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A Rosa e o Mar
Eu gostaria ainda de falar,
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A rosa é tão delicada,
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Sophia Breyner Andresen
Mar Sonoro
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___________________________________________
Sophia Breyner Andresen
Fundo do mar
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A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
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Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
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Sophia Breyner Andresen
Espero
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
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Sophia Breyner Andresen
Dia do mar no ar
Dia do mar no ar, construído
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Dia do mar no meu quarto-cubo
Onde os meus gestos sonâmbulos deslizam
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Dia do mar no ar, dia alto
Onde os meus gestos são gaivotas que se perdem
Rolando sobre as ondas, sobre as nuvens.
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Olavo Bilac
Em uma Tarde de Outono
Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...
Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?
A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!
E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...
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Mário Castrim
Tenho uma janela
Tenho uma janela
que dá para o mar
barcos a sair
barcos a entrar
tenho uma janela
que dá para o mar
sonhos a partir
sonhos a chegar
tenho uma janela
que dá para o mar
um fio de fumo
uma sombra além
uma história antiga
um cantar de vela
um azul de mar
tenho uma janela
que dá para o mar
tenho uma janela
que seria bela
seria mais bela
que qualquer janela
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ou qualquer janela
de qualquer escola
se não fosse aquele
pescador já velho
que anda pela praia
a pedir esmola
barcos a sair
barcos a entrar
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e não vejo o mar.
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Fernanda de Castro
Não Fora o Mar!
Não fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.
Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.
Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.
Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.
Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.
Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.
Não fora o mar
e o meu canto seria flor e mel,
asa de borboleta, rouxinol,
e não rude halali, garra cruel,
Águia Real que desafia o sol.
Não fora o mar
e este potro selvagem, sem arção,
crinas ao vento, com arreio,
meu altivo, indomável coração,
Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio.
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Mia Couto
Fundo do mar
Quero ver
o fundo do mar
esse lugar
de onde se desprendem as ondas
e se arrancam
os olhos aos corais
e onde a morte beija
o lívido rosto dos afogados
Quero ver
esse lugar
onde se não vê
para que
sem disfarce
a minha luz se revele
e nesse mundo
descubra a que mundo pertenço
___________________________________________
Florbela Espanca
Vozes Do Mar
Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?
Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?
Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!
Donde vem essa voz,ó mar amigo?......
Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!
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Almeida Garrett
Pescador da barca bela
Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador!
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!
___________________________________________
António Gomes Leal
Carta ao Mar
Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lyrico, choroso,
E terno visionario, meu amigo!
Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vae ter comtigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e humido jazigo!
Nada é mais triste, tragico e profundo!
Ninguem te vence ou te venceu no mundo!...
Mas tambem, quem te poude consollar?!
Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia! -
E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia;
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___________________________________________________________________________________________________
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António Gedeão
Poema do homem-rã
Sou feliz por ter nascido
no tempo dos homens-rãs
que descem ao mar perdido
na doçura das manhãs.
Mergulham, imponderáveis,
por entre as águas tranquilas,
enquanto singram, em filas,
peixinhos de cores amáveis.
Vão e vêm, serpenteiam,
em compassos de ballet.
Seus lentos gestos penteiam
madeixas que ninguém vê.
Com barbatanas calçadas
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roçam-se os homens no solo
sob um céu de águas paradas.
Sob o luminoso feixe
correm de um lado para outro,
montam no lombo de um peixe
como no dorso de um potro.
Onde as sereias de espuma?
Tritões escorrendo babugem?
E os monstros cor de ferrugem
rolando trovões na bruma?
Eu sou o homem. O Homem.
Desço ao mar e subo ao céu.
Não há temores que me domem
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___________________________________________
Manuel Lopes (Cabo Verde)
Cais
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Para mim nunca é demais
responder sim
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Por cada barco que me negou
cinquenta partem por mim
e o mar é plano e o céu azul sempre que vou!
Mundo pequeno para quem ficou...
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Álvaro Magalhães
A ilha do tesouro
O meu tesouro é um livro
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onde ainda brilha o ouro
de palavras encantadas:
guinéus, luíses, dobrões.
Se o abro, à noite, no quarto,
levanta-se um vento leve
que enfuna os lençóis da cama;
cheira a sal, ouvem-se as ondas,
salpicos de espuma volteiam no ar.
Mas já não voam as palavras que voavam
e me arrastavam prò o mar,
o grande mar que é muitos e só um.
Por mais que escute já não ouço
a canção dos marinheiros:
Dez homens em cima da mala do morto…
Iou, ou, ou, e uma garrafa de rum…
Antigamente era outra essa viagem
e era eu o rapaz da estalagem.
Escondido na barrica das maçãs,
escutava o taque-taque
do homem da perna só
e as conversas dos piratas
que passavam no convés:
Com quarenta homens nos
fizemos ao mar,
mas só um, afinal,
se conseguiu salvar.
Faca de punho rachado,
bússola, sabre,
telescópio de latão.
Só o rum é que podia
derrubar o capitão;
mas agora ele está morto
e tem duas moedas de prata
no sítio dos olhos,
um buraco para os peixes
no lugar do coração.
O mar também é abismo
e assombro e perdição.
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Página 10 de 15
Com mil diabos!
Icem já a vela mestra,
seus patifes de uma figa!
Já chega de beber rum
e de coçar a barriga.
Depressa! Está na hora de arribar!
Mesmo em frente há uma ilha
que cresceu durante a noite
do outro lado do mar.
Tragam o mapa de Flint,
limpem o pó dos canhões,
sintam o cheiro do ouro.
O vento nos levará
para a ilha do tesouro.
Para a ilha do tesouro!
As palavras que me levem
para a ilha do tesouro
e seja ela onde for.
Quero os meus lábios gretados
pelo sal, pelo calor,
como no tempo em que era jovem
e andava no mar
e era o tempo melhor.
Que aconteceu? Quem sou eu?
Quem lê o livro não é quem o leu?
Onde está o mapa
do tesouro que me deste?
Três cruzes a vermelho,
duas a norte, uma a sudeste.
Agora abro o livro
e não acontece nada.
A minha noite é só medo e frio,
uma terra ressequida
batida por mar nenhum.
Por mais que escute já não ouço
a canção dos marinheiros:
Dez homens em cima da mala do morto…
lou, ou, ou, e uma garrafa de rum.
___________________________________________________________________________________________________
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Cecília Meireles
O rei do mar
Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular.
Vimos as Plêiades. Vemos
agora a Estrela Polar.
Muitas velas. Muitos remos.
Curta vida. Longo mar.
Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar...
Nem tormenta nem tormento
nos poderia parar.
(Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...)
Andamos entre água e vento
procurando o rei do mar...
___________________________________________
Cecília Meireles
Prazo de Vida
No meio do mundo faz frio,
faz frio no meio do mundo,
muito frio.
Mandei armar o meu navio.
Volveremos ao mar profundo,
meu navio!
No meio das águas faz frio.
Faz frio no meio das águas,
muito frio.
Marinheiro serei sombrio,
por minha provisão de mágoas.
Tão sombrio!
No meio da vida faz frio,
faz frio no meio da vida.
Muito frio.
O universo ficou vazio,
porque a mão do amor foi partida
no vazio.
___________________________________________________________________________________________________
Página 12 de 15
Cecília Meireles
Pescaria
Cesto de peixes no chão.
Cheio de peixes, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.
Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.
As mãos do mar vê e vão,
as mão do mar pela areia
onde os peixes estão.
As mãos do mar vêm e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.
Por isso chora, na areia
a espuma da maré cheia.
___________________________________________
Vasco Graça Moura
Crónica
eram barcos e barcos que largavam
fez-se dessa matéria a nossa vida
marujos e soldados que embarcavam
e gente que chorava à despedida
ficámos sempre ou quase ou por um triz
correndo atrás das sombras inseguras
sempre a sonhar com índias e brasis
e a descobrir as próprias desventuras
memória avermelhada dos corais
com sangue e sofrimento amalgamados
se rasga escuridões e temporais
traz-nos também nas algas enredados
e ganhou-se e perdeu-se a navegar
por má fortuna e vento repentino
e o tempo foi passando devagar
tão devagar nas rodas do destino
que ou nós nos encontramos ou então
ficamos uma vez mais à deriva
neste canto que é nosso próprio chão
sem que o canto sequer nos sobreviva
___________________________________________________________________________________________________
Página 13 de 15
Fernando Pessoa
Mar Português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
___________________________________________
Luísa Ducla Soares
O castelo de areia
Fiz um castelo de areia
Mesmo à beirinha do mar
À espera que uma sereia
Ali quisesse morar
Ó mar,
Ó mar...
Mas foi só uma gaivota
Que ali me foi visitar
Ó mar,
Ó mar...
Mas foi uma verde onda
Que ali me foi visitar.
E levou o meu castelo,
O meu castelo de areia
Para no mar morar nele
A minha linda sereia.
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Página 14 de 15
Miguel Torga
A largada
Foram então as ânsias e os pinhais
Transformados em frágeis caravelas
Que partiam guiadas por sinais
Duma agulha inquieta como elas...
Foram então abraços repetidos
À Pátria-Mãe-Viúva que ficava
Na areia fria aos gritos e aos gemidos
Pela morte dos filhos que beijava.
Foram então as velas enfunadas
Por um sopro viril de reacção
Às palavras cansadas
Que se ouviam no cais dessa ilusão.
Foram então as horas no convés
Do grande sonho que mandava ser
Cada homem tão firme nos seus pés
Que a nau tremesse sem ninguém tremer.
___________________________________________
Miguel Torga
Mar
Mar!
Tinhas um nome que ninguém temia:
Eras um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia...
Mar!
Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto...
Mar!
Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!
Mar!
Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!
Mar!
E quando terá fim o sofrimento!
E quando deixará de nos tentar
O teu encantamento!
___________________________________________________________________________________________________
Página 15 de 15
Miguel Torga
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
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Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
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Miguel Torga
Sagres
Vinha de longe o mar...
Vinha de longe, dos confins do medo...
Mas vinha azul e brando, a murmurar
Aos ouvidos da terra um cósmico segredo.
E a terra ouvia, de perfil agudo,
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Que iluminava tudo
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E o agudo perfil mais se aguçava,
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Poemas do Mar

  • 1. Agrupamento de Escolas Professor Armando de Lucena Seleção de poemas para a 7.ª Semana da Leitura “MAR – Leituras em mar alto” Biblioteca Escolar / PNL
  • 2. ___________________________________________________________________________________________________ Página 2 de 15 Eugénio de Andrade A Rosa e o Mar Eu gostaria ainda de falar, da rosa brava e do mar. A rosa é tão delicada, o mar tão impetuoso, que não sei como os juntar e convidar para o chá na casa breve do poema. O melhor é não falar Sorrir-lhes só da janela. ___________________________________________ Sophia Breyner Andresen Mar Sonoro Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim, A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho, Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim. ___________________________________________ Sophia Breyner Andresen Fundo do mar No fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores. Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas. Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço. Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso.
  • 3. ___________________________________________________________________________________________________ Página 3 de 15 Sophia Breyner Andresen Espero Espero sempre por ti o dia inteiro, Quando na praia sobe, de cinza e oiro, O nevoeiro E há em todas as coisas o agoiro De uma fantástica vinda. As ondas quebravam uma a uma Eu estava só com a areia e com a espuma Do mar que cantava só para mim. ___________________________________________ Sophia Breyner Andresen Dia do mar no ar Dia do mar no ar, construído Com sombras de cavalos e de plumas Dia do mar no meu quarto-cubo Onde os meus gestos sonâmbulos deslizam Entre o animal e a flor como medusas. Dia do mar no ar, dia alto Onde os meus gestos são gaivotas que se perdem Rolando sobre as ondas, sobre as nuvens. ___________________________________________ Olavo Bilac Em uma Tarde de Outono Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto. Outono... Rodopiando, as folhas amarelas Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto... Por que, belo navio, ao clarão das estrelas, Visitaste este mar inabitado e morto, Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas, Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto? A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos... Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol! E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste, E contemplo o lugar por onde te sumiste, Banhado no clarão nascente do arrebol...
  • 4. ___________________________________________________________________________________________________ Página 4 de 15 Mário Castrim Tenho uma janela Tenho uma janela que dá para o mar barcos a sair barcos a entrar tenho uma janela que dá para o mar sonhos a partir sonhos a chegar tenho uma janela que dá para o mar um fio de fumo uma sombra além uma história antiga um cantar de vela um azul de mar tenho uma janela que dá para o mar tenho uma janela que seria bela seria mais bela que qualquer janela janela fosse ela de Lua ou de estrelas ou qualquer janela de qualquer escola se não fosse aquele pescador já velho que anda pela praia a pedir esmola barcos a sair barcos a entrar chego-me à janela e não vejo o mar.
  • 5. ___________________________________________________________________________________________________ Página 5 de 15 Fernanda de Castro Não Fora o Mar! Não fora o mar, e eu seria feliz na minha rua, neste primeiro andar da minha casa a ver, de dia, o sol, de noite a lua, calada, quieta, sem um golpe de asa. Não fora o mar, e seriam contados os meus passos, tantos para viver, para morrer, tantos os movimentos dos meus braços, pequena angústia, pequeno prazer. Não fora o mar, e os seus sonhos seriam sem violência como irisadas bolas de sabão, efémero cristal, branca aparência, e o resto — pingos de água em minha mão. Não fora o mar, e este cruel desejo de aventura seria vaga música ao sol pôr nem sequer brasa viva, queimadura, pouco mais que o perfume duma flor. Não fora o mar e o longo apelo, o canto da sereia, apenas ilusão, miragem, breve canção, passo breve na areia, desejo balbuciante de viagem. Não fora o mar e, resignada, em vez de olhar os astros tudo o que é alto, inacessível, fundo, cimos, castelos, torres, nuvens, mastros, iria de olhos baixos pelo mundo. Não fora o mar e o meu canto seria flor e mel, asa de borboleta, rouxinol, e não rude halali, garra cruel, Águia Real que desafia o sol. Não fora o mar e este potro selvagem, sem arção, crinas ao vento, com arreio, meu altivo, indomável coração, Não fora o mar e comeria à mão, não fora o mar e aceitaria o freio.
  • 6. ___________________________________________________________________________________________________ Página 6 de 15 Mia Couto Fundo do mar Quero ver o fundo do mar esse lugar de onde se desprendem as ondas e se arrancam os olhos aos corais e onde a morte beija o lívido rosto dos afogados Quero ver esse lugar onde se não vê para que sem disfarce a minha luz se revele e nesse mundo descubra a que mundo pertenço ___________________________________________ Florbela Espanca Vozes Do Mar Quando o sol vai caindo sobre as águas Num nervoso delíquio d’oiro intenso, Donde vem essa voz cheia de mágoas Com que falas à terra, ó mar imenso? Tu falas de festins, e cavalgadas De cavaleiros errantes ao luar? Falas de caravelas encantadas Que dormem em teu seio a soluçar? Tens cantos d'epopeias? Tens anseios D'amarguras? Tu tens também receios, Ó mar cheio de esperança e majestade?! Donde vem essa voz,ó mar amigo?...... Talvez a voz do Portugal antigo, Chamando por Camões numa saudade!
  • 7. ___________________________________________________________________________________________________ Página 7 de 15 Almeida Garrett Pescador da barca bela Pescador da barca bela, Onde vais pescar com ela, Que é tão bela, Ó pescador? Não vês que a última estrela No céu nublado se vela? Colhe a vela, Ó pescador! Deita o lanço com cautela, Que a sereia canta bela... Mas cautela, Ó pescador! Não se enrede a rede nela, Que perdido é remo e vela Só de vê-la, Ó pescador! Pescador da barca bela, Inda é tempo, foge dela, Foge dela, Ó pescador! ___________________________________________ António Gomes Leal Carta ao Mar Deixa escrever-te, verde mar antigo, Largo Oceano, velho deus limoso, Coração sempre lyrico, choroso, E terno visionario, meu amigo! Das bandas do poente lamentoso Quando o vermelho sol vae ter comtigo, - Nada é mais grande, nobre e doloroso, Do que tu, - vasto e humido jazigo! Nada é mais triste, tragico e profundo! Ninguem te vence ou te venceu no mundo!... Mas tambem, quem te poude consollar?! Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia! - E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia; - A Musica é mais triste inda que o Mar!
  • 8. ___________________________________________________________________________________________________ Página 8 de 15 António Gedeão Poema do homem-rã Sou feliz por ter nascido no tempo dos homens-rãs que descem ao mar perdido na doçura das manhãs. Mergulham, imponderáveis, por entre as águas tranquilas, enquanto singram, em filas, peixinhos de cores amáveis. Vão e vêm, serpenteiam, em compassos de ballet. Seus lentos gestos penteiam madeixas que ninguém vê. Com barbatanas calçadas e pulmões a tiracolo, roçam-se os homens no solo sob um céu de águas paradas. Sob o luminoso feixe correm de um lado para outro, montam no lombo de um peixe como no dorso de um potro. Onde as sereias de espuma? Tritões escorrendo babugem? E os monstros cor de ferrugem rolando trovões na bruma? Eu sou o homem. O Homem. Desço ao mar e subo ao céu. Não há temores que me domem É tudo meu, tudo meu. ___________________________________________ Manuel Lopes (Cabo Verde) Cais Nunca parti deste cais e tenho o mundo na mão! Para mim nunca é demais responder sim cinquenta vezes a cada não. Por cada barco que me negou cinquenta partem por mim e o mar é plano e o céu azul sempre que vou! Mundo pequeno para quem ficou...
  • 9. ___________________________________________________________________________________________________ Página 9 de 15 Álvaro Magalhães A ilha do tesouro O meu tesouro é um livro de folhas gastas, dobradas, onde ainda brilha o ouro de palavras encantadas: guinéus, luíses, dobrões. Se o abro, à noite, no quarto, levanta-se um vento leve que enfuna os lençóis da cama; cheira a sal, ouvem-se as ondas, salpicos de espuma volteiam no ar. Mas já não voam as palavras que voavam e me arrastavam prò o mar, o grande mar que é muitos e só um. Por mais que escute já não ouço a canção dos marinheiros: Dez homens em cima da mala do morto… Iou, ou, ou, e uma garrafa de rum… Antigamente era outra essa viagem e era eu o rapaz da estalagem. Escondido na barrica das maçãs, escutava o taque-taque do homem da perna só e as conversas dos piratas que passavam no convés: Com quarenta homens nos fizemos ao mar, mas só um, afinal, se conseguiu salvar. Faca de punho rachado, bússola, sabre, telescópio de latão. Só o rum é que podia derrubar o capitão; mas agora ele está morto e tem duas moedas de prata no sítio dos olhos, um buraco para os peixes no lugar do coração. O mar também é abismo e assombro e perdição.
  • 10. ___________________________________________________________________________________________________ Página 10 de 15 Com mil diabos! Icem já a vela mestra, seus patifes de uma figa! Já chega de beber rum e de coçar a barriga. Depressa! Está na hora de arribar! Mesmo em frente há uma ilha que cresceu durante a noite do outro lado do mar. Tragam o mapa de Flint, limpem o pó dos canhões, sintam o cheiro do ouro. O vento nos levará para a ilha do tesouro. Para a ilha do tesouro! As palavras que me levem para a ilha do tesouro e seja ela onde for. Quero os meus lábios gretados pelo sal, pelo calor, como no tempo em que era jovem e andava no mar e era o tempo melhor. Que aconteceu? Quem sou eu? Quem lê o livro não é quem o leu? Onde está o mapa do tesouro que me deste? Três cruzes a vermelho, duas a norte, uma a sudeste. Agora abro o livro e não acontece nada. A minha noite é só medo e frio, uma terra ressequida batida por mar nenhum. Por mais que escute já não ouço a canção dos marinheiros: Dez homens em cima da mala do morto… lou, ou, ou, e uma garrafa de rum.
  • 11. ___________________________________________________________________________________________________ Página 11 de 15 Cecília Meireles O rei do mar Muitas velas. Muitos remos. Âncora é outro falar... Tempo que navegaremos não se pode calcular. Vimos as Plêiades. Vemos agora a Estrela Polar. Muitas velas. Muitos remos. Curta vida. Longo mar. Por água brava ou serena deixamos nosso cantar, vendo a voz como é pequena sobre o comprimento do ar. Se alguém ouvir, temos pena: só cantamos para o mar... Nem tormenta nem tormento nos poderia parar. (Muitas velas. Muitos remos. Âncora é outro falar...) Andamos entre água e vento procurando o rei do mar... ___________________________________________ Cecília Meireles Prazo de Vida No meio do mundo faz frio, faz frio no meio do mundo, muito frio. Mandei armar o meu navio. Volveremos ao mar profundo, meu navio! No meio das águas faz frio. Faz frio no meio das águas, muito frio. Marinheiro serei sombrio, por minha provisão de mágoas. Tão sombrio! No meio da vida faz frio, faz frio no meio da vida. Muito frio. O universo ficou vazio, porque a mão do amor foi partida no vazio.
  • 12. ___________________________________________________________________________________________________ Página 12 de 15 Cecília Meireles Pescaria Cesto de peixes no chão. Cheio de peixes, o mar. Cheiro de peixe pelo ar. E peixes no chão. Chora a espuma pela areia, na maré cheia. As mãos do mar vê e vão, as mão do mar pela areia onde os peixes estão. As mãos do mar vêm e vão, em vão. Não chegarão aos peixes do chão. Por isso chora, na areia a espuma da maré cheia. ___________________________________________ Vasco Graça Moura Crónica eram barcos e barcos que largavam fez-se dessa matéria a nossa vida marujos e soldados que embarcavam e gente que chorava à despedida ficámos sempre ou quase ou por um triz correndo atrás das sombras inseguras sempre a sonhar com índias e brasis e a descobrir as próprias desventuras memória avermelhada dos corais com sangue e sofrimento amalgamados se rasga escuridões e temporais traz-nos também nas algas enredados e ganhou-se e perdeu-se a navegar por má fortuna e vento repentino e o tempo foi passando devagar tão devagar nas rodas do destino que ou nós nos encontramos ou então ficamos uma vez mais à deriva neste canto que é nosso próprio chão sem que o canto sequer nos sobreviva
  • 13. ___________________________________________________________________________________________________ Página 13 de 15 Fernando Pessoa Mar Português Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. ___________________________________________ Luísa Ducla Soares O castelo de areia Fiz um castelo de areia Mesmo à beirinha do mar À espera que uma sereia Ali quisesse morar Ó mar, Ó mar... Mas foi só uma gaivota Que ali me foi visitar Ó mar, Ó mar... Mas foi uma verde onda Que ali me foi visitar. E levou o meu castelo, O meu castelo de areia Para no mar morar nele A minha linda sereia.
  • 14. ___________________________________________________________________________________________________ Página 14 de 15 Miguel Torga A largada Foram então as ânsias e os pinhais Transformados em frágeis caravelas Que partiam guiadas por sinais Duma agulha inquieta como elas... Foram então abraços repetidos À Pátria-Mãe-Viúva que ficava Na areia fria aos gritos e aos gemidos Pela morte dos filhos que beijava. Foram então as velas enfunadas Por um sopro viril de reacção Às palavras cansadas Que se ouviam no cais dessa ilusão. Foram então as horas no convés Do grande sonho que mandava ser Cada homem tão firme nos seus pés Que a nau tremesse sem ninguém tremer. ___________________________________________ Miguel Torga Mar Mar! Tinhas um nome que ninguém temia: Eras um campo macio de lavrar Ou qualquer sugestão que apetecia... Mar! Tinhas um choro de quem sofre tanto Que não pode calar-se, nem gritar, Nem aumentar nem sufocar o pranto... Mar! Fomos então a ti cheios de amor! E o fingido lameiro, a soluçar, Afogava o arado e o lavrador! Mar! Enganosa sereia rouca e triste! Foste tu quem nos veio namorar, E foste tu depois que nos traíste! Mar! E quando terá fim o sofrimento! E quando deixará de nos tentar O teu encantamento!
  • 15. ___________________________________________________________________________________________________ Página 15 de 15 Miguel Torga Súplica Agora que o silêncio é um mar sem ondas, E que nele posso navegar sem rumo, Não respondas Às urgentes perguntas Que te fiz. Deixa-me ser feliz Assim, Já tão longe de ti como de mim. Perde-se a vida a desejá-la tanto. Só soubemos sofrer, enquanto O nosso amor Durou. Mas o tempo passou, Há calmaria... Não perturbes a paz que me foi dada. Ouvir de novo a tua voz seria Matar a sede com água salgada. ___________________________________________ Miguel Torga Sagres Vinha de longe o mar... Vinha de longe, dos confins do medo... Mas vinha azul e brando, a murmurar Aos ouvidos da terra um cósmico segredo. E a terra ouvia, de perfil agudo, A confidencial revelação Que iluminava tudo Que fora bruma na imaginação. Era o resto do mundo que faltava (Porque faltava mundo!). E o agudo perfil mais se aguçava, E o mar jurava cada vez mais fundo. Sagres sagrou então a descoberta Por descobrir: As duas margens de certeza incerta Teriam de se unir!