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A HOMILIA e o Ministério da Pregação Pe. Luiz Baronto, sdb [email_address]
O desafio vem de longe... “ Êutico, sentado à beira da janela, acabou adormecendo durante o prolongado discurso de Paulo. Vencido finalmente pelo sono, caiu do terceiro andar para baixo(...) morto.”  (At 20,9) Não ouviram vocês todos este sermão? Quantos saíram daqui sem nada ter aprendido? De minha parte, eu falei a todos. Mas àqueles aos quais esta unção não fala por dentro, aqueles que o Espírito não instruiu por dentro, vão embora sem nada ter aprendido.  (Sto. Agostinho, 1ª. Johannis III,13. In:  Signes d’Aujourd’hui, été B, no. 167, p.61)
O desafio vem de longe... “ As palavras que tomei por tema o dizem: Sémen est verbum Dei. Sabeis, cristãos, a causa por que se faz hoje tão pouco fruto com tantas pregações? É porque as palavras dos pregadores são palavras mas não são palavras de Deus.”  (Pe. Antônio Vieira. Sermão da Sexagésima )
O desafio vem de longe... IX  “Dizei-me, pregadores (aqueles com quem eu falo indignos verdadeiramente de tão sagrado nome), dizei-me: esses assuntos inúteis que tantas vezes levantais, essas empresas ao vosso parecer agudas que prosseguis, achaste-las alguma vez nos Profetas do Testamento Velho, ou nos Apóstolos e Evangelistas do Testamento Novo, ou no autor de ambos os Testamentos, Cristo? É certo que não, porque desde a primeira palavra do Gênesis até à última do Apocalipse, não há tal coisa em todas as Escrituras. Pois se nas Escrituras não há o que dizeis e o que pregais, como cuidais que pregais a palavra de Deus? Mais: nesses lugares, nesses textos que alegais para prova do que dizeis, é esse o sentido em que Deus os disse? É esse o sentido em que os entendem os Padres da Igreja? É esse o sentido da mesma gramática das palavras?  (Pe. Antônio Vieira. Sermão da Sexagésima )
O desafio vem de longe... IX  Não por certo; porque muitas vezes as tomais pelo que toam e não pelo que significam, e talvez nem pelo que toam. Pois se não é esse o sentido das palavras de Deus, segue-se que não são palavras de Deus. E se não são palavras de Deus, que nos queixamos que não façam fruto as pregações? Basta que havemos de trazer as palavras de Deus a que digam o que nós queremos, e não havemos de querer dizer o que elas dizem?! E então ver cabecear o auditório a estas coisas, quando devíamos de dar com a cabeça pelas paredes de as ouvir! Verdadeiramente não sei de que mais me espante, se dos nossos conceitos, se dos vossos aplausos? Oh que bem levantou o pregador! Assim é; mas que levantou? Um falso testemunho ao texto, outro falso testemunho ao santo, outro ao entendimento e ao sentido de ambos. Então que se converta o mundo com falsos testemunhos da palavra de Deus? Se a alguém parecer demasiada a censura, ouça-me.” (Pe. Antônio Vieira. Sermão da Sexagésima )
E se arrasta até os dias de hoje... «apesar da renovação de que a homilia foi objeto no Concílio, sentimos ainda a insatisfação de numerosos fiéis com relação ao ministério da pregação. Essa insatisfação explica em parte a partida de muitos católicos para outros grupos religiosos».  (Intervenção do Cardeal Marc Ouellet  , no Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus) «que a homilia seja preparada na oração, fazendo-se ao menos três perguntas: «O que dizem as leituras que serão proclamadas na celebração? O que me dizem pessoalmente? O que devo eu, como pastor que presidirei a celebração, comunicar aos participantes na Eucaristia, levando em conta as circunstâncias em que se desenvolve a vida da comunidade?». (Intervenção do  Dom Ricardo Blázquez Pérez, bispo de Bilbao (Espanha) no Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus)
A prática homilética de Jesus Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças do povo (Mt. 4,18) Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino, enquanto curava todas sorte de doenças e enfermidades. (Mt 9,35) E foi por toda Galiléia pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios. (Mc 1,39) Desceu então a Cafarnaum, cidade da Galiléia, ensinava-os aos sábados. Eles ficavam admirados com seu ensinamento, porque falava com autoridade. Encontrava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio impuro (Lc 4, 31-33) A notícia a seu respeito, porém, difundia-se cada vez mais, e acorriam numerosas multidões para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. (Lc 5,15) Em outro sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem com a mão direita atrofiada. (Lc 6,6)  Hoje se cumpre diante de vós essa escritura que acabastes de ouvir (Lc 4, 21).
Sacrosanctum Concilium “ Pois dela [da Sagrada Escritura] são lidas as lições e  explicadas na homilia ”  (SC, 24).   “ Seja também anotado nas rubricas, conforme a cerimônia o permitir, o lugar mais apto para a pregação, como  parte da ação litúrgica ; e o ministério da pregação seja cumprido com muita fidelidade e exatidão. Deve a pregação, em primeiro lugar, haurir os seus temas da  Sagrada Escritura e da Liturgia , sendo como que a proclamação das maravilhas divinas, na história da salvação ou no mistério de Cristo, que está sempre presente em nós e opera, sobretudo nas celebrações litúrgicas”  (SC, n. 35,2).  “ Recomenda-se vivamente como  parte da própria Liturgia , a homilia pela qual, no decurso do ano litúrgico, são expostos os mistérios da fé e as normas da vida cristã a partir do texto sagrado”.
Instrução Geral do Missal Romano “ A homilia é uma parte da liturgia (...), sendo indispensável para  nutrir  a vida cristã. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das  leituras  da Sagrada Escritura ou de outro texto do  ordinário  ou do  Próprio da Missa  do dia levando em conta tanto o  Mistério celebrado , como as  necessidades particulares dos ouvintes ” (IGMR, n. 65)  “ Recomenda-se vivamente a homilia, como  parte da própria Liturgia  (SC 52); Embora a palavra divina contida nas leituras da Sagrada Escritura se dirija a todos os homens de qualquer época, e seja entendida por eles, a sua mais plena compreensão e eficácia é aumentada pela  exposição viva , isto é, a homilia, que é parte da ação litúrgica. ” (IGMR, 29) “ Nas leituras explanadas pela homilia,  Deus  fala ao seu povo (SC33), revela o mistério da redenção e da salvação, e oferece alimento espiritual; e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis(SC7)”.  (IGMR,55)
Introdução ao Elenco das Leituras “ Portanto, a homilia,inspirada na Palavra de Deus proclamada ou em outro texto litúrgico, deve levar a comunidade dos fiéis a participar ativamente da Eucaristia, para que “expressem na vida aquilo que receberam mediante a fé". Com essa viva exposição a proclamação da Palavra e as celebrações da Igreja  podem obter uma maior eficácia desde que a homilia seja verdadeiramente fruto de meditação, seja bem preparada, não demasiado longa e nem demasiado breve”. (OLM, 24) “ Para poder celebrar com grande empenho o memorial do Senhor, recordem aos fiéis que única  é a presença de Cristo, seja na Palavra de Deus “porque é Ele que fala quando se lêem na Igreja as Sagradas Escrituras" seja “sobretudo sob as espécies eucarísticas”. (OLM,76)
Sacramentum Caritatis “ Pensando na importância da palavra de Deus, surge a necessidade de  melhorar a qualidade da homilia ; de fato, esta « constitui parte integrante da ação litúrgica », cuja função é favorecer uma  compreensão e eficácia  mais ampla da palavra de Deus na  vida dos fiéis . Por isso, os ministros ordenados devem «  preparar cuidadosamente a homilia , baseando-se num adequado conhecimento da Sagrada Escritura ».  Evitem-se homilias genéricas ou abstratas ; de modo particular, peço aos ministros para fazerem com que a homilia coloque a palavra de Deus proclamada em  estreita relação com a celebração sacramental e com a vida da comunidade , de tal modo que a palavra de Deus seja realmente apoio e vida da Igreja. Tenha-se presente, portanto, a  finalidade catequética e exortativa da homilia . [...] (Sacr.Carit, 46 )
A homilia como AÇÃO LITÚRGICA !
Celebrar o Mistério Pascal “lendo tudo quanto a Ele se referia em todas as Escrituras (Lc 24,27) – cf. SC 6 É Cristo mesmo que fala quando se lêem as sagradas escrituras (SC 7) O valor salvífico da Palavra na celebração (recordação e atualização) A Liturgia da Palavra “se realiza” na Liturgia Sacramental (um só ato de culto – uma só celebração sacramental) A homilia está a serviço das duas mesas Não basta ressaltar o que Jesus fez e disse, mas o que faz e diz hoje. A Palavra do Senhor é viva e eficaz hoje.   “Hoje se cumpriu o que acabamos de ouvir” (Lc 4,16-30) Sermão: o tema é central, e a Palavra serve para argumentar o tema. Na homilia, o centro é a Palavra e o tema dela se origina. A homilia colabora com DEUS para que sua Palavra melhor se encarne e colabora com a ASSEMBLÉIA e com o próprio homiliasta para que dêem uma melhor resposta na celebração e na vida à Palavra proclamada. A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Memorial
A homilia não expõe temas e não desenvolve verdades e doutrinas. Ela se constitui numa narrativa da ação de Deus por sua Palavra no aqui e agora da comunidade celebrante, pois a liturgia é um momento da história da salvação. Notemos a diferença entre a pregação evangelizadora (querigma), a pregação catequética(“catecho”) e a pregação litúrgica. A homilia anuncia o amor de Deus, Deus Amor que suscita uma resposta de amor da sua Igreja. Ninguém pode dar o que não tem. Quem nunca amou não poderá dizer o que é o amor. Quem não sente o valor precioso e penetrante da Palavra e da celebração não poderá dirigir a homilia, a não ser que o faça de uma maneira doutrinal, asséptica e desinteressante.  A celebração supõe que os que aí estão já foram iniciados. Há muita instrumentalização dos sacramentos hoje em dia. Os iniciados não se reúnem para “conhecer mais”, mas para amar mais. A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Narrativo
A homilia visa atingir não só a consciência e a razão, mas sobretudo, o coração, para suscitar a conversão. Por estar numa celebração deve estar garantida a sua característica orante. Importância da atitude de escuta orante, contemplativa. A homilia proporcionaria essa experiência assim como Salmo Responsorial em relação à 1ª. Leitura. Não esqueçamos que, como presbíteros, falamos sob a ação do Espírito recebido no dia da ordenação. E é sob o mesmo Espírito que queremos que esta Palavra se transforme em nosso testemunho. A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Orante
A Palavra revelará os motivos da ação de graças. A homilia, ao penetrar mais profundamente na Palavra, preparará a todos para participarem na grande ação de graças ao Pai, junto com Jesus que oferecerá sua vida. O plano de Deus para seu povo estará em mistério presente na Palavra. Na Eucaristia, Deus abençoa seu povo e o povo “abençoa” a Deus. A melhor ação de graças será uma vida fundada na Palavra (casa sobre a rocha). Talvez uma chave importante para essa dimensão seja a de responder à pergunta: O que Deus fez e está fazendo mediante Cristo e os membros da Igreja hoje? O que Deus poderá fazer por meio de nós?   A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Eucarístico (Ação de Graças)
O Mistério da Fé! Todas as vezes que...anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição Páscoa de Cristo na Páscoa da gente e páscoa da gente na páscoa de Cristo. -  o Mistério Pascal de Cristo continua acontecendo na vida dos cristãos Todos os domingos há uma experiência pascal proposta pela Palavra. – é preciso ligar essa experiência com as experiências pascais do povo com quem celebramos. A HOMILIA É A LEITURA PASCAL DA VIDA! Três elementos que não podem faltar: Elemento exegético (interpretação) Elemento vital (hermenêutico de aplicação à vida) Elemento litúrgico (ligação com a lit. sacramental) A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Pascal
A Liturgia é OPUS TRINITATIS: ao Pai, por Cristo, no Espírito. A homilia contempla e revela o Pai que age na ordem da criação e da salvação pelo Filho, no Espírito Santo.  E esse Deus Trindade continua sua obra na história. O Pai continua a obra da criação, o Filho continua salvando e o Espírito Santo, santificando. = Liturgia Eucarística A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Trinitário
homilia e EXEGESE DA PALAVRA
A homilia não é exposição exegética mas se mantém fiel à ciência exegética. O interesse da Liturgia é no conteúdo mistérico e salvífico da Palavra. A exegese histórico-crítica precede esse interesse. A Liturgia usa uma “exegese espiritual”. A Palavra de Deus é dirigida a assembléia e exige dela uma resposta de fé, na vida = hermenêutica litúrgica. A Palavra anunciada se vê realizada no aqui e agora da celebração. Há uma chave de leitura importante para os textos: a unidade do Mistério de Cristo e da História da salvação. PASSADO – PRESENTE - FUTURO Homilia e EXEGESE DA PALAVRA
O papel do HOMILIASTA
Comunica DEUS à assembléia Comunica a ASSEMBLÉIA a Deus É um “sábio da vida” Não é perfeito; tem consciência de ser pecador, por isso apresenta “o” Caminho; Não é animador de auditório É como um pai de família É como uma mãe de família É pastor que conhece as ovelhas É guia espiritual É um profeta-sentinela do Reino Seu modelo é a Mãe do Senhor O papel do HOMILIASTA
SITUANDO-NOS BREVEMENTE UM ESQUEMA DE HOMILIA (CNBB) RECORDANDO A PALAVRA ATUALIZANDO A PALAVRA LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA
“ Da mesma forma cabe ao sacerdote, no desempenho da função de presidente da assembléia, proferir certas admoestações previstas no próprio rito. Quando estiver estabelecido pelas rubricas, o celebrante pode adaptá-las um pouco para que atendam à compreensão dos participantes; cuide, contudo, o sacerdote de manter sempre o sentido da exortação proposta no Missal e a expresse em poucas palavras .  Cabe ao Sacerdote presidente também moderar a palavra de Deus e dar a bênção final. Pode, além, disso, com brevíssimas palavras, introduzir os fiéis na missa do dia,  após a saudação inicial e antes do ato penitencial,   na liturgia da palavra, antes das leituras; na Oração eucarística, antes do Prefácio, nunca, porém, dentro da própria Oração; pode ainda encerrar toda a ação sagrada antes da despedida.”  (IGMR 31) Outra opção:  DISCURSO HOMILÉTICO
INSTITUTOS DE TEOLOGIA PENSANDO A FORMAÇÃO DO HOMILIASTA ESTUDO PESSOAL E VIDA DE ORAÇÃO Quais são as disciplinas e matérias direta ou  indiretamente implicadas na formação dos homiliastas? (Exegese e hermenêutica bíblica, patrística, teologia litúrgica e sacramentologia, teologia da palavra, ano litúrgico, - outras?) Seria o caso de introduzir, como matéria, a preparação sistemática de homilias ao longo de vários meses ou tempos do ano litúrgico, com observação participante e avaliação das mesmas? Como são feitas as homilias? Os formandos são introduzidos na prática da ‘ lectio divina’ ? Há tempo (diário) previsto no horário da casa para esta prática? Não seria interessante organizar, semanalmente, um momento de ‘ lectio divina’  comunitária em preparação espiritual à celebração dominical?  Não seria interessante que os seminaristas tenham primeiro um tempo de observação das homilias (com a devida orientação metodológica e avaliação), antes de fazer qualquer homilia? Não poderíamos pensar em estágios (acompanhados!!) durante um tempo razoável?  VIDA DO SEMINÁRIO (casa de formação) PARTICIPAÇÃO NA COMUNIDADE ECLESIAL Como incentivar a prática da ‘ lectio divina’ , principalmente com os textos bíblicos (e litúrgicos) da celebração dominical? Como orientar uma vida de oração pessoal, assentada na vida litúrgica, na ‘ lectio divina’ , no canto dos salmos e cânticos bíblicos?
A pregação que pensamos ter pronunciado não é necessariamente aquela que os ouvintes ouviram O emissor fala a partir do seu lugar social; o receptor ouve e interpreta a mensagem a partir do seu lugar O receptor-assembléia,fala ao pregador-homiliasta antes que este se dirija para ele. Supõe que não faço a mesma homilia nas 3 missas que presido. Duas preocupações devem orientar a palavra homilética: ESTA LITUGIA E ESTE POVO. Não esqueçamos que há um silêncio sagrado previsto antes ou após a homilia. A Palavra que irei pregar não é palavra minha, mas palavra acolhida e testemunhada. É palavra de Outro que eu assumo. O homiliasta é mais uma testemunha do que um intermediário da Palavra. 1 Jo1,1-3 :”  Isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos ...”  Observações várias da teoria da comunicação aplicadas à prática da HOMILIA
A homilia faz parte da Liturgia mas é apenas uma parte. Não devemos idolatrá-la demais. Ela faz parte de um corpo maior a serviço do mesmo mistério. Não preparo apenas uma homilia, normalmente; preparo uma liturgia comunicativa que tem um momento particular chamado homilia. Não seria litúrgico ter uma homilia muito bem preparada e comunicativa e uma celebração enfadonha.  Fazer homilia é um ato de fé. Trata-se de acolher a palavra de Deus e atualizá-la.  Pode ser bom e até necessário que de vez em quando haja homilia com testemunhos, partilha, diálogo e talvez até debate. Vejam que os rituais do casamento e o documento 43, segunda parte prevêem a possibilidade de testemunhos. A homilia , acontecimento verbal é, ao mesmo tempo, um gesto visual. Observações várias da teoria da comunicação aplicadas à prática da HOMILIA
Concluindo... “ Francisco de Sales aconselhava a dizer a homilia sem longos períodos, a falar com afeição e devoção, de maneira simples e cândida, com confiança, apaixonado pela doutrina que se ensina e daquele que se persuade.. O artifício maior é de não ter artifício. È preciso que nossas palavras sejam inflamadas não por gritos ou ações desmedidas mas pela afeição interior; é preciso que saiam do coração mais do que da boca. O coração fala ao coração; a língua fala ao ouvido.”  (Francisco de Sales. Scouarnec dizionario di omiletica, 116)
Concluindo... “ Não se pode pregar um Deus que se torna humano se não somos nós mesmos humanos. Precisamos entrar em relação com mulheres, leigos para sermos humanos [...]. Ser pregador não é somente falar de Deus às pessoas. ..Não teremos palavra de esperança senão entrevemos do interior o sofrimento e o desespero daqueles para quem pregamos. Não teremos para eles palavras de compaixão sem conhecer de uma certa maneira como nossos os seus fracassos e suas tentações. Não temos palavra  que proponha um sentido de vida às pessoas a não ser que  tenhamos sido tocados pelas suas dúvidas ...” ( Radcliffe 64, 206)
Fim Pe. Luiz Eduardo P. Baronto, sdb [email_address]

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A Homilia

  • 1. A HOMILIA e o Ministério da Pregação Pe. Luiz Baronto, sdb [email_address]
  • 2. O desafio vem de longe... “ Êutico, sentado à beira da janela, acabou adormecendo durante o prolongado discurso de Paulo. Vencido finalmente pelo sono, caiu do terceiro andar para baixo(...) morto.” (At 20,9) Não ouviram vocês todos este sermão? Quantos saíram daqui sem nada ter aprendido? De minha parte, eu falei a todos. Mas àqueles aos quais esta unção não fala por dentro, aqueles que o Espírito não instruiu por dentro, vão embora sem nada ter aprendido. (Sto. Agostinho, 1ª. Johannis III,13. In: Signes d’Aujourd’hui, été B, no. 167, p.61)
  • 3. O desafio vem de longe... “ As palavras que tomei por tema o dizem: Sémen est verbum Dei. Sabeis, cristãos, a causa por que se faz hoje tão pouco fruto com tantas pregações? É porque as palavras dos pregadores são palavras mas não são palavras de Deus.” (Pe. Antônio Vieira. Sermão da Sexagésima )
  • 4. O desafio vem de longe... IX “Dizei-me, pregadores (aqueles com quem eu falo indignos verdadeiramente de tão sagrado nome), dizei-me: esses assuntos inúteis que tantas vezes levantais, essas empresas ao vosso parecer agudas que prosseguis, achaste-las alguma vez nos Profetas do Testamento Velho, ou nos Apóstolos e Evangelistas do Testamento Novo, ou no autor de ambos os Testamentos, Cristo? É certo que não, porque desde a primeira palavra do Gênesis até à última do Apocalipse, não há tal coisa em todas as Escrituras. Pois se nas Escrituras não há o que dizeis e o que pregais, como cuidais que pregais a palavra de Deus? Mais: nesses lugares, nesses textos que alegais para prova do que dizeis, é esse o sentido em que Deus os disse? É esse o sentido em que os entendem os Padres da Igreja? É esse o sentido da mesma gramática das palavras? (Pe. Antônio Vieira. Sermão da Sexagésima )
  • 5. O desafio vem de longe... IX Não por certo; porque muitas vezes as tomais pelo que toam e não pelo que significam, e talvez nem pelo que toam. Pois se não é esse o sentido das palavras de Deus, segue-se que não são palavras de Deus. E se não são palavras de Deus, que nos queixamos que não façam fruto as pregações? Basta que havemos de trazer as palavras de Deus a que digam o que nós queremos, e não havemos de querer dizer o que elas dizem?! E então ver cabecear o auditório a estas coisas, quando devíamos de dar com a cabeça pelas paredes de as ouvir! Verdadeiramente não sei de que mais me espante, se dos nossos conceitos, se dos vossos aplausos? Oh que bem levantou o pregador! Assim é; mas que levantou? Um falso testemunho ao texto, outro falso testemunho ao santo, outro ao entendimento e ao sentido de ambos. Então que se converta o mundo com falsos testemunhos da palavra de Deus? Se a alguém parecer demasiada a censura, ouça-me.” (Pe. Antônio Vieira. Sermão da Sexagésima )
  • 6. E se arrasta até os dias de hoje... «apesar da renovação de que a homilia foi objeto no Concílio, sentimos ainda a insatisfação de numerosos fiéis com relação ao ministério da pregação. Essa insatisfação explica em parte a partida de muitos católicos para outros grupos religiosos». (Intervenção do Cardeal Marc Ouellet , no Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus) «que a homilia seja preparada na oração, fazendo-se ao menos três perguntas: «O que dizem as leituras que serão proclamadas na celebração? O que me dizem pessoalmente? O que devo eu, como pastor que presidirei a celebração, comunicar aos participantes na Eucaristia, levando em conta as circunstâncias em que se desenvolve a vida da comunidade?». (Intervenção do Dom Ricardo Blázquez Pérez, bispo de Bilbao (Espanha) no Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus)
  • 7. A prática homilética de Jesus Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças do povo (Mt. 4,18) Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino, enquanto curava todas sorte de doenças e enfermidades. (Mt 9,35) E foi por toda Galiléia pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios. (Mc 1,39) Desceu então a Cafarnaum, cidade da Galiléia, ensinava-os aos sábados. Eles ficavam admirados com seu ensinamento, porque falava com autoridade. Encontrava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio impuro (Lc 4, 31-33) A notícia a seu respeito, porém, difundia-se cada vez mais, e acorriam numerosas multidões para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. (Lc 5,15) Em outro sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem com a mão direita atrofiada. (Lc 6,6) Hoje se cumpre diante de vós essa escritura que acabastes de ouvir (Lc 4, 21).
  • 8. Sacrosanctum Concilium “ Pois dela [da Sagrada Escritura] são lidas as lições e explicadas na homilia ” (SC, 24). “ Seja também anotado nas rubricas, conforme a cerimônia o permitir, o lugar mais apto para a pregação, como parte da ação litúrgica ; e o ministério da pregação seja cumprido com muita fidelidade e exatidão. Deve a pregação, em primeiro lugar, haurir os seus temas da Sagrada Escritura e da Liturgia , sendo como que a proclamação das maravilhas divinas, na história da salvação ou no mistério de Cristo, que está sempre presente em nós e opera, sobretudo nas celebrações litúrgicas” (SC, n. 35,2). “ Recomenda-se vivamente como parte da própria Liturgia , a homilia pela qual, no decurso do ano litúrgico, são expostos os mistérios da fé e as normas da vida cristã a partir do texto sagrado”.
  • 9. Instrução Geral do Missal Romano “ A homilia é uma parte da liturgia (...), sendo indispensável para nutrir a vida cristã. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de outro texto do ordinário ou do Próprio da Missa do dia levando em conta tanto o Mistério celebrado , como as necessidades particulares dos ouvintes ” (IGMR, n. 65) “ Recomenda-se vivamente a homilia, como parte da própria Liturgia (SC 52); Embora a palavra divina contida nas leituras da Sagrada Escritura se dirija a todos os homens de qualquer época, e seja entendida por eles, a sua mais plena compreensão e eficácia é aumentada pela exposição viva , isto é, a homilia, que é parte da ação litúrgica. ” (IGMR, 29) “ Nas leituras explanadas pela homilia, Deus fala ao seu povo (SC33), revela o mistério da redenção e da salvação, e oferece alimento espiritual; e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis(SC7)”. (IGMR,55)
  • 10. Introdução ao Elenco das Leituras “ Portanto, a homilia,inspirada na Palavra de Deus proclamada ou em outro texto litúrgico, deve levar a comunidade dos fiéis a participar ativamente da Eucaristia, para que “expressem na vida aquilo que receberam mediante a fé". Com essa viva exposição a proclamação da Palavra e as celebrações da Igreja podem obter uma maior eficácia desde que a homilia seja verdadeiramente fruto de meditação, seja bem preparada, não demasiado longa e nem demasiado breve”. (OLM, 24) “ Para poder celebrar com grande empenho o memorial do Senhor, recordem aos fiéis que única é a presença de Cristo, seja na Palavra de Deus “porque é Ele que fala quando se lêem na Igreja as Sagradas Escrituras" seja “sobretudo sob as espécies eucarísticas”. (OLM,76)
  • 11. Sacramentum Caritatis “ Pensando na importância da palavra de Deus, surge a necessidade de melhorar a qualidade da homilia ; de fato, esta « constitui parte integrante da ação litúrgica », cuja função é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla da palavra de Deus na vida dos fiéis . Por isso, os ministros ordenados devem « preparar cuidadosamente a homilia , baseando-se num adequado conhecimento da Sagrada Escritura ». Evitem-se homilias genéricas ou abstratas ; de modo particular, peço aos ministros para fazerem com que a homilia coloque a palavra de Deus proclamada em estreita relação com a celebração sacramental e com a vida da comunidade , de tal modo que a palavra de Deus seja realmente apoio e vida da Igreja. Tenha-se presente, portanto, a finalidade catequética e exortativa da homilia . [...] (Sacr.Carit, 46 )
  • 12. A homilia como AÇÃO LITÚRGICA !
  • 13. Celebrar o Mistério Pascal “lendo tudo quanto a Ele se referia em todas as Escrituras (Lc 24,27) – cf. SC 6 É Cristo mesmo que fala quando se lêem as sagradas escrituras (SC 7) O valor salvífico da Palavra na celebração (recordação e atualização) A Liturgia da Palavra “se realiza” na Liturgia Sacramental (um só ato de culto – uma só celebração sacramental) A homilia está a serviço das duas mesas Não basta ressaltar o que Jesus fez e disse, mas o que faz e diz hoje. A Palavra do Senhor é viva e eficaz hoje. “Hoje se cumpriu o que acabamos de ouvir” (Lc 4,16-30) Sermão: o tema é central, e a Palavra serve para argumentar o tema. Na homilia, o centro é a Palavra e o tema dela se origina. A homilia colabora com DEUS para que sua Palavra melhor se encarne e colabora com a ASSEMBLÉIA e com o próprio homiliasta para que dêem uma melhor resposta na celebração e na vida à Palavra proclamada. A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Memorial
  • 14. A homilia não expõe temas e não desenvolve verdades e doutrinas. Ela se constitui numa narrativa da ação de Deus por sua Palavra no aqui e agora da comunidade celebrante, pois a liturgia é um momento da história da salvação. Notemos a diferença entre a pregação evangelizadora (querigma), a pregação catequética(“catecho”) e a pregação litúrgica. A homilia anuncia o amor de Deus, Deus Amor que suscita uma resposta de amor da sua Igreja. Ninguém pode dar o que não tem. Quem nunca amou não poderá dizer o que é o amor. Quem não sente o valor precioso e penetrante da Palavra e da celebração não poderá dirigir a homilia, a não ser que o faça de uma maneira doutrinal, asséptica e desinteressante. A celebração supõe que os que aí estão já foram iniciados. Há muita instrumentalização dos sacramentos hoje em dia. Os iniciados não se reúnem para “conhecer mais”, mas para amar mais. A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Narrativo
  • 15. A homilia visa atingir não só a consciência e a razão, mas sobretudo, o coração, para suscitar a conversão. Por estar numa celebração deve estar garantida a sua característica orante. Importância da atitude de escuta orante, contemplativa. A homilia proporcionaria essa experiência assim como Salmo Responsorial em relação à 1ª. Leitura. Não esqueçamos que, como presbíteros, falamos sob a ação do Espírito recebido no dia da ordenação. E é sob o mesmo Espírito que queremos que esta Palavra se transforme em nosso testemunho. A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Orante
  • 16. A Palavra revelará os motivos da ação de graças. A homilia, ao penetrar mais profundamente na Palavra, preparará a todos para participarem na grande ação de graças ao Pai, junto com Jesus que oferecerá sua vida. O plano de Deus para seu povo estará em mistério presente na Palavra. Na Eucaristia, Deus abençoa seu povo e o povo “abençoa” a Deus. A melhor ação de graças será uma vida fundada na Palavra (casa sobre a rocha). Talvez uma chave importante para essa dimensão seja a de responder à pergunta: O que Deus fez e está fazendo mediante Cristo e os membros da Igreja hoje? O que Deus poderá fazer por meio de nós? A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Eucarístico (Ação de Graças)
  • 17. O Mistério da Fé! Todas as vezes que...anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição Páscoa de Cristo na Páscoa da gente e páscoa da gente na páscoa de Cristo. - o Mistério Pascal de Cristo continua acontecendo na vida dos cristãos Todos os domingos há uma experiência pascal proposta pela Palavra. – é preciso ligar essa experiência com as experiências pascais do povo com quem celebramos. A HOMILIA É A LEITURA PASCAL DA VIDA! Três elementos que não podem faltar: Elemento exegético (interpretação) Elemento vital (hermenêutico de aplicação à vida) Elemento litúrgico (ligação com a lit. sacramental) A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Pascal
  • 18. A Liturgia é OPUS TRINITATIS: ao Pai, por Cristo, no Espírito. A homilia contempla e revela o Pai que age na ordem da criação e da salvação pelo Filho, no Espírito Santo. E esse Deus Trindade continua sua obra na história. O Pai continua a obra da criação, o Filho continua salvando e o Espírito Santo, santificando. = Liturgia Eucarística A homilia como AÇÃO LITÚRGICA Caráter Trinitário
  • 19. homilia e EXEGESE DA PALAVRA
  • 20. A homilia não é exposição exegética mas se mantém fiel à ciência exegética. O interesse da Liturgia é no conteúdo mistérico e salvífico da Palavra. A exegese histórico-crítica precede esse interesse. A Liturgia usa uma “exegese espiritual”. A Palavra de Deus é dirigida a assembléia e exige dela uma resposta de fé, na vida = hermenêutica litúrgica. A Palavra anunciada se vê realizada no aqui e agora da celebração. Há uma chave de leitura importante para os textos: a unidade do Mistério de Cristo e da História da salvação. PASSADO – PRESENTE - FUTURO Homilia e EXEGESE DA PALAVRA
  • 21. O papel do HOMILIASTA
  • 22. Comunica DEUS à assembléia Comunica a ASSEMBLÉIA a Deus É um “sábio da vida” Não é perfeito; tem consciência de ser pecador, por isso apresenta “o” Caminho; Não é animador de auditório É como um pai de família É como uma mãe de família É pastor que conhece as ovelhas É guia espiritual É um profeta-sentinela do Reino Seu modelo é a Mãe do Senhor O papel do HOMILIASTA
  • 23. SITUANDO-NOS BREVEMENTE UM ESQUEMA DE HOMILIA (CNBB) RECORDANDO A PALAVRA ATUALIZANDO A PALAVRA LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA
  • 24. “ Da mesma forma cabe ao sacerdote, no desempenho da função de presidente da assembléia, proferir certas admoestações previstas no próprio rito. Quando estiver estabelecido pelas rubricas, o celebrante pode adaptá-las um pouco para que atendam à compreensão dos participantes; cuide, contudo, o sacerdote de manter sempre o sentido da exortação proposta no Missal e a expresse em poucas palavras . Cabe ao Sacerdote presidente também moderar a palavra de Deus e dar a bênção final. Pode, além, disso, com brevíssimas palavras, introduzir os fiéis na missa do dia, após a saudação inicial e antes do ato penitencial, na liturgia da palavra, antes das leituras; na Oração eucarística, antes do Prefácio, nunca, porém, dentro da própria Oração; pode ainda encerrar toda a ação sagrada antes da despedida.” (IGMR 31) Outra opção: DISCURSO HOMILÉTICO
  • 25. INSTITUTOS DE TEOLOGIA PENSANDO A FORMAÇÃO DO HOMILIASTA ESTUDO PESSOAL E VIDA DE ORAÇÃO Quais são as disciplinas e matérias direta ou indiretamente implicadas na formação dos homiliastas? (Exegese e hermenêutica bíblica, patrística, teologia litúrgica e sacramentologia, teologia da palavra, ano litúrgico, - outras?) Seria o caso de introduzir, como matéria, a preparação sistemática de homilias ao longo de vários meses ou tempos do ano litúrgico, com observação participante e avaliação das mesmas? Como são feitas as homilias? Os formandos são introduzidos na prática da ‘ lectio divina’ ? Há tempo (diário) previsto no horário da casa para esta prática? Não seria interessante organizar, semanalmente, um momento de ‘ lectio divina’ comunitária em preparação espiritual à celebração dominical? Não seria interessante que os seminaristas tenham primeiro um tempo de observação das homilias (com a devida orientação metodológica e avaliação), antes de fazer qualquer homilia? Não poderíamos pensar em estágios (acompanhados!!) durante um tempo razoável? VIDA DO SEMINÁRIO (casa de formação) PARTICIPAÇÃO NA COMUNIDADE ECLESIAL Como incentivar a prática da ‘ lectio divina’ , principalmente com os textos bíblicos (e litúrgicos) da celebração dominical? Como orientar uma vida de oração pessoal, assentada na vida litúrgica, na ‘ lectio divina’ , no canto dos salmos e cânticos bíblicos?
  • 26. A pregação que pensamos ter pronunciado não é necessariamente aquela que os ouvintes ouviram O emissor fala a partir do seu lugar social; o receptor ouve e interpreta a mensagem a partir do seu lugar O receptor-assembléia,fala ao pregador-homiliasta antes que este se dirija para ele. Supõe que não faço a mesma homilia nas 3 missas que presido. Duas preocupações devem orientar a palavra homilética: ESTA LITUGIA E ESTE POVO. Não esqueçamos que há um silêncio sagrado previsto antes ou após a homilia. A Palavra que irei pregar não é palavra minha, mas palavra acolhida e testemunhada. É palavra de Outro que eu assumo. O homiliasta é mais uma testemunha do que um intermediário da Palavra. 1 Jo1,1-3 :” Isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos ...” Observações várias da teoria da comunicação aplicadas à prática da HOMILIA
  • 27. A homilia faz parte da Liturgia mas é apenas uma parte. Não devemos idolatrá-la demais. Ela faz parte de um corpo maior a serviço do mesmo mistério. Não preparo apenas uma homilia, normalmente; preparo uma liturgia comunicativa que tem um momento particular chamado homilia. Não seria litúrgico ter uma homilia muito bem preparada e comunicativa e uma celebração enfadonha. Fazer homilia é um ato de fé. Trata-se de acolher a palavra de Deus e atualizá-la. Pode ser bom e até necessário que de vez em quando haja homilia com testemunhos, partilha, diálogo e talvez até debate. Vejam que os rituais do casamento e o documento 43, segunda parte prevêem a possibilidade de testemunhos. A homilia , acontecimento verbal é, ao mesmo tempo, um gesto visual. Observações várias da teoria da comunicação aplicadas à prática da HOMILIA
  • 28. Concluindo... “ Francisco de Sales aconselhava a dizer a homilia sem longos períodos, a falar com afeição e devoção, de maneira simples e cândida, com confiança, apaixonado pela doutrina que se ensina e daquele que se persuade.. O artifício maior é de não ter artifício. È preciso que nossas palavras sejam inflamadas não por gritos ou ações desmedidas mas pela afeição interior; é preciso que saiam do coração mais do que da boca. O coração fala ao coração; a língua fala ao ouvido.” (Francisco de Sales. Scouarnec dizionario di omiletica, 116)
  • 29. Concluindo... “ Não se pode pregar um Deus que se torna humano se não somos nós mesmos humanos. Precisamos entrar em relação com mulheres, leigos para sermos humanos [...]. Ser pregador não é somente falar de Deus às pessoas. ..Não teremos palavra de esperança senão entrevemos do interior o sofrimento e o desespero daqueles para quem pregamos. Não teremos para eles palavras de compaixão sem conhecer de uma certa maneira como nossos os seus fracassos e suas tentações. Não temos palavra que proponha um sentido de vida às pessoas a não ser que tenhamos sido tocados pelas suas dúvidas ...” ( Radcliffe 64, 206)
  • 30. Fim Pe. Luiz Eduardo P. Baronto, sdb [email_address]