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cativeiro era interminável. Embora soubesse pelo estudo das profecias de Jeremias (Jr29:10) que o exílio duraria 70 anos, ...
(Douglas Reis, pastor e professor em Santa Catarina)Pense e discuta:1. Cite pelo menos três atitudes que Daniel manifestou...
clara de Jesus e Sua obra.Primeiramente, vamos relembrar o que descobrimos no capítulo 8. Além de apresentaros grandes imp...
reduzida a escombros (Dn 9:25 ). Houve pelo menos três decretos permitindo aosjudeus o retorno a sua pátria. Somente um de...
Atenda ao convite inspirado: “Acheguemos-nos, portanto, confiadamente, junto aotrono da graça, a fim de recebermos miseric...
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Daniel 9

  1. 1. Daniel 9 - Fazendo o melhor pelosoutros e o Jesus pouco divulgadoDaniel 9 (parte 1): Fazendo o melhor pelos outrosDe mãos dadas com a mulher, o homem negro avança com nobreza até a saída dapenitenciária. A imprensa e o povo se espremem na tentativa de vê-lo, acenando entresorrisos confiantes. Os quase trinta anos de detenção não amenizaram as marcas deintrepidez no rosto de alguém que lutou pelo povo – uma luta pelo direito de voz e voto,de liberdade e cidadania, de justiça e igualdade para o homem negro. Era o fim doapartheid, regime que segregava desumanamente na África do Sul as pessoas de acordocom sua etnia. As pressões internacionais aliadas às revoltas populares consolidaram alibertação de um dos maiores vultos do século 20: Nelson Mandela.Ao longo da História, poucos homens abraçaram causas humanitárias com tantodestemor e abnegação como Mandela. Isso porque é natural a todos nós buscar aquiloque é de nosso interesse, ao invés da procura por interesses alheios. Por esse fator, avida dos heróis que lutaram por seus países, povos ou grupos sociais nos emocionatanto.Semelhante em disposição a Mandela, um estadista hebreu abriu mão de seus interessescom o objetivo de priorizar seu povo. Os judeus sofriam em exílio, inseridos em umarealidade mais atroz do que a enfrentada por homens e mulheres negros contemporâneosde Nelson Mandela. Tendo servido na corte desde a época de Nabucodonosor, o profetaDaniel permanecia na política, mesmo após a substituição da dominação babilônicapelo comando do Império Medo-Persa. Na ótica do mensageiro de Deus, parecia que o
  2. 2. cativeiro era interminável. Embora soubesse pelo estudo das profecias de Jeremias (Jr29:10) que o exílio duraria 70 anos, Daniel se sentia inseguro, uma vez que nada em seuhorizonte apontava para o fim do cativeiro.Uma possibilidade começou a se desenhar na mente daquele estadista experiente: Seráque o cativeiro não estava sendo postergado devido aos pecados do povo? Afinal, aprópria razão de ser da condição dos judeus, arrastados para um país estrangeiro, tinhaexplicação na extrema rebeldia nacional, que os levara a rejeitar coletivamente amensagem divina dada por meio de vários profetas, entre os quais contava-se o próprioJeremias (2Cr 36:15-21). Se o comportamento rebelde da nação se repetisse, como Deuspoderia abençoá-los?Como você é capaz de notar, Daniel, a quem a Bíblia não atribui nenhum erroespecífico e que sempre procurou manter conduta exemplar, tinha motivos suficientespara criticar a postura de seus compatriotas. Aliás, não é assim que agimos ao percebererros na forma como a liderança da igreja atua? Não criticamos os organizadoresquando o culto jovem fica aquém do esperado? Numa geração marcadamenteinfluenciada pelo padrão de qualidade das emissoras de televisão, a exigência éconstante. Temos uma percepção mais crítica em relação às atividades da igreja. Masnão para por aí. Tendemos a criticar indivíduos por suas deficiências e fracassos. Esseespírito corrosivo, invariavelmente, volta-se contra nós mesmos, agindo como um ácidosobre a espiritualidade – já que a crítica aos que nos rodeiam tira o foco de nós mesmos,deixamos de enxergar a “trave” de nosso olho enquanto reparamos no cisco que invadea retina do próximo (Lc 6:42)…Daniel, felizmente, tinha outra mentalidade; ele resolveu orar por seu povo. Não foiuma corriqueira oração antes do almoço – Daniel realmente orou! Ele jejuou e deixoude usar as finas roupas da realeza, passando a se cobrir com um tecido áspero, além dejogar terra sobre a própria cabeça, em sinal de humilhação na presença do Senhor (Dn9:3).Por favor, não deixe esta cena passar despercebida: Daniel intercede pelo seu povo. Emsua oração, não há discriminação entre ele e Israel como um todo; os pecados sãoconfessados em nome de um “nós” que engloba indistintamente Daniel e toda acomunidade da qual ele fazia parte. Que autoconceito equilibrado Daniel manifestou!Longe de qualquer sentimento de prepotência ou arrogância, ele se inclui entre aquelesque necessitam de restauração espiritual (Dn 9:4-8).Simultaneamente, o profeta e estadista revela um senso peculiar de dependência divina.Sua confiança na palavra de Deus confiada a Moisés praticamente dirige o raciocíniodessa comovente oração (Dn 9:11-13).Quando nossa disposição é orar em lugar de criticar, algumas coisas mudam,primeiramente em termos de suprimento relativo às necessidades que nós temos. Deusnos atende quando vê não egoísmo, mas altruísmo no coração que ora. Afinal, Ele sabeque, ao responder a prece do altruísta, a bênção se multiplicará, porque será repartidacom outras pessoas. Não quer você também permitir que o Espírito Santo crie em vocêo desejo de interceder pelos anelos e urgências de outros? Deus o convida agora paraolhar para algo maior do que o seu próprio umbigo – a mão estendida de quem carecedo seu melhor.
  3. 3. (Douglas Reis, pastor e professor em Santa Catarina)Pense e discuta:1. Cite pelo menos três atitudes que Daniel manifestou ao orar que podem ser aplicadasem sua vida hoje.2. Que semelhanças você encontra entre Daniel 9:3-19 e Neemias 1:4-11?3. Só orar não basta! O que você pode fazer de prático para ajudar a outros?4. Já ouvi testemunhos que começam descrevendo diversas tentativas humanas pararesolver determinado problema; havendo todas elas fracassado, a pessoa afirmou que,naquele momento, havia decidido orar. Por que deixamos a oração por último? De queprecisamos a fim de priorizar a oração na hora da crise?Clique aqui para fazer o download do PowerPoint da palestra sobre os capítulos 8e 9 de Daniel.Leia também: "Capítulo 8 – A batalha é muito mais antiga"Daniel 9 (parte 2) – O Jesus pouco divulgadoEm que você pensa quando ouve a palavra “Jesus”? Algumas imagens, sem dúvida,aparecem de forma automática em seu cérebro: um homem ainda jovem estendendo amão sobre um cego acamado ou alguém submetido a ofensas e maus-tratos até serpendurado em uma cruz. Conhecemos o Jesus que nasceu de uma virgem e foi acolhidoem um estábulo. Ouvimos do Jesus que no início da adolescência impressionou osexperts em religião. Estamos familiarizados com poucos pães alimentando grandespúblicos, travessias sobre ondas bravias, mortos deixando suas tumbas em rochas eparalíticos que, ao serem curados, pareciam estar em uma aula de aeróbica, de tãoeufóricos!A questão é que, para além de um Jesus atrelado a essas atividades tão bem retratadasnos evangelhos, vemos outro Jesus: aquele que morreu, ressuscitou, ascendeu ao Lar ehoje ministra no santuário celestial. E este aspecto importantíssimo é retratado nasprofecias de Daniel. O estudo do magnífico ministério de Cristo em Seu santuário vaiexigir mais de nossa atenção, contudo, irá nos presentear com uma compreensão mais
  4. 4. clara de Jesus e Sua obra.Primeiramente, vamos relembrar o que descobrimos no capítulo 8. Além de apresentaros grandes impérios mundiais desde a época de Daniel até o fim, a profecia destaca opoder perseguidor que se colocaria contra Deus e Seu povo – o poder romano. Tal poderperseguidor é retratado em suas duas fases: a Roma dos imperadores e a Roma dospapas. Esta última ganha maior destaque em Daniel 8.Outro detalhe vale ser mencionado: no capítulo 8, nem tudo recebe explicação. Opróprio anjo, que serve de intérprete para Daniel, declara: “A visão da tarde e da manhã,que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere a dias aindamuito distantes” (Dn 8:26). Qual parte da profecia deixou de receber esclarecimento?Aquela que se referia a um período específico de tempo, as 2.300 tardes e manhãs (Dn8:14). Daniel se incomodou bastante por não compreender esse pedaço da visão, aponto de adoecer (Dn 8:27).Passam-se os anos, Babilônia é subjugada pela Medo-Pérsia e a situação dos judeuscontinua a mesma. Talvez isso perturbasse Daniel, conhecedor que era de que ocativeiro de Israel duraria 70 anos (como descobrimos, Daniel era profundo estudiosodas profecias de Jeremias). E se a parte não esclarecida da visão (capítulo 8) indicasseuma nova resolução divina, no sentido de prolongar o tempo de cativeiro?Neste ponto, Daniel é como você e eu, alguém que tinha dúvidas a respeito documprimento da vontade de Deus. A saída? Orar! O experiente estadista só poderiapedir ao Senhor para restaurar Sua nação desgarrada. O mais tocante é que o coração doSanto do Universo não fica imune aos rogos de Seus filhos sinceros e, por isso, a oraçãodo profeta cativo em terra estranha teve pronta resposta.O mesmo anjo responsável por dar a notícia a uma jovem israelita de que ela seria mãedo Salvador da raça humana foi incumbido de socorrer Daniel. O motivo? Deus amavae tinha em alta conta o profeta (Dn 9:21-23). O mesmo tipo de interesse pela alma emdúvida, que se ajoelha em busca de luz, é manifestado pelo Céu em nossos dias.O anjo didaticamente responde a dúvida de Daniel a respeito da visão. De qual visãoestamos falando? A única visão que não fora completamente elucidada, como vimos, é aque acompanhamos no capítulo 8. As “2.300 tardes e manhãs” não receberam umaexplicação; sendo assim, voltar para esse assunto era parte da tarefa do anjo Gabriel.Vale observar que “tardes e manhãs” é o fraseado que na Bíblia descreve o dia judaico –que se inicia ao pôr do sol (à tarde, portanto) e se estende ao poente do dia seguinte (cf.Gn 1). Logo, 2.300 tardes e manhãs são 2.300 dias.“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo” (Dn 9:24). O termo“determinadas” significa, literalmente, que as setenta semanas foram “cortadas”,“separadas” de um período maior. Setenta semanas equivalem a 400 dias, um períodomenor do que os 2.300 dias. Na verdade, as setenta semanas são uma fatia dos 2.300dias.Quando tem início essa profecia? De acordo com a exposição feita por Gabriel, a partirda “saída da ordem para edificar Jerusalém”, que naquele instante histórico estava
  5. 5. reduzida a escombros (Dn 9:25 ). Houve pelo menos três decretos permitindo aosjudeus o retorno a sua pátria. Somente um deles, o último, nos interessa, pelo seu caráterdefinitivo que levou à libertação de Israel. Esse decreto, assinado por Artaxerxes, em457 a.C., se acha registrado em Esdras 6:6-12.Temos de aplicar o princípio dia/ano que usamos para compreender o capítulo 7. O usodessa ferramenta nos levará a entender que as 70 semanas ou 490 dias equivalem a 490anos literais. Esse período começa em 457 a.C. e termina em 27 d.C. (isso porque nãoexiste o ano-zero; o ano 1 a.C. é seguido pelo ano 1 d.C.). Qual a finalidade dessetempo especial predito por Daniel? Os 490 anos servem como uma oportunidade paraque os judeus, como povo, deixassem de pecar, tivessem suas faltas removidas,experimentassem a justiça eterna e o santuário celestial fosse ungido, como uma formade inauguração (Dn 9:24).Para entender como isso iria acontecer na prática, temos que nos voltar para a últimasemana (de 27 a 34 d.C.). Nos últimos sete anos, viria o Ungido, ou seja, Jesus estariacapacitado para a Sua missão como Salvador. Sabemos que antes de começar Seuministério efetivamente, Jesus foi batizado por João Batista (Mt 3:13-17). O batismo foiSua unção. O que viria a seguir?“Ele [o Unido, Jesus] fará firme aliança com muitos por uma semana; na metade dasemana [o que equivale a três anos e meio] fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares[…]” (Dn 9:27). O ministério de Jesus durou três anos e meio, exatamente como Danielpredisse! Ao fim desse tempo, Jesus foi sacrificado na cruz, anulando a lei cerimonialjudaica, que servia apenas como um símbolo de Sua vinda. Cordeiros não precisavammais ser mortos, porque o Cordeiro de Deus finalmente chegara (Jo 1:29).Se Jesus começou Seu ministério em 27 d.C. e morreu três anos e meio depois, estamosno ano 31 d.C. Mas ainda haveria outros três anos e meio equivalentes à segundametade da última semana. Só daí acabaria a oportunidade que Deus dera aos judeus.De fato, a oportunidade passou sem ser aproveitada. No ano 34 d.C., os judeusmarcaram sua recusa ao plano de Deus, condenando o diácono Estêvão (At 7) einiciando uma perseguição que dispersou os cristãos de Jerusalém. Com isso, osseguidores de Cristo passaram a compartilhar as boas-novas em outras terras.As 70 semanas apontam para o amor incondicional de Deus, e também mostram aingratidão e descaso humano diante das oportunidades da graça.Como foi falado, as 70 semanas (ou 490 anos) são uma “fatia” dos 2.300 anos.Levando-se em conta que os 490 anos terminam em 34 d.C., temos que continuar apartir dessa data para contabilizar a última parte da profecia. Dos 2.300 anos,descontando 490 (que se aplicam aos judeus especialmente), sobram 1.810 anos.Contando de onde paramos, chegamos à data de 1844. O que aconteceria, portanto, em1844? “Até duas mil trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado” (Dn 8:44).Em 22 de outubro de 1844,* Jesus iniciou Sua obra no santuário celestial, “que oSenhor erigiu, não o homem” (Hb 8:2). O santuário celeste, que serviu de modelo paraMoisés construir o tabernáculo do deserto (Hb 8:5), agora serviria de palco para umanova fase da obra de Jesus. Graças a essa nova obra, você pode se aproximar de Deus.
  6. 6. Atenda ao convite inspirado: “Acheguemos-nos, portanto, confiadamente, junto aotrono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro emocasião oportuna.”(Douglas Reis é pastor, escritor e capelão em Santa Catarina)Pense e discuta:1. Revise os cálculos dos 2.300 anos e das 70 semanas e faça o seu próprio gráfico daprofecia.2. Que benefícios a obra de Jesus no santuário celeste traz para a sua vida cristã?3. A ideia de um Juízo antes da volta de Jesus o assusta? Como podemos encarar o juízode forma positiva?(*) A data 22 de outubro corresponde à comemoração do dia da expiação judeu no anode 1844. Levando-se em conta que o dia da expiação, quando o sumo sacerdotecomparecia ao compartimento Santíssimo do templo, é símbolo do juízo antes da voltade Jesus, não restam dúvidas de que o início da última obra de intercessão realizada peloSalvador ocorreu no mesmo dia que a festa que a prefigurava. Um grupo de judeusrígidos, chamados caraítas, chegou à data de 22 de outubro para o acontecimento do diada expiação em 1844 mediante observação rigorosa dos preceitos bíblicos, usando oaparecimento da Lua e da cevada no campo para estabelecer o início dessa festareligiosa. Mesmo os caraítas tendo aberto mão de sua contagem do tempo, aceitandoformas não bíblicas de cálculos como os demais judeus, ainda em 1844 elescontinuavam com seu calendário a parte. (Para maiores detalhes, ler o artigo “22 deOutubro ou 23 de Setembro”, de Christian Alvarez, publicado na revista Ministério dejulho-agosto de 2008, p. 17-20).

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