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Apostila basica-de-conforto-ambiental

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Apostila basica-de-conforto-ambiental

  1. 1. BIOCLIMATISMONO PROJETO DE ARQUITETURA: DICAS DE PROJETO ALGUNS FUNDAMENTOS E INSTRUMENTOS PARA CONCEPÇÃO EM CLIMA TROPICAL ÚMIDOPARA EDIFICAÇÕES PREVISTAS SEM CLIMATIZAÇÃO OU COM CLIMATIZAÇÃO MISTA Autores: Arq. Cláudia Barroso-Krause, D.Sc. Arq. Maria Júlia de O. Santos, M.Sc. Arq. Maria Lygia Niemeyer, M.Sc. Arq. Maria Maia Porto, D.Sc. Anna Manuela Rodriguez Carneiro Gomes Kamila Cobbe Teixeira José Cláudio Peixoto Gomes Proarq - DTC FAU- UFRJ Março de 2005
  2. 2. Algumas palavras...Esta apostila propõe, para o aluno de graduação, em linguagem simples, as informações básicaspara o início da abordagem bioclimática do projeto sujeito à climatização mista e à opção pela nãoclimatização; um glossário simples, que explica os principais conceitos (sublinhados no texto)utilizados; anexos com instrumentos úteis para o acompanhar o desenvolvimento da concepção doprojeto e um guia de utilização destes instrumentos no processo do projeto.Ela não pretende resolver os problemas ligados ao bioclimatismo e a conservação de energia emedificações residenciais ou de climatização mista em clima tropical brasileiro, nem apresentar emdetalhes todo o resumo do conhecimento disponível sobre o assunto, mas apresentar noçõesbásicas que possam ser incorporadas ao processo de início de concepção arquitetônica permitindoa otimização do projeto face a seu entorno climático e às necessidades de seus futuros ocupantes.A pesquisa em qualidade das construções em clima tropical úmido vai muito mais longe e tem sidoobjeto de pesquisa intensa. Nossos centros universitários - de Norte a Sul do país - e institutos depesquisas tecnológicas vêm procurando integrar e adequar os princípios físicos da transmissão decalor e as necessidades de caráter ambiental dos diversos tipos de usuários à nossas diversidadesclimáticas, culturais e às nossas leis de uso do solo. Muitas das informações aqui transmitidas vêmdessa massa multidisciplinar de pesquisadores. Outras, de uma geração anterior, a quem opioneirismo deve ser reconhecido.Especificamente a pesquisa em conforto ambiental nas edificações tem procurado tomar uma novaatitude frente a arquitetura. Ela procura definir uma abordagem do projeto da construção desdeseu início em ligação “íntima” com o lugar, seu entorno, o clima e os hábitos construtivos locais. Elaprocura preservar a liberdade de escolha, mas associando-a à sua responsabilidade ambiental.Viemos nos dar conta que fomos um pouco longe demais, ao ter confiança cega no uso deequipamentos para resolver a posteriori aspectos do conforto ambiental no interior das edificações.A arquitetura do século XX se caracterizará talvez (ao menos do ponto de vista histórico) por terdado exagerada importância à tecnologia, a exclusão de qualquer outro valor. De lá estadependência atual em relação ao controle mecânico do ambiente interior, em detrimento daexploração dos fenômenos climáticos naturais para satisfação de nossas exigências de conforto.Embora tenha havido um grande acúmulo de conhecimento, o acesso à essa informação jádisponível constitui hoje um dos grandes problemas em todas as áreas, inclusive a da construção.A medida que os fenômenos envolvidos tornam-se mais complexos e que a gama de materiais etécnicas possíveis se aperfeiçoam, nos defrontamos na prática, à dificuldade de acesso a essesaber.Assim, em geral, arquitetos, construtores e sobretudo auto-construtores, deixam de lado estasinformações, mesmo disponíveis, por se apresentarem sob forma técnica, complexa e fastidiosa.Donde os erros, ou no mínimo as “prises” de riscos consideráveis na concepção do projetoarquitetônico. Com isso, a qualidade do ambiente resultante acaba sempre diferente - e em geralbem inferior - do esperado.Para o profissional já “em campo” permanece uma certa dificuldade na matéria. Quando semtempo para reciclar, com hábitos já enraizados, acaba com dificuldades para incluir, desde osprimórdios do projeto os conceitos necessários à uma boa inserção de sua arquitetura no meio.Este é talvez o momento mais importante da concepção onde há mais liberdade de escolha(implantação, partidos, materiais, etc.), escolha essa que “engessará” para sempre (ou até umareforma) a edificação.Assim, hoje, o tema de conforto ambiental faz parte do novo currículo universitário brasileiro docurso de Arquitetura. A partir da constatação de que as construções deixaram de responder àsnecessidades mínimas de conforto dos indivíduos e às novas necessidades de conservação deenergia do país, surgiu esta disciplina, ministrada na UFRJ em um período letivo. É disciplinaPROARQ e DTC – FAU - UFRJ 2
  3. 3. introdutória de outras mais específicas, eletivas mas essenciais e fortemente recomendadas àformação completa do arquiteto atual.Que não se espere obter daqui valores precisos previsionais do comportamento do projeto apóssua construção. Estes dados serão sempre resultados de um trabalho especializado, de um nívelde detalhamento muito superior. Mas espera-se que as informações lhes sejam úteis para orientá-los na iniciação da abordagem bioclimática do projeto. Cláudia Barroso KrauseP.S. Softwares, freeware e outras dicas para apoio ao projeto podem ser encontrados na páginada FAU ( www.fau.ufrj.br ), no link “alunos”.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 3
  4. 4. Conforto Ambiental 2°semestre 2004 ÍndiceIntrodução_____________________________________________________________________________61. O homem e suas necessidades higrotérmicas ______________________________________________ 81.1. O diagnóstico do microclima __________________________________________________________101.2. A construção, o usuário e o clima ______________________________________________________111.2.1. Trocas por radiação ______________________________________________________________131.2.2. Trocas por condução ______________________________________________________________141.2.3. Trocas por convecção ______________________________________________________________151.2.4. Muros e esquadrias _______________________________________________________________191.3. Insolação e o projeto ________________________________________________________________202. O homem e suas necessidades lumínicas ________________________________________________232.1. A construção e as fontes de luz ________________________________________________________262.1.1. Luz e Cor _______________________________________________________________________272.1.2. Fontes de luz natural ______________________________________________________________272.1.3. Fontes de luz artificial _____________________________________________________________282.1.3.1 Características operacionais das lâmpadas ___________________________________________302.1.4. A reflexão e a transmissão _________________________________________________________302.2. Iluminação e projeto _________________________________________________________________312.2.1. Sistemas de iluminação natural: zenitais e laterais _______________________________________323. O homem e suas necessidades acústicas _________________________________________________343.1. Propriedades físicas do. som _________________________________________________________363.2. A construção e o ruído ______________________________________________________________373.2.1 Fonte sonora _____________________________________________________________________383.2.2. Propagação _____________________________________________________________________393.2.2.1. Atenuação pela distância _________________________________________________________393.2.2.2. Reflexão e absorção _____________________________________________________________403.2.2.3. Transmissão ___________________________________________________________________403.2.2.4.Difração _______________________________________________________________________413.2.2.5. Difusão _______________________________________________________________________413.3. Qualidade Acústica _________________________________________________________________413.3.1 Isolamento acústico/ Materiais isolantes _______________________________________________423.3.2. Absorção Acústica / Materiais Absorventes _____________________________________________433.3.3. Tempo de Reverberação (TR) _______________________________________________________443.4. O Ruído e Projeto __________________________________________________________________443.4.1. Identificação e classificação das fontes de ruído _________________________________________443.4.2. Qualificação Acústica dos Espaços ___________________________________________________443.4.3.Tratamento das Fontes de Ruído de Impacto ___________________________________________443.4.4. Afastar Espaços Sensíveis das Fontes de Ruído ________________________________________453.4.5. Isolamento dos Ruídos Aéreos ______________________________________________________453.4.6. Condicionamento Acústico _________________________________________________________46 Glossário____________________________________________________________________________48PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 4
  5. 5. Conforto Ambiental 2°semestre 2004 Índice .1. Higrotermia________________________________________________________________48 2. Iluminação_________________________________________________________________51 3. Acústica___________________________________________________________________52 Anexos______________________________________________________________________56 1. Higrotermia ________________________________________________________________56 2. Iluminação _________________________________________________________________67 3. Acústica___________________________________________________________________77Bibliografia ___________________________________________________________________________82PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 5
  6. 6. Conforto Ambiental 1° semestre 2005IntroduçãoO novo cenário de nossos projetos arquitetônicos: as intervenções humanas e omicroclima.Os grandes centros urbanos assistiram recentemente a uma variação importante no seumicroclima, em função da mudança do ritmo da atividade humana: os milhares de deslocamentosdiários dos automóveis, a refrigeração (ou o aquecimento) e a iluminação intensiva dos edifícios edos locais públicos, e mesmo a presença dos milhares de seres humanos constituem hoje fonte decalor e de tipos diversos de poluição (ruídos, poeiras, hidrocarburetos e vários produtos dascombustões), e determinam o microclima urbano. Se a estes fatores se associam situaçõesgeográficas especiais, assistimos, tanto em São Paulo como em Atenas e na cidade do México -situadas em uma depressão e fora do alcance dos ventos de alta velocidade - a um acúmulodestes digamos subprodutos das atividades humanas, gerando um adensamento dos gases e umasituação de poluição muito forte.Resumindo, ao concentrar suas atividades em um só lugar - a cidade - o homem modifica seumicroclima: acontecem temperaturas médias mais elevadas, há a modificação do regime dechuvas, o aumento da nebulosidade devido à poluição do ar. As chuvas, sendo rapidamenteevacuadas para o sistema de esgoto, pelo excesso de solo impermeável, não tem tempo derefrescar o solo e o ar, salvo perto dos parques e jardins. Bairros inteiros passam a sofrer com ocalor no verão e na meia-estação. Estes bairros, mais quentes, acabam atraindo as massas de ar,e, como estas estão carregadas de partículas poluentes, tornam-se bairros quentes e poluídos.As antigas regras de bem morar dormir de janelas escancaradas, cercar-se de muros baixos,insinuantes de propriedade, se modificam: por medo ou ruído ou chuva, não se permite a livrecirculação de ar no interior das construções; os muros, cada vez mais altos e impenetráveis,afastam os ventos de todo o terreno. Construções em "paredão" como em Copacabana, impedemtambém o acesso dos ventos locais aos quarteirões internos, impedem o acesso do Sol às ruasestreitas e aos andares mais baixos das edificações, prejudicando a qualidade do ar em climasúmidos.Mas não é só o meio urbano quem sofre. As zonas rurais padecem das filosofias agrícolas"modernas", e das novas implantações de fábricas, ambas trabalhando com a técnica de terrenoarrasado. Limpa-se e planifica-se o terreno e em seguida começa-se, com mais "conforto" o projetode implantação. Com a retirada da camada fértil do solo, e da variedade florestal existente, omicroclima se modifica. Uma parte importante da fauna e da flora desaparecem e permite aocorrência de erosão e do empobrecimento progressivo do solo. A qualidade da água dosmananciais é comprometida e será, segundo alguns o desafio maior do próximo século. Perde-se oamortecimento da vegetação em relação à ação das chuvas, dos ventos, da radiação solar. Aamplitude de temperatura aumenta.O microclima se degrada e as soluções tradicionais de projeto deixam de responder aos anseiosde seus usuários.O homem e suas necessidades ambientais.Sentir-se confortável é talvez a primeira sensação procurada pelo ser humano. O bebê confortávelressona ou brinca tranqüilo e, a medida que esse equilíbrio vai se rompendo, dá sinais claros deagitação e descontentamento. Cada um de nós é incapaz de descrever, quando confortável, oslimites ou as características desta sensação. Entretanto, ao rompimento deste estado,conseguimos descrever se trata de um ruído, um excesso - ou falta - de calor, uma ausência ouexcesso de luz que nos incomoda.Depreendemos daí que só existe um conforto, global, indefinível, mas várias fontes, independentes(mas capazes de se somarem) de desconforto. Assim, o que nos preocupa na realidade não é oconforto, mas o desconforto. É este que devemos bem conhecer, para melhor determinarmos suascausas. Desta forma, poderemos, no projeto nosso de cada dia, projetar mecanismos para evitarou minorar suas conseqüências.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 6
  7. 7. Conforto Ambiental 1° semestre 2005Por uma questão de hábito, chamaremos este estudo de conforto ambiental. Dividiremos nestecurso a noção de conforto ambiental basicamente em três: conforto térmico, lumínico e acústico;embora como vimos sejam apenas algumas das facetas 1 de um único conceito que envolve oHomem e suas necessidades ambientais. Conhecendo as bases conceituais destes "confortos”,capacitamo-nos ao projeto arquitetônico responsável com o usuário e o seu entorno.1 Aliás, como arquitetos, outros confortos igualmente importantes nos são cobrados, como o respiratório, ergonômico, táctil, visual,etc..que devem interagir no momento das decisões projetuais. PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 7
  8. 8. Conforto Ambiental 1° semestre 20051. O homem e suas necessidades higrotérmicasO homem é o que chamamos um animal homeotérmico, ou seja, sua energia vital é conseguidaatravés de fenômenos térmicos em um processo chamado metabolismo. Sua energia útil,entretanto é apenas 20% da metabolizada. Os restantes 80% são transformados em calor e devemser eliminados para que o equilíbrio seja mantido.Sempre que o organismo, através de seu sistema termo-regulador, necessita trabalhar muito paramanter este equilíbrio, ocorre a fadiga, e a conseqüente queda de rendimento das atividades, emum primeiro estágio, e a longo prazo, algum tipo de dano físico (tontura, desmaio, etc.). É o quepode acontecer, por exemplo, ao se jogar partidas seguidas de vôlei de praia no verão semdescanso, ou durante as corridas feitas em horários de muito calor, etc.Assim, o conforto higrotérmico é obtido sempre que consegue manter, através das trocashigrotérmicas (Fig.T1), um equilíbrio entre seu corpo (que está em torno de 36,7°C) e o entorno. M - Metabolismo, ou a produção de calor interno do corpo. R - trocas por radiação. Entre o Sol e o corpo, entre o corpo e a abóbada celeste, entre o corpo e os demais corpos (paredes, etc.) C - trocas por condução, contato. Entre o corpo e toda superfície em que ele toca. Cv - trocas por convecção. Entre o corpo e o ar que está em seu contato direto. E - trocas por evaporação. Eliminação do calor pela troca pulmonar, na expiração e através da pele, pelos poros. Fig. T1 – Trocas higrotérmicas entre o homem e seu entorno.As trocas ilustradas anteriormente ocorrem todo o tempo e podem mudar de sentido - de perdapara ganho de calor - segundo haja mudança de local, de momento (dia/noite), de atividade(metabolismo) e de vestuário 2. O fundamental, para que estejamos em sensação de confortohigrotérmico é que o somatório dessas trocas seja nulo. Ou seja, todo calor que estejamosproduzindo em excesso possa ser eliminado e que não percamos calor necessário à manutençãodo equilíbrio interno 3.Ou seja, o rendimento de qualquer atividade, possui um vínculo estreito com as condiçõeshigrotérmicas do seu entorno. Para conhecer estes valores, várias pesquisas foram feitas cominúmeras pessoas em várias situações. Os resultados foram transformados em gráficos de ajudaao diagnóstico de conforto higrotérmico chamados diagramas bioclimáticos. Eles interpretam osvalores instantâneos de umidade e temperatura do ar em função de parâmetros de conforto. Omais utilizado é o realizado pela equipe do Prof. Givoni 4 (Fig. T2).2 na realidade, de forma mais completa, podemos afirmar que o bom aproveitamento da atividade humana - no lazer ou no trabalho - éfunção (com pesos distintos e variáveis) do perfil de cada indivíduo. Chamaremos aqui de perfil sua descrição em termos de compleiçãofísica (devido à idade, tamanho, sexo, saúde, raça, etc. ..), vestimenta, atividade, e, de mais difícil mensuração, de seus fatoreseconômicos, sociais e psicológicos.3 ou seja, para garantir as condições de saúde do organismo, necessitamos que a equação M ±R ± C ± Cv - E = 0 se mantenha aolongo do tempo.4 Fonte GIVONI PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 8
  9. 9. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 suor condensação aparente nas partes frias frio desidratação mucosasN, N - zona de conforto e zona de conforto ainda AC - resfriamento através de métodos ativosaceitável. (condicionamento de ar).EC, EC - resfriamento através da evaporação. W - necessidade de umidificação suplementar.D - desumidificação necessária. H,H - limite do aquecimento por métodos passivos.V,V - resfriamento através de ventilação. M,M - uso de materiais do envoltório construtivo. Fig. T2 – Diagrama original de Givoni e as situações “vividas” fora do polígono de conforto. Fonte: GIVONI, A – L´homme, L´architeture et le ClimatO diagrama do Prof. Givoni identifica “zonas” de conforto e/ou de estratégias de arquiteturabioclimática, em função dos valores que encontramos no local de umidade e temperatura do ar.Fora do poligono central – N ou em verde na figura T2 – encontram-se situações climáticasassociadas à sensações de desconforto higrotérmicas, que podem ser corrigidas ou minoradas seaplicarmos as respectivas estratégias. Assim, se plotarmos em um diagrama bioclimático como o anterior os principais valores detemperatura e umidade de um local, poderemos obter um primeiro diagnóstico de seu clima e dasmelhores estratégias de projeto. Exemplo (Fig. T3): Cidade dados climáticos médios diagnóstico Estação verão inverno verão inverno temperatura umidade rel. temperatura umidade rel. Valores média (°C) média (%) media (°C) média (%) Belém 26,2 83 26,2 82 Brasília 21,5 77 18,1 65 (50) Fortaleza 27,3 74 25,9 81 R. de Janeiro 25,5 76 20,6 23,3 São Paulo 20,4 80 15,6 80 Porto Alegre 23,3 70 14,2 85 Fig. T3 - Tabelas climatológicas do Min. da Aeronáutica - Período 1961/1965 (Fonte: FROTA)O que é importante entender é que a escolha das estratégias deve ser feita em função do tipo e doperíodo de ocupação (meses e horas do dia). Em homenagem ao belo trabalho de apoiodesenvolvido pelos Labcon e LabEee (UFSC), ilustremos com as estratégias adequadas para umprojeto de casa de férias usada prioritariamente no inverno ou no verão em Florianópolis.(Fig. T4)PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 9
  10. 10. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 30 3 30 30 25 2 25 25 5 20 2 2 5 W[ 2 TBU[°C] 20 10 g/ TBU[°C] 2 0 10 4 15 Kg 4 1 ent o ent o 15 ] 15 10 1 10 1 11 10 1 11 5 12 5 12 0 5 0 5 9 8 7 9 8 7 3 3 6 6 0 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50Fig. T4 - Diagramas bioclimáticos aplicados a Florianópolis para período de 24h no inverno (15/06 a 15/08) e no verão (15/11 a 15/02). Fonte : Programa Analysis 2.0 - LabEEE UFSC1.1. O diagnóstico do microclima.Além do tipo de clima, para todo estudo arquitetônico, é necessário o conhecimento do microclimaenvolvido, ou seja, o clima do entorno próximo. Os valores que encontramos nas estaçõesmeteorológicas, são medidos em circunstâncias muito especiais e em geral distintas daquelas donosso dia a dia. É necessário um estudo, sobre planta de relevo, para verificar as mudançasocasionadas por topografia, cobertura vegetal, densidade urbana, etc. Da mesma forma que asmontanhas, construções vizinhas podem esconder a radiação solar direta, refletir os raios de Sol,obstruir e modificar o sentido ou a velocidade dos ventos dominantes.Na realidade, no estudo do microclima existe um limite além do qual, o assunto torna-se estudo deurbanismo, escapando às possibilidades de intervenção do arquiteto. Desta forma, é precisoavaliar apenas o impacto do entorno próximo à edificação - entorno natural, construído ou legislado- sobre a performance da construção. O que queremos é conseguir identificar os elementosespecíficos deste entorno capazes de modificar os dados climáticos padrão das estaçõesmeteorológicas.Para uma primeira definição das estratégias bioclimáticas de projeto, não sendo possível conseguiros dados das estações climatológicas, uma pesquisa no terreno pode ajudar-nos a determinar qualo tipo de clima em jogo. Medem-se os valores médios (média das médias) da temperatura do ar eda umidade dos meses extremos - que são os piores - e aplica-se na tabela a seguir (Fig. T5): TEMPERATURA diagnóstico UMIDADE ABSOLUTA diagnóstico < que 10°C Frio > 6 g/Kg Úmido <4 g/Kg Seco 10°C a 20°C Temperado > 6 (10°C) e >9 g/Kg (10°C) Úmido < 4 g/kg 5 Seco 20°C a 30°C Quente > 10 (20°C) e >16 g/Kg (30°C) Úmido <4 g/Kg Seco > que 30°C Muito Quente > 186g/Kg Úmido < 14 g/Kg Seco Fig. T5 - (Fonte FERNANDEZ)Combinando os diagnósticos de temperatura e umidade é possível gerarmos definições de climacomo temperado úmido, quente seco, etc. Os resultados servirão de base na escolha dasestratégias mais adequadas.Quanto aos ventos, em caso de ausência de dados, uma conversa com um ribeirinho, uma olhadano terreno com uma bússola e a tabela de Beaufort (ver figura T6), em horas, dias e estações5 Segundo a relação de tensão de vapor do diagrama de GIVONI, pg. 32.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 10
  11. 11. Conforto Ambiental 1° semestre 2005diferentes, podem nos dar uma idéia, pela simples observação dos fenômenos ocorrentes, davelocidade e direção dos ventos e do tipo de abertura e esquadria necessária ao plenoaproveitamento deste recurso natural (exemplo de aplicação no anexo T7). Escala Velocidade dos de Fenômenos comumente observados ventosBeaufort 0 0 a 0,2 m/s a fumaça (churrasqueira, chaminé, cigarro, etc.) sobe de forma vertical. 1 0,3 a 1,5 m/s o vento faz a fumaça se inclinar, mas ainda não consegue girar um cata-vento. o ser humano percebe o vento no rosto, as folhas das árvores e do cata-vento 2 1,6 a 3,3 m/s começam a se mexer. as folhas e os pequenos ramos das árvores se mexem de forma contínua e o 3 3,4 a 5,4 m/s vento faz as bandeiras se mexerem. 4 5,5 a 7,9 m/s o vento tira a poeira do chão e levanta folhas de papel. as pequenas árvores começam a balançar e começa a fazer espumas nas 5 8,0 a 10,7 m/s ondinhas dos lagos. 6 10,8 a 13,8 m/s fios elétricos começam a se mexer e fica muito difícil usar guarda-chuva. as árvores ficam completamente agitadas e fica muito difícil de se andar de 7 13,9 a 17,1 m/s frente para o vento. os pequenos ramos das árvores se quebram e não se pode andar 8 17,2 a 20,7 m/s normalmente sem um esforço terrível, de frente para o vento. as telhas dos telhados começam a ser arrancadas, ocorrem pequenas 9 20,8 a 24,4 m/s catástrofes com relação à casa. normalmente só ocorre no mar. Quando ocorre na terra, pode arrancar 10 24,5 a 28,4 m/s árvores com a raiz. Fig. T6 – Tabela de BEAUFORT ref.: Gret (ver bibliografia)Os dados geo-climáticos podem ser assim em seguida classificados pelo arquiteto comovantagens, trunfos, ou desvantagens, facilitando sua compreensão na escolha das estratégias deresfriamento passivo ou ativo, umidificação, desumidificação, aquecimento passivo ou ativo,inércia, etc., e serem incorporados à seu estilo, sua estética e a de seu entorno.1.2. A construção, o usuário e o climaGerar uma arquitetura adequada a determinado clima significa elaborar espaços que propiciem aoseu usuário condições internas microclimáticas compatíveis ao funcionamento de seu metabolismonas diversas atividades ali exercidas.Como dissemos antes, o conforto higrotérmico é obtido sempre que se consegue manter, atravésde trocas com o meio ambiente ou via uma mudança metabólica, um equilíbrio entre o corpo e oentorno.Já temos um instrumento – o diagrama bioclimático de Givoni – que nos permite verificar quais asestratégias mais eficazes para garantir no interior das edificações um nível de temperatura eumidade compatível no período ocupado com a atividade prevista.Por exemplo, no diagrama de Givoni aplicado para a cidade do Rio de Janeiro ( Ilha do Fundão) epara um período de ocupação total observamos a seguinte repartição de horas de conforto: 15%frio (mas não tanto quanto em Florianópolis), 20% conforto e 65% calor (Fig. T7).PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 11
  12. 12. Conforto Ambiental 1° semestre 2005Legenda: 1- Conforto 2- Ventilação 3-Resfriamento evaporativo 4-Massa térmica para resfr. 5- Ar-condicionado 6-Umidificação 7- Massa térmica/ Aquec. solar 8- Aquec. Solar passivo 9-Aquec.Artificial Fig. T7 - Diagrama de conforto para Rio de Janeiro. Fonte: Efic.Energ.Arq. (CD) Lamberts et allOra, não nos cabe - como arquitetos - interferir em estratégias que impliquem em uma mudançametabólica (mudança de vestuário ou de atividade, por exemplo).Desta forma só nos resta assegurar, via criação do envelope construtivo, uma relação favorávelentre as necessidades humanas e o clima. Assim, retomando a figura das trocas higrotérmicas(Fig. T1), podemos inserir os elementos construtivos mais comuns e analisá-los (Fig. T8): Principais trocas higrotérmicas entre o homem e a construção: R - trocas por radiação: entre o Sol e a construção, entre a abóbada celeste e a construção, entre o corpo e as paredes, entre as paredes. C - trocas por condução, contato entre o corpo e toda superfície em que ele toca, através das paredes. Cv - trocas por convecção. Entre o corpo e o ar que está em seu contato direto, entre o ar e as paredes (externa e internamente). Fig. T8PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 12
  13. 13. Conforto Ambiental 1° semestre 20051.2.1 Trocas por radiaçãoVejamos onde acontecem as trocas por radiação na construção: • nas superfícies exteriores da construção, coberturas e fachadas, por absorção da radiação solar, e emissão de calor 6 para o céu ou para a abóbada celeste; • nas superfícies internas da construção expostas à radiação solar, por absorção da mesma e emissão , se possível 7, de calor para a abóbada celeste; • entre as superfícies internas da construção, paredes, teto e piso, por absorção e emissão de calor e entre aquelas e o corpo humano , segundo a temperatura que se encontrem .Exemplos: Lareiras e tetos radiantes (Fig. T9). Cv R R C Cv R Fig. T9O que acontece? O fogo da lareira irradia tanto para o próprio corpo da lareira quanto para oespaço à frente da boca. Ao entrar em contato com corpos sólidos, as ondas eletromagnéticasabsorvidas provocam efeitos térmicos (esquentam). Lembramos neste exemplo que a radiação nãoesquenta o ar como um todo. Este se aquece indiretamente pela convecção provocada peloaumento de temperatura das superfícies atingidas pela radiação, (ver exemplo de convecção noglossário). Se por acaso a lareira for mal feita, a parede da lareira deixará passar, porcondução, o fluxo de calor provocado pelo excesso de temperatura da superfície interna da lareira.Outro exemplo de aplicação da radiação em arquitetura ilustrado na figura T9 é o conceito de tetoradiante, usado em locais frios. O forro possui um sistema ativo de aquecimento (uma resistênciaelétrica ou tubulação de água quente embutida no teto). O teto aquecido esquenta por radiação oambiente abaixo, sendo conseguida até uma diferença de 6 a 7°C acima da temperatura do ar.Como idéia de sua eficácia, para uma temperatura do ar de 17°C, é possível obter-se umatemperatura resultante de 23° a 24°C, em uma diferença da sensação que vai do frio ao conforto.A variação da radiação solar recebida ao longo de um dia, para cada m2 de uma superfície, podeser simulada através de programas de computador. Verifica-se maior ou menor ganho de calor deacordo com a orientação ou inclinação destas superfícies, que podem ser fachadas ou águas dotelhado de uma construção.Um dos programas simuladores aos quais temos acesso chama-se CASAMO. Veja exemplo desimulação no anexo T3.É importante notarmos ainda que a emissão ou a absorção das ondas eletromagnéticas é funçãoda geometria da troca, da temperatura dos corpos e das características do material derevestimento das superfícies. O que nos dá instrumentos para manipular essas trocas,aumentando-as ou reduzindo-as. O anexo T4 mostra as características de alguns materiais quantoà capacidade de absorção à radiação solar e de emissão e absorção em relação a outros corpos,para trocas de calor (na faixa do infravermelho).6 Chamamos aqui de calor às emissões de ondas eletromagnéticas na faixa do infravermelho.7 Alguns elementos de construção, como o vidro, são capazes de deixar a radiação solar atravessá-los, permitindo que alcance piso eparedes, mas impedem, por sua constituição, a emissão de ondas de calor (ou na faixa do infravermelho), no sentido contrário, de voltaà calota, retendo o calor no ambiente. É o princípio do tão famoso efeito-estufa. PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 13
  14. 14. Conforto Ambiental 1° semestre 2005Assim em climas quentes, lajes planas recebem uma carga térmica muito maior que telhadosinclinados e prioriza-se o uso de cores claras nos revestimentos, pois oferecem fatores deabsorção solar baixos, em torno de 0,20 a 0,30, impedindo a absorção de 80 a 70% da radiaçãosolar incidente respectivamente.Telhados em lajes com revestimento asfáltico (betume) aparente (α = 0,90), por exemplo, deixamentrar 70 % mais de radiação solar que a mesma laje revestida com pintura a óleo branca (α =0,20).No Rio de Janeiro, no verão, isto significa que estamos trabalhando potencialmente com valoresbastante diferentes segundo nossa decisão de projeto:- laje plana com asfalto: 7846 Wh/m2 x 0,90 =7061,4 Wh/m2- mesma laje com pintura clara: 7846 Wh/m2x0,30 =2353,8Wh/m2, ("ganho" evitado de 4700Wh/m2)- telhado de uma água (25°) à Sul c/ o revestimento anterior (pintura clara): 7007 Wh/m2 x 0,30 =2102,1 Wh/m2,teremos um "ganho" evitado de 5744 Wh/m2 ao longo de um só dia em relação à laje tradicional e250 Wh/m2 em relação à laje plana - um excelente método de resfriamento passivo, não?Embora, lembrando sempre que como arquitetos, devemos pensar nos demais fatoresdeterminantes de projeto, tais como a manutenção de um revestimento, antes de escolhermos ummaterial exposto às intempéries. (Por que?)1.2.2 Trocas por conduçãoVimos através da figura T9, que as trocas térmicas por condução são as responsáveis pela"chegada" e "partida" do calor nos ambientes. Isto porque é ela quem propicia a propagação docalor através de um corpo homogêneo ou entre camadas distintas de um corpo em temperaturasdiferentes.O fluxo de calor variará em função da densidade do material (o ar enclausurado é melhor isolanteque a matéria), de sua natureza química (medida através da condutividade) - onde materiaisamorfos são menos sujeitos à condução que os cristalinos, e de sua taxa de umidade (já que aágua é melhor condutora de temperatura que o ar). Veja as características térmicas médias dealguns materiais de construção no anexo T5.Em projeto, o importante é que a condução constitui o mais poderoso instrumento, junto à radiaçãopara controle das condições higrotérmicas internas das edificações, instrumentos extremamentenecessários para obtermos conforto por meios passivos ou o mais baixo consumo de energiaelétrica nos casos onde necessitemos utilizar resfriamento ativo 8 ( ar condicionado).Vamos dar um exemplo:Uma sala onde necessitemos condicionar artificialmente o ar (sala de computadores por exemplo),e mantê-lo a 18°C para que a temperatura resultante fique em torno dos 20-21°C. Se astemperaturas das paredes desta sala forem muito superiores a 18°C, ocorrerão trocas porconvecção e o ar da sala não ficará naquele patamar exigido pelo projeto de 18°C. Imaginemosque estamos em um instante que o Sol aparece e o exterior está a 37°C (Fig. T10):8 Lembramos que o princípio da climatização ativa é o de obter o conforto ao uso mínimo de energia. Não se trata de sacrificar ascondições de conforto higrotérmico, mas assegurá-las racionalmente.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 14
  15. 15. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 Fig. T10No instante seguinte o que acontece: - a parede externa, em função do material que escolhemos sofre um incremento de temperatura, echega, digamos a 40°C. Tendo de um lado 40°C e de outro 18°C, inicia-se um fluxo de calor defora para dentro que só irá parar quando as duas superfícies limites da parede estiverem em umatemperatura de equilíbrio.Imaginando, por absurdo, que os raios solares deixem de chegar (Fig. T11), que não haja maistrocas da parede externa com o exterior e que não haja mais nenhuma outra fonte interna de troca,este valor será: (40° + 18°) /2, ou 29°C. Fig. T11A nova temperatura resultante de equilíbrio será: (18° + 29°)/2 =23,5 °C; obrigando o sistema decondicionamento de ar a ser projetado para uma temperatura de entrada mais fria, o que gerará:- um consumo maior de energia;- um desconforto no usuário provocado pelo insuflamento de um ar a uma temperatura muito maisbaixa que a circundante.O que fazer? Trabalhar com o projeto e os materiais de forma a:- ter o mínimo de absorção solar na superfície externa - via escolha de orientações apropriadas defachadas (anexo T3), sombreamento e/ou fatores de absorção solar baixo (anexo T4);- escolher materiais de pouca condutividade (anexo T5);- trabalhar com a espessura das paredes (vejam na fórmula da condução acima que a espessura(e) aparece no denominador, ou seja, quanto maior for (e), menor será o valor do fluxotransmitido).Naturalmente a situação é ainda mais importante quando não estivermos climatizando, pois nãoteremos uma "fonte de frio" para compensar o fluxo de calor que estará chegando.1.2.3 Trocas por convecçãoAs trocas por convecção constituem o recurso mais próximo ao ser humano, pois intervémdiretamente na capacidade do ser humano de evacuar o calor pela evaporação nos poros. Elaserve também, para dissipar o calor acumulado nas superfícies internas da edificação - paredes,pisos e teto.Além disto é ela quem garante a manutenção da qualidade do ar que respiramos. Se a taxa derenovação de ar de um ambiente é insuficiente para o tipo de atividade que ali se desenvolve, ousuário será prejudicado, a respiração torna-se menos ativa e há o aparecimento de uma fadigaPROARQ e DTC – FAU - UFRJ 15
  16. 16. Conforto Ambiental 1° semestre 2005prematura e o risco de contaminação aumenta 9. Embora possa aumentar segundo a atividadeexercida, admite-se como taxa de renovação mínima de ar novo para obtermos a qualidade do arinterno, um valor em torno de 30m³/h por pessoa. No anexo T7, o quadro 4 traz um cálculoestimado de vazão de ar segundo o tipo de esquadria, da posição da abertura e do entornoconstruído e alguns valores de renovação desejáveis.Voltando ao conforto higrotérmico: em climas quente-úmidos, onde o corpo perde pouco calor porradiação e por condução (porque as temperaturas ambientes estão elevadas) e se refresca poucoatravés da transpiração, devido à alta umidade relativa do ar, as correntes de ar controladaspodem agir de forma bastante positiva para obtermos um conforto higrotérmico no verão.Como funciona? Através de um meio fluido - o ar - em movimento ele promove "trocas térmicas porcondução" de diversas zonas gasosas do ambiente e entre o ar que nos circunda e a pele denosso corpo e dos elementos sólidos em contato - paredes, tetos, pisos, móveis, etc. - criando umprocesso de equilíbrio térmico.Essas trocas ocorrem naturalmente sempre que há uma diferença de temperatura entre um sólidoe um gás, ou uma diferença de pressão entre dois pontos gasosos distintos.Na Natureza, os principais responsáveis pelas trocas por convecção são os ventos. Embora umestudo mais aprofundado dos ventos e de seu manuseio seja complexo, podemos adiantaralgumas ponderações úteis para o projeto: À medida que o ar se aquece, ele fica mais leve (ou menos denso) e sobe, cedendo espaço para outra massa de ar mais frio (e mais denso). O ar quente que sobe cria uma área que chamamos de depressão (sucção) e o ar frio que desce gera uma força de pressão sobre a terra (Fig. T12). + pressão - depressão Fig. T12No interior das construções o mesmo fenômeno acontece: o ar aquecido tende a se estratificar, ouseja, a subir rumo ao forro (ou a um eventual andar de cima) e, uma vez sem ter para onde sedeslocar, cria uma camada quente estacionária, que irá aquecer o teto, provocando trocas porradiação complementares (Fig. T13). Fig. T13 O vento possui movimento preponderantemente horizontal (Fig. T14) com duas características essenciais: turbulência e velocidade: a turbulência se caracteriza por um movimento9 Diversos parâmetros agem sobre a qualidade do ar e o homem é extremamente sensível às menores variações de sua composição.Por exemplo a proporção de CO2 no ar fresco é em torno de 0,03% em volume. Logo que esta proporção atinge 0,15%, o ar já éconsiderado viciado, a partir de 0,4%, acontecem as dores de cabeça e os problemas de concentração. PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 16
  17. 17. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 desordenado do vento em várias direções, provocado pela rugosidade em grande escala (prédios), é maior perto do solo e diminui com a altitude; a velocidade do vento aumenta à medida que a altitude (altura) aumenta até tornar-se estável (z ± 400m). Fig. T14 - Em vista e em planta o deslocamento esquemático do ar.Para o projeto isto significa algumas interferências diretas:- Em zona muito urbanizada (com muitos obstáculos), nós não contamos em geral com a intensidade do vento que nos é oferecida pela estação meteorológica e sim com um valor menor e eventualmente até em direção contrária, como mostra a figura T14;- Com as maiores diferenças de velocidade e direção se dando até 100m do solo, a criação de edifícios de grande altura merece um estudo mais aprofundado dos ventos locais, do entorno construído e a construir (Fig. T15). A turbulência piora com a altura pelo aumento do movimento aleatório provocado pelo encontro com a subida do ar por convecção (pela diferença de temperatura entre a área da empena junto ao térreo e ao teto); uma solução seria a adoção do uso de pilotis, que direcionam o fluxo a nível do solo, afastando a zona de turbulência da fachada posterior do edifício. + - Linha de separação - + - - - + - Zona de - + turbulência + - + - Ponto de - - atração Fig. T15- Quando da implantação de diversas unidades residenciais independentes, é importante evitar o efeito de barreira à ventilação (causado pela obstrução frontal ao vento da fachada mais ampla das construções da primeira fila). De uma maneira genérica, quanto mais alta a edificação, mais afastada será a zona de turbulência da fachada oposta à direção dos ventos dominantes; esta situação pode ser atenuada pela alternância das posições, o que vai aumentar as zonas de pressão (que irão "succionar" as turbulências). Um esboço desta solução e algumas proporções podem ser observados na figura T16 a seguir:PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 17
  18. 18. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 <2A A = altura média das edificações da primeira linha A Fig. T16 - (Fonte: Hertz)- De uma forma geral o ar externo passa pelas construções seguindo a direção dos ventos ou por uma diferença de temperatura gerando zonas de pressão e de depressão (Fig. T16) e passará por seu interior entrando pelas zonas de pressão (+) e saindo pelas de depressão (-). Assim é fundamental que nos asseguremos de que exista efetivamente uma superfície de entrada e outra de saída para este ar em cada ambiente (permeabilidade da construção), a fim de garantir que a renovação de ar ocorra satisfatoriamente.3 Horário da ventilação. Considerando que quando promovemos a entrada e saída do vento no nosso projeto, facilitamos o equilíbrio das temperaturas externa e interna, um cuidado a se tomar é quanto ao horário de troca. A ventilação cruzada, estratégia mais comum causadora das trocas por convecção, faz entrar em equilíbrio a temperatura interna do ar com a externa. Assim, em horas de temperatura externa superior à interna, deixa de ser interessante o uso sem controle da ventilação. Em contrapartida, uma boa opção de esquadria e posição de aberturas pode permitir ao usuário resfriar seu ambiente em caso de queda de temperatura por chuvas ou noite, sem que sua rotina seja alterada.( Anexo T8 )4 De uma maneira geral, em climas quentes, o uso de forros ventilados é sempre uma boa estratégia a qualquer hora. Isto porque, como vemos no glossário, a intensidade do fluxo térmico se expressa por: q= hc ΔT (W/m2) onde hc (W/mºC ) é um coeficiente de trocas térmicas que varia segundo a posição da troca - horizontal ou vertical - e a sua velocidade de passagem. E ΔT é a diferença de temperatura das duas superfícies onde ocorre a troca por radiação, no nosso caso, a superfície interna do telhado e a superior do forro. Fig. T17Agora se observarmos a figura anterior, poderíamos afirmar que, ao menos durante o dia, atemperatura do telhado será sempre mais elevada que a temperatura externa (pois soma-se àtemperatura externa em contato com o telhado a parcela oriunda da absorção solar). Assim,ventilando bastante o ático, promovemos trocas entre a superfície interna do telhado e o ar exteriorque passa, diminuindo sua temperatura. A temperatura de superfície sendo mais baixa, ocorrerámenos troca por radiação entre a parte inferior do telhado e o forro; donde menor temperatura deforro e menos fluxo de calor atingindo o ambiente.É, aliás, o que torna tão atraente a telha de barro colonial sem verniz ou pintura:PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 18
  19. 19. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 Fig. T18 - Esquema de ventilação natural das telhasEssas e várias outras estratégias são utilizadas para climatizar naturalmente ambientes, com esem uso de umidificação. Em climas muito secos, como Brasília, o recurso de piscinas na direçãodo vento e próximas às casas, constitui um desses recursos. O vento ao soprar por sobre asuperfície de água, se umidifica (em valores absolutos), o que faz refrescar o ar (ver anexoT1/Diagrama Bioclimático de Givoni) e assegura uma umidade relativa menos baixa e maisconfortável. Finalmente, o vento pode trazer sensação de frescor (por quê?), mas também de desconforto, à medida que se torna mais forte do que nossa necessidade de eliminação de suor. Embora varie em função da vestimenta, da atividade de condições metabólicas e da temperatura circundante, podemos admitir as seguintes velocidades do ar como as máximas confortáveis para evitar a sensação de arrepio, que é uma reação do organismo à perda de calor acima da desejada (Fig. T19): Velocidade máxima situação do usuário (atividade) tolerada (m/s) 5 sentado ou em pé, imóvel. 10 estado de pouca mobilidade (conversando em pé, dando pequenos passos). 15 andando. 25 andando rápido ou correndo. >25 desconforto em qualquer atividade. Fig. T19 - Fonte FERNANDEZO mais importante nesta fase de interação com os conceitos do bioclimatismo talvez seja queabsorvamos a noção de que o aproveitamento da ventilação natural é uma estratégia muitoimportante para o conforto e a economia de energia em edifícios residenciais 10. Somente a suaotimização deve ser pensada na fase de projeto e em função do entorno para uma corretaadequação do sistema de aberturas e esquadrias em relação aos ventos disponíveis.E que ao invés do pensamento tradicional de concepção do projeto "em planta" para posteriorelevação, em bioclimatismo é necessário e útil que o projeto seja elaborado simultaneamente emelevação...1.2.4. Muros e esquadriasOs muros e as esquadrias são os "elementos" que administram a ventilação disponível no entornoconstruído. Altura = h Distância à casa = 2m Fig. T20 - (Fonte Hertz)10 E públicos, comerciais, industriais..., dependendo das opções de projeto de climatização feitas e do entorno climático.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 19
  20. 20. Conforto Ambiental 1° semestre 2005A correta escolha de seu tipo e de sua posição no ambiente projetado é que determinará o melhoraproveitamento dos ventos incidentes e garantirão a permeabilidade da edificação. É muitoimportante que não se confunda aberturas destinadas à renovação de ar e destinadas àiluminação.Os desenhos a seguir (Fig. T21) ilustram bem esta diferença. As aberturas para ventilação dosambientes serão sempre no máximo de mesma superfície que aquelas projetadas para iluminaçãodo ambiente.Em clima tropical úmido torna-se muito importante que se tenha o pleno aproveitamento dasaberturas para a ventilação – mesmo em situação de chuvas – para garantir o melhoraproveitamento possível, já que a ventilação cruzada não é matéria fácil de se obter emempreendimentos multifamiliares. Fig. T21 - Tipos diferentes de esquadrias e muros.No anexo T 7 encontram-se alguns valores de redução do vento disponível em função do entorno,do ângulo de aproximação escolhido para a fachada e o tipo de esquadria. São, comopraticamente tudo o mais que diga respeito ao deslocamento livre do ar, fruto de estatística eobservação, sendo seus valores mais importantes do ponto de vista relativo que absoluto. Énecessário que a escolha das esquadrias obedeça a critérios de eficiência, para garantir asuperfície de ventilação mesmo em caso de chuva, necessidade de obscuridade e proteção solar.Alguns tipos de esquadrias - como as janelas de correr - reduzem o espaço efetivo de ventilação,outras dirigem a distribuição do fluxo de ar no interior do ambiente e a localização e odimensionamento dos vãos devem levar em conta estes fatores. O anexo T 8 traz alguns tipos deesquadrias e uma descrição de suas vantagens e desvantagens mais importantes para orientaçãono projeto.1.3 Insolação e o projetoFalamos da recepção do corpo humano às diversas formas de calor vindas do construção.Falamos também, dos meios de transmissão desse fluxo de calor pelo envoltório construído.Comentamos a maneira pela qual este envoltório interage com o meio ambiente, sobretudo com acalota celeste e o Sol.Vimos no anexo T3 que o valor da radiação solar varia de acordo com a orientação. Ela tambémvaria, de acordo com os dias do anos, pela maior ou menor proximidade e inclinação dos raiossolares. Por isso, falaremos um pouco do que é insolação e o que queremos dela, do ponto devista térmico, como arquitetos.O Sol possui uma trajetória aparente que varia ao longo do dia, ao longo do ano. Entretanto, paracada latitude, essa trajetória teoricamente se repete a cada ano. Assim, para cada local, segundo ahora do dia, a estação do ano e a orientação escolhida, temos sempre uma única posição espaciale um único valor de radiação 11.Para efeitos de projeto, o que queremos saber é, a cada hora desejada, aonde está o Sol, paraconhecermos a direção de seus raios e a potência desta radiação. Desta forma poderemos11 Na realidade, as condições de nebulosidade e poluição também influenciam, atenuando seu valor.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 20
  21. 21. Conforto Ambiental 1° semestre 2005conhecer as fachadas mais expostas à radiação, para dimensioná-las e calcular a forma de suasproteções (beirais e brises). Para isso, o primeiro passo é a compreensão da posição solar. Fig. T22A posição espacial do Sol pode ser reproduzida no projeto se soubermos qual a sua altura solar α-e o seu azimute - a . Se, sobre um ponto do globo, marcarmos a direção dos pontos cardeais efizermos uma projeção sobre o solo do Sol em determinado instante, chamamos de azimute aoângulo plano que esta projeção fará com o Norte 12. E sobre este novo eixo, de α, ao ângulo relativoà altura solar.Estes pontos estão marcados em cartas solares disponíveis para as principais altitudes. Veja noanexo T2 alguns exemplos. Mas como lê-las? Bastante simples: a 10° N 10° a 20° 20° 30° 30° 22/06 22/06 13 10 22/09 O 16 8 L21/03 17 80° 7 18 70° 6 22/12 22/12 50° α 30° 10° S Fig. T23Vemos na figura T23 acima uma grande círculo, representando uma projeção do horizonte visto decima. Nele, estão marcados os pontos cardeais e as trajetórias solares, sob forma de linhas quevão do Leste ao Oeste. linhas que se encontram em posição quase paralela, e que têm à suadireita e esquerda o número do dia ao qual se referem. Cortando-as, existe outro grupo de linhasque identificam os pontos de passagem do Sol em determinadas horas 13 do dia. Finalmente, naparte inferior do eixo Norte-Sul, encontram-se marcações com valores da altura solar, de 0°representado pelo círculo externo do horizonte, até 90°, no zênite (representado nas carta solarespelo ponto de interseção dos 2 eixos).12 Consideramos que para as latitudes Sul do Equador o Sol está ao Norte. No hemisfério Norte a situação se inverte (literalmentequestão de ponto de vista), e o Sol passa a se posicionar a Sul. Para os seus habitantes, o azimute é então calculado em relação aoSul. Como consideramos para efeito de projeto a Terra cilíndrica e repartida ao meio no Equador, isto não faz nenhuma diferença.13 Horas solares, e não horas legais. Ver glossário. Entre outros cuidado, é necessário descontar os horários de verão, quandoestivermos trabalhando com este valores. PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 21
  22. 22. Conforto Ambiental 1° semestre 2005Assim, para conhecermos um ponto na trajetória solar, traçamos um segmento de reta até o círculoexterno. O valor do ângulo formado pela reta com o Norte nos dará o valor do azimute solar nesteinstante. A altura solar correspondente se consegue com ajuda de um transferidor solar (Anexo 2). Fig. T24 – transferidor auxiliar para o desenho em corte da insolaçãoE como aplicá-la para construção das proteções? Em princípio, para conhecer o efeito dos raiossolares em uma determinada hora e dia sobre as plantas baixas, usamos seu valor do azimute, epara conhecer a projeção vertical do ângulo espacial, traçamos o valor da altura solar sobre oscortes. 55 58º Fig. T25 - Aplicação para 10h dos dias 21/3 ou 24/9 e projeção sobre desenho de Olgyay.Depois é só geometria e desejo para achar a cobertura que melhor se adeqüe ao projeto (Fig.T26): Fig. T26 - Projeções diversas de mesma eficiência ( sobre desenho original de Olgyay)PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 22
  23. 23. Conforto Ambiental 1° semestre 2005Esta é talvez a parte mais importante da cartilha e é preciso confessar talvez a menos atraente emuma primeira abordagem. No entanto após a segunda inserção dos ângulos transferidos sobrecartas solares no projeto, desenvolve-se um automatismo e a tarefa flui sem problemas.Para aqueles que sempre projetam em uma mesma cidade, é possível a obtenção de um diagramaespecífico para os pontos cardeais e os secundários, de forma a obtermos um traçado de sombraem horas exatas, o que nos permite ganhar algum tempo.2. O homem e suas necessidades lumínicasNós vimos anteriormente as necessidades higrotérmicas do homem para a plena execução desuas atividades. Quanto às necessidades lumínicas, elas estão relacionadas, não só àmanutenção da saúde, mas à comunicação. A visão talvez seja o sentido mais solicitado para acomunicação. A visão permite avaliar distâncias, distinguir formas, cores e volumes com precisão.Mas, para que suas necessidades lumínicas sejam satisfeitas, alguns requisitos devem seratendidos. Em determinadas circunstâncias, como veremos mais tarde, estes requisitos podem serantagônicos às necessidades higrotérmicas, outras vezes as complementarão.Toda iluminação deve permitir a visão nítida dos objetos, de forma que o homem possa ali exercersuas atividades o mais eficazmente possível e com conforto, sem que haja fadiga dos órgãosoculares.Se todo nosso corpo permite-nos sentir o calor, o frio e a umidade, as células sensíveis à luzconcentram-se nos olhos. O olho é um instrumento ótico que coleta as ondas luminosas e astransforma em impulsos nervosos que estimulam o cérebro, permitindo a formação e decodificaçãode imagens. De modo que a visualização do espaço depende, a princípio, da abrangênciaespacial do campo visual (Fig. L1), das propriedades de acomodação e adaptação do olho e damobilidade da cabeça. Destaca-se a capacidade de ajuste focal (processo de acomodação docristalino) na visualização de pontos de diferentes distâncias e a possibilidade de adaptação dascélulas fotossensíveis a diversos níveis de iluminação num curto espaço de tempo.Fig. L1 – Abrangência do campo visual : A parte central corresponde à área vista pelos dois olhosjuntos, as partes laterais correspondem à visão de cada um dos olhos separadamente, e as partespretas correspondem às partes bloqueadas pelo nariz e pelas sobrancelhas.Evidentemente, a capacidade do sistema visual de bem realizar estes processos varia em funçãoda saúde dos órgãos envolvidos – incluídas aí, as doenças congênitas e as de desgaste devido àPROARQ e DTC – FAU - UFRJ 23
  24. 24. Conforto Ambiental 1° semestre 2005idade (fig. L2) e ao mau uso – mas também da boa iluminação. Cada tarefa visual, em função donível de detalhes envolvidos, merece ser iluminada adequadamente. O mesmo se diz sobre oentorno, já que o sistema visual se concentra tanto em seus planos de trabalho – objeto de seuinteresse, como também se apercebe da área circundante. Fig. L2 – Influência da idade na visão (Fonte ABILUX)De toda forma, embora variando de um indivíduo a outro, podemos dizer que a ausência de umasituação mínima de conforto traz fadiga e desgaste dos órgãos visuais, reduz a acuidade visualtrazendo o mau desempenho das tarefas propostas (mesmo aquelas prazerosas, como ler, admirarquadros , etc.).Na realidade, o desempenho visual de uma tarefa é determinado pelo tipo de atividadeenvolvido ( tamanho da tarefa visual, sua distância até o olho ,etc) e pelo grau de saúde doindivíduo. O grau de desempenho visual para a percepção de um certo objeto cresce até um certonível, em função do aumento do contraste, da iluminância, ou do grau de luminância e pode seestabilizar ou decrescer diante de um brilho intenso (fig. L3).PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 24
  25. 25. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 Fig. L3 – Desconforto e performance visual ( Fonte Hopkinson)O ofuscamento é sentido sempre que há claridade demais no campo visual. Pode ser causadopor uma fonte de luz de grande luminosidade, como lâmpadas, janelas, ou pela reflexão dessafonte de luz no campo visual do observador (figura L4), como superfícies refletoras "em ação", etc. Fig. L4 – Reflexão da fonte de luz no campo visual do observador.Assim podemos resumir dizendo que o desempenho visual fundamentalmente depende de doisparâmetros ambientais: do nível de iluminamento e/ ou da luminância na superfície de trabalho; do nível de contraste entre o objeto observado e seu suporte (ou seu entorno).De uma forma geral, para se obter um ambiente visual não-cansativo, deve-se respeitar, asseguintes relações de luminância entre á área foco de nossas atividades e o entorno (fig. L5):PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 25
  26. 26. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 Entre o campo visual central (a) e a tarefa visual propriamente dita (b) 3:1 Entre a tarefa visual (b) e seu entorno 10:1 imediato (c) Entre a fonte de luz e o fundo sobre o qual se destaca 20:1 Entre dois campos quaisquer do campo visual 40:1 Fig. L5 – Relação de luminância recomendadas (ref. ABILUX)Para cada tipo e atividade existe uma tabela de necessidades lumínicas - expressa em termos deiluminância dada em lux e de luminâncias (ver anexos L1 e L2, respectivamente). Esta lista estálonge de ser exaustiva, e menciona na realidade valores para campos de trabalho e nãoforçosamente a iluminância necessária a todo o ambiente envolvido. Assim vemos que sãonecessários 540 lux para uma boa atividade de barbear ou maquiagem, enquanto que a boaqualidade na leitura de jornais é assegurada com apenas 320 lux em um ambiente que pode estara 110 lux.Cabe ao arquiteto conhecendo as atividades previstas para cada ambiente projetado, asseguraruma iluminância mínima adequada, evitar o ofuscamento e a mudança brusca de graus deiluminância entre ambientes vizinhos.2.1. A construção e as fontes de luzUma vez determinadas as necessidades lumínicas dos indivíduos, o passo seguinte seriadeterminar onde e como fornecer a luz que propiciará esta iluminância.E a que chamamos luz? Luz é a manifestação visual de energia radiante, ou seja, radiação visível.De uma forma geral, a faixa de radiação que conseguimos enxergar (faixa visível) é bastanteestreita em relação a todo o espectro solar (fig. L6). Fig. L6 – Distribuição espectral da energia radiada pelo sol.Essa luz, vem naturalmente do Sol - em uma faixa estreita do espectro da radiação solar,acompanhada de seu efeito térmico, ou pode ser reproduzida artificialmente. No primeiro caso,varia em qualidade (cor e direcionalidade) e em intensidade segundo o período do dia e ano.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 26
  27. 27. Conforto Ambiental 1° semestre 2005Iluminação gratuita, deve ser bem aproveitada pelo projeto. No segundo, o arquiteto determina osparâmetros necessários ao sistema de iluminação, sem restrições de clima ou hora do dia 1.2.1.1. Luz e CorUm conceito associado a luz é o de cor. A visão das cores depende de três elementos: da fonteluminosa, das superfícies iluminadas e dos olhos que as vêem.Chamamos de luz branca, àquela resultante da combinação de todos os raios luminosos dediferentes comprimentos de ondas provenientes do espectro visível da radiação solar. Já a cor deum material é na realidade função da reflexão seletiva do fluxo luminoso incidente, reflexão estavariável segundo as características físicas de sua superfície. Um material que absorva todo fluxoluminoso nos parece negro fosco, uma porta vermelha, na realidade, absorve todos oscomprimentos de onda do espectro luminoso, exceto o de 700nm (nanômetros), correspondente aovermelho.2.1.2. Fontes de luz naturalO Sol é a fonte de luz natural fundamental. É a luz do sol que, difundida na atmosfera torna-se luzdo céu ou da abóbada celeste sendo fonte primária na iluminação natural de interiores. Em diasclaros e sem nuvens, a luz do céu claro pode ser a principal fonte de luz em um ambiente, podendoainda haver uma iluminação suplementar considerável através da luz do Sol refletida pelo solo,pelas empenas vizinhas à construção, envidraçadas ou não.Assim, devido à sua grande intensidade e dinamismo (muda permanentemente de posição),embora o Sol seja a fonte primária da iluminação natural, pode não ser considerado como tal noprojeto e cálculos. Usamos, na maioria das situações, o seu efeito sobre a abóbada, o que nos dávalores mais constantes, intensos o suficiente para tarefas visuais e menos ofuscantes (a luz docéu sobre um plano não costuma ofuscar, quem ofusca é o trecho de céu visto.).Assim padronizamos três tipos de abóbadas, segundo as condições de nebulosidadeapresentadas: céu claro, onde a nuvem é ocasional, parcialmente encoberto (1/3 a 2/3 do total), eo céu encoberto. A intensidade da luz difusa disponível é menor na primeira situação e maior naúltima.O entorno, natural e construído, comporta-se como uma outra fonte secundária de luz, em funçãoda cor, tamanho e distância ao ponto de estudo. Em climas tropicais ensolarados, a luz refletidapelas superfícies externas representa, no mínimo 10 a 15% do total de luz diurna recebida pelasaberturas nas edificações. Este entorno pode chegar a contribuir com 30% da iluminação recebidapor um edifício em cidades densamente urbanizadas.A luz natural, dado a seu espectro, nos fornece toda a gama de cores do espectro visível. Ela éconsiderada psicologicamente mais atraente, quebrando, ao longo do dia a monotonia, devido àssuas mudanças sutis.2.1.3. Fontes de luz artificialQuando energizamos determinados elementos estes passam a emitir ondas na faixa do visível,gerando o que chamamos de luz artificial. Os produtos que as geram chamam-se lâmpadas e sãoclassificadas em dois grupos principais: incandescestes (fig. L7) e de descarga (fig. L8).1 o parâmetro térmico de toda iluminação não pode ser esquecido, já que, como podemos observar, a sensação luminosa é sempreacompanhada de um efeito térmico, dada sua condição eletromagnética.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 27
  28. 28. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 Fig. L7 – Exemplos de lâmpadas incandescentes (Fonte Catálogo GE) Fig. L8 – Exemplos de lâmpadas de descarga (Fonte Catálogo GE)As primeiras fornecem luz pelo aquecimento elétrico de um filamento a uma temperatura queproduza uma radiação na parte visível do espectro (ver fig. L7). São as conhecidas lâmpadas devidro transparente ou translúcidas, espelhadas, halógenas, etc.Já a luz em uma lâmpada de descarga é produzida pela passagem da corrente elétrica em um gásou vapor ionizado. São as lâmpadas fluorescentes, de vapor de mercúrio, etc.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 28
  29. 29. Conforto Ambiental 1° semestre 2005 Fig. L9Se a iluminância natural depende das condições da abóbada celeste, a artificial também tem suasrestrições. Como essa luz é resultado da aplicação de uma tensão elétrica oriunda da rede pública,observamos sérios efeitos segundo a relação tensão da rede/ tensão da lâmpada encontrada (fig.L10). TENSÃO DA LÂMPADA CONSEQUÊNCIAS MAIOR que a tensão da redução da Potência da lâmpada, redução da concessionária. iluminação e aumento da duração da lâmpada. IGUAL à tensão da a lâmpada terá suas características mantidas em concessionária. 100% dos valores previstos. MENOR que a tensão da aumento da potência da lâmpada, aumento da concessionária iluminação e redução da vida da lâmpada Fig. L10 – Relação entre tensão da rede e tensão da lâmpada.Dissemos antes que o parâmetro térmico de toda iluminação não pode ser esquecido, já que asensação luminosa é sempre acompanhada de um efeito térmico No caso da fonte de luz artificial,existe um efeito a mais, o do gasto energético.Todo efeito térmico não desejável da fonte luminosa é um duplo desperdício, pois foi gerado àsnossas custas e, em caso de climatização artificial , será retirado com outro gasto. Para administrarestes fatores, criou-se uma grandeza, chamada Eficiência Luminosa (de uma fonte), que exprime aeficiência luminosa de uma lâmpada, em relação ao seu consumo. E para conhecer o percentualda energia consumida pela lâmpada que é convertida no ambiente em luz e calor, basta dar umaolhada nesta tabela geral da ABILUX (fig. L11). calor emitido pelo Calor calor emitido por convecção eTipo de Lâmpada LUZ reator infravermelho conduçãoincandescente 0 72 18 10fluorescente 9 32 36 23Mercúrio 11 48 27 14vapor metálico 13 35 31 21sódio de alta pressão 14 38 22 26 Fig. L11PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 29
  30. 30. Conforto Ambiental 1° semestre 20052.1.3.1. Características operacionais das lâmpadasPode-se avaliar todas as lâmpadas - incandescentes, fluorescentes e de descarga de altaintensidade - em termos de quatro características básicas de operação. São elas: EFICIÊNCIA LUMINOSA: É a quantidade de luz emitida por unidade de potência aplicada. MANUTENÇÃO DE LÚMENS: Diz respeito à diminuição do fluxo luminoso da lâmpada ao longo do uso. MORTALIDADE: Expectativa de vida média de um grupo de lâmpadas. COR: As qualidades de cor de uma lâmpada são caracterizadas por duas diferentes atribuições: A aparência de cor (que poderá ser descrita pela sua temperatura de cor). A sua capacidade de reprodução de cor (que afeta a aparência da cor de objetos iluminados pela lâmpada).2.1.4. A reflexão e a transmissãoComo vimos, não somente da fonte luminosa, o usuário recebe o fluxo luminoso. Ele também orecebe através da reflexão da luz sobre paredes e demais superfícies e via transmissão porelementos translúcidos ou transparentes à sua propagação (fig. L12).Fig. L12 – Reflexão e transmissão do espectro luminoso (Fonte Mascaró, in ABILUX).Esta recepção de fluxo luminoso pode ocorrer sem que haja modificação da freqüência doscomponentes cromáticos. Na realidade grande parte da luz que vemos, nos chega através demúltiplas reflexões, transmissões e difusões, desde sua emissão pelas fontes primárias.Estas propriedades dos materiais circundantes (ver anexos L3 e L4) constituem excelente recursopara incrementar ou reduzir a intensidade luminosa de um determinado ambiente ou zona deatenção. Consideramos de uma forma geral dois tipos de reflexão e de transmissão: a especular,que permite a reflexão ou a transmissão do raio luminoso sem difusão, como em um espelho, e adifusa, na qual não acontece uma reflexão regular.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 30
  31. 31. Conforto Ambiental 1° semestre 20052.2. Iluminação e projetoO que se deveria fazer cada vez mais seria trabalhar a iluminação no projeto, desde os primeirosesboços, ou seja, junto com a concepção da forma da construção, virem se instalando as primeirasnoções básicas de iluminação dos ambientes, integradas às demais restrições.E como se poderia pensar nisso? Existem etapas que devem ser seguidas na elaboração de umprojeto de iluminação.O primeiro passo é analisar o programa. As necessidades visuais são diferentes em cadaambiente. Pode-se privilegiar a iluminação de uma tarefa localizada, a percepção do ambientecomo um todo, e/ ou ressaltar elementos deste com o uso da luz. As pessoas e a Arquitetura, emsua expressão se beneficiam da boa iluminação.A segunda ponderação diz respeito ao fato de que luz e calor são indissociáveis (em maior oumenor escala, quer a fonte seja natural ou artificial). Assim pensarmos se queremos ou não, equando, este acréscimo de carga térmica no ambiente, em função do clima e das atividades alidesenvolvidas, já nos dá um rumo a seguir.Então devemos confrontar níveis especificamente requeridos nas tarefas com valores deluminosidade disponível no local e procurar orientar e dimensionar os vãos pensando em ganho deluz natural e de calor. Do mesmo modo devemos nos preocupar quanto aos efeitos qualitativos quepodem ser explorados.O terceiro passo é a complementação da luz natural pela artificial. Esta ponderação deve levar emconta dois parâmetros: eficiência e custo. Ou o nosso velho custo-benefício.Em princípio, como a iluminação natural é de melhor qualidade, gratuita, e portanto sem custos oudesperdícios, tudo nos leva a optar por utilizá-la como iluminação básica, complementando-a coma artificial, sempre que as necessidades de conforto lumínico a solicitarem. Destacamos assituações de tarefas pontuais num largo ambiente (fig. L13). Fig. L13 – Complementação da luz natural com uma fonte pontual artificial.A partir das decisões tomadas nesta fase podemos abordar a questão lumínica do projeto de váriasmaneiras, como por exemplo: - verificando o alcance da iluminação natural nos ambientes, programando a distribuição desua utilização e estudando sua complementação artificial; - ou fazendo o caminho inverso ou seja, verificando qual (quais) dos ambientes necessitade um nível de iluminância mais elevado e posicionando próximo às aberturas;Como cada projeto e cada arquiteto deve seguir seu próprio caminho, apenas explicaremos aqui astécnicas relativas à utilização da luz natural nos ambientes, e da complementação com a luzartificial.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 31
  32. 32. Conforto Ambiental 1° semestre 20052.2.1. Sistemas de Iluminação natural : Zenitais e LateraisUma vez que já sabemos o que necessitamos em termos de iluminamento (anexos L1 e L2) equanto dispomos na cidade de nosso projeto (ver anexo L6 – RadLite), o passo - sábio- a seguir éestudar as possibilidades de se atender a estas exigências. Várias maneiras se apresentam, maisou menos sofisticadas 2, para nos atender nas diversas fases do projeto. Aqui mencionamos ométodo apresentado pelo IPT. Após conhecermos o potencial da nossa região podemos ter umpré-dimensionamento das aberturas, cruzando esta informação com a ilustrada no ábaco do anexoL7.O passo seguinte é resolver qual forma de "coleta de luz natural disponível" melhor convém aoprojeto: a lateral ou a zenital.A primeira se traduz, no projeto, pelas aberturas feitas nas fachadas, que atingem o ambiente.Naturalmente o maior aproveitamento da luz natural neste caso ocorre perto das janelas, comumgrande declínio a medida que nos afastamos dela (fig. L15).Fig. L15 – Curva de amortecimento da iluminação natural no ambiente segundo a profundidade doambiente; estimativa para uma relação área de janela/ área de parede entre 35% e 100% (Fonte:JORGENSEN, R. Fan Engeneering, in QUEIROZ, T.).Observamos que traçando curvas isolux, formadas por pontos de mesmo nível de iluminamento, épossível verificar distribuição da luz no ambiente, modificando-a segundo seu projeto de aberturas.De uma forma geral, o óbvio prevalece, ou seja, quanto maior a área iluminante, maior ailuminância do ambiente. Entretanto é preciso ficar atento aos problemas ocasionados por zonasde contraste elevado e de ofuscamento, que ocorrem geralmente quando há incidência solar direta,superfícies excessivamente refletoras ou visão do céu. A questão térmica associada à estapenetração de radiação solar direta também deve ser ponderada.2 e sofisticada aqui não tem nenhuma conotação pejorativa, mas simplesmente refere-se à maior ou menor necessidade de exatidãodos cálculos, em função do nível de desenvolvimento do projeto. Na realidade, são os cálculos de Waldram que se tornarão aferramenta mor do projeto de iluminação natural, fora do objeto desta cartilha e bem descrita no livro energia na edificação de LúciaMascaró, editora Projeto ( objeto do II prêmio Light de energia na Edificação)PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 32
  33. 33. Conforto Ambiental 1° semestre 2005Uma última recomendação: a função de uma janela como elemento de integração exterior–interiornão pode ser esquecida, e na verdade é esta mistura de parâmetros que pode tornar fascinante oprojeto das aberturas. Assim podemos usar nosso conhecimento de orientação, reflexão externa(em pisos do entorno imediato) e interna (tetos) para gerar um sistema de abertura que reunatodos estes requisitos, como mostra esquematicamente o desenho da figura L16.Fig. L16 – Exemplo de combinação de elementos arquitetônicos controlando a luz solar direta e aluminância da abóbada celeste (Fonte: Mascaró in ABILUX).A iluminação do ambiente via sistema zenital oferece uma melhor distribuição dos níveis deiluminamento sobre os chamados planos de trabalho. Entretanto, uma olhada na figura L17, nosmostra que o plano horizontal, posição dos domos e clarabóias, recebem uma radiação de grandeintensidade, e durante muito tempo, que não é para ser negligenciada, e sim reduzida (em regiõesquentes) através do dimensionamento correto dos vãos ou do uso de elementos desombreamento.Opções existem, como os "sheds”, que podem não captar a luz do sol, uma vez que possuem umaúnica superfície vertical envidraçada. Entretanto eles apresentam em geral apenas 30% dorendimento lumínico de um domo, captor horizontal.Finalmente além das aberturas que captam a luz solar e de seus elementos redirecionadores esombreadores da luz, características do ambiente interno tal como pé-direito, forma do teto e coresdas superfícies interferem no resultado obtido.PROARQ e DTC – FAU - UFRJ 33
  34. 34. Conforto Ambiental 1° semestre 2005No projeto de detalhamento do uso de iluminação natural, estes conceitos devem ser melhordetalhados, uma série de instrumentos e programas informáticos sendo disponíveis, nos ajudandoa manipular estes dados para obter uma janela que atenda a todos os requisitos. menor valor segundo menor valor anualEstação (Estado) Latitude Longitude Altitude anual -EH1 -EH2 (m) (lux) (lux)Macapá (AP) 0°10N 51°03W 9 15.600 16.500Uaupés (AM) 0°08S 67°05W 90 26.700 27.700Petrópolis (RJ) 22°31S 43°11W 895 18.100 19.700Rio de Janeiro (RJ) 22°54S 43°10W 31 17.900 20.000Cabo Frio (RJ) 22°59S 42°02W 7 18.400 19.900Porto Alegre (RS) 30°01S 51°13W 47 9.500 11.600Rio Grande (RS) 32°01S 52°05W 2 9.300 10.700Fig. L17 - Dados de iluminamento médio em plano horizontal para algumas cidades brasileiras(Fonte: IPT - Recomendações para adequação climática e acústica, 1986). Dados calculados emfunção dos valores de radiação média global no plano horizontal, considerando um fator deeficiência luminosa para radiação igual a 100 lm/ w, distribuição típica de céu encoberto. Valorespara 8 e 16horas..3. Homem e suas necessidades acústicasNesse módulo discutiremos a relação do som com o homem e o meio que o circunda.Para que um projeto tenha condições plenas de conforto é preciso que o tripé formado por confortotérmico, lumínico e acústico esteja bem resolvido na concepção da proposta. Quando nospreocupamos com as condições acústicas externas e internas do edifício projetado é porquesabemos que dependendo do uso que será dado à edificação ela poderá ser fonte de ruído para oentorno ou ficar fragilizada por sua interferência.Se propomos, por exemplo, uma escola para uma determinada área, é preciso que saibamos queela será fonte de ruído na vizinhança e que a qualidade acústica das salas de aula poderá sercomprometida se as áreas próximas (internas ou externas) forem ruidosas.As fontes podem ser classificadas como ruído aéreo (propagado pelo ar) ou de impacto(propagado pelo corpo sólido – vibração) e para cada uma delas haverá um tratamento acústicoespecífico.O estudo cuidadoso da área onde o projeto será inserido, identificando os tipos de fontes e o graude incômodo provocado por seu nível de ruído, é imprescindível para que a implantação do projetoseja feita adequadamente. Barateamos o custo do tratamento acústico (quando este se faznecessário) quando adotamos uma implantação correta. Podemos reduzir a entrada de ruídos naedificação utilizando maiores afastamentos, adotando-se um partido que bloqueie o ruído,explorando desníveis que existam no terreno ou criando barreiras.A setorização das atividades devem ser propostas a partir da hierarquização dos espaços,entendendo sempre que se é preciso maior privacidade ou pouquíssima interferência de ruídos,então precisamos dos ambientes que atuam como fontes sonoras.Adotando como exemplo um projeto de creche, entendemos que os berçários deverão ficarafastados das áreas de recreação e serviço, pois estas áreas são geradoras de ruído.Além do isolamento, em um estudo de acústica nos projetos precisamos estudar com maior rigor aforma das superfícies, pois estas definirão o direcionamento da onda sonora refletida. Superfíciesconvexas são excelentes refletoras de som contribuindo para melhor difusão do mesmo.Superfícies côncavas são concentradoras de som, devem ser evitadas ou substituídas porPROARQ e DTC – FAU - UFRJ 34

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