Revista jane auten portugal fevereiro de_2011

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Revista Jane Austen Portugal edição 02, fevereiro de 2011.

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Revista jane auten portugal fevereiro de_2011

  1. 1. Revista Jane Austen Portugal Um Mês, Um Livro Com Orgulho&Preconceito Fevereiro de 2011 Nº 2 janeaustenpt.blogs.sapo.pt 1 Conteúdo original © Jane Austen Portugal
  2. 2. Sumário1. Sugestões Austenianas 32. Jane Austen e Eu 43. Orgulho e Preconceito 1980 74. Orgulho e Preconceito 1995 95. Bride and Prejudice 116. Orgulho e Preconceito 2005 127. Mr. Darcy 148. Elizabeth Bennet 169. As Irmãs Bennet 1810. Lydia, Kitty e Mary 1911. Mary Bennet 2112. Mr. e Mrs. Bennet 2213. Mr. Bingley e Jane Bennet 2314. Mr. Wickham 2415. Superficialidade, o teu nome é Collins 2516. Lady Catherine 2617. Georgiana Darcy 2818. Caroline, a Incompreendida 2919. Mr, e Mrs. Hurst 3020. Charlotte Lucas 3121. Sir Lucas e Maria Lucas 33 2
  3. 3. Sugestões Austenianas Por Vera SantosLivro: Quem Quer Ser Milionário?Filme: Slumdog MilionaireMúsica: Banda Sonora Slumdog MilionaireG urinder Chadha, a realizadora do filme, a Noiva Indecisa, a adaptação de Bollywood do livro Orgulho e Preconceito, disse uma vez que Jane Austen devia ter sido indiana numa outra vida, por causa filme. Mas o livro de Vikas Swarup é daquilo que escreveu. bastante diferente do filme, a ideia é a Por isso pensei que nada melhor que cultura indiana para abrir esta mesma, mas a grande maioria dos rubrica de sugestões de filmes, livros e cd’s. acontecimentos é diferente. Por isso valeA minha escolha recaiu sobre o filme Quem quer ser Bilionário? Slumdog a pena ler e comparar. PessoalmenteMilionaire no original inglês. gostei da escrita de Vikas Swarup queO filme que começou sem ter sequer distribuidor nos Estados Unidos, acabou por de resto não conhecia e devo vos dizerser o grande vencedor da edição dos Óscares de 2009 e isso porque começou a que achei o livro bem mais negro nasfazer furor nos festivais de cinema. temáticas do que o filme, se houveA estória de Jamal, um menino dos bairros de lata de Mumbai que chega à muita indignação na Índia pelo filmeúltima pergunta do famoso concurso Quem Quer Ser Milionário? Danny Boyle, imagino quanta não teria existido se aconsegue pôr-nos mesmo lá e quando o filme começa é como se estivéssemos no adaptação fosse mais fiel.descampado ou melhor na pista de aviões, a ver os miúdos a jogar críquete, o maisfamoso desporto na Índia. Seria o mesmo que ver meninos brasileiros a jogar Para terminar e porque tenho de vosfutebol perto da favela onde vivem e é aqui que o filme acaba por trazer uma recomendar um Cd, aconselho a bandaestória universal, tendo em conta que meninos como o Jamal estão por todo o sonora do filme.mundo, meninos a quem falta tudo, que lutam contra as mais diversas Da autoria de A.R. Rahman, a bandaadversidades, rodeados por vidas desfeitas pelo crime e consumo de drogas. O filme sonora resulta muito bem, Rahman, deensina que pode-se nascer numa favela ou bairro de lata mas não temos de acabar quem conheço algum trabalho, conseguenecessariamente numa vida de crime, há opções. combinar de forma brilhante música mais orquestral com outra mais pop que E podia agora dá para darmos um passinho de dança; esquivar-me de falar sabe sempre bem ouvir em todas as do livro e dizer como situações. Destaco as composições: nos slogans de uma Paper Planes, pela letra e Milionaire, qualquer editora: por aquilo que me consegue transmitir leiam o livro, vejam o mesmo sendo uma música só orquestral. 3
  4. 4. Com Laura Silva Preconceito, de 2005,Q uerida Jane Austen, deve ter sido o filme que Aproveito esta mais vezes vi na minha oportunidade única vida (excepto, talvez, os para lhe dirigir umas filmes da Disney, maspalavras relacionadas com a esses são quase um mundosua influência na geração à parte!) e que me faziadesligada dos clássicos da rir sempre, sem excepção.qual eu faço parte. Mas se pensa que istoOuvi falar de si, pela primeira ficou por aqui, lamentovez, em 2007, quando a informá-la que se engana.minha mãe comprou a Logo a seguir a meadaptação de Orgulho e apaixonar pelo filme, aPreconceito (com Keira curiosidade surgiu deKnightley e Matthew importante de tudo, ler forma avassaladora: quem éMacfadyen) . Confesso que Orgulhoe Preconceito e as Jane Austen? Que obrasnão me senti imediatamente escreveu? Quais as suasatraída quando me apercebi influências? Que histórias nosque era baseado num clássico, restantes obras que escreveu. conta?não por não gostar desse Tenho de confessar que senti Rapidamente descobri que agénero de filmes, mas porque algum receio ao ler o livro: o senhora é, nada mais nadaestava mais numa "onda" de único clássico que tinha lido menos, do que um dos grandesnão-clássicos, se é que me até àquela altura tinha-se nomes dos clássicos, tantasentende, minha cara. revelado um desafio (nada vezes ao lado de outrasResumindo, quando vi o filme, mais natural para quem nunca autoras como as irmãs Brontënão estava à espera de me tinha lido nenhum) e a forma e que tais.apaixonar pela história - e como as histórias se Tornou-se, então, necessáriomuito menos pelo Mr. Darcy! desenvolvem é bastante pesquisar mais sobre si e, maisMas foi precisamente isso que diferente da forma como, hojeaconteceu. Orgulho e em dia, passamos as emoções - 4
  5. 5. devo acrescentar que a mostram a evolução da senhora tem uma sociedade desde a sua época excelente capacidade de até agora. captar a essência das E a evolução da sociedade é pessoas e dos seus outra coisa importante nas relacionamentos - sem, no suas obras. Não que a Jane entanto tornar a história fale muito exaustivamente de simples. Inclusive, alterações que se dão no atrevo-me a dizer que as mundo (aliás, a senhora dizia suas histórias são muitas vezes que as pessoas só bastante complexas deviam escrever sobre aquilo ainda nos dias de hoje: que conhecem e tem toda a pessoas de diferentes razão!), mas faz uma análise estratos sociais que têm detalhada do ambiente e dosalgumas vezes de uma maneira de aprender a lidar com as costumes da Inglaterra dosdemasiado exagerada, devo semelhanças que acreditavam seus dias.acrescentar. não existirem entre eles, Obviamente, seria insensatoMas, mais uma vez, enganei- paixões proibidas e/ou descurar das enciclopédias eme! ilusórias, a forma disfarçada outro género de livros que nosNão só adorei conhecer aquela como se desgostava - ou falem mais detalhadamente dohistória de novo, como adorei gostava - de alguém, tudo isto século XVII-XVIII, masler o livro. nos é relatado com palavras para quem não gosta de fáceis e claras, mas a pesquisa ou está agora aJane (se é que me permite gravidade das situações não é iniciar-se nos clássicos, cadautilizar o seu primeiro nome, inexistente. uma das suas descrições é umapois sinto como se já nos Isto é uma enorme vantagem lição na qual nada se perdeconhecêssemos à tempo para quem vive no século (devo acrescentar que esta ésuficiente para o fazer), XXI, por vezestenho-lhe a dizer que o motivo tão vazio depelo qual adorei o livro é, moral, bonsprecisamente, a sua escrita. costumes eBastante simples e precisa, maneiras: não sódá-nos todas as informações nos mostram quenecessárias para compreender o certas situaçõesdesenvolvimento das quase parecempersonagens e a forma como ciclos viciosos,elas se relacionam - aliás, como nos 5
  6. 6. costumes da época, tais como seus fizeram-me redescobrir as lições que nos dão em esse gosto, incentivando ainda relação, por exemplo, ao mais a minha sofreguidão por orgulho e ao preconceito. outras vidas, outras épocas e Ninguém pode ficar indiferente outras mentes. a todas as perturbações geradas devido a falhas hoje E em consequência de tudo tão comuns e das quais as isto, minha querida Jane, pessoas não se conseguem nada mais apropriado do que libertar. agradecer-lhe por ter escrito E que dizer em relação ao obras tão magníficas e tão amor verdadeiro? Quantos de inspiradoras; nada mais justouma das coisas que mais me nós não nos perguntámos já se do que homenageá-lafaz gostar dos seus livros. Se esse amor poderá mesmo pesquisando mais sobre si eno início não percebia muito existir? Este é, sem dúvida, passando a mensagem; nadabem algumas das situações, outro dos grandes temas mais correcto do que compraragora, quando leio um livro debatidos nas suas obras - e, todos os livros seus em queclássico, não consigo evitar atrevo-me a dizer, o tema mais possa pôr as mãos e exibi-los,ficar chocada com algumas importante! - que nunca estará nas minhas prateleiras, lidos esituações que, para alguns, out. amados.são completamente banais). Tudo isto para dizer, minha Com os melhores cumprimentos,E por falar em lições, cara Jane, que se houve livrosalgumas delas são de realçar que me despertaram o gosto L a u raquando comparadas com os pelos livros e pela leitura, os 6
  7. 7. Orgulho e Preconceito 1980Por Clara FerreiraE sta Adaptação segue de muito perto a obraoriginal, embora hajaalguns desvios, talvez maisdo que na versão de 1995,não em termos de diálogos,mas sim de acrescento oualteração de cenas.Embora as técnicas derealização e os próprios Darcy,diálogos teatrais estejam demasiado sisudo efora de época, cativou a indiferente para ser "Ominha atenção e agrado. Mr. Darcy". Já Lizzie é Mr. encantadora, embora Collins, muito bemApreciei bastante a Jennifer Ehle de 1995 interpretado, diga-se deatenção dada a Mary tenha suplantado toda e passagem, embora não sejaBennet, nesta versão rimo- qualquer uma, acho tão fantástico como onos muito com ela. Elizabeth Garvie actor da versão de 1995.Fiquei decepcionada com a muitíssimo convincente como Uma cena original nestaactriz que faz de Lydia, a Lizzie Bennet. versão é que nós, vemos ode 1995 é mil vezes melhor. pedido de casamento de Mr. Bennet não capta Mr.Collins a CharlotteEsta actriz peca por falta tanto a nossa atenção comode expressão ou exagero de Lucas, foi uma cena que na versão de 1995, e Mrs. gostei particularmente.expressão. Bennet está longe de serNão fiquei muito tão irritante como era Nesta adaptação, e aoconvencida com este Mr. suposto. contrário das restantes 7
  8. 8. versões, temos uma cena Lizzie Bennet, confesso que de Mary Bennet e para alonga em que conhecemos não é a minha preferida, e de Jane Bennet que acheiMrs. Phillips, a irmã de este Mr. Darcy nunca me que foi a melhorMrs. Bennet. conseguiu convencer muito interpretação de sempre. bem. Nesta versão douEmbora tenha gostado destaque às interpretaçõesmuito da interpretação de 8
  9. 9. Orgulho e Preconceito 1995Por Vera SantosÉ sempre mais difícil nunca conseguiria apontá- devo ter torcido por um falar das los, o afecto que sinto por casamento entre a Lizzie e adaptações de que esta produção é tão grande o Wickam e com certezanão gostei do que daquelas que dificilmente veria esses fiquei desapontada quandoque gostei, ao falar defeitos. Felizmente, esta é este revelou a verdadeiradaquilo que não gosto a adaptação tida por natureza do seu carácter.facilmente consigo apontar todos os fãs como aquelaos defeitos, aquilo que que mais conseguiu se Tudo isto para vos dizermenos me agradou, etc. aproximar das personagens que muitas vezes ficamosQuando gosto tenho uma e da estória. desapontados quandocerta dificuldade em vemos primeiro a série ouapontar o porquê desse Não me lembro da primeira filme e só depois lemos oapreço. impressão que tive ao ver o livro, mas isso não acontece Mr. Darcy, mas se me aqui, temos a perfeitaEsta série foi o meu conheço bem creio que devo comunhão entre aquilo queprimeiro contacto com a ter achado que era um a Jane escreveu e asobra da Jane Austen, por arrogante e quanto mais imagens, algo que cada vezisso mesmo por muitos depressa desaparecesse do mais se torna difícil dedefeitos que tivesse eu ecrã, melhor. Calculo que encontrar nas adaptações. 9
  10. 10. Não seria honesto nãodizer que algumas cenasnão fazem parte do livro,como a famosa cena de umColin Firth, a mergulharnum lago e a sair de lámuito molhado, mastambém não são essascenas que alteram aestória, são um merocomplemento a uma dasmelhores adaptações deuma obra de Jane Austen. verdade universalmente tão fixada na cabeça dos conhecida que esta fãs queEu podia falar-vosainda do dificilmente outra versãoguarda-roupa, dos actores, adaptação é uma das que seja igualmentedos cenários, da música, melhores de todos os perfeita poderá roubar-lhemas acho que já é uma tempos. Esta verdade está o lugar. 10
  11. 11. Brinde and PrejudicePor Cátia PereiraP enso que não será por outro lado, trata-se de restantes são todos descabido dizer que mais uma adaptação da personagens com nomes de entre todos os nossa escritora amada. indianos.livros de Jane Austen, oque mais tem gerado O filme mantém, de uma O filme acaba por ser umaadaptações para o cinema forma geral, os traços do comédia romântica beme para televisão é "Orgulho enredo do livro. Apenas leve. Não é um filme com ae Preconceito". sentimos falta dos nomes densidade e beleza de "Orgulho e Preconceito" versão 2005. Se for assisti- lo com esta expectativa sairá decepcionada. Esta versão de Bollywood é leve, colorida e divertida. É um bom tempo de entretenimento, principalmente para quem gosta de musicais.Quando eu descobri que dos personagens, mas aexistia uma versão de personalidade de cada um Eu confesso que eu meBollywood de "Orgulho e é transmitida. Os únicos diverti imensamente comPreconceito" não esperei personagens que mantêm o este filme. Somente lamentomuito tempo para assistir. mesmo nome (se não estou que não tenham escolhidoPor um lado, adoro em erro) são Mr. Darcy e um Mr. Darcy maismusicais e filmes indianos; Georgiana, porque os convincente. 11
  12. 12. Orgulho e Preconceito 2005Por Clara Ferreira tentar contar o terrível sucedido da irmã Lidya ou a cena em que encontra Lizzie em Pemberley. Sou uma grande fã de Keira, e a sua Lizzie está fantástica. Mas ainda assim, acho que Jennifer Ehle tem vantagem porque tem mais tempo e mais cenas para poder desenvolver melhor a personagem e para os espectadores se aperceberem mas para o tempo que tem, melhor da batalha que Lizzie está excelente. A versão de trava dentro de si. NoS e há algo que tenha 1995 ganha muitos pontos entanto, embora fuja em tudo adorado neste filme foi, neste sentido porque detém seis do guião original, a cena da acima de tudo, o episódios para poder contar a proposta de Darcy a Lizzie é,guarda-roupa e as paisagens. história em pormenor, daí que, sem sombra de dúvidas, umaO início do filme está também os actores tenham das grandes cenas do cinema,brilhante, é algo pura e mais tempo para desenvolver para além de lindíssima,simplesmente poético. Depois, as personagens. cativa-nos de tal forma quetodas as roupas, vestidos, somos capazes de fazerpenteados, são fabulosas e Ainda assim, é indiscutível o "rewind" várias vezes.ultrapassam, sem dúvida, o lugar de Firth no papel deguarda-roupa de Emma Darcy. Matthew Macfadyen Quanto aos Bennet, gosto de2009, também ele fenomenal. faz uma boa interpretação, todos eles e achei fenomenal muito severa no início, mas que darem melhor aparência aO filme é demasiado curto aos poucos, se vai tornando Mary, embora neste filme elapara condensar o Grande mais apaixonada - recordo a seja praticamente irrelevante.Romance de Jane Austen, cena em que Lizzie está a Lydia está genial, adoro-a na 12
  13. 13. sua irritante forma de ser. (Claudie Blakley) é muito Nesta adaptação a famíliaJane, no corpo de Rosamund fraca, mas acima de tudo, Bennet é-nos apresentadaPike encontra muitas porque o filme não lhe dá menos aristocrata e maissemelhanças com a original, espaço para se desenvolver. "rural", em muito afastada damas a minha preferência vai Mr. Wickham (Rupert imagem dos Bennet da versãopara a actriz da versão de Friend) é o único, de todas as de 80 ou até da versão de 95,1980 - Sabina Franklyn. versões, capaz de mas a casa éDonald maravilhosa, aquela Longbourn é a que mais adoro. A cena do primeiro baile, embora afastada daSutherland obra e deé um algumagrande Mr. classe que seBennet, espera, éassim como magistral.BrendaBlethyn que Assim como o início édá corpo à melhor Mrs. rivalizar em beleza com os extremamente poético, o finalBennet de sempre... quer dizer, actores "Darcys", todos os é-o duas vezes mais... acho queMrs. Bennet da versão de anteriores ficavam muito Jane Austen o aprovaria1995 é brilhante também. aquém do Darcy a quem certamente! correspondiam. TomTenho pena que a família Concluo por isso que é uma Hollander é um excelente Mr.Bingley não seja fortemente adaptação a não perder. Collins, super engraçado, masdesenvolvida e que a própria Mais adaptada aos nossos que tem pouco tempo dehistória de Bingley tenha, dias, menos rigorosa no que diz antena, novamente, para darforçosamente, de passar para respeito ao romance original, mais da personagem, já de si,um plano quase terciário. mas detentora da história de hilariante! Georgiana DarcyGosto muito deste Mr- amor mais incrível do planeta encontra em TamzinBingley (Simon Woods) tem Merchant a beleza e o brilhoum ar adorável na sua da juventude que lhe é devido.inexperiência. Charlotte Lucas 13
  14. 14. Mr. DarcyPor Liliana IsabelT odos sabemos que para além do ar arrogante,Darcy é um homematencioso que dá valor àscoisas certas. Certamenteque em relação aos seussentimentos por ElizabethBennett ele demorou maisum pouco a dar valor aessas mesmas coisas certas. muito isso o encanto que muitas de nós temos (senão mesmoMas Elizabeth sabe no todas), sabemos desde o início que Darcy é um bom homem,fim, que tem consigo o sabemos que no fundo no fundo ele apenas quer amar alguém,homem dos seus sonhos e apenas não sabe como o fazer. O facto de ser um homem reservado e até tímido e não galanteador como por exemplo Wickham (que fala, fala e não diz nada não é meninas), torna-o mais especial, um mistério à espera de ser desvendando. Eu penso que mesmo quando Elizabeth estava "apaixonada" por Wickham ela sabia que havia algo que a chamava para Darcy, não sabia era o quê... O facto de ser uma pessoa observadora e reservada ajuda-o a ver as aquele pessoas pelo que realmente são, o mau e o bom de cadaque fará tudo por ela e por pessoa. Talento que muitos de nós não temos. Isso permite-fazê-la feliz. Penso que é nos afirmar que por exemplo Darcy foi a única pessoa que 14
  15. 15. consegui também afastar ainda mais Elizabeth do seu coração. Mas uma coisa boa que Darcy tem é mesmo a sua integridade. Tudo fez para que Bingley e Jane ficassem juntos e mexeu montanhas para tentar salvar os Bennett da desgraça deixada por Wickham... Quando se solta do seu preconceito social e aceita as coisas tal como elas são Darcy torna-se mais presente e é como se a sua alma se iluminasse. Elizabeth notou isso mesmo e pela primeira vez sentiu que poderia amar um homem assim. Por tudo isto e muito mais pode-se dizer que não é à toa que Mr Darcy seja das personagens mais queridas de Jane Austen (senão a mais).conseguiu perceber logo quetipo de pessoa Wickhamera. E se ao menos outrostivessem feito o mesmo... Noentanto também esse seucomportamento levou aalguns equívocos nahistória, tal como foi oamor entre Bingley e Janede que Darcy ao princípioduvidou. Nessa situaçãoDarcy não "avaliou"correctamente ossentimentos dosintervenientes. Com isso 15
  16. 16. Elizabeth Bennet: A Mais Famosa Heroína de AustenPor Paula Freire de ser não iguala a de Jane, a depositada na irmã mais velha, mas aparência quer também devido ao seu do mérito como espírito que não é tão jovial do bom senso." como o da irmã mais nova, - Elizabeth Lydia. Era Bennet (efectivamente) a menos querida de sua mãe. Elizabeth possui Elizabeth um carácter confiante, vivo, Bennet, Eliza brincalhão, inteligente, ou Lizzy é, crítico, reforçado pelo seu sem dúvida sentido de observação“S ão poucas as pessoas de quemgosto realmente e mais alguma, a heroína mais famosa de Jane Austen. É a segunda de cinco filhas de Mr.restrito ainda o número Bennet eé adaqueles de quem eu faço sua preferida. Sãobom juízo. Quanto mais cúmplices noconheço o mundo, maior é o divertimento e no gozomeu descontentamento por com que muitas vezesele; e a cada dia confirma avaliam os demais.a minha crença na Mas é a menosinconsistência de todos os considerada pela mãecarácteres humanos e na devido à sua beleza quepouca confiança susceptível 16
  17. 17. apurado. Consegue sempre privados que ninguém, com tenta, também, atravéstirar partido das situações um conhecimento tão recente deste livro chamar amais ridículas. da outra pessoa, atenção para esta abordaria se não tivesse a realidade.Contudo, ao longo desta clara intenção de iludir o A evolução da relação dehistória verificamos que seu ouvinte. Será apenas Elizabeth com Mr. Darcytambém as pessoas com por ocasião do pedido de dá-se a partir datais características podem casamento de Mr. Darcy e revelação do carácter deser iludidas. É o que através da sua carta que Mr. Wickham. Darcyacontece com Elizabeth Elizabeth verifica quão traz a Elizabeth aquando conhece Mr. ingénua foi. Como depois clarividência que lheWickham. Este homem de confidenciaria a sua irmã faltava. A sua antipatiaboa figura e de elevada Jane "até aqui eu não me por ele era tão grande eeloquência desvia a conhecia". Apesar de tão preconceituosa que nãoatenção de Elizabeth e possuir um carácter tão lhe permitia ver para alémadormece-lhe estas suas marcante e tão da aparência. Com ele,características. Ao independente, não está reforça e lima o seu sentidoconhecê-lo ela não se dá protegida das mentes mais de observação que passa aconta de que o cavalheiro maliciosas que vêm de um ser mais cuidado.muito fala de assuntos tão mundo que ela não conhece. Creio que Jane Austen 17
  18. 18. As Irmãs BennetO Lugar de Lydia, Kitty e MaryPor Fátima Velez de CastroM rs.Bennet, a duas mais matriarca de novas, uma prole de também elascinco raparigas jovens, inseparáveis –persegue com obsessão o Lydia eobjectivo fulcral da sua Kitty – estão nos aquisição de conhecimentosvida: arranjar um bom antípodas, criando sempre e dotes, na ânsia constantecasamento a cada uma um turbilhão à sua volta. de os exibir”. É a irmãdas suas filhas. E se as Imaturas, insensatas, de solitária que prefere aduas mais velhas – Jane e riso demasiado fácil, grandeza de uma paisagemElisabeth – “arranjam” o exibicionistas, vivem para aos actos dos homens.seu para amoroso no início as paixões fúteis e para asda história, para as outras fardas dos oficiais que se Embora as mais velhastrês o percurso será instalam nas imediações da sejam protagonistas daligeiramente diferente. sua residência. Como diz história, não se pode deixar Mr.Bennet são “as duas de ter em conta osAs duas mais velhas, raparigas mais tolas do desempenhos das manasembora com temperamento país”. Em oposição e num mais novas, as quais peladiferente, partilham dos cenário de isolamento, sua diferença demesmos gostos, de similar situa-se Mary, a irmã do temperamentos e debom-senso, de uma meio, “que em consequência atitudes nos prendem àeducação impecável (não da sua fealdade, se história.obstante da ousadia de aplicara na árduarespostas de Lizzy); as 18
  19. 19. Lydia, Kitty e Mary:O final de cena (e um pouco mais)Por Fátima Velez de CastroE mbora no filme (versão de 2007) odesfecho destas trêspersonagens permaneçauma incógnita, mas comuma tendência altamenteprometedora (é o próprioMr.Bennet que ocorrobora), na obra asirmãs aparecem com odestino traçado de forma a efusividade (ou devo leviandade que demonstroumais regular. dizer “explosividade” ao longo do livro, acho que manteve-se). Esta dedução a Lydia era raparigaA paixão de Lydia deve-se ao facto dos para dar uma “facadinha”esfriou, mas ao que parece pacientes Bingleys no matrimónio, mais que chegarem a não fosse flirtando com desejar que ela e o outros oficiais colegas do marido, nas visitas marido. efectuadas, se demorassem menos Mary fica em casa e é tempo em sua “obrigada” a frequentar a casa. Posso estar sociedade. Embora Jane a ser maldosa, refira que ela continua a mas dada a fazer “deduções morais” de 19
  20. 20. tudo e de todos, a mim ficou sob protecção das supõe-se que bem, dandoparece-me que, mais cedo suas irmãs mais velhas, o uma grande alegria à suaou mais tarde, acabaria que lhe permitiu “fazer mãe, também apor ser atraída pelos progressos”, não só em Mr.Bennett, que viu oprazeres sociais, tornando- termos relacionais, mas futuro das suas filhasse numa frequentadora sobretudo em termos de assegurado do ponto deassídua de bailes e eventos carácter. vista material e emocional.afins. Desfecho da história: pensoKitty parece ter sido a que que todas as manas Bennetmais beneficiou, dado que acabaram por se casar, 20
  21. 21. Mary BennetPor Clara Ferreira para ser estudiosa, outro ponto a favor neste filme. É certo que Talulah não tem a relevância solteira. que é atribuída a Mary naA terceira irmã do clã Muitos imaginam Mary como versão de 1980, nem tão pouco Bennet de Orgulho e freira, mas não acredito que na versão de 1995, no Preconceito. fosse esse o seu futuro. De entanto, conhecemos, neste acordo com "A Memoir of filme, uma Mary estudiosa,Sempre achei esta personagem Jane Austen", casou-se com prendada, educada, bonita e,curiosa. Pena que não tenha um dos aprendizes de direito diferente de outras Marys, atomado partes mais activas no do seu tio Phillip. quem o pai atribui especialromance, acredito que seria atenção e protecção. Nesteengraçado conhecermos melhor Foi com grande agrado que vi filme esbate-se a preferênciaa sua personalidade. O livro darem melhor aparência a incondicional de Mr. Bennetdescreve-a como a irmã menos Mary, transformando-a numa por Lizzie, Mary parecedotada de beleza das cinco jovem bonita e em tudo ocupar o segundo lugar naMiss Bennets. contrastante com o escala - coisa que não comportamento das suas irmãs acontece em qualquer outraParece estar aparte de toda a Kitty e Lydia. Embora eu versão, nem mesmo na obrafamília, Gostava muito de própria utilize óculos, achei original, onde Jane pretendesaber qual o seu futuro. Se que era exagerado que Mary ridicularizar esta irmã a todocasaria ou não, se seria uma necessitasse de usar óculos e qualquer custo.Charlotte Lucas ou uma Tia 21
  22. 22. Mr. e Mrs. BennetPor Marina NunesA doro estes dois Aliás acho que ela e Darcy, acabam bem casadas e a vida personagens... Acho no início da obra, são até dela tal qual a queria... Mr que Jane Austen parecidos. a grande diferença Bennet é um anti-social econseguiu aqui reunir o que estava no facto de que o Sr inconsequente, que sempremais "caricato" poderia existir Darcy tinha efectivamente contou ter um filho e nuncana sociedade. Mrs Bennet dinheiro e posição social que pensou que teria dequeria que as filhas casassem tornavam o seu preconceito e aprovisionar para que as suascom homens de "posses", que orgulho "justificados", ao filhas tivessem futurogarantissem a subsistência da passo que Mrs. Bennet não... assegurado. Gosto muito dafamília. E para conseguir isto Se Mrs Bennet tivesse o sua ironia. Os diálogos deleera capaz de tudo... Mas nem dinheiro e ascendente social de com a esposa são fantásticos epor isso educou as filhas para Darcy seria igual a ele, não a cena aquando da visita deserem mulheres discretas. Para acham? Mrs. Bennet Mr Collins é do melhor que existe no livro. Contudo é inconsequente quando deixa que a esposa e as filhas mais novas sejam tão "tontinhas" e as caracterize, ele próprio como tal. Mas são duas personagens queela a beleza era o único admirava Jane pela beleza e trazem alegria a toda a obra,trunfo que elas podiam Lydia pela elevada auto- trazem ironia, trazem situações"jogar", o único que importava. estima. Apesar de tudo ela que nos fazem sorrir...Era uma pessoa inconveniente acaba recompensada dado quee, no fundo, preconceituosa. as filhas efectivamente 22
  23. 23. Mr. Bingley e Jane BennetPor Eva SousaO que dizer destasduaspersonagens?Antes devodizer que são aencarnação doque cada pessoadeve ser para oseu género…Mr. Bingley éconvenientemente Eles são, na minha opinião,rico, atraente e deve ser apresentam-se como um par pouco carismáticos. Cansamconsiderado um Bom partido. feito no céu! pela perfeição!A primeira frase do livrocentra-se nesta personagem, Um daqueles casais que se São demasiado bons paradando-nos a ideia que talvez inveja, porque nunca discutirão serem admirados, demasiadoseja o elemento central do e mesmo quando fazem sofrer perfeitos para aproximarem olivro… Contudo não é! um ao outro é apenas devido à leitor real para o livro… Lizzy intervenção de elementos e Darcy precisam deste apoioJane encarna exactamente o externos… porque são um pouco menospapel que uma mulher deve (ou polidos, mais humanos… comdevia ter naquela época), é Então porque não são eles as falhas!linda, inteligente apesar de personagens principais, já queingénua, e tem um grande concentram toda a virtude É impossível não simpatizarcoração. Conseguimos prever moral e humana que as obras com Jane e com Mr.que estes dois farão uma de Jane tão bem enfatizam? Bingley… É impossívelfamília equilibrada, apaixonarmo-nos por eles! 23
  24. 24. Mr. WickhamPor Vera Santos Darcy. Não detestado, eventualmente a sendo um vilão, verdade é descoberta, mas até aliás acho que isso acontecer ainda algum não existem tempo irá passar. vilões nos livros de Jane, Wickham representa todos Wickham ao aqueles que conseguem enganar contrário de seduzir os outros. A verdade é Darcy que o ser humano é muitas rapidamente cai vezes enganado por pessoas nas boas graças como ele, que se mostram da boa atenciosas, simpáticas e sociedade de amigas do seu amigo.O belo Wickham faz Merython, principalmente nas Se eu gosto dele? Sim, até suspirar as mulheres, de Lizzie. Todos gostam dele acho que têm um certo charme, com a sua beleza e e todos detestam Darcy. que eu talvez não resistisse e charme pessoal, mal Wickham começa então a acho que o seu casamento comentra em cena. As suas pregar a sua estória já que Lídia, um castigo merecido.maneiras conquistam e até sabe que isso ajudará a que Não há nada pior do que umchegamos a ter pena da forma seja visto ainda de forma mais casamento sem amor.como foi tratado por Darcy. favorável, como ninguém oSe Charlotte Lucas é o oposto conhece todosde Lizzie na questão do acreditam.casamento, eu atrevo-me adizer que Wickham é o de Darcy começa então a ser mais 24
  25. 25. Superficialidade, o teu nome é CollinsPor Cátia PereiraE le é, sem dúvida, a querer, chama para si uma inferioridade ao afirmar a superioridade imagem da pessoa da pessoa a quem serve; mas isto é algo que ele não se dá conta. artificial, bajuladorae com complexo deinferioridade. Mr. Collins é,muitas vezes, ridículo, absurdoe patético. Os seus gestos e assuas palavras são previamenteensaiadas e estudadas o querevela a sua superficialidade.Ele louva a forma emdetrimento do conteúdo. E elevaloriza, sobretudo, a posiçãosocial. É verdade que ele é umsimples pároco, mas o estardentro das boas graças deLady Catherine de Bourghconstitui - na sua mente - umaelevação social. E ele é Para ele é um grande privilégio e torna-o um grande partido ser oincansável a descrever todas pároco de Rosings e poder dizer que tem uma convivência constanteas palavras, conselhos, gestos, com Lady Catherine. Neste aspecto, a sua simplicidade o trai: elepropriedades, tudo o que tenha quer aparentar uma humildade que só o torna presunçoso. A suaa ver com Lady Catherine de presunção o torna, muitas vezes, motivo de riso.Bourgh. Não tendo o mesmonível social, ao falar com Neste sentido, devo confessar que Mr. Collins é um dos personagensfamiliaridade dela está a de que eu mais gosto no livro. É através dele que Jane Austen mequerer elevar-se ao mesmo nível faz rir desmedidamente. Ele protagoniza as situações maise a beneficiar das vantagens embaraçosas e divertidas do livro. Gosto de Mr. Collins não pelasque este conhecimento lhe pode suas virtudes - e ele deve ter algumas - mas pelo seu lado absurdo eproporcionar. Mr. Collins, sem patético. 25
  26. 26. Lady Catherine, O Cupido InvoluntárioPor Cátia PereiraL ady Catherineera uma senhora alta eforte, de feições bemvincadas que, emtempos, poderiam tersido bonitas. O seu arnão era acolhedor e amaneira como os recebeutampouco permitiu às suas autoritária e pouco sua família, vemo-lavisitas esquecerem-se da simpática. Lady Catherine criticar abertamente assua inferioridade. Quando é a imagem da pessoa que opções de Mrs. Bennetem silêncio, nada tinha de tendo título, bens e posição sobre a educação de suasterrível, mas tudo o que social acha-se acima de filhas. A sua insistênciadizia era pronunciado num todas as outras pessoas. A em dar conselhos sobretom autoritário que sua frieza de modos não a tudo e sobre como todosdenotava a sua presunção" torna mal-educada mas devem gerir as suas vidas torna-a, inúmeras vezes, demonstra a presunção de indelicada. Cada frase que aquilo que pensa é o sua parece destacar a sua correcto e que os seusNesta descrição de Lady relevância em detrimento de pensamentos estão acimaCatherine de Bourgh, Jane qualquer outra pessoa. Na de qualquer tipo de crítica.Austen nos previne quanto famosa cena em queà personalidade desta questiona Lizzy sobre apersonagem. Ela é 26
  27. 27. Mas, apesar de tudo isto, dos pontos fulcrais da sobrinho, a sua intençãoLady Catherine mostra-se história. Se Lizzy fica era nitidamente evitar queuma peça chave no enredo. revoltada com o facto de isso acontecesse. Aos olhosAo visitar a amiga Darcy admitir o seu papel de Lady Catherine, DarcyCharlotte em Rosings, em relação ao amigo, por era noivo de sua filha epropriedade de Lady outro lado, é a partir somente à ela estariaCatherine, Lizzy voltou a daqui que as primeiras - destinado. Mas ao fazercontactar com Mr. Darcy, erróneas - impressões isso, ao procurar Lizzy, oouviu-lhe a declaração de começam a ser desfeitas. efeito foi exactamente oamor, recebeu a fantástica contrário: acabou por uni-carta em que Darcy Também é Lady los e tornou-se um cupidoadmite que aconselhou o Catherine de Bourgh quem involuntário. Lizzy tornou-amigo Bingley a partir de dá o mote para a se mais convicta do queNetherfield (e afastar-se aproximação final entre nunca dos seus sentimentosde Jane) e onde também Lizzy e Darcy. Quando e Darcy ganhou esperançasrevela toda a verdade Lady Catherine vai até para (re)conquistar Lizzy.sobre Mr. Wickham. Longbourn procurar Lizzy Este diálogo entre LadyMuitas revelações para esclarecer se ela Catherine e Lizzy é um dosaconteceram em Rosings. estaria noiva do seu trechos de que mais gosto eConsidero este, um onde Lady Catherine, sem a capa de uma superficial civilidade revela toda a sua arrogância e autoritarismo. 27
  28. 28. Georgiana DarcyPor Liliana IsabelG eorgiana Darcy é Georgina é também querida e por quem Darcy talvez das bastante ingénua e no fim também Elizabeth personagens de deixando-se levar pelos têm bastante apreço eJane Austen que mais encantos de um falso carinho. Umas das forçasreflectem a mulher "ideal" príncipe encantado motivadores do carácter de Darcy é precisamente o amor e carinho que sente pela sua irmã por quem faz tudo. Georgina tem muito orgulho no seu irmão e sente que ele é o seu verdadeiro salvador. Em tudo o que faz espera a aprovação do seu irmão. Darcy é quase como um pai para ela e não umdo tempo de Jane Austen: chamado Wickham. irmão.talentosa nas artes e Quererá no entantoprendada em todo o que dizer que tantafaz. Mesmo assim não é timidez signifiqueuma personagem muito também algum orgulhoactiva em toda a história, e sentido dequer seja pelo tempo que superioridade quetemos conhecimento dela muitas vezesquer pela sua própria encontramos no seu irmãotimidez e também o facto Darcy? Apenas sabemosde ser bastante recatada. que é uma rapariga muito 28
  29. 29. Caroline, a IncompreendidaPor Cátia Pereira Bennet. Ela, de certa Digam: quem é que forma, contribuiu para que gostaria de perder o Mr. acontecesse a partida do Darcy para uma "fulana irmão de Netherfield e de tal" de uma terrinha consequente separação entre qualquer quando a o irmão e Jane Bennet. situação parecia Mas apesar disto tudo, eu dominada? Ou alguém tem gosto de Caroline Bingley. alguma dúvida que a Eu compreendo-a e sou Caroline Bingley já deviaC aroline Bingley é solidária. Acho que ela é ter o vestido de noiva e irmã de Mr. um pouco injustiçada e toda a cerimónia de Bingley. Ao incompreendida. casamento com Mr. Darcy contrário do irmão delineada na cabeça? que é uma pessoa Eu explico. Coloquem-se no Inclusive, ainda tinha o amável e lugar dela: surgem duas facto de que tendo Janesimpática; ela é elitista, irmãs, uma que quer Bennet com cunhada,pedante, irónica, arrogante conquistar o seu irmão e a ganharia um parentescoe superficial. A sua outra que quer roubar indesejado.amabilidade resulta quase provavelmente o homem dossempre de uma pretensão de seus sonhos. Assim, de uma Eu, se fosse a Caroline,civilidade socialmente assentada só, vê diante dos também não perderia aexigida. Ao longo do livro, seus olhos o risco de perder oportunidade de minimizarvemo-la constantemente a os dois homens da sua a beleza dos olhosmanifestar comentários vida. Sendo que estas duas castanhos de Lizzie.menos simpáticos, alguns irmãs inserem-se numa família esquisita: mãe E vocês, não fariam oaté desagradáveis, mesmo?relativamente à família histérica, pai anti-social e as irmãs tolinhas. 29
  30. 30. Mr e Mrs. HurstPor Paula FreireSe a arrogância, o orgulho,a vaidade, a hipocrisia e apresunção estão presentesem "Orgulho e Preconceito"é também atravéspersonagem de Mrs Hurst,irmã de Mr. Bingley,amigo de Mr. Darcy.Mrs Hurst casa com Mr. É por demais evidente oHurst, homem sem fortuna, Com um marido com tais cinismo de Mrs Hurst aovulgar e despropositado em características, Mrs longo da história. É umatodas as ocasiões que tinha Hurst que era uma mulher personagem que considerocomo grande filosofia de elegante, bonita e educada de adorno. Existe paravida dormir, beber, caçar e mostrava a sua hipocrisia. mostrar a antipatia e acomer em demasia. Se Afinal, soube intervir na crítica que Jane Austenacaso algumas palavras relação do irmão com Miss fazia às classes maisconseguia pronunciar em Bennet por não considerar abastadas. Através destejeito de conversa, estas que esta estivesse à altura casal, a autora evidencia alimitavam-se à comida e à do irmão, mas não teve o futilidade, o vazio e asua impaciência para mesmo discernimento para presunção que via em taiscaçar. Trata-se de um si... Em virtude deste classes em contraposiçãohomem sem interesses casamento, Mrs Hurst faz com as demais. Senhores deválidos e desinteressantes. da casa do irmão a sua tudo, vivem, contudo, própria casa. muitas vezes apenas da aparência. 30
  31. 31. Charlotte LucasPor Vera Santos um choque para Collins. Como é que alguém justifica-se dizendo queÉ Lizzie e para nós leitores quandoCharlotte Lucas anuncia o que se apresenta como inteligente e sensível pode casar não é romântica. Pessoalmente penso que com Charlotte representa um um certo tipo de mulher que tolo ainda existe actualmente, daí ter pedido para falar sobre ela. Nos tempos de Jane Austen ter 27 anos e ser solteira, é olhar para o futuro e ver-se a si mesma como um fardo para a família, as hipóteses de casar já não serão muitas, para não dizer nenhumas, eis que surge Collins e Charlotte agarra aquilo que a vida lhe oferece, como consegue ela a proposta não nos é revelado... Ainda hoje apesar de os como o Collins? Charlotte tempos serem outros, háseu casamento com o Mr. muitas mulheres que casam 31
  32. 32. para não morrerem depois quando Lizzie a Lucas, não é meramente osolteiras, daí eu achar a visita, Charlotte fala de de melhor amiga deCharlotte uma mulher como encoraja o marido a Elizabeth. Há um claromoderna. Até que ponto tratar do jardim e parece objectivo de criticar asuma união assim poderá ser feliz por haver dias em mulheres que casam pormais tarde revelar-se em que raramente se vêem. motivos financeiros e fazeramor nunca saberemos, mas a oposição a Lizzie quesabemos que pouco tempo O papel de Charlotte certamente prefere não casar a ter de fazê-lo por interesse. 32
  33. 33. Sir Lucas e Maria Lucas Por Paula Freire Passou então a gozar do deslumbra-se com todas as título e afastou-se do seu pessoas que não sejam da negócio. Por isso, quando a sua classe. Tem muita sua filha mais velha se consciência da sua precipita para um casamento com Mr. Mr. Collins, ele encara-o comoLucas é uma personagem uma bênção e apenas vêque a todos cativa. vantagens naquele enlace.Trata-se de um homem Não consegue alcançar oque se desfaz em atenções ridículo da situação que épara com os outros ver a sua filha casadasujeitando-se algumas com um homem que poucovezes ao ridículo. Pai de tem para lhe oferecer emCharlotte Lucas, a melhor todos os aspectos, não condição o que a leva aamiga de Elizabeth obstante ser o herdeiro de exagerar em algumasBennet, é de trato Mr. Bennet. ocasiões por se deixaramistoso, inofensivo e intimidar pela opinião de,obsequiador. por exemplo, Lady É também pai de Maria Catherine. Fora comerciante emMeryton e fizera fortuna Lucas. Raparigarazoável. O seu mandato igualmente de bom trato ecomo presidente do ingénua que viaja com São mais duas personagensmunicípio valeu-lhe um Elizabeth e seu pai de adorno neste encantadortítulo por ocasião de um aquando da visita daquela enredo que constituidiscurso proferido pelo rei. a Charlotte. Vive num "Orgulho e Preconceito". mundo encantado e 33
  34. 34. Quem desejar ver o seu texto publicado na Revista Jane Austen Portugal, basta enviar um email para janeaustenpt@sapo.pt com o artigoaté dia 30 de Abril de 2011 – mais informaçõesem www.wix.com/janeaustenpt/janeaustenportugal O tema da próxima edição é: O Parque de MansfieldColaboradoras nesta Edição:Cátia PereiraClara FerreiraEva SousaFátima Velez de CastroLaura SilvaLiliana IsabelMarina NunesPaula FreireVera Santos 34 Conteúdo original © Jane Austen Portugal

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