Água em extinçãoMais de um bilhão de pessoas em todo o mundo não têm acesso à água potável. Mais deo dobro desse número nã...
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FATO SOCIAL   •   Fato Social - todos os fenômenos que se passam no interior da       sociedade, mesmo que apresentem pouc...
Diante disso, é natural perguntar se o tempo não estaria ficando louco. Há mesmo quempense que as instabilidades são o pre...
Nem todos os cientistas e meteorologistas pensam da mesma maneira. Na dúvida, émelhor ter cautela e, acima de tudo, dispos...
camada gasosa absorve do Sol e remete à de baixo onde se-rá filtrada ou processada porgases como ozônio, dióxido de carbon...
o Sol influencia o clima. Embora muito perto, comparado a outras estrelas, o Sol estámuito longe da Terra 150 milhões de q...
Numa situação inversa, nos continentes em que há pouca penetração de vento marítimoequatorial, pode haver forte carência d...
Enfim, há precipitações causadas por montanhas no caminho das massas de ar. Paraatravessar o obstáculo, o ar tem que subir...
MicroclimasEm um bosque frondoso, a copa das árvores acumula a maior parte da radiação solar, oque significa que o chão, p...
volts. Furacões, enfim, nascem do ar quente sobre o mar, sobem espirais para o céu esão enormes.A cara das nuvens muda com...
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  1. 1. Água em extinçãoMais de um bilhão de pessoas em todo o mundo não têm acesso à água potável. Mais deo dobro desse número não conta com saneamento adequado. As doenças transmitidaspela água matam pelo menos seis mil crianças diariamente nos países emdesenvolvimento. Na metade do século, de dois e sete bilhões de pessoas sofrerão faltad’água. Cerca de dois bilhões de toneladas de lixo são jogados em rios e lagos todos osdias. Um litro de água residual polui em media oito litros de água doce.Os dados fazem parte do Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento dos RecursosHídricos da Unesco, discutido por cientistas, ecologistas e políticos no Terceiro FórumMundial sobre a Água, em Kioto, Japão. O documento será apresentado formalmente noDia Mundial da Água, 22 de março. Este é o Ano Internacional da Água Potável.Segundo o Fundo Mundial para a Natureza, o planeta perde por ano 6% dos recursos deágua doce por ano e 4% de água salgada. De acordo com o professor Reinaldo LuizBozelli, do Laboratório de Limnologia do Departamento de Ecologia daUFRJ e "Cientista do nosso Estado" da Faperj, a água é o principal problema ambientaldo mundo. "Por um lado aumenta a demanda, com o crescimento populacional, e poroutro o homem degrada. Ao mesmo tempo que queremos mais água, destruímos maiságua", diz, acrescentando que anualmente cerca de 5 milhões de pessoas morrem nomundo por doenças causadas pelo consumo de água sem qualidade.No Brasil, a situação é preocupante. Para Bozelli, o que se fez no país desde a ECO-92em termos de tratamento da água é desestimulante. "O crescimento nessa área foi deapenas 1 a 2%", lamenta. Segundo o professor, o esgoto é o maior problema dosambientes aquáticos, afetando diretamente a saúde pública. Ele defende que se atuepreventivamente. "Para cada real investido em saneamento básico, economiza-se dequatro a cinco reais em saúde pública.A escassez de água doce no mundo é tão preocupante que só a Faperj concedeatualmente 14 auxílios à pesquisa voltados diretamente para o estudo do tema. Ospesquisadores buscam novas formas de conservação e tratamento dos recursos hídricose trabalham no desenvolvimento de tecnologias para o seu uso racional.
  2. 2. A Água em extinção!22 de março de 2010 | Escrito por Felipe EsoticoOlá amigos!A escassez de água no planeta já não é novidade para ninguém. De toda a água de nossoplaneta, cerca de 3% é doce, o que não se mostra suficiente para toda a população.Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem 11,6% de toda aágua doce do planeta. Em pesquisa feita pela Agência Nacional de Águas (ANA),mostra-se que a demanda de água nas regiões metropolitanas é maior que a produçãoatual dos recursos.Para impedir problemas com a falta de água nos próximos 15 anos, será necessário uminvestimento de R$ 27,7 bilhões em produção, tratamento, fornecimento de águas etratamento de esgotos.Para evitarmos que o mundo chegue a essa situação, várias medidas podem ser tomadas,entre elas está o reuso da água, que já vem sendo utilizado por muitas empresas paradiminuir seus gastos e também colaborar com o meio ambiente. No Brasil, 80% doesgoto coletado vai parar em cursos d’água sem receber nenhum tratamento.A população também pode contribuir evitando o desperdício de água com pequenasmudanças no cotidiano em suas casas, propriedades, estabelecimentos comerciais, etc.No Brasil gasta-se cerca de cinco vezes mais água do que o necessário. Nosso consumoé de cerca de 200 litros por dia por pessoa, sendo que a OMS recomenda gastos de 40litros por dia por pessoa. Este desperdício todo preocupa – afinal, o ser humano é capazde ficar 60 dias sem comer, mas só resiste cinco horas sem água.Vários países têm adotado programas de conscientização e medidas específicas paradiminuir o desperdício de água. No Japão, por exemplo, os orientais aproveitam a águadepois de tratada em processos industriais. A água que vem dos ralos do Box ou dasbanheiras também pode seguir por um cano até chegar a um pequeno reservatório eassim reabastecer os vasos sanitários de condomínios, hotéis, hospitais, clínicas, etc.Na cidade do México, o governo substituiu três milhões e meio de válvulas por vasossanitários com caixa acoplada, de 6 litros por descarga, resultando numa redução deconsumo de 5 mil litros de água por segundo.Nos Estados Unidos, além de ser obrigatório o limite de 6 litros para a descarga, alegislação também limitou a vazão de chuveiros e torneiras em 9 litros de água porminuto, o que resultou numa redução de 30% no consumo de água.E você o que tem feito para economizar água?
  3. 3. FATO SOCIAL • Fato Social - todos os fenômenos que se passam no interior da sociedade, mesmo que apresentem pouco interesse social;Exterior ao indivíduo - independem do indivíduo; Exerce uma açãocoerciva sobre o indivíduo; O indivíduo não é autônomo. • As atividades individuais não interessam a sociologia, mas sim a biologia ou psicologia. A sociologia trata dos fatos realizados por toda sociedade. • A educação é a responsável pela propagação dos Fatos Sociais (direitos e costumes). • Nascemos com os Fatos Socais estabelecidos. • Modos de agir, de pensar e de sentir existem fora do indivíduo."A coerção social não exclui necessariamente a personalidadeindividual". • Coação permanente sobre o indivíduo, desde criança;O clima está mudando?Vários cientistas estão estudando a mudança do clima no planeta.Se há uma pergunta que não sai da cabeça dos meteorologistas e cidadãos comunsatualmente, é: o que acontecerá com o clima do planeta no pró-ximo século? Haverá umsupera-quecimento da Terra? Ou um des-tempero total, com calor no inverno e frio noverão? A seguir, alguns dos fatos que su--ge-rem o início dessas mudanças, e os dadosbásicos, cruciais para se entender o mundo do clima.No começo do ano no Rio de Janeiro, quando o calor costuma ser sufocante, uma cenainusitada virou notícia na imprensa carioca. É que o dono do restaurante Vice Rey, naBarra da Tijuca, teve que tirar as teias de aranha da lareira, construída para acalentaruma eventual noite de inverno, e acendê-la pela primeira vez em 18 anos porque faziafrio na cidade. Moderados 17°C, é verdade, mas o fato chamou a atenção porque, afinal,era pleno verão no Rio. Ao mesmo tempo, em São Joaquim, Santa Catarina,termômetros instalados no solo marcavam abaixo de 0°C, na pior onda de frio fora deépoca desde 1971.Destemperos desse tipo ocorreram em todo o mundo. A região de Medina, no interiorda Arábia Saudita, onde os invernos são geralmente suaves, enfrentou inéditos grausnegativos e neve, nos dois últimos anos. Nos Estados Unidos, caíram os recordeshistóricos de temperatura em nada menos que seis cidades. Há 119 anos Nova York nãovia a marca de -20°C, e a de Washington (-22°C) foi a menor desde o início do século.Outros recordes: Columbus, Pittsburgh e Louisville (-30°C) e Indianápolis (-33°C).
  4. 4. Diante disso, é natural perguntar se o tempo não estaria ficando louco. Há mesmo quempense que as instabilidades são o prenúncio de um novo mundo: a Terra do século XXI,cujo clima seria radicalmente diferente do de hoje.A possibilidade de uma transição climática é assunto freqüente nos jornais e natelevisão, mas muito pouco se sabe sobre ela. E seria prematuro afirmar que já estariacomeçando. Primeiro, porque não é claro se está sendo causada por problemas bemconhecidos: emissão de gases tóxicos pela indústria; desnudamento do solo após o cortedas matas; a redução das próprias matas; o endurecimento do solo devido ao plantio;além de muitas outras práticas canhestras da civilização. Embora tudo isso seja perigosopara o planeta, não se sabe exatamente até que ponto pode alterar o regime climático. Averdade é que não se conhece bem os mecanismos do clima: é difícil determinar se umatemperatura mais alta é uma anomalia normal, ou se é indício de uma transformaçãogeral. É o que previu, há pouco, um supercomputator Cray YMP8/864, do CentroMetereológico de Bracknell, em Londres. Com capacidade de análise um milhão devezes maior que a humana, ele pintou um quadro apocalíptico para depois da virada domilênio. O superaquecimento do globo irá realmente acontecer, com secas no sul daEuropa e centro dos Estados Unidos; deslocamento das chuvas para os pólos; as calotaspolares, desprendendo-se e descongelando-se, elevarão o nível e a temperatura dosoceanos. Onde há frio e chuva, hoje, haverá calor e seca, ou vice-versa. Será? Talvez,diz o pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), deSão José dos Campos, SP. Ele acredita que, hoje, os fenômenos apresentam mudançasmais bruscas que em passado recente. Saímos de calor intenso para frio rigoroso empouquíssimo tempo. E oscilações súbitas são suspeitas, concorda Prakky Satyamurti,também do INPE. Embora não esteja confirmado que viveremos um novo modelo declima, a possibilidade me assusta. Esses pesquisadores colocam bem o problema. Emresumo, é certo que, se houver transição, ela será precedida de oscilações no clima;também há sinais de atribulações nos fenômenos, atualmente; o problema é que não hágarantia de que estas últimas sejam prenúncio de um novo regime no planeta. A cidadede São Paulo fornece um bom exemplo.Há 50 anos, a cidade era bem mais fria. A temperatura média mínima do inverno, porexemplo, ficava perto de 9,7ºC. Mas ficou em 12,1ºC no ano passado, quandopraticamente não houve frio. No dia 4 de julho, apesar de ser inverno, a capital alcançou28,9ºC 1,8ºC a mais que no verão propriamente dito, em dezembro de 1993. E essamudança não começou agora. Nos últimos dez anos constata-se um aumento de até 2°Cna cidade. A alteração parece mínima, mas não é, ensina Neide Oliveira, do 7.º Distritodo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em São Paulo. O aumento é maior queo da média da Terra, que desde 1942 subiu de 0.5ºC a 1ºC, conforme o World ClimateResearch Program, dos Estados Unidos. Apesar disso, não se pode dizer que a alteraçãoem São Paulo tenha maior significado. Seria preciso observar as mudanças ao longo demuitos anos para se ter certeza, afirma o meteorologista Luís Cavalcanti, do INMET deBrasília.O clima não muda em menos de 200 anos. A atmosfera é um corpo que se auto-regula,acrescenta Cavalcanti. Por isso ,quedas ou aumentos de temperatura em alguns lugaressão normais. O panorama desenhado pelo supercomputador londrino é pura ficçãocientífica. Embora calcado em um modelo matemático, o resultado não é confiável.
  5. 5. Nem todos os cientistas e meteorologistas pensam da mesma maneira. Na dúvida, émelhor ter cautela e, acima de tudo, disposição para estudar e conhecer melhor o clima.Quem sabe um dia, quando vier a conhecer melhor a atmosfera, o homem possamanipular o clima, em vez de apenas falar sobre ele. Essa ironia do escritor americanoIsaac Asimov não é inteiramente justa. Muito já se aprendeu e a muito custo sobre osistema incrivelmente complexo que é o envelope de gases da Terra. O problema é que,para entender o que provoca secas devastadoras ou chuvas torrenciais, ainda é precisosaber muito mais.A atmosfera além de invisível é feita de gases, ou seja, matéria que não se pode pegarcom as mãos. Mas pesa 5 500 bilhões de toneladas e, embora 90% dela esteja abaixo de10 quilômetros, se eleva, muito rarefeita, até 1 000 quilômetros de altitude. Trata-se deuma mistura principalmente de nitrogênio, que perfaz 78,1% do volume total, eoxigênio, com 20,95% do total. Há muitos outros componentes gasosos, como argônio,neônio, hélio, criptônio, xenônio e hidrogênio, assim como diversas partículas emsuspensão, como fumaça, sal, pólens, areia e cinzas vulcânicas.Com exceção do argônio (0,9%), suas quantidades são minúsculas. Quantidade, porém,não é tudo: o dióxido de carbono tem influência decisiva sobre a saúde do planeta éapontado como um dos principais responsáveis pelo efeito estufa que parece estarelevando a temperatura. No entanto, existe na proporção de apenas 0,03%. Ele éparticularmente eficaz em reter calor (ou radiação infravermelha, mais precisamente)que o solo emite para o espaço após receber a energia da luz solar. O ozônio, por suavez, é bom absorvedor de radiação ultravioleta, emitida pelo Sol em menor proporçãoque a luz, mas altamente energética e prejudicial à vida. Assim, apesar de haver bempouco ozônio, ele confere uma proteção essencial (é difícil avaliar a concentração deozônio: se a atmosfera fosse colocada num tubo de 8 quilômetros de comprimento, acamada de ozônio ocuparia 0,3 centímetros do tubo). Já o vapor de água tem papeldecisivo nos fenômenos chuvosos. Com um detalhe curioso: sua quantidade naatmosfera não é fixa, pois quando há excesso, simplesmente chove. A chuva, de certomodo, é um meio de a atmosfera enxugar-se, livrando-se de água excedente.Basicamente, a chuva está estreitamente ligada à temperatura e controlar esta última éuma das mais importantes missões do envelope gasoso da Terra. É que o envelope atuacomo um termostato, regulando o calor que a superfície terrestre recebe e emite. A trocade calor, por sua vez, provoca o movimento das massas de ar, que podem conter maiorou menor quantidade de vapor. Assim, elas determinam, em cada região, se vai ou nãohaver precipitações. As mudanças térmicas são uma constante ao longo dos quase 1 000quilômetros de espessura da atmosfera. A temperatura sobe e desce, descrevendo umalinha em ziguezague a partir da camada mais próxima da superfície, a troposfera, ondecertamente nascem todas as mudanças climáticas. De modo geral, a temperatura diminui6,4 graus a cada quilômetro de altitude. Mas quando chega ao topo da troposfera,começa a aumentar com a altura. Isso ocorre na estratosfera, no alto da qual há novainversão. Isto é, a temperatura passa a diminuir com a altura, indicando uma novacamada, a mesosfera. Chega a cerca de 100°C negativos apenas para elevar-se até os500°C na termosfera. Esse zigue-zague depende da quantidade de radiação que cada
  6. 6. camada gasosa absorve do Sol e remete à de baixo onde se-rá filtrada ou processada porgases como ozônio, dióxido de carbono e vapor de água.É na troposfera que esse processo influencia o clima. Perto dos pólos, essa camada temde 8 000 a 10 000 metros de espessura, contra 15 000 a 18 000 no equador. Contémmais de 75% do peso total do ar; quase toda a umidade; e a maior parte da poeira.Assim, toda essa massa se põe em movimento sob a ação do Sol. Quando ela se aquece,o ar fica um pouco mais rarefeito e se expande. Ele sobe até as camadas mais altas egeladas da troposfera e esfria à medida que ganha altura. É possível ler esse fato nosbarômetros, que medem a pressão do ar: geralmente, onde o ar sobe a pressão nasuperfície diminui. É o que muitas vezes se observa logo antes de começar umatempestade.Essas diferenças térmicas favorecem o deslocamento das massas de ar, tanto no sentidovertical quanto horizontal. Há por isso um intercâmbio vital entre o equador e os pólos.Em suma, a máquina do clima é fruto de um complexo trabalho de equipe. O Sol produzo combustível a luz que coloca em marcha a engrenagem. Parte da energia chega aosolo e volta para a atmosfera, que atua como um laboratório para os fenômenosatmosféricos.Nem sempre a combinação é tranqüila. O tempo, às vezes, se torna violento, a ponto defazer pensar que Deus está de mal com o mundo. A expressão maior do suposto mauhumor divino, dizem os índios do Caribe, é o furacão Hunrakén, o deus das tormentas.De fato, os furacões são comuns nas proximidades do equador, como é o caso doCaribe. No verão e no outono, massas quentes, repletas de vapor, elevam-se sobre osocea-nos e liberam calor. O ar gira em espiral para formar um anel de nuvens altas.Afinal, o va-por tende a voltar ao estado líquido e se condensa. Isto é, forma blocos quesão as gotas e já não pode manter-se no ar. A chuva, então, despenca numa torrentechamada furacão.O centro do torvelinho chama-se olho, com um di-â-metro de 6 a 40 quilô-metros. Aí, apressão é baixa, o vento suave, o ar quente e úmido. Fora, o ciclone arrasa tudo. Geradosobre o oceano, o furacão morre quando avança para o continente e sai dos trópicos. Aolado de fenômenos como tormentas ou tornados, ele revela, de modo simples eimpressionante, porque é tão difícil manipular essa máquina vasta e complexa a que sedeu o nome de clima.O Sol é mais uma estrela entre os milhões que queimam na Galáxia. Mas, como estácomparativamente próxima, tem 1 390 473 quilômetros de diâmetro e temperaturaacima de 6 000°C, na superfície, serve de motor para os movimentos que animam a facedos planetas à sua volta. Durante séculos, boa parte das relações entre a Terra e o Solnão era bem compreendida. Não foi fácil, por exemplo, explicar as estações, causadaspor uma inclinação de 23,5 graus do globo terrestre (ele às vezes expõe ao Sol oHemisfério Norte, outras vezes o Hemisfério Sul). Não se suspeitava disso até o séculoXVI, quando Copérnico formulou a teoria de que a Terra gira ao redor do Sol, e não ocontrário. Vê-se, por aí, como foi longo o caminho para se compreender por que e como
  7. 7. o Sol influencia o clima. Embora muito perto, comparado a outras estrelas, o Sol estámuito longe da Terra 150 milhões de quilômetros para os padrões humanos. Além disso,devido a essa mesma distância, a Terra capta ínfima parcela de toda a energia que osastro-rei espalha em todas as direções: 2 milésimos de 1 milionésimo do total. O quevale é que isso basta para manter a casca terrestre a uma temperatura média de 14 graus.Mais ainda: se retivesse toda a energia recebida, o planeta torraria e os organismosvivos desapareceriam. Por isso, a natureza também providenciou um mecanismo paramanter o necessário equilíbrio: parte dos raios solares, quando incidem na atmosfera,são refletidos para o espaço, como se batessem num espelho. Uma terça parte da energiasolar, dessa forma, nunca chega a penetrar no ar. Dos dois terços restantes (cerca de67%), parte fica retida nas diferentes camadas atmosféricas; de modo que somente 45%chegam à superfície.Dito isto, é importante perceber que a energia sempre faz uma viagem de ida e volta:depois que chega ao planeta, este volta a irradiá-la para o espaço, em quantidadeexatamente igual à que recebera. É porque devolve energia que a Terra não se aquecedemais. A única diferença é que a energia caminha na forma de luz, entre o Sol e aTerra, e na forma de radiação infravermelha, da Terra para o espaço vazio (apenas aenergia refletida, como num espelho, preserva a forma de luz). Isso é fundamental, poiso ar deixa entrar a luz mas tende a reter o infravermelho, contribuindo para esquentarcerta região. O ar sobre os pólos, por exemplo, tem pouco vapor de água, que é bomabsorvedor de infravermelho. Assim, a energia, ao ser irradiada, não encontra obstáculo:perde-se no espaço e não ajuda a elevar a temperatura.Nas zonas equatoriais ocorre o contrário: como contêm dez vezes mais vapor que ospólos, armazenam melhor o calor. O ajuste dessa defasagem térmica é feito pelacirculação geral atmosférica: as massas de ar deslocando-se de um ponto para outrotransportam calor junto com elas. E esse intercâmbio se dá entre o ar quente daslatitudes tropicais e o ar frio das latitudes polares.Em princípio, para restaurar o equilíbrio, bastaria que o ar quente dos trópicos fluísseverticalmente até os pólos. Os trópicos perderiam calor que o ar deixaria nos pólos,voltando frio ao ponto de partida. Essa proposta de circulação foi realmente feita, em1735, pelo cientista inglês George Hadley (1685-1768). Mas provou ser inviável porquea Terra não está imóvel, ela gira. E a rotação, devido a um complicado componente dagravidade chamada força de Coriolis entorta os ventos, por assim dizer. Sempre que o artende a correr de norte para sul, por exemplo, é obrigado a dobrar na direção leste-oeste.Por isso, não há caminho direto do equador para o pólo ou vice-versa. No caso dosventos de direção norte-sul, as trajetórias são elípticas ou concêntricas. As primeirasocorrem nas zonas de alta pressão, ou anticiclones. As segundas ocorrem nas zonas debaixa pressão, chamadas ciclones.O encontro entre massas de ar dos pólos e do equador é que gera frentes frias ouquentes. Dependendo de como se formam, as massas de ar são úmidas ou secas: sobreos oceanos, são úmidas; sobre os continentes, secas. Os ventos alísios, por exemplo,sopram dos trópicos para o equador, convergindo para a franja equatorial. Assim,provocam a chamada zona de convergência intertropical, uma das áreas mais chuvosasdo planeta. De fato, nela se encontram as matas equato-riais e florestas chuvosas, sejana Ásia ou na América do Sul.
  8. 8. Numa situação inversa, nos continentes em que há pouca penetração de vento marítimoequatorial, pode haver forte carência de água. No deserto tropical, chega-se a um limite:menos de 100 milímetros anuais, comparados aos 1 500 a 2 000 milímetros de chuvacarregados pelos ventos alísios. Esse sistema de circulação geral é vital para a saúde doplaneta, pois influi decisivamente sobre a vida dos organismos e dos ecossistemas, que,por tabela, volta a a mexer com animais e plantas.A maior parte da umidade da Terra, como não podia deixar de ser, encontra-se nosoceanos: eles ocupam 70,8% da superfície e respondem por 84% da água atmosférica.Os raios solares evaporam água oceânica, assim como dos mares, rios e lagos. Por sermais leve que o ar, o vapor vai para as camadas altas da atmosfera, mas só permaneceno céu enquanto houver calor. A capacidade da atmosfera não é ilimitada: se elaconcentra vapor em demasia, ocorre saturação, que se traduz em ar carregado de chuvaem potencial.Pode-se avaliar o grau de umidade em números. Basta dividir a quantidade de vaporcontida em certo volume de ar pelo máximo valor admissível. A regra é: quanto maior atemperatura, mais vapor pode haver. O resultado é uma porcentagem que mede aumidade relativa do ar: em Brasília, no inverno, che--ga-se a um limite 12% em que ocorpo hu-mano começa a ser prejudicado pela falta de umidade. O inverso ocorrequando o ar está saturado, com 100% de umidade. O ar, então, fica à beira de umamudança em grande escala, pois é incapaz de admitir mais vapor. Imagine-se que, poralgum motivo, haja uma pequena redução na temperatura: como a umidade já estava nomáximo, parte do vapor é forçada a passar para o estado líquido, em minúsculaspartículas cujo diâmetro não supera 3 centésimos de milímetro. Agrupadas em nuvens,elas constituem a chuva.Pluviômetro é o aparelho que mede a quantidade de chuva curiosamente, em milímetros(mm), uma unidade de comprimento. Mas quando se diz que choveu 0,5 mm, significaque esta é a profundidade de água que cobria todo o solo na região da precipitação.Considera-se chuva leve se caiu 0,5 mm em 24 horas; e forte, se a queda foi maior que 4mm. Quando a chuva se deve ao ar frio procedente dos pólos, se diz que a chu-- vaprocede de uma frente fria. Mas a precipitação também pode ser causada por umprocesso oposto: quando é uma frente quente e úmida que atropela massas de ar emregião fria.Há ainda chuvas produzidas por propagação. É que as massas de ar quente sempresobem e esfriam à medida que sobem. Assim, o vapor de água contido no ar esfria e seprecipita. É fácil identificar esse tipo de chuva, pois decorre de nuvens brancas, densas ealgodoadas, chamadas cúmulos. Quando há muita umidade, o branco torna-se cinza-escuro e a nuvem ganha o nome cúmulo-nimbo, que verte sua carga de formaparticularmente intensa, acompanhada de tormenta, raios e granizo. Em outras ocasiões,as chuvas são ditas de convergência porque as massas de ar sobem com ajuda de ventos,os alísios. Estas chuvas também geram pancadas fortes, próprias das zonas equatoriais.
  9. 9. Enfim, há precipitações causadas por montanhas no caminho das massas de ar. Paraatravessar o obstáculo, o ar tem que subir, o que resfria o vapor quando chega do outrolado da montanha, a nuvem está completamente vazia. A se--ca é um problema bemdiferente: ao contrário da chuva, ela se dá pela descida de ar para a superfície. Issoimpede a formação habitual de nuvens, situação que ocorre nos anticiclones. Entre osfatores que influenciam o início desse fenômeno devastador encontra-se a ausência deventos úmidos, a oscilação dos níveis de radiação solar ou distância muito grande deuma região aos oceanos.Para saber mais:O fim da natureza(SUPER número 2, ano 4)Redomas de calor(SUPER número 4, ano 6)Secou porque não ventou(SUPER número11, ano 8)O que a ciência sabe(e o que a ciência não sabe)(SUPER número 6, ano 9)Será que vai chover ?(SUPER número 3, ano 11)Vestígios de uma seca do passadoAcredita-se que uma erupção vulcânica e 300 anos de seca tenham levado ao declíniodo império mesopotâmico, há cerca de 3 500 anos. A tese é do arqueólogo americanoHarvey Weiss, da Universidade Yale, e da geóloga francesa Marie-Agnes Courty, cujotraba-lho foi publicado recentemente pela revista americana Science. A erupção,comprovada pela geóloga, fez cair a temperatura. Ao mesmo tempo, diz Weiss, umamudança climática diminuiu o nível de chuvas e trouxe a seca. Embora ainda seja fértil,a região tem hoje várias áreas desertificadas.
  10. 10. MicroclimasEm um bosque frondoso, a copa das árvores acumula a maior parte da radiação solar, oque significa que o chão, permanecendo quase todo o dia na penumbra, é bem maisfresco. Assim se define um microclima ou seja, um local restrito, ou isolado da regiãoem torno. Assim, a temperatura na região de um bosque, no verão, pode ser 5°C maisalta que a do próprio bosque. As metrópoles são outro tipo de microclima nesse casoporque geralmente estão cobertas por massas de ar quente, situadas a cerca de 120metros de altura, criadas pela poluição. O resultado é a criação de ilhas de calor: assim,a temperatura no centro de uma cidade, por exemplo, pode estar 6°C acima da debairros distantes, ou mais arborizados, e da zona rural.Tempo quenteA cada onze anos, o Sol muda de cara: em um período, não apresenta nenhum traçoespecial e em outro, aparece salpicado de manchas escuras. Quando elas ocorrem, o Solmostra maior atividade e radiação. O desaparecimento das manchas causa diminuiçãoda temperatura global em até 2 graus. O Pequeno Período Glacial entre 1450 e 1850coincidiu com a escassa presença de manchas solares. O ciclo de onze anos de duraçãodas manchas foi estabelecido pelos registros feitos entre 1750 e 1980. Na Antigüidade,os astrônomos chineses e gregos sabiam da existência dessas manchas escuras.Tornados, tomentas e furacõesOs tornados têm diâmetro entre 50 e 500 metros, e velocidade supe-rior a 75 metros porsegundo. Nos Estados Unidos, são a tempestade atmosférica mais temida. Aparecemonde há diferenças extremas entre a direção das massas de ar frio e quente. Astormentas têm outra origem. Nascem no encontro de ar quente das camadas baixas daatmosfera e o ar frio das camadas mais altas. Cristais de gelo são jogados para cima epara baixo, literalmente criando eletricidade no céu: eles colidem contra gotas de água eprovocam troca de elétrons em suas moléculas. As partículas eletrizadas desse modoacabam descarregando a tremenda energia acumulada na forma de relâmpagos. Asdescargas elétrica viajam do céu para o solo ou vice-versa, e têm até 100 milhões de
  11. 11. volts. Furacões, enfim, nascem do ar quente sobre o mar, sobem espirais para o céu esão enormes.A cara das nuvens muda com a alturaOs nimbos-estratos são densos, cinzentos e chuvosos, e ficam a 1 quilômetro de altura.Depois vêm os estratos, 1 000 metros acima, que produzem chuvas e neve. O cúmulo-nimbo (3 quilômetros) e o nimbo (5 quilômetros) são nuvens verticais densas, quelembram couves-flores. O primeiro é escuro, e o segundo, claro. Entre 6 e 8 quilômetrosse formam os estratos-cúmulos e altos-cúmulos, de distribuição irregular e comondulações. Entre 9 e 12 quilômetros estão, em or-dem de altura, os altos-estratos,cirros-cúmulos, cirros-estratos e cirros.Os muitos caminhos do arEntenda a escala de ventos (em quilômetros por hora), criada pelo almirante irlandêsFrancis Beaufort, em 1805:

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