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GURGEL, C. A Gerência do Pensamento. São Paulo: Cortez, 2003.
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Os Espacos IdeolóGicos Das To

  1. 1. OS ESPAÇOS IDEOLÓGICOS NO CAMPO DO ESTUDO DAS TEORIAS ORGANIZACIONAIS E SEUS IMPACTOS NA CLASSE TRABALHADORA, E NO MUNDO DO TRABALHO, DO FIM DO SÉCULO XX E INÍCIO DO XXI. Por Angelo Peres, 2009. Segundo Gurgel (2003), as teorias organizacionais que servem de suporte para a organização do trabalho produtivo, são o quarto fator de produção, na medida em que elas norteiam o caráter ideológico, no sentido de validar todos os seus métodos e técnicas. Para o autor (ibid.), estas teorias estão impregnadas desses valores que se destinam a adequar o ambiente das relações de produção a uma única finalidade: a rentabilidade, a manipulação em busca da “harmonia”, da “cooperação” e da consequente elevação da produtividade. Isto porque, entre outros, elas passam a existir a partir da introdução de métodos e técnicas de gestão; e, no limite, se servem de práticas de “adornamento” do ambiente de trabalho (BENDIX, 1967). Ainda, e para estes autores, a ideologia difundida por essas teorias não tem só o caráter de ajustamento dos trabalhadores às técnicas e aos métodos. Elas vão além: veiculam valores universais que se tornam historicamente “necessários” para o desenvolvimento capitalista (GURGEL, 2003; ALVES, 2001). Para exemplificar o que apontamos, nos apropriamos de “Os Princípios da Administração Científica”, livro de Frederick Taylor, de 1907, que não se limitou, apenas, a buscar fundamentos no campo da melhoria da produtividade, como pensam muitos autores. Na verdade, os postulados da Administração Científica vão além. Eles reproduzem o discurso econômico da época e introjetam de modo prático o projeto ideológico capitalista: No caso de uma indústria mais complexa, estará perfeitamente esclarecido que poderá ser obtida a maior prosperidade permanente do operário, acompanhada da maior prosperidade permanente do patrão, quando o trabalho da empresa for realizado com o menor gasto de esforço humano, combinado com o menor gasto das matérias-primas, com a menor inversão do capital em instalações e máquinas, em edifícios etc. Ou, por outras palavras, a maior prosperidade decorre da maior produção possível dos homens e máquinas do estabelecimento, isto é, quando cada homem e cada máquina oferecerem o melhor rendimento possível (TAYLOR, 2008, p. 25-26) (grifo nosso).
  2. 2. Na verdade, as idéias difundidas por Taylor, Fayol, Mayo, Ford, Drucker, Ohno e outros, são conceitos que foram forjados com o objetivo de conservar o equilíbrio posto a partir das contradições da relação capital versus trabalho, neste ambiente. No fim das contas, são projetos que visam à reprodução econômica; e o “martelar” dos valores da ideologia dominante. Dito de outra forma, os estudos dos tempos e dos movimentos, os princípios fordistas de economicidade, os processos de intensificação e de produtividade, todos são estratégias capitalistas de superexploração do trabalho, na medida em que a ideologia, enquanto teoria é força material de classe. Assim, é lícito afirmar, que estas tecnologias oriundas das Escolas da Administração cumprem uma função mais ampla que somente a organização (e a reorganização) do trabalho. Ou seja, elas condicionam o ambiente às necessidades da reprodução econômica e do sistema capitalista. Na fronteira, as teorias organizacionais, passam a ultrapassar seus fins produtivos e se convertem em formas concretas de propagação dos valores ideológicos do capital. A grande maioria dos operários acredita que, se eles trabalhassem com a máxima rapidez, fariam grande injustiça à classe operária, arrastando muitos homens ao desemprego: mas, a história da evolução dos negócios demonstra que todo aperfeiçoamento, quer pela invenção de nova máquina, quer pela introdução de novo método, resulta no aumento da capacidade produtiva do homem no trabalho e na baixa no preço de custo que, em lugar de levarem os trabalhadores ao desemprego, tornam possível o emprego de maior número de homens (TAYLOR, 2008, p. 28). Estas estratégias, portanto, e neste prisma, não se limitam, somente, a estes fins. Ou seja, diferentemente do que prega Theodore Roosevelt em discurso sobre a eficiência organizacional (1901-1908), a administração científica é um modelo administrativo, no fim das contas, que quer gerenciar o pensamento dos trabalhadores, na perspectiva do projeto político em curso. Os Espaços Ideológicos do Poder e da Produção vis à vis a Formação do Administrador . Não podemos acreditar que a formação do administrador é neutra, assim como não podemos deixar de apontar, a partir de uma literatura mais crítica e complexa, que as teorias administrativas são um esforço de adequar os ambientes de trabalho às necessidades da produção. Até porque, e segundo Aktouf (1994), as empresas constituem-se em “agentes centrais da concretização de uma escolha de sociedade e dos relacionamentos humanos”.
  3. 3. Para o autor (ibid.), os ambientes profissionais, nesta perspectiva, estão quase que “absolutamente tomados por uma visão monolítica do mundo e da vida social”. Isto porque, na preparação dos gerentes e dos executivos (incluindo aí os executivos da área de RH), parecem cumprir uma função ampliada. Ou seja, estes profissionais foram/e estão sendo preparados para a manutenção desse momento histórico. Dito de outra forma, esta preparação está toda estruturada observando – como sempre – o papel de proselitistas dos valores liberais reabilitados. Sem aprofundar no debate, as teorias organizacionais dos anos 20 e 30, só para ficar nestes 20 anos, do século XX, revelam sobejamente este “adornamento” apontado por Bendix. Ou seja, este não é um fenômeno novo; e, no fim das contas, todos servem para criar novos mecanismos de dominação. De modo resumido, e com Marx (1971), ideologia posta por estas teorias se define como uma inversão da realidade, que corresponde à própria realidade invertida. Ou seja, ideologia utilizada por Taylor e pelos outros teóricos das demais correntes, segue o conceito básico de ideologia: a inversão do mundo. Assim, a ideologia aplicada por estes autores e por essas teorias, no fim das contas, hegemonizam grandes parcelas da sociedade, inclusive aquelas cujos interesses são contrários (GURGEL, 2003). Apropriando-nos de Cerqueira Filho (1983), ideologia não é um simples espelho do real. É a sua ilusão. Uma inversão. Com a qual estes representam o aparecer social, como se tal fosse à realidade social. Produzindo, assim, alusão concreta a esta mesma realidade. Portanto, não há ideologia sem a alusão ao real; não há ideologia sem que esta sirva aos interesses particulares, que tendem a se apresentar como interesses universais (e comuns) ao conjunto do grupo. Isto porque, a ideologia pretende expressar universalidades, verdades, e cujo poder de persuasão é avassalador. No fim das contas, a ideologia pregada por Taylor e por essas escolas administrativas é a apresentação de uma concepção de mundo, e produto da representação de classe. Porém, é possuidora – em sua materialidade – de um forte apelo hegemônico capaz de induzir o comportamento individual e coletivo. Assim, e voltando aos autores das teorias administrativas, e nos apropriando do conceito de ideologia costurado acima, podemos afirmar que Taylor, Fayol, Mayo, Ford,
  4. 4. Drucker e Ohno, entre outros, foram autores que conseguiram submeter à realidade às suas análises e a seus instrumentos de racionalização. Estes autores afetaram o mundo do trabalho, bem como foram os principais responsáveis pela maioria das mudanças tecnológicas introduzidas pelo movimento de organização racional do trabalho. Não apresentamos aqui panacéia para resolver todas as dificuldades da classe obreira e dos patrões. Como certos indivíduos nascem preguiçosos e ineficientes e outros ambiciosos e grosseiros, como há vício e crime, também sempre haverá pobreza, miséria e infelicidade. Nenhum sistema de administração, nenhum expediente sob o controle dum homem ou grupo de homens pode assegurar prosperidade permanente a trabalhadores ou patrões. A prosperidade depende de muitos fatores, inteiramente livres do controle do grupo humano, estado ou nação, e assim todos passam inevitavelmente por certos períodos e devem sofrer um pouco. Sustentamos, entretanto, que sob a administração científica, fases intermediárias serão muito mais prósperas, felizes e livres de discórdias e distensões. Também os períodos de infortúnio serão em menor número, mais curtos e menos atrozes. E isto se tornará particularmente verídico no país, região ou Estado que em primeiro lugar substituir a administração empírica pela administração científica (TAYLOR, 2008, p. 36). Ainda, e buscando melhor qualificação do que afirmamos como o nexo ideológico das teorias administrativas, na busca de ser o quarto fator de produção, nos apropriamos de Ohno s seu método: o toyotismo. O sistema Toyota nasce da necessidade (do Japão) entrar no cenário da produção de peças. Este sistema se destacou em função, basicamente, por sua diversificação. Ou seja, enquanto o sistema fordista era o de produção em massa, o sistema Toyota se diferencia por sua “plasticidade”, por seu poder de “adaptação” (OHNO, 1978). Há duas maneiras de aumentar a produtividade. Uma é a de aumentar as quantidades produzidas, a outra é a de reduzir o pessoal de produção. A primeira maneira é, evidentemente, a mais popular. Ela é também a mais fácil. A outra, com efeito, implica repensar, em todos os seus detalhes, a organização do trabalho (ibid., 1978, p. 71). Este modelo, o toyotismo, traz “novos” conceitos ideológicos: (1) a “fábrica mínima” que deverá ser, também, “flexível” e que deverá buscar a produtividade não mais no sentido taylorista-fordista, mas num novo patamar produtivo onde a flexibilidade do trabalho, e a alocação das operações, e o estoque mínimo, são os novos paradigmas; (2) o conceito de fábrica magra, transparente e flexível, onde a magreza é conseguida pela
  5. 5. transparência; (3) a gestão através dos estoques; (4) e a administração pelos olhos (CORIAT, 1994). Neste ponto, podemos afirmar que sem a intervenção ativa de uma ideologia abrangente (e capitalista) nem Taylor, nem Mayo, nem Drucker, nem Ohno, ou qualquer outro teórico, poderia dar cabo das transformações sociais que este quarto fator de produção foi capaz de mudar. Neste ângulo, podemos afirmar que a ideologia, também, é força material de classe. Ou seja, o poder ideológico, no seio das teorias administrativas, strictu sensu, foi capaz de criar uma direção para a força produtiva no comando e na difusão dos valores do projeto hegemônico. Esses bons resultados foram alcançados graças a mudanças que substituíram condições desfavoráveis de trabalho por outras favoráveis. Não se deve esquecer, entretanto, que o elemento mais ponderável foi a cuidadosa seleção das moças com percepção rápida, para ocupar o lugar daquelas que tinham percepção lenta (a substituição das moças com alto coeficiente pessoal pelas de baixo coeficiente pessoal), isto é, a seleção científica do trabalhador (TAYLOR, 2008, p. 74). Para finalizar esta seção, Alves (2001), ratifica a utilização da ideologia no seio da produção capitalista sob a égide da mundialização do capital. Na verdade, a autora aponta para a utilização da ideologia no toyotismo. Ou seja, a amplitude dos valores e de regras “flexíveis”, nessa escola administrativa, e como esta passou a sustentar uma série de protocolos organizacionais no campo do capitalismo. Estes, no limite, passaram a articular um novo regime de acumulação centrado na flexibilidade. Porém, e ainda com Alves (ibid.), estes procedimentos se mesclaram com os dispositivos tayloristas-fordistas do século passado na medida em que tornaram-se valor universal para o capital em processo. REFERÊNCIAS: AKTOUF, O. A administração entre a tradição e a renovação. São Paulo: Atlas, 1994. ALVES, G. Dimensões da Globalização. Londrina: Práxis, 2001. BENDIX, R. As Perspectivas de Elton Mayo. In: ETZIONI, A. Organizações complexas. São Paulo: Pioneira, 1967. CERQUEIRA FILHO, G. Marx e a Ideologia. In: Porque Marx? Rio de Janeiro: Graal, 1983. CORIAT, B. 1994. Pensar Pelo Avesso: O Modelo Japonês de Trabalho e Organização. Rio de Janeiro: UFRJ.
  6. 6. GURGEL, C. A Gerência do Pensamento. São Paulo: Cortez, 2003. MARX, K. Crítica da Filosofia do direito de Hegel: Introdução. In: LENK, K. El Concepto de Ideología. . Buenos Aires: Amorrortu, 1971. OHNO, T. Toyota seisan hôshiki. Tókio: Diamond Sha, 1978. TAYLOR, F. Princípios de Administração Científica. 8ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2008.

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