RESUMOS DO XIII ENCONTRO NACIONAL
DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU, IV
ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
FILOSOFIA DA UFU E DO II ENCONTRO DE
PESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO
ISSN 2358-615X Junho de 2019
Volume 13 – número 13 IFILO - UFU
ISSN 2358-615X
Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU,
IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro
de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio
Volume 13 – número 13
Junho de 2019
IFILO – UFU
Organizadores:
Marcos César Seneda
Fernando Tadeu Mondi Galine
Henrique Florentino Faria Custódio
Laís de Oliveira Franco
Lilia Alves de Oliveira
Lucas Guerrezi Derze Marques
Revisores:
Maryane Stella Pinto
Michel Maywald
Pedro Lemgruber Nascimento
Thales Perente de Barros
XIII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU, IV
ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU E DO II ENCONTRO DE
PESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO
O Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia
(UFU) é um evento regular de pesquisa, que visa a fortalecer a inserção regional e nacional da
comunidade filosófica representada pelos grupos e núcleos de pesquisa agregados ao Instituto de
Filosofia (IFILO). O propósito do evento é a intensificação da integração dos estudantes – da
graduação e da pós-graduação – e dos docentes e discentes do Ensino Médio com a comunidade
filosófica nacional. Ao mesmo tempo, o evento pretende atuar decisivamente como fonte de
incentivo para que os estudantes apresentem seus primeiros trabalhos e adquiram, por esse meio,
um pouco da prática da produção de pesquisa especializada. Acentua nossa satisfação, ao organizá-
lo anualmente, o fato de o evento ter se ampliado e se tornado uma mostra significativa do
diversificado e consistente trabalho de pesquisa dos estudantes.
No evento realizado em 2018, nós tivemos a participação de setenta e oito comunicadores e
o envolvimento, como ouvintes, de aproximadamente duzentas e cinquenta pessoas. Neste ano, nós
teremos a décima terceira edição do evento, realização que confirma o compromisso dos estudantes
e do corpo docente do Instituto de Filosofia da UFU com a pesquisa e disseminação do saber
filosófico. Será realizado também, concomitantemente com o XIII Encontro Nacional de Pesquisa
em Filosofia, o IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, que recebeu contribuições
significativas de pesquisadores de diversas universidades nessas suas três primeiras edições. Em
2018 foi ainda realizado o I Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio. Como essa
experiência foi considerada deveras válida, em 2019 decidimos realizar o II Encontro de Pesquisa
em Filosofia no Ensino Médio, com a apresentação de vinte e dois alunos que se prepararam para
participar desse evento. É imensa a nossa satisfação em receber esses alunos no interior do evento
de pesquisa, juntamente com os professores orientadores do Ensino Médio, que já têm coordenado
mesas de apresentações nos anos anteriores. Esperamos, com essa experiência, incentivar a pesquisa
no Ensino Médio, vindo a ampliar e consolidar a presença desses alunos nos próximos eventos.
A conferência de abertura dos eventos deste ano será proferida por Maria Isabel Limongi,
Professora da UFPR, que falará sobre o seguinte tema: “Poder social e autoridade política: sobre o
realismo político de Maquiavel e seu legado (Harrington, Hume e Tocqueville)”. Essa conferência
ocorrerá no dia 04 de junho de 2019 no auditório 5R-C e 5R-D.
O presente caderno, portanto, apresenta o resultado de duas significativas mostras da
pesquisa acadêmica nacional, às quais se soma o trabalho de pesquisa de estudantes do Ensino
Médio, e pretende ser um incentivo para a produção de conhecimento filosófico e um veículo para a
sua divulgação.
ISSN 2358-615X
Comissão Técnico-Científica:
Ana Carolina Gomes Araujo (IFTM)
Ana Gabriela Colantoni (UFG)
César Fernando Meurer (PNPD/Filosofia – UFU)
Dirceu Fernando Ferreira (IFTM)
Evânio Márlon Guerrezi (UNIOESTE)
Fillipa Carneiro Silveira (UFU)
Helio Ázara de Oliveira (UFCG)
Igor Silva Alves (UFU)
Lucas Nogueira Borges (UFU)
Marcos César Seneda (UFU)
Marcio Tadeu Girotti (FATECE)
Paulo Irineu Barreto Fernandes (IFTM)
Comissão Técnica - Ensino Médio
Adriano Geraldo Pinto (E.E.F.E.P.)
Antônio F. Marques Neto (E.E.B.B.)
Gustavo Rodrigues Rosato(E.E.F.A.C.)
Hênia Laura F. Duarte (E.E.R.S. e E.E.S.J.T.- Araguari)
Maria de Lourdes Seneda (E.E.P.A.L.B.)
Paulo Irineu B. Fernandes (I.F.T.M.)
Serginei V. Jerônimo (E.E.P.J.I.S.)
Silvana Damasceno Costa (E.E.J.R.)
Periodicidade: Anual
INSTITUTO DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE UBERLÂNDIA (IFILO – UFU)
Campus Santa Mônica - Bloco 1U - Sala 125
Av. João Naves de Ávila, 2.121 - Bairro Santa Mônica
Uberlândia - MG - CEP 38408-100
Telefone: (55) 34 3239-4185
http://www.ifilo.ufu.br/
Sumário
II ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO
Alexandre Sidnei Santos Silveira...........................................................................................13
Ana Laura de Freitas Nascimento ..........................................................................................14
Ana Luiza de Freitas Nascimento ..........................................................................................15
André Luiz Vicente Silva .......................................................................................................16
Anna Luisa Pereira Fonseca...................................................................................................17
Kauanne Rodrigues Flores Mendes........................................................................................17
Daniel Henrique Fagundes Santos .........................................................................................18
Éviny Bernardes Barbosa.......................................................................................................19
Geovana Ferreira Borges Rodrigues ......................................................................................20
Igor Kauã Alberto Alexandre .................................................................................................21
João Lucas Vieira Nunes........................................................................................................22
José Pedro Campelo Neto ......................................................................................................23
Júlia Reis Novaes Silva..........................................................................................................24
Lorraynne Garcez Pinheiro Leal ............................................................................................25
Lucas Gustavo Terêncio Araújo .............................................................................................26
Marcus Vinícius Torres Silva .................................................................................................26
Luiza de Moura Castro...........................................................................................................27
Marianna Wagatsuma Eduardo ..............................................................................................28
Natália Martins Arantes de Araújo.........................................................................................29
Patrick Mendes Silva..............................................................................................................30
Robson Matheus Santos de Oliveira ......................................................................................31
Vinícius Oliveira Magalhães ..................................................................................................32
XIII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU
Adrian Castro Azevedo ..........................................................................................................34
Alan Barbosa Guimarães........................................................................................................35
Alberto Yuri Santos Peixoto...................................................................................................36
Aline Danielle Ferreira...........................................................................................................37
Alysson Lein ..........................................................................................................................38
André Luis Lindquist Figueredo ............................................................................................39
Andrey Augusto Fonseca Farias.............................................................................................40
Andrey Fonseca Andrade .......................................................................................................41
Ângelo Gabriel de Brito de Oliveira ......................................................................................42
Barbara Leandra porto Mota ..................................................................................................43
Bárbara Raffaelle Carvalho Santos ........................................................................................44
Belchior Alves da Silva..........................................................................................................45
Bruna Alexsandra Assis de Araújo.........................................................................................46
Bruno Belém ..........................................................................................................................47
Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira............................................................................................48
Bruno César Cunha Cruz........................................................................................................49
Bruno de Novais Oliveira.......................................................................................................50
Clarice Melo Stabenow ..........................................................................................................51
Cláudio de Souza Menezes Júnior .........................................................................................52
Daniel Alves Rodrigues..........................................................................................................53
Danival Lucas da Silva...........................................................................................................54
Dener de Souza Borges ..........................................................................................................55
Diego de Carvalho Sanches....................................................................................................56
Edon Teixeira de Castro .........................................................................................................57
Fabiana Carolina Dias ............................................................................................................58
Gabriel Lima Silva .................................................................................................................59
Gabriela Peixoto Oliveira Barbosa.........................................................................................60
Gabrielle Fernandes Martins..................................................................................................61
Gabryella Couto Ferreira Pacheco .........................................................................................62
Gessé Miranda Celestino dos Santos .....................................................................................63
Giovana Andrade Zanotto ......................................................................................................64
Gleusson Alves Neves Junior.................................................................................................65
Guilherme Carmona Rezende Silva.......................................................................................66
Helton Lima Soares................................................................................................................67
Ian Abrahão Oliveira ..............................................................................................................68
Ian Ademir Rego Gomes........................................................................................................69
Israel Henrique Cavalcante Mendonça ..................................................................................70
Ítalo Pereira do Prado.............................................................................................................71
Ival de Andrade Picanço Neto................................................................................................72
Jefferson Borges Ferreira .......................................................................................................73
Jessica Thainá Ribeiro Viana .................................................................................................74
João Gabriel Moraes De Souza..............................................................................................75
Jorge Luís da Silva .................................................................................................................76
José Carlos Marra...................................................................................................................77
Laís de Oliveira Franco..........................................................................................................78
Leonardo Yuri da Cruz Brandão.............................................................................................79
Letícia Palazzo Rodrigues......................................................................................................80
Lorena Moreira Pinto .............................................................................................................81
Luã Mateus Rocha Gonçalves................................................................................................82
Luana Chuq de Jesus..............................................................................................................83
Lucas Cabral Ferraz de Lima .................................................................................................84
Lucas Guerrezi Derze Marques..............................................................................................85
Lucas Hernandes de Almeida.................................................................................................86
Lucas Igreja Pereira................................................................................................................87
Lucca Fernandes Barroso.......................................................................................................88
Ketlin da Silva Gonçalves......................................................................................................89
Malu Marinho da Silva...........................................................................................................90
Maria Clara Alves Cabral.......................................................................................................91
Marina Barbosa Sá .................................................................................................................92
Michel Pinheiro de Siqueira Maywald...................................................................................93
Nelson Perez de Oliveira Junior.............................................................................................94
Nhadilla Gomes de Caldas Silva............................................................................................95
Nicolle Ferreira da Silva ........................................................................................................96
Olívia Lagua de Oliveira Bellas Fernandes............................................................................97
Paulo Vitor Pinho de Siqueira ................................................................................................98
Paulo Vitor De Souza Queiroz ...............................................................................................99
Pedro Lemgruber Nascimento..............................................................................................100
Pedro Marques Cintra...........................................................................................................101
Públio Dezopa Parreira.........................................................................................................102
Rafael Batista Lopes de Oliveira..........................................................................................103
Rafael Miranda Gonçalves...................................................................................................104
Raphael Souza Borges Junior...............................................................................................105
Rodrigo Ferreira Andrade.....................................................................................................106
Sabrina de Cássia Alencar Gonçalves ..................................................................................107
Shayane Vitoria Silva...........................................................................................................108
Stefany Caroline Pantoja Amorim........................................................................................109
Stieven Max dos Santos Nascimento ...................................................................................110
Suellen Lima ........................................................................................................................ 111
Taila de Abreu Ribeiro .........................................................................................................112
Victor Hugo Amaro Moraes de Lima...................................................................................113
Victor Lucas Caixeta ............................................................................................................114
Vinicius Henrique Silva Franco ...........................................................................................115
Vinicius Williams Silva........................................................................................................116
Vitor Hugo Rebelo da Silva .................................................................................................117
Yohan Brendo Nunes de Albuquerque .................................................................................118
IV ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU
Ana Lúcia Feliciano .............................................................................................................120
Anderson Alves Esteves.......................................................................................................121
Arthur Falco de Lima ...........................................................................................................122
Breno Machado Viegas ........................................................................................................123
Breno Tannús Jacob..............................................................................................................124
Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira..........................................................................................125
Carlos Eduardo Nicodemos..................................................................................................126
Cristiano Rodrigues Peixoto ................................................................................................127
Dayana Ferreira de Sousa.....................................................................................................128
Diego de Souza Avendano....................................................................................................129
Douglas de Melo Ferreira Torquato .....................................................................................130
Eduardo Leite Neto ..............................................................................................................131
Elizaura Maria Alves da Silva Rihbane................................................................................132
Fabio Julio Fernandes...........................................................................................................133
Fernando Tadeu Mondi Galine.............................................................................................134
Flávio Vieira Curvello..........................................................................................................135
Henrique Florentino Faria Custódio.....................................................................................136
Juliana Paola Diaz Quintero.................................................................................................137
Luciano Gomes Brazil..........................................................................................................138
Marco Aurélio Martins Rodrigues........................................................................................139
Mauro Sérgio Santos da Silva ..............................................................................................140
Rosana Rodrigues de Oliveira..............................................................................................141
Samantha Lau Ferreira Almeida Faiola................................................................................142
Maurício Fernando Pitta.......................................................................................................143
Pierre Tramontini..................................................................................................................144
Vítor Hugo dos Reis Costa...................................................................................................145
João Batista Freire................................................................................................................146
Fabiense Pereira Romão.......................................................................................................147
Felipe Ribeiro.......................................................................................................................148
Gesiel Borges da Silva .........................................................................................................149
José Carlos Souza Ferreira...................................................................................................150
Henia Laura de Freitas Duarte .............................................................................................151
Lorena Fernandes Magalhães...............................................................................................152
Luiza Tornelli Aguiar ...........................................................................................................153
Marcelo Rosa Vieira.............................................................................................................154
Marco Tulio Cunha Vilela....................................................................................................155
Maryane Stella Pinto ............................................................................................................156
Natália Amorim do Carmo...................................................................................................157
Pablo Henrique Santos Figueiredo.......................................................................................158
Philippe Vieira Torres dos Santos ........................................................................................159
Suellen Caroline Teixeira .....................................................................................................160
Yasmim Sócrates do Nascimento.........................................................................................161
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙
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II ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙
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A filosofia apresentada pela cultura pop
Alexandre Sidnei Santos Silveira (Escola Estadual Frei Egídio Parisi)
Orientador: Adriano Geraldo Pinto
Durante a juventude, alguns podem desenvolver um sentimento de dúvida e confusão que já
não existiam desde a infância. Alguém nessa fase, que se afunda em questionamentos sobre seu
meio e existência pode, eventualmente, envelhecer, conformando e desviando-se de tais
pensamentos. Então, tornam-se adultos vazios das dúvidas e de suas repostas. Há, por outro lado,
aqueles que acabam por encontrar alívio nas respostas em um lugar: a filosofia. A filosofia é um
estudo que esclarece e organiza, de forma racional, tudo aquilo que nos envolve. Contudo, como
pode ser introduzida para pessoas em um período tão hiperativo e apático que é a adolescência? A
educação do ensino médio vem tentando fazê-la e consegue. Ainda assim, há aqueles alunos que
não desenvolvem interesse pela matéria ou aqueles que simplesmente decoram para prova e depois
esquecem. Talvez, o modelo antiquado de educação não consiga transmitir tudo o que a filosofia
tem a oferecer, pelo menos não de forma "interessante". Ao mesmo tempo, não é difícil perceber o
interesse da juventude em conteúdos com possíveis cargas filosóficas, como filmes, séries, jogos etc.
Muitas dessas obras possuem conteúdos filosóficos que podem ser introduzidos de forma lúdica e
interessante.
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da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙
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Sartre e as escolhas na perspectiva dos RPG's
Ana Laura de Freitas Nascimento (Escola Estadual Frei Egídio Parisi)
Orientador: Adriano Geraldo Pinto
A liberdade foi teorizada de diversas maneiras ao longo da história da filosofia, este trabalho
pretende discutir o conceito de liberdade em Sartre que está diretamente ligado às escolhas. Porém,
a concepção de liberdade do filósofo difere do senso comum que pensa a liberdade de maneira
ilimitada. As escolhas nas reflexões de Sartre possuem uma limitação, pois, existem interferências e
obstáculos nas nossas escolhas que independem de nós. Apesar disso, há ainda escolha e liberdade,
porque, ainda que haja um número possível de decisões, algo será escolhido. Com isso, faremos
uma relação entre a filosofia de Sartre e os famosos RPG’s ou Role-playing game, que são jogos
onde nos dão liberdade para escolher ou talvez um livre-árbitrio. Utilizaremos aqui o jogo Detroit
Become Human, desenvolvido pela Quantic, um jogo de ação e aventura, onde suas escolhas são
cruciais, até a escolha de uma simples bandeira pode mudar o rumo da história, no desenrolar do
game as escolhas vão ficando cada vez mais difíceis, cada vez ficamos mais próximos da liberdade.
Mostraremos aqui como o conceito de liberdade da filosofia existencialista presentes nas obras de
Sartre está presente nesses jogos.
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Aristóteles e a sua visão sobre a Katharsis na Arte
Ana Luiza de Freitas Nascimento (Escola Estadual Frei Egídio Parisi)
Orientador: Adriano Geraldo Pinto
Neste trabalho apresentaremos uma discussão que aparece desde os filósofos clássicos sobre
o que seria a katharsis e como ela pode interferir na consciência do ser humano por meio da arte.
Muitos filósofos, como Platão, tinham opiniões desfavoráveis sobre a arte ou mímeses, imitações
como eram chamadas as artes tanto representativas da tragédia e comédia da época, como também a
poesia, esculturas entre outros, considerando-a algo falso que corrompia a sociedade grega. Para
alguns filósofos as pessoas agiam sob influência dessas imitações, ou seja, muitas pessoas eram
induzidas pela arte, mesmo que esta fosse imoral e violenta. Contrariando as ideias desses filósofos,
Aristóteles não era tão pessimista em relação à mimese, o filósofo considerava a arte mais forte até
mesmo que a história, onde a primeira não tem delimitações de possibilidades. Segundo Aristóteles,
ao assistir uma tragédia somos afetados por sentimentos que podem ser positivos ou negativos.
Portanto, através da compaixão e do temor passamos por uma espécie de “purificação”, não só da
alma, mas também do corpo. Aqui elucidaremos os conceitos de mímese e catarse na filosofia
aristotélica, com o objetivo de mostrar a importância da arte na vida humana, para isso utilizaremos
a obra Poética de Aristóteles.
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Inteligência Artificial e a Filosofia da Mente: Muito mais que Robôs
André Luiz Vicente Silva (IFTM)
Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes
Este trabalho apresenta resultados de uma pesquisa sobre Filosofia da Mente e Automação,
com destaque para Inteligência Artificial, Robótica, Lógica (Portas Digitais) e Cognição, a partir do
seguinte problema: desde as primeiras experiências com automação e inteligência artificial,
filósofos, entendidos como teóricos, e cientistas, entendidos como práticos, enfrentam dificuldades
no desenvolvimento de modelos autônomos em relação ao pensamento e à decisão, propondo a
questão: “máquinas podem pensar?”. Porém, o ser humano, em condições razoáveis, pode tomar
decisões autônomas, de pensamento e ação. Que condições presentes nos humanos os tornam
especiais em relação aos autômatos e como a cognição humana pode servir de parâmetro para
máquinas, robôs e modelos de automação? A pesquisa demonstrou que a inteligência do ser humano
se dá na sua capacidade de aprender, levando em consideração as experiências passadas e
informações sobre o seu contexto social, tomando decisões coerentes e levando em conta seu lado
irracional, o que nos leva a estudos sobre a singularidade do indivíduo. Nos desdobramentos do
pensamento e do raciocínio lógico se encontram, também, questões mais profundas, como:
“Máquinas têm sentimentos?” ou “Máquinas identificam mais que padrões?”. São perguntas que
aproximam mais a Filosofia da Mente e a Inteligência Artificial, entrelaçando-as em um estudo
comum.
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17
Filosofia da Mente e Inteligência Artificial: Os Humanos e o medo do domínio
das máquinas
Anna Luisa Pereira Fonseca (IFTM); e
Kauanne Rodrigues Flores Mendes (IFTM)
Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes
Este trabalho apresenta uma relação entre Filosofia e Inteligência Artificial, e propõe a
questão: “os humanos temem um possível domínio das máquinas?”. Mais do que responder, o
trabalho procura estudar a maneira como esse sentimento aparece em diferentes formas de
expressão humanas, como literatura, filosofia e ficção científica. Uma evidência desse temor está na
formulação das “três leis da robótica”, no livro “Eu, Robô”, de I. Asimov, cujo objetivo é promover
uma convivência pacífica entre humanos e máquinas: 1) um robô não pode ferir um humano ou
permitir que um humano sofra algum mal; 2) os robôs devem obedecer às ordens dos humanos,
exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei; 3) um robô deve
proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores. Outra
evidência do medo do domínio das máquinas pode ser encontrada em obras como Matrix e 2001,
nos quais os humanos são controlados ou ameaçados por suas criações. Como a Filosofia nos
auxiliou nessa pesquisa? As inferências iniciais conduzem à seguinte reflexão: o medo do domínio
das máquinas é um desdobramento do medo do desconhecido e também um reflexo do
desconhecimento de si mesmo.
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A relação do imperativo categórico de Kant e a cultura da corrupção no Brasil
Daniel Henrique Fagundes Santos (Escola Estadual Messias Pedreiro)
Este trabalho tem como objetivo relacionar o “Imperativo Categórico” exposto na “Crítica
da Razão Prática” de Kant e a cultura de corrupção que perpassa a política brasileira. O autor
aborda na obra citada uma relação entre o agir moral e uma lei universal que o orienta. Tal lei diz
que toda ação moral deve ser capaz de ser universalizada, ou seja, qualquer outro ser humano, em
qualquer outro lugar, nas mesmas circunstâncias, pode tomar uma mesma ação. Nesse sentido,
podemos fazer uma ligação com a cultura de corrupção no Brasil, que vai além, podemos dizer, dos
prédios de governo. Muitas vezes, desconsideramos os delitos individuais e dizemos que a
corrupção é restrita aos nossos representantes políticos. A partir da compressão da ética kantiana,
podemos notar que os problemas no agir moral se estendem ao povo também, daí a noção de
“cultura da corrupção”. Se as ações individuais não se orientam de acordo com a lei universal
kantiana, é evidente que isso se reflete no campo da política também. Ou seja, todo agir moral deve
ser capaz de ser universalizado e, portanto, as ações de toda a população devem ser levadas em
consideração.
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Meio ambiente
Éviny Bernardes Barbosa (Escola Estadual Frei Egídio Parisi)
Orientador: Adriano Geraldo Pinto
Neste trabalho mostraremos a importância do meio ambiente em nossas vidas e
correlacionaremos com o pensamento do filósofo Baruch Espinosa. Em sua teoria monista ele
afirma que tudo é constituído da mesma substância, assim, absolutamente tudo é natureza,
igualando também seu significado de Deus à natureza imanente. Faremos um paralelo desse
monismo com o descaso do ser humano que se enxerga separado da natureza e o descaso ecológico
nos dias atuais. Na atualidade há pouco cuidado com o meio-ambiente, problemas como o
desmatamento e a poluição são agravantes, apesar de nossa sobrevivência depender do oxigênio
proveniente da fotossíntese das plantas e a água constituir 75% do nosso corpo, a sociedade de
consumo que vivemos não é sustentável. O objetivo deste trabalho é uma possível relação entre o
monismo espinosiano e o cuidado com o meio ambiente, essa associação é possível já que ao
igualar a natureza ao todo e a Deus, o ser humano é também essa natureza imanente e ao destruir o
mundo à nossa volta essa destruição se volta para nossa existência. A partir disso, suscitaremos a
importância de uma mudança nas nossas ações para com a natureza.
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
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20
A morte na visão filosófica socrático-platônica
Geovana Ferreira Borges Rodrigues (Escola Estadual Frei Egídio Parisi)
Orientador: Adriano Geraldo Pinto
O trabalho propõe demostrar a morte e suas concepções na visão socrático-platônica, na qual
a morte é um alicerce, pois, permite a ruptura do ser matéria para a conquista do conhecimento
genuíno e liberto na sua forma mais autêntica presente na alma. No mundo físico a alma está
constantemente inquieta e agitada por estar sempre ligada ao corpo e aos bens materiais, mas
quando vincula a si no ato mais puro, vão-se as angústias, e o espírito conquista a sabedoria. Em
Apologia de Sócrates, de autoria de Platão, é suscitada por Sócrates a questão de uma vida sem
filosofia, nesse ponto o mesmo demonstra que é preferível a morte a viver sem pensamentos
reflexivos. Assim, surge um questionamento na defesa socrática que será o objetivo desse trabalho:
seria a morte o maior dos bens? A resposta a essa pergunta será uma relação feita entre a morte e a
imortalidade da alma presente em Fédon de Platão. Com isso, apontaremos possíveis reflexões
sobre autoconhecimento presente na frase “Conhece-te a ti mesmo” e o filosofar para a morte, uma
vez que a filosofia socrático-platônica prioriza a alma e não a vida físico-corporal.
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙
21
Possibilidades e limites do conhecimento humano
Igor Kauã Alberto Alexandre (Escola Estadual São Judas Tadeu)
Orientadora: Henia Laura de Freitas Duarte
O objetivo deste trabalho é mostrar a preocupação da filosofia com o problema do
conhecimento. Desde o início da Filosofia, a preocupação com o conhecimento foi constante, tanto
que desde Demócrito, que desenvolveu uma teoria sobre o ser ou sobre a natureza, o conhecimento
está presente. E, por esse motivo, funda-se uma Teoria do Conhecimento; isso é, uma construção
intelectual para explicar o conhecimento. Neste trabalho iremos comparar a teoria do conhecimento
de Locke e a de Descartes. A dúvida cartesiana radical leva inicialmente à negação da existência dos
corpos e a elaboração da primeira certeza: a existência do eu ou da res cogitans – “Penso, logo
existo”. Era com ela que Descartes pretendia construir as bases do conhecimento seguro. Locke, por
sua vez, se apoiava na existência das coisas exteriores aos seres humanos, evidenciada pelo fato de
elas os afetarem, causando-lhes ideias. Posto isso, responderemos as seguintes questões: Quais são
as possibilidades e os limites do conhecimento humano? De que certeza podemos partir para
iniciarmos uma investigação científica? Seria possível o conhecimento adquirido pelos sentidos ser
considerado verdadeiro?
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
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22
“Virtù” e “Fortuna”: a importância destes conceitos na filosofia política maquiaveliana
João Lucas Vieira Nunes (Escola Estadual Felisberto Alves Carrijo)
Orientadora: Laís Oliveira Rios, Gustavo Rodrigues Rosato
O objetivo deste trabalho é, em primeiro lugar, explicitar os conceitos de “Fortuna” e
“Virtú”, utilizados pelo filósofo italiano do século XV, Nicolau Maquiavel, em sua obra O Príncipe,
publicada em 1531. Segundo o filósofo, “Fortuna” é o destino, ou seja, o curso dos acontecimentos
e, em contraposição, ele emprega o conceito de “Virtú”. “Virtù” pode ser entendida em dois
sentidos, em primeiro simplesmente como uma habilidade natural que pode ser empregada de modo
geral para lidar com o destino, mas também como “Virtú” política, que é a habilidade necessária ao
príncipe para dominar sua “Fortuna” e pode ser compreendida como um complexo de força,
vontade e astúcia usado com o intuito de manter a situação sempre a seu favor para garantir a
permanência Estado. Após a explicitação destes conceitos, eles serão utilizados para que seja
possível a compreensão da postura que o filósofo considera adequada para o príncipe, meio
necessário para a realização do ideal político maquiaveliano que, por fatores históricos apresentados
pelo autor, se baseia na república romana e almeja liberdade, a manutenção dos bons costumes e,
por fim, o objetivo de garantir permanência do Estado.
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A Defesa de Sócrates
José Pedro Campelo Neto (Escola Estadual Bueno Brandão)
Orientador: Antônio Marques
O objetivo principal desta comunicação é analisar as circunstâncias que levou Sócrates ao
julgamento. Ele foi um dos principais filósofos que já existiu, e com sua sabedoria trouxe ao mundo
um novo modo de conhecer. Iremos estudar como foi o processo de seu julgamento e entender a
razão pela qual Sócrates não aceitou um advogado. Durante esse desenvolvimento, faremos
observações sobre o método de sua defesa, e como o filósofo confrontou seus acusadores.
Verificaremos também se foi usada a ironia, maiêutica e aporia, que são características de sua
filosofia para o autoconhecimento. Iremos concluir esta comunicação analisando as consequências
da sua escolha em ser o seu próprio defensor. Como o julgamento afetou aos cidadãos que estavam
acompanhando, qual eram suas reações. Se houve manifestações de apoio ou repulsa por alguém da
platéia ao ser deferida a sua sentença. E por fim a decisão de Sócrates diante a sua sentença, além
de uma análise do seu discurso.
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Santo Agostinho e a busca pela felicidade
Júlia Reis Novaes Silva (Escola Estadual Frei Egídio Parisi)
Orientador: Adriano Geraldo Pinto
Neste trabalho buscamos a relação entre a filosofia cristã e a felicidade, este foi baseado na
obra Confissões de Santo Agostinho, filósofo da época Medieval da fase conhecida como Patrística.
Para o filosofo, a motivação de filosofar é encontrar a felicidade e transcender seus próprios limites.
Em questão, a filosofia não é considerada uma disciplina prática para os problemas do mundo, mas
sobre a procura humana pela beatitude, pois a felicidade que se busca em sua teoria é eterna e
proveniente das coisas divinas. Sobre a beatitude, ela é encontrada nas sagradas escrituras como ato
de fé. Portanto, há um embate entre fé e razão, Agostinho tenta conciliar as duas, porém, a fé é
sempre superior à razão e a última serviria somente como auxiliar na busca pelas verdades eternas
da alma. O ensinamento sobre a fé tem obstáculos como a verdade e razão (a filosofia), isto é, ainda
que a fé não possa ser demonstrada, pode ser explicada pelo crer, tarefa que cabe á razão. O
objetivo desse trabalho então é explicar a concepção de felicidade através da beatitude no
pensamento cristão e distingui-la da felicidade passageira do corpo a partir da leitura das reflexões
de Santo Agostinho.
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FILO (AMOR)
Lorraynne Garcez Pinheiro Leal (Escola Estadual Bueno Brandão)
Orientador: Antônio Marques
Nesta apresentação tenho a satisfação e o foco de lhes mostrar um pouco sobre FILO que
traremos aqui no sentido de amor, hoje, usamos a palavra amor para demonstrar o nosso afeto pela
namorada (o), pelo amigo, parente, etc. O amor é o combustível que alimenta a alma humana.
Nascemos para amar e ser amados. Não apenas no sentido romântico, pois existem basicamente três
tipos de amor: FILÉO, EROS e ÁGAPE. Ao decorrer do texto tenho como objetivo explicar cada
um desses tipos de amor, trazer alguns ensinamentos a respeito e falar um pouco do livro “Pra Lá do
Fim do Mundo" de Larry McMurtry, um livro onde diz muito mais do que sobre o amor de um
homem e uma mulher, a autora retrata a respeito de diferentes tipos de paixões: pelos amigos, pelo
trabalho, pela vida. Pois afinal de contas, é possível se apaixonar diariamente por quem somos, pelo
que fazemos, por amigos, colegas, pelo (a) crush da escola e assim por diante e não sinta a
obrigação de se apaixonar por ninguém, pois ela não existe, trago em mente o objetivo de fazê-los
com que se sintam livres para amarem quem quiser a hora e quando desejarem.
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Infinite Regression: O Problema Ontológico em Platão e os conceitos de Corpo e Alma, a
partir da análise de uma obra de ficção
Lucas Gustavo Terêncio Araújo (IFTM)
Marcus Vinícius Torres Silva (IFTM)
Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes
O objetivo deste trabalho é apresentar os primeiros resultados de uma pesquisa realizada em
duas partes. 1) O estudo da relação entre os conceitos de corpo de alma, em Platão, com os termos
hardware e software, na computação. Para Platão, o corpo é a prisão da alma. A alma, por sua vez,
contém o verdadeiro conhecimento. Hoje, tais conceitos de corpo e alma admitem uma comparação
com os conceitos de hardware e software, na computação. Pois o hardware é o corpo de uma
máquina, responsável pela sua estrutura concreta; e o software é a parte lógica, cuja função é enviar
instruções. 2) A análise do filme Infinite Regression [WoW, 2010], como exemplo de aplicação, no
campo da arte audiovisual, das ideias desenvolvidas originariamente por Platão, mas que encontram
repercussão nas indagações ontológicas da atualidade, sobre a natureza e o estatuto da realidade. O
filme propõe a hipótese de que uma realidade pode ser elaborada eletronicamente e que seria
possível tomar por real um mundo, do ponto de vista ontológico, não necessariamente real, mas
logicamente verossímil. Conclui-se que, mesmo nessas circunstâncias, o ato do pensar autônomo
seria o legítimo exercício de aproximação da realidade, que supera os enganos dos sentidos.
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Hobbes e Foucault: a coerção como tecnologia social
Luiza de Moura Castro (Escola Estadual José Ignácio de Sousa)
Orientador: Serginei Vasconcelos
A desconfiança que os homens têm uns dos outros, juntamente com a competição e a glória,
são as causas da discórdia, que levam à guerra. A desconfiança leva os homens a atacar primeiro
com medo de serem atacados, e juntamente com a competição e a glória são as causas da discórdia,
que levam à guerra. Isso nos leva à defesa de Hobbes de um contrato em que todos os direitos são
transferidos ao soberano e este detém o poder de fazer as leis. Porém, mesmo estabelecendo tal
contrato, é preciso da espada, isto é, da força, que certifica que essas leis serão cumpridas, já que,
segundo ele: “Pactos, não passando de palavras e vento, não têm força para obrigar, dominar,
constranger ou proteger ninguém, a não ser a que deriva da espada pública”. Do contrário voltariam
ao estado de guerra, “se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança,
cada um confiará apenas em sua própria força como proteção contra todos os outros”.
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A política desenvolvida na Grecia antiga e a política desenvolvida no Brasil
Marianna Wagatsuma Eduardo (Escola Estadual Frei Egídio Parisi)
Orientador: Adriano Geraldo Pinto
O presente trabalho tem por finalidade estabelecer uma relação entre a democracia direta
praticada na Grécia Antiga e a democracia indireta desenvolvida nos dias atuais no Brasil,
abordando a contribuição dos sofistas para os debates e o uso da razão. Os sofistas defendiam uma
certa forma de relativismo, quer seja, não possuíam compromisso com a verdade absoluta, de modo
que as circunstâncias do momento eram que determinavam esta ou aquela verdade. Eram
conhecidos como “prostitutos do saber”, pois percorriam as cidades gregas vendendo seus
ensinamentos. Utilizavam a exposição ou monólogo como método de ensino aos interessados. O
principal objetivo desses ensinamentos era desenvolver em seus alunos as habilidades da retórica e
da oratória, a fim de possibilitar sucesso nas discussões. Na Grécia Antiga, utilizava-se a razão
como instrumento para tentar resolver questões políticas e sociais da Polis. As discussões e debates
eram realizadas em praça pública, a Ágora, local este em que apenas uma pequena parte da
população tinha o direito de participar. A democracia na Polis Grega era exercida de forma direta,
ao passo que nos dias atuais a democracia é exercida indiretamente, por representatividade, de
modo que a população elege seus representes por meio do voto.
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Julgamento Moral na Cultura Pop
Natália Martins Arantes de Araújo (Escola Estadual José Ignácio de Sousa)
Orientador: Serginei Vasconcelos
A cada dia a sociedade é apresentada a novos modelos de cidadãos perfeitos, os famosos
heróis. Esses heróis agem de maneira exemplar em qualquer que seja a situação, isso com o objetivo
de inspirar os leitores a seguirem os seus pensamentos morais. Mas quem julga se as ações desses
personagens são eticamente certas ou erradas? Com que base um indivíduo pode julgar a ação do
próximo como “certa” ou “errada”? O princípio base da teoria ética de Peter Singer consiste no fato
de as pessoas deverem considerar os interesses de todos os que estão/ serão envolvidos pelas suas
ações morais, sendo que os interesses de todos devem ser igualmente respeitados. A universalização
é a exigência de desconsiderar somente os números e se colocar no local do próximo, e levar em
conta seus interesses, desejos e ideais. Ao vincular a universalização ao princípio de igualdade de
consideração ele estabelece a base de sua teoria. Mas a pergunta é: esta ética funciona?
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Apolo e Dionísio: a dualidade humana em Nietzsche
Patrick Mendes Silva (Escola Estadual Felisberto Alves Carrijo)
Orientadoras: Laís Franco; Letícia Palazzo, Gabrielle Fernandes, Gustavo Rodrigues Rosato
Friedrich Nietzsche foi um importante filósofo e filólogo alemão. Sua primeira obra foi “O
Nascimento da Tragédia”, publicada em 1872, em qual ele propõe uma tese estética que se baseia
nas características de dois deuses gregos: Apolo e Dionísio. Ele desenvolve os conceitos de
apolíneo e dionisíaco, que pretendemos explicar nesta comunicação. O objetivo deste trabalho é
demonstrar que Nietzsche utiliza esses conceitos para entender que o homem possui internamente
uma disputa amigável entre esses dois lados fundamentais e ativos, ao contrário da dicotomia cristã,
influenciada pelo pensamento platônico do mundo sensível e inteligível, entre o deus perfeito e os
humanos pecadores. Tal dicotomia acaba por causar uma profunda infelicidade nos humanos, visto
que estão negando parte da sua dualidade, a desordem ou dionisíaca, para almejar apenas a ordem,
ou apolínea. Nietzsche nos diz também que caso ocorra o contrário, a valorização apenas do
dionisíaco, os humanos ficariam infelizes da mesma forma. O modo ideal de vivermos, para
Nietzsche, seria rejeitar todas as regras impostas por religiões, especialmente as do cristianismo,
para estarmos em harmonia com a ordem e com a desordem que habita em cada um de nós.
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Não à Escola Sem Partido
Robson Matheus Santos de Oliveira (Escola Estadual João Rezende)
Orientadora: Silvana Damasceno Costa
O projeto de lei “Escola sem partido” tem como objetivo principal, de acordo com as
pesquisas que realizei, de informar e conscientizar os alunos de seus direitos, inclusive os que
correspondem aos deveres do professor. Porém essa ideia não corresponde ao objetivo central desse
projeto de lei, nem mesmo à sua aplicação, pois primeiramente era só conscientizar, agora passou a
ser uma perseguição ao professor e uma limitação à sua forma de ensinar e formar o conhecimento
dos alunos. Para fazer uma crítica a este meio de negação do conhecimento, usarei de duas grandes
filosofias que são: a platônica e a kantiana. Usando as teorias filosóficas de Kant sobre sensibilidade,
entendimento e ética, demonstrarei que o significado de Estado Laico é pluralidade e respeito a
todos, não uma imparcialidade do professor dentro de sala de aula, e com o mito platônico da
caverna vou mostrar que eles estão nos dando uma visão somente da sombra da “coisa”, e na
verdade o que essa “coisa” é está bem distante da sombra mostrada por eles.
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Sobre Filosofia e Arte, Espanto e Beleza: Uma Introdução
Vinícius Oliveira Magalhães (IFTM)
Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes
Este trabalho apresenta uma reflexão sobre a presença da Filosofia nas manifestações
artísticas em diferentes períodos do desenvolvimento da nossa cultura. A hipótese é: arte e filosofia
se encontram no conceito de beleza e se desenvolvem juntas, embora de maneira nem sempre
dependente uma da outra. A arte ajuda a compor nossa sociedade, entender o passado e
proporcionar novas experiências, em suas distintas aplicações, que fornecem interpretações,
experiências, formas e fins diferentes para cada época, envolvendo dimensões do comportamento
humano, como afetividade, pensamento, criatividade e constituição física e mental. Se, em Platão, a
arte era considerada cópia (mimesis) da cópia de um mundo ideal, em Aristóteles, as manifestações
artísticas passam a ter o poder de ensinar a virtude. No período medieval, por sua vez, as
manifestações artísticas, em sua maioria, expressam a relação com a divindade. A modernidade
proporcionou maior liberdade às manifestações artísticas, na forma de autonomia e, a partir do
Século XX, expressa em movimentos como o surrealismo e na massificação do produto artístico,
como o cinema e a música popular. As inferências iniciais deste trabalho conduzem à seguinte
reflexão: assim como a filosofia nasce do espanto, a arte renova incessantemente, em nós, esse
mesmo espanto.
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XIII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU
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Razão & Isonomia & Isocrácia: As influências dos ideais políticos na filosofia grega
Adrian Castro Azevedo (UFPA)
Orientador: Celso Oliveira Vieira
Tomo como suporte as ideias divulgadas nos livros "A Origem do Pensamento Grego" de
Jean Pierre Vernant e nos primeiros volumes de "História da Grécia" de George Grote, obras que
buscam explanar o contexto histórico e social da Grécia antiga, desde sua era de bronze até meados
de seu período clássico, quando se obteve avanços significativos na racionalidade humana em
diversas áreas do conhecimento. O objetivo será demonstrar a maneira como os conceitos de
‘Isonomia’, a igualdade perante a lei, e ‘Isocracia’, igualdade de poder político - gerados na
sociedade grega no processo de formação da Polís pelos seus cidadãos - influenciaram o
pensamento dos primeiros filósofos. Utilizando-se de uma análise do período grego presente nas
obras já citadas, juntamente a uma interpretação de fragmentos e obras de filósofos da antiguidade
grega, o artigo pretende evidenciar a manifestação desses ideais políticos na produção daqueles
pensadores, como no respeito à lei da cidade em Heráclito (B44), na ética relativista de Protágoras e
na Eudaimonia de Aristóteles. Por meio dessa explanação, propõe-se uma reflexão sobre até que
ponto a filosofia consegue se distanciar do meio social; se pode ser alheia e inerte em relação à
sociedade ou se a filosofia é inerente a ela.
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Algumas considerações sobre a Filosofia Trágica e o Teatro da Crueldade
Alan Barbosa Guimarães (UFPA)
Orientador: Rafael Estrela Canto
O presente ensaio tem por objetivo relacionar o Teatro da Crueldade de Antonin Artaud e a
Filosofia Trágica de Clément Rosset, pois consideramos que ambos tenham uma mesma intenção, a
“terrorista”, isto é, uma inclinação a fazer aparecer o pior, enquanto uma maneira de acontecimentos
no mundo, condição do trágico. Nesse sentido, a filosofia de Rosset nos direciona no debate para o
pior, no terror das coisas inapreensíveis, trazendo o caos, o limite é mesmo um desastre humano e
mundano presente em nossas vidas. Ora, pensar o trágico, a fim de associá-lo ao modo de expressão
no Teatro da Crueldade, necessariamente nos leva a dizer que o corpo cênico seja capaz de carregar
e causar afecções trágicas (por meio de compaixão e terror) no homem, excitá-los para o que
classificamos como uma “metafísica das aparições”, que não é senão o encenar de conceitos,
permitindo ao corpo falar e gritar, com a força da crueldade. Segundo Artaud, o problema não está
no público (que pensa pelos sentidos), mas na maneira com que o teatro ocidental teria deixado de
ser mágico e eficaz para trazer ao homem uma ilusão verdadeira do seu interior.
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As Relações do Corpo Propriamente Dito, o Cérebro e o Ambiente na Constituição da Mente,
em uma Diretriz Emergentista
Alberto Yuri Santos Peixoto (UFU)
Orientador: Leonardo Ferreira Almada
Esta comunicação pretende abordar a relação mente-corpo numa perspectiva emergentista da
cognição. O principal foco é buscar compreender os fatores que contribuem na emergência da
mente, entendendo o organismo na sua integralidade, situado no ambiente. Em outras palavras,
pretendo defender mais especificamente: (i) uma noção de emergência na qual a corporeidade
possui um papel de destaque na constituição da mente ou cognição, o que foi negligenciado ao
longo do tempo pela maioria, que não considerava fundamental o papel do corpo na constituição da
mente; (ii) o emergentismo é congruente com o naturalismo, ou seja, não fere o fechamento causal
do mundo dado que processos emergentes existem no mundo natural; (iii) o ambiente e a ação do
indivíduo no ambiente fazem parte de uma grande consideração feita nesta análise, pois o indivíduo
é um ser em ação (en-ação), isto é, o indivíduo altera o ambiente e, em contrapartida, o ambiente
altera o indivíduo.
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Discurso sobre as Ciências e as Artes em Rousseau: Os dilemas Ético-Morais na Atualidade
Aline Danielle Ferreira (UFPA)
Busca-se neste resumo o intuito de estabelecer uma discussão coerente em um futuro artigo
e demarcar os principais argumentos de Rousseau envolvendo moral e ética à época da produção do
discurso com a atual fase dos desenvolvimentos destes dilemas em nossa atualidade, assim como
para os futuros anos da pós-modernidade, pondo em ênfase pontos de destaque primordiais
nacionais e internacionais, tais como: os desenvolvimentos científicos em diversas áreas da atuação
humana, cada vez mais em desenvolvimento formando pares de opostos com seus ganhos e perdas à
sociedade; os avanços da internet como sendo “Terra de ninguém”, articulando situações de desvios
éticos e vulnerabilidades sociais. Por último tópico, mas não menos importante, a consciência e o
reconhecimento dos usos científicos reivindicados por grandes sistemas internacionais que fornece
o progresso ou a degradação de um equilíbrio social. Os argumentos apresentados no Discurso
fornecem dois pontos de polarização dos usos das ciências e das artes; porém, por mais que
Rousseau estabeleça um critério agressivo ao uso dos dois tópicos, ele não sugere a eterna vivência
isolada do humano em estado de natureza, e sim a compreensão de si próprio para relações mais
favoráveis e equilibradas no ambiente social que se estabelece.
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A presença do sincretismo religioso nas imagens de alquimia: o caso do Mutus Liber
Alysson Lein (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Júnior
O objetivo deste trabalho é analisar o fenômeno do sincretismo religioso que se expressa por
meio da linguagem simbólica das imagens alquímicas. Para tanto, faremos uma análise de algumas
das imagens que compõem o Mutus Liber, demonstrando que há, na composição de imagens na
alquimia, um sincretismo das religiões judaicas e cristãs e das religiões gregas e romanas. Para tanto,
iremos apresentar algumas pranchas do Mutus Liber nas quais é possível identificar imagens que
representam essas religiões. Como referência judaica, temos, no fronstispício, a cena bíblica do
sonho de Jacó, em que ele adormece sobre uma pedra e sonha com a escada que ascende aos céus,
com dois anjos tocando suas trombetas. Como referência cristã há, por exemplo, uma prancha na
qual vemos um casal ajoelhado, direcionada àquilo que é conhecido como forno alquímico. Os
deuses romanos Mercúrio e Saturno representam elementos alquímicos e se encontram também no
Mutus Líber. Por fim, há uma possível referência a Hércules transcendendo seu corpo após a
conclusão dos doze trabalhos, simbolizando a transformação daquele que conclui as etapas do
processo alquímico.
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Espectros de experiências negativas e a transitividade da relação “melhor que”:
incomensurabilidade, vagueza e moneypumps
André Luis Lindquist Figueredo (UFU – CNPq)
Orientador: Alcino E. Bonella
Pretendo, nesta comunicação, explicitar o debate sobre o argumento de espectro proposto
por Larry Temkin (2012). Mais especificamente, sobre o argumento de espectros que são compostos
por alternativas que envolvem experiências negativas. Esse argumento se baseia na inconsistência
entre 4 premissas/visões: (1) para qualquer experiência negativa, é melhor obtê-la do que uma outra
que seja um pouco menos intensa, mas que dure significativamente mais; (2) existe um espectro
contínuo de experiências negativas, que varia de experiências muito intensas e curtas, para
experiências menos intensas e longas; (3) algumas dores são de tal intensidade que nunca será
melhor trocá-las por dores bem menos intensas e mais duradouras; (4) a relação “melhor que”, all
things considered, que relaciona as alternativas desse espectro, é transitiva. Para Temkin, há boas
razões para abandonarmos (4) frente a essa inconsistência. Porém, Toby Handfield (2013) e
Christopher Knapp (2007) argumentam que abandonar (4) acarretaria em deliberações cíclicas e,
consequentemente, em money pumps, e que abandonar (1), por incomensurabilidade (Handfiled) ou
vagueza (Knapp) de certas alternativas desse espectro, é a opção mais plausível para o raciocínio
deliberativo sobre trocas de qualidade por quantidade (a que (1) e (3) dizem respeito).
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Uma análise sobre o conceito de Memória no pensamento de Agostinho de Hipona e Henri
Bergson
Andrey Augusto Fonseca Farias (UFPA)
Orientador: Jonathan Molinari
Este trabalho tem como objetivo analisar e demonstrar a importância do conceito de
memória, expor a relação entre a memória, corpo e alma, levando em consideração o pensamento de
Agostinho de Hipona sobre a faculdade da memória, trabalhado na sua obra Confissões,
especificamente o livro X, pois para ele é na memória que se encontra tudo do homem, suas
experiências passadas, tudo o que ele aprendeu, noção sobre o tempo, tudo em que ele acredita, tudo
o que ele é; analisando também o conceito de memória no pensamento de Henri Bergson, a partir da
obra Matéria e Memória, na qual se pensa a memória como um fenômeno que responde pela
reelaboração do passado no presente, para ele a memória sempre está no presente, o passado sempre
vem ao presente pela memória. Tendo como fundamento esses filósofos, tentarei em seguida
demonstrar como a ideia de tempo possui uma significância na relação da memória com o corpo e a
alma.
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Francis Bacon: Acerca da concepção de vitória sobre a natureza
Andrey Fonseca Andrade (UFPA)
Orientadora: Elizabeth de Assis Dias
O presente estudo tem por objetivo analisar e discutir alguns trechos de obras de Francis
Bacon que aludem à concepção de uma "Vitória sobre a Natureza", que frequentemente é mal
interpretada por alguns autores, como se a mesma estivesse atrelada a uma noção pejorativa de
domínio sobre a natureza por intermédio de técnicas, o que se traduziria em sua famosa fórmula
"Saber é Poder". Teríamos então esta noção de progresso a qualquer custo, inclusive da destruição
da própria natureza, bem próxima ao mau uso feito da ciência através dos tempos, mas que de modo
algum pode ser confundido ou mesmo ser associado com a concepção do lorde chanceler. Para
esclarecer tal concepção de vitória sobre a natureza e, por conseguinte, sustentarmos nossa hipótese,
faz-se uso de alguns aforismos de sua obra magna, o "Novum Organum" bem como de alguns
trechos de outras obras do autor, como: "Progresso do Conhecimento" (1605); "Sabedoria dos
Antigos" (1609) e "Ensaios" (1597).
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Filosofia e cinema: A desumanização do artista segundo Guy Debord dentro de “Perfect Blue”
Ângelo Gabriel de Brito de Oliveira (UFPA)
Tomo como suporte as ideias divulgadas no livro “A sociedade do espetáculo” de Guy
Debord (filósofo marxista francês e fundador do movimento situacionista) e o filme Perfect Blue de
SatoshiKon (diretor japonês, responsável por algumas das maiores animações japonesas, como a já
citada Perfect Blue e Paprika), obras que denunciam o processo predatório de desumanização do
artista dentro do capitalismo, que objetifica seu ofício e sua obra, além de reduzi-lo a um mero
reprodutor da vontade pública. O objetivo deste trabalho será analisar esse processo dentro do filme
através da lente da protagonista Mima Kirigoe, que é vista como mero objeto após abandonar sua
carreira musical para começar uma carreira na televisão, assim demonstrando a principal critica do
filme à indústria e ao life style Idol, que, como espetáculo do capitalismo, apenas intensifica esta
relação predatória. O artigo pretende evidenciar essa relação e este processo sob a luz do filósofo
francês e, assim, chegar a uma raiz lógica desta problemática, por meio da interpretação da obra e
da análise do cenário desta indústria dentro da sociedade japonesa, para enriquecer a análise do
filme.
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A crítica de Antônio Gramsci à relação religião e Estado
Barbara Leandra porto Mota (UFU)
Orientadora: Maria Socorro Ramos Militão
O presente trabalho, que se enquadra na área da Filosofia Política, almeja estabelecer pontos
de intersecção filosófico-políticos a partir da questão religiosa, como elemento de conformação
ideológica que emerge da teoria de Antônio Gramsci. O objetivo é investigar, a partir da obra
gramsciana “A questão da religião”, qual é o paralelo existente entre a religião e o atual cenário
político brasileiro. Cientes de que hoje há uma tentativa de resgate da relação entre religião e Estado,
que remonta ao menos ao período moderno, julgamos importante investigar alguns pontos
essenciais presentes na atual política nacional, em especial naqueles propostos pela chamada
bancada evangélica. Busco uma forma de problematizar retrocessos e prejuízos nessa imersão
religião/Estado/educação. A partir da ideia de Homeschooling, tema de grande discussão no cenário
atual, pergunta-se: e as diferenças de perspectiva e de visão de mundo, serão erradicadas? É viável a
vida privada atingir a vida pública, bem como já questionavam Baudelaire e Benjamin no final do
século XIX e início do século XX? Enfim, essas questões relativas à educação que emergem da
filosofia política e que necessitam, precisam ser reavaliadas, após cem anos. O método que norteará
o estudo é a filosofia da práxis.
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙
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A solidão como superação da decadence
Bárbara Raffaelle Carvalho Santos (UFU - FAPEMIG)
Orientador: José Benedito de Almeida Jr.
Este trabalho tem como objetivo examinar a importância da solidão, principalmente na obra
nietzschiana de maturidade Assim Falou Zaratustra (1883-1885). O argumento principal
desenvolve a tese de que o ditirambo de solidão, forma como o próprio Nietzsche define o
Zaratustra em sua autobiografia Ecce Homo (1888), seria um fator central para a superação da
decadência da moral, através do ritmo e das canções na terceira parte da obra. Desta forma,
explicaremos a possibilidade de uma solidão transbordante e criadora como ultrapassagem da moral
ressentida de rebanho. Elucidaremos que essa moral gregária leva consigo um instinto de vingança
e envenenamento, pois carrega o “peso de gravidade” das imposições, sejam elas cristãs ou ético-
políticas, que visam universalizar as ações humanas. Para Nietzsche, essa tentativa de
homogeneizar os comportamentos ceifa todo o movimento e aleatoriedade presente na existência,
porque para ele não há causalidade ou um sentido único. Então relacionaremos a solidão à grande
saúde e à liberdade como forma de superação da doença presente no rebanho que nega a vida e a
terra. Para desenvolvimento deste trabalho contaremos com a leitura direta da obra de Nietzsche,
assim como de estudiosos para a interpretação de seu pensamento.
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Giambattista Vico e sua "autêntica" Filosofia da História
Belchior Alves da Silva (UFU)
Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto
A "autêntica" Filosofia da História na teoria de Vico aponta para novos horizontes, em um
campo de estudos ainda incipiente e sem outros autores que tivessem retratado da mesma forma o
tema. O Autor assenta suas ideias no tempo presente, porém o seu grande trunfo está na revelação
dos acontecimentos passados da história dos povos etruscos e jônios, em seus modos de vida e em
suas trajetórias no tempo, formando aldeias e comunidades, no sentido de se constituírem os
núcleos sociais. Para melhor fundamentar seu pensamento, Vico traz o relato da formação trinitária
dos povos, que é composta por mitos, heróis e homens. O primeiro, os mitos, foco na
transcendência do humano para o divino; o segundo, os heróis, destaque à saga dos seres geniais,
conexão entre deuses e homens, capazes de revolver a terra e promover a formação social como
modelo para o nosso tempo, e o terceiro, os homens, segundo Vico, os responsáveis pela história
das nações. Vico se utiliza da "pena" como se esta fosse um arado sulcando a terra e desvendando
"os tesouros" da humanidade, trazendo em cada "torrão" um acontecimento para ilustrar suas ideias
de um modo novo de fazer ciência.
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Uma perspectiva filosófica do apagamento feminino
Bruna Alexsandra Assis de Araújo (UFU)
O presente trabalho tem como objetivo principal compreender o que fez com que a mulher
ficasse anos luz atrás do homem em inúmeras áreas, como, por exemplo, na filosofia e na ciência, e
como este apagamento do ser feminino na história possui, até hoje, imenso impacto na sociedade.
Para tal, foi feita uma investigação em inúmeros casos históricos, em épocas distintas, como o de
Lise Meitner e Medusa, visando compreender o que foi este apagamento e como ele serviu de
fertilizante a um solo de desigualdades salariais em mesmos cargos e violência doméstica
desenfreada. Ademais, é abordada também a forma com que este apagamento foi sendo modificado
e, atualmente, se transformou em uma aversão ao feminino, tornando possível compreender frases
odiosas destinadas a tal gênero e até mesmo casos de feminicídio. Para evidenciar essa aversão, são
trabalhados autores como Francesco Petrarca que dentre suas produções intelectuais tornou bem
evidente o quanto a mulher representava algo negativo e em como representaria uma grande
melhora se dela fossem tiradas características básicas e naturais, como, por exemplo, a capacidade
de gestar um filho.
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Nick Land, leitor de Heidegger
Bruno Belém (USP)
Orientador: Vladimir Pinheiro Safatle
Nos primeiros anos da década de 1990, ao articular a temática da experiência do sublime
enquanto sede de aniquilação com a do colapso do programa do esclarecimento, o filósofo Nick
Land escreveu algumas das páginas mais perturbadoras sobre a reflexão estética na filosofia
moderna e contemporânea. Em suas leituras de autores como Kant, Nietzsche, Heidegger e Bataille,
o fascismo tem ao menos um momento de verdade: a arte é realmente um perigo, insurreição, aquilo
que não pode ser controlado, nos lançando em direção da única morte que o fascismo é incapaz de
desejar, a saber, a morte daquilo que, em mim, me aparecia como meu – do Eu ao Ocidente. Nesta
comunicação, trata-se de discutir essas problemáticas no pensamento de Heidegger, que vai buscar
através da arte – entendida como dizer da verdade, dizer sobre a enticidade humana – um modo de
reavermos nossa autenticidade e liberdade. No entanto, segundo Land, Heidegger é levado ao limiar
de um caminho que mesmo aquele que tão bem denunciou o sono antropológico do humanismo não
estaria disposto a seguir.
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O poder político do controle, niilismo e suicídio: uma análise sobre o esgotamento do sujeito
contemporâneo
Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira
Orientadora: Georgia Amitrano
A presente comunicação visa, a partir do esgotamento do sujeito moderno e diante do
aumento de suicídios no mundo inteiro, analisar o modelo de poder político baseado no controle
ininterrupto sobre a subjetividade dos indivíduos. Para tanto, utilizo os conceitos de poder, controle
e subjetividade, abordados a partir do pensamento de autores pontuais, tais como: Michel Foucault,
Gilles Deleuze e Byung-ChulHan. Para além, também aponto para as possíveis consequências de
um niilismo inerente ao nosso tempo, em que o sujeito, diante da crise perpetrada pelo poder-
controle político sobre sua subjetividade, é acometido pelo esgotamento de suas forças. Este poder-
político usa o discurso de liberdade individual como cerne do processo de controle dos sujeitos
tornando-os ferramentas de auto disciplinamento. Donde entender que o suicídio − tal como
pontuado por Albert Camus − constitui uma fuga da existência ou um salto filosófico. As estruturas
de poder e controle levam o sujeito ao auto aniquilamento, compreendido como algo decisório no
exercício de sua liberdade, ignorando o funcionamento do poder e controle político sobre a vida.
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“Anthropology is philosophy with the people in”: reflexões e implicações epistemológicas
sobre a crise planetária.
Bruno César Cunha Cruz (UFU)
Diante do considerável consenso científico a respeito das mudanças termodinâmicas e
geológicas do Planeta (causadas majoritariamente por questões antrópicas), que faz intensificar as
discussões sobre um certo processo de desvitalização ontológica do ambiente, coletivos de diversas
partes do mundo têm se dedicado tanto a dar respostas para uma mudança de tal situação, quanto a
compreender as consequências físicas, já mensuráveis ou que estão por vir, que podem levar à
dimensionada desarticulação dos quadros espaço temporais da história (ou, popularmente, ao « fim
do mundo »). Alguns desses coletivos chegam a receber agora uma classificação: a de « ‹ciências›
do Antropoceno », estando nelas incluídas, para além das clássicas ciências naturais, a Antropologia
e a Filosofia. Dessa forma, essa comunicação visa, comentando por meio de um debate transversal
entre a epistemologia e a antropologia da ciência, elaborar certas reflexões epistemológicas sobre o
período que faz tais implicações possíveis, a partir de posições teórico-metodológicas agora
tomadas por esses coletivos. Assim, e ancorando-se inicialmente na ideia de simetria (Latour, 1991
[2014]), pretende-se, inclusive (e no caso específico), refletir sobre a necessidade de se imaginar e
se somar aos supramencionados coletivos « with the people » (Ingold, 1992, 2014).
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O esquecimento, em Nietzsche, como força ativa
Bruno de Novais Oliveira (UFU)
Orientador: Humberto A. Guido
O esquecimento, em Nietzsche, não é uma mera contingência da memória, sendo, pelo
contrário, uma característica ativa da fisiologia humana. É o esquecimento que constitui a
capacidade do ser humano se relacionar, de modo presente, com as coisas que lhe afetam, pois sem
o esquecimento se opondo a memória, a vida seria uma digestão constante de acontecimentos que
nos retornam à memória e impedem que nos centremos no presente. O esquecimento é aquilo que
possibilita a capacidade digestiva da fisiologia humana, e não apenas a ausência da memória, e, com
efeito, é a capacidade que permite que os sentimentos sejam tratados na ação e não na reação. O
ressentimento será tratado como efeito da má digestão da consciência, e a má consciência como
efeito do ressentimento, sendo então, o conceito de esquecimento como a pedra base na formação
do que seria, para Nietzsche, uma boa ou má consciência. O objetivo principal desse texto é
demonstrar, portanto, como o esquecimento se relaciona, de maneira ativa, com questões centrais na
filosofia nietzschiana como: ressentimento, má consciência, consciente, inconsciente, memória,
história, genealogia, niilismo, e vontade de potência.
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A educação como libertação e como meio de controle
Clarice Melo Stabenow (UFPA)
De ordem estritamente bibliográfica, esta comunicação visa abordar o Livro V do diálogo A
República de Platão, no qual a questão enfatizada é a educação para as mulheres, que Sócrates
menciona em seu debate com Glauco. Dando a devida atenção de que a educação oferecida para os
homens deve ser a mesma das mulheres, esta é defendida a fim de fortalecer a sociedade, visto que,
todos têm a mesma capacidade de administração e manutenção da pólis a qual pertencem. No mais,
esta comunicação tratará também, da importância deste livro para fomentar o debate da educação
feminina atual, como ela se deu e o papel do feminismo na organização e na efetivação do direito de
estudar. As questões abordadas terão como objetivo a correlação do Livro V da República com a
educação de mulheres, o feminismo como mecanismo na implementação da educação feminina, a
educação como maneira mais rápida de emancipação; a educação como forma de controle patriarcal
sobre as mulheres e por fim, a equidade e importância no incentivo, prática e melhoria na educação
feminina e masculina.
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O belo entre o Hípias Maior e O Banquete
Cláudio de Souza Menezes Júnior (UFPA -CNPq)
Orientadora: Jovelina Maria Ramos de Souza
Na presente exposição, pretendemos analisar o tema central do diálogo platônico Hípias
Maior: o belo e sugerir sua relação com o diálogo platônico O Banquete. Para isso, analisamos, no
primeiro texto, as falas de Sócrates e Hípias no que diz respeito à questão do belo: Sócrates tenta
dizer o que é o belo, enquanto Hípias se limita a dizer o que é belo. Nesse jogo dialético, a busca
pela essência da beleza da parte natureza visível desta – à qual o discurso de Hípias se encontra
limitado – e passa por questões éticas. A partir dessa análise, sugerimos uma relação deste debate
com aquele apresentado por Sócrates em O Banquete, em que Sócrates relata os ensinamentos que
obteve de Diotima acerca da essência do belo: as questões apresentadas no Hípias Maior são como
um exórdio à teoria platônica da beleza, que se mostra em pleno desenvolvimento em O Banquete
ao ser reelaborada a partir da teoria das Formas. Assim, por meio desse estudo do Hípias Maior e
sua relação com O Banquete, podemos compreender um pouco mais a concepção platônica de
beleza e trazer uma maior visibilidade ao Hípias Maior, que ainda hoje é pouco estudado – em
comparação com os diálogos ditos autênticos.
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Do Homo Sacer contemporâneo
Daniel Alves Rodrigues (UFU)
Orientadora: Georgia Cristina Armitrano
O presente trabalho visa analisar, a partir de um resgate dos conceitos aristotélicos de bios e
zoé, como um indivíduo perde seu direito de viver pelo Estado, sem que haja, para isso, assassinato.
Giorgio Agamben (1942-presente), em sua obra Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua (1995),
julgou importante resgatar do direito romano a figura do Homo Sacer, a fim de discorrer e atualizar
o debate político acerca dessa imagem romana, oferecendo diversas possibilidades de analogias a
serem formuladas na contemporaneidade. Isso possibilitou abrir janelas para uma leitura mais
crítica da realidade política atual e de suas contradições. É com esse conceito que o autor nos leva a
pensar sobre vulnerabilidade concreta e como e em quais grupos humanos ela se manifesta. O
Homo Sacer diz respeito à vida “matável”, um sujeito que pode ter o direito à vida conjurado por
qualquer cidadão romano, desde que não seja morto em função de rituais religiosos. É uma vida que
sequer merece a morte em função do culto aos deuses. A condição de humanidade do Homo sacer é
questionada por Agamben, relacionando o Homo Sacer à condição de zoé.
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As ideias abstratas em Locke como solução para o problema dos universais
Danival Lucas da Silva (UFU)
Orientador: Marcos Seneda
Locke, em sua obra Ensaio acerca do entendimento humano, livro três, capítulo três, associa
as ideias abstratas à origem dos termos gerais que utilizamos em nossa linguagem comum, como,
por exemplo: pássaro, homem e árvore. Para ele, as ideias abstratas são suficientes para resolver o
problema dos universais, isto é, a antiga discussão sobre a origem dos gêneros e das espécies. Uma
vez que todas as coisas que existem são particulares, para Locke, as palavras se tornam gerais ao
serem tomadas como sinais para ideias gerais. Esta pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de
aprofundar no estudo das ideias abstratas em Locke e em sua contribuição na busca de uma solução
para o problema dos universais. A apresentação será dividida em quatro partes: 1) Uma breve
exposição do problema dos universais e suas implicações para a história da filosofia; 2) Os pontos
principais da proposta de Locke em relação à origem das ideias abstratas; 3) Correlações entre essa
solução e outras propostas; 4) Críticas à posição de Locke, extraídas de dois artigos: Abstraction
and the Origin of General Ideas de Stephen Laurence e Eric Margolis; General ideas and the
knowability of essence: Interpretations of Locke's theory of knowledge.
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Hume e o ceticismo acerca do mundo
Dener de Souza Borges (UFPA)
Orientador: Luis Eduardo Ramos de Souza
O presente trabalho tem como objetivo analisar os principais argumentos do ceticismo de
David Hume contra a noção geral de existência do mundo e os argumentos apresentados pelos
filósofos para justificar objetos contínuo e distinto da mente. Será utilizado como fonte principal as
obras: Tratado da natureza humana (2009) e Investigações sobre o entendimento humano (2004).
Durante essa análise será examinada o pensamento humeano acerca da natureza das percepções,
mostrando ser sua conclusão contrária ao vulgo e ao sistema filosófico de sua época que buscou
justificar uma dupla existência: percepções e objetos externos, sendo esses responsáveis pelas
primeiras. Em seguida será apresentado o argumento de que a noção de existência continua e
distinta de objetos é uma forte crença que se fundamenta principalmente com as impressões
registradas na memória e ganham força por meio do hábito. Por fim será apresentado as causas,
como Hume demonstra, de um mundo contínuo e distinto da mente, mostrando que essas causas
não são suficientes para sustentar a crença em um mundo externo.
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A Diferença entre Noções Comuns e Abstrações na Ética de Espinosa: uma crítica às ideias de
transcendência, finalidade e dever
Diego de Carvalho Sanches (UFPA)
Orientador: Rafael Estrela Canto
O presente artigo tem como objetivo analisar a diferença estabelecida entre noções comuns e
abstrações no livro II da Ética de Espinosa e sua consequência para a crítica de concepções de
caráter ontológico, epistemológico e moral. Partindo do livro II da Ética, buscar-se-á explanar a
diferença entre noções comuns e abstrações e o seu papel na doutrina dos gêneros de conhecimento
de Espinosa. Em seguida, a partir da leitura de Lívio Teixeira, A doutrina dos modos de percepção e
o conceito de abstração na filosofia de Espinosa, será explicitada a maneira como o filósofo
valoriza o conhecimento a partir das noções comuns em detrimento do conhecimento por abstrações,
ou seja, a valorização do conhecimento racional em oposição ao conhecimento imaginativo
inadequado. E, por fim, a partir das leituras de Deleuze, Espinosa: filosofia prática e Espinosa e o
problema da expressão, almeja-se identificar como esta distinção entre noções comuns e abstrações
possibilita uma crítica, no âmbito do conhecimento, das ideias de transcendência, finalidade e dever.
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Os indígenas e o absurdo: uma análise da história dos nativos brasileiros a partir da filosofia
do absurdo de Albert Camus
Edon Teixeira de Castro (UFPA)
Orientador: Ivan Risafi de Pontes
O presente trabalho tem como proposta conectar a filosofia do absurdo de Albert Camus
com o processo de supressão das culturas indígenas - nativos brasileiros, que nos seus primórdios,
levavam uma vida consideravelmente livre e diante daquela perspectiva filosófica, uma vida que
fazia sentido. Abordaremos o contexto histórico, para observar o quanto a vida dos nativos
brasileiros se tornou progressivamente absurda, e de que forma se sucedeu. Analisaremos tais
momentos históricos, a partir da concepção do Absurdo de Albert Camus, que se encontra no seu
ensaio filosófico – O Mito de Sísifo, onde o autor argumenta a respeito daquelas que seriam as
características de uma vida absurda, uma vida ligada a atividades modernas mecanizadas pela
sociedade. Veremos como o absurdo exerceu uma grande consequência sobre os povos indígenas
brasileiros, que até os dias atuais sofrem com a desestruturação e reestruturação das suas culturas.
Por fim, este trabalho pretende elucidar de que forma a sociedade brasileira atual ainda carrega as
consequências de todo o absurdo imposto pelos europeus.
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Kant e Schiller: Pensar Estética Como Uma Contribuição Para a Vida Moral
Fabiana Carolina Dias (UFPA)
Orientador: Pedro Paulo da Costa Corôa
Nossa comunicação tem como objetivo mostrar a possibilidade de se reconhecer a
contribuição da experiência estética para a educação moral do homem, tendo por referência as
perspectivas de Immanuel Kant e Friedrich Schiller, tendo em vista, a aproximação que ambos
fazem entre sentimento estético e sentimento moral. Nesses dois pensadores há ideia de
desenvolvimento dos sentimentos para contribuir com os objetivos ditados pela razão prática. No
caso de Kant a ideia é dada pela percepção de que tanto por meio da estética quanto pela ética a
liberdade é o ponto principal, no primeiro caso para a criação e independência do juízo e, no
segundo, pela autonomia de nossas escolhas. Já para Schiller a efetivação dos mais elevados valores
morais só é possível por um aprimoramento, anterior, do nosso sentido estético, aproximando o
conceito de “Bela Alma” ao ideal ético. Os textos de base para essa exposição são Crítica da
Faculdade de Julgar, de Kant, e a Educação Estética do Homem, de Schiller.
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Filosofia e cinema: a angústia existencial heideggeriana pensada a partir de O Show de
Truman de Peter Weir
Gabriel Lima Silva (UFPA)
O homem, perdido em meio a uma existência inautêntica, refém da força de outrem, com a
degradação da própria identidade, é o que Peter Weir nos traz em O Show de Truman (1998). Esse é
o objeto da análise que proponho fazer no filme acima referido, tendo por referência Martin
Heidegger em Ser e Tempo, especialmente apoiado nos capítulos V e VI da Seção Primeira, onde
ocorre tal tematização. A reflexão incidirá sobre o sentido de uma existência inautêntica: o fato da
existência, o desenvolvimento da existência e a destruição do eu, demonstrando o quanto a mesma
representa uma prisão, que só poder ser superada com o enfrentamento da angústia, de onde provém
o impulso do Dasein para transpor e assumir sua autonomia. E, assim, na recusa de qualquer
predestinação e imposição, e atendo-se à busca do real existir, a angústia passa a ser destacada, na
presente comunicação, como necessidade para a liberdade.
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Condições do ensino de Filosofia nas escolas públicas em Feira de Santana e o impacto da
presença da UEFS
Gabriela Peixoto Oliveira Barbosa (UEFS)
Orientador: Malcom Guimarães Rodrigues
Pensar o ensino público no Brasil não é uma tarefa fácil, pensar o ensino dentro de uma
escola sucateada e sem infraestrutura é uma tarefa mais difícil ainda. O presente trabalho tem por
objetivo apresentar uma análise sobre a prática do ensino de Filosofia nas escolas públicas no
município de Feira de Santana na Bahia, bem como a relevância da atuação e contribuição do
PIBID e da Residência Pedagógica (PRP) nessas escolas. Ademais, caberá refletir sobre uma
proposta filosófica pedagógica, baseada em uma filosofia humanista e transformadora. Decerto, o
ensino de Filosofia nas escolas deve ser levado a sério. Parece-me que a Filosofia precisa ser
transformada numa experiência significativa e não ser reduzida apenas a uma teoria ou ser vista
como um fardo. Na verdade, a Filosofia precisa ser inserida no seio da Educação e só assim dará
bons frutos. É indispensável a preparação e capacitação do professor pra desenvolver o seu papel
com excelência e esse professor precisa encontrar caminhos de abordagens que possa impactar seus
alunos. Afinal, estes precisam serem estimulados para pensar a sua relação com o mundo e tudo o
que o cerca e perceber também de como a Filosofia pode contribuir nisso.
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Literatura engajada segundo Jean- Paul Sartre
Gabrielle Fernandes Martins (UFU)
Orientador: Igor Silva Alves
Jean-Paul Sartre apresenta em seu texto Que é a literatura? que, diferentemente das demais
artes (como a pintura, escultura e música), a literatura deve estar necessariamente vinculada ao
engajamento, é importante ressaltar que quando tratamos de literatura engajada nos referimos
diretamente à prosa. Pretendo analisar com o presente trabalho o texto supracitado de Sartre. O
intuito da análise consiste em entender o porquê a literatura, segundo o filósofo francês, está
diretamente vinculada ao engajamento. Deste modo, para que possamos compreender por que a
literatura se relaciona com engajamento é necessário percebermos como a arte da escrita,
especificamente a prosa, é construída. Assim, o percurso que será traçado ao longo do trabalho
consiste em entender a diferença existente entre os tipos de artes, compreendendo a construção das
obras no imaginário e a diferença existente entre poesia e prosa no que diz respeito ao uso da
palavra, pois esclarecer de que forma, dentro da literatura, Sartre estabelece esse diferença é
fundamental para perceber que a própria estrutura da prosa nos revela a noção de engajamento.
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O papel da música na educação do homem tendo como base para tal análise a filosofia
platônica
Gabryella Couto Ferreira Pacheco (UFU)
Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho
O presente trabalho tem como intuito explorar uma das vertentes da filosofia denominada
Filosofia da música. Sabe-se que nossa concepção atual sobre a música tem suas origens com
Boécio. Este é o responsável por dividir a música em três categorias: música mundana, tenta
explicar a organização do sistema solar, música humana, leis harmônicas que compõe nosso planeta,
e música instrumentallis, ligada aos compositores, entonação de voz e fabricantes de instrumentos
musicais. A partir dessa divisão, a música, aos poucos, perde seu papel no espaço educativo e é
entendida apenas como uma experiência sensitiva. Além desses elementos, que também estão
presentes em nossa sociedade atual, observa-se que a música é vista como uma mercadoria, isto é,
um elemento da cultura industrial. Diante disso, tenho como objetivo principal neste trabalho
esclarecer as concepções de música (mousiké) na Grécia Antiga e analisar o papel desta como um
dos principais elementos na educação do homem e na constituição e modificação de seu ethos, isto
é, de seu caráter. Ademais, veremos como esta promove a organização harmônica da pólis e como
esta está ligada diretamente às noções matemáticas. Para isso, essa abordagem se respaldará na
filosofia platônica e, mais especificamente, no diálogo A República.
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O problema da virtude e inteligência no Mênonde Platão
Gessé Miranda Celestino dos Santos (UFU)
Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho
Sócrates tangencia diversos assuntos concernentes à cosmologia, epistemologia, ontologia,
ética, metafísica etc. Contudo, o tema principal que Platão se propõe investigar na obra em questão
é, por um lado, o caráter único (Uno) da Virtude, que ele busca desvelar, questão levantada a partir
de uma dúvida de Mênon, ela que Sócrates reformula a fim de definir a característica da Virtude, e,
por outro, a possibilidade de se ensinar a virtude, ao tratar da indagação feita inicialmente por
Mênon. Caso seja possível ensinar a virtude, como fazê-la? A partir de seu método dialético, ele
opera sobre essas questões e tenta fornecer uma resposta bem fundamentada após a investigação.
Mas como Platão compreende as noções de virtude e inteligência, e como as define antes de
desenvolver seus argumentos com tais conceitos? Meu objetivo é tentar demonstrar que virtude e
inteligência não podem ser compreendidas sem que tratemos de suas definições. Por isso cabe a nós
(i) investigar qual é o conceito de virtude para Sócrates, e, em seguida, (ii) tangenciar o conceito de
inteligência, focando especificamente na utilização que se faz dos termos no diálogo. Por fim,
entender como Sócrates compreende tais definições em uma única concepção epistemológica, com
vistas a conciliar virtude e inteligência no Mênon.
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙
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Concepção de Virtú e Fortuna em Maquiavel
Giovana Andrade Zanotto
Orientadora: Maria Socorro Ramos Militão
Em seu livro O Príncipe, Maquiavel (1469-1527) busca direcionar a ação de um príncipe
tendo como finalidade a conquista e conservação de um principado. Considerando esse objetivo, o
autor transmite seus conhecimentos alicerçando-se em dois conceitos fundamentais: Fortuna e Virtú.
E tendo em vista a importância destes conceitos no conjunto da obra maquiaveliana é que me
proponho, nesta comunicação, expô-los e explicá-los, objetivando, a partir deles, evidenciar a
atualidade do filósofo florentino, especialmente no que concerne as leituras dos problemas políticos
atuais no Brasil. Em outras palavras, pretendo tornar mais evidente as concepções de Fortuna e
Virtú, e relacioná-las para mostrar a relevância de seus usos na política contemporânea,
demonstrando que, apesar de seu distanciamento temporal, Maquiavel nos auxilia, por meio de seus
conceitos, a entender o contexto político-social no qual estamos imersos. O método de análise que
orientará o estudo é o realismo, que é também o recorte teórico em que o Príncipe se faz, dado os
limites deste trabalho.
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As relações entre mente, encéfalo, corpo e ambiente pelo viés emergentista.
Gleusson Alves Neves Junior (UFU)
Orientador: Leonardo Ferreira Almada
Com o avanço das tecnologias na área da neurociência, as possibilidades de realizar
experimentos com o cérebro estão cada vez mais sofisticadas, ocasionando novos debates entre os
filósofos da mente. Com o surgimento das novas evidências, as explicações de cunho reducionista,
como também as racionalistas, se tornaram obsoletas. Nesse contexto, o Emergentismo advém
como uma proposta para reaquecer as investigações filosóficas. Enquanto o Racionalismo considera
a mente como independente do corpo e do mundo exterior a ela, e o Redutivismo compreende o
todo como a soma das partes, a corrente emergentista inova propondo que o todo de um
determinado sistema é mais do que a soma de suas partes. A partir dessas considerações, o intuito
dessa comunicação é mostrar que o corpo existe como alicerce da mente consciente; que o papel do
encéfalo nessa relação se resume em órgão mediador; e que o corpo se encontra inserido no
ambiente, não deixando escapar que todas essas relações ocorrem indissociavelmente. Nesse
patamar, o problema da relação entre corpo e mente, historicamente enfrentado pela filosofia, deve
ser revisto e apropriadamente interpretado como o problema da emergência da consciência a partir
das relações entre mente, cérebro, corpo e ambiente.
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O conceito de analética e alteridade na perspectiva Dusseliana
Guilherme Carmona Rezende Silva (UFU)
Orientador: José benedito
Enrique Dussel foi precursor da filosofia da libertação, criou e trabalhou em vários conceitos
para estruturar sua filosofia, conceitos como o de vítima, de analética, de exterioridade e da própria
libertação. Para entender melhor seu pensamento é imprescindível o conhecimento de dois
conceitos dusselianos que serão trabalhados aqui, o de analética e o de alteridade. A ana-dialética
(aná: além de/dialética: diálogo, método de criação de ideias) é uma dialética que vai além da
totalidade europeia, é um diálogo com o outro. Isso amplia a perspectiva greco-europeia, em que se
instaurou o pensamento filosófico dialético, o outro são as nações ameríndias, africanas, e asiáticas
do médio oriente. A alteridade é tratar o outro com exterioridade, concebê-lo no face-a-face sem
racionalizá-lo ou conceituá-lo a partir do que eu percebo em meu mundo. A razão totalizadora, que
é própria do ocidente moderno, fere o outro, pois é impossível totalizar todas as coisas sem que se
reduza o outro a uma mera coisa, então ele deve estar fora desse sistema, deve ser exterior ao meu
mundo. Para desenvolver este trabalho, nos pautaremos, principalmente, na obra de Dussel: Método
para uma filosofia da libertação (1974).
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O caráter autoritário da teoria da ciência baconiana, segundo Karl Popper
Helton Lima Soares (UFPA)
Orientadora: Elizabeth de Assis Dias
Objetiva-se nesta pesquisa analisar os argumentos de Karl Popper no que concerne a
afirmação de que há um viés autoritário na teoria da ciência de Francis Bacon. Apesar de considerar
a filosofia baconiana como antiautoritária e antitradicionalista, Popper não vê sucesso na tentativa
de Bacon de eliminar da autoridade a sua própria teoria. Isso por dois motivos: primeiro porque
Bacon teria apelado a uma autoridade religiosa – a natureza – fundando a religião secularizada da
ciência, segundo porque o Lorde Chanceler não teria priorizado o julgamento crítico, devido sua
tendência individualista. Neste contexto, Bacon buscou substituir uma autoridade por outra: a
autoridade da filosofia tradicional de sua época pela autoridade dos sentidos. Nossa hipótese é que
Popper chega a esta conclusão por causa de sua defesa do falibilismo e do método hipotético-
dedutivo, implicando em críticas ferrenhas ao observacionismo advogado por Bacon que, pretendia
construir um conhecimento científico seguro e exato a partir da observação da natureza.
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A filosofia de Paul B. Preciado como prática de si
Ian Abrahão Oliveira (UFU)
Orientador: Humberto Guido
Michel Foucault, em seu segundo tomo de A História da Sexualidade, formula o conceito de
práticas de si ao estudar as éticas gregas do período clássico. Tal conceito se refere a “práticas
refletidas e voluntárias através das quais os homens não somente fixam regras de conduta, como
também procuram se transformar; modificar-se em seu ser singular (...)”. Em seu primeiro livro, o
Manifesto Contrassexual, Paul B. Preciado formula o conceito de contrassexualidade, que em parte
segue a noção foucaultiana de que “a forma mais eficaz de resistência à produção disciplinar da
sexualidade (...) [é] a contraprodutividade, isto é, a produção de formas de saber-prazer alternativas
à sexualidade moderna". Em seu segundo livro, o Testo Junkie, o filósofo espanhol escreve uma
autoteoria, que parte de um experimento de uso voluntário de testosterona em gel, como
experimento (bio)político, e pondera sobre suas implicações psicossomáticas, sociais e filosóficas.
Deste modo, a presente comunicação pretende pensar a filosofia de Paul B. Preciado, seguindo o
conceito de práticas de si formulado por Foucault.
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Observações acerca do conceito de libertação em Paulo Freire
Ian Ademir Rego Gomes (UFPA)
Orientador: Damião Bezerra Oliveira
O objetivo desta pesquisa é esclarecer o conceito de libertação que, para Paulo Freire (1921-
1997) é um ato dialógico, podendo este se constituir por meio da teoria e da prática. Com base na
obra Pedagogia do oprimido, explicitaremos as relações entre concepções de estado de quase
coisas, em que os homens se encontram, e de liberdade, pela qual se pode entender a diferença
primordial dos homens e os outros animais, uma vez que os primeiros podem transformar seu
próprio mundo, possibilitando sua libertação. Além disso, abordaremos conceitos centrais em sua
obra como o de sujeito, aquele que não pode existenciar-se numa relação de dominação, mas apenas
na busca pela transformação do seu ser menos no ser mais de todos. Neste desenrolar é essencial o
processo de conscientização que se dá de forma ininterrupta no ser, que no oprimido refletirá na
busca pela emancipação, conquista que na obra freiriana deve ser vista como educacional e política
concomitantemente, frutos da práxis.
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Críticas do cartesianismo linguístico à constituição do sistema linguístico de sinais: objeções a
partir da perspectiva de Giambattista Vico
Israel Henrique Cavalcante Mendonça (UFPA)
Orientador: Joao Batista Moreira Filho
O objetivo desta comunicação é investigar as influências do cartesianismo linguístico nas
concepções teóricas de linguagem que se opõem - ou mesmo se desajustam - na possibilidade da
constituição de sistema linguístico de sinais, como o de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais),
numa análise que tem por referência a perspectiva de Giambattista Vico, crítico agudo de Descartes.
Nossa análise parte do pressuposto que em torno de determinadas concepções linguísticas, como a
de Chomsky, por exemplo, são utilizados princípios ligados ao racionalismo de maneira geral, e o
cartesianismo como no caso da gramática gerativa, mesmo que de maneira indireta. Defendemos
esta hipótese ao observarmos alguns entraves que a teoria chomskiana enfrenta dentro de suas
diretivas conceituais para caracterizar as libras como um sistema linguístico, tais como o caso do
inatismo, como também a inconstância da teoria, que hora se aproxima, e instantes que exibem
caráter bastante problemáticos como os citados. A comunicação pretende promover um debate sobre
o aspecto da práxis da linguagem.
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A negação da ideia de extensão enquanto ideia abstrata no Sistema Humeano
Ítalo Pereira do Prado (UFU)
Orientador: Marcos Seneda
A proposta inicial do trabalho consiste em elucidar como Hume, na tentativa de resolver o
problema da existência do espaço, proposto não só por ele, mas também por outros filósofos
modernos, encontra a solução na matemática. Isto é, ele examina a impossibilidade da divisibilidade
dos pontos matemáticos, em defesa que, partindo deste princípio, seria impossível haver abstração
de qualidades sensíveis na ideia de extensão. Ou seja, sem fugir do seu viés filosófico, David Hume
utiliza da percepção sensível para mostrar como a ideia de espaço se constrói a partir de objetos
reais, que permitem ao intelecto a apreensão do extenso. Como todo grande filósofo empirista,
Hume nunca se afasta de sua fundamentação cética e experimental, assim como não foge de sua
máxima filosófica, isto é, o princípio da cópia, que abarca toda sua construção filosófica. Sendo
assim, para apresentar como o espaço não pode ser uma ideia abstrata, o filósofo precisará mais
uma vez considerar a impossibilidade da divisibilidade infinita, ou seja, negar a hipótese da ideia do
espaço ser composto por um número infinito de partes.
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O conto Er de Kafka e o conceito de pensamento em Hannah Arendt
Ival de Andrade Picanço Neto (UFPA)
Orientador: Ivan Risafi de Pontes
Esta comunicação tem como objetivo realizar uma reflexão crítica sobre a recepção do dos
escritos de Kafka para a definição do conceito de pensamento em Hannah Arendt, especificamente a
passagem do conto Er citada no prefácio da obra Entre o passado e o futuro. Analisaremos o conto
de Kafka como fio condutor, o qual a pensadora se vale para ilustrar o quadro de perplexidade no
contexto contemporâneo de pós-crise da tradição. O escrito de Kafka, além do mais, nos ajuda a
compreender a própria condição humana neste panorama de perplexidade no qual nos encontramos
já sem o fio da tradição que nos ligava ao passado. Hannah Arendt ainda retoma em sua última
grande e inacabada obra A vida do espírito o conto kafkiano, usando-o mais uma vez para ilustrar a
lacuna existente entre o passado e o futuro, a clareira que se abre, interrompendo o fluxo temporal,
pela própria atividade do pensamento.
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A pele negra na sociedade do cansaço
Jefferson Borges Ferreira (UFU)
Orientador: José Benedito
O objetivo deste trabalho é estabelecer um diálogo entre as obras: A sociedade do cansaço,
do pensador Byung-Chul Han, na qual desenvolve um pensamento crítico sobre a
contemporaneidade, e Pele negra máscaras brancas, de Frants Fanon, que analisa a forma do ‘ser’
negro atualmente. Han assenta sua tese de uma sociedade cansada, no argumento de que a
sociedade disciplinar de Foucault já não é mais capaz de conter a nova realidade, dado que a
necessidade da produção é barrada pela negatividade. Sendo assim, é estabelecido um novo modelo
de sociedade, a do desempenho: onde são gerados sujeitos da produção e não mais da obediência;
onde a positividade, poder ilimitado, são os vermos moldais. Sob a luz de Fanon analisaremos como
o negro que saiu de um sistema não de disciplina, mas sim de escravidão, se estabelece neste novo
modelo de sociedade; e quais as consequências desta nova relação de poder para o Negro, tendo em
vista que o fim da escravidão nunca trouxe de fato a liberdade. Há uma violência sistêmica
causando infartos psíquicos; sendo assim, examinaremos as implicações deste novo modelo de
sociedade e como o negro nele se encontra.
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O Conceito de História em Hannah Arendt
Jessica Thainá Ribeiro Viana (UFPA)
Orientador: Ivan Risafi de Pontes
Esta comunicação pretende analisar o conceito de história na obra Entre o Passado e o
Futuro de Hannah Arendt e de que forma esse conceito se relaciona com as noções de nascimento e
memória, presentes no pensamento político da pensadora alemã. Abordaremos, para tanto, como na
história é reconhecido um caráter de interrupções, as quais são caracterizadas como grandes feitos,
desencadeadores do agir humano. Assim impõe-se no âmbito desse pensamento político a seguinte
pergunta: de que forma o nascimento também pode ser entendido como um grande feito? Tal
questionamento revelará como a pensadora valoriza os acontecimentos e suas consequências como
ação política. Na obra Entre o Passado e o Futuro, Arendt analisa o antigo e o moderno conceito de
história, a fim de elaborar seu próprio conceito a partir do caráter de ruptura. Sendo assim,
partiremos de uma abordagem crítica acerca do capítulo, O conceito de história – Antigo e Moderno
da obra supracitada.
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Um encontro com a Filosofia: uma reflexão sobre A Consolação da Filosofia de Boécio
João Gabriel Moraes De Souza (UFPA)
Orientador: Jonathan Molinari
Este trabalho analisa a recepção da filosofia de Boécio através da obra A Consolação da
Filosofia. O autor viveu em um mundo de transformações, pois em sua época findava-se o mundo
antigo e iniciava-se a Idade Média, período de transformações e transições na vida política, social e
religiosa. Esse romano helenizado recorreu não à fé recente que ele mesmo e os seus haviam
abraçado, mas à razão mais antiga e, em sua obra que incutiu no cristianismo, as doutrinas de Platão
e Aristóteles. Além disso, se a Igreja odiava Boécio por ele não ter testemunhado a seu favor, a
literatura talvez não o perdoasse por ter preferido a filosofia. Em A Consolação da Filosofia, o
pensador faz uma apologia, e um dos temas que mais se destacam nessa obra de Boécio é a relação
entre tempo e sorte, tempo esse que é revelado de forma individual, da experiência humana, de
como a fortuna pode mudar a minha vida e a vida coletiva, pois desde esse filosofo até o
renascimento a fortuna é vista dessa maneira.
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A filosofia no budismo
Jorge Luís da Silva (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Júnior
Este trabalho tem por objetivo abordar aspectos relacionados à felicidade, do ponto de vista
filosófico do budismo. O próprio objetivo da nossa vida, segundo o budismo, é a tentativa de
cessação dos sofrimentos e na busca da felicidade. Diante disso, são analisados meios que nos
direcionam a esta; isto é, as fontes da felicidade. Com isso, é analisado como no budismo, de
linhagem tibetana, a felicidade é identificada e qual é a sua relação com o sofrimento. Na filosofia
de Buda, dá-se muito crédito a autodisciplina mental aplicada com objetivo de superar: qualidades
negativas; sentimentos desconfortáveis, tais como determinada tragédia que nos leva a um patamar
de tristeza e depressão; o questionamento da mortalidade. Além do mais é visto também entre
outros fatores o sucesso, a riqueza, ou o prazer e sua respectiva relação com a felicidade,
identificando, a partir disso, que esta é determinada mais pelo estado mental da pessoa do que por
acontecimentos externos. A fundamentação bibliográfica deste trabalho contará principalmente com
duas obras: A doutrina de Buda – Bukkyo Dendo Kyokai e As filosofias da Índia – Heinrich
Zimmer.
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A filosofia budista e as quatro nobres verdades
José Carlos Marra (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Júnior
O objetivo deste trabalho é analisar o conceito budista conhecido como “As quatro nobres
verdades”. Para tanto, recorreremos à leitura direta dos livros A Doutrina de Buda, editada pela
Bukkyo Dendo Kyokai, Filosofias da India de Heinrich Zimmer e Buddhist Philosofophy de
William Ederglass. A filosofia do budismo analisa a natureza da realidade das coisas, inclusive do
ser humano, assim, podemos dizer que o ponto central da filosofia budista é a reflexão sobre o
problema do sofrimento. O conceito que aprofunda esta questão é o de quatro nobre verdades: o
sofrimento existe; o sofrimento tem causas; o apego ou a aversão são as causas do sofrimento; o
caminho óctuplo é a solução para se libertar do sofrimento. Para analisar este caminho óctuplo
recorre-se aos seguintes princípios: a epistemologia que considera sofrimento um estado da mente.
A metafísica budista afirma que a natureza das coisas são temporárias, dependentes e não contém
uma substância. A ética analisa o caminho óctuplo que a filosofia budista aponta para se separar do
sofrimento, o qual contém as seguintes orientações: reta concepção, pensamento, palavras, conduta,
meio de vida, esforço, atenção e meditação.
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O anti-discurso filosófico da modernidade – deslocamento geopolítico e descolonização
filosófica em Enrique Dussel
Laís de Oliveira Franco (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Júnior
O objetivo deste trabalho é demonstrar que a origem da modernidade é mais que
eurocêntrica, intra-europeia e autocentrada. A concepção de que a modernidade teve origem com a
obra de Descartes, estabelecida principalmente por Hegel, é uma construção epistemológica
utilizada para delimitar a Europa como centro histórico da produção filosófica mundial. Através da
filosofia dusseliana investigamos essa miragem como um observador externo à Europa germano-
latina, realizando o deslocamento geopolítico necessário à compreensão do surgimento global do
pensamento moderno. A perspectiva adotada, portanto, é a de que a concepção anteriormente
relatada é falseada para integrar uma proposta ideológica de posicionamento da Europa como frente
do progresso civilizatório, não correspondendo à realidade da origem da modernidade.
Apresentamos a fundamentação de Ginés de Sepúlveda da práxis de dominação colonial trans-
oceânica, chamada ego conquiro, que será refutada por Bartolomé de Las Casas em sucessivas
críticas ético-políticas fundamentadas, já no século XVI, na responsabilidade pelo Outro. A
fundamentação de Las Casas é desenvolvida a partir do paradigma da Alteridade, posicionando-se
contrário à pretensão de única verdade da dita civilização europeia e da consequente violência do
processo civilizador.
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A análise do conceito de felicidade em Epicuro e Aristóteles
Leonardo Yuri da Cruz Brandão (UFPA)
Orientador: Rafael Estrela
Este trabalho tem por finalidade a análise e a exposição das diferentes concepções do
conceito de felicidade, tal como desenvolvidas por Epicuro de Samos e Aristóteles. Na obra Carta a
Meneceu, Epicuro afirma que o fundamento principal da felicidade consiste no prazer, que seria o
verdadeiro bem e a ação última dos indivíduos. Soma-se à compreensão do conceito de prazer para
o alcance da felicidade o conceito de ataraxia, que consiste na abstenção de temores e também é
fundamental para a concepção de Epicuro. Em contrapartida, na análise da obra Ética a Nicômaco,
Aristóteles expressa que o fundamento principal da felicidade é a virtude; que seria o fim último de
toda ação humana, na medida em que se baseia no conceito do termo médio, ou meio termo, e esses
consistem no sumo bem, que é a verdadeira felicidade. Tendo em vista essas duas concepções
eudaimonístas, a análise mostrará as divergências no pensamento dos dois filósofos gregos acerca
do conceito de felicidade, decompondo seus fundamentos e os expondo-o em suas buscas pelo
mesmo fim, a felicidade.
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Liberdade, responsabilidade moral e as atitudes reativas
Letícia Palazzo Rodrigues (UFU)
Se o determinismo causal - tese de que qualquer evento é determinado pelo passado e leis da
natureza - for verdadeiro, podemos ser responsabilizados por nossas ações? Essa questão é um
desdobramento do clássico problema da liberdade e necessidade; afinal, a presença de liberdade é
comumente apontada como condição para as práticas de responsabilidade moral. Aparentemente, a
descoberta de que o determinismo explica o funcionamento do mundo faria com que não
pudéssemos ter culpa ou mérito por ações que sequer escolhemos. A abordagem tradicional desse
dilema é uma discussão metafísica. No entanto, em seu artigo "Liberdade e ressentimento" (1962), P.
F. Strawson apresenta uma posição sobre nossa capacidade moral que leva ao abandono de tal
abordagem. O filósofo afirma que os otimistas e pessimistas do debate - provavelmente referindo-se
aos chamados compatibilistas e aos deterministas duros - "superintelectualizaram" a
responsabilidade moral, cuja garantia existe independentemente da verdade ou falsidade do
determinismo. Ele evidência, por meio do conceito de 'atitudes reativas', que o modo como já
culpamos ou atenuamos a culpa de pessoas por suas ações é natural, irrevogável e ocorre à parte de
pressupostos metafísicos. O objetivo dessa comunicação é analisar e discutir brevemente os
argumentos de Strawson perante o problema exposto.
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Felicidade Pública em Hannah Arendt
Lorena Moreira Pinto (UFMA)
O trabalho tem como objetivo apresentar a concepção de felicidade pública da autora
Hannah Arendt no seu texto “Ação e a Busca de Felicidade” (1960). No primeiro momento será
apresentado o contexto do escrito e, em seguida, uma breve introdução ao problema do sentido da
política a partir do fragmento “O sentido da política” da obra inconclusa “Introdução na política”
(1956); por fim, será analisada a relação que a autora busca estabelecer entre a categoria da ação e a
felicidade. Para Arendt o sentido da política, a liberdade, foi destituído do seu conteúdo ao
funcionar como meio para uma finalidade mais elevada, seja a liberdade intelectual ou a garantia da
produção. A Revolução Americana foi exemplar em ter buscado materializar a liberdade em forma
de leis e instituições. Em sua leitura sobre Jefferson e John Adams, os “Pais Fundadores”, Arendt
explora o problema da finalidade do governo. Ao se deparar com a ideia de “busca da felicidade”
nesses dois autores, Arendt percebe uma discrepância com a teoria política antiga e moderna: a
“busca da felicidade” aponta para a coincidência das categorias de meios e fins na política.
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Leibniz e a crítica ao empirismo de Locke
Luã Mateus Rocha Gonçalves (UFPA)
Orientador: Agostinho de Freitas Meirelles
John Locke sustenta em sua obra "Ensaio acerca do entendimento humano" a
impossibilidade do Inatismo cartesiano em sua concepção de experiência. Para Locke, todas as
ideias que em nosso entendimento residem têm origem no domínio da experiência sensível. Nossa
mente, segundo Locke, é absolutamente vazia de conteúdos antes que os objetos afetem os nossos
sentidos. Gottfried W. Leibniz, nos "Novos ensaios sobre o entendimento humano", embora
concorde com a tese lockeana, não incorpora ao seu racionalismo o modo como os empiristas se
posicionam com relação aos poderes do entendimento. Os empiristas não atribuem a prioridade
alguma de nossa intelecção sobre os dados de nossa sensibilidade. Diante dessa diferença de
posicionamentos, objetivamos em nossa pesquisa apresentar os pontos centrais da argumentação
leibniziana que o levaram à rejeição da crítica de Locke ao inatismo. Para a compreensão dessa
recusa analisaremos, sobretudo, os princípios da continuidade e dos indiscerníveis visando
demonstrar como Leibniz revisa a fórmula de Locke - "Nada há no intelecto que não tenha passado
primeiro pelos sentidos" - partindo de princípios que independem da experiência.
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Educação humanista Soka
Luana Chuq de Jesus (UFU)
O objetivo desta apresentação é analisar a Educação Humanista Soka (criação de valor), que
foi inspirada na filosofia de John Dewey e no Budismo. A pedagogia do Humanismo Soka, surgiu
com o educador japonês Tsunessaburo Makiguti. Iremos observar nesta comunicação como se deu a
implementação da Educação Humanista Soka de forma histórica, dentro da sociedade japonesa, e
quais foram seus alcances e suas mudanças ao ter sido posto em prática. Depois dessa análise
histórica, faremos uma observação de como foi a evolução das práticas educativas deixadas por
Makiguti fora do Japão, além de analisar a recepção de sua pedagogia e aperfeiçoamento de seus
métodos por outros educadores. Ademais, será abordado a constituição de um “Mandala de
Ensinamentos Humanistas”, e como tal sistema de práticas educacionais teve seu alcance no Brasil.
Estudaremos como é constituído o mandala e seus fundamentos, que bases serviram de inspiração
para a sua criação, sabendo assim a sua utilidade para a educação.
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A Renovação dos "Studia Humanitatis" e a Reflexão da Loucura no Contexto do
Renascimento
Lucas Cabral Ferraz de Lima (UFPA)
Orientador: Jonathan Molinari
Na Renascença, a produção cultural foi profusa. Dentre as composições, observa-se uma
certa pertinência quanto à loucura, principalmente no campo da pintura e literatura, que será
abordada das mais diferentes formas: expressiva, personificada como uma divindade, ou como
manifestação do pensamento reprimido. Será explorada a periferia deste termo, por entre as obras
produzidas no contexto do Renascentismo. Erasmo de Rotterdam, com sua obra escrita O Elogio da
Loucura, que divinizará a loucura. Serão abordadas as obras pintadas de Bosch: A Retirada da Pedra
da Loucura e O Jardim das Delícias Terrenas, esta que será analisada juntamente com a obra escrita
de Dante Alighieri na Divina Comédia, Inferno, Canto XXXIV, no verso 52 e Inferno, Canto XIV,
versos 79 e 80. Observa-se, portanto, uma cambiação no termo da loucura, e que a mesma é concisa
de uma individualidade, age seja no fanatismo dogmático, ou a vontade de expressar-se a fazer cujo
nosso desejo, usam-na a cada momento que necessitam ter a razão contra uma onda de
contrariedades, ou ir a favor dessa onda, que quebra paradigmas de cada era. Sendo assim, este
trabalho mostra a mutabilidade da loucura no contexto analisado e seu uso como liberdade de
expressão entre épocas.
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O conceito de imaginação de René Descartes e os seus desdobramentos científicos
Lucas Guerrezi Derze Marques (UFU)
Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto
Apresentaremos, de modo introdutório, o conceito de imaginação, ou de faculdade
imaginativa, em Descartes. Desvendando sua amplitude teórica, analisaremos sua relação com a
prática científica cartesiana, principalmente com o uso das hipóteses e das analogias na física e na
medicina. Veremos o quão Descartes se utiliza das suposições, das experiências e das máquinas em
seus estudos científicos e para poder criá-las de sua imaginação. Partindo desta breve análise
podemos, enfim, introduzir duas discussões atuais sobre o pensamento cartesiano. Primeiramente,
se há um idealismo ou, em vez disso, um não-idealismo na física de Descartes, ou seja, se o francês
realmente descartava todo tipo de experiência, ou não, e qual o papel da imaginação nesse processo.
E, por conseguinte, se há uma contradição entre seu método e sua prática científica. Por fim,
poderemos apresentar a segunda discussão, sobre a diferença real entre a utilização da faculdade
imaginativa na metafísica e na matemática pura, e nas ciências ditas compostas, que estudam a res
extensa, como a Física e a medicina, por exemplo.
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Funcionalidade instrumental e soteriológica da linguagem na escola budista do caminho do
meio de Nāgārjuna
Lucas Hernandes de Almeida (UFU)
A partir de uma leitura exegética e hermenêutica do Mūlamadhyamakakārikā (“Os versos
fundamentais do caminho do meio”) e do Vigrahavyāvartanī (“O extermínio dos erros”) de
Nāgārjuna, adotando um posicionamento apologético e uma orientação histórico-filológica, e
atentando-se ao contexto cultural e intelectual, assim como ao quadro de referência conceitual no
qual o autor está inserido, o presente trabalho tem como objetivo contribuir para o entendimento da:
(i) rejeição nagarjuniana ao uso metafísico da linguagem, em particular, a sua crítica à uma
semântica que pressupõe um elo estrutural entre expressões linguísticas e seus referentes, ao mesmo
tempo que reitera a eficácia causal e o uso pragmático da linguagem convencional para o
engajamento em atividades cotidianas sem a necessidade de assumir a realidade de seus referentes;
(ii) instrumentalização da linguagem em uma “reificação discursiva habilmente manipulada” (upāya)
como resolução da problemática existencial, através de uma multiplicidade de registros linguísticos
e de conceitos instrumentais - ie., os dharmas elementais, śūnyatā (“vacuidade”), e o par dicotômico
saṃvṛti-sat(ya) (“verdade convencional”) e paramārtha-sat(ya) (“verdade última”) -, que
constituem a dialética soteriológica da escola do caminho do meio do budismo mahāyāna
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Crítica e Religião: Um Olhar Sobre a Impossibilidade De Uma Moral Fundamentada Na
Religião
Lucas Igreja Pereira (UFPA)
Orientador: Agostinho Freitas Meirelles
Do homem que age segundo o instinto (arbitrium brutum) ao que age segundo a
racionalidade (arbitrium liberum), um conflito moral. Em meio a este conflito, percebe-se uma
aporia resultante de um uso incorreto e/ou equivocado da ideia de moral. Os dogmas religiosos vêm,
frequentemente, sendo confundidos com a moralidade. A moral é, entretanto, antes de tudo,
liberdade. Aqui, leia-se liberdade como sendo a possibilidade de escolha a partir da própria razão e
segundo suas próprias leis. Caso contrário, pela própria ausência de liberdade, a escolha já não mais
seria moral. O presente trabalho se propõe a refletir e discutir a noção e os fundamentos da
moralidade e demonstrando a impossibilidade desta se fazer refém de quaisquer dogmas ou
convicções de ordem religiosa. Para isto, apresento, primeiramente, a definição conceitual de
liberdade em Kant. Em segundo, demonstro que este princípio é fonte de possibilidade da ação
moral, e, por último, discuto as diferenças entre o agir religioso e o agir moral evidenciando a
impossibilidade do segundo se fundamentar no primeiro.
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Uma análise da canção "Eu quero é botar meu bloco na rua" a partir de Adorno
Lucca Fernandes Barroso (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Júnior
O objetivo deste trabalho é analisar a canção “Eu quero é botar meu bloco na rua” do
cancioneiro e compositor capixaba Sérgio Sampaio. Será realizada uma reflexão acerca dos
aspectos pessoais e políticos da canção de Sérgio Sampaio, com uma abordagem que elucidará a
relação do compositor com a indústria fonográfica e o contexto do período histórico vivido no
Brasil no momento de feitura da canção, sendo este a ditadura militar. Para isso, será usado como
aparato filosófico a tese de doutorado do pesquisador Jorge Verly, intitulada "Adornado um velho
bandido: Sérgio Sampaio à luz de Theodor W. Adorno" e, consequentemente, as considerações do
próprio Adorno em relação ao estilo musical denominado música popular, trazendo à tona
elementos relacionados à constituição de tal estilo, aplicando tais considerações à música popular
brasileira. Será demonstrado, com a assertiva de que nem toda produção de arte popular é da
indústria cultural, que algumas observações de Adorno acerca da música popular não se aplicam ao
caso da música feita por Sérgio Sampaio.
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O conceito de dispositivo nas obras de Michel Foucault
Ketlin da Silva Gonçalves (UFU)
Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira
O objetivo desta pesquisa é trabalhar o conceito de dispositivo em Michel Foucault,
analisando o movimento que o envolve e o esclarece dentro das obras: Vigiar e punir e História da
sexualidade vol.1. Em Vigiar e Punir, o autor problematiza o nascimento das prisões, contrapondo, à
hipótese de uma humanização, a necessidade de uma nova economia de controle da sociedade, que
vai se traduzir no dispositivo de disciplina, estendendo-se às escolas, hospitais, fábricas e exércitos.
Em História da sexualidade vol.1, o autor problematiza a questão da sexualidade, contrapondo à
hipótese repressiva, também a necessidade de uma nova economia de controle que, na verdade,
incita os discursos sobre tudo que a envolvia, traduzindo-se no dispositivo de sexualidade.
Pretende-se, portanto, nesta análise, partir das condições de possibilidade para a instalação dos
dispositivos de disciplina e de sexualidade, demonstrar suas configurações na sociedade –
esclarecendo, a partir de seu funcionamento e finalidade, a própria definição do conceito – e,
explicitar, como as relações multilineares entre poder e saber produzem novas subjetividades nos
dois âmbitos, permitindo que os dispositivos se enraízem e se generalizem na sociedade.
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A construção da Sociedade Moderna apresentada em "Totem e Tabu", de Sigmund Freud
Malu Marinho da Silva (UFU)
A comunicação inscrita objetiva discutir a origem da sociedade moderna, assim como a
religião e a moral, a partir da visão de Sigmund Freud, apresentada no livro “Totem e Tabu” (1913),
argumentando a influência da ancestralidade na construção das relações de poder social. Na obra
citada, Freud busca conceituar o termo “tabu”, considerando-o enquanto ponto originário das
religiões, baseado na necessidade de controle do mundo e na crença dos desejos. Freud nos
apresenta, também, a ideia de totem, definido como um objeto corporificado de poder, remetendo-se
à imagem de Deus, que, consequentemente, afeta as organizações sociais, formulando diretamente a
base patriarcal de nossa sociedade, discutindo a imagem do pai, figura central nas famílias
modernas; o totemismo é visto aqui como um sistema de organização das bases sociais de todas as
culturas. O autor relaciona a origem da infância com o totemismo, buscando discorrer sobre a
passagem da imagem do pai tirano ao pai simbólico. Problematiza-se a construção da sociedade
moderna enquanto dependente dos Totens e Tabus, investigando a influência alienadora do pai, de
Deus, e das leis.
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Estética e política: Hannah Arendt leitora de Kant
Maria Clara Alves Cabral (UFPA)
Orientador: Pedro Paulo da Costa Coroa
O presente trabalho pretende abordar, ainda que de modo sucinto, a proposta de relacionar
política e estética, feita por Hannah Arendt em sua conhecida obra intitulada Lições sobre a filosofia
política em Kant. O esclarecimento dessa associação construída pela autora tem como ponto de
partida uma dúvida sobre a possibilidade do que ela propõe em sua interpretação, uma vez que a
autora aproxima, em um mesmo tema (política) dois tipos distintos de juízo, segundo a classificação
de Kant: um que é objetivo e envolve a moral e a política, e outro que é subjetivo, chamado por
Kant de “juízo de reflexão”. Finalmente, como a questão central para Arendt é o problema da
liberdade, conceito que, em Kant, aparece tanto na área da estética quanto da moral, tentaremos
mostrar, tendo em vista a perspectiva da autora sobre a modernidade, o que a fez notar na Crítica da
Faculdade de Julgar uma chave de leitura para a filosofia política, e para isso é fundamental sua
concepção de ação política presente na obra A Condição Humana.
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A concepção ética do "cuidado de si" em Foucault
Marina Barbosa Sá (UFU)
Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira
Pretendemos investigar a concepção ética de Foucault que se baseia no “cuidado de si” e sua
culminância na vida como obra de arte, a qual o autor denomina de “estética da existência”. Iremos
nos basear na leitura do volume 3 da obra "História da sexualidade" - o cuidado de si - e também no
texto "Escrita de si", presente na obra "Ditos e escritos", volume 5, de Foucault. Nesses escritos, o
autor irá tratar do tema supracitado. Segundo Roberto Machado, Foucault levanta a hipótese de que,
entre o séc. IV a.C. até o séc. II d.C., os gregos e os romanos elaboraram uma estética da existência,
uma arte de viver no sentido de um cuidado de si, de uma criação da própria vida com obra de arte.
O filósofo irá realizar um recuo histórico à antiguidade greco-romana, e se voltará para as chamadas
"práticas de si", para as relações de si consigo mesmo. Por fim, almejamos compreender em que
medida a ética do cuidado de si não constitui somente um exercício individual, de solidão, mas uma
verdadeira prática social.
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Das ideias indígenas, os conceitos: perspectivismo ameríndio e cosmopolítica
Michel Pinheiro de Siqueira Maywald (UFU)
Orientador: Luiz Carlos Santos da Silva
O objetivo dessa comunicação é abordar o perspectivismo ameríndio como uma das formas
de pensar a relação da humanidade com a natureza, forma essa que considera a natureza de forma
ativa, assim como sua relação com os humanos. Esses polos, identificáveis por nós como humanos e
não-humanos, são apresentados aqui pelas agências heterogêneas que estabelecem entre si. O que
nos interessa para esta apresentação é uma perspectiva outra: a perspectiva indígena e o que
Viveiros de Castro pretende quando define o perspectivismo ameríndio como um conceito filosófico,
fugindo do que ele chama de “A regra do jogo”, no texto O Nativo Relativo. Tomar as ideias
indígenas por um conceito filosófico (tão filosófico quanto os conceitos filosóficos europeus que
nos são caros) representa um esforço descolonial em admitir suas consequências e possibilidades.
Assim, para desvelar o conceito que nos é mais caro, o de cosmopolítica, utilizaremos da
abordagem antropológica sobre os conceitos de perspectivismo ameríndio, multiculturalismo e
multinaturalismo. Para isso será necessário explicar passagens específicas de diferentes textos
antropológicos caros ao tema, buscando perceber a importância que estes conceitos possuem para a
filosofia e para o entendimento do que chamamos de cultura.
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Sócrates: Resiliência, filosofia e risco de morte
Nelson Perez de Oliveira Junior (UFU)
Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho
No Banquete, Sócrates é retratado como o paradigma do filósofo e possuidor de uma
resistência física e mental incomuns. No Fédon, há a defesa de que o risco de morte é menos
importante que uma vida dedicada à filosofia e ao exame do homem por si mesmo. No Mênon, há a
constatação de que a dialética socrática expunha ao risco tanto Sócrates quanto seu interlocutor.
Ambos retirados da zona de conforto enraizada em conceitos e premissas de verdade que não
pudessem ser postas em dúvida. A dúvida impulsionava a alma e a curiosidade de Sócrates. Portanto,
ele não se via amarrado a nenhuma posição que lhe impedisse a liberdade de pensamento e de
crítica. O movimento livre da alma de Sócrates lhe era mais precioso que o risco de morte que sua
atividade filosófica pudesse propiciar. A atividade filosófica de Sócrates impôs uma grande questão:
Há alguma causa ou princípio para os quais se vale a pena arriscar a própria vida? O objetivo deste
trabalho é avaliar esta questão à luz da resiliência de Sócrates, da liberdade da alma como um
princípio de movimento e da felicidade como um impulso oriundo da união psicofísica da alma com
o corpo.
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A educação para a autonomia em Jean- Jacques Rousseau
Nhadilla Gomes de Caldas Silva (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Jr.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar um estudo sobre a obra Emílio ou Da
Educação de Jean-Jacques Rousseau, levando em consideração a formação e o desenvolvimento
humano, partindo de uma análise sobre a relação entre natureza e educação. Como formar um ser
humano livre, mas ainda assim capaz de viver em um círculo social? Como ele dirá sobre sua obra,
não se trata de um manual de educação, mas princípios cuja aplicação dependem de inúmeros
fatores e circunstâncias. É com base nesta obra, em outras obras de Rousseau e com o apoio da
bibliografia dos estudiosos de seu pensamento que teremos uma perspectiva do que é a educação, e
como ela é importante para a emancipação dos indivíduos. Rousseau realizou, no Emílio,
observações cuidadosas sobre os processos de desenvolvimento físico e cognitivo do ser humano e
várias sugestões sobre possibilidades pedagógicas de explorar estes processos, enfatizando sempre o
papel da natureza nestes processos "observai a natureza e segui o caminho que ela vos indica"
(ROUSSEAU, 1992, p. 22).
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Uma análise da interferência das mídias no contexto escolar da educação filosófica
Nicolle Ferreira da Silva (UFPA)
Orientadora: Aline Brasiliense dos Santos Brito
Esta pesquisa tem como objetivo apresentar e analisar a interferência das mídias no contexto
escolar do ensino de filosofia em alunos do ensino médio, uma vez que representam um importante
papel no processo de ensino e aprendizagem da filosofia no ensino básico. Tratando-se dos
contextos de espetáculos e de midiatização, visamos discutir de que forma tais contextos
contribuem para a inserção da filosofia num contexto educacional interdisciplinar e, ainda, como
podemos utilizá-los de forma crítica, proporcionando ao estudante uma certa autonomia. Para o
alcance de nosso objetivo, iremos utilizar como referência o conceito de indústria cultural de
Adorno & Horkheimer tendo em vista a recepção passiva pelo sujeito de informações oriundas da
mídia, a obra A Sociedade do Espetáculo (1997) de Guy Debord, o livro Simulacro e Poder: uma
análise da mídia (2006) de Marilena Chauí e, por fim, o capítulo de livro Filosofia e Mídia (2007)
de Márcia Tiburi.
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A teatralidade enquanto emergência no tecido do real
Olívia Lagua de Oliveira Bellas Fernandes (USP)
Orientador: Ricardo N. Fabbrini
Se discute a questão da representação, ficção e realidade no teatro e na performance, dentro
do contexto de um teatro pós dramático: de que maneira se dá a inserção da obra cênica no tecido
do real, qual seus efeitos, se e de que maneira o próprio estatuto desse real é alterado pelo gesto do
artista em contato com um público ativado pela provocação da obra. A discussão é impulsionada
pela performance Animal Laborans, do Coletivo Parabelo, realizada na Praça da Sé, em São Paulo
(2010). A obra serve de material para um estudo do que é colocado em jogo pelo sujeito artista para
que se crie uma percepção extra cotidiana do entorno, bem como da reação das pessoas em contato
com a performance: de que maneira o espectador tem um papel crucial na semiotização da vida, na
instauração da teatralidade. No caso da obra base da comunicação, que se dá no tecido do cotidiano,
não há a expectativa de teatralidade a priori. Como se dá, então, a recepção à inserção do teatro
nesse plano? Como, quando, em que medida a teatralidade se instaura? A pesquisa se dá através das
reflexões de autores como Hans-Thies Lehmann, Maurice Merleau-Ponty e Josette Féral.
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Causalidade em Aristóteles
Paulo Vitor Pinho de Siqueira (UFU)
Orientador: Fernando Martins Mendonça
Apresentaremos a noção de causalidade em Aristóteles, sobretudo no capítulo 3 do livro II
da Física e capítulo 2 do livro V da Metafísica, expondo, principalmente, os quatro tipos ou espécies
e os múltiplos modos de causa distinguidos por Aristóteles no capítulo 3 e 2 dos livros supracitados,
bem como suas inter-relações. Para Aristóteles, o ser se diz de muitos modos (Τὸ ὂν λέγεται μὲν
πολλαχῶς) (Met IV 2 1003a33), e também a causa se diz de muitos modos (λέγεται αίτια πολλαχώς)
(Física II 3 195a28). Ou seja, além da clássica distinção entre as quatro espécies de causa,
Aristóteles expõe também os modos pelos quais as coisas que satisfazem os requisitos necessários
para serem designadas causas (ou causadas) podem ser ditas serem causas (ou causadas). Aristóteles
opera com algumas noções nesse campo dos modos de causa, tais como: particular e gênero;
concomitância; ato e potência. Tais noções são de suma importância para se compreender
adequadamente a teoria aristotélica da causalidade.
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A utilidade da noção de Grandeza Negativa na filosofia prática
Paulo Vitor De Souza Queiroz (UFPA)
Orientador: Pedro Paulo Da Costa Corôa
Como sabemos, Kant sempre se preocupou em nos mostrar que a matemática e a filosofia
são duas formas distintas de conhecimento que nunca podemos misturar. O que elas têm em comum
é que ambas são conhecimentos racionais, portanto, independentes dos dados da experiência. A base
da organização de ambas é a estrutura lógica do nosso pensamento, enquanto as ciências empíricas,
além do pensamento, necessitam, como ele diz, do testemunho da experiência. Apesar disso, Kant
escreveu um pequeno texto em sua fase pré-crítica em que defende um uso correto de proposições
matemáticas pela filosofia, e, surpreendentemente, na filosofia prática. O nosso objetivo é
esclarecer como é possível, levando em considerações questões metafísicas, que Kant, com a ajuda
do conceito matemático de grandeza negativa, tente solucionar um problema da filosofia moral tão
distante de assuntos teóricos. O êxito talvez esteja na nossa tentativa de excluir as contradições
presentes nas interpretações mal fundamentadas de alguns filósofos a respeito da insociável
sociabilidade dos homens.
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A Metafísica Aristotélica e os Primeiros Princípios do Discurso Racional
Pedro Lemgruber Nascimento (UFU)
Orientador: Fernando Martins Mendonça
Ao longo dos catorze livros que compõem a Metafísica, Aristóteles apresenta sua concepção
de uma ciência que este julga inaugurar ou, ao menos, sistematizar rigorosamente pela primeira vez.
Diversos nomes e expressões são usados por Aristóteles para se referir a tal ciência, entre eles:
sabedoria, filosofia primeira, ciência do ser enquanto ser e estudo das primeiras causas e
princípios. Compreender o sentido dessas e outras descrições de forma unificada, isto é,
entendendo-as como se referindo a uma mesma coisa, ou diferentes aspectos de uma mesma coisa,
não é nada trivial, e por si só requer um esforço filosófico, filológico e hermenêutico, especialmente
considerando a natureza problemática do corpus aristotelicus e a polissemia dos termos gregos
empregados. No presente trabalho, apresentaremos uma explanação da expressão estudo das
primeiras causas e princípios e demonstraremos como, no prisma de nossa leitura, a metafísica
aristotélica cumpre seu papel de fundamentar o conhecimento científico e estabelecer a base
ontológica da lógica formal. Especificamente, tomaremos os primeiros princípios indemonstráveis
que a metafísica estuda como os axiomas comuns da lógica, tal como o princípio de não-
contradição e do terceiro excluído, e esclareceremos como e porque tal conteúdo é objeto da
metafísica tal como Aristóteles a concebe.
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Kafka e a filosofia: Sobre a paternidade e conceito de autoridade
Pedro Marques Cintra (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Júnior
Nesta comunicação abordarei um dos aspectos que considero de grande importância sobre
Kafka onde me debrucei ultimamente; a questão da paternidade, entendendo-a como o princípio da
hierarquia, dentre todas as relações possíveis e quase possíveis, pelo menos no pensamento
ocidental. No que tange a ligação de Kafka com seu próprio pai, em uma carta escrita ao patriarca
encontramos as principais ferramentas para entender como funciona essa condição culturalmente
imanente e frequentemente angustiante. Como um processo interminável, sem crime, e com juízes
que tem um espírito paternal de punição avassalador. Por vezes, os estudiosos recorrem às teorias de
Freud para interpretarem Kafka, especialmente, a ideia de falta, para aproximação da figura do pai e
Deus, como se o judaísmo e seus derivantes nascessem da morte da entidade paterna para edificar
regras morais. A autoridade como absoluta e inquestionável é esmagadora, por isso, nesta
perspectiva, o conceito mais importante para entender Kafka: a autoridade. Para desenvolvermos
esta pesquisa utilizamos além das leituras de Kafka, principalmente, a obra de Deleuze e Guatarri,
Kafka: por uma literatura menor, de 1975. Junto com alguns aspectos da filosofia de Niezsche.
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A questão dos direitos humanos no pensamento de István Mészáros
Públio Dezopa Parreira (UFU)
Este trabalho analisa a questão dos direitos humanos no pensamento do filósofo húngaro
István Mészáros (1930-2917). Nesse sentido, toma-se como ponto de partida o artigo “Marxismo e
Direitos Humanos”, publicado em ocasião dos 30 anos da Declaração Universal dos Direitos
Humanos das Nações Unidas. Mészáros afirma a crítica marxista da ilusão jurídica ao enxergar uma
contradição entre os direitos do homem e a realidade da sociedade capitalista, ao mesmo tempo em
que propõe a inexistência de uma oposição apriorística entre marxismo e direitos humanos. Para
tanto, critica o que chama de interpretação liberal da rejeição de Marx à concepção liberal de lei (a
compreensão dos sistemas jurídico e político como determinação direta e mecânica das estruturas
econômicas da sociedade) e resgata a noção de desenvolvimento livre das individualidades,
proposta nos Grundrisse. Assim, o filósofo húngaro centra seu pensamento sobre o tema na questão
da emancipação humana. Nesse sentido, a presente reflexão objetiva primordialmente analisar a
questão dos direitos humanos a partir do pensamento de Mészaros e em suas interações com o
pensamento de Marx, e, secundariamente, avaliar a possibilidade de situar juristas soviéticos, a
exemplo de Evguiéni Pachukanis, como alvos da crítica feita por Mészáros.
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A educação -instrução para a Felicidade- em Sêneca
Rafael Batista Lopes de Oliveira (UFU)
O objetivo principal deste resumo é analisar a educação para a boa vida em Sêneca. Para ele,
a ferramenta fundamental que o indivíduo deve possuir para alcançar a felicidade é uma alma
racional. A racionalidade é o atributo humano que lhe possibilita entender o mundo e adquirir o
Bem supremo, que é viver em conformidade com a Natureza. Assim, o homem entra em um estado
mental imperturbável e consegue compreender a Verdade dos seres: o que deve ser amado e o que
não se deve dar importância. Entretanto, o indivíduo não educado desde a menoridade pode vir a
apresentar dificuldades para alcançar a boa vida e, prioritariamente, não se contentar com ela. A
epistemologia estoica, corrente filosófica em que Sêneca se insere, é puramente empirista. A jovem
alma é receptível a tudo o que lhe é interessante, ela se molda facilmente. Por isso, quanto mais
errôneo é o assentimento, mais o indivíduo se distância da boa vida, visto que, com o passar do
tempo, concretiza-se cada vez mais aquilo que a alma toma como verdade. Isto desencadeia paixões,
que são perturbações na alma. Quanto menos a alma ouve a razão, de maneira menos suave ela
poderá ser curada.
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O Tropicalismo Brasileiro: Considerações Estéticas, Culturais e Políticas
Rafael Miranda Gonçalves (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida
Esta comunicação tem como objetivo explicitar e analisar o Tropicalismo Brasileiro,
movimento de contracultura que se iniciou na década de 60, em meio à conjuntura e aos conflitos
políticos que resultaram no golpe civil-militar de 1964. O objetivo do movimento foi claro:
experienciar a liberdade em vários âmbitos da cultura, ou seja, buscava a liberdade de se manifestar
artisticamente, de as pessoas se relacionarem sexualmente sem as amarras morais do
conservadorismo imperante na época, na sociedade brasileira, e também de se opor ao regime
político implementado pelo golpe. Deste modo, irei discorrer a respeito da trajetória deste
movimento, apontando um duplo papel da arte: arte de vanguarda, que pretendia inovar
esteticamente e o protesto que pretendia mobilizar a sociedade brasileira. Denominarei esta dupla
função como: artivismo. Para tanto, embasarei este trabalho com os estudos de pensadores
brasileiros, principalmente o filósofo Celso Favaretto e sua obra Tropicália Alegoria Alegria; e
também utilizarei os estudos a respeito da correlação entre homem e sociedade de Herbert Marcuse
presente principalmente em sua obra Eros e Civilização.
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A vontade de saber/verdade e o regime de práticas discursivas em Foucault
Raphael Souza Borges Junior (UFU)
Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira
O objetivo desse trabalho é examinar como Foucault aborda a questão da vontade de
saber/verdade no primeiro volume da História da Sexualidade. Há a hipótese de que nossa
sexualidade fora reprimida a partir do advento da burguesia e do sistema capitalista; finalmente
Freud e todas as ciências que se ocupam de um saber sobre a sexualidade teriam nos libertado.
Aceitar tal hipótese implica em abandonar uma série de outras questões a esse respeito, que lhe são
muito mais determinantes. Nesse sentido, o autor desloca a pergunta para o porquê de
considerarmos que fomos reprimidos um dia e que não o somos mais hoje; isso envolve a relação
entre a vontade de saber e um regime de práticas discursivas, que são perpassadas, portanto, pelo
poder. Com efeito, tais são os nossos objetos de análise, que desembocam em um dos principais
conceitos do autor: a noção de dispositivo.
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A faculdade da imaginação em Kant: uma capacidade produtiva
Rodrigo Ferreira Andrade (UFU)
Orientador: Olavo Calábria Pimenta
Neste trabalho nos dedicaremos a investigar, de acordo com o pensamento do filósofo
alemão Immanuel Kant, a faculdade da imaginação. Mais especificamente, nosso objetivo principal
consiste em expor a concepção kantiana que considera que a imaginação se caracteriza não só como
uma capacidade reprodutiva, ou seja, uma faculdade responsável por trazer de volta ao ânimo uma
intuição empírica que já se possuía previamente (evocativa), mas se caracteriza também como uma
capacidade produtiva, isto é, uma faculdade de exposição original do objeto (poética). A partir disto,
pretendemos ser capazes de identificar em que contextos a imaginação desempenha um papel
produtivo e quais são esses objetos que a ela pode produzir. Este caráter produtivo, que Kant
concede à imaginação, marca uma novidade no modo de pensar a respeito de tal faculdade, uma vez
que, em sua época, os modernos a consideravam como sendo apenas uma capacidade reprodutiva.
Como apoio para alcançar nosso objetivo, utilizaremos a Crítica da Razão Pura (1781/1787), a
Crítica da Faculdade do Juízo (1790) e a Antropologia de um ponto de vista pragmático (1798),
sendo esta última obra essencial para nós, pois é nela que Kant trata mais detalhadamente acerca
das características fundamentais da faculdade da imaginação.
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A arte da vontade em Ticiano e Schopenhauer
Sabrina de Cássia Alencar Gonçalves (UFPA)
Orientador: Ivan Risafi
Nosso objetivo nesse artigo é apresentar a abordagem do filósofo Arthur Schopenhauer
acerca do conceito de Vontade, conceituada no livro três de O mundo como vontade e como
representação (1819). Para tanto, analisaremos a pintura de Ticiano – Vênus de Urbino – e como ela
se objetiva, visto que nela podemos distinguir explicitamente a conceituação de Schopenhauer sobre
a Vontade. Trata-se de tematizar porque o filósofo afirma que, devemos nos afastar totalmente dos
prazeres advindos da vontade para que possamos obter a salvação do corpo, pois como dizia
Schopenhauer analogicamente o corpo que sustenta a cabeça, está sempre a olhar para frente.
Veremos que Schopenhauer acredita que, por meio da arte possamos alcançar a quietude da Vontade,
ou seja, precisamos da arte mesmo que essa quietude alcançada seja passageira. Portanto, através da
obra renascentista em questão podemos esclarecer a concepção schopenhaueriana da intuição e
contemplação artística. Nesse sentido, veremos como Schopenhauer atribui à arte a concepção da
essência íntima da beleza, reconhecendo na contemplação sem interesse a neutralização das dores
existenciais e da própria Vontade.
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A ambição feminina no século XVIII
Shayane Vitoria Silva (UFU)
Este trabalho tem por objetivo apresentar um estudo sobre a questão da liberdade das
mulheres e as limitações que sofriam e sofrem por diversas questões relacionadas à determinação de
papéis sociais para os gêneros. Nossa fundamentação teórica principal é a obra de Elisabeth
Badinter, especialmente Emilie, Emilie: a ambição feminina no século XVIII. Badinter pesquisa e
reflete sobre as restrições sociais que as mulheres sofriam no século XVIII, mais especificamente,
tendo como modelos paradigmáticos duas mulheres deste século: Madame de É’pinay e Madame du
Chatêlet em contraposição a filósofos iluministas como Voltaire e Rousseau. A ambição que, pode
ser entendida pela vontade de ser mais do que é, ou ter mais do que se possui, considerada positiva
para os homens e negativa para as mulheres, segundo os preconceitos da época. A consequência
deste processo é que a iniciativa de se tornarem cientistas, escritoras, diplomatas, magistradas e
outras funções similares, era considerada ruim para a sociedade, uma vez que a ambição feminina,
causaria desordem na sociedade por não condizer com a natureza das mulheres. Veremos que
inúmeras questões supostamente já superadas estão ainda presentes em nossos dias.
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Filosofia da Religião e Cultura Quilombola - uma análise nutricional do cozido de carne
distribuído nos festejos a São Joaquim no Curiaú de Fora, em Macapá-AP
Stefany Caroline Pantoja Amorim (Instituto Federal de Educação Ciência e
Tecnologia do Amapá - Campus Macapá)
Orientador: Ricardo Soares Nogueira
A Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú é uma Unidade de Conservação de Uso
Sustentável criada pela Lei Nº 431, de 15.09.1998, e publicada no Diário Oficial do Estado do
Amapá sob o Nº 1891 neste mesmo dia, possuindo uma área total de 21.676 hectares. Nesta
encontra-se o Quilombo do Curiaú, reconhecido em 1999 pela Fundação Palmares como área de
remanescentes de descendentes afro-brasileiros escravizados para a construção da Fortaleza de São
José de Macapá, maior fortificação luso do continente americano. Assim, este estudo objetiva o
desdobramento cultural a partir do festejo ao padroeiro, São Joaquim, de maneira sincrética com o
batuque e o marabaixo como expressões identitárias, misturando elementos do catolicismo popular
com a hagiografia, onde, o profano e o sagrado formam genuínos e ricos traços de
etnoconhecimentos do povo negro. Com as análises das propriedades nutritivas presentes nos
temperos, legumes, verduras e proteínas do cozido de carne servido na ocasião, traçam-se os
fundamentos para compreensão das leituras que sustentam a conjectura da religiosidade popular
vivenciada pelas famílias quilombolas estudadas por esta experiência cultural 'in loco', melhorando
as compreensões da religiosidade de acordo com sua abordagem filosófica no ensino médio da Rede
Federal de Educação Profissional.
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A “Fortuna”, e as alegorias que a Filosofia se transveste e se relaciona: a consolação da
filosofia de Boécio
Stieven Max dos Santos Nascimento (UFPA)
Orientador: Jonathan Molinar
Severino Boécio, filósofo, poeta e teólogo italiano é o divisor de pensamentos, pois viveu no
tempo da antiguidade ao medieval (480-524) e teve contato com os textos de Platão e Aristóteles os
remetendo à sua filosofia. Irei relacionar e explicar a concepção de sorte e como a alegoria da
fortuna, dita na A consolação da filosofia, se permeia com a sorte em Boécio, pois gira o estigma
em torno na moral do homem. A filosofia se coloca como sabedoria para compreender melhor a
sorte, e também compreender a própria situação em que o filósofo se encontrava, a saber,
encarcerado, fato histórico. A filosofia estabelece com Boécio por meio do diálogo uma relação de
amor e ódio sentida pelo filósofo, onde ele reconhece que a vida é influenciada por ela, sendo
objeto de uso dos anseios do homem. Nas alegorias se tem uma imagem da decadência, matam a
razão e fazendo com que ela tenha uma maneira de ressurgir na alma humana de Boécio.
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Buber e Levinás: Para uma vivência mais humanista
Suellen Lima (UFPA)
Orientadora: Iêda Fernandes da Silva.
O presente estudo visa analisar as relações entre a filosofia de Martin Buber (1878-1965) e
Emmanuel Levinás (1906-1995), dois teóricos do século XX, no que diz respeito à ética da
alteridade e o encontro Eu-Tu. Nesse contexto a fragilidade relacional vigente no mundo
contemporâneo ocorre desumanizando seus indivíduos em um processo de isolamento e solidão que,
os sucumbe fatalmente na perda de identidade e na desposse de si mesmos, os levando a uma vida
vazia, despotencializada, egoísta e desumanizante na esfera social, onde os indivíduos deveriam em
meio a esta confusão ajudar-se a dirigir o seu ser a liberdade, pois precisamos do outro para sermos
nós mesmos, e nos reconhecermos como humanos, para nos edificarmos através da relação
dialógica que possibilitará uma vivência mais humana, sincera, responsabilizada mais próxima do
encontro do Tu por reconhecer a responsabilidade para com o outro no relacionamento face-a-face.
De fato, toda relação pressupõe uma dimensão ética, e isto presume uma vivência humanizada entre
os indivíduos.
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A relação das disposições mentais e os domínios filosóficos segundo Aristóteles
Taila de Abreu Ribeiro (UFPA)
Orientador: Pedro Paulo da Costa Côroa
A proposta de comunicação tem como seu objetivo principal discorrer sobre um tema
clássico: a divisão da filosofia em domínios diferentes de investigação. A intenção é mostrar que
essa divisão, embora aceita, não costuma ser bem justificada, mesmo que suas bases, propostas por
Aristóteles, sejam admitidas até hoje como inerentes à filosofia. O ponto de partida segue a
premissa de que, desde os gregos, a filosofia já dispunha da ideia de uma organização e ordem que
permite distinguir com rigor os seus ramos particulares de investigação. Com isso, a fonte de
explicação que vem a ser utilizada na análise será o livro VI de Ética a Nicômaco, pois é
precisamente nesta obra que se tem por interesse abordar a divisão estabelecida por Aristóteles,
delineando, assim, os três domínios da filosofia: teórico, prático e poético. Tendo como destaque,
em particular, os domínios teórico, prático e as capacidades da mente sobre os quais estes estão
assentados, a diánoia e o nous. Finalmente, essa exposição pretende mostrar que à cada uma dessas
disposições da alma corresponde uma competência filosófica.
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Dominação, esclarecimento e propaganda fascista em Theodor Adorno
Victor Hugo Amaro Moraes de Lima (UFPA)
Orientador: Ernani Pinheiro Chaves
Na Dialética do Esclarecimento, Theodor Adorno e Max Horkheimer visam buscar as
origens da barbárie nazifascista, que seria resultado da Aufklärung, pois ao promover a dominação
técnica sobre a natureza e a substituição da mentalidade supersticiosa pelo saber racional, acaba ela
mesma se tornando mítica e servindo como instrumento de poder totalitário. Pretendemos relacionar
estas afirmações conjuntamente com o ensaio Antissemitismo e Propaganda Fascista, do qual
Adorno é um dos coautores, onde a luz da teoria psicanalítica analisa uma série de casos de
propagandas antidemocráticas e antissemitas norte-americanas. Os autores concluem que elas são
essencialmente não objetivas, personalizadas, procurando construir e atacar imagens de judeus e
comunistas, pensadas e organizadas visando uma irracionalidade aplicada, para a manutenção de
um in-group. O objetivo desta pesquisa é relacionar os dispositivos psicológicos utilizados pelos
agitadores fascistas norte-americanos como estando diretamente ligados ao projeto do
esclarecimento descrito na Dialética: ao pregar uma irracionalidade aplicada, os agitadores buscam
manipular os dispositivos inconscientes de seu público, assim como no esclarecimento, onde o
conhecimento técnico sobre a natureza se torna conhecimento técnico sobre os homens, negando
sua capacidade de autorreflexão, relacionando, assim, o discurso do agitador fascista com as
práticas de dominação extremas atingidas pelo esclarecimento
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Noção de Descontinuidade na Arqueologia do Saber de Michel Foucault
Victor Lucas Caixeta (UFU)
Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira
O objetivo geral deste trabalho é delinear, na obra “Arqueologia do saber” de Michel
Foucault, a noção de descontinuidade que emerge da análise dos discursos concernentes aos saberes
sobre homem. As análises tradicionais da história das ideias procuravam encontrar para o seu
aparecimento e transformações um fio condutor único, imutável. Opondo-se à busca por uma
origem longínqua, à identificação de uma evolução guiada por uma finalidade proposta pela razão, à
síntese de todo um longo processo de aperfeiçoamento do pensamento numa consciência coletiva
através do tempo, a todas as tentativas de dotar de um sentido unificador e totalizante
acontecimentos discursivos diversos e dispersos, Foucault lança um novo olhar que resulta na
delimitação de blocos discursivos singulares e heterogêneos, com individualidades e limites
próprios. Mediante as diretrizes do método arqueológico, o pensador francês prescindirá, assim, de
elementos externos aos discursos para explicar sua irrupção, uma vez que as regras de sua formação
podem ser encontradas dentro das próprias relações entre os enunciados que os compõem. Com
efeito, a aglutinação dos discursos em um conjunto, o estabelecimento de uma unidade discursiva
característica, se dará não mais em torno do sujeito histórico-transcendental, mas a partir destas
regularidades comuns a seu processo formativo.
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O desenvolvimento da noção de intencionalidade na segunda via da Terceira Meditação, de
René Descartes
Vinicius Henrique Silva Franco (UFU)
Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares
Elaboraremos, na Terceira Meditação, especialmente nos parágrafos 16 a 25, como o
conceito escolástico de intencionalidade foi desenvolvido na segunda via de Descartes – na qual é
apresentada a primeira prova da existência de Deus através da ideia do infinito –, tese
primeiramente anunciada por Franz Brentano na conferência de 1865, na Alemanha, o qual viria a
exercer, posteriormente, marcante influência sobre a filosofia de Edmund Husserl, embora para este
último, influenciado pela filosofia neo-kantiana, Descartes perdera a noção de intencionalidade,
posto que, supostamente, perdera também o sujeito. Para isso, recorreremos, inicialmente, a
algumas interpretações medievais acerca do intentio, focando-nos, principalmente, nas Questões 84-
5 da Summa Theologica de Tomás de Aquino, para, em seguida, analisar a descontinuidade
conceitual despertada pela ruptura moderna em Descartes, e então, finalmente, mostrar a
repercussão desse debate no despertar da fenomenologia. Como elo central desse trabalho, o foco
recairá sobre a nova concepção de intencionalidade inaugurada por Descartes ao subverter a ordem
da primeira via, sob a qual se assentava a filosofia escolástica, e partir do conteúdo ideático para seu
ideado.
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A Concepção kantiana do Espaço e do Tempo
Vinicius Williams Silva (UFPA)
Orientador: Eduardo Ramos
Nos primeiros anos acadêmicos de Kant, na Universidade de Konigsberg, de 1740 a 1746,
foi influenciado por uma versão da metafísica de Leibniz que havia sido popularizada pelo filósofo
alemão Christian Wolff e também pela física matemática de Newton. Seu professor, Knutzen,
mostrou as complexidades, contradições e oposições desses grandes filósofos naturais (Coulston3,
2007, p. 1263). Além desses dois filósofos, Kant teve conhecimento e influência dos escritos de
Locke e Descartes, pois estes debateram a respeito de tempo e duração. Conceitos esses que, foram
uma das bases de sua filosofia sobre o tempo (Caygill4, 2000). Portanto, essa comunicação visa
expor as diferentes concepções de espaço e tempo, segundo Newton, Leibniz e Kant. Para o Newton,
o espaço e tempo eram entendidos como grandezas absolutas, independentes do sujeito e das coisas,
sendo assim, existentes por si mesmas. Leibniz entendia esses conceitos, como uma relação
recíproca dos elementos da natureza e ligados às coisas, ou seja, o espaço e o tempo dependem da
relação das coisas para existirem. Quanto a Kant, sua concepção do espaço e do tempo dependem
unicamente da capacidade cognitiva do sujeito, pois essas são formas puras da sensibilidade. Esta é
faculdade primaria e receptora de dados que geram o conhecimento.
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A questão do sujeito em Nietzsche
Vitor Hugo Rebelo da Silva (UFPA-CNPq)
Orientador: Ernani Pinheiro Chaves
A recepção atual do pensamento de Nietzsche, em seus variados aspectos, se caracteriza em
particular por um, o da problemática do sujeito. A presente comunicação busca defender, com o
auxílio da literatura secundária, a tese de que Nietzsche propõe novas formas de se pensar o sujeito,
em contraposição à ausência do sujeito. Esta problemática, por não se encontrar especificamente em
algum livro do filósofo, em função de seu pensamento não ser sistemático, será analisada por meio
de algumas de suas obras. A questão do sujeito envolve temas da filosofia, tais como os da teoria do
conhecimento e da ética, temas esses que serão criticados pelo filósofo por meio dos pressupostos
que a tradição filosófica se utiliza para sustentá-los, qual seja, a existência de um sujeito puro e
desinteressado do conhecimento e também livre para agir, capaz de escolher. Nietzsche irá
questionar esses pressupostos, por meio do fundamento ilógico da lógica, da natureza da linguagem
e da relação entre corpo e razão. Depois, pretendemos demonstrar o que aparece em Nietzsche
como forma alternativa de se pensar o sujeito, como conjunto de forças, de afetos no corpo sem um
“eu” central comandando as direções desses impulsos. Logo, a perspectiva de um sujeito plural.
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A poesia como instrumento educativo dos guardiões nos livros II e III da República
Yohan Brendo Nunes de Albuquerque (UFPA)
Orientadora: Jovelina Ramos
O presente trabalho tem como objetivo apresentar o papel da poesia como instrumento de
educação, especificamente nos livros II e III da República. Apesar deste diálogo ser rotulado como
uma obra sobre política, é notório que, em sua grande parte a discussão é sobre a educação,
principalmente no discurso socrático em relação a kallipólis que está sendo criada. Diante disso é
traçado um discurso sobre os parâmetros da educação dos jovens guardiões, pois segundo Sócrates
a poesia dos grandes poetas traria prejuízos para a formação desses guardiões, isso porque é na fase
inicial da vida que são construídos os moldes que se deseja imprimir numa pessoa (377b)
considerando Homero e Hesíodo como os principais alvos de sua crítica, por suas obras serem
tomadas como modelos para a formação dos cidadãos da época. Retornaremos a argumentação
socrática diante da afirmação que a música é um elemento essencial para a educação dos guardiões,
pois segundo Sócrates se for para os guardiões imitarem algo, que seja a coragem, a sensatez, a
pureza e a liberdade (395c-d), não os vícios e as impurezas apresentadas nos poemas épicos.
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IV ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU
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Sobre a questão do esquecimento em Hannah Arendt
Ana Lúcia Feliciano (UFMG – CNPq)
O fenômeno do esquecimento perpassa a realidade moderna e fundamenta a experiência
humana do mundo. Nesse ponto, percebe-se que a abordagem de Hannah Arendt no tocante a esse
fenômeno está atrelada ao conceito de superfluidade. O esquecimento torna-se possível, a partir da
diluição da singularidade, quando o indivíduo é aniquilado e figurado na forma da sociedade de
massas. Destarte, a pessoa humana é destituída de sua identidade pessoal e constitui-se tão somente
a partir dos múltiplos papéis e funções sociais. De acordo com Arendt, a superfluidade assinala os
indivíduos apenas como peças de uma engrenagem e, portanto, substituíveis, ao passo que, o
esquecimento diz respeito ao não pertencimento ao mundo das aparências. Ambos os conceitos
estão inter-relacionados, tendo em vista, a complementariedade das situações que desembocam na
perda da dignidade humana. Em termos evidentes, o sentimento de superfluidade é condição
indispensável para a efetivação do fenômeno de esquecimento, que denota o fato de o indivíduo não
interessar a ninguém. Com efeito, o objetivo é explicitar o conceito de esquecimento a partir do
pensamento arendtiano. Trata-se de trazer à tona o entrelaçamento entre esquecimento e
superfluidade, elucidar as especificidades do fenômeno, bem como, suas implicações políticas.
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Lei 13.145/17: novo alijamento da disciplina de Filosofia do Ensino Médio
Anderson Alves Esteves (USP)
Orientador: Ricardo Musse
Contextualização e análise do movimento pendular da disciplina de Filosofia, no âmbito da
educação básica brasileira, a partir da perda da condição de obrigatoriedade do componente na
composição da grade curricular, de acordo com a Lei 13.145/17. A hipótese da reflexão envereda
pela ideia de que as bases sociais, ao erigirem autonomia ou heteronomia do país, são fatores para a
explicação da presença ou da ou subtração da disciplina no currículo. Assim, metodologicamente, a
comunicação lança mão do materialismo histórico heterodoxo, da Teoria Crítica e de aportes
teóricos de recursos keynesianos para relacionar a base social de classes e de frações de classes –
tanto em colaboração quanto em conflito – com a subserviência do país a interesses exógenos ou a
algum tipo de projeto de desenvolvimento autônomo. Observa-se a citada relação como subjacente
às tensões nos governos Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer, nos quais a
disciplina foi ora estatuída como obrigatória (2008), ora alijada pela lei supracitada (2017).
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É permissível matar animais que tiveram uma vida feliz? Considerações sobre o argumento
da substituibilidade de animais não humanos
Arthur Falco de Lima (UFU)
Orientador: Alcino Eduardo Bonella
É ponto pacífico que a criação intensiva de animais não humanos causa enorme sofrimento.
Este sofrimento é desnecessário e deveria ser evitado ou minimizado, na medida em que possuímos
alternativas não danosas que levam em conta também o interesse dos animais em não sofrer. Em
outras palavras, o prazer que obtemos através dos diversos usos que fazemos dos animais criados de
modo intensivo – a maioria deles destinados à alimentação humana – não parece justificar, quando
comparamos, por exemplo, o prazer, que obtemos ao comermos carne e seus derivados ao invés de
outras alternativas de alimento de origem vegetal, ao mal que causamos. Tendo isso em vista, há
quem defenda que devemos abolir o uso de animais. Por outro lado, há quem se pergunte: se os
animais tivessem uma vida feliz, estaríamos autorizados a abreviar suas vidas a fim de servir aos
propósitos humanos? Analisaremos em nosso trabalho o argumento que consideramos mais
desafiador a favor de matar de forma indolor para consumo humano animais que tenham vidas
felizes: o argumento da substituibilidade. Nosso objetivo é examinar brevemente a) quais os
pressupostos do argumento, b) o seu escopo de aplicação e, finalmente, algumas c) implicações
teóricas que parecem se seguir do argumento.
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A pseudoindividualidade em O fetichismo na música e a regressão da audição de Theodor W.
Adorno
Breno Machado Viegas (UFMG – CAPES)
Orientador: Rodrigo Antonio de Paiva Duarte
O objetivo central do presente trabalho é abordar a noção de pseudoindividualidade em O
fetichismo na música e a regressão da audição (1938), de Theodor W. Adorno, especialmente no
que concerne à investigação do filósofo sobre os aspectos de recepção e de consumo das produções
artísticas. Para tanto, serão levantados os panoramas culturais que culminaram com a negação do
indivíduo e com a falência da própria categoria de sujeito, a partir da teoria adorniana sobre a
decadência do gosto, tanto na música séria como na música de massa. Nesse sentido, aspira-se
demonstrar como a ilusão de autonomia e a incapacidade de julgar desenvolvem-se no âmbito da
indústria cultural, sob a égide do capitalismo tardio e da dimensão propagandística dos meios de
comunicação, tomando como base as célebres concepções, renovadas pelo autor, de fetichismo da
mercadoria de Marx e de finalidade sem fim de Kant, inserindo-as no contexto da regressão da
audição musical. Diante de uma impossibilidade em nossa época de fruição de experiências
genuinamente estéticas, pretende-se, portanto, examinar e explicitar a pseudoindividualidade nessa
relevante obra do teórico frankfurtiano, a qual abriu caminho para discussões que irão
posteriormente compor e alicerçar as suas fundamentais análises estéticas e de filosofia da arte.
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124
Terror e terrorismo. Análise a partir de Carl Schmitt e Giorgio Agamben
Breno Tannús Jacob (UFU)
Orientadora: Geórgia Amitrano
Para explicar a lógica do amigo-inimigo em Schmitt aplicada ao conceito de terrorismo que
será utilizado, inicialmente, temos que terrorismo é uma tática de insurgência contra poderes
estabelecidos localmente ou distantes, com origens e usos de diversos espectros ideológicos. Para se
entender a atual discussão teórica, parte-se do conceito de reinado de terror, período da Revolução
Francesa em que o terror foi institucionalizado pelos jacobinos, que utilizavam de execuções
sumárias e outras formas de violência contra os seus inimigos políticos. Em uma abordagem a partir
dos Estados, a demonização dos adversários políticos foi explorada no Estado de Exceção de
Giorgio Agamben. O autor alerta para o perigo do totalitarismo moderno, quando um estado de
exceção seria decretado e, com isso, uma guerra civil legal permitiria a eliminação física dos
adversários políticos e de categorias sociais supostamente não integráveis ao sistema político
vigente. Vemos aqui uma aplicação diferenciada do reino do terror, que pode ser utilizada em
regimes políticos democráticos. No Brasil os institutos de suspensão temporária de direitos
semelhantes ao estado de exceção do autor são o Estado de Sítio, de Defesa e a Intervenção Federal,
presentes na Constituição Federal de 1988.
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O poder político do controle, niilismo e suicídio: uma análise sobre o esgotamento do sujeito
contemporâneo
Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira
Orientadora: Georgia Amitrano
A presente comunicação visa, a partir do esgotamento do sujeito moderno e diante do
aumento de suicídios no mundo inteiro, analisar o modelo de poder político baseado no controle
ininterrupto sobre a subjetividade dos indivíduos. Para tanto, utilizo os conceitos de poder, controle
e subjetividade, abordados a partir do pensamento de autores pontuais, tais como: Michel Foucault,
Gilles Deleuze e Byung-ChulHan. Para além, também aponto para as possíveis consequências de
um niilismo inerente ao nosso tempo, em que o sujeito, diante da crise perpetrada pelo poder-
controle político sobre sua subjetividade, é acometido pelo esgotamento de suas forças. Este poder-
político usa o discurso de liberdade individual como cerne do processo de controle dos sujeitos
tornando-os ferramentas de auto disciplinamento. Donde entender que o suicídio − tal como
pontuado por Albert Camus − constitui uma fuga da existência ou um salto filosófico. As estruturas
de poder e controle levam o sujeito ao auto aniquilamento, compreendido como algo decisório no
exercício de sua liberdade, ignorando o funcionamento do poder e controle político sobre a vida.
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Os conceitos de fascismo e totalitarismo nas obras de Antônio Gramsci e Hannah Arendt
Carlos Eduardo Nicodemos (UFU)
Orientadora: Ana Maria Said
Toda vez que tentarmos compreender como se consolida a vida humana e como se constitui
suas relações políticas, devemos partir de pressupostos materiais. Os regimes fascistas e totalitários,
por sua vez, nada mais foram que o resultado de um longo processo de lutas de classes. O
encurtamento dessas relações milenares, a forma mais acabada da exploração do homem pelo
homem. Em tais regimes, o Estado endurece suas relações com a classe proletária a fim de
continuar sua proteção à hegemonia burguesa. Deste modo, voltar às obras de Gramsci e Arendt é
compreender essas relações, suas consequências históricas e as mudanças das posições sociais de
determinada sociedade. Pretende-se analisar como os regimes fascistas e totalitários se formaram e
qual o papel que eles desempenharam nas sociedades do século XX. Procurar quais meios foram
necessários para que eles pudessem se desenvolver, quais eram suas finalidades como regimes de
coerção e luta pela conservação da hegemonia burguesa. Utilizar-se das obras de Antônio Gramsci e
Hannah Arendt para fundamentar a pesquisa. Analisar o movimento dentro das bases do
materialismo histórico e da filosofia da práxis.
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Sobre o eu (das Selbst) em Schopenhauer
Cristiano Rodrigues Peixoto (UFU)
O objetivo deste trabalho é apresentar elementos da filosofia schopenhaueriana, tal como
apresentada sistematicamente em "O mundo como vontade e como representação", que possibilitem
remontar o modo como Schopenhauer descreve o eu (das Selbst). Para que se cumpra tal tarefa, este
trabalho abordará quatro aspectos que se complementam mutuamente. Num primeiro momento,
será exposta, em linhas gerais, a teoria kantiana do eu como uma apercepção originária, fonte
primeira de todos os atos de síntese do entendimento. A crítica de Schopenhauer à exposição
kantiana a respeito do eu se dará num segundo momento deste trabalho, quando será apresentada a
distinção, bastante cara à filosofia schopenhaueriana, entre o sujeito da cognição e o sujeito da
volição. Tal distinção é importante para Schopenhauer porque lhe possibilita retirar o núcleo
fundamental do eu do entendimento e movê-lo para a vontade. Essa primazia da vontade sobre o
entendimento no sujeito constituirá o terceiro momento deste trabalho. Finalmente, num último
momento, será apresentada a maneira como Schopenhauer entende a identidade entre o corpo e a
vontade do sujeito, identidade essa por meio da qual o sujeito intui a si próprio como um eu, como
um indivíduo distinto dos demais objetos que lhe possam aparecer.
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As novas tecnologias da comunicação e informação (TICs) como espaço de ação política
Dayana Ferreira de Sousa (UFU)
Orientador: Humberto Guido
Este trabalho tem como proposta a abordagem interdisciplinar sobre o tema: as novas
tecnologias da comunicação e informação (TICs) como espaço de ação política. O objetivo
principal desta exposição se apresenta como possibilidade à reflexão, sob a perspectiva de um olhar
filosófico acerca das TICs, partindo do princípio de aperfeiçoamento do diálogo que busca a
ampliação de conhecimentos sobre o tema proposto. A fundamentação teórica para esta
comunicação foi realizada por meio de um recorte conceitual da filósofa Hannah Arendt e do
sociólogo Manuel Castells. Do pensamento arendtiano, o conceito de ação se destaca como
condição fundamental à atividade humana capaz de dotar de sentido o espaço entre homens e, de
Castells, suas considerações sobre a sociedade em rede, como uma sociedade hipersocial. A partir
deste recorte conceitual, podemos refletir como as TICs são utilizadas em rede para a experiência de
significação, de dar sentido político a esta nova estrutura social cercada por aparatos tecnológicos.
Foram explorados, também, exemplos que conseguem alcançar a prática com a teoria, tais como
movimentos sociais e culturais, comunidades de colaboradores em rede, autores e filósofos que
ocupam espaços virtuais, entre outros.
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A noção de análise Lógica em Frege, Russell e Wittgenstein
Diego de Souza Avendano (USP – CAPES)
Orientador: Marcelo Silva de Carvalho
Nesta apresentação irei comparar as operações de análise lógica em Frege, Russell e
Wittgenstein. Para tanto, irei dividir minha apresentação em três partes. Na primeira parte,
apresentarei considerações sobre a noção de função como entidades insaturadas em Frege e
mostrarei como a operação de uma análise lógica fregeana deve: 1) pressupor objetos lógicos; 2)
prever uma estrutura composicional; e 3) explicar sua aplicação. Na segunda parte, mostrarei como
o paradoxo de Russell se apresenta como um problema para a análise fregeana e explicarei a
proposta de uma análise lógica russeliana que considera objetos lógicos como “ficções lógicas” e
substitui o sistema fregeano por uma teoria dos tipos lógicos. Por fim, na terceira parte, mostrarei
como a análise do Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein supera o problema apresentado
pelo paradoxo de Russell, retoma os pressupostos da análise lógica Fregeana e a radicaliza sem
pressupor uma ordem hierárquica de tipos lógicos, mas pressupõe sentenças elementares e objetos
lógicos genuínos que devem ser encontrados ao final da análise. O objetivo geral dessa
apresentação é mostrar que apesar de serem usualmente consideradas semelhantes, cada uma das
operações de análise tem características bastante específicas e diferem em aspectos essenciais.
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O panteísmo geométrico da Ética de Espinosa
Douglas de Melo Ferreira Torquato (UFU - CAPES)
Orientador: Humberto Guido
Neste trabalho, trataremos do pensamento do filósofo Holandês, Baruch Espinosa, que,
dialogando com o cartesianismo e a tradição teológico-filosófica, define o conceito de Deus. O
objetivo desta comunicação é expor as teses que culminam no que Deleuze chamou de panteísmo
geométrico, em seu livro Espinosa - Filosofia Prática, teses que se encontram em suas formas
definitivas na Ética de Espinosa, base para nossa comunicação. Panteísmo é a crença de que a
realidade é idêntica a Deus, que a totalidade da realidade compõe Deus-imanente, um plano comum
de imanência, este plano não é uma teleologia, ou designo do espírito, não é um projeto ou
programa, é um plano no sentido geométrico de intersecção, diagrama, fractal. A identidade de
Natureza e Deus nega a existência de um Deus moral, racional, criador e transcendente,
constituindo uma denúncia da “consciência”, “valores” e “paixões-tristes”. Espinosa define um
corpo segundo suas relações: de um lado, um corpo afeta outros corpos, de outro, é afetado, e nisso
se dão suas variações de potência, que definem sua essência. A etologia é o produto dessa filosofia,
uma ética que nada tem a ver com uma moral, que busca definir o corpo segundo suas potências de
afecção.
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Giambattista Vico e a relação entre as tríades da História
Eduardo Leite Neto (UFU)
Este trabalho tem como finalidade explorar a relação das tríades da História dentro do
movimento histórico proposto por Giambattista Vico e com isso será exposto às coisas civis com
que as nações caminham ao longo de sua história, bem como a relação recíproca que há entre as
nações e suas culturas, principalmente no que consta suas origens, nos tempos obscuros das antigas
religiões. Para Vico, esse processo se dá na análise do movimento histórico no qual o autor se detém
no modelo das ‘’três idades’’ em que se deu a história dos povos gentios a qual se atentou a
pesquisar, a saber: a idade dos deuses, idade dos heróis e idade dos homens. Essa noção de uma
tríade da história em cumprimento com o curso das nações nos apresenta uma possível relação
dialética; pois no desenvolver das nações e em cada idade que situam, mediante o seu curso dentro
de causas e efeitos, se pode chegar a três modos de natureza, e a partir dessas naturezas se extrai
três modos de costumes que deflagram em três modos de Direito dos povos gentios, que no curso
proposto se ordenaram em três modos de Estados civis.
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A relação entre Inteligência e Intuição na filosofia de Bergson
Elizaura Maria Alves da Silva Rihbane (UFMT)
Orientador: Mario Spezzapria
O objetivo principal deste trabalho é a exposição da compreensão dos aspectos que
constituem a inteligência e a intuição em Bergson, em suas principais obras: Ensaios sobre os dados
imediatos da consciência, A evolução Criadora e Matéria e Memória, evidenciando o papel da
filosofia e da ciência para o homem, bem como explicando os seus respectivos métodos: o
filosófico, tendo como objeto principal o espírito; e o científico, tendo como seu objeto principal a
matéria inerte. Busca apresentar uma conciliação entre filosofia e ciência, apresentando seus
respectivos métodos, o intuitivo e o científico. Pretende-se expor o método da intuição elaborado
pelo nosso autor, o qual ele considera ser o método filosófico. Bergson define a intuição como
apreensão imediata por coincidência com o objeto, enquanto a inteligência é definida como um guia
para o comportamento e o conhecimento exterior; ambas inferem sobre a realidade, uma sobre a
realidade virtual, outra sobre a realidade material. Pretende-se também analisar a razão pela qual
Bergson se preocupa em apresentar os conceitos de inteligência e intuição, bem como a relação
entre essas duas definições e a importância deles na filosofia e na ciência.
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Estética, Literatura e Filosofia na obra de Machado de Assis: Primeiras Aproximações
Fabio Julio Fernandes (IF – Goiano)
Orientadora: Raquel Discini de Campos
A abertura do horizonte investigativo que busca apreender a obra de Machado de Assis
como fonte de reflexão da estética deve-se, sobretudo, às análises de Roberto Schwarz realizadas
em Ao Vencedor as Batatas (1981) e um Mestre na Periferia do Capitalismo (1997), bem como às
ponderações de José Castello em Realidade & Ilusão em Machado de Assis (2008). Essas obras,
além de mostrarem a crítica empreendia por Machado à estrutura social brasileira, dão pistas da
potencialidade da obra do autor no que concerne às reflexões filosóficas acerca da obra de arte,
sobretudo da literatura. Assim, nossa pesquisa tem o objetivo de explorar a potencialidade da obra
machadiana em perfazer um diálogo com a concepção do belo da Crítica da Faculdade do Juízo de
Kant. Porém, o alcance desse objetivo exige uma análise das formas literárias capazes de revelar o
belo em Machado, justamente porque nelas consistem a força do romance machadiano. Para
Castello, as formas que compõem o estilo do escritor não se limitam a uma concepção da arte como
mero entretenimento, antes, visam o alcance de uma verdade estética que revela uma dimensão
humana do Brasil e dos brasileiros, que somente a obra de arte é capaz de tocar.
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A Formação da Consciência de Classe a Partir de "A Situação da Classe Trabalhadora na
Inglaterra" de Engels
Fernando Tadeu Mondi Galine (UFU)
Orientadora: Ana Maria Said
Nosso objetivo com a presente comunicação é apresentar como Engels descreve o processo
de formação da consciência de classe na classe trabalhadora. O filósofo observou o operariado
inglês durante vinte-e-um meses e a partir dessa observação escreveu A Situação da Classe
Trabalhadora na Inglaterra, nela ele descreve as condições materiais dos trabalhadores, onde
vivem, em que ramo da indústria trabalham, o que vestem, o que comem etc, e como essas
condições materiais determinam a vida intelectual dos trabalhadores, a ponto de determinarem suas
consciências. Nela ele também descreve como surgem os movimentos operários, primeiro com
ações criminosas isoladas que demonstram desrespeito pela propriedade burguesa, em seguida com
ações e revoltas articuladas, e manifestações que exigem melhores condições de trabalho,
posteriormente, a organização da luta política feita através de associações de classe lutando por
direitos e contra a exploração e, por fim, a luta política, exigindo espaço para poderem ser eleitos e
representarem a si mesmos politicamente. A obra possui uma densa filosofia que, por partir da
descrição da vida material dos trabalhadores, fornece as primeiras bases do Materialismo Histórico
e é uma das primeiras a romper de fato com o idealismo alemão.
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Sobre a neutralidade metafísica das Investigações Lógicas
Flávio Vieira Curvello (UFRJ)
Orientador: Fernando Rodrigues
As Investigações Lógicas de Husserl são marcadas pelo ‘princípio da ausência de pré-juízos’.
Tal princípio exige que a descrição fenomenológica se abstenha de recorrer a quaisquer doutrinas
filosóficas ou científicas em sua apreensão do dado da experiência, examinando-o, antes, no que é,
tal como se mostra à nossa intuição. Uma aplicação relevante do princípio da ausência de pré-juízos
concerne problemas metafísicos, de modo que as Investigações sejam caracterizadas por uma
‘neutralidade metafísica’. A presente comunicação clarificará o sentido e a fecundidade desta
posição por duas vias. Em primeiro lugar, ela examinará o conceito de ‘espécie’, na Segunda
Investigação Lógica, mostrando como é possível se falar em generalidades, ideais e atemporais
apenas em termos de ‘validade’, sem operar nenhuma hipostasia metafísica ou psicológica das
mesmas. Em segundo lugar, ela clarificará uma forma peculiar da ‘intuição categorial’, que tem por
objeto justo espécies, de acordo com a Sexta Investigação, mostrando como é possível reconhecer
uma forma elementar de cognição que nos permite visar aquelas generalidades e verdadeiramente
conhecê-las. Essas análises puras e não metafisicamente orientadas são absolutamente fundamentais
para a fenomenologia, explicitando o que é e como se dá o conhecimento de essências na vida
fenomenal.
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O “problema de Fermi” e a formação das regras de experiência nas ciências empíricas da
ação de matriz weberiana
Henrique Florentino Faria Custódio (UFMG)
A finalidade desta comunicação é analisar e apresentar uma possível solução lógico-
metodológica para um dos problemas que o pesquisador pode enfrentar na formação das regras de
experiência para a validação dos resultados de pesquisa nas ciências empíricas da ação de matriz
weberiana, a saber, a confiança assentada em sua própria visão de mundo e saber histórico,
sobreestimando a sua compreensão do contexto estudado e das ações dos agentes envolvidos na
trama histórica pesquisada. Pois, essa dificuldade por parte do investigador pode ofuscar tanto o
estabelecimento dos limites de sua própria ignorância em relação ao tema estudado, quanto o
escrutínio, por parte de seus pares (conjuntamente com a falta de clareza dos procedimentos
metodológicos empregados), da verificação dos resultados apresentados na pesquisa. Logo, para
serem úteis, as regras de experiência arquitetadas pelo cientista para fins de validação dos
resultados da pesquisa devem ser restringidas por um ordenamento lógico-metodológico, pois essa
validação depende da escolha de uma estrutura de controle, dada a inevitável orientação da seleção
empírica, realizada por preferências valorativas. Uma possível resolução que pretendemos
demonstrar para a composição desse arcabouço metodológico poderá ser encontrada no assim
denominado “problema de Fermi”.
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Uma história contratualmente comprometida com a violência poder: Walter Benjamin e a
crítica ao conceito de destino
Juliana Paola Diaz Quintero (UFU)
Orientadora: Georgia Amitrano
Em 1940 Walter Benjamin escreve suas teses sobre o conceito de história. Nelas uma
declaração chama profundamente a atenção para o desenvolvimento das reflexões e questões que se
seguem: na tese VII, Benjamin nos fala de identificação afetiva com o vencedor na escritura e
transmissão da história da seguinte maneira: ¿com quem, afinal, propriamente o historiador do
historicismo se identifica afetivamente? A resposta é inegavelmente com o vencedor. Ora, os
dominantes de turno são os herdeiros de todos os que, algum dia, venceram. A identificação afetiva
com o vencedor ocorre, portanto, sempre, em proveito dos vencedores de turno”. Este trabalho
propõe expor a relação entre ordem legal, violência e história, a partir de uma análise hermenêutica
das obras do jovem Benjamin Destino e Caráter, de 1919, e Para uma crítica da violência, de 1921,
reflexões embrionárias que revelam como a mítica violência do destino se manifesta na ordem do
direito, governa a interpretação dominante da história do mundo e institui uma temporalidade que se
torna uma eterna repetição do mesmo. No processo de transmissão a ideia de uma temporalidade
predestinada, legitima e afirma a história tal qual como ela se manifesta, tornando impossível um
processo de liberação e abertura da mesma.
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Palavra e Nome na Filosofia da Linguagem de W. Benjamin
Luciano Gomes Brazil (UFRJ – CAPES- CNPq)
Orientadora: Carla Rodrigues
Em 1916, Walter Benjamin escreve o ensaio “Sobre a Linguagem em Geral e Sobre a
Linguagem dos Homens”. Nele encontramos um elenco temático que está presente ao longo de toda
a sua obra: a influência da mística judaica, uma filosofia da linguagem marcadamente singular; uma
teoria da tradução ampla. Há diversos elementos da obra posterior do autor que já podemos
encontrar, muitas vezes de forma germinal, neste ensaio. Em virtude disso, nos propomos a
investigar as relações entre Palavra e Nome no ensaio em questão, que são de compreensão
marcadamente bíblica e ateísta, a qual vêm se ajuntar a um conjunto de elementos, que possam
diretamente reforçar a compreensão que buscamos ter da Crítica filosófico literária, presentes nos
ensaios dos anos subsequentes ao da escrita desta. Em suma: queremos saber de que forma a teoria
do Nome empreendida por Benjamin dialoga com questões que são de importância para
entendermos como ele próprio entendia o trabalho de escrita filosófica. Para isto, traremos da teoria
do Nome e da nomeação, que distingue e insere Palavra, Nome e criação na relação imediata e
mística entre homem e coisas, e da posterior “queda” que marca a perda deste caráter imediato e,
portanto, da centralidade do nome na linguagem, vertendo-a em linguagem “judiciosa”.
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O útero artificial e a placenta humana na evolução biológica: genes de retrovírus na interação
materno-fetal como informação, tecnologia e vida em Canguilhem
Marco Aurélio Martins Rodrigues (UFU)
A tecnologia abrange possibilidades na constituição de membros biônicos e órgãos artificiais.
Nesse sentido, a ideia de um útero-máquina nos coloca perante um embate entre evolução biológica
e seleção artificial. Aqui é preciso considerar a informação celular na substituição de tecidos e
manutenção da vida. Evolutivamente, os retrovírus possuem genoma constituído por fita simples de
RNA. Replicam esse RNA viral por meio da transcrição reversa, onde moléculas de DNA dupla fita
são geradas a partir de RNA. Na formação placentária, genes de retrovírus desenvolveram-se para
sintetizar proteínas importantes à constituição do sinciciotrofoblasto, na relação materno-fetal em
primatas, incluindo humanos, entre 10 a 85 milhões de anos atrás. Além disso, os genes sinciciais
possivelmente participaram da passagem do ovo para a placenta humana. Essas informações
questionam a viabilidade do útero artificial. Nosso estudo objetiva relacionar as ideias de
Canguilhem com tal problemática no que diz respeito à vida e metabolismo, considerando a
comunicação celular, o mecanicismo e a condição humana na relação útero-máquina. Por meio da
genética evolutiva, podemos buscar uma concepção biológica em que são estabelecidos outros
parâmetros para questionar e valorizar a vida e sua diversidade, na possível substituição do útero
biológico por uma máquina.
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A relação entre política e educação a partir de Hannah Arendt
Mauro Sérgio Santos da Silva (UFU)
Orientador: Marcio Danelon
O presente trabalho discorre acerca da relação entre as noções de história, política e
educação a partir do pensamento de Hannah Arendt. Para tanto, traz à baila os elementos que, para a
autora, circundam a ideia de história do paradigma grego antepostos à compreensão moderna de
história. Apoiado nas reflexões de Flores D’arcais, é feita uma exposição sobre a crítica da autora às
filosofias da história erguidas sob a influência de uma concepção de história como processo causal,
com leis e normas que se sobrepõem aos acontecimentos, aos indivíduos, às iniciativas, à ação e, em
última instância, à liberdade. Aponta-se, também, para as condições de possibilidade de uma ação
política (livre) e, por conseguinte, de uma acepção de educação, consentânea com tal ação. Destarte,
amparado na recepção crítica da obra de Arendt, este estudo lança mão dos categóricos da
pensadora dos “tempos sombrios”, com vistas a lançar luzes sobre o debate atinente à relação entre
educação e política no tempo presente.
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Os princípios norteadores da civilidade humana segundo Giambattista Vico
Rosana Rodrigues de Oliveira (UFU)
Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto
A presente apresentação tem como propósito demonstrar o pensamento do filósofo
Giambattista Vico (1668-1744) na obra Scienza nuova (Sn) sobre a perspectiva da História das
nações, que nos distintos tempos históricos da humanidade, nos diferentes povos, fossem bárbaros
ou civilizados, demonstram a repetição de três costumes em todas as nações: religião, casamentos
solenes e sepultamento, e sua relação intrínseca e indissociável com o processo histórico-social e o
desenvolvimento do mundo civil. Vico apresenta o mundo civil transcorrido em três idades: A idade
dos deuses, como um momento da história em que os homens são dominados pelos sentidos, pelas
paixões, pelo corpo, pelos instintos e fantasia; a era da “infância do homem”. A Idade dos heróis,
onde os homens acreditavam ter origem divina, serem filhos dos deuses, pois se tudo era feito pelos
deuses, então eram filhos de Júpiter. Período de organização social, criação das leis jurídicas, da
democracia e outras instituições. E a idade da razão, da abstração do pensamento, o caminho da
reflexão, da operação dos conceitos, da instrução, da educação, acompanhada da razão de grandes
avanços culturais e tecnológicos.
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O Legislador em Rousseau
Samantha Lau Ferreira Almeida Faiola (UFU)
Orientador: José Benedito de Almeida Junior
O objetivo dessa comunicação é abordar sobre a figura do Legislador na visão de J. J.
Rousseau. Segundo Rousseau, o Legislador é a figura mítica, dotada de uma inteligência
extraordinária e de qualidades que remetem ao conteúdo da boa intenção de suas iniciativas, a qual
incumbe a função de viabilizar o acordo de vontades entre os homens, objetivando a instituição e a
manutenção de uma vida em sociedade pautada na liberdade e na igualdade. É uma personagem que
liga a teoria à prática, sendo responsável por captar a essência da vontade do povo na íntegra, sem
qualquer deturpação, e transformá-la em um normativo legal, sem incorrer na manifestação
prioritária de sua vontade particular, sob pena de tornar-se um déspota. O seu papel fundamental é
garantir a consecução do interesse geral expressando-o nas leis, com base na sabedoria e na
prudência. Entretanto, não podemos restringir suas prerrogativas em somente fazer leis, pois, este
também é responsável por criar um povo no início de sua vida, sendo um fundador de nações,
atuando tanto de forma preventiva quanto de forma corretiva. Assim, desde que respeitando as
características próprias de cada nação, o Legislador deverá agir, ainda, como um orientador do povo.
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da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙
143
A recusa do espectro na filosofia como um possível catalisador do paradigma imunológico-
político moderno.
Maurício Fernando Pitta (UFPR-CAPES)
Orientador: Marco Antonio Valentim
Com base em apontamentos dos livros Bios: Biopolítica e filosofia, de Roberto Espósito, e
Princípios de Espectrologia: A comunidade dos espectros II, de Fabián Ludueña Romandini,
pretendemos articular uma confluência possível entre a tese espositana sobre a imunologia como
modus operandi da biopolítica moderna e a tese romandiniana sobre a recusa do espectro como
objeto de especulação filosófica na Modernidade. Pretendemos, com isso, buscar responder a
seguinte questão: de que forma a recusa do espectro como entidade com estatuto filosófico pode ter
influenciado o surgimento de uma biopolítica imunitária na modernidade, conforme compreendida
por Espósito? Diante da perigosa conexão, apontada pelo filósofo italiano, entre o paradigma
imunológico e o fascismo como fenômeno (auto)imunitário, temos por hipótese que a
(re)consideração do animismo e da sobrenatureza — o famigerado “reencantamento do Real” —,
conforme apontados por pensadores como Isabelle Stengers e Eduardo Viveiros de Castro, bem
como, com sua figura do espectro, por Ludueña Romandini, seria uma condição necessária para
subverter o paradigma imunológico no qual a Filosofia Política investe suas apostas a partir da
Modernidade.
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A Suprema Corte como modelo de razão pública
Pierre Tramontini (UNISINOS)
A teoria da justiça como equidade, de John Rawls, pressupõe uma concepção política de
princípios relacionados ao ideal de cooperação social. A problematização da teoria encontra-se na
possibilidade de uma sociedade integrada por cidadãos que professam doutrinas abrangentes
diversas – religiosas, morais e filosóficas – e que possuem sérias divergências entre si; e endossar
um mesmo regime constitucional, tendente a alcançar a harmonização cívica diante de um
pluralismo razoável. Por serem inúmeros os conflitos que permeiam a sociedade, os cidadãos livres
e iguais, ainda que dispostos a adotar valores e princípios advindos de uma concepção política de
justiça, carecem de uma estrutura estatal, imprescindível para a sua organização. Dessa forma, pelo
fato de o Poder Judiciário exercer o papel de intérprete judicial, o seu órgão principal, a Suprema
Corte, deve espelhar a razão pública e torná-la efetiva, a fim de evitar com que a lei seja erodida
pela legislação de maiorias transitórias, que corresponda a interesses estreitos e que decisões
ambíguas ou contraditórias sejam aplicadas em casos semelhantes. Para tanto, incumbe a este Poder
atribuir sentido ao direito - à luz da Constituição - e adotar mecanismos capazes de guiar suas
decisões para um mesmo sentido, para que a justiça não seja uma utopia social.
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A liberdade radical como paradoxo terminal dos tempos modernos
Vítor Hugo dos Reis Costa (UFSM)
Orientador: Noeli Dutra Rossatto
Trata-se de interpretar o conceito sartriano de liberdade radical sob a luz do conceito de
paradoxos terminais dos tempos modernos, tal como proposto pelo romancista Milan Kundera
(1929-). Em seus ensaios sobre a história do romance, Kundera coteja as conquistas compreensivas
da ficção romanesca com as da filosofia em uma perspectiva histórica e centrada na modernidade.
Nessa direção, Kundera mostra como certas categorias de uso comum das duas tradições sofrem
profundas transformações que, eventualmente, resultam em legítimas inversões paradoxais de seus
sentidos originais. O conceito de liberdade radical proposto na filosofia existencial de Jean-Paul
Sartre (1905-1980), apresentado pelo próprio filósofo sob a rubrica de uma condição de inescapável
condenação, cumpre os requisitos de um conceito que encontrou seu paradoxo terminal: como o
autor repetidamente afirmou em suas obras, os seres humanos são radicalmente livres, o que implica
na paradoxal condição de não serem livres para abandonar a condição de liberdade. Conclui-se que
o conceito kunderiano de paradoxos terminais dos tempos modernos contribui para uma
hermenêutica da consciência histórica, pela qual melhor se compreende as histórias da filosofia e do
romance.
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Da divindade do ápeiron de Anaximandro e da noção de arché no Papiro de Derveni
João Batista Freire (NEFAH, UFU)
Em Mileto, Anaximandro foi o primeiro a expressar, com uma linguagem prosaica, a
divindade do ápeiron em seu sistema cosmológico conservado pela criação e conflagração. Ao que
parece, o ápeiron de Anaximandro assimilou da remota tradição mítica grega e oriental a noção de
divino, a qual marcaria profundamente o monismo pré-socrático e sua concepção acerca do
elemento primeiro. Entre os fisiólogos monistas, cuja investigação ensejava o princípio – arché – o
milésio foi o que melhor exprimiu, através do ápeiron, o significado do Uno divino que tudo abarca
e governa. Diante disso, esta pesquisa pretende investigar a similaridade da cosmologia de
Anaximandro com a noção de arché da cosmogonia órfica presente no Papiro de Derveni, datado
como sendo contemporâneo à cosmologia de Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Para isso, será
considerado o testemunho de Aristóteles na Física 203 b 10 DK 12 B 3, a exemplo de Simplício,
Phys. 24, 13, DK 12. Esses testemunhos conteriam evidências de um possível diálogo entre pré-
socráticos e o orfismo? Frente a essa questão, far-se-á necessário elucidar a religiosidade na qual
estava inserida a cosmologia pré-socrática e os indícios de que a cosmologia de Anaximandro teria
ligação com os cultos de mistérios.
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Emergentismo: uma alternativa para o problema mente-corpo, mente-cérebro
Fabiense Pereira Romão (UFU)
Orientador: Leonardo Ferreira Almada
Abordaremos o clássico problema das relações da mente-corpo a partir do objetivo principal
de oferecer uma explicação plausível para a vida mental que leve em conta o aspecto da
corporeidade em sua constituição. Buscaremos apresentar as diretrizes gerais de um solo teórico que
visa superar a dicotomia materialismo versus dualismo, oferecendo explicações que vão de encontro
às tradicionais correntes dualistas, que consideram a mente como substância, colocando-nos
propensos para pensarmos que nós somos as nossas mentes, e não nossos corpos. Para tanto, nos
posicionamos em conformidade com o modelo inicial do conceito de emergência mental fornecido
por Stuart Mill (1865), segundo o qual postulou que as combinações de ideias poderiam produzir
resultantes capazes de ultrapassar suas partes mentais constituintes. Alinhados com esta perspectiva,
objetamos as teorias que postularam a relação mente-corpo ou mente-cérebro pela via da redução
ontológica, consoante a qual defende que certos eventos e/ou fenômenos não acrescentam nada em
relação a eventos e/ou fenômenos anteriores ou de base. Logo, em conformidade com Damasio
(1996, 2004, 2011), sustentamos a tese de que a mente corporificada deve considerar
imprescindíveis as relações de integração e de interação entre o corpo-propriamente-dito-cérebro-
ambiente, inextricavelmente associados, exercendo o papel fundamental na emergência da mente
(consciente).
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Situação ideal de fala e historicidade: uma reflexão crítica sobre Habermas
Felipe Ribeiro (UFABC- FAPESP)
Orientador: Fernando Costa Mattos
Nos anos 60, ao se confrontar com a hermenêutica de Gadamer, Habermas procurava
fundamentar, contra a pretensão hermenêutica de mostrar a historicidade de todas nossas
concepções, um ideal normativo contrafactual centrado na ideia de situação ideal de fala. Gadamer,
no entanto, verá problemas nesse princípio, pois ele parece pressupor um conhecimento de ordem
superior, não situado historicamente, que permite então criticar formas de vida como distorcidas.
Contra isso, Gadamer apela à importância da retórica, que ensina que todo discurso só pode ter
sucesso se for inserido historicamente. Seguindo essa linha, Susan Shapiro mostra que a exclusão
habermasiana da importância da retórica de seu princípio corresponde a uma certa visão histórica
determinada de racionalidade, a saber, do homem branco ocidental, uma vez que a retórica sempre
foi identificada em sua história à figura feminina, que seduz e apela às paixões ao invés do
entendimento. Esse argumento estabelece uma excelente linha de reflexão para mostrar os riscos de
fundar a norma da crítica numa situação de fala, mostrando nela a inserção sub-reptícia de
elementos vindos do contexto histórico desse crítico. Gostaria de seguir essa linha de raciocínio
para estabelecer uma crítica hermenêutica da situação ideal de fala.
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O problema lógico do mal e a racionalidade das crenças teístas
Gesiel Borges da Silva (UNICAMP - The John Templeton Foundation)
O problema do mal tem tomado os principais debates em filosofia da religião nos últimos
cinquenta anos, ao propor que várias formas de teísmo clássico são positivamente irracionais do
ponto de vista epistêmico. No presente trabalho, contudo, defendemos que do problema lógico do
mal não resulta a irracionalidade epistêmica das crenças teístas. Já que há muitas propostas de
solução ao problema do mal, tanto em sua versão lógica quanto evidencialista - como a reconhecida
defesa do livre-arbítrio (DLA), fornecida por Plantinga (1974, 1977) -, então, a princípio, não há
como decidir se o teísmo não é epistemicamente defensável. Em segundo lugar, embora ainda haja
debates sobre a efetividade da DLA, principalmente com respeito à ‘depravação transmundial’ (cf.
Otte, 2009; Pruss, 2012), a defesa é tida por muitos como bem-sucedida, inclusive por Mackie
(1983), um dos principais proponentes do problema lógico do mal. Por fim, e mais importante,
defendemos que, mesmo se a DLA não for bem-sucedida, ainda assim o problema do mal não
consiste em um anulador das crenças teístas, pois o teísta não está compelido a assumir uma posição
evidencialista; mas, se assumisse, o “ônus” do problema não caberia a ele.
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A linguagem na obra "Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral" de Nietzsche
José Carlos Souza Ferreira (UF)
Orientador: Humberto Aparecido de Oliveira Guido
Publicado postumamente, Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral é um opúsculo
que foi ditado por Friedrich Wilhelm Nietzsche ao seu colega K. Von Gersdorff, em junho de 1873.
Esse texto pode ser considerado como sendo uma das principais tentativas nietzschianas de abalar
os fundamentos de qualquer concepção de “verdade” como a representação em palavras da essência
das coisas, consequentemente, de qualquer concepção de linguagem como uma expressão adequada
da realidade. Os esforços do presente trabalho estão centrados na tentativa de compreender a
postura filosófica de Nietzsche diante da realidade efetiva daquilo que chamamos de “verdade” e
“mentira”, bem como a noção de linguagem que podemos inferir a partir deste posicionamento
filosófico. Tal postura pode ser vista por diversos ângulos relativos a três afirmações principais:
dizer a “verdade” é uma submissão às convenções consolidadas da linguagem com o objetivo de
garantir a sobrevivência em sociedade; e “mentir” significa deturpar essas convenções em busca da
conservação individual da vida; essas convenções são o resultado de transposições “metafóricas”
entre impulsos nervosos e as representações mentais e linguísticas que os correspondem numa dada
sociedade.
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A estética subjetiva em Descartes
Henia Laura de Freitas Duarte (UFU)
Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares
O objetivo desse trabalho é analisar a elaboração do pensamento estético cartesiano.
Procuramos examinar em que medida Descartes, partindo da subjetividade do homem e da sua
apreensão do mundo, contrapõe sua estética musical com a perspectiva anterior, que partia de um
mundo bem ordenado, ou seja, de uma Metafísica estabelecida, analisando sobretudo o pensamento
de Pitágoras. Dentro dessa perspectiva examinaremos: em primeiro lugar, a questão da música em
uma concepção pitagórica; em segundo lugar, descreveremos a concepção musical de Zarlino; em
terceiro lugar, o pensamento de Descartes ao escrever o Compêndio de música. Relacionado a isso,
propomos examinar a subjetividade do Compêndio, em que a audição musical e a forma como
seremos ou não afetados pela música será decorrente do nosso aparelho auditivo e do nosso gosto.
Instaurando aqui uma estética subjetiva, mostrando que a matemática será insuficiente para
demonstrar o “fenômeno estético”. Por fim, explicaremos um pouco sobre Descartes, filósofo das
Paixões, em que o prazer musical depende da união entre corpo e alma.
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As tecnologias de poder sobre a vida segundo Michel Foucault
Lorena Fernandes Magalhães (UFU)
Orientadora: Georgia Amitrano
Essa presente comunicação apresenta uma ideia do filósofo Michel Foucault com relação às
tecnologias de poder sobre a vida, buscando entender como o pensador compreende o poder e suas
implicações para se pensar o sujeito moderno, afastando-se de uma teoria e se propondo a uma
analítica do poder. Em Vigiar e Punir Foucault elucida uma tecnologia disciplinar centrada no corpo,
na tentativa de se pensar a sociedade que se constrói a partir da sujeição dos indivíduos através dos
efeitos, mecanismos e dispositivos de poder-saber como elementos de dominação. Nesse sentido,
Foucault visa explicar o modo como surgiram essas técnicas e para, além disso, como tornam os
corpos dóceis e úteis, revelando uma característica positiva do poder. Em um segundo momento,
acompanhando a ascese do sistema capitalista e as relações produtivas, surge uma nova modalidade
de poder que acopla as necessidades do mundo moderno e o poder disciplinar nascido 50 anos antes,
um poder não mais individualizante, mas massificante, que abarca o corpo coletivo e a vida, o qual
Foucault chamará Biopolítica, ou a gestão de população.
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Discurso e performatividade em Judith Butler
Luiza Tornelli Aguiar (UFU)
Orientadora: Georgia Amitrano
Este trabalho trata de analisar a ideia de performatividade dos atos de fala desenvolvida por
Judith Butler no livro Excitable Speech. É proposto um modelo de transformação política através do
potencial subversivo das palavras. A linguagem é anterior ao sujeito e também excede o momento
da sua fala. Nesse sentido, os atos de fala são excitáveis. Eles contêm não só o que enunciam no
instante, mas também todos os significados passados e os significados que não podemos prever.
Somos constituídos na linguagem e o endereçamento do outro nos dá a possibilidade de existência,
por isso estamos vulneráveis a esse chamamento. Os corpos se tornam reconhecíveis através de
nomes. Os mesmos termos que conferem reconhecimento podem ameaçar aqueles que ficam de fora
das convenções sociais. O sucesso do performativo depende da sua repetição e os enunciados não
apenas refletem posições sociais, mas também constituem essas posições. As falas de ódio, portanto,
não apenas descrevem quem recebe a mensagem, mas constituem o endereçado. Butler propõe uma
alternativa que vai além da legalidade para a transformação dos discursos de ódio, através da
própria característica de ritual das enunciações, em que o termo pejorativo pode ganhar novo
contexto por ser aberto.
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Heidegger e a questão da técnica
Marcelo Rosa Vieira (UFU)
Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares
A comunicação terá como objetivo discutir o problema do sentido da técnica assim como é
formulado e desenvolvido por Martin Heidegger na sua conferência de 1953 intitulada Die Frage
nach der Technik (A questão da técnica). Far-se-á considerações quanto ao modo como Heidegger
traz o problema para o horizonte da ontologia fenomenológica, abordando-o desde um ponto de
vista crítico da metafísica tradicional e crítico da modernidade. Para Heidegger, impõe-se a
necessidade da repetição explícita da ontologia, uma vez que a pergunta pelo sentido do ser foi
esquecida com o estabelecimento da metafísica na história ocidental, sendo considerada a pergunta
mais universal e, por isso mesmo, vazia, além de seu conceito ser óbvio, quer dizer, entendido por si
mesmo (Selbständlichkeit) e indefinível. A pergunta, desse modo, é encoberta e vulgarizada pela
metafísica tradicional. O presente trabalho tentará assinalar como a questão da técnica, tratada na
conferência, é articulada por Heidegger com a história desse esquecimento.
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
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Vontade poética: a estética da liberdade
Marco Tulio Cunha Vilela (UFU)
Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto
Este artigo tem como objetivo pensar a Vontade de Potência de Nietzsche através da
perspectiva de uma existência estética que propõe ao Ser a necessidade de dar cunho próprio ao seu
caminho artisticamente, moldando a sua realidade conforme cria e imprime no mundo sua marca.
Uma existência artística libera o indivíduo para a percepção da realidade segundo seu desejo,
encontrando na “embriaguez” a vivificação da vida e uma inesgotável fonte de inspiração. Longe de
toda moral limitadora, a existência artística busca o homem inteiro, o qual, segundo Bataille, é o
homem cuja vida é uma festa imotivada, um homem que não busca um sentido, pois este limita sua
criação, mas se compreende como não-sentido, fazendo da arte não um meio, mas a própria
finalidade do seu existir. Tomando as reflexões de Bataille (e o Surrealismo) sobre Nietzsche como
cerne de nossas investigações, pensaremos a essência da arte como movimento que nos coloca em
relação com o mundo, que nos abre à comunicação e nos torna penetráveis uns aos outros.
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A eternidade do mundo do ponto de vista de Tomás de Aquino e suas implicações
Maryane Stella Pinto (UFU)
Orientador: Anselmo Tadeu Ferreira
Tomás de Aquino, ao traçar o debate da eternidade do mundo, o fez, em sua maior parte,
segundo os modos de Aristóteles, mesmo que a noção do Filósofo fosse, em certo sentido,
contraditória ao dogma da criação. O Aquinata não poderia se furtar de delinear sua noção de
eternidade a partir do concílio da estrutura da ciência da natureza do Filósofo e do dogma da criação.
De acordo com a exposição da ciência da natureza de Aristóteles, a eternidade é uma noção conexa
à noção de tempo, que por sua vez é conexa à noção de movimento. Visto isto, esta comunicação
tem como objetivo expor a noção de movimento e de tempo para compreendermos com rigor onde
está localizado o debate da eternidade do mundo, e onde, com mais precisão Tomás buscou em
Aristóteles sustentação para fundamentar o seu próprio debate. Para percorrer este percurso será
necessário retomar o Comentário de Tomás de Aquino ao livro da Física de Aristóteles (Liber 3,
lectio 1-3) e também retomar os apontamentos de Henrique Gardeil, em sua Introdução à filosofia
de são Tomás de Aquino, que são importantes para a compreensão do debate da eternidade do
mundo e das noções que estão implicadas nele.
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Ética e consentimento: o caso de Henrietta Lacks
Natália Amorim do Carmo (UFU)
Orientador: Alcino Eduardo Bonella
Por vezes, uma pesquisa pode ser considerada antiética pelo fato de o pesquisador não se
atentar às implicações éticas decorrentes de seu trabalho ou, por vezes, tendo consciência delas,
acreditar que tais problemas sejam superados pelos seus benefícios positivos. Diante disto, este
trabalho se propõe a discutir o problema ético do consentimento, da vulnerabilidade e da
privacidade em pesquisa tendo como referência o caso de Henrietta Lacks. Tal caso se configura
como um paradigma em bioética por seus diversos desdobramentos no avanço da ciência e por
provocar a reflexão sobre a proteção aos direitos dos participantes de estudos científicos.
Apresentarei os traços fundamentais do caso e discutirei como a ausência de consentimento para a
retirada das células de Henrietta para fins de pesquisa e posterior divulgação das informações
colhidas gerou problemas éticos consideráveis. A partir desta problematização, proponho uma
reflexão acerca do papel central ocupado pelo consentimento, sobre quais cuidados éticos adicionais
são pertinentes em pesquisas com participantes em situação de vulnerabilidade, se há exceções
justificáveis e, principalmente, como evitar a coerção ou a manipulação da informação.
∙ Resumos do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia
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Os indivisíveis de Hume e a geometria euclidiana
Pablo Henrique Santos Figueiredo (UFU)
Orientador: Marcos César Seneda
O objetivo principal desta comunicação é demonstrar os efeitos que a existência dos pontos
físicos indivisíveis – aos quais chamaremos de minima sensibilia, conforme definidos por Hume –,
causam à geometria euclidiana. Sua primeira etapa consiste em demonstrar como estes minima
sensibilia se comportam e quais são suas características fundamentais. A seguir, será examinado
como eles determinam limites para três teoremas fundamentais da geometria euclidiana, a saber, o
da bissecção, o da bipartição e o de Pitágoras. Os dois primeiros teoremas são afetados pelo fato de
que um seguimento de reta em particular, composto por pontos físicos indivisíveis tem, por
definição, de ser composto por um número par ou ímpar de pontos, o que impede as consequentes
aplicações. O teorema de Pitágoras, por sua vez, ficaria impedido de operar em qualquer situação
em que haja números irracionais, uma vez que os minima sensibilia não podem ser divididos. Em
suma, nossa intenção é mostrar como Hume evita a necessidade de uma revisão radical da
geometria euclidiana, mostrando que estes teoremas são válidos como verdadeiros e não como
aproximações úteis de objetos geométricos.
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As bases filosóficas da teoria da Ecologia Social de Murray Bookchin
Philippe Vieira Torres dos Santos (UFU)
Orientadora: Geórgia Amitrano
O objetivo desse trabalho é apresentar um estudo filosófico da teoria da Ecologia Social de
Murray Bookchin, pensador anarquista contemporâneo e teórico influenciador de uma das
revoluções da era contemporânea, a revolução de Rojava, no Curdistão, região da Síria. Pretende-se
abordar as bases filosóficas da Ecologia Social que vincula os problemas ambientais ao
desenvolvimento de uma sociedade irracional e antiecológica, sociedade esta baseada em um
sistema capitalista hierárquico, classista, competitivo e que fomenta a noção de mundo natural
como mera aglomeração de “recursos” para a produção e consumo humano. Do mesmo modo,
analisaremos a crítica de Bookchin ao sistema capitalista, demonstrando que é impraticável um
capitalismo sustentável, bem como sua crítica à teoria marxista em torno da sua concepção de
trabalho e da imagem de natureza. A filosofia ecológica desenvolvida por Bookchin é um projeto
que implica um corte total com a sociedade de mercado, as tecnologias dominantes, o estatismo, as
sensibilidades patricêntricas e prometéicas para com os humanos e a natureza, que foram absorvidas
e realçadas pela sociedade burguesa.
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A composição do estilo da escrita de Descartes
Suellen Caroline Teixeira (UFU)
Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares
Descartes viveu numa época de mudanças de paradigmas. A ciência aristotélica já não servia
à sociedade moderna que estava emergindo e, por isso, efervesciam os estudos astronômicos, físicos,
matemáticos e filosóficos. Ainda assim a Igreja possuía o domínio sobre os conhecimentos que
seriam divulgados. Em 1633 Descartes desiste de publicar o Mundo, cujo conteúdo era baseado na
teoria heliocêntrica de Copérnico, que estabelecia o movimento da Terra. A defesa desta tese foi o
motivo pelo qual Galileu fora condenado por heresia. André Bridoux, na introdução de sua
coletânea Oevres et Lettres - de Descartes - acredita que esse acontecimento tenha aumentado a
prudência do autor, já excessiva, com a escrita, tornando-a mais “envelopada” e “ambígua”. Assim,
a questão que aqui nos propomos é: em que medida Descartes é um autor que se expressa de forma
envelopada e ambígua como declara Bridoux? Faria ele o uso de recursos estilísticos para expor
suas ideias revolucionárias sem que os representantes da Igreja vetassem sua obra e o condenassem?
Portanto, nossa apresentação buscará apresentar alguns aspectos do estilo de escrita de Descartes e
sua relação com os receptores de sua obra.
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161
A crítica de Platão ao estatuto religioso da poesia na antiguidade
Yasmim Sócrates do Nascimento (UFU)
Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho
O presente trabalho tem como principal objetivo evidenciar que, embora Platão tenha
dedicado grande parte de suas obras a uma crítica sistemática da atividade poética, ele não pode ser
tomado como um opositor da arte. Diferentemente desse posicionamento, sustenta-se que a crítica
de Platão à poesia é dirigida à sua pretensão enquanto entidade formadora, uma vez que é a
responsável por ditar as diretrizes religiosas, morais e intelectuais de sua época. Diante dessa
suspeita, buscar-se-á, neste trabalho, apresentar o estatuto religioso do mundo grego, em vista de
oferecer uma contextualização do papel da atividade poética na esfera religiosa da antiguidade.
Buscar-se-á, com tal argumento, evitar possíveis anacronismos sobre a posição crítica de Platão à
poesia, uma vez que a sua crítica às blasfêmias religiosas cometidas pelos poetas podem, de forma
descontextualizada, ser interpretadas como uma crítica de natureza estética. Assim, o presente
trabalho propõe analisar o estatuto religioso da poesia no mundo grego, em duas partes, a saber: o
valor ontológico do mito e a intensidade religiosa dos gregos; e os meios de veiculação da religião
na Grécia antiga.

Caderno de resumos XIII 2019

  • 1.
    RESUMOS DO XIIIENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU, IV ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU E DO II ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO ISSN 2358-615X Junho de 2019 Volume 13 – número 13 IFILO - UFU
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    ISSN 2358-615X Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio Volume 13 – número 13 Junho de 2019 IFILO – UFU Organizadores: Marcos César Seneda Fernando Tadeu Mondi Galine Henrique Florentino Faria Custódio Laís de Oliveira Franco Lilia Alves de Oliveira Lucas Guerrezi Derze Marques Revisores: Maryane Stella Pinto Michel Maywald Pedro Lemgruber Nascimento Thales Perente de Barros
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    XIII ENCONTRO NACIONALDE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU, IV ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU E DO II ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO O Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é um evento regular de pesquisa, que visa a fortalecer a inserção regional e nacional da comunidade filosófica representada pelos grupos e núcleos de pesquisa agregados ao Instituto de Filosofia (IFILO). O propósito do evento é a intensificação da integração dos estudantes – da graduação e da pós-graduação – e dos docentes e discentes do Ensino Médio com a comunidade filosófica nacional. Ao mesmo tempo, o evento pretende atuar decisivamente como fonte de incentivo para que os estudantes apresentem seus primeiros trabalhos e adquiram, por esse meio, um pouco da prática da produção de pesquisa especializada. Acentua nossa satisfação, ao organizá- lo anualmente, o fato de o evento ter se ampliado e se tornado uma mostra significativa do diversificado e consistente trabalho de pesquisa dos estudantes. No evento realizado em 2018, nós tivemos a participação de setenta e oito comunicadores e o envolvimento, como ouvintes, de aproximadamente duzentas e cinquenta pessoas. Neste ano, nós teremos a décima terceira edição do evento, realização que confirma o compromisso dos estudantes e do corpo docente do Instituto de Filosofia da UFU com a pesquisa e disseminação do saber filosófico. Será realizado também, concomitantemente com o XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia, o IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, que recebeu contribuições significativas de pesquisadores de diversas universidades nessas suas três primeiras edições. Em 2018 foi ainda realizado o I Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio. Como essa experiência foi considerada deveras válida, em 2019 decidimos realizar o II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, com a apresentação de vinte e dois alunos que se prepararam para participar desse evento. É imensa a nossa satisfação em receber esses alunos no interior do evento de pesquisa, juntamente com os professores orientadores do Ensino Médio, que já têm coordenado mesas de apresentações nos anos anteriores. Esperamos, com essa experiência, incentivar a pesquisa no Ensino Médio, vindo a ampliar e consolidar a presença desses alunos nos próximos eventos. A conferência de abertura dos eventos deste ano será proferida por Maria Isabel Limongi, Professora da UFPR, que falará sobre o seguinte tema: “Poder social e autoridade política: sobre o realismo político de Maquiavel e seu legado (Harrington, Hume e Tocqueville)”. Essa conferência ocorrerá no dia 04 de junho de 2019 no auditório 5R-C e 5R-D. O presente caderno, portanto, apresenta o resultado de duas significativas mostras da pesquisa acadêmica nacional, às quais se soma o trabalho de pesquisa de estudantes do Ensino Médio, e pretende ser um incentivo para a produção de conhecimento filosófico e um veículo para a sua divulgação.
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    ISSN 2358-615X Comissão Técnico-Científica: AnaCarolina Gomes Araujo (IFTM) Ana Gabriela Colantoni (UFG) César Fernando Meurer (PNPD/Filosofia – UFU) Dirceu Fernando Ferreira (IFTM) Evânio Márlon Guerrezi (UNIOESTE) Fillipa Carneiro Silveira (UFU) Helio Ázara de Oliveira (UFCG) Igor Silva Alves (UFU) Lucas Nogueira Borges (UFU) Marcos César Seneda (UFU) Marcio Tadeu Girotti (FATECE) Paulo Irineu Barreto Fernandes (IFTM) Comissão Técnica - Ensino Médio Adriano Geraldo Pinto (E.E.F.E.P.) Antônio F. Marques Neto (E.E.B.B.) Gustavo Rodrigues Rosato(E.E.F.A.C.) Hênia Laura F. Duarte (E.E.R.S. e E.E.S.J.T.- Araguari) Maria de Lourdes Seneda (E.E.P.A.L.B.) Paulo Irineu B. Fernandes (I.F.T.M.) Serginei V. Jerônimo (E.E.P.J.I.S.) Silvana Damasceno Costa (E.E.J.R.)
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    Periodicidade: Anual INSTITUTO DEFILOSOFIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (IFILO – UFU) Campus Santa Mônica - Bloco 1U - Sala 125 Av. João Naves de Ávila, 2.121 - Bairro Santa Mônica Uberlândia - MG - CEP 38408-100 Telefone: (55) 34 3239-4185 http://www.ifilo.ufu.br/
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    Sumário II ENCONTRO DEPESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO Alexandre Sidnei Santos Silveira...........................................................................................13 Ana Laura de Freitas Nascimento ..........................................................................................14 Ana Luiza de Freitas Nascimento ..........................................................................................15 André Luiz Vicente Silva .......................................................................................................16 Anna Luisa Pereira Fonseca...................................................................................................17 Kauanne Rodrigues Flores Mendes........................................................................................17 Daniel Henrique Fagundes Santos .........................................................................................18 Éviny Bernardes Barbosa.......................................................................................................19 Geovana Ferreira Borges Rodrigues ......................................................................................20 Igor Kauã Alberto Alexandre .................................................................................................21 João Lucas Vieira Nunes........................................................................................................22 José Pedro Campelo Neto ......................................................................................................23 Júlia Reis Novaes Silva..........................................................................................................24 Lorraynne Garcez Pinheiro Leal ............................................................................................25 Lucas Gustavo Terêncio Araújo .............................................................................................26 Marcus Vinícius Torres Silva .................................................................................................26 Luiza de Moura Castro...........................................................................................................27 Marianna Wagatsuma Eduardo ..............................................................................................28 Natália Martins Arantes de Araújo.........................................................................................29 Patrick Mendes Silva..............................................................................................................30 Robson Matheus Santos de Oliveira ......................................................................................31 Vinícius Oliveira Magalhães ..................................................................................................32
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    XIII ENCONTRO NACIONALDE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU Adrian Castro Azevedo ..........................................................................................................34 Alan Barbosa Guimarães........................................................................................................35 Alberto Yuri Santos Peixoto...................................................................................................36 Aline Danielle Ferreira...........................................................................................................37 Alysson Lein ..........................................................................................................................38 André Luis Lindquist Figueredo ............................................................................................39 Andrey Augusto Fonseca Farias.............................................................................................40 Andrey Fonseca Andrade .......................................................................................................41 Ângelo Gabriel de Brito de Oliveira ......................................................................................42 Barbara Leandra porto Mota ..................................................................................................43 Bárbara Raffaelle Carvalho Santos ........................................................................................44 Belchior Alves da Silva..........................................................................................................45 Bruna Alexsandra Assis de Araújo.........................................................................................46 Bruno Belém ..........................................................................................................................47 Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira............................................................................................48 Bruno César Cunha Cruz........................................................................................................49 Bruno de Novais Oliveira.......................................................................................................50 Clarice Melo Stabenow ..........................................................................................................51 Cláudio de Souza Menezes Júnior .........................................................................................52 Daniel Alves Rodrigues..........................................................................................................53 Danival Lucas da Silva...........................................................................................................54 Dener de Souza Borges ..........................................................................................................55 Diego de Carvalho Sanches....................................................................................................56 Edon Teixeira de Castro .........................................................................................................57 Fabiana Carolina Dias ............................................................................................................58 Gabriel Lima Silva .................................................................................................................59 Gabriela Peixoto Oliveira Barbosa.........................................................................................60 Gabrielle Fernandes Martins..................................................................................................61 Gabryella Couto Ferreira Pacheco .........................................................................................62 Gessé Miranda Celestino dos Santos .....................................................................................63
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    Giovana Andrade Zanotto......................................................................................................64 Gleusson Alves Neves Junior.................................................................................................65 Guilherme Carmona Rezende Silva.......................................................................................66 Helton Lima Soares................................................................................................................67 Ian Abrahão Oliveira ..............................................................................................................68 Ian Ademir Rego Gomes........................................................................................................69 Israel Henrique Cavalcante Mendonça ..................................................................................70 Ítalo Pereira do Prado.............................................................................................................71 Ival de Andrade Picanço Neto................................................................................................72 Jefferson Borges Ferreira .......................................................................................................73 Jessica Thainá Ribeiro Viana .................................................................................................74 João Gabriel Moraes De Souza..............................................................................................75 Jorge Luís da Silva .................................................................................................................76 José Carlos Marra...................................................................................................................77 Laís de Oliveira Franco..........................................................................................................78 Leonardo Yuri da Cruz Brandão.............................................................................................79 Letícia Palazzo Rodrigues......................................................................................................80 Lorena Moreira Pinto .............................................................................................................81 Luã Mateus Rocha Gonçalves................................................................................................82 Luana Chuq de Jesus..............................................................................................................83 Lucas Cabral Ferraz de Lima .................................................................................................84 Lucas Guerrezi Derze Marques..............................................................................................85 Lucas Hernandes de Almeida.................................................................................................86 Lucas Igreja Pereira................................................................................................................87 Lucca Fernandes Barroso.......................................................................................................88 Ketlin da Silva Gonçalves......................................................................................................89 Malu Marinho da Silva...........................................................................................................90 Maria Clara Alves Cabral.......................................................................................................91 Marina Barbosa Sá .................................................................................................................92 Michel Pinheiro de Siqueira Maywald...................................................................................93 Nelson Perez de Oliveira Junior.............................................................................................94 Nhadilla Gomes de Caldas Silva............................................................................................95
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    Nicolle Ferreira daSilva ........................................................................................................96 Olívia Lagua de Oliveira Bellas Fernandes............................................................................97 Paulo Vitor Pinho de Siqueira ................................................................................................98 Paulo Vitor De Souza Queiroz ...............................................................................................99 Pedro Lemgruber Nascimento..............................................................................................100 Pedro Marques Cintra...........................................................................................................101 Públio Dezopa Parreira.........................................................................................................102 Rafael Batista Lopes de Oliveira..........................................................................................103 Rafael Miranda Gonçalves...................................................................................................104 Raphael Souza Borges Junior...............................................................................................105 Rodrigo Ferreira Andrade.....................................................................................................106 Sabrina de Cássia Alencar Gonçalves ..................................................................................107 Shayane Vitoria Silva...........................................................................................................108 Stefany Caroline Pantoja Amorim........................................................................................109 Stieven Max dos Santos Nascimento ...................................................................................110 Suellen Lima ........................................................................................................................ 111 Taila de Abreu Ribeiro .........................................................................................................112 Victor Hugo Amaro Moraes de Lima...................................................................................113 Victor Lucas Caixeta ............................................................................................................114 Vinicius Henrique Silva Franco ...........................................................................................115 Vinicius Williams Silva........................................................................................................116 Vitor Hugo Rebelo da Silva .................................................................................................117 Yohan Brendo Nunes de Albuquerque .................................................................................118 IV ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU Ana Lúcia Feliciano .............................................................................................................120 Anderson Alves Esteves.......................................................................................................121 Arthur Falco de Lima ...........................................................................................................122 Breno Machado Viegas ........................................................................................................123 Breno Tannús Jacob..............................................................................................................124 Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira..........................................................................................125
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    Carlos Eduardo Nicodemos..................................................................................................126 CristianoRodrigues Peixoto ................................................................................................127 Dayana Ferreira de Sousa.....................................................................................................128 Diego de Souza Avendano....................................................................................................129 Douglas de Melo Ferreira Torquato .....................................................................................130 Eduardo Leite Neto ..............................................................................................................131 Elizaura Maria Alves da Silva Rihbane................................................................................132 Fabio Julio Fernandes...........................................................................................................133 Fernando Tadeu Mondi Galine.............................................................................................134 Flávio Vieira Curvello..........................................................................................................135 Henrique Florentino Faria Custódio.....................................................................................136 Juliana Paola Diaz Quintero.................................................................................................137 Luciano Gomes Brazil..........................................................................................................138 Marco Aurélio Martins Rodrigues........................................................................................139 Mauro Sérgio Santos da Silva ..............................................................................................140 Rosana Rodrigues de Oliveira..............................................................................................141 Samantha Lau Ferreira Almeida Faiola................................................................................142 Maurício Fernando Pitta.......................................................................................................143 Pierre Tramontini..................................................................................................................144 Vítor Hugo dos Reis Costa...................................................................................................145 João Batista Freire................................................................................................................146 Fabiense Pereira Romão.......................................................................................................147 Felipe Ribeiro.......................................................................................................................148 Gesiel Borges da Silva .........................................................................................................149 José Carlos Souza Ferreira...................................................................................................150 Henia Laura de Freitas Duarte .............................................................................................151 Lorena Fernandes Magalhães...............................................................................................152 Luiza Tornelli Aguiar ...........................................................................................................153 Marcelo Rosa Vieira.............................................................................................................154 Marco Tulio Cunha Vilela....................................................................................................155 Maryane Stella Pinto ............................................................................................................156 Natália Amorim do Carmo...................................................................................................157
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    Pablo Henrique SantosFigueiredo.......................................................................................158 Philippe Vieira Torres dos Santos ........................................................................................159 Suellen Caroline Teixeira .....................................................................................................160 Yasmim Sócrates do Nascimento.........................................................................................161
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 12 II ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 13 A filosofia apresentada pela cultura pop Alexandre Sidnei Santos Silveira (Escola Estadual Frei Egídio Parisi) Orientador: Adriano Geraldo Pinto Durante a juventude, alguns podem desenvolver um sentimento de dúvida e confusão que já não existiam desde a infância. Alguém nessa fase, que se afunda em questionamentos sobre seu meio e existência pode, eventualmente, envelhecer, conformando e desviando-se de tais pensamentos. Então, tornam-se adultos vazios das dúvidas e de suas repostas. Há, por outro lado, aqueles que acabam por encontrar alívio nas respostas em um lugar: a filosofia. A filosofia é um estudo que esclarece e organiza, de forma racional, tudo aquilo que nos envolve. Contudo, como pode ser introduzida para pessoas em um período tão hiperativo e apático que é a adolescência? A educação do ensino médio vem tentando fazê-la e consegue. Ainda assim, há aqueles alunos que não desenvolvem interesse pela matéria ou aqueles que simplesmente decoram para prova e depois esquecem. Talvez, o modelo antiquado de educação não consiga transmitir tudo o que a filosofia tem a oferecer, pelo menos não de forma "interessante". Ao mesmo tempo, não é difícil perceber o interesse da juventude em conteúdos com possíveis cargas filosóficas, como filmes, séries, jogos etc. Muitas dessas obras possuem conteúdos filosóficos que podem ser introduzidos de forma lúdica e interessante.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 14 Sartre e as escolhas na perspectiva dos RPG's Ana Laura de Freitas Nascimento (Escola Estadual Frei Egídio Parisi) Orientador: Adriano Geraldo Pinto A liberdade foi teorizada de diversas maneiras ao longo da história da filosofia, este trabalho pretende discutir o conceito de liberdade em Sartre que está diretamente ligado às escolhas. Porém, a concepção de liberdade do filósofo difere do senso comum que pensa a liberdade de maneira ilimitada. As escolhas nas reflexões de Sartre possuem uma limitação, pois, existem interferências e obstáculos nas nossas escolhas que independem de nós. Apesar disso, há ainda escolha e liberdade, porque, ainda que haja um número possível de decisões, algo será escolhido. Com isso, faremos uma relação entre a filosofia de Sartre e os famosos RPG’s ou Role-playing game, que são jogos onde nos dão liberdade para escolher ou talvez um livre-árbitrio. Utilizaremos aqui o jogo Detroit Become Human, desenvolvido pela Quantic, um jogo de ação e aventura, onde suas escolhas são cruciais, até a escolha de uma simples bandeira pode mudar o rumo da história, no desenrolar do game as escolhas vão ficando cada vez mais difíceis, cada vez ficamos mais próximos da liberdade. Mostraremos aqui como o conceito de liberdade da filosofia existencialista presentes nas obras de Sartre está presente nesses jogos.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 15 Aristóteles e a sua visão sobre a Katharsis na Arte Ana Luiza de Freitas Nascimento (Escola Estadual Frei Egídio Parisi) Orientador: Adriano Geraldo Pinto Neste trabalho apresentaremos uma discussão que aparece desde os filósofos clássicos sobre o que seria a katharsis e como ela pode interferir na consciência do ser humano por meio da arte. Muitos filósofos, como Platão, tinham opiniões desfavoráveis sobre a arte ou mímeses, imitações como eram chamadas as artes tanto representativas da tragédia e comédia da época, como também a poesia, esculturas entre outros, considerando-a algo falso que corrompia a sociedade grega. Para alguns filósofos as pessoas agiam sob influência dessas imitações, ou seja, muitas pessoas eram induzidas pela arte, mesmo que esta fosse imoral e violenta. Contrariando as ideias desses filósofos, Aristóteles não era tão pessimista em relação à mimese, o filósofo considerava a arte mais forte até mesmo que a história, onde a primeira não tem delimitações de possibilidades. Segundo Aristóteles, ao assistir uma tragédia somos afetados por sentimentos que podem ser positivos ou negativos. Portanto, através da compaixão e do temor passamos por uma espécie de “purificação”, não só da alma, mas também do corpo. Aqui elucidaremos os conceitos de mímese e catarse na filosofia aristotélica, com o objetivo de mostrar a importância da arte na vida humana, para isso utilizaremos a obra Poética de Aristóteles.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 16 Inteligência Artificial e a Filosofia da Mente: Muito mais que Robôs André Luiz Vicente Silva (IFTM) Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes Este trabalho apresenta resultados de uma pesquisa sobre Filosofia da Mente e Automação, com destaque para Inteligência Artificial, Robótica, Lógica (Portas Digitais) e Cognição, a partir do seguinte problema: desde as primeiras experiências com automação e inteligência artificial, filósofos, entendidos como teóricos, e cientistas, entendidos como práticos, enfrentam dificuldades no desenvolvimento de modelos autônomos em relação ao pensamento e à decisão, propondo a questão: “máquinas podem pensar?”. Porém, o ser humano, em condições razoáveis, pode tomar decisões autônomas, de pensamento e ação. Que condições presentes nos humanos os tornam especiais em relação aos autômatos e como a cognição humana pode servir de parâmetro para máquinas, robôs e modelos de automação? A pesquisa demonstrou que a inteligência do ser humano se dá na sua capacidade de aprender, levando em consideração as experiências passadas e informações sobre o seu contexto social, tomando decisões coerentes e levando em conta seu lado irracional, o que nos leva a estudos sobre a singularidade do indivíduo. Nos desdobramentos do pensamento e do raciocínio lógico se encontram, também, questões mais profundas, como: “Máquinas têm sentimentos?” ou “Máquinas identificam mais que padrões?”. São perguntas que aproximam mais a Filosofia da Mente e a Inteligência Artificial, entrelaçando-as em um estudo comum.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 17 Filosofia da Mente e Inteligência Artificial: Os Humanos e o medo do domínio das máquinas Anna Luisa Pereira Fonseca (IFTM); e Kauanne Rodrigues Flores Mendes (IFTM) Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes Este trabalho apresenta uma relação entre Filosofia e Inteligência Artificial, e propõe a questão: “os humanos temem um possível domínio das máquinas?”. Mais do que responder, o trabalho procura estudar a maneira como esse sentimento aparece em diferentes formas de expressão humanas, como literatura, filosofia e ficção científica. Uma evidência desse temor está na formulação das “três leis da robótica”, no livro “Eu, Robô”, de I. Asimov, cujo objetivo é promover uma convivência pacífica entre humanos e máquinas: 1) um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal; 2) os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei; 3) um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores. Outra evidência do medo do domínio das máquinas pode ser encontrada em obras como Matrix e 2001, nos quais os humanos são controlados ou ameaçados por suas criações. Como a Filosofia nos auxiliou nessa pesquisa? As inferências iniciais conduzem à seguinte reflexão: o medo do domínio das máquinas é um desdobramento do medo do desconhecido e também um reflexo do desconhecimento de si mesmo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 18 A relação do imperativo categórico de Kant e a cultura da corrupção no Brasil Daniel Henrique Fagundes Santos (Escola Estadual Messias Pedreiro) Este trabalho tem como objetivo relacionar o “Imperativo Categórico” exposto na “Crítica da Razão Prática” de Kant e a cultura de corrupção que perpassa a política brasileira. O autor aborda na obra citada uma relação entre o agir moral e uma lei universal que o orienta. Tal lei diz que toda ação moral deve ser capaz de ser universalizada, ou seja, qualquer outro ser humano, em qualquer outro lugar, nas mesmas circunstâncias, pode tomar uma mesma ação. Nesse sentido, podemos fazer uma ligação com a cultura de corrupção no Brasil, que vai além, podemos dizer, dos prédios de governo. Muitas vezes, desconsideramos os delitos individuais e dizemos que a corrupção é restrita aos nossos representantes políticos. A partir da compressão da ética kantiana, podemos notar que os problemas no agir moral se estendem ao povo também, daí a noção de “cultura da corrupção”. Se as ações individuais não se orientam de acordo com a lei universal kantiana, é evidente que isso se reflete no campo da política também. Ou seja, todo agir moral deve ser capaz de ser universalizado e, portanto, as ações de toda a população devem ser levadas em consideração.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 19 Meio ambiente Éviny Bernardes Barbosa (Escola Estadual Frei Egídio Parisi) Orientador: Adriano Geraldo Pinto Neste trabalho mostraremos a importância do meio ambiente em nossas vidas e correlacionaremos com o pensamento do filósofo Baruch Espinosa. Em sua teoria monista ele afirma que tudo é constituído da mesma substância, assim, absolutamente tudo é natureza, igualando também seu significado de Deus à natureza imanente. Faremos um paralelo desse monismo com o descaso do ser humano que se enxerga separado da natureza e o descaso ecológico nos dias atuais. Na atualidade há pouco cuidado com o meio-ambiente, problemas como o desmatamento e a poluição são agravantes, apesar de nossa sobrevivência depender do oxigênio proveniente da fotossíntese das plantas e a água constituir 75% do nosso corpo, a sociedade de consumo que vivemos não é sustentável. O objetivo deste trabalho é uma possível relação entre o monismo espinosiano e o cuidado com o meio ambiente, essa associação é possível já que ao igualar a natureza ao todo e a Deus, o ser humano é também essa natureza imanente e ao destruir o mundo à nossa volta essa destruição se volta para nossa existência. A partir disso, suscitaremos a importância de uma mudança nas nossas ações para com a natureza.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 20 A morte na visão filosófica socrático-platônica Geovana Ferreira Borges Rodrigues (Escola Estadual Frei Egídio Parisi) Orientador: Adriano Geraldo Pinto O trabalho propõe demostrar a morte e suas concepções na visão socrático-platônica, na qual a morte é um alicerce, pois, permite a ruptura do ser matéria para a conquista do conhecimento genuíno e liberto na sua forma mais autêntica presente na alma. No mundo físico a alma está constantemente inquieta e agitada por estar sempre ligada ao corpo e aos bens materiais, mas quando vincula a si no ato mais puro, vão-se as angústias, e o espírito conquista a sabedoria. Em Apologia de Sócrates, de autoria de Platão, é suscitada por Sócrates a questão de uma vida sem filosofia, nesse ponto o mesmo demonstra que é preferível a morte a viver sem pensamentos reflexivos. Assim, surge um questionamento na defesa socrática que será o objetivo desse trabalho: seria a morte o maior dos bens? A resposta a essa pergunta será uma relação feita entre a morte e a imortalidade da alma presente em Fédon de Platão. Com isso, apontaremos possíveis reflexões sobre autoconhecimento presente na frase “Conhece-te a ti mesmo” e o filosofar para a morte, uma vez que a filosofia socrático-platônica prioriza a alma e não a vida físico-corporal.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 21 Possibilidades e limites do conhecimento humano Igor Kauã Alberto Alexandre (Escola Estadual São Judas Tadeu) Orientadora: Henia Laura de Freitas Duarte O objetivo deste trabalho é mostrar a preocupação da filosofia com o problema do conhecimento. Desde o início da Filosofia, a preocupação com o conhecimento foi constante, tanto que desde Demócrito, que desenvolveu uma teoria sobre o ser ou sobre a natureza, o conhecimento está presente. E, por esse motivo, funda-se uma Teoria do Conhecimento; isso é, uma construção intelectual para explicar o conhecimento. Neste trabalho iremos comparar a teoria do conhecimento de Locke e a de Descartes. A dúvida cartesiana radical leva inicialmente à negação da existência dos corpos e a elaboração da primeira certeza: a existência do eu ou da res cogitans – “Penso, logo existo”. Era com ela que Descartes pretendia construir as bases do conhecimento seguro. Locke, por sua vez, se apoiava na existência das coisas exteriores aos seres humanos, evidenciada pelo fato de elas os afetarem, causando-lhes ideias. Posto isso, responderemos as seguintes questões: Quais são as possibilidades e os limites do conhecimento humano? De que certeza podemos partir para iniciarmos uma investigação científica? Seria possível o conhecimento adquirido pelos sentidos ser considerado verdadeiro?
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 22 “Virtù” e “Fortuna”: a importância destes conceitos na filosofia política maquiaveliana João Lucas Vieira Nunes (Escola Estadual Felisberto Alves Carrijo) Orientadora: Laís Oliveira Rios, Gustavo Rodrigues Rosato O objetivo deste trabalho é, em primeiro lugar, explicitar os conceitos de “Fortuna” e “Virtú”, utilizados pelo filósofo italiano do século XV, Nicolau Maquiavel, em sua obra O Príncipe, publicada em 1531. Segundo o filósofo, “Fortuna” é o destino, ou seja, o curso dos acontecimentos e, em contraposição, ele emprega o conceito de “Virtú”. “Virtù” pode ser entendida em dois sentidos, em primeiro simplesmente como uma habilidade natural que pode ser empregada de modo geral para lidar com o destino, mas também como “Virtú” política, que é a habilidade necessária ao príncipe para dominar sua “Fortuna” e pode ser compreendida como um complexo de força, vontade e astúcia usado com o intuito de manter a situação sempre a seu favor para garantir a permanência Estado. Após a explicitação destes conceitos, eles serão utilizados para que seja possível a compreensão da postura que o filósofo considera adequada para o príncipe, meio necessário para a realização do ideal político maquiaveliano que, por fatores históricos apresentados pelo autor, se baseia na república romana e almeja liberdade, a manutenção dos bons costumes e, por fim, o objetivo de garantir permanência do Estado.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 23 A Defesa de Sócrates José Pedro Campelo Neto (Escola Estadual Bueno Brandão) Orientador: Antônio Marques O objetivo principal desta comunicação é analisar as circunstâncias que levou Sócrates ao julgamento. Ele foi um dos principais filósofos que já existiu, e com sua sabedoria trouxe ao mundo um novo modo de conhecer. Iremos estudar como foi o processo de seu julgamento e entender a razão pela qual Sócrates não aceitou um advogado. Durante esse desenvolvimento, faremos observações sobre o método de sua defesa, e como o filósofo confrontou seus acusadores. Verificaremos também se foi usada a ironia, maiêutica e aporia, que são características de sua filosofia para o autoconhecimento. Iremos concluir esta comunicação analisando as consequências da sua escolha em ser o seu próprio defensor. Como o julgamento afetou aos cidadãos que estavam acompanhando, qual eram suas reações. Se houve manifestações de apoio ou repulsa por alguém da platéia ao ser deferida a sua sentença. E por fim a decisão de Sócrates diante a sua sentença, além de uma análise do seu discurso.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 24 Santo Agostinho e a busca pela felicidade Júlia Reis Novaes Silva (Escola Estadual Frei Egídio Parisi) Orientador: Adriano Geraldo Pinto Neste trabalho buscamos a relação entre a filosofia cristã e a felicidade, este foi baseado na obra Confissões de Santo Agostinho, filósofo da época Medieval da fase conhecida como Patrística. Para o filosofo, a motivação de filosofar é encontrar a felicidade e transcender seus próprios limites. Em questão, a filosofia não é considerada uma disciplina prática para os problemas do mundo, mas sobre a procura humana pela beatitude, pois a felicidade que se busca em sua teoria é eterna e proveniente das coisas divinas. Sobre a beatitude, ela é encontrada nas sagradas escrituras como ato de fé. Portanto, há um embate entre fé e razão, Agostinho tenta conciliar as duas, porém, a fé é sempre superior à razão e a última serviria somente como auxiliar na busca pelas verdades eternas da alma. O ensinamento sobre a fé tem obstáculos como a verdade e razão (a filosofia), isto é, ainda que a fé não possa ser demonstrada, pode ser explicada pelo crer, tarefa que cabe á razão. O objetivo desse trabalho então é explicar a concepção de felicidade através da beatitude no pensamento cristão e distingui-la da felicidade passageira do corpo a partir da leitura das reflexões de Santo Agostinho.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 25 FILO (AMOR) Lorraynne Garcez Pinheiro Leal (Escola Estadual Bueno Brandão) Orientador: Antônio Marques Nesta apresentação tenho a satisfação e o foco de lhes mostrar um pouco sobre FILO que traremos aqui no sentido de amor, hoje, usamos a palavra amor para demonstrar o nosso afeto pela namorada (o), pelo amigo, parente, etc. O amor é o combustível que alimenta a alma humana. Nascemos para amar e ser amados. Não apenas no sentido romântico, pois existem basicamente três tipos de amor: FILÉO, EROS e ÁGAPE. Ao decorrer do texto tenho como objetivo explicar cada um desses tipos de amor, trazer alguns ensinamentos a respeito e falar um pouco do livro “Pra Lá do Fim do Mundo" de Larry McMurtry, um livro onde diz muito mais do que sobre o amor de um homem e uma mulher, a autora retrata a respeito de diferentes tipos de paixões: pelos amigos, pelo trabalho, pela vida. Pois afinal de contas, é possível se apaixonar diariamente por quem somos, pelo que fazemos, por amigos, colegas, pelo (a) crush da escola e assim por diante e não sinta a obrigação de se apaixonar por ninguém, pois ela não existe, trago em mente o objetivo de fazê-los com que se sintam livres para amarem quem quiser a hora e quando desejarem.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 26 Infinite Regression: O Problema Ontológico em Platão e os conceitos de Corpo e Alma, a partir da análise de uma obra de ficção Lucas Gustavo Terêncio Araújo (IFTM) Marcus Vinícius Torres Silva (IFTM) Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes O objetivo deste trabalho é apresentar os primeiros resultados de uma pesquisa realizada em duas partes. 1) O estudo da relação entre os conceitos de corpo de alma, em Platão, com os termos hardware e software, na computação. Para Platão, o corpo é a prisão da alma. A alma, por sua vez, contém o verdadeiro conhecimento. Hoje, tais conceitos de corpo e alma admitem uma comparação com os conceitos de hardware e software, na computação. Pois o hardware é o corpo de uma máquina, responsável pela sua estrutura concreta; e o software é a parte lógica, cuja função é enviar instruções. 2) A análise do filme Infinite Regression [WoW, 2010], como exemplo de aplicação, no campo da arte audiovisual, das ideias desenvolvidas originariamente por Platão, mas que encontram repercussão nas indagações ontológicas da atualidade, sobre a natureza e o estatuto da realidade. O filme propõe a hipótese de que uma realidade pode ser elaborada eletronicamente e que seria possível tomar por real um mundo, do ponto de vista ontológico, não necessariamente real, mas logicamente verossímil. Conclui-se que, mesmo nessas circunstâncias, o ato do pensar autônomo seria o legítimo exercício de aproximação da realidade, que supera os enganos dos sentidos.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 27 Hobbes e Foucault: a coerção como tecnologia social Luiza de Moura Castro (Escola Estadual José Ignácio de Sousa) Orientador: Serginei Vasconcelos A desconfiança que os homens têm uns dos outros, juntamente com a competição e a glória, são as causas da discórdia, que levam à guerra. A desconfiança leva os homens a atacar primeiro com medo de serem atacados, e juntamente com a competição e a glória são as causas da discórdia, que levam à guerra. Isso nos leva à defesa de Hobbes de um contrato em que todos os direitos são transferidos ao soberano e este detém o poder de fazer as leis. Porém, mesmo estabelecendo tal contrato, é preciso da espada, isto é, da força, que certifica que essas leis serão cumpridas, já que, segundo ele: “Pactos, não passando de palavras e vento, não têm força para obrigar, dominar, constranger ou proteger ninguém, a não ser a que deriva da espada pública”. Do contrário voltariam ao estado de guerra, “se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará apenas em sua própria força como proteção contra todos os outros”.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 28 A política desenvolvida na Grecia antiga e a política desenvolvida no Brasil Marianna Wagatsuma Eduardo (Escola Estadual Frei Egídio Parisi) Orientador: Adriano Geraldo Pinto O presente trabalho tem por finalidade estabelecer uma relação entre a democracia direta praticada na Grécia Antiga e a democracia indireta desenvolvida nos dias atuais no Brasil, abordando a contribuição dos sofistas para os debates e o uso da razão. Os sofistas defendiam uma certa forma de relativismo, quer seja, não possuíam compromisso com a verdade absoluta, de modo que as circunstâncias do momento eram que determinavam esta ou aquela verdade. Eram conhecidos como “prostitutos do saber”, pois percorriam as cidades gregas vendendo seus ensinamentos. Utilizavam a exposição ou monólogo como método de ensino aos interessados. O principal objetivo desses ensinamentos era desenvolver em seus alunos as habilidades da retórica e da oratória, a fim de possibilitar sucesso nas discussões. Na Grécia Antiga, utilizava-se a razão como instrumento para tentar resolver questões políticas e sociais da Polis. As discussões e debates eram realizadas em praça pública, a Ágora, local este em que apenas uma pequena parte da população tinha o direito de participar. A democracia na Polis Grega era exercida de forma direta, ao passo que nos dias atuais a democracia é exercida indiretamente, por representatividade, de modo que a população elege seus representes por meio do voto.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 29 Julgamento Moral na Cultura Pop Natália Martins Arantes de Araújo (Escola Estadual José Ignácio de Sousa) Orientador: Serginei Vasconcelos A cada dia a sociedade é apresentada a novos modelos de cidadãos perfeitos, os famosos heróis. Esses heróis agem de maneira exemplar em qualquer que seja a situação, isso com o objetivo de inspirar os leitores a seguirem os seus pensamentos morais. Mas quem julga se as ações desses personagens são eticamente certas ou erradas? Com que base um indivíduo pode julgar a ação do próximo como “certa” ou “errada”? O princípio base da teoria ética de Peter Singer consiste no fato de as pessoas deverem considerar os interesses de todos os que estão/ serão envolvidos pelas suas ações morais, sendo que os interesses de todos devem ser igualmente respeitados. A universalização é a exigência de desconsiderar somente os números e se colocar no local do próximo, e levar em conta seus interesses, desejos e ideais. Ao vincular a universalização ao princípio de igualdade de consideração ele estabelece a base de sua teoria. Mas a pergunta é: esta ética funciona?
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 30 Apolo e Dionísio: a dualidade humana em Nietzsche Patrick Mendes Silva (Escola Estadual Felisberto Alves Carrijo) Orientadoras: Laís Franco; Letícia Palazzo, Gabrielle Fernandes, Gustavo Rodrigues Rosato Friedrich Nietzsche foi um importante filósofo e filólogo alemão. Sua primeira obra foi “O Nascimento da Tragédia”, publicada em 1872, em qual ele propõe uma tese estética que se baseia nas características de dois deuses gregos: Apolo e Dionísio. Ele desenvolve os conceitos de apolíneo e dionisíaco, que pretendemos explicar nesta comunicação. O objetivo deste trabalho é demonstrar que Nietzsche utiliza esses conceitos para entender que o homem possui internamente uma disputa amigável entre esses dois lados fundamentais e ativos, ao contrário da dicotomia cristã, influenciada pelo pensamento platônico do mundo sensível e inteligível, entre o deus perfeito e os humanos pecadores. Tal dicotomia acaba por causar uma profunda infelicidade nos humanos, visto que estão negando parte da sua dualidade, a desordem ou dionisíaca, para almejar apenas a ordem, ou apolínea. Nietzsche nos diz também que caso ocorra o contrário, a valorização apenas do dionisíaco, os humanos ficariam infelizes da mesma forma. O modo ideal de vivermos, para Nietzsche, seria rejeitar todas as regras impostas por religiões, especialmente as do cristianismo, para estarmos em harmonia com a ordem e com a desordem que habita em cada um de nós.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 31 Não à Escola Sem Partido Robson Matheus Santos de Oliveira (Escola Estadual João Rezende) Orientadora: Silvana Damasceno Costa O projeto de lei “Escola sem partido” tem como objetivo principal, de acordo com as pesquisas que realizei, de informar e conscientizar os alunos de seus direitos, inclusive os que correspondem aos deveres do professor. Porém essa ideia não corresponde ao objetivo central desse projeto de lei, nem mesmo à sua aplicação, pois primeiramente era só conscientizar, agora passou a ser uma perseguição ao professor e uma limitação à sua forma de ensinar e formar o conhecimento dos alunos. Para fazer uma crítica a este meio de negação do conhecimento, usarei de duas grandes filosofias que são: a platônica e a kantiana. Usando as teorias filosóficas de Kant sobre sensibilidade, entendimento e ética, demonstrarei que o significado de Estado Laico é pluralidade e respeito a todos, não uma imparcialidade do professor dentro de sala de aula, e com o mito platônico da caverna vou mostrar que eles estão nos dando uma visão somente da sombra da “coisa”, e na verdade o que essa “coisa” é está bem distante da sombra mostrada por eles.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 32 Sobre Filosofia e Arte, Espanto e Beleza: Uma Introdução Vinícius Oliveira Magalhães (IFTM) Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes Este trabalho apresenta uma reflexão sobre a presença da Filosofia nas manifestações artísticas em diferentes períodos do desenvolvimento da nossa cultura. A hipótese é: arte e filosofia se encontram no conceito de beleza e se desenvolvem juntas, embora de maneira nem sempre dependente uma da outra. A arte ajuda a compor nossa sociedade, entender o passado e proporcionar novas experiências, em suas distintas aplicações, que fornecem interpretações, experiências, formas e fins diferentes para cada época, envolvendo dimensões do comportamento humano, como afetividade, pensamento, criatividade e constituição física e mental. Se, em Platão, a arte era considerada cópia (mimesis) da cópia de um mundo ideal, em Aristóteles, as manifestações artísticas passam a ter o poder de ensinar a virtude. No período medieval, por sua vez, as manifestações artísticas, em sua maioria, expressam a relação com a divindade. A modernidade proporcionou maior liberdade às manifestações artísticas, na forma de autonomia e, a partir do Século XX, expressa em movimentos como o surrealismo e na massificação do produto artístico, como o cinema e a música popular. As inferências iniciais deste trabalho conduzem à seguinte reflexão: assim como a filosofia nasce do espanto, a arte renova incessantemente, em nós, esse mesmo espanto.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 33 XIII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 34 Razão & Isonomia & Isocrácia: As influências dos ideais políticos na filosofia grega Adrian Castro Azevedo (UFPA) Orientador: Celso Oliveira Vieira Tomo como suporte as ideias divulgadas nos livros "A Origem do Pensamento Grego" de Jean Pierre Vernant e nos primeiros volumes de "História da Grécia" de George Grote, obras que buscam explanar o contexto histórico e social da Grécia antiga, desde sua era de bronze até meados de seu período clássico, quando se obteve avanços significativos na racionalidade humana em diversas áreas do conhecimento. O objetivo será demonstrar a maneira como os conceitos de ‘Isonomia’, a igualdade perante a lei, e ‘Isocracia’, igualdade de poder político - gerados na sociedade grega no processo de formação da Polís pelos seus cidadãos - influenciaram o pensamento dos primeiros filósofos. Utilizando-se de uma análise do período grego presente nas obras já citadas, juntamente a uma interpretação de fragmentos e obras de filósofos da antiguidade grega, o artigo pretende evidenciar a manifestação desses ideais políticos na produção daqueles pensadores, como no respeito à lei da cidade em Heráclito (B44), na ética relativista de Protágoras e na Eudaimonia de Aristóteles. Por meio dessa explanação, propõe-se uma reflexão sobre até que ponto a filosofia consegue se distanciar do meio social; se pode ser alheia e inerte em relação à sociedade ou se a filosofia é inerente a ela.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 35 Algumas considerações sobre a Filosofia Trágica e o Teatro da Crueldade Alan Barbosa Guimarães (UFPA) Orientador: Rafael Estrela Canto O presente ensaio tem por objetivo relacionar o Teatro da Crueldade de Antonin Artaud e a Filosofia Trágica de Clément Rosset, pois consideramos que ambos tenham uma mesma intenção, a “terrorista”, isto é, uma inclinação a fazer aparecer o pior, enquanto uma maneira de acontecimentos no mundo, condição do trágico. Nesse sentido, a filosofia de Rosset nos direciona no debate para o pior, no terror das coisas inapreensíveis, trazendo o caos, o limite é mesmo um desastre humano e mundano presente em nossas vidas. Ora, pensar o trágico, a fim de associá-lo ao modo de expressão no Teatro da Crueldade, necessariamente nos leva a dizer que o corpo cênico seja capaz de carregar e causar afecções trágicas (por meio de compaixão e terror) no homem, excitá-los para o que classificamos como uma “metafísica das aparições”, que não é senão o encenar de conceitos, permitindo ao corpo falar e gritar, com a força da crueldade. Segundo Artaud, o problema não está no público (que pensa pelos sentidos), mas na maneira com que o teatro ocidental teria deixado de ser mágico e eficaz para trazer ao homem uma ilusão verdadeira do seu interior.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 36 As Relações do Corpo Propriamente Dito, o Cérebro e o Ambiente na Constituição da Mente, em uma Diretriz Emergentista Alberto Yuri Santos Peixoto (UFU) Orientador: Leonardo Ferreira Almada Esta comunicação pretende abordar a relação mente-corpo numa perspectiva emergentista da cognição. O principal foco é buscar compreender os fatores que contribuem na emergência da mente, entendendo o organismo na sua integralidade, situado no ambiente. Em outras palavras, pretendo defender mais especificamente: (i) uma noção de emergência na qual a corporeidade possui um papel de destaque na constituição da mente ou cognição, o que foi negligenciado ao longo do tempo pela maioria, que não considerava fundamental o papel do corpo na constituição da mente; (ii) o emergentismo é congruente com o naturalismo, ou seja, não fere o fechamento causal do mundo dado que processos emergentes existem no mundo natural; (iii) o ambiente e a ação do indivíduo no ambiente fazem parte de uma grande consideração feita nesta análise, pois o indivíduo é um ser em ação (en-ação), isto é, o indivíduo altera o ambiente e, em contrapartida, o ambiente altera o indivíduo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 37 Discurso sobre as Ciências e as Artes em Rousseau: Os dilemas Ético-Morais na Atualidade Aline Danielle Ferreira (UFPA) Busca-se neste resumo o intuito de estabelecer uma discussão coerente em um futuro artigo e demarcar os principais argumentos de Rousseau envolvendo moral e ética à época da produção do discurso com a atual fase dos desenvolvimentos destes dilemas em nossa atualidade, assim como para os futuros anos da pós-modernidade, pondo em ênfase pontos de destaque primordiais nacionais e internacionais, tais como: os desenvolvimentos científicos em diversas áreas da atuação humana, cada vez mais em desenvolvimento formando pares de opostos com seus ganhos e perdas à sociedade; os avanços da internet como sendo “Terra de ninguém”, articulando situações de desvios éticos e vulnerabilidades sociais. Por último tópico, mas não menos importante, a consciência e o reconhecimento dos usos científicos reivindicados por grandes sistemas internacionais que fornece o progresso ou a degradação de um equilíbrio social. Os argumentos apresentados no Discurso fornecem dois pontos de polarização dos usos das ciências e das artes; porém, por mais que Rousseau estabeleça um critério agressivo ao uso dos dois tópicos, ele não sugere a eterna vivência isolada do humano em estado de natureza, e sim a compreensão de si próprio para relações mais favoráveis e equilibradas no ambiente social que se estabelece.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 38 A presença do sincretismo religioso nas imagens de alquimia: o caso do Mutus Liber Alysson Lein (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Júnior O objetivo deste trabalho é analisar o fenômeno do sincretismo religioso que se expressa por meio da linguagem simbólica das imagens alquímicas. Para tanto, faremos uma análise de algumas das imagens que compõem o Mutus Liber, demonstrando que há, na composição de imagens na alquimia, um sincretismo das religiões judaicas e cristãs e das religiões gregas e romanas. Para tanto, iremos apresentar algumas pranchas do Mutus Liber nas quais é possível identificar imagens que representam essas religiões. Como referência judaica, temos, no fronstispício, a cena bíblica do sonho de Jacó, em que ele adormece sobre uma pedra e sonha com a escada que ascende aos céus, com dois anjos tocando suas trombetas. Como referência cristã há, por exemplo, uma prancha na qual vemos um casal ajoelhado, direcionada àquilo que é conhecido como forno alquímico. Os deuses romanos Mercúrio e Saturno representam elementos alquímicos e se encontram também no Mutus Líber. Por fim, há uma possível referência a Hércules transcendendo seu corpo após a conclusão dos doze trabalhos, simbolizando a transformação daquele que conclui as etapas do processo alquímico.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 39 Espectros de experiências negativas e a transitividade da relação “melhor que”: incomensurabilidade, vagueza e moneypumps André Luis Lindquist Figueredo (UFU – CNPq) Orientador: Alcino E. Bonella Pretendo, nesta comunicação, explicitar o debate sobre o argumento de espectro proposto por Larry Temkin (2012). Mais especificamente, sobre o argumento de espectros que são compostos por alternativas que envolvem experiências negativas. Esse argumento se baseia na inconsistência entre 4 premissas/visões: (1) para qualquer experiência negativa, é melhor obtê-la do que uma outra que seja um pouco menos intensa, mas que dure significativamente mais; (2) existe um espectro contínuo de experiências negativas, que varia de experiências muito intensas e curtas, para experiências menos intensas e longas; (3) algumas dores são de tal intensidade que nunca será melhor trocá-las por dores bem menos intensas e mais duradouras; (4) a relação “melhor que”, all things considered, que relaciona as alternativas desse espectro, é transitiva. Para Temkin, há boas razões para abandonarmos (4) frente a essa inconsistência. Porém, Toby Handfield (2013) e Christopher Knapp (2007) argumentam que abandonar (4) acarretaria em deliberações cíclicas e, consequentemente, em money pumps, e que abandonar (1), por incomensurabilidade (Handfiled) ou vagueza (Knapp) de certas alternativas desse espectro, é a opção mais plausível para o raciocínio deliberativo sobre trocas de qualidade por quantidade (a que (1) e (3) dizem respeito).
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 40 Uma análise sobre o conceito de Memória no pensamento de Agostinho de Hipona e Henri Bergson Andrey Augusto Fonseca Farias (UFPA) Orientador: Jonathan Molinari Este trabalho tem como objetivo analisar e demonstrar a importância do conceito de memória, expor a relação entre a memória, corpo e alma, levando em consideração o pensamento de Agostinho de Hipona sobre a faculdade da memória, trabalhado na sua obra Confissões, especificamente o livro X, pois para ele é na memória que se encontra tudo do homem, suas experiências passadas, tudo o que ele aprendeu, noção sobre o tempo, tudo em que ele acredita, tudo o que ele é; analisando também o conceito de memória no pensamento de Henri Bergson, a partir da obra Matéria e Memória, na qual se pensa a memória como um fenômeno que responde pela reelaboração do passado no presente, para ele a memória sempre está no presente, o passado sempre vem ao presente pela memória. Tendo como fundamento esses filósofos, tentarei em seguida demonstrar como a ideia de tempo possui uma significância na relação da memória com o corpo e a alma.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 41 Francis Bacon: Acerca da concepção de vitória sobre a natureza Andrey Fonseca Andrade (UFPA) Orientadora: Elizabeth de Assis Dias O presente estudo tem por objetivo analisar e discutir alguns trechos de obras de Francis Bacon que aludem à concepção de uma "Vitória sobre a Natureza", que frequentemente é mal interpretada por alguns autores, como se a mesma estivesse atrelada a uma noção pejorativa de domínio sobre a natureza por intermédio de técnicas, o que se traduziria em sua famosa fórmula "Saber é Poder". Teríamos então esta noção de progresso a qualquer custo, inclusive da destruição da própria natureza, bem próxima ao mau uso feito da ciência através dos tempos, mas que de modo algum pode ser confundido ou mesmo ser associado com a concepção do lorde chanceler. Para esclarecer tal concepção de vitória sobre a natureza e, por conseguinte, sustentarmos nossa hipótese, faz-se uso de alguns aforismos de sua obra magna, o "Novum Organum" bem como de alguns trechos de outras obras do autor, como: "Progresso do Conhecimento" (1605); "Sabedoria dos Antigos" (1609) e "Ensaios" (1597).
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 42 Filosofia e cinema: A desumanização do artista segundo Guy Debord dentro de “Perfect Blue” Ângelo Gabriel de Brito de Oliveira (UFPA) Tomo como suporte as ideias divulgadas no livro “A sociedade do espetáculo” de Guy Debord (filósofo marxista francês e fundador do movimento situacionista) e o filme Perfect Blue de SatoshiKon (diretor japonês, responsável por algumas das maiores animações japonesas, como a já citada Perfect Blue e Paprika), obras que denunciam o processo predatório de desumanização do artista dentro do capitalismo, que objetifica seu ofício e sua obra, além de reduzi-lo a um mero reprodutor da vontade pública. O objetivo deste trabalho será analisar esse processo dentro do filme através da lente da protagonista Mima Kirigoe, que é vista como mero objeto após abandonar sua carreira musical para começar uma carreira na televisão, assim demonstrando a principal critica do filme à indústria e ao life style Idol, que, como espetáculo do capitalismo, apenas intensifica esta relação predatória. O artigo pretende evidenciar essa relação e este processo sob a luz do filósofo francês e, assim, chegar a uma raiz lógica desta problemática, por meio da interpretação da obra e da análise do cenário desta indústria dentro da sociedade japonesa, para enriquecer a análise do filme.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 43 A crítica de Antônio Gramsci à relação religião e Estado Barbara Leandra porto Mota (UFU) Orientadora: Maria Socorro Ramos Militão O presente trabalho, que se enquadra na área da Filosofia Política, almeja estabelecer pontos de intersecção filosófico-políticos a partir da questão religiosa, como elemento de conformação ideológica que emerge da teoria de Antônio Gramsci. O objetivo é investigar, a partir da obra gramsciana “A questão da religião”, qual é o paralelo existente entre a religião e o atual cenário político brasileiro. Cientes de que hoje há uma tentativa de resgate da relação entre religião e Estado, que remonta ao menos ao período moderno, julgamos importante investigar alguns pontos essenciais presentes na atual política nacional, em especial naqueles propostos pela chamada bancada evangélica. Busco uma forma de problematizar retrocessos e prejuízos nessa imersão religião/Estado/educação. A partir da ideia de Homeschooling, tema de grande discussão no cenário atual, pergunta-se: e as diferenças de perspectiva e de visão de mundo, serão erradicadas? É viável a vida privada atingir a vida pública, bem como já questionavam Baudelaire e Benjamin no final do século XIX e início do século XX? Enfim, essas questões relativas à educação que emergem da filosofia política e que necessitam, precisam ser reavaliadas, após cem anos. O método que norteará o estudo é a filosofia da práxis.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 44 A solidão como superação da decadence Bárbara Raffaelle Carvalho Santos (UFU - FAPEMIG) Orientador: José Benedito de Almeida Jr. Este trabalho tem como objetivo examinar a importância da solidão, principalmente na obra nietzschiana de maturidade Assim Falou Zaratustra (1883-1885). O argumento principal desenvolve a tese de que o ditirambo de solidão, forma como o próprio Nietzsche define o Zaratustra em sua autobiografia Ecce Homo (1888), seria um fator central para a superação da decadência da moral, através do ritmo e das canções na terceira parte da obra. Desta forma, explicaremos a possibilidade de uma solidão transbordante e criadora como ultrapassagem da moral ressentida de rebanho. Elucidaremos que essa moral gregária leva consigo um instinto de vingança e envenenamento, pois carrega o “peso de gravidade” das imposições, sejam elas cristãs ou ético- políticas, que visam universalizar as ações humanas. Para Nietzsche, essa tentativa de homogeneizar os comportamentos ceifa todo o movimento e aleatoriedade presente na existência, porque para ele não há causalidade ou um sentido único. Então relacionaremos a solidão à grande saúde e à liberdade como forma de superação da doença presente no rebanho que nega a vida e a terra. Para desenvolvimento deste trabalho contaremos com a leitura direta da obra de Nietzsche, assim como de estudiosos para a interpretação de seu pensamento.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 45 Giambattista Vico e sua "autêntica" Filosofia da História Belchior Alves da Silva (UFU) Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto A "autêntica" Filosofia da História na teoria de Vico aponta para novos horizontes, em um campo de estudos ainda incipiente e sem outros autores que tivessem retratado da mesma forma o tema. O Autor assenta suas ideias no tempo presente, porém o seu grande trunfo está na revelação dos acontecimentos passados da história dos povos etruscos e jônios, em seus modos de vida e em suas trajetórias no tempo, formando aldeias e comunidades, no sentido de se constituírem os núcleos sociais. Para melhor fundamentar seu pensamento, Vico traz o relato da formação trinitária dos povos, que é composta por mitos, heróis e homens. O primeiro, os mitos, foco na transcendência do humano para o divino; o segundo, os heróis, destaque à saga dos seres geniais, conexão entre deuses e homens, capazes de revolver a terra e promover a formação social como modelo para o nosso tempo, e o terceiro, os homens, segundo Vico, os responsáveis pela história das nações. Vico se utiliza da "pena" como se esta fosse um arado sulcando a terra e desvendando "os tesouros" da humanidade, trazendo em cada "torrão" um acontecimento para ilustrar suas ideias de um modo novo de fazer ciência.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 46 Uma perspectiva filosófica do apagamento feminino Bruna Alexsandra Assis de Araújo (UFU) O presente trabalho tem como objetivo principal compreender o que fez com que a mulher ficasse anos luz atrás do homem em inúmeras áreas, como, por exemplo, na filosofia e na ciência, e como este apagamento do ser feminino na história possui, até hoje, imenso impacto na sociedade. Para tal, foi feita uma investigação em inúmeros casos históricos, em épocas distintas, como o de Lise Meitner e Medusa, visando compreender o que foi este apagamento e como ele serviu de fertilizante a um solo de desigualdades salariais em mesmos cargos e violência doméstica desenfreada. Ademais, é abordada também a forma com que este apagamento foi sendo modificado e, atualmente, se transformou em uma aversão ao feminino, tornando possível compreender frases odiosas destinadas a tal gênero e até mesmo casos de feminicídio. Para evidenciar essa aversão, são trabalhados autores como Francesco Petrarca que dentre suas produções intelectuais tornou bem evidente o quanto a mulher representava algo negativo e em como representaria uma grande melhora se dela fossem tiradas características básicas e naturais, como, por exemplo, a capacidade de gestar um filho.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 47 Nick Land, leitor de Heidegger Bruno Belém (USP) Orientador: Vladimir Pinheiro Safatle Nos primeiros anos da década de 1990, ao articular a temática da experiência do sublime enquanto sede de aniquilação com a do colapso do programa do esclarecimento, o filósofo Nick Land escreveu algumas das páginas mais perturbadoras sobre a reflexão estética na filosofia moderna e contemporânea. Em suas leituras de autores como Kant, Nietzsche, Heidegger e Bataille, o fascismo tem ao menos um momento de verdade: a arte é realmente um perigo, insurreição, aquilo que não pode ser controlado, nos lançando em direção da única morte que o fascismo é incapaz de desejar, a saber, a morte daquilo que, em mim, me aparecia como meu – do Eu ao Ocidente. Nesta comunicação, trata-se de discutir essas problemáticas no pensamento de Heidegger, que vai buscar através da arte – entendida como dizer da verdade, dizer sobre a enticidade humana – um modo de reavermos nossa autenticidade e liberdade. No entanto, segundo Land, Heidegger é levado ao limiar de um caminho que mesmo aquele que tão bem denunciou o sono antropológico do humanismo não estaria disposto a seguir.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 48 O poder político do controle, niilismo e suicídio: uma análise sobre o esgotamento do sujeito contemporâneo Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira Orientadora: Georgia Amitrano A presente comunicação visa, a partir do esgotamento do sujeito moderno e diante do aumento de suicídios no mundo inteiro, analisar o modelo de poder político baseado no controle ininterrupto sobre a subjetividade dos indivíduos. Para tanto, utilizo os conceitos de poder, controle e subjetividade, abordados a partir do pensamento de autores pontuais, tais como: Michel Foucault, Gilles Deleuze e Byung-ChulHan. Para além, também aponto para as possíveis consequências de um niilismo inerente ao nosso tempo, em que o sujeito, diante da crise perpetrada pelo poder- controle político sobre sua subjetividade, é acometido pelo esgotamento de suas forças. Este poder- político usa o discurso de liberdade individual como cerne do processo de controle dos sujeitos tornando-os ferramentas de auto disciplinamento. Donde entender que o suicídio − tal como pontuado por Albert Camus − constitui uma fuga da existência ou um salto filosófico. As estruturas de poder e controle levam o sujeito ao auto aniquilamento, compreendido como algo decisório no exercício de sua liberdade, ignorando o funcionamento do poder e controle político sobre a vida.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 49 “Anthropology is philosophy with the people in”: reflexões e implicações epistemológicas sobre a crise planetária. Bruno César Cunha Cruz (UFU) Diante do considerável consenso científico a respeito das mudanças termodinâmicas e geológicas do Planeta (causadas majoritariamente por questões antrópicas), que faz intensificar as discussões sobre um certo processo de desvitalização ontológica do ambiente, coletivos de diversas partes do mundo têm se dedicado tanto a dar respostas para uma mudança de tal situação, quanto a compreender as consequências físicas, já mensuráveis ou que estão por vir, que podem levar à dimensionada desarticulação dos quadros espaço temporais da história (ou, popularmente, ao « fim do mundo »). Alguns desses coletivos chegam a receber agora uma classificação: a de « ‹ciências› do Antropoceno », estando nelas incluídas, para além das clássicas ciências naturais, a Antropologia e a Filosofia. Dessa forma, essa comunicação visa, comentando por meio de um debate transversal entre a epistemologia e a antropologia da ciência, elaborar certas reflexões epistemológicas sobre o período que faz tais implicações possíveis, a partir de posições teórico-metodológicas agora tomadas por esses coletivos. Assim, e ancorando-se inicialmente na ideia de simetria (Latour, 1991 [2014]), pretende-se, inclusive (e no caso específico), refletir sobre a necessidade de se imaginar e se somar aos supramencionados coletivos « with the people » (Ingold, 1992, 2014).
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 50 O esquecimento, em Nietzsche, como força ativa Bruno de Novais Oliveira (UFU) Orientador: Humberto A. Guido O esquecimento, em Nietzsche, não é uma mera contingência da memória, sendo, pelo contrário, uma característica ativa da fisiologia humana. É o esquecimento que constitui a capacidade do ser humano se relacionar, de modo presente, com as coisas que lhe afetam, pois sem o esquecimento se opondo a memória, a vida seria uma digestão constante de acontecimentos que nos retornam à memória e impedem que nos centremos no presente. O esquecimento é aquilo que possibilita a capacidade digestiva da fisiologia humana, e não apenas a ausência da memória, e, com efeito, é a capacidade que permite que os sentimentos sejam tratados na ação e não na reação. O ressentimento será tratado como efeito da má digestão da consciência, e a má consciência como efeito do ressentimento, sendo então, o conceito de esquecimento como a pedra base na formação do que seria, para Nietzsche, uma boa ou má consciência. O objetivo principal desse texto é demonstrar, portanto, como o esquecimento se relaciona, de maneira ativa, com questões centrais na filosofia nietzschiana como: ressentimento, má consciência, consciente, inconsciente, memória, história, genealogia, niilismo, e vontade de potência.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 51 A educação como libertação e como meio de controle Clarice Melo Stabenow (UFPA) De ordem estritamente bibliográfica, esta comunicação visa abordar o Livro V do diálogo A República de Platão, no qual a questão enfatizada é a educação para as mulheres, que Sócrates menciona em seu debate com Glauco. Dando a devida atenção de que a educação oferecida para os homens deve ser a mesma das mulheres, esta é defendida a fim de fortalecer a sociedade, visto que, todos têm a mesma capacidade de administração e manutenção da pólis a qual pertencem. No mais, esta comunicação tratará também, da importância deste livro para fomentar o debate da educação feminina atual, como ela se deu e o papel do feminismo na organização e na efetivação do direito de estudar. As questões abordadas terão como objetivo a correlação do Livro V da República com a educação de mulheres, o feminismo como mecanismo na implementação da educação feminina, a educação como maneira mais rápida de emancipação; a educação como forma de controle patriarcal sobre as mulheres e por fim, a equidade e importância no incentivo, prática e melhoria na educação feminina e masculina.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 52 O belo entre o Hípias Maior e O Banquete Cláudio de Souza Menezes Júnior (UFPA -CNPq) Orientadora: Jovelina Maria Ramos de Souza Na presente exposição, pretendemos analisar o tema central do diálogo platônico Hípias Maior: o belo e sugerir sua relação com o diálogo platônico O Banquete. Para isso, analisamos, no primeiro texto, as falas de Sócrates e Hípias no que diz respeito à questão do belo: Sócrates tenta dizer o que é o belo, enquanto Hípias se limita a dizer o que é belo. Nesse jogo dialético, a busca pela essência da beleza da parte natureza visível desta – à qual o discurso de Hípias se encontra limitado – e passa por questões éticas. A partir dessa análise, sugerimos uma relação deste debate com aquele apresentado por Sócrates em O Banquete, em que Sócrates relata os ensinamentos que obteve de Diotima acerca da essência do belo: as questões apresentadas no Hípias Maior são como um exórdio à teoria platônica da beleza, que se mostra em pleno desenvolvimento em O Banquete ao ser reelaborada a partir da teoria das Formas. Assim, por meio desse estudo do Hípias Maior e sua relação com O Banquete, podemos compreender um pouco mais a concepção platônica de beleza e trazer uma maior visibilidade ao Hípias Maior, que ainda hoje é pouco estudado – em comparação com os diálogos ditos autênticos.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 53 Do Homo Sacer contemporâneo Daniel Alves Rodrigues (UFU) Orientadora: Georgia Cristina Armitrano O presente trabalho visa analisar, a partir de um resgate dos conceitos aristotélicos de bios e zoé, como um indivíduo perde seu direito de viver pelo Estado, sem que haja, para isso, assassinato. Giorgio Agamben (1942-presente), em sua obra Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua (1995), julgou importante resgatar do direito romano a figura do Homo Sacer, a fim de discorrer e atualizar o debate político acerca dessa imagem romana, oferecendo diversas possibilidades de analogias a serem formuladas na contemporaneidade. Isso possibilitou abrir janelas para uma leitura mais crítica da realidade política atual e de suas contradições. É com esse conceito que o autor nos leva a pensar sobre vulnerabilidade concreta e como e em quais grupos humanos ela se manifesta. O Homo Sacer diz respeito à vida “matável”, um sujeito que pode ter o direito à vida conjurado por qualquer cidadão romano, desde que não seja morto em função de rituais religiosos. É uma vida que sequer merece a morte em função do culto aos deuses. A condição de humanidade do Homo sacer é questionada por Agamben, relacionando o Homo Sacer à condição de zoé.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 54 As ideias abstratas em Locke como solução para o problema dos universais Danival Lucas da Silva (UFU) Orientador: Marcos Seneda Locke, em sua obra Ensaio acerca do entendimento humano, livro três, capítulo três, associa as ideias abstratas à origem dos termos gerais que utilizamos em nossa linguagem comum, como, por exemplo: pássaro, homem e árvore. Para ele, as ideias abstratas são suficientes para resolver o problema dos universais, isto é, a antiga discussão sobre a origem dos gêneros e das espécies. Uma vez que todas as coisas que existem são particulares, para Locke, as palavras se tornam gerais ao serem tomadas como sinais para ideias gerais. Esta pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de aprofundar no estudo das ideias abstratas em Locke e em sua contribuição na busca de uma solução para o problema dos universais. A apresentação será dividida em quatro partes: 1) Uma breve exposição do problema dos universais e suas implicações para a história da filosofia; 2) Os pontos principais da proposta de Locke em relação à origem das ideias abstratas; 3) Correlações entre essa solução e outras propostas; 4) Críticas à posição de Locke, extraídas de dois artigos: Abstraction and the Origin of General Ideas de Stephen Laurence e Eric Margolis; General ideas and the knowability of essence: Interpretations of Locke's theory of knowledge.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 55 Hume e o ceticismo acerca do mundo Dener de Souza Borges (UFPA) Orientador: Luis Eduardo Ramos de Souza O presente trabalho tem como objetivo analisar os principais argumentos do ceticismo de David Hume contra a noção geral de existência do mundo e os argumentos apresentados pelos filósofos para justificar objetos contínuo e distinto da mente. Será utilizado como fonte principal as obras: Tratado da natureza humana (2009) e Investigações sobre o entendimento humano (2004). Durante essa análise será examinada o pensamento humeano acerca da natureza das percepções, mostrando ser sua conclusão contrária ao vulgo e ao sistema filosófico de sua época que buscou justificar uma dupla existência: percepções e objetos externos, sendo esses responsáveis pelas primeiras. Em seguida será apresentado o argumento de que a noção de existência continua e distinta de objetos é uma forte crença que se fundamenta principalmente com as impressões registradas na memória e ganham força por meio do hábito. Por fim será apresentado as causas, como Hume demonstra, de um mundo contínuo e distinto da mente, mostrando que essas causas não são suficientes para sustentar a crença em um mundo externo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 56 A Diferença entre Noções Comuns e Abstrações na Ética de Espinosa: uma crítica às ideias de transcendência, finalidade e dever Diego de Carvalho Sanches (UFPA) Orientador: Rafael Estrela Canto O presente artigo tem como objetivo analisar a diferença estabelecida entre noções comuns e abstrações no livro II da Ética de Espinosa e sua consequência para a crítica de concepções de caráter ontológico, epistemológico e moral. Partindo do livro II da Ética, buscar-se-á explanar a diferença entre noções comuns e abstrações e o seu papel na doutrina dos gêneros de conhecimento de Espinosa. Em seguida, a partir da leitura de Lívio Teixeira, A doutrina dos modos de percepção e o conceito de abstração na filosofia de Espinosa, será explicitada a maneira como o filósofo valoriza o conhecimento a partir das noções comuns em detrimento do conhecimento por abstrações, ou seja, a valorização do conhecimento racional em oposição ao conhecimento imaginativo inadequado. E, por fim, a partir das leituras de Deleuze, Espinosa: filosofia prática e Espinosa e o problema da expressão, almeja-se identificar como esta distinção entre noções comuns e abstrações possibilita uma crítica, no âmbito do conhecimento, das ideias de transcendência, finalidade e dever.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 57 Os indígenas e o absurdo: uma análise da história dos nativos brasileiros a partir da filosofia do absurdo de Albert Camus Edon Teixeira de Castro (UFPA) Orientador: Ivan Risafi de Pontes O presente trabalho tem como proposta conectar a filosofia do absurdo de Albert Camus com o processo de supressão das culturas indígenas - nativos brasileiros, que nos seus primórdios, levavam uma vida consideravelmente livre e diante daquela perspectiva filosófica, uma vida que fazia sentido. Abordaremos o contexto histórico, para observar o quanto a vida dos nativos brasileiros se tornou progressivamente absurda, e de que forma se sucedeu. Analisaremos tais momentos históricos, a partir da concepção do Absurdo de Albert Camus, que se encontra no seu ensaio filosófico – O Mito de Sísifo, onde o autor argumenta a respeito daquelas que seriam as características de uma vida absurda, uma vida ligada a atividades modernas mecanizadas pela sociedade. Veremos como o absurdo exerceu uma grande consequência sobre os povos indígenas brasileiros, que até os dias atuais sofrem com a desestruturação e reestruturação das suas culturas. Por fim, este trabalho pretende elucidar de que forma a sociedade brasileira atual ainda carrega as consequências de todo o absurdo imposto pelos europeus.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 58 Kant e Schiller: Pensar Estética Como Uma Contribuição Para a Vida Moral Fabiana Carolina Dias (UFPA) Orientador: Pedro Paulo da Costa Corôa Nossa comunicação tem como objetivo mostrar a possibilidade de se reconhecer a contribuição da experiência estética para a educação moral do homem, tendo por referência as perspectivas de Immanuel Kant e Friedrich Schiller, tendo em vista, a aproximação que ambos fazem entre sentimento estético e sentimento moral. Nesses dois pensadores há ideia de desenvolvimento dos sentimentos para contribuir com os objetivos ditados pela razão prática. No caso de Kant a ideia é dada pela percepção de que tanto por meio da estética quanto pela ética a liberdade é o ponto principal, no primeiro caso para a criação e independência do juízo e, no segundo, pela autonomia de nossas escolhas. Já para Schiller a efetivação dos mais elevados valores morais só é possível por um aprimoramento, anterior, do nosso sentido estético, aproximando o conceito de “Bela Alma” ao ideal ético. Os textos de base para essa exposição são Crítica da Faculdade de Julgar, de Kant, e a Educação Estética do Homem, de Schiller.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 59 Filosofia e cinema: a angústia existencial heideggeriana pensada a partir de O Show de Truman de Peter Weir Gabriel Lima Silva (UFPA) O homem, perdido em meio a uma existência inautêntica, refém da força de outrem, com a degradação da própria identidade, é o que Peter Weir nos traz em O Show de Truman (1998). Esse é o objeto da análise que proponho fazer no filme acima referido, tendo por referência Martin Heidegger em Ser e Tempo, especialmente apoiado nos capítulos V e VI da Seção Primeira, onde ocorre tal tematização. A reflexão incidirá sobre o sentido de uma existência inautêntica: o fato da existência, o desenvolvimento da existência e a destruição do eu, demonstrando o quanto a mesma representa uma prisão, que só poder ser superada com o enfrentamento da angústia, de onde provém o impulso do Dasein para transpor e assumir sua autonomia. E, assim, na recusa de qualquer predestinação e imposição, e atendo-se à busca do real existir, a angústia passa a ser destacada, na presente comunicação, como necessidade para a liberdade.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 60 Condições do ensino de Filosofia nas escolas públicas em Feira de Santana e o impacto da presença da UEFS Gabriela Peixoto Oliveira Barbosa (UEFS) Orientador: Malcom Guimarães Rodrigues Pensar o ensino público no Brasil não é uma tarefa fácil, pensar o ensino dentro de uma escola sucateada e sem infraestrutura é uma tarefa mais difícil ainda. O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma análise sobre a prática do ensino de Filosofia nas escolas públicas no município de Feira de Santana na Bahia, bem como a relevância da atuação e contribuição do PIBID e da Residência Pedagógica (PRP) nessas escolas. Ademais, caberá refletir sobre uma proposta filosófica pedagógica, baseada em uma filosofia humanista e transformadora. Decerto, o ensino de Filosofia nas escolas deve ser levado a sério. Parece-me que a Filosofia precisa ser transformada numa experiência significativa e não ser reduzida apenas a uma teoria ou ser vista como um fardo. Na verdade, a Filosofia precisa ser inserida no seio da Educação e só assim dará bons frutos. É indispensável a preparação e capacitação do professor pra desenvolver o seu papel com excelência e esse professor precisa encontrar caminhos de abordagens que possa impactar seus alunos. Afinal, estes precisam serem estimulados para pensar a sua relação com o mundo e tudo o que o cerca e perceber também de como a Filosofia pode contribuir nisso.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 61 Literatura engajada segundo Jean- Paul Sartre Gabrielle Fernandes Martins (UFU) Orientador: Igor Silva Alves Jean-Paul Sartre apresenta em seu texto Que é a literatura? que, diferentemente das demais artes (como a pintura, escultura e música), a literatura deve estar necessariamente vinculada ao engajamento, é importante ressaltar que quando tratamos de literatura engajada nos referimos diretamente à prosa. Pretendo analisar com o presente trabalho o texto supracitado de Sartre. O intuito da análise consiste em entender o porquê a literatura, segundo o filósofo francês, está diretamente vinculada ao engajamento. Deste modo, para que possamos compreender por que a literatura se relaciona com engajamento é necessário percebermos como a arte da escrita, especificamente a prosa, é construída. Assim, o percurso que será traçado ao longo do trabalho consiste em entender a diferença existente entre os tipos de artes, compreendendo a construção das obras no imaginário e a diferença existente entre poesia e prosa no que diz respeito ao uso da palavra, pois esclarecer de que forma, dentro da literatura, Sartre estabelece esse diferença é fundamental para perceber que a própria estrutura da prosa nos revela a noção de engajamento.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 62 O papel da música na educação do homem tendo como base para tal análise a filosofia platônica Gabryella Couto Ferreira Pacheco (UFU) Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho O presente trabalho tem como intuito explorar uma das vertentes da filosofia denominada Filosofia da música. Sabe-se que nossa concepção atual sobre a música tem suas origens com Boécio. Este é o responsável por dividir a música em três categorias: música mundana, tenta explicar a organização do sistema solar, música humana, leis harmônicas que compõe nosso planeta, e música instrumentallis, ligada aos compositores, entonação de voz e fabricantes de instrumentos musicais. A partir dessa divisão, a música, aos poucos, perde seu papel no espaço educativo e é entendida apenas como uma experiência sensitiva. Além desses elementos, que também estão presentes em nossa sociedade atual, observa-se que a música é vista como uma mercadoria, isto é, um elemento da cultura industrial. Diante disso, tenho como objetivo principal neste trabalho esclarecer as concepções de música (mousiké) na Grécia Antiga e analisar o papel desta como um dos principais elementos na educação do homem e na constituição e modificação de seu ethos, isto é, de seu caráter. Ademais, veremos como esta promove a organização harmônica da pólis e como esta está ligada diretamente às noções matemáticas. Para isso, essa abordagem se respaldará na filosofia platônica e, mais especificamente, no diálogo A República.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 63 O problema da virtude e inteligência no Mênonde Platão Gessé Miranda Celestino dos Santos (UFU) Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho Sócrates tangencia diversos assuntos concernentes à cosmologia, epistemologia, ontologia, ética, metafísica etc. Contudo, o tema principal que Platão se propõe investigar na obra em questão é, por um lado, o caráter único (Uno) da Virtude, que ele busca desvelar, questão levantada a partir de uma dúvida de Mênon, ela que Sócrates reformula a fim de definir a característica da Virtude, e, por outro, a possibilidade de se ensinar a virtude, ao tratar da indagação feita inicialmente por Mênon. Caso seja possível ensinar a virtude, como fazê-la? A partir de seu método dialético, ele opera sobre essas questões e tenta fornecer uma resposta bem fundamentada após a investigação. Mas como Platão compreende as noções de virtude e inteligência, e como as define antes de desenvolver seus argumentos com tais conceitos? Meu objetivo é tentar demonstrar que virtude e inteligência não podem ser compreendidas sem que tratemos de suas definições. Por isso cabe a nós (i) investigar qual é o conceito de virtude para Sócrates, e, em seguida, (ii) tangenciar o conceito de inteligência, focando especificamente na utilização que se faz dos termos no diálogo. Por fim, entender como Sócrates compreende tais definições em uma única concepção epistemológica, com vistas a conciliar virtude e inteligência no Mênon.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 64 Concepção de Virtú e Fortuna em Maquiavel Giovana Andrade Zanotto Orientadora: Maria Socorro Ramos Militão Em seu livro O Príncipe, Maquiavel (1469-1527) busca direcionar a ação de um príncipe tendo como finalidade a conquista e conservação de um principado. Considerando esse objetivo, o autor transmite seus conhecimentos alicerçando-se em dois conceitos fundamentais: Fortuna e Virtú. E tendo em vista a importância destes conceitos no conjunto da obra maquiaveliana é que me proponho, nesta comunicação, expô-los e explicá-los, objetivando, a partir deles, evidenciar a atualidade do filósofo florentino, especialmente no que concerne as leituras dos problemas políticos atuais no Brasil. Em outras palavras, pretendo tornar mais evidente as concepções de Fortuna e Virtú, e relacioná-las para mostrar a relevância de seus usos na política contemporânea, demonstrando que, apesar de seu distanciamento temporal, Maquiavel nos auxilia, por meio de seus conceitos, a entender o contexto político-social no qual estamos imersos. O método de análise que orientará o estudo é o realismo, que é também o recorte teórico em que o Príncipe se faz, dado os limites deste trabalho.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 65 As relações entre mente, encéfalo, corpo e ambiente pelo viés emergentista. Gleusson Alves Neves Junior (UFU) Orientador: Leonardo Ferreira Almada Com o avanço das tecnologias na área da neurociência, as possibilidades de realizar experimentos com o cérebro estão cada vez mais sofisticadas, ocasionando novos debates entre os filósofos da mente. Com o surgimento das novas evidências, as explicações de cunho reducionista, como também as racionalistas, se tornaram obsoletas. Nesse contexto, o Emergentismo advém como uma proposta para reaquecer as investigações filosóficas. Enquanto o Racionalismo considera a mente como independente do corpo e do mundo exterior a ela, e o Redutivismo compreende o todo como a soma das partes, a corrente emergentista inova propondo que o todo de um determinado sistema é mais do que a soma de suas partes. A partir dessas considerações, o intuito dessa comunicação é mostrar que o corpo existe como alicerce da mente consciente; que o papel do encéfalo nessa relação se resume em órgão mediador; e que o corpo se encontra inserido no ambiente, não deixando escapar que todas essas relações ocorrem indissociavelmente. Nesse patamar, o problema da relação entre corpo e mente, historicamente enfrentado pela filosofia, deve ser revisto e apropriadamente interpretado como o problema da emergência da consciência a partir das relações entre mente, cérebro, corpo e ambiente.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 66 O conceito de analética e alteridade na perspectiva Dusseliana Guilherme Carmona Rezende Silva (UFU) Orientador: José benedito Enrique Dussel foi precursor da filosofia da libertação, criou e trabalhou em vários conceitos para estruturar sua filosofia, conceitos como o de vítima, de analética, de exterioridade e da própria libertação. Para entender melhor seu pensamento é imprescindível o conhecimento de dois conceitos dusselianos que serão trabalhados aqui, o de analética e o de alteridade. A ana-dialética (aná: além de/dialética: diálogo, método de criação de ideias) é uma dialética que vai além da totalidade europeia, é um diálogo com o outro. Isso amplia a perspectiva greco-europeia, em que se instaurou o pensamento filosófico dialético, o outro são as nações ameríndias, africanas, e asiáticas do médio oriente. A alteridade é tratar o outro com exterioridade, concebê-lo no face-a-face sem racionalizá-lo ou conceituá-lo a partir do que eu percebo em meu mundo. A razão totalizadora, que é própria do ocidente moderno, fere o outro, pois é impossível totalizar todas as coisas sem que se reduza o outro a uma mera coisa, então ele deve estar fora desse sistema, deve ser exterior ao meu mundo. Para desenvolver este trabalho, nos pautaremos, principalmente, na obra de Dussel: Método para uma filosofia da libertação (1974).
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 67 O caráter autoritário da teoria da ciência baconiana, segundo Karl Popper Helton Lima Soares (UFPA) Orientadora: Elizabeth de Assis Dias Objetiva-se nesta pesquisa analisar os argumentos de Karl Popper no que concerne a afirmação de que há um viés autoritário na teoria da ciência de Francis Bacon. Apesar de considerar a filosofia baconiana como antiautoritária e antitradicionalista, Popper não vê sucesso na tentativa de Bacon de eliminar da autoridade a sua própria teoria. Isso por dois motivos: primeiro porque Bacon teria apelado a uma autoridade religiosa – a natureza – fundando a religião secularizada da ciência, segundo porque o Lorde Chanceler não teria priorizado o julgamento crítico, devido sua tendência individualista. Neste contexto, Bacon buscou substituir uma autoridade por outra: a autoridade da filosofia tradicional de sua época pela autoridade dos sentidos. Nossa hipótese é que Popper chega a esta conclusão por causa de sua defesa do falibilismo e do método hipotético- dedutivo, implicando em críticas ferrenhas ao observacionismo advogado por Bacon que, pretendia construir um conhecimento científico seguro e exato a partir da observação da natureza.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 68 A filosofia de Paul B. Preciado como prática de si Ian Abrahão Oliveira (UFU) Orientador: Humberto Guido Michel Foucault, em seu segundo tomo de A História da Sexualidade, formula o conceito de práticas de si ao estudar as éticas gregas do período clássico. Tal conceito se refere a “práticas refletidas e voluntárias através das quais os homens não somente fixam regras de conduta, como também procuram se transformar; modificar-se em seu ser singular (...)”. Em seu primeiro livro, o Manifesto Contrassexual, Paul B. Preciado formula o conceito de contrassexualidade, que em parte segue a noção foucaultiana de que “a forma mais eficaz de resistência à produção disciplinar da sexualidade (...) [é] a contraprodutividade, isto é, a produção de formas de saber-prazer alternativas à sexualidade moderna". Em seu segundo livro, o Testo Junkie, o filósofo espanhol escreve uma autoteoria, que parte de um experimento de uso voluntário de testosterona em gel, como experimento (bio)político, e pondera sobre suas implicações psicossomáticas, sociais e filosóficas. Deste modo, a presente comunicação pretende pensar a filosofia de Paul B. Preciado, seguindo o conceito de práticas de si formulado por Foucault.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 69 Observações acerca do conceito de libertação em Paulo Freire Ian Ademir Rego Gomes (UFPA) Orientador: Damião Bezerra Oliveira O objetivo desta pesquisa é esclarecer o conceito de libertação que, para Paulo Freire (1921- 1997) é um ato dialógico, podendo este se constituir por meio da teoria e da prática. Com base na obra Pedagogia do oprimido, explicitaremos as relações entre concepções de estado de quase coisas, em que os homens se encontram, e de liberdade, pela qual se pode entender a diferença primordial dos homens e os outros animais, uma vez que os primeiros podem transformar seu próprio mundo, possibilitando sua libertação. Além disso, abordaremos conceitos centrais em sua obra como o de sujeito, aquele que não pode existenciar-se numa relação de dominação, mas apenas na busca pela transformação do seu ser menos no ser mais de todos. Neste desenrolar é essencial o processo de conscientização que se dá de forma ininterrupta no ser, que no oprimido refletirá na busca pela emancipação, conquista que na obra freiriana deve ser vista como educacional e política concomitantemente, frutos da práxis.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 70 Críticas do cartesianismo linguístico à constituição do sistema linguístico de sinais: objeções a partir da perspectiva de Giambattista Vico Israel Henrique Cavalcante Mendonça (UFPA) Orientador: Joao Batista Moreira Filho O objetivo desta comunicação é investigar as influências do cartesianismo linguístico nas concepções teóricas de linguagem que se opõem - ou mesmo se desajustam - na possibilidade da constituição de sistema linguístico de sinais, como o de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), numa análise que tem por referência a perspectiva de Giambattista Vico, crítico agudo de Descartes. Nossa análise parte do pressuposto que em torno de determinadas concepções linguísticas, como a de Chomsky, por exemplo, são utilizados princípios ligados ao racionalismo de maneira geral, e o cartesianismo como no caso da gramática gerativa, mesmo que de maneira indireta. Defendemos esta hipótese ao observarmos alguns entraves que a teoria chomskiana enfrenta dentro de suas diretivas conceituais para caracterizar as libras como um sistema linguístico, tais como o caso do inatismo, como também a inconstância da teoria, que hora se aproxima, e instantes que exibem caráter bastante problemáticos como os citados. A comunicação pretende promover um debate sobre o aspecto da práxis da linguagem.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 71 A negação da ideia de extensão enquanto ideia abstrata no Sistema Humeano Ítalo Pereira do Prado (UFU) Orientador: Marcos Seneda A proposta inicial do trabalho consiste em elucidar como Hume, na tentativa de resolver o problema da existência do espaço, proposto não só por ele, mas também por outros filósofos modernos, encontra a solução na matemática. Isto é, ele examina a impossibilidade da divisibilidade dos pontos matemáticos, em defesa que, partindo deste princípio, seria impossível haver abstração de qualidades sensíveis na ideia de extensão. Ou seja, sem fugir do seu viés filosófico, David Hume utiliza da percepção sensível para mostrar como a ideia de espaço se constrói a partir de objetos reais, que permitem ao intelecto a apreensão do extenso. Como todo grande filósofo empirista, Hume nunca se afasta de sua fundamentação cética e experimental, assim como não foge de sua máxima filosófica, isto é, o princípio da cópia, que abarca toda sua construção filosófica. Sendo assim, para apresentar como o espaço não pode ser uma ideia abstrata, o filósofo precisará mais uma vez considerar a impossibilidade da divisibilidade infinita, ou seja, negar a hipótese da ideia do espaço ser composto por um número infinito de partes.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 72 O conto Er de Kafka e o conceito de pensamento em Hannah Arendt Ival de Andrade Picanço Neto (UFPA) Orientador: Ivan Risafi de Pontes Esta comunicação tem como objetivo realizar uma reflexão crítica sobre a recepção do dos escritos de Kafka para a definição do conceito de pensamento em Hannah Arendt, especificamente a passagem do conto Er citada no prefácio da obra Entre o passado e o futuro. Analisaremos o conto de Kafka como fio condutor, o qual a pensadora se vale para ilustrar o quadro de perplexidade no contexto contemporâneo de pós-crise da tradição. O escrito de Kafka, além do mais, nos ajuda a compreender a própria condição humana neste panorama de perplexidade no qual nos encontramos já sem o fio da tradição que nos ligava ao passado. Hannah Arendt ainda retoma em sua última grande e inacabada obra A vida do espírito o conto kafkiano, usando-o mais uma vez para ilustrar a lacuna existente entre o passado e o futuro, a clareira que se abre, interrompendo o fluxo temporal, pela própria atividade do pensamento.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 73 A pele negra na sociedade do cansaço Jefferson Borges Ferreira (UFU) Orientador: José Benedito O objetivo deste trabalho é estabelecer um diálogo entre as obras: A sociedade do cansaço, do pensador Byung-Chul Han, na qual desenvolve um pensamento crítico sobre a contemporaneidade, e Pele negra máscaras brancas, de Frants Fanon, que analisa a forma do ‘ser’ negro atualmente. Han assenta sua tese de uma sociedade cansada, no argumento de que a sociedade disciplinar de Foucault já não é mais capaz de conter a nova realidade, dado que a necessidade da produção é barrada pela negatividade. Sendo assim, é estabelecido um novo modelo de sociedade, a do desempenho: onde são gerados sujeitos da produção e não mais da obediência; onde a positividade, poder ilimitado, são os vermos moldais. Sob a luz de Fanon analisaremos como o negro que saiu de um sistema não de disciplina, mas sim de escravidão, se estabelece neste novo modelo de sociedade; e quais as consequências desta nova relação de poder para o Negro, tendo em vista que o fim da escravidão nunca trouxe de fato a liberdade. Há uma violência sistêmica causando infartos psíquicos; sendo assim, examinaremos as implicações deste novo modelo de sociedade e como o negro nele se encontra.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 74 O Conceito de História em Hannah Arendt Jessica Thainá Ribeiro Viana (UFPA) Orientador: Ivan Risafi de Pontes Esta comunicação pretende analisar o conceito de história na obra Entre o Passado e o Futuro de Hannah Arendt e de que forma esse conceito se relaciona com as noções de nascimento e memória, presentes no pensamento político da pensadora alemã. Abordaremos, para tanto, como na história é reconhecido um caráter de interrupções, as quais são caracterizadas como grandes feitos, desencadeadores do agir humano. Assim impõe-se no âmbito desse pensamento político a seguinte pergunta: de que forma o nascimento também pode ser entendido como um grande feito? Tal questionamento revelará como a pensadora valoriza os acontecimentos e suas consequências como ação política. Na obra Entre o Passado e o Futuro, Arendt analisa o antigo e o moderno conceito de história, a fim de elaborar seu próprio conceito a partir do caráter de ruptura. Sendo assim, partiremos de uma abordagem crítica acerca do capítulo, O conceito de história – Antigo e Moderno da obra supracitada.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 75 Um encontro com a Filosofia: uma reflexão sobre A Consolação da Filosofia de Boécio João Gabriel Moraes De Souza (UFPA) Orientador: Jonathan Molinari Este trabalho analisa a recepção da filosofia de Boécio através da obra A Consolação da Filosofia. O autor viveu em um mundo de transformações, pois em sua época findava-se o mundo antigo e iniciava-se a Idade Média, período de transformações e transições na vida política, social e religiosa. Esse romano helenizado recorreu não à fé recente que ele mesmo e os seus haviam abraçado, mas à razão mais antiga e, em sua obra que incutiu no cristianismo, as doutrinas de Platão e Aristóteles. Além disso, se a Igreja odiava Boécio por ele não ter testemunhado a seu favor, a literatura talvez não o perdoasse por ter preferido a filosofia. Em A Consolação da Filosofia, o pensador faz uma apologia, e um dos temas que mais se destacam nessa obra de Boécio é a relação entre tempo e sorte, tempo esse que é revelado de forma individual, da experiência humana, de como a fortuna pode mudar a minha vida e a vida coletiva, pois desde esse filosofo até o renascimento a fortuna é vista dessa maneira.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 76 A filosofia no budismo Jorge Luís da Silva (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Júnior Este trabalho tem por objetivo abordar aspectos relacionados à felicidade, do ponto de vista filosófico do budismo. O próprio objetivo da nossa vida, segundo o budismo, é a tentativa de cessação dos sofrimentos e na busca da felicidade. Diante disso, são analisados meios que nos direcionam a esta; isto é, as fontes da felicidade. Com isso, é analisado como no budismo, de linhagem tibetana, a felicidade é identificada e qual é a sua relação com o sofrimento. Na filosofia de Buda, dá-se muito crédito a autodisciplina mental aplicada com objetivo de superar: qualidades negativas; sentimentos desconfortáveis, tais como determinada tragédia que nos leva a um patamar de tristeza e depressão; o questionamento da mortalidade. Além do mais é visto também entre outros fatores o sucesso, a riqueza, ou o prazer e sua respectiva relação com a felicidade, identificando, a partir disso, que esta é determinada mais pelo estado mental da pessoa do que por acontecimentos externos. A fundamentação bibliográfica deste trabalho contará principalmente com duas obras: A doutrina de Buda – Bukkyo Dendo Kyokai e As filosofias da Índia – Heinrich Zimmer.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 77 A filosofia budista e as quatro nobres verdades José Carlos Marra (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Júnior O objetivo deste trabalho é analisar o conceito budista conhecido como “As quatro nobres verdades”. Para tanto, recorreremos à leitura direta dos livros A Doutrina de Buda, editada pela Bukkyo Dendo Kyokai, Filosofias da India de Heinrich Zimmer e Buddhist Philosofophy de William Ederglass. A filosofia do budismo analisa a natureza da realidade das coisas, inclusive do ser humano, assim, podemos dizer que o ponto central da filosofia budista é a reflexão sobre o problema do sofrimento. O conceito que aprofunda esta questão é o de quatro nobre verdades: o sofrimento existe; o sofrimento tem causas; o apego ou a aversão são as causas do sofrimento; o caminho óctuplo é a solução para se libertar do sofrimento. Para analisar este caminho óctuplo recorre-se aos seguintes princípios: a epistemologia que considera sofrimento um estado da mente. A metafísica budista afirma que a natureza das coisas são temporárias, dependentes e não contém uma substância. A ética analisa o caminho óctuplo que a filosofia budista aponta para se separar do sofrimento, o qual contém as seguintes orientações: reta concepção, pensamento, palavras, conduta, meio de vida, esforço, atenção e meditação.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 78 O anti-discurso filosófico da modernidade – deslocamento geopolítico e descolonização filosófica em Enrique Dussel Laís de Oliveira Franco (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Júnior O objetivo deste trabalho é demonstrar que a origem da modernidade é mais que eurocêntrica, intra-europeia e autocentrada. A concepção de que a modernidade teve origem com a obra de Descartes, estabelecida principalmente por Hegel, é uma construção epistemológica utilizada para delimitar a Europa como centro histórico da produção filosófica mundial. Através da filosofia dusseliana investigamos essa miragem como um observador externo à Europa germano- latina, realizando o deslocamento geopolítico necessário à compreensão do surgimento global do pensamento moderno. A perspectiva adotada, portanto, é a de que a concepção anteriormente relatada é falseada para integrar uma proposta ideológica de posicionamento da Europa como frente do progresso civilizatório, não correspondendo à realidade da origem da modernidade. Apresentamos a fundamentação de Ginés de Sepúlveda da práxis de dominação colonial trans- oceânica, chamada ego conquiro, que será refutada por Bartolomé de Las Casas em sucessivas críticas ético-políticas fundamentadas, já no século XVI, na responsabilidade pelo Outro. A fundamentação de Las Casas é desenvolvida a partir do paradigma da Alteridade, posicionando-se contrário à pretensão de única verdade da dita civilização europeia e da consequente violência do processo civilizador.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 79 A análise do conceito de felicidade em Epicuro e Aristóteles Leonardo Yuri da Cruz Brandão (UFPA) Orientador: Rafael Estrela Este trabalho tem por finalidade a análise e a exposição das diferentes concepções do conceito de felicidade, tal como desenvolvidas por Epicuro de Samos e Aristóteles. Na obra Carta a Meneceu, Epicuro afirma que o fundamento principal da felicidade consiste no prazer, que seria o verdadeiro bem e a ação última dos indivíduos. Soma-se à compreensão do conceito de prazer para o alcance da felicidade o conceito de ataraxia, que consiste na abstenção de temores e também é fundamental para a concepção de Epicuro. Em contrapartida, na análise da obra Ética a Nicômaco, Aristóteles expressa que o fundamento principal da felicidade é a virtude; que seria o fim último de toda ação humana, na medida em que se baseia no conceito do termo médio, ou meio termo, e esses consistem no sumo bem, que é a verdadeira felicidade. Tendo em vista essas duas concepções eudaimonístas, a análise mostrará as divergências no pensamento dos dois filósofos gregos acerca do conceito de felicidade, decompondo seus fundamentos e os expondo-o em suas buscas pelo mesmo fim, a felicidade.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 80 Liberdade, responsabilidade moral e as atitudes reativas Letícia Palazzo Rodrigues (UFU) Se o determinismo causal - tese de que qualquer evento é determinado pelo passado e leis da natureza - for verdadeiro, podemos ser responsabilizados por nossas ações? Essa questão é um desdobramento do clássico problema da liberdade e necessidade; afinal, a presença de liberdade é comumente apontada como condição para as práticas de responsabilidade moral. Aparentemente, a descoberta de que o determinismo explica o funcionamento do mundo faria com que não pudéssemos ter culpa ou mérito por ações que sequer escolhemos. A abordagem tradicional desse dilema é uma discussão metafísica. No entanto, em seu artigo "Liberdade e ressentimento" (1962), P. F. Strawson apresenta uma posição sobre nossa capacidade moral que leva ao abandono de tal abordagem. O filósofo afirma que os otimistas e pessimistas do debate - provavelmente referindo-se aos chamados compatibilistas e aos deterministas duros - "superintelectualizaram" a responsabilidade moral, cuja garantia existe independentemente da verdade ou falsidade do determinismo. Ele evidência, por meio do conceito de 'atitudes reativas', que o modo como já culpamos ou atenuamos a culpa de pessoas por suas ações é natural, irrevogável e ocorre à parte de pressupostos metafísicos. O objetivo dessa comunicação é analisar e discutir brevemente os argumentos de Strawson perante o problema exposto.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 81 Felicidade Pública em Hannah Arendt Lorena Moreira Pinto (UFMA) O trabalho tem como objetivo apresentar a concepção de felicidade pública da autora Hannah Arendt no seu texto “Ação e a Busca de Felicidade” (1960). No primeiro momento será apresentado o contexto do escrito e, em seguida, uma breve introdução ao problema do sentido da política a partir do fragmento “O sentido da política” da obra inconclusa “Introdução na política” (1956); por fim, será analisada a relação que a autora busca estabelecer entre a categoria da ação e a felicidade. Para Arendt o sentido da política, a liberdade, foi destituído do seu conteúdo ao funcionar como meio para uma finalidade mais elevada, seja a liberdade intelectual ou a garantia da produção. A Revolução Americana foi exemplar em ter buscado materializar a liberdade em forma de leis e instituições. Em sua leitura sobre Jefferson e John Adams, os “Pais Fundadores”, Arendt explora o problema da finalidade do governo. Ao se deparar com a ideia de “busca da felicidade” nesses dois autores, Arendt percebe uma discrepância com a teoria política antiga e moderna: a “busca da felicidade” aponta para a coincidência das categorias de meios e fins na política.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 82 Leibniz e a crítica ao empirismo de Locke Luã Mateus Rocha Gonçalves (UFPA) Orientador: Agostinho de Freitas Meirelles John Locke sustenta em sua obra "Ensaio acerca do entendimento humano" a impossibilidade do Inatismo cartesiano em sua concepção de experiência. Para Locke, todas as ideias que em nosso entendimento residem têm origem no domínio da experiência sensível. Nossa mente, segundo Locke, é absolutamente vazia de conteúdos antes que os objetos afetem os nossos sentidos. Gottfried W. Leibniz, nos "Novos ensaios sobre o entendimento humano", embora concorde com a tese lockeana, não incorpora ao seu racionalismo o modo como os empiristas se posicionam com relação aos poderes do entendimento. Os empiristas não atribuem a prioridade alguma de nossa intelecção sobre os dados de nossa sensibilidade. Diante dessa diferença de posicionamentos, objetivamos em nossa pesquisa apresentar os pontos centrais da argumentação leibniziana que o levaram à rejeição da crítica de Locke ao inatismo. Para a compreensão dessa recusa analisaremos, sobretudo, os princípios da continuidade e dos indiscerníveis visando demonstrar como Leibniz revisa a fórmula de Locke - "Nada há no intelecto que não tenha passado primeiro pelos sentidos" - partindo de princípios que independem da experiência.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 83 Educação humanista Soka Luana Chuq de Jesus (UFU) O objetivo desta apresentação é analisar a Educação Humanista Soka (criação de valor), que foi inspirada na filosofia de John Dewey e no Budismo. A pedagogia do Humanismo Soka, surgiu com o educador japonês Tsunessaburo Makiguti. Iremos observar nesta comunicação como se deu a implementação da Educação Humanista Soka de forma histórica, dentro da sociedade japonesa, e quais foram seus alcances e suas mudanças ao ter sido posto em prática. Depois dessa análise histórica, faremos uma observação de como foi a evolução das práticas educativas deixadas por Makiguti fora do Japão, além de analisar a recepção de sua pedagogia e aperfeiçoamento de seus métodos por outros educadores. Ademais, será abordado a constituição de um “Mandala de Ensinamentos Humanistas”, e como tal sistema de práticas educacionais teve seu alcance no Brasil. Estudaremos como é constituído o mandala e seus fundamentos, que bases serviram de inspiração para a sua criação, sabendo assim a sua utilidade para a educação.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 84 A Renovação dos "Studia Humanitatis" e a Reflexão da Loucura no Contexto do Renascimento Lucas Cabral Ferraz de Lima (UFPA) Orientador: Jonathan Molinari Na Renascença, a produção cultural foi profusa. Dentre as composições, observa-se uma certa pertinência quanto à loucura, principalmente no campo da pintura e literatura, que será abordada das mais diferentes formas: expressiva, personificada como uma divindade, ou como manifestação do pensamento reprimido. Será explorada a periferia deste termo, por entre as obras produzidas no contexto do Renascentismo. Erasmo de Rotterdam, com sua obra escrita O Elogio da Loucura, que divinizará a loucura. Serão abordadas as obras pintadas de Bosch: A Retirada da Pedra da Loucura e O Jardim das Delícias Terrenas, esta que será analisada juntamente com a obra escrita de Dante Alighieri na Divina Comédia, Inferno, Canto XXXIV, no verso 52 e Inferno, Canto XIV, versos 79 e 80. Observa-se, portanto, uma cambiação no termo da loucura, e que a mesma é concisa de uma individualidade, age seja no fanatismo dogmático, ou a vontade de expressar-se a fazer cujo nosso desejo, usam-na a cada momento que necessitam ter a razão contra uma onda de contrariedades, ou ir a favor dessa onda, que quebra paradigmas de cada era. Sendo assim, este trabalho mostra a mutabilidade da loucura no contexto analisado e seu uso como liberdade de expressão entre épocas.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 85 O conceito de imaginação de René Descartes e os seus desdobramentos científicos Lucas Guerrezi Derze Marques (UFU) Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto Apresentaremos, de modo introdutório, o conceito de imaginação, ou de faculdade imaginativa, em Descartes. Desvendando sua amplitude teórica, analisaremos sua relação com a prática científica cartesiana, principalmente com o uso das hipóteses e das analogias na física e na medicina. Veremos o quão Descartes se utiliza das suposições, das experiências e das máquinas em seus estudos científicos e para poder criá-las de sua imaginação. Partindo desta breve análise podemos, enfim, introduzir duas discussões atuais sobre o pensamento cartesiano. Primeiramente, se há um idealismo ou, em vez disso, um não-idealismo na física de Descartes, ou seja, se o francês realmente descartava todo tipo de experiência, ou não, e qual o papel da imaginação nesse processo. E, por conseguinte, se há uma contradição entre seu método e sua prática científica. Por fim, poderemos apresentar a segunda discussão, sobre a diferença real entre a utilização da faculdade imaginativa na metafísica e na matemática pura, e nas ciências ditas compostas, que estudam a res extensa, como a Física e a medicina, por exemplo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 86 Funcionalidade instrumental e soteriológica da linguagem na escola budista do caminho do meio de Nāgārjuna Lucas Hernandes de Almeida (UFU) A partir de uma leitura exegética e hermenêutica do Mūlamadhyamakakārikā (“Os versos fundamentais do caminho do meio”) e do Vigrahavyāvartanī (“O extermínio dos erros”) de Nāgārjuna, adotando um posicionamento apologético e uma orientação histórico-filológica, e atentando-se ao contexto cultural e intelectual, assim como ao quadro de referência conceitual no qual o autor está inserido, o presente trabalho tem como objetivo contribuir para o entendimento da: (i) rejeição nagarjuniana ao uso metafísico da linguagem, em particular, a sua crítica à uma semântica que pressupõe um elo estrutural entre expressões linguísticas e seus referentes, ao mesmo tempo que reitera a eficácia causal e o uso pragmático da linguagem convencional para o engajamento em atividades cotidianas sem a necessidade de assumir a realidade de seus referentes; (ii) instrumentalização da linguagem em uma “reificação discursiva habilmente manipulada” (upāya) como resolução da problemática existencial, através de uma multiplicidade de registros linguísticos e de conceitos instrumentais - ie., os dharmas elementais, śūnyatā (“vacuidade”), e o par dicotômico saṃvṛti-sat(ya) (“verdade convencional”) e paramārtha-sat(ya) (“verdade última”) -, que constituem a dialética soteriológica da escola do caminho do meio do budismo mahāyāna
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 87 Crítica e Religião: Um Olhar Sobre a Impossibilidade De Uma Moral Fundamentada Na Religião Lucas Igreja Pereira (UFPA) Orientador: Agostinho Freitas Meirelles Do homem que age segundo o instinto (arbitrium brutum) ao que age segundo a racionalidade (arbitrium liberum), um conflito moral. Em meio a este conflito, percebe-se uma aporia resultante de um uso incorreto e/ou equivocado da ideia de moral. Os dogmas religiosos vêm, frequentemente, sendo confundidos com a moralidade. A moral é, entretanto, antes de tudo, liberdade. Aqui, leia-se liberdade como sendo a possibilidade de escolha a partir da própria razão e segundo suas próprias leis. Caso contrário, pela própria ausência de liberdade, a escolha já não mais seria moral. O presente trabalho se propõe a refletir e discutir a noção e os fundamentos da moralidade e demonstrando a impossibilidade desta se fazer refém de quaisquer dogmas ou convicções de ordem religiosa. Para isto, apresento, primeiramente, a definição conceitual de liberdade em Kant. Em segundo, demonstro que este princípio é fonte de possibilidade da ação moral, e, por último, discuto as diferenças entre o agir religioso e o agir moral evidenciando a impossibilidade do segundo se fundamentar no primeiro.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 88 Uma análise da canção "Eu quero é botar meu bloco na rua" a partir de Adorno Lucca Fernandes Barroso (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Júnior O objetivo deste trabalho é analisar a canção “Eu quero é botar meu bloco na rua” do cancioneiro e compositor capixaba Sérgio Sampaio. Será realizada uma reflexão acerca dos aspectos pessoais e políticos da canção de Sérgio Sampaio, com uma abordagem que elucidará a relação do compositor com a indústria fonográfica e o contexto do período histórico vivido no Brasil no momento de feitura da canção, sendo este a ditadura militar. Para isso, será usado como aparato filosófico a tese de doutorado do pesquisador Jorge Verly, intitulada "Adornado um velho bandido: Sérgio Sampaio à luz de Theodor W. Adorno" e, consequentemente, as considerações do próprio Adorno em relação ao estilo musical denominado música popular, trazendo à tona elementos relacionados à constituição de tal estilo, aplicando tais considerações à música popular brasileira. Será demonstrado, com a assertiva de que nem toda produção de arte popular é da indústria cultural, que algumas observações de Adorno acerca da música popular não se aplicam ao caso da música feita por Sérgio Sampaio.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 89 O conceito de dispositivo nas obras de Michel Foucault Ketlin da Silva Gonçalves (UFU) Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira O objetivo desta pesquisa é trabalhar o conceito de dispositivo em Michel Foucault, analisando o movimento que o envolve e o esclarece dentro das obras: Vigiar e punir e História da sexualidade vol.1. Em Vigiar e Punir, o autor problematiza o nascimento das prisões, contrapondo, à hipótese de uma humanização, a necessidade de uma nova economia de controle da sociedade, que vai se traduzir no dispositivo de disciplina, estendendo-se às escolas, hospitais, fábricas e exércitos. Em História da sexualidade vol.1, o autor problematiza a questão da sexualidade, contrapondo à hipótese repressiva, também a necessidade de uma nova economia de controle que, na verdade, incita os discursos sobre tudo que a envolvia, traduzindo-se no dispositivo de sexualidade. Pretende-se, portanto, nesta análise, partir das condições de possibilidade para a instalação dos dispositivos de disciplina e de sexualidade, demonstrar suas configurações na sociedade – esclarecendo, a partir de seu funcionamento e finalidade, a própria definição do conceito – e, explicitar, como as relações multilineares entre poder e saber produzem novas subjetividades nos dois âmbitos, permitindo que os dispositivos se enraízem e se generalizem na sociedade.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 90 A construção da Sociedade Moderna apresentada em "Totem e Tabu", de Sigmund Freud Malu Marinho da Silva (UFU) A comunicação inscrita objetiva discutir a origem da sociedade moderna, assim como a religião e a moral, a partir da visão de Sigmund Freud, apresentada no livro “Totem e Tabu” (1913), argumentando a influência da ancestralidade na construção das relações de poder social. Na obra citada, Freud busca conceituar o termo “tabu”, considerando-o enquanto ponto originário das religiões, baseado na necessidade de controle do mundo e na crença dos desejos. Freud nos apresenta, também, a ideia de totem, definido como um objeto corporificado de poder, remetendo-se à imagem de Deus, que, consequentemente, afeta as organizações sociais, formulando diretamente a base patriarcal de nossa sociedade, discutindo a imagem do pai, figura central nas famílias modernas; o totemismo é visto aqui como um sistema de organização das bases sociais de todas as culturas. O autor relaciona a origem da infância com o totemismo, buscando discorrer sobre a passagem da imagem do pai tirano ao pai simbólico. Problematiza-se a construção da sociedade moderna enquanto dependente dos Totens e Tabus, investigando a influência alienadora do pai, de Deus, e das leis.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 91 Estética e política: Hannah Arendt leitora de Kant Maria Clara Alves Cabral (UFPA) Orientador: Pedro Paulo da Costa Coroa O presente trabalho pretende abordar, ainda que de modo sucinto, a proposta de relacionar política e estética, feita por Hannah Arendt em sua conhecida obra intitulada Lições sobre a filosofia política em Kant. O esclarecimento dessa associação construída pela autora tem como ponto de partida uma dúvida sobre a possibilidade do que ela propõe em sua interpretação, uma vez que a autora aproxima, em um mesmo tema (política) dois tipos distintos de juízo, segundo a classificação de Kant: um que é objetivo e envolve a moral e a política, e outro que é subjetivo, chamado por Kant de “juízo de reflexão”. Finalmente, como a questão central para Arendt é o problema da liberdade, conceito que, em Kant, aparece tanto na área da estética quanto da moral, tentaremos mostrar, tendo em vista a perspectiva da autora sobre a modernidade, o que a fez notar na Crítica da Faculdade de Julgar uma chave de leitura para a filosofia política, e para isso é fundamental sua concepção de ação política presente na obra A Condição Humana.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 92 A concepção ética do "cuidado de si" em Foucault Marina Barbosa Sá (UFU) Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira Pretendemos investigar a concepção ética de Foucault que se baseia no “cuidado de si” e sua culminância na vida como obra de arte, a qual o autor denomina de “estética da existência”. Iremos nos basear na leitura do volume 3 da obra "História da sexualidade" - o cuidado de si - e também no texto "Escrita de si", presente na obra "Ditos e escritos", volume 5, de Foucault. Nesses escritos, o autor irá tratar do tema supracitado. Segundo Roberto Machado, Foucault levanta a hipótese de que, entre o séc. IV a.C. até o séc. II d.C., os gregos e os romanos elaboraram uma estética da existência, uma arte de viver no sentido de um cuidado de si, de uma criação da própria vida com obra de arte. O filósofo irá realizar um recuo histórico à antiguidade greco-romana, e se voltará para as chamadas "práticas de si", para as relações de si consigo mesmo. Por fim, almejamos compreender em que medida a ética do cuidado de si não constitui somente um exercício individual, de solidão, mas uma verdadeira prática social.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 93 Das ideias indígenas, os conceitos: perspectivismo ameríndio e cosmopolítica Michel Pinheiro de Siqueira Maywald (UFU) Orientador: Luiz Carlos Santos da Silva O objetivo dessa comunicação é abordar o perspectivismo ameríndio como uma das formas de pensar a relação da humanidade com a natureza, forma essa que considera a natureza de forma ativa, assim como sua relação com os humanos. Esses polos, identificáveis por nós como humanos e não-humanos, são apresentados aqui pelas agências heterogêneas que estabelecem entre si. O que nos interessa para esta apresentação é uma perspectiva outra: a perspectiva indígena e o que Viveiros de Castro pretende quando define o perspectivismo ameríndio como um conceito filosófico, fugindo do que ele chama de “A regra do jogo”, no texto O Nativo Relativo. Tomar as ideias indígenas por um conceito filosófico (tão filosófico quanto os conceitos filosóficos europeus que nos são caros) representa um esforço descolonial em admitir suas consequências e possibilidades. Assim, para desvelar o conceito que nos é mais caro, o de cosmopolítica, utilizaremos da abordagem antropológica sobre os conceitos de perspectivismo ameríndio, multiculturalismo e multinaturalismo. Para isso será necessário explicar passagens específicas de diferentes textos antropológicos caros ao tema, buscando perceber a importância que estes conceitos possuem para a filosofia e para o entendimento do que chamamos de cultura.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 94 Sócrates: Resiliência, filosofia e risco de morte Nelson Perez de Oliveira Junior (UFU) Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho No Banquete, Sócrates é retratado como o paradigma do filósofo e possuidor de uma resistência física e mental incomuns. No Fédon, há a defesa de que o risco de morte é menos importante que uma vida dedicada à filosofia e ao exame do homem por si mesmo. No Mênon, há a constatação de que a dialética socrática expunha ao risco tanto Sócrates quanto seu interlocutor. Ambos retirados da zona de conforto enraizada em conceitos e premissas de verdade que não pudessem ser postas em dúvida. A dúvida impulsionava a alma e a curiosidade de Sócrates. Portanto, ele não se via amarrado a nenhuma posição que lhe impedisse a liberdade de pensamento e de crítica. O movimento livre da alma de Sócrates lhe era mais precioso que o risco de morte que sua atividade filosófica pudesse propiciar. A atividade filosófica de Sócrates impôs uma grande questão: Há alguma causa ou princípio para os quais se vale a pena arriscar a própria vida? O objetivo deste trabalho é avaliar esta questão à luz da resiliência de Sócrates, da liberdade da alma como um princípio de movimento e da felicidade como um impulso oriundo da união psicofísica da alma com o corpo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 95 A educação para a autonomia em Jean- Jacques Rousseau Nhadilla Gomes de Caldas Silva (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Jr. O presente trabalho tem como objetivo apresentar um estudo sobre a obra Emílio ou Da Educação de Jean-Jacques Rousseau, levando em consideração a formação e o desenvolvimento humano, partindo de uma análise sobre a relação entre natureza e educação. Como formar um ser humano livre, mas ainda assim capaz de viver em um círculo social? Como ele dirá sobre sua obra, não se trata de um manual de educação, mas princípios cuja aplicação dependem de inúmeros fatores e circunstâncias. É com base nesta obra, em outras obras de Rousseau e com o apoio da bibliografia dos estudiosos de seu pensamento que teremos uma perspectiva do que é a educação, e como ela é importante para a emancipação dos indivíduos. Rousseau realizou, no Emílio, observações cuidadosas sobre os processos de desenvolvimento físico e cognitivo do ser humano e várias sugestões sobre possibilidades pedagógicas de explorar estes processos, enfatizando sempre o papel da natureza nestes processos "observai a natureza e segui o caminho que ela vos indica" (ROUSSEAU, 1992, p. 22).
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 96 Uma análise da interferência das mídias no contexto escolar da educação filosófica Nicolle Ferreira da Silva (UFPA) Orientadora: Aline Brasiliense dos Santos Brito Esta pesquisa tem como objetivo apresentar e analisar a interferência das mídias no contexto escolar do ensino de filosofia em alunos do ensino médio, uma vez que representam um importante papel no processo de ensino e aprendizagem da filosofia no ensino básico. Tratando-se dos contextos de espetáculos e de midiatização, visamos discutir de que forma tais contextos contribuem para a inserção da filosofia num contexto educacional interdisciplinar e, ainda, como podemos utilizá-los de forma crítica, proporcionando ao estudante uma certa autonomia. Para o alcance de nosso objetivo, iremos utilizar como referência o conceito de indústria cultural de Adorno & Horkheimer tendo em vista a recepção passiva pelo sujeito de informações oriundas da mídia, a obra A Sociedade do Espetáculo (1997) de Guy Debord, o livro Simulacro e Poder: uma análise da mídia (2006) de Marilena Chauí e, por fim, o capítulo de livro Filosofia e Mídia (2007) de Márcia Tiburi.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 97 A teatralidade enquanto emergência no tecido do real Olívia Lagua de Oliveira Bellas Fernandes (USP) Orientador: Ricardo N. Fabbrini Se discute a questão da representação, ficção e realidade no teatro e na performance, dentro do contexto de um teatro pós dramático: de que maneira se dá a inserção da obra cênica no tecido do real, qual seus efeitos, se e de que maneira o próprio estatuto desse real é alterado pelo gesto do artista em contato com um público ativado pela provocação da obra. A discussão é impulsionada pela performance Animal Laborans, do Coletivo Parabelo, realizada na Praça da Sé, em São Paulo (2010). A obra serve de material para um estudo do que é colocado em jogo pelo sujeito artista para que se crie uma percepção extra cotidiana do entorno, bem como da reação das pessoas em contato com a performance: de que maneira o espectador tem um papel crucial na semiotização da vida, na instauração da teatralidade. No caso da obra base da comunicação, que se dá no tecido do cotidiano, não há a expectativa de teatralidade a priori. Como se dá, então, a recepção à inserção do teatro nesse plano? Como, quando, em que medida a teatralidade se instaura? A pesquisa se dá através das reflexões de autores como Hans-Thies Lehmann, Maurice Merleau-Ponty e Josette Féral.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 98 Causalidade em Aristóteles Paulo Vitor Pinho de Siqueira (UFU) Orientador: Fernando Martins Mendonça Apresentaremos a noção de causalidade em Aristóteles, sobretudo no capítulo 3 do livro II da Física e capítulo 2 do livro V da Metafísica, expondo, principalmente, os quatro tipos ou espécies e os múltiplos modos de causa distinguidos por Aristóteles no capítulo 3 e 2 dos livros supracitados, bem como suas inter-relações. Para Aristóteles, o ser se diz de muitos modos (Τὸ ὂν λέγεται μὲν πολλαχῶς) (Met IV 2 1003a33), e também a causa se diz de muitos modos (λέγεται αίτια πολλαχώς) (Física II 3 195a28). Ou seja, além da clássica distinção entre as quatro espécies de causa, Aristóteles expõe também os modos pelos quais as coisas que satisfazem os requisitos necessários para serem designadas causas (ou causadas) podem ser ditas serem causas (ou causadas). Aristóteles opera com algumas noções nesse campo dos modos de causa, tais como: particular e gênero; concomitância; ato e potência. Tais noções são de suma importância para se compreender adequadamente a teoria aristotélica da causalidade.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 99 A utilidade da noção de Grandeza Negativa na filosofia prática Paulo Vitor De Souza Queiroz (UFPA) Orientador: Pedro Paulo Da Costa Corôa Como sabemos, Kant sempre se preocupou em nos mostrar que a matemática e a filosofia são duas formas distintas de conhecimento que nunca podemos misturar. O que elas têm em comum é que ambas são conhecimentos racionais, portanto, independentes dos dados da experiência. A base da organização de ambas é a estrutura lógica do nosso pensamento, enquanto as ciências empíricas, além do pensamento, necessitam, como ele diz, do testemunho da experiência. Apesar disso, Kant escreveu um pequeno texto em sua fase pré-crítica em que defende um uso correto de proposições matemáticas pela filosofia, e, surpreendentemente, na filosofia prática. O nosso objetivo é esclarecer como é possível, levando em considerações questões metafísicas, que Kant, com a ajuda do conceito matemático de grandeza negativa, tente solucionar um problema da filosofia moral tão distante de assuntos teóricos. O êxito talvez esteja na nossa tentativa de excluir as contradições presentes nas interpretações mal fundamentadas de alguns filósofos a respeito da insociável sociabilidade dos homens.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 100 A Metafísica Aristotélica e os Primeiros Princípios do Discurso Racional Pedro Lemgruber Nascimento (UFU) Orientador: Fernando Martins Mendonça Ao longo dos catorze livros que compõem a Metafísica, Aristóteles apresenta sua concepção de uma ciência que este julga inaugurar ou, ao menos, sistematizar rigorosamente pela primeira vez. Diversos nomes e expressões são usados por Aristóteles para se referir a tal ciência, entre eles: sabedoria, filosofia primeira, ciência do ser enquanto ser e estudo das primeiras causas e princípios. Compreender o sentido dessas e outras descrições de forma unificada, isto é, entendendo-as como se referindo a uma mesma coisa, ou diferentes aspectos de uma mesma coisa, não é nada trivial, e por si só requer um esforço filosófico, filológico e hermenêutico, especialmente considerando a natureza problemática do corpus aristotelicus e a polissemia dos termos gregos empregados. No presente trabalho, apresentaremos uma explanação da expressão estudo das primeiras causas e princípios e demonstraremos como, no prisma de nossa leitura, a metafísica aristotélica cumpre seu papel de fundamentar o conhecimento científico e estabelecer a base ontológica da lógica formal. Especificamente, tomaremos os primeiros princípios indemonstráveis que a metafísica estuda como os axiomas comuns da lógica, tal como o princípio de não- contradição e do terceiro excluído, e esclareceremos como e porque tal conteúdo é objeto da metafísica tal como Aristóteles a concebe.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 101 Kafka e a filosofia: Sobre a paternidade e conceito de autoridade Pedro Marques Cintra (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Júnior Nesta comunicação abordarei um dos aspectos que considero de grande importância sobre Kafka onde me debrucei ultimamente; a questão da paternidade, entendendo-a como o princípio da hierarquia, dentre todas as relações possíveis e quase possíveis, pelo menos no pensamento ocidental. No que tange a ligação de Kafka com seu próprio pai, em uma carta escrita ao patriarca encontramos as principais ferramentas para entender como funciona essa condição culturalmente imanente e frequentemente angustiante. Como um processo interminável, sem crime, e com juízes que tem um espírito paternal de punição avassalador. Por vezes, os estudiosos recorrem às teorias de Freud para interpretarem Kafka, especialmente, a ideia de falta, para aproximação da figura do pai e Deus, como se o judaísmo e seus derivantes nascessem da morte da entidade paterna para edificar regras morais. A autoridade como absoluta e inquestionável é esmagadora, por isso, nesta perspectiva, o conceito mais importante para entender Kafka: a autoridade. Para desenvolvermos esta pesquisa utilizamos além das leituras de Kafka, principalmente, a obra de Deleuze e Guatarri, Kafka: por uma literatura menor, de 1975. Junto com alguns aspectos da filosofia de Niezsche.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 102 A questão dos direitos humanos no pensamento de István Mészáros Públio Dezopa Parreira (UFU) Este trabalho analisa a questão dos direitos humanos no pensamento do filósofo húngaro István Mészáros (1930-2917). Nesse sentido, toma-se como ponto de partida o artigo “Marxismo e Direitos Humanos”, publicado em ocasião dos 30 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Mészáros afirma a crítica marxista da ilusão jurídica ao enxergar uma contradição entre os direitos do homem e a realidade da sociedade capitalista, ao mesmo tempo em que propõe a inexistência de uma oposição apriorística entre marxismo e direitos humanos. Para tanto, critica o que chama de interpretação liberal da rejeição de Marx à concepção liberal de lei (a compreensão dos sistemas jurídico e político como determinação direta e mecânica das estruturas econômicas da sociedade) e resgata a noção de desenvolvimento livre das individualidades, proposta nos Grundrisse. Assim, o filósofo húngaro centra seu pensamento sobre o tema na questão da emancipação humana. Nesse sentido, a presente reflexão objetiva primordialmente analisar a questão dos direitos humanos a partir do pensamento de Mészaros e em suas interações com o pensamento de Marx, e, secundariamente, avaliar a possibilidade de situar juristas soviéticos, a exemplo de Evguiéni Pachukanis, como alvos da crítica feita por Mészáros.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 103 A educação -instrução para a Felicidade- em Sêneca Rafael Batista Lopes de Oliveira (UFU) O objetivo principal deste resumo é analisar a educação para a boa vida em Sêneca. Para ele, a ferramenta fundamental que o indivíduo deve possuir para alcançar a felicidade é uma alma racional. A racionalidade é o atributo humano que lhe possibilita entender o mundo e adquirir o Bem supremo, que é viver em conformidade com a Natureza. Assim, o homem entra em um estado mental imperturbável e consegue compreender a Verdade dos seres: o que deve ser amado e o que não se deve dar importância. Entretanto, o indivíduo não educado desde a menoridade pode vir a apresentar dificuldades para alcançar a boa vida e, prioritariamente, não se contentar com ela. A epistemologia estoica, corrente filosófica em que Sêneca se insere, é puramente empirista. A jovem alma é receptível a tudo o que lhe é interessante, ela se molda facilmente. Por isso, quanto mais errôneo é o assentimento, mais o indivíduo se distância da boa vida, visto que, com o passar do tempo, concretiza-se cada vez mais aquilo que a alma toma como verdade. Isto desencadeia paixões, que são perturbações na alma. Quanto menos a alma ouve a razão, de maneira menos suave ela poderá ser curada.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 104 O Tropicalismo Brasileiro: Considerações Estéticas, Culturais e Políticas Rafael Miranda Gonçalves (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Esta comunicação tem como objetivo explicitar e analisar o Tropicalismo Brasileiro, movimento de contracultura que se iniciou na década de 60, em meio à conjuntura e aos conflitos políticos que resultaram no golpe civil-militar de 1964. O objetivo do movimento foi claro: experienciar a liberdade em vários âmbitos da cultura, ou seja, buscava a liberdade de se manifestar artisticamente, de as pessoas se relacionarem sexualmente sem as amarras morais do conservadorismo imperante na época, na sociedade brasileira, e também de se opor ao regime político implementado pelo golpe. Deste modo, irei discorrer a respeito da trajetória deste movimento, apontando um duplo papel da arte: arte de vanguarda, que pretendia inovar esteticamente e o protesto que pretendia mobilizar a sociedade brasileira. Denominarei esta dupla função como: artivismo. Para tanto, embasarei este trabalho com os estudos de pensadores brasileiros, principalmente o filósofo Celso Favaretto e sua obra Tropicália Alegoria Alegria; e também utilizarei os estudos a respeito da correlação entre homem e sociedade de Herbert Marcuse presente principalmente em sua obra Eros e Civilização.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 105 A vontade de saber/verdade e o regime de práticas discursivas em Foucault Raphael Souza Borges Junior (UFU) Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira O objetivo desse trabalho é examinar como Foucault aborda a questão da vontade de saber/verdade no primeiro volume da História da Sexualidade. Há a hipótese de que nossa sexualidade fora reprimida a partir do advento da burguesia e do sistema capitalista; finalmente Freud e todas as ciências que se ocupam de um saber sobre a sexualidade teriam nos libertado. Aceitar tal hipótese implica em abandonar uma série de outras questões a esse respeito, que lhe são muito mais determinantes. Nesse sentido, o autor desloca a pergunta para o porquê de considerarmos que fomos reprimidos um dia e que não o somos mais hoje; isso envolve a relação entre a vontade de saber e um regime de práticas discursivas, que são perpassadas, portanto, pelo poder. Com efeito, tais são os nossos objetos de análise, que desembocam em um dos principais conceitos do autor: a noção de dispositivo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 106 A faculdade da imaginação em Kant: uma capacidade produtiva Rodrigo Ferreira Andrade (UFU) Orientador: Olavo Calábria Pimenta Neste trabalho nos dedicaremos a investigar, de acordo com o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant, a faculdade da imaginação. Mais especificamente, nosso objetivo principal consiste em expor a concepção kantiana que considera que a imaginação se caracteriza não só como uma capacidade reprodutiva, ou seja, uma faculdade responsável por trazer de volta ao ânimo uma intuição empírica que já se possuía previamente (evocativa), mas se caracteriza também como uma capacidade produtiva, isto é, uma faculdade de exposição original do objeto (poética). A partir disto, pretendemos ser capazes de identificar em que contextos a imaginação desempenha um papel produtivo e quais são esses objetos que a ela pode produzir. Este caráter produtivo, que Kant concede à imaginação, marca uma novidade no modo de pensar a respeito de tal faculdade, uma vez que, em sua época, os modernos a consideravam como sendo apenas uma capacidade reprodutiva. Como apoio para alcançar nosso objetivo, utilizaremos a Crítica da Razão Pura (1781/1787), a Crítica da Faculdade do Juízo (1790) e a Antropologia de um ponto de vista pragmático (1798), sendo esta última obra essencial para nós, pois é nela que Kant trata mais detalhadamente acerca das características fundamentais da faculdade da imaginação.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 107 A arte da vontade em Ticiano e Schopenhauer Sabrina de Cássia Alencar Gonçalves (UFPA) Orientador: Ivan Risafi Nosso objetivo nesse artigo é apresentar a abordagem do filósofo Arthur Schopenhauer acerca do conceito de Vontade, conceituada no livro três de O mundo como vontade e como representação (1819). Para tanto, analisaremos a pintura de Ticiano – Vênus de Urbino – e como ela se objetiva, visto que nela podemos distinguir explicitamente a conceituação de Schopenhauer sobre a Vontade. Trata-se de tematizar porque o filósofo afirma que, devemos nos afastar totalmente dos prazeres advindos da vontade para que possamos obter a salvação do corpo, pois como dizia Schopenhauer analogicamente o corpo que sustenta a cabeça, está sempre a olhar para frente. Veremos que Schopenhauer acredita que, por meio da arte possamos alcançar a quietude da Vontade, ou seja, precisamos da arte mesmo que essa quietude alcançada seja passageira. Portanto, através da obra renascentista em questão podemos esclarecer a concepção schopenhaueriana da intuição e contemplação artística. Nesse sentido, veremos como Schopenhauer atribui à arte a concepção da essência íntima da beleza, reconhecendo na contemplação sem interesse a neutralização das dores existenciais e da própria Vontade.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 108 A ambição feminina no século XVIII Shayane Vitoria Silva (UFU) Este trabalho tem por objetivo apresentar um estudo sobre a questão da liberdade das mulheres e as limitações que sofriam e sofrem por diversas questões relacionadas à determinação de papéis sociais para os gêneros. Nossa fundamentação teórica principal é a obra de Elisabeth Badinter, especialmente Emilie, Emilie: a ambição feminina no século XVIII. Badinter pesquisa e reflete sobre as restrições sociais que as mulheres sofriam no século XVIII, mais especificamente, tendo como modelos paradigmáticos duas mulheres deste século: Madame de É’pinay e Madame du Chatêlet em contraposição a filósofos iluministas como Voltaire e Rousseau. A ambição que, pode ser entendida pela vontade de ser mais do que é, ou ter mais do que se possui, considerada positiva para os homens e negativa para as mulheres, segundo os preconceitos da época. A consequência deste processo é que a iniciativa de se tornarem cientistas, escritoras, diplomatas, magistradas e outras funções similares, era considerada ruim para a sociedade, uma vez que a ambição feminina, causaria desordem na sociedade por não condizer com a natureza das mulheres. Veremos que inúmeras questões supostamente já superadas estão ainda presentes em nossos dias.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 109 Filosofia da Religião e Cultura Quilombola - uma análise nutricional do cozido de carne distribuído nos festejos a São Joaquim no Curiaú de Fora, em Macapá-AP Stefany Caroline Pantoja Amorim (Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Amapá - Campus Macapá) Orientador: Ricardo Soares Nogueira A Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú é uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável criada pela Lei Nº 431, de 15.09.1998, e publicada no Diário Oficial do Estado do Amapá sob o Nº 1891 neste mesmo dia, possuindo uma área total de 21.676 hectares. Nesta encontra-se o Quilombo do Curiaú, reconhecido em 1999 pela Fundação Palmares como área de remanescentes de descendentes afro-brasileiros escravizados para a construção da Fortaleza de São José de Macapá, maior fortificação luso do continente americano. Assim, este estudo objetiva o desdobramento cultural a partir do festejo ao padroeiro, São Joaquim, de maneira sincrética com o batuque e o marabaixo como expressões identitárias, misturando elementos do catolicismo popular com a hagiografia, onde, o profano e o sagrado formam genuínos e ricos traços de etnoconhecimentos do povo negro. Com as análises das propriedades nutritivas presentes nos temperos, legumes, verduras e proteínas do cozido de carne servido na ocasião, traçam-se os fundamentos para compreensão das leituras que sustentam a conjectura da religiosidade popular vivenciada pelas famílias quilombolas estudadas por esta experiência cultural 'in loco', melhorando as compreensões da religiosidade de acordo com sua abordagem filosófica no ensino médio da Rede Federal de Educação Profissional.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 110 A “Fortuna”, e as alegorias que a Filosofia se transveste e se relaciona: a consolação da filosofia de Boécio Stieven Max dos Santos Nascimento (UFPA) Orientador: Jonathan Molinar Severino Boécio, filósofo, poeta e teólogo italiano é o divisor de pensamentos, pois viveu no tempo da antiguidade ao medieval (480-524) e teve contato com os textos de Platão e Aristóteles os remetendo à sua filosofia. Irei relacionar e explicar a concepção de sorte e como a alegoria da fortuna, dita na A consolação da filosofia, se permeia com a sorte em Boécio, pois gira o estigma em torno na moral do homem. A filosofia se coloca como sabedoria para compreender melhor a sorte, e também compreender a própria situação em que o filósofo se encontrava, a saber, encarcerado, fato histórico. A filosofia estabelece com Boécio por meio do diálogo uma relação de amor e ódio sentida pelo filósofo, onde ele reconhece que a vida é influenciada por ela, sendo objeto de uso dos anseios do homem. Nas alegorias se tem uma imagem da decadência, matam a razão e fazendo com que ela tenha uma maneira de ressurgir na alma humana de Boécio.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 111 Buber e Levinás: Para uma vivência mais humanista Suellen Lima (UFPA) Orientadora: Iêda Fernandes da Silva. O presente estudo visa analisar as relações entre a filosofia de Martin Buber (1878-1965) e Emmanuel Levinás (1906-1995), dois teóricos do século XX, no que diz respeito à ética da alteridade e o encontro Eu-Tu. Nesse contexto a fragilidade relacional vigente no mundo contemporâneo ocorre desumanizando seus indivíduos em um processo de isolamento e solidão que, os sucumbe fatalmente na perda de identidade e na desposse de si mesmos, os levando a uma vida vazia, despotencializada, egoísta e desumanizante na esfera social, onde os indivíduos deveriam em meio a esta confusão ajudar-se a dirigir o seu ser a liberdade, pois precisamos do outro para sermos nós mesmos, e nos reconhecermos como humanos, para nos edificarmos através da relação dialógica que possibilitará uma vivência mais humana, sincera, responsabilizada mais próxima do encontro do Tu por reconhecer a responsabilidade para com o outro no relacionamento face-a-face. De fato, toda relação pressupõe uma dimensão ética, e isto presume uma vivência humanizada entre os indivíduos.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 112 A relação das disposições mentais e os domínios filosóficos segundo Aristóteles Taila de Abreu Ribeiro (UFPA) Orientador: Pedro Paulo da Costa Côroa A proposta de comunicação tem como seu objetivo principal discorrer sobre um tema clássico: a divisão da filosofia em domínios diferentes de investigação. A intenção é mostrar que essa divisão, embora aceita, não costuma ser bem justificada, mesmo que suas bases, propostas por Aristóteles, sejam admitidas até hoje como inerentes à filosofia. O ponto de partida segue a premissa de que, desde os gregos, a filosofia já dispunha da ideia de uma organização e ordem que permite distinguir com rigor os seus ramos particulares de investigação. Com isso, a fonte de explicação que vem a ser utilizada na análise será o livro VI de Ética a Nicômaco, pois é precisamente nesta obra que se tem por interesse abordar a divisão estabelecida por Aristóteles, delineando, assim, os três domínios da filosofia: teórico, prático e poético. Tendo como destaque, em particular, os domínios teórico, prático e as capacidades da mente sobre os quais estes estão assentados, a diánoia e o nous. Finalmente, essa exposição pretende mostrar que à cada uma dessas disposições da alma corresponde uma competência filosófica.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 113 Dominação, esclarecimento e propaganda fascista em Theodor Adorno Victor Hugo Amaro Moraes de Lima (UFPA) Orientador: Ernani Pinheiro Chaves Na Dialética do Esclarecimento, Theodor Adorno e Max Horkheimer visam buscar as origens da barbárie nazifascista, que seria resultado da Aufklärung, pois ao promover a dominação técnica sobre a natureza e a substituição da mentalidade supersticiosa pelo saber racional, acaba ela mesma se tornando mítica e servindo como instrumento de poder totalitário. Pretendemos relacionar estas afirmações conjuntamente com o ensaio Antissemitismo e Propaganda Fascista, do qual Adorno é um dos coautores, onde a luz da teoria psicanalítica analisa uma série de casos de propagandas antidemocráticas e antissemitas norte-americanas. Os autores concluem que elas são essencialmente não objetivas, personalizadas, procurando construir e atacar imagens de judeus e comunistas, pensadas e organizadas visando uma irracionalidade aplicada, para a manutenção de um in-group. O objetivo desta pesquisa é relacionar os dispositivos psicológicos utilizados pelos agitadores fascistas norte-americanos como estando diretamente ligados ao projeto do esclarecimento descrito na Dialética: ao pregar uma irracionalidade aplicada, os agitadores buscam manipular os dispositivos inconscientes de seu público, assim como no esclarecimento, onde o conhecimento técnico sobre a natureza se torna conhecimento técnico sobre os homens, negando sua capacidade de autorreflexão, relacionando, assim, o discurso do agitador fascista com as práticas de dominação extremas atingidas pelo esclarecimento
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 114 Noção de Descontinuidade na Arqueologia do Saber de Michel Foucault Victor Lucas Caixeta (UFU) Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira O objetivo geral deste trabalho é delinear, na obra “Arqueologia do saber” de Michel Foucault, a noção de descontinuidade que emerge da análise dos discursos concernentes aos saberes sobre homem. As análises tradicionais da história das ideias procuravam encontrar para o seu aparecimento e transformações um fio condutor único, imutável. Opondo-se à busca por uma origem longínqua, à identificação de uma evolução guiada por uma finalidade proposta pela razão, à síntese de todo um longo processo de aperfeiçoamento do pensamento numa consciência coletiva através do tempo, a todas as tentativas de dotar de um sentido unificador e totalizante acontecimentos discursivos diversos e dispersos, Foucault lança um novo olhar que resulta na delimitação de blocos discursivos singulares e heterogêneos, com individualidades e limites próprios. Mediante as diretrizes do método arqueológico, o pensador francês prescindirá, assim, de elementos externos aos discursos para explicar sua irrupção, uma vez que as regras de sua formação podem ser encontradas dentro das próprias relações entre os enunciados que os compõem. Com efeito, a aglutinação dos discursos em um conjunto, o estabelecimento de uma unidade discursiva característica, se dará não mais em torno do sujeito histórico-transcendental, mas a partir destas regularidades comuns a seu processo formativo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 115 O desenvolvimento da noção de intencionalidade na segunda via da Terceira Meditação, de René Descartes Vinicius Henrique Silva Franco (UFU) Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares Elaboraremos, na Terceira Meditação, especialmente nos parágrafos 16 a 25, como o conceito escolástico de intencionalidade foi desenvolvido na segunda via de Descartes – na qual é apresentada a primeira prova da existência de Deus através da ideia do infinito –, tese primeiramente anunciada por Franz Brentano na conferência de 1865, na Alemanha, o qual viria a exercer, posteriormente, marcante influência sobre a filosofia de Edmund Husserl, embora para este último, influenciado pela filosofia neo-kantiana, Descartes perdera a noção de intencionalidade, posto que, supostamente, perdera também o sujeito. Para isso, recorreremos, inicialmente, a algumas interpretações medievais acerca do intentio, focando-nos, principalmente, nas Questões 84- 5 da Summa Theologica de Tomás de Aquino, para, em seguida, analisar a descontinuidade conceitual despertada pela ruptura moderna em Descartes, e então, finalmente, mostrar a repercussão desse debate no despertar da fenomenologia. Como elo central desse trabalho, o foco recairá sobre a nova concepção de intencionalidade inaugurada por Descartes ao subverter a ordem da primeira via, sob a qual se assentava a filosofia escolástica, e partir do conteúdo ideático para seu ideado.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 116 A Concepção kantiana do Espaço e do Tempo Vinicius Williams Silva (UFPA) Orientador: Eduardo Ramos Nos primeiros anos acadêmicos de Kant, na Universidade de Konigsberg, de 1740 a 1746, foi influenciado por uma versão da metafísica de Leibniz que havia sido popularizada pelo filósofo alemão Christian Wolff e também pela física matemática de Newton. Seu professor, Knutzen, mostrou as complexidades, contradições e oposições desses grandes filósofos naturais (Coulston3, 2007, p. 1263). Além desses dois filósofos, Kant teve conhecimento e influência dos escritos de Locke e Descartes, pois estes debateram a respeito de tempo e duração. Conceitos esses que, foram uma das bases de sua filosofia sobre o tempo (Caygill4, 2000). Portanto, essa comunicação visa expor as diferentes concepções de espaço e tempo, segundo Newton, Leibniz e Kant. Para o Newton, o espaço e tempo eram entendidos como grandezas absolutas, independentes do sujeito e das coisas, sendo assim, existentes por si mesmas. Leibniz entendia esses conceitos, como uma relação recíproca dos elementos da natureza e ligados às coisas, ou seja, o espaço e o tempo dependem da relação das coisas para existirem. Quanto a Kant, sua concepção do espaço e do tempo dependem unicamente da capacidade cognitiva do sujeito, pois essas são formas puras da sensibilidade. Esta é faculdade primaria e receptora de dados que geram o conhecimento.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 117 A questão do sujeito em Nietzsche Vitor Hugo Rebelo da Silva (UFPA-CNPq) Orientador: Ernani Pinheiro Chaves A recepção atual do pensamento de Nietzsche, em seus variados aspectos, se caracteriza em particular por um, o da problemática do sujeito. A presente comunicação busca defender, com o auxílio da literatura secundária, a tese de que Nietzsche propõe novas formas de se pensar o sujeito, em contraposição à ausência do sujeito. Esta problemática, por não se encontrar especificamente em algum livro do filósofo, em função de seu pensamento não ser sistemático, será analisada por meio de algumas de suas obras. A questão do sujeito envolve temas da filosofia, tais como os da teoria do conhecimento e da ética, temas esses que serão criticados pelo filósofo por meio dos pressupostos que a tradição filosófica se utiliza para sustentá-los, qual seja, a existência de um sujeito puro e desinteressado do conhecimento e também livre para agir, capaz de escolher. Nietzsche irá questionar esses pressupostos, por meio do fundamento ilógico da lógica, da natureza da linguagem e da relação entre corpo e razão. Depois, pretendemos demonstrar o que aparece em Nietzsche como forma alternativa de se pensar o sujeito, como conjunto de forças, de afetos no corpo sem um “eu” central comandando as direções desses impulsos. Logo, a perspectiva de um sujeito plural.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 118 A poesia como instrumento educativo dos guardiões nos livros II e III da República Yohan Brendo Nunes de Albuquerque (UFPA) Orientadora: Jovelina Ramos O presente trabalho tem como objetivo apresentar o papel da poesia como instrumento de educação, especificamente nos livros II e III da República. Apesar deste diálogo ser rotulado como uma obra sobre política, é notório que, em sua grande parte a discussão é sobre a educação, principalmente no discurso socrático em relação a kallipólis que está sendo criada. Diante disso é traçado um discurso sobre os parâmetros da educação dos jovens guardiões, pois segundo Sócrates a poesia dos grandes poetas traria prejuízos para a formação desses guardiões, isso porque é na fase inicial da vida que são construídos os moldes que se deseja imprimir numa pessoa (377b) considerando Homero e Hesíodo como os principais alvos de sua crítica, por suas obras serem tomadas como modelos para a formação dos cidadãos da época. Retornaremos a argumentação socrática diante da afirmação que a música é um elemento essencial para a educação dos guardiões, pois segundo Sócrates se for para os guardiões imitarem algo, que seja a coragem, a sensatez, a pureza e a liberdade (395c-d), não os vícios e as impurezas apresentadas nos poemas épicos.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 119 IV ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 120 Sobre a questão do esquecimento em Hannah Arendt Ana Lúcia Feliciano (UFMG – CNPq) O fenômeno do esquecimento perpassa a realidade moderna e fundamenta a experiência humana do mundo. Nesse ponto, percebe-se que a abordagem de Hannah Arendt no tocante a esse fenômeno está atrelada ao conceito de superfluidade. O esquecimento torna-se possível, a partir da diluição da singularidade, quando o indivíduo é aniquilado e figurado na forma da sociedade de massas. Destarte, a pessoa humana é destituída de sua identidade pessoal e constitui-se tão somente a partir dos múltiplos papéis e funções sociais. De acordo com Arendt, a superfluidade assinala os indivíduos apenas como peças de uma engrenagem e, portanto, substituíveis, ao passo que, o esquecimento diz respeito ao não pertencimento ao mundo das aparências. Ambos os conceitos estão inter-relacionados, tendo em vista, a complementariedade das situações que desembocam na perda da dignidade humana. Em termos evidentes, o sentimento de superfluidade é condição indispensável para a efetivação do fenômeno de esquecimento, que denota o fato de o indivíduo não interessar a ninguém. Com efeito, o objetivo é explicitar o conceito de esquecimento a partir do pensamento arendtiano. Trata-se de trazer à tona o entrelaçamento entre esquecimento e superfluidade, elucidar as especificidades do fenômeno, bem como, suas implicações políticas.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 121 Lei 13.145/17: novo alijamento da disciplina de Filosofia do Ensino Médio Anderson Alves Esteves (USP) Orientador: Ricardo Musse Contextualização e análise do movimento pendular da disciplina de Filosofia, no âmbito da educação básica brasileira, a partir da perda da condição de obrigatoriedade do componente na composição da grade curricular, de acordo com a Lei 13.145/17. A hipótese da reflexão envereda pela ideia de que as bases sociais, ao erigirem autonomia ou heteronomia do país, são fatores para a explicação da presença ou da ou subtração da disciplina no currículo. Assim, metodologicamente, a comunicação lança mão do materialismo histórico heterodoxo, da Teoria Crítica e de aportes teóricos de recursos keynesianos para relacionar a base social de classes e de frações de classes – tanto em colaboração quanto em conflito – com a subserviência do país a interesses exógenos ou a algum tipo de projeto de desenvolvimento autônomo. Observa-se a citada relação como subjacente às tensões nos governos Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer, nos quais a disciplina foi ora estatuída como obrigatória (2008), ora alijada pela lei supracitada (2017).
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 122 É permissível matar animais que tiveram uma vida feliz? Considerações sobre o argumento da substituibilidade de animais não humanos Arthur Falco de Lima (UFU) Orientador: Alcino Eduardo Bonella É ponto pacífico que a criação intensiva de animais não humanos causa enorme sofrimento. Este sofrimento é desnecessário e deveria ser evitado ou minimizado, na medida em que possuímos alternativas não danosas que levam em conta também o interesse dos animais em não sofrer. Em outras palavras, o prazer que obtemos através dos diversos usos que fazemos dos animais criados de modo intensivo – a maioria deles destinados à alimentação humana – não parece justificar, quando comparamos, por exemplo, o prazer, que obtemos ao comermos carne e seus derivados ao invés de outras alternativas de alimento de origem vegetal, ao mal que causamos. Tendo isso em vista, há quem defenda que devemos abolir o uso de animais. Por outro lado, há quem se pergunte: se os animais tivessem uma vida feliz, estaríamos autorizados a abreviar suas vidas a fim de servir aos propósitos humanos? Analisaremos em nosso trabalho o argumento que consideramos mais desafiador a favor de matar de forma indolor para consumo humano animais que tenham vidas felizes: o argumento da substituibilidade. Nosso objetivo é examinar brevemente a) quais os pressupostos do argumento, b) o seu escopo de aplicação e, finalmente, algumas c) implicações teóricas que parecem se seguir do argumento.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 123 A pseudoindividualidade em O fetichismo na música e a regressão da audição de Theodor W. Adorno Breno Machado Viegas (UFMG – CAPES) Orientador: Rodrigo Antonio de Paiva Duarte O objetivo central do presente trabalho é abordar a noção de pseudoindividualidade em O fetichismo na música e a regressão da audição (1938), de Theodor W. Adorno, especialmente no que concerne à investigação do filósofo sobre os aspectos de recepção e de consumo das produções artísticas. Para tanto, serão levantados os panoramas culturais que culminaram com a negação do indivíduo e com a falência da própria categoria de sujeito, a partir da teoria adorniana sobre a decadência do gosto, tanto na música séria como na música de massa. Nesse sentido, aspira-se demonstrar como a ilusão de autonomia e a incapacidade de julgar desenvolvem-se no âmbito da indústria cultural, sob a égide do capitalismo tardio e da dimensão propagandística dos meios de comunicação, tomando como base as célebres concepções, renovadas pelo autor, de fetichismo da mercadoria de Marx e de finalidade sem fim de Kant, inserindo-as no contexto da regressão da audição musical. Diante de uma impossibilidade em nossa época de fruição de experiências genuinamente estéticas, pretende-se, portanto, examinar e explicitar a pseudoindividualidade nessa relevante obra do teórico frankfurtiano, a qual abriu caminho para discussões que irão posteriormente compor e alicerçar as suas fundamentais análises estéticas e de filosofia da arte.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 124 Terror e terrorismo. Análise a partir de Carl Schmitt e Giorgio Agamben Breno Tannús Jacob (UFU) Orientadora: Geórgia Amitrano Para explicar a lógica do amigo-inimigo em Schmitt aplicada ao conceito de terrorismo que será utilizado, inicialmente, temos que terrorismo é uma tática de insurgência contra poderes estabelecidos localmente ou distantes, com origens e usos de diversos espectros ideológicos. Para se entender a atual discussão teórica, parte-se do conceito de reinado de terror, período da Revolução Francesa em que o terror foi institucionalizado pelos jacobinos, que utilizavam de execuções sumárias e outras formas de violência contra os seus inimigos políticos. Em uma abordagem a partir dos Estados, a demonização dos adversários políticos foi explorada no Estado de Exceção de Giorgio Agamben. O autor alerta para o perigo do totalitarismo moderno, quando um estado de exceção seria decretado e, com isso, uma guerra civil legal permitiria a eliminação física dos adversários políticos e de categorias sociais supostamente não integráveis ao sistema político vigente. Vemos aqui uma aplicação diferenciada do reino do terror, que pode ser utilizada em regimes políticos democráticos. No Brasil os institutos de suspensão temporária de direitos semelhantes ao estado de exceção do autor são o Estado de Sítio, de Defesa e a Intervenção Federal, presentes na Constituição Federal de 1988.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 125 O poder político do controle, niilismo e suicídio: uma análise sobre o esgotamento do sujeito contemporâneo Bruno Cesar Costa Ribeiro Mira Orientadora: Georgia Amitrano A presente comunicação visa, a partir do esgotamento do sujeito moderno e diante do aumento de suicídios no mundo inteiro, analisar o modelo de poder político baseado no controle ininterrupto sobre a subjetividade dos indivíduos. Para tanto, utilizo os conceitos de poder, controle e subjetividade, abordados a partir do pensamento de autores pontuais, tais como: Michel Foucault, Gilles Deleuze e Byung-ChulHan. Para além, também aponto para as possíveis consequências de um niilismo inerente ao nosso tempo, em que o sujeito, diante da crise perpetrada pelo poder- controle político sobre sua subjetividade, é acometido pelo esgotamento de suas forças. Este poder- político usa o discurso de liberdade individual como cerne do processo de controle dos sujeitos tornando-os ferramentas de auto disciplinamento. Donde entender que o suicídio − tal como pontuado por Albert Camus − constitui uma fuga da existência ou um salto filosófico. As estruturas de poder e controle levam o sujeito ao auto aniquilamento, compreendido como algo decisório no exercício de sua liberdade, ignorando o funcionamento do poder e controle político sobre a vida.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 126 Os conceitos de fascismo e totalitarismo nas obras de Antônio Gramsci e Hannah Arendt Carlos Eduardo Nicodemos (UFU) Orientadora: Ana Maria Said Toda vez que tentarmos compreender como se consolida a vida humana e como se constitui suas relações políticas, devemos partir de pressupostos materiais. Os regimes fascistas e totalitários, por sua vez, nada mais foram que o resultado de um longo processo de lutas de classes. O encurtamento dessas relações milenares, a forma mais acabada da exploração do homem pelo homem. Em tais regimes, o Estado endurece suas relações com a classe proletária a fim de continuar sua proteção à hegemonia burguesa. Deste modo, voltar às obras de Gramsci e Arendt é compreender essas relações, suas consequências históricas e as mudanças das posições sociais de determinada sociedade. Pretende-se analisar como os regimes fascistas e totalitários se formaram e qual o papel que eles desempenharam nas sociedades do século XX. Procurar quais meios foram necessários para que eles pudessem se desenvolver, quais eram suas finalidades como regimes de coerção e luta pela conservação da hegemonia burguesa. Utilizar-se das obras de Antônio Gramsci e Hannah Arendt para fundamentar a pesquisa. Analisar o movimento dentro das bases do materialismo histórico e da filosofia da práxis.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 127 Sobre o eu (das Selbst) em Schopenhauer Cristiano Rodrigues Peixoto (UFU) O objetivo deste trabalho é apresentar elementos da filosofia schopenhaueriana, tal como apresentada sistematicamente em "O mundo como vontade e como representação", que possibilitem remontar o modo como Schopenhauer descreve o eu (das Selbst). Para que se cumpra tal tarefa, este trabalho abordará quatro aspectos que se complementam mutuamente. Num primeiro momento, será exposta, em linhas gerais, a teoria kantiana do eu como uma apercepção originária, fonte primeira de todos os atos de síntese do entendimento. A crítica de Schopenhauer à exposição kantiana a respeito do eu se dará num segundo momento deste trabalho, quando será apresentada a distinção, bastante cara à filosofia schopenhaueriana, entre o sujeito da cognição e o sujeito da volição. Tal distinção é importante para Schopenhauer porque lhe possibilita retirar o núcleo fundamental do eu do entendimento e movê-lo para a vontade. Essa primazia da vontade sobre o entendimento no sujeito constituirá o terceiro momento deste trabalho. Finalmente, num último momento, será apresentada a maneira como Schopenhauer entende a identidade entre o corpo e a vontade do sujeito, identidade essa por meio da qual o sujeito intui a si próprio como um eu, como um indivíduo distinto dos demais objetos que lhe possam aparecer.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 128 As novas tecnologias da comunicação e informação (TICs) como espaço de ação política Dayana Ferreira de Sousa (UFU) Orientador: Humberto Guido Este trabalho tem como proposta a abordagem interdisciplinar sobre o tema: as novas tecnologias da comunicação e informação (TICs) como espaço de ação política. O objetivo principal desta exposição se apresenta como possibilidade à reflexão, sob a perspectiva de um olhar filosófico acerca das TICs, partindo do princípio de aperfeiçoamento do diálogo que busca a ampliação de conhecimentos sobre o tema proposto. A fundamentação teórica para esta comunicação foi realizada por meio de um recorte conceitual da filósofa Hannah Arendt e do sociólogo Manuel Castells. Do pensamento arendtiano, o conceito de ação se destaca como condição fundamental à atividade humana capaz de dotar de sentido o espaço entre homens e, de Castells, suas considerações sobre a sociedade em rede, como uma sociedade hipersocial. A partir deste recorte conceitual, podemos refletir como as TICs são utilizadas em rede para a experiência de significação, de dar sentido político a esta nova estrutura social cercada por aparatos tecnológicos. Foram explorados, também, exemplos que conseguem alcançar a prática com a teoria, tais como movimentos sociais e culturais, comunidades de colaboradores em rede, autores e filósofos que ocupam espaços virtuais, entre outros.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 129 A noção de análise Lógica em Frege, Russell e Wittgenstein Diego de Souza Avendano (USP – CAPES) Orientador: Marcelo Silva de Carvalho Nesta apresentação irei comparar as operações de análise lógica em Frege, Russell e Wittgenstein. Para tanto, irei dividir minha apresentação em três partes. Na primeira parte, apresentarei considerações sobre a noção de função como entidades insaturadas em Frege e mostrarei como a operação de uma análise lógica fregeana deve: 1) pressupor objetos lógicos; 2) prever uma estrutura composicional; e 3) explicar sua aplicação. Na segunda parte, mostrarei como o paradoxo de Russell se apresenta como um problema para a análise fregeana e explicarei a proposta de uma análise lógica russeliana que considera objetos lógicos como “ficções lógicas” e substitui o sistema fregeano por uma teoria dos tipos lógicos. Por fim, na terceira parte, mostrarei como a análise do Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein supera o problema apresentado pelo paradoxo de Russell, retoma os pressupostos da análise lógica Fregeana e a radicaliza sem pressupor uma ordem hierárquica de tipos lógicos, mas pressupõe sentenças elementares e objetos lógicos genuínos que devem ser encontrados ao final da análise. O objetivo geral dessa apresentação é mostrar que apesar de serem usualmente consideradas semelhantes, cada uma das operações de análise tem características bastante específicas e diferem em aspectos essenciais.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 130 O panteísmo geométrico da Ética de Espinosa Douglas de Melo Ferreira Torquato (UFU - CAPES) Orientador: Humberto Guido Neste trabalho, trataremos do pensamento do filósofo Holandês, Baruch Espinosa, que, dialogando com o cartesianismo e a tradição teológico-filosófica, define o conceito de Deus. O objetivo desta comunicação é expor as teses que culminam no que Deleuze chamou de panteísmo geométrico, em seu livro Espinosa - Filosofia Prática, teses que se encontram em suas formas definitivas na Ética de Espinosa, base para nossa comunicação. Panteísmo é a crença de que a realidade é idêntica a Deus, que a totalidade da realidade compõe Deus-imanente, um plano comum de imanência, este plano não é uma teleologia, ou designo do espírito, não é um projeto ou programa, é um plano no sentido geométrico de intersecção, diagrama, fractal. A identidade de Natureza e Deus nega a existência de um Deus moral, racional, criador e transcendente, constituindo uma denúncia da “consciência”, “valores” e “paixões-tristes”. Espinosa define um corpo segundo suas relações: de um lado, um corpo afeta outros corpos, de outro, é afetado, e nisso se dão suas variações de potência, que definem sua essência. A etologia é o produto dessa filosofia, uma ética que nada tem a ver com uma moral, que busca definir o corpo segundo suas potências de afecção.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 131 Giambattista Vico e a relação entre as tríades da História Eduardo Leite Neto (UFU) Este trabalho tem como finalidade explorar a relação das tríades da História dentro do movimento histórico proposto por Giambattista Vico e com isso será exposto às coisas civis com que as nações caminham ao longo de sua história, bem como a relação recíproca que há entre as nações e suas culturas, principalmente no que consta suas origens, nos tempos obscuros das antigas religiões. Para Vico, esse processo se dá na análise do movimento histórico no qual o autor se detém no modelo das ‘’três idades’’ em que se deu a história dos povos gentios a qual se atentou a pesquisar, a saber: a idade dos deuses, idade dos heróis e idade dos homens. Essa noção de uma tríade da história em cumprimento com o curso das nações nos apresenta uma possível relação dialética; pois no desenvolver das nações e em cada idade que situam, mediante o seu curso dentro de causas e efeitos, se pode chegar a três modos de natureza, e a partir dessas naturezas se extrai três modos de costumes que deflagram em três modos de Direito dos povos gentios, que no curso proposto se ordenaram em três modos de Estados civis.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 132 A relação entre Inteligência e Intuição na filosofia de Bergson Elizaura Maria Alves da Silva Rihbane (UFMT) Orientador: Mario Spezzapria O objetivo principal deste trabalho é a exposição da compreensão dos aspectos que constituem a inteligência e a intuição em Bergson, em suas principais obras: Ensaios sobre os dados imediatos da consciência, A evolução Criadora e Matéria e Memória, evidenciando o papel da filosofia e da ciência para o homem, bem como explicando os seus respectivos métodos: o filosófico, tendo como objeto principal o espírito; e o científico, tendo como seu objeto principal a matéria inerte. Busca apresentar uma conciliação entre filosofia e ciência, apresentando seus respectivos métodos, o intuitivo e o científico. Pretende-se expor o método da intuição elaborado pelo nosso autor, o qual ele considera ser o método filosófico. Bergson define a intuição como apreensão imediata por coincidência com o objeto, enquanto a inteligência é definida como um guia para o comportamento e o conhecimento exterior; ambas inferem sobre a realidade, uma sobre a realidade virtual, outra sobre a realidade material. Pretende-se também analisar a razão pela qual Bergson se preocupa em apresentar os conceitos de inteligência e intuição, bem como a relação entre essas duas definições e a importância deles na filosofia e na ciência.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 133 Estética, Literatura e Filosofia na obra de Machado de Assis: Primeiras Aproximações Fabio Julio Fernandes (IF – Goiano) Orientadora: Raquel Discini de Campos A abertura do horizonte investigativo que busca apreender a obra de Machado de Assis como fonte de reflexão da estética deve-se, sobretudo, às análises de Roberto Schwarz realizadas em Ao Vencedor as Batatas (1981) e um Mestre na Periferia do Capitalismo (1997), bem como às ponderações de José Castello em Realidade & Ilusão em Machado de Assis (2008). Essas obras, além de mostrarem a crítica empreendia por Machado à estrutura social brasileira, dão pistas da potencialidade da obra do autor no que concerne às reflexões filosóficas acerca da obra de arte, sobretudo da literatura. Assim, nossa pesquisa tem o objetivo de explorar a potencialidade da obra machadiana em perfazer um diálogo com a concepção do belo da Crítica da Faculdade do Juízo de Kant. Porém, o alcance desse objetivo exige uma análise das formas literárias capazes de revelar o belo em Machado, justamente porque nelas consistem a força do romance machadiano. Para Castello, as formas que compõem o estilo do escritor não se limitam a uma concepção da arte como mero entretenimento, antes, visam o alcance de uma verdade estética que revela uma dimensão humana do Brasil e dos brasileiros, que somente a obra de arte é capaz de tocar.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 134 A Formação da Consciência de Classe a Partir de "A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra" de Engels Fernando Tadeu Mondi Galine (UFU) Orientadora: Ana Maria Said Nosso objetivo com a presente comunicação é apresentar como Engels descreve o processo de formação da consciência de classe na classe trabalhadora. O filósofo observou o operariado inglês durante vinte-e-um meses e a partir dessa observação escreveu A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, nela ele descreve as condições materiais dos trabalhadores, onde vivem, em que ramo da indústria trabalham, o que vestem, o que comem etc, e como essas condições materiais determinam a vida intelectual dos trabalhadores, a ponto de determinarem suas consciências. Nela ele também descreve como surgem os movimentos operários, primeiro com ações criminosas isoladas que demonstram desrespeito pela propriedade burguesa, em seguida com ações e revoltas articuladas, e manifestações que exigem melhores condições de trabalho, posteriormente, a organização da luta política feita através de associações de classe lutando por direitos e contra a exploração e, por fim, a luta política, exigindo espaço para poderem ser eleitos e representarem a si mesmos politicamente. A obra possui uma densa filosofia que, por partir da descrição da vida material dos trabalhadores, fornece as primeiras bases do Materialismo Histórico e é uma das primeiras a romper de fato com o idealismo alemão.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 135 Sobre a neutralidade metafísica das Investigações Lógicas Flávio Vieira Curvello (UFRJ) Orientador: Fernando Rodrigues As Investigações Lógicas de Husserl são marcadas pelo ‘princípio da ausência de pré-juízos’. Tal princípio exige que a descrição fenomenológica se abstenha de recorrer a quaisquer doutrinas filosóficas ou científicas em sua apreensão do dado da experiência, examinando-o, antes, no que é, tal como se mostra à nossa intuição. Uma aplicação relevante do princípio da ausência de pré-juízos concerne problemas metafísicos, de modo que as Investigações sejam caracterizadas por uma ‘neutralidade metafísica’. A presente comunicação clarificará o sentido e a fecundidade desta posição por duas vias. Em primeiro lugar, ela examinará o conceito de ‘espécie’, na Segunda Investigação Lógica, mostrando como é possível se falar em generalidades, ideais e atemporais apenas em termos de ‘validade’, sem operar nenhuma hipostasia metafísica ou psicológica das mesmas. Em segundo lugar, ela clarificará uma forma peculiar da ‘intuição categorial’, que tem por objeto justo espécies, de acordo com a Sexta Investigação, mostrando como é possível reconhecer uma forma elementar de cognição que nos permite visar aquelas generalidades e verdadeiramente conhecê-las. Essas análises puras e não metafisicamente orientadas são absolutamente fundamentais para a fenomenologia, explicitando o que é e como se dá o conhecimento de essências na vida fenomenal.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 136 O “problema de Fermi” e a formação das regras de experiência nas ciências empíricas da ação de matriz weberiana Henrique Florentino Faria Custódio (UFMG) A finalidade desta comunicação é analisar e apresentar uma possível solução lógico- metodológica para um dos problemas que o pesquisador pode enfrentar na formação das regras de experiência para a validação dos resultados de pesquisa nas ciências empíricas da ação de matriz weberiana, a saber, a confiança assentada em sua própria visão de mundo e saber histórico, sobreestimando a sua compreensão do contexto estudado e das ações dos agentes envolvidos na trama histórica pesquisada. Pois, essa dificuldade por parte do investigador pode ofuscar tanto o estabelecimento dos limites de sua própria ignorância em relação ao tema estudado, quanto o escrutínio, por parte de seus pares (conjuntamente com a falta de clareza dos procedimentos metodológicos empregados), da verificação dos resultados apresentados na pesquisa. Logo, para serem úteis, as regras de experiência arquitetadas pelo cientista para fins de validação dos resultados da pesquisa devem ser restringidas por um ordenamento lógico-metodológico, pois essa validação depende da escolha de uma estrutura de controle, dada a inevitável orientação da seleção empírica, realizada por preferências valorativas. Uma possível resolução que pretendemos demonstrar para a composição desse arcabouço metodológico poderá ser encontrada no assim denominado “problema de Fermi”.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 137 Uma história contratualmente comprometida com a violência poder: Walter Benjamin e a crítica ao conceito de destino Juliana Paola Diaz Quintero (UFU) Orientadora: Georgia Amitrano Em 1940 Walter Benjamin escreve suas teses sobre o conceito de história. Nelas uma declaração chama profundamente a atenção para o desenvolvimento das reflexões e questões que se seguem: na tese VII, Benjamin nos fala de identificação afetiva com o vencedor na escritura e transmissão da história da seguinte maneira: ¿com quem, afinal, propriamente o historiador do historicismo se identifica afetivamente? A resposta é inegavelmente com o vencedor. Ora, os dominantes de turno são os herdeiros de todos os que, algum dia, venceram. A identificação afetiva com o vencedor ocorre, portanto, sempre, em proveito dos vencedores de turno”. Este trabalho propõe expor a relação entre ordem legal, violência e história, a partir de uma análise hermenêutica das obras do jovem Benjamin Destino e Caráter, de 1919, e Para uma crítica da violência, de 1921, reflexões embrionárias que revelam como a mítica violência do destino se manifesta na ordem do direito, governa a interpretação dominante da história do mundo e institui uma temporalidade que se torna uma eterna repetição do mesmo. No processo de transmissão a ideia de uma temporalidade predestinada, legitima e afirma a história tal qual como ela se manifesta, tornando impossível um processo de liberação e abertura da mesma.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 138 Palavra e Nome na Filosofia da Linguagem de W. Benjamin Luciano Gomes Brazil (UFRJ – CAPES- CNPq) Orientadora: Carla Rodrigues Em 1916, Walter Benjamin escreve o ensaio “Sobre a Linguagem em Geral e Sobre a Linguagem dos Homens”. Nele encontramos um elenco temático que está presente ao longo de toda a sua obra: a influência da mística judaica, uma filosofia da linguagem marcadamente singular; uma teoria da tradução ampla. Há diversos elementos da obra posterior do autor que já podemos encontrar, muitas vezes de forma germinal, neste ensaio. Em virtude disso, nos propomos a investigar as relações entre Palavra e Nome no ensaio em questão, que são de compreensão marcadamente bíblica e ateísta, a qual vêm se ajuntar a um conjunto de elementos, que possam diretamente reforçar a compreensão que buscamos ter da Crítica filosófico literária, presentes nos ensaios dos anos subsequentes ao da escrita desta. Em suma: queremos saber de que forma a teoria do Nome empreendida por Benjamin dialoga com questões que são de importância para entendermos como ele próprio entendia o trabalho de escrita filosófica. Para isto, traremos da teoria do Nome e da nomeação, que distingue e insere Palavra, Nome e criação na relação imediata e mística entre homem e coisas, e da posterior “queda” que marca a perda deste caráter imediato e, portanto, da centralidade do nome na linguagem, vertendo-a em linguagem “judiciosa”.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 139 O útero artificial e a placenta humana na evolução biológica: genes de retrovírus na interação materno-fetal como informação, tecnologia e vida em Canguilhem Marco Aurélio Martins Rodrigues (UFU) A tecnologia abrange possibilidades na constituição de membros biônicos e órgãos artificiais. Nesse sentido, a ideia de um útero-máquina nos coloca perante um embate entre evolução biológica e seleção artificial. Aqui é preciso considerar a informação celular na substituição de tecidos e manutenção da vida. Evolutivamente, os retrovírus possuem genoma constituído por fita simples de RNA. Replicam esse RNA viral por meio da transcrição reversa, onde moléculas de DNA dupla fita são geradas a partir de RNA. Na formação placentária, genes de retrovírus desenvolveram-se para sintetizar proteínas importantes à constituição do sinciciotrofoblasto, na relação materno-fetal em primatas, incluindo humanos, entre 10 a 85 milhões de anos atrás. Além disso, os genes sinciciais possivelmente participaram da passagem do ovo para a placenta humana. Essas informações questionam a viabilidade do útero artificial. Nosso estudo objetiva relacionar as ideias de Canguilhem com tal problemática no que diz respeito à vida e metabolismo, considerando a comunicação celular, o mecanicismo e a condição humana na relação útero-máquina. Por meio da genética evolutiva, podemos buscar uma concepção biológica em que são estabelecidos outros parâmetros para questionar e valorizar a vida e sua diversidade, na possível substituição do útero biológico por uma máquina.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 140 A relação entre política e educação a partir de Hannah Arendt Mauro Sérgio Santos da Silva (UFU) Orientador: Marcio Danelon O presente trabalho discorre acerca da relação entre as noções de história, política e educação a partir do pensamento de Hannah Arendt. Para tanto, traz à baila os elementos que, para a autora, circundam a ideia de história do paradigma grego antepostos à compreensão moderna de história. Apoiado nas reflexões de Flores D’arcais, é feita uma exposição sobre a crítica da autora às filosofias da história erguidas sob a influência de uma concepção de história como processo causal, com leis e normas que se sobrepõem aos acontecimentos, aos indivíduos, às iniciativas, à ação e, em última instância, à liberdade. Aponta-se, também, para as condições de possibilidade de uma ação política (livre) e, por conseguinte, de uma acepção de educação, consentânea com tal ação. Destarte, amparado na recepção crítica da obra de Arendt, este estudo lança mão dos categóricos da pensadora dos “tempos sombrios”, com vistas a lançar luzes sobre o debate atinente à relação entre educação e política no tempo presente.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 141 Os princípios norteadores da civilidade humana segundo Giambattista Vico Rosana Rodrigues de Oliveira (UFU) Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto A presente apresentação tem como propósito demonstrar o pensamento do filósofo Giambattista Vico (1668-1744) na obra Scienza nuova (Sn) sobre a perspectiva da História das nações, que nos distintos tempos históricos da humanidade, nos diferentes povos, fossem bárbaros ou civilizados, demonstram a repetição de três costumes em todas as nações: religião, casamentos solenes e sepultamento, e sua relação intrínseca e indissociável com o processo histórico-social e o desenvolvimento do mundo civil. Vico apresenta o mundo civil transcorrido em três idades: A idade dos deuses, como um momento da história em que os homens são dominados pelos sentidos, pelas paixões, pelo corpo, pelos instintos e fantasia; a era da “infância do homem”. A Idade dos heróis, onde os homens acreditavam ter origem divina, serem filhos dos deuses, pois se tudo era feito pelos deuses, então eram filhos de Júpiter. Período de organização social, criação das leis jurídicas, da democracia e outras instituições. E a idade da razão, da abstração do pensamento, o caminho da reflexão, da operação dos conceitos, da instrução, da educação, acompanhada da razão de grandes avanços culturais e tecnológicos.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 142 O Legislador em Rousseau Samantha Lau Ferreira Almeida Faiola (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Junior O objetivo dessa comunicação é abordar sobre a figura do Legislador na visão de J. J. Rousseau. Segundo Rousseau, o Legislador é a figura mítica, dotada de uma inteligência extraordinária e de qualidades que remetem ao conteúdo da boa intenção de suas iniciativas, a qual incumbe a função de viabilizar o acordo de vontades entre os homens, objetivando a instituição e a manutenção de uma vida em sociedade pautada na liberdade e na igualdade. É uma personagem que liga a teoria à prática, sendo responsável por captar a essência da vontade do povo na íntegra, sem qualquer deturpação, e transformá-la em um normativo legal, sem incorrer na manifestação prioritária de sua vontade particular, sob pena de tornar-se um déspota. O seu papel fundamental é garantir a consecução do interesse geral expressando-o nas leis, com base na sabedoria e na prudência. Entretanto, não podemos restringir suas prerrogativas em somente fazer leis, pois, este também é responsável por criar um povo no início de sua vida, sendo um fundador de nações, atuando tanto de forma preventiva quanto de forma corretiva. Assim, desde que respeitando as características próprias de cada nação, o Legislador deverá agir, ainda, como um orientador do povo.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 143 A recusa do espectro na filosofia como um possível catalisador do paradigma imunológico- político moderno. Maurício Fernando Pitta (UFPR-CAPES) Orientador: Marco Antonio Valentim Com base em apontamentos dos livros Bios: Biopolítica e filosofia, de Roberto Espósito, e Princípios de Espectrologia: A comunidade dos espectros II, de Fabián Ludueña Romandini, pretendemos articular uma confluência possível entre a tese espositana sobre a imunologia como modus operandi da biopolítica moderna e a tese romandiniana sobre a recusa do espectro como objeto de especulação filosófica na Modernidade. Pretendemos, com isso, buscar responder a seguinte questão: de que forma a recusa do espectro como entidade com estatuto filosófico pode ter influenciado o surgimento de uma biopolítica imunitária na modernidade, conforme compreendida por Espósito? Diante da perigosa conexão, apontada pelo filósofo italiano, entre o paradigma imunológico e o fascismo como fenômeno (auto)imunitário, temos por hipótese que a (re)consideração do animismo e da sobrenatureza — o famigerado “reencantamento do Real” —, conforme apontados por pensadores como Isabelle Stengers e Eduardo Viveiros de Castro, bem como, com sua figura do espectro, por Ludueña Romandini, seria uma condição necessária para subverter o paradigma imunológico no qual a Filosofia Política investe suas apostas a partir da Modernidade.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 144 A Suprema Corte como modelo de razão pública Pierre Tramontini (UNISINOS) A teoria da justiça como equidade, de John Rawls, pressupõe uma concepção política de princípios relacionados ao ideal de cooperação social. A problematização da teoria encontra-se na possibilidade de uma sociedade integrada por cidadãos que professam doutrinas abrangentes diversas – religiosas, morais e filosóficas – e que possuem sérias divergências entre si; e endossar um mesmo regime constitucional, tendente a alcançar a harmonização cívica diante de um pluralismo razoável. Por serem inúmeros os conflitos que permeiam a sociedade, os cidadãos livres e iguais, ainda que dispostos a adotar valores e princípios advindos de uma concepção política de justiça, carecem de uma estrutura estatal, imprescindível para a sua organização. Dessa forma, pelo fato de o Poder Judiciário exercer o papel de intérprete judicial, o seu órgão principal, a Suprema Corte, deve espelhar a razão pública e torná-la efetiva, a fim de evitar com que a lei seja erodida pela legislação de maiorias transitórias, que corresponda a interesses estreitos e que decisões ambíguas ou contraditórias sejam aplicadas em casos semelhantes. Para tanto, incumbe a este Poder atribuir sentido ao direito - à luz da Constituição - e adotar mecanismos capazes de guiar suas decisões para um mesmo sentido, para que a justiça não seja uma utopia social.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 145 A liberdade radical como paradoxo terminal dos tempos modernos Vítor Hugo dos Reis Costa (UFSM) Orientador: Noeli Dutra Rossatto Trata-se de interpretar o conceito sartriano de liberdade radical sob a luz do conceito de paradoxos terminais dos tempos modernos, tal como proposto pelo romancista Milan Kundera (1929-). Em seus ensaios sobre a história do romance, Kundera coteja as conquistas compreensivas da ficção romanesca com as da filosofia em uma perspectiva histórica e centrada na modernidade. Nessa direção, Kundera mostra como certas categorias de uso comum das duas tradições sofrem profundas transformações que, eventualmente, resultam em legítimas inversões paradoxais de seus sentidos originais. O conceito de liberdade radical proposto na filosofia existencial de Jean-Paul Sartre (1905-1980), apresentado pelo próprio filósofo sob a rubrica de uma condição de inescapável condenação, cumpre os requisitos de um conceito que encontrou seu paradoxo terminal: como o autor repetidamente afirmou em suas obras, os seres humanos são radicalmente livres, o que implica na paradoxal condição de não serem livres para abandonar a condição de liberdade. Conclui-se que o conceito kunderiano de paradoxos terminais dos tempos modernos contribui para uma hermenêutica da consciência histórica, pela qual melhor se compreende as histórias da filosofia e do romance.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 146 Da divindade do ápeiron de Anaximandro e da noção de arché no Papiro de Derveni João Batista Freire (NEFAH, UFU) Em Mileto, Anaximandro foi o primeiro a expressar, com uma linguagem prosaica, a divindade do ápeiron em seu sistema cosmológico conservado pela criação e conflagração. Ao que parece, o ápeiron de Anaximandro assimilou da remota tradição mítica grega e oriental a noção de divino, a qual marcaria profundamente o monismo pré-socrático e sua concepção acerca do elemento primeiro. Entre os fisiólogos monistas, cuja investigação ensejava o princípio – arché – o milésio foi o que melhor exprimiu, através do ápeiron, o significado do Uno divino que tudo abarca e governa. Diante disso, esta pesquisa pretende investigar a similaridade da cosmologia de Anaximandro com a noção de arché da cosmogonia órfica presente no Papiro de Derveni, datado como sendo contemporâneo à cosmologia de Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Para isso, será considerado o testemunho de Aristóteles na Física 203 b 10 DK 12 B 3, a exemplo de Simplício, Phys. 24, 13, DK 12. Esses testemunhos conteriam evidências de um possível diálogo entre pré- socráticos e o orfismo? Frente a essa questão, far-se-á necessário elucidar a religiosidade na qual estava inserida a cosmologia pré-socrática e os indícios de que a cosmologia de Anaximandro teria ligação com os cultos de mistérios.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 147 Emergentismo: uma alternativa para o problema mente-corpo, mente-cérebro Fabiense Pereira Romão (UFU) Orientador: Leonardo Ferreira Almada Abordaremos o clássico problema das relações da mente-corpo a partir do objetivo principal de oferecer uma explicação plausível para a vida mental que leve em conta o aspecto da corporeidade em sua constituição. Buscaremos apresentar as diretrizes gerais de um solo teórico que visa superar a dicotomia materialismo versus dualismo, oferecendo explicações que vão de encontro às tradicionais correntes dualistas, que consideram a mente como substância, colocando-nos propensos para pensarmos que nós somos as nossas mentes, e não nossos corpos. Para tanto, nos posicionamos em conformidade com o modelo inicial do conceito de emergência mental fornecido por Stuart Mill (1865), segundo o qual postulou que as combinações de ideias poderiam produzir resultantes capazes de ultrapassar suas partes mentais constituintes. Alinhados com esta perspectiva, objetamos as teorias que postularam a relação mente-corpo ou mente-cérebro pela via da redução ontológica, consoante a qual defende que certos eventos e/ou fenômenos não acrescentam nada em relação a eventos e/ou fenômenos anteriores ou de base. Logo, em conformidade com Damasio (1996, 2004, 2011), sustentamos a tese de que a mente corporificada deve considerar imprescindíveis as relações de integração e de interação entre o corpo-propriamente-dito-cérebro- ambiente, inextricavelmente associados, exercendo o papel fundamental na emergência da mente (consciente).
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 148 Situação ideal de fala e historicidade: uma reflexão crítica sobre Habermas Felipe Ribeiro (UFABC- FAPESP) Orientador: Fernando Costa Mattos Nos anos 60, ao se confrontar com a hermenêutica de Gadamer, Habermas procurava fundamentar, contra a pretensão hermenêutica de mostrar a historicidade de todas nossas concepções, um ideal normativo contrafactual centrado na ideia de situação ideal de fala. Gadamer, no entanto, verá problemas nesse princípio, pois ele parece pressupor um conhecimento de ordem superior, não situado historicamente, que permite então criticar formas de vida como distorcidas. Contra isso, Gadamer apela à importância da retórica, que ensina que todo discurso só pode ter sucesso se for inserido historicamente. Seguindo essa linha, Susan Shapiro mostra que a exclusão habermasiana da importância da retórica de seu princípio corresponde a uma certa visão histórica determinada de racionalidade, a saber, do homem branco ocidental, uma vez que a retórica sempre foi identificada em sua história à figura feminina, que seduz e apela às paixões ao invés do entendimento. Esse argumento estabelece uma excelente linha de reflexão para mostrar os riscos de fundar a norma da crítica numa situação de fala, mostrando nela a inserção sub-reptícia de elementos vindos do contexto histórico desse crítico. Gostaria de seguir essa linha de raciocínio para estabelecer uma crítica hermenêutica da situação ideal de fala.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 149 O problema lógico do mal e a racionalidade das crenças teístas Gesiel Borges da Silva (UNICAMP - The John Templeton Foundation) O problema do mal tem tomado os principais debates em filosofia da religião nos últimos cinquenta anos, ao propor que várias formas de teísmo clássico são positivamente irracionais do ponto de vista epistêmico. No presente trabalho, contudo, defendemos que do problema lógico do mal não resulta a irracionalidade epistêmica das crenças teístas. Já que há muitas propostas de solução ao problema do mal, tanto em sua versão lógica quanto evidencialista - como a reconhecida defesa do livre-arbítrio (DLA), fornecida por Plantinga (1974, 1977) -, então, a princípio, não há como decidir se o teísmo não é epistemicamente defensável. Em segundo lugar, embora ainda haja debates sobre a efetividade da DLA, principalmente com respeito à ‘depravação transmundial’ (cf. Otte, 2009; Pruss, 2012), a defesa é tida por muitos como bem-sucedida, inclusive por Mackie (1983), um dos principais proponentes do problema lógico do mal. Por fim, e mais importante, defendemos que, mesmo se a DLA não for bem-sucedida, ainda assim o problema do mal não consiste em um anulador das crenças teístas, pois o teísta não está compelido a assumir uma posição evidencialista; mas, se assumisse, o “ônus” do problema não caberia a ele.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 150 A linguagem na obra "Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral" de Nietzsche José Carlos Souza Ferreira (UF) Orientador: Humberto Aparecido de Oliveira Guido Publicado postumamente, Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral é um opúsculo que foi ditado por Friedrich Wilhelm Nietzsche ao seu colega K. Von Gersdorff, em junho de 1873. Esse texto pode ser considerado como sendo uma das principais tentativas nietzschianas de abalar os fundamentos de qualquer concepção de “verdade” como a representação em palavras da essência das coisas, consequentemente, de qualquer concepção de linguagem como uma expressão adequada da realidade. Os esforços do presente trabalho estão centrados na tentativa de compreender a postura filosófica de Nietzsche diante da realidade efetiva daquilo que chamamos de “verdade” e “mentira”, bem como a noção de linguagem que podemos inferir a partir deste posicionamento filosófico. Tal postura pode ser vista por diversos ângulos relativos a três afirmações principais: dizer a “verdade” é uma submissão às convenções consolidadas da linguagem com o objetivo de garantir a sobrevivência em sociedade; e “mentir” significa deturpar essas convenções em busca da conservação individual da vida; essas convenções são o resultado de transposições “metafóricas” entre impulsos nervosos e as representações mentais e linguísticas que os correspondem numa dada sociedade.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 151 A estética subjetiva em Descartes Henia Laura de Freitas Duarte (UFU) Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares O objetivo desse trabalho é analisar a elaboração do pensamento estético cartesiano. Procuramos examinar em que medida Descartes, partindo da subjetividade do homem e da sua apreensão do mundo, contrapõe sua estética musical com a perspectiva anterior, que partia de um mundo bem ordenado, ou seja, de uma Metafísica estabelecida, analisando sobretudo o pensamento de Pitágoras. Dentro dessa perspectiva examinaremos: em primeiro lugar, a questão da música em uma concepção pitagórica; em segundo lugar, descreveremos a concepção musical de Zarlino; em terceiro lugar, o pensamento de Descartes ao escrever o Compêndio de música. Relacionado a isso, propomos examinar a subjetividade do Compêndio, em que a audição musical e a forma como seremos ou não afetados pela música será decorrente do nosso aparelho auditivo e do nosso gosto. Instaurando aqui uma estética subjetiva, mostrando que a matemática será insuficiente para demonstrar o “fenômeno estético”. Por fim, explicaremos um pouco sobre Descartes, filósofo das Paixões, em que o prazer musical depende da união entre corpo e alma.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 152 As tecnologias de poder sobre a vida segundo Michel Foucault Lorena Fernandes Magalhães (UFU) Orientadora: Georgia Amitrano Essa presente comunicação apresenta uma ideia do filósofo Michel Foucault com relação às tecnologias de poder sobre a vida, buscando entender como o pensador compreende o poder e suas implicações para se pensar o sujeito moderno, afastando-se de uma teoria e se propondo a uma analítica do poder. Em Vigiar e Punir Foucault elucida uma tecnologia disciplinar centrada no corpo, na tentativa de se pensar a sociedade que se constrói a partir da sujeição dos indivíduos através dos efeitos, mecanismos e dispositivos de poder-saber como elementos de dominação. Nesse sentido, Foucault visa explicar o modo como surgiram essas técnicas e para, além disso, como tornam os corpos dóceis e úteis, revelando uma característica positiva do poder. Em um segundo momento, acompanhando a ascese do sistema capitalista e as relações produtivas, surge uma nova modalidade de poder que acopla as necessidades do mundo moderno e o poder disciplinar nascido 50 anos antes, um poder não mais individualizante, mas massificante, que abarca o corpo coletivo e a vida, o qual Foucault chamará Biopolítica, ou a gestão de população.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 153 Discurso e performatividade em Judith Butler Luiza Tornelli Aguiar (UFU) Orientadora: Georgia Amitrano Este trabalho trata de analisar a ideia de performatividade dos atos de fala desenvolvida por Judith Butler no livro Excitable Speech. É proposto um modelo de transformação política através do potencial subversivo das palavras. A linguagem é anterior ao sujeito e também excede o momento da sua fala. Nesse sentido, os atos de fala são excitáveis. Eles contêm não só o que enunciam no instante, mas também todos os significados passados e os significados que não podemos prever. Somos constituídos na linguagem e o endereçamento do outro nos dá a possibilidade de existência, por isso estamos vulneráveis a esse chamamento. Os corpos se tornam reconhecíveis através de nomes. Os mesmos termos que conferem reconhecimento podem ameaçar aqueles que ficam de fora das convenções sociais. O sucesso do performativo depende da sua repetição e os enunciados não apenas refletem posições sociais, mas também constituem essas posições. As falas de ódio, portanto, não apenas descrevem quem recebe a mensagem, mas constituem o endereçado. Butler propõe uma alternativa que vai além da legalidade para a transformação dos discursos de ódio, através da própria característica de ritual das enunciações, em que o termo pejorativo pode ganhar novo contexto por ser aberto.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 154 Heidegger e a questão da técnica Marcelo Rosa Vieira (UFU) Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares A comunicação terá como objetivo discutir o problema do sentido da técnica assim como é formulado e desenvolvido por Martin Heidegger na sua conferência de 1953 intitulada Die Frage nach der Technik (A questão da técnica). Far-se-á considerações quanto ao modo como Heidegger traz o problema para o horizonte da ontologia fenomenológica, abordando-o desde um ponto de vista crítico da metafísica tradicional e crítico da modernidade. Para Heidegger, impõe-se a necessidade da repetição explícita da ontologia, uma vez que a pergunta pelo sentido do ser foi esquecida com o estabelecimento da metafísica na história ocidental, sendo considerada a pergunta mais universal e, por isso mesmo, vazia, além de seu conceito ser óbvio, quer dizer, entendido por si mesmo (Selbständlichkeit) e indefinível. A pergunta, desse modo, é encoberta e vulgarizada pela metafísica tradicional. O presente trabalho tentará assinalar como a questão da técnica, tratada na conferência, é articulada por Heidegger com a história desse esquecimento.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 155 Vontade poética: a estética da liberdade Marco Tulio Cunha Vilela (UFU) Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto Este artigo tem como objetivo pensar a Vontade de Potência de Nietzsche através da perspectiva de uma existência estética que propõe ao Ser a necessidade de dar cunho próprio ao seu caminho artisticamente, moldando a sua realidade conforme cria e imprime no mundo sua marca. Uma existência artística libera o indivíduo para a percepção da realidade segundo seu desejo, encontrando na “embriaguez” a vivificação da vida e uma inesgotável fonte de inspiração. Longe de toda moral limitadora, a existência artística busca o homem inteiro, o qual, segundo Bataille, é o homem cuja vida é uma festa imotivada, um homem que não busca um sentido, pois este limita sua criação, mas se compreende como não-sentido, fazendo da arte não um meio, mas a própria finalidade do seu existir. Tomando as reflexões de Bataille (e o Surrealismo) sobre Nietzsche como cerne de nossas investigações, pensaremos a essência da arte como movimento que nos coloca em relação com o mundo, que nos abre à comunicação e nos torna penetráveis uns aos outros.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 156 A eternidade do mundo do ponto de vista de Tomás de Aquino e suas implicações Maryane Stella Pinto (UFU) Orientador: Anselmo Tadeu Ferreira Tomás de Aquino, ao traçar o debate da eternidade do mundo, o fez, em sua maior parte, segundo os modos de Aristóteles, mesmo que a noção do Filósofo fosse, em certo sentido, contraditória ao dogma da criação. O Aquinata não poderia se furtar de delinear sua noção de eternidade a partir do concílio da estrutura da ciência da natureza do Filósofo e do dogma da criação. De acordo com a exposição da ciência da natureza de Aristóteles, a eternidade é uma noção conexa à noção de tempo, que por sua vez é conexa à noção de movimento. Visto isto, esta comunicação tem como objetivo expor a noção de movimento e de tempo para compreendermos com rigor onde está localizado o debate da eternidade do mundo, e onde, com mais precisão Tomás buscou em Aristóteles sustentação para fundamentar o seu próprio debate. Para percorrer este percurso será necessário retomar o Comentário de Tomás de Aquino ao livro da Física de Aristóteles (Liber 3, lectio 1-3) e também retomar os apontamentos de Henrique Gardeil, em sua Introdução à filosofia de são Tomás de Aquino, que são importantes para a compreensão do debate da eternidade do mundo e das noções que estão implicadas nele.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 157 Ética e consentimento: o caso de Henrietta Lacks Natália Amorim do Carmo (UFU) Orientador: Alcino Eduardo Bonella Por vezes, uma pesquisa pode ser considerada antiética pelo fato de o pesquisador não se atentar às implicações éticas decorrentes de seu trabalho ou, por vezes, tendo consciência delas, acreditar que tais problemas sejam superados pelos seus benefícios positivos. Diante disto, este trabalho se propõe a discutir o problema ético do consentimento, da vulnerabilidade e da privacidade em pesquisa tendo como referência o caso de Henrietta Lacks. Tal caso se configura como um paradigma em bioética por seus diversos desdobramentos no avanço da ciência e por provocar a reflexão sobre a proteção aos direitos dos participantes de estudos científicos. Apresentarei os traços fundamentais do caso e discutirei como a ausência de consentimento para a retirada das células de Henrietta para fins de pesquisa e posterior divulgação das informações colhidas gerou problemas éticos consideráveis. A partir desta problematização, proponho uma reflexão acerca do papel central ocupado pelo consentimento, sobre quais cuidados éticos adicionais são pertinentes em pesquisas com participantes em situação de vulnerabilidade, se há exceções justificáveis e, principalmente, como evitar a coerção ou a manipulação da informação.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 158 Os indivisíveis de Hume e a geometria euclidiana Pablo Henrique Santos Figueiredo (UFU) Orientador: Marcos César Seneda O objetivo principal desta comunicação é demonstrar os efeitos que a existência dos pontos físicos indivisíveis – aos quais chamaremos de minima sensibilia, conforme definidos por Hume –, causam à geometria euclidiana. Sua primeira etapa consiste em demonstrar como estes minima sensibilia se comportam e quais são suas características fundamentais. A seguir, será examinado como eles determinam limites para três teoremas fundamentais da geometria euclidiana, a saber, o da bissecção, o da bipartição e o de Pitágoras. Os dois primeiros teoremas são afetados pelo fato de que um seguimento de reta em particular, composto por pontos físicos indivisíveis tem, por definição, de ser composto por um número par ou ímpar de pontos, o que impede as consequentes aplicações. O teorema de Pitágoras, por sua vez, ficaria impedido de operar em qualquer situação em que haja números irracionais, uma vez que os minima sensibilia não podem ser divididos. Em suma, nossa intenção é mostrar como Hume evita a necessidade de uma revisão radical da geometria euclidiana, mostrando que estes teoremas são válidos como verdadeiros e não como aproximações úteis de objetos geométricos.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 159 As bases filosóficas da teoria da Ecologia Social de Murray Bookchin Philippe Vieira Torres dos Santos (UFU) Orientadora: Geórgia Amitrano O objetivo desse trabalho é apresentar um estudo filosófico da teoria da Ecologia Social de Murray Bookchin, pensador anarquista contemporâneo e teórico influenciador de uma das revoluções da era contemporânea, a revolução de Rojava, no Curdistão, região da Síria. Pretende-se abordar as bases filosóficas da Ecologia Social que vincula os problemas ambientais ao desenvolvimento de uma sociedade irracional e antiecológica, sociedade esta baseada em um sistema capitalista hierárquico, classista, competitivo e que fomenta a noção de mundo natural como mera aglomeração de “recursos” para a produção e consumo humano. Do mesmo modo, analisaremos a crítica de Bookchin ao sistema capitalista, demonstrando que é impraticável um capitalismo sustentável, bem como sua crítica à teoria marxista em torno da sua concepção de trabalho e da imagem de natureza. A filosofia ecológica desenvolvida por Bookchin é um projeto que implica um corte total com a sociedade de mercado, as tecnologias dominantes, o estatismo, as sensibilidades patricêntricas e prometéicas para com os humanos e a natureza, que foram absorvidas e realçadas pela sociedade burguesa.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 160 A composição do estilo da escrita de Descartes Suellen Caroline Teixeira (UFU) Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares Descartes viveu numa época de mudanças de paradigmas. A ciência aristotélica já não servia à sociedade moderna que estava emergindo e, por isso, efervesciam os estudos astronômicos, físicos, matemáticos e filosóficos. Ainda assim a Igreja possuía o domínio sobre os conhecimentos que seriam divulgados. Em 1633 Descartes desiste de publicar o Mundo, cujo conteúdo era baseado na teoria heliocêntrica de Copérnico, que estabelecia o movimento da Terra. A defesa desta tese foi o motivo pelo qual Galileu fora condenado por heresia. André Bridoux, na introdução de sua coletânea Oevres et Lettres - de Descartes - acredita que esse acontecimento tenha aumentado a prudência do autor, já excessiva, com a escrita, tornando-a mais “envelopada” e “ambígua”. Assim, a questão que aqui nos propomos é: em que medida Descartes é um autor que se expressa de forma envelopada e ambígua como declara Bridoux? Faria ele o uso de recursos estilísticos para expor suas ideias revolucionárias sem que os representantes da Igreja vetassem sua obra e o condenassem? Portanto, nossa apresentação buscará apresentar alguns aspectos do estilo de escrita de Descartes e sua relação com os receptores de sua obra.
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    ∙ Resumos doXIII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU, IV Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU e do II Encontro de Pesquisa em Filosofia no Ensino Médio, V. 13, n. 13, jun. 2019. ISSN 2358-615X ∙ 161 A crítica de Platão ao estatuto religioso da poesia na antiguidade Yasmim Sócrates do Nascimento (UFU) Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho O presente trabalho tem como principal objetivo evidenciar que, embora Platão tenha dedicado grande parte de suas obras a uma crítica sistemática da atividade poética, ele não pode ser tomado como um opositor da arte. Diferentemente desse posicionamento, sustenta-se que a crítica de Platão à poesia é dirigida à sua pretensão enquanto entidade formadora, uma vez que é a responsável por ditar as diretrizes religiosas, morais e intelectuais de sua época. Diante dessa suspeita, buscar-se-á, neste trabalho, apresentar o estatuto religioso do mundo grego, em vista de oferecer uma contextualização do papel da atividade poética na esfera religiosa da antiguidade. Buscar-se-á, com tal argumento, evitar possíveis anacronismos sobre a posição crítica de Platão à poesia, uma vez que a sua crítica às blasfêmias religiosas cometidas pelos poetas podem, de forma descontextualizada, ser interpretadas como uma crítica de natureza estética. Assim, o presente trabalho propõe analisar o estatuto religioso da poesia no mundo grego, em duas partes, a saber: o valor ontológico do mito e a intensidade religiosa dos gregos; e os meios de veiculação da religião na Grécia antiga.