Orgão de divulgação do Conselho Nacional da Umbanda do Brasil - CONUB e do Conselho Federal da Umbanda do Brasil
setembro/outubro - 2007
Ano I - Número 3
EDUCAÇÃO
	 Valores humanos, ética e responsabilidade
ambiental são temas fundamentais para a
formação profissional e de cidadania do nosso
povo. Com vistas à necessidade de incluir
uma reflexão espiritual sobre essas questões,
essa edição do JBU aborda a contribuição da
Umbanda para a construção de uma nova
ordem mundial.
DISTRIBUIÇÃO
G R A T U I T A
-setembro/outubro 2007 JornalBrasileirodaUmbanda
EDITORIAL
COLUNAdaFTU
Aeducação permeia historicamente todas as culturas, etnias e classes sociais. Independente da geo-
grafia, do regime de governo, religião, época ou grupo social, a educação é sempre fator de conti-
nuidadeeprogressohumano.Sãoigualmenteimportantes,navisãoumbandista,aeducaçãoalicerçada
na tradição oral e na escrita. Educar é transmitir elementos formadores dos universos pessoal e social.
Portanto,educaréformarenãoapenasinformar,comovemacontecendonasociedadecontemporânea.
Cabe-nos perguntar o que ocorreu com a educação nas últimas décadas. Por que se transformou em
direção ao individualismo? O que mudou na educação de maneira que informar tenha se tornado mais
importantequeformar?Comocompreendertaismudanças?
Buscaremos aqui contribuir com alguns elementos para que nossos leitores possam refletir sobre
esses temas. Faremos uma breve explanação sob a perspectiva espiritualista, mais precisamente a ótica
umbandista onde temos calcada nossa experiência. No universo umbandista tive o prazer imensurável
de ser iniciada no grau de sacerdotisa por Pai Rivas(MestreArhapiagha).Tornei-me também, honrosa-
mente,alunadaprimeiraturmadaFTU–FaculdadedeTeologiaUmbandistaem2004.Nessafaculdade
sepreconizaumaeducaçãoalicerçadanosvaloresespirituais,aomesmotempoemquesebuscateruma
atuaçãosérianomeioacadêmico.
AUmbanda tem uma visão reencarnacionista, ou seja, nós nascemos e morremos inúmeras vezes.
Essas passagens nos acrescentam experiências e conhecimentos; os saberes da humanidade se encon-
tramemnossoinconscienteespiritual.Emnossasváriasvidasjátivemosexperiênciascomoserhumano
religioso, artista, cientista e filósofo. Temos em nós todos estes “universos” que se encontram em um
únicoserhumano,emumasíntesedosaber.
Nopensamentodesínteseentendemosoconhecimentocomouniversal,masessauniversalidadese
manifesta,paradoxalmente,comodiversidadenomeiofísico.Aunidadeestánosujeito,naconsciência
humana,quetomacontatocomapluralidadedasformasmateriais.Estadoutrinatemsidoensinadapor
PaiRivashádécadaseconcretizadaporelecomoumdoslemasdaFTU:unidadenadiversidade.Longe
de um mero conceito teórico ou utopia, esse lema tem sido um dos pilares sustentadores da faculdade
quetenho,eumesma,vivenciadodesdeseucredenciamentopeloMECefundaçãoemSãoPaulo.
Aeducação umbandista tem o homem e os quatro pilares do conhecimento humano como interde-
pendentesecomunicaareligião,aarte,afilosofiaeaciênciaentresi,formandoumconhecimento-uno.
Da mesma maneira, integra o ser humano consigo mesmo, com a humanidade produtora de saberes,
comanaturezaecomosagrado-afontedetodaexistência.Nãonosesqueçamosqueantesdesermos
homensemulheressomosespíritosquenosmanifestamosnessasformas.Assim,afirmamosqueaedu-
caçãonãoseráplenaseelaseassentaremapenasumdospilaresdosaberouapenasnarealidadefísica
humana,decarátermaterialeindividualista.NavisãodaUmbanda,aeducaçãodeveserumprodutode
relaçõesqueseiniciamnocampoespiritualesemanifestamnocampomaterial.
Defender a educação como unidade ou síntese que integraliza a pessoa, requer uma visão de trans-
cendência que ultrapasse as visões parciais dos fenômenos. Mas é possível perguntar: se todo o co-
nhecimento é expressão do espírito, não basta seguir um de seus ramos para se encontrar sua origem
transcendente? Eu diria que se alguém se restringe a apenas um dos pilares do conhecimento(filosofia,
religião,ciênciaouarte),comcertezaseuconhecimentonãorefletiráotodoqueéasíntesealémdesses
quatropilares.Paradeixarmaisclarousaremosumexemplo.Todososquemoramnosdiversosestados
doBrasilsãobrasileiros,poremnãopossodizerqueumúnicoestadooucidadãorepresentaatotalidade
dosbrasileiros.Istoseriageneralizar,tomarotodopelaparte.
Paracomplicaraindamais,a“fonte”doconhecimentosepulverizouemcincovertentesnasocieda-
de: espiritual, cultural, social, político e econômico que absorveram os saberes (religião, filosofia, arte
e ciência), fragmentando ainda mais o pensamento humano e gerando mais setores de aprendizado.
Delimitaram-se fronteiras impenetráveis entre eles, descaracterizando o homem como produtor de co-
nhecimento de síntese, levando-o a optar pela parte e negligenciar o todo. Geramos então a educação
formal:dura,impositiva,submetidaaovalor“socio-econômico”eelasetornousinônimodaformação
dohomemnasociedade.
Ovalorsocial,porsuavez,vemcarregadodeumaideologiaquepretendeuniversalizarosinteresses
de poucos para toda a sociedade. Assim, temos novamente a parte determinando o todo, exatamente
ao contrário dos valores espirituais. Lembremos também que esta ideologia está calcada nos valores
materiais,econômicosquesealimentamdasdesigualdadesedoseparatismo.
Retomando,temosumaeducaçãoqueatendeaosinteressesideológicosdaeconomiaquedominaa
política.Pergunto:seráqueaeducaçãonosmoldesatuaistembuscadoformarouformataroindivíduo?
Nós seres espirituais subvertemos a ordem natural destas vertentes que deveria ter o espiritual no alto,
comomaiorvalorenãoaeconomia.
Devido a esta inversão, a educação contemporânea não tem o espiritual e o cultural como estrutura,
mascomoadereços.Aculturarequeralteridade,oreconhecimentoerespeitoporoutrasformasdesere
istosetornaimpossívelemumasociedadequebuscaaculturademassa,aunificaçãoamorfa,aomesmo
tempoemqueincentivaoegocentrismoeacompetição.Denossaparte,enfatizamososvaloresespiri-
tuaiscomocontrapartenecessáriaparareequilibraromundodehoje.Nãonosreferimosàsreligiões,os
valores espirituais se encontram em todas elas mas também além delas, nas pessoas que desenvolvem
umaformaéticadeveravidaeosoutros.Osvaloresespirituaispodemsertraduzidosemigualdade,fra-
ternidade,liberdadeereconhecimentodaalteridadeentretodososhomens.Ummodomaisespiritualde
existência resultará em transformação de valores, sejam eles culturais, étnicos, geográficos, filosóficos,
artísticos,científicosetambémreligiosos,resgatandoahumanidadecomounidadeemnívelplanetário.
Aeducaçãoémuitomaisqueasimplestransferênciadeconteúdosdedisciplinasouqueosprocessos
mecânicosdereproduçãodoconhecimento.Naeducação,oemissoreoreceptordevemsercompreen-
didoscomohorizontesquesefundempararealizarumapercepçãorenovadadaexistência.Aeducação
está afeta aos estados espirituais, à própria compreensão de si-mesmo. Cabe a cada um o esforço con-
tínuo de reeducar-se constantemente, buscando valores que possibilitem a evolução constante. Nesse
novocenário,asdisciplinasdoconhecimentotradicionaldeixarãodeserumaformadeaprisionamento
damenteparasetornaremosapoiosnecessáriosdocaminhoparaarealizaçãohumana.
Maria Elise G. B. M. Rivas
PorumaeducaçãoespiritualNessa terceira edição, o JBU focaliza o tema da educação
em geral, o ensino religioso e a espiritualidade como fa-
tor crucial para a formação dos valores humanos. A Umbanda
tem um aspecto pedagógico de alta relevância que ainda está
por ser explorado e nosso objetivo nesse número é abrir esse
debate.
Muitas questões foram levantadas como, por exemplo, se
nós umbandistas concordamos ou não com a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional que prevê o ensino religioso
facultativo nas escolas públicas. Se, por um lado, acreditamos
na espiritualidade como valor que nos proporciona evolução,
por outro somos cientes das questões ideológicas e das forças
políticas das religiões dominantes que pretendem fazer do en-
sino religioso o palco de seu proselitismo.
Também abordamos a importante questão da educação
ambiental e a contribuição que podemos dar. Apesar de va-
lorizarmos a natureza como um manifestação dos Orixás e a
considerarmos como templo vivo para a nossas práticas espi-
rituais, muitos acusam os umbandistas de poluir a natureza ao
realizar oferendas e deixar materiais não-biodegradáveis nos
sítios vibratórios. Esse problema deve ser trazido para dis-
cussão em nossos terreiros-templos para que nosso comporta-
mento seja nada menos que exemplo de consciência ecológica
e harmonia com a natureza.
Aparticipação da Umbanda na política também foi aborda-
da nesse JBU em função do debate em torno do papel da mí-
dia na divulgação da liberdade religiosa e dos veículos de co-
municação que podem, e são, ilegalmente usados como meios
para incentivar a discriminação contra religiões minoritárias.
Enfocamos igualmente o papel das ideologias na questão
da discriminação e da intolerância religiosa. Sabemos que
uma ideologia se mantém preponderante por tornar mais fácil
a vida daqueles que se comportam de modo a reforçar os va-
lores existentes e por dificultar a vida dos que procuram uma
mudança estrutural.
Aí reside talvez a principal função da dimensão pedagógica
da Umbanda e talvez a mais ingrata. Nós, umbandistas, somos
discriminados e relegados à periferia, quando não totalmente
excluídos da sociedade, justamente porque divulgamos valo-
res quase diametralmente opostos aos vigentes.
Ainda que respeitemos o corpo e não neguemos nossa ma-
terialidade, procuramos viver de modo que a espiritualidade
seja nossa meta e os bens materiais apenas uma parte dos
meios para chegar ao nosso objetivo. Já a ideologia dominan-
te atribui aos bens materiais a principal razão de ser e a medi-
da do sucesso para a maioria das pessoas. Nós, umbandistas,
acreditamos que essa postura é a principal geradora da misé-
ria, da fome e da morte no planeta pois o individualismo e a
competição favorecem a concentração de riquezas e induzem
as multidões à pobreza e suas conseqüências.
Karl Marx proclamou que a dialética de Hegel estava cor-
reta, mas estava de cabeça para baixo. Segundo ele, Hegel
havia errado ao sustentar que o processo dialético partia das
idéias e após modificações recíprocas por meio do contato
com o mundo material alcançava uma síntese. Para Marx, a
força primária que movimentava a dialética do homem em
sociedade seria o poder econômico e nunca se chegaria a uma
síntese. Em função da economia tudo se modificava e sobre
ela se construía a luta de classes e a própria concepção de
Estado. Como solução, o autor de O Capital propõe uma re-
volução para subverter a ordem e dar poder ao proletariado.
Esperava, assim que com o tempo a alienação e a mais-valia
deixassem de existir, todos tivessem acesso aos bens sociais
e o Estado se tornasse obsoleto. Em última instância, Marx
tentara recuperar o valor humano perdido.
A Umbanda caminha, de certo modo, em consonância com
Marx ao ensinar que os bens materiais não deveriam ser mo-
tivo de distinção entre as pessoas. Estaríamos muito melhor
se soubéssemos dividir nossas riquezas e eliminássemos a
pobreza do mundo. Mas vamos ainda além do idealizador
do comunismo. Lutamos também para inverter a escala de
valores vigentes, mas pensamos na espiritualidade como o
principal valor da existência. Hoje temos o valor econômi-
co determinando o político, esse o social, depois o cultural e,
por fim o espiritual. Mas nós desejamos que primeiro venha
o espiritual, então o cultural como respeito à diversidade, o
social como valor humano, o político como meio para conci-
liar os interesses divergentes e o econômico como ferramenta
do progresso.
Para conseguir realizar essa tarefa hercúlea, precisamos
contar com esforço, persistência e com a capacidade de reali-
zar essa transformação primeiro em nós mesmos. A educação
na Umbanda serve justamente a isso. Ela se realiza com o
contato com nossos ancestrais na experiência e na vivência
ritual templária. Cabe então a nós todos sermos multiplicado-
res e professores de uma nova visão de mundo, cheia de paz
e felicidade a todos.
Roger T. Soares – Araobatan – Editor JBU
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EDUCANDO PARA UMA
CULTURA DE PAZ
-setembro/outubro 2007JornalBrasileirodaUmbanda
Etimologicamente, Educação vem
da raiz educere que podemos in-
terpretar de forma aproximada como
“extrair de dentro”. Não parece es-
tranho que nos dias atuais o que mais
se tem feito com nossos filhos é jus-
tamente o contrário quando falamos
em educá-los? ou seja, procuramos
“empurrar para dentro” deles uma
série de valores morais questionáveis,
de acordo com os nossos interesses
pessoais ou de interesse de nossa so-
ciedade opressora? É como se nossos
filhos fossem um grande recipiente
vazio que precisa ser preenchido com
uma infinidade de informações, sem
ao menos nos preocuparmos se essas
informações são conflitantes entre si
ou se são de caráter restrito no tempo
e no espaço.
Ajustando nosso foco, percebemos
que assim também fomos “educados”
e assim estamos reproduzindo esse
modo emprestado de perceber a rea-
lidade. Podemos entender um pouco
melhor agora o motivo da insatisfa-
ção de muitas pessoas, afinal acaba-
mos nos tornando algo que desconhe-
ce ou negligencia algo maior e mais
profundo, aquilo que está dentro de
nós e ficou encoberto pelo que veio
de fora para dentro.
Existe em nós uma essência espi-
ritual ancestral que sabe o que preci-
samos para sermos melhores e mais
felizes, esses valores estão baseados
em princípios éticos não restritos ao
tempo e ao espaço e que têm como
base o bem, o bom e o justo, seja nos
aspectos individuais ou coletivos.
Essa essência espiritual entende os
ciclos do ir e vir ao mundo da matéria
e sabe definitivamente o que é eterno
e o que é impermanente, não se ape-
gando a esse último por entender que
isso gera o sofrimento.
Voltando à questão inicial, perce-
bemos que a verdadeira Educação
deveria ter seu enfoque voltado então
para permitir à pessoa exteriorizar
os valores e atributos do espírito que
todos já possuem internamente e que
estão ocultos e/ou adormecidos. Não
se trata aqui de alguma forma de ina-
tismo, ou aquilo que se costuma cha-
mar “vocação”...
A Umbanda atua de maneira a res-
gatar a forma original do que seria a
Educação. Vejamos: Para que exista
uma perfeita simbiose entre o mé-
dium e o mentor, é fundamental que o
médium realize um mergulho em suas
bases conscienciais e conheça seus
valores e princípios em nível mental,
astral e físico para que no contato
com o plano espiritual possa iden-
tificar o que “é seu” e o que “não é
seu”. Esse contexto, resume de forma
vivencial o que seria um processo de
auto educação uma vez que procura
reconhecer e extrair o que existe den-
tro de si para interpretar e vivenciar
no dia a dia de atividades no Terrei-
ro. As vezes entendemos isso apenas
como experiência de vida...
Dentro de um outro aspecto, ve-
mos também que a Umbanda foca seu
trabalho na questão do “ser” que exis-
te e que sofre de alguma forma. Não
faz diferença para ela outros valores
agregados como cultura, raça, credo e
outros. Para que possamos reconhecer
o real valor do ser que sofre, precisa-
mos ver em nós mesmo e identificar
em nós mesmos o que nos gera o so-
frimento e o que pode levar ao outro
ao sofrimento. Isso ninguém nos ajuda
a identificar... simplesmente sabemos
pois é algo que já está dentro de nós.
Por isso num Terreiro de Umbanda o
que vale não é o número de diplomas
ou a quantidade de informações que
se armazena, mas sim a capacidade de
tirar o melhor de si mesmo para seu
crescimento como pessoa e ao mesmo
tempo auxiliar o outro a passar pelo
mesmo processo de descoberta. E isso
não é só na teoria, mas principalmen-
te na prática. Se esse processo é mais
lento com uns e mais rápido com ou-
tros, o que importa? Se pela processo
de educere podemos nos reconhecer
como seres eternos?
Sérgio ???? / CONUB-MG
Um meio para o
desenvolvimento do ser O papel da Umbanda
na educaçãoAmbiental
EDUCAÇÃO
Apreocupação com o direito de todos a um meio am-
biente saudável é expressa na Constituição Federal que
determina em seu artigo 225 que “Todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
Ainda neste artigo, no Parágrafo I, inciso VI, a CF deter-
mina que “Incube ao Poder Público promover a educação
ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização
pública para a preservação do Meio Ambiente”.
Desta forma, a Constituição Federal deixa claro que
assim como temos o direito resguardado por lei, temos
também deveres para tornar possível a manutenção destes
direitos.
A Lei Federal nº 9.795, de 27 de abril de 1999, institui a
Política Nacional de Educação Ambiental e determina que
cada estado deve elaborar sua Política Estadual de Educa-
ção Ambiental.
De acordo com esta Lei, incumbe “à sociedade como um
todo, manter atenção permanente à formação de valores,
atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e
coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solu-
ção de problemas ambientais.”
A educação ambiental pode ser formal, realizada nas ins-
tituições de ensino, ou não-formal, fora da escola utilizando
diversos métodos direcionados para determinado público
alvo.
De acordo com o art. 13 desta Lei, “entendem-se por edu-
cação ambiental não-formal as ações e práticas educativas
voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões
ambientais e à sua organização e participação na defesa da
qualidade do meio ambiente.”
Neste contexto entra a umbanda, que com sua função
social e sua dependência direta dos recursos naturais para
a realização de seus rituais, é também responsável pela di-
fusão da educação ambiental devendo desempenhar o papel
de Guardiã da Natureza.
Como então desempenhar este papel? Através da cons-
cientização do povo de umbanda e do respeito às leis am-
bientais. Para tal, é necessário que sejam promovidas ações
de educação ambiental que para serem efetivas devem ser
adaptadas às situações vividas nas atividades relacionadas
aos rituais e oferendas de umbanda.
De acordo com a UNESCO podem ser utilizadas diversas
estratégias dependendo da ocasião e do objetivo. Algumas
delas podem ser adaptadas para aplicação nos terreiros,
como debates, mutirões de idéias, questionários, reflexões e
exploração do ambiente local.
O MIR (Movimento Inter Religioso do estado do Rio de
Janeiro) através de Maria das Graças de Oliveira Nascimen-
to em parceria com Flávia Pinto (Centro Espírita Casa do
Perdão), Pedro Miranda (UEUB) dentre outros parceiros,
vem promovendo ações neste sentindo. Em abril, foi reali-
zada uma reunião na sede da prefeitura do Rio de Janeiro
com a participação do governo do estado, com representan-
tes do Instituto Estadual de Florestas - IEF, do responsável
por um Parque Estadual e de Lara Moutinho, Superintende
de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro
Nesta reunião foi discutido o direito e a dependência da
utilização dos recursos naturais pelas religiões e grupos que
cultuam a natureza.
Foi apresentado o Questionário elaborado em plenárias
do MIR para que os responsáveis pelos terreiros devolvam
preenchidos permitindo, através de análise das respostas,
conhecimento mais efetivo das necessidades dos terreiros,
assim como dos resíduos gerados por eles.
Com base nos dados obtidos, serão elaboradas e propos-
tas estratégias de abordagem que possam orientar e auxiliar
o povo do santo na realização de suas atividades ritualísticas
e de oferendas, para que possam atuar de forma a preservar
e respeitar o meio ambiente e as Leis referentes a ele.
O preenchimento do questionário, pelos responsáveis pe-
los terreiros em todo o Brasil é fundamental. Quem estiver
interessado em participar das ações que vêm sendo reali-
zadas no Rio de Janeiro ou mesmo em conhecê-las mais
profundamente para promovê-las nas regiões onde estão
alocados pode entrar em contato com Maria das Graças do
MIR ou entrar em contato com o CONUB-RJ.
Outra iniciativa no sentido da utilização de espaços am-
bientais pelos umbandistas foi a de criação do vale dos Ori-
xás, espaço que tem recebido milhares de visitantes entre
umbandistas, simpatizantes e curiosos inclusive de outros
países. Nesse sítio ecológico, exclusivamente destinado às
práticas ritualísticas de Umbanda, os adeptos realizam suas
oferendas de maneira segura e contam com uma equipe de
trabalhadores que mantêm a natureza local
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Programação de Atividades para o Mês:
OCONUB, Conselho Nacional de Umbanda do
Brasil é uma organização sem fins lucrativos
que visa congregar os praticantes da Umbanda por
todo o país. Atualmente estamos presentes em 21
estados da federação e mobilizamos pela internet e
reuniões presenciais, milhares de templos de Um-
banda de todo o Brasil. Pelo trabalho do CONUB,
cada vez mais se fortalece a identidade umban-
dista. Cada vez mais os umbandistas participam
ativamente da sociedade e manifestam seus inte-
resses políticos, econômicos, sociais e culturais
segundo seus preceitos espirituais. Nossa intenção
não é fazer proselitismo, mas trabalhar contra o
preconceito para permitir que as pessoas tenham
a liberdade de serem umbandistas.
Cabe destacar aqui que o CONUB – Conselho
Nacional de Umbanda do Brasil foi criado em
2005 nas dependências da FTU – Faculdade de
Teologia Umbandista, situada em São Paulo. A
idealização desse conselho deve ser creditada a
Francisco Rivas Neto, médico cardiologista, sa-
cerdote e escritor umbandista responsável também
pela única faculdade de Umbanda do país e autor
de várias obras de referência no meio. Das 94 fa-
culdades de teologia credenciadas pelo Ministério
da Educação atualmente, apenas uma não é da tra-
dição cristã (católica ou protestante). Essa é a FTU
– Faculdade de Teologia Umbandista.
Para conseguir proporcionar um ensino supe-
rior de qualidade em Teologia, realizar projetos de
responsabilidade social e promover a pesquisa e
extensão, a FTU conta com a ação de umbandistas
que realizam trabalho voluntário como funcioná-
rios e professores com nível de pós-graduação. A
FTU oferece bolsas de estudos a 60% de seus alu-
nos, confirmando seu compromisso em aumentar o
acesso dos brasileiros ao ensino de nível superior.
Para falarmos do tema principal que nos traz
à presença dos ilustres parlamentares, qual seja
“o papel da mídia na liberdade de expressão das
minorias”, devemos antes situar nosso ângulo de
visão aos presentes contando um pouco da história
da Umbanda.
Quem sabe o que é Umbanda? Quantos se sen-
tem confiantes para dizer o que a Umbanda é ou o
que ela não é?
Lembremos que da falta de informação se cons-
trói a desinformação e sobre a desinformação, que
é a visão distorcida da realidade, se assenta o pre-
conceito!
Começaremos contando o que a Umbanda não
é para, desde já, contradizer as percepções pre-
conceituosas que habitam o imaginário coletivo.
A Umbanda NÃO é baixo espiritismo, termo
esse pejorativo utilizado historicamente no Rio
de Janeiro e depois no país inteiro para depreciar
a Umbanda. Assim como a igreja católica reali-
zou um mea culpa por sua passividade diante do
holocausto do povo judeu, esperamos nós um-
bandistas que o tempo se encarregue de estimular
atitude semelhante da parte daqueles que promo-
veram a difamação da Umbanda com o intuito de
se manterem atuantes em uma época em que se
proibiu as manifestações espiritualistas.
AUmbanda NÃO é macumba (que, por sinal, é
um termo que apenas designa um tipo de tambor
africano), não é bruxaria, feitiçaria nem qualquer
outro tipo de prática mágica que vise o malefício
e agressão a outrem. Se há aqueles que procuram
a Umbanda e outros cultos afrodescendentes para
praticar a violência espiritual, NÃO é na Umban-
da que logram êxito em seus objetivos funestos.
Na nossa prática só há espaço para o Bem e não
praticamos morais dúbias, nem hipocrisia entre a
palavra e o gesto. Temos nossos valores que não
são exatamente os mesmos de outras tradições,
mas eles são claros, transparentes e abertos à
discussão porque se norteiam pela ética, o funda-
mento primeiro dos códigos morais.
AUmbanda NÃO ensina a seus adeptos a fazer
barganhas com Deus ou qualquer outra manifesta-
ção do Sagrado, tais como as entidades ancestrais
que se manifestam na mediunidade. A Umbanda
NÃO prega uma teologia da prosperidade, mas
sim uma teologia da felicidade que não se resume
à posse de bens materiais. Para nós, a matéria é o
meio e o ser humano é o fim, nunca o contrário.
Se há religiões que estimulam a barganha com
o sagrado e procuram retorno financeiro através
desse comércio, cabe a cada um ter o discerni-
mento e responder por seus atos.
A Umbanda NÃO é demoníaca, não prega o
mal. Na verdade as religiões dominantes têm uti-
lizado a prática de demonização de outros cultos
desde os tempos do Brasil-colônia, repetindo uma
postura de algumas grandes religiões em seus iní-
cios. Assim quiseram fazer do Yurupari indígena
e do Exu africano as personificações do mal, para
combater a prática religiosa não-católica. Contu-
do vivemos em um país democrático e devemos
aprender a conviver na pluralidade cultural e
religiosa. Já devemos ter a maturidade para que
cada religião afirme sua identidade sem precisar
negar a das demais. Da mesma maneira, é preciso
dar um voto de confiança ao discernimentos dos
adeptos para que escolham aquilo que melhor re-
presenta suas expectativas espirituais.
Após essa primeira explicação, vejamos agora
um pouco do que a Umbanda realmente é:
A Umbanda É a única religião legitimamente
brasileira. Surgiu no Brasil há aproximadamente
um século e se formou a partir das contribuições
das culturas africanas, indígenas e indoeuropéias.
Acredita em uma divindade-suprema, denomina-
da Zamby, Tupã ou Deus, em potestades divinas
chamadas Orixás que representam a Divindade-
suprema e nos Ancestrais Ilustres que são os es-
píritos que se manifestam nos templos através da
mediunidade.
A Umbanda preserva a cultura brasileira, suas
raízes étnicas e, principalmente, revaloriza a pre-
sença e o papel do mestiço brasileiro na nossa
história através da figura dos caboclos de Um-
banda. Também o uso popular medicinal da flora
brasileira é transmitido de geração em geração
pela tradição oral umbandista.
A Umbanda acredita que todas as religiões são
formas de se realizar uma conexão com o Sagra-
do. Todas as religiões são dignas de respeito e
importantes porque atendem às várias formas de
ver a vida, essa diversidade é inerente aos seres
humanos. Na Umbanda há diversas maneiras de
se realizar os ritos e transmitir a sabedoria espi-
ritual. Essas linhas de transmissão espiritual são
denominadas escolas umbandistas e são todas
igualmente importantes para o panorama geral da
Umbanda.
AUmbanda é considerada uma unidade-aberta.
Sua doutrina está em constante atualização, não
há dogmas nem conceitos absolutos e definiti-
vos. Como unidade-aberta, além de harmonizar
os aspectos da pluralidade cultural e espiritual,
a Umbanda se preocupa em manter um diálogo
ativo e buscar uma síntese entre ciência, filoso-
fia, religião e arte. A Umbanda é uma doutrina de
síntese.
A Umbanda acredita que o princípio espiri-
tual, adimensional e atemporal, manifesta-se no
universo material que é transitório e mutável.
Acredita-se nas reencarnações como meio para
a evolução da consciência espiritual e no enca-
deamento das ações que permite ao ser humano
antever as consequências de seus atos e assumir
uma atitude responsável perante a vida.
A Umbanda acredita que a natureza é uma
manifestação do Sagrado e ensina uma postura
ecologicamente correta a seus adeptos. Além da
necessidade de preservação dos recursos naturais
do planeta para a manutenção da vida, acredita-
mos que o contato direto com a natureza é fun-
damental para o desenvolvimento de um senso de
espiritualidade que enxerga todas as realidades
existentes como interdependentes. A integração
do ser com o cosmos se inicia através do contato
respeitoso com a natureza.
Além dos aspectos acima citados, muitos ou-
tros poderiam ser levantados para elucidar o va-
lor da doutrina umbandista e sua sintonia com as
propostas de cultura de paz almejadas por todo
o mundo. Todavia, já é possível perceber como
a mídia, muitas vezes comprometida com o inte-
resse de grupos exclusivistas, pode se tornar um
instrumento de disseminação da intolerância e da
discriminação.
No centenário da Umbanda, nossa comunidade
espera que o governo brasileiro apresente-se de
maneira mais ativa no sentido de garantir o direito
das minorias e a pluralidade cultural existente no
país. Os veículos de comunicação que dependem
de concessão do Estado para o funcionamento de-
vem ser permanentemente fiscalizados pelo poder
público para coibir as práticas de difamação e de-
monização de que têm sido alvo a Umbanda e as
religiões afrobrasileiras. Do mesmo modo, acre-
ditamos que o Estado deve evitar a realização do
ensino religioso confessional nas escolas públicas
de todo o país, impedindo que a escola torne-se
um espaço de disputa entre as várias religiões em
busca de prosélitos.
Por fim, nós umbandistas queremos contribuir
com o crescimento do Brasil que, a nosso ver, não
deve ser apenas o crescimento econômico a qual-
quer custo, mas deve significar possibilidades de
desenvolvimento também político, social, cultu-
ral e espiritual.
Nossos votos de paz e felicidade a todos.
CONUB e seus parceiros
Mídia e diversidade religiosa
CONUB EM BRASILIA
O texto abaixo, produzido com o apoio da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista, foi distribuído aos parlamentares e autoridades presentes na
Audiência Pública sobre “Mídia e Diversidade Religiosa” na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara dos Deputados de Brasília em
21/11/2007. Leia na íntegra o que levamos à capital brasileira.
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-setembro/outubro 2007 JornalBrasileirodaUmbanda
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Deparamo-nos atualmente com mais uma ques-
tão polêmica e de interesse aos umbandistas do
estado de São Paulo : o Ensino Religioso nas Esco-
las Públicas. Para iniciar este assunto vou me referir
à Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação que
explicita: “O ensino religioso, de matrícula faculta-
tiva, é parte integrante da formação básica do cida-
dão e constitui disciplina dos horários normais das
escolas públicas de ensino fundamental, assegurado
o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil,
vedadas quaisquer formas de proselitismo”.
Temos aqui o primeiro ponto que muito interessa
a comunidade Umbandista: a questão do respeito à
diversidade religiosa em nosso país. Sabemos que
vivemos em um Estado laico, no qual a religião deve
constituir escolha de cada um. Porém quando o Es-
tado abre espaço para o ensino religioso, ciente de
que na constituição federal são atribuídos os exercí-
cios sacerdotais a apenas três categorias religiosas:
o Padre (sacerdote católico), o Rabino (sacerdote
judaico) e o Pastor Protestante (sacerdote de confis-
são evangélica), as demais religiões (Umbandismo,
Kardecismo, Islamismo, Budismos etc.) correm o
grande risco de ficarem à margem na participação
de suas manifestações nos bancos escolares. No mí-
nimo, corre-se o risco de se ignorar outras manifes-
tações religiosas, fazendo com que a aplicação da
lei abra o caminho para a intolerância religiosa (o
que seria uma contradição para o que a própria lei
determina).
Apesar de termos a disciplina de ensino religio-
so prevista na LDB, nada impede que a Umbanda
discuta se essa é uma política de educação aceitável
e mesmo legítima, considerando a questão da laici-
dade do Estado. Pesquisadoras em educação e plu-
ralidade cultural, como a Profa. Roseli Fischmann
(Fe-USP) e outras instituições voltadas à defesa dos
direitos das minorias posicionam-se contra o ensino
religioso nas escolas públicas. A opinião da Umban-
da, ainda não a temos.
Caso viéssemos a concordar com esse ensino reli-
gioso, a primeira luta a ser travada pela comunidade
Umbandista seria a de ter voz e presença ativa para
que a nossa bela religião fizesse parte da disciplina
religiosa, não em caráter de propaganda, mas sim
para que os jovens pudessem aprender os princípios
da nossa crença e assim pudessem respeitá-la, crian-
do uma nova geração livre de velhos preconceitos.
Falei em luta primeiro, porque vislumbro um
segundo ponto de discussão. Imaginemos que ven-
çamos a batalha e consigamos incluir a Umbanda
no panteão de religiões a serem abordadas na dis-
ciplina. Haveria pessoas e materiais suficientemente
preparados para falar e discutir a Umbanda com os
jovens?
Quem poderia ministrar as aulas: um sacerdote?
Um especialista em religiões “afro-brasileiras”?
Um antropólogo? Há pessoas suficientes para cobrir
todas as escolas? Como apresentar a diversidade
existente na Umbanda? Qual material didático seria
utilizado?
Percebam que para sermos respeitados e ouvidos,
precisamos da união, não somente no sentido de
estarmos juntos, mas também ter um consenso so-
bre o que queremos falar da Umbanda, quem está
habilitado e que livro será utilizado. Neste sentido,
entendo que entidades agregadoras, caso por exem-
plo, o CONUB(Conselho Nacional da Umbanda do
Brasil) tem papel fundamental na busca desse escla-
recimento.
Portanto entendo que os temas são intrinsicamen-
te ligados, isto é, temos que lutar para que a Um-
banda não seja esquecida ou relegada a uma nota de
rodapé, teremos de levar a nossa proposta de linha
a ser abordada, material didático e corpo docente.
Só assim seremos ouvidos e não correremos o risco
de ser ignorados, muito pelo contrário, seremos res-
peitados pelas autoridades e pelos jovens que sabe-
rão mais sobre nossa religião, respeitando-a (assim
como devem respeitar a todas as crenças), tornando-
se melhores cidadãos.
*Administrador de Empresas
e Mestre em Economia
membro do Templo Escola de Umbanda
Luz de Aruanda – TEU LAR - São Paulo – SP
O ensino religioso nas escolas públicas.Aquem interessa?
EDUCAÇÃO RELIGIOSA
Este seria o ponto de partida para um amplo debate tendo em vista a diversidade religiosa do Brasil
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-setembro/outubro 2007JornalBrasileirodaUmbanda
A Umbanda, como religião universalista em sua essência,
nos leva a ser pessoalmente contrários ao ensino religio-
so de caráter confessional, como o que foi instituído no
estado do Rio de Janeiro pelo então governador Anthony
Garotinho através da Lei 3459/2000, de autoria do depu-
tado Carlos Dias (PPB-RJ), que apresenta outros defeitos
na forma e conteúdo que não abordaremos neste artigo.
Defendemos, sim, a necessidade de um ensino religio-
so, contudo um ensino não confessional, como previsto
no Inciso II do Art. 33 da Lei 9394 de 20/12/1996 (LDB
- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), no
sentido de estimular a vivência do Sagrado pelos alunos,
desenvolvendo-lhes valores universais que auxiliem na
construção de uma cultura de paz a partir da convivência
pacífica e fraterna entre membros de diferentes religiões.
Desenvolver no aluno o sentido da tolerância e do respei-
to pelos valores universais contidos em qualquer religião
é o sentido que entendemos ser o correto no tratamento
do ensino religioso, para desta forma evitarmos o estímu-
lo a uma cultura segregacionista, intolerante e promotora
de desigualdades em todos os níveis, que possa elevar os
níveis de violência de toda a sociedade.
Além desses aspectos essenciais também temos a questão
de que formamos uma minoria no cenário religioso nacio-
nal, com possibilidades muito remotas de criar um corpo
de professores capazes de ministrar ensino religioso um-
bandista, e mesmo que conseguíssemos essa façanha, que
forma de Umbanda seria ministrada aos alunos? Como
levar adiante a idéia de um ensino religioso confessional
sob a ótica umbandista, sendo a Umbanda uma religião
plural, multifacetada, calcada na vivência e na escola
de cada adepto, entendendo-se o conceito de “escola”
aqui empregado como a tradição seguida por determina-
do grupo?O ensino religioso precisa ser, antes de tudo,
o ensino dos valores mais nobres do ser humano, aqui
entendidos como valores do Sagrado, com base no con-
senso entre as várias tradições religiosas por fazer parte
da essência de todas elas, contribuindo assim de maneira
firme e consciente para a construção de uma cultura de
Paz, em que se estimule a convivência, o respeito entre
todos, não importa que religião professe, qual seja sua
raça, sexo ou condição social. O CONUB vem desenvol-
vendo ações objetivas com o fim de contribuir para rever-
ter realidades como a do Rio de Janeiro, como no dia 07
de novembro deste ano, na ALERJ, quando o Conselho
participou de Audiência Pública sobre o novo projeto de
Lei de autoria do Deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ)
e FONAPER (Fórum Permanente do Ensino religioso),
que visa transformar o modelo de ensino religioso con-
fessional, vigente naquele estado. Nesse sentido preci-
samos ficar alertas e trabalhar para que iniciativas como
esta tenham andamento e alcancem seus objetivos, com
isso estimulando iniciativas de mesma natureza em outras
unidades da federação, garantindo a preservação de nossa
identidade religiosa e ajudando na transformação social
tão necessária para que sejamos respeitados por todos os
setores da sociedade brasileira.
Fernando Pinto
A Umbanda e o ensino religioso nas escolas
BOTÂNICA UMBANDISTA
-setembro/outubro 2007 JornalBrasileirodaUmbanda
Uso das plantas e o momento do movimento umbandista
A experiência de utilizar os conhecimentos da ciência já tem produzido melhores resultado
Os rituais umbandistas fazem uso freqüente de
vegetais, essências odoríficas e elementos da
natureza com finalidades mágicas-energéticas ou fi-
toterápicas. Como a Umbanda encontra-se em cons-
tante evolução, é importante refletir sobre a melhor
forma de utilização desses elementos portadores de
axé. É prática corrente entre os particantes médiuns
ou não, colocar suas oferendas com os elementos
vegetais nas esquinas das ruas; colher as plantas
para uso no preparo de banhos, defumações, essên-
cias e outras utilizações templárias ou pessoais em
condições não tão favoráveis do ponto de vista da
química, da botânica e mesmo no que diz respeito à
magia. O conhecimento mais aprofundado das pro-
priedades físico-químicas e biológicas das plantas
pode evitar a realização de preparações na presença
de luz ou de calor inapropriados.
Certamente existe boa vontade e as melhores in-
tenções de cada praticante ao buscar nos elementos
da natureza as energias para o caminho espiritual.
Observamos que em um município do estado do Rio
Grande do Sul, umbandistas reservaram um local
para colher e entregar suas oferendas à natureza, com
o intuito de ser utilizado comunitariamente por vá-
rios terreiros ou indivíduos. Perguntamos: é possível
coordenar em um mesmo espaço físico as diferenças
energéticas e ritualísticas existente entre os diferen-
tes grupos, com suas práticas ritualísticas próprias?
Por um lado, todos buscamos na pureza da nature-
za o meio para a purificação de nossas energias nega-
tivas. Por outro lado, temos que aprender a conviver
harmoniosamente com todos os templos, mesmo
com aqueles que não parecem ter, à primeira vista,
muita sintonia vibratória conosco. Precisamos então
encontrar pontos de congruência entre os grupos
para que possamos aprender a nos conectar com a
natureza enquanto coletividade umbandista.
Não levando em conta, neste momento, os aspec-
tos artísticos e exclusivamente religiosos da utiliza-
ção das plantas (colocação das oferendas nas esqui-
nas das ruas, por exemplo) proponho que reflitamos
sobre alguns aspectos científicos do uso das ervas.
A experiência de utilizar os conhecimentos da ci-
ência para nortear uma prática umbandista conscien-
te já tem produzido bens resultados, como no caso
da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista. No
espaço interno da faculdade, a disciplina de Botâni-
ca Umbandista produziu quadros de exsicatas* das
plantas vibradas pelos Orixás mais usadas em nos-
so meio e os colocou à disposição da comunidade.
Baseando-se na farta literatura de ordem espiritual e
científica, os quadros fornecem informações seguras
para a identificação e utilização de plantas, seus no-
mes populares e científicos.
Nesse caso em especial, foram utilizadas como re-
ferência bibliográfica os materiais de apoio didático
da FTU. Ali encontra-se fartamente fundamentada e
explicitada a hora, dia e mês nos quais deve ser co-
lhida uma planta para ser utilizada para as oferendas
de qualquer espécie. Ainda, utilizando-se dos aspec-
tos técnico-científicos apresentados nesta literatura,
verifica-se que essa instituição de ensino prepara
produtos (banhos concentrados, essências, incensos
sem palito, por exemplo) para colocar à disposição
da Assistência ou utilizar nos Templos, observando
os devidos cuidados técnico na sua manipulação,
tais como: as formas de colheita, secagem, preparo,
conservação, embalagem, estocagem e tempo de va-
lidade, além de outros, os quais ficarão para futura
discussão.
Qual a importância de cuidar dos aspectos técni-
co-científicos preconizados pela ciência oficial na
Botânica, na Farmacognosia, na Farmacotecnia e
na Tecnologia Industrial? As substâncias-ativas (ou
princípios-ativos) presentes nas plantas representam
a concretização da vibratória dos Orixás no Reino
Vegetal, significando que a sua presença nos vegetais
ou nos seus preparados transfere este Poder dos Ori-
xás para estes preparados. Alguns desses princípios
ativos são sensíveis à luz e podem se oxidar, perden-
do sua eficácia. Outros tem características voláteis e
evaporam se secados sob calor. Há ainda aqueles que
se concentram em partes determinadas das plantas,
não sendo necessário destruir uma planta inteira para
obter a parte que mais nos interessa.
Há ainda questões de magia, sendo algumas ervas
consideradas solares e outras lunares. Evidentemen-
te, a colheita deve obedecer esses princípios, além
da escolha da melhor fase lunar para seu corte. Em
termos espirituais mais profundos, relacionam-se os
principais elementos químicos periódicos presentes
nos princípios-ativos vegetais com os quatro ele-
mentos da natureza. O carbono (C) corresponde ao
elemento terra(energia telúrica); o hidrogênio (H) ao
elemento água (energia hídrica), o oxigênio (O) ao
elemento fogo(energia ígnea) e o nitrogênio (N) ao
elemento ar(energia eólica). A reação enzimática ou
química desses elementos para constituir e servir de
substrato à manutenção da vida vegetativa represen-
ta, por conseqüência, a concentração do Poder dos
Orixás.
A colheita, a secagem, a manipulação, a conser-
vação, a embalagem e a estocagem das plantas e os
produtos preparados com elas deveriam ser realiza-
dos sob a orientação de estritos aspectos técnico-
científicos, além dos aspectos filosófico-religiosos,
para que seja mantido este Poder nos preparados
pela presença dessas substâncias-ativas durante todo
o seu processo de manipulação.
Não cabe aqui a discussão dos aspectos religiosos
e artísticos, os quais correspondem à realização de
rituais e orações próprias a cada escola umbandis-
ta, no momento da colheita e do processamento das
plantas. Mas salientamos que há inclusive sacerdotes
especificamente preparados para lidar com os aspec-
tos mágicos das plantas. Na tradição de origem afri-
cana, esses iniciados são denominados olossain ou
babalossain por conhecerem os segredos de Ossain.
Assim, a coleta ou colheita, um dos passos mais
importantes para se trabalhar com as plantas, rea-
lizada de forma inadequada, pode levar ao uso de
plantas que não contém as substâncias-ativas (Poder
dos Orixás na sua plenitude) que produziriam os
efeitos desejados, porque realizada fora do período
de maior concentração do princípio-ativo requerido.
A secagem de forma inadequada pode acarretar a de-
gradação física (por termolabilidade, por exemplo)
ou química (reação indesejada entre componentes do
vegetal) daquelas substâncias.Amanipulação de for-
ma errônea pode inativar física (por termolabilidade,
por exemplo) ou físico-química (pH inadequado, por
exemplo) microbiológica (contaminação microbia-
na, por exemplo) ou química (adição de componen-
tes contaminados, por exemplo). Neste último caso,
o da contaminação química, é comum o produtor
despreparado utilizar álcool (álcool etílico ou etanol)
comercial ou industrial, produzido, propositalmente,
conforme legislação federal, com metanol, sabida-
mente hepatóxico (tóxico para as células do fígado).
Além disto, seu conteúdo em metais pesados (chum-
bo e arsênio) não condiz com os níveis apropriados
para consumo humano.
É comum o preparo de perfumes (preparados
a partir de essências ou óleos essenciais) com este
mesmo etanol, que contém chumbo, o qual reage
com componentes das essências, inativando-os, des-
ta forma também retirando do óleo essencial os prin-
cípios-ativos que determinariam o uso do perfume.
Além desta forma errônea de preparo, deparo-me,
constantemente, com óleos essenciais que contém
água, caracterizada por gotículas no seio do óleo ou
por estar separada em outra fase, no fundo do frasco
continente. Esta água, advinda do etanol utilizado
ou porque os preparadores imergem folhas verdes
(contendo água por sua natureza) nos óleos para
“fortalecer” a preparação, pode alterar o pH da es-
sência, inativando substâncias-ativas ou propiciando
sua contaminação microbiana por exposição ao ar ou
manipulação inadequada.
Outro exemplo que pode ser citado é o preparo
de chás ou banhos com o cozimento (decocção) de
folhas e flores o qual leva à inativação de determina-
dos princípios-ativos por exposição ao calor excessi-
vo (termolabilidade) ou a preparação de infusos de
partes do caule, raízes ou sementes duras, forma esta
que não extrai eficientemente as substâncias-ativas
desejadas.
Ainda podemos menciona a colheita e o uso da
famosa e muito utilizada arruda [Ruta graveolens
spp Linné, as arrudas macho e fêmea, como são de-
nominadas popularmente (Figura 5)] durante o dia
ou à noite, durante as luas nova-crescente ou cheia-
minguante, nos meses de junho-julho ou agosto-se-
tembro. Dependendo do período da colheita, o equi-
líbrio entre flavonóide/heterosídeo [composto ativo
(aglicona)/forma latente] quercetina (Figura 1)-quer-
citrina (Figura 2)/rutinose (Figura 3)-rutina (Figura
4) para citar o(s) princípio(s)-ativo(s) principal(is)
apresenta-se em maior ou menor concentração. A
manipulação de forma inadequada, por sua vez, pode
inativar os flavonóides por redução da função lacto-
na ou oxidação das funções hidroxila. Levar em con-
sideração estes aspectos científicos já corroborados
pela ciência oficial é de primordial importância para
colocar os umbandistas no caminho da importante e
inevitável interligação entre a ciência, a filosofia e a
religião. Não é à toa que as plantas devem ser culti-
vadas, colhidas e manipuladas nos horários próprios,
segundo critérios técnico-científicos.
É, por estas poucas considerações aqui realizadas,
que a inobservância destes critérios nos leva à consi-
deração de que devemos buscar o conhecimento da
técnica para manipular os vegetais de forma adequa-
da para produzir os resultados esperados no âmbito
da terapia preconizada para a prevenção, tratamento
e cura das doenças astrofísicas diagnosticadas nos
Terreiros de Umbanda.
Evidentemente, não podemos pensar de maneira
reducionista achando que as propriedades vibrató-
rias espirituais são apenas uma função dos princípios
químicos ali existentes. Se assim fosse, a produção
artificial dessas substâncias seria até melhor que o
uso da planta em si, o que não é verdade. Também
não podemos desqualificar o valor da sabedoria po-
pular e do conhecimento tradicional que muitas ve-
zes tem sido até orientador de novas descobertas para
a ciência. É preciso saber associar positivamente o
conhecimento espiritual com a ciência e compreen-
der que assim como a ciência está em constante re-
volução, também o conhecimento espiritual deve ser
continuamente revisto e aperfeiçoado.
Portanto, é louvável e oportuna a proposta da FTU
de união dos adeptos e dos Sacerdotes e Sacerdoti-
sas umbandistas em torno do conhecimento sólido a
respeito do seu campo de trabalho: a caridade espi-
ritual dignificada pelo uso acertado da ciência e da
filosofia.
Ao mesmo tempo, mostra-se relevante o trabalho
atualmente desenvolvido pelo JBU e por vários ou-
tros irmãos umbandistas do país, no sentido de mos-
trar que a Umbanda e os umbandistas não são prati-
cantes de subcultura científica e filorreligiosa, mas
sim atentos e interessados no progresso espiritual e
material do nosso planeta.
Ricardo da Rocha Pereira
CONUB/RS
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e mais ampla rede por todo o país
21/11/2007 - Brasília - CONUB
participa de Audiência Pública sobre
“Mídia e Diversidade Religiosa” na
Comissão de Direitos Humanos e Mi-
norias na Câmara de Deputados
O Em Audiência Pública sobre “Mí-
dia e Diversidade Religiosa”, realizada
nesta quarta-feira (21/11), na Comissão
de Direitos Humanos e Minorias, da
Câmara dos Deputados, o presidente
do Conselho Nacional da Umbanda no
Brasil - CONUB, Mestre Aramaty (Pai
Ramos), reivindicou a efetiva atuação
de parlamentares e do Ministério Pú-
blico no combate ao preconceito contra
a Umbanda e outras religiões. “A vio-
lência religiosa é um desrespeito à di-
versidade e à diferença”, afirmou. “Da
falta de informação se constrói a de-
sinformação e sobre a desinformação,
que é a visão distorcida da realidade,
se assenta o preconceito”, disse Mestre
Aramaty, citando como exemplo desse
preconceito as acusações de que a Um-
banda é um “culto demoníaco” ou um
“baixo espiritismo”. “Não é nada disso,
obviamente”, defendeu. A Audiência
foi sugerida pelo CONUB e requeri-
da pelo presidente da Comissão Dep.
Luiz Couto, como reação à pesquisa da
Datafolha que revelou um expressivo
índice na manifestação do preconceito
religioso ao apontar a Umbanda como
demoníaca.
Durante o debate, o representante da
Iniciativa das Religiões Unidas (URI),
Elianildo Nascimento, defendeu a cria-
ção de um marco legal para combater o
preconceito religioso difundido em rá-
dios e TV, que são concessões públicas,
conforme lembrou. Ele sugeriu a for-
mação de um Conselho da Diversidade
Religiosa, para discutir as diversas situ-
ações que dizem respeito às religiões e
elaborar o marco legal da diversidade.
Elianildo acusou a mídia de refletir
questões equivocadas sobre as diversas
religiões. “O respeito às expressões da
individualidade é um dos direitos hu-
manos, mas os preconceitos estão arrai-
gados na sociedade”, lamentou.
Contrapondo o representante da
URI, o deputado Luiz Couto (PT-PB),
presidente da Comissão, disse que o
parlamento não deve se preocupar em
estabelecer um marco regulatório con-
tra o preconceito religioso na mídia,
conforme foi solicitado na audiência
pública. “O Estado não pode interferir
na religião, e um marco desses poderia
significar uma espécie de conversão à
religião. As pessoas que não são reli-
giosas devem ser respeitadas”, argu-
mentou.
Na seqüência, o presidente do Con-
selho Nacional da Umbanda do Brasil
(Conub), Mestre Aramaty (Pai Ramos),
lembrou que os veículos de comunica-
ção dependem de concessão do poder
público, por isso devem ser fiscalizados
para evitar práticas discriminatórias
contra religiões, em especial a Umban-
da.
Um dos participantes do debate, o
Secretario Especial dos Direitos Hu-
manos, Perly Cipriano, propôs a busca
do diálogo com a mídia, destacando
que não seria ideal impedir programas
religiosos. “Somente a união entre os
poderes públicos e as diversas religiões
poderia levar à mobilização para mu-
dança da cultura no País”, acredita. Ci-
priano também defendeu a introdução
da temática da diversidade religiosa na
agenda do Mercosul.
Já a procuradora federal dos Direi-
tos do Cidadão, Ela Wiecko Castilho,
afirmou que não acredita na concessão,
pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ),
de direito de resposta às religiões afro-
brasileiras. Ela observou que o recurso
só seria concedido em ações penais. A
intervenção da procuradora foi feita a
propósito do direito de resposta obtido,
em 2003, em primeira instância, numa
ação civil pública contra a Record e a
Rede Mulher, ligadas à Igreja Universal
do Reino de Deus. E que foi contestado
pelas emissoras, em recurso apresenta-
do ao STJ. Ela Castilho apontou a ne-
cessidade de se buscar estratégias para
sensibilizar os difusores sobre o tema.
“As TVs públicas têm mais facilidade
de promover diversidade religiosa”,
sugeriu. Ela citou várias situações de
preconceito contra as religiões afro-
brasileiras, entre elas a depredação de
imagens de orixás em Brasília.
Mestre Aramaty (Pai Ramos) ressal-
tou a existência da Faculdade de Teo-
logia Umbandista - FTU, devidamente
credenciada e autorizada pelo Ministé-
rio da Educação, como grande marco no
processo de valorização da Umbanda e
reversão deste quadro de preconceito.
15/11/2007 - Rio de Janeiro - CO-
NUB-RJ organiza com a UEUB uma
Grande Gira de Confraternização em
reconhecimento aos 99 anos de Um-
banda.
O CONUB (Conselho Nacional da
Umbanda do Brasil) organizou junto
com a UEUB (União Espiritista de Um-
banda do Brasil) uma Gira de Confra-
ternização em reconhecimento aos 99
anos de Umbanda.
Antes da Gira propriamente dita, foi
apresentado um fragmento da peça te-
atral “O laço dos 100 anos”. Esta peça
procura demonstrar a história de diver-
sas escolas umbandistas que auxiliaram
na construção do nosso movimento re-
ligioso. Neste dia, o grupo teatral pro-
curou retratar a história do início da ca-
minhada espiritual de Zélio Fernandino
de Moraes uma vez que o corpo medi-
único da Tenda Espírita Nossa Senhora
da Piedade (TENSP) estava presente e
este fato marca o início oficial da nossa
religião em solo brasileiro.
Logo em seguida, a Gira foi iniciada
com a convocação dos templos e ten-
das umbandistas convidados. Além da
TENSP, outras tendas fundadas sobre
a orientação do Caboclo das 7 Encru-
zilhadas estavam presentes. Também
participaram do rito templos oriundos
da Tenda Espírita Mirim, Ordem Inici-
ática do Cruzeiro Divino e tantas outras
escolas representativas.
Como todo trabalho umbandista, a
Gira foi marcada pelo atendimento gra-
tuito do público presente e exaltação do
Sagrado através dos “pontos cantados”.
Ao final da Gira, Pai Pedro Miran-
da e Comandante Joelmir de Oxóssi,
principais organizadores deste evento,
falaram ao telefone com Mãe Zilméia
de Moraes que agradeceu a homenagem
ao seu pai através da peça teatral e do
rito de Caboclos.
13/11/2007 - Rio de Janeiro - CO-
NUB-RJ participa de homenagem ao
Templo umbandista Oxóssi Caçador e
99 anos de Umbanda na Câmara Muni-
cipal do Rio de Janeiro.
O CONUB (Conselho Nacional da
Umbanda do Brasil), coordenadoria do
Rio de Janeiro, esteve presente na ho-
menagem da Câmara Municipal do Rio
de Janeiro (CMRJ) ao Comandante Jo-
elmir de Oxóssi do templo umbandista
Oxóssi Caçador. O evento ocorreu no
Salão Nobre da CMRJ sendo iniciativa
do Vereador Átila Nunes Neto.
Comandante Joelmir além de receber
a homenagem da CMRJ, recebeu o tí-
tulo de Coordenador do CONUB para
a região de Jacarepaguá e adjacências.
A homenagem ao Comandante Joelmir
foi estendida a Umbanda através de pla-
cas comemorativas. O CONUB, um dos
homenageados do dia, foi representado
pelo Relações Públicas João Luiz Car-
neiro.
12/11/2007 – Rio de Janeiro – CO-
NUB participa de Sessão Solene em
homenagem à Umbanda na Assembléia
Legislativa do Estado do Rio de Janei-
ro.
O CONUB (Conselho Nacional da
Umbanda do Brasil) participou no dia
12 de novembro de 2007 de sessão
solene em homenagem aos 99 anos de
Umbanda na ALERJ (Assembléia Le-
gislativa do Estado do Rio de Janeiro).
Na oportunidade o Conselho foi re-
presentado pelo seu Diretor Nacional
de Eventos, Sr. Fernando Pinto que
sentou na mesa com o vereador do
Rio de Janeiro Átila Nunes Neto e do
presidente da sessão, o Deputado Átila
Nunes Filho.
Na oportunidade de demonstrar o
pensamento umbandista a sociedade
civil, o Sr. Fernando registrou a im-
portância do movimento umbandista
no contexto histórico ao qual foi e está
inserida. Parabenizou as ações dos um-
bandistas em homenagem ao centená-
rio da Umbanda tal qual o Pai Joelmi
de Oxóssi, a UEUB, o CONUB-RJ, o
ICAPRA vem desenvolvendo no estado
do Rio de Janeiro e a FTU no estado de
São Paulo.
A sessão solene foi encerrada com
o hino da Umbanda. O movimento
umbandista carioca deu uma demons-
tração clara da representatividade e
legitimidade que possui no estado do
Rio de Janeiro. Mais de 100 dirigentes
e umbandistas estiveram reunidos em
uma só voz para homenagear e refletir a
importância dos 99 anos de Umbanda.
11/11/2007 - Rio de Janeiro - CO-
NUB-RJ participa de Gira Mensal do
Templo de Oxóssi
O CONUB (Conselho Nacional da
Umbanda do Brasil) participou de uma
grande Gira organizada pelo Templo
de Oxóssi. Templo este dirigido pelo
Comandante Marcos de Ogum. Regis-
tramos a presença de diversos terreiros.
Os dirigentes dos terreiros presentes
gravaram depoimentos sobre a im-
portância do Centenário da Umbanda
a ser comemorado no ano de 2008. O
CONUB-RJ considerou esta sessão de
caridade umbandista como um grande
marco dos comemorativos dos 99 anos
de Umbanda deste mês.
CONUB traz visibilidade ao movimento umbandista
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Responsabilidade social e política na Umbanda
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-setembro/outubro 2007JornalBrasileirodaUmbanda
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Quando pensamos no trabalho desenvolvido na seara de Um-
banda, devemos pensar não somente na atuação e força dos
Orixás, mas também na responsabilidade do médium de Umbanda.
Esse irmãos que se põem ao trabalho da caridade buscam através
de um esforço contínuo e incansável tratar das questões materiais
e emocionais de maneira individual. Cada trabalho desenvolvido
requer atenção à prática do bem, servindo de instrumento de con-
fiança do Astral. Imbuídos de afeição, carinho, paciência, amor,
respeito, os médiuns buscam propiciar o verdadeiro acolhimento
aos companheiros de jornada – irmãos de fé – e também àquele
irmão do caminho, muitas vezes tão necessitado de envolvimento
fraterno, numa corrente de forças vibracionais positivas que adentra
o espaço interno das tendas.
Temos consciência da importância do médium no Ritual de
Umbanda no plano material e sabemos também que todo o apoio
lhe é dado no plano espiritual. Esse Sujeito-Médium deve ter seus
potenciais mediúnicos desenvolvidos ordenadamente, de forma
disciplinada, para que sua atuação no exercício do sacerdócio, na
condição de doador das melhores vibrações de seus Orixás, seja a
de um agente responsável para com o próximo.
As dificuldades materiais, bem como os desequilíbrios emocio-
nais que se apresentam à vida terrena do médium, podem interferir
em seu desenvolvimento mediúnico ou nas práticas espirituais. As-
sim, ressaltamos a necessidade de, envolvidos num trabalho de bên-
çãos e pronto ao atendimento dos desígnios dos Orixás na prática da
caridade, atentarmos às palavras de Jesus: “Amai ao próximo como
a ti mesmo”. É preciso não fraquejar ao vibrar amor e simpatia para
manter a harmonia da vibração da corrente que sustenta o trabalho
espiritual.
Vigiar os pensamentos, estar atento à vaidade, ao egoísmo e
tornar-se mais tolerante, devem formar uma atitude constante. Só
assim seguiremos servindo de agentes facilitadores da confiança e
do amor depositados a cada Sacerdote – Médium pela Providência
Divina no cumprimento de nossa missão.
Que estejamos dispostos e sejamos capazes de cumpri-la.
Umbanda linda quem nos deu foi Oxalá!
Maria Helena F. Macedo
Grupo Rita de Cássia / RJ
O médium de Umbanda - responsabilidade em ação
Ética no exercício da espiritualidade
A mídia anuncia o fim dos tempos
com freqüência há tempos, porém
neste início de milênio o principal
vetor deste fim anunciado é o aque-
cimento global, fato este constatado
em nosso cotidiano (alteração no re-
gime das precipitações, ilhas de calor,
estações indefinidas, etc.). Porém,
esta mesma mídia é veículo de algu-
mas instituições capitalistas, as quais
apresentam soluções para tal celeuma
que assola nosso planeta: a neutrali-
zação das emissões de gases de efeito
estufa, principalmente o dióxido de
carbono (CO2) e o metano (CH4),
conforme o Protocolo de Kioto, após
a Rússia ratificá-lo em 2004.
Tal neutralização é realizada atra-
vés do “seqüestro” de carbono (CO2
atmosférico) pelas espécies arbóreas
(leia silvicultura-eucalipto) que com-
põem reflorestamentos homogêneos.
Estas florestas, comumente denomi-
nadas sumidouros de carbono, “ge-
ram” créditos de carbono, mensura-
dos e comercializados em unidade de
massa 103kg (tonelada).
Teoricamente esta ação impres-
siona, pois vislumbra-se alternativas
práticas e passíveis de lucro para os
produtores/agricultores. Entretanto,
aspectos de ordem prática interpõem
barreiras a tamanha facilidade “co-
mercializada” pelas empresas “am-
bientalmente corretas”, como por
exemplo:
- Reflorestamentos homogêneos,
isto é, compostos por uma só espécie,
não apresentam inúmeros benefícios
ambientais, principalmente quando as
espécies utilizadas são exóticas (eu-
calipto e pinus) e não nativas;
-Aquantidade de carbono “seqües-
trada” varia de espécie para espécie;
- O custo de manutenção é, apro-
ximadamente, US$1.200,00/ano/ha,
para espécies nativas em refloresta-
mentos heterogêneos – aqueles que
implicam em maiores benefícios am-
bientais;
- O custo do cultivo do Eucalipto
é, em média, R$8.500,00/ha, para um
período de 10 anos, incluindo os cus-
tos de plantio e manutenção de todo
esse período;
- Ausência de critérios técnicos na
seleção de locais para implantação de
sumidouros de carbono, para comer-
cialização de créditos em mercado fu-
turo, ou seja, uma área com excelente
aptidão agrícola para lavouras pode
ser subutilizada para este fim;
Atualmente, as empresas que neu-
tralizam seus serviços e produtos não
plantam árvores necessariamente, a
praxe destas é comprar créditos ex-
cedentes de outras fontes, através de
empresas reflorestadoras ou através
de créditos de carbono colocados
à venda. Desta forma, há empresas
que desenvolvem sua própria área de
reflorestamento para neutralizar sua
emissão de carbono e outras empresas
que fazem reflorestamento exclusiva-
mente para comercializar os créditos
gerados. Vale ressaltar que estas áreas
reflorestadas, quase em sua totalida-
de, são compostas por eucalipto (re-
florestamentos homogêneos).
A recuperação de áreas degrada-
das com espécies nativas tangencia o
ideal para a questão dos sumidouros
de carbono, pois além do marketing
e do capitalismo ambiental é possível
causar impactos positivos no meio
ambiente, tais como:
- Aumento da biodiversidade, fau-
na e flora local;
- Minimiza os riscos de erosão em
áreas declivosas;
- Em áreas de mananciais propor-
cionam a manutenção qualitativa e
quantitativa dos recursos hídricos
(recarga do lençol freático, atua como
barreira física da poluição difusa,
etc.)
- Recuperação paisagística (aspec-
tos estéticos-visuais)
Estes impactos positivos serão pos-
síveis em médio e longo prazo, quan-
do a “nova floresta” atingir maturi-
dade, um tempo estimado de 20 anos
aproximadamente, mas não podemos
desconsiderar a demanda de recursos
técnico-econômicos ao longo deste
período. Por outro lado, as empresas
vislumbram retorno imediato, não só
pela comercialização dos créditos,
mas também com o rótulo de “am-
bientalmente corretas” o que amplia
seu mercado consumidor e a mantém
isenta do processo de degradação dos
recursos naturais.
O exposto acima não tem o intuito
de repreender as instituições capi-
talistas que pretendem “preservar”
o meio ambiente, mas sim elucidar
questões de ordem técnica despreza-
das pela mídia e propor uma reflexão
à sociedade no tocante a um tema em
evidência atual.
Rodrigo Batalha
Graduando em Teologia
Umbandista pela FTU – 1° ano
Marketing e capitalismo ambiental
OPINIÃO
CONUB: www. conub.org.br - contato redação:jbu@conub.org.br - contato CONUB:dialogo@conub.org.brEXPEDIENTEEXPEDIENTE
Editor-chefe: Roger T. Soares - Conselho Editorial: Fernando Pinto, Caio Quinderé Omae, Silvio Ramos Garcez, Rodrigo Mariano - Colaboradores: João Luiz,
Marizelis, Cássio Lopes Ribeiro, Lucilia Guimarães, Marcus Sodré, Hilario Bispo, Eugênio Paiva, Sergio Eustaquio Sardinha, Sergio Nestrovski, Michel Pires, Etiene
Sales - Jornalista Responsável: Santa Irene Lopes (reg. prof. 4265 DRT/RS) e Patricia Cintra (MTB - 45739/SP - Projeto Gráfico e Diagramação: Marcos
Strey (reg. prof. 4266 DRT/RS) Ilustrações: maStrey - Entidade Consultora: FTU - Faculdade de Teologia Umbandista - Tiragem. 20.000
CIDADE LIMPA POVO CIVILIZADO - Não joque este jornal nas vias públicas

3ed jbu

  • 1.
    Orgão de divulgaçãodo Conselho Nacional da Umbanda do Brasil - CONUB e do Conselho Federal da Umbanda do Brasil setembro/outubro - 2007 Ano I - Número 3 EDUCAÇÃO Valores humanos, ética e responsabilidade ambiental são temas fundamentais para a formação profissional e de cidadania do nosso povo. Com vistas à necessidade de incluir uma reflexão espiritual sobre essas questões, essa edição do JBU aborda a contribuição da Umbanda para a construção de uma nova ordem mundial. DISTRIBUIÇÃO G R A T U I T A
  • 2.
    -setembro/outubro 2007 JornalBrasileirodaUmbanda EDITORIAL COLUNAdaFTU Aeducaçãopermeia historicamente todas as culturas, etnias e classes sociais. Independente da geo- grafia, do regime de governo, religião, época ou grupo social, a educação é sempre fator de conti- nuidadeeprogressohumano.Sãoigualmenteimportantes,navisãoumbandista,aeducaçãoalicerçada na tradição oral e na escrita. Educar é transmitir elementos formadores dos universos pessoal e social. Portanto,educaréformarenãoapenasinformar,comovemacontecendonasociedadecontemporânea. Cabe-nos perguntar o que ocorreu com a educação nas últimas décadas. Por que se transformou em direção ao individualismo? O que mudou na educação de maneira que informar tenha se tornado mais importantequeformar?Comocompreendertaismudanças? Buscaremos aqui contribuir com alguns elementos para que nossos leitores possam refletir sobre esses temas. Faremos uma breve explanação sob a perspectiva espiritualista, mais precisamente a ótica umbandista onde temos calcada nossa experiência. No universo umbandista tive o prazer imensurável de ser iniciada no grau de sacerdotisa por Pai Rivas(MestreArhapiagha).Tornei-me também, honrosa- mente,alunadaprimeiraturmadaFTU–FaculdadedeTeologiaUmbandistaem2004.Nessafaculdade sepreconizaumaeducaçãoalicerçadanosvaloresespirituais,aomesmotempoemquesebuscateruma atuaçãosérianomeioacadêmico. AUmbanda tem uma visão reencarnacionista, ou seja, nós nascemos e morremos inúmeras vezes. Essas passagens nos acrescentam experiências e conhecimentos; os saberes da humanidade se encon- tramemnossoinconscienteespiritual.Emnossasváriasvidasjátivemosexperiênciascomoserhumano religioso, artista, cientista e filósofo. Temos em nós todos estes “universos” que se encontram em um únicoserhumano,emumasíntesedosaber. Nopensamentodesínteseentendemosoconhecimentocomouniversal,masessauniversalidadese manifesta,paradoxalmente,comodiversidadenomeiofísico.Aunidadeestánosujeito,naconsciência humana,quetomacontatocomapluralidadedasformasmateriais.Estadoutrinatemsidoensinadapor PaiRivashádécadaseconcretizadaporelecomoumdoslemasdaFTU:unidadenadiversidade.Longe de um mero conceito teórico ou utopia, esse lema tem sido um dos pilares sustentadores da faculdade quetenho,eumesma,vivenciadodesdeseucredenciamentopeloMECefundaçãoemSãoPaulo. Aeducação umbandista tem o homem e os quatro pilares do conhecimento humano como interde- pendentesecomunicaareligião,aarte,afilosofiaeaciênciaentresi,formandoumconhecimento-uno. Da mesma maneira, integra o ser humano consigo mesmo, com a humanidade produtora de saberes, comanaturezaecomosagrado-afontedetodaexistência.Nãonosesqueçamosqueantesdesermos homensemulheressomosespíritosquenosmanifestamosnessasformas.Assim,afirmamosqueaedu- caçãonãoseráplenaseelaseassentaremapenasumdospilaresdosaberouapenasnarealidadefísica humana,decarátermaterialeindividualista.NavisãodaUmbanda,aeducaçãodeveserumprodutode relaçõesqueseiniciamnocampoespiritualesemanifestamnocampomaterial. Defender a educação como unidade ou síntese que integraliza a pessoa, requer uma visão de trans- cendência que ultrapasse as visões parciais dos fenômenos. Mas é possível perguntar: se todo o co- nhecimento é expressão do espírito, não basta seguir um de seus ramos para se encontrar sua origem transcendente? Eu diria que se alguém se restringe a apenas um dos pilares do conhecimento(filosofia, religião,ciênciaouarte),comcertezaseuconhecimentonãorefletiráotodoqueéasíntesealémdesses quatropilares.Paradeixarmaisclarousaremosumexemplo.Todososquemoramnosdiversosestados doBrasilsãobrasileiros,poremnãopossodizerqueumúnicoestadooucidadãorepresentaatotalidade dosbrasileiros.Istoseriageneralizar,tomarotodopelaparte. Paracomplicaraindamais,a“fonte”doconhecimentosepulverizouemcincovertentesnasocieda- de: espiritual, cultural, social, político e econômico que absorveram os saberes (religião, filosofia, arte e ciência), fragmentando ainda mais o pensamento humano e gerando mais setores de aprendizado. Delimitaram-se fronteiras impenetráveis entre eles, descaracterizando o homem como produtor de co- nhecimento de síntese, levando-o a optar pela parte e negligenciar o todo. Geramos então a educação formal:dura,impositiva,submetidaaovalor“socio-econômico”eelasetornousinônimodaformação dohomemnasociedade. Ovalorsocial,porsuavez,vemcarregadodeumaideologiaquepretendeuniversalizarosinteresses de poucos para toda a sociedade. Assim, temos novamente a parte determinando o todo, exatamente ao contrário dos valores espirituais. Lembremos também que esta ideologia está calcada nos valores materiais,econômicosquesealimentamdasdesigualdadesedoseparatismo. Retomando,temosumaeducaçãoqueatendeaosinteressesideológicosdaeconomiaquedominaa política.Pergunto:seráqueaeducaçãonosmoldesatuaistembuscadoformarouformataroindivíduo? Nós seres espirituais subvertemos a ordem natural destas vertentes que deveria ter o espiritual no alto, comomaiorvalorenãoaeconomia. Devido a esta inversão, a educação contemporânea não tem o espiritual e o cultural como estrutura, mascomoadereços.Aculturarequeralteridade,oreconhecimentoerespeitoporoutrasformasdesere istosetornaimpossívelemumasociedadequebuscaaculturademassa,aunificaçãoamorfa,aomesmo tempoemqueincentivaoegocentrismoeacompetição.Denossaparte,enfatizamososvaloresespiri- tuaiscomocontrapartenecessáriaparareequilibraromundodehoje.Nãonosreferimosàsreligiões,os valores espirituais se encontram em todas elas mas também além delas, nas pessoas que desenvolvem umaformaéticadeveravidaeosoutros.Osvaloresespirituaispodemsertraduzidosemigualdade,fra- ternidade,liberdadeereconhecimentodaalteridadeentretodososhomens.Ummodomaisespiritualde existência resultará em transformação de valores, sejam eles culturais, étnicos, geográficos, filosóficos, artísticos,científicosetambémreligiosos,resgatandoahumanidadecomounidadeemnívelplanetário. Aeducaçãoémuitomaisqueasimplestransferênciadeconteúdosdedisciplinasouqueosprocessos mecânicosdereproduçãodoconhecimento.Naeducação,oemissoreoreceptordevemsercompreen- didoscomohorizontesquesefundempararealizarumapercepçãorenovadadaexistência.Aeducação está afeta aos estados espirituais, à própria compreensão de si-mesmo. Cabe a cada um o esforço con- tínuo de reeducar-se constantemente, buscando valores que possibilitem a evolução constante. Nesse novocenário,asdisciplinasdoconhecimentotradicionaldeixarãodeserumaformadeaprisionamento damenteparasetornaremosapoiosnecessáriosdocaminhoparaarealizaçãohumana. Maria Elise G. B. M. Rivas PorumaeducaçãoespiritualNessa terceira edição, o JBU focaliza o tema da educação em geral, o ensino religioso e a espiritualidade como fa- tor crucial para a formação dos valores humanos. A Umbanda tem um aspecto pedagógico de alta relevância que ainda está por ser explorado e nosso objetivo nesse número é abrir esse debate. Muitas questões foram levantadas como, por exemplo, se nós umbandistas concordamos ou não com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que prevê o ensino religioso facultativo nas escolas públicas. Se, por um lado, acreditamos na espiritualidade como valor que nos proporciona evolução, por outro somos cientes das questões ideológicas e das forças políticas das religiões dominantes que pretendem fazer do en- sino religioso o palco de seu proselitismo. Também abordamos a importante questão da educação ambiental e a contribuição que podemos dar. Apesar de va- lorizarmos a natureza como um manifestação dos Orixás e a considerarmos como templo vivo para a nossas práticas espi- rituais, muitos acusam os umbandistas de poluir a natureza ao realizar oferendas e deixar materiais não-biodegradáveis nos sítios vibratórios. Esse problema deve ser trazido para dis- cussão em nossos terreiros-templos para que nosso comporta- mento seja nada menos que exemplo de consciência ecológica e harmonia com a natureza. Aparticipação da Umbanda na política também foi aborda- da nesse JBU em função do debate em torno do papel da mí- dia na divulgação da liberdade religiosa e dos veículos de co- municação que podem, e são, ilegalmente usados como meios para incentivar a discriminação contra religiões minoritárias. Enfocamos igualmente o papel das ideologias na questão da discriminação e da intolerância religiosa. Sabemos que uma ideologia se mantém preponderante por tornar mais fácil a vida daqueles que se comportam de modo a reforçar os va- lores existentes e por dificultar a vida dos que procuram uma mudança estrutural. Aí reside talvez a principal função da dimensão pedagógica da Umbanda e talvez a mais ingrata. Nós, umbandistas, somos discriminados e relegados à periferia, quando não totalmente excluídos da sociedade, justamente porque divulgamos valo- res quase diametralmente opostos aos vigentes. Ainda que respeitemos o corpo e não neguemos nossa ma- terialidade, procuramos viver de modo que a espiritualidade seja nossa meta e os bens materiais apenas uma parte dos meios para chegar ao nosso objetivo. Já a ideologia dominan- te atribui aos bens materiais a principal razão de ser e a medi- da do sucesso para a maioria das pessoas. Nós, umbandistas, acreditamos que essa postura é a principal geradora da misé- ria, da fome e da morte no planeta pois o individualismo e a competição favorecem a concentração de riquezas e induzem as multidões à pobreza e suas conseqüências. Karl Marx proclamou que a dialética de Hegel estava cor- reta, mas estava de cabeça para baixo. Segundo ele, Hegel havia errado ao sustentar que o processo dialético partia das idéias e após modificações recíprocas por meio do contato com o mundo material alcançava uma síntese. Para Marx, a força primária que movimentava a dialética do homem em sociedade seria o poder econômico e nunca se chegaria a uma síntese. Em função da economia tudo se modificava e sobre ela se construía a luta de classes e a própria concepção de Estado. Como solução, o autor de O Capital propõe uma re- volução para subverter a ordem e dar poder ao proletariado. Esperava, assim que com o tempo a alienação e a mais-valia deixassem de existir, todos tivessem acesso aos bens sociais e o Estado se tornasse obsoleto. Em última instância, Marx tentara recuperar o valor humano perdido. A Umbanda caminha, de certo modo, em consonância com Marx ao ensinar que os bens materiais não deveriam ser mo- tivo de distinção entre as pessoas. Estaríamos muito melhor se soubéssemos dividir nossas riquezas e eliminássemos a pobreza do mundo. Mas vamos ainda além do idealizador do comunismo. Lutamos também para inverter a escala de valores vigentes, mas pensamos na espiritualidade como o principal valor da existência. Hoje temos o valor econômi- co determinando o político, esse o social, depois o cultural e, por fim o espiritual. Mas nós desejamos que primeiro venha o espiritual, então o cultural como respeito à diversidade, o social como valor humano, o político como meio para conci- liar os interesses divergentes e o econômico como ferramenta do progresso. Para conseguir realizar essa tarefa hercúlea, precisamos contar com esforço, persistência e com a capacidade de reali- zar essa transformação primeiro em nós mesmos. A educação na Umbanda serve justamente a isso. Ela se realiza com o contato com nossos ancestrais na experiência e na vivência ritual templária. Cabe então a nós todos sermos multiplicado- res e professores de uma nova visão de mundo, cheia de paz e felicidade a todos. Roger T. Soares – Araobatan – Editor JBU Pedagógicos Conheça a Umbanda em sua profundidade e aprenda também filosofia, política, sociologia, botânica umbandista, outras tradições religiosas e muito mais. Av. Santa Catarina 400 - VilaAlexandria próximo aoAeroporto de Congonhas CEP-04635-001 - São Paulo - SP fone: (55 11) 5031-8852 faculdade@ftu.eu.br VESTIBULAR – 2008 INSCRIÇÕES: 05 de novembro de 2007 a 20 de dezembro de 2007 07 de janeiro de 2008 a 20 de fevereiro de 2008 PROVAS: 23 de fevereiro de 2008 e 24 de fevereiro de 2008 Horário: 13h às 17h ATENÇÃO! INÍCIO DAS AULAS 10 de março de 2008 MAIORES INFORMAÇÕES (55 11) 5031-8852 EDUCANDO PARA UMA CULTURA DE PAZ
  • 3.
    -setembro/outubro 2007JornalBrasileirodaUmbanda Etimologicamente, Educaçãovem da raiz educere que podemos in- terpretar de forma aproximada como “extrair de dentro”. Não parece es- tranho que nos dias atuais o que mais se tem feito com nossos filhos é jus- tamente o contrário quando falamos em educá-los? ou seja, procuramos “empurrar para dentro” deles uma série de valores morais questionáveis, de acordo com os nossos interesses pessoais ou de interesse de nossa so- ciedade opressora? É como se nossos filhos fossem um grande recipiente vazio que precisa ser preenchido com uma infinidade de informações, sem ao menos nos preocuparmos se essas informações são conflitantes entre si ou se são de caráter restrito no tempo e no espaço. Ajustando nosso foco, percebemos que assim também fomos “educados” e assim estamos reproduzindo esse modo emprestado de perceber a rea- lidade. Podemos entender um pouco melhor agora o motivo da insatisfa- ção de muitas pessoas, afinal acaba- mos nos tornando algo que desconhe- ce ou negligencia algo maior e mais profundo, aquilo que está dentro de nós e ficou encoberto pelo que veio de fora para dentro. Existe em nós uma essência espi- ritual ancestral que sabe o que preci- samos para sermos melhores e mais felizes, esses valores estão baseados em princípios éticos não restritos ao tempo e ao espaço e que têm como base o bem, o bom e o justo, seja nos aspectos individuais ou coletivos. Essa essência espiritual entende os ciclos do ir e vir ao mundo da matéria e sabe definitivamente o que é eterno e o que é impermanente, não se ape- gando a esse último por entender que isso gera o sofrimento. Voltando à questão inicial, perce- bemos que a verdadeira Educação deveria ter seu enfoque voltado então para permitir à pessoa exteriorizar os valores e atributos do espírito que todos já possuem internamente e que estão ocultos e/ou adormecidos. Não se trata aqui de alguma forma de ina- tismo, ou aquilo que se costuma cha- mar “vocação”... A Umbanda atua de maneira a res- gatar a forma original do que seria a Educação. Vejamos: Para que exista uma perfeita simbiose entre o mé- dium e o mentor, é fundamental que o médium realize um mergulho em suas bases conscienciais e conheça seus valores e princípios em nível mental, astral e físico para que no contato com o plano espiritual possa iden- tificar o que “é seu” e o que “não é seu”. Esse contexto, resume de forma vivencial o que seria um processo de auto educação uma vez que procura reconhecer e extrair o que existe den- tro de si para interpretar e vivenciar no dia a dia de atividades no Terrei- ro. As vezes entendemos isso apenas como experiência de vida... Dentro de um outro aspecto, ve- mos também que a Umbanda foca seu trabalho na questão do “ser” que exis- te e que sofre de alguma forma. Não faz diferença para ela outros valores agregados como cultura, raça, credo e outros. Para que possamos reconhecer o real valor do ser que sofre, precisa- mos ver em nós mesmo e identificar em nós mesmos o que nos gera o so- frimento e o que pode levar ao outro ao sofrimento. Isso ninguém nos ajuda a identificar... simplesmente sabemos pois é algo que já está dentro de nós. Por isso num Terreiro de Umbanda o que vale não é o número de diplomas ou a quantidade de informações que se armazena, mas sim a capacidade de tirar o melhor de si mesmo para seu crescimento como pessoa e ao mesmo tempo auxiliar o outro a passar pelo mesmo processo de descoberta. E isso não é só na teoria, mas principalmen- te na prática. Se esse processo é mais lento com uns e mais rápido com ou- tros, o que importa? Se pela processo de educere podemos nos reconhecer como seres eternos? Sérgio ???? / CONUB-MG Um meio para o desenvolvimento do ser O papel da Umbanda na educaçãoAmbiental EDUCAÇÃO Apreocupação com o direito de todos a um meio am- biente saudável é expressa na Constituição Federal que determina em seu artigo 225 que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Ainda neste artigo, no Parágrafo I, inciso VI, a CF deter- mina que “Incube ao Poder Público promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do Meio Ambiente”. Desta forma, a Constituição Federal deixa claro que assim como temos o direito resguardado por lei, temos também deveres para tornar possível a manutenção destes direitos. A Lei Federal nº 9.795, de 27 de abril de 1999, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e determina que cada estado deve elaborar sua Política Estadual de Educa- ção Ambiental. De acordo com esta Lei, incumbe “à sociedade como um todo, manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solu- ção de problemas ambientais.” A educação ambiental pode ser formal, realizada nas ins- tituições de ensino, ou não-formal, fora da escola utilizando diversos métodos direcionados para determinado público alvo. De acordo com o art. 13 desta Lei, “entendem-se por edu- cação ambiental não-formal as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente.” Neste contexto entra a umbanda, que com sua função social e sua dependência direta dos recursos naturais para a realização de seus rituais, é também responsável pela di- fusão da educação ambiental devendo desempenhar o papel de Guardiã da Natureza. Como então desempenhar este papel? Através da cons- cientização do povo de umbanda e do respeito às leis am- bientais. Para tal, é necessário que sejam promovidas ações de educação ambiental que para serem efetivas devem ser adaptadas às situações vividas nas atividades relacionadas aos rituais e oferendas de umbanda. De acordo com a UNESCO podem ser utilizadas diversas estratégias dependendo da ocasião e do objetivo. Algumas delas podem ser adaptadas para aplicação nos terreiros, como debates, mutirões de idéias, questionários, reflexões e exploração do ambiente local. O MIR (Movimento Inter Religioso do estado do Rio de Janeiro) através de Maria das Graças de Oliveira Nascimen- to em parceria com Flávia Pinto (Centro Espírita Casa do Perdão), Pedro Miranda (UEUB) dentre outros parceiros, vem promovendo ações neste sentindo. Em abril, foi reali- zada uma reunião na sede da prefeitura do Rio de Janeiro com a participação do governo do estado, com representan- tes do Instituto Estadual de Florestas - IEF, do responsável por um Parque Estadual e de Lara Moutinho, Superintende de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro Nesta reunião foi discutido o direito e a dependência da utilização dos recursos naturais pelas religiões e grupos que cultuam a natureza. Foi apresentado o Questionário elaborado em plenárias do MIR para que os responsáveis pelos terreiros devolvam preenchidos permitindo, através de análise das respostas, conhecimento mais efetivo das necessidades dos terreiros, assim como dos resíduos gerados por eles. Com base nos dados obtidos, serão elaboradas e propos- tas estratégias de abordagem que possam orientar e auxiliar o povo do santo na realização de suas atividades ritualísticas e de oferendas, para que possam atuar de forma a preservar e respeitar o meio ambiente e as Leis referentes a ele. O preenchimento do questionário, pelos responsáveis pe- los terreiros em todo o Brasil é fundamental. Quem estiver interessado em participar das ações que vêm sendo reali- zadas no Rio de Janeiro ou mesmo em conhecê-las mais profundamente para promovê-las nas regiões onde estão alocados pode entrar em contato com Maria das Graças do MIR ou entrar em contato com o CONUB-RJ. Outra iniciativa no sentido da utilização de espaços am- bientais pelos umbandistas foi a de criação do vale dos Ori- xás, espaço que tem recebido milhares de visitantes entre umbandistas, simpatizantes e curiosos inclusive de outros países. Nesse sítio ecológico, exclusivamente destinado às práticas ritualísticas de Umbanda, os adeptos realizam suas oferendas de maneira segura e contam com uma equipe de trabalhadores que mantêm a natureza local A Solução em Hospedagem de Sites - Qualidade e Economia. Com equipamentos de última geração, sistema operacional LINUX, servidor APACHE, a Byhost oferece um serviço profissional de qualidade e preços reduzidos. A BYHOST - HOSPEDAGEM DE SITES oferece soluções em hospedagem de sites para pequenas, médias e grandes empresas, faça seu cadastro agora mesmo. 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    Programação de Atividadespara o Mês: OCONUB, Conselho Nacional de Umbanda do Brasil é uma organização sem fins lucrativos que visa congregar os praticantes da Umbanda por todo o país. Atualmente estamos presentes em 21 estados da federação e mobilizamos pela internet e reuniões presenciais, milhares de templos de Um- banda de todo o Brasil. Pelo trabalho do CONUB, cada vez mais se fortalece a identidade umban- dista. Cada vez mais os umbandistas participam ativamente da sociedade e manifestam seus inte- resses políticos, econômicos, sociais e culturais segundo seus preceitos espirituais. Nossa intenção não é fazer proselitismo, mas trabalhar contra o preconceito para permitir que as pessoas tenham a liberdade de serem umbandistas. Cabe destacar aqui que o CONUB – Conselho Nacional de Umbanda do Brasil foi criado em 2005 nas dependências da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista, situada em São Paulo. A idealização desse conselho deve ser creditada a Francisco Rivas Neto, médico cardiologista, sa- cerdote e escritor umbandista responsável também pela única faculdade de Umbanda do país e autor de várias obras de referência no meio. Das 94 fa- culdades de teologia credenciadas pelo Ministério da Educação atualmente, apenas uma não é da tra- dição cristã (católica ou protestante). Essa é a FTU – Faculdade de Teologia Umbandista. Para conseguir proporcionar um ensino supe- rior de qualidade em Teologia, realizar projetos de responsabilidade social e promover a pesquisa e extensão, a FTU conta com a ação de umbandistas que realizam trabalho voluntário como funcioná- rios e professores com nível de pós-graduação. A FTU oferece bolsas de estudos a 60% de seus alu- nos, confirmando seu compromisso em aumentar o acesso dos brasileiros ao ensino de nível superior. Para falarmos do tema principal que nos traz à presença dos ilustres parlamentares, qual seja “o papel da mídia na liberdade de expressão das minorias”, devemos antes situar nosso ângulo de visão aos presentes contando um pouco da história da Umbanda. Quem sabe o que é Umbanda? Quantos se sen- tem confiantes para dizer o que a Umbanda é ou o que ela não é? Lembremos que da falta de informação se cons- trói a desinformação e sobre a desinformação, que é a visão distorcida da realidade, se assenta o pre- conceito! Começaremos contando o que a Umbanda não é para, desde já, contradizer as percepções pre- conceituosas que habitam o imaginário coletivo. A Umbanda NÃO é baixo espiritismo, termo esse pejorativo utilizado historicamente no Rio de Janeiro e depois no país inteiro para depreciar a Umbanda. Assim como a igreja católica reali- zou um mea culpa por sua passividade diante do holocausto do povo judeu, esperamos nós um- bandistas que o tempo se encarregue de estimular atitude semelhante da parte daqueles que promo- veram a difamação da Umbanda com o intuito de se manterem atuantes em uma época em que se proibiu as manifestações espiritualistas. AUmbanda NÃO é macumba (que, por sinal, é um termo que apenas designa um tipo de tambor africano), não é bruxaria, feitiçaria nem qualquer outro tipo de prática mágica que vise o malefício e agressão a outrem. Se há aqueles que procuram a Umbanda e outros cultos afrodescendentes para praticar a violência espiritual, NÃO é na Umban- da que logram êxito em seus objetivos funestos. Na nossa prática só há espaço para o Bem e não praticamos morais dúbias, nem hipocrisia entre a palavra e o gesto. Temos nossos valores que não são exatamente os mesmos de outras tradições, mas eles são claros, transparentes e abertos à discussão porque se norteiam pela ética, o funda- mento primeiro dos códigos morais. AUmbanda NÃO ensina a seus adeptos a fazer barganhas com Deus ou qualquer outra manifesta- ção do Sagrado, tais como as entidades ancestrais que se manifestam na mediunidade. A Umbanda NÃO prega uma teologia da prosperidade, mas sim uma teologia da felicidade que não se resume à posse de bens materiais. Para nós, a matéria é o meio e o ser humano é o fim, nunca o contrário. Se há religiões que estimulam a barganha com o sagrado e procuram retorno financeiro através desse comércio, cabe a cada um ter o discerni- mento e responder por seus atos. A Umbanda NÃO é demoníaca, não prega o mal. Na verdade as religiões dominantes têm uti- lizado a prática de demonização de outros cultos desde os tempos do Brasil-colônia, repetindo uma postura de algumas grandes religiões em seus iní- cios. Assim quiseram fazer do Yurupari indígena e do Exu africano as personificações do mal, para combater a prática religiosa não-católica. Contu- do vivemos em um país democrático e devemos aprender a conviver na pluralidade cultural e religiosa. Já devemos ter a maturidade para que cada religião afirme sua identidade sem precisar negar a das demais. Da mesma maneira, é preciso dar um voto de confiança ao discernimentos dos adeptos para que escolham aquilo que melhor re- presenta suas expectativas espirituais. Após essa primeira explicação, vejamos agora um pouco do que a Umbanda realmente é: A Umbanda É a única religião legitimamente brasileira. Surgiu no Brasil há aproximadamente um século e se formou a partir das contribuições das culturas africanas, indígenas e indoeuropéias. Acredita em uma divindade-suprema, denomina- da Zamby, Tupã ou Deus, em potestades divinas chamadas Orixás que representam a Divindade- suprema e nos Ancestrais Ilustres que são os es- píritos que se manifestam nos templos através da mediunidade. A Umbanda preserva a cultura brasileira, suas raízes étnicas e, principalmente, revaloriza a pre- sença e o papel do mestiço brasileiro na nossa história através da figura dos caboclos de Um- banda. Também o uso popular medicinal da flora brasileira é transmitido de geração em geração pela tradição oral umbandista. A Umbanda acredita que todas as religiões são formas de se realizar uma conexão com o Sagra- do. Todas as religiões são dignas de respeito e importantes porque atendem às várias formas de ver a vida, essa diversidade é inerente aos seres humanos. Na Umbanda há diversas maneiras de se realizar os ritos e transmitir a sabedoria espi- ritual. Essas linhas de transmissão espiritual são denominadas escolas umbandistas e são todas igualmente importantes para o panorama geral da Umbanda. AUmbanda é considerada uma unidade-aberta. Sua doutrina está em constante atualização, não há dogmas nem conceitos absolutos e definiti- vos. Como unidade-aberta, além de harmonizar os aspectos da pluralidade cultural e espiritual, a Umbanda se preocupa em manter um diálogo ativo e buscar uma síntese entre ciência, filoso- fia, religião e arte. A Umbanda é uma doutrina de síntese. A Umbanda acredita que o princípio espiri- tual, adimensional e atemporal, manifesta-se no universo material que é transitório e mutável. Acredita-se nas reencarnações como meio para a evolução da consciência espiritual e no enca- deamento das ações que permite ao ser humano antever as consequências de seus atos e assumir uma atitude responsável perante a vida. A Umbanda acredita que a natureza é uma manifestação do Sagrado e ensina uma postura ecologicamente correta a seus adeptos. Além da necessidade de preservação dos recursos naturais do planeta para a manutenção da vida, acredita- mos que o contato direto com a natureza é fun- damental para o desenvolvimento de um senso de espiritualidade que enxerga todas as realidades existentes como interdependentes. A integração do ser com o cosmos se inicia através do contato respeitoso com a natureza. Além dos aspectos acima citados, muitos ou- tros poderiam ser levantados para elucidar o va- lor da doutrina umbandista e sua sintonia com as propostas de cultura de paz almejadas por todo o mundo. Todavia, já é possível perceber como a mídia, muitas vezes comprometida com o inte- resse de grupos exclusivistas, pode se tornar um instrumento de disseminação da intolerância e da discriminação. No centenário da Umbanda, nossa comunidade espera que o governo brasileiro apresente-se de maneira mais ativa no sentido de garantir o direito das minorias e a pluralidade cultural existente no país. Os veículos de comunicação que dependem de concessão do Estado para o funcionamento de- vem ser permanentemente fiscalizados pelo poder público para coibir as práticas de difamação e de- monização de que têm sido alvo a Umbanda e as religiões afrobrasileiras. Do mesmo modo, acre- ditamos que o Estado deve evitar a realização do ensino religioso confessional nas escolas públicas de todo o país, impedindo que a escola torne-se um espaço de disputa entre as várias religiões em busca de prosélitos. Por fim, nós umbandistas queremos contribuir com o crescimento do Brasil que, a nosso ver, não deve ser apenas o crescimento econômico a qual- quer custo, mas deve significar possibilidades de desenvolvimento também político, social, cultu- ral e espiritual. Nossos votos de paz e felicidade a todos. CONUB e seus parceiros Mídia e diversidade religiosa CONUB EM BRASILIA O texto abaixo, produzido com o apoio da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista, foi distribuído aos parlamentares e autoridades presentes na Audiência Pública sobre “Mídia e Diversidade Religiosa” na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara dos Deputados de Brasília em 21/11/2007. Leia na íntegra o que levamos à capital brasileira. TEMPLO DE OXOSSI -setembro/outubro 2007 JornalBrasileirodaUmbanda Considerada como Sociedade de Utilidade Pública pelo Decreto Lei 1599 de 1965. 2ª feiras: Corrente de Magnetização com Passe eAtendimento pelos Pretos Velhos, a partir das 19:30 hs 4ª feiras: Corrente de Harmonização com Passe eAtendimento pelos Caboclos, a partir das 19:30 hs 2º Domingo do Mês: Gira Mensal em Louvor aos Orixás, Caboclos e Pretos Velhos com Passe eAtendimento a partir das 16:00 hs 6ª feiras: Gira de Exu – 1ª e 3ª de cada mês: Corrente de Desobsessão, Passe eAtendimento, a partir das 19:30 hs. Trazer 1kg de alimento não perecível AV. DOM HELDER CAMARA, 6162 – PILARES/RJ TEL: (21) 2595-2242 www.templodeoxossi.org.br E-mail: templodeoxossi@uol.com.br Umbanda tem TV online! A Web TV Saravá Umbanda é uma iniciativa do NÚCLEO DE ESTUDOS ESPIRITUAIS MATA VERDE - TEMPLO DE UMBANDA, localizado na cidade de Santos/SP, na Rua 13 de Maio 8A. Acesse agora! www.tvsu.com.br
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    Deparamo-nos atualmente commais uma ques- tão polêmica e de interesse aos umbandistas do estado de São Paulo : o Ensino Religioso nas Esco- las Públicas. Para iniciar este assunto vou me referir à Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação que explicita: “O ensino religioso, de matrícula faculta- tiva, é parte integrante da formação básica do cida- dão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”. Temos aqui o primeiro ponto que muito interessa a comunidade Umbandista: a questão do respeito à diversidade religiosa em nosso país. Sabemos que vivemos em um Estado laico, no qual a religião deve constituir escolha de cada um. Porém quando o Es- tado abre espaço para o ensino religioso, ciente de que na constituição federal são atribuídos os exercí- cios sacerdotais a apenas três categorias religiosas: o Padre (sacerdote católico), o Rabino (sacerdote judaico) e o Pastor Protestante (sacerdote de confis- são evangélica), as demais religiões (Umbandismo, Kardecismo, Islamismo, Budismos etc.) correm o grande risco de ficarem à margem na participação de suas manifestações nos bancos escolares. No mí- nimo, corre-se o risco de se ignorar outras manifes- tações religiosas, fazendo com que a aplicação da lei abra o caminho para a intolerância religiosa (o que seria uma contradição para o que a própria lei determina). Apesar de termos a disciplina de ensino religio- so prevista na LDB, nada impede que a Umbanda discuta se essa é uma política de educação aceitável e mesmo legítima, considerando a questão da laici- dade do Estado. Pesquisadoras em educação e plu- ralidade cultural, como a Profa. Roseli Fischmann (Fe-USP) e outras instituições voltadas à defesa dos direitos das minorias posicionam-se contra o ensino religioso nas escolas públicas. A opinião da Umban- da, ainda não a temos. Caso viéssemos a concordar com esse ensino reli- gioso, a primeira luta a ser travada pela comunidade Umbandista seria a de ter voz e presença ativa para que a nossa bela religião fizesse parte da disciplina religiosa, não em caráter de propaganda, mas sim para que os jovens pudessem aprender os princípios da nossa crença e assim pudessem respeitá-la, crian- do uma nova geração livre de velhos preconceitos. Falei em luta primeiro, porque vislumbro um segundo ponto de discussão. Imaginemos que ven- çamos a batalha e consigamos incluir a Umbanda no panteão de religiões a serem abordadas na dis- ciplina. Haveria pessoas e materiais suficientemente preparados para falar e discutir a Umbanda com os jovens? Quem poderia ministrar as aulas: um sacerdote? Um especialista em religiões “afro-brasileiras”? Um antropólogo? Há pessoas suficientes para cobrir todas as escolas? Como apresentar a diversidade existente na Umbanda? Qual material didático seria utilizado? Percebam que para sermos respeitados e ouvidos, precisamos da união, não somente no sentido de estarmos juntos, mas também ter um consenso so- bre o que queremos falar da Umbanda, quem está habilitado e que livro será utilizado. Neste sentido, entendo que entidades agregadoras, caso por exem- plo, o CONUB(Conselho Nacional da Umbanda do Brasil) tem papel fundamental na busca desse escla- recimento. Portanto entendo que os temas são intrinsicamen- te ligados, isto é, temos que lutar para que a Um- banda não seja esquecida ou relegada a uma nota de rodapé, teremos de levar a nossa proposta de linha a ser abordada, material didático e corpo docente. Só assim seremos ouvidos e não correremos o risco de ser ignorados, muito pelo contrário, seremos res- peitados pelas autoridades e pelos jovens que sabe- rão mais sobre nossa religião, respeitando-a (assim como devem respeitar a todas as crenças), tornando- se melhores cidadãos. *Administrador de Empresas e Mestre em Economia membro do Templo Escola de Umbanda Luz de Aruanda – TEU LAR - São Paulo – SP O ensino religioso nas escolas públicas.Aquem interessa? EDUCAÇÃO RELIGIOSA Este seria o ponto de partida para um amplo debate tendo em vista a diversidade religiosa do Brasil por Fábio Susteras* ARTIGOS RELIGIOSOS EM GERAL Agora em cinco endereços Novissima filial em Santo Amaro Av. Gal. Roberto Alves de Carvalho filho, 390 - Fone: 5521.0509 EM DIADEMA - Av. Nossa Senhora das Vitórias, 204 - Centro - Fone: (11) 4048.2526 NA ZONA SUL - Av. Cupecê, 5371 - Jd. Miriam (proximo ao Habib’s - Fone: (11) 5626.6947 NA ZONA LESTE - Av. Marechal Tito, 3722 - Itaim Paulista - Fone: (11) 6561.5025 EM MOGI - Av. Coronel Souza Franco, 619 - Centro - Fone: (11) 4726.1721 Variedades, preços imbatíveis e o melhor atendimento você só encontra aqui! -setembro/outubro 2007JornalBrasileirodaUmbanda A Umbanda, como religião universalista em sua essência, nos leva a ser pessoalmente contrários ao ensino religio- so de caráter confessional, como o que foi instituído no estado do Rio de Janeiro pelo então governador Anthony Garotinho através da Lei 3459/2000, de autoria do depu- tado Carlos Dias (PPB-RJ), que apresenta outros defeitos na forma e conteúdo que não abordaremos neste artigo. Defendemos, sim, a necessidade de um ensino religio- so, contudo um ensino não confessional, como previsto no Inciso II do Art. 33 da Lei 9394 de 20/12/1996 (LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), no sentido de estimular a vivência do Sagrado pelos alunos, desenvolvendo-lhes valores universais que auxiliem na construção de uma cultura de paz a partir da convivência pacífica e fraterna entre membros de diferentes religiões. Desenvolver no aluno o sentido da tolerância e do respei- to pelos valores universais contidos em qualquer religião é o sentido que entendemos ser o correto no tratamento do ensino religioso, para desta forma evitarmos o estímu- lo a uma cultura segregacionista, intolerante e promotora de desigualdades em todos os níveis, que possa elevar os níveis de violência de toda a sociedade. Além desses aspectos essenciais também temos a questão de que formamos uma minoria no cenário religioso nacio- nal, com possibilidades muito remotas de criar um corpo de professores capazes de ministrar ensino religioso um- bandista, e mesmo que conseguíssemos essa façanha, que forma de Umbanda seria ministrada aos alunos? Como levar adiante a idéia de um ensino religioso confessional sob a ótica umbandista, sendo a Umbanda uma religião plural, multifacetada, calcada na vivência e na escola de cada adepto, entendendo-se o conceito de “escola” aqui empregado como a tradição seguida por determina- do grupo?O ensino religioso precisa ser, antes de tudo, o ensino dos valores mais nobres do ser humano, aqui entendidos como valores do Sagrado, com base no con- senso entre as várias tradições religiosas por fazer parte da essência de todas elas, contribuindo assim de maneira firme e consciente para a construção de uma cultura de Paz, em que se estimule a convivência, o respeito entre todos, não importa que religião professe, qual seja sua raça, sexo ou condição social. O CONUB vem desenvol- vendo ações objetivas com o fim de contribuir para rever- ter realidades como a do Rio de Janeiro, como no dia 07 de novembro deste ano, na ALERJ, quando o Conselho participou de Audiência Pública sobre o novo projeto de Lei de autoria do Deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e FONAPER (Fórum Permanente do Ensino religioso), que visa transformar o modelo de ensino religioso con- fessional, vigente naquele estado. Nesse sentido preci- samos ficar alertas e trabalhar para que iniciativas como esta tenham andamento e alcancem seus objetivos, com isso estimulando iniciativas de mesma natureza em outras unidades da federação, garantindo a preservação de nossa identidade religiosa e ajudando na transformação social tão necessária para que sejamos respeitados por todos os setores da sociedade brasileira. Fernando Pinto A Umbanda e o ensino religioso nas escolas
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    BOTÂNICA UMBANDISTA -setembro/outubro 2007JornalBrasileirodaUmbanda Uso das plantas e o momento do movimento umbandista A experiência de utilizar os conhecimentos da ciência já tem produzido melhores resultado Os rituais umbandistas fazem uso freqüente de vegetais, essências odoríficas e elementos da natureza com finalidades mágicas-energéticas ou fi- toterápicas. Como a Umbanda encontra-se em cons- tante evolução, é importante refletir sobre a melhor forma de utilização desses elementos portadores de axé. É prática corrente entre os particantes médiuns ou não, colocar suas oferendas com os elementos vegetais nas esquinas das ruas; colher as plantas para uso no preparo de banhos, defumações, essên- cias e outras utilizações templárias ou pessoais em condições não tão favoráveis do ponto de vista da química, da botânica e mesmo no que diz respeito à magia. O conhecimento mais aprofundado das pro- priedades físico-químicas e biológicas das plantas pode evitar a realização de preparações na presença de luz ou de calor inapropriados. Certamente existe boa vontade e as melhores in- tenções de cada praticante ao buscar nos elementos da natureza as energias para o caminho espiritual. Observamos que em um município do estado do Rio Grande do Sul, umbandistas reservaram um local para colher e entregar suas oferendas à natureza, com o intuito de ser utilizado comunitariamente por vá- rios terreiros ou indivíduos. Perguntamos: é possível coordenar em um mesmo espaço físico as diferenças energéticas e ritualísticas existente entre os diferen- tes grupos, com suas práticas ritualísticas próprias? Por um lado, todos buscamos na pureza da nature- za o meio para a purificação de nossas energias nega- tivas. Por outro lado, temos que aprender a conviver harmoniosamente com todos os templos, mesmo com aqueles que não parecem ter, à primeira vista, muita sintonia vibratória conosco. Precisamos então encontrar pontos de congruência entre os grupos para que possamos aprender a nos conectar com a natureza enquanto coletividade umbandista. Não levando em conta, neste momento, os aspec- tos artísticos e exclusivamente religiosos da utiliza- ção das plantas (colocação das oferendas nas esqui- nas das ruas, por exemplo) proponho que reflitamos sobre alguns aspectos científicos do uso das ervas. A experiência de utilizar os conhecimentos da ci- ência para nortear uma prática umbandista conscien- te já tem produzido bens resultados, como no caso da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista. No espaço interno da faculdade, a disciplina de Botâni- ca Umbandista produziu quadros de exsicatas* das plantas vibradas pelos Orixás mais usadas em nos- so meio e os colocou à disposição da comunidade. Baseando-se na farta literatura de ordem espiritual e científica, os quadros fornecem informações seguras para a identificação e utilização de plantas, seus no- mes populares e científicos. Nesse caso em especial, foram utilizadas como re- ferência bibliográfica os materiais de apoio didático da FTU. Ali encontra-se fartamente fundamentada e explicitada a hora, dia e mês nos quais deve ser co- lhida uma planta para ser utilizada para as oferendas de qualquer espécie. Ainda, utilizando-se dos aspec- tos técnico-científicos apresentados nesta literatura, verifica-se que essa instituição de ensino prepara produtos (banhos concentrados, essências, incensos sem palito, por exemplo) para colocar à disposição da Assistência ou utilizar nos Templos, observando os devidos cuidados técnico na sua manipulação, tais como: as formas de colheita, secagem, preparo, conservação, embalagem, estocagem e tempo de va- lidade, além de outros, os quais ficarão para futura discussão. Qual a importância de cuidar dos aspectos técni- co-científicos preconizados pela ciência oficial na Botânica, na Farmacognosia, na Farmacotecnia e na Tecnologia Industrial? As substâncias-ativas (ou princípios-ativos) presentes nas plantas representam a concretização da vibratória dos Orixás no Reino Vegetal, significando que a sua presença nos vegetais ou nos seus preparados transfere este Poder dos Ori- xás para estes preparados. Alguns desses princípios ativos são sensíveis à luz e podem se oxidar, perden- do sua eficácia. Outros tem características voláteis e evaporam se secados sob calor. Há ainda aqueles que se concentram em partes determinadas das plantas, não sendo necessário destruir uma planta inteira para obter a parte que mais nos interessa. Há ainda questões de magia, sendo algumas ervas consideradas solares e outras lunares. Evidentemen- te, a colheita deve obedecer esses princípios, além da escolha da melhor fase lunar para seu corte. Em termos espirituais mais profundos, relacionam-se os principais elementos químicos periódicos presentes nos princípios-ativos vegetais com os quatro ele- mentos da natureza. O carbono (C) corresponde ao elemento terra(energia telúrica); o hidrogênio (H) ao elemento água (energia hídrica), o oxigênio (O) ao elemento fogo(energia ígnea) e o nitrogênio (N) ao elemento ar(energia eólica). A reação enzimática ou química desses elementos para constituir e servir de substrato à manutenção da vida vegetativa represen- ta, por conseqüência, a concentração do Poder dos Orixás. A colheita, a secagem, a manipulação, a conser- vação, a embalagem e a estocagem das plantas e os produtos preparados com elas deveriam ser realiza- dos sob a orientação de estritos aspectos técnico- científicos, além dos aspectos filosófico-religiosos, para que seja mantido este Poder nos preparados pela presença dessas substâncias-ativas durante todo o seu processo de manipulação. Não cabe aqui a discussão dos aspectos religiosos e artísticos, os quais correspondem à realização de rituais e orações próprias a cada escola umbandis- ta, no momento da colheita e do processamento das plantas. Mas salientamos que há inclusive sacerdotes especificamente preparados para lidar com os aspec- tos mágicos das plantas. Na tradição de origem afri- cana, esses iniciados são denominados olossain ou babalossain por conhecerem os segredos de Ossain. Assim, a coleta ou colheita, um dos passos mais importantes para se trabalhar com as plantas, rea- lizada de forma inadequada, pode levar ao uso de plantas que não contém as substâncias-ativas (Poder dos Orixás na sua plenitude) que produziriam os efeitos desejados, porque realizada fora do período de maior concentração do princípio-ativo requerido. A secagem de forma inadequada pode acarretar a de- gradação física (por termolabilidade, por exemplo) ou química (reação indesejada entre componentes do vegetal) daquelas substâncias.Amanipulação de for- ma errônea pode inativar física (por termolabilidade, por exemplo) ou físico-química (pH inadequado, por exemplo) microbiológica (contaminação microbia- na, por exemplo) ou química (adição de componen- tes contaminados, por exemplo). Neste último caso, o da contaminação química, é comum o produtor despreparado utilizar álcool (álcool etílico ou etanol) comercial ou industrial, produzido, propositalmente, conforme legislação federal, com metanol, sabida- mente hepatóxico (tóxico para as células do fígado). Além disto, seu conteúdo em metais pesados (chum- bo e arsênio) não condiz com os níveis apropriados para consumo humano. É comum o preparo de perfumes (preparados a partir de essências ou óleos essenciais) com este mesmo etanol, que contém chumbo, o qual reage com componentes das essências, inativando-os, des- ta forma também retirando do óleo essencial os prin- cípios-ativos que determinariam o uso do perfume. Além desta forma errônea de preparo, deparo-me, constantemente, com óleos essenciais que contém água, caracterizada por gotículas no seio do óleo ou por estar separada em outra fase, no fundo do frasco continente. Esta água, advinda do etanol utilizado ou porque os preparadores imergem folhas verdes (contendo água por sua natureza) nos óleos para “fortalecer” a preparação, pode alterar o pH da es- sência, inativando substâncias-ativas ou propiciando sua contaminação microbiana por exposição ao ar ou manipulação inadequada. Outro exemplo que pode ser citado é o preparo de chás ou banhos com o cozimento (decocção) de folhas e flores o qual leva à inativação de determina- dos princípios-ativos por exposição ao calor excessi- vo (termolabilidade) ou a preparação de infusos de partes do caule, raízes ou sementes duras, forma esta que não extrai eficientemente as substâncias-ativas desejadas. Ainda podemos menciona a colheita e o uso da famosa e muito utilizada arruda [Ruta graveolens spp Linné, as arrudas macho e fêmea, como são de- nominadas popularmente (Figura 5)] durante o dia ou à noite, durante as luas nova-crescente ou cheia- minguante, nos meses de junho-julho ou agosto-se- tembro. Dependendo do período da colheita, o equi- líbrio entre flavonóide/heterosídeo [composto ativo (aglicona)/forma latente] quercetina (Figura 1)-quer- citrina (Figura 2)/rutinose (Figura 3)-rutina (Figura 4) para citar o(s) princípio(s)-ativo(s) principal(is) apresenta-se em maior ou menor concentração. A manipulação de forma inadequada, por sua vez, pode inativar os flavonóides por redução da função lacto- na ou oxidação das funções hidroxila. Levar em con- sideração estes aspectos científicos já corroborados pela ciência oficial é de primordial importância para colocar os umbandistas no caminho da importante e inevitável interligação entre a ciência, a filosofia e a religião. Não é à toa que as plantas devem ser culti- vadas, colhidas e manipuladas nos horários próprios, segundo critérios técnico-científicos. É, por estas poucas considerações aqui realizadas, que a inobservância destes critérios nos leva à consi- deração de que devemos buscar o conhecimento da técnica para manipular os vegetais de forma adequa- da para produzir os resultados esperados no âmbito da terapia preconizada para a prevenção, tratamento e cura das doenças astrofísicas diagnosticadas nos Terreiros de Umbanda. Evidentemente, não podemos pensar de maneira reducionista achando que as propriedades vibrató- rias espirituais são apenas uma função dos princípios químicos ali existentes. Se assim fosse, a produção artificial dessas substâncias seria até melhor que o uso da planta em si, o que não é verdade. Também não podemos desqualificar o valor da sabedoria po- pular e do conhecimento tradicional que muitas ve- zes tem sido até orientador de novas descobertas para a ciência. É preciso saber associar positivamente o conhecimento espiritual com a ciência e compreen- der que assim como a ciência está em constante re- volução, também o conhecimento espiritual deve ser continuamente revisto e aperfeiçoado. Portanto, é louvável e oportuna a proposta da FTU de união dos adeptos e dos Sacerdotes e Sacerdoti- sas umbandistas em torno do conhecimento sólido a respeito do seu campo de trabalho: a caridade espi- ritual dignificada pelo uso acertado da ciência e da filosofia. Ao mesmo tempo, mostra-se relevante o trabalho atualmente desenvolvido pelo JBU e por vários ou- tros irmãos umbandistas do país, no sentido de mos- trar que a Umbanda e os umbandistas não são prati- cantes de subcultura científica e filorreligiosa, mas sim atentos e interessados no progresso espiritual e material do nosso planeta. Ricardo da Rocha Pereira CONUB/RS RUA BARAO DE JAGUARA, 1164 - CENTRO CAMPINAS - São Paulo Telefone : (19) 3232-2088 AVENIDA IGUATEMI, 777 LJ 1 PI 1 - VILA BRANDINA CAMPINAS - São Paulo Telefone : (19) 3255-6901 AVENIDA PROJETADA LESTE, 500 - JD STª GENEBRA CAMPINAS - São Paulo Telefone : (19) 3208-0583 AVENIDA JOHN BOYD DUNLOP, 350 LJ 37 - VL TEIXEIRA CAMPINAS - São Paulo Telefone : (19) 3243-7872 e mais ampla rede por todo o país
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    21/11/2007 - Brasília- CONUB participa de Audiência Pública sobre “Mídia e Diversidade Religiosa” na Comissão de Direitos Humanos e Mi- norias na Câmara de Deputados O Em Audiência Pública sobre “Mí- dia e Diversidade Religiosa”, realizada nesta quarta-feira (21/11), na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, o presidente do Conselho Nacional da Umbanda no Brasil - CONUB, Mestre Aramaty (Pai Ramos), reivindicou a efetiva atuação de parlamentares e do Ministério Pú- blico no combate ao preconceito contra a Umbanda e outras religiões. “A vio- lência religiosa é um desrespeito à di- versidade e à diferença”, afirmou. “Da falta de informação se constrói a de- sinformação e sobre a desinformação, que é a visão distorcida da realidade, se assenta o preconceito”, disse Mestre Aramaty, citando como exemplo desse preconceito as acusações de que a Um- banda é um “culto demoníaco” ou um “baixo espiritismo”. “Não é nada disso, obviamente”, defendeu. A Audiência foi sugerida pelo CONUB e requeri- da pelo presidente da Comissão Dep. Luiz Couto, como reação à pesquisa da Datafolha que revelou um expressivo índice na manifestação do preconceito religioso ao apontar a Umbanda como demoníaca. Durante o debate, o representante da Iniciativa das Religiões Unidas (URI), Elianildo Nascimento, defendeu a cria- ção de um marco legal para combater o preconceito religioso difundido em rá- dios e TV, que são concessões públicas, conforme lembrou. Ele sugeriu a for- mação de um Conselho da Diversidade Religiosa, para discutir as diversas situ- ações que dizem respeito às religiões e elaborar o marco legal da diversidade. Elianildo acusou a mídia de refletir questões equivocadas sobre as diversas religiões. “O respeito às expressões da individualidade é um dos direitos hu- manos, mas os preconceitos estão arrai- gados na sociedade”, lamentou. Contrapondo o representante da URI, o deputado Luiz Couto (PT-PB), presidente da Comissão, disse que o parlamento não deve se preocupar em estabelecer um marco regulatório con- tra o preconceito religioso na mídia, conforme foi solicitado na audiência pública. “O Estado não pode interferir na religião, e um marco desses poderia significar uma espécie de conversão à religião. As pessoas que não são reli- giosas devem ser respeitadas”, argu- mentou. Na seqüência, o presidente do Con- selho Nacional da Umbanda do Brasil (Conub), Mestre Aramaty (Pai Ramos), lembrou que os veículos de comunica- ção dependem de concessão do poder público, por isso devem ser fiscalizados para evitar práticas discriminatórias contra religiões, em especial a Umban- da. Um dos participantes do debate, o Secretario Especial dos Direitos Hu- manos, Perly Cipriano, propôs a busca do diálogo com a mídia, destacando que não seria ideal impedir programas religiosos. “Somente a união entre os poderes públicos e as diversas religiões poderia levar à mobilização para mu- dança da cultura no País”, acredita. Ci- priano também defendeu a introdução da temática da diversidade religiosa na agenda do Mercosul. Já a procuradora federal dos Direi- tos do Cidadão, Ela Wiecko Castilho, afirmou que não acredita na concessão, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de direito de resposta às religiões afro- brasileiras. Ela observou que o recurso só seria concedido em ações penais. A intervenção da procuradora foi feita a propósito do direito de resposta obtido, em 2003, em primeira instância, numa ação civil pública contra a Record e a Rede Mulher, ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus. E que foi contestado pelas emissoras, em recurso apresenta- do ao STJ. Ela Castilho apontou a ne- cessidade de se buscar estratégias para sensibilizar os difusores sobre o tema. “As TVs públicas têm mais facilidade de promover diversidade religiosa”, sugeriu. Ela citou várias situações de preconceito contra as religiões afro- brasileiras, entre elas a depredação de imagens de orixás em Brasília. Mestre Aramaty (Pai Ramos) ressal- tou a existência da Faculdade de Teo- logia Umbandista - FTU, devidamente credenciada e autorizada pelo Ministé- rio da Educação, como grande marco no processo de valorização da Umbanda e reversão deste quadro de preconceito. 15/11/2007 - Rio de Janeiro - CO- NUB-RJ organiza com a UEUB uma Grande Gira de Confraternização em reconhecimento aos 99 anos de Um- banda. O CONUB (Conselho Nacional da Umbanda do Brasil) organizou junto com a UEUB (União Espiritista de Um- banda do Brasil) uma Gira de Confra- ternização em reconhecimento aos 99 anos de Umbanda. Antes da Gira propriamente dita, foi apresentado um fragmento da peça te- atral “O laço dos 100 anos”. Esta peça procura demonstrar a história de diver- sas escolas umbandistas que auxiliaram na construção do nosso movimento re- ligioso. Neste dia, o grupo teatral pro- curou retratar a história do início da ca- minhada espiritual de Zélio Fernandino de Moraes uma vez que o corpo medi- único da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (TENSP) estava presente e este fato marca o início oficial da nossa religião em solo brasileiro. Logo em seguida, a Gira foi iniciada com a convocação dos templos e ten- das umbandistas convidados. Além da TENSP, outras tendas fundadas sobre a orientação do Caboclo das 7 Encru- zilhadas estavam presentes. Também participaram do rito templos oriundos da Tenda Espírita Mirim, Ordem Inici- ática do Cruzeiro Divino e tantas outras escolas representativas. Como todo trabalho umbandista, a Gira foi marcada pelo atendimento gra- tuito do público presente e exaltação do Sagrado através dos “pontos cantados”. Ao final da Gira, Pai Pedro Miran- da e Comandante Joelmir de Oxóssi, principais organizadores deste evento, falaram ao telefone com Mãe Zilméia de Moraes que agradeceu a homenagem ao seu pai através da peça teatral e do rito de Caboclos. 13/11/2007 - Rio de Janeiro - CO- NUB-RJ participa de homenagem ao Templo umbandista Oxóssi Caçador e 99 anos de Umbanda na Câmara Muni- cipal do Rio de Janeiro. O CONUB (Conselho Nacional da Umbanda do Brasil), coordenadoria do Rio de Janeiro, esteve presente na ho- menagem da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ) ao Comandante Jo- elmir de Oxóssi do templo umbandista Oxóssi Caçador. O evento ocorreu no Salão Nobre da CMRJ sendo iniciativa do Vereador Átila Nunes Neto. Comandante Joelmir além de receber a homenagem da CMRJ, recebeu o tí- tulo de Coordenador do CONUB para a região de Jacarepaguá e adjacências. A homenagem ao Comandante Joelmir foi estendida a Umbanda através de pla- cas comemorativas. O CONUB, um dos homenageados do dia, foi representado pelo Relações Públicas João Luiz Car- neiro. 12/11/2007 – Rio de Janeiro – CO- NUB participa de Sessão Solene em homenagem à Umbanda na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janei- ro. O CONUB (Conselho Nacional da Umbanda do Brasil) participou no dia 12 de novembro de 2007 de sessão solene em homenagem aos 99 anos de Umbanda na ALERJ (Assembléia Le- gislativa do Estado do Rio de Janeiro). Na oportunidade o Conselho foi re- presentado pelo seu Diretor Nacional de Eventos, Sr. Fernando Pinto que sentou na mesa com o vereador do Rio de Janeiro Átila Nunes Neto e do presidente da sessão, o Deputado Átila Nunes Filho. Na oportunidade de demonstrar o pensamento umbandista a sociedade civil, o Sr. Fernando registrou a im- portância do movimento umbandista no contexto histórico ao qual foi e está inserida. Parabenizou as ações dos um- bandistas em homenagem ao centená- rio da Umbanda tal qual o Pai Joelmi de Oxóssi, a UEUB, o CONUB-RJ, o ICAPRA vem desenvolvendo no estado do Rio de Janeiro e a FTU no estado de São Paulo. A sessão solene foi encerrada com o hino da Umbanda. O movimento umbandista carioca deu uma demons- tração clara da representatividade e legitimidade que possui no estado do Rio de Janeiro. Mais de 100 dirigentes e umbandistas estiveram reunidos em uma só voz para homenagear e refletir a importância dos 99 anos de Umbanda. 11/11/2007 - Rio de Janeiro - CO- NUB-RJ participa de Gira Mensal do Templo de Oxóssi O CONUB (Conselho Nacional da Umbanda do Brasil) participou de uma grande Gira organizada pelo Templo de Oxóssi. Templo este dirigido pelo Comandante Marcos de Ogum. Regis- tramos a presença de diversos terreiros. Os dirigentes dos terreiros presentes gravaram depoimentos sobre a im- portância do Centenário da Umbanda a ser comemorado no ano de 2008. O CONUB-RJ considerou esta sessão de caridade umbandista como um grande marco dos comemorativos dos 99 anos de Umbanda deste mês. CONUB traz visibilidade ao movimento umbandista EVENTOS Responsabilidade social e política na Umbanda Eletromecânica Balan Central DDR: (11) 60 97- 5800 Fax: (11) 6097-5815 Email: balan@balan.com.br Local: Rua Padre Adelino, 676 - Belém - SP -setembro/outubro 2007JornalBrasileirodaUmbanda
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    “DOUTRINA UMBANDISTA” Qualidade éprioridade para a Alimenko Atendemos restaurantes, confeitarias, cozinhas industriais e supermercados Azeitonas - Azeite - Frutas Secas - Bacalhau - Cerejas Entre em contato pelo nosso SAC - (11)2167.1267 viste nosso site: http:// www.alimenko.com Procurando? A ALIMENKO Tem! Quando pensamos no trabalho desenvolvido na seara de Um- banda, devemos pensar não somente na atuação e força dos Orixás, mas também na responsabilidade do médium de Umbanda. Esse irmãos que se põem ao trabalho da caridade buscam através de um esforço contínuo e incansável tratar das questões materiais e emocionais de maneira individual. Cada trabalho desenvolvido requer atenção à prática do bem, servindo de instrumento de con- fiança do Astral. Imbuídos de afeição, carinho, paciência, amor, respeito, os médiuns buscam propiciar o verdadeiro acolhimento aos companheiros de jornada – irmãos de fé – e também àquele irmão do caminho, muitas vezes tão necessitado de envolvimento fraterno, numa corrente de forças vibracionais positivas que adentra o espaço interno das tendas. Temos consciência da importância do médium no Ritual de Umbanda no plano material e sabemos também que todo o apoio lhe é dado no plano espiritual. Esse Sujeito-Médium deve ter seus potenciais mediúnicos desenvolvidos ordenadamente, de forma disciplinada, para que sua atuação no exercício do sacerdócio, na condição de doador das melhores vibrações de seus Orixás, seja a de um agente responsável para com o próximo. As dificuldades materiais, bem como os desequilíbrios emocio- nais que se apresentam à vida terrena do médium, podem interferir em seu desenvolvimento mediúnico ou nas práticas espirituais. As- sim, ressaltamos a necessidade de, envolvidos num trabalho de bên- çãos e pronto ao atendimento dos desígnios dos Orixás na prática da caridade, atentarmos às palavras de Jesus: “Amai ao próximo como a ti mesmo”. É preciso não fraquejar ao vibrar amor e simpatia para manter a harmonia da vibração da corrente que sustenta o trabalho espiritual. Vigiar os pensamentos, estar atento à vaidade, ao egoísmo e tornar-se mais tolerante, devem formar uma atitude constante. Só assim seguiremos servindo de agentes facilitadores da confiança e do amor depositados a cada Sacerdote – Médium pela Providência Divina no cumprimento de nossa missão. Que estejamos dispostos e sejamos capazes de cumpri-la. Umbanda linda quem nos deu foi Oxalá! Maria Helena F. Macedo Grupo Rita de Cássia / RJ O médium de Umbanda - responsabilidade em ação Ética no exercício da espiritualidade A mídia anuncia o fim dos tempos com freqüência há tempos, porém neste início de milênio o principal vetor deste fim anunciado é o aque- cimento global, fato este constatado em nosso cotidiano (alteração no re- gime das precipitações, ilhas de calor, estações indefinidas, etc.). Porém, esta mesma mídia é veículo de algu- mas instituições capitalistas, as quais apresentam soluções para tal celeuma que assola nosso planeta: a neutrali- zação das emissões de gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), conforme o Protocolo de Kioto, após a Rússia ratificá-lo em 2004. Tal neutralização é realizada atra- vés do “seqüestro” de carbono (CO2 atmosférico) pelas espécies arbóreas (leia silvicultura-eucalipto) que com- põem reflorestamentos homogêneos. Estas florestas, comumente denomi- nadas sumidouros de carbono, “ge- ram” créditos de carbono, mensura- dos e comercializados em unidade de massa 103kg (tonelada). Teoricamente esta ação impres- siona, pois vislumbra-se alternativas práticas e passíveis de lucro para os produtores/agricultores. Entretanto, aspectos de ordem prática interpõem barreiras a tamanha facilidade “co- mercializada” pelas empresas “am- bientalmente corretas”, como por exemplo: - Reflorestamentos homogêneos, isto é, compostos por uma só espécie, não apresentam inúmeros benefícios ambientais, principalmente quando as espécies utilizadas são exóticas (eu- calipto e pinus) e não nativas; -Aquantidade de carbono “seqües- trada” varia de espécie para espécie; - O custo de manutenção é, apro- ximadamente, US$1.200,00/ano/ha, para espécies nativas em refloresta- mentos heterogêneos – aqueles que implicam em maiores benefícios am- bientais; - O custo do cultivo do Eucalipto é, em média, R$8.500,00/ha, para um período de 10 anos, incluindo os cus- tos de plantio e manutenção de todo esse período; - Ausência de critérios técnicos na seleção de locais para implantação de sumidouros de carbono, para comer- cialização de créditos em mercado fu- turo, ou seja, uma área com excelente aptidão agrícola para lavouras pode ser subutilizada para este fim; Atualmente, as empresas que neu- tralizam seus serviços e produtos não plantam árvores necessariamente, a praxe destas é comprar créditos ex- cedentes de outras fontes, através de empresas reflorestadoras ou através de créditos de carbono colocados à venda. Desta forma, há empresas que desenvolvem sua própria área de reflorestamento para neutralizar sua emissão de carbono e outras empresas que fazem reflorestamento exclusiva- mente para comercializar os créditos gerados. Vale ressaltar que estas áreas reflorestadas, quase em sua totalida- de, são compostas por eucalipto (re- florestamentos homogêneos). A recuperação de áreas degrada- das com espécies nativas tangencia o ideal para a questão dos sumidouros de carbono, pois além do marketing e do capitalismo ambiental é possível causar impactos positivos no meio ambiente, tais como: - Aumento da biodiversidade, fau- na e flora local; - Minimiza os riscos de erosão em áreas declivosas; - Em áreas de mananciais propor- cionam a manutenção qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos (recarga do lençol freático, atua como barreira física da poluição difusa, etc.) - Recuperação paisagística (aspec- tos estéticos-visuais) Estes impactos positivos serão pos- síveis em médio e longo prazo, quan- do a “nova floresta” atingir maturi- dade, um tempo estimado de 20 anos aproximadamente, mas não podemos desconsiderar a demanda de recursos técnico-econômicos ao longo deste período. Por outro lado, as empresas vislumbram retorno imediato, não só pela comercialização dos créditos, mas também com o rótulo de “am- bientalmente corretas” o que amplia seu mercado consumidor e a mantém isenta do processo de degradação dos recursos naturais. O exposto acima não tem o intuito de repreender as instituições capi- talistas que pretendem “preservar” o meio ambiente, mas sim elucidar questões de ordem técnica despreza- das pela mídia e propor uma reflexão à sociedade no tocante a um tema em evidência atual. Rodrigo Batalha Graduando em Teologia Umbandista pela FTU – 1° ano Marketing e capitalismo ambiental OPINIÃO CONUB: www. conub.org.br - contato redação:jbu@conub.org.br - contato CONUB:dialogo@conub.org.brEXPEDIENTEEXPEDIENTE Editor-chefe: Roger T. Soares - Conselho Editorial: Fernando Pinto, Caio Quinderé Omae, Silvio Ramos Garcez, Rodrigo Mariano - Colaboradores: João Luiz, Marizelis, Cássio Lopes Ribeiro, Lucilia Guimarães, Marcus Sodré, Hilario Bispo, Eugênio Paiva, Sergio Eustaquio Sardinha, Sergio Nestrovski, Michel Pires, Etiene Sales - Jornalista Responsável: Santa Irene Lopes (reg. prof. 4265 DRT/RS) e Patricia Cintra (MTB - 45739/SP - Projeto Gráfico e Diagramação: Marcos Strey (reg. prof. 4266 DRT/RS) Ilustrações: maStrey - Entidade Consultora: FTU - Faculdade de Teologia Umbandista - Tiragem. 20.000 CIDADE LIMPA POVO CIVILIZADO - Não joque este jornal nas vias públicas