Prova como instrumento de avaliação

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Prova como instrumento de avaliação

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIACiências BiológicasDisciplina GFP031 – DidáticaProva como Instrumento de AvaliaçãoGrupo:Aline Rezende GamaNayara Luchini XavierLeandro FuzaroNathalia BeleleBelizário Castro Dias NetoJuarez Neto
  2. 2. Caracteristicas marcantes em provasTradicionaisNa análise que fizemos das provas que nos foramenviadas por dezenas de escolas brasileiras, observamosalgumas características marcantes.Dentre elas destacamos três, que a nosso ver sinalizam avisão pedagógica da escola que classificamos comotradicional.(MORETTO 2001)
  3. 3. a) Exploração exagerada da MemorizaçãoRelacione os nomes das aranhasvenenosas: (Ciências - 8 série)1. aranha marrom ( ) Latrodectes2. amadeira ( ) Lycosa3. tarântula ( ) Loxóceles4. viúva negra ( ) Ortognata5. caranguejeira ( ) Phoneutria
  4. 4. a) Exploração exagerada da Memorização2. Complete as lacunas: (História – 8ª série)As cidades fenícias eram chefiadaspor um _____ que governavacom o apoio de ____ como os____, os ____ e os membros do______.
  5. 5. b) Falta de parâmetros para correção"Professor, o que o senhor quermesmo nessa questão 5?“"O que diz a questão 5?“Ele sabe que, numa cultura de toma-lá-dá-cá, deve responder oque o professor quer, mesmo que na questão não esteja claro
  6. 6. b) Falta de parâmetros para correção"Como é a organização das abelhas numa colméia?"É legal !São muitoorganizadas!Incrível !
  7. 7. c) Utilização de palavras de comando semprecisão de sentido no contextoHá palavras de comando usadas com muita freqüência naelaboração de questões de prova e que não têm sentidopreciso no contexto. Destaquemos algumas delas:comente, discorra, como, dê sua opinião, conceitue você, comovocê justifica, o que você sabe sobre, quais, caracterize,identifique as principais características.
  8. 8. c) Utilização de palavras de comando semprecisão de sentido no contextoQuestão (Filosofia da Educação – 1º ano do Magistério)Comente a frase de Sócrates: conhece-te a ti mesmo.Resposta de uma aluna"Acho uma frase muito profunda, tão profunda que nem consigo captarseu real significado. Mas acho que Sócrates estava cerro quando dissea frase, pois sendo um sábio não teria dito besteira. Assim, mesmo queeu nada entenda do que ele disse, tenho certeza que a frase tem umgrande significado em todos os aspectos em que for analisada".Comentário:A palavra de comando é comente e a aluna fez seu comentário. Como aquestão não trazia parâmetros, a aluna colocou o que achou queresponderia à pergunta, conforme o comando da mesma.
  9. 9. c) Utilização de palavras de comando semprecisão de sentido no contextoOutra forma possível de perguntarNo estudo que fizemos em filosofia da educação,afirmamos que, para haver o desenvolvimento do indivíduo para acidadania, é preciso que ele conheça seu contexto social.Além disso, que ele tenha um profundo conhecimentode si mesmo. Nos debates que fizemos em aula, citamos a fraseatribuída a Sócrates "conhece-te a ti mesmo". Partindo da frase edas discussões feitas em aula sobre o assunto, explique osignificado da frase no contexto da filosofia da educação...
  10. 10. c) Utilização de palavras de comando semprecisão de sentido no contextoQuestão (História – 1º ano do ensino médio)O que é cultura? Dê exemplos.ComentáriosConceituar cultura não é fácil e muito menos defini-la, comosugere a pergunta "O que é?".O que significa dar exemplos? Seria dizer: "cultura indígena,cultura oriental, cultura ocidental, cultura dos esquimós"? Estassão exemplos de culturas diferenciadas. Seria esta a resposta"esperada"?
  11. 11. c) Utilização de palavras de comando semprecisão de sentido no contextoOutra forma de Perguntar:Você ouve com frequência expressões como estas: "issoé uma questão de cultura", "tal comportamento faz parte de suacultura", "a cultura africana deixou fortes marcas na sociedadebrasileira" e "a cultura indígena tem características bemdiferenciadas da cultura dos brancos". O conceito decultura é muito complexo. Podemos, no entanto, observar nosgrupos sociais elementos que constituem "traços culturais" queos diferenciam de outros grupos sociais.Descreva 3 (três) traços culturais que marcam sua própriacomunidade e que estejam ligados aos temas: alimentação,religião, hábitos de vestir.
  12. 12. Características das Provas naPerspectica Construtiva:
  13. 13. Contextualização:- O texto deve servir de contexto e não de pretexto.Quando dizemos que uma questão deveria ser contextualizada,significa que, para responder a ela, o aluno deveria buscar apoio noenunciado da mesma. Elaborar um contexto não é apenas inventar umahistória, ou mesmo colocar um bom texto ligado ao assunto tratado naquestão. É preciso que o aluno tenha que buscar dados no texto e, apartir deles, responder à questão. Lembre-se: quem dá sentido ao textoé o contexto.Para melhor compreender o assunto examinemos algumas questõesque consideramos mal contextualizadas outras com um bom contexto.
  14. 14. Exemplo de um questão mal contextualizada:• QuestãoTragédia mutila Lars Grael (A GAZETA. 07 de setembro de 1998)Carlos lima: "Não acho que eu mereça ser punido. Não me sinto culpado, foi uma fatalidade". (AGAZETA. 10 de setembro de 1998)O empresário Carlos Guilherme de Abreu e Lima, 29 anos, que domingo abalroou o barco onde estavaLars Grael, disse ontem não ter visto o Tornado a tempo de desviar. (FOLHA DE SÃO PAULO, 10 desetembro de 1998) ,Exame de piloto revela embriaguezO exame etílico de Carlos G. de A. Lima revelou estado de "embriaguez com ressalva" no dia doacidente.O exame etílico consiste na determinação do teor de álcool etílico (etanol) encontrado no sangue.• Quantos carbonos hidrogênios e oxigênios são respectivamente encontrados em 1 molécula deetanol?• a) 2, 5, 2• b) 2, 5, 1• c) 3, 6, 1• d) 2, 6, 1• e) 3, 6, 2
  15. 15. Comentário:• As "chamadas" dos jornais constituem um ótimo contexto paraorientar a reflexão do aluno. A exploração da questão foi pobre. Oque poderia ter sido explorado era a incompatibilidade entrebebida alcoólica e o volante. Poderia solicitar ao aluno umaopinião pessoal sobre a culpabilidade ou não de Carlos Lima.Estes são temas transversais, ligados à cidadania, que deveriamser explorados em todas as disciplinas, mesmo sem deixar deperguntar os dados específicos de química. Assim, se o objetivodo professor era apenas verificar se o aluno sabia o número decarbonos, hidrogênios e oxigênios, não havia necessidadenenhuma do contexto. Neste caso dizemos que o professor fez dotexto um pretexto e não um contexto.
  16. 16. Exemplo de uma questão bem contextualizada:• Questão:Certo dia, o professor João das Neves Coelho entre na sala dos professores e encontra o professor Demóstenes SilvaPinto. Ambos são professores do ensino superior. Há um rápido diálogo entre eles:– Sabe, Demóstenes, estou chateado. De meus 55 alunos, 12 ficaram sem média e vão ter que repetir a disciplinano próximo semestre. Na realidade eu gostaria que todos tivessem passado.– O que é isso, João! Deixa de ser mole. De meus 51 alunos eu só aprovei 13. Comigo é assim, só passa quem "sabemesmo". Não agüento esses professores moles que passam todo mundo. Bom professor reprova mesmo!– Você não se sente frustrado de ensinar e ver que eles não aprendem?– Nada disso. Em nossa escola combinamos apertar os alunos e só deixar passar quem é excelente, o resto fica. Épor isso que temos a fama na cidade de escola forte.– E mesmo assim você se julga um bom professor? Parece que você está medindo a excelência de seu trabalho peloíndice de reprovação em suas turmas, não é mesmo?– É isso mesmo, João! Você é um professor ainda muito jovem e iniciando sua carreira. Com o tempo vocêcompreenderá que os alunos consideram bom professor aquele que dá muita matéria, aperta nas provas e reprovagrande parte da turma. Os professores que aprovam todo mundo não têm status nenhum”.• Ser um "bom professor" na visão de João parece ser bem diferente da visão de Demóstenes. Faça umaanálise dos argumentos de Demóstenes e mostre como a reprovação não pode ser critério de julgamento sealguém é ou não um bom professor. Para sua análise, use como parâmetros os princípios da perspectivaconstrutivista discutidos em aula.
  17. 17. Comentários:- Para responder à questão é preciso partir dos argumentosapresentados no texto.- O foco da questão está bem determinado, "a reprovação nãopode ser critério para definir-se o bom professor".- Parâmetros: os princípios da perspectiva construtivista.
  18. 18. Parametrização:• A parametrização é a indicação clara e precisados critérios de correção. Esse ponto que éum dos fundamentais para uma relaçãoprofissional entre o professor e aluno, noprocesso da avaliação da aprendizagem.
  19. 19. Exemplo de uma questão malparametrizada:• Questão:Dê as principais características do povo brasileiro.• ComentáriosPrincipais sob que ponto de vista? Seriam físicas, intelectuais, sociais,psicológicas, ou outras?Quantas deverão ser dadas? Se um aluno escrever 3 e outro 6, elesresponderam igualmente ao comando. Terão a mesma nota naquestão?Esta questão é essencialmente uma questão sem parâmetros para acorreção.
  20. 20. Exemplo de uma questão bemparametrizada:• Questão:“Escreva quatro substantivos próprios queiniciam com vogal” é um exemplo de questãoparametrizada.- Nela o parâmetro é escrever quatrosubstantivos.
  21. 21. c) Exploração da capacidade deleitura e de escrita do aluno• Ouvimos frequentemente dizer que nossosalunos não sabem ler nem escrever. No momentoprivilegiado de estudo – a prova –nem semprelhes damos a oportunidade de fazê--lo Por issoindicamos como característica das provas naperspectiva construtivista a colocação de textosque obriguem a leitura, mesmo curta, paraprovocar uma resposta, também de forma escritae com argumentação, que leve o aluno a escrever,exercitando-se na lógica e na correção do texto.
  22. 22. c) Exploração da capacidade deleitura e de escrita do aluno• Recomendamos aos professores evitarquestões que possam ter como respostaapenas "sim", "não", ou "pode", "não pode".Sabemos que, nesses enunciados se temutilizado como saída o comando: "Justifiquesua resposta".
  23. 23. • Ora, a expressão é muito vaga. O que éjustificar? Em nosso entender é dizer qual arazão que levou o aluno a determinadaresposta. Caso não foi indicado nenhumparâmetro para a justificativa, esta pode virsem nenhuma sustentação teórica e, noentanto, coerente com a pergunta.• Ao longo do texto apresentamos várias destasquestões, como você pode ter observado. Naspáginas que se seguem, voltaremos aexemplos que exploram essa característica.
  24. 24. d) Proposição de questões operatórias e nãoapenas transcritórias• Chamamos questões operatórias as que exigem doaluno operações mentais mais ou menos complexasao responder, estabelecendo relações significativasnum universo simbólico de informações.• Por outro lado, questões transcritórias são aquelascuja resposta depende de uma simples transcriçãode informações, muitas vezes aprendidas de cor(quando não transcritas de uma "colinha") enormalmente sem muito significado para o aluno emseu contexto do dia-a-dia.
  25. 25. • Retomemos, aqui, uma questão vista em páginas anteriores.Encontrei, certa vez, um aluno da 6ª série lendo, em seucaderno, um questionário de geografia e decorando asquestões, com vistas à prova que teria logo em seguida.• A primeira pergunta era: "Qual a origem da terra roxa?".Perguntei ao aluno e ele respondeu sem pestanejar: "Originouda decomposição do basalto". "E o que é basalto?", pergunteiem seguida. "Ah! Isso eu não sei não, mas sei que a respostaestá certa, porque a professora passou no quadro". Eis umaquestão que exigiu apenas transcrição de informação, doquadro para o caderno, do caderno para a cabeça e desta paraa prova e findou o processo.• Questiona-se qual o sentido desse tipo de pergunta emprovas? Isso provaria o quê?
  26. 26. MORETTO, Vasco Pedro. Prova: um momentoprivilegiado de estudo, não um acerto de contas.Rio de Janeiro: DP&A, 2001. p.93-122.Referências Bibliográficas:

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