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dos gritos, das faixas inflamadas e dos sentidos epítetos dirigidos à mãe de Passos - sem sersentida ou assumida a necessi...
As alterações no padrão de vida, de aspirações ao consumo, o muito superior nível educativo eda formação profissional dos ...
comerciantes lusos – os que dependem do mercado interno, entenda-se – a desprezar a ofertade 5.5% de TSU promovida pela bi...
Nestas condições, de transferência de capitais para um sistema financeiro, mais flexível erentável, despojado da necessida...
da OCDE... Sobretudo nos tempos que correm quando se preparam cortes salariais e naspensões, dificuldades ou custos acresc...
Neste sentido, há que proceder à concertação das lutas dos povos, numa baseinternacionalista dada a integração dos espaços...
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1 - A despolitização e o controlo social
2 - Elementos básicos para a construção de alternativa

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A despolitização, o controlo social e as alternativas

  1. 1. A despolitização, o controlo social e as alternativas1 - A despolitização e o controlo social2 - Elementos básicos para a construção de alternativa +++++++++++++++++++ 1- A despolitização e o controlo socialOs tempos estão difíceis.Estão difíceis para a multidão, pelas questões que sabemos – desemprego, cortes nosrendimentos e nos direitos, falsa democracia, ausência de futuro… Pretendemos capear, emseguida, essas dificuldades, por uma razão que se situa a montante, uma razão que,verdadeiramente, introduz dificuldades na compreensão do momento que se vive e, nodesenvolvimento de uma contestação organizada e genuína, de refundação democrática dasolidariedade e da equidade. A despolitização.A despolitização das últimas décadas, programada pelo poder, está contemplada naConstituição, ao remeter para os partidos – com legalidade e subsistência financeiraassegurada pelo Estado – todo o protagonismo na ação política. E é errado acusarexclusivamente a classe política saída do PREC, por isso. À medida que o tempo foi passando, opovo foi engolindo as várias colheres de xarope de histamínicos para se manter sonolento,sem os efeitos da alergia que convenientemente deveria ter sentido, desde que o regimefascista caiu, face aos gangs mafiosos que têm constituído o grosso da chamada classe política. • Numa primeira fase, o povo foi engolindo a necessidade da “consolidação democrática” excelentemente retratada por José Mário Branco no seu “FMI” (consolida, filho, consolida!) quando, de facto, o que se consolidava era o poder do capital e a corrupção, sua inerência, em termos monetários e de valores; • Depois, seguiram-se as colheres da “maioria de esquerda” em que o PC mascarava o seu confortável conformismo com a eterna espera de que o PS desenterrasse o seu parco esquerdismo do passado; e assim, o povo esperava, adiava as mudanças, talvez para as próximas eleições, cada vez menos participadas; • Entretanto, advieram duas doses de “FMI”, mistura de purga e diurético que provocaram forte desarranjo na vida dos trabalhadores, em 1977/79 e 1983/85; mas, os portugueses são um povo de fé e continuaram a encontrar a alegria de viver no consultório do médico de família, o PS/PSD;http://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 1
  2. 2. • O xarope seguinte veio do exterior e tinha na embalagem o rótulo “CEE”. De acordo com a bula inclusa, curava a tosse mais impertinente, a bulimia, a falta de estradas, de dinheiro, de amigos, de prestígio… E não teria contra-indicações para grávidas, cardíacos, epiléticos ou diabéticos; • A felicidade era tanta quanto a dos jovens caloiros fardados de negro depois de beberem 20 ginginhas no Rossio. Foram sorvidas doses industriais de fundos comunitários e crédito, à medida que se passeava nas novas autoestradas vendo a indústria definhar e a pujança de uma bem visível nova indústria, a do imobiliário, ouvindo o mavioso som das betoneiras; • Entretanto, veio a receita do euro, sem redução do fluxo de dívida nem da saída de capitais para o exterior. Está tudo bem, assegurava-se no consultório do PS/PSD; as dores nas costas é do tempo, as digestões curam-se com dieta, a prisão de vente com um laxantezito, as impinges com uma pomadita, a queda do cabelo com um elixir, as mamas descaídas com uma cirurgia plástica, a disfunção eréctil com uns comprimidos azuis… mesmo para os benfiquistas mais ferrenhos; • A alegria feneceu, não com a gripe aviária ou a gripe A, mas com quatro frascos de PEC e uma consulta ao especialista Troika, depois de uns açoites dados pela mamã Merkel, a Sócrates e Passos. Tudo acabará em bem, para si e sua excelentíssima família, aconselhou o médico de família, PS/PSD, na presença do estagiário Portas, após um esforço coletivo e algumas, poucas mas, notórias excepções.O consumismo, adocicado com doses de xarope, ou as doses de xarope acompanhadas deconsumo real ou projetado afetaram a capacidade de pensar e causaram efeitos colaterais navisão, contribuindo, em conjunto, para uma feliz despolitização, conveniente para a impunemontagem de um estado de cleptocracia avançado.Assim e apesar do seu arrastar de modo larvar, a crise, ao explodir em 2008 com ondas dechoque crescentes com a passagem do tempo-espaço (ao contrário das bombas), encontrouuma população desprevenida e desprovida do hábito e da capacidade para uma abordagemmais profunda das causas, dos efeitos e das soluções.Em 2011 foi ensaiado um xarope placebo chamado eleições, que substituiu a diarreia peladisenteria; e entretanto, os laboratórios da margem esquerda do parque industrial do controlosocial mostram-se muito ativos na promoção do mesmo produto, na esperança demelhorarem as suas comissões de venda e assim garantirem ou, mesmo criarem, novos postosde trabalho, com rebuçados do dr. Keynes.Na realidade, a plebe hesita ou mostra-se mesmo consciente de que o médico de famíliaPS/PSD está velho, gordo, reumático e gangrenado, só resistindo porque ligado à máquina darepressão e ao apoio comunitário; no entanto, há quem dê ouvidos à gritaria dos delegados depropaganda dos laboratórios da margem esquerda, reles vendedores de banha da cobra, aindaque com qualidade atestada pela ASAE.A ilusão resultante da despolitização provocará o comodismo da toma do fármaco eleições;ou, será a preguiça mental que constrói a ilusão de que tudo passará, através dofuncionamento do mercado de bens e de serviços, incluindo nestes, os eleitorais? Poucoimporta se aquilo a que se assiste é a um arrastar dolente – apesar das marchas e procissões,http://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 2
  3. 3. dos gritos, das faixas inflamadas e dos sentidos epítetos dirigidos à mãe de Passos - sem sersentida ou assumida a necessidade da morosa e difícil construção de alternativa, para além econtra o sistema de ditadura do mercado e das suas instituições. Nesse entretanto e para oefeito, afadigam-se no seio do movimento social, os novos e velhos sofistas, candidatos amandarim, no sentido de reconstruir o controlo social e tornarem-se os seus gestores.Os quadros partidários têm, em geral, baixa cultura política, mesmo quando possuidores deelevadas habilitações académicas; para confraternizar com uma plebe ignara e mansa, vaichegando. Em contrapartida, sentem-se confortados por se inserirem numa cadeiahierárquica, detentora da “linha justa” e sobra-lhes um forte espírito de pertença à seita,semelhante ao das claques do futebol, mais baseado na emoção, no espírito de grupo, do quena endogeneização de uma capacidade argumentativa.Perante os neófitos ou potenciais recrutáveis, aquelas são as caraterísticas que mais usam,acenando com o conforto de se estar num grupo alargado, quando o contexto social, sabemostodos, é gerador de isolamento e individualização. A tática para o recrutamento não é diversada utilizada pela IURD ou pelas Testemunhas de Jeová junto de suburbanos desenraizados.Nesse contexto, reagem, sempre ríspidos, às críticas vindas de meios anarquistas oualternativos ou, encolhem as orelhas, não respondendo às mesmas, para evitar discussõesonde se possa evidenciar mais a pobreza política do partido junto das “massas”; e logo sesentem tocados quando alguém critica o seu clube, tomando a crítica como algo próximo doataque ou ofensa pessoal. Parece que, como pessoas, se anulam em função da sua claque,como as formigas face ao formigueiro. A não reivindicação de carta de alforria pouco aconteceporque no fim da sua estrada está um cargo de mandarim e mordomias estatais.2 - Elementos básicos para a construção de alternativaEntendemos que no quadro do atual sistema capitalista de cariz neoliberal não há uma soluçãoaceitável para a multidão - em Portugal como em qualquer outro local - e que um regurgitarkeynesiano do sistema é ineficaz ou contraproducente; e, por outro lado, que o atual modelode organização e representação política não é mais tolerável para amplos setores da multidão.Desde os anos setenta que o capitalismo não era tão falado como causa profunda dos nossosproblemas; e os modelos políticos de eleições mais ou menos manipuladas por partidosconservadores, instalados numa ilusória dicotomia direita-esquerda, estão muitodesacreditados1. A questão não se coloca, como então, entre a chamada democracia burguesa,com os seus partidos e a democracia popular, operária ou de semelhante designação, dirigidapor um partido único, com a legitimidade do seu auto-convencimento como unívocaemanação dos trabalhadores.A tese de que existem classes sociais tendencialmente revolucionárias não é mais defensável,de modo determinista, depois das experiências históricas do seu apoio a regimes fascistas epopulistas ou, do desastroso produto final de levantamentos genuinamente revolucionários etransformadores.1 http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/sondagem-diz-que-87-dos-portugueses-estao-desiludidos-com-a-democracia-1563811http://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 3
  4. 4. As alterações no padrão de vida, de aspirações ao consumo, o muito superior nível educativo eda formação profissional dos trabalhadores, a segurança social e a institucionalização sindicalalteraram, moderando, os anseios de transformação no pós-guerra. E, nos países menosdesenvolvidos ou em industrialização – apesar do impacto destruidor e entrópico docapitalismo - não se verifica também a existência de amplos movimentos de trabalhadorescom enquadramento político. Nem sempre a miséria e o desemprego conduz à revolução,como foi considerado, mecanicamente nos cânones.Por seu turno, a complexidade do processo produtivo aumentou imenso e exige trabalhadoresqualificados para lidar com máquinas e computadores, em tarefas que envolvem micro-decisões integradas em redes de complementaridades mútuas. A segmentação e a repartiçãoda produção pelo mundo separa geograficamente os trabalhadores contidos na cadeia devalor capitalista mas, torna-os integrados mundialmente numa produção global única. Issotende a apagar da História a razão de ser das nações e da sua função de prisões de povos,excepto enquanto autarquias de gestão, divisão e desvalorização do trabalho, entretanto jáglobalizado.Aquela segmentação e a integração da produção em redes rizomáticas – físicas e deinformação – têm, como essenciais protagonistas, trabalhadores com decisõescomplementares e interdependentes. Como é o conjunto dos trabalhadores que detém todo osaber científico e técnico, de gestão e organização, a função do capitalista2 tornou-se, paraalém de nociva, abertamente inútil; constrói-se assim, a base material para a morte docapitalismo como produtor de bens ou serviços.A lógica capitalista, a procura de lucro através da produção de mercadoria, exige uma atitudecompetitiva que, por sua vez, obriga a investimento em tecnologias para aumento daprodutividade; paralelamente, esse aumento do custo de capital, gera enorme pressão sobre opreço direto ou indireto do trabalho, para a manutenção de um nível aceitável de lucros, numciclo que encerra toda a lógica do capital. Tornando-se a taxa de lucro baixa e as necessidadesde investimento imensas, a produção efetiva perde atrativos e adeptos em relação àespeculação de títulos, câmbios, lotes de mercadorias, etc. e à economia mafiosa, que deixa aocapital-dinheiro uma grande mobilidade e versatilidade, quanto ao tipo de aplicação, ao local,ao momento da mesma, propiciando ainda uma reprodução quase instantânea.No âmbito da chamada economia real, da produção de bens e serviços, existe o dilema clássicodo capitalismo que é o da necessidade de vender bens e serviços para recuperar oinvestimento e ter lucro, sabendo que a massa dos potenciais compradores – ostrabalhadores, desempregados, aposentados - ostentam um escasso poder de compra. Doponto de vista dos capitalistas comuns, o grande aumento da produtividade como fruto dodesenvolvimento tecnológico torna grande parte da população mundial excedentária,dispensável como capacidade de trabalho; o que induz uma redução do seu preço, dascondições e direitos laborais, para que cada trabalhador seja “competitivo”, contandonaturalmente, com o aparelho coercivo do Estado, para impor docilidade. Por outro lado,ressentindo-se da falta de poder de compra para venderem os seus bens e serviços, acentuamas suas prendas, com publicidade, promoções, oferta de crédito, para cativarem osrendimentos - presentes e futuros - do povo e ficam com aquela obsessão exportadoraesquecendo que nos outros países a lógica é a mesma. Essa contradição, esse dilema é o doagricultor que quer ter sol na eira e chuva no nabal; foi isso, que fez os estimáveis industriais e2 http://www.scribd.com/doc/5570973/Afinal-qual-a-funcao-social-do-capitalistahttp://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 4
  5. 5. comerciantes lusos – os que dependem do mercado interno, entenda-se – a desprezar a ofertade 5.5% de TSU promovida pela biga Passos/Gaspar.O desperdício de pessoas já não se refere aos trabalhadores desqualificados do “terceiromundo”, como décadas atrás mas, gente com média ou elevada formação expelida daprodução capitalista, existente nos países avançados. E perante essa questão sistémica,estruturalmente, perde parte do significado a aposta na “qualificação da mão-de-obra”presente na propaganda dos governos e nas alternativas da esquerda institucional. Por outrolado, havendo um aumento gradual das qualificações médias, por força da complexizaçãotécnica do processo produtivo o excedente de capacidade de trabalho mantém-se, igualizandotodos os trabalhadores desocupados, com qualquer tipo de habilitações. Cremos que toda agente conhece numerosos casos de pessoas qualificadas a exercer funções para as quais assuas habilitações são excessivas ou desajustadas; é que a sobrevivência física exige que seaceite qualquer trabalho e qualquer patrão, mesmo de vão de escada, adora salários baratos.Os capitalistas tratam de justificar esse “excesso” de capacidade de trabalho com a questão da“empregabilidade”, neologismo que, não por acaso, tem o mesmo prefixo que neoliberalismo.Assim, a mercantilização do ensino – que em Portugal tem conhecidos arautos como oimpagável João Duque, eventualmente a promover a marquês – passa pelo fomento doscursos com interesse para as empresas e o desprezo por outros, sem “empregabilidade”, nasáreas das ciências sociais, da saúde, das humanidades e das artes, remetidos para odesemprego, baixos salários, precariedade laboral; num contexto, em que o Estado se libertade responsabilidades na saúde, na educação e na cultura.Poder-se-á perguntar se o sistema financeiro global não absorverá todo esse excesso dedisponibilidade de gente pronta e qualificada para o trabalho, sem lugar na produção de bensou serviços, na economia chamada real. Claro que não, pois a incorporação de equipamentos,a introdução de automatização transforma os bancos e empresas correlacionadas ementidades vanguardistas na utilização de tecnologias. A utilização de robots para acompanharo jogo dos mercados financeiros não é suscetível de criar uma grande massa de empregos nosistema financeiro.Entre as empresas capitalistas produtoras de bens e serviços, na sua grande maioria,dificilmente deslocalizáveis, pela sua dimensão, pela proximidade dos seus mercados, por faltade meios financeiros e capacidade de gestão, essas, tendem a tornar-se, tal como as famílias,totalmente dependentes do crédito, sem que os bancos estejam interessados em as inserir emconglomerados financeiros ou nas suas carteiras de participações; as que se conseguiremsobreviver, como é óbvio. Por seu turno, as maiores, sobretudo exportadoras, facilmenteescolherão o canto do mundo “emergente” para onde poderão transportar a sua produção.Porém, dada a maior rendabilidade do sistema financeiro, intimamente dependente daliquidez dos capitais que permite “investimentos” de curto ou curtíssimo prazo e com umafaustosa soma de remunerações, há uma forte propensão para a passagem de capitais daeconomia real para o sector financeiro que controla – não por acaso - todas as fórmulas defuga ou fraude fiscal, planeamentos fiscais, utilização criativa de “offshores”, etc. Se noslembrarmos de uns quantos “empresários” mediáticos de tempos atrás, vamos encontrá-loscomo titulares de participações financeiras, acionistas de referência e, certamente, emoperações nas bolsas – Ilídio Pinho, Pedro Teixeira Duarte, Berardo, Manuel Fino, Vaz Guedes…Caso ainda mais interessante é o do velho grupo dos Mellos, que largou a indústria e atracouno negócio das autoestradas e na saúde, com lucros assegurados por contratos com o Estado.http://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 5
  6. 6. Nestas condições, de transferência de capitais para um sistema financeiro, mais flexível erentável, despojado da necessidade de instalações e equipamentos fabris, de grande númerode trabalhadores, problemas de abastecimento de matérias-primas ou colocação de produtos,torna-o dominante e o fulcro do sistema capitalista atualmente. E, como tal, não só influenciao aparelho de estado e os mandarins, como sempre fez, mesmo quando não dominante, comose incrustou nesse aparelho, nomeando e demitindo os mandarins, de acordo com as suasconveniências na área económica mas, também no âmbito do controlo ideológico, social e degestão da democracia de mercado. Neste tempo em que vivemos, no mundo ocidental, osaparelhos estatais, de caráter nacional ou plurinacional foram apropriados pelo sistemafinanceiro global.Se a existência de um sistema financeiro dominante a nível nacional nada tem de novo, acriação multifacetada de órgãos de vocação estatal, de cariz plurinacional, bem como acolonização dessas agregações criativas pelo sistema financeiro global constitui um facto novo.É a primeira vez que existe um sistema global, para além da competição pelo poder que sedesenrola no seu seio que, face aos povos, se encontra unido e concertado. Depois, porque amultidão e os trabalhadores em particular encontram-se a anos-luz desse grau de articulação,unidade e organização; contrariamente ao que sucede com o capital financeiro – no qualprevalecem os fatores de unificação face aos trabalhadores e aos povos, estes acham-se,manietados por diversões estatizantes ou abertamente de direita, constituídas pelas centraissindicais, pelos partidos ditos de esquerda ou da constelação da Internacional Socialista.No quadro da mercantilização crescente da satisfação das necessidades humanas – reais ouartificiais – da concentração de capitais no sistema financeiro e colaterais, da segmentaçãoregional da produção de bens e serviços, não há lugar para milhões de pessoas no designadomundo desenvolvido, estando ainda em curso medidas de contenção demográfica, comdestaque da China.Nos países ocidentais, a apropriação do aparelho de estado pelo sistema financeiro,acompanhada pela menor relevância relativa na produção de bens e serviços gera grandesencargos sociais relativos a uma população envelhecida, com grande desemprego e enormesbolsas de pobreza. Cabe a este propósito referir o logro ideológico que em Portugal seestabeleceu sobre uma “classe média” que deve ser encarada mais como um conceitoestatístico do que propriamente referindo a existência de um grupo social próspero e capaz desuportar uma economia equilibrada, com um volume razoável de rendimentos. O quadroseguinte descreve a repartição dos agregados familiares de acordo com o rendimento bruto,em 2010… antes do assalto perpretado pelo PS/PSD e pela Troika. M3 - 1 M3 - 2 <19000 € 60,7 58,7 19000-50000 € 35,8 29,5 >50000 € 3,6 11,8 Total agregados (1000) 3309,6 1410,8 M3-1 – Apenas rendimentos de trabalho e pensões M3-2 – Existência de outros rendimentosÉ fácil perceber que um rendimento bruto anual inferior a 19000 € não permitirá um grandenível de bem-estar sobretudo nos agregados com duas ou mais pessoas. As faixas intermédias,tendo em conta que a grande maioria dos preços em Portugal são de caráter global – quandonão mais elevados – não permitem um nível de vida que se aproxime do observado na Europa,por muito que se sublinhe que Portugal é um país comunitário, do euro, entre os países ricoshttp://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 6
  7. 7. da OCDE... Sobretudo nos tempos que correm quando se preparam cortes salariais e naspensões, dificuldades ou custos acrescidos no acesso à saúde e uma vasta gama de reduçõesnas deduções em sede de IRS. Essencialmente, em Portugal há pobres, menos pobres (pobrezaenvergonhada, como se designava no tempo do fascismo) e uma classe média ridiculamentepequena; ter uma casa (desvalorizada pelo mercado) para pagar por dezenas de anos e umacarripana à porta não é suficiente para caraterizar uma classe média.Entre a mobilização do dinheiro dos impostos para o pagamento de juros de dívida, dos gastoscom o aparelho da defesa e segurança ou os vários expedientes de contratação e formação derendas, por um lado e, o cumprimento das obrigações sociais nas áreas da saúde ou daeducação, o sistema financeiro dominante não hesita nas ordens que transmite aos mandarinsdo momento. Entre o contributo para a aumento da produtividade e da competitividade ou ocumprimento escrupuloso do serviço de dívida e a redução do impacto da recessão namultidão, a escolha é conhecida.Tendo plena consciência do seu domínio político a nível global, do seu controlo das principaisentidades plurinacionais ou internacionais da globalização, o sistema financeiro temprogramada a libertação do planeta de toda uma massa de gente, improdutiva, comoreformados, desempregados e pobres em geral tomados como fatores de custo orçamental eainda, fracos consumidores. E, com toda a frieza, programam a redução e a burocratização doacesso a cuidados de saúde, as condições de habitação e alimentação, num genocídio lento edisfarçado que pretende reservar o planeta para uma nova casta, já não baseada na raça,como os nazis mas, no poder do dinheiro, bem como dos seus serventuários: mandarins,mercenários policiais e militares e os produtores de bens e serviços necessários ao seu bem-estar e reprodução social.Nos tempos de hoje, não se está na presença de uma crise vulgar, na parte baixa do cicloeconómico, como aconteceu aqui, em 1983/85 ou em 1993/95 quando, respetivamente, achegada de fundos comunitários, ou a bolha do crédito e do imobiliário se iniciaram, para daruma ideia de progresso (pugresso como diz Cavaco), de modernidade, de bem-estar. Esta crisenão tem uma solução nacionalista, dada a integração de Portugal na Europa comunitária e naeconomia global.Trata-se de uma crise generalizada a todo o mundo ocidental, suavizada pelas fortes taxas decrescimento dos países chamados emergentes. Não se resume a uma luta dos vários gruposcapitalistas pelo controlo dos recursos e da capacidade de trabalho; há uma preocupação emabater parte substancial dessa capacidade de trabalho, em avançar com um ajustamentodemográfico que a de que a “procura” de trabalho às necessidades das empresas.Por conseguinte, o capitalismo não procura apenas salários reais mais baixos a partir deatualizações inferiores à taxa de inflação, no âmbito da habitual luta entre patrões etrabalhadores, de caráter sindical - mesmo esquecendo a integração conservadora no sistemacapitalista da esmagadora maioria das instituições sindicais - somada à habitual intervençãodos governos e dos Estados.Trata-se de assumidas reduções reais de salários e de direitos impostas de uma forma brutalpelo capital financeiro global com a utilização de instrumentos de ordem política, impostospelos governos. Essa atuação dos estados não se restringe a uma pressão sobre ostrabalhadores, pois abrange a esmagadora maioria da população, com particular gravidadesobre desempregados, aposentados e a população marginalizada em termos de rendimentos edireitos.http://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 7
  8. 8. Neste sentido, há que proceder à concertação das lutas dos povos, numa baseinternacionalista dada a integração dos espaços e dos povos através da globalizaçãocapitalista; à declaração do caráter decididamente anticapitalista, uma vez que capitalismocorresponde a desperdício, desigualdades, miséria e ameaça de genocídio para partesignificativa da Humanidade; à afirmação de democracia verdadeira, com a recusa doordenamento da democracia de mercado, com o seu estado repressivo, aos seus partidos eprofissionais da política, como principal instrumento de domínio político por parte do capitalfinanceiro, com a entrega do poder de decisão à multidão auto-organizada.A verdadeira alternativa não se encontra dentro do sistema político atual, na sua estruturaeconómica, nem na sua falsa democracia. A alternativa é a multidão assenhorear-se de toda atecnoestrutura produtiva e orientá-la para a satisfação das necessidades da Humanidade e nãopara o lucro e o primado da mercadoria; a alternativa é uma democracia protagonizada porgrupos de pessoas comuns, com relações de proximidade e interdependência, ultrapassandoas atuais divisões nacionais, étnicas ou religiosas.Este e outros textos em:http://pt.scribd.com/people/documents/2821310?page=1http://www.slideshare.net/durgarrai/documentshttp://grazia-tanta.blogspot.com/http://grazia-tanta.blogspot.com/ GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 22/10/2012 8

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