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CARTILHA DA MANIPUEIRA
USO DO COMPOSTO COMO INSUMO
          AGRÍCOLA
69767674 manipueira cartilha
JOSÉ JÚLIO DA PONTE
             Livre-Docente de Fitopatologia
  Professor-Emérito da Universidade Federal do Ceará
     Presidente da Academia Cearense de Ciências
       Medalha de Ouro do Mérito Fitopatológico
Medalha de Ouro do Mérito da Educação Agrícola Superior
      Bolsista da Fundação Cearense de Apoio ao
  Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP)
    Membro da Academia de Ciências de New York




     CARTILHA DA MANIPUEIRA
 USO DO COMPOSTO COMO INSUMO
           AGRÍCOLA


                      3a Edição




              Banco do Nordeste do Brasil
                       Fortaleza
                         2006
Presidente:
                                   Roberto Smith
                                  Diretores:
                      Augusto Bezerra Cavalcanti Neto
                     Francisco de Assis Germano Arruda
                            João Emílio Gazzana
                 Luiz Ethewaldo de Albuquerque Guimarães
                     Victor Samuel Cavalcante da Ponte
                 Superintendência de Comunicação e Cultura
                       José Maurício de Lima da Silva
        Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE
                Superintendente: José Sydrião de Alencar Júnior
        Coordenadoria de Estudos Rurais e Agroindustriais – COERG
                            Maria Odete Alves
                      Editor: Jornalista Ademir Costa
             Normalização Bibliográfica: Rodrigo Leite Rebouças
                     Diagramação: Franciana Pequeno
                        Cliente Consulta: 0800.783030
                         Tiragem: 2.000 exemplares

Depósito Legal junto à Biblioteca Nacional, conforme Lei 10.994 de 14/12/2004
                 Copyright © by Banco do Nordeste do Brasil


           Ponte, José Júlio da.
P811c         Cartilha da manipueira: uso do composto como insumo
           agrícola/José Júlio da Ponte. – 3. ed. – Fortaleza: Banco do
           Nordeste do Brasil, 2006.
              66 p.
              ISBN 85-87062-67-0
              1. Agricultura. 2. Insumos agrícolas. 3. Manipueira. I. Título.
                                                                CDD 581.69

                      Impresso no Brasil/Printed in Brazil
TRIBUTOS DO AUTOR



de Gratidão:
Ao Doutor Francisco Ariosto Holanda, a quem a gente
excluída dos processos produtivos do novo Ceará deve, com
a idealização e implantação dos Centros Vocacionais
Tecnológicos (CVTs), o mais competente instrumento de
resgate da cidadania; e a quem devo, em particular, o estímulo
para produzir esta Cartilha;

de Agradecimento:
Aos que, ungidos com a essência do mesmo ideal, fizeram-se
romeiros da mesma fé, dedicados colaboradores de minhas
tantas pesquisas sobre manipueira.
Às instituições que me deram apoio logístico – Universidade
Federal do Ceará (UFC), Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação
Cearense de Amparo à Pesquisa (FUNCAP), estas em
importantes etapas do “Projeto Manipueira”; aquela, minha
oficina de trabalho, o tempo todo;

de Reconhecimento:
À pesquisadora Maria Erbene Góes Menezes, dileta e
infatigável companheira das mais recentes (e ousadas)
experiências com manipueira – incluindo a formulação da
manipueira em pó – e grande incentivadora desta nova edição
da Cartilha e, máxime, de sua versão para o inglês, dando
uma dimensão internacional a este livro.
69767674 manipueira cartilha
SUMÁRIO



APRESENTAÇÃO ................................................................................9
1 – INTRODUÇÃO .......................................................................... 11
2 – MANIPUEIRA: UM “NÃO” AOS AGROTÓXICOS ....... 15
3 – MANIPUEIRA COMO NEMATICIDA ............................... 19
3.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 22
3.2 – Informações Adicionais ......................................................... 23
4 – MANIPUEIRA COMO INSETICIDA E ACARICIDA .... 25
4.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 28
4.1.1 – Manipueira como formicida .............................................. 29
5 – MANIPUEIRA COMO FUNGICIDA E BACTERICIDA . 31
5.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 33
6 – MANIPUEIRA COMO HERBICIDA .................................... 35
7 – MANIPUEIRA COMO ADUBO ............................................ 39
7.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 40
7.2 – Informações Adicionais ......................................................... 41
8 – OUTRAS SERVENTIAS ........................................................... 43
9 – COMO TER MANIPUEIRA O ANO TODO ...................... 45
10 – MANIPUEIRA EM PÓ ............................................................ 47
REFERÊNCIAS ................................................................................... 49
ANEXOS .............................................................................................. 55
8
APRESENTAÇÃO


      A Cartilha da Manipueira versa sobre o uso do composto
como insumo agrícola, sendo destinada aos que desejam conhecer
ou trabalhar com agricultura livre de agrotóxicos.
      No decurso de dez anos (1976/85), cresceu em mais de 500%
o consumo de agrotóxicos no Brasil, enquanto, no mesmo período,
a rentabilidade da produção agrícola brasileira crescia em apenas
5%. A discrepância entre estes dados atesta, em linhas gerais, o
malogro econômico de tão elevado investimento.
      O emprego abusivo de agrotóxicos, que tem demonstrado ser
um empreendimento de elevado custo, até mesmo antieconômico
em muitos casos, constitui, em função da alta toxicidade da maioria
desses compostos, um permanente risco à ecologia e, sobretudo, à
saúde humana. Consciente desses graves inconvenientes, o Setor
de Fitopatologia da Universidade Federal do Ceará criou, há mais
de dez anos, uma linha de pesquisa direcionada para a descoberta
de defensivos agrícolas não-convencionais, a partir de extratos ou
derivados vegetais. Nesse particular, sobressaiu-se a manipueira
(nome indígena brasileiro designativo do extrato líquido das raízes
de cassava, Manihot esculenta Crantz), um subproduto da
fabricação da farinha de mandioca que, até então, era praticamente
desprezado, sem qualquer aproveitamento econômico. Este
composto, uma vez testado como nematicida e, posteriormente,
como inseticida, revelou extraordinária eficiência e notável
economicidade, sem os riscos de toxidez dos produtos comerciais.
      Iniciada em 1979, esta linha de pesquisa, intitulada
“Utilização da Manipueira como Defensivo Agrícola”, já produziu
doze trabalhos científicos, dez dos quais relativos à primeira etapa
do projeto (utilização como nematicida), reunindo um acervo de
resultados positivos. Os dois outros trabalhos correspondem à
segunda etapa (utilização como inseticida) e relatam pesquisas
recentes que atestam a eficácia do composto no combate, também,
a insetos fitoparasitos.



                                                                  9
Na Cartilha da Manipueira, o prof. José Júlio relata, de forma
sumariada, todas as experiências científicas desenvolvidas por ele,
usando a manipueira como adubo foliar e defensivo agrícola em
suas mais variadas especificações. Apresenta a Manipueira como
Nematicida, Inseticida, Acaricida, Fungicida, Bactericida e
Herbicida, mostrando, inclusive, suas fases experimentais e as
recomendações práticas para uso e posologia.
     Pela importância do conteúdo e linguajar utilizado, de fácil
entendimento mesmo por leigos no assunto, o documento tem tido
excelente circulação entre técnicos extensionistas, produtores
orgânicos e agricultores familiares, fato que justifica o investimento
do BNB em sua 3ª edição.


                  José Sydrião de Alencar Júnior
         Superintendente do Escritório Técnico de Estudos
                Econômicos do Nordeste - ETENE




10
1 – INTRODUÇÃO

       A manipueira – vocábulo indígena incorporado à língua
portuguesa – é o líquido de aspecto leitoso e cor amarelo-clara que
escorre das raízes carnosas da mandioca (Manihot esculenta Crantz),
por ocasião da prensagem das mesmas para obtenção da fécula ou
farinha de mandioca. Portanto, é um subproduto ou resíduo da
industrialização da mandioca, que, fisicamente, se apresenta na
forma de suspensão aquosa e, quimicamente, como uma miscelânea
de compostos: goma (5 a 7%), glicose e outros açúcares, proteínas,
células descamadas, linamarina e derivados cianogênicos (ácido
cianídrico, cianetos e aldeídos), substâncias diversas e diferentes
sais minerais, muitos dos quais fontes de macro e micronutrientes
para as plantas (MAGALHÃES, 1993).
       No Nordeste do Brasil, principal centro produtor de mandioca
do país, grande parte dessa produção destina-se à alimentação
humana, em consonância com o fato de ser a farinha de mandioca
um dos alimentos básicos de subsistência das populações regionais
de baixa renda, justo a maioria dos habitantes. O restante é destinado
à alimentação de animais domésticos, especialmente bovinos.
       Na citada região, a fabricação da farinha de mandioca é
competência, na maioria dos casos, de pequenos produtores rurais
que, a este fim, utilizam processos rudimentares, cujos fundamentos
remontam à época colonial. Eis as etapas desse processo industrial
(ver ilustrações em ANEXOS):
      a) as raízes de mandioca são, primeiramente, lavadas e
         descascadas em operação manual;
      b) as raízes descascadas são trituradas em caititu – moinho
         movido manualmente ou por energia elétrica;
      c) a massa pastosa obtida a partir dessa trituração é, em
         seguida, fortemente prensada, utilizando-se, no geral,
         prensa de madeira, acionada manualmente;
      d) a massa que fica retida na prensa é, de imediato, esfarelada
         em peneira de malha grossa, e


                                                                   11
e) por fim, levada ao forno para secagem, após o que se tem
        a farinha – um pó branco, granuloso, de variável finura e
        sabor peculiar. (Convencionalmente, o forno é uma grande
        estrutura circular, construída de tijolo e cimento, cuja
        plataforma mede de 3 a 5 metros de diâmetro).
       Durante a prensagem da massa pastosa – etapa relatada no
item “c” –, flui uma suspensão aquosa de tonalidade bege ou
amarelada e odor ativo, mas agradável – é a manipueira. Este
subproduto jorra com abundância, haja vista que o mesmo é
contido na proporção de 3:1; ou seja, 1 litro de manipueira para
cada 3 kg de raízes de mandioca prensadas. A par de abundante
em todas as regiões de cultivo e industrialização de mandioca, a
manipueira é, no geral, cedida graciosamente, pois ainda se trata
de um resíduo descartável em sua quase totalidade, com esporádicos
e restritos aproveitamentos em molhos de pimenta e de tucupi (este
no Estado do Pará) e no fabrico da tiquira, bebida alcoólica de
consumo praticamente limitado ao Estado do Maranhão. Mas esse
desprestígio da manipueira tende a desaparecer, a fazer parte do
passado, quando se atentar para a excelência dos seus préstimos
como insumo agrícola, seja como pesticida ou adubo, consoante os
resultados de numerosas e pacientes pesquisas conduzidas pelo
autor e objetos de relato nesta cartilha.
       Com efeito, a manipueira contém um glucosídeo cianogênico
– a linamarina –, de cuja hidrólise (por ação da linamarase) provém
a acetona-cianohidrina, da qual resultam, por ação enzimática (a-
hidroxinitrila-liase) ou por quebra espontânea, o ácido cianídrico
(bastante volátil) e os cianetos, além de aldeídos (Tabela 1). São
estes cianetos que respondem pelas ações inseticida, acaricida e
nematicida do composto, enquanto o enxofre, presente em larga
quantidade (cerca de 200 ppm), garante-lhe a destacada eficiência
como fungicida, sem embargo da presença, em menor escala, de
outras substâncias que exercem, também, ação antifúngica, tais
como cetonas, aldeídos, cianalaninas, lectinas e outras proteínas
tóxicas, inibidoras de amilases e proteinases, que atuam como
ingredientes ativos complementares. Ademais, o enxofre tem,
também, ação inseticida-acaricida. Na atualidade, a manipueira,
quando investida nas funções de pesticida, vem sendo empregada

12
em sua forma natural, tal como é recolhida da prensa, na casa-de-
farinha. Não sofre qualquer beneficiamento, quer físico ou químico,
salvo eventuais diluições em água, quando necessárias ou
aconselháveis, a fim de se obter maior rendimento ou para prevenir
efeitos fitotóxicos em plantas de compleição mais delicada. Isto não
invalida, obviamente, a possibilidade de a manipueira vir, em futuro
próximo, a ser industrializada para uso como pesticida. E, neste
sentido, o primeiro passo já foi dado pelo Autor deste livro, em
parceria com Erbene Góes, pesquisadora-assistente da Clínica de
Planta “Dr. Júlio da Ponte”, os quais formularam a manipueira em
pó – ainda em fase de reconhecimento de patente –, produto que
oferece algumas vantagens em relação à manipueira natural
(líquida), conforme comentários inseridos no capítulo 10.

Tabela 1 – Composição química da manipueira (média de 20
           amostras analisadas)
                                               Quantidade
             Componente                          (ppm)
  Nitrogênio (N)                                    425,5
  Fósforo (P)                                       259,5
  Potássio (K)                                     1853,5
  Cálcio (Ca)                                       227,5
  Magnésio (Mg)                                     405,0
  Enxofre (S)                                       195,0
  Ferro (Fe)                                         15,3
  Zinco (Zn)                                          4,2
  Cobre (Cu)                                         11,5
  Manganês (Mn)                                       3,7
  Boro (B)                                            5,0
  Cianeto livre (CN-)                                42,5
  Cianeto total (CN)                               604,0*
Fonte: Ponte (1992).
Nota: *55,0 mg/litro, em média.

      Por outro lado, considerando que a manipueira, em sua
complexa composição química, encerra todos os macro e
micronutrientes (salvo o molibdênio) necessários à nutrição das
plantas superiores, e que os possui em teores geralmente expressivos,
ela poderá ser utilizada, pura ou diluída, como fertilizante, seja

                                                                  13
em adubação convencional (aplicação no solo), seja por via foliar,
esta com maiores proveitos, tanto pelo menor desperdício de
manipueira como pelo provimento de respostas mais rápidas por
parte da planta, pois a síntese deste processo nutricional passará a
demandar menos energia e tempo.




14
2 – MANIPUEIRA: UM “NÃO” AOS AGROTÓXICOS


      Relatório da Organização das Nações Unidas para a
Agricultura e Alimentação (FAO) classifica o Brasil como o terceiro
maior consumidor de agrotóxicos do mundo e o primeiro,
disparadamente, da América Latina, com o emprego anual de 1,5
kg de ingrediente ativo por hectare cultivado. Isto em média global,
considerando todo o universo agrícola nacional, pois, em
determinados tipos de lavoura, a aplicação é bem maior. Na
horticultura, por excelência, onde o consumo médio anual excede
a 10 kg/ha; particularmente, na cultura do tomate, o exagero é
extremamente alarmante, eis que, para cada safra, aplicam-se, em
média, 40 kg/ha. Coincidentemente ou não, em matéria de
mortalidade por câncer, o Brasil é o terceiro no ranking mundial e
o primeiro no contexto latino-americano.
      Mas o câncer não é a única doença grave causada por
pesticida, conquanto seja a mais aterrorizante. Na longa esteira de
suas terríveis conseqüências, incluem-se a cirrose hepática, o aborto
ou deformações fetais, a impotência e esterilidade sexuais, fibrose
pulmonar (rigidez dos tecidos dos pulmões), braquicardia (lentidão
do ritmo cardíaco) e distúrbios do sistema nervoso central,
implicando em depressão, loucura e/ou paralisias parciais. A
extensa lista prossegue com arritmia, arteriosclerose, pancreatite,
tireoidite, hepatite, diabetes, gastrite, úlcera, leucopenia, atrofia
medular, atrofia testicular, acne, alergia e variados tipos de
distúrbios audiovisuais, implicando em surdez parcial e, até mesmo,
em cegueira.
      A esses tormentos maiores, somam-se as intoxicações de
menor monta, induzindo irritações cutâneas, cefaléias, tonturas,
salivação e transpiração excessivas, além de outras indisposições
passageiras. A estas pequenas mazelas, geradas por intoxicações
instantâneas, estão mais sujeitos aqueles que lidam diretamente
com agrotóxicos no campo – os operadores ou “dedetizadores” –,
ao passo que os consumidores de agroprodutos envenenados,
máxime os vegetarianos, estão mais expostos aos efeitos cumulativos
que geram os grandes males enumerados acima. Não obstante, as

                                                                  15
intoxicações instantâneas podem ser graves ou, até mesmo, letais,
sobretudo quando ocorre a soma de dois fatores: a alta toxicidade
do veneno e a falta de equipamentos básicos de proteção,
recomendados para o ato de aplicação.
      Por mais paradoxal que possa parecer, esse exagerado
investimento em agrotóxicos, crescente a cada ano, não
correspondeu, em nosso país, a uma redução significativa das
perdas agrícolas devidas a pragas e doenças. Em muitos casos, os
resultados foram, até mesmo, contraproducentes, em função da
intensidade dos desequilíbrios biológicos causados pelo coquetel
de pesticidas utilizados, culminando com o extermínio dos inimigos
naturais dos agentes de pragas e fitomoléstias.
      Em correspondência com a assertiva acima exposta, tal
investimento foi, em linhas gerais, economicamente frustrante.
Com efeito, no período de dez anos (1976/85), cresceu em 500% o
consumo de agrotóxicos no Brasil, enquanto, no mesmo período,
registrava-se um aumento de produtividade de apenas 5%, ganho
que, além de irrisório, não pode ser creditado, exclusivamente, aos
pesticidas. A enorme discrepância entre tais números sinaliza o
malogro de tão pesado investimento em agrotóxicos. Não obstante,
por força de uma campanha tenaz e massificante, indo da
persistente propaganda na mídia à corrupção de pesquisadores e
técnicos, o faturamento das multinacionais dos agroquímicos
continua em alta. Assim, de 1993 a 1997, as vendas cresceram em
104%, passando de U$ 1,050 bilhão para U$ 2,161 bilhões (GALLI,
1998, p. 3-8). Em oposto, os ganhos de produtividade continuaram
irrelevantes, enquanto relevantes foram os impactos ambientais, a
contaminação de alimentos e as intoxicações causadas em
agricultores e consumidores. Com efeito, no mesmo período, os casos
de intoxicações instantâneas – sem considerar, portanto, as
conseqüências a médio e longo prazos – cresceram em 65%. Mas,
seguramente, no doce embalo dos polpudos faturamentos, isto
pouco importou aos fabricantes de pesticidas. Mesmo que seus
produtos sejam comprovadamente cancerígenos. À guisa de
exemplo, cite-se o captafol (produto comercial Orthodifolatan), o
qual, durante duas décadas, prevaleceu como o fungicida mais
consumido no país, até ser proscrito do mercado, quando da

16
comprovação de tal periculosidade. O mais preocupante é que o
citado produto não constitui um exemplo isolado, pois também
são cancerígenos vários derivados do carbofuram, ditiocarbamato
e captan, sem esquecer a forte suspeição que pesa sobre outros
grupos químicos usados na mesma indústria.
       Os fatos e dados, ora relatados, são irrefutáveis. Não obstante,
o atual presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal, fiel
escudeiro desses fabricantes, declarou, cinicamente, que “o
crescimento das vendas de produtos fitossanitários vem resultando
em aumento da produtividade agrícola” (GALLI, 1998, p. 3-8).
Seria cômico, se não fosse trágico. Os pesticidas biológicos, exaltados
pelo citado presidente no mesmo pronunciamento, são ainda
restritos e têm faixa de atuação bastante limitada, posto que
específicos para determinadas pragas. A verdade é bem outra,
porquanto os agrotóxicos de última geração, em sua maioria, são
mais caros e mais tóxicos, acréscimos estes que resultam,
respectivamente, em aumento do custo da produção e em crescente
ameaça para a saúde humana e para a ecologia, dizimando fauna
e flora, envenenando lençóis freáticos e desertificando solos.
       Consciente da gravidade do problema, o Autor do presente
trabalho instituiu, junto à Universidade Federal do Ceará, desde
1979, uma linha de pesquisa que objetiva a descoberta de defensivos
naturais, a partir de extratos e derivados vegetais. No decurso desse
programa, dezenas de compostos já foram testados, com alguns
resultados bem gratificantes. A infusão das raízes do tipi (Petiveria
alliacea L.) destacou-se como nematicida, no tratamento de solos
infestados de nematóides fitoparasitas (PONTE; FRANCO;
SILVEIRA-FILHO, 1996). Todavia, os melhores resultados foram
obtidos com a manipueira (extrato líquido ou sumo das raízes de
mandioca), um resíduo industrial abundante e gratuito em todas
as regiões onde se cultiva essa planta.
       A manipueira foi, sucessivamente, testada como nematicida,
inseticida, fungicida e acaricida, mostrando excelentes resultados
para todas essas finalidades, a ponto de superar, nos ensaios
experimentais, os melhores pesticidas comerciais dos respectivos
gêneros. Mais recentemente, a partir do pleno conhecimento da
composição química da manipueira (rica em todos os macro e

                                                                    17
micronutrientes requeridos pelas plantas, com exceção do
molibdênio), resolveu-se testá-la como adubo foliar (tese de
mestrado orientada pelo Autor), com respostas sumamente
positivas. Assim, nessa oportunidade, plantas de tomate, quiabo e
gergelim, então adubadas (via foliar) com manipueira, cresceram
e produziram bem mais do que aquelas adubadas com um
fertilizante sintético dos mais conceituados e que fora escolhido
como testemunha ou referencial.
       Os resultado dessas pesquisas envolvendo manipueira foram
e vêm sendo difundidos em periódicos científicos, revistas de
divulgação técnica e reportagens em jornal e televisão. Em função
disto, muitos agricultores já a usam regularmente, sobretudo como
inseticida, e o mesmo já se faz em muitos países do terceiro mundo,
consoante centenas de cartas que o autor tem recebido. A mais
curiosa delas procede de Bahia Blanca, Argentina, escrita pelo
Secretário de Saúde daquele município platino. A carta suplicava
informações mais detalhadas sobre o uso da manipueira como
defensivo, a fim de minimizar, ali, o consumo de agrotóxicos que,
de tão exagerado, vinha sobrecarregando a saúde pública com
numerosos casos de envenenamento, inclusive em berçários,
vitimando criancinhas que se alimentavam do leite materno
contaminado por resíduos de pesticidas.
       Eis, portanto, o surgimento de um pesticida natural inócuo à
saúde humana e do mais baixo custo, pois se trata de um resíduo
industrial abundante em todas as regiões de cultivo de mandioca;
abundante e gratuito, pois ainda se trata de um produto descartável
em sua quase totalidade. A notoriedade dessas pesquisas vem
merecendo repercussão em diversos países, particularmente nos
países essencialmente agrícolas do terceiro mundo, para o que muito
contribuíram os trabalhos publicados pelo Autor em língua
estrangeira (PONTE, 1988, 1989, 1993).
       Os tópicos que se seguem abordam, por ordem seqüencial
das pesquisas desenvolvidas pelo Autor, as diversas utilidades da
manipueira como insumo agrícola, enfocando os seus fundamentos
científicos e modo de uso.



18
3 – MANIPUEIRA COMO NEMATICIDA


      O projeto “Investigação sobre o Aproveitamento da
Manipueira como Defensivo Agrícola”, idealizado e coordenado
pelo Autor, junto ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal do Ceará, Brasil, teve início em 1979, com a etapa “Uso da
Manipueira como Nematicida”.
      Àquele ano, a manipueira foi originalmente testada como
nematicida (PONTE; TORRES, FRANCO, 1979), justamente no
tratamento de solos infestados de nematóides das galhas
(Meloidogyne spp.), vermes que se situam entre os mais tolerantes
aos nematicidas comerciais (PONTE, 1992).
      Esclareça-se que a opção por tais nematóides, como objeto
das primeiras pesquisas, não se fez apenas em razão dessa aludida
tolerância, mas, sobretudo, em nome de sua destacada expressão
econômica, visto que se sobrelevam como integrantes do mais
importante gênero de nematóides fitoparasitas. Com efeito, embora
se reconheça a importância de outros grupos, tais como Heterodera,
Pratylenchus, Radopholus e Ditylenchus, os nematóides das galhas
prevalecem em patamar de maior destaque, com respaldo em três
argumentos: 1) larga dispersão geográfica; 2) elevado polifagismo,
e 3) habitual gravidade de seu parasitismo. Relativamente ao
primeiro ponto, compete afirmar que esses nematóides, embora mais
presentes na faixa tropical do globo, porquanto mais afeitos a
climas quentes, acham-se difundidos pelas mais diversas regiões,
mesmo naquelas de clima frio, onde se notabilizam pelos prejuízos
que impõem às culturas de estufa (LORDELLO, 1968). Em relação
ao segundo item, basta afirmar que o número de hospedeiros de
Meloidogyne, entre plantas cultivadas e silvestres, é inigualável,
excedendo a dois milhares (PONTE, 1977; PONTE; HOLANDA;
ARAGÃO, 1996). E, no tocante ao terceiro argumento, pertinente
às conseqüências de sua patogenicidade, a literatura
fitonematológica é pródiga em notificações que se estendem às mais
variadas culturas e que se difundem por todos os recantos do
planeta. A estes fortes argumentos, somam-se, ainda, as eventuais
intromissões de outros fitoparasitas que interagem com a associação

                                                                19
planta/nematóide das galhas, a exemplo do conhecido sinergismo
Fusarium + Meloidogyne (LORDELLO, 1968), que se há notabilizado
por graves implicações econômicas a determinadas culturas, máxime
às do algodão (Gossypium spp.) e tomate (Lycopersicon esculentum
Mill.). Acrescentando-se, ademais, as grandes dificuldades que,
habitualmente, se opõem ao controle desses vermes, ter-se-á, por
fim, uma clara idéia da dimensão de sua extraordinária importância
econômica. Mui justificável, por conseguinte, que as investigações
sobre uma possível ação nematicida da manipueira começassem pelos
nematóides das galhas.
      Logo na primeira investigação, Ponte; Torres e Franco (1979),
a manipueira já revelava uma enérgica potencialidade nematóxica.
Este teste preliminar envolveu o cultivo de plantas de quiabo
(Hibiscus esculentus L.) em solos envasados que haviam sido
previamente infestados com ovos e larvas de nematóides das galhas
e, dez dias depois, tratados com manipueira. Na ocasião, a partir
de crescentes dosagens de manipueira – 0, 500, 750 e 1000 ml por
vaso, com 6 litros de solo –, os autores obtiveram decrescentes
percentagens de plantas atacadas por Meloidogyne: 100, 60, 50 e
30%, respectivamente.
      Dois anos depois, Ponte e Franco (1981) comprovaram essa
potencialidade nematóxica através de resultados ainda mais
positivos do que os obtidos no comentado experimento pioneiro.
Com efeito, para a dosagem de 1000 ml/vaso, a percentagem de
plantas atacadas, que fora de 30% no primeiro ensaio, caiu para
0% (Tabela 2). Segundo os citados autores, este melhor desempenho
deveu-se ao uso exclusivo de manipueira extraída a partir,
exclusivamente, de cultivares de mandioca brava e não de uma
mistura de mandiocas brava e mansa (macaxeira), como houvera
acontecido no primeiro experimento. Com efeito, a mandioca brava
garante um teor bem maior de cianetos, justo os ingredientes ativos
da manipueira. Neste segundo ensaio, o tomateiro cv. “Santa Cruz”
foi admitido como planta-teste, haja vista a sua condição de
hospedeiro da mais alta suscetibilidade ao parasitismo de
nematóides do gênero Meloidogyne.
      Já no ano seguinte, Sena e Ponte (1982), confirmando os
resultados obtidos em casa-de-vegetação, constataram um excelente

20
controle de meloidoginose em canteiros de cenoura (Daucus carota L.):
nos canteiros tratados com manipueira (1 litro/m2), a par da leve
infestação de nematóide das galhas constatada à época da colheita,
a produção de cenoura foi 100% superior à obtida nos canteiros
não tratados, onde a incidência da meloidoginose se fez severa e
generalizada.

Tabela 2 – Infestação de nematóides das galhas (meloidogyne spp.)
           em raízes de tomateiros (lycopersicon esculentum mill.),
           cultivados em vasos contendo solo previamente infestado
           e, posteriormente, tratado com diferentes dosagens de
           manipueira, extraída apenas de mandioca brava
                                                Infestação
         Dosagens     (1)
                                        Grau Médio(2)      Classe
            0                              4,0          forte
           500                             1,3          muito fraca
           1000                            0,0          nula
           1500                            0,0          nula
Fonte: Ponte; Torres; Franco (1979).
Notas: (1) ml de manipueira por vaso, contendo 6 litros de solo infestado com cerca
        de 10.000 espécimes de nematóides das galhas.
        (2)
            Média de 16 plantas por tratamento, distribuídas em quatro vasos.Notas
        atribuídas conforme o seguinte critério: 0 - ausência de galhas; 1 - 1 a 3
        galhas por sistema radicular; 2 - 4 a 6 galhas; 3 - 7 a 12 galhas; 4 - 13 a 20
        galhas; 5 - mais de vinte galhas, correspondendo, respectivamente, às
        infestações nula, muito fraca, fraca, moderada, forte e muito forte.

      No decurso desta primeira fase do projeto, a qual se estendeu
por 13 anos (1979 a 1992), o Autor e seus colaboradores
desenvolveram mais de dez trabalhos de pesquisa – resenhados
em Ponte (1992) – a cerca do aproveitamento da manipueira como
nematicida. Na esteira dessas pesquisas, não só provaram e
comprovaram a grande utilidade do composto para tal finalidade,
calcado em um vigor nematóxico que excede ao dos nematicidas
comerciais, mas abordaram, também, vários pontos correlatos
(dosagem, tempo de estocagem, interferência com bactérias
fixadoras de N, efeitos residuais e influência na fertilidade do solo),
todos à guisa de subsídios para o uso prático da manipueira em
condições de campo.

                                                                                   21
Alguns dos aspectos então esclarecidos constituíram tema de
uma tese de mestrado (FRANCO, 1986) orientada pelo Autor.
Louve-se, no tocante a esses esclarecimentos complementares, a
determinação da dosagem mínima de manipueira para tratamento
de solos infestados, quer para um tratamento extensivo a toda a
área de cultivo (PONTE; FRANCO; PONTES, 1987; FRANCO;
PONTE, 1988; FRANCO et al., 1990), quer para uma aplicação
restrita, direcionada exclusivamente aos sulcos de plantio (PONTE
et al., 1995). Importante, também, foi a mensuração do tempo de
estocagem do composto, à temperatura ambiente (25-32°C), sem
perda de sua ação nematicida; esse tempo é de apenas três dias
(PONTE; FRANCO, 1983b). A partir do quarto dia, o processo de
fermentação da manipueira vai abatendo os teores de compostos
cianogênicos (MELO, 1999) e, por conseguinte, vai minando,
gradativamente, a nematoxicidade. Releve-se, ademais, a
abordagem feita a cerca das implicações da manipueira sobre a
população rizobiana (Rhizobium spp.) do solo (PONTE; FRANCO,
1983a), fato que assume importância quando o solo a tratar destina-
se ao plantio de leguminosas. A propósito, os mencionados autores
concluíram que, mesmo induzindo uma redução populacional
dessas bactérias, em escala inversamente proporcional à quantidade
de manipueira aplicada, o tratamento, ainda assim, é vantajoso,
pois o aumento do grau de fertilidade do solo, proporcionado pelo
composto, compensa a perda numérica de rizóbios.

3.1 – Recomendações Práticas e Posologia
     Com base nos resultados dessas pesquisas, eis, abaixo, a
dosagem e outras recomendações pertinentes ao emprego da
manipueira como nematicida, no tratamento de solos infestados.
     a) Tratamento Total da Área de Cultivo
        - Usar a manipueira em diluição aquosa, na proporção
           de 1:1;
        - Com auxílio de um regador ou vasilhame similar, aplicar
           de 4 a 6 litros dessa diluição por m2 de terreno;
        - Deixar o solo tratado em repouso, durante, no mínimo,
           oito dias, e

22
- Revolver o solo antes de voltar a cultivá-lo.
     b) Tratamento Restrito às Linhas de Cultivo
        - Usar a manipueira em diluição aquosa, na proporção
           de 1:1;
        - Aplicar, no mínimo, 2 litros dessa diluição por metro
           de sulco;
        - Observar um período de repouso semelhante ao
           prescrito para a modalidade de tratamento anterior, e
        - Revolver o solo, operação que, no caso, restringir-se-á à
           terra inerente e adjacente à linha de cultivo.

3.2 – Informações Adicionais
      A manipueira pode ser estocada, à temperatura ambiente,
por um período de três dias, sem prejuízo de sua potencialidade
nematicida ou pesticida em geral (PONTE; FRANCO, 1983b).
Todavia, em refrigerador (8 a 10°C), o período de estocagem pode
estender-se por 60 ou mais dias, sem que haja fermentação do
composto e, por conseqüência, sem perda dessa potencialidade
(MAGALHÃES, 1993).
      O revolvimento do solo, decorridos oito dias da data de
aplicação, é importante no sentido de prevenir efeitos residuais
fitotóxicos, conforme Franco (1986).
      A diluição em água, na proporção indicada (1:1), é
recomendável, a fim de tornar o composto menos viscoso e, assim,
prover uma maior penetração da manipueira no solo, ampliando-
se, destarte, o seu raio de difusão no substrato. O tratamento com
manipueira pura tem, na prática, um rendimento inferior, pois a
densidade do composto, consoante comprovação experimental
(PONTE, 1992), impede uma maior dispersão, restringindo-lhe, por
conseguinte, a abrangência da ação nematicida.




                                                                23
24
4 – MANIPUEIRA COMO INSETICIDA E ACARICIDA

      Esta segunda etapa do projeto teve início em 1988, mediante
um teste preliminar conduzido por Ponte, Franco e Santos (1988) e
envolvendo cochonilhas de carapaça-marrom (Coccus hesperidum
L.). Na oportunidade, uma única pulverização com manipueira
pura (não diluída em água), sobre copas de limoeiro-galego (Citrus
aurantifolia Swingle) praguejadas por tais cochonilhas, foi suficiente
para eliminar toda a população desses coccídeos ali presente.
      Seguiram-se vários outros testes, todos igualmente bem
sucedidos, envolvendo, inclusive, insetos-pragas de maior porte, a
exemplo da lagarta-peluda (Agraulis spp.) das passifloráceas, a par
de outras pragas que se notabilizaram por marcante tolerância aos
inseticidas tópicos em geral.
      Em trabalhos recentes, um deles publicado em Cuba, Ponte e
Santos (1997; 1998) controlaram duas importantes pragas da
citricultura, ambas bastante assíduas em todo o país: o pulgão-
negro (Toxoptera citricidus Kirk) e a cochonilha “escama-farinha”
(Pinnaspis aspidistrae Sign.), usando manipueira pura e manipueira
diluída em igual volume de água (1:1). Mesmo nesta diluição, o
composto revelou-se tão eficaz quanto o inseticida à base de
parathion-metílico que fora usado, nos ensaios, como referencial
de controle químico, e muito mais econômico do que este, sobre
ser uma opção isenta das agressões que os agrotóxicos
costumeiramente cometem à ecologia e à saúde humana. À mesma
época, uma cultura de tomate, severamente atacada pela traça
Scrobipalpula absoluta (Meirink), foi recuperada mediante três
pulverizações, a intervalos semanais, com manipueira em diluição
aquosa ainda menos concentrada, na proporção de uma parte do
composto para quatro partes de água, atendendo à sensibilidade
do tomateiro à manipueira. Os resultados deste teste foram
relatados por Ponte e Miranda (1997).
      Com a difusão dos resultados dessas tantas pesquisas, o uso da
manipueira como inseticida vem se tornando prática rotineira em vários
recantos do território brasileiro, bem assim em determinados países
do terceiro mundo, a exemplo de Madagascar, África, onde, segundo

                                                                   25
Razafindrakoto (1997), a manipueira é assiduamente empregada no
controle de cochonilhas, sobretudo em culturas de subsistência. A
propósito, ensaios desenvolvidos, simultaneamente, em Madagascar
e no Brasil (RAZAFINDRAKOTO, 1999), demonstraram a excelência
da manipueira no tratamento de estacas (manivas) de mandioca
densamente atacadas por duas espécies de cochonilhas. Com efeito, a
imersão desses propágulos vegetativos em manipueira pura, durante
1 h, foi tão eficiente quanto à termoterapia (imersão em água quente,
47°C/30 min), seguida de quimioterapia (imersão em solução de
benomyl a 20%/30 min), além de ser um ato operacional bem mais
simples, menos dispendioso e sem qualquer afetação ao poder
germinativo das estacas. Os resultados então obtidos podem ser
extrapolados, em nível de recomendação de prévio tratamento, para
outros propágulos vegetativos usuais: tubérculos, bulbos, rizomas etc.
       Duas outras comprovações da extraordinária eficácia da
manipueira como inseticida ocorreram já neste século, quando
Ponte (2001) a testou no controle de Stenodiplosis sp. – agente de
cecídias em folhas de cajueiro (Anacardium occidentale L.) – e,
principalmente, quando Ponte (2002) a avaliou contra a cochonilha
“piolho-branco” (Orthezia insignis Browe), praga que se destaca
por sua elevada agressividade (assíduo fator limitante da
longevidade e produtividade da cultura da acerola, Malpighia glabra
L.) e, também, por sua notável resistência aos inseticidas sintéticos,
só sendo controlada por compostos sistêmicos da maior toxicidade,
daqueles que exigem seis meses de carência. No caso do inseto das
cecídias, a manipueira, nas concentrações 1:0 e 1:1 (pura e em
diluição aquosa a 50%) e em quatro pulverizações a intervalos
semanais, determinou 95 e 86% de mortandade, respectivamente
(Tabela 3); no caso da Orthezia, as mesmas concentrações
induziram, após igual número de aplicações, 100 e 95% de
mortandade, resultado da maior relevância, dadas as razões acima
expostas. Em ambos os experimentos, acrescentou-se 1% de farinha
de trigo à manipueira para efeito de melhor aderência.
       Independentemente de recomendações calcadas em novos
testes e ensaios científicos, os agricultores já identificados com o
uso da manipueira a vêm usando no controle de uma extensa gama
de insetos-pragas. De outra parte, a Clínica de Planta “Dr. Júlio da

26
Ponte”, em sua dinâmica operacional, há recomendado o mesmo
composto no controle alternativo de pragas, sem o antecipado apoio
de resultados experimentais, mas sempre com ótimas referências
de seus clientes.

Tabela 3 – Comportamento de agentes causais de algumas doenças
           e pragas do cajueiro ao tratamento com manipueira pura
           ou em diluição aquosa 1:1.
Doença/Praga           Tratamento            Folhas         Índice de
                                        Sadias   Atacadas    Controle
Antracnose             Manipueira 1:0     117        1        99,16%
                       Manipueira 1:1     302        0         100%
Oídio                  Manipueira 1:0      44        0         100%
                       Manipueira 1:1     111        0         100%
Cecídia                Manipueira 1:0      41        2        95,35%
                       Manipueira 1:1      94       15        86,24%
Ácaro-amarelo          Manipueira 1:0      59        1        98,34%
                       Manipueira 1:1     118        2        98,34%
Fonte: Ponte (2001).

      Era presumível a eficácia da manipueira como inseticida-
acaricida, não apenas pelos cianetos (principais ingredientes ativos)
presentes em sua composição, mas, também, em razão da presença
de elevados teores de enxofre, elemento tradicionalmente
identificado na luta contra insetos e ácaros.
      No tocante, particularmente, ao controle de ácaros
fitoparasitas, a manipueira já vinha sendo usada, com muito
sucesso, para tal finalidade, antes mesmo da comprovação científica,
fato só ocorrido bem mais tarde, em experimento de campo
envolvendo um plantio de mamoeiro (Carica papaya L.) severamente
infestado pelo ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus Banks). Na
oportunidade, o ataque foi totalmente debelado mediante três
aplicações de manipueira, em diluição aquosa da ordem de 1:3,
ministradas a intervalos semanais (PONTE, 1996b).
      Já neste século, ao ensejo da execução do projeto “Investigação
sobre o Uso da Manipueira no Controle da Antracnose do
Cajueiro”, estudo desenvolvido, sob encomenda, pela Clínica de
Planta “Dr. Júlio da Ponte” (em Fortaleza, Estado do Ceará), Ponte
                                                                    27
(2001), além de testar a eficiência da manipueira em relação à
citada doença, estendeu suas observações de controle a algumas
outras importantes fitomoléstias e pragas que atacam a cultura do
caju no Nordeste, incluindo o ácaro-amarelo (Tenuipalpus anarcadii
De Leon, 1965). E, conforme os resultados exibidos na Tabela 3, a
manipueira impôs à população do referido ácaro uma taxa de
mortandade superior a 98%, seja na concentração de 1:0 ou de
1:1. A mesma tabela expõe os índices de controle pertinentes às
demais pragas e doenças avaliadas, sendo todos bem expressivos,
variando de 86 a 100%. A eficiência da manipueira como acaricida
ficou demonstrada, também, na área da pecuária, conforme
experimento conduzido por Ponte (2000) e direcionado ao controle
do carrapato Boophilus microplus Canestrini, 1887, persistente praga
do gado bovino e de outros rebanhos domésticos. O ensaio envolveu
vacas severamente infestadas de carrapatos, as quais receberam
três aplicações do composto a intervalos semanais. Acrescentou-se
óleo de rícino à manipueira (1:1), como veículo aderente e repelente
à lambida da vaca e, assim, evitar eventuais reações tóxicas. A
manipueira revelou-se tão eficiente quanto o carrapaticida
comercial (cresolfenol) usado como referencial de controle. Ambos
induziram 100% de mortandade aos carrapatos, só que a
manipueira o fez a um custo baixíssimo.
      Por oportuno, ressalta-se que, em quase todos esses testes e
experimentos direcionados ao aproveitamento da manipueira como
inseticida ou acaricida, optou-se pela adição de um adesivo ao
composto, preferentemente a farinha de trigo, na proporção de
1%, a fim de prover-lhe maior aderência. Mas, no ensaio como
carrapaticida, usou-se óleo de rícino.

4.1 – Recomendações Práticas e Posologia
      À luz dos resultados obtidos ao longo desta segunda etapa
do projeto – “Uso da Manipueira como Inseticida e Acaricida” –,
eis as recomendações para o uso da manipueira, com vistas a tais
finalidades:
     - O tratamento deve constar, no mínimo, de três ou quatro
       pulverizações, ministradas a intervalos semanais;

28
- Acrescentar à manipueira, pura ou diluída, o
       correspondente a 1% de farinha de trigo, a fim de garantir-
       lhe uma melhor aderência;
     - Usar manipueira pura ou, por outra, diluída em água, de
       conformidade com a praga e, sobretudo, com a cultura a ser
       tratada. Assim, no tratamento de árvores (citros, abacateiro,
       jambeiro etc), usar manipueira pura ou em diluição 1:1; para
       arbustos (murici, maracujá etc.), deve prevalecer a diluição
       1:1 ou, até mesmo, 1:2, esta para controlar ácaros ou insetos
       mais sensíveis, tais como traças e pulgões; para plantas
       herbáceas de maior porte (pimentão, berinjela etc),
       recomendam-se as diluições 1:2 e 1:3 e, para aquelas de menor
       porte, mais delicadas, usar a diluição 1:4. Todavia, para os
       dois últimos casos, ou seja, para as herbáceas em geral, é
       sempre conveniente fazer, antes do tratamento definitivo,
       um teste preliminar, envolvendo um pequeno lote de plantas,
       a fim de ajustar a diluição à sensibilidade da planta a ser
       tratada e da praga a ser controlada, e
     - Para o caso específico de tratamento de propágulos
       vegetativos (estacas, rizomas etc.) praguejados, imergi-los
       em manipueira pura durante 1h, sendo dispensável o
       acréscimo de farinha de trigo. A fim de usá-la como
       carrapaticida, acrescentar 20 a 50% de óleo de rícino, dadas
       as razões expostas anteriormente.

4.1.1 – Manipueira como formicida
      Já em 2005, testou-se a manipueira no combate às saúvas
(Atta sp.), atendendo a repetidos pedidos de agricultores.
Realizaram-se dois ensaios, conduzidos simultaneamente (junho-
julho/05), nos municípios de Acopiara e Russas, Estado do Ceará,
ambos encravados no Semi-árido nordestino.
      Na ocasião, aplicou-se cerca de 1 litro de manipueira pura
(não diluída) em cada “olho” dos formigueiros. Nos dois ensaios,
um único resultado: a desativação dos sauveiros.




                                                                 29
30
5 – MANIPUEIRA COMO FUNGICIDA E BACTERICIDA

      Esta terceira fase do projeto teve início em 1993, a partir de
um trabalho de tese (mestrado) desenvolvido pela Professora. Adélia
Benedito Coelho dos Santos, da Faculdade de Ciências Agrárias
do Pará (FCAP), Belém, Estado do Pará, sob orientação do autor
deste livro. Na oportunidade, Santos (1993); Santos e Ponte (1993)
estudaram a ação fungicida da manipueira no controle do Oídio
do urucu (Bixa orellana L.), doença causada pelo fungo Oidium bixae
Viégas, um ectoparasita de marcante patogenicidade, haja vista
ser a enfermidade por ele ocasionada a mais importante dentre as
que afetam a citada planta em todo o Nordeste (PONTE, 1996a).
      O experimento pertinente ao estudo em referência foi
conduzido em condições de casa-de-vegetação e reuniu quatro
tratamentos: testemunha (plantas não tratadas), manipueira pura
(100%), manipueira em diluição aquosa (50%) e um fungicida à
base de pyrazophos que, por ser específico contra os fungos do
gênero Oidium, foi incluído como referencial de controle químico.
Ao final do experimento, constatou-se que a manipueira foi tão
eficiente quanto o fungicida sintético, então usado como parâmetro
de controle. Os autores admitiram que a ação oidicida da
manipueira é devida ao elevado teor de enxofre (cerca de 200 ppm)
presente em sua composição, a exemplo do que ocorre com o
pyrazophos e com a maioria dos fungicidas recomendados para o
controle curativo ou preventivo de oídios, cujo ingrediente ativo é
o enxofre. É evidente, com fundamento em tais resultados, que a
manipueira poderá muito bem substituí-los, com a vantagem
adicional da economicidade devida à sua condição de subproduto
quase sempre descartável, sem esquecer, também, a inocuidade com
relação à saúde humana e a ausência de riscos ao ambiente.
      Na tese em questão, a par do controle do Oídio, observou-se
que o tratamento com manipueira proporcionou, de um modo
estatisticamente significativo, um maior crescimento das plantas
de urucu, fato que deve ser atribuído menos ao controle da doença
e mais à adubação foliar proveniente dos macro e micronutrientes
que integram a sua composição, incluindo o enxofre, o qual tem


                                                                 31
efetiva participação na síntese e constituição de aminoácidos
essenciais, tais como cisteína, cistina e metionina. Vale recordar
que a deficiência de S nos vegetais superiores assemelha-se, em
suas conseqüências, à carência de N, uma vez que impede,
igualmente, a formação de proteínas.
      Dois outros oídios – Oidium anacardii Noack e Oidium sp.,
fungos patogênicos ao cajueiro a à ciriguela (Spondias purpurea L.),
respectivamente – foram rigorosamente controlados pela
manipueira pura ou em diluição aquosa (1:1), conforme notificaram,
pela ordem, Ponte (2001) e o fitopatologista Francisco das Chagas
de Oliveira Freire, este em programa rural de TV. No primeiro caso,
o Oídio do cajueiro foi objeto de um controle curativo absoluto
(100%), conforme dados expostos na Tabela 3. Acresça-se que este
estudo fez parte de um projeto (citado anteriormente) envolvendo
a manipueira no controle de doenças e pragas do cajueiro e
desenvolvido na Clínica de Planta “Dr. Júlio da Ponte”.
      Independentemente de outros testes de avaliação da
manipueira como oidicida, é claro que os resultados desses
experimentos pioneiros podem ser extrapolados e prescritos para
os oídios de um modo geral, os quais constituem um importante
grupo de fitomoléstias para muitas culturas, a exemplo das
anacardiáceas, rosáceas e curcubitáceas, além do citado urucu. E
tal prescrição equivaleria a um tratamento tão eficaz quão
econômico, haja vista as razões acima enumeradas, máxime a
supressão de riscos ao ambiente e à saúde humana, tão próprios
dos agrotóxicos em geral.
      Duas outras bem sucedidas avaliações da manipueira como
fungicida ocorreram em datas recentes, sendo relatadas por Ponte e
Góes (2000) e Ponte (2001), envolvendo, respectivamente, fungos de
“ferrugem”e “antracnose”: Uredo crotonis (P. Henn.) e Glomerella
cingulata (Ston.) Spauld. & Schrenk., sobre plantações de cróton-de-
jardim (Croton variegatus L.) e cajueiro (Anacardium occidentate L.). No
primeiro caso, a manipueira foi usada em diluição aquosa 1:1, com
1% de farinha de trigo à guisa de adesivo. Uma única aplicação do
composto foi suficiente para prevenir, durante três semanas, o
surgimento de novas pústulas de ferrugem. No segundo caso, a
manipueira, sem ou com adição de água (1:1), também acrescida de

32
farinha de trigo (1%), mediante seis aplicações a intervalos semanais,
suprimiu praticamente o aparecimento de novas lesões foliares
(mancha ou crestamento) de Antracnose nas plantas de caju
submetidas ao tratamento. Os resultados desta segunda pesquisa estão
sumariados na Tabela 3 e foram obtidos com o projeto “Investigação
sobre o Uso da Manipueira no Controle da Antracnose do Cajueiro”,
elaborado e executado pela Clínica de Planta “Dr. Júlio da Ponte”.
       Mas a avaliação fungicida continua em aberto, ainda longe
de ser concluída. Com efeito, a manipueira ainda deverá ser testada
no controle de diversas outras doenças, de muitos outros grupos
de fungos fitopatogênicos, tais como os agentes de cercosporioses,
cancros, carvões, míldios, fusarioses e podridões de frutos, para
citar alguns dos mais assíduos em culturas tropicais (PONTE, 1980;
1996c). Tais testes estariam cercados de expectativas otimistas, haja
vista que, além do enxofre e cianetos, a manipueira contém outras
substâncias antifúngicas (MAGALHÃES, 1993), com destaque para
cetonas, aldeídos, tioninas, fitoalexinas, quitinases, lectinas e outras
proteínas de baixo peso molecular. Eis, portanto, um sugestivo filão
que se oferece aos pesquisadores igualmente interessados em
minimizar o uso de agrotóxicos.
       Até hoje, a única experiência de controle de fitobacteriose
com manipueira é a que se fez envolvendo a Galha de Coroa do
urucu, doença causada por Agrobacterium tumefaciens (E.F.Sm. &
Towsend) Conn., a qual foi preventivamente controlada com
aplicações semanais desse composto, na diluição de 1:1 (PONTE;
HOLANDA, 1995). Todavia, neste caso, a ação de controle foi mais
de natureza inseticida, pois exercida sobre o percevejo-grande
(Leptoglossus gonagra Fabr.) que, nas circunstâncias experimentais,
atuava como ativo agente disseminador da bactéria. Não obstante,
os testes laboratoriais, envolvendo a mesma bactéria, demonstraram
um enérgico poder bactericida da manipueira, fato a ser reiterado
em experimentos vindouros.

5.1 – Recomendações Práticas e Posologia
      Para o uso da manipueira como fungicida e bactericida devem
ser observadas as mesmas recomendações prescritas para o seu
uso como inseticida.

                                                                     33
Assim, o tratamento deve estender-se por, no mínimo, três
ou quatro semanas, com uma pulverização a cada sete dias.
Prevalece, também, a recomendação no sentido de acrescentar-se
1% de farinha de trigo ao composto, a fim de dar-lhe mais
aderência, uma condição particularmente importante no trato de
doenças, haja vista a prevalência do controle preventivo sobre o
curativo. E, no tocante à dosagem, as prescrições pertinentes são,
também, as mesmas. Desta forma, a opção pelo uso da manipueira
pura ou diluída (diluições aquosas de 1:1, 1:2, 1:3 e 1:4) fica na
dependência, sobretudo, do porte e tolerância da planta, reiterando-
se a conveniência, no caso de tratamento de plantas delicadas, de
proceder-se a um prévio teste de sensibilidade.




34
6 – MANIPUEIRA COMO HERBICIDA

       Quem visita uma casa-de-farinha observa a total ausência
de vegetação rasteira, de plantas ruderais ou invasoras, na faixa
de terreno que ladeia a vala externa por onde escorre a manipueira.
Este fato, amplamente conhecido por quantos lidam com farinhada,
é um atestado eloqüente da ação herbicida desse composto,
independentemente de comprovação científica. Tal comprovação
seria prefaciada pelo trabalho de Fioretto (1994), especulando sobre
o efeito da manipueira sobre diversas plantas daninhas, quando a
usou em fertirrigação.
       Tais informações eram alvissareiras, mas não suficientes para
fins de uso prático. Com efeito, o aproveitamento da manipueira
como herbicida estava a exigir mais pesquisas, um aprofundamento
do estudo no propósito de dimensionar a sua exata potencialidade
em tal especialidade, de esclarecer o espectro de sua ação sobre
plantas de folhas largas e estreitas, de aferir possíveis efeitos
residuais etc. Enfim, o esclarecimento de muitos pontos que
pudessem subsidiar e disciplinar o seu emprego em substituição
aos herbicidas comerciais.
       E valeria a pena explorar esse veio de investigação científica,
não apenas pelo apelo da economicidade, mas, sobretudo, no zelo
da preservação do meio ambiente, haja vista os graves e constantes
impactos ambientais devidos aos herbicidas convencionais, cuja
toxicidade é, em regra, bem superior à dos demais grupos de
agrotóxicos.
       Enfim, em 2001, fez-se a primeira avaliação, dentro do devido
rigor científico, da manipueira como herbicida. Eis que a
Companhia Energética do Ceará (COELCE), por determinação dos
órgãos oficiais de saúde pública e preservação ambiental, viu-se
impedida de prosseguir com o uso de herbicidas sintéticos nas áreas
físicas de suas subestações elétricas, sob a alegativa, absolutamente
procedente, de que tais compostos iriam envenenar os lençóis
freáticos subjacentes, pondo em risco a saúde da população
circunvizinha, a par de outros graves impactos ambientais. Diante
disto, a citada empresa passou a buscar um substitutivo para os
herbicidas comerciais, já que deveria ter continuidade a eliminação
de plantas invasoras em suas unidades, pois este mato abriga

                                                                   35
passarinhos, répteis, lacertílios, insetos e outros pequenos animais
que, com certa freqüência, danificam as instalações elétricas por
provocarem curto-circuitos. Assim, a Coelce encomendou à Clínica
de Planta “Dr. Júlio da Ponte” um estudo sobre a viabilidade do
uso da manipueira como herbicida. Então, a Clínica elaborou o
projeto “Investigação sobre a Utilização da Manipueira como
Herbicida nas Subestações da Coelce”. Consoante este projeto, a
manipueira pura (sem diluição em água) foi, com auxílio de
regadores, aplicada, por três vezes, na área experimental
(quadrilátero de terreno onde estão fincadas as torres do
instrumental elétrico da empresa), a intervalos de 24 horas e na
proporção de 5 litros por m2 de solo. Ali, estavam presentes 17
diferentes espécies de plantas invasoras. Conforme Ponte e Góes
(2002b) que conduziram os trabalhos, 12 dentre as 17 espécies de
ervas (70,58%) comportaram-se como suscetíveis, logo fenecendo
ao impacto do tratamento; três outras espécies (17,64%)
posicionaram-se como moderadamente suscetíveis, apresentando
graves sintomas de atrofia e crestamento foliar, embora
sobrevivessem (mas, segundo os autores, as chances de
sobrevivência seriam mínimas, caso o tratamento prosseguisse com
mais uma ou duas aplicações do composto); por fim, apenas duas
espécies (11,76%) – no caso, o ciúme ou flor-de-seda (Calotropis
procera R. Br.) e a salsa (Ipomoea asarifolia Roem. & Schult.) –
comportaram-se como resistentes, mostrando-se infensas ao
tratamento. Tais resultados, expostos no Quadro 1, revelam uma
outra qualificação da manipueira no âmbito de sua utilização como
defensivo agrícola: uma apreciável ação herbicida. Aliás, como
defensivo, a manipueira sobreleva-se em relação a qualquer outro
composto, por sua abrangência, pela amplitude de seu leque de
opções, atuando como inseticida, acaricida, fungicida, nematicida
e, também, como herbicida.




36
Planta                          Comportamento
 Nome Científico               Nome Vulgar
 Alternanthera tenella Moq. Quebra-pedra
 Aster chinensis L.            Raínha Margarida
 Boerhaavia coccinea Mill.     Pega-pinto
 Cenchrus echinatus L.         Carrapicho-de-boi
 Chamaesyce hyssopifolia
 (L.) Small                    Erva-de-leite             Suscetíveis
 Chloris gayana Kunth          Capim Rhodes
 Croton sp.                    Marmeleiro
 Cyperus rotundus L.           Capim-junco
 Evolvulus argenteus Pursch Dinheiro-em-penca
 Malva silvestris L.           Malva
 Priva echinata Juss.          Verbena-encarnada
 Schrankia leptocarpa DC.      Malícia-roxa

 Eragrostis ciliaris Link.    Capim-fino ou grama-fina
 Solanum paniculatum L.       Jurubeba                   Moderadamente
                                                         resistentes
 Turnera subulata Sm.         Chanana

 Calotropis procera R. Br.    Ciúme ou flor-de-seda
 Ipomoea asarifolia Roem.                                Resistentes
 & Schult.                    Salsa

Quadro 1 – Plantas invasoras presentes na área experimental
           (Subestação Elétrica da Companhia Energética do Ceará
           – Coelce) e seu comportamento em relação ao tratamento
           com manipueira (extrato líquido das raízes de mandioca)
Fonte: Ponte e Góes (2002).




                                                                           37
38
7 – MANIPUEIRA COMO ADUBO

       Este capítulo aborda um outro programa de pesquisa. Em
verdade, paralelamente ao projeto “Investigação sobre o
Aproveitamento da Manipueira como Defensivo Agrícola”, o Autor,
a partir dos anos oitenta, criava um novo e original projeto, intitulado
“Investigação sobre o Aproveitamento da Manipueira como
Fertilizante”, estimulado pelos bons resultados obtidos com este
composto para a mencionada finalidade, logo ao ensejo do primeiro
teste, quando Franco e Ponte (1988) observaram que plantas de milho
(Zea mays L.), cultivadas em solo adubado com manipueira,
apresentavam, em confronto com o milho semeado em solo não
tratado (testemunha), crescimento, peso verde e produção
significativamente superiores: 20, 100 e 65% a mais, respectivamente.
       Mais tarde, desde quando se passou a conhecer, com
exatidão, a composição química da manipueira – potencialmente
rica em macronutrientes (K, N, Mg, P, Ca e S, pela ordem
quantitativa) e com suficientes teores de todos os micronutrientes
requeridos pelas plantas, salvo o molibdênio –, o Autor iria priorizar
as pesquisas sobre a utilização deste subproduto como fertilizante
foliar, por ser uma modalidade de adubação mais apropriada a
um substrato líquido, sem subestimar, naturalmente, as vantagens
inerentes a esta forma de suprimento de adubo, tais como menor
desperdício do composto e, em relação à planta tratada, economia
de tempo e energia, visto que o nutriente é entregue “na porta da
fábrica”, isto é, diretamente sobre a folha, local-sede da fotossíntese.
       No tocante a esta linha de pesquisa, o teste preliminar, Ponte
et al. (1997), logo mostrou a procedência da hipótese, através da
revelação de resultados bastante sugestivos, uma vez que plantas
de gergelim (Sesamum orientale L.) adubadas foliarmente com
manipueira, em diluição aquosa 1:6, mediante seis pulverizações a
intervalos semanais, responderam com uma produção
estatisticamente superior à das plantas-testemunhas, fosse em
número ou peso totais de frutos, com 67,3 e 52,1% a mais,
respectivamente.



                                                                     39
Estimulado pelo sucesso desse teste inicial, o autor elegeria o
mesmo tema para a dissertação de mestrado (ARAGÃO, 1995) que,
pouco depois, iria orientar e para a qual projetou, naturalmente,
um experimento de maior amplitude, envolvendo duas culturas
(tomate e quiabo) e quatro diluições de manipueira (1:4, 1:6, 1:8 e
1:10), também aplicadas seis vezes, a intervalos semanais. Este
trabalho viria comprovar a eficiência da manipueira como
fertilizante foliar, pois as plantas com ela tratadas, indiferentemente
à diluição testada, apresentaram produção significativamente
superior àquela obtida com a aplicação de um fertilizante sintético
de grande aceitação comercial e que fora escolhido como referencial
de nutrição via foliar (ARAGÃO; PONTE, 1995).
       Na esteira do mesmo filão, seguiu-se o trabalho de Ponte et al.
(1998), envolvendo cultivo de sorgo forrageiro (Sorghum bicolor (L.)
Moench.), sob condições de solo paupérrimo (com baixos teores de
N, P e K). As plantas de sorgo forrageiro foram adubadas, via foliar,
com manipueira (diluição 1:6), acrescida ou não de um coadjuvante
adesivo, no caso a farinha de trigo. Em ambas as situações, isto é,
com ou sem este adesivo, a adubação com manipueira, praticada
seis vezes, a intervalos semanais, induziu uma produção de massa
verde estatisticamente superior à da testemunha, com aumentos da
ordem de duas e três vezes mais, respectivamente. Aliás, a inclusão
da farinha de trigo não melhorou o rendimento da manipueira como
adubo foliar; pelo contrário, restringiu-lhe a eficiência, com retorno
em ganho de peso verde estatisticamente inferior ao que se obteve
sem esse adesivo. Provavelmente, o aumento da densidade do
composto, pela incorporação da farinha, dificultou, em parte, a sua
absorção pelas folhas.
       A mais nova experiência da manipueira como fertilizante
foliar fez-se em data recente, já envolvendo um significativo avanço
tecnológico em torno deste composto – sua formulação em pó. Os
resultados (excelentes) então obtidos e as características do novo
formato do produto serão comentados mais adiante, no capítulo
10, totalmente reservado à manipueira em pó.




40
7.1 – Recomendações Práticas e Posologia
     À luz dos resultados ora relatados, conclui-se que a
manipueira, para efeito de adubação, pode ser usada por vias foliar
e edáfica, o que implica em recomendações distintas para tais
modalidades de uso.
     a) Fertilização do solo
        - Usar a manipueira na diluição 1:1;
        - Aplicá-la ao solo, justo na linha de cultivo, com o auxílio
           de um regador ou vasilhame similar, na razão de 2 a 4
           litros da diluição por metro de sulco;
        - A aplicação deve preceder ao plantio – adubação de
           fundação –, e o solo, após o tratamento, deve ficar em
           repouso por 8 ou mais dias, e
        - Revolver levemente o solo que compõe e margeia a linha
           de cultivo, antes de proceder à semeadura.
     b) Fertilização foliar
        - As diluições mais apropriadas são 1:6 e 1:8, a menos
           que haja, simultaneamente, necessidade de controle de
           pragas ou doenças, optando-se, em tais casos, por
           diluições mais concentradas, de acordo com as
           recomendações apostas nos capítulos correspondentes
           a tais controles;
        - Fazer o mínimo de seis e o máximo de dez pulverizações,
           preferentemente a intervalos semanais, e
        - Quando do uso da manipueira com a finalidade
           exclusiva de fertilização foliar, não adicionar farinha
           de trigo, ingrediente só recomendável nos casos de
           controle de pragas e doenças.

7.2 – Informações Adicionais
      Com vistas à adubação do solo, as recomendações ora
enumeradas são, exatamente, aquelas prescritas para a utilização
do mesmo composto como nematicida, no tratamento de linhas de
cultivo, em solo infestado de fitonematóides, conforme o exposto

                                                                  41
no item b, do tópico 3.1. Portanto, ao fazermos uma adubação de
fundação com manipueira, estaremos, também, efetuando o
controle dos nematóides fitoparasitas porventura presentes no
mesmo solo. São, por conseguinte, operações simultâneas, o que
releva o aproveitamento da manipueira como fertilizante.
Destacamos a conveniência da diluição do composto em água (1:1),
a fim de torná-lo mais fluido e, assim, garantir-lhe uma maior
penetração no solo. No zelo dessa finalidade, a adição da farinha
de trigo ou de qualquer coadjuvante-adesivo seria
contraproducente, sobre ser desnecessária.
      Do mesmo modo, ao fazermos o controle de pragas e doenças
foliares mediante pulverizações com manipueira, estaremos,
qualquer que seja a diluição utilizada, fazendo, simultaneamente,
uma fertilização foliar, fato que torna ainda mais rentável a opção
pelo uso desse composto como defensivo agrícola.




42
8 – OUTRAS SERVENTIAS

       Os projetos sob responsabilidade do Autor objetivam,
exclusivamente, o aproveitamento da manipueira como insumo
agrícola. Mas não fica apenas nisto, o que já seria de grande
importância, o repertório de préstimos deste composto. A
manipueira pode ter uma serventia bem mais ampla, conforme
indicam os resultados de pesquisas recentes, coordenadas por
outros autores.
       Cabello e Leonel (1994) obtiveram, a partir da manipueira, o
ácido cítrico, composto utilizável nas indústrias farmacêutica e de
alimentos, máxime na produção de refrigerantes. Da mesma fonte,
Cereda (1994) obteve uma biomassa oleaginosa de boa qualificação,
dados os elevados teores de proteínas e lipídios ali presentes e bem
afeitos a fins alimentares. O mesmo trabalho faz alusão, também,
ao uso da manipueira como meio de cultura apropriado ao cultivo
de microrganismos benéficos em fecularia.
       Outras serventias, embora não tão divulgadas, são relatadas
na literatura. Eis alguns exemplos: a) na produção de álcool, a partir
da fermentação dos açúcares presentes na goma residual do
composto (CEREDA, 1994); b) na indústria da borracha, prestando-
se como coagulante do látex da seringueira (CEREDA, 1994); c)
na fabricação de tijolos, substituindo a água e ensejando um tijolo
mais resistente, que não precisa ser queimado (MAGALHÃES,
1993); d) o tradicional emprego na culinária paraense, constituindo
o afamado molho condimentar denominado tucupi, bem assim na
culinária nordestina, substituindo o vinagre ou a cachaça na
preparação do molho de pimenta, e e) na produção da bebida
alcoólica tiquira, muito comum no Maranhão.
       Este leque de utilidades é bem um atestado da potencialidade
industrial que a manipueira encerra e que não vem sendo, até hoje,
convenientemente explorada.




                                                                   43
44
9 – COMO TER MANIPUEIRA O ANO TODO

       Nas regiões de clima tropical, a principal limitação ao uso da
manipueira como insumo agrícola diz respeito à indisponibilidade
deste composto em determinada época do ano. No nordeste
brasileiro, por exemplo, via-de-regra não se faz farinhada durante
a estação das chuvas (de fevereiro a maio ou junho, nos anos
normais), atividade só exercida ao longo do verão, época em que
as raízes estão “enxutas”, provendo, por conseguinte, um maior
rendimento de farinha.
       Portanto, sendo a manipueira um subproduto da fabricação
da farinha de mandioca, ela normalmente estará em falta durante
a estação chuvosa, justo quando se faz mais requisitada para
desempenhar a sua principal finalidade, ou seja, o seu emprego
como pesticida. Com efeito, é nessa época que se intensifica a
atividade agrícola, com a prática do tradicional “plantio das águas”
e, correspondentemente, quando se faz mais assídua e severa a
ocorrência dos agentes de pragas e doenças, para cujo controle
destaca-se, com eficácia e economicidade, a manipueira.
       E como superar tal limitação, de sorte a ter-se manipueira,
em disponibilidade, em qualquer época do ano?
       Uma das alternativas seria conservá-la em refrigerador,
evitando-se a fermentação do composto. Mas seria uma solução
pouco prática, seja porque o grande volume de manipueira a
conservar iria ocupar muito espaço no refrigerador, seja porque a
maioria dos agricultores de baixa renda não dispõe desse
eletrodoméstico. Mas seria uma solução viável para o tratamento
de pequenos cultivos de jardim e quintal.
       Outra alternativa, bem mais simples e prática, seria manter,
na propriedade agrícola, um cultivo permanente de mandioca, só
para a extração de manipueira, sempre que se fizesse necessário o
seu emprego como pesticida ou adubo foliar. Seria uma espécie de
“farmácia viva” para a lavoura. Para tal fim, bastaria uma área
relativamente pequena (não mais de 5% da gleba) e de menor
fertilidade, pois a mandioca é uma cultura rústica, pouco exigente.


                                                                  45
A terceira alternativa, de fundamentação industrial e,
portanto, de maior validade prática, é a “manipueira em pó”,
matéria enfocada no capítulo seguinte.




46
10 – MANIPUEIRA EM PÓ

       A formulação da manipueira em pó é, sem dúvida, a
alternativa mais prática para se ter a manipueira o ano todo e por
mais tempo ainda. A esta formulação chegaram Ponte e Góes
(2002a) mediante liofilização, isto sem prejuízo das qualificações
do composto natural (manipueira líquida), porquanto mantendo,
em semelhantes proporções, todos os seus componentes químicos,
sejam os macro e micronutrientes que lhe garantem a excelência
como adubo, sejam os cionetos que, como principais ingredientes
ativos, garantem sua vigorosa ação pesticida (Tabela 4).
       A manipueira em pó veio para anular a principal limitação
da manipueira líquida, justamente a sazonalidade comentada no
capítulo anterior. Em forma de pó, ela estará disponível a qualquer
época, pois independe do imediatismo da fabricação da farinha de
mandioca. Outras limitações serão, também contornadas: a
perecibilidade, pois a manipueira líquida vai perdendo sua
potencialidade pesticida a partir do quarto dia pós-extração,
conforme Ponte e Franco (1983b); a dificuldade de transporte, fato
inerente ao deslocamento de grande massa líquida para o
tratamento de extensos cultivos, e a dificuldade de comercialização,
em decorrência da sazonalidade e da pouca durabilidade do
composto líquido. Em oposto, a manipueira em pó, além de sua
disponibilidade a qualquer tempo, terá uma longevidade bem
expressiva, enquanto sua transportação e comercialização tornar-
se-ão bem mais ágeis, por força do menor volume (cada 100 litros
do composto líquido gera de 6 a 8 kg de manipueira em pó).
       Este novo produto, embora ainda esteja em via de
reconhecimento de patente, já foi submetido ao primeiro teste de
campo. Góes e Ponte (2002) o testaram como fungicida e fertilizante
foliar e os resultados confirmaram a hipótese lógica, aquela ditada
pela composição química da formulação em pó, semelhante à da
manipueira líquida.
       No aludido experimento pioneiro, Góes e Ponte (2002), a
manipueira em pó foi testada, em amendoim (Arachis hypogaea L.),
como adubo foliar e fungicida, no controle de Mycosphaerella

                                                                 47
arachidicola W. A. Jenkins, agente da Mancha Castanha. Usaram-se
duas dosagens de manipueira em pó: 1 e 2 colheres de sopa por litro
de água (cada colher contendo cerca de 20g do composto),
comparando-as com a manipueira líquida em diluição aquosa 1:1 e
a testemunha (água + 1% de farinha de trigo, componente adesivo
também incluso nos demais tratamentos). Todos os tratamentos foram
ministrados quatro vezes, mediante pulverizações a intervalos
semanais. A incidência da Mancha Castanha foi praticamente nula
nas plantas tratadas com manipueira em pó e os efeitos deste
composto como fertilizante foliar, especialmente na dosagem de 2
colheres/litro, foram excelentes, aumentando, de um modo
estatisticamente significativo, tanto a produção (peso total de vagens)
como o porte vegetativo (peso fresco) das plantas de amendoim.
       Novos experimentos com manipueira em pó – investigando-
a como inseticida, acaricida etc. – estão sendo programados, mas
já cercados de uma expectativa otimista, haja vista o sucesso deste
ensaio pioneiro.

Tabela 4 – Composição química da manipueira em pó comparada à
           da manipueira líquida
Componente                                           Manipueira
                                           em pó                  líquida
Macronutrientes                              %                     ppm
Potássio (K)                                6,72                  1.183,5
Nitrogênio (N)                              1,00                   425,5
Magnésio (Mg)                               0,37                   405,0
Fósforo (P)                                 0,29                   259,5
Cálcio (Ca)                                 0,28                   227,5
Enxofre (S)                                 0,10                   195,0
Micronutrientes                           mg/kg                    ppm
Ferro (Fe)                                5.355,00                 15,3
Manganês (Mn)                              109,00                   3,7
Zinco (Zn)                                 22,00                    4,2
Cobre (Cu)                                  4,50                   11,5
Boro (B)                                    2,00                    5,0
Cianetos                                     %                     ppm
Livre                                       9,30                    42,5
Total                                       86,40                  604,0
Fonte: Análises procedidas na UNESP, Campus de Botucatu, São Paulo.


48
REFERÊNCIAS

ARAGÃO, M. L. Investigação sobre o aproveitamento da
manipueira como fertilizante foliar. 1995. 36 f. Dissertação
(Mestrado em Ciências Agrárias) - Universidade Federal do
Ceará, Fortaleza, 1995.
ARAGÃO, M. L.; PONTE, J. J. da. O uso da manipueira (extrato
líquido das raízes de mandioca) como adubo foliar. Ciência
Agronômica, Fortaleza, v. 1/2, n. 26, p. 45-48, 1995.
CABELLO, C.; LEONEL, M. Produção de ácido cítrico a partir
da manipueira. In: CEREDA, M. P. (Ed.). Resíduos de
industrialização da mandioca no Brasil. São Paulo: Paulicéia,
1994. p. 109-118.
CEREDA, M. P. Caracterização dos resíduos da industrialização
da mandioca. In: CEREDA, M. P. (Ed.). Resíduos da
industrialização da mandioca no Brasil. São Paulo: Paulicéia,
1994. p. 11-50.
FIORETO, R. A. Uso direto da manipueira em fertirrigação. In:
CEREDA, M. P. (Ed.). Resíduos da industrialização da
mandioca no Brasil. São Paulo: Paulicéia, 1994. p. 51-80.
FRANCO, A. Subsídios à utilização da manipueira como
nematicida. 1986. 53 f. Dissertação (Mestrado em Ciências
Agrárias) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1986.
FRANCO, A.; PONTE, J. J. Subsídios à utilização da manipueira
como nematicida: dosagem e interferência na fertilidade do solo.
Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 12, n. 1, p. 35-45, 1988.
FRANCO, A. et al. Dosagem de manipueira para tratamento de
solo infestado por Meloidogyne: II) segundo experimento.
Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 14, n. 1, p. 25-32, 1990.
GALLI, F. Agrotóxico. Folha de São Paulo, São Paulo, p. 3-8, 03
mar. 1998. Caderno Agrofolha.



                                                                49
GÓES, E.; PONTE, J. J.da. Manipueira em pó: estudo pioneiro
sobre sua ação como fungicida e fertilizante foliar. In:
COBRADAN, 2., 2002, Fortaleza. Anais ... Fortaleza, 2002.
LORDELLO, L. G. E. Nematóides das plantas cultivadas. São
Paulo: Nobel, 1968. 141 p.
MAGALHÃES, C. P. Estudos sobre as bases bioquímicas da
toxicidade da manipueira a insetos, nematóides e fungos.
1993. 117 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) - Universidade
Federal do Ceará, Fortaleza, 1993.
MELO, P. R. A. Níveis dos compostos cianogênicos conforme o
tempo de estocagem da manipueira. 1999. 34 f. Monografia
(Graduação em Agronomia) - Universidade Federal do Ceará,
Fortaleza, 1999.
PONTE, J. J. da. Cassareep. Spore, Wageningen, v. 21, p. 10,
1989.
______. Cassareep: an unconventional nematicide. Cassava
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______. Clínica de doenças de plantas. Fortaleza: Edições UFC,
1996a. 873 p.
______. Eficiência da manipueira como carrapaticida: teste
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______. Eficiência da manipueira no controle do ácaro-branco
do mamoeiro. Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 71, n. 2, p.
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______. Fitopatologia: princípios e aplicações. São Paulo: Nobel,
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manipueira: extrato líquido das raízes de mandioca como
defensivo agrícola. Fitopatol. Venezolana, Macaray, v. 5, n. 2,
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50
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Antracnose do cajueiro: relatório de projeto. Fortaleza: Clínica
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cochonilha Orthesia insignis em acerola: relatório de projeto.
Fortaleza: Clínica de Planta Dr. Júlio da Ponte, 2002. 12 p.
______. Manipueira: es desechable este subproduto de la yuca?.
Yuca, Cali, v. 17, n. 1, p. 8, 1993.
______. Nematóides das galhas: espécies ocorrentes no Brasil e
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______. Os principais grupos de fitomicoses tropicais.
Fortaleza: Academia Cearense de Ciências, 1996c. 13 p.
(Publicação Técnica, n. 1).
PONTE, J. J. da; FRANCO, A. Implicações da manipueira: um
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solo. Publicação da Sociedade Brasileira de Nematologia,
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______. Influência da idade da manipueira na preservação do
potencial nematicida do composto. Publicação da Sociedade
Brasileira de Nematologia, Piracicaba, v. 7, p. 237-240, 1983b.
______. Manipueira, um nematicida não convencional de
comprovada potencialidade. Publicação da Sociedade
Brasileira de Nematologia, Piracicaba, v. 5, p. 25-33, 1981.
PONTE, J. J. da; FRANCO, A.; PONTES, A. E. L. Estudo sobre a
potencialidade da manipueira, como nematicida, em condições
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PONTE, J. J. da; FRANCO, A.; SANTOS, J. H. R. Teste
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Revista Brasileira de Mandioca, Cruz das Almas, v. 7, n. 1, p.
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                                                               51
PONTE, J. J. da; FRANCO, A.; SILVEIRA-FILHO, J. Investigação
preliminar sobre a potencialidade nematicida do tipi (Petiveria
alliacea). Fitopatologia Venezolana., Maracay, v. 9, n. 1, p. 14-
15, 1996.
PONTE, J. J. da; GÓES, E. Composição química da manipueira
em pó. In: COBRADAN, 2., 2002, Fortaleza. Anais ... Fortaleza,
2002a.
______. Investigação preliminar envolvendo a manipueira no
controle de ferrugem. In: COBRADAN, 1., 2000, Fortaleza.
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______. Utilização da manipueira como herbicida. Revista de
Agricultura, Piracicaba, 2002b. Aceito para publicação.
PONTE, J. J. da; HOLANDA, Y. C. A. Incidência e controle da
Galha de Coroa (Agrobracterium tumefaciens) em plantas de
colorau (Bixa orellana). Fitopatol. Venezolana, Macaray, v. 8, n.
1, p. 15-17, 1995.
PONTE, J. J. da; HOLANDA, Y. C. A.; ARAGÃO, M. L. Adendo
ao catálogo de plantas hospedeiras de Meloidogyne no Brasil.
Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 20, n. 1, p. 73-81, 1996.
PONTE, J. J. da; MIRANDA, E. Eficiência da manipueira no
controle da traça. Fortaleza: UFC, 1997. 3 p. (Boletim Técnico).
PONTE, J. J. da; SANTOS, J. H. R. Eficiência da manipueira no
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______. Eficiência da manipueira no controle de Toxoptera
citricidus: o pulgão negro dos citros. Fitosanidad, La Habana, v.
2, p. 3-5, 1998.
PONTE, J. J. da; TORRES, J.; FRANCO, A. Investigação sobre
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Brasileira, Brasília, v. 4, p. 431-435, 1979.
PONTE, J. J. da et al. Dosagem de manipueira para tratamento
de linhas de cultivo em solo infestado de Meloidogyne.

52
Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 19, n. 1/2, p. 81-85,
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______. Ensaio preliminar sobre a utilização da manipueira
(extrato líquido das raízes de mandioca) como fertilizante foliar.
Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 72, n. 1, p. 63-68, 1997.
______. Fertilização foliar de sorgo com manipueira: extrato
líquido das raízes de mandioca. Revista de Agricultura,
Piracicaba, v. 73, n. 1, p. 101-109, 1998.
RAZAFINDRAKOTO, C. Étude sur l’utilisation du manipueira
comme pesticide biologique. [S.l.]: Ambatondrazaka, Centre
National de la Recherche Apliquée au Developpement Rural,
1997. 18 p. (Bull. Technique).
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tratamento de estacas de mandioca atacadas por cochonilhas.
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SANTOS, A. B. C. Investigação sobre a ação fungicida da
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(Mestrado em Ciências Agrárias) - Universidade Federal do
Ceará, Fortaleza, 1993.
SANTOS, A. B. C.; PONTE, J. J. da. Ação fungicida da
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Brasília, v. 18, p. 302, 1993.
SENA, E. S.; PONTE, J. J. da. A manipueira no controle da
meloidoginose da cenoura. Publicação da Sociedade Brasileira
de Nematologia, Piracicaba, v. 6, p. 95-98, 1982.




                                                                53
69767674 manipueira cartilha
ANEXOS
56
Foto 1 – Descascamento manual de raízes de mandioca
Fonte: Sebastião da Ponte.




Foto 2 – Trituração de raízes de mandioca em moinho elétrico
         (caititu).
Fonte: Sebastião da Ponte.

                                                               57
Foto 3 – Massa pastosa de mandioca, após a trituração.
Fonte: Sebastião da Ponte.




Foto 4 – Aposição de massa de mandioca em prensa de madeira de
         acionamento manual
Fonte: Sebastião da Ponte.

58
Foto 5 – Prensagem da massa de mandioca em prensa de madeira
         de acionamento manual
Fonte: Sebastião da Ponte.




Foto 6 – Secagem da massa em forno de alvenaria: última etapa da
         farinhada
Fonte: Sebastião da Ponte.

                                                               59
Foto 7 – Manipueira: extrato líquido das raízes de mandioca, um
         subproduto da farinhada
Fonte: Sebastião da Ponte.




Foto 8 – Oídio (oidium bixae) em folha de urucu
Fonte: Sebastião da Ponte.


60
Foto 9 – Haste de urucu infectada pela bactéria Agrobacterium
         tumefaciens, agente causal da Galha de Coroa
Fonte: Sebastião da Ponte.




                                                                61
62
O AUTOR1


                             JOSÉ JÚLIO DA PONTE, com 46 anos
                       de tráfego pelas sendas da Fitopatologia, é
                       um dos mais experientes e competentes
                       fitossanitaristas da atualidade. Experiência
                       materializada em mais de 500 trabalhos
                       publicados (livros, capítulos de livro, teses,
                       artigos e comunicações científicas,
                       monografias e conferências) no Brasil e no
                       exterior; competência reconhecida e laureada
                       nos muitos títulos e comendas que ilustram o
seu esplêndido curriculum: presidente da Academia Cearense de
Ciências (ACECI) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de
Fitopatologia (SBF) e da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN);
bolsista-pesquisador nível I-A do CNPq; Medalha de Ouro do Mérito
Fitopatológico (SBF), Medalha de Ouro do Mérito da Educação
Agrícola Superior (1º lugar em concurso de títulos promovido pela
ABEAS e envolvendo representantes de todas agrofaculdades do
país) e Medalha “Boticário Ferreira” (Câmara Municipal de
Fortaleza); diploma do Mérito Científico Professor Prisco Bezerra e
comendas de Honra ao Mérito outorgadas pela SBF, SBN e Prefeitura
Municipal de Fortaleza (Destaque da Ciência/1992); eleito “Man of
the Year/1997” (Homem do Ano/1997) pelo American Bibliographical
Institute (USA); reconhecimento internacional da Organização dos
Estados Americanos (OEA) e da New York Academy of Sciences; Livre-
Docência em Fitopatologia, e o título que mais contempla o seu
coração – o de Professor-Emérito, a maior honraria universitária, a
qual, com sobras, ele fez por merecer.




1
    Apresentação parcialmente extraída do texto escrito por Osvaldo de Oliveira
    Riedel – médico e membro da ACECI, prefaciando um dos livros de José Júlio da
    Ponte.

                                                                              63
Desde os primeiros passos de sua longa e infatigável
peregrinação científica, ele fez da luta contra os agrotóxicos a
preocupação maior de suas investigações, fosse através da criação
de variedades resistentes, fosse mediante a busca de defensivos
agrícolas naturais, insistência esta premiada com a “descoberta”
da manipueira. Este trabalho, a “Cartilha da Manipueira”, é uma
paciente e minuciosa dissecação de tudo quanto já fez em prol do
aproveitamento da manipueira como insumo agrícola, em
substituição aos famigerados agroquímicos.
      Vale a pena conhecê-lo.




64
65
SUPERINTENDÊNCIA DE LOGÍSTICA
Ambiente de Recursos Logísticos
Célula de Produção Gráfica
OS 2006-01/0677 - Tiragem: 2.000

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  • 2. CARTILHA DA MANIPUEIRA USO DO COMPOSTO COMO INSUMO AGRÍCOLA
  • 4. JOSÉ JÚLIO DA PONTE Livre-Docente de Fitopatologia Professor-Emérito da Universidade Federal do Ceará Presidente da Academia Cearense de Ciências Medalha de Ouro do Mérito Fitopatológico Medalha de Ouro do Mérito da Educação Agrícola Superior Bolsista da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) Membro da Academia de Ciências de New York CARTILHA DA MANIPUEIRA USO DO COMPOSTO COMO INSUMO AGRÍCOLA 3a Edição Banco do Nordeste do Brasil Fortaleza 2006
  • 5. Presidente: Roberto Smith Diretores: Augusto Bezerra Cavalcanti Neto Francisco de Assis Germano Arruda João Emílio Gazzana Luiz Ethewaldo de Albuquerque Guimarães Victor Samuel Cavalcante da Ponte Superintendência de Comunicação e Cultura José Maurício de Lima da Silva Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE Superintendente: José Sydrião de Alencar Júnior Coordenadoria de Estudos Rurais e Agroindustriais – COERG Maria Odete Alves Editor: Jornalista Ademir Costa Normalização Bibliográfica: Rodrigo Leite Rebouças Diagramação: Franciana Pequeno Cliente Consulta: 0800.783030 Tiragem: 2.000 exemplares Depósito Legal junto à Biblioteca Nacional, conforme Lei 10.994 de 14/12/2004 Copyright © by Banco do Nordeste do Brasil Ponte, José Júlio da. P811c Cartilha da manipueira: uso do composto como insumo agrícola/José Júlio da Ponte. – 3. ed. – Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2006. 66 p. ISBN 85-87062-67-0 1. Agricultura. 2. Insumos agrícolas. 3. Manipueira. I. Título. CDD 581.69 Impresso no Brasil/Printed in Brazil
  • 6. TRIBUTOS DO AUTOR de Gratidão: Ao Doutor Francisco Ariosto Holanda, a quem a gente excluída dos processos produtivos do novo Ceará deve, com a idealização e implantação dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs), o mais competente instrumento de resgate da cidadania; e a quem devo, em particular, o estímulo para produzir esta Cartilha; de Agradecimento: Aos que, ungidos com a essência do mesmo ideal, fizeram-se romeiros da mesma fé, dedicados colaboradores de minhas tantas pesquisas sobre manipueira. Às instituições que me deram apoio logístico – Universidade Federal do Ceará (UFC), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação Cearense de Amparo à Pesquisa (FUNCAP), estas em importantes etapas do “Projeto Manipueira”; aquela, minha oficina de trabalho, o tempo todo; de Reconhecimento: À pesquisadora Maria Erbene Góes Menezes, dileta e infatigável companheira das mais recentes (e ousadas) experiências com manipueira – incluindo a formulação da manipueira em pó – e grande incentivadora desta nova edição da Cartilha e, máxime, de sua versão para o inglês, dando uma dimensão internacional a este livro.
  • 8. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ................................................................................9 1 – INTRODUÇÃO .......................................................................... 11 2 – MANIPUEIRA: UM “NÃO” AOS AGROTÓXICOS ....... 15 3 – MANIPUEIRA COMO NEMATICIDA ............................... 19 3.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 22 3.2 – Informações Adicionais ......................................................... 23 4 – MANIPUEIRA COMO INSETICIDA E ACARICIDA .... 25 4.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 28 4.1.1 – Manipueira como formicida .............................................. 29 5 – MANIPUEIRA COMO FUNGICIDA E BACTERICIDA . 31 5.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 33 6 – MANIPUEIRA COMO HERBICIDA .................................... 35 7 – MANIPUEIRA COMO ADUBO ............................................ 39 7.1 – Recomendações Práticas e Posologia .................................. 40 7.2 – Informações Adicionais ......................................................... 41 8 – OUTRAS SERVENTIAS ........................................................... 43 9 – COMO TER MANIPUEIRA O ANO TODO ...................... 45 10 – MANIPUEIRA EM PÓ ............................................................ 47 REFERÊNCIAS ................................................................................... 49 ANEXOS .............................................................................................. 55
  • 9. 8
  • 10. APRESENTAÇÃO A Cartilha da Manipueira versa sobre o uso do composto como insumo agrícola, sendo destinada aos que desejam conhecer ou trabalhar com agricultura livre de agrotóxicos. No decurso de dez anos (1976/85), cresceu em mais de 500% o consumo de agrotóxicos no Brasil, enquanto, no mesmo período, a rentabilidade da produção agrícola brasileira crescia em apenas 5%. A discrepância entre estes dados atesta, em linhas gerais, o malogro econômico de tão elevado investimento. O emprego abusivo de agrotóxicos, que tem demonstrado ser um empreendimento de elevado custo, até mesmo antieconômico em muitos casos, constitui, em função da alta toxicidade da maioria desses compostos, um permanente risco à ecologia e, sobretudo, à saúde humana. Consciente desses graves inconvenientes, o Setor de Fitopatologia da Universidade Federal do Ceará criou, há mais de dez anos, uma linha de pesquisa direcionada para a descoberta de defensivos agrícolas não-convencionais, a partir de extratos ou derivados vegetais. Nesse particular, sobressaiu-se a manipueira (nome indígena brasileiro designativo do extrato líquido das raízes de cassava, Manihot esculenta Crantz), um subproduto da fabricação da farinha de mandioca que, até então, era praticamente desprezado, sem qualquer aproveitamento econômico. Este composto, uma vez testado como nematicida e, posteriormente, como inseticida, revelou extraordinária eficiência e notável economicidade, sem os riscos de toxidez dos produtos comerciais. Iniciada em 1979, esta linha de pesquisa, intitulada “Utilização da Manipueira como Defensivo Agrícola”, já produziu doze trabalhos científicos, dez dos quais relativos à primeira etapa do projeto (utilização como nematicida), reunindo um acervo de resultados positivos. Os dois outros trabalhos correspondem à segunda etapa (utilização como inseticida) e relatam pesquisas recentes que atestam a eficácia do composto no combate, também, a insetos fitoparasitos. 9
  • 11. Na Cartilha da Manipueira, o prof. José Júlio relata, de forma sumariada, todas as experiências científicas desenvolvidas por ele, usando a manipueira como adubo foliar e defensivo agrícola em suas mais variadas especificações. Apresenta a Manipueira como Nematicida, Inseticida, Acaricida, Fungicida, Bactericida e Herbicida, mostrando, inclusive, suas fases experimentais e as recomendações práticas para uso e posologia. Pela importância do conteúdo e linguajar utilizado, de fácil entendimento mesmo por leigos no assunto, o documento tem tido excelente circulação entre técnicos extensionistas, produtores orgânicos e agricultores familiares, fato que justifica o investimento do BNB em sua 3ª edição. José Sydrião de Alencar Júnior Superintendente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste - ETENE 10
  • 12. 1 – INTRODUÇÃO A manipueira – vocábulo indígena incorporado à língua portuguesa – é o líquido de aspecto leitoso e cor amarelo-clara que escorre das raízes carnosas da mandioca (Manihot esculenta Crantz), por ocasião da prensagem das mesmas para obtenção da fécula ou farinha de mandioca. Portanto, é um subproduto ou resíduo da industrialização da mandioca, que, fisicamente, se apresenta na forma de suspensão aquosa e, quimicamente, como uma miscelânea de compostos: goma (5 a 7%), glicose e outros açúcares, proteínas, células descamadas, linamarina e derivados cianogênicos (ácido cianídrico, cianetos e aldeídos), substâncias diversas e diferentes sais minerais, muitos dos quais fontes de macro e micronutrientes para as plantas (MAGALHÃES, 1993). No Nordeste do Brasil, principal centro produtor de mandioca do país, grande parte dessa produção destina-se à alimentação humana, em consonância com o fato de ser a farinha de mandioca um dos alimentos básicos de subsistência das populações regionais de baixa renda, justo a maioria dos habitantes. O restante é destinado à alimentação de animais domésticos, especialmente bovinos. Na citada região, a fabricação da farinha de mandioca é competência, na maioria dos casos, de pequenos produtores rurais que, a este fim, utilizam processos rudimentares, cujos fundamentos remontam à época colonial. Eis as etapas desse processo industrial (ver ilustrações em ANEXOS): a) as raízes de mandioca são, primeiramente, lavadas e descascadas em operação manual; b) as raízes descascadas são trituradas em caititu – moinho movido manualmente ou por energia elétrica; c) a massa pastosa obtida a partir dessa trituração é, em seguida, fortemente prensada, utilizando-se, no geral, prensa de madeira, acionada manualmente; d) a massa que fica retida na prensa é, de imediato, esfarelada em peneira de malha grossa, e 11
  • 13. e) por fim, levada ao forno para secagem, após o que se tem a farinha – um pó branco, granuloso, de variável finura e sabor peculiar. (Convencionalmente, o forno é uma grande estrutura circular, construída de tijolo e cimento, cuja plataforma mede de 3 a 5 metros de diâmetro). Durante a prensagem da massa pastosa – etapa relatada no item “c” –, flui uma suspensão aquosa de tonalidade bege ou amarelada e odor ativo, mas agradável – é a manipueira. Este subproduto jorra com abundância, haja vista que o mesmo é contido na proporção de 3:1; ou seja, 1 litro de manipueira para cada 3 kg de raízes de mandioca prensadas. A par de abundante em todas as regiões de cultivo e industrialização de mandioca, a manipueira é, no geral, cedida graciosamente, pois ainda se trata de um resíduo descartável em sua quase totalidade, com esporádicos e restritos aproveitamentos em molhos de pimenta e de tucupi (este no Estado do Pará) e no fabrico da tiquira, bebida alcoólica de consumo praticamente limitado ao Estado do Maranhão. Mas esse desprestígio da manipueira tende a desaparecer, a fazer parte do passado, quando se atentar para a excelência dos seus préstimos como insumo agrícola, seja como pesticida ou adubo, consoante os resultados de numerosas e pacientes pesquisas conduzidas pelo autor e objetos de relato nesta cartilha. Com efeito, a manipueira contém um glucosídeo cianogênico – a linamarina –, de cuja hidrólise (por ação da linamarase) provém a acetona-cianohidrina, da qual resultam, por ação enzimática (a- hidroxinitrila-liase) ou por quebra espontânea, o ácido cianídrico (bastante volátil) e os cianetos, além de aldeídos (Tabela 1). São estes cianetos que respondem pelas ações inseticida, acaricida e nematicida do composto, enquanto o enxofre, presente em larga quantidade (cerca de 200 ppm), garante-lhe a destacada eficiência como fungicida, sem embargo da presença, em menor escala, de outras substâncias que exercem, também, ação antifúngica, tais como cetonas, aldeídos, cianalaninas, lectinas e outras proteínas tóxicas, inibidoras de amilases e proteinases, que atuam como ingredientes ativos complementares. Ademais, o enxofre tem, também, ação inseticida-acaricida. Na atualidade, a manipueira, quando investida nas funções de pesticida, vem sendo empregada 12
  • 14. em sua forma natural, tal como é recolhida da prensa, na casa-de- farinha. Não sofre qualquer beneficiamento, quer físico ou químico, salvo eventuais diluições em água, quando necessárias ou aconselháveis, a fim de se obter maior rendimento ou para prevenir efeitos fitotóxicos em plantas de compleição mais delicada. Isto não invalida, obviamente, a possibilidade de a manipueira vir, em futuro próximo, a ser industrializada para uso como pesticida. E, neste sentido, o primeiro passo já foi dado pelo Autor deste livro, em parceria com Erbene Góes, pesquisadora-assistente da Clínica de Planta “Dr. Júlio da Ponte”, os quais formularam a manipueira em pó – ainda em fase de reconhecimento de patente –, produto que oferece algumas vantagens em relação à manipueira natural (líquida), conforme comentários inseridos no capítulo 10. Tabela 1 – Composição química da manipueira (média de 20 amostras analisadas) Quantidade Componente (ppm) Nitrogênio (N) 425,5 Fósforo (P) 259,5 Potássio (K) 1853,5 Cálcio (Ca) 227,5 Magnésio (Mg) 405,0 Enxofre (S) 195,0 Ferro (Fe) 15,3 Zinco (Zn) 4,2 Cobre (Cu) 11,5 Manganês (Mn) 3,7 Boro (B) 5,0 Cianeto livre (CN-) 42,5 Cianeto total (CN) 604,0* Fonte: Ponte (1992). Nota: *55,0 mg/litro, em média. Por outro lado, considerando que a manipueira, em sua complexa composição química, encerra todos os macro e micronutrientes (salvo o molibdênio) necessários à nutrição das plantas superiores, e que os possui em teores geralmente expressivos, ela poderá ser utilizada, pura ou diluída, como fertilizante, seja 13
  • 15. em adubação convencional (aplicação no solo), seja por via foliar, esta com maiores proveitos, tanto pelo menor desperdício de manipueira como pelo provimento de respostas mais rápidas por parte da planta, pois a síntese deste processo nutricional passará a demandar menos energia e tempo. 14
  • 16. 2 – MANIPUEIRA: UM “NÃO” AOS AGROTÓXICOS Relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) classifica o Brasil como o terceiro maior consumidor de agrotóxicos do mundo e o primeiro, disparadamente, da América Latina, com o emprego anual de 1,5 kg de ingrediente ativo por hectare cultivado. Isto em média global, considerando todo o universo agrícola nacional, pois, em determinados tipos de lavoura, a aplicação é bem maior. Na horticultura, por excelência, onde o consumo médio anual excede a 10 kg/ha; particularmente, na cultura do tomate, o exagero é extremamente alarmante, eis que, para cada safra, aplicam-se, em média, 40 kg/ha. Coincidentemente ou não, em matéria de mortalidade por câncer, o Brasil é o terceiro no ranking mundial e o primeiro no contexto latino-americano. Mas o câncer não é a única doença grave causada por pesticida, conquanto seja a mais aterrorizante. Na longa esteira de suas terríveis conseqüências, incluem-se a cirrose hepática, o aborto ou deformações fetais, a impotência e esterilidade sexuais, fibrose pulmonar (rigidez dos tecidos dos pulmões), braquicardia (lentidão do ritmo cardíaco) e distúrbios do sistema nervoso central, implicando em depressão, loucura e/ou paralisias parciais. A extensa lista prossegue com arritmia, arteriosclerose, pancreatite, tireoidite, hepatite, diabetes, gastrite, úlcera, leucopenia, atrofia medular, atrofia testicular, acne, alergia e variados tipos de distúrbios audiovisuais, implicando em surdez parcial e, até mesmo, em cegueira. A esses tormentos maiores, somam-se as intoxicações de menor monta, induzindo irritações cutâneas, cefaléias, tonturas, salivação e transpiração excessivas, além de outras indisposições passageiras. A estas pequenas mazelas, geradas por intoxicações instantâneas, estão mais sujeitos aqueles que lidam diretamente com agrotóxicos no campo – os operadores ou “dedetizadores” –, ao passo que os consumidores de agroprodutos envenenados, máxime os vegetarianos, estão mais expostos aos efeitos cumulativos que geram os grandes males enumerados acima. Não obstante, as 15
  • 17. intoxicações instantâneas podem ser graves ou, até mesmo, letais, sobretudo quando ocorre a soma de dois fatores: a alta toxicidade do veneno e a falta de equipamentos básicos de proteção, recomendados para o ato de aplicação. Por mais paradoxal que possa parecer, esse exagerado investimento em agrotóxicos, crescente a cada ano, não correspondeu, em nosso país, a uma redução significativa das perdas agrícolas devidas a pragas e doenças. Em muitos casos, os resultados foram, até mesmo, contraproducentes, em função da intensidade dos desequilíbrios biológicos causados pelo coquetel de pesticidas utilizados, culminando com o extermínio dos inimigos naturais dos agentes de pragas e fitomoléstias. Em correspondência com a assertiva acima exposta, tal investimento foi, em linhas gerais, economicamente frustrante. Com efeito, no período de dez anos (1976/85), cresceu em 500% o consumo de agrotóxicos no Brasil, enquanto, no mesmo período, registrava-se um aumento de produtividade de apenas 5%, ganho que, além de irrisório, não pode ser creditado, exclusivamente, aos pesticidas. A enorme discrepância entre tais números sinaliza o malogro de tão pesado investimento em agrotóxicos. Não obstante, por força de uma campanha tenaz e massificante, indo da persistente propaganda na mídia à corrupção de pesquisadores e técnicos, o faturamento das multinacionais dos agroquímicos continua em alta. Assim, de 1993 a 1997, as vendas cresceram em 104%, passando de U$ 1,050 bilhão para U$ 2,161 bilhões (GALLI, 1998, p. 3-8). Em oposto, os ganhos de produtividade continuaram irrelevantes, enquanto relevantes foram os impactos ambientais, a contaminação de alimentos e as intoxicações causadas em agricultores e consumidores. Com efeito, no mesmo período, os casos de intoxicações instantâneas – sem considerar, portanto, as conseqüências a médio e longo prazos – cresceram em 65%. Mas, seguramente, no doce embalo dos polpudos faturamentos, isto pouco importou aos fabricantes de pesticidas. Mesmo que seus produtos sejam comprovadamente cancerígenos. À guisa de exemplo, cite-se o captafol (produto comercial Orthodifolatan), o qual, durante duas décadas, prevaleceu como o fungicida mais consumido no país, até ser proscrito do mercado, quando da 16
  • 18. comprovação de tal periculosidade. O mais preocupante é que o citado produto não constitui um exemplo isolado, pois também são cancerígenos vários derivados do carbofuram, ditiocarbamato e captan, sem esquecer a forte suspeição que pesa sobre outros grupos químicos usados na mesma indústria. Os fatos e dados, ora relatados, são irrefutáveis. Não obstante, o atual presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal, fiel escudeiro desses fabricantes, declarou, cinicamente, que “o crescimento das vendas de produtos fitossanitários vem resultando em aumento da produtividade agrícola” (GALLI, 1998, p. 3-8). Seria cômico, se não fosse trágico. Os pesticidas biológicos, exaltados pelo citado presidente no mesmo pronunciamento, são ainda restritos e têm faixa de atuação bastante limitada, posto que específicos para determinadas pragas. A verdade é bem outra, porquanto os agrotóxicos de última geração, em sua maioria, são mais caros e mais tóxicos, acréscimos estes que resultam, respectivamente, em aumento do custo da produção e em crescente ameaça para a saúde humana e para a ecologia, dizimando fauna e flora, envenenando lençóis freáticos e desertificando solos. Consciente da gravidade do problema, o Autor do presente trabalho instituiu, junto à Universidade Federal do Ceará, desde 1979, uma linha de pesquisa que objetiva a descoberta de defensivos naturais, a partir de extratos e derivados vegetais. No decurso desse programa, dezenas de compostos já foram testados, com alguns resultados bem gratificantes. A infusão das raízes do tipi (Petiveria alliacea L.) destacou-se como nematicida, no tratamento de solos infestados de nematóides fitoparasitas (PONTE; FRANCO; SILVEIRA-FILHO, 1996). Todavia, os melhores resultados foram obtidos com a manipueira (extrato líquido ou sumo das raízes de mandioca), um resíduo industrial abundante e gratuito em todas as regiões onde se cultiva essa planta. A manipueira foi, sucessivamente, testada como nematicida, inseticida, fungicida e acaricida, mostrando excelentes resultados para todas essas finalidades, a ponto de superar, nos ensaios experimentais, os melhores pesticidas comerciais dos respectivos gêneros. Mais recentemente, a partir do pleno conhecimento da composição química da manipueira (rica em todos os macro e 17
  • 19. micronutrientes requeridos pelas plantas, com exceção do molibdênio), resolveu-se testá-la como adubo foliar (tese de mestrado orientada pelo Autor), com respostas sumamente positivas. Assim, nessa oportunidade, plantas de tomate, quiabo e gergelim, então adubadas (via foliar) com manipueira, cresceram e produziram bem mais do que aquelas adubadas com um fertilizante sintético dos mais conceituados e que fora escolhido como testemunha ou referencial. Os resultado dessas pesquisas envolvendo manipueira foram e vêm sendo difundidos em periódicos científicos, revistas de divulgação técnica e reportagens em jornal e televisão. Em função disto, muitos agricultores já a usam regularmente, sobretudo como inseticida, e o mesmo já se faz em muitos países do terceiro mundo, consoante centenas de cartas que o autor tem recebido. A mais curiosa delas procede de Bahia Blanca, Argentina, escrita pelo Secretário de Saúde daquele município platino. A carta suplicava informações mais detalhadas sobre o uso da manipueira como defensivo, a fim de minimizar, ali, o consumo de agrotóxicos que, de tão exagerado, vinha sobrecarregando a saúde pública com numerosos casos de envenenamento, inclusive em berçários, vitimando criancinhas que se alimentavam do leite materno contaminado por resíduos de pesticidas. Eis, portanto, o surgimento de um pesticida natural inócuo à saúde humana e do mais baixo custo, pois se trata de um resíduo industrial abundante em todas as regiões de cultivo de mandioca; abundante e gratuito, pois ainda se trata de um produto descartável em sua quase totalidade. A notoriedade dessas pesquisas vem merecendo repercussão em diversos países, particularmente nos países essencialmente agrícolas do terceiro mundo, para o que muito contribuíram os trabalhos publicados pelo Autor em língua estrangeira (PONTE, 1988, 1989, 1993). Os tópicos que se seguem abordam, por ordem seqüencial das pesquisas desenvolvidas pelo Autor, as diversas utilidades da manipueira como insumo agrícola, enfocando os seus fundamentos científicos e modo de uso. 18
  • 20. 3 – MANIPUEIRA COMO NEMATICIDA O projeto “Investigação sobre o Aproveitamento da Manipueira como Defensivo Agrícola”, idealizado e coordenado pelo Autor, junto ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará, Brasil, teve início em 1979, com a etapa “Uso da Manipueira como Nematicida”. Àquele ano, a manipueira foi originalmente testada como nematicida (PONTE; TORRES, FRANCO, 1979), justamente no tratamento de solos infestados de nematóides das galhas (Meloidogyne spp.), vermes que se situam entre os mais tolerantes aos nematicidas comerciais (PONTE, 1992). Esclareça-se que a opção por tais nematóides, como objeto das primeiras pesquisas, não se fez apenas em razão dessa aludida tolerância, mas, sobretudo, em nome de sua destacada expressão econômica, visto que se sobrelevam como integrantes do mais importante gênero de nematóides fitoparasitas. Com efeito, embora se reconheça a importância de outros grupos, tais como Heterodera, Pratylenchus, Radopholus e Ditylenchus, os nematóides das galhas prevalecem em patamar de maior destaque, com respaldo em três argumentos: 1) larga dispersão geográfica; 2) elevado polifagismo, e 3) habitual gravidade de seu parasitismo. Relativamente ao primeiro ponto, compete afirmar que esses nematóides, embora mais presentes na faixa tropical do globo, porquanto mais afeitos a climas quentes, acham-se difundidos pelas mais diversas regiões, mesmo naquelas de clima frio, onde se notabilizam pelos prejuízos que impõem às culturas de estufa (LORDELLO, 1968). Em relação ao segundo item, basta afirmar que o número de hospedeiros de Meloidogyne, entre plantas cultivadas e silvestres, é inigualável, excedendo a dois milhares (PONTE, 1977; PONTE; HOLANDA; ARAGÃO, 1996). E, no tocante ao terceiro argumento, pertinente às conseqüências de sua patogenicidade, a literatura fitonematológica é pródiga em notificações que se estendem às mais variadas culturas e que se difundem por todos os recantos do planeta. A estes fortes argumentos, somam-se, ainda, as eventuais intromissões de outros fitoparasitas que interagem com a associação 19
  • 21. planta/nematóide das galhas, a exemplo do conhecido sinergismo Fusarium + Meloidogyne (LORDELLO, 1968), que se há notabilizado por graves implicações econômicas a determinadas culturas, máxime às do algodão (Gossypium spp.) e tomate (Lycopersicon esculentum Mill.). Acrescentando-se, ademais, as grandes dificuldades que, habitualmente, se opõem ao controle desses vermes, ter-se-á, por fim, uma clara idéia da dimensão de sua extraordinária importância econômica. Mui justificável, por conseguinte, que as investigações sobre uma possível ação nematicida da manipueira começassem pelos nematóides das galhas. Logo na primeira investigação, Ponte; Torres e Franco (1979), a manipueira já revelava uma enérgica potencialidade nematóxica. Este teste preliminar envolveu o cultivo de plantas de quiabo (Hibiscus esculentus L.) em solos envasados que haviam sido previamente infestados com ovos e larvas de nematóides das galhas e, dez dias depois, tratados com manipueira. Na ocasião, a partir de crescentes dosagens de manipueira – 0, 500, 750 e 1000 ml por vaso, com 6 litros de solo –, os autores obtiveram decrescentes percentagens de plantas atacadas por Meloidogyne: 100, 60, 50 e 30%, respectivamente. Dois anos depois, Ponte e Franco (1981) comprovaram essa potencialidade nematóxica através de resultados ainda mais positivos do que os obtidos no comentado experimento pioneiro. Com efeito, para a dosagem de 1000 ml/vaso, a percentagem de plantas atacadas, que fora de 30% no primeiro ensaio, caiu para 0% (Tabela 2). Segundo os citados autores, este melhor desempenho deveu-se ao uso exclusivo de manipueira extraída a partir, exclusivamente, de cultivares de mandioca brava e não de uma mistura de mandiocas brava e mansa (macaxeira), como houvera acontecido no primeiro experimento. Com efeito, a mandioca brava garante um teor bem maior de cianetos, justo os ingredientes ativos da manipueira. Neste segundo ensaio, o tomateiro cv. “Santa Cruz” foi admitido como planta-teste, haja vista a sua condição de hospedeiro da mais alta suscetibilidade ao parasitismo de nematóides do gênero Meloidogyne. Já no ano seguinte, Sena e Ponte (1982), confirmando os resultados obtidos em casa-de-vegetação, constataram um excelente 20
  • 22. controle de meloidoginose em canteiros de cenoura (Daucus carota L.): nos canteiros tratados com manipueira (1 litro/m2), a par da leve infestação de nematóide das galhas constatada à época da colheita, a produção de cenoura foi 100% superior à obtida nos canteiros não tratados, onde a incidência da meloidoginose se fez severa e generalizada. Tabela 2 – Infestação de nematóides das galhas (meloidogyne spp.) em raízes de tomateiros (lycopersicon esculentum mill.), cultivados em vasos contendo solo previamente infestado e, posteriormente, tratado com diferentes dosagens de manipueira, extraída apenas de mandioca brava Infestação Dosagens (1) Grau Médio(2) Classe 0 4,0 forte 500 1,3 muito fraca 1000 0,0 nula 1500 0,0 nula Fonte: Ponte; Torres; Franco (1979). Notas: (1) ml de manipueira por vaso, contendo 6 litros de solo infestado com cerca de 10.000 espécimes de nematóides das galhas. (2) Média de 16 plantas por tratamento, distribuídas em quatro vasos.Notas atribuídas conforme o seguinte critério: 0 - ausência de galhas; 1 - 1 a 3 galhas por sistema radicular; 2 - 4 a 6 galhas; 3 - 7 a 12 galhas; 4 - 13 a 20 galhas; 5 - mais de vinte galhas, correspondendo, respectivamente, às infestações nula, muito fraca, fraca, moderada, forte e muito forte. No decurso desta primeira fase do projeto, a qual se estendeu por 13 anos (1979 a 1992), o Autor e seus colaboradores desenvolveram mais de dez trabalhos de pesquisa – resenhados em Ponte (1992) – a cerca do aproveitamento da manipueira como nematicida. Na esteira dessas pesquisas, não só provaram e comprovaram a grande utilidade do composto para tal finalidade, calcado em um vigor nematóxico que excede ao dos nematicidas comerciais, mas abordaram, também, vários pontos correlatos (dosagem, tempo de estocagem, interferência com bactérias fixadoras de N, efeitos residuais e influência na fertilidade do solo), todos à guisa de subsídios para o uso prático da manipueira em condições de campo. 21
  • 23. Alguns dos aspectos então esclarecidos constituíram tema de uma tese de mestrado (FRANCO, 1986) orientada pelo Autor. Louve-se, no tocante a esses esclarecimentos complementares, a determinação da dosagem mínima de manipueira para tratamento de solos infestados, quer para um tratamento extensivo a toda a área de cultivo (PONTE; FRANCO; PONTES, 1987; FRANCO; PONTE, 1988; FRANCO et al., 1990), quer para uma aplicação restrita, direcionada exclusivamente aos sulcos de plantio (PONTE et al., 1995). Importante, também, foi a mensuração do tempo de estocagem do composto, à temperatura ambiente (25-32°C), sem perda de sua ação nematicida; esse tempo é de apenas três dias (PONTE; FRANCO, 1983b). A partir do quarto dia, o processo de fermentação da manipueira vai abatendo os teores de compostos cianogênicos (MELO, 1999) e, por conseguinte, vai minando, gradativamente, a nematoxicidade. Releve-se, ademais, a abordagem feita a cerca das implicações da manipueira sobre a população rizobiana (Rhizobium spp.) do solo (PONTE; FRANCO, 1983a), fato que assume importância quando o solo a tratar destina- se ao plantio de leguminosas. A propósito, os mencionados autores concluíram que, mesmo induzindo uma redução populacional dessas bactérias, em escala inversamente proporcional à quantidade de manipueira aplicada, o tratamento, ainda assim, é vantajoso, pois o aumento do grau de fertilidade do solo, proporcionado pelo composto, compensa a perda numérica de rizóbios. 3.1 – Recomendações Práticas e Posologia Com base nos resultados dessas pesquisas, eis, abaixo, a dosagem e outras recomendações pertinentes ao emprego da manipueira como nematicida, no tratamento de solos infestados. a) Tratamento Total da Área de Cultivo - Usar a manipueira em diluição aquosa, na proporção de 1:1; - Com auxílio de um regador ou vasilhame similar, aplicar de 4 a 6 litros dessa diluição por m2 de terreno; - Deixar o solo tratado em repouso, durante, no mínimo, oito dias, e 22
  • 24. - Revolver o solo antes de voltar a cultivá-lo. b) Tratamento Restrito às Linhas de Cultivo - Usar a manipueira em diluição aquosa, na proporção de 1:1; - Aplicar, no mínimo, 2 litros dessa diluição por metro de sulco; - Observar um período de repouso semelhante ao prescrito para a modalidade de tratamento anterior, e - Revolver o solo, operação que, no caso, restringir-se-á à terra inerente e adjacente à linha de cultivo. 3.2 – Informações Adicionais A manipueira pode ser estocada, à temperatura ambiente, por um período de três dias, sem prejuízo de sua potencialidade nematicida ou pesticida em geral (PONTE; FRANCO, 1983b). Todavia, em refrigerador (8 a 10°C), o período de estocagem pode estender-se por 60 ou mais dias, sem que haja fermentação do composto e, por conseqüência, sem perda dessa potencialidade (MAGALHÃES, 1993). O revolvimento do solo, decorridos oito dias da data de aplicação, é importante no sentido de prevenir efeitos residuais fitotóxicos, conforme Franco (1986). A diluição em água, na proporção indicada (1:1), é recomendável, a fim de tornar o composto menos viscoso e, assim, prover uma maior penetração da manipueira no solo, ampliando- se, destarte, o seu raio de difusão no substrato. O tratamento com manipueira pura tem, na prática, um rendimento inferior, pois a densidade do composto, consoante comprovação experimental (PONTE, 1992), impede uma maior dispersão, restringindo-lhe, por conseguinte, a abrangência da ação nematicida. 23
  • 25. 24
  • 26. 4 – MANIPUEIRA COMO INSETICIDA E ACARICIDA Esta segunda etapa do projeto teve início em 1988, mediante um teste preliminar conduzido por Ponte, Franco e Santos (1988) e envolvendo cochonilhas de carapaça-marrom (Coccus hesperidum L.). Na oportunidade, uma única pulverização com manipueira pura (não diluída em água), sobre copas de limoeiro-galego (Citrus aurantifolia Swingle) praguejadas por tais cochonilhas, foi suficiente para eliminar toda a população desses coccídeos ali presente. Seguiram-se vários outros testes, todos igualmente bem sucedidos, envolvendo, inclusive, insetos-pragas de maior porte, a exemplo da lagarta-peluda (Agraulis spp.) das passifloráceas, a par de outras pragas que se notabilizaram por marcante tolerância aos inseticidas tópicos em geral. Em trabalhos recentes, um deles publicado em Cuba, Ponte e Santos (1997; 1998) controlaram duas importantes pragas da citricultura, ambas bastante assíduas em todo o país: o pulgão- negro (Toxoptera citricidus Kirk) e a cochonilha “escama-farinha” (Pinnaspis aspidistrae Sign.), usando manipueira pura e manipueira diluída em igual volume de água (1:1). Mesmo nesta diluição, o composto revelou-se tão eficaz quanto o inseticida à base de parathion-metílico que fora usado, nos ensaios, como referencial de controle químico, e muito mais econômico do que este, sobre ser uma opção isenta das agressões que os agrotóxicos costumeiramente cometem à ecologia e à saúde humana. À mesma época, uma cultura de tomate, severamente atacada pela traça Scrobipalpula absoluta (Meirink), foi recuperada mediante três pulverizações, a intervalos semanais, com manipueira em diluição aquosa ainda menos concentrada, na proporção de uma parte do composto para quatro partes de água, atendendo à sensibilidade do tomateiro à manipueira. Os resultados deste teste foram relatados por Ponte e Miranda (1997). Com a difusão dos resultados dessas tantas pesquisas, o uso da manipueira como inseticida vem se tornando prática rotineira em vários recantos do território brasileiro, bem assim em determinados países do terceiro mundo, a exemplo de Madagascar, África, onde, segundo 25
  • 27. Razafindrakoto (1997), a manipueira é assiduamente empregada no controle de cochonilhas, sobretudo em culturas de subsistência. A propósito, ensaios desenvolvidos, simultaneamente, em Madagascar e no Brasil (RAZAFINDRAKOTO, 1999), demonstraram a excelência da manipueira no tratamento de estacas (manivas) de mandioca densamente atacadas por duas espécies de cochonilhas. Com efeito, a imersão desses propágulos vegetativos em manipueira pura, durante 1 h, foi tão eficiente quanto à termoterapia (imersão em água quente, 47°C/30 min), seguida de quimioterapia (imersão em solução de benomyl a 20%/30 min), além de ser um ato operacional bem mais simples, menos dispendioso e sem qualquer afetação ao poder germinativo das estacas. Os resultados então obtidos podem ser extrapolados, em nível de recomendação de prévio tratamento, para outros propágulos vegetativos usuais: tubérculos, bulbos, rizomas etc. Duas outras comprovações da extraordinária eficácia da manipueira como inseticida ocorreram já neste século, quando Ponte (2001) a testou no controle de Stenodiplosis sp. – agente de cecídias em folhas de cajueiro (Anacardium occidentale L.) – e, principalmente, quando Ponte (2002) a avaliou contra a cochonilha “piolho-branco” (Orthezia insignis Browe), praga que se destaca por sua elevada agressividade (assíduo fator limitante da longevidade e produtividade da cultura da acerola, Malpighia glabra L.) e, também, por sua notável resistência aos inseticidas sintéticos, só sendo controlada por compostos sistêmicos da maior toxicidade, daqueles que exigem seis meses de carência. No caso do inseto das cecídias, a manipueira, nas concentrações 1:0 e 1:1 (pura e em diluição aquosa a 50%) e em quatro pulverizações a intervalos semanais, determinou 95 e 86% de mortandade, respectivamente (Tabela 3); no caso da Orthezia, as mesmas concentrações induziram, após igual número de aplicações, 100 e 95% de mortandade, resultado da maior relevância, dadas as razões acima expostas. Em ambos os experimentos, acrescentou-se 1% de farinha de trigo à manipueira para efeito de melhor aderência. Independentemente de recomendações calcadas em novos testes e ensaios científicos, os agricultores já identificados com o uso da manipueira a vêm usando no controle de uma extensa gama de insetos-pragas. De outra parte, a Clínica de Planta “Dr. Júlio da 26
  • 28. Ponte”, em sua dinâmica operacional, há recomendado o mesmo composto no controle alternativo de pragas, sem o antecipado apoio de resultados experimentais, mas sempre com ótimas referências de seus clientes. Tabela 3 – Comportamento de agentes causais de algumas doenças e pragas do cajueiro ao tratamento com manipueira pura ou em diluição aquosa 1:1. Doença/Praga Tratamento Folhas Índice de Sadias Atacadas Controle Antracnose Manipueira 1:0 117 1 99,16% Manipueira 1:1 302 0 100% Oídio Manipueira 1:0 44 0 100% Manipueira 1:1 111 0 100% Cecídia Manipueira 1:0 41 2 95,35% Manipueira 1:1 94 15 86,24% Ácaro-amarelo Manipueira 1:0 59 1 98,34% Manipueira 1:1 118 2 98,34% Fonte: Ponte (2001). Era presumível a eficácia da manipueira como inseticida- acaricida, não apenas pelos cianetos (principais ingredientes ativos) presentes em sua composição, mas, também, em razão da presença de elevados teores de enxofre, elemento tradicionalmente identificado na luta contra insetos e ácaros. No tocante, particularmente, ao controle de ácaros fitoparasitas, a manipueira já vinha sendo usada, com muito sucesso, para tal finalidade, antes mesmo da comprovação científica, fato só ocorrido bem mais tarde, em experimento de campo envolvendo um plantio de mamoeiro (Carica papaya L.) severamente infestado pelo ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus Banks). Na oportunidade, o ataque foi totalmente debelado mediante três aplicações de manipueira, em diluição aquosa da ordem de 1:3, ministradas a intervalos semanais (PONTE, 1996b). Já neste século, ao ensejo da execução do projeto “Investigação sobre o Uso da Manipueira no Controle da Antracnose do Cajueiro”, estudo desenvolvido, sob encomenda, pela Clínica de Planta “Dr. Júlio da Ponte” (em Fortaleza, Estado do Ceará), Ponte 27
  • 29. (2001), além de testar a eficiência da manipueira em relação à citada doença, estendeu suas observações de controle a algumas outras importantes fitomoléstias e pragas que atacam a cultura do caju no Nordeste, incluindo o ácaro-amarelo (Tenuipalpus anarcadii De Leon, 1965). E, conforme os resultados exibidos na Tabela 3, a manipueira impôs à população do referido ácaro uma taxa de mortandade superior a 98%, seja na concentração de 1:0 ou de 1:1. A mesma tabela expõe os índices de controle pertinentes às demais pragas e doenças avaliadas, sendo todos bem expressivos, variando de 86 a 100%. A eficiência da manipueira como acaricida ficou demonstrada, também, na área da pecuária, conforme experimento conduzido por Ponte (2000) e direcionado ao controle do carrapato Boophilus microplus Canestrini, 1887, persistente praga do gado bovino e de outros rebanhos domésticos. O ensaio envolveu vacas severamente infestadas de carrapatos, as quais receberam três aplicações do composto a intervalos semanais. Acrescentou-se óleo de rícino à manipueira (1:1), como veículo aderente e repelente à lambida da vaca e, assim, evitar eventuais reações tóxicas. A manipueira revelou-se tão eficiente quanto o carrapaticida comercial (cresolfenol) usado como referencial de controle. Ambos induziram 100% de mortandade aos carrapatos, só que a manipueira o fez a um custo baixíssimo. Por oportuno, ressalta-se que, em quase todos esses testes e experimentos direcionados ao aproveitamento da manipueira como inseticida ou acaricida, optou-se pela adição de um adesivo ao composto, preferentemente a farinha de trigo, na proporção de 1%, a fim de prover-lhe maior aderência. Mas, no ensaio como carrapaticida, usou-se óleo de rícino. 4.1 – Recomendações Práticas e Posologia À luz dos resultados obtidos ao longo desta segunda etapa do projeto – “Uso da Manipueira como Inseticida e Acaricida” –, eis as recomendações para o uso da manipueira, com vistas a tais finalidades: - O tratamento deve constar, no mínimo, de três ou quatro pulverizações, ministradas a intervalos semanais; 28
  • 30. - Acrescentar à manipueira, pura ou diluída, o correspondente a 1% de farinha de trigo, a fim de garantir- lhe uma melhor aderência; - Usar manipueira pura ou, por outra, diluída em água, de conformidade com a praga e, sobretudo, com a cultura a ser tratada. Assim, no tratamento de árvores (citros, abacateiro, jambeiro etc), usar manipueira pura ou em diluição 1:1; para arbustos (murici, maracujá etc.), deve prevalecer a diluição 1:1 ou, até mesmo, 1:2, esta para controlar ácaros ou insetos mais sensíveis, tais como traças e pulgões; para plantas herbáceas de maior porte (pimentão, berinjela etc), recomendam-se as diluições 1:2 e 1:3 e, para aquelas de menor porte, mais delicadas, usar a diluição 1:4. Todavia, para os dois últimos casos, ou seja, para as herbáceas em geral, é sempre conveniente fazer, antes do tratamento definitivo, um teste preliminar, envolvendo um pequeno lote de plantas, a fim de ajustar a diluição à sensibilidade da planta a ser tratada e da praga a ser controlada, e - Para o caso específico de tratamento de propágulos vegetativos (estacas, rizomas etc.) praguejados, imergi-los em manipueira pura durante 1h, sendo dispensável o acréscimo de farinha de trigo. A fim de usá-la como carrapaticida, acrescentar 20 a 50% de óleo de rícino, dadas as razões expostas anteriormente. 4.1.1 – Manipueira como formicida Já em 2005, testou-se a manipueira no combate às saúvas (Atta sp.), atendendo a repetidos pedidos de agricultores. Realizaram-se dois ensaios, conduzidos simultaneamente (junho- julho/05), nos municípios de Acopiara e Russas, Estado do Ceará, ambos encravados no Semi-árido nordestino. Na ocasião, aplicou-se cerca de 1 litro de manipueira pura (não diluída) em cada “olho” dos formigueiros. Nos dois ensaios, um único resultado: a desativação dos sauveiros. 29
  • 31. 30
  • 32. 5 – MANIPUEIRA COMO FUNGICIDA E BACTERICIDA Esta terceira fase do projeto teve início em 1993, a partir de um trabalho de tese (mestrado) desenvolvido pela Professora. Adélia Benedito Coelho dos Santos, da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP), Belém, Estado do Pará, sob orientação do autor deste livro. Na oportunidade, Santos (1993); Santos e Ponte (1993) estudaram a ação fungicida da manipueira no controle do Oídio do urucu (Bixa orellana L.), doença causada pelo fungo Oidium bixae Viégas, um ectoparasita de marcante patogenicidade, haja vista ser a enfermidade por ele ocasionada a mais importante dentre as que afetam a citada planta em todo o Nordeste (PONTE, 1996a). O experimento pertinente ao estudo em referência foi conduzido em condições de casa-de-vegetação e reuniu quatro tratamentos: testemunha (plantas não tratadas), manipueira pura (100%), manipueira em diluição aquosa (50%) e um fungicida à base de pyrazophos que, por ser específico contra os fungos do gênero Oidium, foi incluído como referencial de controle químico. Ao final do experimento, constatou-se que a manipueira foi tão eficiente quanto o fungicida sintético, então usado como parâmetro de controle. Os autores admitiram que a ação oidicida da manipueira é devida ao elevado teor de enxofre (cerca de 200 ppm) presente em sua composição, a exemplo do que ocorre com o pyrazophos e com a maioria dos fungicidas recomendados para o controle curativo ou preventivo de oídios, cujo ingrediente ativo é o enxofre. É evidente, com fundamento em tais resultados, que a manipueira poderá muito bem substituí-los, com a vantagem adicional da economicidade devida à sua condição de subproduto quase sempre descartável, sem esquecer, também, a inocuidade com relação à saúde humana e a ausência de riscos ao ambiente. Na tese em questão, a par do controle do Oídio, observou-se que o tratamento com manipueira proporcionou, de um modo estatisticamente significativo, um maior crescimento das plantas de urucu, fato que deve ser atribuído menos ao controle da doença e mais à adubação foliar proveniente dos macro e micronutrientes que integram a sua composição, incluindo o enxofre, o qual tem 31
  • 33. efetiva participação na síntese e constituição de aminoácidos essenciais, tais como cisteína, cistina e metionina. Vale recordar que a deficiência de S nos vegetais superiores assemelha-se, em suas conseqüências, à carência de N, uma vez que impede, igualmente, a formação de proteínas. Dois outros oídios – Oidium anacardii Noack e Oidium sp., fungos patogênicos ao cajueiro a à ciriguela (Spondias purpurea L.), respectivamente – foram rigorosamente controlados pela manipueira pura ou em diluição aquosa (1:1), conforme notificaram, pela ordem, Ponte (2001) e o fitopatologista Francisco das Chagas de Oliveira Freire, este em programa rural de TV. No primeiro caso, o Oídio do cajueiro foi objeto de um controle curativo absoluto (100%), conforme dados expostos na Tabela 3. Acresça-se que este estudo fez parte de um projeto (citado anteriormente) envolvendo a manipueira no controle de doenças e pragas do cajueiro e desenvolvido na Clínica de Planta “Dr. Júlio da Ponte”. Independentemente de outros testes de avaliação da manipueira como oidicida, é claro que os resultados desses experimentos pioneiros podem ser extrapolados e prescritos para os oídios de um modo geral, os quais constituem um importante grupo de fitomoléstias para muitas culturas, a exemplo das anacardiáceas, rosáceas e curcubitáceas, além do citado urucu. E tal prescrição equivaleria a um tratamento tão eficaz quão econômico, haja vista as razões acima enumeradas, máxime a supressão de riscos ao ambiente e à saúde humana, tão próprios dos agrotóxicos em geral. Duas outras bem sucedidas avaliações da manipueira como fungicida ocorreram em datas recentes, sendo relatadas por Ponte e Góes (2000) e Ponte (2001), envolvendo, respectivamente, fungos de “ferrugem”e “antracnose”: Uredo crotonis (P. Henn.) e Glomerella cingulata (Ston.) Spauld. & Schrenk., sobre plantações de cróton-de- jardim (Croton variegatus L.) e cajueiro (Anacardium occidentate L.). No primeiro caso, a manipueira foi usada em diluição aquosa 1:1, com 1% de farinha de trigo à guisa de adesivo. Uma única aplicação do composto foi suficiente para prevenir, durante três semanas, o surgimento de novas pústulas de ferrugem. No segundo caso, a manipueira, sem ou com adição de água (1:1), também acrescida de 32
  • 34. farinha de trigo (1%), mediante seis aplicações a intervalos semanais, suprimiu praticamente o aparecimento de novas lesões foliares (mancha ou crestamento) de Antracnose nas plantas de caju submetidas ao tratamento. Os resultados desta segunda pesquisa estão sumariados na Tabela 3 e foram obtidos com o projeto “Investigação sobre o Uso da Manipueira no Controle da Antracnose do Cajueiro”, elaborado e executado pela Clínica de Planta “Dr. Júlio da Ponte”. Mas a avaliação fungicida continua em aberto, ainda longe de ser concluída. Com efeito, a manipueira ainda deverá ser testada no controle de diversas outras doenças, de muitos outros grupos de fungos fitopatogênicos, tais como os agentes de cercosporioses, cancros, carvões, míldios, fusarioses e podridões de frutos, para citar alguns dos mais assíduos em culturas tropicais (PONTE, 1980; 1996c). Tais testes estariam cercados de expectativas otimistas, haja vista que, além do enxofre e cianetos, a manipueira contém outras substâncias antifúngicas (MAGALHÃES, 1993), com destaque para cetonas, aldeídos, tioninas, fitoalexinas, quitinases, lectinas e outras proteínas de baixo peso molecular. Eis, portanto, um sugestivo filão que se oferece aos pesquisadores igualmente interessados em minimizar o uso de agrotóxicos. Até hoje, a única experiência de controle de fitobacteriose com manipueira é a que se fez envolvendo a Galha de Coroa do urucu, doença causada por Agrobacterium tumefaciens (E.F.Sm. & Towsend) Conn., a qual foi preventivamente controlada com aplicações semanais desse composto, na diluição de 1:1 (PONTE; HOLANDA, 1995). Todavia, neste caso, a ação de controle foi mais de natureza inseticida, pois exercida sobre o percevejo-grande (Leptoglossus gonagra Fabr.) que, nas circunstâncias experimentais, atuava como ativo agente disseminador da bactéria. Não obstante, os testes laboratoriais, envolvendo a mesma bactéria, demonstraram um enérgico poder bactericida da manipueira, fato a ser reiterado em experimentos vindouros. 5.1 – Recomendações Práticas e Posologia Para o uso da manipueira como fungicida e bactericida devem ser observadas as mesmas recomendações prescritas para o seu uso como inseticida. 33
  • 35. Assim, o tratamento deve estender-se por, no mínimo, três ou quatro semanas, com uma pulverização a cada sete dias. Prevalece, também, a recomendação no sentido de acrescentar-se 1% de farinha de trigo ao composto, a fim de dar-lhe mais aderência, uma condição particularmente importante no trato de doenças, haja vista a prevalência do controle preventivo sobre o curativo. E, no tocante à dosagem, as prescrições pertinentes são, também, as mesmas. Desta forma, a opção pelo uso da manipueira pura ou diluída (diluições aquosas de 1:1, 1:2, 1:3 e 1:4) fica na dependência, sobretudo, do porte e tolerância da planta, reiterando- se a conveniência, no caso de tratamento de plantas delicadas, de proceder-se a um prévio teste de sensibilidade. 34
  • 36. 6 – MANIPUEIRA COMO HERBICIDA Quem visita uma casa-de-farinha observa a total ausência de vegetação rasteira, de plantas ruderais ou invasoras, na faixa de terreno que ladeia a vala externa por onde escorre a manipueira. Este fato, amplamente conhecido por quantos lidam com farinhada, é um atestado eloqüente da ação herbicida desse composto, independentemente de comprovação científica. Tal comprovação seria prefaciada pelo trabalho de Fioretto (1994), especulando sobre o efeito da manipueira sobre diversas plantas daninhas, quando a usou em fertirrigação. Tais informações eram alvissareiras, mas não suficientes para fins de uso prático. Com efeito, o aproveitamento da manipueira como herbicida estava a exigir mais pesquisas, um aprofundamento do estudo no propósito de dimensionar a sua exata potencialidade em tal especialidade, de esclarecer o espectro de sua ação sobre plantas de folhas largas e estreitas, de aferir possíveis efeitos residuais etc. Enfim, o esclarecimento de muitos pontos que pudessem subsidiar e disciplinar o seu emprego em substituição aos herbicidas comerciais. E valeria a pena explorar esse veio de investigação científica, não apenas pelo apelo da economicidade, mas, sobretudo, no zelo da preservação do meio ambiente, haja vista os graves e constantes impactos ambientais devidos aos herbicidas convencionais, cuja toxicidade é, em regra, bem superior à dos demais grupos de agrotóxicos. Enfim, em 2001, fez-se a primeira avaliação, dentro do devido rigor científico, da manipueira como herbicida. Eis que a Companhia Energética do Ceará (COELCE), por determinação dos órgãos oficiais de saúde pública e preservação ambiental, viu-se impedida de prosseguir com o uso de herbicidas sintéticos nas áreas físicas de suas subestações elétricas, sob a alegativa, absolutamente procedente, de que tais compostos iriam envenenar os lençóis freáticos subjacentes, pondo em risco a saúde da população circunvizinha, a par de outros graves impactos ambientais. Diante disto, a citada empresa passou a buscar um substitutivo para os herbicidas comerciais, já que deveria ter continuidade a eliminação de plantas invasoras em suas unidades, pois este mato abriga 35
  • 37. passarinhos, répteis, lacertílios, insetos e outros pequenos animais que, com certa freqüência, danificam as instalações elétricas por provocarem curto-circuitos. Assim, a Coelce encomendou à Clínica de Planta “Dr. Júlio da Ponte” um estudo sobre a viabilidade do uso da manipueira como herbicida. Então, a Clínica elaborou o projeto “Investigação sobre a Utilização da Manipueira como Herbicida nas Subestações da Coelce”. Consoante este projeto, a manipueira pura (sem diluição em água) foi, com auxílio de regadores, aplicada, por três vezes, na área experimental (quadrilátero de terreno onde estão fincadas as torres do instrumental elétrico da empresa), a intervalos de 24 horas e na proporção de 5 litros por m2 de solo. Ali, estavam presentes 17 diferentes espécies de plantas invasoras. Conforme Ponte e Góes (2002b) que conduziram os trabalhos, 12 dentre as 17 espécies de ervas (70,58%) comportaram-se como suscetíveis, logo fenecendo ao impacto do tratamento; três outras espécies (17,64%) posicionaram-se como moderadamente suscetíveis, apresentando graves sintomas de atrofia e crestamento foliar, embora sobrevivessem (mas, segundo os autores, as chances de sobrevivência seriam mínimas, caso o tratamento prosseguisse com mais uma ou duas aplicações do composto); por fim, apenas duas espécies (11,76%) – no caso, o ciúme ou flor-de-seda (Calotropis procera R. Br.) e a salsa (Ipomoea asarifolia Roem. & Schult.) – comportaram-se como resistentes, mostrando-se infensas ao tratamento. Tais resultados, expostos no Quadro 1, revelam uma outra qualificação da manipueira no âmbito de sua utilização como defensivo agrícola: uma apreciável ação herbicida. Aliás, como defensivo, a manipueira sobreleva-se em relação a qualquer outro composto, por sua abrangência, pela amplitude de seu leque de opções, atuando como inseticida, acaricida, fungicida, nematicida e, também, como herbicida. 36
  • 38. Planta Comportamento Nome Científico Nome Vulgar Alternanthera tenella Moq. Quebra-pedra Aster chinensis L. Raínha Margarida Boerhaavia coccinea Mill. Pega-pinto Cenchrus echinatus L. Carrapicho-de-boi Chamaesyce hyssopifolia (L.) Small Erva-de-leite Suscetíveis Chloris gayana Kunth Capim Rhodes Croton sp. Marmeleiro Cyperus rotundus L. Capim-junco Evolvulus argenteus Pursch Dinheiro-em-penca Malva silvestris L. Malva Priva echinata Juss. Verbena-encarnada Schrankia leptocarpa DC. Malícia-roxa Eragrostis ciliaris Link. Capim-fino ou grama-fina Solanum paniculatum L. Jurubeba Moderadamente resistentes Turnera subulata Sm. Chanana Calotropis procera R. Br. Ciúme ou flor-de-seda Ipomoea asarifolia Roem. Resistentes & Schult. Salsa Quadro 1 – Plantas invasoras presentes na área experimental (Subestação Elétrica da Companhia Energética do Ceará – Coelce) e seu comportamento em relação ao tratamento com manipueira (extrato líquido das raízes de mandioca) Fonte: Ponte e Góes (2002). 37
  • 39. 38
  • 40. 7 – MANIPUEIRA COMO ADUBO Este capítulo aborda um outro programa de pesquisa. Em verdade, paralelamente ao projeto “Investigação sobre o Aproveitamento da Manipueira como Defensivo Agrícola”, o Autor, a partir dos anos oitenta, criava um novo e original projeto, intitulado “Investigação sobre o Aproveitamento da Manipueira como Fertilizante”, estimulado pelos bons resultados obtidos com este composto para a mencionada finalidade, logo ao ensejo do primeiro teste, quando Franco e Ponte (1988) observaram que plantas de milho (Zea mays L.), cultivadas em solo adubado com manipueira, apresentavam, em confronto com o milho semeado em solo não tratado (testemunha), crescimento, peso verde e produção significativamente superiores: 20, 100 e 65% a mais, respectivamente. Mais tarde, desde quando se passou a conhecer, com exatidão, a composição química da manipueira – potencialmente rica em macronutrientes (K, N, Mg, P, Ca e S, pela ordem quantitativa) e com suficientes teores de todos os micronutrientes requeridos pelas plantas, salvo o molibdênio –, o Autor iria priorizar as pesquisas sobre a utilização deste subproduto como fertilizante foliar, por ser uma modalidade de adubação mais apropriada a um substrato líquido, sem subestimar, naturalmente, as vantagens inerentes a esta forma de suprimento de adubo, tais como menor desperdício do composto e, em relação à planta tratada, economia de tempo e energia, visto que o nutriente é entregue “na porta da fábrica”, isto é, diretamente sobre a folha, local-sede da fotossíntese. No tocante a esta linha de pesquisa, o teste preliminar, Ponte et al. (1997), logo mostrou a procedência da hipótese, através da revelação de resultados bastante sugestivos, uma vez que plantas de gergelim (Sesamum orientale L.) adubadas foliarmente com manipueira, em diluição aquosa 1:6, mediante seis pulverizações a intervalos semanais, responderam com uma produção estatisticamente superior à das plantas-testemunhas, fosse em número ou peso totais de frutos, com 67,3 e 52,1% a mais, respectivamente. 39
  • 41. Estimulado pelo sucesso desse teste inicial, o autor elegeria o mesmo tema para a dissertação de mestrado (ARAGÃO, 1995) que, pouco depois, iria orientar e para a qual projetou, naturalmente, um experimento de maior amplitude, envolvendo duas culturas (tomate e quiabo) e quatro diluições de manipueira (1:4, 1:6, 1:8 e 1:10), também aplicadas seis vezes, a intervalos semanais. Este trabalho viria comprovar a eficiência da manipueira como fertilizante foliar, pois as plantas com ela tratadas, indiferentemente à diluição testada, apresentaram produção significativamente superior àquela obtida com a aplicação de um fertilizante sintético de grande aceitação comercial e que fora escolhido como referencial de nutrição via foliar (ARAGÃO; PONTE, 1995). Na esteira do mesmo filão, seguiu-se o trabalho de Ponte et al. (1998), envolvendo cultivo de sorgo forrageiro (Sorghum bicolor (L.) Moench.), sob condições de solo paupérrimo (com baixos teores de N, P e K). As plantas de sorgo forrageiro foram adubadas, via foliar, com manipueira (diluição 1:6), acrescida ou não de um coadjuvante adesivo, no caso a farinha de trigo. Em ambas as situações, isto é, com ou sem este adesivo, a adubação com manipueira, praticada seis vezes, a intervalos semanais, induziu uma produção de massa verde estatisticamente superior à da testemunha, com aumentos da ordem de duas e três vezes mais, respectivamente. Aliás, a inclusão da farinha de trigo não melhorou o rendimento da manipueira como adubo foliar; pelo contrário, restringiu-lhe a eficiência, com retorno em ganho de peso verde estatisticamente inferior ao que se obteve sem esse adesivo. Provavelmente, o aumento da densidade do composto, pela incorporação da farinha, dificultou, em parte, a sua absorção pelas folhas. A mais nova experiência da manipueira como fertilizante foliar fez-se em data recente, já envolvendo um significativo avanço tecnológico em torno deste composto – sua formulação em pó. Os resultados (excelentes) então obtidos e as características do novo formato do produto serão comentados mais adiante, no capítulo 10, totalmente reservado à manipueira em pó. 40
  • 42. 7.1 – Recomendações Práticas e Posologia À luz dos resultados ora relatados, conclui-se que a manipueira, para efeito de adubação, pode ser usada por vias foliar e edáfica, o que implica em recomendações distintas para tais modalidades de uso. a) Fertilização do solo - Usar a manipueira na diluição 1:1; - Aplicá-la ao solo, justo na linha de cultivo, com o auxílio de um regador ou vasilhame similar, na razão de 2 a 4 litros da diluição por metro de sulco; - A aplicação deve preceder ao plantio – adubação de fundação –, e o solo, após o tratamento, deve ficar em repouso por 8 ou mais dias, e - Revolver levemente o solo que compõe e margeia a linha de cultivo, antes de proceder à semeadura. b) Fertilização foliar - As diluições mais apropriadas são 1:6 e 1:8, a menos que haja, simultaneamente, necessidade de controle de pragas ou doenças, optando-se, em tais casos, por diluições mais concentradas, de acordo com as recomendações apostas nos capítulos correspondentes a tais controles; - Fazer o mínimo de seis e o máximo de dez pulverizações, preferentemente a intervalos semanais, e - Quando do uso da manipueira com a finalidade exclusiva de fertilização foliar, não adicionar farinha de trigo, ingrediente só recomendável nos casos de controle de pragas e doenças. 7.2 – Informações Adicionais Com vistas à adubação do solo, as recomendações ora enumeradas são, exatamente, aquelas prescritas para a utilização do mesmo composto como nematicida, no tratamento de linhas de cultivo, em solo infestado de fitonematóides, conforme o exposto 41
  • 43. no item b, do tópico 3.1. Portanto, ao fazermos uma adubação de fundação com manipueira, estaremos, também, efetuando o controle dos nematóides fitoparasitas porventura presentes no mesmo solo. São, por conseguinte, operações simultâneas, o que releva o aproveitamento da manipueira como fertilizante. Destacamos a conveniência da diluição do composto em água (1:1), a fim de torná-lo mais fluido e, assim, garantir-lhe uma maior penetração no solo. No zelo dessa finalidade, a adição da farinha de trigo ou de qualquer coadjuvante-adesivo seria contraproducente, sobre ser desnecessária. Do mesmo modo, ao fazermos o controle de pragas e doenças foliares mediante pulverizações com manipueira, estaremos, qualquer que seja a diluição utilizada, fazendo, simultaneamente, uma fertilização foliar, fato que torna ainda mais rentável a opção pelo uso desse composto como defensivo agrícola. 42
  • 44. 8 – OUTRAS SERVENTIAS Os projetos sob responsabilidade do Autor objetivam, exclusivamente, o aproveitamento da manipueira como insumo agrícola. Mas não fica apenas nisto, o que já seria de grande importância, o repertório de préstimos deste composto. A manipueira pode ter uma serventia bem mais ampla, conforme indicam os resultados de pesquisas recentes, coordenadas por outros autores. Cabello e Leonel (1994) obtiveram, a partir da manipueira, o ácido cítrico, composto utilizável nas indústrias farmacêutica e de alimentos, máxime na produção de refrigerantes. Da mesma fonte, Cereda (1994) obteve uma biomassa oleaginosa de boa qualificação, dados os elevados teores de proteínas e lipídios ali presentes e bem afeitos a fins alimentares. O mesmo trabalho faz alusão, também, ao uso da manipueira como meio de cultura apropriado ao cultivo de microrganismos benéficos em fecularia. Outras serventias, embora não tão divulgadas, são relatadas na literatura. Eis alguns exemplos: a) na produção de álcool, a partir da fermentação dos açúcares presentes na goma residual do composto (CEREDA, 1994); b) na indústria da borracha, prestando- se como coagulante do látex da seringueira (CEREDA, 1994); c) na fabricação de tijolos, substituindo a água e ensejando um tijolo mais resistente, que não precisa ser queimado (MAGALHÃES, 1993); d) o tradicional emprego na culinária paraense, constituindo o afamado molho condimentar denominado tucupi, bem assim na culinária nordestina, substituindo o vinagre ou a cachaça na preparação do molho de pimenta, e e) na produção da bebida alcoólica tiquira, muito comum no Maranhão. Este leque de utilidades é bem um atestado da potencialidade industrial que a manipueira encerra e que não vem sendo, até hoje, convenientemente explorada. 43
  • 45. 44
  • 46. 9 – COMO TER MANIPUEIRA O ANO TODO Nas regiões de clima tropical, a principal limitação ao uso da manipueira como insumo agrícola diz respeito à indisponibilidade deste composto em determinada época do ano. No nordeste brasileiro, por exemplo, via-de-regra não se faz farinhada durante a estação das chuvas (de fevereiro a maio ou junho, nos anos normais), atividade só exercida ao longo do verão, época em que as raízes estão “enxutas”, provendo, por conseguinte, um maior rendimento de farinha. Portanto, sendo a manipueira um subproduto da fabricação da farinha de mandioca, ela normalmente estará em falta durante a estação chuvosa, justo quando se faz mais requisitada para desempenhar a sua principal finalidade, ou seja, o seu emprego como pesticida. Com efeito, é nessa época que se intensifica a atividade agrícola, com a prática do tradicional “plantio das águas” e, correspondentemente, quando se faz mais assídua e severa a ocorrência dos agentes de pragas e doenças, para cujo controle destaca-se, com eficácia e economicidade, a manipueira. E como superar tal limitação, de sorte a ter-se manipueira, em disponibilidade, em qualquer época do ano? Uma das alternativas seria conservá-la em refrigerador, evitando-se a fermentação do composto. Mas seria uma solução pouco prática, seja porque o grande volume de manipueira a conservar iria ocupar muito espaço no refrigerador, seja porque a maioria dos agricultores de baixa renda não dispõe desse eletrodoméstico. Mas seria uma solução viável para o tratamento de pequenos cultivos de jardim e quintal. Outra alternativa, bem mais simples e prática, seria manter, na propriedade agrícola, um cultivo permanente de mandioca, só para a extração de manipueira, sempre que se fizesse necessário o seu emprego como pesticida ou adubo foliar. Seria uma espécie de “farmácia viva” para a lavoura. Para tal fim, bastaria uma área relativamente pequena (não mais de 5% da gleba) e de menor fertilidade, pois a mandioca é uma cultura rústica, pouco exigente. 45
  • 47. A terceira alternativa, de fundamentação industrial e, portanto, de maior validade prática, é a “manipueira em pó”, matéria enfocada no capítulo seguinte. 46
  • 48. 10 – MANIPUEIRA EM PÓ A formulação da manipueira em pó é, sem dúvida, a alternativa mais prática para se ter a manipueira o ano todo e por mais tempo ainda. A esta formulação chegaram Ponte e Góes (2002a) mediante liofilização, isto sem prejuízo das qualificações do composto natural (manipueira líquida), porquanto mantendo, em semelhantes proporções, todos os seus componentes químicos, sejam os macro e micronutrientes que lhe garantem a excelência como adubo, sejam os cionetos que, como principais ingredientes ativos, garantem sua vigorosa ação pesticida (Tabela 4). A manipueira em pó veio para anular a principal limitação da manipueira líquida, justamente a sazonalidade comentada no capítulo anterior. Em forma de pó, ela estará disponível a qualquer época, pois independe do imediatismo da fabricação da farinha de mandioca. Outras limitações serão, também contornadas: a perecibilidade, pois a manipueira líquida vai perdendo sua potencialidade pesticida a partir do quarto dia pós-extração, conforme Ponte e Franco (1983b); a dificuldade de transporte, fato inerente ao deslocamento de grande massa líquida para o tratamento de extensos cultivos, e a dificuldade de comercialização, em decorrência da sazonalidade e da pouca durabilidade do composto líquido. Em oposto, a manipueira em pó, além de sua disponibilidade a qualquer tempo, terá uma longevidade bem expressiva, enquanto sua transportação e comercialização tornar- se-ão bem mais ágeis, por força do menor volume (cada 100 litros do composto líquido gera de 6 a 8 kg de manipueira em pó). Este novo produto, embora ainda esteja em via de reconhecimento de patente, já foi submetido ao primeiro teste de campo. Góes e Ponte (2002) o testaram como fungicida e fertilizante foliar e os resultados confirmaram a hipótese lógica, aquela ditada pela composição química da formulação em pó, semelhante à da manipueira líquida. No aludido experimento pioneiro, Góes e Ponte (2002), a manipueira em pó foi testada, em amendoim (Arachis hypogaea L.), como adubo foliar e fungicida, no controle de Mycosphaerella 47
  • 49. arachidicola W. A. Jenkins, agente da Mancha Castanha. Usaram-se duas dosagens de manipueira em pó: 1 e 2 colheres de sopa por litro de água (cada colher contendo cerca de 20g do composto), comparando-as com a manipueira líquida em diluição aquosa 1:1 e a testemunha (água + 1% de farinha de trigo, componente adesivo também incluso nos demais tratamentos). Todos os tratamentos foram ministrados quatro vezes, mediante pulverizações a intervalos semanais. A incidência da Mancha Castanha foi praticamente nula nas plantas tratadas com manipueira em pó e os efeitos deste composto como fertilizante foliar, especialmente na dosagem de 2 colheres/litro, foram excelentes, aumentando, de um modo estatisticamente significativo, tanto a produção (peso total de vagens) como o porte vegetativo (peso fresco) das plantas de amendoim. Novos experimentos com manipueira em pó – investigando- a como inseticida, acaricida etc. – estão sendo programados, mas já cercados de uma expectativa otimista, haja vista o sucesso deste ensaio pioneiro. Tabela 4 – Composição química da manipueira em pó comparada à da manipueira líquida Componente Manipueira em pó líquida Macronutrientes % ppm Potássio (K) 6,72 1.183,5 Nitrogênio (N) 1,00 425,5 Magnésio (Mg) 0,37 405,0 Fósforo (P) 0,29 259,5 Cálcio (Ca) 0,28 227,5 Enxofre (S) 0,10 195,0 Micronutrientes mg/kg ppm Ferro (Fe) 5.355,00 15,3 Manganês (Mn) 109,00 3,7 Zinco (Zn) 22,00 4,2 Cobre (Cu) 4,50 11,5 Boro (B) 2,00 5,0 Cianetos % ppm Livre 9,30 42,5 Total 86,40 604,0 Fonte: Análises procedidas na UNESP, Campus de Botucatu, São Paulo. 48
  • 50. REFERÊNCIAS ARAGÃO, M. L. Investigação sobre o aproveitamento da manipueira como fertilizante foliar. 1995. 36 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1995. ARAGÃO, M. L.; PONTE, J. J. da. O uso da manipueira (extrato líquido das raízes de mandioca) como adubo foliar. Ciência Agronômica, Fortaleza, v. 1/2, n. 26, p. 45-48, 1995. CABELLO, C.; LEONEL, M. Produção de ácido cítrico a partir da manipueira. In: CEREDA, M. P. (Ed.). Resíduos de industrialização da mandioca no Brasil. São Paulo: Paulicéia, 1994. p. 109-118. CEREDA, M. P. Caracterização dos resíduos da industrialização da mandioca. In: CEREDA, M. P. (Ed.). Resíduos da industrialização da mandioca no Brasil. São Paulo: Paulicéia, 1994. p. 11-50. FIORETO, R. A. Uso direto da manipueira em fertirrigação. In: CEREDA, M. P. (Ed.). Resíduos da industrialização da mandioca no Brasil. São Paulo: Paulicéia, 1994. p. 51-80. FRANCO, A. Subsídios à utilização da manipueira como nematicida. 1986. 53 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1986. FRANCO, A.; PONTE, J. J. Subsídios à utilização da manipueira como nematicida: dosagem e interferência na fertilidade do solo. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 12, n. 1, p. 35-45, 1988. FRANCO, A. et al. Dosagem de manipueira para tratamento de solo infestado por Meloidogyne: II) segundo experimento. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 14, n. 1, p. 25-32, 1990. GALLI, F. Agrotóxico. Folha de São Paulo, São Paulo, p. 3-8, 03 mar. 1998. Caderno Agrofolha. 49
  • 51. GÓES, E.; PONTE, J. J.da. Manipueira em pó: estudo pioneiro sobre sua ação como fungicida e fertilizante foliar. In: COBRADAN, 2., 2002, Fortaleza. Anais ... Fortaleza, 2002. LORDELLO, L. G. E. Nematóides das plantas cultivadas. São Paulo: Nobel, 1968. 141 p. MAGALHÃES, C. P. Estudos sobre as bases bioquímicas da toxicidade da manipueira a insetos, nematóides e fungos. 1993. 117 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1993. MELO, P. R. A. Níveis dos compostos cianogênicos conforme o tempo de estocagem da manipueira. 1999. 34 f. Monografia (Graduação em Agronomia) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1999. PONTE, J. J. da. Cassareep. Spore, Wageningen, v. 21, p. 10, 1989. ______. Cassareep: an unconventional nematicide. Cassava Newsletter, West Yorshire, v. 12, n. 2, p. 9, 1988. ______. Clínica de doenças de plantas. Fortaleza: Edições UFC, 1996a. 873 p. ______. Eficiência da manipueira como carrapaticida: teste preliminar. In: COBRADAN, 1., 2000, Fortaleza. Anais ... Fortaleza, 2000. ______. Eficiência da manipueira no controle do ácaro-branco do mamoeiro. Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 71, n. 2, p. 259-261, 1996b. ______. Fitopatologia: princípios e aplicações. São Paulo: Nobel, 1980. 250 p. ______. Histórico das pesquisas sobre a utilização da manipueira: extrato líquido das raízes de mandioca como defensivo agrícola. Fitopatol. Venezolana, Macaray, v. 5, n. 2, p. 2-5, 1992. 50
  • 52. ______. Investigação sobre o uso da manipueira no controle da Antracnose do cajueiro: relatório de projeto. Fortaleza: Clínica de Planta Dr. Júlio da Ponte, 2001. 9 p. ______. Investigação sobre o uso da manipueira no controle da cochonilha Orthesia insignis em acerola: relatório de projeto. Fortaleza: Clínica de Planta Dr. Júlio da Ponte, 2002. 12 p. ______. Manipueira: es desechable este subproduto de la yuca?. Yuca, Cali, v. 17, n. 1, p. 8, 1993. ______. Nematóides das galhas: espécies ocorrentes no Brasil e seus hospedeiros. Mossoró: ESAM, 1977. 100 p. ______. Os principais grupos de fitomicoses tropicais. Fortaleza: Academia Cearense de Ciências, 1996c. 13 p. (Publicação Técnica, n. 1). PONTE, J. J. da; FRANCO, A. Implicações da manipueira: um nematicida não convencional sobre a população rizobiana do solo. Publicação da Sociedade Brasileira de Nematologia, Piracicaba, v. 7, p. 125-128, 1983a. ______. Influência da idade da manipueira na preservação do potencial nematicida do composto. Publicação da Sociedade Brasileira de Nematologia, Piracicaba, v. 7, p. 237-240, 1983b. ______. Manipueira, um nematicida não convencional de comprovada potencialidade. Publicação da Sociedade Brasileira de Nematologia, Piracicaba, v. 5, p. 25-33, 1981. PONTE, J. J. da; FRANCO, A.; PONTES, A. E. L. Estudo sobre a potencialidade da manipueira, como nematicida, em condições de campo. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 11, n. 1, p. 42- 47, 1987. PONTE, J. J. da; FRANCO, A.; SANTOS, J. H. R. Teste preliminar sobre a utilização da manipueira como inseticida. Revista Brasileira de Mandioca, Cruz das Almas, v. 7, n. 1, p. 89-90, 1988. 51
  • 53. PONTE, J. J. da; FRANCO, A.; SILVEIRA-FILHO, J. Investigação preliminar sobre a potencialidade nematicida do tipi (Petiveria alliacea). Fitopatologia Venezolana., Maracay, v. 9, n. 1, p. 14- 15, 1996. PONTE, J. J. da; GÓES, E. Composição química da manipueira em pó. In: COBRADAN, 2., 2002, Fortaleza. Anais ... Fortaleza, 2002a. ______. Investigação preliminar envolvendo a manipueira no controle de ferrugem. In: COBRADAN, 1., 2000, Fortaleza. Anais ... Fortaleza, 2000. ______. Utilização da manipueira como herbicida. Revista de Agricultura, Piracicaba, 2002b. Aceito para publicação. PONTE, J. J. da; HOLANDA, Y. C. A. Incidência e controle da Galha de Coroa (Agrobracterium tumefaciens) em plantas de colorau (Bixa orellana). Fitopatol. Venezolana, Macaray, v. 8, n. 1, p. 15-17, 1995. PONTE, J. J. da; HOLANDA, Y. C. A.; ARAGÃO, M. L. Adendo ao catálogo de plantas hospedeiras de Meloidogyne no Brasil. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 20, n. 1, p. 73-81, 1996. PONTE, J. J. da; MIRANDA, E. Eficiência da manipueira no controle da traça. Fortaleza: UFC, 1997. 3 p. (Boletim Técnico). PONTE, J. J. da; SANTOS, J. H. R. Eficiência da manipueira no controle de duas pragas da citricultura. Fortaleza: UFC, 1997. 7 p. (Boletim Técnico). ______. Eficiência da manipueira no controle de Toxoptera citricidus: o pulgão negro dos citros. Fitosanidad, La Habana, v. 2, p. 3-5, 1998. PONTE, J. J. da; TORRES, J.; FRANCO, A. Investigação sobre uma possível ação nematicida da manipueira. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 4, p. 431-435, 1979. PONTE, J. J. da et al. Dosagem de manipueira para tratamento de linhas de cultivo em solo infestado de Meloidogyne. 52
  • 54. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 19, n. 1/2, p. 81-85, 1995. ______. Ensaio preliminar sobre a utilização da manipueira (extrato líquido das raízes de mandioca) como fertilizante foliar. Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 72, n. 1, p. 63-68, 1997. ______. Fertilização foliar de sorgo com manipueira: extrato líquido das raízes de mandioca. Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 73, n. 1, p. 101-109, 1998. RAZAFINDRAKOTO, C. Étude sur l’utilisation du manipueira comme pesticide biologique. [S.l.]: Ambatondrazaka, Centre National de la Recherche Apliquée au Developpement Rural, 1997. 18 p. (Bull. Technique). RAZAFINDRAKOTO, C. et al. Manipueira e termoterapia no tratamento de estacas de mandioca atacadas por cochonilhas. Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 74, n. 2, p. 127-133, 1999. SANTOS, A. B. C. Investigação sobre a ação fungicida da manipueira no controle de Oídio. 1993. 39 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1993. SANTOS, A. B. C.; PONTE, J. J. da. Ação fungicida da manipueira no controle de Oídio. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 18, p. 302, 1993. SENA, E. S.; PONTE, J. J. da. A manipueira no controle da meloidoginose da cenoura. Publicação da Sociedade Brasileira de Nematologia, Piracicaba, v. 6, p. 95-98, 1982. 53
  • 57. 56
  • 58. Foto 1 – Descascamento manual de raízes de mandioca Fonte: Sebastião da Ponte. Foto 2 – Trituração de raízes de mandioca em moinho elétrico (caititu). Fonte: Sebastião da Ponte. 57
  • 59. Foto 3 – Massa pastosa de mandioca, após a trituração. Fonte: Sebastião da Ponte. Foto 4 – Aposição de massa de mandioca em prensa de madeira de acionamento manual Fonte: Sebastião da Ponte. 58
  • 60. Foto 5 – Prensagem da massa de mandioca em prensa de madeira de acionamento manual Fonte: Sebastião da Ponte. Foto 6 – Secagem da massa em forno de alvenaria: última etapa da farinhada Fonte: Sebastião da Ponte. 59
  • 61. Foto 7 – Manipueira: extrato líquido das raízes de mandioca, um subproduto da farinhada Fonte: Sebastião da Ponte. Foto 8 – Oídio (oidium bixae) em folha de urucu Fonte: Sebastião da Ponte. 60
  • 62. Foto 9 – Haste de urucu infectada pela bactéria Agrobacterium tumefaciens, agente causal da Galha de Coroa Fonte: Sebastião da Ponte. 61
  • 63. 62
  • 64. O AUTOR1 JOSÉ JÚLIO DA PONTE, com 46 anos de tráfego pelas sendas da Fitopatologia, é um dos mais experientes e competentes fitossanitaristas da atualidade. Experiência materializada em mais de 500 trabalhos publicados (livros, capítulos de livro, teses, artigos e comunicações científicas, monografias e conferências) no Brasil e no exterior; competência reconhecida e laureada nos muitos títulos e comendas que ilustram o seu esplêndido curriculum: presidente da Academia Cearense de Ciências (ACECI) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Fitopatologia (SBF) e da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN); bolsista-pesquisador nível I-A do CNPq; Medalha de Ouro do Mérito Fitopatológico (SBF), Medalha de Ouro do Mérito da Educação Agrícola Superior (1º lugar em concurso de títulos promovido pela ABEAS e envolvendo representantes de todas agrofaculdades do país) e Medalha “Boticário Ferreira” (Câmara Municipal de Fortaleza); diploma do Mérito Científico Professor Prisco Bezerra e comendas de Honra ao Mérito outorgadas pela SBF, SBN e Prefeitura Municipal de Fortaleza (Destaque da Ciência/1992); eleito “Man of the Year/1997” (Homem do Ano/1997) pelo American Bibliographical Institute (USA); reconhecimento internacional da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da New York Academy of Sciences; Livre- Docência em Fitopatologia, e o título que mais contempla o seu coração – o de Professor-Emérito, a maior honraria universitária, a qual, com sobras, ele fez por merecer. 1 Apresentação parcialmente extraída do texto escrito por Osvaldo de Oliveira Riedel – médico e membro da ACECI, prefaciando um dos livros de José Júlio da Ponte. 63
  • 65. Desde os primeiros passos de sua longa e infatigável peregrinação científica, ele fez da luta contra os agrotóxicos a preocupação maior de suas investigações, fosse através da criação de variedades resistentes, fosse mediante a busca de defensivos agrícolas naturais, insistência esta premiada com a “descoberta” da manipueira. Este trabalho, a “Cartilha da Manipueira”, é uma paciente e minuciosa dissecação de tudo quanto já fez em prol do aproveitamento da manipueira como insumo agrícola, em substituição aos famigerados agroquímicos. Vale a pena conhecê-lo. 64
  • 66. 65
  • 67. SUPERINTENDÊNCIA DE LOGÍSTICA Ambiente de Recursos Logísticos Célula de Produção Gráfica OS 2006-01/0677 - Tiragem: 2.000