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Araujo et al formas e usos de dois espaços públicos do centro de poços de caldas, mg

Artigo publicado no PNUM 2018 - Rede Lusófona de Morfologia Urbana, com uma proposta de avaliação sintática de duas praças centenárias em Poços de Caldas, MG

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A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios
1
Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas,
MG:
um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial
Leandro Letti da Silva Araújo 1 *, Evandro Ziggiatti Monteiro 2 **, Rodrigo Argenton Freire 3 **
1 letti@pucpcaldas.br 1, 2 evanzigg@g.unicamp.br, 3 rodrigo.a.freire@gmail.com
* Instituto de Ciências Sociais, Curso de Arquitetura e Urbanismo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais;
** Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas.
Resumo
As praças públicas possuem papel relevante na história das cidades brasileiras pois são parte integrante da
configuração do espaço urbano desde sua gênese, refletindo a cultura e os costumes da sociedade ao longo do
tempo. Como espaços livres delimitados, estão integradas ao sistema urbano e possuem relevância na
configuração da paisagem urbana. Desenhadas com a finalidade principal de promover o convívio social e
urbanidade, suas formas e elementos também permitem a construção de significados e promoção de vitalidade,
características desejáveis a qualquer centralidade urbana. Como espaço de convívio, devem promover a
diversidade e o encontro, físico e visual e, como um elemento de integração entre outros espaços, deve
promover a circulação eficiente e segura. Diante do exposto, este artigo tem como objetivo discutir as
influências do desenho e da configuração dos elementos destes espaços públicos sobre o movimento, o
encontro e o contato visual em diferentes períodos históricos. Como estudo de caso, são consideradas duas
praças localizadas no município de Poços de Caldas, sul do Estado de Minas Gerais, que, além de grande
relevância histórica regional, compõe o sistema de espaços abertos e a paisagem urbana da área central. As
praças selecionadas para o estudo são a Praça Dom Pedro II, conhecida como Praça dos Macacos, cuja origem
remonta à descoberta das águas termais sulfurosas e seu uso medicinal a partir do século XIX e a Praça Pedro
Sanches, que integra o Complexo Hidrotermal juntamente com o Parque José Affonso Junqueira e os edifícios
do Palace Casino, Palace Hotel e Thermas Antônio Carlos, desenhado por João e Reynaldo Dierberger,
importantes paisagistas brasileiros da primeira metade do século XX.. Como método, é utilizada abordagem
multidisciplinar constituída por pesquisa histórica para identificação de períodos de alterações morfológicas até
a atualidade e análise configuracional de cada período. A análise configuracional é conduzida por meio de
Sintaxe Espacial, sendo realizados estudos de integração axial para descrição dos eixos de movimento e análise
visual de grafos (VGA) para avaliação dos níveis de integração visual das praças, indicando os locais com maior
e menor potencialidade de “ver e ser visto”. Foram identificados períodos de alterações morfológicas ao longo de
cem anos e obtidas avaliações sintáticas para cada período. As análises apresentaram diferenças significativas
nos valores das medidas selecionadas em cada período, apontando aspectos positivos e problemas específicos
de cada praça. Entre os resultados mais interessantes, as análises do desenho da Praça Pedro Sanches ressaltam
a intenção dos projetistas. Como contribuição, estima-se que a caracterização das praças por sua morfologia e
pelas consequencias das intenções projetuais possam fornecer informações relevantes para futuras reformas ou
intervenções nos locais de estudo e ou fornecer referências para novos projetos.
PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios.
Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da
Sintaxe Espacial. Araújo et al.
2
Introdução
As praças são espaços livres de uso público e representam um dos elementos fundamentais da
constituição da forma urbana, destinadas a promover o convívio social, recreação e lazer
contemplativo. São componentes morfológicos das cidades, caracterizados por sua organização
espacial em relação ao entorno e pela intencionalidade de seu desenho destinado a pressupor funções
sociais e significados, como a presença de arquitetura, momumentos, estruturas lúdicas e culturais
(Lamas, 2004).
Sendo o uso das praças destinado à diversidade de relações e atividades, aspectos de sua composição
física estão conectados ao cumprimento de seu papel social, intrínseco ao conceito de urbanidade -
atributo social que envolve a convivência entre diferenças. Ainda, conforme Holanda (2010), o
princípio da urbanidade pode ser interpretado enquanto urbanidade social, “quando os atributos estiverem
relacionados a modos de interação social”, e urbanidade arquitetônica, “quando os atributos estiverem relacionados
ao lugar”.
Nesse sentido, os modos culturais desenvolvidos pela sociedade ao longo de sua história são
responsáveis pelo desenvolvimento dos dois modelos de urbanidade. Considerando o espaço das
praças como referência histórica de civilidade, discussão e permuta de todo o tipo, conclui-se que tais
espaços são reflexos relevantes da vida social. Ainda, apresentam-se como lugar de encontro e fluxos
urbanos, onde ocorrem interações interpessoais ou visuais entre seus usuários (Fernandes, 2011).
A priori, grande parte das cidades desenvolvem-se ao redor de praças, com seus casarios e instituições
- prefeituras, câmaras governamentais ou igrejas – tornando-os espaços de memória histórica que
funcionam tanto como pano de fundo para acontecimentos quanto para construção da identidade e
tradição local (De Angelis, 2005). Entretanto, a concretização de interações nesses espaços deve ser
empreendida por meio de seu desenho e por meio da intencionalidade de suas características formais,
a fim de promover aspectos de interação - físicos e visuais - que, diante da dinâmica social e do passar
do tempo, podem receber novos significados.
Diante de tais perspectivas, partindo-se do entendimento de que: i. a configuração do desenho dos
espaços influencia as formas de interação entre grupos e indíviduos e ii. as praças públicas são
componentes morfológicos historicamente de interação social, este trabalho propõe uma análise no
tempo e no espaço de duas praças públicas centenárias, a fim de identificar relações entre forma e
uso ao passo de sua existência. Para isso, são considerados como fatores que influenciam a interação
social a capacidade de acessibilidade à circulação e ao encontro de pessoas e os níveis de visibilidade
que os espaços projetados permitem, ou seja, como uma pessoa “vê e é vista”.
Como objetos de estudo, estão a Praça Pedro Sanches e a Praça Dom Pedro II, inseridas na região
central do município de Poços de Caldas, Minas Gerais, que possuem grande relevância histórica,
social e paisagística. O presente trabalho configura o momento inicial de um trabalho de
caracterização das praças e demais espaços públicos do município e é composto duas etapas: i.
pesquisa histórica para identificação das alterações morfológicas significativas no desenho das praças
PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios.
Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da
Sintaxe Espacial. Araújo et al.
3
e ii.análise da configuração dos desenhos para avaliação dos níveis de acessibilidade e permeabilidade
visual por meio da utilização de Sintaxe Espacial. Em um segundo momento da pesquisa, serão
adotados procedimentos e levantamentos “in loco” como complemento das análises sintáticas e
caracterização do uso atual e do perfil dos usuários das praças.
Abordagem metodológica
Resgate histórico dos momentos e formas das duas praças
A identificação das características morfológicas das praças ao longo de sua história será feito por
meio de revisão de literatura específica (Mourão, 1998; Megale, 2002; Mattes, 2005) e por meio de
acervo fotográfico, disponibilizado por historiadores e pelo Departamento Municipal de Patrimônio
Histórico da Secretaria de Planejamento de Poços de Caldas, que também forneceu arquivos vetoriais
em formato dwg da Praça Dom Pedro II e Praça Pedro Sanches. Entretanto, parte do desenho das
praças teve que ser reconstruído por meio da pesquisa e observação de fotografias. Após a conclusão
das edições necessárias, a pesquisa foi conduzida para análise sintática.
Sintaxe Espacial
A Sintaxe Espacial foi concebida como ferramenta para análises configuracionais do espaço urbano
e edificado a partir da Teoria da Lógica Social do Espaço, desenvolvida por Hillier e Hanson (1984).
Em síntese, a teoria baseia-se nos aspectos de configuração dos elementos constituintes espaço como
determinantes ao comportamento social, com foco em questões relativas ao movimento e aos
encontros entre grupos e indivíduos.
Enquanto ferramenta, a Sintaxe Espacial possibilita a apreensão do sistema urbano, arquitetônico ou
espacial de maneira sintética, por meio de grafos, cuja representação é de fácil apreensão, permitindo
a construção de um conjunto de medidas que levam em consideração o posicionamento de cada
elemento constituinte em relação a todo o sistema ou a um raio definido. As medidas calculadas
resultam das noções de integração e segregaçao entre as formas espaciais, representando as maneiras
com que as pessoas possivelmente utilizam o espaço. As análises variam de acordo com o objetivo,
ou seja, buscam entender como o espaço pode ser utilizado enquanto movimento, interação ou
mesmo como pode ser visto (Vaughan, 2007). Assim, a descrição de tais características, que são
intrínsecas ao espaço, são descritas pela Sintaxe Espacial a partir de três elementos: i. a linha; ii. o
espaço convexo; e iii. a isovista [fig. 1].
PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios.
Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da
Sintaxe Espacial. Araújo et al.
4
Figura 1 – O espaço como um aspecto social. Fonte: Vaughan, 2007.
A questão do movimento é representada a partir do mapa axial ou pelo mapa de segmentos, que
procura descrever o sistema de mobilidade de um determinado espaço por meio da sua decomposição
em eixos, ou pelas “linhas retas que podem ser desenhadas atravessando os espaços livres da malha urbana”
(Hillier, Hanson, 1984). Conforme o método, os sistemas de mobilidade são compostos por eixos,
ou vias, de maior ou menor acessibilidade, sendo entendidas por meio de sua profundidade. Eixos
mais acessíveis são considerados rasos e integrados, e menos acessíveis, profundos ou segregados.
Tal questão implica que, em tese, linhas mais integradas são passíveis de maior movimento de pessoas
e vitalidade em suas várias representações, como atividades econômicas ou vida social (Saboya et al.
2015).
Para a Sintaxe Espacial, a forma de um espaço está relacionada ao campo visual de um indivíduo e
em como este pode compreendê-lo. Espaços com maior nível de convexialidade, permitem maior
apreensão de suas características ocasionando a ampliação de sua inteligibilidade (Hillier, 1996). Para
análise do quão um espaço pode ser percebido, parte-se do conceito de isovista, definido como o
campo visual que permite ao indivíduo perceber o espaço a partir de sua posição (Benedikt, 1979).
Entretanto, segundo Turner et al. (2001), apesar da importância do conceito de isovistas, estas são
medidas que dependem de propriedades geométricas locais entre indivíduo e o alvo da observação e
não consideram as interrelações espaço-visuais entre todo o ambiente. A partir da medida de
integração de Hillier e Hanson (1984), Turner et al. (2001) desenvolveram um modelo do espaço
gerado por conjunto de grafos que são analisados mutuamente em todas as posições possíveis no
ambiente, determinando os nós que “são mais vistos ou menos vistos”, denominado VGA – Visual Graph
Analysis. Conforme Al-Sayed et al. (2014), entre as medidas mais usuais, estão a conectividade– que
calcula as conexões visíveis entre os nós – e a integração visual – que calcula a distância média dos
passos topológicos entre todos os nós, determinando quais nós são mais acessíveis visualmente [fig.
2].
PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios.
Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da
Sintaxe Espacial. Araújo et al.
5
Figura 2 – (a) Conjunto de grafos. Fonte: Castro, 2017. (b) Conectividade Visual e (c) Integração Visual. Fonte: elaborada
pelo autor.
Para a análise sintatica das praças, os arquivos vetoriais são convertidos para o formato dxf e inseridos
no software Depthmap (Varoudis, 2017). Os aspectos de acessibilidade e permeabilidade visual são
avaliados pelas medidas de Integração Axial e Integração Visual, respectivamente. Os resultados
podem ser apresentados de forma numérica, em gráficos ou em cores, sendo a graduação entre tons
de azul para valores baixos, tons de amarelo e verde para valores intermediários e tons de laranja e
vermelho para valores mais altos. Espera-se que seja possível inferir sobre as características
configuracionais do desenho os objetos e entender seu funcionamento ao longo da história, como
rotas, locais de maior ou menor probabilidade de uso e espaços de permanência. Entretanto, as
análises não configuram uma posição determinista em relação ao comportamento social. Al-Sayed et
al. (2014) afirma que os resultados obtidos pelas análises sintáticas não implicam que a sociedade aja
da mesma forma, de modo que pesquisas comportamentais, sobreposição de dados socioeconômicos
e levantamentos em campo devam ser realizados como complemento.
Estudo de caso: Duas praças em Poços de Caldas, MG.
As praças selecionadas como objetos empíricos de pesquisa estão relacionadas à história da cidade,
tanto no que diz respeito à descoberta, pesquisa e uso das águas termais, quanto ao desenvolvimento
social e urbano da região central. Estão distantes cerca de 400 metros e possuem uso intenso pela
população residente e por turistas, servindo de pano de fundo para festividades e atrações ao longo
do ano [fig. 3].
PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios.
Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da
Sintaxe Espacial. Araújo et al.
6
Fig. 3 – Localização das praças na região central. Fonte: elaborada pelo autor.
O contexto de inserção das praças na malha viária da região central é caracterizado pela delimitação
por quatro vias, originando praças quadrangulares ou retangulares. As quadras ao redor das praças
possuem uso intenso de comércio e serviços, como bares, lojas e hotéis, configurando eixo turístico
e de grande vitalidade urbana. O gabarito médio de altura é de dezesseis metros, estabelecido em
função da altura máxima dos edifícios históricos, com apenas 3 edíficios com gabarito de quarenta e
cinco metros, construídos em período anterior à lei de preservação do patrimônio da região central.
A importância do estudo do entorno tem resultado em diversos trabalhos sobre espaços livres
públicos a partir de análises sintáticas (Trova et al., 1999; Kim, 2009; Casarin et al., 2012; Saboya et
al., 2014). Casarin et al. (2012) apresentou experimentos de diferentes configurações e possíveis
situações na malha urbana e da locação de edifícios e monumento. Entre os experimentos, a situação
da quadras em relação ao espaço aberto é similar a da posição das praças estudadas neste trabalho
[Fig. 4].
Figura 4 – Estudos de variações configuracionais com e sem obstáculos. Fonte: Casarin et al., 2012.

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Araujo et al formas e usos de dois espaços públicos do centro de poços de caldas, mg

  • 1. A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios 1 Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial Leandro Letti da Silva Araújo 1 *, Evandro Ziggiatti Monteiro 2 **, Rodrigo Argenton Freire 3 ** 1 letti@pucpcaldas.br 1, 2 evanzigg@g.unicamp.br, 3 rodrigo.a.freire@gmail.com * Instituto de Ciências Sociais, Curso de Arquitetura e Urbanismo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; ** Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas. Resumo As praças públicas possuem papel relevante na história das cidades brasileiras pois são parte integrante da configuração do espaço urbano desde sua gênese, refletindo a cultura e os costumes da sociedade ao longo do tempo. Como espaços livres delimitados, estão integradas ao sistema urbano e possuem relevância na configuração da paisagem urbana. Desenhadas com a finalidade principal de promover o convívio social e urbanidade, suas formas e elementos também permitem a construção de significados e promoção de vitalidade, características desejáveis a qualquer centralidade urbana. Como espaço de convívio, devem promover a diversidade e o encontro, físico e visual e, como um elemento de integração entre outros espaços, deve promover a circulação eficiente e segura. Diante do exposto, este artigo tem como objetivo discutir as influências do desenho e da configuração dos elementos destes espaços públicos sobre o movimento, o encontro e o contato visual em diferentes períodos históricos. Como estudo de caso, são consideradas duas praças localizadas no município de Poços de Caldas, sul do Estado de Minas Gerais, que, além de grande relevância histórica regional, compõe o sistema de espaços abertos e a paisagem urbana da área central. As praças selecionadas para o estudo são a Praça Dom Pedro II, conhecida como Praça dos Macacos, cuja origem remonta à descoberta das águas termais sulfurosas e seu uso medicinal a partir do século XIX e a Praça Pedro Sanches, que integra o Complexo Hidrotermal juntamente com o Parque José Affonso Junqueira e os edifícios do Palace Casino, Palace Hotel e Thermas Antônio Carlos, desenhado por João e Reynaldo Dierberger, importantes paisagistas brasileiros da primeira metade do século XX.. Como método, é utilizada abordagem multidisciplinar constituída por pesquisa histórica para identificação de períodos de alterações morfológicas até a atualidade e análise configuracional de cada período. A análise configuracional é conduzida por meio de Sintaxe Espacial, sendo realizados estudos de integração axial para descrição dos eixos de movimento e análise visual de grafos (VGA) para avaliação dos níveis de integração visual das praças, indicando os locais com maior e menor potencialidade de “ver e ser visto”. Foram identificados períodos de alterações morfológicas ao longo de cem anos e obtidas avaliações sintáticas para cada período. As análises apresentaram diferenças significativas nos valores das medidas selecionadas em cada período, apontando aspectos positivos e problemas específicos de cada praça. Entre os resultados mais interessantes, as análises do desenho da Praça Pedro Sanches ressaltam a intenção dos projetistas. Como contribuição, estima-se que a caracterização das praças por sua morfologia e pelas consequencias das intenções projetuais possam fornecer informações relevantes para futuras reformas ou intervenções nos locais de estudo e ou fornecer referências para novos projetos.
  • 2. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 2 Introdução As praças são espaços livres de uso público e representam um dos elementos fundamentais da constituição da forma urbana, destinadas a promover o convívio social, recreação e lazer contemplativo. São componentes morfológicos das cidades, caracterizados por sua organização espacial em relação ao entorno e pela intencionalidade de seu desenho destinado a pressupor funções sociais e significados, como a presença de arquitetura, momumentos, estruturas lúdicas e culturais (Lamas, 2004). Sendo o uso das praças destinado à diversidade de relações e atividades, aspectos de sua composição física estão conectados ao cumprimento de seu papel social, intrínseco ao conceito de urbanidade - atributo social que envolve a convivência entre diferenças. Ainda, conforme Holanda (2010), o princípio da urbanidade pode ser interpretado enquanto urbanidade social, “quando os atributos estiverem relacionados a modos de interação social”, e urbanidade arquitetônica, “quando os atributos estiverem relacionados ao lugar”. Nesse sentido, os modos culturais desenvolvidos pela sociedade ao longo de sua história são responsáveis pelo desenvolvimento dos dois modelos de urbanidade. Considerando o espaço das praças como referência histórica de civilidade, discussão e permuta de todo o tipo, conclui-se que tais espaços são reflexos relevantes da vida social. Ainda, apresentam-se como lugar de encontro e fluxos urbanos, onde ocorrem interações interpessoais ou visuais entre seus usuários (Fernandes, 2011). A priori, grande parte das cidades desenvolvem-se ao redor de praças, com seus casarios e instituições - prefeituras, câmaras governamentais ou igrejas – tornando-os espaços de memória histórica que funcionam tanto como pano de fundo para acontecimentos quanto para construção da identidade e tradição local (De Angelis, 2005). Entretanto, a concretização de interações nesses espaços deve ser empreendida por meio de seu desenho e por meio da intencionalidade de suas características formais, a fim de promover aspectos de interação - físicos e visuais - que, diante da dinâmica social e do passar do tempo, podem receber novos significados. Diante de tais perspectivas, partindo-se do entendimento de que: i. a configuração do desenho dos espaços influencia as formas de interação entre grupos e indíviduos e ii. as praças públicas são componentes morfológicos historicamente de interação social, este trabalho propõe uma análise no tempo e no espaço de duas praças públicas centenárias, a fim de identificar relações entre forma e uso ao passo de sua existência. Para isso, são considerados como fatores que influenciam a interação social a capacidade de acessibilidade à circulação e ao encontro de pessoas e os níveis de visibilidade que os espaços projetados permitem, ou seja, como uma pessoa “vê e é vista”. Como objetos de estudo, estão a Praça Pedro Sanches e a Praça Dom Pedro II, inseridas na região central do município de Poços de Caldas, Minas Gerais, que possuem grande relevância histórica, social e paisagística. O presente trabalho configura o momento inicial de um trabalho de caracterização das praças e demais espaços públicos do município e é composto duas etapas: i. pesquisa histórica para identificação das alterações morfológicas significativas no desenho das praças
  • 3. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 3 e ii.análise da configuração dos desenhos para avaliação dos níveis de acessibilidade e permeabilidade visual por meio da utilização de Sintaxe Espacial. Em um segundo momento da pesquisa, serão adotados procedimentos e levantamentos “in loco” como complemento das análises sintáticas e caracterização do uso atual e do perfil dos usuários das praças. Abordagem metodológica Resgate histórico dos momentos e formas das duas praças A identificação das características morfológicas das praças ao longo de sua história será feito por meio de revisão de literatura específica (Mourão, 1998; Megale, 2002; Mattes, 2005) e por meio de acervo fotográfico, disponibilizado por historiadores e pelo Departamento Municipal de Patrimônio Histórico da Secretaria de Planejamento de Poços de Caldas, que também forneceu arquivos vetoriais em formato dwg da Praça Dom Pedro II e Praça Pedro Sanches. Entretanto, parte do desenho das praças teve que ser reconstruído por meio da pesquisa e observação de fotografias. Após a conclusão das edições necessárias, a pesquisa foi conduzida para análise sintática. Sintaxe Espacial A Sintaxe Espacial foi concebida como ferramenta para análises configuracionais do espaço urbano e edificado a partir da Teoria da Lógica Social do Espaço, desenvolvida por Hillier e Hanson (1984). Em síntese, a teoria baseia-se nos aspectos de configuração dos elementos constituintes espaço como determinantes ao comportamento social, com foco em questões relativas ao movimento e aos encontros entre grupos e indivíduos. Enquanto ferramenta, a Sintaxe Espacial possibilita a apreensão do sistema urbano, arquitetônico ou espacial de maneira sintética, por meio de grafos, cuja representação é de fácil apreensão, permitindo a construção de um conjunto de medidas que levam em consideração o posicionamento de cada elemento constituinte em relação a todo o sistema ou a um raio definido. As medidas calculadas resultam das noções de integração e segregaçao entre as formas espaciais, representando as maneiras com que as pessoas possivelmente utilizam o espaço. As análises variam de acordo com o objetivo, ou seja, buscam entender como o espaço pode ser utilizado enquanto movimento, interação ou mesmo como pode ser visto (Vaughan, 2007). Assim, a descrição de tais características, que são intrínsecas ao espaço, são descritas pela Sintaxe Espacial a partir de três elementos: i. a linha; ii. o espaço convexo; e iii. a isovista [fig. 1].
  • 4. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 4 Figura 1 – O espaço como um aspecto social. Fonte: Vaughan, 2007. A questão do movimento é representada a partir do mapa axial ou pelo mapa de segmentos, que procura descrever o sistema de mobilidade de um determinado espaço por meio da sua decomposição em eixos, ou pelas “linhas retas que podem ser desenhadas atravessando os espaços livres da malha urbana” (Hillier, Hanson, 1984). Conforme o método, os sistemas de mobilidade são compostos por eixos, ou vias, de maior ou menor acessibilidade, sendo entendidas por meio de sua profundidade. Eixos mais acessíveis são considerados rasos e integrados, e menos acessíveis, profundos ou segregados. Tal questão implica que, em tese, linhas mais integradas são passíveis de maior movimento de pessoas e vitalidade em suas várias representações, como atividades econômicas ou vida social (Saboya et al. 2015). Para a Sintaxe Espacial, a forma de um espaço está relacionada ao campo visual de um indivíduo e em como este pode compreendê-lo. Espaços com maior nível de convexialidade, permitem maior apreensão de suas características ocasionando a ampliação de sua inteligibilidade (Hillier, 1996). Para análise do quão um espaço pode ser percebido, parte-se do conceito de isovista, definido como o campo visual que permite ao indivíduo perceber o espaço a partir de sua posição (Benedikt, 1979). Entretanto, segundo Turner et al. (2001), apesar da importância do conceito de isovistas, estas são medidas que dependem de propriedades geométricas locais entre indivíduo e o alvo da observação e não consideram as interrelações espaço-visuais entre todo o ambiente. A partir da medida de integração de Hillier e Hanson (1984), Turner et al. (2001) desenvolveram um modelo do espaço gerado por conjunto de grafos que são analisados mutuamente em todas as posições possíveis no ambiente, determinando os nós que “são mais vistos ou menos vistos”, denominado VGA – Visual Graph Analysis. Conforme Al-Sayed et al. (2014), entre as medidas mais usuais, estão a conectividade– que calcula as conexões visíveis entre os nós – e a integração visual – que calcula a distância média dos passos topológicos entre todos os nós, determinando quais nós são mais acessíveis visualmente [fig. 2].
  • 5. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 5 Figura 2 – (a) Conjunto de grafos. Fonte: Castro, 2017. (b) Conectividade Visual e (c) Integração Visual. Fonte: elaborada pelo autor. Para a análise sintatica das praças, os arquivos vetoriais são convertidos para o formato dxf e inseridos no software Depthmap (Varoudis, 2017). Os aspectos de acessibilidade e permeabilidade visual são avaliados pelas medidas de Integração Axial e Integração Visual, respectivamente. Os resultados podem ser apresentados de forma numérica, em gráficos ou em cores, sendo a graduação entre tons de azul para valores baixos, tons de amarelo e verde para valores intermediários e tons de laranja e vermelho para valores mais altos. Espera-se que seja possível inferir sobre as características configuracionais do desenho os objetos e entender seu funcionamento ao longo da história, como rotas, locais de maior ou menor probabilidade de uso e espaços de permanência. Entretanto, as análises não configuram uma posição determinista em relação ao comportamento social. Al-Sayed et al. (2014) afirma que os resultados obtidos pelas análises sintáticas não implicam que a sociedade aja da mesma forma, de modo que pesquisas comportamentais, sobreposição de dados socioeconômicos e levantamentos em campo devam ser realizados como complemento. Estudo de caso: Duas praças em Poços de Caldas, MG. As praças selecionadas como objetos empíricos de pesquisa estão relacionadas à história da cidade, tanto no que diz respeito à descoberta, pesquisa e uso das águas termais, quanto ao desenvolvimento social e urbano da região central. Estão distantes cerca de 400 metros e possuem uso intenso pela população residente e por turistas, servindo de pano de fundo para festividades e atrações ao longo do ano [fig. 3].
  • 6. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 6 Fig. 3 – Localização das praças na região central. Fonte: elaborada pelo autor. O contexto de inserção das praças na malha viária da região central é caracterizado pela delimitação por quatro vias, originando praças quadrangulares ou retangulares. As quadras ao redor das praças possuem uso intenso de comércio e serviços, como bares, lojas e hotéis, configurando eixo turístico e de grande vitalidade urbana. O gabarito médio de altura é de dezesseis metros, estabelecido em função da altura máxima dos edifícios históricos, com apenas 3 edíficios com gabarito de quarenta e cinco metros, construídos em período anterior à lei de preservação do patrimônio da região central. A importância do estudo do entorno tem resultado em diversos trabalhos sobre espaços livres públicos a partir de análises sintáticas (Trova et al., 1999; Kim, 2009; Casarin et al., 2012; Saboya et al., 2014). Casarin et al. (2012) apresentou experimentos de diferentes configurações e possíveis situações na malha urbana e da locação de edifícios e monumento. Entre os experimentos, a situação da quadras em relação ao espaço aberto é similar a da posição das praças estudadas neste trabalho [Fig. 4]. Figura 4 – Estudos de variações configuracionais com e sem obstáculos. Fonte: Casarin et al., 2012.
  • 7. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 7 Conforme os estudos, verifica-se a importância das interseções como espaços de visibilidade quando o entorno é caracterizado por quadras contínuas. Como um trabalho de análise temporal, não foi possível levantar com precisão o entorno das praças em relação ao conjunto edificado, de forma que as análises são realizadas no perimetro interno das praças, ou seja, possuem foco em seu desenho. Reconhece-se, contudo, a relevância do entorno visto que a praça é um elemento morfológico bem delimitado e integrante de um sistema. Praça Dom Pedro II A Praça Dom Pedro II, também conhecida como Praça dos Macacos, foi construída em 1896 pela Empresa Balneária de Poços de Caldas ao redor de uma fonte de água sulfurosa, onde também foi construído um balneário, autoria do engenheiro e arquiteto alemão Carlos Maywald (Megale, 2002). Conforme Mattes (2005), antes da ocupação, a vegetação do local atraía a presença de macacos e, após a urbanização, o entorno da praça passou a ser caracterizado pela presença de “pessoas de poucas posses” e pela população negra, que passaram a ocupar o local após a abolição da escravatura em 1888. Com base na pesquisa histórica, foi possível determinar que as características essenciais do desenho da praça mantiveram-se ao longo dos 122 anos de existência, no entanto, houveram alterações no desenho dos canteiros, substituição da arborização e demolição e adição de monumentos e edificações de apoio, além do desenvolvimento do entorno edificado. Nesse sentido, partindo-se do primeiro período, data da construção da Praça Dom Pedro II, foram identificados outros dois períodos de alterações morfológicas no interior da Praça Dom Pedro II, sendo o segundo datado de meados de 1940 e o terceiro a partir de 1970. De início, a praça foi construída ao redor de trecho do Ribeirão de Caldas, que a atravessa diagonalmente no sentido sudeste-noroeste, dividindo-a em duas porções, a norte e a sul, conectadas por uma ponte, contando com um perímetro quadrangular de cerca de cem por cem metros. Na porção norte estão situados os elementos relevantes - a fonte de águas sulforosas (destaque azul) e o Balneário Doutor Mário Mourão - sendo que a sul é marcada pela presença de canteiros e arborização [fig. 5a]. Nesse período, a área onde o balneário fora implantado era de uso restrito, com mureta de cerca de um metro de altura em toda a extensão da face norte da praça. Com base em fotografias datadas entre 1910 e 1920, verificou-se que o perímetro da praça também era murado, mas não foi possível determinar a localização exata dos acessos. Essa informação não foi encontrada nos registros da literatura consultada (Mourão, 1998; Megale, 2002), desse modo, optou-se considerar o perímetro da praça como aberto, exceto a área do balneário. O segundo período, em meados de 1940, é marcado pela abertura da área do balneário, pela construção de uma edificação de apoio e pela implantação de um posto de meteorologia municipal. Conforme os registros, não houve alteração no desenho original da praça. O terceiro período é caracterizado por alterações significativas. Na porção norte: i. o antigo balneário foi demolido e construído outro em seu lugar, de estilo moderno (destaque laranja); ii. o posto de meteorologia cedeu lugar a um monumento; iii. o depósito cedeu lugar a um banheiro público (destaque vermelho) e um palco de apresentações ao ar livre em uma das fachadas; iv. o formato orgânico de alguns canteiros
  • 8. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 8 foi substituído por formatos geométricos. Na porção sul: i. construção de uma fonte luminosa para fins paisagísticos, em meio a árvores de grande porte; ii. construção de banheiro público ao longo do eixo do Ribeirão de Caldas [fig. 5b]. Figura 5 – (a) Praça Dom Pedro II em meados de 1950. Fonte: Caruso Jr., 2018; (b) Praça Dom Pedro II em 2018. Fonte: elaborado pelo autor. Praça Pedro Sanches Situada na região central e considerada a mais utilizada por moradores e turistas, a Praça Pedro Sanches foi construída em 1927 sobre outra praça, denominada Praça Senador Godoy, datada da última década do século XIX. Conforme Megale (2002), o local da praça configurava um marco essencial para a dinâmica urbana, cujo entorno edificado abrangia os principais hotéis, casas comerciais e o primeiro balneário da cidade, construído em 1886. Com base na pesquisa histórica, verificou-se que houveram quatro alterações na área da praça, tanto em relação ao desenho interno quanto ao entorno, sempre caracterizado por edificações de caráter público e institucional. Em relação aos períodos identificados, dois estão relacionados à Praça Senador Godoy, sendo o momento de sua criação, aproximadamente 1895 e depois, no início da década de 1910. Os outros dois momentos dizem respeito à Praça Pedro Sanches, que possui dois desenhos, ambos datados do final da década de 1920. A Praça Senador Godoy possuía dimensão aproximada de trezentos por cem metros e seu desenho era caracterizado por um traçado orgânico, sendo construído sobre uma região de confluência de três cursos d´água recém aterrada [fig. 6a]. Assim como a Praça Dom Pedro II, também era segmentada em duas porções, norte e sul, pelo Ribeirão de Caldas. Em meados de 1910, foram construídos os edíficios Palace Cassino, as Termas e a Empresa de Telefonia em sua face oeste [fig. 6b], reduzindo o espaço destinado aos canteiros. Socialmente, a área já era utilizada por parte da população de classe alta, determinando um contraponto em relação à Praça Dom Pedro II (Mattes, 2005). A partir de 1925, foi iniciado novo projeto de reformas urbanas, com foco em embelezamento urbano, sanitarismo e turismo. Os edíficios existentes foram demolidos e a Praça Senador Godoy remodelada e renomeada. Durante a construção dos novos edifícios, a praça recebeu novo desenho, de estilo geométrico e simétrico, com a presença de um coreto no centro da porção norte [fig. 6c], no entanto, em pouco tempo, seu desenho foi alterado novamente. Na literatura e fotografias
  • 9. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 9 consultadas, não foi possível levantar dados suficientes sobre essa praça para recomposição de seu desenho. Em 1927, a área passou a integrar o novo complexo hidrotermal, constituído de um conjunto de espaços livres formado por um parque e duas praças, de autoria dos arquitetos paisagistas João e Reynaldo Dierberger, uma nova termas, o Palace Hotel e o Palace Cassino. Na porção norte, houve a alteração do desenho dos canteiros, antes orgânico, por desenho de estilo geométrico e simétrico baseado nos jardins franceses, a substituição do coreto por um monumento, a construção de novo coreto na extremidade norte e a construção de outro monumento na extremidade sul, sendo que a arborização das duas extremidades é de grande porte arbóreo, como o Jacarandá. Ao centro, há o predomínio de arbustos baixos, forração gramínea e rosáceas. Na porção sul, o jardim foi substituído pelo edíficio da nova termas, ocupando quase toda sua área e possuindo canteiros e arborização ao seu redor [fig. 6d]. O Palace Hotel foi construído onde outrora eram os edífícios públicos já mencionados, na face leste da praça, enquanto o Palace Cassino possui relação com outro espaço livre implantado em forma de parque que, apesar de integrar o complexo, não é considerado neste trabalho. Figura 6 – (a) Praça Senador Godoy em 1911; (b) Praça Senador Godoy em meados de 1920; (c) Praça Pedro Sanches em 1925. Fonte: Caruso Jr., 2018. (d) Praça Pedro Sanches em 2018. Fonte: elaborado pelo autor. Resultados e discussão Análise sintática da Praça Dom Pedro II
  • 10. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 10 Como mencionado, a Praça Dom Pedro II é fragmentada em duas porções pelo Ribeirão de Caldas. A medida de integração demonstra que, para os dois períodos identificados, há uma distinção clara entre a porção norte e a sul, no entanto, as alterações realizadas inverteram os níveis de acessibilidade. No desenho original da praça [fig. 7a], a porção sul surge como uma área mais integrada, reduzindo o nível de integração à medida que se aproxima de sua face leste, onde a área de piso diminui em função da extremidade do Ribeirão de Caldas. A porção norte permanece com baixa integração em decorrência do cercamento da área do balneário, no entanto, a existência da fonte de água sulforosa representa um fator de atração para que a área tenha frequência de usuários. Também é visível a distinção de acessibilidade ao longo do perímetro da praça, sendo mais integradas as áreas de passeio que estão diretamente conectadas à porção sul. Figura 7 – Mapas de Integração da Praça Dom Pedro II. Fonte: elaborada pelo autor. A figura 7b representa o desenho atual, executado em 1974. No entanto, o efeito da abertura da área do balneário, realizado na primeira metade do século XX, altera de modo relevante os níveis de integração e o caráter de uso, permitindo maior fluxo e acesso às áreas da praça como um todo, a partir de um eixo no sentido leste-oeste, além de equilibrar os valores do passeio ao longo do perímetro da praça. A face sul, outrora mais integrada, passou a ter os valores mais baixos, com redução significativa ao redor da fonte iluminada construída, mesmo próxima ao passeio no perímetro oeste da praça.. Importante salientar a relevância da ponte como eixo de integração em ambos períodos. Entretanto, foram construídas barreiras que impedem a continuidade de integração ao longo do eixo norte-sul, representadas pelo cercamento do balneário e o banheiro público. A análise de permeabilidade visual [fig. 8] foi realizada ao nível dos olhos de um adulto, então elementos como o curso d´água e o cercamento da área do balneário não foram considerados, visto que o canal não possui mureta e o cercamento existente possuía cerca de um metro de altura. As barreiras consideradas são representadas pelas edificações e pelos canteiros com número maior de árvores de grande porte.
  • 11. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 11 A área central da praça concentrou os maiores valores de integração visual, ou seja, são os pontos de maior probabilidade de “ver e ser visto”, nos dois períodos. As áreas de menor permeabilidade visual também repetiram-se nos períodos, visto que são os locais mais sombreados pela presença de árvores. Comparando-se com os resultados do mapa de integração do desenho atual [fig. 7b], pode-se concluir que esta área da praça pode não ser muito utilizada, tanto por aspectos de movimento e copresença quanto por questões de visibilidade e segurança. Figura 8 – Mapa de Integração Visual HH da Praça Dom Pedro II. Fonte: elaborada pelo autor. Em relação aos resultados específicos mais significativos da Praça Dom Pedro II, estão: • a inversão dos valores de integração axial no momento de abertura da área do balneário, indicando que a influência do entorno pode ter mais intensidade sobre o movimento do que a configuração local; • a importância da conectividade da ponte, mesmo após os valores de integração axial do passeio público periférico ter aumentado, após a ampliação da área central da praça. No entanto, nos dois momentos, barreiras físicas impediram sua contituidade. • a delimitação do eixo mais acessível da praça no sentido leste-oeste e sua interseção com o eixo norte-sul da ponte; • a interseção da área mais acessível coincide com a área de maior integração visual; • apesar da baixa visibilidade, a porção sul possuía alta integração no primeiro período. No entanto, seu desenho é caracterizado por caminhos e canteiros, não havendo a determinação de um lugar de encontro, como um espaço convexo, o que poderia implicar em baixo potencial de uso; • a fonte de água sulfurosa no meio da praça funciona como um elemento de atração, contrariando a baixa conectividade no primeiro período. Análise sintática da Praça Senador Godoy/Praça Pedro Sanches Foram realizadas análises em três períodos da praça, sendo dois relativos à Praça Senador Godoy e um à Praça Pedro Sanches e foi possível verificar alterações significativas. A título de comparação,
  • 12. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 12 optou-se por exceder os limites da Praça Pedro Sanches e considerar o entorno imediato que fazia parte da primeira praça, portanto, a análise também compreende a área do Palace Hotel e das Termas [fig. 9]. Uma análise singular do desenho da praça é apresentado após as comparações. O desenho original da Praça Senador Godoy [fig.9a] era caracterizado por ter um estilo orgânico, porém sem definição de áreas para usos específicos. Havia um grande número de caminhos e poucos eixos de referência, o que compromete a noção de inteligibilidade do projeto. Conforme pode-se observar no mapa de integração, há o predomínio de valores baixos – em tons de azul – e apenas um eixo com valor alto de integração na porção norte, de provável resultado acidental e não uma intencionalidade do projetista. Com a substituição de parte da praça pelos edifícios [fig. 9b], nota-se a alteração dos valores mais altos para a porção sul, ressaltando a relevância da ponte sobre o Ribeirão de Caldas, assim como na Praça Dom Pedro II. Este eixo tem extremidade em um pequeno largo na praça, o que poderia indicar uma área de encontros ou permanência. Uma das características que se manteve nos dois periodos foi da demarcação de um foyer no perímetro leste, entre as duas porções, que apresenta diversidade de valores de integração, porém com predomínio de valores médios e altos. Figura 9 – Mapa de Integração da Praça Senador Godoy em 1911 (a) e 1920 (b) e da Praça Pedro Sanches e entorno em 1930 (c). Fonte: elaborada pelo autor. A reformulação do desenho da praça pelos paisagistas João e Reynaldo Dierberger a partir de noções de simetria, apresenta maior inteligibilidade ao criar locais de encontro a partir de pontos de referência, como a implantação de monumentos e coreto nas extremidades e centro. Conforme o mapa de integração [fig. 9c], verifica-se que a disposição dos canteiros e elementos de referência estabelecem a divisão da praça em três partes bem definidas, permitindo usos e públicos diferentes. As laterais maiores, em função da ampla conectividade com os acessos intermediários, possuem os maiores valores de integração – tons de amarelo e laranja - sendo que, no caso da lateral oeste, os valores aumentam em função da influência da conexão com o entorno do Palace Hotel, a partir de
  • 13. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 13 faixas de travessia elevada. A área das termas não apresenta influência sobre a Praça Pedro Sanches, e seu desenho interno apresenta valores baixos de conectividade. Em relação aos mapas de integração visual, foram considerados como barreiras os canteiros com maior número de árvores de grande porte e as edificações. O primeiro momento da Praça Senador Godoy [fig. 10a], apresenta grande área de integração a oeste, caracterizando grande convexialidade de espaço. Contudo, conforme o desenho dos caminhos da praça, este espaço não havia intenção de encontros, e sim de passeios. Com o início dos projetos na área da praça na década de 20, verifica-se uma alteração significativa nos valores máximos de integração visual. No caso do projeto de 1920 [fig. 10b], onde o desenho ainda não havia sido alterado, a área de máxima visibilidade foi ampliada a leste na região entre as duas porções da praça onde configurou-se um foyer, conforme ressaltado nos mapas de integração. Ainda, a ausência de vegetação arbórea densa ou barreiras possibilitou uma grande influência de visibilidade sob o local de inserção dos projetos do Cassino e das Termas, permitindo a construção de destaque cênico e de uma boa proporção de escala entre a pessoa e edifício. Figura 10 – Mapa de Integração Visual da Praça Senador Godoy em 1911 (a) e 1920 (b) e da Praça Pedro Sanches e entorno em 1930 (c). Fonte: elaborada pelo autor. Em relação ao projeto de 1930 [fig. 10c], as laterais dos edifícios situadas dos perímetros do conjunto possui baixa integração visual, como esperado. Os valores médios de integração visual do conjunto analisado – Praça Pedro Sanches, área do Palace Hotel e área das termas – são mais distribuídos e há uma alteração da localização da região de maior visibilidade para o centro do conjunto. Conforme o resultado, a área de maior integração visual situa-se entre barreiras, como os canteiros, as termas e o Palace Hotel, e não permite a visibilidade da totalidade da praça. Considerando que a análise de integração visual interrelaciona todos os nós que compõe o modelo do conjunto delimitado, os
  • 14. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 14 resultados, diante do panorama geral, podem não representar a estrutura do desenho geométrico da Praça Pedro Sanches. Ao restringir a análise sintática à área delimitada da Praça Pedro Sanches [fig. 11], a apreensão dos níveis de integração tornan-se regulares e podem ser interpretadas com maior facilidade. A análise de integração axial reforça a influência das laterais maiores sobre o movimento e, possivelmente sobre a existência de locais de permanência, sobretudo nos locais em frente aos bares e lojas nas quadras adjacentes. A estrutura do desenho da praça mantém-se similar à análise anterior [fig. 9c], que considera as demais áreas adjacentes, com diferença mais significativa apenas nas travessias que conectam à área do Palace Hotel. Figura 11 – Mapa de Integração Axial e Integração Visual da Praça Pedro Sanches. Fonte: elaborada pelo autor. Em relação à análise de integração visual, houveram mudançsa significativas, sobretudo nas áreas de maior integração. Nota-se que, considerando um conjunto menor, delimitado e de formas geométricas simétricas, a intencionalidade da criação de lugares distintos no projeto é perceptível. As extremidades da praça, embora com baixa visibilidade em função da arborização, foram elaboradas como pontos de atração social, a partir da construção de elementos como o coreto, monumento e mobiliário em meio a espaços circulares, que são convexos e promovem a interação. A área central da praça possui boa visibilidade e permite uma distinção clara entre as extremidades. Aspecto interessante é o afunilamento da faixa de integração visual média – em tons de verde - antes das áreas arborizadas, proporcionando efeito de distinção de ambientes e na percepção visual, sobretudo na iluminação natural. As áreas de maior visibilidade concentraram-se nas pontos médios das duas laterais maiores, estabelecendo um eixo entre a via imediatamente perpendicular e o centro o Palace
  • 15. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 15 Hotel, configurando foyers de entrada e encontro para a praça, tanto para o público quanto para os hóspedes do hotel. Em relação aos resultados específicos mais significativos da Praça Senador Godoy e Praça Pedro Sanches, estão: • o nível baixo de integração axial da Praça Senador Godoy, resultado de um desenho de baixa inteligibilidade e conectividade; • a influência das barreiras ao movimento na alteração dos valores mais altos de integração. No caso da Praça Senador Godoy, o eixo inverteu-se rumo a sul; • a integração axial e visual ressaltam a intencionalidade do projeto da Praça Pedro Sanches, quando analisada de forma isolada. • a baixa visibilidade nas extremidades é produto da construção de lugares simbólicos, não implicando em falta de segurança ou baixo uso. • na análise ampliada do entorno da Praça Pedro Sanches, os valores de visibilidade foram mais suscetíveis a mudança do que os valores de integração axial. Considerações finais A partir do resgate histórico do desenho das duas praças, foi possível constatar que as alterações morfológicas ocorridas foram produto do caráter social de época e de políticas de planejamento, sobretudo na área do Complexo Hidrotermal. A reconstituição do desenho inicial das praças, construídas há mais de cem anos, contribui para novas discussões e pesquisas no campo de estudo de morfologia, sobretudo em relação aos espaços livres públicos. De uma forma geral, o estudo permitiu a exploração de padrões espaciais e permitiu a observação de alguns conceitos desenvolvidos pela Teoria da Lógica Social do Espaço e pela Sintaxe Espacial. A abordagem metodológica permitiu uma análise centrada na estrutura das praças, com base na probabilidade nos fluxos, potenciais de encontro e visibilidade – aspectos considerados essenciais para o bom uso e vitalidade. Ao utilizar a análise configuracional em um intervalo temporal, foi possível avaliar de maneira objetiva e quantitativa as consequencias de cada desenho. As análises ressaltaram diferenças entre o períodos e permitiu indicar problemas, desvantagens e vantagens das escolhas projetuais na reformulação das praça. Tomando-se consciência das dificuldades em se estabelecer relações causais entre configuração e comportamento, sobretudo em tempos passados, estima-se que o estudo possibilite, além de permitir uma conjectura do uso, auxiliar na predição das consequencias de futuras intervenções. Finalmente, sugere-se a continuidade da pesquisa a partir de levantamento de campo para determinar o caráter atual da praça e de seus elementos, estudo da influência do entorno e de suas características socioeconômicas, a fim de corroborar ou ampliar a discussão iniciada pela análise sintática. Referências bibliográficas
  • 16. PNUM2018: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnios. Formas e usos de dois espaços públicos do centro de Poços de Caldas, MG: um resgate histórico a partir da Sintaxe Espacial. Araújo et al. 16 Al-Sayed, K., Turner, A., Hillier, B., Iida, S., Penn, A. (2014) Space Syntax Methodology. London: Bartlett School of Architecture. Benedikt, M. L. Take hold of space: isovists and isovist fields. Environment and Planning B, 6 (1), 47-65. DOI 10.1068/b060047 Caruso Jr., R. (2018). Mémorias de Poços de Caldas. Disponível em < http://www.memoriadepocos.com.br/search?q=pra%C3%A7a +pedro+sanches&x=0&y=0>. Casarin, V., Saboya, R., Santiago, A. G. (2012). Analysis os accessibility at Moinhos de Vento Park in Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil, through Space Syntax methods. Journal of Civil Engineergin and Archicteture, 6 (9), 1158-1168. ISSN 1934-7359. Castro, A. (2018). A rede urbana. Disponível em < https://aredeurbana.wordpress.com/2017/09/11/analise- de-isovistas-e-grafos-de-visibilidade-parte-1-conceitos-medidas-e-aplicacoes/>. Hillier, B., Hanson. J. (1984). The Social Logic of Space. Cambridge: CUP. Kim, Y. (2009). Difference of place vitality in two central plazas: A comparison of the diag on the Central Campus and the Lurie Bell tower Plaza on the North Campus of the University of Michigan. Artigo apreentado em 7th Internacional Space Syntax Simposium, School of Architecture and the Built Environment, Estocolmo, Suécia. Lamas, J. M. R. G. (2004). Morfologia urbana e desenho da cidade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Mattes, A. (2005). Arquitetura e Permanências: o projeto urbano na constituição da esfera pública. (Dissertação). Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnolgias da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Megale, N. B. (2002). Memórias Históricas de Poços de Caldas. Poços de Caldas: Sulminas. Moudon, A. V. 1997. Urban morphology as an emerging interdisciplinary field. Urban Morphology, 1, 3-10. ISSN 1027-4278. Mourão, B. M. 1998. Quarteto construtor de Poços de Caldas e epopéia de Pedro Sanches.Poços de Caldas: Sulminas. Saboya, R. T., Bittencout, S., Stelzner, M., Sabbagh, C., Bins Ely, V. (2014). Padrões de visibilidade, permeabilidade e apropriação em espaços públicos abertos: um estudo sintático. Vitruvius, 164.01. ISSN 1809-6298. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.164/5015. Trova, V., Hadjinikolaou, E., Xenopoulos, S., Peponis, J. (1999). The structure os public space in sparsely urban areas. Artigo apresentado no 2th International Space Syntax Symposium, UNB, Brasília, Brasil. Turner, A., Doxa, M., O´Sullivan, D., Penn, A. (2001). From isovists to visibility graphs: a methodology for the analysis of archictetural space. Environment and Planning B: Planning and Design, 28, 103-121. DOI: 10.1068/b2684. Vaughan, L. 2007. The spatial syntax of urban segregation. Progress in Planning, 67 (3), 199-294. ISSN 0305-9006.