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Manifestações contra o aumento dos preços das passagens

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Manifestações contra o aumento dos preços das passagens

  1. 1. Manifestações contra o aumento dos preços das passagens:a repressão policial desencadeia fúria da juventude e a indignação da populaçãoUma onda de protestos está acontecendo emgrandes cidades do Brasil contra o aumentodos preços das passagens do sistema detransporte coletivo, com destaque maior paraa cidade de São Paulo, mas que foi seguidatambém por Rio de Janeiro, Porto Alegre,Goiânia, Aracaju e Natal. É um despertarque tem reunido muitos jovens e estudantese, em menor número, mas não ausente, umnúmero de trabalhadores assalariados eautônomos (prestadores de serviços pessoais)para lutar contra esse aumento num preçoque já era alto por um serviço de péssimaqualidade, o que vem a piorar ainda mais ascondições de vida de amplas camadas dapopulação.A burguesia brasileira, encabeçada pelo PT eseus aliados, tem insistido em afirmar quetudo vai bem. Embora a realidade vista é quese tem encontrado dificuldades em conter ainflação, ao tempo que adota medidas desubsídios ao consumo das famílias, comouma tentativa desesperada de evitar que aeconomia entre em recessão. Sem nenhumamargem de manobra, a única alternativa quepodem contar para combater a inflação é, emuma ponta, aumentar a taxa de juros e, naoutra, cortar as despesas com os serviçospúblicos de educação, saúde e assistênciasocial, deteriorando ainda mais as condiçõesde vida do conjunto da população quedepende de tais serviços.Nos últimos anos, muitas greves foramdeflagradas contra a baixa dos salários eprecarização das condições de trabalho,educação e saúde. Entretanto, em sua maioriaas greves foram controladas pelo cordão deisolamento dos sindicatos ligados ao governopetista e muito desse descontentamento foicontido para que não atrapalhasse a “pazsocial”, em benefício da economia nacional.E é nessa linha que o aumento da tarifa dostransportes em São Paulo e no resto do Brasilse coloca: cada vez mais sacrifícios para ostrabalhadores apoiar a economia nacional,quer dizer o capital nacional.Sem dúvida alguma os exemplos demovimentos que tem explodido ao redor domundo nos últimos anos, com participaçãomajoritária da juventude, evidenciam que ocapitalismo não tem nenhuma alternativa aoferecer para o futuro da humanidade a nãoser mais desumanidade. Por isso, a recentemobilização da Turquia tem ecoado tão fortenos protestos contra o aumento da tarifa detransportes. A juventude brasileira temmostrado que não quer aceitar a lógica dossacrifícios imposta pela burguesia e seinscreve nas lutas que sacudiram o mundonos últimos anos a exemplo dos filhos da
  2. 2. classe trabalhadora da França (luta contra oCPE em 2006), da juventude e dostrabalhadores da Grécia, do Egito e Norte daÁfrica, dos indignados da Espanha, dosOccupy dos Estados Unidos e da Inglaterra.Uma semana de protestos e a reaçãobrutal da burguesiaInspirado pelo êxito das manifestações nascidades de Porto Alegre e Goiânia, queenfrentaram forte repressão, mas mesmoassim conseguiram a suspensão dosaumentos das tarifas, as manifestações emSão Paulo se iniciaram com o ato do dia 06de junho. Convocada pelo Movimento PasseLivre (MPL), grupo integradomajoritariamente por jovens estudantesinfluenciados por posições de esquerda, e poranarquistas, ganhou uma adesãosurpreendente estimada entre 2 e 5 milpessoas. Depois ocorreram protestos nos dias07, 11 e 13. Desde o primeiro dia, arepressão foi brutal, com o saldo de muitosjovens feridos e detidos. É de ressaltar acoragem e combatividade demonstrada e orápido ganho de simpatia por parte dapopulação que surpreendeu os própriosorganizadores desde os seus momentosiniciais.Diante da manifestação, a burguesia desatouum grau de violência poucas vezes visto nahistória de movimentos dessa natureza,completamente respaldada pela mídia quetratou de imediato em classificar osmanifestantes de vândalos e irresponsáveis.Um indivíduo do alto escalão do Estado, oPromotor de Justiça, Rogério Zagallomanifestou-se publicamente aconselhandoque a polícia batesse e matasse:"Estou há duas horas tentando voltar paracasa, mas tem um bando de bugiosrevoltados parando a Faria Lima e a MarginalPinheiros. Por favor alguém pode avisar aTropa de Choque que essa região faz parte domeu Tribunal do Júri e que se eles mataremesses filhos da puta eu arquivarei o inquéritopolicial", (...) "Que saudades do tempo emque esse tipo de coisa era resolvida comborrachada nas costas dos merdas”. Somadoa isso, vimos o alinhamento de discursos depolíticos pertencentes a partidos adversários,como o governador do Estado GeraldoAlckmin, do PSDB, e o prefeito de São PauloFernando Haddad, do PT, ambos vociferaramem defesa da repressão policial e condenandoo movimento. Tal sintonia não é muitocomum, pois o típico jogo da burguesia éatribuir a responsabilidade pelos problemasexistentes à fração que estámomentaneamente no poder.Em resposta à repressão crescente e à cortinade fumaça dos principais jornais, redes detelevisão e rádio, o que ocorreu nacontinuação do movimento foi que maisgente reunia-se a cada ato, contando comcerca de 20 mil manifestantes na quinta-feira,dia 13. A repressão foi mais feroz aindaresultando em 232 detidos e vários feridos.Ressalte-se, ainda que de forma minoritária,o surgimento de uma nova geração dejornalistas que numa clara demonstração desolidariedade tem registrado e ao mesmotempo sofrido na pele os atos da violência dapolícia. Conscientes das manipulaçõessempre presentes nas editorias das grandesmídias conseguem de alguma maneira fazerver que as ações de violência dos jovens sãouma reação de autodefesa e que, em algunsmomentos, as depredações que acontecemsão, majoritariamente, em gabinetesgovernamentais e da justiça, numamanifestação de indignação incontida contrao Estado. Além disso, foram registradasações de elementos provocadores da políciausualmente empregados nas manifestações.
  3. 3. A colocação em evidência de uma série demanipulações que desmentiram as versõesdas fontes oficiais do Estado, da mídia e dapolícia, nas suas tentativas inverter os fatos,desmoralizar e criminalizar o legítimomovimento, teve efeito multiplicador noaumento da participação de manifestantes eno aumento do apoio da população. Nessesentido, é importante destacar que a ação deativistas e simpatizantes do movimento nasredes sociais tem sido uma grandecontribuição. Com medo de que a situaçãofuja do controle, alguns setores da burguesiajá começam a mudar o seu discurso. Asgrandes empresas de comunicação, em seusjornais e TV, depois de uma semana desilêncio sobre a repressão policial, enfimmostraram os “excessos” da ação policial.Alguns políticos, do mesmo modo, criticaramos “excessos” e prometeram investigá-los.A violência da burguesia através de seuEstado, independente de qual seja sua face,"democrática" ou "ditatorial", tem comofundamento o terror totalitário contra asclasses que se explora e oprime. Mesmo queno Estado “democrático" essa violência nãoseja tão aberta como nas ditaduras, e se façade modo oculto para fazer com que osexplorados aceitem a condição de exploradose se identifiquem com ela, isso não significaque o Estado abra mão dos mais variados emodernos métodos de repressão físicaquando a situação exigir. Não é surpresa,portanto, que a polícia utilize tamanhaviolência contra o movimento. Entretanto,como vimos, o “tiro saiu pela culatra” e oaumento da repressão ao invés de intimidaros manifestantes só fez aumentar e gerar umasolidariedade crescente pelo Brasil e até pelomundo ainda que de forma muito minoritária.Atos em solidariedade e em protesto àviolência policial estão sendo marcados nomundo afora, principalmente por brasileirosque vivem no exterior. É preciso deixar claroque a violência policial é da própria naturezado Estado e não um caso isolado ou um“excesso” de demonstração de força pelapolícia como querem fazer crer a mídiaburguesa e as autoridades ligadas ao sistema.Ou seja, não é uma simples falha dos“governantes”, e não adianta pedir “justiça”ou um comportamento “mais cortês dapolícia”, porque para se enfrentar a repressãoe impor uma força de classe não há outraalternativa que a extensão do movimentopara amplas massas da classe trabalhadora.Por isso, não podemos nos dirigir ao Estado epedir piedade. A denúncia contra a repressãoe o aumento das passagens deve ser feita parao conjunto da classe trabalhadora, chamando-a para engrossar os protestos em uma lutacomum contra a precarização e a repressão.As manifestações, que estão longe de acabar,também se estenderam por todo o Brasil e osprotestos estiveram presentes no início daCopa das Confederações de 2013, que ficoumarcada pelas vaias direcionadas àpresidente Dilma Rousseff, e também para opresidente da FIFA, Joseph Blatter, antes dapartida de estreia do torneio entre Brasil eJapão. Os dois não esconderam o incômodo eabreviaram os seus discursos para diminuir odesconcerto.Em torno do estádio houve também umagrande manifestação, que contou com cerca1200 pessoas, expressando solidariedade aomovimento contra a tarifa dos transportes edenunciando o desvio de recursos que seriampara gastos com prestações sociais, masforam direcionados nesses últimos anos paraa realização da Copa do Mundo e dasConfederações. Também foram fortementereprimidos pela polícia e deixaram pelomenos 27 feridos, além de outros 16 detidos.Para fortalecer ainda mais a repressão, oEstado declarou que serão proibidasquaisquer manifestações próximas aosestádios durante a realização da Copa dasConfederações, sob a justificativa de não
  4. 4. prejudicar o evento, o trânsito de pessoas eveículos e o funcionamento regular deserviços públicos.Limites do movimento pelo passelivre e algumas propostasComo se sabe o MPL é um movimento queganhou âmbito nacional graças a suapresença e capacidade de mobilização dejovens estudantes para protestar contra osaumentos dos preços nas tarifas detransporte. Entretanto, é importanteconsiderar que tem como objetivo de médio elongo prazo a existência de um transportepúblico gratuito para toda populaçãofornecido pelo Estado.Acontece que exatamente aí se encontra olimite da sua principal reivindicação, pois umtransporte universal e gratuito na sociedadecapitalista não existe, uma vez que para a suaexistência a burguesia e o seu Estadonecessariamente teriam de fazer acentuarainda mais o grau de exploração sobre aclasse operária e outros trabalhadoresassalariados através dos aumentos deimpostos sobre os salários. Assim, énecessário levar em conta que a luta não deveser colocada na perspectiva de uma reformaimpossível, mas sempre na orientação de queo Estado revogue os seus decretos.No momento, as perspectivas do movimentoparecem superar a simples reivindicaçãocontra o aumento da tarifa. Já hámanifestações previstas para a próximasemana em dezenas de cidades de grande emédio porte em todo o Brasil.O movimento deve estar alerta em relação àesquerda do capital, especializada em tomarpara si o controle de manifestações e dirigi-las a becos sem saída, tais como encaminharpara que os tribunais de justiça resolvam oassunto e que os manifestantes voltem paracasa.Para que esse movimento se desenvolva énecessário criar meios para ouvir e discutircoletivamente as diversas opiniões e isso sóse torna possível com a realização deassembleias gerais com a participação detodos, onde seja assegurado o direito depalavra indistintamente aos manifestantes.Além disso, chamar os trabalhadoresassalariados e convidá-los às assembleias eprotestos, pois eles e as suas famílias sãoafetados de maneira direta pelo aumento daspassagens e dos serviços.O movimento de protesto que tem sedesenvolvido no Brasil vem desmentir acampanha que a burguesia brasileira tem seencarregado de divulgar, secundada pelaburguesia mundial, de que o Brasil é um“país emergente” a caminho de superar apobreza e alcançar seu plenodesenvolvimento. Tal campanha é promovidaprincipalmente por Lula, que é reconhecidomundialmente por ter supostamente tirado dapobreza milhões de brasileiros, quando narealidade seu grande feito para o capital foirepartir algumas migalhas entre a populaçãomais miserável para mantê-la iludida eacentuar a precariedade do proletariadobrasileiro.Diante do agravamento da crise mundial eseu consequente ataque às condições de vidado proletariado, não há outro caminho senãoa luta contra o capital.Revolução Internacional (CorrenteComunista Internacional) 16/06/2013

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