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Traduzido por MEIRE PORTES SANTOS
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Editora Ultimato Ltda.
Caixa postal 43
36570-000 Viçosa, MG
Telefone: 31 3611-8500 — Fax: 31 3891-1557
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Ficha catalográfica preparada pela Seção de Catalogação e
Classificação da Biblioteca Central da UFV
Stott, John, 1921-
A missão cristã no mundo moderno / John Stott ; traduzido por Meire
Portes Santos. — Viçosa, MG : Ultimato, 2010.
160p.; 21cm.
Título original: Christian Mission in the Modern World
ISBN 978-85-7779-039-5
1. Missão da igreja. 2. Religião e cultura. I. Título.
CDD 22.ed. 266
S588m
2010
A MISSÃO CRISTÃ NO MUNDO MODERNO
Categoria: Missão / Teologia / Liderança
Copyright © John R. W. Stott, 1975
Publicado originalmente por Inter-Varsity Press,
Downers Grove, IL, Estados Unidos.
Título original em inglês: Christian Mission in the Modern World
Primeira edição: Maio de 2010
Coordenação editorial: Bernadete Ribeiro
Tradução: Meire Portes Santos
Revisão: Paula Mazzini Mendes
Diagramação: João Jacob
Capa: Ale Gustavo
Os textos das referências bíblicas foram extraídos da versão Almeida
Revista e Atualizada, 2. ed., da Sociedade Bíblica do Brasil.
Sumário
	 Apresentação	 7
	 Prefácio	 11
	 Introdução: Palavras e seus significados	 13
1.	Missão	 17
2.	Evangelismo	 43
3. Diálogo	 71
4.	Salvação	 99
5.	Conversão	 131
	 Notas	 155
Apresentação
Eu tinha 26 anos quando este livro foi publicado pela primeira
vez. Fazia parte daquele grupo de pessoas que implorariam,
fariam empréstimos, roubariam ou passariam fome para
conseguir um lançamento de John Stott. E este era ainda mais
especial. O movimento evangélico atingia o ápice. Entrávamos
na era “pós-guerra”, em que algumas das maiores batalhas que
emergiam sobre a missão da Igreja estavam sendo resolvidas
porque a Igreja começava a considerar a missão por meio do
estudo da Bíblia como um todo. Por exemplo, começávamos a
acreditar que o evangelismo e o interesse social eram aspectos
vitais da missão cristã e que o diálogo — realizado de forma
bíblica — não era inimigo do evangelismo. O Pacto de Lausanne,
um estímulo indispensável a este desenvolvimento, foi um
dos mais importantes documentos cristãos a surgir durante o
século 20. Agora, o principal escritor daquele documento havia
lançado um livro esboçando a natureza da missão cristã. Foi um
acontecimento maravilhoso.
Naqueles dias, e ainda hoje, eu tinha verdadeira paixão pelo
evangelismo — ver pessoas perdidas encontrarem o Salvador do
mundo. Isso me levou a um ministério que atua principalmente
com pessoas de outras crenças. Eu também tinha a convicção de
que meu trabalho seria com os pobres e necessitados e que este
chamado influenciaria meu estilo de vida. Eu sabia que, para me
identificar com o pobre, teria de viver de maneira simples e me
envolver no desenvolvimento material, educacional e social das
8 A missão cristã no mundo moderno
pessoas às quais eu serviria. Eu era um estudante nos Estados
Unidos, e comecei a sentir que seria melhor não arriscar levar
uma esposa americana para viver entre os pobres — algo difícil
para uma pessoa jovem ansiosa para se casar e que vivia em uma
cultura que valorizava o namoro! Eu precisava de uma base de
convicções que me ajudasse na preparação e execução do minis-
tério que eu esperava ter em Sri Lanka.
O livro A Missão Cristã no Mundo Moderno, de John Stott,
me ajudou a conseguir essa base. Não é necessário dizer que ele
se tornou quase um manual que me auxiliou em muitas escolhas
que fiz.Trinta e três anos mais tarde, posso dizer que estou muito
contente com aquelas convicções que Deus gravou em meu jovem
coração no início do meu ministério.
Estou muito feliz porque uma obra clássica que tem influen-
ciado o curso da Igreja tão significativamente será apresentada a
uma nova geração de cristãos. Estamos sempre correndo o risco
de insistir nas mesmas ideias, nos tornando tão desequilibrados
que negligenciamos aspectos importantes da vida e missão cris-
tãs. Este livro pode nos dar os parâmetros pelos quais moldar
biblicamente nossos ministérios.
Leia este livro, primeiro porque é escrito por um dos gigantes
cristãos da atualidade. Segundo, porque ele oferece princípios-
chave nos quais fundamentar nossa compreensão da missão
cristã de tal forma que possamos alcançar o equilíbrio bíblico
que tanto necessitamos.
Ajith Fernando
Diretor nacional da Mocidade para Cristo no Sri Lanka
• • •
Todo ano um ilustre visitante é convidado a conduzir, no Wycliffe
Hall, Oxford, uma série de preleções públicas conhecidas como
as Preleções de Chavasse sobre Missões Mundiais. As de 1975
Apresentação 9
foram conduzidas por John Stott em um auditório lotado (e
entusiasmado) formado por pessoas da universidade da cidade
e também do próprio Wycliffe Hall. Estou satisfeito porque
as preleções agora estão sendo disponibilizadas em forma de
livro para um público mais amplo, e me sinto honrado por ser
convidado a contribuir com um prefácio.
O alvo de John Stott é examinar o significado bíblico de algu-
mas das principais palavras que estão no centro do atual debate
sobre a missão cristã. Em tal debate, a interpretação da missão
que é mais popular em alguns círculos dentro do movimento
ecumênico difere intensamente daquela que tem sido defendi-
da tradicionalmente por muitos evangélicos. Algumas vezes a
diferença parece atingir tal impasse que continuar debatendo
torna-se inútil, e não há esperança de progresso em direção a
uma reconciliação. A saída seria os dois lados se encontrarem para
um estudo conjunto das Escrituras, corrigindo e enriquecendo
seu próprio entendimento e o de outros sobre missões por meio
de uma compreensão mais profunda do assunto missionário
bíblico e de uma submissão mais completa a ele. As preleções
de John Stott, e agora seu livro, são uma contribuição notável
a essa iniciativa.
Enquanto ouvia as preleções, quatro adjetivos vieram à minha
mente, como penso que virão aos leitores deste livro.
Primeiro, bíblico. Ele vai diretamente às Escrituras, trabalha
o texto com diligência e honestidade e tenta não atribuir um
significado a ele, mas tirar dele próprio o significado.
Segundo, claro. Ele é um pensador preciso e rigoroso, que
traspassa as ambiguidades e incertezas e nos impele a encarar os
assuntos teológicos com lógica e exatidão.
Terceiro, justo. Ele não hesita em criticar o que não é bíblico
na teologia radical moderna, mas também não justifica as atitudes
não-bíblicas que as pressuposições e atitudes dos evangélicos às
10 A missão cristã no mundo moderno
vezes escondem. Ele sempre especifica suas críticas para evitar
qualquer injustiça àqueles que critica, e contrapõe a crítica com
o reconhecimento generoso das coisas verdadeiras e boas que
dizem e defendem aqueles de quem ele discorda.
Quarto, edificante. Ele fala e escreve com a delicadeza e a ami-
zade cordial que os cristãos devem uns aos outros ao debaterem
suas diferenças. Ele não está preocupado em defender sua própria
posição, nem em derrotar a de alguém. Em vez disso, ele nos
convida a aprendermos mais da verdade de Deus juntos e assim
nos abrirmos mais completamente à revelação bíblica de Jesus
Cristo. É desta maneira que as discussões ecumênicas podem
ser positivas e frutíferas, e podem ajudar a Igreja a ser renovada
em unidade para a missão. É bom que essa contribuição para a
compreensão ecumênica venha de uma fonte evangélica, e espero
que o livro seja amplamente lido tanto por evangélicos como por
radicais, pois todos podemos aprender muito com ele.
J. P. Hickinbothan
Reitor, Wycliffe Hall, Oxford
De profetas e de cantadores 11
Prefácio
Quatro experiências distintas contribuíram para a concepção
deste livro, além do meu comprometimento pessoal com o
evangelismo, tanto por meio da igreja local como na univer-
sidade, — este último, desde uma missão na Universidade de
Cambridge em 1952.
Primeiro, em 1968, participei da Quarta Assembleia do
Conselho Mundial de Igrejas, em Uppsala, como “conselheiro”.
Alocado na seção 2 (“Renovação em missão”), fui imediatamente
arrastado para o centro da discussão contemporânea sobre o
significado de missão.
Segundo, apesar de não participar da conferência Salvação
Hoje, em Bancoc, em janeiro de 1973, naturalmente a acom-
panhei com profundo interesse e preocupação. No ano seguinte,
quando fui convidado a falar na conferência anual de Baker, em
Melbourne (em memória do bispo Donald Baker, estudioso do
Novo Testamento e ex-diretor do Ridley College, em Melbour-
ne), escolhi o seguinte tema: “Salvação Ontem e Hoje”. A essência
dessa preleção está reproduzida com permissão e expandida no
capítulo quatro.
Terceiro, o comitê de planejamento do Congresso Internacio-
nal em Evangelização Mundial, em Lausanne, em julho de 1974,
pediu-me para fazer o discurso de abertura sobre a natureza do
evangelismo bíblico, e para tentar proporcionar uma definição
bíblica das cinco palavras: missão, evangelismo, diálogo, salvação
e conversão.
12 A missão cristã no mundo moderno
Assim, quando, em quarto lugar, Canon Jim Hickinbotham,
diretor do Wycliffe Hall, Oxford, convidou-me para fazer as
Palestras Chavasse de 1975 (em memória tanto do bispo F. J.
Chavasse de Liverpool, que havia sido diretor do Wycliffe Hall,
quanto de seu filho, bispo Christopher Chavasse, que havia sido
mestre do St. Peter’s College e diretor do conselho administrativo
do Wycliffe Hall), pareceu-me adequado usar as mesmas cinco
palavras e elaborar o que eu havia tentado esboçar em Lausanne.
Sou muito grato ao diretor, corpo docente e estudantes doWycliffe
Hall pela recepção carinhosa e atenção às palestras e pelo estímulo
do tempo de perguntas que sucedia cada preleção. Também sou
muito grato a Jim Hickinbotham pelos termos generosos que usa
na apresentação.
Apesar de não ter a pretensão de disfarçar ou negar que sou um
cristão de convicção “evangélica”, este livro não é um exercício de
propaganda partidária. Não estou advogando em causa própria, ex-
ceto quando se trata de descobrir o que o Espírito está dizendo para
as igrejas por meio da Palavra. Nada me animou mais em Wycliffe
do que ouvir o comentário conclusivo do diretor, que considerava
que eu havia sido “escrupulosamente justo” com aqueles de quem
eu havia me aventurado a discordar. Esse certamente tem sido o
meu alvo. Além disso, se sou crítico de outros, desejo também ser
críticodemimmesmoedemeuscompanheirosevangélicos.Avida
é uma peregrinação de aprendizagem, uma viagem de descobertas
na qual nossas perspectivas errôneas são corrigidas, nossas noções
distorcidas, ajustadas, nossas opiniões superficiais, aprofundadas
e algumas de nossas vastas ignorâncias, diminuídas.
Talvez a maior necessidade no atual debate ecumênico seja
encontrar uma hermenêutica bíblica coerente, pois sem isso é
improvável que um consenso mais amplo sobre o significado e o
dever da “missão” seja alcançado um dia.
Abril de 1975
Introdução 13
Introdução
Palavras e seus significados
Todos os cristãos, de todos os lugares, sejam quais forem suas
bagagens culturais ou convicções teológicas, já pensaram ou
pensarão sobre a relação entre a igreja e o mundo. Independente
de o nosso contexto próprio ser o secularismo pós-cristão no
chamado mundo livre, alguma forma de marxismo no bloco
comunista ou uma cultura permeada pelo hinduísmo, budismo
ou islamismo numa das nações do Terceiro Mundo, as mesmas
perguntasinevitáveisperturbamaconsciênciacristã:qualdevesero
relacionamento da igreja com o mundo? Qual é a responsabilidade
do cristão para com seus parentes, amigos e vizinhos não-cristãos,
e, na verdade, com toda a comunidade não-cristã?
A maioria dos cristãos usaria, de alguma forma, o termo missão
em resposta a essas indagações. Dificilmente alguém discute a
relação igreja-mundo omitindo o conceito de “missão”. Porém,
parece que há grande divergência em nossa compreensão do que é
nossa “missão”, que papel o “evangelismo” desempenha na missão
e qual o papel do “diálogo” no evangelismo. Temo ainda que
discordemos uns dos outros não apenas em nosso entendimento
da natureza da missão, do evangelismo e do diálogo, mas também
em nossa compreensão do objetivo dos três. Provavelmente, os
termos conversão e salvação aparecem em um lugar ou outro de
nossa definição dos alvos, mas existe pouco consenso a respeito
dos significados dessas palavras. Minha tarefa então é tomar
14 A missão cristã no mundo moderno
este conjunto de cinco palavras — missão, evangelismo, diálogo,
salvação e conversão — e tentar defini-las biblicamente. Como eu
disse em Lausanne, tenho esperança de que meu propósito não
seja mal interpretado. Estamos todos conscientes de que, durante
os últimos anos, especialmente a partir da Quarta Assembleia do
Conselho Mundial de Igrejas, em Uppsala, em 1968, as relações
entre cristãos evangélicos e ecumênicos (se posso usar esses termos
como uma abreviação conveniente, pois reconheço que eles não
são de forma alguma mutuamente excludentes) têm evoluído
para algo parecido com uma confrontação. Não desejo piorar
esta situação. E espero também não recorrer à estratégia dúbia de
colocar alguns pinos ecumênicos a postos para derrubá-los com
bolas evangélicas certeiras, de forma que possamos aplaudir nossa
vitória fácil! Veja bem, acredito que algumas ideias ecumênicas
são erradas. Porém, por outro lado, creio que algumas de nossas
formulações evangélicas tradicionais também são erradas. Muitos
cristãos ecumênicos não parecem ter começado a aprender
como viver sob a autoridade das Escrituras. Nós, evangélicos,
pensamos que sabemos — e não há dúvida de que queremos
isso com sinceridade —, mas em várias situações somos muito
seletivos em nossa submissão e, em outras, as tradições dos
evangélicos mais antigos parecem ser mais fruto da cultura do que
da Escritura. Minha preocupação principal então é submeter os
pensamentos ecumênico e o evangélico ao mesmo teste objetivo
e independente, que é o da revelação bíblica.
Entretanto, meu ponto inicial não é a Palavra de Deus, mas
a sabedoria de Alice — a Alice do País das Maravilhas, ou, mais
precisamente, a Alice do País do Espelho. Você deve se lembrar
de seu diálogo espirituoso com Humpty Dumpty.
“Quando uso uma palavra”, disse Humpty Dumpty com um
tom zombeteiro, “ela quer dizer exatamente o que eu escolhi que
ela significasse, nem mais, nem menos”.
Introdução 15
“A pergunta é”, disse Alice, “se você pode fazer as palavras
significarem coisas diferentes”.
“A pergunta é”, disse Humpty Dumpty, “quem deve ser
mestre — isso é tudo”.
É instrutivo ponderar sobre essa conversa. Alice e Humpty
Dumpty começaram discutindo a palavra glória (que Humpty
Dumpty havia dito a Alice com um sorriso desafiante que, claro,
ela não entendeu até que ele explicasse o significado), e então a
palavra impenetrabilidade (que Humpty Dumpty alegou significar
tantas coisas que acrescentou: “Quando eu faço uma palavra tra-
balhar tanto assim, sempre pago extra”), e, finalmente, o poema
“Jaguadarte” (que levou Humpty Dumpty a dizer que algumas
palavras são “como uma mala de dois compartimentos — existem
dois significados embutidos em uma palavra”).
Os americanos podem até considerar Humpty Dumpty um
aluno do ensino médio, pois ele era uma estranha mistura de
sabedoria e insensatez, bom senso e falta do mesmo. Ele estava
completamente correto em sua afirmação de que algumas palavras
são como malas de dois compartimentos, e que outras merecem
pagamento extra por causa da quantidade de trabalho que preci-
sam fazer. Mas estava completamente errado em imaginar que era
o mestre das palavras e podia, arbitrariamente, impor significados
a elas de acordo com sua própria escolha caprichosa.
Assim (me atrevo a dizer isso), alguns teólogos parecem ser tão
perversos como Humpty Dumpty no uso que fazem dos termos
bíblicos. Se eu tivesse um décimo da imaginação de Lewis Carroll,
penso que poderia tentar uma paródia intitulada “Malícia no País
das Maravilhas” ou “Aventuras em Fantasias Teológicas”.
Não se discute que o significado das palavras se altera com
o tempo. “O ideal de um ‘idioma atemporal’”, escreveu C. S.
Lewis em uma de suas Letters to Malcolm, “é pura falta de bom
senso. Nenhuma língua viva pode ser isenta ao tempo. Isso seria
o mesmo que um rio sem correnteza.”1
16 A missão cristã no mundo moderno
Nenhum escritor moderno demonstrou isso de forma mais
efetiva do que AlvinToffler no livro Future Shock. Ele possui uma
sessão fascinante sobre a transitoriedade da língua humana, que
denominou “O Shakespeare semialfabetizado”2
e na qual cita
Stuart Berg Flexner, o editor chefe do Random House Dictionary
of the English Language: “Se Shakespeare aparecesse subitamente
em Londres ou Nova York hoje, ele conseguiria entender uma
média de apenas 5 entre 9 palavras de nosso vocabulário. O Bardo
seria um semianalfabeto”.
O que Lewis, Flexner e Toffler estão dizendo é que o sig-
nificado das palavras evolui. O que uma palavra significa hoje
provavelmente é muito diferente do que significou ontem, do
que significou antes de ontem e assim por diante. Porém, o
reconhecimento de que o significado de hoje é diferente do de
ontem não nos dá o direito de confundir os dois, ou de enten-
der a palavra hoje com o significado que ela teve ontem. Pelo
contrário, a palavra de ontem tem o significado de ontem, e a
de hoje, tem o significado de hoje.
Quando este princípio elementar é aplicado à interpretação
bíblica, normalmente é chamado pela pomposa expressão “exegese
gramático-histórica”. Pelo lado negativo, isso indica que não temos
liberdade de impor às palavras bíblicas significados que elas nunca
tiveram a intenção de ter. Pelo positivo, cai sobre nós a disciplina
de estudar as palavras tanto no contexto gramatical quanto no
cenário histórico. É a gramática juntamente com a história que
determinam o significado das palavras, como todo advogado
bem treinado na interpretação de documentos confirmará.
E. D. Hirsch resume isso no livro Validity in Interpretation: “um
texto significa o que seu autor quis dizer”.3

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A missão Cristã no mundo moderno.

  • 1. n o m u n d o m o d e r n o A missão cristã
  • 2. 2 A missão cristã no mundo moderno
  • 3. De profetas e de cantadores 3 J o h n S t o t t Traduzido por MEIRE PORTES SANTOS n o m u n d o m o d e r n o A missão cristã
  • 4. Publicado no Brasil com autorização e com todos os direitos reservados Editora Ultimato Ltda. Caixa postal 43 36570-000 Viçosa, MG Telefone: 31 3611-8500 — Fax: 31 3891-1557 www.ultimato.com.br Ficha catalográfica preparada pela Seção de Catalogação e Classificação da Biblioteca Central da UFV Stott, John, 1921- A missão cristã no mundo moderno / John Stott ; traduzido por Meire Portes Santos. — Viçosa, MG : Ultimato, 2010. 160p.; 21cm. Título original: Christian Mission in the Modern World ISBN 978-85-7779-039-5 1. Missão da igreja. 2. Religião e cultura. I. Título. CDD 22.ed. 266 S588m 2010 A MISSÃO CRISTÃ NO MUNDO MODERNO Categoria: Missão / Teologia / Liderança Copyright © John R. W. Stott, 1975 Publicado originalmente por Inter-Varsity Press, Downers Grove, IL, Estados Unidos. Título original em inglês: Christian Mission in the Modern World Primeira edição: Maio de 2010 Coordenação editorial: Bernadete Ribeiro Tradução: Meire Portes Santos Revisão: Paula Mazzini Mendes Diagramação: João Jacob Capa: Ale Gustavo Os textos das referências bíblicas foram extraídos da versão Almeida Revista e Atualizada, 2. ed., da Sociedade Bíblica do Brasil.
  • 5. Sumário Apresentação 7 Prefácio 11 Introdução: Palavras e seus significados 13 1. Missão 17 2. Evangelismo 43 3. Diálogo 71 4. Salvação 99 5. Conversão 131 Notas 155
  • 6.
  • 7. Apresentação Eu tinha 26 anos quando este livro foi publicado pela primeira vez. Fazia parte daquele grupo de pessoas que implorariam, fariam empréstimos, roubariam ou passariam fome para conseguir um lançamento de John Stott. E este era ainda mais especial. O movimento evangélico atingia o ápice. Entrávamos na era “pós-guerra”, em que algumas das maiores batalhas que emergiam sobre a missão da Igreja estavam sendo resolvidas porque a Igreja começava a considerar a missão por meio do estudo da Bíblia como um todo. Por exemplo, começávamos a acreditar que o evangelismo e o interesse social eram aspectos vitais da missão cristã e que o diálogo — realizado de forma bíblica — não era inimigo do evangelismo. O Pacto de Lausanne, um estímulo indispensável a este desenvolvimento, foi um dos mais importantes documentos cristãos a surgir durante o século 20. Agora, o principal escritor daquele documento havia lançado um livro esboçando a natureza da missão cristã. Foi um acontecimento maravilhoso. Naqueles dias, e ainda hoje, eu tinha verdadeira paixão pelo evangelismo — ver pessoas perdidas encontrarem o Salvador do mundo. Isso me levou a um ministério que atua principalmente com pessoas de outras crenças. Eu também tinha a convicção de que meu trabalho seria com os pobres e necessitados e que este chamado influenciaria meu estilo de vida. Eu sabia que, para me identificar com o pobre, teria de viver de maneira simples e me envolver no desenvolvimento material, educacional e social das
  • 8. 8 A missão cristã no mundo moderno pessoas às quais eu serviria. Eu era um estudante nos Estados Unidos, e comecei a sentir que seria melhor não arriscar levar uma esposa americana para viver entre os pobres — algo difícil para uma pessoa jovem ansiosa para se casar e que vivia em uma cultura que valorizava o namoro! Eu precisava de uma base de convicções que me ajudasse na preparação e execução do minis- tério que eu esperava ter em Sri Lanka. O livro A Missão Cristã no Mundo Moderno, de John Stott, me ajudou a conseguir essa base. Não é necessário dizer que ele se tornou quase um manual que me auxiliou em muitas escolhas que fiz.Trinta e três anos mais tarde, posso dizer que estou muito contente com aquelas convicções que Deus gravou em meu jovem coração no início do meu ministério. Estou muito feliz porque uma obra clássica que tem influen- ciado o curso da Igreja tão significativamente será apresentada a uma nova geração de cristãos. Estamos sempre correndo o risco de insistir nas mesmas ideias, nos tornando tão desequilibrados que negligenciamos aspectos importantes da vida e missão cris- tãs. Este livro pode nos dar os parâmetros pelos quais moldar biblicamente nossos ministérios. Leia este livro, primeiro porque é escrito por um dos gigantes cristãos da atualidade. Segundo, porque ele oferece princípios- chave nos quais fundamentar nossa compreensão da missão cristã de tal forma que possamos alcançar o equilíbrio bíblico que tanto necessitamos. Ajith Fernando Diretor nacional da Mocidade para Cristo no Sri Lanka • • • Todo ano um ilustre visitante é convidado a conduzir, no Wycliffe Hall, Oxford, uma série de preleções públicas conhecidas como as Preleções de Chavasse sobre Missões Mundiais. As de 1975
  • 9. Apresentação 9 foram conduzidas por John Stott em um auditório lotado (e entusiasmado) formado por pessoas da universidade da cidade e também do próprio Wycliffe Hall. Estou satisfeito porque as preleções agora estão sendo disponibilizadas em forma de livro para um público mais amplo, e me sinto honrado por ser convidado a contribuir com um prefácio. O alvo de John Stott é examinar o significado bíblico de algu- mas das principais palavras que estão no centro do atual debate sobre a missão cristã. Em tal debate, a interpretação da missão que é mais popular em alguns círculos dentro do movimento ecumênico difere intensamente daquela que tem sido defendi- da tradicionalmente por muitos evangélicos. Algumas vezes a diferença parece atingir tal impasse que continuar debatendo torna-se inútil, e não há esperança de progresso em direção a uma reconciliação. A saída seria os dois lados se encontrarem para um estudo conjunto das Escrituras, corrigindo e enriquecendo seu próprio entendimento e o de outros sobre missões por meio de uma compreensão mais profunda do assunto missionário bíblico e de uma submissão mais completa a ele. As preleções de John Stott, e agora seu livro, são uma contribuição notável a essa iniciativa. Enquanto ouvia as preleções, quatro adjetivos vieram à minha mente, como penso que virão aos leitores deste livro. Primeiro, bíblico. Ele vai diretamente às Escrituras, trabalha o texto com diligência e honestidade e tenta não atribuir um significado a ele, mas tirar dele próprio o significado. Segundo, claro. Ele é um pensador preciso e rigoroso, que traspassa as ambiguidades e incertezas e nos impele a encarar os assuntos teológicos com lógica e exatidão. Terceiro, justo. Ele não hesita em criticar o que não é bíblico na teologia radical moderna, mas também não justifica as atitudes não-bíblicas que as pressuposições e atitudes dos evangélicos às
  • 10. 10 A missão cristã no mundo moderno vezes escondem. Ele sempre especifica suas críticas para evitar qualquer injustiça àqueles que critica, e contrapõe a crítica com o reconhecimento generoso das coisas verdadeiras e boas que dizem e defendem aqueles de quem ele discorda. Quarto, edificante. Ele fala e escreve com a delicadeza e a ami- zade cordial que os cristãos devem uns aos outros ao debaterem suas diferenças. Ele não está preocupado em defender sua própria posição, nem em derrotar a de alguém. Em vez disso, ele nos convida a aprendermos mais da verdade de Deus juntos e assim nos abrirmos mais completamente à revelação bíblica de Jesus Cristo. É desta maneira que as discussões ecumênicas podem ser positivas e frutíferas, e podem ajudar a Igreja a ser renovada em unidade para a missão. É bom que essa contribuição para a compreensão ecumênica venha de uma fonte evangélica, e espero que o livro seja amplamente lido tanto por evangélicos como por radicais, pois todos podemos aprender muito com ele. J. P. Hickinbothan Reitor, Wycliffe Hall, Oxford
  • 11. De profetas e de cantadores 11 Prefácio Quatro experiências distintas contribuíram para a concepção deste livro, além do meu comprometimento pessoal com o evangelismo, tanto por meio da igreja local como na univer- sidade, — este último, desde uma missão na Universidade de Cambridge em 1952. Primeiro, em 1968, participei da Quarta Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, em Uppsala, como “conselheiro”. Alocado na seção 2 (“Renovação em missão”), fui imediatamente arrastado para o centro da discussão contemporânea sobre o significado de missão. Segundo, apesar de não participar da conferência Salvação Hoje, em Bancoc, em janeiro de 1973, naturalmente a acom- panhei com profundo interesse e preocupação. No ano seguinte, quando fui convidado a falar na conferência anual de Baker, em Melbourne (em memória do bispo Donald Baker, estudioso do Novo Testamento e ex-diretor do Ridley College, em Melbour- ne), escolhi o seguinte tema: “Salvação Ontem e Hoje”. A essência dessa preleção está reproduzida com permissão e expandida no capítulo quatro. Terceiro, o comitê de planejamento do Congresso Internacio- nal em Evangelização Mundial, em Lausanne, em julho de 1974, pediu-me para fazer o discurso de abertura sobre a natureza do evangelismo bíblico, e para tentar proporcionar uma definição bíblica das cinco palavras: missão, evangelismo, diálogo, salvação e conversão.
  • 12. 12 A missão cristã no mundo moderno Assim, quando, em quarto lugar, Canon Jim Hickinbotham, diretor do Wycliffe Hall, Oxford, convidou-me para fazer as Palestras Chavasse de 1975 (em memória tanto do bispo F. J. Chavasse de Liverpool, que havia sido diretor do Wycliffe Hall, quanto de seu filho, bispo Christopher Chavasse, que havia sido mestre do St. Peter’s College e diretor do conselho administrativo do Wycliffe Hall), pareceu-me adequado usar as mesmas cinco palavras e elaborar o que eu havia tentado esboçar em Lausanne. Sou muito grato ao diretor, corpo docente e estudantes doWycliffe Hall pela recepção carinhosa e atenção às palestras e pelo estímulo do tempo de perguntas que sucedia cada preleção. Também sou muito grato a Jim Hickinbotham pelos termos generosos que usa na apresentação. Apesar de não ter a pretensão de disfarçar ou negar que sou um cristão de convicção “evangélica”, este livro não é um exercício de propaganda partidária. Não estou advogando em causa própria, ex- ceto quando se trata de descobrir o que o Espírito está dizendo para as igrejas por meio da Palavra. Nada me animou mais em Wycliffe do que ouvir o comentário conclusivo do diretor, que considerava que eu havia sido “escrupulosamente justo” com aqueles de quem eu havia me aventurado a discordar. Esse certamente tem sido o meu alvo. Além disso, se sou crítico de outros, desejo também ser críticodemimmesmoedemeuscompanheirosevangélicos.Avida é uma peregrinação de aprendizagem, uma viagem de descobertas na qual nossas perspectivas errôneas são corrigidas, nossas noções distorcidas, ajustadas, nossas opiniões superficiais, aprofundadas e algumas de nossas vastas ignorâncias, diminuídas. Talvez a maior necessidade no atual debate ecumênico seja encontrar uma hermenêutica bíblica coerente, pois sem isso é improvável que um consenso mais amplo sobre o significado e o dever da “missão” seja alcançado um dia. Abril de 1975
  • 13. Introdução 13 Introdução Palavras e seus significados Todos os cristãos, de todos os lugares, sejam quais forem suas bagagens culturais ou convicções teológicas, já pensaram ou pensarão sobre a relação entre a igreja e o mundo. Independente de o nosso contexto próprio ser o secularismo pós-cristão no chamado mundo livre, alguma forma de marxismo no bloco comunista ou uma cultura permeada pelo hinduísmo, budismo ou islamismo numa das nações do Terceiro Mundo, as mesmas perguntasinevitáveisperturbamaconsciênciacristã:qualdevesero relacionamento da igreja com o mundo? Qual é a responsabilidade do cristão para com seus parentes, amigos e vizinhos não-cristãos, e, na verdade, com toda a comunidade não-cristã? A maioria dos cristãos usaria, de alguma forma, o termo missão em resposta a essas indagações. Dificilmente alguém discute a relação igreja-mundo omitindo o conceito de “missão”. Porém, parece que há grande divergência em nossa compreensão do que é nossa “missão”, que papel o “evangelismo” desempenha na missão e qual o papel do “diálogo” no evangelismo. Temo ainda que discordemos uns dos outros não apenas em nosso entendimento da natureza da missão, do evangelismo e do diálogo, mas também em nossa compreensão do objetivo dos três. Provavelmente, os termos conversão e salvação aparecem em um lugar ou outro de nossa definição dos alvos, mas existe pouco consenso a respeito dos significados dessas palavras. Minha tarefa então é tomar
  • 14. 14 A missão cristã no mundo moderno este conjunto de cinco palavras — missão, evangelismo, diálogo, salvação e conversão — e tentar defini-las biblicamente. Como eu disse em Lausanne, tenho esperança de que meu propósito não seja mal interpretado. Estamos todos conscientes de que, durante os últimos anos, especialmente a partir da Quarta Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, em Uppsala, em 1968, as relações entre cristãos evangélicos e ecumênicos (se posso usar esses termos como uma abreviação conveniente, pois reconheço que eles não são de forma alguma mutuamente excludentes) têm evoluído para algo parecido com uma confrontação. Não desejo piorar esta situação. E espero também não recorrer à estratégia dúbia de colocar alguns pinos ecumênicos a postos para derrubá-los com bolas evangélicas certeiras, de forma que possamos aplaudir nossa vitória fácil! Veja bem, acredito que algumas ideias ecumênicas são erradas. Porém, por outro lado, creio que algumas de nossas formulações evangélicas tradicionais também são erradas. Muitos cristãos ecumênicos não parecem ter começado a aprender como viver sob a autoridade das Escrituras. Nós, evangélicos, pensamos que sabemos — e não há dúvida de que queremos isso com sinceridade —, mas em várias situações somos muito seletivos em nossa submissão e, em outras, as tradições dos evangélicos mais antigos parecem ser mais fruto da cultura do que da Escritura. Minha preocupação principal então é submeter os pensamentos ecumênico e o evangélico ao mesmo teste objetivo e independente, que é o da revelação bíblica. Entretanto, meu ponto inicial não é a Palavra de Deus, mas a sabedoria de Alice — a Alice do País das Maravilhas, ou, mais precisamente, a Alice do País do Espelho. Você deve se lembrar de seu diálogo espirituoso com Humpty Dumpty. “Quando uso uma palavra”, disse Humpty Dumpty com um tom zombeteiro, “ela quer dizer exatamente o que eu escolhi que ela significasse, nem mais, nem menos”.
  • 15. Introdução 15 “A pergunta é”, disse Alice, “se você pode fazer as palavras significarem coisas diferentes”. “A pergunta é”, disse Humpty Dumpty, “quem deve ser mestre — isso é tudo”. É instrutivo ponderar sobre essa conversa. Alice e Humpty Dumpty começaram discutindo a palavra glória (que Humpty Dumpty havia dito a Alice com um sorriso desafiante que, claro, ela não entendeu até que ele explicasse o significado), e então a palavra impenetrabilidade (que Humpty Dumpty alegou significar tantas coisas que acrescentou: “Quando eu faço uma palavra tra- balhar tanto assim, sempre pago extra”), e, finalmente, o poema “Jaguadarte” (que levou Humpty Dumpty a dizer que algumas palavras são “como uma mala de dois compartimentos — existem dois significados embutidos em uma palavra”). Os americanos podem até considerar Humpty Dumpty um aluno do ensino médio, pois ele era uma estranha mistura de sabedoria e insensatez, bom senso e falta do mesmo. Ele estava completamente correto em sua afirmação de que algumas palavras são como malas de dois compartimentos, e que outras merecem pagamento extra por causa da quantidade de trabalho que preci- sam fazer. Mas estava completamente errado em imaginar que era o mestre das palavras e podia, arbitrariamente, impor significados a elas de acordo com sua própria escolha caprichosa. Assim (me atrevo a dizer isso), alguns teólogos parecem ser tão perversos como Humpty Dumpty no uso que fazem dos termos bíblicos. Se eu tivesse um décimo da imaginação de Lewis Carroll, penso que poderia tentar uma paródia intitulada “Malícia no País das Maravilhas” ou “Aventuras em Fantasias Teológicas”. Não se discute que o significado das palavras se altera com o tempo. “O ideal de um ‘idioma atemporal’”, escreveu C. S. Lewis em uma de suas Letters to Malcolm, “é pura falta de bom senso. Nenhuma língua viva pode ser isenta ao tempo. Isso seria o mesmo que um rio sem correnteza.”1
  • 16. 16 A missão cristã no mundo moderno Nenhum escritor moderno demonstrou isso de forma mais efetiva do que AlvinToffler no livro Future Shock. Ele possui uma sessão fascinante sobre a transitoriedade da língua humana, que denominou “O Shakespeare semialfabetizado”2 e na qual cita Stuart Berg Flexner, o editor chefe do Random House Dictionary of the English Language: “Se Shakespeare aparecesse subitamente em Londres ou Nova York hoje, ele conseguiria entender uma média de apenas 5 entre 9 palavras de nosso vocabulário. O Bardo seria um semianalfabeto”. O que Lewis, Flexner e Toffler estão dizendo é que o sig- nificado das palavras evolui. O que uma palavra significa hoje provavelmente é muito diferente do que significou ontem, do que significou antes de ontem e assim por diante. Porém, o reconhecimento de que o significado de hoje é diferente do de ontem não nos dá o direito de confundir os dois, ou de enten- der a palavra hoje com o significado que ela teve ontem. Pelo contrário, a palavra de ontem tem o significado de ontem, e a de hoje, tem o significado de hoje. Quando este princípio elementar é aplicado à interpretação bíblica, normalmente é chamado pela pomposa expressão “exegese gramático-histórica”. Pelo lado negativo, isso indica que não temos liberdade de impor às palavras bíblicas significados que elas nunca tiveram a intenção de ter. Pelo positivo, cai sobre nós a disciplina de estudar as palavras tanto no contexto gramatical quanto no cenário histórico. É a gramática juntamente com a história que determinam o significado das palavras, como todo advogado bem treinado na interpretação de documentos confirmará. E. D. Hirsch resume isso no livro Validity in Interpretation: “um texto significa o que seu autor quis dizer”.3