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Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 155
RESENHA
A violência de gênero nas religiões
afro-brasileiras
Silvia Andrade da Silveira
MENEZES, Nilza. A violência de gênero nas religiões afro-brasileiras.
João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2012. 208 p.
Nesta obra, Nilza Menezes apresenta o resultado de sua tese de
doutorado, imersão no campo religioso afro-brasileiro, principalmente
na cidade de Porto Velho, Rondônia, além de outras localidades. A
autora desenvolve uma rigorosa pesquisa e análises fundamentadas
teoricamente a partir do eixo relacional gênero – sexo, etnia e divisão
do trabalho – a fim de desvelar a ocorrência de violências simbólicas
que têm permeado e objetivado-se nessas relações sociais.
A pergunta introdutória que desencadeou a problemática aborda-
da por Menezes foi sua observação do recente e crescente aumento
de homens em lideranças religiosas em terreiros, fato que atravessou
o século 20, inversamente ao que ocorre em algumas religiões cristãs
evangélicas. Uma marca distintiva apontada frequentemente em reli-
giões de matriz afro, o sacerdócio por mulheres – observado em obras
anteriores de Edison Carneiro, Ruth Landes, Birman e Segato – estaria
agora ameaçada por uma violência de gênero nesses espaços de poder?
Nessas religiões, a generificação não se aplica somente ao plano
material, mas também ao plano espiritual – às incorporações de Exu e
Pombagira. Aí se manifestam as qualidades atribuídas a cada sexo / gê-
nero: Exu, como numen controlador, cuidador e protetor, desempenho
esperado pelo homem, masculino; Pombagira, como entidade seduto-
ra, dançarina e trabalhadora, atribuições destinadas pelo imaginário
à mulher, ao feminino. Contudo há aí uma flexibilização na possessão
ampliando a diversidade das identificações possíveis de gênero.
156 Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159
A divisão do trabalho nas atividades religiosas afro-brasileiras tam-
bém é passível de análise histórica segundo as relações entre os sexos,
e, além, pode referir-se às sexualidades. A diferenciação dos usos do
lugar e do poder sagrado, a partir da divisão biológica de sexo, pode
ser percebida pela preferência entre as mulheres sacerdotisas por me-
nores espaços e número de adeptos e adeptas, em contrapartida aos
sacerdotes homens, que preferem grandes espaços e número de “filhos
e filhas de santo”.
O segundo capítulo ampara-se em pesquisa da historicidade social
e cultural, a partir do que se tem de registro sobre o início da instalação
dos cultos afro-brasileiros no século 20 na cidade de Porto Velho. POr
meio de documentação escrita e oral da história que informa acerca das
casas de candomblé, a autora faz-nos observar as tensões inscritas na
organização e no processo de sucessões das lideranças, como tais sub-
jetividades singraram nas urdiduras do tempo e configuraram-se como
autoridades religiosas, quais seja, como forças simbólicas circulantes,
supostamente matrifocais.
Na instalação das religiões afro-brasileiras na região, de início, a
direção é partilhada por um homem e uma mulher, esta à frente na
liderança do templo indo de acordo com a distinção de poder das
mulheres nas religiões de matriz afro. O foco é a fundação da primeira
casa, de tradição mina-nagô, na cidade de Porto Velho: o barracão de
Santa Bárbara.
A primeira sucessão aí já se mostra problemática: a primazia fe-
minina foi destituída pelo sucessor de Pai Irineu, Pai Albertino. Houve
inversão da ordem de liderança quando da morte do primeiro. Mãe
Esperança Rita passa de primeira a segunda pessoa da casa, em um
processo de sucessão e ruptura recheado de conflitos e intrigas. Pesam
aí tanto a questão da propriedade das terras onde se instalava o templo
quanto a intimidade sexual dos envolvidos. Aspectos pessoais de caris-
ma e laços domésticos, para além do aspecto religioso que concerne ao
axé e título, fraudaram a ordem hierárquica no título de propriedade,
inversão pouco discutida hoje, por ter sido naturalizado o discurso de
que sempre fora assim.
Historicamente, transformações econômicas e sociais ocorridas
na região, com vistas ao desenvolvimento promovido pelo governo
Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 157
federal, também influenciaram o contexto religioso de Porto Velho.
Registraram-se um “grande fluxo migratório e a vinda de sacerdotes e
sacerdotisas de outras regiões do Brasil trazendo para o lugar diversos
modelos religiosos de cultos afro-brasileiros” (MENEZES, 2012, p. 120),
que produziram um maior trânsito religioso e também uma diferencia-
ção transcultural no contexto religioso, que, entretanto, não faz parte
da pesquisa de Nilza.
Com a chegada de sacerdotes e sacerdotisas de várias tradições,
introduziu-se em suas relações a depreciação daquelas já existentes na
região absorvendo, inclusive, a violência simbólica de gênero objetivada
e naturalizada em cada tradição / denominação religiosa. Na diversida-
de de modelos religiosos e de nações, em que ocorreu, por um lado,
a tentativa do resgate de uma africanização (reafricanização) e, por
outro, a influência da pajelança e do catolicismo, ambos os processos
hibridizaram as religiões afro-brasileiras.
Verificou-se, pelos processos de fundação e de estabelecimento do
campo, uma subordinação cada vez mais intensa nos papéis desempe-
nhados pelas mulheres e uma masculinização do poder, no sentido de
que os homens passam a comandar as casas e a preceder à hierarquia
na liderança, que antes era da mulher, nos templos agregados ou re-
manescentes do terreiro de Santa Bárbara.
Mais contundente em sua análise de gênero, no quarto capítulo,
Nilza aprofunda-se nas motivações que impulsionaram esta tomada
de autoridade nos terreiros pelos homens e que contribuíram para um
branqueamento das tradições afro-brasileiras: a questão da propriedade
e a transmissão das representações sobre sexo e sexualidade, constrin-
gidas cada vez mais ao regime do patriarcado.
Aponta-se, na obra, a violência simbólica exercida principalmente
sobre as mulheres, consideradas, na pesquisa, como restritas ao trabalho
doméstico e privado, bem como “mão de obra gratuita para o serviço
religioso” (MENEZES, 2012, p. 127). Um exemplo disso são os interditos
da menstruação, que impedem atividades religiosas tanto na umbanda
quanto no candomblé. As ekedes, tão importantes para a feitura dos
rituais nas casas, publicamente são marginalizadas: na obrigação de
apresentarem-se sempre belas e exuberantes, apenas aparecem reli-
giosamente em torno do sacerdote.
158 Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159
No terreiro ou em lugares públicos, a autora percebe a divisão se-
xual no trabalho religioso, que se materializa em práticas cotidianas no
terreiro. Apenas em caso de extrema necessidade, as mulheres assumem
os papeis dos homens, como, por exemplo, nos pontos e tambores, e,
quando o fazem, interiorizam estereótipos masculinizados.
Ademais, uma hierarquização vertical faz-se presente na divisão do
trabalho doméstico, mais rígido em terreiros de maior status (aqueles
mais conhecidos e mais frequentados): se a iniciada é uma novata,
essa yaô fica com o trabalho mais duro. A autora frisa que essa divisão
“é organizada obedecendo à ordem de construção dos sexos, e não à
sexualidade” (MENEZES, 2012, p. 158).
Outro ponto destacado por Menezes para a liderança das casas
ter cada vez menos mulheres em cargo é uma recusa pelos maridos,
de outras religiões, a abrigarem o templo em casa, o que reproduz as
representações de uma sociedade matrimonial1
. Nos terreiros em que
a liderança é de mulher, “foi possível observar que as sacerdotisas
estabelecidas são independentes financeiramente e, geralmente, não
possuem maridos” (MENEZES, 2012, p. 110).
Em vias de conclusão do trabalho, a autora destaca que as mulhe-
res reconhecem a legitimidade dos lugares a que são subordinadas e
restritas, bem como não impugnam nem os papeis nem a publicidade,
reservados aos homens – o que reforça a objetivação e a interiorização
da distinção, da violência e da exclusão pelas religiões afro-brasileiras.
Assim, segundo Menezes, podemos concluir que tal ancoragem permeia
o “aumento dos homens nas lideranças [...] relacionado com as repre-
sentações sociais de gênero” (MENEZES, p. 164).
Os resultados desta pesquisa são contribuições importantes tanto
para os estudos de gênero quanto para as ciências da religião. Mene-
zes mostra as tensões de gênero na tradição afro-brasileira revelando
aí uma modernização na liderança dos templos, o espaço sagrado do
1
	 A notação matrimonial aqui é utilizada em relação ao conceito de Hume sobre os papeis
sociais no casamento da sociedade europeia no século 18: “Na sociedade matrimonial,
o sexo masculino tem primazia sobre o feminino, e, por isso, é o marido quem primeiro
chama nossa atenção; e, quer o consideremos diretamente, cheguemos a ele apenas
após passar por objetos relacionados, o pensamento se detém sobre ele com maior
satisfação e chega até ele com maior facilidade que até sua consorte”. David Hume,
Tratado da natureza humana, São Paulo, Editora UNESP, 2009. p. 342.
Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 159
sacerdócio modulado, em relação ao sexo e à sexualidade reservando
cada vez mais à mulher o espaço privado. Seria uma negociação ainda
marcada pelo patriarcado que desfavorece as mulheres: o tradicionalis-
mo é aplicado à divisão de trabalho segundo o sexo biológico, enquanto
a flexibilização da sexualidade privilegia o espaço público aos homens
indicando uma transfiguração (ou desvelando?) de um lugar de poder
religioso pretensamente matriarcal, conforme retratado em diversos
estudos acerca das religiões de matriz afro-anteriores.
A prefaciadora do livro, Dilaine Soares Sampaio França, tem toda
a razão: este é mesmo um livro que “você precisa ler para saber quase
tudo sobre as religiões afro-brasileiras”. Mais um (e importante) sabor
para ser degustado nesse mundo ambivalente, surpreendente e dinâmico
que é o campo religioso de matriz afro, especialmente quando azeitado
antropofágica e modernamente à brasileira.
160 Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159

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Resenha: A violência de gênero nas religiões afro-brasileiras

  • 1. Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 155 RESENHA A violência de gênero nas religiões afro-brasileiras Silvia Andrade da Silveira MENEZES, Nilza. A violência de gênero nas religiões afro-brasileiras. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2012. 208 p. Nesta obra, Nilza Menezes apresenta o resultado de sua tese de doutorado, imersão no campo religioso afro-brasileiro, principalmente na cidade de Porto Velho, Rondônia, além de outras localidades. A autora desenvolve uma rigorosa pesquisa e análises fundamentadas teoricamente a partir do eixo relacional gênero – sexo, etnia e divisão do trabalho – a fim de desvelar a ocorrência de violências simbólicas que têm permeado e objetivado-se nessas relações sociais. A pergunta introdutória que desencadeou a problemática aborda- da por Menezes foi sua observação do recente e crescente aumento de homens em lideranças religiosas em terreiros, fato que atravessou o século 20, inversamente ao que ocorre em algumas religiões cristãs evangélicas. Uma marca distintiva apontada frequentemente em reli- giões de matriz afro, o sacerdócio por mulheres – observado em obras anteriores de Edison Carneiro, Ruth Landes, Birman e Segato – estaria agora ameaçada por uma violência de gênero nesses espaços de poder? Nessas religiões, a generificação não se aplica somente ao plano material, mas também ao plano espiritual – às incorporações de Exu e Pombagira. Aí se manifestam as qualidades atribuídas a cada sexo / gê- nero: Exu, como numen controlador, cuidador e protetor, desempenho esperado pelo homem, masculino; Pombagira, como entidade seduto- ra, dançarina e trabalhadora, atribuições destinadas pelo imaginário à mulher, ao feminino. Contudo há aí uma flexibilização na possessão ampliando a diversidade das identificações possíveis de gênero.
  • 2. 156 Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 A divisão do trabalho nas atividades religiosas afro-brasileiras tam- bém é passível de análise histórica segundo as relações entre os sexos, e, além, pode referir-se às sexualidades. A diferenciação dos usos do lugar e do poder sagrado, a partir da divisão biológica de sexo, pode ser percebida pela preferência entre as mulheres sacerdotisas por me- nores espaços e número de adeptos e adeptas, em contrapartida aos sacerdotes homens, que preferem grandes espaços e número de “filhos e filhas de santo”. O segundo capítulo ampara-se em pesquisa da historicidade social e cultural, a partir do que se tem de registro sobre o início da instalação dos cultos afro-brasileiros no século 20 na cidade de Porto Velho. POr meio de documentação escrita e oral da história que informa acerca das casas de candomblé, a autora faz-nos observar as tensões inscritas na organização e no processo de sucessões das lideranças, como tais sub- jetividades singraram nas urdiduras do tempo e configuraram-se como autoridades religiosas, quais seja, como forças simbólicas circulantes, supostamente matrifocais. Na instalação das religiões afro-brasileiras na região, de início, a direção é partilhada por um homem e uma mulher, esta à frente na liderança do templo indo de acordo com a distinção de poder das mulheres nas religiões de matriz afro. O foco é a fundação da primeira casa, de tradição mina-nagô, na cidade de Porto Velho: o barracão de Santa Bárbara. A primeira sucessão aí já se mostra problemática: a primazia fe- minina foi destituída pelo sucessor de Pai Irineu, Pai Albertino. Houve inversão da ordem de liderança quando da morte do primeiro. Mãe Esperança Rita passa de primeira a segunda pessoa da casa, em um processo de sucessão e ruptura recheado de conflitos e intrigas. Pesam aí tanto a questão da propriedade das terras onde se instalava o templo quanto a intimidade sexual dos envolvidos. Aspectos pessoais de caris- ma e laços domésticos, para além do aspecto religioso que concerne ao axé e título, fraudaram a ordem hierárquica no título de propriedade, inversão pouco discutida hoje, por ter sido naturalizado o discurso de que sempre fora assim. Historicamente, transformações econômicas e sociais ocorridas na região, com vistas ao desenvolvimento promovido pelo governo
  • 3. Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 157 federal, também influenciaram o contexto religioso de Porto Velho. Registraram-se um “grande fluxo migratório e a vinda de sacerdotes e sacerdotisas de outras regiões do Brasil trazendo para o lugar diversos modelos religiosos de cultos afro-brasileiros” (MENEZES, 2012, p. 120), que produziram um maior trânsito religioso e também uma diferencia- ção transcultural no contexto religioso, que, entretanto, não faz parte da pesquisa de Nilza. Com a chegada de sacerdotes e sacerdotisas de várias tradições, introduziu-se em suas relações a depreciação daquelas já existentes na região absorvendo, inclusive, a violência simbólica de gênero objetivada e naturalizada em cada tradição / denominação religiosa. Na diversida- de de modelos religiosos e de nações, em que ocorreu, por um lado, a tentativa do resgate de uma africanização (reafricanização) e, por outro, a influência da pajelança e do catolicismo, ambos os processos hibridizaram as religiões afro-brasileiras. Verificou-se, pelos processos de fundação e de estabelecimento do campo, uma subordinação cada vez mais intensa nos papéis desempe- nhados pelas mulheres e uma masculinização do poder, no sentido de que os homens passam a comandar as casas e a preceder à hierarquia na liderança, que antes era da mulher, nos templos agregados ou re- manescentes do terreiro de Santa Bárbara. Mais contundente em sua análise de gênero, no quarto capítulo, Nilza aprofunda-se nas motivações que impulsionaram esta tomada de autoridade nos terreiros pelos homens e que contribuíram para um branqueamento das tradições afro-brasileiras: a questão da propriedade e a transmissão das representações sobre sexo e sexualidade, constrin- gidas cada vez mais ao regime do patriarcado. Aponta-se, na obra, a violência simbólica exercida principalmente sobre as mulheres, consideradas, na pesquisa, como restritas ao trabalho doméstico e privado, bem como “mão de obra gratuita para o serviço religioso” (MENEZES, 2012, p. 127). Um exemplo disso são os interditos da menstruação, que impedem atividades religiosas tanto na umbanda quanto no candomblé. As ekedes, tão importantes para a feitura dos rituais nas casas, publicamente são marginalizadas: na obrigação de apresentarem-se sempre belas e exuberantes, apenas aparecem reli- giosamente em torno do sacerdote.
  • 4. 158 Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 No terreiro ou em lugares públicos, a autora percebe a divisão se- xual no trabalho religioso, que se materializa em práticas cotidianas no terreiro. Apenas em caso de extrema necessidade, as mulheres assumem os papeis dos homens, como, por exemplo, nos pontos e tambores, e, quando o fazem, interiorizam estereótipos masculinizados. Ademais, uma hierarquização vertical faz-se presente na divisão do trabalho doméstico, mais rígido em terreiros de maior status (aqueles mais conhecidos e mais frequentados): se a iniciada é uma novata, essa yaô fica com o trabalho mais duro. A autora frisa que essa divisão “é organizada obedecendo à ordem de construção dos sexos, e não à sexualidade” (MENEZES, 2012, p. 158). Outro ponto destacado por Menezes para a liderança das casas ter cada vez menos mulheres em cargo é uma recusa pelos maridos, de outras religiões, a abrigarem o templo em casa, o que reproduz as representações de uma sociedade matrimonial1 . Nos terreiros em que a liderança é de mulher, “foi possível observar que as sacerdotisas estabelecidas são independentes financeiramente e, geralmente, não possuem maridos” (MENEZES, 2012, p. 110). Em vias de conclusão do trabalho, a autora destaca que as mulhe- res reconhecem a legitimidade dos lugares a que são subordinadas e restritas, bem como não impugnam nem os papeis nem a publicidade, reservados aos homens – o que reforça a objetivação e a interiorização da distinção, da violência e da exclusão pelas religiões afro-brasileiras. Assim, segundo Menezes, podemos concluir que tal ancoragem permeia o “aumento dos homens nas lideranças [...] relacionado com as repre- sentações sociais de gênero” (MENEZES, p. 164). Os resultados desta pesquisa são contribuições importantes tanto para os estudos de gênero quanto para as ciências da religião. Mene- zes mostra as tensões de gênero na tradição afro-brasileira revelando aí uma modernização na liderança dos templos, o espaço sagrado do 1 A notação matrimonial aqui é utilizada em relação ao conceito de Hume sobre os papeis sociais no casamento da sociedade europeia no século 18: “Na sociedade matrimonial, o sexo masculino tem primazia sobre o feminino, e, por isso, é o marido quem primeiro chama nossa atenção; e, quer o consideremos diretamente, cheguemos a ele apenas após passar por objetos relacionados, o pensamento se detém sobre ele com maior satisfação e chega até ele com maior facilidade que até sua consorte”. David Hume, Tratado da natureza humana, São Paulo, Editora UNESP, 2009. p. 342.
  • 5. Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159 159 sacerdócio modulado, em relação ao sexo e à sexualidade reservando cada vez mais à mulher o espaço privado. Seria uma negociação ainda marcada pelo patriarcado que desfavorece as mulheres: o tradicionalis- mo é aplicado à divisão de trabalho segundo o sexo biológico, enquanto a flexibilização da sexualidade privilegia o espaço público aos homens indicando uma transfiguração (ou desvelando?) de um lugar de poder religioso pretensamente matriarcal, conforme retratado em diversos estudos acerca das religiões de matriz afro-anteriores. A prefaciadora do livro, Dilaine Soares Sampaio França, tem toda a razão: este é mesmo um livro que “você precisa ler para saber quase tudo sobre as religiões afro-brasileiras”. Mais um (e importante) sabor para ser degustado nesse mundo ambivalente, surpreendente e dinâmico que é o campo religioso de matriz afro, especialmente quando azeitado antropofágica e modernamente à brasileira.
  • 6. 160 Mandrágora, v.19. n. 19, 2013, p. 155-159