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Imigração e colonização forma temas sempre presentes no debate sobre o desenvolvimento
econômico e social do Brasil a partir da vinda da corte de D. João, ou melhor, desde o
decreto de 25 de novembro de 1808, que permitiu o acesso à propriedade fundiária a
estrangeiros, antes reservada apenas aos naturais da Colônia ou do Reino. Recorrer aos
contingentes de emigrantes da Europa e o aproveitamento de áreas desocupadas com
pequenas propriedades policultoras, trabalhadas pelos proprietários e suas famílias, eram
processos intimamente ligados até pelo menos as primeiras medidas restritivas à imigração,
já no começo do governo de Getúlio Vargas.
Desde o período de D. João VI, o Brasil passou, portanto, a disputar parcela das correntes
de emigrantes europeus a fim de estabelecê-los em àreas desabitadas como pequenos
proprietários policultores. Em 1818 criou-se, assim, Nova Friburgo, nos arredores do Rio de
Janeiro, com imigrantes suíços. Recorrendo a alemães, instalou-se próximo a Porto Alegre
em 1824 o núcleo colonial de São Leopoldo. Daí para frente, até o fim da Primeira
República, esses projetos de colonização com imigrantes sucederam-se, sendo vastas
áreas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e do Espírito Santo ocupadas
dessa maneira.
A partir da década de 1840, entretanto, parcela dos imigrantes que procuravam o Brasil foi
disputada pelos cafeicultores paulistas que pretendiam usar o imigrante como braço nas
suas lavouras em substituição ao escravo. Os projetos de colonização com imigrantes
terão, portanto, a fazenda de café, principalmente a de São Paulo, como concorrente ao
destino do imigrante, sendo essa concorrência particularmente sentida nos anos que se
seguem à abolição da escravidão.
Migrações transoceânicas, êxodo rural, industrial e urbanização mais acelerada são
aspectos de um mesmo fenômeno. A procura de trabalho e o sonho de conseguir um
pedaço de terra tornavam a América, onde havia terras disponíveis em abundância, o
centro das atenções de grandes massas de europeus que em muitos casos viviam em
estado de pauperismo.
PETRONE, M. O imigrante e a pequena propriedade (1824-1930). São Paulo: Editora
Brasiliense, 1982.
Um dos principais aspectos do fenômeno das migrações transoceânicas é justamente a
miragem ou a possibilidade de acesso à propriedade fundiária. Nas fontes alternativas -
cartas, diários e relatos dos emigrantes - aparece constantemente o fascínio que o apelo à
possibilidade de acesso à terra exerceu sobre os emigrantes. Até populações urbanas,
frente ao pauperismo ao qual foram relegadas pela industrialização, sonham
romanticamente,em se transformar em proprietários de um pequeno pedaço de terra e
assim deixar de pertencer ao proletariado. Dentro dessa temática, para o caso brasileiro, a
economia cafeeira teve um papel fundamental.
Diante disso, elabore um texto, que justifique o fim da escravidão com a política imigratória,
no contexto econômico do café.

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