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Literário, sem frescuras!
                                           1664-
                                      ISSN 1664-5243




                               ESPECIAL
                               VARAL DO
                               LIVRO




                      2013—
  Ano 3 - Setembro de 2013—Edição no. 17B
Varal do Brasil, literário sem frescuras!




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                                                                         1664-
                                                                    ISSN 1664-5243




                        LITERÁRIO, SEM FRESCURAS


                               Genebra, outono de 2012
                       No. 17B - ESPECIAL VARAL DO LIVRO

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                  EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL

                           1664-
NO. 17B- Genebra - CH ISSN 1664-5243

Especial Varal do Livro
Copyright Vários Autores
O Varal do Brasil é promovido, organizado e realizado
por Jacqueline Aisenman
Site do VARAL: www.varaldobrasil.com
Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com
Textos: Vários Autores
Coluna: Sarah Venturim Lasso
Ilustrações: Vários Autores
Foto capa: © Yuri Arcurs - Fotolia com

Foto contracapa: © Jacqueline Aisenman
Muitas imagens encontramos na internet sem ter o                    Há livros escritos
nome do autor citado. Se for uma foto ou um dese-                   para evitar espaços
nho seu, envie um e-mail para nós e teremos o maior                 vazios na estante.
prazer em divulgar o seu talento.
Revisão parcial de cada autor                                       Carlos Drummond
                                                                    de Andrade
Revisão geral VARAL DO BRASIL
Composição e diagramação:
Jacqueline Aisenman
A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. A re-
vista está gratuitamente para download em seus site
e blog.
                                                                       O saber a gente
                                                                       aprende com os mes-
Se você deseja parƟcipar do VARAL DO BRASIL NO. 18                     tres e os livros. A sa-
envie seus textos até 10 de outubro de 2012 para: va-                  bedoria, se aprende
                                                                       é com a vida e com
raldobrasil@gmail.com , Tema Livre
                                                                       os humildes.
O tema da edição no. 19 será sobre o Planeta Terra,                    Cora Coralina
sobre a vida, a natureza, os animais, o ser humano.
Declare o seu amor pelo Planeta!
Para janeiro, inscrições até 30 de novembro


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O livro está para todo leitor e para todo escritor como o alimento está para aquele que tem
fome e sede: ele sacia.
Também é o livro a chave que abre portas antes talvez nem sequer imaginadas. Através de
personagens, de palavras, viajamos e conhecemos mundos inteiros tanto quanto nos atuali-
zamos sobre o mundo em que vivemos.
O livro, já há tanto tempo companheiro de jornada em minha vida, me fez ser quem eu sou.
E por isto que fosse apenas, eu já lhe seria agradecida pois me considero uma pessoa feliz.
Mas os livros fizeram mais por mim: me levaram para perto de pessoas maravilhosas que
leem e escrevem. Pessoas estas que têm feito parte do Varal há quase três anos circulando
pelo vasto mundo virtual.
Conheço uma expressão que é “rato de biblioteca”.
E quando penso nesta expressão duas pessoas
em particular vêm à minha cabeça e coração: mi-
nha mãe, que lia tudo o que caía em suas mãos,
de revistas à livros que incansavelmente ela devo-
rava! E minha amiga de infância, Marilene Remor
Mattar, por muitos anos dedicada funcionária e di-
retora da Biblioteca Pública da cidade de Laguna,
Santa Catarina. E é graças a ela, posso dizer com
orgulho, que aquele recinto dedicado aos livros e
aos leitores funcionou tão bem durante tantos
anos. Marilene lutou contra monstros, moinhos de
vento e ideologias para manter aberta a “sua” ama-
da biblioteca.
Hoje chegaram também os livros eletrônicos. Não os menosprezemos, eles já estão presen-
tes e estão conseguindo um lugar pela internet e nas “estantes” virtuais dos internautas. É o
futuro coabitando com aquele que sempre, ou desde tanto tempo que quase sempre, existiu.
Ficaríamos aqui a falar de livros, de sua origem, de seus objetivos, do que eles proporcio-
nam e aqui teríamos não uma revista, mas um “livro”. Ou talvez mais de um, talvez mesmo
vários volumes, pois que o assunto é vasto, caloroso, desperta paixões e discussões amisto-
sas.
Deixemos quem aceitou o convite com a palavra. Falemos de livro!
Jacqueline Aisenman
Editora-Chefe Varal do Brasil



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•   Almandrade                                    •      Lénia Aguiar
•   Ana Esther                                    •      Leonilda Yvonneti Spina
•   Ana Maria Rosa Moreira                        •      Luiz Carlos Amorim
•   Ana Rosenrot                                  •      Ly Sabas
•   Anair Weirich                                 •      Magno Oliveira
•   Angela Xavier                                 •      Márcia Maranhão de Conti
•   Anna Back                                     •      Marcos Toledo
•   Arlete Trentini dos Santos                    •      Maria Heloísa Fernandes
•   Audelina de Jesus Macieira                    •      Maria Luíza Falcão
•   Betty Silberstein                             •      Marluce Alves F. Portugaels
•   Carlos Lúcio Gonjijo                          •      Norália de Mello Castro
•   César S. Farias                               •      Odenir Ferro
•   Cléo Reis                                     •      Oliveira Caruso
•   Clevane Pessoa                                •      Pedro Diniz de A. Franco
•   Cristina Mascarenhas da Silva                 •      Priscila Ferraz
•   Daniel C. B. Ciarlini                         •      Raimundo Candido T. Filho
•   Devi Dasi                                     •      Roberto Armorizzi
•   Dhiogo José Caetano                           •      Sandra Nascimento
•   Dinorá Couto Cançado                          •      Sarah Venturini Lasso
•   Dulce Couto                                   •      Sheila Ferreira Kuno
•   Elise Schiffer                                •      Silvio Parise
•   Felipe Cattapan                               •      Sonia Nogueira
•   Gildo Oliveira                                •      Valdeck Almeida de Jesus
•   Ivone Vebber                                  •      Vinícius Leal M. da Silva
•   Jacqueline Aisenman                           •      Vó Fia
•   José Alberto de Souza                         •      Walnélia Corrêa Pederneiras
•   Josselene Marques                             •      Weslley Almeida
•   Lariel Frota                                  •      Wilton Porto


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                            almandrade2@hotmail.com




LIVROS DE MADEIRA


“O livro é uma extensão da memória e da imaginação.”
Jorge Luis Borges


Pedaços de madeira, amostras de diversas espécies, enta-
lhados em forma de livros, organizados como uma pequena
biblioteca. Que fan-tástica imaginação deste colecionador de
madeiras!... o médico Antonio Berenguer. Que feliz idéia de
associar madeira!... livro e biblioteca. Aliás, árvores, papel,
livro, biblioteca não são associações estranhas. Uma flo-
resta encadernada e catalogada. A cada colecionador sua ob-
sessão e sua singularidade. O homem e suas aventuras em
nome do saber: quantos segredos e quantas curiosidades.
Quanta riqueza. “Riquezas do Brasil”, exploradas pelo vício
do homem de destruir tudo o que se encontra a sua disposi-
ção, como se ele fosse o dono absoluto e não parte deste
deslumbrante meio ambiente. Mais do que uma coleção, este
jardim de livros guardado em armários é um documento pre-
cioso de um patrimônio: Madeiras de um País.


Por Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)




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            pelicanaesther@hotmail.com




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 LEITURA: UMA VIAGEM                             em nosso quarto, sentada em nossa
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 NO TEMPO E NO ESPAÇO                            rente da voz que ralhava conosco por
  Uma história de Leitura                        qualquer razão. Havia ainda a magia
                                                 do cenário: o quarto comprido envolto
                                                 na penumbra; o rosto da contadora ilu-
 Por Ana Maria Rosa Moreira                      minado pela chama fraca do candeeiro
                                                 a gás; nossas sombras se projetando
  menina.espian@hotmail.com
                                                 fantasmagóricas na parede; o calorzi-
                                                 nho das colchas de retalhos; o eco das
      Outro dia participei de um curso           vozes dos bichos noturnos ressoando
de leitura para professores. Uma das             no silêncio do aposento...
atividades propostas foi que produzís-                 Mais tarde, vieram outras histó-
semos um texto contando nossa histó-             rias que falavam de tesouros enterra-
ria de leitura. Fiquei sem saber por on-         dos, de almas penadas, de serpentes
de começar. Começava falando do fas-             com olhos de fogo e de seres encanta-
cínio pela palavra escrita? Começava             dos da mata: saci, caipora, lobiso-
pelos primeiros livros que li? Ou imita-         mem... Outras eram relatos de viagens
va Paulo Freire no texto "A importância          cheias de perigosas enchentes, traves-
do ato de Ler" e falava primeiro da lei-         sias em rios caudalosos, perdas de ga-
tura do mundo? De repente, veio-me a             do... Essas eram histórias masculinas.
inspiração: eu começaria pelas primei-           Eram contadas pelos homens. Os con-
ras histórias que ouvira quando crian-           tadores eram meus tios, os vizinhos, os
ça.                                              ciganos e os boiadeiros que arrancha-
       Acho que tudo começou com as              vam em nossa fazenda e, logicamente,
histórias contadas por minha mãe e por           meu pai. Eu adorava essas histórias,
Betinha, a irmã que me criou. De vez             pois eram os próprios personagens (os
em quando, elas cediam às nossas sú-             heróis) que as narravam.
plicas e faziam uma noite de contação                   Meu pai era um experiente con-
de histórias. Até hoje, recordo-me de            tador dessas "histórias reais." Ele co-
algumas: A Festa no Céu com aquela               meçou a vida – ainda menino – como
cena linda de Nossa Senhora enviando             tropeiro. Com orgulho, nos falava que
anjos para remendarem o casco do ja-             vendia farinha, no lombo dos burros,
buti; uma do coelho que conseguiu se-            nas cidades do Recôncavo. Só mais
lar e montar uma onça e assim ganhar             tarde, ele se tornaria fazendeiro e ex-
uma aposta; outra de uma menininha               pandiria suas andanças por todo o ser-
que foi raptada por um velho malvado             tão da Bahia e até o estado de Goiás.
e ficou presa em seu surrão por muitos           Lá, ele comprava e vendia boiadas com
anos. Essa era contada por minha mãe.            dinheiro vivo ou com a força de sua pa-
Ela imitava, pesarosa, a vozinha da              lavra de honra – palavra de rei – como
menina cantando de dentro do saco                dizia em suas narrativas.
preto em cada porta onde o velhote
pedia esmolas "Surrão triste, surrão de
morrer / Minhas continhas de ouro que
no rio deixei"... Realmente era uma
história muito triste, apesar do final fe-
liz. Mas eu achava linda a voz de minha
mãe contando histórias. Era bom tê-la



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      Suas histórias deixaram em mim              eram raros lá na roça.
a imagem nostálgica de cidades como                      Se conseguia um papel desses,
Ibotirama, Lençóis, Correntina... Mara-           recortava figuras de bois, de pessoas e
gogipe, Cachoeira, São Félix... Essas             principalmente de patos (os mais fáceis
últimas imantadas pela magia do mar e             de desenharem para mim). Sentada no
das enchentes. Elas eram o cenário de             chão, enfileirava essa bicharada nas
seus "causos" dos velhos tempos de                paredes do corredor e ficava o dia in-
tropeiro. Eu os escutava de olhos arre-           teiro brincando. Os adultos achavam
galados imaginando como seriam as                 engraçado uma menina conversar com
ruas calçadas, a feira livre e, principal-        figuras de papel. Eles não sabiam, nem
mente, um "mundaréu de água verdi-                eu – pois só descobri ao escrever estas
nha" – o mar. Muitos anos depois, co-             palavras – que aquelas paredes com
nheci algumas delas, e em todas, senti            figurinhas de papel eram os meus pri-
aquele sentimento meio esquisito de               meiros livros. Eu estava criando minhas
"déjà vu" – quase uma saudade.
                                                  primeiras narrativas. Acho que ali nas-
      Essas histórias masculinas eram             ceu o meu desejo de ser "a dona da
contadas ao pé da fogueira acesa na               história”.
malhada, território de homens e de
                                                         Contudo, um belo dia, (Eu devia
animais. Nós, as mulheres, nos sentá-             ter uns cinco anos.) Betinha chegou em
vamos nos bancos do avarandado. Mi-               casa com uma grande novidade: uma
nha mãe ficava um pouco ressabiada                sacolinha cheia de livros. Eram peque-
quando um grupo maior de boiadeiros               nos e traziam, na capa, desenhos de
estava pernoitando na fazenda e prefe-            traços fortes como se fossem feitos a
ria manter as filhas à certa distância            carvão. O vizinho (tio Nonô) que em-
desses homens rústicos. Ainda posso               prestou os livrinhos, explicara que
relembrar a lua cheia no céu, os sons             eram vendidos na feira; ficavam enfilei-
peculiares dos animais na mata, o gado            rados num cordão; eram chamados de
ruminando no curral, as perneiras e gi-           "cordel" justamente por isso. Naquela
bões de couro pendurados. Mesmo                   tarde, minha irmã sentou-se na sala de
agora, ainda posso sentir o cheiro dos            visitas e leu para uma audiência em-
cigarros de palha, dos couros suados e            basbacada, uma história em versos que
do esterco de boi misturados ao perfu-
                                                  parecia uma música. Escutei-a tão des-
me do velame – cheiros agrestes –                 lumbrada, que até hoje me recordo de
sensuais perfumes em minha memória
                                                  sua primeira estrofe. Era assim:
de mulher.
      Foi assim que nasceu a minha
paixão pelas histórias. Porém, para
gostar de ler, é preciso amar o papel e,                      "Eu vou contar uma história
principalmente, a palavra escrita. Estes
eu viria a amar depois, cada um a seu                         De um pavão misterioso
tempo, apesar de certas condições ad-                         Que levantou voo da Grécia
versas.
                                                              Com um rapaz corajoso
       Digo adversas porque em minha
                                                              Raptando uma condessa
casa não havia livros. Exceto o intocá-
vel livro didático de minhas irmãs, que                       Filha de um conde orgulhoso."
ia da primeira à quinta série e era pas-
sado de uma para a outra, até mesmo
papel impresso, estampado, ou colorido


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                                                 tempo de avistar o bicho afastando-se
                                                 do castelo; ia com a cauda aberta em
                                                 leque, repleta de luzes acesas e tão co-
                                                 loridas como as penas de pavão
                                                        Aquelas    estranhas      palavras
                                                 "aeroplano"...     "pavão-misterioso"...
                                                 "água-furtada"... "castelo"... "Grécia"...
                                                 tão sonoras, tão belas, lançaram sobre
                                                 mim sua magia encantatória. Eu as fi-
                                                 cava repetindo baixinho com medo de
                                                 que elas voltassem ao seu esconderijo
                                                 secreto – dentro do livro – antes que
      E sua capa era tão linda: um pa-           pudesse decifrá-las. Quando Betinha
vão imperial com a calda aberta. O de-           disse "e foram felizes para sempre",
senho era feito com uns traços grossos           saltei das asas do pavão misterioso e
como se tivessem usado um carvão pa-             deixei de ser condessa. Agora eu era,
ra desenhar. Acho que o enredo era               outra vez, uma menina da roça – uma
mais ou menos esse: Havia num país               nova menina... Havia descoberto uma
distante, chamado Grécia, uma jovem              coisa fantástica, uma coisa maravilho-
condessa de rara beleza. Ela vivia tran-         sa: as histórias moravam dentro dos
cafiada no castelo de seu ciumento pai.          livros!!!
Apenas uma vez por ano, no dia do seu                  Depois daquela tarde, minha irmã
aniversário, o conde lhe permitia mos-           vivia agarrada aos livrinhos, porém ra-
trar-se à janela do salão de festas on-          ramente lia uma história para nós. A
de, é claro, jamais aconteciam festas.           cruel mágica lia, silenciosa, só com os
O pai não dava um baile para comemo-             olhos. Não adiantava eu, choramingan-
rar o aniversário da filha desde que ela         do ajoelhada ao pé de sua cadeira, im-
deixara de ser criança para tornar-se            plorar por uma história. Então, ficava
uma belíssima mulher. Esse aconteci-             em pé atrás de suas costas, com o pes-
mento trazia àquela cidade grega, ra-            cocinho espichado, tentando inutilmen-
pazes do mundo inteiro, atraídos pela            te, decifrar aqueles caracteres ne-
possibilidade de contemplar uma lenda            gros ... Ela se irritava e me obrigava a
- a mais bela mulher do mundo. No                voltar ao cavalo-de-pau, às caçadas de
aniversário de dezoito anos, um jovem            lagartixa, ou ao quizungue pendurado
que a conhecia por uma fotografia -              no pé-de-laranjeira. Eu que fosse cres-
presente de viagem do irmão mais ve-             cer e aprender a ler!
lho - passou o dia inteiro, olhando a
                                                        Não demorou muito, fui para a
mocinha apaixonadamente. No final da
                                                 escola. Era uma sala de aula na fazen-
tarde, ela lhe deu um sorriso, e ele te-
                                                 da de meu tio. Era a minha vez de
ve certeza de que fora escolhido; ela se
                                                 aprender a ler. Logo, logo, estaria len-
apaixonara por ele. Então, o jovem alu-
                                                 do histórias. Doce ilusão! Passei um
gou um sobrado próximo ao palácio e,
                                                 ano inteiro naquela classe multiseriada
na água-furtada, mandou um enge-
                                                 tentando aprender o "abecê". Só
nheiro construir – secretamente – um
                                                 aprendi as letrinhas da primeira fila.
aeroplano em forma de pavão. Passado
                                                 Acho que a inexperiência da professora
um ano, na noite do aniversário da
                                                 leiga, a superlotação da sala e a insipi-
condessinha, o pássaro levantou vôo, e
                                                 dez do "abecedário" contribuíram bas-
o moço bonito raptou a donzela. O pai,
                                                 tante para esse meu fracasso.
desesperado, nada pode fazer; só teve


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      No ano seguinte, meus pais se             minúsculo e de poucas páginas; dentro
mudaram para a cidade de Santo Este-            dele, havia uma historinha com alguns
vão, que fica a mais ou menos 220 km            desenhos sem graça e pouquíssimas
da capital, Salvador. Deixaram a fazen-         palavras. Ao chegar em casa, li a
da para "dar estudo aos filhos”. Meu            'história" da plantinha carnívora em
pai não conseguiu nenhuma vaga no               trinta segundos. Muitas vezes li e reli
"grupo escolar". É, naquele tempo, só           essa história; tentava encontrar algum
havia ali uma única escola primária -           significado nela. Não tendo conseguido,
respeitadíssima pelo profissionalismo           guardei o livrinho como um objeto co-
dos mestres e pelo ensino de qualidade          mum – uma lembrança da professora
- o Grupo Escolar D. Pedro I. Ali estu-         Lu. Por que será que aquela mestra
davam os filhos das famílias gradas do          que me fez saltar uma série não imagi-
lugar, misturados a um número menor             nava que eu poderia ler uma história?
de crianças oriundas da classe popular.               Esse desencontro com a leitura
       Enquanto aguardávamos uma va-            continuaria durante toda a minha vida
ga, fomos matriculados – somente os             escolar: ora histórias sem graça, ora
mais novos – "na banca da professora            nenhum livro. Mas, por minha própria
Nade". Minhas irmãs de nove e de doze           conta, continuava lendo os cordéis de
anos seriam preparadas para cursarem            minha irmã. Gostava especialmente de
a terceira série; eu, com oito anos, e          um que narrava uma história de amor
meu irmão com seis, nos prepararía-             entre uma princesa e um ladrão ple-
mos para a primeira série. Nessa banca          beu. Até hoje me lembro de que Renê
supervisionada pela professora Nade –           enfrentou três perigos terríveis: a mal-
delegada escolar do município – apren-          dição da Medusa, o Minotauro e o Dra-
di a ler "soletrado"; saí sabendo escre-        gão-de-sete-cabeças; tudo isso para
ver o meu nome completo e mais um               pegar a rosa azul num jardim, levá-la
saberzinho matemático de soma e de              até o castelo e, assim, salvar a vida de
subtração.                                      sua amada – a bela princesa Nazidir.
       Após esse período preparatório,
fomos para a escola regular. Minha                     No meio do quinto ano, comecei
professora, recém-contratada pelo Es-           a ler contos de fadas. Tomava os livros
tado, era a mesma da banca – a doce             emprestados de algumas colegas. Era
professora Ridalva – sobrinha de pro-           um encantamento a cada livro. Eu mer-
fessora Nade. Não demorou muito, co-            gulhava naquelas páginas repletas de
mecei a ler (os livros didáticos) com           palavras novas e de figuras deslum-
desenvoltura. Graças a essa aptidão,            brantes, cujas formas e cores só co-
passava de ano sempre com boas no-              nhecia em sonhos. Através dessas his-
tas; tirei o primeiro lugar no terceiro         tórias, viajei em caravanas, atravessei
ano; dele pulei diretamente para o              desertos de areia no lombo de camelos,
quinto ano, o último do antigo curso            dormi em tendas coloridas, hospedei-
primário. Por causa desse feito, ganhei         me em suntuosos palácios... conheci
um presente de minha saudosa profes-            um "novo mundo" - o Oriente.
sora Maria Lúcia Lobo. Fiquei radiante;
nunca havia ganhado um presente; era                 Creio que foi mais ou menos nes-
um livro de histórias, o meu primeiro           sa época que desbanquei os outros
livro de histórias.                             contadores de histórias e passei a ser a
                                                contadora oficial da família.
      Mas assim que desembrulhei a
caixinha, veio a decepção: era um livro


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       O meu reino era o quarto cheio de        tas tardes lá no alto da mangueira – es-
camas, onde se acomodavam todas as              condida – saboreando o romance entre
crianças a minha volta. Na sala ficavam         o rapaz bonito e a mocinha; esses esta-
os adultos: meus pais e minhas irmãs;           vam sempre combatendo um vilão ou
às vezes, também os noivos e outras             vilã que, geralmente, formava o terceiro
visitas. Relembro – com emoção e ale-           vértice do triângulo amoroso.
gria – o orgulho que sentia quando um                  Essas revistas eram proibidas por
deles me interrompia, lá de longe, para         alguns pais, temerosos de que suas mo-
corrigir um pequeno desvio da história          cinhas despertassem cedo demais para
original. Era tão bom contar histórias!         o amor. Minha mãe as odiava; atribuía a
Melhor ainda quando, no meio de uma             elas perigos terríveis; seriam "a nossa
narrativa, eu escutava o silêncio vindo         perdição". Aliás, esse ódio era extensivo
lá da sala de visitas. Todos estavam me         aos romances. Ela, assim como todos os
ouvindo! Até meu pai! Era a glória. Era,        ditadores, temia os livros e até ameaça-
em êxtase, que eu concluía aquela his-          va atirá-los ao fogo Não aprendeu a ler,
tória.                                          porém sabia que os romances narram
      Já no ginásio, comecei a tomar            histórias de amor. Como era possível
emprestado as revistas de Walt Disney.          alguém, que não conhecia nada do uni-
Foi um novo deslumbramento. Aquele              verso da leitura, intuir que a palavra es-
era um outro mundo: as histórias dividi-        crita possui mágica e poder libertador, é
das em quadrinhos; a ausência da voz            uma pergunta que me faço até hoje. Mi-
do narrador; as palavras escritas em            nha mãe temia (creio eu) que esse po-
balões; os personagens eram bichos              der, aliado ao poder do amor – ambos
que agiam como se fossem pessoas...             revolucionários – pudesse nos libertar
Apaixonei-me pelos personagens "do              do peso esmagador de seu matriarcado.
bem" como Pateta, Lobinho, Vovó Do-                    Mais tarde, com o crescente aces-
nalda, Professor Pardal... e, principal-        so aos aparelhos de televisão e o
mente, pelo desventurado Pato Donald,           "boom" das telenovelas, as fotonovelas,
paixão mantida até hoje. Também me              assim como as radionovelas, foram aos
apaixonei (Vou confessar em segredo)            poucos deixando de existir; eram tidas
pelos personagens "do mal". Torcia para         como "cafonas" e sem nenhum valor.
os Irmãos Metralha e Mancha Negra te-           Eu, imitando as outras garotas, destruí
rem sucesso em seus assaltos ao mu-             a pequena coleção que salvara da ira de
quirana do Tio Patinhas. Também gosta-          minha mãe. Só depois, quando já esta-
va da bruxa Madame Mim e do Lobo                va cursando a faculdade de Letras, fi-
Mau; este tão desajeitado em sua eter-          quei sabendo que algumas das histórias,
na perseguição aos Três Porquinhos.             tão lindas, que havia lido na adolescên-
       Não demorou muito, comecei a ler         cia, eram adaptações de clássicos da li-
revistas para moças e senhoras: Capri-          teratura universal: Romeu e Julieta,
cho, Sétimo Céu, Contigo, Grande Ho-            Tristão e Isolda, O Corcunda de Notre
tel. Elas veiculavam pequenas reporta-          Dame, O Morro do Ventos Uivantes, Or-
gens sobre os atores dos cinemas fran-          gulho e Preconceito. Hoje, arrependo-
cês e italiano, comentários sobre os fil-       me de não tê-las guardado. Seriam pre-
mes, algumas propagandas de perfumes            ciosas relíquias!
e produtos de beleza; mas o recheio            Entre os quinze e os dezoito
principal, o que as fazia serem disputa- anos, enquanto fazia o curso secundá-
das pelas adolescentes, quase a tapas, rio, atual ensino médio, comecei a ler
eram as deliciosas histórias de amor em romances.
quadrinhos: as fotonovelas. Passei mui-


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      A pequena biblioteca do Colégio             ajei por outros países. Num deles, vi a
Municipal de Santo Estevão possuía co-            fantástica Macondo de Gabriel Garcia
leções completas de José de Alencar,              Marques varrida por "cem anos de soli-
Jorge Amado, Graciliano Ramos e José              dão". Depois, fui chamada a um reino
Lins do Rêgo, além de algumas outras              distante e presenciei uma reunião de
obras de autores nacionais e estrangei-           cavaleiros na "Távora redonda". Eu era
ros. Os romances podiam ser lidos na              uma bela princesa, assim como Guine-
salinha onde funcionava a biblioteca ou           vere, dividida entre dois amores: o rei
podiam ser levados para casa por até              Arthur e o primeiro cavaleiro, Lancelo-
quinze dias. Fiz meu cartãozinho e, com           te. Naquele salão, contemplei com re-
esse passaporte, comecei a viajar pelo            verência a lendária espada Excalibur,
Brasil e pelo mundo. Lendo José de                escutei a harpa do Merlin e vi o Santo
Alencar, fui ao Rio de Janeiro do século          Graal ser trazido à mesa por uma pre-
XIX: andei de carruagem; fui transpor-            sença invisível e, depois, misteriosa-
tada em luxuosas liteiras; exibi-me no            mente, desaparecer.
Passeio Público; freqüentei teatros lota-                Outras vezes, saí navegando pe-
dos; participei de saraus; valsei nos             los mares e oceanos. Acompanhei as
bailes entre belas damas e elegantes              aventuras do capitão Nemo; tive medo
cavalheiros...                                    de Mobi Dick; naveguei durante dias e
      Voltei à Bahia e, guiada pela mão           dias num pequeno barco acompanhan-
de Jorge Amado, saí perambulando pe-              do o peixe, "o velho e o mar"... Certa
las ruas ensolaradas de Salvador; fui             vez, tomei emprestado um livro de no-
conhecer os malandros, as prostitutas,            me “Xogum, as sementes do dragão”.
os marinheiros, os vagabundos, os ca-             Então, embarquei num navio Holandês
pitães de areia. Na companhia desses              o “Erasmus” e cheguei a um misterioso
personagens, comi peixe frito no Mer-             país em pleno século XVI. Era a terra
cado Modelo; experimentei cachaça nos             do sol nascente: o Japão. Lugar gover-
botecos do Pelourinho; tomei banho de             nado pelos senhores feudais e seus
mar na Ribeira; passei uma tarde em               exércitos de samurais. Foi ali que acon-
Itapoã; frequentei o curso de arte-               teceu o belo romance entre o inglês,
culinária de Dona Flor; naveguei em               piloto do Erasmus, e uma senhora da
jangadas pela Baía de Todos os Santos             nobreza, esposa de um perigoso guer-
e quase morri afogada junto com Guma              reiro samurai. Acompanhando esse par,
naquela perigosa noite de tempestade.             aprendi sonoras palavras: tufão, concu-
Em Ilhéus, temi os jagunços; escapei              bina, travesseirar, galera, suserano,
de tocaias; colhi cacau; dancei no Bai-           vassalo, xogum... Lembro, ainda, algu-
taclan usando salto alto e cinta-liga;            mas da língua japonesa: “bushido”,
comi os quitutes de Gabriela...                   “sepuku”, ”tai-fun”, “isogi” (isógue),
                                                  “konnichiwa”... Estive ainda em guerras
      Depois parti para o sul do País e
                                                  sangrentas. Numa delas, acompanhei
ouvi "o tempo e o vento" movimentan-
                                                  uma história de amor para descobrir
do a roca da velha Bibiana. Ali, com os
                                                  “por quem os sinos dobram”; noutra,
bravos gaúchos de Érico Veríssimo, ca-
                                                  levei um soco no plexo solar ao saber
valguei pelos pampas; pernoitei nas co-
                                                  qual era “a escolha de Sofia". Essa his-
xilhas abrigada do minuano apenas pelo
                                                  tória, misteriosamente, feriu minha al-
poncho; temi as guerras e, feito louca,
                                                  ma... Por isso não tenho coragem de
me deixei seduzir pelos Rodrigos: um
                                                  terminar o livro nem de assistir ao filme
certo capitão e o doutor, seu bisneto...
                                                  homônimo.
      Tempos depois, saí do Brasil e vi-


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Varal do Brasil, literário sem frescuras!



      É... os livros não proporcionam            me pelo poeta Manoel Bandeira. Ele en-
apenas viagens agradáveis, não. Há               sinou-me a poesia do cotidiano e dos
viagens que nos levam para dentro de             objetos "trouvés" ...Mas foi com a poe-
nós mesmos e podem ser assim...                  sia da infância e da “vida que poderia
cheias de dor...                                 ter sido” que ele tornou-se para mim
                                                 uma "estrela da vida inteira". O poeta
       Quando li esses últimos livros de
                                                 pernambucano que "engoliu um piano e
que falei, já estava cursando a faculda-
                                                 ficou com as teclas de fora", aos pou-
de de Letras. Continuava lendo por mi-
                                                 cos, foi se tornando uma espécie de
nha própria conta e por indicações de
                                                 amigo que eu houvesse conhecido em
leitores mais experientes. Os professo-
                                                 minha infância de menina solitária.
res de Literatura, nos primeiros semes-
tres, conduziram-me ao universo dos                    Paralelamente, fui conhecendo,
poemas. Ah, com esses era preciso                nas aulas de Língua Portuguesa, dois
mais sensibilidade e paciência do que            tipos de texto pelos quais mantenho
com as histórias...                              eterna e crescente fascinação: a crôni-
                                                 ca com sua linguagem ágil, irreverência
                                                 e humor; o conto com sua intensidade
                                                 dramática e beleza poética reveladas
                                                 em poucas páginas e, às vezes, em
                                                 poucas linhas.
                                                        Foi, ainda, estudando Literatura
                                                 que voltei ao sertão. Dessa vez, pisei o
                                                 chão esturricado da caatinga e vi cria-
                                                 turas de "vidas secas" à procura da ter-
                                                 ra prometida. Estive em São Bernardo
                                                 tentando entender a rudeza de Paulo
                                                 Honório. Depois acompanhei o fasci-
                                                 nante rapaz (Ou seria a moça?) conhe-
                                                 cida como Diadorim; em sua compa-
                                                 nhia, adentrei as veredas do "grande
                                                 sertão" e escutei o jagunço Riobaldo
                                                 falar sobre um pacto com o tinhoso; e
       No começo, não conseguia perce-           ainda posso ouvi-lo dizer "O sertão é
ber-lhes a mensagem cifrada, as figu-            aqui mesmo, dentro da gente; o sertão
ras de linguagem, conforme nos solici-           está em toda parte".
tavam nas análises. Lia, relia e ficava
                                                       Ainda "pelejando" no sertão, co-
em meu canto estranhando-lhes a so-
                                                 nheci as plantações de cana e os enge-
noridade, a multiplicidade de sentidos,
                                                 nhos de açúcar da Paraíba; num deles
o significado inesperado de uma pala-
                                                 encontrei um "menino de engenho";
vra... tão conhecida e ao mesmo tempo
                                                 achei que éramos parecidos. Ambos
tão nova. Aos poucos comecei a gostar
                                                 crescemos vagando pelos arredores da
de vários poetas. Gostava principal-
                                                 fazenda a remoer pensamentos. Muito
mente dos românticos Álvares de Aze-
                                                 do que o menino viu e sentiu eu tam-
vedo e Gonçalves Dias.
                                                 bém vi e senti do mesmo modo. Esta é
     Nos semestres mais adiantados,              uma das mágicas da palavra escrita: o
estudamos literatura moderna e, então,           outro, aquele que está ali nos livros,
me emocionei com Cecília Meireles,               somos nós mesmos.
Fernando Pessoa, Carlos Drummond de
                                                                                        )
Andrade e, definitivamente, apaixonei-

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        Creio que esses últimos romances
de que falei, os romances sertanistas, fo-
ram muito importantes para eu valorizar
a linguagem de minha gente, a minha lin-
guagem, sempre pontuada por palavras
fortes, impregnadas pelo sotaque nordes-
tino. Pude também compreender que os
rendeiros, os ciganos, os loucos da minha
infância, os homens, as mulheres, as cri-
anças que conheci ou de quem ouvi con-
tar, estão aqui – dentro de mim – espe-
rando eu lhes dar voz e contar suas histó-
rias...
      Penso, ainda, que através da leitu-
ra, pude me reconhecer: sou mulher nor-
destina, gente da terra com o umbigo en-
terrado na porteira do curral. Agora, final-
mente, me orgulho de minha origem e
percebo a beleza de tudo que vivi em mi-
nha infância de "menina de fazenda".
        E, para encerrar declaro definitiva-                      Participar do Varal? Sim-
mente: amo os livros; amo a poesia; amo                           ples!
as palavras. E amo, sobretudo, a palavra                          Entre em contato pelo e-
escrita e respeito seu poder de constru-
                                                                  mail
ir... e de destruir mundos.
                                                                  varaldobrasil@gmail.com

                           (maio de 1997)




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Do Papiro ao Papel Manu-
                                                  A MANUFATURA
faturado
Artigo (reprodução) http://
                                                  O papel como conhecemos surgiu na
www.usp.br/ De outubro de 2002, por               China no início do século 2, através de
Cinderela Caldeira                                um oficial da corte chinesa, a partir do
                                                  córtex de plantas, tecidos velhos e fra-
                                                  gmentos de rede de pesca. A técnica
                                                  baseava-se no cozimento de fibras do
                                                  líber - casca interior de certas árvores
O livro tem aproximadamente seis mil              e arbustos - estendidas por martelos
anos de história para ser contada. O              de madeira até se formar uma fina ca-
homem utilizou os mais diferentes ti-             mada de fibras. Posteriormente, as fi-
pos de materiais para registrar a sua             bras eram misturadas com água em
                                                  uma caixa de madeira até se transfor-
passagem pelo planeta e difundir seus
                                                  mar numa pasta. Mas a invenção levou
conhecimentos e experiências.                     muito tempo até chegar ao Ocidente.
                                                  O papel é considerado o principal su-
Os sumérios guardavam suas informa-               porte para divulgação das informações
ções em tijolo de barro. Os indianos              e conhecimento
                                                  humano. Dados históricos mostram
faziam seus livros em folhas de pal-
                                                  que o papel foi muito difundido entre
meiras. Os maias e os astecas, antes              os árabes, e que foram eles os respon-
do descobrimento das Américas, escre-             sáveis pela instalação da primeira fá-
viam os livros em um material macio               brica de papel na cidade de Játiva, Es-
existente entre a casca das árvores e a           panha, em 1150 após a invasão da Pe-
madeira. Os romanos escreviam em                  nínsula Ibérica.
tábuas de madeira cobertas com cera.
                                                  No final da Idade Média, a importância
Os egípcios desenvolveram a tecnolo-              do papel cresceu com a expansão do
gia do papiro, uma planta encontrada              comércio europeu e tornou-se produto
às margens do rio Nilo, suas fibras uni-          essencial para a administração pública
das em tiras serviam como superfície              e para a divulgação literária.
resistente para a escrita hieróglifa. Os
                                                  Johann Gutenberg inventou o processo
rolos com os manuscritos chegavam a               de impressão com caracteres móveis -
20 metros de comprimento. O desen-                a tipografia. Nascido, em 1397, da ci-
volvimento do papiro deu-se em 2200               dade de Mogúncia, Alemanha, traba-
a.C e a palavra papiryrus, em latim,              lhava na Casa da Moeda onde apren-
                                                  deu a arte de trabalhos em metal. Em
deu origem a palavra papel.
                                                  1428, Gutenbergparte para Estrasbur-
                                                  go, onde fez as primeiras tentativas de
Nesse processo de evolução surgiu o               impressão.
pergaminho feito geralmente da pele               Segundo dados históricos, em 1442,
de carneiro, que tornava os manuscri-             foi impresso o primeiro exemplar em
tos enormes, e para cada livro era ne-            uma prensa. Em 1448 volta à sua ci-
cessária a morte de vários animais.               dade natal, e dá início a uma



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sociedade comercial com Johann Fust e             Ainda de acordo com os dados apura-
fundam a 'Fábrica de Livros' - nome               dos, o grau de escolaridade mantém
original Werk der Buchei. Entre as pro-           influência decisiva para a leitura. O
duções está a conhecida Bíblia de Gu-
                                                  grupo de pessoas que mais compra li-
tenberg de 42 linhas.
                                                  vros no País possui nível médio de es-
A partir daí o mundo não seria mais o             colaridade.
mesmo. A partir do século 19, aumen-
ta a oferta de papel para impressão de
livros e jornais, além das inovações              A LEITURA
tecnológicas no processo de fabrica-              Plínio Martins Filho, presidente
ção. O papel passa a ser feito de uma             da Editora da USP e professor no curso
pasta de madeira, em 1845. Aliado à               de Editoração da Escola de Comunica-
produção industrial de pasta mecânica             ções e Artes (ECA), diz que o consumo
e química de madeira - celulose - o pa-           de livros no Brasil só não é maior por
pel deixa de ser artigo de luxo e torna-          uma questão de hábito. "Uma das cau-
se mais barato.                                   sas da falta de hábito é que a leitura
As histórias, poesias, contos, cálculos           tem que disputar espaço com outras
matemáticos, ideias e ideais poderiam,            formas de entretenimento. As grandes
a partir de agora, percorrer mares e              editoras do Brasil surgiram junto com
terras e chegar ás mãos de povos que              o rádio e a televisão que, de alguma
                                                  forma, são meios de lazer baratos e de
seus autores jamais imaginariam.
                                                  fácil acesso."
                                                  Segundo ele, a distribuição e a divul-
Mas desenvolver o hábito da leitura é             gação de livros no Brasil são precárias.
um desafio a ser enfrentado. Fundada              Não há verba para se fazer divulgação
em 1946, a Câmara Brasileira do Li-               de livros pela televisão, que é uma mí-
vro é uma das iniciativas criadas com a           dia cara. E os jornais tratam como as-
                                                  sunto de final de semana. "Um exem-
missão de desenvolver a leitura no Pa-
                                                  plo disso é que na França a venda de
ís e difundir a produção editorial brasi-         jornais aumenta no dia em que são pu-
leira. A CBL, uma entidade sem fins               blicadas resenhas. No Brasil as rese-
lucrativos que reúne editores, livreiros          nhas são publicadas nos dias em que
e distribuidores, realizou em 2000 uma            se vende mais jornais", afirma ele
pesquisa em todo o País para avaliar a
indústria do livro nacional.

Segundo a pesquisa, há no País cerca
de 26 milhões de leitores, e 12 milhões
de compradores são das classes B e C.
Sendo que 60% têm mais de 30 anos,
e 53% são moradores da Região Su-
deste. Da população alfabetizada com
mais de 14 anos, 30% leu pelo menos
um livro nos últimos três meses.




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                                                    asm@folha.com.br




                                                                Nunca pensei em escrever, quando diziam
             Minha Paixão                                que eu “levava jeito”, desconversava; escrever um
                                                         livro era algo sagrado demais para uma simples
                Por Ana Rosenrot                         mortal como eu.Mas graças ao apoio de uma pro-
                                                         fessora especial, a Dona Jussara, criei coragem e
                                                         comecei a escrever meus primeiros contos − que
       Nasci numa casa sem livros, mas possivel-         depois se tornaram muitos −, crônicas e poesias.
mente trouxe essa paixão de outra existência, pois       Arrisquei mostrá-las a algumas pessoas, fui elogi-
desde sempre vivia admirando os mais diversos            ada, criticada, censurada pelos meus pais, que ti-
volumes, achava-os lindos, mesmo antes de                nham preconceito contra escritores – que não ga-
aprender a ler.                                          nharão dinheiro e serão tratados como loucos − ,
      Alfabetizei-me sozinha, aos quatro anos,           apesar de tudo, não desisti, escrever é como um
recolhendo recortes de jornais velhos, copiando as       vício, quando você começa a libertar seus senti-
palavras, pedindo para alguém lê-las para mim e          mentos não há mais como prendê-los.
depois as repetia incansavelmente até aprendê-las.             Quando li pela primeira vez um trabalho
       Comecei minha coleção de tesouros – que           meu impresso, parecia tão irreal, era minha essên-
hoje enchem estantes e mais estantes − quando ia         cia que estava ali, revelada ao mundo; entendi
às feiras da cidade; enquanto as outras crianças         naquele instante o que sente cada autor ao conce-
choravam pedindo brinquedos ou doces – o que             ber um livro, ele é seu filho, seu amante, sua al-
era considerado normal – eu, a esquisita, pedia          ma, é você de verdade.
livros – ilustrados, brilhantes, lindos – e passava             É muito difícil, até irritante, aventurar-se no
horas tocando, sentindo, devorando cada letra de         mundo literário num país como o Brasil, onde os
minhas preciosidades.                                    livros ainda são considerados elitistas, onde é pre-
       Na escola encontrei meu templo: a bibliote-       ciso estar na moda para ser lido e as chances para
ca. Suas estantes repletas, pulsantes, em cada titu-     os novos escritores são muito pequenas. Mas não
lo havia um mundo novo que a mim se revelava.            devemos desistir, apesar de muitos dizerem que
      Não sei, nem poderia contar, quantos livros        devido à era tecnológica eles entrarão em extin-
li em trinta e poucos anos de vida, não poderia          ção, os livros foram responsáveis pelo desenvol-
também contar sobre o que falava a maioria, pois         vimento da civilização e dificuldades à parte, eles
os absorvi de tal forma que passaram a fazer parte       sempre serão importantes para nós, leitores e es-
da minha própria história. Mas alguns foram es-          critores.
peciais, às vezes consigo lembrar melhor de um                  Não posso, nem quero, prever o amanhã
fato pelo livro que estava lendo na ocasião do que       dos livros e acho que ninguém pode, só sei que
pelo fato em si.                                         eles estarão sempre ao meu lado.
       Os livros sempre foram meus melhores                     E como eu poderia sobreviver sem a minha
amigos, minha companhia fiel das horas difíceis,         paixão?
meu amor e ódio; tenho sempre um livro por per-
to, mesmo quando não estou com tempo para ler,
pois somente o contato, a familiaridade, me traz
uma incrível sensação de paz e segurança.


                                                 www.varaldobrasil.com                                            19
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                                         anair_weirich@yahoo.com.br




                                                    do seu peso,
PESO QUE NÃO
                                                    elas amenizam
PESA
                                                    no peso da recompensa.
                                                    E quem pensa
                                                    que palavras não pesam,
Por Anair Weirch                                    não pensa.


                                                    É... as palavras pesam!...
O peso das palavras                                 Mas as letras dançam
é a cruz que carrego...                             ao som dos meus passos,
e me nego a negá-la!                                e os sonhos me levam.
                                                    As palavras?
Pesada cruz de letras.                              Estas, já não pesam!
Arrastada...
incompreendida...
Quiçá, de causa perdida,                            Poesia premiada com o pri-
                                                    meiro lugar no Concurso Na-
mas me apraz carregá-la!
                                                    cional de Poesias da Editora
                                                    Taba Cultural
Meus braços, esfolados                              Rio de Janeiro – 2005
das palavras,
doloridos por seu peso,
as transportam com enle-
vo.


Na ânsia pelo alívio


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                                          xavier.arr@gmail.com




                                                      dem personagem e ator, na escrita confun-
     VIDA DE ESCRITOR                                 dem o autor e sua obra. Acham que o texto é
                                                      autobiográfico, que é real, que você viveu
             Por Angela Xavier                        linha por linha do que está escrito.
                                                             Tenho alguns poemas classificados
                                                      como eróticos e/ou sensuais e já ouvi mui-
        Escrever é um ato de coragem. Eu              tos comentários desse tipo, com ar de admi-
diria isso e acrescentaria: escrever é para           ração e até certa malícia: Nossa você fez
os fortes! Pessoas fracas, que não perse-             isso? Você fez aquilo? Curiosamente, o
veram e que costumam recuar ao primeiro               texto se referia à leitura de uma reportagem
obstáculo, não deveriam escrever, muito me-           estampada numa revista masculina. Outros
nos publicar.                                         questionam: para quem você escreveu is-
A princípio, alguém perguntaria: escrever pa-         so? Não passa pela cabeça deles que nem
ra que, se ninguém lê? E isso é uma verda-            sempre falamos sobre nós, sobre o que vive-
de que, ao mesmo tempo, nos remete a um               mos ou fazemos. Nossa imaginação é quem
paradoxo: a produção editorial brasileira so-         vai guiar o que escrevemos e com ela segui-
mente em 2010, segundo dados da Câmara                mos rotas inesperadas!
Brasileira do Livro, totalizou 55 mil títulos, o
equivalente a 210 obras por dia útil, em to-                 Matamos muitos leões por dia, sacrifi-
dos os gêneros. Para onde vão esses livros?           camos momentos de folga, viajamos, partici-
        Os meus estão aqui, enquanto eu en-           pamos de feiras literárias, antologias, con-
gendro mil e uma estratégias para que che-            cursos. Assumimos os custos de toda essa
guem aos leitores. Leitores que nem são               movimentação cultural, não sem antes
meus ainda, mas que terei que conquistar.             passar por uma verdadeira maratona, que é
Esse é o maior desafio de quem publica um             a produção de um livro, desde você ter a
livro e por isso, requer coragem.                     ideia, escrever os textos, selecioná-los, gra-
        O camarada tem que ser muito ma-              var em arquivo ou CD, escolher a editora (e
cho como diria meu pai, para deixar registra-         nesse ponto temos que ser criteriosos, pois
do num livro seu pensamento sobre seja lá o           existem muitos picaretas no mercado), solici-
que for. Sempre haverá alguém disposto a              tar orçamento, fechar o contrato, decidir
discordar, achar aquilo piegas ou ficar tecen-        quem vai prefaciar, fazer a apresentação da
do considerações sobre o porquê do autor se           obra, elaborar os textos das dedicatórias, os
pronunciar desta ou daquela forma, em que             agradecimentos, as orelhas (direita e esquer-
momento e em que circunstâncias aquilo                da) e o texto da contracapa.
aconteceu. Assim como nas novelas confun-


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        Importante nessa etapa que o autor             mação de poesias ou alguém que toque mu-
tenha uma biografia atualizada. Caso não               sica instrumental.
possua, deve elaborá-la, citando os livros                     Se quiser que seu livro chegue ao
que publicou, os prêmios recebidos e os des-           consumidor final acompanhado de um mar-
taques de sua carreira. Acompanha a biogra-            cador de páginas, você deve contratar os
fia uma foto atualizada do autor. Procuro es-          serviços de uma gráfica e arcar com mais
colher uma foto em que esteja bem produzi-             essa despesa. Também deve providenciar a
da, logicamente. Mesmo assim, quando me                confecção de um banner, em tamanho pa-
veem no dia a dia, sem produção e eu mos-              drão, que ficará exposto no local do evento,
tro o livro, ao ver a foto inevitavelmente ouço        com pelo menos 15 dias de antecedência,
essa frase: Nossa, como você está diferen-             para chamar a atenção do público em geral,
te! Diferente é elogio? Se for, tá valendo!            que pode até trazer mais gente para o seu
        Mas se alguém pensa que a maratona             evento, se o que você divulgar for convincen-
acabou, que nada! Está só começando! De-               te.
pois de concluído o processo de produção, vem o                Muitos escritores se decepcionam
lançamento e aí preparem os bolsos, pois os            com a quantidade de livros vendidos no dia
custos são altíssimos! Algumas editoras opor-          do lançamento. Nesse ponto não é bom criar
tunizam ao escritor o lançamento do livro em           expectativas. Tem muita gente que compare-
eventos literários nacionais importantes (como         ce, serve-se do buffet, te abraça, dá os pa-
bienais, entre outros). O custo de um lança-           rabéns e vai embora. Demonstrou considera-
mento desse porte inclui despesas de via-              ção por você? Demonstrou! Era obrigada a
gem e estadia por conta do autor. Algumas              comprar o livro? Não era! Então, porque a
editoras cobram para expor o livro nesse tipo          decepção? Numa outra oportunidade essa
de evento (costumam até fazer pacotes pro-             pessoa poderá comprar o livro e até indicá-lo
mocionais). Outras oferecem o serviço gra-             a alguém que se interesse por aquele gênero
tuitamente, desde que o escritor feche o con-          literário, caso ela não tenha se interessado.
trato da produção do livro com eles.                           Tem quem goste de poesia e quem
        Recentemente lancei meu livro na Bie-          não goste. Poesia vende? Poesia não ven-
nal de São Paulo e posso dizer que, nada se com-       de? São questionamentos que se ouvem aos
para a emoção da primeira vez que tocamos              montes. Eu digo: sempre haverá espaço pa-
em nosso livro, finalmente pronto! É como              ra o que é bom.
um filho que acaba de nascer, mas você ain-                    Vida de escritor não é fácil. Para enca-
da não viu a cara que ele vai ter, entende?            rar tudo isso tem que ter paixão, determina-
Receber miolo, capa e vistar autorizando a             ção e coragem. Viver é assumir riscos. O
impressão, não é a mesma coisa! Agora,                 máximo que pode acontecer é você perder
poder vê-lo num estande, sendo exposto nu-             tempo, dinheiro e ficar com estoque enca-
ma das maiores feiras literárias do mundo, é           lhado. Mas se não tentar, nunca vai saber.
uma sensação tão incrível que fica difícil tra-
duzir em palavras! Muito bom!!!
        Depois do lançamento na Bienal (que
já confere um certo status à sua obra) é ho-
ra de lançarmos em nosso município e, de-
pendendo do local que escolhermos (se for
uma livraria da moda, dessas bacanas que
existem nos shoppings), só para fazer o lan-
çamento e deixar o livro à venda, arcarmos
com cerca de 40 a 50% do preço de capa.
        Definido o local, vem a organização do
cerimonial, providenciar convites, entregá-
los, contratar buffet (caso esteja nos seus
planos servir um coquetel), providenciar uma
atração cultural, que pode ser canto, decla-


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  23 de Abril – Dia Internacional do Livro


O Dia Internacional do Livro e dos Direitos Autorais,
23 de abril, é comemorado para estimular a reflexão
sobre a leitura, a indústria de livros e a propriedade
intelectual (direito sobre a criação de obras científicas,
artísticas e literárias).

A data foi instituída em 1995, pela Unesco – organiza-
ção voltada para a Educação, Ciência e Cultura, que
integra as Organização das Nações Unidas. A escolha
do Dia do Livro não foi aleatória: em 23 de abril de
1616 faleceram Cervantes e Shakespeare, dois desta-
ques da literatura universal.

O Dia do Livro é, portanto, uma oportunidade de ren-
der uma homenagem mundial ao livro e aos seus au-
tores, motivar a descoberta do prazer da leitura e re-
conhecer a contribuição dos escritores para o progres-
so social e cultural. A ideia dessa celebração surgiu na
Catalunha (Espanha), onde, nessa data, tradicional-
mente, dá-se uma rosa ao comprador de um livro.



              Fonte: hƩp://a-informacao.blogspot.ch/




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                                         veranai@yahoo.com.br




                                                       Que ensinaram, a alçar voo através de
                 O Livro                               páginas
                                                       Lentamente viradas, guardando emoções
                                                       surgidas.
               Por Anna Back                           Onde letras, figuras e sons, convidam
                                                       A transcender-se do aqui, do agora, da
                                                       vida...


                                                       Livro é sonho, é busca, é querer mais e
Instrumento ímpar no mundo há,
                                                       mais.
Como um mestre a soprar no ouvido.
                                                       Mágica, encantamento, sensações...
Se fechado, instiga a curiosidade...
                                                       Quem escreve um livro, gera um filho queri-
Se aberto, doa-se em respostas ao eco                  do!
emitido.
                                                       Na ansiedade da aceitação, vive a quimera,
De banho, de pano, em quadrinhos,                      um pouco doída,
colorido...
                                                       No propósito de mostrar ao mundo, sua cria,
Preto e branco, palpável, em braile, virtual!          gerada,
Assim se apresenta nosso amigo livro,                  De peito e alma abertos, extrai e expõe
Científico, religioso, único, de enciclopédia,         Seu âmago, sua alma, o que diz seu
De estudo, poético, lazer ou informal.                 coração,

Poucas coisas se comparam a ele na vida                Nem sempre razão, mas pura emoção,
da gente!                                              Solta, livre ao vento, ou em casulo, contida.
                                                       Todo livro, traz escancarada, a intenção do
Quem esqueceu o primeiro contato, o                    autor.
enamorar-se?                                           Seja ciência, informação, poesia, devaneio...
As primeiras leituras feitas ou no colo,               Lazer, história, de cunho religioso, social...
ouvidas,
                                                       Foi feliz quem ao escrever, lançou mão
De pais ou avós, irmãos, tias, pessoas
                                                       De vontade, desprendimento, material...
queridas,



                                              www.varaldobrasil.com                                     24
Varal do Brasil, literário sem frescuras!




E soube sutilmente penetrar no interesse e atenção
De quem o leu, o compreendeu e se sentiu tocado
  No profundo do seu EU, seu ser, seu coração!
   Li livros incríveis, inteligentes, que marcaram
   Momentos, encontros, fatos, pra toda a vida.
      Leituras furtivas, secretas, proibidas...
 Outros fúteis, equivocados, vazios de propósitos.
 Às vezes, parei pra pensar tamanha capacidade
   De autores fantásticos, imaginações férteis,
 Leitura agradável, envolvente, capaz de prender,
  Aprisionar almas no enlevo das belas palavras
Sutilmente escritas pra sempre, na vida da gente.
Escrevo fragmentos, quem sabe um dia, reunidos,
     Se tornem um livro, sonho acalentado...
   Mas serei feliz, se com meu querer escrever,
  Ter tocado a emoção, ter sido bálsamo, ânimo
  Pra algum coração desanimado, triste, recaído!




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       arletesan@terra.com.br




           NASCIMENTO

           Por Arlete Trentini dos Santos



           PEGA LAPIS E PAPEL
           RISCA RABISCA OU
           TECLA AQUI, DELETA ALI
           É IDÉIA SURGINDO

           OS PENSAMENTOS CRIANDO VIDA
           RETROCEDEMOS
           OU AVANÇAMOS NO TEMPO.
           VIAJAMOS, VAGAMOS...

           FRIO OU CALOR
           RIQUEZA OU POBREZA
           PRATO FARTO OU SOBREMESA
           COLOCAMOS A NOBRE MESA.
           IMAGINAÇÃO COLORIDA
           ÀS VEZES ATÉ DOLORIDA
           NASCE ASSIM, LOGO EM SEGUIDA
            A CRIA GANHANDO VIDA

           UMA EDITORA SE HABILITA
           E FAZ ASSIM NOSSA ESCRITA
           GANHAR VIDA NO PAPEL
           DE UM PARTO BEM DEMORADO
           POR MUITOS ELABORADO
           NASCEU ENFIM O ESPERADO...


            O LIVRO




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                                                       linamacieira@hotmail.com




O livro e sua Magia



Por Audelina de Jesus Macieira



    Um livro é mais que um livro, ele é um professor e ao mesmo tempo é aluno, ele é
um sonho encantado e também é um sonho realizado, um livro é uma passagem secreta
para o prazer e para o conhecimento. Um livro é capaz te fazer flutuar e te fazer pensar
que é um passarinho livre para ir longe batendo suas assas até o infinito. Quando se es-
creve um livro é algo especial, é uma criação, escrever exige dedicação e horas de muita
emoção, paciência e criatividade. Ao escrever imaginamos ser um ser em construção, po-
demos construir um mundo próprio que vai invadir a vida do leitor que pode se apaixonar,
rir ou chorar, este encantamento começa a cada letra, a cada palavra que formando frases
descreve o que autor está vivenciando naquele instante.

      Como autora de poesias e histórias eu me torno várias entidades, sou tudo e sou
nada, um cachorro, um amante, uma árvore, uma luz, um sentimento, uma razão, uma
certeza, qualquer pessoa ou coisa. Sou eu mesma e sou quem eu represento em cada
sentimento de ódio ou de dor, de alegria ou de amor, sou eu o tempo todo nas dores que
não são minhas e sendo minhas talvez, sou assim interprete das coisas da vida como já
havia dito antes em versos do poema Vida.” Vida que queres que eu seja, um homem,
uma mulher , uma flor, uma semente, uma cor ou uma figura de gente. Sou eu amada?
Sou eu ódio em carne viva, sou caminho desta estrada, sou vida e vida e mais nada.”



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Um livro representa para mim múltiplos sentimentos de ensinamentos que ficarão na vitória
do mocinho contra o bandido, na derrota da bruxa, na descoberta da felicidade por crianças
encantadas, na luta constante do bem contra o mal, e ai entendemos o quanto é bom lê e o
quanto é bom para o escritor saber que alguém leu o seu livro. Pois sabemos o quanto um
livro leva tempo para ficar pronto, a preocupação com cada palavra com cada frase, buscar
uma editora que compartilhe suas ideias, e ainda vê as ilustrações e todos os detalhes, as-
sim o livro vai se apresentando aos poucos e se formando como um ser que tem vida. Todo
livro é especial para quem lê e especial para quem escreve, quem escreve ta preocupado
em ofertar com o seu livro emoções, causar indignação se for o caso e em outros aspectos
até fazer dormir aquele que lê.

        Um livro é um amigo, um irmão, um mensageiro e às vezes até lhe diz mais que pa-
lavras lhe ensina a viver. Quando eu li um livro pela primeira vez eu tinha sete anos e até
hoje me lembro da emoção que me causou, eu ria muito com aquelas palavras novas que
estavam ali, era um livro de histórias infantis Ali Baba e os quarenta ladrões, muito bom, e
daí não parei mais, li muitos livros, li Carlos Drummond e Jorge Amando entre outros escri-
tores e me apaixonei, ao Chegar a Faculdade , percebi o quanto toda aquela leitura era im-
portante na minha vida, a leitura é uma bagagem que levamos dentro de nós, e nos dá su-
porte para adquirir conhecimento de mundo. As dificuldades existem para quem escreve um
livro, pois as editoras não estão, mas valorizando os jovens poetas ou jovens escritores, na
verdade temos que custear nossos livros para que ele enfim chegue às mãos de leitores e
assim divulgar este trabalho tão maravilhoso que é escrever, contudo espero com esperança
vê as letras de minhas poesias se espalhar por terras distantes e mesmo que de forma tími-
da fazer alguém ri ou chorar , dormir e sonhar.




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                                                 beƩyescritora@silber.com.br




                                        O LIVRO
                                                                             Por Betty Silberstein


       Até chegar ao nosso atualíssimo e-book, muitos materiais foram usados como supor-
tes para a escrita: ossos, bronze, cerâmica, conchas, bambu. Alguns dos antigos mais co-
nhecidos foram a tabuleta de argila escrita em língua suméria (2400 - 2200 a.C.) e o Livro
dos Mortos (Egito), em papiro (em torno do ano 1000 a.C.). A seda, na China, foi também
uma base para a escrita, feita com pincéis. Na Índia, foram utilizadas folhas de palmeiras
secas.
       A partir do momento que a escrita foi transposta para o papel, transformado em livro,
podemos perceber que sua história é de inovações técnicas, as quais o ser humano só teve
a ganhar, já que com isso foi aperfeiçoada a qualidade de conservação do texto, o acesso
à informação passou a atingir um número crescente de pessoas, sem contar a portabilidade
e o custo de produção. A partir do primeiro livro impresso (1455) a Bíblia, em latim, com a
prensa de tipos móveis reutilizáveis, inventada por Gutenberg, o sonho atemporal de escri-
tores do mundo inteiro passou a se concretizar: o livro popularizou-se definitivamente, tor-
nando-se mais acessível pela redução enorme dos custos da produção em série.
      Não me parece que as coisas mudaram muito para o escritor desde os primórdios
dos tempos até os dias de hoje.
       A tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro continua sendo
tarefa do autor, que dedica horas, dias, meses a fio pensando, escrevendo, reescrevendo
mil e uma vezes até que seus originais cheguem às mãos de uma editora. Se um leigo no
assunto acredita ser esta a parte mais difícil para a publicação de um livro... engana-se re-
dondamente: por incrível que pareça, esta é a parte mais fácil para o escritor, cuja via cru-
cis se inicia a partir do momento que este sonhador está com seu manuscrito debaixo do
braço, peregrinando de editora em editora para ver se alguma se interessa em publicá-lo.
       SE isso acontecer... maravilha! Tirou a sorte grande. Caso contrário, terá que bancar
mesmo seus escritos. Entretanto, mesmo resolvendo esta primeira etapa (de uma maneira
ou outra), ainda falta um belo marketing em cima do produto, uma inteligente estratégia de
divulgação e distribuição e uma dose cavalar de paciência para acertos de contas com li-
vreiros e distribuidoras de livro e quem sabe receber algum dinheiro por todo o trabalho.



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       É... realmente um longo caminho, mas posso dizer com conhecimento de causa que
VALE A PENA! Ao segurar nas mãos seu “baby impresso” é uma sensação indescritível. Só
comparada à alegria e orgulho de alguém ter lido seus textos, ter elogiado e reconhecer seu
trabalho.
        Por isso, acho sensacional o Varal do Brasil dedicar um número todinho a esse tema
tão difícil, mas superinteressante, para dar força, ânimo e quiçá algumas dicas para os novos
(e os não tão novos assim) escritores de plantão.
       Que aproveitemos bastante esse número especial do Varal, que trata de um importan-
te produto intelectual e de consumo dos dias de hoje: este “poço sem fundo” de informação,
conhecimento e sabedoria, que é o LIVRO!




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                                     carlosluciogonƟjo@terra.com.br




                                                que representa significativa glória num
Palavras jogadas ao léu                         país em que as editores não investem
                                                nem apostam em novos autores (digo
                                                isso no tocante ao ato de se fazer co-
      Por Carlos Lúcio Gontijo                  nhecido, uma vez que existe gente com
                                                idade avançada e sem qualquer trabalho
                                                editado), obrigando aos que pretendem
      Não me perguntem aonde ir para            tirar a sua obra da gaveta, em tempo de
encontrar leitores, pois nunca soube. As        democrática ditadura de intensa propa-
bibliotecas estão sempre vazias, as li-         gação do grotesco ou, no mínimo, de
vrarias repletas de autores estrangeiros        valor cultural duvidoso, que por sua vez
e livros de autoajuda, enquanto a litera-       leva adultos, adolescentes e crianças a
tura brasileira sobrevive com a simples         dançarem na boquinha da garrafa. Infe-
e costumeira citação de grandes auto-           lizmente, entre nós, o esmero tecnológi-
res, que verdadeiramente também são             co da imagem digital chegou às
muito pouco lidos. Não entendo também           “nossas” televisões antes de as mesmas
de busca de recursos para se editarem           implantarem qualidade em sua rede de
livros, porque nunca obtive sucesso             programação.
nessa empreitada, consciente de que a
política cultural brasileira só favorece             Se eu fosse tangido pela busca de
aos que se acham sob os holofotes da            fama e sucesso não estaria me moven-
mídia, o que determina fluxo volumoso           do para editar o meu 15º livro (POESIA
de recursos para as mesmíssimas cele-           DE ROMANCE E OUTROS VERSOS) nem
bridades e famosos de sempre. Todavia,          disposto a investir quantia, para mim
em torno desse assunto, as discussões           volumosa, em meu site, que está no ar
se prendem mais ao calor obscurantista          desde 5 de junho de 2007. Uma vez
do fogaréu das vaidades que à luz da            que, hoje, o que determina notoriedade
real busca de soluções.                         são a inventiva e o comportamento es-
                                                drúxulo ou completamente anômalo e
      Houve um tempo em que concur-             contrário aos chamados bons costumes,
sos literários lançavam novos talentos,         tratados como desnecessários ditames
mas hoje eles só servem para propiciar          ultrapassados.
alguma pequena edição ao ganhador, o


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     A dilapidação promovida ao senso           depois de tão longa caminhada. Só me
comum que norteia a convivência em              resta mesmo impor-me alguns sacrifí-
sociedade vem exatamente dos órgãos             cios em nome do invisível, do que não
que deveriam atuar em sua defesa. Os            se vê: a energia imaterial do halo da
poderes Executivo, Legislativo e Judici-        alegria de efetivar o exercício de um
ário se consideram (e se põem) acima            dom, ainda que as palavras me pare-
da nação brasileira, que sabiamente os          çam jogadas ao léu.
julga pelo produto final que a ela é
apresentado. Vem daí a generalização                 Enfim, sou brasileiro comum. Faço
da reclamação popular, pois quando              parte desse povo, que apesar dos go-
uma prestação de serviço não é satisfa-         vernantes e dos podres poderes, conse-
tória o consumidor recorre ao PROCON            gue sobreviver e driblar as pedras ati-
contra a loja vendedora ou a fábrica            radas em seu caminho. Termino então
produtora, não lhe sendo exigida a indi-        repetindo reflexão de Sigmund Freud,
cação de nomes – ao produtor da mer-            grande explorador da alma humana:
cadoria defeituosa cabe, se assim o de-         “Mas posso me dar por satisfeito. O tra-
sejar, a descoberta do funcionário res-         balho é minha fortuna”.
ponsável pela ocorrência! Ou seja, a
má prestação de serviço advinda da
ação dos Três Poderes é problema rela-
tivo a todos aqueles que o integram.
Cabe a cada um deles e mais especifi-
camente aos que se nos apresentam
como a parte boa, reclamando da cons-
tante acusação generalizada, agirem
em prol da devida apuração. Afinal, não
se trata de seres inanimados; não são
maçãs sadias enfiadas, involuntaria-
mente, em saco de aniagem em meio a
frutos putrefatos...

      Em ambiente assim perverso, no
qual os que deveriam dar o exemplo
insistem em não dá-lo, assisto ao coti-
diano crescimento da cultura do levar
vantagem em tudo, que vai levando a
tudo de roldão. Para onde olho eu vejo
podridão: é político com dinheiro na cu-
eca, na meia, no porta-malas, no banco
do carro; são favorecimentos e desvios
de recursos públicos em montante ini-
maginável, mas que pode ser dimensio-
nado pela paisagem de abissais carên-
cias sociais que nos rodeia.

      Quem sou eu, pequeno escriba,
para perder o fio da meada, abandonar
a literatura menor que realizo (mas que
é a minha vida) à beira do caminho,


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                           cesarsf@ymail.com




Independente, e por que não?                      ta" consideram como requisito impres-
                                                  cindível, a diplomação acadêmica ou
                                                  frequência em oficinas literárias que
Por César S. Farias                               ensinam o autor a escrever. São pon-
                                                  tos de vista que, á meu ver, devem ser
                                                  respeitados mas não aplicados como
        Nem todos os escritores conse-            verdade absoluta. Se você, mesmo
guem um contrato com alguma editora               sem possuir os atributos que chamam
disposta a valorizar o seu trabalho,              a atenção da indústria literária, acredi-
com possibilidades de lucros razoáveis            ta nas suas ideias e em sua capacidade
para ambas as partes. A estes, que não            de cativar leitores, deve cedo ou tarde
estão dispostos a permanecerem por                tomar uma atitude para ganhar um lu-
tempo indefinido batendo em portas e              gar ao sol.
mais portas de editoras, resta hoje o
caminho independente da auto publica-                   Eventos como a Feira do Livro de
ção. Felizmente, com o advento da in-             Porto Alegre permitem, ao contrário da
ternet e o progresso dos recursos de              maioria dos encontros literários do pa-
computação, o monopólio da impressão              ís, um espaço aos escritores indepen-
saiu das mãos de umas poucas empre-               dentes, que investem em seu próprio
sas que abasteciam o pequeno merca-               trabalho para mostrarem às pessoas
do de leitores do nosso país. É possí-            que existe vida inteligente fora das edi-
vel, com critérios e dedicação, chegar-           toras. A coletânea de contos "O Grande
se a um resultado final que permita ao            Pajé", lançada oficialmente na 57ª edi-
escritor concretizar a montagem da sua            ção     do     evento,    propõe      um
obra para apresentá-la ao julgamento              olhar reflexivo ao consumo da maco-
crítico do leitor. Dessa forma, consegue          nha, erva sagrada para vários tribos
ele formar, gradativamente o seu pró-             indígenas, e a impune violência contra
prio público.                                     os animais em nossa sociedade atual.
                                                  Certamente, as abordagens polêmicas
       Entre os fatores que contribuem            da obra, não colocam-na entre as pre-
decisivamente para a aceitação da obra            feridas do grande público, contudo, o
no mercado editorial convencional, está           autor faz dela mais um grito de alerta
a temática da obra. As ideias propos-             sobre o desrespeito às culturas e for-
tas, aliadas a uma hábil narrativa, ga-           mas de vida diferentes da nossa.
rantem a simpatia ou não dos fabrican-
tes de livros. Muitos "doutores da escri-


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                    cleoreispoema@hotmail.com




    LIVROS

Por Cléo Reis

Emano minhas leituras pelo Universo
Brisa e Sol abraçam ideias iluminando a
Vida

De um banco qualquer ou do meu tra-
vesseiro,
sob o manto celestial bordado de luzes,
abraçada à Natura que dentro de mim re-
pousa,
silentes Autores e letras entrelaçadas
 por inspiradoras Brisas rodeiam-me
 na mudez da escrivaninha transcendental

Livros são Pontes-
perene arco-íris Universal
levando-me a profundezas de
reflexões revigorantes

Ameno exercício espiritual
Novas roupagens,
 róseas, florescentes
para minha alma
em sublimações e completudes.




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                                                hana.haruko2@gmail.com




UM DIA DE LIVROS, MUITOS LIVROS E ÁRVORES

Por Clevane Pessoa de Araújo Lopes


Jacqueline Aisenman de azul, e sua árvore, Terezinha, observada por Rogério Salgado e
por mim, (Clevane Pessoa), no Jardim dos Poetas-Lagoa do Nado, em 31 de maio de
2012.Salgado e eu .
 Marco Llobus marcara para 31 de maio, a segunda edição do Jardim dos Poetaspoetas
que passaram pela Lagoa do Nado (*)em Saraus de Poesia , os que fizeram parte do his-
tórico processo ...
A premiada prosadora e poeta Norália de Castro Mello estava nos primórdios da organiza-
ção, em Brumadinho, de um lançamento- do Varal do Brasil-2, onde estamos na qualida-
de de coautoras e organizada por Jacqueline Aisenman a qual lançaria também seu pró-
prio novo livro, "Briga de Foice", pela
Design Editora , de Jaguará do Sul/SC, um belo trabalho editorial. Jacqueline também é
catarinense-e mora há anos, em Genebra. Norália sonhava em reunir aqui, os coautores
mineiros.
Queria sobretudo, oferecer a Jacqueline a grande oportunidade de conhecer Inhotim
(**).Mas as negociações se arrastavam, graças aos valores -e ela então, investiu potenci-
almente na Prefeitura de Brumadinho, onde hoje reside, que cedeu-lhe a Casa da Cultura-
para a recepção de 01 de junho, hospedagem aos poetas e prosadores, várias benesses.
A Secretaria de Cultura e Turismo entrou no esquema produtivo-e Norália pode contar
com Juliana Brasil, Regina Esméria, Maria Lúcia Guedes, Maria Carmen de Souza, que se
empenharam na decoração e na degustação de acepipes tipicamente mineiros juninos.
Segundo comentários dos autores e convidados, foi uma grande confraternização-
continuada em Inhotim e depois no Restaurante D. Carmita, com os lançamentos das an-
tologias citas e livros dos presentes.



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Bem, então, no Dia 31, aqui em Belo Hori-           conteúdo.
zonte, começamos a recepção à Jacqueline,
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que seria homenageada junto com Diovva-             ao registro de nossa história de poetas, nos
ni Mendonça (leia-se Paz e Poesia ***) , no         leva agora, à Lagoa do Nado.
Sarau da Lagoa do Nado, no Restaurante D.
Preta, reduto de poetas ,artistas e pessoas         Lá, além do mini tour pelo pulmão verde e
da Paz, a convite de Claudio Marcio Barbo-          suas águas, com passagem pela exposição
sa , produtor cultural e poeta, que faz parte       a céu aberto da obra enraizada de Mestre
da família que administra o D. Preta prepa-         Thibau., Jacqueline e nós, poetas convida-
ram um substancial prato mineiríssimo, o            dos , fomos levados para plantar nossa ár-
Feijão Tropeiro .                                   vore no Jardim da Poesia.
                                                    Quando saí de casa, sabendo que cada ár-
                                                    vore poderia ser madrinha ou afilhada do
                                                    poeta e o poeta escolheria o nome de sua
                                                    árvore, pensei em achegar-me a uma que
                                                    desse muitas flores , para dar-lhe o nome de
                                                    minha mãe, que adorava o verde. Eu anda-
                                                    va daqui e dali, mas fui atraída por um ce-
                                                    dro. Mesmo ele apresentando uma praga
                                                    branca. Não consegui afastar-me das lindas
Foi organizada uma mesa de livros , para a          folhas oblongas e acetinadas. Então, pensei:
degustação da mente e do espírito, por que          vou dar-lhe o nome de Máximo, pois meu
não, do coração? Jacqueline recebeu as              avô ,paraibano, trovador, cordelista e jorna-
"Palmas Barrocas" - alusivas à arte sacra           lista, repentista sonetista, que ensinou-me a
mineira, uma criação da artista de Sabará-          metrificar e amar a poesia ainda no seu co-
uma das mais antigas cidades mineiras- Dir-         lo, não obstante árvore do gênero feminino
léia Neves Peixoto e que são parcimoniosa-          na gramática, mas comum dos dois na es-
mente distribuídas pelo grupo de Poetas Pe-         pécie, Cedro sempre vai lembrar-me o gêne-
la Paz e pela Poesia., grupo que realiza o          ro masculino.
Paz e Poesia em Belo Horizonte.
No D. Preta, , esperamos a chegada de No-
rália, que chegou com sua filha Daniela.
Desse momento, participaram os poetas e
artistas de Belo Horizonte, Marco Llobus,
Neuza ladeira Rodrigo Starling, Iara Abreu,
Maria Moreira, Adão Rodrigues, Fátima
Sampaio, Rogério Salgado, Claudio Márcio
Barbosa , Serginho BH (fundo musical ao
violão) e eu. Coautoras de outros Estados e
cidades estiveram no congraçamento: Yara
Darin, Maria Clara Machado,e, com Norália
e Daniela, também artista, chegou a alegre
Madhu Maretiori, que lançou seu encanta-
dor "Em Nome de Gaia"- minilivro de grande


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Desejei muita sorte ao meu cedro-que cresça           2:alegria e honra).
o máximo, seja o máximo-sobrenome de vo-
vô, Luiz Máximo de Araújo -pensei .
Depois de curtir a árvore que me escolheu,
fui circular e quando Jacqueline Aisenman foi
batizar a sua, ela disse-me;-Terezinha, o no-
me de minha mãe.
Fiquei literalmente arrepiada .Claro que o
prenome da santinha de Lisieux é muito co-
mum, mas eu, que vivo na memória e no
imaginário, escritora que sou, logo pensei : -
Mamãe, que adorava o pai, deu-lhe lugar.
E assim , toda vez que for ao jardim de nós,
Poetas, no CC Lagoa do nado, vou acarinhar
essas duas árvores: pela amiga distante, em
outro país, Jacqueline Aisenman e cultura o
nome materno de ambas, e o d e vovô, meu
mago iniciador que revelou-me a POIESIS,
como soi ser, com autoria, orgulho e ale-
gria ::Terezinha e Máximo.
Mais tarde, já em casa, li um texto maravilho-
so, em Varal Antológico 2 de Jaqueline Ai-
senman ,denominado Pintura Ingênua, onde
ela abre ao leitor o grande amor por seu
pai ("Meu pai, sentado na cozinha, palpitava
a vida, dava palpites em tudo"), onde a mãe
amada entreaparece, figura de fundo e de
palco ,indispensável( "Ou ia pelos braços
queridos de minha mãe, braços cheios de
alma") .



Realmente , esse plantio para mim, transcen-
deu os objetivos lindos desse jardim de árvo-
res: permitiu-me a sagrada memória familiar
vir bailar conosco por entre as mudinhas es-
perançosas...



Clevane Pessoa de Araújo Lopes
                                                          Fotos: Clevane Pessoa
(A Jacqueline Aisenman, agradecendo o con-
vite para ser e estar em Varal Antológico 2)



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O dia 29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Na-
cional do Livro” por ser a data de aniversário da fun-
dação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a
transferência da Real Biblioteca portuguesa para o
Brasil.
Seu acervo de 60 mil peças, entre livros, manuscri-
tos, mapas, moedas, medalhas, etc., ficava acomo-
dado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do
Carmo, no Rio de Janeiro.
A biblioteca foi transferida em 29 de outubro de 1810
e essa passou a ser a data oficial de sua fundação.


                Fonte: http://www.joildo.net/




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                                                  cris_mascarenhas07@hotmail.com




                                                  às vezes ásperas,
A caminhada “solitária”
                                                  Longas histórias, doces versos, amargos dra-
Por Cristina Mascarenhas da Silva                 mas.
Foi preciso muitos solitários amanheceres
para descobrir
                                                  E de folha em folha, verbo em verbo,
Que não era com aqueles que dividi festas e
bebidas                                           Conheci o significado deste amigo de milhões
                                                  de dizeres,
Com quem poderia contar nos pores de sol
mais tristes....                                  Que me acalenta, me faz lutar,
                                                  Amigo Livro,
                                                  Contigo já estive no Hades, em Roma, no
Caminhei por horizontes sem esperança de
                                                  Grande Sertão,
um fiel amigo,
Quando mal sabia que em dias quentes de
verão o colocava no colo,                         Vivi amores, colecionei dores, voltei a ser cri-
Para protegê-lo guardava num cantinho             ança,
quente de minha bolsa.                            Quis ter uma Bisa Bia, observei um Fantásti-
                                                  co Mistério,
                                                  Criminei Capitu, torci por Aurélia.
Quando as lágrimas rolavam pela minha face,
                                                  Roubei alguns dos seus junto com Liesel na
Eu o retirava do canto mais secreto de meu
                                                  Alemanha Nazista...
armário,
E o acariciava levemente desvendando cada
centímetro seu,                                   Desvendei o mundo pensando que estava só.
Ele me respondia com palavras doces,



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                                              danielcastellobranco@hotmail.com




                                                      mam diferentes sentidos. Seria mesmo a pa-
    O homem, o livro e o                              lavra, segundo Bakhtin, um signo linguístico
         tempo                                        dotado de uma carga sócio-ideológica por
                                                      natureza? Sem dúvida, e tudo isso só me faz
                                                      entender o que já tenho refletido a respeito
          Por Daniel C. B. Ciarlini                   destas ideologias, que se formam de uma só
                                                      palavra ou da conexão entre várias, configu-
                                                      rando sentidos complexos em sentenças,
 (Homenagem ao Dia Nacional do Livro, 29              provando-nos apenas uma coisa: A escrita é
de outubro. Proferido no auditório da Univer-         a sociedade mais bem organizada criada pe-
sidade Estadual do Piauí, por ocasião do En-          lo homem. E a leitura, para quem a pratica,
       contro de Jornalismo Cultural).                logo percebe, é o oxigênio que mantém viva
                                                      a chama do saber.
                                                             O homem, como ser inquieto, fez das
         O que são os homens sem os livros,
                                                      palavras a concretude do pensamento, per-
ou melhor, o que seria da humanidade sem
                                                      petuando-o através dos livros, e a consciên-
as bases fundamentais do conhecimento em-
                                                      cia que possuímos hoje, está muito distante
pírico, transmutado através da ciência e di-
                                                      de prever as consequências do presente
fundido a partir de páginas e mais páginas
                                                      frente o futuro. Prever o futuro da evolução
que atravessaram séculos e mais séculos no
                                                      intelectual, eis um trabalho utópico, eis um
mundo? Fica difícil pensar. A própria história
                                                      projeto malogrado. Restam-nos, porém, su-
da humanidade divide-se em dois períodos,
                                                      posições lógicas, embora saibamos, ainda, o
antes e após os livros. E mesmo antes deles,
                                                      quão decadente é a “logicidade” no campo
o homem já sentia uma vontade imensa de
                                                      subjetivo do ser; suposições, nada mais que
registrar o que pensava, o que via e o que o
                                                      suposições teremos em mãos... Suposições
inquietava, daí o surgimento das pinturas ru-
                                                      nascidas, talvez, das observações do passa-
pestres, que foi uma forma arcaica da escrita;
                                                      do, que nos apontaram que as próprias le-
daí a sabedoria popular, que resistiu e resiste
                                                      tras, os próprios livros, acompanharam o de-
a toda e qualquer intempérie do destino.
                                                      senvolver da sociedade, e que suas cargas
        Dizem que a maior invenção da hu-             semânticas, grafias, moral, ética, filosofia,
manidade foi a roda, mas eu não posso con-            enfim..., todo o conhecimento ali despejado
cordar com este postulado quando tenho di-            não pareceu inerte, mas transmutável e
ante de mim, e em todos os cantos por onde            transgredido em pensamento, em um tipo de
eu ando, um amontoado de palavras que for-            reflexão transformadora.           .


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       Os próprios livros, para aqueles que          esia que reside em nosso corpo, e assim de-
não creem, sofrem mudanças, porque não               cidimos, tal qual eles, os grandes, também
imóveis, aliás, nada é imóvel se pararmos            produzir, dar voz a todos, porque o conheci-
para pensar de fato. As transformações gi-           mento, como eu disse, por mais que se tente
ram em torno de sentidos, interpretações e           provar o contrário, nunca serviu e nunca ser-
mudanças de hábito, de sociedade, tempo,             virá ao individualismo, mas ao coletivo.
lugar, e é aqui que me reporto mais uma vez
                                                            Ninguém aqui estuda para si, mas pa-
ao que nós, estudiosos das Letras, estamos
                                                     ra os outros. Dito isto, quero deixar claro que
acostumados a entender: há polifonia em
                                                     o tempo das trevas há muito se desvaneceu,
tudo, entendê-la, portanto, é vislumbrar o
                                                     e hoje o conhecimento não pertence a gru-
quê ideológico que existe no autor, no texto
                                                     pos fechados, como monarcas, eclesiásticos
e no leitor, é algo plural, e não bastasse tal
                                                     ou oligarquias secretas de segregação racial
percepção, temos de ser sensatos em enten-
                                                     e econômica, todo livro, hoje, portanto, exer-
der que ela, também, adéqua-se à cultura
                                                     ce uma função social – ele, por si, é um elo
temporal, portanto, plurissignificativa sempre
                                                     que desvencilha a ignorância e ilumina a
será uma obra, que por natureza sintáxica,
                                                     mente à procura do saber, incitando-a, cada
que é o texto como um todo, o sentido num
                                                     vez mais, na busca, na insaciável busca da
prisma universal e dialético nunca deixará de        sophia... E quantos de nós aqui um dia não
ser genuinamente aberto.
                                                     nos entregamos aos azos aventurosos de
        Ao ler um livro, o homem é volvido de        um bom livro? Quem nunca teve o seu livro
três imensos e labutáveis acontecimentos.            de cabeceira, que o acompanhou em ama-
Em um primeiro momento, é receptor quan-             durecimento? Quem nunca se encantou com
do absorve tudo que lhe vem às mãos, ou              uma história, ou tenha aprendido algo jamais
melhor, aos olhos, de onde contempla todo            imaginado antes na vida, senão nos livros?
um universo que se constrói, conforme o              Os livros possuem esta magia, sim, que pa-
transladar das páginas, numa para-realidade          rece aprisionada, mas que é fluente e flutu-
que considera tanto a sua experiência de vi-         ante como as palavras que soltamos no ar,
da como a natureza estética da obra, capaz           partindo-se em destino ignorado.
de proporcionar a quimera, a alegoria da
própria vida que não se pode mais, depois
de Platão e Aristóteles, Boileau ou Henry Su-
hamy, afirmar ser esta ou aquela a verdadei-
ramente real; o segundo momento pauta-se,
pois, na transformação do captado, direção
esta que acontece quase que naturalmente
em nossos sentidos, porque como somos de
uma linhagem de homo que não se contenta
apenas em ser sapiens, e transgrediu-se em
sapiens sapiens, porque críticos, porque cri-
adores. Desta transformação de sentido,
desta “transmutação de todos os valores”,                    Dito isso, não posso acreditar que as
como acreditava Nietzsche, foi que o homem           palavras um dia perderão, numa sociedade
moderno tratou de desconstruir todos os es-          moderna como a nossa e a do porvir o real
tigmas e acreditar que não existe apenas             sentido de sua existência; muito menos devo
uma realidade para tudo, um só sentido, e            crer que a própria tecnologia haverá de ex-
que este “tudo”, por sua vez, pode sim, sem          tinguir a existência dos livros devido a um
medo ou querela de infortúnio, ser questio-          ambiente virtual que se tem construído no
nado. Passamos, então, a agir contra nossos          decorrer de tantos dias, ou seja, um campo
mestres, ou em evolução às suas teorias, ao          que não é o mundo vislumbrado por Platão,
acreditar que o conhecimento é universal, e          mas que se se pararmos para pensar beira o
que esta universalidade não reside no exter-         esotérico por ser abstrato e influente.
no, mas dentro de nós mesmos, como a po-


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Varal do Brasil, literário sem frescuras!



Eu, na concepção clarividente de estudante            tual, e que daqui a dez anos tudo se torne
de Letras, e como alguns aqui presentes,              abstrato, não palpável, continuarei a investir
não posso acreditar nesta tragédia que porá           na minha biblioteca, e na lembrança dos
extermínio aos livros. O mundo virtual hoje           grandes centros livrescos com o mesmo cari-
cheio de Ipad’s é um processo delicado do             nho, memória e a fidelidade que não só per-
qual atravessamos, mas que de certa manei-            correm minhas veias espontaneamente, mas
ra contribui na difusão da cultura letrada. To-       energizam a centelha da minha própria alma,
davia, livro, como o próprio nome nos indica,         agradecida pelas vozes que me ajudaram,
é livro, e sendo livro, sendo um elo ao conhe-        através dos livros, dos livros de verdade,
cimento, sendo algo concreto que se transfi-          construir esta singela visão de mundo que
gura e se transforma através das sinapses,            tenho... Enquanto existirem livros, eis uma
possui, em sua concretude, uma carga se-              assertiva consciente, haverá humanidade e
mântica e intersubjetiva que me conforta a            esta mesma humanidade jamais se perderá
alma e me apraz ao tocá-lo, ao folheá-lo, ao          por infortúnio de uma pane sistemática, ele-
senti-lo em minhas mãos, ao marcá-lo em               trônica e global. Muito obrigado!
estudo, ao acompanhá-lo envelhecer comi-
go, acidificando-se, assim como as minhas
células, pelo oxigênio que um dia nos nutriu;                 Parnaíba, 14 de outubro de 2011.
a relação, portanto, é afetiva, é emocional e
intensa demais para se perder em um univer-
so de bytes; tal relação não me permite
abandoná-lo, aprisionando-o em um micro-
chip, em um computador que “virtualiza” as
suas páginas e ajuda a tornar a minha vida
cada vez mais irreal.
        Para falar a verdade, eu mesmo não
tenho mais tempo e paciência para entender
toda esta tecnologia que muda a cada minu-
to, a cada segundo, e do qual se dorme sa-
bendo de uma novidade, mas se acorda ig-
norante ao que a suposta novidade se trans-
formou lá no Japão, por exemplo, que não
para. Prefiro mesmo o livro que é livro e
pronto, sem manual de instruções, sem bo-
tões para abrir ou destravar, sem bateria ou
carregadores; prefiro o livro em sua estrutura
milenar, cheio de fibras vegetais ao invés de
ópticas, que eu nem mesmo sei como funcio-
na ou até quando funcionará, até que algo
novo lhe soerga. Se devo acreditar que o
mundo contemporâneo caminha a cada dia
que se passa para uma sociedade atrelada
ao símbolo, isso se diz às imagens, não devo
esquecer que estas só foram e serão sempre
possíveis porque, antes delas, existiu uma
tecnologia que jamais, escutem bem, jamais
será superada – nasça ano, década ou milê-
nio –, ou seja, o livro, guardião dos saberes
do mundo!
      Embora a minha geração seja a gera-
ção da transição do livro concreto para o vir-



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                                                waniascalmeida@hotmail.com




                                                   Formando palavras secretas
LIVRO
                                                   Para uns poucos
                                                   Especiais leitores
Por Devi Dasi
                                                   Que apenas tenham o dom de perceber
                                                   A intensidade do meu ser.
Eu já quis ser tantas coisas:
Princesa, borboleta, boneca, fada;
Quis não ter espinhas, ter liberdade,
saber beijar.
Quis também ser mãe e ter um lar
Quis ser profissional, produtiva e res-
peitada.
Muitas eu consegui ser;
Outras, nem me lembro de querer
O que ainda quero ser?
Não sei....
Talvez aquele livro aberto
Escrito numa língua nova
Que todos saibam ler.
Ser editada, traduzida, interpretada;
Me fazer sempre entender...
Queira ter em meu corpo muitas linhas
retas


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                                                    dhiogocaetano@hotmail.com




 O Mérito, O Interesse, A Alegria                       va ou individual).

           de Ler e Escrever                                          Até quando viveremos atormenta-
                                                        dos por estas mazelas que de forma comple-
               Por Dhiogo José Caetano
                                                        xa tortura este “povo brasileiro”?

                                                                      Será que um dia o Índio será reco-
           Diante dos fatos não consigo per- nhecido como cidadão, não mais sendo es-
manecer calado, busco levar a mensagem quecido; permanecendo nas bases subterrâ-
dos bestializados, daqueles esquecidos por neas do mundo contemporâneo. O Índio tam-
uma sociedade “injusta e profundamente cor- bém é humano, por que os comparar com
rupta”.                                                 animais irracionais? Eles pensam, buscam,

          Quando analisamos o processo his- falam e tem uma história para contar. (Está é
tórico do Brasil, notamos os graves proble- uma visão classificada como etnocêntrica, on-
mas com relação à própria estruturação deste de colocamos o nosso eu, como referência e
belo país que é marcado por momentos de anulamos ou rebaixamos a opinião do outro.
dor, tortura, exílio, medo, mortes.

          Na identidade nacional podemos
encontrar o ranço negativo que contribuiu pa-
ra a formação e estruturação do Brasil de ho-
je. (A identidade nacional dentro do contexto
histórico com afirma Hobsbawn é algo que
vem depois do sentimento de nacionalismo
que existe em cada um de nós, é algo indefi-
nido, mutável, ambíguo e de definição coleti-



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           Um bom exemplo de etnocentris-             querer ser, devemos praticar o dever de ser
mo é o que fazemos como os Índios, os cha-            personagem em uma sociedade que se diz
mando de preguiçosos, cultura inferior ou             democrática, mas na prática o voto obrigató-
ultrapassada. Outro exemplo é os nossos               rio.
jornais ocidentais os quais referem aos movi-                    Um país que na constituição afir-
mentos radicais islâmicos como grupos de              ma direito igual para todos os cidadãos, mas
“fanáticos” e “antidemocráticos”. Em suma,            vamos analisar a realidade de cada indivi-
podemos confirmar que tal análise e total-            duo, partindo da sua própria realidade.
mente etnocêntrica, uma vez que não levam
em consideração que a “democracia” não é                        Na aurora da construção social
um “bem universal”; e que os estados islâmi-          devemos romper com as normas e finalmen-
cos têm uma forma muito especial de dife-             te tornamos personagens que não mais se-
renciar a relação entre religião e política, que      rão vistos como figurantes, mas como prota-
não pode ser descrita como “fanática” só por          gonistas que buscaram tornar a sociedade
que é diferente da nossa realidade. Isso              mais igualitária.
acontece porque a nossa mídia julga esses                       Em pleno século XXI ainda encon-
movimentos religiosos da mesma forma que              tramos o preconceito com relação à cor.
julgaria se eles fossem “cristãos” e estives-         “Quando os indivíduos de cor negra serão
sem ocorrendo aqui).                                  vistos da mesma forma que se vê um indiví-
                                                      duo de cor branca”?
                                                                 Em meus textos busca falar da pe-
                                                      dofilia. Pois podemos ver hoje na atualidade
                                                      tal coisa acontecer em todos os lugares e de
                                                      variadas formas, mas com um único ser;
                                                      aqueles mais especiais e puros, como as
                                                      nossas crianças que são usadas e humilha-
                                                      das por monstros em forma de seres huma-
                                                      nos.
                                                               Até quando vamos ser cercados
                                                      por mazelas?
                                                               Onde está a sensibilidade de ver e
                                                      reconhecer o trabalho dos professores. A
          Aqui não têm responsáveis, não              arte de ensinar é uma tarefa do professor;
tem igualdade, não tem um verdadeiro repre-           que se doa com objetivo de transforma o
sentante do povo. Mas em contra ponto te-             mundo sua volta. Mas qual é o valor da edu-
mos pessoas responsáveis pela corrupção,              cação neste país?
pelo abuso de poder e pelo autoritarismo                         Até quando uma pessoa portadora
que tornou algo natural na sociedade atual.           de deficiência física ou mental será vista
          Somos quem podemos ser? Pra                 com indiferença na escola, na sociedade, no
ser sincero é visível que não somos seres             trabalho; um ser circundado por olhares de
humanos; hoje somos números, cartões, di-             compaixão e pena, onde na verdade deveria
nheiro e rótulos.                                     ser vistos como exemplo de acessibilidade e
                                                      igualdade a todos.
          Quem é você? Você é um perso-
nagem que faz parte do sistema globaliza-                      Quando vamos ligar a TV e vere-
dor, um indivíduo distinto e ao mesmo tempo           mos filmes, novelas que representem à reali-
igual com relação ao processo de formação             dade do cotidiano na íntegra, sem censura,
social que cujo poder é eliminar aqueles que          visando detalhar a verdade nua e crua. Que-
se diz contra o sistema.                              remos ver aquilo que a sociedade esconde
                                                      debaixo dos tapetes.
          Na sociedade atual não podemos


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          No desenrolar do discurso não po-                     Devemos nos conscientizar que
deria deixar de falar das mulheres que con-          amanhã pode ser tarde demais e o agora é o
seguiram romper com a opressão da socie-             momento de lutar, de salvar o pouco que
dade machista, no entanto a maioria destas           nos resta.
ainda vive sobre o ranço ou até mesmo car-                     Entretanto tenho consciência que
regam a bandeira machista dentro de si.              os dias passaram, a vida passará e nós to-
          Será que um dia os verdadeiros             dos morremos e a nossa existência passará
“heróis” vão falar? A educação tornará o ca-         como um breve pensamento que paira no ar.
minho para o progresso, e os professores             Mas mesmo assim precisamos lutar, por um
vão ter o verdadeiro reconhecimento profis-          mundo melhor para as futuras gerações.
sional? Um dia a verdade fará parte da nos-                    Até quando viveremos em uma
sa base política? O poder judiciário utilizará       sociedade compulsiva e capitalista? Quando
como lema a justiça e a veracidade dos fa-           os homens perceberam que a tecnologia é
tos; eliminado os problemas camuflados               um bem favorável, mas que representa uma
dentro desta sociedade que é governada por           ameaça à vida humana? (Quando falamos
verdadeiros “corruptos sanguessugas”?                em “supremacia” tecnológica, podemos citar
          Pra isto acontecer precisamos re-          a internet como uma ferramenta universal,
ver nossas decisões e na hora de votar de-           que rege seu poder sobre todo o globo ter-
vemos escolher pessoas capacitadas e pre-            restre; um poder que cresce de forma viral).
paradas para defender a “nação”, colocando                     Onde está à sociedade humana
em prática a famosa frase “ordem e progres-
                                                     pregada nos discursos políticos, na constitui-
so” de forma justa e corretamente humana.            ção brasileira, nos inúmeros artigos jornalís-
           No cotidiano busco escrever em            ticos espalhados pelo mundo afora? Por que
nome do ser humano, o qual deve ser res-             de tanta ganância pelo poder?
peito enquanto indivíduo no espaço social                      Há todo momento via internet, rá-
não importa a sua condição sexual, religiosa         dio e TV noticiam a destruição causada pelo
ou economia, pois os mesmos igualmente               desequilíbrio da natureza, fico claro que o
pagam seus impostos. Os deveres são                  mundo começa a dar sinais de alerta. O ho-
iguais, então os direitos também devem ser.          mem do século XXI deve buscar o progresso
          Que país é este!                           tecnológico, mas com uma visão ampla onde
                                                     se pode avistar o futuro de forma clara e
          Os governantes precisam funda-
                                                     saudável.
mentar uma cartilha que ensina como é ser
humano no sentido humanitário, colocando o                     O meio de produção e a busca in-
etnocentrismo com disciplina de discussão            cessante pelo capital tornaram a humanida-
da realidade vida, dos problemas enfrenta-           de meras peças que a cada dia contribui pa-
dos e dos conflitos coletivos que a socieda-         ra a destruição do meio onde se vive. Um
de vem enfrentando ao longo dos séculos.             verdadeiro efeito dominó, onde foram gastos
                                                     anos para conquistar o “progresso”, mas em
           Na vastidão deste mundo nada
                                                     segundos este progresso destruirá o plane-
sou, mas busco fazer a diferença através da
                                                     ta.
escrita e afirmo que a sociedade se compõe
de seres humanos, não de grupos exilados.                      O que está acontecendo com o
                                                     mundo? O que se passa na cabeça dos ho-
          Ao longo da minha jornada das
                                                     mens? Em curtos intervalos o mundo é aba-
letras busco trazer a público aqueles esque-
                                                     lado por catástrofes naturais, algo que o pró-
cidos nos bastidores, tento levar de forma
                                                     prio homem plantou neste processo de bus-
clara a mensagem de preservação do espa-
ço que vivemos; todos nós precisamos cui-            ca constante de poder.
dar do nosso planeta terra, evitando a polui-                   Um jogo onde se coloca a vida de
ção, devastação, destruição da natureza e            todos nós como preço de um sonho obceca-
do nosso planeta.                                    dor, traiçoeiro que projeta, destrói e


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         transformar e não avisa dos riscos          sempre terá um no poder que construirá um
que corremos.                                        teatro para ouvir nossos problemas e assim
          Japão, Austrália, Nova Zelândia,           promovendo uma falsa ajuda.
Tailândia, Haiti, Chile, México, Afeganistão,                  Porém, tais poderosos devem ficar
Brasil e amanhã o mundo. O que será da               cientes que nós não estamos tristes e sim
humanidade? As armas que foram criadas               revoltados com a mídia, com os governantes
no intervalo de anos não poderão nos defen-          e queremos deixar claro que temos a nossa
der das forças naturais.                             própria vontade, pois vivemos em um país
          A humanidade propriamente dita             que se diz: democrata.
está semeando o apocalipse e o que parece                      Em suma, escrevo em nome da
estar distante da nossa realidade, amanhã            nação humana, pois os dias passaram, a vi-
pode ser o cenário presente a nossa volta.           da passará e nós todos morreremos, mas
           Não sei se vivemos ou tentamos            não podemos deixar que os “devoradores de
sobreviver. Viver é enfrentar as múltiplas di-       colarinho branco” façam à raça humana per-
versidades da vida; viver é ser livre mesmo          der a cidadania, a moral social, chegando ao
quando todo mundo quer cuidar de nós. É              fim, onde se espera a morte ou um milagre.
ficar quieto e permanecer calado perante a
sociedade que construí normas e padrões
de vida.
         Muitos têm interesse em saber da
nossa história. Dizem que estamos desliga-
dos e que mesmo assim eles sempre iram
nós socorrer e até pedem para que tenha-
mos muito cuidado, pois viver neste mundo
é muito perigoso e não devemos sair de ca-
sa.
          Mas nós não devemos temer as
construções sociais e as falsas realidades
construídas pelas as grandes instituições de
nosso planeta.
             Onde está o “povo” deste país?
          Viver é um hábito de cada um, não
importa se eles querem que sejamos de uma
forma, pois nós queremos é sair deste mun-
do de corrupção e de desigualdade entre os
homens que na constituição tem direitos
iguais.
             Meu Deus cadê a nação? Que pa-
ís é este?
          Todos querem cuidar de nós, mais
nós queremos caí e assim poder ver com
clareza a verdade disfarçada em meio à idei-
as pragmáticas que foram construídas ao
longo dos séculos e da história da humani-
dade.
         Muitos vão dizer que estamos er-
rados e que viver é muito perigo, eles vão
perguntar se levamos muitas pancadas e


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                                          dinoracouto@gmail.com




                                                      tinho e muita conversa por parte de quem o
      Ler para virar artista                          inscrevia, ele promete ficar dias sem comer
                                                      lixo. Realmente ficou, conseguiu eliminar es-
                                                      ta atitude. E lá estava ele, todo limpinho, fe-
      Por Dinorá Couto Cançado
                                                      liz e o mais participativo da turma inscrita pa-
                                                      ra essa iniciativa informal na escola.


       Manhã de poeira e vento numa das                       Inicia-se a oficina nesta manhã poei-
cidades satélites do Distrito Federal. No pátio       renta, de muito vento, com o som espalhan-
da escola, mais de 40 crianças, cada uma              do-se, devido ao espaço aberto – o pátio da
trazendo sua cadeira da sala de aula. Não há          escola. No 1º momento, chamado de sensibi-
sala vaga nesta escola, para alguma ativida-          lização prévia, o interesse da criança que
de diferenciada que surja. Olhares curiosos           queria virar artista é visível, faz perguntas,
para o cenário diferente, muita algazarra, até        canta com o grupo, ouve, atentamente, as
que se ajeitam. Materiais diversificados, co-         histórias de leituras. No 2º momento, o das
mo um varal de fantoches, cartazes e caixas           ações compartilhadas, se revela no grupo,
coloridas chamam a atenção da garotada.               escolhe a obra mais atrativa, planeja progra-
Outras crianças que estudam em horário                ma literário e o apresenta, interagindo bas-
contrário, fora da faixa etária solicitada, en-       tante com o seu grupo. Já no 3º momento,
tram na escola e pedem para participar desta          tomada de decisão, o aluno emociona a to-
manhã diferente na escola. Nas primeiras              dos: veste capa do “artista” (capa colorida,
ações, ao contatar escola para receber a ofi-         com estrelas douradas), faz discurso, canta,
cina Brincando de Biblioteca com Programa             utiliza fantoches, enfim, mostra-se como um
Literário, procura-se saber se a escola aten-         verdadeiro artista.
de alunos com deficiência para que a inclu-
                                                              Ao sair da escola, com o coração
são social aconteça com mais consistência.
                                                      apertado com tamanho envolvimento, emoci-
Quando ocorre, resultados gratificantes.
                                                      onada com os resultados, o pequeno-artista
       A professora atuante na Biblioteca da          é o último a despedir-se, indo até o carro. Fa-
escola, responsável pelas inscrições do gru-          la-me que foi a melhor aula que já teve. Sou-
po que participaria da oficina, relata algo           be depois, por meio de telefonemas, que ele
preocupante. Diz que um aluno pediu dias e            tinha melhorado muito, mais assíduo na Bibli-
dias para deixá-lo fazer “a oficina que vinha à       oteca da escola e que o problema social não
escola para o aluno ler e virar artista”. Esse        mais acontecia. Tempos depois, que tinha
aluno, com o hábito de comer lixo, apresen-           mudado de escola, de endereço.
tava um odor forte. Com muita luta, muito jei-


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As oficinas continuam em outras cidades, outras comunidades, mais alunos e mais escolas
com casos comoventes de inclusão social. Brincando de Biblioteca consiste numa série de
oficinas na rede pública de ensino para capacitar alunos a atuarem como multiplicadores de
leituras na escola, em casa, na comunidade. Setenta e duas obras de literatura infantil dis-
tribuídas em seis minibibliotecas. Alunos apreciam, leem, planejam e apresentam um pro-
grama literário. Várias linguagens artísticas trabalhadas. Alunos fazem cartazes e compõem
varal criativo. Equipes escolhem funções para apresentarem um espetáculo literário. Ao fi-
nal, show de alunos-talentos em várias artes, vestidos com “capa de artista”. Avaliam a ofi-
cina, registram nomes, recebem dicas e certificados.
       São muitas histórias. Mais de 5 mil alunos atendidos em 129 escolas públicas. Cada
oficina uma história-exemplo de participação/transformação. Muitos alunos, cada um com
vivência diferente e com história de superação a cada dia, devido alguma deficiência.
Quando a oportunidade surge em suas vidas, agarram-na com ânsia, comprometimento,
interesse maior do que os alunos considerados “normais”, regulares na escola. Brincar de
Biblioteca é uma resposta simples, mas séria o suficiente para encarar tantos problemas
que ameaçam a possibilidade de nossas crianças desfrutarem o prazer da leitura.




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                                        dulce.couto@hotmail.com




                                                         Dialogar com a filosofia
Nas asas da leitura
                                                     Leva ao mundo da sabedoria
                                                   O pensamento precisa esculpir
      Por Dulce Couto
                                                      Para a ideia poder explodir



                                                      Viajar ao lado da literatura
   Suas asas quando abertas
                                                     É parceria com desenvoltura
  Convida-nos a descobertas
                                                       Mil histórias ela irá contar
   Inspiração para conhecer
                                                    Imenso universo vai encantar
  Com ele tudo vai acontecer

                                                    O convite da astronomia reluz
   Viagens sem sair do lugar
                                                     Leitura que voa em anos luz
  Em suas asas podemos voar
                                                     Pousar nos anéis de saturno
   Conhecer o mundo afora
                                                      Traz sabor de beijo noturno
  Embarcar ao sabor da hora

                                                     As asas brancas da mitologia
    Voo alto pelas ciências                        É território vivo de pura magia
   Leitura requer paciência                      Navegar nos braços do argonauta
  Tocar a arte da descoberta                         É ouvir sereia tocando flauta
   Faz a mente ficar alerta



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Tem asas que ensinam a orar
Ofertadas por quem sabe amar
Preces cantadas com emoção
Cartas escritas com o perdão



 Papel ferido por grafia poeta
A poesia é um tanto inquieta
 Escrita curta que faz sonhar
  Viagem longa a atravessar



 O livro é lugar de encontros
Costura viva tecida em pontos
Voar no verso desperta prazer
Criá-lo então é um doce viver




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      “Como Escrever, Publicar e
         Divulgar um Livro”
Todo mundo quer ser escritor. Publicar um livro, porém, envolve custos e habili-
dades específicas que poucas pessoas conhecem. O que vale, mesmo, é acredi-
tar no seu potencial e começar a escrever. Muitos grandes profissionais, de vá-
rias áreas do conhecimento tiveram suas obras recusadas por editoras e depois
se tornaram artistas renomados por não desistirem. Mas a publicação, em si, já
não é mais mistério. Há várias formas de colocar no papel aquele romance, con-
to, poema ou pensamento. Mas o trabalho não termina com impressão da obra.
Aí começam novas etapas que envolvem outros profissionais.
Valdeck Almeida de Jesus recebe diariamente perguntas relacionadas ao univer-
so do livro e sempre as respondeu dentro do possível. Com o tempo, colecionou
vários e-mails e transformou as respostas em um manual de fácil leitura e com-
preensão. Confira no livro e comece logo a escrever a grande obra de sua vida!



Autor: Valdeck Almeida de Jesus
Editora Livrus
Preço: R$ 30,00 (trinta reais)                       Pedidos: valdeck2007@gmail.com



                                            www.varaldobrasil.com                     52
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                                               eliseschiffer@bol.com.br




                                                                Intimo das palavras e amante dos
SEMENTE ETERNA                                       livros, podia discursar do Império Romano a
                                                     coisas simples do dia a dia, com intimidade e
                                                     força, hipnotizando a todos que o ouviam,
Por Elise Schiffer                                   pois suas palavras vibravam dentro do peito
                                                     dos ouvintes e todos acabavam em mesma
                                                     sintonia.
                                                                 Schmidt, este homem do povo,
          Somente aos 44 anos, pude com-             ensinou-me a respeitar os livros, a tocá-
preender a força da expressão “ VIDA ETER-           los com carinho e conquistá-los com cal-
NA “. Hoje com certeza, esta semente germi-          ma, página por página. Mostrou a vanta-
nou em meu coração.                                  gem de relê-los e descobrir a cada nova
            Meu filho chegou do colégio eufóri-      leitura, fatos novos nas entrelinhas.
co, convidando-me a conhecer uma casa de                        Lembrei de quando costumáva-
antiguidades perto de seus colégio. Seus             mos ir a Praça Tiradentes visitar os SEBOS,
olhos brilharam ao falar de livros usados que        algumas vezes comprávamos livros, em ou-
ele qualificou como Relíquias.                       tros momentos, apenas apreciávamos já que
         Este convite reviveu dentro de              o dinheiro era pouco. Estes lugares eram Mi-
meu saudoso coração, os bons tempos quan-            nas inesgotáveis para nós dois. Era nosso
do caminhei lado a lado com SCHMIDT.                 passaporte para o sonho. Os SEBOS e os
                                                     MUSEUS transformavam nós dois num úni-
          Nossa estrada começou no peque-
                                                     co ser.
no município de Nova Iguaçu, onde vivi uma
infância desbravadora, junto a este homem            Com orgulho, posso dizer, este homem       é
do povo, do povo sim , porém nunca desper-           meu PAI.
cebido. Sua personalidade forte, fascinava e                    Hoje ao receber o convite de meu
cativava a todos, podia se fazer amar e odiar        filho, pude Ter certeza de que meu pai vive
na mesma intensidade.                                em nós dois. A certeza abrandou a saudade
           Este homem, nem sempre foi com-           que deixou em nossas vidas e reviveu lem-
preendido pela sociedade, já que as pessoas          branças adormecida.
que se destacam da grande massa, seja qual                     Tempos bons. Onde a Dona Po-
for o motivo, são vistas com receio. Com             breza nunca foi uma barreira para a felicida-
todos os seus defeitos e qualidades, cativou         de. Esta senhora ensinou minha família o
familiares , colegas de trabalho, amigos e vi-       sentido da união, seja qual for o momento.
zinhos.


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Que saudade de caminhar com este homem do povo, tão fascinante e cativante.
          Lembro-me de um dia em que meu pai foi buscar-me no Colégio Monteiro Lobato,
o Senhor Vento, corria forte anunciando a chegada da Senhora Tempestade, e meu PAI
como um bravo herói, colocou-me em seus ombros e correu, como que enfrentando a mãe
natureza. Não havia medo a seu lado.
          Sim, meu pai era um super homem e acima de tudo era o meu herói.
          Fui sua ajudante nos serviços de topografia, subi trilhas, caminhava horas sem pa-
rar e não havia fome ou cansaço. Minha admiração saciava qualquer necessidade fisiológi-
ca.
          Este super homem, ensinou-me a ler História antiga (ainda criança) e entendê-la
de várias ângulos quer fossem políticos ou sociais. Ensinou-me a respeitar o próximo e
achar sempre o lado bom de cada fato e principalmente a ser honesta comigo mesma.
           Surpreendeu-me sempre, já que suas atitudes eram sempre inesperadas.
     Meu Pai, era contra Igrejas, embora admirasse o Dom Revolucionários de JESUS, de-
testava terno e surge em minha missa de 15 anos vestindo um belo terno. Pronto para cami-
nhar comigo de braços entrelaçados até o altar. Ele soube cativar a todos, pois nunca mediu
esforços. Para chegar a tempo na Igreja, teve de tomar banho e vestir-se na própria loja.
          Ele soube plantar em meu intimo a semente de PAI.
           Nossos momentos são presentes, pois vivem dentro de mim e suas mensagens
de vida e cultura vivem em meu filho e com certeza viveram em meus netos.
         O Sr. Schmidt moldou a filha, a irmã, a amiga, a profissional, a mulher e principal-
mente a mãepai que sou, e eu moldo meus filhos com a mesmo amor e dedicação.
          Com muito orgulho posso dizer que este homem do povo foi meu pai.
           Schmidt, este homem do povo, ensinou-me a respeitar os livros, a tocá-los
com carinho e conquistá-los com calma, página por página. Mostrou a vantagem de
relê-los e descobrir a cada nova leitura, fatos novos nas entrelinhas.
          Schmidt, eu te amo.




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                                                       com a idade e com a vinda
    ... letras sós,                                    da soma de muitas letras
                                                       decompostas em palavras.
      só letras...
                                                       (ainda não há
                                                       a solidão desta verdade:
Por Felipe Cattapan                                    o verdadeiro sentido
felipe.cattapan@gmail.com                              da soma destas palavras
                                                       é só tentar recompor
                                                       a cartilha do tempo esquecido).
    a
    criança
    só
    soletra
    a letra
    impressa

    sem pressa
    passado
    futuro

    só presente:
    presente do presente
    só presente no presente
    - a surpresa permanente
    da descoberta constante
    de um som em um desenho:
    nem vogal nem consoante,
    só música soante;

    cada letra é
    só o que é:
    foi e é
    sendo e será,
    sem saber qual foi
    nem qual virá;
    - dura e perdura...
    na eternidade sem idade.

    ... ainda
    não há a verdade
    - que só surgirá


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Curiosidades sobre livros                            Mulheres da ABL
Artigo (reprodução)
Fonte: www.doseliteraria.com.b                       A Academia Brasileira de Letras foi a

                                                     primeira academia no mundo a eleger uma

                                                     mulher para a presidência, a escritora Né-
O que é ISBN?
                                                     lida Pinõn, que assumiu o cargo em 1995.
Criado em 1967 e oficializado como norma
                                                     Rachel de Queiroz foi a primeira escritora
internacional em 1972, o ISBN - Internati-
                                                     a entrar para a ABL, em 1977 como quinta
onal Standard Book Number - é um siste-
                                                     ocupante da quinta cadeira.
ma que identifica numericamente os livros
                                                     Dinah de Silveira de Queiroz foi eleita
segundo o título, o autor, o país e a edito-
                                                     pela academia em 1980 para ser a sétima
ra, individualizando-os inclusive por edição.
                                                     ocupante da Cadeira 7 da ABL. Apesar do
O sistema é controlado pela Agência Inter-
                                                     sobrenome parecido, ela e Rachel de Quei-
nacional do ISBN, que orienta e delega po-
                                                     roz não pertencem à mesma família.
deres às agências nacionais.
                                                     Lygia Fagundes Telles eleita em 1985, é
No Brasil, a Fundação Biblioteca Nacional
                                                     atualmente quarta ocupante da Cadeira 16
representa a Agência Brasileira desde
                                                     da Academia Brasileira de Letras.
1978, com a função de atribuir o número
                                                     Zélia Gattai ela é a sexta ocupante da Ca-
de identificação aos livros editados no país.
                                                     deira 23, que ficou vaga com a morte de
A partir de 1º de janeiro de 2007, o ISBN
                                                     seu marido e também escritor Jorge Ama-
passou de dez para 13 dígitos, com a ado-
                                                     do.
ção do prefixo 978. O objetivo foi aumen-
                                                     Ana Maria Machado é sexta ocupante da
tar a capacidade do sistema, devido ao
                                                     Cadeira 1, a escritora foi eleita em 2003 e
crescente número de publicações, com su-
                                                     ocupa o cargo até os dias atuais.	
as edições e formatos.




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Cleonice Berardinelli ao todo, oito outros            Itália ….........265
imortais tiveram aulas com Cleonice. A profes-        Espanha …....235
sora de literatura portuguesa da PUC-Rio e da
UFRJ se elegeu para a cadeira oito em dezem-
bro de 2009.                                          Onde há mais livrarias no Brasil?
                                                      (livrarias por habitantes)
Partes do livro                                       DF ….. 1 para 30.840
                                                      RJ …… 1 para 44.415
                                                      SE ….. 1 para 50.665
                                                      SP ….. 1 para 59.171
                                                      TO …..1 para 181.131


                                                      …e no mundo
                                                      EUA …..........1 para 15 mil
                                                      Argentina .….1 para 50 mil
                                                      Brasil …........1 para 70 mil
                                                      México …......1 para 170 mil

                                                      Quantos livros já foram publicados
                                                      na história moderna?
                                                      Segundo cálculos do Google, o número
                                                      seria 130 milhões de livros, ou
                                                      129.864.880 para ser exato. O gigante
                                                      das buscas estimou o dado justamente
Escritor brasileiro mais traduzido e
                                                      para saber quantos livros precisa esca-
publicado
                                                      near a fim de tornar o Google Books a
Paulo Coelho é o autor brasileiro mais
                                                      maior e mais completa biblioteca onli-
publicado em todo o mundo. Sua obra
                                                      ne.
já foi editada em 52 países e vertida
                                                      Para chegar ao número, o Google usou
para 48 idiomas e dialetos. O segundo
                                                      definições de livros de diferentes ór-
é o baiano Jorge Amado.
                                                      gãos, como o do ISBN (International
                                                      Standard Book Numbers), da Biblioteca
Maiores vendedores de livros do
                                                      do Congresso Americano e do site de
mundo
                                                      buscas de livros WorldCat.
Exemplares (milhões)
China …….....7.103
EUA …..........2.551                                  Fonte deste artigo:
Japão …........1.403
Rússia ….......494
Alemanha ….479                                        http://www.doseliteraria.com.br/
França …......413
Brasil …........345                                   Visite o site!
Reino Unido .324


                                             www.varaldobrasil.com                              57
Varal do Brasil, literário sem frescuras!




          O LIVRO

       Por Gildo Oliveira
   oliveira.gildo@bol.com.br




         Este é o que traz
        legumes e frutas;
  traz a água da fonte da vida;
e o pão para a fome do espírito;




 Este é o que comanda o jogo;
        que atiça o fogo
       e deita as cartas;
     que comparece à lida;
    que transforma a morte,
  conduzindo-a para a vida,
            o livro!




Pirapetinga, Minas Gerais, 1980




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Varal do Brasil, literário sem frescuras!




         LIVRO SEM OU COMO
  A BUROCRACIA MATOU A ESCRITORA
                      POR IVONE VEBBER
                     ivonevebber@gmail.com



    ANTIGAMENTE ERA MAIS FACIL , PRA MIM , PUBLICAR UM LIVRO.
ERA SÓ DATILOGRAFAR, ENTREGAR PARA EDITORA OU GRÁFICA (EDIÇÃO
                             DO AUTOR)
                          ELES DIGITAVAM,
                         COLOCAVAM CAPA,
                      PUBLICAVAM, DIVULGAVAM
                          E DISTRIBUIAM...
HOJE TENHO QUE DIGITAR, REVISAR OU PAGAR ALGUÉM PRA FAZER ESSE
                 TRABALHO CHATO, IMPRIMIR EM CD,
   REGISTRAR NA BIBLIOTECA NACIONAL, ENFRENTAR BUROCRACIA,
 PREENCHER UM FORMULÁRIO ( SE FOR PELO FINANCIAMENTO DO GO-
   VERNO....), DIVULGAR, DISTRIBUIR PARA PARENTES E AMIGOS,...
                         POR ISSO DESISTI,
   SÓ PUBLICO NO MEU BLOG OU SITE OU EM XEROX- DIGITAL PARA
                         POUCOS LEITORES,
                  MEU EGO DE ESCRITORA JÁ ERA....
                    A BUROCRACIA MATOU....UMA
                   POSSÍVEL CAMPEÃ DE VENDAS....




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                                                       leitores já conhecem o que escreve e há es-
O ESCRITOR E O LEITOR                                  critores que vendem pouco porque ainda não
                                                       são conhecidos dos leitores.
Por Jacqueline Aisenman                                Há tantos gêneros e estilos quando há leito-
                                                       res e escritores (alguns gostam de ser cha-
                                                       mados apenas de poetas, outros de contis-
Há uma relação muito importante e delicada             tas ou cronistas ou romancistas...). Alguns
chamada escritor e leitor.                             leitores tornam-se críticos.
Por não entendê-la, há escritores que se en-           Mas só uma coisa pode mesmo unir leitor e
tristecem e leitores que se fecham.                    escritor: o amor pelas letras. Se o escritor
Quem escreve tem em suas aspirações um                 tiver amor e paciência, deixará que o leitor
gênero preferido (há os que se devotam à               faça seu caminho e chegue a ele. Também
poesia, os que preferem contos, romances,              compreenderá que há leitores que não virão
crônicas, etc..) ou que escrevem um pouco              porque... porque é assim! Se o leitor tiver
de tudo.                                               vontade, abrirá seus horizontes e buscará
                                                       novas alternativas e continuação para aquilo
Quem lê tem também seus gêneros preferi-               que já aprecia.
dos (ou gênero!) ou também gosta talvez de
um pouco de tudo.                                      Por isto se compreende aqui nesta dinâmica,
                                                       mais do que em outras, quando se fala que
Citando a poesia, por exemplo, há os que               “há gosto para tudo”. Enfim... como já diziam
gostam de escrever todos os tipos de poe-              os antigos: “o que seria do amarelo se todo
mas, alguns gostam apenas de sonetos, ou-              mundo gostasse apenas do verde?”! Esta é
tros de haicais, ou outros tipos ainda; alguns         uma frase que explica bem!
gostam das rimas, outros detestam. Assim
também são os leitores, que têm certamente             Escrever e ler, leitura e escrita, isto funciona
suas preferências.                                     como a vida: não existe caminho apenas de
                                                       ida, não há apenas uma cor, não há somente
Todo escritor tem certeza de que será lido e           um tom. Há espaço para todos!
reconhecido. Todo leitor tem sua opinião so-
bre o que leu e sabe da importância da mes-            Que os leitores sempre encontrem novos au-
ma. Nem todo escritor será lido e/ou reco-             tores e os escritores sempre encontrem no-
nhecido. Nem todo leitor terá sua opinião re-          vos leitores!
conhecida.                                             Que a literatura se renove sempre e nunca
Entre estilos e gêneros, leitor e escritor se          deixe de prestigiar os que são e sempre se-
encontram nas páginas de um livro.                     rão as nossas fontes de inspiração!
Há os que gostam de um estilo e detestam
outros. Há os que apreciam a diversidade de
estilos.
Há os que escrevem inspirados em algum
estilo. Há os que criam o seu próprio estilo.
Há os que escrevem muito; assim também
os que escrevem só de vez em quando.
Dentre os escritores, há os nomes que todo
leitor conhece e que são por muitos divulga-
dos. Há também os nomes que o leitor des-
cobre. Há aqueles que permanecerão em
gavetas e que o leitor não conhecerá. Há os
que se tornarão conhecidos como suas inspi-
rações.
Há escritores que vendem muito porque os


                                               www.varaldobrasil.com                                      60
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                                           joalso37@gmail.com




             Interatividade em Valinhos - SP
                                                                        José Alberto de Souza (*)

      01. – Em que o autor se inspirou para fazer o texto. Esta história
é verdadeira?
      “Um Compromisso para o Natal” foi baseado num fato acontecido na
Igreja de São Paulo, no Rio de Janeiro, que me foi contado por um primo meu.
Rafael e Leila não são nomes fictícios, apenas transpus o relato para minha Ja-
guarão, adaptando-a a uma realidade fronteiriça. O personagem Rafael tam-
bém me inspirei numa pessoa que conheci em Novo Hamburgo-RS, cujo pai
sumiu na Revolução e muito tempo depois reapareceu aqui pelo Rio Grande do
Sul cognominado João Sem Terra, vindo de Goiás aonde chegou a constituir
outra família.
      02. – Você já escreveu livros para adolescentes? Quais foram?
      Nunca escrevi qualquer livro para adolescente que, dizem os entendidos,
serem os mais difíceis de serem escritos tal a complexidade da mente infanto-
juvenil, apesar de ser marcante a influência que a infância exerce no imaginá-
rio do escritor. Aqui no Rio Grande do Sul, Sérgio Faracco tem se notabilizado
pelas suas lembranças da meninice e meu Mestre Assis Brasil chamou-me
atenção sobre o conto “Um Caminhão Marca Ford em Mau Estado de Conserva-
ção” que dizia comparável a obra daquele autor e digno de figurar em qualquer
antologia de autores gaúchos. Este conto me deixou “marcado na paleta”, nem
sei se conseguirei atingir nível igual - até certa leitora se dispôs a comprar o
referido para me presentear...
      03. – Você já escreveu livros que foram homenagens para alguma
pessoa? Quem foi? Pretende fazer homenagens a mais pessoas?
Quais?
      Dediquei “Um compromisso para o Natal” ao casal Delícia e Guadil Bit-
tencourt, ela professora brasileira que me preparou para o exame de admissão
ao Ginásio (2º lugar) e ele guarda aduaneiro uruguaio, seu marido e meu
grande amigo, ambos falecidos, os quais me alertaram para certo pendor lite-
rário e coincidentemente um paralelo ao “par internacional” Leila e Rafael.



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Varal do Brasil, literário sem frescuras!



      A ficção se entrelaça com a reali-         2011 os dois livros na II Febin.
dade e todos nós temos a tendência de                   05. – Como seria a sua conti-
romancear os fatos do cotidiano, esta-           nuação para esse conto?
belecendo certa verossimilhança (para                   Normalmente, nenhum conto tem
mim uma mentira que parece verdade).             continuação, serve mais para provocar
Em “O Mais Recente Lançamento” in-               a imaginação do leitor que faz a sua
ventei uma história toda calcada em              leitura mental nas entrelinhas como
personagens reais, aos quais pretendia           aconteceu no que foi sugerido nos tra-
homenagear, porém, quando levei a                balhos apresentados, onde predomina-
mesma ao conhecimento do herói do                va a temática familiar. No entanto, al-
meu relato, este me contestou “nada              guns autores já estenderam os contos
haver comigo, até o nome saiu errado             publicados em narrativas mais longas,
que é com dobre vê”...                           como é o caso de Laury Maciel, saudo-
      04. – Como surgiu a ideia de               so escritor gaúcho, cujo conto “A noite
escrever esse livro? Por que deci-               do Homem Mosca” rendeu-lhe o ro-
diu ser autor?                                   mance “Rosas de Papel Crepom”. Tam-
      Sinceramen-                                                         bém é o caso de
te, nunca pretendi                                                        Graciliano    Ra-
escrever um livro                                                         mos, que produ-
e minha maior as-                                                         ziu “Vidas Se-
piração era parti-                                                        cas”, a partir de
cipar   de    certa                                                       contos publica-
“Antologia de Con-                                                        dos           em
tistas Bissextos”.                                                        “Histórias Inaca-
Porém, em 2009,                                                           badas”.
quando da realiza-                                                        06. – Se o se-
ção da I Feira Bi-                                                        nhor      tivesse
nacional do Livro                                                         de reproduzir
em Jaguarão-Rs,                                                           esse conto em
meu amigo Prof.                                                           teatro ou fil-
Carlos José Azeve-                                                        me,     mudaria
do         Machado                                                        ou acrescenta-
(Maninho), então Secretário Municipal            ria algo?
da Cultura, me fez um desafio para lan-                 Já me salientaram o excesso des-
çar um livro de minha autoria na Feira           critivo na parte inicial do conto, de que
do próximo ano. Assim me decidi colo-            não cheguei abrir mão porque necessi-
car mãos à obra e fui juntando vários            tava construir o cenário da história on-
artigos que estavam na gaveta para               de situaria o personagem Rafael e para
compor “Lá pelas tantas” que o jorna-            isso me vali do narrador “câmera” –
lista Marcello Campos, da Rádio Guaí-            serviu para que a aluna Vitória Caroline
ba, teve a generosidade de revisar, dia-         elaborasse a maquete do Largo da
gramar, editar e prefaciar. Logo após,           Igreja conforme ela enxergou em sua
sai novamente a campo, desta feita               mente. Confesso que já andei pensan-
juntando os textos de ficção e convidei          do em submeter esse texto – pela car-
o escritor Fernando Neubarth – outro             ga cenográfica que possui - para ser
que me cobrou uma obra solo - para               adaptado em “Histórias Curtas” que é
prefaciar “Para Não Dizerem Que Passei           apresentado em nossa TV de Porto Ale-
em Brancas Nuvens”. Desta forma,                 gre, deixando a cargo do Diretor as
consegui pagar aquela promessa feita             mudanças ou acréscimos que fossem
ao Professor Maninho, lançando em                necessários, inclusive o final.

                                        www.varaldobrasil.com                                 62
Varal do Brasil, literário sem frescuras!



       07. – Há quanto tempo escre-              para que o leitor imagine o cenário da
ve conto desse tipo?                             história, para marcar a importância do
       Pelas interpretações dos jovens           local como ponto principal da cidade,
analistas, “Um Compromisso para o                onde acontecem as grandes concentra-
Natal” parece revelar uma mensagem               ções de público, contrastando com a
edificante, o que o diferencia dos de-           hora deserta e isenta do calor humano,
mais textos publicados em “Para Não              salientando o estado de abandono e
Dizerem que Passei em Brancas Nu-                desespero do personagem. A sua ma-
vens”, cada um dos quais produzidos a            neira de vestir, sua postura nos de-
partir dos mais diferentes estímulos             graus da Igreja, ajudam a criar uma
sem caracterizar um estilo definido.             imagem de palavras, a qual poderia ser
       08– Como surgiu a sua vonta-              “enxugada”, por exemplo, num filme
de de escrever?                                  ou numa história de quadrinhos.
       Posso dizer que a minha necessi-                 11. – Por que falar de coro-
dade de escrever surgiu do incentivo             néis e de países diferentes? O que
de meu tio e pai de criação pela leitura         te trouxe a colocar no conto um
– “lê bastante se queres escrever bem”           personagem que não fala a língua
- e em plena infância no ambiente da             portuguesa?
livraria e tipografia desse meu tio, on-                Sem qualquer intenção de assu-
de “fuçava” os balaios de saldo à pro-           mir equivocadas ideologias, talvez te-
cura de títulos sugestivos. Ali também           nha sido influenciado pela situação po-
funcionava o jornal da cidade “A Fô-             lítica do continente na época em que
lha”, onde sempre nos visitavam per-             foi escrito o texto, na qual predomina-
sonalidades de passagem como o poeta             vam os regimes militares em vários pa-
Cornélio Pires, de quem me recordo               íses sul americanos – “mi padre desa-
ainda meninote me mostrando, no bal-             pareció como ativista político”... Trata-
cão da livraria, a fotografia de um livro        va-se de um conto ambientado numa
espírita onde aparecia a imagem incor-           pequena cidade fronteiriça, num local
porada de seu falecido irmão através             público e aberto e eu precisava de um
do ectoplasma de um médium.                      personagem desconhecido, um andari-
       09. – Por que escrever uma                lho, um “hippie” difícil de ser localizado
história assim?                                  naquela região – “Hace três dias que
       A inspiração vem quando “o san-           acá estoy” – para conseguir “tapar o
to baixa”, resultante de um estímulo             buraco” do quebra cabeça. Posso afir-
externo, um fato qualquer que a gente            mar que, no início do diálogo, não me
procura dar um tratamento literário e            dei conta quando esse personagem já
transforma em ficção, adaptando ao               respondeu falando em espanhol.
nosso imaginário e criando peças para
colocar no lugar daquelas que faltam
num quebra cabeça incompleto. No lin-
guajar futebolístico é como se a bola
estivesse “picando” na grande área,
tem que aproveitar e chutar em golo.
Ai então passamos a acreditar que va-
mos escrever uma história para cair no
agrado dos leitores e assim atingir esse
nosso grande objetivo.
       10. – Por que tanto detalhe
para descrever o lugar?
       Faz parte do tratamento literário


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       12. – De onde e desde quando               Oficina de Criação Literária da PUC, co-
essa vontade de ser escritor? Você                ordenada pelo escritor Luiz Antonio de
se sente feliz em ser escritor?                   Assis Brasil, em que se projetou a an-
       Creio que já tenha respondido em           tologia “Contos de Oficina 5” (1989).
parte no item oito, porém, devo acres-            Como integrante do Grupo Fábula,
centar que apenas me julgo um escri-              também publiquei outros contos em
tor diletante, não vivo da escrita e nem          “Mais Ao Sul Do Que Eu Pensa-
preciso forçar a barra, desde que tudo            va” (1993). Colaborei ainda em
aconteça ao natural. Já tenho editado             “Julinho 100 Anos de História” (2000),
dois livros por conta própria, sem qual-          “Olhares Sobre Jaguarão” (2010),
quer pretensão de auferir rendimentos,            “Varal Antológico” (2011), além de vá-
a não ser a satisfação de distribuir para         rios artigos publicados em jornais e si-
os amigos e obter o seu reconhecimen-             tes nacionais. Recentemente, lancei in-
to como o certificado que me foi outor-           dividualmente os títulos “Lá Pelas Tan-
gado pela Escola Municipal de Ensino              tas” (crônicas) e “Para Não Dizerem
Básico “Horácio Salles da Cunha”, real-           Que      Passei    em    Brancas     Nu-
mente um diploma de escritor reconhe-             vens” (ficção).
cido pelos leitores. Este é o segundo                   15. – Com quantos anos o se-
motivo de me sentir feliz com esse su-            nhor começou a escrever os livros?
cesso, já que o primeiro tive oportuni-                 Ao invés de livros, posso respon-
dade de vivenciar quando fui escolhido            der que comecei a escrever textos em
para participar da Oficina de Criação             1954, quando publiquei no jornal do
Literária da PUC, coordenada pelo es-             Ginásio um conto de ficção científica
critor Luiz Antônio de Assis Brasil.              “Futuro Interplanetário”, por sinal bas-
       13. - Você gostaria de escre-              tante incipiente, o que pode ser consi-
ver quantas histórias mais? Você                  derado normal para quem começava.
gostaria de ser outro cara ou não?                Nessa época, dava os primeiros passos
       Apenas o que Deus me permitis-             na crônica esportiva, comentando jogos
se já que estou na fase do lucro e re-            de futebol para o jornal “A Fôlha”, de
cém colhendo os frutos daquilo que                Jaguarão. No ano anterior, cheguei a
plantei. Basta-me o que já tenho.                 editar “O KCT”, publicação satírica dos
“Então a gente se contenta com nem                alunos da 3ª. Série ginasial, que come-
ter muito dinheiro, nem muita fama,               çou com tiragem de um exemplar ma-
nem mesmo, sim - nem mesmo muita                  nuscrito e terminou com 30 exemplares
felicidade. Aprende a aceitar conforta-           mimeografados. Em 1959, assumi a
velmente a meia ração e ainda agrade-             gerência daquele jornal jaguarense,
cer por ela. A ceder os primeiros luga-           onde atuei como redator. Ingressei na
res para os mais dotados e os mais sô-            Escola de Engenharia da UFRGS em
fregos, sem as fúrias e a pressão que             1961 e ali me formando em 1965 como
acicatam os favoritos. Descobrir que o            Engenheiro Mecânico. Exerci atividades
bom é bater palmas e não disputar os              profissionais em São Paulo, Florianópo-
aplausos.” – Fito-me nessas palavras              lis e Porto Alegre, onde me aposentei
sábias de Rachel de Queiroz.                      em 2001 como técnico em desenvolvi-
       14. – Quantos livros aproxi-               mento do BRDE. Acredito que tenha re-
madamente o senhor já fez?                        tomado a embocadura das letras nos
       Os livros que tenho editado são            anos oitenta, produzindo os primeiros
mais coletânea de textos engavetados              textos mais elaborados, entre eles “Um
durante quarenta anos, embora alguns              compromisso para o Natal”.
tenham resultado de participação da


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       16. – Já pensou em ter outra               - é o que me afirmavam. Concordo que
profissão?                                        são “safadinhos”, tem malícia alguns
       Autor bissexto, diletante sim,             textos meus, mas é o espelho da reali-
mas não profissional, pois não vivo da            dade nua e crua em que vivemos. Cito
escrita. Como engenheiro, dizem que               aqui São Thomas de Aquino – “é im-
sou bom escritor. Aquele que pretende             possível o exercício de qualquer virtu-
se profissionalizar deve pensar no in-            de, sem um mínimo de conforto”. De
vestimento necessário para fazer car-             minha parte, costumo diferenciar o ero-
reira, tem que “caitituar” os críticos li-        tismo (implícito e estético) da porno-
terários e buscar bons agentes para               grafia (explícita e grosseira). Apesar de
“vender” a sua obra às editoras. E                alguns leitores já me rotularem como
mesmo assim, necessita dispor de ou-              “pornográfico”, não faz o meu gênero e
tro meio de vida. Se não vai se tornar            este é o tipo que rejeito peremptoria-
um autor independente, com dificulda-             mente. Além disso, não gosto de con-
de de encontrar distribuidor que colo-            fundir a ficção com a realidade de for-
que sua obra nas livrarias. Como é des-           ma a criar melindres com pessoas en-
conhecido vai ficar a mercê de elevadas           volvidas na história. Até posso me valer
comissões dos revendedores que nunca              de personagens reais, mas procuro
dão o retorno esperado. Sem estrutura             passar ao leitor a idéia de um fato ina-
não vale a pena a “profissão”, dá muita           creditável, bem caracterizado para não
mão de obra.                                      o levar a conclusões precipitadas.
       17. – O que você mesmo es-                       20. – Desde quantos anos vo-
creve lhe traz lições de vida?                    cê começou a inventar história?
       Parece-me que sim, na medida               Você gosta de inventar história?
em que vou tecendo a história a partir                  A primeira história que inventei
de um fato real que me impressionou e             foi num exercício de redação nas aulas
inspirou para transmitir sentimento e             particulares ministradas pela Profª. De-
conhecimento para os leitores.                    lícia Bittencourt, preparatórias para o
       18. – Que tipo de texto ex-                exame de admissão ao Ginásio. Ela leu
pressa mais seus sentimentos e                    o texto de um livro e mandou que a
que gosta mais de escrever?                       gente escrevesse com as próprias pala-
       É aquele texto fluente, com uma            vras o que ali estava escrito. Só que eu
pitada de ironia, forçando quem o lê a            resolvi romancear e contei uma história
descobrir a história oculta nas entreli-          bem diferente. Na outra aula, ela leu
nhas, conduzindo-o ao desfecho ines-              essa minha redação para duas colegas
perado que às vezes choca. Chego até              que comigo estudavam e estas logo re-
a pecar por não atingir o código do lei-          clamaram – “mas não foi essa história
tor que me surpreende com uma inter-              que a senhora contou”. Ai a professora
pretação bem diferente daquela imagi-             explicou que só queria mostrar a mes-
nada por mim. A influência do gaúcho              ma para que avaliassem a minha capa-
Sérgio Jockymann foi marcante nas mi-             cidade criativa. E de lá para cá, sempre
nhas preferências como ideal que pro-             que posso, largo com gosto essas tira-
curava atingir.                                   das.
       19. – Existe algum tipo de his-                  21. – Você é muito famoso?
tória que não gosta de escrever?                        Ainda não cheguei a tanto e nem
       Já me disseram que não gostari-            esperava alcançar esse reconhecimento
am de ler certas histórias minhas por             que estou recebendo através do Projeto
serem chocantes, apesar da inexistên-             Letras e Artes Horácio 2011. Será que
cia de termos chulos. ”Por isso mesmo”            tenho café no bule?



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       Mais uma vez recorro a Rachel de                25. – Você acha que todas su-
Queiroz – “Que não envergonha ser um            as histórias podem ser filmes?
romancista menor, um cidadão menor,                    Acho que qualquer história pode
uma pessoa do comum.”                           ser filme, mesmo que este não repre-
       22. – Que tipo de música você            sente com fidelidade a obra literária.
gosta de ouvir?                                 Daquela se extrai um roteiro que vai
       MPB, toda vida. Estou tentando           agregando outros valores artísticos ne-
me reciclar largando o “mofo” da Velha          cessários à sua adaptação cinematográ-
Guarda, acredito que tem muitos novos           fica, o que não desmerece o original e
talentos surgindo por ai. Mas mesmo             sim se presta para estimular as pessoas
assim, minha predileta para tocar no            na sua leitura.
derradeiro adeus é “João Valentão”, de                 26. – Você quando era peque-
Dorival Caymmi.                                 no queria ser outra coisa?
       23 – Que tipo de livro você                     Sempre tive facilidade para o de-
gosta de ler?                                   senho, até pensei em fazer vestibular
       Uma literatura fluente, que pren-        para arquitetura. Mas não era minha
de atenção. Gosto muito da novela pi-           aspiração de guri. Lembro-me daquele
caresca, aquela do anti-herói, que cito         tio que esteve adoentado lá em casa e
como exemplo Galeão Coutinho (“Vovô             eu ia com um caderno de desenho, a
Morungaba”, “Memórias de Simão, o               beira do seu leito, esboçar a figura de
Caolho”, “Confidências de Dona Marco-           um navio, a partir das suas narrativas
lina”), Dyonélio Machado (“Os Ratos”) e         de viagem como marinheiro. Ele me
Gladistone Osório Mársico (“Cogumelos           corrigia o que não estava certo, eu apa-
de Outono”). Aprecio bastante José              gava com a borracha e redesenhava
Mauro de Vasconcelos (“Confissões de            até que ele concordasse.
Frei Abóbora”), Humberto de Campos                     27. – Qual é o nome do seu
(“Lagartas e Libélulas”), a poesia de           primeiro livro?
J.G.de Araujo Jorge, Érico Veríssimo                   “Contos de Oficina 5” (Ed. Acadê-
(“Incidente em Antares”), Luiz Antonio          mica, 1989), antologia em que tenho
de Assis Brasil (o caro Mestre) e fico          participação com 3 contos, resultantes
por aqui com tantos bons autores que            da Oficina de Criação Literária já citada.
minha memória mal consegue guardar.             Porém, como autor solo, “Lá Pelas Tan-
       24. – Quantas histórias você             tas” (crônicas, independente, 2010)
já fez? Qual a sua maior inspiração             posso considerar meu primeiro livro.
para escrever contos?                                  28. – Em algum momento da
       Olha, até perdi a conta do que já        sua vida pensou em parar de escre-
consegui produzir. Algumas vezes, a             ver livros ou já parou?
inspiração parece que já vem pronta e                  Até pouco tempo, eu costumava
a escrita flui ao natural. Mas também           responder àqueles que me pergunta-
acontece o bloqueio mental e não con-           vam pelo próximo lançamento, dizendo
sigo concluir uma ótima trama por mais          que “Para Não Dizerem Que Passei em
que me esforce em aprimorar o texto.            Brancas Nuvens” era minha obra póstu-
E, por preguiça mesmo, acabo deixando           ma. Mas, sem maiores comprometi-
-o de lado, na espera de um momento             mentos, por enquanto vou levando e
mágico que me lance as luzes do en-             colocando os textos que me vem à
tendimento. Puro desespero ao perder            mente no “quartinho de despejo” do
o fio da meada. O mestre Assis Brasil           meu blogue... Até que recentemente
me enfatizava: “Também só queres Mu-            uma pessoa que não costuma usar
Mu!” Isto é, a maior inspiração.                computador me perguntou pelas



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 últimas postagens que tinham saído.              novos temas em que se misturavam
Então resolvi tirar cópia das mesmas              crônicas e ficções. A memória se faz
para que ela fizesse a sua leitura. Ai            presente em grande parte de meus es-
me dei conta que já tinha material sufi-          critos que não seguem uma cronologia
ciente para publicar outro volume, re-            definida, apenas são lampejos que sur-
sultando “Minha Fachada Predileta”,               gem em minha cachola e eu vou ano-
atualmente no prelo.                              tando na ocasião. Estas respostas já
       29. – O que você quis dizer                me oportunizaram belas recordações.
naquela parte (religiosa) que diz                        31. – Que conselhos você da-
assim: “se é difícil entender o so-               ria para quem não gosta de ler?
frimento, mais difícil ainda é aceitá                    Procure aquela leitura que flui ao
-lo, mas é o preço a ser pago pela                natural. Leia um livro por vez. Evite o
salvação do homem”?                               acúmulo de livros em sua cabeceira.
       Quando escrevi “Um Compromis-              Frequente as bibliotecas públicas. Re-
so para o Natal” imaginei uma Igreja              serve um pouco do seu tempo para ad-
de 15 degraus, em que cada um repre-              quirir o hábito de ler. Liberte-se do ví-
sentaria uma estação da Via Sacra e,              cio da televisão e do computador. Tro-
como o personagem estava sentado                  que idéias com outros leitores. Assinale
naquele que representava a Terceira               e comente tudo aquilo que descobrir de
Estação, procurei na Bíblia e lá encon-           interessante. Avance passo a passo na
trei coincidentemente o significado               sua formação de leitor mais exigente
“quando Jesus cai pela primeira vez” e            de bons livros. Sinta o prazer de criar a
mais as citações “É melhor padecer se             sua própria imaginação.
Deus assim o quiser, por fazer o bem,
do que por fazer o mal (1 Pd, 3, 17)” e
“se é difícil entender o sofrimento,                   (*) José Alberto de Souza nasceu
mais difícil ainda é aceitá-lo, mas é o           em Jaguarão-RS.
preço a ser pago pela salvação do ho-                  De sua autoria têm publicados
mem”, que decidi encaixar no texto.               “Lá    pelas    tantas”       /       crônicas
Fazia sentido: o Coronel não entendia             (Independente, 2010), “Para não dize-
nem aceitava o sofrimento de Rafael,              rem que passei em brancas nuvens” /
assim não só salvou este como tam-                contos (WS Editor, 2010) e “Minha fa-
bém a si próprio, não se omitindo de              chada predileta” / memórias (Alcance, 2012).
ajudar o próximo.
       30. – Você já pensou em fazer
um livro contando a sua história de
vida ou já fez?
       Era minha intenção quando iniciei
o blogue “Poeta das Águas Doces” res-
ponder a pergunta que me fez o contra
-tenor Jarbas Taurino – “Qual a razão
deste meu gosto pela música? – outra
história comprida para ser contada nu-
ma conversa que cheguei a publicar em
16 postagens sem concluí-la e que de-
sisti de continuar. Na sequência, fui de-
sengavetando outro material que já
não diziam mais respeito ao que tinha
planejado e prossegui acrescentando



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                        INSCRIÇÕES ABERTAS




1)   DA SELEÇÃO E DA PARTICIPAÇÃO                   vas, haicais, sonetos e crônicas ou outros.


1.1. O Varal Antológico é promovido pelo            2)       DA ACEITAÇÃO DOS TEXTOS
VARAL DO BRASIL ®, revista literária ele-
                                                    2.1. Serão aceitos textos em língua portu-
trônica realizada na Suíça (ISSN 1664-
                                                    guesa, com tema livre, em formato A4, es-
5243).
                                                    paços de 1,5, fonte Times New Roman de
                                                    tamanho 12 e que não ultrapassem quatro
                                                    páginas. Os textos deverão vir acompanha-
1.2 Serão consideradas abertas as inscri-
                                                    dos dos dados de inscrição (ver abaixo).
ções a partir de 20 de julho até 20 de se-
tembro de 2012. Caso o número de partici-
pantes ideal seja atingido, as inscrições po-       2.2. Não serão aceitos textos que perten-
derão ser encerradas mais cedo.                     çam ao universo de personagens já exis-
                                                    tentes criados por outro autor. Também
                                                    não serão aceitos textos politica ou religio-
1.3. Poderão participar da antologia todas
                                                    samente tendenciosos, que expressem
as pessoas físicas maiores de 18 anos, ou
                                                    conteúdo racista, preconceituoso, que fa-
menores com permissão do responsável,
                                                    çam propaganda política ou contenham in-
de qualquer nacionalidade ou residentes
                                                    tolerância religiosa de culto ou ainda pos-
em qualquer país, desde que escrevam na
                                                    suam caráter pornográfico. Também não
língua portuguesa.
                                                    serão aceitos textos que possam causar
1.4. A coletânea terá tema livre e será com-        danos a terceiros ou que divulguem produ-
posta por diversos gêneros literários, o es-        tos ou serviços alheios.
critor podendo enviar contos, poemas, tro-




                                      www.varaldobrasil.com                                         68
Varal do Brasil, literário sem frescuras!




2.3 Os textos não deverão ter ilustrações           3) SOBRE AS INSCRIÇÕES PARA
ou gráficos.                                        A SELEÇÃO:
2.4 Serão recusados os textos que não vie-
rem na formatação requisitada, assim como
os textos que chegarem colados no corpo             3.1. As inscrições para a Antologia serão
do e-mail.                                          abertas no dia 20 de julho 2012 e encerra-
                                                    das no dia 20 de setembro de 2012, poden-
2.5. Os textos recebidos serão examinados
                                                    do ser encerradas antes, caso o número de
por uma banca formada pela equipe do VA-
                                                    textos recebidos e avaliados sejam aprova-
RAL DO BRASIL ® e alguns escritores e/ou
                                                    dos antes da data, no formato e padrão já
críticos convidados. A avaliação se dará
                                                    descritos. O livro será publicado em 2013.
com base nos seguintes critérios: criativida-
                                                    As inscrições só poderão ser feitas pelo e-
de e originalidade do texto, assim como a
                                                    mail varaldobrasil@gmail.com
qualidade do mesmo.
                                                    OS NOMES DOS SELECIONADOS SE-
2.6 Os textos deverão vir acompanhados
                                                    RÃO DIVULGADOS NO DIA 30 DE SE-
de uma pequena biografia. A biografia, es-
                                                    TEMBRO POR E-MAIL.
crita na terceira pessoa, deverá conter no
máximo cinco linhas (A5, letra Times New
Roman 12, espaço 1.5). Lembre-se sempre             3.2. Para participar os candidatos deverão,
que numa biografia, como em muito na vi-            além de enviar um ou mais textos de acor-
da, menos é mais.                                   do com as regras estabelecidas neste regu-
                                                    lamento, fornecer o formulário anexo preen-
2.7. Os textos devidamente formatados de-           chido.
verão ser enviados para o e-                        3.3. Só serão aceitas inscrições através
mail: varaldobrasil@gmail.com, juntamente           dos procedimentos previstos neste regula-
com os dados de inscrição e demais docu-            mento. Os dados fornecidos pelos partici-
mentos de autorização.                              pantes, no momento das inscrições, deve-
2.8. Ao se inscrever na Antologia o autor           rão estar corretos, claros e precisos. É de
autoriza automaticamente a veiculação de            total responsabilidade dos participantes a
seu texto, sem ônus para a revista VARAL            veracidade dos dados fornecidos à organi-
DO BRASIL ® nos meios de comunicação                zação da Antologia.
existentes ou que possam existir com a in-          3.4. Todo autor é proprietário dos direitos
tenção de divulgar a antologia.                     autorais dos textos por ele enviados para
                                                    publicação no livro e cuja autoria seja com-
                                                    provada pela declaração enviada;


                                                    3.5. Em caso de fraude comprovada, o tex-
                                                    to será excluído automaticamente da anto-
                                                    logia. Cada autor responderá perante a lei
                                                    por plágio, cópia indevida ou outro crime
                                                    relacionado ao direito autoral.




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3.6 Todo autor é livre para divulgar, preparar      4) DO PAGAMENTO PELO SISTE-
lançamentos, noites de autógrafos, individu-        MA DE COTAS
ais ou em conjunto, do livro VARAL ANTO-
LÓGICO 3, desde que se responsabilize por
todas as despesas - preparativos para lan-          4.1. A participação se dará no sistema de
çamento, custos administrativos e convites,         cotas, sendo que cada autor deverá proce-
compra de exemplares a mais do que os re-           der ao pagamento da seguinte forma:
cebidos pela participação – pertencendo             (a) Cada autor pagará o valor de R$ 550,00
também ao participante o valor das vendas           (quinhentos e cinquenta reais) que podem
dos livros em questão. Para tanto, o partici-       ser pagos à vista ou
pante apenas deverá entrar em contato com
                                                    (b) em duas parcelas de R$ 290,00, sendo o
a revista através do e-
                                                    primeiro pagamento até 31 de outubro de
mail varaldobrasil@gmail.com para que o
                                                    2012 e o segundo e último pagamento até
número de exemplares lhe seja enviado me-
                                                    30 de novembro de 2012.
diante pagamento (preço da editora / remes-
sa), notando-se aqui a antecedência requeri-        (c) O pagamento deverá ser feito no caso do
da. O VARAL DO BRASIL® reserva-se o                 autor receber comunicação comprovando a
direito de estar ou não presente nos lança-         aprovação do (s) seu (s) texto (s)
mentos organizados pelo autor                       4.2. A cada depósito o comprovante deve
                                                    ser enviado para o e-
                                                    mail varaldobrasil@gmail.com


                                                    4.3. O recebimento do pagamento total dá
                                                    ao autor a garantia de sua participação na
                                                    coletânea. O não recebimento de nenhuma
                                                    parcela até o dia 10 de novembro de 2012
                                                    anula a participação do autor.



                                              4.4. O pagamento parcial do valor cooperati-
                                              vo não dá direito à participação no livro. Ca-
                                              so o autor não termine o pagamento acorda-
3.7. Os participantes concordam em autori- do, será substituído por outro participante e
zar, pelo tempo que durar a antologia com a comunicado através de e-mail.
editora, que a organização faça uso do seu 4.5. No dia 20 de dezembro considerar-se-á
texto, suas imagens, som da voz e nomes       o livro fechado.
em mídias impressas ou eletrônicas para
divulgação da Antologia, sem nenhum ônus
para os organizadores, e para benefício da 4.6. O (s) depósito (s) deverá (ão) ser feito
maior visibilidade da obra e seu alcance jun- (s) em nome de:
to ao leitor.




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Estas coordenadas serão fornecidas por e-   Brasil, será registrada e receberá ISBN ,
mail                                        mas cada autor é responsável por registrar
*É imperativo que o comprovante de depósi- suas obras.
to seja enviado para nosso e-mail para con- 4.10. A remessa dos exemplares para o en-
firmação do pagamento.                      dereço do autor que não se encontrar pre-
                                            sente quando do lançamento do livro será
                                            paga pelo mesmo, independente do valor
4.7. Não haverá prorrogação dos prazos de pago pela participação. A remessa aconte-
depósito em respeito a todos os participan- cerá após o lançamento do livro e o autor
tes selecionados. Pequenos atrasos podem deverá solicitar o valor do frete pelo e-mail
ser considerados desde que avisados atra-
                                            atendimento@designeditora.com.br
vés do e-mail varaldobrasil@gmail.com e
em acordo com a equipe organizadora.


4.8. Os participantes receberão um total de
10 exemplares da Antologia por participa-
ção.
O livro terá aproximadamente 250 páginas
no formato padrão (14 x 21 cm)
Capa nas medidas 14 x 21 cm fechado; La-
minação BOPP Fosca (Frente);
Capa em Supremo 250g/m² com 4 x 0 co-
res; Miolo
                                                    5) OUTRAS INFORMAÇÕES
Fechado em Pólen Soft 80g/m² com 1 x 1
cores                                               5.1. Dúvidas relacionadas a esta antologia e
                                                    seu regulamento poderão ser enviados para
                                                    o e-mail varaldobrasil@gmail.com
Os serviços prestados serão de editoração
completa:                                           5.2. Todas as dúvidas e casos omissos nes-
Leitura e seleção                                   te regulamento serão analisados por uma
                                                    comissão composta pela equipe organizado-
Revisão
                                                    ra e sua decisão será irrecorrível.
Projeto gráfico
criação de capa
                                             5.3. Para todos os efeitos legais, o partici-
ISBN e ficha cartográfica                    pante da presente Antologia, declara ser o
impressão                                    legítimo autor dos textos por ele inscritos,
                                             isentando os organizadora a editora de
                                             qualquer reclamação ou demanda que por-
4.9. A presente antologia será editada pela
                                             ventura venha a ser apresentada em juízo
Design Editora com o selo editorial Varal do
                                             ou fora dele.




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5.4. O VARAL DO BRASIL ® reserva-se o
direito de alterar qualquer item desta An-
tologia, bem como interrompê-la, se ne-
cessário for, fazendo a comunicação ex-
pressa aos participantes.
5.5. A participação nesta Antologia implica
na aceitação total e irrestrita de todos os
itens deste regulamento.
5.6. A data prevista para a entrega dos
exemplares do livro VARAL ANTOLÓGI-
CO 3 é durante o lançamento do mesmo
em 2013 (data a ser agendada) e pelos
correios em média vinte a trinta dias após
o lançamento (O autor se responsabilizará
por pagar o frete caso deseje receber
seus livros pelos correios). Será oportuna-
mente discutida uma noite de autógrafos
organizada pela revista VARAL DO BRA-
SIL ®
5.7 Em caso de, por motivos de força mai-
or, não puder ser realizado um lançamen-
to físico do livro VARAL ANTOLÓGICO 3,
os livros poderão ser requisitados pelos
autores através do e-mail
atendimento@designeditora.com.br após
aviso por parte do VARAL DO BRA-
SIL ® e um ou mais lançamentos virtuais
poderão ser realizados.
5.8. Os livros ficarão à disposição na edi-
tora para serem solicitados por TRÊS me-
ses após o lançamento e/ou aviso aos au-
tores por parte do VARAL DO BRA-
SIL ®. Após esta data considerar-se-á que
o autor não deseja receber os livros e os
mesmos poderão ser doados a alguma
escola, biblioteca ou outros.
5.9. O fórum para qualquer recurso é situ-
ado em Genebra, Suíça.




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                                            josseleneferreira@hotmail.com




Viagem através da leitura

Por Josselene Marques

O prazer de ler nos permite:
Viajar no tempo,
Reviver momentos inesquecíveis,
Montar, desmontar e recriar histórias.
Horas a fio, quedamos o olhar fixo
Em palavras, frases, períodos e páginas
Que se agrupam e servem de ponte e trans-
porte
Para belos e incríveis devaneios...
Caminhamos, fazemos escalas;
Novamente, seguimos.
Atingimos terrenos que se deixam desbravar...
A emoção aflora...
Consentimos que a imaginação
Torne real, dentro de nós, o que almejamos.
Sorrimos, choramos, questionamos
Nesta inestimável, estimulante
E inesgotável oportunidade
De tentar decifrar o mundo.




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                                                       marlidifreitas@msn.com




As duas meninas

Por Lariel Frota



                     Registrar no papel,
                     Como nuvens brancas
                     No azul do céu,
                     O que acontece
                     No coração que sonha!
                     Acreditar na vida,
                     Mesmo a caminhada
                     Sendo tão sofrida:
                     Há luz dourada
                     Além da curva na estrada!


    Era franzina, nem poderia ser diferente. Nascida na periferia pobre, fora desde o ventre
materno vítima da desnutrição. Sempre quieta, olhos ansiosos em busca de horizontes dou-
rados que só ela enxergava.
     Não era de brincar com panelinhas, bonecas risonhas ou qualquer coisa que alegra as
infâncias femininas, gostava mesmo era de desenhar, rabiscar, ou ficar olhando as nuvens
branquinhas formando desenhos no céu azul. A mãe na rudeza da sua luta pela sobrevivên-
cia não via com bons olhos o gosto da filha por letras, desenhos, mapas, livros. O pai via ali
um arremedo de esperança de que a pequena vencendo nos estudos, talvez garantisse
dias melhores pra sua velhice precoce, andava extenuado por tanto trabalho.


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A menina foi inscrita no sistema de bolsa de         acabara despertando um interesse acima
estudos na escola na qual a mãe fazia faxi-          das expectativas dos organizadores. O prê-
na. O pai foi contra, alguns vizinhos e paren-       mio, um computador com impressora e web-
tes próximos ironizavam:                             can, um vídeo game de última geração e um
     -Essa criança já vive com a cabeça no           curso básico de informática é o que mais
mundo da lua, vendo coisas que ninguém vê,           interessa a petizada. Para os professores o
inventando estórias, rabiscando e escreven-          estímulo pedagógico foi de fato interessante.
do em tudo que é canto, imagine estudando                 Os melhores trabalhos fariam parte de
em escola de rico, vai pirar de vez!                 um livro.
                            (…)                                               (….)


                                                          -Não chore filha. Você não precisa des-
      Alfabetizada e com incrível gosto pela         sa merda de computador, o vovô vai comprar
leitura, continuou traçando seus caminhos            um melhor do que esse pra você. Vamos que
em sonhos, para os demais, impossíveis.              essa festa já deu o que tinha que dar!
Enquanto a mãe terminava a faxina após as                  -O vovô tá certo filha. Ele não lhe deu
aulas, percorria as salas vazias. Imensamen-         o estojo de lápis de cor importado que fazia
te feliz saia pelos corredores silenciosos pu-       suas coleguinhas morrerem de inveja? En-
lando, dançando, parando aqui e acolá. Pa-           tão, amanhã você terá o seu computador no-
recia garimpar pelos cantos preciosidades            vinho em folha, muito mais avançado que
que só ela enxergava. Gostava tanto dos              essa porcaria barata!
passeios solitários, que vez ou outra a mãe
                                                                              (….)
acreditava que talvez alguns estivessem
certos, a menina tinha um parafuso a menos.
                             (….)                          -Mãe lembra quando eu ficava por aí
                                                     depois das aulas enquanto você fazia faxi-
                                                     na? Eu procurava uns tesouros. Primeiro
                                                     achei o lilás minha cor preferida, só deu pra
        Tarde de festa, salão lotado. Ceri-          fazer uns pontinhos em volta da folha, depois
mônia simples de entrega dos resultados              foram vindo as outras cores. Os pedacinhos
finais da turma barulhenta que está conclu-          maiores eu guardava pra quando fosse es-
indo o primeiro grau. Na solenidade serão            crever.
também divulgados os nomes dos ganhado-                      -Do que você tá falando?
res do concurso cultural, amplamente divul-
                                                           -Das pontinhas dos lápis pai. Minha
gado no ultimo trimestre. A diretora ajeita o
                                                     amiga deixava cair quando fazia pontas ne-
microfone para dar início a celebração. A
                                                     les. Ela girava tanto o apontador que muitas
criançada faz um barulho infernal, pais,
                                                     vezes quebravam e ficavam pelo chão. Me
mães, avós e convidados se ajeitam nas
                                                     dava uma pena ver os pedacinhos jogados
cadeiras pra prestar atenção a abertura da
                                                     sem fazerem o trabalho deles.
solenidade.
                                                             -Que menina?
     O concurso exaustivamente divulgado


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     -Você não conhece homem. É aquela que saiu choramingando no colo do avô antes
da diretora encerrar a festa, não é filha? A família é bem de vida, ela é muito mimada, es-
banja tudo, material de escola, lanche, até estojo de maquiagem traz pra escola, as outras
meninas ficam ouriçadas.
     -Então pai, ela deixava um montão de pontas de lápis jogadas no chão, ao invés de
deixar irem pro lixo eu pegava e guardava. Alguns pedacinhos eram tão pequenos que só
dava pra fazer uns pontinhos. As vezes ficava uns maiores, foi com eles que escrevi a reda-
ção toooooooooooooooda colorida, que ganhou o concurso!
                                    (….)
                    Entre uma linha e outra
                    No branco do meu papel
                    Mora a menina e a louca
                    O palhaço no seu carrossel.
                    Mora o príncipe apaixonado,
                    O cavalo branco vazio,
                    O ladrão pulha e safado,
                    Mora a cadela no cio!
                    No abismo entrelinhas
                    Cabem o céu e o mar,
                    A eterna criança e seus sonhos
                    Os pesadelos medonhos,
                    Esperando o leitor olhar!




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                                    lenia.aguiar@live.com.pt




                                                 diversos assuntos e inspiro-me facil-
    “OS LIVROS SÃO                               mente.
        NOSSOS                                         Um leitor atento percebe que o li-
                                                 vro é quase alguém ou um grupo de
       AMIGOS”                                   pessoas com cultura. Só os mais inteli-
                                                 gentes sabem aproveitar o benefício de
          Por Lénia Aguiar                       um livro. Seja de que tema for, um li-
                                                 vro tem sempre mais valor do que uma
      Desde criança, antes de aprender           conversa com algumas pessoas. Pois
a ler, que tive contato com os livros,           as páginas escritas com finura e beleza
minha mãe lia-me muitos contos, al-              singular enriquecem as mentes e não
guns populares, outros mais moder-               costumam magoar, enquanto as pes-
nos, desde a fantasia à aventura. Mi-            soas, às vezes, parecem venenosas e
nha avó lia-me jornais. Mais tarde li-os         más que quase nos açoitam com as
sozinha e aprendi muito. Desde que se            palavras frias e amargas como pedras
inicia na escola que há ligação aos li-          que vomitam desnecessariamente.
vros e a descoberta de muitas letras,                  Muitos (as) escritores (as) ansei-
palavras, números, cálculos, histórias,          am por ver os seus escritos, que por
lugares e do nosso corpo.                        vezes espelham os seus sonhos ou as
      Sempre vi um amigo num livro,              suas vidas, nas bancas das tabacarias
pois muitas vezes refugiava-me na bi-            e livrarias para ganharem algum di-
blioteca a ler e a escrever, deixando os         nheiro e fama, demostrando ao mundo
meus e minhas colegas de lado, eram              desocupado o que descobriram noutros
parvos (as) e só queriam gozar. Sem-             livros ou noutras páginas da vida. É di-
pre fui das melhores alunas e aprendi            fícil, constantemente, cativar um (a)
muito com os mágicos de folhas bem               leitor (a), é necessário vencer algumas
encadernadas, sei muitas histórias de            batalhas e a primeira delas é consigo
                                                 mesmo.


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Depois tem de se convencer a editora que se está à altura de estar na frente de
combate sem sair ferido demais ou pronto para a sepultura. Ao ganhar-se várias
batalhas e ao tornar-se um bestseller, vencendo a guerra, o (a) autor (a) trans-
forma-se na triunfadora deusa da literatura, desafiando as artes. Agatha Christie
é uma das que vendeu muito e tornou-se popular com policiais. Outra autora de
destaque é a Danielle Steel que triunfou nos romances. E ainda há a J.K. Rowling
que é uma das que cativou muitos leitores que adoram o mundo da fantasia.




                                                leonilda.spina@sercomtel.com.br




                                                                            volta.
      Livro... Silente
                                                   Conhecíamos histórias: A Gata Borra-
          Amigo                                                  lheira,
                                                  A Branca de Neve, O Pequeno Polegar.
   Por Leonilda Yvonneti Spina
                                                        Um mundo de sonho e fantasia
                                                            vinha noss’alma povoar...
    Na singela cartilha do be-a-bá
  ensaiávamos os primeiros passos
      na longa estrada do saber.
                                                                          Depois...
       Uma tênue réstia de luz
                                                   O convívio com a língua portuguesa,
        iluminava nosso viver.
                                                  a “ultima flor do Lácio, inculta e bela”.
                                                            Quanto mais líamos, mais
                                                                         aprendíamos
  Aos poucos juntávamos as sílabas,
                                                        sobre nosso país, as tradições,
  formávamos palavras, e todo um
                                                        gratificando a alma com novas
               universo
                                                                         informações.
de sons e significados abria-se à nossa


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- Quem não se lembra dos primeiros                  brilho no olhar, não temíamos nada,
              livros,                              e nada nos impedia de livremente so-
    de seu cheiro, das “orelhas”                                  nhar.
            arrebitadas,
das leituras diante de toda a classe,
  do rubor na face ao ler palavras                     O livro nos acompanha pela vida
              erradas?                                                   afora...
                                                      É sempre útil em qualquer tempo,
                                                                    a qualquer hora,
    Era tudo tão bom, tão belo!                      em qualquer carreira ou profissão.
Com entusiasmo construíamos nosso                   Seja ficção, literatura, arte, ciência,
             castelo.                                  ele é o veículo a difundir cultura
O livro estava sempre ao nosso lado                     e aprimorar-nos a experiência.
a nos ensinar história, matemática,
             geografia.
    Tantas coisas interessantes                                O livro é pássaro, voa,
      a nos instruir a mente,                        tem o poder de transportar-nos em
   e nos fazer vibrar de alegria.                               suas asas,
   Vencendo etapas importantes                    de incentivar-nos a descobrir o além...
aprendemos línguas, ciências, artes                 É sempre companheiro, cúmplice na
                                                                solidão.
   (e os livros estavam presentes
                                                    Tem a doçura da garoa, da chuva de
          em toda parte.)
                                                                  verão,
                                                     que nos trazem paz e serenidade à
                                                                         alma.
 Com que prazer bebíamos a água
 cristalina de tão preciosas fontes!
   Vieram os contos, romances,
                                                  O livro é silente amigo, fiel confidente.
 poesias... e o anseio de conquistar
                                                   Ele nos educa, entretém e enriquece.
         novos horizontes.
                                                     Dos bons livros jamais se esquece!



      Quantos conhecimentos
       pudemos armazenar!
         Éramos qual barco
    navegando em infinito mar.
   Velas içadas, ilusão na mente,


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LIVROS LIVRES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor

Recentemente, falei no meu blog - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com - sobre o Projeto
Floripa Letrada, que disponibiliza livros e revistas nos terminais urbanos para os usuários do
transporte público, que podem levar as publicações para casa, mas precisariam devolvê-las,
para que outras pessoas possam continuar usufruindo do acesso à leitura. Mas quase nin-
guém retorna os livros às estantes dos projetos.
Coincidentemente, leio no jornal A Gazeta, de Cuiabá, do qual sou cronista, que o projeto
Saber com Sabor, que existe lá há dez anos, vai estender sua atuação também para os ter-
minais urbanos, praças e outros locais públicos. Até agora o projeto estava restrito às biblio-
tecas e os empréstimos de livros funcionavam com cadastro e prazo para devolução, mas
com a expansão, não haverá registro nenhum do empréstimo, as pessoas apenas escolhe-
rão o livro e levarão, como é feito em Florianópolis.
O objetivo é dos melhores, qual seja democratizar o acesso ao livro a qualquer pessoa, incu-
tir o hábito da leitura entre os cidadãos de todas as camadas da sociedade. Espero que eles,
lá em Cuiabá, e em outros lugares onde existem projetos parecidos, obtenham sucesso, pois
aqui o público não deu o devido valor ao projeto, que está decaindo, uma vez que depende
de doações e os livros não são devolvidos.
Vou procurar saber como o projeto foi recebido e se funcionou, para voltar ao assunto. Faço
votos que dê certo. O problema, aqui, foi o “comprometimento, de uma forma consciente, a
devolvê-lo quando terminasse de ler”.
Espero, também, que o provimento de livros e revistas não seja através de doações, como
aqui, que haja verba para comprar livros nem que seja de sebos, pois as doações acabam
diminuindo, com o tempo e isso acaba por colocar em risco o projeto, uma vez que os livros
não são devolvidos.
O que eu gostei mais, na matéria que li, foi os conselhos valiosos emprestados ao leitor, de
como incentivar a leitura: - Comece a ler para as crianças desde o berço, isso distrai, faz rir
e facilita o desenvolvimento da linguagem, semeando o gosto pela leitura. – Sempre defendi
que a criança tem que conviver com livros desde a mais tenra infância; Tenha sempre um
livro à vista; Faça da leitura um prazer, sem cobranças e castigos; Visite bibliotecas, para
que tenham acesso a livros de qualidade e cultive bons hábitos de leitura; Respeite o gosto
literário das crianças; Crie momentos culturais frequentando teatros, cinemas, museus, bibli-
otecas e feiras de livros; Estimule a criação de um cantinho da leitura com acervo variado em
casa. Não é interessante? Vale a pena seguir os conselhos. E se houver um projeto assim
na sua cidade, pegue livros, sim, mas devolva-os depois de ler, por favor. Ou o projeto aca-
ba.


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OS LIVROS E O DIREITO AUTORAL

Por Luiz Carlos Amorim




E o impasse continua. A nova lei de Direitos Autorais, projeto do Ministério da
Cultura que vem se arrastando há anos, volta à baila, agora não mais se atendo
à música, como aconteceu há até bem pouco tempo, mas focando a literatura.

A legislação vigente é de 1998 e protege os textos de obras literárias, científicas,
conferências, sermões, ilustrações, cartas geográficas, músicas, desenhos, pintu-
ras, esculturas e arte cinética. Não é possível fazer cópias de livros inteiros, ape-
nas capítulos ou páginas, o que não é respeitado, evidentemente, porque os li-
vros que os universitários precisam são muito caros, por exemplo.

A nova proposta da lei de Direitos Autorais, elaborada pelo MinC, já foi disponibi-
lizada à consulta pública, mas está encalhada no Congresso, que precisa aprová-
la para passar a valer. Esta nova versão da lei prevê a possibilidade de cópia do
livro na íntegra, para “uso privado”, ou seja, a duplicação de uma obra para es-
tudo será legal.

A pirataria não chegou aos livros, ainda, aqui no Brasil, mas a lei pode provocar a
sua aparição, temem editores e livreiros. É bem verdade que os livros, por aqui,
são muito caros, que nem todo estudante pode comprá-los, mas a pirataria de
obras literárias não seria nada bom para os autores brasileiros, que já ganham
parcos 10 por cento pelo seu trabalho.

Pirataria de livros, para quem não sabe, é a produção de livros – impressão em
fac-símile, digamos assim – para ser vendida como se vende os DVDs de filmes,
exemplo. Em outros países isso já existe.

Então finalmente o foco recaiu sobre os livros, mas não há muita esperança de
que o estado de coisas atuais mude alguma coisa. A verdade é que a versão digi-
tal dos livros – e-books, jornais eletrônicos, internet – não foi contemplada na
nova lei.

O livro digital é uma realidade, queiramos ou não. O livro impresso, como o co-
nhecemos até agora vai continuar, ainda, por muito tempo, mas o livro eletrônico
está conquistando espaço. De maneira que deveria ser contemplado, também,
nessa nova Lei de Direitos Autorais, tão polêmica e tão inócua, antes mesmo de
começar a valer. Precisa haver uma regra para que as obras que são veiculadas
na internet, por exemplo, não sejam copiadas e usadas indiscriminadamente,
sem que as fontes sejam ao menos comunicadas. Urge uma regulamentação
mais efetiva nesse sentido.




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       Para que as emoções não se percam

Por Ly Sabas


   Por que escrevo? Para encontrar a resposta reportei-me aos meus sete anos e
alguns meses. Vestidinho branco, comprido até as canelas, laço de fita nos cabe-
los castanhos, olhos esverdeados brilhando, excitados. Revejo o quarto simples,
as três camas de madeira lustrosa e sinto um leve perfume de jasmim. Em cima
da cama, encostada na parede esquerda do quarto, um embrulho de papel colori-
do. Revivo a emoção da menininha, desembrulhando, coração aos pulos, respira-
ção suspensa, o pacote colorido. O gato de botas!
    E foi assim que meu pai me ensinou a amar livros e o verdadeiro encanto de
uma boa surpresa. Chegava de mansinho, entrava no quarto em que eu dormia
com minhas irmãs e deixava em minha cama um livro de contos de fadas. Não
sei como conseguia, mas nunca o peguei no ato. Trazia um livro por semana, em
dias alternados, para que a surpresa continuasse. Dias depois da entrega, pedia
para que eu lesse para ele. Com paciência e carinho, ensinou-me a compreender
as emoções transmitidas pelas palavras lidas. E também a importância de visuali-
zar as ilustrações cuidadosamente, analisando cada traço, cada nuance das cores
utilizadas. Mostrou-me a influência do desenho na compreensão das característi-
cas dos personagens. Como adulto sensível que era, sabia que crianças lêem pri-
meiro com os olhos da alma.
   Depois, em minhas primeiras dissertações escolares, utilizei os ensinamentos
de meu pai, mais do que os das professoras, que não conseguiam atingir minha
sensibilidade. E segui em frente, através das idades, assimilando felicidade, dor,
mágoa, amor, carências, maternidades e transformando tudo em escrita, como
uma fórmula mágica para não deixar as emoções se perderem ou a vida simples-
mente passar.




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Enquanto lia Mark Twain
Por Magno Oliveira

Censine lia no ônibus um livro do escritor Mark Twain, uma garota ao lado o
observava, observava mais o livro do que ele. Ela observou tanto, que não
hesitou em perguntar lhe:
--- O que é isso?
--- Livro – ele respondeu.
--- Posso ver? – A moça disse já estendendo a mão para pegá-lo
Sem responder ele passou o livro para ela. Ela o tomou pelas mãos, olhou a
página que Censine estava lendo, olhou a outra, olhou a capa, a contra capa,
viu as outras páginas. Os olhos da moça brilhavam muito, parecia que nunca
tinha visto aquilo, parecia olhar para um ser vindo de marte, Júpiter ou qual-
quer outro planeta.
Ele não se conteve e disse a ela: --- É de ler e não de comer, viu?




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                      marcia.m.deconƟ@hotmail.com




             Vestígios

Por Márcia Maranhão De Conti


     Meus acasos não povoam
       páginas de dicionários
    são trilhas que transcendem
       a leveza dos passeios


      As palavras são rastros
    deixados no cimento fresco
   nem que eu falseie os passos
     minto comigo, nos versos


     As palavras são pérolas
  de um colar que nunca tiro
  criadas nas conchas antigas
dos mares que habitam em mim.




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                                                 mcatoledo@gmail.com




   POR QUE ESCREVER

            Por Marcos Toledo                      Tenho medo de classificação obter ...
                                                   Já pensou eu primeiro ser?
                                                   E aí, o que fazer?
                                                   Vou relaxar, isso não deve acontecer.
                                                   Mas, e se acontecer, o que fazer?
Finalmente! Por que escrever...
Já fiz o principal que é aprender.
Pensei que bastasse saber ler,                     Já sei - mostrarei também o meu ser.
depois entender;                                   Mas o que escrever
mas ainda tenho que saber escrever?                em um concurso de igreja? Tenho que saber!
                                                   O regulamento vou ler
Se tenho o suficiente que é saber,                 e, em casa, com calma, escrever.
não preciso saber escrever.
Acho que quem escreve deixa o seu ser              Poesias, contos ou crônicas - o que fazer?
transferir-se para outros, sem perceber:           Já sei: uma poesia vou escrever.
suas mágoas, seus anseios e, até sem que-          Sou romântico, minha namorada não cansa
rer,                                               de dizer.
                                                   Isso mesmo... para ela vou escrever...
transfere coisas ruins sem saber.                  Sinto que ela faz parte do meu ser.
Mas há escritores que têm um querer:
uns em transmitir alegria, outros, saber.          Pronto, já fiz. Pensei que não sabia escrever
Ah! Se eu escrevesse, sabe o que iria fazer?       mas a poesia aqui está, para minha amada
Transmitir tanto alegria, quanto saber.            ver.
                                                   Assim, ela saberá que é a razão do meu vi-
Mas não sei escrever;                              ver,
como resolver?                                     e todos saberão que sei escrever.
Já sei! Num concurso vou me inscrever!             Agora, é só torcer, para o concurso vencer.
O anonimato sei que vão manter;
de mim, ninguém vai saber.                         Amém




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                           LIVRO VIVO

                      Por Maria Heloísa Fernandes


    Deixado à cabeceira, largado, empoeirado.
     Informações importantes, aprendizados e épocas permanecem lá, como
guardiãs a espera de seu rei a determinar ordens.
     Devaneios preservados, precariamente folheados, uma página aqui, outra
acolá, que desabrocha por entre suas linhas e entre linhas, à sabedoria mági-
ca nas mãos da vida.
    Atores envolvidos e intactos desfilam, organizados por pensamentos de
alguém que possivelmente a punho desenvolveu, pois na observância do tem-
po restam-lhes folhas amareladas, desnorteadas, sem graça, campeando
apresentar sabedoria, além daquele cheiro de mofo.
     Certamente somente os ácaros sejam naquele momento, seus compa-
nheiros, na tentativa constante da motivação, para que não desista.
    Imediatamente sente-se sacudido! Alguém lhe sopra a poeira, abre sua
capa e num bailar de dedos, percorre suas folhas surradas. Quanta felicidade
sente naquele momento. Lembraram de sua velha existência.
    Fita aquele ser que o percorre, sua alma vibra incontrolavelmente, não
mais permanecerá naquela cabeceira na companhia da poeira.
    Devolveram a sua alma a alegria da persistência por seus ensinamentos.
    Sente-se vivo!




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OS PRÊMIOS DE UM                                        guiu parar. Sentiu afinidades, identificação
                                                        com pessoas e fatos. Arriscou até uma críti-
ESCRITOR                                                ca.
                                                        “F” leu num fôlego só. No final, comovido,
Por Maria Luíza Falcão                                  confessou: “sempre fui um grande aprecia-
                                                        dor de romances, sempre me apaixonei e
“M” (78 anos), professora formada, mas que              desapaixonei por todos os personagens,
não chegou a exercer a profissão, era cate-             mas...”.
górica em afirmar que não gostava de ler.               O que eles têm em comum?
Por falta de concentração ou pura preguiça,             Um livro chegou em suas mãos e por razões
não sabia. Apenas as receitas culinárias e              diversas, leram. Foi necessário este primeiro
as notícias dos “famosos” conseguiam sua                movimento para desencadear o resultado.
atenção.                                                Se não houvesse o escritor, a história não se
“R” (32 anos), estudou pouco e foi ao mun-              faria. Sem ela, não haveria o livro. Se ele
do. Os livros que lhe passaram nas mãos                 não lhes fosse disponibilizado, seja por livre
foram os do tempo do colégio. A leitura pos-            e espontânea vontade ou por doce pressão,
terior foi obra mais do acaso do que da es-             permaneceriam em sua inércia literária, rele-
colha.                                                  gando a último plano aquele privilégio de ler
“F” (28 anos), universitário e escritor, é afeito       e sonhar. Por que não?
à poesia forte e destemida, própria do seu              O livro é, sem dúvida, o elemento transfor-
tempo.                                                  mador do indivíduo e, os autores, agentes
O que eles têm em comum?                                insubstituíveis da cultura de um povo.
“M” jamais imaginou que aquela pessoa que               “M” aderiu aos romances e já é íntima de
ela mesma gerara escrevesse. Muito menos,               Machado, Alencar, Orígenes e de tantos
que fosse capaz de criar personagens e uma              quantos vierem.
história que enchesse mais de trezentas pá-             “R” entrou num “sebo” e comprou um livro de
ginas! Por curiosidade deu início à leitura e           autoajuda. Ficou impressionado com o fato
se viu tragada por uma trama que chamava                de poder comprar um livro por um preço tão
mais e mais. A vista cansada obrigava a pa-             pequeno.
rar, mas logo estava lá, livro nas mãos, mer-           “F” prossegue entre a prosa e a poesia. Gra-
gulhada naquele universo, misto de sonho e              vada em seu coração, a história tão real da-
realidade.                                              quele romance aparentemente fictício. Re-
 “R” ganhou o livro de presente de quem o               gistrado no coração de quem escreveu, o
escreveu. Folheou aquele universo desco-                comentário emocionado do jovem leitor:
nhecido, avaliou aquelas incontáveis pági-              “sempre fui um grande apreciador de roman-
nas e pensou: “Vou ter que ler isso tudo e              ces, sempre me apaixonei e desapaixonei
ainda ter que dizer o que achei...”. Por pouco          por todos os personagens, mas amigo só me
não desistiu, mas estava acostumado aos                 tornei de um: Afonso”.
desafios e aceitou. Começou e não conse-


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                                   O Livro

                            Por Marluce Portugaels
Escrever sobre o Livro... Que posso eu dizer se tanto já foi dito... Num esforço,
lembro-me de Neruda, “livro, quando te fecho, abro a vida...” Fecho os olhos e
me vejo bem menina na casa de meus avós maternos, no Alto Rio Juruá, a bis-
bilhotar nas caixas que minha avó Lita, professora rural, recebia abarrotadas de
cartilhas e de outros livros para distribuir com os filhos dos fregueses que traba-
lhavam no Seringal Bom Jardim de meu avô Chico.
No Seringal havia uma escola e a professora rural tinha a função de ensinar as
primeiras letras às crianças, que todos os dias se sentavam ao redor da grande
mesa presidida pela professora, que começava fazendo-as repetir o A B C, em
seguida, juntar as letras, “um B com A, Bê a Bá”, e, finalmente, formar frases,
“Eva Viu a Uva”. E os alunos, será que já tinham visto uva?
O último estágio era a leitura das historinhas como a do Jeca Tatu que era pre-
guiçoso e cheio de vermes, ele, a mulher e os filhos, pois todos andavam des-
calços e não conheciam bons hábitos de higiene. Mas, um dia, um médico lhes
prescreveu remédio, tanto para vermes quanto para fortificar o organismo. E
também lhes disse que andassem calçados. Eles ficaram fortes, corados porque
eliminaram os vermes e aprenderam a se cuidar. Jeca Tatu, então, criou cora-
gem para trabalhar, prosperou e comprou sapatos para todo o mundo. Até para
os porquinhos. E assim termina a história.
Nessa época nem desconfiávamos que a personagem do Jeca Tatu fora criação
de Monteiro Lobato, que em seu livro Urupês, com 14 contos, denuncia a situa-
ção de miséria e abandono do caipira da região do Paraíba do Sul, mas que na
realidade também era a do caboclo do Amazonas que vivia à beira do rio, o bei-
radeiro. Dessa forma, não há como não concordar com Joseph Conrad que “o
autor só escreve metade do livro; da outra metade deve ocupar-se o leitor...”


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Revivendo tudo, ainda sinto o cheiro de            mente de febre tifoide, e era justamen-
novo das cartilhas, das tabuadas, dos              te eu que o entretinha lendo as maravi-
cadernos de caligrafia... Tenho na me-             lhosas histórias do meu livro de contos
mória o ícone das Edições Melhoramen-              de fadas. Hoje, ainda, tenho na memó-
tos. Aquele passarinho pousado sobre o             ria o livro que foi talvez o mais belo
globo terrestre, presente em todos os              presente que recebi, porque tinha sete
livros que eu folheava, acompanhou-                anos, tinha aprendido a ler, e com
me durante toda a vida. Sem que me                 aquele livro eu voava para bem longe,
dê conta, a impressão que ainda tenho              para o país das fadas e das persona-
é que todos os livros trazem essa mar-             gens nele imortalizadas. Anos depois,
ca.                                                lendo Emily Dickinson concluí que, de
                                                   fato, “não há melhor fragata do que um
                                                                              livro    para
Aprendi a ler                                                                 nos levar a
com minha avó,                                                                terras    dis-
junto com os fi-                                                              tantes.”
lhos dos fregue-
ses. Mas, no
processo, tam-                                                                Eu ainda te-
bém acumulei a                                                                ria    muitas
função de aju-                                                                reminiscên-
dante da profes-                                                              cias sobre o
sora. Como era                                                                Livro,   este
curiosa e queria                                                              objeto sedu-
saber    o    que                                                             tor, esta cai-
continham      os                                                             xinha de se-
livros de histori-                                                            gredos capaz
nhas, lia tudo em casa com a permis-               de imobilizar-nos em um canto durante
são de minha avó e, na aula, ajudava a             horas, e de transportar-nos para rin-
professora com os alunos mais lentos.              cões nunca dantes sonhados. Mas, já é
Assim, devo ter forjado a profissão de             tarde e precisa-se parar em algum lu-
mestre que finalmente abracei.                     gar... Abro os olhos, lentamente, e me
                                                   vejo ainda bisbilhotando livros, mas
                                                   não os das caixas de minha avó Lita,
Num dia inesquecível, recebi de pre-               mas os meus próprios, arrumados em
sente de meu tio Daí meu primeiro livro            estantes em minha biblioteca. Então,
de contos de fadas. Foi uma alegria in-            penso que eles, os meus livros, são os
descritível. Li e reli as histórias reconta-       únicos objetos que eu não gostaria de
das dos Irmãos Grimm, de Andersen,                 deixar para trás, se tivesse de partir
de Perrault... Foi nessa época que meu             rapidamente...
tio Luís, adolescente, adoeceu grave-




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                                                   Ser poeta é deixar vir à tona
Ser poeta                                          Palavras,
                                                   sentimentos que precisam ser
Por Norália de Mello Castro                        concretizados

Palavras, às vezes frias,                          Brumas, 10 de maio de 2012
às vezes prenhas
a penetrar na vida:
Viver!
O poeta assim vive.
Entre realidade e sonhos.
Entre o querer e o fazer.
A dizer palavras floridas
ou a penetrar na selvageria do ser.

Pode escrever sobre uma flor
delicada,
ou sobre uma cebola.
Pode até escrever sobre carne
sangrenta,
Violenta, de um boi morto.
Pode escrever o Vazio,
que nada tem, nada floreia,
que está pleno de dor,
de rostos emurchecidos
e a saudade se impõe .

Ser poeta é brincar com a vida,
gargalhar das tristezas,
almejar alegrias.
É ser gente assim contraditória .



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                                                  em massa pudessem conhecer seus es-
             O LIVRO
                                                  critos.
                                                        Os registros históricos ou pesso-
      Por Norália de Mello Castro                 ais do Homem da Caverna ficaram lá
                                                  atrás. O uso cansativo e restrito das
                                                  pontas de penas também. O Homem
      Quando chegou o convite de Jac-             tinha agora um instrumento que lhe
queline para escrever sobre O LIVRO,              permitiria correr o Mundo, com seus es-
para ser editado na revista especial de           tudos e pensamentos, pois a busca de
setembro 2012, achei um tema exce-                Conhecimento estava ampliada e atin-
lente por sua excelência. Vou participar          gindo maior número de leitores. Desta
com um texto.                                     invenção inicial revolucionária, chega-
                                                  mos hoje aos e-books, o que é fantásti-
      Fui procurar nos meus arquivos e
                                                  co, e com a Internet, estamos vivendo
encontrei já escrito um texto que intitu-
                                                  uma nova etapa revolucionária, desde a
lei Caminho e caminhos, no qual faço
                                                                   década de 90, do sécu-
referências ao      livro.
                                                                   lo XX.
Mas, não achei apropri-
ado para a revista e fi-                                           Em 1750, na Europa,
quei matutando o que                                               havia 130 milhões de
escrever. Veio-me à                                                livros impressos, o que
mente a figura de Gu-                                              favoreceu a dissemina-
tenberg, aquele inven-                                             ção da aprendizagem
tor alemão, que, no sé-                                            em massa. Infelizmen-
culo XVII, deu à Huma-                                             te no Brasil, esta revo-
nidade o maior presen-                                             lução começou somen-
te. Sim, o maior pre-                                              te no século XIX, com a
sente que um inventor                                              criação da Imprensa
poderia ter dado: a                                                Real em l808, com a
prensa móvel, que fez a                                            vinda da corte portu-
Revolução da Imprensa,                                             guesa para cá. Ou seja,
citada também por outros autores, co-             mais de dois séculos depois da criação
mo o evento mais importante da Histó-             da prensa. O mundo todo se transfor-
ria, comparável à descoberta da Pólvo-            mou com a invenção desta máquina.
ra.                                               Foram criadas bibliotecas, museus,
                                                  acervos. Algumas profissões desapare-
       A invenção de João Gutenberg re-
                                                  ceram e outras novas foram surgindo à
volucionou o mundo de então e vem re-
                                                  medida que se imprimia mais e mais
volucionando até hoje. Permitiu que os
                                                  livros; até novos códigos de conduta fo-
escritores, historiadores, cientistas e
                                                  ram sendo elaborados. O Conhecimento
literatos tivessem seus trabalhos regis-
                                                  não ficou restrito a números ínfimos de
trados para a posterioridade e leitores
                                                  pessoas .


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Na década de 70, do século XX, surgiu             com seu talento, consegue a proeza de
a Nova História Cultural, com valoriza-           ser lida.
ção da cultura de massa, do cotidiano a                 Todo autor quer vender livro,
ser observado. A antropologia ganhou              uma aspiração natural, mas vender li-
força, a filosofia foi enriquecida, novos         vro no nosso meio é prá lá de difícil.
rumos foram tomados para a Humani-                Entretanto, para atingir esta aspiração,
dade.                                             o autor não deve nunca deixar de es-
      Hoje, aqui, vivemos uma explo-              crever o que realmente lhe importa.
são de blogs e sites, um mundão de es-            Ser autêntico. Sem artifícios outros pa-
critores e poetas se manifestando. Te-            ra esta conquista. Na realidade, nin-
nho a sensação que temos mais escri-              guém - nem os maiores experts - sa-
tores do que leitores. Onde estão os              bem apontar que livro cairá no gosto de
nossos leitores? Equacionar esta ques-            um grande público, mesmo que tenha
tão com nossos problemas econômicos               sobre ele uma grande propaganda de
e sociais é uma parada gigantesca que,            massa.
para mim, só tem um caminho: abrir                      Quem nasceu escritor, sempre
mais e mais o leque da Educação e Cul-            será escritor, vendendo ou não seu tra-
tura, e que sejam ressaltados bons es-            balho. Como diz a escritora Rejane Ma-
critores.                                         chado:
      Mas o que é ser bom escritor? Es-                 “Não se faz um escritor, nasce-se
crever bem? Escrever temas que sabe               escritor!”
de antemão agradarão ao público? Tal-
vez a junção destas duas questões.                      Que venham bons escritores des-
                                                  te boom de blogs, sites, livros e edito-
      Numa entrevista que Martha Me-
                                                  res até...
deiros, autora respeitada por uma
grande fração do público leitor, deu pa-               Sinto que vivemos aqui um boom
ra Marília Gabriela, ela disse que antes          que a Europa viveu no século XVIII. Fe-
de querer agradar ao público, ela escre-          lizmente. E... finalmente!
ve para ela mesma, sobre aquilo que a                  Agora, só posso dar um VIVA A
incomoda, a angustia; que só escreve o            GUTENBERG que, lá trás, nos deu o
que realmente importa para ela. De-               maior presente para comunicação de
pois, então, direciona seu escrito para o         massa!
público. Com seu talento de escrever
bem, atinge grande número de leitores;
é o seu carisma. Ou seja, ela primeiro
escreve para ela mesma, para depois
                                                           Brumas, 7 de setembro de 2012
compartilhar.
     Esta colocação de Martha veio de
encontro com o que sinto: um autor de-
ve escrever realmente o que sente. Ela,


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                                       odenir.ferro@yahoo.com.br




                     DENTRO DA MINHA SOLIDÃO
                              Por Odenir Ferro


Conviver por algum tempo com um excelente livro, envolvendo-se espiritual,
física e emocionalmente com ele, - criando íntimos laços afetivos, - é como se
saboreássemos importantes partes, dos melhores momentos da vida contida
dentro da nossa existência! Ao darmos insights de credibilidade ou não, a estes
sublimes momentos em que os percorremos vivendo-os até hoje, neste presen-
te momento. Momento que pretendemos continuar percorrendo-o, formando
uma somatória de um caminho que nos conduzirá rumo à Eternidade! Dentro
destes momentos, somos uma obra inacabada. Assim como os livros! E temos a
total liberdade de irmos aprimorando-a, momento a momento. Deixando que a
nossa imaginação possa atingir a plenitude do ápice da sedução de se envolver
com as tramas encenadas, dentro de um clássico literário contendo os muitos
personagens saídos das realidades - sonhadoras e fantasiosas dos grandes
mestres escritores, - para as realidades fictícias, das dramáticas páginas do li-
vro. Seja ele construído na forma de Romance, Conto, Poemas,...
A importância primordial de um livro é a de tê-lo envolvido com os nossos mais
afetuosos e abstrativos abraços! Dando-lhe total credibilidade de sumária im-
portância, por considerá-lo como sendo o nosso melhor e mais fiel amigo. Tão
amigo e tão fiel, quanto ao nosso mais queridos animais de estimação. Muitas
vezes, até mesmo, muito mais que os nossos poucos amigos pessoais. E tão
delicioso, envolvente e sedutor, quanto a nossa felicidade de saciarmos a sede
com um copo de água límpida, cristalina e gelada, num dia quente de verão.



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Torna-se quase inenarrável para mim,            -os através das páginas dos livros que
transcrever as muitas facetas das boas          escrevo.
memórias. Contidas ou incontidas,               Ser leitor e ser escritor, é uma impor-
dentro das agradabilíssimas companhi-           tância extremamente vital para mim.
as literárias; que as tive junto de mim,        Através das letras que escrevo, alcanço
nos meus momentos de solidão. Quan-             os meus inumeráveis leitores: - E sen-
do pudera trazer do meu lado, acom-             do tão iguais a mim, buscam tudo o
panhando-me em todos os sentidos,               que eu também busco!
totalmente envolvidos com os meus
mais profundos e sublimes sentimen-             - As nossas realidades adaptando-se,
tos, o prazeroso abraço essencial e             ou, se reformulando continuamente.
                                                Através dos nossos sonhos! Quanta
sublime e amigo, dos livros. Sempre fui
                                                profundidade, quanto lirismo, quanta
um leitor ávido por conhecimentos, cul-
                                                intelectualidade, adaptada para a reali-
tura e sabedoria. Tudo isto e muito
                                                dade do nosso quotidiano comum, pos-
mais, acabei encontrando nas páginas
                                                so sentir, dentro de todos estes virtuais
e mais páginas dos livros que li. Os li-
                                                envolvimentos. Envolvimentos que, de
vros que já li, são para mim, os filhos
                                                página em página, de palavras em pa-
mais queridos dos meus escritores
                                                lavras, letras por letras, vamos galgan-
mais amigos. Os quais, sendo muitos,
                                                do a mágica essencialidade dos nossos
eu os escolhi a dedo. Também, dentro            mais inebriantes objetivos; e que são
da minha percepção intuitiva, ao retirá-        contados e recontados, através das
los das estantes das Bibliotecas; e de-         constâncias artísticas, obtidas através
pois, viajar para dentro deles, através         da integralidade dos nossos sonhos.
da minha imaginação. Recriando atra-
vés das suas páginas e mais páginas,            É muito prazeroso sentir nos olhos, nas
todos os cenários e todos os persona-           emoções salientes, no aspecto geral
gens descritos pelos escritores.                das pessoas que já leram algo que es-
                                                crevi, - sendo uma poesia, sendo um
Dentro destas viagens, - sobressaindo-          livro de poesias, sendo um artigo de
me um pouco mais além de mim mes-               jornal, ou algum outro texto que for, -
mo, - posso também expressar que é              aquela cumplicidade de satisfação, de
de extrema importância para o meu               aprovação, de envolvimento carinhoso,
ego interior, saber que também eu, -            quase que platônico: - Entre mim, e
além de ser um fiel leitor de muitos es-        estes meus amigos e amigas leitores,
critores, - sou mais um dentre tantos,          selando-nos com um ou vários pactos
entre eles. Também contribuindo para            virtuais! Nuns instantâneos mágicos,
a melhoria da qualidade de vida das             envolvendo-nos através das realidades
pessoas e consequentemente do Plane-            sonhadoras e ficcionais, dos meus es-
ta. Criando elos essenciais de harmoni-         critos literários. Circundantes entre
as e belezas, através dos meus perso-           mim, eles, nós, percorrendo o imaginá-
nagens, dos meus cenários, dos meus             rio ideário, que nos envolve com as re-
sonhos, dos meus ideiais, transmitindo          alidades e as fantasias humanas!



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Ou seja: - Os amores, os sonhos, os an-         corrê-la ainda, é claro! Quanto a dizer-
seios, as esperanças, as crenças, a fé...       lhes como proceder no modo de escre-
Enfim: - A vida toda, que se entrelaça          ver, digo-lhes o que sempre disse e ain-
no meio de todos nós!                           da continuo a dizer para mim mesmo: -
                                                Escreva com toda a volúpia que se con-
Eu costumo percorrer um caminho ima-
                                                centra no sangue da arte pulsante e vi-
ginário ao compor um livro. Um cami-
                                                va, que se vibra dentro das emoções
nho que ora é muito pleno de silêncios
                                                que estão incontidas dentro das memó-
agudos e tristonhos. Noutras oras é rui-
                                                rias do seu coração! Você, eu, nós to-
doso, chegando a ser barulhento, festei-
                                                dos, somos um personagem real, cada
ro,... Mas, este caminho se conserva
                                                qual, dentro do seu mundo interior,
dentro de mim, - desdo o seu início até
                                                obreiros dessa grande mágica espiritual
o seu fim, - como sendo um caminho
                                                e física que é esta grande Vida que está
sagrado. Um caminho que me conduz à
                                                contida dentro desta nossa vida sonha-
busca da perfeição! Tudo nele, é envol-
                                                dora, numas oras. Onde noutros mo-
vente e mágico! E eu o percorro sem
                                                mentos, somos o inverso: - Somos um
saber o que acontecerá dentro dele, an-
                                                personagem sonhador, dentro da bruta-
tes de chegar no seu final. Assim como
                                                lidade desta vida real! E em tudo, está
na vida. Não tenho previsões! Tal qual
                                                perdurando o impregnado colorido eté-
iguais, somos na vida: - Não temos pre-
                                                reo das abstrativas tintas existenciais, e
visões sobre ela! É como se tudo esti-
                                                as suas obras inacabadas ou concluídas,
vesse acontecendo simultaneamente
                                                geradas dentro do Amor Universal que
entre o meu eu real, a minha arte, e a
                                                se concentra e se extrai, das fontes vi-
criação explosiva e intensa que se con-
                                                bracionais e metafísicas da Arte pura!
centra dentro dos meus sentimentos, -
que vão sendo, naturalmente, recriados
através das emoções e vivências dos
meus personagens. Personagens que
são, - dentro a minha realidade ficcio-
nal, - uma extensão, um braço, de mim
mesmo. E neste braço, interage um elo
que me liga com a plenitude do Univer-
so! E quanto a estes meus personagens,
assumo que posso admiti-los e admirá-
los, identificando-os como sendo uma
extensão emocional e racional de mim e
das minhas enriquecidas vivências pes-
soais: - E que se concentram além do
meu alter-ego!
Sinto que dentro desta estrada, tenho
ainda, muito, mas muito, muito mesmo,
do que aprender. Além de muito a per-


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Sobre os meus livros que já estão impressos, públicos, - ou sobre os meus inédi-
tos, ou tudo o que escrevo enfim, - posso dizer-lhes, assegurar-lhes que as pági-
nas que os compõem, são as páginas extraídas da minha óptica artística. Sinto
que dentro das páginas dos meus livros, se concentram um enorme palco girató-
rio, que dentro das minhas percepções, nada mais é do que este nosso planeta. E
através deste palco, o que mais me surpreende, me enleva e me deixa concen-
trado dentro do carisma mais profundo da etérea e eterna beleza mais sublime, é
a realidade deste belíssimo fio comunicativo que se entrelaça entre o meu eu, os
meus personagens e as pessoas que leem tudo ou partes do que eu escrevo. E
dentro disto tudo, sei que impera o elo absoluto deste eterno vínculo existencial
que perdura entre nós e aquele algo a mais que se situa dentro do mais alto es-
tágio do Divino Amor!




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Indriso aos livros na
    Idade Média

       Por Oliveira Caruso
    oliveira.caruso@gmail.com




     Mosteiro sem livros:
      castelo sem armas.
    Saber da Idade Média.


        Tudo manuscrito.
       Calígrafos a rezar,
    copiar e ilustrar textos.


Religiosos no quase monopólio.


Livros protegidos por maldições.




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Entrevista com Jacqueline Aisenman escrito-           de vez a escrita como profissão desde 2009.
ra catarinense, criadora e redatora-chefe da          Já editou vários livros, voando solo e em
revista Varal do Brasil em Genebra na Suíça           bando. Entre seus livros: Coracional, Poesia
concedida ao portal de comunicações RIUS              nos Bolsos, Entre os Morros da Minha Infân-
http://www.rius.com.br/                               cia, Lata de Conserva, Palavras para o seu
                                                      Coração e Briga de Foice, lançado em 2012.
                                                      Prepara Adagas de Cristal, Faca de Dois Gu-
                                                      mes e Labirinto de Lembranças.

                                                      Recebeu em 2011 o prêmio de Livro do Ano,
                                                      na categoria contos, pela Academia Catari-
                                                      nense de Letras com seu livro Lata de Con-
                                                      serva. Criou em 2009 e até o presente mo-
                                                      mento edita a revista literária eletrônica e o
                                                      site Varal do Brasil (www.varaldobrasil.com)
                                                      fazendo uma ponte de palavras entre o conti-
                                                      nente europeu e o Brasil. É diretora-
                                                      proprietária da Livraria Varal do Brasil, sedia-
                                                      da em Genebra e que é especializada em
                                                      autores de língua Portuguesa.

Biografia                                             O RIUS tem incentivado de forma categórica
                                                      a leitura, o conhecimento e a busca por infor-
Jacqueline Aisenman nasceu Soares Bulos,
                                                      mação. Ótimas pessoas, conceituadas tam-
em Laguna (SC) em 1961. Escrever foi sem-
                                                      bém, já colaboraram com suas entrevistas,
pre sua maneira de viver bem mais do que
                                                      dicas fundamentais para que os leitores se
uma profissão. Assim aprendeu a falar, de-
                                                      sintam mais soltos e ambientados para o uni-
monstrar sentimentos, se defender, explicar
                                                      verso da leitura e conhecimento. A convida-
coisas, contar o incontável, subtrair as dores.
                                                      da, Jacqueline Aisenman, com vasto currícu-
Escrevendo aprendeu e viveu. Foi redatora e
                                                      lo e experiência, com certeza, tem muito a
revisora de diversos jornais em Santa Catari-
                                                      ensinar e compartilhar.
na, diretora do Departamento de Cultura e
dos Museus de Laguna (Museu Anita Gari-
                                                      RIUS – O que fez você ser o que é hoje e
baldi e Casa de Anita).
                                                      o que você fez de diferente para conquis-
                                                      tar seu espaço no mundo maravilhoso da
Membro do Grupo de Escritores Lagunenses
                                                      literatura e comunicação?
Carrossel das Letras, Representante da Re-
de Brasileira de Escritoras (REBRA) na Suí-
                                                      Jacqueline Aisenman – O que sou devo a
ça, membro da União Brasileira de Escrito-
                                                      educação que recebi. Meus pais, meus avós,
res, membro correspondente da Academia
                                                      meus tios. Pessoas que contribuíram para
de Letras de Teófilo Otoni (MG) e da AR-
                                                      que eu amasse a vida, o mundo literário e as
TPOP, Academia de Cabo Frio (RJ). É mem-
                                                      pessoas. O amor de minha família sempre
bro também da Sociedade Poetas del Mundo
                                                      foi um pilar na minha existência. Sempre fui
(Europa), Embaixadora Universal da Paz pe-
                                                      incentivada também a amar os livros e desde
lo Cercle Universel des Ambassadeurs de la
                                                      pequena lia e escrevia muito.
Paix – Genève – CH e Conselheira Internaci-
onal da Associação LITERARTE.
                                                      RIUS – O que o Brasil (sociedade como
                                                      um todo e os governantes) precisa fazer
Estabelecida em Genebra, Suíça, desde
                                                      para criar e ajudar grandes talentos literá-
1990, trabalhou durante quase quinze anos
                                                      rios? Têm muitos sonhadores perdidos e
na Missão do Brasil junto à ONU e mais tar-
                                                      obstinados por conquistas, mas não sa-
de foi funcionária de banco privado. Adotou
                                                      bem o caminho do sucesso.


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Jacqueline Aisenman – Claro que incenti-             sileiros. Gostaria que lembrassem sempre
vos são bem-vindos: concursos, apoio para            da importância de ler e escrever. Que incen-
edição e tudo mais. Mas creio que não deve-          tivassem seus filhos, que procurassem sem-
mos esperar pelos governantes para realizar          pre abrir seus horizontes através de novas
nossa vida e nossas profissões. Devemos              leituras e da maravilhosa experiência da es-
sim, ter mais consciência ao elegê-los para          crita. A revista Varal do Brasil está de portas
que os erros atuais não continuem se repe-           abertas para recebê-los! Basta nos contatar
tindo e que aqueles que não exercem suas             através do e-mail varaldobrasil@gmail.com
funções com respeito e honestidade não               para a participar das edições. Mais uma vez,
permaneçam em cargos públicos.                       muito obrigada pela oportunidade e desejo a
                                                     vocês sempre sucesso!

RIUS – Por que há uma diferença enorme
em termo de educação e cultura, do Bra-
sil com países Europeus?

Jacqueline Aisenman – É toda uma ques-
tão cultural, longa de séculos. O Brasil ainda
não dá à educação o valor devido, enquanto
sabemos que educação é tudo. Sem educa-
ção não há futuro para ninguém, pois até pa-
ra uma boa alimentação a educação é ne-
cessária. E os pais não podem esquecer que
a educação começa em casa. Ela passa pe-
la escola onde o aluno receberá informa-
ções, mas a base educacional será sempre
recebida em casa. Nosso país precisa valori-
zar a profissão do Professor, pois sabemos
que, sem ela, nenhuma outra existiria.

RIUS – Falando um pouco da sua trajetó-
ria de escritora, o que você passa ao lei-
tor através dos seus livros?

Jacqueline Aisenman – Sou uma escritora
versátil e um pouco compulsiva. Escrevo
quase tudo e escrevo muito. Tenho vários
livros publicados e neles há contos, crôni-
cas, pensamentos, poemas. Escrevo sobre a
realidade e sobre sonhos, coisas imagina-
das. Para quem lê, nunca há uma linha que
separe a realidade da imaginação. Espero,
desta forma, deixar o leitor livre para desco-
brir experiências através do que escrevo.              Informações sobre os livros
                                                       de Jacqueline Aisenman:
RIUS – Qual mensagem gostaria de dei-
xar para os Brasileiros?                               coracional@gmail.com
Jacqueline Aisenman – Primeiramente
gostaria de agradecer a oportunidade que
me foi dada pelo Portal RIUS que considero
muito importante para a informação dos bra-


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                                           Sarah Venturim Lasso



.... “A menina do Vale” ?


Bel Pesce é uma menina real, não é personagem e sua história é uma
inspiração.
Eu a descobri lendo uma reportagem na internet no site da Revista Veja,
onde a reportagem falava sobre o livro e seus cem mil downloads em se-
te dias.
Após ler a reportagem, fui atrás do livro, que é facilmente baixado na in-
ternet, e é de graça.
A história de Bel é muito inspiradora, além de determinada, ela dá um
ânimo para qualquer pessoa correr atrás dos seus sonhos, não importa a
sua idade.
O livro é uma história real que poderia ser facilmente um conto de fadas
contemporâneo, com uma linguagem simples e frases marcantes, ele vai
te prender da primeira a ultima página, e ainda te empolgar para criar
sua própria aventura.
E para fechar com chave de ouro, Bel criou no youtube um canal chama-
do O caderninho da Bel, onde posta diariamente vídeos com lições que
ela aprende durante o dia! Vale muito a pena !




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                                                 pdaf35@gmail.com




               Um livro importante e pouco conhecido

                                               Por Pedro Diniz de Araujo Franco


             “Quando quiser saber algo que ignora, não pergunte aos sábios ou ami-
gos, pergunte aos livros”. Afrânio Peixoto.


      Introdução: Se formos listar os livros que mais influenciaram positiva, ou negativa-
mente, o mundo e este julgamento poderá mudar até com a História, o livro que vai ser moti-
vo deste ensaio, provavelmente não estará nesta lista, onde aleatoriamente destaco: Código
de Hamurabi, Corão, Bíblia Sagrada, Discurso sobre a origem da desigualdade (Rousseau),
Ensaio sobre o costume e espírito dos povos (Voltaire), A Cabana do Pai Thomaz (Harriet
Beccher Stowe), O Capital (Karl Marx), e por maior que fosse a lista, haveria reclamações,
pois não incluí esta ou aquela obra e possivelmente o reparo fosse feito com total razão. En-
tre os livros reclamados não estaria “Comunicação sobre a luva de raposa e alguns de seus
usos médicos: com observações práticas sobre a hidropisia e outras doenças” de William
Witherig, publicado em 1785, do qual anexo cópia da capa original. E além da importância
do livro, há que se destacar que cada vulto histórico deve ser julgado de acordo com sua
época. Causou-me espécie ler crítica literária sobre Charles Dickens, que reclamava da pou-
ca ênfase que deu à vida sexual de seus personagens. Esqueceu-se o crítico, tão apressado
crítico, que não vou nomeá-lo, de lembrar que Dickens viveu de 1812 a 1870. Como um es-
critor poderia agir de outra forma na sociedade vitoriana? Mas é oportuno enfatizar que em
seus escritos, que vivem até hoje, os dramas sociais da classe mais pobre são apresenta-
dos, principalmente os relacionados à infância.


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Da mesma forma vale lembrar que William             que curava a hidropisia e então escreveu
Withering teve sua principal obra publicada         seu livro.
em 1785. Da importância de suas pesquisas                    A Realidade: Os médicos ingleses per-
e das relações destas com a Medicina e com          ceberam que alguns pacientes, acometidos
a Literatura cuidarei.                              de hidropisia (edema generalizado), procura-
        A época: Quando William Withering           vam uma curandeira da região do Shorps-
(1741–1799) escreveu um livro sobre o em-           hire, perto de Birmingham e, tomando uma
prego da Digitalis purpurea na Medicina (An         beberagem feita por ela, tinham a regressão
Account of the Foxglove, and Some of its            dos edemas, melhoravam do estado geral e
Medical Ufes: with Practical Remarks on             da falta de ar. Solicitaram a Withering, tam-
Dropsy, and Others Diseases), estava no fi-         bém botânico, que estudasse a poção da cu-
nal do século XVIII. Espantou-me a coragem          randeira. De posse dos ingredientes perce-
de anotar em livro seus acertos e erros no          beu que só uma das ervas poderia ter efeitos
uso da digital, enfatizo, erros, no uso de um       positivos. Feita esta importante descoberta,
medicamento muito empregado até hoje. Es-           durante dez longos anos de muitas contrarie-
ta planta, que era considerada uma erva             dades e até de perseguições, estudou os
maldita até então, sofria críticas violentas,       efeitos da Digitalis purpurea, pesquisou, ano-
quando do seu uso, apesar de muitos erba-           tou caso por caso e foram cento e sessenta
listas citarem-na, ainda que de forma empíri-       e três pacientes aos quais a prescreveu. Tro-
ca, como remédio milagroso. Vale referir que        cou ainda correspondência com vários ou-
um médico francês muito importante, o Dr.           tros médicos, que também a usavam e citou
M. Salerne, de Orleans, fez vigorosa comuni-        estas cartas na obra de 1785. Criou regras
cação à Academia de Ciências de Paris, afir-        de emprego, registrou efeitos colaterais, en-
mando que a digital era um veneno perigoso          fim publicou um livro que merece ser lido
e nunca poderia ser receitada. Tinha feito          ainda nos dias atuais: "Comunicação Sobre
uma experiência com perus, que morreram             a Luva de Raposa e Alguns de Seus Usos
com doses de digital. Não fosse a pesquisa          Médicos: Com Observações Práticas Sobre
de Withering, possivelmente a erva deixaria         a Hidropisia e Outras Doenças". Luva de ra-
de fazer parte do arsenal terapêutico e mi-         posa era a erva, que os botânicos latinizan-
lhões de pacientes teriam deixado de usufru-        tes chamaram de digital, ou dedaleira, pela
ir seus benefícios.                                 forma de suas flores. Este livro e aí está uma
      A Lenda: Withering analisou a bebera-         de suas virtudes, ser escrito em 1785, mos-
gem, usada por uma curandeira da região do          trava as dificuldades em receitar um medica-
Shorpshire, feita com vinte e uma ervas e           mento, , sendo um dos primeiros documen-
                                                    tos médicos que narra em pormenores


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Varal do Brasil, literário sem frescuras!



uma pesquisa, apesar das limitações impos-              Mistério de Edwin Drood", escreveram "A
tas pela época. Para escrevê-lo, Withering              Verdade Sobre O Caso D.", usando a digital
enfrentou problemas de toda a espécie, que              também como veneno, para finalizar um li-
repercutiram inclusive sobre a vida familiar,           vro, que poderia não ter sido escrito; pois
profissional e até sobre sua saúde. Como é              não fez jus aos méritos de Dickens; 6) muito
moda pesquisar vidas e escrever romances                provavelmente a fase amarela de Van Gogh
históricos, que manancial excelente seria               (1853-1890) deveu-se à intoxicação digitáli-
contar a vida deste genial médico! Vale, para           ca, pois a digital foi-lhe receitada pelo Dr.
mostrar suas dificuldades, dar um corte his-            Paul-Ferdinand Gachet, escolhido por Manet
tórico. Estava Withering no fim do século               para tratar Van Gogh (1853 a 1890) de seus
XVIII, 1785, ao publicar seu livro. Era a épo-          problemas mentais. O Prof. Thomas Cour-
ca da Revolução Francesa (1776) e da exe-               tney Lee da Faculdade de Medicina de Geor-
cução de Tiradentes no Brasil (1792) e ve-              getown defendeu esta tese no The Journal of
jam a coragem em escrever caso por caso,                the American Medical Association (JAMA, n0
acertos e erros, acontecidos em cento e ses-            245, de 1981). Logicamente que a digital não
senta e três pacientes! Parece-nos útil citar           estava indicada para o tratamento da epilep-
algumas curiosidades relacionadas à digital:            sia, ou da esquizofrenia, de Vincent Van
1) já era anotada pelos médicos do País de              Gogh e não teve bom resultado, a não ser
Gales (1250); 2) era chamada de: fox glove              dar-nos a brilhante fase amarela do pintor,
(luva de raposa), foxes glews e fox music               que em vida só vendeu um de seus quadros.
(Inglaterra), campainha de raposa                       Para o Prof. Lee esta fase amarela foi de-
(Noruega), luvas de Nossa Senhora e dedos               sencadeada pela intoxicação digitálica, que
de virgem (França), capuz de dedos e deda-              pode fazer com que os pacientes vejam os
leira (Alemanha) e dedos sangrentos e cam-              objetos com outras cores, na maioria das ve-
painha de defunto (Escócia); 3) Pelas dificul-          zes em amarelo. Apesar dos ensinamentos
dades do estudo farmacológico da época,                 de Withering durante muitos anos as digitais,
Withering acreditou que a digital, que com-             retirada da Digitalis purpurea (no mercado
batia a hidropisia, a anasarca da insuficiên-           digitoxina) e preferencialmente da Digitalis
cia cardíaca, atuasse apenas como diurético             lanata (digoxina e lanatosíceo C) foram em-
e não como agente que aumenta a força de                pregadas de forma errada; 7) Van Gogh, que
contratilidade cardíaca. 4) Ellery Queen                antes de entrar no tratamento com a digital e
(Crime da Raposa) e Agatha Christie, esta               a citada fase amarela, escrevera ao irmão
por duas vezes, usaram a digital, como ve-              Théo, que "desejava pintar o mundo em ver-
neno, com maestria no segundo livro de                  des e vermelhos, para expressar as terríveis
Agatha Christie (Erva da Morte) e no dos pri-           paixões humanas" (J´ai cheché à exprimer
mos, que se assinavam Ellery Queen. Estes               avec le rouge et le vert les terribles passions
livros mostram os conhecimentos de Farma-               humaines), retratou o Dr. Gachet, segurando
cologia dos dois renomados autores, usando              um ramo da Digitalis purpurea e sem os
a digital na literatura policial, pois a dose efe-      amarelos, que vieram a dominar seus qua-
tiva dos cardiotônicos digitálicos está muito           dros pintados depois deste período de pseu-
próxima da dose tóxica, daí a necessidade               da cura em Arles (1880), sob a orientação do
de empregar o remédio de forma correta; 5)              referido Dr. Gachet; 8) O quadro do Dr. Ga-
Fruttero & Lucentini, para terminar o folhetim          chet (Portrait Dr. Gachet) durante muito tem-
policial inacabado de Charles Dickens, "O               po foi o de maior preço alcançado em leilão,


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82,5 milhões de dólares, em 1990. Hoje já              ring ao menos não tomou digital, quando a
perdeu esta primazia de maior preço para um            enfermidade acometeu-o. Triste consolo. 13)
quadro de Picasso. 9) Dale Dubin, em seu               O emprego dos cardiotônicos digitálicos em
livro Interpretação Rápida do Eletrocardiogra-         Medicina tem apresentado sístoles e diásto-
ma, compara o ST-T do eletrocardiograma                les, desde 1785, mas os últimos estudos
em pá, ou colher, de pedreiro, que traduz o            multicêntricos sobre os digitálicos, como
efeito digitálico, ao formato do surrealista bi-       DIMT (1993), PROVED (1993) e DIG (1997),
gode do pintor Salvador Dali; 10) no Reino             mostraram que os digitálicos continuam sen-
Unido um grande número de tentativas de                do cada vez mais úteis no arsenal terapêuti-
suicídio ocorre por ingestão de comprimidos            co da insuficiência cardíaca sistólica, ainda
de digital. T. W. Smith e col., estudando vinte        que auxiliados por outros medicamentos; 14)
e seis casos graves de intoxicação digitálica,         Por radioimuno ensaio já se pode dosar o
mostrou que doze foram desencadeados em                nível de digital do sangue, o que propicia es-
tentativas de suicídio (relato no N. Engl. J.          quemas de digitalização mais seguros; 15)
Med. 307, 1982). Será esta uma influência              aos que empregam digitálicos pode-se acon-
dos livros dos escritores policiais, citados aci-      selhar: “Sutor, ne supra crepidam” (sapateiro,
ma? 11) Church, Schamroth, Schwartz e                  não acima da sandália), pois há indicações
Marriott escreveram um artigo, ao menos cu-            precisas para se usar o medicamento e de
rioso, no qual intoxicaram propositadamente            forma própria; 16) conversava com um grupo
cada um de trinta e nove pacientes e com               de jovens e o assunto digital veio à baila e
três cardiotônicos digitálicos distintos, para         logo um dos mesmos pensou que falávamos
estudo! ("Deliberate Digitalis Intoxication" -         sobre algum assunto cibernético (digital, digi-
An. Int. Med. 57, 1962). E as intoxicações             tação etc) e não sobre uma benfazeja erva.
digitálicas podem levar à morte, daí a neces-                               Mas tudo começou com um
sidade de bem conhecer sua farmacologia. O             livro, que neste ano da graça de 2012 fez du-
anotado artigo não estaria representando               zentos e vinte e sete anos e ainda merece
uma experiência em “anima nobili”?; 12) Wil-           ser lido, não só por seu valor histórico, mas
liam Withering faleceu em 1789 de tuberculo-           também para mostrar que um homem, uma
se. Uma das proposições de seu livro foi               erva e um livro muito fizeram pela saúde da
mostrar as verdadeiras indicações da digital           Humanidade.
e nesta lista não constava a tuberculose. Du-
rante muitos e muitos anos a digital foi equi-
vocadamente prescrita para curar a falta de
ar da tuberculose avançada e mesmo em ou-
tras doenças, onde ocorria dispnéia. Withe-


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                  ESTE LIVRO

   Este livro é de mágoas. Desgraçados
  Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
   Somente a vossa dor de Torturados
 Pode, talvez, senti-lo... e compreendê-lo.

    Este livro é para vós. Abençoados
Os que o sentirem , sem ser bom nem belo!
   Bíblia de tristes... Ó Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!

 Livro de Mágoas... Dores... Ansiedades!
 Livro de Sombras... Névoas e Saudades!
Vai pelo mundo... (Trouxe-o no meu seio...)

  Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,
  Chorai comigo a minha imensa mágoa,
 Lendo o meu livro só de mágoas cheio!...


           in Livro de Mágoas

         FLORBELA ESPANCA




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                                                     priscilatenista@hotmail.com




DE LIVROS E CHOCOLATE                                quanto saboreava o doce, saboreava tam-
                                                     bém o livro.
                                                     Confesso que eram livros muito difíceis,
Por Priscila Ferraz
                                                     principalmente para aquela idade tão pouca,
                                                     mas eu adorava. Lia Dostoiévski (socorro,
Todo fim de tarde era aquela ansiedade.              Noga!), Jorge Amado, Monteiro Lobato para
Aquele homem meio truculento, que chega-             crianças e adultos, mas o que me encantava
va às lágrimas com a facilidade de uma mo-           era O Ferreiro da Abadia, de Guy de
cinha e se odiava por isso, traria em seu bol-       Maupassant. Hoje, nem sei se teria a paci-
so um pedaço de felicidade. Tinha dificulda-         ência e a constância necessárias para ler
de em expressar seu amor e o fazia trazen-           uma daquelas obras.
do pequenos presentes, não caros, com cer-           Aqueles desses instantes tão prazerosos me
teza, mas que faziam com que minha mãe,              marcaram tanto, que eu também quis contri-
minhas duas irmãs e eu nos deliciássemos.            buir com a satisfação de algum leitor ávido
De volta de seu trabalho na cidade, a cami-          por um bom romance de férias, livre, leve e
nho de casa, meu pai sempre passava em               solto. Daí, escrevi o Nuvem de Pó. Vou con-
uma confeitaria para comprar chocolate —             tar um pouquinho dessa história.
vê-se que um dos meus vícios foi iniciado            De repente, o tema surgiu, e escrevi como
por ele o outro foi culpa de minha mãe, que          quem não quer nada, só para guardar mo-
desde cedo nos incentivou a ler e, em mim,           mentos incríveis que passei. Depois tomei
encontrou terreno fértil.                            gosto e fui aumentando o texto, criando e
Ainda me lembro como se hoje fosse o gos-            inventando, montando um enredo. Foram
to do chocolate de uma antiga fábrica que já         dias maravilhosos, vivendo aquela história
nem existe mais, a Sönksen, com trema                que eu mesma ia criando. Cada capítulo era
mesmo. Eu não ia abrindo assim logo de ca-           lido e relido, procurando as palavras que
ra; tinha todo um ritual para meu momento            melhor demonstravam as emoções que eu
de prazer. Na hora de deitar, abria meu livro,       queria passar e eram, praticamente, histó-
começava a ler, e, devagarinho, ia abrindo           rias completas e diferentes.
também a embalagem do chocolate: en-


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A pior parte veio depois. Apesar de alerta-
da, tinha a esperança de ver meu livro
sendo divulgado e vendido: ledo engano,
nada aconteceu. Ainda tentei fazer uma
edição para lançá-lo como livro digital
achando que, como é novidade, poderia
ter mais chance. Outra decepção, afinal,
não sou nenhuma BBB para ter notorieda-
de e possibilidade de divulgação do meu
trabalho.
Mas não me queixo. Sempre recebo retor-
nos sobre meu livro e as pessoas me esti-
mulam a continuar escrevendo.
Àqueles que estão começando na carrei-
ra, desejo boa sorte, pois precisarão de
muita. Mas mais importante do que o des-
tino é a caminhada. Desfrutem-na.




                                                                 VOCÊ SABIA?

                                                    A revista VARAL DO BRASIL circula no
                                                    Brasil do Amazonas ao Rio Grande do
                                                    Sul... Também leva seus autores pelos
                                                    cinco continentes!
                                                                 Quer divulgação melhor?
                                                             Venha fazer parte do VARAL!
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                                                               Site: www.varaldobrasil.com
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                                                          rcandidofilho@ig.com.br




                                                    vir para ele, pelo menos essa insatisfação
              Bibliófilo                            não teria me acompanhado desde aquela
                                                    ocasião!
  Por Raimundo Candido Teixeira Filho                       Não sabe o estúpido tolo que é indes-
                                                    critível o prazer de um passeio por entre as
        Outro dia recebi a visita de um velho
                                                    páginas de um bom livro, num deleitante e
conhecido – há tempos tomo cuidado em
                                                    recíproco dialogo. É como um ser animado,
manejar a invulgar palavra amigo – que me
                                                    que vai falando e minha alma prossegue res-
viu cercado por uma profusão de livros espa-
                                                    pondendo, numa prosa solta, na mais har-
lhados por todo canto, ostentados nas prate-
                                                    moniosa das conversas, que às vezes, che-
leiras, dispersos sobre uma mesa, apoiados
                                                    go a esquecer que preciso de companhia
em cadeiras, abandonados pelo chão e um
                                                    humana. Todo meu longo silêncio ganha
amarelado alfarrábio de poesia descerrado
                                                    uma voz dialogada, que logo se transmuta
em minhas mãos, lhe dando a impressão
                                                    num exercitado monologo entre o meu atôni-
que eu sou desorganizado.
                                                    to pensamento e esta esbranquiçada folha
       Assim, com um espírito presunçoso            de papel que lês, agora.
de quem só tem cifrões estampado na bila
                                                            As bibliotecas, como o amplo mundo,
do olho, foi logo soltando uma descortês per-
                                                    deviam estar sempre de portas abertas, até
gunta, que comprova a ausência de desen-
                                                    nos dias santos e feriados, pois é crime cul-
volvimento espiritual e constata a falta de
                                                    poso deixar um livro calado, amordaçado,
desempenho cultural:
                                                    num silêncio sepulcral o ano inteiro, como
       – Para que serve essas pilhas de li-         ocorrem nos desleixados colégios, onde o
vros, meu amigo Raimundo? Você gasta                livro é só um mero enfeite de prateleira.
uma fortuna com essas coisas inúteis, sem
                                                             A arte da leitura é uma atividade para
serventia, como essa tal de poesia, para que
                                                    todas as idades, dos oito aos oitenta, como
lhe serve toda essa literatura?
                                                    até recentemente me assombrava a capaci-
        Fiquei arrependido, porque na hora          dade de uma jovem chamada Delite, uma
não respondi a altura, mas para indivíduo           bibliófila que aos 93 anos lia com sofregui-
assim, não adianta a gente perder tempo ex-         dão intelectual de um sábio, de um erudito,
pondo muita coisa, não. Realmente, seria            me induzindo a inveja, pela sua disposição
até difícil explicar àquele cidadão minha ve-       para a leitura, uma verdadeira legente que
neração a uma coisa de utilidade aparente,          sorvia as palavras com afã e sem aquele re-
como à poesia. Acho, porém, que eu devia            pentino cansaço que minha mente sempre
ter respondido na bucha que podia não ser-          inventa para favorecer a indolência.


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Varal do Brasil, literário sem frescuras!



Certa vez, houve uma importante conver-
sa entre um pai e seu querido filho, que
relatarei aqui. O zeloso pai pergunta cari-
nhosamente ao pequenino:
      - Thalles, o que você vai querer de
presente, no seu aniversário?
       O denotado filho, rapidamente res-
ponde, com uma imensa alegria nos
olhos:
      - Oba! Eu quero um livro, meu pai!
      O pai tenta dissuadi-lo daquele fi-
xo desejo:
        - Novamente livros, meu filho! Pe-
ça um brinquedinho, já chega de tantos
livros!
Propositalmente inverti o enredo desse
episódio, porque era meu veemente de-
sejo impor o hábito da leitura ao meu fi-
lho e não ouve como achar um meio, por
mais que tentasse trocar a bola pelo livro.
Mas espero que ele descubra logo que
os livros também são brinquedos feitos
com letras e que ler também é divertir-se,
é poder continuar a brincar pela vida afo-
ra, mesmo tendo o privilégio e a primazia
de viver até os 93 anos sofrendo desta
doce obsessão, chamada bibliofilia.




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                                             acon_lieg@yahoo.com




                                                que é lindo seu livro,
QUERO LIVRO
                                                que quer ler seu livro,
                                                que já leu seu livro,
Por Roberto Armorizzi
                                                e vai ler mais livro.

O livro
                                                Tenha gosto para ler,
é ativo,
                                                compre, tenha e leia livro.
decisivo,
inclusivo.


Livro ensina,
explica,
realiza.


É fácil ler livro,
difícil é vender livro,
mas é bom comprar livro,
livro pede para ser lido,
alguns não querem ler livro,
outros, livro querem ler.


O autor fica feliz,
quando alguém vem e diz,



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                                                          sandra.nascimento@ymail.com




                                                       Como explicar de modo simples e sincero –
Forma Ideal                                            às crianças, por exemplo – que tudo pode
                                                       ficar melhor, senão por meio do livro?
Por Sandra Nascimento
                                                       Que outra forma haveria para guardar a me-
                                                       mória e todos os seus segredos? A poesia e
                                                       sua compreensão intuitiva? O Cinema e sua
Livros são caminhos inusitados, imaginários,           informação? A música e suas cifras? A foto-
ideias e projetos que podem trilhar mudan-             grafia e seus contrastes? A Pintura com seus
ças, mostrar soluções...                               detalhes e sutilezas? As várias expressões
                                                       da Arte, enfim, em uma só obra? A História,
Livros são tulipas, orquídeas, violetas... Flo-        Ciências todas e Deus?
res nascidas do cultivo aplicado, de regas
disciplinadas, de pesquisas e do ideal.                Que outro motivador para lapidar a escrita –
                                                       essa fada das Línguas?
São sonhos, registros, resgates, lendas, fa-
tos, ficção, amigos leais.                             Senão pelo livro, que jeito melhor de encon-
                                                       trar liberdade?
Palavras talhadas pra sempre, refúgios, via-
gens...

Livros são lugares para respirar. Oráculos
que contém fórmulas para o bom da vida, o
amado das coisas. Flashs para o coração
que se cansa. Algo ou tudo da razão.

O melhor do mundo ficará no livro, quer seja
ele antigo ou digital. E uma vez aberto deixa-
rá a impressão de que foi talhado como ves-
tido de corte único, editado especialmente
para o momento do encontro com o leitor.

Livro é tempo que avança sem medo. Intros-
pecção.

Descoberta em si e Universo quando envolve
e complementa o outro.


                                            www.varaldobrasil.com                                     111
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              Livro
    Por Sarah Venturim Lasso
      sarahvlasso@gmail.com


           Alma do escritor
Sangue derramado em forma de letras
           Rimadas ou não
  E que as vezes nem fazem sentido

             Livro
      Com paginas amarelas
Como um senhor de idade e respeito
        Mostra seu valor

               Livro
      Que tem cheiro de livro
        Que grita poemas
       Ou historias qualquer

              Livro
   Que sai do fundo da mente
Como serpente dançando pelas mãos
        Até parar no papel

                Livro
    O que seria de mim sem eles
          E eles de mim?




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                                              sheila@soŌon.com.br




Eu escrevo
Por Sheila Ferreira Kuno


Eu sou uma pessoa calma e determinada a ser feliz.
No entanto, muitas vezes acontecem situações em que eu deveria gritar, pu-
lar, xingar, mas eu não consigo.
Toda essa fúria ficava guardada no fundo do meu coração e me corroíam,
até o dia em que comecei a escrever.
Escrever para aliviar meu coração, para me libertar.
Escrever para registrar passagens da minha vida que poderiam ser esqueci-
das, mas que uma vez escritas, justificam certas atitudes.
Infelizmente comecei a escrever em um momento de tristeza e desespero,
mas foi o que me salvou.
Escrever fez-me encontrar novamente o equilíbrio emocional.
Hoje me considero uma viciada em escrever, escrevo de tudo.
Escrevo sobre minhas tristezas e desesperos.
Escrevo sobre minhas alegrias e graças a Deus, são bem maiores que as
tristezas.
Escrevo sobre meu passado.
Escrevo para rir de certas situações.
Enfim, eu escrevo.




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                                              silvioparise@verizon.net




                                                Apaixonado e verdadeiro
Ser Poeta                                       e deixa que o mundo inteiro seja assim...
                                                Prefiro viver amando
Por Silvio Parise                               e perdoar sempre!
                                                Pedindo a Deus que essas correntes
                                                possam logo se quebrar
Ser poeta é ser amante                          para enfim o mundo ver
da vida que passa                               e sentir que o amor existe
e sem a nossa graça                             reconhecendo que só são tristes
o mundo jamais poderia                          porque não são reais
viver com alegria                               e vivem vidas banais
o nosso poder de pensar...                      por não saberem amar...
Nessa convivência gostosa                       Mas nós, poetas,
que primo em preservar                          temos que lhes reeducar
essa paixão, esse amor                          para ver o amor chegar
pelas letras que me dão                         transformando assim este mar
a liberdade de expressar                        em bilhões de poesias
aquilo que vejo                                 criadas por esses poetas
neste mundo de desejos                          que, como as areias desertas,
que ficam a navegar                             são flores e têm de brotar.
no meu pensamento constante
sempre perplexo e vibrante
aos amores que confesso não me amar...
Pois são falsos e mentirosos
e vivem vidas de ilusões
ferindo muitos corações
para no final
preservarem este mal
até se expirarem
consumidos pela maldade
que um dia souberam plantar...
Mas nós não somos assim!
Realmente, eu posso dizer...
pois amei tanto você
e hoje não quero o teu fim...
Porque eu sou poeta!


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                                                     ponível para pagá-lo e folhar título e índice.
O livro                                               Comenta-se que os livros mais vendidos são

Por Sonia Nogueira                                   os romances, os livros de autoajuda, atual-
                                                     mente estão na moda os contos, a poesia
sogueira@yahoo.com.br
                                                     com menos procura. O que seria do mundo
                                                     sem a poesia. Ali o sonho desabrocha, a
O livro foi maior descoberta para a humani-          mente flutua em encanto ou desencanto,
dade. Registra os mais variados atos e               identificando-se com o leito. A bíblia é o livro
ações dos povos, dos mais simples aos                mais vendido no mundo. Livros técnicos e
complexos. A história registra sua escrita,          científicos só interessam aos estudiosos do
em códigos ou letras, desde a antiguidade,           assunto.
para transmitir valores concretos ou abstra-
tos. O barro foi o primeiro material usado,
quer em forma de desenho ou símbolo, as
letras. Depois o papiro retirado da planta e
substituído pelo pergaminho de couro de ani-
mais, carneiro ou boi.

Entre os gregos, para codificar as leis, na                    Vender mil livros no Brasil, sem pro-
Era Cristã teve enorme divulgação da reli-           paganda, sem ajuda da mídia é um grande
gião. Daí a ideia de pensar no livro, patrimô-       feito, ser um Best-seller indica que o escritor
nio essencial guardando a historia das na-           vendeu muitos livros é o chamado livro de
ções.                                                massa. Escritores bem conhecidos no Brasil:
Apesar da tecnologia divulgando livros virtu-        Carlos Drummond de Andrade, Manuel Ban-
ais, o livro, porém, em papel ainda é muito          deira, Machado de Assis, Vinicius de Mora-
aceito. Se quisermos faremos uma biblioteca          es, Mario Quintana, Aluísio Azevedo, Montei-
virtual com a escolha dos livros de nossa            ro Lobato, Clarice Lispector, Mário de Andra-
preferência, a leitura, porém, é cansativa. O        de, Cecília Meireles, entre outros.
livro em arquivo na estante, ainda tem seu
valor, apesar de caro.

Divulgar um livro é oneroso para quem tem
poucos recursos financeiros. As editoras co-
bram caro, o livro fica mofando em casa ou
nas prateleiras das livrarias, em baixo, onde
a vista não alcança ou a coluna não está dis-


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       Quanto aos novos escritores são tantos lan-
çamentos em todo estado do Brasil, de pouco res-
paldo, que a venda acontece no dia do lançamen-
to, depois não se tem notícia da continuidade de
venda ou divulgação.

       Mesmo vendendo poucos livros o escritor
sente imensa satisfação em ver suas criações dei-
tadas nas páginas, seu nome figurando na capa,
dando ideia de um grande escritor mesmo sendo                           Livros e flores
pequenino e hibernando nas livrarias.

       Dicas para editar? As livrarias, a maioria,
                                                                        Teus olhos são meus
                                                                        livros.
não estão preocupadas com qualidade, nem venda.
                                                                        Que livro há aí melhor,
Elas faturam, e, boa sorte a quem tiver. Outras
                                                                        Em que melhor se leia
poucas livrarias, avaliam se o assunto teria venda,
                                                                        A página do amor?
oferecem editar o livro com 10% ou 5% para o
escritor. Miséria.
                                                                        Flores me são teus lábios.
       Dicas para escrever? Linguagem simples                           Onde há mais bela flor,
com leitura universal. O mesmo tema pode agra-                          Em que melhor se beba
dar ou desagradar com leitura enfadonha e cansa-                        O bálsamo do amor?
tiva. A boa leitura é criativa, prende o leitor em
cada página, a curiosidade é a arma para o desfe-
                                                                        Machado de Assis
cho do assunto.




                                                 www.varaldobrasil.com                               116
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                                                      waldeck2007@gmail.com




                                                    do me encantava, os desenhos dos livros, a
MINHA PAIXÃO                                        dança das letras e dos números, aquilo me
                                                    deixava meio que abobalhado. Meus Deus!
POR LIVROS                                          Quanta coisa nova eu descobria a cada dia.
                                                    A professora Lina, minha primeira “pró”, lia
                                                    as estórias de “Alice” na cartilha e deixava a
                                                    mim e a Valquíria, minha irmã e colega de
Por Valdeck Almeida de Jesus                        classe boquiabertos. Nós praticamente
                                                    “viajávamos” na narrativa, esquecíamos nos-
                                                    sos problemas do dia-a-dia e mergulháva-
Meu primeiro contato com livros foi quando          mos, literalmente, num mundo fascinante e
comecei a estudar no primário, aos seis anos        misterioso, o mundo dos contos infantis. Tive
de idade.                                           a sorte de ter contato com livros de uma for-
                                                    ma lúdica e não da forma obrigatória como
Nessa época eu morava na periferia de Je-
                                                    tradicionalmente se percebe nas escolas de
quié, no bairro Banca, com minha mãe Paula
                                                    todos os tempos.
Almeida de Jesus, meu pai João Alexandre
de Jesus e mais três irmãos menores: Val-           As lições de casa eram leitura e releitura do
quíria, Valmir e Valdecy.                           texto aprendido na classe, o que nem sem-
                                                    pre conseguíamos fazer sozinhos. E sem a
Meu pai era analfabeto e trabalhava roçando
                                                    ajuda necessária da mamãe, ficava impossí-
campos em fazendas próximas à cidade. Mi-
                                                    vel fazer os deveres de casa, deixando-os
nha mãe, também analfabeta, era do lar. Vi-
                                                    para fazer na própria escola no dia seguinte.
víamos uma vida franciscana, a miséria e a
pobreza pairando em nossas cabeças. Tí-             Dali por diante o meu mundo se transformou.
nhamos tudo para não dar certo, não sair da-        Quando comecei a dominar a leitura e a es-
quela situação de mendicância. Todos os in-         crita, eu devorava tudo que encontrava pela
gredientes ali se encontravam, concorrendo          frente: de bula de remédio a rótulos de xam-
para a perpetuação do cidadão de terceira           pus, de informações técnicas de manuais de
classe, parasita da sociedade e fardo para a        aparelhos diversos a jornais, de revistas en-
previdência social no futuro.                       contradas nos lixões a placas de trânsito etc.
                                                    Eu me apaixonei pelo mundo das letras e
Felizmente as “letras” cruzaram minha vida.
                                                    quanto mais eu lia, mais a paixão avassala-
Quando cheguei à escola, troquei os brin-
                                                    dora me dominava. Essa paixão me impeliu
quedos feitos de latas de óleo e de sardinha
                                                    cada vez mais à leitura, e me tornei um dos
por cartilha, ABC, tabuada etc. Era um mun-
                                                    alunos CDF’s no primário e em todas as sé-
do fascinante, desconhecido, desafiador. Tu-
                                                    ries seguintes.


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Ainda cursando o ensino fundamental, mu-             cial e ao jeito “certinho” de escrever, me li-
dei-me para uma fazenda, por força das cir-          bertando completamente do formal e do poli-
cunstâncias que obrigaram minha mãe a tra-           ticamente correto.
balhar para sobreviver e para sustentar os            Esse processo maturou-se e comecei a es-
filhos. Meu pai tinha viajado para São Paulo         crever intensamente novos poemas que re-
a fim de cuidar de vários problemas de saú-          tratavam tudo. Desde a vida desgraçada que
de. Na fazenda eu acabei ajudando minha              eu levava até os desabafos de um jovem su-
mãe nos afazeres de casa e nos serviços              focado pelos sonhos de mudar o mundo.
que ela realizava para a patroa. Minha mãe,
apesar de não conhecer as letras, conhecia
muito bem a dureza de quem não estudou e             Outro incentivo grande que recebi foi após
manteve os filhos na escola, desta vez fre-          conhecer o “Círculo do Livro”, ao qual me
quentando a escola rural que se situava a            filiei e pude ter acesso a um mundo de no-
alguns quilômetro da sede da fazenda onde            vos autores e novos pensamentos. Pirei de
morávamos. Eu continuava encantado com               vez... Parti para a militância estudantil e polí-
os livros que acabei ensinando a minha mãe           tica, passei a ler e a escrever para jornais de
a ler e a escrever.                                  luta operária e isso tudo foi me abrindo no-
Foi na fazenda que tive contato com o mun-           vos horizontes e me proporcionando força
do das revistas em quadrinhos, pois na casa          para conquistar a cidadania plena. Nessa
da sede havia um gabinete superlotado de             época eu quase devorei todos os livros da
revistas de Mônica, Cebolinha, Pateta, Pato          Biblioteca Municipal de Jequié. Em várias
Donaldo, Tio Patinhas e outros persona-              oportunidades eu pegava livros para ler e
gens. Eu tinha acesso fácil a todas as revis-        quando olhava a ficha de empréstimo perce-
tas enquanto a dona da fazenda, Luci Val-            bia que já os tinha lido... Fundei uma biblio-
verde, estava em casa. E quando ela viajava          teca em casa e emprestava livros e revistas
para Jequié ou Salvador eu entrava por uma           a toda a vizinhança.
janela lateral e tomava de empréstimo várias
revistas, lia cada uma com avidez, voltava e
devolvia aos lugares de onde eu tinha retira-        Fiquei viciado e viciei muita gente a desco-
do. Foi a melhor fase de minha vida, ter o           brir que o mundo tem outras cores e dores,
contato com a natureza e com uma vida livre          além daquelas que são mostradas; e por on-
de estresse, além de ter à minha disposição          de quer que eu passe, semeio a semente da
revistas que me enchiam os olhos e me fazia          leitura e da reflexão, pois acredito que leitura
sonhar com os personagens das estórias               não é apenas a decodificação dos signos,
lidas.                                               mas, principalmente, a decodificação das
                                                     mensagens subliminares, das entrelinhas e
Retornei a Jequié para continuar os estudos          da compreensão da vida como um todo e
depois de passados cinco anos. Ali eu mer-           não como partes isoladas. Compreendo o
gulhei de vez na literatura. Tive contato com        mundo como um complexo do qual sou parte
a poesia depois de comprar uma coleção de            e que devo agir responsavelmente em rela-
três mine livros de poemas, cuja linguagem           ção a mim e ao demais habitantes desse
me fez enlouquecer de amor pelas rimas,              mundo. Esta visão ampliada pela LUPA da
pela conotação e por todo o encanto natural          leitura e da escrita, me permite hoje escrever
que a poesia encerra. Resolvi ser poeta e            livros e a incentivar a criação literária pelo
comecei a rabiscar meus primeiros versos.            país a fora, através de projetos de publica-
Logo após, caía em minhas mãos os livretos           ção de poemas de autores anônimos, pales-
de Cordel, e minha cabeça quase deu um               tras em escolas e universidades, etc. O obje-
nó. Eu ficava meio perdido entre seguir as           tivo primordial da leitura é a transformação
regras de construção da poesia tradicional e         do cidadão em força motriz do seu próprio
o jeito livre de escrever dos cordelistas. E         destino e dos destinos da Nação e do mun-
para piorar, conheci as obras de Augusto             do em que habita.
dos Anjos e de Castro Alves. Perdi comple-
tamente o pudor em relação à gramática ofi-


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                                                        vinicius_leal@live.com




                                                   Pra fazer uma estrofe é assim: 1° com 3° e
Todos pendurados                                   2° com a 4° pronto,
                                                              ,
                                                   agora é só rimar
no varal                                           Agora é sua vez, vamos praticar, sem enro-
                                                   lação.
Por Vinicius Leal M. da Silva
                                                   A crônica também é fácil de fazer
O varal convida a escrever                         Ela se da no dia-a-dia
É importante para o crescimento do mundo           Sem o menor problema, ela se desenha no
Novidades literárias a se ler                      seu lazer.
Livro, um espaço apenas teu,                       Mas nunca esqueça, sempre com alegria.
Mas com ele você divide o segundo

Escritor desde pequeno
Rimador por um acaso
Divulgação eu tô fazendo
Esta arte é um descaso
E o mundo não tá vendo

Ao leitor meu poema tô levando
Mas o mundo é coisa grande
Dificuldade pra lançar tô encontrando
O mais vendido quero tornar nem que por
um instante

A alegria e o deslumbre de monta-lo tô
conhecendo
O prazer de vê-lo sendo lido por alguém tô
passando
Que bom que sou do meio literário toda
nova era dos rimadores vou vivendo
E a cada novo dia um poema inédito vou                             Foto: Moth Art
admirando

Agora dicas em poucas palavras eu vou dar
É fácil, preste atenção.


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                                             vofia@tpnet.psi.br




                                                    coisas e da vida, porque os livros espelham
ABENÇÔADOS LIVROS                                   os acontecimentos; com a chegada das no-
                Por Vó Fia                          vidades eletrônicas, os leitores se contentam
                                                    com livros condensados que não dizem exa-
                                                    tamente o pensamento do autor, juntando o
   Assim que aprendi as primeiras letras, me        progresso com a falta de tempo das pesso-
encantei pelos livros e me lembro depois de         as.
tantos anos, do primeiro livro que li e foi o
                                                       Mas nada como o prazer de ter nas mãos
Narizinho Arrebitado de Monteiro Lobato, era
                                                    um bom livro, saborear página por página,
um livro com gravuras coloridas muito lindas
                                                    reler e marcar os melhores trechos e depois
e eu li e li novamente encantada com as his-
                                                    sonhar com os acontecimentos daquela his-
torias do grande autor e com as imagens da
                                                    toria; no passado, no presente e no futuro os
menina e do príncipe, a maioria dentro do
                                                    livros sempre ocuparão um lugar de desta-
rio, porque o príncipe era um peixe.
                                                    que e os escritores serão sempre lembra-
  Na minha mocidade os livros eram a dis-           dos, porque um livro cumpre o papel de um
tração principal, as crianças liam contos de        parente ou amigo ausente, é a companhia
fadas, e as moças aprendiam a sonhar com            dos solitários.
os romances adocicados de M. Dely e de
                                                     Livros virtuais tem sua importância, a inter-
outros autores do gênero, mas os rapazes
                                                    net também espalha cultura e com seu gran-
também se interessavam pela leitura e ado-
                                                    de alcance é de grande ajuda para despertar
ravam os livros de capa e espada de escrito-
                                                    o interesse pelos livros, mas os livros im-
res que até hoje são lidos e apreciados co-
                                                    pressos não devem ser descartados nunca,
mo: Alexandre Dumas, Ponsul du Terrail e
                                                    porque um livro pode ser um presente para
muitos outros.
                                                    alguém, uma distração em momentos de an-
  Os grandes autores brasileiros do passado         gustia, porque a leitura é acalento, é emoção
como Machado de Assis, José de Alencar,             e alegria; um bom livro é o melhor adorno
Euclides da Cunha e tantos outros, são hoje         em uma mesa de cabeceira.
o exemplo para os novos autores e descen-
                                                    No momento os novos autores encontram
do a escada do tempo, temos mentes bri-
                                                    dificuldades em publicar seus textos, porque
lhantes como Guimarães Rosa, Clarice Lis-
                                                    livros e cultura em geral não fazem parte dos
pector, Jorge Amado, Raquel de Queiroz e
                                                    planos de muita gente, porque se sabe que
outros mais, não nos esquecendo dos gran-
                                                    um povo culto não se deixa enganar; livros
des poetas como Castro Alves, Cora Corali-
                                                    são mais importantes que a comida que ali-
na, Adélia Prado e Carlos Drummond de An-
                                                    menta o corpo, porque os livros alimentam o
drade e muitos mais.
                                                    cérebro e um cérebro bem alimentado alarga
   De ontem e de hoje, os escritores e seus         os horizontes, abre caminhos e conduz a fe-
livros embalam a imaginação de todos e              licidade.
ajudam a pensar e entender o sentido das


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                            walnelia@gmail.com




             Métrica
Por Walnélia Corrêa Pederneiras


  É certo. Tem um preço o verso.
  Constato nos ombros cansados
 De livros marcados, escolhidos...
 Trabalhar o texto, invade o traço.

      Poeta, o que devo ler
   para Shakespeare entender?




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                                               weslleymoreiralmeida@hotmail.com




                                                                         palavras
         LEITURAÇÃO
                                                                   que alinhavadas
                                                  desvendam os símbolos policrômicos
       Por Weslley Almeida
                                                                         do existir
                                                        Tornam-se teias dialogizantes
        Ler para se entender
                                                        e marca-nos como tatuagens.
           para se rever –
e ser-sendo no devir enciclopedizante.
                                                           Previamente ao ato de ler
                                                            transfigurar-se o anímico
           Ler é caminhar
                                                                         em grafo.
       por trilhos imaginários
                                                                 Percorre-se, pois,
        chegar ao horizonte.
                                                                o caminho contrário
                                                                     dialetizante...
           Lendo sou lido
             me refaço.
                                                                    E singra então
       Dialogo comigo mesmo
                                                                          Porfim
          e com os outros.
                                                                          dentro
         Com os outros eus
                                                      a semântico-diversidade sígnica
       e com os outros Outros.
                                                                 pelas veias fluidas
                                                                     da leituração.
     Cada período, um caminho.
        Cada frase, um atalho
              de ideias,


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NADA PIOR PARA UM ESCRITOR
      Por Wilton Porto
      prywill@hotmail.com



Da mesa, a gramática espia-me rubra.
Ao seu lado, o Aurélio inquieta-se ansioso.
A folha, em branco, parece imaginando saltar...
Eu, entre lágrimas, na rede: vontade
     De brincar com as palavras.


Respiração arfante conduz-me à dor no peito.
O arroto aliviante não vem. A busca incessante
Do arroto leva-me à agitação nervosa.
           O medo bate à porta...


Olhos arregalados, Eliana desassossega-se.
Na esperança de um alívio, ela massageia-me
O peito, as costas – pergunta-me se quero tomar
                    Algum chá.
                 Líquido só piora.
Torço-me... busco a terapia respiratória...
Valho-me, gota a gota, do chá morno relaxante...
Um breve arroto se apresenta salvador...
Gramática , dicionário, palavras, estão silentes –
Não posso brincar com as palavras.


Nada pior para um Escritor.
É “dançar um tango argentino.”




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                                                     Dez dicas para escrever um livro
Dez dicas para
                                                     1. Aprenda tudo o que puder sobre es-
escrever um livro                                      crever livros antes de encarar a em-
                                                       preitada. Enquanto aprende, vá
Artigo reprodução: hƩp://comoescrever.com.br/          “ensaiando”. Ou seja, escrevendo
                                                       mini-livros – digamos assim. Peque-
                                                       nas histórias, com poucas páginas.
Se você pretende escrever um livro,                  2. Leia, leia e leia. Ler está para escre-
não custa nada pesquisar um pouco                      ver assim como escutar está para fa-
aqui e ali. Principalmente se for mari-                lar. Se você não lê, não vai saber es-
nheiro de primeira viagem. E procure                   crever.
não levar tão a sério tudo o que vê por              3. Para os primeiros trabalhos, escolha
aí. Inclusive as dicas abaixo. Porque                  assuntos que já conhece bem. Por
nem sempre o que funciona para um,                     exemplo: suponhamos que você en-
funciona para outro. Você precisa dar                  tenda bastante de motocicletas. Na-
uma “peneirada” nas informações. Tes-                  da mais óbvio que escrever sobre
tar algumas coisas, e assim por diante.                motocicletas.
                                                     4. Não perca meses, anos, no primeiro
Eu mesmo já vi informações, dicas por                  livro. Faça algo bem feito, mas não
aí, que descartei logo de cara. Para                   fique enchendo de salamaleques e
mim. Para você talvez não seja o caso.                 detalhes, achando que aquele vai ser
                                                       “o cara”. Provavelmente não vai ser.
Acima de tudo, lembre-se que existe                    O primeiro livro geralmente não é “o
uma espécie de “aura” em torno do as-                  cara”. Aí, saber que você perdeu –
sunto. Escrever livros pode parecer coi-               por exemplo – um ano e meio para
sa feita só para uma meia dúzia de pri-                escrever algo que não serve…
vilegiados. Mas não é. Você pode escre-              5. Não queira agradar gregos e troia-
ver um livro, sim senhor. E hoje em                    nos. Querer parecer bacana pra todo
dia, publicar é bem fácil. Caso não con-               mundo é o jeito mais fácil de não
siga uma editora, não engavete seu                     agradar ninguém. De preferencia,
projeto. Publique o livro em PDF. Divul-               escolha um “nicho de mercado”.
gue na internet. Garanto que você vai                  Quanto mais você focar seus livros
pular de alegria ao entregar o primeiro                num determinado público, melhor.
livro ao primeiro leitor. Mesmo que seja             6. Procure obter feedback, ou seja,
de graça.                                              opiniões de terceiros. Mas não a ma-
                                                       mãe, o papai e os amigos. Estes po-
                                                       dem até te atrapalhar. Vai dar mais
                                                       trabalho, mas é melhor procurar al-
                                                       guém imparcial. Que lhe diga algo
                                                       que preste.
                                                     7. Não se iluda. Ao invés de ficar so-
                                                       nhando em ser o maior escritor do
                                                       universo, trabalhe. Escreva, aprenda.
                                                       Talvez você seja mesmo, no futuro,
                                                       um escritor famoso. Mas primeiro fa-
                                                       ça o dever de casa.
Vamos então às


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8. Escreva porque gosta. Assim seu
trabalho sai mais espontâneo. Escrever
com uma mão enquanto faz as contas
“dos livros que vai vender” com a ou-
tra, só vai te atrapalhar.
9. Quando tiver um livro pronto, não
tenha medo de mostrar. É melhor ou-
vir críticas negativas do que não ouvir
nada. E saiba de uma coisa: se alguém
cair de pau, e falar um montão na sua
orelha por causa do livro, você prova-
velmente está no caminho certo. O pri-
meiro sinal de que você fez algo inte-
ressante é alguém baixar a ripa.
Se for mandar o livro para uma ou
mais editoras, procure saber antes as
regras de cada uma delas. Muitas fa-
zem inclusive a exigência de que a
obra seja registrada. É… o caminho
das editoras é árduo. E quando man-
dar o livro, prepare-se para esperar.
As editoras demoram meses para res-
ponder. Mas respondem. Infelizmente,
a maior parte das respostas é não.
Mas não se acanhe por causa disso. A
cada não talvez você esteja mais perto
do sim. Lembre-se também que livros
já publicados de outra maneira geral-
mente não são aceitos.
É claro que tem muito mais que isso.
Mas acredito que estas dez dicas já
servem para dar uma luz, se é que aí
do teu lado estava meio escuro.




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10 dicas para divulgar um livro
Por Adriano Siqueira (Artigo reprodução. Fonte: http://universoinsonia.com.br/


Para divulgar um livro e deixá-lo a disposição dos leitores.


1 - Coloque um link no seu blog com a capa do livro para mostrar que está a
venda. – coloque o famosoCOMPRE AQUI! no link da capa que vai para uma pá-
gina que tem acesso a seus dados (coloque só o e-mail) e assim vc pode falar
com o leitor e instruí-lo de forma rápida de como obter a sua obra.
2 - Divulgue esta página nos e-mails dos seus amigos.
3 - Esteja sempre em contato na internet. Facebook – Orkut – Twitter
4 – Mantenha um pequeno recado no final da mensagem algo como “Conheça
meu     novo     livro   (nome   do    livro) e    saiba  como    adquiri-lo!”
Se você tem assinatura pronta no final da sua mensagem coloque junto os da-
dos do livro no final da mensagem.
5 – O Skoob é um site de livros muito bom lá vocês podem acrescentar mensa-
gem para comprar com o autor ou mesmo conhecer os leitores.
6 – Procure se informar dos eventos para ver se você pode participar com um
estande levando alguns livros para vender. Geralmente o pessoal cobra uma pe-
quena taxa pela venda mas vale a pena.
7 – Deixar em consignação em alguma livraria perto de você ou jornaleiro tam-
bém ajuda!
8 – Se tiver uma casa noturna perto da sua casa leve os livros monte um estan-
de e entre como autor convidado . Geralmente as casas noturnas aceitam auto-
res convidados para expor seu trabalho.
9 – Sortear um livro chama a atenção para o seu site. E lá você pode divulgar
mais informações de como comprar a obra.
10 – Tenha sempre em mãos uma obra sua pois você nunca sabe quando al-
guém está interessado em adquiri-la.


Desejo muito sucesso para todos vocês.
Abraços




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          Revista Varal do Brasil
A revista Varal do Brasil é uma revista bi-
mensal independente, realizada por Jacque-
line Aisenman.
Todos os textos publicados no Varal do Bra-
sil receberam a aprovação dos autores, aos
quais agradecemos a participação.
Se você é o autor de uma das imagens que
encontramos na internet sem créditos, faça-
nos saber para que divulguemos o seu talen-
to!


Licença Creative Commons. Distribuição ele-
trônica e gratuita. Os textos aqui publicados
podem ser reproduzidos em quaisquer mí-
dias, desde que seja preservado o nome de
seus respectivos autores e não seja para
utilização com fins lucrativos.
Os textos aqui publicados são de inteira res-
ponsabilidade de seus respectivos autores.
A revista está disponível para download no
site www.varaldobrasil.com e no blog                  Consulado-Geral do Brasil em
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          varaldobrasil@gmail.com                    lar do Ministério das Relações Exteriores. Sua
                                                     função principal é a de prestar serviços aos ci-
 Para participar da revista, envie um e-mail
                                                     dadãos brasileiros e estrangeiros residentes na
 para a revista e enviaremos o formulário.
                                                     sua jurisdição consular, dentro dos limites esta-
                                                     belecidos pela legislação brasileira, pela legis-
                                                     lação suíça e pelos tratados internacionais per-
                                                     tinentes.
     CONSULADO-GERAL DO BRASIL EM
                                                     O Consulado-Geral do Brasil encontra-se locali-
                   ZURIQUE                           zado no número 54, Rue de Lausanne, 1202
                                                     Genebra.

           Stampfenbachstrasse 138                   O atendimento ao público é de segunda à sexta
                                                     -feira, das 9h00 às 14h00.
                8006 Zürich-ZH
              Fax: 044 206 90 21
                                                     O atendimento telefônico é de segunda à sexta
           www.consuladobrasil.ch                    -feira, das 13h00 às 17h00. Favor ligar para
                                                     022 906 94 20.




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2 varal do livro

  • 1.
    ® Literário, sem frescuras! 1664- ISSN 1664-5243 ESPECIAL VARAL DO LIVRO 2013— Ano 3 - Setembro de 2013—Edição no. 17B
  • 2.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! www.varaldobrasil.com 2
  • 3.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! ® 1664- ISSN 1664-5243 LITERÁRIO, SEM FRESCURAS Genebra, outono de 2012 No. 17B - ESPECIAL VARAL DO LIVRO bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhh hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyeb eneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssner rrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrr rrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnhee ƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhu yuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddd dddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkk kkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb bbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmh hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajud yebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssss nerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb www.varaldobrasil.com 3
  • 4.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! EXPEDIENTE Revista Literária VARAL DO BRASIL 1664- NO. 17B- Genebra - CH ISSN 1664-5243 Especial Varal do Livro Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e realizado por Jacqueline Aisenman Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com Textos: Vários Autores Coluna: Sarah Venturim Lasso Ilustrações: Vários Autores Foto capa: © Yuri Arcurs - Fotolia com Foto contracapa: © Jacqueline Aisenman Muitas imagens encontramos na internet sem ter o Há livros escritos nome do autor citado. Se for uma foto ou um dese- para evitar espaços nho seu, envie um e-mail para nós e teremos o maior vazios na estante. prazer em divulgar o seu talento. Revisão parcial de cada autor Carlos Drummond de Andrade Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. A re- vista está gratuitamente para download em seus site e blog. O saber a gente aprende com os mes- Se você deseja parƟcipar do VARAL DO BRASIL NO. 18 tres e os livros. A sa- envie seus textos até 10 de outubro de 2012 para: va- bedoria, se aprende é com a vida e com raldobrasil@gmail.com , Tema Livre os humildes. O tema da edição no. 19 será sobre o Planeta Terra, Cora Coralina sobre a vida, a natureza, os animais, o ser humano. Declare o seu amor pelo Planeta! Para janeiro, inscrições até 30 de novembro www.varaldobrasil.com 4
  • 5.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! O livro está para todo leitor e para todo escritor como o alimento está para aquele que tem fome e sede: ele sacia. Também é o livro a chave que abre portas antes talvez nem sequer imaginadas. Através de personagens, de palavras, viajamos e conhecemos mundos inteiros tanto quanto nos atuali- zamos sobre o mundo em que vivemos. O livro, já há tanto tempo companheiro de jornada em minha vida, me fez ser quem eu sou. E por isto que fosse apenas, eu já lhe seria agradecida pois me considero uma pessoa feliz. Mas os livros fizeram mais por mim: me levaram para perto de pessoas maravilhosas que leem e escrevem. Pessoas estas que têm feito parte do Varal há quase três anos circulando pelo vasto mundo virtual. Conheço uma expressão que é “rato de biblioteca”. E quando penso nesta expressão duas pessoas em particular vêm à minha cabeça e coração: mi- nha mãe, que lia tudo o que caía em suas mãos, de revistas à livros que incansavelmente ela devo- rava! E minha amiga de infância, Marilene Remor Mattar, por muitos anos dedicada funcionária e di- retora da Biblioteca Pública da cidade de Laguna, Santa Catarina. E é graças a ela, posso dizer com orgulho, que aquele recinto dedicado aos livros e aos leitores funcionou tão bem durante tantos anos. Marilene lutou contra monstros, moinhos de vento e ideologias para manter aberta a “sua” ama- da biblioteca. Hoje chegaram também os livros eletrônicos. Não os menosprezemos, eles já estão presen- tes e estão conseguindo um lugar pela internet e nas “estantes” virtuais dos internautas. É o futuro coabitando com aquele que sempre, ou desde tanto tempo que quase sempre, existiu. Ficaríamos aqui a falar de livros, de sua origem, de seus objetivos, do que eles proporcio- nam e aqui teríamos não uma revista, mas um “livro”. Ou talvez mais de um, talvez mesmo vários volumes, pois que o assunto é vasto, caloroso, desperta paixões e discussões amisto- sas. Deixemos quem aceitou o convite com a palavra. Falemos de livro! Jacqueline Aisenman Editora-Chefe Varal do Brasil www.varaldobrasil.com 5
  • 6.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! • Almandrade • Lénia Aguiar • Ana Esther • Leonilda Yvonneti Spina • Ana Maria Rosa Moreira • Luiz Carlos Amorim • Ana Rosenrot • Ly Sabas • Anair Weirich • Magno Oliveira • Angela Xavier • Márcia Maranhão de Conti • Anna Back • Marcos Toledo • Arlete Trentini dos Santos • Maria Heloísa Fernandes • Audelina de Jesus Macieira • Maria Luíza Falcão • Betty Silberstein • Marluce Alves F. Portugaels • Carlos Lúcio Gonjijo • Norália de Mello Castro • César S. Farias • Odenir Ferro • Cléo Reis • Oliveira Caruso • Clevane Pessoa • Pedro Diniz de A. Franco • Cristina Mascarenhas da Silva • Priscila Ferraz • Daniel C. B. Ciarlini • Raimundo Candido T. Filho • Devi Dasi • Roberto Armorizzi • Dhiogo José Caetano • Sandra Nascimento • Dinorá Couto Cançado • Sarah Venturini Lasso • Dulce Couto • Sheila Ferreira Kuno • Elise Schiffer • Silvio Parise • Felipe Cattapan • Sonia Nogueira • Gildo Oliveira • Valdeck Almeida de Jesus • Ivone Vebber • Vinícius Leal M. da Silva • Jacqueline Aisenman • Vó Fia • José Alberto de Souza • Walnélia Corrêa Pederneiras • Josselene Marques • Weslley Almeida • Lariel Frota • Wilton Porto www.varaldobrasil.com 6
  • 7.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! almandrade2@hotmail.com LIVROS DE MADEIRA “O livro é uma extensão da memória e da imaginação.” Jorge Luis Borges Pedaços de madeira, amostras de diversas espécies, enta- lhados em forma de livros, organizados como uma pequena biblioteca. Que fan-tástica imaginação deste colecionador de madeiras!... o médico Antonio Berenguer. Que feliz idéia de associar madeira!... livro e biblioteca. Aliás, árvores, papel, livro, biblioteca não são associações estranhas. Uma flo- resta encadernada e catalogada. A cada colecionador sua ob- sessão e sua singularidade. O homem e suas aventuras em nome do saber: quantos segredos e quantas curiosidades. Quanta riqueza. “Riquezas do Brasil”, exploradas pelo vício do homem de destruir tudo o que se encontra a sua disposi- ção, como se ele fosse o dono absoluto e não parte deste deslumbrante meio ambiente. Mais do que uma coleção, este jardim de livros guardado em armários é um documento pre- cioso de um patrimônio: Madeiras de um País. Por Almandrade (artista plástico, poeta e arquiteto) www.varaldobrasil.com 7
  • 8.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! pelicanaesther@hotmail.com www.varaldobrasil.com 8
  • 9.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! LEITURA: UMA VIAGEM em nosso quarto, sentada em nossa cama, a falar com voz meiga, tão dife- NO TEMPO E NO ESPAÇO rente da voz que ralhava conosco por Uma história de Leitura qualquer razão. Havia ainda a magia do cenário: o quarto comprido envolto na penumbra; o rosto da contadora ilu- Por Ana Maria Rosa Moreira minado pela chama fraca do candeeiro a gás; nossas sombras se projetando menina.espian@hotmail.com fantasmagóricas na parede; o calorzi- nho das colchas de retalhos; o eco das Outro dia participei de um curso vozes dos bichos noturnos ressoando de leitura para professores. Uma das no silêncio do aposento... atividades propostas foi que produzís- Mais tarde, vieram outras histó- semos um texto contando nossa histó- rias que falavam de tesouros enterra- ria de leitura. Fiquei sem saber por on- dos, de almas penadas, de serpentes de começar. Começava falando do fas- com olhos de fogo e de seres encanta- cínio pela palavra escrita? Começava dos da mata: saci, caipora, lobiso- pelos primeiros livros que li? Ou imita- mem... Outras eram relatos de viagens va Paulo Freire no texto "A importância cheias de perigosas enchentes, traves- do ato de Ler" e falava primeiro da lei- sias em rios caudalosos, perdas de ga- tura do mundo? De repente, veio-me a do... Essas eram histórias masculinas. inspiração: eu começaria pelas primei- Eram contadas pelos homens. Os con- ras histórias que ouvira quando crian- tadores eram meus tios, os vizinhos, os ça. ciganos e os boiadeiros que arrancha- Acho que tudo começou com as vam em nossa fazenda e, logicamente, histórias contadas por minha mãe e por meu pai. Eu adorava essas histórias, Betinha, a irmã que me criou. De vez pois eram os próprios personagens (os em quando, elas cediam às nossas sú- heróis) que as narravam. plicas e faziam uma noite de contação Meu pai era um experiente con- de histórias. Até hoje, recordo-me de tador dessas "histórias reais." Ele co- algumas: A Festa no Céu com aquela meçou a vida – ainda menino – como cena linda de Nossa Senhora enviando tropeiro. Com orgulho, nos falava que anjos para remendarem o casco do ja- vendia farinha, no lombo dos burros, buti; uma do coelho que conseguiu se- nas cidades do Recôncavo. Só mais lar e montar uma onça e assim ganhar tarde, ele se tornaria fazendeiro e ex- uma aposta; outra de uma menininha pandiria suas andanças por todo o ser- que foi raptada por um velho malvado tão da Bahia e até o estado de Goiás. e ficou presa em seu surrão por muitos Lá, ele comprava e vendia boiadas com anos. Essa era contada por minha mãe. dinheiro vivo ou com a força de sua pa- Ela imitava, pesarosa, a vozinha da lavra de honra – palavra de rei – como menina cantando de dentro do saco dizia em suas narrativas. preto em cada porta onde o velhote pedia esmolas "Surrão triste, surrão de morrer / Minhas continhas de ouro que no rio deixei"... Realmente era uma história muito triste, apesar do final fe- liz. Mas eu achava linda a voz de minha mãe contando histórias. Era bom tê-la www.varaldobrasil.com 9
  • 10.
    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Suas histórias deixaram em mim eram raros lá na roça. a imagem nostálgica de cidades como Se conseguia um papel desses, Ibotirama, Lençóis, Correntina... Mara- recortava figuras de bois, de pessoas e gogipe, Cachoeira, São Félix... Essas principalmente de patos (os mais fáceis últimas imantadas pela magia do mar e de desenharem para mim). Sentada no das enchentes. Elas eram o cenário de chão, enfileirava essa bicharada nas seus "causos" dos velhos tempos de paredes do corredor e ficava o dia in- tropeiro. Eu os escutava de olhos arre- teiro brincando. Os adultos achavam galados imaginando como seriam as engraçado uma menina conversar com ruas calçadas, a feira livre e, principal- figuras de papel. Eles não sabiam, nem mente, um "mundaréu de água verdi- eu – pois só descobri ao escrever estas nha" – o mar. Muitos anos depois, co- palavras – que aquelas paredes com nheci algumas delas, e em todas, senti figurinhas de papel eram os meus pri- aquele sentimento meio esquisito de meiros livros. Eu estava criando minhas "déjà vu" – quase uma saudade. primeiras narrativas. Acho que ali nas- Essas histórias masculinas eram ceu o meu desejo de ser "a dona da contadas ao pé da fogueira acesa na história”. malhada, território de homens e de Contudo, um belo dia, (Eu devia animais. Nós, as mulheres, nos sentá- ter uns cinco anos.) Betinha chegou em vamos nos bancos do avarandado. Mi- casa com uma grande novidade: uma nha mãe ficava um pouco ressabiada sacolinha cheia de livros. Eram peque- quando um grupo maior de boiadeiros nos e traziam, na capa, desenhos de estava pernoitando na fazenda e prefe- traços fortes como se fossem feitos a ria manter as filhas à certa distância carvão. O vizinho (tio Nonô) que em- desses homens rústicos. Ainda posso prestou os livrinhos, explicara que relembrar a lua cheia no céu, os sons eram vendidos na feira; ficavam enfilei- peculiares dos animais na mata, o gado rados num cordão; eram chamados de ruminando no curral, as perneiras e gi- "cordel" justamente por isso. Naquela bões de couro pendurados. Mesmo tarde, minha irmã sentou-se na sala de agora, ainda posso sentir o cheiro dos visitas e leu para uma audiência em- cigarros de palha, dos couros suados e basbacada, uma história em versos que do esterco de boi misturados ao perfu- parecia uma música. Escutei-a tão des- me do velame – cheiros agrestes – lumbrada, que até hoje me recordo de sensuais perfumes em minha memória sua primeira estrofe. Era assim: de mulher. Foi assim que nasceu a minha paixão pelas histórias. Porém, para gostar de ler, é preciso amar o papel e, "Eu vou contar uma história principalmente, a palavra escrita. Estes eu viria a amar depois, cada um a seu De um pavão misterioso tempo, apesar de certas condições ad- Que levantou voo da Grécia versas. Com um rapaz corajoso Digo adversas porque em minha Raptando uma condessa casa não havia livros. Exceto o intocá- vel livro didático de minhas irmãs, que Filha de um conde orgulhoso." ia da primeira à quinta série e era pas- sado de uma para a outra, até mesmo papel impresso, estampado, ou colorido www.varaldobrasil.com 10
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! tempo de avistar o bicho afastando-se do castelo; ia com a cauda aberta em leque, repleta de luzes acesas e tão co- loridas como as penas de pavão Aquelas estranhas palavras "aeroplano"... "pavão-misterioso"... "água-furtada"... "castelo"... "Grécia"... tão sonoras, tão belas, lançaram sobre mim sua magia encantatória. Eu as fi- cava repetindo baixinho com medo de que elas voltassem ao seu esconderijo secreto – dentro do livro – antes que E sua capa era tão linda: um pa- pudesse decifrá-las. Quando Betinha vão imperial com a calda aberta. O de- disse "e foram felizes para sempre", senho era feito com uns traços grossos saltei das asas do pavão misterioso e como se tivessem usado um carvão pa- deixei de ser condessa. Agora eu era, ra desenhar. Acho que o enredo era outra vez, uma menina da roça – uma mais ou menos esse: Havia num país nova menina... Havia descoberto uma distante, chamado Grécia, uma jovem coisa fantástica, uma coisa maravilho- condessa de rara beleza. Ela vivia tran- sa: as histórias moravam dentro dos cafiada no castelo de seu ciumento pai. livros!!! Apenas uma vez por ano, no dia do seu Depois daquela tarde, minha irmã aniversário, o conde lhe permitia mos- vivia agarrada aos livrinhos, porém ra- trar-se à janela do salão de festas on- ramente lia uma história para nós. A de, é claro, jamais aconteciam festas. cruel mágica lia, silenciosa, só com os O pai não dava um baile para comemo- olhos. Não adiantava eu, choramingan- rar o aniversário da filha desde que ela do ajoelhada ao pé de sua cadeira, im- deixara de ser criança para tornar-se plorar por uma história. Então, ficava uma belíssima mulher. Esse aconteci- em pé atrás de suas costas, com o pes- mento trazia àquela cidade grega, ra- cocinho espichado, tentando inutilmen- pazes do mundo inteiro, atraídos pela te, decifrar aqueles caracteres ne- possibilidade de contemplar uma lenda gros ... Ela se irritava e me obrigava a - a mais bela mulher do mundo. No voltar ao cavalo-de-pau, às caçadas de aniversário de dezoito anos, um jovem lagartixa, ou ao quizungue pendurado que a conhecia por uma fotografia - no pé-de-laranjeira. Eu que fosse cres- presente de viagem do irmão mais ve- cer e aprender a ler! lho - passou o dia inteiro, olhando a Não demorou muito, fui para a mocinha apaixonadamente. No final da escola. Era uma sala de aula na fazen- tarde, ela lhe deu um sorriso, e ele te- da de meu tio. Era a minha vez de ve certeza de que fora escolhido; ela se aprender a ler. Logo, logo, estaria len- apaixonara por ele. Então, o jovem alu- do histórias. Doce ilusão! Passei um gou um sobrado próximo ao palácio e, ano inteiro naquela classe multiseriada na água-furtada, mandou um enge- tentando aprender o "abecê". Só nheiro construir – secretamente – um aprendi as letrinhas da primeira fila. aeroplano em forma de pavão. Passado Acho que a inexperiência da professora um ano, na noite do aniversário da leiga, a superlotação da sala e a insipi- condessinha, o pássaro levantou vôo, e dez do "abecedário" contribuíram bas- o moço bonito raptou a donzela. O pai, tante para esse meu fracasso. desesperado, nada pode fazer; só teve www.varaldobrasil.com 11
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! No ano seguinte, meus pais se minúsculo e de poucas páginas; dentro mudaram para a cidade de Santo Este- dele, havia uma historinha com alguns vão, que fica a mais ou menos 220 km desenhos sem graça e pouquíssimas da capital, Salvador. Deixaram a fazen- palavras. Ao chegar em casa, li a da para "dar estudo aos filhos”. Meu 'história" da plantinha carnívora em pai não conseguiu nenhuma vaga no trinta segundos. Muitas vezes li e reli "grupo escolar". É, naquele tempo, só essa história; tentava encontrar algum havia ali uma única escola primária - significado nela. Não tendo conseguido, respeitadíssima pelo profissionalismo guardei o livrinho como um objeto co- dos mestres e pelo ensino de qualidade mum – uma lembrança da professora - o Grupo Escolar D. Pedro I. Ali estu- Lu. Por que será que aquela mestra davam os filhos das famílias gradas do que me fez saltar uma série não imagi- lugar, misturados a um número menor nava que eu poderia ler uma história? de crianças oriundas da classe popular. Esse desencontro com a leitura Enquanto aguardávamos uma va- continuaria durante toda a minha vida ga, fomos matriculados – somente os escolar: ora histórias sem graça, ora mais novos – "na banca da professora nenhum livro. Mas, por minha própria Nade". Minhas irmãs de nove e de doze conta, continuava lendo os cordéis de anos seriam preparadas para cursarem minha irmã. Gostava especialmente de a terceira série; eu, com oito anos, e um que narrava uma história de amor meu irmão com seis, nos prepararía- entre uma princesa e um ladrão ple- mos para a primeira série. Nessa banca beu. Até hoje me lembro de que Renê supervisionada pela professora Nade – enfrentou três perigos terríveis: a mal- delegada escolar do município – apren- dição da Medusa, o Minotauro e o Dra- di a ler "soletrado"; saí sabendo escre- gão-de-sete-cabeças; tudo isso para ver o meu nome completo e mais um pegar a rosa azul num jardim, levá-la saberzinho matemático de soma e de até o castelo e, assim, salvar a vida de subtração. sua amada – a bela princesa Nazidir. Após esse período preparatório, fomos para a escola regular. Minha No meio do quinto ano, comecei professora, recém-contratada pelo Es- a ler contos de fadas. Tomava os livros tado, era a mesma da banca – a doce emprestados de algumas colegas. Era professora Ridalva – sobrinha de pro- um encantamento a cada livro. Eu mer- fessora Nade. Não demorou muito, co- gulhava naquelas páginas repletas de mecei a ler (os livros didáticos) com palavras novas e de figuras deslum- desenvoltura. Graças a essa aptidão, brantes, cujas formas e cores só co- passava de ano sempre com boas no- nhecia em sonhos. Através dessas his- tas; tirei o primeiro lugar no terceiro tórias, viajei em caravanas, atravessei ano; dele pulei diretamente para o desertos de areia no lombo de camelos, quinto ano, o último do antigo curso dormi em tendas coloridas, hospedei- primário. Por causa desse feito, ganhei me em suntuosos palácios... conheci um presente de minha saudosa profes- um "novo mundo" - o Oriente. sora Maria Lúcia Lobo. Fiquei radiante; nunca havia ganhado um presente; era Creio que foi mais ou menos nes- um livro de histórias, o meu primeiro sa época que desbanquei os outros livro de histórias. contadores de histórias e passei a ser a contadora oficial da família. Mas assim que desembrulhei a caixinha, veio a decepção: era um livro www.varaldobrasil.com 12
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! O meu reino era o quarto cheio de tas tardes lá no alto da mangueira – es- camas, onde se acomodavam todas as condida – saboreando o romance entre crianças a minha volta. Na sala ficavam o rapaz bonito e a mocinha; esses esta- os adultos: meus pais e minhas irmãs; vam sempre combatendo um vilão ou às vezes, também os noivos e outras vilã que, geralmente, formava o terceiro visitas. Relembro – com emoção e ale- vértice do triângulo amoroso. gria – o orgulho que sentia quando um Essas revistas eram proibidas por deles me interrompia, lá de longe, para alguns pais, temerosos de que suas mo- corrigir um pequeno desvio da história cinhas despertassem cedo demais para original. Era tão bom contar histórias! o amor. Minha mãe as odiava; atribuía a Melhor ainda quando, no meio de uma elas perigos terríveis; seriam "a nossa narrativa, eu escutava o silêncio vindo perdição". Aliás, esse ódio era extensivo lá da sala de visitas. Todos estavam me aos romances. Ela, assim como todos os ouvindo! Até meu pai! Era a glória. Era, ditadores, temia os livros e até ameaça- em êxtase, que eu concluía aquela his- va atirá-los ao fogo Não aprendeu a ler, tória. porém sabia que os romances narram Já no ginásio, comecei a tomar histórias de amor. Como era possível emprestado as revistas de Walt Disney. alguém, que não conhecia nada do uni- Foi um novo deslumbramento. Aquele verso da leitura, intuir que a palavra es- era um outro mundo: as histórias dividi- crita possui mágica e poder libertador, é das em quadrinhos; a ausência da voz uma pergunta que me faço até hoje. Mi- do narrador; as palavras escritas em nha mãe temia (creio eu) que esse po- balões; os personagens eram bichos der, aliado ao poder do amor – ambos que agiam como se fossem pessoas... revolucionários – pudesse nos libertar Apaixonei-me pelos personagens "do do peso esmagador de seu matriarcado. bem" como Pateta, Lobinho, Vovó Do- Mais tarde, com o crescente aces- nalda, Professor Pardal... e, principal- so aos aparelhos de televisão e o mente, pelo desventurado Pato Donald, "boom" das telenovelas, as fotonovelas, paixão mantida até hoje. Também me assim como as radionovelas, foram aos apaixonei (Vou confessar em segredo) poucos deixando de existir; eram tidas pelos personagens "do mal". Torcia para como "cafonas" e sem nenhum valor. os Irmãos Metralha e Mancha Negra te- Eu, imitando as outras garotas, destruí rem sucesso em seus assaltos ao mu- a pequena coleção que salvara da ira de quirana do Tio Patinhas. Também gosta- minha mãe. Só depois, quando já esta- va da bruxa Madame Mim e do Lobo va cursando a faculdade de Letras, fi- Mau; este tão desajeitado em sua eter- quei sabendo que algumas das histórias, na perseguição aos Três Porquinhos. tão lindas, que havia lido na adolescên- Não demorou muito, comecei a ler cia, eram adaptações de clássicos da li- revistas para moças e senhoras: Capri- teratura universal: Romeu e Julieta, cho, Sétimo Céu, Contigo, Grande Ho- Tristão e Isolda, O Corcunda de Notre tel. Elas veiculavam pequenas reporta- Dame, O Morro do Ventos Uivantes, Or- gens sobre os atores dos cinemas fran- gulho e Preconceito. Hoje, arrependo- cês e italiano, comentários sobre os fil- me de não tê-las guardado. Seriam pre- mes, algumas propagandas de perfumes ciosas relíquias! e produtos de beleza; mas o recheio Entre os quinze e os dezoito principal, o que as fazia serem disputa- anos, enquanto fazia o curso secundá- das pelas adolescentes, quase a tapas, rio, atual ensino médio, comecei a ler eram as deliciosas histórias de amor em romances. quadrinhos: as fotonovelas. Passei mui- www.varaldobrasil.com 13
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! A pequena biblioteca do Colégio ajei por outros países. Num deles, vi a Municipal de Santo Estevão possuía co- fantástica Macondo de Gabriel Garcia leções completas de José de Alencar, Marques varrida por "cem anos de soli- Jorge Amado, Graciliano Ramos e José dão". Depois, fui chamada a um reino Lins do Rêgo, além de algumas outras distante e presenciei uma reunião de obras de autores nacionais e estrangei- cavaleiros na "Távora redonda". Eu era ros. Os romances podiam ser lidos na uma bela princesa, assim como Guine- salinha onde funcionava a biblioteca ou vere, dividida entre dois amores: o rei podiam ser levados para casa por até Arthur e o primeiro cavaleiro, Lancelo- quinze dias. Fiz meu cartãozinho e, com te. Naquele salão, contemplei com re- esse passaporte, comecei a viajar pelo verência a lendária espada Excalibur, Brasil e pelo mundo. Lendo José de escutei a harpa do Merlin e vi o Santo Alencar, fui ao Rio de Janeiro do século Graal ser trazido à mesa por uma pre- XIX: andei de carruagem; fui transpor- sença invisível e, depois, misteriosa- tada em luxuosas liteiras; exibi-me no mente, desaparecer. Passeio Público; freqüentei teatros lota- Outras vezes, saí navegando pe- dos; participei de saraus; valsei nos los mares e oceanos. Acompanhei as bailes entre belas damas e elegantes aventuras do capitão Nemo; tive medo cavalheiros... de Mobi Dick; naveguei durante dias e Voltei à Bahia e, guiada pela mão dias num pequeno barco acompanhan- de Jorge Amado, saí perambulando pe- do o peixe, "o velho e o mar"... Certa las ruas ensolaradas de Salvador; fui vez, tomei emprestado um livro de no- conhecer os malandros, as prostitutas, me “Xogum, as sementes do dragão”. os marinheiros, os vagabundos, os ca- Então, embarquei num navio Holandês pitães de areia. Na companhia desses o “Erasmus” e cheguei a um misterioso personagens, comi peixe frito no Mer- país em pleno século XVI. Era a terra cado Modelo; experimentei cachaça nos do sol nascente: o Japão. Lugar gover- botecos do Pelourinho; tomei banho de nado pelos senhores feudais e seus mar na Ribeira; passei uma tarde em exércitos de samurais. Foi ali que acon- Itapoã; frequentei o curso de arte- teceu o belo romance entre o inglês, culinária de Dona Flor; naveguei em piloto do Erasmus, e uma senhora da jangadas pela Baía de Todos os Santos nobreza, esposa de um perigoso guer- e quase morri afogada junto com Guma reiro samurai. Acompanhando esse par, naquela perigosa noite de tempestade. aprendi sonoras palavras: tufão, concu- Em Ilhéus, temi os jagunços; escapei bina, travesseirar, galera, suserano, de tocaias; colhi cacau; dancei no Bai- vassalo, xogum... Lembro, ainda, algu- taclan usando salto alto e cinta-liga; mas da língua japonesa: “bushido”, comi os quitutes de Gabriela... “sepuku”, ”tai-fun”, “isogi” (isógue), “konnichiwa”... Estive ainda em guerras Depois parti para o sul do País e sangrentas. Numa delas, acompanhei ouvi "o tempo e o vento" movimentan- uma história de amor para descobrir do a roca da velha Bibiana. Ali, com os “por quem os sinos dobram”; noutra, bravos gaúchos de Érico Veríssimo, ca- levei um soco no plexo solar ao saber valguei pelos pampas; pernoitei nas co- qual era “a escolha de Sofia". Essa his- xilhas abrigada do minuano apenas pelo tória, misteriosamente, feriu minha al- poncho; temi as guerras e, feito louca, ma... Por isso não tenho coragem de me deixei seduzir pelos Rodrigos: um terminar o livro nem de assistir ao filme certo capitão e o doutor, seu bisneto... homônimo. Tempos depois, saí do Brasil e vi- www.varaldobrasil.com 14
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! É... os livros não proporcionam me pelo poeta Manoel Bandeira. Ele en- apenas viagens agradáveis, não. Há sinou-me a poesia do cotidiano e dos viagens que nos levam para dentro de objetos "trouvés" ...Mas foi com a poe- nós mesmos e podem ser assim... sia da infância e da “vida que poderia cheias de dor... ter sido” que ele tornou-se para mim uma "estrela da vida inteira". O poeta Quando li esses últimos livros de pernambucano que "engoliu um piano e que falei, já estava cursando a faculda- ficou com as teclas de fora", aos pou- de de Letras. Continuava lendo por mi- cos, foi se tornando uma espécie de nha própria conta e por indicações de amigo que eu houvesse conhecido em leitores mais experientes. Os professo- minha infância de menina solitária. res de Literatura, nos primeiros semes- tres, conduziram-me ao universo dos Paralelamente, fui conhecendo, poemas. Ah, com esses era preciso nas aulas de Língua Portuguesa, dois mais sensibilidade e paciência do que tipos de texto pelos quais mantenho com as histórias... eterna e crescente fascinação: a crôni- ca com sua linguagem ágil, irreverência e humor; o conto com sua intensidade dramática e beleza poética reveladas em poucas páginas e, às vezes, em poucas linhas. Foi, ainda, estudando Literatura que voltei ao sertão. Dessa vez, pisei o chão esturricado da caatinga e vi cria- turas de "vidas secas" à procura da ter- ra prometida. Estive em São Bernardo tentando entender a rudeza de Paulo Honório. Depois acompanhei o fasci- nante rapaz (Ou seria a moça?) conhe- cida como Diadorim; em sua compa- nhia, adentrei as veredas do "grande sertão" e escutei o jagunço Riobaldo falar sobre um pacto com o tinhoso; e No começo, não conseguia perce- ainda posso ouvi-lo dizer "O sertão é ber-lhes a mensagem cifrada, as figu- aqui mesmo, dentro da gente; o sertão ras de linguagem, conforme nos solici- está em toda parte". tavam nas análises. Lia, relia e ficava Ainda "pelejando" no sertão, co- em meu canto estranhando-lhes a so- nheci as plantações de cana e os enge- noridade, a multiplicidade de sentidos, nhos de açúcar da Paraíba; num deles o significado inesperado de uma pala- encontrei um "menino de engenho"; vra... tão conhecida e ao mesmo tempo achei que éramos parecidos. Ambos tão nova. Aos poucos comecei a gostar crescemos vagando pelos arredores da de vários poetas. Gostava principal- fazenda a remoer pensamentos. Muito mente dos românticos Álvares de Aze- do que o menino viu e sentiu eu tam- vedo e Gonçalves Dias. bém vi e senti do mesmo modo. Esta é Nos semestres mais adiantados, uma das mágicas da palavra escrita: o estudamos literatura moderna e, então, outro, aquele que está ali nos livros, me emocionei com Cecília Meireles, somos nós mesmos. Fernando Pessoa, Carlos Drummond de ) Andrade e, definitivamente, apaixonei- www.varaldobrasil.com 15
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Creio que esses últimos romances de que falei, os romances sertanistas, fo- ram muito importantes para eu valorizar a linguagem de minha gente, a minha lin- guagem, sempre pontuada por palavras fortes, impregnadas pelo sotaque nordes- tino. Pude também compreender que os rendeiros, os ciganos, os loucos da minha infância, os homens, as mulheres, as cri- anças que conheci ou de quem ouvi con- tar, estão aqui – dentro de mim – espe- rando eu lhes dar voz e contar suas histó- rias... Penso, ainda, que através da leitu- ra, pude me reconhecer: sou mulher nor- destina, gente da terra com o umbigo en- terrado na porteira do curral. Agora, final- mente, me orgulho de minha origem e percebo a beleza de tudo que vivi em mi- nha infância de "menina de fazenda". E, para encerrar declaro definitiva- Participar do Varal? Sim- mente: amo os livros; amo a poesia; amo ples! as palavras. E amo, sobretudo, a palavra Entre em contato pelo e- escrita e respeito seu poder de constru- mail ir... e de destruir mundos. varaldobrasil@gmail.com (maio de 1997) www.varaldobrasil.com 16
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Do Papiro ao Papel Manu- A MANUFATURA faturado Artigo (reprodução) http:// O papel como conhecemos surgiu na www.usp.br/ De outubro de 2002, por China no início do século 2, através de Cinderela Caldeira um oficial da corte chinesa, a partir do córtex de plantas, tecidos velhos e fra- gmentos de rede de pesca. A técnica baseava-se no cozimento de fibras do líber - casca interior de certas árvores O livro tem aproximadamente seis mil e arbustos - estendidas por martelos anos de história para ser contada. O de madeira até se formar uma fina ca- homem utilizou os mais diferentes ti- mada de fibras. Posteriormente, as fi- pos de materiais para registrar a sua bras eram misturadas com água em uma caixa de madeira até se transfor- passagem pelo planeta e difundir seus mar numa pasta. Mas a invenção levou conhecimentos e experiências. muito tempo até chegar ao Ocidente. O papel é considerado o principal su- Os sumérios guardavam suas informa- porte para divulgação das informações ções em tijolo de barro. Os indianos e conhecimento humano. Dados históricos mostram faziam seus livros em folhas de pal- que o papel foi muito difundido entre meiras. Os maias e os astecas, antes os árabes, e que foram eles os respon- do descobrimento das Américas, escre- sáveis pela instalação da primeira fá- viam os livros em um material macio brica de papel na cidade de Játiva, Es- existente entre a casca das árvores e a panha, em 1150 após a invasão da Pe- madeira. Os romanos escreviam em nínsula Ibérica. tábuas de madeira cobertas com cera. No final da Idade Média, a importância Os egípcios desenvolveram a tecnolo- do papel cresceu com a expansão do gia do papiro, uma planta encontrada comércio europeu e tornou-se produto às margens do rio Nilo, suas fibras uni- essencial para a administração pública das em tiras serviam como superfície e para a divulgação literária. resistente para a escrita hieróglifa. Os Johann Gutenberg inventou o processo rolos com os manuscritos chegavam a de impressão com caracteres móveis - 20 metros de comprimento. O desen- a tipografia. Nascido, em 1397, da ci- volvimento do papiro deu-se em 2200 dade de Mogúncia, Alemanha, traba- a.C e a palavra papiryrus, em latim, lhava na Casa da Moeda onde apren- deu a arte de trabalhos em metal. Em deu origem a palavra papel. 1428, Gutenbergparte para Estrasbur- go, onde fez as primeiras tentativas de Nesse processo de evolução surgiu o impressão. pergaminho feito geralmente da pele Segundo dados históricos, em 1442, de carneiro, que tornava os manuscri- foi impresso o primeiro exemplar em tos enormes, e para cada livro era ne- uma prensa. Em 1448 volta à sua ci- cessária a morte de vários animais. dade natal, e dá início a uma www.varaldobrasil.com 17
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! sociedade comercial com Johann Fust e Ainda de acordo com os dados apura- fundam a 'Fábrica de Livros' - nome dos, o grau de escolaridade mantém original Werk der Buchei. Entre as pro- influência decisiva para a leitura. O duções está a conhecida Bíblia de Gu- grupo de pessoas que mais compra li- tenberg de 42 linhas. vros no País possui nível médio de es- A partir daí o mundo não seria mais o colaridade. mesmo. A partir do século 19, aumen- ta a oferta de papel para impressão de livros e jornais, além das inovações A LEITURA tecnológicas no processo de fabrica- Plínio Martins Filho, presidente ção. O papel passa a ser feito de uma da Editora da USP e professor no curso pasta de madeira, em 1845. Aliado à de Editoração da Escola de Comunica- produção industrial de pasta mecânica ções e Artes (ECA), diz que o consumo e química de madeira - celulose - o pa- de livros no Brasil só não é maior por pel deixa de ser artigo de luxo e torna- uma questão de hábito. "Uma das cau- se mais barato. sas da falta de hábito é que a leitura As histórias, poesias, contos, cálculos tem que disputar espaço com outras matemáticos, ideias e ideais poderiam, formas de entretenimento. As grandes a partir de agora, percorrer mares e editoras do Brasil surgiram junto com terras e chegar ás mãos de povos que o rádio e a televisão que, de alguma forma, são meios de lazer baratos e de seus autores jamais imaginariam. fácil acesso." Segundo ele, a distribuição e a divul- Mas desenvolver o hábito da leitura é gação de livros no Brasil são precárias. um desafio a ser enfrentado. Fundada Não há verba para se fazer divulgação em 1946, a Câmara Brasileira do Li- de livros pela televisão, que é uma mí- vro é uma das iniciativas criadas com a dia cara. E os jornais tratam como as- sunto de final de semana. "Um exem- missão de desenvolver a leitura no Pa- plo disso é que na França a venda de ís e difundir a produção editorial brasi- jornais aumenta no dia em que são pu- leira. A CBL, uma entidade sem fins blicadas resenhas. No Brasil as rese- lucrativos que reúne editores, livreiros nhas são publicadas nos dias em que e distribuidores, realizou em 2000 uma se vende mais jornais", afirma ele pesquisa em todo o País para avaliar a indústria do livro nacional. Segundo a pesquisa, há no País cerca de 26 milhões de leitores, e 12 milhões de compradores são das classes B e C. Sendo que 60% têm mais de 30 anos, e 53% são moradores da Região Su- deste. Da população alfabetizada com mais de 14 anos, 30% leu pelo menos um livro nos últimos três meses. www.varaldobrasil.com 18
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! asm@folha.com.br Nunca pensei em escrever, quando diziam Minha Paixão que eu “levava jeito”, desconversava; escrever um livro era algo sagrado demais para uma simples Por Ana Rosenrot mortal como eu.Mas graças ao apoio de uma pro- fessora especial, a Dona Jussara, criei coragem e comecei a escrever meus primeiros contos − que Nasci numa casa sem livros, mas possivel- depois se tornaram muitos −, crônicas e poesias. mente trouxe essa paixão de outra existência, pois Arrisquei mostrá-las a algumas pessoas, fui elogi- desde sempre vivia admirando os mais diversos ada, criticada, censurada pelos meus pais, que ti- volumes, achava-os lindos, mesmo antes de nham preconceito contra escritores – que não ga- aprender a ler. nharão dinheiro e serão tratados como loucos − , Alfabetizei-me sozinha, aos quatro anos, apesar de tudo, não desisti, escrever é como um recolhendo recortes de jornais velhos, copiando as vício, quando você começa a libertar seus senti- palavras, pedindo para alguém lê-las para mim e mentos não há mais como prendê-los. depois as repetia incansavelmente até aprendê-las. Quando li pela primeira vez um trabalho Comecei minha coleção de tesouros – que meu impresso, parecia tão irreal, era minha essên- hoje enchem estantes e mais estantes − quando ia cia que estava ali, revelada ao mundo; entendi às feiras da cidade; enquanto as outras crianças naquele instante o que sente cada autor ao conce- choravam pedindo brinquedos ou doces – o que ber um livro, ele é seu filho, seu amante, sua al- era considerado normal – eu, a esquisita, pedia ma, é você de verdade. livros – ilustrados, brilhantes, lindos – e passava É muito difícil, até irritante, aventurar-se no horas tocando, sentindo, devorando cada letra de mundo literário num país como o Brasil, onde os minhas preciosidades. livros ainda são considerados elitistas, onde é pre- Na escola encontrei meu templo: a bibliote- ciso estar na moda para ser lido e as chances para ca. Suas estantes repletas, pulsantes, em cada titu- os novos escritores são muito pequenas. Mas não lo havia um mundo novo que a mim se revelava. devemos desistir, apesar de muitos dizerem que Não sei, nem poderia contar, quantos livros devido à era tecnológica eles entrarão em extin- li em trinta e poucos anos de vida, não poderia ção, os livros foram responsáveis pelo desenvol- também contar sobre o que falava a maioria, pois vimento da civilização e dificuldades à parte, eles os absorvi de tal forma que passaram a fazer parte sempre serão importantes para nós, leitores e es- da minha própria história. Mas alguns foram es- critores. peciais, às vezes consigo lembrar melhor de um Não posso, nem quero, prever o amanhã fato pelo livro que estava lendo na ocasião do que dos livros e acho que ninguém pode, só sei que pelo fato em si. eles estarão sempre ao meu lado. Os livros sempre foram meus melhores E como eu poderia sobreviver sem a minha amigos, minha companhia fiel das horas difíceis, paixão? meu amor e ódio; tenho sempre um livro por per- to, mesmo quando não estou com tempo para ler, pois somente o contato, a familiaridade, me traz uma incrível sensação de paz e segurança. www.varaldobrasil.com 19
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! anair_weirich@yahoo.com.br do seu peso, PESO QUE NÃO elas amenizam PESA no peso da recompensa. E quem pensa que palavras não pesam, Por Anair Weirch não pensa. É... as palavras pesam!... O peso das palavras Mas as letras dançam é a cruz que carrego... ao som dos meus passos, e me nego a negá-la! e os sonhos me levam. As palavras? Pesada cruz de letras. Estas, já não pesam! Arrastada... incompreendida... Quiçá, de causa perdida, Poesia premiada com o pri- meiro lugar no Concurso Na- mas me apraz carregá-la! cional de Poesias da Editora Taba Cultural Meus braços, esfolados Rio de Janeiro – 2005 das palavras, doloridos por seu peso, as transportam com enle- vo. Na ânsia pelo alívio www.varaldobrasil.com 20
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! xavier.arr@gmail.com dem personagem e ator, na escrita confun- VIDA DE ESCRITOR dem o autor e sua obra. Acham que o texto é autobiográfico, que é real, que você viveu Por Angela Xavier linha por linha do que está escrito. Tenho alguns poemas classificados como eróticos e/ou sensuais e já ouvi mui- Escrever é um ato de coragem. Eu tos comentários desse tipo, com ar de admi- diria isso e acrescentaria: escrever é para ração e até certa malícia: Nossa você fez os fortes! Pessoas fracas, que não perse- isso? Você fez aquilo? Curiosamente, o veram e que costumam recuar ao primeiro texto se referia à leitura de uma reportagem obstáculo, não deveriam escrever, muito me- estampada numa revista masculina. Outros nos publicar. questionam: para quem você escreveu is- A princípio, alguém perguntaria: escrever pa- so? Não passa pela cabeça deles que nem ra que, se ninguém lê? E isso é uma verda- sempre falamos sobre nós, sobre o que vive- de que, ao mesmo tempo, nos remete a um mos ou fazemos. Nossa imaginação é quem paradoxo: a produção editorial brasileira so- vai guiar o que escrevemos e com ela segui- mente em 2010, segundo dados da Câmara mos rotas inesperadas! Brasileira do Livro, totalizou 55 mil títulos, o equivalente a 210 obras por dia útil, em to- Matamos muitos leões por dia, sacrifi- dos os gêneros. Para onde vão esses livros? camos momentos de folga, viajamos, partici- Os meus estão aqui, enquanto eu en- pamos de feiras literárias, antologias, con- gendro mil e uma estratégias para que che- cursos. Assumimos os custos de toda essa guem aos leitores. Leitores que nem são movimentação cultural, não sem antes meus ainda, mas que terei que conquistar. passar por uma verdadeira maratona, que é Esse é o maior desafio de quem publica um a produção de um livro, desde você ter a livro e por isso, requer coragem. ideia, escrever os textos, selecioná-los, gra- O camarada tem que ser muito ma- var em arquivo ou CD, escolher a editora (e cho como diria meu pai, para deixar registra- nesse ponto temos que ser criteriosos, pois do num livro seu pensamento sobre seja lá o existem muitos picaretas no mercado), solici- que for. Sempre haverá alguém disposto a tar orçamento, fechar o contrato, decidir discordar, achar aquilo piegas ou ficar tecen- quem vai prefaciar, fazer a apresentação da do considerações sobre o porquê do autor se obra, elaborar os textos das dedicatórias, os pronunciar desta ou daquela forma, em que agradecimentos, as orelhas (direita e esquer- momento e em que circunstâncias aquilo da) e o texto da contracapa. aconteceu. Assim como nas novelas confun- www.varaldobrasil.com 21
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Importante nessa etapa que o autor mação de poesias ou alguém que toque mu- tenha uma biografia atualizada. Caso não sica instrumental. possua, deve elaborá-la, citando os livros Se quiser que seu livro chegue ao que publicou, os prêmios recebidos e os des- consumidor final acompanhado de um mar- taques de sua carreira. Acompanha a biogra- cador de páginas, você deve contratar os fia uma foto atualizada do autor. Procuro es- serviços de uma gráfica e arcar com mais colher uma foto em que esteja bem produzi- essa despesa. Também deve providenciar a da, logicamente. Mesmo assim, quando me confecção de um banner, em tamanho pa- veem no dia a dia, sem produção e eu mos- drão, que ficará exposto no local do evento, tro o livro, ao ver a foto inevitavelmente ouço com pelo menos 15 dias de antecedência, essa frase: Nossa, como você está diferen- para chamar a atenção do público em geral, te! Diferente é elogio? Se for, tá valendo! que pode até trazer mais gente para o seu Mas se alguém pensa que a maratona evento, se o que você divulgar for convincen- acabou, que nada! Está só começando! De- te. pois de concluído o processo de produção, vem o Muitos escritores se decepcionam lançamento e aí preparem os bolsos, pois os com a quantidade de livros vendidos no dia custos são altíssimos! Algumas editoras opor- do lançamento. Nesse ponto não é bom criar tunizam ao escritor o lançamento do livro em expectativas. Tem muita gente que compare- eventos literários nacionais importantes (como ce, serve-se do buffet, te abraça, dá os pa- bienais, entre outros). O custo de um lança- rabéns e vai embora. Demonstrou considera- mento desse porte inclui despesas de via- ção por você? Demonstrou! Era obrigada a gem e estadia por conta do autor. Algumas comprar o livro? Não era! Então, porque a editoras cobram para expor o livro nesse tipo decepção? Numa outra oportunidade essa de evento (costumam até fazer pacotes pro- pessoa poderá comprar o livro e até indicá-lo mocionais). Outras oferecem o serviço gra- a alguém que se interesse por aquele gênero tuitamente, desde que o escritor feche o con- literário, caso ela não tenha se interessado. trato da produção do livro com eles. Tem quem goste de poesia e quem Recentemente lancei meu livro na Bie- não goste. Poesia vende? Poesia não ven- nal de São Paulo e posso dizer que, nada se com- de? São questionamentos que se ouvem aos para a emoção da primeira vez que tocamos montes. Eu digo: sempre haverá espaço pa- em nosso livro, finalmente pronto! É como ra o que é bom. um filho que acaba de nascer, mas você ain- Vida de escritor não é fácil. Para enca- da não viu a cara que ele vai ter, entende? rar tudo isso tem que ter paixão, determina- Receber miolo, capa e vistar autorizando a ção e coragem. Viver é assumir riscos. O impressão, não é a mesma coisa! Agora, máximo que pode acontecer é você perder poder vê-lo num estande, sendo exposto nu- tempo, dinheiro e ficar com estoque enca- ma das maiores feiras literárias do mundo, é lhado. Mas se não tentar, nunca vai saber. uma sensação tão incrível que fica difícil tra- duzir em palavras! Muito bom!!! Depois do lançamento na Bienal (que já confere um certo status à sua obra) é ho- ra de lançarmos em nosso município e, de- pendendo do local que escolhermos (se for uma livraria da moda, dessas bacanas que existem nos shoppings), só para fazer o lan- çamento e deixar o livro à venda, arcarmos com cerca de 40 a 50% do preço de capa. Definido o local, vem a organização do cerimonial, providenciar convites, entregá- los, contratar buffet (caso esteja nos seus planos servir um coquetel), providenciar uma atração cultural, que pode ser canto, decla- www.varaldobrasil.com 22
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 23 de Abril – Dia Internacional do Livro O Dia Internacional do Livro e dos Direitos Autorais, 23 de abril, é comemorado para estimular a reflexão sobre a leitura, a indústria de livros e a propriedade intelectual (direito sobre a criação de obras científicas, artísticas e literárias). A data foi instituída em 1995, pela Unesco – organiza- ção voltada para a Educação, Ciência e Cultura, que integra as Organização das Nações Unidas. A escolha do Dia do Livro não foi aleatória: em 23 de abril de 1616 faleceram Cervantes e Shakespeare, dois desta- ques da literatura universal. O Dia do Livro é, portanto, uma oportunidade de ren- der uma homenagem mundial ao livro e aos seus au- tores, motivar a descoberta do prazer da leitura e re- conhecer a contribuição dos escritores para o progres- so social e cultural. A ideia dessa celebração surgiu na Catalunha (Espanha), onde, nessa data, tradicional- mente, dá-se uma rosa ao comprador de um livro. Fonte: hƩp://a-informacao.blogspot.ch/ www.varaldobrasil.com 23
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! veranai@yahoo.com.br Que ensinaram, a alçar voo através de O Livro páginas Lentamente viradas, guardando emoções surgidas. Por Anna Back Onde letras, figuras e sons, convidam A transcender-se do aqui, do agora, da vida... Livro é sonho, é busca, é querer mais e Instrumento ímpar no mundo há, mais. Como um mestre a soprar no ouvido. Mágica, encantamento, sensações... Se fechado, instiga a curiosidade... Quem escreve um livro, gera um filho queri- Se aberto, doa-se em respostas ao eco do! emitido. Na ansiedade da aceitação, vive a quimera, De banho, de pano, em quadrinhos, um pouco doída, colorido... No propósito de mostrar ao mundo, sua cria, Preto e branco, palpável, em braile, virtual! gerada, Assim se apresenta nosso amigo livro, De peito e alma abertos, extrai e expõe Científico, religioso, único, de enciclopédia, Seu âmago, sua alma, o que diz seu De estudo, poético, lazer ou informal. coração, Poucas coisas se comparam a ele na vida Nem sempre razão, mas pura emoção, da gente! Solta, livre ao vento, ou em casulo, contida. Todo livro, traz escancarada, a intenção do Quem esqueceu o primeiro contato, o autor. enamorar-se? Seja ciência, informação, poesia, devaneio... As primeiras leituras feitas ou no colo, Lazer, história, de cunho religioso, social... ouvidas, Foi feliz quem ao escrever, lançou mão De pais ou avós, irmãos, tias, pessoas De vontade, desprendimento, material... queridas, www.varaldobrasil.com 24
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! E soube sutilmente penetrar no interesse e atenção De quem o leu, o compreendeu e se sentiu tocado No profundo do seu EU, seu ser, seu coração! Li livros incríveis, inteligentes, que marcaram Momentos, encontros, fatos, pra toda a vida. Leituras furtivas, secretas, proibidas... Outros fúteis, equivocados, vazios de propósitos. Às vezes, parei pra pensar tamanha capacidade De autores fantásticos, imaginações férteis, Leitura agradável, envolvente, capaz de prender, Aprisionar almas no enlevo das belas palavras Sutilmente escritas pra sempre, na vida da gente. Escrevo fragmentos, quem sabe um dia, reunidos, Se tornem um livro, sonho acalentado... Mas serei feliz, se com meu querer escrever, Ter tocado a emoção, ter sido bálsamo, ânimo Pra algum coração desanimado, triste, recaído! www.varaldobrasil.com 25
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! arletesan@terra.com.br NASCIMENTO Por Arlete Trentini dos Santos PEGA LAPIS E PAPEL RISCA RABISCA OU TECLA AQUI, DELETA ALI É IDÉIA SURGINDO OS PENSAMENTOS CRIANDO VIDA RETROCEDEMOS OU AVANÇAMOS NO TEMPO. VIAJAMOS, VAGAMOS... FRIO OU CALOR RIQUEZA OU POBREZA PRATO FARTO OU SOBREMESA COLOCAMOS A NOBRE MESA. IMAGINAÇÃO COLORIDA ÀS VEZES ATÉ DOLORIDA NASCE ASSIM, LOGO EM SEGUIDA A CRIA GANHANDO VIDA UMA EDITORA SE HABILITA E FAZ ASSIM NOSSA ESCRITA GANHAR VIDA NO PAPEL DE UM PARTO BEM DEMORADO POR MUITOS ELABORADO NASCEU ENFIM O ESPERADO... O LIVRO www.varaldobrasil.com 26
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! linamacieira@hotmail.com O livro e sua Magia Por Audelina de Jesus Macieira Um livro é mais que um livro, ele é um professor e ao mesmo tempo é aluno, ele é um sonho encantado e também é um sonho realizado, um livro é uma passagem secreta para o prazer e para o conhecimento. Um livro é capaz te fazer flutuar e te fazer pensar que é um passarinho livre para ir longe batendo suas assas até o infinito. Quando se es- creve um livro é algo especial, é uma criação, escrever exige dedicação e horas de muita emoção, paciência e criatividade. Ao escrever imaginamos ser um ser em construção, po- demos construir um mundo próprio que vai invadir a vida do leitor que pode se apaixonar, rir ou chorar, este encantamento começa a cada letra, a cada palavra que formando frases descreve o que autor está vivenciando naquele instante. Como autora de poesias e histórias eu me torno várias entidades, sou tudo e sou nada, um cachorro, um amante, uma árvore, uma luz, um sentimento, uma razão, uma certeza, qualquer pessoa ou coisa. Sou eu mesma e sou quem eu represento em cada sentimento de ódio ou de dor, de alegria ou de amor, sou eu o tempo todo nas dores que não são minhas e sendo minhas talvez, sou assim interprete das coisas da vida como já havia dito antes em versos do poema Vida.” Vida que queres que eu seja, um homem, uma mulher , uma flor, uma semente, uma cor ou uma figura de gente. Sou eu amada? Sou eu ódio em carne viva, sou caminho desta estrada, sou vida e vida e mais nada.” www.varaldobrasil.com 27
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Um livro representa para mim múltiplos sentimentos de ensinamentos que ficarão na vitória do mocinho contra o bandido, na derrota da bruxa, na descoberta da felicidade por crianças encantadas, na luta constante do bem contra o mal, e ai entendemos o quanto é bom lê e o quanto é bom para o escritor saber que alguém leu o seu livro. Pois sabemos o quanto um livro leva tempo para ficar pronto, a preocupação com cada palavra com cada frase, buscar uma editora que compartilhe suas ideias, e ainda vê as ilustrações e todos os detalhes, as- sim o livro vai se apresentando aos poucos e se formando como um ser que tem vida. Todo livro é especial para quem lê e especial para quem escreve, quem escreve ta preocupado em ofertar com o seu livro emoções, causar indignação se for o caso e em outros aspectos até fazer dormir aquele que lê. Um livro é um amigo, um irmão, um mensageiro e às vezes até lhe diz mais que pa- lavras lhe ensina a viver. Quando eu li um livro pela primeira vez eu tinha sete anos e até hoje me lembro da emoção que me causou, eu ria muito com aquelas palavras novas que estavam ali, era um livro de histórias infantis Ali Baba e os quarenta ladrões, muito bom, e daí não parei mais, li muitos livros, li Carlos Drummond e Jorge Amando entre outros escri- tores e me apaixonei, ao Chegar a Faculdade , percebi o quanto toda aquela leitura era im- portante na minha vida, a leitura é uma bagagem que levamos dentro de nós, e nos dá su- porte para adquirir conhecimento de mundo. As dificuldades existem para quem escreve um livro, pois as editoras não estão, mas valorizando os jovens poetas ou jovens escritores, na verdade temos que custear nossos livros para que ele enfim chegue às mãos de leitores e assim divulgar este trabalho tão maravilhoso que é escrever, contudo espero com esperança vê as letras de minhas poesias se espalhar por terras distantes e mesmo que de forma tími- da fazer alguém ri ou chorar , dormir e sonhar. www.varaldobrasil.com 28
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! beƩyescritora@silber.com.br O LIVRO Por Betty Silberstein Até chegar ao nosso atualíssimo e-book, muitos materiais foram usados como supor- tes para a escrita: ossos, bronze, cerâmica, conchas, bambu. Alguns dos antigos mais co- nhecidos foram a tabuleta de argila escrita em língua suméria (2400 - 2200 a.C.) e o Livro dos Mortos (Egito), em papiro (em torno do ano 1000 a.C.). A seda, na China, foi também uma base para a escrita, feita com pincéis. Na Índia, foram utilizadas folhas de palmeiras secas. A partir do momento que a escrita foi transposta para o papel, transformado em livro, podemos perceber que sua história é de inovações técnicas, as quais o ser humano só teve a ganhar, já que com isso foi aperfeiçoada a qualidade de conservação do texto, o acesso à informação passou a atingir um número crescente de pessoas, sem contar a portabilidade e o custo de produção. A partir do primeiro livro impresso (1455) a Bíblia, em latim, com a prensa de tipos móveis reutilizáveis, inventada por Gutenberg, o sonho atemporal de escri- tores do mundo inteiro passou a se concretizar: o livro popularizou-se definitivamente, tor- nando-se mais acessível pela redução enorme dos custos da produção em série. Não me parece que as coisas mudaram muito para o escritor desde os primórdios dos tempos até os dias de hoje. A tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro continua sendo tarefa do autor, que dedica horas, dias, meses a fio pensando, escrevendo, reescrevendo mil e uma vezes até que seus originais cheguem às mãos de uma editora. Se um leigo no assunto acredita ser esta a parte mais difícil para a publicação de um livro... engana-se re- dondamente: por incrível que pareça, esta é a parte mais fácil para o escritor, cuja via cru- cis se inicia a partir do momento que este sonhador está com seu manuscrito debaixo do braço, peregrinando de editora em editora para ver se alguma se interessa em publicá-lo. SE isso acontecer... maravilha! Tirou a sorte grande. Caso contrário, terá que bancar mesmo seus escritos. Entretanto, mesmo resolvendo esta primeira etapa (de uma maneira ou outra), ainda falta um belo marketing em cima do produto, uma inteligente estratégia de divulgação e distribuição e uma dose cavalar de paciência para acertos de contas com li- vreiros e distribuidoras de livro e quem sabe receber algum dinheiro por todo o trabalho. www.varaldobrasil.com 29
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! É... realmente um longo caminho, mas posso dizer com conhecimento de causa que VALE A PENA! Ao segurar nas mãos seu “baby impresso” é uma sensação indescritível. Só comparada à alegria e orgulho de alguém ter lido seus textos, ter elogiado e reconhecer seu trabalho. Por isso, acho sensacional o Varal do Brasil dedicar um número todinho a esse tema tão difícil, mas superinteressante, para dar força, ânimo e quiçá algumas dicas para os novos (e os não tão novos assim) escritores de plantão. Que aproveitemos bastante esse número especial do Varal, que trata de um importan- te produto intelectual e de consumo dos dias de hoje: este “poço sem fundo” de informação, conhecimento e sabedoria, que é o LIVRO! www.varaldobrasil.com 30
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! carlosluciogonƟjo@terra.com.br que representa significativa glória num Palavras jogadas ao léu país em que as editores não investem nem apostam em novos autores (digo isso no tocante ao ato de se fazer co- Por Carlos Lúcio Gontijo nhecido, uma vez que existe gente com idade avançada e sem qualquer trabalho editado), obrigando aos que pretendem Não me perguntem aonde ir para tirar a sua obra da gaveta, em tempo de encontrar leitores, pois nunca soube. As democrática ditadura de intensa propa- bibliotecas estão sempre vazias, as li- gação do grotesco ou, no mínimo, de vrarias repletas de autores estrangeiros valor cultural duvidoso, que por sua vez e livros de autoajuda, enquanto a litera- leva adultos, adolescentes e crianças a tura brasileira sobrevive com a simples dançarem na boquinha da garrafa. Infe- e costumeira citação de grandes auto- lizmente, entre nós, o esmero tecnológi- res, que verdadeiramente também são co da imagem digital chegou às muito pouco lidos. Não entendo também “nossas” televisões antes de as mesmas de busca de recursos para se editarem implantarem qualidade em sua rede de livros, porque nunca obtive sucesso programação. nessa empreitada, consciente de que a política cultural brasileira só favorece Se eu fosse tangido pela busca de aos que se acham sob os holofotes da fama e sucesso não estaria me moven- mídia, o que determina fluxo volumoso do para editar o meu 15º livro (POESIA de recursos para as mesmíssimas cele- DE ROMANCE E OUTROS VERSOS) nem bridades e famosos de sempre. Todavia, disposto a investir quantia, para mim em torno desse assunto, as discussões volumosa, em meu site, que está no ar se prendem mais ao calor obscurantista desde 5 de junho de 2007. Uma vez do fogaréu das vaidades que à luz da que, hoje, o que determina notoriedade real busca de soluções. são a inventiva e o comportamento es- drúxulo ou completamente anômalo e Houve um tempo em que concur- contrário aos chamados bons costumes, sos literários lançavam novos talentos, tratados como desnecessários ditames mas hoje eles só servem para propiciar ultrapassados. alguma pequena edição ao ganhador, o www.varaldobrasil.com 31
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! A dilapidação promovida ao senso depois de tão longa caminhada. Só me comum que norteia a convivência em resta mesmo impor-me alguns sacrifí- sociedade vem exatamente dos órgãos cios em nome do invisível, do que não que deveriam atuar em sua defesa. Os se vê: a energia imaterial do halo da poderes Executivo, Legislativo e Judici- alegria de efetivar o exercício de um ário se consideram (e se põem) acima dom, ainda que as palavras me pare- da nação brasileira, que sabiamente os çam jogadas ao léu. julga pelo produto final que a ela é apresentado. Vem daí a generalização Enfim, sou brasileiro comum. Faço da reclamação popular, pois quando parte desse povo, que apesar dos go- uma prestação de serviço não é satisfa- vernantes e dos podres poderes, conse- tória o consumidor recorre ao PROCON gue sobreviver e driblar as pedras ati- contra a loja vendedora ou a fábrica radas em seu caminho. Termino então produtora, não lhe sendo exigida a indi- repetindo reflexão de Sigmund Freud, cação de nomes – ao produtor da mer- grande explorador da alma humana: cadoria defeituosa cabe, se assim o de- “Mas posso me dar por satisfeito. O tra- sejar, a descoberta do funcionário res- balho é minha fortuna”. ponsável pela ocorrência! Ou seja, a má prestação de serviço advinda da ação dos Três Poderes é problema rela- tivo a todos aqueles que o integram. Cabe a cada um deles e mais especifi- camente aos que se nos apresentam como a parte boa, reclamando da cons- tante acusação generalizada, agirem em prol da devida apuração. Afinal, não se trata de seres inanimados; não são maçãs sadias enfiadas, involuntaria- mente, em saco de aniagem em meio a frutos putrefatos... Em ambiente assim perverso, no qual os que deveriam dar o exemplo insistem em não dá-lo, assisto ao coti- diano crescimento da cultura do levar vantagem em tudo, que vai levando a tudo de roldão. Para onde olho eu vejo podridão: é político com dinheiro na cu- eca, na meia, no porta-malas, no banco do carro; são favorecimentos e desvios de recursos públicos em montante ini- maginável, mas que pode ser dimensio- nado pela paisagem de abissais carên- cias sociais que nos rodeia. Quem sou eu, pequeno escriba, para perder o fio da meada, abandonar a literatura menor que realizo (mas que é a minha vida) à beira do caminho, www.varaldobrasil.com 32
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! cesarsf@ymail.com Independente, e por que não? ta" consideram como requisito impres- cindível, a diplomação acadêmica ou frequência em oficinas literárias que Por César S. Farias ensinam o autor a escrever. São pon- tos de vista que, á meu ver, devem ser respeitados mas não aplicados como Nem todos os escritores conse- verdade absoluta. Se você, mesmo guem um contrato com alguma editora sem possuir os atributos que chamam disposta a valorizar o seu trabalho, a atenção da indústria literária, acredi- com possibilidades de lucros razoáveis ta nas suas ideias e em sua capacidade para ambas as partes. A estes, que não de cativar leitores, deve cedo ou tarde estão dispostos a permanecerem por tomar uma atitude para ganhar um lu- tempo indefinido batendo em portas e gar ao sol. mais portas de editoras, resta hoje o caminho independente da auto publica- Eventos como a Feira do Livro de ção. Felizmente, com o advento da in- Porto Alegre permitem, ao contrário da ternet e o progresso dos recursos de maioria dos encontros literários do pa- computação, o monopólio da impressão ís, um espaço aos escritores indepen- saiu das mãos de umas poucas empre- dentes, que investem em seu próprio sas que abasteciam o pequeno merca- trabalho para mostrarem às pessoas do de leitores do nosso país. É possí- que existe vida inteligente fora das edi- vel, com critérios e dedicação, chegar- toras. A coletânea de contos "O Grande se a um resultado final que permita ao Pajé", lançada oficialmente na 57ª edi- escritor concretizar a montagem da sua ção do evento, propõe um obra para apresentá-la ao julgamento olhar reflexivo ao consumo da maco- crítico do leitor. Dessa forma, consegue nha, erva sagrada para vários tribos ele formar, gradativamente o seu pró- indígenas, e a impune violência contra prio público. os animais em nossa sociedade atual. Certamente, as abordagens polêmicas Entre os fatores que contribuem da obra, não colocam-na entre as pre- decisivamente para a aceitação da obra feridas do grande público, contudo, o no mercado editorial convencional, está autor faz dela mais um grito de alerta a temática da obra. As ideias propos- sobre o desrespeito às culturas e for- tas, aliadas a uma hábil narrativa, ga- mas de vida diferentes da nossa. rantem a simpatia ou não dos fabrican- tes de livros. Muitos "doutores da escri- www.varaldobrasil.com 33
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! cleoreispoema@hotmail.com LIVROS Por Cléo Reis Emano minhas leituras pelo Universo Brisa e Sol abraçam ideias iluminando a Vida De um banco qualquer ou do meu tra- vesseiro, sob o manto celestial bordado de luzes, abraçada à Natura que dentro de mim re- pousa, silentes Autores e letras entrelaçadas por inspiradoras Brisas rodeiam-me na mudez da escrivaninha transcendental Livros são Pontes- perene arco-íris Universal levando-me a profundezas de reflexões revigorantes Ameno exercício espiritual Novas roupagens, róseas, florescentes para minha alma em sublimações e completudes. www.varaldobrasil.com 34
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! hana.haruko2@gmail.com UM DIA DE LIVROS, MUITOS LIVROS E ÁRVORES Por Clevane Pessoa de Araújo Lopes Jacqueline Aisenman de azul, e sua árvore, Terezinha, observada por Rogério Salgado e por mim, (Clevane Pessoa), no Jardim dos Poetas-Lagoa do Nado, em 31 de maio de 2012.Salgado e eu . Marco Llobus marcara para 31 de maio, a segunda edição do Jardim dos Poetaspoetas que passaram pela Lagoa do Nado (*)em Saraus de Poesia , os que fizeram parte do his- tórico processo ... A premiada prosadora e poeta Norália de Castro Mello estava nos primórdios da organiza- ção, em Brumadinho, de um lançamento- do Varal do Brasil-2, onde estamos na qualida- de de coautoras e organizada por Jacqueline Aisenman a qual lançaria também seu pró- prio novo livro, "Briga de Foice", pela Design Editora , de Jaguará do Sul/SC, um belo trabalho editorial. Jacqueline também é catarinense-e mora há anos, em Genebra. Norália sonhava em reunir aqui, os coautores mineiros. Queria sobretudo, oferecer a Jacqueline a grande oportunidade de conhecer Inhotim (**).Mas as negociações se arrastavam, graças aos valores -e ela então, investiu potenci- almente na Prefeitura de Brumadinho, onde hoje reside, que cedeu-lhe a Casa da Cultura- para a recepção de 01 de junho, hospedagem aos poetas e prosadores, várias benesses. A Secretaria de Cultura e Turismo entrou no esquema produtivo-e Norália pode contar com Juliana Brasil, Regina Esméria, Maria Lúcia Guedes, Maria Carmen de Souza, que se empenharam na decoração e na degustação de acepipes tipicamente mineiros juninos. Segundo comentários dos autores e convidados, foi uma grande confraternização- continuada em Inhotim e depois no Restaurante D. Carmita, com os lançamentos das an- tologias citas e livros dos presentes. www.varaldobrasil.com 35
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Bem, então, no Dia 31, aqui em Belo Hori- conteúdo. zonte, começamos a recepção à Jacqueline, Bem, esse prólogo longo , mas necessário que seria homenageada junto com Diovva- ao registro de nossa história de poetas, nos ni Mendonça (leia-se Paz e Poesia ***) , no leva agora, à Lagoa do Nado. Sarau da Lagoa do Nado, no Restaurante D. Preta, reduto de poetas ,artistas e pessoas Lá, além do mini tour pelo pulmão verde e da Paz, a convite de Claudio Marcio Barbo- suas águas, com passagem pela exposição sa , produtor cultural e poeta, que faz parte a céu aberto da obra enraizada de Mestre da família que administra o D. Preta prepa- Thibau., Jacqueline e nós, poetas convida- ram um substancial prato mineiríssimo, o dos , fomos levados para plantar nossa ár- Feijão Tropeiro . vore no Jardim da Poesia. Quando saí de casa, sabendo que cada ár- vore poderia ser madrinha ou afilhada do poeta e o poeta escolheria o nome de sua árvore, pensei em achegar-me a uma que desse muitas flores , para dar-lhe o nome de minha mãe, que adorava o verde. Eu anda- va daqui e dali, mas fui atraída por um ce- dro. Mesmo ele apresentando uma praga branca. Não consegui afastar-me das lindas Foi organizada uma mesa de livros , para a folhas oblongas e acetinadas. Então, pensei: degustação da mente e do espírito, por que vou dar-lhe o nome de Máximo, pois meu não, do coração? Jacqueline recebeu as avô ,paraibano, trovador, cordelista e jorna- "Palmas Barrocas" - alusivas à arte sacra lista, repentista sonetista, que ensinou-me a mineira, uma criação da artista de Sabará- metrificar e amar a poesia ainda no seu co- uma das mais antigas cidades mineiras- Dir- lo, não obstante árvore do gênero feminino léia Neves Peixoto e que são parcimoniosa- na gramática, mas comum dos dois na es- mente distribuídas pelo grupo de Poetas Pe- pécie, Cedro sempre vai lembrar-me o gêne- la Paz e pela Poesia., grupo que realiza o ro masculino. Paz e Poesia em Belo Horizonte. No D. Preta, , esperamos a chegada de No- rália, que chegou com sua filha Daniela. Desse momento, participaram os poetas e artistas de Belo Horizonte, Marco Llobus, Neuza ladeira Rodrigo Starling, Iara Abreu, Maria Moreira, Adão Rodrigues, Fátima Sampaio, Rogério Salgado, Claudio Márcio Barbosa , Serginho BH (fundo musical ao violão) e eu. Coautoras de outros Estados e cidades estiveram no congraçamento: Yara Darin, Maria Clara Machado,e, com Norália e Daniela, também artista, chegou a alegre Madhu Maretiori, que lançou seu encanta- dor "Em Nome de Gaia"- minilivro de grande www.varaldobrasil.com 36
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Desejei muita sorte ao meu cedro-que cresça 2:alegria e honra). o máximo, seja o máximo-sobrenome de vo- vô, Luiz Máximo de Araújo -pensei . Depois de curtir a árvore que me escolheu, fui circular e quando Jacqueline Aisenman foi batizar a sua, ela disse-me;-Terezinha, o no- me de minha mãe. Fiquei literalmente arrepiada .Claro que o prenome da santinha de Lisieux é muito co- mum, mas eu, que vivo na memória e no imaginário, escritora que sou, logo pensei : - Mamãe, que adorava o pai, deu-lhe lugar. E assim , toda vez que for ao jardim de nós, Poetas, no CC Lagoa do nado, vou acarinhar essas duas árvores: pela amiga distante, em outro país, Jacqueline Aisenman e cultura o nome materno de ambas, e o d e vovô, meu mago iniciador que revelou-me a POIESIS, como soi ser, com autoria, orgulho e ale- gria ::Terezinha e Máximo. Mais tarde, já em casa, li um texto maravilho- so, em Varal Antológico 2 de Jaqueline Ai- senman ,denominado Pintura Ingênua, onde ela abre ao leitor o grande amor por seu pai ("Meu pai, sentado na cozinha, palpitava a vida, dava palpites em tudo"), onde a mãe amada entreaparece, figura de fundo e de palco ,indispensável( "Ou ia pelos braços queridos de minha mãe, braços cheios de alma") . Realmente , esse plantio para mim, transcen- deu os objetivos lindos desse jardim de árvo- res: permitiu-me a sagrada memória familiar vir bailar conosco por entre as mudinhas es- perançosas... Clevane Pessoa de Araújo Lopes Fotos: Clevane Pessoa (A Jacqueline Aisenman, agradecendo o con- vite para ser e estar em Varal Antológico 2) www.varaldobrasil.com 37
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! O dia 29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Na- cional do Livro” por ser a data de aniversário da fun- dação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil. Seu acervo de 60 mil peças, entre livros, manuscri- tos, mapas, moedas, medalhas, etc., ficava acomo- dado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro. A biblioteca foi transferida em 29 de outubro de 1810 e essa passou a ser a data oficial de sua fundação. Fonte: http://www.joildo.net/ www.varaldobrasil.com 38
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! cris_mascarenhas07@hotmail.com às vezes ásperas, A caminhada “solitária” Longas histórias, doces versos, amargos dra- Por Cristina Mascarenhas da Silva mas. Foi preciso muitos solitários amanheceres para descobrir E de folha em folha, verbo em verbo, Que não era com aqueles que dividi festas e bebidas Conheci o significado deste amigo de milhões de dizeres, Com quem poderia contar nos pores de sol mais tristes.... Que me acalenta, me faz lutar, Amigo Livro, Contigo já estive no Hades, em Roma, no Caminhei por horizontes sem esperança de Grande Sertão, um fiel amigo, Quando mal sabia que em dias quentes de verão o colocava no colo, Vivi amores, colecionei dores, voltei a ser cri- Para protegê-lo guardava num cantinho ança, quente de minha bolsa. Quis ter uma Bisa Bia, observei um Fantásti- co Mistério, Criminei Capitu, torci por Aurélia. Quando as lágrimas rolavam pela minha face, Roubei alguns dos seus junto com Liesel na Eu o retirava do canto mais secreto de meu Alemanha Nazista... armário, E o acariciava levemente desvendando cada centímetro seu, Desvendei o mundo pensando que estava só. Ele me respondia com palavras doces, www.varaldobrasil.com 39
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! danielcastellobranco@hotmail.com mam diferentes sentidos. Seria mesmo a pa- O homem, o livro e o lavra, segundo Bakhtin, um signo linguístico tempo dotado de uma carga sócio-ideológica por natureza? Sem dúvida, e tudo isso só me faz entender o que já tenho refletido a respeito Por Daniel C. B. Ciarlini destas ideologias, que se formam de uma só palavra ou da conexão entre várias, configu- rando sentidos complexos em sentenças, (Homenagem ao Dia Nacional do Livro, 29 provando-nos apenas uma coisa: A escrita é de outubro. Proferido no auditório da Univer- a sociedade mais bem organizada criada pe- sidade Estadual do Piauí, por ocasião do En- lo homem. E a leitura, para quem a pratica, contro de Jornalismo Cultural). logo percebe, é o oxigênio que mantém viva a chama do saber. O homem, como ser inquieto, fez das O que são os homens sem os livros, palavras a concretude do pensamento, per- ou melhor, o que seria da humanidade sem petuando-o através dos livros, e a consciên- as bases fundamentais do conhecimento em- cia que possuímos hoje, está muito distante pírico, transmutado através da ciência e di- de prever as consequências do presente fundido a partir de páginas e mais páginas frente o futuro. Prever o futuro da evolução que atravessaram séculos e mais séculos no intelectual, eis um trabalho utópico, eis um mundo? Fica difícil pensar. A própria história projeto malogrado. Restam-nos, porém, su- da humanidade divide-se em dois períodos, posições lógicas, embora saibamos, ainda, o antes e após os livros. E mesmo antes deles, quão decadente é a “logicidade” no campo o homem já sentia uma vontade imensa de subjetivo do ser; suposições, nada mais que registrar o que pensava, o que via e o que o suposições teremos em mãos... Suposições inquietava, daí o surgimento das pinturas ru- nascidas, talvez, das observações do passa- pestres, que foi uma forma arcaica da escrita; do, que nos apontaram que as próprias le- daí a sabedoria popular, que resistiu e resiste tras, os próprios livros, acompanharam o de- a toda e qualquer intempérie do destino. senvolver da sociedade, e que suas cargas Dizem que a maior invenção da hu- semânticas, grafias, moral, ética, filosofia, manidade foi a roda, mas eu não posso con- enfim..., todo o conhecimento ali despejado cordar com este postulado quando tenho di- não pareceu inerte, mas transmutável e ante de mim, e em todos os cantos por onde transgredido em pensamento, em um tipo de eu ando, um amontoado de palavras que for- reflexão transformadora. . www.varaldobrasil.com 40
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Os próprios livros, para aqueles que esia que reside em nosso corpo, e assim de- não creem, sofrem mudanças, porque não cidimos, tal qual eles, os grandes, também imóveis, aliás, nada é imóvel se pararmos produzir, dar voz a todos, porque o conheci- para pensar de fato. As transformações gi- mento, como eu disse, por mais que se tente ram em torno de sentidos, interpretações e provar o contrário, nunca serviu e nunca ser- mudanças de hábito, de sociedade, tempo, virá ao individualismo, mas ao coletivo. lugar, e é aqui que me reporto mais uma vez Ninguém aqui estuda para si, mas pa- ao que nós, estudiosos das Letras, estamos ra os outros. Dito isto, quero deixar claro que acostumados a entender: há polifonia em o tempo das trevas há muito se desvaneceu, tudo, entendê-la, portanto, é vislumbrar o e hoje o conhecimento não pertence a gru- quê ideológico que existe no autor, no texto pos fechados, como monarcas, eclesiásticos e no leitor, é algo plural, e não bastasse tal ou oligarquias secretas de segregação racial percepção, temos de ser sensatos em enten- e econômica, todo livro, hoje, portanto, exer- der que ela, também, adéqua-se à cultura ce uma função social – ele, por si, é um elo temporal, portanto, plurissignificativa sempre que desvencilha a ignorância e ilumina a será uma obra, que por natureza sintáxica, mente à procura do saber, incitando-a, cada que é o texto como um todo, o sentido num vez mais, na busca, na insaciável busca da prisma universal e dialético nunca deixará de sophia... E quantos de nós aqui um dia não ser genuinamente aberto. nos entregamos aos azos aventurosos de Ao ler um livro, o homem é volvido de um bom livro? Quem nunca teve o seu livro três imensos e labutáveis acontecimentos. de cabeceira, que o acompanhou em ama- Em um primeiro momento, é receptor quan- durecimento? Quem nunca se encantou com do absorve tudo que lhe vem às mãos, ou uma história, ou tenha aprendido algo jamais melhor, aos olhos, de onde contempla todo imaginado antes na vida, senão nos livros? um universo que se constrói, conforme o Os livros possuem esta magia, sim, que pa- transladar das páginas, numa para-realidade rece aprisionada, mas que é fluente e flutu- que considera tanto a sua experiência de vi- ante como as palavras que soltamos no ar, da como a natureza estética da obra, capaz partindo-se em destino ignorado. de proporcionar a quimera, a alegoria da própria vida que não se pode mais, depois de Platão e Aristóteles, Boileau ou Henry Su- hamy, afirmar ser esta ou aquela a verdadei- ramente real; o segundo momento pauta-se, pois, na transformação do captado, direção esta que acontece quase que naturalmente em nossos sentidos, porque como somos de uma linhagem de homo que não se contenta apenas em ser sapiens, e transgrediu-se em sapiens sapiens, porque críticos, porque cri- adores. Desta transformação de sentido, desta “transmutação de todos os valores”, Dito isso, não posso acreditar que as como acreditava Nietzsche, foi que o homem palavras um dia perderão, numa sociedade moderno tratou de desconstruir todos os es- moderna como a nossa e a do porvir o real tigmas e acreditar que não existe apenas sentido de sua existência; muito menos devo uma realidade para tudo, um só sentido, e crer que a própria tecnologia haverá de ex- que este “tudo”, por sua vez, pode sim, sem tinguir a existência dos livros devido a um medo ou querela de infortúnio, ser questio- ambiente virtual que se tem construído no nado. Passamos, então, a agir contra nossos decorrer de tantos dias, ou seja, um campo mestres, ou em evolução às suas teorias, ao que não é o mundo vislumbrado por Platão, acreditar que o conhecimento é universal, e mas que se se pararmos para pensar beira o que esta universalidade não reside no exter- esotérico por ser abstrato e influente. no, mas dentro de nós mesmos, como a po- www.varaldobrasil.com 41
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Eu, na concepção clarividente de estudante tual, e que daqui a dez anos tudo se torne de Letras, e como alguns aqui presentes, abstrato, não palpável, continuarei a investir não posso acreditar nesta tragédia que porá na minha biblioteca, e na lembrança dos extermínio aos livros. O mundo virtual hoje grandes centros livrescos com o mesmo cari- cheio de Ipad’s é um processo delicado do nho, memória e a fidelidade que não só per- qual atravessamos, mas que de certa manei- correm minhas veias espontaneamente, mas ra contribui na difusão da cultura letrada. To- energizam a centelha da minha própria alma, davia, livro, como o próprio nome nos indica, agradecida pelas vozes que me ajudaram, é livro, e sendo livro, sendo um elo ao conhe- através dos livros, dos livros de verdade, cimento, sendo algo concreto que se transfi- construir esta singela visão de mundo que gura e se transforma através das sinapses, tenho... Enquanto existirem livros, eis uma possui, em sua concretude, uma carga se- assertiva consciente, haverá humanidade e mântica e intersubjetiva que me conforta a esta mesma humanidade jamais se perderá alma e me apraz ao tocá-lo, ao folheá-lo, ao por infortúnio de uma pane sistemática, ele- senti-lo em minhas mãos, ao marcá-lo em trônica e global. Muito obrigado! estudo, ao acompanhá-lo envelhecer comi- go, acidificando-se, assim como as minhas células, pelo oxigênio que um dia nos nutriu; Parnaíba, 14 de outubro de 2011. a relação, portanto, é afetiva, é emocional e intensa demais para se perder em um univer- so de bytes; tal relação não me permite abandoná-lo, aprisionando-o em um micro- chip, em um computador que “virtualiza” as suas páginas e ajuda a tornar a minha vida cada vez mais irreal. Para falar a verdade, eu mesmo não tenho mais tempo e paciência para entender toda esta tecnologia que muda a cada minu- to, a cada segundo, e do qual se dorme sa- bendo de uma novidade, mas se acorda ig- norante ao que a suposta novidade se trans- formou lá no Japão, por exemplo, que não para. Prefiro mesmo o livro que é livro e pronto, sem manual de instruções, sem bo- tões para abrir ou destravar, sem bateria ou carregadores; prefiro o livro em sua estrutura milenar, cheio de fibras vegetais ao invés de ópticas, que eu nem mesmo sei como funcio- na ou até quando funcionará, até que algo novo lhe soerga. Se devo acreditar que o mundo contemporâneo caminha a cada dia que se passa para uma sociedade atrelada ao símbolo, isso se diz às imagens, não devo esquecer que estas só foram e serão sempre possíveis porque, antes delas, existiu uma tecnologia que jamais, escutem bem, jamais será superada – nasça ano, década ou milê- nio –, ou seja, o livro, guardião dos saberes do mundo! Embora a minha geração seja a gera- ção da transição do livro concreto para o vir- www.varaldobrasil.com 42
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! waniascalmeida@hotmail.com Formando palavras secretas LIVRO Para uns poucos Especiais leitores Por Devi Dasi Que apenas tenham o dom de perceber A intensidade do meu ser. Eu já quis ser tantas coisas: Princesa, borboleta, boneca, fada; Quis não ter espinhas, ter liberdade, saber beijar. Quis também ser mãe e ter um lar Quis ser profissional, produtiva e res- peitada. Muitas eu consegui ser; Outras, nem me lembro de querer O que ainda quero ser? Não sei.... Talvez aquele livro aberto Escrito numa língua nova Que todos saibam ler. Ser editada, traduzida, interpretada; Me fazer sempre entender... Queira ter em meu corpo muitas linhas retas www.varaldobrasil.com 43
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! dhiogocaetano@hotmail.com O Mérito, O Interesse, A Alegria va ou individual). de Ler e Escrever Até quando viveremos atormenta- dos por estas mazelas que de forma comple- Por Dhiogo José Caetano xa tortura este “povo brasileiro”? Será que um dia o Índio será reco- Diante dos fatos não consigo per- nhecido como cidadão, não mais sendo es- manecer calado, busco levar a mensagem quecido; permanecendo nas bases subterrâ- dos bestializados, daqueles esquecidos por neas do mundo contemporâneo. O Índio tam- uma sociedade “injusta e profundamente cor- bém é humano, por que os comparar com rupta”. animais irracionais? Eles pensam, buscam, Quando analisamos o processo his- falam e tem uma história para contar. (Está é tórico do Brasil, notamos os graves proble- uma visão classificada como etnocêntrica, on- mas com relação à própria estruturação deste de colocamos o nosso eu, como referência e belo país que é marcado por momentos de anulamos ou rebaixamos a opinião do outro. dor, tortura, exílio, medo, mortes. Na identidade nacional podemos encontrar o ranço negativo que contribuiu pa- ra a formação e estruturação do Brasil de ho- je. (A identidade nacional dentro do contexto histórico com afirma Hobsbawn é algo que vem depois do sentimento de nacionalismo que existe em cada um de nós, é algo indefi- nido, mutável, ambíguo e de definição coleti- www.varaldobrasil.com 44
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Um bom exemplo de etnocentris- querer ser, devemos praticar o dever de ser mo é o que fazemos como os Índios, os cha- personagem em uma sociedade que se diz mando de preguiçosos, cultura inferior ou democrática, mas na prática o voto obrigató- ultrapassada. Outro exemplo é os nossos rio. jornais ocidentais os quais referem aos movi- Um país que na constituição afir- mentos radicais islâmicos como grupos de ma direito igual para todos os cidadãos, mas “fanáticos” e “antidemocráticos”. Em suma, vamos analisar a realidade de cada indivi- podemos confirmar que tal análise e total- duo, partindo da sua própria realidade. mente etnocêntrica, uma vez que não levam em consideração que a “democracia” não é Na aurora da construção social um “bem universal”; e que os estados islâmi- devemos romper com as normas e finalmen- cos têm uma forma muito especial de dife- te tornamos personagens que não mais se- renciar a relação entre religião e política, que rão vistos como figurantes, mas como prota- não pode ser descrita como “fanática” só por gonistas que buscaram tornar a sociedade que é diferente da nossa realidade. Isso mais igualitária. acontece porque a nossa mídia julga esses Em pleno século XXI ainda encon- movimentos religiosos da mesma forma que tramos o preconceito com relação à cor. julgaria se eles fossem “cristãos” e estives- “Quando os indivíduos de cor negra serão sem ocorrendo aqui). vistos da mesma forma que se vê um indiví- duo de cor branca”? Em meus textos busca falar da pe- dofilia. Pois podemos ver hoje na atualidade tal coisa acontecer em todos os lugares e de variadas formas, mas com um único ser; aqueles mais especiais e puros, como as nossas crianças que são usadas e humilha- das por monstros em forma de seres huma- nos. Até quando vamos ser cercados por mazelas? Onde está a sensibilidade de ver e reconhecer o trabalho dos professores. A Aqui não têm responsáveis, não arte de ensinar é uma tarefa do professor; tem igualdade, não tem um verdadeiro repre- que se doa com objetivo de transforma o sentante do povo. Mas em contra ponto te- mundo sua volta. Mas qual é o valor da edu- mos pessoas responsáveis pela corrupção, cação neste país? pelo abuso de poder e pelo autoritarismo Até quando uma pessoa portadora que tornou algo natural na sociedade atual. de deficiência física ou mental será vista Somos quem podemos ser? Pra com indiferença na escola, na sociedade, no ser sincero é visível que não somos seres trabalho; um ser circundado por olhares de humanos; hoje somos números, cartões, di- compaixão e pena, onde na verdade deveria nheiro e rótulos. ser vistos como exemplo de acessibilidade e igualdade a todos. Quem é você? Você é um perso- nagem que faz parte do sistema globaliza- Quando vamos ligar a TV e vere- dor, um indivíduo distinto e ao mesmo tempo mos filmes, novelas que representem à reali- igual com relação ao processo de formação dade do cotidiano na íntegra, sem censura, social que cujo poder é eliminar aqueles que visando detalhar a verdade nua e crua. Que- se diz contra o sistema. remos ver aquilo que a sociedade esconde debaixo dos tapetes. Na sociedade atual não podemos www.varaldobrasil.com 45
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! No desenrolar do discurso não po- Devemos nos conscientizar que deria deixar de falar das mulheres que con- amanhã pode ser tarde demais e o agora é o seguiram romper com a opressão da socie- momento de lutar, de salvar o pouco que dade machista, no entanto a maioria destas nos resta. ainda vive sobre o ranço ou até mesmo car- Entretanto tenho consciência que regam a bandeira machista dentro de si. os dias passaram, a vida passará e nós to- Será que um dia os verdadeiros dos morremos e a nossa existência passará “heróis” vão falar? A educação tornará o ca- como um breve pensamento que paira no ar. minho para o progresso, e os professores Mas mesmo assim precisamos lutar, por um vão ter o verdadeiro reconhecimento profis- mundo melhor para as futuras gerações. sional? Um dia a verdade fará parte da nos- Até quando viveremos em uma sa base política? O poder judiciário utilizará sociedade compulsiva e capitalista? Quando como lema a justiça e a veracidade dos fa- os homens perceberam que a tecnologia é tos; eliminado os problemas camuflados um bem favorável, mas que representa uma dentro desta sociedade que é governada por ameaça à vida humana? (Quando falamos verdadeiros “corruptos sanguessugas”? em “supremacia” tecnológica, podemos citar Pra isto acontecer precisamos re- a internet como uma ferramenta universal, ver nossas decisões e na hora de votar de- que rege seu poder sobre todo o globo ter- vemos escolher pessoas capacitadas e pre- restre; um poder que cresce de forma viral). paradas para defender a “nação”, colocando Onde está à sociedade humana em prática a famosa frase “ordem e progres- pregada nos discursos políticos, na constitui- so” de forma justa e corretamente humana. ção brasileira, nos inúmeros artigos jornalís- No cotidiano busco escrever em ticos espalhados pelo mundo afora? Por que nome do ser humano, o qual deve ser res- de tanta ganância pelo poder? peito enquanto indivíduo no espaço social Há todo momento via internet, rá- não importa a sua condição sexual, religiosa dio e TV noticiam a destruição causada pelo ou economia, pois os mesmos igualmente desequilíbrio da natureza, fico claro que o pagam seus impostos. Os deveres são mundo começa a dar sinais de alerta. O ho- iguais, então os direitos também devem ser. mem do século XXI deve buscar o progresso Que país é este! tecnológico, mas com uma visão ampla onde se pode avistar o futuro de forma clara e Os governantes precisam funda- saudável. mentar uma cartilha que ensina como é ser humano no sentido humanitário, colocando o O meio de produção e a busca in- etnocentrismo com disciplina de discussão cessante pelo capital tornaram a humanida- da realidade vida, dos problemas enfrenta- de meras peças que a cada dia contribui pa- dos e dos conflitos coletivos que a socieda- ra a destruição do meio onde se vive. Um de vem enfrentando ao longo dos séculos. verdadeiro efeito dominó, onde foram gastos anos para conquistar o “progresso”, mas em Na vastidão deste mundo nada segundos este progresso destruirá o plane- sou, mas busco fazer a diferença através da ta. escrita e afirmo que a sociedade se compõe de seres humanos, não de grupos exilados. O que está acontecendo com o mundo? O que se passa na cabeça dos ho- Ao longo da minha jornada das mens? Em curtos intervalos o mundo é aba- letras busco trazer a público aqueles esque- lado por catástrofes naturais, algo que o pró- cidos nos bastidores, tento levar de forma prio homem plantou neste processo de bus- clara a mensagem de preservação do espa- ço que vivemos; todos nós precisamos cui- ca constante de poder. dar do nosso planeta terra, evitando a polui- Um jogo onde se coloca a vida de ção, devastação, destruição da natureza e todos nós como preço de um sonho obceca- do nosso planeta. dor, traiçoeiro que projeta, destrói e www.varaldobrasil.com 46
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! transformar e não avisa dos riscos sempre terá um no poder que construirá um que corremos. teatro para ouvir nossos problemas e assim Japão, Austrália, Nova Zelândia, promovendo uma falsa ajuda. Tailândia, Haiti, Chile, México, Afeganistão, Porém, tais poderosos devem ficar Brasil e amanhã o mundo. O que será da cientes que nós não estamos tristes e sim humanidade? As armas que foram criadas revoltados com a mídia, com os governantes no intervalo de anos não poderão nos defen- e queremos deixar claro que temos a nossa der das forças naturais. própria vontade, pois vivemos em um país A humanidade propriamente dita que se diz: democrata. está semeando o apocalipse e o que parece Em suma, escrevo em nome da estar distante da nossa realidade, amanhã nação humana, pois os dias passaram, a vi- pode ser o cenário presente a nossa volta. da passará e nós todos morreremos, mas Não sei se vivemos ou tentamos não podemos deixar que os “devoradores de sobreviver. Viver é enfrentar as múltiplas di- colarinho branco” façam à raça humana per- versidades da vida; viver é ser livre mesmo der a cidadania, a moral social, chegando ao quando todo mundo quer cuidar de nós. É fim, onde se espera a morte ou um milagre. ficar quieto e permanecer calado perante a sociedade que construí normas e padrões de vida. Muitos têm interesse em saber da nossa história. Dizem que estamos desliga- dos e que mesmo assim eles sempre iram nós socorrer e até pedem para que tenha- mos muito cuidado, pois viver neste mundo é muito perigoso e não devemos sair de ca- sa. Mas nós não devemos temer as construções sociais e as falsas realidades construídas pelas as grandes instituições de nosso planeta. Onde está o “povo” deste país? Viver é um hábito de cada um, não importa se eles querem que sejamos de uma forma, pois nós queremos é sair deste mun- do de corrupção e de desigualdade entre os homens que na constituição tem direitos iguais. Meu Deus cadê a nação? Que pa- ís é este? Todos querem cuidar de nós, mais nós queremos caí e assim poder ver com clareza a verdade disfarçada em meio à idei- as pragmáticas que foram construídas ao longo dos séculos e da história da humani- dade. Muitos vão dizer que estamos er- rados e que viver é muito perigo, eles vão perguntar se levamos muitas pancadas e www.varaldobrasil.com 47
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! dinoracouto@gmail.com tinho e muita conversa por parte de quem o Ler para virar artista inscrevia, ele promete ficar dias sem comer lixo. Realmente ficou, conseguiu eliminar es- ta atitude. E lá estava ele, todo limpinho, fe- Por Dinorá Couto Cançado liz e o mais participativo da turma inscrita pa- ra essa iniciativa informal na escola. Manhã de poeira e vento numa das Inicia-se a oficina nesta manhã poei- cidades satélites do Distrito Federal. No pátio renta, de muito vento, com o som espalhan- da escola, mais de 40 crianças, cada uma do-se, devido ao espaço aberto – o pátio da trazendo sua cadeira da sala de aula. Não há escola. No 1º momento, chamado de sensibi- sala vaga nesta escola, para alguma ativida- lização prévia, o interesse da criança que de diferenciada que surja. Olhares curiosos queria virar artista é visível, faz perguntas, para o cenário diferente, muita algazarra, até canta com o grupo, ouve, atentamente, as que se ajeitam. Materiais diversificados, co- histórias de leituras. No 2º momento, o das mo um varal de fantoches, cartazes e caixas ações compartilhadas, se revela no grupo, coloridas chamam a atenção da garotada. escolhe a obra mais atrativa, planeja progra- Outras crianças que estudam em horário ma literário e o apresenta, interagindo bas- contrário, fora da faixa etária solicitada, en- tante com o seu grupo. Já no 3º momento, tram na escola e pedem para participar desta tomada de decisão, o aluno emociona a to- manhã diferente na escola. Nas primeiras dos: veste capa do “artista” (capa colorida, ações, ao contatar escola para receber a ofi- com estrelas douradas), faz discurso, canta, cina Brincando de Biblioteca com Programa utiliza fantoches, enfim, mostra-se como um Literário, procura-se saber se a escola aten- verdadeiro artista. de alunos com deficiência para que a inclu- Ao sair da escola, com o coração são social aconteça com mais consistência. apertado com tamanho envolvimento, emoci- Quando ocorre, resultados gratificantes. onada com os resultados, o pequeno-artista A professora atuante na Biblioteca da é o último a despedir-se, indo até o carro. Fa- escola, responsável pelas inscrições do gru- la-me que foi a melhor aula que já teve. Sou- po que participaria da oficina, relata algo be depois, por meio de telefonemas, que ele preocupante. Diz que um aluno pediu dias e tinha melhorado muito, mais assíduo na Bibli- dias para deixá-lo fazer “a oficina que vinha à oteca da escola e que o problema social não escola para o aluno ler e virar artista”. Esse mais acontecia. Tempos depois, que tinha aluno, com o hábito de comer lixo, apresen- mudado de escola, de endereço. tava um odor forte. Com muita luta, muito jei- www.varaldobrasil.com 48
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! As oficinas continuam em outras cidades, outras comunidades, mais alunos e mais escolas com casos comoventes de inclusão social. Brincando de Biblioteca consiste numa série de oficinas na rede pública de ensino para capacitar alunos a atuarem como multiplicadores de leituras na escola, em casa, na comunidade. Setenta e duas obras de literatura infantil dis- tribuídas em seis minibibliotecas. Alunos apreciam, leem, planejam e apresentam um pro- grama literário. Várias linguagens artísticas trabalhadas. Alunos fazem cartazes e compõem varal criativo. Equipes escolhem funções para apresentarem um espetáculo literário. Ao fi- nal, show de alunos-talentos em várias artes, vestidos com “capa de artista”. Avaliam a ofi- cina, registram nomes, recebem dicas e certificados. São muitas histórias. Mais de 5 mil alunos atendidos em 129 escolas públicas. Cada oficina uma história-exemplo de participação/transformação. Muitos alunos, cada um com vivência diferente e com história de superação a cada dia, devido alguma deficiência. Quando a oportunidade surge em suas vidas, agarram-na com ânsia, comprometimento, interesse maior do que os alunos considerados “normais”, regulares na escola. Brincar de Biblioteca é uma resposta simples, mas séria o suficiente para encarar tantos problemas que ameaçam a possibilidade de nossas crianças desfrutarem o prazer da leitura. www.varaldobrasil.com 49
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! dulce.couto@hotmail.com Dialogar com a filosofia Nas asas da leitura Leva ao mundo da sabedoria O pensamento precisa esculpir Por Dulce Couto Para a ideia poder explodir Viajar ao lado da literatura Suas asas quando abertas É parceria com desenvoltura Convida-nos a descobertas Mil histórias ela irá contar Inspiração para conhecer Imenso universo vai encantar Com ele tudo vai acontecer O convite da astronomia reluz Viagens sem sair do lugar Leitura que voa em anos luz Em suas asas podemos voar Pousar nos anéis de saturno Conhecer o mundo afora Traz sabor de beijo noturno Embarcar ao sabor da hora As asas brancas da mitologia Voo alto pelas ciências É território vivo de pura magia Leitura requer paciência Navegar nos braços do argonauta Tocar a arte da descoberta É ouvir sereia tocando flauta Faz a mente ficar alerta www.varaldobrasil.com 50
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Tem asas que ensinam a orar Ofertadas por quem sabe amar Preces cantadas com emoção Cartas escritas com o perdão Papel ferido por grafia poeta A poesia é um tanto inquieta Escrita curta que faz sonhar Viagem longa a atravessar O livro é lugar de encontros Costura viva tecida em pontos Voar no verso desperta prazer Criá-lo então é um doce viver www.varaldobrasil.com 51
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! “Como Escrever, Publicar e Divulgar um Livro” Todo mundo quer ser escritor. Publicar um livro, porém, envolve custos e habili- dades específicas que poucas pessoas conhecem. O que vale, mesmo, é acredi- tar no seu potencial e começar a escrever. Muitos grandes profissionais, de vá- rias áreas do conhecimento tiveram suas obras recusadas por editoras e depois se tornaram artistas renomados por não desistirem. Mas a publicação, em si, já não é mais mistério. Há várias formas de colocar no papel aquele romance, con- to, poema ou pensamento. Mas o trabalho não termina com impressão da obra. Aí começam novas etapas que envolvem outros profissionais. Valdeck Almeida de Jesus recebe diariamente perguntas relacionadas ao univer- so do livro e sempre as respondeu dentro do possível. Com o tempo, colecionou vários e-mails e transformou as respostas em um manual de fácil leitura e com- preensão. Confira no livro e comece logo a escrever a grande obra de sua vida! Autor: Valdeck Almeida de Jesus Editora Livrus Preço: R$ 30,00 (trinta reais) Pedidos: valdeck2007@gmail.com www.varaldobrasil.com 52
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! eliseschiffer@bol.com.br Intimo das palavras e amante dos SEMENTE ETERNA livros, podia discursar do Império Romano a coisas simples do dia a dia, com intimidade e força, hipnotizando a todos que o ouviam, Por Elise Schiffer pois suas palavras vibravam dentro do peito dos ouvintes e todos acabavam em mesma sintonia. Schmidt, este homem do povo, Somente aos 44 anos, pude com- ensinou-me a respeitar os livros, a tocá- preender a força da expressão “ VIDA ETER- los com carinho e conquistá-los com cal- NA “. Hoje com certeza, esta semente germi- ma, página por página. Mostrou a vanta- nou em meu coração. gem de relê-los e descobrir a cada nova Meu filho chegou do colégio eufóri- leitura, fatos novos nas entrelinhas. co, convidando-me a conhecer uma casa de Lembrei de quando costumáva- antiguidades perto de seus colégio. Seus mos ir a Praça Tiradentes visitar os SEBOS, olhos brilharam ao falar de livros usados que algumas vezes comprávamos livros, em ou- ele qualificou como Relíquias. tros momentos, apenas apreciávamos já que Este convite reviveu dentro de o dinheiro era pouco. Estes lugares eram Mi- meu saudoso coração, os bons tempos quan- nas inesgotáveis para nós dois. Era nosso do caminhei lado a lado com SCHMIDT. passaporte para o sonho. Os SEBOS e os MUSEUS transformavam nós dois num úni- Nossa estrada começou no peque- co ser. no município de Nova Iguaçu, onde vivi uma infância desbravadora, junto a este homem Com orgulho, posso dizer, este homem é do povo, do povo sim , porém nunca desper- meu PAI. cebido. Sua personalidade forte, fascinava e Hoje ao receber o convite de meu cativava a todos, podia se fazer amar e odiar filho, pude Ter certeza de que meu pai vive na mesma intensidade. em nós dois. A certeza abrandou a saudade Este homem, nem sempre foi com- que deixou em nossas vidas e reviveu lem- preendido pela sociedade, já que as pessoas branças adormecida. que se destacam da grande massa, seja qual Tempos bons. Onde a Dona Po- for o motivo, são vistas com receio. Com breza nunca foi uma barreira para a felicida- todos os seus defeitos e qualidades, cativou de. Esta senhora ensinou minha família o familiares , colegas de trabalho, amigos e vi- sentido da união, seja qual for o momento. zinhos. www.varaldobrasil.com 53
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Que saudade de caminhar com este homem do povo, tão fascinante e cativante. Lembro-me de um dia em que meu pai foi buscar-me no Colégio Monteiro Lobato, o Senhor Vento, corria forte anunciando a chegada da Senhora Tempestade, e meu PAI como um bravo herói, colocou-me em seus ombros e correu, como que enfrentando a mãe natureza. Não havia medo a seu lado. Sim, meu pai era um super homem e acima de tudo era o meu herói. Fui sua ajudante nos serviços de topografia, subi trilhas, caminhava horas sem pa- rar e não havia fome ou cansaço. Minha admiração saciava qualquer necessidade fisiológi- ca. Este super homem, ensinou-me a ler História antiga (ainda criança) e entendê-la de várias ângulos quer fossem políticos ou sociais. Ensinou-me a respeitar o próximo e achar sempre o lado bom de cada fato e principalmente a ser honesta comigo mesma. Surpreendeu-me sempre, já que suas atitudes eram sempre inesperadas. Meu Pai, era contra Igrejas, embora admirasse o Dom Revolucionários de JESUS, de- testava terno e surge em minha missa de 15 anos vestindo um belo terno. Pronto para cami- nhar comigo de braços entrelaçados até o altar. Ele soube cativar a todos, pois nunca mediu esforços. Para chegar a tempo na Igreja, teve de tomar banho e vestir-se na própria loja. Ele soube plantar em meu intimo a semente de PAI. Nossos momentos são presentes, pois vivem dentro de mim e suas mensagens de vida e cultura vivem em meu filho e com certeza viveram em meus netos. O Sr. Schmidt moldou a filha, a irmã, a amiga, a profissional, a mulher e principal- mente a mãepai que sou, e eu moldo meus filhos com a mesmo amor e dedicação. Com muito orgulho posso dizer que este homem do povo foi meu pai. Schmidt, este homem do povo, ensinou-me a respeitar os livros, a tocá-los com carinho e conquistá-los com calma, página por página. Mostrou a vantagem de relê-los e descobrir a cada nova leitura, fatos novos nas entrelinhas. Schmidt, eu te amo. www.varaldobrasil.com 54
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! com a idade e com a vinda ... letras sós, da soma de muitas letras decompostas em palavras. só letras... (ainda não há a solidão desta verdade: Por Felipe Cattapan o verdadeiro sentido felipe.cattapan@gmail.com da soma destas palavras é só tentar recompor a cartilha do tempo esquecido). a criança só soletra a letra impressa sem pressa passado futuro só presente: presente do presente só presente no presente - a surpresa permanente da descoberta constante de um som em um desenho: nem vogal nem consoante, só música soante; cada letra é só o que é: foi e é sendo e será, sem saber qual foi nem qual virá; - dura e perdura... na eternidade sem idade. ... ainda não há a verdade - que só surgirá www.varaldobrasil.com 55
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Curiosidades sobre livros Mulheres da ABL Artigo (reprodução) Fonte: www.doseliteraria.com.b A Academia Brasileira de Letras foi a primeira academia no mundo a eleger uma mulher para a presidência, a escritora Né- O que é ISBN? lida Pinõn, que assumiu o cargo em 1995. Criado em 1967 e oficializado como norma Rachel de Queiroz foi a primeira escritora internacional em 1972, o ISBN - Internati- a entrar para a ABL, em 1977 como quinta onal Standard Book Number - é um siste- ocupante da quinta cadeira. ma que identifica numericamente os livros Dinah de Silveira de Queiroz foi eleita segundo o título, o autor, o país e a edito- pela academia em 1980 para ser a sétima ra, individualizando-os inclusive por edição. ocupante da Cadeira 7 da ABL. Apesar do O sistema é controlado pela Agência Inter- sobrenome parecido, ela e Rachel de Quei- nacional do ISBN, que orienta e delega po- roz não pertencem à mesma família. deres às agências nacionais. Lygia Fagundes Telles eleita em 1985, é No Brasil, a Fundação Biblioteca Nacional atualmente quarta ocupante da Cadeira 16 representa a Agência Brasileira desde da Academia Brasileira de Letras. 1978, com a função de atribuir o número Zélia Gattai ela é a sexta ocupante da Ca- de identificação aos livros editados no país. deira 23, que ficou vaga com a morte de A partir de 1º de janeiro de 2007, o ISBN seu marido e também escritor Jorge Ama- passou de dez para 13 dígitos, com a ado- do. ção do prefixo 978. O objetivo foi aumen- Ana Maria Machado é sexta ocupante da tar a capacidade do sistema, devido ao Cadeira 1, a escritora foi eleita em 2003 e crescente número de publicações, com su- ocupa o cargo até os dias atuais. as edições e formatos. www.varaldobrasil.com 56
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Cleonice Berardinelli ao todo, oito outros Itália ….........265 imortais tiveram aulas com Cleonice. A profes- Espanha …....235 sora de literatura portuguesa da PUC-Rio e da UFRJ se elegeu para a cadeira oito em dezem- bro de 2009. Onde há mais livrarias no Brasil? (livrarias por habitantes) Partes do livro DF ….. 1 para 30.840 RJ …… 1 para 44.415 SE ….. 1 para 50.665 SP ….. 1 para 59.171 TO …..1 para 181.131 …e no mundo EUA …..........1 para 15 mil Argentina .….1 para 50 mil Brasil …........1 para 70 mil México …......1 para 170 mil Quantos livros já foram publicados na história moderna? Segundo cálculos do Google, o número seria 130 milhões de livros, ou 129.864.880 para ser exato. O gigante das buscas estimou o dado justamente Escritor brasileiro mais traduzido e para saber quantos livros precisa esca- publicado near a fim de tornar o Google Books a Paulo Coelho é o autor brasileiro mais maior e mais completa biblioteca onli- publicado em todo o mundo. Sua obra ne. já foi editada em 52 países e vertida Para chegar ao número, o Google usou para 48 idiomas e dialetos. O segundo definições de livros de diferentes ór- é o baiano Jorge Amado. gãos, como o do ISBN (International Standard Book Numbers), da Biblioteca Maiores vendedores de livros do do Congresso Americano e do site de mundo buscas de livros WorldCat. Exemplares (milhões) China …….....7.103 EUA …..........2.551 Fonte deste artigo: Japão …........1.403 Rússia ….......494 Alemanha ….479 http://www.doseliteraria.com.br/ França …......413 Brasil …........345 Visite o site! Reino Unido .324 www.varaldobrasil.com 57
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! O LIVRO Por Gildo Oliveira oliveira.gildo@bol.com.br Este é o que traz legumes e frutas; traz a água da fonte da vida; e o pão para a fome do espírito; Este é o que comanda o jogo; que atiça o fogo e deita as cartas; que comparece à lida; que transforma a morte, conduzindo-a para a vida, o livro! Pirapetinga, Minas Gerais, 1980 www.varaldobrasil.com 58
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! LIVRO SEM OU COMO A BUROCRACIA MATOU A ESCRITORA POR IVONE VEBBER ivonevebber@gmail.com ANTIGAMENTE ERA MAIS FACIL , PRA MIM , PUBLICAR UM LIVRO. ERA SÓ DATILOGRAFAR, ENTREGAR PARA EDITORA OU GRÁFICA (EDIÇÃO DO AUTOR) ELES DIGITAVAM, COLOCAVAM CAPA, PUBLICAVAM, DIVULGAVAM E DISTRIBUIAM... HOJE TENHO QUE DIGITAR, REVISAR OU PAGAR ALGUÉM PRA FAZER ESSE TRABALHO CHATO, IMPRIMIR EM CD, REGISTRAR NA BIBLIOTECA NACIONAL, ENFRENTAR BUROCRACIA, PREENCHER UM FORMULÁRIO ( SE FOR PELO FINANCIAMENTO DO GO- VERNO....), DIVULGAR, DISTRIBUIR PARA PARENTES E AMIGOS,... POR ISSO DESISTI, SÓ PUBLICO NO MEU BLOG OU SITE OU EM XEROX- DIGITAL PARA POUCOS LEITORES, MEU EGO DE ESCRITORA JÁ ERA.... A BUROCRACIA MATOU....UMA POSSÍVEL CAMPEÃ DE VENDAS.... www.varaldobrasil.com 59
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! leitores já conhecem o que escreve e há es- O ESCRITOR E O LEITOR critores que vendem pouco porque ainda não são conhecidos dos leitores. Por Jacqueline Aisenman Há tantos gêneros e estilos quando há leito- res e escritores (alguns gostam de ser cha- mados apenas de poetas, outros de contis- Há uma relação muito importante e delicada tas ou cronistas ou romancistas...). Alguns chamada escritor e leitor. leitores tornam-se críticos. Por não entendê-la, há escritores que se en- Mas só uma coisa pode mesmo unir leitor e tristecem e leitores que se fecham. escritor: o amor pelas letras. Se o escritor Quem escreve tem em suas aspirações um tiver amor e paciência, deixará que o leitor gênero preferido (há os que se devotam à faça seu caminho e chegue a ele. Também poesia, os que preferem contos, romances, compreenderá que há leitores que não virão crônicas, etc..) ou que escrevem um pouco porque... porque é assim! Se o leitor tiver de tudo. vontade, abrirá seus horizontes e buscará novas alternativas e continuação para aquilo Quem lê tem também seus gêneros preferi- que já aprecia. dos (ou gênero!) ou também gosta talvez de um pouco de tudo. Por isto se compreende aqui nesta dinâmica, mais do que em outras, quando se fala que Citando a poesia, por exemplo, há os que “há gosto para tudo”. Enfim... como já diziam gostam de escrever todos os tipos de poe- os antigos: “o que seria do amarelo se todo mas, alguns gostam apenas de sonetos, ou- mundo gostasse apenas do verde?”! Esta é tros de haicais, ou outros tipos ainda; alguns uma frase que explica bem! gostam das rimas, outros detestam. Assim também são os leitores, que têm certamente Escrever e ler, leitura e escrita, isto funciona suas preferências. como a vida: não existe caminho apenas de ida, não há apenas uma cor, não há somente Todo escritor tem certeza de que será lido e um tom. Há espaço para todos! reconhecido. Todo leitor tem sua opinião so- bre o que leu e sabe da importância da mes- Que os leitores sempre encontrem novos au- ma. Nem todo escritor será lido e/ou reco- tores e os escritores sempre encontrem no- nhecido. Nem todo leitor terá sua opinião re- vos leitores! conhecida. Que a literatura se renove sempre e nunca Entre estilos e gêneros, leitor e escritor se deixe de prestigiar os que são e sempre se- encontram nas páginas de um livro. rão as nossas fontes de inspiração! Há os que gostam de um estilo e detestam outros. Há os que apreciam a diversidade de estilos. Há os que escrevem inspirados em algum estilo. Há os que criam o seu próprio estilo. Há os que escrevem muito; assim também os que escrevem só de vez em quando. Dentre os escritores, há os nomes que todo leitor conhece e que são por muitos divulga- dos. Há também os nomes que o leitor des- cobre. Há aqueles que permanecerão em gavetas e que o leitor não conhecerá. Há os que se tornarão conhecidos como suas inspi- rações. Há escritores que vendem muito porque os www.varaldobrasil.com 60
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! joalso37@gmail.com Interatividade em Valinhos - SP José Alberto de Souza (*) 01. – Em que o autor se inspirou para fazer o texto. Esta história é verdadeira? “Um Compromisso para o Natal” foi baseado num fato acontecido na Igreja de São Paulo, no Rio de Janeiro, que me foi contado por um primo meu. Rafael e Leila não são nomes fictícios, apenas transpus o relato para minha Ja- guarão, adaptando-a a uma realidade fronteiriça. O personagem Rafael tam- bém me inspirei numa pessoa que conheci em Novo Hamburgo-RS, cujo pai sumiu na Revolução e muito tempo depois reapareceu aqui pelo Rio Grande do Sul cognominado João Sem Terra, vindo de Goiás aonde chegou a constituir outra família. 02. – Você já escreveu livros para adolescentes? Quais foram? Nunca escrevi qualquer livro para adolescente que, dizem os entendidos, serem os mais difíceis de serem escritos tal a complexidade da mente infanto- juvenil, apesar de ser marcante a influência que a infância exerce no imaginá- rio do escritor. Aqui no Rio Grande do Sul, Sérgio Faracco tem se notabilizado pelas suas lembranças da meninice e meu Mestre Assis Brasil chamou-me atenção sobre o conto “Um Caminhão Marca Ford em Mau Estado de Conserva- ção” que dizia comparável a obra daquele autor e digno de figurar em qualquer antologia de autores gaúchos. Este conto me deixou “marcado na paleta”, nem sei se conseguirei atingir nível igual - até certa leitora se dispôs a comprar o referido para me presentear... 03. – Você já escreveu livros que foram homenagens para alguma pessoa? Quem foi? Pretende fazer homenagens a mais pessoas? Quais? Dediquei “Um compromisso para o Natal” ao casal Delícia e Guadil Bit- tencourt, ela professora brasileira que me preparou para o exame de admissão ao Ginásio (2º lugar) e ele guarda aduaneiro uruguaio, seu marido e meu grande amigo, ambos falecidos, os quais me alertaram para certo pendor lite- rário e coincidentemente um paralelo ao “par internacional” Leila e Rafael. www.varaldobrasil.com 61
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! A ficção se entrelaça com a reali- 2011 os dois livros na II Febin. dade e todos nós temos a tendência de 05. – Como seria a sua conti- romancear os fatos do cotidiano, esta- nuação para esse conto? belecendo certa verossimilhança (para Normalmente, nenhum conto tem mim uma mentira que parece verdade). continuação, serve mais para provocar Em “O Mais Recente Lançamento” in- a imaginação do leitor que faz a sua ventei uma história toda calcada em leitura mental nas entrelinhas como personagens reais, aos quais pretendia aconteceu no que foi sugerido nos tra- homenagear, porém, quando levei a balhos apresentados, onde predomina- mesma ao conhecimento do herói do va a temática familiar. No entanto, al- meu relato, este me contestou “nada guns autores já estenderam os contos haver comigo, até o nome saiu errado publicados em narrativas mais longas, que é com dobre vê”... como é o caso de Laury Maciel, saudo- 04. – Como surgiu a ideia de so escritor gaúcho, cujo conto “A noite escrever esse livro? Por que deci- do Homem Mosca” rendeu-lhe o ro- diu ser autor? mance “Rosas de Papel Crepom”. Tam- Sinceramen- bém é o caso de te, nunca pretendi Graciliano Ra- escrever um livro mos, que produ- e minha maior as- ziu “Vidas Se- piração era parti- cas”, a partir de cipar de certa contos publica- “Antologia de Con- dos em tistas Bissextos”. “Histórias Inaca- Porém, em 2009, badas”. quando da realiza- 06. – Se o se- ção da I Feira Bi- nhor tivesse nacional do Livro de reproduzir em Jaguarão-Rs, esse conto em meu amigo Prof. teatro ou fil- Carlos José Azeve- me, mudaria do Machado ou acrescenta- (Maninho), então Secretário Municipal ria algo? da Cultura, me fez um desafio para lan- Já me salientaram o excesso des- çar um livro de minha autoria na Feira critivo na parte inicial do conto, de que do próximo ano. Assim me decidi colo- não cheguei abrir mão porque necessi- car mãos à obra e fui juntando vários tava construir o cenário da história on- artigos que estavam na gaveta para de situaria o personagem Rafael e para compor “Lá pelas tantas” que o jorna- isso me vali do narrador “câmera” – lista Marcello Campos, da Rádio Guaí- serviu para que a aluna Vitória Caroline ba, teve a generosidade de revisar, dia- elaborasse a maquete do Largo da gramar, editar e prefaciar. Logo após, Igreja conforme ela enxergou em sua sai novamente a campo, desta feita mente. Confesso que já andei pensan- juntando os textos de ficção e convidei do em submeter esse texto – pela car- o escritor Fernando Neubarth – outro ga cenográfica que possui - para ser que me cobrou uma obra solo - para adaptado em “Histórias Curtas” que é prefaciar “Para Não Dizerem Que Passei apresentado em nossa TV de Porto Ale- em Brancas Nuvens”. Desta forma, gre, deixando a cargo do Diretor as consegui pagar aquela promessa feita mudanças ou acréscimos que fossem ao Professor Maninho, lançando em necessários, inclusive o final. www.varaldobrasil.com 62
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 07. – Há quanto tempo escre- para que o leitor imagine o cenário da ve conto desse tipo? história, para marcar a importância do Pelas interpretações dos jovens local como ponto principal da cidade, analistas, “Um Compromisso para o onde acontecem as grandes concentra- Natal” parece revelar uma mensagem ções de público, contrastando com a edificante, o que o diferencia dos de- hora deserta e isenta do calor humano, mais textos publicados em “Para Não salientando o estado de abandono e Dizerem que Passei em Brancas Nu- desespero do personagem. A sua ma- vens”, cada um dos quais produzidos a neira de vestir, sua postura nos de- partir dos mais diferentes estímulos graus da Igreja, ajudam a criar uma sem caracterizar um estilo definido. imagem de palavras, a qual poderia ser 08– Como surgiu a sua vonta- “enxugada”, por exemplo, num filme de de escrever? ou numa história de quadrinhos. Posso dizer que a minha necessi- 11. – Por que falar de coro- dade de escrever surgiu do incentivo néis e de países diferentes? O que de meu tio e pai de criação pela leitura te trouxe a colocar no conto um – “lê bastante se queres escrever bem” personagem que não fala a língua - e em plena infância no ambiente da portuguesa? livraria e tipografia desse meu tio, on- Sem qualquer intenção de assu- de “fuçava” os balaios de saldo à pro- mir equivocadas ideologias, talvez te- cura de títulos sugestivos. Ali também nha sido influenciado pela situação po- funcionava o jornal da cidade “A Fô- lítica do continente na época em que lha”, onde sempre nos visitavam per- foi escrito o texto, na qual predomina- sonalidades de passagem como o poeta vam os regimes militares em vários pa- Cornélio Pires, de quem me recordo íses sul americanos – “mi padre desa- ainda meninote me mostrando, no bal- pareció como ativista político”... Trata- cão da livraria, a fotografia de um livro va-se de um conto ambientado numa espírita onde aparecia a imagem incor- pequena cidade fronteiriça, num local porada de seu falecido irmão através público e aberto e eu precisava de um do ectoplasma de um médium. personagem desconhecido, um andari- 09. – Por que escrever uma lho, um “hippie” difícil de ser localizado história assim? naquela região – “Hace três dias que A inspiração vem quando “o san- acá estoy” – para conseguir “tapar o to baixa”, resultante de um estímulo buraco” do quebra cabeça. Posso afir- externo, um fato qualquer que a gente mar que, no início do diálogo, não me procura dar um tratamento literário e dei conta quando esse personagem já transforma em ficção, adaptando ao respondeu falando em espanhol. nosso imaginário e criando peças para colocar no lugar daquelas que faltam num quebra cabeça incompleto. No lin- guajar futebolístico é como se a bola estivesse “picando” na grande área, tem que aproveitar e chutar em golo. Ai então passamos a acreditar que va- mos escrever uma história para cair no agrado dos leitores e assim atingir esse nosso grande objetivo. 10. – Por que tanto detalhe para descrever o lugar? Faz parte do tratamento literário www.varaldobrasil.com 63
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 12. – De onde e desde quando Oficina de Criação Literária da PUC, co- essa vontade de ser escritor? Você ordenada pelo escritor Luiz Antonio de se sente feliz em ser escritor? Assis Brasil, em que se projetou a an- Creio que já tenha respondido em tologia “Contos de Oficina 5” (1989). parte no item oito, porém, devo acres- Como integrante do Grupo Fábula, centar que apenas me julgo um escri- também publiquei outros contos em tor diletante, não vivo da escrita e nem “Mais Ao Sul Do Que Eu Pensa- preciso forçar a barra, desde que tudo va” (1993). Colaborei ainda em aconteça ao natural. Já tenho editado “Julinho 100 Anos de História” (2000), dois livros por conta própria, sem qual- “Olhares Sobre Jaguarão” (2010), quer pretensão de auferir rendimentos, “Varal Antológico” (2011), além de vá- a não ser a satisfação de distribuir para rios artigos publicados em jornais e si- os amigos e obter o seu reconhecimen- tes nacionais. Recentemente, lancei in- to como o certificado que me foi outor- dividualmente os títulos “Lá Pelas Tan- gado pela Escola Municipal de Ensino tas” (crônicas) e “Para Não Dizerem Básico “Horácio Salles da Cunha”, real- Que Passei em Brancas Nu- mente um diploma de escritor reconhe- vens” (ficção). cido pelos leitores. Este é o segundo 15. – Com quantos anos o se- motivo de me sentir feliz com esse su- nhor começou a escrever os livros? cesso, já que o primeiro tive oportuni- Ao invés de livros, posso respon- dade de vivenciar quando fui escolhido der que comecei a escrever textos em para participar da Oficina de Criação 1954, quando publiquei no jornal do Literária da PUC, coordenada pelo es- Ginásio um conto de ficção científica critor Luiz Antônio de Assis Brasil. “Futuro Interplanetário”, por sinal bas- 13. - Você gostaria de escre- tante incipiente, o que pode ser consi- ver quantas histórias mais? Você derado normal para quem começava. gostaria de ser outro cara ou não? Nessa época, dava os primeiros passos Apenas o que Deus me permitis- na crônica esportiva, comentando jogos se já que estou na fase do lucro e re- de futebol para o jornal “A Fôlha”, de cém colhendo os frutos daquilo que Jaguarão. No ano anterior, cheguei a plantei. Basta-me o que já tenho. editar “O KCT”, publicação satírica dos “Então a gente se contenta com nem alunos da 3ª. Série ginasial, que come- ter muito dinheiro, nem muita fama, çou com tiragem de um exemplar ma- nem mesmo, sim - nem mesmo muita nuscrito e terminou com 30 exemplares felicidade. Aprende a aceitar conforta- mimeografados. Em 1959, assumi a velmente a meia ração e ainda agrade- gerência daquele jornal jaguarense, cer por ela. A ceder os primeiros luga- onde atuei como redator. Ingressei na res para os mais dotados e os mais sô- Escola de Engenharia da UFRGS em fregos, sem as fúrias e a pressão que 1961 e ali me formando em 1965 como acicatam os favoritos. Descobrir que o Engenheiro Mecânico. Exerci atividades bom é bater palmas e não disputar os profissionais em São Paulo, Florianópo- aplausos.” – Fito-me nessas palavras lis e Porto Alegre, onde me aposentei sábias de Rachel de Queiroz. em 2001 como técnico em desenvolvi- 14. – Quantos livros aproxi- mento do BRDE. Acredito que tenha re- madamente o senhor já fez? tomado a embocadura das letras nos Os livros que tenho editado são anos oitenta, produzindo os primeiros mais coletânea de textos engavetados textos mais elaborados, entre eles “Um durante quarenta anos, embora alguns compromisso para o Natal”. tenham resultado de participação da www.varaldobrasil.com 64
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 16. – Já pensou em ter outra - é o que me afirmavam. Concordo que profissão? são “safadinhos”, tem malícia alguns Autor bissexto, diletante sim, textos meus, mas é o espelho da reali- mas não profissional, pois não vivo da dade nua e crua em que vivemos. Cito escrita. Como engenheiro, dizem que aqui São Thomas de Aquino – “é im- sou bom escritor. Aquele que pretende possível o exercício de qualquer virtu- se profissionalizar deve pensar no in- de, sem um mínimo de conforto”. De vestimento necessário para fazer car- minha parte, costumo diferenciar o ero- reira, tem que “caitituar” os críticos li- tismo (implícito e estético) da porno- terários e buscar bons agentes para grafia (explícita e grosseira). Apesar de “vender” a sua obra às editoras. E alguns leitores já me rotularem como mesmo assim, necessita dispor de ou- “pornográfico”, não faz o meu gênero e tro meio de vida. Se não vai se tornar este é o tipo que rejeito peremptoria- um autor independente, com dificulda- mente. Além disso, não gosto de con- de de encontrar distribuidor que colo- fundir a ficção com a realidade de for- que sua obra nas livrarias. Como é des- ma a criar melindres com pessoas en- conhecido vai ficar a mercê de elevadas volvidas na história. Até posso me valer comissões dos revendedores que nunca de personagens reais, mas procuro dão o retorno esperado. Sem estrutura passar ao leitor a idéia de um fato ina- não vale a pena a “profissão”, dá muita creditável, bem caracterizado para não mão de obra. o levar a conclusões precipitadas. 17. – O que você mesmo es- 20. – Desde quantos anos vo- creve lhe traz lições de vida? cê começou a inventar história? Parece-me que sim, na medida Você gosta de inventar história? em que vou tecendo a história a partir A primeira história que inventei de um fato real que me impressionou e foi num exercício de redação nas aulas inspirou para transmitir sentimento e particulares ministradas pela Profª. De- conhecimento para os leitores. lícia Bittencourt, preparatórias para o 18. – Que tipo de texto ex- exame de admissão ao Ginásio. Ela leu pressa mais seus sentimentos e o texto de um livro e mandou que a que gosta mais de escrever? gente escrevesse com as próprias pala- É aquele texto fluente, com uma vras o que ali estava escrito. Só que eu pitada de ironia, forçando quem o lê a resolvi romancear e contei uma história descobrir a história oculta nas entreli- bem diferente. Na outra aula, ela leu nhas, conduzindo-o ao desfecho ines- essa minha redação para duas colegas perado que às vezes choca. Chego até que comigo estudavam e estas logo re- a pecar por não atingir o código do lei- clamaram – “mas não foi essa história tor que me surpreende com uma inter- que a senhora contou”. Ai a professora pretação bem diferente daquela imagi- explicou que só queria mostrar a mes- nada por mim. A influência do gaúcho ma para que avaliassem a minha capa- Sérgio Jockymann foi marcante nas mi- cidade criativa. E de lá para cá, sempre nhas preferências como ideal que pro- que posso, largo com gosto essas tira- curava atingir. das. 19. – Existe algum tipo de his- 21. – Você é muito famoso? tória que não gosta de escrever? Ainda não cheguei a tanto e nem Já me disseram que não gostari- esperava alcançar esse reconhecimento am de ler certas histórias minhas por que estou recebendo através do Projeto serem chocantes, apesar da inexistên- Letras e Artes Horácio 2011. Será que cia de termos chulos. ”Por isso mesmo” tenho café no bule? www.varaldobrasil.com 65
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Mais uma vez recorro a Rachel de 25. – Você acha que todas su- Queiroz – “Que não envergonha ser um as histórias podem ser filmes? romancista menor, um cidadão menor, Acho que qualquer história pode uma pessoa do comum.” ser filme, mesmo que este não repre- 22. – Que tipo de música você sente com fidelidade a obra literária. gosta de ouvir? Daquela se extrai um roteiro que vai MPB, toda vida. Estou tentando agregando outros valores artísticos ne- me reciclar largando o “mofo” da Velha cessários à sua adaptação cinematográ- Guarda, acredito que tem muitos novos fica, o que não desmerece o original e talentos surgindo por ai. Mas mesmo sim se presta para estimular as pessoas assim, minha predileta para tocar no na sua leitura. derradeiro adeus é “João Valentão”, de 26. – Você quando era peque- Dorival Caymmi. no queria ser outra coisa? 23 – Que tipo de livro você Sempre tive facilidade para o de- gosta de ler? senho, até pensei em fazer vestibular Uma literatura fluente, que pren- para arquitetura. Mas não era minha de atenção. Gosto muito da novela pi- aspiração de guri. Lembro-me daquele caresca, aquela do anti-herói, que cito tio que esteve adoentado lá em casa e como exemplo Galeão Coutinho (“Vovô eu ia com um caderno de desenho, a Morungaba”, “Memórias de Simão, o beira do seu leito, esboçar a figura de Caolho”, “Confidências de Dona Marco- um navio, a partir das suas narrativas lina”), Dyonélio Machado (“Os Ratos”) e de viagem como marinheiro. Ele me Gladistone Osório Mársico (“Cogumelos corrigia o que não estava certo, eu apa- de Outono”). Aprecio bastante José gava com a borracha e redesenhava Mauro de Vasconcelos (“Confissões de até que ele concordasse. Frei Abóbora”), Humberto de Campos 27. – Qual é o nome do seu (“Lagartas e Libélulas”), a poesia de primeiro livro? J.G.de Araujo Jorge, Érico Veríssimo “Contos de Oficina 5” (Ed. Acadê- (“Incidente em Antares”), Luiz Antonio mica, 1989), antologia em que tenho de Assis Brasil (o caro Mestre) e fico participação com 3 contos, resultantes por aqui com tantos bons autores que da Oficina de Criação Literária já citada. minha memória mal consegue guardar. Porém, como autor solo, “Lá Pelas Tan- 24. – Quantas histórias você tas” (crônicas, independente, 2010) já fez? Qual a sua maior inspiração posso considerar meu primeiro livro. para escrever contos? 28. – Em algum momento da Olha, até perdi a conta do que já sua vida pensou em parar de escre- consegui produzir. Algumas vezes, a ver livros ou já parou? inspiração parece que já vem pronta e Até pouco tempo, eu costumava a escrita flui ao natural. Mas também responder àqueles que me pergunta- acontece o bloqueio mental e não con- vam pelo próximo lançamento, dizendo sigo concluir uma ótima trama por mais que “Para Não Dizerem Que Passei em que me esforce em aprimorar o texto. Brancas Nuvens” era minha obra póstu- E, por preguiça mesmo, acabo deixando ma. Mas, sem maiores comprometi- -o de lado, na espera de um momento mentos, por enquanto vou levando e mágico que me lance as luzes do en- colocando os textos que me vem à tendimento. Puro desespero ao perder mente no “quartinho de despejo” do o fio da meada. O mestre Assis Brasil meu blogue... Até que recentemente me enfatizava: “Também só queres Mu- uma pessoa que não costuma usar Mu!” Isto é, a maior inspiração. computador me perguntou pelas www.varaldobrasil.com 66
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! últimas postagens que tinham saído. novos temas em que se misturavam Então resolvi tirar cópia das mesmas crônicas e ficções. A memória se faz para que ela fizesse a sua leitura. Ai presente em grande parte de meus es- me dei conta que já tinha material sufi- critos que não seguem uma cronologia ciente para publicar outro volume, re- definida, apenas são lampejos que sur- sultando “Minha Fachada Predileta”, gem em minha cachola e eu vou ano- atualmente no prelo. tando na ocasião. Estas respostas já 29. – O que você quis dizer me oportunizaram belas recordações. naquela parte (religiosa) que diz 31. – Que conselhos você da- assim: “se é difícil entender o so- ria para quem não gosta de ler? frimento, mais difícil ainda é aceitá Procure aquela leitura que flui ao -lo, mas é o preço a ser pago pela natural. Leia um livro por vez. Evite o salvação do homem”? acúmulo de livros em sua cabeceira. Quando escrevi “Um Compromis- Frequente as bibliotecas públicas. Re- so para o Natal” imaginei uma Igreja serve um pouco do seu tempo para ad- de 15 degraus, em que cada um repre- quirir o hábito de ler. Liberte-se do ví- sentaria uma estação da Via Sacra e, cio da televisão e do computador. Tro- como o personagem estava sentado que idéias com outros leitores. Assinale naquele que representava a Terceira e comente tudo aquilo que descobrir de Estação, procurei na Bíblia e lá encon- interessante. Avance passo a passo na trei coincidentemente o significado sua formação de leitor mais exigente “quando Jesus cai pela primeira vez” e de bons livros. Sinta o prazer de criar a mais as citações “É melhor padecer se sua própria imaginação. Deus assim o quiser, por fazer o bem, do que por fazer o mal (1 Pd, 3, 17)” e “se é difícil entender o sofrimento, (*) José Alberto de Souza nasceu mais difícil ainda é aceitá-lo, mas é o em Jaguarão-RS. preço a ser pago pela salvação do ho- De sua autoria têm publicados mem”, que decidi encaixar no texto. “Lá pelas tantas” / crônicas Fazia sentido: o Coronel não entendia (Independente, 2010), “Para não dize- nem aceitava o sofrimento de Rafael, rem que passei em brancas nuvens” / assim não só salvou este como tam- contos (WS Editor, 2010) e “Minha fa- bém a si próprio, não se omitindo de chada predileta” / memórias (Alcance, 2012). ajudar o próximo. 30. – Você já pensou em fazer um livro contando a sua história de vida ou já fez? Era minha intenção quando iniciei o blogue “Poeta das Águas Doces” res- ponder a pergunta que me fez o contra -tenor Jarbas Taurino – “Qual a razão deste meu gosto pela música? – outra história comprida para ser contada nu- ma conversa que cheguei a publicar em 16 postagens sem concluí-la e que de- sisti de continuar. Na sequência, fui de- sengavetando outro material que já não diziam mais respeito ao que tinha planejado e prossegui acrescentando www.varaldobrasil.com 67
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! INSCRIÇÕES ABERTAS 1) DA SELEÇÃO E DA PARTICIPAÇÃO vas, haicais, sonetos e crônicas ou outros. 1.1. O Varal Antológico é promovido pelo 2) DA ACEITAÇÃO DOS TEXTOS VARAL DO BRASIL ®, revista literária ele- 2.1. Serão aceitos textos em língua portu- trônica realizada na Suíça (ISSN 1664- guesa, com tema livre, em formato A4, es- 5243). paços de 1,5, fonte Times New Roman de tamanho 12 e que não ultrapassem quatro páginas. Os textos deverão vir acompanha- 1.2 Serão consideradas abertas as inscri- dos dos dados de inscrição (ver abaixo). ções a partir de 20 de julho até 20 de se- tembro de 2012. Caso o número de partici- pantes ideal seja atingido, as inscrições po- 2.2. Não serão aceitos textos que perten- derão ser encerradas mais cedo. çam ao universo de personagens já exis- tentes criados por outro autor. Também não serão aceitos textos politica ou religio- 1.3. Poderão participar da antologia todas samente tendenciosos, que expressem as pessoas físicas maiores de 18 anos, ou conteúdo racista, preconceituoso, que fa- menores com permissão do responsável, çam propaganda política ou contenham in- de qualquer nacionalidade ou residentes tolerância religiosa de culto ou ainda pos- em qualquer país, desde que escrevam na suam caráter pornográfico. Também não língua portuguesa. serão aceitos textos que possam causar 1.4. A coletânea terá tema livre e será com- danos a terceiros ou que divulguem produ- posta por diversos gêneros literários, o es- tos ou serviços alheios. critor podendo enviar contos, poemas, tro- www.varaldobrasil.com 68
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 2.3 Os textos não deverão ter ilustrações 3) SOBRE AS INSCRIÇÕES PARA ou gráficos. A SELEÇÃO: 2.4 Serão recusados os textos que não vie- rem na formatação requisitada, assim como os textos que chegarem colados no corpo 3.1. As inscrições para a Antologia serão do e-mail. abertas no dia 20 de julho 2012 e encerra- das no dia 20 de setembro de 2012, poden- 2.5. Os textos recebidos serão examinados do ser encerradas antes, caso o número de por uma banca formada pela equipe do VA- textos recebidos e avaliados sejam aprova- RAL DO BRASIL ® e alguns escritores e/ou dos antes da data, no formato e padrão já críticos convidados. A avaliação se dará descritos. O livro será publicado em 2013. com base nos seguintes critérios: criativida- As inscrições só poderão ser feitas pelo e- de e originalidade do texto, assim como a mail varaldobrasil@gmail.com qualidade do mesmo. OS NOMES DOS SELECIONADOS SE- 2.6 Os textos deverão vir acompanhados RÃO DIVULGADOS NO DIA 30 DE SE- de uma pequena biografia. A biografia, es- TEMBRO POR E-MAIL. crita na terceira pessoa, deverá conter no máximo cinco linhas (A5, letra Times New Roman 12, espaço 1.5). Lembre-se sempre 3.2. Para participar os candidatos deverão, que numa biografia, como em muito na vi- além de enviar um ou mais textos de acor- da, menos é mais. do com as regras estabelecidas neste regu- lamento, fornecer o formulário anexo preen- 2.7. Os textos devidamente formatados de- chido. verão ser enviados para o e- 3.3. Só serão aceitas inscrições através mail: varaldobrasil@gmail.com, juntamente dos procedimentos previstos neste regula- com os dados de inscrição e demais docu- mento. Os dados fornecidos pelos partici- mentos de autorização. pantes, no momento das inscrições, deve- 2.8. Ao se inscrever na Antologia o autor rão estar corretos, claros e precisos. É de autoriza automaticamente a veiculação de total responsabilidade dos participantes a seu texto, sem ônus para a revista VARAL veracidade dos dados fornecidos à organi- DO BRASIL ® nos meios de comunicação zação da Antologia. existentes ou que possam existir com a in- 3.4. Todo autor é proprietário dos direitos tenção de divulgar a antologia. autorais dos textos por ele enviados para publicação no livro e cuja autoria seja com- provada pela declaração enviada; 3.5. Em caso de fraude comprovada, o tex- to será excluído automaticamente da anto- logia. Cada autor responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao direito autoral. www.varaldobrasil.com 69
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 3.6 Todo autor é livre para divulgar, preparar 4) DO PAGAMENTO PELO SISTE- lançamentos, noites de autógrafos, individu- MA DE COTAS ais ou em conjunto, do livro VARAL ANTO- LÓGICO 3, desde que se responsabilize por todas as despesas - preparativos para lan- 4.1. A participação se dará no sistema de çamento, custos administrativos e convites, cotas, sendo que cada autor deverá proce- compra de exemplares a mais do que os re- der ao pagamento da seguinte forma: cebidos pela participação – pertencendo (a) Cada autor pagará o valor de R$ 550,00 também ao participante o valor das vendas (quinhentos e cinquenta reais) que podem dos livros em questão. Para tanto, o partici- ser pagos à vista ou pante apenas deverá entrar em contato com (b) em duas parcelas de R$ 290,00, sendo o a revista através do e- primeiro pagamento até 31 de outubro de mail varaldobrasil@gmail.com para que o 2012 e o segundo e último pagamento até número de exemplares lhe seja enviado me- 30 de novembro de 2012. diante pagamento (preço da editora / remes- sa), notando-se aqui a antecedência requeri- (c) O pagamento deverá ser feito no caso do da. O VARAL DO BRASIL® reserva-se o autor receber comunicação comprovando a direito de estar ou não presente nos lança- aprovação do (s) seu (s) texto (s) mentos organizados pelo autor 4.2. A cada depósito o comprovante deve ser enviado para o e- mail varaldobrasil@gmail.com 4.3. O recebimento do pagamento total dá ao autor a garantia de sua participação na coletânea. O não recebimento de nenhuma parcela até o dia 10 de novembro de 2012 anula a participação do autor. 4.4. O pagamento parcial do valor cooperati- vo não dá direito à participação no livro. Ca- so o autor não termine o pagamento acorda- 3.7. Os participantes concordam em autori- do, será substituído por outro participante e zar, pelo tempo que durar a antologia com a comunicado através de e-mail. editora, que a organização faça uso do seu 4.5. No dia 20 de dezembro considerar-se-á texto, suas imagens, som da voz e nomes o livro fechado. em mídias impressas ou eletrônicas para divulgação da Antologia, sem nenhum ônus para os organizadores, e para benefício da 4.6. O (s) depósito (s) deverá (ão) ser feito maior visibilidade da obra e seu alcance jun- (s) em nome de: to ao leitor. www.varaldobrasil.com 70
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Estas coordenadas serão fornecidas por e- Brasil, será registrada e receberá ISBN , mail mas cada autor é responsável por registrar *É imperativo que o comprovante de depósi- suas obras. to seja enviado para nosso e-mail para con- 4.10. A remessa dos exemplares para o en- firmação do pagamento. dereço do autor que não se encontrar pre- sente quando do lançamento do livro será paga pelo mesmo, independente do valor 4.7. Não haverá prorrogação dos prazos de pago pela participação. A remessa aconte- depósito em respeito a todos os participan- cerá após o lançamento do livro e o autor tes selecionados. Pequenos atrasos podem deverá solicitar o valor do frete pelo e-mail ser considerados desde que avisados atra- atendimento@designeditora.com.br vés do e-mail varaldobrasil@gmail.com e em acordo com a equipe organizadora. 4.8. Os participantes receberão um total de 10 exemplares da Antologia por participa- ção. O livro terá aproximadamente 250 páginas no formato padrão (14 x 21 cm) Capa nas medidas 14 x 21 cm fechado; La- minação BOPP Fosca (Frente); Capa em Supremo 250g/m² com 4 x 0 co- res; Miolo 5) OUTRAS INFORMAÇÕES Fechado em Pólen Soft 80g/m² com 1 x 1 cores 5.1. Dúvidas relacionadas a esta antologia e seu regulamento poderão ser enviados para o e-mail varaldobrasil@gmail.com Os serviços prestados serão de editoração completa: 5.2. Todas as dúvidas e casos omissos nes- Leitura e seleção te regulamento serão analisados por uma comissão composta pela equipe organizado- Revisão ra e sua decisão será irrecorrível. Projeto gráfico criação de capa 5.3. Para todos os efeitos legais, o partici- ISBN e ficha cartográfica pante da presente Antologia, declara ser o impressão legítimo autor dos textos por ele inscritos, isentando os organizadora a editora de qualquer reclamação ou demanda que por- 4.9. A presente antologia será editada pela ventura venha a ser apresentada em juízo Design Editora com o selo editorial Varal do ou fora dele. www.varaldobrasil.com 71
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 5.4. O VARAL DO BRASIL ® reserva-se o direito de alterar qualquer item desta An- tologia, bem como interrompê-la, se ne- cessário for, fazendo a comunicação ex- pressa aos participantes. 5.5. A participação nesta Antologia implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento. 5.6. A data prevista para a entrega dos exemplares do livro VARAL ANTOLÓGI- CO 3 é durante o lançamento do mesmo em 2013 (data a ser agendada) e pelos correios em média vinte a trinta dias após o lançamento (O autor se responsabilizará por pagar o frete caso deseje receber seus livros pelos correios). Será oportuna- mente discutida uma noite de autógrafos organizada pela revista VARAL DO BRA- SIL ® 5.7 Em caso de, por motivos de força mai- or, não puder ser realizado um lançamen- to físico do livro VARAL ANTOLÓGICO 3, os livros poderão ser requisitados pelos autores através do e-mail atendimento@designeditora.com.br após aviso por parte do VARAL DO BRA- SIL ® e um ou mais lançamentos virtuais poderão ser realizados. 5.8. Os livros ficarão à disposição na edi- tora para serem solicitados por TRÊS me- ses após o lançamento e/ou aviso aos au- tores por parte do VARAL DO BRA- SIL ®. Após esta data considerar-se-á que o autor não deseja receber os livros e os mesmos poderão ser doados a alguma escola, biblioteca ou outros. 5.9. O fórum para qualquer recurso é situ- ado em Genebra, Suíça. www.varaldobrasil.com 72
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! josseleneferreira@hotmail.com Viagem através da leitura Por Josselene Marques O prazer de ler nos permite: Viajar no tempo, Reviver momentos inesquecíveis, Montar, desmontar e recriar histórias. Horas a fio, quedamos o olhar fixo Em palavras, frases, períodos e páginas Que se agrupam e servem de ponte e trans- porte Para belos e incríveis devaneios... Caminhamos, fazemos escalas; Novamente, seguimos. Atingimos terrenos que se deixam desbravar... A emoção aflora... Consentimos que a imaginação Torne real, dentro de nós, o que almejamos. Sorrimos, choramos, questionamos Nesta inestimável, estimulante E inesgotável oportunidade De tentar decifrar o mundo. www.varaldobrasil.com 73
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! marlidifreitas@msn.com As duas meninas Por Lariel Frota Registrar no papel, Como nuvens brancas No azul do céu, O que acontece No coração que sonha! Acreditar na vida, Mesmo a caminhada Sendo tão sofrida: Há luz dourada Além da curva na estrada! Era franzina, nem poderia ser diferente. Nascida na periferia pobre, fora desde o ventre materno vítima da desnutrição. Sempre quieta, olhos ansiosos em busca de horizontes dou- rados que só ela enxergava. Não era de brincar com panelinhas, bonecas risonhas ou qualquer coisa que alegra as infâncias femininas, gostava mesmo era de desenhar, rabiscar, ou ficar olhando as nuvens branquinhas formando desenhos no céu azul. A mãe na rudeza da sua luta pela sobrevivên- cia não via com bons olhos o gosto da filha por letras, desenhos, mapas, livros. O pai via ali um arremedo de esperança de que a pequena vencendo nos estudos, talvez garantisse dias melhores pra sua velhice precoce, andava extenuado por tanto trabalho. www.varaldobrasil.com 74
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! A menina foi inscrita no sistema de bolsa de acabara despertando um interesse acima estudos na escola na qual a mãe fazia faxi- das expectativas dos organizadores. O prê- na. O pai foi contra, alguns vizinhos e paren- mio, um computador com impressora e web- tes próximos ironizavam: can, um vídeo game de última geração e um -Essa criança já vive com a cabeça no curso básico de informática é o que mais mundo da lua, vendo coisas que ninguém vê, interessa a petizada. Para os professores o inventando estórias, rabiscando e escreven- estímulo pedagógico foi de fato interessante. do em tudo que é canto, imagine estudando Os melhores trabalhos fariam parte de em escola de rico, vai pirar de vez! um livro. (…) (….) -Não chore filha. Você não precisa des- Alfabetizada e com incrível gosto pela sa merda de computador, o vovô vai comprar leitura, continuou traçando seus caminhos um melhor do que esse pra você. Vamos que em sonhos, para os demais, impossíveis. essa festa já deu o que tinha que dar! Enquanto a mãe terminava a faxina após as -O vovô tá certo filha. Ele não lhe deu aulas, percorria as salas vazias. Imensamen- o estojo de lápis de cor importado que fazia te feliz saia pelos corredores silenciosos pu- suas coleguinhas morrerem de inveja? En- lando, dançando, parando aqui e acolá. Pa- tão, amanhã você terá o seu computador no- recia garimpar pelos cantos preciosidades vinho em folha, muito mais avançado que que só ela enxergava. Gostava tanto dos essa porcaria barata! passeios solitários, que vez ou outra a mãe (….) acreditava que talvez alguns estivessem certos, a menina tinha um parafuso a menos. (….) -Mãe lembra quando eu ficava por aí depois das aulas enquanto você fazia faxi- na? Eu procurava uns tesouros. Primeiro achei o lilás minha cor preferida, só deu pra Tarde de festa, salão lotado. Ceri- fazer uns pontinhos em volta da folha, depois mônia simples de entrega dos resultados foram vindo as outras cores. Os pedacinhos finais da turma barulhenta que está conclu- maiores eu guardava pra quando fosse es- indo o primeiro grau. Na solenidade serão crever. também divulgados os nomes dos ganhado- -Do que você tá falando? res do concurso cultural, amplamente divul- -Das pontinhas dos lápis pai. Minha gado no ultimo trimestre. A diretora ajeita o amiga deixava cair quando fazia pontas ne- microfone para dar início a celebração. A les. Ela girava tanto o apontador que muitas criançada faz um barulho infernal, pais, vezes quebravam e ficavam pelo chão. Me mães, avós e convidados se ajeitam nas dava uma pena ver os pedacinhos jogados cadeiras pra prestar atenção a abertura da sem fazerem o trabalho deles. solenidade. -Que menina? O concurso exaustivamente divulgado www.varaldobrasil.com 75
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! -Você não conhece homem. É aquela que saiu choramingando no colo do avô antes da diretora encerrar a festa, não é filha? A família é bem de vida, ela é muito mimada, es- banja tudo, material de escola, lanche, até estojo de maquiagem traz pra escola, as outras meninas ficam ouriçadas. -Então pai, ela deixava um montão de pontas de lápis jogadas no chão, ao invés de deixar irem pro lixo eu pegava e guardava. Alguns pedacinhos eram tão pequenos que só dava pra fazer uns pontinhos. As vezes ficava uns maiores, foi com eles que escrevi a reda- ção toooooooooooooooda colorida, que ganhou o concurso! (….) Entre uma linha e outra No branco do meu papel Mora a menina e a louca O palhaço no seu carrossel. Mora o príncipe apaixonado, O cavalo branco vazio, O ladrão pulha e safado, Mora a cadela no cio! No abismo entrelinhas Cabem o céu e o mar, A eterna criança e seus sonhos Os pesadelos medonhos, Esperando o leitor olhar! www.varaldobrasil.com 76
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! lenia.aguiar@live.com.pt diversos assuntos e inspiro-me facil- “OS LIVROS SÃO mente. NOSSOS Um leitor atento percebe que o li- vro é quase alguém ou um grupo de AMIGOS” pessoas com cultura. Só os mais inteli- gentes sabem aproveitar o benefício de Por Lénia Aguiar um livro. Seja de que tema for, um li- vro tem sempre mais valor do que uma Desde criança, antes de aprender conversa com algumas pessoas. Pois a ler, que tive contato com os livros, as páginas escritas com finura e beleza minha mãe lia-me muitos contos, al- singular enriquecem as mentes e não guns populares, outros mais moder- costumam magoar, enquanto as pes- nos, desde a fantasia à aventura. Mi- soas, às vezes, parecem venenosas e nha avó lia-me jornais. Mais tarde li-os más que quase nos açoitam com as sozinha e aprendi muito. Desde que se palavras frias e amargas como pedras inicia na escola que há ligação aos li- que vomitam desnecessariamente. vros e a descoberta de muitas letras, Muitos (as) escritores (as) ansei- palavras, números, cálculos, histórias, am por ver os seus escritos, que por lugares e do nosso corpo. vezes espelham os seus sonhos ou as Sempre vi um amigo num livro, suas vidas, nas bancas das tabacarias pois muitas vezes refugiava-me na bi- e livrarias para ganharem algum di- blioteca a ler e a escrever, deixando os nheiro e fama, demostrando ao mundo meus e minhas colegas de lado, eram desocupado o que descobriram noutros parvos (as) e só queriam gozar. Sem- livros ou noutras páginas da vida. É di- pre fui das melhores alunas e aprendi fícil, constantemente, cativar um (a) muito com os mágicos de folhas bem leitor (a), é necessário vencer algumas encadernadas, sei muitas histórias de batalhas e a primeira delas é consigo mesmo. www.varaldobrasil.com 77
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Depois tem de se convencer a editora que se está à altura de estar na frente de combate sem sair ferido demais ou pronto para a sepultura. Ao ganhar-se várias batalhas e ao tornar-se um bestseller, vencendo a guerra, o (a) autor (a) trans- forma-se na triunfadora deusa da literatura, desafiando as artes. Agatha Christie é uma das que vendeu muito e tornou-se popular com policiais. Outra autora de destaque é a Danielle Steel que triunfou nos romances. E ainda há a J.K. Rowling que é uma das que cativou muitos leitores que adoram o mundo da fantasia. leonilda.spina@sercomtel.com.br volta. Livro... Silente Conhecíamos histórias: A Gata Borra- Amigo lheira, A Branca de Neve, O Pequeno Polegar. Por Leonilda Yvonneti Spina Um mundo de sonho e fantasia vinha noss’alma povoar... Na singela cartilha do be-a-bá ensaiávamos os primeiros passos na longa estrada do saber. Depois... Uma tênue réstia de luz O convívio com a língua portuguesa, iluminava nosso viver. a “ultima flor do Lácio, inculta e bela”. Quanto mais líamos, mais aprendíamos Aos poucos juntávamos as sílabas, sobre nosso país, as tradições, formávamos palavras, e todo um gratificando a alma com novas universo informações. de sons e significados abria-se à nossa www.varaldobrasil.com 78
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! - Quem não se lembra dos primeiros brilho no olhar, não temíamos nada, livros, e nada nos impedia de livremente so- de seu cheiro, das “orelhas” nhar. arrebitadas, das leituras diante de toda a classe, do rubor na face ao ler palavras O livro nos acompanha pela vida erradas? afora... É sempre útil em qualquer tempo, a qualquer hora, Era tudo tão bom, tão belo! em qualquer carreira ou profissão. Com entusiasmo construíamos nosso Seja ficção, literatura, arte, ciência, castelo. ele é o veículo a difundir cultura O livro estava sempre ao nosso lado e aprimorar-nos a experiência. a nos ensinar história, matemática, geografia. Tantas coisas interessantes O livro é pássaro, voa, a nos instruir a mente, tem o poder de transportar-nos em e nos fazer vibrar de alegria. suas asas, Vencendo etapas importantes de incentivar-nos a descobrir o além... aprendemos línguas, ciências, artes É sempre companheiro, cúmplice na solidão. (e os livros estavam presentes Tem a doçura da garoa, da chuva de em toda parte.) verão, que nos trazem paz e serenidade à alma. Com que prazer bebíamos a água cristalina de tão preciosas fontes! Vieram os contos, romances, O livro é silente amigo, fiel confidente. poesias... e o anseio de conquistar Ele nos educa, entretém e enriquece. novos horizontes. Dos bons livros jamais se esquece! Quantos conhecimentos pudemos armazenar! Éramos qual barco navegando em infinito mar. Velas içadas, ilusão na mente, www.varaldobrasil.com 79
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! lc.amorim@ig.com.br LIVROS LIVRES Por Luiz Carlos Amorim – Escritor Recentemente, falei no meu blog - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com - sobre o Projeto Floripa Letrada, que disponibiliza livros e revistas nos terminais urbanos para os usuários do transporte público, que podem levar as publicações para casa, mas precisariam devolvê-las, para que outras pessoas possam continuar usufruindo do acesso à leitura. Mas quase nin- guém retorna os livros às estantes dos projetos. Coincidentemente, leio no jornal A Gazeta, de Cuiabá, do qual sou cronista, que o projeto Saber com Sabor, que existe lá há dez anos, vai estender sua atuação também para os ter- minais urbanos, praças e outros locais públicos. Até agora o projeto estava restrito às biblio- tecas e os empréstimos de livros funcionavam com cadastro e prazo para devolução, mas com a expansão, não haverá registro nenhum do empréstimo, as pessoas apenas escolhe- rão o livro e levarão, como é feito em Florianópolis. O objetivo é dos melhores, qual seja democratizar o acesso ao livro a qualquer pessoa, incu- tir o hábito da leitura entre os cidadãos de todas as camadas da sociedade. Espero que eles, lá em Cuiabá, e em outros lugares onde existem projetos parecidos, obtenham sucesso, pois aqui o público não deu o devido valor ao projeto, que está decaindo, uma vez que depende de doações e os livros não são devolvidos. Vou procurar saber como o projeto foi recebido e se funcionou, para voltar ao assunto. Faço votos que dê certo. O problema, aqui, foi o “comprometimento, de uma forma consciente, a devolvê-lo quando terminasse de ler”. Espero, também, que o provimento de livros e revistas não seja através de doações, como aqui, que haja verba para comprar livros nem que seja de sebos, pois as doações acabam diminuindo, com o tempo e isso acaba por colocar em risco o projeto, uma vez que os livros não são devolvidos. O que eu gostei mais, na matéria que li, foi os conselhos valiosos emprestados ao leitor, de como incentivar a leitura: - Comece a ler para as crianças desde o berço, isso distrai, faz rir e facilita o desenvolvimento da linguagem, semeando o gosto pela leitura. – Sempre defendi que a criança tem que conviver com livros desde a mais tenra infância; Tenha sempre um livro à vista; Faça da leitura um prazer, sem cobranças e castigos; Visite bibliotecas, para que tenham acesso a livros de qualidade e cultive bons hábitos de leitura; Respeite o gosto literário das crianças; Crie momentos culturais frequentando teatros, cinemas, museus, bibli- otecas e feiras de livros; Estimule a criação de um cantinho da leitura com acervo variado em casa. Não é interessante? Vale a pena seguir os conselhos. E se houver um projeto assim na sua cidade, pegue livros, sim, mas devolva-os depois de ler, por favor. Ou o projeto aca- ba. www.varaldobrasil.com 80
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! OS LIVROS E O DIREITO AUTORAL Por Luiz Carlos Amorim E o impasse continua. A nova lei de Direitos Autorais, projeto do Ministério da Cultura que vem se arrastando há anos, volta à baila, agora não mais se atendo à música, como aconteceu há até bem pouco tempo, mas focando a literatura. A legislação vigente é de 1998 e protege os textos de obras literárias, científicas, conferências, sermões, ilustrações, cartas geográficas, músicas, desenhos, pintu- ras, esculturas e arte cinética. Não é possível fazer cópias de livros inteiros, ape- nas capítulos ou páginas, o que não é respeitado, evidentemente, porque os li- vros que os universitários precisam são muito caros, por exemplo. A nova proposta da lei de Direitos Autorais, elaborada pelo MinC, já foi disponibi- lizada à consulta pública, mas está encalhada no Congresso, que precisa aprová- la para passar a valer. Esta nova versão da lei prevê a possibilidade de cópia do livro na íntegra, para “uso privado”, ou seja, a duplicação de uma obra para es- tudo será legal. A pirataria não chegou aos livros, ainda, aqui no Brasil, mas a lei pode provocar a sua aparição, temem editores e livreiros. É bem verdade que os livros, por aqui, são muito caros, que nem todo estudante pode comprá-los, mas a pirataria de obras literárias não seria nada bom para os autores brasileiros, que já ganham parcos 10 por cento pelo seu trabalho. Pirataria de livros, para quem não sabe, é a produção de livros – impressão em fac-símile, digamos assim – para ser vendida como se vende os DVDs de filmes, exemplo. Em outros países isso já existe. Então finalmente o foco recaiu sobre os livros, mas não há muita esperança de que o estado de coisas atuais mude alguma coisa. A verdade é que a versão digi- tal dos livros – e-books, jornais eletrônicos, internet – não foi contemplada na nova lei. O livro digital é uma realidade, queiramos ou não. O livro impresso, como o co- nhecemos até agora vai continuar, ainda, por muito tempo, mas o livro eletrônico está conquistando espaço. De maneira que deveria ser contemplado, também, nessa nova Lei de Direitos Autorais, tão polêmica e tão inócua, antes mesmo de começar a valer. Precisa haver uma regra para que as obras que são veiculadas na internet, por exemplo, não sejam copiadas e usadas indiscriminadamente, sem que as fontes sejam ao menos comunicadas. Urge uma regulamentação mais efetiva nesse sentido. www.varaldobrasil.com 81
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! lysabas@terra.com.br Para que as emoções não se percam Por Ly Sabas Por que escrevo? Para encontrar a resposta reportei-me aos meus sete anos e alguns meses. Vestidinho branco, comprido até as canelas, laço de fita nos cabe- los castanhos, olhos esverdeados brilhando, excitados. Revejo o quarto simples, as três camas de madeira lustrosa e sinto um leve perfume de jasmim. Em cima da cama, encostada na parede esquerda do quarto, um embrulho de papel colori- do. Revivo a emoção da menininha, desembrulhando, coração aos pulos, respira- ção suspensa, o pacote colorido. O gato de botas! E foi assim que meu pai me ensinou a amar livros e o verdadeiro encanto de uma boa surpresa. Chegava de mansinho, entrava no quarto em que eu dormia com minhas irmãs e deixava em minha cama um livro de contos de fadas. Não sei como conseguia, mas nunca o peguei no ato. Trazia um livro por semana, em dias alternados, para que a surpresa continuasse. Dias depois da entrega, pedia para que eu lesse para ele. Com paciência e carinho, ensinou-me a compreender as emoções transmitidas pelas palavras lidas. E também a importância de visuali- zar as ilustrações cuidadosamente, analisando cada traço, cada nuance das cores utilizadas. Mostrou-me a influência do desenho na compreensão das característi- cas dos personagens. Como adulto sensível que era, sabia que crianças lêem pri- meiro com os olhos da alma. Depois, em minhas primeiras dissertações escolares, utilizei os ensinamentos de meu pai, mais do que os das professoras, que não conseguiam atingir minha sensibilidade. E segui em frente, através das idades, assimilando felicidade, dor, mágoa, amor, carências, maternidades e transformando tudo em escrita, como uma fórmula mágica para não deixar as emoções se perderem ou a vida simples- mente passar. www.varaldobrasil.com 82
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! oliveira_m_silva@hotmail.com Enquanto lia Mark Twain Por Magno Oliveira Censine lia no ônibus um livro do escritor Mark Twain, uma garota ao lado o observava, observava mais o livro do que ele. Ela observou tanto, que não hesitou em perguntar lhe: --- O que é isso? --- Livro – ele respondeu. --- Posso ver? – A moça disse já estendendo a mão para pegá-lo Sem responder ele passou o livro para ela. Ela o tomou pelas mãos, olhou a página que Censine estava lendo, olhou a outra, olhou a capa, a contra capa, viu as outras páginas. Os olhos da moça brilhavam muito, parecia que nunca tinha visto aquilo, parecia olhar para um ser vindo de marte, Júpiter ou qual- quer outro planeta. Ele não se conteve e disse a ela: --- É de ler e não de comer, viu? www.varaldobrasil.com 83
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! marcia.m.deconƟ@hotmail.com Vestígios Por Márcia Maranhão De Conti Meus acasos não povoam páginas de dicionários são trilhas que transcendem a leveza dos passeios As palavras são rastros deixados no cimento fresco nem que eu falseie os passos minto comigo, nos versos As palavras são pérolas de um colar que nunca tiro criadas nas conchas antigas dos mares que habitam em mim. www.varaldobrasil.com 84
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! mcatoledo@gmail.com POR QUE ESCREVER Por Marcos Toledo Tenho medo de classificação obter ... Já pensou eu primeiro ser? E aí, o que fazer? Vou relaxar, isso não deve acontecer. Mas, e se acontecer, o que fazer? Finalmente! Por que escrever... Já fiz o principal que é aprender. Pensei que bastasse saber ler, Já sei - mostrarei também o meu ser. depois entender; Mas o que escrever mas ainda tenho que saber escrever? em um concurso de igreja? Tenho que saber! O regulamento vou ler Se tenho o suficiente que é saber, e, em casa, com calma, escrever. não preciso saber escrever. Acho que quem escreve deixa o seu ser Poesias, contos ou crônicas - o que fazer? transferir-se para outros, sem perceber: Já sei: uma poesia vou escrever. suas mágoas, seus anseios e, até sem que- Sou romântico, minha namorada não cansa rer, de dizer. Isso mesmo... para ela vou escrever... transfere coisas ruins sem saber. Sinto que ela faz parte do meu ser. Mas há escritores que têm um querer: uns em transmitir alegria, outros, saber. Pronto, já fiz. Pensei que não sabia escrever Ah! Se eu escrevesse, sabe o que iria fazer? mas a poesia aqui está, para minha amada Transmitir tanto alegria, quanto saber. ver. Assim, ela saberá que é a razão do meu vi- Mas não sei escrever; ver, como resolver? e todos saberão que sei escrever. Já sei! Num concurso vou me inscrever! Agora, é só torcer, para o concurso vencer. O anonimato sei que vão manter; de mim, ninguém vai saber. Amém www.varaldobrasil.com 85
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! helowicca@hotmail.com LIVRO VIVO Por Maria Heloísa Fernandes Deixado à cabeceira, largado, empoeirado. Informações importantes, aprendizados e épocas permanecem lá, como guardiãs a espera de seu rei a determinar ordens. Devaneios preservados, precariamente folheados, uma página aqui, outra acolá, que desabrocha por entre suas linhas e entre linhas, à sabedoria mági- ca nas mãos da vida. Atores envolvidos e intactos desfilam, organizados por pensamentos de alguém que possivelmente a punho desenvolveu, pois na observância do tem- po restam-lhes folhas amareladas, desnorteadas, sem graça, campeando apresentar sabedoria, além daquele cheiro de mofo. Certamente somente os ácaros sejam naquele momento, seus compa- nheiros, na tentativa constante da motivação, para que não desista. Imediatamente sente-se sacudido! Alguém lhe sopra a poeira, abre sua capa e num bailar de dedos, percorre suas folhas surradas. Quanta felicidade sente naquele momento. Lembraram de sua velha existência. Fita aquele ser que o percorre, sua alma vibra incontrolavelmente, não mais permanecerá naquela cabeceira na companhia da poeira. Devolveram a sua alma a alegria da persistência por seus ensinamentos. Sente-se vivo! www.varaldobrasil.com 86
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! mlfminas@hotmail.com> OS PRÊMIOS DE UM guiu parar. Sentiu afinidades, identificação com pessoas e fatos. Arriscou até uma críti- ESCRITOR ca. “F” leu num fôlego só. No final, comovido, Por Maria Luíza Falcão confessou: “sempre fui um grande aprecia- dor de romances, sempre me apaixonei e “M” (78 anos), professora formada, mas que desapaixonei por todos os personagens, não chegou a exercer a profissão, era cate- mas...”. górica em afirmar que não gostava de ler. O que eles têm em comum? Por falta de concentração ou pura preguiça, Um livro chegou em suas mãos e por razões não sabia. Apenas as receitas culinárias e diversas, leram. Foi necessário este primeiro as notícias dos “famosos” conseguiam sua movimento para desencadear o resultado. atenção. Se não houvesse o escritor, a história não se “R” (32 anos), estudou pouco e foi ao mun- faria. Sem ela, não haveria o livro. Se ele do. Os livros que lhe passaram nas mãos não lhes fosse disponibilizado, seja por livre foram os do tempo do colégio. A leitura pos- e espontânea vontade ou por doce pressão, terior foi obra mais do acaso do que da es- permaneceriam em sua inércia literária, rele- colha. gando a último plano aquele privilégio de ler “F” (28 anos), universitário e escritor, é afeito e sonhar. Por que não? à poesia forte e destemida, própria do seu O livro é, sem dúvida, o elemento transfor- tempo. mador do indivíduo e, os autores, agentes O que eles têm em comum? insubstituíveis da cultura de um povo. “M” jamais imaginou que aquela pessoa que “M” aderiu aos romances e já é íntima de ela mesma gerara escrevesse. Muito menos, Machado, Alencar, Orígenes e de tantos que fosse capaz de criar personagens e uma quantos vierem. história que enchesse mais de trezentas pá- “R” entrou num “sebo” e comprou um livro de ginas! Por curiosidade deu início à leitura e autoajuda. Ficou impressionado com o fato se viu tragada por uma trama que chamava de poder comprar um livro por um preço tão mais e mais. A vista cansada obrigava a pa- pequeno. rar, mas logo estava lá, livro nas mãos, mer- “F” prossegue entre a prosa e a poesia. Gra- gulhada naquele universo, misto de sonho e vada em seu coração, a história tão real da- realidade. quele romance aparentemente fictício. Re- “R” ganhou o livro de presente de quem o gistrado no coração de quem escreveu, o escreveu. Folheou aquele universo desco- comentário emocionado do jovem leitor: nhecido, avaliou aquelas incontáveis pági- “sempre fui um grande apreciador de roman- nas e pensou: “Vou ter que ler isso tudo e ces, sempre me apaixonei e desapaixonei ainda ter que dizer o que achei...”. Por pouco por todos os personagens, mas amigo só me não desistiu, mas estava acostumado aos tornei de um: Afonso”. desafios e aceitou. Começou e não conse- www.varaldobrasil.com 87
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! marluceafportugaels@gmail.com O Livro Por Marluce Portugaels Escrever sobre o Livro... Que posso eu dizer se tanto já foi dito... Num esforço, lembro-me de Neruda, “livro, quando te fecho, abro a vida...” Fecho os olhos e me vejo bem menina na casa de meus avós maternos, no Alto Rio Juruá, a bis- bilhotar nas caixas que minha avó Lita, professora rural, recebia abarrotadas de cartilhas e de outros livros para distribuir com os filhos dos fregueses que traba- lhavam no Seringal Bom Jardim de meu avô Chico. No Seringal havia uma escola e a professora rural tinha a função de ensinar as primeiras letras às crianças, que todos os dias se sentavam ao redor da grande mesa presidida pela professora, que começava fazendo-as repetir o A B C, em seguida, juntar as letras, “um B com A, Bê a Bá”, e, finalmente, formar frases, “Eva Viu a Uva”. E os alunos, será que já tinham visto uva? O último estágio era a leitura das historinhas como a do Jeca Tatu que era pre- guiçoso e cheio de vermes, ele, a mulher e os filhos, pois todos andavam des- calços e não conheciam bons hábitos de higiene. Mas, um dia, um médico lhes prescreveu remédio, tanto para vermes quanto para fortificar o organismo. E também lhes disse que andassem calçados. Eles ficaram fortes, corados porque eliminaram os vermes e aprenderam a se cuidar. Jeca Tatu, então, criou cora- gem para trabalhar, prosperou e comprou sapatos para todo o mundo. Até para os porquinhos. E assim termina a história. Nessa época nem desconfiávamos que a personagem do Jeca Tatu fora criação de Monteiro Lobato, que em seu livro Urupês, com 14 contos, denuncia a situa- ção de miséria e abandono do caipira da região do Paraíba do Sul, mas que na realidade também era a do caboclo do Amazonas que vivia à beira do rio, o bei- radeiro. Dessa forma, não há como não concordar com Joseph Conrad que “o autor só escreve metade do livro; da outra metade deve ocupar-se o leitor...” www.varaldobrasil.com 88
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Revivendo tudo, ainda sinto o cheiro de mente de febre tifoide, e era justamen- novo das cartilhas, das tabuadas, dos te eu que o entretinha lendo as maravi- cadernos de caligrafia... Tenho na me- lhosas histórias do meu livro de contos mória o ícone das Edições Melhoramen- de fadas. Hoje, ainda, tenho na memó- tos. Aquele passarinho pousado sobre o ria o livro que foi talvez o mais belo globo terrestre, presente em todos os presente que recebi, porque tinha sete livros que eu folheava, acompanhou- anos, tinha aprendido a ler, e com me durante toda a vida. Sem que me aquele livro eu voava para bem longe, dê conta, a impressão que ainda tenho para o país das fadas e das persona- é que todos os livros trazem essa mar- gens nele imortalizadas. Anos depois, ca. lendo Emily Dickinson concluí que, de fato, “não há melhor fragata do que um livro para Aprendi a ler nos levar a com minha avó, terras dis- junto com os fi- tantes.” lhos dos fregue- ses. Mas, no processo, tam- Eu ainda te- bém acumulei a ria muitas função de aju- reminiscên- dante da profes- cias sobre o sora. Como era Livro, este curiosa e queria objeto sedu- saber o que tor, esta cai- continham os xinha de se- livros de histori- gredos capaz nhas, lia tudo em casa com a permis- de imobilizar-nos em um canto durante são de minha avó e, na aula, ajudava a horas, e de transportar-nos para rin- professora com os alunos mais lentos. cões nunca dantes sonhados. Mas, já é Assim, devo ter forjado a profissão de tarde e precisa-se parar em algum lu- mestre que finalmente abracei. gar... Abro os olhos, lentamente, e me vejo ainda bisbilhotando livros, mas não os das caixas de minha avó Lita, Num dia inesquecível, recebi de pre- mas os meus próprios, arrumados em sente de meu tio Daí meu primeiro livro estantes em minha biblioteca. Então, de contos de fadas. Foi uma alegria in- penso que eles, os meus livros, são os descritível. Li e reli as histórias reconta- únicos objetos que eu não gostaria de das dos Irmãos Grimm, de Andersen, deixar para trás, se tivesse de partir de Perrault... Foi nessa época que meu rapidamente... tio Luís, adolescente, adoeceu grave- www.varaldobrasil.com 89
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! namello@yahoo.com.br Ser poeta é deixar vir à tona Ser poeta Palavras, sentimentos que precisam ser Por Norália de Mello Castro concretizados Palavras, às vezes frias, Brumas, 10 de maio de 2012 às vezes prenhas a penetrar na vida: Viver! O poeta assim vive. Entre realidade e sonhos. Entre o querer e o fazer. A dizer palavras floridas ou a penetrar na selvageria do ser. Pode escrever sobre uma flor delicada, ou sobre uma cebola. Pode até escrever sobre carne sangrenta, Violenta, de um boi morto. Pode escrever o Vazio, que nada tem, nada floreia, que está pleno de dor, de rostos emurchecidos e a saudade se impõe . Ser poeta é brincar com a vida, gargalhar das tristezas, almejar alegrias. É ser gente assim contraditória . www.varaldobrasil.com 90
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! em massa pudessem conhecer seus es- O LIVRO critos. Os registros históricos ou pesso- Por Norália de Mello Castro ais do Homem da Caverna ficaram lá atrás. O uso cansativo e restrito das pontas de penas também. O Homem Quando chegou o convite de Jac- tinha agora um instrumento que lhe queline para escrever sobre O LIVRO, permitiria correr o Mundo, com seus es- para ser editado na revista especial de tudos e pensamentos, pois a busca de setembro 2012, achei um tema exce- Conhecimento estava ampliada e atin- lente por sua excelência. Vou participar gindo maior número de leitores. Desta com um texto. invenção inicial revolucionária, chega- mos hoje aos e-books, o que é fantásti- Fui procurar nos meus arquivos e co, e com a Internet, estamos vivendo encontrei já escrito um texto que intitu- uma nova etapa revolucionária, desde a lei Caminho e caminhos, no qual faço década de 90, do sécu- referências ao livro. lo XX. Mas, não achei apropri- ado para a revista e fi- Em 1750, na Europa, quei matutando o que havia 130 milhões de escrever. Veio-me à livros impressos, o que mente a figura de Gu- favoreceu a dissemina- tenberg, aquele inven- ção da aprendizagem tor alemão, que, no sé- em massa. Infelizmen- culo XVII, deu à Huma- te no Brasil, esta revo- nidade o maior presen- lução começou somen- te. Sim, o maior pre- te no século XIX, com a sente que um inventor criação da Imprensa poderia ter dado: a Real em l808, com a prensa móvel, que fez a vinda da corte portu- Revolução da Imprensa, guesa para cá. Ou seja, citada também por outros autores, co- mais de dois séculos depois da criação mo o evento mais importante da Histó- da prensa. O mundo todo se transfor- ria, comparável à descoberta da Pólvo- mou com a invenção desta máquina. ra. Foram criadas bibliotecas, museus, acervos. Algumas profissões desapare- A invenção de João Gutenberg re- ceram e outras novas foram surgindo à volucionou o mundo de então e vem re- medida que se imprimia mais e mais volucionando até hoje. Permitiu que os livros; até novos códigos de conduta fo- escritores, historiadores, cientistas e ram sendo elaborados. O Conhecimento literatos tivessem seus trabalhos regis- não ficou restrito a números ínfimos de trados para a posterioridade e leitores pessoas . www.varaldobrasil.com 91
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Na década de 70, do século XX, surgiu com seu talento, consegue a proeza de a Nova História Cultural, com valoriza- ser lida. ção da cultura de massa, do cotidiano a Todo autor quer vender livro, ser observado. A antropologia ganhou uma aspiração natural, mas vender li- força, a filosofia foi enriquecida, novos vro no nosso meio é prá lá de difícil. rumos foram tomados para a Humani- Entretanto, para atingir esta aspiração, dade. o autor não deve nunca deixar de es- Hoje, aqui, vivemos uma explo- crever o que realmente lhe importa. são de blogs e sites, um mundão de es- Ser autêntico. Sem artifícios outros pa- critores e poetas se manifestando. Te- ra esta conquista. Na realidade, nin- nho a sensação que temos mais escri- guém - nem os maiores experts - sa- tores do que leitores. Onde estão os bem apontar que livro cairá no gosto de nossos leitores? Equacionar esta ques- um grande público, mesmo que tenha tão com nossos problemas econômicos sobre ele uma grande propaganda de e sociais é uma parada gigantesca que, massa. para mim, só tem um caminho: abrir Quem nasceu escritor, sempre mais e mais o leque da Educação e Cul- será escritor, vendendo ou não seu tra- tura, e que sejam ressaltados bons es- balho. Como diz a escritora Rejane Ma- critores. chado: Mas o que é ser bom escritor? Es- “Não se faz um escritor, nasce-se crever bem? Escrever temas que sabe escritor!” de antemão agradarão ao público? Tal- vez a junção destas duas questões. Que venham bons escritores des- te boom de blogs, sites, livros e edito- Numa entrevista que Martha Me- res até... deiros, autora respeitada por uma grande fração do público leitor, deu pa- Sinto que vivemos aqui um boom ra Marília Gabriela, ela disse que antes que a Europa viveu no século XVIII. Fe- de querer agradar ao público, ela escre- lizmente. E... finalmente! ve para ela mesma, sobre aquilo que a Agora, só posso dar um VIVA A incomoda, a angustia; que só escreve o GUTENBERG que, lá trás, nos deu o que realmente importa para ela. De- maior presente para comunicação de pois, então, direciona seu escrito para o massa! público. Com seu talento de escrever bem, atinge grande número de leitores; é o seu carisma. Ou seja, ela primeiro escreve para ela mesma, para depois Brumas, 7 de setembro de 2012 compartilhar. Esta colocação de Martha veio de encontro com o que sinto: um autor de- ve escrever realmente o que sente. Ela, www.varaldobrasil.com 92
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! odenir.ferro@yahoo.com.br DENTRO DA MINHA SOLIDÃO Por Odenir Ferro Conviver por algum tempo com um excelente livro, envolvendo-se espiritual, física e emocionalmente com ele, - criando íntimos laços afetivos, - é como se saboreássemos importantes partes, dos melhores momentos da vida contida dentro da nossa existência! Ao darmos insights de credibilidade ou não, a estes sublimes momentos em que os percorremos vivendo-os até hoje, neste presen- te momento. Momento que pretendemos continuar percorrendo-o, formando uma somatória de um caminho que nos conduzirá rumo à Eternidade! Dentro destes momentos, somos uma obra inacabada. Assim como os livros! E temos a total liberdade de irmos aprimorando-a, momento a momento. Deixando que a nossa imaginação possa atingir a plenitude do ápice da sedução de se envolver com as tramas encenadas, dentro de um clássico literário contendo os muitos personagens saídos das realidades - sonhadoras e fantasiosas dos grandes mestres escritores, - para as realidades fictícias, das dramáticas páginas do li- vro. Seja ele construído na forma de Romance, Conto, Poemas,... A importância primordial de um livro é a de tê-lo envolvido com os nossos mais afetuosos e abstrativos abraços! Dando-lhe total credibilidade de sumária im- portância, por considerá-lo como sendo o nosso melhor e mais fiel amigo. Tão amigo e tão fiel, quanto ao nosso mais queridos animais de estimação. Muitas vezes, até mesmo, muito mais que os nossos poucos amigos pessoais. E tão delicioso, envolvente e sedutor, quanto a nossa felicidade de saciarmos a sede com um copo de água límpida, cristalina e gelada, num dia quente de verão. www.varaldobrasil.com 93
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Torna-se quase inenarrável para mim, -os através das páginas dos livros que transcrever as muitas facetas das boas escrevo. memórias. Contidas ou incontidas, Ser leitor e ser escritor, é uma impor- dentro das agradabilíssimas companhi- tância extremamente vital para mim. as literárias; que as tive junto de mim, Através das letras que escrevo, alcanço nos meus momentos de solidão. Quan- os meus inumeráveis leitores: - E sen- do pudera trazer do meu lado, acom- do tão iguais a mim, buscam tudo o panhando-me em todos os sentidos, que eu também busco! totalmente envolvidos com os meus mais profundos e sublimes sentimen- - As nossas realidades adaptando-se, tos, o prazeroso abraço essencial e ou, se reformulando continuamente. Através dos nossos sonhos! Quanta sublime e amigo, dos livros. Sempre fui profundidade, quanto lirismo, quanta um leitor ávido por conhecimentos, cul- intelectualidade, adaptada para a reali- tura e sabedoria. Tudo isto e muito dade do nosso quotidiano comum, pos- mais, acabei encontrando nas páginas so sentir, dentro de todos estes virtuais e mais páginas dos livros que li. Os li- envolvimentos. Envolvimentos que, de vros que já li, são para mim, os filhos página em página, de palavras em pa- mais queridos dos meus escritores lavras, letras por letras, vamos galgan- mais amigos. Os quais, sendo muitos, do a mágica essencialidade dos nossos eu os escolhi a dedo. Também, dentro mais inebriantes objetivos; e que são da minha percepção intuitiva, ao retirá- contados e recontados, através das los das estantes das Bibliotecas; e de- constâncias artísticas, obtidas através pois, viajar para dentro deles, através da integralidade dos nossos sonhos. da minha imaginação. Recriando atra- vés das suas páginas e mais páginas, É muito prazeroso sentir nos olhos, nas todos os cenários e todos os persona- emoções salientes, no aspecto geral gens descritos pelos escritores. das pessoas que já leram algo que es- crevi, - sendo uma poesia, sendo um Dentro destas viagens, - sobressaindo- livro de poesias, sendo um artigo de me um pouco mais além de mim mes- jornal, ou algum outro texto que for, - mo, - posso também expressar que é aquela cumplicidade de satisfação, de de extrema importância para o meu aprovação, de envolvimento carinhoso, ego interior, saber que também eu, - quase que platônico: - Entre mim, e além de ser um fiel leitor de muitos es- estes meus amigos e amigas leitores, critores, - sou mais um dentre tantos, selando-nos com um ou vários pactos entre eles. Também contribuindo para virtuais! Nuns instantâneos mágicos, a melhoria da qualidade de vida das envolvendo-nos através das realidades pessoas e consequentemente do Plane- sonhadoras e ficcionais, dos meus es- ta. Criando elos essenciais de harmoni- critos literários. Circundantes entre as e belezas, através dos meus perso- mim, eles, nós, percorrendo o imaginá- nagens, dos meus cenários, dos meus rio ideário, que nos envolve com as re- sonhos, dos meus ideiais, transmitindo alidades e as fantasias humanas! www.varaldobrasil.com 94
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Ou seja: - Os amores, os sonhos, os an- corrê-la ainda, é claro! Quanto a dizer- seios, as esperanças, as crenças, a fé... lhes como proceder no modo de escre- Enfim: - A vida toda, que se entrelaça ver, digo-lhes o que sempre disse e ain- no meio de todos nós! da continuo a dizer para mim mesmo: - Escreva com toda a volúpia que se con- Eu costumo percorrer um caminho ima- centra no sangue da arte pulsante e vi- ginário ao compor um livro. Um cami- va, que se vibra dentro das emoções nho que ora é muito pleno de silêncios que estão incontidas dentro das memó- agudos e tristonhos. Noutras oras é rui- rias do seu coração! Você, eu, nós to- doso, chegando a ser barulhento, festei- dos, somos um personagem real, cada ro,... Mas, este caminho se conserva qual, dentro do seu mundo interior, dentro de mim, - desdo o seu início até obreiros dessa grande mágica espiritual o seu fim, - como sendo um caminho e física que é esta grande Vida que está sagrado. Um caminho que me conduz à contida dentro desta nossa vida sonha- busca da perfeição! Tudo nele, é envol- dora, numas oras. Onde noutros mo- vente e mágico! E eu o percorro sem mentos, somos o inverso: - Somos um saber o que acontecerá dentro dele, an- personagem sonhador, dentro da bruta- tes de chegar no seu final. Assim como lidade desta vida real! E em tudo, está na vida. Não tenho previsões! Tal qual perdurando o impregnado colorido eté- iguais, somos na vida: - Não temos pre- reo das abstrativas tintas existenciais, e visões sobre ela! É como se tudo esti- as suas obras inacabadas ou concluídas, vesse acontecendo simultaneamente geradas dentro do Amor Universal que entre o meu eu real, a minha arte, e a se concentra e se extrai, das fontes vi- criação explosiva e intensa que se con- bracionais e metafísicas da Arte pura! centra dentro dos meus sentimentos, - que vão sendo, naturalmente, recriados através das emoções e vivências dos meus personagens. Personagens que são, - dentro a minha realidade ficcio- nal, - uma extensão, um braço, de mim mesmo. E neste braço, interage um elo que me liga com a plenitude do Univer- so! E quanto a estes meus personagens, assumo que posso admiti-los e admirá- los, identificando-os como sendo uma extensão emocional e racional de mim e das minhas enriquecidas vivências pes- soais: - E que se concentram além do meu alter-ego! Sinto que dentro desta estrada, tenho ainda, muito, mas muito, muito mesmo, do que aprender. Além de muito a per- www.varaldobrasil.com 95
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Sobre os meus livros que já estão impressos, públicos, - ou sobre os meus inédi- tos, ou tudo o que escrevo enfim, - posso dizer-lhes, assegurar-lhes que as pági- nas que os compõem, são as páginas extraídas da minha óptica artística. Sinto que dentro das páginas dos meus livros, se concentram um enorme palco girató- rio, que dentro das minhas percepções, nada mais é do que este nosso planeta. E através deste palco, o que mais me surpreende, me enleva e me deixa concen- trado dentro do carisma mais profundo da etérea e eterna beleza mais sublime, é a realidade deste belíssimo fio comunicativo que se entrelaça entre o meu eu, os meus personagens e as pessoas que leem tudo ou partes do que eu escrevo. E dentro disto tudo, sei que impera o elo absoluto deste eterno vínculo existencial que perdura entre nós e aquele algo a mais que se situa dentro do mais alto es- tágio do Divino Amor! www.varaldobrasil.com 96
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Indriso aos livros na Idade Média Por Oliveira Caruso oliveira.caruso@gmail.com Mosteiro sem livros: castelo sem armas. Saber da Idade Média. Tudo manuscrito. Calígrafos a rezar, copiar e ilustrar textos. Religiosos no quase monopólio. Livros protegidos por maldições. www.varaldobrasil.com 97
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Entrevista com Jacqueline Aisenman escrito- de vez a escrita como profissão desde 2009. ra catarinense, criadora e redatora-chefe da Já editou vários livros, voando solo e em revista Varal do Brasil em Genebra na Suíça bando. Entre seus livros: Coracional, Poesia concedida ao portal de comunicações RIUS nos Bolsos, Entre os Morros da Minha Infân- http://www.rius.com.br/ cia, Lata de Conserva, Palavras para o seu Coração e Briga de Foice, lançado em 2012. Prepara Adagas de Cristal, Faca de Dois Gu- mes e Labirinto de Lembranças. Recebeu em 2011 o prêmio de Livro do Ano, na categoria contos, pela Academia Catari- nense de Letras com seu livro Lata de Con- serva. Criou em 2009 e até o presente mo- mento edita a revista literária eletrônica e o site Varal do Brasil (www.varaldobrasil.com) fazendo uma ponte de palavras entre o conti- nente europeu e o Brasil. É diretora- proprietária da Livraria Varal do Brasil, sedia- da em Genebra e que é especializada em autores de língua Portuguesa. Biografia O RIUS tem incentivado de forma categórica a leitura, o conhecimento e a busca por infor- Jacqueline Aisenman nasceu Soares Bulos, mação. Ótimas pessoas, conceituadas tam- em Laguna (SC) em 1961. Escrever foi sem- bém, já colaboraram com suas entrevistas, pre sua maneira de viver bem mais do que dicas fundamentais para que os leitores se uma profissão. Assim aprendeu a falar, de- sintam mais soltos e ambientados para o uni- monstrar sentimentos, se defender, explicar verso da leitura e conhecimento. A convida- coisas, contar o incontável, subtrair as dores. da, Jacqueline Aisenman, com vasto currícu- Escrevendo aprendeu e viveu. Foi redatora e lo e experiência, com certeza, tem muito a revisora de diversos jornais em Santa Catari- ensinar e compartilhar. na, diretora do Departamento de Cultura e dos Museus de Laguna (Museu Anita Gari- RIUS – O que fez você ser o que é hoje e baldi e Casa de Anita). o que você fez de diferente para conquis- tar seu espaço no mundo maravilhoso da Membro do Grupo de Escritores Lagunenses literatura e comunicação? Carrossel das Letras, Representante da Re- de Brasileira de Escritoras (REBRA) na Suí- Jacqueline Aisenman – O que sou devo a ça, membro da União Brasileira de Escrito- educação que recebi. Meus pais, meus avós, res, membro correspondente da Academia meus tios. Pessoas que contribuíram para de Letras de Teófilo Otoni (MG) e da AR- que eu amasse a vida, o mundo literário e as TPOP, Academia de Cabo Frio (RJ). É mem- pessoas. O amor de minha família sempre bro também da Sociedade Poetas del Mundo foi um pilar na minha existência. Sempre fui (Europa), Embaixadora Universal da Paz pe- incentivada também a amar os livros e desde lo Cercle Universel des Ambassadeurs de la pequena lia e escrevia muito. Paix – Genève – CH e Conselheira Internaci- onal da Associação LITERARTE. RIUS – O que o Brasil (sociedade como um todo e os governantes) precisa fazer Estabelecida em Genebra, Suíça, desde para criar e ajudar grandes talentos literá- 1990, trabalhou durante quase quinze anos rios? Têm muitos sonhadores perdidos e na Missão do Brasil junto à ONU e mais tar- obstinados por conquistas, mas não sa- de foi funcionária de banco privado. Adotou bem o caminho do sucesso. www.varaldobrasil.com 98
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Jacqueline Aisenman – Claro que incenti- sileiros. Gostaria que lembrassem sempre vos são bem-vindos: concursos, apoio para da importância de ler e escrever. Que incen- edição e tudo mais. Mas creio que não deve- tivassem seus filhos, que procurassem sem- mos esperar pelos governantes para realizar pre abrir seus horizontes através de novas nossa vida e nossas profissões. Devemos leituras e da maravilhosa experiência da es- sim, ter mais consciência ao elegê-los para crita. A revista Varal do Brasil está de portas que os erros atuais não continuem se repe- abertas para recebê-los! Basta nos contatar tindo e que aqueles que não exercem suas através do e-mail varaldobrasil@gmail.com funções com respeito e honestidade não para a participar das edições. Mais uma vez, permaneçam em cargos públicos. muito obrigada pela oportunidade e desejo a vocês sempre sucesso! RIUS – Por que há uma diferença enorme em termo de educação e cultura, do Bra- sil com países Europeus? Jacqueline Aisenman – É toda uma ques- tão cultural, longa de séculos. O Brasil ainda não dá à educação o valor devido, enquanto sabemos que educação é tudo. Sem educa- ção não há futuro para ninguém, pois até pa- ra uma boa alimentação a educação é ne- cessária. E os pais não podem esquecer que a educação começa em casa. Ela passa pe- la escola onde o aluno receberá informa- ções, mas a base educacional será sempre recebida em casa. Nosso país precisa valori- zar a profissão do Professor, pois sabemos que, sem ela, nenhuma outra existiria. RIUS – Falando um pouco da sua trajetó- ria de escritora, o que você passa ao lei- tor através dos seus livros? Jacqueline Aisenman – Sou uma escritora versátil e um pouco compulsiva. Escrevo quase tudo e escrevo muito. Tenho vários livros publicados e neles há contos, crôni- cas, pensamentos, poemas. Escrevo sobre a realidade e sobre sonhos, coisas imagina- das. Para quem lê, nunca há uma linha que separe a realidade da imaginação. Espero, desta forma, deixar o leitor livre para desco- brir experiências através do que escrevo. Informações sobre os livros de Jacqueline Aisenman: RIUS – Qual mensagem gostaria de dei- xar para os Brasileiros? coracional@gmail.com Jacqueline Aisenman – Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade que me foi dada pelo Portal RIUS que considero muito importante para a informação dos bra- www.varaldobrasil.com 99
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Sarah Venturim Lasso .... “A menina do Vale” ? Bel Pesce é uma menina real, não é personagem e sua história é uma inspiração. Eu a descobri lendo uma reportagem na internet no site da Revista Veja, onde a reportagem falava sobre o livro e seus cem mil downloads em se- te dias. Após ler a reportagem, fui atrás do livro, que é facilmente baixado na in- ternet, e é de graça. A história de Bel é muito inspiradora, além de determinada, ela dá um ânimo para qualquer pessoa correr atrás dos seus sonhos, não importa a sua idade. O livro é uma história real que poderia ser facilmente um conto de fadas contemporâneo, com uma linguagem simples e frases marcantes, ele vai te prender da primeira a ultima página, e ainda te empolgar para criar sua própria aventura. E para fechar com chave de ouro, Bel criou no youtube um canal chama- do O caderninho da Bel, onde posta diariamente vídeos com lições que ela aprende durante o dia! Vale muito a pena ! www.varaldobrasil.com 100
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! pdaf35@gmail.com Um livro importante e pouco conhecido Por Pedro Diniz de Araujo Franco “Quando quiser saber algo que ignora, não pergunte aos sábios ou ami- gos, pergunte aos livros”. Afrânio Peixoto. Introdução: Se formos listar os livros que mais influenciaram positiva, ou negativa- mente, o mundo e este julgamento poderá mudar até com a História, o livro que vai ser moti- vo deste ensaio, provavelmente não estará nesta lista, onde aleatoriamente destaco: Código de Hamurabi, Corão, Bíblia Sagrada, Discurso sobre a origem da desigualdade (Rousseau), Ensaio sobre o costume e espírito dos povos (Voltaire), A Cabana do Pai Thomaz (Harriet Beccher Stowe), O Capital (Karl Marx), e por maior que fosse a lista, haveria reclamações, pois não incluí esta ou aquela obra e possivelmente o reparo fosse feito com total razão. En- tre os livros reclamados não estaria “Comunicação sobre a luva de raposa e alguns de seus usos médicos: com observações práticas sobre a hidropisia e outras doenças” de William Witherig, publicado em 1785, do qual anexo cópia da capa original. E além da importância do livro, há que se destacar que cada vulto histórico deve ser julgado de acordo com sua época. Causou-me espécie ler crítica literária sobre Charles Dickens, que reclamava da pou- ca ênfase que deu à vida sexual de seus personagens. Esqueceu-se o crítico, tão apressado crítico, que não vou nomeá-lo, de lembrar que Dickens viveu de 1812 a 1870. Como um es- critor poderia agir de outra forma na sociedade vitoriana? Mas é oportuno enfatizar que em seus escritos, que vivem até hoje, os dramas sociais da classe mais pobre são apresenta- dos, principalmente os relacionados à infância. www.varaldobrasil.com 101
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Da mesma forma vale lembrar que William que curava a hidropisia e então escreveu Withering teve sua principal obra publicada seu livro. em 1785. Da importância de suas pesquisas A Realidade: Os médicos ingleses per- e das relações destas com a Medicina e com ceberam que alguns pacientes, acometidos a Literatura cuidarei. de hidropisia (edema generalizado), procura- A época: Quando William Withering vam uma curandeira da região do Shorps- (1741–1799) escreveu um livro sobre o em- hire, perto de Birmingham e, tomando uma prego da Digitalis purpurea na Medicina (An beberagem feita por ela, tinham a regressão Account of the Foxglove, and Some of its dos edemas, melhoravam do estado geral e Medical Ufes: with Practical Remarks on da falta de ar. Solicitaram a Withering, tam- Dropsy, and Others Diseases), estava no fi- bém botânico, que estudasse a poção da cu- nal do século XVIII. Espantou-me a coragem randeira. De posse dos ingredientes perce- de anotar em livro seus acertos e erros no beu que só uma das ervas poderia ter efeitos uso da digital, enfatizo, erros, no uso de um positivos. Feita esta importante descoberta, medicamento muito empregado até hoje. Es- durante dez longos anos de muitas contrarie- ta planta, que era considerada uma erva dades e até de perseguições, estudou os maldita até então, sofria críticas violentas, efeitos da Digitalis purpurea, pesquisou, ano- quando do seu uso, apesar de muitos erba- tou caso por caso e foram cento e sessenta listas citarem-na, ainda que de forma empíri- e três pacientes aos quais a prescreveu. Tro- ca, como remédio milagroso. Vale referir que cou ainda correspondência com vários ou- um médico francês muito importante, o Dr. tros médicos, que também a usavam e citou M. Salerne, de Orleans, fez vigorosa comuni- estas cartas na obra de 1785. Criou regras cação à Academia de Ciências de Paris, afir- de emprego, registrou efeitos colaterais, en- mando que a digital era um veneno perigoso fim publicou um livro que merece ser lido e nunca poderia ser receitada. Tinha feito ainda nos dias atuais: "Comunicação Sobre uma experiência com perus, que morreram a Luva de Raposa e Alguns de Seus Usos com doses de digital. Não fosse a pesquisa Médicos: Com Observações Práticas Sobre de Withering, possivelmente a erva deixaria a Hidropisia e Outras Doenças". Luva de ra- de fazer parte do arsenal terapêutico e mi- posa era a erva, que os botânicos latinizan- lhões de pacientes teriam deixado de usufru- tes chamaram de digital, ou dedaleira, pela ir seus benefícios. forma de suas flores. Este livro e aí está uma A Lenda: Withering analisou a bebera- de suas virtudes, ser escrito em 1785, mos- gem, usada por uma curandeira da região do trava as dificuldades em receitar um medica- Shorpshire, feita com vinte e uma ervas e mento, , sendo um dos primeiros documen- tos médicos que narra em pormenores www.varaldobrasil.com 102
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! uma pesquisa, apesar das limitações impos- Mistério de Edwin Drood", escreveram "A tas pela época. Para escrevê-lo, Withering Verdade Sobre O Caso D.", usando a digital enfrentou problemas de toda a espécie, que também como veneno, para finalizar um li- repercutiram inclusive sobre a vida familiar, vro, que poderia não ter sido escrito; pois profissional e até sobre sua saúde. Como é não fez jus aos méritos de Dickens; 6) muito moda pesquisar vidas e escrever romances provavelmente a fase amarela de Van Gogh históricos, que manancial excelente seria (1853-1890) deveu-se à intoxicação digitáli- contar a vida deste genial médico! Vale, para ca, pois a digital foi-lhe receitada pelo Dr. mostrar suas dificuldades, dar um corte his- Paul-Ferdinand Gachet, escolhido por Manet tórico. Estava Withering no fim do século para tratar Van Gogh (1853 a 1890) de seus XVIII, 1785, ao publicar seu livro. Era a épo- problemas mentais. O Prof. Thomas Cour- ca da Revolução Francesa (1776) e da exe- tney Lee da Faculdade de Medicina de Geor- cução de Tiradentes no Brasil (1792) e ve- getown defendeu esta tese no The Journal of jam a coragem em escrever caso por caso, the American Medical Association (JAMA, n0 acertos e erros, acontecidos em cento e ses- 245, de 1981). Logicamente que a digital não senta e três pacientes! Parece-nos útil citar estava indicada para o tratamento da epilep- algumas curiosidades relacionadas à digital: sia, ou da esquizofrenia, de Vincent Van 1) já era anotada pelos médicos do País de Gogh e não teve bom resultado, a não ser Gales (1250); 2) era chamada de: fox glove dar-nos a brilhante fase amarela do pintor, (luva de raposa), foxes glews e fox music que em vida só vendeu um de seus quadros. (Inglaterra), campainha de raposa Para o Prof. Lee esta fase amarela foi de- (Noruega), luvas de Nossa Senhora e dedos sencadeada pela intoxicação digitálica, que de virgem (França), capuz de dedos e deda- pode fazer com que os pacientes vejam os leira (Alemanha) e dedos sangrentos e cam- objetos com outras cores, na maioria das ve- painha de defunto (Escócia); 3) Pelas dificul- zes em amarelo. Apesar dos ensinamentos dades do estudo farmacológico da época, de Withering durante muitos anos as digitais, Withering acreditou que a digital, que com- retirada da Digitalis purpurea (no mercado batia a hidropisia, a anasarca da insuficiên- digitoxina) e preferencialmente da Digitalis cia cardíaca, atuasse apenas como diurético lanata (digoxina e lanatosíceo C) foram em- e não como agente que aumenta a força de pregadas de forma errada; 7) Van Gogh, que contratilidade cardíaca. 4) Ellery Queen antes de entrar no tratamento com a digital e (Crime da Raposa) e Agatha Christie, esta a citada fase amarela, escrevera ao irmão por duas vezes, usaram a digital, como ve- Théo, que "desejava pintar o mundo em ver- neno, com maestria no segundo livro de des e vermelhos, para expressar as terríveis Agatha Christie (Erva da Morte) e no dos pri- paixões humanas" (J´ai cheché à exprimer mos, que se assinavam Ellery Queen. Estes avec le rouge et le vert les terribles passions livros mostram os conhecimentos de Farma- humaines), retratou o Dr. Gachet, segurando cologia dos dois renomados autores, usando um ramo da Digitalis purpurea e sem os a digital na literatura policial, pois a dose efe- amarelos, que vieram a dominar seus qua- tiva dos cardiotônicos digitálicos está muito dros pintados depois deste período de pseu- próxima da dose tóxica, daí a necessidade da cura em Arles (1880), sob a orientação do de empregar o remédio de forma correta; 5) referido Dr. Gachet; 8) O quadro do Dr. Ga- Fruttero & Lucentini, para terminar o folhetim chet (Portrait Dr. Gachet) durante muito tem- policial inacabado de Charles Dickens, "O po foi o de maior preço alcançado em leilão, www.varaldobrasil.com 103
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 82,5 milhões de dólares, em 1990. Hoje já ring ao menos não tomou digital, quando a perdeu esta primazia de maior preço para um enfermidade acometeu-o. Triste consolo. 13) quadro de Picasso. 9) Dale Dubin, em seu O emprego dos cardiotônicos digitálicos em livro Interpretação Rápida do Eletrocardiogra- Medicina tem apresentado sístoles e diásto- ma, compara o ST-T do eletrocardiograma les, desde 1785, mas os últimos estudos em pá, ou colher, de pedreiro, que traduz o multicêntricos sobre os digitálicos, como efeito digitálico, ao formato do surrealista bi- DIMT (1993), PROVED (1993) e DIG (1997), gode do pintor Salvador Dali; 10) no Reino mostraram que os digitálicos continuam sen- Unido um grande número de tentativas de do cada vez mais úteis no arsenal terapêuti- suicídio ocorre por ingestão de comprimidos co da insuficiência cardíaca sistólica, ainda de digital. T. W. Smith e col., estudando vinte que auxiliados por outros medicamentos; 14) e seis casos graves de intoxicação digitálica, Por radioimuno ensaio já se pode dosar o mostrou que doze foram desencadeados em nível de digital do sangue, o que propicia es- tentativas de suicídio (relato no N. Engl. J. quemas de digitalização mais seguros; 15) Med. 307, 1982). Será esta uma influência aos que empregam digitálicos pode-se acon- dos livros dos escritores policiais, citados aci- selhar: “Sutor, ne supra crepidam” (sapateiro, ma? 11) Church, Schamroth, Schwartz e não acima da sandália), pois há indicações Marriott escreveram um artigo, ao menos cu- precisas para se usar o medicamento e de rioso, no qual intoxicaram propositadamente forma própria; 16) conversava com um grupo cada um de trinta e nove pacientes e com de jovens e o assunto digital veio à baila e três cardiotônicos digitálicos distintos, para logo um dos mesmos pensou que falávamos estudo! ("Deliberate Digitalis Intoxication" - sobre algum assunto cibernético (digital, digi- An. Int. Med. 57, 1962). E as intoxicações tação etc) e não sobre uma benfazeja erva. digitálicas podem levar à morte, daí a neces- Mas tudo começou com um sidade de bem conhecer sua farmacologia. O livro, que neste ano da graça de 2012 fez du- anotado artigo não estaria representando zentos e vinte e sete anos e ainda merece uma experiência em “anima nobili”?; 12) Wil- ser lido, não só por seu valor histórico, mas liam Withering faleceu em 1789 de tuberculo- também para mostrar que um homem, uma se. Uma das proposições de seu livro foi erva e um livro muito fizeram pela saúde da mostrar as verdadeiras indicações da digital Humanidade. e nesta lista não constava a tuberculose. Du- rante muitos e muitos anos a digital foi equi- vocadamente prescrita para curar a falta de ar da tuberculose avançada e mesmo em ou- tras doenças, onde ocorria dispnéia. Withe- www.varaldobrasil.com 104
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! ESTE LIVRO Este livro é de mágoas. Desgraçados Que no mundo passais, chorai ao lê-lo! Somente a vossa dor de Torturados Pode, talvez, senti-lo... e compreendê-lo. Este livro é para vós. Abençoados Os que o sentirem , sem ser bom nem belo! Bíblia de tristes... Ó Desventurados, Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo! Livro de Mágoas... Dores... Ansiedades! Livro de Sombras... Névoas e Saudades! Vai pelo mundo... (Trouxe-o no meu seio...) Irmãos na Dor, os olhos rasos de água, Chorai comigo a minha imensa mágoa, Lendo o meu livro só de mágoas cheio!... in Livro de Mágoas FLORBELA ESPANCA www.varaldobrasil.com 105
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! priscilatenista@hotmail.com DE LIVROS E CHOCOLATE quanto saboreava o doce, saboreava tam- bém o livro. Confesso que eram livros muito difíceis, Por Priscila Ferraz principalmente para aquela idade tão pouca, mas eu adorava. Lia Dostoiévski (socorro, Todo fim de tarde era aquela ansiedade. Noga!), Jorge Amado, Monteiro Lobato para Aquele homem meio truculento, que chega- crianças e adultos, mas o que me encantava va às lágrimas com a facilidade de uma mo- era O Ferreiro da Abadia, de Guy de cinha e se odiava por isso, traria em seu bol- Maupassant. Hoje, nem sei se teria a paci- so um pedaço de felicidade. Tinha dificulda- ência e a constância necessárias para ler de em expressar seu amor e o fazia trazen- uma daquelas obras. do pequenos presentes, não caros, com cer- Aqueles desses instantes tão prazerosos me teza, mas que faziam com que minha mãe, marcaram tanto, que eu também quis contri- minhas duas irmãs e eu nos deliciássemos. buir com a satisfação de algum leitor ávido De volta de seu trabalho na cidade, a cami- por um bom romance de férias, livre, leve e nho de casa, meu pai sempre passava em solto. Daí, escrevi o Nuvem de Pó. Vou con- uma confeitaria para comprar chocolate — tar um pouquinho dessa história. vê-se que um dos meus vícios foi iniciado De repente, o tema surgiu, e escrevi como por ele o outro foi culpa de minha mãe, que quem não quer nada, só para guardar mo- desde cedo nos incentivou a ler e, em mim, mentos incríveis que passei. Depois tomei encontrou terreno fértil. gosto e fui aumentando o texto, criando e Ainda me lembro como se hoje fosse o gos- inventando, montando um enredo. Foram to do chocolate de uma antiga fábrica que já dias maravilhosos, vivendo aquela história nem existe mais, a Sönksen, com trema que eu mesma ia criando. Cada capítulo era mesmo. Eu não ia abrindo assim logo de ca- lido e relido, procurando as palavras que ra; tinha todo um ritual para meu momento melhor demonstravam as emoções que eu de prazer. Na hora de deitar, abria meu livro, queria passar e eram, praticamente, histó- começava a ler, e, devagarinho, ia abrindo rias completas e diferentes. também a embalagem do chocolate: en- www.varaldobrasil.com 106
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! A pior parte veio depois. Apesar de alerta- da, tinha a esperança de ver meu livro sendo divulgado e vendido: ledo engano, nada aconteceu. Ainda tentei fazer uma edição para lançá-lo como livro digital achando que, como é novidade, poderia ter mais chance. Outra decepção, afinal, não sou nenhuma BBB para ter notorieda- de e possibilidade de divulgação do meu trabalho. Mas não me queixo. Sempre recebo retor- nos sobre meu livro e as pessoas me esti- mulam a continuar escrevendo. Àqueles que estão começando na carrei- ra, desejo boa sorte, pois precisarão de muita. Mas mais importante do que o des- tino é a caminhada. Desfrutem-na. VOCÊ SABIA? A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores pelos cinco continentes! Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL! E-mail: varaldobrasil@gmail.com Site: www.varaldobrasil.com Blog: www.varaldobrasil.blogspot.com www.varaldobrasil.com 107
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! rcandidofilho@ig.com.br vir para ele, pelo menos essa insatisfação Bibliófilo não teria me acompanhado desde aquela ocasião! Por Raimundo Candido Teixeira Filho Não sabe o estúpido tolo que é indes- critível o prazer de um passeio por entre as Outro dia recebi a visita de um velho páginas de um bom livro, num deleitante e conhecido – há tempos tomo cuidado em recíproco dialogo. É como um ser animado, manejar a invulgar palavra amigo – que me que vai falando e minha alma prossegue res- viu cercado por uma profusão de livros espa- pondendo, numa prosa solta, na mais har- lhados por todo canto, ostentados nas prate- moniosa das conversas, que às vezes, che- leiras, dispersos sobre uma mesa, apoiados go a esquecer que preciso de companhia em cadeiras, abandonados pelo chão e um humana. Todo meu longo silêncio ganha amarelado alfarrábio de poesia descerrado uma voz dialogada, que logo se transmuta em minhas mãos, lhe dando a impressão num exercitado monologo entre o meu atôni- que eu sou desorganizado. to pensamento e esta esbranquiçada folha Assim, com um espírito presunçoso de papel que lês, agora. de quem só tem cifrões estampado na bila As bibliotecas, como o amplo mundo, do olho, foi logo soltando uma descortês per- deviam estar sempre de portas abertas, até gunta, que comprova a ausência de desen- nos dias santos e feriados, pois é crime cul- volvimento espiritual e constata a falta de poso deixar um livro calado, amordaçado, desempenho cultural: num silêncio sepulcral o ano inteiro, como – Para que serve essas pilhas de li- ocorrem nos desleixados colégios, onde o vros, meu amigo Raimundo? Você gasta livro é só um mero enfeite de prateleira. uma fortuna com essas coisas inúteis, sem A arte da leitura é uma atividade para serventia, como essa tal de poesia, para que todas as idades, dos oito aos oitenta, como lhe serve toda essa literatura? até recentemente me assombrava a capaci- Fiquei arrependido, porque na hora dade de uma jovem chamada Delite, uma não respondi a altura, mas para indivíduo bibliófila que aos 93 anos lia com sofregui- assim, não adianta a gente perder tempo ex- dão intelectual de um sábio, de um erudito, pondo muita coisa, não. Realmente, seria me induzindo a inveja, pela sua disposição até difícil explicar àquele cidadão minha ve- para a leitura, uma verdadeira legente que neração a uma coisa de utilidade aparente, sorvia as palavras com afã e sem aquele re- como à poesia. Acho, porém, que eu devia pentino cansaço que minha mente sempre ter respondido na bucha que podia não ser- inventa para favorecer a indolência. www.varaldobrasil.com 108
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Certa vez, houve uma importante conver- sa entre um pai e seu querido filho, que relatarei aqui. O zeloso pai pergunta cari- nhosamente ao pequenino: - Thalles, o que você vai querer de presente, no seu aniversário? O denotado filho, rapidamente res- ponde, com uma imensa alegria nos olhos: - Oba! Eu quero um livro, meu pai! O pai tenta dissuadi-lo daquele fi- xo desejo: - Novamente livros, meu filho! Pe- ça um brinquedinho, já chega de tantos livros! Propositalmente inverti o enredo desse episódio, porque era meu veemente de- sejo impor o hábito da leitura ao meu fi- lho e não ouve como achar um meio, por mais que tentasse trocar a bola pelo livro. Mas espero que ele descubra logo que os livros também são brinquedos feitos com letras e que ler também é divertir-se, é poder continuar a brincar pela vida afo- ra, mesmo tendo o privilégio e a primazia de viver até os 93 anos sofrendo desta doce obsessão, chamada bibliofilia. www.varaldobrasil.com 109
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! acon_lieg@yahoo.com que é lindo seu livro, QUERO LIVRO que quer ler seu livro, que já leu seu livro, Por Roberto Armorizzi e vai ler mais livro. O livro Tenha gosto para ler, é ativo, compre, tenha e leia livro. decisivo, inclusivo. Livro ensina, explica, realiza. É fácil ler livro, difícil é vender livro, mas é bom comprar livro, livro pede para ser lido, alguns não querem ler livro, outros, livro querem ler. O autor fica feliz, quando alguém vem e diz, www.varaldobrasil.com 110
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! sandra.nascimento@ymail.com Como explicar de modo simples e sincero – Forma Ideal às crianças, por exemplo – que tudo pode ficar melhor, senão por meio do livro? Por Sandra Nascimento Que outra forma haveria para guardar a me- mória e todos os seus segredos? A poesia e sua compreensão intuitiva? O Cinema e sua Livros são caminhos inusitados, imaginários, informação? A música e suas cifras? A foto- ideias e projetos que podem trilhar mudan- grafia e seus contrastes? A Pintura com seus ças, mostrar soluções... detalhes e sutilezas? As várias expressões da Arte, enfim, em uma só obra? A História, Livros são tulipas, orquídeas, violetas... Flo- Ciências todas e Deus? res nascidas do cultivo aplicado, de regas disciplinadas, de pesquisas e do ideal. Que outro motivador para lapidar a escrita – essa fada das Línguas? São sonhos, registros, resgates, lendas, fa- tos, ficção, amigos leais. Senão pelo livro, que jeito melhor de encon- trar liberdade? Palavras talhadas pra sempre, refúgios, via- gens... Livros são lugares para respirar. Oráculos que contém fórmulas para o bom da vida, o amado das coisas. Flashs para o coração que se cansa. Algo ou tudo da razão. O melhor do mundo ficará no livro, quer seja ele antigo ou digital. E uma vez aberto deixa- rá a impressão de que foi talhado como ves- tido de corte único, editado especialmente para o momento do encontro com o leitor. Livro é tempo que avança sem medo. Intros- pecção. Descoberta em si e Universo quando envolve e complementa o outro. www.varaldobrasil.com 111
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Livro Por Sarah Venturim Lasso sarahvlasso@gmail.com Alma do escritor Sangue derramado em forma de letras Rimadas ou não E que as vezes nem fazem sentido Livro Com paginas amarelas Como um senhor de idade e respeito Mostra seu valor Livro Que tem cheiro de livro Que grita poemas Ou historias qualquer Livro Que sai do fundo da mente Como serpente dançando pelas mãos Até parar no papel Livro O que seria de mim sem eles E eles de mim? www.varaldobrasil.com 112
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! sheila@soŌon.com.br Eu escrevo Por Sheila Ferreira Kuno Eu sou uma pessoa calma e determinada a ser feliz. No entanto, muitas vezes acontecem situações em que eu deveria gritar, pu- lar, xingar, mas eu não consigo. Toda essa fúria ficava guardada no fundo do meu coração e me corroíam, até o dia em que comecei a escrever. Escrever para aliviar meu coração, para me libertar. Escrever para registrar passagens da minha vida que poderiam ser esqueci- das, mas que uma vez escritas, justificam certas atitudes. Infelizmente comecei a escrever em um momento de tristeza e desespero, mas foi o que me salvou. Escrever fez-me encontrar novamente o equilíbrio emocional. Hoje me considero uma viciada em escrever, escrevo de tudo. Escrevo sobre minhas tristezas e desesperos. Escrevo sobre minhas alegrias e graças a Deus, são bem maiores que as tristezas. Escrevo sobre meu passado. Escrevo para rir de certas situações. Enfim, eu escrevo. www.varaldobrasil.com 113
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! silvioparise@verizon.net Apaixonado e verdadeiro Ser Poeta e deixa que o mundo inteiro seja assim... Prefiro viver amando Por Silvio Parise e perdoar sempre! Pedindo a Deus que essas correntes possam logo se quebrar Ser poeta é ser amante para enfim o mundo ver da vida que passa e sentir que o amor existe e sem a nossa graça reconhecendo que só são tristes o mundo jamais poderia porque não são reais viver com alegria e vivem vidas banais o nosso poder de pensar... por não saberem amar... Nessa convivência gostosa Mas nós, poetas, que primo em preservar temos que lhes reeducar essa paixão, esse amor para ver o amor chegar pelas letras que me dão transformando assim este mar a liberdade de expressar em bilhões de poesias aquilo que vejo criadas por esses poetas neste mundo de desejos que, como as areias desertas, que ficam a navegar são flores e têm de brotar. no meu pensamento constante sempre perplexo e vibrante aos amores que confesso não me amar... Pois são falsos e mentirosos e vivem vidas de ilusões ferindo muitos corações para no final preservarem este mal até se expirarem consumidos pela maldade que um dia souberam plantar... Mas nós não somos assim! Realmente, eu posso dizer... pois amei tanto você e hoje não quero o teu fim... Porque eu sou poeta! www.varaldobrasil.com 114
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! ponível para pagá-lo e folhar título e índice. O livro Comenta-se que os livros mais vendidos são Por Sonia Nogueira os romances, os livros de autoajuda, atual- mente estão na moda os contos, a poesia sogueira@yahoo.com.br com menos procura. O que seria do mundo sem a poesia. Ali o sonho desabrocha, a O livro foi maior descoberta para a humani- mente flutua em encanto ou desencanto, dade. Registra os mais variados atos e identificando-se com o leito. A bíblia é o livro ações dos povos, dos mais simples aos mais vendido no mundo. Livros técnicos e complexos. A história registra sua escrita, científicos só interessam aos estudiosos do em códigos ou letras, desde a antiguidade, assunto. para transmitir valores concretos ou abstra- tos. O barro foi o primeiro material usado, quer em forma de desenho ou símbolo, as letras. Depois o papiro retirado da planta e substituído pelo pergaminho de couro de ani- mais, carneiro ou boi. Entre os gregos, para codificar as leis, na Vender mil livros no Brasil, sem pro- Era Cristã teve enorme divulgação da reli- paganda, sem ajuda da mídia é um grande gião. Daí a ideia de pensar no livro, patrimô- feito, ser um Best-seller indica que o escritor nio essencial guardando a historia das na- vendeu muitos livros é o chamado livro de ções. massa. Escritores bem conhecidos no Brasil: Apesar da tecnologia divulgando livros virtu- Carlos Drummond de Andrade, Manuel Ban- ais, o livro, porém, em papel ainda é muito deira, Machado de Assis, Vinicius de Mora- aceito. Se quisermos faremos uma biblioteca es, Mario Quintana, Aluísio Azevedo, Montei- virtual com a escolha dos livros de nossa ro Lobato, Clarice Lispector, Mário de Andra- preferência, a leitura, porém, é cansativa. O de, Cecília Meireles, entre outros. livro em arquivo na estante, ainda tem seu valor, apesar de caro. Divulgar um livro é oneroso para quem tem poucos recursos financeiros. As editoras co- bram caro, o livro fica mofando em casa ou nas prateleiras das livrarias, em baixo, onde a vista não alcança ou a coluna não está dis- www.varaldobrasil.com 115
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Quanto aos novos escritores são tantos lan- çamentos em todo estado do Brasil, de pouco res- paldo, que a venda acontece no dia do lançamen- to, depois não se tem notícia da continuidade de venda ou divulgação. Mesmo vendendo poucos livros o escritor sente imensa satisfação em ver suas criações dei- tadas nas páginas, seu nome figurando na capa, dando ideia de um grande escritor mesmo sendo Livros e flores pequenino e hibernando nas livrarias. Dicas para editar? As livrarias, a maioria, Teus olhos são meus livros. não estão preocupadas com qualidade, nem venda. Que livro há aí melhor, Elas faturam, e, boa sorte a quem tiver. Outras Em que melhor se leia poucas livrarias, avaliam se o assunto teria venda, A página do amor? oferecem editar o livro com 10% ou 5% para o escritor. Miséria. Flores me são teus lábios. Dicas para escrever? Linguagem simples Onde há mais bela flor, com leitura universal. O mesmo tema pode agra- Em que melhor se beba dar ou desagradar com leitura enfadonha e cansa- O bálsamo do amor? tiva. A boa leitura é criativa, prende o leitor em cada página, a curiosidade é a arma para o desfe- Machado de Assis cho do assunto. www.varaldobrasil.com 116
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! waldeck2007@gmail.com do me encantava, os desenhos dos livros, a MINHA PAIXÃO dança das letras e dos números, aquilo me deixava meio que abobalhado. Meus Deus! POR LIVROS Quanta coisa nova eu descobria a cada dia. A professora Lina, minha primeira “pró”, lia as estórias de “Alice” na cartilha e deixava a mim e a Valquíria, minha irmã e colega de Por Valdeck Almeida de Jesus classe boquiabertos. Nós praticamente “viajávamos” na narrativa, esquecíamos nos- sos problemas do dia-a-dia e mergulháva- Meu primeiro contato com livros foi quando mos, literalmente, num mundo fascinante e comecei a estudar no primário, aos seis anos misterioso, o mundo dos contos infantis. Tive de idade. a sorte de ter contato com livros de uma for- ma lúdica e não da forma obrigatória como Nessa época eu morava na periferia de Je- tradicionalmente se percebe nas escolas de quié, no bairro Banca, com minha mãe Paula todos os tempos. Almeida de Jesus, meu pai João Alexandre de Jesus e mais três irmãos menores: Val- As lições de casa eram leitura e releitura do quíria, Valmir e Valdecy. texto aprendido na classe, o que nem sem- pre conseguíamos fazer sozinhos. E sem a Meu pai era analfabeto e trabalhava roçando ajuda necessária da mamãe, ficava impossí- campos em fazendas próximas à cidade. Mi- vel fazer os deveres de casa, deixando-os nha mãe, também analfabeta, era do lar. Vi- para fazer na própria escola no dia seguinte. víamos uma vida franciscana, a miséria e a pobreza pairando em nossas cabeças. Tí- Dali por diante o meu mundo se transformou. nhamos tudo para não dar certo, não sair da- Quando comecei a dominar a leitura e a es- quela situação de mendicância. Todos os in- crita, eu devorava tudo que encontrava pela gredientes ali se encontravam, concorrendo frente: de bula de remédio a rótulos de xam- para a perpetuação do cidadão de terceira pus, de informações técnicas de manuais de classe, parasita da sociedade e fardo para a aparelhos diversos a jornais, de revistas en- previdência social no futuro. contradas nos lixões a placas de trânsito etc. Eu me apaixonei pelo mundo das letras e Felizmente as “letras” cruzaram minha vida. quanto mais eu lia, mais a paixão avassala- Quando cheguei à escola, troquei os brin- dora me dominava. Essa paixão me impeliu quedos feitos de latas de óleo e de sardinha cada vez mais à leitura, e me tornei um dos por cartilha, ABC, tabuada etc. Era um mun- alunos CDF’s no primário e em todas as sé- do fascinante, desconhecido, desafiador. Tu- ries seguintes. www.varaldobrasil.com 117
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Ainda cursando o ensino fundamental, mu- cial e ao jeito “certinho” de escrever, me li- dei-me para uma fazenda, por força das cir- bertando completamente do formal e do poli- cunstâncias que obrigaram minha mãe a tra- ticamente correto. balhar para sobreviver e para sustentar os Esse processo maturou-se e comecei a es- filhos. Meu pai tinha viajado para São Paulo crever intensamente novos poemas que re- a fim de cuidar de vários problemas de saú- tratavam tudo. Desde a vida desgraçada que de. Na fazenda eu acabei ajudando minha eu levava até os desabafos de um jovem su- mãe nos afazeres de casa e nos serviços focado pelos sonhos de mudar o mundo. que ela realizava para a patroa. Minha mãe, apesar de não conhecer as letras, conhecia muito bem a dureza de quem não estudou e Outro incentivo grande que recebi foi após manteve os filhos na escola, desta vez fre- conhecer o “Círculo do Livro”, ao qual me quentando a escola rural que se situava a filiei e pude ter acesso a um mundo de no- alguns quilômetro da sede da fazenda onde vos autores e novos pensamentos. Pirei de morávamos. Eu continuava encantado com vez... Parti para a militância estudantil e polí- os livros que acabei ensinando a minha mãe tica, passei a ler e a escrever para jornais de a ler e a escrever. luta operária e isso tudo foi me abrindo no- Foi na fazenda que tive contato com o mun- vos horizontes e me proporcionando força do das revistas em quadrinhos, pois na casa para conquistar a cidadania plena. Nessa da sede havia um gabinete superlotado de época eu quase devorei todos os livros da revistas de Mônica, Cebolinha, Pateta, Pato Biblioteca Municipal de Jequié. Em várias Donaldo, Tio Patinhas e outros persona- oportunidades eu pegava livros para ler e gens. Eu tinha acesso fácil a todas as revis- quando olhava a ficha de empréstimo perce- tas enquanto a dona da fazenda, Luci Val- bia que já os tinha lido... Fundei uma biblio- verde, estava em casa. E quando ela viajava teca em casa e emprestava livros e revistas para Jequié ou Salvador eu entrava por uma a toda a vizinhança. janela lateral e tomava de empréstimo várias revistas, lia cada uma com avidez, voltava e devolvia aos lugares de onde eu tinha retira- Fiquei viciado e viciei muita gente a desco- do. Foi a melhor fase de minha vida, ter o brir que o mundo tem outras cores e dores, contato com a natureza e com uma vida livre além daquelas que são mostradas; e por on- de estresse, além de ter à minha disposição de quer que eu passe, semeio a semente da revistas que me enchiam os olhos e me fazia leitura e da reflexão, pois acredito que leitura sonhar com os personagens das estórias não é apenas a decodificação dos signos, lidas. mas, principalmente, a decodificação das mensagens subliminares, das entrelinhas e Retornei a Jequié para continuar os estudos da compreensão da vida como um todo e depois de passados cinco anos. Ali eu mer- não como partes isoladas. Compreendo o gulhei de vez na literatura. Tive contato com mundo como um complexo do qual sou parte a poesia depois de comprar uma coleção de e que devo agir responsavelmente em rela- três mine livros de poemas, cuja linguagem ção a mim e ao demais habitantes desse me fez enlouquecer de amor pelas rimas, mundo. Esta visão ampliada pela LUPA da pela conotação e por todo o encanto natural leitura e da escrita, me permite hoje escrever que a poesia encerra. Resolvi ser poeta e livros e a incentivar a criação literária pelo comecei a rabiscar meus primeiros versos. país a fora, através de projetos de publica- Logo após, caía em minhas mãos os livretos ção de poemas de autores anônimos, pales- de Cordel, e minha cabeça quase deu um tras em escolas e universidades, etc. O obje- nó. Eu ficava meio perdido entre seguir as tivo primordial da leitura é a transformação regras de construção da poesia tradicional e do cidadão em força motriz do seu próprio o jeito livre de escrever dos cordelistas. E destino e dos destinos da Nação e do mun- para piorar, conheci as obras de Augusto do em que habita. dos Anjos e de Castro Alves. Perdi comple- tamente o pudor em relação à gramática ofi- www.varaldobrasil.com 118
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! vinicius_leal@live.com Pra fazer uma estrofe é assim: 1° com 3° e Todos pendurados 2° com a 4° pronto, , agora é só rimar no varal Agora é sua vez, vamos praticar, sem enro- lação. Por Vinicius Leal M. da Silva A crônica também é fácil de fazer O varal convida a escrever Ela se da no dia-a-dia É importante para o crescimento do mundo Sem o menor problema, ela se desenha no Novidades literárias a se ler seu lazer. Livro, um espaço apenas teu, Mas nunca esqueça, sempre com alegria. Mas com ele você divide o segundo Escritor desde pequeno Rimador por um acaso Divulgação eu tô fazendo Esta arte é um descaso E o mundo não tá vendo Ao leitor meu poema tô levando Mas o mundo é coisa grande Dificuldade pra lançar tô encontrando O mais vendido quero tornar nem que por um instante A alegria e o deslumbre de monta-lo tô conhecendo O prazer de vê-lo sendo lido por alguém tô passando Que bom que sou do meio literário toda nova era dos rimadores vou vivendo E a cada novo dia um poema inédito vou Foto: Moth Art admirando Agora dicas em poucas palavras eu vou dar É fácil, preste atenção. www.varaldobrasil.com 119
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! vofia@tpnet.psi.br coisas e da vida, porque os livros espelham ABENÇÔADOS LIVROS os acontecimentos; com a chegada das no- Por Vó Fia vidades eletrônicas, os leitores se contentam com livros condensados que não dizem exa- tamente o pensamento do autor, juntando o Assim que aprendi as primeiras letras, me progresso com a falta de tempo das pesso- encantei pelos livros e me lembro depois de as. tantos anos, do primeiro livro que li e foi o Mas nada como o prazer de ter nas mãos Narizinho Arrebitado de Monteiro Lobato, era um bom livro, saborear página por página, um livro com gravuras coloridas muito lindas reler e marcar os melhores trechos e depois e eu li e li novamente encantada com as his- sonhar com os acontecimentos daquela his- torias do grande autor e com as imagens da toria; no passado, no presente e no futuro os menina e do príncipe, a maioria dentro do livros sempre ocuparão um lugar de desta- rio, porque o príncipe era um peixe. que e os escritores serão sempre lembra- Na minha mocidade os livros eram a dis- dos, porque um livro cumpre o papel de um tração principal, as crianças liam contos de parente ou amigo ausente, é a companhia fadas, e as moças aprendiam a sonhar com dos solitários. os romances adocicados de M. Dely e de Livros virtuais tem sua importância, a inter- outros autores do gênero, mas os rapazes net também espalha cultura e com seu gran- também se interessavam pela leitura e ado- de alcance é de grande ajuda para despertar ravam os livros de capa e espada de escrito- o interesse pelos livros, mas os livros im- res que até hoje são lidos e apreciados co- pressos não devem ser descartados nunca, mo: Alexandre Dumas, Ponsul du Terrail e porque um livro pode ser um presente para muitos outros. alguém, uma distração em momentos de an- Os grandes autores brasileiros do passado gustia, porque a leitura é acalento, é emoção como Machado de Assis, José de Alencar, e alegria; um bom livro é o melhor adorno Euclides da Cunha e tantos outros, são hoje em uma mesa de cabeceira. o exemplo para os novos autores e descen- No momento os novos autores encontram do a escada do tempo, temos mentes bri- dificuldades em publicar seus textos, porque lhantes como Guimarães Rosa, Clarice Lis- livros e cultura em geral não fazem parte dos pector, Jorge Amado, Raquel de Queiroz e planos de muita gente, porque se sabe que outros mais, não nos esquecendo dos gran- um povo culto não se deixa enganar; livros des poetas como Castro Alves, Cora Corali- são mais importantes que a comida que ali- na, Adélia Prado e Carlos Drummond de An- menta o corpo, porque os livros alimentam o drade e muitos mais. cérebro e um cérebro bem alimentado alarga De ontem e de hoje, os escritores e seus os horizontes, abre caminhos e conduz a fe- livros embalam a imaginação de todos e licidade. ajudam a pensar e entender o sentido das www.varaldobrasil.com 120
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! walnelia@gmail.com Métrica Por Walnélia Corrêa Pederneiras É certo. Tem um preço o verso. Constato nos ombros cansados De livros marcados, escolhidos... Trabalhar o texto, invade o traço. Poeta, o que devo ler para Shakespeare entender? www.varaldobrasil.com 121
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! weslleymoreiralmeida@hotmail.com palavras LEITURAÇÃO que alinhavadas desvendam os símbolos policrômicos Por Weslley Almeida do existir Tornam-se teias dialogizantes Ler para se entender e marca-nos como tatuagens. para se rever – e ser-sendo no devir enciclopedizante. Previamente ao ato de ler transfigurar-se o anímico Ler é caminhar em grafo. por trilhos imaginários Percorre-se, pois, chegar ao horizonte. o caminho contrário dialetizante... Lendo sou lido me refaço. E singra então Dialogo comigo mesmo Porfim e com os outros. dentro Com os outros eus a semântico-diversidade sígnica e com os outros Outros. pelas veias fluidas da leituração. Cada período, um caminho. Cada frase, um atalho de ideias, www.varaldobrasil.com 122
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! NADA PIOR PARA UM ESCRITOR Por Wilton Porto prywill@hotmail.com Da mesa, a gramática espia-me rubra. Ao seu lado, o Aurélio inquieta-se ansioso. A folha, em branco, parece imaginando saltar... Eu, entre lágrimas, na rede: vontade De brincar com as palavras. Respiração arfante conduz-me à dor no peito. O arroto aliviante não vem. A busca incessante Do arroto leva-me à agitação nervosa. O medo bate à porta... Olhos arregalados, Eliana desassossega-se. Na esperança de um alívio, ela massageia-me O peito, as costas – pergunta-me se quero tomar Algum chá. Líquido só piora. Torço-me... busco a terapia respiratória... Valho-me, gota a gota, do chá morno relaxante... Um breve arroto se apresenta salvador... Gramática , dicionário, palavras, estão silentes – Não posso brincar com as palavras. Nada pior para um Escritor. É “dançar um tango argentino.” www.varaldobrasil.com 123
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Dez dicas para escrever um livro Dez dicas para 1. Aprenda tudo o que puder sobre es- escrever um livro crever livros antes de encarar a em- preitada. Enquanto aprende, vá Artigo reprodução: hƩp://comoescrever.com.br/ “ensaiando”. Ou seja, escrevendo mini-livros – digamos assim. Peque- nas histórias, com poucas páginas. Se você pretende escrever um livro, 2. Leia, leia e leia. Ler está para escre- não custa nada pesquisar um pouco ver assim como escutar está para fa- aqui e ali. Principalmente se for mari- lar. Se você não lê, não vai saber es- nheiro de primeira viagem. E procure crever. não levar tão a sério tudo o que vê por 3. Para os primeiros trabalhos, escolha aí. Inclusive as dicas abaixo. Porque assuntos que já conhece bem. Por nem sempre o que funciona para um, exemplo: suponhamos que você en- funciona para outro. Você precisa dar tenda bastante de motocicletas. Na- uma “peneirada” nas informações. Tes- da mais óbvio que escrever sobre tar algumas coisas, e assim por diante. motocicletas. 4. Não perca meses, anos, no primeiro Eu mesmo já vi informações, dicas por livro. Faça algo bem feito, mas não aí, que descartei logo de cara. Para fique enchendo de salamaleques e mim. Para você talvez não seja o caso. detalhes, achando que aquele vai ser “o cara”. Provavelmente não vai ser. Acima de tudo, lembre-se que existe O primeiro livro geralmente não é “o uma espécie de “aura” em torno do as- cara”. Aí, saber que você perdeu – sunto. Escrever livros pode parecer coi- por exemplo – um ano e meio para sa feita só para uma meia dúzia de pri- escrever algo que não serve… vilegiados. Mas não é. Você pode escre- 5. Não queira agradar gregos e troia- ver um livro, sim senhor. E hoje em nos. Querer parecer bacana pra todo dia, publicar é bem fácil. Caso não con- mundo é o jeito mais fácil de não siga uma editora, não engavete seu agradar ninguém. De preferencia, projeto. Publique o livro em PDF. Divul- escolha um “nicho de mercado”. gue na internet. Garanto que você vai Quanto mais você focar seus livros pular de alegria ao entregar o primeiro num determinado público, melhor. livro ao primeiro leitor. Mesmo que seja 6. Procure obter feedback, ou seja, de graça. opiniões de terceiros. Mas não a ma- mãe, o papai e os amigos. Estes po- dem até te atrapalhar. Vai dar mais trabalho, mas é melhor procurar al- guém imparcial. Que lhe diga algo que preste. 7. Não se iluda. Ao invés de ficar so- nhando em ser o maior escritor do universo, trabalhe. Escreva, aprenda. Talvez você seja mesmo, no futuro, um escritor famoso. Mas primeiro fa- ça o dever de casa. Vamos então às www.varaldobrasil.com 124
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 8. Escreva porque gosta. Assim seu trabalho sai mais espontâneo. Escrever com uma mão enquanto faz as contas “dos livros que vai vender” com a ou- tra, só vai te atrapalhar. 9. Quando tiver um livro pronto, não tenha medo de mostrar. É melhor ou- vir críticas negativas do que não ouvir nada. E saiba de uma coisa: se alguém cair de pau, e falar um montão na sua orelha por causa do livro, você prova- velmente está no caminho certo. O pri- meiro sinal de que você fez algo inte- ressante é alguém baixar a ripa. Se for mandar o livro para uma ou mais editoras, procure saber antes as regras de cada uma delas. Muitas fa- zem inclusive a exigência de que a obra seja registrada. É… o caminho das editoras é árduo. E quando man- dar o livro, prepare-se para esperar. As editoras demoram meses para res- ponder. Mas respondem. Infelizmente, a maior parte das respostas é não. Mas não se acanhe por causa disso. A cada não talvez você esteja mais perto do sim. Lembre-se também que livros já publicados de outra maneira geral- mente não são aceitos. É claro que tem muito mais que isso. Mas acredito que estas dez dicas já servem para dar uma luz, se é que aí do teu lado estava meio escuro. www.varaldobrasil.com 125
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! 10 dicas para divulgar um livro Por Adriano Siqueira (Artigo reprodução. Fonte: http://universoinsonia.com.br/ Para divulgar um livro e deixá-lo a disposição dos leitores. 1 - Coloque um link no seu blog com a capa do livro para mostrar que está a venda. – coloque o famosoCOMPRE AQUI! no link da capa que vai para uma pá- gina que tem acesso a seus dados (coloque só o e-mail) e assim vc pode falar com o leitor e instruí-lo de forma rápida de como obter a sua obra. 2 - Divulgue esta página nos e-mails dos seus amigos. 3 - Esteja sempre em contato na internet. Facebook – Orkut – Twitter 4 – Mantenha um pequeno recado no final da mensagem algo como “Conheça meu novo livro (nome do livro) e saiba como adquiri-lo!” Se você tem assinatura pronta no final da sua mensagem coloque junto os da- dos do livro no final da mensagem. 5 – O Skoob é um site de livros muito bom lá vocês podem acrescentar mensa- gem para comprar com o autor ou mesmo conhecer os leitores. 6 – Procure se informar dos eventos para ver se você pode participar com um estande levando alguns livros para vender. Geralmente o pessoal cobra uma pe- quena taxa pela venda mas vale a pena. 7 – Deixar em consignação em alguma livraria perto de você ou jornaleiro tam- bém ajuda! 8 – Se tiver uma casa noturna perto da sua casa leve os livros monte um estan- de e entre como autor convidado . Geralmente as casas noturnas aceitam auto- res convidados para expor seu trabalho. 9 – Sortear um livro chama a atenção para o seu site. E lá você pode divulgar mais informações de como comprar a obra. 10 – Tenha sempre em mãos uma obra sua pois você nunca sabe quando al- guém está interessado em adquiri-la. Desejo muito sucesso para todos vocês. Abraços www.varaldobrasil.com 126
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    Varal do Brasil,literário sem frescuras! Revista Varal do Brasil A revista Varal do Brasil é uma revista bi- mensal independente, realizada por Jacque- line Aisenman. Todos os textos publicados no Varal do Bra- sil receberam a aprovação dos autores, aos quais agradecemos a participação. Se você é o autor de uma das imagens que encontramos na internet sem créditos, faça- nos saber para que divulguemos o seu talen- to! Licença Creative Commons. Distribuição ele- trônica e gratuita. Os textos aqui publicados podem ser reproduzidos em quaisquer mí- dias, desde que seja preservado o nome de seus respectivos autores e não seja para utilização com fins lucrativos. Os textos aqui publicados são de inteira res- ponsabilidade de seus respectivos autores. A revista está disponível para download no site www.varaldobrasil.com e no blog Consulado-Geral do Brasil em www.varaldobrasil.blogspot.com Genebra Contatos com o Varal? O Consulado é parte integrante da rede consu- varaldobrasil@gmail.com lar do Ministério das Relações Exteriores. Sua função principal é a de prestar serviços aos ci- Para participar da revista, envie um e-mail dadãos brasileiros e estrangeiros residentes na para a revista e enviaremos o formulário. sua jurisdição consular, dentro dos limites esta- belecidos pela legislação brasileira, pela legis- lação suíça e pelos tratados internacionais per- tinentes. CONSULADO-GERAL DO BRASIL EM O Consulado-Geral do Brasil encontra-se locali- ZURIQUE zado no número 54, Rue de Lausanne, 1202 Genebra. Stampfenbachstrasse 138 O atendimento ao público é de segunda à sexta -feira, das 9h00 às 14h00. 8006 Zürich-ZH Fax: 044 206 90 21 O atendimento telefônico é de segunda à sexta www.consuladobrasil.ch -feira, das 13h00 às 17h00. Favor ligar para 022 906 94 20. www.varaldobrasil.com 127
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