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As desigualdades entre mais pobres e menos pobres
Os países com grandes saldos positivos no comércio
externo são a Alemanha, a China e a Rússia; os que
acumulam grandes deficits são os EUA e o seu acólito
Grã-Bretanha
As oligarquias financeiras, as classes políticas - regionais ou nacionais - e a competição
comercial vão destruindo o planeta; perante a ausência e as dificuldades dos povos na
superação do desastre anunciado. Talvez um dia a multidão dos humanos se liberte da
estupidez nacionalista, do torniquete capitalista, se canse das corruptas classes
políticas e saiba como coexistir sem preocupações com o PIB, a dívida, as fronteiras e a
competição, sem forças armadas e seus arsenais. Convirá é que isso aconteça antes do
planeta entrar em decadência irreversível e que o capitalismo, direta ou
indiretamente, deite tudo a perder.
Os saldos comerciais
Procedemos a uma recolha para cinco anos de dados (2016/21) sobre o comércio
externo de mercadorias, da maioria dos países europeus e ainda da China, da Rússia e
dos EUA. Assim, para cada um dos países identificados, apurámos os principais
parceiros na exportação e na importação, com o apuramento de deficits e superavits.
Os países com excedente comercial médio (milhões de dólares) nos seis anos do
período (2016/21) são os seguintes, incluindo-se também no quadro, o excedente
médio por ano e habitante. Os valores por habitante são baixos mas, quando
multiplicados pelo volume da população, sobressai uma quantia enorme de dinheiro
que, naturalmente, será gerido por capitalistas e pelas classes políticas, gestoras do
aparelho de Estado, manipuladores da legislação e, sempre atentos para subtrair mais
um pouco dos bolsos da população. É evidente que um excedente resultante de uma
atividade assente na produção material tem um significado muito superior do que um
outro onde, na contabilização do PIB, domine a produção de serviços e as habilidades
do sector financeiro na criação de “valor”.
País
Superavitanual
médio
(2016/21) (M $)
$/hab País
Superavitanual
médio
(2016/21) (M $)
$/hab
Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 2
Alemanha 248.2 3.0 Itália 58.3 1.0
Bélgica 21.1 1.8 Países Baixos 65.5 3.9
China 478.8 0.3 Rep. Checa 19.1 1.7
Dinamarca 8.8 1.5 Rússia 154.6 1.1
Hungria 6.7 0.7 Suíça 36.0 4.0
Irlanda 61.8 12.4 Total 1159.0 0.6
Nos países atrás considerados e, quanto aos excedentes comerciais, sobressaem a
China e a Alemanha, logo seguidos pela Rússia que, em conjunto, representam cerca
de 2/3 do total do excedente relativo ao conjunto dos países destacados. Em termos
de superavit anual por habitante, o país que mais se destaca é a Irlanda com $ 12.4,
surgindo com um valor aparentemente irrisório, o indicador relativo à China… $ 0.3
por habitante.
O cálculo para os países com um regular deficit comercial, em todos os anos do
período (2016/21) mostra uma grande diferença face aos países elencados atrás e,
evidencia ainda, no quadro seguinte, quanto cabe anualmente, em média, a cada
habitante.
País
Deficit anual
médio
(2016/21) (M $)
$/hab País
Deficit anual
médio
(2016/21) (M $)
$/hab
Bulgária -3.7 -0.5 Grã-Bretanha -214.9 -19,0
Chipre -5.7 -4.7 Grécia -23.5 -2.3
Croácia -10.0 -2.5 Letónia -2.9 -1.5
Espanha -30.7 -0.7 Lituânia -2.3 -0.8
EUA -947.6 -2.9 Malta -3.4 -8.5
Estónia -1,7 -1.3 Portugal -18.7 -1.9
Finlândia -2.9 -0.5 Roménia -19.0 -1,0
França -94.1 -1.4 Total -1381.1 -2.4
Na sua maioria, trata-se de países de pequena dimensão demográfica e económica.
Sobressai, claramente, o deficit anual médio dos EUA, com um valor cerca do dobro do
superavit chinês durante o mesmo período, seguindo-se a Grã-Bretanha, o segundo
maior desequilíbrio, com um deficit acumulado de $ 1289 M em seis anos. De modo
mais preciso, os EUA, a despeito do seu potencial tecnológico, apresentam a balança
comercial mais desequilibrada, entre todos os países considerados. Nenhum país
poderia contrair empréstimos para colmatar tamanhos deficits; porém, os EUA, como
emissores incontrolados e incontroláveis da sua moeda – que sabem ser aceite na
Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 3
generalidade – espalham a sua moeda pelo mundo, confiantes de que o resto do
mundo não vai entregar dólares à Reserva Federal e, menos ainda, reclamar parte do
ouro em Fort Knox; de facto, os EUA são totalmente insolventes.
As transações e pagamentos feitos na Ásia – mais ou menos no seio da Organização de
Cooperação de Xangai - vão-se processando nas suas moedas próprias, sem
intervenção do dólar, como se assistiu, recentemente, na sequência da guerra na
Ucrânia.
A soma dos deficits dos EUA e da Grã-Bretanha em 2016/21 foi de $ 6974 milhões, um
valor que quase corresponde ao total dos excedentes revelados pelo grupo de países
com superavits comerciais ($ 6954 milhões). Enquanto a maioria dos países procura
tanto quanto possível gerar um superavit – o correspondente a uma poupança – o
neoliberalismo descabelado e agressivo do binómio EUA/GB, apresenta deficits
enormes que se situam fora das preocupações do FMI. A arrogância associada às taras
imperiais está bem espelhada na incapacidade de Biden e do recentemente apeado,
Boris.
A França surge, em seguida, com um deficit global acumulado muito acima do
observado por Espanha, Portugal Roménia e Grécia; no entanto, quando se focam os
valores do deficit em $/hab, os casos mais relevantes são os de Malta e Chipre. Uma
comparação entre os países ibéricos mostra uma clara diferenciação entre ambos.
Como dissemos, o volume de dólares em circulação tem pouco a ver com a produção
de bens e serviços e, de facto ancora-se na especulação financeira; o sistema
financeiro dinheiro abundantemente e em cada momento. Há poucos anos, os valores
ancorados na bolsa de Nova York e no NASDAK representavam 46% do total das bolsas
mundiais e, as principais empresas americanas de referência (Microsoft, Apple,
Amazon, Alphabet e Facebook) eram avaliadas na revista Fortune em $ 5,444 biliões
(um bilião, na norma maioritária na Europa corresponde a 1*10^12).
O terceiro grupo de países, exceptuando a Polónia, é constituído por países de pouca
população, três dos quais com um grau elevado de riqueza – Áustria, Luxemburgo e
Suécia. Neste conjunto heterogéneo, os resultados líquidos têm pouco significado
excepto no caso da Áustria que em 2017 evidenciou um superavit distanciado dos
deficits observados nos outros anos em apreço; e, refira-se ainda, um centro financeiro
chamado Luxemburgo que só em 2016 mostrou um superavit comercial externo.
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País
Deficit/superavit
anual médio
(2016/21) (M $)
$/hab País
Deficit/superavit
anual médio
(2016/21) (M $)
$/hab
Áustria 8.8 5.8 Luxemburgo -6.4 -64,1
Eslováquia 0.7 0.9 Polónia -1.3 -0.2
Eslovénia -0.1 -0.3 Suécia 0.6 0.3
Para todos os países considerados, vamos observar as respetivas dinâmicas, entre
2016 e 2021, no âmbito da globalidade das suas relações comerciais. Os indicadores
que se apresentam em seguida mostram as situações de países com superavit
comercial em todos os anos do período referido (valores em US $ 10^6).
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2016/21
Alemanha 276 280 271 251 207 205 1489
China 530 431 359 430 535 588 2873
Bélgica 19 20 14 19 24 31 127
Dinamarca 10 9 7 13 10 3 53
Hungria 11 9 7 5 7 2 40
P. Baixos 60 66 67 62 67 71 393
Irlanda 50 44 57 69 81 70 371
Suíça 33 30 31 37 28 57 216
Itália 55 54 46 63 72 59 350
Rep Checa 20 19 18 20 21 17 114
Rússia 103 130 211 179 105 199 928
1167 1093 1087 1146 1157 1303 6954
Descortina-se, neste conjunto, a elevada dimensão do superavit chinês e, num plano
inferior, os indicadores positivos da Alemanha e da Rússia; mais modestos são os
valores associados aos Países Baixos, à Irlanda e à Itália.
Os valores associados aos países com deficits persistentes são muito díspares, com
destaque para os indicadores dos EUA e muito mais atrás, para a Grã-Bretanha, com a
França num terceiro posto; qualquer deles com uma clara progressão durante o
período. França e Grã-Bretanha mostram valores muito distintos, embora com
volumes de população pouco diferentes. Num terceiro escalão de valores, destacam-se
– Espanha, Grécia, Roménia e Portugal, ainda que sejam distintos os graus de riqueza
entre a Espanha e os restantes citados.
Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 5
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2016/21
Bulgária -2 -3 -4 -4 -3 -6 -22
Chipre -5 -6 -6 -6 -6 -6 -34
Croácia -8 -9 -11 -11 -10 -12 -60
Espanha -19 -30 -45 -38 -18 -35 -184
EUA -798 -859 -943 -921 -982 -1183 -5686
Estónia -2 -2 -2 -2 -1 -2 -10
Finlândia -3 -3 -3 -1 -3 -5 -17
França -69 -86 -96 -87 -93 -132 -565
Grécia -20 -23 -26 -24 -20 -28 -141
Letónia -2 -3 -4 -3 -2 -3 -17
Lituânia -2 -2 -3 -3 -1 -4 -14
Malta -3 -3 -4 -4 -3 -4 -21
Portugal -13 -17 -21 -22 -16 -23 -112
Roménia -11 -15 -18 -20 -21 -29 -114
Grã-Bretanha -225 -199 -181 -224 -238 -222 -1289
-1182 -1258 1367 -1371 -1417 -1692 -8287
Os países selecionados que se seguem têm pouca relevância, bem como os resultados
das suas balanças comerciais. A Áustria tem um valor acumulado enganador
porquanto ele resulta do resultado de um único ano. O Luxemburgo tem uma balança
comercial negativa, o que nada tem a ver com o papel que o país desenvolve na área
financeira. Quanto aos restantes países os saldos, positivos ou negativos, têm pouco
significado.
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2016/21
Áustria -5 92 -9 -6 -3 -16 53
Eslováquia 2 2 0 -1 2 0 4
Eslovénia 1 1 0 -1 1 -3 -1
Luxemburgo 4 -10 -8 -8 -7 -9 -38
Polónia 8 3 -6 5 0 -18 -8
Suécia -1 -1 -4 2 5 3 3
8 88 -26 -9 -3 -44 14
Para cada um dos (32) países considerados apurámos quais se apresentam entre os
principais cinco clientes; e tomámos em conta apenas alguns exemplos de uma matriz
muito complexa de relações comerciais.
A Alemanha, apresenta como seus primeiros clientes, países como Áustria, Bélgica,
Bulgária, Eslováquia, Dinamarca, Eslovénia, Finlândia, França, Hungria, Luxemburgo,
Malta, Países Baixos, Polónia, República Checa e Roménia; nos segundos lugares
Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 6
posicionam-se países como Espanha, Grã-Bretanha, Grécia, Suécia e Suíça. Esta
situação evidencia o relevante papel do país no seio europeu; o que não esconde a
irrelevância europeia no plano global.
Os outros países europeus apresentam-se muito distanciados daquele papel cimeiro
desempenhado pela Alemanha no comércio comunitário e não só. A Itália mostra o
seu papel comercial dominante perante a Grã-Bretanha; a França é o maior cliente da
Espanha; a Grécia tem como importador mais relevante a Itália, entre outras relações
bilaterais.
No caso dos EUA, os seus principais clientes são o Canadá, o México, a China, o Japão e
a Coreia do Sul1… evidenciando o papel secundário que a Europa desempenha no
plano global. E, dessa situação, resulta que os EUA são pouco afetados pela conjuntura
europeia, que não para tornar a Europa – e a UE em particular - como peão, como
auxiliar na estratégia global do Pentágono.
Sabe-se que o Pentágono é uma instituição marcante para um país que se pretende
como hegemónico e que dá à força armada um papel essencial de intervenção; e isso,
onde seja tomado como importante para firmar negócios, impor regras comerciais,
fomentar guerras, corromper políticos ou, conter rivais, semeando bases militares um
pouco por toda a parte.
(continua)
Este e outros textos em:
http://grazia-tanta.blogspot.com/
https://pt.scribd.com/uploads
http://www.slideshare.net/durgarrai/documents
1
Comérciointernacional –quemganhae quemperde
https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/03/comercio-internacional-quem-ganha-e.html

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As desigualdades entre mais pobres e menos pobres.doc

  • 1. Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 1 As desigualdades entre mais pobres e menos pobres Os países com grandes saldos positivos no comércio externo são a Alemanha, a China e a Rússia; os que acumulam grandes deficits são os EUA e o seu acólito Grã-Bretanha As oligarquias financeiras, as classes políticas - regionais ou nacionais - e a competição comercial vão destruindo o planeta; perante a ausência e as dificuldades dos povos na superação do desastre anunciado. Talvez um dia a multidão dos humanos se liberte da estupidez nacionalista, do torniquete capitalista, se canse das corruptas classes políticas e saiba como coexistir sem preocupações com o PIB, a dívida, as fronteiras e a competição, sem forças armadas e seus arsenais. Convirá é que isso aconteça antes do planeta entrar em decadência irreversível e que o capitalismo, direta ou indiretamente, deite tudo a perder. Os saldos comerciais Procedemos a uma recolha para cinco anos de dados (2016/21) sobre o comércio externo de mercadorias, da maioria dos países europeus e ainda da China, da Rússia e dos EUA. Assim, para cada um dos países identificados, apurámos os principais parceiros na exportação e na importação, com o apuramento de deficits e superavits. Os países com excedente comercial médio (milhões de dólares) nos seis anos do período (2016/21) são os seguintes, incluindo-se também no quadro, o excedente médio por ano e habitante. Os valores por habitante são baixos mas, quando multiplicados pelo volume da população, sobressai uma quantia enorme de dinheiro que, naturalmente, será gerido por capitalistas e pelas classes políticas, gestoras do aparelho de Estado, manipuladores da legislação e, sempre atentos para subtrair mais um pouco dos bolsos da população. É evidente que um excedente resultante de uma atividade assente na produção material tem um significado muito superior do que um outro onde, na contabilização do PIB, domine a produção de serviços e as habilidades do sector financeiro na criação de “valor”. País Superavitanual médio (2016/21) (M $) $/hab País Superavitanual médio (2016/21) (M $) $/hab
  • 2. Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 2 Alemanha 248.2 3.0 Itália 58.3 1.0 Bélgica 21.1 1.8 Países Baixos 65.5 3.9 China 478.8 0.3 Rep. Checa 19.1 1.7 Dinamarca 8.8 1.5 Rússia 154.6 1.1 Hungria 6.7 0.7 Suíça 36.0 4.0 Irlanda 61.8 12.4 Total 1159.0 0.6 Nos países atrás considerados e, quanto aos excedentes comerciais, sobressaem a China e a Alemanha, logo seguidos pela Rússia que, em conjunto, representam cerca de 2/3 do total do excedente relativo ao conjunto dos países destacados. Em termos de superavit anual por habitante, o país que mais se destaca é a Irlanda com $ 12.4, surgindo com um valor aparentemente irrisório, o indicador relativo à China… $ 0.3 por habitante. O cálculo para os países com um regular deficit comercial, em todos os anos do período (2016/21) mostra uma grande diferença face aos países elencados atrás e, evidencia ainda, no quadro seguinte, quanto cabe anualmente, em média, a cada habitante. País Deficit anual médio (2016/21) (M $) $/hab País Deficit anual médio (2016/21) (M $) $/hab Bulgária -3.7 -0.5 Grã-Bretanha -214.9 -19,0 Chipre -5.7 -4.7 Grécia -23.5 -2.3 Croácia -10.0 -2.5 Letónia -2.9 -1.5 Espanha -30.7 -0.7 Lituânia -2.3 -0.8 EUA -947.6 -2.9 Malta -3.4 -8.5 Estónia -1,7 -1.3 Portugal -18.7 -1.9 Finlândia -2.9 -0.5 Roménia -19.0 -1,0 França -94.1 -1.4 Total -1381.1 -2.4 Na sua maioria, trata-se de países de pequena dimensão demográfica e económica. Sobressai, claramente, o deficit anual médio dos EUA, com um valor cerca do dobro do superavit chinês durante o mesmo período, seguindo-se a Grã-Bretanha, o segundo maior desequilíbrio, com um deficit acumulado de $ 1289 M em seis anos. De modo mais preciso, os EUA, a despeito do seu potencial tecnológico, apresentam a balança comercial mais desequilibrada, entre todos os países considerados. Nenhum país poderia contrair empréstimos para colmatar tamanhos deficits; porém, os EUA, como emissores incontrolados e incontroláveis da sua moeda – que sabem ser aceite na
  • 3. Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 3 generalidade – espalham a sua moeda pelo mundo, confiantes de que o resto do mundo não vai entregar dólares à Reserva Federal e, menos ainda, reclamar parte do ouro em Fort Knox; de facto, os EUA são totalmente insolventes. As transações e pagamentos feitos na Ásia – mais ou menos no seio da Organização de Cooperação de Xangai - vão-se processando nas suas moedas próprias, sem intervenção do dólar, como se assistiu, recentemente, na sequência da guerra na Ucrânia. A soma dos deficits dos EUA e da Grã-Bretanha em 2016/21 foi de $ 6974 milhões, um valor que quase corresponde ao total dos excedentes revelados pelo grupo de países com superavits comerciais ($ 6954 milhões). Enquanto a maioria dos países procura tanto quanto possível gerar um superavit – o correspondente a uma poupança – o neoliberalismo descabelado e agressivo do binómio EUA/GB, apresenta deficits enormes que se situam fora das preocupações do FMI. A arrogância associada às taras imperiais está bem espelhada na incapacidade de Biden e do recentemente apeado, Boris. A França surge, em seguida, com um deficit global acumulado muito acima do observado por Espanha, Portugal Roménia e Grécia; no entanto, quando se focam os valores do deficit em $/hab, os casos mais relevantes são os de Malta e Chipre. Uma comparação entre os países ibéricos mostra uma clara diferenciação entre ambos. Como dissemos, o volume de dólares em circulação tem pouco a ver com a produção de bens e serviços e, de facto ancora-se na especulação financeira; o sistema financeiro dinheiro abundantemente e em cada momento. Há poucos anos, os valores ancorados na bolsa de Nova York e no NASDAK representavam 46% do total das bolsas mundiais e, as principais empresas americanas de referência (Microsoft, Apple, Amazon, Alphabet e Facebook) eram avaliadas na revista Fortune em $ 5,444 biliões (um bilião, na norma maioritária na Europa corresponde a 1*10^12). O terceiro grupo de países, exceptuando a Polónia, é constituído por países de pouca população, três dos quais com um grau elevado de riqueza – Áustria, Luxemburgo e Suécia. Neste conjunto heterogéneo, os resultados líquidos têm pouco significado excepto no caso da Áustria que em 2017 evidenciou um superavit distanciado dos deficits observados nos outros anos em apreço; e, refira-se ainda, um centro financeiro chamado Luxemburgo que só em 2016 mostrou um superavit comercial externo.
  • 4. Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 4 País Deficit/superavit anual médio (2016/21) (M $) $/hab País Deficit/superavit anual médio (2016/21) (M $) $/hab Áustria 8.8 5.8 Luxemburgo -6.4 -64,1 Eslováquia 0.7 0.9 Polónia -1.3 -0.2 Eslovénia -0.1 -0.3 Suécia 0.6 0.3 Para todos os países considerados, vamos observar as respetivas dinâmicas, entre 2016 e 2021, no âmbito da globalidade das suas relações comerciais. Os indicadores que se apresentam em seguida mostram as situações de países com superavit comercial em todos os anos do período referido (valores em US $ 10^6). 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2016/21 Alemanha 276 280 271 251 207 205 1489 China 530 431 359 430 535 588 2873 Bélgica 19 20 14 19 24 31 127 Dinamarca 10 9 7 13 10 3 53 Hungria 11 9 7 5 7 2 40 P. Baixos 60 66 67 62 67 71 393 Irlanda 50 44 57 69 81 70 371 Suíça 33 30 31 37 28 57 216 Itália 55 54 46 63 72 59 350 Rep Checa 20 19 18 20 21 17 114 Rússia 103 130 211 179 105 199 928 1167 1093 1087 1146 1157 1303 6954 Descortina-se, neste conjunto, a elevada dimensão do superavit chinês e, num plano inferior, os indicadores positivos da Alemanha e da Rússia; mais modestos são os valores associados aos Países Baixos, à Irlanda e à Itália. Os valores associados aos países com deficits persistentes são muito díspares, com destaque para os indicadores dos EUA e muito mais atrás, para a Grã-Bretanha, com a França num terceiro posto; qualquer deles com uma clara progressão durante o período. França e Grã-Bretanha mostram valores muito distintos, embora com volumes de população pouco diferentes. Num terceiro escalão de valores, destacam-se – Espanha, Grécia, Roménia e Portugal, ainda que sejam distintos os graus de riqueza entre a Espanha e os restantes citados.
  • 5. Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 5 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2016/21 Bulgária -2 -3 -4 -4 -3 -6 -22 Chipre -5 -6 -6 -6 -6 -6 -34 Croácia -8 -9 -11 -11 -10 -12 -60 Espanha -19 -30 -45 -38 -18 -35 -184 EUA -798 -859 -943 -921 -982 -1183 -5686 Estónia -2 -2 -2 -2 -1 -2 -10 Finlândia -3 -3 -3 -1 -3 -5 -17 França -69 -86 -96 -87 -93 -132 -565 Grécia -20 -23 -26 -24 -20 -28 -141 Letónia -2 -3 -4 -3 -2 -3 -17 Lituânia -2 -2 -3 -3 -1 -4 -14 Malta -3 -3 -4 -4 -3 -4 -21 Portugal -13 -17 -21 -22 -16 -23 -112 Roménia -11 -15 -18 -20 -21 -29 -114 Grã-Bretanha -225 -199 -181 -224 -238 -222 -1289 -1182 -1258 1367 -1371 -1417 -1692 -8287 Os países selecionados que se seguem têm pouca relevância, bem como os resultados das suas balanças comerciais. A Áustria tem um valor acumulado enganador porquanto ele resulta do resultado de um único ano. O Luxemburgo tem uma balança comercial negativa, o que nada tem a ver com o papel que o país desenvolve na área financeira. Quanto aos restantes países os saldos, positivos ou negativos, têm pouco significado. 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2016/21 Áustria -5 92 -9 -6 -3 -16 53 Eslováquia 2 2 0 -1 2 0 4 Eslovénia 1 1 0 -1 1 -3 -1 Luxemburgo 4 -10 -8 -8 -7 -9 -38 Polónia 8 3 -6 5 0 -18 -8 Suécia -1 -1 -4 2 5 3 3 8 88 -26 -9 -3 -44 14 Para cada um dos (32) países considerados apurámos quais se apresentam entre os principais cinco clientes; e tomámos em conta apenas alguns exemplos de uma matriz muito complexa de relações comerciais. A Alemanha, apresenta como seus primeiros clientes, países como Áustria, Bélgica, Bulgária, Eslováquia, Dinamarca, Eslovénia, Finlândia, França, Hungria, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, República Checa e Roménia; nos segundos lugares
  • 6. Grazia.tanta@gmail.com 27/08/2022 6 posicionam-se países como Espanha, Grã-Bretanha, Grécia, Suécia e Suíça. Esta situação evidencia o relevante papel do país no seio europeu; o que não esconde a irrelevância europeia no plano global. Os outros países europeus apresentam-se muito distanciados daquele papel cimeiro desempenhado pela Alemanha no comércio comunitário e não só. A Itália mostra o seu papel comercial dominante perante a Grã-Bretanha; a França é o maior cliente da Espanha; a Grécia tem como importador mais relevante a Itália, entre outras relações bilaterais. No caso dos EUA, os seus principais clientes são o Canadá, o México, a China, o Japão e a Coreia do Sul1… evidenciando o papel secundário que a Europa desempenha no plano global. E, dessa situação, resulta que os EUA são pouco afetados pela conjuntura europeia, que não para tornar a Europa – e a UE em particular - como peão, como auxiliar na estratégia global do Pentágono. Sabe-se que o Pentágono é uma instituição marcante para um país que se pretende como hegemónico e que dá à força armada um papel essencial de intervenção; e isso, onde seja tomado como importante para firmar negócios, impor regras comerciais, fomentar guerras, corromper políticos ou, conter rivais, semeando bases militares um pouco por toda a parte. (continua) Este e outros textos em: http://grazia-tanta.blogspot.com/ https://pt.scribd.com/uploads http://www.slideshare.net/durgarrai/documents 1 Comérciointernacional –quemganhae quemperde https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/03/comercio-internacional-quem-ganha-e.html