Associação Educacional Frei Nivaldo Liebel
Celer Faculdades
Comunicação Social – Jornalismo
3º período
Rembrandt: o artista e sua obra
Aline Tonello
Juliano Fontana Arno
Juliano Veloso
Silvia Letícia Borsa Vargas Perusso
Xaxim, 12 de junho de 2012
O artista e seu tempo
Filho de Harmenszoon van Rijn e Cornelia van Suydtbrouck, Rembrandt Harmenszoon
van Rijn nasceu em 15 de julho de 1606 em Leiden (República Unida dos Países Baixos,
atual Países Baixos) e é o oitavo filho da família. Seu pai era um próspero moleiro na
época. Entre 1608 e 1609, mudou-se para a cidade de Amsterdã. Em sua infância estudou
latim, mas sempre demonstrou interesse pela pintura. Então fez um curso de aprendizado
por seis meses com Pieter Pietersz Lastman, pintor famoso da época.
No ano de 1620, Rembrandt se inscreveu na Universidade de Leiden, mas não era estudar
o que queria para sua vida. Logo abandonou a universidade e começou um longo
aprendizado com o pintor Jacob van Swanenburg. Em 1628 realizou sua primeira
experiência na pintura ao gravar o retrato da própria mãe, material que é considerado até
hoje como a primeira prova conhecida da técnica do artista. No final de 1629, Rembrandt
foi descoberto pelo estadista Constantijn Huygens, que rendeu ao pintor grandes
encomendas da corte Haia. Rembrandt começou a pintar várias telas de autorretrato
encomendados pelos mercadores de Amsterdam. Neste período entrou em contato com o
marchand Hendrick van Uylenburg e, em 1634, casou-se com sua sobrinha, Saskia van
Uylenburg, tendo quatro filhos com ela, sendo que os três primeiros nasceram mortos. Para
homenagear sua esposa, Rembrandt pintou seu retrato quando já estavam morando em uma
casa própria e, no mesmo ano, o pintor ganha a carta de cidadão de Amsterdam, tornando-
se membro Guilda, a associação dos pintores daquela época.
Foi no ano de 1641, que nasce Titus, o quarto filho do casal e, no ano seguinte, aos 30
anos, Saskia morre por decorrência de uma tuberculose. É neste mesmo ano que
Rembrandt realiza a sua obra mais famosa “A Companhia do Capitão Frans Banning
Cocq”, também conhecida como “A Ronda Noturna”.
Em 1648, já passando por momentos de crise, Rembrandt é obrigado a pagar à governanta
Geertje Dircx, que cuidou do seu filho Titus por seis anos, uma indenização de 200 florins
por ano por falsa palavra. No ano seguinte, o pintor contratou Hendrickje Stoffels para
substituir Geertje, começando um novo relacionamento com a nova governanta.
Rembrandt e a governanta são condenados pela corte eclesiástica de concubinato. Esse fato
fez com que a situação financeira do pintor piorasse ainda mais, culminando com a
declaração de falência do pintor, em 1656. Rembrandt então leiloa toda a sua coleção na
taberna de Keysers Kroon, porém o resultado dessas vendas não foi muito significante.
Diante da situação de pobreza, Titus e Hendrickje fazem uma sociedade para vender as
obras do pintor. Rembrandt já tinha adquirido outra técnica em suas obras, com um pouco
de realismo, e sua última encomenda pública foi em 1662, com o titulo de “Os
Negociantes de Tecido.” Em julho de 1663, a governanta morre. Em fevereiro de 1668,
Titus casa-se com sua prima Magdalena van Loo e, em 4 de setembro do mesmo ano, Titus
morre com a mesma doença que sua mãe. Em 4 de outubro de 1669, Rembrandt morre em
Amsterdã, com 62 anos. Além de pintor, foi um grande desenhistas de gravuras. Uma de
suas principais gravuras é “As Três Árvores”, que atualmente se encontra no Museu
Britânico de Londres.
Rembrandt também deu aula sobre pintura e gravuras, formando grandes pintores da
época. Suas obras eram baseadas em autorretratos, retratos e pinturas sacras. Pintava em
camadas de tintas, construindo a cena da região mais afastada até a sua frente, com o uso
de vernizes entre estas camadas, que eram bem espessas, o que permitia uma ilusão de
ótica graças à qualidade táctil dentre luzes. Porém, o clima da pintura, ao invés de
movimentos repentinos e fortes, torna-se mais leve, com personagens mais introspectivos e
pensativos. A luz passa a ser não só um elemento que compõe o ambiente, mas começa a
fazer parte do plano espiritual da pintura, como a luz da alma humana. Os efeitos de luz
criam a forma e o espaço e a cor se subordina a estes, daí a ser chamado de mestre das
luzes e das sombras. O Barroco também era uma das inspirações de Rembrandt, que
deixou de lado em suas últimas obras, onde ele demonstrava todo seu sentimento nas
criações. Rembrandt pintou seu próprio retrato, o das suas duas esposas e de seu filho
Titus.
Rembrandt e suas obras
Obra (escolhida pelo curso de
Design em Moda): Jovem que se
banha num Riacho
Técnica: Pintura óleo sobre
madeira
Medida: 61,8cmx47 cm
Ano: 1654
Onde se encontra: National
Gallery, Londres
Obra: Cristo em Emaús
Técnica: Pintura óleo sobre
madeira
Medida: 68cmx65 cm
Ano: 1648
As obras de Rembrandt são classificadas em duas fases. Na primeira, o artista se utiliza das
cores mais claras e procura detalhar mais seus personagens. A segunda é caracterizada
pelas tintas mais escuras e tons de dourado. Consequentemente, seus trabalhos tornam-se
mais simples, porém não perdem sua beleza.
Analisando a obra “Mulher Banhando-se  num  Córrego”, percebemos as cores escuras, tons
dourados e pinceladas fortes. A escuridão nos procede a esquecer o fundo da imagem e
prestar atenção apenas na personagem. O efeito da água sobre a pele da mulher e o reflexo,
são detalhados pelo vermelho. A camisola tem uma aparência de velha e o artistas abusa
das cores claras, principalmente do branco.
A obra “Cristo em Emaús” faz referência à primeira e segunda fase de Rembrandt. Antes
de 1640, o artistas se caracteriza pelas pinturas sacras, de cenas da bíblia. Após esse
período, ele se utiliza das cores douradas e dos tons escuros para dar uma aparência de
drama em seus trabalhos.
“Jacob  Abençoando  os   Filhos  de  José” é outra referências às duas fases do artista. As
pinceladas carregadas e as cores quentes transmitem uma sensação dramática. Outra
característica da segunda fase do pintor é o abandono do estilo barroco.
Análise
Rembrandt foi um artista contemporâneo muito importante. Além de possuir um valor
inestimável, suas pinturas, gravuras e desenhos são referência quando falamos de retratos e
cenas bíblicas, mas principalmente por quase não usar luz nas imagens, apenas as
Obra: Jacob Abençoando os
Filhos de José
Técnica: Outros
Medida: 175cmx210 cm
Ano: 1655
direcionar aos pontos em que queria dar destaque e enfatizar. Recurso este, que faz com
que o observador não se perca com detalhes de fundo mas que detenha sua atenção no que
o autor quer realmente destacar e no sentido que ele quer dar. O domínio de sua técnica
está presente em todas as suas obras, a começar por essa cuidadosa distribuição de luz e
sombra, pelas pinceladas fortes e pela forma como ele retrata olhos, nariz e pele de seus
retratos, o que faz o conjunto resultar numa leitura psicológica de grande precisão.
Rembrandt também inspirou outros pintores contemporâneos como Adriaen Van Ostade,
que retratava prostitutas, marinheiros, vendedores e camelôs das ruas movimentadas de
Amsterdã, e Emanuel de Witte, com pinturas do comércio, da busca por lucros, da relação
entre pessoas de diferentes religiões entre outros temas, também em Amsterdã. Ambos
utilizam técnicas de Rembrandt, mas pode-se perceber, principalmente nas obras de
Adriaen, a mesma técnica de contraste entre luz e sombra de Rembrandt, com o fundo
escuro e a imagem iluminada.
Não há nenhum registro de que as técnicas e obras de Rembrandt tenham influenciado na
criação de algum movimento artístico. Entretanto, além de ser referência no estudo das
obras de sua época e por se destacar na técnica e na temática, Rembrandt serviu e ainda
serve de inspiração para muitos artistas. Não somente para aqueles que vivem da pintura
mas também para professores universitários de artes plásticas que optam por focar no
artista e repassam a técnica aos alunos. Graças a esse círculo vicioso, sempre surgem novos
pintores que levam adiante características que remetem a Rembrandt, sejam fiéis às usadas
pelo artista ou aperfeiçoadas e misturadas com outras técnicas, além de juntar com sua
própria marca.
Além da beleza aos olhos de quem as observa, suas obras despertam uma nova análise e
interpretação a cada observação. São cheias de significado e cada um cria o seu
entendimento, podendo vislumbrar um pouco da cultura e da época em que a obra foi feita,
contemplando o talento do grande artista que foi Rembrandt.

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  • 1.
    Associação Educacional FreiNivaldo Liebel Celer Faculdades Comunicação Social – Jornalismo 3º período Rembrandt: o artista e sua obra Aline Tonello Juliano Fontana Arno Juliano Veloso Silvia Letícia Borsa Vargas Perusso Xaxim, 12 de junho de 2012
  • 2.
    O artista eseu tempo Filho de Harmenszoon van Rijn e Cornelia van Suydtbrouck, Rembrandt Harmenszoon van Rijn nasceu em 15 de julho de 1606 em Leiden (República Unida dos Países Baixos, atual Países Baixos) e é o oitavo filho da família. Seu pai era um próspero moleiro na época. Entre 1608 e 1609, mudou-se para a cidade de Amsterdã. Em sua infância estudou latim, mas sempre demonstrou interesse pela pintura. Então fez um curso de aprendizado por seis meses com Pieter Pietersz Lastman, pintor famoso da época. No ano de 1620, Rembrandt se inscreveu na Universidade de Leiden, mas não era estudar o que queria para sua vida. Logo abandonou a universidade e começou um longo aprendizado com o pintor Jacob van Swanenburg. Em 1628 realizou sua primeira experiência na pintura ao gravar o retrato da própria mãe, material que é considerado até hoje como a primeira prova conhecida da técnica do artista. No final de 1629, Rembrandt foi descoberto pelo estadista Constantijn Huygens, que rendeu ao pintor grandes encomendas da corte Haia. Rembrandt começou a pintar várias telas de autorretrato encomendados pelos mercadores de Amsterdam. Neste período entrou em contato com o marchand Hendrick van Uylenburg e, em 1634, casou-se com sua sobrinha, Saskia van Uylenburg, tendo quatro filhos com ela, sendo que os três primeiros nasceram mortos. Para homenagear sua esposa, Rembrandt pintou seu retrato quando já estavam morando em uma casa própria e, no mesmo ano, o pintor ganha a carta de cidadão de Amsterdam, tornando- se membro Guilda, a associação dos pintores daquela época. Foi no ano de 1641, que nasce Titus, o quarto filho do casal e, no ano seguinte, aos 30 anos, Saskia morre por decorrência de uma tuberculose. É neste mesmo ano que Rembrandt realiza a sua obra mais famosa “A Companhia do Capitão Frans Banning Cocq”, também conhecida como “A Ronda Noturna”. Em 1648, já passando por momentos de crise, Rembrandt é obrigado a pagar à governanta Geertje Dircx, que cuidou do seu filho Titus por seis anos, uma indenização de 200 florins por ano por falsa palavra. No ano seguinte, o pintor contratou Hendrickje Stoffels para substituir Geertje, começando um novo relacionamento com a nova governanta. Rembrandt e a governanta são condenados pela corte eclesiástica de concubinato. Esse fato fez com que a situação financeira do pintor piorasse ainda mais, culminando com a
  • 3.
    declaração de falênciado pintor, em 1656. Rembrandt então leiloa toda a sua coleção na taberna de Keysers Kroon, porém o resultado dessas vendas não foi muito significante. Diante da situação de pobreza, Titus e Hendrickje fazem uma sociedade para vender as obras do pintor. Rembrandt já tinha adquirido outra técnica em suas obras, com um pouco de realismo, e sua última encomenda pública foi em 1662, com o titulo de “Os Negociantes de Tecido.” Em julho de 1663, a governanta morre. Em fevereiro de 1668, Titus casa-se com sua prima Magdalena van Loo e, em 4 de setembro do mesmo ano, Titus morre com a mesma doença que sua mãe. Em 4 de outubro de 1669, Rembrandt morre em Amsterdã, com 62 anos. Além de pintor, foi um grande desenhistas de gravuras. Uma de suas principais gravuras é “As Três Árvores”, que atualmente se encontra no Museu Britânico de Londres. Rembrandt também deu aula sobre pintura e gravuras, formando grandes pintores da época. Suas obras eram baseadas em autorretratos, retratos e pinturas sacras. Pintava em camadas de tintas, construindo a cena da região mais afastada até a sua frente, com o uso de vernizes entre estas camadas, que eram bem espessas, o que permitia uma ilusão de ótica graças à qualidade táctil dentre luzes. Porém, o clima da pintura, ao invés de movimentos repentinos e fortes, torna-se mais leve, com personagens mais introspectivos e pensativos. A luz passa a ser não só um elemento que compõe o ambiente, mas começa a fazer parte do plano espiritual da pintura, como a luz da alma humana. Os efeitos de luz criam a forma e o espaço e a cor se subordina a estes, daí a ser chamado de mestre das luzes e das sombras. O Barroco também era uma das inspirações de Rembrandt, que deixou de lado em suas últimas obras, onde ele demonstrava todo seu sentimento nas criações. Rembrandt pintou seu próprio retrato, o das suas duas esposas e de seu filho Titus.
  • 4.
    Rembrandt e suasobras Obra (escolhida pelo curso de Design em Moda): Jovem que se banha num Riacho Técnica: Pintura óleo sobre madeira Medida: 61,8cmx47 cm Ano: 1654 Onde se encontra: National Gallery, Londres Obra: Cristo em Emaús Técnica: Pintura óleo sobre madeira Medida: 68cmx65 cm Ano: 1648
  • 5.
    As obras deRembrandt são classificadas em duas fases. Na primeira, o artista se utiliza das cores mais claras e procura detalhar mais seus personagens. A segunda é caracterizada pelas tintas mais escuras e tons de dourado. Consequentemente, seus trabalhos tornam-se mais simples, porém não perdem sua beleza. Analisando a obra “Mulher Banhando-se  num  Córrego”, percebemos as cores escuras, tons dourados e pinceladas fortes. A escuridão nos procede a esquecer o fundo da imagem e prestar atenção apenas na personagem. O efeito da água sobre a pele da mulher e o reflexo, são detalhados pelo vermelho. A camisola tem uma aparência de velha e o artistas abusa das cores claras, principalmente do branco. A obra “Cristo em Emaús” faz referência à primeira e segunda fase de Rembrandt. Antes de 1640, o artistas se caracteriza pelas pinturas sacras, de cenas da bíblia. Após esse período, ele se utiliza das cores douradas e dos tons escuros para dar uma aparência de drama em seus trabalhos. “Jacob  Abençoando  os   Filhos  de  José” é outra referências às duas fases do artista. As pinceladas carregadas e as cores quentes transmitem uma sensação dramática. Outra característica da segunda fase do pintor é o abandono do estilo barroco. Análise Rembrandt foi um artista contemporâneo muito importante. Além de possuir um valor inestimável, suas pinturas, gravuras e desenhos são referência quando falamos de retratos e cenas bíblicas, mas principalmente por quase não usar luz nas imagens, apenas as Obra: Jacob Abençoando os Filhos de José Técnica: Outros Medida: 175cmx210 cm Ano: 1655
  • 6.
    direcionar aos pontosem que queria dar destaque e enfatizar. Recurso este, que faz com que o observador não se perca com detalhes de fundo mas que detenha sua atenção no que o autor quer realmente destacar e no sentido que ele quer dar. O domínio de sua técnica está presente em todas as suas obras, a começar por essa cuidadosa distribuição de luz e sombra, pelas pinceladas fortes e pela forma como ele retrata olhos, nariz e pele de seus retratos, o que faz o conjunto resultar numa leitura psicológica de grande precisão. Rembrandt também inspirou outros pintores contemporâneos como Adriaen Van Ostade, que retratava prostitutas, marinheiros, vendedores e camelôs das ruas movimentadas de Amsterdã, e Emanuel de Witte, com pinturas do comércio, da busca por lucros, da relação entre pessoas de diferentes religiões entre outros temas, também em Amsterdã. Ambos utilizam técnicas de Rembrandt, mas pode-se perceber, principalmente nas obras de Adriaen, a mesma técnica de contraste entre luz e sombra de Rembrandt, com o fundo escuro e a imagem iluminada. Não há nenhum registro de que as técnicas e obras de Rembrandt tenham influenciado na criação de algum movimento artístico. Entretanto, além de ser referência no estudo das obras de sua época e por se destacar na técnica e na temática, Rembrandt serviu e ainda serve de inspiração para muitos artistas. Não somente para aqueles que vivem da pintura mas também para professores universitários de artes plásticas que optam por focar no artista e repassam a técnica aos alunos. Graças a esse círculo vicioso, sempre surgem novos pintores que levam adiante características que remetem a Rembrandt, sejam fiéis às usadas pelo artista ou aperfeiçoadas e misturadas com outras técnicas, além de juntar com sua própria marca. Além da beleza aos olhos de quem as observa, suas obras despertam uma nova análise e interpretação a cada observação. São cheias de significado e cada um cria o seu entendimento, podendo vislumbrar um pouco da cultura e da época em que a obra foi feita, contemplando o talento do grande artista que foi Rembrandt.