AGRISSÊNIOR
NOTICIAS
Pasquim informativo e virtual.
Opiniões, humor e mensagens
EDITORES: Luiz Ferreira da Silva
(luizferreira1937@gmail.com) e
Jefferson Dias (jeffcdiass@gmail.com)
Edição 535 – ANO XII Nº 02 – 04 de agosto de 2015
RECADO AOS APOSENTADOS: NUNCA É TARDE
Luiz Ferreira da Silva
Aposentei-me com 54 anos de idade e continuei até os 65 anos prestando serviços de
consultorias.
Então, o que fazer agora? E me veio a ideia de escrever outros assuntos que não relacionados
à minha profissão, aproveitando a prática adquirida com os escritos técnicos e científicos. E
nessa brincadeira, já editei 13 livros. Não interessa se são best-sellers ou não, se sou um
escritor ou um escrevinhador. O importante é que não vi o tempo passar e só me deu prazer.
Segunda-feira, 16 de março de 2015.
Entrevista com Luiz Ferreira da Silva - Autor
de: VELHOS TEMPOS DE INFÂNCIA.
Luiz Ferreira da Silva
O autor é natural da Cidade de Coruripe,
Alagoas. Veio para Maceió em 1950 onde
concluiu o curso secundário. No Rio, formou-
se em Agronomia pela UFRRJ. Especializou-
se em Solos e foi Pesquisador da
CEPLAC/BA, período no qual publicou 75
artigos científicos e 5 livros técnicos
consentâneos.
Depois de aposentado, passou a se dedicar a
literatura e publicou 13 livros, abrangendo
crônicas e ficção, 8 dos quais pelo Grupo
Editorial Scortecci.
Velhos Tempos de Infância
Trata-se de lembranças de infância vivida no
interior do Nordeste, no período de 1937 a
1949. O autor enaltece o nível educacional
que recebera através da Escola Pública de
qualidade; o dia-a-dia das crianças eivado de
criatividade e gosto pela Natureza,
absorvendo os seus ensinamentos, básicos
para o futuro; o mundo lúdico infantil da época
e a rígida educação doméstica. Finaliza com
uma discussão sobre o hoje e fornece
subsídios para o desenvolvimento sustentável
de sua terra, cujos recursos naturais foram
deteriorados com a monocultura da cana-de-
açúcar.
Olá Luiz. É um prazer contar com a sua
participação no Blog Divulgando Livros e
Autores da Scortecci do Portal do Escritor.
Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia
de escrevê-lo e qual o público que se destina
sua obra?
Trata-se de um resgate dos tempos idos,
década de 40, do mundo infantil vivido,
registrando o modus fasciendi da época, na
expectativa de contribuir para a história da
minha modesta terra.
Fale de você e de seus projetos no mundo
das letras. É o primeiro livro de muitos ou
apenas o sonho realizado de plantar uma
árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Depois de aposentado, passei a me dedicar à
literatura e publiquei 13 livros, 8 dos quais
pelo Grupo Scortecci. Como Agrônomo,
plantei e continuo plantando árvores, edifiquei
uma família e, para ativar os neurônios,
continuo escrevendo sobre o cotidiano, bem
como editando um jornalzinho, o Agrissênior
Notícias, já há mais de 10 anos.
O que você acha da vida de escritor em um
Brasil com poucos leitores e onde a leitura é
pouco valorizada?
Não sou um profissional e nem vivo desta
arte. No Brasil, ela é pouco reconhecida, haja
vista o seu povo de baixo nível cultural e
educacional, sobretudo pelo descaso do
Governo. Tempos atrás, as Escolas Públicas
eram de qualidade e a leitura priorizada.
Como você ficou sabendo e chegou até a
Scortecci Editora?
Através da Internet.
O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma
mensagem especial para seus leitores?
Representa um período lúdico da infância
nordestina, registra uma história e poderá
servir de subsídios a estudos comparativos
das infâncias em regiões distintas. Como
neste mesmo período era a infância pobre -
por exemplo - em Cambé, no Paraná?
Obrigado pela sua participação.
Outras obras do autor, a venda na Asabeça.
Postado por Maria Cristina Andersen às 08:00
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com o Pinterest
O GALÃO D'ÁGUA - NO JAPÃO
Porque no Brasil as coisas não são como no
Japão?
Resposta. Porque lá eles sabem em quem
depositar a confiança no voto que dedicam
aos seus políticos.
Reproduzo o relato que minha filha recebeu
pelo whatsapp de uma garota brasileira que
mora no Japão: Ontem veio um homem aqui e
deixou um galão d'água na frente da minha
porta. Disse que durante a madrugada eles
fariam uma vistoria nos encanamentos de
água do bairro e por isso estavam passando
para avisar, deixar o galão e pedir desculpas
por terem que desligar o registro de água por
algumas horas.
Eu disse para ele que não precisava deixar a
água, afinal, estaríamos dormindo nesse
horário, mas ele respondeu: Você paga suas
contas todos os meses e nós temos obrigação
de não deixar você sem água nem por um
minuto. E ainda disse: Se precisar de mais,
pode pedir. E assim seguiu a distribuir nas
outras casas. Durante a madrugada, olhei
pela janela e havia um grupo trabalhando nas
ruas em silêncio. Hoje vieram novamente,
casa por casa, só para agradecer.
Pois é. Não é assim que deveria ser tudo na
vida? Decência, responsabilidade e
educação: por que é tão raro, tão
complicado? A simplicidade da cena: um
galão d’água deixado de porta em porta para
o caso de os moradores terem alguma
eventual necessidade às duas horas da
manhã, às três horas da manhã.
Não é caridade, e sim direito do cidadão que
paga taxas e impostos. Eu não deveria me
comover com isso, mas me comovo, porque a
gente cumpre com os compromissos como
qualquer japonês, qualquer sueco, qualquer
canadense, mas onde está a contrapartida?
Acho que isso explica nossa desesperança de
que uma eleição mude alguma coisa. Já não
acreditamos que um candidato consiga não
se deixar corromper pelo poder, que possa
governar sem dever favores para outros
partidos, que solucione as mazelas do povo
em detrimento das negociatas de gabinete.
Política passou a ter um sentido desvirtuado.
Ninguém obriga um homem ou uma mulher a
se candidatar a um cargo público. Se ele se
oferece para a missão de governar, deveria
fazer isso unicamente por seu espírito
altruísta. Mas soa como piada. Altruísmo na
política brasileira. Tem graça.
Um galão d’água na porta. Um serviço de
atendimento ao consumidor que funcione de
forma fácil. Um policial em cada esquina. Nota
fiscal entregue em todas as transações
comerciais. Lixeiras por toda parte. Ruas bem
sinalizadas. Transporte farto, barato e que
cumpra horários. Hospitais com vagas dia e
noite. Escolas eficientes. Confiança em vez
de burocracia. Sinceridade em vez de
enrolação. Agilidade em vez de empurrar com
a barriga. Se todo mundo concorda que é
assim que tem que ser, por que não acontece
quem emperra?
Não é só culpa de quem governa, mas dos
governados também. Viciados em retórica,
seduzidos por vantagens exclusivas e não
coletivas, sempre nos perguntando “como
posso faturar com essa situação?”, não
permitimos que o Brasil se moralize e avance.
Galão d’água na porta de casa? Só com um
troquinho por fora, meu irmão.
(Enviada por Hugo Coralli)
A MINHA INFÂNCIA
Cora Coralina
Éramos quatro as filhas de minha mãe.
Entre elas ocupei sempre o pior lugar.
Duas me precederam – eram lindas,
mimadas.
Devia ser a última, no entanto,
veio outra que ficou sendo a caçula.
Quando nasci, meu velho Pai agonizava,
logo após morria.
Cresci filha sem pai,
secundária na turma das irmãs.
Eu era triste, nervosa e feia.
Amarela, de rosto empalamado.
De pernas moles, caindo à toa.
Os que assim me viam – diziam:
“- Essa menina é o retrato vivo
do velho pai doente”.
Tinha medo das estórias
que ouvia, então, contar:
assombração, lobisomem, mula sem cabeça.
Almas penadas do outro mundo e do capeta.
Tinha as pernas moles
e os joelhos sempre machucados,
feridos, esfolados.
De tanto que caía.
Caía à toa.
Caía nos degraus.
Caía no lajedo do terreiro.
Chorava, importunava.
De dentro a casa comandava:
“- Levanta, moleirona”.
Minhas pernas moles desajudavam.
Gritava, gemia.
De dentro a casa respondia:
“- Levanta, pandorga”.
Caía à toa…
nos degraus da escada,
no lajeado do terreiro.
Chorava. Chamava. Reclamava.
De dentro a casa se impacientava:
” – Levanta, perna-mole…”
E a moleirona, pandorga, perna-mole
se levantava com seu próprio esforço.
Meus brinquedos…
Coquilhos de palmeira.
Bonecas de pano.
Caquinhos de louça.
Cavalinhos de forquilha.
Viagens infindáveis…
Meu mundo imaginário
mesclado à realidade.
E a casa me cortava: “menina inzoneira!”
Companhia indesejável – sempre pronta
a sair com minhas irmãs,
era de ver as arrelias
e as tramas que faziam
para saírem juntas
e me deixarem sozinha,
sempre em casa.
A rua… a rua!…
(Atração lúdica, anseio vivo da criança,
mundo sugestivo de maravilhosas
descobertas)
- proibida às meninas do meu tempo.
Rígidos preconceitos familiares,
normas abusivas de educação
- emparedavam.
A rua. A ponte. Gente que passava,
o rio mesmo, correndo debaixo da janela,
eu via por um vidro quebrado, da vidraça
empanada.
Na quietude sepulcral da casa,
era proibida, incomodava, a fala alta,
a risada franca, o grito espontâneo,
a turbulência ativa das crianças.
Contenção… motivação… Comportamento
estreito,
limitando, estreitando exuberâncias,
pisando sensibilidades.
A gesta dentro de mim…
Um mundo heroico, sublimado,
superposto, insuspeitado,
misturado à realidade.
E a casa alheada, sem pressentir a gestação,
acrimoniosa repisava:
” – Menina inzoneira!”
O sinapismo do ablativo
queimava.
Intimidada, diminuída. Incompreendida.
Atitudes impostas, falsas, contrafeitas.
Repreensões ferinas, humilhantes.
E o medo de falar…
E a certeza de estar sempre errando…
Aprender a ficar calada.
Menina abobada, ouvindo sem responder.
Daí, no fim da minha vida,
esta cinza que me cobre…
Este desejo obscuro, amargo, anárquico
de me esconder,
mudar o ser, não ser,
sumir, desaparecer,
e reaparecer
numa anônima criatura
sem compromisso de classe, de família.
Eu era triste, nervosa e feia.
Chorona.
Amarela de rosto empalamado,
de pernas moles, caindo à toa.
Um velho tio que assim me via
dizia:
“- Esta filha de minha sobrinha é idiota.
Melhor fora não ter nascido!”
Melhor fora não ter nascido…
Feia, medrosa e triste.
Criada à moda antiga,
- ralhos e castigos.
Espezinhada, domada.
Que trabalho imenso dei à casa
para me torcer, retorcer,
medir e desmedir.
E me fazer tão outra,
diferente,
do que eu deveria ser.
Triste, nervosa e feia.
Amarela de rosto empapuçado.
De pernas moles, caindo à toa.
Retrato vivo de um velho doente.
Indesejável entre as irmãs.
Sem carinho de Mãe.
Sem proteção de Pai…
- melhor fora não ter nascido.
E nunca realizei nada na vida.
Sempre a inferioridade me tolheu.
E foi assim, sem luta, que me acomodei
na mediocridade de meu destino.
A ALMA DO MUNDO
Chico Xavier
Quando você conseguir superar graves
problemas de relacionamentos, não se
detenha na lembrança dos momentos difíceis,
mas na alegria de haver atravessado mais
essa prova em sua vida.
Quando sair de um longo tratamento de
saúde, não pense no sofrimento que foi
necessário enfrentar, mas, na benção de
Deus, que permitiu a cura.
Leve na sua memória, para o resto da vida, as
coisas boas que surgiram nas dificuldades.
Elas serão uma prova de sua capacidade, e
lhe darão confiança diante de qualquer
obstáculo.
Uns queriam um emprego melhor; outros, só
um emprego. Uns queriam uma refeição mais
farta; outros, só uma refeição. Uns queriam
uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros,
ter pais.
Uns queriam ter olhos claros; outros,
enxergar. Uns queriam ter voz bonita; outros,
falar. Uns queriam silêncio; outros, ouvir. Uns
queriam sapato novo; outros, ter pés. Uns
queriam um carro; outros, andar. Uns queriam
o supérfluo; outros, apenas o necessário.
Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a
superior. A sabedoria inferior é dada pelo
quanto uma pessoa sabe e a superior é dada
pelo quanto ela tem consciência de que não
sabe. Tenha a sabedoria superior. Seja um
eterno aprendiz na escola da vida. A
sabedoria superior tolera, a inferior julga; a
superior alivia, a inferior culpa; a superior
perdoa, a inferior condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem
sabe escutar!
CONFÚCIO
Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso,
verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.
Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre. Segundo,
por imitação, que é o mais fácil. E terceiro, por experiência, que é o mais amargo.
A PIADA DA SEMANA
Um portuga tinha bebido a mais e voltando
para casa, capotou com o carro e ficou
pendurado numa arvore, sobre um precipício
de mil metros. Logo após chega um
mascarado todo vestido de preto, num cavalo
preto, e usava uma espada e salva o portuga.
Logo pega a espada e faz um Z na barriga do
portuga e pergunta:
- Sabes quem eu sou? O portuga pensa (?)
olha o Z e responde:
- Pois claro! Zuperman.
oOo
Acessar: www.r2cpress.com.br

535 an 04 agosto_2015.ok (1)

  • 1.
    AGRISSÊNIOR NOTICIAS Pasquim informativo evirtual. Opiniões, humor e mensagens EDITORES: Luiz Ferreira da Silva (luizferreira1937@gmail.com) e Jefferson Dias (jeffcdiass@gmail.com) Edição 535 – ANO XII Nº 02 – 04 de agosto de 2015 RECADO AOS APOSENTADOS: NUNCA É TARDE Luiz Ferreira da Silva Aposentei-me com 54 anos de idade e continuei até os 65 anos prestando serviços de consultorias. Então, o que fazer agora? E me veio a ideia de escrever outros assuntos que não relacionados à minha profissão, aproveitando a prática adquirida com os escritos técnicos e científicos. E nessa brincadeira, já editei 13 livros. Não interessa se são best-sellers ou não, se sou um escritor ou um escrevinhador. O importante é que não vi o tempo passar e só me deu prazer. Segunda-feira, 16 de março de 2015. Entrevista com Luiz Ferreira da Silva - Autor de: VELHOS TEMPOS DE INFÂNCIA. Luiz Ferreira da Silva O autor é natural da Cidade de Coruripe, Alagoas. Veio para Maceió em 1950 onde concluiu o curso secundário. No Rio, formou- se em Agronomia pela UFRRJ. Especializou- se em Solos e foi Pesquisador da CEPLAC/BA, período no qual publicou 75 artigos científicos e 5 livros técnicos consentâneos. Depois de aposentado, passou a se dedicar a literatura e publicou 13 livros, abrangendo crônicas e ficção, 8 dos quais pelo Grupo Editorial Scortecci. Velhos Tempos de Infância
  • 2.
    Trata-se de lembrançasde infância vivida no interior do Nordeste, no período de 1937 a 1949. O autor enaltece o nível educacional que recebera através da Escola Pública de qualidade; o dia-a-dia das crianças eivado de criatividade e gosto pela Natureza, absorvendo os seus ensinamentos, básicos para o futuro; o mundo lúdico infantil da época e a rígida educação doméstica. Finaliza com uma discussão sobre o hoje e fornece subsídios para o desenvolvimento sustentável de sua terra, cujos recursos naturais foram deteriorados com a monocultura da cana-de- açúcar. Olá Luiz. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor. Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra? Trata-se de um resgate dos tempos idos, década de 40, do mundo infantil vivido, registrando o modus fasciendi da época, na expectativa de contribuir para a história da minha modesta terra. Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro? Depois de aposentado, passei a me dedicar à literatura e publiquei 13 livros, 8 dos quais pelo Grupo Scortecci. Como Agrônomo, plantei e continuo plantando árvores, edifiquei uma família e, para ativar os neurônios, continuo escrevendo sobre o cotidiano, bem como editando um jornalzinho, o Agrissênior Notícias, já há mais de 10 anos. O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada? Não sou um profissional e nem vivo desta arte. No Brasil, ela é pouco reconhecida, haja vista o seu povo de baixo nível cultural e educacional, sobretudo pelo descaso do Governo. Tempos atrás, as Escolas Públicas eram de qualidade e a leitura priorizada. Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora? Através da Internet. O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores? Representa um período lúdico da infância nordestina, registra uma história e poderá servir de subsídios a estudos comparativos das infâncias em regiões distintas. Como neste mesmo período era a infância pobre - por exemplo - em Cambé, no Paraná? Obrigado pela sua participação. Outras obras do autor, a venda na Asabeça. Postado por Maria Cristina Andersen às 08:00 Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest O GALÃO D'ÁGUA - NO JAPÃO Porque no Brasil as coisas não são como no Japão? Resposta. Porque lá eles sabem em quem depositar a confiança no voto que dedicam aos seus políticos. Reproduzo o relato que minha filha recebeu pelo whatsapp de uma garota brasileira que mora no Japão: Ontem veio um homem aqui e deixou um galão d'água na frente da minha porta. Disse que durante a madrugada eles
  • 3.
    fariam uma vistorianos encanamentos de água do bairro e por isso estavam passando para avisar, deixar o galão e pedir desculpas por terem que desligar o registro de água por algumas horas. Eu disse para ele que não precisava deixar a água, afinal, estaríamos dormindo nesse horário, mas ele respondeu: Você paga suas contas todos os meses e nós temos obrigação de não deixar você sem água nem por um minuto. E ainda disse: Se precisar de mais, pode pedir. E assim seguiu a distribuir nas outras casas. Durante a madrugada, olhei pela janela e havia um grupo trabalhando nas ruas em silêncio. Hoje vieram novamente, casa por casa, só para agradecer. Pois é. Não é assim que deveria ser tudo na vida? Decência, responsabilidade e educação: por que é tão raro, tão complicado? A simplicidade da cena: um galão d’água deixado de porta em porta para o caso de os moradores terem alguma eventual necessidade às duas horas da manhã, às três horas da manhã. Não é caridade, e sim direito do cidadão que paga taxas e impostos. Eu não deveria me comover com isso, mas me comovo, porque a gente cumpre com os compromissos como qualquer japonês, qualquer sueco, qualquer canadense, mas onde está a contrapartida? Acho que isso explica nossa desesperança de que uma eleição mude alguma coisa. Já não acreditamos que um candidato consiga não se deixar corromper pelo poder, que possa governar sem dever favores para outros partidos, que solucione as mazelas do povo em detrimento das negociatas de gabinete. Política passou a ter um sentido desvirtuado. Ninguém obriga um homem ou uma mulher a se candidatar a um cargo público. Se ele se oferece para a missão de governar, deveria fazer isso unicamente por seu espírito altruísta. Mas soa como piada. Altruísmo na política brasileira. Tem graça. Um galão d’água na porta. Um serviço de atendimento ao consumidor que funcione de forma fácil. Um policial em cada esquina. Nota fiscal entregue em todas as transações comerciais. Lixeiras por toda parte. Ruas bem sinalizadas. Transporte farto, barato e que cumpra horários. Hospitais com vagas dia e noite. Escolas eficientes. Confiança em vez de burocracia. Sinceridade em vez de enrolação. Agilidade em vez de empurrar com a barriga. Se todo mundo concorda que é assim que tem que ser, por que não acontece quem emperra? Não é só culpa de quem governa, mas dos governados também. Viciados em retórica, seduzidos por vantagens exclusivas e não coletivas, sempre nos perguntando “como posso faturar com essa situação?”, não permitimos que o Brasil se moralize e avance. Galão d’água na porta de casa? Só com um troquinho por fora, meu irmão. (Enviada por Hugo Coralli) A MINHA INFÂNCIA Cora Coralina Éramos quatro as filhas de minha mãe. Entre elas ocupei sempre o pior lugar. Duas me precederam – eram lindas, mimadas. Devia ser a última, no entanto, veio outra que ficou sendo a caçula. Quando nasci, meu velho Pai agonizava, logo após morria. Cresci filha sem pai, secundária na turma das irmãs. Eu era triste, nervosa e feia. Amarela, de rosto empalamado. De pernas moles, caindo à toa. Os que assim me viam – diziam: “- Essa menina é o retrato vivo do velho pai doente”. Tinha medo das estórias que ouvia, então, contar: assombração, lobisomem, mula sem cabeça. Almas penadas do outro mundo e do capeta. Tinha as pernas moles e os joelhos sempre machucados, feridos, esfolados. De tanto que caía. Caía à toa. Caía nos degraus. Caía no lajedo do terreiro.
  • 4.
    Chorava, importunava. De dentroa casa comandava: “- Levanta, moleirona”. Minhas pernas moles desajudavam. Gritava, gemia. De dentro a casa respondia: “- Levanta, pandorga”. Caía à toa… nos degraus da escada, no lajeado do terreiro. Chorava. Chamava. Reclamava. De dentro a casa se impacientava: ” – Levanta, perna-mole…” E a moleirona, pandorga, perna-mole se levantava com seu próprio esforço. Meus brinquedos… Coquilhos de palmeira. Bonecas de pano. Caquinhos de louça. Cavalinhos de forquilha. Viagens infindáveis… Meu mundo imaginário mesclado à realidade. E a casa me cortava: “menina inzoneira!” Companhia indesejável – sempre pronta a sair com minhas irmãs, era de ver as arrelias e as tramas que faziam para saírem juntas e me deixarem sozinha, sempre em casa. A rua… a rua!… (Atração lúdica, anseio vivo da criança, mundo sugestivo de maravilhosas descobertas) - proibida às meninas do meu tempo. Rígidos preconceitos familiares, normas abusivas de educação - emparedavam. A rua. A ponte. Gente que passava, o rio mesmo, correndo debaixo da janela, eu via por um vidro quebrado, da vidraça empanada. Na quietude sepulcral da casa, era proibida, incomodava, a fala alta, a risada franca, o grito espontâneo, a turbulência ativa das crianças. Contenção… motivação… Comportamento estreito, limitando, estreitando exuberâncias, pisando sensibilidades. A gesta dentro de mim… Um mundo heroico, sublimado, superposto, insuspeitado, misturado à realidade. E a casa alheada, sem pressentir a gestação, acrimoniosa repisava: ” – Menina inzoneira!” O sinapismo do ablativo queimava. Intimidada, diminuída. Incompreendida. Atitudes impostas, falsas, contrafeitas. Repreensões ferinas, humilhantes. E o medo de falar… E a certeza de estar sempre errando… Aprender a ficar calada. Menina abobada, ouvindo sem responder. Daí, no fim da minha vida, esta cinza que me cobre… Este desejo obscuro, amargo, anárquico de me esconder, mudar o ser, não ser, sumir, desaparecer, e reaparecer numa anônima criatura sem compromisso de classe, de família. Eu era triste, nervosa e feia. Chorona. Amarela de rosto empalamado, de pernas moles, caindo à toa. Um velho tio que assim me via dizia: “- Esta filha de minha sobrinha é idiota. Melhor fora não ter nascido!” Melhor fora não ter nascido… Feia, medrosa e triste. Criada à moda antiga, - ralhos e castigos. Espezinhada, domada. Que trabalho imenso dei à casa
  • 5.
    para me torcer,retorcer, medir e desmedir. E me fazer tão outra, diferente, do que eu deveria ser. Triste, nervosa e feia. Amarela de rosto empapuçado. De pernas moles, caindo à toa. Retrato vivo de um velho doente. Indesejável entre as irmãs. Sem carinho de Mãe. Sem proteção de Pai… - melhor fora não ter nascido. E nunca realizei nada na vida. Sempre a inferioridade me tolheu. E foi assim, sem luta, que me acomodei na mediocridade de meu destino. A ALMA DO MUNDO Chico Xavier Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamentos, não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida. Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas, na benção de Deus, que permitiu a cura. Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades. Elas serão uma prova de sua capacidade, e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo. Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição. Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver. Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais. Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar. Uns queriam ter voz bonita; outros, falar. Uns queriam silêncio; outros, ouvir. Uns queriam sapato novo; outros, ter pés. Uns queriam um carro; outros, andar. Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário. Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior. A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe. Tenha a sabedoria superior. Seja um eterno aprendiz na escola da vida. A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior alivia, a inferior culpa; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar! CONFÚCIO Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade. Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre. Segundo, por imitação, que é o mais fácil. E terceiro, por experiência, que é o mais amargo. A PIADA DA SEMANA Um portuga tinha bebido a mais e voltando para casa, capotou com o carro e ficou pendurado numa arvore, sobre um precipício de mil metros. Logo após chega um mascarado todo vestido de preto, num cavalo preto, e usava uma espada e salva o portuga. Logo pega a espada e faz um Z na barriga do portuga e pergunta: - Sabes quem eu sou? O portuga pensa (?) olha o Z e responde: - Pois claro! Zuperman. oOo Acessar: www.r2cpress.com.br