Distribuição do Petroleo

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Distribuição do Petroleo

  1. 1. 82 Maio/Junho de 2010 ISSN 1517-8021 A divisão dos recursos do petróleo No estado do Rio de Janeiro, os deslizamentos de terra causados pelas chuvas em regiões de encostas fazem vítimas todos os anos. Somente As elevadas medidas técnicas preventivas e uma política reservas de óleo descobertas no adequada podem pôr fim a esse habitacional pré-sal provocaram um ciclo de tragédias. amplo debate sobre como estender a todo o Brasil os benefícios dessa imensa riqueza, sem prejudicar os estados produtores.Mercado precisará de 500 mil profissionais até 2014.
  2. 2. Parabéns a esses profissionais que exercem as suas atividades com ética eresponsabilidade socioambiental. E ajudam, assim, a construir um Brasil melhor. Maio 6 – Dia do Engenheiro Cartógrafo 29 – Dia do Geógrafo 30 – Dia do Geólogo Junho 6 – Dia do Engenheiro Agrimensor
  3. 3. editorialGolfo do México: lições do desastre O acidente em uma plataforma da BP (antiga British Pe- A tragédia norte-americana jogou por terra o argumentotroleum), no Golfo do México, ocorrido em 20 de abril, já pode de que o impacto ecológico de acidentes em uma plataformaser classificado como a maior catástrofe ambiental da história continental, a dezenas de quilômetros da costa, é desprezíveldos Estados Unidos. Até o fim de maio, cerca de 76 milhões para o estado ou o município produtor. O espírito constitucio-de litros de óleo já tinham sido despejados no mar, segundo o nal que atribui aos royalties o papel de compensar produtoresgoverno norte-americano. pelos riscos socioambientais da indústria petrolífera deve, por- tanto, ser preservado. Além dos custos para conter o vazamento do poço, es-timados em US$ 760 milhões, são incalculáveis os danos aos Outra questão que ganha tom de urgência com o desas-ecossistemas e os prejuízos à vida econômica e social dos es- tre é, para dizer o mínimo, a necessidade de criteriosa regula-tados da costa sul, os mais atingidos até o momento. ção pública de uma atividade com riscos diversos, sobretudo quando conduzida por interesses econômicos privados que O desastre pode vir a se tornar um divisor de águas para a agem de modo pragmático. A frágil fiscalização estatal dasindústria do petróleo. Afinal, põe o mundo em alerta e suscita atividades desenvolvidas pela BP e outras empresas do setor –uma série de questões associadas à atividade petrolífera, que um legado do governo de George Bush – também deve servirvão desde o alto – e, muitas vezes, negligenciado – risco do de lição para o Brasil.segmento extrativista, passando pelo debate em torno dascompensações por danos ambientais e a regulação estatal Correr o risco, por exemplo, de destinar boa parte de nos-até, no limite, a insustentabilidade da economia de mercado sas reservas de óleo do pré-sal – das quais 30% já foram leilo-produtivista movida a combustíveis fósseis. adas sob o regime de concessão – às metas exploratórias de consórcios de corporações multinacionais, como a BP, parece O desastre no Golfo do México mostra que não é infunda- não ser um bom negócio. Significaria submeter o país a umdo o temor dos estados produtores brasileiros, como Rio de Ja- ritmo de produção de elevado risco ambiental e, ainda, renun-neiro e Espírito Santo, de perderem receita com o novo modelo ciar à utilização gradual das nossas reservas para definir novasde distribuição dos royalties introduzido pela emenda Ibsen. estratégias de desenvolvimento nacional.Agostinho Guerreiro O regime de partilha do petróleo, pelo qual a maior partePresidente do Crea-RJ fica com o governo brasileiro, constitui uma garantia de in-(www.agostinhoguerreiro.blogspot.com) vestimentos planificados para o futuro, em educação, saúde, habitação e ciência e tecnologia. Ou seja, inclusão econômica e social e um Brasil mais justo e igualitário. Sabe-se também que a tragédia nos Estados Unidos traz mais dúvidas e apreensões em relação à produção em águas profundas e ultraprofundas. Como uma das empresas que mais investem em segurança e proteção ambiental, a Petrobras está capacitada a operar neste cenário de desafios tecnológi- cos crescentes exigidos para a extração de petróleo do pré-sal. Por isso, é importante que a empresa, como prevê a proposta de novo marco legal feita pelo governo, opere em todos os po- ços, mesmo que de modo minoritário em parte deles. No entanto, ao mesmo tempo em que deve aproveitar o momento como oportunidade para reforçar a opção pela posse e utilização soberana dessas gigantescas reservas, o Brasil precisa investir de modo mais consistente em energias renováveis e limpas. E liderar a transição, que já começou, para uma economia global sustentável e de baixo carbono.
  4. 4. sumário Revista do Crea-RJ . Nº 82 Maio/Junho de 201028 OURO NEGRO Descobertas do pré-sal geram debate sobre rendas do petróleo. Estados produtores querem evitar perdas financeirasCAPA7INSTITUCIONAL 10 INOVAÇÃO 12 ECONOMIA E MERCADO7º CONGRESSO PROFISSIONAL 30 ANOS DE INCENTIVO A HORA DA VIRADARio de Janeiro aprova propostas À PESQUISA Mercado prevê necessidade depara o Congresso Nacional Faperj comemora data histórica 500 mil profissionais nos próximos anos com presença em 76 municípios
  5. 5. expediente DIREToRIA Presidente Engenheiro Agrônomo Agostinho Guerreiro 1º Vice-Presidente Engenheiro Eletricista Luiz Antonio Cosenza 2º Vice-Presidente Engenheiro Civil Sergio Niskier 1º Diretora-Administrativa 36 Arquiteta Sônia Azevedo Le Cocq D’oliveira 2º Diretor-Administrativo Técnico em Edificações e em Eletrotécnica Elizeu Rodrigues Medeiros INSTITUCIONAL 3º Diretor-Administrativo EM DEFESA DO PROFISSIONAL Engenheiro Mecânico Nova Resolução da ART Alexandre Sheremetieff Junior reafirma que Acervo Técnico 1º Diretor-Financeiro é do profissional. Engenheiro Eletricista Alcebíades Fonseca34 2º Diretor-Financeiro Engenheiro Civil Eliezer Alves dos Reis 3º Diretor-Financeiro Engenheiro CivilMEIO AMBIENTE Rogerio Salomão MusseRESFRIAMENTO GLOBAL? CoMIssão EDIToRIAl - CEMeteorologista afirma que aquecimento global Coordenadoré um mito difundido pela mídia Técnico em Edificações e em Eletrotécnica Elizeu Rodrigues Medeiros Coordenador-Adjunto Arquiteto 40 Paulo Oscar Saad Membros Eng. Eletricista Luiz Antonio Cosenza Engª. Eletricista CULTURA E Regina Moniz Ribeiro MEMÓRIA Eng. Eletricista Alcebíades Fonseca CAÇA A TESOUROS suplentes HISTÓRICOS Meteorologista Francisca Maria Alves Inventário feito pelo Inepac Pinheiro; Eng. Mecânico Jair José Da Silva; cataloga fazendas cafeeiras Eng. Metalúrgico Rockfeller Maciel Peçanha; no Vale do Paraíba Arquiteto e Urbanista Gustavo Jucá Ferreira Jorge Assessores de Marketing e Comunicação Rodrigo Machado e Maria Dolores BahiaINDÚSTRIA E INFRAESTRUTURAESPECIALISTAS DISCUTEM SOLUÇÕES PARA O TRANSPORTE DO RIO DE JANEIRO 16 Editor Coryntho Baldez (MT. 25.489) Redação Viviane Maia, Nathália Ronfini e Janice Morais Colaboradores Joceli Frias, Vera Monteiro, Uallace Lima e Clarissa de OliveiraCIDADE5º FÓRUM MUNDIAL URBANO DEFENDE GESTÃO DEMOCRÁTICA DAS CIDADES 20 Colaboração Monte Castelo Textos: Dânae Mazzini, Helena Roballo, Maíra Amorim e Natália Soares Projeto gráfico Paula Barrenne DiagramaçãoCAMPOGRAMADOS BRASILEIROS NÃO RECEBEM ATENÇÃO DE DIRIGENTES ESPORTIVOS 24 Trama Criações de Arte Ilustrações Claudio Duarte Impressão Gráfica Esdeva TiragemMUNDO TÉCNICOESCOLAS TÉCNICAS FAZEM DA TECNOLOGIA UMA FERRAMENTA ACADÊMICA 26 130 mil exemplares Publicidade (21) 3232 4600 Crea-RJ (21) 2179-2000 Telecrea (21) 2179-2007 www.crea-rj.org.br
  6. 6. cartas6 Revista 81 Sr. Editor, li a edição n º 81 da Revista do Crea-RJ e gostaria de parabenizar toda a equipe pela excelente publicação. Com linguagem clara e despossuída de jargões comuns em publicações institucionais, a revista cumpre papel relevante de informar profissionais e sociedade sobre temas relevantes relacionados à área tecnológica. Muito boa a entrevis- ta com o escritor Mia Couto. Cumprimento pela qualidade gráfica e editorial, desejando vida longa ao projeto. Aloísio Lopes Assessor de Comunicação e Marketing do Confea Agricultura Familiar A Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA) prorrogou para o dia 10 de julho a divulgação dos resultados da seleção dos projetos para a chamada de Fomento a Projetos de Diversificação Econômica e Agregação de Valor na Agri- Comunicação do cultura Familiar (DEAVAF). O resultado estará disponível no site da Secretaria no endereço Crea-RJ http://www.mda.gov.br/portal/saf/programas//div. Parabéns Agostinho. Nota dez O objetivo é selecionar projetos propostos por entidades privadas sem fins lucrativos que para a Comunicação do Crea- promovem o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar no segmento dos produtos RJ. As coberturas da Web TV são orgânicos e das plantas medicinais e fitoterápicos, apoiando ações de geração de emprego e muito boas mesmo. renda, além de capacitar agricultores familiares para a adequação de conformidade orgânica. Benedicto Rodrigues Assessoria de Comunicação do MDA/Incra Comunicador Integral pela UNIRR Trem-bala do a tecnologia roda-trilho, que já exauriu suas possibilidades tecnológicas. A matéria “Trem-bala a caminho” destaca Richard Magdalena Stephan um importante tema atual da engenha- Engenheiro ria. Infelizmente, nada foi dito sobre trens de Levitação Magnética (MagLev), apesar desta tecnologia ter sido debatida na men- N.R: Caro Richard Stephan, a nossa reporta- cionada audiência pública de 11/01. A re- gem estabeleceu contato com a assessoria portagem destaca ainda que o recorde de de imprensa da Coppe/UFRJ para entrevistá- velocidade de 574,8 km/h pertence ao TGV, lo na qualidade de especialista e coordena- trem de alta velocidade roda-trilho francês, dor do projeto MagGlev. Lamentamos que esquecendo que o MagLev-JR, na linha de alguma circunstância de força maior tenha Yamanashi, no Japão, atingiu 581km/h, em frustrado a nossa intenção. No entanto, a 2003 (...). O debate sobre a tecnologia Ma- Comissão Editorial da Revista poderá avaliar gLev deveria ser incentivado pelo Crea-RJ a possibilidade de publicação de um artigo e não se justifica uma matéria privilegian- de sua autoria sobre a tecnologia MagLev. crea Revista do Sua opinião é muito importante. Acompanhe as ações do RJ Crea-RJ e envie ideias, sugestões ou críticas para o e-mail revista@crea-rj.org.br
  7. 7. institucional 7Aperfeiçoando o Sistema 7° CEP-RJ aprova propostas que serão levadas ao Congresso Nacional dos Profissionais. Entre elas, as eleições diretas em todos os níveis no Sistema e ações que implementem a Engenharia e Arquitetura Pública. Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010O7°doCongresso Estadual CEP-RJ),Agrono-mia Rio de Janeiro (7° de Profissionais da Engenharia, Arquitetura e ocorri- meses de 2010. No evento, foram defini- das as propostas de aperfeiçoamento do Sistema Confea/Crea que serão levadasdo entre os dias 21 e 23 de maio, na sede para o Congresso Nacional de Profissio-do Conselho, foi o momento culminante de nais da Engenharia, Arquitetura e Agrono-um processo de mobilização que envolveu mia (CNP), que ocorrerá em agosto, juntoo Crea-RJ e os profissionais nos primeiros com a 67ª SOEAA, em Cuiabá.
  8. 8. André Cyriaco8 institucional Mudanças no sistema eleitoral, aprimoramentos nas Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) e a busca por maior valorização do exer- cício profissional foram alguns dos Delegados que vão representar o Rio de Janeiro no Congresso Nacional, que ocorrerá em agosto, em Cuiabá. destaques entre as propostas aprova- das. No segundo dia do evento, foram eleitos os 17 profissionais que, ao lado combate à corrupção nas obras públi- tado do Rio de Janiero (Emop), Ícaro de mais oito delegados natos, irão re- cas, as próximas eleições, a importân- Moreno, falou sobre a importância da presentar os profissionais do estado cia da estatização do petróleo brasi- qualidade das ações dos profissionais no Congresso Nacional. leiro e a necessidade de se retomar a do Sistema. “O nosso maior desafio O 7° CEP-RJ contou também com engenharia e arquitetura pública fo- aqui no estado do Rio de Janeiro é in- as palestras “Agenda para o Sistema ram alguns dos assuntos abordados. tegrar as obras públicas com a socie- Confea/Crea: o Papel da Comunica- Em seu discurso, o presidente do dade. Por isso, é fundamental assinalar ção”, apresentada pelo jornalista da Crea-RJ, Agostinho Guerreiro afir- que a qualidade de nossas ações se re- Rede Globo, Sidney Rezende, na aber- mou que o petróleo nacional, prin- flete na qualidade de vida da popula- tura; e “A Conjuntura e os Desafios cipalmente depois da descoberta das ção”, destacou o engenheiro civil Ícaro para o Desenvolvimento Brasileiro”, reservas do pré-sal, deve beneficiar Moreno, ao comentar a implantação ministrada, no dia 22, por Hamilton prioritariamente empresas nacionais. do Programa de Aceleração do Cres- Pereira, ex-presidente da Fundação "Fala-se que o petróleo é nosso, mas cimento (PAC) no estado. Perseu Abramo e estudioso do desen- isso só é verdade quando está sob o Já Marcos Túlio, presidente do volvimento regional brasileiro. solo nacional. A partir do momento Confea, lembrou o desmonte da en- em que o petróleo é trazido à superfí- genharia e arquitetura pública durante QUESTÕES NACIONAIS cie, empresas estrangeiras vêm levan- os anos 80. Esse período desvalorizou Já na abertura, no auditório do do boa parte desta riqueza”, declarou profissionais e gerou um déficit de mão quinto andar da sede do Crea-RJ, o Guerreiro, referindo-se aos leilões da de obra qualificada nas áreas de ciência 7° CEP-RJ foi espaço para a discussão Agência Nacional do Petróleo, que e tecnologia, o que hoje impossibilita de questões fundamentais não apenas vêm ocorrendo desde 1999. que certos projetos de grande porte se- para o Sistema, mas para toda a socie- Representando o governador do jam realizados, “Neste momento, em dade. A comoção que o projeto Ficha Estado, Sérgio Cabral, o presidente que observamos a retomada do cres- Limpa tem causado, o movimento de da Empresa de Obras Públicas do Es- cimento do país a taxas entre 5% e 6%, é fundamental que os profissionais es- André Cyriaco tejam preparados para dar suporte aos grandes projetos”, afirmou Túlio. E completou: “queremos, acima de tudo, que esse desenvolvimento nacional seja pensado sob os alicerces de soberania e da sustentabilidade.” Jonas Dantas, presidente do Crea da Bahia e coordenador do Colégio de Presidentes, ressaltou a impor- tância de se estabelecer uma aliança estratégica entre os profissionais do Sistema e a sociedade. “Os brasileiros Agostinho Guerreiro entrega a Maria Luiza Poci a pioneira coleção dos Manuais.
  9. 9. institucional 9 André Cyriacose reuniram para aprovar o projetoFicha Limpa. Essa é uma questão fun-damental na qual o Sistema deve estarinserido. Devemos também estar in-teressados em conhecer os candidatosdas próximas eleições, afinal, temosque saber de quem cobrar a concre-tização das propostas que sairão doCNP”, lembrou Jonas. Para saudar os aproximadamente200 participantes, entre profissionais,delegados e convidados, o Coral Crea- Propostas em destaqueRJ, sob a regência do maestro MarcosCardoso, cantou “Ai que saudade Entre as 109 propostas aprovadas nos 15 Encontros Microrregionais que acontece- ram pelo estado do Rio de Janeiro, foram escolhidas as 26 que serão levadas ao CNP,D’Ocê”, de Vital Farias, e Berimbau, em Cuiabá. Conheça algumas:de Baden Powell e Vinícius de Moraes.A apresentação contou também com • Eleição para Presidente e Diretoria do Confea e dos Creas por eleição direta,a performance de dois capoeiristas. composta por chapas. Também integraram a mesa deabertura: Ícaro Moreno Júnior, presi- • Que a eleição para os cargos eletivos (Presidente do Confea, presidentes dos Creas e Conselheiros Federais) do Sistema Confea/Creas sejam realizadas por meio ele-dente da Empresa de Obras Públicas trônico, via internet em mais de um dia.do Estado do Rio de Janeiro (Emop),representando o governador Sérgio • Considerando o escasso registro de ARTs dos profissionais vinculados à Adminis-Cabral; a conselheira federal Maria tração Pública, que seja estabelecida taxa especial de ART, em valor mínimo, a serLuiza Poci Pinto; Francis Bogossian, recolhido pela administração pública direta, em seus diversos âmbitos (Municipal,presidente do Clube de Engenharia, Estadual e Federal), e também concessionárias. Na elaboração de futuras Resolu- ções sobre o assunto, incluir artigo específico sobre o assunto.representando as instituições de classe;Luiz Antonio Cosenza, vice-presidente • Que o Sistema Confea/Creas adquira concessão de TV aberta junto ao Ministériodo Crea-RJ e coordenador da Comis- das Comunicações, para ampliação da divulgação do Sistema junto à sociedade.são de Organização; e Catarina Luiza • Implementação de ações para incentivar e viabilizar a implantação da Arquiteturade Araújo, coordenadora adjunta do e Engenharia públicas, em atendimento à Lei 11.888, oferecendo às prefeituras7° CEP do Rio de Janeiro. suporte jurídico e técnico. Durante o 7º CEP, foram lança- • Que haja uma ação do Sistema Confea/Crea junto ao Congresso Nacional para que odos os Manuais do Exercício Profis- exercício ilegal da profissão se torne crime capitulado no Código Penal Brasileiro.sional – Fiscalização, desenvolvidosatravés de cada uma das nove câmaras • Que o Sistema Confea/Crea obrigue a todos os gestores públicos e privados a neces- sariamente contratarem profissionais habilitados para o preenchimento de cargosespecializadas do Crea-RJ, por solici- técnicos.tação do presidente. Simbolicamen-te, Agostinho Guerreiro entregou os • Usando como bandeira o tema da "Valorização Profissional", o Sistema Confea/Creas Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010manuais a cada um dos participantes deverá promover encontros regionais em conjunto com as Universidades, empresas eda mesa e ao coordenador da Câma- entidades de classe, criando uma espécie de Corredor do Saber.ra de Agronomia, João Sebastião de • Criação de um Plano de Saúde Nacional próprio, administrado pela Mútua, para todosPaula Araújo, que representou os de- os profissionais em situação regular, semelhante à estrutura de um condomínio, commais coordenadores. • (N.R) rateio de despesa entre os participantes.
  10. 10. 10 inovação 30 anos de incentivo à pesquisa Faperj comemora data histórica com presença em 76 municípios do Rio de Janeiro e marca de R$ 1,1 bilhão em recursos distribuídos, em quatro anos, nas áreas de Ciência, Tecnologia & Inovação.
  11. 11. inovação 11Robôs são criados a partir deinvestimento de mais de R$ 450 mil economia das regiões. Os números, a partir de 2007, comprovam isso. O engenheiro Alexandre Etchebehere, de 53 anos, recebe apoio da Faperj desde 2005. A fundação passou de 12 para 76 osInicialmente, a instituição investiu R$ 258 mil no projeto Rio Inovação 1, que permitiu o de-senvolvimento da semente da empresa Robô-In. No ano passado, Etchebehere, que também municípios fluminenses em que atua,é pesquisador do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (In- e destinou R$ 61 milhões para proje-metro), recebeu R$ 220 mil da fundação. “Esse apoio da Faperj é uma grande oportunidade. tos na área de inovação tecnológica.Através de um programa de fomento à inovação, foi possível implantar uma unidade de fa- Somente neste ano, três editais estãobricação de produtos em Duque de Caxias”, conta o engenheiro, cujo trabalho foi uma das abertos, somando R$ 15,5 milhões.atrações da feira Faperj 30 anos. A previsão é de que, em 2010, sejam A empresa do pesquisador fabrica robôs que fazem inspeção, limpeza e higienização destinados até R$ 40 milhões parade dutos de ar-condicionado; registro de imagens em alta definição; aspiração de resíduos trabalhos de inovação tecnológicacomo poeira, cimento e areia; pulverização em ambientes controlados e lançamento de ca- em micro e pequenas empresas, uni-bos em locais de difícil acesso, entre outras atividades. versidades e centros de pesquisa flu- minenses. O objetivo é formar recur- sos humanos para ensino, pesquisa eA Fundação Carlos Chagas Filho em um óleo limpo, que pode até virar inovação; ampliar com qualidade o de Amparo à Pesquisa do Estado combustível, e robôs que limpam du- desempenho científico e tecnológicodo Rio de Janeiro (Faperj) comple- tos de ar-condicionado. do estado, contribuindo para a com-ta 30 anos, em junho, e tem muito o petitividade internacional da pesqui-que comemorar. A fundação já está PROJETOS SE MULTIPLICAM sa brasileira, apoiar iniciativas regio-presente em 76 dos 92 municípios do Para o professor Rex Nazaré Al- nais na área de inovação e incentivarestado. “Em 2010, temos a perspectiva ves, diretor de tecnologia da Faperj, a a cooperação científica nas empresas,de atingir a marca de R$ 1,1 bilhão em decisão do governador de fazer valer contribuindo para o desenvolvimen-recursos investidos, nos últimos qua- a Constituição e repassar os 2% da to do estado.tro anos, nas áreas de Ciência, Tecno- arrecadação tributária líquida do es- “Atualmente, temos 658 projetoslogia & Inovação (C,T&I)”, destacou tado para a fundação foi fundamen- em execução, num total de R$ 119o diretor-presidente da instituição, tal ao crescimento dos investimentos milhões em recursos”, observa o di-Ruy Garcia Marques. em pesquisa. “Com a ampliação dos retor de tecnologia da Faperj. “É um O anúncio foi feito durante a feira recursos foi possível apoiar mais esforço que tem que continuar. ComFaperj 30 anos, realizada nos dias 24 e projetos, e a procura por investi- esse investimento está sendo possível25 de março, no Museu de Arte Mo- mentos também cresceu. Em 2007, melhorar a qualidade de vida no in-derna (MAM). O evento apresentou o por exemplo, foram 88 inscritos para terior do estado. Isso traz uma gran-resultado dos investimentos em C,T&I apoio em inovação. Desses, 35 foram de vantagem, que é a diminuição dofeitos pela fundação. Ao caminhar aprovados. Ano passado, o número inchamento das grandes metrópoles,pelo MAM, o visitante pôde conferir, passou para 402, e estamos apoiando já que são criadas novas oportunida- Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010na prática, diversos projetos que rece- 101 trabalhos”, ressalta Nazaré. des de renda e emprego no interior.bem recursos da Faperj, como o jeans A Faperj fomenta projetos e pro- Os projetos ajudam a melhorar o po-que fica limpo após 24 horas no con- gramas de instituições acadêmicas e der aquisitivo dessas pessoas e con-gelador, um aparelho que transforma de pesquisa sediadas no estado. Os tribuem para a diminuição da desi-o óleo de cozinha, usado em frituras, investimentos têm impacto direto na gualdade social”, completa. • (H.R)
  12. 12. 12 economia e mercado A hora da virada Projeção do mercado prevê que serão necessários 500 mil profissionais formados nos próximos anos. Universidades entram na corrida para aumentar vagas e diversificar cursos.
  13. 13. economia e mercado 13E stá aberta a temporada de “caça” aos profissionais. Depois deamargar mais de 20 anos de estagna- na população economicamente ativa também é baixa em comparação a outros países. “No Brasil, a média é dos anos 2000, quando a economia brasileira voltou a crescer e o mer- cado a se aquecer. “Outro elementoção, em um cenário econômico mar- perversa: seis engenheiros para cada que ajudou a criar este problema dacado pela instabilidade e pela falta mil pessoas economicamente ativas. falta de mão de obra foi a educaçãode investimentos em infraestrutura, Na América do Sul, esta relação va- básica precária nas últimas décadas.o mercado de trabalho está viven- ria muito, mas sempre acima de 8 Por causa do ensino ruim, os alunosdo, nos últimos anos, um verdadeiro para cada mil. Em comparação com têm pavor de química, física e ma-“boom”. O problema é que empre- nações em desenvolvimento, como temática, o que desencoraja os estu-sas, sindicatos e universidades afir- China, Índia, Rússia e África do Sul, dantes a encarar um curso recheadomam, em uníssono, que não há pro- a proporção varia de 12 a 18, muito dessas disciplinas”, diz.fissionais suficientes para atender à superior”, continua Melo. “Ou seja,crescente demanda. Se, por um lado, os países que competem com a gente CIVIL É RARIDADEisso traz um futuro promissor para tem de duas a três vezes mais enge- Para Antonio Carlos Mendesquem quer se dedicar à profissão, do nheiros”, compara. Gomes, diretor-executivo do Sin-outro acende uma luz de advertên- Este baixo número de profissio- dicato da Indústria da Construçãocia: é preciso que o país forme mais nais reflete, de acordo com o pre- Civil do Rio de Janeiro (Sindus-profissionais para que seus planos de sidente do Confea, a desvalorização con) e diretor do Serviço Social dacrescimento não sejam afetados. da profissão a partir do fim da dé- Indústria da Construção (Seconci), O Conselho Federal de Engenha- cada de 70, o que fez despencar o o mercado não está encontrandoria, Arquitetura e Agronomia (Con- número de estudantes nos cursos engenheiros civis experientes nofea), em parceria com a Confederação universitários e afetou os salários. mercado simplesmente porque a es-Nacional da Indústria, fez um levanta- A situação perdurou até o princípio pecialidade ficou estagnada nos últi-mento, em 2006, sobre as perspectivasdo mercado. Segundo o presidente do Divulgação SindusconConselho, Marcos Túlio de Melo, oBrasil está em desvantagem no núme-ro de formados anualmente, tanto emcomparação aos países desenvolvidos,quanto aos vizinhos e demais paísesem desenvolvimento. “Em 2006, está-vamos formando 23 mil engenheirosanualmente. Hoje, aumentamos umpouco e passamos para cerca de 30mil. É um avanço, mas temos muitoo que melhorar. A China forma, emmédia, 150 mil e a Índia, 350 mil. ACoréia do Sul forma 80 mil por ano,com uma população que é metade danossa”, enumera.COMPETIÇÃO DESIGUAL Ainda de acordo com o levanta-mento, a proporção de engenheiros Antonio Carlos Mendes: “no auge da crise do desemprego, era comum eu pegar táxis dirigidos por engenheiros”.
  14. 14. 14 economia e mercado André Cyriaco mos 20 anos. “No auge da crise do mais procuradas entre os cursos que desemprego, era muito comum eu a instituição federal oferece. pegar táxis dirigidos por engenhei- “O processo de desenvolvi- ros civis. Agora que a atividade está mento econômico e industrial está se recuperando, praticamente não há ligado à engenharia. A carreira é quem tenha estudado e trabalhado diretamente envolvida com a cadeia neste período. São muito poucos. Os produtiva, então, quando ela está que existem, ou estão fora da área aquecida, isso demanda mais pro- ou então guardados a sete chaves nas fissionais”, explica o vice-diretor da empresas”, conta. Escola Politécnica (Poli) da UFRJ, A previsão para solucionar o Eduardo Gonçalves Serra. problema, no entanto, é de cinco O professor diz que, nos últimos a dez anos. “Temos visto um cres- seis anos, foram abertos cinco novos cimento constante nos últimos três cursos e a meta é pular das 890 va- anos. A crise econômica mundial de gas atuais, oferecidas em 13 especia- 2008 causou um revés nesse proces- lidades, para mil nos próximos anos. so, mas que foi logo recuperado. As “Estamos trabalhando também para perspectivas, principalmente para o evitar a evasão, melhorando a gestão Rio, com a realização da Copa do dos cursos e apostando em convênios Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, com escolas internacionais. Lança- em 2016, são excelentes. O proble- mos em 2008 o curso com ciclo bá- ma é que não dá para formar enge- sico, em que o aluno faz dois anos nheiros em menos de cinco anos. das disciplinas comuns e depois de- Para adquirir experiência, são mais cide qual engenharia quer fazer. Isso cinco. Então, ainda vamos conviver ajuda quem quer seguir a carreira com este problema por mais algum tecnológica, mas não sabe qual, a se tempo. A alternativa no momento decidir e se manter na universidade. é buscar profissionais da área que Além disso, estamos incrementando tenham mudado de ramo e começa- a pós-graduação para tentar atender ram a perceber que há espaço para à demanda”, explica. voltar”, diz Gomes. Os estudantes, segundo Serra, saem todos da faculdade pratica- ENSINO SUPERIOR EM ExPANSÃO mente empregados – a exceção é Nas universidades, a corrida para quem quer seguir carreira acadê- aumentar o número de vagas e espe- mica. “O mercado está muito aque- cialidades já começou. Na Universida- cido. As oportunidades estão em de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) diversas áreas, como petróleo, ci- e na Universidade Federal Fluminense vil, naval, ambiental, de produção, (UFF), os cursos de engenharia estão mecânica e de materiais, principal- há alguns anos entre os dez mais dis- mente. Mas pode-se dizer que há putados no vestibular. No Centro de muitas oportunidades para todas”, Educação Tecnológica Celso Suckow afirma o professor. “Mas ainda te- Chefe do Departamento de Educação Superior do da Fonseca (Cefet-RJ), as modali- mos poucos universitários, cerca Cefet-RJ, Paulo Felix da Silva Filho. dades de engenharia também são as de 13% dos jovens. Isso é menos de
  15. 15. economia e mercado 15um terço do que países do porte do Felix observa que o merca-Brasil estão formando. Na Coreia do tem procurado se adaptar àdo Sul, que tem uma industrializa- escassez. “As empresas estãoção bastante recente, 60% dos jo- importando profissionais,vens estão cursando uma universi- realocando outros paradade e metade deles faz engenharia. áreas afins da sua espe-Eles entenderam que é preciso ter cialidade e convocandomais gente pra dar suporte ao cres- aposentados que quei-cimento econômico”. ram voltar ao trabalho. Há muitos estrangeirosFALTA PROFESSOR trabalhando no país, mas Para tentar atender à demanda, o isso não tem a ver com a qua-Cefet-RJ passou a oferecer, em 2006, lidade do nosso ensino superior,o curso de engenharia civil. Hoje, são mas sim que as instituições não estão ano. Hoje são cerca de 40 alunoscerca de 2.500 futuros engenheiros em mesmo formando gente o suficien- em cada uma das nove modalida-seis modalidades. O chefe do Depar- te”, acredita. des que temos aqui. Formamos 800tamento de Educação Superior, Paulo O diretor da Escola de En- engenheiros por ano. São seis milFelix da Silva Filho, afirma que está genharia da UFF, Hermano José alunos na escola, com a meta decom problemas em abrir mais cursos Oliveira Cavalcanti, lembra que o chegar a nove mil em 2014”, afirma.pela dificuldade de encontrar profes- Programa de Apoio a Planos de Re- “Foi feito um cálculo que até 2014sores. “O tempo de formação de um estruturação e Expansão das Uni- o país precisará de 500 mil enge-professor da área é longo, e muitos versidades Federais (Reuni) tem nheiros. No momento, não temosprofissionais simplesmente preferem sido fundamental para que as ins- condições de suprir isso. É precisoficar no mercado, pois os salários es- tituições federais possam expandir expandir, mas não na base do ‘es-tão muito atraentes. Não compensa a oferta. “Na década de 90, a UFF colão’, e sim com sustentabilidade,ficar em esquema de dedicação exclu- tinha turmas de sete, oito alunos, sem perder a qualidade do ensino”,siva numa universidade pública”, diz. formava menos de 80 pessoas por alerta. • (N.S)Soluções no mercado Enquanto aguardam os engenheiros saírem dos bancos escola- ra, e excetuando a engenharia de minas, não existem graduações nores, grandes empresas têm se mobilizado para lidar com a carência de Brasil. E mesmo esta, que é dada em oito universidades brasileiras,profissionais. A Vale, por exemplo, oferece bolsas de estudo para quem não dá conta”, afirma.quer fazer pós-graduação e criou cursos próprios, em parceria com uni- Hanna, no entanto, é otimista. Ela acredita que os esforços em-versidades. Hanna Meirelles, gerente de Atração e Seleção de Pessoas preendidos por iniciativa privada, governo e instituições de ensino,da companhia, explica que estes cursos foram criados porque ou não em parceria, serão capazes de encontrar uma solução. Recentemente,existem nas universidades brasileiras, ou a quantidade de cursos não é a Vale procurou o Crea-RJ para conversar sobre a divulgação de vagassuficiente para suprir a demanda. Em 2010, a Vale tem uma previsão de e outras oportunidades para a área. Além disso, o Confea mantém o Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010investir R$ 13 bilhões em novos projetos, no país e no exterior, o que programa Inova Engenharia, com o objetivo de estabelecer parceriasretrata o tamanho da carência. para divulgar e aumentar as oportunidades para profissionais. “Temos uma necessidade enorme de engenheiros ferroviários, “Certamente, iremos juntos encontrar soluções que passamde minas e de portos, por isso abrimos cursos de especialização nestas tanto pela expansão das vagas quanto pela mudança dos modelosáreas para engenheiros de outras modalidades. Os aprovados na seleção dos cursos, uma vez que a juventude de hoje está inserida num con-ganham uma bolsa de estudo e podem ser contratados pela empresa. texto diferente, imersa em tecnologia. É preciso atrair cada vez maisCriamos este ano, também, o curso de pelotização, que é o processo que jovens para a educação tecnológica, promovendo campanhas quetransforma resíduos em pó do minério de ferro em pelotas, que são co- mostrem que há muito espaço nessas áreas. A necessidade é enor-mercializáveis. Estes cursos são muito específicos da atividade minerado- me, então o poder de ação terá que ser equivalente”, acredita.
  16. 16. 16 indústria e infraestrutura Mobilidade urbana em questão Especialistas discutem soluções para o transporte do Rio de Janeiro pensando na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.
  17. 17. indústria e infraestrutura 17 “Governos do Estado e Município do Rio lançaram um pacote de obras para a melhoria do transporte público que totaliza R$10,8 milhões”A infraestrutura do Rio de Ja- neiro é um tema cada vez maisdiscutido por especialistas da área, CRESCEM ENGARRAFAMENTOS No mês de março, o seminário “Mobilidade Urbana – o Rio de Ja- legado para a cidade. Para ele, os pro- blemas de transporte da Região Me- tropolitana do Rio de Janeiro são maisdesde que a cidade foi escolhida neiro movendo-se para não parar”, complexos e necessitam de uma dedi-como sede dos Jogos Olímpicos de realizado pela Federação e que con- cação maior.2016 e de alguns jogos da Copa do tou com a participação de vários es- Pensando em ações imediatas,Mundo de 2014. Entre os maiores pecialistas, também levantou algumas mas visando aos eventos esportivos,desafios da cidade está a mobilida- questões importantes sobre o tema. os governos do estado e do municípiode urbana, ou seja, a capacidade de Logo na abertura do evento, o presi- lançaram um pacote de obras que to-promover a articulação das políticas dente da entidade, Eduardo Eugenio taliza R$ 10,8 milhões para a melhoriade transporte, trânsito e acessibili- Gouvêa Vieira, destacou a necessidade do transporte público. O secretáriodade a fim de proporcionar o acesso de se rever o sistema atual de trans- estadual de Transportes, Júlio Lopes,amplo e democrático ao espaço, de portes no Rio de Janeiro. Ele infor- garantiu que as integrações intermo-forma segura, socialmente inclusiva mou que, segundo o estudo feito pela dais previstas no projeto, assim comoe sustentável. Entre os estudiosos Firjan, há indícios de um crescimento a extensão do metrô e a viabilizaçãodo assunto, é unânime a opinião contínuo dos congestionamentos na dos corredores expressos para ônibus,de que as dificuldades precisam ser cidade do Rio de Janeiro, o que gera- são grandes impulsionadores da rees-vencidas o quanto antes para que ria perdas consideráveis ao setor in- truturação do tráfego.o legado dos Jogos Olímpicos seja dustrial. Eduardo Eugênio atribuiu à Outros projetos e modelos deprofundo e duradouro. prevalência do transporte rodoviário transportes de massa também foram Uma pesquisa da Federação das uma das principais razões dos pro- apresentados no seminário, mas o maisIndústrias do Estado do Rio de Ja- blemas urbanos do Rio e questionou cotado para ser instalado no Rio é oneiro (Firjan) estima que, no ano dos a funcionalidade de alguns projetos sistema BRT, que utilizará veículos ar-Jogos, o número de cariocas aumen- estruturais que serão desenvolvidos ticulados com capacidade para 160 pas-tará dos atuais 6,1 milhões para 6,3 para os Jogos Olímpicos de 2016. sageiros ou mais. Segundo Julio Lopes,milhões. “O tamanho da população Já o subsecretário de Transportes os BRTs (Bus Rapid Transit) foram fun-carioca reflete-se diretamente em ne- do Estado do Rio de Janeiro, Delmo damentais para a vitória do Rio comocessidade de locomoção e sua densi- Pinho, disse que o Transporte foi um sede das Olimpíadas. O ex-governadordade indica que o transporte de mas- dos pontos mais fortes da candidatura do Paraná, Jaime Lerner, também foi Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010sa é o ideal para o desenvolvimento do Rio, e que o projeto apresentado ao um dos que apostou no meio de trans-da cidade. Entretanto, a análise da Comitê Olímpico Internacional (COI) porte. “Em Madri a integração BRT einfraestrutura de transporte carioca previa uma solução que atendesse prio- Metrô foi muito elogiada e acredito sermostra que a realidade não reflete a ritariamente às necessidades do evento esta uma medida que daria muito certoteoria”, diz o estudo. e que também deixasse um importante no Brasil”, afirmou.
  18. 18. 18 indústria e infraestrutura André Cyriaco no relatório do meio ambiente tem a informação de que se as empresas de ônibus tivessem que plantar uma árvore para todo o Carbono que jogam no meio ambiente, teriam que plantar por ano o equivalente a 12,8% da área do Rio de Janeiro”, revela McDowell, que diz ainda que o principal do plano para o setor de transportes é deixar um legado para a cidade, o que não foi feito no Pan- Americano de 2007. Fernando McDowell: “o principal do plano para o setor de transportes é deixar um legado para a cidade”. OUVIR A POPULAÇÃO NOVAS PROPOSTAS proposta trabalha com todas as pos- O engenheiro Ronaldo Balassia- O professor do programa de En- sibilidades de tecnologia – metrô, no, que integra o Núcleo de Plane- genharia de Transportes da Coppe/ HSST (trem magnético), BRT, Mo- jamento Estratégico de Transportes UFRJ, Fernando McDowell, expôs norail, e aeromóvel (trem movido a da Coppe e a assessoria técnica do outra opinião. Para ele, a infraes- ar)”, explica o professor. ITDP (que trabalha com transpor- trutura de transporte no Rio de Ja- O estudo em questão possui te sustentável), disse que o grande neiro ainda está longe de ser a ideal. cinco volumes, entre diagnóstico de debate do seminário estava focado Durante o seminário, o engenheiro transportes no Rio de Janeiro, análise apenas em se o que estava sendo apresentou um estudo que ofere- financeira - com os sistemas operacio- proposto vai atender ou não às ne- ce um plano mais ousado e barato, nais de cada tecnologia e respectivas cessidades de mobilidade do muni- com parceria público-privada, para a engenharias financeiras -, ambiental, cípio. “Na minha opinião, a discus- Copa e para as Olimpíadas que serão socioeconômica e gerencial. “Mui- são sobre o que cada um quer para realizadas no Rio de Janeiro. tos projetos não dão certo porque os a cidade não é o ponto mais impor- “Na primeira avaliação, o Rio próprios profissionais não conhecem tante. A questão é o sistema que vai não foi bem e ficou em quinto lugar, a operação. Mapeamos todo o setor atender à demanda e, principalmen- sendo favorecido pela desistência da de transporte e as áreas impactadas te, se teremos recursos para atender cidade de Doha. O governo federal pelo mesmo. Para se ter uma idéia, a esse sistema”, diz. ficou preocupado, principalmente com a exclusão social dos transpor- André Cyriaco tes, e vieram conversar comigo. Fiz uma reunião com o Ministério das Cidades e disse o que eu pensava sobre o problema, baseado em um estudo que fiz anteriormente. Pre- parei uma equipe com a Fundação Getúlio Vargas e montamos um tra- balho interessante. Não analisamos só os transportes, fizemos uma aná- lise geral, inclusive de acessos ao Rio de Janeiro por outras cidades. Nossa Ronaldo Balassiano: “temos que levar em conta o aspecto técnico, mas a população precisa ser ouvida”.
  19. 19. indústria e infraestrutura 19 Para Balassiano, os corredores te público em detrimento do carro tegrados ao sistema que já existe. Ode BRTs apresentados no projeto privado. Não como uma obrigação, que se precisa é coordenar toda a in-da candidatura do Rio de Janeiro mas pelo reconhecimento da qua- fraestrutura e reorganizar a frota deatendem à demanda, mas a cidade lidade dos transportes coletivos. A ônibus que está em operação. Alémvai precisar mais do que isso. “Tudo mobilidade só virá com a garantia disso, o trem precisa de melhorias.depende de um plano de transpor- de segurança na viagem a pé, com A extensão de metrô só tem necessi-tes amplo, com a participação da calçadas bem pavimentadas e sina- dade se houver demanda. Na minhacomunidade. Claro que temos que lização horizontal eficiente, além de opinião, o metrô até a Barra, porlevar em conta o aspecto técnico e uma rede cicloviária conectando to- exemplo, não tem necessidade por-político, mas a população também dos os sistemas de transporte. Com que não tem demanda”, defende.precisa ser ouvida”, destaca. “Eu isso, teremos melhorias”, detalha o Segundo o engenheiro, a Zonaacredito que a solução para a mobi- engenheiro. Oeste ainda é a região com o maiorlidade está na melhoria do transpor- O BRT também foi escolhido problema de mobilidade urbana. “Ate coletivo. Isso pode começar com por Balassiano como uma opção Zona Oeste é a área que mais cresceuos três corredores, mas tem que ha- eficiente. “Um BRT bem gerenciado e ainda tem uma oferta de transpor-ver melhoria nos trens e metrô, para pode chegar a uma capacidade pró- tes inadequada. De um modo geral,que atuem de forma integrada. Os xima do metroviário. A solução não acho que estamos conversando muitoônibus também precisam ser mais é implantar mais metrô, que é mais e ainda não começamos a fazer nada.eficientes. É preciso criar uma nova caro. Corredores de BRT racionali- Existe ainda uma série de etapas a se-filosofia que privilegie o transpor- zam a frota de ônibus e vão estar in- rem cumpridas”, conclui. • (D.M) Projeto para as Olimpíadas Segundo a previsão do Comitê Brasileiro Rio-2016, dos 29 rão a capacidade do aeroporto de 15 milhões para 25 milhões de locais de competição, 15 ficarão localizados a mais de 10 quilô- passageiros ao ano. A previsão é que as obras sejam entregues metros de distância da Vila Olímpica. E 11 deles ficariam a mais de antes da realização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. 20 quilômetros, o que torna o transporte um fator fundamental O projeto principal do programa é o do BRT (Bus Rapid para os Jogos no Rio. Transit) – sistema de ônibus articulados, similar ao já utilizado A cidade vai receber cerca de R$ 10 bilhões para o setor de em Curitiba –, que terá um corredor separado do tráfego para a transportes, ou seja, 40% de todo o valor previsto para as obras circulação exclusiva desses veículos. Ao todo, serão três sistemas de infraestrutura. Na proposta encaminhada ao Comitê Olímpi- que ligarão a Barra da Tijuca a três pontos diferentes. Só no BRT co Internacional (COI), estão previstas melhorias nos serviços de serão investidos R$ 2,6 bilhões. A maior dificuldade para se ins- ônibus e na rede ferroviária (com aquisição de 120 novos trens, talar o sistema será construir sobre uma zona urbanizada. além da reforma e instalação de ar-condicionado em quase 100 Diferente do prometido para os Jogos Pan-Americanos, o Co- deles). Além disso, o Comitê Rio-2016 adotará o programa que mitê Rio-2016 não colocou no relatório a extensão do metrô até a incentiva a doação de óleo vegetal de uso doméstico e comer- Barra da Tijuca. Até 2014, na Tijuca, deverá estar pronta a estação cial, que será reciclado e se transformará em combustível utiliza- Uruguai. Ao mesmo tempo, o metrô também deverá chegar à Gá- do pela frota dos Jogos. vea, passando por três novas estações, em Ipanema e no Leblon. Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010 No aeroporto internacional, alguns projetos elaborados Além disso, estão previstas a aquisição de 114 carros, reforma da como parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) amplia- frota existente e melhoria nas demais estações.
  20. 20. 20 cidade campo Pelo direito à Moradia 5º FÓRUM MUNDIAL URBANO APROVA CARTA DO RIO DE JANEIRO, QUE APONTA A NECESSIDADE DE ADOÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA E INCLUSIVA DAS CIDADES.
  21. 21. cidade 21 Nathália RonfiniD emocratizar a moradia de qua- lidade, a fim de minimizar asdesigualdades sociais no meio ur-bano, é um desafio que demandagrandes debates. Restrições socio-econômicas bloqueiam o acesso demilhares de pessoas a habitaçõesadequadas e tornam as ocupaçõesinformais em encostas e às margensde rios e lagoas as únicas alternati-vas disponíveis de moradia. Umasituação que frequentemente oca- Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho, durante conferência no 5º Fórum Mundial Urbanosiona tragédias, como as ocorridasno estado do Rio de Janeiro em de- volvimento urbano em várias cidades que oferecem moradias para os tra-corrência das chuvas e da falta de do mundo. Participaram 139 governos, balhadores da zona portuária; e Esta-infraestrutura urbana. Para debater institutos, universidades, organiza- dos Unidos, cuja política está focadaessas e outras questões relacionadas ções não governamentais e empresas. na melhoria da qualidade de vida daàs cidades, a 5ª edição do Fórum O Crea-RJ instalou, no Fórum, um população urbana e na construção deMundial Urbano, realizado no Rio estande com estúdio da sua Web TV, comunidades sólidas.de Janeiro, entre 22 e 26 de março, onde aconteceram entrevistas com A relatora especial da Organiza-reuniu autoridades, pesquisadores, autoridades públicas e especialistas. ção das Nações Unidas (ONU) paraestudantes e público em geral de vá- Na ocasião, o presidente do Conse- o direito à moradia adequada, ar-rias partes do mundo. lho, Agostinho Guerreiro, autografou quiteta Raquel Rolnik, fechou o de- O Rio contabilizou o maior exemplares do livro “75 anos Crea-RJ, bate, alertando sobre a necessidadenúmero de inscritos na história do a invenção de um novo tempo”, que de novas formas de financiamentoevento. Até as 18h do dia 25, quase conta a história do Conselho. para oferecer acesso digno de mora-14 mil participantes haviam feito dia, principalmente aos trabalhado-credenciamento, superando a edição NOVAS ExPERIÊNCIAS res que têm suas residências muitode 2006, em Vancouver, no Canadá, Um dos diálogos mais impor- afastadas dos locais de trabalho.que registrou pouco mais de 10,5 mil tantes, realizado em 24 de março, “Do ponto de vista do marcoparticipantes. Pessoas de 149 países teve como tema “Acesso igual à mo- normativo internacional, moradiaestiveram presentes. Dessas, 9.503 radia e serviços básicos urbanos”. adequada não se resume apenas aeram brasileiras e 4.216 de outras Nele foram abordadas experiências quatro paredes e um teto, não é umnações. Os países com mais repre- de alguns países na ocupação do mero abrigo. Milhões de habitantessentantes foram os Estados Unidos solo urbano. Os palestrantes troca- no planeta migram para as cidades(512), Quênia (303) e Nigéria (242). ram com o público suas experiências pela oportunidade que ela oferece.Outros dois países africanos – Áfri- governamentais em projetos de me- Ruas, mercados, recursos, fontes deca do Sul e Uganda – também fize- lhoria da moradia urbana para po- sobrevivência são elementos funda-ram parte da lista das dez maiores pulações de baixa renda. mentais que são sistematicamente Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010delegações estrangeiras, segundo a O financiamento habitacional negados”, frisou.organização do evento. foi um dos assuntos mais discutidos. O Fórum deixou um legado de no- Além das mesas de debate, muitos Foram listadas as experiências de três vas propostas de ação para dar conti-estandes foram montados e apresen- países: África do Sul e os microfinan- nuidade à discussão sobre participaçãotaram inovações e projetos de desen- ciamentos habitacionais; as Filipinas, da sociedade civil e práticas sustentáveis
  22. 22. 22 cidade Copa de 2014 e os seus efeitos para as cidades Dentro do Fórum Mundial, também hou- no cronograma das obras, alguns estádios já a Copa não está existindo porque “no Brasil, ve espaço para falar de questões que podem escalados para a Copa devem ficar de fora da o planejamento não é decisório, mas sim bu- modificar intensamente os espaços urbanos, realização do evento. Entretanto, “se houver rocrático. Ele é feito apenas para cumprir leis, como os grandes eventos esportivos. O plane- uma mudança de postura quanto à falta de nunca para ser efetivo”. Se a situação atual jamento para a Copa de 2014 e os seus efeitos planejamento, a Copa 2014 poderá ser uma não mudar, provavelmente as obras serão para as cidades que a receberão foram discuti- grande oportunidade de investir em infraes- deixadas para a última hora, com maiores dos durante a mesa “Desafios brasileiros para trutura, com geração de empregos e responsa- gastos, projetos mal pensados e concentra- a Copa do Mundo de 2014”, organizada pelo bilidade socioambiental”, ressaltou Agostinho ção de mão de obra para o curto prazo, ge- Sindicato das Empresas de Arquitetura e En- Guerreiro. Ele lembrou, ainda, que o Crea-RJ, rando apenas empregos temporários. genharia Consultiva (Sinaenco), que contou junto com os Conselhos da Bahia e São Paulo, Também compuseram a mesa Deme- com a participação do presidente do Crea-RJ, está participando da fiscalização preventiva tre Basile Anastassakis, vice-presidente de Agostinho Guerreiro. dos estádios de futebol para a Copa. arquitetura do Sinaenco do Rio, e Sérgio Em sua exposição, o dirigente do Conse- Já para João Alberto Viol, presidente Magalhães, Presidente do Instituto dos Ar- lho afirmou que, devido aos grandes atrasos nacional da Sinaenco, o planejamento para quitetos do Brasil. inovadoras no desenvolvimento das ci- sociedade civil em decisões estraté- e democrática dos recursos da cida- dades. Uma campanha mundial e um gicas de governança. de, de modo a levar oportunidades site internacional dedicados ao tema A Carta do Rio de Janeiro par- a todos. Ela estabelece também que foram lançados durante o evento. te do princípio do direito à cidade, as instituições responsáveis em níveis entendida como local de moradia e local, nacional e internacional devem CARTA DO RIO desenvolvimento sustentáveis, sem assegurar acesso à moradia, à habi- A “Campanha Urbana Mun- discriminação de gênero, idade, raça, tação decente, à infraestrutura e aos dial”, da ONU-Habitat, tem como condição de saúde, origem, nacionali- mecanismos de financiamento para objetivo promover o envolvimento dade, etnia, status de imigração, orien- projetos inclusivos e sustentáveis. cada vez maior de governos locais e tação política, religião ou orientação A troca virtual de experiências nacionais, setor privado e organiza- sexual, ao mesmo tempo preservando sobre a gestão nas cidades tam- ções da sociedade civil na adoção de memória e identidade cultural. bém foi estimulada, através do site práticas sustentáveis e democráticas O segundo ponto da Carta esta- www.citiscope.org, divulgado du- para garantir o “direito à cidade”. belece que o direito à cidade se ba- rante o Fórum pelo editor do jornal Esse direito também ficou estabe- seará na gestão democrática, assegu- Washington Post, Neil Pearce, que lecido na Carta do Rio de Janeiro, rando a função social da propriedade declarou sentir falta do tema nas pá- aprovada no final do evento, que e da própria cidade, em seu espaço ginas das publicações. define cinco parâmetros a serem se- público, no sentido de promover po- Ao final do Fórum do Rio, a nova guidos no desenvolvimento munici- líticas inclusivas de desenvolvimento. sede do evento foi anunciada. A sexta pal, entre os quais a função social da A carta especifica, ainda, que a função edição, em 2012, acontecerá no Bahrein, propriedade e a criação de espaços social da propriedade deve assegurar arquipélago de 35 ilhas e ilhotas, na re- democráticos para participação da a distribuição igual, universal, justa gião do Golfo Pérsico. • (J.M.) e (N.R.)
  23. 23. cidade 23Fórum Social Urbano debatemegaeventos esportivos Paralelamente ao Fórum Mundial Urbano, aconteceu, também na Zona Portuária doRio, o Fórum Social Urbano. Entre os dias 22 e 26 de março, o evento discutiu as principaisquestões sociais que afetam não só a cidade, mas também o campo, como as reformasagrária e urbana. Os efeitos dos grandes eventos para os moradores das cidades e paísesonde eles acontecem foi um dos temas que o Fórum Social teve em comum com o FórumMundial. A diferença ficou por conta das vozes que foram ouvidas, já que no Fórum Socialfizeram parte das mesas não só especialistas, acadêmicos e autoridades, mas tambémlíderes comunitários de cidades que serão diretamente atingidas por eventos como aCopa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Para Inalva Mandes Brito, representante do Comitê Social do Pan e que participou deum painel do Fórum Social, os grandes eventos esportivos em geral não deixam legadospositivos para as comunidades locais. Ela toma como exemplo os Jogos Pan-Americanos,que foram realizados sem a participação dos moradores da Vila Autódromo – comunida-de pesqueira na zona oeste do Rio, localizada perto de instalações como o Parque Aquá-tico Maria Lenk e o Velódromo da Barra. Foi exatamente na época do Pan que cresceramas pressões para a remoção dos moradores daquela comunidade. Com os Jogos Olímpicos, os membros da Vila Autódromo temem sofrer nova coaçãopara deixar o local. “A mídia põe palavras na boca do povo. Diz que ele quis o Pan e agoraquer a Copa e as Olimpíadas, mas ninguém falou com as comunidades que serão afeta-das pelas obras. A nós, tudo é negado. Nossas crianças, que estudam em escolas sem es-paço para exercícios físicos, nunca puderam frequentar as instalações do Pan”, desabafouInalva, que além de moradora da Vila, é professora da rede pública de ensino. Alberto Oliveira, professor de economia na Universidade Federal Rural do Estado Revista do Crea-RJ • Maio/Junho de 2010do Rio de Janeiro (UFRRJ), expositor do mesmo painel, também concorda que o saldodos grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil será negativo. “O argumentousado na candidatura para a Copa e as Olimpíadas foi o de que elas atrairiam investimen-tos para o país e gerariam empregos, mas no fim das contas o que se gasta com as obrassuperfaturadas, que depois viram elefantes branco, não compensa”, concluiu Alberto. Também fizeram parte da mesa de debate “A Experiência Brasileira em Mega Even-tos Esportivos” Nelma Gusmão de Oliveira, do Comitê Social do Pan; Maria Auxiliadora,do Comitê de Resistência aos efeitos da Copa; e Christopher Gaffney, da UniversidadeFederal Fluminense.
  24. 24. 24 campo Palcos verdes para a Copa de 2014 Gramados brasileiros ainda não recebem a atenção que merecem dos gestores do esporte nacional, embora já existam no país profissionais qualificados atuando na área. D aqui a quatro anos, o Brasil será palco de um grande evento do futebol mundial, a Copa do Mundo. “Para a realização de uma Copa do Mundo, é preciso seguir as normas internacionais de construção e manu- mas também dos centros de treina- mento (CTs), passarão a ser vistos como insumo básico do evento. Para que o show dos atletas seja ga- tenção das áreas de jogo. O Comitê “Eles devem ser encarados como rantido, é necessário que os estádios Organizador Local (COL) da FIFA palcos verdes do grande espetáculo estejam em perfeitas condições para a já divulgou, para as cidades sedes, as que é o futebol. Isso já ocorre no realização dos jogos e que a qualidade Recomendações para Gramados da primeiro mundo. O estádio é o te- dos gramados nacionais melhore con- Copa 2014. Apesar de não considerá- atro e o campo, o palco. E não po- sideravelmente. Segundo o engenheiro las perfeitas, são um grande passo no dia ser diferente, já que os atletas agrônomo Artur Jorge de Melo, con- sentido de proporcionar a melhoria de alto nível passam 80% de suas sultor em gramado esportivo, a Copa dos nossos campos”, opina Melo. vidas profissionais em gramados”, de 2014 pode ser um marco para a mu- explica. dança de mentalidade dos gestores do INSUMO BÁSICO O engenheiro afirma que, desde futebol nacional e para a melhoria da Ele acredita que, com o evento, a década de 90, os campos de fute- qualidade dos campos do Brasil. os gramados, não só dos estádios, bol têm passado por uma melhoria
  25. 25. campo 25 lenta e gradativa. cados), oferecendo riscos à integri- E, por conta disso, dade física dos atletas. já existe uma gama de “Um gramado esportivo tem um profissionais nacionais, espe- conceito bem diferente do agrícola. Hácialmente engenheiros agrônomos, toda uma especificidade de técnicas deque atuam na área com proprie- drenagem, irrigação, solo apropriadodade, conhecimento e bastante ex- e espécies vegetais específicas para umperiência, inclusive internacional. gramado esportivo de alto desempe-“Podemos realizar a melhor Copa nho. Encaramos um campo de futebolde todas, com os melhores grama- como um gigantesco green de golfe,dos do mundo. Temos potencial de quem copiamos os mesmos nive-humano, tecnologia e clima pro- lamento, drenagem e irrigação esca-pício para isso. O resto é vontade moteável automatizada, além do usopolítica”, diz. de topsoil e as modernas técnicas de manutenção”, destaca o engenheiro.GRAMADOS PRIMITIVOS A maioria dos estádios brasi- POSSíVEIS SOLUÇÕESleiros foi construída há mais de 20 A solução para a defasagem aindaanos, em solos argilosos, usando encontrada nos gramados do Brasil O que seria umgramas nativas, e com conceitos passa por reformas nos estádios mais gramado ideal?de drenagem e irrigação agrícolas. antigos, usando conceitos, técnicas eSegundo Melo, apesar de o Brasil materiais modernos. Mas tudo isso só Um bom campo de futebol deve ter,ter evoluído muito nos últimos 20 se faz com cultura, conscientização, em primeiro lugar, um bom projeto e estaranos – em conceituação de projeto regulamentação e vontade política inserido em um estádio que permita a entra-de gramado esportivo para a prática das entidades do futebol. da de luz e de ar para a área de jogo. O ni-do futebol e em qualidade e tecno- “Não existe propriamente uma velamento deve ser excelente, sem buracos nem saliências que possam representar ris-logia de materiais empregados na defasagem tecnológica por não ter- co aos atletas ou alterar a trajetória da bola.execução do campo – ainda existem mos os profissionais e as técnicas do A cobertura vegetal deve ser uniforme, demuitos campos, tanto em Centros de primeiro mundo. Nós, profissionais textura macia e com altura de corte adequa-Treinamento (CTs) como em está- da área, tentamos incutir nos diri- da ao jogo. O gramado também precisa terdios, que nunca foram reformados. gentes de clubes e gestores de es- um eficiente sistema de drenagem, e irriga-Por isso, apresentam uma defasagem tádios a importância do gramado ção escamoteável e automatizada. Por fim, atecnológica considerável e estão em como insumo básico”, completa Ar- manutenção deve ser feita por técnicos, compéssimas condições (duros e esbura- tur Melo. • (D.M) o uso de máquinas e insumos adequados.
  26. 26. 26 mundo técnico A tecnologia como aliada do ensino Escolas Técnicas investem em novos recursos, como equipamentos de teleconferência e modernos aplicativos de informática.

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