Por não existir o amanhã para o Intercessor, se a benção prometida não chegou hoje, se a luta não findou, se o milagre não se manifestou, quando amanhã o intercessor orar novamente, vai buscar para o seu PRESENTE, como se ajoelhasse pela primeira vez, como se o ontem não tivesse acontecido, com a mesma determinação. O intercessor não vislumbra um dia no futuro enquanto ora. Ele reclama para o hoje o seu amanhã. Ele fecha os olhos orando pelo aleijado e quando os abre, o convida a tentar andar. Ele estende as mãos e toca os olhos do cego, e quando abre os seus próprios olhos, pede para que o cego diga o que está vendo. Ele imagina o hospitalizado sendo curado enquanto ora, Ele imagina a conversão de quem está sem cristo, enquanto ainda suplica a Deus. Ele não quer voltar de mãos vazias para casa. Ele possui urgência. E se não acontecer o que espera, ele lutará para que não haja atrasos. Ele olha para o relógio de sua vida, ele consulta os minutos do tempo de seu coração e quando orar novamente, o cronômetro de seu coração dirá - Hoje é tempo. Porque a VOZ do ZAMIR já se ouve em nossa terra.
  • 307.
    Então abrirá suaboca como os pintainhos que aguardam receber o alimento de sua mãe. 1. התאנה חנטה פגיה והגפנים סמדר נתנו ריח קומי לכי רעיתי יפתי ולכי־לך׃ 2:13 2. Hateenah khantah fageh yehagfanim semadar natnu reiakh kumi lakhi rayati yafati ulekhi-lakh: 3. The fig tree puts forth her green figs, And the vines with the tender grapes Give a good smell. Rise up, my love, my fair one, And come away! 307
  • 308.
    Apesar das videsestarem maduras, as figueiras ainda davam seus primeiros frutos. Ele olha para os frutos verdes da Figueira e logo após para a videira, para as suas flores. 308
  • 309.
  • 310.
    Cada videira possuiseu próprio tipo de flor. E finalmente fala do aroma, do perfume que elas exalam. Então a convoca, com o levanta-te, MEU AMOR. Esse é o momento da declaração em que ele revela seu coração. Ela já não pertencerá a mais de ninguém. Ela j á não será concedida como esposa a mais ninguém. Ela lhe pertence. Essa linguagem amorosa é bem clara, o amado tem uma ligação de posse, de propriedade, do direito indivisível de sua afeição. Ele não quer que ela reparta sua afeição maior, sua paixão, com mais ninguém, esse afeto do qual exige EXCLUSIVIDADE. Antes de declarar FORMOSA mais uma vez, ele a consagra a ele. Na dimensão espiritual um ser eterno olha os dias da história, e vê Israel dando seus primeiros frutos, ainda amadurecendo. É a igreja primitiva, ainda completamente israelita, sãos os recentes movimentos messiânicos dos judeus ao redor da terra. São os judeus tornando-se videira! Ou permanecendo figueira e dando frutos de novidade, a renovação espiritual onde ao aceitar a Cristo como Messias recebem o benefício que a descrença lhes retira, da manifestação do Espírito de Deus, conhecido da história de seu povo desde a antiguidade. E nesses dias de primavera, do cumprimento da profecia de Joel, ele repete pela segunda vez o convite para a vida que lhes aguarda. Vem! Em 310 QUATRO vezes em Cantares Ele a Convidará a ergue-se e vir com ele. Cantares 2:10 O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem. Cantares 2:13 A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta -te, meu amor, formosa minha, e vem. Cantares 4:8 Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leöes, desde os montes dos leopardos. No Evangelho de MATEUS que enfatiza a Descendência de Cristo de Davi e Salomão e
  • 311.
    311 seu direitoao REINO, Jesus repetirá QUATRO vezes o convite “VINDE” Mateus 4:19 E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Mateus 11:28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Mateus 22:4 Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Mateus 25:34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; O penúltimo verso da poesia das Escrituras repete esse convite poético diversas vezes, repetido por quatro pessoas. O Espírito, A Esposa, Os que Ouvem. E qualquer um que tiver SEDE. APOCALIPSE 22:17 E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. 1. יונתי בחגוי הסלע בסתר המדרגה הראיני את־מראיך השׁמיעיני את־קולך כי־קולך ערב 2:14 ומראיך נאוה׃ 2. Yonati bekhagvei hasela beseter hamadregah hareini et-marayikh hashemiini et-kolekh ki-kolekh arev umarekh nave: 3. "O my dove, in the clefts of the rock, In the secret places of the cliff, Let me see thy face, Let me hear thy voice; For thy voice is sweet, And thy face is lovely." A moça de Sarom subia as escarpas e montanhas de Israel onde habitavam as pombas. Ela contou-lhe segredos de seu passado. Falou de seus passeios de infância, de suas fantásticas viagens pelo interior da palestina. Lá no alto dos montes do Líbano e em diversas colinas há uma grande variedade de fauna. Engedi, que conhecia bem de onde vinha a preciosa hena que pintava seus cabelos possui vales cujas paredes eram de rocha com muitas reentrâncias e cavernas, escarpas rochosas escaladas por cabras selvagens, gamos e de difícil acesso. Nas partes mais altas das colinas em paredões de pedras inacessíveis a predadores
  • 312.
    as pombas montavamseus ninhos. As pombas são célebres pelo cuidado com a prole e pela capacidade de orientação em relação a seu ninho. Um sistema de navegação biológico permite que possam se afastar centenas de quilômetros e ainda assim retornarem para seus próprios ninhos. As reentrâncias ficavam em partes escondidas e mesmo subindo a pé não eram fáceis de serem percebidas. A Sunamita em algum momento de sua vida havia se escondido numa dessas ladeiras, numa dessas subidas das montanhas, brincando, fugindo ou se escondendo de alguém. Salomão nos mostrará outra característica da bela moça. Sua voz. Ela tem a voz doce, o que nos conduz ao fato de que ela canta! Por isso ele a convida insistentemente nos versos anteriores. Ela é uma exímia cantora. Sua voz excepcional o deixou encantado. Percebemos agora como ele a percebeu nas vinhas. Como ele a achou com tamanha facilidade, como ele a buscou entre as vides e como ele a primeira vez a percebeu. Cantando. Ela cantava e dançava e quando seus olhos reparam sua face ele percebeu que jamais a esqueceria, ainda que assim desejasse. Nesse momento ele fala de como sua face o comove. Ele usará um termo que significa perfeição. Harmonia, seus traços finos são harmoniosos. Graciosidade é uma das virtudes exaltadas no Oriente, que se traduz nos movimentos, no andar, no falar, nos gestos. A mulher chinesa e a japonesa da antiguidade possuem um rico ritual de gestos para aproximarem-se de seus amados, escolas de gesticulação existiam para as cortesãs gregas, chinesas e japonesas. As escolas de dança e tratados específicos sobre os gestos são ainda fonte da dança clássica Indiana. 312 http://www.youtube.com/watch?v=bofVgC2b6lk http://www.youtube.com/watch?v=wacWAuRjvJQ Outra vez ele a compara a pomba. A Igreja possui um mistério que se traduz numa chamada de lugares de difíceis acessos. É dramático o testemunho daqueles que foram tocados por Cristo, que se encontravam sob o jugo das drogas, da prostituição, da perseguição, lares destruídos pelo álcool, pessoas sem vontade de viver, sonhos despedaçados, alguns com situações de enfermidade gravíssimas, desesperançados. Outros envolvidos em coisas sinistras, escondidas, fazendo coisas das quais sequer gostariam de mencionar de novo. Mas ele nos amou primei ro. As Escrituras falam que Deus prova o seu amor para conosco porque nos amou enquanto alguns de nós, ainda estávamos vivendo em plena desobediência as suas leis. Os atos de humanidade, de gentileza, de coragem, de altruísmo, de humildade, de bondade lhe são doces em todos os seres humanos. Deus é apaixonado pela beleza da alma humana, embora não suporte a sua vileza e para isso necessite transformá-la. Por isso ele a chama de pomba. Porque parte do mistério do Espírito de Deus é insuflar em nós a natureza de Deus. Colocar em nós a natureza que Ele possui. Uma natureza Espiritual. A amada de Cristo ainda se esconde pelas penhas. Pelos penhascos, ainda foge dos predadores, da enfermidade, da angustia, do medo, das prisões espirituais, das prisões psicológicas, da depressão e da morte. Na Arábia, na China, na Ásia, no Japão. Na Índia. Na África, em Timor Leste. Nas praças de viciados da Grécia, nas cidades destruídas pelo Crocodile na Rússia, nas comunidades escravizadas pelo Opio, nas encostas andinas de gente viciada pela coca, nas trincheiras da guerra contra o narcotráfico mexicanas, nas ruas de prostituição de Hamburgo, nas avenidas de são Paulo, nas subidas de drogas dos morros do rio de janeiro,
  • 313.
    nos bolsões depobreza da Europa, nas escolas, nos bairros, nas fazendas, seja no campo ou na cidade, o Espírito ouve a voz de sua Igreja, ouve a voz de seus amados, ouve a voz dos injustiçados, dos inocentes, dos desesperados. E essa voz é doce, é um canto que o atrai. 1. {Her Brothers} 2. אחזו־לנו שׁועלים שׁועלים קטנים מחבלים כרמים וכרמינו סמדר׃ 2:15 3. Ekhezu-lanu shualim shualim ketanim mekhablim keramim ukherameinu semadar: 4. Take us the foxes, the little foxes, that spoil the vines: for our vines [have] tender grapes. As raposas são animais astutos e inteligentes, já o exaltava o grego Esopo em suas fábulas. As pequenas eram vivazes, ariscas e extremamente rápidas. Elas amavam as vinhas, o gosto das uvas e até das folhas das parreiras. Comiam os brotos, atacavam os cachos e se as videiras estivessem brotando o estrago poderia impedir até a coleta de uma safra inteira. Embora já não causassem tantos problemas numa safra já madura ou em vides crescidas, elas diminuíam o lucro da safra comendo cachos. Ou atrapalhando a floração, que poderia impactar a geração futura de videiras. As raposas eram mais um incomodo que uma praga ou uma doença das vinhas. As enfermidades eram muito mais maléficas que as raposas. Mas as raposas perturbavam a vida dos vinhateiros. E lhe roubavam seus lanches, comiam a comida dos trabalhadores! As raposas são muito silenciosas. Tão silenciosas que geraram na atualidade um vídeo: “What does the foxes say”? O que as raposas falam? Nenhuma língua possui onomatopeias para o som de uma raposa. Porque ninguém sabe como é o som de uma raposa. Uma tarefa ingrata dada a Sulamita era a de correr atrás das raposas. Capturá -las! O inferno na terra. Não serviam como animal de estimação, não serviam de alimentos, eram animais “fofinhos”, tinham o olhar naturalmente “triste” o que lhes confere simpatia, era muito doloroso ter que abater uma raposa. As videiras em flor significam cuidados significativos pois logo após a floração vem a frutificação, e é nesse momento que a polinização acontece. Uma videira tem, situada acima de um conjunto de flores, uma folha em forma de prato que aparece para ajudar os morcegos a encontrar a planta (e seu saboroso néctar). 313
  • 314.
    A videira, MarcgraviaEvenia, cresce em árvores nas florestas tropicais do sudeste de Cuba. Suas flores são suspensas em um anel, acima de estruturas que seguram um copo de néctar adocicado que pretende atrair morcegos polinizadores, cujo pescoço e ombros são pulverizados com o pólen ao beberem o néctar. Os morcegos, em seguida, transportam o pólen entre as vinhas, fertilizando outras flores e ajudando a videira a se reproduzir. 314
  • 315.
    315 UMA BOAVARIEDADE DE VIDEIRA DEVE ATENDER Deve preencher os seguintes requisitos, uma boa variedade de videira : l.°) resistência às moléstias que lhe são mais prejudiciais, e cujo combate seja mais difícil e dispendioso ; 2.°) apresentar adaptação às condições de clima da região, para que sua cultura possa expandir-se em vastas áreas; 3.°) ser produtiva, fornecendo boas colheitas com regularidade; 4.°) seus frutos devem atingir completa maturação, e se apresentar livres de apodrecimento e de outros estragos, ser de boa qualidade, com alto teor de açúcar e com acidez relativamente baixa, bem como ter os demais elementos constitutivos em equilíbrio harmônico ; 5.°) preencher satisfatoriamente os diferentes estágios do ciclo biológico característico da videira. Dentro destas considerações A inflorescência da videira é do tipo cacho composto, também chamada panícula. E de sua perfeita floração dependerão os CINCO FATORES ANTERIORES. Muitas plantas que conhecemos são capazes de formar flores e frutos. Os frutos são, na verdade, o resultado de transformações que ocorrem na flor, após sua fecundação. A fecundação da flor acontece da seguinte forma: uma estrutura, o estame, produz o grão-de-pólen dentro de uma região chamada antera. Quando a antera amadurece, ela libera esses grãos. Eles, se entrarem em outro local da flor, chamado estigma, vão até o ovário da flor, fecundando-o. Depois da fecundação, a flor sofre algumas modificações, transformando suas partes em fruto e semente.
  • 316.
    Esse encontro entreo pólen e o ovário é chamado de polinização. Ela pode ocorrer entre o pólen e o ovário da mesma flor ou de flores diferentes. O vento ajuda bastante nessa missão, levando o pólen consigo para outras plantas. Além do vento e da água das chuvas, alguns animais também podem fazer a polinização, sabe como? As flores geralmente possuem cheiro e cores chamativas. Além disso, podem ter um nectário, que é o local onde são encontradas substâncias com sabor bem agradável para muitos animais (néctar). Ao visitarem a flor, seja para se alimentarem do néctar, do pólen ou mesmo de outras estruturas, como as pétalas, o pólen pode grudar no corpo desses animais. Assim, ao se direcionarem para outra planta da mesma espécie, podem fazer com que pólens entrem em seu estilete, fecundando o ovário! Alguns animais polinizadores são: abelhas, joaninhas e outros besouros, moscas, mariposas, borboletas, pássaros (como o beija-flor) e certos morcegos. 316
  • 317.
    Quando a polinizaçãoé feita pelo vento, ela é chamada de anemofilia. Quando é feita pela água, hidrofilia. No caso de animais efetuando a polinização, o nome dado a esse fenômeno é zoofilia. 317 Se as raposas comem as flores, A VIDEIRA NÃO GERA FRUTOS!!!!!!!!!! Raposas não são doenças, não simbolizam PECADO, como tantas representações das pobre-coitadas em milhares de estudos bíblicos, para as quais neste gostaria de resgatar-lhes um pouco da honra destruída. Elas não são uma PRAGA. Mas causam o terror na plantação. Além do incomodo da vergonha. Imagine a Sunamita tendo que ouvir dos 20 caras que trabalhavam na Vinha piadinhas o dia todo. Para cada raposa perdida uma piada nova. Raposas simbolizam tudo aquilo que apesar de ser natural, apesar de ser licito, não convém. Simboliza tudo que não é de origem maligna, mas sua manifestação é destrutiva. Sua atuação é incomoda e sua interferência tem a capacidade de inutilizar os frutos da videira espiritual. Paulo fala que aquele que faz as guerras de Deus não se embaraça ou se mistura com os negócios desta vida. Na doutrina temos a filosofia, o humanismo exagerado, a desmitificação dos milagres, tantas teologias destituídas de coisas espirituais. Tratam a Cristo num plano psicológico e nada mais. As associações da Igreja com ativida des comerciais, a mistura da Igreja com a política. Na vida individual as questões pessoais que tomam o tempo essencial de uma vida de comunhão. A preguiça, a falta de disciplina, a raposa da acomodação. A raposa da vaidade humana, da necessidade de bens, conforto, fama, poder, admiração. A raposa da autossuficiência. Jesus fala das sementes que caíram entre as pedras. Essa é a parte das raposas. Quando aquilo que é natural, humano, comum, toca o que não pode ser tocado, interfere-se com o que deveria ser protegido. A vinha é símbolo de um projeto sobrenatural, plantada desde a eternidade. As flores falam dos ministérios, das operações sobrenaturais do espírito, dos sinais e maravilhas, da operação milagrosa, dos dons espirituais que se forem tocados pelas raposas impedem os frutos do Espírito de Deus. Visões mal interpretadas, milagres usados como forma de justificar atitudes ministeriais. Flores destruídas pela doutrina destituída do sobrenatural, humanizada, a rejeição dos dons espirituais, a rejeição da profecia, a substituição de ferramentas espirituais por carnais.
  • 318.
    A polinização dasflores é a prova de que o universo é um projeto inteligente e um argumento intransponível quanto um universo inteligente, propositalmente constituído. A maioria das plantas não podem polinizar a si mesmas. Elas dependem de outros seres distintos de seu universo vegetal. Dependem de abelhas, besouros, morcegos e até de elementos físicos imprevisíveis como o vento. A formação de novas videiras fortes, que resistam a pragas e inimigos externos é fruto de um processo deslumbrante, maravilhoso. Profundamente mágico. Cientistas em depressão não enxergam, mas o cientista que ama a vida fica assombrado com a beleza do processo. Porque ele foi idealizado para ser assim. Assombroso. A Igreja cresce de modo assombroso, ela amadurece e gera fruto a partir de recursos que ela não possui. Estão além dela. A cura, a operação milagrosa, o discernimento espiritual, a expulsão de demônios, a destruição de fortalezas espirituais. A revelação, a palavra profética, a interpretação de línguas. A palavra de sabedoria. Não depende dela, depende da ministração angelical, depende de um processo invisível e maravilhoso. 1. {The Shulamite} 2. דודי לי ואני לו הרעה בשׁושׁנים׃ 2:16 3. Dodi li vaani lo haroeh bashoshanim: 4. My Beloved [is] mine, and I [am] his: he feedeth among the lilies. A moça agora é ousada. A declaração de amor de posse, de domínio, do direito de dispor, juridicamente falando. Dominium e Potestas do antigo Direito Romano para Propriedade nascem do casamento. Ou do amor. E um amor que exige MUTUALIDADE. Ou correspondência. Ela relembra pensa nele pastoreando seu rebanho, que ele tem e não tem, diga-se de passagem, afinal ele é Rei e não Pastor, mas ao mesmo tempo sendo Rei é dono de inúmeros rebanhos. Aquela confusão criada desde o início da canção. Entre os lírios evocam uma determinada planície. A planície de seu nascimento, Sarom, abundante de lírios que enchem os campos, de grande beleza e muito brancos, mais brancos que as mais alvas vestes da antiguidade. As roupas brancas eram muito apreciadas e difíceis de serem conseguidas, com tecidos tratados com uso de agentes químicos tais como soda e potassa, conhecidos desde a antiguidade. Havia uma arte de embranquecimento de tecidos. Veja que o Amado apascenta entre os lírios, não entre os espinhos. A visão é muito lírica, bela, pastoril, e relembra o cuidado, o pastor cuidadoso não leva suas ovelhas para campos onde as ovelhas possam ser feridas ou se ferir. É complicado para os lobos ficarem se arrastando entre os lírios para pegarem traiçoeiramente as ovelhas. É um bom local para pastorear. Lírios não são venenosos, as ovelhas eventualmente irão comer os lírios além do pasto. Ovelhas são criaturas sem-noção. Ela já antevê um esposo TRABALHADOR e CUIDADOSO. E que pertence a ela, tirem a mão dele, meninas. Achem um igual para vocês que este aqui já tem DONA. 318
  • 319.
    Cristo é oAmado para o qual a Igreja entregou seu coração e que confia em sua Palavra, no seu Cuidado, em seu Amor. Confia nele para ser Protegida, para ser conduzida. A Palavra de Cristo formaliza seu cuidado para com a Igreja, sua proteção. Sua presença continua. “Eis que estarei convosco até o final dos séculos”. “Não temais pequeno rebanho de meu pai, porque de vós ele se agradou para vos dar o reino.” 1. {to her Beloved} 2. עד שׁיפוח היום ונסו הצללים סב דמה־לך דודי לצבי או לעפר האילים על־הרי בתר׃ 2:17 3. Ad sheyafuakh hayom venasu hatzelalim sov demeh-lekha Dodi litzvi o leofer haayalim al-harei vater: 4. Until the day breaks, and the shadows flee away, turn, my beloved, and be like a gazelle or a young stag upon the mountains of Beter. Beter - Montanhas de Beth´er. (Beth´Er - Casa de Er) Montanhas da casa de Er...O significado da palavra em é Divisão. Separação É um lugar que ninguém sabe onde é que fica. O nome da montanha evoca um antigo e conhecido personagem das Escrituras, conhecido como Er. Chegamos a outra história de amor, uma que não deu certo... Er foi o primeiro filho de Judá, que morreu por fazer algo que não se sabe o que foi, mas que não era boa coisa. Er é filho de Sua pois é...o nome da mãe é Sua) filha de um cananeu desconhecido, que foi desposada num "casamento forçado" por Judá, Judá por sua vez realiza outro "casamento forçado" de Er com uma moça chamada Tamar. É a versão da antiguidade dos casamentos da Índia, onde quem escolhe os cônjuges são os pais e não os noivos. E aconteceu no mesmo tempo que Judá desceu de entre seus irmãos e entrou na casa de um homem de Adulão, cujo nome era Hira, E viu Judá ali a filha de um homem cananeu, cujo nome era Sua; e tomou-a por mulher, e a possuiu. E ela concebeu e deu à luz um filho, e chamou-lhe Er. Judá, pois, tomou uma mulher para Er, o seu primogênito, e o seu nome era Tamar. Er, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, por isso o Senhor o matou. Montanhas de Bether, creio, trazem a memória essas cenas, a um leitor judeu. A Amada de Cantares quer que o Amado que se distanciou retorne rapidamente, veloz que nem um gamo pulando as montanhas, montanhas cujo nome lembram uma trágica história de amor 319
  • 320.
    do passado, queenvolve a tribo que deu origem a realeza, Judá é o patriarca da tribo da qual nascerá Davi, pai do enamorado autor de Cantares, Salomão. Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter. Em cantares há uma sucessão de períodos do dia manhãs, tardes, noites, madrugadas, manhã novamente, etc. Eu creio que esse momento - até que refresque o dia é o entardecer - e que fujam as sombras - o anoitecer - Esclarecendo: Anoitecendo, tudo vai escurecendo, então aparece a luz das estrelas e o luar. O dia vai refrescando, escurecendo, então uma luz suave toma conta do mundo, a luz lua e das estrelas. 320 O próximo capitulo começa com "De noite". Ela quer que o dia passe rápido para poder estar com ele, quer que sua história seja melhor que a de Tamar. E de Sua. Diferente das duas mulheres evocadas pelo nome das montanhas, ela quer viver a dita situação, é apaixonada, é voluntária. E ansiosa. E impaciente. Na dimensão humana dá até pra ver a menina desesperada aguardando o contato do namorado, antigamente o telefonema. Atualmente o SMS. Na dimensão espiritual a moça ansiosa é a Igreja de Cristo, que anseia sua presença, seu amor, seu retorno. O tempo em Cantares retrata o tempo da eternidade. Mil anos são como um dia e um dia como mil anos para Deus, já dizia cantava Moisés. João no final de Apocalipse exclama MARANATA, uma expressão que antigamente significava somente: Volta logo! Ora, vem! Depois que uma visita estava indo embora e o anfit rião já incitava seu retorno. Maranata foi resignificado para a igreja antiga que lia: Ora vem Senhor Jesus! Volta logo Senhor! Sunamita não anseia por divisão ou separação, ela não quer ficar separada de seu amor. A palavra separação lembra distancia, briga, desavença. Um casal brigado, separado, irreconciliado. Nos montes da Beter a ultima coisa que ela anseia é viver uma separação. Fala de reconciliação para os casais, de afastar-se de se afastar. Para a Igreja, do mesmo modo, como é duro o divisionismo. A separação, a desarmonia. Líderes que não cedem de suas posições, do outro lado pessoas que não aceitam serem aconselhadas. Que não se perturbam com em viver em desunião. As montanhas de Beter são o lugar em que escombros de milhares de ministérios, profeticamente falando, podem ser avistados. Das montanhas de Beter se vêem os lares divididos, as amizades desfeitas, o vínculo entre o coração do doutrinador e a essência das Escrituras sendo dividido pelo conceito humano, leviano, religioso ou mundano. Quando o profeta se separa da humildade e c do coração amoroso e abraça sua autodivinização. Quando a o homem se insurge contra sua própria natureza e batalha contra sua própria sexualidade. Sua mente não concorda com seu corpo e ele age contra seu próprio corpo. De lá se avistam os políticos que abandonaram seus ideais, e divididos pela ganância correrão atrás de financiadores. Eles que amavam a pátria agora partem para apoiar o
  • 321.
    capital estrangeiro, ointeresse mesquinho, ainda que o resultado seja a morte da amada pátria. E de lá que se vê o profeta alucinado, o mestre que ergueu altares às doutrinas que ele mesmo compilou. E antes que haja tal separação a Sunamita grita: Vem correr comigo, Espírito, pelas colinas, pelos montes, aproxima -te. Eu sei que este lugar se chama separação. Mas é sobre ele que quero viver agora um grande encontro. E dar início a uma vida nova. Junto a ti. 321 Capítulo 3 A separação e o Casamento 1. {The Shulamite} 2. על־משׁכבי בלילות בקשׁתי את שׁאהבה נפשׁי בקשׁתיו ולא מצאתיו׃ 3:1 3. Al-mishkavi baleilot bikashti et sheahavah nafshi bikashtiv velo metzativ: 4. By night on my bed I sought him whom my nefesh loveth: I sought him, but I found him not. Esse é o momento do pesadelo de Sunamita. Ela adormeceu e quando abriu seus olhos na madrugada seu Amado já não estava lá. A declaração é profunda, ela evoca uma palavra nova, a palavra alma. Alma é em hebraico Nefesh. É sinônimo de vida, da essência humana, traduzida no Novo Testamento por Psique de onde deriva psicológico, a psicologia é a ciência que cuida da alma humana, da mente do ser humano. Ela o ama com sua imaginação, até onde pode entender, ou compreender, ela o ama. Ele é o objeto de seus pensamentos. Por ele ela “perdeu a cabeça”, ele é o que impacta seu raciocínio. Só que a razão de sua vida não está mais ao seu lado. Lembra a dor dos discípulos após a morte de Cristo, lembra a angustia do povo judeu após a destruição do templo de Jerusalém, lembra a moça que chora no meio da noite porque desmanchou o namoro e tenta se consolar no
  • 322.
    travesseiro. Jesus falade uma cena em que estarão dois deitados numa cama em certa noite e que um dos membros do casal será deixado e o outro tomado. A cena que se apresenta representa também este instante profético, a cena da pessoa que vê a outra desaparecer e a busca freneticamente sem saber o que aconteceu. A canção mudou, a cena mudou de uma momento de alegria, uma esperança de permanecerem juntos, para uma súbita separação. BETER aconteceu nessa noite para Sunamita! Ao menos em seus sonhos. Salomão não podia estar neste momento o tempo integral com ela. E afinal a canção é um drama. Ela desperta e vai à luta. Não, de jeito algum. Ela o buscou no lugar errado, em sua cama. Não o encontrou. A fé exige atitudes, trabalho. Nós ansiamos descansar. Mas a Igreja é sacerdotal, ela é sacerdócio, significa que trabalha as vezes em turnos. Descansar, dormir, neste contexto de Cantares, significava não aproveitar o momento único que viviam. A igreja necessita permanecer intercedendo, orando, buscando, crendo, perseverando. Ela não se deixa abater pelo cansaço. Mas a moça não parou por ali. 1. אקומה נא ואסובבה בעיר בשׁוקים וברחבות אבקשׁה את שׁאהבה נפשׁי בקשׁתיו ולא מצאתיו׃ 3:2 2. Akumah na vaasovvah vair bashvakim uvarkhovot avakshah et sheahavah nafshi bikashtiv velo metzativ: 3. I will rise now, and go about the city in the streets, and in the broad ways I will seek him whom my nefesh loveth: I sought him, but I found him not. Ela tomou uma atitude corajosa. No meio da madrugada, desprezando os bêbados, ela correu e rodou a cidade. Não satisfeita correu pelo meio das Praças. Mas ele não estava em nenhum desses lugares. 322 Referencias Urbanas Os poemas que compõem o gênero o wasf de Cantares caracterizam-se pelo uso freqüente de imagens do meio urbano para exaltar aspectos do corpo humano: a. “Como torre de Davi é teu pescoço, construída em camadas de pedras, um esquadrão é a defesa; pendurados sobre ela (estão) todos os escudos dos guerreiros” (Ct 4,4). b. “As suas mãos são cilindros de ouro, incrustados de ‘ pedras de Tarsis’. O seu abdome é lamina de marfim, que foi coberta de safiras. As suas coxas são pilares fundados sobre bases de ouro puro” (Ct 5,14-15a). c. “Bela és tu minha amada como Tirza, graciosa como Jerusalém, pavorosa como quem carrega estandartes” (Ct 6,4). d. “As curvas dos teus quadris são como enfeites obra de mãos de artesão” (Ct 7,2b). e. “Teu pescoço é como torre de marfim, teus olhos são como as piscinas de Hesbon, sobre o portão da ‘filha de multidões’ (Bat-rabim).
  • 323.
    Teu nariz écomo torre do Líbano, vigiando diante de Damasco. Tua cabeça sobre ti é como o Carmelo, e o cabelo da tua cabeça como púrpura, rei preso com tiras de couro” (Ct 7,5-6) 323 A cidade como lugar de sofrimento Paradoxalmente, Jerusalém em Cantares não é celebrada, não é chamada de “graciosa” nem é exaltada sua pompa e luxo. As referências a Salomão que é, depois de Davi, o rei mais tradicionalmente ligado a Jerusalém, nas duas das três vezes que acontecem, são negativas vinculadas a denúncias (cf. Ct 8,11-12). O imaginário deste verso, a cidade, suas habitações, ruas, praças, guardas, muralhas e até sua simbologia como centro de poder (Salomão), compõe um quadro de frustração e sofrimento. Descrições semelhantes à feita pelas filhas de Jerusalém aparecem em outros textos jerusalemitas do Antigo Testamento. Em Jr 5,1 onde possivelmente se descreve uma Jerusalém pré-exílica com ruas e praças, se lê? Dai voltas às ruas (“behutzôt”) de Jerusalém, e vede agora, e informaivos, e buscai pelas tuas praças (“rehaboteka”), para ver se achais alguém ou se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei. Em Zacarias 8,4 se descreve a Jerusalém pós-exílica: “Ainda nas praças de Jerusalém (berehabôt iyerúshálám) habitarão velhos e velhas, levando cada um na mão o seu bordão, por causa da sua muita idade”. Mas, diferentemente do que nos textos citados acima, a cidade não é o lugar da utopia para as filhas de Jerusalém. A cidade não aparece como metáfora para a amada como acontece nos poemas de Lamentações (2,12-13a): Para suas mães (‘imotám) eles diziam, onde estão o trigo e o vinho? Estando eles a enfraquecer, como feridos mortalmente, nas praças (rehobôt) A cidade (` iyr) a derramar sua vida (nafeshám) sobre o peito das suas mães (‘imotám). Qual seria o testemunho? Com que te compararia, ó filha de Jerusalém (habat yerûshálam)?. A cidade é a mãe do ESTADO MODERNO. Todos os grandes problemas urbanos hoje são vinculados às grandes cidades. Os índices de violência, as quadrilhas, o tráfico de drogas, os grandes currais eleitorais, os grandes gastos públicos, a tremenda quantidade de poluição gerada, a despersonalização, a desivindualização. A prostituição, as questões ambientais, socais, de saúde, de ensino. Jerusalém já era uma grandiosa metrópole na época de Salomão. Um centro administrativo e politico. Não é citada o nome da cidade onde ocorrem os eventos descritos até este capítulo de Cantares. Pode ser uma outra próxima ao Líbano, poderia ser inclusive uma cidade costeira. Cesárea, ou Cafarnaum. Mas é uma grande cidade cercada de muros e com praças. O leitor em seu coração viaja até a cidade de Jerusalém, pois a todo instante são citadas “as filhas de Jerusalém”. Na dimensão espiritual a representação de que não está nas bases da economia, da antropologia, das ciências sociais, não está no escopo da tecnologia ou na indústria do entretenimento o lugar do Amado. As coisas do Espírito não estão na construção do mundo. Porque o mundo rejeitou a Deus. A indústria, o progresso, a economia mundial, os modelos políticos que hoje norteiam a vida das nações, nelas não se encontrará ao Amado. Por toda parte o espírito que endossa nossa era é o da especulação, não o da sinceridade.
  • 324.
    São praças aondeo que se vê é a injustiça social. Não há praça de uma cidade do mundo que não tenha testemunhado um assassinato. Poucas ruas não testemunharam tragédias. E certamente nenhuma construção humana deixou de testemunhar alguma mentira. No livro A Cidade Antiga o prof. Fustel de Coulanges (1830-1889) fez um tratado do desnvolvimento das instituições que dão base à sociedade moderna. 324 Trecho de A cidade Antiga Essas crenças logo deram lugar a regras de conduta. Desde que o morto tinha necessidade de alimento e de bebida, pensou-se que era dever dos vivos satisfazer às suas necessidades. O cuidado de levar alimentos aos mortos não foi abandonado ao capricho, ou aos sentimentos mutáveis dos homens; era obrigatório. Estabeleceu-se desse modo uma verdadeira religião da morte, cujos dogmas logo se reduziram a nada, mas cujos ritos duraram até o triunfo do Cristianismo. Os mortos eram considerados criaturas sagradas. Os antigos davam-lhes os epítetos mais respeitosos que podiam encontrar; chamavam-nos de bons, de santos, de bem-aventurados. Tinham por eles toda a veneração que o homem pode ter para com a divindade, que ama e teme. Segundo seu modo de pensar, cada morto era um deus. Essa espécie de apoteose não era privilégio dos grandes homens; não se faziam distinções entre os mortos. Cícero afirma: “Nossos ancestrais quiseram que os homens que deixaram de viver fossem contados entre os deuses.” — Não era necessário ter sido um homem virtuoso; o mau tornava-se deus tanto quanto o homem de bem; apenas continuava, nessa segunda existência, com todas as más inclinações que tivera na primeira. Os gregos de boa mente davam aos mortos o nome de deuses subterrâneos. Em Ésquilo um filho invoca deste modo o pai morto: “Ó tu, que és um deus sob a terra.” — Eurípides diz, falando de Alceste: “Junto a seu túmulo o viandante há de parar, e dizer: Esta é agora uma divindade feliz.” — Os romanos davam aos mortos o nome de deuses manes: “Prestai aos deuses manes as honras que lhes são devidas — diz Cícero — pois são homens que deixaram de viver; reverenciai-os como criaturas divinas.” Os túmulos eram os templos dessas divindades. Assim exibiam eles, em latim e em grego, a inscrição sacramental: Dis Manibus, theõis ethoníois. — Era lá que o deus permanecia sepultado: Manesque sepulti — diz Virgílio. Diante do túmulo havia um altar para os sacrifícios, como diante do túmulo dos deuses. Encontramos o culto dos mortos entre os helenos, entre os latinos, entre os sabinos e entre os etruscos; encontramo-lo também entre os árias da Índia, como mencionam os hinos do Rig-Veda. Os livros das Leis de Manu falam desse culto como do mais antigo entre os homens. Vê-se por esse livro que a ideia da metempsicose desconheceu essa velha crença; mesmo antes disso já existia a religião de Brama, e, contudo, tanto sob o culto de Brama como sob a doutrina da metempsicose a religião das almas dos ancestrais subsiste ainda, viva e indestrutível, e força o redator das Leis de Manu a levá-la em conta, e a admitir ainda suas prescrições no livro sagrado. Não é esta a menor singularidade desse livro estranho: conservar regras relativas a crenças antigas quando foi redigido, evidentemente, em época na qual outras crenças opostas prevaleciam. Isso prova que, se é necessário muito tempo para que as crenças humanas se transformem, é necessário mais tempo ainda para que as práticas exteriores e as leis se modifiquem. Hoje mesmo, depois de tantos séculos e revoluções, os hindus continuam a oferecer dádivas aos antepassados. Essas idéias e ritos são o que há de mais antigo na raça indo-européia, assim como o que há de mais persistente.
  • 325.
    Esse culto eraidêntico tanto na Índia quanto na Grécia e na Itália. O hindu devia oferecer aos manes a refeição chamada sraddha: “Que o chefe da casa faça o sraddha com arroz, leite, raízes, frutos, a fim de atrair sobre si a proteção dos manes”. — O hindu acreditava que no momento em que oferecia esse banquete fúnebre, os manes dos antepassados vinham sentar-se a seu lado, e recebiam os alimentos que lhes eram oferecidos. Acreditava também que esse banquete proporcionava grande alegria aos mortos: “Quando o sraddha é oferecido de acordo com o ritual, os antepassados daquele que oferece o banquete experimentam uma satisfação inalterável.” Assim os árias do Oriente, em sua origem, pensaram como os do Ocidente com relação ao mistério do destino depois da morte. Antes de acreditar na metempsicose, que supunha absoluta distinção entre a alma e o corpo, acreditaram na existência vaga e indecisa da criatura humana, invisível, mas não imaterial, e exigindo dos mortais comida e bebida. O hindu, como o grego, olhava para os mortos como seres divinos, que gozavam de existência bem-aventurada. Mas havia uma condição para sua felicidade: era necessário que as ofertas fossem levadas regularmente. Se deixavam de oferecer o sraddha por um morto, sua alma saía de sua morada de paz, e tornava-se errante, atormentando os vivos; de sorte que os manes só eram considerados deuses em razão das ofertas que lhes eram feitas pelo culto. Os gregos e romanos tinham exatamente as mesmas opiniões. Se deixassem de oferecer aos mortos o banquete fúnebre, logo estes saíam de seus túmulos, e, como sombras errantes, ouviam-nos gemer na noite silenciosa. Censuravam os vivos por sua impiedosa negligência; procuravam então castigá-los, mandavam-lhes doenças, ou castigavam-lhes as terras com a esterilidade. Enfim, não davam descanso aos vivos até o dia em que voltassem a oferecer-lhes o banquete fúnebre. O sacrifício, a oferta de alimentos e a libação levavam-nos de volta ao túmulo, e proporcionavam-lhes o repouso e atributos divinos. O homem assim estava em paz com eles. A casa do grego ou do romano obrigava um altar; sobre esse altar devia haver sempre um pouco de cinza e carvões acesos. Era obrigação sagrada, para o chefe de cada casa, manter aceso o fogo dia e noite. Infeliz da casa onde se apagasse! Cada noite cobriam-se de cinza os carvões, para impedir que se consumissem por completo; pela manhã, o primeiro cuidado era reavivar o fogo, e alimentá-lo com ramos. O fogo não cessava de brilhar diante do altar senão quando se extinguia toda uma família; a extinção do fogo e da família eram expressões sinônimas entre os antigos. Há três coisas que, desde as mais antigas eras, encontram-se fundadas e solidamente estabelecidas nas sociedades grega e itálica: a religião doméstica, a família, o direito de propriedade; três coisas que tiveram entre si, na origem, uma relação evidente, e que parecem terem sido inseparáveis. A ideia de propriedade privada fazia parte da própria religião. Cada família tinha seu lar e seus antepassados. Esses deuses não podiam ser adorados senão por ela, e não protegiam senão a ela; eram sua propriedade exclusiva Ora, entre esses deuses e o solo, os homens das épocas mais antigas divisavam uma relação misteriosa. Tomemos, em primeiro lugar, o lar; esse altar é o símbolo da vida sedentária, como o nome bem o indica. Deve ser colocado sobre a terra, e, uma vez construído, não o devem mudar mais de lugar. O deus da família deseja possuir morada fixa; materialmente, é difícil transportar a terra sobre a qual ele brilha; religiosamente, isso é mais difícil ainda, e não é permitido ao homem senão quando é premido pela dura necessidade, expulso por um inimigo, ou se a terra não o puder sustentar por ser estéril. Quando se constrói o lar, é com o pensamento e a esperança de que continue sempre no mesmo lugar. O deus ali se instala, não por um dia, nem pelo espaço de uma vida humana, mas por todo o tempo em 325
  • 326.
    que dure essafamília, e enquanto restar alguém que alimente a chama do sacrifício. Assim o lar toma posse da terra; essa parte da terra torna-se sua, é sua propriedade. A casa situava-se sempre no recinto sagrado. Entre os gregos, dividia-se em duas partes o quadrado formado pela cerca: a primeira parte era o pátio; a casa ocupava a segunda parte. O altar, colocado mais ou menos no centro da área total, encontrava-se assim no fundo do pátio, e perto da entrada da casa. Em Roma a disposição era diferente, mas o princípio era o mesmo. O altar ficava colocado no meio do recinto, mas as paredes elevavam-se ao seu redor pelos quatro lados, de maneira a fechá-lo no meio de um pequeno pátio. Vê-se claramente o pensamento que inspirou esse sistema de Construção: as paredes levantam-se ao redor do altar, para isolá-lo e protegê-lo; e podemos afirmar, como diziam os gregos, que a religião ensinou a construir casas. Como o caráter de propriedade privada está manifesto em tudo isso! Os mortos são deuses que pertencem apenas a uma família, e que apenas ela tem o direito de invocar. Esses mortos tomaram posse do solo, vivem sob esse pequeno outeiro, e ninguém, que não pertença à família, pode pensar em unir-se a eles. Ninguém, aliás, tem o direito de privá-los da terra que ocupam; um túmulo, entre os antigos, jamais pode ser mudado ou destruído; as leis mais severas o proíbem. Eis, portanto, uma parte da terra que, em nome da religião, torna -se objeto de propriedade perpétua para cada família. A família apropriou-se da terra enterrando nela os mortos, e ali se fixa para sempre. O membro mais novo dessa família pode dizer legitimamente: Esta terra é minha. — E ela lhe pertence de tal modo, que lhe é inseparável, não tendo nem mesmo o direito de desfazer-se dela. O solo onde repousam seus mortos é inalienável e imprescritível. A lei romana exige que, se uma família vende o campo onde está o túmulo, continua no entanto proprietária desse túmulo, e conserva eternamente o direito de atravessar o campo para nele cumprir as cerimônias do culto Era antigo costume enterrar os mortos, não em cemitérios, ou à beira das estradas, mas no campo de cada família. Esse costume dos tempos antigos é confirmado por uma lei de Sólon, e por diversas passagens de Plutarco. Lemos em um discurso de Demóstenes que, ainda em seu tempo, cada família enterrava seus mortos no próprio campo, e que quando se comprava uma propriedade na Ática, nela encontravam a sepultura dos antigos proprietários . Quanto à Itália, esse mesmo costume nos é atestado por uma lei das Doze Tábuas, pelos textos de dois jurisconsultos, e por esta frase de Siculo Flaco: “Antigamente havia duas maneiras de colocar os túmulos: uns punhamnos no limite dos campos, outros no meio.” É bastante evidente que a propriedade privada era uma instituição da qual a religião doméstica não se podia eximir. Essa religião prescrevia que se isolasse o domicílio e a sepultura: a vida em comum, portanto, tornava-se impossível. A mesma religião ordenava que o altar fosse fixado ao solo, e que a sepultura não fosse nem mudada, nem destruída. Suprimi a propriedade, e o altar ficará errante, as famílias confundir-se-ão, os mortos ficarão abandonados e sem culto. Por causa do altar irremovível e da sepultura permanente, a família tomou posse do solo; a terra, de certo modo, foi imbuída e penetrada pela religião do lar e dos antepassados Abarquemos com o olhar o caminho percorrido pelos homens. Na origem, a família vive isolada, e o homem não conhece senão deuses domésticos, theòi patrõi, dii gentiles. Acima da família forma-se a fratria, com seu deus, theòs phrátrios, Juno curialis. Em seguida vem a tribo, e o deus da tribo theòs phylios. Chega-se, enfim, à cidade, e imagina-se um deus que abraça toda a cidade, theòs polièus, penates publici. Hierarquia de crenças, hierarquia de associações. A idéia religiosa foi, entre os antigos, o sopro inspirador e organizador da sociedade. As tradições dos hindus, dos gregos, dos etruscos, contavam que os deuses haviam revelado aos homens as leis sociais. Sob essa forma legendária há uma verdade. As leis sociais foram obra dos deuses; mas esses deuses, tão poderosos e tão benfajezos, não eram nada mais que as crenças dos homens. 326
  • 327.
    Não devemos imaginaras cidades antigas de acordo com as que costumamos ver nos dias de hoje. Constroem-se algumas casas, e temos uma aldeia. Insensivelmente o número de casas aumenta, e temos a cidade; e, se for o caso, acabamos por rodeá -la por um fosso e uma muralha. Uma cidade, entre os antigos, não se formava com o tempo, pelo lento crescimento do número dos homens e das construções. Fundava-se uma cidade de um só golpe, inteiramente, em um dia. Mas era necessário que a cidade fosse constituída antes, o que era a obra mais difícil, e ordinariamente a mais longa. Uma vez que as famílias, as fratrias e as tribos concordavam em se unir, e em adotar o mesmo culto, logo se fundava a cidade, para ser o santuário desse culto comum. Também a fundação de uma cidade sempre constituiu ato religioso. O primeiro cuidado do fundador é escolher o local da nova cidade. Mas essa escolha, coisa grave, e da qual se crê depender o destino do povo, sempre foi deixada à decisão dos deuses. Se Rômulo fosse grego, teria consultado o oráculo de Delfos; se fosse samnita, teria seguido o animal sagrado, o lobo ou o picanço. Latino, muito vizinho dos etruscos, iniciado na ciência augural, pede aos deuses que lhe revelem sua vontade pelo vôo dos pássaros. Os deuses apontam-lhe o Palatino. Depois que essa cerimônia preliminar preparou o povo para o grande ato da fundação, Rômulo cava um pequeno fosso de forma circular, onde lança um torrão, por ele trazido da cidade de Alba. Depois, cada um de seus companheiros, um por um, lança no mesmo lugar um pouco de terra, trazida de seu país de origem. Esse rito é notável, e revela nesses homens um pensamento que é preciso assinalar. Antes de chegar ao Palatino, eles moravam em Alba, ou em alguma outra cidade vizinha. Lá estava seu lar, lá seus pais haviam vivido, e estavam sepultados. Ora, a religião proibia abandonar a terra onde o lar estava fixado e onde repousavam os antepassados divinos. Era preciso, pois, para se livrarem de toda impiedade, que cada um daqueles homens usasse de uma ficção, e que levasse consigo, sob o símbolo de um torrão de terra, o solo sagrado em que seus antepassados estavam sepultados, e ao qual estavam ligados os manes. O homem não podia mudar se sem levar consigo a terra e seus ancestrais. Era necessário que observasse esse rito para que pudesse dizer, mostrando o novo lugar que adotara: Esta é ainda a terra de meus pais: Terra patruum, patria, aqui é minha pátria, porque aqui estão os manes de minha família. O fosso onde cada um lançara um pouco de terra chamava-se mundus; ora, essa palavra designava, especialmente na antiga língua religiosa, a região dos manes. Desse mesmo lugar, segundo a tradição, os manes dos mortos escapavam três vezes por ano, desejosos de rever a luz por um momento. Não vemos ainda, nessa tradição, o verdadeiro pensamento dos homens antigos? Lançando ao fosso um torrão de terra da antiga pátria, acreditavam encerrar nela também as almas dos antepassados. Essas almas, ali reunidas, deviam receber culto perpétuo, e velar sobre seus descendentes. Rômulo, nesse mesmo lugar, levantou um altar, e acendeu o fogo. Este foi o fogo sagrado da nova cidade. Não estão distantes as tradições referentes das cidades de Israel. As que foram tomadas tinham casas construídas segundo tais preceitos. O direito à propriedade da antiguidade nasce do culto aos morros. A limitação das propriedades era feita por pedras consagradas denominadas termos. Os parentes eram enterrados na propriedade em que moravam e era necessário que tivesse acesso livre até o túmulo para oferecerem libações aos mortos, e isso não poderia ser interrompido pelas gerações futuras, tornando-se uma obrigação sucessória, e ao mesmo tempo dando origem ao conceito de herança e do direito á herança, direito sucessório, já que seria de responsabilidade do filho mais velho a obrigação de alimentar aos mortos. 327
  • 328.
    328 É nestemundo mágico, de crenças que exaltavam a morte e que dela faziam sua religião que as cidades e a civilização foi inspirada. Não é nessa cidade onde pessoas fazem culto aos espíritos familiares que Sunamita encontrará seu Amado. Não numa cidade onde exercem um sacerdócio baseado em tradições religiosas que as prendem a ritos de culto funerário, contendo um “fogo sagrado” cujo o símbolo é belíssimo mas que não é dedicado a Vida, Vivemos num mundo religioso cheio de tradições, rituais, ritos, mistificações e mágica. Com belíssimas representações da realidade espiritual, corrompidas pelo erro, poluídas pela imaginação, enganando os homens e os conduzindo na direção do cemitério. Literalmente falando. O conceito de Estado parece ter origem nas antigas cidades-estados que se desenvolveram na antiguidade, em várias regiões do mundo, como a Suméria, a América Central e no Extremo Oriente. Em muitos casos, estas cidades-estados foram a certa altura da história colocadas sob a tutela do governo de um reino ou império, seja por interesses económicos mútuos, seja por dominação pela força. O estado como unidade política básica no mundo tem, em parte, vindo a evoluir no sentido de um supranacionalismo, na forma de organizações regionais, como é o caso da União Europeia A quem pertence, legitimamente a terra? O que legitima o direito de propriedade humana ao solo em que vive e habita? O mundo e a terra pertencem ao Senhor. Criada, Arrendada, Roubada e Retomada. Criada em Genesis Arrendada ao Homem no Jardim Roubada por Satanás na Queda Retomada na Ressurreição. Mas para todos os efeitos, SEMPRE pertenceu a um único possuidor. Deus. E só este poderia entregá-la, delegá-la, reparti-la ao ser humano. O modo como Deus estabeleceu essa partilha, é a Profecia. A Profecia é uma instituição anterior à existência da LEI, qualquer que seja o código humano. E anterior às religiões e ao culto aos mortos. O único pedaço de terra do mundo em que vivemos, delegado por Deus a alguém, que possui uma PROFECIA DECLANDO POSSE até a presente data, 2014, é a terra de Israel. Fora um ou outro local que habitem anjos, ou separados por Deus para o
  • 329.
    exercício da cidadaniacelestial, alguns acampamentos, alguns terrenos que foram doados por Profecia para alguma finalidade em alguma geração. Mas, genericamente falando, nós, egípcios, gregos, romanos, brasileiros, argentinos, ingleses e franceses ou porto-riquenhos somos no máximo “posseiros”. Os papéis que legitimam nosso direito a propriedade não tem valor algum, diante da Eternidade. Não foi dado a nenhum Estado o Direito Absoluto sobre a Propriedade. Inclusive o mundo de amanhã sofrerá uma redistribuição de terras. Embora o Direito Romano nos tenha influenciado. A profecia já definiu a quem pertence à terra, terra como sinônimo de mundo, muito tempo atrás: “Os justos herdarão a terra”. Mas, antes de chegar esse “amanhã”, as Escrituras determinaram um pedaço de terra para os israelitas. A Sunamita não pode encontrar o Amado na cidade porque a cidade e suas praças lembram essa origem religiosa, possuem uma identidade que a identificam a busca dos mortos, com a necromancia, com a adoração aos mortos. Ela evoca a morte. Ela é lugar de violência, ela é uma referência a práticas de injustiça. Por isso é que também um dia descerá dos céus uma cidade CELESTIAL. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. 329 Apocalipse 21:2-4 Uma cidade que não possui CEMITÉRIOS. Os fundamentos desta cidade não é a morte. Ela não tem pranto e nem choro, porque não viu e nem jamais verá procissões de sepultamento. Porque ela é baseada em VIDA. As casas da antiguidade eram imaginadas para serem possessão perpétua de uma família. Pois esta cidade será. A referência a “não haverá mais morte” associado a uma cidade divina fica bem mais profunda lendo um pouco sobre a origem das cidades da antiguidade. As casas da antiguidade possuíam um altar. Eram inspiradas em templos. Tinham até o fogo sagrado acesso em suas salas. Mas sublimavam, exaltavam a morte, substituíam o Espírito da Vida, pelos espírito dos mortos. Porém, é numa dessas nossas cidades cobertas de violência que a Sunamita está correndo, aflita e chorando. 1. מצאוני השׁמרים הסבבים בעיר את שׁאהבה נפשׁי ראיתם׃ 3:3 2. Metsauni hashomrim hasovvim bair et sheahavah nafshi reitem: 3. The shomrim (watchmen) that go about the city found me: [to whom I said], Saw ye him whom my nefesh loveth?
  • 330.
    A palavra guardaem hebraico é Shamar, significa Sentinela, Vigia, Observador, Protetor. Os guardas a encontram, e não a tratam mal. São dois grupos distintos. Este ao ver a moça chorando se preocupam e vão socorrê-la. O segundo, um grupo de guardas bêbados a colocará numa situação embaraçosa. Eles são profissionais corretos exercendo dignamente sua função de patrulhamento da cidade e logo percebem que não se trata de um caso policial. Eles, infelizmente, não têm meios de ajudá-la, não são versados em problemas do coração. Tão pouco eles fazem ideia de quem ela realmente está procurando. Simplesmente ela procura ao chefão, the Big Boss, ao rei, devidamente disfarçado. Os guardas neste momento representam um papel digno. Limitados ao seu ofício, as obrigações e a escala de serviço, não serão de muito auxilio. Se ao menos entre eles houvesse um detetive ao nível de um Sherlock Holmes...Mas a moça está com pressa. A pergunta que ela faz é bem interessante. Ela não o DESCREVE. Ela não diz como ele está vestido, sua altura, ela dá um retrato falado que lembra o quadro “Depoimento” de Porta -dos-Fundos, canal de comédia brasileiro no Youtube. 330 https://www.youtube.com/watch?v=T3UiOCry06w Na dimensão espiritual os guardas da cidade designam aqueles que protegem a integridade intelectual da sociedade. Os que a cercam e a vigiam. O saber acadêmico, a filosofia, as artes, a tecnologia e as ciências. A política, o sentimento religioso, o direito, a cultura. A cidade é uma representação do Estado, representa o mundo humano e suas complicadas relações. O que guarda sua integridade? O que faz com que a civilização permaneça digna do nome civilização? Os civilizadores. Os filósofos, os poetas, seus músicos. Seus intelectuais, seus políticos, seus historiadores, seus químicos e físicos, engenheiros e
  • 331.
    estadistas, teólogos esacerdotes. Seus legisladores. Um dos pilares da sociedade humana é o direito, as leis, as normas de conduta, a jurisprudência, as regras que estabelecem as relações. Essas regras agem como guardas. A constituição é um guarda dos direitos e da integridade dos indivíduos de uma nação. As regras econômicas, protegem-nos dos processos comerciais ilícitos, impedem até certo ponto as práticas desleais da concorrência. Nem todos os guardas são fiéis, of course. Platão, Aristóteles, Wittgenstein, Quine, Émile Durkheim, Tzvetan Todorov, Jakob Bernoulli, Pierre Simon Laplace ou Srinivasa Ramanujan, poderiam responder-nos coisas espetaculares. Mas não compreenderiam os mistérios do Reino, se o Espírito de Deus para eles não o revelasse. Os guardas não são o suficiente, todo o conhecimento humano não é suficiente para saciar a alma da Sunamita Celestial. Ela só é plena nEle, ao ouvir sua Voz, ao conhecer seus segredos, seus mistérios, só fica encantada com a sua Sabedoria. É importante frisar este aspecto. Nenhum outro ser humano na terra recebeu de Deus uma profecia que dissesse a ele que depois dele ninguém seria tão sábio. Os especialistas em muitas áreas descobriram coisas maravilhosas, certamente DESCONHECIDAS por Salomão. Mas certamente ele recebeu de modo sobrenatural a capacidade de apreendê-las, de compreendê-las e ir além de todos estes, mestres em suas respectivas cadeiras, se ele lhes fosse contemporâneo. Nenhum deles havia nascido ainda na época de Salomão. E mesmo após eles, ninguém recebeu alguma declaração que mudasse o julgamento divino sobre a sabedoria de Salomão. Continua valendo hoje, em meio a uma sociedade tecnológica, que diante do Espírito de Deus não se levantou na terra homem tão sábio quanto Ele. (Jesus não conta na premissa anterior, que senão é covardia). A moça está atrás do homem mais inteligente da terra. Se ele se esconder os guardas não saberão como achá-lo. A Igreja também. Cristo é a Sabedoria divina em forma humana. Nele estão escondidos os segredos e mistérios da Sabedoria. Os guardas do Éden eram querubins. Os guardas da Cidade Celestial, da Nova Jerusalém, são anjos. Mas, nem eles sabem as respostas que habitam somente o coração de Cristo. Na verdade os anjos são mensageiros justamente porque somente Nele estão os mistérios da Criação, da Eternidade, da Salvação. 1. כמעט שׁעברתי מהם עד שׁמצאתי את שׁאהבה נפשׁי אחזתיו ולא ארפנו עד־שׁהביאתיו אל־בית 3:4 אמי ואל־חדר הורתי׃ 2. Kimat sheavarti mehem ad shematzati et sheahavah nafshi akhaztiv velo arpenu ad-shehaveitiv el-beit imi veel-kheder horati: 3. [It was] but a little that I passed from them, but I found him whom my soul loveth: I held him, and would not let him go, until I had brought him into my mother's house, and into the chamber of her that conceived me. 331
  • 332.
    Não foi necessárioir muito longe. A moça enamorada encontrou ao amado e o agarrou disposta a nunca mais deixá-lo. Sunamita possui irmãos e mãe, embora não seja referido no poema seu pai, fazendo os leitores enxergá-la como uma órfã, como a princesa que um dia nasceria no reino da Persa, como Ester. A primeira providencia da moça é conduzi -lo até a morada de sua mãe. A antiga casa de seus pais. O lugar onde seus pais a geraram. Onde sua existência teve início. Ousadamente ela o conduz até o lugar onde ela começou, por assim dizer, na história anterior a sua própria história, a história de amor de seus pais, do qual somente uma testemunha restava, que era sua mãe. A moça orgulhosamente apresenta o “desconhecido” a sua mãe. Seu pretendente. A mãe o saúda, lhe enche de mimos, põe ele para comer até quase arrebentar, conta histórias. E o rei fica ali naquela casa humilde se divertindo com a mãe de Sunamita. A Igreja não necessita desprezar a sabedoria humana para contemplar os mistérios divinos ou receber revelações do Espirito. Só necessita “afastar-se um pouco”. Ela não pode permanecer sob sua “proteção”, sob sua “vigilância”. Não é a sabedoria humana que tem analisa ou interpreta as coisas das Escrituras. Só o Espírito de Deus é o interprete autorizado. Os limites da inteligência são as profundezas das Escrituras, seus mistérios e as coisas sequer sonhadas ou imaginadas. O mundo de Deus é vasto e maravilhoso, suas dimensões, seus planos, suas realidades transcendentes. Jesus ao falar das realidades espirituais proclama para um versado doutor da Lei: “necessário te é nascer de novo” Porque quem é nascido e criado a luz somente do que a sociedade sabe, não está capacitado para compreender as coisas espirituais. Ou indo mais longe: O espírito humano necessita sofrer uma transformação profunda em sua natureza, uma mudança tão radical, tão incomparável, para compreender a profecia, os dons espirituais, o batismo com espirito santo, a Eternidade, os mistérios da Salvação, a Nova Criação, os mistérios da Autoridade e da Fé, que sem RECOMEÇAR lhe é impossível. Sunamita conduz Salomão até o local mais primordial, mais primevo, mais inicial de sua carreira como ser humano. É um símbolo. É óbvio, uma INDIRETA, uma insinuação, eu quero ter filhos, casar-me como meus pais e você é a pessoa com a qual eu quero ter uma história de vida. E na dimensão espiritual esse símbolo se reveste de muitos outros. II CO 5:14 “Aquele que está em Cristo Nova Criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fêz novo” 332 3:5 {Refrão} השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם בצבאות או באילות השׂדה אם־תעירו ואם־תעוררו את־האהבה עד . 1 שׁתחפץ׃ 2. Hishbati etkhem benot Yerushalayim bitzvaot o beailot hasadeh im-tairu veim-teorru et-haahavah ad shetekhpatz: 3. I charge you, O ye Daughters of Yerushalayim, by the roes, and by the hinds of the field, that ye stir not up, nor awake [my] love, till he please.
  • 333.
    Por quatro vezesessa expressão será concedida, como explicado na parte “A Magia de Cantares”. A cada vez que aparecer no texto nós acrescentamos algumas cores ao texto. Outra vez sua mente se volta às ricas jovens de Jerusalém. Ela está num lugar humilde. Sua casa é uma casa de uma família que vive da agricultura, dona de uma única Vinha da qual retira todo o sustento. Ela pensa em na nobreza e riqueza das adversárias e como seria fácil para elas impressionar ao seu pretendente. Não sabe ela que ele é o dono, poeticamente falando, de toda a terra. Ele não está ali por causa da casa. Ele esta ali por causa dela. 1. {The Shulamite} 2. מי זאת עלה מן־המדבר כתימרות עשׁן מקטרת מור ולבונה מכל אבקת רוכל׃ 3:6 3. Mi zot olah min-hamidbar ketimarot ashan mekuteret mor ulevona mikol avkat rokhel: 4. Who [is] this that cometh out of the wilderness like pillars of smoke, perfumed with myrrh and Levonah (frankincense), with all powders of the merchant? Ainda ao sair da casa humilde de sua mãe. Ela se depara com um dos maiores espetáculos do mundo da antiguidade. Salomão era extremamente vaidoso. Ele não tinha na sua juventude um pingo de senso de sobriedade. Todas as suas obras eram embriagantes. Eram soberbas, grandiosas. Por causa da falta de comedimento nos gastos reais depois de sua morte o povo reclamará dos elevados gastos públicos criados pela gigantesca administração dos enormes, suntuosos e variados palácios reais, casas de descanso, navios, cava rias e monumentos espalhados em todo o reino. As dividas com governos estrangeiros, a manutenção do staff público, dos serviços administrativos, da cavalaria, do imenso exército. E por alguma razão ele a havia convocado a sua liteira real, sua carruagem humana, levada por dezenas de escravos, cercada de centenas de soldados uniformizados, seguida de centenas de carros de guerra, com serventes para molhar a região por onde passava, outros para purificar com queima de incenso os lugares por onde trafegaria, para que o rei não fosse incomodado com os cheiros proveniente da falta de asseio ou higiene das pequenas comunidades, ou com o cheiro dos excrementos dos bois, cavalos e animais, para que não se importunasse com o cheiro do adubo das fazendas. Anunciada sua chegada por arautos, precedida de danças e de música. Não um liteira comum, mas uma liteira que mais parecia ser uma embarcação terrestre. Quase um ônibus-liteira. Era tão comprida que sessenta pessoas podiam ficar ao seu redor, munidas de escudos e lanças. 333
  • 334.
    E ela estavaanunciando que em breve o rei estaria partindo. Para todos os efeitos, nela estava Salomão. Ela é transportada como se o rei ali estivesse. Porque Sunamita não pode desconfiar que o rei está justamente ao seu lado. A comitiva parece uma caravana de mercadores, faz alusão as tribos dos árabes. Sua grandiosidade evoca os desfiles do Faraó do Egito. Quem a carrega são escravos das nações subjugadas, de diversas nacionalidades, todos estrangeiros. A Liteira é uma obra de engenharia feita com madeira caríssima das montanhas do Líbano, país que fazia divisa com Israel. A liteira tem outra representação também. Ela ao longe lembra ao tabernáculo sendo transportado no deserto, precedido por colunas de fumaça gigantescas e seguido de colunas de fogo. Ela é perfumada de mirra, da mesma mirra que Sunamita carrega entre os seios para se perfumar. Ela tem o cheiro de Sunamita. A procissão real parece uma procissão sacerdotal. 1. הנה מטתו שׁלשׁלמה שׁשׁים גברים סביב לה מגברי ישׂראל׃ 3:7 2. Hineh mitato sheliShlomoh shishim giborim saviv lah migiborei Yisrael: 3. Behold his bed, which [is] Shlomoh's; threescore valiant men [are] about it, of the valiant of Yisrael. Então… quebrando o silencio da cena Salomão fala em terceira pessoa... Como se falasse de outro... Aponta o dedo e comenta de quem é a liteira... mas exagera um pouco... ele concede MUITAS INFORMAÇÕES sobre ela... detalhes que um pastor comum... não deveria ter conhecimento... Ele sabe, por exemplo que TODOS os soldados ao redor são CAPACITADOS e que possuem larga EXPERIENCIA (destros na guerra); reconhece o tipo de armamento que usam, onde eles o carregam ainda conhece bem o motivo, o porquê deles estarem tão fortemente armados... Salomão afirma que viajar a noite era muitíssimo perigoso (ele fala dos temores noturnos). Por dois grandes motivos. Ladrões de caravanas e por causa dos animais selvagens. Havia leões, chacais, lobos, ursos. A terra da antiguidade é repleta de animais selvagens próximas aos centros urbanos, próximos às comunidades e vilas. É o interior do Brasil de 1950. A guarda pessoal de Davi possuía 37 homens. Salomão possuía 23 a mais. Esta equipe selecionada eram os guardas do presidente. A carruagem é um veículo de luxo, caríssimo e basicamente reservado ao transporte de reis. A liteira era usada pelas jovens noivas, em festas. Esse hibrido de Salomão é um exagero de liteira. Era realmente uma liteira diferente, única. Trazida com pompa e também usada nos casamentos reais. O sonho de uma menina israelita seria estar sentada naquela liteira ao lado de Salomão desfilando diante da multidão. A palavra “liteira” só aparece aqui em toda a Escritura. A quantidade “60” é um número bem presente em diversas listas das Escrituras, individualmente ou somado à alguma quantidade. Uma em especifico nos interessa bastante. Cercado pelos guardas do templo, os discípulos iniciam um combate desigual, Pedro com uma espada arranca a orelha do filho de um dos sacerdotes. Jesus para a 334
  • 335.
    batalha, e mesmosabendo que seria preso, cura a orelha decepada do rapaz. Logo após afirma que se Ele reivindicasse o Pai enviaria legiões de anjos. 53 Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos? Cada legião da época de Cristo tinha no máximo 6000 soldados. O que nos remeteria a 72000 anjos. Que é um múltiplo de 60. 1200 x 60. Na dimensão espiritual há uma simbologia profunda neste texto. Salomão representa o Espírito de Deus, e onde ele se move, habita, transita é cercado por uma multidão de anjos. A primeira função designada para um ser celestial que vemos nas Escrituras é de SENTINELA, ou guarda. A primeira vez que lemos sobre anjos, os veremos na figura de Querubins, uma classe especial de anjos, próximos a uma espada flamejante e guardando o caminho para a árvore da vida. A cena é uma tragédia, a da expulsão do homem e da mulher do paraíso, mas o que nos salta os olhos é a disparidade de poder entre duas criaturas mortais e os seres imortais de poder desconhecido impedindo-o os de retornarem. O que não havia entendido é que tamanho poder tinha uma razão de ser. Não era por causa do ser humano que eles foram ali colocados. Estavam ali para impedir que os homens retornassem munidos de forças sobrenaturais e espirituais e tentassem pela força, numa associação maligna, homem mais inferno, tomar o que não lhes pertencia por direito. Durante o ministério de Cristo tremenda oposição maligna lhe será impetrado. É nos dito que o a maior demonstração de poder divino é uma confrontação de poderes, uma realização na qual Deus impõe força, em que há uma resistência à sua operação, o que não ocorreu na criação do universo, mas que aconteceu na ressurreição. Algo, alguém, poderes, forças, antagonizaram, lutaram, resistiram, intentaram impedir a ressurreição. Algo resistiu a voz divina de tal modo que o Espírito considera esse momento a maior manifestação da grandeza de seu poder. Um dos mistérios que envolvem a Igreja é a proteção, é a guarda, é a presença e participação de poderes espirituais que PELEJAM em seu favor. Há uma guerra, uma resistência feroz, animalesca, de ódio as coisas de deus que anseiam ver a destruição das coisas relacionadas ao Espírito de Deus. A liteira era um símbolo do reino de Israel, um símbolo da realeza e da riqueza de Salomão. Era um insulto a todos as nações conquistadas e uma máquina de propaganda, uma obra que engrandecia e tornava ao rei mais famoso ainda. O desejo dos inimigos de Israel era que aquela liteira ardesse em chamas. Salomão chama atenção para os salteadores. Do mesmo modo, o Espírito chama atenção para as realidades espirituais que estão presentes na escuridão. Os anjos não estão ao redor da Igreja por uma simples referencia. Estão organizados e preparados para fazer o que for necessário para que a liteira não seja danificada. 1. כלם אחזי חרב מלמדי מלחמה אישׁ חרבו על־ירכו מפחד בלילות׃ 3:8 2. Kulam akhuzei kherev melumdei milkhamah ish kharbo al-yerekho mipakhad baleilot: 3. They all hold swords, [being] expert in war: every man [hath] his sword upon his thigh because of fear in the night. 335
  • 336.
    A carruagem éfortemente armada. Protegida, guarnecida e projetada como um pequeno tanque de guerra. La é assim por causa da importância de quem ela conduz. A carruagem ou liteira não tocava o solo. Ela era erguida pelos braços de escravos que a pisavam no chão, nas poças, na lama e nas pedras, por isso com botas e sapatos apropriados. Havia um rito para erguer, para parar e para descer a carruagem. Uma estratégia que envolveria a comitiva e os soldados. Há um eco distante neste texto. Destros na guerra vai falar-nos de preparo físico e estratégico que os guerreiros necessitavam, algo que só poderia ser conseguido em campo de batalha. Na dimensão espiritual fala-nos da necessidade de experiências na guerra que agora se trava no mundo espiritual Experiências que só são conseguidas por meio da intercessão. Por meio da vivencia e amadurecimento ministerial. A espada nas Escrituras simboliza espiritualmente a ela mesma. A Palavra, do conhecido texto de Hebreus do Novo Testamento. A guerra espiritual não é uma parábola. Ou uma invenção psicológica. O ser humano guerreia para sobreviver desde o instante de seu nascimento. O processo de amadurecimento é uma guerra que ocorre na alma, a saúde é o resultado de muitas vitórias ganhas contra enfermidades. Pais lutam para sobreviver contra situações econômicas contrárias, há lutas para obter-se a formação acadêmica. Muitas vezes a sanidade psicológica é obtida por resistir a insultos, a coação, a tragédias familiares, a decepções sentimentais, a perda de pessoas que amamos. A guerra espiritual é um desdobramento das realidades que já nos acostumamos a viver, as guerras da alma. Ela é tão real quanto as demais, tão poderosa em relação ao ser humano quanto poderíamos acreditar. Por detrás de inúmeras guerras há claros envolvimentos como ocultismo, em muitos lugares homens tomados por forças espirituais agem realizando atos malignos, de origem humana e de origem maligna. Desprezar que há um mundo de poderes malignos é o suicídio que parte da humanidade cometeu ao rejeitar a espiritualidade em nome do cientificismo. Abolindo a alma, renegando a existência do espírito, negando a dimensão espiritual, e a quaisquer eventos sobrenaturais, juntamente o ser humano negou a si mesmo as únicas armas que lhe concederiam capacidade de vencer. 336 http://www.youtube.com/watch?v=APptOuDHUD8 O rei não havia feito para mais ninguém. Era de seu uso exclusivo e fez questão que a madeira fosse das montanhas libanesas. 1. עמודיו עשׂה כסף רפידתו זהב מרכבו ארגמן תוכו רצוף אהבה מבנות ירושׁלם׃ 3:10 2. Amudav asah khesef refidato zahav merkavo argaman tokho ratzuf ahavah mibanot Yerushalayim: 3. He made the pillars thereof [of] silver, the bottom thereof [of] gold, the covering of it [of] purple, the midst thereof being paved [with] love, for the Daughters of Yerushalayim.
  • 337.
    1. צאינה וראינהבנות ציון במלך שׁלמה בעטרה שׁעטרה־לו אמו ביום חתנתו וביום שׂמחת לבו׃ 3:11 2. Tzeeinah ureeinah benot Tziyon baMelekh Shelomoh baatarah sheitra-lo imo beyom khatunato uveyom simkhat libo: 3. Go forth, O ye Daughters of Tzyon, and Behold King Shelomoh with the crown wherewith his mother crowned him in the day of his espousals, and in the day of the gladness of his heart. A beleza da Liteira começa a ser-nos desvendada. Suas colunas são deitas de prata, ela possui um piso coberto de placas de ouro e e assentos ou tronos que tem uma forração especial revestida de púrpura. Vinho. Ela era uma obra de tingimento de tecidos caros, que foram tecidos e costurados pelas moças nobres da cidade de Jerusalém. Cada pedaço da liteira lembra o interior do templo de algum modo, evoca a imagem do tabernáculo e de um dos estofos da cortinada que separava o átrio do santo dos santos. A cobertura de ouro fica sustentada por colunas de prata, como as peças especiais da antiga tenda que fixavam os tecidos das paredes nos postes fincados no chão. O tabernáculo tinha uma cerca feita de tecido, amarrada a postes ou colunas através de ganchos de prata. O assento de Salomão era uma obra de finíssima tapeçaria, e a tintura utilizada era muito difícil de se conseguir. A púrpura designa os mais importantes e mais caros corantes da História, utilizados pelas elites até à queda de Constantinopla em meados do século XV. A púrpura era obtida a partir da secreção mucosa produzida pela glândula hipocondrial situada junto do tracto respiratório de moluscos do género Purpura, por exemplo purpura haemostoma, e do género Murex. Encontram-se enormes pilhas de cascas destes moluscos em alguns sítios históricos na costa grega já que se estima que eram necessários cerca de 10 000 destes elusivos moluscos para produzir 1 grama de corante, cujos diferentes tons dependem do tipo de molusco e extração utilizados. Não é por isso de espantar que o seu preço fosse muitas vezes mais elevado que o ouro e que apenas pessoas muito abastadas se pudessem dar ao luxo de usar roupa tingida com estes corantes, normalmente associados à realeza e ao clero. Durante o Império Romano, apenas o imperador Romano podia aparecer em público com um manto tingido de púrpura imperial, enquanto que aos senadores imperiais estaria reservado apenas o uso de uma barra púrpura na toga branca. já os textos bíblicos referem o púrpura, argaman, que deveria tingir as cortinas do tabernáculo e as vestes sacerdot ais, e o tekhelet, um corante azul obtido de uma criatura marinha que a Torah refere como chilazon. Aqui o reconhecimento do trabalho esmerado e do amor das meninas de Jerusalém. Elas amam o rei, apesar de seus exageros. Participaram efetivamente da construção de sua liteira, que simboliza o engrandecimento de seu Reino. A púrpura simboliza dentro e fora das Escrituras à realeza, ela era a cor das vestes dos governantes. Tão caro era um manto tingido inteiramente por essa cor que somente reis tinham o privilégio de usar tal vestimenta. É um trabalho preciosíssimo, por assim dizer, de valor tão alto para um camponês, que para ele é de imensurável valor. Enfim temos uma visão majestosa, das obras 337
  • 338.
    de Salomão. ALiteira simboliza a Obra do Espírito, seus ministérios, seus serviços, as Operações espirituais. Simboliza o Reino. A Sunamita representa a Igreja vendo desfilar diante dela, enfeitada por colunas de areia e pó que ascendem aos céus, perfumada com incenso e revestida de amor, ao Ministério do Espírito. Que possui o seu perfume. A Igreja não é o Ministério. A Igreja não é o Serviço. A Igreja não é sua Obra. O Reino é eterno, não tem inicio nem fim, mas sua existência só tem significado no amor que o Espírito possui pela Igreja. A glória de Deus é tremenda, sua magnificência chega a ser ultrajante. O universo é criado pela palavra de sua boca, estendendo-se pelo cosmos, em trilhões de quilômetros. Centenas ou milhares de galáxias declaram em alto e bom som a sua grandeza. Mas o que mais nos emociona em toda a existência é o amor com que as filhas de Jerusalém tecem um manto de púrpura. O universo toma outro sentido diante do amor. Diante da vida e da perspectiva da vida eterna, não baseada na servidão, na obrigação, antes no amor. Não nos perturba a grandeza de Deus, o homem nasce nela, vive nela e morre nela. Mas deslumbra-nos o seu tremendo amor. As colunas de prata chamam a atenção para um gesto de sacrifício. Elas lembram as 30 dracmas de prata atiradas no chão do santuário por um homem que se deu conta da vilania de seu ato, lembram os pratos que conduziam o sangue das vítimas até o interior do santo dos santos. Lembram o preço de um irmão vendido pelos seus irmãos a um grupo de comerciantes. A um grupo de mercadores, do mesmo tipo que eleva o pó aos céus ao passar com suas grandiosas caravanas cheias de objetos, mirra, tapeçaria e até escravos. As colunas da Obra, do Ministério, do Serviço, das Realizações, do Reino, são de PRATA. Apontam para o preço paga para Salvação, preço pago para Redenção, num ato de amor intencional. E espetacular. A púrpura exalta a REALEZA. Que nos evoca o PODER e a AUTORIDADE. Uma das características do Ministério é a cor púrpura. Demônios se ajoelham, gritam, são expelidos, poderes malignos são destruídos, pela manifestação dessa Autoridade e deste Poder. O Evangelho é revestido de Autoridade e as filhas de Jerusalém o revestiram. De Jerusalém sairão os apóstolos, lá a Igreja receberá a Autoridade e o Poder. 338 “Ficai em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de PODER” E nos evoca uma Jerusalém celestial de onde anjos, espíritos ministradores, foram enviados para derramarem o poder sobre a Igreja que nascia no último dia de uma festa movida a VINHO. A festa de Pentecostes ou festa das semanas é a festa da colheita e na época de Sunamita é profundamente associada a festa de Benjamim. Comparo os anjos às filhas de Jerusalém neste instante, quando refiro-me a Jerusalém celestial. A palavra “espírito” tanto em grego como em hebraico são do gênero feminino. Ainda guardamos a identidade feminina para a palavra “alma” na língua portuguesa. Embora o conceito de masculino ou feminino não se aplique aos anjos, fica uma sombra, lúdica, porque em relação a Igreja Terrena que é a Sunamita, os anjos são certamente as filhas de Jerusalém. Eles são nobres, separados, pertencem a cidade, moram nela, habitam nela, possuem casas e propriedades hereditárias. Nós ansiamos viver a riqueza celestial. Os anjos VIVEM nela. Nós ansiamos alcançar a Jerusalém que é do alto. Os anjos MORAM nela. O mistério do PODER concedido à IGREJA está profundamente associada a ministração angelical. E fica uma outra grandiosa revelação neste texto. As filhas de Jerusalém não enfeitaram o assento por obrigação. Mas porque amavam a Salomão. Assim como o púrpura evoca o Poder do Espírito, o “amor” das filhas de Jerusalém evoca algo que foi falado poucas vezes. Ou quase e nunca. Os anjos eleitos AMAM a Deus. E seus atos são movidos não por SUBORDINAÇÃO. Mas por lealdade, fruto de amor profundo.
  • 339.
    Os materiais nestetexto são o tecido tingido de púrpura, ouro, prata, madeira do Líbano. Essa cor do interior da Liteira, é a mesma das tranças da Sulamita (Cantares 7:5). O INTERIOR da Liteira é púrpura. Seu exterior é madeira do Líbano. O ministério não OSTENTA o PODER, não APARENTA o que seu interior REVELA. O PODER ministerial é exercido a partir do homem interior e não de seus pensamentos, é manifesto a partir do Espírito de Deus para o seu espírito, é fruto de uma busca “secreta”, vem de um lugar oculto, escondido à vista só percebível de quem se aproxima. Não aparentar é uma 339
  • 340.
    escolha da humildade.Um grande professor não humilha seus alunos debaixo da glória de seus grandes conhecimentos. Uma das cenas mais tristes que podemos assistir é a de um homem o qual após honrado com um cargo por uma instituição age como se fosse uma divindade, como uma celebridade. A igreja não celebra seus pregadores, não apresenta seus fabulosos apóstolos. Porque o poder espiritual vem do coração, se estabelece através da comunhão, é exercido de dentro para fora. Do coração ele é manifesto, inunda a mente e daí se derrama. Os cabelos de Sunamita também são tingidos de púrpura. Significa que quem olha para ela vê a beleza dessa Autoridade real retratada sobre a sua cabeça. Muitas visões são dadas que representam os cabelos como uma extensão dos pensamentos. O Israelita ao mostrar extremo sofrimento da alma, da mente, arrancava seus cabelos. Os cabelos representavam a dignidade feminina. Eram tratados com esmero, são diferenciadores de povos, nacionalidades, culturas. As moças indianas oferecem ainda hoje os cabelos em oferenda a uma determinada deusa. A maioria das perucas do mundo é feita com cabelos das mulheres da Índia. Um profeta recebe uma visão em que o Espírito o toma pelos cabelos e assim o transporta espiritualmente. Eles refletem carinho das mães, o amor do esposo e da esposa. A cabeça da mulher israelita nessa época só pode ser tocada pelo seu esposo, ou familiares próximos. O cuidado pelo ser humano é retratado por Cristo em que até os fios de cabelos da cabeça de qualquer de seus discípulos fora contabilizado por Deus. E nenhum cairia sem uma permissão divina. 340 Esdras 9:3 E, ouvindo eu tal coisa, rasguei as minhas vestes e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e sentei-me atónito. Jó 4:15 Então um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos da minha carne. Lucas 12:7 E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos. Ezequiel 8:3 E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre a terra e o céu, e levou-me a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava o assento da imagem do ciúmes, que provoca ciúmes. O Espírito vê essa parcela do ser humano, seus pensamentos, seus sentimentos, sua dignidade, sua essência, púrpura. Revestido de AUTORIDADE. Revestido de REALEZA. Revestido de PODER. De modo poético, a pomba de penas púrpuras evoca o textos: I Pedro 2:9 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real , a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
  • 341.
    A PROFECIA dePEDRO é reveladora. Um hibrido de dois ministérios, a REALEZA e o SACERDÓCIO unidos num mesmo ministério. Porque a Igreja foi chamada para Reinar através da Oração, para chamar a existência as coisas que não são, através da Intercessão. Ela possui o coração de um intercessor e a ousadia de um operador de milagres. Ela é partícipe de um ministério que une a unção que era derramada sobre o rei com o óleo perfumado que era derramado sobre o sacerdote. Em Cristo, unidos a ele, nos tornamos filhos da fé, filhos de Abraão, herdeiros da promessa. Jesus nos chama de irmãos, co-herdeiros. Ele como descendente de Judá é a pessoa que os profetas disseram que se assentaria no trono de Davi para sempre. Jesus é o herdeiro de um reino que foi dito ETERNO, ele dá CONTINUIDADE ao REINADO de SALOMÃO. Ele é segundo a carne, descendente real. Se Israel continuasse a existir como nação Jesus poderia reclamar para si o direito a soberania, porque segundo o talmude somente o messias tem direito ao governo de Israel. Também há um grupo de judeus ultra ortodoxos, chamado Neturei Karta (Guardiões da Cidade). São antissionistas, por assim dizer, que se opõem à existência do Estado israelense por razões religiosas: eles acreditam que, até a vinda do Messias, estão proibidos de ter seu próprio Estado. 341 Jesus repartiu o REINO com sua IGREJA. Lucas 12:32 Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. Literalmente, se refeito o cerimonial da ungidura do rei, todos os crentes em Cristo teriam que se ajoelhar e receber sobre suas cabeças o mesmo óleo que Jesus receberia ao ser ungido rei. E isso já foi feito ESPIRITUALMENTE. O casamento de Salomão com Sunamita ainda ocorrerá no futuro. Esse texto quebra a linearidade da estória, ele distorce o tempo, ele muda os períodos, traz do futuro da poesia para o seu presente uma esperança que adornava o coração de Sunamita. Ela vê algo fabuloso, excepcional, como se num sonho em que ela vê o mais extraordinário casamento. A cena é de um casamento oriental onde a mãe coroa seu “príncipe” para que ele poss a como assim receber as mãos de sua princesa. Todo israelita era assim tratado, o cerimonial não mudava do camponês para o nobre, do sacerdote para o rei, senão a pompa e os detalhes com que seria realizado, mas na essência era essa a cena que aconteceria com todos. O casamento israelita durava sete dias. Tradições do casamento hebraico antigo O Noivado
  • 342.
    De acordo comcostumes antigos, a cerimônia do noivado (ou Desposório) ocorreria um ano ou mais, antes de chegar o dia das Bodas. Durante o noivado (ou Desposório) as famílias da noiva e do noivo reunir-se-iam com algumas pessoas que não eram membros da família, as quais serviriam como testemunhas. O noivo daria à noiva um anel de ouro ou outros itens de valor. E se eles eram pobres, e tais coisas estivessem além de sua capacidade, simplesmente o noivo daria para a noiva um documento que no qual se comprometia a casar com ela. O noivo em seguida diria para a noiva: "Olha, com esse anel (ou com este sinal) declaro que você está reservada para mim, de a cordo com a lei de Moisés e Israel”. A família e amigos, então, concederiam presentes para a noiva. Após esta cerimônia, a noiva voltava para a casa de seu pai e o noivo de volta para a dele. A vida continuaria como antes, no entanto, a partir deste dia ela seria sua noiva e legítima esposa do noivo. 342
  • 343.
    Foi durante esteperíodo de noivado que Maria descobriu que tinha concebido um filho. José profundamente magoado, sem dúvida, teria diversas opções de acordo com a lei. Já que Maria era sua esposa legítima, José poderia ter permitido que ela fosse punida com a morte. (Levítico 20:10), ou poderia ter concedido imediatamente um certificado de divórcio. (Deuteronômio 24:1). A Bíblia nos diz que porque José era um homem justo e reto escolheu assumir a culpa, não arriscando a vida de Maria. No entanto, ele poderia ter escolhido contar a comunidade o que aconteceu a uma mulher casada que foi descoberta em aparente infidelidade. Mas ele preferiu que a sua conduta ilícita fosse mantida em segredo, seguindo para longe e após deixá-la silenciosamente. Foi neste momento um anjo do Senhor lhe assegurou que Maria tinha sido fiel e que a criança que esperava fora gerada pelo Espírito Santo. (Mateus 1:18-25) 343 Procissão de casamento Um ano depois, mais ou menos, depois de ter sido realizado a cerimônia de noivado, a noiva sabia que o dia do casamento se aproximava. PORÉM não tinha certeza sobre o dia e a hora exata que seu namorado voltaria para ela. Todas as moças da época de Jesus estavam familiarizadas com o termo, "Corra! Apresse-se! Apronte-se! ", que parece descrever a situação da noiva enquanto ela verificava seu calendário e contava os dias até que ele completasse o ano de noivado. Ela sabia que o tempo de sua partida estava se aproximando. A noiva sabia que tinha que estar pronta para ser "levada" a qualquer momento, mas não sabia a data exata ou o dia exato em que o noivo viria para ela. Pois, segundo a cultura judaica, o dia começa ao pôr do sol. O noivo chegaria em geral à noite. Muitos meses antes do dia do casamento, a noiva faria todo o possível para suavizar a sua pele e fazer o seu cabelo brilhar. Quando considerava que o dia do casamento já estava perto, estaria usando o vestido de casamento durante os dias próximos, pois não tinha certeza se o noivo viria para buscá-la na noite anterior ou posterior. Possivelmente seu cabelo seria trançado com ouro e pérolas. Colocaria uma coroa em sua cabeça e pulseiras e brincos e enfeitaria a sua cabeça com jóias e pedras preciosas da família. Se o pai da noiva
  • 344.
    era um homempobre, então ela iria pedir que fossem presenteados a ela por seus amigos, adereços, para que ela se apresentasse mais bonita. O pai do noivo após haver verificado que todos os preparativos na casa da noiva foram realizados, daria permissão para o seu filho para trazer a noiva à sua casa. O noivo reuniria os seus amigos que o ajudariam a se vestir com roupas bonitas. Seria perfumado com incenso e mirra. Usaria uma coroa de ouro ou teria uma guirlanda de flores colocada em sua cabeça para que pudesse se parecer o mais próximo possível com um rei. Os amigos estariam fazendo uma brincadeira - iriam se curvar diante dele como se o noivo fosse um membro da realeza - Uma banda de músicos e cantores iria acompanhá-los. Alguns convidados do casamento estariam esperando ao longo do caminho para levar o grupo de amigos e ao noivo para a casa da noiva e o cortejo nupcial se juntaria aos amigos do noivo Quando chegassem à casa da noiva, o noivo, seus amigos e os convidados expressariam sua alegria cantando. o Esposo "tomaria" a sua esposa e a levaria para fora da casa de seu pai. Hoje, é normal aquele que preside uma cerimônia de casamento dizer: "Você toma esta mulher como sua legítima esposa?" Provavelmente a parte mais emocionante da cerimônia de casamento é quando o noivo "Toma ou recebe" a noiva. Onde o noivo vai fazer isso dependerá de sua condição social. Se você fosse rico, provavelmente já teria um lugar preparado para dois. Se fosse pobre iria para a casa dos pais do noivo. O cortejo nupcial partiria da casa dos pais da noiva e iria para a casa do noivo, onde se realizaria o banquete de casamento. Esperando a procissão e atentos à voz de alegria e celebração, os outros convidados da noiva e suas madrinhas se juntariam ao cortejo nupcial ao longo do caminho. Uma vez que as ruas eram muito escuras, era necessário para quem viaja à noite, levasse uma lanterna ou uma lâmpada. O termo "tomar as suas lâmpadas" significava que os convidados estavam prontos e esperando para fazer parte da celebração. Algo como ter feito um convite. Sem uma tocha ou uma lâmpada não poderiam juntar-se a procissão nem 344
  • 345.
    entrar na casado noivo. Uma vez dentro da casa, o anfitrião da festa de casamento, que era geralmente o pai do noivo, daria aos convidados preciosas roupas para vestir. Baseado em Fred H. Wight , Maneras & Costumbres de las Tierras Bíblicas (Chicago, Illinois: Moody Press 1953), p. 130-134; 235 Sunamita estava vendo em sua mente, sonhando com algo que levaria pelo menos 1 ano para ocorrer! Mesmo que Salomão a desposasse naquela semana, só retornaria depois de 1 ano para finalizar o casamento. Poeticamente ela antevia um amanhã maravilhoso. Há uma surpresa profunda no texto, de beleza ímpar. A mãe do esposo é nada mais nada menos do que Betseba. A moça que foi privada de seu casamento, que teve o marido morto pela vergonha de um rei. A moça que perdeu seu primeiro filho concebido a partir de um adultério. Agora era ela que de modo LEGITIMAVA a união voluntária e amorosa de seu amado filho Salomão. As mãos que colocam a coroa de flores na cabeça de seu filho são de uma dupla viúva, que testemunhou uma vida cheia de problemas familiares, que intimamente ela sabia que era parcialmente a culpada. Tinha responsabilidade, ainda que involuntária na morte de Urias, na morte de seu filho, e até nas consequências espirituais desastrosas que culminariam na morte de Absalão, Amon e no isolamento de Tama r. É a representação do desejo de Salomão ver sua mãe sendo honrada. Num dos mais belos trechos das Escrituras. Nesse momento Betseba representa-nos, representa a Igreja, sendo dignificada, honrada, no mesmo instante que dignifica ao Espirito de Deus. É o cumprimento da palavra de Jesus dada a samaritana, “porque o Pai busca aqueles que o adoram em Espírito e Verdade” é o momento em que a Igreja o adora, glorifica, ENTRONIZA ao rei. O coroa com flores, com seus dons, com seus talentos. Foi Betseba que teceu a coroa de flores, ela que escolheu cada uma das flores que compõe a coroa. Quando isso acontece, o passado já não é levado em conta. Porque as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo, diria Paulo. 345
  • 346.
    O pastor desposoua jovem! Ele a pediu em casamento, ele se apresentou aos irmãos e a quer como esposa! Em algum momento antes ou após a revelação da sua pessoa, Salomão assume com ela um compromisso. 1. {The Beloved} 2. הנך יפה רעיתי הנך יפה עיניך יונים מבעד לצמתך שׂערך כעדר העזים שׁגלשׁו מהר גלעד׃ 4:1 3. Hinakh yafarayati hinakh yafa einayikh yonim mibaad letzamatekh sarekh keeder haizim shegalshu mehar gilad: 4. Behold, thou [art] fair, my ra'yah (maiden); Behold, thou [art] fair; thou [hast] Yonah (dove)s' eyes within thy locks: thy hair [is] as a flock of goats, that appear from mount Gil'ad. Por todo este trecho Sunamita está dançando. Ela está rindo, cantando, brincando e dançando. Por isso nos versos anteriores Salomão vê suas tranças encobrindo seus olhos. Ela lançou sua trança para frente de sua cabeça. 346
  • 347.
    Estabeleceu com amoça um novo nível de intimidade. Já não são dois estranhos. São partícipes de um futuro, de uma história, de uma promessa de vida. E neste momento Salomão derrama seu coração de um modo pleno. Ele a vê duplamente formosa. Repete duas vezes na mesma frase, enfatiza sua beleza. E ela está com o cabelo enfeitado de uma noiva. Suas tranças pendem atrás e a frente de sua cabeça, amarradas por cordões dourados, alisados por hena, tingidos de púrpura, num tom avermelhado e púrpura. Mais uma vez ele olha diretamente nos seus olhos que agora se escondem por usa timidez no cabelo que ela usa como véu. 347 As cortinas do Tabernáculo eram feitas de pelo de cabra. "26: 7 Farás também cortinas de pêlos de cabras para servirem de tenda sobre o tabernáculo.: Onze cortinas farás 26: 8 O comprimento de cada cortina será de 13,5 metros, e a largura de cada cortina de 1,80 metros; as onze cortinas serão de uma medida 26.: 9 E cinco cortinas à parte, e as outras seis cortinas à parte, e será dupla a sexta cortina na frente da tenda Enquanto as cortinas eram peles de cabras, o próprio pelo também foi tecido para fazer pano.
  • 348.
  • 349.
  • 350.
  • 351.
  • 352.
    352 http://www.etar.org/crafts/mutafen.htm "35:25E todas as mulheres que eram hábeis fiavam com as mãos, e traziam o que tinham fiado, o azul, e de púrpura, e de carmesim, e de linho fino 35:26. E todas as mulheres cujo coração o moveu-los no cabelo sabedoria girou das cabras. "(Êxodo 35: 25- 26 KJV) Em tempo de guerra, roupas, "toda a roupa, e tudo o que é feito de peles, e toda obra de pêlos de cabras", deveria ser purificada. "31:19 E deverão permanecer fora do arraial por sete dias: todo aquele que tiver matado alguma pessoa, como o que tiver tocado algum morto, purificareis a vós ea vossos cativos no terceiro dia, e no sétimo dia 31:20 E deveis purificar tudo, sua roupa, e tudo o que é feito de peles, e toda obra de pêlos de cabras, e todas as coisas feitas de madeira. "(Números 31: 19-20 KJV) Nos anos posteriores, o pêlo de cabra também foi usado para coisas como travesseiros. "19:12 Então Mical desceu Davi por uma janela, e ele se foi, e fugiu, e escapou 19:13 Mical tomou uma estátua, deitou-a na cama, pôs um travesseiro de pêlos de cabras para sua cabeceira. , e cobriu-a com um pano. 19:14 quando Saul enviou mensageiros para prenderem a Davi, ela disse: Está doente. 19:15 e Saul enviou mensageiros novamente para ver Davi, dizendo: Trazei-mo na cama , para que eu possa matá-lo.
  • 353.
    19:16 E quandoos mensageiros foram entrar, eis que havia uma imagem na cama, com uma almofada de pêlos de cabra para sua cabeceira. "(1 Samuel 19: 12-16 KJV) 353 . A moça tem os cabelos negros-azulados e cacheados e compridos. A pista nos é dada pela cabras. A tonalidade da pelagem das cabras era normalmente negra, marrom, ou pintadas, mas, o pelo que mais se parecia com o cabelo humano era a pelagem negra das cabras. Algumas tinham o pelo muito comprido, tão comprido que até modernamente são feitos apliques de cabelo baseados em pelos de cabra e são confundidos com o cabelo negro natural.
  • 354.
    354 Este apliqueacima é feito com o finíssimo pelo de cabra angorá. A moça tem os cabelos negros, o verbo que ele usa para descrever é traduzido de diversas formas, como se as cabras pulassem, corressem, descessem os montes, lembrando as curvas sinuosas do cabelo da menina. Embora não nos seja contemporânea ou comum essa expressão, ela era carregada de figuras cotidianas, com a qual Sunamita poderia facilmente se identificar. E rir das comparações. Mas elas também são carregadas de outras representações. O pelo de cabra lembrava uma passagem de uma fuga romântica de Davi, pai de Salomão, quando invadiu sorrateiramente o castelo de seu maior inimigo, justamente o rei Saul e lá passou uma noite com Mical, sua filha. Poucas vezes na história uma rapaz foi tão ousado. Sua cabeça estava a prêmio, o castelo fortemente guardado, ele escalou as paredes até a janela da menina, e desafiando a morte, ficou ali com ela. A moça havia sido prometida a ele se tivesse uma vitória impossível contra uma tropa de filisteus. Davi lutou, venceu e reclamou a premiação real, que era a mão da princesa. Só que o rei não fez caso da promessa cumprida. Para que Davi tivesse tempo de fugir Mical fez uma figura humana com lençóis e ai o detalhe, para simular a cabeça do amado, usou um travesseiro que era feito com fios de pelo de cabra. Na escuridão os soldados enfiaram a espada no travesseiro enquanto Davi conseguia fugir. Até na descrição dos cabelos da menina havia uma história de amor escondida... Os fios de pelo de cabra eram usados para confecção de tecidos e para criação de enormes mantas que cobriram a tenda que era o objeto mais sagrado de Israel, o tabernáculo, a famosa tenda da Congregação.
  • 355.
    a) 1ª Cobertura Era feita de Linho Branco, entrelaçado e bordado com fios de azul, púrpura e carmesim com bordados de desenhos de querubins. Os querubins só eram vistos nesta cortina e nas entradas do Santo Lugar e no Santíssimo Lugar ou Santo dos Santos. Os querubins est ão sempre associados à santidade de Deus. Eles foram colocados na entrada do Éden, quando Adão pecou para guardarem o caminho que levava à árvore da vida (Gn 3:24). Os sacerdotes que ministravam no Lugar Santo, viam em toda a sua volta os Querubins, fazendo-os a lembra de santificarem-se. 355 b) 2ª Cobertura
  • 356.
    Era colocada sobrea primeira e era maior atrás. Era feitas de pele de cabras. Eram duas grandes metades entrelaçadas. Levítico 16:7 fala da ordem dada por Deus para separar 2 bodes: um para sacrifício e outro para ser enviado ao deserto. O primeiro era sacrificado e tinha o seu sangue derramado – “Sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22). O segundo que era enviado para o deserto, para longe da presença de Deus, longe do santuário. Este ato revelava que Deus iria prover aquele que enviaria para longe todos os nossos pecados: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl 103:12). c) 3ª Cobertura Era feita de peles de carneiro, tingidas de vermelho. Era a primeira das duas últimas que seriam às intempéries (s.f. Quaisquer condições climáticas que estejam mais intensas; vento forte, chuva tropical, chuva torrencial). É interessante notar que nenhuma medida foi dada para esta cobertura. d) 4ª Cobertura Era feita de peles de carneiro, tingidas de boi marinho, chamado “Dugong”. Era um mamífero aquático (parecido com um Delfin) que era encontrado às margens do Mar Vermelho. A cobertura final de peles não tinha uma aparência agradável. Quem passava de longe via uma tenda não muito atrativa. 356
  • 357.
    A aparência doscabelos de Sunamita era da terceira cortinada de fora para dentro, terceira cobertura, ou véu. Ou a segunda camada de dentro para fora. Há uma identidade entre o tabernáculo e Cristo, ao estudarmos o tabenáculo podemos ler todos os detalhes da missão, dos evangelhos e da obra de Cristo. Tudo que Jesus é, tudo que Jesus representa, está contido no tabernáculo. As cortinas representam, na ordem 1,2,3,4: 357 Divindade de Cristo Realeza de Cristo Serviço de Cristo Humanidade de Cristo A de pele de cabras é a número 2. As peles de cabras e de ovelhas representam o sacrifício. Porque a de cabra representa a Realeza? Porque ela está encostada na cobertura que simboliza a Deidade. Na antiguidade os reis eram tidos como descendentes dos deuses. A monarquia era vindicada assim, os egípcios faziam o faraó ser filho de Hórus, a coalizão medo-persa que seus reis eram descendentes do lendário Perseu, os babilônios do mesmo modo. A descendência divina era uma ideia comum aos governos da antiguidade. Ou a ideia de eleição, escolha, separação, de onde vem a figura da nomeação a partir dos magos, dos sacerdotes, dos oráculos da antiguidade, em último caso pelos prostignosticadores através de artes mágicas e em Israel através da escolha profética. A primeira cortina era adornada de Querubins, ficava imediatamente no interior do Santo dos santos, estava continuamente exposta, cobrindo a Arca da Aliança. Essa cortina, escondida aos olhos, oculta a vista de todos, mas visível apenas pelos sacerdotes simbolizava a Deus. E encostada nela, a próxima de pele de cabra, tecida pelas mãos de sábias mulheres israelitas. A primeira era de origem vegetal, linho, essa outra de origem animal, pelo de cabra. Dois reinos distintos, mas feitos de uma obra de tapeçaria que os assemelhava. Quando o Messias é crucificado tem uma placa que diz uma grande verdade aos pés da cruz. “Rei dos judeus”. Jesus é descendente de Davi. Ele é o Messias que tem direito ao trono, herdeiro legítimo e ainda assim, assassinado por um sacerdócio ilegítimo. A cabra, ou o macho da espécie, o bode, era um animal que tinha um rito especial de sacrifício. Eram sacrificados aos pares. Sempre dois. Um morria e tinha seu sangue derramado no interior do tabernáculo, o outro era enviado ao deserto. Vivo. Não é bem o assunto do verso, mas aproveito para esclarecer um mistério, já que estamos falando das cabras.
  • 358.
    358 7 Depoispegará os dois bodes e os apresentará ao Senhor, à entrada da Tenda do Encontro. 8 E lançará sortes quanto aos dois bodes: uma para o Senhor e a outra para Azazel. 9 Arão trará o bode cuja sorte caiu para o Senhor e o sacrificará como oferta pelo pecado. 10 Mas o bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel será apresentado vivo ao Senhor para fazer propiciação e será enviado para Azazel no deserto. O mundo do Velho Testamento acontece de modo pleno no interior da África, é Nova Orleans nas áreas de Vudu, é o interior da Romenia, de várias ilhas do arquipélago japonês, é parte da ásia, da Índia, está viva em vilas da Mongólia, da Russia, do Paquistão. Acontece hoje em áreas nobres de Nova York, em rituais macabros em fazendas do Arkanas. Terreiros de Uabanda e e Candomblé, nos ritos das bruxas escocesas, nas festas a deusa morte do Mexico, nas procissões de sacrifícios do Peru. Cito as que me ocorrem de memória.
  • 359.
    Vivemos num mundomágico, um mundo que busca a magia, que exerce desde a antiguidade a prática de adoração a ídolos que são atos de magia, de busca de poderes, de forças sobrenaturais, que não significam verdadeira adoração a Deus. A maioria buscados ídolos o que se busca em objetos mágicos. Um talismã. Trocam libações, ofertas, oferendas por recompensas. Há em alguns o desejo de realizar o bem, de servir aos deuses com gratidão. Embora sirvam a deeses que não são deuses, Deus contempla o anseio destas pessoas de conhecerem e servirem ao Deus verdadeiro. E em algum momento, pelo seu tremendo amor, os afastará da mentira os conduzirá a Verdade. Quando o tabernáculo está erguido e os rituais estão sendo realizados, o mundo da época é completamente mágico. A filosofia é uma sombra, não existe o materialismo ainda, ou uma ciência separada, todo evento físico é algo sobrenatural, tudo tem origem no divino, não há uma segunda ou terceira explicação para os eventos biológicos, físicos, climáticos. O mundo moderno caminhou no sentido contrário, destituiu Deus de seu cargo e concedeu a Razão a detentora de status divino, insurgindo-se contra a própria ideia de Deus, mas isso é um mal da humanidade, sua Soberba. A Soberba é uma praga. Mas sem levar em conta a ciência enferma, e sua loucura pela excesso de sua arrogância, não hav ia no mundo antigo nenhuma outra divisão. Tudo era essencialmente mágico. E não concebiam CRER em DEUS sem atos, sem rituais, sem cenas, sem representações. Porque o ser humano não compreenderia as coisas invisíveis sem um tutorial, sem alguma representação visível. Essa é a escola do Velho Testamento. Uma das representações mais enigmáticas, o mais misterioso ato litúrgico, ato sacerdotal é a cena dos dois bodes. De tudo que se faz no tabernáculo, nada se equivale em mistério. Um enigma. O ato representa algo além da imaginação e mesmo após os escritos dos profetas e apóstolos do Novo testamento ainda é dificílimo explicar a profundidade do que tal coisa representa. Porque só conhecemos PARCIALMENTE a história de nossa Salvação. 359
  • 360.
    360 Tem coisasque talvez seja melhor não sabermos. Então vou até onde creio que é possível chegar, e a partir daí, retorno sem respostas. Um dos bodes será sacrificado, já compreendemos a representação do sacrifício. A Cruz. O outro bode não morrerá. Será enviado ao deserto para alguém que faz oposição ao Senhor cujo nome é Azazel. E o será enviado por meio de SORTES. Será sorteado aleatoriamente quem vai e quem fica. O “destino” se encarregaria de “decidir” aquilo que a vontade de Deus deixou, por assim dizer “indefinido”. Azazel não tem significado unanime nem em hebraico. E não termina com EL, como as palavras que se relacionam a Deus em hebraico. Só o som é que é parecido ( .(עזאזל Os dois bodes são considerados uma única obrigação, um único evento, um único ritual. São representantes de uma única realidade espiritual. A morte do calvário é muito mais complicada que imaginamos. A missão de Cristo envolvia não somente o nosso universo e não somente a nossa dimensão.  «no qual também foi [Jesus] pregar aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé...» (I Pedro 3:19-20)  «Pois por isto foi o Evangelho pregado até aos mortos...» (I Pedro 4:6) Atos 2:27 e Atos 2:31, que declaram explicitamente que Cristo não seria deixado no Hades, e que a sua carne não veria a corrupção.  Efésios 4:8-10 também diz: "Por isso diz: Quando ele subiu ao alto, levou cativo o cativeiro, Deu dons aos homens. (Ora que quer dizer isto: Ele subiu, senão que também desceu aos lugares mais baixos da terra? Aquele que desceu é também o que subiu muito acima de todos os céus, para encher todas as coisas.)" Este versículo é uma paráfrase de Salmos 68:18,: "Subiste ao alto, levaste cativos os prisioneiros; Recebeste dons dos homens, Mesmo dos rebeldes, para Deus Jeová habitar entre eles." E finalmente Apoc 1:17 Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: “Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. 18 Sou Aquele que Vive. Estive morto, mas, agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades[f].
  • 361.
    A vitória sobreo poder das trevas tinha duas partes. Uma era o sacrifício do Calvário. Cabrito sendo sacrificado. A segunda, bem mais sinistra, envolvia um CONFRONTO dentro da região da morte, dentro de lugares e regiões espirituais por nós desconhecidas, onde eventos proféticos também não revelados, ocorrerão. Num mundo que não conhecemos, numa dimensão que abrigava ou ainda abriga aos mortos, imaginada com separações, com regiões de vários nomes no grego e no hebraico, Jesus realizou coisas que não estão descritas nas Escrituras. Coisas das quais só sabemos os resultados. Pregou o Evangelho aos mortos. Não sabemos se a todos ou se somente par os que morreram no Diluvio. Não sabemos qual o grau de consciência, de suas almas ou de seus espíritos. A realidade que se descortina é a de consciência após a morte, que já tinha sido referenciada na parábola de Lázaro. Mas só que em Lucas era somente uma parábola, aqui é um evento profético e não uma parábola. Algumas denominações se abrigam em visões doutrinárias especificas sobre a morte para não comentar ou meditar em tais versos. Há uma doutrina sobre o “sono da morte” em que os mortos não estariam conscientes. Há a visão do “desaparecimento” do espírito/alma humana e que ele só seria “recomposto” durante a segunda vinda de Cristo. Mas não é isto que os textos nos conduzem a entender. Não temos respostas absolutas porque Deus encobriu para nós seres humanos parte dessas realidades. Seu amor, sua graça e sua misericórdia são maiores e mais profundas que o abismo sobre o qual vivemos. E em seu maravilhoso amor ele simplesmente foi até o pior lugar do universo, para o mais distante deserto. Ai a beleza do segundo bode. 361 VIVO. Ele desceu lá como se fosse um morto. Só que a morte não tinha direitos sobre ele. Ele SUBVERTEU o sistema. Ele deu um “loop” na programação, ele destruiu a morte de dentro dela mesma, ele afrontou a dimensão das trevas, ele entrou voluntariamente na prisão e em vez de ficar encarcerado ou preso, explodiu as suas portas e detonou o império das trevas. Lá no hades, ou região da morte, Jesus simplesmente fez o que já tinha feito lá sobre o cume do Hermon. Transfigurou-se. Lá ele cumpre o mistério do profeta que morreu no interior do grande peixe. Jesus é o único ser humano que morto intercedeu a Deus e Deus o escutou de dentro da morte. Porque ainda que fisicamente morto, Jesus estava numa condição única, estava ESPIRITUALMENTE VIVO. Jesus era um semimorto, um vivo entre os mortos, “fingindo de morto” por assim dizer. Prenderam o cara errado. Ele não é uma alma sujeita às leis da vida e da morte, aos mistérios do universo ou a algum tipo de administração da morte exercida pelo tal do Azazel. Azazel significa, Condenação, Desolação. Tanto faz se era um espírito da alta administração do inferno, uma potestade ou se outro nome para Satanás. Não devia ter recebido aquele bode. Essa é a representação simples por detrás do segundo bode. O bode que por sua vez simbolizava a IMORTALIDADE. Jamais seria capturado novamente. Jamais seria oferecido pela segunda vez como sacrifício. Os cabritinhos tinham que ser gêmeos, ou idênticos. Mesmo que fosse achado, no próximo ano, já não se enquadraria nas condições. É a voz do texto de apocalipse:
  • 362.
    Apoc 1:17 Quandoo vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: “Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. 18 Sou Aquele que Vive. Estive morto, mas, agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades[f]. 362 Estive morto? O bode vivo nunca morreu. Na verdade por um instante esteve morto sim. Outra beleza das representações das Escrituras Do instante em que os dois bodes são separados e até que sobre eles sejam lançadas as sortes. Até o instante em que os ossos, moedas, pedras ou seja lá o que forem sejam lançados pelo sacerdote até cair no manto, chão, ou na mão, até este instante desgraçado, os dois estão mortos. É a importante figura que falta para completar a perfeição da profecia citada em Apocalipse. Sunamita celestial carrega seus cabelos revoltos, caindo sobre os ombros, com todas essas figuras antevistas pelo Espírito de Deus. E Salomão vê os olhos escondidos pelas mechas de cabelo que cobriam seu rosto enquanto girava dançando. Assim como Cristo que vê o coração de sua Igreja por detrás deste UNIVERSO de realidades espirituais. 1. שׁניך כעדר הקצובות שׁעלו מן־הרחצה שׁכלם מתאימות ושׁכלה אין בהם׃ 4:2 2. Shinayikh keeder haketzuvot shealu min-harakhtzah shekulam matimot veshakulah ein bahem: 3. Thy teeth [are] like a flock [of sheep that are even] shorn, which came up from the washing; whereof every one bear twins, and none [is] barren among them. Na antiguidade era complicado manter uma boa dentição. E a dentição humana é uma das partes do rosto que mais define a sua formosura, sua harmonia. Não importará a beleza dos olhos de retirarmos da face da modelo um dente, qualquer que seja. Eles nos dão ideia da simetria, eles compõem para o nosso espírito uma medida de harmonia, seja na anatomia masculina ou feminina que são identificáveis em todas as culturas. Não há padrão de beleza que não seja amortecido ou anulado pela ausência, escurecimento ou pela perda de dentes.
  • 363.
    363 Até adiferença de um espaçamento entre os dentes causa diminuição da beleza
  • 364.
    (Desculpem-me a imperfeiçãocorretiva, dentistas, foi uma correção didática feita com um photo editor) 364 Não ia colocar, mas não resisti. Até a modelo Adriana Lima se torna uma “vampira” se você mudar o tamanho dos caninos da moça. Não serviu muito para o exemplo porque continuou linda. Mas se tirar seus dentes...ai não tem jeito...vai ficar feia. Não há imperfeição no sorriso de Sunamita! Ele vê nela um sorriso perfeito, de dentes indelevelmente brancos. Uma moça que chamava atenção pelo sorriso onde quer que passasse.
  • 365.
    E se elevê seus dentes é porque ela está SORRINDO. É porque ela está feliz. Porque ela transborda ALEGRIA, jorra PAZ, derrama-se em felicidade pelo fato de estar amando, e não consegue esconder. Um dos fatos é que toda conquista bem sucedida é sempre precedida de um sorriso. Pode não ser dado na hora da cantada horrível, pode não ser visto por ninguém. Mas o fato é que se o “encantamento” surtiu efeito...vai acontecer um sorriso. Os bebês manifestam desde muito pequenos sua felicidade gargalhando. Sorrindo. 365
  • 366.
    366 E jásorri mesmo sem nenhum dente! A seriedade do rosto mostra outros sentimentos. Que podem ser diversos. Um milhão de dólares pelo pensamento desta menina no momento desta foto. Mas o sorriso espontâneo, é o sinal físico de que algo bom está batendo a porta de nosso coração. Sorrimos de modo falso também, podemos eventualmente simular diversos
  • 367.
    sentimentos que nãoos verdadeiros, para isso há a arte cênica, a representação teatral, que na Grécia era representada através de máscaras. Essas mascararas eram denominadas “Hipócrites”, de onde surgiu o nosso famoso termo “hipócrita”. Aquele que representa, age na vida real, como se representasse. Ele simula sentimentos que não possui, do dissimulado, do falso até o sociopata, e no último estágio o psicopata, destituído de emoções, que finge parecer normal. A hipocrisia é a arte de enganar através de sentimentos que não existem. Caifás fez uso de uma profunda e magistral interpretação teatral na condenação de Cristo. Ele rasgou as caríssimas e sacrossantas vestes de sumo-sacerdote, ato proibido inclusive pela lei Mosaica, como ato desesperado para tentar angariar o voto de condenação de Cristo. E foi convincente. Mas Sunamita sorri extasiada. E ele, Salomão continua a comparação, como ovelhas que sobem do bebedouro, tosquiadas. 367
  • 368.
    A tosquia ocorriaapós o inverno, antes que o verão chegasse e deixava as peludas ovelhas limpas e lisas, e muito brancas. Toda a sujeira de meses de pastos, era retirada junto da tosquia e da retirada da lã. Elas ficavam muito parecidas umas com as outras. Quase idênticas, só reconhecíveis pelo próprio pastor. E as vezes nem por ele, que teria que 368
  • 369.
    chama-las pelos nomespara reabituar-se com elas. Ovelhas gêmeas tosquiadas são virtualmente indistinguíveis. São idênticas. Os dentes da moça além de brancos eram harmoniosos, eram similares, deixando seu sorriso ainda mais perfeito. Elas subiam do lavadouro, após tosquiadas elas ainda estavam limpíssimas. Salomão imagina ovelhas gêmeas e que não possuem nenhum problema, nenhum defeito, nenhuma ovelha estéril há entre elas, todas são capazes de gerar novas ovelhas. Há um eco na poesia da aparência dos dentes da bela moça. Uma nota de que nos lembra de que nos tempos da antiguidade em grupos camponeses de algumas culturas acreditava-se que o beijo podia engravidar a moça. E que não é sem razão que Salomão sutilmente aponta para o fato de que deseja ter filhos com a menina! Ele usa uma figura do campo e projeta através dela uma família futura! E até gêmeos! Para a mulher da antiguidade a quantidade de filhos era algo que a enobrecia. Quanto mais filhos tinha, mais venerada e honrada era na sua vila, na sua comunidade. A ferti lidade era um ideal buscado, amado, sonhado por todas as meninas. Todas, sem exceção, queriam e sonhavam em ser mães. O status de uma mulher infértil, o fantasma da esterilidade feminina, era para uma mulher do oriente, uma maldição. Diante do sorriso de Sunamita nós ficamos diante de belas representações espirituais. A Sunamita celestial é feliz. A alegria habita nela. Porque se sente amada. Porque se sente protegida. O sorriso não é sem razão de ser. Jesus prometeu que “rios de água viva” sairiam do coração daquele que nele cresse, os discípulos gritavam de alegria quando viam que os demônios eram expulsos com a imposição de suas mãos. A maior maravilha, a maior satisfação de obreiros que ministram no ministério de curas é ver a operação de milagres. No íntimo são eles os que mais se alegram, vibram ao ver as operações de maravilhas quando Deus opera através deles milagres. O milagre em si, qualquer que seja ele, onde quer que ocorra, é sempre um sinal de alegria indisfarçável. Lares destruídos pela amargura ganham um renovo de vida quando Cristo se faz presente, quando Ele começa a transformar pais violentos em cordeirinhos. Filhos rebeldes são tosquiados pela presença divina e em vez de xingamentos para com suas mães agora se derramam em abraços e ternura. A filha que estava presa pelas drogas é liberta dos poderes químicos e espirituais que a aprisionavam e o resultado é o sorriso. Os corais, os grupos de louvor, em todos os lugares cantam, louvam, traduzem em canções a alegria que nenhuma festa do mundo poderia traduzir. O ser humano busca inúmeras fontes de alegrias, em intermináveis raves, festivais, festas e atividades, mas o grito de alegria do mais fanático torcedor não se compara a alegria que a Igreja de Cristo possui com a presença de seu noivo. A boca da Sunamita é perfeita, QUANDO ela anuncia um Evangelho perfeito. Senão faltam dentes. Quando a profecia é verdadeira, quando o amor é sem interesse, quando a afeição é plena, quando seus ministros não a dominam, mas sobre ela exercem uma liderança amorosa. A Boca da Sunamita é perfeita quando prega um evangelho sábio, amoroso, universal, profundo. Senão ela não tem dentes. Muitas denominações são uma versão desdentada da Igreja de Cristo. Anunciam um evangelho morto, uma revelação falsa, ou uma palavra interpretada a base de marijuana. Substituem sutilmente o amor ao noivo pelo amor a denominação, pela escravidão doutrinária, ou pelo amor ao dinheiro. O sorriso de Sunamita Celestial é ESPONTANEO. Porque ela não vive uma tragédia grega, ela não us a máscaras para esconder suas reais intenções ou reais sentimentos. Ela não INVENTA milagres que não existem, ela não anuncia REVELAÇÕES que nunca foram entregues, ela não PREGA o que não entende, ela não assume como VERDADE aquilo que não possui certeza. Ela não simula o riso falso para aquilo que não a comove, que não a deslumbra. Que não a faz sorrir. A Igreja de Cristo só é feliz com o amor pleno do Amado. Quando a voz do Espírito é pura, perene, doce, completa, franca, idônea, aos seus ouvidos. Pregadores que usam de 369
  • 370.
    psicologia para gerarEMOÇÕES, que usam de teatralidade para darem credibilidade a sua “autoridade” espiritual, nada disso faz Sunamita sorrir. 370 Já dizia o meio-profeta Gentileza, Parafraseando o Gentileza: Somente o Espírito de Deus, gera coisas verdadeiramente espirituais. E somente nEle, no Espírito, a Igreja sorri, festeja, dança. ( pois é, você, profeta sem-vergonha, pensou no íntimo...ah...agora ele erra!). O que me lembra o professor Girafales:
  • 371.
    Por todo estetrecho Sunamita está dançando. Ela está rindo, cantando, brincando e dançando. Por isso nos versos anteriores Salomão vê suas tranças encobrindo seus olhos. Ela lançou sua trança para frente de sua cabeça. 371
  • 372.
    1. כחוט השׁנישׂפתתיך ומדבריך נאוה כפלח הרמון רקתך מבעד לצמתך׃ 4:3 2. Kekhut hashani siftotayikh umidbarekh naveh kefelakh harimon rakatekh mibaad letzamatekh: Thy lips [are] like a thread of scarlet, and thy speech [is] comely: thy raah [are] like a piece of a rimmon (pomegranate) within thy locks. 372
  • 373.
  • 374.
    A moça usavabatom. Ou uma tintura a base de romãs que lhe concediam uma belíssima cor de escarlata para seus lábios. Com uma cor mais intensa talvez que a cor dos lábios da menina acima. Salomão ama ouvi - la falar, mas antes compara seus lábios a uma expressão que era muito conhecida por todas 374
  • 375.
    as mulheres deIsrael. “fio de escarlate”. Quando ele faz essa comparação ele evoca uma única cena em todas as Escrituras que contém um “fio de escarlate”. Na antiga cidadela de Jericó morava uma moça explorada sexualmente, de nome Raabe. Ela vivia como uma prostituta, presa com sua família sendo obrigada a morar numa pequena construção que ficava sobre os muros da cidade, a cada da prostituta, visível por praticamente toda a cidadela. As prostitutas da antiguidade se dividiam em castas, refletindo um pouco da prostituição moderna. As prostitutas de luxo são jovens, universitárias, ajuntam-se com políticos, empresários e cobram altas taxas por seus serviços, porém com seu envelhecimento vão sendo colocadas a parte do mercado do sexo. Aparentam liberdade, mas não são livres. A outra classe é chamada de baixo meretrício, são meninas adolescentes oriundas de famílias pobres, ou meninos, ou prostitutas idosas que vivem em vilas e locais específicos espalhados em várias zonas de prostituição. E há ainda a escravidão sexual, o tráfico de mulheres para bordéis do mundo onde trabalham contra sua vontade, muitas morrendo no exercício de sua exploração. A antiguidade possuía os mesmos gêneros de prostituição agregando a prostituição cultual, onde várias religiões permitiam e incentivavam a pratica sexual como um tipo de ritual místico, litúrgico, dentro de templos preparados para isso. Ainda há tais práticas até os dias modernos, como as devassi, prostitutas sagradas da Índia que se prostituem em nome de certa deusa, e uma variação ocidental em que grupos fazem isso voluntariamente com funções religiosas ligadas a correntes de ocultismo. Para Raabe a vida era complicada e cheia de humilhação e sofrimento. Não tinha futuro, senão a escravidão a um sistema de castas de sua nação que a obrigaria a viver e morrer como uma prostituta. E não havia sequer a possibilidade de uma guerra ou coisa similar que lhe desse condições de fugir, porque a cidade era inconquistável. Talvez por mais de 500 anos estive ali, sem que mesmo o Egito pudesse lograr êxito em sua conquista. Era o equivalente terrestre da cidadela marítima de Tiro. Até que chegaram os israelitas. A história da batalha de Jericó é muito conhecida, mas a grande história secundária é a da coragem de uma prostituta que mesmo sob risco de morte sob tortura, segurou-se a única chance de ser liberta de um destino sem livramento. Ou dois espiões de Israel e recebeu uma promessa de ser livrada de uma guerra iminente. Souberam que os dois israelitas estavam na cidade, invadiram sua casa e com uma inteligência sobrenatural Raabe os escondeu sob uma moenda, lançando cascas de cereal para fingir que debulhava trigo sobre ele, e recebeu uma promessa que dependeria de uma única coisa para ser cumprida: “Um fio de escarlate”. Ela amarraria este fio na janela de sua pequena habitação, numa das torres que ficavam num dos cantos do muro de Jericó. E seria esse fio que salvaria a ela e a toda sua família, Salomão compara os lábios de Sunamita a este fio de escarlate. Porque é isso que ele tem em mente quando canta. Porque envolve a história de coragem de uma mulher que não se 375
  • 376.
    deixou vencer pelahistória de seu passado. E nem pelos riscos assumidos em seu presente. E nem pelo medo da incerteza do amanhã. Logo após ele fala de seu rosto. Que ao ouvir tal elogio COROU. Ela fica vermelha que nem uma romã. Ela fica tão envergonhada que quase brilha na cor vermelha. E todas essas qualidades espirituais se refletem na segunda voz do dueto. A romã era uma fruta belíssima, compunha a alimentação de princesas e reis, era usada em chás e também para cura de enfermidades. Era presente para as meninas e sempre um presente com segundas intenções. Uma paquera. A Igreja de Cristo é aquela que possui lábios como “um fio de escarlate”, porque essa é a história da transformação de milhares de pessoas tocadas e transformadas pelo amor de Cristo. A Sunamita celestial recebeu uma marca, um sinal, uma esperança quando lhe foi concedido um fio de escarlate, tingindo com o sangue do Amado. Escarlate é a cor do sangue e evoca imediatamente um jardim onde as vestes de linho de Jesus se tornam tingidas de seu sangue quando ele sua abundante, e na cruz quando ele também o derrama. Quando o soldado romano vai até a cruz para certificar-se de sua morte ele atravessa seu lado direito até o coração e do rasgo verte o sangue que se derrama no formato de uma corda até seus pés. “Um fio de escarlate”. Há um mistério no amor do Noivo que envolve sua paixão e morte, e ao ouvir tamanho amor a Igreja fica sem jeito, fica envergonhada. A cruz envergonha a Igreja, porque ela só é uma necessidade por causa do pecado humano. Mas é de uma Igreja que reconhece a grandeza do amor do Amado que as grandes curas espirituais acontecem. A romã na face da Igreja é vista não quando ela confia em sua própria identidade, em seus esforços, em sua santidade. Mas quando medita que é porque ela é amada que os sinais e maravilhas acontecem. E assim como Salomão encantava-se com a beleza do rosto envergonhado e emocionado de Sunamita, em contraste com sua longa cabeleira, assim o Espírito se encanta com o rosto de uma Igreja que ama e reconhece o sacrifício e o esforço do Amado. 1. כמגדל דויד צוארך בנוי לתלפיות אלף המגן תלוי עליו כל שׁלטי הגבורים׃ 4:4 2. Kemigdal David tzavarekh banui letalpiyot elef hamagen talui alav kol shiltei hagiborim: Thy neck [is] like the tower of David builded for an armoury, whereon there hang a thousand bucklers, all shields of mighty men 1. שׁני שׁדיך כשׁני עפרים תאומי צביה הרועים בשׁושׁנים׃ 4:5 2. Shenei shadayikh kishnei ofarim teomei tzeviyah haroim bashoshanim: 376 Thy two breasts [are] like two young fawns that are twins, which feed among the lilies Salomão está empolgado e vai contemplando a Sunamita por inteiro, da cabeça aos pés. Ele olha para seu pescoço e mais uma vez relembra a imagem de seu herói maior, seu pai Davi, que lhe vem à mente. Lembra-se da torre que um dia mandou construir para guardar as
  • 377.
    melhores armas deseu exército. Havia uma torre em especial que tinha um caráter lúdico. Só os melhores poderiam guardar nelas seus escudos. Parece ser uma brincadeira de guerreiros. E só cabiam mil escudos nela. Não devia ser muito fácil fazer a votação. Todos estes eram exímios guerreiros. Mil combatentes de elite. E são chamados de poderosos, homens robustos de tremenda força física. Essa é uma imagem nova em Cantares, Salomão vai contrastando as cenas pastoris, seus olhos vão seguindo uma direção que passa pelas montanhas, até finalmente chegar na cidade de Jerusalém, em sua muralha. Ele tirou seus olhos do campo, sem tirar os olhos de Sunamita, e viajou até a cidade de Davi. A moça tem um pescoço comprido como de uma modelo! E é bem forte o pescoço da moça. Caçar raposas a tinha tornado uma fisiculturista! A imagem é uma imagem militar. Ele a chama de valente, de poderosa, de guerreira. Ele vê nela o caráter de uma batalhadora, lutadora. Ele vê nela fortaleza. Força. A torre de Davi era o símbolo maior do poder de guerra israelita. 377
  • 378.
    As mulheres Israelitasfazem desde a implantação dos Kibutz em Israel parte efetiva da força bélica Israelita. David Gurion adotou um plano de defesa que criou os exércitos de cidadãos que incluíam meninas e meninos adolescentes para defesa do ainda inexistente estado de Israel Há um vídeo que esclarece o processo de assentamento dos judeus, com muitas imagens históricas, denominado Palestina: História de Uma Terra - Completo - Português www.youtube.com/watch?v=1MXBL0Mc6XM No qual podemos ver a formação das moças para o combate. O autor deste estudo não conhece e nem endossa qualquer ideologia do vídeo, mas reconhece seu valor histórico. A Sunamita Celestial é vista pelo Espírito como uma fortaleza, a quem foi concedida armas para destruição de fortalezas espirituais. Ele enxerga no Corpo de Cristo armas para defesa, assim como para o ataque (vistas no verso da liteira de Salomão) e reconhece que nela há PODER. Não compreendemos isso na maior parte de nossas vidas. Alguns nunca chegarão a compreender. A Igreja possui PODER. Possui Autoridade Espiritual. Possui Recursos e Poderes a ela concedidos. Que estão ao redor de seu pescoço que é um símbolo de união, comunhão. Cristo é o Cabeça e a Igreja seu Corpo, misticamente falando. Outra comparação que Paulo faz sobre a Igreja, em que Cristo e a Igreja estão FUNDIDOS espiritualmente. Não imagine a cabeça de Jesus num corpo de mulher, por favor. Imagine que ela pensa como Cristo. Como se na terra o poder de Cristo possa ser manifestado pela IGREJA. Essa é a visão. 378
  • 379.
    O Cântico dosCânticos não é um hino de exaltação ao erotismo, a sua grandiosa melodia gira em torno do romance. Ele é algo único para a época em que foi criado, num mundo que girava em torno de cultos sexuais. O mundo da antiguidade misturou o desejo sexual, a imoralidade, a devassidão dos desejos e tornou público algo que era para ser mistério. Algo que era para ser íntimo tornou-se um espetáculo e a isso denominou-se de sagrado. Criaram um hibrido de sexualidade exercida como oficio divino público. Descobriram a nudez feminina, transformaram o padrão da exclusividade do amor devido entre o casal, com o amor devido a divindade, ofereceram o que era uma dádiva humana a deuses ou entidades que usurparam para si um direito que não lhes pertencia. Um sacerdócio corrompido pelo desejo deu asas a sua imaginação e “sacralizou” ou tornou “sagrado” ao sexo para que ele pudesse ser usado em rituais em diversas religiões. Só que chamaram algo de “sagrado” que na verdade era “santo”, ou separado, não para os deuses ou espíritos, mas para o ser humano. Essa sutil e macabra inversão de valores seduziu multidões, milhões de pessoas participaram de tais práticas e com isso transgrediram a maior verdade a respeito da realidade sexual humana. A exclusividade, o mistério, a intimidade. Por isso a prostituição cultual era tão maligna, porque sua prática era constrangedora para a menina, para o pai, para os parentes. A perda da inocência de uma menina ou de um menino num templo, trazia obrigações e consequências profundas. Mesmo que o sacerdócio corrompido reiterasse tais práticas por milhares de anos em diversas civilizações, o resultado era sempre o mesmo. Angustia, prisão, desterro, perda de laços familiares, vergonha. Em todos os povos o que sobrava depois de anos destas práticas de culto eram mulheres doentes, moças abandonadas por suas famílias. Quando Balaão viu que todos os seus terríveis esforços mágicos foram impedidos, que não conseguiu amaldiçoara de nenhuma forma ao povo de Israel ele deu uma última cartada. Ensinou aos moabitas a convidarem os homens e mulheres israelitas a participarem de cultos com prostituição cul tual. E Israel foi envolvido num mundo que levariam próximos até dos bacanais romanos. Chegariam a praticar isso diante da Tenda da Congregação e posteriormente no Templo de Salomão. Essa questão é aprofundada no capítulo “A Profecia em Cantares”. Salomão ama com simplicidade, e sua contemplação da beleza física de Sunamita é um extraordinário ponto da liberdade e da expressão humana do amor entre o homem e uma mulher. Porém o livro de Cantares não enfatiza o erotismo, antes o romance. Ele possui notas de erotismo na sua dimensão humana, no meio de uma melodia de abundante romance, não o inverso. Alguns autores se perdem em tentar encontrar expressões ocultas de sexualidade plena, procuram o Kama Sutra em Cantares, mas estão errando o enredo, a tônica, a música e a canção. Estão dançando o ritmo errado da canção. A moça está vestida e envolta num véu. Sua roupa é clara, toda adornada de bordados de flores e pela descrição dos narcisos, nesse momento sua roupa é branca ou amarela, quase dourada. A adolescente do oriente não usa um decote e nem fica exposta como nas vestimentas da atualidade. Ela está coberta, envolta. Mas quando ela corre e pula e dança, seus seios se movimentam com o corpo. E ele os vê balançarem sobre as vestes e faz uma engraçada comparação. Os veados pequenos num campo de narcisos não aparecem. 379
  • 380.
  • 381.
    381 Essa seriaa foto de um veado ADULTO num campo de narcisos. Os filhotes estariam escondidos. Ocultos
  • 382.
    382 Se elescorressem o que você veria balançar seriam AS FLORES. Ele vê em seu corpo simetria, ele afirma que seus seios são como filhotes GEMEOS, vê nela beleza PERFEITA, simetria até quando ela se movimenta. Sunamita não para quieta. A proporcionalidade é um bem estético exaustivamente buscado pelas mulheres até os nossos dias. Que o digam os consultórios de cirurgias plásticas. Os Estados Unidos e o Brasil são os países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo. No primeiro foram realizados 1.094.146 procedimentos em 2011, enquanto mais de 905 mil brasileiros passaram pelo bisturi no mesmo ano, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC). Em seguida aparecem países como China, Japão, Itália, México, Coreia do Sul, Índia, França e Alemanha. (http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/brasil-no-mundo/2014/08/13/tendencias-das-cirurgias- plasticas-no-mundo/) Ver a menina correr é uma aventura para a alma de Salomão.
  • 383.
    A capacidade deobservação do rapaz é extraordinária, o detalhismo com que ele interpreta até os gestos e movimentos do corpo da sua amada, por mais sutis que sejam, são fontes inesgotáveis para sua poesia. Cristo contempla sua Igreja e a vê perfeitamente, detalhadamente, ele ama seus movimentos quando ela corre em sua Direção. Há um prazer divino, um regozijo, uma alegria espiritual profunda em Deus que é manifesto pelo Espírito quando a Igreja caminha, salta, dança, respira. A vida de seus filhos é preciosa diante de seus olhos. O deslumbramento de Salomão tem um reflexo celestial quando Jesus inundado do Espírito Santo EXULTA e exclama espontaneamente: 21 Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. O ESPÍRITO de Deus sente alegria, opera alegria, manifesta alegria, compartilha -a. A Expressão “No Espírito” significa, entre outras coisas, na esfera de, debaixo da influência de, mergulhado em, envolto em, cercado de, dentro de. Bêbado. Embriagado do Espírito, Jesus exalta. Porque ouviu algo extraordinário, porque diante de seus olhos contemplou gente que compreendeu os seus mistérios. O Espírito de Deus anseia pelo mover de sua Noiva. Pela sua corrida, pelo exercício da fé PLENA, pelo compartilhar com sua Igreja, da sua vida. E sobretudo, de detalhadamente observá-la PERFEITA, sem desfeitos, sem falhas diante de seus olhos. 1. עד שׁיפוח היום ונסו הצללים אלך לי אל־הר המור ואל־גבעת הלבונה׃ 4:6 2. Ad sheyafuakh hayom venasu hatzelalim elekh li el-har hamor veel-givat halevona: 3. Until the day break, and the shadows flee away, I will get me to the mountain of myrrh, and to the hill of Levonah (frankincense). No meio da contemplação da moça dançando e correndo, um verso que sublima o mistério. Fora do contexto, fora da ordem, quebrando a continuidade e a visão da Amada. Salomão Fala de um compromisso inadiável que enche seu coração e o distancia momentaneamente da contemplação de sua Amada. Um pensamento soturno, uma nota triste, profunda. Grave. Para que aquele amor tivesse continuidade, algo sinistro, noturno, encoberto em mistério teria que acontecer. As duas expressões nos levam a locais de culto, dois lugares em específico preenchem as lacunas deste texto. O templo ficava erigido sobre o monte Moriá, lá era onde os sacerdotes balançavam seus incensários e o monte inteiro cheirava a aloés, a nardo, a especiarias diversas, que compunham um perfume que só podia ser produzido por perfumistas sacerdotes e só podia ser usado no 383
  • 384.
    templo. E asegunda referencia nos leva ao mesmo monte próximo dali, conhecido como EIRA DE ARAÚNA No Google Maps, o bonequinho está entre o Monte Moria e o Monte das Oliveiras onde fica o Getsemani. Ele está olhando em direção ao Getsemani nest momento. 384
  • 385.
    Do outro ladoda rua, que fica no meio de um vale ( vale de Cedron) está a colina do monte Moriá, cercada atualmente por um muro, sobre ela não existe mais o templo de Salomão, há um Domo, um templo mulçumano. 385 Jerusalém é uma cidade com muitas histórias proféticas. Por um ato de desobediência Davi sofreu um julgamento divino que ocasionou uma grande tragédia em seu exército. Estendendo, pois, o anjo a sua mão sobre Jerusalém, para a destruir, o SENHOR se arrependeu daquele mal; e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora retira a tua mão. E o anjo do SENHOR estava junto à eira de Araúna, o jebuseu. 2 Samuel 24:16 E Gade veio naquele mesmo dia a Davi, e disse-lhe: Sobe, levanta ao SENHOR um altar na eira de Araúna, o jebuseu. 2 Samuel 24:18 E olhou Araúna, e viu que vinham para ele o rei e os seus servos; saiu, pois, Araúna e inclinou-se diante do rei com o rosto em terra. 2 Samuel 24:20 E disse Araúna: Por que vem o rei meu SENHOR ao seu servo? E disse Davi: Para comprar de ti esta eira, a fim de edificar nela um altar ao SENHOR, para que este castigo cesse de sobre o povo. 2 Samuel 24:21 Então disse Araúna a Davi: Tome, e ofereça o rei meu senhor o que bem parecer aos seus olhos; eis aí bois para o holocausto, e os trilhos, e o aparelho dos bois para a lenha. 2 Samuel 24:22 Tudo isto deu Araúna ao rei; disse mais Araúna ao rei: O SENHOR teu Deus tome prazer em ti. 2 Samuel 24:23
  • 386.
    Porém o reidisse a Araúna: Não, mas por preço justo to comprarei, porque não oferecerei ao SENHOR meu Deus holocaustos que não me custem nada. Assim Davi comprou a eira e os bois por cinquenta siclos de prata. 386 No lugar em que encontro ao anjo ele indicará a localização futura do templo. Nos tempos do Antigo Testamento, o povo de Israel costumava construir no topo da melhor e mais conveniente colina de cada cidade um lugar onde se pudesse malhar o trigo. Esse lugar geralmente de forma circular, tinha em torno de vinte metros quadrados e era cercado por uma muralha de pedra cuja altura não ultrapassava meio metro. Com sua base sólida, era capaz de suportar uma prancha de madeira com dentes de pedra ou ferro, puxada sobre as espigas espalhadas pelo chão. Este trilho, girado por um boi ou jumento, quebrava os grãos separando-os da palha (Isaías 41.15). O animal que trabalhasse na eira tinha o direito de comer à vontade enquanto estivesse executando a sua tarefa (Deuteronômio 25.4:1 Coríntios 9.9-14). Após ter sido trilhado, os grãos são isolados com a ajuda de um tridente. Isto é, com um tridente ati ram-se os grãos e a palha para o alto, e a brisa que sopra naquela colina lança a palha para fora da eira enquanto que os grãos permanecem na eira. O vento que faz esta separação, em hebraico, é a mesma palavra usada para designar a expressão Espírito. O que sugere um julgamento, e mostra a diferença entre aquele que é de Deus daquele que não é (Oséias 13.3 e Lucas 3.17). A eira tinha duas finalidades principais: uma era a de separar o trigo da palha e a outra a de servir como tribunal de julgamento das pessoas da aldeia. Pois quando alguém cometia alguma falta passível de julgamento, os anciãos da cidade sentavam-se uns defronte dos outros na eira e julgavam aquela causa. Além disso, ela servia para a realização de cerimônias religiosas como a feita pelo rei Davi, na eira de Araúna (2 Samuel 24.16-25)
  • 387.
    Monte de mirralembrava para Salomão o monte onde Davi havia sido julgado, onde ele INTERCEDERA, onde Davi agiu pela primeira vez em sua vida como um SACERDOTE. Onde ele pessoalmente ofereceu um sacrifício, onde derramou seu coração como INCENSO. Lá onde seria construído o templo de Salomão. Mas, a oriente deste haviam três montes que formavam uma cadeia montanhosa. Essa cadeia de morros arredondados de calcário, situada do lado leste de Jerusalém, à distância da “jornada de um sábado”, e separada da cidade pelo vale do Cédron. (Ez 11:23; Za 14:4; At 1:12) Essa cadeia inclui três cumes principais. O monte Scopus, de maior altura e situado mais ao norte, eleva-se a cerca de 820 m e, assim, ultrapassa a elevação geral de Jerusalém. O chamado monte da Ofensa, ou monte da Ruína, é o mais sulino dos cumes e eleva-se a cerca de 740m. O cume central, defronte do monte do Templo, tem por volta de 812m no ponto mais elevado e é aquele geralmente mencionado na Bíblia como o monte das Oliveiras. Antigamente esta serra estava coberta de palmeiras, de murtas, de árvores oleaginosas, e, especialmente, de oliveiras. (Ne 8:15) Foi das oliveiras que esta serra obteve seu nome. Durante o sítio de Jerusalém pelos romanos em 70 EC, contudo, o monte das Oliveiras foi desnudado de suas árvores. — The Jewish War (A Guerra Judaica), V, 523 (xii, 4). Notáveis eventos da história bíblica estão relacionados com o monte das Oliveiras. Um em especial muito nos interessa. O Rei Davi, descalço e chorando, subiu o monte das Oliveiras ao fugir de seu filho rebelde, Absalão. (2Sa 15:14, 30, 32) 387
  • 388.
    Ficava na frentedo monte no qual um dia o anjo aparecera a Davi. Na frente do futuro templo. E também evocava muito sofrimento, muita angustia. Um dos filhos de Davi decidiu usurpar o reino, causou uma guerra, causou sua humilhação e o levou ao desterro. Enquanto foge da revolta aramada Davi sobe o monte das Oliveiras, fugindo de seu palácio, deixando para trás seu reino e esposas, sendo veementemente amaldiçoado por um dos parentes, Simei, do rei anterior, de nome Saul. A cena de maior dor e vergonha e humilhação da história da vida de seu Pai. O monte da mirra. Desde a eternidade há um instante da história humana para qual os olhos de Deus estão continuamente voltados. A cruz já habitava o coração de Cristo, antes da criação do homem. Há uma frase de significado fantástico que reverbera essa realidade. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. João 17:24 E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Apocalipse 13:8 Neste momento a voz do Espírito soa mais alto no dueto do que a de Salomão. Em sua mente divina ele vai até a eternidade passada e vislumbra o plano da salvação e seu momento mais tenebroso. O Calvário e o Getsemani já estavam no coração de Cristo antes que existissem o ser humano. Salomão pensava no Moria e no Monte da Ruína. Lá no monte das Oliveiras um anjo irá ao encontro de Jesus, de nosso Davi Celestial, que fará a mais profunda e difícil intercessão de seu ministério na terra. A oração do Getsemani. É desta intercessão que nós NASCEMOS, poeticamente e profeticamente falando. Dela dependemos nós, os ministérios, a graça e a salvação. Ela define, humanamente falando, ir em frente, realizar a loucura ou a possibilidade de não prosseguir. Ela define a submissão completa de Cristo a vontade de Deus, quando deixa de lado sua fé INFINITA e deixa-se abraçar pelo AMOR INSONDÀVEL e em vez de RESTAURAR a SUA GLÒRIA e evitar o escárnio e a tortura, DECIDE suportar, em vez do PODER de MUDAR o UNIVERSO, Jesus decide CRER e CONFIAR ( em coisas que na minha opinião estavam além de sua compreensão, há um mistério entre as pessoas divinas, entre o Pai e o Filho, que nós sequer imaginamos) no Pai e seguir o plano que já era conhecedor há milênios. O Espírito apontava para o Monte das Oliveiras e para um lugar do lado de fora dos muros da cidade. Desconhecido, ermo, desolado, maldito. Lugar de execução de condenados à morte pela justiça Romana. O monte Calvário. No instante em que o incenso estivesse sendo oferecido, em que o vinho estivesse sendo derramado e ovelha fosse sacrificada no alto do monte Moriá, enquanto o bode emissário está sendo conduzido a caminho do deserto, o CORDEIRO DE DEUS estaria morrendo na cruz às três horas da tarde da sexta-feira da Páscoa. 388
  • 389.
    É quando oEspírito suspira, porque o esforço será tremendo. É uma visão profética profunda que se mistura a beleza da canção. Não sabemos, no entanto qual a preocupação do coração de Salomão. Esses paradoxos da revelação divina...risos.... 1. כלך יפה רעיתי ומום אין בך׃ 4:7 2. Kulakh yafah rayati umum ein bakh: 3. Thou [art] all fair, my ra'yah (maiden); [there is] no spot in thee. 4. Logo após essa meditação, essa nota dissonante na composição, os olhos de Salomão retornam a sua amada. Repete o refrão, a mesma opinião que dela tem desde o início. Linda demais. Formosa. Quando mais ele a vê, mais ele a ama. Mais encontra nela mais beleza. Por cerca de 10 vezes ele a chamará de meu amor no poema, 32 vezes ele a dirá que ela lhe pertence. E agora acrescenta uma coisa nova em seu arcabouço de elogios. Apesar de estar enegrecida pelo sol, morena, bronzeada da exposição diária ao trabalho de caçadora de raposas, ele concede-lhe um belíssimo elogio. Em ti não há mancha. Era lendária a vocação das mulheres da antiguidade para valorizar a tonalidade de sua pele branqueando-a. Até hoje a pele branca, a tez branca, é altamente valorizada em várias regiões da Índia. Segundo a empresa de pesquisas Euro monitor International, o mercado de produtos dermatológicos cresceu 42,7% desde 2001 e hoje movimenta US$ 318 milhões. Para Didier Villanueva, gerente nacional da L'Óreal Índia, a ideia de "clareza resplandecente" não guarda relação com o colonialismo ou a idealização da aparência europeia. É um conceito que "tem raízes profundas na cultura do país". Não há como negar que o conceito de "fairness", como é descrita a pele clara na Índia, está profundamente entranhado na cultura indiana. Quase todas as principais atrizes de Bollywood têm pele bastante pálida, apesar da gama de tonalidades de pele presente na população indiana, de quase 1 bilhão de pessoas. Nos tempos da antiguidade esse padrão também era perseguido. Com os tratamentos vigentes da época. Salomão diz que ela é alva como a neve, usa um vocábulo sacerdotal que se referia também a pureza das vestes dos sumo sacerdotes e das ofertas sagradas, uma expressão que simbolizava a pureza, a idoneidade, a honestidade das relações. Em ti não há mancha era uma expressão jurídica de inocência do réu, era também semelhante ao que um leproso receberia ao se apresentar curado diante de um sumo-sacerdote após ser severamente examinado. E significava que ela era branca. Apesar de ser morena. Equivale a dizer, você é o padrão de beleza para mim. A opinião dele sobre ela é contrastante. Ela se vê feia. Ou ao menos, não do jeito como gostaria que fosse. Ele a vê imaculada. Na dimensão espiritual algo similar acontece. Ao olhar a Igreja, sua fé, sua busca, seu amor e sua intercessão, o Espírito repete: Em ti não há mancha. Não há delito. Paulo lerá essa realidade na justificação que vem por meio da fé, através do milagre da justiça segundo a fé. O amor a Cristo PURIFICA o coração da Igreja. O 389
  • 390.
    Espírito a adornade PUREZA, do desejo antes inexistente de SANTIDADE. O apóstolo João dirá “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos PURIFICAR de toda a injustiça!” Apocalipse repetirá “Bem aventurados aqueles que LAVAM as suas vestiduras no sangue do Cordeiro” Jesus afirmará “Já estais LIMPOS pela Palavra que vos tenho dito” 390 Hebreus 9:14 quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte[39], para que sirvamos ao Deus vivo! 1 Pedro 1:22 Agora que vocês purificaram a sua vida pela obediência à verdade, visando ao amor fraternal e sincero, amem sinceramente uns aos outros e de todo o coração. E o Amado Jesus morrerá para que aquilo que Salomão falou se torne verdade ESPIRITUAL na essência de sua IGREJA Efésios 5:27 e para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Há um mistério no amor de Cristo que se correspondido, nos torna puros. O eco de nossos atos é nos vermos sujos. Não que haja simbolismo na pele morena, mas há o contraste das manchas causadas pelo sol, com a pele de uma criança. O espírito quer que nos vejamos como ele nos vê. Por isso o dom da Profecia, a Palavra de sabedoria, a Palavra de Conhecimento, e os dons espirituais manifestos, para que de modo sobrenatural ouçamos continuamente sua voz nos fortalecendo o coração. Para que não olhemos os fracassos, os erros, as falhas. O ministério do Espírito é em grande parte a de alguém que nos EDIFICA, que nos ensina a CRER contra nossos SENTIMENTOS naturais. Nossos olhos naturais focam as tragédias, as fraquezas, nós decidimos muitas vezes com base no que percebemos, no que vemos. Mas ele não nos vê assim. O ministério de uma Igreja que intercede é algo glorioso, belíssimo, envolto em uma condição de justificação, pureza, e santidades impressionantes. 1. אתי מלבנון כלה אתי מלבנון תבואי תשׁורי מראשׁ אמנה מראשׁ שׂניר וחרמון ממענות אריות 4:8 מהררי נמרים׃ 2. Iti milvanon kalah iti milvanon tavoi tashuri merosh amanah merosh senir vekher monmimonot arayot meharrei nemerim: Come with me from Levanon, [my] spouse, with me from Levanon: look from the top of Amana, from the top of Shenir and Hermon, from the lions' dens, from the mountains of the leopards
  • 391.
    Neste momento umarevelação nova. Salomão a chama de esposa. A ordem da história é complicada. Mas ele já a desposou, já noivou com ela e agora deseja levá-lo com ele. Deseja que ela saia da aldeia. Que ela viaje e conheça o mundo. E a primira divisa entre o Israel e a Ásia era o Líbano. O Líbano era um lugar maravilho a época de Cantares. O que parece ser um SONHO IMPOSSÍVEL. Até este momento a moça está casando com um PASTOR. Ele ainda não se revelou. ELA AINDA não sabe quem é o rapaz. Cantares é lúdico, é um conto de fadas, é uma canção de amor cheia de belíssimos nuances. 391 - - - -
  • 392.
    392 - - - - Salomão deseja que ela suba com ele os montes mais altos, de onde a visão será deslumbrante, e dali partir para regiões ainda mais distantes. Uma nova perspectiva de vida. Ele citará quatros montanhas, Senir, Amana, Hebrom e o monte dos leopardos, ou montanha dos leões. Um lugar onde habitam bestas-feras. Uma destes lugares é provavelmente a montanha da transfiguração, o monte Hermon. A velha “montanha de cabelos brancos”. É Cristo convidando sua Noiva a subir as regiões celestiais, a pensar nas coisas que são do alto. É dentro da mente do Espírito a vocação GENTILICA da Igreja, a pregação do Evangelgo ETERNO que é presente para TODO HOMEM e não somente dos judeus. É a visão que foi dada a Abraão sendo cantada de outra forma “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”, além do LIBANO, além do HERMON que é a montanha que é o limite de Israel. Mas antes, Salomão deseja que ela suba neles. Os montes das antiguidades eram chamados de “moradas dos deuses”. Seja o monte Olimpo, seja o Carmelo, seja o Horebe. Em cada ponto da Ásia, ou da antiga Europa, da Índia ou das terras que comporiam um dia a China, os montes foram considerados sagrados. É comum a existência de templos em diversos montes ao redor do mundo.
  • 393.
  • 394.
  • 395.
    Foi num monteque A Lei foi entregue a Moisés, foi num monte que Jesus transfigurou-se diante dos espantados apóstolos, foi num monte que ocorreu a luta entre os profetas de Baal e Elias e também num monte em que pereceram cerca de 100 soldados por intenta rem arrastar a força o profeta Elias sobre as ordens do rei Acabe. As montanhas simbolizam o poder de Deus, e sobre elas milhares de templos de ídolos foram erguidos. Incluindo Salomão que em sua velhice construiu um templo por influência de suas mulheres, sobre um dos lados do monte da Ruina, do complexo do monte das Oliveiras, perto do lugar por onde seu pai Davi desceu chorando. Perto do túmulo de seu irmão, Absalão. Salomão construiu próximo ao Pilar que Absalão pediu para construir enquanto ainda era vivo, em sua memória. 395
  • 396.
    396 Está situadoao pé do Monte das Oliveiras, de frente para o Monte do Templo. Os montes nos contam histórias espirituais, evocam o sagrado e são testemunhas de eventos espirituais profundos, alguns maravilhosos, outros nem tanto. Na tentação de Cristo ele foi elevado por Satanás a um alto monte. Um gigantesco e desconhecido monte. De lá ele ESPIRITUALMENTE pode contemplar os reinos políticos e terrenos do mundo e ali lhe foi oferecido o mundo político, a glória humana, a sociedade
  • 397.
    semi-organizada e escravizadapor demônios, como se oferece um presente de casamento para alguém. Novamente numa montanha. Há profecias do Velho Testamento sobre o Senhor pisando os montes e fazendo-os fumegar e o retorno de Cristo, sal segunda vinda está relacionada profundamente ao complexo do monte das Oliveiras, conforme profetizado por Zacarias. E diante de tantos significados que devemos compreender a beleza da poesia na boca de Salomão. Subir além das coisas do mundo, do sagrado nessa terra, ir além dos limites geográficos. Ver o invisível. Experimentar novos montes. Novas regiões, inexploradas. Belíssimas. O Espírito anseia conduzir a Igreja a novos patamares de ENTENDIMENTO das coisas do seu Reino. Conduzi-la a novas percepções de sua grandeza e a novas dimensões de seu poder. A promessa de Cristo foi de vida abundante. Certo momento Jesus vira-se par os discípulos e diz “maiores obras que estas fareis”. Como se fosse fácil. Como se fosse possível. Como se fosse uma realidade palpável. Cegos de nascença viram, leprosos foram curados, mortos ressuscitaram. Sempre imagino o que significa, num mundo tão carente de sinais e prodígios reais, num mundo de tamanha apostasia, o significado de excedermos os padrões de operação milagrosa que Cristo estabeleceu. Esse é em parte a beleza do chamado da Sunamita Celestial pela voz do Espírito. Além do Hermon. Além do Amana. Além do Senir. E independente se ali habitam poderes celestiais contrários. Há grande oposição maligna contra a manifestação do Poder de Deus. Grandiosa. Monstruosa. As bestas-feras do inferno gritam, lutam, pelejam contra a Igreja de Cristo de todas as formas para que ela não alcance sua vocação celestial. Para que ela não suba aos montes. Mas quem convida tem poder e autoridade e uma guarda armada, poderosíssima. Que fujam os leões antes que o rei chegue com sua Amada. O lúdico da história era a Sunamita imaginar como é que aquele sujeito magro, com aquele cajado, com a funda e o bastão, que são os apetrechos de guerra de um pastor israelita da época, poderiam ajudá-la se realmente fossem atacados por leões... 1. לבבתני אחתי כלה לבבתיני באחד מעיניך באחד ענק מצורניך׃ 4:9 2. Libavtini akhoti khalah libavtini beekhad meeinayikh beekhad anak mitzavronayikh: 3. Thou hast ravished my heart, my sister, [my] spouse; thou hast ravished my lev with one of thine eyes, with one chain of thy neck. O coração de Salomão queima. Na fornalha da paixão. O coração de Salomão fica descompassado, acelera-se. Não há em hebraico e talvez em nenhuma língua uma palavra que descreva tal estado emocional. O coração representa hoje o que os antigos viam nele literalmente. Centro das emoções, lugar onde mora ou habita a alma humana. Não havia o 397
  • 398.
    conhecimento do papeldo cérebro ou conhecimento das funções cerebrais e cognitivas a partir da mente. Mas a alma humana não habita um lugar geográfico determinado pela fisiologia humana. Nós somos mais que ossos, músculos e sangue, uma cadeia de proteínas e enzimas, fenômenos físicos, químicos e elétricos. Nós transcendemos a matéria na qual habitamos, temos dimensões espirituais. O ser humano possui dimensões divinas a ele doadas em sua concepção, uma alma e um espírito. Duas realidades que se misturam, complementam-se, duas dimensões espirituais profundamente interligadas. Mente e coração, psique e pneuma, nefesh e ruah, alma e espírito. A psicologia é uma ciência cuja área de atuação é o estudo do comportamento e do pensamento, da alma humana. O coração é nas Escrituras sinônimo do “homem oculto do coração”, sinônimo do espírito humano que é chamado de “lâmpada do senhor”, outras vezes de “nosso interior”. Aquilo que move nosso “coração” espiritual reflete muitas vezes no “coração” físico. Nossas emoções exercem profundo papel sobre nossas reações físicas. Os egípcios compreendiam o coração como centro do ser humano. E veja que eles não dividiam o ser humano em duas partes espirituais como nós, mas pelo menos em sete ou nove partes! Como se possuímos ao invés de um, sete espíritos e umas duas almas. E mesmo assim, o coração era tão importante que ele é que seria, segundo o livro dos mortos, pesado numa balança do juízo diante de seus maiores deuses, e se estivesse PESADO, faria a balança descer e condenar o morto a perda definitiva de sua essência. O coração que Salomão cita é o que os poetas conhecem muito bem e seu reflexo no coração que os médicos conhecem muito pouco. Apesar de eventualmente realizarem até transplantes. (Essa citação é inspirada em o Homem, Esse Desconhecido). Salomão brinca com ela, as traduções repetem a essência de que o amor é mágico. 398 Lucas e Luan Fui enfeitiçado por ela Ela é a razão dessa dor Bebo sofro choro por ela Dou a vida por esse amor É tão profunda essa ligação entre o sentimento e o comportamento humano que há uma indústria mercadológica sobre ao amor hoje em dia, há ainda a prática de feitiçaria para que pessoas consigam uma grande paixão. Milhares de pessoas buscam todos os dias em qualquer tipo de poder, ritual, simpatia, ou invocação, não importa a fonte, vudu, feitiçaria, macumba, candomblé , magia negra ou branca, azul, musgo-esverdeada, no misticismo, numa “poção”, em algo que possa obrigar
  • 399.
    alguém a “cair”em “encantos” de alguém. Anseiam a paixão com base num poder externo, querem “comprar” o amor com base em invocações de poderes espirituais. Essa realidade é muito próxima, infelizmente, da alma do povo brasileiro. 399 Essa questão é melhor abordada no verso “Não desperteis o amor até que queira” . Poeticamente falando, Salomão sente uma força avassaladora, que o desconcerta. Porque ela o fitou demoradamente. Então ele brinca sobre uma das peças do colar, desvia o assunto, culpa o fator de estar se sentindo assim com base na beleza do colar que ela usa... no talismã que ela colocou entre as pedras para o atrair. Ele se derrete com o olhar da menina e culpa ao colar. O colar que Sunamita usa na poesia é belíssimo, uma obra de artesãos. Não há na antiguidade a distinção entre pedras semi-preciosas e preciosas. São sempre jóias, são caríssimas, são estimadas do mesmo modo. As jóias sempre irão refletir em cantares a essência da beleza, da perfeição, do trabalho esmerado. O belo é uma palavra que se origina na mesma raiz “perfeição” em hebraico.
  • 400.
    Há uma representaçãoespiritual que retrata um dos mistérios do coração de Deus. Um segredo. Ou uma constatação. Quando uma pessoa aceita o convite do Evangelho é dito que os anjos se alegram. A salvação fo homem, o despertar espiritual é para eles tão BELO que eles sentem profundíssima alegria na conversão. Quando Jesus foi batizado nas águas uma voz ecoou como um trovão, rimbobou nos céus, como se o universo inteiro se regozijasse: “Este é o meu Filho Amado, aquele em quem tenho prazer!” Este verso das Escrituras vem da boca de Deus Pai, reverbera o instante de sua maior alegria e contentamento. Quando Deus cria o universo há um eco de sua alegria e o relato de Genesis diz: “E viu Deus que tudo que tinha criado era bom”, uma manifestação pacífica, um sorriso suave. Mas quando Cristo é batizado, há um grito. Um grito de regozijo. O universo estremece de alegria na realização dos mistérios divinos através de Cristo. E do mesmo modo, o Espírito é movido, tocado, emocionado, perturbado, sensibilizado, constrangido pelo “olhar” da Igreja, quando a Sunamita celestial nele fita seus olhos e a nele se concentra. O olhar é algo que projeta-nos além de nós, é a única expressão de sentimentos e sentidos que arremessa de nós, uma parte de nós. Os olhos são tratados nas Escrituras como expressão dos sentimentos, dos sonhos, expressão da alma, como janela para o mais interior e escondido da essência humana. Quando a Sunamita encara a Salomão, é como se ele olhasse para pelas paredes da casa de seu coração até o canto mais distante, até o lugar mais escondido. Quando a Igreja ora e intercede, quando ela se expõe integralmente, inteiramente, confiada e ousadamente dem deus, ela abre as janelas de sua alma, ela está “fitando”, está “encarando”, está ligando os céus à terra, está tendo uma comunhão que REFLETE no Espírito de Deus uma alteração. Um descompasso. Um 400
  • 401.
    arrebatamento dos sentidos.Um feitiço. Um encantamento. O Espírito de Deus que sonda as profundezas de Deus percebe-nos, ama-nos, compartilha conosco de sua vida, assim como nós compartilhamos com ele de nossa essência. E nos responde. 1. מה־יפו דדיך אחתי כלה מה־טבו דדיך מיין וריח שׁמניך מכל־בשׂמים׃ 4:10 2. Mah-yafu Dodayikh akhoti khalah mah-tovu Dodayikh miyayin vereiakh shemanayikh mikol-besamim: 3. How fair is thy love, My sister, my spouse! How much better than wine is your love, And the scent of thy perfumes Than all spices! Salomão coloca o amor de Sunamita de maneira plural “amores”. Dá uma nova visão de sua relação. Ele a chama de “irmã”, uma carinhosa imagem que lhe une ao povo, que a trás para o seio de sua família, que retira as diferenças tribais, que o torna tão humano, partícipe da humanidade quanto ela. É um epiteto (apelido) doce como o mel, ele não é para ela um rei, ela não é para ele uma serva, não há distinção social ou econômica. Ele a “adota”. Como se houvesse nascido da mesma mãe. Um tratamento comum entre os orientais, respeitoso para com as esposas, ainda que não existissem laços sanguíneos entre os conjugues. Imediatamente vem até nossa memória a cena de Abraão e Sara, quando por duas vezes ele a apresentou exclusivamente como irmã (e era na verdade sua meia-irmã), em dois episódios, no Egito e na Filistia. Eram o tempo das festas e Salomão estava ali para a colheita do vinho, de centenas de vinhais que produziam vinhos de excepcional qualidade. E Salomão diz que nada que está ao seu redor, nenhuma das centenas de milhares de botijas de vinho se comparam a ela. Os vinhos eram produzitos com diversas especiarias e possuíam os mais diversificados aromas. Salomão diz que o perfume dela é mais agradável para ele que todos os sofisticados preparados com perfumadas e raras especiarias. A alegria que ele sente nela é mais embriagante que o efeito do vinho. Cantares reflete a história do amor divino pela humanidade, e dentro desta a paixão de Cristo. Os dias de Cantares são proféticos também, porque refletem o amor do Espírito cuja extensão dos dias é a eternidade. Este instante da história acontece logo após o momento de tristeza do Getsamani e do calvário, do verso seis. Jesus, descendente de Davi e Salomão, já subiu ao monte de incenso e a colina de mirra. As mulheres do ministério vão até ao jardim e ao lugar do túmulo de Jesus e em suas mãos trazem unguento. Nardo puríssimo e um preparado de mirra para ungir o corpo de Jesus. É domingo da ressurreição, Maria arrasada vem com o coração pesaroso em direção ao jardim e lá descobre que o tumulo está vazio. E abandonado. Os guardas fugiram após o terremoto que fêz com que a rocha do sepulcro gira-se e o deixasse aberto. Os romanos supersticiosos entenderam que os mortos estavam saindo de seus túmulos. Tomada pelo desespero Maria não percebe a chegada do jardineiro e quando o vê pede-lhe auxílio para encontrar o corpo que imaginava terem escondido. E Então Jesus revela -se a 401
  • 402.
    ela e nossurpreende também. Pela primeira vez nos Evangelhos Jesus se refere aos que creram como “irmãos”. João 20 16Então Jesus a chamou: “Miriâm!” Ela, voltando-se, exclamou também em aramaico: “Rabôni!” . 17Recomendou-lhe Jesus: “Não me segures, pois ainda não voltei para o Pai. Mas vai, e ao encontrar meus irmãos, dize-lhes assim: ‘estou ascendendo ao meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus’.” 18E assim foi Maria Madalena e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor Jesus ainda cheirava ao nardo que Maria tinha derramado alguns dias antes. Os unguentos nas mãos de Maria não serviriam mais para seu propósito inicial. Mesmo assim, continuavam sendo uma prova de amor profundo. A Igreja ainda carrega nas mãos o unguento, afinal Maria não o utilizou, Jesus não necessitará mais, porque vive para todo o sempre. Como se representasse que estamos com ele nas mãos e necessitamos usá-lo em alguém! Unguento espiritualmente falando evoca CURA. A Igreja possui provisão para CURA. Provisão espiritual, celestial, sobrenatural. E são melhores que todas as especiarias. 1. נפת תטפנה שׂפתותיך כלה דבשׁ וחלב תחת לשׁונך וריח שׂלמתיך כריח לבנון׃ 4:11 2. Nofet titofnah siftotayikh kalah devash vekhalav takhat leshonekh vereiakh salmotayikh kereiakh Levanon: 3. Thy lips, O [my] spouse, drop [as] the honeycomb: honey and milk [are] under thy tongue; and the smell of thy garments [is] like the smell of Levanon. 1. גן נעול אחתי כלה גל נעול מעין חתום׃ 4:12 2. Gan naul akhoti khalah gal naul mayan khatum: 3. A garden inclosed [is] my sister, [my] spouse; a spring shut up, a fountain sealed. O beijo é uma expressão de amor em quase todas asculturas, e Salomão usará de poesia para falar do beijo de sua amada, invocando as figuras do campo, as figuras de dois bens que eram a base da alimentação dos povos da antiguidade, apreciados por todos, que as crianças conheciam desde pequenas, o leite e o mel. A terra de Israel é cantada em termos de leite e mel, os dois juntos compunahm uma bebida aromatizada, faziam parte de coquetéis, ou batidas especiais, sendo um dos tipos de bebida em voga, além do próprio vinho abundantemente derramado em Cantares. O cheiro dos vestidos é como o do 402
  • 403.
    Libano, que erauma floresta exuberante, marcado por bosques com fragrâncias especiais, dependendo do local onde você estivesse. O amor que ele transborda vai até as vestes da Sunamita, ele repara no que ela está vestindo, e além, num nível de sentidos que para o homem moderno passa despercebido, o cheiro dos tecidos que compõem o vestido. Nós olhamos para vestes, nós tocamos, usaríamos o sentido visual e o tátil para descrever um vestido, ele extrapola o conceito, ele usar os odores, o cheiro para evocar uma lembrança. O texto mostra um antigo costume de perfurmar não somente o corpo feminino, mas até suas vestimentas. Vem nos a mente a imagem de Isaque, cheirando as vestes de Esau para saber se realmente é seu filho. O homem conhece o perfume de sua amada, ou ao menos, deveria. Salomão fixava uma imagem profundamente na sua mente. Ele usava todos os recursos para criar uma imagem de Sunamita, inesquecível. Uma memória que unia emoção, sentimentos e sensações. Parte da arte da memória dos tempos da antiguidade era a de unir os mais diversos elementos a uma cena, para torna-la indelével na memória. Por isso as mulheres raramente esquecem de algo, elas vivenciam com emoções as coisas que vivem, e isso converva nelas, fixa nelas a memória das coisas que vivenciaram. Na dimensão humana, emocional, psicológica, afetiva, há um mumdo de intimidade para se ensinar aos casais, na dimensão espiritual, nossa ênfase, outras tantas coisas. O Espírito vê Leite e Mel na boca da Igreja. Não FEL. Não amargura, antes doçura. Jesus guarda do mesmo modo, uma imagem vivida, profunda, perene, do tempo de sua encarnação. Uma imagem indelével. Que jamais irá esquecer. Ele possui marcas, ele nasceu, viveu, correu, suou, lutou, amou, chorou, sofreu, morreu e ressuscitou! Ele tem guardado na memória uma existência humana e como se não bastasse, um pedaço da humanidade nele habitará para sempre. Um corpo humano, tecido em Maria, que ele habita, que o envolve, que ele glorificou, que ele fez assentar com ele nas regiões celestes. Jesus está ligado ao ser humano, a sua história, a nossa geração e a nossa humanidade de um modo inquebrável, insepravel. O cheiro das vestes da Sunamita o envolve tempo inteiro... É o cheiro do Libano porque ele amou ao MUNDO. A Todo o MUNDO. Sunamita representa a HUMANIDADE diante de Cristo. O Libano evoca o que vai além de Israel, é a vocação gentílica, são os povos, as nações, as raças, as tribos. Salomão a compara com um jardim, como os muitos que ele edificou. Salomão foi um grandioso botânico, ele ergueu talvez os primeiros parques ecológicos da história. 403
  • 404.
    O Egipcios, ospersas, os gregos, os romanos, os arabes, os sultões indianos, tiveram suntuosos jardins. Um jardim fechado era um jardim exclusivo, que poderia ser religioso, num templo que só os sacerdotes poderiam ter acesso, de uma academia ou escola, só para os discípulos, o de uma residência ou cemitérios especiais, os palacianos ou reais, de exclusivo acesso aos reis. Salomão a compara a este último, o jardim de uso exclusivo, guardado, sem acesso a estranhos, privado, onde somente trabalhadores especializados tinham acesso para usufruto de uma única família ou pessoa. O manancial selado é da mesmo modo uma fonte protegida, ou tapada, que possui águas puras mas de difícil acesso, cercada de árvores ou muro, e se tivesse um selo, um fonte exclusiva num propriedade separada. Uma fonte real era somente para uso do castelo, nenhuma pessoa poderia retirar água desta fonte sem autorização real. A Igreja é um lugar que não pertence aos homens. Nem pode ser usada para beneficio politico, pessoal. Não serve a propósitos humanos, ela é uma criação divina, ela possui um propósito espiritual, a ela não tem acesso o estranho. Nem o sentimento estranho. O Salmista pergunta quem habitará com Deus? A resposta solene: “SENHOR, quem habitará no teu Tabernáculo ? Quem morará no teu Santo Monte ? Aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça, e fala verazmente segundo o seu coração; Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhuma afronta contra o seu próximo; Aquele a cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao SENHOR; Aquele que, mesmo que jure com dano seu, não muda. Aquele que não empresta o seu dinheiro com usura, nem recebe subornos contra o inocente; 404
  • 405.
    405 Quem fazisto nunca será abalado.” (Salmo 15, Salmo de Davi) Nesse jardim habita a justiça. Esse jardim é fechado, é exclusivo, é guardado. Não há jardim do Espírito onde reina a injustiça, onde há a mentira, a falsidade. Não há Igreja onde não há exclusividade de CRISTO, ou exclusividade para CRISTO. A Posse do jardim significa que os demônios não tem acesso a ele. Que ele não será tocado pelo poder das trevas, que ela não será lugar para realização do mal. O jardim é fechado porque o acesso é uma porta que fica no invisível. O filósofo, o cientista, o politico, o intelectual, não possuem acesso. Não há como entrar senão pela fé, não há como ve-lo senão pela fé, não há como tocar as flores, ou compreender as suas fragrancias senão passando pelo único caminho que dá acesso ao jardim. O selo mostra soberania. É o anel da aliança no dedo da Noiva. É necessário permissão divina para estar nele. Ninguém entrará e nem permanecerá nele sem essa permissão. 1. שׁלחיך פרדס רמונים עם פרי מגדים כפרים עם־נרדים׃ 4:13 2. Shelakhayikh pardes rimonim im peri megadim kefarim im-neradim: 3. Thy plants [are] an orchard of rimmon (pomegranates), with pleasant fruits; kopher (henna, camphire), with spikenard, Aos olhos de Salomão ela é um jardim especial de especiarias. O Jardim botânico no Rio de janeiro foi criado com o objetivo da aclimatação das especiarias da India. Sunamita já era isso aos olhos de Salomão. As Romãs, o Cipreste e o Nardo formam um belíssimo jardim, com árvores grandiosas, perfumado e com flores vermelhas.
  • 406.
    O termo RENOVOpossui um significado grandioso quando relacionado a Casa de Davi. Renovo fala de príncipes, de novos herdeiros nascendo. É a visão dos brotos da videira, é a visão da renovação do jardim. O renovo são as novas folhas, os novos caules, as novas árvores, as novas frutas. Os frutos sempre se renovam nas árvores frutíferas sadias. São a prova da saúde de um jardim, de que as plantas não envelheceram. Isaías nos falará de um príncipe da paz, nos conduzirá a visão do renovo, uma criança que nos seria dada e que sobre ela haveria um reino, um principado que jamais teria fim. Renovo evoca uma mudança, uma transformação, um jardim renovado, uma humanidade renovada. Revitalizada, REGENERADA. Canatres aponta-nos um amanhã de sonho, uma manhã gloriosa. Aponta um mundo velho sendo mudado. E um mundo novo sendo criado. De modo perene, uma profecia que abrange todas as coisas. Essa renovação final e eterna nos é mostrada em Apocalipse 22. E vi um novo céu e uma nova terra, porque o que era velho, já não existe mais... O Cipreste evoca a justiça que fez sombra sobre as romanzeiras, que nos lembram os frutos que a Igreja produziu, em meio ao Nardo que é sempre o perfume do rapaz que saiu vivo do túmulo vazio. O Cheiro da Ressurreição. Esse belíssimo jardim, cheio de justiça, cheio de frutos espirituais, com fortíssimo cheiro de gente RESSURRETA! 1. נרד וכרכם קנה וקנמון עם כל־עצי לבונה מר ואהלות עם כל־ראשׁי בשׂמים׃ 4:14 2. Nerde vekharkom kaneh vekinamon im kol-atzei levonah mor vaahalot im kol-rashei besamim: 3. Spikenard and saffron; calamus and cinnamon, with all trees of Levonah (frankincense); myrrh and aloes, with all the chief spices: A visão do jardim se torna mais detalhado, mais amplo, mais espaçoso e espacial. Ele tem outras essências, outras especiarias. Ele é feito das árvores que produzem o incenso do 406
  • 407.
    Templo, ele éo sonho dos perfumistas-sacerdotes. Ele possui produtos que adoçam, que dão sabor e aroma, caríssimos, fonte de riqueza de comerciantes, um dos motivos das grandes navegações. Produtos vindos de terras distantes, representam a África, a Índia, a Russia, o Marrocos, as ilhas. Representam o melhor das terras, os temperos que temperavam os banquetes reais, presentes também na casa dos camponeses. Parte se misturava com o vinho, parte com as comidas. Árvores de inceno eram mais raras, significava que haviam crescido, amadurecido. Como o incenso estava sempre sendo colhido não havia muito tempo para que árvores crescessem, os jardins com plantas e arbstos eram comuns, mas uma floresta de árvores de inceno eriam muito raras. Há uma relação profunda entre o incenso e a oração. Sua representação é estabelecida por um verso em Apocalipse, que desvenda o significado do Incenso, um anjo nos revela o que ele significa, ORAÇÃO. Havia no templo um alatra para o incenso, um alatar só para ele. Os incensários eram objeto sagrados e o incenso ofertado através deles, inclusive seu preparo, era de uso exclusivo para o santuário. Haviam vários tipo de incenso, incluindo para aromatizar as residências, havia uma para os encontros amorosos. Mas o do templo era único. Àrvores de incenso falam de uma das coisas mais raras desta terra. Homens e mulheres desenvolvidos, crescidos, amadurecidos em oração. São chamados de INTERCESSORES. São homens e mulheres de oração, que oram com grandiosa fé, que oram com grandioso conhecimento da Palvra, que lutam veementemente pelos direitos, pelos recursos, com muita e extremada ousadia. Àrvores de incenso são colunas nas igrejas, mudaram a face do mundo, trabalhando no invisível. Uma floresta de árvores de Incenso é impenetrável. É aterrorizante. É fabulosa. Uma das funções ministeriais é gerar florestas de árvores de Incenso. 1. מעין גנים באר מים חיים ונזלים מן־לבנון׃ 4:15 2. Ayan ganim beer mayim khayim venozlim min-Levanon: 407 A fountain of gardens, a well of chayim mayim, and streams from Levanon
  • 408.
  • 409.
    409 Waterfalls inBaaklin – ElChouf
  • 410.
  • 411.
    411 Balaa GorgeWaterfall A.K.A, Libano. Croácia. Na antiguidade um dos maiores bens era uma fonte de água que não fosse salobra. Àgua potável era um tesouro, num mundo sem distribuição de água, sem aquedutos, sem água encanada. E a região do Líbano possuía fontes belíssimas. Algumas que já não podemos mais avistar. As guerras das nações devastaram inúmeros lugares da terra, inúmeras fontes foram tapadas, locais que antes eram paraísos naturais foram queimados. O Líbano possui até hoje algumas dessas fontes da antiguidade, talvez a mesma fonte com que Salomão comparou a Sunamita. Ela para ele é a fonte dos jardins. Dela nasce o jardim, dela depende o jardim. Sem ela o jardim se seca, deixa de existir. Ela emoldura, enfeita e VIVIFICA o jardim! Dela procede a VIDA! As águas da neve derretendo-se na chegada do verão formavam cachoeiras lindíssimas. A água do Hermom, o Velho de Cabelos Brancos aliementava as fontes. Muitas imagens que traduzem o significado da Igreja, da dimensão espiritual que ela possui. Da importância que o Espírito lhe concede, como ele enxerga o ministério, sua importância. Como a vida da terra, do mundo, da humanidade, como seu destino está ligado a Igreja. O mistério da vida se cumpre no amor que Deus possui pela Igreja. E nesse amor a Vida é derramada na terra. Essa é a função do sacerdócio, VIVIFICAR as nações, manifestar VIDA, alegria, paz, abundancia, uma dimensão de esperança que nutra, que hidrate, que limpe, que purifique o jardim inteiro. A Vida desce de Cristo, se derrama através do Espírito e manifesta-se em alegria, em curas, sinais e prodígios, em operações espirituais e paz. Sunamita é Vida para Salomão. Ele a exalta como fonte de sua inspiração, fonte de sua vida. Há um mistério na Igreja. Em nós e na humanidade. Deus propôs uma vida que nos abrange, que nos abriga e que não é COMPLETA sem nós. Ele fez de NÓS sua
  • 412.
    razão de viver,seus sonhos, sua esperança e sua história! Ele poderia tudo, mas escolheu andar conosco, viver conosco, compartilhar-se conosco. Estar ao nosso redor. Deus estima-nos acima de nosso entendimento. Ele também bebe dessa fonte dos jardins. Porque ama sua Igreja. 1. {The Shulamite} 2. עורי צפון ובואי תימן הפיחי גני יזלו בשׂמיו יבא דודי לגנו ויאכל פרי מגדיו׃ 4:16 3. Urit tzafon uvoi teiman hafikhi gani yizlu vesamav yavo Dodi legano veyokhal peri megadav: Awake, O north wind; and come, thou south; blow upon my garden, [that] the spices thereof may flow out. Let my love come into his garden, and eat his pleasant fruits. Esse verso é desenvolvido no capítulo A Magia em Cantares. A moça dança, na poesia, ela levanta suas mãos, roda as tranças e suas pulseiras, ergue a voz e canta, oferecendo-se integralmente ao seu Amado, já reconhecida como fonte, como o próprio jardim e até como seu perfume, ela é o jardim, ela é parte dos aromoas, ela compartilha dos frutos excelentes. E é ela que invoca o Vento, que lá em Genesis vem pairando sozinho! É a cena de Gesnesis com um personagem a mais, com a dançarina brincando com o Espírito de Deus. 412
  • 413.
    413 Capítulo 5O desencontro e a busca 1. {The Beloved} 2. באתי לגני אחתי כלה אריתי מורי עם־בשׂמי אכלתי יערי עם־דבשׁי שׁתיתי ייני עם־חלבי אכלו 5:1 רעים שׁתו ושׁכרו דודים׃ 3. Bati legani akhoti khalah ariti mori im-besami akhalti yari im-divshi shatiti yeini im-khalahvi ikhlu reim shetu veshikh rudodim: 4. I am come (bo) into my garden, my sister, [my] spouse: 5. I have gathered my myrrh with my spice; 6. I have eaten my honeycomb with my honey; 7. I have drunk my yayin (wine) with my milk: 8. {To His Friends} 9. {Refrain} 10. eat, O friends; drink, yea, 11. drink abundantly,  dodi. O verbo que Salomão usa neste verso está no passado. Ele se aproximou, ele provou de um amor exclusivo, ele conheceu a Sunamita, ele a convidou para festejar com ele, para brindar e banquetear com ele. Ele fala de um evento ocorrido, ele já colheu, ele já comeu, ele já entrou no jardim. Porém a festa continua. O favo de mel era um doce natural muito apreciado, associado a fartura e a riqueza da terra, se houvessem flores e árvores frutíferas, ali existiriam abelhas e colmeias. A apicultura é uma ciência antiga e os apicultores orientais eram tão especializados que tinham um apito ou assobio especial para ajuntar abelhas das colmeias que tratavam. Comer um favo de mel era desfrutar de uma sobremesa após um farto banquete ou lanche. O verso ainda enumera o leite, que na época era misturado ao vinho e ao mel criando outros sabores e outras bebidas. Salomão canta seu namoro, e retrata sua comemoração de noivado, ou uma festa que concedeu em virtude de grande alegria. O texto evoca ema entrada em um jardim de especiarias, a coleta de especiarias para perfumar a festa, para temperar os alimentos e misturar as bebidas. Este texto lembra um encontro, íntimo, pessoal, em que Salomão compartilha vinho, leite, vida alegria. É a primeira cena de Atos. É a festa inicial que os discípulos agora se torama amigos, onde servos se tornam filhos, co-herdeiros, família. Sunamita é chamada irmã, porque a Igreja de Cristo é também sua irmã. Somos irmãos de Jesus, ele tornou-se nosso irmão para que pudéssemos herdar seus bens, participar de sua herança celestial e até do reino messiânico. Jesus é herdeiro real, legítimo do trono de Davi e de Salomão. Ao nos fazer irmãos dele, nos torna também, herdeiros do trono. A IGREJA é legitima herdeira do
  • 414.
    trono de Davipela filiação, pela inclusão, por ser adotada, inclusa em Cristo. Ele estende o Reino a sua Igreja, que é parte dele, que é seu corpo. Quando Jesus se assentar no trono de Davi, literalmente, a Igreja também reinará na terra. O Reino de Davi é um símbolo de um reino maior, mais abrangente, eterno, e muitíssimo mais poderoso. O Reino de Cristo abrange o de Davi, o de Israel e ao reino divino. Jesus é REI de dois reinos. A Igreja recebeu de Cristo o direito a vários tronos. Tudo isso incluso na palavra IRMÃ. Essa visão só se cumpre a partir de Pentecostes. CANTARES OCORRE DURANTE O PENTECOSTES. Quando Jesus morre no calvário seu sangue purificava a terra inteira. Toda ela foi comprada para Deus através de Cristo. Cada centro de tortura, cada prisão, cada zona de prostituição, cada cidade destruídas pelas drogas, cada lugar onde corpos são lançados mutilados, cada pedaço de chão onde um monge budista cai incendiado depois de um suicídio ritual, cada pedaço de terreiro que é usado para rituais macabros de magia negra. Toda a terra foi santificada para Deus. Já não existem lugares sagrados, como no Velho Testamento. Nem coisas separadas como flores ou púlpitos. O chão de uma igreja não é mais sagrado que um pedaço de cemitério de indigentes. Este é o mistério revelado a mulher Samaritana que cria que o único local sagrado da terra era as ruínas de um antigo templo samaritano, no monte de Samaria. É o segredo contado por Jesus “onde quer que houverem dois ou três reunidos em meu nome, ai eu estarei”. Todo o UNIVERSO físico foi impactado pela morte de Jesus. E preparado por ele. Basta que a Sunamita chegue. Baste que ela pise neste local Josué é obrigado a tirar as sandálias para pisar um lugar santo, porque ali o anjo do senhor estava pisando e santificando o local, na época da tomada de Jericó. Agora, onde quer que pisar a Igreja, sobre ela repousa o PODER que habitava o Anjo do Senhor. Ela é que santifica a terra onde habita. Onde quer que a igreja ore, toda maldição terá que deixar o local. Tanto faz se era um centro de excelência na busca do diabo, ou uma antiga casa de prostituição. 1. {The Shulamite} 2. אני ישׁנה ולבי ער קול דודי דופק פתחי־לי אחתי רעיתי יונתי תמתי שׁראשׁי נמלא־טל קוצותי 5:2 רסיסי לילה׃ 3. Ani yeshenah velibi er kol Dodi dofek pitkhi-li akhoti rayati yonati tamati sheroshi nimla-tal kevutzotai resisei laila: 4. I yashen (sleep), but my lev waketh: 5. [it is] the voice of my dodi that knocketh, [saying], 6. {HE} 7. Open to me, my sister, my ra'yah (maiden), my Yonah (dove), my undefiled: for my head is filled with dew, [and] my locks with the drops of the night. 414
  • 415.
    Do verso doNoivado caímos no verso onde a maior crise de Cantares tem inicio. É o começo de um terrível pesadelo. Ou de uma cena real, em que o tempo de Salomão estava terminando, fortemente vigiado já não pode mais fugir de seus afazeres. Seu tempo está terminando. O texto trás uma figura belíssima, a Sunamita sente que algo está errado. Ela adormeceu, mas seu noivo chega repentinamente e ela está com preguiça, ele chega no meio da madrugada, um frio de dar inveja, ela está quentinha debaixo das cobertas, após ter lavado os pés numa bacia, já que o piso de sua casa era muito empoeirado, como era comum nas casas da antiguidade. A cena é pastoril, Israel é uma terra em que a noite é extremamente úmida, as roupas ou pessoas que ficassem ao sereno ficariam cobertas de orvalho. As plantas e árvores pingavam gotas, abundantemente ao amanhecer. Ele levou algum tempo para chegar até ali, e sua longa cabeleira pinga gotas de orvalho. Ela está perfumada, faz birra para não levantar, ele tenta abrir a fechadura da porta e não consegue, seu tempo acaba e ele tem que fugir. Ela se levanta, mas é tarde demais, Salomão partiu. Partiu para talvez, não voltar mais. Há uma revelação espiritual no texto “eu dormia, mas meu coração velava.” A diferença entre a alma e o espírito, entre a mente e o coração. Algo que SURPREENDENTEMEN-TE 415 Salomão já CONHECIA. Foi num sonho, coincidentemente que Salomão recebeu Sabedoria sobrenatural. Este texto mostra a profundidade dessa sabedoria. Paulo e a carta de Hebreus nos trarão iluminação sobre esse tema, mil anos depois deste texto. Sunamita faz pirraça. Não quer se levantar. Ao final da cena eu comento o contexto. 1. פשׁטתי את־כתנתי איככה אלבשׁנה רחצתי את־רגלי איככה אטנפם׃ 5:3 2. Pashatti et-kutanti eikhakha elbashenah rakhatzti et-raglai eikhakha atanfem: 3. I have put off my coat; how shall I put it on? I have washed my feet; how shall I defile them? Está frio, ela resolveu não sair da cama, mesmo sabendo que o seu noivo veio visitá-la no meio da noite. Ela faz um questionamento inválido, uma desculpa esfarrapada, eu tirei a roupa pra ficar em casa dormindo, não quero me arrumar toda novamente. Era um ritual meio que demorado vestir a roupa da antiguidade, se fosse do tipo que era enrolado ao corpo da mulher, mais difícil ainda. Apesar disso, não era desculpa o suficiente para não receber seu amado. Ela sabia disso. Na verdade estava só atrasando um encontro inevitável. Ela estava fazendo isso de propósito. Ela ansiava vê-lo, mas estava se fazendo de difícil. Ela o rejeitava de brincadeira. É o movimento que na dança indiana equivale à briga do casal. São várias danças tradicionais em que as moças representam desprezar o rapaz antes
  • 416.
    de aceitá-lo. Aquestão é que havia pouco tempo para Salomão estar ali, e Sunamita não se deu conta disso. Enquanto ela brincava com ele, ele teve repentinamente que se ausentar. Aqui começará o pesadelo com muitas implicações na vida espiritual. Olhando para a Sunamita Celestial há uma história que aponta para a eternidade. Hebreus fala de um tempo chamado “hoje”. Aponta para o presente de nossas vidas. Não para o ontem e nem para o amanhã. Mas para o instante em que vivemos. Nossa vida é passageira, nossos dias são velozes e furiosos, para parafrasear o filme homônimo, e o Espírito anseia estar conosco, continuamente. Ele que atuar no nosso presente. A cena de tirar a roupa, de estar dormindo, de rejeita ao amado por brincadeira, ou preguiça, por pirraça, lembra-nos a imagem de uma Igreja que desprezou aos dons espirituais, porque quis. Por pirraça. Lembra-nos da Igreja Legalista que nascia em Jerusalém que depressa passou do evangelho da Graça para o evangelho da Lei, porque quis. Por birra. Lembra-nos de Israel nos tempos da antiguidade, servindo a falsos deuses, a tal ponto que Ezequiel é levado espiritualmente numa viagem transcendental até o interior do templo de Salomão, distante 600 km de onde o sacerdote estava exilado, e ao ir até as câmaras mais sagradas lá encontra um grupo de mulheres chorando sentidamente a morte de Tamuz, num ritual dirigido a uma antiga divindade de Canaã e depois de Babilônia. Elas choravam a um deus inexistente, cruel e bárbaro, que jamais viveu e jamais morreu, dentro do templo do Deus Vivo, absolutamente ignorado. Tratavam ao inexistente como real, e ao real como inexistente. Só por birra, só porque quiseram. Tirar as vestes era um sinônimo de preparar-se para descansar, pousar ou dormir, mas tinha uma conotação profética muito infeliz. Para um sacerdote tirar as vestes durante seu cerimonial representaria a morte. Apocalipse vai nos mostrar uma fase da Igreja em que ela pensa estar vestida, mas está nua. A cena da Sunamita não representa algo ruim, mas evoca a cena do Éden, quando Adão é chamado e ele não responde por que está nu. Normalmente “não sujar” simboliza pureza. Mas nesse caso, sujar-se era necessário. Há uma crise de identidade com as Igrejas que anseiam viver “sem se sujar” e na verdade, desprezam o mais importante, ao amor. Elas gritam para que os seus membros não vejam filmes, não andem aqui ou ali, não se vistam assim ou daquele modo, elas impedem que pessoas trajando determinadas vestes entrem em seus templos. Não permitem que seus membros leiam determinada literatura, não ouçam ou vejam determinadas coisas. E ao mesmo tempo impedem que pessoas possam se aproximar, tem tanto horror a se sujarem, que PERDEM o essencial. Compartilhar vida. 1. דודי שׁלח ידו מן־החר ומעי המו עליו׃ 5:4 2. Dodi shalakh yado min-hakhor umeai hamu alav: Dodi (My beloved) put in his hand by the hole [of the door], and my bowels were moved for him. 416
  • 417.
    Na sequencia oAmado se aproxima ainda mais, mas encontra uma porta trancada. As fechaduras da antiguidade eram enormes, algumas tinham um mecanismo que podia ser usado par empurrar a tranca e destrancar pelo lado de dentro. 417
  • 418.
    O amado conseguiucolocar a mão entre as frestas na esperança de alcançar o mecanismo ou achar uma chave próxima, mas não conseguiu. Existem coisas que estão além do alcance divino. Dependem de nós. Não que o espírito não possua o poder ou a autoridade para fazer o impossível. Mas suas leis são eternas e inquebrantáveis. A escolha é nossa. Não há sujeição da Criação senão segundo a liberdade para a qual a Criação foi chamada. A sujeição ou escravidão da Criação não é obra de Deus. Aonde há o Espírito, seja no hades, na terra, ou nos céus, ai há liberdade. Isso destrói vários amaldiçoados conceitos sobre soberania divina, incluindo quase todos os postulados malignos e impressionante mentirosos do Calvinismo. Para terror completo e além da compreensão dos que se perderam entre o caminho que vai das frondosas árvores dos jardins suspensos das Institutas até o sombrio vale de Westminster... A liberdade é uma dádiva e um dom, e Deus espera decisões. Cristo morreu por todo homem, qualquer doutrina que desminta isso é mentirosa, maligna e maldita. Mas, mesmo assim, dependerá 418
  • 419.
    de sua decisãoo destino de sua alma. O Espírito é aquele que CONVIDA. Aconselha, admoesta, ensina. A lei do Espírito e da Vida é um principio de amor e liberdade. Quando as institutas elaboraram um Deus cuja soberania obriga aos homens a fazerem o que ele quer, e que decide no lugar do homem, apresentou-nos ao Deus-diabo, a Satanás e ao significado de todo oferenda feita aos demônios ao redor do mundo. A história de cada pai-de-santo, de cada mago, de cada feiticeiro é de um poder dominante que os obriga a o servirem. O reino das trevas é estabelecido segundo uma ordenação. E é representado por estruturas de poder, de dominação, de servidão. Elas não são chamadas de Principados e Potestades, de Poderes e Soberanias sem razão de ser. As institutas revelam uma doutrina de Soberania que na verdade é o conceito da Soberania Maligna que Paulo citou como sendo a razão de nossa luta espiritual. 419 http://www.welingtoncorp.xpg.com.br/pre2.pdf A liberdade e o direito de salvação dependem de “destrancarem por dentro” as portas do coração. Jamais os homens serão SUBMISSOS à força ao milagre da salvação. A ultima palavra do evangelho no livro da PROFECIA é a seguinte: O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Apocalipse 22.17) Sunamita necessitava querer para se encontrar com Salomão. Nenhuma doutrina humana tem o direito de obrigar em nome de ministério, presbitério, doutrina, revelação ou seja o que for, aos homens a abandonarem sua vontade, a se conformarem a algum tipo de ensinamento. Por isso um ministério não possui o direito de escolher a esposa ou o esposo de ninguém. por isso o ministério não tem o direito de interferir em uma área que é pessoal, que diz respeito ao individuo. Uma pessoa pode ser orientada a se comportar de determinado modo num grupo, podem haver usos e costumes, má administração de um ministério com líderes, que se voluntariam a seguir normas de conduta, de ´´ética, de convivência, os PEDIDOS dos pastores. A Igreja respeita seus líderes, tem alegria em servir, em cooperar, em compartilhar, em atender questões relativas ao governo da Igreja. Os pastores possuem autoridade dentro de sua esfera pastoral. Os líderes possuem autoridade dentro de sua esfera de liderança ou ministerial. A porta de abre por dentro, somente por dentro. Qualquer outra situação ou mecanismo de persuasão psicológico, emocional que tente invadir o que é função da alma, de uma escolha individual, é MALIGNO. Veja que a moça ESTREMECE por AMOR do Noivo. Algo a toca, comove, arrebata seu coração e então ela se dispõe. Tantos hoje sendo OBRIGADOS a fazer algo sem que seus corações tenham sido movidos para tal. O resultado é a morte. A moça ama ao amado, se enternece, tenta abrir, mas é tarde. 1. קמתי אני לפתח לדודי וידי נטפו־מור ואצבעתי מור עבר על כפות המנעול׃ 5:5 2. Kamti ani liftoakh leDodi veyadai natfu-mor veetz beotai mor over al kapot hamanul:
  • 420.
    3. I roseup to open to my dodi; and my hands dropped [with] myrrh, and my fingers [with] sweet smelling myrrh, upon the handles of the lock. Enfim Sunamita se levanta e corre para abrir. Lembremos, é a parte dramática da história. Ela está perfumada, tão perfumada, tão cheia da mirra que ela passou na pele como se fosse um óleo, mirra em forma liquida, que ela quase derrete. Em outras traduções é como se ela se tornasse mirra, seus dedos vão se tornando liquido que se derramam pela fechadura e pela porta. Mas é o inicio de seu pesadelo. A mirra é um dos perfumes que compunham o incenso sacerdotal, é o presente dado a Jesus em seu nascimento, presente até em sua morte. 420 E deram-lhe a beber vinho com mirra, mas ele não o tomou. Nicodemos levará para prepara o corpo de Jesus um composto de Mirra e Aloés. E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. João 19:39 Esse momento é o que a moça perde a razão de sua vida. Perde a sua essência, em que, poeticamente, ela morre. Ela que estava enferma, doente de amor desde o capítulo 2 . E agora desfalece de vez. Ela ouviu sua voz, mas não atendeu. E agora ele se foi. Para sempre.
  • 421.
    1. פתחתי אנילדודי ודודי חמק עבר נפשׁי יצאה בדברו בקשׁתיהו ולא מצאתיהו קראתיו ולא ענני׃ 5:6 421
  • 422.
    2. Patakhti anileDodi ve Dodi khamak avar nafshi yatzah vedabro bikashtihu velo metzatihu kerativ velo anani: I opened to my dodi; but my dodi had withdrawn himself, [and] was gone: my nefesh failed when he spake: I sought him, but I could not find him; I called him, but he gave me no answer Quando ela abre, ele já não está mais lá. Ela repete de forma ritmada, ele se retirou, ele se foi. Ela confessa que quando ele a chamou queria ter corrido ao seu encontro, mas não o fez. O verbo traduzido como “desfalecer” em outras traduções está como “desmaiar”. Ela que poeticamente se transformou em mirra, desmaiou. Ficou perdida, sozinha, desorientada. Dentro da história da eternidade é o pesadelo espiritual da Igreja na terra. Individualmente fala daqueles que não ouviram o que o Espírito estava falando em suas igrejas. Fala -nos da perda da essência, da perda do amado, da perda da visão espiritual. Da perda da razão de viver. É o ministério que deixou a Cristo pelo dinheiro, que trocou ao poder do espírito pelo poder da mídia. Que preferiu a glória, a fama, qualquer coisa, em detrimento da presença do Espírito. Evoca a igreja se fundindo com o estado, fala-nos dos ministérios que deixam a pregação e o pastorado para dedicar-se a politica. Dos cantores que trocaram a unção pela fama. Pelo dinheiro. Fala dos que inventaram milagres para não perder o status. Dos que falsificaram revelações para continuarem sendo considerados grandes profetas. Dos falsos mestres que defenderam posicionamentos doutrinários, que abraçaram e ensinaram mentiras, que negaram os dons, que pregaram o domínio a um presbitério, que negaram a Cristo em nome do nada. Que foram repreendidos pelo Espírito e continuaram vivendo uma vida falsa. 422
  • 423.
    E fala derejeição. Em seu pesadelo, Sunamita se vê rejeitada. Abandonada. A Igreja que viver defraudando, roubando, mentindo, dominando, que continuamente rejeita a voz do Espirito poderá viver um pesadelo real. Essa é a visão do arrebatamento da Igreja, que o noivo profetizou, que ele veio no meio da noite, a hora que ninguém sabia, e não permitiram que ele entrasse, porque a porta estava trancada por dentro. 423 Essa é a cena mais triste e dolorosa de Cantares. Apesar de estar longe o fim do pesadelo. 1. מצאני השׁמרים הסבבים בעיר הכוני פצעוני נשׂאו את־רדידי מעלי שׁמרי החמות׃ 5:7 2. Metzauni hashomrim hasovvim bair hikuni fetzauni nasu et-redodi mealai shomrei hakhomot: The shomrim (watchmen) that went about the city found me, they smote me, they wounded me; the keepers of the walls took away my veil from me 1. השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם אם־תמצאו את־דודי מה־תגידו לו שׁחולת אהבה אני׃ 5:8 2. Hishbati etkhem banot Yerushalayim im-timtzeu et-Dodi mah-tagidu lo shekholat ahavah ani: 3. I charge you, O banot Yerushalayim, if ye find my dod, that ye tell him, that I [am] sick of dod (love). O primeiro grupo de guardas que atendeu a Sunamita eram guardas respeitáveis. Estes aqui não. São cruéis. A menina saiu correndo no meio da noite vestida somente do saari ou uma veste equivalente.
  • 424.
    424 A vestesde 3000 anos atrás do Oriente ainda podem ser vistas na India.
  • 425.
    Na medida queela corre no meio da noite o orvalho vai molhando suas finas vestes. Quando ela chega na cidade são altas horas da noite e seu cabelo está todo orvalhado, suas roupar esta colada no corpo. Como a base de sua roupa é uma longa tira de pano, que é também o seu manto, basta um puxão para que ela fique semi-nia caída no chão. Eles estão bêbados, estão fora-de-si e tratam-na como uma prostituta, se divertem com ela, espancam a adolescente que quando cai no chão rochoso, fica ensanguentada e ferida. Eles eram quem deveria proteger e guardar os habitantes da cidade, mas insanos, bêbados, fazem mal até a uma menina. Não deveriam tratar sequer a uma prostituta assim, muito menos a uma menina. Ela consegue fugir, seus gritos são ouvidos e as otras mulheres vem em seu socorro, são as filhas de Jerusalém. 425
  • 426.
    Na dimensão espiritualnós vemos os que feriarm a Igreja. Os filósofos vazios, a ciência hipócrita e soberba, os que a odeiam e a denigrem. Nós vemos os falsos mestres, falsos pastores, falsos profetas, milhares de doutrinadores espúrios. Que ao invés de edificar, consolar e fortalecer a Igreja, a torturaram, a feriram, a humilharam e tiraram dela seu manto. O manto de Sunamita era um finíssimo véu, assim como o da Igreja, que espiritualmente simboliza sua Autoridade. Negaram ao Poder, negaram os Dons, negaram aos Sobrenatural, negaram a direção ea orientação do Espírito. Negaram os sinais e prodígios, a deixaram semi-nua. Quem deveria cuidar dela, a feriu de modo cruel. Negaram-lhe a cura divina. Negaram a fé, disseram que “estes sinais seguirão aos que crerem” foi um acréscimo tardio e falsificado às palavras de Marcos. Disseram que os dons acabaram junto dos apóstolos. E a deixaram ferida, professores incompetentes que não compreendem que o divino é parte de sua natureza, que não há Evangelho que não manifeste o Poder de Deus e que o ministério do Espírito profetizado seria de maior glória que o de Moises. 1. {Daughters of Yerushalayim -Nashim} 2. מה־דודך מדוד היפה בנשׁים מה־דודך מדוד שׁככה השׁבעתנו׃ 5:9 3. Mah-dodekh midod hayafa banashim mah-dodekh midod shekakha hishbatanu: 4. What [is] thy dodi more than [another] dodi, O thou fairest among women? what [is] thy dod more than [another] dod, that thou dost so charge us? A crise faz com que ela procure suas altivas amigas. Mas elas não poderão lhe ajudar. Pois não o conhecem. Sunamita sabia muito pouco a respeito de Salomão. E suas amigas jamais acreditariam que aquela fedelha, camponesa, caçadora de raposas, poderia ter algum contato com a maior autoridade de Israel. A dor que Sunamita sente não são das feridas no corpo. É a ausência dele em sua alma. 1. דודי צח ואדום דגול מרבבה׃ 5:10 2. Dodi tzakh veadom dagul mervavah: 3. My dodi [is] white and ruddy, the chiefest among ten thousand. 426
  • 427.
    Neste momento asmeninas de Jerusalém tentaram ajuda-la, com um certo desdém. Afinal elas acham que Sunamita está exagerando. Elas não sabem quem é ele, imaginam um pastor igual a todos os outros que transitam próximos a cidades, pobres. Mas poderia ser um nobre e isso lhes atiça a curiosidade. E depois de tantos “conjuramentos” lembraemo-nos que por toda a canção ela as adverte enciumadamente, até as ameaça, do jeito que pode, para que não se aproximem de seu amado, com medo de perde-lo para sua sedução. E agora, dias sendo perturbadas, elas querem saber, afinal de contas, quem é esse homem? 1. ראשׁו כתם פז קוצותיו תלתלים שׁחרות כעורב׃ 5:11 2. Rosho ketem paz keutzo tavtaltalim shekhorot kaorev: 3. His head [is as] the most fine zahav, his locks [are] bushy, [and] black as a raven. E aqui ela começa a maravilhosa e poética descrição de seu amado. E ela o coloca como um entre dez mil, ele é mais perfeito, mais bonito, mais especial que dez mil outros homens! Ela exagera muito, esse numero é enorme. Para uma camponesa de sua época é um dos limites para sua matemática. Uma quantidade inumerável. E na dimensão espiritual nós teremos nestes dois próximos versos uma surpresa. Uma bela surpresa. Salomão era rosado, possuía a pele branca, tinhas uma vasta cabeleira negra e de cabelos crespos. Nós não possuímos nas Escrituras uma única linha sobre a aparência de Cristo, senão uma descrição em Isaias que retrata mais seu minstério que sua aparência. E mesmo porque “como raiz de uma terra seca, não víamos nele nenhuma beleza ou formosura” é a pior descrição que poderíamos esperar a respeito de alguém. Mas ela não o descreve fisicamente. É uma descrição profética, da sua condição social, de sua rejeição. Não, nem mesmo os pais da igreja nos legaram quaisquer descrição sobre a aparência física de Jesus. Entretanto, antes de sua encarnação, o Espírito o avistou. Jesus é descendente de Salomão, por parte de mãe. Esse texto é, para o autor, a descrição da aparência física do MESSIAS. Jesus tinha o rosto rosado, e seu baelo crespo, negro como um corvo. Representa a encarnação, o momento em que Jesus conviveu e compartilhou de nossa humanidade. Representa o instante em que sobre sua cabeça a maldição do pecado foi lançada. O corvo não está ai a toa. O corvo é considerado um animal sinistro, por muitas civilizações. Os corvos são considerados animais impuros, não poderiam ser comidos. Certa cidade que sofre juízo em Isaias é povoada por vários animais, dentre eles, corvos. Mas há uma cena belíssima em que os corvos são bem vistos: Job 38:41 Quem prepara ao corvo o seu alimento, quando os seus pintainhos clamam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer? 427
  • 428.
    Há uma profecianeste texto de Jó. Pintainho é o filhote de corvo, que clama a Deus pelo alimento para sobreviver. Clama a Deus? Seus piados angustiados são chamados por Deus que está em Litigio com Jó, de ORAÇÃO. De CLAMOR. Deus OUVE seus pios dolorosos como se ouvisse a oração de um ser humano. Essa declaração eleva a natureza a uma coisa muito maior do que nós imaginamos. E a interação que o Espírito possui com os animais, com as flores, com todos os seres vivos, num nível que nós DESCONHECEMOS. Nós não compreendemos o amor de Deus pela sua criação. Há mistérios no texto de Jó. Parte dele diz respeito aos dias em que Jesus que aparecerá glorificado com cabelos brancos, clamará a Ele em espírito, ainda ornado com seus cabelos crespos no seu corpo humano deitado numa tumba fria, e será ouvido! Lá do interior do hades. Sunamita, poeticamente, declara um dos fatos da vida de seu amado, coisas que ela não conhece... ela diz que a sua cabeça é como o ouro puro... Sem saber ela anunciou sua fabulosa riqueza. Ela o imagina um pastor de ovelhas e para ela os seus pensamentos, suas palavras, seus sentimentos são valiosos para ela como o ouro puro. 1. עיניו כיונים על־אפיקי מים רחצות בחלב ישׁבות על־מלאת׃ 5:12 2. Einav keyonim al-afikei mayim rokhatsot vekhalav yoshvot al-milet: 3. His eyes [are] as [the eyes] of Yonah (dove)s by the rivers of waters, washed with milk, [and] fitly set. Agora ela lhe atribui algo que um dia ele falou dela também. Só que diferente de seu olhar inquieto, o olhar dele é mais sereno. As pombas que ela cita estão próximas, ou bebendo ou paradas junto a uma corredeira. E ela lembra do brilho do seu olhar e até do contraste entre suas pupilas e o restante de seus olhos. 1. לחיו כערוגת הבשׂם מגדלות מרקחים שׂפתותיו שׁושׁנים נטפות מור עבר׃ 5:13 2. Lekhayav kaarugat habosem migdelot merkakhim siftotav shoshanim notfot mor over: 3. His cheeks [are] as a bed of spices, [as] sweet flowers: his lips [like] lilies, dropping sweet smelling myrrh. 428
  • 429.
    E suas facesrosadas e coradas lhe lembram um canteiro de bálsamos. O bálsamo era o grande remédio da antiguidade. Olhar para ele trazia cura para sua enfermidade, lembremos que ela estava enferma de amor. Ou seja, estar junto a ele fazia desaparecer a dor de seu coração. E o que ele falava era muito prazeroso, suas palavras eram perfumadas, ela mistura um mundo de sensações, auditivas, visuais, gustativas, olfativas para falar do que era ouvi - lo! Essa é a palavra de Cristo, seu efeito, quando homens e mulheres falam debaixo da unção. Não dá para descrever. Elas geram em nós uma multidão de cores, uma multidão de sentimentos. A unção do Espírito acessa locais em nós desconhecidos. Jesus alivia as dores da alma, e também do corpo e nos concede esperança, uma esperança tão transcendente que chega a ser inefável, uma coisa que não conseguimos traduzir em linguagem humana. 1. ידיו גלילי זהב ממלאים בתרשׁישׁ מעיו עשׁת שׁן מעלפת ספירים׃ 5:14 2. Yadav gelilei zahav memulaim batarshish meave ashet shen meulefet sapirim: 3. His hands [are as] zahav rings set with the beryl: his belly [is as] bright ivory overlaid [with] sapphires. Sunamita vai até os limites da sua imaginação, avança para o mundo de jóias e das coisas que ela compreende como mais caras e mais belas. 429 Safira Marfim
  • 430.
    430 Berilo engastadonum anel Ela fala de peças de jóias existentes em sua época. Coisas que ela lembrava. Sua descrição não ajudaria muito a reconhecermos alguém, ela é poética, ela exalta sua beleza física de um modo único. Ela diz o quanto ele é precioso para ela. E com coisa sublimes, caras até mesmo para as filhas de Jerusalém. Ela descreveu duas pedras do peitoraldo juízo, que era vestidas pelo Sumo-sacerdote. Berilo e Safira. Que representavam as tribos de... não sabemos. Existem várias ordens possíveis.
  • 431.
    431 Chanel Joaillerie Chanel’s Lion Rugissant yellow gold ring set with 7 brilliant-cut orange diamonds, 54 yellow sapphires, 132 orange garnets and a 92-carat beryl stone. Price on request. Pedra de Berilo
  • 432.
    Mas as pedrasestavam enfileiradas segundo uma ordem determinada. A de Safiras a azul Fica bem em cima do CORAÇÃO. A de Berilo ficava na linha inferior. No canto direito. A safira é o segundo fundamento do muro da Jerusalém celestial e o berilo o oitavo. “O muro será de jaspe. Os alicerces do muro serão de jaspe, safira, calcedônia, esmeralda, sardônica, sárdio, crisólito, berilo, topázio, crisópaso, jacinto, ametista.” E o Berilo, tarshit no Hebraico/ Thessalos em grego, era importada de uma região da Espanha. Que foi conhecida como Tarso. De onde o apóstolo Paulo é natural. Outro detalhe importante é que no livro de Isaías nos é citado as pedras celestiais que fazem cobertura de Lúcifer, antes da queda. E duas delas são o Berilo e a Safira. Temos então duas pedras citadas na poesia que nos ligam ao sacerdócio, a veste mais sagrada, o efod e o peitoral do juízo, nos liga a coisas celestiais anteriores a Criação da terra, a cobertura do querubim Ungido e finalmente as bases da Jerusalém celestial. Há uma voz 432
  • 433.
    que se elevano cântico, a voz do espírito de Deus que traz a luz imagens profundas sob a doçura de Sunamita. Seu amado é uma pedra preciosa, se ela estivesse usando o peitoral, estaria sobre seu coração. E a segunda pedra, o berilo, fica numa ingrata posição. Ela fica no ponto em que o sumosacerdote de nossa confissão, já morto, irá levar uma “lançada” das mãos do centurião romano, que o perfura para se certificar que Jesus está morto. Jesus é a rocha ferida, do qual jorrou água e sangue. Berilo nas Escrituras possui uma cor específica como se afirma em Ezequiel 1:16 e 10: 9, as rodas da visão de Ezequiel tinham a cor de berilo. A cor nunca é mencionada diretamente, mas, pode-se descobrir sua tonalidade, Daniel teve uma visão semelhante das mesmas rodas em Dan. 7: 9, onde disse que as rodas eram como um fogo ardente. A partir disso, pode-se concluir que o berilo nas Escrituras é amarelo. (Para mais uma prova, em Daniel há a visão de um anjo, cujo corpo era como berilo em Daniel. 10). Berilo é a cor das rodas da visão de Ezequiel, e também a cor do anjo que se apresenta a Daniel. O anjo que diz a Daniel “Eis que és muito amado”. O amado de Sunamita “incandesce” em seu coração. Ele parece uma chama, ele brilha. As duas pedras que Salomão coloca na boca de sua heróina, na personagem principla de seu poema, sçoa gemas fantásticas que evocam uma história fantástica, uma história de amor eterno, que se inicia antes do inicio das eras e que jamais termina. O Espírito de Deus em dueto com Salomão contempla coisas além da imaginação, que somente profetas puderam testemunhar. O tempo não flui linear para Deus, como flui para nós. Ou ao menos, não como nós entendemos. O Berilo trás lembranças profundas e dolorosas, que envolvem a história por detrás da redenção, que não se inicia na terra. Jesus se compara com uma “rocha” com uma pedra “angular” e para Daniel se apresenta como um anjo com corpo de berilo resplandecente. Que relembra as dimensões celestiais, a eternidade, os fatos anteriores à Criação, que associam Querubins, as rodas e até Satanás, ainda um Querubim ungido, que resplandece na cor do berilo, que é uma de suas coberturas. O reino das trevas é um reino onde as “pedras afogueadas”, as pedras incandescentes, se apagaram. Elas não brilham mais, porque nelas já não reside a glória divina. O Espírito vê em Cristo uma chama que jamais se apaga. Vê nele a glória que tinha com o Pai antes de vir a este mundo. Apocalipse vai mostrar Jesus para um outro profeta e suas pernas tem a cor de berilo incandescente, que se brilhasse ainda mais, seria como metal refinado. A glória de Cristo HOJE é ainda maior que a que Ele possuia antes de vir a este mundo. 433
  • 434.
    O marfim queSunamita usa é um material belissimo após trabalhado. Era a base das teclas dos pianos entre 1800 e 1920. Mas trazem consigo uma trágica herança. A herança da morte e sacrificio de milhares de elefantes. O Antigo Testamento mencionava Malabar, o atual estado de Kerala, na Índia, como a fonte do marfim comprado por Salomão. Lá o marfim foi entalhado por quase 3000 anos, ininterruptamente, até 1989 quando a Convenção das Nações Unidas para o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites) introduziu a proibição do comércio de marfim. 434
  • 435.
    435 Kerala éo estado de origem de Mohiniyattom, a dança clássica do Kerala. Depois eu esclareço a mistura de Cantares e Kerala, da dança clássica e do marfim. Ela é executada através de uma personagem que simboliza uma feiticeira. Essa dança sinuosa da feiticeira é uma forma de dança clássica distintiva de Kerala. Movimentos lentos, graciosos e oscilantes do corpo e dos membros, gestos altamente emotivos dos olhos e das mãos, são únicos nesta forma de dança. Um vestido simples, elegante e com filigranas de ouro, de cor branca ou marfim, é semelhante ao traje tradicional das mulheres de Kerala. As origens da Mohiniyattom estão enraizadas na mitologia Hindu. Certa vez, um oceano de leite foi agitado pelos deuses e demónios para extrair-se o elixir da vida e da imortalidade. Os demónios acabaram por ficar com esse preparado divino. O Deus Vishnu salvou os deuses em pânico e assumiu a forma feminina de uma dama celestial amorosa, chamada Mohini. Após cativar os demónios com o seu charme, Mohini roubou-lhes o elixir e devolveu-o aos deuses. Esta dança foi adotada pelas Devadaso, dançarinas do templo, também chamadas de “Dasiattam,” que era um termo popular durante o reino Chera, entre os séculos IX e XII.
  • 436.
  • 437.
  • 438.
    As mulheres emKerala, de onde Salomão importava o marfim do qual era feito seu TRONO: 438 1 Reis 10:18 Fez mais o rei um grande trono de marfim, e o revestiu de ouro puríssimo. Elas se vestiam de marfim e de dourado. Lembrando da lenda que dá origem a dança de Kerala, o marfim parece leite, tem a cor do leite. Todas as tuas vestes cheiram a mirra e aloés e cássia, desde os palácios de marfim de onde te alegram. Salmos 45:8 Até na dança tradicional de Kerala, há uma parábola! Se nós analisássemos a história que dá origem a dança, e desvincularmos da mitologia hindu, ficamos espantados como um mito indiano retrata tão poeticamente o mistério da Salvação! O mito é quase Cantares de Salomão “dançado” de outra forma. O Espírito de Deus nos legou histórias dentro das milhares de histórias hindus que poderíamos hoje estar utilizando para a evangelização dos Indianos. Paulo fez coisas que os grupos religiosos que se dizem cristãos, negam, violentam, rejeitam, em detrimento de suas visões doutrinárias e do medo de se contaminarem. É a teologia do “já lavei os meus pés, como tornarei a sujá-los”. Evitando o contato e o estudo, a percepção dos elementos culturais e espirituais comuns, deturpam essa necessidade com termos tais como “ecumenismo” a responsabilidade de aproximação, de compreensão dos princípios e dos valores, que uma vez ILUMINADOS pela Escritura podem conduzir-nos a um amor profundo. Essa questão para ser bem desenvolvida envolve DISCERNIMENTO ESPIRITUAL, MATURIDADE, e fantástico CONHECIMENTO das ESCRITURAS. O EVANGELHO que milhares pregam é o do horror as culturas, aos artesanatos, as expressões artísticas, até a música. Impõem um mundo espiritual limitado a suas concupiscências, aos seus limites espirituais, impõe seus preconceitos e visões distorcidas espirituais. Chamam de “demônio” a tudo que não compreendem. E verdadeiramente, nada compreendem.
  • 439.
    Deixando de ladoa exortação, o marfim evoca antes de qualquer coisa, ao sacrifício que vencerá ao inferno. Falo como se estivesse na época de Salomão. Ou, olhando para trás, como os gregos, que viam o passado como um lugar que ficou para trás numa longa viagem, ao sacrifício que já venceu ao inferno. Que une as coisas celestiais, as criadas, as eternas e até as coisas que ainda haverão de existir. 1. שׁוקיו עמודי שׁשׁ מיסדים על־אדני־פז מראהו כלבנון בחור כארזים׃ 5:15 2. Shokav amudei shesh meyusadim al-adnei-faz marehu kalvanon bakhur kaarazim: 3. His legs [are as] pillars of marble, set upon sockets of fine zahav: his countenance [is] as Levanon, excellent as the cedars. 439 O palácio lá atrás a direita é feito de mármore antigo...
  • 440.
    440 Uma tumbaromana de mármore Sunamita canta seu amado da cabeça aos pés, e compara suas pernas a colunas de mármore, seu aspecto como os cedros do Líbano, Salomão devia ser bem alto em relação a ela. Quando diz que sua base é de ouro ela fala de sua imensa riqueza, que por sinal, ainda não conhece! Seus sapatos deviam ter enfeites dourados, e a descrição do mármore realça a brancura de Salomão em relação a ela que se vê morena. O mármore era usado na antiguidade para as paredes dos templos, para as suas colunas também, ele era empregado, como até hoje, para piso de palácios e para mausoléus, cobertura de túmulos de reis, nobres e ricos, pois era um material nobre, extraído por trabalho pesado e na maioria das
  • 441.
    vezes, escravo. Otemplo de Salomão era pavimentado com mármore. O mármore acompanha a humanidade da antiguidade até os nossos dias. Enquanto existir o comércio, até que as profecias de Apocalipse 18 se cumpram, veremos obras de mármore. Elas produziram as estátuas dos reis, nobres, artistas da antiguidade. 441
  • 442.
    Sunamita se referea seu amado como a uma escultura de mármore. Como a obra de um artesão. O mármore estará presente em muitos momentos solenes das Escrituras, tendo em vista que ele pavimentava ao templo de Salomão, profetas pisaram neles. E quando foram mortos, centenas de anos depois, suas humildes sepulturas foram fartamente enfeitadas com o mármore. 442
  • 443.
    Este é consideradoo tumulo do profeta Zacarias, ao mesmo tempo alguns consideram o monumento erguido por Absalão. Independentemente de serem os monumentos autênticos, temos uma visão de como foram enfeitados os túmulos dos profetas. Jesus seria o profeta dos profetas, a razão maior da vida de todos eles, sendo o portador das mais poderosas profecias, das mais importantes já emitidas ao ser humano e sendo ele mesmo a maior profecia já manifesta na terra. Tudo que Jesus fazia estava já profetizado em algum lugar, pelo menos 430 anos que nascesse. O mármore lembra, infelizmente, o respeito tardio, a tentativa de honrar os profetas após sua morte. Em vida tiveram suas palavras rejeitadas. Em vão os honrariam enfeitando seus túmulos, porque viveram rejeitando suas profecias. Para Sunamita o mármore realçava a beleza de Salomão, mas para o Espírito de Deus o mármore lembra a Jesus como profeta e a sua REJEIÇÃO. “Veio para os que eram seus, mas eles não o receberam”. 443 E a estatura do amado era como os cedros do Líbano,
  • 444.
    Que exaltava asua justiça, sua retidão, sua excelência. Salomão foi um homem justo e o maior juiz da história humana. Nenhum outro homem da terra decidiu juridicamente como ele, graças ao aporte de sabedoria que recebeu de Deus. Ele deixava que a inspiração divina o guiasse, o aconselhasse, e nele essa inspiração operava de modo a capacitá-lo com inteligência e discernimento, tão profundo e tão incrível que Salomão ficou conhecido internacionalmente por causa disso, e não havia homem vivo enquanto ele viveu, capaz de sobrepujá-lo. Sua sabedoria foi tão reconhecida que uma das soberanas da antiguidade, de uma nação reconhecida pelos seus sábios, viajou milhares de quilômetros para conhece-lo. Conhecida entre os povos etíopes como Makeda (em ge'ez ማክዳ, transl. mākidā), esta rainha recebeu diferentes nomes ao longo dos tempos. Para o rei Salomão de Israel ela era a "rainha de Sabá". Na tradição islâmica ela era Balkis ou Bilkis. Flávio Josefo, historiador romano de origem judaica, a chamou de Nicaula. O reino de Sabá, segundo algumas fontes, ficava na parte oriental do que até há pouco era a República Árabe do Iêmen. Sua capital, evidentemente, era Marib, no lado L da cordilheira e a uns 100 km ao L de Sanʽa. Essa sabedoria quando usada juridicamente era uma coisa formidável. Lembremos...Sunamita vê seu porte majestoso, com o perdão do trocadilho, mas as figuras que ela usa são assim reconhecidas em todas as Escrituras. Como se Salomão que compõe o Cantico também puxasse brasa para sua sardinha, ou, numa linguagem menos figurada, tecesse elogios a si mesmo. Sem saber que ao fazê-lo, exaltaria a pessoa que REPRESENTAVA. Cantares é uma viagem muito divertida, belíssima, muito lúdica. 1. חכו ממתקים וכלו מחמדים זה דודי וזה רעי בנות ירושׁלם׃ 5:16 2. Khiko mamtakim vekhulo makhamadim zeh Dodi vezeh rei banot Yerushalayim: 444
  • 445.
    His mouth [is]most sweet: yea, he [is] altogether lovely. This [is] my dod, and this [is] my friend, O banot Yerushalayim. E por fim, ainda em meio ao pesadelo, ou realmente ferida, ela conversa n0o meio da noite gelada com suas amigas da cidade. Ela gosta até dos lábios dele, usa uma figura que exalta a sua voz, pois ele cantou muito aos seus ouvidos e a sua voz era de um exímio cantor, uma voz que ela relembra como doce, como suave, como melodiosa. O Michael Jackson cantando na antiguidade. Nada nele lhe desagrada. Ele é o seu amado, mas também se tornou seu confidente, ela contou-lhe seus segredos, abriu seu coração, ela sentia saudade de suas brincadeiras, de sua fanfarronice, de sua companhia. Ela sentia falta de sua amizade e o chama pela primeira vez de amigo. Seu relato, sua descrição é tão deslumbrante que as moças ficam atônitas ou suspirando. Sunamita realmente conseguiu a atenção delas. Quem é esse sujeito fantástico! Quem é esse homem! O ouvinte da melodia já sabe de quem ela fala! E na dimensão espiritual também compreendemos quem Ele é. 445
  • 446.
    1. {The Daughtersof Yerushalayim} 2. אנה הלך דודך היפה בנשׁים אנה פנה דודך ונבקשׁנו עמך׃ 6:1 3. Anah halakh Dodekh hayafah banashim anah panah Dodekh unevakshenu imakh: 4. Whither is thy dodi gone,  thou fairest among women? 5. Where has is thy dod turned aside? 6. That we may seek him with thee? Essa questão é complicada de responder. Sunamita não sabe. Neste momento do pesadelo ela está quase despertando. Desde o verso “eu dormia” os versos se assemelham a contar um grande pesadelo, que foi do momento mais intenso, de grande agonia, quando Sunamita se debate na cama, até que ela vai retornando suavemente, ela vai se acalmando, até que quase suspirando ela adormece no verso de numero três deste capítulo. Tomada de súbito interesse após uma descrição maravilhosa do amado, e que gerou nelas profunda desconfiança com relação à verdadeira identidade do tal “pastor”, agora as meninas anseiam saber quem é esse monumento vivo, esse sonho de companheiro, demonstrando vivo interesse em encontrá-lo, só que de acordo com as diversas conjurações anteriores de Sunamita... talvez não com boas intenções. Elas querem o pastor para elas mesmas. Elas se oferecem voluntariamente para encontrá-lo, para buscá-lo, pra procurá-lo. A palavra “buscar” é um dos termos que o Antigo Testamento usa para a “procura” da comunhão divina pelo crente, da busca do profeta de conhecer a vontade de Deus. Porque Deus é invisível, ele aparenta estar “oculto” nós não o vemos, não o tocamos, não sabemos, ao menos geograficamente, onde ele se “encontra”. O profeta Jeremias vaticina “buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo coração”. Haviam no passado locais sagrados onde Deus era invocado, e todos os que o “buscavam” entendiam que tinham que se dirigir até eles que serviam como portais para o mundo divino. Eram exatamente assim considerados. Um dos locais de “busca” divina é assim denominado, BETEL significa “portal de Deus”. Durante a noite, Deus apareceu a Jacó e lhe mostrou uma escada da terra ao céu, pela qual anjos desciam e subiam. Deus repetiu a Jacó as três partes da grande promessa feita a Abrão em Gênesis 12: Terra prometida; Povo numeroso; Bênçãos para todas as famílias da terra por meio de seu descendente. Quando acordou, Jacó disse: "Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus" . Jacó mudou o nome do lugar, chamando-o de "Betel", que significa "casa de Deus" (Gênesis 28:1-22). Salomão voltara ao palácio, a casa do Líbano, gigantesca construção da antiguidade cuja opulência só se comparava ao templo que construiu. Os dois maiores edifícios de Israel da antiguidade eram a Casa do Líbano e a o Templo de Salomão. Significava que eram na antiguidade dois dos maiores prédios/palácios já construídos até então. 446
  • 447.
    A cena evocauma moça desorientada, saudosa, em busca do amor de sua vida, sonolenta, cansada, com frio, angustiada, que não sabe onde ele está que não sabe o que fazer, ouvindo das amigas uma voz de consolo, de ajuda. Esse momento que equivale ao pesadelo de Israel no Velho Testamento é o quando o primeiro templo é destruído, após a triste cena em que o profeta Ezequiel vê o Espírito Santo se erguendo em forma de uma nuvem e deixando o templo, após uma caminhada espiritual com o profeta pelo seu interior, onde são vistos atos de idolatria, e de imoralidade. Momentos antes do Espírito deixar ao templo, ele caminha com Ezequiel e mostra para eles as imagens eróticas que haviam colocado à entrada e no pátio. À entrada da porta Norte do pátio interno, onde havia sido instalado o trono da imagem do ídolo que provoca o ciúme de Deus. Ergui meus olhos para o lado Norte, e vi, junto à porta do altar, aquela imagem do ídolo que inflama o zelo de Deus E vi toda a forma de criaturas rastejantes e animais considerados impuros e todas as imagens de ídolos que os israelitas estavam cultuando! E muitos desses ídolos estavam pintados em figuras nas paredes por todo lado. Setenta líderes e anciãos da Casa de Israel, incluindo Iaazaniáhu ben Shafán, Jazanias filho de Safã, estavam em pé diante de tais pinturas Cada um tinha na mão o seu incensário, e forte cheiro de incenso subia como uma nuvem aromática. Então ele me questionou: “Filho do homem, viste o que os líderes e anciãos da nação de Israel estão fazendo em oculto, nas trevas? Vê que cada um está escondido em sua câmara e santuário pessoal adorando a imagem esculpida de seu ídolo particular? Então ele me levou para a entrada da porta Norte da Casa de Yahweh, o Templo. Lá eu observei mulheres assentadas, chorando e clamando pelo deus Tamuz. E ele indagou-me: “Viste isto, filho do homem? Pois verás abominações ainda maiores que estas!” me transportou ao átrio de dentro, o pátio interior da Casa de Yahweh, o Templo do SENHOR; e lá estavam cerca de vinte e cinco homens, à entrada do Santuário do Eterno, entre o pórtico e o altar, de costas para o Templo de Yahweh, e tinham seus rostos voltados para o Oriente, e estavam prostrados adorando o deus sol. Vê! Olha lá o que fazem! Estão levando um ramo ao nariz como gesto cerimonial de culto à natureza! Não bastava adorarem falsos deuses, elevaram essa situação a uma situação de excelência. Escondidos pelas estruturas externas do templo, dentro dele, os israelitas e as mais altas autoridades, a estrutura que um dia daria origem ao sinédrio, fazem atos mágicos, rituais estranhos, magia, feitiçaria. Os símbolos dos quais são ditos “imagens de ciúme” são símbolos de fertilidade e fálicos, comuns nas religiões da mesopotâmia da antiguidade. Falos gigantes, basicamente. Israel não é chamado de “adultera” a toa. As mulheres israelitas praticavam sexo sagrado, causando “ciúmes”, as virgens de Israel se entregavam em “adoração” oferecendo seus corpos a prostituição. Quando o apóstolo Paulo fala de “apresentarmos os nossos corpos como instrumentos de iniquidade” é essa a mais profunda figura que as Escrituras nos oferecem sobre a situação. 447 Romanos 6:13 Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
  • 448.
    448 2. Romanos12:1 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Para onde se RETIROU o teu Amado, para que o busquemos contigo? Essa pergunta soaria dolorosa aos judeus no cativeiro. No tempo do silencio profético intertestamentário, sem profecias, onde dezenas de textos apócrifos, livros de falsas profecias e falsas aparições divinas foram compostos, porque já não havia a revelação divina. Para a Sunamita celestial lembra o momento de dor dos discípulos durante a morte de Cristo, seu abandono, sua angustia, seu medo. Três anos ouvindo os céus manifestos e agora, o mais maravilhoso dos profetas, as mais extraordinários milagres vistos pelo ser humano, cessarão, porque mataram ao mensageiro celestial. Ele SE FOI! Foi embora, para sempre! E os apóstolos não sabiam como encontrá-lo, acabou! E retrata também um momento de escuridão para a Igreja na terra. Ou muitos deles. A idade média assiste a transformação da Igreja de Cristo, com seu casamento com o estado, dando origem a uma religião, a Igreja Romana, a Senhora do Mundo, distante do amor do Amado, vivendo para a riqueza, para a devassidão de um clero corrupto e corrompido. E poucos viveram nessas épocas com vestes não contaminadas. Retrata também o pesadelo maior, a noite em que os povos são tomados. Assim como o templo de Salomão foi tomado pela mentira, pela prática de coisas que Deus abominava na terra uma parte da Igreja tornou-se pagã. Perdeu sua identidade com a Videira Verdadeira. Nós assistimos de camarote a um festival de escândalos terríveis. Pastores que matam suas amantes. Falsos profetas que dominam sobre comunidades de milhares de pastores com centenas de milhares de membros, inundando estes membros com vinho falsificado. Simulando visões celestiais, bêbados por vinho destilado no inferno. Pastores que amealham acordos políticos, que usam o púlpito como palanque, com o objetivo voltado não para a Jerusalém celestial, antes para uma cadeira em Brasília. Templos gigantescos erguidos para arrecadar dinheiro, poder e fama. Milhares de pastores envolvidos em escândalos sexuais, munidos de pregações morais sem valor, sem compreender nem o mistério do sexo e nem o da santidade necessária para que sua pregação fosse incontaminada. Não compreenderam a necessidade do romance, e nem da paixão, usaram de regras inúteis para burlar seus sentimentos, criaram doutrinas mutilando a sexualidade de seus membros e as suas próprias. A Igreja católica adotou o celibato, desprezando as escrituras, negando dons legítimos dados ao ser humano e gerou um clero atormentado pela privação de desejos legítimos e abençoados. Impediram homens e mulheres de vivenciarem a dimensão humana de Cântico dos Cânticos. Praticaram atos de magia, pregaram ocultismo disfarçado de doutrinas bíblicas, tais como a predestinação absoluta, associaram-se a doadores e bem-feitores ligados a todo tipo de busca oculta, ou prática mágica. Pastores e pastoras fizeram acordos para evitar falar a verdade, com os mesmos canais de televisão ou entidades que um dia veementemente condenaram. Por causa do dinheiro. E então num dia profetizado por todos os profetas, Jesus voltou. E milhares que viveram uma vida de escuridão, no lugar onde antes brilhava a luz do Espírito, foram deixados para trás. Porque Ele se RETIROU. Momentos após esses versos haverá uma brusca mudança do contexto. Sunamita vai adormecendo suavemente, vai se apagando como uma criança
  • 449.
    que cai nosono, dizendo “eu sou do meu amado e ele é meu” como se dissesse, eu não vou desistir de você e então a cena muda para uma mulher vestida para a guerra, melhor para a dança. Esse é o instante em que o passado vira presente, é o final do flashback. Creio que o verso Quatro deste capitulo é a nota mais intensa de nossa canção. É o inicio da dança de Maanaim. Há uma mudança da reminiscência, para a experiência, da memória para a vivencia, de contar a história e agora vivencia-la. É o tempo presente de Sunamita. Essa mudança do tempo em Cantares evoca a mudança que acontece durante o arrebatamento, quando a Igreja que vive dentro do tempo do nosso universo passa a viver o tempo do universo de Deus, quando ela sai do temporal para o atemporal, do passageiro para o eterno, o instante em que a experiência humana é mergulhada na experiência divina, quando o corpo corruptível é revestido da incorruptibilidade, pois o tempo de dançar chegou! Na vida da Igreja gentílica, há um processo que é semelhante ao conhecimento, ao namoro, ao noivado, ao casamento, a lua de mel. Jesus usa a parábola do casamento para ilustrar os tempos proféticos que viriam sobre a Igreja. O casamento hebraico era composto de um noivado, uma aliança realizada em que a noiva já era considerada esposa. A festa de casamento era realizada em duas etapas, quase que consecutivas, havia a festa de casamento que duraria cerca de Sete dias, parte dos convidados na casa da noiva, parte na casa do noivo. Haveria uma procissão com os amigos do noivo da casa do noivo, de madrugada, que se encontrariam no caminho com as adolescentes, as virgens que esperam pela chegada da procissão na entrada da vila, indo todos para a casa da noiva. A lista de convidados era checada pelo pai da noiva, de memória, já que conhecia a todos os convidados. Nesse momento festejariam, ele coroaria sua noiva e partiria com ela para a casa de seu pai, levada numa liteira, se o casal tivesse posses, e lá na casa do pai aconteceria a segunda parte do casamento. Eles festejariam por algumas horas e depois, sutilmente, desapareceriam do casamento para poderem FINALMENTE ficar sozinhos. O início do ministério de Jesus é a sua apresentação, seu ministério na terra sua conquista da amada, a conversa com a moça para ver se seria aceito por ela. A ultima ceia, a proposta de noivado. A ressurreição é a primeira etapa da festa de casamento hebraico. A ascensão é a ida do noivo para a casa do Pai preparar suas posses para receber a esposa. E a segunda 449
  • 450.
    vinda de Cristoo retorno do Noivo para conduzir a Noiva á casa do Pai. Onde acontecerá a segunda parte do casamento. A dança de Maanaim é também chamada dança dos anjos, porque é o momento em que o noivo, Cristo, chega acompanhado de seus amigos, os anjos, para festejar sua condição de ESPOSO. É o momento em que para sempre acontece a união da Igreja com Cristo. É na canção quando Sunamita entrará COM OUSADIA na presença do REI. “Para onde se retirou seu amado para que o busquemos contigo? Ele ascendeu aos céus. A cena evoca poeticamente a tristeza da Igreja que viveu DORMINDO. Que viveu uma vida falsa, que fingiu ser santa, mas em seu interior abrigava pinturas de escaravelhos. E vi toda a forma de criaturas rastejantes e animais considerados impuros e todas as imagens de ídolos que os israelitas estavam cultuando! E muitos desses ídolos estavam pintados em figuras nas paredes por todo lado Pinturas no interior de templos e tumbas nos levam diretamente aos Egípcios. De todos os demais povos que transacionavam com os israelitas, este é o que desenvolveu mais as práticas relacionadas à pintura no interior de templos. A próxima escola seria a de babilônia, mas nesse instante os israelitas ainda não são cativos. Os egípcios pintavam Horus, pintavam anubis e diversas deidades, assim como palavras mágicas. Animais rastejantes são cobras, lagartos, crocodilos. Animais impuros eram os insetos. Daí os Escaravelhos. AO LONGO DOS SÉCULOS os egípcios prestaram cultos a várias espécies, tais como gatos, falcões e íbis, e divinizaram alguns animais vivos. Estatuetas, amuletos, e paletas de ardósia que representavam animais foram encontrados em vários túmulos. Nas representações artísticas os animais sagrados usavam um enfeite de cabeça que os identificava com o deus que encarnavam. O disco solar com o uraeus era o enfeite mais comum, mas existiam outros como veremos aqui. Nas épocas mais primitivas os animais eram adorados em si mesmos. Com o passar dos séculos passou-se a entender que o deus não residia em cada vaca ou em cada crocodilo. O culto era dirigido a um só indivíduo da espécie, escolhido de acordo com determinados sinais, com determinadas características do 450
  • 451.
    corpo e entronizadonum recinto especial. Tais animais eram considerados a imagem viva do deus, o corpo no qual a divindade havia decidido habitar para viver entre os homens. A eles eram dedicados honras e cuidados especiais e ao morrerem os animais sagrados eram cuidadosamente mumificados e sepultados em cemitérios exclusivos. A maioria dos deuses egípcios tinha forma de animais considerados impuros. Lobo, falcão, garça, crocodilo, gato. No texto do profeta Deus reclama de um gesto especifico, uma “aspersão” de água ou azeite sobre as figuras nas paredes feitas com um ramo. Esse detalhe específico é bem doloroso, ele era parte do RITUAL REVELADO por Deus a Moisés, que agora era usado não apara abençoar o POVO, antes para “abençoar” as pinturas. Esse é uma triste, porém realista PINTURA do significado da APOSTASIA. A rejeição de Cristo, a substituição por cobras e lagartos, escaravelhos e sabe-se mais o que. Esse é o instante do pesadelo que representa o ABANDONO. Ele foi embora, porque você abusou do erro. 1. דודי ירד לגנו לערוגות הבשׂם לרעות בגנים וללקט שׁושׁנים׃ 6:2 2. Dodi yarad legano laarugot habosem lirot baganim velilkot shoshanim: My dodi is gone down into his garden, to the beds of spices, to feed in the gardens, and to gather lilies Sunamita ainda imagina-o como pastor. Ele deve ter ido fazer o que sempre faz, foi pastorear seu rebanho, deve ter ido aos canteiros colher bálsamo, deve estar colhendo flores para me enfeitar. Só que não era assim. Ele subira ao trono, a sala real do banquete, ele tratava de assuntos do reino. Lá estava Salomão envolvido com uma grandiosa festa, com centenas ou milhares de convidaos de diversas nacionalidades. Lá estaria sua esposa egípcia, lá talvez estivesse a rainha de Sabá. Lá estavam suas novas princesas e concumbinas, num palácio fortificado, cercado de centenas de homens aramados e treinados. Lá estavam provando o vinho das províncias, chegando as caravanas com especiarias. Mas espiritualmente o que ela suspira sonolenta é a verdade. Na dimensão espiritual retratando o instante profético do arrebatamento, Jesus desceu dos altos céus até seu jardim, para colher aqueles que são para ele aquilo que era o remédio do mundo. É a Igreja que cura a terra, através de sua intercessão, de sua oração, de sua adoração. Mas quando a Igreja for arrebatada, Jesus colheu o bálsamo e o levou para si. 1. 6:3 {Refrain} אני לדודי ודודי לי הרעה בשׁושׁנים׃ . 2 3. Ani leDodi veDodi li haroeh bashoshanim: 4. I [am] my dod's, and my dod [is] mine: 451
  • 452.
    5. He feedethamong the lilies. Este é o final de seu pesadelo, ela adormece profundamente, vai espaçando as palavras, falando suavemente. Ela imagina seu amado correndo pelos canteiros, apascentando entre os lírios, fecha-se a cortina, termina o ato. Ela tem o nítido senso de propriedade. Ela pertence a Salomão e Salomão pertence a ela. E de mais ninguém. Os lírios falam de pureza, de santidade. São abundantes, perfazem uma imagem de um tapete branco, igual ao vestido que ela usava em certo momento. Ela se vê nos lírios, e imagina-o como num sonho, caminhando sobre ela, gigantesca, com suas curvas transformadas nas montanhas. Admito, exagerei. Mas é o momento em que o seu mundo será transformado para sempre. Importante lembrar que Jesus dirá que nem mesmo Salomão se vestiu como um lírio. 1. {The Beloved} 2. יפה את רעיתי כתרצה נאוה כירושׁלם אימה כנדגלות׃ 6:4 3. Yafah at rayati ketirtzah navah kirushalayim ayumah kanidgalot: 4. Thou [art] beautiful, O my ra'yah (maiden), as Tirzah, 5. Lovely as Yerushalayim, 6. Awesome as [an army] with banners! 452
  • 453.
    A menção aTirza em Ct 6,4 é interpretada, por J. Snaith e outros autores como um jogo de palavras constituído pela semelhança entre o termo tiretzah (“Tirza”) e o usado para beleza feminina rtzh. A mesma expressão consonantal no Antigo Testamento, isto é, trtzh se repete nove vezes, das quais três denominam diretamente a cidade (Nm 36,11; Js 12:24; 1 Rs 16,17). Em outras quatro vezes (Lv 26,34; Dt 33,11; 1 Cr 29,17 e Sl 51,18) trata-se da expressão tiretzêh que pode ser traduzida como “pagar, saldar, expiar (culpa); obter 453
  • 454.
    a restituição (dossábados cumpridos)”371. É usada, duas vezes, entre os dez mandamentos com o sentido de “matar”. (Êx 20,13 e Dt 5,7), com uma composição consonantal e vocálica exatamente igual. Salomão vê nela a beleza de uma das maiores cidades da antiguidade, porém estrangeira. E compara Tirza a Jerusalém. A beleza cativante de Sunamita agora deixa nele um profundo impacto Tanto a cidade de Tirza como a de Jerusalém possuiam magníficos edifícios, belos palácios. Possuiam templos fabulosos e também uma arquitetura arrojada. Ao anoitecer ambas eram profusamente iluminadas. Ambas tinham fachadas de bronze que ao amanhecer refletiam ao sol. Os seus habitantes eram acordados por toque de trombetas. As cidades eram locais de festivais diversos, sendo foco de comércio. Nelas, multidões caminhavam todos os dias. Elas eram a base dos exércitos dos seus estados e local da realeza. Nelas aconteciam procissões diversas e nelas eram ouvidos por todos os lados numerosos cânticos. Em alguns dias do ano compartilhavam de festas religiosas com inúmeras lâmpadas que as faziam parecer uma fonte de luz, iluminando até montanhas distantes quilômetros das mesmas. Sunamita se preparou com todas as suas jóias, com suas melhores vestes, com um véu com pequenas jóias, com uma veste que reluz enquanto caminha, seus tornozelos estão com guizos amarrados, suas vestes de dançarina oriental deixam que seu umbigo que carrega uma jóia esteja a mostra por debaixo do fino véu. Ela se preparou e perfumou, seus cabelos estão magnificamente enfeitados com longas tranças trabalhadas com fios dourados, avermelhados pela hena, com reflexos de púrpura pela tintura especial, a mesma utilizada para pintar a roupa dos reis. Dessa vez Sunamita não foi contida no decote de sua roupa. Havia já algum tempo que não se encontravam e nesse interim o coração de Salomão queimava de saudade. Esse é o ponto grandioso da canção. O rei assentado em seu trono solicita para que entrem as dançarinas que vêm em duas imensas fileiras. Os músicos se preparam para tocar, quando em meio delas Sunamita aparece, trajando a mais cara veste que uma dançarina jamais vestiu. As filhas de Jerusalém não pouparam nem um pouco para ajudá-la. Creio que são elas que conseguiram o encontro, que usaram seus recursos políticos da alta nobreza, que insistiram junto aos seus pais. São elas que agora desfilam em uma das imensas fileiras ao redor de Sunamita. É o inicio da dança de Maanaim. É o momento em que a caçadora de raposas caçará seu homem. É o instante em que a serva REINARÁ. Esse momento evoca uma mudança de atitude. A moça está muito irritada. Aquele sujeito TRATANTE a enganou. A seduziu, conheceu sua mãe, apresentou-se como pastor, até NOIVOU COM ELA! 454 Suas roupas são tão coloridas que lembram as insigneas de dois exércitos diferentes. A igreja de Cristo diante dele é para ele um tremendo espetáculo. A palavra terrível é a mesma utilizada, e com a mesma emoção, de quando Deus manifesto na audiência de Jó, descreve ao poder do Leviatã. https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaeHVHc09sTmZwdzQ/edit?usp=sharing
  • 455.
    Ela luta pelasua Dignidade. Seu respirar é tenso. Praticamente não respira. Na verdade ela solta fogo. O mistério da intercessão se cumpre na dança de Sunamita. Sua postura admirável, sua tremenda coragem, sua ousadia absurda. Lá fora os irmãos gritam para poderem entrar, mas não podem, não possuem a dignidade necessária para tal, não que fossem indignos pela sua posição de trabalhadores, mas não tinham as credenciais que lhes dessem acesso ao lugar onde Sunamita agora está. Ela não será separada de seu amado. Ela lembra dos montes de Beter e da história de Tamar https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KadWhtZVNGVDFzd0U/edit?usp=sharin g Ela não se importa com as dignidades ale presentes. As mais poderosas mulheres do mundo de sua época estão ali presentes na Casa do Líbano. Creio que ali está a rainha de Sabá. Ali está a filha de Faraó. E se duvidar, ali está presente também o próprio Faraó, acompanhando a filha numa das festividades. Mas ela não se imporá em caminhar sobre o fio-da-navalha, sobre a corda suspensa sobre o abismo. Porque nessa noite ela olhará para o abismo. E ao abismo não ousará encará-la. ALELUIA. 1. הסבי עיניך מנגדי שׁהם הרהיבני שׂערך כעדר העזים שׁגלשׁו מן־הגלעד׃ 6:5 2. Hasebi einayikh minegdi shehem hirhivuni sarekh keeder haizim shegalshu min-haGilad: 3. Turn away thine eyes from me, for they have overcome me: thy hair [is] as a flock of goats that appear from Gil'ad. 455
  • 456.
    Sunamita vem dançandoe se aproximando do trono, aplaudida pela multidão que sequer tem a vaga noção do que está acontecendo. A multidão está ali para festejar, comer e beber as custas de Salomão. Ela não deseja a comida ou o excelente vinho do rei. Sunamita anseia algo muito mais precioso. Seu combate é muito maior e o drama que ocorre por detrás daquele véu é mais mágico, mais inefável que alguém poderia imaginar. A caçadora se aproxima, e em seus voleios tem as suas armas. Seus membros são instrumentos de sua doce vingança, ela usará sua tremenda habilidade de dançarina para alcançar o premio mais lato. O coração do rei. O confronto se dará quando ela estiver face a face com o rei. Ninguém pode se aproximar de um rei sem sua autorização, na antiguidade isso era uma norma de segurança seguida arisca e exigia tremendos protocolos. Mas aquilo é uma festa e ela a dançarina oficial. Ela vai rodando, saltitante, passo a passo intrepidamente até que num brusco movimento ela se ajoelha diante do rei e levanta lentamente a sua cabeça enfeitada cabeça fitando a Salomão longamente. E ele a reconhece. Reconhe muito bem. E treme. O príncipe da paz perdia a sua mais admirável batalha. O olhar da moça o envergonha. O enternece, o desarma. Seus olhos são de um verde profundo. Ele nos revelará isso daqui a pouco, nos próximos versos, só estou adiantando. Salomão não 456
  • 457.
    consegue fitá-la, elaé seu grandioso amor, sua paixão juvenil, ele queima por dentro, fica profundamente perturbado. Esse olhar é para ele a morte. Morte dos subterfúgios, das armações, da camuflagem, da brincadeira. Certa feita Moisés pediu a Deus para avistá-lo, mas a resposta é que ele não poderia fitar seu rosto, somente observá-lo a passar de costas. O Israelita temia a visão dvina, porque ver a Deus significava estar frente a frente com um poder tão glorioso e admirável que o ser humano se desfaria. https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaaTU0SHY4MzMtS2c/edit?usp=sharing Daniel cai prostrado ao ver o anjo que lhe vem ao encontro, Davi também diante do anjo do juízo em Jerusalém, o profeta João desfalece ao ter a visão de Cristo glorificado. 457 Jesus afirma que somente os de coração limpo poderão no futuro ver a Deus. Mas, em Cantares, a ordem natural das coisas é mudada. Salomão representa ao Espírito de Deus. E é ele que se diz perturbado. A IGREJA mira os olhos de Deus, olha profundamente para ele através de sua expressão de vida, de comunhão, de oração, de súplica, de adoração e de Intercessão. E ao fazer, ao derramar pelo seu espírito as aspirações mais profundas de seu coração, não é ela que MORRE... É Deus que vira seu rosto de lado. Espiritualmente falando, como se envergonhado. A suplica da Igreja move o coração de Deus de um modo que sequer somos capazes de entender. Não é sem razão que as Escrituras dizem que muito pode um justo em suas orações. É um momento de grandiosa emoção, compartilhada por somente duas pessoas naquele salão. Ou três. Salomão e sua mãe, Betseba que sabe muito bem quem é aquela menina, afinal ela esteve presente em seu casamento. Os outros olhares são de CIUME. Muito cíume. Ao fazer o que faz, Sunamita está CONFRONTANDO seu amor ao de TODAS as outras mulheres ali presentes, fazendo uma invulgar aposta em si mesma! 1. שׁניך כעדר הרחלים שׁעלו מן־הרחצה שׁכלם מתאימות ושׁכלה אין בהם׃ 6:6 2. Shinayikh keeder harkhelim shealu min-harakhtza shekulam matimot veshakulah ein bahem: 3. Thy teeth [are] as a flock of sheep which go up from the washing, whereof every one beareth twins, and [there is] not one barren among them.
  • 458.
    Então depois destapequena e gloriosa guerra de dois personagens, deste que é o momento mais TENSO de Cantares, o dos olhos de Sunamita nos olhos de Salomão, Sunamita abre um largo sorriso. O sorriso que fez com que um dia Salomão por ela se apaixonasse, o sorriso que um dia arrebatou seu coração. O sorriso que era a maior alegria de sua própria vida. E a repetição de um refrão, que se não senão foi expresso de modo audível, foi 458
  • 459.
    correspondido com umlargo sorriso. Salomão trás a memória cada sentimento sent ido, cada momento vivido, lembrando das danças, das vinhas, das noites sob o luar, da menina deitada em seu colo, das tranças jogadas de brincadeira em seu rosto, e do primeiro beijo. Lembra de sua voz. De suas próprias cantadas. Das suas insinuações de um futuro, de filhos e filhas (quais todas produzem GEMEOS e não há ESTERIL entre elas). Seu sorriso vem de um motivo nobre. Algo aconteceu alguns instantes antes. Ela não está sorrindo em vão. Ela se sente ACEITA. Esse é o sentimento profético mais abundante em todos os ressurretos. Eles acordam nas nuvens, em mio a muitos milhões de anjo. A quem vencer, darei um novo nome, darei o maná e uma pedra escondida. Eles venceram a batalha, eles saíram da morte para a vida. A igreja vitoriosa ouve “vinde benditos do meu pai e possui o reino que vos está destinado!” A graça superabundou onde havia o pecado, a lei do espírito e da Vida provou-se superior a lei do pecado e da morte. Aceitação que se traduz em Dignidade Eterna. Nunca mais haverá fome, nem calor e nem raposas para srem caçadas. Nunca mais haverão meio-irmãos aproveitadores, nem as cores da pobreza. O mundo da escravidão ficou definitivamente para trás. O risco, o perigo, a possibilidade da rejeição, a possibilidade de tudo que foi feito ter sido em vão, acabou! O Espírito de Deus já nos vê vitoriosos, já nos antevê nos céus. Ele já nos imagina dançando e cantando e adorando-o para sempre. Os sinais e prodígios, as curas, as línguas estranhas, as profecias e todas as operações espirituais, as doces consolações do Espírito, o desejo de orar, a sede de Deus, eram só sintomas da mesma enfermidade do inicio do poema. “Estou enferma de amor”. São sintomas de um amor que não tem como deixar de ser correspondido. Desde que Sunamita não desista de seus sonhos, não desista do Amado. 1. כפלח הרמון רקתך מבעד לצמתך׃ 6:7 2. Kefelakh harimon rakatekh mibaad letzamatekh: 3. As a piece of a rimmon (pomegranate) [are] thy ra'ah within thy locks. 459
  • 460.
    Salomão já perdeualma...Sunamita gira e suas tranças bailam sobre sua cabeça. Mas parte da tranças já se desfizeram. Parte do seu cabelo está solto e esvoaçante. Ela está vermelha de vergonha, vermelha de emoção, vermelha de paixão. E vermelha de felicidade. Está corada. E os olhos de Salomão que a NADA deixam escapar, nota essa emoção estampada no rosto de sua Amada. Salomão perdeu a alma...poeticamente falando...lembra o instante em que Cristo diz que DEU sua vida voluntariamente, e que tinha poder para retomá -la. 460
  • 461.
    1. שׁשׁים המהמלכות ושׁמנים פילגשׁים ועלמות אין מספר׃ 6:8 2. Shishim hemah melakhot ushemonim pilagshim vaalamot ein mispar: 3. There are threescore queens, and fourscore concubines, and maidens without number. E nesse momento, a coroação, o reconhecimento de um amor que é maior que o mundo. O coração do rei foi arrebatado, arrebatado pela beleza de uma Igreja que dança de alegria, que o ama apaixonadamente. Ali está, provavelmente, a rainha de Sabá. Soberana da Etiópia. Ali está a filha de Faraó. Ali estão gregas e fenícias, libanesas e árabes. Mas já não existem rainhas e nem comcumbinas. Nem os milhares de convidados. Ele sequer atenta para as duas fileiras de dançarinas. As filhas de Jerusalém e as filhas de Siló. 1. אחת היא יונתי תמתי אחת היא לאמה ברה היא ליולדתה ראוה בנות ויאשׁרוה מלכות ופילגשׁים 6:9 ויהללוה׃ 2. Akhat hi yonati tamati akhat hi leimah barah hi leyoladtah rauha vanot vayeashruha melakhot ufilagshim vayehalluha: 3. My Yonah (dove), my undefiled is [but] one; she [is] the [only] one of her mother, she [is] the choice [one] of her that bare her. The banot saw her, and blessed her; [yea], the queens and the concubines, and they praised her. Porque seus olhos, coração, pulmões e baço, pertencem a ela. Só a ela. Então ele relembra sua essência, pacífica, igual a dele. E acrescenta-nos um segredo, um fato escondido até este momento. Ela é filha única. A única moça da família. Mas o texto traduz um mistério. Ela é filha única, em meio a outras filhas. Filhas de SALOMÃO. Ele possui MENINAS! E elas se alegram com o fato de Sunamita ser uma adolescente! As meninas são pequenas, Salomão possui trinta e poucos anos, a idade aproximada de Jesus durante os dias de seu ministério, e já possui uma multidão de filhinhas. O que mostram seu amor extraordinário, ter filhas na antiguidade não era uma coisa bem-vista por centenas de culturas. Mas Salomão não se importa. Ele as ama, e as conduziu para sua maior festa diante de todos o seus conviados. Ele as honrava diante de todos e dava o exemplo como rei. E veja. AS MENINAS COMPREENDEM O QUE ESTÀ O QUE ESTÀ ACONTECENDO!!!!! 461
  • 462.
    É o ESPIRITOde DEUS que reconhece e dignifica sua Igreja. As muitas mulheres de Salomão eram fruto de acordos políticos. Alexandre O Grande, por exemplo casou com pelo menos duas mulheres, Roxana, filha de um nobre pouco importante, e a princesa persa Estatira, filha de Dario III. Getúlio Vargas casou-se, em 1911, com Darcy Lima Sarmanho, com quem teve cinco filhos: Lutero Vargas, Getulinho, que morreu cedo, Alzira Vargas, Jandira e Manuel Sarmanho Vargas, (o Maneco). Este casamento foi um ato de conciliação, pois as famílias dos noivos eram apoiadoras de partidos políticos rivais na Revolução Federalista de 1893. A família de Darcy Sarmanho era maragato e a de Getúlio chimango. Em 24 de agosto de 1572 estava marcado o casamento de Henrique, rei de Navarra e chefe da dinastia dos huguenotes, e Margarida Valois, princesa da França, filha do falecido rei Henrique II e de Catarina de Médici, e irmã de Carlos IX. O casamento foi arranjado para cessar as lutas religiosas entre católicos e huguenotes que predominou na França durante anos, com assassinatos, depredações e estupros. Milhares de huguenotes e de católicos foram convidados para participar da celebração em Paris. Mais tarde, eles saberiam que tudo não passava de uma armadilha francesa preparada pela nobreza francesa. A família Guise observava com profunda desconfiança a cerimônia ao lado da catedral de Notre Dame. Vale lembrar que a cerimônia não foi realizada dentro da catedral. O noivo protestante não deveria entrar na Notre Dame, ou assistir à missa. Diante do portal ocidental da catedral, foi construído um palco sobre o rio Sena, no qual se celebrou o matrimônio. Margarida não respondeu com um “sim” à pergunta se desejava desposar Henrique, mas com um aceno positivo com a cabeça. Como era comum na época, o casamento tinha motivação exclusivamente política. Salomão fez isso não somente duas ou três vezes. Fez isso SETECENTAS VEZES. Para manter a paz em todas as suas fronteiras Salomão recebeu a mão de princesas Persas, Moabitas, Edomitas, filisteias, Jonicas, Médias, Libanesas, Árabes, Amonitas, Indianas. Neste momento de sua vida ele já acumula SESSENTA delas. Ele nãso as ama, pode ser que sequer tenha intimidade com elas. Estão ali por conveniência politica. Porém não será nehuma delas que ele exaltará por todos os dias de sua vida. Certamente ele compôs cânticos para a maioria delas. Mas nenhum destes cânticos foi preservado. Somente um dentre 1005 Cânticos. A Expressão Cântico dos Cânticos possui a mesma forma de Santo dos Santos. Ou Santíssimo. Duas únicas expressões nas Escrituras possuem essa forma. Uma exalta a santidade do Santo dos Santos e a outra a superioridade de Cantares. Aquela moça encrenqueira, aquela caçadora de raposas, aquela dançarina mágica, aquela moça cheia de colares, colares com pedras encantadas, ela, só ela, recebeu a expressão maior do amor de Salomão. Não pela sua posição, não pela sua importância no cenário político internacional. Não pela sua erudição. Ao lado de Salomão estavam doutas princesas. Uma se sobressaía entre elas. Alguém que tinha fome de conhecimento e de sabedoria. Makeda. A rainha de Sabá, que coloco (por minha conta e risco) presente nesse Cântico monumental. Os paralelos são belíssimos. “Eu vos escolhi a vós”. “Meu Pai é que vos trouxe a mim”. Sunamita é um presente de Deus para Salomão. Assim como a Igreja, cada vida em particular, escolhida no meio do mundo, amados por Deus, antes de serem formalmente apresentados. Porque não é pelas obras, nem pelo esforço humano. A justificação vem pela fé. Não da grandeza de nossos atos, antes da beleza de nossa fé nele. O amor é que nos constrange até Cristo e é por esse amor que cremos, e ao crermos, nos faz aceitos. A fé nos exalta, nos coloca diante do Rei, e nos concede um lugar especial em seu coração. 462 Este é o Cântico dos Cânticos, porque é maravilhos demais.
  • 463.
    1. מי־זאת הנשׁקפהכמו־שׁחר יפה כלבנה ברה כחמה אימה כנדגלות׃ 6:10 2. Mi-zot hanishkafah kemo-shakhar yafah khalvanah barah kakhamah ayumah kanidgalot: 3. Who [is] she [that] looketh forth as the morning, fair as the moon, clear as the sun, [and] terrible as [an army] with banners? A dança aconteceu de modo deslumbrante, com rica coreografia de um grande grupo de dançarinas. Ao menos duas fileiras. Há uma tradição profética que remonta dos dias anteriores ao nascimento de Davi, Pai de Salomão. Siló continuou a ser a capital de Israel durante 369 anos, até que a morte do grande Cohain Godol, Eli. (Zevachim 118). Até que por desrespeito ao lugar santo o Senhor permitiu que esta cidade fosse arrasada pelos filisteus (Jer. 26:6,9). é aqui que o representante e grande servo de Deus dá a ordem (ordem no sentido real) de separar a terra santa da terra dos "sh'fatim" (Js 18:1,8) O nome moderno da área é Khirbet Seilun. Há uma colina em Khirbet Seilun com uma plataforma de pedra no cume. Muitas pessoas acreditam que este é o lugar onde o Tabernáculo foi construído na Siló antiga. 463
  • 464.
  • 465.
    465 Atualmente, naregião fica a cidade de Rosh Ha’ayin. o profeta Aijá morava em Silo. (1Rs 12:15; 14:2, 4) Siló é o lugar do inicio das danças das Vinhas. Foi de lá que as moças raptadas formaram a nova tribo dos benjameitas. Todavia, 400 virgens de Jabes-Gileade foram levadas a Silo e mais tarde entregues aos benjamitas. Os benjamitas foram também instruídos a obterem mais esposas dentre as filhas de Silo, levando-as à força quando as moças participassem em danças de roda por ocasião da festividade anual para Jeová, realizada em Silo. — Jz 21:8-23. Em Siló morava Samuel e é nela que Saul se encontra com as namoradeiras dançarinas da cidade. Numa cena engraçadíssima, quando ele vai procurar Samuel na cidade, ele as encontra no caminho e pergunta onde é que pode encontrá-lo. A resposta é uma enrolação sem tamanho, elas esticam o quanto podem a conversa, afinal Saul era na época o jovem mais bonito de Israel. 1 Ao subirem a colina para chegar à cidade, encontraram algumas jovens que estavam saindo para buscar água e perguntaram a elas: “O vidente está na cidade?”
  • 466.
    12 Elas responderam:“Sim. Ele está ali adiante. Apressem-se; ele chegou hoje à nossa cidade, porque o povo vai oferecer um sacrifício no altar que há no monte. 13 Assim que entrarem na cidade, vocês o encontrarão antes que suba ao altar do monte para comer. O povo não começará a comer antes que ele chegue, pois ele deve abençoar o sacrifício; depois disso, os convidados irão comer. Subam agora e vocês logo o encontrarão”. Bastava um sim... Mas assim elas não teriam assunto para segurar o rapaz... As filhas de Siló eram mestras em dança. Para lá afluíam todas as tribos de Israel nas festividades que aconteceram por 369 anos em Siló. E Siló também, inundada numa atmosfera de culto a Deus por tanto tempo, tornou-se a primeira escola de profetas da TERRA. A profissão de profeta no mundo, como ministério, iniciou-se em Siló. Abraão, Jacó, José e Moisés e mesmo Davi foram grandes profetas, mas é com sanuel que uma instituição que capacitava profetas surgiria. Única no mundo, cujos ensinamentos e práticas jamais forma mencionadas, presidida por Samuel, sue primeiro grão-mestre. Os aprendizes ou separados para exercer o ministério no Velho Testamento eram chamados de “filhos de profetas”. Mesmo quendo Deus separava um agricultor ou um vinhateiro de outra região para ser profeta, em algum instante, ele conheceria pessoas que nasceram do movimento espiritual originado em Siló. Compreender Siló é importante. Assim que Samuel se aposentou de ser juiz de Israel ele começou a presidir esse colégio, o grupo, essa escola não nomeada. Samuel se reunia com muitos, na região onde ainda existia o tabernáculo, já vazio, sem a arca que fora tomada pelos filisteus, e que depois ficou 20 anos numa fazenda Israelita. E lá havia poder espiritual, unção divina, a manifestação do Espírito de Deus num nível que muitos ministros da Graça, ministros do Novo Testamento jamais conhecerão. Siló é o lugar onde Jeftá, juiz de Israel, homem de origem humilde e desconsiderada, tratado como sujeito sem dignidade por ser filho de uma prostituta. Não tinha “pai” por assim dizer, mas homem de coragem e poderoso guerreiro, que tinha uma filha dançarina e musica. Para obter uma vitória impossível ele faz um voto infeliz, que fará com que sua filha seja oferecida como serva do santuário de Siló, e por isso, não poderia se casar. Isso representava quase a morte para uma menina israelita. Mas a moça sabendo que foi ofertada como sacrifício vivo a Deus, (já que Jeftá esperava que viesse um cordeiro ou uma vaca ao seu encontro, que ofereceria em sacrifício) decide permanecer virgem e dedicando-se ao sacerdócio pelo resto de sua vida. Por 30 dias suas amigas sobem com ela até o monte da cidade para chorar sua virgindade eterna. Chorar o fato de que ela jamais poderia ser mãe. Creio que essa moça será a “mãe” das filhas de Siló. Ela manterá viva as tradições de dança, ela criará uma escola de dança em Siló. Ela será conhecida por todos, que de ano em ano a verão dançando nas festas de Israel. Ela é uma promessa viva, que jamais foi quebrada. Siló é o lugar onde ANA chora por sua esterilidade, recebendo de Deus 7 filhos. O primeiro ela ofereceu ao ministério do tabernáculo. Seu nome é Samuel. Em Siló a arca será tomada e o fogo que ficava acesso dentro do tabernáculo, aceso a mais de 370 anos, se apagará. Em Siló o sacerdócio Levitico será é rejeitado. Lá o último sacerdote levita legitimo, debaixo da ordem de Araão( irmão de Moisés), ordem ainda vigente, morrerá. Ao saber que a arca foi tomada. É lá que é dado a profecia do surgimento de uma nova ordem sacerdotal. Os levitas que ministraram no templo de Salomão já estavam debaixo de outra ordenação, ou num prazo de misericórdia concedido ainda à antiga ordem. Siló será finalmente destruída e queimada a fogo. Juntamente com o antigo tabernáculo, quando o templo de Salomão estava de pé. 466 Salmos 78:60 Abandonou o tabernáculo de Siló, a tenda onde fazia morada entre os homens. Salmos 78:61
  • 467.
    467 Entregou osímbolo do seu poder ao cativeiro, e seu esplendor, nas mãos do opressor. 6então farei deste Templo o que fiz do Santuário de Siló, e desta cidade, um objeto de maldição entre todas as nações da terra!” Os filisteus ou os Assírios tomaram Siló, levaram cativo seus habitantes e incendiaram as casas e o tabernáculo. Tudo virou cinza. O ultimo sacerdote levítico que ministrou no tabernáculo se chamava Eli e possuía dois filhos. Nadabe e Abiu. Seriam os próximos sacerdotes e herdeiros das tradições sacerdotais, históricas, jurídicas e de sabedoria de Israel. Todo o Israel se reunia em Siló para aprender sobre Deus. Mas, Nadabe e Abiu eram ímpios. Moralmente deturpados. Desonestos. Aváros. Irreverentes. Neles não habitava nenhum tipo de respeito pelas coisas divinas. Usavam os sacrifícios que o povo levava para seu próprio proveito. A cena mais grotesca em relação as ofertas do Velho Testamento demonstra a completa ignorância que tinham com relção ao ofício que receberma por herança. Interromperam o Yom Kipur para retirar de sobre o altar a carne dos sacrifícios, bebâdos, e a levarem em pedaços fincados num garfo, saindo pelas cortindas do santuário, passando pela porta da tenda, em direção de suas casas. Diante de toda a multidão estarrecida. Fizeram isso diante de toda a nação, ou de pelo menos, milhares de peregrinos que se locomoveram por dias e até semanas para terem o privilégio de adorar a Deus no lugar mais sagrado da terra desta época. Esse ato é o ato final. Essa foi a atitude foi considerada tão grave por Deus que o sacerdócio foi sumariamente rejeitado. Os dois morreriam semanas depois num confronto com os filitesu, ambos, no mesmo instante em que a arca seria tomada por um exército estrangeiro. Ao receber o anuncio da morte dos filhos e da tomada da Arca, o velho Eli cairia de sua cadeira e quebraria o pescoço tendo morte imediata. Na época de Sunamita e Salomão, Siló ainda existe. Ainda existem as danças, ainda há uma escola de dançarinas. A segunda geração de profetas após Samuel está lá em Siló. Muitas das dançarinas de Siló eram filhas de profetas. As filhas de Siló eram próximas, moravam no local do maior movimento profético do Velho Testamento. Eram descendentes de Benjamitas. Todas as mães de Siló nasceram de mulheres que um dia dançaram e corriam nas festas dedicadas a Deus. E todas as moças de Siló tinham origem em avós ou bisavós raptadas. Paulo de Tarso que nascerá mil anos após esses eventos, é provavelmente, descendente de uma dessas mulheres Benjamitas. De umas das filhas de Siló. A palavra Maanaim é traduzida como (fileira de dois exércitos) em algumas versões, em outras é deixada sem tradução. Para estar ali como dançarina na presença do Rei, como dançarina principal Sunamita é extremamente formosa. E necessita ser exímia dançarina. Ela é morena, mas iluminada pelas tochas do salão, adornada de pedras e adereços brilhantes, ela literalmente, brilha. Ela ilumina o chão por onde passa, refletindo as luzes nos cristais de suas vestes. Seus véus coloridos se abrem, se desfraldam como bandeiras, e os guizos deseus pés batido ritmadamente parecem o pisar de uma tropa, os passos de um grupo de soldados correndo. Os guizos amarrados nos pés agem como instrumentos de percussão, eles marcam o ritmo, em contratempo com o barulho das pulseiras e do tamboril. Ela roda como um soldado que se movimenta com a espada em alguns instantes. Ela lembra uma guerreira. Jamais desistiu. E jamais desistirá de seu amor por Salomão. Salomão usa uma palavra que designa o sentimento (TERRIVEL) que teríamos se estivéssemos ao lado de uma tropa da antiguidade em marcha, com seus gritos de guerra. Sunamita grita, tece trechos de melodia com a voz, ainda comum nas expressões vocais Árabes, Persas Sírias e Indianas. Faz parte da requintada
  • 468.
    coreografia. Seu panode fundo sonoro. E seus gritos são tão espetaculares que os milhares ali presentes se arrepiam. Os videos abaixo dão uma noção de vozes árabes de cantoras. 468 http://www.youtube.com/watch?v=A5z236LbZg8 http://www.youtube.com/watch?v=sSBM4l2g0SY Essa aventura na terra tem um grande eco celestial. Após a volta de Cristo a Igreja brilhará como o sol. Ela resplanderá, literalmente, graças a transformação causada pelo evento que Paulo chamou docemente de ADOÇÃO. A Adoção na antiguidade tinha um rito. Para os Romanos se dava por uma cerimônia de transmissão. Esta cerimônia era realizada diante de um tribunal de justiça romano, onde a pessoa que estava sendo adotada era transferida à família do adotante. Esta transferência tinha que ser testemunhada e atestada por uma outra pessoa fidedigna. A adoção romana poderia ser efetuada independentemente da idade da pessoa que estava sendo adotada. O Apóstolo Paulo é o único escritor do Novo Testamento que usa a palavra adoção. Paulo usa este termo cinco vezes no Novo Testamento. A palavra “adoção” é usada uma vez em referência a Israel (Rm 9:4); é usada três vezes em relação à vida do crente nascido de novo (Rm 8:12-17; Gl 4:1-5; Ef 1:3-6); e, finalmente, Paulo usa “adoção” para referir-se à nossa esperança pelo futuro em que plenamente experimentaremos o completamento da nossa fé por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (Rm 8:22,23). É com este ultimo uso da palavra que estamos nomeando ao reencontro entre Cristo e a Igreja, literalmente falando. Essa aparição é a mais emblemática reunião, a mais aterrorizante visão da Eternidade. Pose ser que a humanidade não veja o que acontecerá neste dia. Mas está visível para todas as demais dimensões espirituais. As Potestades, as Hostes, os Poderes e as Soberanias, verão esse evento. E TREMERÃO. Lidar com a Igreja ainda revestida de humanidade, flhas, erros, medo, dores, cansaço, desanimo, já é uma cois complicadíssima para o inferno. Hoje se cumpre na vida de muitos o FORMOSA COMO A LUA. Esse termo nos remete a Igreja que cheia do Espírito REFLETE a glória divina, reflete o amor de Deus, reflete a luz, luz da presença, da unção, do carinho, do amor não fingindo. Luz do conhecimento da Palavra de Deus, luz da esperança. Ela é formosa como uma lua cheia
  • 469.
    Formosa como aLua, Brilhante como o Sol, há uma sequencia proposital. Certa feita Jesus lia um rolo da profecia de Isaias Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: - "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos 469
  • 470.
    cegos a recuperaçãoda vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano aceitável do Senhor." Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então Jesus começou a dizer-lhes: - "Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir". Mas... Não é ai que o parágrafo para. Qualquer rabino judeu teria lido até o final do verso, ou do capítulo. Faltou um pedaço para terminar o trecho. Isaias 61:2 a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; Porque a Profecia de Isaias que estava se CUMPRINDO até aquele instante era ATÉ onde Jesus leu. O “ano da vingançado nosso Deus” é conhecido nas Escrituras como o “Dia do Senhor” é um tempo de julgamento, de juízo, uma época pertencente AINDA ao futuro da humanidade. Jesus manifestava a Graça, a Misericórdia e o Amor de Deus. Não veio para o JULGAMENTO do mundo, veio para manifestar RECONCILIAÇÃO antes dos tempos de JULGAMENTO. A distancia de tempo, até agora, entre o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança é pelo menos de 2000 anos. Ainda vivemos sob a esfera da Graça, ainda permanecemos dentro de O ANO ACEITÁVEL DO SENHOR. A profundidade da PROFECIA nas Escrituras é algo verdadeiramente SOBRENATURAL. Com trocadilho. 470 Do mesmo modo: Há entre as frases, creio, esse mesmo fenômeno, o tempo. Como se transmitesse a nós a idéia de épocas distintas. Como a alva do dia, como o amanhecer nos lembra a Igreja apostólica. Que se inicia com o BATISMO de JESUS. Recebe um intervalo de 10 dias entre a ASCENSÃO e o PENTECOSTES, para respirar e começar a trabalhar. Nós vivemos hoje a profecia poetizada no trecho FORMOSA COMO A LUA.
  • 471.
    471 Bem, Nemtodos... Um pastor e tenente reformado da Marinha foi preso, ontem (4), sob acusação de ter matado uma mulher, que seria sua amante e ainda por ter estuprado a filha da mesma, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Marcos Antônio da Silva Lima, de 53 anos, levou as duas vítimas para um matagal. Ele estuprou a filha da mulher e depois atirou contra elas. A menor, de 14 anos, conseguiu escapar, fingindo que estava morta. Foto: Reprodução A motivação do crime seria vingança. O pastor mantinha um caso extra conjugal com a mulher, Jane da Silva de Jesus, de 36 anos. Ela se negou a continuar o romance e ele a matou; a jovem que estava no local na hora do crime, era filha da vítima e também foi alvejada, mas, não morreu. Ao ser baleada a jovem se fingiu de morta e conseguiu escapar. A mãe dela não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A polícia apreendeu, em poder do suspeito, três armas, munição, facas, toucas, luvas, documentos. Mas, a IGREJA FIEL vive essa POSSIBILIDADE, esse tempo em que pode BRILHAR. Em que pode ser FORMOSA COMO A LUA. Para que um dia BRILHE ou seja PURA como o SOL. אל־גנת אגוז ירדתי לראות באבי הנחל לראות הפרחה הגפן הנצו הרמנים׃ 6:11 1. El-ginat egoz yaradti lirot beibei hanakhal lirot hafarkha hagefen henetzu harimonim: 2. I went down into the garden of nuts to see the fruits of the valley, [and] to see whether the vine flourished, [and] the rimmon (pomegranates) budded.
  • 472.
    472 Nogueiras sãoárvores que levam tempo para se tornarem adultas.
  • 473.
    O porte destaárvore impressiona, principalmente nos indivíduos mais velhos, que chegam a alcançar 44 metros de altura. Seu crescimento no entanto é bastante lento, e com 10 anos, alcança cerca de 5 metros de altura. Mudas oriundas de sementes iniciam a produção entre 15 a 20 anos após o plantio. Em ambos os casos a longevidade das plantas é bastante elevada, superando 300 anos. Suas folhas contêm um óleo aromático. 473 Árvores de fruto: Nogueira (Juglans regia) (árvore jovem)
  • 474.
    474 (inflorescência deflores masculinas) (flores femininas)
  • 475.
    475 (frutos imaturos) Fruto mduro pronto para cair da árvore
  • 476.
    Existe mercado tantopara a madeira quanto para as nozes fornecidas pela nogueira. Entretanto, devido a diferentes práticas culturais necessárias para maximizar cada uso, madeira de alta qualidade e produção excelente de nozes geralmente não vêm da mesma árvore. Não importa o uso, pode levar várias décadas para uma jovem nogueira dar retorno sobre o investimento. As nogueiras começam a produzir nozes após cerca de dez anos, mas levará cerca de 30 anos antes que alcancem seus anos mais produtivos. A produção de madeira leva cerca de 50 anos. O maior valor da madeira das nogueiras ocorre quando as árvores têm cerca de 80 anos 476 Móvel feito com madeira de nogueira
  • 477.
    477 http://www.youtube.com/watch?v=YuI5BnTcOQE http://www.youtube.com/watch?v=13ux62FiDwA http://www.youtube.com/watch?v=pX-yT0y9-y8 Som das guitarras acústicas de madeira de Nogueira. Salomão expressa uma nota NOSTÁLGICA. Ele está relembrando algo que era a razão de ele ter descido até o Libano. A expressão “subir” é normalmente usada para ir para Jerusalém, que ficava sobre uma elvação chamada monte Sião. Para ir até ao Libano saindo de Jerusalém ele estaria “descendo”. Passaria por alguns vales. Apesar do Líbano ter também locais bem altos. Mas Salomão um dia foi inspecionar seus pertences, suas fazendas, seus hardins, seus olivais, seus vinhedos, suas plantações de nogueiras. Ele relembra a razão de se encontrar ali onde está. Nessa nota da canção Salomão evoca que não era sua intenção se apaixonar. Que os motivos que o trouxeram até ali eram outros. Mas ele foi atropelado pela Sunamita. Literalmente. É a outra possibilidade. Ela esbarrou nele de propósito lá no vinhedo. É é também uma desculpa esfarrapada... Nogueiras levam DEZENAS de anos para estarem prontas... se haviam sido plantadas em sua administração... Ele está brincando com ela. Não foi um acidente. Não foi o destino que proporcionou seu encontro. Ele a viu correndo atrás das raposas. Ele a viu desprezando-o, fugindo dele. Ele sabia que a moça não queria nada com ele. Que ela o desprezava. Que ela o detestava. E para conquistá-la, arriscou sua cabeça e seu reino. Porque ele a amou, antes que ela o conhecesse. Nogueiras falam de amadurecimento espiritual. Frutos que só se alcança após anos de preparo. Fala de um processo lento de crescimento. Mas que torna um jardim admirável. A Qualidade da madeira de nogueira é extraordinária. Piso, móveis belíssimos, instrumentos musicais de timbres especiais. Ouçam o timbre dos exemplos dos links acima. Uma madeira que produz instrumentos de altíssima qualidade.
  • 478.
    O jardim denogueiras evoca uma Igreja madura, com pessoas capacitadas, com crescimento e fortalecimento espiritual. Esse é o motivo da Vinda de Cristo. A Noiva estava pronta. As três figuras apontam para Sunamita Celestial. Nogueira, Vides, Romeiras ou Romanzeiras. Nogueira- Vides - Romeiras Madura - Cheia do Espírito - Curada. Poderosa - Ungida - Manifestando curas. Firmada na fé - Embriagada de alegria divina - Acompanhada de Sinais, Maravilhas e Prodígios 478 Preparada para viver mais que 300 anos. Preparada para viver PARA SEMPRE. 1. לא ידעתי נפשׁי שׂמתני מרכבות עמי־נדיב׃ 6:12 2. Lo yadati nafshi samatni markevot ami-nadiv: 3. Or ever I was aware, my nefesh made me [like] the chariots of Amminadiv. Então Salomão diz que todos os seus planos morreram na praia. A voz se aplica aos dois. É um dueto de Salomão e de Sunamita. Salomão diz, eu desci ao jardim, mas algo me arrebatou e quando vi estava em outro lugar. Minha aventura começou no jardim, mas terminou nesse desfile. É o desfile em que a moça é apresentada oficialmente. Sunamita diz, eu estava dançando, eu estava diante do rei. Mas, agora estou aqui, sendo HONRADA. O “carro de meu nobre povo” poderia ser a liteira, mas o termo “carro” é termo técnico desde a época de Moisés para as bigas, em que só cabem duas pessoas. E que no caso específico, eram conduzidas por quatro éguas compradas do Egito. Do harém de Faraó. Sunamita já não está mais no palácio. Ela venceu a batalha, ela agora desfila na carruagem do rei, seguida por dezenas de cavaleiros. A imagem é a de Débora, profetiza convocada para ir a guerra, dentro do carro do general. É a imagem de Elias sendo levado para os céus diante dos olhos de seu aprendiz, diante dos olhos de Eliseu, testemunha solitária de um dos maiores acontecimentos da história humana. Uma carruagem celestial, guiada por anjos, conduzida por animais desconhecidos, arrebata da terra um dos maiores profetas que já existiu, o levando VIVO para uma dimensão desconhecida pelo homem. O profeta Elias é um dos dois únicos seres humanos da antiguidade que jamais provaram a morte. A imagem é de um arrebatamento de sentidos. é como a visão do arrebatamento da Igreja, e explicação do que SENTIRÃO aqueles que se encontrarem com Jesus nos ares. Eles não sabem. Algo tão instantâneo quanto um piscar de olhos. Algo tão rápido que os sentidos não poderão traduzir. É uma belíssima imagem. Uma profecia cantada. Salomão evoca o
  • 479.
    arrebatamento de Eliase o coloca na boca de Sunamita, para expressar o processo. Antes que ele percebesse, já amava Sunamita de um modo incomparável. Mas este evento ainda não ocorreu no Cantico. Ele é uma cena do futuro, do amanhã. Porque ela ainda está dançando. Como se passasse uma cena futura e voltasse ao presente. E no presente Sunamita ainda roda diante do rei. 1. The Beloved and His Friends} 2. 6:13( שׁובי שׁובי השׁולמית שׁובי שׁובי ונחזה־בך מה־תחזו בשׁולמית כמחלת המחנים׃( 7:1 3. Shuvi shuvi hashulamit shuvi shuvi venekhezeh-bakh mah-tekhezu bashulamit kimekholat hamakhanayim: 4. Return, return, O Shulamite; 5. Return, return, that we may look upon thee! 6. {The Shulamite} 7. What will ye see in the Shulamite? As it were the company of two armies. Os irmãos que correram atrás da moça, não a alcançaram e não tiveram acesso. Querem que ela retorne para as vinhas. E também, por mais incrível que pareça, estão preocupados. Não sabem o que está acontecendo. E não podem entrar. Lá dentro a multidão delira. Eles sabem que a moça dança diante do rei. O texto evoca duas fileiras de dançarinas. E as melhores seriam as filhas de Siló, as habitantes da antiga região do tabernáculo. As duas fileiras representam dois grupos distintos. Creio que as filhas de Jerusalém estão representadas pelo primeiro grupo e as filhas de Siló pelo segundo. Não creio que as filhas de Jerisalém perderiam ao evento por nada. E elas acompanham a canção desde o inicio. Não seria agora, no momento mais imponente do poema, que não haveriam de estar presentes. É delas que é considerada a voz que pergunta ao irmãos: 479 “Porque quereis contemplar a Sunamita na dança de Maanaim?” Maanaim é o termo interpretado como fileira de dois exércitos, o que reforça que são dois grupos distintos de bailarinas. E se elas se parecem com exércitos, tem roupas tão extravagantes e barulhentas quanto Sunamita. E agem em sincronia de movimentos, como um grande grupo de dança, como um corpo. A palavra Maanaim é o nome de um lugar da antiguidade, onde o patriarca Jacó viu milhares de anjos acampados, com tendas aramadas, como os árabes do deserto. Milhares de tendas e milhares de anjos, numa região da terra, um grande mistério. As moças dançando lembram nobreza- filhas de Jerusalém e profecia – filhas de Siló.
  • 480.
    480 From הָבָׁוֹןוֹחמ(H4284) O texto inglês traduz a expressão “Maanaim” (hamaha nayim) como “dois exércitos. A palavra mechwulat ou kimekholat é “dança” no original. Os indicativos do ambiente da corte podem ser acrescentados: o adjetivo “filha de nobre” (bat nádiyv), usado para a Sulamita, e a referência direta ao “artesão” (‘ámán) em 7,2. O contexto geográfico aponta para cidades como Hesbon e Damasco em 7,5, isto é, no centro e norte da Palestina. A dança da Sulamita está, em função deste imaginário, acontecendo na corte, em um ambiente seleto e freqüentado pela elite. Assim, seu corpo é comparado com alguns dos elementos comuns nas festas da corte. A pergunta misteriosa concedida aos irmãos: Porque vocês querem ver o que acontece no palácio? Porque vocês desejam ver a dança de Sunamita? Eles queriam participar da nobreza. Das recompenas, das festas, da comida. Queriam também ver sua irmã interpretando a dança real, a dança de entretenimento, estavam enciumados. Teriam proibido ela de fazer o que fazia se pudessem. E se entrarem, a primeira coisa que fariam era, assim que tivessem oportunidade, levá-la de volta para casa. No contexto da dimensão espiritual a dança significa HOJE: A aventura de uma Igreja que se apresenta com ousadia diante de Deus e que é cercada de nobreza, conhecimento, e ao mesmo tempo da profecia. O natural e o sobrenatural se misturam, a dimensão do estudo, de atos de justiça, que tornam ao ser humano nobre diante de Deus, e a dimensão profética, a dimensão da justiça segundo a fé, que é a base para o evangelho que o Poder de Deus. A dança mistura alma e coração, entendimento e espiritualidade. Culto racional, e culto profético. Inteligencia e Comunhão. As dua s fileiras trabalham unidas. Significará no AMANHÃ: Dois grupos se misturarão nos céus. Os que estiverem vivos e os que já morreram que ressucitarão. Esses grupos se umem como um só, o primeiro grupo que chega nos ares é do passado. Os que dormiram em Cristo. O segundo que chega é o dos que estiverem vivos. Misturam-se e se encontram com dois outros grandes grupos. Os anjos que são enviados para toda a terra, com os anjos que descerão diretamente do céu para o evento. Alguns saindo da dimensão espiritual, dos céus, pela primeira vez, possivelmente.
  • 481.
    1. {The Beloved} 2. 7:1( מה־יפו פעמיך בנעלים בת־נדיב חמוקי ירכיך כמו חלאים מעשׂה ידי אמן׃( 7:2 3. Mah-yafu feamayikh banalim bat-nadiv khamukei yerekhayikh kemo khalaim maaseh yedei aman: 4. How beautiful are thy feet with shoes, O prince's daughter! the joints of thy thighs [are] like jewels, the work of the hands of a cunning workman. Correr atrás de raposas torneia o corpo. Salomão contempla Sunamita num sentido diferente. Nas vezes que ele a ficou fitando detalhadamente nos capítulos anteriores ele o fêz de cima para baixo. Agora ele começa pelos pés. Dos pés até o alto da cabeça. Há uma mudança sutil. Psicológica. Olhar de cima-para-baixo é uma expressão que denota arrogância. Mesmo não seja um olhar arrogante, ele representa na maioria das culturas esse sentimento. Há um modo como nós, inconscientemente fitamos as coisas. E existem gestos característicos para alguns sentimentos. Vi em um blog a autora denominando esse olhar que normalmente as mulheres lançam sobre as outras de “olhar tipo scanner”. Scanner é o equipamento que digitaliza imagens, atualmente vem junto das maiorias das impressoras chamadas multifunção, sua lâmpada faz uma varredura da foto ou texto. No sentido inverso o olhar denota ADMIRAÇÃO. No verso é extamente isso, elevado a nona potencia. A moça que ele ama é de uma beleza escultural. Enquanto dança fica mais evidente ainda como suas pernas são bonitas. Ela usa sapatos especialmente preparados para a ocasião, há guizos amarrados em seus tornozelos, ela usa saias esvoaçantes que ao rodar permitem que ele veja suas curvas que a melhor comparação que lhe vem em poesia é a de jóias trabalhadas pelas mãos de um artista. Elas são tão belas para ele como seriam jóias, que necessitavam de mesespara estarem prontas. Os instrumentos da antiguidade eram bem rudimentares. Para que uma jóis ficassse polida e simétrica exigia uma habil idade muito grande. E uma visão excepcional. O rei nota com ela fica bem, calçada. Ele nota a forma dos pés dela dentro dos sapatos. É muito detalhista. Em dado instante ele acrescenta uma nova realidade. Uma novidade. Conta-nos algo que não fora dito nem nenhum momento do Cantico. Ó filha do príncipe. Aquela menina que trabalhava caçando raposinhas no vinhedo de seus irmãos, cujo pai nunca é anunciado, tinha sua origem na nobreza. Ela era filha de um príncipe! Começamos a compreender porque uma moça humilde é tão excelente dançarina. Começamos a compreender porque ela se considera a Rosa de Sarom, rica planície das cidades costeriras de Cafarnaum e ainda assim mora na Galileía, reconhecidamente um bairro humilde desde sempre. Compreendwmos de onde vem suas posses, quando ela descrevia nos versos anteriores que haviam grades em seus quartos, quando ela descrevia suas vestes ao dormir, sua indumentárias, suas jóias, seus caros perfumes, nardo, mirra, mirra em abudancia, o púrpura real que ela usa nos cabelos. Sua primazia na dança, onde ela entra não como assistente de palco, antes como protagonista principal. 481
  • 482.
    Essa moça foirica um dia! E Salomão SABIA DISSO desde o início. Mas nós não! UM CONTO DE MISTÉRIO! Cada trecho uma surpresa nova! Encantados com as pernas da moça os comentaristas deixaram passar essa belíssima pista da origem da moça. E de sua infância. E agora duas coisas se descortinam. A aceitação por parte das outras esposas não poderia ser negada com base na sua origem ou posição social! Embora vivesse uma vida de necessidades, era de origem nobre! Não sabemos o que aconteceu. Sabemos somente que seus irmãos mais velhos assumem o vinhedo, sendo ela a caçula, a filha única. E entendemos o jogo por detrás das aparências. Ele sabia de TUDO! Ele a ESPERAVA! Ele facilitou sua entrada no palácio! Ele sabia que ela ousaria, que ela arriscaria tudo! Ele a buscou PROPOSITADAMENTE. Para honrá-la, para resgatá-la! TUDO ARMAÇÃO! A dança de Maanaim é uma vitória que foi alcançada antes do primeiro passo e da primeira batida de tambor. Ela aconteceu nos vinhedos. No primeiro olhar. Essa questão reflete o Éden, onde o homem possuía a Dignidade, a honra e a riqueza. Todo o mundo era dele. E então ele perdeu essa dignidade. E com ela ao mundo. Até que o descendente de Salomão veio resgatá-la. Cristo que se fêz pobre par que nos tornássemos ricos nEle. Não era somente uma moça da aldeia que dançava ali, era acima de tudo, uma PRINCESA. Salomão fazia duas coisa. Resgatava a honra da moça e sua posição, herança natural, herança paterna. E concedia-lhe outra que ela não teria acesso de modo natural. Cristo resgata a honra de Eva através de Cristo, o segundo Adão. E não bastasse restaura - nos a posição que tínhamos diante de Deus antes da queda. Concedeu-nos uma dignidade ainda maior, quando nos consagrou a si como FILHOS. Antes criaturas, mas agora HERDEIROS, CO-HERDEIROS de Cristo, que é o dono de todas as coisas. Uma belíssima figura na pessoa de Sunamita. 1. Shlomo's final approach proves to be in vain (7:1-10) 2. 7:2( שׁררך אגן הסהר אל־יחסר המזג בטנך ערמת חטים סוגה בשׁושׁנים׃( 7:3 3. Sharrekh agan hasahar al-yekhsar hamazeg bitnekh aremat khitim sugah bashoshanim: 4. Thy navel [is like] a round goblet, [which] wanteth not liquor: thy belly [is like] an heap of wheat set about with lilies. 482
  • 483.
  • 484.
    Sunamita usa umSaree ou as vestes que um dia originariam o Saree, com muitos adereços. O Livro de Cantares fala do amor conjugal, mas ua ênfase é o romance com um dueto entre Salomão e o espírito de Deus. Não possui a ótica do Kama Sutra Indiano, não é essa sua finalidade e nem tão pouco o motivo que conduz a trama ou a canção. Autores que lerem conotações eróticas como o principal, abusam do texto, literalmente. Paralelos com textos da antiguidade ajudam, mas não são a ponte para os mistérios de Cantares. Este estudo não dá ênfase a dimensão humana, outros que tratam da intimidade, do namoro, noivado, casamento e da liberdade conjugal e da expressão do amor humano, lidarão com essas questões melhores do que eu. A visão profética não exclui o mundo de dimensões de Cantares. Mas esta versão é para toda a Igreja. Para as crianças rirem com a caçadora de raposas, com os adolescentes imaginarem as danças, os encontros e desencontros a luz de um amor encantador, e sob a luz da coisas espirituais. 484 Mas deixo as fotos que ilutram o texto. Elas ilustram o texto, E permitem a visualização do que está escrito. Se vc se sentir incomodado, substitua por fotos mais doces, ou de crianças vetindo as roupas, ou só dos vestidos. Entenda que cada ser humano possui sensibilidades diferentes. Não se pertube com as fotos ou ilustrações. Mas, pense que é necessário ilutrar o que você ensinará, como pedagogo de nossa época de mídia, aconselho a ser bem visual.
  • 485.
    Essa moça dafoto anterior retrataria para mim uma da melhores representações da Sunamita, a não ser pelos olhos que deveriam ser VERDES. Sunamita veste-e a moda oriental, aproxima-e do rei com uma saia bordada. O bordado desc pelo seu colo. Ele vê um umbigo perfeito, compara a uma taça, usando uma palavra que referencia um objeto do palácio e eis que novamente vem o vinho. Ele a vê como uma fonte de perene alegria, ela é seu prazer, ela girando diante dele é como uma taça de ouro, que na mãso do rei tinha vinho perene. Os serviçais do rei jamais permitiriam que sua t aça e esvaziasse, até que o rei ordenasse que parassem. Os campos de trigo evocam fartura, e os lírios a beleza de um campo, separado, nas terras floridas israelitas. Um lugar separado para a colheita do trigo, junto a um pasto ou local preparado onde é colhido. (No trecho Ecologia de Cantares, há outras referencias e meditações sobre o trigo). O trigo nos leva a uma cena de namoro dos bisavós de Salomão, Rute e Boaz. Boaz deita - se perto de um monte de trigo e Rute deita-se aos seus pés. Boaz se esticou no meio da noite e tocou o corpo da jovem que dormia próximo a ele. Imagine o susto. Esse ato foi reconhecido por Boaz como “quero me enamorar de ti”. Devia ser um costume da época, o que mostra que as mulheres já paqueravam aos homens desde...sempre. Que o cortejo não ocorria somente do homem para a mulher, como aparentam as regras sociais de muitos povos. Há o “culturalmente” apregoado, escrito, divulgado. E há o que ocorre também, é fato cultural, é realidade social, mas não considerada como “oficial”. Como não era usual entre as mulheres da antiguidade a conquista do homem, esperava-se justamente o oposto, em determinado instante no livro de Jeremias uma das profecias fala justamente disso, “vocês já viram uma mulher se aproximar, de um homem, ela fazer a proposta de namoro?” 485 Jeremias 31:22 Até quando andarás errante, ó filha rebelde? Porque o SENHOR criou uma coisa nova sobre a terra; uma mulher cercará a um homem. Sunamita está se apresentando diante do rei e sua vestimenta não está com bordados que se parecem com trigo...a toa... Ela está seduzindo ao rei. É uma referencia a uma história de amor que era conhecida por todo Israel da época e que fazia parte da identidade de Salomão. O trigo levava 50 dias para amdurecer. Extamente a quantidade de dias entre a páscoa e o PENTECOTESTES. Após a ressurreição de Cristo, ele passou 40 dias na terra! 40 dias. É comum perguntarem o que Jesus fez dos 13 ao 30 anos. O que qualquer judeu teria feito. 17 peregrinações até Jerusalém, 17 anos brincando com seus irmãos, vendo as irmãs crescerem, participando da páscoa, aprendendo o Evangelho na Sinagoga, ouvindo os rabinos famosos de sua época, tal como Gamaliel. Quando Jesus Paulo está aprendendo assentado aos pés de Gamaliel, deve ter visto um galileu com perguntas admiráveis que vez por outra questionava seu professor. Mas poucas pessoas imaginam o que Jesus ressurreto realizou nos 40 dias de sua peregrinação na terra após seu triunfal retorno dos mortos. O trigo aponta para Cristo, o pão da vida, que nasceu numa cidade cujo nome é “casa do pão”. Beth lém.
  • 486.
    Sunamita provoca Salomãocom uma insinuação de que é EM SEU COLO que ele deve se deitar. Perto do trigo e das flores de lírios que enfeitam sua vestimenta. 1. 7:3( שׁני שׁדיך כשׁני עפרים תאמי צביה׃( 7:4 2. Shenei shadayikh kishnei ofarim taomei tzeviyah: 3. Thy two breasts [are] like two young roes [that are] twins. Sunamita não está tão coberta como estava nas vezes anteriores. Embora não use um decote como os vestidos da atualidade, o modo como prende o vestido, parente do Saree Indiano mostram sua perfeição de modelo. A referencia que ele faz a “gêmeos” mostra como ele a enxerga perfeita. A referencia a gazela lembra o movimento dos filhotes em meio do campo de cevada, ela está girando e se movimenta com ênfase num movimento de dança onde as moças balançam o corpo e se inclinam mostrando o tronco, balançando os seios. Na dança indiana nos filmes de Bollywood esse movimento é teatral. Ele é uma provocação, uma brincadeira da dançarina. Émbora haja sensualidade o que prevalece é o jogo de sedução, uma representação. Um exagero. Como as expressões dos atores no teatro que necessitam de gestos amplos, de usar o corpo para expressar atitudes ou emoções, porque se forem sutis não serão compreendidos. O cinema aproxima o espectador da cena de tal modo que podemos discernir um suspiro, uma mudança na direção do olhar. No teatro e na dança não perceberíamos tais sutilezas. Caso algum curioso queira saber qual é o movimento que estou me referindo: 1. 7:4( צוארך כמגדל השׁן עיניך ברכות בחשׁבון על־שׁער בת־רבים אפך כמגדל הלבנון צופה ( 7:5 פני דמשׂק׃ 2. Tzavarekh kemigdal hashen einayikh berekhot bekheshbon al-shaar bat-rabim apekh kemigdal halevanon tzofeh penei Damasek: 3. Thy neck [is] as a tower of ivory; thine eyes [like] the fishpools in Heshbon, by the gate of Bat rabbiyim: thy nose [is] as the tower of Levanon which looketh toward Demesek. 486
  • 487.
    O cabelo deSunamita deixa transparecer que apesar de ter seu rosto, braços e pernas morenas, o pescoço oculto pela longa cabeleira é branco. Ela é uma branquela disfarçada de morena. Seu pescoço é esguio e longo, na medida que baila ela esvoaça os cabelos deixando a mostra seu pescoço. O que demonstra mais uma vez a estupenda capacidade de observação de Salomão. A moça está enfeitada, com colares, eles estaõ no meio de um salão repeltos de convidados e nobres, há pelos menos mais umas vinte dançarinas com a Sunamita, todas desejando granjear um olhar do rei, está acontecendo uma algazarra, uma gritaria, dezenas de músicos tocam seus instrumentos, harpas, alaúdes, instrumentos de sopro, tambores, pandeiros, chocalhos, címbalos sononos e altissonantes. E ainda assim Salomão percebe, com o salão iluminado por tochas, que o pescoço dela possui a cor clara! É muito poder de observação. Ele compara o seu pescoço a uma Torre de Marfim. Atualmente o uso comum da expressão ivory tower ("torre de marfim") designa o mundo acadêmico das instituições de ensino superior e universidades, particularmente os estudiosos de humanidades. A expressão Torre de Marfim designa também um mundo ou atmosfera onde intelectuais se envolvem em questionamentos desvinculados das preocupações práticas do dia -a-dia. Como tal, tem uma conotação pejorativa, indicando uma desvinculação deliberada do mundo cotidiano; pesquisas esotéricas, superespecializadas ou mesmo inúteis, e elitismo acadêmico, se não, desdém ilimitado por aqueles que habitam a proverbial torre de marfim. Interessante é que hoje a ATIVIDADE acadêmica se relaciona com uma expressão de 3000 anos cunhada por SALOMÃO. Salomão fala de uma torre em especial que parece ser revestida externamente de marfim. Ou que abriga em seu interior muitas peças de artesanato desse material. O salmo 45 referencia a existência de um palácio de marfim. O próprio Salomão construiu um trono inteiramente de marfim. A interação entre a arqueologia ea Bíblia é, talvez, nenhum lugar melhor ilustrado do que no assunto do marfim. A Bíblia nos ajuda a entender os artefatos arqueológicos e os artefatos arqueológicos nos ajudar a entender a Bíblia. Na Bíblia, somos informados do marfim trono do Rei Salomão (1 Reis 10:18, 2 Crônicas 9:17) e da ostentação do Rei Acabe que construíu uma casa inteira de marfim (1 Reis 22:39). Às vezes o marfim foi usado como usamos o dinheiro, para permuta, tributo ou troca (Ezequiel 27:15). Nós aprendemos sobre os marfins preciosos trazidos a partir de três 487
  • 488.
    viagens por anodos navios de Salomão que operavam numa rota de comércio entre Társis e Ofir (1 Reis 10:22, 2 Crônicas 9:21). E aprendemos também sobre o marfim como um símbolo de riqueza e decadência: Amós investe contra Israel que dormita sobre suas camas de marfim (Amós 6: 4). Ele profetiza em nome do Senhor, que a casa de marfim perecerá e será demolida (Amós 3:15). A beleza de marfim foi universalmente reconhecida: No Cântico dos Cânticos, o amante cuja estatura é tão majestosa como o Líbano, imponente como os cedros, tem uma o ventre como um bloco de marfim polido (Cântico dos Cânticos 5:14); sua amada tem um pescoço como uma torre de marfim (Cântico dos Cânticos 7, 4). Salomão compara o pescoço da Amada a uma raríssima torre de marfim, uma das coisas mais preciosas de Israel, e do mundo de então. Quando ainda nos campos, deitado sobre a luz do luar e das estrelas Salomão elogiava os colares ao redor do pescoço da Amada. Mas agora ele está além dos colares. Ele que começou a observá-la dos pés até a cabeça, pula a boca e o nariz e segue até os olhos . Depois ele desce com o olhar até seu nariz. Esse movimento é novo, ele seguiu sem interrupção seus olhos da cabeça aos pés da moça quando namorava, e agora na visualização ao inverso, de baixo para cima, vai até os olhos, desce ao nariz e depois subirá até a cabeça. No inicio da dança Salomão: 488 Olha para ela por inteiro Fixa os seus olhos Sobe com o olhar para seus cabelos Desce o olhar para sua boca E finaliza olhando sua face ou suas bochechas. Desce até seus pés Sobe o olhar para as pernas, Sobe o olhar ao umbigo Desce para o ventre Sobe para os seios Segue até o pescoço Segue até os olhos Desce ao nariz E segue para sua cabeça. Ao parar em seus olhos temos uma surpresa, uma nova revelação sobre a aparência de Sunamita.
  • 489.
    Seus olhos sãocomo as piscinas de água límpida e esverdeada de Hesbom. Que nessa época ficava encostada a uma das portas da cidade tomada pelos israelitas. 489
  • 490.
    Wadi Mujib, historicamenteconhecido como ribeiro de Arnon, das terras dos amorreus, e de Hesbom. Hesbom ficava na terra dos amorreus. É uma cidade que foi a capital do reino de Seom, um rei que não permitiu que Moisés passasse com os israelitas de passagem para Canaã. Os olhos de Sunamita são verdes como as águas destas piscina naturais. As pi scinas eram alimentadas por cascatas naturais, provenientes de rios subterraneos. O que nos leva a uma outra observação. 490 SUNAMITA ESTÁ CHORANDO DE ALEGRIA. Do fundo de sua alma, vem suas lágrimas. Isso torna perfeita a poesia. Junto a porta de Baate-Rabin, que significa “filha de multidões”. Porque um dia multidões a conheceriam. Milhões e milhões por milhares de anos. Sunamita foi cantada e festejada por quase mil anos nas festas de Israel, em cada páscoa. Enquanto Jesus está sendo crucificado está sendo feita a leitura de CANTARES DE SALOMÃO. Talvez não tenha sido o melhor local do estudo para colocar essa afirmação, bem ao lado da alegria de Sunamita, mas perceba a PROFECIA, a ligação que há entre CANTARES e CRISTO. Seja no primeiro milagre num casamento relacionado ao vinho, abundante em Cantares, seja na sua morte com aleitura do livro em muitas casas e sinagogas, nas festividades acontecendo enquanto o sinédrio está julgando ao Messias, seja no instante em que el rejeita o vinagre que lhe oferecem por ser vinho estragado, vinho sem qualidade, sem excelência. Por fim o nariz de Sunamita, tão reto, tão fino, que é comparado a uma torre TRIANGULAR que ficava no Líbano, voltada para Damasco. Este instante de Canatres é outro onde no dueto com o Espírito de Deus a sua voz é a principal. Olhando para Damasco é a visão que a caminho de Damasco um dia Deus se encontrará com um descendente de Benjamim, um rabino, e o convencerá que seu amor é verdadeiro. A caminho de Damasco Deus levantará o apóstolo que entenderá que foi para o mundo inteiro que o Evangelho foi escrito, e não somente para seu povo. A caminho de Damasco
  • 491.
    Deus elegerá ummestre, um sábio, um profundo conhecedor das Escrituras que se tornará o principal professor do evangelho para a Sunamita Celestial. O apóstolo Paulo. O belíssimo nariz de Sunamita, enfeitado com brincos, encantava Salomão. O nariz nas Escrituras hebraicas aponta para a respiração, e para estados de animo, ira, raiva, decepção, desespero, cansaço, excitação. Sunamita resfolega, inspira o ar fortemente, após seus poderosos passos de dança. Puxa o ar pelo nariz e enche os pulmões de ar, e ele ama até a respiração de sua Amada. 1. 7:5( ראשׁך עליך ככרמל ודלת ראשׁך כארגמן מלך אסור ברהטים׃( 7:6 2. Roshekh alayikh kakarmel vedalat roshekh kaargaman melekh asur barhatim: Thine head upon thee [is] like Carmel, and the hair of thine head like purple; the melekh [is] held in the galleries 491 5 As tranças de Sunamita estão tingidas de púrpura, uma das cores da realeza. Ela esconde um segredo, que não sei se ela é conhecedora. Sua IDENTIDADE. Afinal de contas, QUEM È ESSA MOÇA? Quem é a mais bela das camponesas, que possui condições de ter caríssimos perfumes e ainda assim é tratada de tal modo que é obrigada a caçar raposinhas durante o dias? Quem é que tem o privilégio de dançar com trahjes de gala diante de pelo menos duas escolas de dança diferentes, sendo escolhida diante das filhas de Siló cujas tradições de dança remontam a mais de 370 anos? Porque recebe tamanha honra e tamanho afeto? Porque há silencio das rainhas e concubinas com relação a essa nova “paixão” do rei, e ao invés de rejeição plena e condenação a execração sumária, elas a LOUVAM? Aguardem. Salomão diz que sua cabeça é comparada ao monte Carmelo, palavra que significa “jardim”. A um monte comum em sua época. Só um belíssimo monte. Aos olhos de Salomão ele pensa na belíssima paisagem evocada pelo monte. Mas o FUTURO tornaria esse monte um dos mais impactados por eventos proféticos. Onde um profeta sozinho enfrentou cerca de 100 homens sem mover sequer sua mão. E venceu. Carmelo é citado como o sendo o local onde Elias desconcertou os profetas Baal, levando de novo o povo de Israel à obediência ao Senhor. Foi também no Monte Carmelo que, segundo a Bíblia, Elias fez descer fogo do céu, que consumiu por duas vezes os 50 soldados com o seu capitão, que o Rei Acazias tinha mandado ali para prender o profeta, em virtude ter este feito parar os seus mensageiros que iam consultar Baal: Zebube, deus de Ecrom." (2 reis 1.9 a 15). A bíblia ainda cita esta montanha como o local em que a mulher sunamita que perdera seu filho, foi encontrar-se com o profeta Eliseu (2 Reis 4.8 a 31) para entender a sua perda. Os cabelos de Sunamita estão enfeitados com adornos, com jóias que representam flores. E O Espírito vê nela sua AUTORIDADE ESPIRITUAL. Uma vocação profética, um ministério de Unção e de Poder. Elias é o único ser humano que jamais morreu. Dando a entender a eternidade da profecia, dando a entender que Deus tem um destino de VIDA
  • 492.
    ETERNA para seusprofetas. A carta de Hebreus dirá isso em outras palavras, sobre os profetas que não aceitaram seu livramento (eita coragem) porque aguardavam uma pátria eterna. Porque se consideravam estrangeiros neste mundo passageiro. Os cabelos de Sunamita são enfeitados de púrpura, como se representasse que seus pensamentos, o que está em sua cabeça, o que enfeita-a, o que a embeleza, o que a enobrece, está relacionado a REALEZA. A Sunamita Celestial reflete a glória de um Reino, pensa nas coisas do Reino, deseja manifestar o domínio do Rei, em seus sentimentos, nas situações da vida. “estes sinais seguirão aqueles que crêem, em meu nome...”. Ela deseja Reinar através de Cristo. Ou ao menos, manifestar as cores vivas do manto de seu Senhor. 492 E claro, XEQUE-MATE. O jogo acabou. O Rei está PRESO pelas tuas tranças. Sem escapatória. Ele foi capturado. A caçadora caçou sua maior raposa. O mais astuto dos animais. Uma Raposa, morta de fome, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas ramas de uma viçosa videira, alguns cachos de exuberantes Uvas negras, e o mais importante, maduras. Não pensou duas vezes, e depois de certificar-se que o caminho estava livre de intrusos, resolveu colher seu alimento. Ela então usou de todos os seus dotes, conhecimentos e artifícios para pegá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou se cansando em vão, e nada conseguiu. Desolada, cansada, faminta, frustrada com o insucesso de sua empreitada, suspirando, deu de ombros, e se deu por vencida. Por fim deu meia volta e foi embora. Saiu consolando a si mesma, desapontada, dizendo: "Na verdade, olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas estragadas, e não maduras como eu imaginei a princípio..." ESOPO O Rei está preso em suas tranças fala de “tudo que pedirdes em meu nome, vos será feito” Fala-nos dos segredos da comunhão, da reciprocidade, da certeza de sermos ouvidos por Deus, fala-nos de “tudo que ligardes na terra, terá sido do mesmo modo, ligado nos céus”. Retrata o mistério da intercessão, da oração, do coração de Deus “preso”, seguro, voltado
  • 493.
    para o coraçãoe para a mente da Igreja. “Preso” lembra a situação do Espírito em nosso interior, “contido” em vasos de barro, unido a nossas vidas pelo milagre da REGENERAÇÃO. E que habita em nós, que está UNIDO, ligado a nossas vidas por vínculos profundos. “Preso” lembra-nos o mistério da encarnação. Jesus habitará um corpo de carne para TODO O SEMPRE. Não sabemos como era sua manifestação antes da encarnação. Se tinha um corpo separado, como um anjo, ou se compartilhava da essência divina e do corpo de Deus, que é outro mistério insondável. Mas, o passdao ficou para trás, pois quando decidiu formar um corpo para si através de MARIA, quando ele se FEZ CARNE e habitou entre n[os, o fez para sempre. Jesus ressuscita com um corpo humano. Aparece glorificado para na ilha de Patmos com um corpo humano. Ou aparece simplesmente ressurreto, aguardando ainda a glorificação juntamente com a IGREJA. Significaria que HOJE Jesus é exatamente aquele que caminhou na terra por 40 dias após sua ressurreição, com alguma mudança em virtude da proximidade com a glória divina, como Moisés nos 80 dias que ficou no Sinai e quando desceu brilhava. E que permancerá “preso” a este corpo para sempre. As tranças falam de fortalecimento, coerência, fortaleza, harmonia, beleza. E tudo o mais que uma trança evoca. 493
  • 494.
    1. 7:6( מה־יפיתומה־נעמת אהבה בתענוגים׃( 7:7 2. Mah-yafit umah-naamte ahavah bataanugim: 3. How fair and how pleasant art thou, O dod (love), for delights! Salomão repete algo que começou a dizer no inicio do poema. Sua visão da formosura de Sunamita arrebata-o, sendo para ele muito prazeirozo contemplá-la. Então ele pinta esse quadro diante de seus olhos com uma expressão única na história dos romances. Ele a chama de “Ó amor em delícias”; ele cria um epiteto, uma definição nova para ela que reúne o amor em movimento com a pluralidade de gostos, como de doces, bebidas. Ela é para ele um prazer culinário que se degusta com a visão. As moças conhecem bem a expressão “devorar com os olhos” quando são fitadas de tal maneira que se sentem como um frango assado numa televisão de cachorro: O olhar transmite muitas coisas, também pode transmitir sentimentos inapropriados, dando a entender uma “violência”, um ato que constrange por tornar claro uma intenção, em alguns casos, fruto de um desejo egoísta, não correspondido, não solicitado, impróprio e na maioria das vezes, grosseiro. Salomão não usa desse modo a expressão. Não é essa a nota tonica da canção. Embora seja ela sua noiva, sua esposa, e ele possa olhar para ela do jeito que bem entender, porque ela lhe pertence, ela se doou de corpo e alma ao seu amor, que recebeu o direito de observá-la e de desejá-la. No entanto, Salomão é doce. A palavra delícia (naamate) significa, deleite, prazer, gozo, encantamento, doçura. Cada pedaço da canção é envolvido em reminiscências de Salomão. De fatos que abrangem desde sua infância até a vida adulta. Profundamente marcado pela vida de seu pai, pelos dramas familiares, pelas situações que o trasnformaram na pessoa que é. 494
  • 495.
    495 O quelembra a musica de Clarisse Falcão http://www.youtube.com/watch?v=HUUwNd_cvrg Se não fossem as minhas malas cheias de memórias Ou aquela história que faz mais de um ano Não fossem os danos Não seria eu Se não fossem as minhas tias com todos os mimos Ou se eu menino fosse mais amado Se não desse errado Não seria eu Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado Não quero ser chato Mas vou ser honesto Eu não sei o que você tem contra mim Você pode tentar por horas me deixar culpado Mas vai dar errado Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim Se não fossem os ais E não fosse a dor E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador Se não fosse Deus Bancando o escritor Se não fosse o mickey e as terças feiras e os ursos pandas e o andar de cima da Primeira casa em que eu morei e dava pra chegar no morro só pela varanda se Não fosse a fome e essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança se não fosse o Koni e o Capitão Gancho Não seria eu!
  • 496.
    496 A palavraque Salomão usa é ־נעמת Na´amat, ou Na´amati NAAMA, hebraico: agradável, prazer, delícia NAAMA, hebraico: doce agradável, prazer Há uma situação especial relacionada ao passado em que essa expressão também será utilizada numa canção. Numa antiga canção que celebrava um amgo que morrera, uma elegia ou canção fúnebre. Uma homenagem póstuma. II Sm 1:26 Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; muito agradável éras tu, teu amor para mim foi maravilhoso, mais que o amor das mulheres. Salmo 141: 6 Saul o primeiro rei de Israel odiava a Davi. E o perseguiu por anos tentando assassiná -lo. No entanto possui uma filho da mesma idade que Davi, de nome Jonatas, que amava-o. As Escrituras dizem que Jonatas teve uma amizade tão profunda por Davi que arriscou sua vida diversas vezes junto a seu pai, para socorre-lo. Davi amava a família do rei. Era apaixonado pela irmã de Jonatas, Mical, respeitava e dignificava ao rei, tendo preservado sua vida todas as vezes que em batalha se apresentou a oportinidade de matá -lo, realiza uma aliança de vida, um pacto de amizade com seu filho e quando Jonatas morre, trás para o palácio ao seu filho (Mefibosete), que era aleijado, para viver sob o sustento real. Davi é leal a Jonatas mesmo após sua morte. A morte de Jonatas é dolorosa, em batalha, flechado, morre junto de seu pai. Os inimigos escarnecem dos mortos profanado seus corpos, colocando suas cabeças em estacas no muro de uma cidade próxima da batalha final. Davi fica consternado. E a expressão que ele usa para designar a alegria dessa amizade foi muito agradável éras tu, teu amor para mim foi maravilhoso, mais que o amor das mulheres. Davi teve várias esposas e dezenas de concumbinas. Várias de suas aventuras são em função de sua paixão por mulheres. A expressão “amor das mulheres” designava para Davi a relação sensual, a relação íntima, ao prazer. Acusam mediante este texto a Davi de t er um relacionamento sexual com Jonatas. O texto mostra uma outra realidade. Compara o afeto, a amizade, a saudade de Jonatas com o desejo sensual. Compara Agape com Eros. O eros Davi o sente em relação as mulheres. Mas ele viveria como celibatário, faria um voto de castidade, se pudesse ter a alegria da presença de seu amigo amado, novamente ao seu lado. O trecho bíblico de modo algum enfatiza uma relação sensual ou erótica, seria uma deturpação grosseira, uma perversão do sentimento de amizade por uma pessoa falecida, por um amigo morto. Enfatiza acima de qualquer coisa o amor de irmãos, contrasta vividamente, amizade com sexualidade. Salomão usa a palavra “em delícias”, usa a mesma palavra que um dia foi entoada numa canção de despedida, que evoca a história do amor entre Jonatas e seu pai, Davi. O amor que Salomão sente por Sunamita, independentemente da questão sensual, é tão grande quando um dia Jonatas sentiu por um amigo que partira. Ele sentia saudade dela, olhando para ela, estando ela dançando diante dele, viva.
  • 497.
    497 Não consigoexplicar melhor o que falei nessa ultima frase... Por todo o texto Salomão a chama de “amor” ou “amada”. Na maioria das vezes ele utilizou um termo “ra'yah” que é traduzido por “minha amiga” em outros textos das Escrituras. Diz respeito auma pessoa do sexo feminino que tem uma relação de amizade com uma pessoa do sexo masculino. Ele vem chamando ela de “amiga” toda vez que a chamou de “meu amor” em todas as ocasiões anteriores. Está havendo um processo. Ele a conheceu e brincou com ela, até mesmo a paquerou. Mas não CONFESSA isso. Para nós que lemos parece que ele a ama na mesma intensidade do inicio ao fim do poema. Mas não é assim. Ele está mudando a medida que vive com ela. A expressão que ele usa “amor em delícias” usa uma outra palavra para amor. Ele usa “naamate”. Veio chamndo ela de “ra'yah” até quando pode...risos. Agora não tem mais jeito. Ela é muito mais que uma “amiga” agora para ele. No paralelo espiritual há um desnvolvimento entre a intimidade de Jesus com seus discípulos. Ele os convoca para o ministério, e os chama de “discípulos”. Então chega a hora que declara que já não são somente isso. São seus “amigos”. E após a ressurreição, há um novo patamar. Jesus os chama de “irmãos”. 1. 7:7( זאת קומתך דמתה לתמר ושׁדיך לאשׁכלות׃( 7:8 2. Zot komatekh damtah letamar veshadayikh leashkolot: 3. This thy stature is like to a palm tree, and thy breasts to clusters [of grapes]. Comparando a poesia de Salomão com as das primitivas tribos árabes, se estas não se destacavam em outros campos da cultura, na poesia, pelo menos, eram imbatíveis: graças ao espírito contemplativo e observador, desenvolvido e propiciado pelo ambiente e pelo modo de vida nômade. Desde a infância, aprendia-se a refletir e a descrever o camelo, o vento, as montanhas, o céu, as estrelas, a noite do deserto... Havia feiras literárias anuais e gravava-se em ouro, sobre folha de palmeira, as peças vitoriosas que eram dependuradas (daí seu nome mu'alaqat). Esse texto é o mais carregado de imagens de sensualidade de Cantares. Dentre as várias dimensões de Cantares, na dimensão humana ele expressa o desejo de intimidade, mas também encobre outros mistérios. Para ver o que seesconde além da intimidade que nos leva a imaginar é necessário a alma de um médico. Na ética médica a visão de um corpo nu não evoca a sensualidade e nem pode. Grandes questões são levantadas pela fal ta de ética profissional de médicos, por mulheres que se sentiram lesadas física e moralmente por terem sido tocadas ou observadas com intenções sexuais. Para o exercício da medicina exige-se um controle da natureza, dos sentimentos, dos pensamentos. Um professor de crianças não pode, do mesmo modo, deixar-se levar por qualquer sentimento sensual
  • 498.
    diante de crianças,se o fizer estará transgredindo sua profissão, estará aviltando a dignidade e causando danos profundos as crianças sobre sua guarda. A mesma realidade de autocontrole se aplica a soldados, policiais, bombeiros, socorristas, onde a visão do corpo, por mais belo que seja, não é mais importante que sua preservação. Há lugar para ver a sensualidade de Cantares, mas não na dmensão espiritual. Não no uso congregacional ou profético. Pois há m patamar superior, uma história que está sendo contada, e ela é tão profunda quanto o impacto que o texto causa visualmente. Lembrando que a ênfase deste estudo são as questões espirituais e humanas relacionadas aos versos. O segredo deste verso para edificação espiritual, assim como o do seguinte é a á rvore. Os nossos olhos tem que parar de prestar atenção nos seios da Sunamita e ir, contrariamente à natureza humana, em direção à palmeira. Semelhante a Palmeira. 498 A palavra “palmeira” em hebraico é TAMAR.
  • 499.
    “Voltou a falarde como as coisas belas e importantes morrem e disse sobre na morte embelezarmos a vida com uma rara palmeira que tem no Aterro do Flamengo - Corypha umbraculifera – que vive entre 40 e 80 anos e dá apenas uma florada. Ele disse que passando viu elas todas brancas, flores brancas florindo. Elas morrem estas sementes que vem com as flores semeiam novamente a terra.” (Rev. Mozart Noronha) “Acima da copa de folhas em leque, que começam a secar e cair, forma -se nova copa, de oito metros de diâmetro, instituída de mais de um milhão de pequenas flores brancas. Quase um quinto das flores oferecem sementes férteis e, cumprida sua parte na tarefa de perpetuação da espécie, a palmeira morre". Algumas palmeiras da espécie Corypha umbraculifera estão florindo no Aterro do Flamengo, onde foram plantadas na época da inauguração do parque, em 1965. A característica dessas palmeiras é que dão apenas uma florada durante toda a vida, que dura entre 40 e 80 anos. Depois da florada ela morre. É a maior florada do reino vegetal” (inclusive depois que li esse texto quase parei de continuar o estudo, vai que ele é prova que estou florescendo) Tamar ou tamareira era uma árvore citada nas Escrituras desde os tempos de Abrãao. E também um antiquíssimo nome próprio FEMININO. As meninas são chamadas de “Tamar” por tribos árabes, pelos israelitas e até pelos persas. Uma das histórias mais impressionantes de fé das Escrituras era a história de uma jovem chamada Tamar. https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KadWhtZVNGVDFzd0U/edit?usp=sharin g A mulher que pela sua ousadia tornou-se a matriarca de todos os descendentes de Judá, incluindo Davi e Salomão. E a Jesus. Este é um trecho da genealogia de Jesus: 499 Judá gerou de Tamar a Perez e a Zara; Perez gerou a Esrom; Esrom gerou a Arão; Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe gerou a Naassom; Naassom gerou a Salmom;
  • 500.
    500 Salmom geroude Raabe a Boaz; Boaz gerou de Rute a Obede; Obede gerou a Jessé, Jessé gerou ao rei David. David gerou a Salomão daquela que fora mulher de Urias; E há mais duas mulheres de nome TAMAR que serão de muita importância na vida de Salomão. E aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a. 2 Samuel 13:1 Uma delas é sua meia-irmã, Tamar, uma princesa, irmã legítima de Absalão, cuja mãe, Maaca, era uma rainha do reino de Gesuritas, com a qual Davi casou-se. Essa moça foi violentada por Amon, um outro filho de Davi. A moça violentada e desprezada foi morar com seu irmão Absalão, na casa dos avós, em um outro páis, Gesur. Esse ato de violência e o silencio de Davi com relação ao que aconteceu gerou uma crise que destruiu a sua família. Salomão viu uma irmã enclausurar-se, viver como viúva pelo resto de seus dias, a morte de Amon por vingança de Absalão e por fim a morte de Absalão por sua tentativa de tomar o trono de Davi, ainda fruto do remorso e de ter um pai que não exerceu a justiça. Ainda estamos no imenso salão. Sunamita ainda dança diante do rei. Os eventos como o estrupo de Tamar ocorreram há cerca de 19 anos passados. Absalão já morreu há cerca de 13 anos. A moça ainda morava com os avós. Porém nesses dias de festa toda a parentela seria convidada. A referencia de “princesas” e de “rainhas” evoca a presença desta irmã, uma princesa, em sua festa, assim como de sua mãe, Maaca. E Tamar está ali, presente, nem que seja em poesia. E ele a vê como nos dias de outrora, quando era uma menina correndo junto de Amon, Absalão, e ele, pelos pomares. Quando ela tinha formas arredondadas, os cachos evocam sua beleza. A imagem de cahos de uvas lembra os vinhais, a frutificação, a fartura. Quando Tamar tinha sonhos que não havim sido roubados, ansiava ser esposa, amada, mãe. Um palmeira não dá uvas. Mas ele vê frutos diferentes, excelentes, purpuras, que possuem a cor da realeza, frutos doces, nela. Frutos que já não existem mais. 1. 7:8( אמרתי אעלה בתמר אחזה בסנסניו ויהיו־נא שׁדיך כאשׁכלות הגפן וריח אפך כתפוחים׃( 7:9 2. Amarti eeleh vetamar okhazah besansinav veyihyu-na shadayikh keeshkelot hagefen vereiakh apekh katapukhim: 3. I said, I will go up to the palm tree, I will take hold of the boughs thereof: now also thy breasts shall be as clusters of the vine, and the smell of thy nose like apples;
  • 501.
    Ele evoca umavida que já existia. Subir a Palmeira, é subir a Tamar, significa entre as linhas da poesia que sua irmã desprezada estava num lugar mais alto que ele. Toda sua glória não alcançava a dignidade de sua irmã, ultrajada. Os ramos falam da parte mais alta da Palameira, fala dos cabelos de Tamar. Os seios como cachos na vide refletem, ao contrário do que uma leitura rápida nos levaria a ver, uvas NÃO TOCADAS AINDA. Não foram esmagadas, não foram colhidas, não foram usadas. Estão na vide, elas só são belas, estão ligadas a videira e ainda estão crescendo. A cena é de Salomão abraçando Tamar e apertando junto de si, de modo que sente ela tão próxima que até seu hálito, que descreve como o cheiro das maçãs, ele sentiria. Uma moça sorrindo, amada, sendo apertada nos braços do irmão, num tempo de juventude, de alegria. Abraçada depois de ter roubado maçãs do rei, ainda mastigando elas. Feliz. Muito feliz. Mas essa Tamar cheia de felicidade está rindo de longe, ainda ferida. Ela se alegra com as bailarinas, ela dança, mas ao findar a festa retornará ao seu auto-exílio. Para nós que lemos as Escrituras, Tamar jamais deixou a casa dos pais de Maaca. Por duas vezes Salomão repete o termo “palmeiras”. Ele repete o nome da irmã duas vezes. Ou não. Há ainda uma TERCEIRA TAMAR em nosso história. Quando era jovem Absalão imaginando não ter filhos jamais mandou erguer um pilar, um monumento para preservar sua memória após a sua morte. Mas ele errou. Seu MEMORIAL estava já erguido na cidade de Jerusalém, quando anos após a morte de Amon, Absalão CASOU-SE. Também nasceram a Absalão três filhos e uma filha, cujo nome era Tamar; e esta era mulher formosa à vista. 2 Samuel 14:27 501 E teve filhos e uma filha. Uma filha que batizou com o nome de sua irmã amada. TAMAR. Não soubemos o que aconteceu com a família de Absalão após a sua morte. Até agora. Na medida em que lemos ess parte da poesia começamos a juntar as peças do tabuleiro. A SUNAMITA é chamada na poesia de A FILHA DO PRINCIPE. Ela é a filha mais nova única, com vários irmãos mais velhos. Ela trabalha numa Vinha, mas sua casa é quase um pequeno palácio, ela se veste de modo esplendido, ela aprendeu a dançar com as melhores dançarinas do reino. Ela é a principal dançarina daquele salão. Salomão associa a palavra Palmeira à palavra Vide. Tamar e Vinha. A moça não cita seu pai porque não estava com ela, ou porque havia morrido. As citações bíblicas sobre Absalão exaltam a sua beleza extraordinária. E sua longa cabeleira negra. Da morte de Absalão até aquele dia são cerca de 19 anos.
  • 502.
    502 Gesur, localdos avós de Absalão, ficava próximo a Galileía. Onde Sunamita morava. A mãe da Sunamita possuía um vinhal, cuidado pelos irmãos mais velhos de Sunamita.
  • 503.
    Sunamita não érejeitada pelas outras mulheres. AS RAINHAS A RECONHECEM. E quando Salomão nomeia que ela é a filha de um príncipe enquanto dança demonstra que sabia MUITO BEM quem era aquela moça. Todas essas pistas apontam para TAMAR, filha de Absalão. Ele é aquele que foi príncipe, mas que Salomão ainda o considera como tal, e essa menina, de 19 anos, filha de um nobre, de pele clara, de olhos verdes, de cabelos negros e ondulados, é verdadeiramente uma princesa desde o inicio. Ela é parte da corte, ainda que ignorada, ainda que tendo vivido como caçadora de raposas, essa mulher FORMOSA a vista, restaurada a honra, amada por 503
  • 504.
    Salomão era TAMARfilha de ABSALÃO, que nós chamamos de SUNAMITA do início ao fim do texto. 504 Esse é outro grande segredo de Cantares Salomão canta em sua canção a história de duas Tamares, a uma que ele desejava resgatar da tristeza e a outra, que desejava resgatar do trabalho forçado. As duas que se misturam em sua poesia como uma só, que desejaria que dançassem para sempre em sua presença. Tamar evoca a Igreja, sua luta, suas angustias, a necessidade de sermos resgatados da tribulação do mundo, da servidão do pecado, do medo, da desonra, da morte. Evoca a fé que gera coragem e que transcende o medo, o mundo e tudo que nele há. Para nos fazer dançar. A cena evoca o Edén. Como se Cristo abraçasse a Eva com ela ainda comendo os frutos da árvore do Conhecimento do bem e do mal. Para que ela não sofresse os danos daquele fruto envenenado. O “cheiro da respiração” simboliza vida, vida que ele deseja que tenha cheiro de maça, que seja representa vida plena, a capacidade de viver provando os frutos e sentindo seus gostos, seus aromas. Sem limitações impostas pela velhice, pela enfermidade, pela necessidade. 1. 7:9( וחכך כיין הטוב הולך לדודי למישׁרים דובב שׂפתי ישׁנים׃( 7:10 2. Vekhikekh keyein hatov holekh leDodi lemeisharim dovev siftei yeshenim: 3. And the roof of thy mouth like the best yayin (wine) 4. {The Shulamite} 5. for my dod, that goeth [down] sweetly, causing the lips of those that are ayashen (sleep) to speak. A cena vai se desfazendo... a dança vai se distanciando... como num sonho... A cena não tem uma finalização, como se a dança JAMAIS TERMINASSE. Mas, já não há mais referencia ao palácio, aos convidados... Como se a festa tivesse terminado...a moça cansada também provou do vinho...deitada e ainda vestida das indumentárias vai caindo no sono.. .adormece ainda falando... e interrompe o sono para falar algo com que está sonhando...sem abrir os olhos e depois volta a dormir. Salomão canta até o início do verso e então é interrompido pela cantora, que completa o pensamento. Bêbada. Embriagada..de novo! O poema começa com vinho e segue embebido nele até o final.
  • 505.
    Como o bomvinho significa como um vinho de excelente qualidade, como o vinho da adega real. O que flui de sua boca possui a excelência de um vinho de excelência. O vinho que faz TAMAR celestial falar dormindo é visto em JOEL: 505 Joel proclama: Acordem, bêbados, e chorem! Lamentem-se todos vocês, bebedores de vinho; gritem por causa do vinho novo, pois ele foi tirado dos seus lábios. Joel vê a morte do jardim de Cantares. A vinha está seca, e a figueira murchou; a romãzeira, a palmeira, a macieira e todas as árvores do campo secaram. Secou-se, mais ainda, a alegria dos homens. Porém vê também o cumprimento deste verso. E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; Essa é o significado profético do texto. Pelo Espírito santo sonhos seriam dados a Igreja, sonhos frutos da manifestação do Espírito, sonhos fruto da operação do Espírito. A promessa de Joel retrata os “lábios que falam enquanto dormem” fruto do “vinho que se derrama ou escorre suavemente”. As Escrituras são repletas de revelações concedidas por Deus mediante sonhos. Jesus é salvo da morte mediante um sonho que ordena que seus pais saiam da cidade de Belém, sem voltar a Nazareth (que ficava na Galiléia de Sunamita). Onde quer que hajam pessoas que tenham o Espírito de Deus, ali haverão sonhos dados por ele, contendo orientações, avisos, mensagens, profecias. E nós não necessitaremos chorar que nem os bêbados de Jerusalém, porque o cerco estava chegando, e em breve a fartura e a gastança desenfreada teria um fim. A nobreza judaica da época de Joel enriquecera ilicitamente, criara latifúndios, explorava a mão de obra escrava. Vivia nababescamente. Realizava festas quase todos os dias regadas a vinho novo. O deles foi tirado, vinho novo, liiteral. Para que sobre nós, o vinho novo espiritual pudesse ser abundantemente derramado. Quando Sunamita acordar, acordará num mundo novo. Nunca mais haverá de caçar raposas. Nunca mais ficará horas debaixo do sol, queimando. Porque ela dormiu como uma camponesa. Mas acordará como uma princesa. Que ela nunca deixou de ser.
  • 506.
    1. 7:10(7:11){Refrain} אנילדודי ועלי תשׁוקתו׃ . 2 3. Ani leDodi vealai teshukato: 506 I [am] my dod's, and his desire [is] toward me. O termo que ela usa é uma pelido carinhoso, meu “Dodi”. E dentre todas ela sabe que ele a escolheu, que ele a ama. Que ele deseja estar com ela, mais que estar com qualquer outra mulher. Há um mistério na união e na paixão de um homem por uma mulher. Uma dádiva tamanha que o apóstolo Paulo chama de HERESIA a doutrina dos falsos mestres, que um dia ensinariam o celibato na Igreja. A negação desta realidade na vida humana é aos olhos do Espirito entende com CONTINGENCIA, nunca como plenitude. O homem ou mulher que desejarem voluntariamente não viver tal experiência estarão vivendo uma EXCEPCIONALIDADE. Não a plenitude. Irá faltar uma dimensão em suas vidas. Por isso sem que DEUS conceda GRAÇA, sem que haja fortalecimento espiritual, a privação desta dimensão da vida humana é algo ruim. A solidão não é o melhor caminho. Embora seja melhor viver só que numa guerra conjugal, que viver entre agressões. Mas um amor correspondido é um beneficio extraordinário. A reciprocidade. O afeto. O mistério que envolve a Igreja e Cristo é que Jesus entende a Igreja como dele. Não pertence a um grupo de pessoas, não pertence a um ministério, não pertenece a um pastor. Pertence a Ele e ele cuida de cada um que a ela pertence de um modo muito pessoal. Próximo. Pertencer a Cristo significa que nenhum outro pder espiritual possui a legitimidade de tomar “confiança”. Ninguém pode “desrespeitar” espiritualmente, a Igreja de Cristo. Ela não pde ser “humilhada”, maltratada sem que haja interferência do Amado. Ela não é uma terra de ninguém. Ela tem dono. Um possuidor. Essa visão de posse é deturpada nas relações humanas até na antiguidade. Os maridos consideravam suas esposas suas “posses”, como “propriedades”. Em algumas culturas tinham o direito de castiga-las, repudiá-las, e até dispor de suas vidas. As mulheres foram tratadas literalmente como “objetos” como “bens” e serviram até como cambio. É uma deturpação da essência do amor, de doação voluntária, do sentimento de pertencer a alguém e de ter a posse do coração. A figura é poética, a sociedade a usou como ferramenta de dominação feminina. Apesar da perversão do conceito, quem se ama exerce a beleza da figura. Porque é fruto de uma entrega voluntária. Sunamita PERTENCE a Salomão. Ela sabe disso. E não pertence a mais ninguém. E Salomão PERTENCE a ela. Ela não se envergonha de ter um “possuidor”. E nem ele de ser chamado de “posse”. Esse sentimento é o que estabelece o vínculo de exclusividade, e a força do CIUME. O Ciume é o sentimento que é fruto da transgressão da condição, ainda que PRESUMIDA, da exclusividade. Os paralelos e os desdobramentos são inúmeros.
  • 507.
    O cenário mudou.Já não estão mais no castelo. E não sabemos onde estão, ao menos neste verso. Como se viajassem. Porque FINALMENTE eles estão em viagem. Viagem de lua-de-mel. A moça fêz questão de voltar aos locais de sua residência. Ela quer apresentar seu noivo às amigas. Ela quer que seus irmãos o conheçam. Ela quer brincar com sua mãe. Ela quer mostrar as gaiolas quebradas e talvez, se tiver sorte, até mesmo uma raposa. Ela quer lembrar onde tudo teve inicio. As vinhas. 1. 7:11( לכה דודי נצא השׂדה נלינה בכפרים׃( 7:12 2. Lekha Dodi netze hasadeh nalinah bakfarim: 3. Come, my dod, let us go forth into the field; let us lodge in the villages. E por fim eles chegam. Voltaram. Ela está tão ansiosa que não anseia sequer descansar da viagem. Ela quer correr. Que energia! Ela quer sair. Essa “morcego” não dorme! Ela quer caminhar com Salomão, quer apresenta-lo às suas amigas, anseia por participar das festas locais, ver as dançarinas de cada aldeia com seus passos exclusivos, suas vestimentas e cores próprias, suas guloseimas, os pratos típicos de cada uma delas. Agora ela as visita não mais como uma trabalhadora das vinhas. Chega as aldeias como princesa e trazendo a tira -colo aninguém menos que o próprio rei de Israel. Não sei se é possível o que ela está insistindo para fazer. Multidões afluiriam de todas as localidades se souberem que sua princesa chegou junto com Salomão. É o inicio de algo novo. Um novo tempo, um magnífico amanhecer. Evoca a chegada da Igreja na terra, após as bodas do Cordeiro, quando ela retorna ao mundo, desejosa de rever os lugares onde um dia viveu, morou e sofreu. Milhões participaram da ceia e anseiam rever agora, sem as limitações impostas pela natureza humana, os lugares de onde um dia saíram, onde um dia viveram. 1. 12( נשׁכימה לכרמים נראה אם פרחה הגפן פתח הסמדר הנצו הרמונים שׁם אתן את־דדי לך׃( 7:13 2. Nashkimah lakramim nireh im parkhah hagefen pitakh hasemadar henetzu harimonim sham eten et-Dodai lakh: 3. Let us get up early to the vineyards; let us see if the vine flourish, [whether] the tender grape appear, [and] the rimmon (pomegranates)s bud forth: there will I give thee my dod (loves). A herança da vinha é grande no coração de Sunamita. Ali ela conheceu a Salomão, ali ela o amou, ali ela foi amada. Ali ela se apaixonou pelo rei e ali o rei por ela perdeu seu coração. É a herança de seus pais, é onde fica a casa de sua mãe, casa que Salomão já visitou, arrastado por ela na metade da poesia. Um período de tempo passou, como se tivesse 507
  • 508.
    chegado outra primavera.Como se desde o início da história um ano tivesse ocorrido. Sunamita ficou fora um certo tempo, o bastante para renovação da vinha. É o momento da chegada de uma nova safra de uvas. De um novo tempo para as romanzeiras. E ali no meio dessa renovação, desta mudança, deste novo dia, Sunamita promete que irá viver sua lua - de-mel. Cantares evoca uma dança como apíce da sua ação, mas ao mesmo tempo é como se os dois estivessedançando do inicio ao fim. Agora se inicia o fim da dança do livro. A batalha terminou, Tamar foi reconhecida, honrada, dignificada. Ela está oficialmente casada, comprometida com o rei. E diferente da pressa de Amon que vitimou a sua prima Tamar, ele esperou. Ele não a envergonhou, ele não a cortejou para abandonar. Ele nã o abusou da inocência ou do desejo dela, para depois da aventura, desprezá -la. Por todo o livro a moça anseia “prende-lo”, e ele vai fugindo dela, deixa que ela se aproxime, mas não a força a nada. Não usa de seu poder, tão pouco de sua sabedoria para enganá-la. Havia desde o primeiro beijo, um propósito bem alicerçado no coração de Salomão. Um plano ousado e louco. Mas ao mesmo tempo, benigno. Nem tudo ocorreu como deveria, os guardas acharam a moça, espancaram ela por estarem bêbados, os irmãos a persegui ram, as filhas de Jerusalém a intimidaram para revelar sua identidade, ela o arrastou de surpresa para a casa de sua mãe, ela esqueceu de preparar as armadilhas das raposas, mas apesar de tudo, tudo deu certo. Há um mistério de renovação da terra que começa até mesmo durante a Grande Tribulação. Há um mistério de Salvação que ocorrerá durante o Milênio. “tenras uvas” revelam um milagre de novas vides. Hoje, em toda a terra nós ouvimos falar de “tenras uvas”. Pessoas tendo novas experiências, jovens sendo separados para os diversos ministérios, adultos recebendo visões espirituais que revolucionam comunidades inteiras, cânticos sendo concedidos, que encantam Igrejas, profundamente inspirados. Vivemos num mundo de vinhas destruídas. Num mundo de romanzeiras secas. Onde as palmeiras foram cortadas. Onde o fogo se assenhorou de Siló e onde aos jardins de Engedi se tornaram desertos. Porém o Espírito vê também uma Igreja que reina, uma princesa dignificada, honrada, que intercede com ousadia e o resultado é a cura da alma, a conversão de milhares que crendo se tornam “tenras uvas”. Essa Igreja não está numa “denominação”. Ela se espalha por toda a terra, em muitos lugares. E espiritualmente ela anseia viver um tempo de profundo relacionamento com Deus. 1. 7:13( הדודאים נתנו־ריח ועל־פתחינו כל־מגדים חדשׁים גם־ישׁנים דודי צפנתי לך׃( 7:14 2. Hadudaim natnu-reiakh veal-petakheinu kol-megadim khadashim gam-yeshanim Dodi tzafanti lakh: 3. The mandrakes give a smell, and at our gates [are] all manner of pleasant [fruits], new and old, [which] I have laid up for thee, O my dod 508 As mandrágoras são frutas com raízes bem interessantes. As raízes lembram gente.
  • 509.
    Assim é, também,a mandrágora. Planta da família das solanáceas, a Mandragora officinarum é nativa do Mediterrâneo, de caule muito curto, com uma roseta de folhas, de cujo centro alteiam-se hastes de flores de coloração entre o violeta e o azul. A raiz, freqüentemente bifurcada, possui contornos de uma forma humana — mais especificamente, a de uma mulher — e, sendo grossa e carnuda, assemelha-se a um par de pernas. Conhecida há milhares de anos, foi muito utilizada na Antigüidade e na Idade Média, em manipulações, quer na medicina, quer na feitiçaria e nas religiões campesinas e entre os escravos, por conter propriedades — extraídas de suas folhas e raiz dissolvidas ou maceradas em leite ou álcool — afrodisíacas, analgésicas, narcóticas e alucinógenas. Em Gênesis, a mandrágora representa, para as mulheres estéreis, o caminho de esperança para a fertilidade e a maternidade. No caso do Cântico dos Cânticos, é integradora dos corpos e do amor. Em ambos, notamos sua propriedade afrodisíaca. O termo “mandrágora”, ãåãàéí (dûdä´îm) em hebraico, deriva da mesma raiz de “amor”: o que reforça a idéia de fertilidade e de seu elemento afrodisíaco Na verdade a mandrágora é provavelmente o anestésico mais antigo utilizado pelo homem. 509
  • 510.
    Nos tempos maisremotos, a raiz era utilizada para colocar os pacientes prestes a passar por uma cirurgia em estado de sono profundo, durante o qual as operações poderiam ser realizadas. A raiz era infundida ou fervida e um pouco era dado para o paciente beber, entretanto, tomava-se certos cuidados quanto à dose, porque quando usada em excesso poderia causar um sono do qual não se acordava mais. Outras vezes era usada apenas umedecendo um tecido para ser ministrada externamente. Na idade média acreditavam que suas folhas brilhavam magicamente, que a mandrágora podia enlouquecer ao ser humano e que ela gritaria se fosse arrancada da terra. 510
  • 511.
    A crença deque a mandrágora brilha a noite tem uma base de fato. Por alguma razão suas folhas atraem os vaga-lumes, e são essas pequenas criaturas, cuja luminescência esverdeada é muito impressionante, que fazem a planta brilhar na escuridão. Qualquer desavisado certamente poderia sentir-se assustado com a aparência da planta no escuro e achar que as antigas lendas sobre seus poderes diabólicos eram verdadeiras. Até mesmo o grito temeroso pode ter ao menos um pouco de verdade de onde a lenda foi ganhando mais força. Essas plantas com raízes grandes e encorpadas geralmente crescem em lugares úmidos e quando são arrancadas da terra, soltam um ruído gritante (Claro que não tão alto quanto diziam). Ela é marrom-escura por fora e branca por dentro e curiosamente bifurcada, evocando vagamente um tronco prolongado por coxas. Com um pouco de imaginação é possível encontrar nessa raiz, que os pitagóricos chamavam Anthropomorphon, uma silhue ta humana, com uma cabeça um pouco acima do nível do solo e coroada por uma opulenta cabeleira, as folhas, principalmente, como às vezes acontece, se duas outras raízes adventícias se colocam no alto dos membros anteriores. E claro que as raízes mais procuradas e as mais caras eram as que lembravam melhor a forma humana, principalmente quando o sexo estava aparente, pois havia mandrágoras macho e mandrágoras fêmea. Diziam até que certos mágicos conseguiam “animar” essas raízes, isto é, fazer delas verdadeiros homúnculos. As moças da antiguidade tomavam o chá de mandrágora para engravidar. O perfume da mandrágora era entorpecente. A Sunamita está dizendo, de um modo pouco sutil, que ela quer ter filhos! Era assim que Lia subornou a Jacó, para que este passasse a noite com ela, uma história contada e recontada a mais de 600 anos. Quando a palvra “mandrágora” aparece na canção, uma moça israelita associaria isso com uma moça que foi “doada” por assim dizer, num casamento “forçado” contra a vontade do marido, que esperava, outra. A conhecida história de Raquel, Jacó e Lia. Lia amava Jacó que amava a Raquel e viu um dia na planta de caráter “mágico” (até hoje, vide Harry Potter) a possibilidade de “mudar” a sua sorte. Lia queria “encantar” a Jacó, com a plant inha e com a fertilidade. Na época quanto mais filhos tivesse uma mulher, maior sua importância na sociedade. E entendia que 511
  • 512.
    seria mais considerada,mais cuidada por Jaco que Raquel. Lia queria o “amor” de Jacó, ainda que por meio de um “encantamento”. Mas Sunamita já possuía o coração do esposo. E agora declarava que ansiava ter filhos. Salomão morava num palácio que levou 13 anos para ser terminado. A casa do Líbano. Quase um palácio de marfim. Diante deste palácio a moça pediu que os administradores das fazendas, dos jardins, das hortas e da Vinha trouxesse presentes. A moça que caçava raposas, agora é a HERDEIRA DE TUDO. Manda mais que seus irmãos! Ela separou o vinho de qualidade que estava maturando em garrafas de argila especial, vinhos antigos que misturados com especiarias e de excelente qualidade, melhoravam com o passar do tempo, sob determinados cuidados. E ofereceu também vinho novo, recém-fabricado. Ofereceu grãos e especiarias, assim como frutas recém tiradas dos pomares. 512 Outra vez a “mágica” é insinuada ao citar as mandrágoras. No final do tempo em que Cristo reinar sobre as nações, teremos uma situação inimaginável na terra. Um mundo reconstruído ecologicamente. Haverão sobreviventes dos dias difíceis, dos tempos anteriores. Da época em que o Anticristo exerceu seu domínio sobre a terra. Esse não é nosso passado e nem o presente. Falamos do futuro. A terra não será destruída pelas catástrofes, ou pelo ser humano. Mas, segundo Cristo, sobrevirão tempode de calamidade ao mundo, de mudanças climáticas, terremotos e com o resultado, a morte de mais pessoas do que qualquer outra turbulência vivida pelo mundo. Mas, haverão sobreviventes. Bilhões de pessoas. Essas pessoas rceberão privilégio de começar a viver uma nova realidade. Com uma radical mudança das leis que regem o cosmos. Não completa, mas extraordinária. Diz Isaiás que haverá uma mudança no processo de envelhecimento humano. Diz João que principados espirituais serão presos, que significa, que a atuação de poderes malignos externos ao ser humano será restringida ou anulada. E que as crianças que nascerem neste tempo, viverão um mundo estando as PORTAS de um outro, já que é um estado transitório, serão considerdas “frutos novos”. Haverá salvação no MILENIO. Ela os “guardou” para ele. A pregação do evangelho preservou vidas durante a grande tribulação, e fez nascer frutos durante o tempo que virá depois. Seja esse período de 10, 1000, 10000 anos. A mandrágora aponta para algo “mágico” para um “encantamento”. Para uma “operação sobrenatural” que é capaz de mudar a vida de uma moça estéril num moça fértil. Aponta para uma operação que mudará a humanidade de um modo fabuloso. Toda ela. O mundo sentirá o cheiro da mandrágora. Os que viverem na terra durante a volta de Jesus verão seu PODER manifesto em PLENITUDE.
  • 513.
    1. מי יתנךכאח לי יונק שׁדי אמי אמצאך בחוץ אשׁקך גם לא־יבוזו לי׃ 8:1 2. Mi yitenkha keakh li yonek shedei imi emtzaakha vakhutz eshakkha gam lo-yavuzu li: that thou [wert] as my brother, that sucked the breasts of my mother! [when] I should find thee without, I would kiss thee; yea, I should not be despised. Sunamita amou Salomão, lutou pelo seu amor, no caminho de sua aventura apaixonada ela dançou diante das filhas de Siló e das filhas de Jerusalém, enfrentou os olhares enciumados da filha de faraó e até da rainha de Sabá, conquistou o coração de Betseba e mesmo das filhas de Salomão. O texto que nos apresenta as filhas de Salomão rindo e correndo, e tentando dançar como a jovem aparece (em algum lugar lá atrás que eu tenho que terminar esse estudo) na dança de Maanaim e na expressão admirada da boca do rei. O sonho teve início, a restauração de Tamar, a restituição dos direitos de princesa, o reconhecimento de sua hgerança real, herdeira dos benefícios do palácio, NETA de DAVI. Mudou-se o cenário, os tempos das grandes festas terminou e agora ouvimos sua voz de um modo novo. Como se tudo tivesse recomeçado, como se fosse uma lembrança do inicio do namoro. Se essa fosse a voz de Sunamita. Essa voz de insegurança, essa voz que parece estar RECONTANDO a história de Sunamita, essa voz ADOLESCENTE, suave, doce, tremula, não é a voz de uma ESPOSA. Não é a voz daquela que tem CERTEZA de que ela é de seu Amado e que ele lhe pertence. Aqui nós apresentamos aos leitores uma nova personagem. 513 UMA NOVA CANTORA. Uma jovem que começa a contar sua história. Seus medos, seus pavores. Sua vergonha de ficar exposta beijando ou abraçando um estranho e sendo mal-interpretada por todos. Uma jovem israelita com medo do que vão dizer se a encontrarem em qualquer lugar abraçando um jovem. Ela seria ridicularizada, repreendida duramente pela cultura de sua época. Ela anseia ser como uma irmã para o seu amado, não pela razão correta, mas para não ter vergonha de ficar a sós com ele. Para não ser DISCRIMINADA. Essa ai não é a cara-de-pau da Sunamita, ah! Não é mesmo. Ela é medrosa, reticente, cuidadosa e envergonhada. Ela é uma menina. 1. אנהגך אביאך אל־בית אמי תלמדני אשׁקך מיין הרקח מעסיס רמני׃ 8:2 2. Enhagakha aviakha el-beit imi telamdeni ashkekha miyayin harekakh measis rimoni:
  • 514.
    3. I wouldlead thee, [and] bring thee into my mother's house, [who] would instruct me: I would cause thee to drink of spiced yayin (wine) of the juice of my rimmon (pmegranate). Essa mãe a quem esta NOVA CANTORA se refere é muito especial. Ela conhece bem as aventuras e desventuras de um grande amor. E ela é uma menina rica, herdeira de um grande vinhal e de um grandioso pomar. Já tem fabricação de licor de romãs e até produz vinho aromático, um vinho especial que levava alguns anos para ser preparado. Essas romanzeiras são da casa de seus pais. E ela já considera-se POSSUIDORA do jardim. 1. שׂמאלו תחת ראשׁי וימינו תחבקני׃ 8:3 2. se mo lo ta khat ro shi vi mi no te khab ke ni: 3. His left hand [should be] under my head, and his right hand should embrace me. Então lemos uma nova história de amor. Com as mesmas cenas que nós conhecemos muito bem. Mas não nos é ainda revelado quem é esse amado. Mas vou revelar quem é a menina. Cujo nome desconheço. Ela é aos meus olhos, a filha de Tamar. Adolescente e tão amorosa quanto a mãe. Vivendo do mesmo modo seu amor juvenil. 1. השׁבעתי אתכם בנות ירושׁלם מה־תעירו ומה־תעררו את־האהבה עד שׁתחפץ׃ 8:4 2. Hishbati etkhem benot Yerushalayim mah-tairu umah-teorru et-haahavah ad shetekhpatz: 3. I charge you, O banot Yerushalayim, that ye stir not up, nor awake [my] dod (love), until he please. 514
  • 515.
    E na geraçãodela, já tem amigas como as amigas de sua mãe. E que também dançam com sensualidade, que também paqueram descaradamente, que também estão se insinuando para seu grandioso amor. E ela do mesmo modo que a mãe também aprendeu a defender o que lhe pertence. Ela desde pequena sabe “conjurar”, ela se posiciona como uma pequena profeta desde o início. Ela aprendeu que o amor não se desperta pela força e nem pela violência. A menina possui a natureza de sua mãe! Aprendeu suas lições, ela repete suas palavras, seus sentimentos e sua paixão. 1. מי זאת עלה מן־המדבר מתרפקת על־דודה תחת התפוח עוררתיך שׁמה חבלתך אמך שׁמה חבלה 8:5 ילדתך׃ 2. Mi zot olah min-hamidbar mitrapeket al-Dodah takhat hatapuakh orartikha shamah khiblatkha imekha shamah khiblah yeladatkha: 3. Who [is] this that cometh up from the wilderness, leaning upon her dod? I raised thee up 515
  • 516.
  • 517.
    517 5 Entãoas filhas de Jerusalém interrompem a crise existencial da menina com a chegada de um casal muito especial. Salomão e Sunamita. Sunamita vem com o rei até onde está e menina, olha ternamente para ela e diz: “debaixo da macieira te despertei, ali esteve a tua mãe com dores!” Conta para ela sobre os dias de gestação, do momento em que ela estva pronta para nascer e quase por um triz não nasceu debaixo da macieira. A menina é fruto de um grande amor e agora Salomão reconta para a menina a grande história de como foi gerada, conta -lhe sobre o sacrifício e as dores de ser mãe. As dores de Tamar. A gestação é um processo complicado, demanda cuidados com a mãe, significa transformações no corpo da mãe, mudança de sentimentos, de sensações, vontades, calafrios, dores intensas. E Salomão faz questão de contar essas coisas a menina pequena. Ele quer que a menina admire a sua mãe. Porque ela merece seu amor. O GRANDIOSO FINAL DE CANTARES! Queria caminhar até o final de todas as coisas. Até após o capitulo 21 de Apocalipse. Depois do Milenio. Queria seguir com a Sunamita celestial até os dias que sequer temos idéia de como serão. A vida nos foi muito difícil. A história da Salvação é absurda e louca, uma novela irreal num mundo sobrenatural, um conto de mistério, de drama, de terror, um romance transbordante do fantástico. Que mistura em parcelas desiguais ao visível e ao invisível. Uma história que dependeu de ministérios, de serviços espirituais, que envolveu poderes, soberanias, potestades, operações milagrosas, operação angelical. Uma história que tem um universo abalado por forças do mal, no qual caminharam bilhões de demônios, que tinha dimensões da morte, prisões celestiais, um lugar oculto que é habitação de anjos e que tinha sobre tudo que acontecia a figura presente de um Deus poderoso, sábio e amoroso. Num dado instante o universo inteiro foi despido de suas velhas leis, do caos das estrelas, nebulosas e galáxias, das estruturas celestiais tais como a morte, as questões transitórias como a enfermidade, como a fragilidade dos corpos dos seres vivos da terra. Em dado instante tudo se fez novo. Tudo. Não sobrou uma estrela sequer das inúmeras que pudesse fazer parte da Nova Criação. O antigo universo foi desfeito, colapsado, reconstruído. E agora Sunamita vive para todo o sempre. Mas a história ainda não terminou. O “felizes para sempre” dos contos de fadas está próximo, mas não é um universo sem dinamismo. A vida não cessou. Não terminou. Sunamita não é estéril. O ultimo ser humano não aconteceu. A humanidade não findou. Nem findará. Nós não sabemos como os anjos são gerados. Além do Salmo 33.6, nada sabemos 6 Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles. Os anjos foram criados pelo sopro de sua boca. Certo dia um pastor nos ensinou que “o respirar do Senhor produz anjos” Mas nçao podemos imaginar o que é abrir os olhos numa dimensão espiritual e começar a viver. O que um anjo sente quando é criado, o que ele vê ou é capaz de entender assim que começa a existir. E começa para jamais TERMINAR.
  • 518.
    Os Querubins temum rito de criação ainda mais elaborado. Mas em nenhum momento as Escrituras nos falam que a geração de anjos, a quem Deus trata também como a filhos (embora não os tenha assim concedido esse TITULO OFICIALMENTE nas ESCRITURAS – somente Cristo o recebeu, ao menos em primeiro lugar) CESSOU. E em nenhum momento é dito que a aventura humana se finda com a ultimo nascimento humano neste nosso universo. Então a menina que nasce aponta para algo. Para uma realidade transcendental. A possibilidade de filhos e filhas que nascerão no novo Universo. Como os anjos, como Querubins, de um outro modo. São duas as possibilidades: A novidade de vida para a geração que nasceu durante o milênio A continuidade da geração de vida humana, ainda que glorificada, remida, na eternidade após o milênio. 518 Eu abraço a segunda versão. Já não existirão as relações que temos no nosso universo. A palavra “filhos e filhas” não se aplica adequadamente. Mas uma palavra herança de nossa humanidade ainda permancerá valendo. Irmão. Essa menina precisa aprender a amar, mas para que seu amor seja perfeito, ela necessita ouvir a história da salvação. Ela necessita ser aperfeiçoada, através dos testemunhos, dos milagres, das histórias, dos testemunhos, das dores vencidas, através da terrível história. Salomão lhe apresenta o mundo que existiu antes de Apocalipse 21. Porque as dores agora são somente um memorial. Mas o processo de crescimento e amadurecimento no mundo do povir dependerá das coisas vividas aqui. E então chegamos ao mais poderoso verso das Escrituras. O equivalente a João 3:16 no Velho Testamento. 1. שׂימני כחותם על־לבך כחותם על־זרועך כי־עזה כמות אהבה קשׁה כשׁאול קנאה רשׁפיה רשׁפי 8:6 אשׁ שׁלהבתיה׃ 2. Simeni khakhotam al-libekha kakhotam al-zeroekha ki-azah khamavet ahavah kashah khishol kinah reshafei harishpei esh shalhevetya: Set me as a seal upon thine lev, as a seal upon thine arm: for dod (love) [is] strong as death; jealousy [is] cruel as the grave: the coals thereof [are] coals of fire, [which hath a] flame of Yaweh Este é o mais fabuloso verso do cântico da existência. Traduz a redenção, afronta a morte, a coloca no seu devido lugar. Profetiza a manifestação de um
  • 519.
    poder que écapaz de confronta-la de igual para igual. É o ápice de Cantares, é a mais profunda declaração divina sobre a essência do Amor. E da obstinação do Calvário e de Cristo. A morte não poderia conter ao amor de Deus manifestado em Cristo. E mesmo que a morte pudesse enfrentar ao amor, não poderia enfrentar a ira que dele procede, ao CIUME. O Ciúme é a paixão em trajes de guerra, quando a moça percebe que a OUTRA deseja para si o afeto a que não tem DIREITO. As Escrituras afirma que o Espírito tem CIÚMES de nós. Significa que a morte pode até nos cortejar. Pode até se aproximar. Ou nos envolver. Mas pelo ardente desejo que o espírito de Deus possui pela nossa alma, não permitirá que nos PERCAMOS. Que pereçamos. Ou que venhamos a PERMANECER mortos. Digo isso a respeito de nossos corpos. Jesus nos ama, integralmente. Sua morte abrange a totalidade do que somos. Até os fios de cabelos de nossa cabeças estão devidamente registrados. Quando o CIÚME do Espírito se manifestar, o universo VOMITARÁ nossos corpos. Terá que renunciar até aos átomos espalhados. Porque ele anseia que VIVAMOS com ele, enquanto ELE VIVER. O selo sobre o coração significa pegar o anel de selo com cera quente e fazer uma marca no peito. Uma tatuagem. E sobre seu braço. Para toda a eternidade estará gravado no coração de Deus as nossa orações. As nossas intercessões. As nossas lágrimas. As tremendas batalhas travadas. E não somente no coração, no Espírito de Deus, mas em seu braço. O braço simboliza FORÇA. Representa ao PODER, a ONIPOTÊNCIA de Deus. O sacrifício e a existência humana não ocorreu em vão. O verso é tão paradoxal que muitos tradutores não quiseram colocar o nome divino no texto e traduzem “labaredas do Senhor” como “veementes labaredas”, em virtude de comparar o ciúme do amor humano, ciúme fruto da paixão entre o homem e a mulher exaltados ao nível do fogo sagrado que representa o poder e a santidade divina. As visões de Ezequiel retratarão um anjo que retira brasas vivas do trono, o fogo do altar era inextinguível e sobre ele era queimado o cordeiro que simbolizava a Cristo. O fogo simboliza o juízo divino, simboliza o fim da morte, o fim dos poderes das trevas, é parte do olhar de Jesus na visão dada a João na ilha de Patmos. Os sentimentos humanos não existem por acaso. Até deles exist em uma imagem, uma representação espiritual. Há sentimentos na eternidade! Se o ciúme é tratado com tanto valor, tão dignificado que se compara ao fogo divino, podemos imaginar que eles são parte do plano de Deus, são parte integrante do universo divino, e que uma vez que a criação for LIVRE do poder do pecado e de suas marcas, continuarão a ser exercidos, incontaminados. Sem nenhuma condenação. Há nas visões sobre o céu uma tendência a destruição dos sentimentos. O Budismo reclama que o estado de integração máxima entre o humano e o 519
  • 520.
    divino se alcançaatravés da SUPRESSÃO dos sentimentos. Os sentimentos são tidos como sinal de FRAQUEZA. Quando os teólogos falam sobre sentimentos em Deus eles usam o termo ANTROPOMORFISMO, como se os sentimentos fossem uma falha humana, e que ao imaginarmos tais características em Deus é porque nos o “humanizamos”. Parte da filosofia e da ciência estabeleceu um conceito de conhecimento desvinculado do sentimento, o racionalismo estigmatizou o sentimento em detrimento da intelectualidade. No filme “Lucy” (2014) a personagem principal vai perdendo os sentimentos na medida que sublima suas capacidades intelectuais e há uma cientologia que concede o tom à ficção, que reitera de modo sutil a condenação aos sentimentos como um subproduto, um pedaço da alma que atrapalha ao crescimento. Diversos filmes abordam atualmente uma temática de que uma sociedade perfeita é uma sociedade que suprimiu seus “instintos básicos” através de drogas (Milenium, O Doador de Memórias, etc) para trazer a “paz” a humanidade. Nietzche estabelecia o dogma do “super-homem” desprovido de sentimentos, desprovido de compaixão, misericórdia, estigmatizando ao cristianismo pelo seu deus “fraco” que demonstrava sua “fraqueza” através de sua compaixão pelo ser humano. As histórias em quadrinhos são repletas de seres fantásticos que batalham contra a terra e contra os seres humanos, e sempre acusam os defensores da terra de serem mais “fracos” por causa de seus sentimentos. O livro de Nieztch, Assim falou Zaratustra trás um pseudo-profeta que vocifera acusações a fraqueza dos sentimentos e da compaixão. Hitler substituiu a visão religiosa das suas tropas exaltando figuras nórdicas e trazendo do panteão mitológico os lendários deuses da guerra que ignoravam a dor, a compaixão e o medo nas batalhas. O amor era completamente contra os ideais nazistas do controle. O capitalismo se baseia num mundo destituído de sentimento. Os grandes negociadores não se importam com a falência de centenas de empresas, com a demissão de milhares de empregados e a dissolução de milhares de famílias, desde que alcancem a margem de lucro desejada. Os processos de transformar homens em guerreiros passam pela sua “desumanização”. Apresentem a desprezar a dor alheia, do mesmo modo como o processo da criação de feiticeiros. Os rituais que fazem exumação de cadáveres, os assassinatos de crianças, as práticas macabras tem uma função. Fazer com que não se importem com quem irão destruir com seuas invocações. Não podem sentir pena, compaixão ou amor pelas vítimas de seus feitiços. Porque se não não produzirão o “poder” necessário para a realização do mal. Quando Salomão declara que o “ciúme são as labaredas do Senhor” ele está falando da imagem divina em nós. De uma semelhança angelical. Eles não rejubilam como uma figura de expressão. Por isso os anjos dançam. Porque SENTEM. 520
  • 521.
    Esse verso apontapara a realidade de uma VIDA que SENTIREMOS no povir e que EXPRESSAREMOS de um modo semelhante ao que expressamos hoje. Só que de um modo aperfeiçoado. A glorificação não nos muda a ponto de não termos raiva, alegria, ciúme, incapacidade de sofrer, amar, rir, sonhar. Despidos de algumas características humanas que pertencem somente a este universo, mas completos como filhos de Deus. A beleza ainda nos emocionará, os cheiros, os odores, os sons, os cânticos, a ternura, o carinho. O abraço. Há surpresas sobre o futuro e DESLUMBRAMENTO com sentimentos que ainda não temos. O modo como o Espírito percebe as coisas é mais profundo e mais consciente do que nós percebemos os sentimos. Nós somos “anjos embotados”. O ser humano é para a eternidade aquilo que um gripado é para uma lauda refeição. Ele até sente o gosto, mas não na sua plenitude. 521 Põe-me como selo sobre o teu coração Selo Sumeriano
  • 522.
    522 Anel deSelar egípcio
  • 523.
    Um selo hebraicoda antiguidade com hebraico antigo, similar ao hebraico com que o livro de Cantares foi escrito. O Selo na antiguidade era uma marca criada a partir da punção ou rolamento de uma peça entalhada em baixo ou alto relevo sobre um material maleável que enrijecesse ao esfriar ou secar. Como argila ou cera. Os selos significavam uma autentificação, que o produto era de origem conhecida. Significava a autenticação de documentos de estado, dos produtos de alta qualidade. Cada selo era único. E de difícil cópia. E havia um cuidado especial para que os selos não caíssem em mão errada. Eram a assinatura que validada os documentos oficiais. Atestavam autenticidade. Atestavam a procedência. Equivale aos selos das marcas, aos logotipos que identificam os produtos e a sua qualidade. O selo simboliza uma marca indelével, feita para durar. Por como selo sobre o coração é o pedido de pegar um rolo e passar com ele sobre o coração deixando um alto relevo, uma marca que jamais se apagaria. A Sunamita anseia ser esse selo, essa marca no coração de Salomão. Ser “selo” para alguém é algo extraordinário. Pessoas que “marcam” a nossa vida não o fizeram gratuitamente. Elas não podem inventar isso. A não ser de modo ruim, através de feridas tais como a desonestidade, a mentira e a violência. Jesus recebeu a marca da traição que ficou gravada nele a partir de um beijo. Mas as marcas de valor, as de afeto, ternura, bondade, benignidade, socorro, não dependem de quem as quer fazer. Dependem das circunstancias da vida, não estão sobre o nosso controle. O nascimento de um filho marca de modo profundo uma família, mas não foi por esforço dele. O resgate após um acidente, o impacto de um professor extraordinário, a marca deixada por um amor verdadeiro, que não dependeu de uma estratégia, acontecendo independente da vontade. Alguém que não conhecíamos passa a fazer parte de nossas vidas em um determinado instante e quando 523
  • 524.
    vemos, estamos casadosem com dois filhos... Coisas que não dependem do nosso esforço. Participamos da vida das pessoas e as circunstancias que não controlamos podem nos tornar selos. Atos de coragem, de ousadia, de desinteresse, de amor, realizados em momentos de necessidade, tornam para nós os seus feitores, selos que marcam-nos para sempre. Experiências únicas. Circunstancias extraordinárias e externas a nós nos conduzem até os “selos”. Assim como nos conduzem a ser “selo” de alguém. Não podemos forçar a alguém a nos tornar um “selo” para ela. Os fãs adorariam marcar a vida de seus astros. Gostaríamos de conhecer pessoas e sermos importantes, marcantes, inesquecíveis para elas. Mas tais coisas não se conseguem artificialmente. Os que tentaram seduzir a amizade ou o afeto a partir de planos, de estratagemas artificiais simulando a coincidência, só tiveram êxito em sua missão se no decorrer dessa empreitada, possuíam mais que palavras, tinham conteúdo, forjaram a partir dessas situações “fake” marcas REAIS. Ninguém consegue manter as aparências por muito tempo. E marcas mentirosas feitas para parecem reais quando descobertas como falsificações geram um mar de problemas. Um falsificador de um selo real era punido com a morte. Milhares de casais se separam por terem simulado sentimentos, por terem simulado afeto inexistente, por terem se comportado de um modo interesseiro, limitando-se em nome do dinheiro, do conforto, do desejo ou sabe-se lá por quais razões. A Sunamita Celestial pede que ELE mesmo faça essas marcas. Que ele a tome em suas mãos como se fosse um rolo e imprima em seu coração uma marca que jamais passe. “eu anseio ser importante para tua vida, tão importante que você me carregue contigo para onde for, e jamais esqueça de mim, não importa o que esteja fazendo!” E Cristo fez isso. Ouviu a voz de Sunamita. Ouviu o desejo de sua Igreja. Tomou-a e a marcou nele mesmo. O corpo que Maria lhe cedeu na encarnação é parte desse mistério. Ele foi envolto em um corpo humano, envolto em fraqueza, participando de nossos sofrimentos. Estamos indelevelmente unidos e gravados em Deus. Para sempre. A voz dos seus filhos ressoa altissonante em seu coração. Quem se faz participante da Noiva, é parte deste SELO. Não há louvores que sejam esquecidos, não há uma lágrima perdida. Não há um suspiro dado em vão. Não há abandono de nossas vidas, apesar de nossas falhas. Jamais deixaremos de ser ouvidos em oração. Essa é a razão de Cristo levar sua noiva para os céus. Porque ele não pode mais estar DISTANTE dela, ele já a carrega na mente, nos sonhos, nas intercessões, nas lágrimas derramadas em seu ministério, nas atitudes e ações que hoje toma a Direita do Pai. A selagem era feita para ser inalterável e durar por muitos dias. Algumas marcas e inscrições em alto e baixo relevo de 4000 anos atrás podem ser observados em alguns museus, exposições arqueológicas e universidades. Quando as eras do futuro chegarem, e o Juízo for manifesto na terra, ou os mortos forem chamados para serem julgados de suas obras. A Igreja ainda estará “tatuada” no coração de Cristo. Quando Deus estender suas mãos e disser ao universo: “Cesse!” e todas as galáxias se contorcerem e colapsarem, quando toda a matéria e energia forem reabsorvidas para Ele e ele criar um Novo Universo, enquanto ele diz as palavras finais que fazem todas as estrelas deixarem de existir, em seu Espírito está em alto relevo a imagem de sua Igreja. Quando os demônios e anjos que caíram forem julgados pelo abandono de sua ordenação, ainda estará ARDENDO no coração de Deus o amor pela sua Igreja. Forte como a morte. A morte não possui os recursos necessários para vencer o amor declarado na cruz, imposto através da ressurreição, manifesto através da encarnação, anunciado pelos profetas e até por anjos. 524
  • 525.
    O verso maisprofundo das Escrituras – isso mesmo que você leu – Possui várias figuras, ELE VAI CRESCENDO EM INTENSIDADE ATÉ ALCANÇAR O PATAMAR MAIS ELEVADO DE PODER, DEUS. 525 SELO CORAÇÃO AMOR FORTALEZA MORTE SEPULTURA CIUME BRASAS LABAREDAS SENHOR O amor é comparado a um fogo que vai ardendo, do brasa até alcançar a dimensão de labaredas. Do carvão até um incêndio, de um incendi até a explosão de uma bomba H, o fogo constitui uma das mais poderosas manifestações da energia. A maior manifestação de energia conhecida pelo ser humano é visível todos os dias. O sol de perto é incandescente. Ele eleva de sua superfície labaredas que percorrem milhões de quilômetros.
  • 526.
    São de magnitudemaior que a terra. Se estivéssemos mais próximos do sol durante uma tempestade solar, deixaríamos de existir. O fogo era um dos componentes dos cerimoniais do Antigo Testamento, fazia parte do altar, e continuamente abastecido de madeira e carvão para jamais se apagar. O altar ficava na parte exterior do santuário, mas, estava também presente no interior do mesmo, nas lâmpadas do candelabro de sete pontas. Estas duas chamas separadas, a do altar e a do candelabro jamais deveriam se apagar. Na verdade elas permaneceram por centenas de anos acesas ininterruptamente. Somente com a destruição de Siló essas chamas foram apagadas, o que significa um período de no mínimo 369 anos acesos. O culto levou essas chamas para o templo de Salomão, onde um novo altar e novos candelabros permaneceram acessos por cerca de 400 anos. O templo de Salomão original foi destruído por Nabucodonozor, um novo foi erguido, chamado o segundo templo, cerca de 70 anos após esse evento. Quando Jesus nasce esse segundo templo possui também chamas acesas há mais de 400 anos. Há um simbolismo profundo nas chamas. Elas evocam juízo, destruição, poder. E em Cantares o poder da paixão, a força do amor. Jesus transfigura-se em luz diante dos discípulos e em Apocalipse aparece com as pernas incandescentes (brasas) e seus olhos como labaredas de fogo. Jesus está “vestido” em Apocalipse de Cantares 8.6. O amor em Cristo RESPLANDECE. Não é somente juízo, ou poder. Acostumamos a pensar no poder de Deus em coisas como tempestades, maremotos, vulcões, estrelas, nebulosas, na criação do universo ou na abertura do mar vermelho. O cósmico nos declara PODER divino ilimitado. Mas, o amor de CRISTO é tão poderoso quanto a FORÇA de DEUS. Há uma dimensão de PODER indescritível no tremendo AMOR manifestado para a SALAVAÇÃO. 1. מים רבים לא יוכלו לכבות את־האהבה ונהרות לא ישׁטפוה אם־יתן אישׁ את־כל־הון ביתו 8:7 באהבה בוז יבוזו לו׃ 2. Mayim rabim lo yukhlu lekhabot et-haahavah uneharot lo yishtefuha im-yiten ish et-kol-hon beito baahavah bozyavuzu lo: 526
  • 527.
    3. Many waterscannot quench dod (love), neither can the floods drown it: if [a] man would give all the substance of his house for dod (love), it would utterly be contemned. Sunamita comparou o amor que está vivendo a uma chama que queima e que não pode ser apagada. E as muitas águas, uma correnteza, até mesmo um rio, não poderiam apagar. Como um vulcão submarino 527
  • 528.
    Um amor quenão pode ser comprado. Um amor que não pode ser subornado. Que não pode ser adquirido por meio de jóias, do uso da força, ou por meio de qualquer tipo de expediente. Um casal apaixonado não vende, não troca, não negocia ao amor que sente. Porque não podem. Eles podem até mesmo se separar por interesses, mas não podem negociar o afeto que sentem um pelo outro. Porque isso não depende de escolhas racionais, de suas mentes. Depende exclusivamente de seus corações. Nosso coração é intransigente com relação a quem nos afeiçoamos. Quem já lutou contra uma paixão entende a intensidade dessa intransigência. Não são poucas as histórias de pessoas de diferentes classes sociais, de nacionalidades, de costumes, de origens diversas, de cultura ou formação, que contra todos os argumentos imagináveis, anseiam viver um para o outro, deixando de lado outros pretendentes, mais atraentes, com maiores recursos, por alguém que racionalmente pensando, não imaginaríamos estar juntas. Inclusive este é o roteiro de Pyaar impossible (Amor 528 impossível) Titanic
  • 529.
    529 E éclaro Alguns exemplos.
  • 530.
    As imagens desteverso ecoam bem longe nas Escrituras. Lá em Apocalipse. Quando numa das visões do livro João vê o dragão lançando um rio para tentar matar a mulher que tinha doze estrelas em sua cabeça e que deu luz a um menino que iria reger as nações com um bastão real feito de ferro. 530 Cantares já profetizava que esse rio não poderá afogá-la! Davi um dia falou a respeito de algo cujo valor é caríssimo Salmos 49 : 7 a 9 7 Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele 8 ( Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre ), 9 Para que viva para sempre, e não veja corrupção. Jesus fez duas perguntas que nos conduzem até a poesia deste verso: “De que proveito é para um homem ganhar o mundo inteiro e pagar com a perda da sua alma?” e “O que, realmente, daria o homem em troca de sua alma?” (Mar. 8:36, 37) De nada adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida, ou alma. Os bens são úteis apenas se a pessoa está viva para usufruí-los. A segunda pergunta de Jesus (“O que, realmente, daria o homem em troca de sua alma?”) Essa alegação Satanás a fez nos dias de Jó: “Tudo o que o homem tem dará pela sua alma.” (Jó 2:4) Mas o amor não se compra, não se negocia. Ele acontece. Ele é GRATUITO. Ele não pode ser forçado. Basta olhar para Cristo. Basta abrir seu coração, basta amá -lo e receber uma resposta. Não há um “não” para aqueles que se arriscam a amar a Jesus. Mas sem esse amor é impossível agradar a Deus. Porque sem fé não há vínculo, não há comunhão, não existe modo de amarmos o que não crermos existir. Há uma marca nos que creem em Jesus. Uma marca profunda de amor, amam sua Palavra, sua doutrina, sua sabedoria, seu sacrifício. Amam adorar a Cristo. Amam meditar naquilo que sobre ele foi escrito pelos profetas e no que ele falou. E não substituem isso, essa relação com a doutrina, com a revelação, com a comunhão com Cristo, por coisa alguma. A ciência, a filosofia, a religião, o mistici smo, a magia, a cultura, tudo que envolve o ser humano, toda expressão de vida, não bastari a para que alguém renunciasse esse amor grandioso. Porque perder o vínculo com esse amor é como perder a própria alma. As águas turbulentas simbolizam as guerras da alma, as aflições, as coisas da vida. Mas a chamar arde até debaixo da água, esse é o mistério. Quando os ninivitas limpavam suas redes viram um sujeito emergindo do meio das águas, roto, sujo, com um péssimo humor. Barbudo e malcheiroso. Jonas havia passado os três piores dias de sua vida dentro de um peixe abissal. Na verdade suas ultimas palavras haviam sido pronunciadas dentro daquele maldito peixe. Certamente na medida em que o peixe afundava Jonas havia desmaiado e depois de alguns minutos, estava morto. Passou três dias morto. E ali ficaria até virar ossos, esquecido, como um dos milhares de marujos que o mar afogou, um corpo desaparecido de um hebreu desconhecido, citado talvez em um pequeno texto de algum outro profeta que faria menção a um sujeito que desapareceu no mar por causa de sua desobediência. Em algum instante o sopro de Deus voltou as suas narinas, e ele expulsou tossindo a água salgada presente em seus pulmões na praia diante dos pescadores incrédulos. Jonas se levantou e sem olhar para trás caminhou por dias, entrou na cidade como um fantasma e ali por dias sem cessar, falou de um juízo iminente, que ele mais que ninguém, ansiava que acontecesse.
  • 531.
    Porém as muitaságuas não podem afogar esse amor. E nem os rios apagá -lo. A brasa desceu ao fundo do mar. E apagou lá. Porém, ainda lá, reacendeu. E quando subiu para a terra havia se tornado uma labareda. 1. אחות לנו קטנה ושׁדים אין לה מה־נעשׂה לאחתנו ביום שׁידבר־בה׃ 8:8 2. Akhot lanu ketanah veshadayim ein lah mah-naaseh laakhotenu bayom sheidubar-bah: 3. We have a little sister, and she hath no breasts: what shall we do for our sister in the day when she shall be spoken for? 531
  • 532.
    Essa é avoz que normalmente é considerada cantada pelos irmãos de Sunamita. Porém ao estudarmos a dança de Maanaim e o perfil de sentimentos adolescentes da menina que nos é apresentada no capítulo oitavo de Cantares nós a percebemos como a filha de Sunamita e de Salomão. Que agora ouve atenta da voz do pai a história do amor de sua mãe, a história de seu romance. Alguém então interrompe a poesia que exaltava a força do amor para desviar-nos a atenção para a jovem menina. A palavra “irmã” já nos denuncia de quem seriam essas vozes. Essa parte da canção é entoada pelas outras filhas de Salomão, já crescidas, irmãs mais velhas que agora olham para a pirralha apaixonada. Nem teve inicio a sua adolescência ainda e já está “reclamando” seu “grande amor”, ou sua vergonha de estar com alguém por quem tem sentimentos, ela já sente vergonha de estar com o menino, conforme os versos iniciais. Elas já estão preocupadas com o falatório que isso vai dar assim que ela alcançar a puberdade. Elas estão preocupadas com seu comportamento e sabem que a adolescência isso vai ganhar contornos mais sérios, estão zelando pela irmã. Na sociedade oriental a passagem da mulher para a vida adulta é cercada de cuidados e preconceitos. Ela já não pode ser vista em publico conversando com meninos, ela já não vai poder ir a determinados lugares, ela já não vai poder participar de certas brincadeiras. Ela será “cercada” ou bem vigiada, tanto pelos familiares como pelos externos, pelas pessoas do vilarejo. Não era difícil alguém imputar por ciúme, inveja ou desprezo uma acusação dolosa ao comportamento de uma jovem donzela, tornando-a uma “pária” uma rejeitada. Há um desenho animado que fala do treinamento do Batman – (dessa vez eu perco todo o respeito duramente conseguido com toda o desfile de conhecimento dos comentários anteriores...) (Gothan Knight) no qual o Cavaleiro irá ser treinado por uma indiana na arte de ignorar a dor – ela é uma espécie de “faquir” A personagem de ficção é rejeitada pelo vilarejo de onde vive por ter ousado quebrar as tradições dos líderes religiosos de sua região. Na antiguidade a rejeição de uma mulher das funções sociais, a retirada dos privilégios ou a quebra dos vínculos familiares por motivos fúteis não era algo incomum. As irmãs estão preocupadas com a menina, cujo nome não conhecemos, e cujo nome não nos é revelado, para que ela não faça algo que “escandalize’ a família, ou que traga para si mesmo um estigma, ou vergonha. A vergonha é um dos humores (a língua inglesa usa de modo literário “humores” para “sentimentos” – aprendi vendo Doctor Who) que impacta profundamente a sociedade oriental. Da Africa até aos confins do continente asiático a vergonha é um componente tão forte que poderiam “matar” para não senti-la. Envergonhar propositamente alguém era tido como um crime em determinadas situações. Há uma cena no Velho Testamento que dois emissários enviados por Davi são mal - tratados e tem suas roupas cortadas para que voltem mostrando as nádegas descobertas diante de todo o exército inimigo e retornam extremamente envergonhados. Esse ato é considerado tão grave que Davi destruiu todo o exército inimigo. As irmãs não querem 532
  • 533.
    que a moça“envergonhe” a família. E não querem que ela seja “humilhada” ou “envergonhada” dinate de ninguém. Sua honra deve ser prerservada, ela leva sobre si o status de uma princesa, suas roupas tem o símbolo da realeza. Ela é, tal como elas, filha do rei, filha de Salomão. Em breve ela deixará de ser uma menina e medidas de proteção tem que ser tomadas. Um PLANO é concebido pelas irmãs. Não importa como ela irá se comportar. Nós vamos dar um jeito nessa criança. Independente do gênio indomável da menina, de sua personalidade, elas iriam agir para resguardá-la. O próximo verso é o desenvolvimento de seu plano. O verso é meio incomum, o modo como a menina é tratada na antiguidade. Os termos usados para definir a fase de crescimento em que a menina está, aos nossos ouvidos, são bem estranhos. O hebraico possui poucos termos para definir as fases de desenvolvimento – criança, adolescente, jovem. A menina passa por transformações que são bem visíveis e a puberdade tem pelo menos dois grandes indicativos no universo feminino, a mudança física e a menstruação. No hebraico são citadas as expressões: “crescerem-lhe os seios” e “dias de sua separação” para o aspecto da menstruação prque as mulheres ficam separadas, literalmente, do contato com outros familiares nesse período do mês. O autor a vê como uma menina que não necessita ficar em um lugar “separado”, ela está crescendo e ficando cada vez mais formosa, mas ainda não corre o risco de ser mãe. Este é o instante da preocupação das irmãs. 1. אם־חומה היא נבנה עליה טירת כסף ואם־דלת היא נצור עליה לוח ארז׃ 8:9 2. Im-khomah hi nivneh aleihah tirat kasef veim-delet hi natzur aleiha luakh arez: 3. If she [be] a wall, we will build upon her a palace of Kesef: and if she [be] a door, we will inclose her with boards of cedar. O plano das demais filhas de Salomão é simples. Tem duas linhas de estratégia, dependem do comportamento da moça. Os termos que elas utilizam para designar a postura da moça nesses dias de crescimento são: 533 MURO E PORTA. Ou ela é um MURO, ou ela é uma PORTA. As portas eram as entradas oficiais das cidadelas da antiguidade, normalmente circundadas por muralhas. Pelas portas tosdos os recursos e pessoas transitavam entrando ou saindo da cidade. Os MUROS eram a defesa, eles protegiam, fechavam os acessos, impediam o transito e a passagem que através deles era proibida, fazendo com que tudo tivesse necessariamente que passar pelas portas. Portas falam de acesso. E muros falam de impedimentos. Se a menina é como uma porta, ela deixa entrar qualquer coisa. Significa que ela é por demais “acessível”, que ela é frágil nos relacionamentos, que ela é dócil. Que ela não vai oferecer “resistência” a cantadas, que podem ser feitas por indivíduos interesseiros. Afinal, ela é a filha de um homem riquíssimo, ela é um excelente partido. Ela é nobre, filha de uma grande autoridade judicial e politica . Muitos a bajulariam em busca de sua “mão”. Não iriam faltar pretendentes e se isso fosse
  • 534.
    o caso, delaser uma “porta” então as irmãs EDIFICARIAM SOBRE ELA UM PALÁCIO DE PRATA. Ninguém se aproxima de um palácio sem permissão real. E quanto mais precioso for um palácio, mais bem guardado ele é. Para nós imaginar um palácio inteiro feito de prata é algo notável. Algo que deveria ser caríssimo. Há um detalhe nessa consideração. Na época de Salomão, tendo em vista a abundancia do ouro, a prata não era tão ESTIMADA. Era factível a idéia. O ouro era pesado, mas havia prata em tamanha quantidade que não chegou a ser PESADA na época de Salomão. Não temos a noção da quantidade de prata existente em Israel há época de Salomão. Se essa menina agir “sem noção” se ela necessitar de vigilância, então nós vamos cercá-la de tal maneira que ninguém vai chegar nem perto. Mas, se ela for um MURO, se ela for uma moça “fechada” mais comedida, agir de modo a evitar estranhos, ser mais reticente quanto a conhecer pessoas, se ela ficar na “defensiva”, tiver uma “base” maior, bem “estabelecida” em sua mente quanto ao que deve ou não permitir que façam em relação a ela...(veja os desdobramentos da alusão. Há muitas pequenas parábolas relacionadas a palavra “muro” que poderíamos abordar....) NESTE CASO, e SOMENTE NESTE CASO, a gente “a cerca de tábuas de Cedro”. As tábuas nesse caso são um enfeite, elas não chegam a proteger ao muro, mas tornam o muro mais atraente. Bem trabalhadas elas são extremamente LISAS. O muro fica mais bonito, mais nobre. Mais perfumado. Imagine um muro de uma cidade inteira recoberto de madeira de Cedro. A cidadela inteira iria cheirar a Cedro. Não é uma coisa muito fácil de se fazer. Mas resultado seria muito bonito. O Cedro evoca a justiça, e assim também ao “justo”. Vamos permitir que ela fique próxima de gente boa. De gente CORRETA. Já que ela sabe se proteger...não precisamos temer se ela se relacionar com jovens de sua idade, ela vai saber se comportar DIREITO. Até este instante do texto, ainda há uma necessidade profunda de proteção. Como se a LUTA ainda não tivesse TERMINADO. Como se ainda existisse PERIGOS. 534 PROFETICAMENTE FALANDO O capitulo oitavo de Cantares é uma viagem profética até o amanhã. Nele o Espírito de Deus contempla as coisas escritas em Apocalipse. Após os eventos dos Selos e das Trombetas, após os juízos no mundo, as crises das guerras da época do Anti -Cristo, Apocalipse afirma que os poderes das trevas, as forças malignas agora presentes e representadas pelo diabo, serão encarceradas. Háverá um futuro sem demônios para os seres humanos! Essa época ou período é chamado pelos estudiosos de MILENIO. Apocalipse prevê uma época em que a humanidade do jeito que conhecemos biologicamente, viverá num mundo ESPIRITUALMENTE diferente. Aquilo que CONTAMINA espiritualmente o mundo será retirado. Representa um período de grandiosa paz. Um mundo que poderá vir a ser, talvez, uma extensão do que teria sido sem a manifestação do pecado. Versículos do Apocalipse 20 do livro Apocalipse Os mil anos 1 Vi descer dos céus um anjo que trazia na mão a chave do Abismo e uma grande corrente. 2 Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo, Satanás, e o acorrentou por mil anos;
  • 535.
    3 lançou-o noAbismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar as nações, até que terminassem os mil anos. Depois disso, é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo. 4 Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos. 5 (O restante dos mortos não voltou a viver até se completarem os mil anos.) Esta é a primeira ressurreição. 6 Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos. A condenação de Satanás 7 Quando terminarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão 8 e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. Seu número é como a areia do mar. Uma geração de bilhões de seres humanos nascerá dentro dessa realidade espiritual, diferente da que vivemos. Eles não conhecerão a fome, os pesadelos, as tremendas desgraças que são operadas pelos poderes das trevas, ou influenciadas diretamente por eles. O mal que haverá na terra terá uma única fonte, a HUMANA. Porque o homem que nascer na terra ainda trará em si a semente que herdou da época do Édem. Essa menina que nós vemos, insegura, que necessita aprender a história de seus pais e que fica extasiada com a chegada de sua mãe, é uma imagem poética, um sonho, dessa humanidade que haverá de nascer. Essa é a FILHA SE SUNAMITA CELESTIAL Só haverá esse amanhã maravilhoso porque a IGREJA amou, lutou, sofreu e chorou, pelo amor do Amado. A “reclamação” das irmãs é a evocação da necessidade de preparar essa humanidade nascida num mundo novo, para os tempos de provação que antecederão o fim de todas as coisas. Até Satanás, as potestades e os espíritos malignos tem um papel a desempenhar no fim. Porque a humanidade que nasceu nesta chamada “dispensação” ainda possui um elo com o passado, com o ÉDEM. Sobre uma visão mais especifica sobre os eventos do Éden leia “A árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” https://drive.google.com/file/d/0B_fUj9Htg3KaVXpPVzg2T09TUk0/edit?usp=sharing E esse elo tem que ser quebrado. Eles terão que fazer uma ESCOLHA. Assim como os “anjos eleitos” o fizeram na eternidade passada, e a humanidade que antecedeu a este grupo, que viveram pela fé. “O justo viverá pela fé” tem validade até que venha o “dia do Senhor”, que significa a RECRIAÇÃO do universo. Ou seja, o milagre da “puberdade” da menina, ou do CRESCIMENTO ESPIRITUAL, em que a humanidade do amanhã se tornará Co-Participante da promessa através da fé. E parem de reclamar. Os que lêem essa passagem sempre se perguntam: “Meu Deus! Satanás tava preso! Soltou o bandidão, porque?” 535
  • 536.
    Tem a vercom o mistério da fé, da ligação do ser humano ainda com os fatos do Édem e do Plano Divino que nós só temos uma vaga noção.. 1. אני חומה ושׁדי כמגדלות אז הייתי בעיניו כמוצאת שׁלום׃ 8:10 2. Ani khomah veshadai kamigdalot az hayiti veeinav kemotzet shalom: 3. I [am] a wall, and my breasts like towers: then was I in his eyes as one that found favour. São duas as possibilidades. Ou é a Sunamita que desta vez entoa essa parte da canção ou é a sua filha. Ou é um dueto. Já que as duas tem o caráter parecido. Como a Sunamita foi a “estrela” de todos os capítulos anteriores, compreendo que esse momento ainda é o de sua filha. Nesta parte da poesia é ela que “brilha”, ou é ela que se sobressai. A menina só é pequena no tamanho. Já tem uma consciência muito grande sobre si mesma. Ela mesma faz uma declaração sobre sua “maturidade”. Ela tem sobre si mesma uma visão clara de como deve se comportar. Ela não irá agir de qualquer maneira, sem ter cuidado. Ela é um MURO. Ela é um muro. Ela diz que não vai ser fácil chegar nela. Os seus seios são como as INEXPUGNÁVEIS torres de seu muro. Não é uma coisa simples alcançar as torres de uma muralha da antiguidade. Eles estão fortemente cercados, ficam nos cantos dos muros e servem como locais para guardar armamentos. Mas a moça do capítulo 8 ainda não possui suas “torres”. Ela ainda não desenvolveu seios! Ela fala dela mesma, não no PRESENTE. Ela se vislumbra NO FUTURO! 536
  • 537.
    Ela manterá suapersonalidade, sua conduta. Ela será um muro hoje e continuará sendo um muro sempre. 537
  • 538.
    O texto deCANTARES é sempre desconcertante. Ele é cheio de detalhes inteligentíssimos. Ele é tecido para que, a primeira vista, pareça contrastar com o que foi dito antes. A canção é cheia de magia. Da magia da poesia. De encontros e desencontros, de novas revelações. Tal como encontrar o nome de Tamar ou as filhas de Salomão, descobrir que ele ainda pensa em Absalão, ou compreender o nível de relacionamento entre Cantares e a palavra profética do restante das Escrituras.. O capitulo Oitavo fala de uma menina. Ou inicia com uma menina insegura. Desfila um pouco de sua história que se inicia com seus pais, após um desfile mágico onde Sunamita chega e abraça a Salomão, eleva-se a mais profunda frase das Escrituras falando sobre o amor e por fim a ultima declaração. 538 THE END Terminou. Essa frase termina a história de Sunamita que chega até a beleza de sua filha. É o ultimo momento do DESENVOLVIMENTO da história que envolve Sunamita. E a ultima frase antes dos créditos finais da canção: Salomão vê nela SERENIDADE. A luta acabou, a vitória foi concedida, o sofrimento terminou. Ela encontrou a paz. Esse texto encerra a história da menina e de Sunamita na bela canção. E evoca o final da existência humana, não a apocalíptica, a das dores e dos terrores da Grande Tribulação. Este verso aponta para um dia do amanhã tão mágico como o poder de Deus, tão inefável como seus maiores mistérios. Esse verso é como uma profecia que aponta para os dias da nova criação, após as lutas, após o milênio, após a recriação do universo. Após o dia do senhor, após os dias de julgamento. O final da canção é o final da etapa que teve inicio antes da criação do mundo. Antes da queda dos anjos. Esse verso é o coração da Igreja sussurrando ao Espírito de Deus, após tudo, já com os pés fincados numa terra que mana leite e mel, próxima à cidade que não necessita de sol, no lugar que não necessita de templo, diante do desconhecido, diante do amanhã glorioso e inimaginado, onde a morte já não mais existe. Esse é o verso final da canção, da humanidade vencedora. Jesus estende suas mãos em direção a sua Noiva celestial que lhe sorri ternamente, ele olha para o futuro depois do amanhã e a convida a prosseguir. A Igreja levanta sua mão em reciprocidade, sorri de volta, caminha até ele e diz: - Vamos! Sobre certo muro feito de jaspe Porque uma cidade cujo Guardiães são os anjos de Deus, necessita de muro? Porque Deus necessita de uma cidade celestial, se habita as dimensões? Porque ela possui pedras preciosas? Porque o muro não tem nome, mas os fundamentos do muro, que normalmente não podem ser visto, são nomeados?
  • 539.
    Porque vemos osfundamentos de modo tão claro se eram para estarem OCULTOS? Porque necessita possuir uma variedade tamanha de cristais, jóias preciosíssimas, os mais belos minerais apresentados pela natureza se é para estar OCULTO? E porque no final de toda a história da salvação, no livro dos fechamentos de todas as profecias, imeditamente antes do início de uma Nova Criação, tendo tanta coisas grandiosas para serem MOSTRADAS, o desfile das hostes angelicais, o fim do universo, a chegada da Nova Criação, etc, Deus me mostra uma construção? UM MURO? PORQUE QUE EU QUERO VER UM MURO NO CÉU? PORQUE DEUS DENTRE TANTAS COISAS INDISCRITIVEIS, ME MOSTRA UM MURO? E qual o significado de eu homenagear alguém dando seus nomes para um fundamento de uma muralha? Veja que não são os edifícios da cidade que recebem os nomes dos apóstolos. Veja que eles não nomeiam nada do INTERIOR da dita cidade. 539 APOCALIPSE 21.12-18 E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Do lado do levante tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas. E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. E aquele que falava comigo tinha uma cana de ouro, para medir a cidade, e as suas portas, e o seu muro. E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até doze mil estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais. E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, conforme a medida de homem, que é a de um anjo. E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro. E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista.
  • 540.
    Em primeiro lugara eternidade não é fruto da imaginação humana. Não é criação fundamentada em arquétipos ancestrais da alma. Todas as imagens de coisas celestiais não são fruto de porres monumentais de profetas suburbanos misturadas a lembranças vívidas de imagens religiosas de seus tempos de infância. Profetas bêbados não tem carteira. A profecia não é de origem humana. Não é psicologicamente induzível por drogas alucinógicas ou fruto de alterações na fábrica química das percepções do tecido cerebral. Deus propôs coisas espirituais com autoria, feitas do jeito que imaginou com razões especiais. Não há uma eternidade na qual não haja uma cidade celestial, não há como se aproximar da fonte do universo e da origem de todas as coisas sem ser impactado pela beleza de muros que parecem ser feitos de jaspe. Porque do mesmo modo que imaginou o bentevi e o uirapuru, assim Deus imaginou as coisas invisíveis. Do mesmo modo que doou a cor aos olhos de aishwarya, 540
  • 541.
    assim no lugardas coisas essenciais, no mundo de significados plenos, na terra sonhada por sonhos maiores que os sonhos dos anjos. Ele encheu o lugar de Sua Habitação de coisas que são plenas de evocações, lembranças, alegorias, representações e substancia. Essencialmente plenas de significados e de mistérios que abrangem aquilo que DEUS mais preza, mais ama, mais considera. No lugar mais sublime, ele sublimou os significados, no lugar mais divino, tudo resplandece o que em Deus é mais importante. Ele está refletido nas obras da Criação, mas no céu, são os segredos mais íntimos e as coisas mais profundas que estão manifestas. O céu mostra Deus desnudando sua alma, revelando seu interior. E o muro de jaspe é uma das peças desta revelação. 541
  • 542.
    Ele é achave para os mistérios dos propósitos anteriores a criação. Ele é guardado por anjos, ele envolve o bem mais precioso do universo, ele envolve, circunda o amanhã de um lugar onde só habitará a alegria e onde filhos e filhas festejarão a vitória contra a morte, a dor e a perda. Onde o pecado não possui espaço ou memorial, onde os demônios não entram e nem podem entrar, onde a essência dos homens é plena de luz. O muro é feito de jaspe, uma pedra semipreciosa vermelha como o sangue, de matizes e sombras, de texturas que jamais se repetem. Nele ficam portas por onde se acessará a cidade. Ele não possui um nome. Mas aquilo que lhe sustenta possui o nome dos que um dia testemunharam o ministério de Cristo na terra e foram por eles separados para serem suas testemunhas. O muro se assemelha a um tecido que lembra um coração real, e o sangue que corre neles, de um vermelho vivo. O muro representa a vida de milhares que viveram e creram, que morreram e perseveraram. O muro fala da fé no coração humano, cuja base é o testemunho de doze enviados, que representam a todos os que foram enviados por Deus para pregar sua Palavra, para falar de seu Evangelho. Ele circunda a cidade, porque não há como acessar tal lugar, tal dimensão, tal patamar de vida, tal esfera de coisas, tal esperança sublime, sem passar por aqueles que fa zem parte deste muro. Moisés, Davi, Isaias, João, Jesus, Maria, Paulo. Barnabé. Gláucia. Amanda. Felipe. José. Manuela. Ivan. Caio. Nenhum ser humano entrará pelas portas sem ser impactado pela vida de outro, que derramou um dia seu coração diante de tamanha esperança. Que sofreu por amar ao próximo, que lutou pelo direito de ser digno diante daquele que vive para todo sempre. Esse muro é um memorial eterno, diante de Deus, nada é mais vistoso, nada se vê mais longe, nada é tão impactante quanto avistá-lo. Porque nada é maior dentro de Deus. Não existe coisa mais cheia de significados, do que a vida exercida por aqueles que crêem em sua Palavra. Diante de DEUS para todo sempre ele coroou a expressão de sua Adoração, de sua Vida, de sua Existência. O muro é a soma de todos os medos, de todas as dores, de todas as intercessões, de todas as orações, de cada gemido, de cada suspiro. De cada ai. E a dimensão da oração do coração que crê é tão extrema, é de tamanho valor a intercessão dos que oram, que o muro possui a mesma medida da cidade, cidade esta que SIMBOLIZA a grandeza das coisas que hão de vir. O muro tem a mesma extensão da cidade. Assim Deus imaginou aquilo que representa o choro de Ana, o choro de Maria, o choro de Jesus. Assim Deus imaginou o que significa a morte de Cristo, a morte de João Batista, a morte de Estevão. Assim Deus representou na visão dada a João aquilo que lhe arrebata a alma. Aquilo que lhe arrebata os sonhos. Porque o Apocalipse não fala dos sonhos dos homens. Mas dos sonhos de Deus. Fala de suas intenções e de suas finalidades. A história da salvação nele está representada. Por isso é coberto de pedras de valor incalculável aos olhos do apóstolo João. Porque NADA é mais precioso para DEUS que a vida de seus filhos e filhas, nada é capaz de estremecer a Deidade como a manifestação da vida dos que nele estabeleceram sua confiança. Que foram conectados a ele pelo vinculo da esperança e que amaram amar mais que odiar. Que amaram o bem e rejeitaram o mal. Assim se estabelece a visão final de Apocalipse. Esse muro. A cidade. Representa o amor humano expressado em amor a Deus e o amor divino revelado na pessoa daquele que se fez homem e sangrou entre nós. Um muro de jaspe. 542 Quebrada de Jaspe
  • 543.
    La cascada dela quebrada de Jaspe Cerca de Santa Elena de Uairén, en el kilómetro 273, se encuentra la quebrada de Jaspe. La quebrada de Jaspe es uno de los lugares más visitados en la Gran Sabana. De fácil acceso, bien organizado y señalizado, es una parada obligada. Desde el estacionamiento, se debe hacer un pequeño y fácil recorrido por la selva y se llega a la quebrada. La quebrada de Jaspe, río abajo Allí se observa una gran laja de unos 300 metros de longitud, en donde el agua apenas tiene unos centímetros de profundidad. A la derecha, se encuentra una pequeña cascada que es un lugar excelente para recibir unos agradables masajes de agua, o sencillamente para disfrutar del agua con una temperatura muy agradable. 543
  • 544.
    Detalle de lacascada El nombre de la quebrada de Jaspe, se debe a que el fondo es de una piedra semi-preciosa llamada Jaspe, que es en realidad un compuesto de cuarzo y sílice, con un color rojo muy fuerte. 544 El piso de la quebrada La quebrada de Jaspe es uno de los "monumentos naturales" de Venezuela. A partir deste momento são as cenas após a história. 1. כרם היה לשׁלמה בבעל המון נתן את־הכרם לנטרים אישׁ יבא בפריו אלף כסף׃ 8:11 2. Kerem hayah liShlomoh bevaal hamon natan et-hakerem lanotrim ish yavi befiryo elef kasef: 3. Shlomo had a vineyard at Baal-Hamon; he let out the vineyard unto keepers; every one for the fruit thereof was to bring a thousand [pieces] of Kesef.
  • 545.
    11 Teve Salomãouma vinha em Baal-Hamom; entregou-a a uns guardas; e cada um lhe trazia pelo seu fruto mil peças de prata. 1. כרמי שׁלי לפני האלף לך שׁלמה ומאתים לנטרים את־פריו׃ 8:12 2. Karmi sheli lefanai haelef lekha Shelomoh umatayim lenotrim et-piryo: My vineyard, which [is] mine, [is] before me: thou, O Shlomo, [must have] a thousand, and those that keep the fruit thereof two hundred 12 A minha vinha, que me pertence, está diante de mim; as mil peças de prata são para ti, ó Salomão, e duzentas para os que guardam o seu fruto. 1. היושׁבת בגנים חברים מקשׁיבים לקולך השׁמיעיני׃ 8:13 2. Hayoshevet baganim khaverim makshivim lekolekh hashemiini: 3. Thou that dwellest in the gardens, the companions hearken to thy voice: cause me to hear [it]. 13 O tu, que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz; faze-me, 545 pois, também ouvi-la. 1. ברח דודי ודמה־לך לצבי או לעפר האילים על הרי בשׂמים׃ 8:14 2. Berakh Dodi udemeh-lekha litzvi ole ofer haayalim al harei vesamim: 3. Make haste, my dod, and be thou like to a roe or to a young hart upon the mountains of spices. 14 Vem depressa, amado meu, e faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes dos aromas.
  • 546.
    (extraído em grandeparte do livro Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão. Com comentário geral sobre a aplicação do principio para a ecologia mundial e alguns ajustes nas representações – Nivalda estabelece belíssimas (e espirituais) comparações da área ecológica israelita com a pessoa de Cristo Interessante ´notar que no original hebraico fala desta púrpura como argaman melech (púrpura da realeza). Há um paralelismo entre Carmel e argaman (púrpura) que não significa uma alusão ao Carmelo mas à tintura da púrpura e a palavra carmil que fala de carmezim (II Crônicas 2:7). O texto de Crônicas fala de púrpura, carmezim e azul as três palavras aqui narradas: argaman (púrpura), carmil (carmezim) e techelet (azul) - trata-se de um azul profundo. As ervas amargas eram comidas por ocasião da Páscoa, no mes de Aviv, o mes do renascimento, o mes das chuvas, o mes da primavera 546 (Números 17:8 e Jeremias 1:11-12) . A amendoeira começa a florir na primeira metade de fevereiro e continua
  • 547.
    547 por cercade um mês (Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão) Por volta de 15 do mês Av (julho-agosto) a terra de Israel alcança o fim do seu período de verão mais quente. Pelas manhãs, nesta época, a umidade, algumas vezes, se condensa numa grossa camada de névoa branca, nas terras baixas e nos vales de Israel. Três tipos de flores, todas elas brancas, são as primeiras a responderem a estas mudanças de tempo. O havatzélet (traduzido por rosa de Sarom) tem duas especificações: havatzélet hahar, lírio das montanhas e colinas das regiões de Israel chamado de “cabeça” e o havatzélet hahof, que é o lírio das areias que crescem ao longo da costa arenosa da planície de Sarom - são chamados os “pés”. Florescem por volta de julho-agosto e pontilham as costas do Mediterrâneo como lindos retalhos de branco e flores perfumadas. No monte Hermon - o monte mais alto de Israel, pode-se encontrar, nos penhascos dos montes os lírios chamados de shoshanim. Na mesma linha de imitação do novo colorido da terra, as jovens do antigo Israel se vestiam de branco e iam dançar nos pomares de oliveira em Tu B´Av (15º dia do mês Av). Este é o período do ano quando as oliveiras começam a amadurecer. Os árabes costumam chamar de Tu B´Av o “Dia das Oliveiras”. Uma canção de louvor que o próprio Cântico dos Cânticos, como o é também o cântido do Zamir, o murmúrio da voz da rola “Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e so foi: aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.” (Cantares 2:11-12) . Não se trata aqui de as aves mas de um pássaro específico de Israel - o zamir. Na época do acasalamento exatamente este período em que cessam as chuvas e o inverno passou, este pássaro emite um som, enche o seu papo e o som é onomatopaico: tor, tor, tor. É um simbolismo do momento do arrebatamento da Igreja - o casamento do noivo com a noiva. Lemos em Cantares 2:12 - “As flores (os nitzanim) aparecem sobre a terra”. Nitzanim provavelmente deriva do verbo habetz florir, empregada na Bíblia. Este grupo de flores vermelhas é chamado de nissan pelos iraquianos o que sugere o mes de Nissan, isto pelo eclodir dos nitzanim. (Jesus na Ecologia de Israel – Nivalda Gueiros Leitão) O mês de Aviv é, portanto, o mês durante o qual o grão (primeiramente a cevada, depois o trigo), alcançam o período de desenvolvimento chamado simplesmente aviv. Uma vez que o crescimento da planta é controlado pelo sol, o mês de aviv bíblico, cai na estação solar de cada ano. É claro, entretanto, que o o primeiro mês Nisan um dos meses lunares, não é idêntico ao “mês de aviv” que é determinado pelo sol. Apesar disto, a Bíblia ordena aos israelitas observarem, em específico, o feriado do êxodo do Egito que ocorreu “ao primeiro mês” no 14º dia do mês, à tarde, o que deverá cair sempre durante o “mês de aviv”. O trigo é semeado dois meses após as primeiras chuvas de Israel. Se as chuvas de inverno caem regulamente e em suficiente quantidade o trigo continua a se desenvolver e florescerá em março. As plantas são então polinizadas e formam os núcleos do grão. Então em princípio de abril, por volta da páscoa no mês hebraico de Nisan, os núcleos do trigo em
  • 548.
    Israel começam ase encher com a fécula. Estes, porém, tem que enfrentar um perigoso período de 50 dias antes dele amadurecer completamente. O tempo da colheita começa somente no fim do período de 50 dias, por volta de Shavuot (Semanas) dando origem ao “Festival da Colheita” (festa das semanas). Entre páscoa (Pesach) e shavuot (semanas), Israel está sujeito a um vento muito quente e seco que sopra do deserto da Arábia. Este vento provê uma estação ideal para abertura dos botões da oliveira em flôr. Este vento quente é chamado de hamsin, originado de uma palavra árabe similar ao hebraico hamishim, que significa 50 - são os 50 dias entre Páscoa e Shavuot (semanas). Porém, se este vento seco e quente sopra muito cedo, imediatamente após a Páscoa, pode queimar os núcleos ainda imaturos do trigo. O trigo maduro se tornaria tórrido, os talos do trigo se tornariam amarronzados com os núcleos vazios e imprestáveis. Se, entretanto as primeiras semanas do período de 50 dias fossem relativamente frias, os núcleos do trigo se encheriam com fécula e o trigo dourado continuaria a amadurecer sem o perigo de ser crestado. Se houvesse então uma chuva copiosa quando os núcleos do trigo já estão maduros, uma espécie de fungos pretos se desenvolvia, os chamados “ferrugem negra”. Estes fungos envenenam o grão e os tornam inapropriados para o uso. O equilíbrio da estação necessária durante o período de 50 dias tanto para as oliveiras como para o trigo era importante. O Talmude explica que o vento norte (que representa o frio, mesmo chuva) é benéfico para o trigo enquanto os seus núcleos não estão ainda cheios, mas nocivo às oliveiras, ainda em flor; o vento sul (seco e quente o hamsin) é prejudicial para o trigo enquanto alcança sua maturidade porque se tornará crestado), porém, benéfico para as oliveiras em flor. Daí a necessidade deles estarem sempre obedecendo aos mandamentos de Deus para que não castigasse suas colheitas. Era importante, e uma ordenança de Deus a observação às festas: “E a festa da sega dos primeiros frutos do teu trabalho, que houveres s emeado no campo, e a festa da colheita à saída do ano, quando tiveres colhido do campo o teu trabalho.” - Êxodo 23:14-16 . As festas eram Páscoa, Pentecostes (semanas) e Tabernáculo. Cada uma delas contém a história da nação do Israel tecida dentro da natureza e agricultura da terra de Israel. Encontramos em Cantares 7:2 uma associação ao trigo: “... o teu ventre como um monte de trigo” o que vem precisar um verdade combinada com a agricultura. Após a debulha, a separação os núcleos do trigo são empilhados nas eiras e guardados cuidadosamente até serem levados para casa. É assim que vamos encontrar Boaz dormindo no fim de um monte de cevada como seu gardião (Rute 3:7) . O contraste entre grão e espinho Jó bem o enfatiza: “por trigo me produzem cardos e por cevada joio” - Jó 31:40. O espinho é idêntico ao que prolifera como fogo nos sulcos dos trigais dos desertos e em terras onde crescem o lírio Madona. Ambas as plantas florescem no começo do verão, e o lírio com sua florescência branca e luminosa aparece entre as flores dos arbustos de espinho, acentuado nas plavras “como um lírio entres os espinhos” - Cantares 2:2. Por fim é interessante acrescentar aqui alguns versículos que falam do cuidado do Senhor com relação às culturas de Israel: “E a terra responderá ao trigo e ao mosto e ao azeite e aos cordeiros e aos bezerros; e a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais andarão tristes” - Jeremias 31:12. “E juntamente com eles prepararás um oferta de manjares todas as manhãs a sexta parte de um efa, e de azeite a 3ª parte de um him, para misturar com a flor de farinha; por oferta de manjares para o Senhor, em estatuto perpétuo e contínuo”. - Ezequiel 46:14. O livro de Cantares de Salomão está repleto de personagens que delineiam épocas 548 ou estações pictóricas em Israel e dentre tantas podemos destacar um pássaro muito
  • 549.
    Neste livro encontramosum verdadeiro tratado de fauna (animais de uma região) e da flora (plantas de uma região) de Israel. Aqui deparamos com 21 tipos de plantas e cerca de 15 animais distintos, sem falar nas estações tão bem assinaladas, tais como: - Nitsanim = período que sucedia ao tempo chuvoso, quando o Habatselet (uma 549 planta natural de Israel) se abria. - Semadar = época que as flores das videiras apareciam. - Setar = tempo do frio. É neste ambiente gostoso e agradável que um belo dia Salomão, passeando pela planície de Sarom, depara-se com o intrigante Zamir. Na Palestina o tempo da primavera era marcado por algumas fortes ocorrencias bem distintas e amplamente conhecida dos campesinos e do povo de modo geral. Havia algumas plantas ou animais que sinalizam a entrada do tempo seco, entre outras podemos destacar: - A Shoqueid = amendoeira – primeira flor a abrir-se. - O Nitsanim = tapete de flores na Planície de Sarom. - Habatselet = flor única de Israel - A Torr = rola torquaz de coleira em emigração - O Zamir = pássaro especial. Segundo O. Borowski, o termo gefen, associado a zemádar em Ct 2,13.15 e 7,13, este último em geral traduzido como “botão”, pode indicar um tipo de videira, ou “videira zemádar” (gefaniym zemádar, 2,13a; ou kerámiyn zemádar, 2,15b; ou simplesmente zemádar, como em 7,13b). Esta hipótese tem como base a descoberta de uma inscrição em Hazor, onde se lê “lpqh zmdr” (“pertencente a Pecah zemádar”)213. Os elementos presentes em 2,11-15 e 7,9-13, citados acima, podem corresponder às celebrações da fertilidade, ligadas à produção das vinhas e marcadas pelo ambiente idílico primaveril. Este tipo de festival acontecia na vida tribal israelita desde os primeiros tempos, sempre vinculado à adoração de divindades da fertilidade: “saíram ao campo, e vindimaram as suas vinhas (kareméynhêm), e pisaram as uvas, e fizeram canções de louvor; e foram à casa de seu Deus” (Jz 9,27a). A festa da tribo de Benjamin, já citada na identificação da tradição poética camponesa e feminina em Israel, também tem as vinhas com cenário (kerámiyn; Jz 21,20). Para F.F. Hvidberg, o choro pela filha de Jefté, realizado por virgens nas regiões montanhosas (cf. Jz 11,30-40) A referência ao imaginário da viticultura dentro da Coletânea de Sharon aparece em dois poemas seguidos: Ct 2,10-14 e 15-17. Nestes poemas, as videiras são colocadas dentro de uma paisagem idílica e primaveril, perfumando o ambiente com o cheiro de suas flores
  • 550.
    (2,13). Também sechama a atenção para o ataque de raposas (2,15). A mesma paisagem reaparece em 7,11, quando os enamorados se propõem a passar a noite debaixo dos ciprestes e amanhecer ali para ver as videiras florescidas. A menção do fim do inverno, além da floração, indica o começo da primavera. J. Snaith cita a pesquisa de D. Lys, que situa as cenas destes poemas no tempo da migração das pombas rolas (cf. Ct 2,12.14), o que segundo mostra D. Lys, corresponderia aos meses de Abril e Maio212. Testamento, mesmo com outros sentidos. Para O. Borowski, os homens que cuidavam das vinhas, chamados noteriym em Ct 8,11-12, eram guardas pagos, conforme indica a variante nôserîm usada em Jr 31,5 e Is 27,3; Pr 27,18 e Jó 27,18, esta última no contexto agrícola . ( a coitada era FORÇADA a trabalhar. Era uma ESCRAVA) 550 Mirra
  • 551.
  • 552.
  • 553.
  • 554.
    554 JESUS NAECOLOGIA DE ISRAEL Se pararmos para pensar podemos descobrir grandes identificações da humanidade de Jesus com a ecologia de Israel. A Palavra está pontilhada da semelhança à dor e ao sofrimento de Jesus, assim como sua majestade, sua glória, sua alegria, semelhanças essas, muitas vezes imperceptíveis. Um dia, porém, o Espírito nos toca e nos revela coisas grandiosas em detalhes pequeninos, até quase imperceptíveis. Assim é o caso dessa identificação de Jesus com plantinhas simples, outras mais grandiosas e até mesmo os tipos de especiarias tão usadas no Oriente. O livro de Cantares é um jardim maravilhoso onde o Espírito Santo de Deus se deleitou com cada detalhe que colocou no livro. Necessário frisar que tal identidade com a natureza de Israel não é gratuita e nem EXCLUSIVA. O Estudo da ecologia de Israel nos dá uma visão nítida a esse respeito, mas Cristo não está somente mostrado na ecologia de Israel. Antes em TODA A ECOLOGIA. Onde há vida manifesta, alie estarão detalhes que nos conduzirão ao Espírito de Deus. O exercício abaixo é uma surpreendente e LIMITADA visão da beleza da revelação divina, presente em TODA A CRIAÇÃO. A natureza de todas as nações é inundada da presença de símiles, parábolas, retratos, identificações com os mistérios divinos, porque o mundo pertence ao Senhor. Isso é importante comentar, porque cada nação, cada estudioso que estudar profundamente a botânica de seu país encontrará paralelos belíssimos com as coisas tratadas aqui. Não só Cantares, mas os profetas, em geral, nos mostram aspectos curiosos de árvores, arbustos, flores e de muitas facetas ecológicas especialmente de Israel. E é assim que penso dar enfoque a alguns detalhes curiosos nesse campo da ecologia, identificando-os com Jesus nos mais variados aspectos de sua vida, de suas caminhadas e jornadas pelos grandes desertos e nas regiões onde o seu ministério aflorou: os confins da Galiléia, a feia e montanhosa Nazaré, Cafarnaum e todos os territórios tão intimamente ligados ao seu caminhar quotidiano na terra de Israel. Assim é que vamos encontrar a ERVA AMARGA, comida às pressas à hora da partida do Egito para Canaã. Era um momento por demais solene que marcava o fim da escravidão. É interessante notar como os mais insignificantes detalhes são até os mais importantes, pois que muitas vezes passam despercebidos. Quem diria que a erva amarga tem espinhos semelhantes aos da coroa de Jesus? Entre os vários tipos de ervas amargas destacam-se dois: a HARHAVINA que no inverno é macia e adocicada, no verão cheia de espinho e amarga; a dardar saborosa no meio do inverno cujas folhas são colhidas para salada. No fim do verão as folhas se tornam barbeadas e em espinhos de cinco pontas. Na páscoa, ambos os tipos são ainda comestíveis, fibrosas mas não duras ainda. As ervas amargas simbolizavam a amargura dos israelitas no Egito. Mas Jesus também se identifica com elas, sua vida no deserto, o destino que o aguardava na cruz, os mesmos espinhos da coroa que aviltaram sua cabeça. O sofrimento no Getsemane foi como se ele tivesse provado das ervas amargas, nas horas que precederam à sua vitória. E estava próxima a Páscoa na qual o Cordeiro de Deus foi sacrificado. As ervas amargas eram comidas por ocasião da Páscoa, no mês de Aviv, o mês do renascimento, o mês das chuvas, o mês da primavera, o mês das bênçãos do Espírito, o Pai dos meses e ainda o mês do Pai (Av). O mês da Redenção.
  • 555.
    O L IV E I R A S Quando Jesus nasceu em Belém, todo o vale dos pastores estava coberto de oliveira zait ou etz-zait, nome no original hebraico. Jesus é a oliveira verdadeira. Há uma característica na folha desta árvore. A parte inferior da folha é coberta por uma miniatura em escalas esbranquiçadas e prateadas, enquanto que a parte superior é de um verde escuro. O contraste das sombras produz um brilho prateado único, quando o vento tange as suas folhas. Os galhos externos movimentam-se na brisa e expõem o lado prateado de suas folhas, em contraste com a parte verde escuro no topo das folhas do interior dos galhos imóveis. 555
  • 556.
    Quando o ventosopra nas folhas estas nuvens de luz prateada parecem pular de uma árvore à outra, sucedendo-se de oliveira à oliveira. Naquela madrugada específica, a redenção era anunciada em Belém, os pastores foram privilegiados em contemplar o campo ser agitado com a brisa que enchia o vale da prata remidora (Jeremias 11:16). Israel foi chamado de oliveira, cheia e bela porque em tudo elas fazem brilhar a luz. Esse mesmo motivo é encontrado na MANDRAGORA. Só que mais fantasmagórico, pela presença de vagalumes que davam a planta na escuridão uma aparência mágica. Sobrenatural. A visão do candelabro de Zacarias ladeado por duas oliveiras - o rei e o sumo-sacerdote, que outro não é senão Jesus, o único que tem prerrogativas de rei e sumo-sacerdote ao mesmo tempo. “Não por força nem por violência mas pelo meu espírito”. (Zacarias 4:6). O menorah enchido com o óleo das olivas fala de Jesus como a luz do mundo e que se tornou no próprio símbolo do emblema de Israel: o candelabro ladeado de duas oliveiras - Jesus como emblema de Israel, Jesus no monte Sião, tremulando onde quer que este emblema seja colocado. É importante observar a parte da oliveira no trono de onde se formam os galhos. Dali é cortado o cajado do pastor e que se chama em hebraico bíblico antigo de hoter, e nas raízes bem junto à planta, há um galhinho que é a muda da planta. O galhinho que brota junto às raízes é chamado de netzer que quer dizer renovo. Este renovo é o guardador e protetor da planta que vai propagar a nova geração de oliveiras. “Porque brotará um rebento (hoter) do tronco de Jessé e das suas raízes um renovo (netzer) (no original hebraico) frutificará”. 556
  • 557.
    Isaías 11:1. Ohoter é essa ramificação do trono que dá lugar a um ramo vigoroso que cortado no ponto de ligação (nó) e é trabalhado, polido e transformado em cajado de pastor. Serve tanto como arma ou como instrumento de direção do pastor. A palavra netzer deriva da palavra hebraica natzor que significa guardar (Salmo 128) “Teus filhos são como oliveiras novas ao redor de tua mesa”. São como o netzar. Jesus é este renovo que conforme diz Isaías nasceu de debaixo de sua própria terra: “e foi subindo como um renovo...” - o guardador de suas raízes. Jesus o netzar é o responsável pela geração de oliveiras. Vale dizer que Saul foi comparado em Israel como sendo a ramificação de um SICÔMORO (Figueira brava). Davi era como a ramificação da oliveira. A ramificação (o netzer); 557
  • 558.
    logo murcha apósser removida da árvore, e por isso não serve para plantar uma nova árvore. Saul, então, ramificação do sicômoro não teve dinastia (II Samuel 21:1), mas Davi como ramificação da oliveira após o seu plantio, cresceu numa oliveira de grande porte. A muda da oliveira pode sobreviver por dias após ser cortada da oliveira original, mesmo sem o solo ou a água. Jesus o renovo - o Messias - , um descendente de Davi, filho de Jessé, o líder do seu rebanho representado pelo hoter, o cajado do pastor com o qual ele conduzirá o seu rebanho. A oliveira foi uma das mais importantes colheitas da terra de Israel. Jeremias compara o povo de Israel à oliveira frutífera (Jeremias 11:16). A oliveira quando usada para alimento é fonte de óleo, que era extraído em prensas antigas, como algumas ainda hoje existentes em Israel. Uma vez amadurecidas as oliveiras na árvore são colhidas e então prensadas secas pela pedra que rola sobre elas, pedra de grande peso. O óleo pinga em tanques debaixo da prensa. A melhor qualidade do óleo é o processo de purificação, comparado ao processo através do qual Israel passou, os acontecimentos históricos foram como que uma prensa pesada. Diz-se que o povo foi chamado por Jeremias como uma oliveira nova porque eles espargem luz em tudo para sempre. A oliveira produz a melhor fonte de óleo para a candeia (óleo de oliva) e é por si mesma chamada de “a árvore da luz”, vindo a ser um símbolo de paz. É por isto que Jesus é a oliveira verdadeira. “Eu sou a luz do mundo”. E Jesus não precisa do óleo da oliveira verdadeira. “Eu sou a luz do mundo”. E Jesus não precisa do óleo da oliveira para ser a luz do mundo, mas a ela se compara, porque a luz que o óleo da oliveira produz é luz firme, luz que não vacila, além da pureza com que era obtido o óleo das olivas, daí o candelabro ter sido iluminado com a luz da oliveira. Na Palavra de Deus, por intermédio do apóstolo Paulo, os gentios são comparados ao zambujeiro (oliveira brava) enxertado e Israel a vara ou ramo que não dá fruto, quando ele diz: “E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira”. dirão os gentios: “...os ramos foram quebrados para que eu fosse enxertado” - Romanos 11:12-17. A oliveira "brava"No Novo Testamento, o capítulo no livro de Romanos que nos dá a chave e nos informa quem são os dois ramos da oliveira! Paulo aqui nos apresenta um fato (que Israel foi "dividido" em pedaços - confirmando Jr 11.16) e também nos informa o que acontecerá com estes ramos: "E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira" (Rm 11:17). De quem Paulo nos fala aqui? O "zambujeiro" ou oliveira brava é a igreja! Todos os crentes em Jesus são considerados como enxertados na oliveira boa (Israel). Vejamos que o zambujeiro ou oliveira brava são árvores da mesma espécie da oliveira, porém com uma diferença: na língua grega, a palavra que designa oliveira (e fala de Israel) diz respeito à uma planta cultivada, tratada. Já quando se refere ao zambujeiro ou oliveira brava, está se referindo a uma planta silvestre ou selvagem! Sabemos então que o enxerto (a Igreja) é que recebe a seiva da oliveira para se manter viva e que o enxerto foi ali colocado por Deus para ser aperfeiçoado através da oliveira! Nunca na natureza ocorre o contrário, ou seja, a planta mãe ser aperfeiçoada pelo enxerto! As olivas eram batidas uma à uma dentro do almofariz, não eram prensadas, o tratamento era específico para que se obtivesse essa qualidade de óleo. Vamos sempre encontrar esse 558
  • 559.
    traço de sofrimentonas plantas - moídas, batidas, que tanto se aproxima dos sofrimentos de Jesus. 559 V I D E I R A Isaías fala de uma vinha plantada num outeiro fértil. É interessante observar esta vinha deste outeiro fértil, e as características que envolvem esse verso de Isaías 5:1. Trata -se de uma canção. A pessoa a quem se refere, a quem é aplicada. Era o próprio cantor amado. A canção do amado é realmente uma canção ao vinhateiro amado; e esta canção é a canção do próprio amado, não uma canção escrita sobre ele ou atribuída a ele, mas uma canção que ele mesmo cantou e ainda há de cantar. Interessante é notar aqui que esta vinha se situava no pico de uma montanha proeminente, projetada como um chifre e por conseguinte aberta para o sol em todos os lados. Esta montanha em forma de chifres era, no original hebraico, um filho do óleo (ben-chamen). O óleo era natural, pertencia à própria vinha por natureza e denotava a fertilidade de um solo margoso. Após o solo ter sido preparado, separado de todas as impurezas ele plantou “sorek” a melhor espécie de uvas do oriente, que produziam uvas pequenas e de um vermelho como o vinho, cujas sementes eram imperceptíveis à língua. Apesar de todo o rigor da plantação de uvas do tipo “sorek”, a vinha deu uvas bravas.
  • 560.
    Uma vinha ofereceuma imagem de nobreza, fertilidade como a própria palavra Carmelo que significa “vinha de Deus”, também é sinônimo de jardim, pomar e é tida na Bíblia como “a excelência do Carmelo”. A primeira preocupação era cerdar a vinha de um valado ou cercas, isolá-la. O lagar era peça importante e não podia faltar, era onde se processava a vindima e onde eram pisadas as uvas. Nessa ocasião havia festa, muito júbilo, cantavam-se canções de louvor, comiam e bebiam e gritavam hurra! Havia ainda a torre onde o vigia espreitava tudo em derredor daquela vinha. Cantares 2:15. As cercas podiam ser bosques ou paredes de pedra. Se a vinha era mal cuidada se enchia de cardos, de urtigas e a parede de pedra era derribada. (Provérbios 24:31). Por isso era necessário cercar e limpar a vinha e plantá-la com excelentes vides - vides tipo sorek. Jesus o vinhateiro - o herdeiro da vinha - Jesus a Videira verdadeira. A videira é também símbolo da Igreja do Senhor. Em Deuteronômio 22:9 há uma recomendação: “não semearás a tua vinha de diferentes espécies de semente, para que não se profane o fruto da semente que semeares e a novidade da vinha”. É a igreja de Cantares: “para que as raposas não venham devorar as vides em flor exalando o seu perfume”. O perfume é o de Cristo. “Naquele dia haverá uma vinha de vinho tinto, cantai -lhe. Eu o Senhor a guardo, e a cada momento a regarei; para que ninguém a faça dano, de noite e de dia a guardarei”. Isaías. A Igreja é hoje esta videira. Igreja que possui um único possuidor. Lugar escolhido, preparado, cuidado. Lugar de alegria, de cânticos. Lugar onde há frutificação e colheita, lugar onde o vinho novo é continuamente fabricado. O Senhor está derramando do vinho aromático, ele prepara o lagar para a festa da redenção, que hoje à semelhança de Israel quando comemorava suas vindimas, a igreja extrai o mosto no lagar. À semelhança de Israel quando cessaram os folguedos e as vindimas se extinguiram, a terra se transformou em deserto, e a igreja também saiu do deserto de um tempo de secura. Encontra-se hoje encostada ao vinhateiro que pacientemente tem cuidado dela, tirou-lhe os cardos, as urtigas, recompos-lhe as cercas e 560
  • 561.
    nela não permitiuque se plantassem outras sementes para que não se consumisse o fruto da terra. A igreja já tem o selo do Senhor e o selo é fonte, é jardim fechado, é a vinha cercada. A igreja é de frutos, é um pomar e tem a excelência do Carmelo. Como se planta uma videira? 1 - Cava-se um buraco na terra. A cavidade deve ser bastante ampla para que as raízes se espalhem comodamente, com espaço suficiente para elas crescerem na terra. 2 - Cobre-se então o cepo com bastante terra, terra boa e fértil, soca-se bem a terra, até serem eliminadas as bolhas de ar. Rega-se abundantemente a videira para que ela já comece a crescer com vigor. 3 - Quando ela começa a crescer deve-se amarrá-la à vara, ou às varas, de forma a dar-lhe 561 suporte. Se passarmos o plantio da videira para o terreno espiritual vamos encontrar grandes riquezas. João 15:1 diz: “Eu sou a videira verdadeiro e meu Pai é o lavrador”. Jesus é a videira verdadeira. Então vamos plantar essa videira. O solo é o nosso coração que à semelhança da terra, deve ser espaçoso o bastante para deixarmos que as raízes do Senhor penetrem profundamente em nós e se acomodem nos espaços do nosso ser. As raízes do Senhor em nós farão nascer frutos excelentes - os frutos do Espírito - os dons que vão enriquecer nossa vida e nossa intimidade com Jesus, pois que ele está plantando dentro de nós e se ele não estiver em nós também não estaremos nele. Ele próprio nos fará passar à segunda etapa do plantio: Impregnar-mos de Jesus, tirar as bolhas da contaminação deste mundo. Regar a videira. Ele nos dá o seu espírito para regá-la com a água que vem dele mesmo: a água da vida. Uma vez crescida a videira em nós, ela vai aparecer e vai se espalhar por sobre as varas. “Toda a vara em mim que não dá fruto a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para dê mais fruto”. Como dissemos a vinha tem características importantes. O terreno é limpo, ela é cercada. É como o jardim de Deus -fechada (Isaías 5:1). No meio há a torre. É a torre de vigia “apanhai-me as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor”. (Cantares 3:15). O próprio Senhor ele é o guarda na torre de vigia que protege a sua vinha, ele espreita tudo em redor para que o inimigo que tantas vezes quantas pode assedia a vinha de Deus. Os vinhedos eles se estendem por sobre as varas, um imenso varal. E quando ela fica cheia de folhas e frutos as varas não são vistas. Esta é a função das varas - o Senhor Jesus é quem aparece, somos apenas os suportes da videira, dos meus frutos; se entrarmos debaixo dos vinhedos, vamos contemplar uma imagem singular: Olhando para cima veremos aquela plantação verdinha estendida por sobre as varas, veremos os cachos de uvas imensas (do tipo sorek), pendurados no meio das varas. Há uma sombra benfazeja ali se abraça às varas, como que permanece de braços dados com aquele imenso número de varais. É a sombra do Todo Poderoso, do El Shaddai, sobre a sua igreja. A destruição da vinha era um castigo de Deus e Jeremias exorta (Jeremias 8:13) - “Certamente os apanharei, diz o Senhor, já não há uvas na vide...”. Oséias 2:12 também anunciava - “E devastarei a sua vide e a sua figueira”. O Senhor enviou os profetas madrugando para avisar ao povo do que sucederia se houvesse descuido com a vinha e com a figueira. Estamos vivendo uma época em que é tempo de semear, de segar e de plantar vinhas. É o tempo do derramar do espírito. É o tempo da colheita dos frutos, pois o dono desta vinha voltará a este tempo para buscar os frutos.
  • 562.
    O Pai éo lavrador e o vinhateiro é Jesus, o herdeiro da vinha, porque ele que é a videira verdadeira está plantado num outeiro fértil, e a vinha é a sua igreja que também está neste outeiro fértil “Filho do óleo”. Os filhos do óleo eram o rei e o Sumo Sacerdote. Jesus é tanto rei como Sumo-Sacerdote por isso ele é o filho do óleo que habita este outeiro fértil. A igreja é também esta vinha onde não foram plantadas semente diferentes para que não se consumisse o fruto da terra. A igreja como que está cercada de muros, onde existe uma torre de vigia para que as raposas não venham devorar as vides em flor. O Senhor está preparando o vinho aromático (os dons do Espírito) para nos dar o mosto no lagar que preparou para a festa da redenção - o Espírito Santo que flui na igreja do outeiro fértil. A igreja está nesta hora encostada ao vinhateiro que pacientemente tem cuidado desta vinha. Não permitirá que sementes de outras espécies fossem plantadas nesta vinha, se essa vinha ouvir sua voz. Se amar o evangelho e confrontar o que nela é plantado com a revelação das Escrituras. Porém não é possível ao Senhor da Vinha impedir o surgimento do Joio. Toda vinha local terá joio. (O autor reclamou bastante outro dia a esse respeito). Há um mistério de misericórdia que cerca a humanidade e o Senhor da Vinha entende que pode transformar Joio em Trigo. A Vinha está espalhada em toda a terra, não possui uma única visão, uma única orientação, ou um padrão. Ela é confiada àqueles que Cristo escolhe e não delegou a qualquer grupo de pessoas essa separação de seus obreiros, de seus profetas, de seus apóstolos. O Senhor da Igreja é aquele que separa os homens para seus ministérios e para o seu mistério. A presunção profética é uma coisa aterradora. O sujeito acorda outro dia e recebe um punhado de visões e pronto. Imagina-se o “dono de toda a revelação”. Nem se o grupo de indivíduos tivesse passado dois anos no sétimo céu, ouvindo coisas inefáveis ao ser humano, e trouxesse de lá um termo assinado por anjos, em papel feito de árvores celestiais, teriam estes o DIREITO de decidir sobre a VINHA de DEUS, que enche todo o mundo. Repartida nas denominações, nas igrejas, nos múltiplos ministérios e até longe de qualquer contato com cristãos. A Igreja é um organismo vivificado por um Espírito Eterno, que faz nascer homens e mulheres de Deus até nos confins da terra. A cada instante. Centenas de mulçulmanos se converteram por meio de visões, onde a igreja não pode alcançar, vendo a Cristo sem te-lo anteriormente conhecido. A soberba espiritual é uma praga, uma enfermidade tão maligna que é capaz de devastar uma vidira inteira. No inicio oferecem vinho de boa qualidade, mas ao final da festa, depois que todos estão embriagados do vinho bom, começam a oferecer vinho de péssima qualidade. Homens que misturarm vinhos e por isso estragaram toda a safra. Porém, a igreja que é a vinha do Senhor tem também o seu selo, é vinha cercada, separada. A Igreja é de frutos, é um pomar e tem a excelência do Carmelo, e se prepara para as bodas do Cordeiro. As vides estão em flor. “Passou o inverno e a chuva cessou e em toda a terra já se ouve a voz da rola”. Essa Igreja não é um ministério. Não é uma denominação. Não é fruto de uma revelação, ela tem inicio na eternidade, parte é celestial e parte é terrena, parte está espalhada nos apriscos do Reino, parte está fora dos apriscos. Parte já está em Cristo, já descnasou das obras, parte está trabalhando, parte ainda nascerá, em épocas determindas, sobre diferentes dispensações, incluindo a Grande tribulação e o Milenio e até depois. 562
  • 563.
    A Igreja nãoirá prara de crescer mesmo após o final dos tempos. Não parara de frutificar, a vida não deixará de ser RENOVADA mesmo na Nova Criação. Este é o grande mistério de CANTARES capítulo 8. IGREJA não é simplesmente uma OBRA DO ESPÍRITO. Ela é mais que uma operação espiritual, mais que um evento profético. Ela é VIDA. Ela é a soma da humanidade remida com o amor de Cristo. Ela é maior que qualquer OBRA, ela é o CORPO de CRISTO, um mistério, um milagre, uma dimensão inserida em Deus através da morte e da ressurreição. A OBRA está na IGREJA, mas não é a IGREJA. O Espírito VIVIVICA a IGREJA, e ela é PARTE de CRISTO. Jesus não é OBRA de Deus. Não é OBRA do Espírito e nem de ninguém, ele é uma das dimensões de Deus, nele habita o Espirito, mas ele é maior que a revelação e que a profecia. A Igreja, INCLUSA NELE, não é e nem pode ser resumida a MINISTÉRIOS porque ela não é um SERVIÇO, ela não é uma ESCRAVA, ela não é uma SERVIÇAL. Ela é AMADA, é a esposa do CORDEIRO. Que o serve porquye o ama, não sendo salva pela sua OBEDIENCIA, antes pelo seu amor e pela sua FÉ. A OBEDIENCIA não salva. Essa lição já nos foi dada no primário da revelação. Ela se chama LEI. O justo somente VIVERÁ pela fé. Por isso a Lei de OBEDECER foi substituída pela LEI do Espírito e da Vida. Significa que a salvação é fruto do amor, da comunhão, e o Epírito não trabalha pela força ou pela violência, não nos impõe OBRIGAÇÕES. Nos conduz a VIDA através do CONSELHO. 563 F I G U E I R A Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden mencionada pelo nome. Para mim, a menção da figueira já nas primeiras páginas da Bíblia (ao lado de inúmeras outras árvores paradisíacas criadas por Deus, cujos nomes não são citados) é uma gloriosa figura da eleição de Israel: "...o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7.6). A primeira distinção é que no Éden, a primeira árvore conhecida pelo ser humano, será a figueira. Cujos frutos já eram comidos antes. Fazia parte do jardim original. As folhas da figueira cobrem a nudez física, mas não a nudez espiritual. Israel receberia através de Moisés a Lei e o Sacerdócio Levitico, e ambos só poderiam COBRIR, proteger. A palavra “cobrir” é um dos verbos hebraicos para a ação dos sacrifícios. Eles escondem, mas não restauram. O milagre da Restauração viria através da Igreja de Cristo, ao invés da Lei, pela operação da Graça, e em contraste com o sacerdócio Levitico, um sacerdócio segundo uma desconhecida ordem, a ordem de Melquisedeque.
  • 564.
    A figueira representaIsrael, a luz das representações em Genesis. Os sacrifícios e ofertas segundo a Lei (a cobertura do homem caído), uma eleição feita por Deus antes que Israel se torna-se um povo (a citação da figueira ainda no éden). A figueira foi o primeiro fruto a ser mencionado na Bíblia, na história de Adão e Eva (Gênesis 3:6-7). Seu nome no hebraico teenah-teenim (pl.). Nas escavações de Gezer foram encontrados figos secos datando do período neolítico (5.000 AC), cuja localidade se situa nas escarpas ao oeste das montanhas da Judéia. Folhas espalmadas, largas, ásperas ao toque e com nervuras salientes. No outono caem e florescem no inverno no começo da primavera. A figueira tem um lugar proeminente nas escrituras, embora não gozasse de uma alta estima como a oliveira entre as pessoas da Bíblia. Os figos eram comidos frescos nos 2 meses em que as figueiras produziam seus frutos e depois, como secos, proviam alimento; na época a terra não os produzia. O figo é mencionado com o mesmo fôlego da produtiva e valiosa videira, em virtude de suas uvas e do vinho (Joel 2:21-22) “...a vide e a figueira darão a sua força”. Em toda vinha havia uma figueira. A figueira brota em fins de março. Nessa época os ramos são tenros e brotam folhas novas. Exatamente nesta época é que o Senhor, em Marcos 13:28, adverte: “quando o seu ramo se torna tenro e brota as folhas, bem sabeis que está próximo o verão”. Jesus está falando de um tempo definido, o tempo do arrebatamento da Igreja, tomando como imagem a figueira. E Israel como figueira brotou exatamente nesta época do brotar da figueira. No ponto de contato com o velho tronco, ao mesmo tempo com as folhas, nascem pequenos figos, que com um vento forte caem. São os figos apontados em Cantares 2:13. Em Apocalipse 6:13 encontraremos também uma alusão bastante sugestiva aos figos desta época. Os figos desta época são os chamados temporão e as melhores espécies de figos se conservam até à maturidade, que ocorre em junho: esses figos temporãos são muito doces e bons e encontramos muitos dos profetas exaltando a excelência desses figos: Miquéias 7:1 - “Os figos que a sua alma desejou”; - Naum 3:12 compara as fortalezas de Israel à figueira, “cujos figos temporãos, quando sacudidos, caem na boca do que passa”. Jeremias 24:2 fala dos cestos de figos em que os figos bons eram os temporãos; Oséias 9:10 compara Israel como “uvas no deserto”, e a seus pais como “a fruta temporã da figueira no seu princípio”. Os figos tardios brotam lá para agosto nos galhos de cima e nesta época dá -se a segunda grande colheita. Uma ocasião Jesus se aproxima de Betfagé (que significa “casa dos figos”), como ele esperava encontrar ali uma figueira, os figos temporãos ele amaldiçoou a figueira, pois, que nela não havia tais figos. O Senhor anunciava assim um castigo para Israel que não respondeu aos cuidados do vinhateiro. 564
  • 565.
    A sombra dafigueira é de igual modo muito apreciada, suas folhas espalmadas e seus grandiosos galhos, formam uma tela impenetrável e o oriental gosta de ficar debaixo dela para meditar. E foi assim meditando que Jesus viu Natanael debaixo da figueira: “...não te vi eu, estando tu debaixo da figueira?”. 565
  • 566.
    Em Lucas 13:6há outra parábola de Jesus sobre a figueira e a vinha. Jesus estava marcando tempos: “há 3 anos o vinhateiro vinha procurar frutos sem encontrar”. A figueira é símbolo político de Israel, e Israel foi quantas vezes advertido pelos profetas: “Certamente os apanharei, diz o Senhor, já não há uvas na vide, nem irá deles”. (Jeremias 8:13) - “Fez da minha vide uma assolação e tirou a casca da minha figueira; despiu-a toda, e a lançou por terra; os seus sarmentos se embranqueceram”. (Joel 1:7). Vimos então que a época do brotar dos figos começa no fim da primavera, o que ocorre em Israel em fins de maio indo até agosto. Curioso é notar que a figueira, no sentido político de Israel brotou no dia 14 de maio de 1948, próximo do verão, época em que os figuinhos temporãos estão agarrados ao tronco; Israel neste tempo, já cumprida a parábola, frutificará. Lemos em Zacarias 8:13 - “E há de acontecer oh casa de Judá, e oh casa de Israel, que assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis um bênção; não temais, esforcem-se as vossas mãos”. E esta figueira - Israel - tem frutificado e se tornou como o jardim do Éden. Floriu, reverdeceu e Jesus tão ligado à figueira, breve receberá na nuvem que o vimos subir, na mesma nuvem - shechinah - a sua igreja o ouvirá dizer: “sobe para cá”, cumprindo-se assim a Palavra. Jesus está interligado com a figueira. A Palavra diz que no seu tempo, a figueira daria raízes para baixo e fruto para cima. As raízes estendem-se para abaixo indo a Adão e Noé onde o plano de Deus se iniciou - no jardim do Éden. As folhas para cima são o indício de que a figueira está anunciando o grande evento tão esperado desde a antiguidade - o arrebatamento da igreja. No milênio o vinhateiro - o dono da vinha e da figueira - entregará ao seu dono a vinha e a figueira com os seus figuinhos. O espaço que ela ocupou não foi inútil. Diz-se em Israel que como os figos não amadurecem todos a um só tempo, assim foi com o desenvolvimento do povo de Israel. O primeiro a amadurecer foi Abraão. Ainda é dito que a forma da figueira é comparada a Jerusalém e ao povo de Israel. A semelhança decorre do fato de que o tronco da figueira é pequeno, enquanto seus galhos se espalham e formam 566
  • 567.
    um círculo enormeem volta do tronco. De modo semelhante o “tronco” de Jerusalém foi eventualmente cercado por um enorme círculo proveniente da colheita do povo de Israel. Assim, a colheita do figo em Israel, ocorre às vezes duas vezes por ano, em período curto de 2 meses. Naum 3:12 diz que não se trata de árvores tão imponentes como a oliveira nem tão pouco em tempos antigos, mas sem dúvida a figueira é tida como uma das árvores mais renomadas da Bíblia. Há figos bons e figos de figueira brava, como o sicômoro. Os sicômoros são também muito referido na Bíblia. (I Crônicas 27:28; II Crônicas 1:15). Ele difere da figueira em várias maneiras, é sempre verde e tem folhas pequenas sem lóbulos. Cresce abundantemente nos vales mais baixos, provê sombra gostosa ao longo das estradas no climas do Mediterrâneo. Há uma curiosidade quanto aos sicômoros. Amós era boieiro e cultivador de sicômoros e deve ter seguido a prática dos pastores de Tecoa donde ele era, quando à noite vigiava seus rebanhos juntamente com os pastores da área. No fim do seco e quente verão, quando todos os pastos do deserto da Judéia tinham se esgotado, ele movia os seus rebanhos de cabras e ovelha para as planícies do Jordão, no vale de Jericó. Esta é uma área rica em verdes forragens durante todo o período de verão escaldante em Israel. Esta é a estação em que os frutos do sicômoro, verdes, cobrem as pontas dos galhos. Este fruto embriônico tem que ser perfurado (um processo chamado blissá) em hebraico, e esfregado com óleo. Este cuidado era necessário para que o fruto alcançasse um amadurecimento suculento. Hoje, na indústria agrícola de Israel, não é prático investir no trabalho manual, com vistas (pelo processo blissá) a assegurar um colheita de alto nível do fruto do sicômoro, apesar de o fruto não ser apresentado no mercado. A estação adequada para a perfuração do fruto do sicômoro, pelo menos os que crescem no vale de Jericó, se dava por volta da época em que os pastores desciam dos declives desérticos da Judéia e Samaria para o vale. Os rebanhos pastavam no vale, enquanto os pastores se dedicavam a outros trabalhos. O pastor trepava nos amplos galhos dos sicômoros, enquanto vigiavam com os olhos os rebanhos, executavam o monótono serviço de perfuração e oleificação do fruto ainda verde. Os pastores de Betel ficavam nos montes Efraim e Amós nos montes de Tecoa na Judéia. 567
  • 568.
    O figueira bravaou sicômoro também foi objeto de Jesus em suas palavras. Quando ele passava por Jericó, havia uma figueira brava e como que se debruçava por sobre a estrada. Jesus olhando para cima viu a Zaqueu e disse-lhe: “...desce dai para baixo porque hoje me convém pousar em tua casa”. Voltando à figueira há ainda uma curiosidade a ser considerada no calendário de Deus: Da criação do mundo até o nascimento de Abraão se passaram 1948 anos. Do nascimento de Abraão até o estabelecimento do Estado de Israel foram 3.730 anos. Da criação do mundo até o início da era comum, também 3.760 anos. Do começo da Era Comum até o Estado de Israel, 1948 anos. Como que o plano de Deus, em termos de datas, está praticamente cumprido. Só nos resta esperar um pouquinho mais, por um tempinho que não foi revelado. Mas a palavra também diz que: “não passará esta geração sem que estas coisas aconteçam”. Estamos na contagem da geração que tem presenciado o cumprimento das profecias. A C Á C I A Uma outra planta identificada com Jesus é a acácia. Planta típica dos desertos de Israel, especialmente do Arvá e das regiões secas e áridas do Mar Morto. Há vários tipos de acácia. A acácia mais comum cujo nome em hebraico é shittah foi usada na construção do tabernáculo (Êxodo 26:15 - Josué 2:11). O vale de Sitim - no mar Morto -, também é chamado de vale das acácias. A madeira da acácia não é madeira de cetim, como muitos pensam, não se trata de madeira mole, mas de madeira dura, incorruptível, cheia de nós. O vale é que se chama de Sitim, da mesma palavra hebraica Shittim, portanto vale dos Sitim, que é referido na Bíblia 24 vezes, das quais 9 se referem a acácia em si, e outras 5 associadas ao local onde se encontra a acácia (Vale de Sitim). A palavra s itim, shittim significa acácia. A palavra sunt que vem do árabe determina certos tipos de acácia provenientes do Egito, Arábia e sul de Israel. Isaías 41:19 cita a acácia como árvore de sita 568
  • 569.
    (no hebraico shittah).A acácia comum atinge 5 a 8m e é copada na parte superior. Os espinhos longos, brancos e afiados dos galhos são os estípulos das folhas que são divididas em pequenas folhas lisas, oblongas e alipticas. As flores crescem em hastes longas e florescem na primavera ou no fim do verão. Os frutos são cheios de sementes e lisos, caem da árvore e são consumidos por vários animais. Quando se viaja pelo Negueve, Aravá e toda a região do Mar Morto é comum ver-se as acácias. O que chama a atenção na paisagem, especialmente ao longo de todo o Negueve, e no Sinai, são estas árvores retorcidas, pequenas, a maioria, cobertas de pó, secas e pouco copadas, crestadas pelo sol. Esta visão nos leva a identificá -las com Jesus em sua humanidade, nas suas caminhadas ao longo do deserto. Quantas vezes ele também teve seus pés e suas roupas cobertas de pó das regiões secas e quaradas pelo sol, suas difíceis jornadas com o sol a pino, cansado sem ter onde reclinar a cabeça, despojado de si mesmo como a acácia, relegada aos desertos. É assim que vejo estas acácias do deserto, semelhantes a Jesus também retorcido, moído pelas nossas iniqüidades. A acácia foi muito usada no tabernáculo, no Sinai. As barras, as pranchas, a arca, a mesa dos pães da proposição, o altar de incenso e o altar externo. As acácias no Sinai são altas e os filhos de Israel, durante peregrinação no deserto trouxeram madeira de acácia e trabalharam-na para aplicação nos vasos citados. Eram trabalhadas, lixdas para se extraírem os nós que as caracteriza. A acácia é uma espécie de cedro, madeira incorruptível, entre as variedades do cedro a acácia foi escolhida por Deus. Havia acácias em Migdol, Tzabaia e elas eram santificadas, proibidas para uso por causa da santidade da arca. 569
  • 570.
    570 L IN H O A planta do linho pishtah, existem dela 200 espécies. Ela cresce tanto pelas fibras como pelas sementes e é rica em óleo. Biblicamente falando, ela é exclusivamente uma planta de fibra. Seu cultivo data de 5.000 AC nos países do médio-oriente, incluindo a terra de Israel. É uma planta anual. Seus galhos têm folhas longas e estreitas e apresenta flores azuis consistindo de 5 sépalas, 5 estames. O fruto contém muitas semente oleaginosas. As vestes sacerdotais simbolizavam a humanidade de Jesus. Eram de linho fino torcido. Jesus no seu sepultamento foi envolvid