CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG
Ano III- Vol. I – Nº 1 – jul./dez. 2016- ISSN 2358-4971
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
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FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFCG
C122
Cadernos didáticos PET História UFCG *recurso eletrônico+ /
Regina Coelli Gomes Nascimento (organizadora). ─ Campina
Grande: EDUFCG, 2016-.
v. : il. color.
Modo de Acesso: http://modulosdidaticos.blogspot.com.br
ISSN: 2358-4971
1. História - Universidade. 2. Ensino. 3. Pesquisa e Extensão. I. Nascimento, Regina
Coelli Gomes. II. Título.
CDU 378.4(091)
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SUMÁRIO
Apresentação ..................................................................................................................05
ENEM 2016 – informações gerais..................................................................................06
Competência de área 01 — Compreender os elementos culturais que constituem as
identidade ................................................................................................................ ....08
Competência de área 02 — Compreender as transformações dos espaços geográficos
como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder.................................20
Competência de área 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movi-
mentos sociais. ...............................................................................................................31
Competência de área 04 — Entender as transformações técnicas e tecnológicas e
seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vi-
da social...........................................................................................................................39
Competência de área 5 – Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valo-
rizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação conscien-
te do indivíduo na sociedade. .........................................................................................51
Competência de área 6 — Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas
interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográfico .............................63
Anexo .........................................................................................................................................75
“Carpe diem. Aproveitem o dia meninos. Façam de suas vi-
das uma coisa extraordinária.”
Fragmento do filme SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS <https://www.youtube.com/
watch?v=Fak3xydNvYM > Acesso em 10.08.2015
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Caro estudante,
Atualmente o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é utilizado como critério de
seleção para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para
Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades já usam o resultado do exame como cri-
tério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vesti-
bular. O ENEM tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade
básica. Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino
médio em anos anteriores.
Foi pensando nessa abrangência, relevância para a formação do grupo e a necessidade de
estreitarmos os laços com o ensino básico que o PET Historia UFCG, iniciou em 2011, o projeto
―ENEM - Ciências Humanas e suas tecnologias: novas sensibilidades para pensar o ensino de
História‖. E nesse sentido, este quarto módulo foi elaborado com o objetivo de facilitar a com-
preensão da proposta do ENEM para a área de CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGI-
AS, melhorando o desempenho dos participantes em seus estudos dentro e fora da oficina.
Contamos com sua participação para que possamos aprimorar este módulo em edições futuras e
esperamos que suas notas reflitam seu esforço, dedicação, tempo de estudo e que seus sonhos e
objetivos sejam alcançados.
Organizadoras e revisoras
Regina Coelli Gomes Nascimento
Tutora/PET História
Rozeane Albuquerque Lima
Doutorando PPGH/UFPE
Autores (as) Petianos
Aldrey Ribeiro de Brito
Ana Carolina Monteiro Paiva
Ayrton Adilson Barbosa F. da Silva Alves
Jean Lucas Marinho Cavalcanti
Jhon Lennon de Jesus Ferreira
José Adriano de Oliveira Barbosa
Karl Marx Henrique de Oliveira
Kézia Jaiane Porfírio da Silva
Larissa Albuquerque M. Almeida
Lorrane Rangel Agra Lopes
Lucas Tadeu Borges Viana
Paulo Montini de A. Souza Júnior
Rayan Fernades Pereira
Roberta dos Santos Araújo
Valber Nunes da Silva Mendes
Viviane Carneiro de Oliveira
Wendna Mayse Amorim Chaves
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QUAL O CONTEÚDO DAS PROVAS?
O conteúdo das provas do Enem é definido a partir de matrizes de referência em quatro
áreas do conhecimento:
COMO COMEÇOU O ENEM?
ENEM 2016 – INFORMAÇÕES GERAIS
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DICAS
a) Inscrição
Fique atento ao período de inscrições. Você pode se inscrever no Enem 2016, exclusivamente pela
internet, entre as 10h do dia 09 de maio de 2016 às 23h59 do dia 20 de maio de 2016.
Leia o edital com atenção e preencha todos os campos solicitados de forma precisa. Lembre-se que a
responsabilidade pelas informações é dos participantes.
Mantenha seus dados de contato (e-mail e telefone) atualizados. O Inep poderá enviar informações
importantes sobre o exame e as comunicações são feitas pelos contatos informados na inscrição.
Alterações nos dados cadastrais, opção de cidade de provas ou de língua estrangeira serão permitidas
apenas durante o período de inscrição.
b) Cartão de confirmação
O cartão de confirmação de inscrição estará disponível para impressão na Página do Participante,
com as seguintes informações:
- número de inscrição;
- data, hora e local de realização das provas;
- indicação do (s) atendimento (s) especializado (s) e/ou do (s) atendimento (s) específico (s), devida-
mente solicitado (s) no ato da inscrição, quando for o caso;
- opção de língua estrangeira; e
- solicitação de certificação, quando for o caso.
Para obter o cartão, o participante deve acessar o endereço eletrônico enem.inep.gov.br/participante.
É preciso informar CPF e senha.
c) Como são as provas
O Enem é composto por quatro provas objetivas, com 45 questões cada, e uma redação.
Confira os dias das provas:
5 de novembro de 2016 (sábado)
- Ciências Humanas e suas Tecnologias (História, Geografia, Filosofia e Sociologia) e;
- Ciências da Natureza e suas Tecnologias (Química, Física e Biologia).
Tempo para as provas: 4 horas e 30 minutos
6 de novembro de 2016 (domingo)
- Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira, Artes,
Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação);
- Redação e;
- Matemática e suas Tecnologias.
Tempo para as provas: 5 horas e 30 minutos.
d) No dia da prova
Os portões de acesso são abertos às 12h e fecham às 13h, horário de Brasília. Recomenda-se que to-
dos os participantes cheguem ao local de prova até as 12h (horário de Brasília), já que é proibida a
entrada após o fechamento dos portões.
Depois que os portões fecharem, às 13h, uma série de procedimentos de segurança é realizada. As
provas têm início às 13h30.
IMPORTANTE!
- Verifique com antecedência, na Página do Participante, a validação da inscrição e o local de realiza-
ção das provas.
- Faça o trajeto até o local com antecedência e evite atrasos no dia DA aplicação.
IMPORTANTE!
Verifique com antecedência, na página do participante, a validação da inscrição e o local de realiza-
ção das provas.
Faça o trajeto até o local com antecedência e evite atrasos no dia da aplicação.
Disponível em <http://enem.inep.gov.br/dicas.html > Acesso em 12/09/2016
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COMPETÊNCIA DE ÁREA 01 — COMPREENDER OS ELEMENTOS CULTURAIS
QUE CONSTITUEM AS IDENTIDADES.
José Adriano de Oliveira Barbosa (adrianoolivera33@gmail.com)
Karl Marx Henrique de Oliveira (karlmarxhenrique@hotmail.com)
Lorrane Rangel Agra Lopes (lorranerangelagralopes@gmail.com)
Em nossa sociedade, em diversos períodos da história o ser humano se fez esta per-
gunta: quem sou eu? Não é algo fácil de se responder. Para isso é preciso refletirmos sobre
identidade, mas então o que é identidade? Temos três definições de identidade pelo sociólo-
go Stuart Hall (1992): a primeira é o sujeito do iluminismo, que seria o individuo que se
identifica a partir do seu lugar de nascença e que não muda aquilo que é no decorrer de sua
vida; a segunda é o sujeito o sujeito sociológico, que constrói sua identidade a partir do con-
tato com a sociedade, mesmo tendo sua essência, ela pode mudar no decorrer da vida; e a
terceira é o sujeito pós-moderno que não possui identidade fixa e transita em diversas identi-
dades, não sendo mais um sujeito definido pelo próprio reconhecimento, mas pelas identifi-
cações, ou seja pela maneira como somos interpretados e representados nas culturas em nos-
sa volta.
Para compreender a sociedade em nossa volta é preciso falar sobre cultura, então
oque é essa identidade cultural? Cultura é a maneira como determinados grupos se identifi-
cam e compartilham elementos culturais limitados em um mesmo território e que os unem.
Esses elementos tem a capacidade de ter significados diversos, que promovem a comunhão
de um grupo, a exemplo da bíblia como um símbolo e os católicos enquanto comunidade
cultural. As identidades são mutáveis e se relacionam com a cultura, somando ainda mais
elementos diferentes através do tempo. A medida em que essa identidades individuais se
aproximam por semelhança, afastam outros pela diferença, gerando distinções, e estabele-
cendo identidades de grupo. Fazendo com que cada indivíduo seja socialmente cobrado a
assumir uma posição indentitária diante da sociedade, ―ou você é isso ou aquilo‖.
As identidades também são construídas com base naquilo que você identifica em si
mesmo e o que te torna diferente do outro. A cultura exerce um papel de lente através da
qual os diferentes grupos enxergam o mundo, ou seja, fornece significado e sentido para o
mundo, o qual envolve muitas vezes valores morais.
PARA COMEÇAR A HISTÓRIA
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vezes no decorrer da história, como o contato entre portugueses e índios no Brasil, na relação
linguística e cultural, além da mudança comportamental como o hábito de se vestir e religiosi-
dade, a transformação cultural também aconteceu do lado oposto, sendo o português também
afetado pelo contato indígena.
O maior contato entre pessoas e informações amplia o sentimento de pertencimento
a um grupo. A incorporação de novos elementos, como palavra ou comportamentos (Ketchup,
Chicletes, Almofada ou Boyzinho) por esses grupos nos tempos atuais acontece de maneira
mais dinâmica, ressignificando elementos para essa cultura. A imagem 1 representa como gru-
pos indígenas que sofreram mudanças culturais
muito fortes, não deixaram de existir ou de ser
indígenas, mas se incorporaram à sociedade mo-
derna.
A Indústria Cultural pode sugerir o compor-
tamento dos indivíduos e, assim, influenciar a cul-
tura à medida em que esta também pode ser vista
como uma forma de mediação política e prática de
poder. O contato com as diferentes mídias sejam
internet, rádio, tv, cinema, livros e jornais também
podem se relacionados a esse processo da constru-
ção das identidades. Mesmo assim os processos de
formação da identidade social não estão sujeitos apenas a influências externas, mas também à
formação do ―eu‖. Temos então a mídia como aparelho ideológico que pode influir na constru-
ção das identidades com base em mecanismo de identificação.
Com tanta diversidade dessas identidades relacionadas à globalização, se fala em
perda cultural ou, como o sociólogo Bauman (2005) defende, a aculturação. Nesse choque
constante entre culturas a fusão de elementos e um fator inevitável. Assim, como pensar em
uma pureza cultural é algo que não existe, essa perda ou ressignificação implicaria na alteração
de um conjunto de elementos que se caracterizam a cultura tal qual ela é. No Brasil, festas co-
mo o carnaval são vividas de diferentes maneiras de Norte a Sul do país: em Pernambuco com
o frevo e no Rio de Janeiro com o samba, e assim, mesmo compartilhando de um mesmo terri-
tório, língua e história, os grupos e identidades sociais se diferenciam. Mesmo com essa diver-
sidade, fatores como o preconceito ainda estão presentes na sociedade contemporânea, seja ra-
cial, ou religiosos, ideológico e sexual.
Imagem 1: Disponível em
<http://1.bp.blogspot.com/-2I9FYDOVBLA/UXE
-CfwsF0I/AAAAAAAAnfM/73rZqmQQgkg/
s1600/indio+moderno.jpg> Acessado em 24 de
Março de 2016.
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TEXTO PARA REFLEXÃO
O Brasil é um país caracterizado por sua multiculturalidade. Desde a sua colonização
com os portugueses, entre os séculos XVI e XIX, o projeto colonial incluiu nesta terra ín-
dios, negros africanos e portugueses europeus. A escravidão negra, no entanto, acentuou de-
sigualdades raciais e sociais - especialmente raciais- no Brasil. Mesmo após a abolição da
escravidão, assinada pela Princesa Isabel através da Lei Áurea (1888), os negros foram rele-
gados a um segundo plano no convívio em sociedade.
Livres, os negros povoaram os subúrbios urbanos. Muitos, sem perspectiva de vida, prefe-
riam ficar sob o domínio de seu senhor do que tentar uma "nova vida" em condições desfa-
voráveis. Sob esse aspecto, especialmente no Rio de Janeiro, em 1908, início do século XX,
o governo tomava medidas para modernizar a então capital do país. Para isso, criou-se uma
política de reurbanização desalojando os negros e mulatos de suas habitações em prol de
uma nova cidade: moderna e bela. Não é a toa que o grande pano de fundo para esta política
é a Belle Époque na França durante o séc. XIX.
Os sinais da Belle Époque brasileira não visaram apenas o aspecto urbano da cidade do
Rio de Janeiro. As manifestações culturais das massas populares também foram alvos destas
mudanças. O carnaval em especial foi uma delas: Alguns festejos de origem negra como o
entrudo- comemoração pública na qual os negros participavam como coadjuvantes, nas fes-
tas de momo ou em brincadeiras com água de cheiro- foram colocados na ilegalidade, a elite
da época pretendia "desafricanizar" o carnaval. Desta maneira, o corso europeu e a serpenti-
na foram adaptados ao carnaval brasileiro. Carros alegóricos desfilavam pelas principais ruas
das cidade, como símbolos de condição social. Enquanto isso, restava aos pobres acompa-
nhar de longe estas festividades.
Imagem 2: Cortiços eram ambientes favoráveis à pro-
liferação de pestes. Com predominância negra, estes
espaços foram visados na reurbanização da cidade.
Entrada de habitações coletivas 1906. Foto: MALTA,
Augusto. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.
Belle Époque: período na história da França que co-
meçou no fim do séc XIX e durou até a primeira guer-
ra mundial. Caracterizava-se por ser uma época de
relativa paz entre a França e a Europa e pelo floresci-
mento da arte e da arquitetura.
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Entretanto, lentamente, tal realidade iria mudar. Em 1920, foi fundado o Grêmio Recreativo
Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, liderado por pessoas de origem humilde. As-
sim, o corso europeu das elites cariocas perdiam espaço para os desfiles populares de escolas de
samba originários de favelas e periferias.
É importante ressaltar as particularidades que os festejos de carnaval adquirem em determina-
das regiões do país. Como o carnaval de Parintins-AM, com a disputa entre o Boi Garantindo e o
Boi Caprichoso; O caboclo de lança, em Pernambuco- PE, resultado da mistura de cultura afro-
ameríndia, e outras manifestações populares como a Folia de Reis e o Bumba meu boi, também
existentes em Recife. As desigualdades apontadas em festejos populares são apenas reflexos do
quanto era forte a discriminação racial naquela época, como ainda o é hoje em dia.
Mesmo após um século do fim da escravidão no Brasil, a população negra ainda sofre com
este passado cruel. O recente episódio na Faculdade de
Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em
São Paulo, foi pichado com uma frase racista: "Lugar de
negro não é no Mackenzie é no presídio", de igual modo
como as declarações do jornalista da TV Globo, Alexan-
dre Garcia, declarou que o "Brasil não era racista até
criarem as cotas."
(Disponível em <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/
pichacao-racista-e-encontrada-em-banheiro-do-mackenzie-em-
sp.html> Acesso em 10/09/2016)
Declarações como estas indicam o nível alarman-
te, ainda existente, de desigualdade racial em nosso país.
Entretanto, movimentos como o dia da consciência negra (20/10) consistem em ato de resistência
da cultura, crenças e sobretudo visibilidade do povo negro na sociedade. Desta maneira, as ações
coletivas tendem a criar uma identidade, um nível de pertencimento, a uma causa, no caso, a ne-
gra.
O Brasil ainda não atingiu um nivelamento social no que diz respeito a questões raciais. A
presença do racismo é extremamente contundente em nossa sociedade e devem ser reorientada
através da educação. Leis como a 10.639/2003, que torna obrigatória a inclusão do ensino da
História e cultura Afro-Brasileira na grade curricular, tanto em rede de ensino privados ou
públicos, nos níveis fundamental e médio; tornam-se um grande passo para apagar este estig-
ma de nossa sociedade, que é o racismo.
Imagem 3: (Corso carnavalesco
realizado em 1928, em frente a
grande fábrica de refrescos, de Íta-
lo Ferarri, em Ourinhos, São Paulo.
Fonte: Autoclassic)
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TEXTO DE APOIO
A partir do advento da globalização,
assim como a popularização da internet
através de vídeos e sites, estes espaços
não ficaram inertes, não foram apenas
ocupados, mas sim ressignificados co-
mo espaços de agenciamento de uma minoria em busca dos seus direitos e da problematiza-
ção de seus ideais, ocorrendo o mesmo movimento com os blogs. Blogueiras crespas e ca-
cheadas em busca da valorização das suas descendências, começam a realizar resistências,
passam ou passaram por um processo chamado transição, consistindo na decisão de pôr fim
a um padrão: ―a ditadura do liso‖ e voltando à naturalidade capilar e incentivam suas leito-
ras a passarem pelo mesmo processo de aceitação.
Ferro
Primeiro o ferro marca
A violência nas costas
Depois o ferro alisa os cabelos
Na verdade o que se precisa
É jogar o ferro fora
É quebrar todos os elos
Dessa corrente
De desespero
(Cuti in Batuque de Tocaia, 1982)
Imagem 4: Disponível em
<https:www.facebook.com/1704752256425040/photos/
a.1704761656424100.1073741828.1704752256425040/174
2697422630523/?type=3&theater> Acesso: 30 de março
de 2016.
Imagem 5: Disponível em < http://
lendoferozmen-
te.blogspot.com.br/2015/12/resenha-
mulheres-carol-rossetti.html > Acesso:
29 de março de 2016.
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A afirmação da identidade negra vem como um ato político, como uma construção cul-
tural e social a partir das suas diversas dimensões. Destaca-se que por muito tempo, a identi-
dade negra foi subjugada em relação ao padrão europeu, porém, ao compreender a identida-
de como um processo de construção social, percebemos a importância da sua afirmação nos
dias atuais.
Neste contexto, de (re)afirmação e (re)construção da identidade, percebemos a impor-
tância dos blogs e suas campanhas de emponderamento da mulher negra, através do crescen-
te movimento de escrespamento das mesmas. O padrão de beleza estabelecido pela mídia
caracteriza-se por um branqueamento, ou seja, há uma relação de inferioridade quando não
se encontra este padrão. O negro, assim, é retratado como submisso ou marginalizado. Nesta
busca por representação se enquadram estas jovens blogueiras, na fuga de um padrão pré-
estabelecido com o crescente número de adeptas à transição capilar ou ao big chop (grande
corte). Como percebemos no depoimento a seguir:
Imagem 6: Disponível em < https://www.facebook.com/kindumbadaana/photos/
a.396303223781254.94668.396040817140828/504620226282886/?type=3&theater> Acesso: 30 de março de
2016.
―Quando comecei com essa coisa de deixar meu cabelo cachear novamente (sim, na época
era apenas uma ―coisa‖), eu não fazia ideia dos rumos que essa decisão iriam tomar. A
princípio, eu só queria ter meus cachos de volta, mas aos poucos fui percebendo a impor-
tância da aceitação, não só do meu cabelo, mas também das minhas raízes.‖ ―(Nascimento,
2014) Disponível em < http://cacheia.com/2014/06/cabelo-cacheado-crespo-identidade-ou-
modinha/ > Acesso: 30 de Março 2016 01:30
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APRENDA FAZENDO
Questão 29– ENEM 2011
Que aspecto histórico da escravidão no Brasil do séc. XIX pode ser identificado a par-
tir da análise do vestuário do casal retratado acima?
(A) O uso de trajes simples indica a rápida incorporação dos ex-escravos ao mundo do tra-
balho urbano.
(B) A presença de acessórios como chapéu e sombrinha aponta para a manutenção de ele-
mentos culturais de origem africana.
(C) O uso de sapatos é um importante elemento de diferenciação social entre negros liber-
tos ou em melhores condições na ordem escravocrata.
(D) A utilização do paletó e do vestido demonstra a tentativa de assimilação de um estilo
europeu como forma de distinção em relação aos brasileiros.
(E) A adoção de roupas próprias para o trabalho doméstico tinha como finalidade demarcar
Foto de Militão, São Paulo, 1879.
ALENCASTRO, L. F. (org). História
da vida privada no Brasil. Império: a
corte e a modernidade nacional. São
Paulo: Cia. das Letras, 1997.
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Questão 12- ENEM 2013
No final do século XIX, as Grandes Sociedades carnavalescas alcançaram ampla popu-
laridade entre os foliões cariocas. Tais sociedades cultivavam um pretensioso objetivo em
relação à comemoração carnavalesca em si mesma: com seus desfiles de carros enfeitados
pelas principais ruas da cidade, pretendiam abolir o entrudo (brincadeira que consistia em
jogar água nos foliões) e outras práticas difundidas entre a população desde os tempos colo-
niais, substituindo-os por formas de diversão que consideravam mais civilizadas, inspiradas
nos carnavais de Veneza. Contudo, ninguém parecia disposto a abrir mão de suas diversões
para assistir ao carnaval das sociedades. O entrudo, na visão dos seus animados praticantes,
poderia coexistir perfeitamente com os desfiles.
Manifestações culturais como o carnaval também têm sua própria história, sendo constante-
mente reinventadas ao longo do tempo. A atuação das Grandes Sociedades, descrita no texto,
mostra que o carnaval representava um momento em que as
(A) distinções sociais eram deixadas de lado em nome da celebração.
(B) aspirações cosmopolitas da elite impediam a realização da festa fora dos clubes.
(C) liberdades individuais eram extintas pelas regras das autoridades públicas.
(D) tradições populares se transformavam em matéria de disputas sociais.
(E) perseguições policiais tinham caráter xenófobo por repudiarem tradições estrangeiras.
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SAIBA MAIS
ANTIGOS CARNAVAIS O endereço eletrônico traz uma breve aborda-
gem da história do carnaval, desde os seus
primórdios, na Grécia, até aos desfiles de es-
cola de samba. Também é possível ter acesso
a antigas marchinhas que embalavam os foli-
ões em tempo de carnaval.
Disponível em <http://
www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/
diadecarnaval7.html
> Acesso:30 de março de 2016
PRECONCEITUOSO O canal de humor do Youtube chamado Parafer-
nália, produziu um vídeo veiculado na mesma
mídia social no qual se refere as agressões sofri-
das por aqueles que tem sua identidade ferida de
algum modo. Esse vídeo mostra que em nosso
cotidiano está enraizado o preconceito com ne-
gros, gays, mulheres... e vai ser uma batalha difí-
cil, mas não impossível de acabar. Disponível
em <https://www.youtube.com/watch?
v=d6_4ilanc5c
> Acesso:30 de março de 2016
Menina Bonita do Laço de Fita Conta a história de um coelhinho que se apai-
xona por uma menina negra e quer saber o
segredo de sua beleza. A menina inventa mil
histórias, até que sua mãe esclarece ao coelhi-
nho que a cor da pele da menina é uma heran-
ça de seus antepassados, que também eram
negros. Disponível em <http://
portal.mec.gov.br/dmdocuments/
orientacoes_etnicoraciais.pdf > Acesso:30 de
março de 2016
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RESPOSTAS COMENTADAS
Questão 29:— ENEM (2011)
Na sociedade escravista colonial brasileira a indumentária era utilizada frequentemente co-
mo marca de distinção social. Assim que alforriados, os negros libertos procuravam comprar
sapatos para se diferenciar dos escravos que eram proibidos de usá-los.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra C
Globo Educação. Disponível em: <http://educacao.globo.com/provas/enem-2011/
questoes/29.html> Acesso: 30 de março de 2016
Questão 12 — ENEM (2013)
O entrudo consistia em uma manifestação cultural carnavalesca de origem medieval, que
chegou ao Brasil no período colonial e que tinha grande adesão principalmente entre as clas-
ses populares. Como é apresentado no texto, as elites se opunham a essa prática considerada
ofensiva, pois era no entrudo que as classes populares liberavam seus sentimentos ao ocupa-
rem as ruas da cidade para realizar uma série de brincadeiras. A partir de 1840, a elite brasi-
leira passou a criar campanhas pelo fim do entrudo, pois pretendia festejar o carnaval sem ter
contato com as classes populares.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra C
Globo Educação. Disponível em: <http://educacao.globo.com/provas/enem-2013/
questoes/12.html> Acesso: 30 de março de 2016 D
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REFERÊNCIAS
Disponível em <http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/07/maria-julia-coutinho-maju-e-
vitima-de-racismo-no-facebook.html> Acessado em 30 de março de 2016 01:50
Disponível em <http://cacheia.com/palestras/> Acesso: 30 de março de 2016 15:31
Disponível em <http://cacheia.com/2014/06/cabelo-cacheado-crespo-identidade-ou-
modinha/> Acessado em 30 de março de 2016 01:52
Disponível em <http://historiahoje.com/racismo-e-carnaval-na-belle-epoque/> Acessado em
31 de Março de 2016, às 11:28.
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CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
19
SANTOS. Marcio André. Negritudes posicionadas: as muitas formas da identidade negra no Brasil.
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a.1704761656424100.1073741828.1704752256425040/1742697422630523/?
type=3&theater> Acesso: 30 de março de 2016.
Imagem 5: Disponível em <http://lendoferozmente.blogspot.com.br/2015/12/resenha-
mulheres-carol-rossetti.html> Acesso: 30 de março de 2016.
Imagem 6: Disponível em <https://www.facebook.com/kindumbadaana/photos/
a.396303223781254.94668.396040817140828/504620226282886/?type=3&theater> Aces-
so: 30 de março de 2016.
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
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COMPETÊNCIA DE ÁREA 02 — COMPREENDER AS TRANSFORMAÇÕES DOS
ESPAÇOS GEOGRÁFICOS COMO PRODUTO DAS RELAÇÕES SOCIOECO-
NÔMICAS E CULTURAIS DE PODER
Desde que apareceu na arena da história, o povo judeu
tem se caracterizado pela sua conturbada estadia nos terri-
tórios onde se dispôs a viver, inclusive na própria terra de
Israel.
O primeiro grande acontecimento que levou os judeus a viverem em um território que
não era o seu de origem foi a partir da invasão dos assírios ao reino de Israel, comandados
PARA COMEÇAR A HISTÓRIA
RELEMBRE
-Migração é o movimento de
entrada ou saída de indivíduos
em países diferentes ou dentro
de um mesmo país (de um esta-
do para o outro, de uma cidade
para a outra).
-Imigração é a entrada de es-
trangeiros em um país; estabe-
lecimento de indivíduos em ci-
dade, estado ou região do seu
próprio país, que não é de sua
origem.
-Emigração é a saída espontâ-
nea de um país; movimentação
de uma para outra região dentro
de um mesmo país; sair de um
país ou lugar onde se vive para
viver em outro, provisória ou
definitivamente.
IMAGEM 1 - Fluxo migratório judaico ao longo do tempo .
Disponível em:< http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras
-historia/diaspora-descubra-como-judeus-se-espalharam-pelo-
Aldrey Ribeiro de Brito (Aldreylinkinpark@hotmail.com)
Lucas Tadeu Borges Viana (lucastadeuborgesviana@gmail,com)
Viviane Carneiro de Oliveira (viviioliveira@hotmail.com)
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
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por Sargão II (R. 721–705 a.C.), fazendo com que
grande parte das tribos fossem levadas cativas, o que
levou, mais tarde, ao desaparecimento destas. Se-
gundo Paul Johnson, as tribos remanescentes, que
seriam Judá, Benjamin e parte da tribo de Levi (que
formavam o reino de Judá) foram invadidas e leva-
das cativas pelos babilônicos, sob o reinado de Na-
bucodonosor II (604 a.C. – 562 a.C.), dando início à
primeira diáspora do povo judeu.
Porém, a segunda diáspora foi a que mais con-
tribuiu para a sua dispersão em todo mundo, pois foi
a partir daí que os judeus passaram a viver fora de
sua terra natal até os dias de hoje. Com a ocupação
dos romanos na Judéia, houve a segunda destruição do templo sagrado e da cidade de Jeru-
salém culminando com a expulsão deste povo do seu território em torno do ano 70 d.C. Foi
com a segunda diáspora que os judeus se espalharam pelos países africanos, árabes e princi-
palmente pelo leste europeu, que viria a se chamar Ashkenazim, e pela Península Ibérica,
que se chamaria sefaradim, estas formam as duas maiores vertentes judaicas.
Sua fixação nos países hospedeiros foi marcada muitas vezes por perseguição siste-
mática e constante de modo que os judeus foram isolados em guetos, para que fossem man-
tidos longe da população nativa, evitando, com isso, a miscigenação e assimilação com este
povo. Essas perseguições fizeram com que estes migrassem de um local para outro tentando
encontrar paz nos novos lares que se estabeleciam. Com a inquisição ibérica, por exemplo,
vários judeus migraram para o norte da África e também para a Holanda, para que lá pudes-
sem exercer livremente sua religião, longe dos tribunais do santo ofício.
Porém foi durante a segunda guerra mundial que houve a maior imigração judaica em
massa. Nesta época, várias pessoas, percebendo a tensão e crescente hostilidade na Europa
no que diz respeito ao antisemitismo, acharam melhor deixar este continente e sair em desti-
no às Américas e para a terra da Palestina. A partir de agora nos deteremos mais especifica-
mente neste assunto.
IMAGEM 2 - Diáspora Judaica rumo ao
Novo Mundo .Disponível em: <http://
www.coisasjudaicas.com/2011/11/cripto-
judaismo.html>. Acesso em 26 de Março em
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
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SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E MI-
GRAÇÃO JUDAICA
A segunda Guerra Mundial trouxe consequên-
cias sérias para toda a população do planeta, mas
nenhum povo sofreu tanto quanto os judeus. Com
base nas informações encontradas no site Enci-
clopédia do Holocausto, de 1939 à 1945, o povo
semita foi duramente perseguido, culminando no
horror que foi o Holocausto, caracterizado como
ação de extermínio dos judeus realizada pelos
alemães sob o domínio de Adolf Hitler. Os ale-
mães acreditavam na superioridade de raça, onde
a única raça pura seria ariana e estes, como membros dela, deveriam comandar o mundo.
Nesse sentido, os judeus eram considerados inferiores, devendo serem exterminados. Assim,
a Europa não era mais um lugar seguro para o povo judaico e, para fugir dos nazistas, gran-
des levas migracionais ocorreram durante a II Guerra Mundial. Em meio a tantas dificulda-
des para encontrar refúgios, tornou-se opção migrar para os destinos menos explorados, a
exemplo do Brasil, China, Colômbia, entre outros países (geralmente os países subdesenvol-
vidos ou em desenvolvimento). Outro tipo de solução encontrada foram as imigrações ile-
gais, a Aliyah Bet. Tal medida era um grito de desespero, num mundo onde tornava-se cada
vez mais difícil assumir a identidade judaica, se até mesmo os países contrários à ideologia
nazista negavam-se a receber o grande contingente populacional de judeus. Os movi-
mentos migratórios trazem em si grandes cargas de dificuldades e ao invés de haver uma
solidariedade para com os refugiados, é percebido que muitas vezes ocorre o inverso: a ne-
gação dos povos que buscam fugir dos horrores da guerra em países que não estão sofrendo
tão diretamente quanto as áreas de confronto. Tal fato é verificado até mesmo na atualidade.
Passados setenta e um anos da II Guerra Mundial, observamos o horror da Guerra Civil na
Síria, considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a ―maior crise huma-
nitária‖, com uma imensa leva de refugiados tentando deslocar-se para outras áreas.
IMAGEM 3—CHARGE. Disponível
em:<http://www.midiaindependente.org/pt/
red/2006/09/360420.shtml> Acesso em 26 de
Março em 2016
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TEXTO PARA REFLEXÃO
ENTRE O PASSADO E O PRESENTE: FLUXO POPULACIONAIS AO LONGO DA HIS-
TORIA E ATUAL CASO SÍRIO
Filippo Grandi, promovido a Alto Comissá-
rio da Agência da Organização das Nações Uni-
das para Refugiados (ACNUR), após sua nomea-
ção em janeiro do ano vigente, sinalizou: ―A
combinação de múltiplos conflitos e o desloca-
mento em massa resultante, desafios recentes ao
asilo, o abismo de financiamento entre necessida-
des humanitárias e recursos e a crescente xenofo-
bia é muito perigosa‖. Especialista em relações
internacionais, assume o cargo em um período
conturbado, onde o mundo revive problemas liga-
dos a migrações populacionais.
Segundo estimativas da ACNUR, realizadas durante o ano passado, indivíduos que se sen-
tiram forçados a abandonar seus locais de residência chegaram a mais de 59,5 milhões. O núme-
ro é o maior desde a imigração preponderantemente judaica no contexto da Segunda Guerra
Mundial. Entre 1933 e 1940, milhões de refugiados da Alemanha, da Polônia e de países bálticos
tentavam fugir do nazismo e também se depararam com fronteiras fechadas. Neste sentido, as
provocações propostas por Guy Sorman, jornalista, escritor e cientista político francês mostram-
se pertinentes: ―Não é o Holocausto, ou pelo menos ainda não. Como será chamada, daqui a al-
guns anos, essa maré humana que está arrebentando na Europa? Como tal fenômeno aparecerá
em nossos livros de História?‖
Desta vez, o maior grupo de imigrantes é de sírios, que fogem da violenta guerra civil em
curso no país, pondo sua integridade física e psicológica em risco nas travessias sobre botes aci-
ma da capacidade prevista das embarcações e em condições extremamente insalubres, almejan-
do atravessar o mar mediterrâneo atrás da sobrevivência. É de suma importância entender, no
que tange aos imigrantes, que é preciso ir além dos discursos que os caracterizam como invaso-
res, logo nada ou muito pouco tem a acrescentar aos países hospedeiros e chegam somente para
ser vistos como ―concorrentes no tocante à busca por empregos.‖
IMAGEM 4- Filippo Grandi tomando pos-
se em cargo na ONU. Disponível em:
<https://nacoesunidas.org/novo-alto-comissario-
assume-direcao-da-agencia-da-onu-para-
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Já é hora de desenvolver um pla-
no que vise soluções permanentes para
crise humanitária na qual vivemos e
também é necessário não ignorarmos
mais o debate que urge em ser realizado.
COMO A ORGANIZAÇÃO DAS NACÕES UNIDAS (ONU) ESTÁ SE POSICIO-
NANDO FRENTE A QUESTÃO
Com vistas à melhor resolução do problema que assola todo globo terrestre , na última
quarta (dia 30 de março de 2016) aconteceu, na cidade de Genebra, uma reunião extraordi-
nária de alto nível promovida pela Agência da Organização das Nações Unidas para Refugi-
ados (ACNUR), que teve como ponto de partida e principal deliberação propor soluções
para necessidades de sírios que fogem da guerra. Na reunião se fizeram presentes represen-
tações de cerca de 80 países, dez organizações internacionais e 24 organizações não gover-
namentais.
Entre as figuras de destaque podemos citar o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,
e o novo alto comissário da ACNUR, Filippo Grandi, além de representantes de governos
que acolhem os refugiados. O principal objetivo foi apresentar perspectivas inovadoras
acerca da questão, estudos de caso de sucesso, e este se mostrou ser o adequado espaço para
que os governos em todo o mundo pudessem fazer parte da busca de soluções aos refugia-
dos sírios. Entre as medidas discutidas estavam o aumento das opções para os refugiados
sírios chegarem a outros países por meio de programas de admissão humanitária ou outros
procedimentos legais, entre eles: vistos humanitários, patrocínio privado, bolsas de estudos
ou estágios, esquemas de trabalho e transferência por razões médicas.
No que concerne o Brasil, desde 2013, foi criado um Comitê Nacional para Refugia-
dos (CONARE), e esse trabalha no intuito de facilitar a emissão de vistos de entrada de ci-
dadãos sírios no nosso país, bem como melhor remanejamento dos mesmos.
IMAGEM 5- Sírios arriscam suas vidas
atravessando o mar mediterrâneo. Disponí-
vel em <:http://noticias.uol.com.br/ultimas-
noticias/reuters/2014/06/06/italia-diz-ter-
resgatado-no-mar-mais-de-2500-imigrantes-
desde-quinta-feira.htm>. Acesso em 29 de
Abril de 2016
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TEXTO DE APOIO:
MAUS, A HISTÓRIA DE UM SOBREVIVENTE – ART SPIEGELMAN
Arthur (Art) Spiegelman nasceu em Estocolmo, Suécia,
em 1949. Filho de um sobrevivente do Holocausto, Vladek
Spiegelman, Art conta a dura história de vida do seu pai duran-
te a II Guerra Mundial, perante a perseguição de Hitler contra
os judeus, relatando claramente e em primeira mão, o cotidiano
de um homem que conseguiu sobreviver ao horror do Holo-
causto.
Não é um tema fácil de se falar com naturalidade, afinal,
nunca o mundo viveu com tanta intensidade a maldade huma-
na como ocorreu nessa época. O desenvolvimento tecnológico
proporcionou a existência de uma das guerras mais duras da
história da humanidade. É esse contexto que Vladek Spiegel-
man viveu em Maus. A partir da narrativa de seu filho, Art
Spiegelman, acompanhamos o cotidiano dos momentos mais importantes e decisivos na vida de
Vladek durante a guerra.
O quadrinho, que retrata os nazistas como gatos, os judeus como ratos, os poloneses como
porcos e os americanos como cães, tenta distanciar o leitor da crueldade e horrores desumanos e
guiá-lo, por meio dessas representações dos homens como animais, apenas pelo caminho da fá-
bula. Inclusive, Maus significa rato em Alemão. Embora a tentativa de suavizar o terror, é difícil
não se espantar com a crueldade dos métodos nazistas ao lembrar que não são ratinhos, nem ga-
tos, mas de fato humanos. A história se alterna entre passado e presente, mas também foca na
vida interior dos personagens, refletindo a confusão que o holocausto deixou em cada um.
No decorrer do livro, percebe-se como as diversas situações enfrentadas pelo protagonista
na luta pela sobrevivência vão mudando o caráter da personagem. Vladek ao mesmo tempo que
era destemido, tornou-se, após o fim do Holocausto, um velho racista e mesquinho. Apesar disso,
a história não perde seu brilho. A narrativa alterna entre uma conversa de pai e filho, com flash-
backs quando o pai começa a contar o que aconteceu no seu passado, indo desde como conheceu
a mãe de Art até ao final da guerra. No "presente" a história abrange também o relacionamento
pai-filho e as suas complicações. Todavia, sua luta pela sobrevivência, sua habilidade e inteligên-
cia proporcionaram situações de vida melhores que a imensa maioria dos judeus viviam.
IMAGEM 6 - Disponível em:
<http://
www.oepitafio.com/2013/02/
resenha-maus-historia-de-um.html>.
Acesso em 29 de Março em 2016
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APRENDA FAZENDO
QUESTÃO 45— ENEM 2011
As migrações tradicionais, intensificadas e generalizadas nas últimas décadas do século XX,
expressam aspectos particularmente importantes da problemática racial, visto como dilema
também mundial. Deslocam-se indivíduos, famílias e coletividades para lugares próximos e
distantes, envolvendo mudanças mais ou menos drásticas nas condições de vida e trabalho,
em padrões e valores socioculturais. Deslocam-se para sociedades semelhantes ou radical-
mente distintas, algumas vezes compreendendo culturas ou mesmo civilizações totalmente
diversas. IANNI, O. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.
A mobilidade populacional da segunda metade do século XX teve um papel importante na
formação social e econômica de diversos estados nacionais. Uma razão para os movimentos
migratórios nas últimas décadas e uma política migratória atual dos países desenvolvidos
são
A- a busca de oportunidades de trabalho e o aumento de barreiras contra a imigração.
B- a necessidade de qualificação profissional e a abertura das fronteiras para os imigrantes.
C- o desenvolvimento de projetos de pesquisa e o acautelamento dos bens dos imigrantes.
D- a expansão da fronteira agrícola e a expulsão dos imigrantes qualificados.
E- a fuga decorrente de conflitos políticos e o fortalecimento de políticas sociais.
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QUESTÃO 21 — ENEM 2006
O relatório anual (2002) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômi-
co (OCDE) revela transformações na origem dos fluxos migratórios. Observa- se aumento
das migrações de chineses, filipinos, russos e ucranianos com destino aos países-membros
da OCDE. Também foi registrado aumento de fluxos migratórios provenientes da América
Latina.
Disponível em: Trends in international migration – 2002
internet: www.ocde.org> (com adaptações)
No mapa seguinte, estão destacados, com a cor preta, os países que mais receberam esses
fluxos migratórios em 2002.
As migrações citadas estão relacionadas, principalmente, à
a) ameaça de terrorismo em países pertencentes à OCDE.
b) política dos países mais ricos de incentivo à imigração.
c) perseguição religiosa em países muçulmanos.
d) repressão política em países do Leste Europeu.
e) busca de oportunidades de emprego.
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SAIBA MAIS
SITE
A plataforma digital da ANCUR (Agência da
Organização das Nações Unidas para Refugia-
dos) pretende servir de ferramenta para o desen-
volvimento e promoção do direito dos refugia-
dos e refugiadas. Confira mais informações em:
<http://www.acnur.org/t3/portugues/> . Acesso
em 30 de Março de 2016.
DOCUMENTÁRIO O documentário ―O eterno Judeu‖, foi feito em
1940 na Alemanha nazista, como um meio bas-
tante eficiente de propaganda antissemita. Mos-
tra a população judaica, sempre os acusando
injustamente de coisas negativas, como povo
não civilizado, e trazendo a falsa ideia de uma
conspiração semita para dominar o mundo, é
um documentário racista, mas tudo isso tinha
uma razão, colocar a população alemã da época
contra os judeus, pois como disse o próprio mi-
nistro da propaganda do Reich na Alemanha
nazista ―uma mentira repetida mil vezes torna-
se verdade‖. Disponível em: <https://
www.youtube.com/watch?v=rgMco9soMos>.
Acesso em 30 de Março de 2016.
LIVRO O diário de Anne Frank foi escrito por uma cri-
ança judia nascida na Alemanha, mas sua famí-
lia forçada a abandonar este país imigrou para a
Holanda. O diário de Anne Frank é um docu-
mento escrito por alguém que sofreu na própria
pele o antissemitismo e suas consequências ne-
fastas. Disponível em: <http://
youtruth.weebly.com/uploads/1/3/1/8/1318459/
o_diario_de_anne_frank_-
portuguese.pdf> .Acesso em 30 de Março de
2016.
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QUESTÃO 45- ENEM 2011
As migrações são intensificadas nos momentos de crises econômicas, em que grandes mas-
sas populacionais buscam melhores condições de vida, emprego, etc. Contudo, esses movi-
mentos também aumentam a xenofobia no país receptor, obrigando os governantes a cria-
rem barreiras para dificultar a entrada de imigrantes.
Disponível em: <http://educacao.globo.com/provas/enem-2011/questoes/45.html>.Acesso
em 29 de março de 2016.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra A
QUESTÂO 21- ENEM 2006
Os maiores fluxos migratórios têm ocorrido de países pobres em direção aos países mais
desenvolvidos, como EUA, Canadá, Austrália e países da Europa Ocidental, principalmente
em busca de oportunidade de emprego.
Disponível em: < http://www1.curso-objetivo.br/vestibular/resolucao_comentada/
enem/2006/enem2006.pdf> Acesso em 30 de abril de 2015
ALTERNATIVA CORRETA: Letra E
RESPOSTAS COMENTADAS
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30
REFERÊNCIAS
Disponível em : <http://www.bbc.com/portuguese/
noticias/2015/09/150910_vizinhos_refugiados_lk.> Acesso em 27 de março de 2016.
Disponível em: <http://www.brasilpost.com.br/raphael-tsavkko-garcia/precisamos-falar-sobre-
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Disponível em : <http://geografandoemfoco.blogspot.com.br/2011/09/nao-confunda-migracao-
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Disponível em : <http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/le-monde/2015/09/11/
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de março de 2016
Disponível em : <http://www.infoescola.com/geografia/imigracao-e-emigracao/>. Acesso em 27
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Disponível em : <http://www.significados.com.br/holocausto/. >Acesso em 27 de março de 2016.
Disponível em : <https://www.ushmm.org/outreach/ptbr/article.php?ModuleId=10007681> .
Acesso em 27 de março de 2016.
Disponível em: http://aspalavrasfugiram.blogspot.com.br/2014/01/resenha-maus-art-
spiegelman.html . Acesso em 30 de abril de 2016.
LISTA DE IMAGENS
IMAGEM 1 - Fluxo migratório judaico ao longo do tempo . Disponível em:< http://
guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/diaspora-descubra-como-judeus-se-espalharam-
pelo-mundo-743351.shtml> Acesso em 29 de Abril em 2016.
IMAGEM 2 - Diáspora Judaica rumo ao Novo Mundo .Disponível em: <http://
www.coisasjudaicas.com/2011/11/cripto-judaismo.html>. Acesso em 26 de Março em 2016
IMAGEM 3- CHARGE. Disponível em:<http://www.midiaindependente.org/pt/
red/2006/09/360420.shtml>. Acesso em 26 de Março em 2016
IMAGEM 4 - - Filippo Grandi tomando posse em cargo na ONU. Disponível em: <https://
nacoesunidas.org/novo-alto-comissario-assume-direcao-da-agencia-da-onu-para-refugiados/>
Acesso em 26 de Março em 2016
IMAGEM 5 - Sírios arriscam suas vidas atravessando o mar mediterrâneo. Disponível em
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
31
Ana Carolina Monteiro Paiva (anacarolina.mont@hotmail.com)
Paulo Montini de Assis Souza Júnior (paulomontini93@hotmail.com)
PARA COMEÇAR A HISTÓRIA
COMPETÊNCIA DE ÁREA 3 – COMPREENDER A PRODUÇÃO E O PAPEL HISTÓRI-
CO DAS INSTITUIÇÕES SOCIAIS, POLÍTICAS E ECONÔMICAS, ASSOCIANDO-AS
AOS DIFERENTES GRUPOS, CONFLITOS E MOVIMENTOS SOCIAIS.
Imagem 01. Disponível em: <http://
blog.planalto.gov.br/assunto/mulheres/> Acesso
em: 31 de mar. 2016.
Imagem 02. . Disponível em: <http://
www.marchamundialdasmulheres.org.br/marcha-
das-margaridas-70-mil-mulheres-nas-ruas-por-
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news.yahoo.com/argentina-rights-activist-finds-
stolen-grandson-35-years-195604950.html> Aces-
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memoriasdaditadura.org.br/mulheres/> Acesso em:
31 de mar. 2016.
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―É MELHOR MORRER NA LUTA DO QUE MORRER DE FOME‖:
MARGARIDAS EM MARCHA
Igualdade em termos políticos, liberdade
de ação e luta pelos direitos dos trabalhadores
e trabalhadoras rurais no Brasil: foram estas
algumas das pautas defendidas pela líder sindi-
cal paraibana Margarida Maria Alves, em ple-
na vigência do regime militar brasileiro. Presi-
denta do Sindicato de Trabalhadores Rurais da
cidade de Alagoa Grande desde 1973, Margari-
da já havia encaminhado à justiça cerca de 73
ações trabalhistas, em grande parte cobrando
das autoridades direitos trabalhistas para as tra-
balhadoras rurais, quando foi assassinada por um matador de aluguel enviado por usineiros do
brejo paraibano.
A data de sua morte, 12 de agosto de 1983, tornou
-se um símbolo político de tal forma que desde o ano
2000 as ―Margaridas‖, como denominam-se trabalhado-
ras rurais de todo o Brasil, vão às ruas reivindicar às au-
toridades direitos e justiças, encaminhando pautas aos
representantes dos poderes públicos, alertando para as
condições de trabalho no campo. Apesar da Constitui-
ção Federal de 1988 dar maiores garantias de direitos
às mulheres (ver quadro), as trabalhadoras do campo
ainda lutam pelo seu reconhecimento enquanto categoria social, defendendo o acesso à terra e à
saúde, a agricultura familiar, o fim da violência sexista e o direito ao trabalho. A mobilização
da Marcha das Margaridas, também um projeto feminista, busca acima de tudo a valorização
da vida, a superação das desigualdades e o aprofundamento da democracia.
Imagem 05. Disponível em: <http://fatoafato.com/
viewnoticias.php?cod=10402> Acesso em: 31 de
Imagem 06. Disponível em: <https://
andradetalis.wordpress.com/2014/12/page/7/
―Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos es-
trangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade... I. homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.‖
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm> Acesso
em: 31 de mar. 2016.
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TEXTO PARA REFLEXÃO
―MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO‖
Assim definiam-se as novas organiza-
ções civis que emergiam na segunda metade
do século XX. Feministas, grupos do movi-
mento negro e militantes dos direitos dos ho-
mossexuais engajavam-se nas lutas de
―libertação‖, ancorados pela intensa transfor-
mação cultural do período e pelo pensamento
inovador de intelectuais como Simone de
Beauvoir e Martin Luther King. A juventude,
inspirada pela influência de tais pensadores e em meio à efervescência dos anos 1960, com seus
festivais de música e de cinema e os grandes encontros estudantis, expandiam os novos ideais da
década.
Para a juventude latino-americana que aspirava maiores liberdades na vida pessoal, a che-
gada das ditaduras foi uma tragédia. Em países como Brasil e Argentina, uma estudante que por-
tasse em sua bolsa pílulas anticoncepcionais era qualificada como ―subversiva‖, representando
uma ameaça aos ―bons costumes‖ pregados pelo Estado. Não raro, mulheres brasileiras entra-
vam na militância política: para derrubar o regime ditatorial muitas acabavam pegando em ar-
mas; outras, ao exilarem-se, entravam em contato com as teses feministas, formando numerosos
grupos no exterior e comprometendo-se na luta pelas ―liberdades democráticas.‖
Na Argentina, mães de desaparecidos po-
líticos reuniram-se pela primeira vez em 1977
na Praça de Maio, centro de Buenos Aires, para
cobrar do então ditador Jorge Videla informa-
ções sobre o paradeiro de seus filhos, prática
que se estende até hoje e abarca, em suas mani-
festações, questões referentes não apenas aos
desaparecidos políticos do regime militar argen-
tino, mas também lutas políticas e sociais do
presente, iniciando relações de amizade e apro-
ximações com inúmeras ONGs, movimentos
sociais e personalidades de todo o mundo.
Imagem 07. Disponível em: <http://www.quien.net/
abuelas-de-plaza-de-mayo.php> Acesso em: 31 de
Imagem 08. Disponível em:
<http://3001periododitatorialbrasileiro.blogspot.co
m.br/> Acesso em: 31 de mar. 2016.
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TEXTO DE APOIO
―Todas as mulheres sofrem opressão, até as
mulheres brancas, particularmente mulheres
brancas pobres, e especialmente indígenas,
mexicanas, porto-riquenhas e negras ameri-
canas, cuja opressão é triplicada comparada
a qualquer uma das mencionadas acima.”
A frase, retirada de um dos primeiros textos
do feminismo negro publicado no fim da dé-
cada de 1960 nos EUA, explicita uma lacuna
dos movimentos feministas: há espaço, real-
mente, para todas as mulheres nesses grupos?
A questão racial nas décadas de 1950-60 foram uma temática de discussão especial
nos EUA: a busca por direitos civis, tais como direito ao voto e acesso ao ensino superior
para a população negra ganhava corpo no país, no qual ativistas como Martin Luther King e
Malcom X ganhavam voz na mídia e expandiam, em nível internacional, seus discursos. A
mulher negra, porém, continuava vítima de sexismo por parte da sociedade, encontrando-se
a par desta e muitas vezes não encontrando representatividade nos próprios movimentos de
direitos civis. Tal situação levou à formação dos primeiros movimentos feministas negro,
que buscavam demandas diferentes das causas feministas ―tradicionais‖.
No Brasil, seu início se deu no final
da década de 1970, a partir da demanda
das mulheres negras feministas: o movi-
mento negro tinha sua face sexista e impe-
dia que as ativistas negras ocupassem po-
sições de igualdade junto aos homens ne-
gros; por outro lado, o movimento femi-
nista tinha sua face racista, preterindo as
discussões de recorte racial e privilegiando
as pautas que contemplavam somente as
mulheres brancas.
Imagem 09. Disponível em: <http://
blogueirasnegras.org/tag/mulheres/> Acesso em:
31 de mar. 2016.
Imagem 10. Disponível em: <https://www.hrw.org/
topic/womens-rights> Acesso em: 31 de mar. 2016.
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APRENDA FAZENDO
QUESTÃO 13 (prova Azul; 2013)
Na imagem da década de 1930, há uma crítica
à conquista de um direito pelas mulheres, re-
lacionado com a
A) Redivisão do trabalho doméstico.
B) Liberdade de orientação sexual.
C) Garantia da equiparação salarial.
D) Aprovação do direito ao divórcio.
E) Obtenção da participação eleitoral.
QUESTÃO 42 (prova Azul; 2015)
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico
define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civiliza-
ção que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o fe-
minino.
BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1980.
Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um mo-
vimento social que teve como marca o(a)
A) Ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.
B) Pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho.
C) Organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.
D) Oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos.
E) Estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.
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SAIBA MAIS...
Persépolis (2000)
História em quadrinhos autobiográfica da iraniana Marja-
ne Satrapi, retrata o período da infância/pré-adolescência
de sua autora no Irã durante a Revolução Islâmica que
abalou o país em meados da década de 1970. Em meio à
transformação política, novos hábitos e costumes tentam
ser impostos pelo novo governo. Valores familiares e so-
ciais são explorados na história feita por Satrapi, que não
hesita em expor suas opiniões sobre todas as transforma-
ções e imposições do novo regime.
As Sufragistas (Suffragette).
O filme As Sufragistas (2015) retrata a luta de um grupo
de mulheres pelo direito ao voto na Inglaterra do início
do século XX, a partir das diferentes posturas da militân-
cia feminista, enfatizando a mobilização coletiva das in-
tegrantes por uma luta maior.
Trailer disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=e88IJJv7PLQ> Acesso em: 30 de abr. 2016.
Mulheres: Memórias da ditadura.
O portal, desenvolvido pelo Instituto Vladimir Herzog,
busca difundir em larga escala conteúdos sobre o período
do regime ditatorial, voltando-se principalmente às novas
gerações. É possível aprofundar-se em temas como femi-
nismo e resistência feminina durante o período da ditadu-
ra militar.
Disponível em: <http://memoriasdaditadura.org.br/
As Mina na História
A página no Facebook foi criada por Sigrid Beatriz Vara-
nis Ortega, em junho de 2015, com o objetivo de resgatar
a memória e o trabalho de mulheres que transformaram o
mundo, e ainda assim acabaram apagadas da História.
Disponível em: <https://www.facebook.com/
asminasnahistoria> Acesso em: 30 de abr. de 2016
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RESPOSTAS COMENTADAS
QUESTÃO 13.
A charge ironiza o ganho do direito ao voto feminino no Brasil. Instituído em 1932, a
partir do Código Eleitoral provisório, promulgado no primeiro governo de Getúlio Vargas, o
voto feminino só veio instituir-se no país após pressão das mulheres por seus direitos.
A busca feminina por direitos como trabalho e voto inserem-se no cenário da chamada
―primeira onda‖ feminista, iniciada em países como Estados Unidos e Inglaterra na virada
do século XIX pro XX.
Nesse período, surge a luta das ―suffragettes‖, mulheres que defendiam o direito ao
voto e uma maior participação feminina na tomada de decisões políticas.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra E
QUESTÃO 42.
A questão faz referência à escritora e ativista feminista Simone de Beauvoir, que pro-
curava desconstruir o conceito de ―feminino‖ , apontando este como uma construção social
num cenário de dominação masculina.
O livro O Segundo Sexo tornou-se uma das principais fontes de inspiração para a orga-
nização de diversos movimentos feministas ao redor do mundo, além de ser um dos respon-
sáveis pela popularização do movimento na década de 1960, durante a chamada ―segunda
onda‖ feminista.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra C.
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REFERÊNCIAS
BIROLI, Flávia. O feminismo como um projeto transformador: as vozes das Margari-
das. Disponível em: <http://blogdaboitempo.com.br/2015/08/28/o-feminismo-como-
projeto-transformador-as-vozes-das-margaridas/> Acesso em: 31 de mar. 2016.
JARID, Arraes. Feminismo negro: sobre minorias dentro da minoria. Disponível em:
<http://revistaforum.com.br/digital/135/feminismo-negro-sobre-minorias-dentro-da-
minoria/> Acesso em: 31 de mar. 2016.
MORAES, Maria Lygia Quartim de. O feminismo político do século XX. Disponível em:
<http://blogdaboitempo.com.br/2015/03/09/o-feminismo-politico-do-seculo-xx/> Acesso
em: 31 de mar. 2016.
Imagem 01– Disponível em: : <http://blog.planalto.gov.br/assunto/mulheres/> Acesso em:
31 de mar. 2016.
Imagem 02. . Disponível em: <http://www.marchamundialdasmulheres.org.br/marcha-das-
margaridas-70-mil-mulheres-nas-ruas-por-democracia-justica-com-autonomia-igualdade-e-
liberdade/> Acesso em: 31 de mar. 2016.
Imagem 03. Disponível em: <http://news.yahoo.com/argentina-rights-activist-finds-stolen-
grandson-35-years-195604950.html> Acesso em: 31 de mar. 2016.
Imagem 04. Disponível em: <http://memoriasdaditadura.org.br/mulheres/> Acesso em: 31
de mar. 2016.
Imagem 05. Disponível em: <http://fatoafato.com/viewnoticias.php?cod=10402> Acesso
em: 31 de mar. 2016
Imagem 06. Disponível em: <https://andradetalis.wordpress.com/2014/12/page/7/> Acesso
em: 31 de mar. 2016.
Imagem 07. Disponível em: <http://www.quien.net/abuelas-de-plaza-de-mayo.php> Aces-
so em: 31 de mar. 2016.
Imagem 08. Disponível em: <http://3001periododitatorialbrasileiro.blogspot.com.br/>
Acesso em: 31 de mar. 2016.
Imagem 09. Disponível em: <http://blogueirasnegras.org/tag/mulheres/> Acesso em: 31 de
mar. 2016.
Imagem 10. Disponível em: <https://www.hrw.org/topic/womens-rights> Acesso em: 31 de
mar. 2016.
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COMPETÊNCIA DE ÁREA 4 — ENTENDER AS TRANSFORMAÇÕES TÉCNICAS E
TECNOLÓGICAS E SEU IMPACTO NOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO, NO DESEN-
VOLVIMENTO DO CONHECIMENTO E NA VIDA SOCIAL.
Ayrton Adilson Barbosa Ferreira da Silva Alves (ayrtonadilson@gmail.com)
Jhon Lennon de Jesus Ferreira (jhonjesus5@gmail.com)
Wendna Mayse Amorim Chaves (mayseamorim@hotmail.com)
Imagem 1. A agricultura tradicional foi o
tipo original de agricultura, e tem sido pra-
ticada há milhares de anos. Imagem 01. Dis-
ponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/
Agronomy> Acesso em: 30 de mar. 2016.
Imagem 2. Campo de batata monoculti-
vado. Disponível em: <https://
en.wikipedia.org/wiki/Monoculture> Acesso
em: 30 de mar. 2016.
Imagem 03. Disponível em: <http://
portaldoprofessor.mec.gov.br/
fichaTecnicaAula.html?aula=6334>Acesso em:
O início da agricultura ocorreu no perí-
odo neolítico cerca de 4.000 anos antes
de Cristo. Esse momento ficou conheci-
do como revolução neolítica ou revolu-
ção agrícola. A partir desse ponto co-
meçou a transição do nomadismo para o
sedentarismo, ou seja, o homem come-
çou a se fixar em um lugar, construir
melhores habitações, se dedicar à agri-
cultura e à fabricação de instrumentos
de bronze e prata. Devido essa mudan-
ça ter ocorrido antes da invenção da es-
crita
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não é possível saber exatamente o momento em que isso ocorreu, contudo, as datas são
calculadas a partir dos instrumentos agrícolas encontrados. A diversidade de técnicas im-
plantadas ao longo de 6.000 anos a agricultura permitiram o desenvolvimento desta nas
mais diversas partes do mundo, contribuindo para a criação de represas e canais que pos-
sibilitaram o aumento das zonas de produção, além dos novos sistemas de produção co-
mo o sistema de rotação de culturas na Idade Média, que permitiu uma reutilização mais
eficiente da terra.
O início da Revolução Industrial (1760) foi essencial para modernização dos pro-
cesso alimentícios. Produtos enlatados, utilização de máquinas na colheita e a monocultu-
ra tomaram a ordem do dia, a produção tornou-se cada vez mais rápida e quantitativa.
Vender era o foco principal e isso consumiu ainda mais da força dos camponeses como
também da terra.
CRESCENTE FÉRTIL é o nome dado a uma região
do Oriente Médio, historicamente habitada por diver-
sos povos e civilizações desde os mais primitivos está-
gios de evolução do homem moderno. Seu nome deri-
va precisamente do fato dessa região, em forma de lua
crescente, ser extremamente propícia à agricultura,
literalmente "rasgando" áreas desérticas completamen-
te inóspitas, impróprias para povoamento constante e
estável. (Imagem 4).Adaptado de: <http://
www.infoescola.com/geografia/crescente-fertil/>
ROTAÇÃO TRIENAL DE CULTURAS
A rotação trienal de culturas foi
uma técnica
de agricultura praticada na Idade
Média. Consistia em dividir um
campo de cultivo em três partes,
utilizando-as para diferentes cultu-
ras de forma rotativa para melhor
aproveitamento do solo. (Imagem
5).
Adaptado de: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Rota%C3%A7%C3%A3o_trienal_de_culturas>
Acesso em: 30 mar. 2016
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Com a Revolução Verde houve uma explosão na produção de alimentos, as plantações
tinham a adição de fertilizantes industriais, mecanização, utilização de pesticidas e herbicida
em larga escala. Essas medidas levaram a uma explosão na produção de alimentos. O princi-
pal idealizador do projeto, Norman Borlaug ganhou o premio Nobel da paz pelos seus esfor-
ços na luta contra a fome, entretanto, nem tudo saiu como planejado, pois, alguns problemas
começaram a surgir com mais frequência. O uso de pesticidas matou grande parte das pragas
mas, com o passar do tempo, elas se tornaram mais resistentes. Além disso, é importante
considerar a grande quantidade de veneno que ingerimos diretamente ao consumir alimentos
tratados com produtos químicos.
É nesse contexto que os movimentos ambientalistas vão se impor contra os agrotóxi-
cos e os alimentos transgênicos, exigindo uma alimentação com menos quantidade de agro-
tóxicos, incentivando a agricultura orgânica e boicotando os alimentos transgênicos, além de
protestar contra a expansão da monocultura.
Imagem 6. Uso de pesticidas em planta-
ção. Disponível em: <http://
plumaslibres.com.mx/2015/03/21/oms-
califica-a-cinco-pesticidas-como-
cancerigenos-son-muy-utilizados/> Aces-
O que é a agricultura orgânica?
São sistemas sustentáveis de agricultura que
não permitem o uso de produtos químicos
sintéticos prejudiciais para a saúde humana
e para o meio ambiente, tais como cer-
tos fertilizantes e agrotóxicos sintéticos,
nem de organismos geneticamente modifica-
dos. (Imagem 7). Adaptado de: <https://
pt.wikipedia.org/wiki/Agricultura_org%C3%
A2nica> Acesso em 30 mar. 2016
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TEXTO PARA REFLEXÃO
UM POUCO DE LITERATURA...
O romance ―Usina‖ de José Lins do
Rego retrata uma sociedade onde as rela-
ções de poder eram baseadas em relações
pessoais, tais quais: a endogamia, a especia-
lização regional das condições de vida, de
habitação e de dieta; além das restrições so-
ciais às relações sexuais. Sociedade regida
pelos rígidos códigos da consanguinidade e
ameaçada no inicio do século XX (décadas
de 20 e 40) pela dissolução das hierarquias
tradicionais de classe, de raça e de sexo.
Nesse período, a democratização da socie-
dade, assim como da política brasileira, de-
sestabilizaram as relações de poder da anti-
ga aristocracia local, proporcionando o sur-
gimento de novos grupos sociais (comerciantes, industriais, operários, a classe média) que,
ao emergirem do processo de modernização da sociedade, proporcionaram a alteração de
suas relações sociais, culturais, econômicas, de trabalho e de gênero, colaborando, assim,
com o surgimento de uma sociedade de indivíduos que passavam a possuir direitos e deve-
res, desligados das relações definidas como hierarquicamente superior.
Neste ínterim o romance nos mostra a utopia de se restituir um mundo que ficou
para trás. E por não poder revivê-lo, vemos a narrativa como ―uma forma de vingança con-
tra aqueles que levaram a dissolução das relações sociais tradicionais‖. Por isso José Lins
espalha em suas páginas dor, doença, melancolia, aleijões, tristezas, loucuras
(ALBUQUERQUE JR, 1999: 131).
(Texto adaptado: DALAVALLE, I; MATOSO, R. O. A importância da preser-
vação da memória por meio dos museus. Akrópolis, Umuarama, v. 18, n. 3, p. 237-242,
jul./set. 2010. Disponível em: <file:///C:/Users/Brunno/Downloads/3188-10476-1-PB.pdf>
Acesso em: 30/03/16).
Usina é o antepenúltimo livro do "Ciclo da cana-
de-açúcar" do escritor brasileiro José Lins do
Rego, seguido por Fogo Morto. (Imagem 8). Dis-
ponível em: <https://www.google.com.br/search?
sa=X&biw=1366&bih=623&q=Usina+(livro)
&stick=H4sIAAAAAAAAAONgFuLRT9c3NEr
KLUnLzjVU4gbzjAorK8tStHic8vOzgzNTUssT
K4sBozPD2ysAAAA&ved=0ahUKEwiB05-
ogOzLAhXMkZAKHer3D9cQxA0IcjAQ Aces-
so em: 31/03/16.
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O romance ―Usina‖, pode ser tomado como a narrativa de um processo de destrui-
ção, e ao mesmo tempo, um esforço de reconstrução de seu espaço interior e exterior a par-
tir de fragmentos de vida que não mais existem. (Adaptado de: http://www.seer.ufu.br/
index.php/neguem/article/view/13599/15331 Caderno Espaço Feminino - Uberlândia-MG -
v. 27, n. 1 - Jan/Jun. 2014 – ISSN online 1981-3082).
TEXTO DE APOIO
―O HOMEM É AQUILO QUE COME‖: ALIMENTAÇÃO MODERNA E PRODUTOS
TRANSGÊNICOS
Você já se perguntou o que significa a letra ―T‖ dentro de um triângulo presente nas embala-
gens de produtos industrializados? Por acaso, você tem o hábito de ler as embalagens para saber de
quais ingredientes determinado alimento é constituído? No supermercado, você é capaz de identifi-
car quais produtos foram feitos a partir de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados)? O
consumidor pode não saber, mas a letra ―T‖ ilustrada na figura 1 é utilizada para indicar os produ-
tos geneticamente modificados, ou seja, os alimentos transgênicos.
Apesar de todas as informações contidas em rótulos de alimentos, o consumidor final sente-
se inseguro em relação ao produto, mesmo contando com várias regulamentações que controlam e
determinam que tipo de produto está sendo vendido. Isso acontece porque alguns consumidores
não se sentem esclarecidos sobre as informações contidas em rótulos que, em sua maioria, são fa-
bricados em outro idioma ou, até mesmo pelo fato de se tratar de ingredientes desconhecidos por
quem consome.
A rotulação exigida nas embalagens de alimentos transgênicos é necessária para que quem o
consome tenha consciência do tipo de alimento que está ingerindo. Alguns cientistas, ambientalistas
e até mesmo críticos desse processo defendem a divulgação do rótulo contendo o símbolo do trans-
gênico para que o consumidor tenha a liberdade de escolher que tipo de produto pretende comprar.
Após o crescimento gigantesco da produção agrícola no Brasil, principalmente a partir da década de
1970/80, quando a tecnologia desenvolvida deu as bases para o crescimento industrial, muitos dos
alimentos consumidos passaram a ser oriundos desse setor.
Imagem 9. Disponível em: >>http://
www.oquevocefezpeloplanetahoje.com.
br/tag/alimentos-transgenicos/<< Aces-
so em: 29/03/16.
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Para incentivar o aceleramento da produção e diversificar cada vez mais a quantidade
de produtos, as industrias contaram não apenas com o desenvolvimento de técnicas para a
agricultura, como também com a área da ciência genética que possibilitou o uso de semen-
tes resistentes a pragas, sem necessariamente ter que ser utilizados agrotóxicos ou pestici-
das.
Se de um lado há quem discorde do uso de sementes geneticamente modificadas por
acreditar que os transgênicos não são seguros para o uso humano e animal, levam ao aumen-
to da utilização de pesticidas e causam danos ao meio ambiente, por outro, há quem defen-
da o poder potencializador desses grãos e argumentam, ainda, que a agricultura feita a partir
desse processo pode produzir alimentos suficientes para erradicar a fome do mundo.
O Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades geneti-
camente modificadas de grãos e fibras do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.
Contudo, é também o país que mais utiliza agrotóxicos na produção alimentar. Dentre esses
grãos, destacam-se soja, milho, feijão, mamão papaia, laranja-pêra e algodão. Também
ocorreram modificações em alimentos como o tomate — agora com maior durabilidade —-
e na batata, mais resistente a pragas.
Segundo Anderson Galvão, representante do ISAA (International Service for the Ac-
quisition of Agri-biotech Applications) no Brasil, ―os transgênicos permitiram a intensifica-
ção da produção global e, principalmente, brasileira, contribuindo para evitar que a agricul-
tura disputasse área com reservas de biodiversidade nos 27 países em que são cultivados".
(Adaptado de <http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2014/02/brasil-e-o-2-pais-que-
mais-cultiva-transgenicos-diz-estudo.html> Acesso em: 31/03/16.)
VOCÊ SABIA?
Símbolo que identifica alimentos transgênicos pode ser
extinto. Projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputa-
dos e à espera de votação no Senado altera a apresenta-
ção de produtos alimentícios, retirando a letra que indica
a presença de transgênicos. Imagem 10.
Disponível em: >>http://www.correiobraziliense.com.br/app/
noticia/cidades/2015/06/08/interna_cidadesdf,485816/simbolo-que-
identifica-alimentos-transgenicos-pode-ser-extinto.shtml<< Acesso
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A alimentação moderna tem contado com o ―aperfeiçoamento‖ de grãos e de outros
alimentos para beneficiar a população sempre diante de gigantescas vitrines que os seduzem
para o consumo acelerado de produtos industrializados, que acarretam problemas à saúde
devido à quantidade de química que fazem parte de sua composição. A globalização, junta-
mente com a modernização do setor agrícola, possibilitou o aumento e aparecimento de res-
taurantes e indústrias que oferecem uma variedade de pratos suculentos e deliciosos, muitos
deles prejudiciais ao organismo humano, como também até mesmo ao meio ambiente. São
alimentos enlatados, plastificados, sempre envoltos de alguma embalagem que, além de ex-
trair da natureza matéria-prima para sua fabricação, muitos deles passam pelo processo de
produção que faz uso massivo de produtos químicos.
No tocante à agricultura familiar, de subsistência, o pequeno agricultor para manter
sua produção necessita de pequenos empréstimos ou de alguma assistência do governo atra-
vés de programas sociais. Neste caso, os programas de assistência social, principalmente os
de distribuição de grãos, utilizam sementes geneticamente modificadas, o que obriga o ho-
mem do campo a fazer uso desse produto, transformando, assim, sua alimentação.
O que são alimentos transgênicos? São frutos de modificações embrionárias realizadas
em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de uma outra espécie. Alguns dos
motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas
(insetos, fungos, vírus e bactérias), agrotóxicos e herbicidas.
Disponível em: <http://pt.slideshare.net/DavidMoreiraPerry/alimentos-transgnicos-enfermagem-david-
moreira > Acesso em: 29/03/16.
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46
APRENDA FAZENDO
QUESTÃO 04 — ENEM 2015 CADERNO AZUL
Na charge há uma crítica ao processo produtivo agrícola brasileiro relacionada ao
A) elevado preço das mercadorias no comércio.
B) aumento da demanda por produtos naturais.
C) crescimento da produção de alimentos.
D) hábito de adquirir derivados industriais.
E) uso de agrotóxicos nas plantações.
QUESTÃO 37 — ENEM 2011 CADERNO AZUL
No Estado de São Paulo, a mecanização da colheita de cana-de-açúcar tem sido induzi-
da também pela legislação ambiental que proíbe a realização de queimadas em áreas
próximas aos centros urbanos. Na região de Ribeirão Preto, principal polo sucroalcoo-
leiro do país, a mecanização da colheita já é realizada em 516 mil dos 1,3 milhão de
hectares cultivados com cana-de-açúcar.
BALSADI, O. et al. Transformações Tecnológicas e a força de trabalho na agricultura
brasileira no período de 1990-2000. Revista de Economia Agrícola. V. 49 (1), 2002.
O texto aborda duas questões, uma ambiental e outra socioeconômica que integram o
processo de modernização da produção canavieira. Em torno da associação entre elas,
uma mudança decorrente desse processo é a
A) perda de nutrientes do solo devido à utilização constate de máquinas.
B) eficiência e racionalidade no plantio com maior produtividade na colheita.
C) ampliação da oferta de empregos nesse tipo de ambiente produtivo.
D) menor compactação do solo pelo uso de maquinário agrícola de porte.
E) poluição do ar pelo consumo de combustíveis fósseis pelas máquinas.
Imagem 11. Disponível em: <http://www.arionaurocartuns.com.br/charge_alimentos.shtml> Acesso
em 30/03/16.
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SAIBA MAIS
Neste vídeo, o JC Debate discute uma mudança
aprovada na Câmara dos Deputados que acaba
com a obrigatoriedade dos fabricantes de ali-
mentos transgênicos a colocarem um selo com
um "T" nas embalagens. Tempo de duração: 30
minutos e 46 segundos.
Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=AIahJ3LEdB8> Acesso em: 30/03/16.
O TRAMAS (Trabalho, Meio Ambiente e Saú-
de) vem desde 1996 construindo o Núcleo en-
quanto um espaço de encontro, formação e prá-
xis de pessoas que comungam o desejo de dedi-
car-se a processos históricos de emancipação
humana e social a partir da Universidade. Tem
como foco as inter-relações entre Produção,
Trabalho, Ambiente e Saúde, abordadas numa
perspectiva crítica no contexto da civilização do
capital.
Disponível em: <http://www.tramas.ufc.br/?
O Veneno Está na Mesa, documentário do cine-
asta Silvio Tendler, traz o relato de especialis-
tas e agricultores e coloca em xeque o atual
modelo de produção de alimentos. O fato de o
Brasil ser um dos maiores consumidores de
agrotóxicos motivou-o a falar sobre o tema.
Disponível em: <http://despertarcoletivo.com/
o-veneno-esta-na-mesa/> Acesso em: 30/03/16.
O livro Primavera Silenciosa, publicado em
outubro de 1962 pela bióloga norte- americana
Rachel Carson, aborda os perigos que os pesti-
cidas sintéticos oferecem tanto para a natureza
como para os seres humanos. É considerada
uma referência da ética ambiental, por incenti-
var todas as gerações a reavaliarem a sua rela-
ção com a natureza e a repensarem a utilização
desenfreada de produtos químicos. Disponível
em: <https://
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RESPOSTAS COMENTADAS
QUESTÃO 04 — ENEM 2015 CADERNO AZUL
A charge ilustra de forma bem humorada a preocupação com a utilização de agrotóxicos
no campo brasileiro. Nos últimos anos tem sido progressivo o uso de fertilizantes, adubos
químicos e uso de pesticidas no Brasil, com o objetivo de aumentar a produtividade, a
despeito dos prejuízos que tais substancias podem causar à saúde humana. Produtos agrí-
colas como pimentão, alface e morango estão entre os campeões no uso desses produtos.
(Adaptado de: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e-correcoes/2015/acompanhe-a-
correcao-comentada-do-enem-2015/#amarela-1-41> Acesso em: 30/03/16).
ALTERNATIVA CORRETA: Letra E
QUESTÃO 37 — ENEM 2011 CADERNO AZUL
A racionalização da produção com as restrições impostas às queimadas, além de assegurar
à produção sustentabilidade ambiental, possibilita o aproveitamento das folhas e do baga-
ço da cana.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra B
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REFERÊNCIAS
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quim Nabuco e Ed. Massangana; São Paulo: Cortez, 1999.
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DALAVALLE, I; MATOSO, R. O. A importância da preservação da memória por meio
dos museus. Akrópolis, Umuarama, v. 18, n. 3, 2010.
REGO, José Lins do. Usina. 12. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
SITES CONSULTADOS
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10476-1-PB.pdf> Acesso em: 30/03/16).
Resumo sobre o livro ―Usina‖. (Adaptado de: <http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/
article/view/13599/15331> Acesso em 30/03/16. Caderno Espaço Feminino - Uberlândia-
MG - v. 27, n. 1 - Jan/Jun. 2014 – ISSN online 1981-3082).
Documentário 1: JC Debate. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?
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Imagem 3 — Seres humanos sedentarizados. Disponível em: <http://
portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=6334>Acesso em: 30 de mar.
2016.
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Imagem 4 — Crescente fértil. Disponível em: <http://www.infoescola.com/geografia/
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Imagem 5 — Rotação trienal de culturas. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/
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Imagem 6 — Uso de pesticidas em plantação. Disponível em: <http://
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muy-utilizados/> Acesso em: 31 de mar. 2016.
Imagem 7 — O que é a agricultura orgânica? Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/
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Imagem 8 — Usina. Disponível em: <https://www.google.com.br/search?
sa=X&biw=1366&bih=623&q=Usina+(livro)
&stick=H4sIAAAAAAAAAONgFuLRT9c3NErKLUnLzjVU4gbzjAorK8tStHic8vOzgzN
TUssTK4sBozPD2ysAAAA&ved=0ahUKEwiB05-
ogOzLAhXMkZAKHer3D9cQxA0IcjAQ Acesso em: 31/03/16.
Imagem 9 — Símbolo transgênico. Disponível em: >>http://
www.oquevocefezpeloplanetahoje.com.br/tag/alimentos-transgenicos/<< Acesso em:
29/03/16.
Imagem 10 — Alimento transgênico. Disponível em: >>http://
www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/06/08/interna_cidadesdf,485816/
simbolo-que-identifica-alimentos-transgenicos-pode-ser-extinto.shtml<< Acesso em:
29/03/16.
Imagem 11 — Charge. Disponível em: <http://www.arionaurocartuns.com.br/
charge_alimentos.shtml> Acesso em 30/03/16.
Texto adaptado de: <file:///C:/Users/Brunno/Downloads/3188-10476-1-PB.pdf> Acesso
em: 30/03/16).
Texto adaptado de: http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/13599/15331
Caderno Espaço Feminino - Uberlândia-MG - v. 27, n. 1 - Jan/Jun. 2014 – ISSN online
1981-3082).
Texto adaptado de: <http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2014/02/brasil-
e-o-2-pais-que-mais-cultiva-transgenicos-diz-estudo.html> Acesso em: 31/03/16.
Site: O TRAMAS (Trabalho, Meio Ambiente e Saúde) Disponível em: <http://
www.tramas.ufc.br/?page_id=66> Acesso em: 30/03/16.
Site: PDF - Primavera silenciosa. Disponível em: <https://
biowit.files.wordpress.com/2010/11/primavera_silenciosa_-_rachel_carson_-_pt.pdf >
Acesso em: 30/03/16.
Questão 04 ENEM (Comentário). Adaptado de: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e-
correcoes/2015/acompanhe-a-correcao-comentada-do-enem-2015/#amarela-1-41> Acesso
em: 30/03/16).
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Kézia Jaiane Porfírio da Silva ( keziajaiane@gmail.com)
Rayan Fernades Pereira (rayan.fernando.pereira.br@live.com)
Valber Nunes da Silva Mendes (valbermendes@live.com)
PARA COMEÇAR A HISTÓRIA
Atenas era uma cidade-estado grega que estava situada na parte central da Península da
Ática, a poucos quilômetros do mar Egeu. A história política dessa Pólis — como eram conhe-
cidas as cidades estado — passou por diversas transformações até chegar no cenário atual. Co-
mo entender essas mudanças dos problemas da antiguidade à atualidade? Veremos adiante.
Em um primeiro momento os atenienses foram governados por um rei (Monarquia) que
detinha grande poder e influência. Mas, com o tempo e por meio de guerras, este modelo foi
suplantado por uma oligarquia. Na oligarquia aqueles que eram ricos e bem-nascidos, ou seja,
os Eupátridas, governavam de acordo com seus interesses. Foi nesta época que a vida dos mais
pobres se tornou bem difícil: A escassez de terras
férteis, que estavam sob a posse dos governantes,
somada a um surto de crescimento populacional em-
pobreceu ainda mais grande parte da população. Fo-
me e escravidão por dividas eram constantes.
Escravizados, enfrentando dificuldades agrá-
rias e comandados por ricos que não se importavam
com eles, os atenienses apoiaram uma mudança na
forma de governo. Pisístrato tomou o poder da mão
dos aristocratas e assumiu ―o trono‖ como um tira-
no. O primeiro tirano governou visando melhorar a
vida da população, mas seus sucessores foram mani-
pulados pelos Eupátridas, o que gerou um clima de
insatisfação entre várias camadas sociais. Revoltado, o povo tomou o poder. É nesse contexto
em que a democracia surgiu. A democracia é uma forma de governo onde os cidadãos partici-
pam, direta ou indiretamente, das decisões políticas. A democracia ateniense era direta: A po-
pulação era livre
Imagem 1 disponível em: <
http://4.bp.blogspot.com/-KzqoVUfFV1E/
UUXz9j0ejaI/AAAAAAAAAFI/nTL-
XbgZALA/s1600/hh.jpg > Acesso em: 1 de
COMPETÊNCIA DE ÁREA 5: UTILIZAR OS CONHECIMENTOS HISTÓRICOS PARA
COMPREENDER E VALORIZAR OS FUNDAMENTOS DA CIDADANIA E DA DEMO-
CRACIA, FAVORECENDO UMA ATUAÇÃO CONSCIENTE DO INDIVÍDUO
NA SOCIEDADE.
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para votar e discutir todo e qualquer tipo de proposta que fosse apresentada na Ágora. Por um
lado, só quem poderia votar eram os homens maiores de vinte e um anos. As mulheres, crianças,
escravos e estrangeiros não possuíam qualquer poder ou influência.
Apesar dos limites que vimos, estabeleceram-se na Grécia as bases para o sistema político
ocidental, baseado na Democracia Representativa. A partir dela, o povo exprime sua vontade
elegendo, através do voto, representantes para tomar as decisões em favor da maioria. Por isso
que o voto deve ser universal: para que todos os cidadãos possam exprimir a sua vontade, colo-
cando alguém capacitado que o represente. No entanto, parte significativa da população tem ven-
dido seu direito de escolha e decisão por barganhas e favores. Isto faz com que os políticos que
assumem o poder descumpram a confiança depositada através do voto e, ao invés de representar
o povo e a maioria, legislem em benefício próprio.
Foi o que aconteceu, por exemplo, nos últimos anos na Grécia. Há muitos anos o governo
grego gastou mais do que tinha, ano após ano as dívidas contraídas foram superiores ao montante
que havia sido arrecadado com os impostos. Assim, a situação foi ficando cada vez pior e a saída
encontrada pelas autoridades foi realizar empréstimos para quitar os débitos. A cada empréstimo
realizado, uma nova dívida era contraída e os gastos não eram controlados.
Podemos perceber que neste momento a população não participou das decisões, pois eram
os representantes, eleitos pelo povo, quem as tomavam. Resultado: em 2008, quando a crise imo-
biliária dos EUA afetou a economia mundial e os juros dispararam, os bancos que emprestaram
dinheiro a Grécia, começaram a cobrar, e caro.
A Troika (uma associação financeira formada pelo FMI, Banco Central Europeu e Comis-
são Europeia) ainda concordou em continuar emprestando somas bilionárias desde que o primei-
ro ministro grego tomasse medidas de ajuste econômico e fiscal. De início, exigiram que fossem
feitas reformas na previdência, depois afirmaram que seria necessário legalizar as demissões em
massa, cortar gastos com programas sociais e aumentar os impostos.
Toda essa situação gerou uma crise sem precedentes, eis alguns pontos mais alarmantes desta
situação:
 O desemprego chegou a 26%. Entre os mais jovens essa taxa era de 60%;
 Estima-se que 800 mil gregos não tinham acesso a serviços médicos;
 Centenas de empresas declararam falência em todas as regiões do país;
A população mais pobre, foi a que mais sofreu com esta realidade. Em desespero, e bus-
cando uma alternativa, nas eleições, escolheram outro governo para o poder em 2015,
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Alexis Tsipras venceu as eleições com a missão de pôr fim ao ajuste fiscal e propor melhores condi-
ções sociais para a população. No entanto, o cenário não era favorável: os índices da dívida chegaram
a 177% do PIB nacional, isto é, se tudo que fosse produzido no país fosse destinado ao pagamento da
dívida ainda assim não seria possível saná-la.
Diante deste impasse, o primeiro mi-
nistro convocou um referendo (participação
direta do povo, para confirmar ou rejeitar
alguma medida do governo) para saber a
opinião da população. A questão era se o
país devia ou não aceitar as condições im-
postas pela Troika para pagamento da dúvi-
da, No dia 15 de julho de 2015 os gregos
disseram ―não‖ ao capital financeiro que
queria interferir diretamente na soberania
popular. Naquele ano os gregos lutaram,
assim como haviam lutado na antiguidade,
pelo direito de decidirem o que é melhor
para sua nação.
Atualmente, a Grécia está encami-
nhando uma recuperação que perpassa todos os setores. Ao passo que, a permanência no bloco da
União Europeia impõe regras para esse novo momento de reajuste da sociedade, tendo em vista que a
Troika exerce a função de controle econômico aos países pertencentes ao bloco, isto é, a batalha dos
gregos ainda continua ganhando novos capítulos em relação ao capital transnacional e financeiro das
elites europeias.
TEXTO PARA REFLEXÃO
―Ditadura Militar Brasileira: Democracia ou Autoritarismo?‖
Democracia é um termo utilizado para designar uma forma de governo na qual o poder político
é praticado pelo povo através do voto ou sufrágio universal. Nesta forma de governo, o povo elege os
seus representantes que serão responsáveis por representa-los, tomando decisões importantes para o
benefício do todo. Por outro lado, o autoritarismo configura-se como sendo o oposto da democracia,
sendo que nesta outra forma de governo o poder é exercido de forma a impor seus ideais para um
conjunto de pessoas utilizando de coerção para leva-los à obediência ainda que por meio de mecanis-
mos de força.
Imagem 2 disponível em: < http://s2.glbimg.com/jQ-
YGS4HyMSZxG_iPmArju7fOu4=/e.glbimg.com/og/qed/f/
original/2015/07/05/grecia-comemoracao1.jpg Acesso em
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A partir das definições apresentadas é possível realizarmos uma breve análise de como o
poder político foi exercido no período intitulado de Ditadura Militar no Brasil. Para tal é preciso
compreendermos o que foi a ditadura? Quando ocorreu? E quem foram seus principais represen-
tantes? Essas são indagações básicas para entendermos esse momento da história política do
nosso país. A ditadura militar ou golpe de 64, como costuma ser retratada por muitos, foi um
movimento organizado em função da insatisfação com o poder político que estava em vigor, o
governo de João Goulart (1961-1964), o qual antes de assumir o poder executivo , foi o vice pre-
sidente do Jânio Quadros. Goulart ou Jango, assumiu uma posição de reformista que causou in-
quietações nos seus opositores conservadores e até mesmo nos EUA, os quais temiam que Jango
com suas ideias de reforma na economia e em outros setores da administração pública brasileira,
fosse responsável por desencadear um golpe comunista no país.
Fato é que essa desestabilidade política abriu caminho para a tomada do poder por um
grupo de militares no ano de 1964 estendendo-se até 1985. O primeiro militar eleito pelo Con-
gresso para assumir a presidência foi o Marechal Castelo Branco (1964-1967), na sequência vie-
ram, Costa e Silva (1967-1969), Governo da Junta Militar (de agosto de 1969 a outubro do mes-
mo ano), Médici (1969-1974), Geisel (1974-1979) e, encerrando o período de governo dos mili-
tares, Figueiredo (1979-1985). A princípio o Marechal Castelo Branco ascendeu ao poder com
um discurso democrático, entretanto, logo apareceu em seu governo os traços do autoritarismo
político, quadro este que pode ser percebido não apenas em seu período de gestão, mas foi uma
característica predominante em todo o regime militar brasileiro. As repressões, os mandados de
cassação aos opositores, as cenas de tortura que são por vezes relembradas, a censura, enfim, de
modo geral, isso foi o que caracterizou a ditadura militar no Brasil. Nesse sentido não podemos
afirmar que nesse momento histórico de nosso país tenha havido a presença da democracia, já
que por definição, esta, nada tem que ver com o modelo de governo descrito.
Imagem disponível em: <https://
www.google.com.br/search?
espv=2&rlz=1C1VFKB_enBR629BR629&
biw=1600&bih=731&tbm=isch&q=ditadur
a+militar+torturas&revid=1891585584&sa
=X&ved=0ahUKEwiP7YSQybTMAhUHh
ZAKHVRkBMcQ1QIIHA#imgrc=0jibxLS
K7tASpM%3A> Acesso em: 29/04/2016.
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TEXTO DE APOIO
Em tempos de crise econômica, qual a função da sociedade?
Naquele momento a Península Ibérica (Portugal e Espanha) se sol-
tava e se desprendia da Europa. Não fazia mais parte do velho continente. A rachadura, marcada pelo
traço feito por Joana Carda com seu cajado no solo, criava um abismo e deixava o monte dos Piri-
neus para trás. Os habitantes dessa jangada de pedra: Joana Carda, José Anaiço, Joaquim Sassa, Pe-
dro Orce, Maria Guavaira e até o cachorro Ardent, já haviam presenciado sinais que demonstravam
que muitas coisas estavam erradas. A fissura criada por Joana Carda com seu cajado, a qual não de-
saparecia; vários pássaros acompanhavam os caminhos de José Anaiço; a pedra lançada ao mar que
nunca afundava, mas que deslizava sobre a água e flutuava, também assustou Joaquim Sassa; Pedro
Orce sentiu abaixo de seus pés, o chão
tremer, que nem mesmo os aparelhos de
medição sismológica conseguiam sentir
essa vibração; o novelo de lã de Maria
Guavaira nunca acabava, se desenrolava
produzindo cada vez mais fios e o cão
Ardent, percebeu que abaixo de suas patas
uma fenda se abria. Esses sinais se con-
cretizaram: a separação da Ibéria havia se
consumado. Restaram esses aventureiros a
seguirem o caminho das marés que os leva-
vam a alguma nova parada, um novo ancoradouro, libertos do preconceito e do mal estar que domi-
nava o continente europeu desde os tempos medievais.
Por que trazer essa literatura produzida em 1986 para os dias de hoje? Qual a comparação
que podemos fazer com a Grécia e a Islândia? Por que o exemplo Ibérico da jangada de pedra, serve
para a situação destes países que se colocaram contrários à crise econômica?
Imagem 3 disponível em: < http://livraria.folha.com.br/livros/literatura-
portuguesa/jangada-pedra-edi-bolso-jos-saramago-1020097.html >
Acesso em 29 de Abril de 2016.
José Saramago foi um escritor português, que em 1986, publicou o
romance A Jangada de Pedra como forma de criticar a inserção dos
países ibéricos, isto é, Portugal e Espanha, no bloco econômico da Uni-
ão Europeia. Para este autor, estes países deveriam gerir suas próprias
economias, portanto, não se submeter às imposições vindas de outros
Imagem (4) do filme, a Jangada de Pedra. Disponível em: <
http://www.culturafnac.pt/?attachment_id=122436 > Aces-
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
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Para entender o que José Saramago critica é preci-
so perceber que no momento em que ele escreve a obra, o
bloco econômico da União Europeia (UE) estava sendo
criado. Neste contexto, uma das características mais mar-
cantes da economia mundial era (e ainda é) o processo de
globalização, em outras palavras, as economias ficam in-
terligadas a partir de associações que são criadas entre os
países.
Aliás, o que isto tem a ver com os problemas atuais? A crise mundial no setor imo-
biliário estadunidense em 2008 detonou uma cadeia de outras crises. E a Europa adentrou
em um período de recessão. As economias europeias, de um modo ou de outro, sentiram os
impactos pela falta de investimentos e recursos. Nesta dinâmica regional, as economias de
menor porte, como por exemplo, Portugal, Espanha, Islândia e Grécia vivenciaram diversos
problemas. Assim como na jangada de pedra de José Saramago, em que vários sinais come-
çaram a surgir para indicar que algo estava errado.
Pela Europa os sinais da recessão econômica fo-
ram sendo ativados.
No caso da Grécia, a contração de empréstimos à
Troika (FMI — Fundo Monetário Internacional, o
BCE — Banco Central Europeu e a Comunidade
Europeia) levou o país a um endividamento in-
controlável, que correspondia em 2015, cerca de
177% do PIB — Produto Interno Bruto. Neste
mesmo ano, os líderes europeus encaminharam
medidas para que o povo grego pagasse esta dívi-
da. A população se organizou, foi às ruas, exigiu que o governo não se responsabilizasse
com a dívida externa mas sobretudo, com a sociedade grega, e através de um plebiscito dis-
se não ao pagamento das dívidas.
Imagem (5). Conheça mais sobre a
UE, no link: < http://europa.eu/
index_pt.htm > Acesso em 26 de
Imagem 6 disponível em: http://
pinderico.blogspot.com.br/2015/02/a-crise-grega
-em-imagens.html . Acesso em 29 de Abril de
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
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Um caso semelhante aconteceu na Islândia. Em troca do auxílio financeiro no enfrentamento
da crise, a Islândia deveria seguir à risca as medidas de austeridade impostas pelo FMI e pela União
Europeia. A população levaria quinze anos para quitar a dívida. Não aceitando esta situação, a popu-
lação contrária à proposta do governo, rechaçou as medidas, e através de um referendo, promoveu
mudanças políticas que garantiram à estabilidade econômica. Essas ações populares fizeram com
que estes países, Grécia e Islândia fossem na contramão da crise econômica da União Euro-
peia.
―O poder do povo‖ fez com que a Islândia não entrasse em recessão econômica.
Disponível em: < http://www.carosamigos.com.br/index.php/economia/5562-
islandia-ja-prendeu-26-banqueiros-e-financistas-por-crise-de-2008 > Acesso em 27
de Abril de 2016.
―Parar a opressão‖; ―Parar a Corrupção‖. Eram as palavras dos islandeses durante
protesto. Disponível em: < http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/24823/
islandia+mostrou+o+caminho+ao+rechacar+a+austeridade.shtml > Acesso em 27
de Abril de 2016.
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APRENDA FAZENDO
ENEM 2015
O que implica o sistema da pólis é uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos
os outros instrumentos do poder. A palavra constitui o debate contraditório, a discussão, a
argumentação e a polêmica. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim como do jogo políti-
co.
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand, 1992
(adaptado).
Na configuração política da democracia grega, em especial a ateniense, a ágora tinha a fun-
ção
a) agregar os cidadãos em torno de reis que governavam em prol da cidade.
b) permitir aos homens livres o acesso às decisões do Estado expostas por seus magistra-
dos.
c) constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para deliberar sobre as questões
da comunidade.
d) reunir os exércitos para decidir em assembleias fechadas os rumos a serem tomados
em caso de guerra.
e) congregar a comunidade para eleger representantes com direito a pronunciar-se em
assembleias.
ENEM - 2010
Ato Institucional nº 5
Art. 10 - Fica suspensa a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos, contra a
segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular.
Art. 11 – Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com
este Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
Disponível em: http://www.senado.gov.br. Acesso em: 29 jul. 2010.
Nos artigos do AI-5 selecionados, o governo militar procurou limitar a atuação do poder ju-
diciário, porque isso significava
a) a substituição da Constituição de 1967
b) o início do processo de distensão política
c) a garantia legal para o autoritarismo dos juízes.
d) a ampliação dos poderes nas mãos do Executivo.
e) a revogação dos instrumentos jurídicos implantados durante o regime militar de 1964
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DOCUMENTÁRIO ―CATASTROIKA:
a privatização da democracia‖.
O documentário Catastroika, demonstra como o go-
verno grego foi adentrando em um período de recessão
econômica, e as graves implicações que isto ocasionou
para a população, bem como foi a partir da mobiliza-
ção da sociedade que as reformas de austeridade foram
rejeitadas.
Disponível em: < https://www.youtube.com/
watch?v=Qam7h1jMIwI > Acesso em 28 de
Março de 2016.
LIVRO A JANGADA DE PEDRA.
A Jangada de Pedra foi lançado em 1986, e colocou
na metáfora da separação dos países ibéricos, uma
discussão presente naquele contexto, tendo vista que
Portugal e Espanha estavam se articulando para entrar
no bloco econômico da União Europeia. A visão críti-
ca do autor, coloca em discussão essa forma de junção
econômica, e os prejuízos que os países menores so-
frem devido a esta união.
Livros
que é ditadura? E democracia? Quais são
as diferenças entre uma e outra? Pensando nisso, a
Boitempo Editorial traz ao público infanto juvenil a
coleção Livros para o Amanhã, composta de quatro
livros: A democracia pode ser assim; A ditadura é as-
sim; O que são classes sociais?; e As mulheres e os
homens. “
Disponível em < http://
www.plataformadoletramento.org.br/em-
revista/1007/livros-para-o-amanha-
democracia-e-ditadura.html > Acesoe em
10/09/2016.
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ENEM 2015
―Na concepção urbanística dos antigos gregos, a ágora era a praça central da pólis, na qual se
reuniam os cidadãos. No caso dos regimes democráticos, especialmente o ateniense, era ali
que a Eclésia (assembleia dos cidadãos) se reunia para decidir sobre os assuntos de interesse
público, o que configurava a prática da democracia direta.‖
(Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e-correcoes/2015/acompanhe-a-correcao-
comentada-do-enem-2015/index.htm?prova=azul&correcao=2#azul-1-28> )
ALTERNATIVA CORRETA: Letra ―C‖.
ENEM - 2010
A Ditadura Civil-Militar outorgada em 1964, teve a partir do Ato Institucional n° 5, um mai-
or acirramento das ações que pressionavam os grupos que se colocavam em oposição ao re-
gime ditatorial vigente. As perseguições passaram a ser mais contundentes, as torturas, a
censura e o clima de policiamento das ações sociais ocorriam sob o signo da violência, sob
uma ―justificativa‖ de combate ao comunismo. Ao mesmo tempo que, havia na conduta dos
generais-presidente, um alinhamento econômico às políticas liberais, abrindo espaço para
várias empresas estrangeiras em território nacional.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra ―D‖ .
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REFERÊNCIAS
IImagem 1. Disponível em: < http://4.bp.blogspot.com/-KzqoVUfFV1E/UUXz9j0ejaI/
AAAAAAAAAFI/nTL-XbgZALA/s1600/hh.jpg > Acesso em: 1 de Março de 2016.
Imagem 2. Disponível em: < http://s2.glbimg.com/jQ-YGS4HyMSZxG_iPmArju7fOu4=/
e.glbimg.com/og/qed/f/original/2015/07/05/grecia-comemoracao1.jpg Acesso em 1 de Abril
de 2016.
Imagem 3.Disponível em: < http://livraria.folha.com.br/livros/literatura-portuguesa/jangada-
pedra-edi-bolso-jos-saramago-1020097.html > Acesso em 29 de Março de 2016.
Imagem 4. Disponível em: http://pinderico.blogspot.com.br/2015/02/a-crise-grega-em-
imagens.html . Acesso em 29 de Março de 2016.
Artigos
SANTOS, Boaventura Sousa. Portugal diante da opção jangada de pedra. Disponível em: <
http://outraspalavras.net/posts/portugal-diante-da-opcao-jangada-de-pedra/ > Acesso em 27
de Março de 2016.
AMORIM, Claudia. Nas fissuras da península e do sujeito: A jangada de Pedra, de José Sa-
ramago. IPOTESI, Juiz de Fora. v.15, n.1, p.111-118, jan./jun. 2011. Disponível em: <
http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2012/03/14-fissuras.pdf > Acesso em 28 de Março de
2016.
MARTINS, Antônio. Grécia x Troika: confronto adiado. Disponível em: < http://
outraspalavras.net/posts/grecia-x-troika-confronto-adiado/ > Acesso em 29 de Março de
2016.
CALEIRO, João Pedro. 4 Gráficos para entender o tamanho da encrenca da Grécia. Disponí-
vel em: < http://exame.abril.com.br/economia/noticias/4-graficos-para-entender-o-tamanho-
da-encrenca-na-grecia > Acesso em 29 de Março de 2016.
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RODGERS, Lucy. STYLIANOU , Nassos. Em números: como a crise piorou a vida dos gre-
gos. Disponível em: < http://www.bbc.com/portuguese/
noticias/2015/07/150716_situacao_grecia_rb > Acesso em 30 de Março de 2016.
Significado de Democracia. Disponível em: < http://www.significados.com.br/democracia/
> Acesso em 30 de Março de 2016.
Diferença entre Referendo e Plebiscito. Disponível em: < http://www.infoescola.com/
direito/diferenca-entre-referendo-e-plebiscito/ > Acesso em 25 de Julho de 2016.
Vídeos
Crise da dívida grega. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?
v=rNZGVFhzbDM > Acesso em 28 de Março de 2016.
A crise da Grécia e a ascensão do Syriza. Disponível em: < https://www.youtube.com/
watch?v=8Sw4Efdblkc > Acesso em 28 de Março de 2016.
Catastroika: a privatização da democracia. Disponível em: < https://www.youtube.com/
watch?v=Qam7h1jMIwI > Acesso em 28 de Março de 2016.
Questão do Enem
Questão 28: Disponível em: < http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/
provas/2015/CAD_ENEM%202015_DIA%201_01_AZUL.pdf > Acesso em 27 de Julho de
2016.
Resposta comentada da questão 28 do Enem
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e-correcoes/2015/acompanhe-a-
correcao-comentada-do-enem-2015/index.htm?prova=azul&correcao=2#azul-1-28> Acesso
em: 27 de Julho de 2016.
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COMPETÊNCIA DE ÁREA 06— COMPREENDER A SOCIEDADE E A NATUREZA,
RECONHECENDO SUAS INTERAÇÕES NO ESPAÇO EM DIFERENTES CONTEXTOS
HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS.
Jean Lucas Cavalcanti (Jeanmarinhocavalcanti@outlook.com)
Larissa Albuquerque M. Almeida (larissaalmeida380@gmail.com)
Roberta dos Santos Araújo (roberetinhasantos92@hotmail.com)
PARA COMEÇAR A HISTÓRIA
O personagem Homer Simpson, no desenho anima-
do, trabalha em uma usina de energia nuclear. Ele
segura um pedaço de material radioativo, de uma
maneira totalmente irresponsável. < http://
www.taringa.net/comunidades/
impacientes/2310492/Homero-simpson-energia-
nuclear-responsable.html >. Acesso em 29/03/2016.
Réplica da bomba atômica de plutônio jogada em
Nagasaki, em agosto de 1945. A bomba destruiu a
cidade japonesa e finalizou a Segunda Guerra
Mundial, com a vitória dos EUA. < http://
historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/
hiroshima-e-nagasaki-bombas-e-terror.htm >.
Acesso em 29/03/2016.
Em uma entrevista encontrada no youtube ( < https://www.youtube.com/watch?
v=P0eaMvAHI_4> ) , vemos um homem visivelmente emocionado, com a voz trêmula e
com lágrimas nos olhos. Este homem é Robert Oppenheimer, o físico norte-americano
que alguns atrás, em 1942, dirigiu o Projeto Manhattan. O projeto tinha uma finalidade:
desenvolver duas poderosas bombas atômicas, altamente destrutivas, que levariam os Es-
tados Unidos a vencerem a Segunda Guerra Mundial. Robert Oppenheimer e sua equipe
conseguiram alcançar o objetivo, mas o mundo não seria mais o mesmo depois da explo-
são das duas bombas atômicas, nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
Na entrevista, Oppenheimer diz que, ao assistir a explosão das bombas atômicas,
lembrou-se do seguinte verso do livro sagrado indiano Baghawad-Gita: ―Agora, transfor-
mei-me na morte, a destruidora de mundos‖.
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Mas esse não é o começo, nem tampouco o fim da história. A destruição causada pelas
armas nucleares são o lado obscuro de uma descoberta que revolucionou a ciência e o pensa-
mento humano: o átomo. Vamos retornar a meados do século VI a.C. para começar a enten-
der esta história.
Desde a Grécia Antiga o homem buscava o conhe-
cimento do elemento fundamental, o bloco de construção
de todo o universo. Vários filósofos perderam o sono pro-
curando descobrir aquilo que seria o elemento primordial,
a base de tudo que existe. Eles discutiam, uns dizendo
que a água era o elemento primordial, outros que era o
fogo ou a terra. Empédocles reuniu estes quatros elemen-
tos e declarou que o universo possui exatamente quatro
raízes: água, terra, fogo e ar, e tudo que existe é constituí-
do por eles.
Este debate durou muito tempo. A pergunta é tão
complexa que a questão nunca seria resolvida . Até que o filósofo Leucipo surgiu com a ideia
de uma partícula base de todo o universo. Ele fundou a escola atomista, a qual seria desen-
volvida por outro importante filósofo, chamado Demócrito. Mas, no que acreditavam os ato-
mistas? Eles diziam que o Universo é constituído de duas coisas: os átomos e o vazio. Qual-
quer matéria, qualquer coisa, poderia ser dividida até um limite, onde se tornaria indivisível.
Esta partícula foi chamada de ÁTOMO, em grego, ― não divisível‖. Os atomistas acredita-
vam que todos os elementos da natureza seriam compostos por estas partículas indestrutíveis,
indivisíveis e infinitamente minúsculas.
A ideia do átomo mostrava-se bastante plausível, mas não havia a possibilidade real
de provar a sua existência. A ciência e a tecnologia ainda não haviam se desenvolvido o sufi-
ciente para comprovar a realidade do átomo, portanto ele só existia de fato na imaginação dos
filósofos. Mais tarde, a alquimia seria desenvolvida, e a ciência sobre os elementos da nature-
za seria baseada na magia e no esoterismo. Principalmente durante a Idade Média, os alqui-
mistas desejavam encontrar a tão sonhada pedra filosofal, que eles acreditavam ter o poder de
transformar qualquer metal em ouro, como também tornar a vida eterna.
Por muito tempo os filósofos e os
alquimistas acreditaram que todas o
universo era composto destes elemen-
tos. < https://
radaresoteri-
co.wordpress.com/2013/02/22/191/ >.
Acesso em 29/03/2016.
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Mais tarde, na Idade Moderna, os cientistas descobririam como transformar o átomo
de um elemento em um átomo de outro elemento. Seria a pedra filosofal dos alquimistas?
Talvez sim, apenas com a diferença de que o que os físicos Otto Hahn e Fritz Strassman fi-
zeram em 1938 foi romper um átomo de Urânio para encontrar partículas de um outro ele-
mento mais leve, o Bário. A descoberta de que o núcleo do átomo pode ser bombardeado e
literalmente rompido foi crucial para que as bombas atômicas pudessem ser construídas al-
guns anos depois. Mas continuemos a história da descoberta do átomo.
Só em 1905 a realidade do átomo foi finalmente aceita pela Física, a ciência que des-
de o século XVII buscava se estabelecer como ciência
moderna. Chegamos, então, à conclusão de que o áto-
mo é real. Mas quando se trata da história do átomo,
uma coisa é certa: À medida em que uma pergunta é
respondida, surgem outras milhares, mais e mais com-
plexas. Em 1911, Ernest Rutherford estabeleceu a com-
preensão moderna do átomo: um núcleo carregado po-
sitivamente em torno do qual circulam os elétrons, car-
regados negativamente. Para além disso, o átomo é qua-
se inteiramente espaço vazio.
Nessa época, os debates em torno das descober-
tas sobre o átomo eram intensos e polêmicos. A Física
Quântica dizia que o mundo subatômico tem suas próprias leis, totalmente desconhecidas
pela Física tradicional, e que para compreender o funcionamento do átomo e de suas partí-
culas é necessário repensar as leis que regem o universo.
Junto com as polêmicas, as descobertas avançavam. Em 1932, Chadwick descobriu
outra parte do átomo: os nêutrons. Esta partícula subatômica não possui carga elétrica. Tal
característica do nêutron está na base da descoberta de Otto e Fritz. Basicamente, estes cien-
tistas bombardearam o núcleo de um átomo de Urânio com um nêutron de outro átomo, fa-
zendo com que ele se partisse, liberando energia nesse processo. Esse procedimento é co-
nhecido como Fissão Nuclear. É com ele que o homem descobriu ser possível gerar energia
nuclear para abastecer uma cidade ou transformá-la em poeira radioativa com uma bomba
atômica no dia 6 de agosto de 1945.
Equipamento utilizado na primeira fissão atômica
da história. < https://
commons.wikimedia.org/wiki/
Fi-
le:Nuclear_Fission_Experimental_Appa
ratus_1938_-_Deutsches_Museum_-
_Munich.jpg >. Acesso em 29/03/2016.
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TEXTO PARA REFLEXÃO
As duas imagens acima ilustram dois dos maiores acidentes envolvendo a atividade
atômica: o desastre de Chernobil, na Ucrânia, onde um dos reatores da usina nuclear explodiu
e ocasionou um incêndio que espalhou partículas de radioatividade na atmosfera atingindo
boa parte da população da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS); e o
vazamento de Césio-137 na cidade de Goiânia, Goiás, em 1987. O material foi encontrado
em uma cápsula que estava nos escombros de um centro de radiologia desativado. Os dois
eventos se enquadram no histórico de acidentes ambientais causados pela ação direta do ho-
mem, em ambos os casos registrou-se prejuízos de ordem econômica, social e ambiental.
São notórios os benefícios que a atividade nuclear
trouxe para o homem. Contribui na medicina, no diagnostico
e tratamento de doenças como o câncer; a energia provenien-
te desta fonte é considerada a mais limpa, pois evita a emis-
são de gases responsáveis pelo efeito estufa; é usada para
esterilização de lixo orgânico e hospitalar, entre outros pon-
tos. Porém, quando ocorrem acidentes, estes são desastrosos
e, em certos casos, irreparáveis. A cidade de Chernobil é um
exemplo claro do lado obscuro da atividade atômica.
Imagens do desastre nuclear de Chernobil, Ucrânia.
https://
discrepanciadodesstino.files.wordpress.com/2011/12/
tumblr_lx1jrcxnkh1qfndy0o1_500.jpg . Acesso em 01 de
Imagens emblemáticas do acidente com Césio-137, Goiâ-
nia-GO.
Disponível em:<http://1.bp.blogspot.com/_yq591VLFI/
UFHLq8nJEeI/AAAAAAAAHzY/MckLbSr0UaE/s640/
C%25C3%25A9sio-137-300x226.jpg>Acesso em 01 de
CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971
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Em 26 de abril de 1986, há trinta anos atrás, a catástrofe da usina nuclear de Cher-
nobil entrou para a história. A radiação, espalhada após a explosão do reator 4 da Usina, fez
31 vitimas fatais, a cidade ficou impossibilitada para a habitação humana, a população foi
retirada dos arredores da usina e inúmeros foram os afetados pela radiação liberada pelo de-
sastre. Os prejuízos ambientais são incontáveis: a água foi contaminadas pelas partículas radi-
oativas, animais e plantas dizimadas pelas altas cargas de radiação, o solo foi altamente atin-
gido, a cadeia alimentar era um meio de propagação radioativa: animais produtores de lacticí-
nios se alimentavam de plantas do solo contaminado e, consequentemente os moradores con-
sumiam os lacticínios envenenados derivados destes animais e contraíram doenças. Hoje,
Chernobil é uma cidade fantasma.
No Brasil, o acidente radiológico de
Goiânia completará 29 anos em 2016, e ainda
hoje muitas são as preocupações e incertezas
em relação ao tratamento que é dado ao lixo
radioativo em nosso país. O episódios com o
Césio-137, que vitimou 4 pessoas e contami-
nou dezenas, é caracterizado por uma série de
falhas no manuseio e descarte de materiais
radioativos: o local onde a cápsula de Césio
foi encontrada mostra a negligência das autoridades competentes em fazer o descarte apropri-
ado do lixo. Outro problema foi o destino dos rejeitos provenientes das demolições das casas
e dos objetos onde foram identificados altos índices de radiação. Protestos e debates eclodi-
ram para que fosse proibido o depósito destes materiais no Estado de Goiânia, ao mesmo tem-
po em que outros Estados se levantavam contra a transferência deste material para o seu es-
paço.
Ambos os episódios servem para que possamos refletir: os benefícios da atividade atô-
mica superam os perigos aos quais estamos expostos em casos de acidentes como os que fo-
ram apontados acima? Existem políticas publicas viáveis e eficazes, em nosso país, para o
manuseio e descarte de lixo radioativo? Quase três décadas depois destes desastres continua-
mos a mercê de muitas duvidas. Movimentos em todo o mundo, após o acidente em Cher-
nobyl, reivindicavam o fim das usinas nucleares; Moradores de Goiânia protestaram para que
as vítimas não fossem sepultadas no cemitério da cidade, amedrontados pelo perigo da conta-
minação radioativa. Estamos preparados para correr os ricos da energia limpa?
<http:radioatividade3e.blogspot.com.br/2013/04minimizac
aodosefeitosdaradiacao.html> acesso em 30 /03/2016
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TEXTO DE APOIO
A Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Ano da letra: 1954; Ano da música: 1974. Letra: Vinícius de Morais. Música: Gerson Conrad. Vídeo
disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ryC5v65Gyrg
Durante a historia da humanidade pôde-se perceber que o mundo passou por vários conflitos
motivados por ocupação territorial e inclusive, vários desses conflitos causaram mudanças
no que se referem à localização dos países e continentes no Mapa Mundi. Um desses confli-
tos foi a Segunda Guerra Mundial, que ocorreu entre os anos de 1939 e 1945. Um dos princi-
pais motivos para o início da Guerra, foi o surgimento de governos totalitários com fortes
objetivos militaristas e expansionistas, na década de 1930. O marco que deu início ocorreu
em 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. Durante o desenrolar do conflito, vá-
rios países se envolveram de maneiras diferentes. Um desses países foi os Estados Unidos,
que teve influência bélica e que cedeu armamento pesado a França, a Inglaterra e a URSS
derrotando, assim, os países do Eixo ( Alemanha, Itália e Japão ). No desfecho da
Disponível em:<https://
discrepanciadodessti-
no.files.wordpress.com/2011/12/
tumblr_lx1jrcxnkh1qfndy0o1_500.jpg>
acesso em 01 de mai. de 2016.
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Da Segunda Guerra Mundial, houve uma demonstração nuclear estadunidense que detonou
uma bomba nuclear denominada de Little Boy (Pequeno Menino) sobre a cidade de Hiroshi-
ma. Vale ressaltar que esse ataque causou a morte de cerca de 250 mil pessoas, além de cau-
sar enfermidades como queimaduras, cegueira, surdez, cânceres, entre vários outros tipos de
doenças. O desastre não se resumiu apenas à perda de vidas e nem à saúde dos que sobrevi-
veram, mas também a desastres ambientais que trouxeram vários prejuízos à população, não
apenas da época: atingiu gerações posteriores as quais sofrem até os dias atuais.Foram chu-
vas ácidas que contaminaram rios, lagos e plantações, além de devastação de toda a vegeta-
ção.
APRENDA FAZENDO
Questão 1— ENEM (2011) PROVA AZUL
O acidente nuclear de Chernobyl revela brutalmente os limites dos pode-
res técnico-científicos da humanidade e as ―marchas-à-ré‖ que a ―natureza‖ nos pode reser-
var. É evidente que uma gestão mais coletiva se impõe para orientar as ciências sociais e as
técnicas em direção a finalidades humanas.
GUATTARI, F. As três ecologias. São Paulo: Papirus, 1995 (adaptado).
O texto trata do aparato técnico-científico e suas consequências para a
humanidade, propondo que esse desenvolvimento
A. Defina seus projetos a partir de interesses coletivos.
B. Guie-se por interesses econômicos , prescritos pela lógica do mercado.
C. Priorize a evolução da tecnologia, se apropriando da natureza.
D. Promova a separação entre natureza e sociedade tecnológica.
E. Tenha gestão própria, com o objetivos de melhor apropriação da natureza.
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Questão 2 — ENEM (2007) PROVA AMARELA
Um poeta habitante da cidade de Poços de Caldas - MG assim externou o que estava
acontecendo em sua cidade:
Hoje, o planalto de Poços de Caldas não
Serve mais. Minério acabou.
Só mancha, ―nunclemais‖.
Mas estão ―tapando os buracos‖, trazendo para cá ―Torta II‖.
Aquele lixo do vizinho que você não gostaria
de ver jogado no quintal da sua casa.
Sentimentos mil: o povo, do poeta e do Brasil.
Hugo Pontes. In? M.E.M Helene. A radioatividade e lixo nuclear. São
Paulo: Solpione, 2002, p. 4.
A indignação que o poeta expressa no verso ―Sentimentos mil: do povo, do poeta e do
Brasil‖ está relacionado com
A. A extinção do minério decorrente das medidas adotadas pela metrópole portuguesa
para explorar as riquezas minerais, especialmente de Minas Gerais.
B. A decisão tomada pelo governo brasileiro de receber lixo tóxico oriundo de países
do Cone Sul, o que caracteriza o chamado comércio internacional de lixo.
C. A atitude de moradores que residem em casas próximas umas das outras, quando um
deles joga lixo no quintal vizinho.
D. As chamadas operações tapa-buraco, desencadeadas com o objetivo de resolver pro-
blemas de manutenção das estradas que ligam cidades mineiras.
E. Os problemas ambientais que podem ser causados quando se escolhe um local para
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SAIBA MAIS
Revista
Quanta energia!
Esta publicação apresenta curiosidades sobre
a Energia Nuclear, e oferece um momento
de encontro e debate entre aqueles que produ-
zem, usufruem e vivem as consequências dos
mais diferentes usos criados a partir dessa
grande força contida em um mundo muito pe-
queno. (adaptado) Disponível em: <https://
www..casadaciencia.ufrj.br> acesso em 30 de
mar. 2016.
Filme
Césio 137: o pesadelo de Goiânia
Dirigido por Roberto Pires, o longa metragem
narra o maior acidente radiológico do Brasil,
o vazamento do Césio-137.
A trajetória dos catadores de lixo que encon-
traram a cápsula com o material, circulação
do material pela cidade de Goiânia e a trágica
morte dos indivíduos contaminados são abor-
dados na trama. Disponível em: <http//
m.youtube.com/watch?v=G9vaVoYK4i8>
acesso em:30 de mar. 2016
Documentário
O desastre de Chernobyl
O documentário mostra o desastre nuclear de
Chernobyl. O reator 4 da usina nuclear explo-
diu e em 26 de abril de 1986 e espalhou uma
enorme quantidade poeira radioativa pela
Ucrânia., no vídeo é possível ter uma noção
do que ocorreu na usina. Disponível em:
<http://m.youtube.com/watch?v=G9vaVoYk>
acesso em: 30 de mar. 2016
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RESPOSTAS COMENTADAS
Questão 1— ENEM (2011) PROVA AZUL
A questão 1, que dialoga diretamente com os textos desta competência, traz uma discussão
que merece atenção: os cuidados com a energia nuclear. Diante dos benefícios e malefícios
que esta energia pode oferecer, faz-se necessário uma gestão coletiva dos aparatos tecnoló-
gicos para que possam garantir mais segurança à sociedade em geral. Neste sentido, a alter-
nativa que mais se aproxima do questionamento posto na questão é a alternativa A.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra A
Questão 2 — ENEM (2007) PROVA AMARELA
Por meio de versos o poeta expressa a sua indignação com os problemas do meio ambiente
que são provenientes da eliminação inadequada do lixo tóxico. O acidente radioativo com o
Césio-137 é um exemplo claro do descaso, por parte dos governantes, com o material radio-
ativo em nosso país. O descarte aleatório deste tipo de lixo pode causar contaminação do
solo, das águas, complicações na saúde da população, dentre outros transtornos. Nesta ques-
tão, a alternativa correta é a letra E.
ALTERNATIVA CORRETA: Letra E
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REFERÊNCIAS
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(59), 2007. Disponível em: <http://google.scielo.br/pdf/ea/v21n59/a18v2159> acesso em 30
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MEDEIROS, Tharsila Reis De. Entraves ao Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear no
Brasil: Dos Primórdios da Era Atômica ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. 2005. 97 f.
Dissertação (Mestrado) - Cedeplar/ Ufmg, Belo Horizonte, Mg, 2005.
MELO, Gabriel Sousa. FAÇANHA, Iury dos Santos. O uso de energia: tragédia de Cher-
nobyl e a retomada do programa nuclear brasileiro. Disponível em: <http://www,fa7.edu.br/
recursos/imagens/files/direito/ic/v_encontro/usodeenergianuclear.pdf&as. Acesso em 30 de
mar. 2016.
Quanta Energia! / editores Casa da Ciência. Centro Cultural de Ciência e Tecnologia da
UFRJ, Comissão Nacional de Energia Nuclear, Instituto Ciência Hoje. —Rio de Janeiro:
UFRJ, Casa da Ciência, 2010. Disponível em: <https://www..casadaciencia.ufrj.br> acesso
em 30 de mar. 2016
Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/a-analise-poema
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Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/segundaguerra/ >Acesso em 28/03/2016.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ryC5v65Gyrg> Acesso em
28/03/2016.
Disponível em: <http://www.eternasmusicas.com/2013/02/rosa-de-hiroshima.html> Acesso
em 28/03/2016.
< http://super.abril.com.br/ciencia/o-incrivel-salto-do-eletron >. Acesso em 26/03/2016.
<http://www.dw.com/pt/1938-otto-hahn-descobre-a-fiss%C3%A3o-nuclear-do-ur%C3%
A2nio/a-359236 >. Acesso em 27/03/2016.
<http://www.dw.com/pt/1941-eua-decidem-construir-a-bomba-at%C3%B4mica/a-294885 >.
Acesso em 27/03/2016.
< http://aspiracoesquimicas.net/category/quimico-do-mes/page/3/ >. Acesso em 29/03/2016.
<http://www.portal-energia.com/vantagens-e-desvantagens-da-utilizacao-da-energia-
nuclear/ >. Acesso em 29/03/2016.
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Imagem 01 Disponível em: . < http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/
hiroshima-e-nagasaki-bombas-e-terror.htm >. Acesso em 29/03/2016.
Imagem 02 Disponível em: <http://www.taringa.net/comunidades/impacientes/2310492/
Homero-simpson-energia-nuclear-responsable.html >. Acesso em 29/03/2016.
Imagem 03 Disponível em:<https://radaresoterico.wordpress.com/2013/02/22/191/ >.
Acesso em 29/03/2016.
Imagem 04 Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/
File:Nuclear_Fission_Experimental_Apparatus_1938_-_Deutsches_Museum_-
_Munich.jpg >. Acesso em 29/03/2016
Imagem 05 Disponível em: <https://
discrepanciadodesstino.files.wordpress.com/2011/12/
tumblr_lx1jrcxnkh1qfndy0o1_500.jpg . Acesso em 01 de mai. de 2016.
Imagem 06 Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_yq591VLFI/UFHLq8nJEeI/
AAAAAAAAHzY/MckLbSr0UaE/s640/C%25C3%25A9sio-137-300x226.jpg>Acesso
em 01 de mai. de 2016.
Imagem 07 Disponível
em:<http:radioatividade3e.blogspot.com.br/2013/04minimizacaodosefeitosdaradiacao.ht
ml> acesso em 30 de mar. De 2016
Imagem 08 Disponível em:
<http:radioatividade3e.blogspot.com.br/2013/04minimizacaodosefeitosdaradiacao.html>
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EIXOS COGNITIVOS
(COMUNS A TODAS AS ÁREAS DE CONHECIMENTO)
I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens
matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa.
II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a
compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico- geográficos, da produção tecnológica e
das manifestações artísticas.
III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações
representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
IV. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhe-
cimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.
V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de
propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a
diversidade sociocultural.
(Disponível em < http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/edital/2014/edital_enem_2014.pdf > Acesso em
MATRIZ DE REFERÊNCIA DE CIÊNCIAS HUMANAS E
SUAS TECNOLOGIAS
ANEXO
A Matriz de Referência é o instrumen-
to norteador para a construção de itens.
As Matrizes desenvolvidas pelo Inep são
estruturadas a partir de competências e
habilidades que se espera que os partici-
pantes do teste tenham desenvolvido em
uma determinada etapa da educação bá-
sica. É importante destacar que a Matriz
de Referência não se confunde com o
currículo, que é muito mais amplo. Ela
é, portanto, uma referência tanto para
aqueles que irão participar do teste, ga-
rantindo transparência ao processo e per-
mitindo-lhes uma preparação adequada,
como para a análise dos resultados do
teste aplicado
(Disponível em < http://download.inep.gov.br/
Competência é a capacidade de mobilização
de recursos cognitivos, socioafetivos ou psi-
comotores, estruturados em rede, com vistas
a estabelecer relações com e entre objetos,
situações, fenômenos e pessoas para resol-
ver, encaminhar e enfrentar situações com-
plexas. Segundo Perrenoud (apud Macedo,
2005, p. 29-30), uma das características im-
portantes da noção de competência é desafiar
o sujeito a mobilizar os recursos no contexto
de situação-problema para tomar decisões
favoráveis a seu objetivo ou a suas metas.
As habilidades decorrem das competências
adquiridas e referem-se ao plano imediato do
―saber fazer‖ (Brasil. Inep, 2005, p. 17).
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COMPETÊNCIAS E HABILIDADES
Competência de área 1 – Compreender os elementos culturais que constituem as
identidades.
H1 – Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspec-
tos da cultura.
H2 – Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.
H3 – Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.
H4 – Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto
da cultura.
H5 – Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural
e artístico em diferentes sociedades.
Competência de área 2 – Compreender as transformações dos espaços geográficos
como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder.
H6 – Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.
H7 – Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações
H8 – Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos popula-
cionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social.
H9 – Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e socioeconô-
micas em escala local, regional ou mundial.
H10 – Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da
participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica.
Competência de área 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movi-
mentos sociais.
H11 – Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
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H12 – Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.
H13 – Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou ruptu-
ras em processos de disputa pelo poder.
H14 – Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos,
sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políti-
cas e econômicas.
H15 – Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais
ao longo da história.
Competência de área 4 – Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu im-
pacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social.
H16 – Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do traba-
lho e/ou da vida social.
H17 – Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territo-
rialização da produção.
H18 – Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implica-
ções socioespaciais.
H19 – Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias for-
mas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.
H20 – Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas
tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho.
Competência de área 5 – Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valo-
rizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consci-
ente do indivíduo na sociedade.
H21 – Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.
H22 – Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas legisla-
ções ou nas políticas públicas.
H23 – Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades.
H24 – Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.
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Competência de área 6 – Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas
interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos.
H26 – Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações
da vida humana com a paisagem.
H27 – Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em
consideração aspectos históricos e/ou geográficos.
H28 – Relacionar o uso das tecnologias com os impactos socioambientais em diferentes
contextos histórico-geográficos.
H29 – Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relaci-
onando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas.
H30 – Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes
escalas.
OBJETOS DE CONHECIMENTO ASSOCIADOS ÀS MATRI-
ZES DE REFERÊNCIA
Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade – Cultura material e imaterial; patri-
mônio e diversidade cultural no Brasil. A conquista da América. Conflitos entre euro-
peus e indígenas na América colonial. A escravidão e formas de resistência indígena e
africana na América. História cultural dos povos africanos. A luta dos negros no Brasil
e o negro na formação da sociedade brasileira. História dos povos indígenas e a forma-
ção sociocultural brasileira. Movimentos culturais no mundo ocidental e seus impactos
na vida política e social.
Formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Es-
tado – Cidadania e democracia na Antiguidade; Estado e direitos do cidadão a partir da
Idade Moderna; democracia direta, indireta e representativa.
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Revoluções sociais e políticas na Europa Moderna. Formação territorial brasileira; as
regiões brasileiras; políticas de reordenamento territorial. As lutas pela conquista da
independência política das colônias da América. Grupos sociais em conflito no Brasil
imperial e a construção da nação. O desenvolvimento do pensamento liberal na socie-
dade capitalista e seus críticos nos séculos XIX e XX. Políticas de colonização, migra-
ção, imigração e emigração no Brasil nos séculos XIX e XX. A atuação dos grupos
sociais e os grandes processos revolucionários do século XX: Revolução Bolchevique,
Revolução Chinesa, Revolução Cubana. Geopolítica e conflitos entre os séculos XIX e
XX: Imperialismo, a ocupação da Ásia e da África, as Guerras Mundiais e a Guerra
Fria. Os sistemas totalitários na Europa do século XX: nazifascista, franquismo, sala-
zarismo e stalinismo. Ditaduras políticas na América Latina: Estado Novo no Brasil e
ditaduras na América. Conflitos político-culturais pós-Guerra Fria, reorganização polí-
tica internacional e os organismos multilaterais nos séculos XX e XXI. A luta pela
conquista de direitos pelos cidadãos: direitos civis, humanos, políticos e sociais. Direi-
tos sociais nas constituições brasileiras. Políticas afirmativas. Vida urbana: redes e hie-
rarquia nas cidades, pobreza e segregação espacial.
Características e transformações das estruturas produtivas – Diferentes formas de or-
ganização da produção: escravismo antigo, feudalismo, capitalismo, socialismo e suas
diferentes experiências. Economia agroexportadora brasileira: complexo açucareiro; a
mineração no período colonial; a economia cafeeira; a borracha na Amazônia. Revolu-
ção Industrial: criação do sistema de fábrica na Europa e transformações no processo
de produção. Formação do espaço urbano-industrial. Transformações na estrutura pro-
dutiva no século XX: o fordismo, o toyotismo, as novas técnicas de produção e seus
impactos. A industrialização brasileira, a urbanização e as transformações sociais e
trabalhistas. A globalização e as novas tecnologias de telecomunicação e suas conse-
quências econômicas, políticas e sociais. Produção e transformação dos espaços agrá-
rios. Modernização da agricultura e estruturas agrárias tradicionais. O agronegócio, a
agricultura familiar, os assalariados do campo e as lutas sociais no campo. A relação
campo-cidade.
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Os domínios naturais e a relação do ser humano com o ambiente – Relação homem-
natureza, a apropriação dos recursos naturais pelas sociedades ao longo do tempo. Im-
pacto ambiental das atividades econômicas no Brasil. Recursos minerais e energéticos:
exploração e impactos. Recursos hídricos; bacias hidrográficas e seus aproveitamentos.
As questões ambientais contemporâneas: mudança climática, ilhas de calor, efeito estufa,
chuva ácida, a destruição da camada de ozônio. A nova ordem ambiental internacional;
políticas territoriais ambientais; uso e conservação dos recursos naturais, unidades de
conservação, corredores ecológicos, zoneamento ecológico e econômico. Origem e evo-
lução do conceito de sustentabilidade. Estrutura interna da terra. Estruturas do solo e do
relevo; agentes internos e externos modeladores do relevo. Situação geral da atmosfera e
classificação climática. As características climáticas do território brasileiro. Os grandes
domínios da vegetação no Brasil e no mundo.
Representação espacial – Projeções cartográficas; leitura de mapas temáticos, físicos e po-
líticos; tecnologias modernas aplicadas à cartografia.
(Disponível em < http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/edital/2014/edital_enem_2014.pdf > Acesso em 20
082014.)

Cadernos Didáticos Jul/Dez. 2016

  • 1.
    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 CADERNOS DIDÁTICOS PET HISTÓRIA UFCG Ano III- Vol. I – Nº 1 – jul./dez. 2016- ISSN 2358-4971
  • 2.
    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 3 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFCG C122 Cadernos didáticos PET História UFCG *recurso eletrônico+ / Regina Coelli Gomes Nascimento (organizadora). ─ Campina Grande: EDUFCG, 2016-. v. : il. color. Modo de Acesso: http://modulosdidaticos.blogspot.com.br ISSN: 2358-4971 1. História - Universidade. 2. Ensino. 3. Pesquisa e Extensão. I. Nascimento, Regina Coelli Gomes. II. Título. CDU 378.4(091)
  • 3.
    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 4 SUMÁRIO Apresentação ..................................................................................................................05 ENEM 2016 – informações gerais..................................................................................06 Competência de área 01 — Compreender os elementos culturais que constituem as identidade ................................................................................................................ ....08 Competência de área 02 — Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder.................................20 Competência de área 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movi- mentos sociais. ...............................................................................................................31 Competência de área 04 — Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vi- da social...........................................................................................................................39 Competência de área 5 – Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valo- rizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação conscien- te do indivíduo na sociedade. .........................................................................................51 Competência de área 6 — Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográfico .............................63 Anexo .........................................................................................................................................75 “Carpe diem. Aproveitem o dia meninos. Façam de suas vi- das uma coisa extraordinária.” Fragmento do filme SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS <https://www.youtube.com/ watch?v=Fak3xydNvYM > Acesso em 10.08.2015
  • 4.
    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 5 Caro estudante, Atualmente o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é utilizado como critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades já usam o resultado do exame como cri- tério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vesti- bular. O ENEM tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio em anos anteriores. Foi pensando nessa abrangência, relevância para a formação do grupo e a necessidade de estreitarmos os laços com o ensino básico que o PET Historia UFCG, iniciou em 2011, o projeto ―ENEM - Ciências Humanas e suas tecnologias: novas sensibilidades para pensar o ensino de História‖. E nesse sentido, este quarto módulo foi elaborado com o objetivo de facilitar a com- preensão da proposta do ENEM para a área de CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGI- AS, melhorando o desempenho dos participantes em seus estudos dentro e fora da oficina. Contamos com sua participação para que possamos aprimorar este módulo em edições futuras e esperamos que suas notas reflitam seu esforço, dedicação, tempo de estudo e que seus sonhos e objetivos sejam alcançados. Organizadoras e revisoras Regina Coelli Gomes Nascimento Tutora/PET História Rozeane Albuquerque Lima Doutorando PPGH/UFPE Autores (as) Petianos Aldrey Ribeiro de Brito Ana Carolina Monteiro Paiva Ayrton Adilson Barbosa F. da Silva Alves Jean Lucas Marinho Cavalcanti Jhon Lennon de Jesus Ferreira José Adriano de Oliveira Barbosa Karl Marx Henrique de Oliveira Kézia Jaiane Porfírio da Silva Larissa Albuquerque M. Almeida Lorrane Rangel Agra Lopes Lucas Tadeu Borges Viana Paulo Montini de A. Souza Júnior Rayan Fernades Pereira Roberta dos Santos Araújo Valber Nunes da Silva Mendes Viviane Carneiro de Oliveira Wendna Mayse Amorim Chaves
  • 5.
    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 6 QUAL O CONTEÚDO DAS PROVAS? O conteúdo das provas do Enem é definido a partir de matrizes de referência em quatro áreas do conhecimento: COMO COMEÇOU O ENEM? ENEM 2016 – INFORMAÇÕES GERAIS
  • 6.
    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 7 DICAS a) Inscrição Fique atento ao período de inscrições. Você pode se inscrever no Enem 2016, exclusivamente pela internet, entre as 10h do dia 09 de maio de 2016 às 23h59 do dia 20 de maio de 2016. Leia o edital com atenção e preencha todos os campos solicitados de forma precisa. Lembre-se que a responsabilidade pelas informações é dos participantes. Mantenha seus dados de contato (e-mail e telefone) atualizados. O Inep poderá enviar informações importantes sobre o exame e as comunicações são feitas pelos contatos informados na inscrição. Alterações nos dados cadastrais, opção de cidade de provas ou de língua estrangeira serão permitidas apenas durante o período de inscrição. b) Cartão de confirmação O cartão de confirmação de inscrição estará disponível para impressão na Página do Participante, com as seguintes informações: - número de inscrição; - data, hora e local de realização das provas; - indicação do (s) atendimento (s) especializado (s) e/ou do (s) atendimento (s) específico (s), devida- mente solicitado (s) no ato da inscrição, quando for o caso; - opção de língua estrangeira; e - solicitação de certificação, quando for o caso. Para obter o cartão, o participante deve acessar o endereço eletrônico enem.inep.gov.br/participante. É preciso informar CPF e senha. c) Como são as provas O Enem é composto por quatro provas objetivas, com 45 questões cada, e uma redação. Confira os dias das provas: 5 de novembro de 2016 (sábado) - Ciências Humanas e suas Tecnologias (História, Geografia, Filosofia e Sociologia) e; - Ciências da Natureza e suas Tecnologias (Química, Física e Biologia). Tempo para as provas: 4 horas e 30 minutos 6 de novembro de 2016 (domingo) - Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação); - Redação e; - Matemática e suas Tecnologias. Tempo para as provas: 5 horas e 30 minutos. d) No dia da prova Os portões de acesso são abertos às 12h e fecham às 13h, horário de Brasília. Recomenda-se que to- dos os participantes cheguem ao local de prova até as 12h (horário de Brasília), já que é proibida a entrada após o fechamento dos portões. Depois que os portões fecharem, às 13h, uma série de procedimentos de segurança é realizada. As provas têm início às 13h30. IMPORTANTE! - Verifique com antecedência, na Página do Participante, a validação da inscrição e o local de realiza- ção das provas. - Faça o trajeto até o local com antecedência e evite atrasos no dia DA aplicação. IMPORTANTE! Verifique com antecedência, na página do participante, a validação da inscrição e o local de realiza- ção das provas. Faça o trajeto até o local com antecedência e evite atrasos no dia da aplicação. Disponível em <http://enem.inep.gov.br/dicas.html > Acesso em 12/09/2016
  • 7.
    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 8 COMPETÊNCIA DE ÁREA 01 — COMPREENDER OS ELEMENTOS CULTURAIS QUE CONSTITUEM AS IDENTIDADES. José Adriano de Oliveira Barbosa (adrianoolivera33@gmail.com) Karl Marx Henrique de Oliveira (karlmarxhenrique@hotmail.com) Lorrane Rangel Agra Lopes (lorranerangelagralopes@gmail.com) Em nossa sociedade, em diversos períodos da história o ser humano se fez esta per- gunta: quem sou eu? Não é algo fácil de se responder. Para isso é preciso refletirmos sobre identidade, mas então o que é identidade? Temos três definições de identidade pelo sociólo- go Stuart Hall (1992): a primeira é o sujeito do iluminismo, que seria o individuo que se identifica a partir do seu lugar de nascença e que não muda aquilo que é no decorrer de sua vida; a segunda é o sujeito o sujeito sociológico, que constrói sua identidade a partir do con- tato com a sociedade, mesmo tendo sua essência, ela pode mudar no decorrer da vida; e a terceira é o sujeito pós-moderno que não possui identidade fixa e transita em diversas identi- dades, não sendo mais um sujeito definido pelo próprio reconhecimento, mas pelas identifi- cações, ou seja pela maneira como somos interpretados e representados nas culturas em nos- sa volta. Para compreender a sociedade em nossa volta é preciso falar sobre cultura, então oque é essa identidade cultural? Cultura é a maneira como determinados grupos se identifi- cam e compartilham elementos culturais limitados em um mesmo território e que os unem. Esses elementos tem a capacidade de ter significados diversos, que promovem a comunhão de um grupo, a exemplo da bíblia como um símbolo e os católicos enquanto comunidade cultural. As identidades são mutáveis e se relacionam com a cultura, somando ainda mais elementos diferentes através do tempo. A medida em que essa identidades individuais se aproximam por semelhança, afastam outros pela diferença, gerando distinções, e estabele- cendo identidades de grupo. Fazendo com que cada indivíduo seja socialmente cobrado a assumir uma posição indentitária diante da sociedade, ―ou você é isso ou aquilo‖. As identidades também são construídas com base naquilo que você identifica em si mesmo e o que te torna diferente do outro. A cultura exerce um papel de lente através da qual os diferentes grupos enxergam o mundo, ou seja, fornece significado e sentido para o mundo, o qual envolve muitas vezes valores morais. PARA COMEÇAR A HISTÓRIA
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 9 vezes no decorrer da história, como o contato entre portugueses e índios no Brasil, na relação linguística e cultural, além da mudança comportamental como o hábito de se vestir e religiosi- dade, a transformação cultural também aconteceu do lado oposto, sendo o português também afetado pelo contato indígena. O maior contato entre pessoas e informações amplia o sentimento de pertencimento a um grupo. A incorporação de novos elementos, como palavra ou comportamentos (Ketchup, Chicletes, Almofada ou Boyzinho) por esses grupos nos tempos atuais acontece de maneira mais dinâmica, ressignificando elementos para essa cultura. A imagem 1 representa como gru- pos indígenas que sofreram mudanças culturais muito fortes, não deixaram de existir ou de ser indígenas, mas se incorporaram à sociedade mo- derna. A Indústria Cultural pode sugerir o compor- tamento dos indivíduos e, assim, influenciar a cul- tura à medida em que esta também pode ser vista como uma forma de mediação política e prática de poder. O contato com as diferentes mídias sejam internet, rádio, tv, cinema, livros e jornais também podem se relacionados a esse processo da constru- ção das identidades. Mesmo assim os processos de formação da identidade social não estão sujeitos apenas a influências externas, mas também à formação do ―eu‖. Temos então a mídia como aparelho ideológico que pode influir na constru- ção das identidades com base em mecanismo de identificação. Com tanta diversidade dessas identidades relacionadas à globalização, se fala em perda cultural ou, como o sociólogo Bauman (2005) defende, a aculturação. Nesse choque constante entre culturas a fusão de elementos e um fator inevitável. Assim, como pensar em uma pureza cultural é algo que não existe, essa perda ou ressignificação implicaria na alteração de um conjunto de elementos que se caracterizam a cultura tal qual ela é. No Brasil, festas co- mo o carnaval são vividas de diferentes maneiras de Norte a Sul do país: em Pernambuco com o frevo e no Rio de Janeiro com o samba, e assim, mesmo compartilhando de um mesmo terri- tório, língua e história, os grupos e identidades sociais se diferenciam. Mesmo com essa diver- sidade, fatores como o preconceito ainda estão presentes na sociedade contemporânea, seja ra- cial, ou religiosos, ideológico e sexual. Imagem 1: Disponível em <http://1.bp.blogspot.com/-2I9FYDOVBLA/UXE -CfwsF0I/AAAAAAAAnfM/73rZqmQQgkg/ s1600/indio+moderno.jpg> Acessado em 24 de Março de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 10 TEXTO PARA REFLEXÃO O Brasil é um país caracterizado por sua multiculturalidade. Desde a sua colonização com os portugueses, entre os séculos XVI e XIX, o projeto colonial incluiu nesta terra ín- dios, negros africanos e portugueses europeus. A escravidão negra, no entanto, acentuou de- sigualdades raciais e sociais - especialmente raciais- no Brasil. Mesmo após a abolição da escravidão, assinada pela Princesa Isabel através da Lei Áurea (1888), os negros foram rele- gados a um segundo plano no convívio em sociedade. Livres, os negros povoaram os subúrbios urbanos. Muitos, sem perspectiva de vida, prefe- riam ficar sob o domínio de seu senhor do que tentar uma "nova vida" em condições desfa- voráveis. Sob esse aspecto, especialmente no Rio de Janeiro, em 1908, início do século XX, o governo tomava medidas para modernizar a então capital do país. Para isso, criou-se uma política de reurbanização desalojando os negros e mulatos de suas habitações em prol de uma nova cidade: moderna e bela. Não é a toa que o grande pano de fundo para esta política é a Belle Époque na França durante o séc. XIX. Os sinais da Belle Époque brasileira não visaram apenas o aspecto urbano da cidade do Rio de Janeiro. As manifestações culturais das massas populares também foram alvos destas mudanças. O carnaval em especial foi uma delas: Alguns festejos de origem negra como o entrudo- comemoração pública na qual os negros participavam como coadjuvantes, nas fes- tas de momo ou em brincadeiras com água de cheiro- foram colocados na ilegalidade, a elite da época pretendia "desafricanizar" o carnaval. Desta maneira, o corso europeu e a serpenti- na foram adaptados ao carnaval brasileiro. Carros alegóricos desfilavam pelas principais ruas das cidade, como símbolos de condição social. Enquanto isso, restava aos pobres acompa- nhar de longe estas festividades. Imagem 2: Cortiços eram ambientes favoráveis à pro- liferação de pestes. Com predominância negra, estes espaços foram visados na reurbanização da cidade. Entrada de habitações coletivas 1906. Foto: MALTA, Augusto. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Belle Époque: período na história da França que co- meçou no fim do séc XIX e durou até a primeira guer- ra mundial. Caracterizava-se por ser uma época de relativa paz entre a França e a Europa e pelo floresci- mento da arte e da arquitetura.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 11 Entretanto, lentamente, tal realidade iria mudar. Em 1920, foi fundado o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, liderado por pessoas de origem humilde. As- sim, o corso europeu das elites cariocas perdiam espaço para os desfiles populares de escolas de samba originários de favelas e periferias. É importante ressaltar as particularidades que os festejos de carnaval adquirem em determina- das regiões do país. Como o carnaval de Parintins-AM, com a disputa entre o Boi Garantindo e o Boi Caprichoso; O caboclo de lança, em Pernambuco- PE, resultado da mistura de cultura afro- ameríndia, e outras manifestações populares como a Folia de Reis e o Bumba meu boi, também existentes em Recife. As desigualdades apontadas em festejos populares são apenas reflexos do quanto era forte a discriminação racial naquela época, como ainda o é hoje em dia. Mesmo após um século do fim da escravidão no Brasil, a população negra ainda sofre com este passado cruel. O recente episódio na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, foi pichado com uma frase racista: "Lugar de negro não é no Mackenzie é no presídio", de igual modo como as declarações do jornalista da TV Globo, Alexan- dre Garcia, declarou que o "Brasil não era racista até criarem as cotas." (Disponível em <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/ pichacao-racista-e-encontrada-em-banheiro-do-mackenzie-em- sp.html> Acesso em 10/09/2016) Declarações como estas indicam o nível alarman- te, ainda existente, de desigualdade racial em nosso país. Entretanto, movimentos como o dia da consciência negra (20/10) consistem em ato de resistência da cultura, crenças e sobretudo visibilidade do povo negro na sociedade. Desta maneira, as ações coletivas tendem a criar uma identidade, um nível de pertencimento, a uma causa, no caso, a ne- gra. O Brasil ainda não atingiu um nivelamento social no que diz respeito a questões raciais. A presença do racismo é extremamente contundente em nossa sociedade e devem ser reorientada através da educação. Leis como a 10.639/2003, que torna obrigatória a inclusão do ensino da História e cultura Afro-Brasileira na grade curricular, tanto em rede de ensino privados ou públicos, nos níveis fundamental e médio; tornam-se um grande passo para apagar este estig- ma de nossa sociedade, que é o racismo. Imagem 3: (Corso carnavalesco realizado em 1928, em frente a grande fábrica de refrescos, de Íta- lo Ferarri, em Ourinhos, São Paulo. Fonte: Autoclassic)
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 12 TEXTO DE APOIO A partir do advento da globalização, assim como a popularização da internet através de vídeos e sites, estes espaços não ficaram inertes, não foram apenas ocupados, mas sim ressignificados co- mo espaços de agenciamento de uma minoria em busca dos seus direitos e da problematiza- ção de seus ideais, ocorrendo o mesmo movimento com os blogs. Blogueiras crespas e ca- cheadas em busca da valorização das suas descendências, começam a realizar resistências, passam ou passaram por um processo chamado transição, consistindo na decisão de pôr fim a um padrão: ―a ditadura do liso‖ e voltando à naturalidade capilar e incentivam suas leito- ras a passarem pelo mesmo processo de aceitação. Ferro Primeiro o ferro marca A violência nas costas Depois o ferro alisa os cabelos Na verdade o que se precisa É jogar o ferro fora É quebrar todos os elos Dessa corrente De desespero (Cuti in Batuque de Tocaia, 1982) Imagem 4: Disponível em <https:www.facebook.com/1704752256425040/photos/ a.1704761656424100.1073741828.1704752256425040/174 2697422630523/?type=3&theater> Acesso: 30 de março de 2016. Imagem 5: Disponível em < http:// lendoferozmen- te.blogspot.com.br/2015/12/resenha- mulheres-carol-rossetti.html > Acesso: 29 de março de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 13 A afirmação da identidade negra vem como um ato político, como uma construção cul- tural e social a partir das suas diversas dimensões. Destaca-se que por muito tempo, a identi- dade negra foi subjugada em relação ao padrão europeu, porém, ao compreender a identida- de como um processo de construção social, percebemos a importância da sua afirmação nos dias atuais. Neste contexto, de (re)afirmação e (re)construção da identidade, percebemos a impor- tância dos blogs e suas campanhas de emponderamento da mulher negra, através do crescen- te movimento de escrespamento das mesmas. O padrão de beleza estabelecido pela mídia caracteriza-se por um branqueamento, ou seja, há uma relação de inferioridade quando não se encontra este padrão. O negro, assim, é retratado como submisso ou marginalizado. Nesta busca por representação se enquadram estas jovens blogueiras, na fuga de um padrão pré- estabelecido com o crescente número de adeptas à transição capilar ou ao big chop (grande corte). Como percebemos no depoimento a seguir: Imagem 6: Disponível em < https://www.facebook.com/kindumbadaana/photos/ a.396303223781254.94668.396040817140828/504620226282886/?type=3&theater> Acesso: 30 de março de 2016. ―Quando comecei com essa coisa de deixar meu cabelo cachear novamente (sim, na época era apenas uma ―coisa‖), eu não fazia ideia dos rumos que essa decisão iriam tomar. A princípio, eu só queria ter meus cachos de volta, mas aos poucos fui percebendo a impor- tância da aceitação, não só do meu cabelo, mas também das minhas raízes.‖ ―(Nascimento, 2014) Disponível em < http://cacheia.com/2014/06/cabelo-cacheado-crespo-identidade-ou- modinha/ > Acesso: 30 de Março 2016 01:30
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 14 APRENDA FAZENDO Questão 29– ENEM 2011 Que aspecto histórico da escravidão no Brasil do séc. XIX pode ser identificado a par- tir da análise do vestuário do casal retratado acima? (A) O uso de trajes simples indica a rápida incorporação dos ex-escravos ao mundo do tra- balho urbano. (B) A presença de acessórios como chapéu e sombrinha aponta para a manutenção de ele- mentos culturais de origem africana. (C) O uso de sapatos é um importante elemento de diferenciação social entre negros liber- tos ou em melhores condições na ordem escravocrata. (D) A utilização do paletó e do vestido demonstra a tentativa de assimilação de um estilo europeu como forma de distinção em relação aos brasileiros. (E) A adoção de roupas próprias para o trabalho doméstico tinha como finalidade demarcar Foto de Militão, São Paulo, 1879. ALENCASTRO, L. F. (org). História da vida privada no Brasil. Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 15 Questão 12- ENEM 2013 No final do século XIX, as Grandes Sociedades carnavalescas alcançaram ampla popu- laridade entre os foliões cariocas. Tais sociedades cultivavam um pretensioso objetivo em relação à comemoração carnavalesca em si mesma: com seus desfiles de carros enfeitados pelas principais ruas da cidade, pretendiam abolir o entrudo (brincadeira que consistia em jogar água nos foliões) e outras práticas difundidas entre a população desde os tempos colo- niais, substituindo-os por formas de diversão que consideravam mais civilizadas, inspiradas nos carnavais de Veneza. Contudo, ninguém parecia disposto a abrir mão de suas diversões para assistir ao carnaval das sociedades. O entrudo, na visão dos seus animados praticantes, poderia coexistir perfeitamente com os desfiles. Manifestações culturais como o carnaval também têm sua própria história, sendo constante- mente reinventadas ao longo do tempo. A atuação das Grandes Sociedades, descrita no texto, mostra que o carnaval representava um momento em que as (A) distinções sociais eram deixadas de lado em nome da celebração. (B) aspirações cosmopolitas da elite impediam a realização da festa fora dos clubes. (C) liberdades individuais eram extintas pelas regras das autoridades públicas. (D) tradições populares se transformavam em matéria de disputas sociais. (E) perseguições policiais tinham caráter xenófobo por repudiarem tradições estrangeiras.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 16 SAIBA MAIS ANTIGOS CARNAVAIS O endereço eletrônico traz uma breve aborda- gem da história do carnaval, desde os seus primórdios, na Grécia, até aos desfiles de es- cola de samba. Também é possível ter acesso a antigas marchinhas que embalavam os foli- ões em tempo de carnaval. Disponível em <http:// www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/ diadecarnaval7.html > Acesso:30 de março de 2016 PRECONCEITUOSO O canal de humor do Youtube chamado Parafer- nália, produziu um vídeo veiculado na mesma mídia social no qual se refere as agressões sofri- das por aqueles que tem sua identidade ferida de algum modo. Esse vídeo mostra que em nosso cotidiano está enraizado o preconceito com ne- gros, gays, mulheres... e vai ser uma batalha difí- cil, mas não impossível de acabar. Disponível em <https://www.youtube.com/watch? v=d6_4ilanc5c > Acesso:30 de março de 2016 Menina Bonita do Laço de Fita Conta a história de um coelhinho que se apai- xona por uma menina negra e quer saber o segredo de sua beleza. A menina inventa mil histórias, até que sua mãe esclarece ao coelhi- nho que a cor da pele da menina é uma heran- ça de seus antepassados, que também eram negros. Disponível em <http:// portal.mec.gov.br/dmdocuments/ orientacoes_etnicoraciais.pdf > Acesso:30 de março de 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 17 RESPOSTAS COMENTADAS Questão 29:— ENEM (2011) Na sociedade escravista colonial brasileira a indumentária era utilizada frequentemente co- mo marca de distinção social. Assim que alforriados, os negros libertos procuravam comprar sapatos para se diferenciar dos escravos que eram proibidos de usá-los. ALTERNATIVA CORRETA: Letra C Globo Educação. Disponível em: <http://educacao.globo.com/provas/enem-2011/ questoes/29.html> Acesso: 30 de março de 2016 Questão 12 — ENEM (2013) O entrudo consistia em uma manifestação cultural carnavalesca de origem medieval, que chegou ao Brasil no período colonial e que tinha grande adesão principalmente entre as clas- ses populares. Como é apresentado no texto, as elites se opunham a essa prática considerada ofensiva, pois era no entrudo que as classes populares liberavam seus sentimentos ao ocupa- rem as ruas da cidade para realizar uma série de brincadeiras. A partir de 1840, a elite brasi- leira passou a criar campanhas pelo fim do entrudo, pois pretendia festejar o carnaval sem ter contato com as classes populares. ALTERNATIVA CORRETA: Letra C Globo Educação. Disponível em: <http://educacao.globo.com/provas/enem-2013/ questoes/12.html> Acesso: 30 de março de 2016 D
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 18 REFERÊNCIAS Disponível em <http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/07/maria-julia-coutinho-maju-e- vitima-de-racismo-no-facebook.html> Acessado em 30 de março de 2016 01:50 Disponível em <http://cacheia.com/palestras/> Acesso: 30 de março de 2016 15:31 Disponível em <http://cacheia.com/2014/06/cabelo-cacheado-crespo-identidade-ou- modinha/> Acessado em 30 de março de 2016 01:52 Disponível em <http://historiahoje.com/racismo-e-carnaval-na-belle-epoque/> Acessado em 31 de Março de 2016, às 11:28. Disponível em <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/pichacao-racista-e- encontrada-em-banheiro-do-mackenzie-em-sp.html> Acessado em 31 de Março de 2016, às 11:40. Disponível em <http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/10/ao-falar-sobre-racismo- alexandre-garcia-faz-o-comentario-mais-ignorante-do-ano.html> Acessado em 31 de Março de 2016, às 11:41. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm> Acessado em 31 de Março de 2016, às 11:41. GRALHA DE SOUZA, Fernando. A Belle Époque Carioca: Imagens da modernidade na obra de Au- gusto Malta. 2008. Disponível em <http://www.ufjf.br/ppghistoria/files/2009/12/Fernando- Gralha.pdf> Acessado em 31 de Março de 2016. HALL, STUART. A identidade cultural na pós-modernidade, DP&A Editora, 1ª edição em 1992, Rio de Janeiro, 11ª edição em 2006, tradução: Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro . MATOS, Édila Maria dos Santos. Cachear e Encrespar: moda ou resistência? Um estudo sobre a construção identitária do cabelo afrodescendente em blogs. 2015. Disponível em <http://bdm.unb.br/ bitstream/10483/12124/1/2015_EdilaMariadosSantosMatos.pdf> Acessado em 30 de março de 2016. MONTEIRO, EDEMAR SOUZA. CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NO CONTEXTO SOCIOCUL- TURAL DOS SUJEITOS. Revista Fórum Identidades. Itabaiana - PB, 2011. Disponível em <http://200.17.141.110/periodicos/revista_forum_identidades/revistas/ ARQ_FORUM_IND_10/FORUM_V10_04.pdf> Acessado em 26 de Março de 2016. PATRIOTA, LÚCIA MARIA . Cultura, identidade cultural e globalização. João Pessoa Agosto de 2002. Disponível em <http://www.cchla.ufpb.br/caos/numero4/04patriota.pdf> Acessado em 25 de março de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 19 SANTOS. Marcio André. Negritudes posicionadas: as muitas formas da identidade negra no Brasil. Disponível em: <http://www.cp2.g12.br/UAs/se/departamentos/sociologia/ pespectiva_sociologica/Numero4/Artigos/marcio_andre.pdf> Acessado em 30 de março de 2016. Imagens: Imagem 1: Disponível em <http://1.bp.blogspot.com/-2I9FYDOVBLA/UXE-CfwsF0I/ AAAAAAAAnfM/73rZqmQQgkg/s1600/indio+moderno.jpg> Acessado em 24 de Março de 2016. Imagem 2: Disponível em <http://www.ifch.unicamp.br/cecult/mapas/corticos/ cortimagens1.html> Acesso em 31 de Março de 2016. Imagem 3: Disponível em <http://cocada-preta.blogspot.com.br/2012/01/origem-do- carnaval.html> Acesso em 31 de Março de 2016. Imagens 4: Disponível em <https:www.facebook.com/1704752256425040/photos/ a.1704761656424100.1073741828.1704752256425040/1742697422630523/? type=3&theater> Acesso: 30 de março de 2016. Imagem 5: Disponível em <http://lendoferozmente.blogspot.com.br/2015/12/resenha- mulheres-carol-rossetti.html> Acesso: 30 de março de 2016. Imagem 6: Disponível em <https://www.facebook.com/kindumbadaana/photos/ a.396303223781254.94668.396040817140828/504620226282886/?type=3&theater> Aces- so: 30 de março de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 20 COMPETÊNCIA DE ÁREA 02 — COMPREENDER AS TRANSFORMAÇÕES DOS ESPAÇOS GEOGRÁFICOS COMO PRODUTO DAS RELAÇÕES SOCIOECO- NÔMICAS E CULTURAIS DE PODER Desde que apareceu na arena da história, o povo judeu tem se caracterizado pela sua conturbada estadia nos terri- tórios onde se dispôs a viver, inclusive na própria terra de Israel. O primeiro grande acontecimento que levou os judeus a viverem em um território que não era o seu de origem foi a partir da invasão dos assírios ao reino de Israel, comandados PARA COMEÇAR A HISTÓRIA RELEMBRE -Migração é o movimento de entrada ou saída de indivíduos em países diferentes ou dentro de um mesmo país (de um esta- do para o outro, de uma cidade para a outra). -Imigração é a entrada de es- trangeiros em um país; estabe- lecimento de indivíduos em ci- dade, estado ou região do seu próprio país, que não é de sua origem. -Emigração é a saída espontâ- nea de um país; movimentação de uma para outra região dentro de um mesmo país; sair de um país ou lugar onde se vive para viver em outro, provisória ou definitivamente. IMAGEM 1 - Fluxo migratório judaico ao longo do tempo . Disponível em:< http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras -historia/diaspora-descubra-como-judeus-se-espalharam-pelo- Aldrey Ribeiro de Brito (Aldreylinkinpark@hotmail.com) Lucas Tadeu Borges Viana (lucastadeuborgesviana@gmail,com) Viviane Carneiro de Oliveira (viviioliveira@hotmail.com)
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 21 por Sargão II (R. 721–705 a.C.), fazendo com que grande parte das tribos fossem levadas cativas, o que levou, mais tarde, ao desaparecimento destas. Se- gundo Paul Johnson, as tribos remanescentes, que seriam Judá, Benjamin e parte da tribo de Levi (que formavam o reino de Judá) foram invadidas e leva- das cativas pelos babilônicos, sob o reinado de Na- bucodonosor II (604 a.C. – 562 a.C.), dando início à primeira diáspora do povo judeu. Porém, a segunda diáspora foi a que mais con- tribuiu para a sua dispersão em todo mundo, pois foi a partir daí que os judeus passaram a viver fora de sua terra natal até os dias de hoje. Com a ocupação dos romanos na Judéia, houve a segunda destruição do templo sagrado e da cidade de Jeru- salém culminando com a expulsão deste povo do seu território em torno do ano 70 d.C. Foi com a segunda diáspora que os judeus se espalharam pelos países africanos, árabes e princi- palmente pelo leste europeu, que viria a se chamar Ashkenazim, e pela Península Ibérica, que se chamaria sefaradim, estas formam as duas maiores vertentes judaicas. Sua fixação nos países hospedeiros foi marcada muitas vezes por perseguição siste- mática e constante de modo que os judeus foram isolados em guetos, para que fossem man- tidos longe da população nativa, evitando, com isso, a miscigenação e assimilação com este povo. Essas perseguições fizeram com que estes migrassem de um local para outro tentando encontrar paz nos novos lares que se estabeleciam. Com a inquisição ibérica, por exemplo, vários judeus migraram para o norte da África e também para a Holanda, para que lá pudes- sem exercer livremente sua religião, longe dos tribunais do santo ofício. Porém foi durante a segunda guerra mundial que houve a maior imigração judaica em massa. Nesta época, várias pessoas, percebendo a tensão e crescente hostilidade na Europa no que diz respeito ao antisemitismo, acharam melhor deixar este continente e sair em desti- no às Américas e para a terra da Palestina. A partir de agora nos deteremos mais especifica- mente neste assunto. IMAGEM 2 - Diáspora Judaica rumo ao Novo Mundo .Disponível em: <http:// www.coisasjudaicas.com/2011/11/cripto- judaismo.html>. Acesso em 26 de Março em
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 22 SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E MI- GRAÇÃO JUDAICA A segunda Guerra Mundial trouxe consequên- cias sérias para toda a população do planeta, mas nenhum povo sofreu tanto quanto os judeus. Com base nas informações encontradas no site Enci- clopédia do Holocausto, de 1939 à 1945, o povo semita foi duramente perseguido, culminando no horror que foi o Holocausto, caracterizado como ação de extermínio dos judeus realizada pelos alemães sob o domínio de Adolf Hitler. Os ale- mães acreditavam na superioridade de raça, onde a única raça pura seria ariana e estes, como membros dela, deveriam comandar o mundo. Nesse sentido, os judeus eram considerados inferiores, devendo serem exterminados. Assim, a Europa não era mais um lugar seguro para o povo judaico e, para fugir dos nazistas, gran- des levas migracionais ocorreram durante a II Guerra Mundial. Em meio a tantas dificulda- des para encontrar refúgios, tornou-se opção migrar para os destinos menos explorados, a exemplo do Brasil, China, Colômbia, entre outros países (geralmente os países subdesenvol- vidos ou em desenvolvimento). Outro tipo de solução encontrada foram as imigrações ile- gais, a Aliyah Bet. Tal medida era um grito de desespero, num mundo onde tornava-se cada vez mais difícil assumir a identidade judaica, se até mesmo os países contrários à ideologia nazista negavam-se a receber o grande contingente populacional de judeus. Os movi- mentos migratórios trazem em si grandes cargas de dificuldades e ao invés de haver uma solidariedade para com os refugiados, é percebido que muitas vezes ocorre o inverso: a ne- gação dos povos que buscam fugir dos horrores da guerra em países que não estão sofrendo tão diretamente quanto as áreas de confronto. Tal fato é verificado até mesmo na atualidade. Passados setenta e um anos da II Guerra Mundial, observamos o horror da Guerra Civil na Síria, considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a ―maior crise huma- nitária‖, com uma imensa leva de refugiados tentando deslocar-se para outras áreas. IMAGEM 3—CHARGE. Disponível em:<http://www.midiaindependente.org/pt/ red/2006/09/360420.shtml> Acesso em 26 de Março em 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 23 TEXTO PARA REFLEXÃO ENTRE O PASSADO E O PRESENTE: FLUXO POPULACIONAIS AO LONGO DA HIS- TORIA E ATUAL CASO SÍRIO Filippo Grandi, promovido a Alto Comissá- rio da Agência da Organização das Nações Uni- das para Refugiados (ACNUR), após sua nomea- ção em janeiro do ano vigente, sinalizou: ―A combinação de múltiplos conflitos e o desloca- mento em massa resultante, desafios recentes ao asilo, o abismo de financiamento entre necessida- des humanitárias e recursos e a crescente xenofo- bia é muito perigosa‖. Especialista em relações internacionais, assume o cargo em um período conturbado, onde o mundo revive problemas liga- dos a migrações populacionais. Segundo estimativas da ACNUR, realizadas durante o ano passado, indivíduos que se sen- tiram forçados a abandonar seus locais de residência chegaram a mais de 59,5 milhões. O núme- ro é o maior desde a imigração preponderantemente judaica no contexto da Segunda Guerra Mundial. Entre 1933 e 1940, milhões de refugiados da Alemanha, da Polônia e de países bálticos tentavam fugir do nazismo e também se depararam com fronteiras fechadas. Neste sentido, as provocações propostas por Guy Sorman, jornalista, escritor e cientista político francês mostram- se pertinentes: ―Não é o Holocausto, ou pelo menos ainda não. Como será chamada, daqui a al- guns anos, essa maré humana que está arrebentando na Europa? Como tal fenômeno aparecerá em nossos livros de História?‖ Desta vez, o maior grupo de imigrantes é de sírios, que fogem da violenta guerra civil em curso no país, pondo sua integridade física e psicológica em risco nas travessias sobre botes aci- ma da capacidade prevista das embarcações e em condições extremamente insalubres, almejan- do atravessar o mar mediterrâneo atrás da sobrevivência. É de suma importância entender, no que tange aos imigrantes, que é preciso ir além dos discursos que os caracterizam como invaso- res, logo nada ou muito pouco tem a acrescentar aos países hospedeiros e chegam somente para ser vistos como ―concorrentes no tocante à busca por empregos.‖ IMAGEM 4- Filippo Grandi tomando pos- se em cargo na ONU. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/novo-alto-comissario- assume-direcao-da-agencia-da-onu-para-
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 24 Já é hora de desenvolver um pla- no que vise soluções permanentes para crise humanitária na qual vivemos e também é necessário não ignorarmos mais o debate que urge em ser realizado. COMO A ORGANIZAÇÃO DAS NACÕES UNIDAS (ONU) ESTÁ SE POSICIO- NANDO FRENTE A QUESTÃO Com vistas à melhor resolução do problema que assola todo globo terrestre , na última quarta (dia 30 de março de 2016) aconteceu, na cidade de Genebra, uma reunião extraordi- nária de alto nível promovida pela Agência da Organização das Nações Unidas para Refugi- ados (ACNUR), que teve como ponto de partida e principal deliberação propor soluções para necessidades de sírios que fogem da guerra. Na reunião se fizeram presentes represen- tações de cerca de 80 países, dez organizações internacionais e 24 organizações não gover- namentais. Entre as figuras de destaque podemos citar o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o novo alto comissário da ACNUR, Filippo Grandi, além de representantes de governos que acolhem os refugiados. O principal objetivo foi apresentar perspectivas inovadoras acerca da questão, estudos de caso de sucesso, e este se mostrou ser o adequado espaço para que os governos em todo o mundo pudessem fazer parte da busca de soluções aos refugia- dos sírios. Entre as medidas discutidas estavam o aumento das opções para os refugiados sírios chegarem a outros países por meio de programas de admissão humanitária ou outros procedimentos legais, entre eles: vistos humanitários, patrocínio privado, bolsas de estudos ou estágios, esquemas de trabalho e transferência por razões médicas. No que concerne o Brasil, desde 2013, foi criado um Comitê Nacional para Refugia- dos (CONARE), e esse trabalha no intuito de facilitar a emissão de vistos de entrada de ci- dadãos sírios no nosso país, bem como melhor remanejamento dos mesmos. IMAGEM 5- Sírios arriscam suas vidas atravessando o mar mediterrâneo. Disponí- vel em <:http://noticias.uol.com.br/ultimas- noticias/reuters/2014/06/06/italia-diz-ter- resgatado-no-mar-mais-de-2500-imigrantes- desde-quinta-feira.htm>. Acesso em 29 de Abril de 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 25 TEXTO DE APOIO: MAUS, A HISTÓRIA DE UM SOBREVIVENTE – ART SPIEGELMAN Arthur (Art) Spiegelman nasceu em Estocolmo, Suécia, em 1949. Filho de um sobrevivente do Holocausto, Vladek Spiegelman, Art conta a dura história de vida do seu pai duran- te a II Guerra Mundial, perante a perseguição de Hitler contra os judeus, relatando claramente e em primeira mão, o cotidiano de um homem que conseguiu sobreviver ao horror do Holo- causto. Não é um tema fácil de se falar com naturalidade, afinal, nunca o mundo viveu com tanta intensidade a maldade huma- na como ocorreu nessa época. O desenvolvimento tecnológico proporcionou a existência de uma das guerras mais duras da história da humanidade. É esse contexto que Vladek Spiegel- man viveu em Maus. A partir da narrativa de seu filho, Art Spiegelman, acompanhamos o cotidiano dos momentos mais importantes e decisivos na vida de Vladek durante a guerra. O quadrinho, que retrata os nazistas como gatos, os judeus como ratos, os poloneses como porcos e os americanos como cães, tenta distanciar o leitor da crueldade e horrores desumanos e guiá-lo, por meio dessas representações dos homens como animais, apenas pelo caminho da fá- bula. Inclusive, Maus significa rato em Alemão. Embora a tentativa de suavizar o terror, é difícil não se espantar com a crueldade dos métodos nazistas ao lembrar que não são ratinhos, nem ga- tos, mas de fato humanos. A história se alterna entre passado e presente, mas também foca na vida interior dos personagens, refletindo a confusão que o holocausto deixou em cada um. No decorrer do livro, percebe-se como as diversas situações enfrentadas pelo protagonista na luta pela sobrevivência vão mudando o caráter da personagem. Vladek ao mesmo tempo que era destemido, tornou-se, após o fim do Holocausto, um velho racista e mesquinho. Apesar disso, a história não perde seu brilho. A narrativa alterna entre uma conversa de pai e filho, com flash- backs quando o pai começa a contar o que aconteceu no seu passado, indo desde como conheceu a mãe de Art até ao final da guerra. No "presente" a história abrange também o relacionamento pai-filho e as suas complicações. Todavia, sua luta pela sobrevivência, sua habilidade e inteligên- cia proporcionaram situações de vida melhores que a imensa maioria dos judeus viviam. IMAGEM 6 - Disponível em: <http:// www.oepitafio.com/2013/02/ resenha-maus-historia-de-um.html>. Acesso em 29 de Março em 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 26 APRENDA FAZENDO QUESTÃO 45— ENEM 2011 As migrações tradicionais, intensificadas e generalizadas nas últimas décadas do século XX, expressam aspectos particularmente importantes da problemática racial, visto como dilema também mundial. Deslocam-se indivíduos, famílias e coletividades para lugares próximos e distantes, envolvendo mudanças mais ou menos drásticas nas condições de vida e trabalho, em padrões e valores socioculturais. Deslocam-se para sociedades semelhantes ou radical- mente distintas, algumas vezes compreendendo culturas ou mesmo civilizações totalmente diversas. IANNI, O. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. A mobilidade populacional da segunda metade do século XX teve um papel importante na formação social e econômica de diversos estados nacionais. Uma razão para os movimentos migratórios nas últimas décadas e uma política migratória atual dos países desenvolvidos são A- a busca de oportunidades de trabalho e o aumento de barreiras contra a imigração. B- a necessidade de qualificação profissional e a abertura das fronteiras para os imigrantes. C- o desenvolvimento de projetos de pesquisa e o acautelamento dos bens dos imigrantes. D- a expansão da fronteira agrícola e a expulsão dos imigrantes qualificados. E- a fuga decorrente de conflitos políticos e o fortalecimento de políticas sociais.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 27 QUESTÃO 21 — ENEM 2006 O relatório anual (2002) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômi- co (OCDE) revela transformações na origem dos fluxos migratórios. Observa- se aumento das migrações de chineses, filipinos, russos e ucranianos com destino aos países-membros da OCDE. Também foi registrado aumento de fluxos migratórios provenientes da América Latina. Disponível em: Trends in international migration – 2002 internet: www.ocde.org> (com adaptações) No mapa seguinte, estão destacados, com a cor preta, os países que mais receberam esses fluxos migratórios em 2002. As migrações citadas estão relacionadas, principalmente, à a) ameaça de terrorismo em países pertencentes à OCDE. b) política dos países mais ricos de incentivo à imigração. c) perseguição religiosa em países muçulmanos. d) repressão política em países do Leste Europeu. e) busca de oportunidades de emprego.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 28 SAIBA MAIS SITE A plataforma digital da ANCUR (Agência da Organização das Nações Unidas para Refugia- dos) pretende servir de ferramenta para o desen- volvimento e promoção do direito dos refugia- dos e refugiadas. Confira mais informações em: <http://www.acnur.org/t3/portugues/> . Acesso em 30 de Março de 2016. DOCUMENTÁRIO O documentário ―O eterno Judeu‖, foi feito em 1940 na Alemanha nazista, como um meio bas- tante eficiente de propaganda antissemita. Mos- tra a população judaica, sempre os acusando injustamente de coisas negativas, como povo não civilizado, e trazendo a falsa ideia de uma conspiração semita para dominar o mundo, é um documentário racista, mas tudo isso tinha uma razão, colocar a população alemã da época contra os judeus, pois como disse o próprio mi- nistro da propaganda do Reich na Alemanha nazista ―uma mentira repetida mil vezes torna- se verdade‖. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=rgMco9soMos>. Acesso em 30 de Março de 2016. LIVRO O diário de Anne Frank foi escrito por uma cri- ança judia nascida na Alemanha, mas sua famí- lia forçada a abandonar este país imigrou para a Holanda. O diário de Anne Frank é um docu- mento escrito por alguém que sofreu na própria pele o antissemitismo e suas consequências ne- fastas. Disponível em: <http:// youtruth.weebly.com/uploads/1/3/1/8/1318459/ o_diario_de_anne_frank_- portuguese.pdf> .Acesso em 30 de Março de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 29 QUESTÃO 45- ENEM 2011 As migrações são intensificadas nos momentos de crises econômicas, em que grandes mas- sas populacionais buscam melhores condições de vida, emprego, etc. Contudo, esses movi- mentos também aumentam a xenofobia no país receptor, obrigando os governantes a cria- rem barreiras para dificultar a entrada de imigrantes. Disponível em: <http://educacao.globo.com/provas/enem-2011/questoes/45.html>.Acesso em 29 de março de 2016. ALTERNATIVA CORRETA: Letra A QUESTÂO 21- ENEM 2006 Os maiores fluxos migratórios têm ocorrido de países pobres em direção aos países mais desenvolvidos, como EUA, Canadá, Austrália e países da Europa Ocidental, principalmente em busca de oportunidade de emprego. Disponível em: < http://www1.curso-objetivo.br/vestibular/resolucao_comentada/ enem/2006/enem2006.pdf> Acesso em 30 de abril de 2015 ALTERNATIVA CORRETA: Letra E RESPOSTAS COMENTADAS
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 30 REFERÊNCIAS Disponível em : <http://www.bbc.com/portuguese/ noticias/2015/09/150910_vizinhos_refugiados_lk.> Acesso em 27 de março de 2016. Disponível em: <http://www.brasilpost.com.br/raphael-tsavkko-garcia/precisamos-falar-sobre- imigracao_b_7129478.html> .Acesso em 24 de março de 2016 Disponível em : <http://geografandoemfoco.blogspot.com.br/2011/09/nao-confunda-migracao- imigracao-ou.html>. Acesso em 27 de março de 2016. Disponível em : <http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/le-monde/2015/09/11/ depoimento-os-refugiados-de-hoje-sao-como-meu-pai-fugindo-do-nazismo.htm>. Acesso em 24 de março de 2016 Disponível em : <http://www.infoescola.com/geografia/imigracao-e-emigracao/>. Acesso em 27 de março de 2016. Disponível em : <http://www.significados.com.br/holocausto/. >Acesso em 27 de março de 2016. Disponível em : <https://www.ushmm.org/outreach/ptbr/article.php?ModuleId=10007681> . Acesso em 27 de março de 2016. Disponível em: http://aspalavrasfugiram.blogspot.com.br/2014/01/resenha-maus-art- spiegelman.html . Acesso em 30 de abril de 2016. LISTA DE IMAGENS IMAGEM 1 - Fluxo migratório judaico ao longo do tempo . Disponível em:< http:// guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/diaspora-descubra-como-judeus-se-espalharam- pelo-mundo-743351.shtml> Acesso em 29 de Abril em 2016. IMAGEM 2 - Diáspora Judaica rumo ao Novo Mundo .Disponível em: <http:// www.coisasjudaicas.com/2011/11/cripto-judaismo.html>. Acesso em 26 de Março em 2016 IMAGEM 3- CHARGE. Disponível em:<http://www.midiaindependente.org/pt/ red/2006/09/360420.shtml>. Acesso em 26 de Março em 2016 IMAGEM 4 - - Filippo Grandi tomando posse em cargo na ONU. Disponível em: <https:// nacoesunidas.org/novo-alto-comissario-assume-direcao-da-agencia-da-onu-para-refugiados/> Acesso em 26 de Março em 2016 IMAGEM 5 - Sírios arriscam suas vidas atravessando o mar mediterrâneo. Disponível em
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 31 Ana Carolina Monteiro Paiva (anacarolina.mont@hotmail.com) Paulo Montini de Assis Souza Júnior (paulomontini93@hotmail.com) PARA COMEÇAR A HISTÓRIA COMPETÊNCIA DE ÁREA 3 – COMPREENDER A PRODUÇÃO E O PAPEL HISTÓRI- CO DAS INSTITUIÇÕES SOCIAIS, POLÍTICAS E ECONÔMICAS, ASSOCIANDO-AS AOS DIFERENTES GRUPOS, CONFLITOS E MOVIMENTOS SOCIAIS. Imagem 01. Disponível em: <http:// blog.planalto.gov.br/assunto/mulheres/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 02. . Disponível em: <http:// www.marchamundialdasmulheres.org.br/marcha- das-margaridas-70-mil-mulheres-nas-ruas-por- democracia-justica-com-autonomia-igualdade-e- Imagem 03. Disponível em: <http:// news.yahoo.com/argentina-rights-activist-finds- stolen-grandson-35-years-195604950.html> Aces- Imagem 04. Disponível em: <http:// memoriasdaditadura.org.br/mulheres/> Acesso em: 31 de mar. 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 32 ―É MELHOR MORRER NA LUTA DO QUE MORRER DE FOME‖: MARGARIDAS EM MARCHA Igualdade em termos políticos, liberdade de ação e luta pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no Brasil: foram estas algumas das pautas defendidas pela líder sindi- cal paraibana Margarida Maria Alves, em ple- na vigência do regime militar brasileiro. Presi- denta do Sindicato de Trabalhadores Rurais da cidade de Alagoa Grande desde 1973, Margari- da já havia encaminhado à justiça cerca de 73 ações trabalhistas, em grande parte cobrando das autoridades direitos trabalhistas para as tra- balhadoras rurais, quando foi assassinada por um matador de aluguel enviado por usineiros do brejo paraibano. A data de sua morte, 12 de agosto de 1983, tornou -se um símbolo político de tal forma que desde o ano 2000 as ―Margaridas‖, como denominam-se trabalhado- ras rurais de todo o Brasil, vão às ruas reivindicar às au- toridades direitos e justiças, encaminhando pautas aos representantes dos poderes públicos, alertando para as condições de trabalho no campo. Apesar da Constitui- ção Federal de 1988 dar maiores garantias de direitos às mulheres (ver quadro), as trabalhadoras do campo ainda lutam pelo seu reconhecimento enquanto categoria social, defendendo o acesso à terra e à saúde, a agricultura familiar, o fim da violência sexista e o direito ao trabalho. A mobilização da Marcha das Margaridas, também um projeto feminista, busca acima de tudo a valorização da vida, a superação das desigualdades e o aprofundamento da democracia. Imagem 05. Disponível em: <http://fatoafato.com/ viewnoticias.php?cod=10402> Acesso em: 31 de Imagem 06. Disponível em: <https:// andradetalis.wordpress.com/2014/12/page/7/ ―Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos es- trangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade... I. homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.‖ Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm> Acesso em: 31 de mar. 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 33 TEXTO PARA REFLEXÃO ―MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO‖ Assim definiam-se as novas organiza- ções civis que emergiam na segunda metade do século XX. Feministas, grupos do movi- mento negro e militantes dos direitos dos ho- mossexuais engajavam-se nas lutas de ―libertação‖, ancorados pela intensa transfor- mação cultural do período e pelo pensamento inovador de intelectuais como Simone de Beauvoir e Martin Luther King. A juventude, inspirada pela influência de tais pensadores e em meio à efervescência dos anos 1960, com seus festivais de música e de cinema e os grandes encontros estudantis, expandiam os novos ideais da década. Para a juventude latino-americana que aspirava maiores liberdades na vida pessoal, a che- gada das ditaduras foi uma tragédia. Em países como Brasil e Argentina, uma estudante que por- tasse em sua bolsa pílulas anticoncepcionais era qualificada como ―subversiva‖, representando uma ameaça aos ―bons costumes‖ pregados pelo Estado. Não raro, mulheres brasileiras entra- vam na militância política: para derrubar o regime ditatorial muitas acabavam pegando em ar- mas; outras, ao exilarem-se, entravam em contato com as teses feministas, formando numerosos grupos no exterior e comprometendo-se na luta pelas ―liberdades democráticas.‖ Na Argentina, mães de desaparecidos po- líticos reuniram-se pela primeira vez em 1977 na Praça de Maio, centro de Buenos Aires, para cobrar do então ditador Jorge Videla informa- ções sobre o paradeiro de seus filhos, prática que se estende até hoje e abarca, em suas mani- festações, questões referentes não apenas aos desaparecidos políticos do regime militar argen- tino, mas também lutas políticas e sociais do presente, iniciando relações de amizade e apro- ximações com inúmeras ONGs, movimentos sociais e personalidades de todo o mundo. Imagem 07. Disponível em: <http://www.quien.net/ abuelas-de-plaza-de-mayo.php> Acesso em: 31 de Imagem 08. Disponível em: <http://3001periododitatorialbrasileiro.blogspot.co m.br/> Acesso em: 31 de mar. 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 34 TEXTO DE APOIO ―Todas as mulheres sofrem opressão, até as mulheres brancas, particularmente mulheres brancas pobres, e especialmente indígenas, mexicanas, porto-riquenhas e negras ameri- canas, cuja opressão é triplicada comparada a qualquer uma das mencionadas acima.” A frase, retirada de um dos primeiros textos do feminismo negro publicado no fim da dé- cada de 1960 nos EUA, explicita uma lacuna dos movimentos feministas: há espaço, real- mente, para todas as mulheres nesses grupos? A questão racial nas décadas de 1950-60 foram uma temática de discussão especial nos EUA: a busca por direitos civis, tais como direito ao voto e acesso ao ensino superior para a população negra ganhava corpo no país, no qual ativistas como Martin Luther King e Malcom X ganhavam voz na mídia e expandiam, em nível internacional, seus discursos. A mulher negra, porém, continuava vítima de sexismo por parte da sociedade, encontrando-se a par desta e muitas vezes não encontrando representatividade nos próprios movimentos de direitos civis. Tal situação levou à formação dos primeiros movimentos feministas negro, que buscavam demandas diferentes das causas feministas ―tradicionais‖. No Brasil, seu início se deu no final da década de 1970, a partir da demanda das mulheres negras feministas: o movi- mento negro tinha sua face sexista e impe- dia que as ativistas negras ocupassem po- sições de igualdade junto aos homens ne- gros; por outro lado, o movimento femi- nista tinha sua face racista, preterindo as discussões de recorte racial e privilegiando as pautas que contemplavam somente as mulheres brancas. Imagem 09. Disponível em: <http:// blogueirasnegras.org/tag/mulheres/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 10. Disponível em: <https://www.hrw.org/ topic/womens-rights> Acesso em: 31 de mar. 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 35 APRENDA FAZENDO QUESTÃO 13 (prova Azul; 2013) Na imagem da década de 1930, há uma crítica à conquista de um direito pelas mulheres, re- lacionado com a A) Redivisão do trabalho doméstico. B) Liberdade de orientação sexual. C) Garantia da equiparação salarial. D) Aprovação do direito ao divórcio. E) Obtenção da participação eleitoral. QUESTÃO 42 (prova Azul; 2015) Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civiliza- ção que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o fe- minino. BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1980. Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um mo- vimento social que teve como marca o(a) A) Ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual. B) Pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho. C) Organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero. D) Oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos. E) Estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 36 SAIBA MAIS... Persépolis (2000) História em quadrinhos autobiográfica da iraniana Marja- ne Satrapi, retrata o período da infância/pré-adolescência de sua autora no Irã durante a Revolução Islâmica que abalou o país em meados da década de 1970. Em meio à transformação política, novos hábitos e costumes tentam ser impostos pelo novo governo. Valores familiares e so- ciais são explorados na história feita por Satrapi, que não hesita em expor suas opiniões sobre todas as transforma- ções e imposições do novo regime. As Sufragistas (Suffragette). O filme As Sufragistas (2015) retrata a luta de um grupo de mulheres pelo direito ao voto na Inglaterra do início do século XX, a partir das diferentes posturas da militân- cia feminista, enfatizando a mobilização coletiva das in- tegrantes por uma luta maior. Trailer disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=e88IJJv7PLQ> Acesso em: 30 de abr. 2016. Mulheres: Memórias da ditadura. O portal, desenvolvido pelo Instituto Vladimir Herzog, busca difundir em larga escala conteúdos sobre o período do regime ditatorial, voltando-se principalmente às novas gerações. É possível aprofundar-se em temas como femi- nismo e resistência feminina durante o período da ditadu- ra militar. Disponível em: <http://memoriasdaditadura.org.br/ As Mina na História A página no Facebook foi criada por Sigrid Beatriz Vara- nis Ortega, em junho de 2015, com o objetivo de resgatar a memória e o trabalho de mulheres que transformaram o mundo, e ainda assim acabaram apagadas da História. Disponível em: <https://www.facebook.com/ asminasnahistoria> Acesso em: 30 de abr. de 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 37 RESPOSTAS COMENTADAS QUESTÃO 13. A charge ironiza o ganho do direito ao voto feminino no Brasil. Instituído em 1932, a partir do Código Eleitoral provisório, promulgado no primeiro governo de Getúlio Vargas, o voto feminino só veio instituir-se no país após pressão das mulheres por seus direitos. A busca feminina por direitos como trabalho e voto inserem-se no cenário da chamada ―primeira onda‖ feminista, iniciada em países como Estados Unidos e Inglaterra na virada do século XIX pro XX. Nesse período, surge a luta das ―suffragettes‖, mulheres que defendiam o direito ao voto e uma maior participação feminina na tomada de decisões políticas. ALTERNATIVA CORRETA: Letra E QUESTÃO 42. A questão faz referência à escritora e ativista feminista Simone de Beauvoir, que pro- curava desconstruir o conceito de ―feminino‖ , apontando este como uma construção social num cenário de dominação masculina. O livro O Segundo Sexo tornou-se uma das principais fontes de inspiração para a orga- nização de diversos movimentos feministas ao redor do mundo, além de ser um dos respon- sáveis pela popularização do movimento na década de 1960, durante a chamada ―segunda onda‖ feminista. ALTERNATIVA CORRETA: Letra C.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 38 REFERÊNCIAS BIROLI, Flávia. O feminismo como um projeto transformador: as vozes das Margari- das. Disponível em: <http://blogdaboitempo.com.br/2015/08/28/o-feminismo-como- projeto-transformador-as-vozes-das-margaridas/> Acesso em: 31 de mar. 2016. JARID, Arraes. Feminismo negro: sobre minorias dentro da minoria. Disponível em: <http://revistaforum.com.br/digital/135/feminismo-negro-sobre-minorias-dentro-da- minoria/> Acesso em: 31 de mar. 2016. MORAES, Maria Lygia Quartim de. O feminismo político do século XX. Disponível em: <http://blogdaboitempo.com.br/2015/03/09/o-feminismo-politico-do-seculo-xx/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 01– Disponível em: : <http://blog.planalto.gov.br/assunto/mulheres/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 02. . Disponível em: <http://www.marchamundialdasmulheres.org.br/marcha-das- margaridas-70-mil-mulheres-nas-ruas-por-democracia-justica-com-autonomia-igualdade-e- liberdade/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 03. Disponível em: <http://news.yahoo.com/argentina-rights-activist-finds-stolen- grandson-35-years-195604950.html> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 04. Disponível em: <http://memoriasdaditadura.org.br/mulheres/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 05. Disponível em: <http://fatoafato.com/viewnoticias.php?cod=10402> Acesso em: 31 de mar. 2016 Imagem 06. Disponível em: <https://andradetalis.wordpress.com/2014/12/page/7/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 07. Disponível em: <http://www.quien.net/abuelas-de-plaza-de-mayo.php> Aces- so em: 31 de mar. 2016. Imagem 08. Disponível em: <http://3001periododitatorialbrasileiro.blogspot.com.br/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 09. Disponível em: <http://blogueirasnegras.org/tag/mulheres/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 10. Disponível em: <https://www.hrw.org/topic/womens-rights> Acesso em: 31 de mar. 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 39 COMPETÊNCIA DE ÁREA 4 — ENTENDER AS TRANSFORMAÇÕES TÉCNICAS E TECNOLÓGICAS E SEU IMPACTO NOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO, NO DESEN- VOLVIMENTO DO CONHECIMENTO E NA VIDA SOCIAL. Ayrton Adilson Barbosa Ferreira da Silva Alves (ayrtonadilson@gmail.com) Jhon Lennon de Jesus Ferreira (jhonjesus5@gmail.com) Wendna Mayse Amorim Chaves (mayseamorim@hotmail.com) Imagem 1. A agricultura tradicional foi o tipo original de agricultura, e tem sido pra- ticada há milhares de anos. Imagem 01. Dis- ponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/ Agronomy> Acesso em: 30 de mar. 2016. Imagem 2. Campo de batata monoculti- vado. Disponível em: <https:// en.wikipedia.org/wiki/Monoculture> Acesso em: 30 de mar. 2016. Imagem 03. Disponível em: <http:// portaldoprofessor.mec.gov.br/ fichaTecnicaAula.html?aula=6334>Acesso em: O início da agricultura ocorreu no perí- odo neolítico cerca de 4.000 anos antes de Cristo. Esse momento ficou conheci- do como revolução neolítica ou revolu- ção agrícola. A partir desse ponto co- meçou a transição do nomadismo para o sedentarismo, ou seja, o homem come- çou a se fixar em um lugar, construir melhores habitações, se dedicar à agri- cultura e à fabricação de instrumentos de bronze e prata. Devido essa mudan- ça ter ocorrido antes da invenção da es- crita
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 40 não é possível saber exatamente o momento em que isso ocorreu, contudo, as datas são calculadas a partir dos instrumentos agrícolas encontrados. A diversidade de técnicas im- plantadas ao longo de 6.000 anos a agricultura permitiram o desenvolvimento desta nas mais diversas partes do mundo, contribuindo para a criação de represas e canais que pos- sibilitaram o aumento das zonas de produção, além dos novos sistemas de produção co- mo o sistema de rotação de culturas na Idade Média, que permitiu uma reutilização mais eficiente da terra. O início da Revolução Industrial (1760) foi essencial para modernização dos pro- cesso alimentícios. Produtos enlatados, utilização de máquinas na colheita e a monocultu- ra tomaram a ordem do dia, a produção tornou-se cada vez mais rápida e quantitativa. Vender era o foco principal e isso consumiu ainda mais da força dos camponeses como também da terra. CRESCENTE FÉRTIL é o nome dado a uma região do Oriente Médio, historicamente habitada por diver- sos povos e civilizações desde os mais primitivos está- gios de evolução do homem moderno. Seu nome deri- va precisamente do fato dessa região, em forma de lua crescente, ser extremamente propícia à agricultura, literalmente "rasgando" áreas desérticas completamen- te inóspitas, impróprias para povoamento constante e estável. (Imagem 4).Adaptado de: <http:// www.infoescola.com/geografia/crescente-fertil/> ROTAÇÃO TRIENAL DE CULTURAS A rotação trienal de culturas foi uma técnica de agricultura praticada na Idade Média. Consistia em dividir um campo de cultivo em três partes, utilizando-as para diferentes cultu- ras de forma rotativa para melhor aproveitamento do solo. (Imagem 5). Adaptado de: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Rota%C3%A7%C3%A3o_trienal_de_culturas> Acesso em: 30 mar. 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 41 Com a Revolução Verde houve uma explosão na produção de alimentos, as plantações tinham a adição de fertilizantes industriais, mecanização, utilização de pesticidas e herbicida em larga escala. Essas medidas levaram a uma explosão na produção de alimentos. O princi- pal idealizador do projeto, Norman Borlaug ganhou o premio Nobel da paz pelos seus esfor- ços na luta contra a fome, entretanto, nem tudo saiu como planejado, pois, alguns problemas começaram a surgir com mais frequência. O uso de pesticidas matou grande parte das pragas mas, com o passar do tempo, elas se tornaram mais resistentes. Além disso, é importante considerar a grande quantidade de veneno que ingerimos diretamente ao consumir alimentos tratados com produtos químicos. É nesse contexto que os movimentos ambientalistas vão se impor contra os agrotóxi- cos e os alimentos transgênicos, exigindo uma alimentação com menos quantidade de agro- tóxicos, incentivando a agricultura orgânica e boicotando os alimentos transgênicos, além de protestar contra a expansão da monocultura. Imagem 6. Uso de pesticidas em planta- ção. Disponível em: <http:// plumaslibres.com.mx/2015/03/21/oms- califica-a-cinco-pesticidas-como- cancerigenos-son-muy-utilizados/> Aces- O que é a agricultura orgânica? São sistemas sustentáveis de agricultura que não permitem o uso de produtos químicos sintéticos prejudiciais para a saúde humana e para o meio ambiente, tais como cer- tos fertilizantes e agrotóxicos sintéticos, nem de organismos geneticamente modifica- dos. (Imagem 7). Adaptado de: <https:// pt.wikipedia.org/wiki/Agricultura_org%C3% A2nica> Acesso em 30 mar. 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 42 TEXTO PARA REFLEXÃO UM POUCO DE LITERATURA... O romance ―Usina‖ de José Lins do Rego retrata uma sociedade onde as rela- ções de poder eram baseadas em relações pessoais, tais quais: a endogamia, a especia- lização regional das condições de vida, de habitação e de dieta; além das restrições so- ciais às relações sexuais. Sociedade regida pelos rígidos códigos da consanguinidade e ameaçada no inicio do século XX (décadas de 20 e 40) pela dissolução das hierarquias tradicionais de classe, de raça e de sexo. Nesse período, a democratização da socie- dade, assim como da política brasileira, de- sestabilizaram as relações de poder da anti- ga aristocracia local, proporcionando o sur- gimento de novos grupos sociais (comerciantes, industriais, operários, a classe média) que, ao emergirem do processo de modernização da sociedade, proporcionaram a alteração de suas relações sociais, culturais, econômicas, de trabalho e de gênero, colaborando, assim, com o surgimento de uma sociedade de indivíduos que passavam a possuir direitos e deve- res, desligados das relações definidas como hierarquicamente superior. Neste ínterim o romance nos mostra a utopia de se restituir um mundo que ficou para trás. E por não poder revivê-lo, vemos a narrativa como ―uma forma de vingança con- tra aqueles que levaram a dissolução das relações sociais tradicionais‖. Por isso José Lins espalha em suas páginas dor, doença, melancolia, aleijões, tristezas, loucuras (ALBUQUERQUE JR, 1999: 131). (Texto adaptado: DALAVALLE, I; MATOSO, R. O. A importância da preser- vação da memória por meio dos museus. Akrópolis, Umuarama, v. 18, n. 3, p. 237-242, jul./set. 2010. Disponível em: <file:///C:/Users/Brunno/Downloads/3188-10476-1-PB.pdf> Acesso em: 30/03/16). Usina é o antepenúltimo livro do "Ciclo da cana- de-açúcar" do escritor brasileiro José Lins do Rego, seguido por Fogo Morto. (Imagem 8). Dis- ponível em: <https://www.google.com.br/search? sa=X&biw=1366&bih=623&q=Usina+(livro) &stick=H4sIAAAAAAAAAONgFuLRT9c3NEr KLUnLzjVU4gbzjAorK8tStHic8vOzgzNTUssT K4sBozPD2ysAAAA&ved=0ahUKEwiB05- ogOzLAhXMkZAKHer3D9cQxA0IcjAQ Aces- so em: 31/03/16.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 43 O romance ―Usina‖, pode ser tomado como a narrativa de um processo de destrui- ção, e ao mesmo tempo, um esforço de reconstrução de seu espaço interior e exterior a par- tir de fragmentos de vida que não mais existem. (Adaptado de: http://www.seer.ufu.br/ index.php/neguem/article/view/13599/15331 Caderno Espaço Feminino - Uberlândia-MG - v. 27, n. 1 - Jan/Jun. 2014 – ISSN online 1981-3082). TEXTO DE APOIO ―O HOMEM É AQUILO QUE COME‖: ALIMENTAÇÃO MODERNA E PRODUTOS TRANSGÊNICOS Você já se perguntou o que significa a letra ―T‖ dentro de um triângulo presente nas embala- gens de produtos industrializados? Por acaso, você tem o hábito de ler as embalagens para saber de quais ingredientes determinado alimento é constituído? No supermercado, você é capaz de identifi- car quais produtos foram feitos a partir de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados)? O consumidor pode não saber, mas a letra ―T‖ ilustrada na figura 1 é utilizada para indicar os produ- tos geneticamente modificados, ou seja, os alimentos transgênicos. Apesar de todas as informações contidas em rótulos de alimentos, o consumidor final sente- se inseguro em relação ao produto, mesmo contando com várias regulamentações que controlam e determinam que tipo de produto está sendo vendido. Isso acontece porque alguns consumidores não se sentem esclarecidos sobre as informações contidas em rótulos que, em sua maioria, são fa- bricados em outro idioma ou, até mesmo pelo fato de se tratar de ingredientes desconhecidos por quem consome. A rotulação exigida nas embalagens de alimentos transgênicos é necessária para que quem o consome tenha consciência do tipo de alimento que está ingerindo. Alguns cientistas, ambientalistas e até mesmo críticos desse processo defendem a divulgação do rótulo contendo o símbolo do trans- gênico para que o consumidor tenha a liberdade de escolher que tipo de produto pretende comprar. Após o crescimento gigantesco da produção agrícola no Brasil, principalmente a partir da década de 1970/80, quando a tecnologia desenvolvida deu as bases para o crescimento industrial, muitos dos alimentos consumidos passaram a ser oriundos desse setor. Imagem 9. Disponível em: >>http:// www.oquevocefezpeloplanetahoje.com. br/tag/alimentos-transgenicos/<< Aces- so em: 29/03/16.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 44 Para incentivar o aceleramento da produção e diversificar cada vez mais a quantidade de produtos, as industrias contaram não apenas com o desenvolvimento de técnicas para a agricultura, como também com a área da ciência genética que possibilitou o uso de semen- tes resistentes a pragas, sem necessariamente ter que ser utilizados agrotóxicos ou pestici- das. Se de um lado há quem discorde do uso de sementes geneticamente modificadas por acreditar que os transgênicos não são seguros para o uso humano e animal, levam ao aumen- to da utilização de pesticidas e causam danos ao meio ambiente, por outro, há quem defen- da o poder potencializador desses grãos e argumentam, ainda, que a agricultura feita a partir desse processo pode produzir alimentos suficientes para erradicar a fome do mundo. O Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades geneti- camente modificadas de grãos e fibras do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Contudo, é também o país que mais utiliza agrotóxicos na produção alimentar. Dentre esses grãos, destacam-se soja, milho, feijão, mamão papaia, laranja-pêra e algodão. Também ocorreram modificações em alimentos como o tomate — agora com maior durabilidade —- e na batata, mais resistente a pragas. Segundo Anderson Galvão, representante do ISAA (International Service for the Ac- quisition of Agri-biotech Applications) no Brasil, ―os transgênicos permitiram a intensifica- ção da produção global e, principalmente, brasileira, contribuindo para evitar que a agricul- tura disputasse área com reservas de biodiversidade nos 27 países em que são cultivados". (Adaptado de <http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2014/02/brasil-e-o-2-pais-que- mais-cultiva-transgenicos-diz-estudo.html> Acesso em: 31/03/16.) VOCÊ SABIA? Símbolo que identifica alimentos transgênicos pode ser extinto. Projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputa- dos e à espera de votação no Senado altera a apresenta- ção de produtos alimentícios, retirando a letra que indica a presença de transgênicos. Imagem 10. Disponível em: >>http://www.correiobraziliense.com.br/app/ noticia/cidades/2015/06/08/interna_cidadesdf,485816/simbolo-que- identifica-alimentos-transgenicos-pode-ser-extinto.shtml<< Acesso
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 45 A alimentação moderna tem contado com o ―aperfeiçoamento‖ de grãos e de outros alimentos para beneficiar a população sempre diante de gigantescas vitrines que os seduzem para o consumo acelerado de produtos industrializados, que acarretam problemas à saúde devido à quantidade de química que fazem parte de sua composição. A globalização, junta- mente com a modernização do setor agrícola, possibilitou o aumento e aparecimento de res- taurantes e indústrias que oferecem uma variedade de pratos suculentos e deliciosos, muitos deles prejudiciais ao organismo humano, como também até mesmo ao meio ambiente. São alimentos enlatados, plastificados, sempre envoltos de alguma embalagem que, além de ex- trair da natureza matéria-prima para sua fabricação, muitos deles passam pelo processo de produção que faz uso massivo de produtos químicos. No tocante à agricultura familiar, de subsistência, o pequeno agricultor para manter sua produção necessita de pequenos empréstimos ou de alguma assistência do governo atra- vés de programas sociais. Neste caso, os programas de assistência social, principalmente os de distribuição de grãos, utilizam sementes geneticamente modificadas, o que obriga o ho- mem do campo a fazer uso desse produto, transformando, assim, sua alimentação. O que são alimentos transgênicos? São frutos de modificações embrionárias realizadas em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de uma outra espécie. Alguns dos motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas (insetos, fungos, vírus e bactérias), agrotóxicos e herbicidas. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/DavidMoreiraPerry/alimentos-transgnicos-enfermagem-david- moreira > Acesso em: 29/03/16.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 46 APRENDA FAZENDO QUESTÃO 04 — ENEM 2015 CADERNO AZUL Na charge há uma crítica ao processo produtivo agrícola brasileiro relacionada ao A) elevado preço das mercadorias no comércio. B) aumento da demanda por produtos naturais. C) crescimento da produção de alimentos. D) hábito de adquirir derivados industriais. E) uso de agrotóxicos nas plantações. QUESTÃO 37 — ENEM 2011 CADERNO AZUL No Estado de São Paulo, a mecanização da colheita de cana-de-açúcar tem sido induzi- da também pela legislação ambiental que proíbe a realização de queimadas em áreas próximas aos centros urbanos. Na região de Ribeirão Preto, principal polo sucroalcoo- leiro do país, a mecanização da colheita já é realizada em 516 mil dos 1,3 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar. BALSADI, O. et al. Transformações Tecnológicas e a força de trabalho na agricultura brasileira no período de 1990-2000. Revista de Economia Agrícola. V. 49 (1), 2002. O texto aborda duas questões, uma ambiental e outra socioeconômica que integram o processo de modernização da produção canavieira. Em torno da associação entre elas, uma mudança decorrente desse processo é a A) perda de nutrientes do solo devido à utilização constate de máquinas. B) eficiência e racionalidade no plantio com maior produtividade na colheita. C) ampliação da oferta de empregos nesse tipo de ambiente produtivo. D) menor compactação do solo pelo uso de maquinário agrícola de porte. E) poluição do ar pelo consumo de combustíveis fósseis pelas máquinas. Imagem 11. Disponível em: <http://www.arionaurocartuns.com.br/charge_alimentos.shtml> Acesso em 30/03/16.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 47 SAIBA MAIS Neste vídeo, o JC Debate discute uma mudança aprovada na Câmara dos Deputados que acaba com a obrigatoriedade dos fabricantes de ali- mentos transgênicos a colocarem um selo com um "T" nas embalagens. Tempo de duração: 30 minutos e 46 segundos. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=AIahJ3LEdB8> Acesso em: 30/03/16. O TRAMAS (Trabalho, Meio Ambiente e Saú- de) vem desde 1996 construindo o Núcleo en- quanto um espaço de encontro, formação e prá- xis de pessoas que comungam o desejo de dedi- car-se a processos históricos de emancipação humana e social a partir da Universidade. Tem como foco as inter-relações entre Produção, Trabalho, Ambiente e Saúde, abordadas numa perspectiva crítica no contexto da civilização do capital. Disponível em: <http://www.tramas.ufc.br/? O Veneno Está na Mesa, documentário do cine- asta Silvio Tendler, traz o relato de especialis- tas e agricultores e coloca em xeque o atual modelo de produção de alimentos. O fato de o Brasil ser um dos maiores consumidores de agrotóxicos motivou-o a falar sobre o tema. Disponível em: <http://despertarcoletivo.com/ o-veneno-esta-na-mesa/> Acesso em: 30/03/16. O livro Primavera Silenciosa, publicado em outubro de 1962 pela bióloga norte- americana Rachel Carson, aborda os perigos que os pesti- cidas sintéticos oferecem tanto para a natureza como para os seres humanos. É considerada uma referência da ética ambiental, por incenti- var todas as gerações a reavaliarem a sua rela- ção com a natureza e a repensarem a utilização desenfreada de produtos químicos. Disponível em: <https://
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 48 RESPOSTAS COMENTADAS QUESTÃO 04 — ENEM 2015 CADERNO AZUL A charge ilustra de forma bem humorada a preocupação com a utilização de agrotóxicos no campo brasileiro. Nos últimos anos tem sido progressivo o uso de fertilizantes, adubos químicos e uso de pesticidas no Brasil, com o objetivo de aumentar a produtividade, a despeito dos prejuízos que tais substancias podem causar à saúde humana. Produtos agrí- colas como pimentão, alface e morango estão entre os campeões no uso desses produtos. (Adaptado de: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e-correcoes/2015/acompanhe-a- correcao-comentada-do-enem-2015/#amarela-1-41> Acesso em: 30/03/16). ALTERNATIVA CORRETA: Letra E QUESTÃO 37 — ENEM 2011 CADERNO AZUL A racionalização da produção com as restrições impostas às queimadas, além de assegurar à produção sustentabilidade ambiental, possibilita o aproveitamento das folhas e do baga- ço da cana. ALTERNATIVA CORRETA: Letra B
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 49 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE JR., D. A invenção do Nordeste e outras artes. Recife: Fundação Joa- quim Nabuco e Ed. Massangana; São Paulo: Cortez, 1999. CARSON, Rachel. Primavera silenciosa. São Paulo: companhia melhoramentos, 1962. DALAVALLE, I; MATOSO, R. O. A importância da preservação da memória por meio dos museus. Akrópolis, Umuarama, v. 18, n. 3, 2010. REGO, José Lins do. Usina. 12. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. SITES CONSULTADOS Resumo sobre o livro ―Usina‖. Disponível em: <file:///C:/Users/Brunno/Downloads/3188- 10476-1-PB.pdf> Acesso em: 30/03/16). Resumo sobre o livro ―Usina‖. (Adaptado de: <http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/ article/view/13599/15331> Acesso em 30/03/16. Caderno Espaço Feminino - Uberlândia- MG - v. 27, n. 1 - Jan/Jun. 2014 – ISSN online 1981-3082). Documentário 1: JC Debate. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch? v=AIahJ3LEdB8> Acesso em: 30/03/16. Documentário 2: O veneno está na mesa. Disponível em: <http://despertarcoletivo.com/o- veneno-esta-na-mesa/> Acesso em: 30/03/16. Imagem 1 — Pintura rupestre. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Agronomy> Acesso em: 30 de mar. 2016. Imagem 2 — Campo de batatas. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/ Monoculture> Acesso em: 30 de mar. 2016. Imagem 3 — Seres humanos sedentarizados. Disponível em: <http:// portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=6334>Acesso em: 30 de mar. 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 50 Imagem 4 — Crescente fértil. Disponível em: <http://www.infoescola.com/geografia/ crescente-fertil/> Acesso em: 30 de mar. 2016. Imagem 5 — Rotação trienal de culturas. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/ Rota%C3%A7%C3%A3o_trienal_de_culturas> Acesso em: 30 mar. 2016. Imagem 6 — Uso de pesticidas em plantação. Disponível em: <http:// plumaslibres.com.mx/2015/03/21/oms-califica-a-cinco-pesticidas-como-cancerigenos-son- muy-utilizados/> Acesso em: 31 de mar. 2016. Imagem 7 — O que é a agricultura orgânica? Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/ wiki/Agricultura_org%C3%A2nica> Acesso em 30 mar. 2016. Imagem 8 — Usina. Disponível em: <https://www.google.com.br/search? sa=X&biw=1366&bih=623&q=Usina+(livro) &stick=H4sIAAAAAAAAAONgFuLRT9c3NErKLUnLzjVU4gbzjAorK8tStHic8vOzgzN TUssTK4sBozPD2ysAAAA&ved=0ahUKEwiB05- ogOzLAhXMkZAKHer3D9cQxA0IcjAQ Acesso em: 31/03/16. Imagem 9 — Símbolo transgênico. Disponível em: >>http:// www.oquevocefezpeloplanetahoje.com.br/tag/alimentos-transgenicos/<< Acesso em: 29/03/16. Imagem 10 — Alimento transgênico. Disponível em: >>http:// www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/06/08/interna_cidadesdf,485816/ simbolo-que-identifica-alimentos-transgenicos-pode-ser-extinto.shtml<< Acesso em: 29/03/16. Imagem 11 — Charge. Disponível em: <http://www.arionaurocartuns.com.br/ charge_alimentos.shtml> Acesso em 30/03/16. Texto adaptado de: <file:///C:/Users/Brunno/Downloads/3188-10476-1-PB.pdf> Acesso em: 30/03/16). Texto adaptado de: http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/13599/15331 Caderno Espaço Feminino - Uberlândia-MG - v. 27, n. 1 - Jan/Jun. 2014 – ISSN online 1981-3082). Texto adaptado de: <http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2014/02/brasil- e-o-2-pais-que-mais-cultiva-transgenicos-diz-estudo.html> Acesso em: 31/03/16. Site: O TRAMAS (Trabalho, Meio Ambiente e Saúde) Disponível em: <http:// www.tramas.ufc.br/?page_id=66> Acesso em: 30/03/16. Site: PDF - Primavera silenciosa. Disponível em: <https:// biowit.files.wordpress.com/2010/11/primavera_silenciosa_-_rachel_carson_-_pt.pdf > Acesso em: 30/03/16. Questão 04 ENEM (Comentário). Adaptado de: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e- correcoes/2015/acompanhe-a-correcao-comentada-do-enem-2015/#amarela-1-41> Acesso em: 30/03/16).
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 51 Kézia Jaiane Porfírio da Silva ( keziajaiane@gmail.com) Rayan Fernades Pereira (rayan.fernando.pereira.br@live.com) Valber Nunes da Silva Mendes (valbermendes@live.com) PARA COMEÇAR A HISTÓRIA Atenas era uma cidade-estado grega que estava situada na parte central da Península da Ática, a poucos quilômetros do mar Egeu. A história política dessa Pólis — como eram conhe- cidas as cidades estado — passou por diversas transformações até chegar no cenário atual. Co- mo entender essas mudanças dos problemas da antiguidade à atualidade? Veremos adiante. Em um primeiro momento os atenienses foram governados por um rei (Monarquia) que detinha grande poder e influência. Mas, com o tempo e por meio de guerras, este modelo foi suplantado por uma oligarquia. Na oligarquia aqueles que eram ricos e bem-nascidos, ou seja, os Eupátridas, governavam de acordo com seus interesses. Foi nesta época que a vida dos mais pobres se tornou bem difícil: A escassez de terras férteis, que estavam sob a posse dos governantes, somada a um surto de crescimento populacional em- pobreceu ainda mais grande parte da população. Fo- me e escravidão por dividas eram constantes. Escravizados, enfrentando dificuldades agrá- rias e comandados por ricos que não se importavam com eles, os atenienses apoiaram uma mudança na forma de governo. Pisístrato tomou o poder da mão dos aristocratas e assumiu ―o trono‖ como um tira- no. O primeiro tirano governou visando melhorar a vida da população, mas seus sucessores foram mani- pulados pelos Eupátridas, o que gerou um clima de insatisfação entre várias camadas sociais. Revoltado, o povo tomou o poder. É nesse contexto em que a democracia surgiu. A democracia é uma forma de governo onde os cidadãos partici- pam, direta ou indiretamente, das decisões políticas. A democracia ateniense era direta: A po- pulação era livre Imagem 1 disponível em: < http://4.bp.blogspot.com/-KzqoVUfFV1E/ UUXz9j0ejaI/AAAAAAAAAFI/nTL- XbgZALA/s1600/hh.jpg > Acesso em: 1 de COMPETÊNCIA DE ÁREA 5: UTILIZAR OS CONHECIMENTOS HISTÓRICOS PARA COMPREENDER E VALORIZAR OS FUNDAMENTOS DA CIDADANIA E DA DEMO- CRACIA, FAVORECENDO UMA ATUAÇÃO CONSCIENTE DO INDIVÍDUO NA SOCIEDADE.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 52 para votar e discutir todo e qualquer tipo de proposta que fosse apresentada na Ágora. Por um lado, só quem poderia votar eram os homens maiores de vinte e um anos. As mulheres, crianças, escravos e estrangeiros não possuíam qualquer poder ou influência. Apesar dos limites que vimos, estabeleceram-se na Grécia as bases para o sistema político ocidental, baseado na Democracia Representativa. A partir dela, o povo exprime sua vontade elegendo, através do voto, representantes para tomar as decisões em favor da maioria. Por isso que o voto deve ser universal: para que todos os cidadãos possam exprimir a sua vontade, colo- cando alguém capacitado que o represente. No entanto, parte significativa da população tem ven- dido seu direito de escolha e decisão por barganhas e favores. Isto faz com que os políticos que assumem o poder descumpram a confiança depositada através do voto e, ao invés de representar o povo e a maioria, legislem em benefício próprio. Foi o que aconteceu, por exemplo, nos últimos anos na Grécia. Há muitos anos o governo grego gastou mais do que tinha, ano após ano as dívidas contraídas foram superiores ao montante que havia sido arrecadado com os impostos. Assim, a situação foi ficando cada vez pior e a saída encontrada pelas autoridades foi realizar empréstimos para quitar os débitos. A cada empréstimo realizado, uma nova dívida era contraída e os gastos não eram controlados. Podemos perceber que neste momento a população não participou das decisões, pois eram os representantes, eleitos pelo povo, quem as tomavam. Resultado: em 2008, quando a crise imo- biliária dos EUA afetou a economia mundial e os juros dispararam, os bancos que emprestaram dinheiro a Grécia, começaram a cobrar, e caro. A Troika (uma associação financeira formada pelo FMI, Banco Central Europeu e Comis- são Europeia) ainda concordou em continuar emprestando somas bilionárias desde que o primei- ro ministro grego tomasse medidas de ajuste econômico e fiscal. De início, exigiram que fossem feitas reformas na previdência, depois afirmaram que seria necessário legalizar as demissões em massa, cortar gastos com programas sociais e aumentar os impostos. Toda essa situação gerou uma crise sem precedentes, eis alguns pontos mais alarmantes desta situação:  O desemprego chegou a 26%. Entre os mais jovens essa taxa era de 60%;  Estima-se que 800 mil gregos não tinham acesso a serviços médicos;  Centenas de empresas declararam falência em todas as regiões do país; A população mais pobre, foi a que mais sofreu com esta realidade. Em desespero, e bus- cando uma alternativa, nas eleições, escolheram outro governo para o poder em 2015,
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 53 Alexis Tsipras venceu as eleições com a missão de pôr fim ao ajuste fiscal e propor melhores condi- ções sociais para a população. No entanto, o cenário não era favorável: os índices da dívida chegaram a 177% do PIB nacional, isto é, se tudo que fosse produzido no país fosse destinado ao pagamento da dívida ainda assim não seria possível saná-la. Diante deste impasse, o primeiro mi- nistro convocou um referendo (participação direta do povo, para confirmar ou rejeitar alguma medida do governo) para saber a opinião da população. A questão era se o país devia ou não aceitar as condições im- postas pela Troika para pagamento da dúvi- da, No dia 15 de julho de 2015 os gregos disseram ―não‖ ao capital financeiro que queria interferir diretamente na soberania popular. Naquele ano os gregos lutaram, assim como haviam lutado na antiguidade, pelo direito de decidirem o que é melhor para sua nação. Atualmente, a Grécia está encami- nhando uma recuperação que perpassa todos os setores. Ao passo que, a permanência no bloco da União Europeia impõe regras para esse novo momento de reajuste da sociedade, tendo em vista que a Troika exerce a função de controle econômico aos países pertencentes ao bloco, isto é, a batalha dos gregos ainda continua ganhando novos capítulos em relação ao capital transnacional e financeiro das elites europeias. TEXTO PARA REFLEXÃO ―Ditadura Militar Brasileira: Democracia ou Autoritarismo?‖ Democracia é um termo utilizado para designar uma forma de governo na qual o poder político é praticado pelo povo através do voto ou sufrágio universal. Nesta forma de governo, o povo elege os seus representantes que serão responsáveis por representa-los, tomando decisões importantes para o benefício do todo. Por outro lado, o autoritarismo configura-se como sendo o oposto da democracia, sendo que nesta outra forma de governo o poder é exercido de forma a impor seus ideais para um conjunto de pessoas utilizando de coerção para leva-los à obediência ainda que por meio de mecanis- mos de força. Imagem 2 disponível em: < http://s2.glbimg.com/jQ- YGS4HyMSZxG_iPmArju7fOu4=/e.glbimg.com/og/qed/f/ original/2015/07/05/grecia-comemoracao1.jpg Acesso em
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 54 A partir das definições apresentadas é possível realizarmos uma breve análise de como o poder político foi exercido no período intitulado de Ditadura Militar no Brasil. Para tal é preciso compreendermos o que foi a ditadura? Quando ocorreu? E quem foram seus principais represen- tantes? Essas são indagações básicas para entendermos esse momento da história política do nosso país. A ditadura militar ou golpe de 64, como costuma ser retratada por muitos, foi um movimento organizado em função da insatisfação com o poder político que estava em vigor, o governo de João Goulart (1961-1964), o qual antes de assumir o poder executivo , foi o vice pre- sidente do Jânio Quadros. Goulart ou Jango, assumiu uma posição de reformista que causou in- quietações nos seus opositores conservadores e até mesmo nos EUA, os quais temiam que Jango com suas ideias de reforma na economia e em outros setores da administração pública brasileira, fosse responsável por desencadear um golpe comunista no país. Fato é que essa desestabilidade política abriu caminho para a tomada do poder por um grupo de militares no ano de 1964 estendendo-se até 1985. O primeiro militar eleito pelo Con- gresso para assumir a presidência foi o Marechal Castelo Branco (1964-1967), na sequência vie- ram, Costa e Silva (1967-1969), Governo da Junta Militar (de agosto de 1969 a outubro do mes- mo ano), Médici (1969-1974), Geisel (1974-1979) e, encerrando o período de governo dos mili- tares, Figueiredo (1979-1985). A princípio o Marechal Castelo Branco ascendeu ao poder com um discurso democrático, entretanto, logo apareceu em seu governo os traços do autoritarismo político, quadro este que pode ser percebido não apenas em seu período de gestão, mas foi uma característica predominante em todo o regime militar brasileiro. As repressões, os mandados de cassação aos opositores, as cenas de tortura que são por vezes relembradas, a censura, enfim, de modo geral, isso foi o que caracterizou a ditadura militar no Brasil. Nesse sentido não podemos afirmar que nesse momento histórico de nosso país tenha havido a presença da democracia, já que por definição, esta, nada tem que ver com o modelo de governo descrito. Imagem disponível em: <https:// www.google.com.br/search? espv=2&rlz=1C1VFKB_enBR629BR629& biw=1600&bih=731&tbm=isch&q=ditadur a+militar+torturas&revid=1891585584&sa =X&ved=0ahUKEwiP7YSQybTMAhUHh ZAKHVRkBMcQ1QIIHA#imgrc=0jibxLS K7tASpM%3A> Acesso em: 29/04/2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 55 TEXTO DE APOIO Em tempos de crise econômica, qual a função da sociedade? Naquele momento a Península Ibérica (Portugal e Espanha) se sol- tava e se desprendia da Europa. Não fazia mais parte do velho continente. A rachadura, marcada pelo traço feito por Joana Carda com seu cajado no solo, criava um abismo e deixava o monte dos Piri- neus para trás. Os habitantes dessa jangada de pedra: Joana Carda, José Anaiço, Joaquim Sassa, Pe- dro Orce, Maria Guavaira e até o cachorro Ardent, já haviam presenciado sinais que demonstravam que muitas coisas estavam erradas. A fissura criada por Joana Carda com seu cajado, a qual não de- saparecia; vários pássaros acompanhavam os caminhos de José Anaiço; a pedra lançada ao mar que nunca afundava, mas que deslizava sobre a água e flutuava, também assustou Joaquim Sassa; Pedro Orce sentiu abaixo de seus pés, o chão tremer, que nem mesmo os aparelhos de medição sismológica conseguiam sentir essa vibração; o novelo de lã de Maria Guavaira nunca acabava, se desenrolava produzindo cada vez mais fios e o cão Ardent, percebeu que abaixo de suas patas uma fenda se abria. Esses sinais se con- cretizaram: a separação da Ibéria havia se consumado. Restaram esses aventureiros a seguirem o caminho das marés que os leva- vam a alguma nova parada, um novo ancoradouro, libertos do preconceito e do mal estar que domi- nava o continente europeu desde os tempos medievais. Por que trazer essa literatura produzida em 1986 para os dias de hoje? Qual a comparação que podemos fazer com a Grécia e a Islândia? Por que o exemplo Ibérico da jangada de pedra, serve para a situação destes países que se colocaram contrários à crise econômica? Imagem 3 disponível em: < http://livraria.folha.com.br/livros/literatura- portuguesa/jangada-pedra-edi-bolso-jos-saramago-1020097.html > Acesso em 29 de Abril de 2016. José Saramago foi um escritor português, que em 1986, publicou o romance A Jangada de Pedra como forma de criticar a inserção dos países ibéricos, isto é, Portugal e Espanha, no bloco econômico da Uni- ão Europeia. Para este autor, estes países deveriam gerir suas próprias economias, portanto, não se submeter às imposições vindas de outros Imagem (4) do filme, a Jangada de Pedra. Disponível em: < http://www.culturafnac.pt/?attachment_id=122436 > Aces-
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 56 Para entender o que José Saramago critica é preci- so perceber que no momento em que ele escreve a obra, o bloco econômico da União Europeia (UE) estava sendo criado. Neste contexto, uma das características mais mar- cantes da economia mundial era (e ainda é) o processo de globalização, em outras palavras, as economias ficam in- terligadas a partir de associações que são criadas entre os países. Aliás, o que isto tem a ver com os problemas atuais? A crise mundial no setor imo- biliário estadunidense em 2008 detonou uma cadeia de outras crises. E a Europa adentrou em um período de recessão. As economias europeias, de um modo ou de outro, sentiram os impactos pela falta de investimentos e recursos. Nesta dinâmica regional, as economias de menor porte, como por exemplo, Portugal, Espanha, Islândia e Grécia vivenciaram diversos problemas. Assim como na jangada de pedra de José Saramago, em que vários sinais come- çaram a surgir para indicar que algo estava errado. Pela Europa os sinais da recessão econômica fo- ram sendo ativados. No caso da Grécia, a contração de empréstimos à Troika (FMI — Fundo Monetário Internacional, o BCE — Banco Central Europeu e a Comunidade Europeia) levou o país a um endividamento in- controlável, que correspondia em 2015, cerca de 177% do PIB — Produto Interno Bruto. Neste mesmo ano, os líderes europeus encaminharam medidas para que o povo grego pagasse esta dívi- da. A população se organizou, foi às ruas, exigiu que o governo não se responsabilizasse com a dívida externa mas sobretudo, com a sociedade grega, e através de um plebiscito dis- se não ao pagamento das dívidas. Imagem (5). Conheça mais sobre a UE, no link: < http://europa.eu/ index_pt.htm > Acesso em 26 de Imagem 6 disponível em: http:// pinderico.blogspot.com.br/2015/02/a-crise-grega -em-imagens.html . Acesso em 29 de Abril de
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 57 Um caso semelhante aconteceu na Islândia. Em troca do auxílio financeiro no enfrentamento da crise, a Islândia deveria seguir à risca as medidas de austeridade impostas pelo FMI e pela União Europeia. A população levaria quinze anos para quitar a dívida. Não aceitando esta situação, a popu- lação contrária à proposta do governo, rechaçou as medidas, e através de um referendo, promoveu mudanças políticas que garantiram à estabilidade econômica. Essas ações populares fizeram com que estes países, Grécia e Islândia fossem na contramão da crise econômica da União Euro- peia. ―O poder do povo‖ fez com que a Islândia não entrasse em recessão econômica. Disponível em: < http://www.carosamigos.com.br/index.php/economia/5562- islandia-ja-prendeu-26-banqueiros-e-financistas-por-crise-de-2008 > Acesso em 27 de Abril de 2016. ―Parar a opressão‖; ―Parar a Corrupção‖. Eram as palavras dos islandeses durante protesto. Disponível em: < http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/24823/ islandia+mostrou+o+caminho+ao+rechacar+a+austeridade.shtml > Acesso em 27 de Abril de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 58 APRENDA FAZENDO ENEM 2015 O que implica o sistema da pólis é uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. A palavra constitui o debate contraditório, a discussão, a argumentação e a polêmica. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim como do jogo políti- co. VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado). Na configuração política da democracia grega, em especial a ateniense, a ágora tinha a fun- ção a) agregar os cidadãos em torno de reis que governavam em prol da cidade. b) permitir aos homens livres o acesso às decisões do Estado expostas por seus magistra- dos. c) constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para deliberar sobre as questões da comunidade. d) reunir os exércitos para decidir em assembleias fechadas os rumos a serem tomados em caso de guerra. e) congregar a comunidade para eleger representantes com direito a pronunciar-se em assembleias. ENEM - 2010 Ato Institucional nº 5 Art. 10 - Fica suspensa a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular. Art. 11 – Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos. Disponível em: http://www.senado.gov.br. Acesso em: 29 jul. 2010. Nos artigos do AI-5 selecionados, o governo militar procurou limitar a atuação do poder ju- diciário, porque isso significava a) a substituição da Constituição de 1967 b) o início do processo de distensão política c) a garantia legal para o autoritarismo dos juízes. d) a ampliação dos poderes nas mãos do Executivo. e) a revogação dos instrumentos jurídicos implantados durante o regime militar de 1964
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 59 DOCUMENTÁRIO ―CATASTROIKA: a privatização da democracia‖. O documentário Catastroika, demonstra como o go- verno grego foi adentrando em um período de recessão econômica, e as graves implicações que isto ocasionou para a população, bem como foi a partir da mobiliza- ção da sociedade que as reformas de austeridade foram rejeitadas. Disponível em: < https://www.youtube.com/ watch?v=Qam7h1jMIwI > Acesso em 28 de Março de 2016. LIVRO A JANGADA DE PEDRA. A Jangada de Pedra foi lançado em 1986, e colocou na metáfora da separação dos países ibéricos, uma discussão presente naquele contexto, tendo vista que Portugal e Espanha estavam se articulando para entrar no bloco econômico da União Europeia. A visão críti- ca do autor, coloca em discussão essa forma de junção econômica, e os prejuízos que os países menores so- frem devido a esta união. Livros que é ditadura? E democracia? Quais são as diferenças entre uma e outra? Pensando nisso, a Boitempo Editorial traz ao público infanto juvenil a coleção Livros para o Amanhã, composta de quatro livros: A democracia pode ser assim; A ditadura é as- sim; O que são classes sociais?; e As mulheres e os homens. “ Disponível em < http:// www.plataformadoletramento.org.br/em- revista/1007/livros-para-o-amanha- democracia-e-ditadura.html > Acesoe em 10/09/2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 60 ENEM 2015 ―Na concepção urbanística dos antigos gregos, a ágora era a praça central da pólis, na qual se reuniam os cidadãos. No caso dos regimes democráticos, especialmente o ateniense, era ali que a Eclésia (assembleia dos cidadãos) se reunia para decidir sobre os assuntos de interesse público, o que configurava a prática da democracia direta.‖ (Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e-correcoes/2015/acompanhe-a-correcao- comentada-do-enem-2015/index.htm?prova=azul&correcao=2#azul-1-28> ) ALTERNATIVA CORRETA: Letra ―C‖. ENEM - 2010 A Ditadura Civil-Militar outorgada em 1964, teve a partir do Ato Institucional n° 5, um mai- or acirramento das ações que pressionavam os grupos que se colocavam em oposição ao re- gime ditatorial vigente. As perseguições passaram a ser mais contundentes, as torturas, a censura e o clima de policiamento das ações sociais ocorriam sob o signo da violência, sob uma ―justificativa‖ de combate ao comunismo. Ao mesmo tempo que, havia na conduta dos generais-presidente, um alinhamento econômico às políticas liberais, abrindo espaço para várias empresas estrangeiras em território nacional. ALTERNATIVA CORRETA: Letra ―D‖ .
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 61 REFERÊNCIAS IImagem 1. Disponível em: < http://4.bp.blogspot.com/-KzqoVUfFV1E/UUXz9j0ejaI/ AAAAAAAAAFI/nTL-XbgZALA/s1600/hh.jpg > Acesso em: 1 de Março de 2016. Imagem 2. Disponível em: < http://s2.glbimg.com/jQ-YGS4HyMSZxG_iPmArju7fOu4=/ e.glbimg.com/og/qed/f/original/2015/07/05/grecia-comemoracao1.jpg Acesso em 1 de Abril de 2016. Imagem 3.Disponível em: < http://livraria.folha.com.br/livros/literatura-portuguesa/jangada- pedra-edi-bolso-jos-saramago-1020097.html > Acesso em 29 de Março de 2016. Imagem 4. Disponível em: http://pinderico.blogspot.com.br/2015/02/a-crise-grega-em- imagens.html . Acesso em 29 de Março de 2016. Artigos SANTOS, Boaventura Sousa. Portugal diante da opção jangada de pedra. Disponível em: < http://outraspalavras.net/posts/portugal-diante-da-opcao-jangada-de-pedra/ > Acesso em 27 de Março de 2016. AMORIM, Claudia. Nas fissuras da península e do sujeito: A jangada de Pedra, de José Sa- ramago. IPOTESI, Juiz de Fora. v.15, n.1, p.111-118, jan./jun. 2011. Disponível em: < http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2012/03/14-fissuras.pdf > Acesso em 28 de Março de 2016. MARTINS, Antônio. Grécia x Troika: confronto adiado. Disponível em: < http:// outraspalavras.net/posts/grecia-x-troika-confronto-adiado/ > Acesso em 29 de Março de 2016. CALEIRO, João Pedro. 4 Gráficos para entender o tamanho da encrenca da Grécia. Disponí- vel em: < http://exame.abril.com.br/economia/noticias/4-graficos-para-entender-o-tamanho- da-encrenca-na-grecia > Acesso em 29 de Março de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 62 RODGERS, Lucy. STYLIANOU , Nassos. Em números: como a crise piorou a vida dos gre- gos. Disponível em: < http://www.bbc.com/portuguese/ noticias/2015/07/150716_situacao_grecia_rb > Acesso em 30 de Março de 2016. Significado de Democracia. Disponível em: < http://www.significados.com.br/democracia/ > Acesso em 30 de Março de 2016. Diferença entre Referendo e Plebiscito. Disponível em: < http://www.infoescola.com/ direito/diferenca-entre-referendo-e-plebiscito/ > Acesso em 25 de Julho de 2016. Vídeos Crise da dívida grega. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch? v=rNZGVFhzbDM > Acesso em 28 de Março de 2016. A crise da Grécia e a ascensão do Syriza. Disponível em: < https://www.youtube.com/ watch?v=8Sw4Efdblkc > Acesso em 28 de Março de 2016. Catastroika: a privatização da democracia. Disponível em: < https://www.youtube.com/ watch?v=Qam7h1jMIwI > Acesso em 28 de Março de 2016. Questão do Enem Questão 28: Disponível em: < http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/ provas/2015/CAD_ENEM%202015_DIA%201_01_AZUL.pdf > Acesso em 27 de Julho de 2016. Resposta comentada da questão 28 do Enem Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/provas-e-correcoes/2015/acompanhe-a- correcao-comentada-do-enem-2015/index.htm?prova=azul&correcao=2#azul-1-28> Acesso em: 27 de Julho de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 63 COMPETÊNCIA DE ÁREA 06— COMPREENDER A SOCIEDADE E A NATUREZA, RECONHECENDO SUAS INTERAÇÕES NO ESPAÇO EM DIFERENTES CONTEXTOS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS. Jean Lucas Cavalcanti (Jeanmarinhocavalcanti@outlook.com) Larissa Albuquerque M. Almeida (larissaalmeida380@gmail.com) Roberta dos Santos Araújo (roberetinhasantos92@hotmail.com) PARA COMEÇAR A HISTÓRIA O personagem Homer Simpson, no desenho anima- do, trabalha em uma usina de energia nuclear. Ele segura um pedaço de material radioativo, de uma maneira totalmente irresponsável. < http:// www.taringa.net/comunidades/ impacientes/2310492/Homero-simpson-energia- nuclear-responsable.html >. Acesso em 29/03/2016. Réplica da bomba atômica de plutônio jogada em Nagasaki, em agosto de 1945. A bomba destruiu a cidade japonesa e finalizou a Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos EUA. < http:// historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/ hiroshima-e-nagasaki-bombas-e-terror.htm >. Acesso em 29/03/2016. Em uma entrevista encontrada no youtube ( < https://www.youtube.com/watch? v=P0eaMvAHI_4> ) , vemos um homem visivelmente emocionado, com a voz trêmula e com lágrimas nos olhos. Este homem é Robert Oppenheimer, o físico norte-americano que alguns atrás, em 1942, dirigiu o Projeto Manhattan. O projeto tinha uma finalidade: desenvolver duas poderosas bombas atômicas, altamente destrutivas, que levariam os Es- tados Unidos a vencerem a Segunda Guerra Mundial. Robert Oppenheimer e sua equipe conseguiram alcançar o objetivo, mas o mundo não seria mais o mesmo depois da explo- são das duas bombas atômicas, nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão. Na entrevista, Oppenheimer diz que, ao assistir a explosão das bombas atômicas, lembrou-se do seguinte verso do livro sagrado indiano Baghawad-Gita: ―Agora, transfor- mei-me na morte, a destruidora de mundos‖.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 64 Mas esse não é o começo, nem tampouco o fim da história. A destruição causada pelas armas nucleares são o lado obscuro de uma descoberta que revolucionou a ciência e o pensa- mento humano: o átomo. Vamos retornar a meados do século VI a.C. para começar a enten- der esta história. Desde a Grécia Antiga o homem buscava o conhe- cimento do elemento fundamental, o bloco de construção de todo o universo. Vários filósofos perderam o sono pro- curando descobrir aquilo que seria o elemento primordial, a base de tudo que existe. Eles discutiam, uns dizendo que a água era o elemento primordial, outros que era o fogo ou a terra. Empédocles reuniu estes quatros elemen- tos e declarou que o universo possui exatamente quatro raízes: água, terra, fogo e ar, e tudo que existe é constituí- do por eles. Este debate durou muito tempo. A pergunta é tão complexa que a questão nunca seria resolvida . Até que o filósofo Leucipo surgiu com a ideia de uma partícula base de todo o universo. Ele fundou a escola atomista, a qual seria desen- volvida por outro importante filósofo, chamado Demócrito. Mas, no que acreditavam os ato- mistas? Eles diziam que o Universo é constituído de duas coisas: os átomos e o vazio. Qual- quer matéria, qualquer coisa, poderia ser dividida até um limite, onde se tornaria indivisível. Esta partícula foi chamada de ÁTOMO, em grego, ― não divisível‖. Os atomistas acredita- vam que todos os elementos da natureza seriam compostos por estas partículas indestrutíveis, indivisíveis e infinitamente minúsculas. A ideia do átomo mostrava-se bastante plausível, mas não havia a possibilidade real de provar a sua existência. A ciência e a tecnologia ainda não haviam se desenvolvido o sufi- ciente para comprovar a realidade do átomo, portanto ele só existia de fato na imaginação dos filósofos. Mais tarde, a alquimia seria desenvolvida, e a ciência sobre os elementos da nature- za seria baseada na magia e no esoterismo. Principalmente durante a Idade Média, os alqui- mistas desejavam encontrar a tão sonhada pedra filosofal, que eles acreditavam ter o poder de transformar qualquer metal em ouro, como também tornar a vida eterna. Por muito tempo os filósofos e os alquimistas acreditaram que todas o universo era composto destes elemen- tos. < https:// radaresoteri- co.wordpress.com/2013/02/22/191/ >. Acesso em 29/03/2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 65 Mais tarde, na Idade Moderna, os cientistas descobririam como transformar o átomo de um elemento em um átomo de outro elemento. Seria a pedra filosofal dos alquimistas? Talvez sim, apenas com a diferença de que o que os físicos Otto Hahn e Fritz Strassman fi- zeram em 1938 foi romper um átomo de Urânio para encontrar partículas de um outro ele- mento mais leve, o Bário. A descoberta de que o núcleo do átomo pode ser bombardeado e literalmente rompido foi crucial para que as bombas atômicas pudessem ser construídas al- guns anos depois. Mas continuemos a história da descoberta do átomo. Só em 1905 a realidade do átomo foi finalmente aceita pela Física, a ciência que des- de o século XVII buscava se estabelecer como ciência moderna. Chegamos, então, à conclusão de que o áto- mo é real. Mas quando se trata da história do átomo, uma coisa é certa: À medida em que uma pergunta é respondida, surgem outras milhares, mais e mais com- plexas. Em 1911, Ernest Rutherford estabeleceu a com- preensão moderna do átomo: um núcleo carregado po- sitivamente em torno do qual circulam os elétrons, car- regados negativamente. Para além disso, o átomo é qua- se inteiramente espaço vazio. Nessa época, os debates em torno das descober- tas sobre o átomo eram intensos e polêmicos. A Física Quântica dizia que o mundo subatômico tem suas próprias leis, totalmente desconhecidas pela Física tradicional, e que para compreender o funcionamento do átomo e de suas partí- culas é necessário repensar as leis que regem o universo. Junto com as polêmicas, as descobertas avançavam. Em 1932, Chadwick descobriu outra parte do átomo: os nêutrons. Esta partícula subatômica não possui carga elétrica. Tal característica do nêutron está na base da descoberta de Otto e Fritz. Basicamente, estes cien- tistas bombardearam o núcleo de um átomo de Urânio com um nêutron de outro átomo, fa- zendo com que ele se partisse, liberando energia nesse processo. Esse procedimento é co- nhecido como Fissão Nuclear. É com ele que o homem descobriu ser possível gerar energia nuclear para abastecer uma cidade ou transformá-la em poeira radioativa com uma bomba atômica no dia 6 de agosto de 1945. Equipamento utilizado na primeira fissão atômica da história. < https:// commons.wikimedia.org/wiki/ Fi- le:Nuclear_Fission_Experimental_Appa ratus_1938_-_Deutsches_Museum_- _Munich.jpg >. Acesso em 29/03/2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 66 TEXTO PARA REFLEXÃO As duas imagens acima ilustram dois dos maiores acidentes envolvendo a atividade atômica: o desastre de Chernobil, na Ucrânia, onde um dos reatores da usina nuclear explodiu e ocasionou um incêndio que espalhou partículas de radioatividade na atmosfera atingindo boa parte da população da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS); e o vazamento de Césio-137 na cidade de Goiânia, Goiás, em 1987. O material foi encontrado em uma cápsula que estava nos escombros de um centro de radiologia desativado. Os dois eventos se enquadram no histórico de acidentes ambientais causados pela ação direta do ho- mem, em ambos os casos registrou-se prejuízos de ordem econômica, social e ambiental. São notórios os benefícios que a atividade nuclear trouxe para o homem. Contribui na medicina, no diagnostico e tratamento de doenças como o câncer; a energia provenien- te desta fonte é considerada a mais limpa, pois evita a emis- são de gases responsáveis pelo efeito estufa; é usada para esterilização de lixo orgânico e hospitalar, entre outros pon- tos. Porém, quando ocorrem acidentes, estes são desastrosos e, em certos casos, irreparáveis. A cidade de Chernobil é um exemplo claro do lado obscuro da atividade atômica. Imagens do desastre nuclear de Chernobil, Ucrânia. https:// discrepanciadodesstino.files.wordpress.com/2011/12/ tumblr_lx1jrcxnkh1qfndy0o1_500.jpg . Acesso em 01 de Imagens emblemáticas do acidente com Césio-137, Goiâ- nia-GO. Disponível em:<http://1.bp.blogspot.com/_yq591VLFI/ UFHLq8nJEeI/AAAAAAAAHzY/MckLbSr0UaE/s640/ C%25C3%25A9sio-137-300x226.jpg>Acesso em 01 de
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 67 Em 26 de abril de 1986, há trinta anos atrás, a catástrofe da usina nuclear de Cher- nobil entrou para a história. A radiação, espalhada após a explosão do reator 4 da Usina, fez 31 vitimas fatais, a cidade ficou impossibilitada para a habitação humana, a população foi retirada dos arredores da usina e inúmeros foram os afetados pela radiação liberada pelo de- sastre. Os prejuízos ambientais são incontáveis: a água foi contaminadas pelas partículas radi- oativas, animais e plantas dizimadas pelas altas cargas de radiação, o solo foi altamente atin- gido, a cadeia alimentar era um meio de propagação radioativa: animais produtores de lacticí- nios se alimentavam de plantas do solo contaminado e, consequentemente os moradores con- sumiam os lacticínios envenenados derivados destes animais e contraíram doenças. Hoje, Chernobil é uma cidade fantasma. No Brasil, o acidente radiológico de Goiânia completará 29 anos em 2016, e ainda hoje muitas são as preocupações e incertezas em relação ao tratamento que é dado ao lixo radioativo em nosso país. O episódios com o Césio-137, que vitimou 4 pessoas e contami- nou dezenas, é caracterizado por uma série de falhas no manuseio e descarte de materiais radioativos: o local onde a cápsula de Césio foi encontrada mostra a negligência das autoridades competentes em fazer o descarte apropri- ado do lixo. Outro problema foi o destino dos rejeitos provenientes das demolições das casas e dos objetos onde foram identificados altos índices de radiação. Protestos e debates eclodi- ram para que fosse proibido o depósito destes materiais no Estado de Goiânia, ao mesmo tem- po em que outros Estados se levantavam contra a transferência deste material para o seu es- paço. Ambos os episódios servem para que possamos refletir: os benefícios da atividade atô- mica superam os perigos aos quais estamos expostos em casos de acidentes como os que fo- ram apontados acima? Existem políticas publicas viáveis e eficazes, em nosso país, para o manuseio e descarte de lixo radioativo? Quase três décadas depois destes desastres continua- mos a mercê de muitas duvidas. Movimentos em todo o mundo, após o acidente em Cher- nobyl, reivindicavam o fim das usinas nucleares; Moradores de Goiânia protestaram para que as vítimas não fossem sepultadas no cemitério da cidade, amedrontados pelo perigo da conta- minação radioativa. Estamos preparados para correr os ricos da energia limpa? <http:radioatividade3e.blogspot.com.br/2013/04minimizac aodosefeitosdaradiacao.html> acesso em 30 /03/2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 68 TEXTO DE APOIO A Rosa de Hiroshima Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A antirrosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada. Ano da letra: 1954; Ano da música: 1974. Letra: Vinícius de Morais. Música: Gerson Conrad. Vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ryC5v65Gyrg Durante a historia da humanidade pôde-se perceber que o mundo passou por vários conflitos motivados por ocupação territorial e inclusive, vários desses conflitos causaram mudanças no que se referem à localização dos países e continentes no Mapa Mundi. Um desses confli- tos foi a Segunda Guerra Mundial, que ocorreu entre os anos de 1939 e 1945. Um dos princi- pais motivos para o início da Guerra, foi o surgimento de governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas, na década de 1930. O marco que deu início ocorreu em 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. Durante o desenrolar do conflito, vá- rios países se envolveram de maneiras diferentes. Um desses países foi os Estados Unidos, que teve influência bélica e que cedeu armamento pesado a França, a Inglaterra e a URSS derrotando, assim, os países do Eixo ( Alemanha, Itália e Japão ). No desfecho da Disponível em:<https:// discrepanciadodessti- no.files.wordpress.com/2011/12/ tumblr_lx1jrcxnkh1qfndy0o1_500.jpg> acesso em 01 de mai. de 2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 69 Da Segunda Guerra Mundial, houve uma demonstração nuclear estadunidense que detonou uma bomba nuclear denominada de Little Boy (Pequeno Menino) sobre a cidade de Hiroshi- ma. Vale ressaltar que esse ataque causou a morte de cerca de 250 mil pessoas, além de cau- sar enfermidades como queimaduras, cegueira, surdez, cânceres, entre vários outros tipos de doenças. O desastre não se resumiu apenas à perda de vidas e nem à saúde dos que sobrevi- veram, mas também a desastres ambientais que trouxeram vários prejuízos à população, não apenas da época: atingiu gerações posteriores as quais sofrem até os dias atuais.Foram chu- vas ácidas que contaminaram rios, lagos e plantações, além de devastação de toda a vegeta- ção. APRENDA FAZENDO Questão 1— ENEM (2011) PROVA AZUL O acidente nuclear de Chernobyl revela brutalmente os limites dos pode- res técnico-científicos da humanidade e as ―marchas-à-ré‖ que a ―natureza‖ nos pode reser- var. É evidente que uma gestão mais coletiva se impõe para orientar as ciências sociais e as técnicas em direção a finalidades humanas. GUATTARI, F. As três ecologias. São Paulo: Papirus, 1995 (adaptado). O texto trata do aparato técnico-científico e suas consequências para a humanidade, propondo que esse desenvolvimento A. Defina seus projetos a partir de interesses coletivos. B. Guie-se por interesses econômicos , prescritos pela lógica do mercado. C. Priorize a evolução da tecnologia, se apropriando da natureza. D. Promova a separação entre natureza e sociedade tecnológica. E. Tenha gestão própria, com o objetivos de melhor apropriação da natureza.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 70 Questão 2 — ENEM (2007) PROVA AMARELA Um poeta habitante da cidade de Poços de Caldas - MG assim externou o que estava acontecendo em sua cidade: Hoje, o planalto de Poços de Caldas não Serve mais. Minério acabou. Só mancha, ―nunclemais‖. Mas estão ―tapando os buracos‖, trazendo para cá ―Torta II‖. Aquele lixo do vizinho que você não gostaria de ver jogado no quintal da sua casa. Sentimentos mil: o povo, do poeta e do Brasil. Hugo Pontes. In? M.E.M Helene. A radioatividade e lixo nuclear. São Paulo: Solpione, 2002, p. 4. A indignação que o poeta expressa no verso ―Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil‖ está relacionado com A. A extinção do minério decorrente das medidas adotadas pela metrópole portuguesa para explorar as riquezas minerais, especialmente de Minas Gerais. B. A decisão tomada pelo governo brasileiro de receber lixo tóxico oriundo de países do Cone Sul, o que caracteriza o chamado comércio internacional de lixo. C. A atitude de moradores que residem em casas próximas umas das outras, quando um deles joga lixo no quintal vizinho. D. As chamadas operações tapa-buraco, desencadeadas com o objetivo de resolver pro- blemas de manutenção das estradas que ligam cidades mineiras. E. Os problemas ambientais que podem ser causados quando se escolhe um local para
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 71 SAIBA MAIS Revista Quanta energia! Esta publicação apresenta curiosidades sobre a Energia Nuclear, e oferece um momento de encontro e debate entre aqueles que produ- zem, usufruem e vivem as consequências dos mais diferentes usos criados a partir dessa grande força contida em um mundo muito pe- queno. (adaptado) Disponível em: <https:// www..casadaciencia.ufrj.br> acesso em 30 de mar. 2016. Filme Césio 137: o pesadelo de Goiânia Dirigido por Roberto Pires, o longa metragem narra o maior acidente radiológico do Brasil, o vazamento do Césio-137. A trajetória dos catadores de lixo que encon- traram a cápsula com o material, circulação do material pela cidade de Goiânia e a trágica morte dos indivíduos contaminados são abor- dados na trama. Disponível em: <http// m.youtube.com/watch?v=G9vaVoYK4i8> acesso em:30 de mar. 2016 Documentário O desastre de Chernobyl O documentário mostra o desastre nuclear de Chernobyl. O reator 4 da usina nuclear explo- diu e em 26 de abril de 1986 e espalhou uma enorme quantidade poeira radioativa pela Ucrânia., no vídeo é possível ter uma noção do que ocorreu na usina. Disponível em: <http://m.youtube.com/watch?v=G9vaVoYk> acesso em: 30 de mar. 2016
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 72 RESPOSTAS COMENTADAS Questão 1— ENEM (2011) PROVA AZUL A questão 1, que dialoga diretamente com os textos desta competência, traz uma discussão que merece atenção: os cuidados com a energia nuclear. Diante dos benefícios e malefícios que esta energia pode oferecer, faz-se necessário uma gestão coletiva dos aparatos tecnoló- gicos para que possam garantir mais segurança à sociedade em geral. Neste sentido, a alter- nativa que mais se aproxima do questionamento posto na questão é a alternativa A. ALTERNATIVA CORRETA: Letra A Questão 2 — ENEM (2007) PROVA AMARELA Por meio de versos o poeta expressa a sua indignação com os problemas do meio ambiente que são provenientes da eliminação inadequada do lixo tóxico. O acidente radioativo com o Césio-137 é um exemplo claro do descaso, por parte dos governantes, com o material radio- ativo em nosso país. O descarte aleatório deste tipo de lixo pode causar contaminação do solo, das águas, complicações na saúde da população, dentre outros transtornos. Nesta ques- tão, a alternativa correta é a letra E. ALTERNATIVA CORRETA: Letra E
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 73 REFERÊNCIAS DUPY, Jean-Pierre. A catástrofe de Chernobyl vinte anos depois. Estudos Avançados. 21 (59), 2007. Disponível em: <http://google.scielo.br/pdf/ea/v21n59/a18v2159> acesso em 30 de mar. 2016. MEDEIROS, Tharsila Reis De. Entraves ao Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear no Brasil: Dos Primórdios da Era Atômica ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. 2005. 97 f. Dissertação (Mestrado) - Cedeplar/ Ufmg, Belo Horizonte, Mg, 2005. MELO, Gabriel Sousa. FAÇANHA, Iury dos Santos. O uso de energia: tragédia de Cher- nobyl e a retomada do programa nuclear brasileiro. Disponível em: <http://www,fa7.edu.br/ recursos/imagens/files/direito/ic/v_encontro/usodeenergianuclear.pdf&as. Acesso em 30 de mar. 2016. Quanta Energia! / editores Casa da Ciência. Centro Cultural de Ciência e Tecnologia da UFRJ, Comissão Nacional de Energia Nuclear, Instituto Ciência Hoje. —Rio de Janeiro: UFRJ, Casa da Ciência, 2010. Disponível em: <https://www..casadaciencia.ufrj.br> acesso em 30 de mar. 2016 Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/a-analise-poema -rosa-hiroshima.htm > Acesso em: 28/03/2016. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/segundaguerra/ >Acesso em 28/03/2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ryC5v65Gyrg> Acesso em 28/03/2016. Disponível em: <http://www.eternasmusicas.com/2013/02/rosa-de-hiroshima.html> Acesso em 28/03/2016. < http://super.abril.com.br/ciencia/o-incrivel-salto-do-eletron >. Acesso em 26/03/2016. <http://www.dw.com/pt/1938-otto-hahn-descobre-a-fiss%C3%A3o-nuclear-do-ur%C3% A2nio/a-359236 >. Acesso em 27/03/2016. <http://www.dw.com/pt/1941-eua-decidem-construir-a-bomba-at%C3%B4mica/a-294885 >. Acesso em 27/03/2016. < http://aspiracoesquimicas.net/category/quimico-do-mes/page/3/ >. Acesso em 29/03/2016. <http://www.portal-energia.com/vantagens-e-desvantagens-da-utilizacao-da-energia- nuclear/ >. Acesso em 29/03/2016.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 74 Imagem 01 Disponível em: . < http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/ hiroshima-e-nagasaki-bombas-e-terror.htm >. Acesso em 29/03/2016. Imagem 02 Disponível em: <http://www.taringa.net/comunidades/impacientes/2310492/ Homero-simpson-energia-nuclear-responsable.html >. Acesso em 29/03/2016. Imagem 03 Disponível em:<https://radaresoterico.wordpress.com/2013/02/22/191/ >. Acesso em 29/03/2016. Imagem 04 Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/ File:Nuclear_Fission_Experimental_Apparatus_1938_-_Deutsches_Museum_- _Munich.jpg >. Acesso em 29/03/2016 Imagem 05 Disponível em: <https:// discrepanciadodesstino.files.wordpress.com/2011/12/ tumblr_lx1jrcxnkh1qfndy0o1_500.jpg . Acesso em 01 de mai. de 2016. Imagem 06 Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_yq591VLFI/UFHLq8nJEeI/ AAAAAAAAHzY/MckLbSr0UaE/s640/C%25C3%25A9sio-137-300x226.jpg>Acesso em 01 de mai. de 2016. Imagem 07 Disponível em:<http:radioatividade3e.blogspot.com.br/2013/04minimizacaodosefeitosdaradiacao.ht ml> acesso em 30 de mar. De 2016 Imagem 08 Disponível em: <http:radioatividade3e.blogspot.com.br/2013/04minimizacaodosefeitosdaradiacao.html>
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 75 EIXOS COGNITIVOS (COMUNS A TODAS AS ÁREAS DE CONHECIMENTO) I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa. II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico- geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema. IV. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhe- cimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente. V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. (Disponível em < http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/edital/2014/edital_enem_2014.pdf > Acesso em MATRIZ DE REFERÊNCIA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS ANEXO A Matriz de Referência é o instrumen- to norteador para a construção de itens. As Matrizes desenvolvidas pelo Inep são estruturadas a partir de competências e habilidades que se espera que os partici- pantes do teste tenham desenvolvido em uma determinada etapa da educação bá- sica. É importante destacar que a Matriz de Referência não se confunde com o currículo, que é muito mais amplo. Ela é, portanto, uma referência tanto para aqueles que irão participar do teste, ga- rantindo transparência ao processo e per- mitindo-lhes uma preparação adequada, como para a análise dos resultados do teste aplicado (Disponível em < http://download.inep.gov.br/ Competência é a capacidade de mobilização de recursos cognitivos, socioafetivos ou psi- comotores, estruturados em rede, com vistas a estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas para resol- ver, encaminhar e enfrentar situações com- plexas. Segundo Perrenoud (apud Macedo, 2005, p. 29-30), uma das características im- portantes da noção de competência é desafiar o sujeito a mobilizar os recursos no contexto de situação-problema para tomar decisões favoráveis a seu objetivo ou a suas metas. As habilidades decorrem das competências adquiridas e referem-se ao plano imediato do ―saber fazer‖ (Brasil. Inep, 2005, p. 17).
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES Competência de área 1 – Compreender os elementos culturais que constituem as identidades. H1 – Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspec- tos da cultura. H2 – Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas. H3 – Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos. H4 – Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura. H5 – Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades. Competência de área 2 – Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder. H6 – Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos. H7 – Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações H8 – Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos popula- cionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social. H9 – Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e socioeconô- micas em escala local, regional ou mundial. H10 – Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica. Competência de área 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movi- mentos sociais. H11 – Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 77 H12 – Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades. H13 – Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou ruptu- ras em processos de disputa pelo poder. H14 – Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políti- cas e econômicas. H15 – Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história. Competência de área 4 – Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu im- pacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social. H16 – Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do traba- lho e/ou da vida social. H17 – Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territo- rialização da produção. H18 – Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implica- ções socioespaciais. H19 – Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias for- mas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano. H20 – Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho. Competência de área 5 – Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valo- rizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consci- ente do indivíduo na sociedade. H21 – Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social. H22 – Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas legisla- ções ou nas políticas públicas. H23 – Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades. H24 – Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 78 Competência de área 6 – Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos. H26 – Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem. H27 – Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos. H28 – Relacionar o uso das tecnologias com os impactos socioambientais em diferentes contextos histórico-geográficos. H29 – Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relaci- onando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas. H30 – Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas. OBJETOS DE CONHECIMENTO ASSOCIADOS ÀS MATRI- ZES DE REFERÊNCIA Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade – Cultura material e imaterial; patri- mônio e diversidade cultural no Brasil. A conquista da América. Conflitos entre euro- peus e indígenas na América colonial. A escravidão e formas de resistência indígena e africana na América. História cultural dos povos africanos. A luta dos negros no Brasil e o negro na formação da sociedade brasileira. História dos povos indígenas e a forma- ção sociocultural brasileira. Movimentos culturais no mundo ocidental e seus impactos na vida política e social. Formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Es- tado – Cidadania e democracia na Antiguidade; Estado e direitos do cidadão a partir da Idade Moderna; democracia direta, indireta e representativa.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 79 Revoluções sociais e políticas na Europa Moderna. Formação territorial brasileira; as regiões brasileiras; políticas de reordenamento territorial. As lutas pela conquista da independência política das colônias da América. Grupos sociais em conflito no Brasil imperial e a construção da nação. O desenvolvimento do pensamento liberal na socie- dade capitalista e seus críticos nos séculos XIX e XX. Políticas de colonização, migra- ção, imigração e emigração no Brasil nos séculos XIX e XX. A atuação dos grupos sociais e os grandes processos revolucionários do século XX: Revolução Bolchevique, Revolução Chinesa, Revolução Cubana. Geopolítica e conflitos entre os séculos XIX e XX: Imperialismo, a ocupação da Ásia e da África, as Guerras Mundiais e a Guerra Fria. Os sistemas totalitários na Europa do século XX: nazifascista, franquismo, sala- zarismo e stalinismo. Ditaduras políticas na América Latina: Estado Novo no Brasil e ditaduras na América. Conflitos político-culturais pós-Guerra Fria, reorganização polí- tica internacional e os organismos multilaterais nos séculos XX e XXI. A luta pela conquista de direitos pelos cidadãos: direitos civis, humanos, políticos e sociais. Direi- tos sociais nas constituições brasileiras. Políticas afirmativas. Vida urbana: redes e hie- rarquia nas cidades, pobreza e segregação espacial. Características e transformações das estruturas produtivas – Diferentes formas de or- ganização da produção: escravismo antigo, feudalismo, capitalismo, socialismo e suas diferentes experiências. Economia agroexportadora brasileira: complexo açucareiro; a mineração no período colonial; a economia cafeeira; a borracha na Amazônia. Revolu- ção Industrial: criação do sistema de fábrica na Europa e transformações no processo de produção. Formação do espaço urbano-industrial. Transformações na estrutura pro- dutiva no século XX: o fordismo, o toyotismo, as novas técnicas de produção e seus impactos. A industrialização brasileira, a urbanização e as transformações sociais e trabalhistas. A globalização e as novas tecnologias de telecomunicação e suas conse- quências econômicas, políticas e sociais. Produção e transformação dos espaços agrá- rios. Modernização da agricultura e estruturas agrárias tradicionais. O agronegócio, a agricultura familiar, os assalariados do campo e as lutas sociais no campo. A relação campo-cidade.
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    CADERNOS DIDÁTICOS PETHISTÓRIA UFCG - Ano III - Volume I – Nº 1 – jul./dez. 2016 - ISSN 2358-4971 80 Os domínios naturais e a relação do ser humano com o ambiente – Relação homem- natureza, a apropriação dos recursos naturais pelas sociedades ao longo do tempo. Im- pacto ambiental das atividades econômicas no Brasil. Recursos minerais e energéticos: exploração e impactos. Recursos hídricos; bacias hidrográficas e seus aproveitamentos. As questões ambientais contemporâneas: mudança climática, ilhas de calor, efeito estufa, chuva ácida, a destruição da camada de ozônio. A nova ordem ambiental internacional; políticas territoriais ambientais; uso e conservação dos recursos naturais, unidades de conservação, corredores ecológicos, zoneamento ecológico e econômico. Origem e evo- lução do conceito de sustentabilidade. Estrutura interna da terra. Estruturas do solo e do relevo; agentes internos e externos modeladores do relevo. Situação geral da atmosfera e classificação climática. As características climáticas do território brasileiro. Os grandes domínios da vegetação no Brasil e no mundo. Representação espacial – Projeções cartográficas; leitura de mapas temáticos, físicos e po- líticos; tecnologias modernas aplicadas à cartografia. (Disponível em < http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/edital/2014/edital_enem_2014.pdf > Acesso em 20 082014.)