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1.
FACULDADE DOM BOSCO
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO Lato Sensu
ESPECIALIZAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO GESTÃO PÚBLICA E
POLÍTICAS SOCIAIS
GESTÃO DOS ESPAÇOS LIVRES: UMA ABORDAGEM PARA
CIDADES UNIVERSITÁRIAS
ROBERTA DE OLIVEIRA PEREIRA
Cascavel - PR
2014
ROBERTA DE OLIVEIRA PERERIA
GESTÃO DOS ESPAÇOS LIVRES: UMA ABORDAGEM PARA
CIDADES UNIVERSITÁRIAS
Monografia apresentada ao Programa de Pós-
Graduação Lato Sensu da Faculdade Dom Bosco,
como requisito parcial para obtenção do título de
Especialista em Administração Gestão Pública e
Políticas Sociais.
Orientador: Prof°. Leandro da Silveira, Msc.
Cascavel - PR
2014
PEREIRA, Roberta de Oliveira. Gestão dos espaços livres: uma abordagem para cidades
universitárias / Roberta de Oliveira Pereira – 2013. 51 páginas.
Orientador: Leandro da Silveira, Msc.
Monografia (Especialização Lato Sensu acadêmica em Administração Gestão Pública e
Políticas Sociais) – Curso de Pós-Graduação em Administração Gestão Pública e Políticas
Sociais – DOM BOSCO- UNIESC, 2014.
ROBERTA DE OLIVEIRA PEREIRA
GESTÃO DOS ESPAÇOS LIVRES: UMA ABORDAGEM PARA
CIDADES UNIVERSITÁRIAS
Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Especialista no
Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Administração Gestão Pública e Políticas Sociais
da Faculdade Dom Bosco.
Cascavel-PR, 20 de setembro de 2014.
__________________________________________
Prof. Dr. Isaías Régis
Coordenador do Curso
BANCA EXAMINADORA
__________________________________________
Prof°. Leandro da Silveira, Msc.
Orientador
__________________________________________
Prof.
___________________________________________
Prof.
“A paisagem urbana é, para além de outras coisas, algo
para ser apreciado, lembrado e contemplado.”
Kevin Lynch
RESUMO
Aborda-se nesta pesquisa, o tema degestão para os espaços livres, delimitado para as cidades universitárias.
Tem-se como objetivo pricipal elencar informações a se considerar para a produção dos espaços livres.
Justifica-se a pesquisa deste tema ao fato de os espaços livres terem relação direta com a qualidade de vida
das pessoas que permanecem bastante tempo do seu dia fora de casa e a abrangêncica populacional
atingida. Para tanto, usou-se de metodologia científica com métodos adequados, sendo utilizado materiais
de meio eletrônicos, como alguns artigos científicos e livros. Por fim, teve-se como resultados mais
expressivos que, além de uma área que pode ser delimitada física e geograficamente entre o volume das
edificações, inclui também os elementos que a compõe e o fator perceptivo da paisagem urbana que
considera fatores do aspecto visual e estético para a organização do espaço e torna-lo agradável. Os hábitos
e o comportamento social determinam os usos dos espaços e utilizam os elementos urbanos, a tecnologia e
o próprio espaço natural para interação. Muitos dos fatores levantados têm características técnicas,
normativas, jurídicas e outros características humanísticas, antropológica e sociais, necessitando de várias
áreas do conhecimento, portanto, havendo necessidade de uma equipe multidisciplinar para produção de
um espaço livre de qualidade.
Palavras-chave: Gestão. Espaços livres. Cidades universitárias.
SUMÁRIO
1.1Apresentação......................................................................................................................1
1.2Justificativa..........................................................................................................................2
1.3Problemática ......................................................................................................................2
1.4Objetivos.............................................................................................................................3
1.5Metodologia........................................................................................................................3
1.5.1Técnicas de Pesquisa:.......................................................................................................3
1.6 Estrutura do artigo.............................................................................................................4
2.1 IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA....................................................................................................6
2.1.1Contextualização Histórica ..............................................................................................6
2.1.2Cidades Universitárias......................................................................................................9
2.1.3Paisagem Urbana............................................................................................................10
2.1.4Espaços Livres.................................................................................................................18
2.1.5Ambiente........................................................................................................................19
1
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como tema os Espaços Livres. Inicia-se com uma apresentação onde
se pode perceber sua importância e a relação direta do assunto com a vida prática e cotidiana
das pessoas de maneira geral. Na sequência, indagou-se sobre uma problemática para os
gestores públicos e traçou-se alguns objetivos.
A partir de então, fez-se uma pesquisa sobre o assunto para ter uma contextualização
histórica e formar uma base teórica. Por conseguinte, formou-se conceitos e especificou-se a
áreas abordada conceitualmente.
Analisou-se usuários desta área e suas necessidades. E, após, fez-se considerações com
teor técnico, normativo, conceitual, experiencial, entre outros, e com base no local e nas
pessoas que irão utiliza-lo para que os gestores públicos possam ter mais embasamento na
criação do espaço livre.
E, para encerrar, fez-se um fechamento do trabalho analisando se a problemática e os
objetivos previamente traçados foram alcançados. Acrescentando ainda sugestão para
desenvolvimento de outras projeções em torno deste tema.
1.1 Apresentação
De modo geral pode-se considerar os espaços públicos urbanos como ambientes que
fazem parte da vida de todos os cidadãos. Seja para usá-los em sua forma efetiva, seja como
ponto de referência e localização nas cidades. O que nos traz essa referência é a forma como
vemos este meio ambiente. Mais especificamente a importância que damos segundo a nossa
percepção, como explica Sternberg (2000, p. 110 apud TORRES, 2009, p. 35) “percepção é o
conjunto de processos pelos quais os indivíduos reconhecem, organizam e entendem as
sensações recebidas pelos estímulos ambientais”.
O ambiente é responsável por fornecer estímulos sensoriais e, de acordo com a
maneira como se apresenta configurado, desperta sensações que vão fazer com que as pessoas
sintam-se bem ou desconfortáveis naquele lugar. Um ambiente desprezado, de aspecto sujo ou
desagradável desestimula o uso. Os ambientes de convívio público (praças e parques) quando
são bem tratados diminuem o medo da violência urbana, afirma Mourthé (1998).
2
Os gestores públicos podem tornar esses ambientes mais agradáveis. Como reforça
Mourthé (1998) dizendo que os projetos das peças de mobiliário urbano passam a diferenciar
e a valorizar o espaço público, definindo padrões de qualidade. Pois, aplicando seus
conhecimentos, os profissionais oferecem espaços sociais de qualidade criados com
funcionalidade para atender as necessidades dos usuários. Como sendo um lugar agradável
que permite despertar o interesse do usuário, ofereça o contato com o meio ambiente, aguce
seus estímulos sensoriais e permita convivência social.
Diante do exposto, prepara-se um estudo sobre a gestão dos espaços públicos com
foco nas cidades universitárias, especificamente a Universidade Federal de Santa Catarina –
UFSC, com base na análise de parâmetros e proporções de conceitos relativos as cidades
municipais. Com o recorte específico para as áreas de espaços livres das cidades
universitárias. Assim, para este artigo, converte-se em proporção, os conceitos e teorias
aplicáveis as grandes metrópoles para as cidades universitárias.
1.2 Justificativa
É de grande importância, pois o espaço público é um lugar de convívio social,
ambiental, de lazer e cultural que pode ser potencializado com uma melhor qualidade do
ambiente.
É um local público, e como tal, pertence a toda população igualmente, independente
de posição econômica ou social. As cidades universitárias são frequentadas tanto por
estudantes, participantes de congressos, quanto pela comunidade do entorno que se favorecem
com os serviços disponíveis (banco, correio, restaurante, hospital, entre outros), candidatos ao
vestibular, professores, funcionários técnico-administrativos e visitantes em geral. Espaço este
que, não sendo bem cuidado, pode tornar-se um lugar propício ao vandalismo e a
marginalidade, segundo Mourthé (1998).
1.3 Problemática
3
Diante das justificativas apresentadas, que considerações deve-se ter ao gerir os espaços livres
em cidades universitárias?
1.4 Objetivos
Como objetivo geral identificar quais considerações são necessárias para gerir os
espaços livres nas cidades universitárias. E, para isso, trabalhamos com a hipótese de obter
considerações para a gestão dos espaços livres nas cidades universitárias.
Com objetivos mais específicos pesquisamos: 1- o que compreende as áreas dos
espaços livres nas cidades universitárias; 2- quais as necessidades das pessoas que utilizam os
espaços livres nas cidades universitárias 3- os pontos a serem considerados para espaços livres
universitário de qualidade.
1.5 Metodologia
Para a escolha e apresentação do tema foi feito uso de materiais de meio eletrônicos,
como alguns artigos científicos, livros, outros trabalhos de conclusão de curso e livros
digitais.
Para o referencial teórico sobre a gestão dos espaços públicos foi feito uso de livros e
artigos eletrônicos das áreas de gestão pública, administração e suas ferramentas
administrativas. E para a área de espaços públicos e seu mobiliário foram utilizados materiais
das áreas da arquitetura, design, geografia e normas técnicas.
1.5.1 Técnicas de Pesquisa:
Quanto ao método utilizou-se dedutivo, pois partiu de conhecimentos universais para a
conclusão de questões mais específicas.
Quanto à investigação utilizou-se qualitativa, pois não se fez uso de instrumental
estatístico (quantitativo) e monográfica, pois parte-se do princípio que o estudo pode ser
representativo de muitos outros.
4
Porém, quanto à finalidade utilizou-se pesquisa aplicada, pois esperar-se que seus
conhecimentos possam ser utilizados na solução de problemas.
O tipo de pesquisa que utilizou-se teórico no que se refere à consulta em matérias
impressos e eletrônicos. Abrange não só a área de Administração e Gestão pública como
também da arquitetura, design e geografia.
Quanto ao nível utilizou-se descritiva visando analisar, observar, registrar aspectos que
envolvam fatos ou fenômenos, sem manipulá-los. Utilizando-se como procedimentos a
pesquisa bibliográfica e documental.
Quanto aos procedimentos: bibliográfica, documental e complementação em fonte
eletrônica em áreas carentes em informação.
Apresenta caráter social: com a intenção de favorecer as relações e interações pessoais
de frequentadores de universidades e seu espaço urbano; histórico: por trazer o surgimento
dos espaços públicos; cultural: a fim de repassar conhecimento sobre a histórica, técnica e os
componentes de um espaço público; e inclusivo: na intenção de abordar aspectos que atendam
o maior número de usuários nesses ambientes, fazendo-se uma gestão com foco no
cliente/usuário.
1.6 Estrutura do artigo
O presente trabalho está dividido em 5 macro partes. Nos quais transcorre em ordem a
apresentação do tema, no capítulo atual. Devidamente justificado, com sua problemática,
objetivos, metodologia e técnicas de pesquisa descritas.
Seguido da contextualização histórica sobre as áreas livres das cidades, definição de
cidades universitárias, paisagem urbana e conceituação de ambiente e espaços livres, no
Capítulo 2.
No Capítulo 3, mostrou-se algumas necessidades das pessoas que utilizam os espaços
livres segundo algumas autores e análises feitas partir de observações.
5
No capítulo seguinte, apresentou-se requisitos, recomendações e considerações para a
produção dos espaços livres a partir de conceitos estudados. Pertinentes tanto para projetos
inicias quanto para manutenção e reforma dos espaços já existentes.
E, por fim, no Capítulo 5, reflexões obtidas com base nos estudos e nos objetivos
traçados.
6
2. ESPAÇOS LIVRES
Neste artigo faz-se uma abordagem sobre os espaços livres das cidades universitárias.
Apresenta argumentações conceituais válidas para um estudo mais abrangente dos espaços
públicos em geral das áreas urbanas. Situa-se no âmbito de planejamento, gestão e
administração tangenciando o urbanismos, arquitetura, geografia, design e engenharias
ambiental relacionando-os com as ciências sociais aplicadas.
Por ser de um tema abrangente, para um melhor entendimento faz-se necessário tomar
conhecimento sobre o ambiente ao qual se pretende apontar as considerações
contextualizando-o com as áreas afins.
2.1 IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA
Há nomenclaturas semelhantes para áreas de abrangência coincidentes por isso faz-se
necessário uma explicação a respeito das nomenclaturas. Para tanto é necessário entender
quais são esses espaços a serem tratados aqui e por motivos didáticos chamar-se-ão espaços
públicos. Porém, de início, faz-se da contextualização histórica do surgimento dos centros
urbanos e, por consequência, dos espaços públicos e seus elementos principais.
2.1.1 Contextualização Histórica
Os espaços públicos urbanos de hoje estão muito ligados as áreas de referência e
localização geográfica das cidades, assim como, de encontro e convivência de indivíduos de
uma mesma região. Para melhor compreensão desta a afirmação precisa-se conhecer como e
porque se deu o surgimento destes locais.
O surgimento dos centros urbanos é um fato histórico, geográfico e social. Segundo
explica Lima (2002), têm seu surgimento após a pré-história, no período neolítico, onde o
7
homem passou a cultivar o solo, a domesticar os animais, a polir a pedra e a fabricar objetos
de cerâmica, deixando a selvageria e ingressando na barbárie.
Apartir de então, aconteceram revoluções bastante importantes, caracterizadas por dois
movimentos sociais e culturais que provocaram mudanças significativas na estruturação das
cidades e nas estruturas das classes sociais:
a) Revolução agrícola: onde os homens de atividades agrícolas começaram a aplicar
processos mais mecanizados e a gerar excedentes favoráveis à troca de produtos;
b) Revolução urbana: advinda de desacordos entre as atividades de pastoreio e agrícola.
Percebe-se o aparecimento de duas atividades distintas: a agricultura e o pastoreio que,
por consequência, geraram uma divisão na estrutura social. Porém, um (pastor) precisava dos
produtos do outro (agricultor) e vice-versa. Surgindo os aglomerados de pessoas para fazer a
permuta destes produtos, novas especializações nessas atividades de trabalho, as primeiras
cidades e os primeiros centros de convivência.
Para Sjoberg (1977, p.36), no capítulo II ‘Origem e Evolução das Cidades’, “as
primeiras cidades apareceram há cerca de 5.500 anos”, mas elas só começaram a crescer
significativamente em meados do século XIX. Seu crescimento está relacionado a três níveis
de evolução de organização humana com características (tecnológicos, econômicos, sociais e
políticos) semelhantes:
a) ‘Sociedade de gente’ pré-urbana e antecede a alfabetização. Eram pequenos grupos
dedicados inteiramente à busca por alimentação. Tiveram um longo período de evolução para
transformarem-se em sociedades organizadas, em vilas e aperfeiçoarem suas técnicas.
b) ‘Sociedade pré-industrial ou feudal’ estocava alimentação proveniente da agricultura e
pecuária. Permitia a especialização do trabalho, estruturas de classes, condicionarem
lideranças e organizarem-se. Utilizavam metalurgia, roda e arado, multiplicavam a produção,
escrita e fontes de energia;
c) ‘Cidade industrial moderna’ havia educação das massas, sistema de classes fluido e
avanço tecnológico, com novas fontes de energia.
A partir do segundo estágio de organização de sociedade as primeiras cidades se
desenvolveram e, no terceiro estágio, aparecem em nível de sociedades pré-industriais.
Além do aprimoramento técnico, outros dois fatores foram necessários para o
aparecimento das cidades:
8
a) A organização social – poder controlar o excedente agrícola decorrente do avanço
tecnológico (colher, armazenar, manufaturar e distribuir) e organizar a mão-de-obra
para a construção civil em larga escala;
b) A região de solo favorável – que além de fértil também deveria forneça água para
suprir o consumo e agricultura.
Então, para termos de definição o que é uma cidade? Segundo Sjoberg (1977, p. 38)
“É uma comunidade de dimensões e densidade populacional considerável, abrangendo uma
variedade de especialistas não-agrícolas, nela incluída a elite culta.” A elite culta é que
diferencia as comunidades urbanas das não urbanas, pois com ela criam-se sistemas
administrativos e legais mais complexos.
As primeiras cidades tinham como características a forma de organização social
dominante a teocracia (apenas o líder acumulava as funções de rei e chefe espiritual), a elite e
seus dependentes moravam no centro da cidade (área de maior prestígio, de centros religiosos
e governamentais, facilitando a comunicação entre eles e se protegendo de ataques). A uma
distância maior ficava as lojas e residências dos artesões (pedreiros, carpinteiros, joalheiros,
ceramistas) que serviam à elite. E os mais pobres viviam nos arrabaldes das cidades
(trabalhadores agrícolas).
O fato de um grande número de especialistas encontrarem-se reunidos nas cidades
incentivava a inovação técnica, de ideias, religiosa, filosófico, científica, e as invenções para o
próprio desenvolvimento e crescimento das cidades.
Como ressalta Sjoberg (1977, p. 44) “só é possível interpretar corretamente o curso da
evolução urbana comparando-a a evolução tecnológica e à evolução da organização social.
Não são pré-requisitos da vida urbana, porém são bases do seu desenvolvimento”.
O quarto nível de evolução de organização humana adveio da Revolução Industrial.
Ocasionou transformações na geografia social da cidade que passou a ter aperfeiçoamento da
educação e comunicação em massa, mais uma estratificação chamada de especialista e parte
da elite afastada do centro para os subúrbios.
As primeiras cidades industriais surgiram na Inglaterra pela sua estrutura social não
ser tão rígida. O que permitia aos sábios uma comunicação mais facilitada com os artesãos.
O industrialismo trouxe melhorias nas técnicas agrícolas, conservação dos alimentos,
nos transportes e comunicação, suprimento de água e esgoto. Todos esses fatores favoreceram
a concentração da população em locais atribuídos como centro das cidades, por se tratar de
área de comércio (dos excedentes agrícolas manufaturados), lazer e conveniências.
9
Cauduro (1981) resume sucintamente a função dos centros das cidades, as suas
diferentes épocas, dizendo que a cidade grega era como um ponto de encontro, núcleos
comunitários, ponto de convergência e como um complemento da vida rural; a cidade
medieval era subordinada ao campo; e a cidade após a Revolução Industrial é a cidade do
poder econômico e político.
Surgindo, assim, pontos de aglomerações de pessoas, os chamados centros de
convivência urbana.
2.1.2 Cidades Universitárias
Assim como Sjoberg (1977) define uma cidade pode-se fazer uma analogia para com
as cidades universitárias, ou como diz Souza (2008) uma abstração, buscando coisas em
comum ou regularidade entre coisas diferente, uma vez que até o momento não se encontrou
uma definição específica nas bibliografias pesquisadas a fim de aproximar os conceitos do
foco do estudo.
Percebe-se semelhanças entre uma cidade e as cidades universitárias quando Sjoberg
(1977) afirma que para existir uma cidade precisa-se ter uma comunidade de densidade
populacional considerável, variedade de especialistas e uma elite culta. Pois, as cidades
universitárias têm circulando diariamente uma grande quantidade de alunos, professores,
funcionários, visitantes, participantes de congressos e conferências e comunidade dos bairros
vizinhos que utilizam seus serviços. Além dos cursos oferecidos em diversas áreas formando
especialistas e uma elite culta que contribuem com suas pesquisas, inovação técnica e
científica para o engrandecimento do país.
Para tanto, utilizou-se alguns textos do meio eletrônico, (FREITAS, 2009;
SAAVEDRA, 2009) para auxiliar a descrever um conceito para as cidades universitárias, ou
como também são conhecidos, grupos universitários, campi e campus, como termos utilizados
para denominar o espaço físico das instalações de uma instituição de ensino superior
(faculdade, universidade, centro universitário, centro tecnológico).
Caracterizam-se na forma de um grande complexo acadêmico com estrutura própria e
autônoma. Formada por unidades administrativas (reitoria, pró-reitorias, prefeitura, escritório
técnico), unidades de ensino, pesquisa e extensão, laboratórios, hospital, complexo
desportivo, estacionamentos, parques, praças, ruas, casa de estudantes, colégio, museu, entre
outros em um mesmo local.
10
Apresenta-se em um espaço arquitetônico e urbanístico com características próprias
onde cada centro acadêmico pode-se considerar um bairro. E que toda cidade universitária
como um grande bairro que faz parte do município. Porém, tem gestão federal e mantém-se
como uma cidade aberta e integrada à sociedade. Estruturada com centros de conveniência
aos alunos, funcionários e comunidade dos bairros vizinhos, bancos, copiadora, atendimento a
saúde, restaurantes, lazer, cultura, atividade física e suporte de transporte público e particular.
Pode possuir, além da sede principal, outras unidades de apoio, com tamanho reduzido
localizadas em áreas de acordo com as conveniências de serviços, comodidade e interesses do
curso oferecido. E com o avanço da tecnologia acrescentam-se ainda as unidades de ensino a
distância (EAD) com as aulas virtuais.
2.1.3 Paisagem Urbana
Dentro das cidades sejam elas municipais ou universitárias, a paisagem urbana é de
suma importância para o estudo dos espaços livres. É nelas e com elas que trabalhamos. Junto
com a teoria de surgimento das cidades, as paisagens urbanas apresentam algo que as
caracterizam, definida por Silva (1995 apud LIMA, 2002, p. 6).
a roupagem com que as cidades se apresentam a seus habitantes e visitantes. Revela-
se nos elementos formais da cidade, espalhando-se nas superfícies constituídas das
edificações e dos logradouros da cidade. Seus componentes fundamentais se
exteriorizam no traçado urbano, nas áreas verdes e outras formas de arvoredos, nas
fachadas arquitetônicas e no mobiliário urbano com suas várias espécies.
E, o mesmo autor, Silva (1995 apud LIMA, 2002), explica cada um dos componentes:
a) O traçado urbano como sendo o desenho geral da cidade, resultante da disposição de
vias públicas e dos logradouros no plano geral da cidade. É composto de elementos como
pontes e viadutos;
b) As áreas verdes que dão o colorido e a plasticidade ao ambiente urbano na arborização
de vias públicas e configuração estética de praças;
c) As fachadas arquitetônicas;
d) O mobiliário urbano como os elementos complementares, ditos de escala ‘micro
arquitetônica’, que integram o espaço urbano. São monumentos, anúncios, elementos de
infraestrutura, entre tantos outros.
Na visão de Carlos (1994) a análise e a definição espacial dos locais urbanos cabem a
geografia que deve determinar os espaços para as relações sociais. Como palco da atividade
11
do homem organizado em função das necessidades dos grupos humanos. Esse local urbano é
o produto, a condição e o meio onde acontecem todas as atividades.
A necessidade de convivência em sociedade com relações sociais é uma consequência
da evolução da raça humana. E a satisfação dessas necessidades coloca o homem como
condição do processo histórico. Na medida em que a sociedade produz, transforma e reproduz
sua existência no meio social deixa características específicas no processo histórico.
Carlos (1994) fala da análise no espaço urbano a partir dos elementos que a compõem.
Explica que isso acontece em dois momentos: um quando se decompõe a paisagem de forma
geográfica e outro quando se recompõe a partir de seus elementos da paisagem. Elementos
que dizem respeito ao ‘espaço construído’ (objetos e edificações de usos diferentes e
contrastantes de habitar, trabalhar e laser) e ao movimento da vida (o ir e vir cotidiano das
pessoas com atividades sociais que aparecem na relação com as coisas através de uma série
elementos, coisificação). Compreendido em sua manifestação formal, paisagem e vida
cotidiana que é mostrada através dela.
Lynch (1997), assim como Carlos (1994), também trata a paisagem da cidade a partir
de seus elementos. Considera que os aspectos mais importantes de uma paisagem são os
relatados pelos habitantes e usuários da localidade, sendo ressaltados os elementos físicos
mais imperceptíveis. O que pode ser de grande valia para os gestores no sentido de servir de
orientação na busca dos novos elementos, e descobrir a importância do espaço para reforçar o
seu significado, utilização e conservação.
Lynch (1997) divide em cinco categorias com relação à forma física dos elementos da
cidade. A primeira categoria é das vias (ruas, passeios, caminhos) que para muitas pessoas são
os elementos mais importantes, pois à medida que se deslocam por elas organizam-se e
orientam-se através dos elementos que nela estão dispostos relacionando-se.
A segunda são os limites. Referências secundárias de ordens geográficas (costas
marítimas, montanhas, córregos, rios). Tem a água como elemento de maior predominância,
porém as ruas também podem servir como limitantes de regiões.
A terceira são os bairros. Regiões urbanas com características identificáveis
semelhantes. São áreas citadinas penetráveis mentalmente, ou seja, que as pessoas podem se
imaginar transitando por ela. Apresenta características físicas de continuidades temáticas
como componentes, textura, espaço, forma, detalhe, símbolo, tipo de edifício, costumes,
atividades, habitantes, estados de conservação, topografia, entre tantas outras.
12
A quarta categoria são os cruzamentos. Locais estratégicos por constituírem-se de
pontos de muita atenção. São locais de tomada de decisões e exigem maior atenção, portanto
de grande importância perceptual. Estão relacionados a primeira e terceira categorias.
A quinta e última categoria refere-se aos pontos (ou elementos) marcantes.
Representam os objetos físicos (edificações, mobiliário) variáveis em tamanho. Funcionam
como indicadores de identidade, estrutura e orientação do caminho. Apresentam importância
funcional e/ou simbólica bastante relevante. No caso dos objetos terem uma forma clara
torna-se mais fáceis de identificar, ainda mais se contrastarem com o fundo da paisagem ou
estiverem em local destacado. Segundo Lynch (1997) a forma física destes elementos
(edificações e mobiliários) são de uma grande importância na composição da paisagem, pois
podem ser agradáveis visualmente ou extremamente irritantes.
Por terem tal peso na composição da paisagem urbana, os pontos marcantes merecem
certo destaque e consideração. Assim como os espaços públicos tiveram papéis diferentes ao
longo da história com suas funções utilitárias e simbólicas os mobiliários e equipamentos
também as tiveram. Alguns destes equipamentos sairão de uso, outros perderam a sua
primeira função, outros foram se transformando e poucos são os que apresentam a sua função
inicial.
Os primeiros elementos e artefatos surgiram com os primeiros aglomerados
populacionais nos espaços públicos da Mesopotâmia, afirma Carmona (1985 apud SEABRA
ÁGUAS, 2009). Contudo antes delas
houve a pequena povoação, o santuário e a aldeia; antes da aldeia, o acampamento, o
esconderijo, a caverna, o montão de pedra; e antes de tudo isso, houve certa
predisposição para a vida social que o homem compartilha, evidentemente, com
diversas outras espécies animais (MUMFORD, 1965, p. 13 apud ARAÚJO, 2008, p.
5).
Locais de concentração da população agrícola que foram crescendo e se
desenvolvendo. Fazendo surgir novas atividades nestes espaços evocando o surgimento e
instalação de equipamentos como poços escavados para retirada de água, posteriormente os
romanos construíram aquedutos (o primeiro deles o Aqua Appi), fontes, chafarizes,
barracas para comércio dos produtos manufaturados excedentes, marcos que serviam para
fazer a divisão das áreas. A necessidade de alimentar e prender os animais exigia
equipamentos de uso coletivo como postes para amarrá-los, segundo Carmona (1985 apud
SEABRA ÁGUAS, 2009).
13
Os sanitários públicos da Antiga Roma são exemplos de mobiliários urbanos que, de
acordo com Jovés, (2007 apud ARAÚJO, 2008), pode ser considerado um dos primeiros
elementos classificados propriamente como mobiliário urbano. Outros equipamentos ligados a
água tiram importância como: termas de banho público, poços, fontes, bebedouros e das
primeiras latrinas públicas, respondendo às exigências de higiene e conforto individual.
Sendo as fontes o maior legado da antiga Roma para a cidade moderna, segundo Mumford
(1965 apud ARAÚJO, 2008). Atualmente muitos destes equipamentos históricos passaram a
ser de função simbólica convertidos em obras de arte pública, Remesar (2004 apud
ARAÚJO, 2008).
Apareciam também os bancos, porém, no geral, estavam interligados às edificações.
Assim como também a iluminação pública, apesar de serem elementos muito rudimentares,
Remesar (2004 apud ARAÚJO, 2008).
Sitte e Andrade (1992), afirmam que na Idade Média havia também as forcas,
guilhotinas e os primeiros pelourinhos, (figura 1), Sortelha em Portugal.
Figura 1 – Pelourinho de Sortelha, em Portugal.
Fonte: ARAÚJO, Roberto Gonçalves. O mobiliário urbano ao longo dos tempos. In: COLÓQUIO SOBRE
HISTÓRIA e HISTORIOGRAFIA DA ARQUITETURA BRASILEIRA, 1, 2008, Brasília, DF. Anais...
No final da idade média surge uma maior generalização da iluminação, que obrigava
os habitantes a manterem uma vela na janela de suas residências como forma de iluminação
pública.
Em época seguinte, surgem placas nas ruas, numerosas bancas e pequenas lojas nos
espaços públicos. Os marcos se expandem continuamente numa tentativa de controlar a
crescentes circulação de veículos. Dá-se a introdução de vias destinadas a pessoas (passeios) e
a veículos (estradas), segundo Remesar (2004 apud ARAÚJO, 2008), que implica na
progressiva pavimentação dos espaços.
14
Os elementos que continuaram evoluindo na tentativa de uma estruturação foram os de
iluminação pública. Os novos elementos eram constituídos por uma as lanternas de vidro
com vela dentro, geralmente localizadas nas janelas dos proprietários detinham a
responsabilidade sobre elas. Mais tarde, no século XVIII, passou-se a iluminação a azeite
para substituir as velas. Estes, foram denominados os primeiros candeeiros, eram constituídos
por lanternas suspensas nas extremidades de uma haste de ferro, ou tinha um sistema de
roldanas para fazer subir e descer para manutenção.
Figura 2 – Postes de iluminação.
Fonte: ARAÚJO, Roberto Gonçalves. O mobiliário urbano ao longo dos tempos. In: COLÓQUIO SOBRE
HISTÓRIA e HISTORIOGRAFIA DA ARQUITETURA BRASILEIRA, 1, 2008, Brasília, DF. Anais...
A partir do século XIX com o surgimento do sistema de iluminação a gás que
modernizou a cidades, ornamentados com motivos vegetais e coroados por um capitel (figura
2). O século XX é sinônimo de consolidação da iluminação elétrica e assume caráter
definitivo do serviço público ao cidadão e a fazer parte da paisagem das cidades.
No Brasil, a partir de 1808, com a chegada da corte portuguesa, foram feitas
importantes intervenções na cidade do Rio de Janeiro com implantação de serviços públicos.
Os investimentos públicos equiparam a cidade com novas fontes e chafarizes, pontes e
calçadas, além de iluminação pública feita com óleo de peixe, afirma Araújo (2008).
Mais tarde, com as descobertas científicas a Grã-Bretanha começou a utilização do
carvão de pedra, no lugar do carvão vegetal com o propósito de redução do minério de ferro,
despontando na siderurgia. A descoberta possibilitou o uso do ferro fundido em larga escala
na construção civil, estradas de ferro, peças construtivas e ornamentais muito usadas no
século XIX. No mobiliário o urbano utilizou-se em postes, torres de relógios, bebedouros,
coretos, bancos de praça e grades.
15
No Brasil, com a prosperidade econômica por conta do café e da borracha, percebe-se
que houve necessidade de seguir os modelos de estética urbana europeia. Pois foram
importados vários elementos para os espaços urbanos brasileiros, tais como pequeno porta-
cartaz, quiosques de jornal, bebedouros, fontes, relógios, postes de iluminação, equipamentos
sanitários, conforme Costa (2001, apud ARAÚJO, 2008).
Os elementos de mobiliário urbano moderno surgem verdadeiramente no século XX
quando é alcançada sua racionalização. Época em que se da maior importância à estética e a
qualidade de vida dos usuários e que o termo mobiliário urbano refere-se ao sentido atual.
Neste período, alguns elementos são abandonados ou substituídos por outros conceitos. Como
os marcos que perdem o sentido com o surgimento dos passeios em elevação e as fontes que
perdem a utilidade com a chegada da água canalizada as casas, assumindo caráter de arte
urbana. As placas com o nome das ruas e os números das casas vão sendo utilizados de
forma mais racional.
Surgem os bancos. A iluminação do espaço público continua se destacando de
evolução e apresenta seu ápice com o surgimento da pavimentação das ruas, como afirma
Carmona (1985 apud SEABRA ÁGUAS, 2009). As colunas (figura 3) passaram a ser um
equipamento desenvolvido para a fixação de cartazes no espaço público: função publicitária; a
função social, evitando a colocação desordenada de anúncios; e a função financeira, uma vez
que a empresa interessada no uso da coluna pagava ao município por exclusividade da
concessão beneficiando economicamente o poder público, como explica Araújo (2008). Era
uma seção cilíndrica onde se colocavam os anúncios de concertos e peças de teatro, como um
espaço publicitário, na intenção de organizar.
Com a expansão das cidades os administradores públicos tiveram que encontrar novos
meios de solucionar problemas relativos à circulação, saneamento básico, melhoria do
ambiente urbano e estética da cidade.
16
Figura 3 – Coluna anunciadora.
Fonte: ARAÚJO, Roberto Gonçalves. O mobiliário urbano ao longo dos tempos. In: COLÓQUIO SOBRE
HISTÓRIA e HISTORIOGRAFIA DA ARQUITETURA BRASILEIRA, 1, 2008, Brasília, DF. Anais...
A transformação dos antigos aglomerados urbanos de ruas estreitas, mal
pavimentadas, insalubres em cidades modernas e sistematicamente ordenadas propiciou o
local ideal para desenvolvimento dos espaços urbanos como os conhecemos hoje. Surgiram os
quiosques de flores e revistas. Porém, o fenômeno que motivou o desenvolvimento de novos
equipamentos foi a disseminação do transporte público que fez surgirem as paradas de
ônibus. Antes representadas simplesmente por um poste e uma placa e posteriormente veio a
constituir-se de fato por abrigos para os passageiros.
A segunda parte do século XX indica a última grande transformação do mobiliário
urbano na atualidade. Marcada notadamente pelo desenvolvimento de novos métodos
produtivos, novas tecnologias, novos materiais; por novas tecnologias de transporte e de
comunicação que propiciaram a criação de artefatos específicos (abrigo para os passageiros,
cabines telefônicas, elementos de sinalização, armário técnico, protetor de pedestres); e,
principalmente, por transformações das necessidades sociais humanas que geram novas
necessidades para com o espaço público.
Até o momento haviam muitos e variados conceitos para definir mobiliário urbano e
tratou-se de forma generalizada englobando e fazendo referência a qualquer conjunto de
produto/objeto locados em espaços públicos e de funções urbanas. Como na definição de
Ferrari (2004, p. 240) no ‘Dicionário de Urbanismo’: “conjunto de elementos materiais
localizados em logradouros públicos ou em locais visíveis desses logradouros e que
complementam as funções urbanas de habitar, trabalhar, recrear e circular [...]”.
17
Portanto, para fins mais didáticos de conceituação buscou-se amparo na Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) com as Normas Brasileiras (NBR) 9.283 e 9.284 que
diferenciam, definem e classificam, em categoria e subcategoria segundo sua função
predominante em termos específicos, respectivamente, mobiliários urbanos e equipamentos
urbanos.
A NBR 9.283:1986 – ‘Mobiliário urbano’ tem por definição: “todos os objetos,
elementos e pequenas construções integrantes da paisagem urbana, de natureza utilitária ou
não, implantada mediante autorização do poder público, em espaços públicos e privados.”
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1986a, p. 1).
E a NBR 9.284:1986 – ‘Equipamento urbano’ tem por definição: “todos os bens
públicos e privados, de utilização pública, destinados à prestação de serviços necessários ao
funcionamento da cidade, implantados mediante autorização do poder público, em espaços
públicos e privados.” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1986b, p.
1).
Onde cada qual especifica em categorias e sub-categorias uma vasta listagem de
produtos/objetos/ambientes a que pertencem, sendo alguns item comuns as duas normas. E,
para contexto deste documento, destaca-se a categoria ‘4.3 Esporte e Lazer’ que inclui parque
e praças e a categoria ‘Educação’ que inclui faculdades e universidades da NBR 9.284 –
‘Equipamento Urbano’. Da NBR 9.283 – ‘Mobiliário Urbano’ destaca-se a categoria ‘4.9
Ornamentação da Paisagem e Ambientação Urbana’ que contém bancos e assentos.
Há também a NBR 9.050:2004 – ‘Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e
equipamentos urbanos’ que tem as diretrizes para novos projetos e adequação dos espaços
existentes de forma acessível a portadores de necessidades especiais (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).
No entanto, para Creus (1998 apud SERRA, 2002) ‘Elementos Urbanos: Mobiliários e
microarquitetura’, e no livro de Mourthé (1998) ‘Mobiliário Urbano’, o termo mobiliário
urbano não é muito correto por gerar ambiguidade com mobiliar ou decorar a cidade no seu
sentido mais superficial e estético fazendo uma relação no sentido mais antigo da história das
cidades no qual se fazia alusão à decoração da cidade. Sugere o termo ‘Elementos Urbanos’, o
qual será utilizado apartir de agora neste documento e por abranger tanto os mobiliários
quanto os equipamentos urbanos que serão geridos. Além de o termo atual enfocar a
colocação dos elementos urbanos nos espaços livres das paisagens urbanas segundo sua
funcionalidade, característica importante a ser considerada, pois segundo Mourthé (1998),
contribui para que os usuários utilizem e preservem o ambiente.
18
2.1.4 Espaços Livres
Agora como já se conhece os elementos que compõem os espaços livres pode-se
entender melhor sua definição. Segundo Magnoli (1983), espaço livre é todo espaço não
ocupado por um volume edificado ao redor das edificações a que as pessoas têm acesso.
Conforme Carneiro e Mesquita (2000, p. 27) apresentam função de convívio social,
elemento organizador da circulação se inseridos na malha urbana, função de respiradouros, de
propiciadores do encontro social e atividades lúdicas temporárias. Citam ainda que estes
espaços são consolidados apartir das necessidades surgidas durante o processo inicial de
ocupação do local.
Robba e Macedo (2002, p. 17) explicam que os espaços livres públicos urbanos são
destinados ao lazer e ao convívio da população, além de serem acessíveis aos cidadãos e
livres de veículos.
A qualidade nos espaços urbanos em geral está vinculada a sua utilização pelo público
e alguns aspectos devem ser seguidos, como sugere Macedo (1995):
• Adequação funcional – formas e dimensões adequadas às atividades.
• Adequação ambiental – salubridade, ventilação, insolação, sombreamento (a
qualidade da água) e ainda permeabilidade do solo, estabilidade, rugosidade dos
pisos.
• Adequação estética – que variam de acordo com as expectativas sociais.
Os espaços livres também podem ser definidos morfologicamente pelos planos
horizontais e verticais, seus elementos são os naturais, tais como as encostas dos morros, os
arvoredos e os arbustos. O plano horizontal é delimitado principalmente pelo piso, com
diferentes tipos de pavimentos, grama, areia, cimento, asfalto e por expressivas superfícies de
água.
São exemplos de espaços livres: as ruas, praças, largos, pátios, quintais, parques,
jardins, baldios, corredores externos, vilas e vielas.
Outros termos também são utilizados para definirem áreas específicas que fazem parte
do espaço livre. Os mais utilizados são:
1. Espaços verdes são áreas urbanas ocupadas por qualquer tipo de vegetação e que
tenham um valor social: bosques, campos, matas, jardins, alguns tipos de praças e parques. O
valor social pode estar associado a utilidades, tais como a produção de alimentos, ou pelo
19
interesse para a conservação de ecossistemas, pelo valor cultural, estético e de lazer. Áreas
Verdes designam toda e qualquer área onde por qualquer motivo exista vegetação. Entretanto,
não é vista somente do aspecto valor social anteriormente mencionado, mas pode ser também
um remanescente como um baldio (que não existirá mais) ou como uma rótula ou ilha do
sistema viário, que raramente são utilizados.
2. Áreas de Lazer são espaços livres de edificação, destinados prioritariamente ao lazer,
sejam eles ativos (devido às possibilidades de jogos de atividades) ou de contemplação
(devido à tranquilidade ou aos aspectos cênicos). Devido à carência de espaços destinados
para este fim, é comum que as atividades de lazer aconteçam nas ruas e calçadas.
3. Áreas de Circulação são a maioria dos espaços livres de propriedade pública, como é o
caso do sistema viário, praças, parques, largos e passeios, que se constituem em um sistema
de espaços públicos. Os interiores dos condomínios e vilas podem ser considerados espaços
livres privados, o que inclui a circulação. Segundo o conceito ambiental, o sistema de espaços
livres pode ser organizado a partir dos ecossistemas existentes, em especial as linhas de
drenagens das bacias hidrográficas.
2.1.5 Ambiente
“A forma física de uma cidade tem um impacto sensorial que condiciona
profundamente a vida de seus habitantes, e esse fato é frequentemente ignorado na
tarefa da construção urbana.” Kingsley Davis
Das questões apresentadas anteriormente esta é que mais se aproxima da área de
arquitetura e urbanismo. Pois, trata-se do local, espaço ou ambiente que será gerido através
dos seus elementos. E a preocupação com o espaço deve ser ainda maior por se tratar de um
local onde ocorrem sensações e percepções de conforto, segurança, bem-estar aos usuários.
Estes espaços livres, seja das cidades universitárias ou não, pertencem a um bairro e, por sua
vez, a uma cidade, que se apresenta em um contexto urbanístico em que o projeto dos novos
elementos deve-se integrar e os existentes devem ser conservados e mantidos.
Há muitos aspectos visuais e estéticos de características importantes para os espaços
livres. Como a legibilidade (ou clareza), explicada por Lynch (1997), Cauduro (1981), Davis
et al (1977) e Mourthé (1998) refere-se à característica do lugar em oferecer evidência visual
com relação aos pontos focais de referência que auxiliem o deslocamento e orientação dos
indivíduos. Assim como a facilidade de apresentar as partes reconhecíveis e relacionáveis
20
com o usuário, ou seja, é preciso que ele localize estes pontos de referência em um lugar,
saiba utilizar, compreende-lo e orientar-se apartir destes elementos. Estruturar e identificar o
meio ambiente são questões de sobrevivência na orientação para o deslocamento dos
indivíduos. Boa legibilidade ou clareza dão sentido importante de segurança emocional
(inverso de perdido) ao indivíduo.
São muitos os tipos de orientações utilizados fornecido pelo meio ambiente. Como,
por exemplo, podemos citar as orientações sensoriais (a sensação visual da cor, da forma, do
movimento, da luz, assim como o cheiro, o ruído, barulho ou som dos pássaros, o tato, a
cinestesia).
Outra característica de qualidade é a identidade do local. Representa o conjunto de
atributos peculiares de um determinado lugar reconhecíveis por seus objetos, os quais se
distinguem de elementos de outros locais pela sua individualidade e particularidade. Mantém
uma relação espacial destes com o observador com significado prático ou emocional. Estes
aspectos dão uma unidade ao lugar, conferindo-lhe uma coerência formal. Uma vez que,
estes elementos são repetidos acabam criando uma linguagem de identidade nos espaços
públicos.
Davis et al (1977) apresentam ainda quatro pontos que se deve evitar ao se projetar os
espaços urbanos. O primeiro deles é preocupar-se com a carga de tensão perceptiva, onde as
sensações devem estar num limite de conforto ou tolerância. A segunda e a terceira são, as já
mencionadas, falta de identidade e ilegibilidade. E, por fim, a quarta é a rigidez, que é a
capacidade que o meio ambiente tem de permitir que o indivíduo possa interagir naquele
espaço. Seja usando-o, transformando-o ou organizando-o de forma que possa ser acessível,
estimulante e sensível de forma individual ou que auxilie em ações coletivas favorecendo a
satisfação de relações interpessoais. Uma vez que a imagem visual desse ambiente é formada
diferentemente por cada pessoa dependendo de acontecimentos, recordações e experiências
passadas, segundo Lynch (1997).
Estas características são apontadas para garantir a qualidade em qualquer espaço
público, segundo os autores já citados. Porém, cada lugar pertence a um contexto único com
características que evidencia o seu caráter singular e específico. Assim, temos uma
diversidade de ambientes públicos onde cada um tem sua importância simbólica atuando na
vida e nas lembranças dos usuários como cenários do seu comportamento particular.
21
Estes ambientes públicos, especialmente nas cidades universitárias, desempenham um
papel social importantíssimo. Pois, fornecem a matéria-prima para os símbolos e as memórias
coletivas de interação em grupo e ao mesmo tempo são locais de mitos socialmente
importantes na vida dos universitários. São locais onde os elementos móveis, pessoas e
atividades, são tão importantes como as suas partes físicas e imóveis, como destaca Lynch
(1997).
As ruas, passeios e vias por se tratarem de traçados de deslocamento (especialmente
nas cidades universitárias onde há grande circulação de pedestres) constituem meios
significativos de organização e interligação de elementos de mobiliário urbano. Apresentam
qualidades particulares de concentração de hábitos, atividades ao longo de suas margens e
grande circulação.
Funcionam como um esqueleto estrutural da cidade universitária. Servem também
como limites, já citado por Lynch (1997), separando de centros acadêmicos como se fossem
bairros. Uma área de caráter homogêneo, reconhecida por indicações que são contínuas dentro
de uma mesma área. Com características espaciais homogêneas como requisito da identidade.
Outro elemento direcionador e orientador de ponto de referência, citado por Lynch
(1997), são as superfícies. Podem estar caracterizadas por determinado tipo de pavimento,
textura, transparência ou uma cor codificada. Durante a caminhada a mudança do tipo de
pavimento representa bem essa característica: caminha-se por uma calçada de cimento, depois
atravessa-se a rua de asfalto ou de lajotas, retorna-se pelo passeio de cimento e ainda pode-se
passar por um caminho de grama ou areia.
22
3. NECESSIDADES DOS USUÁRIOS
Segundo Cauduro (1981), cada vez mais se torna necessário fazer uma análise cultural
e histórica dos locais e dos habitantes ao se projetar algo. Principalmente o estudo dos hábitos
e costumes de uma determinada região, pois, ao se projetar para o meio ambiente, estará se
projetando também para uma comunidade inteira e este terá o resultado mais positivo quanto
maior for o seu conhecimento sobre os valores, comportamentos e necessidades humanas.
Uma vez que são as pessoas que detêm os hábitos dos espaços livres urbanos que os
elementos devem atender, como reforça Mourthé (1998). Quem vive na região da sua cultura
local aprecia com sentimento e sem julgamento os espaços urbanos, utilizando-o com prazer e
as sensações que lhe possam transmitir. Diante disto, pode-se envolver profissionais
qualificados especificamente para auxiliar nesta análise do conhecimento e comportamento
humano, como por exemplo, antropólogos e sociólogos.
Mourthé (1998) explica também que o ato de criar / manter um espaço em função da
análise dos hábitos e comportamentos fica mais claro com a prática, pois a experiência auxilia
o aperfeiçoamento da estética e do conhecimento da cultura daquela região.
Os elementos urbanos, mais especificamente os mobiliários e equipamentos, possuem
um papel interativo entre o espaço público e os usuários que influenciam e são influenciados
pelos comportamentos sociais e expressões culturais. São produtos funcionais e de serviços
que, justamente, por servirem para algo e para alguém se conserva, se preserva, é o que
explica Mourthé (1998), as conveniências ajudam a diminuir o vandalismo, pois as pessoas
tendem a preservar mais as coisas que precisam.
Cauduro (1981) diz que juntamente com as novas tecnologias surgem novos hábitos,
novas funções urbanas e novas condições de vida. Muitas necessidades dos indivíduos que
passam boa parte do dia nas ruas precisam ser atendidas através de um sistema coordenado de
elementos urbanos com índices satisfatórios de conforto, conveniência aos usuários
combinados com uma estética agradável.
Direcionando o foco para as cidades universitárias, percebe-se que em função do
transito cada vez mais difícil de circular pela cidade, tarifas altas do transporte público e uma
23
grade de horários ampla dos trabalhadores e irregular dos alunos são alguns dos motivos que
fazem as pessoas permanecerem boa parte do dia fora de casa. Dividindo o tempo entre
trabalho, estudo, estágio, aula, momentos ociosos e de lazer. Cada vez mais a rua deixa de ser
um local de passar para um local de estar, havendo a necessidade de um lugar que os acolha.
Os espaços livres são locais propícios para receber as pessoas entre uma atividade e
outra, independente do tempo entre elas. Observou-se algumas atividades desenvolvidas pelas
pessoas da Universidade Federal de Santa Catarina e percebeu-se que estes locais atuam
diretamente na qualidade de vida se permitir alguns fatores, caso contrário serão tratados com
desprezo, vandalismo e tornar-se-á uma zona de conflitos.
Observou-se que as pessoas precisam de algum local que permitia interações sociais.
Um espaço que proporcione o encontro e seja fácil de localizar. Onde possam permanecer por
um determinado tempo para o convívio social e contemplativo. Exige alguma estrutura que os
permita estar, permanecer, ficar mesmo que não seja para nenhuma atividade específica,
apenas contemplativa.
Cultural. Por ser um espaço aberto e frequentado por pessoas de várias áreas do
conhecimento há expressões culturais dos mais variados tipos. Encontra-se música,
apresentações artísticas, culturais, circense, teatrais, exposições, instalações, intervenções,
assim como, palco para manifestações sociais, protestos e reivindicações.
Circulação. Caminhos que permitam transitar de uma edificação a outra ou de uma
área livre a outra de forma tranquila, sem obstáculos, em caminhos sinalizados, orientados,
contemplativos, acessíveis, com segurança e bem iluminados. Pode-se pensar em calçadas
para os pedestres, ciclovias ou ciclo faixa (corredores de circulação) para as bicicletas, patins
e afins e as vias para os veículos automotores.
Conveniências. Usar o espaço da rua é revitalizar o ambiente, fomentar a região e, por
mais contraditório que possa parecer, também é preservar. Permanecer muito tempo fora de
casa acarreta em algumas necessidades que a prestação de serviços pode suprir. Há
necessidades básicas como utilizar uma lanchonete ou restaurante e sanitários. E outras que
são conveniências e comodidades, como serviços de fotocópia, fotografia para documentos,
livraria, lavação automotiva, venda de artesanatos e produtos orgânicos em barracas, abrigo
de passageiros de ônibus.
24
Meio ambiente. Além de permitir aproximar a população urbana da natureza torna o
local mais agradável, utiliza-se a sombra, colorido, o aroma das árvores, flores e frutos.
Espaços verdes diminuem a temperatura, melhoram a qualidade do ar, valorizam a região do
entorno e funcionam como uma barreira sonora. Colaboram para a qualidade de vida, saúde
física e psicológica dos cidadãos. Podem ter inseridos no seu contexto espaços didáticos, de
lazer e de contemplação. Aproximar a população da natureza informando e educando aumenta
a chance da população preservar.
Sustentável. A presença de coletores de lixo separados por categorias de reciclagem,
pontos coletores de pilhas e baterias, recolhimento de lixo eletrônico são alguns exemplos de
pequenas iniciativas que trazem benefício para as pessoas que precisam e querem descartar
corretamente os materiais. Além do benefício ambiental da preservação, conservação e
reaproveitamento dos materiais isso também traz a consciência ambiental para mais perto da
população.
Tecnologias. Conforme explicou Cauduro (1981), com as novas tecnologias surgem
novos hábitos, novas funções urbanas e novas condições de vida. Com a propagação de
internet sem fio pelo campus universitário mudam também os hábitos de estudos. É possível
perceber pessoas e grupos reunidos com computadores portáteis, celulares e afins que
acessam informações para estudo ou lazer nos espaços livres, ambiente que se permite ficar de
forma mais descontraída e mais a vontade com os colegas, se compararmos a uma biblioteca,
por exemplo. Também há o benefício dos painéis de luminosos que informam a hora, a
temperatura e publicidade.
Acessibilidade. Sua falta pode impedir ou não propiciar um dos direitos mais básicos
da constituição, o direito de ir e vir, e causar constrangimentos, como citado no artigo
Acessibilidade para pessoas portadoras de deficiências, de LIMA (2006). Este fator não
restringe-se apenas a locomoção, mas a orientação, boa iluminação, calçadas com material
apropriado para o deslocamento de cadeiras de rodas, áreas de descanso ao longo das faixas
de circulação, posicionamento de mobiliário urbano adequadamente, largura das calçadas,
local para que a pessoa cadeirante possa ficar de forma integrada nos espaços de interação
social, acesso das edificações para as áreas livres, conexão com as vias públicas (incluindo a
transposição de um lado para o outro e vias públicas) e integração com o transporte público.
Em resumo, permitir mobilidade e acessibilidade de bens e serviços com o uso equitativo da
cidade universitária e integração sócio espacial da população.
25
Dentro do desenho urbano é possível desenvolver uma proposta arquitetônica /
urbanística / paisagística para que a gestão consiga um diálogo harmônico entre usuários e
ambiente trabalhando com características que os conecte ao local, tornando-os proativos nas
atividades de uso, criando novos usos, acolhendo bem os usuários e recepcionando os novos.
Como exemplo de uso dos ambientes livres urbanos de forma a respeitar as várias
formas de se usar o espaço público sem conflitos pode-se citar o mapa que foi criado para o
Parque do Ibirapuera. Nele são indicados os locais mais propícios para cada atividade como,
por exemplo, locais para encontrar pessoas, pensar, ler e brincar com as crianças.
No caso das cidades universitárias, especificamente a Universidade Federal de Santa
Catarina – UFSC aonde se observou estes fatores, pode-se mapear em três grupos de
atividades conforme os fatores apresentados à cima: de estar, de deslocar e de contemplar.
Estar inclui interações sociais, cultural, conveniências e tecnologia. Atividades que também
se pode relacioná-las com o desenvolvimento social, o lazer, tempo livre e vivências.
Deslocar inclui circulação e acessibilidade. Fatores relacionados com o movimento,
atividades de passagem e caminhos. Contemplar inclui os fatores de meio ambiente e
sustentável. Incentiva e abriga interações com a natureza, relaxamento e bem-estar, mais
relacionados com a ambiência do que com uma atividade especificamente.
A ocupação do tempo livre e suporte social auxiliam na diminuição da insegurança,
vandalismo e criminalidade, conforme (PERES, 2013).
26
4. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ESPAÇOS LIVRES: PLANEJAMENTO,
GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO
Assim como cuidar dos espaços livres um pequeno quintal residencial exige
organização, mão-de-obra, material e planejamento e demanda de empenho gestar os espaços
livres das cidades e cidades universitárias mais ainda, dada tamanha proporção.
Os espaços públicos urbanos, como visto anteriormente, surgiram principalmente de
uma necessidade de ordem econômica, a fim de permitir a comercialização dos produtos
agrícolas excedentes em regiões de maior aglomeração populacional. Com isso, motivou
também novos hábitos, necessidades nos fatores sociais, culturais, ambientais, físicos e,
posteriormente, estéticos. E os elementos urbanos serviram e servem até hoje de instrumento
para o convívio social em áreas públicas cumprindo suas funções estéticas, básicas e
simbólicas.
Diante disso, os gestores dos ambientes urbanos deverão ter como premissa para os
seus projetos a análise dos fatores de ordem econômica. Pode-se exemplificar as questões
relacionadas ao projeto dessas áreas. Manutenção dos seus equipamentos, durabilidade,
reparos, facilidade de montagem e desmontagem dos mesmos. Cuidados com o paisagismo:
manutenção, podas, plantiu, adubação e varrer folhas e lixo. Pintura de fiaxas de pedestres e
meio fio. Entre outros elementos da paisagem elencados no c apítulo anterior, como as vias,
os limitantes geográficos, os cruzamentos e os pontos marcantes da paisagem urbana. Todos
estes fatores exigem estimativa de custo para criação e manutenção.
Por serem elementos públicos e expostos em áreas livres, considerar também a
variação de temperatura, granizo, salinidade, precipitação, vento e sol caracterizando os
fatores ambientais. De modo que os materiais utilizados devem ser considerados para resistir
às intempéries. Incluindo também neste item a iluminação do local, natural ou fornecidas por
sistema próprio.
Preocupar-se com os fatores físicos do local de destino destes elementos de modo que
deverão ser correspondentes e integrados ao ambiente já construído no entorno. Adequando
sua configuração formal ao contexto, sem deixar de respeitar os fatores esclarecidos acima
nem os seguintes.
27
Os fatores sociais e culturais analisando o local respeitando, a natureza do lugar e o
uso social. Para garantir um ambiente agradável que respeite os usuários e suas várias
necessidades criando uma relação afetiva e simbólica entre o indivíduo e o espaço público.
Com relação aos últimos fatores supra citados, sociais e culturais, deve-se faz um
alerta. Atualmente com a facilidade de comunicação, advinda das tecnologias, as empresas
disponibilizam o catálogo dos produtos na Internet. Mesmo que criados por designers, e com
projetos bem resolvidos, não foram desenvolvidos preocupando-se com o ambiente e o
contexto social e cultural para onde serão implantados. E os critérios de compra baseiam-se
em uma estética interessante e na segurança mais do que a preocupação em criar uma
identidade para o local, correndo-se o risco de se ter uma ‘homogeneidade cultural’. Onde o
mesmo mobiliário pode ser encontrado em locais de características históricas e sociais
diferentes.
Além da produção por conta das próprias instituições públicas, há outras formas de se
adquirir os elementos urbanos para as cidades. Uma delas é a compra por licitação. Onde são
especificados tecnicamente todos os produtos a serem adquiridos e as empresas que se
interessarem em fornecer estes elementos apresentam suas propostas de preço. A empresa que
apresentar o menor valor será responsável pelo fornecimento destes produtos.
Outra forma de aquisição dos elementos urbanos é por meio de concurso público.
Promovido pela própria instituição pública (prefeitura, instituto de planejamento urbano,
secretaria de urbanização ou outras instituições de gestão pública) onde a empresa vencedora
é a responsável pela concepção, desenvolvimento, fabricação, instalação, manutenção,
limpeza e conservação dos elementos e local por um determinado tempo.
Pode haver também uma parceria entre a instituição pública e uma empresa privada.
Em forma de concessão a empresa instala os elementos urbanos e provém a sua manutenção
em troca de comercializar os espaços publicitários.
Para se ter um espaço livre público de qualidade é necessário seguir alguns processos,
como planejamento, projeto, orçamentação, execução / manutenção e/ou reforma. Para
estas fase propõe-se o trabalho de uma equipe multidisciplinar onde o gestor poderá contar
com arquitetos, urbanistas, paisagistas, geógrafos, designers, engenheiros ambientais,
engenheiros agrônomos, cientistas sociais, etc. e outro profissional que se julgar necessário
28
para o caso de um projeto mais específico ou diferenciado para a produção dos espaços livres
fazendo-se uso da elite culta disponível no quadro de funcionários das instituições públicas.
Por se propor uma equipe multidisciplinar faz-se necessário a figura de um líder, o
gestor, o qual irá gerenciar e gestar as políticas públicas que irão resultar nos espaços livres,
bem como os processos de produção e reprodução do espaço urbano, seus diferentes usos e
interesses de ocupação.
O espaço urbano é um produto social composto por agentes que consomem e
produzem este espaço de acordo com seus interesses. O poder público atua na organização
espacial da cidade para tornar os direitos e, também os deveres, mais equitativos de forma
legitimada. E com o planejamento urbano numa situação ideal de ênfase no social e
preservação dos recursos naturais, tentando desvincular a ideia de que crescimento e
desenvolvimento urbano são diretamente proporcionais à degradação do meio ambiente.
Toda a produção de um espaço urbano começa a ser organizado através de um
planejamento. Como explica Souza (2006), planejar significa tentar prever a evolução de um
fenômeno, tentar simular desdobramentos de um processo, com o objetivo de melhor
precaver-se contra prováveis problemas. É uma ação para se realizar no futuro, com todas as
etapas descritas, pensadas e resolvidas e, alguns riscos ou chances de erros calculados. Para
isso, utiliza instrumentos metodológicos, administrativos, legislativos e de gestão para o
desenvolvimento de atividades num determinado espaço e tempo, incentivando a participação
institucional e dos cidadãos, induzindo a relações mais estreitas entre sociedade e autoridades,
(SANTOS, 2004, p. 24).
É uma preparação para a gestão onde a ênfase principal está na tomada de decisões.
Quem planeja procura entender o processo em todo seu contexto, não centrados em apenas
um tema, mas procurando trabalhar entre as diversas especialidades que compõem processo.
Já a gestão refere-se as ações do presente. Segundo Souza (2006), gerir significa
administrar uma situação dentro da disponibilidade dos recursos e visando atender as
necessidades imediatas. Tem o papel de realizar as ações do planejamento e a efetivação, ao
menos em parte, das condições que o planejamento, feito anteriormente, ajudou a construir,
(SOUZA, 2006, p.46).
Sendo assim, os termos apresentados, são distintos, porém complementares. Tanto a
gestão é algo indispensável, pois consiste em administrar os recursos e as relações de poder
29
no presente momento, como a falta de planejamento nos priva de escolher e prever as
melhores possibilidades e, por consequência, os melhores resultados, (SOUZA, 2006).
Em se tratando de planejamento e desenvolvimento de áreas públicas urbanas deve-se
pontuar ao menos dois objetivos como de praxe para o planejamento e gestão urbanos: a
melhoria na qualidade de vida e o uso equitativo, com justiça social.
Todas estas etapas de produção do espaço público e das áreas livres devem atender
prioritariamente aos princípios constitucionais da administração pública fedral, art. 37 que
regem da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicicdade e eficiência. Sendo
Administração Pública explicada por Afonso da Silva (2007, p. 655) como:
[...] conjunto de meios institucionais, materiais, financeiros e humanos preordenados
à execução das decisões políticas, noção simples de Administração Pública, que
destaca, em primeiro lugar, que é subordinada ao poder político, em segundo lugar,
que é meio, e, portanto, algo de que se serve para atingir seus fins definidos e, em
terceiro lugar, denota os seus dois aspectos: um conjunto de órgãos a serviço do
Poder político e as operações, as atividades administrativas.
E, sucintamente, pode-se explicar seus princípos. Iniciando com legalidade em que
pode-se dizer que o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente
autorizado em lei e nas demais espécies normativas, segundo (MORAES, 2002), só sendo permitido
fazer o que a lei autoriza.
Impessoalidade deriva de “impessoal” e representa algo que não é pessoal. Bandeira
de Mello (2005, p. 104) diz que os administrados têm que ser tratados sem diferenças nem
interesses sectários ou grupos de qualquer espécie. Está diretamente ligado à igualdade e
isonomia.
Moralidade exige da administração comportamento não apenas lícito, mas também
consoante com a moral, os bons costumes, as regras de boa administração, os princípios de
justiça, de equidade e a idéia comum de honestidade segundo relata Di Pietro (2007, p. 333).
Publicidade administrativamente remete à transparência. No sentido que os
administrados tenham conhecimento do que os administradores estão fazendo, conforme
explica Afonso da Silva (2000, p. 653). Isto pode se feito por meio de publicação em diário
oficial ou edital de divulgação de atos públicos para conhecimento do público em geral.
Assim, afirma-se a democracia de modo que o povo pode acompanhar, com transparência, a
materialização e o desenvolvimento das atividades administrativas. Para este princípio há
30
exceções e estão previstas no art. 5º da CRFB - Constituição da República Federativa do
Brasil.
Eficiência, em se tratando de gestão pública, significa que a administração pública
tem a obrigação de desempenhar suas atribuições buscando a forma mais satisfatória possível
para a coletividade. Assim, atingem-se os objetivos empregando corretamente os recursos e os
meios (humanos, materiais e institucionais) para melhor satisfazer às necessidades coletivas,
Moraes (2000, p. 303).
Além dos princípios constitucionais da administração pública, art. 37, existe critérios
de controle externo, geralmente controlados pelo TCU – Tribunal de Contas da União, no art.
71 e de controle interno feito pelo próprio poder executivo, regido pelos artigos 70 e 74, feito
normalmente pelo sistema de auditoria. Este tipo de controle acompanha execução do
orçamento, verifica a legalidade na aplicaçãodo dinheiro público e auxilia o TCU no exercício
de sua missão institucional, segundo Pietro (2011). Portanto, entende-se que estes tipos de
critérios tratam do controle dos gastos público, com minimização dos custos sem perder a
qualidade especificada.
Cabe ressaltar que outros princípios de diversas normas, como os de Responsabilidade
Fiscal, da Lei Complementar Nr. 101/2000, denominada Lei de Responsabilidade Fiscal -
LRF (Planejamento, Transparência, Controle e Responsabilização), os Orçamentários, da Lei
Nr. 4.320/64 (Unidade, Anualidade, Universalidade - UAU) e os de outras normas legais
como os da Lei Nr. 8.666/93, os da Lei 8.112/90, também dispõem sobre atos e fatos que
todos os Gestores Públicos devem observar.
Além dos princípios taxativamente enunciados no art. 37 da CRFB, existem dois
outros postulados previstos na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo
administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e mais se aproximam das
atividades relacionadas as etapas de produção dos espaços livres: proporcionalidade e
razoabilidade. Dentre outros, também há o princípio da legalidade, finalidade, motivação,
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica,
interesse público e eficiência.
Razoabilidade é um princípio regido principalmente pela proporcionalidade, justiça e
adequação entre os meios utilizados pelo Poder Público e os fins por ela almejados, levando-
se em conta critérios racionais e coerentes conforme explicou Bucci (1996 apud MORAES,
2002, p. 114). É a maneira de fazer os processos para atingir os interesses públicos.
31
E, para compreender perfeitamente o conceito, explica-se proporcionalidade segundo
Carvalho Filho (2009, p. 38) como sendo o ato de conter o excesso de poder do agente público
no sentido de adequação das medidas tomadas pela administração às necessidades
administrativas, quando se julgar necessário.
Além das questões técnicas, jurídicas e legais pode-se considerar alguns
desdobramentos mais detalhados e específicos, porém não menos relevantes, para que se
possa começar a planejar um espaço livre.
Como já foi proposto, o planejamento dos elementos urbanos é uma prática
multidisciplinar e que a inserção destes elementos deve-se integrar positivamente à paisagem
dos espaços livres de forma a qualificar os mesmos com ordem e estética. Na eficiência de
suas funções reais e simbólicas adequadas à cultura local e boa legibilidade. Levando-se em
consideração para a projetação dos elementos urbanos que irão compor o espaço a tríade
citada por Creus (1998 apud SERRA, 2002): a racionalidade, a emotividade e a
funcionalidade.
Para tanto, nota-se que devem ser consideradas mais três grandes questões levando em
consideração a totalidade dos espaços livres: o ambiente e o contexto em que estes elementos
serão inseridos; o design especificamente das peças considerando os aspectos técnicos; e as
necessidades dos usuários daquela região.
Qualquer elemento inserido no espaço livre deve ser bem planejado, pois por mínima
que seja, ele apresentará a necessidade de manutenção para garantir seu perfeito uso,
qualidade e segurança. A qualidade do material utilizado e da mão-de-obra fazem
correspondência direta no resultado da qualidade do espaço. Isto serve para exemplificar tanto
uma lixeira quanto um canteiro de flores.
A escolha dos materiais utilizados nos objetos ou as plantas para o espaço livre
também é importante, visto que uma das características mais importante para tornar o
ambiente mais agradável são as propriedades dos materiais percebidas pelas estruturas
fisiológicas sensoriais (tato, audição, olfato, paladar, visão) formando um conjunto de
propriedades sensoriais. Apartir do contato dessas estruturas fisiológicas sensitivas com o
produto o indivíduo inicia um processo de associação das sensações com seu repertório
formando o processo de percepção, de acordo com Sternberg (2000 apud TORRES, 2009).
32
Os materiais também têm influência direta no custo para a produção do espaço,
contudo, para sua escolha deve-se levar em consideração características técnicas, formais, de
funcionalidade, culturais, econômicas, de fabricação, peso, conformação, resistência,
manutenção, limpeza, intempéries, pichação, vandalismo, tecnológicos, sustentáveis,
socioambientais, entre outras, além das normas e legislação quando for o caso. Os processos
produtivos para desenvolver o projeto do espaço planejado são variáveis (de acordo com
material escolhido e o projeto), porém apresentam, de maneira geral, a busca por
características que favorecem a concretização do espaço, como baixo custo de produção,
utilização de mão-de-obra não especializada, equipamentos de simples manuseio e matérias-
primas fáceis de encontrar. Seu processo é facilitado quando o projeto é bem resolvido tanto
em soluções de materiais quanto em processos de fabricação, mecanismos, encaixes,
conformação, sistemas e subsistemas de funcionamento, planejamento e otimização dos
recursos (ROZENFELD, 2006).
Outro ponto a ser considerado para a elaboração do espaço livre é a utilização da
tecnologia. Deve-se considera-lo como um requisito e também como um aliado. Segundo
Baxter (1998), juntamente com uma boa demanda de mercado a oferta de tecnologia é um dos
grandes motivos para o sucesso de um produto. Rozenfeld (2006, p. 126) define tecnologia
“como um modo peculiar de resolver um determinado problema, utilizado com princípios
físicos ou químicos”. A utilização de tecnologias agrega valor ao espaço, desperta o interesse
e a curiosidade dos usuários.
Rozenfeld (2006) ainda explica ainda que muitas empresas utilizam-se o subterfúgio
de criar produtos conceito para avaliar tecnologias futuras incorporando componentes,
materiais inovadores e tendências de forma e cor. Com isso, podem avaliar a viabilidade de
cada tecnologia e entender melhor a reação do público. Excelente oportunidade para que os
próprios alunos das universidades tenham a possibilidade de colocar seus produtos em teste,
utilizando o próprio campus universitário como laboratório de pesquisa.
Alguns exemplos simples da utilização da tecnologia nos espaços livre são
encontrados em totens e painéis eletrônicos que informam a temperatura, a hora, a data e
ainda dispõem de espaço para comercializar anúncios publicitários criando condições para
sustentabilidade do próprio produto, no caso concessão do espaço publicitário. Há também
painéis que apresentam tecnologia 3D. Além disso, há materiais tecnológicos contra pichação,
tecnologias de conformar os materiais, para acabamento e proteção dos materiais, tratamento
33
contra os raios ultravioletas, pigmentação dos materiais e nos processos de produção, por
exemplo.
Assim com os materiais escolhidos para compor os espaços livres são importantes para
as propriedades perceptivas dos usuários a forma e a proporção destes elementos nos espaços
também. Configurando considerações a respeito do design dos elementos do espaço o qual
também se utiliza da interdisciplinaridade das áreas profissionais para sua projetação,
conforme (PEREIRA, 2010).
Percebe-se que as características relacionadas ao design e a escolha dos materiais são
subjetivas. Ou seja, não são princípios ou requisitos específicos mensuráveis para a projetação
dos espaços livres. Como justificativa a esta constatação pode-se atribuir a variabilidade dos
fatores sociais, culturais, econômicos, estéticos, características de uso, climáticas, ambientais,
físicas e a disponibilidade de matérias-primas que devem ser consideradas para cada situação
de uso e cada espaço livre. Isso torna os processos metodológicos intuitivos em algumas das
fases de projeto e elaboração dos espaços.
Mourthé (1998) levanta a questão da padronização e/ou personalização dos espaços
urbanos. Consideração que cabe às cidades universitárias uma vez que cada centro de ensino
pode-se considerar como um bairro, pois possui características próprias, assim como os seus
usuários. Portanto, pode-se defender a personalização dos elementos urbanos com base em
culturas locais (ou subculturas) como forma de criar uma identificação com o usuário de cada
setor, fazendo uma referência visual a fim de tornar uma cidade universitária mais legível, de
acordo com Mourthé (1998) e Lynch (1959).
Não que a padronização seja algo condenável, pois se tem exemplos de padronização a
nível nacional que funcionam. Como no caso da Empresa Brasileira De Correios e Telégrafos,
com a padronização das caixas de postagem e as empresas telefônicas com os telefones
públicos gerando uma identificação institucional.
A ergonomia1
é um pressuposto para a projetação tanto do espaço como um todo
como dos elementos urbanos. Neste caso apontam-se algumas questões para conceituação
sobre o assunto. Pode-se elucidar ergonomia como um estudo sobre as habilidades, limitações
e outras características humanas relevantes a design. Explicar também que o projeto
1
Informações obtidas no material didático disponibilizado pela professora doutora Lisandra Andrade, na
disciplina de Ergonomia I, na Universidade do Estado de Santa Catarina, em 2008.
34
ergonômico é a aplicação destas informações ao design de máquinas, ferramentas, sistemas,
tarefa, trabalhos e para o uso humano seguro, confortável e efetivo (CHAPANIS, 1959).
De acordo com esta explicação, o destaque fica por conta da palavra design, pois ela
separa a ergonomia das disciplinas puramente acadêmicas como antropologia, fisiologia e
psicologia. Assim, as atividades humanas relacionam-se sempre com um componente físico e
outro mental. Motivando o projetista a trabalhar com as duas especialidades: a física e a
cognitiva.
Na ergonomia física englobam-se as bases da antropometria e biomecânica estudando
posturas desconfortáveis, a força exercida, força excessiva, movimentos repetitivos, transporte
de cargas, iluminação, vibração, mudanças de temperatura, entre outros. Na ergonomia de
produto evitam-se constrangimentos posturais, favorece a boa posta, saúde e segurança do
usuário.
E a ergonomia cognitiva tem suas bases na psicologia cognitiva, antropologia e
sociologia. Aborda a análise de informações das tarefas realizadas pelos usuários, bem como
os processos mentais de percepção, memória, raciocínio, resposta motora e tomada de
decisão, etc.
Lynch (1997) destaca várias categorias importantes que o projetista deve considerar
quanto ao design dos elementos urbanos. A primeira delas é a singularidade ou clareza das
figuras de fundo. Refere-se ao elemento único (uma torre, um totem, o paisagismo de uma
região específica) e a relação deste elemento com o plano de fundo da paisagem.
A segundo a categoria é sobre a simplicidade da forma. Lynch (1997) afirma que
clareza e simplicidade no sentido geométrico da forma visual dos elementos são mais
facilmente lembradas pelos usuários do que as formas complexas.
Continuidade é a terceira categoria a ser considerado no desenvolvimento de novos
projetos. Referem-se tanto a paisagem como um todo quanto aos elementos a que compõe.
Lembra que a repetição dos elementos deve apresentar um intervalo rítmico, semelhanças,
harmonia com a superfície, na forma e nos hábitos.
A quarta categoria é a predominância. É o destaque que se dar de uma parte ou algo
em relação às outras devido ao tamanho, intensidade ou interesse. Resultando em um
35
interessante efeito de omissão ou inclusão em determinadas situações onde queira se destacar
algum elemento da paisagem ou outras onde se queira amenizar a pregnância perceptual.
Outra categoria importante é a clareza de ligação. Deve-se fazer uma boa visibilidade
das ligações, uma relação clara entre os elementos, suas funções e o meio ambiente.
A sexta categoria é a diferenciação direcional e refere-se a assimetrias, mudanças e
referências radiais na estrutura da cidade em grande escala.
Outra categoria é o alcance visual. Diz respeito a paisagem como um todo. É uma
qualidade que aumenta ou organiza a possibilidade de uma boa visão, no sentido real ou
simbólico. Incluem as transparências, sobreposições de vistas, panoramas, elementos
articulantes, entre outros que explicam visualmente um espaço.
A oitava categoria é a consciência do movimento. São qualidades que tornam um
observador perceptivo do seu próprio movimento, através dos sentidos visuais e cinestésicos.
São indicativos que reforçam a clareza de desníveis e curvas ajudando a manter a coerência
direcional. Uma vez que movimentar-se pela cidade de forma orientada faz parte da atividade
vital do ser humano.
A nona categoria é a de séries temporais. Uma seqüência de elementos dispostos de
maneira que o observador possa fazer uma ligação simples entre eles sabendo associá-lo ao
que o precede e ao que lhe segue. E outra seqüência de forma mais melódica, compassada
(como na música) onde se percebe um ritmo na disposição dos elementos, mais do que no
próprio objeto. Considera também os conceitos da forma como uma continuidade que exibem
uma seqüência da imagem dos elementos como uma sucessão formal de espaço, textura,
movimento e luz.
A décima e última categoria é a de nomes e significados. São características não
físicas que reforça a imagem de um elemento. Como, por exemplo, os nomes que podem
cristalizar a identidade de um objeto ou lugar ou associados ao significado histórico, social,
funcional ou econômico reforçam grandemente a estrutura organizacional e direcional de um
indivíduo com relação ao local de deslocamento.
Há normas que tratam sobre os elementos da paisagem urbana. A Associação
Brasileira de Normas Técnicas (NBR) de mobiliário urbano NBR 09283 - Mobiliário urbano
36
de março 1986 e a NBR 09284 - Equipamento Urbano de março 1986 que apenas classificam
em categorias e subcategorias os equipamentos e os mobiliários.
Porém, existe a NBR 9050 de 2004 – ‘Acessibilidade a edificações, mobiliário,
espaços e equipamentos urbanos’, deve-se considerar as seções 8 e 9 que dizem respeito,
respectivamente, a equipamentos urbanos e mobiliário. Colocando os equipamentos urbanos
em rotas interligadas e acessíveis para pessoa em cadeira de rodas (PCR) e pessoa com
mobilidade reduzida (PMR), em locais de piso plano horizontal, distribuir os assentos para
PMR e pessoa obesa (PO), conforme a tabela 8 da norma, nas quantidades determinadas e
juntos das áreas de circulação. Dimensiona espaços para PCR e assentos para PMR e PO de
modo que o espaço para a cadeirante deve possuir 0,80 m por 1,20 m, acrescido de 0,30 m de
largura na frente e/ou atrás como dimensões mínimas. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2004).
Com relação às praças e parques a norma diz que tanto a pavimentação (com rotas
acessíveis com pisos específicos) quanto o mobiliário e os equipamentos edificados ou
montados devem ser acessíveis. E que pelo menos 5% das mesas destinadas a jogos ou
refeições deve estar entre 0,75 m e 0,85 m de altura do piso. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).
Para as escolas, complexos educacionais e campi universitários deve haver pelo menos
uma rota acessível interligando os alunos as áreas administrativas, de prática desportiva, de
recreação, de alimentação, salas de aula, laboratórios, bibliotecas, centros de leitura, praças,
demais ambientes pedagógicos e todos ambientes acessíveis. Todos os elementos do
mobiliário urbano da edificação como bancos de alvenaria, devem ser acessíveis garantindo
ao lado dos assentos fixos em rotas acessíveis um módulo de referência (MR), espaço de 1,20
m por 0,80 m, sem que interfira com a faixa de livre circulação (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Como mostra a figura 4 abaixo.
37
Figura 4 - Exemplo de módulo de referência.
Fonte: Associação Brasileira De Normas Técnicas. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços
e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2004.
Para os casos de mobiliário a NBR 9050 de 2004 determina condições específicas para
mesas ou superfícies para refeições ou trabalho, assentos fixos e corredores. Para as mesas
determina que seja previsto pelo menos 5% delas em espaços acessíveis, com no mínimo uma
para PCR, localizada junto às rotas acessíveis e distribuída por todo o espaço. Com altura
livre de no mínimo 0,73 m do piso, MR para a aproximação frontal possibilitando avançar sob
as mesas até 0,50 m, altura entre 0,75 m e 0,85 m do piso (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2004). Conforme figura 5:
Figura 5 - Exemplo de mesas.
Fonte: Associação Brasileira De Normas Técnicas. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços
e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2004.
Quanto aos assentos fixos a norma determina que deve existir ao seu lado um MR,
sem interferir com a faixa livre de circulação, conforme figura 5 apresentada acima, devem
38
contemplar pelo menos 5% dos assentos fixos do local e que pelo menos outros 10% sejam
adaptáveis. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).
E, para os corredores e áreas de circulação, a NBR 9050 de 2004 acessíveis para PCR,
deve estar vinculada a rotas acessíveis, ter largura de no mínimo 0,90 m e possuir áreas de
circulação e manobra no seu início e término. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2004).
Cauduro (1981) afirma, e pode-se perceber claramente, que há um certo caos com
relação às várias áreas do sistema de objetos / produtos / elementos do mobiliário urbano. Os
elementos são feitos de forma isolada, não falam a mesma linguagem e, portanto, não tem
uma unidade nem identidade.
Isto pode ser entendido pelo simples fato de que uma empresa não produz todos os
tipos de elementos urbanos necessários para compor um conjunto mínimo de elementos para o
ambiente, constatado em pesquisa feita por meio eletrônico. A empresa que produz bancos de
madeira, na maioria das vezes, não produz elementos relacionados à iluminação, e assim por
diante.
Considerando-se ainda a utilização necessária de semáforos e placas de orientação de
trânsito, placas de sinalização e tapumes de obras que causa ‘uma nova doença’ nomeada por
Cauduro (1981) como stress perceptual.
Uma vez percebido a falta coerência formal entre os elementos de mobiliário urbano
pode-se contar com a contribuição dos designers industriais. Desenvolvem sistema de
produtos / objetos, e não objetos isolados de modo que podem trabalhar em equipe composta
por especialistas das áreas de tecnológicas e das ciências humanas, como propõe (PEREIRA,
2010). Sua área de estudo deve ser responsável pela concepção e desenvolvimento de
artefatos direcionados a oferecer conforto e comodidade aos cidadãos, não só das cidades
universitárias, como também da cidade como um todo, sendo parte do desenho urbano das
ruas no contexto sócio-cultural-ambiental.
Ainda assim, podem fazer a projetação dos elementos de mobiliário urbano de forma a
ser mais funcional, durável, seguro, resistente e acessível. Além de características que podem
dar um diferencial ao projeto, como por exemplo, ser múltiplo, permitir vários usos, utilizar
tecnologias de produção o mais sustentável possível, compatibilidade com os locais do
contexto flexibilidade, permitir acrescentar ou suprimir componentes, a partir de um modelo
39
básico, de acordo com as necessidades. Preocupar-se com o estresse perceptivo dos painéis
publicitários.
Como Lynch (1997) afirma sobre esses conceitos, e relaciona outros citados para
complementar, todas estas qualidades pautadas facilitam a compreensão, aumentam a
eficiência da visão, organização e poder de resolução sobre o objeto ou local.
Para aumentar a qualidade do espaço livre o gestor público pode ainda fazer o
exercício de observação. Sugere-se que, para uma boa prática, o gestor observe a situação
exitente e os problemas existentes. Solucionam-se problemas existentes e minimizam-se os
erros das próximas projatações. Como exemplo para a sugestão pode-se observar a figura 6
que represente a situção comum do campus da Universiade Federal de Santa Catarina –
UFSC, onde ocorre constante erosão nos pés do banco. Ergonomicamente não é adequado,
conpromente a estrutura e a segurança.
Figura 6 - Exemplo de problema existente.
Fonte: foto da autora.
É sabido que as tecnologias evoluem muito rapidamente e com com isso novas
soluções odem surgir para os problemas. Por isso há necessidade de uma constante
atualização de informações e conhecimento por parte do verdadeiro gestor. Porém, diante do
exposto sugere-se ainda um último componente fundamental para o trabalho de projetação,
seja de qualquer especificidade: a criatividade. Com ela pode-se resolver situações difíceis,
fora do comum e problemas não solucionados pelas normas.
40
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como expôs-se neste documento os espaços livres permitem convivência e interação
entre as pessoas e das pessoas com o ambiente, assim como nas cidades universitárias. Atuam
em relação direta na vida dos usuários, proporcionando-lhes sensações que influenciam na
qualidade de vida. Isso aumenta ainda mais a importância e a responsabilidade dos gestores
públicos tamanha a abrangência populacional atingida.
Diante de tal importância, o problema principal proposto a ser resolvido foi o de
levantar informações consideráveis para auxiliar na gestão dos espaços livres. E, para isso,
objetivou-se compreender as áreas livres nas cidades universitárias; entender as necessidades
das pessoas que utilizam estes espaços; e elencar as considerações para a gestão deste espaço
público.
Para solucionar o primeiro objetivo, buscou-se características, conceitos e formas de
relacionar estes espaços e seus elementos com os usuários. Fez-se, em alguns casos, estudos
por analogia com os estudos existentes sobre as áreas livres das cidades. Obteve-se o
resultado esperado podendo ter base histórica importante para compreensão do passado e
projeção para o desenvolvimento e futuro dos espaços. Conclui-se que, além de uma área que
pode ser delimitada física e geograficamente entre o volume das edificações, inclui também
os elementos que a compõe, dentre mobiliários, equipamentos e elementos da própria
paisagem natural. Existe ainda o fator perceptivo da paisagem urbana que considera fatores do
aspecto visual e estético para a organização do espaço e torna-lo agradável. Percebeu-se que
há diversas características de qualidade para o espaço e que cada espaço tem suas próprias
características considerando sua importância simbólica, social, de hábitos e costumes das
pessoas que utilizam o local. São características que não são técnicas e devem ser tratadas de
forma empírica e perceptiva.
Por consequência, após analisar o local, analisou-se a necessidades das pessoas que
utilizam os espaços livres, como segundo objetivo deste trabalho. Percebeu-se que o
surgimento e o desenvolvimento dos espaços de convívio e interação das pessoas nas cidades
estão atrelados ao seu desenvolvimento das mesmas e a sua organização social. Com o passar
dos tempos as sociedades foram crescendo e com isso aspirando necessidades diferentes.
Assim, pode-se entender que o futuro dos espaços livres está ligado ao futuro das cidades
como um todo, a organização social e ao surgimento e desenvolvimento de novas tecnologias
41
que por sua vez geram novas necessidades. Verificou-se que os hábitos e o comportamento
social determinam os usos dos espaços. Utilizam-se do mobiliário urbano para interação, de
tecnologia e do próprio espaço natural para convívio e contemplação. Concluiu-se que as
necessidades estão atreladas ao uso que as pessoas irão fazer dos espaços e estão relacionados
basicamente com três ações: estar, deslocar e contemplar. Essas três ações compreendem mais
estar pelos espaços livres do passar por eles. Faz com que um espaço público se torne também
um espaço um pouco pessoal. Analisa-se fatores de qualidade que não são mensuráveis
tecnicamente.
Após analisar o local e as necessidades dos usuários procurou-se reunir considerações
para que os gestores possam dar mais qualidade ao espaço e aos usuários, atendendo ao
terceiro objetivo. Para o efetivo trabalho de criação, planejamento, execução/manutenção e
gestão dos espaços livres públicos é preciso a análise de algumas condicionantes que
abrangem diversas áreas do conhecimento. São fatores de ordem administrativa, gestão e
planejamento; técnicos, jurídicos e normativos; sociais, culturais e ambientais; tecnológicos,
ergonômicos, perceptivos e estéticos; criação, produção e manutenção. Conclui-se, portanto,
que há necessidade de uma equipe multidisciplinar para produção de um espaço livre de
qualidade, pois muitos dos fatores levantados têm características técnicas e outros
características humanísticas, antropológica e sociais, necessitando de várias áreas do
conhecimento.
Considera-se, com estas colocações, que o objetivo geral desta pesquisa foi alcançado,
visto que consegui-se delimitar a área de trabalho dos gestores públicos proposta no início do
trabalho. Além de conseguir identificar as necessidades dos usuários, descrita no segundo
objetivo, percebeu-se ainda seus hábitos e costumes. E, por fim, elencou-se fatores de
qualidade para os espaços livres que abrangem os aspectos importante tanto para quem utiliza
quanto para quem ira produzir o espaço livre.
Contudo, mais atividades ainda podem ser feitas nesta área. Como trabalho futuro,
pode-se pensar na formação de um centro de pesquisas e aplicação de estudos dos ambientes
urbanos da cidade universitária. Formar um centro de pesquisas interdisciplinares com o
intuito de aprimorar as relações entre os usuários da universidade (estudantes universitários,
professores, técnico-administrativos, prestadores de serviço, comunidade dos bairros vizinhos,
visitantes de encontros, congressos e candidatos ao vestibular) e os componentes do meio
ambiente.
42
REFERÊNCIAS
AFONSO DA SILVA, José. Curso de direito constitucional positivo. 18. ed. São Paulo:
Malheiros, 2000.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2004.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9283: mobiliário urbano:
classificação. Rio de Janeiro, 1986.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9284: equipamento urbano:
classificação. Rio de Janeiro, 1986.
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antonio. Curso de direito administrativo. 16. ed. São
Paulo: Malheiros, 2003.
BAXTER, Mike. Projeto de produto: guia prático para o desenvolvimento de novos
produtos. São Paulo: E. Blucher, 1998.
CARLOS, Ana Fani A. A (re) produção do espaço urbano. São Paulo: EDUSP, 1994.
SÁ CARNEIRO, A. R.; MESQUITA, L. B. Espaços Livres do Recife: Prefeitura da Cidade
do Recife/ Universidade Federal de Pernambuco, 2000.
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2009.
CAUDURO, João Carlos. Design & ambiente. 2. ed. São Paulo: FAUUSP, 1981.
DAVIS, Kingsley et al. Cidades: a urbanização da humanidade. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar,
1977.
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 20. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
DI PIETRO, Maria Sylvai Zanella di. Direito administrativo. 24. ed. São Paulo: Atlas S. A.,
2011. públicas. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1233, 16 nov. 2006. Disponível em:
requisito da legalidade, legitimidade e economicidade das edificações.
FERRARI, Celson. Dicionário de urbanismo. São Paulo: Disal, 2004.
FREITAS, Alexandre de. Pequenas cidades universitárias do estado de São Paulo I. Cidades
e Lugares, 21 ago 2009. Disponível em:
<http://cidadeselugares.blogspot.com/2009/08/pequenas-cidades-universitarias-do.html>.
Acesso em: 20 set. 2010.
LIMA, João Ademar de Andrade. Urbanismo como ciência, técnica e arte: sua política e sua
proteção legal. Arquitextos, São Paulo, ano 3, n. 27, ago. 2002. Disponível em:
Gestão de espaços livres em cidades universitárias
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Gestão de espaços livres em cidades universitárias

  • 1. 1. FACULDADE DOM BOSCO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO Lato Sensu ESPECIALIZAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO GESTÃO PÚBLICA E POLÍTICAS SOCIAIS GESTÃO DOS ESPAÇOS LIVRES: UMA ABORDAGEM PARA CIDADES UNIVERSITÁRIAS ROBERTA DE OLIVEIRA PEREIRA Cascavel - PR 2014
  • 2. ROBERTA DE OLIVEIRA PERERIA GESTÃO DOS ESPAÇOS LIVRES: UMA ABORDAGEM PARA CIDADES UNIVERSITÁRIAS Monografia apresentada ao Programa de Pós- Graduação Lato Sensu da Faculdade Dom Bosco, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Administração Gestão Pública e Políticas Sociais. Orientador: Prof°. Leandro da Silveira, Msc. Cascavel - PR 2014
  • 3. PEREIRA, Roberta de Oliveira. Gestão dos espaços livres: uma abordagem para cidades universitárias / Roberta de Oliveira Pereira – 2013. 51 páginas. Orientador: Leandro da Silveira, Msc. Monografia (Especialização Lato Sensu acadêmica em Administração Gestão Pública e Políticas Sociais) – Curso de Pós-Graduação em Administração Gestão Pública e Políticas Sociais – DOM BOSCO- UNIESC, 2014.
  • 4. ROBERTA DE OLIVEIRA PEREIRA GESTÃO DOS ESPAÇOS LIVRES: UMA ABORDAGEM PARA CIDADES UNIVERSITÁRIAS Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Especialista no Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Administração Gestão Pública e Políticas Sociais da Faculdade Dom Bosco. Cascavel-PR, 20 de setembro de 2014. __________________________________________ Prof. Dr. Isaías Régis Coordenador do Curso BANCA EXAMINADORA __________________________________________ Prof°. Leandro da Silveira, Msc. Orientador __________________________________________ Prof. ___________________________________________ Prof.
  • 5. “A paisagem urbana é, para além de outras coisas, algo para ser apreciado, lembrado e contemplado.” Kevin Lynch
  • 6. RESUMO Aborda-se nesta pesquisa, o tema degestão para os espaços livres, delimitado para as cidades universitárias. Tem-se como objetivo pricipal elencar informações a se considerar para a produção dos espaços livres. Justifica-se a pesquisa deste tema ao fato de os espaços livres terem relação direta com a qualidade de vida das pessoas que permanecem bastante tempo do seu dia fora de casa e a abrangêncica populacional atingida. Para tanto, usou-se de metodologia científica com métodos adequados, sendo utilizado materiais de meio eletrônicos, como alguns artigos científicos e livros. Por fim, teve-se como resultados mais expressivos que, além de uma área que pode ser delimitada física e geograficamente entre o volume das edificações, inclui também os elementos que a compõe e o fator perceptivo da paisagem urbana que considera fatores do aspecto visual e estético para a organização do espaço e torna-lo agradável. Os hábitos e o comportamento social determinam os usos dos espaços e utilizam os elementos urbanos, a tecnologia e o próprio espaço natural para interação. Muitos dos fatores levantados têm características técnicas, normativas, jurídicas e outros características humanísticas, antropológica e sociais, necessitando de várias áreas do conhecimento, portanto, havendo necessidade de uma equipe multidisciplinar para produção de um espaço livre de qualidade. Palavras-chave: Gestão. Espaços livres. Cidades universitárias.
  • 7. SUMÁRIO 1.1Apresentação......................................................................................................................1 1.2Justificativa..........................................................................................................................2 1.3Problemática ......................................................................................................................2 1.4Objetivos.............................................................................................................................3 1.5Metodologia........................................................................................................................3 1.5.1Técnicas de Pesquisa:.......................................................................................................3 1.6 Estrutura do artigo.............................................................................................................4 2.1 IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA....................................................................................................6 2.1.1Contextualização Histórica ..............................................................................................6 2.1.2Cidades Universitárias......................................................................................................9 2.1.3Paisagem Urbana............................................................................................................10 2.1.4Espaços Livres.................................................................................................................18 2.1.5Ambiente........................................................................................................................19
  • 8. 1 1. INTRODUÇÃO Este trabalho tem como tema os Espaços Livres. Inicia-se com uma apresentação onde se pode perceber sua importância e a relação direta do assunto com a vida prática e cotidiana das pessoas de maneira geral. Na sequência, indagou-se sobre uma problemática para os gestores públicos e traçou-se alguns objetivos. A partir de então, fez-se uma pesquisa sobre o assunto para ter uma contextualização histórica e formar uma base teórica. Por conseguinte, formou-se conceitos e especificou-se a áreas abordada conceitualmente. Analisou-se usuários desta área e suas necessidades. E, após, fez-se considerações com teor técnico, normativo, conceitual, experiencial, entre outros, e com base no local e nas pessoas que irão utiliza-lo para que os gestores públicos possam ter mais embasamento na criação do espaço livre. E, para encerrar, fez-se um fechamento do trabalho analisando se a problemática e os objetivos previamente traçados foram alcançados. Acrescentando ainda sugestão para desenvolvimento de outras projeções em torno deste tema. 1.1 Apresentação De modo geral pode-se considerar os espaços públicos urbanos como ambientes que fazem parte da vida de todos os cidadãos. Seja para usá-los em sua forma efetiva, seja como ponto de referência e localização nas cidades. O que nos traz essa referência é a forma como vemos este meio ambiente. Mais especificamente a importância que damos segundo a nossa percepção, como explica Sternberg (2000, p. 110 apud TORRES, 2009, p. 35) “percepção é o conjunto de processos pelos quais os indivíduos reconhecem, organizam e entendem as sensações recebidas pelos estímulos ambientais”. O ambiente é responsável por fornecer estímulos sensoriais e, de acordo com a maneira como se apresenta configurado, desperta sensações que vão fazer com que as pessoas sintam-se bem ou desconfortáveis naquele lugar. Um ambiente desprezado, de aspecto sujo ou desagradável desestimula o uso. Os ambientes de convívio público (praças e parques) quando são bem tratados diminuem o medo da violência urbana, afirma Mourthé (1998).
  • 9. 2 Os gestores públicos podem tornar esses ambientes mais agradáveis. Como reforça Mourthé (1998) dizendo que os projetos das peças de mobiliário urbano passam a diferenciar e a valorizar o espaço público, definindo padrões de qualidade. Pois, aplicando seus conhecimentos, os profissionais oferecem espaços sociais de qualidade criados com funcionalidade para atender as necessidades dos usuários. Como sendo um lugar agradável que permite despertar o interesse do usuário, ofereça o contato com o meio ambiente, aguce seus estímulos sensoriais e permita convivência social. Diante do exposto, prepara-se um estudo sobre a gestão dos espaços públicos com foco nas cidades universitárias, especificamente a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, com base na análise de parâmetros e proporções de conceitos relativos as cidades municipais. Com o recorte específico para as áreas de espaços livres das cidades universitárias. Assim, para este artigo, converte-se em proporção, os conceitos e teorias aplicáveis as grandes metrópoles para as cidades universitárias. 1.2 Justificativa É de grande importância, pois o espaço público é um lugar de convívio social, ambiental, de lazer e cultural que pode ser potencializado com uma melhor qualidade do ambiente. É um local público, e como tal, pertence a toda população igualmente, independente de posição econômica ou social. As cidades universitárias são frequentadas tanto por estudantes, participantes de congressos, quanto pela comunidade do entorno que se favorecem com os serviços disponíveis (banco, correio, restaurante, hospital, entre outros), candidatos ao vestibular, professores, funcionários técnico-administrativos e visitantes em geral. Espaço este que, não sendo bem cuidado, pode tornar-se um lugar propício ao vandalismo e a marginalidade, segundo Mourthé (1998). 1.3 Problemática
  • 10. 3 Diante das justificativas apresentadas, que considerações deve-se ter ao gerir os espaços livres em cidades universitárias? 1.4 Objetivos Como objetivo geral identificar quais considerações são necessárias para gerir os espaços livres nas cidades universitárias. E, para isso, trabalhamos com a hipótese de obter considerações para a gestão dos espaços livres nas cidades universitárias. Com objetivos mais específicos pesquisamos: 1- o que compreende as áreas dos espaços livres nas cidades universitárias; 2- quais as necessidades das pessoas que utilizam os espaços livres nas cidades universitárias 3- os pontos a serem considerados para espaços livres universitário de qualidade. 1.5 Metodologia Para a escolha e apresentação do tema foi feito uso de materiais de meio eletrônicos, como alguns artigos científicos, livros, outros trabalhos de conclusão de curso e livros digitais. Para o referencial teórico sobre a gestão dos espaços públicos foi feito uso de livros e artigos eletrônicos das áreas de gestão pública, administração e suas ferramentas administrativas. E para a área de espaços públicos e seu mobiliário foram utilizados materiais das áreas da arquitetura, design, geografia e normas técnicas. 1.5.1 Técnicas de Pesquisa: Quanto ao método utilizou-se dedutivo, pois partiu de conhecimentos universais para a conclusão de questões mais específicas. Quanto à investigação utilizou-se qualitativa, pois não se fez uso de instrumental estatístico (quantitativo) e monográfica, pois parte-se do princípio que o estudo pode ser representativo de muitos outros.
  • 11. 4 Porém, quanto à finalidade utilizou-se pesquisa aplicada, pois esperar-se que seus conhecimentos possam ser utilizados na solução de problemas. O tipo de pesquisa que utilizou-se teórico no que se refere à consulta em matérias impressos e eletrônicos. Abrange não só a área de Administração e Gestão pública como também da arquitetura, design e geografia. Quanto ao nível utilizou-se descritiva visando analisar, observar, registrar aspectos que envolvam fatos ou fenômenos, sem manipulá-los. Utilizando-se como procedimentos a pesquisa bibliográfica e documental. Quanto aos procedimentos: bibliográfica, documental e complementação em fonte eletrônica em áreas carentes em informação. Apresenta caráter social: com a intenção de favorecer as relações e interações pessoais de frequentadores de universidades e seu espaço urbano; histórico: por trazer o surgimento dos espaços públicos; cultural: a fim de repassar conhecimento sobre a histórica, técnica e os componentes de um espaço público; e inclusivo: na intenção de abordar aspectos que atendam o maior número de usuários nesses ambientes, fazendo-se uma gestão com foco no cliente/usuário. 1.6 Estrutura do artigo O presente trabalho está dividido em 5 macro partes. Nos quais transcorre em ordem a apresentação do tema, no capítulo atual. Devidamente justificado, com sua problemática, objetivos, metodologia e técnicas de pesquisa descritas. Seguido da contextualização histórica sobre as áreas livres das cidades, definição de cidades universitárias, paisagem urbana e conceituação de ambiente e espaços livres, no Capítulo 2. No Capítulo 3, mostrou-se algumas necessidades das pessoas que utilizam os espaços livres segundo algumas autores e análises feitas partir de observações.
  • 12. 5 No capítulo seguinte, apresentou-se requisitos, recomendações e considerações para a produção dos espaços livres a partir de conceitos estudados. Pertinentes tanto para projetos inicias quanto para manutenção e reforma dos espaços já existentes. E, por fim, no Capítulo 5, reflexões obtidas com base nos estudos e nos objetivos traçados.
  • 13. 6 2. ESPAÇOS LIVRES Neste artigo faz-se uma abordagem sobre os espaços livres das cidades universitárias. Apresenta argumentações conceituais válidas para um estudo mais abrangente dos espaços públicos em geral das áreas urbanas. Situa-se no âmbito de planejamento, gestão e administração tangenciando o urbanismos, arquitetura, geografia, design e engenharias ambiental relacionando-os com as ciências sociais aplicadas. Por ser de um tema abrangente, para um melhor entendimento faz-se necessário tomar conhecimento sobre o ambiente ao qual se pretende apontar as considerações contextualizando-o com as áreas afins. 2.1 IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA Há nomenclaturas semelhantes para áreas de abrangência coincidentes por isso faz-se necessário uma explicação a respeito das nomenclaturas. Para tanto é necessário entender quais são esses espaços a serem tratados aqui e por motivos didáticos chamar-se-ão espaços públicos. Porém, de início, faz-se da contextualização histórica do surgimento dos centros urbanos e, por consequência, dos espaços públicos e seus elementos principais. 2.1.1 Contextualização Histórica Os espaços públicos urbanos de hoje estão muito ligados as áreas de referência e localização geográfica das cidades, assim como, de encontro e convivência de indivíduos de uma mesma região. Para melhor compreensão desta a afirmação precisa-se conhecer como e porque se deu o surgimento destes locais. O surgimento dos centros urbanos é um fato histórico, geográfico e social. Segundo explica Lima (2002), têm seu surgimento após a pré-história, no período neolítico, onde o
  • 14. 7 homem passou a cultivar o solo, a domesticar os animais, a polir a pedra e a fabricar objetos de cerâmica, deixando a selvageria e ingressando na barbárie. Apartir de então, aconteceram revoluções bastante importantes, caracterizadas por dois movimentos sociais e culturais que provocaram mudanças significativas na estruturação das cidades e nas estruturas das classes sociais: a) Revolução agrícola: onde os homens de atividades agrícolas começaram a aplicar processos mais mecanizados e a gerar excedentes favoráveis à troca de produtos; b) Revolução urbana: advinda de desacordos entre as atividades de pastoreio e agrícola. Percebe-se o aparecimento de duas atividades distintas: a agricultura e o pastoreio que, por consequência, geraram uma divisão na estrutura social. Porém, um (pastor) precisava dos produtos do outro (agricultor) e vice-versa. Surgindo os aglomerados de pessoas para fazer a permuta destes produtos, novas especializações nessas atividades de trabalho, as primeiras cidades e os primeiros centros de convivência. Para Sjoberg (1977, p.36), no capítulo II ‘Origem e Evolução das Cidades’, “as primeiras cidades apareceram há cerca de 5.500 anos”, mas elas só começaram a crescer significativamente em meados do século XIX. Seu crescimento está relacionado a três níveis de evolução de organização humana com características (tecnológicos, econômicos, sociais e políticos) semelhantes: a) ‘Sociedade de gente’ pré-urbana e antecede a alfabetização. Eram pequenos grupos dedicados inteiramente à busca por alimentação. Tiveram um longo período de evolução para transformarem-se em sociedades organizadas, em vilas e aperfeiçoarem suas técnicas. b) ‘Sociedade pré-industrial ou feudal’ estocava alimentação proveniente da agricultura e pecuária. Permitia a especialização do trabalho, estruturas de classes, condicionarem lideranças e organizarem-se. Utilizavam metalurgia, roda e arado, multiplicavam a produção, escrita e fontes de energia; c) ‘Cidade industrial moderna’ havia educação das massas, sistema de classes fluido e avanço tecnológico, com novas fontes de energia. A partir do segundo estágio de organização de sociedade as primeiras cidades se desenvolveram e, no terceiro estágio, aparecem em nível de sociedades pré-industriais. Além do aprimoramento técnico, outros dois fatores foram necessários para o aparecimento das cidades:
  • 15. 8 a) A organização social – poder controlar o excedente agrícola decorrente do avanço tecnológico (colher, armazenar, manufaturar e distribuir) e organizar a mão-de-obra para a construção civil em larga escala; b) A região de solo favorável – que além de fértil também deveria forneça água para suprir o consumo e agricultura. Então, para termos de definição o que é uma cidade? Segundo Sjoberg (1977, p. 38) “É uma comunidade de dimensões e densidade populacional considerável, abrangendo uma variedade de especialistas não-agrícolas, nela incluída a elite culta.” A elite culta é que diferencia as comunidades urbanas das não urbanas, pois com ela criam-se sistemas administrativos e legais mais complexos. As primeiras cidades tinham como características a forma de organização social dominante a teocracia (apenas o líder acumulava as funções de rei e chefe espiritual), a elite e seus dependentes moravam no centro da cidade (área de maior prestígio, de centros religiosos e governamentais, facilitando a comunicação entre eles e se protegendo de ataques). A uma distância maior ficava as lojas e residências dos artesões (pedreiros, carpinteiros, joalheiros, ceramistas) que serviam à elite. E os mais pobres viviam nos arrabaldes das cidades (trabalhadores agrícolas). O fato de um grande número de especialistas encontrarem-se reunidos nas cidades incentivava a inovação técnica, de ideias, religiosa, filosófico, científica, e as invenções para o próprio desenvolvimento e crescimento das cidades. Como ressalta Sjoberg (1977, p. 44) “só é possível interpretar corretamente o curso da evolução urbana comparando-a a evolução tecnológica e à evolução da organização social. Não são pré-requisitos da vida urbana, porém são bases do seu desenvolvimento”. O quarto nível de evolução de organização humana adveio da Revolução Industrial. Ocasionou transformações na geografia social da cidade que passou a ter aperfeiçoamento da educação e comunicação em massa, mais uma estratificação chamada de especialista e parte da elite afastada do centro para os subúrbios. As primeiras cidades industriais surgiram na Inglaterra pela sua estrutura social não ser tão rígida. O que permitia aos sábios uma comunicação mais facilitada com os artesãos. O industrialismo trouxe melhorias nas técnicas agrícolas, conservação dos alimentos, nos transportes e comunicação, suprimento de água e esgoto. Todos esses fatores favoreceram a concentração da população em locais atribuídos como centro das cidades, por se tratar de área de comércio (dos excedentes agrícolas manufaturados), lazer e conveniências.
  • 16. 9 Cauduro (1981) resume sucintamente a função dos centros das cidades, as suas diferentes épocas, dizendo que a cidade grega era como um ponto de encontro, núcleos comunitários, ponto de convergência e como um complemento da vida rural; a cidade medieval era subordinada ao campo; e a cidade após a Revolução Industrial é a cidade do poder econômico e político. Surgindo, assim, pontos de aglomerações de pessoas, os chamados centros de convivência urbana. 2.1.2 Cidades Universitárias Assim como Sjoberg (1977) define uma cidade pode-se fazer uma analogia para com as cidades universitárias, ou como diz Souza (2008) uma abstração, buscando coisas em comum ou regularidade entre coisas diferente, uma vez que até o momento não se encontrou uma definição específica nas bibliografias pesquisadas a fim de aproximar os conceitos do foco do estudo. Percebe-se semelhanças entre uma cidade e as cidades universitárias quando Sjoberg (1977) afirma que para existir uma cidade precisa-se ter uma comunidade de densidade populacional considerável, variedade de especialistas e uma elite culta. Pois, as cidades universitárias têm circulando diariamente uma grande quantidade de alunos, professores, funcionários, visitantes, participantes de congressos e conferências e comunidade dos bairros vizinhos que utilizam seus serviços. Além dos cursos oferecidos em diversas áreas formando especialistas e uma elite culta que contribuem com suas pesquisas, inovação técnica e científica para o engrandecimento do país. Para tanto, utilizou-se alguns textos do meio eletrônico, (FREITAS, 2009; SAAVEDRA, 2009) para auxiliar a descrever um conceito para as cidades universitárias, ou como também são conhecidos, grupos universitários, campi e campus, como termos utilizados para denominar o espaço físico das instalações de uma instituição de ensino superior (faculdade, universidade, centro universitário, centro tecnológico). Caracterizam-se na forma de um grande complexo acadêmico com estrutura própria e autônoma. Formada por unidades administrativas (reitoria, pró-reitorias, prefeitura, escritório técnico), unidades de ensino, pesquisa e extensão, laboratórios, hospital, complexo desportivo, estacionamentos, parques, praças, ruas, casa de estudantes, colégio, museu, entre outros em um mesmo local.
  • 17. 10 Apresenta-se em um espaço arquitetônico e urbanístico com características próprias onde cada centro acadêmico pode-se considerar um bairro. E que toda cidade universitária como um grande bairro que faz parte do município. Porém, tem gestão federal e mantém-se como uma cidade aberta e integrada à sociedade. Estruturada com centros de conveniência aos alunos, funcionários e comunidade dos bairros vizinhos, bancos, copiadora, atendimento a saúde, restaurantes, lazer, cultura, atividade física e suporte de transporte público e particular. Pode possuir, além da sede principal, outras unidades de apoio, com tamanho reduzido localizadas em áreas de acordo com as conveniências de serviços, comodidade e interesses do curso oferecido. E com o avanço da tecnologia acrescentam-se ainda as unidades de ensino a distância (EAD) com as aulas virtuais. 2.1.3 Paisagem Urbana Dentro das cidades sejam elas municipais ou universitárias, a paisagem urbana é de suma importância para o estudo dos espaços livres. É nelas e com elas que trabalhamos. Junto com a teoria de surgimento das cidades, as paisagens urbanas apresentam algo que as caracterizam, definida por Silva (1995 apud LIMA, 2002, p. 6). a roupagem com que as cidades se apresentam a seus habitantes e visitantes. Revela- se nos elementos formais da cidade, espalhando-se nas superfícies constituídas das edificações e dos logradouros da cidade. Seus componentes fundamentais se exteriorizam no traçado urbano, nas áreas verdes e outras formas de arvoredos, nas fachadas arquitetônicas e no mobiliário urbano com suas várias espécies. E, o mesmo autor, Silva (1995 apud LIMA, 2002), explica cada um dos componentes: a) O traçado urbano como sendo o desenho geral da cidade, resultante da disposição de vias públicas e dos logradouros no plano geral da cidade. É composto de elementos como pontes e viadutos; b) As áreas verdes que dão o colorido e a plasticidade ao ambiente urbano na arborização de vias públicas e configuração estética de praças; c) As fachadas arquitetônicas; d) O mobiliário urbano como os elementos complementares, ditos de escala ‘micro arquitetônica’, que integram o espaço urbano. São monumentos, anúncios, elementos de infraestrutura, entre tantos outros. Na visão de Carlos (1994) a análise e a definição espacial dos locais urbanos cabem a geografia que deve determinar os espaços para as relações sociais. Como palco da atividade
  • 18. 11 do homem organizado em função das necessidades dos grupos humanos. Esse local urbano é o produto, a condição e o meio onde acontecem todas as atividades. A necessidade de convivência em sociedade com relações sociais é uma consequência da evolução da raça humana. E a satisfação dessas necessidades coloca o homem como condição do processo histórico. Na medida em que a sociedade produz, transforma e reproduz sua existência no meio social deixa características específicas no processo histórico. Carlos (1994) fala da análise no espaço urbano a partir dos elementos que a compõem. Explica que isso acontece em dois momentos: um quando se decompõe a paisagem de forma geográfica e outro quando se recompõe a partir de seus elementos da paisagem. Elementos que dizem respeito ao ‘espaço construído’ (objetos e edificações de usos diferentes e contrastantes de habitar, trabalhar e laser) e ao movimento da vida (o ir e vir cotidiano das pessoas com atividades sociais que aparecem na relação com as coisas através de uma série elementos, coisificação). Compreendido em sua manifestação formal, paisagem e vida cotidiana que é mostrada através dela. Lynch (1997), assim como Carlos (1994), também trata a paisagem da cidade a partir de seus elementos. Considera que os aspectos mais importantes de uma paisagem são os relatados pelos habitantes e usuários da localidade, sendo ressaltados os elementos físicos mais imperceptíveis. O que pode ser de grande valia para os gestores no sentido de servir de orientação na busca dos novos elementos, e descobrir a importância do espaço para reforçar o seu significado, utilização e conservação. Lynch (1997) divide em cinco categorias com relação à forma física dos elementos da cidade. A primeira categoria é das vias (ruas, passeios, caminhos) que para muitas pessoas são os elementos mais importantes, pois à medida que se deslocam por elas organizam-se e orientam-se através dos elementos que nela estão dispostos relacionando-se. A segunda são os limites. Referências secundárias de ordens geográficas (costas marítimas, montanhas, córregos, rios). Tem a água como elemento de maior predominância, porém as ruas também podem servir como limitantes de regiões. A terceira são os bairros. Regiões urbanas com características identificáveis semelhantes. São áreas citadinas penetráveis mentalmente, ou seja, que as pessoas podem se imaginar transitando por ela. Apresenta características físicas de continuidades temáticas como componentes, textura, espaço, forma, detalhe, símbolo, tipo de edifício, costumes, atividades, habitantes, estados de conservação, topografia, entre tantas outras.
  • 19. 12 A quarta categoria são os cruzamentos. Locais estratégicos por constituírem-se de pontos de muita atenção. São locais de tomada de decisões e exigem maior atenção, portanto de grande importância perceptual. Estão relacionados a primeira e terceira categorias. A quinta e última categoria refere-se aos pontos (ou elementos) marcantes. Representam os objetos físicos (edificações, mobiliário) variáveis em tamanho. Funcionam como indicadores de identidade, estrutura e orientação do caminho. Apresentam importância funcional e/ou simbólica bastante relevante. No caso dos objetos terem uma forma clara torna-se mais fáceis de identificar, ainda mais se contrastarem com o fundo da paisagem ou estiverem em local destacado. Segundo Lynch (1997) a forma física destes elementos (edificações e mobiliários) são de uma grande importância na composição da paisagem, pois podem ser agradáveis visualmente ou extremamente irritantes. Por terem tal peso na composição da paisagem urbana, os pontos marcantes merecem certo destaque e consideração. Assim como os espaços públicos tiveram papéis diferentes ao longo da história com suas funções utilitárias e simbólicas os mobiliários e equipamentos também as tiveram. Alguns destes equipamentos sairão de uso, outros perderam a sua primeira função, outros foram se transformando e poucos são os que apresentam a sua função inicial. Os primeiros elementos e artefatos surgiram com os primeiros aglomerados populacionais nos espaços públicos da Mesopotâmia, afirma Carmona (1985 apud SEABRA ÁGUAS, 2009). Contudo antes delas houve a pequena povoação, o santuário e a aldeia; antes da aldeia, o acampamento, o esconderijo, a caverna, o montão de pedra; e antes de tudo isso, houve certa predisposição para a vida social que o homem compartilha, evidentemente, com diversas outras espécies animais (MUMFORD, 1965, p. 13 apud ARAÚJO, 2008, p. 5). Locais de concentração da população agrícola que foram crescendo e se desenvolvendo. Fazendo surgir novas atividades nestes espaços evocando o surgimento e instalação de equipamentos como poços escavados para retirada de água, posteriormente os romanos construíram aquedutos (o primeiro deles o Aqua Appi), fontes, chafarizes, barracas para comércio dos produtos manufaturados excedentes, marcos que serviam para fazer a divisão das áreas. A necessidade de alimentar e prender os animais exigia equipamentos de uso coletivo como postes para amarrá-los, segundo Carmona (1985 apud SEABRA ÁGUAS, 2009).
  • 20. 13 Os sanitários públicos da Antiga Roma são exemplos de mobiliários urbanos que, de acordo com Jovés, (2007 apud ARAÚJO, 2008), pode ser considerado um dos primeiros elementos classificados propriamente como mobiliário urbano. Outros equipamentos ligados a água tiram importância como: termas de banho público, poços, fontes, bebedouros e das primeiras latrinas públicas, respondendo às exigências de higiene e conforto individual. Sendo as fontes o maior legado da antiga Roma para a cidade moderna, segundo Mumford (1965 apud ARAÚJO, 2008). Atualmente muitos destes equipamentos históricos passaram a ser de função simbólica convertidos em obras de arte pública, Remesar (2004 apud ARAÚJO, 2008). Apareciam também os bancos, porém, no geral, estavam interligados às edificações. Assim como também a iluminação pública, apesar de serem elementos muito rudimentares, Remesar (2004 apud ARAÚJO, 2008). Sitte e Andrade (1992), afirmam que na Idade Média havia também as forcas, guilhotinas e os primeiros pelourinhos, (figura 1), Sortelha em Portugal. Figura 1 – Pelourinho de Sortelha, em Portugal. Fonte: ARAÚJO, Roberto Gonçalves. O mobiliário urbano ao longo dos tempos. In: COLÓQUIO SOBRE HISTÓRIA e HISTORIOGRAFIA DA ARQUITETURA BRASILEIRA, 1, 2008, Brasília, DF. Anais... No final da idade média surge uma maior generalização da iluminação, que obrigava os habitantes a manterem uma vela na janela de suas residências como forma de iluminação pública. Em época seguinte, surgem placas nas ruas, numerosas bancas e pequenas lojas nos espaços públicos. Os marcos se expandem continuamente numa tentativa de controlar a crescentes circulação de veículos. Dá-se a introdução de vias destinadas a pessoas (passeios) e a veículos (estradas), segundo Remesar (2004 apud ARAÚJO, 2008), que implica na progressiva pavimentação dos espaços.
  • 21. 14 Os elementos que continuaram evoluindo na tentativa de uma estruturação foram os de iluminação pública. Os novos elementos eram constituídos por uma as lanternas de vidro com vela dentro, geralmente localizadas nas janelas dos proprietários detinham a responsabilidade sobre elas. Mais tarde, no século XVIII, passou-se a iluminação a azeite para substituir as velas. Estes, foram denominados os primeiros candeeiros, eram constituídos por lanternas suspensas nas extremidades de uma haste de ferro, ou tinha um sistema de roldanas para fazer subir e descer para manutenção. Figura 2 – Postes de iluminação. Fonte: ARAÚJO, Roberto Gonçalves. O mobiliário urbano ao longo dos tempos. In: COLÓQUIO SOBRE HISTÓRIA e HISTORIOGRAFIA DA ARQUITETURA BRASILEIRA, 1, 2008, Brasília, DF. Anais... A partir do século XIX com o surgimento do sistema de iluminação a gás que modernizou a cidades, ornamentados com motivos vegetais e coroados por um capitel (figura 2). O século XX é sinônimo de consolidação da iluminação elétrica e assume caráter definitivo do serviço público ao cidadão e a fazer parte da paisagem das cidades. No Brasil, a partir de 1808, com a chegada da corte portuguesa, foram feitas importantes intervenções na cidade do Rio de Janeiro com implantação de serviços públicos. Os investimentos públicos equiparam a cidade com novas fontes e chafarizes, pontes e calçadas, além de iluminação pública feita com óleo de peixe, afirma Araújo (2008). Mais tarde, com as descobertas científicas a Grã-Bretanha começou a utilização do carvão de pedra, no lugar do carvão vegetal com o propósito de redução do minério de ferro, despontando na siderurgia. A descoberta possibilitou o uso do ferro fundido em larga escala na construção civil, estradas de ferro, peças construtivas e ornamentais muito usadas no século XIX. No mobiliário o urbano utilizou-se em postes, torres de relógios, bebedouros, coretos, bancos de praça e grades.
  • 22. 15 No Brasil, com a prosperidade econômica por conta do café e da borracha, percebe-se que houve necessidade de seguir os modelos de estética urbana europeia. Pois foram importados vários elementos para os espaços urbanos brasileiros, tais como pequeno porta- cartaz, quiosques de jornal, bebedouros, fontes, relógios, postes de iluminação, equipamentos sanitários, conforme Costa (2001, apud ARAÚJO, 2008). Os elementos de mobiliário urbano moderno surgem verdadeiramente no século XX quando é alcançada sua racionalização. Época em que se da maior importância à estética e a qualidade de vida dos usuários e que o termo mobiliário urbano refere-se ao sentido atual. Neste período, alguns elementos são abandonados ou substituídos por outros conceitos. Como os marcos que perdem o sentido com o surgimento dos passeios em elevação e as fontes que perdem a utilidade com a chegada da água canalizada as casas, assumindo caráter de arte urbana. As placas com o nome das ruas e os números das casas vão sendo utilizados de forma mais racional. Surgem os bancos. A iluminação do espaço público continua se destacando de evolução e apresenta seu ápice com o surgimento da pavimentação das ruas, como afirma Carmona (1985 apud SEABRA ÁGUAS, 2009). As colunas (figura 3) passaram a ser um equipamento desenvolvido para a fixação de cartazes no espaço público: função publicitária; a função social, evitando a colocação desordenada de anúncios; e a função financeira, uma vez que a empresa interessada no uso da coluna pagava ao município por exclusividade da concessão beneficiando economicamente o poder público, como explica Araújo (2008). Era uma seção cilíndrica onde se colocavam os anúncios de concertos e peças de teatro, como um espaço publicitário, na intenção de organizar. Com a expansão das cidades os administradores públicos tiveram que encontrar novos meios de solucionar problemas relativos à circulação, saneamento básico, melhoria do ambiente urbano e estética da cidade.
  • 23. 16 Figura 3 – Coluna anunciadora. Fonte: ARAÚJO, Roberto Gonçalves. O mobiliário urbano ao longo dos tempos. In: COLÓQUIO SOBRE HISTÓRIA e HISTORIOGRAFIA DA ARQUITETURA BRASILEIRA, 1, 2008, Brasília, DF. Anais... A transformação dos antigos aglomerados urbanos de ruas estreitas, mal pavimentadas, insalubres em cidades modernas e sistematicamente ordenadas propiciou o local ideal para desenvolvimento dos espaços urbanos como os conhecemos hoje. Surgiram os quiosques de flores e revistas. Porém, o fenômeno que motivou o desenvolvimento de novos equipamentos foi a disseminação do transporte público que fez surgirem as paradas de ônibus. Antes representadas simplesmente por um poste e uma placa e posteriormente veio a constituir-se de fato por abrigos para os passageiros. A segunda parte do século XX indica a última grande transformação do mobiliário urbano na atualidade. Marcada notadamente pelo desenvolvimento de novos métodos produtivos, novas tecnologias, novos materiais; por novas tecnologias de transporte e de comunicação que propiciaram a criação de artefatos específicos (abrigo para os passageiros, cabines telefônicas, elementos de sinalização, armário técnico, protetor de pedestres); e, principalmente, por transformações das necessidades sociais humanas que geram novas necessidades para com o espaço público. Até o momento haviam muitos e variados conceitos para definir mobiliário urbano e tratou-se de forma generalizada englobando e fazendo referência a qualquer conjunto de produto/objeto locados em espaços públicos e de funções urbanas. Como na definição de Ferrari (2004, p. 240) no ‘Dicionário de Urbanismo’: “conjunto de elementos materiais localizados em logradouros públicos ou em locais visíveis desses logradouros e que complementam as funções urbanas de habitar, trabalhar, recrear e circular [...]”.
  • 24. 17 Portanto, para fins mais didáticos de conceituação buscou-se amparo na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) com as Normas Brasileiras (NBR) 9.283 e 9.284 que diferenciam, definem e classificam, em categoria e subcategoria segundo sua função predominante em termos específicos, respectivamente, mobiliários urbanos e equipamentos urbanos. A NBR 9.283:1986 – ‘Mobiliário urbano’ tem por definição: “todos os objetos, elementos e pequenas construções integrantes da paisagem urbana, de natureza utilitária ou não, implantada mediante autorização do poder público, em espaços públicos e privados.” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1986a, p. 1). E a NBR 9.284:1986 – ‘Equipamento urbano’ tem por definição: “todos os bens públicos e privados, de utilização pública, destinados à prestação de serviços necessários ao funcionamento da cidade, implantados mediante autorização do poder público, em espaços públicos e privados.” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1986b, p. 1). Onde cada qual especifica em categorias e sub-categorias uma vasta listagem de produtos/objetos/ambientes a que pertencem, sendo alguns item comuns as duas normas. E, para contexto deste documento, destaca-se a categoria ‘4.3 Esporte e Lazer’ que inclui parque e praças e a categoria ‘Educação’ que inclui faculdades e universidades da NBR 9.284 – ‘Equipamento Urbano’. Da NBR 9.283 – ‘Mobiliário Urbano’ destaca-se a categoria ‘4.9 Ornamentação da Paisagem e Ambientação Urbana’ que contém bancos e assentos. Há também a NBR 9.050:2004 – ‘Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos’ que tem as diretrizes para novos projetos e adequação dos espaços existentes de forma acessível a portadores de necessidades especiais (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). No entanto, para Creus (1998 apud SERRA, 2002) ‘Elementos Urbanos: Mobiliários e microarquitetura’, e no livro de Mourthé (1998) ‘Mobiliário Urbano’, o termo mobiliário urbano não é muito correto por gerar ambiguidade com mobiliar ou decorar a cidade no seu sentido mais superficial e estético fazendo uma relação no sentido mais antigo da história das cidades no qual se fazia alusão à decoração da cidade. Sugere o termo ‘Elementos Urbanos’, o qual será utilizado apartir de agora neste documento e por abranger tanto os mobiliários quanto os equipamentos urbanos que serão geridos. Além de o termo atual enfocar a colocação dos elementos urbanos nos espaços livres das paisagens urbanas segundo sua funcionalidade, característica importante a ser considerada, pois segundo Mourthé (1998), contribui para que os usuários utilizem e preservem o ambiente.
  • 25. 18 2.1.4 Espaços Livres Agora como já se conhece os elementos que compõem os espaços livres pode-se entender melhor sua definição. Segundo Magnoli (1983), espaço livre é todo espaço não ocupado por um volume edificado ao redor das edificações a que as pessoas têm acesso. Conforme Carneiro e Mesquita (2000, p. 27) apresentam função de convívio social, elemento organizador da circulação se inseridos na malha urbana, função de respiradouros, de propiciadores do encontro social e atividades lúdicas temporárias. Citam ainda que estes espaços são consolidados apartir das necessidades surgidas durante o processo inicial de ocupação do local. Robba e Macedo (2002, p. 17) explicam que os espaços livres públicos urbanos são destinados ao lazer e ao convívio da população, além de serem acessíveis aos cidadãos e livres de veículos. A qualidade nos espaços urbanos em geral está vinculada a sua utilização pelo público e alguns aspectos devem ser seguidos, como sugere Macedo (1995): • Adequação funcional – formas e dimensões adequadas às atividades. • Adequação ambiental – salubridade, ventilação, insolação, sombreamento (a qualidade da água) e ainda permeabilidade do solo, estabilidade, rugosidade dos pisos. • Adequação estética – que variam de acordo com as expectativas sociais. Os espaços livres também podem ser definidos morfologicamente pelos planos horizontais e verticais, seus elementos são os naturais, tais como as encostas dos morros, os arvoredos e os arbustos. O plano horizontal é delimitado principalmente pelo piso, com diferentes tipos de pavimentos, grama, areia, cimento, asfalto e por expressivas superfícies de água. São exemplos de espaços livres: as ruas, praças, largos, pátios, quintais, parques, jardins, baldios, corredores externos, vilas e vielas. Outros termos também são utilizados para definirem áreas específicas que fazem parte do espaço livre. Os mais utilizados são: 1. Espaços verdes são áreas urbanas ocupadas por qualquer tipo de vegetação e que tenham um valor social: bosques, campos, matas, jardins, alguns tipos de praças e parques. O valor social pode estar associado a utilidades, tais como a produção de alimentos, ou pelo
  • 26. 19 interesse para a conservação de ecossistemas, pelo valor cultural, estético e de lazer. Áreas Verdes designam toda e qualquer área onde por qualquer motivo exista vegetação. Entretanto, não é vista somente do aspecto valor social anteriormente mencionado, mas pode ser também um remanescente como um baldio (que não existirá mais) ou como uma rótula ou ilha do sistema viário, que raramente são utilizados. 2. Áreas de Lazer são espaços livres de edificação, destinados prioritariamente ao lazer, sejam eles ativos (devido às possibilidades de jogos de atividades) ou de contemplação (devido à tranquilidade ou aos aspectos cênicos). Devido à carência de espaços destinados para este fim, é comum que as atividades de lazer aconteçam nas ruas e calçadas. 3. Áreas de Circulação são a maioria dos espaços livres de propriedade pública, como é o caso do sistema viário, praças, parques, largos e passeios, que se constituem em um sistema de espaços públicos. Os interiores dos condomínios e vilas podem ser considerados espaços livres privados, o que inclui a circulação. Segundo o conceito ambiental, o sistema de espaços livres pode ser organizado a partir dos ecossistemas existentes, em especial as linhas de drenagens das bacias hidrográficas. 2.1.5 Ambiente “A forma física de uma cidade tem um impacto sensorial que condiciona profundamente a vida de seus habitantes, e esse fato é frequentemente ignorado na tarefa da construção urbana.” Kingsley Davis Das questões apresentadas anteriormente esta é que mais se aproxima da área de arquitetura e urbanismo. Pois, trata-se do local, espaço ou ambiente que será gerido através dos seus elementos. E a preocupação com o espaço deve ser ainda maior por se tratar de um local onde ocorrem sensações e percepções de conforto, segurança, bem-estar aos usuários. Estes espaços livres, seja das cidades universitárias ou não, pertencem a um bairro e, por sua vez, a uma cidade, que se apresenta em um contexto urbanístico em que o projeto dos novos elementos deve-se integrar e os existentes devem ser conservados e mantidos. Há muitos aspectos visuais e estéticos de características importantes para os espaços livres. Como a legibilidade (ou clareza), explicada por Lynch (1997), Cauduro (1981), Davis et al (1977) e Mourthé (1998) refere-se à característica do lugar em oferecer evidência visual com relação aos pontos focais de referência que auxiliem o deslocamento e orientação dos indivíduos. Assim como a facilidade de apresentar as partes reconhecíveis e relacionáveis
  • 27. 20 com o usuário, ou seja, é preciso que ele localize estes pontos de referência em um lugar, saiba utilizar, compreende-lo e orientar-se apartir destes elementos. Estruturar e identificar o meio ambiente são questões de sobrevivência na orientação para o deslocamento dos indivíduos. Boa legibilidade ou clareza dão sentido importante de segurança emocional (inverso de perdido) ao indivíduo. São muitos os tipos de orientações utilizados fornecido pelo meio ambiente. Como, por exemplo, podemos citar as orientações sensoriais (a sensação visual da cor, da forma, do movimento, da luz, assim como o cheiro, o ruído, barulho ou som dos pássaros, o tato, a cinestesia). Outra característica de qualidade é a identidade do local. Representa o conjunto de atributos peculiares de um determinado lugar reconhecíveis por seus objetos, os quais se distinguem de elementos de outros locais pela sua individualidade e particularidade. Mantém uma relação espacial destes com o observador com significado prático ou emocional. Estes aspectos dão uma unidade ao lugar, conferindo-lhe uma coerência formal. Uma vez que, estes elementos são repetidos acabam criando uma linguagem de identidade nos espaços públicos. Davis et al (1977) apresentam ainda quatro pontos que se deve evitar ao se projetar os espaços urbanos. O primeiro deles é preocupar-se com a carga de tensão perceptiva, onde as sensações devem estar num limite de conforto ou tolerância. A segunda e a terceira são, as já mencionadas, falta de identidade e ilegibilidade. E, por fim, a quarta é a rigidez, que é a capacidade que o meio ambiente tem de permitir que o indivíduo possa interagir naquele espaço. Seja usando-o, transformando-o ou organizando-o de forma que possa ser acessível, estimulante e sensível de forma individual ou que auxilie em ações coletivas favorecendo a satisfação de relações interpessoais. Uma vez que a imagem visual desse ambiente é formada diferentemente por cada pessoa dependendo de acontecimentos, recordações e experiências passadas, segundo Lynch (1997). Estas características são apontadas para garantir a qualidade em qualquer espaço público, segundo os autores já citados. Porém, cada lugar pertence a um contexto único com características que evidencia o seu caráter singular e específico. Assim, temos uma diversidade de ambientes públicos onde cada um tem sua importância simbólica atuando na vida e nas lembranças dos usuários como cenários do seu comportamento particular.
  • 28. 21 Estes ambientes públicos, especialmente nas cidades universitárias, desempenham um papel social importantíssimo. Pois, fornecem a matéria-prima para os símbolos e as memórias coletivas de interação em grupo e ao mesmo tempo são locais de mitos socialmente importantes na vida dos universitários. São locais onde os elementos móveis, pessoas e atividades, são tão importantes como as suas partes físicas e imóveis, como destaca Lynch (1997). As ruas, passeios e vias por se tratarem de traçados de deslocamento (especialmente nas cidades universitárias onde há grande circulação de pedestres) constituem meios significativos de organização e interligação de elementos de mobiliário urbano. Apresentam qualidades particulares de concentração de hábitos, atividades ao longo de suas margens e grande circulação. Funcionam como um esqueleto estrutural da cidade universitária. Servem também como limites, já citado por Lynch (1997), separando de centros acadêmicos como se fossem bairros. Uma área de caráter homogêneo, reconhecida por indicações que são contínuas dentro de uma mesma área. Com características espaciais homogêneas como requisito da identidade. Outro elemento direcionador e orientador de ponto de referência, citado por Lynch (1997), são as superfícies. Podem estar caracterizadas por determinado tipo de pavimento, textura, transparência ou uma cor codificada. Durante a caminhada a mudança do tipo de pavimento representa bem essa característica: caminha-se por uma calçada de cimento, depois atravessa-se a rua de asfalto ou de lajotas, retorna-se pelo passeio de cimento e ainda pode-se passar por um caminho de grama ou areia.
  • 29. 22 3. NECESSIDADES DOS USUÁRIOS Segundo Cauduro (1981), cada vez mais se torna necessário fazer uma análise cultural e histórica dos locais e dos habitantes ao se projetar algo. Principalmente o estudo dos hábitos e costumes de uma determinada região, pois, ao se projetar para o meio ambiente, estará se projetando também para uma comunidade inteira e este terá o resultado mais positivo quanto maior for o seu conhecimento sobre os valores, comportamentos e necessidades humanas. Uma vez que são as pessoas que detêm os hábitos dos espaços livres urbanos que os elementos devem atender, como reforça Mourthé (1998). Quem vive na região da sua cultura local aprecia com sentimento e sem julgamento os espaços urbanos, utilizando-o com prazer e as sensações que lhe possam transmitir. Diante disto, pode-se envolver profissionais qualificados especificamente para auxiliar nesta análise do conhecimento e comportamento humano, como por exemplo, antropólogos e sociólogos. Mourthé (1998) explica também que o ato de criar / manter um espaço em função da análise dos hábitos e comportamentos fica mais claro com a prática, pois a experiência auxilia o aperfeiçoamento da estética e do conhecimento da cultura daquela região. Os elementos urbanos, mais especificamente os mobiliários e equipamentos, possuem um papel interativo entre o espaço público e os usuários que influenciam e são influenciados pelos comportamentos sociais e expressões culturais. São produtos funcionais e de serviços que, justamente, por servirem para algo e para alguém se conserva, se preserva, é o que explica Mourthé (1998), as conveniências ajudam a diminuir o vandalismo, pois as pessoas tendem a preservar mais as coisas que precisam. Cauduro (1981) diz que juntamente com as novas tecnologias surgem novos hábitos, novas funções urbanas e novas condições de vida. Muitas necessidades dos indivíduos que passam boa parte do dia nas ruas precisam ser atendidas através de um sistema coordenado de elementos urbanos com índices satisfatórios de conforto, conveniência aos usuários combinados com uma estética agradável. Direcionando o foco para as cidades universitárias, percebe-se que em função do transito cada vez mais difícil de circular pela cidade, tarifas altas do transporte público e uma
  • 30. 23 grade de horários ampla dos trabalhadores e irregular dos alunos são alguns dos motivos que fazem as pessoas permanecerem boa parte do dia fora de casa. Dividindo o tempo entre trabalho, estudo, estágio, aula, momentos ociosos e de lazer. Cada vez mais a rua deixa de ser um local de passar para um local de estar, havendo a necessidade de um lugar que os acolha. Os espaços livres são locais propícios para receber as pessoas entre uma atividade e outra, independente do tempo entre elas. Observou-se algumas atividades desenvolvidas pelas pessoas da Universidade Federal de Santa Catarina e percebeu-se que estes locais atuam diretamente na qualidade de vida se permitir alguns fatores, caso contrário serão tratados com desprezo, vandalismo e tornar-se-á uma zona de conflitos. Observou-se que as pessoas precisam de algum local que permitia interações sociais. Um espaço que proporcione o encontro e seja fácil de localizar. Onde possam permanecer por um determinado tempo para o convívio social e contemplativo. Exige alguma estrutura que os permita estar, permanecer, ficar mesmo que não seja para nenhuma atividade específica, apenas contemplativa. Cultural. Por ser um espaço aberto e frequentado por pessoas de várias áreas do conhecimento há expressões culturais dos mais variados tipos. Encontra-se música, apresentações artísticas, culturais, circense, teatrais, exposições, instalações, intervenções, assim como, palco para manifestações sociais, protestos e reivindicações. Circulação. Caminhos que permitam transitar de uma edificação a outra ou de uma área livre a outra de forma tranquila, sem obstáculos, em caminhos sinalizados, orientados, contemplativos, acessíveis, com segurança e bem iluminados. Pode-se pensar em calçadas para os pedestres, ciclovias ou ciclo faixa (corredores de circulação) para as bicicletas, patins e afins e as vias para os veículos automotores. Conveniências. Usar o espaço da rua é revitalizar o ambiente, fomentar a região e, por mais contraditório que possa parecer, também é preservar. Permanecer muito tempo fora de casa acarreta em algumas necessidades que a prestação de serviços pode suprir. Há necessidades básicas como utilizar uma lanchonete ou restaurante e sanitários. E outras que são conveniências e comodidades, como serviços de fotocópia, fotografia para documentos, livraria, lavação automotiva, venda de artesanatos e produtos orgânicos em barracas, abrigo de passageiros de ônibus.
  • 31. 24 Meio ambiente. Além de permitir aproximar a população urbana da natureza torna o local mais agradável, utiliza-se a sombra, colorido, o aroma das árvores, flores e frutos. Espaços verdes diminuem a temperatura, melhoram a qualidade do ar, valorizam a região do entorno e funcionam como uma barreira sonora. Colaboram para a qualidade de vida, saúde física e psicológica dos cidadãos. Podem ter inseridos no seu contexto espaços didáticos, de lazer e de contemplação. Aproximar a população da natureza informando e educando aumenta a chance da população preservar. Sustentável. A presença de coletores de lixo separados por categorias de reciclagem, pontos coletores de pilhas e baterias, recolhimento de lixo eletrônico são alguns exemplos de pequenas iniciativas que trazem benefício para as pessoas que precisam e querem descartar corretamente os materiais. Além do benefício ambiental da preservação, conservação e reaproveitamento dos materiais isso também traz a consciência ambiental para mais perto da população. Tecnologias. Conforme explicou Cauduro (1981), com as novas tecnologias surgem novos hábitos, novas funções urbanas e novas condições de vida. Com a propagação de internet sem fio pelo campus universitário mudam também os hábitos de estudos. É possível perceber pessoas e grupos reunidos com computadores portáteis, celulares e afins que acessam informações para estudo ou lazer nos espaços livres, ambiente que se permite ficar de forma mais descontraída e mais a vontade com os colegas, se compararmos a uma biblioteca, por exemplo. Também há o benefício dos painéis de luminosos que informam a hora, a temperatura e publicidade. Acessibilidade. Sua falta pode impedir ou não propiciar um dos direitos mais básicos da constituição, o direito de ir e vir, e causar constrangimentos, como citado no artigo Acessibilidade para pessoas portadoras de deficiências, de LIMA (2006). Este fator não restringe-se apenas a locomoção, mas a orientação, boa iluminação, calçadas com material apropriado para o deslocamento de cadeiras de rodas, áreas de descanso ao longo das faixas de circulação, posicionamento de mobiliário urbano adequadamente, largura das calçadas, local para que a pessoa cadeirante possa ficar de forma integrada nos espaços de interação social, acesso das edificações para as áreas livres, conexão com as vias públicas (incluindo a transposição de um lado para o outro e vias públicas) e integração com o transporte público. Em resumo, permitir mobilidade e acessibilidade de bens e serviços com o uso equitativo da cidade universitária e integração sócio espacial da população.
  • 32. 25 Dentro do desenho urbano é possível desenvolver uma proposta arquitetônica / urbanística / paisagística para que a gestão consiga um diálogo harmônico entre usuários e ambiente trabalhando com características que os conecte ao local, tornando-os proativos nas atividades de uso, criando novos usos, acolhendo bem os usuários e recepcionando os novos. Como exemplo de uso dos ambientes livres urbanos de forma a respeitar as várias formas de se usar o espaço público sem conflitos pode-se citar o mapa que foi criado para o Parque do Ibirapuera. Nele são indicados os locais mais propícios para cada atividade como, por exemplo, locais para encontrar pessoas, pensar, ler e brincar com as crianças. No caso das cidades universitárias, especificamente a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC aonde se observou estes fatores, pode-se mapear em três grupos de atividades conforme os fatores apresentados à cima: de estar, de deslocar e de contemplar. Estar inclui interações sociais, cultural, conveniências e tecnologia. Atividades que também se pode relacioná-las com o desenvolvimento social, o lazer, tempo livre e vivências. Deslocar inclui circulação e acessibilidade. Fatores relacionados com o movimento, atividades de passagem e caminhos. Contemplar inclui os fatores de meio ambiente e sustentável. Incentiva e abriga interações com a natureza, relaxamento e bem-estar, mais relacionados com a ambiência do que com uma atividade especificamente. A ocupação do tempo livre e suporte social auxiliam na diminuição da insegurança, vandalismo e criminalidade, conforme (PERES, 2013).
  • 33. 26 4. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ESPAÇOS LIVRES: PLANEJAMENTO, GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO Assim como cuidar dos espaços livres um pequeno quintal residencial exige organização, mão-de-obra, material e planejamento e demanda de empenho gestar os espaços livres das cidades e cidades universitárias mais ainda, dada tamanha proporção. Os espaços públicos urbanos, como visto anteriormente, surgiram principalmente de uma necessidade de ordem econômica, a fim de permitir a comercialização dos produtos agrícolas excedentes em regiões de maior aglomeração populacional. Com isso, motivou também novos hábitos, necessidades nos fatores sociais, culturais, ambientais, físicos e, posteriormente, estéticos. E os elementos urbanos serviram e servem até hoje de instrumento para o convívio social em áreas públicas cumprindo suas funções estéticas, básicas e simbólicas. Diante disso, os gestores dos ambientes urbanos deverão ter como premissa para os seus projetos a análise dos fatores de ordem econômica. Pode-se exemplificar as questões relacionadas ao projeto dessas áreas. Manutenção dos seus equipamentos, durabilidade, reparos, facilidade de montagem e desmontagem dos mesmos. Cuidados com o paisagismo: manutenção, podas, plantiu, adubação e varrer folhas e lixo. Pintura de fiaxas de pedestres e meio fio. Entre outros elementos da paisagem elencados no c apítulo anterior, como as vias, os limitantes geográficos, os cruzamentos e os pontos marcantes da paisagem urbana. Todos estes fatores exigem estimativa de custo para criação e manutenção. Por serem elementos públicos e expostos em áreas livres, considerar também a variação de temperatura, granizo, salinidade, precipitação, vento e sol caracterizando os fatores ambientais. De modo que os materiais utilizados devem ser considerados para resistir às intempéries. Incluindo também neste item a iluminação do local, natural ou fornecidas por sistema próprio. Preocupar-se com os fatores físicos do local de destino destes elementos de modo que deverão ser correspondentes e integrados ao ambiente já construído no entorno. Adequando sua configuração formal ao contexto, sem deixar de respeitar os fatores esclarecidos acima nem os seguintes.
  • 34. 27 Os fatores sociais e culturais analisando o local respeitando, a natureza do lugar e o uso social. Para garantir um ambiente agradável que respeite os usuários e suas várias necessidades criando uma relação afetiva e simbólica entre o indivíduo e o espaço público. Com relação aos últimos fatores supra citados, sociais e culturais, deve-se faz um alerta. Atualmente com a facilidade de comunicação, advinda das tecnologias, as empresas disponibilizam o catálogo dos produtos na Internet. Mesmo que criados por designers, e com projetos bem resolvidos, não foram desenvolvidos preocupando-se com o ambiente e o contexto social e cultural para onde serão implantados. E os critérios de compra baseiam-se em uma estética interessante e na segurança mais do que a preocupação em criar uma identidade para o local, correndo-se o risco de se ter uma ‘homogeneidade cultural’. Onde o mesmo mobiliário pode ser encontrado em locais de características históricas e sociais diferentes. Além da produção por conta das próprias instituições públicas, há outras formas de se adquirir os elementos urbanos para as cidades. Uma delas é a compra por licitação. Onde são especificados tecnicamente todos os produtos a serem adquiridos e as empresas que se interessarem em fornecer estes elementos apresentam suas propostas de preço. A empresa que apresentar o menor valor será responsável pelo fornecimento destes produtos. Outra forma de aquisição dos elementos urbanos é por meio de concurso público. Promovido pela própria instituição pública (prefeitura, instituto de planejamento urbano, secretaria de urbanização ou outras instituições de gestão pública) onde a empresa vencedora é a responsável pela concepção, desenvolvimento, fabricação, instalação, manutenção, limpeza e conservação dos elementos e local por um determinado tempo. Pode haver também uma parceria entre a instituição pública e uma empresa privada. Em forma de concessão a empresa instala os elementos urbanos e provém a sua manutenção em troca de comercializar os espaços publicitários. Para se ter um espaço livre público de qualidade é necessário seguir alguns processos, como planejamento, projeto, orçamentação, execução / manutenção e/ou reforma. Para estas fase propõe-se o trabalho de uma equipe multidisciplinar onde o gestor poderá contar com arquitetos, urbanistas, paisagistas, geógrafos, designers, engenheiros ambientais, engenheiros agrônomos, cientistas sociais, etc. e outro profissional que se julgar necessário
  • 35. 28 para o caso de um projeto mais específico ou diferenciado para a produção dos espaços livres fazendo-se uso da elite culta disponível no quadro de funcionários das instituições públicas. Por se propor uma equipe multidisciplinar faz-se necessário a figura de um líder, o gestor, o qual irá gerenciar e gestar as políticas públicas que irão resultar nos espaços livres, bem como os processos de produção e reprodução do espaço urbano, seus diferentes usos e interesses de ocupação. O espaço urbano é um produto social composto por agentes que consomem e produzem este espaço de acordo com seus interesses. O poder público atua na organização espacial da cidade para tornar os direitos e, também os deveres, mais equitativos de forma legitimada. E com o planejamento urbano numa situação ideal de ênfase no social e preservação dos recursos naturais, tentando desvincular a ideia de que crescimento e desenvolvimento urbano são diretamente proporcionais à degradação do meio ambiente. Toda a produção de um espaço urbano começa a ser organizado através de um planejamento. Como explica Souza (2006), planejar significa tentar prever a evolução de um fenômeno, tentar simular desdobramentos de um processo, com o objetivo de melhor precaver-se contra prováveis problemas. É uma ação para se realizar no futuro, com todas as etapas descritas, pensadas e resolvidas e, alguns riscos ou chances de erros calculados. Para isso, utiliza instrumentos metodológicos, administrativos, legislativos e de gestão para o desenvolvimento de atividades num determinado espaço e tempo, incentivando a participação institucional e dos cidadãos, induzindo a relações mais estreitas entre sociedade e autoridades, (SANTOS, 2004, p. 24). É uma preparação para a gestão onde a ênfase principal está na tomada de decisões. Quem planeja procura entender o processo em todo seu contexto, não centrados em apenas um tema, mas procurando trabalhar entre as diversas especialidades que compõem processo. Já a gestão refere-se as ações do presente. Segundo Souza (2006), gerir significa administrar uma situação dentro da disponibilidade dos recursos e visando atender as necessidades imediatas. Tem o papel de realizar as ações do planejamento e a efetivação, ao menos em parte, das condições que o planejamento, feito anteriormente, ajudou a construir, (SOUZA, 2006, p.46). Sendo assim, os termos apresentados, são distintos, porém complementares. Tanto a gestão é algo indispensável, pois consiste em administrar os recursos e as relações de poder
  • 36. 29 no presente momento, como a falta de planejamento nos priva de escolher e prever as melhores possibilidades e, por consequência, os melhores resultados, (SOUZA, 2006). Em se tratando de planejamento e desenvolvimento de áreas públicas urbanas deve-se pontuar ao menos dois objetivos como de praxe para o planejamento e gestão urbanos: a melhoria na qualidade de vida e o uso equitativo, com justiça social. Todas estas etapas de produção do espaço público e das áreas livres devem atender prioritariamente aos princípios constitucionais da administração pública fedral, art. 37 que regem da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicicdade e eficiência. Sendo Administração Pública explicada por Afonso da Silva (2007, p. 655) como: [...] conjunto de meios institucionais, materiais, financeiros e humanos preordenados à execução das decisões políticas, noção simples de Administração Pública, que destaca, em primeiro lugar, que é subordinada ao poder político, em segundo lugar, que é meio, e, portanto, algo de que se serve para atingir seus fins definidos e, em terceiro lugar, denota os seus dois aspectos: um conjunto de órgãos a serviço do Poder político e as operações, as atividades administrativas. E, sucintamente, pode-se explicar seus princípos. Iniciando com legalidade em que pode-se dizer que o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, segundo (MORAES, 2002), só sendo permitido fazer o que a lei autoriza. Impessoalidade deriva de “impessoal” e representa algo que não é pessoal. Bandeira de Mello (2005, p. 104) diz que os administrados têm que ser tratados sem diferenças nem interesses sectários ou grupos de qualquer espécie. Está diretamente ligado à igualdade e isonomia. Moralidade exige da administração comportamento não apenas lícito, mas também consoante com a moral, os bons costumes, as regras de boa administração, os princípios de justiça, de equidade e a idéia comum de honestidade segundo relata Di Pietro (2007, p. 333). Publicidade administrativamente remete à transparência. No sentido que os administrados tenham conhecimento do que os administradores estão fazendo, conforme explica Afonso da Silva (2000, p. 653). Isto pode se feito por meio de publicação em diário oficial ou edital de divulgação de atos públicos para conhecimento do público em geral. Assim, afirma-se a democracia de modo que o povo pode acompanhar, com transparência, a materialização e o desenvolvimento das atividades administrativas. Para este princípio há
  • 37. 30 exceções e estão previstas no art. 5º da CRFB - Constituição da República Federativa do Brasil. Eficiência, em se tratando de gestão pública, significa que a administração pública tem a obrigação de desempenhar suas atribuições buscando a forma mais satisfatória possível para a coletividade. Assim, atingem-se os objetivos empregando corretamente os recursos e os meios (humanos, materiais e institucionais) para melhor satisfazer às necessidades coletivas, Moraes (2000, p. 303). Além dos princípios constitucionais da administração pública, art. 37, existe critérios de controle externo, geralmente controlados pelo TCU – Tribunal de Contas da União, no art. 71 e de controle interno feito pelo próprio poder executivo, regido pelos artigos 70 e 74, feito normalmente pelo sistema de auditoria. Este tipo de controle acompanha execução do orçamento, verifica a legalidade na aplicaçãodo dinheiro público e auxilia o TCU no exercício de sua missão institucional, segundo Pietro (2011). Portanto, entende-se que estes tipos de critérios tratam do controle dos gastos público, com minimização dos custos sem perder a qualidade especificada. Cabe ressaltar que outros princípios de diversas normas, como os de Responsabilidade Fiscal, da Lei Complementar Nr. 101/2000, denominada Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF (Planejamento, Transparência, Controle e Responsabilização), os Orçamentários, da Lei Nr. 4.320/64 (Unidade, Anualidade, Universalidade - UAU) e os de outras normas legais como os da Lei Nr. 8.666/93, os da Lei 8.112/90, também dispõem sobre atos e fatos que todos os Gestores Públicos devem observar. Além dos princípios taxativamente enunciados no art. 37 da CRFB, existem dois outros postulados previstos na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e mais se aproximam das atividades relacionadas as etapas de produção dos espaços livres: proporcionalidade e razoabilidade. Dentre outros, também há o princípio da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Razoabilidade é um princípio regido principalmente pela proporcionalidade, justiça e adequação entre os meios utilizados pelo Poder Público e os fins por ela almejados, levando- se em conta critérios racionais e coerentes conforme explicou Bucci (1996 apud MORAES, 2002, p. 114). É a maneira de fazer os processos para atingir os interesses públicos.
  • 38. 31 E, para compreender perfeitamente o conceito, explica-se proporcionalidade segundo Carvalho Filho (2009, p. 38) como sendo o ato de conter o excesso de poder do agente público no sentido de adequação das medidas tomadas pela administração às necessidades administrativas, quando se julgar necessário. Além das questões técnicas, jurídicas e legais pode-se considerar alguns desdobramentos mais detalhados e específicos, porém não menos relevantes, para que se possa começar a planejar um espaço livre. Como já foi proposto, o planejamento dos elementos urbanos é uma prática multidisciplinar e que a inserção destes elementos deve-se integrar positivamente à paisagem dos espaços livres de forma a qualificar os mesmos com ordem e estética. Na eficiência de suas funções reais e simbólicas adequadas à cultura local e boa legibilidade. Levando-se em consideração para a projetação dos elementos urbanos que irão compor o espaço a tríade citada por Creus (1998 apud SERRA, 2002): a racionalidade, a emotividade e a funcionalidade. Para tanto, nota-se que devem ser consideradas mais três grandes questões levando em consideração a totalidade dos espaços livres: o ambiente e o contexto em que estes elementos serão inseridos; o design especificamente das peças considerando os aspectos técnicos; e as necessidades dos usuários daquela região. Qualquer elemento inserido no espaço livre deve ser bem planejado, pois por mínima que seja, ele apresentará a necessidade de manutenção para garantir seu perfeito uso, qualidade e segurança. A qualidade do material utilizado e da mão-de-obra fazem correspondência direta no resultado da qualidade do espaço. Isto serve para exemplificar tanto uma lixeira quanto um canteiro de flores. A escolha dos materiais utilizados nos objetos ou as plantas para o espaço livre também é importante, visto que uma das características mais importante para tornar o ambiente mais agradável são as propriedades dos materiais percebidas pelas estruturas fisiológicas sensoriais (tato, audição, olfato, paladar, visão) formando um conjunto de propriedades sensoriais. Apartir do contato dessas estruturas fisiológicas sensitivas com o produto o indivíduo inicia um processo de associação das sensações com seu repertório formando o processo de percepção, de acordo com Sternberg (2000 apud TORRES, 2009).
  • 39. 32 Os materiais também têm influência direta no custo para a produção do espaço, contudo, para sua escolha deve-se levar em consideração características técnicas, formais, de funcionalidade, culturais, econômicas, de fabricação, peso, conformação, resistência, manutenção, limpeza, intempéries, pichação, vandalismo, tecnológicos, sustentáveis, socioambientais, entre outras, além das normas e legislação quando for o caso. Os processos produtivos para desenvolver o projeto do espaço planejado são variáveis (de acordo com material escolhido e o projeto), porém apresentam, de maneira geral, a busca por características que favorecem a concretização do espaço, como baixo custo de produção, utilização de mão-de-obra não especializada, equipamentos de simples manuseio e matérias- primas fáceis de encontrar. Seu processo é facilitado quando o projeto é bem resolvido tanto em soluções de materiais quanto em processos de fabricação, mecanismos, encaixes, conformação, sistemas e subsistemas de funcionamento, planejamento e otimização dos recursos (ROZENFELD, 2006). Outro ponto a ser considerado para a elaboração do espaço livre é a utilização da tecnologia. Deve-se considera-lo como um requisito e também como um aliado. Segundo Baxter (1998), juntamente com uma boa demanda de mercado a oferta de tecnologia é um dos grandes motivos para o sucesso de um produto. Rozenfeld (2006, p. 126) define tecnologia “como um modo peculiar de resolver um determinado problema, utilizado com princípios físicos ou químicos”. A utilização de tecnologias agrega valor ao espaço, desperta o interesse e a curiosidade dos usuários. Rozenfeld (2006) ainda explica ainda que muitas empresas utilizam-se o subterfúgio de criar produtos conceito para avaliar tecnologias futuras incorporando componentes, materiais inovadores e tendências de forma e cor. Com isso, podem avaliar a viabilidade de cada tecnologia e entender melhor a reação do público. Excelente oportunidade para que os próprios alunos das universidades tenham a possibilidade de colocar seus produtos em teste, utilizando o próprio campus universitário como laboratório de pesquisa. Alguns exemplos simples da utilização da tecnologia nos espaços livre são encontrados em totens e painéis eletrônicos que informam a temperatura, a hora, a data e ainda dispõem de espaço para comercializar anúncios publicitários criando condições para sustentabilidade do próprio produto, no caso concessão do espaço publicitário. Há também painéis que apresentam tecnologia 3D. Além disso, há materiais tecnológicos contra pichação, tecnologias de conformar os materiais, para acabamento e proteção dos materiais, tratamento
  • 40. 33 contra os raios ultravioletas, pigmentação dos materiais e nos processos de produção, por exemplo. Assim com os materiais escolhidos para compor os espaços livres são importantes para as propriedades perceptivas dos usuários a forma e a proporção destes elementos nos espaços também. Configurando considerações a respeito do design dos elementos do espaço o qual também se utiliza da interdisciplinaridade das áreas profissionais para sua projetação, conforme (PEREIRA, 2010). Percebe-se que as características relacionadas ao design e a escolha dos materiais são subjetivas. Ou seja, não são princípios ou requisitos específicos mensuráveis para a projetação dos espaços livres. Como justificativa a esta constatação pode-se atribuir a variabilidade dos fatores sociais, culturais, econômicos, estéticos, características de uso, climáticas, ambientais, físicas e a disponibilidade de matérias-primas que devem ser consideradas para cada situação de uso e cada espaço livre. Isso torna os processos metodológicos intuitivos em algumas das fases de projeto e elaboração dos espaços. Mourthé (1998) levanta a questão da padronização e/ou personalização dos espaços urbanos. Consideração que cabe às cidades universitárias uma vez que cada centro de ensino pode-se considerar como um bairro, pois possui características próprias, assim como os seus usuários. Portanto, pode-se defender a personalização dos elementos urbanos com base em culturas locais (ou subculturas) como forma de criar uma identificação com o usuário de cada setor, fazendo uma referência visual a fim de tornar uma cidade universitária mais legível, de acordo com Mourthé (1998) e Lynch (1959). Não que a padronização seja algo condenável, pois se tem exemplos de padronização a nível nacional que funcionam. Como no caso da Empresa Brasileira De Correios e Telégrafos, com a padronização das caixas de postagem e as empresas telefônicas com os telefones públicos gerando uma identificação institucional. A ergonomia1 é um pressuposto para a projetação tanto do espaço como um todo como dos elementos urbanos. Neste caso apontam-se algumas questões para conceituação sobre o assunto. Pode-se elucidar ergonomia como um estudo sobre as habilidades, limitações e outras características humanas relevantes a design. Explicar também que o projeto 1 Informações obtidas no material didático disponibilizado pela professora doutora Lisandra Andrade, na disciplina de Ergonomia I, na Universidade do Estado de Santa Catarina, em 2008.
  • 41. 34 ergonômico é a aplicação destas informações ao design de máquinas, ferramentas, sistemas, tarefa, trabalhos e para o uso humano seguro, confortável e efetivo (CHAPANIS, 1959). De acordo com esta explicação, o destaque fica por conta da palavra design, pois ela separa a ergonomia das disciplinas puramente acadêmicas como antropologia, fisiologia e psicologia. Assim, as atividades humanas relacionam-se sempre com um componente físico e outro mental. Motivando o projetista a trabalhar com as duas especialidades: a física e a cognitiva. Na ergonomia física englobam-se as bases da antropometria e biomecânica estudando posturas desconfortáveis, a força exercida, força excessiva, movimentos repetitivos, transporte de cargas, iluminação, vibração, mudanças de temperatura, entre outros. Na ergonomia de produto evitam-se constrangimentos posturais, favorece a boa posta, saúde e segurança do usuário. E a ergonomia cognitiva tem suas bases na psicologia cognitiva, antropologia e sociologia. Aborda a análise de informações das tarefas realizadas pelos usuários, bem como os processos mentais de percepção, memória, raciocínio, resposta motora e tomada de decisão, etc. Lynch (1997) destaca várias categorias importantes que o projetista deve considerar quanto ao design dos elementos urbanos. A primeira delas é a singularidade ou clareza das figuras de fundo. Refere-se ao elemento único (uma torre, um totem, o paisagismo de uma região específica) e a relação deste elemento com o plano de fundo da paisagem. A segundo a categoria é sobre a simplicidade da forma. Lynch (1997) afirma que clareza e simplicidade no sentido geométrico da forma visual dos elementos são mais facilmente lembradas pelos usuários do que as formas complexas. Continuidade é a terceira categoria a ser considerado no desenvolvimento de novos projetos. Referem-se tanto a paisagem como um todo quanto aos elementos a que compõe. Lembra que a repetição dos elementos deve apresentar um intervalo rítmico, semelhanças, harmonia com a superfície, na forma e nos hábitos. A quarta categoria é a predominância. É o destaque que se dar de uma parte ou algo em relação às outras devido ao tamanho, intensidade ou interesse. Resultando em um
  • 42. 35 interessante efeito de omissão ou inclusão em determinadas situações onde queira se destacar algum elemento da paisagem ou outras onde se queira amenizar a pregnância perceptual. Outra categoria importante é a clareza de ligação. Deve-se fazer uma boa visibilidade das ligações, uma relação clara entre os elementos, suas funções e o meio ambiente. A sexta categoria é a diferenciação direcional e refere-se a assimetrias, mudanças e referências radiais na estrutura da cidade em grande escala. Outra categoria é o alcance visual. Diz respeito a paisagem como um todo. É uma qualidade que aumenta ou organiza a possibilidade de uma boa visão, no sentido real ou simbólico. Incluem as transparências, sobreposições de vistas, panoramas, elementos articulantes, entre outros que explicam visualmente um espaço. A oitava categoria é a consciência do movimento. São qualidades que tornam um observador perceptivo do seu próprio movimento, através dos sentidos visuais e cinestésicos. São indicativos que reforçam a clareza de desníveis e curvas ajudando a manter a coerência direcional. Uma vez que movimentar-se pela cidade de forma orientada faz parte da atividade vital do ser humano. A nona categoria é a de séries temporais. Uma seqüência de elementos dispostos de maneira que o observador possa fazer uma ligação simples entre eles sabendo associá-lo ao que o precede e ao que lhe segue. E outra seqüência de forma mais melódica, compassada (como na música) onde se percebe um ritmo na disposição dos elementos, mais do que no próprio objeto. Considera também os conceitos da forma como uma continuidade que exibem uma seqüência da imagem dos elementos como uma sucessão formal de espaço, textura, movimento e luz. A décima e última categoria é a de nomes e significados. São características não físicas que reforça a imagem de um elemento. Como, por exemplo, os nomes que podem cristalizar a identidade de um objeto ou lugar ou associados ao significado histórico, social, funcional ou econômico reforçam grandemente a estrutura organizacional e direcional de um indivíduo com relação ao local de deslocamento. Há normas que tratam sobre os elementos da paisagem urbana. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR) de mobiliário urbano NBR 09283 - Mobiliário urbano
  • 43. 36 de março 1986 e a NBR 09284 - Equipamento Urbano de março 1986 que apenas classificam em categorias e subcategorias os equipamentos e os mobiliários. Porém, existe a NBR 9050 de 2004 – ‘Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos’, deve-se considerar as seções 8 e 9 que dizem respeito, respectivamente, a equipamentos urbanos e mobiliário. Colocando os equipamentos urbanos em rotas interligadas e acessíveis para pessoa em cadeira de rodas (PCR) e pessoa com mobilidade reduzida (PMR), em locais de piso plano horizontal, distribuir os assentos para PMR e pessoa obesa (PO), conforme a tabela 8 da norma, nas quantidades determinadas e juntos das áreas de circulação. Dimensiona espaços para PCR e assentos para PMR e PO de modo que o espaço para a cadeirante deve possuir 0,80 m por 1,20 m, acrescido de 0,30 m de largura na frente e/ou atrás como dimensões mínimas. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Com relação às praças e parques a norma diz que tanto a pavimentação (com rotas acessíveis com pisos específicos) quanto o mobiliário e os equipamentos edificados ou montados devem ser acessíveis. E que pelo menos 5% das mesas destinadas a jogos ou refeições deve estar entre 0,75 m e 0,85 m de altura do piso. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Para as escolas, complexos educacionais e campi universitários deve haver pelo menos uma rota acessível interligando os alunos as áreas administrativas, de prática desportiva, de recreação, de alimentação, salas de aula, laboratórios, bibliotecas, centros de leitura, praças, demais ambientes pedagógicos e todos ambientes acessíveis. Todos os elementos do mobiliário urbano da edificação como bancos de alvenaria, devem ser acessíveis garantindo ao lado dos assentos fixos em rotas acessíveis um módulo de referência (MR), espaço de 1,20 m por 0,80 m, sem que interfira com a faixa de livre circulação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Como mostra a figura 4 abaixo.
  • 44. 37 Figura 4 - Exemplo de módulo de referência. Fonte: Associação Brasileira De Normas Técnicas. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2004. Para os casos de mobiliário a NBR 9050 de 2004 determina condições específicas para mesas ou superfícies para refeições ou trabalho, assentos fixos e corredores. Para as mesas determina que seja previsto pelo menos 5% delas em espaços acessíveis, com no mínimo uma para PCR, localizada junto às rotas acessíveis e distribuída por todo o espaço. Com altura livre de no mínimo 0,73 m do piso, MR para a aproximação frontal possibilitando avançar sob as mesas até 0,50 m, altura entre 0,75 m e 0,85 m do piso (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Conforme figura 5: Figura 5 - Exemplo de mesas. Fonte: Associação Brasileira De Normas Técnicas. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2004. Quanto aos assentos fixos a norma determina que deve existir ao seu lado um MR, sem interferir com a faixa livre de circulação, conforme figura 5 apresentada acima, devem
  • 45. 38 contemplar pelo menos 5% dos assentos fixos do local e que pelo menos outros 10% sejam adaptáveis. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). E, para os corredores e áreas de circulação, a NBR 9050 de 2004 acessíveis para PCR, deve estar vinculada a rotas acessíveis, ter largura de no mínimo 0,90 m e possuir áreas de circulação e manobra no seu início e término. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Cauduro (1981) afirma, e pode-se perceber claramente, que há um certo caos com relação às várias áreas do sistema de objetos / produtos / elementos do mobiliário urbano. Os elementos são feitos de forma isolada, não falam a mesma linguagem e, portanto, não tem uma unidade nem identidade. Isto pode ser entendido pelo simples fato de que uma empresa não produz todos os tipos de elementos urbanos necessários para compor um conjunto mínimo de elementos para o ambiente, constatado em pesquisa feita por meio eletrônico. A empresa que produz bancos de madeira, na maioria das vezes, não produz elementos relacionados à iluminação, e assim por diante. Considerando-se ainda a utilização necessária de semáforos e placas de orientação de trânsito, placas de sinalização e tapumes de obras que causa ‘uma nova doença’ nomeada por Cauduro (1981) como stress perceptual. Uma vez percebido a falta coerência formal entre os elementos de mobiliário urbano pode-se contar com a contribuição dos designers industriais. Desenvolvem sistema de produtos / objetos, e não objetos isolados de modo que podem trabalhar em equipe composta por especialistas das áreas de tecnológicas e das ciências humanas, como propõe (PEREIRA, 2010). Sua área de estudo deve ser responsável pela concepção e desenvolvimento de artefatos direcionados a oferecer conforto e comodidade aos cidadãos, não só das cidades universitárias, como também da cidade como um todo, sendo parte do desenho urbano das ruas no contexto sócio-cultural-ambiental. Ainda assim, podem fazer a projetação dos elementos de mobiliário urbano de forma a ser mais funcional, durável, seguro, resistente e acessível. Além de características que podem dar um diferencial ao projeto, como por exemplo, ser múltiplo, permitir vários usos, utilizar tecnologias de produção o mais sustentável possível, compatibilidade com os locais do contexto flexibilidade, permitir acrescentar ou suprimir componentes, a partir de um modelo
  • 46. 39 básico, de acordo com as necessidades. Preocupar-se com o estresse perceptivo dos painéis publicitários. Como Lynch (1997) afirma sobre esses conceitos, e relaciona outros citados para complementar, todas estas qualidades pautadas facilitam a compreensão, aumentam a eficiência da visão, organização e poder de resolução sobre o objeto ou local. Para aumentar a qualidade do espaço livre o gestor público pode ainda fazer o exercício de observação. Sugere-se que, para uma boa prática, o gestor observe a situação exitente e os problemas existentes. Solucionam-se problemas existentes e minimizam-se os erros das próximas projatações. Como exemplo para a sugestão pode-se observar a figura 6 que represente a situção comum do campus da Universiade Federal de Santa Catarina – UFSC, onde ocorre constante erosão nos pés do banco. Ergonomicamente não é adequado, conpromente a estrutura e a segurança. Figura 6 - Exemplo de problema existente. Fonte: foto da autora. É sabido que as tecnologias evoluem muito rapidamente e com com isso novas soluções odem surgir para os problemas. Por isso há necessidade de uma constante atualização de informações e conhecimento por parte do verdadeiro gestor. Porém, diante do exposto sugere-se ainda um último componente fundamental para o trabalho de projetação, seja de qualquer especificidade: a criatividade. Com ela pode-se resolver situações difíceis, fora do comum e problemas não solucionados pelas normas.
  • 47. 40 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como expôs-se neste documento os espaços livres permitem convivência e interação entre as pessoas e das pessoas com o ambiente, assim como nas cidades universitárias. Atuam em relação direta na vida dos usuários, proporcionando-lhes sensações que influenciam na qualidade de vida. Isso aumenta ainda mais a importância e a responsabilidade dos gestores públicos tamanha a abrangência populacional atingida. Diante de tal importância, o problema principal proposto a ser resolvido foi o de levantar informações consideráveis para auxiliar na gestão dos espaços livres. E, para isso, objetivou-se compreender as áreas livres nas cidades universitárias; entender as necessidades das pessoas que utilizam estes espaços; e elencar as considerações para a gestão deste espaço público. Para solucionar o primeiro objetivo, buscou-se características, conceitos e formas de relacionar estes espaços e seus elementos com os usuários. Fez-se, em alguns casos, estudos por analogia com os estudos existentes sobre as áreas livres das cidades. Obteve-se o resultado esperado podendo ter base histórica importante para compreensão do passado e projeção para o desenvolvimento e futuro dos espaços. Conclui-se que, além de uma área que pode ser delimitada física e geograficamente entre o volume das edificações, inclui também os elementos que a compõe, dentre mobiliários, equipamentos e elementos da própria paisagem natural. Existe ainda o fator perceptivo da paisagem urbana que considera fatores do aspecto visual e estético para a organização do espaço e torna-lo agradável. Percebeu-se que há diversas características de qualidade para o espaço e que cada espaço tem suas próprias características considerando sua importância simbólica, social, de hábitos e costumes das pessoas que utilizam o local. São características que não são técnicas e devem ser tratadas de forma empírica e perceptiva. Por consequência, após analisar o local, analisou-se a necessidades das pessoas que utilizam os espaços livres, como segundo objetivo deste trabalho. Percebeu-se que o surgimento e o desenvolvimento dos espaços de convívio e interação das pessoas nas cidades estão atrelados ao seu desenvolvimento das mesmas e a sua organização social. Com o passar dos tempos as sociedades foram crescendo e com isso aspirando necessidades diferentes. Assim, pode-se entender que o futuro dos espaços livres está ligado ao futuro das cidades como um todo, a organização social e ao surgimento e desenvolvimento de novas tecnologias
  • 48. 41 que por sua vez geram novas necessidades. Verificou-se que os hábitos e o comportamento social determinam os usos dos espaços. Utilizam-se do mobiliário urbano para interação, de tecnologia e do próprio espaço natural para convívio e contemplação. Concluiu-se que as necessidades estão atreladas ao uso que as pessoas irão fazer dos espaços e estão relacionados basicamente com três ações: estar, deslocar e contemplar. Essas três ações compreendem mais estar pelos espaços livres do passar por eles. Faz com que um espaço público se torne também um espaço um pouco pessoal. Analisa-se fatores de qualidade que não são mensuráveis tecnicamente. Após analisar o local e as necessidades dos usuários procurou-se reunir considerações para que os gestores possam dar mais qualidade ao espaço e aos usuários, atendendo ao terceiro objetivo. Para o efetivo trabalho de criação, planejamento, execução/manutenção e gestão dos espaços livres públicos é preciso a análise de algumas condicionantes que abrangem diversas áreas do conhecimento. São fatores de ordem administrativa, gestão e planejamento; técnicos, jurídicos e normativos; sociais, culturais e ambientais; tecnológicos, ergonômicos, perceptivos e estéticos; criação, produção e manutenção. Conclui-se, portanto, que há necessidade de uma equipe multidisciplinar para produção de um espaço livre de qualidade, pois muitos dos fatores levantados têm características técnicas e outros características humanísticas, antropológica e sociais, necessitando de várias áreas do conhecimento. Considera-se, com estas colocações, que o objetivo geral desta pesquisa foi alcançado, visto que consegui-se delimitar a área de trabalho dos gestores públicos proposta no início do trabalho. Além de conseguir identificar as necessidades dos usuários, descrita no segundo objetivo, percebeu-se ainda seus hábitos e costumes. E, por fim, elencou-se fatores de qualidade para os espaços livres que abrangem os aspectos importante tanto para quem utiliza quanto para quem ira produzir o espaço livre. Contudo, mais atividades ainda podem ser feitas nesta área. Como trabalho futuro, pode-se pensar na formação de um centro de pesquisas e aplicação de estudos dos ambientes urbanos da cidade universitária. Formar um centro de pesquisas interdisciplinares com o intuito de aprimorar as relações entre os usuários da universidade (estudantes universitários, professores, técnico-administrativos, prestadores de serviço, comunidade dos bairros vizinhos, visitantes de encontros, congressos e candidatos ao vestibular) e os componentes do meio ambiente.
  • 49. 42 REFERÊNCIAS AFONSO DA SILVA, José. Curso de direito constitucional positivo. 18. ed. São Paulo: Malheiros, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9283: mobiliário urbano: classificação. Rio de Janeiro, 1986. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9284: equipamento urbano: classificação. Rio de Janeiro, 1986. BANDEIRA DE MELLO, Celso Antonio. Curso de direito administrativo. 16. ed. São Paulo: Malheiros, 2003. BAXTER, Mike. Projeto de produto: guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: E. Blucher, 1998. CARLOS, Ana Fani A. A (re) produção do espaço urbano. São Paulo: EDUSP, 1994. SÁ CARNEIRO, A. R.; MESQUITA, L. B. Espaços Livres do Recife: Prefeitura da Cidade do Recife/ Universidade Federal de Pernambuco, 2000. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. CAUDURO, João Carlos. Design & ambiente. 2. ed. São Paulo: FAUUSP, 1981. DAVIS, Kingsley et al. Cidades: a urbanização da humanidade. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 20. ed. São Paulo: Atlas, 2007. DI PIETRO, Maria Sylvai Zanella di. Direito administrativo. 24. ed. São Paulo: Atlas S. A., 2011. públicas. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1233, 16 nov. 2006. Disponível em: requisito da legalidade, legitimidade e economicidade das edificações. FERRARI, Celson. Dicionário de urbanismo. São Paulo: Disal, 2004. FREITAS, Alexandre de. Pequenas cidades universitárias do estado de São Paulo I. Cidades e Lugares, 21 ago 2009. Disponível em: <http://cidadeselugares.blogspot.com/2009/08/pequenas-cidades-universitarias-do.html>. Acesso em: 20 set. 2010. LIMA, João Ademar de Andrade. Urbanismo como ciência, técnica e arte: sua política e sua proteção legal. Arquitextos, São Paulo, ano 3, n. 27, ago. 2002. Disponível em: