Aprender e ensinar Matemática
no Ensino Fundamental
Vinício de Macedo Santos
Faculdade de Educação da USP
Como se aprende e como se
ensina Matemática?
• Há diferentes caminhos para se abordar esse tema.
• Cada um de nós tem um testemunho: como aluno ou como professor que
ensina Matemática.
• Fomos bem sucedidos como alunos e somos bem sucedidos como
professores?
• Como operamos? usando nosso senso, nosso bom-senso e nossa arte de
ensinar, apoiando-nos em boas experiências, buscando conhecimentos
técnicos etc.
• Já sabemos que do final dos anos 70 para cá houve uma mudança importante
no pensamento pedagógico. Com concepções inovadoras de conhecimento, de
escola, de aprendizagem e ensino (inclusive de Matemática), de aluno, de
professor, de avaliação etc. Ampla produção de conhecimentos e ampla
divulgação desses conhecimentos, elaboração de currículos e subsídios para o
trabalho com Matemática na escola.
• Vimos falando em: aprendizagem significativa aprendizagem com
compreensão, ensino por meio de atividades e resolução de problemas,
trabalho interdisciplinar, trabalho com projetos, ensino com materiais
manipuláveis, ensino com jogos, atividades investigativas, ensino
contextualizado etc.
O que falta?
Um possível estado de espírito de um aluno
ou de um professor de matemática
É necessário que os discursos, as teorias, as práticas respondam a
questões feitas por alunos e professores ou que ofereçam
elementos para se encontrar respostas e formular outras perguntas
Como avaliamos o ensino e a aprendizagem
em matemática? Do que nos queixamos?
• Ainda não conseguimos evitar que a Matemática esteja
associada às experiências negativas de escolarização
de grande parte dos alunos
• Apesar dos avanços que podemos enumerar no campo
da produção de idéias e experiências temos uma dívida
a saldar, dívida essa aumentada com a instituição da
escola de nove anos, dos ciclos etc.
• Considerando que o avanço mais significativo
corresponde a ampla produção de pesquisas, de
currículos, de atividades, de materiais didáticos que
tomam como foco o sistema constituído por aluno,
professor e matemática precisamos aprender mais indo
além desse sistema e das relações entre os seus
elementos constitutivos.
Pontos a serem considerados
• Aprender e ensinar Matemática são práticas situadas: realizam-se em
determinados contextos sócio-culturais, com sujeitos individuais, que
se relacionam diferentemente com esse contexto
• As dimensões sociais do ensino e das dificuldades de aprendizagem
em matemática (representações sociais de alunos e professores,
fatores sócio-culturais, autoconceito acadêmico do aluno etc.)
• Distinguir, promover o interesse do aluno concernente à Matemática,
relacioná-lo aos objetivos curriculares
• Aproximação entre o currículo praticado nas escolas do
conhecimento produzido em Educação Matemática
• Como os alunos enfrentam a tensão de sala de aula e negociam com
os professores seu senso do tangível (construído ao longo de sua
vida cotidiana) com as exigências do ensino de matemática (dos
projetos pedagógicos, dos currículos, dos livros etc.)
• O que é tangível ao aluno em Matemática?
Um projeto com alunos da rede municipal de São
Paulo
Avaliação e pesquisa: Investigando dificuldades de aprendizagem
em Matemática na rede municipal de ensino de São Paulo
Principais objetivos:
• Avaliar o ensino e aprendizagem da matemática no 4o ano do Ciclo
I, nível fundamental identificando competências matemáticas e
pesquisar dificuldades e fatores que interferem no aproveitamento
dos alunos e contribuem com os elevados índices de reprovação.
• Investigar possíveis particularidades das relações estabelecidas por
grupos populacionais de um grande centro urbano (São Paulo) com
o conhecimento matemático
• Reunir elementos que possam contribuir para ações da Secretaria
de Educação em relação ao ensino de matemática.
• Efetivar formas de cooperação entre a Universidade e uma rede
pública de ensino
Etapas
• aplicação de avaliação diagnóstica a
uma amostra de 1326 alunos do 4º ano
do ciclo I (de aprox. 70 000) de 30
escolas (entre 468) das 13 diretorias de
ensino (2007);
• constituição de pequenos grupos de
alunos, por coordenadoria, para
aprofundar a investigação sobre as
dificuldades (2007/2008).
A equipe envolvida na pesquisa
• Composição: 1 professor de cada diretoria de
ensino, 2 professores da equipe da Secretaria
de Educação, 3 alunos de pós-graduação da
USP, 1 professor da USP.
• Atribuições: Realizar estudos relacionados com
cada etapa da pesquisa, elaborar questões e
atividades, pensar e discutir sobre a sua própria
prática, decidir sobre o que fazer e como fazer,
relacionar resultados da pesquisa com sua
atividade principal.
Alguns dados da avaliação diagnóstica
Notas segundo o Domínio de Conteúdo
Alguns dados da avaliação diagnóstica
Notas segundo Domínio de Conteúdo e Tipo de Classe
Mapa dos acertos, erros e não-
respostas
Algumas capacidades e dificuldades dos alunos
Domínios/capacidades Dificuldades
Números
(muito trabalhado)
Contagem mental, contagem nos dedos, leitura
de números, regularidades e padrões
numéricos simples, comparação ordenação,
classes e ordens
Registro, seqüências e padrões não simples,
leitura de texto (inclusive o matemático), escrita
de números grandes
Operações
(muito trabalhado)
Algoritmos (adição e subtração), a divisão
(parcial), cálculo mental, resolvem problemas
auxiliados na leitura e interpretação, usam
estratégias diferentes em problemas
Conceito de divisão, subtração com recurso à
ordem superior,algoritmos da divisão e
subtração ,registro de estratégias,uso de
linguagem Matemática escrita em lugar de
desenho, interpretação de enunciados,
memorização da tabuada
Espaço e forma
(pouco/não trabalhado )
Relacionam certos sólidos a sua
planificação sem justificativa – identificam o
número de faces de um sólido – identificam
triângulos e círculos – reconhecem ângulos
Nomear sólidos geométricos – relacionar
sólidos a objetos do mundo físico –
classificação de figuras planas – polígonos
(exceto triângulo e quadrado) – confusão
entre figuras planas e não planas.
Grandezas e medidas
(pouco/não trabalhado
Têm noções do sistema monetário –
Conseguem estimar medidas e comparar
unidades apoiados pelo professor –
apresentam hipóteses sobre medidas
Leitura dos símbolos de medidas – Identificar
a medida real de objetos -
Tratamento da
informação
(pouco/não trabalhado)
Organizam dados com ajuda do professor - Desconhecem Não compreensão de
enunciados – Relacionar com situações do
cotidiano – entender representações em
gráficos
O estágio atual da pesquisa:
outros critérios
1 – Comparação do aproveitamento dos alunos
entre avaliação diagnóstica e prova São Paulo.
2 – Trabalho com pequenos grupos de 13 escolas
selecionadas segundo os critérios: pontuação
na prova São Paulo, índice de vulnerabilidade
social, mobilidade populacional, mobilidade do
corpo docente, entrosamento da equipe
pedagógica
3 – Conversas/entrevistas, aplicação de atividades
diversificadas e de atividades comuns.
O que se pretende?
Aprofundar a análise e a compreensão da realidade para
melhorar o ensino de Matemática
Gerando conhecimentos sobre:
- O que os alunos pensam sobre a Matemática e
o professor de Matemática
- Como eles raciocinam ao resolver ou formular
problemas
- Tipos de dificuldades e suas motivações
- A relação entre fatores sócio-culturais e
dificuldades de aprendizagem em Matemática
- O ponto de vista dos professores.

Aprender e ensinar Matemática na Educação Básica.ppt

  • 1.
    Aprender e ensinarMatemática no Ensino Fundamental Vinício de Macedo Santos Faculdade de Educação da USP
  • 2.
    Como se aprendee como se ensina Matemática? • Há diferentes caminhos para se abordar esse tema. • Cada um de nós tem um testemunho: como aluno ou como professor que ensina Matemática. • Fomos bem sucedidos como alunos e somos bem sucedidos como professores? • Como operamos? usando nosso senso, nosso bom-senso e nossa arte de ensinar, apoiando-nos em boas experiências, buscando conhecimentos técnicos etc. • Já sabemos que do final dos anos 70 para cá houve uma mudança importante no pensamento pedagógico. Com concepções inovadoras de conhecimento, de escola, de aprendizagem e ensino (inclusive de Matemática), de aluno, de professor, de avaliação etc. Ampla produção de conhecimentos e ampla divulgação desses conhecimentos, elaboração de currículos e subsídios para o trabalho com Matemática na escola. • Vimos falando em: aprendizagem significativa aprendizagem com compreensão, ensino por meio de atividades e resolução de problemas, trabalho interdisciplinar, trabalho com projetos, ensino com materiais manipuláveis, ensino com jogos, atividades investigativas, ensino contextualizado etc. O que falta?
  • 3.
    Um possível estadode espírito de um aluno ou de um professor de matemática É necessário que os discursos, as teorias, as práticas respondam a questões feitas por alunos e professores ou que ofereçam elementos para se encontrar respostas e formular outras perguntas
  • 4.
    Como avaliamos oensino e a aprendizagem em matemática? Do que nos queixamos? • Ainda não conseguimos evitar que a Matemática esteja associada às experiências negativas de escolarização de grande parte dos alunos • Apesar dos avanços que podemos enumerar no campo da produção de idéias e experiências temos uma dívida a saldar, dívida essa aumentada com a instituição da escola de nove anos, dos ciclos etc. • Considerando que o avanço mais significativo corresponde a ampla produção de pesquisas, de currículos, de atividades, de materiais didáticos que tomam como foco o sistema constituído por aluno, professor e matemática precisamos aprender mais indo além desse sistema e das relações entre os seus elementos constitutivos.
  • 5.
    Pontos a seremconsiderados • Aprender e ensinar Matemática são práticas situadas: realizam-se em determinados contextos sócio-culturais, com sujeitos individuais, que se relacionam diferentemente com esse contexto • As dimensões sociais do ensino e das dificuldades de aprendizagem em matemática (representações sociais de alunos e professores, fatores sócio-culturais, autoconceito acadêmico do aluno etc.) • Distinguir, promover o interesse do aluno concernente à Matemática, relacioná-lo aos objetivos curriculares • Aproximação entre o currículo praticado nas escolas do conhecimento produzido em Educação Matemática • Como os alunos enfrentam a tensão de sala de aula e negociam com os professores seu senso do tangível (construído ao longo de sua vida cotidiana) com as exigências do ensino de matemática (dos projetos pedagógicos, dos currículos, dos livros etc.) • O que é tangível ao aluno em Matemática?
  • 6.
    Um projeto comalunos da rede municipal de São Paulo Avaliação e pesquisa: Investigando dificuldades de aprendizagem em Matemática na rede municipal de ensino de São Paulo Principais objetivos: • Avaliar o ensino e aprendizagem da matemática no 4o ano do Ciclo I, nível fundamental identificando competências matemáticas e pesquisar dificuldades e fatores que interferem no aproveitamento dos alunos e contribuem com os elevados índices de reprovação. • Investigar possíveis particularidades das relações estabelecidas por grupos populacionais de um grande centro urbano (São Paulo) com o conhecimento matemático • Reunir elementos que possam contribuir para ações da Secretaria de Educação em relação ao ensino de matemática. • Efetivar formas de cooperação entre a Universidade e uma rede pública de ensino
  • 7.
    Etapas • aplicação deavaliação diagnóstica a uma amostra de 1326 alunos do 4º ano do ciclo I (de aprox. 70 000) de 30 escolas (entre 468) das 13 diretorias de ensino (2007); • constituição de pequenos grupos de alunos, por coordenadoria, para aprofundar a investigação sobre as dificuldades (2007/2008).
  • 8.
    A equipe envolvidana pesquisa • Composição: 1 professor de cada diretoria de ensino, 2 professores da equipe da Secretaria de Educação, 3 alunos de pós-graduação da USP, 1 professor da USP. • Atribuições: Realizar estudos relacionados com cada etapa da pesquisa, elaborar questões e atividades, pensar e discutir sobre a sua própria prática, decidir sobre o que fazer e como fazer, relacionar resultados da pesquisa com sua atividade principal.
  • 9.
    Alguns dados daavaliação diagnóstica Notas segundo o Domínio de Conteúdo
  • 10.
    Alguns dados daavaliação diagnóstica Notas segundo Domínio de Conteúdo e Tipo de Classe
  • 11.
    Mapa dos acertos,erros e não- respostas
  • 12.
    Algumas capacidades edificuldades dos alunos Domínios/capacidades Dificuldades Números (muito trabalhado) Contagem mental, contagem nos dedos, leitura de números, regularidades e padrões numéricos simples, comparação ordenação, classes e ordens Registro, seqüências e padrões não simples, leitura de texto (inclusive o matemático), escrita de números grandes Operações (muito trabalhado) Algoritmos (adição e subtração), a divisão (parcial), cálculo mental, resolvem problemas auxiliados na leitura e interpretação, usam estratégias diferentes em problemas Conceito de divisão, subtração com recurso à ordem superior,algoritmos da divisão e subtração ,registro de estratégias,uso de linguagem Matemática escrita em lugar de desenho, interpretação de enunciados, memorização da tabuada Espaço e forma (pouco/não trabalhado ) Relacionam certos sólidos a sua planificação sem justificativa – identificam o número de faces de um sólido – identificam triângulos e círculos – reconhecem ângulos Nomear sólidos geométricos – relacionar sólidos a objetos do mundo físico – classificação de figuras planas – polígonos (exceto triângulo e quadrado) – confusão entre figuras planas e não planas. Grandezas e medidas (pouco/não trabalhado Têm noções do sistema monetário – Conseguem estimar medidas e comparar unidades apoiados pelo professor – apresentam hipóteses sobre medidas Leitura dos símbolos de medidas – Identificar a medida real de objetos - Tratamento da informação (pouco/não trabalhado) Organizam dados com ajuda do professor - Desconhecem Não compreensão de enunciados – Relacionar com situações do cotidiano – entender representações em gráficos
  • 13.
    O estágio atualda pesquisa: outros critérios 1 – Comparação do aproveitamento dos alunos entre avaliação diagnóstica e prova São Paulo. 2 – Trabalho com pequenos grupos de 13 escolas selecionadas segundo os critérios: pontuação na prova São Paulo, índice de vulnerabilidade social, mobilidade populacional, mobilidade do corpo docente, entrosamento da equipe pedagógica 3 – Conversas/entrevistas, aplicação de atividades diversificadas e de atividades comuns.
  • 14.
    O que sepretende? Aprofundar a análise e a compreensão da realidade para melhorar o ensino de Matemática Gerando conhecimentos sobre: - O que os alunos pensam sobre a Matemática e o professor de Matemática - Como eles raciocinam ao resolver ou formular problemas - Tipos de dificuldades e suas motivações - A relação entre fatores sócio-culturais e dificuldades de aprendizagem em Matemática - O ponto de vista dos professores.