FACULDADE DE TECNOLOGIA SENAI ANTOINE SKAF 
EVOLUÇÃO SOCIOECONÔMICA DOS EVENTOS DE MODA NO BRASIL 
BRASIL – SÉCULO XX 
MODA, INFLUÊNCIAS E IDENTIDADE 
PROF. ODAIR TUONO
BRASIL – SÉCULO XX 
O século XX no Brasil tem seu inicio sob a 
influencia da Belle Époque (1871-1914) 
expressão que designava as modificações 
cosmopolitas atuantes nas belas artes, be-leza 
e na moda. 
O estilo predominante é o Art Nouveau, 
movimento artístico presente na socieda-de 
que cresce freneticamente aos apitos 
da indústria. 
Paris é o grande centro gerador das novi-dades: 
artistas, arquitetos, criadores, cele-bridades, 
literatos, a cidade fervilhava os 
tempos modernos. 
As capitais brasileiras seguem o passo da 
Europa e suas inovações. 
I. Belle Époque, Europa.
BELLE ÉPOQUE TROPICAL 
A República, desejava inaugurar uma no-va 
era no Brasil, e por isso procurou 
minimizar tudo que lembrava o Império e 
a colonização portuguesa. 
As artes estavam mais próximas da cultu-ra 
francesa e italiana. É dessa época a 
fundação de Belo Horizonte, e as reformas 
urbanísticas no Rio de Janeiro (Capital Fe-deral). 
O período foi caracterizado pelo moralis-mo 
e "repressão sexual", ideais de com-portamento 
típicos da era vitoriana. 
A Belle Époque brasileira se estabeleceu 
entre 1889 até 1922 com a Semana de 
Arte Moderna. 
I. Belle Époque, Brasil.
BELLE ÉPOQUE TRAJES 
O tailleur feminino ganha às ruas, criação 
do inglês Redfern com base no terno 
masculino. O mundo do trabalho se abre 
para as mulheres da classe média. 
Sobre os homens João do Rio (1908) de-clara: 
“Um cavalheiro bem vestido passa-va 
por suspeito aos olhos do burguês res-peitável, 
e havia pequenas particularida-des 
de vestir as polainas, a cor das grava-tas, 
os coletes... Esta cidade era o lugar 
do exagero do luxo feminino e da indigên-cia 
masculina, mesmo porque ao homem 
parecia preocupação de mulher cuidar um 
cavalheiro de ser chic.” 
Assim a mulher se reveste de fantasia e o 
homem de sobriedade. 
I. Belle Époque, trajes no Brasil.
RIO DE JANEIRO / SÃO PAULO 
No Rio de Janeiro são realizadas melho-rias 
urbanas, o passeio pela Av. Central, o 
Cinema Copacabana eram locais aonde 
os trajes pareciam sair para uma festa. 
A Revista Fon-Fon foi considerada o pri-meiro 
periódico para as mulheres, surgem 
novas lojas destinadas ao publico femini-no: 
Parc Royal, Casa Raunier e Loja das 
Fazendas Pretas. 
São Paulo em 1912 recebe um evento iné-dito 
o desfile da grife Mme. Agnés, lançan-do 
vestidos para noite com renda reborda-da 
e pequenas pérolas, além de peças ín-timas 
inovadoras. 
I. Mme Agnés, Mme Havet (1898-1963).
ANOS 20 
No anos 20 as mulheres estão livres do 
espartilho, as peças orientalistas de Paul 
Poiret, usadas até por Tarsila do Amaral. 
O tailleur é reinventado por Coco Chanel 
utilizando o tecido de jersey, a estrutura 
das peças é tubular e as saias estão na 
altura do joelho. 
Os modelos da cultura tradicional come-çam 
as ser rompidos: estilo andrógino, 
cabelos curtos, fumar em publico, praticar 
esportes utilizando saiotes plissados, cal-ças 
para o golfe e maios nos banhos de 
mar. 
As linhas evidenciavam o geometrismo do 
movimento Art Déco (1920s – 1930s). 
I. Vogue (1927), ilustração Erté.
ANOS 20 - BRASIL 
Em 1922 artistas realizam a Semana de 
Arte Moderna em São Paulo, explorar as 
vanguardas europeias com olhar fixado na 
brasilidade. 
O ilustrador J. Carlos apresenta a carioca 
melindrosa, mulher-menina, cabelos cur-tos 
e brilhantina – á la garçonne tropical. 
A loja de departamentos Mappin Stores, 
fundada em 1913, mobiliza a cidade de 
São Paulo ao realizar o primeiro desfile de 
moda em espaço comercial (1927). 
A poetisa Pagu (1910-1962) era referencia 
com suas peças em fustão, gabardine, al-godão 
florido e sedas para o deleite dos 
artistas e intelectuais da terra da garoa. 
I. Patrícia Rehder Galvão, a extravagante
ANOS 30 - BRASIL 
A quebra na bolsa de valores Nova Iorque 
gerou uma depressão econômica que afe-tou 
as finanças mundiais, o supérfluo tinha 
que ser substituído pelo durável, prático e 
clássico. 
Em Paris, Tamara Lempicka (1898-1980) 
desenvolveu um estilo único e ousado 
(definido como "cubismo suave"), que re-sumia 
os ideias do modernismo de van-guarda 
da Art Déco. 
No Brasil os cursos de corte e costura são 
muito procurados, assim como figurinos 
com moldes de fácil execução transforma-vam 
as mulheres em suas próprias cria-doras 
de moda. 
I. Lenço Azul (1930) Tamara de Lempicka.
ANOS 30 - BRASIL 
As divas influenciavam a maquilagem, o 
cabelo e o vestuário, entre elas: Carmen 
Miranda, Clara Bow, Greta Garbo, Joan 
Crawford e Katherine Hepburn. 
Os pontos altos do vestuário feminino fo-ram 
a ligeira subida da cintura, alonga-mento 
da saia, decote nas costas, influen-cia 
da alfaiataria e da moda esportiva, om-bros 
com enchimentos, variantes de pu-nhos, 
variações de golas e punhos. 
A popularização do turbante pelo figurino 
de Carmen Miranda, já tinha ecos na cul-tura 
afro-brasileira, as calças compridas e 
os tamancos completavam o novo visual. 
I. Carmen Miranda (1909-1955). Brazilian 
Bombshell.
ANOS 40 - BRASIL 
Os homens mantinham a sobriedade dos 
Anos 30 no estilo de vestir e os america-nos 
influenciaram o estilo sportsman, 
mais descontraído com ares de playboy. 
Em 1939 a II Guerra Mundial se instala na 
Europa e o tempo de recessão duraria pe-los 
anos 40. No Brasil o mercado de có-pias 
com inspiração francesa continuava 
sua escala para vestir a elite. 
A procura por peças importadas tornava-se 
complicada. Para atender às clientes, 
foi aberta, a Canadá de Luxe (1944). No 
dia 17 de julho acontecia o primeiro desfile 
com manequins, treinadas pelas irmãs 
Mena Fiala e Cândida Gluzman. Inaugu-rando 
a tradição dos desfiles de moda co-mo 
apresentação de tendências à impren-sa 
e ao público consumidor. 
J.C. Leyendecker.
ANOS 40 - BRASIL 
No final dos Anos 30 o Baile de Gala do 
Teatro Municipal do Rio de Janeiro revela-va 
as melhores fantasias na categoria luxo 
e originalidade para a high society. 
Zacarias do Rego Monteiro, Evandro de 
Castro Lima e Clóvis Bornay rivalizavam 
se neste concurso por muitos carnavais. 
Alceu Penna (1915-1980) ilustrava as ma-térias 
de moda e comportamento da revis-ta 
O Cruzeiro. 
A moda feminina dessa década, é consi-derada 
uma das mais lindas e sensuais do 
século, influenciado pelo cinema america-no 
com suas divas Rita Hayworth, Ingrid 
Bergman, Ava Gardner, dentre outras, o 
que ajudou a construir nossa concepção 
de beleza. 
Clóvis Bornay (1916-2005)
ANOS 50 - BRASIL 
Considerados como Anos Dourados re-ceberam 
a influencia direta do new look 
criado por Dior para resgatar a feminilida-de 
do pós guerra. 
As saias godês e os sutiãs de bojo, alia-dos 
a cintura de vespa compunham a figu-ra 
feminina, em contrapartida surge o rock’ 
roll e a calça jeans como futuros símbolos 
de rebeldia adolescente. 
Despertavam atenção a beleza de Brigitte 
Bardot, Marilyn Monroe, Elisabeth Taylor, 
Raquel Welch e Twiggy. 
Nasce em 1958, idealizada por Caio de 
Alcântara Machado, a Fenit primeiro são 
de moda brasileiro conjugando matérias 
primas, maquinários e vestuário.
ANOS 50 - BRASIL 
Ibrahim Sued causou polêmicas com as 
suas listas das “10 mais": belas mulheres, 
elegantes e as melhores anfitriãs da socie-dade 
carioca. 
Assis Chateaubriand e a Bangu organizam 
desfile em parceria com Jacques Fath na 
França, Danuza Leão é uma das mode-los. 
O estilista vem ao Brasil e usa tecidos 
da Bangu para novas criações que são 
apresentadas em várias capitais. 
A tecelagem Matarazzo-Boussac cria o 
Festival da Moda Brasileira são oferecidos 
os prêmios Agulha de Platina e de Ouro 
para os melhores costureiros e Sapatinho 
de Ouro para a melhor manequim. 
Lançamento da Manequim, a primeira re-vista 
exclusivamente de moda no Brasil. 
Carmen Mayrink Veiga
ANOS 60 - BRASIL 
A década de 60 começa em crise econô-mica, 
gerada pelo desenvolvimento rápi-do, 
sustentado através de grandes emis-sões 
de dinheiro e empréstimos externos, 
o que desencadeou um processo inflaci-onário 
que levaria, somados a outros fato-res, 
ao Golpe Militar de 1964. 
Na moda o paulista Clodovil Hernandes 
ganha a Agulha de Ouro de melhor 
estilista. 
Em Roma ocorre o evento Moda Brasileira 
na Itália promovido pela Rhodia, o Instituto 
Brasileiro do Café e a revista Manchete. 
Dener apresenta coleção prêt-à-porter. 
Em 1965 é inaugurado no Rio o Shopping 
Center do Méier, primeiro shopping brasi-leiro, 
no ano seguinte o Iguatemi (SP).
ANOS 60 - BRASIL 
Dener, o luxo.
ANOS 60 - BRASIL 
O espírito de liberdade e contestação: a 
pílula anticoncepcional, o amor livre, o fe-minismo 
toma conta das ruas. 
Vestidos e saias curtas, jardineiras e ma-cacões 
e no final da década os modelos 
hippies com estampas floridas, indianas e 
psicodélicas. 
A Jovem Guarda e o Tropicalismo eram 
as vertentes musicais da década, nas rá-dios, 
no cinema, na televisão e na moda. 
A Rhodia comemora 50 anos no Brasil, e 
apresenta seu show-desfile Stravaganza, 
na Fenit com direção de arte de Cyro Del 
Nero. 
1970 é criada a Associação Brasileira da 
Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).
ANOS 70 - BRASIL
ANOS 70 - BRASIL 
Em 1971, Zuzu Angel apresenta no con-sulado 
do Brasil em Nova York o “desfile-protesto”. 
Rose di Primo em Copacabana (RJ) com 
dois triângulos de jeans cria um dos mais 
famosos modelos de biquíni brasilei-ro: a 
tanga. 
É criado o Grupo Moda Rio (1978-1983), 
primeiro núcleo organizado de estilistas 
com o objetivo de conseguir patrocínios e 
divulgar a moda carioca por meio de des-files 
e eventos, com foco em prêt-à-porter. 
A Rhodia cria a Coordenação Industrial 
Têxtil (CIT), responsável pelas tendências 
de estilo e cartelas de cores dirigidas às 
empresas têxteis. Passa a trazer ao Brasil 
Marie Rucki, diretora do Studio Berçot.
ANOS 70 - MAKITO 
Markito (1952-1983) tinha sua grife carac-terizada 
pelas influências do glam rock, do 
glitter e dos Dzi Croquettes. Paetês eram 
a sua marca registrada. 
A Era Disco ajudou a consagrá-lo, vestin-do 
clientes como: Sandra Bréa, Mila 
Moreira, Maitê Proença, Sónia Braga, 
Christiane Torloni, Marília Pêra, Simone, 
Gal Costa, Liza Minnelli, Diana Ross, 
Grace Jones, Bianca Jagger, Farrah 
Fawcett e Olivia Newton-John. 
Trabalhou para o cinema, assinando os 
figurinos do filme Rio Babilônia, de Neville 
de Almeida.3 Seu último desfile aconteceu 
no Hotel Maksoud Plaza (1980, SP). Fas-cinou 
muitos do Gallery ao Studio 54.
ANOS 70 - BRASIL 
Marcas estrangeiras de sucesso no Brasil: 
Pierre Cardin, Levi’s, Fiorucci e Calvin 
Klein, nosso jeanswear se tornou expres-sivo 
com as marcas Gledson, Dijon, Soft 
Machine, U.S. Top, Ellus, Staroup. 
Grifes cariocas que faziam o brazilian soul 
eram Alice Tapajós, Company, Yes Brazil, 
Gang, La Bagagerie, Shop 126, Teresa 
Gureg, Maria Bonita e Mr. Wonderful. 
Modelos: Betty Lago, Dalma Callado, Elke 
Maravilha, Luisa Burnet, Mila Moreira, 
Monique Evans, Xuxa Meneghel. 
Em 1980 é formado o Núcleo Paulista de 
Moda, do qual faziam Armazém, G. de 
Glória Coelho, Huis Clos, Rose Benedetti, 
Zoomp, Giovanna Baby entre outros.
ANOS 80 - BRASIL 
Os anos 80 foram considerados o termo 
do excesso na moda com os punks, góti-cos, 
new waves e yuppies em cena. 
O Grupo Mineiro de Moda composto 
por Allegra, Art-I-Manha, Art Man, Bárbara 
Bella, Comédia, Eliana Queiroz, Mônica 
Torres, Patachou, Renato Loureiro e Stra-ccio 
foi formado em 1982. 
Em São Paulo, a Cooperativa de Moda, 
uniu jovens profissionais como Walter 
Rodrigues, Conrado Segreto, Jum Nakao 
Maira Himmelstein, Marjorie Gueller, Silvie 
Leblanc, Taisa Borges e Flávia Fiorillo, 
com o objetivo de criar um bureau de 
prestação de serviços para o mercado, a 
fim de gerar verbas para o desenvolvimen-to 
e comercialização de suas marcas.
ANOS 80 - CONRADO SEGRETO
ANOS 80 - BRASIL 
A Fenit trouxe nomes como Pierre Cardin, 
Valentino e Paco Rabanne para desfila-rem 
em suas passarelas. 
Jean Paul Gaultier, Dorotheé Bis, 
Elisabeth Senneville e Thierry Mugler 
apresentam suas coleções em São Paulo 
a convite da Grendene (1983). 
O primeiro curso de graduação em moda 
foi criado em 1987, na Faculdade Santa 
Marcelina (FASM), em São Paulo. 
Os clubes noturnos recebiam nossa tra-dução 
do underground e do requinte: Up & 
Down, Area, Victoria Pub, Nation, Cais, 
Napalm, Rose Bom Bom e Madame Satã 
entre outros.
ANOS 90 - BRASIL 
Em 1994, Paulo Borges realiza o I Phyto-ervas 
Fashion, apresentando ao mercado 
os lançamentos dos novos criadores 
Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, 
Walter Rodrigues, Jorge Kaufman, Jeziel 
Moraes e Marcelo Sommer, entre outros. 
Após dois anos e amadurecendo um 
antigo sonho, Borges partiu para o projeto 
que iria mudar definitivamente os rumos 
da moda nacional. 
Com o patrocínio do Morumbi Shopping 
(master) e das empresas Editora Abril 
(Elle), Rhodia, Grendene, Natura, TVA e 
TDB, nasceu em 1996, o Morumbi Fashi-on 
Brasil - Calendário Oficial da Moda 
Brasileira.
ANOS 90 - BRASIL Walério Araújo 
Beto Lago e Jair Mercancini criam o Mer-cado 
Mundo Mix trazendo à tona a moda 
e cultura underground brasileira. 
Em 1997 aconteceu a primeira edição da 
Semana de Moda, atual Casa de Criado-res, 
o evento reúne jovens estilistas, 
criado por André Hidalgo, em São Paulo. 
A galeria Ouro Fino, na rua Augusta (SP), 
torna-se um centro de moda independe-nte. 
Nas lojas eram vendidas roupas de 
Alexandre Herchcovitch, Escola de Divi-nos, 
Hell´s Club, A Mulher do Padre, Slam 
Sommer entre outros. 
No Clube Sra. Kravitz (SP) eram experi-mentados 
todos os derivados do house, 
techno, progressive e trance music, foi um 
grande laboratório sonoro e visual. 
Johnny Luxo 
Heitor Werneck
ANOS 90 - HERCHCOVITCH
ANOS 90 - BRASIL Água de Coco V.13 
Gisele Bündchen recebe o prêmio de me-lhor 
modelo do ano no Vogue Fashion 
Awards, Nova York (1999). A modelo in-glesa 
Kate Moss vem ao Brasil para des-filar 
na coleção de verão da Ellus. 
A marca catarinense Colcci é adquirida 
pelo grupo Menegotti, atual AMC Têxtil. É 
o início da criação de conglomerados de 
grifes no Brasil. 
Lilian Pacce passa a comandar o progra-ma 
televisivo GNT Fashion. O jornal Folha 
de São Paulo tem a página Noite ilustrada 
assinada por Erika Palomino forte sina-lizador 
dos melhores clubes, bares, DJs e 
criadores deste período. 
O Brasil entra nos trilhos da moda!...
REFLEXÃO 
“Estilo é o que dá forma ao pensamento e mostra quem você é de verdade. Estilo 
distingue quem espelha de quem irradia. Estilo é uma conquista individual, plena de 
autonomia.” 
“A moda me ensinou que é possível, sim, mudar e adotar pontos de vista que, em tese, 
nunca adotaria. Sempre há mais de uma possibilidade na vida. É só você se encaixar e 
se permitir viver.” 
Constanza Pascolato, consultora de moda.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CHATAIGNIER, Gilda. História da Moda no Brasil. São Paulo: Estação das Letras 
e Cores, 2010. 
COSTA, Haroldo. 100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro. Irmãos Vitale Edito-res, 
2001 
MOUTINHO, Maria Rita; VALENÇA, Máslova Teixeira. A Moda no Século XX. Rio 
de Janeiro: Ed. SENAC Nacional, 2000. 
NEEDELL. Jeffrey D. Belle Époque Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 
1993. 
WIKIMEDIA COMMONS http://commons.wikimedia.org/

BRASIL - SÉCULO XX

  • 1.
    FACULDADE DE TECNOLOGIASENAI ANTOINE SKAF EVOLUÇÃO SOCIOECONÔMICA DOS EVENTOS DE MODA NO BRASIL BRASIL – SÉCULO XX MODA, INFLUÊNCIAS E IDENTIDADE PROF. ODAIR TUONO
  • 2.
    BRASIL – SÉCULOXX O século XX no Brasil tem seu inicio sob a influencia da Belle Époque (1871-1914) expressão que designava as modificações cosmopolitas atuantes nas belas artes, be-leza e na moda. O estilo predominante é o Art Nouveau, movimento artístico presente na socieda-de que cresce freneticamente aos apitos da indústria. Paris é o grande centro gerador das novi-dades: artistas, arquitetos, criadores, cele-bridades, literatos, a cidade fervilhava os tempos modernos. As capitais brasileiras seguem o passo da Europa e suas inovações. I. Belle Époque, Europa.
  • 3.
    BELLE ÉPOQUE TROPICAL A República, desejava inaugurar uma no-va era no Brasil, e por isso procurou minimizar tudo que lembrava o Império e a colonização portuguesa. As artes estavam mais próximas da cultu-ra francesa e italiana. É dessa época a fundação de Belo Horizonte, e as reformas urbanísticas no Rio de Janeiro (Capital Fe-deral). O período foi caracterizado pelo moralis-mo e "repressão sexual", ideais de com-portamento típicos da era vitoriana. A Belle Époque brasileira se estabeleceu entre 1889 até 1922 com a Semana de Arte Moderna. I. Belle Époque, Brasil.
  • 4.
    BELLE ÉPOQUE TRAJES O tailleur feminino ganha às ruas, criação do inglês Redfern com base no terno masculino. O mundo do trabalho se abre para as mulheres da classe média. Sobre os homens João do Rio (1908) de-clara: “Um cavalheiro bem vestido passa-va por suspeito aos olhos do burguês res-peitável, e havia pequenas particularida-des de vestir as polainas, a cor das grava-tas, os coletes... Esta cidade era o lugar do exagero do luxo feminino e da indigên-cia masculina, mesmo porque ao homem parecia preocupação de mulher cuidar um cavalheiro de ser chic.” Assim a mulher se reveste de fantasia e o homem de sobriedade. I. Belle Époque, trajes no Brasil.
  • 5.
    RIO DE JANEIRO/ SÃO PAULO No Rio de Janeiro são realizadas melho-rias urbanas, o passeio pela Av. Central, o Cinema Copacabana eram locais aonde os trajes pareciam sair para uma festa. A Revista Fon-Fon foi considerada o pri-meiro periódico para as mulheres, surgem novas lojas destinadas ao publico femini-no: Parc Royal, Casa Raunier e Loja das Fazendas Pretas. São Paulo em 1912 recebe um evento iné-dito o desfile da grife Mme. Agnés, lançan-do vestidos para noite com renda reborda-da e pequenas pérolas, além de peças ín-timas inovadoras. I. Mme Agnés, Mme Havet (1898-1963).
  • 6.
    ANOS 20 Noanos 20 as mulheres estão livres do espartilho, as peças orientalistas de Paul Poiret, usadas até por Tarsila do Amaral. O tailleur é reinventado por Coco Chanel utilizando o tecido de jersey, a estrutura das peças é tubular e as saias estão na altura do joelho. Os modelos da cultura tradicional come-çam as ser rompidos: estilo andrógino, cabelos curtos, fumar em publico, praticar esportes utilizando saiotes plissados, cal-ças para o golfe e maios nos banhos de mar. As linhas evidenciavam o geometrismo do movimento Art Déco (1920s – 1930s). I. Vogue (1927), ilustração Erté.
  • 7.
    ANOS 20 -BRASIL Em 1922 artistas realizam a Semana de Arte Moderna em São Paulo, explorar as vanguardas europeias com olhar fixado na brasilidade. O ilustrador J. Carlos apresenta a carioca melindrosa, mulher-menina, cabelos cur-tos e brilhantina – á la garçonne tropical. A loja de departamentos Mappin Stores, fundada em 1913, mobiliza a cidade de São Paulo ao realizar o primeiro desfile de moda em espaço comercial (1927). A poetisa Pagu (1910-1962) era referencia com suas peças em fustão, gabardine, al-godão florido e sedas para o deleite dos artistas e intelectuais da terra da garoa. I. Patrícia Rehder Galvão, a extravagante
  • 8.
    ANOS 30 -BRASIL A quebra na bolsa de valores Nova Iorque gerou uma depressão econômica que afe-tou as finanças mundiais, o supérfluo tinha que ser substituído pelo durável, prático e clássico. Em Paris, Tamara Lempicka (1898-1980) desenvolveu um estilo único e ousado (definido como "cubismo suave"), que re-sumia os ideias do modernismo de van-guarda da Art Déco. No Brasil os cursos de corte e costura são muito procurados, assim como figurinos com moldes de fácil execução transforma-vam as mulheres em suas próprias cria-doras de moda. I. Lenço Azul (1930) Tamara de Lempicka.
  • 9.
    ANOS 30 -BRASIL As divas influenciavam a maquilagem, o cabelo e o vestuário, entre elas: Carmen Miranda, Clara Bow, Greta Garbo, Joan Crawford e Katherine Hepburn. Os pontos altos do vestuário feminino fo-ram a ligeira subida da cintura, alonga-mento da saia, decote nas costas, influen-cia da alfaiataria e da moda esportiva, om-bros com enchimentos, variantes de pu-nhos, variações de golas e punhos. A popularização do turbante pelo figurino de Carmen Miranda, já tinha ecos na cul-tura afro-brasileira, as calças compridas e os tamancos completavam o novo visual. I. Carmen Miranda (1909-1955). Brazilian Bombshell.
  • 10.
    ANOS 40 -BRASIL Os homens mantinham a sobriedade dos Anos 30 no estilo de vestir e os america-nos influenciaram o estilo sportsman, mais descontraído com ares de playboy. Em 1939 a II Guerra Mundial se instala na Europa e o tempo de recessão duraria pe-los anos 40. No Brasil o mercado de có-pias com inspiração francesa continuava sua escala para vestir a elite. A procura por peças importadas tornava-se complicada. Para atender às clientes, foi aberta, a Canadá de Luxe (1944). No dia 17 de julho acontecia o primeiro desfile com manequins, treinadas pelas irmãs Mena Fiala e Cândida Gluzman. Inaugu-rando a tradição dos desfiles de moda co-mo apresentação de tendências à impren-sa e ao público consumidor. J.C. Leyendecker.
  • 11.
    ANOS 40 -BRASIL No final dos Anos 30 o Baile de Gala do Teatro Municipal do Rio de Janeiro revela-va as melhores fantasias na categoria luxo e originalidade para a high society. Zacarias do Rego Monteiro, Evandro de Castro Lima e Clóvis Bornay rivalizavam se neste concurso por muitos carnavais. Alceu Penna (1915-1980) ilustrava as ma-térias de moda e comportamento da revis-ta O Cruzeiro. A moda feminina dessa década, é consi-derada uma das mais lindas e sensuais do século, influenciado pelo cinema america-no com suas divas Rita Hayworth, Ingrid Bergman, Ava Gardner, dentre outras, o que ajudou a construir nossa concepção de beleza. Clóvis Bornay (1916-2005)
  • 12.
    ANOS 50 -BRASIL Considerados como Anos Dourados re-ceberam a influencia direta do new look criado por Dior para resgatar a feminilida-de do pós guerra. As saias godês e os sutiãs de bojo, alia-dos a cintura de vespa compunham a figu-ra feminina, em contrapartida surge o rock’ roll e a calça jeans como futuros símbolos de rebeldia adolescente. Despertavam atenção a beleza de Brigitte Bardot, Marilyn Monroe, Elisabeth Taylor, Raquel Welch e Twiggy. Nasce em 1958, idealizada por Caio de Alcântara Machado, a Fenit primeiro são de moda brasileiro conjugando matérias primas, maquinários e vestuário.
  • 13.
    ANOS 50 -BRASIL Ibrahim Sued causou polêmicas com as suas listas das “10 mais": belas mulheres, elegantes e as melhores anfitriãs da socie-dade carioca. Assis Chateaubriand e a Bangu organizam desfile em parceria com Jacques Fath na França, Danuza Leão é uma das mode-los. O estilista vem ao Brasil e usa tecidos da Bangu para novas criações que são apresentadas em várias capitais. A tecelagem Matarazzo-Boussac cria o Festival da Moda Brasileira são oferecidos os prêmios Agulha de Platina e de Ouro para os melhores costureiros e Sapatinho de Ouro para a melhor manequim. Lançamento da Manequim, a primeira re-vista exclusivamente de moda no Brasil. Carmen Mayrink Veiga
  • 14.
    ANOS 60 -BRASIL A década de 60 começa em crise econô-mica, gerada pelo desenvolvimento rápi-do, sustentado através de grandes emis-sões de dinheiro e empréstimos externos, o que desencadeou um processo inflaci-onário que levaria, somados a outros fato-res, ao Golpe Militar de 1964. Na moda o paulista Clodovil Hernandes ganha a Agulha de Ouro de melhor estilista. Em Roma ocorre o evento Moda Brasileira na Itália promovido pela Rhodia, o Instituto Brasileiro do Café e a revista Manchete. Dener apresenta coleção prêt-à-porter. Em 1965 é inaugurado no Rio o Shopping Center do Méier, primeiro shopping brasi-leiro, no ano seguinte o Iguatemi (SP).
  • 15.
    ANOS 60 -BRASIL Dener, o luxo.
  • 16.
    ANOS 60 -BRASIL O espírito de liberdade e contestação: a pílula anticoncepcional, o amor livre, o fe-minismo toma conta das ruas. Vestidos e saias curtas, jardineiras e ma-cacões e no final da década os modelos hippies com estampas floridas, indianas e psicodélicas. A Jovem Guarda e o Tropicalismo eram as vertentes musicais da década, nas rá-dios, no cinema, na televisão e na moda. A Rhodia comemora 50 anos no Brasil, e apresenta seu show-desfile Stravaganza, na Fenit com direção de arte de Cyro Del Nero. 1970 é criada a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).
  • 17.
    ANOS 70 -BRASIL
  • 18.
    ANOS 70 -BRASIL Em 1971, Zuzu Angel apresenta no con-sulado do Brasil em Nova York o “desfile-protesto”. Rose di Primo em Copacabana (RJ) com dois triângulos de jeans cria um dos mais famosos modelos de biquíni brasilei-ro: a tanga. É criado o Grupo Moda Rio (1978-1983), primeiro núcleo organizado de estilistas com o objetivo de conseguir patrocínios e divulgar a moda carioca por meio de des-files e eventos, com foco em prêt-à-porter. A Rhodia cria a Coordenação Industrial Têxtil (CIT), responsável pelas tendências de estilo e cartelas de cores dirigidas às empresas têxteis. Passa a trazer ao Brasil Marie Rucki, diretora do Studio Berçot.
  • 19.
    ANOS 70 -MAKITO Markito (1952-1983) tinha sua grife carac-terizada pelas influências do glam rock, do glitter e dos Dzi Croquettes. Paetês eram a sua marca registrada. A Era Disco ajudou a consagrá-lo, vestin-do clientes como: Sandra Bréa, Mila Moreira, Maitê Proença, Sónia Braga, Christiane Torloni, Marília Pêra, Simone, Gal Costa, Liza Minnelli, Diana Ross, Grace Jones, Bianca Jagger, Farrah Fawcett e Olivia Newton-John. Trabalhou para o cinema, assinando os figurinos do filme Rio Babilônia, de Neville de Almeida.3 Seu último desfile aconteceu no Hotel Maksoud Plaza (1980, SP). Fas-cinou muitos do Gallery ao Studio 54.
  • 20.
    ANOS 70 -BRASIL Marcas estrangeiras de sucesso no Brasil: Pierre Cardin, Levi’s, Fiorucci e Calvin Klein, nosso jeanswear se tornou expres-sivo com as marcas Gledson, Dijon, Soft Machine, U.S. Top, Ellus, Staroup. Grifes cariocas que faziam o brazilian soul eram Alice Tapajós, Company, Yes Brazil, Gang, La Bagagerie, Shop 126, Teresa Gureg, Maria Bonita e Mr. Wonderful. Modelos: Betty Lago, Dalma Callado, Elke Maravilha, Luisa Burnet, Mila Moreira, Monique Evans, Xuxa Meneghel. Em 1980 é formado o Núcleo Paulista de Moda, do qual faziam Armazém, G. de Glória Coelho, Huis Clos, Rose Benedetti, Zoomp, Giovanna Baby entre outros.
  • 21.
    ANOS 80 -BRASIL Os anos 80 foram considerados o termo do excesso na moda com os punks, góti-cos, new waves e yuppies em cena. O Grupo Mineiro de Moda composto por Allegra, Art-I-Manha, Art Man, Bárbara Bella, Comédia, Eliana Queiroz, Mônica Torres, Patachou, Renato Loureiro e Stra-ccio foi formado em 1982. Em São Paulo, a Cooperativa de Moda, uniu jovens profissionais como Walter Rodrigues, Conrado Segreto, Jum Nakao Maira Himmelstein, Marjorie Gueller, Silvie Leblanc, Taisa Borges e Flávia Fiorillo, com o objetivo de criar um bureau de prestação de serviços para o mercado, a fim de gerar verbas para o desenvolvimen-to e comercialização de suas marcas.
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    ANOS 80 -CONRADO SEGRETO
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    ANOS 80 -BRASIL A Fenit trouxe nomes como Pierre Cardin, Valentino e Paco Rabanne para desfila-rem em suas passarelas. Jean Paul Gaultier, Dorotheé Bis, Elisabeth Senneville e Thierry Mugler apresentam suas coleções em São Paulo a convite da Grendene (1983). O primeiro curso de graduação em moda foi criado em 1987, na Faculdade Santa Marcelina (FASM), em São Paulo. Os clubes noturnos recebiam nossa tra-dução do underground e do requinte: Up & Down, Area, Victoria Pub, Nation, Cais, Napalm, Rose Bom Bom e Madame Satã entre outros.
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    ANOS 90 -BRASIL Em 1994, Paulo Borges realiza o I Phyto-ervas Fashion, apresentando ao mercado os lançamentos dos novos criadores Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, Walter Rodrigues, Jorge Kaufman, Jeziel Moraes e Marcelo Sommer, entre outros. Após dois anos e amadurecendo um antigo sonho, Borges partiu para o projeto que iria mudar definitivamente os rumos da moda nacional. Com o patrocínio do Morumbi Shopping (master) e das empresas Editora Abril (Elle), Rhodia, Grendene, Natura, TVA e TDB, nasceu em 1996, o Morumbi Fashi-on Brasil - Calendário Oficial da Moda Brasileira.
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    ANOS 90 -BRASIL Walério Araújo Beto Lago e Jair Mercancini criam o Mer-cado Mundo Mix trazendo à tona a moda e cultura underground brasileira. Em 1997 aconteceu a primeira edição da Semana de Moda, atual Casa de Criado-res, o evento reúne jovens estilistas, criado por André Hidalgo, em São Paulo. A galeria Ouro Fino, na rua Augusta (SP), torna-se um centro de moda independe-nte. Nas lojas eram vendidas roupas de Alexandre Herchcovitch, Escola de Divi-nos, Hell´s Club, A Mulher do Padre, Slam Sommer entre outros. No Clube Sra. Kravitz (SP) eram experi-mentados todos os derivados do house, techno, progressive e trance music, foi um grande laboratório sonoro e visual. Johnny Luxo Heitor Werneck
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    ANOS 90 -HERCHCOVITCH
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    ANOS 90 -BRASIL Água de Coco V.13 Gisele Bündchen recebe o prêmio de me-lhor modelo do ano no Vogue Fashion Awards, Nova York (1999). A modelo in-glesa Kate Moss vem ao Brasil para des-filar na coleção de verão da Ellus. A marca catarinense Colcci é adquirida pelo grupo Menegotti, atual AMC Têxtil. É o início da criação de conglomerados de grifes no Brasil. Lilian Pacce passa a comandar o progra-ma televisivo GNT Fashion. O jornal Folha de São Paulo tem a página Noite ilustrada assinada por Erika Palomino forte sina-lizador dos melhores clubes, bares, DJs e criadores deste período. O Brasil entra nos trilhos da moda!...
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    REFLEXÃO “Estilo éo que dá forma ao pensamento e mostra quem você é de verdade. Estilo distingue quem espelha de quem irradia. Estilo é uma conquista individual, plena de autonomia.” “A moda me ensinou que é possível, sim, mudar e adotar pontos de vista que, em tese, nunca adotaria. Sempre há mais de uma possibilidade na vida. É só você se encaixar e se permitir viver.” Constanza Pascolato, consultora de moda.
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHATAIGNIER,Gilda. História da Moda no Brasil. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010. COSTA, Haroldo. 100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro. Irmãos Vitale Edito-res, 2001 MOUTINHO, Maria Rita; VALENÇA, Máslova Teixeira. A Moda no Século XX. Rio de Janeiro: Ed. SENAC Nacional, 2000. NEEDELL. Jeffrey D. Belle Époque Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. WIKIMEDIA COMMONS http://commons.wikimedia.org/