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Mudanças climáticas se tornam debate urgente em 2014

  1. 1. 1 Mudanças climáticas se tornam debate urgente em 2014 Mesmo no mais destacado bastião do ceticismo, os Estados Unidos, aumenta o consenso de que o planeta corre perigo e que a reação deve começar já por Letícia Duarte 02/08/2014 | 15h06 Mapa da nasa mostrando as temperaturas acima (cores quentes) e abaixo (cores frias) da média história em junho de 2014 Foto: Gabriel Renner / Arte ZH No calendário das mudanças climáticas, 2014 poderia ser assinalado como o ano em que os céticos da responsabilidade humana no aquecimento global entraram de vez para o grupo das espécies em extinção. Pelo menos em credibilidade, seus argumentos se derreteram bem antes do que o gelo marinho do Ártico. Em uma declaração emblemática do momento atual, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comparou os que ainda negam o fenômeno aos que antes pensavam que a Lua era feita de queijo. Foi em junho, quando anunciou US$ 1 bilhão para financiar medidas que atenuem as mudanças climáticas. Embora os Estados Unidos continuem entre os três países do mundo não signatários das convenções de clima – ao lado do Vaticano e de Andorra –, o pacote ambiental mostra que até a nação mais poderosa do planeta começa a se curvar à pilha de evidências científicas que comprovam que a Terra está febril. E que a culpa é nossa. Não por acaso, o anúncio ocorreu após a divulgação dos dois últimos relatórios da quinta edição do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, em março e abril deste ano. Com a participação de mais de 800 pesquisadores de 130 países, o estudo prevê que as emissões de gases causadores do efeito estufa elevarão a temperatura média do planeta entre 2,6°C e 4,8°C até o fim do século. E conclui, com “95% de certeza”, que o homem foi o principal responsável pela elevação das temperaturas, especialmente a partir de 1950. – Os que negam a mudança climática sugerem que ainda existe debate científico, mas não existe – definiu Obama, considerando encerrada a polêmica. As projeções feitas pelo Painel de Mudanças Climáticas da ONU são tão contundentes que ignorá- las virou um risco. A elevação da temperatura é associada a riscos crescentes de eventos climáticos extremos, infestação de doenças associadas a mosquitos, falta de água e de alimentos. Nada muito diferente do que cientistas já vinham alertando, mas com cada vez maior base de confiabilidade. E de urgência. – 2014 é um ano importante nessa discussão de mudanças climáticas. Chegamos ao quinto relatório do IPCC e ele deixa claro que a gente já ultrapassou o ponto em que a mitigação das emissões de poluentes seria suficiente para reverter o quadro. Agora precisamos falar em adaptações. Mesmo que parassem todas as emissões, pelos próximos cem anos ainda sentiríamos os efeitos – argumenta Fabio Scarano, vice-presidente sênior da divisão Américas da Conservação Internacional e professor da UFRJ, que foi um dos responsáveis pelo capítulo da América Central e do Sul do IPCC. Os sintomas estão em toda parte. Porto Alegre teve o janeiro mais quente de sua história e, atualmente, São Paulo sofre com a falta crônica de água. Situações que tendem a se agravar nas próximas décadas, com mais enchentes na região Sul, seca no Sudeste e riscos de desertificação em regiões da Amazônia e do Nordeste. Mas, claro, nada é tão ruim que não possa piorar. O professor Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da USP, explica que o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera tem como consequência uma espécie de “obesidade vegetal”. Assim, apesar de as plantas crescerem mais, por fazerem mais fotossíntese com o CO2, perdem nutrientes, porque a concentração de nitrogênio é reduzida. A se confirmarem as previsões de que a concentração de gás carbônico na atmosfera dobrará
  2. 2. 2 até 2080, o percentual de nitrogênio das plantas cairá 7%, afetando a qualidade agrícola. – Talvez seja preciso mudar o cultivo das regiões, e isso custa dinheiro. É o custo da mudança climática. A qualidade da soja vai baixar, o alimento pode se tornar mais caro, o que pode levar a problemas econômicos, porque a qualidade esperada pelo comprador pode não ser correspondida – enumera Buckeridge. Em vez de se ater a um discurso apocalíptico, no entanto, os pesquisadores preferem mirar nas oportunidades de uma virada sustentável. Visto como um bom exemplo ambiental no cenário global, o Brasil teria chance de ser protagonista da mudança. – O Brasil é o celeiro do mundo, poderíamos aproveitar este momento para produzir mais comida. Para isso, precisaríamos de uma nova revolução verde, investindo em técnicas de biologia molecular – defende Buckeridge. A virada também passa por mudança nas fontes de energia. Segundo Suzana Kahn, professora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ e vice-presidente do IPCC, 80% do aumento das emissões dos gases do efeito estufa se deve à queima de combustíveis fósseis, o que torna a questão do aquecimento global um problema no uso de energia. E os obstáculos para a transição são mais de natureza econômica do que tecnológica. – As tecnologias existem. Temos veículos elétricos, biocombustíveis, energia solar. Não precisamos descobrir nada novo, mas passa por uma questão de economia, de mudar o modelo, retirar subsídios de setores poluentes. Com isso já é possível reduzir significativamente as emissões. Algumas mudanças já estão acontecendo, tanto que, mesmo com a crise, foram as energias renováveis as que mais cresceram – pondera Suzana. Colocar a culpa nos custos não serve como desculpa para a inércia. Fabio Scarano, da Conservação Internacional, lembra que medidas baratas como proteger os mangues podem ser tão eficazes como construir caríssimos diques para conter a elevação do nível dos oceanos. – Ficou provado que,quando o tsunami atingiu as ilhas do Pacífico, as que tinham mais cobertura vegetal na costa sofreram menos impacto do que as que não tinham – exemplifica Scarano. Diante das adversidades climáticas, a gestão das cidades precisará ser repensada para evitar o caos. Em vez de agir nas emergências e se espantar com cada “chuva histórica”, governantes precisarão investir em planos de contenção de longo prazo. – Existe uma tendência de culpar a natureza, mas onde as pessoas mais atingidas costumam morar? Geralmente em áreas de risco, com drenagem negligenciada ao longo dos anos. A mudança no clima vai exigir outra maneira de pensar nas ações, especialmente na gestão pública. É uma mudança global, mas requer ações locais – defende o biólogo Jackson Müller, professor da Unisinos. Aos que preferem criticar o IPCC como instrumento político, o climatologista do Centro Polar e Climático e chefe do Departamento de Geografia da UFRGS, Francisco Aquino, contrapõe com a ciência: – Que decisão os governos vão tomar com base no relatório, a ciência não opina. A ciência não tem lado. É uma resposta, soma dois com dois e dá quatro. Essa minoria cética não tem nada de substancial na produção científica internacional. Não é que a gente não os queira, a gente não tem como considerar. Os prognósticos indicam que os mais pobres serão inicialmente os mais impactados pelas mudanças, mas o problema está longe de ser uma questão de classe: não há imunidade climática. – Se a sociedade quiser virar as costas e achar esse problema não vai chegar na sua casa será um grande engano, porque isso já está no quintal de todo mundo. É um fenômeno global. Não tem como escapar – alerta Aquino Junho deste ano foi o mais quente desde 1880 Basta olhar para o mapa de anomalias climáticas produzido pela Nasa (na ilustração deste post) para enxergar como o planeta está esquentando. A temperatura média em junho de 2013 ficou 0,61ºC acima do padrão histórico entre 1951 e 1980. Na ilustração, é possível identificar os pontos de aquecimento, assinalados pelas cores amarelo, laranja e vermelho. O Brasil acompanha a onda. Na maior parte do Rio Grande do Sul, a temperatura média ficou 1ºC acima da média. Outra medição, feita pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos
  3. 3. 3 Estados Unidos (NOAA), mostra que a temperatura média no mês de junho deste ano foi a mais quente desde que os registros começaram, em 1880. O MUNDO COM FEBRE > O Brasil está aquecendo em todas as regiões, com chuvas irregulares. No Rio Grande do Sul, a tendência é mais calor e chuva: além da elevação das temperaturas, que fez Porto Alegre registrar em 2014 o janeiro mais quente desde o início das medições, em 1916, o volume de precipitações já aumentou 8% em relação aos padrões históricos de 1945 até 1974. > Os Estados Unidos enfrentam uma das piores secas de sua história recente. Em maio, mais de 30% do país registrava seca, tendo pelo menos sete Estados com estiagem severa em metade do território. Em compensação, junho deste ano foi o sexto mais úmido desde que as medições nacionais começaram, em 1895. > As emissões crescentes de gases de efeito estufa aumentarão significativamente o risco de inundações na Europa, especialmente na região litorânea. Já no sul do continente a seca deve se acentuar, reduzindo a disponibilidade de água, afetando a produtividade agrícola. > Até 2020, projeta-se que entre 75 e 250 milhões de pessoas sejam expostas à maior escassez de água na África, com redução de até 50% na produção agrícola irrigada pela chuva e ameaças de desertificação. > Na Ásia, o derretimento das geleiras no Himalaia deve aumentar as inundações e avalanches de pedras de encostas. As cheias ameaçam mortalidade endêmica por diarreia e cólera. Bangladesh é um dos países mais ameaçados: até 2050, pode perder 17% de seu território pela elevação do nível do mar, o que obrigaria o deslocamento de 18 milhões de pessoas. > Previsão de agravamento de períodos de seca na Austrália. Em junho deste ano, choveu 28% da média normal para o mês no oeste do país. Problemas de falta de água devem se intensificar até 2030, com perda significativa de biodiversidade. > Se continuar neste ritmo, há risco de que, em 2050, o Ártico não tenha mais gelo marinho. A mudança promove a abertura de novas rotas marítimas e prospecções petrolíferas, mas também pode acirrar disputas entre potências pelo controle. Evidências comprovam a urgência da luta contra o aquecimento global A esperança de um novo acordo para mudar a situação está na Conferência do Clima da ONU em Paris, que ocorre no final do ano por Bruno Felin 24/01/2015 | 06h02 Bote volta Ilulissat fjord, na costa da Groenlândia. O lugar é um dos mais afetados pelas mudanças climáticas. No Ártico, a média de declínio da camada de gelo é de 13,3% por década. Foto: Steen Ulrik Johannessen / AFP O ano que passou terminou com as maiores médias de temperatura desde que se iniciaram as medições e a culpa é toda nossa. Só não acredita quem não quer. A comunidade científica, pelo menos,está convencida. Dos mais de quatro mil estudos estudos científicos que mencionam o tema, 97% atribuem as mudanças climáticas aos gases emitidos pelo homem. O percentual é resultado de um levantamento feito pelo australiano John Cook, da Universidade de Queensland, em 2013 – portanto, é possível que tenha crescido. É quase como perguntar a biólogos sobre a teoria da evolução. Em dezembro, a Conferência do Clima, que ocorrerá em Paris, dará aos líderes políticos mundiais mais uma oportunidade de agir pelo futuro do planeta. Espera-se que seja assinado um acordo para estabelecer novas
  4. 4. 4 metas de redução de emissões para valer a partir de 2020 – e substituir o Protocolo de Kyoto, que foi amplamente descumprido até aqui. No final de 2014, durante a última conferência em Lima, no Peru, as discussões giraram em torno das responsabilidades de cada nação na redução das emissões. Uma tentativa de atender ao princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”. Porém, o texto final ainda é vago, e as discussões podem levar as obrigações de cada nação – e o nosso futuro – para qualquer lado. Para o astrofísico Luiz Gylvan Meira Filho, ex-vice- presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) e pesquisador da Universidade de São Paulo, não há como fugir de um corte brusco. – Uma parte do problema é politica, outra é da natureza, que não obedece a isso. Não dá para os seres humanos contrariarem as leis da física. Fisicamente, temos que reduizir 70% (aos níveis de 1990) até 2050 – explica Meira Filho. Nos gráficos abaixo, as evidências demonstram a urgência por ações: Níveis de CO2 Os níveis de CO2 sempre variaram durante a história da Terra. Ao respirar, as plantas retiram o CO2 da atmosfera, ficam com o carbono e soltam oxigênio. Os animais puxam o oxigênio e soltam CO2. Um balanço perfeito. Durante centenas de milhares de anos, os seres vivos foram morrendo e esse material indo cada vez mais para o fundo da Terra. Ao ser exposto a calor e pressão, se transformou nos combustíveis fósseis: petróleo, gás e carvão. E aí mora o nosso problema: todo esse carbono que demorou centenas de milhares de anos para se formar está voltando para a atmosfera em apenas algumas centenas de anos. Aumento da temperatura A temperatura oscilou durante toda a história do planeta acompanhando os níveis de CO2 na atmosfera. Cientistas estimam que os gases do efeito estufa emitidos pelo homem demorem 50 anos para começar a alterar os níveis de CO2 medidos. Por isso é perceptível que, após a revolução industrial, a temperatura tenha aumentado tanto. Aumento do nível dos oceanos O aumento do nível do mar se dá por dois fatores relacionados ao aquecimento global: a água que vem do derretimento do gelo da terra e a expansão natural da água quando esquenta. Em média, o nível do mar está subindo 3.17 milímetros por ano. No último século, foram 17 centímetros. Desmatamento Manter as florestas de pé é fundamental para combater o aquecimento, pois as plantas absorvem o CO2 e liberam oxigênio.O Brasil tem a segunda maior área de florestas do mundo, atrás apenas da Rússia, e já desmatou muito a Amazônia. Porém, os números vêm reduzindo, somos exemplo para outros países. Em gráfico, veja o desmatamento da Amazônia nos últimos anos:
  5. 5. 5 Massa de gelo As camadas de gelo da Antartica reduziram cerca de 147 bilhões de toneladas por ano enquanto as da Groelândia perderam aproximadamente 258 bilhões de toneladas ao ano. NoÁrtico, a médiadedeclíniodacamada de gelo é de 13,3% por década (relativo às médias de 1981 a 2010). Estudo de Harvard Nível de oceanos subiu 30% mais do que se pensava Mar subiu 3 milímetros por ano nas últimas duas décadas 15/01/2015 | 11h11 Condição dos ursos polares na Baía de Hudson, no Canadá, vem se deteriorando em função do degelo Foto: Ver Descrição / Ver Descrição Do início do século 20 até a década passada, o nível dos oceanos subiu em ritmo 30% maior do que se imaginava, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard (Estados Unidos). A pesquisa, publicada na última quarta-feira, na revista Nature, confirmou as estimativas anteriores de que o mar subiu 3 milímetros por ano nas últimas duas décadas. Mas, enquanto as avaliações mais antigas apontavam para uma elevação de até 1,8 milímetro anual entre 1900 e 1990, o novo estudo indica que o nível do mar subiu apenas 1,2 milímetro por ano naquele período. Segundo os autores, isso significa que a aceleração do aumento de nível dos oceanos tem sido muito maior do que se imaginava. – O problema é maior do que pensávamos inicialmente – disse um dos autores do estudo, Eric Morrow, do Departamento de Ciências Planetárias e da Terra de Harvard, acrescentando que “a conclusão é preocupante”. – Isso significa que vários dos nossos modelos de previsão têm calibração inadequada. Assim, os novos dados nos farão questionar a precisão das projeções feitas para o fim do século 21. Para obter estimativas mais precisas sobre o nível global dos oceanos desde o início do século 20, os autores avaliaram o fenômeno de uma nova perspectiva. Em simulações com métodos estatísticos, levaram em consideração dados da era do gelo – cujos efeitos ainda afetam o mar –, padrões de circulação dos oceanos, efeitos do aumento da temperatura global e o derretimento irregular dos mantos de gelo no planeta. De acordo com Carling Hay, coautora do tes das marés - em cada área. A partir desses registros, os cientistas calculam médias de elevação do nível dos mares em cada região. Esses dados são então reunidos para se chegar a uma estimativa da média global. – Mas essas médias simples não são representativas do valor médio global O líquido mais precioso Conheça cinco tecnologias para enfrentar a escassez de água no mundo A humanidade cria paliativos para a crise da água, mas precisa encará-la como recurso limitado por Luísa Martins 20/10/2014 | 08h31
  6. 6. 6 Foto: Paula Castro / Especial Dizem que o Brasil é um país privilegiado: detém 13% do recurso natural mais precioso da Terra, a água doce. Ironicamente, sua a maior cidade (também a maior da América do Sul), São Paulo, está tendo que pedir ajuda do amigo São Pedro para não morrer de sede até o fim do ano. Se a chuva não vier de presente, aumentando o quase zerado nível do Sistema Cantareira, o racionamento – já recomendado pelo Ministério Público Federal e pela Agência Nacional das Águas – vai ser a única alternativa para garantir o abastecimento a mais de 8 milhões de pessoas na capital paulista e em outras 10 cidades da região metropolitana. O país tem água de monte. O que não é equilibrado é a distribuição: onde há menos gente, há mais oferta – Amazônia, por exemplo. Enquanto isso, grandes centros urbanos, como São Paulo, dispõem de menos recursos hídricos para deixar rolar o líquido de torneiras, duchas e mangueiras. "Menos" não significaria escassez caso as águas do Brasil não sofressem de um mal secular: a poluição. Fosse diferente, não seria preciso rezar pela chuva nem cogitar – mediante tecnologias caras – tornar potável a água salgada, que corresponde a 97% do líquido disponível na Terra. – O Rio Tietê, por exemplo: está podre. Aquela água toda serviria para São Paulo, mas não pode ser utilizada – lamenta o coordenador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS), André Silveira. Os efeitos da poluição comprometem o título que a América do Sul carrega de continente mais rico do planeta em recursos hídricos, segundo a ONU e o Banco Mundial. Em uma perspectiva econômica, custa menos puxar água limpa de longe do que investir no tratamento da água de um rio sujo como o Tietê, afirma o professor Silveira. E a situação está longe de ser exclusiva do mais importante rio paulista. No Rio Grande do Sul, as bacias dos rios dos Sinos e Gravataí, além do próprio Arroio Dilúvio, estão andando pelo mesmo caminho. A ciência tem trabalhado para curar as doenças dos rios (veja algumas propostas no infográfico abaixo), na contramão da ação do homem, que insiste em não preservar seus mananciais, possivelmente por conta da abundância. Afinal, se tem de sobra, por que cuidar? – Uma água já preservada na origem torna-se potável muito mais facilmente e de forma mais barata – justifica Silveira, que vê descompasso entre investimento em saneamento e crescimento populacional no país: água até sobra, mas o planejamento falha. – O problema do Brasil, no fim das contas, é de gestão – resume. O diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu, afirma que, embora 97% da população urbana do país tenha acesso à rede de abastecimento, há irregularidade no fornecimento e má qualidade da água. Exemplo: no máximo 20% do esgoto coletado recebe tratamento – o resto é lançado nos corpos d'água. Até 2025, metade dos municípios brasileiros pode ter prejuízos nos seus mananciais, reservatórios, rios e águas subterrâneas. – A água não tem a relevância que merece, seja na tomada de decisões, seja em questões pequenas, como os hábitos pessoais – opina Silveira.
  7. 7. 7
  8. 8. 8 A agenda de cada um Frente a um cenário preocupante, são necessários alguns passos para garantir o abastecimento de água no futuro. O mais fundamental deles é ampliar a prática do reúso de água. – Os desperdícios são enormes em todos os segmentos: nas grandes empresas, na agricultura e nas residências – enumera o engenheiro agrônomo, ex-secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do Estado de São Paulo e coordenador de Articulação e Comunicação da Agência Nacional das Águas, Antônio Félix Domingues. Articular a engenharia hídrica com a arquitetura pode ser uma boa saída para o reaproveitamento. Um exemplo é a instalação de calhas para coleta de chuva – uma água que, embora não sirva para beber, tomar banho ou cozinhar, pode ser usada para regar a horta, limpar pisos e lavar carros. – Usar água tratada para essas atividades é o símbolo do mau uso – diz a professora Adriene Pereira, da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), especialista em recursos hídricos. Ela defende que, assim como a Eco-92 estabeleceu uma agenda mundial – a Agenda 21 – para proteção da qualidade dos recursos de água doce em escala global, é preciso que cada um pense em sua própria realidade e estabeleça uma agenda pessoal de consumo consciente. A começar pelas dicas básicas: desligar o chuveiro enquanto se ensaboa e escovar os dentes com a torneira desligada. Além disso, atenção (de novo) ao descarte de resíduos contaminantes nas águas. – A água é o receptor universal dos poluentes. É para onde toda a gororoba vai. Isso pode começar a ser revertido se as pessoas passarem a, além de evitar o desperdício, dar destino certo ao seu próprio lixo – explica Adriene. No início da década de 1990, o vulcão Pinatubo, nas Filipinas, entrou em erupção e protagonizou uma das maiores explosões do século 20. Com a ação, foram lançadas à atmosfera milhões de toneladas de dióxido de enxofre, em um evento que derrubou, pelos três anos seguintes, as temperaturas médias da Terra em quase 0,5°C. Por reação natural, as partículas que ficaram suspensas no ar ajudaram a refletir a radiação que incide no planeta de volta para o espaço. O evento lançou luz a uma alternativa até então pouco explorada: reproduzir o evento, artificialmente, como uma forma de frear o aquecimento global. Não demorou muito para que cientistas ao redor do mundo começassem a pensar em estratégias para colocar o projeto em prática. Foram criados projetos de aviões, balões gigantes e até navios que seriam postos em ação, pulverizando gotas de ácido sulfúrico na estratosfera. A ideia, capaz de desafiar até a mente dos maiores escritores de ficção científica, já não parece estar tão longe. Faz parte de um conjunto de técnicas de manipulação da natureza em larga escala batizada de geoengenharia, uma área de estudo que vêm desenvolvendo jeitos de modificar o ambiente e o sistema climático para combater o aquecimento global. Algumas dessas técnicas já foram propostas e estudadas desde a década de 1970. Vai desde a colocação de espelhos gigantes em órbita no planeta (o que refletiria os raios solares), a criação de florestas de árvores artificiais (capazes de absorver mais CO2 que as naturais), até mudanças no fundo do mar, como fertilizar os oceanos com ferro (para estimular o crescimento de fitoplânctons e absorver o dióxido de carbono). David Keith, físico da Universidade de Harvard, afirma que a geoengenharia pode ser uma ferramenta extremamente poderosa para amenizar os efeitos do aquecimento global. Mas suas opiniões não são unanimidade no meio acadêmico.Durante muito tempo considerado mera especulação, essas opções hoje avançam dentro e fora de laboratórios e dividem pesquisadores. Enquanto alguns condenam os riscos de interferir na natureza desta forma, outros afirmam que, se as concentrações de carbono na atmosfera alcançarem um estágio crítico, a geoengenharia será a única forma de controlar nosso clima. E esse patamar está próximo de se tornar realidade. O momento é de cautela Conforme o 5º e último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgado em novembro de 2014, as
  9. 9. 9 emissões dos principais gases que provocam o efeito estufa estão no maior nível em 800 mil anos e, se não houver uma ação imediata, em pouco tempo as mudanças climáticas causarão impactos graves e irreversíveis no mundo. Para que a elevação da temperatura média da Terra não ultrapasse os 2ºC – meta da comunidade internacional – os governos precisariam reduzir a zero a emissão desses gases até 2100, detalhou o relatório. Não à toa, neste mesmo ano, o IPCC passou a mencionar a Geoengenharia como uma ciência que poderia prover soluções importantes para mitigar as alterações, mas que demanda mais pesquisas. Para o astrofísico Luiz Gylvan Meira Filho, ex-vice- presidente do IPCC e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, somente reduzir as emissões de gases de efeito estufa já não é mais suficiente para reverter o aquecimento global. — Um pouco de geoengenharia será necessário inevitavelmente. Acredito que essas técnicas podem ajudar. Há que proceder com cautela, para evitar a criação de problemas ainda maiores — pondera. Uma das principais críticas à geoengenharia está nas incertezas que ainda se tem quanto às consequências de alterar os padrões naturais da Terra. No caso das nuvens de ácido sulfúrico, especula-se que poderiam piorar a seca do planeta e até provocar um esgotamento da camada de ozônio. Por isso, na mesma proporção em que vêm ganhando investimentos para pesquisa, as propostas despertam o interesse de organizações ambientais que, em sua maioria, não as vêem com bons olhos. Em dezembro de 2014, a organização não- governamental canadense ETC Group divulgou um relatório afirmando que determinadas técnicas podem até ser benéficas na redução da temperatura em algumas áreas do planeta, mas poderão trazer impactos negativos em continentes como a África, com importantes consequências sociais e agrícolas. O problema, explica Anibal Gusso, professor de climatologia da Unisinos, é que estas e outras possíveis consequências são meras especulações, e não se sabe ainda quais seriam os reais efeitos colaterais a médio e longo prazo. Meira Filho defende que as pesquisas devem seguir, mas que os testes, fora de laboratórios, devem ser feitos em pequena escala: — Sabemos que os riscos dependem da técnica. De um modo geral, as estratégias de modificação do balanço de energia solar podem ter outras consequências não previstas e, portanto, devem ser desenvolvidas em pequena escala até que os outros efeitos sejam bem entendidos e os riscos eliminados — afirma Meira Filho. Para Gylvan, há um risco real, mas nem por isso as pesquisas devem ser abandonadas. É o que defende o climatologista Anibal Gusso: — Os estudos não devem deixar de acontecer, mas a prioridade, quando o tema é aquecimento global, deve ser outra. É preciso pensar em alternativas para mitigar os efeitos em termos de redução de consumo, de tecnologias renováveis e eficiência energética, ou seja, estratégias para que a energia seja mais limpa e melhor aproveitada — resume Gusso. As pesquisas dentro de laboratórios seguem recebendo investimentos ao redor do mundo — em 2012, a China situou a geoengenharia entre suas prioridades em pesquisa sobre as ciências da terra. Mas, atualmente, só são permitidos testes na natureza de pequena escala, que não afetem a biodiversidade, conforme uma regra determinada pela Convenção da ONU sobre Biodiversidade, de 2010. *Com informações de Henry Fountain, do The New York Times //// 4 perguntas para David Keith - Físico Pesquisador da Universidade de Harvard e um dos defensores mais entusiasmados da pesquisa sobre geoengenharia solar é autor do livro A Case for Climate Engineering (sem tradução para o português), no qual explica os aspectos práticos desta estratégia. Por e- mail, ele conversou com ZH. A geoengenharia não poderia distraira população contra o problema real,que é o nosso estilo de vida e a quantidadedepoluição queproduzimos? Esta questãoé uma das principaispreocupaçõesque temos.Noentanto,eunãoacreditoque sejaum argumentoválidoparair contra o avançonas pesquisassobre geoengenharia.Parafrearos riscos que as mudançasclimáticasirãotrazer a longoprazo, causadopelasemissõesde dióxidode carbono,
  10. 10. 10 teríamosde reduzirazero essasemissões.A metada geoengenhariasolardeve serdiminuirataxa com que a atmosferaestáse aquecendoporcausa das alteraçõesclimáticas,nãorevertê-la. Essastécnicas de geoengenharia acarretamefeitos globais,e não locais,o que podegeraruma discordância entrepaíses,correto?Como isso seria contornado? Claroque vai gerar desacordoentre ospaíses,essaé uma das maiorespreocupações.Noentanto,comoo custo deste tipode estratégiaé relativamente barato, e a eficáciaparece serrelativamente igualparatodos, acreditoque é um problemade governançamaisfácil de resolverdoque muitosoutros.Certamente nãoé verdade que cadapaís temque concordar.O mundo possui políticasgovernamentaisde regulamentação da internet,dapoluiçãoclimáticae marinha,entre outros,semque todosconcordem. Pesquisadoresjá fizeramtestescoma injeção de aerossóisdeácido sulfúrico na estratosfera.Quaissão os riscose asdesvantagens desta técnica? É difícil resumirisso,poissãomaisde 20 artigos científicosque dissertamsobre otema.Oque posso dizeré que o saldoatual dasevidênciassugereque a geoengenhariasolar,se aplicadade formalimitadae com cautela,reduziriasignificativamente riscos climáticosnamaioriadoslugaresnomundo. Quando eem quetermos a geoengenharia podese tornaruma realidadepara reduzir o impacto das mudançasclimáticas? Infelizmente,eunãotenhoideia.·.
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