Glimmerglass – O encontro de dois mundos                                               Jenna Black –Universo dos Livros   ...
existia tanto em Faerie como no mundo mortal – era o único local em que os dois planos deexistência se sobrepunham. Quando...
Às 9h15 tive de admitir que as chances de o amigo do meu pai aparecer eram ínfimas. Meu pai nãodevia estar atendendo ao te...
– Um minuto, senhorita – o guarda disse, depois de ter examinado meu passaporte, por, pelo quepareceu, dez anos. Fiquei co...
– Está bem. – Como se eu tivesse escolha.Grace se inclinou e pegou um caderno espiralado de uma das gavetas, depois posici...
Ela escreveu mais e, eu me perguntei como ela conseguia escrever tanto. Eu não estava exatamentecontando a história da min...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Glimmerglass o encontro de dois mundos

2.410 visualizações

Publicada em

Quando o mundo real é o de magia se cruzam…

Dana Hathaway ainda não sabe, mas vai acabar se metendo em apuros quando decide que é a hora de fugir de casa para encontrar seu misterioso pai na cidade de Avalon: o único lugar na Terra onde o mundo real e o mágico se cruzam. No entanto, assim que Dana põe os pés em Avalon, tudo começa a dar errado, pois ela não é uma adolescente comum – ela é uma faeriewalker, um indivíduo raro que pode viajar entre os dois mundos e a única pessoa que pode levar magia ao mundo humano e tecnologia a cidade de Faerie.

Não demora muito e Dana envolve-se no jogo implacável da política do mundo da magia. Alguém está tentando matá-la, e todos parecem querer alguma coisa dela, desde seus novos amigos e da família até Ethan, o lindo garoto com poderes fantásticos com quem Dana acha que nunca terá uma chance… Até ter uma.

Presa entre esses dois mundos, Dana não sabe bem onde se encaixa ou em quem pode confiar, muito menos se sua vida um dia voltará a ser normal.

Publicada em: Educação, Turismo, Tecnologia
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.410
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
50
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Glimmerglass o encontro de dois mundos

  1. 1. Glimmerglass – O encontro de dois mundos Jenna Black –Universo dos Livros CAPÍTULO 1 Minhas palmas suavam e meu coração estava preso na garganta enquanto o avião aterrissava em Londres. Mal podia acreditar que estava fazendo aquilo, que tive a coragem de fugir de casa. Enxuguei as mãos nos jeans e me perguntei se mamãe já havia descoberto. Ela estava dormindo, curando uma ressaca, quando saí de casa e, por vezes, ela dormia vinte e quatro horas seguidas em situações como aquela. Eu queria ser uma mosca na parede quando ela encontrasse o bilhete que deixei. Talvez ofato de me perder finalmente a sacudisse a ponto de parar de beber. Mas eu não prendia o fôlegoesperando.Não tive problemas para localizar meu pai. Mamãe nunca sonhou em me contar seu nome estandosóbria e ele não constava na minha certidão de nascimento, mas tudo o que precisei foi fazeralgumas perguntas investigatórias quando ela estava embriagada e contente para descobrir que onome dele era Seamus Stuart. Os feéricos, ela confidenciou, não usavam sobrenomes em Faerie,mas aqueles que moravam em Avalon os adotaram, pelo bem da população humana.De modo geral, Avalon era minúscula, com uma população com menos de 10 mil habitantes, porisso, quando chequei a lista telefônica pela Internet, não tive problemas para localizar meu pai; eleera o único Seamus Stuart listado. E quando liguei para perguntar se ele conhecia alguém com onome da minha mãe, ele prontamente admitiu ter tido uma namorada com aquele nome nopassado, e eu logo concluí ter encontrado o cara certo.Antes de a primeira conversa terminar, ele já havia me convidado para visitá-lo em Avalon. Atémesmo me ofereceu uma passagem de primeira classe para Londres. Sem nunca pedir para falarcom minha mãe, nem mesmo perguntar se eu tinha permissão para ir visitá-lo. Fiquei surpresacom isso, a princípio, mas logo concluí que ela esteve certa ao pensar que se ele tivesse sabido demim, teria me levado para Avalon sem pestanejar.Não olhe os dentes do cavalo dado, procurei me lembrar. O avião tocou na pista com um baque.Respirei fundo para me acalmar. Ainda levaria horas para que eu me encontrasse com meu pai.Sendo nativo de Faerie, ele não podia pôr os pés no mundo mortal. (Caso quisesse me raptar,precisaria de cúmplices mortais para ajudá-lo.) A magia singular de Avalon era a de que a cidade
  2. 2. existia tanto em Faerie como no mundo mortal – era o único local em que os dois planos deexistência se sobrepunham. Quando meu pai ficava no limite da cidade e olhava para fora, tudo oque ele via era Faerie e, se ele cruzasse a fronteira, nós do mundo mortal não conseguiríamos maisvê-lo. Ele providenciou para que um amigo mortal me recebesse no aeroporto de Londres e melevasse para Avalon. Só quando eu passasse pela imigração de Avalon, eu poderia me encontrarcom ele.Passei pela imigração e alfândega de Londres meio que entorpecida. Estive excitada e nervosademais para dormir no avião, e isso agora começava a me afetar. Segui a multidão e comecei aperscrutar a vastidão de placas à procura do meu nome. Não encontrei. Olhei de novo,examinando cada placa com cuidado, só para me certificar de que meu nome não tivesse sidoescrito errado e, por isso, eu não o tivesse notado. Mordi o lábio e consultei o relógio, já ajustadopara o horário local. Eram 8h23 da manhã, e da última vez em que conversei com meu pai, elecalculou que, se o avião chegasse no horário, eu seria liberada pela imigração por volta das 8h15. Oamigo dele já deveria ter chegado. Respirei fundo mais algumas vezes, procurando manter acalma. Ele só estava oito minutos atrasado. Não valia a pena entrar em pânico. Encontrei umaconfortável cadeira perto das portas, com meu olhar seguindo todas as direções à procura dealguém que se apressasse pelo terminal. Vi várias pessoas assim, mas nenhuma carregava umaplaca com meu nome.Quando, às 8h45, o meu motorista ainda não havia dado as caras, resolvi que poderia começar asentir um pouquinho de pânico. Abri o celular, resolvendo ligar para o meu pai, só para descobrirque eu não tinha sinal. Com certo atraso, me perguntei se os celulares americanos funcionavam emLondres. Engoli mais uma pontada de nervoso. Papai me enviara um adorável presente pelo nossoencontro, um camafeu branco-rosado, e eu me vi tocando nele ansiosamente. Passei boa parte deminha vida entrando e saindo de aeroportos, e, se o voo fosse longo o bastante, mamãe estarialargada na hora da aterrissagem. Mesmo aos oito anos, eu era capaz de guiá-la pelo aeroporto,encontrar nossa bagagem e conseguir um táxi que nos levasse ao nosso destino. Tudo bem, o lugarmais exótico em que estivemos foi o Canadá, mas caramba, aquilo era a Inglaterra, não a Índia.Tentando me convencer de que não precisava me preocupar, encontrei uma fileira de telefonespúblicos. Já que minha mãe era incapaz de controlar as contas e as compras, eu tinha meu própriocartão de crédito, que logo usei para fazer a ligação à longa distância para Avalon. Deixei otelefone tocar umas dez vezes, mas ninguém respondeu. Desliguei e mordi o lábio.Eu já estava nervosa o bastante, quanto a toda esta aventura. Agora eu estava abandonada noaeroporto de Heathrow e meu pai não atendia ao telefone. Acrescente a isso um caso severo defadiga de voo, e tudo o que eu queria fazer era me enroscar numa cama quentinha e macia edormir. Sufoquei um bocejo. Se eu começasse, não haveria como parar.
  3. 3. Às 9h15 tive de admitir que as chances de o amigo do meu pai aparecer eram ínfimas. Meu pai nãodevia estar atendendo ao telefone porque estava me esperando na fronteira de Avalon, conformeprometido. Tudo bem, só o que eu precisava fazer era pegar um táxi que me levasse até a fronteira.Seria uma viagem de quarenta quilômetros para fora de Londres. Nada demais, certo? Troquei umpouco de dinheiro, depois entrei num daqueles enormes táxis pretos ingleses. Achei estranho ver omotorista do lado errado, e ainda mais esquisito quando ele começou a dirigir do outro lado dapista.O taxista dirigia como um maníaco e falou o tempo inteiro até o Portão Sul de Avalon. Nãodistingui seu sotaque, mas só compreendi um terço do que ele disse. A sorte foi que ele nãopareceu precisar de respostas, aparte um sorriso e um aceno ocasional. Só espero que ele não tenhanotado que me retraí todas as vezes em que ele esteve prestes a atropelar alguém.Como todas as outras pessoas do Universo, vi diversas fotos de Avalon. Havia milhares delas nosguias de turismo dedicados à cidade (eu tinha dois em minha bagagem), e praticamente todos osfilmes de fantasia tinham uma ou duas cenas rodadas em Avalon, já que era o único lugar domundo mortal em que a magia, de fato, funcionava. Porém, ver Avalon pessoalmente me lembroua experiência de ver o Grand Canyon pela primeira vez: nenhuma fotografia no mundo lhe faziajustiça. Avalon se situava numa montanha. Sim, uma montanha de verdade. Aquela coisaapontava para o céu no meio de uma planície verdejante cheia de ovelhas, dando a impressão deque alguém pegara um pedaço dos Alpes e o deixara cair num lugar a que não pertencia.Casas, lojas e prédios comerciais foram construídos em cada metro quadrado dos declives, e umaúnica estrada pavimentada circundava a montanha desde a base até o castelo fincado no topo.Havia outras estradinhas de pedra que partiam dessa principal, mas essa era a única larga obastante para o tráfego de carros.A base da montanha era completamente circundada por um fosso escuro de água espessa, tambémcircundado por uma alta cerca elétrica. Só havia quatro entradas para a cidade, uma para cadaponto cardeal. Meu pai deveria me encontrar noPortão Sul. O motorista me deixou na portaria, uma construção de três andares do tamanho de umquarteirão, e eu senti uma pontada renovada de apreensão quando ele se afastou. A entrada decarros era permitida em Avalon, mas o motorista precisaria ter um visto para poder entrar. Demochila nas costas, arrastei a mala por um labirinto, seguindo as placas para os visitantes. Claroque a fila para os residentes era muito menor. Quando cheguei ao início da fila, praticamentedormia em pé, apesar da ansiedade. Havia um pequeno estacionamento logo depois do ponto deinspeção e, tal qual no aeroporto, vi pessoas paradas com placas. Contudo, enquanto esperava queo guarda da alfândega carimbasse meu passaporte, não vi meu nome em nenhuma delas.
  4. 4. – Um minuto, senhorita – o guarda disse, depois de ter examinado meu passaporte, por, pelo quepareceu, dez anos. Fiquei confusa quando o vi abandonar o posto, levando meu passaporte. Senti agarganta secar quando o vi falar com uma mulher alta e imponente, vestindo um uniforme azul-marinho... e com uma pistola e algemas no cinto. Ela ficou ainda mais seca quando o guardaapontou na minha direção e ela olhou para mim.Óbvio que em seguida ela se aproximou. Vi que o guarda entregara meu passaporte para ela.Aquilo não parecia nada bom.– Por favor, me acompanhe, Srta... – Ela abriu o passaporte para verificar. – Hathaway. – Ela tinhaum sotaque estranho, meio britânico, mas não exatamente. Nesse meio tempo, o guarda acenoupara o próximo da fila. Tive de me aproximar da mulher para não ser atropelada pela família decinco pessoas que me empurrava por trás.– Algum problema? – perguntei; embora tentasse passar tranquilidade, acho que minha voz saiutrêmula. Ela sorriu, apesar de a expressão não atingir os olhos. Ela também esticou a mão para mepuxar pelo braço, guiandome até uma porta que levava para o interior do edifício. Tentei pegar aalça da mala, mas um homem chegou antes de mim, colocando uma tarja laranja fosforescente elevando a para trás da mesa do guarda. Fiquei me perguntando se era o caso de fazer uma cena,mas concluí que isso só pioraria minha situação.– Não tenha medo – a mulher disse, rebocando-me até a porta. Bem, ela não me rebocava de fato. Otoque dela era bem leve, era como se estivesse somente me guiando. Mas tive a nítida impressão deque se eu diminuísse o passo, ela não estaria mais me guiando. – Temos um procedimento padrãode entrevistar determinado número de visitantes. – O sorriso se alargou quando ela passou umcartão pela porta.– Hoje só é seu dia de sorte. Eu estava mais do que cansada e nervosa, e meus olhos começaram aarder com o indício de lágrimas. Mordi o interior da bochecha para contê-las. Se aquilo era apenasuma seleção aleatória, por que o guarda examinou meu passaporte por tanto tempo? E por quemeu pai não me contou sobre essa possibilidade? Eu, por certo, não li nada a respeito nos meusguias de viagem.Fui conduzida a um escritório cinzento estéril que se assemelhava aos restos de um dormitório defaculdade com cheiro estranho como o de lã molhada. A mulher imponente apontou para umacadeira de metal dobrável, em seguida, se acomodou numa poltrona com rodinhas muito maisconfortável do outro lado da escrivaninha. E sorriu de novo.– Meu nome é Grace – ela disse. Fiquei sem saber se era seu nome ou sobrenome. – Soucomandante da patrulha de fronteira e preciso lhe fazer algumas perguntas sobre sua visita aAvalon; depois disso pode seguir seu caminho. Eu engoli antes de responder:
  5. 5. – Está bem. – Como se eu tivesse escolha.Grace se inclinou e pegou um caderno espiralado de uma das gavetas, depois posicionou umacaneta de prata toda gravada. Imagino que os feéricos não sejam fãs das Bics.– Qual o propósito de sua visita a Avalon? – ela perguntou.Puxa, tendo dezesseis anos, não podia ser viagem de negócios, não?– Vim para visitar minha família.Ela escreveu, depois olhou para mim por sobre o topo do caderno.– Não é jovem demais para viajar desacompanhada?Eu me endireitei na cadeira. Sim, eu tinha dezesseis anos, mas não era tão jovem assim. Eu tinhaidade para conciliar as contas do banco, pagar contas, e dirigir pela minha mãe quando ela estavaembriagada demais para ficar atrás do volante.Os olhos de Grace se iluminaram de diversão quando eu me mostrei indignada, por isso procureiabafar minha reação antes de falar.– Era para alguém ter ido até o aeroporto me encontrar – disse, apesar de isso não ser a respostapara a pergunta dela.– Ninguém apareceu, por isso peguei um táxi. Meu pai devia estar me esperando na alfândega.Grace assentiu e escreveu um pouco mais.– Qual o nome do seu pai?– Seamus Stuart.– Endereço?– Hum... Ashley Lane, 25. – Fiquei feliz por ter perguntado o endereço antes de viajar. Nem sabiaque precisaria dele.– Ele estava no estacionamento? Pode pedir para ele vir até aqui se preferir.– Hum, na verdade, nunca o vi, por isso não sei se ele está lá ou não. – Só esperava não estarcorando. Não sei por que eu considerava o fato de nunca ter visto meu pai vergonhoso, mas eraisso que eu sentia.
  6. 6. Ela escreveu mais e, eu me perguntei como ela conseguia escrever tanto. Eu não estava exatamentecontando a história da minha vida. E por que a patrulha de fronteira precisava desse tipo deinformação? Tive de responder a maioria dessas perguntas ao solicitar o visto.– Vou receber minha bagagem de volta? – perguntei, nervosa demais para ficar quieta sóesperando.– Claro, querida – respondeu ela, com mais um daqueles sorrisos falsos.Foi nessa hora que a porta se abriu. O homem que levara minha mala colocou a cabeça para dentroe esperou que Grace o notasse. Ela olhou para ele com uma sobrancelha arqueada.– Foi confirmado – ele disse.Pela primeira vez o sorriso de Grace pareceu genuíno.– O que foi confirmado? – perguntei; o sorriso genuíno,por algum motivo, me enervando mais que o falso.– Ora, querida, a sua identidade. Parece que você é mesmo filha de Seamus Stuart.Meu queixo caiu.– Como confirmaram isso?– Permita que eu me apresente adequadamente – ela disse em vez de responder. – Meu nomecompleto é Grace Stuart.– O sorriso dela se tornou verdadeiramente endiabrado.– Mas pode me chamar tia Grace.

×