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O risco de votar em candidatos populistas
Populismo
Existem, basicamente, três modalidades de populismo: político, econômi...
Sedução. O líder populista usa seu carisma para seduzir as massas, para atrair, encantar, fascinar,
deslumbrar e envolver ...
3) Mesmo com o aumento das importações, a demanda se torna superior à oferta, produzindo infla-
ção. Adicionalmente, o con...
No tocante aos serviços, as iniciativas mais comuns dos governantes populistas são a doação de ali-
mentos, agasalhos, mat...
 Tiveram uma carreira política muito rápida – Quadros foi de vereador paulistano a presidente
em apenas 13 anos; Collor p...
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O risco de votar em candidatos populistas

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Existem, basicamente, três modalidades de populismo: político, econômico e administrativo. Um político pode praticar apenas uma das modalidades de populismo ou todas elas. Desde 1946, o Brasil teve nove Presidentes da República eleitos pelo voto direto. Dentre esses, cinco classificam-se como populistas. Além de populistas, esses cinco têm em comum o fato espantoso de não terem, nenhum deles, terminado o respectivo mandato. Longe de ser coincidência, trata-se de um claríssimo aviso que nossa história nos envia: presidentes populistas são INVIÁVEIS.

Publicada em: Notícias e política
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O risco de votar em candidatos populistas

  1. 1. O risco de votar em candidatos populistas Populismo Existem, basicamente, três modalidades de populismo: político, econômico e administrativo. Um político pode praticar apenas uma das modalidades ou todas elas. Populismo político Populismo político é um estilo de liderança política que tenta se relacionar diretamente com o povo, sem o uso dos canais próprios da democracia representativa, quais sejam, os partidos políticos e o Parlamento. O líder populista despreza os partidos e não respeita o Legislativo. As principais características do populista político são as seguintes. Messianismo. O líder populista se apresenta como “Messias”, como herói e salvador do povo. Personalismo. O líder populista submete o sistema político à sua pessoa, às suas ideias e à sua von- tade. Ele não se submete ao programa de seu partido mas cria seu próprio programa. No Brasil, o conjunto de ideias, crenças, formas de atuação, prioridades, políticas, práticas e tipo de governo ins- tituidos pelos líderes populistas foram, em certa época, identificados pelo nome do líder combinado com o sufixo “ismo”, como em getulismo (de Getulio Vargas), janismo (de Janio Quadros) etc. Autoritarismo. O líder populista tem dificuldade para exercer o poder em ambientes democráticos. Ele se sente mais à vontade em regimes políticos autoritários ou ditatoriais. Paternalismo. O líder populista comporta-se como pai, isto é, ele trata os cidadãos como crianças, como indivíduos imaturos e dependentes, incapazes de decidir, indivíduos que precisam, portanto, ser orientados por seu líder. Assim, o líder populista tende a infantilizar os cidadãos, tornando-os dependentes dele mesmo e tomando decisões que não podem ser discutidas, muito menos questio- nadas pelo povo, pois este é supostamente constituido de “incapazes”. Individualismo. Se o partido do líder populista tomar uma decisão que o desagrade ou contrariá-lo de qualquer modo, ele mudará de agremiação ou criará outro partido. Voluntarismo. O líder populista acredita que conseguirá realizar tudo exclusivamente em função de sua vontade, desprezando as dificuldades e condições objetivas das situações reais. O voluntaris- mo político se expressa na frase “querer é poder” ou na crença de que, para fazer as coisas aconte- cerem, basta ter “vontade política”. O líder populista costuma usar frases que se iniciam por “Eu vou (fazer) ...”, “Eu posso...”, “Eu quero...”, “Eu faço...”. Estímulo ao confronto. O líder populista divide a sociedade em dois grupos opostos: de um lado, o povo; de outro, as “elites” e a “classe política”, acusando estas últimas de corruptas, de responsáveis por todos os males sociais e de inimigas do povo.
  2. 2. Sedução. O líder populista usa seu carisma para seduzir as massas, para atrair, encantar, fascinar, deslumbrar e envolver os eleitores, estabelecendo com eles um vínculo emocional a fim de impedir que analisem racional e friamente a qualidade e viabilidade de suas ideias e propostas. Uso dos meios de comunicação. O líder populista enfatiza a comunicação direta entre ele e o povo fazendo uso de todos os meios de comunicação disponíveis, inclusive, nos dias de hoje, utilizando os novos meios como a comunicação on line, chats, blogs, fóruns de debate e redes sociais. Gestão da atividade política. Modernamente, o líder populista usa técnicas avançadas de gestão da atividade política, como técnicas de marketing político e de dramatização do discurso, bem como pesquisas quantitativas e qualitativas de opinião e de intenção de voto, com a finalidade de conven- cer os eleitores – quando candidato – e de divulgar as ações do governo – depois de eleito. Semelhança com o povo. O líder populista se apresenta como alguém que entende as massas por- que é igual a elas – é humilde, desprovido de riquezas, lutador, trabalhador. As elites são despreza- das porque não têm nada em comum com a massa popular. O líder procura passar a ideia de que o governo, para ser legítimo, tem que estar nas mãos de alguém que tenha a cara e a alma do “povão”. Populismo econômico O populismo econômico – a política econômica populista – é uma política econômica de curto pra- zo, portanto insustentável a longo prazo, destinada a controlar artificialmente a inflação e aumentar a demanda rapidamente de modo a aumentar o nível de emprego. O populismo econômico apresen- ta características tais como:  Controle de preços;  Protecionismo e subsidios para grandes empresas;  Incentivo à demanda por meio de programas de financiamento de bens de consumo com juros reduzidos e de redução de impostos incidentes sobre esses bens;  Aumento no número de cargos públicos;  Política monetária expansionista por meio da redução forçada da taxa de juros de referência. As consequências do populismo econômico são as seguintes: 1) Nos primeiros anos, as políticas aparentemente funcionam. A política macroeconômica mostra bons resultados, como um PIB crescente, uma redução no desemprego, um aumento real nos sa- lários e a inflação sob controle. Como as empresas possuem capacidade ociosa, os estímulos econômicos artificiais geram um crescimento econômico grande a curto prazo e sem pressões inflacionárias. 2) Como apenas o consumo foi estimulado mas não o investimento, a demanda em alta não pode ser suprida pela industria nacional. Assim, a diferença crescente entre a procura e a capacidade produtiva local é atendida pelas importações, cujo valor cresce continuamente e ultrapassa as exportações, causando deficit na balança comercial e, consequentemente, uma crise no balanço de pagamentos.
  3. 3. 3) Mesmo com o aumento das importações, a demanda se torna superior à oferta, produzindo infla- ção. Adicionalmente, o controle de preços torna-se insustentável, e a liberação desses mesmos preços aumenta ainda mais a inflação. 4) O inchaço da máquina pública, a redução de impostos e os subsidios aumentam a despesa e re- duzem a receita fiscal, provocando deficits no orçamento do governo. Como consequência, para financiar esses deficits, a dívida pública aumenta, tornando-se insustentável. 5) O incentivo ao consumo produz um alto endividamento das familias que, a certa altura, não con- seguem mais consumir, provocando a redução da demanda. O resultado final é o colapso do modelo, com crescimento zero ou negativo do PIB, desemprego re- corde e inflação altíssima. Populismo administrativo O populismo administrativo se caracteriza pela prioridade a obras e serviços de grande visibilidade e capacidade de sensibilizar o eleitorado. Por essa razão, tais obras e serviços são denominados elei- toreiros. As obras eleitoreiras dos governantes populistas apresentam os seguintes padrões:  Sua execução é concentrada nos anos eleitorais;  São executadas de modo apressado, sem planejamento;  Apresentam baixa qualidade, com acentuada tendência de deterioração a curto prazo;  São inauguradas com grandes campanhas de divulgação. O político que pratica o populismo administrativo escolhe obras que possam ser executadas dentro do ano eleitoral ou, no máximo, dentro de seu mandato de quatro anos. Ele nunca inicia obras para serem terminadas por seu sucessor. Como exemplos de obras que se prestam ao populismo administrativo podem-se citar as seguintes:  Abertura de ruas e avenidas;  Asfaltamento e implantação de iluminação pública em vias situadas principalmente em bairros da periferia;  Construção de pontes e viadutos;  Construção de estádios de esportes;  Construção de praças e parques;  Construção de hospitais e postos de saude;  Construção de escolas. Na visão do populismo administrativo, obras subterrâneas como redes de agua e esgoto são invisi- veis, portanto não rendem votos. Por esse motivo, tais obras não têm prioridade na agenda dos go- vernantes populistas.
  4. 4. No tocante aos serviços, as iniciativas mais comuns dos governantes populistas são a doação de ali- mentos, agasalhos, materiais de construção, camisetas de equipes de futebol, remedios etc. a popu- lações pobres em época de eleição, na expectativa de obter sua gratidão em forma de votos. Essa prática não consegue mudar a realidade social de tais comunidades, ou seja, não é capaz de tirar da pobreza as populações carentes e nem esse é seu objetivo. O objetivo é torná-las dependentes do doador. O populismo administrativo é mais comumente praticado por prefeitos e candidatos a prefeito, ve- reador e deputado. Nossos presidentes populistas Desde 1946, o Brasil teve nove Presidentes da República eleitos pelo voto direto. São eles: Eurico Gaspar Dutra (1946-1950), Getulio Vargas (1951-1954), Juscelino Kubitschek (1956-1960), Janio Quadros (1961), João Goulart (apelidado de Jango – 1961-1964),1 Fernando Collor (1990-1992), Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002), Lula (2003-2006 e 2007-2010) e Dilma Rousseff (2011-2014 e 2015-2016). Dentre os nove presidentes citados, alguns se destacaram por respeitar os mecanismos institucionais existentes – o Congresso Nacional e os partidos políticos – e se esforçaram para consolidar as insti- tuições políticas. Seus mandatos contribuiram para o fortalecimento institucional. Nesse primeiro grupo estão Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso. São os presi- dentes “institucionalistas” ou “democráticos”. O segundo grupo é constituido pelos “populistas polí- ticos”, que tentaram governar acima das instituições e dos partidos políticos. Nesse grupo se enqua- dram Getulio Vargas, Janio Quadros, João Goulart e Fernando Collor. Getulio e Jango podem ser entendidos como políticos populistas de características paternalistas, ao passo que Janio e Collor podem ser caracterizados como populistas carismáticos.2 O terceiro grupo é constituido pelos “po- pulistas econômicos”. Apenas Dilma Rousseff pertence a esse grupo.3 Getulio, Janio, Jango, Collor e Dilma, além de serem populistas, têm em comum o fato espantoso de não terem, nenhum deles, terminado o respectivo mandato. Getulio, para não renunciar, suici- dou-se; Janio renunciou na suposição de que o povo não aceitaria sua renúncia e forçaria o Congres- so a outorgar-lhe poderes ditatoriais – enganou-se; Jango foi deposto pelos militares; Collor e Dilma foram destituídos pelo Congresso. Longe de ser coincidência, trata-se de um claríssimo aviso que nossa história nos envia: presidentes populistas são INVIÁVEIS. Em particular, as semelhanças entre Janio Quadros e Fernando Collor são tantas que causam perple- xidade. Ambos:  Eram autoritários – consideravam o Congresso como Poder subordinado a si;  Eram arrogantes – julgavam-se donos da verdade;  Eram individualistas – colocavam seus interesses acima daqueles de seu partido político;  Eram contestadores – não aceitavam o sistema político brasileiro;
  5. 5.  Tiveram uma carreira política muito rápida – Quadros foi de vereador paulistano a presidente em apenas 13 anos; Collor passou de prefeito de Maceió a presidente em apenas 10 anos;  Eram jovens quando foram eleitos para a Presidência – Quadros tinha 44 anos; Collor, 40 anos;  Apresentaram-se aos eleitores como campeões da moralidade – Quadros usou como símbolo de campanha uma vassoura, com a qual pretendia “varrer” a corrupção; Collor apresentou-se como “caçador de marajás”. “Marajá” foi um termo pejorativo usado para qualificar servidores públi- cos alagoanos que chegavam a ganhar até oito vezes seu salário básico por meio da soma de su- cessivas vantagens à remuneração inicial, vantagens que eram estabelecidas em lei, mas clara- mente imorais;  Estavam filiados a partidos políticos inexpressivos quando se elegeram presidentes – Quadros elegeu-se pelo PTN; Collor, pelo PRN;  Desprezavam as agremiações partidárias – Ambos usaram os partidos para atender seu projeto pessoal de poder. Quadros passou pelas seguintes agremiações: PDC, PTB, PTN e novamente PTB; Collor pertenceu às seguintes agremiações: PDS, PMDB, PRN, PRTB e PTB;  Desprezavam o Congresso Nacional e perderam o apoio dos parlamentares. Como saber se um dado candidato é populista? Resposta: observando suas características e seu his- tórico como prefeito, governador ou presidente. Ele é messiânico? Personalista? Arrogante? Autori- tário? Paternalista? Individualista? Voluntarista? Pratica ou praticou uma das modalidades de popu- lismo? Se o candidato possuir uma dessas características, será bom pensar duas vezes antes de votar nele (V. o artigo intitulado “Como escolher um candidato a Presidente da República”). Notas 1 Jango foi eleito vice-presidente pelo voto direto e depois assumiu a presidência com a renúncia de Janio. Naquela época, votava-se separadamente para presidente e vice-presidente. 2 MELO, Carlos. Collor: O ator e suas circunstâncias. São Paulo: Editora Novo Conceito, 2007. pp. 54-57. 3 SÁ, Rachel de. “Qualquer semelhança, não é mera coincidência – O governo Dilma e o populismo econômico”. Disp. em: http://terracoeconomico.com.br/qualquer-semelhanca-nao-e-mera-coincidencia-o-governo-dilma-e-o-populismo- economico

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