Características
Que és terra Homem, e em terra hás de tornar-te,  Te lembra hoje Deus por sua Igreja,  De pó te faz espelho, em que se veja  A vil matéria, de que quis formar-te.  Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te,  E como o teu baixel sempre fraqueja  Nos mares da vaidade, onde peleja,  Te põe à vista a terra, onde salvar-te.  Alerta, alerta pois, que o vento berra,  E se assopra a vaidade, e incha o pano,  Na proa a terra tens, amaina, e ferra.  Todo o lenho mortal, baixel humano  Se busca a salvação, tome hoje terra,  Que a terra de hoje é porto soberano.  Gregório de Matos
A dúvida de São Tomé - Caravaggio
Família Gonzaga adorando a santíssima Trindade - Rubens
A dança dos italianos - Rubens
Invocação de São Mateus - Caravaggio
Paisagem com arco-íris - Rubens
Nasce o Sol e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas e alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falta a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se a tristeza, Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza. A firmeza somente na inconstância. Gregório de Matos
Discreta e formosíssima Maria, Enquanto estamos vendo a qualquer hora Em tuas faces a rosada Aurora, Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia: Enquanto com gentil descortesia O ar, que fresco Adônis te namora, Te espalha a rica trança voadora, Quando vem passear-te pela fria: Goza, goza da flor da mocidade, Que o tempo trota a toda ligeireza, E imprime em toda a flor sua pisada. Oh não aguardes, que a madura idade Te converta em flor, essa beleza Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.  Gregório de Matos
O rapto de Prosepina - Bernini
 

Barroco CaracteríSticas Universais

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    Que és terraHomem, e em terra hás de tornar-te, Te lembra hoje Deus por sua Igreja, De pó te faz espelho, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-te. Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te, E como o teu baixel sempre fraqueja Nos mares da vaidade, onde peleja, Te põe à vista a terra, onde salvar-te. Alerta, alerta pois, que o vento berra, E se assopra a vaidade, e incha o pano, Na proa a terra tens, amaina, e ferra. Todo o lenho mortal, baixel humano Se busca a salvação, tome hoje terra, Que a terra de hoje é porto soberano. Gregório de Matos
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    A dúvida deSão Tomé - Caravaggio
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    Família Gonzaga adorandoa santíssima Trindade - Rubens
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    A dança dositalianos - Rubens
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    Invocação de SãoMateus - Caravaggio
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    Nasce o Sole não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas e alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falta a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se a tristeza, Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza. A firmeza somente na inconstância. Gregório de Matos
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    Discreta e formosíssimaMaria, Enquanto estamos vendo a qualquer hora Em tuas faces a rosada Aurora, Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia: Enquanto com gentil descortesia O ar, que fresco Adônis te namora, Te espalha a rica trança voadora, Quando vem passear-te pela fria: Goza, goza da flor da mocidade, Que o tempo trota a toda ligeireza, E imprime em toda a flor sua pisada. Oh não aguardes, que a madura idade Te converta em flor, essa beleza Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. Gregório de Matos
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    O rapto deProsepina - Bernini
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