PROSOPOGRAFIALawrence Stone. Resumofeito por André Augusto daFonseca. 28/4/2013
TRABALHOS INICIAISCharles Beard (História)Lewis Namier (História)Robert Merton (Sociologia)
CONCEITO DEPROSOPOGRAFIA“é a investigação das característicascomuns de um grupo de atores nahistória por meio de um estudo...
MÉTODO PROSOPOGRÁFICO“estabelecer um universo a ser estudado e entãoinvestigar um conjunto de questões uniformes – arespei...
MÉTODO PROSOPOGRÁFICO“Os vários tipos de informações sobre os indivíduos nouniverso são então justapostos, combinados e ex...
1º PROBLEMA: AS ORIGENSDA AÇÃO POLÍTICAdesvelamento dosinteresses maisprofundos sob a retóricada políticaa análise das afi...
2º PROBLEMA: ESTRUTURA EMOBILIDADE SOCIAISMudança no papel social degrupos de status específicos(usualmente da elite),poss...
OBJETIVOS DAPROSOPOGRAFIA“o propósito da prosopografia é dar sentido à ação política, ajudar aexplicar a mudança ideológic...
AS DUAS ESCOLAS DAPROSOPOGRAFIAEscola Elitista Escola do estudo das Massas“preocupam-se com a dinâmica de pequenos gruposo...
MATERIALISMO VULGAR:DETERMINISMO ECONÔMICOCharles Beard (1913) ofereceu uma explicação para a “constituição federalestadun...
MATERIALISMO VULGAR:DETERMINISMO ECONÔMICOApesar do reducionismo e do dogmatismo, “A contribuição de Beard para aprosopogr...
A CONSAGRAÇÃO DOMÉTODO“Todos os três estavam aptos a abordar o estoque de informaçõesbiográficas que foram acumuladas e pu...
PERGUNTAR “QUEM”, EMLUGAR DE “O QUÊ”“A premissa implícita é que uma compreensão de quem osatores foram levará mais longe a...
CINISMO E PESSIMISMOCOMO PRESSUPOSTOS DAPROSOPOGRAFIAContexto de crise e do primeiro pós-guerra, escândalos de corrupção e...
PESQUISA SEM TEORIAR. Michels, G. Mosca e V. Pareto: desenvolvimento de uma TEORIA DASELITES no início do século XX (uma g...
UMA INTERPRETAÇÃO QUEIGNORA IDEOLOGIAS“Um aspecto-chave da interpretação elitista do processo histórico é aremoção deliber...
PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO1. a deficiência de documentação: “É auto-evidente que as pesquisas biográficas de númerossu...
PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO1. a deficiência de documentação: Além das elites do poder e das minorias perseguidas, os “g...
PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO2 e 3. erros na classificação e interpretação dos dados.4. Limitações da compreensão históric...
PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO4. Limitações da compreensão histórica: “Syme interpretou as transformações da república rom...
PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO4. Limitações da compreensão histórica: Esses autores pressupõem “uma sociedade sem convicçõ...
VANTAGENS DAPROSOPOGRAFIAA pesquisa detalhada de grupos (burocratas, bispos, monges, gentry) foimuito útil para separar a ...
VANTAGENS DAPROSOPOGRAFIAÉ uma abordagem muito “adequada aos requisitos deartigos de pesquisa e de teses de doutorado. Ela...
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Resumo de artigo clássico de Lawrence Stone sobre limitações e potencialidades da prosopografia, importante abordagem da pesquisa em História.

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  1. 1. PROSOPOGRAFIALawrence Stone. Resumofeito por André Augusto daFonseca. 28/4/2013
  2. 2. TRABALHOS INICIAISCharles Beard (História)Lewis Namier (História)Robert Merton (Sociologia)
  3. 3. CONCEITO DEPROSOPOGRAFIA“é a investigação das característicascomuns de um grupo de atores nahistória por meio de um estudo coletivode suas vidas.”
  4. 4. MÉTODO PROSOPOGRÁFICO“estabelecer um universo a ser estudado e entãoinvestigar um conjunto de questões uniformes – arespeito de nascimento e morte, casamento e família,origens sociais e posição econômica herdada, lugar deresidência, educação, tamanho e origem da riquezapessoal, ocupação, religião, experiência em cargos eassim por diante.”
  5. 5. MÉTODO PROSOPOGRÁFICO“Os vários tipos de informações sobre os indivíduos nouniverso são então justapostos, combinados e examinadosem busca de variáveis significativas.”
  6. 6. 1º PROBLEMA: AS ORIGENSDA AÇÃO POLÍTICAdesvelamento dosinteresses maisprofundos sob a retóricada políticaa análise das afiliaçõessociais e econômicasdos agrupamentospolíticosrevelação dofuncionamento de umamáquina política
  7. 7. 2º PROBLEMA: ESTRUTURA EMOBILIDADE SOCIAISMudança no papel social degrupos de status específicos(usualmente da elite),possuidores de títulos,membros de associaçõesprofissionais, ocupantes decargos, grupos ocupacionaisou classes econômicasDeterminação do graude mobilidade socialpelo estudo das origensfamiliares (sociais egeográficas), dosnovatos de um certostatus político ouposição ocupacionalcorrelação demovimentos intelectuaisou religiosos com fatoressociais, geográficos,ocupacionais ou outros
  8. 8. OBJETIVOS DAPROSOPOGRAFIA“o propósito da prosopografia é dar sentido à ação política, ajudar aexplicar a mudança ideológica ou cultural, identificar a realidadesocial e descrever e analisar com precisão a estrutura da sociedade eo grau e a natureza dos movimentos em seu interior. Inventada comoum instrumento da história política, ela é agora crescentementeempregada pelos historiadores sociais.”
  9. 9. AS DUAS ESCOLAS DAPROSOPOGRAFIAEscola Elitista Escola do estudo das Massas“preocupam-se com a dinâmica de pequenos gruposou com a interação, em termos de família,casamento e laços econômicos, de um númerorestrito de indivíduos.”Estatisticamente orientada e inspirada pelas ciênciassociais.“investigação meticulosamente detalhada sobre agenealogia, os interesses comerciais e as atividadespolíticas do grupo, os relacionamentos expostos pormeio de detalhados estudos de caso.”De maneira geral, ignora as teorias sociológicas epsicológicas.Pressupõe a política como uma “questão deinterações entre pequenas elites dirigentes e seusclientes do que como movimentos de massa”; ahistória seria a feroz competição “pelo poder, pelaPressupõe “que a história é determinada mais pelosmovimentos da opinião popular do que pelasdecisões dos assim chamados „grandes homens‟ou pelas elites”
  10. 10. MATERIALISMO VULGAR:DETERMINISMO ECONÔMICOCharles Beard (1913) ofereceu uma explicação para a “constituição federalestadunidense a partir de uma análise cerrada dos interesses econômicos eclassistas dos Founding Fathers”.“trabalhavam somentesob a orientação deprincípios abstratos deCiência Política”?Ou tratava-se de um “pequenoe ativo grupo de homensimediatamente interessados,em função de suas posses,no resultado de seustrabalhos”?
  11. 11. MATERIALISMO VULGAR:DETERMINISMO ECONÔMICOApesar do reducionismo e do dogmatismo, “A contribuição de Beard para aprosopografia elitista foi uma curiosidade suspeita a respeito das finançasde um ator político e a hipótese de que elas eram importantes. O que lheescapou foi o papel dos vínculos sociais e de parentesco que seriam tãoimportante nos estudos posteriores de Sir Lewis Namier e outros.”
  12. 12. A CONSAGRAÇÃO DOMÉTODO“Todos os três estavam aptos a abordar o estoque de informaçõesbiográficas que foram acumuladas e publicadas ao longo dos séculosanteriores.”Namier, Structure of Politics at the Accession of George III (London,1929)Sir Ronald Syme, Roman Revolution (Oxford, 1939)R. K. Merton, “Science, Technology, and Puritanism inSeventeenth Century England” (Osiris, v. IV, 1938, p. 360-632).
  13. 13. PERGUNTAR “QUEM”, EMLUGAR DE “O QUÊ”“A premissa implícita é que uma compreensão de quem osatores foram levará mais longe a explicação dofuncionamento da instituição a que eles pertenceram,revelará os verdadeiros objetivos atrás do fluxo de retóricapolítica e tornar-nos-á mais capazes para entender suasrealizações, assim como para interpretar mais corretamenteos documentos que produziram.”
  14. 14. CINISMO E PESSIMISMOCOMO PRESSUPOSTOS DAPROSOPOGRAFIAContexto de crise e do primeiro pós-guerra, escândalos de corrupção entreas classes dirigentes...BEARD, 1913: “o principal motivo orientador” por trás dos elaboradoresda constituição estadunidense “eram as vantagens econômicas que osbeneficiários esperavam obter para si próprios”.SYME reconheceu que “O desenho de pesquisa impôs uma tonalidadepessimista e truculenta às custas da quase completa exclusão das emoçõescavalheirescas e das virtudes domésticas”.NAMIER: “O sistema político que ele descreve certamente não é atrativo,baseado como era em um auto-interesse possivelmente esclarecido, mascertamente sórdido”.
  15. 15. PESQUISA SEM TEORIAR. Michels, G. Mosca e V. Pareto: desenvolvimento de uma TEORIA DASELITES no início do século XX (uma geração antes dos historiadorescomeçarem a fazer estudos de prosopografia).“Namier, Merton e Syme eram fortemente antimarxistas e ainda assimsomente Merton parece ter tido familiaridade com esses modelos elitistasantimarxistas.”“com exceção de Merton, os historiadores levaram a cabo suas pesquisasempíricas baseados em seus pressupostos semiconscientes a respeito docomportamento político, sem o benefício da teoria política que lhes teriafornecido a estrutura de que necessitavam.”
  16. 16. UMA INTERPRETAÇÃO QUEIGNORA IDEOLOGIAS“Um aspecto-chave da interpretação elitista do processo histórico é aremoção deliberada e sistemática tanto dos programas partidários quantodas paixões ideológicas do centro do palco político e sua substituição poruma complexa rede unindo os patrões a seus clientes e dependentes.”“Para alguns pesquisadores, a prosopografia não é meramente uma formade ignorar as paixões e as idéias; ela foi adotada com o propósito específicode neutralizar esses elementos perturbadores e intratáveis.”
  17. 17. PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO1. a deficiência de documentação: “É auto-evidente que as pesquisas biográficas de númerossubstanciais de pessoas somente são possíveis para gruposrazoavelmente bem documentados e que a prosopografia é assimlimitada pela quantidade e pela qualidade dos dados acumuladossobre o passado.” “o mero fato de que mais que o usual foi registrado a respeito dasvidas e das carreiras de uma pequena minoria indica que elaseram de alguma forma atípicas. Em um grau que não pode sermedido, pesquisas baseadas em tais evidências fragmentáriastenderão a exagerar, e talvez de maneira incorrigível a distorcer, ostatus, a educação, a mobilidade vertical e assim por diante arespeito do grupo sob exame.”
  18. 18. PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO1. a deficiência de documentação: Além das elites do poder e das minorias perseguidas, os “grupos que seprestam mais facilmente a tal tratamento são membros de certascategorias de alto status, como funcionários públicos, oficiais daMarinha, o alto clero, intelectuais e educadores, advogados, médicos,membros de outros corpos profissionais e empresários industriais ecomerciais.” “A terceira limitação imposta pelas evidências surge do fato de que elassão abundantes para alguns aspectos da vida humana e quaseinexistentes para outros. Os registros sobreviventes referem-se antes demais nada ao montante, ao tipo, à titularidade e à transmissão dapropriedade. [...] Assim, há um forte viés nos sentidos de tratar osindivíduos como homo œconomicus e de estudá-los primariamente à luzde seus interesses e comportamentos financeiros, pois é isso que osregistros iluminam com enormes claridade e detalhe.”
  19. 19. PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO2 e 3. erros na classificação e interpretação dos dados.4. Limitações da compreensão histórica: “a concentração no estudo das elites é em parte causa e em parte efeitode uma tendência a ver a história exclusivamente em termos da classegovernante, em que os movimentos populares desempenham um pequenoou nenhum papel.” No entanto, “Estudos cerrados das manobras políticas das elites podemobscurecer mais que iluminar as profundezas do funcionamento dosprocessos sociais. Grandes mudanças nas relações de classe, namobilidade social, nas opiniões religiosas e nas atitudes morais podemestar ocorrendo nos estratos inferiores, as quais a elite será afinalobrigada a responder – isso caso não seja varrida por uma revoluçãoviolenta”.
  20. 20. PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO4. Limitações da compreensão histórica: “Syme interpretou as transformações da república romana em umimpério como a consolidação de uma nova elite ao redor de Augusto,o resultado de uma complexa disputa facciosa no topo. Ele provouseu argumento, mas ignorou as urgentes demandas das massas declientes anônimos para seus patrões e que apoiaram – e talvezimpuseram – essa mudança de poder.” “A descrição que Namier fez das manobras e das negociações naCâmara dos Comuns do século XVIII comprometeuirreparavelmente as teorias convencionais, mas seu modeloexplicativo não pode incluir o surgimento do sentimento populargerado por John Wilkes ou a Guerra da Independência dos EstadosUnidos.”
  21. 21. PERIGOS E LIMITAÇÕES DOMÉTODO4. Limitações da compreensão histórica: Esses autores pressupõem “uma sociedade sem convicções na qual amanipulação e as intrigas são mais importantes que questões de princípioou de políticas públicas” – o que pode ser convincente em uma época dehomogeneidade nas classes dirigentes e na ausência de grandesdissidências político-ideológicas, mas não em épocas como as da Reformaou da Revolução Puritana. “Pode-se também imaginar se o fracasso de Oliver Cromwell em lidarcom sucesso com seus parlamentos realmente pode ser explicado porsua falta de habilidades táticas, como o Professor Trevor-Roperargumenta, ou se a discordância a respeito de temas constitucionais ereligiosos fundamentais entre os militares e os civis e entre osindependentes, os presbiterianos e os anglicanos inviabilizou a obtençãode um acordo mesmo para o mais perspicaz e assíduo manipulador dehomens”.
  22. 22. VANTAGENS DAPROSOPOGRAFIAA pesquisa detalhada de grupos (burocratas, bispos, monges, gentry) foimuito útil para separar a verdade do erro nas hipóteses tanto depesquisadores como Trevor-Roper quanto de historiadores marxistas sobreas causas e o papel de diferentes sujeitos na Revolução Inglesa.“o método funciona melhor quando é aplicado para gruposfacilmente definidos e razoavelmente pequenos, em um períodolimitado de não muito mais que 100 anos, quando os dados sãoobtidos de uma grande variedade de fontes que complementam eenriquecem umas às outras e quando a pesquisa é dirigida para solucionarum problema específico [...]. Pesquisas ambiciosas sobre muitas centenasde indivíduos, durante períodos temporais muito amplos, usando apenas asfontes materiais escritas mais facilmente acessíveis e aplicando umaabordagem no estilo “metralhadora giratória” aos problemas que podemser formulados são muito menos prováveis de produzir resultadosconvincentes.”
  23. 23. VANTAGENS DAPROSOPOGRAFIAÉ uma abordagem muito “adequada aos requisitos deartigos de pesquisa e de teses de doutorado. Elaapresenta ao estudante novato uma grande variedade defontes, ensina-lhe a avaliar as evidências e a aplicar seujulgamento para resolver contradições, demanda acuráciameticulosa, a organização das informações de maneirametódica e oferece um tópico que pode ser facilmenteexpandido ou reduzido pela modificação do tamanho daamostra de modo a adequar-se aos requerimentos dosrecursos e dos prazos disponíveis. Algo dessa pesquisasem dúvida contribui para um neo-antiquarianismo –

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