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FANZINE #30
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Ouro Preto, MG - 2023
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icip
antes
JR | Victória Faria | Renata Pereira | Felipe Durán Thedim | Xandu
Cleuza Figueiredo Rocha | Alves Sevla | Ma. Angélica Carter Morales
Cristiano Straccioni Quintana | Micheli Laviola | Conrado Gonçalves
Eduardo C Souza | Elidiomar Ribeiro | Dy Eiterer | Jeane Bordignon
Pedro Portugal | Kalila Assis | Paulinho Assumpção | António Barros
nelson neto | Lila Gati | Allysson Gudu | Isabela Saramago
Flavia As| rômulo Ferreira | coletivo ameopoema
No momento que a pelota é posicionada
a barreira fica à sua frente
e de um lado pro outro
a goleira escolhe o lugar.
Na coruja,
“pimba na gorducha”
a multidão faz coro
na cabeça da menina que corre
para comemorar.
A balisa não é de um Mineirão
é na várzea, na terra,
[em meio a buracos…
quanta paixão!
No passado, a ridícula proibição,
sem o mando de campo,
refutando o não.
Corre menina, vença mulher
pois o jogo começou,
é futebol, é nação!
FAZ
TEU
NOME
Felipe Durán Thedim
lipduran@gmail.com
Dar à praça
Um chapéu para esmolas
E deixa rolar
Em sua própria
Autonomia
Quem tem - põe
Quem não tem - tira
Grana vai
Grana vem
E o santo nem desconfia
XANDU
Ratos Di Versos - Rio
Num mundo onde nem tudo é real,
Nas rotinas um vazio sem igual,
O improvável aconteceu,
A vida ganhou um novo propósito
Os pensamentos se misturaram,
Ideias loucas se encontraram,
Palavras soltas, versos sem sentido,
E uma poesia se desenhou no olhar perdido.
Foi ali que o improvável aconteceu,
Onde a razão e a loucura se fundiram
Nas linhas tortas de um poema,
O coração se abriu e aí se fez
O improvável tornou-se possível,
O inimaginável se tornou tangível,
A vida ganhou notas de esperança,
E cada verso se transformou em dança.
As palavras ganharam asas,
Voaram pelo infinito sem pressa,
Levando aos corações solitários,
Um abraço que a alma acalenta.
O impossível, nem é tão impossível assim
Pois quem pensaria que na poesia se amou,
O improvável encontrou seu espaço,
E mostrou que em sonhos se faz abraço.
Então, que nunca percamos a coragem,
De fazer do improvável nossa meta
E entre o possível e o impossível
A poesia me levou a outro nível
FAZENDOOIMPROVÁVEL
JR
junioricardomagalhaes2777@gmail.com
Errei!
Errei feio.
Cometi o pior e maior erro que
[um poeta pode cometer,
Pensei em versos e não os escrevi.
Não os anotei,
Não os gravei,
Nem mesmo os desenhei.
Agora me restou um obituário
De saudade de um texto
[que era belo e sublime
Eu tenho certeza que era bom.
Eu o devia ter escrito.
Ele era muito bom.
Pelo menos guardado uma palavra chave
[que me lembrasse
[alguma parte
[desta ideia,
ele realmente seria perfeito,
Principalmente agora que não existe.
NÃO NASCIDO
Victoria Faria
@professorapoetafaria
Tudo muda
Fico muda
Me desnuda
A velocidade
Da mudança
Não prepara
Não ampara
Escancara
Fico muda
MU(N)DO
Renata Pereira
renatafpereira@yahoo.com.br
No deserto
O incerto do nascer
Crescer ...
Toma da semente
Da palavra
A voz do profeta
Se ouve ...
E os fiéis regam o chão com seu sangue e d'outros;
E brota o ódio.
No seio da mãe terra
Abriga mísseis
E toda sorte de máquinas mortíferas
E a fé cega ...
Clamam nas sinagogas e mesquitas;
E o amor que se prega há milhões de anos
É mero fantoche em meio ao conflito.
O oriente se dobra em lamentos
Enquanto seres humanos
Se queimam nas piras.
Governantes insanos se degladiam ...
E a ONU composta de ambiciosos e insensatos
Diz discutir a paz e o cessar fogo ...
Em face dos fatos, nada fazem, de novo;
Em vis ardis, disputam os despojos! ...
SEMEANDO
Cleuza Figueiredo Rocha
azuelcrocha@hotmail.com
Cristiano Straccioni Quintana
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Ela acorda para mais uma dia.
Se arrastando pela superfície da vida...
...de tudo que viveu.
A carne que foi viva, hoje garante sua vida.
A vida é transformação. Ela aguarda seu momento.
Tenta acelerar, mas logo para observando a paisagem.
Belas folhas gigantes. Que mundo gigante!
Será que existe algo maior que esse jardim?
A luz muda e gotas caem banhando o pequeno ser.
Difícil se arrastar no meio da água.
O banho de água pura.
Um presente.
A pequena criatura. Um devir.
Se arrasta rumo ao seu futuro acima das folhas gigantes.
Larva
Acabo de tirar a caca do nariz
Respirar e
Pensar:
Não precisei de ferramenta para limpá-lo;
Acabo de limpar meu cu
Não precisei de ferramenta para limpá-lo;
Acabo de limpar minha vagina
Não precisei de ferramenta para limpá-la;
Acabo de limpar meus olhos
Não precisei de ferramenta para limpá-los;
Acabo de limpar meu sovaco
Não precisei de ferramenta para limpá-los;
Acabo de limpar meus pés
Não precisei de ferramenta para limpá-los;
Acabo de limpar minhas mãos
Não precisei de ferramenta para limpá-los;
Acabo de limpar meu umbigo
Não precisei de ferramenta para limpá-lo;
Acabo de limpar meus joelhos
Não precisei de ferramenta para limpá-los;
Acabo de limpar meus cabelos
Não precisei de ferramenta para limpá-los;
Acabo de limpar meus poros
Não precisei de ferramenta para limpá-los
E no meio dessa limpeza toda
Usei apenas água.
Alves Sevla
dadazdawa@hotmail.com
NED LUDD
Ma. Angélica Carter Morales (Arg)
rosangelux3@gmail.com
Não me comovo com palavras sem fundo moral.
Não me entorno de amores com promessas anormais.
Não me inclino a crer em razão irracional.
Não me silencio com emoção visceral.
Sou toda razão sentimental
E sentimental razoável.
Não aceito promessas.
Aceito ações.
Não aceito chantagens.
Aceito coragens.
Não aceito ficar sem meus direitos.
Aceito ser dona deles.
Minha emoção fincada dentro de minha racionalidade.
Meu sangue jorra em meus direitos.
Pertencem ao meu corpo,
À minha dignidade.
Razoável emoção pelos meus direitos.
Racionalidade
Emocional
Micheli Laviola
micheli.laviola@gmail.com
Os girassóis
estão por toda parte!
E os campos de trigo
são tão imensos!
É preciso pintar!
É preciso pintar
enquanto o sol existe!
Como uma febre
que avança noite adentro…
É preciso pintar
as estrelas!
É preciso derramar-se
na tela em branco
até a última gota!
E no papel,
nas paredes,
em qualquer canto!
Como uma febre
que avança pela vida inteira.
TINTA
AMARELA
Jeane Bordignon
@jeanebordignon
Sextante
Olhar
Recanto
Angular
Cálculo
Racional
Sensório
Visual
Infinita
Linha
Percepção
Só minha:
Alma
Que vê
E que crê
No espaço
Se...
Deral.
Eduardo C Souza
@educsouza76
Ângulo
andar a pé me traz de volta a vista
sobre esses cantos
esses recortes infinitos do centro
da minha cidade
por hoje sem óculos
a obtusidade dos graus era só escândalo
um grito mal dado
ser a idade ambulante, passante
requer deixar coisas pra trás, ser passado
já estão na oficina, os novos óculos
os antigos estilhaçaram sob pneus outros
sequer vi em qual rua se deu a tragédia..
os olhos se cansam de ver a mesma avenida
depois dos expedientes
e meus rostos
múltiplos
num espelho maldito, quebrado
a vida anda pra alguma direção
ainda que errática, incerta
sempre amo esquinas, as praças e avenidas, cara..
os sexos quase sempre vão se encaixar
por incrível q pareça
e quase sempre dá errado
a vida deveria valer ouro mesmo..
Conrado Gonçalves
conradopalavras@gmail.com
Neste frágil castelo de nuvens que de tão
tênue torna invisível o contraponto.
Regurgito sonhos, fujo de realidades impostas,
construo abstrata existencialidade, brinco com
fluorescentes tijolos de esquizofrenia, desenho
certezas invisíveis, afirmo com toda fé de que
reminiscência é matéria.
Subverto ordens esquecidas, confundo
horizontes, auroras, ocasos. Torno-me Cérbero
e enalteço a deuses midiáticos.
A autodestruição não é uma escolha!
CONJURO O DIA EM QUE ACENDERAM O
PAVIO DO BIG BANG!
E sem nenhum encanto entro em contradição.
Somente o soro liberta de incertezas e maus
hábitos.
Flanei em tempos idos e desmoronei com
desonra.
Questionei se um dia fui realmente o que sou
ou vou ser.
agarro-me ao éter como forma de afirmação,
mas não sem medo...
ÉTER
Nelson Neto
@ferreiranelson27
Cada morto tem um nome
Uma história
Uma trajetória
Uma origem
Um percurso
Afetos
Amores vividos
Amores deixados por viver
Dores
Pegadas
Rastros
Marcas
Um fim
O fim de todos nós
O fim do bicho-homem
O fim da humanidade
Animais?
Sim, são animais
Tanto quanto seus assassinos
Sim, somos animais
Macacos-pelados da selva de pedra
Da selva destruída
Genocídio
Deus?
Não, deus não está no meio de nós
Palestina
Elidiomar Ribeiro
elidiomar@gmail.com
Poesia também é revolução,
É aquilo que faço com o que incomoda.
Poesia também é algo que tira o chão.
Diante de tanta morte,
Armas químicas e destruição,
Como posso não usar a arte
Para denunciar o erro, o vício, o atropelo?
Como posso não tomar partido
[quando ouço
[um grito?
Bombas riscaram os céus...
Um espetáculo quase bonito, iluminado,
Caindo em explosão, dizimando,
Ruindo uma Faixa inteira,
[jogando-a ao chão.
Para aquela gente falta água, falta paz,
Falta pão e compaixão. Por quê?
Porque a maldade é tanta que alucina...
Porque a maldade assola Gaza
[em toda esquina.
Dy Eiterer
@dyvagando
POSICIONAMENTO
todos os dias tenho pelo menos um sonho,
um que as vezes penso estar acordada
e ser real e outro lúcido. neste dia eu
desenhei duas vezes o mesmo
desenho. neste sonho havia uma
mulher da minha idade que me
trazia uma sensação de confiança
e amizade. Junto de nós, havia
uma mulher que mais velha
transmitia responsabilidade e
didática, parecia querer nos
ensinar ou nos orientar a algo e quando
menos percebemos estávamos sobre uma mesa a céu
aberto, havia grama e um céu claro e azul. ela nos dizia
“desenhe vocês enquanto árvore”. acordei logo após ela
me questionar.
Lila Gati Azevedo
@lilassss
Paulinho Assumpção
paulinhoassump@gmail.com
esquadrinhando cada canto do inferno ofertado
todos os caminhos dão na rebentação
e rindo, lá se vão as caras pelo mundo
contando mortes sobrepostas
fogos fátuos quebrando a negritude da noite
num gesto quase poético
para onde vão as marimbas de fogo?
sem lágrimas gemeu
como cão, cheirou o incenso da morte
viu milhares de olhos brilharem no breu
fundiram-se o céu e as paredes
apagaram-se as estrelas
avermelharam-se os rostos pálidos da prole que dormia
com mãos, bocas e braços partidos
arremessou-se ao mar
agarrado à sua cria
emergiu das águas com o sorriso dos vencedores
tinha bastante ódio para partir com dignidade
sentia-se salvo, mesmo tendo a morte como recompensa
diário
de
guerra
Almejamos aquilo que não entendemos
Procurando compreender o universo
Vi os céus e me tornei um de seus andarilhos
Mal sabia ter um desejo traiçoeiro
Os detalhes se tornam um ruído branco, luz refletida em espelho
O conhecimento me faz de Dâmocles e sua espada
Um dia ela cairá sobre mim, no chão sua nova tela, pintada em vermelho
Sem discernimento ando nessa estrada
Por desespero cubro meus olhos como o Serafim
Horrorizado comigo mesmo, fico cego como um Oráculo
É isso? Será esse o fim?
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O que era antes, agora não será mais
Na minha vertigem bêbada, onde começa o “eu”
E o cosmos termina. Não consigo olhar mais para trás.
Nada é o que aparente ser mais, o que se passa é apenas um traço meu
Antes era humano. Antes era o universo. Agora sou o mar.
Como onda, bato e volto, a espuma se espalha
Com as areias e com a poeira cósmica, venha se misturar
Somos um, eu e o mar
Quando a mente falha, escolho me afogar
Compreender a verdade universal é navegar na escuridão
Como aranhas e suas teias no luar
Nas contradições, encontro o lógico, nada importa mais
Meu fascínio chega ao místico, enfim, paz.
Afogado com o sangue do deus Caos
No meu túmulo cósmico, no fim, paz
O
SERAFIM
DE
INFINITOS
OLHOS
Pedro Portugal
@pedroh.prt
doispoemas
porKalila Assis | @kalilaamorim
Fiz do teu corpo palavra.
E escrevi-te nu na minha mente.
Desenhei-te as curvas enquanto
[dormias, numa
cama de anatomias.
Fiz-te meu nesse breve
[espaço/tempo
[enquanto te observava
[dormir, calmo,
sereno e entregue.
Sorri.
Virei para o lado e dormi
inteira
serena
calma
e entregue.
Mas talvez a madrugada seja para pensar e
não para dormir
É por ela que você espera ansiosa, mesmo que você pareça
alegre o dia inteiro com gargalhadas escancaradas e sorrisos
largos, é por ela que você anseia. Não adianta dizer que está
cansada menina, todos já sabem, você fecha os olhos para
imaginar e não para dormir.
Tenho que lhe confessar, você finge muito bem. Colocando o
seu salto quinze e um batom vermelho, não deixa ninguém
notar que a cada noite você morre um pouco. Sabe quão boba
fica com aquele brilho superficial, mas, é isso que o mundo
espera de você. Não deixe de ser superficial, não deixe de ser
mais uma pessoa vazia em um mundo hipócrita mas, não deixe
de acreditar em seus sonhos.
A madrugada... Instigadora de novos sonhos, ou, ao menos,
renovadora de sonhos antigos...
Acreditar
nos sonhos,
é abraçar a vida...
Que os sonhos te abracem
a cada esquina da vida...
A imagem deste calhau rolado de basalto
resgatado à calçada frente à casa das Cruzes,
no Funchal, mostra — no contraste entre a cor
cinza e o negro — como ele envelheceu num
arco temporal de 15 anos. Foi o tempo em que
fui impedido de regressar a casa perante a
ameaça, pelos então terroristas da Flama, de que
matariam meu pai se eu voltasse à ilha. Para
poupar-lhe a vida cumpri a chantagem imposta
ficando resistente em luta noutras paragens. Só voltei
ao lugar no funeral de meu pai, aí encontrando a família
com quinze anos mais, crescida ou envelhecida, mas o envelhecimento das árvores, e
o das pedras, foi o que surpreendeu. O pó de areia negra de basalto, é no que esta
pedra hoje simbolicamente se transformou — a pedra esc(r)avo.
António Barros
artitude.ab@gmail.com
Sofrida, a pedra escrava
quinze anos depois
Corpos e seus gestos
Sons e movimentos
Toque e intensidades
Espetáculo lúdico
Que nos atravessa
Chamado amor
Despeço-me
Deslocado revestido de capa dura
Lubrificado em lágrimas
E ainda hoje quando chove
As memórias da carne
Me trazem as solidões
Em poemas barulhentos...
Memórias
Allysson Gudu
agudulterado@gmail.com
Isabela Saramago
isaramago@terra.com.br
Moro num cortiço,
bem de longe … Eu assisto.
Pedras soltas
bueiros rachados
raízes a mostra …
Essa é a minha cidade!
Ausência de rampas,
buracos se estampam.
arvores que tombam…
Essa é a minha cidade!
As calçadas viram leitos
afeitos pela realidade,
sujeitos tirando proveito …
Essa é a minha cidade!
Passe a bolsa …
Cadê o relógio …
Socorro!… Polícia! …
Essa é a minha cidade!
E assim é,
sem descanso, todo dia.
faça sol, faça chuva …
Essa é a minha cidade!
Essa
é
a
minha
cidade!
BOTEQUIM 2
Ilustra: @romulopherreira | poema: Dário Omanguin Farias (Poeta Ratos Di Versos)
Procuro uma esquina tipo lá de BEAGÁ
Onde o botequim não há de faltar.
Vou e confesso, não há o quê esconder
Cerveja e tira-gosto, esse é meu prazer...
Numa mesa de calçada fico a espreitar
Entre olhares vejo a mulherada desfilar
Empolgado, chamo o garçon
Uma pinga de sabor madeirado
Foi a pedida para acompanhar
O chouriço que estava a esfriar.
Entre goles da gelada
Uma pinga é memorável
Vem na cabeça toda uma estória
De uma paixão que não deu em nada.
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Embora o tempo é curto
Tenho que me apressar
Para a cerveja não esquentar...
Entretanto, fico a divagar
Ir para onde? Medir o tempo?
Se aqui é meu lugar...
Dedo em riste, me dirijo ao garçom
Mais uma! Levanto a garrafa...
Para indicar a preferida.
Ali vou ficando... O tempo passa
O garçom me convida a se retirar
Pago a conta... Mas a vontade era de ficar.
MUITO OBRIGADO PELA LEITURA
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Fanzine com poemas e textos sobre diversos temas

  • 1. FANZINE #30 Ouro Preto, MG | 2012 -2023 leu? passe adiante!
  • 2. AMEOPO MA E editora artesanal ameopoemaeditora@gmail.com fb.com/ameopoema @coletivoamepoema FANZINE #30 | várias (os) colaboradoras (es) revisão: participantes edição e finalização: @studiográficob2m organização: Ed. AMEOPOEMA | @coletivoameopoema Ouro Preto, MG - 2023 nov a dez - circulação impressa e digital Visite: www.ameopoemaeditora.com part icip antes JR | Victória Faria | Renata Pereira | Felipe Durán Thedim | Xandu Cleuza Figueiredo Rocha | Alves Sevla | Ma. Angélica Carter Morales Cristiano Straccioni Quintana | Micheli Laviola | Conrado Gonçalves Eduardo C Souza | Elidiomar Ribeiro | Dy Eiterer | Jeane Bordignon Pedro Portugal | Kalila Assis | Paulinho Assumpção | António Barros nelson neto | Lila Gati | Allysson Gudu | Isabela Saramago Flavia As| rômulo Ferreira | coletivo ameopoema
  • 3. No momento que a pelota é posicionada a barreira fica à sua frente e de um lado pro outro a goleira escolhe o lugar. Na coruja, “pimba na gorducha” a multidão faz coro na cabeça da menina que corre para comemorar. A balisa não é de um Mineirão é na várzea, na terra, [em meio a buracos… quanta paixão! No passado, a ridícula proibição, sem o mando de campo, refutando o não. Corre menina, vença mulher pois o jogo começou, é futebol, é nação! FAZ TEU NOME Felipe Durán Thedim lipduran@gmail.com Dar à praça Um chapéu para esmolas E deixa rolar Em sua própria Autonomia Quem tem - põe Quem não tem - tira Grana vai Grana vem E o santo nem desconfia XANDU Ratos Di Versos - Rio
  • 4. Num mundo onde nem tudo é real, Nas rotinas um vazio sem igual, O improvável aconteceu, A vida ganhou um novo propósito Os pensamentos se misturaram, Ideias loucas se encontraram, Palavras soltas, versos sem sentido, E uma poesia se desenhou no olhar perdido. Foi ali que o improvável aconteceu, Onde a razão e a loucura se fundiram Nas linhas tortas de um poema, O coração se abriu e aí se fez O improvável tornou-se possível, O inimaginável se tornou tangível, A vida ganhou notas de esperança, E cada verso se transformou em dança. As palavras ganharam asas, Voaram pelo infinito sem pressa, Levando aos corações solitários, Um abraço que a alma acalenta. O impossível, nem é tão impossível assim Pois quem pensaria que na poesia se amou, O improvável encontrou seu espaço, E mostrou que em sonhos se faz abraço. Então, que nunca percamos a coragem, De fazer do improvável nossa meta E entre o possível e o impossível A poesia me levou a outro nível FAZENDOOIMPROVÁVEL JR junioricardomagalhaes2777@gmail.com
  • 5. Errei! Errei feio. Cometi o pior e maior erro que [um poeta pode cometer, Pensei em versos e não os escrevi. Não os anotei, Não os gravei, Nem mesmo os desenhei. Agora me restou um obituário De saudade de um texto [que era belo e sublime Eu tenho certeza que era bom. Eu o devia ter escrito. Ele era muito bom. Pelo menos guardado uma palavra chave [que me lembrasse [alguma parte [desta ideia, ele realmente seria perfeito, Principalmente agora que não existe. NÃO NASCIDO Victoria Faria @professorapoetafaria Tudo muda Fico muda Me desnuda A velocidade Da mudança Não prepara Não ampara Escancara Fico muda MU(N)DO Renata Pereira renatafpereira@yahoo.com.br
  • 6. No deserto O incerto do nascer Crescer ... Toma da semente Da palavra A voz do profeta Se ouve ... E os fiéis regam o chão com seu sangue e d'outros; E brota o ódio. No seio da mãe terra Abriga mísseis E toda sorte de máquinas mortíferas E a fé cega ... Clamam nas sinagogas e mesquitas; E o amor que se prega há milhões de anos É mero fantoche em meio ao conflito. O oriente se dobra em lamentos Enquanto seres humanos Se queimam nas piras. Governantes insanos se degladiam ... E a ONU composta de ambiciosos e insensatos Diz discutir a paz e o cessar fogo ... Em face dos fatos, nada fazem, de novo; Em vis ardis, disputam os despojos! ... SEMEANDO Cleuza Figueiredo Rocha azuelcrocha@hotmail.com
  • 7. Cristiano Straccioni Quintana artestraccioni@gmail.com Ela acorda para mais uma dia. Se arrastando pela superfície da vida... ...de tudo que viveu. A carne que foi viva, hoje garante sua vida. A vida é transformação. Ela aguarda seu momento. Tenta acelerar, mas logo para observando a paisagem. Belas folhas gigantes. Que mundo gigante! Será que existe algo maior que esse jardim? A luz muda e gotas caem banhando o pequeno ser. Difícil se arrastar no meio da água. O banho de água pura. Um presente. A pequena criatura. Um devir. Se arrasta rumo ao seu futuro acima das folhas gigantes. Larva
  • 8. Acabo de tirar a caca do nariz Respirar e Pensar: Não precisei de ferramenta para limpá-lo; Acabo de limpar meu cu Não precisei de ferramenta para limpá-lo; Acabo de limpar minha vagina Não precisei de ferramenta para limpá-la; Acabo de limpar meus olhos Não precisei de ferramenta para limpá-los; Acabo de limpar meu sovaco Não precisei de ferramenta para limpá-los; Acabo de limpar meus pés Não precisei de ferramenta para limpá-los; Acabo de limpar minhas mãos Não precisei de ferramenta para limpá-los; Acabo de limpar meu umbigo Não precisei de ferramenta para limpá-lo; Acabo de limpar meus joelhos Não precisei de ferramenta para limpá-los; Acabo de limpar meus cabelos Não precisei de ferramenta para limpá-los; Acabo de limpar meus poros Não precisei de ferramenta para limpá-los E no meio dessa limpeza toda Usei apenas água. Alves Sevla dadazdawa@hotmail.com NED LUDD
  • 9. Ma. Angélica Carter Morales (Arg) rosangelux3@gmail.com
  • 10. Não me comovo com palavras sem fundo moral. Não me entorno de amores com promessas anormais. Não me inclino a crer em razão irracional. Não me silencio com emoção visceral. Sou toda razão sentimental E sentimental razoável. Não aceito promessas. Aceito ações. Não aceito chantagens. Aceito coragens. Não aceito ficar sem meus direitos. Aceito ser dona deles. Minha emoção fincada dentro de minha racionalidade. Meu sangue jorra em meus direitos. Pertencem ao meu corpo, À minha dignidade. Razoável emoção pelos meus direitos. Racionalidade Emocional Micheli Laviola micheli.laviola@gmail.com
  • 11. Os girassóis estão por toda parte! E os campos de trigo são tão imensos! É preciso pintar! É preciso pintar enquanto o sol existe! Como uma febre que avança noite adentro… É preciso pintar as estrelas! É preciso derramar-se na tela em branco até a última gota! E no papel, nas paredes, em qualquer canto! Como uma febre que avança pela vida inteira. TINTA AMARELA Jeane Bordignon @jeanebordignon Sextante Olhar Recanto Angular Cálculo Racional Sensório Visual Infinita Linha Percepção Só minha: Alma Que vê E que crê No espaço Se... Deral. Eduardo C Souza @educsouza76 Ângulo
  • 12. andar a pé me traz de volta a vista sobre esses cantos esses recortes infinitos do centro da minha cidade por hoje sem óculos a obtusidade dos graus era só escândalo um grito mal dado ser a idade ambulante, passante requer deixar coisas pra trás, ser passado já estão na oficina, os novos óculos os antigos estilhaçaram sob pneus outros sequer vi em qual rua se deu a tragédia.. os olhos se cansam de ver a mesma avenida depois dos expedientes e meus rostos múltiplos num espelho maldito, quebrado a vida anda pra alguma direção ainda que errática, incerta sempre amo esquinas, as praças e avenidas, cara.. os sexos quase sempre vão se encaixar por incrível q pareça e quase sempre dá errado a vida deveria valer ouro mesmo.. Conrado Gonçalves conradopalavras@gmail.com Neste frágil castelo de nuvens que de tão tênue torna invisível o contraponto. Regurgito sonhos, fujo de realidades impostas, construo abstrata existencialidade, brinco com fluorescentes tijolos de esquizofrenia, desenho certezas invisíveis, afirmo com toda fé de que reminiscência é matéria. Subverto ordens esquecidas, confundo horizontes, auroras, ocasos. Torno-me Cérbero e enalteço a deuses midiáticos. A autodestruição não é uma escolha! CONJURO O DIA EM QUE ACENDERAM O PAVIO DO BIG BANG! E sem nenhum encanto entro em contradição. Somente o soro liberta de incertezas e maus hábitos. Flanei em tempos idos e desmoronei com desonra. Questionei se um dia fui realmente o que sou ou vou ser. agarro-me ao éter como forma de afirmação, mas não sem medo... ÉTER Nelson Neto @ferreiranelson27
  • 13. Cada morto tem um nome Uma história Uma trajetória Uma origem Um percurso Afetos Amores vividos Amores deixados por viver Dores Pegadas Rastros Marcas Um fim O fim de todos nós O fim do bicho-homem O fim da humanidade Animais? Sim, são animais Tanto quanto seus assassinos Sim, somos animais Macacos-pelados da selva de pedra Da selva destruída Genocídio Deus? Não, deus não está no meio de nós Palestina Elidiomar Ribeiro elidiomar@gmail.com Poesia também é revolução, É aquilo que faço com o que incomoda. Poesia também é algo que tira o chão. Diante de tanta morte, Armas químicas e destruição, Como posso não usar a arte Para denunciar o erro, o vício, o atropelo? Como posso não tomar partido [quando ouço [um grito? Bombas riscaram os céus... Um espetáculo quase bonito, iluminado, Caindo em explosão, dizimando, Ruindo uma Faixa inteira, [jogando-a ao chão. Para aquela gente falta água, falta paz, Falta pão e compaixão. Por quê? Porque a maldade é tanta que alucina... Porque a maldade assola Gaza [em toda esquina. Dy Eiterer @dyvagando POSICIONAMENTO
  • 14. todos os dias tenho pelo menos um sonho, um que as vezes penso estar acordada e ser real e outro lúcido. neste dia eu desenhei duas vezes o mesmo desenho. neste sonho havia uma mulher da minha idade que me trazia uma sensação de confiança e amizade. Junto de nós, havia uma mulher que mais velha transmitia responsabilidade e didática, parecia querer nos ensinar ou nos orientar a algo e quando menos percebemos estávamos sobre uma mesa a céu aberto, havia grama e um céu claro e azul. ela nos dizia “desenhe vocês enquanto árvore”. acordei logo após ela me questionar. Lila Gati Azevedo @lilassss
  • 15. Paulinho Assumpção paulinhoassump@gmail.com esquadrinhando cada canto do inferno ofertado todos os caminhos dão na rebentação e rindo, lá se vão as caras pelo mundo contando mortes sobrepostas fogos fátuos quebrando a negritude da noite num gesto quase poético para onde vão as marimbas de fogo? sem lágrimas gemeu como cão, cheirou o incenso da morte viu milhares de olhos brilharem no breu fundiram-se o céu e as paredes apagaram-se as estrelas avermelharam-se os rostos pálidos da prole que dormia com mãos, bocas e braços partidos arremessou-se ao mar agarrado à sua cria emergiu das águas com o sorriso dos vencedores tinha bastante ódio para partir com dignidade sentia-se salvo, mesmo tendo a morte como recompensa diário de guerra
  • 16. Almejamos aquilo que não entendemos Procurando compreender o universo Vi os céus e me tornei um de seus andarilhos Mal sabia ter um desejo traiçoeiro Os detalhes se tornam um ruído branco, luz refletida em espelho O conhecimento me faz de Dâmocles e sua espada Um dia ela cairá sobre mim, no chão sua nova tela, pintada em vermelho Sem discernimento ando nessa estrada Por desespero cubro meus olhos como o Serafim Horrorizado comigo mesmo, fico cego como um Oráculo É isso? Será esse o fim? Terei mais um obstáculo? O que era antes, agora não será mais Na minha vertigem bêbada, onde começa o “eu” E o cosmos termina. Não consigo olhar mais para trás. Nada é o que aparente ser mais, o que se passa é apenas um traço meu Antes era humano. Antes era o universo. Agora sou o mar. Como onda, bato e volto, a espuma se espalha Com as areias e com a poeira cósmica, venha se misturar Somos um, eu e o mar Quando a mente falha, escolho me afogar Compreender a verdade universal é navegar na escuridão Como aranhas e suas teias no luar Nas contradições, encontro o lógico, nada importa mais Meu fascínio chega ao místico, enfim, paz. Afogado com o sangue do deus Caos No meu túmulo cósmico, no fim, paz O SERAFIM DE INFINITOS OLHOS Pedro Portugal @pedroh.prt
  • 17. doispoemas porKalila Assis | @kalilaamorim Fiz do teu corpo palavra. E escrevi-te nu na minha mente. Desenhei-te as curvas enquanto [dormias, numa cama de anatomias. Fiz-te meu nesse breve [espaço/tempo [enquanto te observava [dormir, calmo, sereno e entregue. Sorri. Virei para o lado e dormi inteira serena calma e entregue. Mas talvez a madrugada seja para pensar e não para dormir É por ela que você espera ansiosa, mesmo que você pareça alegre o dia inteiro com gargalhadas escancaradas e sorrisos largos, é por ela que você anseia. Não adianta dizer que está cansada menina, todos já sabem, você fecha os olhos para imaginar e não para dormir. Tenho que lhe confessar, você finge muito bem. Colocando o seu salto quinze e um batom vermelho, não deixa ninguém notar que a cada noite você morre um pouco. Sabe quão boba fica com aquele brilho superficial, mas, é isso que o mundo espera de você. Não deixe de ser superficial, não deixe de ser mais uma pessoa vazia em um mundo hipócrita mas, não deixe de acreditar em seus sonhos. A madrugada... Instigadora de novos sonhos, ou, ao menos, renovadora de sonhos antigos... Acreditar nos sonhos, é abraçar a vida... Que os sonhos te abracem a cada esquina da vida...
  • 18. A imagem deste calhau rolado de basalto resgatado à calçada frente à casa das Cruzes, no Funchal, mostra — no contraste entre a cor cinza e o negro — como ele envelheceu num arco temporal de 15 anos. Foi o tempo em que fui impedido de regressar a casa perante a ameaça, pelos então terroristas da Flama, de que matariam meu pai se eu voltasse à ilha. Para poupar-lhe a vida cumpri a chantagem imposta ficando resistente em luta noutras paragens. Só voltei ao lugar no funeral de meu pai, aí encontrando a família com quinze anos mais, crescida ou envelhecida, mas o envelhecimento das árvores, e o das pedras, foi o que surpreendeu. O pó de areia negra de basalto, é no que esta pedra hoje simbolicamente se transformou — a pedra esc(r)avo. António Barros artitude.ab@gmail.com Sofrida, a pedra escrava quinze anos depois
  • 19. Corpos e seus gestos Sons e movimentos Toque e intensidades Espetáculo lúdico Que nos atravessa Chamado amor Despeço-me Deslocado revestido de capa dura Lubrificado em lágrimas E ainda hoje quando chove As memórias da carne Me trazem as solidões Em poemas barulhentos... Memórias Allysson Gudu agudulterado@gmail.com Isabela Saramago isaramago@terra.com.br Moro num cortiço, bem de longe … Eu assisto. Pedras soltas bueiros rachados raízes a mostra … Essa é a minha cidade! Ausência de rampas, buracos se estampam. arvores que tombam… Essa é a minha cidade! As calçadas viram leitos afeitos pela realidade, sujeitos tirando proveito … Essa é a minha cidade! Passe a bolsa … Cadê o relógio … Socorro!… Polícia! … Essa é a minha cidade! E assim é, sem descanso, todo dia. faça sol, faça chuva … Essa é a minha cidade! Essa é a minha cidade!
  • 20. BOTEQUIM 2 Ilustra: @romulopherreira | poema: Dário Omanguin Farias (Poeta Ratos Di Versos) Procuro uma esquina tipo lá de BEAGÁ Onde o botequim não há de faltar. Vou e confesso, não há o quê esconder Cerveja e tira-gosto, esse é meu prazer... Numa mesa de calçada fico a espreitar Entre olhares vejo a mulherada desfilar Empolgado, chamo o garçon Uma pinga de sabor madeirado Foi a pedida para acompanhar O chouriço que estava a esfriar. Entre goles da gelada Uma pinga é memorável Vem na cabeça toda uma estória De uma paixão que não deu em nada. Pensamentos fluem com facilidades Embora o tempo é curto Tenho que me apressar Para a cerveja não esquentar... Entretanto, fico a divagar Ir para onde? Medir o tempo? Se aqui é meu lugar... Dedo em riste, me dirijo ao garçom Mais uma! Levanto a garrafa... Para indicar a preferida. Ali vou ficando... O tempo passa O garçom me convida a se retirar Pago a conta... Mas a vontade era de ficar.
  • 21. MUITO OBRIGADO PELA LEITURA ATÉ A PRÓXIMA EDIÇÃO! ameopoemaeditora@gmail.com fb.com/ameopoema @coletivoameopoema COLABORE LIVREMENTE, MANDE UM PIX PRA INCENTIVAR NOVOS TRABALHOS: ameopoemaeditora@gmail.com Caso queira anunciar algum livro ou serviço cultural, entre em contato. Caso queira publicar seu livro (físico ou e-book) a baixo custo entre em contato, são esses trabalhos e doações que mantêm a revista viva. INTERVENHA NESTA REVISTA E MANDE UMA FOTO PRA GENTE EDITORA INDEPENDENTE