NOVAS TECNOLOGIAS NO AGRONEGÓCIO - Brasil Econômico

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Caderno Especial do Brasil Econômico sobre Novas Tecnologias no AgroNegócio.
Entrevista com Luiz Carlos Correa de Carvalho (Caio) Presidente da ABAG.

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NOVAS TECNOLOGIAS NO AGRONEGÓCIO - Brasil Econômico

  1. 1. ESPECIAL NOVASTECNOLOGIASNOAGRONEGÓCIO Campo High tech ArteFaniLoss PROJETOSDEMARKETING Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014 Brasil Econômico Pelo menos 30%das propriedades rurais no País têm acesso à tecnologia. Máquinas, softwares e implementos de ponta vêm reduzindo custos e desperdícios e proporcionando ganhos aos agricultores. Nos últimos anos, a produção de grãos cresceu mais do que a área plantada.
  2. 2. PROJETOSDEMARKETING 2 Brasil Econômico Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014 ESPECIAL NOVAS TECNOLOGIASNOAGRONEGÓCIO Para crescer, Cercade30% daspropriedades têmacesso à inovação setor aposta na forte demandamundial por alimentos Asingularidadeeotamanhodoter-ritório brasileiro, coma diversida-de de culturas na agricultura, fa-zem com que o País seja um dos principais produtores mundiais de alimentos.Noanopassado,oagro-negócio respondeu por 22,3% do Produto Interno Bruto (PIB)nacio-nal, ao contribuir comR$ 1 trilhão, dosR$4,8trilhões,emriquezasge-radas. Considerandotodoocomér-cioagrícolamundial, deUS$1,1tri-lhão, o Brasil respondeu por 7,6%, ouUS$ 83,4bilhões e é anação que mais temcrescidoemprodutivida-de, commédiade 4%ao ano desde ofimdosanos1990.Até 2020,a ex-pectativa é que a produção de grãos cresça 20%, sendo que 40% deverá ser proveniente daAmérica do Sul, que temno País seu princi-pal atorno segmento. Énessaesteiraqueosetordemá-quinas eimplementos agrícolases-pera crescer. Nos últimos quatro anos, emrazão do incentivo do go-verno pormeio dos financiamen-tos a juros baixos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), os agricultores aproveitam para renovar boa parte dos parques industriais, que tinham idademé-dia de 15 anos, e comisso, ampliar a inovação em seus processos. “A indústria demáquinas vemsemo-dernizando nos últimos 40 anos, e segue investindo pesado em novas tecnologias, a fim de promover re-duçãode custoseampliar a eficácia aos produtores rurais. Embora o mercadoseja seletivo,nósdomina-mos a tecnologia paraos trópicos, e muito do que se fabrica no Exterior não se adapta aoPaís”, afirmao vi-ce- presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrí-colas da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abi-maq), João CarlosMarchesan. “São exemplos de inovação brasileira plantio direto na palha, agricultura de baixocarbono, integraçãode la-voura, pecuária e floresta. O resto domundo não tem.” Asexpectativas sãoboasnomé-dio prazo, embora 2014 esteja sen-doanodifícil paraoramo(o fatura-mento até outubro acumula queda de 29%, comR$ 7,9 bilhões, ante o mesmo período do ano passado), devido à forte estiagemque assola boa parte do País, e das cheias que atingiramaRegião Sul, o que reduz a produtividade, e à queda do pre-ço das commodities, que contri-buem para diminuir a demanda porbensdecapitalnomercadodo-méstico, etambémporcontadodó-lar, queduranteoanotodoatéodé-cimo mês oscilou entre a casa dos R$2,20 eR$2,30, o quenão ajudou o preço no Exterior.Nesse cenário, o uso da tecnologia se faz ainda mais importante em decorrência dasmudanças climáticas e das in-flexões, para que o agricultor possa se precaver e reduzir perdas, pon-deraMarchesan, aogarantirqueto-dasascercade450fabricantesbra-sileiras estãotrabalhandoparaofe-recerprodutoscadavezmais inova-dores. Paraesteano,aprojeçãodes-semercado é encerrar comqueda de 20% e, se o cenário nãomudar, pode recuar mais 10% em 2015. “Aguardamos a renovação do PSI para ajudar aimpulsionar o setor.” Naavaliaçãodocoordenadorge-ral de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura (Mapa), JoséGarciaGasques,devidoà cres-cente demanda mundial por ali-mentos, a tendência é de preços crescentes, o quedeverá seguir es-timulando produtores. “Desde o iníciodosanos2000,a partirdoin-centivo do governo na oferta de crédito rural, comredução demé-dia dos juros de 12% ao ano para 5%ao ano, e prazos ampliados, de seis para 12 anos, o investimento em tecnologia foi estimulado, o que tem sido mantido. Evidência importante disso é a produtivida-de, que éaquemais crescenomun-do, com expansão de 4% ao ano desde então”, justifica. “Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) mostram que de 1991 para cá houve expansão de 49,5% na área plantada, compro-jeção de 56,7 milhões de hectares em2015. Enquanto isso, a produ-ção de grãos cresceu 244,9%, de-vendo atingir quase 200 milhões de toneladasno anoque vem.Am-pliar a produção sem aumentar tanto a área é sinal de adoção de tecnologia, que permite ganho de produtividade.” Somente com o plantio direto, por exemplo, o mi-lho e a soja expandiram30%. TextosSoraia AbreuPedrozo redacao@brasileconomico.com.br Atualmente cerca de 1/3 das propriedades rurais têm visita de assistência técnica,oque sig-nificaque elas fazemusode tec-nologia, afirma o gerente da UnidadedeAgronegóciodoSe-brae Nacional, Enio Queijada. “Fazer comque a inovaçãoche-gue a todas elas é o principal gargalo. A adesão, no entanto, vem crescendo, tanto que le-vantamento do IBGE (Instituto BrasileirodeGeografia e Estatís-tica) mostra que, em 2006, 68,1% do crescimento da agro-pecuária era devido à tecnolo-gia. Dez anos antes, o percen-tual era de 50,6%.” Considerandoapenasosagri-cultores familiares, universo de cerca de 4,5 milhões, em que 10%(450 mil) têmacesso à ino-vação e 2 milhões estão fora por terem propriedades muito pe-quenas ou morarem em áreas muito distantes, pelo menos 500 mil têmpotencial de aderir à tecnologia, avalia o professor deEconomiadoInstitutodeEco-nomia da Unicamp Antonio Buainain. “Embora um grupo de agricultores tenha acesso semproblemas, já que as fabri-cantes são agressivas, assim co-mo as indústrias farmacêuticas, edemonstramseusprodutos,di-ferentemente das concessioná-rias, que esperampelos clientes, outro grupo,depequenos emé-dios, estão emregiões isoladas e têmmaioresproblemas comin-formação”, afirma. “Às vezes elesatétêmrecursosparaadqui-rir inovação,mas, devido às es-tradas ruins, nem sempre ela é solução para esses agricultores. Aassistência técnica àsvezes le-vamuito tempo para chegar até eles, que, se adquirem trator avançado, por exemplo, que quebra por problema simples, pelofatode ficarparadopor dias se transforma em transtorno.O problema está na manutenção. Tambémfalta a ele capitalde gi-roparamantersuaaquisiçãofun-cionando, nestecaso,combustí-vel para amáquina, o que às ve-zes torna-se entrave.” Ouso da tecnologia se faz aindamais relevante emdecorrênciadas mudanças climáticas, para que o agricultor possa se precaver e reduzir perdas Queijada:tecnologiachegaa 10%dosprodutoresfamiliares Fabricantesdeimplementos agrícolas emáquinasdevemfechar2014 comquedade20%nosnegócios
  3. 3. Aescaladadodólar,quedesdeofim de outubro tem se mantido acima dosR$ 2,50,deunovofôlego aos fa-bricantesdemáquinaseimplemen-tos agrícolas. Até então, as vendas ao Exterior acumulavam queda de 6,2% em 2014 emcomparação aos dez primeirosmeses do ano passa-do, totalizandoUS$772,2 milhões. “Até90dias atrás estávamos fo-ra domercado. Perdemos clientes devido à forte concorrência. Nos-so preço não estava bom. Agora, coma reação do dólar, voltamos a ganhar espaço,mas,quandoretor-namos à briga, muitasempresas já haviam firmado acordos, que po-demdurar porpelomenos seisme-ses”, afirma o vice-presidente da Câmara SetorialdeMáquinas eIm-plementos Agrícolas da Associa-ção Brasileira deMáquinas e Equi-pamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan. “A grande diferença é que quementra nessa competição tem condições mais favoráveis, comfinanciamento de longo pra-zo e apoio do governo, o que deixa os preçosmais atraentes.” Essarealidade,aoqueparece,es-tácomeçando amudar. Marchesan destaca que, graças ao programa MaisAlimentoInternacional,oBra-sil vai oferecer crédito para 15 paí-ses, sendo a maioria africanos, para compraritensnacionais.“Oprimei-ro país contemplado é o Zimbábue. Por enquanto foram US$ 23 mi-lhões, e a ideia é alcançar US$ 100 Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014 Brasil Econômico 3 milhões. São 15 anos para pagar comjurosde2,5%aoano.”Opróxi-moseráMoçambique. Dentre os principais produtos da pauta de exportação estão imple-mentosparaopreparodosolo, plan-tadeiras e arados. Devido à tecnolo-giadesenvolvidaespecificamentepa-raoterritóriobrasileiro, típicodetró-picos, asempresasdosegmentoven-demseuknow- howprincipalmen-te para os vizinhos daAmérica Lati-na( Paraguai,ArgentinaeBolívia). “Considerando o cenário de alta competitividade, onde a qualidade, opreçofinaldevenda,aprodutivida-de, ocumprimentodemetasdepro-dução e o respeito aos prazos de en-trega dos produtos agropecuários sãofundamentais,semcontaravelo-cidade emque tudo isso acontece, a inovação e a diferenciação passam a serocernedequalquerplanejamen-toestratégicotantonoâmbitoempre-sarialquantonogovernamental, não importando o tamanho de cadane-gócio”, afirma Flávio Palagi Siquei-ra, vice-presidentedoInstitutoBrasi-leiroparaoDesenvolvimentoSusten-táveldoAgronegócio( IBDAgro). As tecnologias, de acordo com Siqueira, estão se transformando emcommoditiesmundiais.“Oque torna um fabricante eficiente é a sua diferenciação,cominovaçãoli-gada ao futuro. E o futuro pertence a quem sabe realizar antecipação de tendências”, avalia. Em relação às importações, que também encerraram outubro em queda acumulada de 11,3%, para US$436,8 milhões, osmaquinários mais importados são os de fenação, silageme trato de gado. E eles vêm principalmente dos Estados Uni-dos, daChina eda Alemanha. Alta do dólar é incentivo para fabricantes de equipamentos Por meio do Programa Mais Alimento Internacional, o Brasil vai oferecer crédito de US$ 23 milhões para 15 países, a maioria africanos, destinado à compra de itens nacionais, como plantadeiras e arados
  4. 4. ESPECIAL NOVAS TECNOLOGIASNOAGRONEGÓCIO Para melhor gerenciaros riscos decréditoedo meio ambiente, amparado por imagensde satélitee pelo acompanhamento por sensor remotodas lavouras eatividadesdesenvolvidas no campo, oInstitutoBrasileiropara oDesenvolvimentoSustentável doAgronegócio (IBDAgro) está implementando, emparceria comaFederação Brasileirados Bancos (Febraban),oSistemade GerenciamentodeInformações (SGIPS). Oobjetivodesseprojetoé disponibilizaraoSistema FinanceiroNacional,agestores defundosdeinvestimento, seguradoras, securitizadoras, tradings, cooperativasde produçãoedecréditorural, ferramentasparatomadade decisões, visandomelhorara gestão, mitigaçãoeexposição dos riscosexistentesnos financiamentos ruraise ambientais. “Apartirda geotecnologia, vamos transformardadosem informaçõesemtemporealafim deimpulsionar práticas financeiras agrícolas sustentáveis, garantindo enquadramentosexatosnos seguros agrícolasque minimizemasperdasdos produtores rurais,porexemplo”, contaAdemiroVian, diretor adjuntodenegóciosda Febraban. “Essa ferramenta reduzos riscosnos cálculosdos prêmiosdas apólicesdeseguro, deacordocomcada região, culturaeclima.Emconferência recentequeparticipamos,a apresentaçãodoSGIPSfoi consideradacasemundial único.” ■ABC: jurosde4,5%aoano parabeneficiáriosdoPronamp e5%aosdemais.Prazo:até 15anos(atéoitodecarência) ■ Moderinfra:4%aoanopara sistemasdeirrigaçãoe6%ao anoparademaiscasos.Até12 anos (até trêsdecarência) ■ ProcapAgro: 7,5%aoano paragiroe6,5%aoanopara demaisoperações.Atédois anos (até seismesesde carência)paracapitaldegiro ■PCA:4%aoano.Até 15anos (até trêsdecarência) ■ Moderagro: 6,5%aoano.Até dezanos(atétrêsdecarência) ■ Inovagro:4%aoano.Até dezanos (até trêsdecarência) ■ Moderfrota:24,5%aoano parareceitaoperacionalbruta deatéR$90milhõese6%ao anoparaacimadisso.Atéoito anosparanovosouquatroanos parausados(semcarência) ■ Pronamp: 5,5%aoano.Até oitoanos(atétrêsdecarência) ■ Prodecoop: 6,5%aoano.Até 12anos(atétrêsdecarência) ■ Pronaf: 0,5%aoanopara PronafB,1%ou2%para investimento, 1,5%a3,5% paracusteioe1%paraPronaf Agroecologia (comassistência técnicaobrigatória).Atédez anos,excetoarmazenagem, PronafBecusteio (atétrês decarência)eatéseisanos (carênciadedoisanos) nosdemaiscasos Para estimular o produtor rural a modernizar sua atividade,ogover-no federal disponibiliza, pormeio do BancoNacional do Desenvolvi-mento Econômico e Social (BN-DES), dez linhasde créditodestina-das a promover a inovação. Para o anoagrícola2014-2015(de 1ºde ju-lho a 30 de junho do ano que vem) estão disponíveis R$ 13,6 bilhões. Considerando também o Progra-ma de Sustentação Industrial (PSI) BKRuraleoCerealistas, cujascon-tratações encerraram dia 5 de de-zembro, mas há a perspectiva de renovaçãopara 2015,omontanteli-berado sobe para R$ 19,1 bilhões. No ano agrícola 2013-2014, os recursos voltados ao segmento agropecuário somaramR$ 16,5bi-lhões, o que correspondeu a 9% do total emprestado pelo BNDES. “Aslinhasdisponíveisnãofinan-ciam apenas bens de capital, mas sistemas de produção, a exemplo da integração de pecuária, lavoura e florestas”, exemplifica CarlosAl-berto Vianna, chefe do departa-mento de suporte a programas agropecuários da área de agrope-cuária e inclusão social (Agris). “Porexemplo,aABCinduzoprodu-tor rural a aderir mecanismos de baixocarbono(comooplantiodire-to ou recuperação de áreas), e tem R$ 500 milhões de crédito libera-do, e a Inovagro, a financiar o que há demais avançado tecnologica-mente (por exemplo, agricultura de precisão, sistemas inteligentes de irrigação e automação), comR$ 300 milhões à disposição.” Ambas têmjuros a partir de4%ao ano. Vianna também destaca a Mo-derfrota, quevisapropiciaramoder-nização da frota de tratores, colhei-tadeiras, pulverizadoreseplantadei-ras, entreoutros.Essaéamodalida-de que mais dispõe de recursos, comR$ 3,4 bilhões, e juros a partir de 4,5% ao ano. As condições, no entanto,sóvalematéodia31.“Esta-mosaguardandoinformaçõesquan-to à renovação dessas condições até 30 de junho de 2015. O orçamento seráomesmoaté essadata.” Quanto ao PSI BK Rural, desti-nado à comprade caminhões,má-quinas e equipamentos agrícolas novos,quetambémespera prorro-gação, desde dezembro de 2012, quandofoi lançado, foramempres-tados R$ 24,5 bilhões, dos R$ 24,9 bilhões disponibilizadosdesde en-tão. “A demanda foi intensa. Res-tam apenas 1,4% de saldo do total oferecido”, destaca FernandoNo-gueira, técnico do departamento. Para oferecer empréstimos e promover avanço tecnológico das propriedades rurais, os grandes bancos comerciais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Fede-ral e Santander atuam, na maior partedas linhas comessa finalida-de, como operadores dos recursos repassadospeloBNDES. Entretan-to, todos também disponibilizam modalidades próprias. Walmir Fernandes Segatto, su-perintendente comercial de agro-negócios do Santander, conta que cercade três anosatrás osproduto-res rurais ganharam dinheiro com o valor de venda das commodities e começaram a investir pesado em inovação tecnológica, a fimde bai-xar mais seus custos e elevar a pro-dução.“ Hoje, essesmesmosprodu-tores devemmelhorar a eficiência tecnológica dasmáquinas eimple-mentos adquiridos para dar conta da demanda crescente”, explica. Porém,comonesteanoasintem-péries climáticas ampliarama pro-dução de grãos no Exterior, princi-palmente dos EstadosUnidos, e di-minuíram a nacional, houvemaior oferta global e o preço caiu. Além disso, o andamento da economia a passos lentos tambémnão estimu-loumuitoosnovos investimentos e, com isso, a procura por financia-mentos resfriou. “Buscamos ofere-cer atendimentomais personaliza-do, montamosestruturatécnicapa-ra isso, e identificamos onde há maior necessidade de atualização da inovação, para então oferecer o empréstimo. Customizamos o pro-cesso”, conta.Oresultadofoievolu-ção de 18,9% (R$ 3,38 bilhões con-tratados) no crédito rural para pes-soa física e de 11,3% (R$ 2,45 bi-lhões) para pessoa jurídica. No Banco do Brasil, nos primei-ros quatro meses do ano agrícola, ou seja, de julho a outubro, foram desembolsadosR$ 29,2 bilhões em financiamentosvoltadosaosprodu-tores rurais,altade27%anteomes-mo período no ano anterior. “Esse volume representa 35,8% do total de R$ 81,5 bilhões estimados para desembolso para toda a safra 2014-2015”, afirma a instituição. Aténovembro, a Caixaempres-tou R$ 2 bilhões emcrédito rural, alta de 54% ante mesmo período de 2013. A perspectiva é alcançar saldo de R$ 6 bilhões até o fecha-mento da safra. PROJETOSDEMARKETING Produtor rural temR$ 19 bi para financiar tecnologia Inovação também está presente nocrédito PROGRAMASDOGOVER-NOFEDERALPARA ASAFRA2014-2015 Divulgação Vianna:"Alinha ABCinduzo produtor rural aadotar mecanismos debaixo carbonoetem R$500milhões decrédito liberado" Alinhade financiamento Moderfrota, que visapropiciar amodernização de tratores, entre outros, dispõede R$3,4bilhões, e juros a partirde4,5%aoano No ano agrícola 2013-2014, os recursos voltados ao segmento agropecuário somaramR$ 16,5 bilhões, o que correspondeu a 9%do total emprestado pelo BNDES No Banco do Brasil, nos primeiros quatro meses do ano agrícola, ou seja, de julho a outubro, foram desembolsados R$ 29,2 bilhões emfinanciamentos, alta de 27% 4 Brasil Econômico Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014
  5. 5. Umasdasinovaçõesquetêmrevolu-cionado a vida de produtores rurais chama-se agricultura de precisão. Ao unir informação e tecnologia é possível, a partir de imagens de GPS, dar tratamento diferenciado às diferentes partes da plantação, graças às imagens geradas nasmá-quinas, orientandoplantioecolhei-ta. “Amorfologia do soloé diferente em cada parte; existem áreas que drenammelhor a água da chuva e, outras, não. Assim como há locais emque a paisagemémais verde, ou mais clara.Emalguns trechos éne-cessárioodobrodoadubooudoher-bicida. Mas esse avanço permite ajustenaturaleprogramadoconfor-me a necessidade, já que é possível fazeragestãodapropriedadelevan-do emconta também a redução do impactonomeioambiente,egeran-domaior emelhor produtividade”, explicaRicardoInamasu,coordena-dor da rede de agricultura de preci-sãoepesquisadordaEmpresaBrasi-leiradePesquisaAgropecuária( Em-brapa) Instrumentação.“Naagricul-tura convencional é feita a mesma dosagempara todo o espaço.” Com esse controle é possível, por exem-plo, colocar herbicida somente on-de há ervas daninhas, e corrigir a acidezdosoloonde énecessário. Inamasu conta que hoje a agri-cultura de precisão émais utilizada emculturas como milho, soja e al-godão. Equeatendênciaéqueche-gue à cana de açúcar e fruticultura. Ele destaca que, em virtude do plantio de produtos tropicais, a exemplo de mandioca, açaí, coco da Bahia,mamona e dendê, existe oportunidade para os engenheiros brasileiros começarema desenvol-ver indústria específica para esses itens. “Estamos trabalhando com pesquisas nessa linha, mas são de médio prazo.” Aevoluçãonasmáquinaseequi-pamentos no País começou no fim da década de 1990, com a abertura àimportação,ede2000a2010hou-ve expressivamudançanaqualida-de, graças à disponibilidade de equipamentos e à necessidade de produzir mais, devido ao aumento da demandamundial. Amudança tambémsedeunoperfildoagricul-tor, aoqualnãobastava só ter aces-so aoequipamento,mas saber usá-lo. “Hoje está tudo conectado. A máquina agrícola é programada e o homempode controlá-la no piloto automático. Antes, nem rádio ti-nham. Agoraestãototalmenteequi-padas comeletrônica embarcada.” O especialista destaca também o avanço na pecuária, pois, ao tra-tar do pasto, com sementes mais avançadas e fertilizantes adequa-dos, é possível ampliar a quantida-dede gado.“Em70%das áreasnão temos uma cabeça por hectare. Ao tomar esses cuidados, pode chegar a quatro. Dessa forma, tambémse podedobraroespaçoparaaagricul-tura.” Fazendo da automação sua aliada,Inamasuafirmaqueaprodu-ção pode crescer até cinco vezes. Quandooassuntoébiotecnolo-gia, o pesquisador daEmbrapaRe-cursos Genéticos e Biotecnologia Elibio Rech, que, inclusive, é pre-miado pelo desenvolvimento 100% em solo brasileiro de soja transgênica tolerante a herbicida emparceria coma indústriaquími-ca Basf, afirma que toda e qualquer produçãodeve estar atrelada à sus-tentabilidade. Aspróprias fabrican-tesdedefensivoagrícola, porexem-plo, estão começando a se atentar a produtos que gerem menor im-pacto ao meio ambiente. “Nosso agronegócio é protagonista no mundo, graças àbelezadele emra-zãodabiodiversidadedesolos, reci-clageme estabilidadeclimática.Tu-do isso com redução de expansão da fronteira agrícola. Para o futuro, temos de agregar valor a isso.Hoje temos o grão de soja, amanhã, um derivado de dentro dela.” Rech conta que está sendo de-senvolvido óleo de soja demelhor qualidade.Hoje, 24%do produto é composto por ácido oleico, impor-tanteparaometabolismoeporoxi-darmenos – quando oxida, o óleo pode ser cancerígeno, por isso de-ve- se evitar reutilizar o produto.O de canola, para se ter ideia, tem 50%, mas o grão émais caro de ser produzido. Essanova versãoda so-ja tem90%doácido,oque, inclusi-ve, ajudariaadiminuirolançamen-to de CO2 na atmosfera, já que, atualmente,na composiçãododie-sel, 8% são óleo vegetal ou animal e, dessa quantidade, 70%é óleo de soja – o produtor, inclusive, gasta-riamenos comcombustível para o trator. A nova tecnologia permite reduzir ematé30%os custos, além de sermais benéfico à saúde,mas, embora essas sementes já existam, oprodutoaindanãotemprazopara ser viabilizado e comercializado. Quanto à soja transgênica, o pesquisador afirma que é interes-santenãousar sempreomesmode-fensivo para não gerar resistência por parte das ervas daninhas. “É comoumantibiótico. Cada indús-triafarmacêuticatemoseu. Desen-volvemosmaisumtipo. AMonsan-to fez um marco na biotecnologia agrícola, em 1995, ao criar grão transgênico tolerante à herbicida. Vamoslançar onosso produto,que chegará aomercado em2016.” Agricultor ‘conectado’ ganha emprodutividade Emprego de GPS e outras novas tecnologias podem aumentar a colheita em até cinco vezes. As culturas mais beneficiadas são as de milho, soja e algodão Aevolução nasmáquinas e equipamentosno País começouno fimdos anos 1990, coma abertura à importação. Entre 2000 e 2010, houve forte aumento da qualidade, para atender à demanda de produção Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014 Brasil Econômico 5
  6. 6. 6 Brasil Econômico Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014 ESPECIAL NOVAS TECNOLOGIASNOAGRONEGÓCIO Apartirdoauxíliodeprogramavol-tadoademocratizar a tecnologia, o Sebraetec, micro e pequenos pro-dutores têm até 80% de subsídio da entidade.Foi assimqueAntonio Teofilo Filho, proprietário da Fa-zenda Santo Antônio, emSão José de Mipibu, no Rio Grande do Nor-te, conseguiutrabalharcomfertili-zação in vitro para reproduzir seus melhores gados e comercializá-los. “Jánasceramnoveanimais e 11 estãosendogerados”, conta. “Esse é umpassomuito grande parame-lhorar o rebanho do nosso Estado. Esperoagora tercondiçõesdeven-der para todo o País.” O custo desse procedimento gira emtorno deR$ 1.000 por ani-mal. O produtor paga R$ 250 e, o Sebrae, R$ 750. Como o limite do subsídio é de dez embriões por CPF, comas 20 fertilizações Teofi-lo Filho desembolsou R$ 12,5 mil, emvez de R$ 20 mil. “Essa é uma ajuda fantástica. Se puder, quero participar de novo.” Embora ain-da não tenha calculado quanto es-se investimento reverterá para seu faturamento, pois é preciso esperar o gado nascer e crescer, ele estima que consiga obter por um animal puro de origem de um ano e meio entre R$ 4.000 e R$ 8.000, enquanto outro, sem essa qualidade, vale R$ 1.000, ou seja, até oito vezesmenos. O gestor dos projetos Geneleite e Genecorte no Sebrae Rio Grande do Norte, Acácio Brito, explica que, geralmente, os pecuaristas têmumanimal brilhante, comboa lactação e ganhode peso comcon-versão emcarne de boa qualidade e,a partirda reproduçãodeseuge-ne, épossívelimplantá-loembarri-gasde aluguel.“Comessa tecnolo-gia, háa possibilidadede aumentar o rebanho em até dez vezes. Uma vaca, geralmente, temdez crias ao longodesuaexistência (cadagesta-ção dura novemeses e 13 dias, em média). Apartir da fertilização nas barrigas de aluguel, dá para gerar até 100 com o mesmo gene, sem doença e saudável.” Ele explica que a inovação permite também que seja escolhido sexo do gado. “Começamos com30produto-res. Em2015 queremos incremen-tar o projeto, já que,emparceria a iniciativa privada, que investiuR$ 1 milhão, vamos trazer ao nosso Estado laboratório biotecnológi-co. Hoje, temos de enviar a Ribei-rão Preto (São Paulo), o que enca-rece o processo”, conta. Com is-so, o custo por embrião deverá cair em 30%, e o subsídio deverá ser ampliado a 15 fertilizações por CPF.Aideia é atingir500produto-res nos próximos quatro anos, com5.000 bezerros. Filme da Braskemimpede o crescimento de ervas daninhas e reduz o agrotóxico Como avanço da inovação, hoje é possível controlar o crescimento de ervasdaninhas a partir de filme plástico. A Braskem desenvolveu, emparceria coma Electro Plastic, produto chamado mulching, que pode ser aplicado emculturas co-mo alface, tomate, morango e, mais recentemente, na plantação de laranja. “O grande objetivo é barrar a passagemde luz para evi-tar o crescimento de ervas dani-nhas, que competem pelos nu-trientes do solo com o alimento. Com isso, é possível reduzir a quantidade deagrotóxicos”, expli-ca Ana Paiva, especialista emde-senvolvimento de mercado da Braskem. O lado branco, de fora, refle-te a luz e não absorve tanto ca-lor; o preto, de dentro, barra o sol e a fotossíntese, provocando a retenção de água, já que a eva-poração é reduzida.Para aplica-ção em pés de laranja, o produ-to, que está em testes há dois anos e meio, dura 18 meses, mas, dependendo do manejo, pode ganhar mais um ano. “O resultado, porém, que evita o aparecimento de ervas dani-nhas, se estende por dez anos, já que a partir de dois anos e meio, em média, o mulching não é mais necessário pelo fato de a árvore já fazer sombra”, complementa Cristiano Rolla, gerente comercial da Braskem. Ana sustenta que o investi-mento se paga emseis meses, já que, sem ervas daninhas, dimi-nui- se consideravelmente o gas-to com carpina. Além disso, o volume da copa da árvore cres-ce até 67% mais que em áreas semmulching, isso, comparan-do plantas dentro de uma mes-ma fazenda, destaca. “A produ-tividade fica até 30% maior em massa, ou seja, peso.” Outra inovação tambémgera-da a partir de resinas é o silobou-ça de plástico, túnel que guarda até 200 toneladas de grãos que precisam ser armazenados até o momento da venda,mas não ca-bem mais no silo principal, o metálico, que geralmente tem capacidade de 100 mil. “Ele vai complementar o espaço para ar-mazenar e a um custo bem me-nor, já que é descartável”, diz a especialista. “No Brasil sempre Mulchingbarraapassagemdeluzepermiteretençãodeágua;investimentosepagaemseismeses tivemos área, mas, nos últimos anos, a produtividade vemcres-cendo em velocidade acima da do aumento dos terrenos. Como não há lugar para armazenar pa-ra todo mundo, que colhe ao mesmo tempo, e o preço do fre-te é alto, o que encarece os gas-tos com o produto, é uma solu-ção acessória. Na Europa, onde o espaço é exíguo, o consumo de plástico é bastante dissemi-nado”, completa Rolla. Para se ter ideia, no País é usado um dé-cimo de todo o plástico voltado à agricultura adotado na China e nos Estados Unidos. A Braskempossui, ainda, es-tufa (estruturametálica comco-bertura de filme plástico) que controla a velocidade de seca-gem do cacau. “Um chocolate gourmet, por exemplo, que exi-gemelhor qualidade gerada nes-se processo, pode gerar o dobro do ganho para o produtor”, diz Ana. “Sem contar que é usada energia solar, temapelo susten-tável”, destaca Rolla. Essa tec-nologia, lançada no fim do ano passado, pode ser adaptada ao café também. Rebanho pode crescer até dez vezes com fertilização in vitro Plástico ajuda a elevar a produtividade em30% PROJETOSDEMARKETING Fotos Divulgação Pequenos produtores têmacesso à inovação com apoio do Sebrae Na Europa, com o espaço exíguo, o consumo de plástico émuito disseminado. No Brasil,usamos umdécimode todo oplástico voltado à agricultura adotadona China enos Estados Unidos Volume da copa da árvore cresce até 67%mais que em áreas semmulching. Produtividade fica até30%maior em massa, ou seja, peso Silobouçadeplásticoguardaaté200toneladasdegrãosqueprecisamserarmazenadosatéavenda
  7. 7. LíviaTiraboschi:“Aousarmenosfertilizanteondehámenosnecessidade,aprodutividadeaumenta" Pensando em facilitar o dia a dia do produtor rural e inseri-lo na agriculturadeprecisão,aYaraFer-tilizantesdesenvolveu, emparce-ria coma fabricante demáquinas e implementos agrícolas Stara, equipamento que possuimedidor de nitrogênio e identifica, a partir da cor da planta, se está verde ou mais amarelada, por exemplo, a quantidade de fertilizante que ela necessita.“Foramdezanosdepes-quisa para desenvolver o N-Sen-sor, querealizaa leituraeaaduba-ção simultaneamente”, conta Lí-via Tiraboschi, especialista em produtos, pesquisa e inovação da Yara. “Ao usarmenos fertilizante onderequermenos,aprodutivida-de aumenta.Aideia éque sejado-sada aquantidade certa.Asusten-tabilidade é o caminho, e quere-mos nos tornar referência e agre-gar valor àmarca.” Lívia conta que o custo opera-cional do agricultor tambémdi-minui porque, coma inovação, é possível distribuir fertilizante em uma área maior e em menor tempo. A estimativa é que a pro-dução cresçaempelomenos 8%. Outra novidade da Yara é um aplicativo gratuito para smar-tphones e tabletsque disponibili-za acervo de fotos de diversos ti-pos de deficiência das plantas, a exemplode folhas enroladas, cra-queladas ou amareladas. “Cada sintoma está relacionadoaumnu-triente que faltou”, assinala. “Criado na Inglaterra, trouxemos neste ano para o Brasil pelo fato de o produtor, que hoje também é empresário, agora disponibili-zar de tecnologia 3G na área ru-ral. Emcercadedoismeses já tive-mosmais de 8.000 downloads.” Oaplicativo, batizado deChe-ckIT, está disponível nas versões Android e iOS às culturas: soja, milho, algodão, cereais, girassol, citros, batata, tomate, cenoura, alface, espinafre e couve-flor. ParaWindows Phone está sendo desenvolvido.Na Europa, já exis-te uma evolução dessa tecnolo-gia, emque é possível tirar a foto e ter o diagnóstico próprio, e não comparativo. “Hojenão basta só a experiên-cia, opéna roça.Oagricultor pre-cisa ampliar sua produtividade aproveitando a tecnologia dispo-nível, que aumenta o conheci-mento e melhora a concorrên-cia”, avalia a especialista. Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014 Brasil Econômico 7 Colheitadeira inteligente reduz em75% o desperdício A preocupação eminserir o pro-dutor rural na agricultura de precisão também faz com que a fabricante demáquinas e imple-mentos agrícolas New Holland desenvolva tecnologia voltada a ampliar a produção. “Como o preço das commotidies é deter-minado pela Bolsa de Chicago, e não dá para mudar os preços de sementes e defensivos, onde o agricultor pode ganhar é na re-dução de seus gastos ao otimi-zar o uso dos produtos, por exemplo, propiciando o máxi-mo de aproveitamento possível para o defensivo agrícola”, afir-ma Carlos D’Arce, diretor de marketing da NewHolland para a América Latina. A colheitadeira CR 1090 se ajusta à quantidade de produto que ela tem de processar. “Ela separa o grão da planta demodo a não jogar nenhum fora e, as-sim, minimizar as perdas”, con-ta. Segundo D’Arce, ela reduz em75% o desperdício. “Normal-mente, as perdas atingem 2% e, com o equipamento, cai para 0,5%.” Considerando que o des-perdício atinja 100 sacos, cota-dos a US$ 20 cada, portanto, US$ 2.000, geram prejuízo de R$ 5.000 (com o dólar a R$ 2,50). “Considerando o litro do diesel a R$ 2, pagaria o combus-tível de uma safra se esse dinhei-ro tivesse entrado”, diz o execu-tivo. Com as perdas em 0,5%, desfalque cai para R$ 1.250. O agricultor brasileiro, po-rém, terá de aguardar um pou-co para ter acesso a essa tecnolo-gia, já que amáquina será apre-sentada na Agrishow2015, reali-zada em abril e fará testes nos campos brasileiros. A NewHolland possui emter-ritório nacional, por ora, pulve-rizadores inteligentes de defen-sivo agrícola, que, a partir de programação prévia, faz o servi-ço sozinho. Ele lança água onde não há ervas daninhas e defensi-vo onde existem. “A tecnologia permite ao agricultor, além de não desperdiçar material, ter noção de seu escritório o que es-tá acontecendo e sugerir corre-ção just in time, o que é permiti-do a partir da telemetria.” Equipamentomede a necessidade de nutriente da planta e faz a adubação Nova máquina da NewHolland chega aos campos brasileiros no ano que vem Yara Fertilizantes também desenvolveu aplicativo para tablets e smartphones que identifica o tipo de deficiência da plantação O agricultor pode ganhar na redução de seus gastos ao otimizar o uso dos produtos, como propiciar omáximo de aproveitamento para o defensivo agrícola Ocusto operacional diminui porque, coma inovação, é possível distribuir fertilizante emumaáreamaior e emmenor tempo. Aestimativa é que a produção cresça empelomenos 8% D’Arce:perdasdegrãos, que chegama2%,caempara0,5%
  8. 8. 8 Brasil Econômico Quarta-feira, 10 de dezembro, 2014 ESPECIAL LUIZCARLOSCORRÊACARVALHOPresidente da Associação Brasileira doAgronegócio Qual oatual cenário para o agronegócio brasileirodoponto de vistadasnovas tecnologias? Osprodutores têmacesso a elas?Porquê? Nascadeiasprodutivasdoagrone-gócio destacam-se os elos dos in-sumosmodernos e bens de capi-talparaasproduçõesagrícolaein-dustrial. Tratam-se de produtos deorigemquímicaebiológica(fer-tilizantes, herbicidas, inseticidas, maturadores, etc.), altamente qualificados e com tecnologia já brasileira,enosetordebensdeca-pital são equipamentos agrícolas (tratores, máquinas, implemen-tos, colheitadeiras, etc.), que es-tão posicionados antes da produ-ção. Esses produtos são parte do processoprodutivoqueincluioes-pecialdesenvolvimentotecnológi-co para omundo tropical, onde o Brasil é líder inconteste. Os ga-nhos de produtividademuito su-periores ao acréscimo de área são arespostadosprodutoresnoagro-negóciomodernobrasileiro. Quais são os entravesque ainda dificultam oacesso a essas tecnologias? Em primeiro lugar, o complexo sistema de aprovação do gover-no brasileiro às novasmoléculas químicas e ao processo lento de aprovação dessas moléculas e dosprodutosgeneticamentemo-dificados. Ambos os atrasados mecanismos estão muito mais efetivos nos países que concor-remdiretamentecomoBrasil, co-mo os Estados Unidos, a Austrá-liaeaArgentina. Emsegundolu-gar, a questão constante de ren-da na volatilidade dosmercados, a acentuada pressão do sistema protecionista dos chamados paí-ses ricos, de grandemercado, e a pouca mobilidade brasileira no seu posicionamento formal co-mercial no mercado internacio-nal. Também devem ser citadas as dificuldades dos pequenos e médios produtores quando não estão ligados a uma cooperativa. NOVAS TECNOLOGIASNOAGRONEGÓCIO Na sua avaliação, a ofertade créditoe incentivos para a aquisiçãode tecnologias é suficiente? Casonão,o que poderiamelhorar oacesso? ClaroquenoBrasilocréditonãoé fator de extensa e fácil obtenção. Há dificuldadesdosistema finan-ceirona realidade econômica dos agentes de produção. No entan-to, é importante observar as ou-tras ferramentas não tradicionais de crédito que passarama ter pe-so expressivo no crescimento se-torial, como o apoio das empre-sasdeinsumosmodernosedetra-dings, assim como os novosme-canismosdomercadofinanceiro. Amelhoria de acesso ocorrerá na medidaemque, de fato, o gover-no federal dê prioridade ao agro-negócio. Também será funda-mental amaior disponibilidade e liquidez a se ter nos contratos fu-turos de commodities agrícolas. Qual omelhor caminhopara que osprodutores conheçamo quehádemaisnovonomercado e consigamadquirir essas melhorias tecnológicas? Semdúvidaalguma,novosdesen-volvimentos tecnológicos, como oILPF(IntegraçãoLavoura,Pecuá-ria e Floresta), que está empleno desenvolvimento no Brasil e com linhas de crédito, dependem de projetos bemelaborados comas-sessoramentotécnico. Ascoopera-tivas dão esse suporte. Sem isso, os pequenos emédios produtores agrícolas ficam com dificuldade de entrar nesse processo.Omes-mopode- sedizerdeoutrascultu-ras agrícolas, onde a indústria é o elode suporte aoagricultor. Qual oimpactonaproduçãoe nofaturamentodosprodutores a adesão às tecnologias?Qual a importânciade se ter inovação noprocessoprodutivo?Eos consequentesbenefícios? Conceitualmente, a inovação tec-nológica é a receitado crescimen-to sustentável para qualquer em-presa. Para o agronegócio é vital; seja para a competição emcustos ouqualidade.Semdúvidaalguma, estarantenadoàevoluçãotecnoló-gica requer investimento, assim como as ações propriamente ditas dasaquisiçõesedossuportestécni-cosdeserviçosde tecnologias. Emsuaavaliação,porondeé melhoroprodutorcomeçarpara gerarmaiorprodutividade?Que tipodetecnologiaseriaaporta deentrada,opontapéinicial? Tudoseiniciacomaefetivaavalia-çãodonegócioquesepropõerea-lizar; emtermos do ambiente de produção e do seu melhor uso coma cultura agrícola ou pecuá-ria que se pretende desenvolver. O passo seguinte é a orientação do processo produtivo e as mu-das, sementesouanimais selecio-nadoscomoopontapé inicial.Vá-rias são as alternativas,como vá-rios são os ambientes de produ-çãofaceaomundotropicalquege-ra verdadeiromosaicode opções. Oque temosdemais avançado emtermosde tecnologia para o agronegóciohojenoPaís?Tanto emmáquinas e equipamentos quanto embiotecnologia?E como sedeu esseprocessode desenvolvimento? Essaquestão é amais interessante no despertar domundo emrela-ção aoBrasil. Afinal, aOCDE(Or-ganização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), juntamentecomaFAO(Organiza-ção das Nações Unidas para Ali-mentaçãoeAgricultura), elegeuo Brasilcomo o foco do aumento da ofertaglobaldealimentosparaes-te século 21. Isso se deu emrazão do desenvolvimento tecnológico brasileironocampodoagronegó-cio desde o Instituto Agronômico deCampinas, passando pelaEm-brapa (Empresa Brasileira dePes-quisa Agropecuária) nos últimos anos de forma espetacular.Nosso desenvolvimento tanto se dá no campoda genética tradicional,da biotecnologia e da química como nocampodamecanizaçãoagríco-la. Airrigaçãosóestácomeçando. Eoquepodemosdestacarque aindavemde fora?Por que existe anecessidadede se comprardeoutros países? Háuma sériede inovações funda-mentais que vemde países como os Estados Unidos (geral), Itália (máquinas), Alemanha (geral), Israel (irrigação),França (concei-tos), Reino Unido (geral) e Japão (equipamentos). Esses países são fundamentais, assim como o Brasil o é nomundo tropical. Quanto é investido em tecnologiano agronegócio no País, e comparação como restante domundo? O mundo rico investe de 3% a 4% do seu PIB (Produto Interno Bruto) em P&D (Pesquisa e De-senvolvimento). OBrasil, infeliz-mente, investe pouco mais que 1%do seuPIB. Quais são asperspectivas para 2015?Eparaospróximos anos? Como se debateu tanto na última campanha eleitoral, o Brasil tem duras perspectivas para 2015. Se fizer a liçãode casade formacor-reta, temos esperança de que ha-verá alguma evolução em 2016, com potencial para 2017 e 2018. Mastemos pedras no caminho. “ Os desenvolvimentos tecnológicos, como o ILPF (Integração Lavoura, Pecuária e Floresta), que está emplena expansão no Brasil e comlinhas de crédito, dependem de assessoramento técnico. As cooperativas dão esse suporte” ENTREVISTA PROJETOSDEMARKETING ‘A INOVAÇÃO TECNOLÓGICA É VITAL PARA O AGRONEGÓCIO’ Divulgação Quando o assunto é tecnologiano agronegócio, oBra-sil possui know-howsingular no desenvolvimento de inovação para países tropicais, destaca o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho. Entretanto, o caminho ainda é longo para conquistarmais expertise na criação e na viabilizaçãodamanufaturademaquináriomais avan-çado, assim como em biotecnologia, pois ainda há o forte entrave de acesso ao crédito, baixo investimento empesquisa e desenvolvimento e falta de priorização doagronegóciobrasileiro, elencaCarvalho,que conce-deu entrevista exclusiva ao Brasil Econômico.

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