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  1. 1. FACULDADE DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAISA LEXICOGRAFIA COMO UMA TEORIA EUMA PRÁTICAMaputo – (2007)/...UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE
  2. 2. Conteúdos:1. O que é Lexicografia2. A Lexicografia como teoria e prática3. A Tipologia de dicionários4. A Compilação e revisão de dicionários5. A Publicação de dicionários6. A planificação da produção de dicionários
  3. 3. 1. O que é Lexicografia•Lexicografia:a) Técnica de confecção de dicionáriosb) Análise linguística dessa técnica(Ambiguidade do termo)• A prática lexicográfica é muito antiga. Primeiros testemunhos escritos:glossários e nomenclatura.(Primeiros dicionários exaustivos são posteriores à invenção daimprensa)• França (séc.17-18, 2ª metade do séc.19): grande número de dicionários• A Lexicografia estuda os diferentes tipos de dicionários.• A Lexicografia estuda:- a micro-estrutura dos dicionários (a estrutura interna dosverbetes)- a sua macro-estrutura (elementos constituintes dos dicionários)
  4. 4. 2. A Lexicografia como teoria e prática(Hartmann 1995)LEXICOGRAFIAComo Teoria(Pesquisa)Como Prática(Produção)Históriade dicio-náriosAnálisecrítica dedcináriosTipologiade dicUso /Finalidadde dicEstruturade dic.Recolha(TrblhoCampo)Compila-ção eRevisãoPublica-ção
  5. 5. I – SOBRE A PESQUISA LEXICOGRÁFICA1. História de dicionários• Muitos dicionários têm precursores e todos têm imitadores.• Compreensão dos fundamentos históricos da compilação dedicionários é um dos pré-requisitos para o progresso da Lexicografiaem termos académicos.• Exemplo: “Breve historia da Lexicografia das línguas bantu faladas emMocambique” (Cap. 2 da Tese de Mestrado de Bento Sitoe, 1991)(Enquadramento histórico, descrição, metodologias, problemas)2. Análise crítica de dicionários:• Guiões de Análise de dicionários com os seguintes aspectos:a) Grau de inclusãob) Problemas de conteúdoc) Problemas de organização
  6. 6. DICIONÁRIOS3. Tipologia de dicionários:A - Ponto prévio: Tipologia de Textos para situarmos os dicionários nodiagrama que se segue: (Hartmann 1995)TEXTOde Estudo de ConsultaCompêndios Antologias Obras de ReferênciaEnciclopédias Obras de Referência deorientação lexicalÍndices Manuais de Concordâncias DICIONÁRIOSutilizaçãoThesaurus Sinonímias Glossários
  7. 7. B - Breve caracterização de dicionários• Os dicionários podem ser classificados segundo umaóptica criteriológica defendida pelos linguistas de Berkeley(Malkiel 1967)• Três categorias de dicionários, quanto a: extensão,perspectiva e apresentação (Bot Ba Njock, 1983:117ss)a) A extensão (tamanho e âmbito do dicionário):i. grau de cobertura do léxico;ii. número de línguas envolvidas (dic. monolingues,bilingues, trilingues ou multilingues);iii. grau de concentração de informação nosdados lexicais
  8. 8. b) A perspectiva (modo como o compilador encara oseu trabalho e tipo de abordagem adoptada):i. tipo de usuários em termos de a) seu perfil e suasnecessidades, b) estratégias para o acesso à informaçãopelo usuário;ii. dicionário descritivo ou prescritivo;iii. natureza e conteúdo (dicionários temáticos ouespecializados; diacrónicos ou sincrónicos)[Nota: Segundo Zgusta 1971, os dicionários diacrónicos sãohistóricos quando estudam as mudanças da forma e designificados do léxico e serão etimológicos quando sedebruçam sobre a origem das palavras (pré-história daspalavras). Os dicionários sincrónicos dão conta do stock doléxico de uma língua numa determinada fase do seudesenvolvimento.]iv. organização do material no dicionário (ordem alfabética;por temas; por som (como nos dicionários de rimas); porconceitos, ou ainda segundo outros meios e critérios)
  9. 9. c) A apresentação (concretização, em forma de dicionário,dos objectivos e princípios pré-estabelecidos):Estes princípios envolvem:a) o estilo tipográfico,b) os símbolos especiais e abreviaturas,c) os meios de apresentação da informação gramatical,semântica e extra-linguística,d) forma de apresentação dos sentidos das unidades lexicais,e) tipo de material ilustrativo (textos, gravuras), etc.Cada uma destas categorias de caracterização de dicionáriosque acabamos de apresentar pressupõe uma metodologiaprópria, conforme os objectivos em vista.
  10. 10. C - Tipologia genética de dicionários (Rey 1970, 1977)(roteiro com sete pontos válido para a descrição de dicionários namedida em que os critérios apresentados orientam o lexicógrafo emrelação às decisões tomadas na preparação de um determinado tipo dedicionário): (Miodunka 1989:251ss)1) Os dadosOs dados podem ser:a) observados (p.e. em dicionários com base num texto de um só autor,ou numa língua morta);b) produzidos ad hoc (pelo lexicógrafo) e/ou sobretudo pelosinformantes;(Um modelo misto junta a estes, os dados observados.)c) fornecidos de modo funcional (p.e. em dicionários sincrónicos de umalíngua, em textos orais e escritos).d) fornecidos por diferentes sistemas funcionais (p.e. em dicionáriosdiacrónicos).Os dados podem ter sido utilizados globalmente (p.e. na indexação detodas as palavras que vêm numa obra literária) ou parcialmente, tendo-secomo critérios de selecção a intuição ou uma base objectiva (factorquantitativo, p.e.).
  11. 11. 2) Os verbetesDe acordo com ao perspectiva do dicionário, os verbetes podem vir:a) da utilização do índice de um texto,b) de unidades lexicais e/ou outras unidades tais como morfemas;c) de idiomas, etc.3) Elementos constitutivos do dicionárioSão formados pelo conjunto funcional correspondente à língua (p.e.dicionários gerais) e pelos subconjuntos:a) Semio-cultural (semântico ou nocional - p.e. dicionário temático;sociocultural - p.e. dicionário do calão entre ladrões);b) de relações semânticas (p.e. dicionário de sinónimos) ou de relaçõesformais (p.e. dicionário de rimas).No tratamento destes conjuntos, pode-se empregar o método extensivoou o método selectivo, segundo os critérios intuitivo e objectivo.
  12. 12. 4) Sequência dos verbetesPode obedecer a:a) uma ordem formal (p.e. dicionários alfabéticos);b) uma ordem semântico-metalinguístico (nocional)p.e. o Thesaurus de Roget;metalinguístico (p.e. dicionário sistemático temático).Os pontos 2, 3 e 4 constituem a Macroestrutura do dicionário.5) Análise semântica funcionalPode ser:a) Explícita, abrangendo:1) o plano de conteúdo (p.e. enciclopédias de uma língua ou de umalíngua natural + um sistema icónico, i.e., ilustração gráfica);2) o plano formal (p.e. dicionários de língua, que podem ser mono-, bi-ou multilingues).b) Implícita, p.e., índice de palavras-chave, dicionários ortográficos;com utilização global ou seleccionada de dados.
  13. 13. 6) Informação não-semânticaPode ser funcional (p.e. sobre distribuição; nível de linguagem, etc.); oufuncional e não-funcional (p.e. etimológica, histórica, normativa, etc.).Os Pontos 5 e 6 constituem a Microestrura e podem optar pelo modeloextensivo (definições e equivalentes com informação detalhada), ouselectivo (dicionário bilingue com palavras homólogas).Na Microestrutura importa estudar as categorias da informação doverbete quanto:a) à Forma (ortografia, pronúncia, informação gramatical)b) ao Sentido (significado; uso; etimologia), etc.7) Exemplificação dos dadosOs dicionários podem vir sem material ilustrativo ou podem integrarexemplos vindos do levantamento de textos (citações); produzido, ouproduzido e observado pelo lexicógrafo.O material ilustrativo pode ser extraído da fala (sem informação dolexicógrafo) ou elaborado pelo lexicógrafo para casos específicos ailustrar.
  14. 14. 4. Recolha de dados, compilação e revisão do dicionárioA – Passos metodológicos para a recolha de dados ecompilação de um dicionário bilingue: (adaptados de Sitoe 1991)1. Identificação do grupo alvo (usuários) do dicionário2. Decisão sobre o tamanho (número aproximado de verbetes)3. Decisão sobre apresentação do dicionário4. Elaboração de um esquema de recolha e classificação de textos5. Recolha e transcrição de dados (ficheiros informatizados)6. Alistamento das unidades lexicais (programas informáticos)7. Identificação e tratamento das unidades homógrafas, homónimas epolissémicas8. Redacção dos verbetes(identificação, discriminação e hierarquização de sentidos; informaçãodiversa, exemplos e ilustrações;)9. Organização do dicionário (introdução, apêndices, etc.)10. Revisão cuidada dos dados introduzidos e impressão11. Submissão do dicionário à apreciação de falantes, especialistas, etc.12. Correcção final do dicionário (e publicação)II – SOBRE A PRÁTICA LEXICOGRÁFICA
  15. 15. B - Ficha de revisão(proposta em Bartholomew & Schoenhals, 1983:24 e Sitoe 1991)1. O sistema ortográfico usado está de acordo com o aprovado?2. A palavra proposta é o equivalente geral da unidade lexical,ou aplicar-se-á apenas a um dos sentidos? (Pt. campo /Chg. kampu)3. Será o equivalente escolhido por sua vez ambíguo?, i.e., com as suaspróprias discriminações de sentido? (Pt. apascentar /Chg. -bzisa)4. Um comentário discriminativo ou um sinónimo poderá ajudar a tornaro equivalente menos ambíguo? (Chg. –bzisa (pessoas) dirigir,conduzir)5. Estará a forma gramatical do equivalente em conflito com a da unidadeem estudo? (Pt. paz /Chg. kurhula (n.); -rhula (v.) estar quieto, calmo…)6. Estará a esfera mínima de referência da unidade lexical coberta peloequivalente de modo que encaixe adequadamente no conceito emestudo? (Pt. campo / Chg. kampu versus Pt. faca / Chg. xikhwa)7. As definições e os comentários terão sido redigidos de modo adequadoe consistente?8. Abreviaturas, símbolos e sistemas de remissão e cruzamento foramusados de modo adequado e consistente?
  16. 16. III – ASPECTOS ORGANIZACIONAIS NA PRODUÇÃO DEDICIONARIOS5. A planificação da produção de dicionários(Sitoe 1991 e Zgusta 1971)a) Envolvimento e cometimento pessoal• Decisão pessoal do lexicógrafo e de outras pessoas ligadas aoprojecto (proprietários) do projecto, coordenador, compiladores,informantes e colaboradores;• Recolha e transcrição de textos, extracção das unidades lexicais,compilação do dicionário e acompanhamento da publicação: muitosanos de trabalho• Frustrações originadas pela extensão no tempo. “Remédio”:combinação da actividade lexicográfica com outras actividades (p.e.produção de gramáticas, manuais de ensino das línguas abrangidas,recolha e divulgação de contos, provérbios e outras manifestaçõesculturais)
  17. 17. b) Sequência dos tipos de dicionários a serem produzidos(Línguas moçambicanas ainda sem grande tradição de escrita mas em mudança: contactocom outras línguas com a escrita muito desenvolvida)• Primeiro passo: modestos dicionários bilingues (apropriação e consolidação da ortografia)• Depois: dicionários bilingues de vulto (lg europeia – lg moçambicana)• Mais tarde (20/50 anos): produção de dicionários monolinguesc) Cálculo do tempo de custos• Raros projectos auto-financiam-se: mobilização de recursos financeiros• Cálculo do tempo e de fundos para o projecto• Amostras de trabalho inicial ajudam a avaliar tempo e custos reaisd) Infra-estruturas e equipamento• A planificação = mobilização de recursos materiais. (espaço, equipamento, consumíveis eserviços)Ajuda externa / contribuição local: garantia de continuidade do projectoe) Recursos humanos e coordenação• Contraproducente um lexicógrafo trabalhar sozinho: uma equipa à volta do coordenador =projecto seja bem sucedido.• Planificação da formação do pessoal envolvido no projecto.• Coordenação (intra- e inter equipas, p.e. comissões de línguas)6. Publicação do dicionário:A publicação do dicionário não é da responsabilidade directa do lexicógrafo mas este deveacompanhar todo o processo para ajudar na tomada de decisões sobre questõestipográficas e outras.(Veja Zgusta 1971 para detalhes)
  18. 18. BibliografiaBartholomew, D.A. & Louise C. Schoenhals. 1983. Bilingual dictionaries for Indigenous Languages.Mexico: Summer Institute of Linguistics.Bot Ba Njock, H.M. 1983. Etapes d’elaboration d’un dictionnaire monolingue en langue africaine. InBulletin de l’ALELIA 6:117-126.Corbeil, Jean-Claude & Ariane Archambault. 2006. The Firefly Spanish / English visual Dictionary.New York: Firefly Books.Hallig, Rudolf & Walther von Wartburg. 1963. Système raisonné dês concepts pour servir de base a laLexicographie – essai d’un schéma de classement. Berlin: Akademie-Verlag.Hartmann, R.R.K. 1995. Lexicography – Theory and Practise. Comunicação apresentada noSeminário Pré-Conferência da ALASA 95 em Stellenbosch.Kavanagh, K. 2000. Words in cultural context. In Lexikos 10:99-118.Kotzé, E. 1999. Translating culture in bilingual dictionaries. In Lexikos 9:86-107.Landau, Sidney I. 1989. Dictionaries. The Art and Craft of Lexicography. New York: C. Scribner’sSons / Cambridge: C.U.P.Malkiel, Y. 1967. A Typological Classification of Dictionaries on the Basis of Distinctive Features. InHouseholder, F.W. & Sol Sapota (ed.). Problems in Lexicography. Bloomington: indiana University.McArthur, T. (ed). 1992. The Oxford Companion to the English Language. Oxford: Oxford UniversityPress. Pg. 239.Miodunka, W. 1989. Podstaw Leksykologii i Leksykografii. Warszawa: Państowe Wydawnictwonaukowe.Murphy, M. Lynne. 1996. Dictionaries and orthography in modern Africa. Lexikos 6:44-70.Oxford-Duden. 1992. The Oxford-Duden Pictorial Portuguese-English Dictionary. Oxford: ClarendonPress.Prinsloo, D. J. 2001. The compilation of electronic dictionaries for the African languages. Lexikos.11:139-159.Sitoe, Bento. 1991. Lexicografia da língua Tsonga: Uma proposta metodológica. (Tese de Mestrado).Universidade de Varsóvia.Wierzbicka, Anna. 1985. Lexicography and conceptual analysis. Ann Arbor: Karoma Publishers, Inc.Zgusta, Ladislav. 1971. Manual of Lexicography. Praha: Academia.

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