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MAURA MOREIRA DA SILVA GÓES O GÊNERO CANÇÃO E A LUDICIDADE NAS AULAS DELÍNGUA PORTUGUESA: PROJETO FACE - UMA EXPERIÊNCIA  ...
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AGRADECIMENTOSA Deus, primeiramente, por ter me dado coragem, força e saúde para chegar até aqui.Aos colegas de curso pelo...
"Sem a música, a vida seria um erro”.                (Friedrich Nietzsche)
RESUMO       O presente trabalho traz como temática central “Música e o ensino de LínguaMaterna”. Foi desenvolvido a parti...
ABSTRACT       The present work brings as central theme "Music and the teaching of Mother Tongue.„It was developed from a ...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO .................................................................................................. 08CAP...
8INTRODUÇÃO         A presente pesquisa intitulada “O gênero Canção e a Ludicidade nas Aulas de LínguaPortuguesa: Projeto ...
9       Assim, para a coleta e análise de dados, é apresentada a pesquisa de campo comprofessores e alunos envolvidos no p...
10                           CAPÍTULO 1- APORTE TEÓRICO1 – O gênero canção e a ludicidade nas aulas de Língua Portuguesa: ...
11entra em contato com o mundo e com a língua. Os quais surgem de acordo com as diferentesatividades humanas e podem ser a...
12       De acordo com o pensamento bakthiniano, língua, enunciado e gênero do discurso, sãoimprescindíveis para o funcion...
13       Segundo Marcuschi (2005 apud DIONISIO, 2007) “é impossível se comunicarverbalmente a não ser por algum gênero, as...
14inseparáveis, a poesia era feita para ser cantada. Só na Idade Moderna com a invenção daimprensa e com ela o avanço da e...
151.2 O valor da música e a ludicidade       A música está presente em todas as culturas e nas mais diversas situações do ...
16espaciais. Sendo a escola um local na qual os alunos interagem uns com os outros de formaintegrada, é o lugar adequado p...
17aprendizagem por meio de elementos culturais, artísticos e estéticos valorizando assim, osconteúdos escolares. Nessa per...
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19                         socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento.                         (SAN...
201.3 Ensino de Língua Portuguesa: uma nova perspectiva       Na sociedade atual são exigidos de cada indivíduo conhecimen...
21       Corroborando com Koch o texto nesse sentido, passa a ser considerado o próprio lugarde interação e os interlocuto...
22construir significado a partir do texto, o que se torna possível pela interação entre oselementos textuais e o conhecime...
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24       A partir desta constatação, a intenção da Secretaria de Educação não é apresentar amúsica apenas como experiência...
25         O Projeto acontece em três etapas, cada uma com suas especificidades. Na primeiraetapa, o minifestival é realiz...
26       O conhecimento artístico abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensãodo mundo no qual a dimensão poét...
27                      CAPÍTULO 2 - APORTE METODOLÓGICO       Todos os indivíduos possuem conhecimentos que lhes habilita...
28significação precisa ser interpretada pelo pesquisador, que é influenciado ao mesmo tempo,pelos textos lidos e pelos val...
29       Na terceira etapa, foi feita a coleta de dados através de pesquisas bibliográficas,análise documental, observação...
30(9° ano) e cinco ( 5 ) alunos do turno noturno (2° e 3º ano – Ensino Médio). Eles possuemfaixa etária que varia entre qu...
31CAPÍTULO 3 - ANALISANDO, INTERPRETANDO E CONSIDERANDO OSRESULTADOS       O presente capítulo tem a pretensão de analisar...
32                        A música é uma arte bela, que tem o poder de aproximar as pessoas e                        despe...
33auxiliará o professor a interagir com o aluno, permitindo assim, uma reflexão sobre aaprendizagem significativa cujo alu...
34                        A Língua Portuguesa é um tanto complexa, a prática de atividades lúdicas                       e...
35       Os discursos relatam, dessa forma, que os envolvidos veem o projeto de maneirasatisfatória, tanto para o alunado ...
36com uma nova perspectiva, levando em consideração os elementos culturais e sociais,respeitando a diversidade e a identid...
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38texto e seus diferentes elementos que o compõem. Percebe-se que o projeto se preocupa comessa problemática, quando traz ...
39CONSIDERAÇÕES FINAIS       A música não pinta o amor ou a aspiração de um dado individuo em dadascircunstâncias, ela pin...
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41                                         REFERÊNCIASALVAREZ LEITE, Lúcia Helena. Pedagogia de projetos: intervenção no p...
42FERREIRA, Martins. Como usar a música na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2005.GERALDI, João Wanderley. O texto na sal...
43MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora. Gêneros textuais e ensino. 5.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.MARCUSC...
44Revista de apoio pedagógico. VIVA: a nova face da escola. Bahia: Secretaria de Educação.2009.RICHARDSON, Roberto Jarry (...
ANEXOS
ANEXO 1 – QUESTIONÁRIOS                  UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB                    DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃ...
Escola: ________________________________________________________________Data: ____________________________________________...
__________________________________________________________________________________________________________________________...
UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB                    DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV                           ...
Questionário da entrevista1º) Qual a importÀ
O gênero canção e aludicidade nas aulas de língua portuguesa projeto face   uma experiência nas escolas estaduais
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  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DA BAHIA Departamento de Educação- campus XIV Colegiado de Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas - Licenciatura MAURA MOREIRA DA SILVA GÓES O GÊNERO CANÇÃO E A LUDICIDADE NAS AULAS DELÍNGUA PORTUGUESA: PROJETO FACE - UMA EXPERIÊNCIA NAS ESCOLAS ESTADUAIS Conceição do Coité 2011
  2. 2. MAURA MOREIRA DA SILVA GÓES O GÊNERO CANÇÃO E A LUDICIDADE NAS AULAS DELÍNGUA PORTUGUESA: PROJETO FACE - UMA EXPERIÊNCIA NAS ESCOLAS ESTADUAIS Monografia apresentada ao Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), curso de Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literatura- Licenciatura como parte do processo avaliativo para obtenção do grau de Licenciado em Letras. Orientadora: Profa. Juréia Ferreira da Silva. Conceição do Coité 2011
  3. 3. TERMO DE APROVAÇÃO MAURA MOREIRA DA SILVA GÓESMonografia aprovada como requisito parcial para obtenção de grau de Licenciatura em Letrascom habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas – Licenciatura, Departamento deEducação, (DEDC) Campus XIV Conceição do Coité, Universidade do Estado da Bahia,(UNEB), pela seguinte banca examinadora. O GÊNERO CANÇÃO E A LUDICIDADE NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA: PROJETO FACE - UMA EXPERIÊNCIA NAS ESCOLAS ESTADUAIS ---------------------------------------------------------------------------------- Professora Jureia Maria Ferreira da Silva Universidade do Estado da Bahia Orientadora -------------------------------------------------------------------------------------- Examinadora (1) -------------------------------------------------------------------------------------------- Examinadora (2) Aprovado em------- / ----------2011
  4. 4. AGRADECIMENTOSA Deus, primeiramente, por ter me dado coragem, força e saúde para chegar até aqui.Aos colegas de curso pelos momentos que compartilhamos.À minha família, pelo apoio e paciência, em especial, as minhas filhas Maryelle, Rayssa emeu esposo Roque, por terem contribuído de maneira gratificante durante essa jornada quenão foi fácil, porém significativa e desafiadora.Ao meu cunhado Marcelo e a minha querida amiga Jusci pelo estímulo e por acreditarem queeu era capaz, meu carinho e gratidão.À minha orientadora Juréia Ferreira, educadora responsável, consciente, meu sincero obrigadopelo apoio, confiança, dedicação, ajuda e paciência.Aos professores da UNEB pelas sábias contribuições, necessárias para meu conhecimentotanto pessoal quanto intelectual.À minha mãe, que não teve oportunidade de estudar, porém nunca deixou de acreditar que oestudo é o melhor caminho para um futuro promissor, valeu o incentivo e a força.Aos professores e alunos envolvidos no projeto FACE por terem proporcionados momentosde alegria e prazer - obrigado pela atenção!Aos meus amigos e colegas de trabalho que contribuíram de alguma forma para enfrentar essajornada.
  5. 5. "Sem a música, a vida seria um erro”. (Friedrich Nietzsche)
  6. 6. RESUMO O presente trabalho traz como temática central “Música e o ensino de LínguaMaterna”. Foi desenvolvido a partir de uma pesquisa de campo sobre o projeto Festival Anualda Canção Estudantil (FACE), tendo como envolvidos: educadores e alunos do colégioestadual Coronel José Leitão, situado no município de Santa Luz. O objetivo principal dapesquisa é estudar a contribuição da música como recurso lúdico nas aulas de LínguaPortuguesa e analisar de que forma essa influencia na aprendizagem do aluno. Para tanto seutilizou da abordagem qualitativa, coletando dados através da observação não- participante,de questionário de entrevista, de análise documental e de pesquisa bibliográfica na busca deelucidar melhor as questões abordadas. Todo o estudo foi fundamentado em concepçõesteóricas embasadas nos autores: Penna (2010), Bakthin (1997), Marcuschi (2007), Loureiro(2008), Luckesi (2004), entre outros. Os resultados revelam que o projeto FACE possibilitaabordagem significativa de leitura e escrita e através de um enfoque lúdico, proporciona umadinâmica prazerosa, pois envolve o aluno e incentiva a criação e a imaginação.Palavras-chave: Música. Ludicidade. Leitura
  7. 7. ABSTRACT The present work brings as central theme "Music and the teaching of Mother Tongue.„It was developed from a field research project on the annual Festival of Song Student(FACE), as having involved: teachers and students of Coronel José Leitão state college,located in Santa Luz. The main objective is to study the contribution of music as arecreational resource in the classes of Portuguese Language and examine how this influencesstudent learning. For this we used a qualitative approach, collecting data through non-participant observation, questionnaire interviews, document analysis and literature in searchof further elucidate the issues. The whole study was based on theoretical conceptionsgrounded in the authors: Penna (2010), Bakhtin (1997), Marcuschi (2007), Loureiro (2008),LuckesiI (2004), among others. The results reveal that the FACE project approach enablessignificant reading and writing and through a playful approach, provides a dynamic pleasure,because it involves the student and encourages the creation and imagination.Key words: Song. Playfulness. Reading.
  8. 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO .................................................................................................. 08CAPÍTULO 1– APORTE TEÓRICO O gênero canção e a ludicidade nas aulas de Língua Portuguesa: projeto FACE – uma experiência nas escolas estaduais .............................................. 101.1 O gênero canção e a poesia em destaque .................................................. 101.2 O valor da música e a ludicidade ............................................................. 151.3 Ensino de língua portuguesa: uma nova perspectiva ............................... 201.4 Projeto FACE: Uma experiência nas escolas estaduais da Bahia ............. 231.4.1 A dinâmica do projeto .............................................................................. 24CAPÍTULO 2– APORTE METODOLÓGICO2.1 A abordagem da pesquisa ........................................................................ 272.2 As técnicas de coleta de dados ................................................................ 282.3 O lócus e os sujeitos da pesquisa ............................................................ 29CAPÍTULO 3– ANALISANDO, INTERPRETANDO E CONSIDERANDOOS RESULTADOS............................................................................................. 313.1 O lúdico da música na dinâmica da aprendizagem .....................................313.2 O projeto FACE e uma nova perspectiva para as aulas de Língua Portuguesa ...................................................................................................333.3 A música e a interação sociocultural: ponte para a aprendizagem significativa de leitura e escrita .................................................... ............. 36CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................39REFERÊNCIAS 41ANEXOS
  9. 9. 8INTRODUÇÃO A presente pesquisa intitulada “O gênero Canção e a Ludicidade nas Aulas de LínguaPortuguesa: Projeto FACE - uma Experiência nas Escolas Estaduais” nasce de umainquietação acerca do desinteresse dos alunos da Educação Básica pelas aulas de línguamaterna cujo ensino mostra-se descontextualizado, apresentando uma teoria gramaticalinconsistente. A música se faz presente em todos os lugares, na vida dos seres humanos na maioriadas vezes como prática de lazer e diversão provocando euforia, prazer e descontração. Nessecontexto, assume importante papel na formação do indivíduo e a escola enquanto espaçonorteador do conhecimento precisa ressignificar o ensino, utilizando-se de metodologiasdiferenciadas transformando o espaço escolar e um lugar agradável e instigante. Nessesentido, este estudo monográfico traz como objetivo geral analisar de que forma a músicacontribui para o ensino de língua materna possibilitando o aluno ver as aulas com outrosolhos. Em face do exposto têm-se as questões que nortearam o trabalho: Como o lúdico damúsica dinamiza a aprendizagem? Que sentidos os sujeitos atribuem à música nas atividadesde leitura e escrita? De que forma a música pode contribuir para o ensino de LínguaPortuguesa significativo e prazeroso para o educando? Dentre as hipóteses levantadas acerca do objeto de pesquisa, destacam-se: é provávelque as aulas de Língua Portuguesa com a música se tornem significativas e estimulantes parao educando; que o trabalho com música pode desenvolver no aluno a oralidade e acriatividade. A fim de melhor discorrer sobre esta temática, foi necessária uma pesquisabibliográfica, buscando a fundamentação teórica nas idéias de alguns autores, entre elesdestacam-se: Penna (2010) traz a contribuição sobre o ensino da música na educação básica;Bakthin (1997), sobre os gêneros dos discursos; Marcuschi (2007) conceitua gêneros textuaisapontando sua significância; Luckesi (2004), destaca a importância da ludicidade para aformação do individuo; Geraldi (2002), aborda a importância do texto na sala de aula, Bastian(2009), traz novas perspectivas para o ensino através da música; Loureiro (2008), discorresobre o sentido e o significado da educação musical.
  10. 10. 9 Assim, para a coleta e análise de dados, é apresentada a pesquisa de campo comprofessores e alunos envolvidos no projeto Festival Anual da Canção Estudantil (FACE) noColégio Estadual Coronel José Leitão na cidade de Santa Luz. É importante ressaltar asanálises desenvolvidas através do projeto. O FACE - criado pela Secretaria de Educação doEstado da Bahia para atender melhor aos alunos da Educação Básica. A pesquisa em questãoestá orientada pela metodologia da pesquisa qualitativa e os dados coletados pelas técnicas deobservação não-participante e questionário para professores e alunos. Portanto, este trabalho monográfico está subdividido em três capítulos, sendo oprimeiro intitulado: “O gênero Canção e a Ludicidade nas Aulas de Língua Portuguesa:Projeto FACE- uma Experiência nas Escolas Estaduais” apresentando conceitos referentesà temática sob diferentes olhares dos estudiosos. O segundo, aporte metodológico, descrevetodo o percurso até chegar aos resultados obtidos. O terceiro capítulo: a análise dos dadosargumenta-se sobre os fenômenos revelados, em consonância com as concepções teóricas quefundamentam o estudo.
  11. 11. 10 CAPÍTULO 1- APORTE TEÓRICO1 – O gênero canção e a ludicidade nas aulas de Língua Portuguesa: projeto FACE- umaexperiência nas escolas estaduais Os problemas referentes ao ensino de Língua Portuguesa não são recentes. Muito setem perguntado por que os alunos não conseguem ler com proficiência. Observa-se que oensino de língua materna, apesar das mudanças que ocorreram ao longo dos anos, ainda écentrado na gramática normativa, deixando de lado a criatividade e a expressão do aluno.Essas evidências do fracasso escolar apontam a necessidade de reavaliar o ensino de línguamaterna. Pensando nisso, o presente trabalho tem como pretensão discutir o gênero canção ea ludicidade em sala de aula para o desenvolvimento das habilidades de leitura e de escrita, namedida em que esses têm papel social importantíssimo na formação do ser humano.1.1 O gênero canção e a poesia em destaque [...] Em nosso dia a dia convivemos com a música, ligamos o som [...]; cantamos nochuveiro; dançamos ao som de música [...] As manifestações musicais são extremamentediversificadas (PENNA, 2010, p.19). Nota-se, que a criança já nasce em ambientes musicaisdiversos, trabalhar música na escola é continuar o universo que ela vivencia fora do espaçoescolar. Dessa forma, o gênero canção nas aulas de Língua Portuguesa é relevante uma vezque, a música nesse segmento educacional possibilita o educando vivenciar momentos lúdicose prazerosos, além de desenvolver a linguagem oral e escrita. Todas as atividades humanas estão relacionadas com a utilização da linguagem quenão são feitas apenas de palavras, mas de cores, gestos, formas etc. Para se tornaremlinguagem, tais elementos precisam obedecer a certas regras que lhe permitam entrar no jogoda comunicação. Uma delas é que toda a manifestação da linguagem se dá por meio de textos.O texto pode ser desde uma simples palavra até um conjunto de frases. O que o define não ésua extensão, mas o fato de que ele é uma unidade de significação em relação à situação(ORLANDI, 1996, p.159). Segundo esse autor, é a partir do texto oral ou escrito que o aluno
  12. 12. 11entra em contato com o mundo e com a língua. Os quais surgem de acordo com as diferentesatividades humanas e podem ser agrupados em gêneros textuais Para falar do gênero canção que é o objeto de estudo desse trabalho, precisa-seprimeiro compreender e definir o que é gênero. Então, faz-se necessário uma abordagem apartir de concepções de autores sobre o referido tema. De acordo com os PCN (1998, p.21) todo texto se organiza dentro de um determinadogênero em função das intenções comunicativas, como parte das condições de produção dosdiscursos as quais geram usos sociais que os determinam. Sobre os gêneros textuaisMarcuschi (2007, p.19) vai dizer que: os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar asatividades comunicativas do dia-a-dia. São entidades sócio-discursivas e formas de açãosocial incontornáveis em qualquer situação comunicativa. Partindo desse pressuposto pode-sedizer que os gêneros textuais são modelos comunicativos que nos possibilitam gerarexpectativas e previsões para compreender um texto e, assim, interagir com o outro. ParaMaingueneau (2001, apud MARCUSCHI), [...] são chamados gêneros textuais “os textosparticulares, que tem organização textual, funções sociais, locutor e interlocutor definidos[...]”. Segundo os autores mencionados, conhecer um gênero não é apenas conhecer suascaracterísticas formais, mas, antes de tudo, entender a sua função e saber, desse modointeragir, adequadamente. Assim sendo, vale ressaltar que essa interação só é possível atravésda linguagem, pois a linguagem é um instrumento de comunicação indispensável entre osindivíduos, pode ser feita por diversas manifestações lingüísticas, como a escrita, a oralidade,os sons, os gestos, as expressões fisionômicas e outros nos diferentes tempos e espaços. Essasmanifestações lingüísticas constroem seus gêneros tendo em vista as suas finalidades, logo, osgêneros determinam o enunciado que reflete as condições da esfera discursiva. Toda esfera da atividade humana por mais variada que seja está sempre relacionada com a utilização da língua que se efetua em forma de enunciados orais e escritos, esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, que são denominados gênero do discurso (BAKTHIN, 1997, p. 290).
  13. 13. 12 De acordo com o pensamento bakthiniano, língua, enunciado e gênero do discurso, sãoimprescindíveis para o funcionamento das entidades comunicativas por que cada situaçãosocial dá origem a um gênero com características específicas, levando em consideração asinfinidades de situações comunicativas e que essas só são possíveis graças à utilização dalíngua. Nesse contexto, nota-se que os gêneros são infinitos. A este respeito Bakthin (1997)diz que: Cada esfera conhece seus gêneros, apropriados à sua especificidade, aos quais correspondem a determinados estilos. Uma dada função (cientifica, técnica, oficial e cotidiana) e dadas condições especificas, para cada uma das esferas da comunicação verbal geram um dado gênero, ou seja, um dado tipo de enunciado, relativamente estável do ponto de vista temático, composicional e estilístico (p. 284). Esses três elementos que compõem o gênero citado por Bakthin (1997) relacionam-seintrinsecamente na constituição do enunciado, levando em conta a relação com osdestinatários e o discurso do outro. O conteúdo temático estabelece o domínio de sentido deum gênero, caracterizando-o como uma forma típica de apreensão do real. O estilo constitui-se em uma relação dialógica, visto que é influenciado pelo discurso do outro seja com intuitode reproduzi-lo ou de negá-lo. A forma composicional responde pela organização eestruturação do gênero e funciona como uma forma que deve levar em consideração osmodelos da esfera comunicativa, além de permitir o reconhecimento do gênero levando emconta as condições e a finalidade de cada campo da atividade humana. A partir das considerações feitas, percebe-se que os gêneros surgem de acordo comsua função na sociedade: seus conteúdos, seus estilos e suas formas estão sujeitos a essafunção. Os gêneros são, portanto, determinado historicamente, constituindo formasrelativamente estáveis de enunciados, disponíveis na cultura (PCN, 1998, p. 21). Para atenderas exigências da sociedade é importante trabalhar a linguagem e a leitura como forma deinserção social. Até a década de 1980 era possível focar um trabalho, com textos mais escolares eliterários. Com as novas tecnologias torna-se necessário uma variedade muito maior deconhecimento de gêneros que se tinha naquela década, pois já não bastam as noções de tipo detexto e gramática que tínhamos até então. Hoje é preciso ter conhecimento do gênero, ou seja,formar os alunos para o uso da língua.
  14. 14. 13 Segundo Marcuschi (2005 apud DIONISIO, 2007) “é impossível se comunicarverbalmente a não ser por algum gênero, assim como é impossível se comunicar verbalmentea não ser por algum texto”. Para o autor a comunicação verbal só é possível por algum gênerotextual. Percebe-se que a função desempenhada pela canção na sociedade leva-nos a dizer queela se manifesta de maneira artística e discursiva. Pertence aos gêneros privilegiados para aprática da escuta e leitura de textos de linguagem oral e se insere na esfera literária decomunicação. Esse gênero está presente no cotidiano da maioria dos indivíduos. Em suaorigem é toda poesia relacionada com a música e o canto. Segundo Costa (2002) a canção é: [...] um gênero hibrido de caráter intersemiótico, pois é resultado da conjugação de dois tipos de linguagens a verbal e a musical (ritmo e melodia). [...] tais dimensões tem de ser pensadas juntas, sob pena de confundirmos com outro gênero. Assim, a canção exige uma tripla competência: a verbal, a musical e a lítero-musical [...]. (apud DIONISIO, 2007, p. 107). De acordo com a definição de Costa (2002), o gênero canção é a junção de duaslinguagens verbal e musical e não pode ser desvinculado o texto da música. Para que a cançãoseja executada é necessário o acompanhamento de uma melodia e a composição de uma letra,que pode ser através de um texto poético já existente ou de um texto criado pelo compositor.Partindo dessa perspectiva por apresentar um caráter intersemiótico o gênero canção oferecepossibilidades de lidar com universos textuais conhecidos além de garantir abordagensinterdisciplinares. A materialidade da canção não se limita nos aspectos lingüísticos e discursivos, masestá imbricado em seu conteúdo rítmico e melódico. Para o linguista e compositor Tatit (1996apud COSTA), canção e poesia são elementos distintos e não pertence ao mesmo gênero,podem até andarem juntas mais não são iguais. Uma letra de música pode conter elementospoéticos como métrica, rima, mas tecnicamente não é um poema. Pode-se até musicar umapoesia, mas é impossível fazer isto sem adaptações na letra. A poesia é livre enquanto amúsica nasce com a melodia. A relação entre música e poesia vem desde a antiguidade. De acordo com a tradiçãonasceram juntas. Na cultura da Grécia Antiga poesia e música eram praticamente
  15. 15. 14inseparáveis, a poesia era feita para ser cantada. Só na Idade Moderna com a invenção daimprensa e com ela o avanço da escrita, houve a distinção entre esses dois gêneros que,mesmo separados continuaram preservando traços daquela antiga união. A letra de canção,apesar de possuir as suas peculiaridades, é um gênero muito próximo da poesia, existempessoas que não tocam instrumentos nem conhecem teoria musical, mas são capazes decompor canções, o instrumento da canção é a palavra, o ritmo e a voz. Poesia e músicaencontram-se também nas semelhanças entre os modos de estruturação de cada uma dessaslinguagens. Santaella (apud PENNA, 2002, p. 83). Pensando por esse viés o gênero canção e a poesia no que tange a Língua Portuguesapode despertar no aluno o interesse pela leitura critica capaz de torná-los leitores competentes.Mesmo alguns autores considerando a canção e a poesia como gêneros específicos, elespodem ser fundamentais na sala de aula, não apenas para o desenvolvimento da produção detexto, conhecimento de gênero e apreciação musical (letra e melodia), mas também, pelo fatode despertar emoções e tornar os educandos mais sensíveis às questões do cotidiano. Paraleloa isso sabe-se que a escrita, produzida na escola, não pode estar desconectada dos modos decirculação social do texto, por que: Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista. (LAJOLO apud GERALDI, 1982, p. 59). De acordo com a citação, é notório afirmar que o texto circula na sociedade comdiversas finalidades e para uma extensa variedade de leitores. É preciso levar em consideraçãoos modos de produção de texto para o espaço da sala de aula, de forma a capacitar os alunospara sua formação de leitor e produtor textual. Se de fato os gêneros textuais formam o leitorde modo a capacitá-lo nos reconhecimentos de práticas discursivas, cabe ao professor ser umfacilitador, um orientador no percurso discursivo textual. Por esse motivo é interessantetrabalhar o gênero canção e o gênero poético por perceber que a música faz parte da realidadedos alunos, os textos de músicas traz temas diversificados, permitindo que formem opiniões ereflita sobre os acontecimentos acerca da sociedade onde está inserido.
  16. 16. 151.2 O valor da música e a ludicidade A música está presente em todas as culturas e nas mais diversas situações do dia a dia,ela expressa sensações, sentimentos, é percebida em festas, comemorações religiosas,manifestações cívicas, políticas entre outros. Pode-se dizer que antes mesmo de nascer oindivíduo já entra em contato com a música, por meio das pulsões do coração da mãe.Partindo desse pressuposto “a música é uma forma de arte que tem como material básico osom” (PENNA, 2010, p.19). Nesse sentido, por ser uma atividade lúdica e provocar bem-estar, a música pode contribuir para que os alunos interajam com o mundo e seus semelhantes,experimente novas formas de aprendizagem, aliando experiências e vivências inovadoras,expressando seus sentimentos e demonstrando a forma como percebem nossa sociedade. Dada a sua importância e diversidade, educadores e parlamentares decidiram que todasas escolas públicas e particulares do Brasil terão que acrescentar na grade curricular o ensinode música. A lei nº 11.769/2008, publicada no Diário Oficial da União, trata daobrigatoriedade da música na educação básica. Esta Lei altera a atual LDB nº 9.394/96 que,portanto, continua vigente, acrescentando um novo parágrafo ao seu artigo 26, parágrafo esteque explicita ser a música um conteúdo obrigatório, mas não exclusivo. No entanto, o Artigo3° da referida lei prevê um prazo de três anos letivos para que os sistemas de ensino seadaptem à exigência, projetando a sua implantação, a princípio até agosto de 2011. Sobre a leiPenna (2010) diz que: [...] com ela abrem-se múltiplas possibilidades para a área de educação musical, que se encontra em um momento histórico de transição, de extrema importância quanto aos reais efeitos dessa determinação legal, em processo de implantação. [...] (p.141). Tomando como base a citação, para alguns educadores especialistas na área, o objetivonão é formar músicos, mas oferecer uma formação integral para as crianças e juventude. Vistoque, a música é considerada a mais antiga forma de expressão, mais antiga do que alinguagem ou a arte; começa com a voz e com a nossa necessidade preponderante de nos daros outros Menuhin e Davis (apud PENNA, 2010). Por ser uma linguagem cultural as pessoasatravés da música expressam suas experiências ambientais e enriquecem seus conceitos
  17. 17. 16espaciais. Sendo a escola um local na qual os alunos interagem uns com os outros de formaintegrada, é o lugar adequado para trabalhar esse gênero. A canção seja pela sua melodia, harmonia, ritmo e sua mensagem textual ouimagética, estimula a participação individual e coletiva. A linguagem musical funciona comoelo entre os mundos real e imaginário, esta forma de comunicação atinge, com maiorfacilidade, os jovens de modo geral em particular os grupos. Sendo assim, os adolescentes constituem grupos sociais que tem na música uma dassuas principais manifestações culturais e maneiras de representar suas conquistas epensamentos, pois, a música, de acordo com Ferreira (2005, p. 17) é, além da arte dos sons,uma maneira de comunicação e interação entre as pessoas. Ela remonta os primórdios dahumanidade por outro lado, o próprio ato da comunicação verbal se manifesta por meio decombinações sonoras. Ainda sobre a música Ferreira ressalta: [...] assim como é uma linguagem universal também é uma linguagem por meio da qual uma idéia é mais bem difundida ao longo dos tempos [...]. Com a música é possível ainda despertar e desenvolver nos alunos sensibilidades mais aguçadas na observação de questões próprias à disciplina alvo [...]. A música é por razão, um tipo de expressão humana os mais ricos e universais e também dos mais complexos e intricados. (FERREIRA, 2005, p. 9-13). Nos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) do Ensino Médio – Linguagem,Códigos e suas Tecnologias – é visível a relevância dada à prática de atividades dinâmicas,que estimulam os alunos a se interessarem mais pela Língua Portuguesa “Cabe à escolapropiciar que o aluno participe de diversas situações de discurso, na fala ou na escrita, paraque tenha oportunidade de avaliar a adequação das variedades lingüísticas às circunstânciascomunicativas” (PCN, p. 75). Também os PCN (2000) deixam claro que a escola tem o dever de proporcionar aoaluno habilidades e competências necessárias para que possa enfrentar o mundo como cidadãoparticipativo, reflexivo e autônomo, conhecedor dos seus direitos e deveres. Partindo dessasreflexões, a música apresenta-se como fonte alternativa na elaboração dos conhecimentos,bem como em sua comunicação. A arte musical em forma de canções, das quais podem-seexplorar textos descritivos, poéticos e narrativos, apresenta-se como estímulo e inspiraçãopara as aulas de língua materna e ameniza o tratamento dado a disciplina que é consideradadifícil. Nesse seguimento pode unir a emoção e a razão enriquecendo o processo ensino
  18. 18. 17aprendizagem por meio de elementos culturais, artísticos e estéticos valorizando assim, osconteúdos escolares. Nessa perspectiva é importante ressaltar que: Em uma sociedade como a nossa, tenho observado que o lúdico é o desejável, é o que vasa, pois o uso da linguagem por si mesma, ou seja, pelo prazer atestado pela linguagem e não pelo psicológico entra em contraste com o uso para as finalidades mais imediatas comprometidas com a idéia de eficiência e resultados práticos. No lúdico, a informação e a comunicação dão lugar à função poética e à fática. [...] (ORLANDI, 1996, p. 84). Diante dessa afirmação, é fácil observar que a linguagem, principalmente textual daqual a sociedade contemporânea se utiliza, pode ser potencializada por meio da utilização dalinguagem musical que serve a processos de ensino aprendizagem e a elaboração demetodologias alternativas e importantes à educação. Nesse contexto a música pode e deve serutilizada em vários momentos do processo de ensino aprendizagem. Bastian (2009, p. 42) dizque: “a prática da música e a educação musical pode estimular, [...] as capacidades cognitivas,criativas, artísticas, sociais, emocionais e psicomotores”. Devido a sua diversidade e importância no âmbito educacional, o termo ludicidadetem despertado interesse de muitos educadores atualmente. “Considerando a polissemia emtorno do conceito de ludicidade pode-se destacar as suas acepções mais comuns: jogos,brincadeiras, lazer, recriação etc.” (FAEPA, 1992, p. 17). Do ponto de vista sócio cultural olúdico não é exatamente uma dinâmica interna do indivíduo, mas atividades dotadas designificados sócio-culturais. Segundo Santos (2001, p. 14) o lúdico é uma ciência nova queprecisa ser estudada e vivenciada no processo de aprendizagem. De acordo com Luckesi (2004) a ludicidade se expande para além da idéia de lazerrestrito à experiência externa, ampliando a compreensão para um estado de consciência plenoe experiência interna. Segundo o autor: [...] quando estamos definindo ludicidade como um estado de consciência, onde se dá uma experiência em estado de plenitude, não estamos falando, em si das atividades objetivas que podem ser descritas sociológica e culturalmente como atividade lúdica, como jogos ou coisa semelhante. Estamos, sim, falando do estado interno do sujeito que vivencia a experiência lúdica. Mesmo quando o sujeito está vivenciando essa experiência com outros, a ludicidade é interna; a partilha e convivência
  19. 19. 18 poderão oferecer-lhe, e certamente oferecem sensações do prazer da convivência, mas, ainda assim, essa sensação é interna de cada um, ainda que o grupo possa harmonizar-se nessa sensação comum; porém, em última instância, quem sente é o sujeito (LUCKESI, 2005, p. 6). Para o autor a educação pela via da ludicidade, propõe uma nova postura existencial,cujo paradigma é um novo sistema de aprender brincando inspirando numa concepção deeducação para além da instrução, pois leva o educando a tomar consciência de si, e darealidade, esforçando-se na busca do conhecimento sem perder o prazer de aprender. A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Segundo Aurélio (2001), suadefinição é referente, ou que tem caráter de jogos, brinquedos e divertimentos. Para Huizinga(2008, p.3) o jogo é o elemento da cultura humana, é mais do que um fenômeno fisiológico oureflexo psicológico. Ultrapassa os limites da atividade puramente física ou biológica. È umafunção significante, isto é encerra um determinado sentido. Assim como os jogos e asbrincadeiras ganharam importância em nossa sociedade é relevante dizer que o lúdicotambém. A palavra lúdico no contexto atual evoluiu semanticamente, ela tem uma conotaçãodiferente, hoje é vista de forma mais abrangente, não se define apenas ao jogar, ao brincar,vai, além disso, ou seja, acompanhou as pesquisas da psicomotricidade. Para Vygostsky (1998), o desenvolvimento ocorre ao longo da vida e as funçõespsicológicas superiores são construídas ao longo dela, portanto o desenvolvimento do aspectolúdico facilita nos processos de socialização, comunicação, expressão e construção doconhecimento. Conforme o autor Kishimoto (1999) a formação lúdica possibilita ao educadorconhecer-se como pessoa, saber de suas possibilidades, desbloquearem resistência e ter umavisão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança, do jovem e doadulto. Santos (2001, p. 13) também reforça que algumas experiências têm mostrado suavalidade e não são poucos os educadores que têm afirmado ser a ludicidade a alavanca daeducação para o terceiro milênio. Essa formação lúdica estimula a criatividade e o cultivo dasensibilidade, por que: [...] O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de
  20. 20. 19 socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. (SANTOS, 1997, p. 12). De acordo com a abordagem dos autores supramencionados sobre a temática, asatividades lúdicas permitem a representação dos fatos, possibilitando a liberação daimaginação e a presença da espontaneidade como também o desenvolvimento normal e sadiodo ser humano. Uma aula pra ser lúdica não precisa ter jogos ou brinquedos, toda aula éconsiderada lúdica na medida em que o professor e estudantes se encontrem prazerosamenteintegrados e focalizados no conteúdo que se tem a trabalhar. “Uma prática educativa lúdicapossibilitará a cada um de nós e a nossos educandos aprendermos a viver mais criativamente,por isso mesmo, de forma mais saudável” (LUCKESI, 2004, p. 20). Considerando as informações acima, é importante frisar que os jogos e as brincadeiraspermitem compreender como a criança vê e constrói o mundo. As grandes atividadesarquetípicas da sociedade humana são, desde início, inteiramente marcadas pelo o jogo.(HUIZINGA, 2008, p. 7). Dessa forma, a função do jogo no processo sócio- educativoconsiste, portanto, em potencializar a construção de estratégias a fim de que a criança aprendaa dominar e conhecer o seu próprio corpo e as suas funções, a orientar-se no espaço e notempo, a manipular e a construir os papéis necessários para as futuras etapas de sua vida. O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforçoespontâneo. Ele é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o indivíduo deforma intensa e total, criando um clima de entusiasmo. É este aspecto de envolvimentoemocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional, capaz de gerar um estadode vibração e euforia. Como já foi citado anteriormente a música sendo um conjunto de sons com ritmo,harmonia e melodia, é percebida por cada um de acordo com a sua história de vida, além defazer muito bem ao indivíduo, isoladamente, ela é, ao mesmo tempo, um forte elemento deintegração, de sociabilidade de compartilhar emoção. Por considerar o lúdico não comométodo de ensino, mas como abordagem norteadora da prática docente, um facilitador doprocesso ensino aprendizagem da Língua Portuguesa, pode-se afirmar que a ludicidade e ogênero textual música possibilitam contextos favoráveis para que as aulas de língua maternasejam prazerosas, dinâmicas e significativas para o aluno.
  21. 21. 201.3 Ensino de Língua Portuguesa: uma nova perspectiva Na sociedade atual são exigidos de cada indivíduo conhecimentos e habilidades quepermitam a ele interpretar e analisar, de maneira crítica, a crescente quantidade deinformações veiculadas no meio midiático, que chegam com velocidades cada vez maiores.Aliado a isso, temos testemunhado nos últimos anos um intenso desenvolvimentotecnológico, cujos reflexos são percebidos cada vez mais em nossa sociedade. Nesse contextoconhecer e usar bem a língua materna faz-se necessário para que o cidadão participeativamente do mundo no qual está inserido. O domínio da língua oral e escrita é fundamental para a participação social efetiva,pois é por meio dela que o homem se comunica tem acesso à informação, expressa e defendepontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimentos (PCN, 1995, p.15). Para seguir essa nova orientação é preciso ressignificar o ensino, utilizando metodologiasdiferenciadas e inovadoras proporcionando assim maior interesse ao educando em aprender. Até o século XIX, o ensino de Língua Portuguesa no Brasil esteve voltado paratradição gramatical pautado na homogeneidade padronizada. A escrita era vista como umahabilidade motora que requeria prática mecânica. Passada a alfabetização os alunos deveriamaprender regras gramaticais. Esse ensino perpetuou por muito tempo, só a partir de 1980 comas pesquisas psicogenéticas e didáticas e a concepção interacionista da linguagem é que oensino de língua materna começa a se modificar. Essas pesquisas contribuíram para a reflexãoe nova reformulação dessa disciplina. Depois da reformulação da LDB (Lei de Diretrizes eBases) a escola optou por uma nova perspectiva de ensino. Sair de um ensinodescontextualizado centrado na teoria gramatical para um ensino onde a leitura e a produçãotextual estejam articuladas com a prática de reflexão sobre a linguagem. Dessa forma: [...] o texto deixa de ser entendido como uma estrutura acabada, passando a ser abordado no próprio processo de planejamento, verbalização e construção. Mais que um aglomerado de frases, um texto é uma totalidade em que tudo está relacionado, na qual estão concentradas as atividades verbais de um individuo, certamente imbuído, antes de qualquer coisa, de um objetivo social: dizer alguma coisa a alguém.( Koch, 2000, p. 21)
  22. 22. 21 Corroborando com Koch o texto nesse sentido, passa a ser considerado o próprio lugarde interação e os interlocutores, como sujeitos ativos que dialogicamente nele se constroem esão construídos, por isso a linguagem não deve ser presa a regras e sim flexível e mutável,para que possa ser entendida não apenas como expressão do pensamento, mas também comoum instrumento de comunicação, envolvendo um interlocutor e uma mensagem que precisaser compreendida. Sendo assim, o aluno passa a ser visto como sujeito ativo e atuante, em vezde ser passivo no momento da leitura e da escrita. Segundo Luft (1985), o ensino de Língua Portuguesa é fundamental para a formaçãodo individuo, mas precisa ser revisto, pois ao ensinar regras gramaticais a maior parte dosprofessores ignora a língua falada pelo aluno, e a implicação disto é que a língua objeto deestudo fica distante demais da prática efetiva, e por não haver aproximação, não háaprendizado. A fala pode ser um material bastante rico por ser elemento da linguagem verbal,da qual fazemos uso em nosso cotidiano [...]. (PENNA 2010, p. 206). A forma como oprofessor apresenta os conteúdos, bem como sua atitude em relação aos usos da língua são osfatores que farão o ensino da gramática significativo. Sobre o ensino de gramática Bagno dizque: A gramática deve conter uma boa quantidade de atividades de pesquisa, que possibilitem ao aluno a produção de seu próprio conhecimento lingüístico, como uma arma eficaz contra a reprodução irrefletida e acrítica da doutrina gramatical normativa. (BAGNO, 2000, p. 87) Para Bagno, não é com a teoria gramatical que o ensino concretizará o seu objetivo,pois isto leva os estudantes ao desinteresse pelo estudo da língua, por não terem condições deentender o conteúdo ministrado em sala de aula, resultando assim frustrações, reprovações erecriminações que iniciam pela própria escola, além do preconceito lingüístico. De acordo com as considerações feitas, é importante ressaltar que o objetivo do novoensino de Língua Portuguesa não é excluir a gramática, muito pelo contrário, ela será umsuporte da comunicação escrita. Entretanto, não deve ocorrer apenas para proteger ouconservar a composição da língua, mas para auxiliar o usuário e falante no conhecimento desua própria língua materna, possibilitando-lhe as características essenciais que pertencem àsua cultura. Para Silva (1997) o ato de ler precisa ser entendido, então, como processo de
  23. 23. 22construir significado a partir do texto, o que se torna possível pela interação entre oselementos textuais e o conhecimento do leitor. Como foi ressaltado anteriormente, embora seja um usuário competente da línguamaterna, o aluno muitas vezes se vê diante de determinadas situações de comunicação que sãonecessários conhecimentos lingüísticos formalizados. No momento de produzir textos orais eescritos é fundamental que dominem esses conhecimentos, para que monitorem e revisem suaprópria fala e escrita, conferindo-lhe clareza, adequação, coerência e coesão. Por essa razão éimportante que os alunos aprendam como a língua está estruturada e de que modo ela pode serutilizada nas diferentes situações comunicativas. Em 1997, foram publicados pelo governo federal os PCN para a educação básica eEnsino Médio, defendendo às práticas sociais (interação) da linguagem no ensino de línguamaterna. Privilegiam trabalhos com os gêneros, por achar que a pratica de ensino por meiodos gêneros textuais se mostra uma importante ferramenta para a construção deconhecimentos relativos às manifestações reais da linguagem. A fim de que a ideia defendidanos PCN seja aplicada, é necessário que o foco de ensino saia das regras pré-estabelecidaspara se basear na análise de textos, visando à compreensão e produção. Pensando nessa nova proposta de ensino abordada pelos PCN, as escolas públicasestaduais da Bahia estão criando projetos a fim de atender alunos do Ensino Fundamental II eEnsino Médio. Para a Secretaria de Educação, esses projetos têm como finalidade tornar oensino significativo e dinâmico, e assim melhorar a educação dos estudantes em termos dedesenvolvimento da linguagem e postura crítica a fim de diminuir a desigualdade social nocontexto educacional e consequentemente fora dele. Pelas discussões feitas até o momento, fica evidente que os seres humanos em todasas fases da vida estão sempre descobrindo coisas novas, no convívio com seus semelhantes eno contexto onde está inserido. Educar na sociedade atual é facilitar no sentido de fazer comque a verdadeira aprendizagem se torne prazerosa e significativa, que os alunos compreendamo real sentido da língua materna e sua importância para o desenvolvimento pessoal e social.Para Bastian (2009) a educação, [...] pela e para música seria o meio adequado para aprimorar eficazmente a socialização individual dos alunos, o clima social na escola e a chamada capacidade de empatia. Empatia? Dito de maneira breve, a capacidade de
  24. 24. 23 projetar seus pensamentos em outras pessoas e, dessa forma, compreender e eventualmente partilhar seus pensamentos, sentimentos e experiências. (p. 60) De acordo com a concepção do autor, é importante frisar que nesse novo ciclo decriação e recriação do ensino de língua materna, o gênero canção, será importante aliado naconstrução de saberes, de novos conceitos e praticas educacional. Sabe-se, que o lúdico quasesempre é posto de lado, os conteúdos são transmitidos por meio de livros didáticos ou textosimpressos. Portanto, a música assume um papel diferenciado, transmitindo conhecimentosespecíficos estudados, voltados para o desenvolvimento de habilidades motoras,memorização, concentração, ou seja, é uma prática que auxilia no desenvolvimento do aluno,tanto no espaço escolar quanto em sociedade1.4 Projeto FACE: uma experiência nas escolas estaduais da Bahia Uma das funções da escola no mundo globalizado é preparar o educando par a vida,para o futuro e para o exercício da cidadania. Pensando nisso, a Secretaria de Educação doEstado da Bahia busca uma nova configuração para a construção da educação de modo acontemplar o direito a uma escola pública de qualidade, a partir de princípios que relacionema educação à diversidade cultural. Nesta perspectiva, o projeto Festival Anual da CançãoEstudantil (FACE) possui um caráter educativo, artístico e cultural, concebido para serdesenvolvido no contexto das unidades escolares estaduais (REVISTA VIVA, 2009, p.36) O projeto tem como objetivo fomentar o desenvolvimento da arte no contexto escolar,valorizar as expressões culturais regionais e contribuir para transformação da escola em umambiente prazeroso para a juventude. Além de desenvolver a produção musical e outraslinguagens artísticas nos contextos escolares, rompendo dessa forma com a rigidez do modelode ensino e de aprendizagem ainda presente na educação. Segundo Penna 2010 a música é... [...] uma linguagem artística, estruturada e organizada e caracteriza-se como meio de expressão e comunicação. Meio de expressão por objetivar e dar forma a uma vivência humana, e de comunicação por revelar essa experiência pessoal de modo que possa alcançar o outro e ser compartilhada [...] (PENNA, 2010, p.30).
  25. 25. 24 A partir desta constatação, a intenção da Secretaria de Educação não é apresentar amúsica apenas como experiência estética, mas também como facilitadora do processo deaprendizagem, como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo, etambém ampliar o conhecimento musical do aluno. E por acreditar que a música é um bemcultural, seu conhecimento facilita a integração entre o professor /aluno e aluno/ aluno.1.4.1 A Dinâmica do projeto O projeto é destinado a estudantes de 6º ao 9° ano do Ensino Fundamental, e do ensinomédio, assim como alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os professoresenvolvidos atuam na área de Língua Portuguesa, Literatura, Artes e disciplinas afins. OProjeto teve início em 2008, com a participação de aproximadamente 1000 escolas, quefizeram os minifestivais, onde foram produzidas cerca de dez (10) mil canções. As cançõessão criadas em torno de temas transversais como: educação, amor, sociedade, meio ambientee outros. As composições são carregadas de ironia e crítica, o que denota uma reflexibilidadeapurada em torno de seu meio. Para a Secretaria de Educação, Um festival como o FACE mais que proporcionar a projeção de individualidades e habilidades musicais, revela o jeito de pensar e ser jovem nos dias de hoje. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que o aluno recebe melhor será seu desenvolvimento cultural (REVISTA VIVA, 2009 p.44). De acordo com o que foi abordado, a escola está dando oportunidade para que oaluno mostre sua criatividade diante de temas diversificados. Fica explícito que a música,nesse sentido, é concebida como um universo que conjuga expressão de sentimentos, ideias,valores culturais e facilita a comunicação do indivíduo consigo mesmo e com o meio em quevive. Pode-se dizer que oportuniza a convivência com os diferentes gêneros, permitindo umambiente cultural ativo nas escolas, envolvendo os estudantes num clima de participação e dealegria.
  26. 26. 25 O Projeto acontece em três etapas, cada uma com suas especificidades. Na primeiraetapa, o minifestival é realizado nas escolas. No primeiro momento, acontece a sensibilizaçãopara estimular o grupo a demonstrar de que forma vivencia a música, seja imitando um cantorou simplesmente ouvindo. O objetivo é criar uma primeira impressão, um diagnóstico deteste, para ter noção do perfil do grupo. Nessa etapa, é criado um mapa do aluno seguindo alguns aspectos: idade, série, ondemora, relações externas, coisas que gostam de fazer, que música gosta de ouvir, que cantormais gosta. Esse é um momento para o educador captar as características do grupo e estaratento à realidade que circunda os educandos e suas relações externas.No segundo momento, acontecem as produções e oficinas onde são trabalhados momentos derelaxamento, concentração, respiração, ritmo, melodia e repertório. As canções sãoproduzidas nas salas de aula com acompanhamento dos professores. No minifestival sãoselecionados três alunos, sendo que o primeiro colocado se inscreve para o certame regional,ou seja, para a segunda fase do concurso realizado pelas DIREC, onde são selecionadas 15canções para a etapa final. Na terceira etapa, é realizado o final do concurso, na concha Acústica do TCA (TeatroCastro Alves) em Salvador, onde os pré-selecionados passam por uma bateria de ensaios,preparam a voz e o corpo, participam de dinâmicas para melhorar a atuação no palco erecebem ajuda de profissionais para produzir novos arranjos e manterem a afinação. É importante ressaltar que as experiências vividas pelos finalistas possibilitam adescoberta de talentos, além de proporcionar a oportunidade do educando conhecer-se econhecer outros sujeitos das mais distantes rincões do estado da Bahia, fica evidente peloexposto que as atividades lúdicas constituem-se em um fator preponderante nodesenvolvimento do ser humano seja pessoal ou social. A cerca dessa questão, Barreto enfocaque: O cotidiano pedagógico pautado no uso de atividades lúdicas parece reluzir beleza e a alegria. Através dessa prática, se valoriza a criatividade, a sensibilidade, a efetividade, se alimenta a alma e o espírito, dá-se movimento aos órgãos físicos, utiliza-se a ação, o pensamento, a linguagem e o sentir. Possibilita ao educador e aos próprios educandos conhecer-se como pessoa saber identificar suas facilidades e dificuldades, as qualidades do seu ser e as faculdades que precisam ser despertas (2005, p.8)
  27. 27. 26 O conhecimento artístico abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensãodo mundo no qual a dimensão poética esteja presente, seja no espaço escolar ou fora dele.Quanto maior a riqueza de estímulos que o aluno recebe melhor será seu desenvolvimentocultural. Pensando nisso, a presença da leitura deve ser frequente no âmbito escolar rompendocom os modelos cristalizados de educação. Nos próximos capítulos serão apresentados o aporte metodológico e a análise dapesquisa envolvendo professores e alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médiorevelarão ou não se a música contribui para o ensino de língua materna.
  28. 28. 27 CAPÍTULO 2 - APORTE METODOLÓGICO Todos os indivíduos possuem conhecimentos que lhes habilitam realizar tarefascotidianas, entretanto esses conhecimentos trazem informações sem explicações profundas eorganização sistemática, pode ser considerada um conhecimento informal, ou seja, de senso-comum, uma vez que a cientificidade está intimamente relacionada com a organizaçãometodológica e a criticidade dos fatos e fenômenos. Partindo desses pressupostos convém ressaltar que, o conhecimento cientifico “étransmitido por intermédio de tratamento apropriado, sendo um conhecimento obtido de modoracional, conduzido por meio de procedimentos (LAKATOS, 2003, p.75). Desse modo, apesquisa cientifica possibilita através do uso corrente de procedimentos de cunho científico, adescoberta de possíveis soluções e respostas para determinado problema.2.1 A abordagem da pesquisa O ato de pesquisar requer antes de tudo a escolha de uma temática, e esta advêm dodesejo de responder as inquietudes de uma determinada realidade. No intuito de investigar,de que forma a música influencia no ensino aprendizagem de Língua Portuguesa, o referenteestudo, teve como base a pesquisa qualitativa por considerar a mais adequada e por exigir dopesquisador reflexão pessoal, e ao mesmo tempo delinear as metas a serem alcançadas. Nestapesquisa, o investigador tem a possibilidade de se envolver de tal forma que o objeto a serinvestigado passa a fazer parte de sua vida (SEVERINO, 2002). A pesquisa qualitativa é caracterizada pela compreensão detalhada dos significados ecaracterísticas situacionais apresentados pelos os entrevistados, ela se difere da quantitativapor que não emprega análises estatísticas como base para identificar um problema, seuobjetivo não é numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas (RICHARDSON, 1999,p.90). Percebe-se que a pesquisa qualitativa descrê e analisa todo o processo envolvido nofenômeno que está sendo investigado, o que se confirma a importância desse tipo de pesquisapara o âmbito educacional. Nota-se que, esse tipo de pesquisa trabalha com o universo pluralde crenças e de valores focalizada na realidade de forma contextualizada. Para a sua
  29. 29. 28significação precisa ser interpretada pelo pesquisador, que é influenciado ao mesmo tempo,pelos textos lidos e pelos valores e crenças que possuem. Todos esses encaminhamentos utilizados foram necessários para se chegar aosobjetivos propostos. É importante destacar, que esse período foi interessante e desafiador, aconvivência com os autores da pesquisa e o respaldo teórico adquirido com a realidadevivenciada, tornou o trabalho satisfatório e significativo, tanto para o investigador quanto paraos investigados. Assim sendo, a fonte de dados foi obtida através de pesquisas bibliográficas,análise documental, observação não-participante, para melhor elucidar a temática em questão.2.2 As técnicas de coleta de dados Com o intrínseco objetivo de refletir sobre a importância da música no ensino delíngua materna, essa fase da pesquisa remete-se respectivamente a sintetização dos dadoscoletados em consonância com conhecimentos já obtidos sobre o assunto em questão. Apesquisa foi realizada por etapas da seguinte forma. Na primeira etapa, foi feito o levantamento bibliográfico e documental, quepossibilitou fundamentar teoricamente o referido estudo. “A pesquisa bibliográfica tem comoprincipio básico conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaramsobre determinado assunto ou fenômeno‟‟ (NETTO, 2006, p.14). Dessa forma, esta pesquisase fez da observação não-participante, uma vez que, essa possibilita uma maior interação entreobservador e observados. Para (HAGUETTE, 2001, p.74), essa concepção envolve opressuposto de que a sociedade é construída a partir do processo interativo de indivíduos egrupos e agem em função dos sentidos que o seu mundo circundante representa para eles. Na segunda etapa, o instrumento de coleta de dados dos sujeitos selecionados para apesquisa se deu através do questionário, onde continha perguntas abertas e fechadas sobre oreferido tema, com o propósito de facilitar as interpretações dos dados. Essas questões foramelaboradas para os professores e alunos envolvidos no projeto FACE. Algumas questões foramelaboradas no intuito de conhecer melhor o projeto, as demais enfocam a questão da importância damúsica para atingir as habilidades da leitura e da escrita.
  30. 30. 29 Na terceira etapa, foi feita a coleta de dados através de pesquisas bibliográficas,análise documental, observação não-participante, onde se buscaram informações relevantes enecessárias para responder as perguntas e confirmar ou não as hipóteses traçadas. Todos esses encaminhamentos utilizados foram necessários para se chegar aosobjetivos propostos. É importante destacar, que esse período foi interessante e desafiador, aconvivência com os sujeitos da pesquisa e o respaldo teórico adquirido com a realidadevivenciada, tornou o trabalho satisfatório e significativo, tanto para o investigador quanto paraos investigados.2.3 O lócus e os sujeitos da pesquisa O lócus de estudo escolhido para realização desta pesquisa foi o Colégio EstadualCoronel José Leitão, localizado na zona urbana no município de Santa Luz/BA, na rua D.Pedro II - Centro. O colégio funciona nos três turnos e atende alunos da zona rural e urbana.Possui as seguintes modalidades de ensino: Ensino Fundamental I, II, Ensino Médio eEducação de Jovens e Adultos (EJA). É o único colégio público da sede do município quepossui Ensino Médio. Esse espaço escolar possui uma clientela de 2.371 educandos, seu corpo docente écomposto por 59 professores a maioria com graduação e pós-graduação. A unidade de ensino,é administrada por um diretor e três vice-diretores, possui três coordenadores pedagógicosbem como, seu corpo de apoio são formados por 20 funcionários efetivos, outros trabalhamcom o REDA. A instituição foi escolhida para o desenvolvimento da pesquisa, por trabalharcom o projeto desde quando foi implantado pela Secretaria do Estado da Bahia. Foram investigados seis (6) educadores que atuam no Ensino Fundamental II e EnsinoMédio das respectivas áreas: Língua Portuguesa, Redação, Literatura, Inglês e Matemática. Éimportante destacar que os professores envolvidos possuem nível superior e pós-graduação.Três desses professores trabalham em outras escolas do município e todos os envolvidos têmexperiência na sala de aula e a atuação varia de cinco a vinte anos. Para os alunos envolvidos foram feitas também perguntas semelhantes às dosprofessores, com o objetivo de comparar as respectivas respostas. Foram dez alunosinvestigados, dois ( 2 ) alunos do turno matutino (1° ano), três ( 3 ) alunos do turno vespertino
  31. 31. 30(9° ano) e cinco ( 5 ) alunos do turno noturno (2° e 3º ano – Ensino Médio). Eles possuemfaixa etária que varia entre quartoze e dezenove anos, alguns são oriundos da zona rural eoutros da zona urbana. A partir dos dados coletados, através da abordagem da pesquisa e das técnicasinerentes a essa, o capítulo seguinte apresentará a análise da problemática que inquieta aautora da pesquisa. Nos anexos, além do questionário de entrevista, constarão as canções dos alunos-compositores que participaram da pesquisa e às outras que estão relacionadas. Para ilustrar,confere algumas fotografias do minifestival realizado na escola Estadual Coronel José Leitão-Santa Luz/BA.
  32. 32. 31CAPÍTULO 3 - ANALISANDO, INTERPRETANDO E CONSIDERANDO OSRESULTADOS O presente capítulo tem a pretensão de analisar as respostas obtidas através doquestionário aplicado, comparando-as com as observações registradas no decorrer dapesquisa. Partindo desta perspectiva, o presente trabalho será dividido em categorias de análisesque permitirá melhor apreensão do objeto de estudo por parte dos sujeitos envolvidos noProjeto FACE. Na busca de melhor apresentar e compreender os dados optou-se porreferenciar-se aos pesquisados da seguinte forma: E1, E2, E3, E4 – Educadores; AP1, AP2,AP3 - Alunos Participantes.Seguem as categorias:3.1 O lúdico da música na dinâmica da aprendizagem Atualmente, as atividades lúdicas têm ganhado reconhecimento e destaque no âmbitoeducacional. O lúdico se constitui em um elemento fundamental no processo de aprendizageme no desenvolvimento afetivo e cognitivo do ser humano. Segundo Luckesi (1998), o quecaracteriza uma atividade lúdica é, [...] a plenitude da experiência que ela propicia a quem pratica. É uma atividade onde o sujeito entrega-se a experiência sem restrições, de qualquer tipo, especialmente as mentais, que, usualmente tem por base juízos preconcebidos sobre as coisas e práticas humanas (p.28). Falar de ludicidade é falar de sentimentos, amor, imaginação, criatividade. É ainteração entre o corpo e a emoção. Pode ser manifestada de forma individual ou coletiva,provocando alegria e espontaneidade entre os indivíduos. A música por ser um recurso lúdico,pode ser um importante aliado entre professor e aluno, aparece nas escolas como alternativadinâmica, ou seja, é uma forma de despertar e motivá-los para o ensino de Língua Portuguesa no quetange a leitura e a escrita. O ensino através da música no contexto escolar, busca alargar horizontesque vão além dos conteúdos programados.
  33. 33. 32 A música é uma arte bela, que tem o poder de aproximar as pessoas e despertar sentimentos: amor, solidariedade, companheirismo entre outros, tornando as aulas e a escola interessante. É uma maneira divertida de aprender. Depois que tive contato com a música me sinto estimulado para escrever meus textos, comecei também me interessar mais pelas aulas (AP1). As atividades lúdicas provocam prazer, motiva e estimula a criatividade, é como se coloríssemos uma página cheia de letras, de encanto, de vida, como se ler um simples texto transformasse o mundo para melhor (E1). Quem tem idéias, sentimentos e até mesmo revoltas, procura meios de se expressar. A música é o melhor desses meios (AP2). Na fala dos entrevistados se reconhece os benefícios das atividades lúdicas, nesse sentido: “Amúsica é, primeiramente, um espaço livre e um campo experimental para a fantasia estético-musical e sociomusical” (BASTIAN, 2010, p.47). Por isso, é importante aproveitar esta arte,para o aperfeiçoamento das abordagens da prática pedagógica, de forma contextualizada,visando suprir a necessidade em que se encontra o ensino de língua materna na escola pública,tentando levar motivação e interesse para a sala de aula, além de desenvolver habilidadescomo atenção, concentração e participação maior pelos conteúdos trabalhados. De acordocom os PCN (1998): O conhecimento da arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que nossas experiências geram um movimento de transformação permanente, que é preciso reordenar referências a cada momento, ser flexível. Isso significa que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender (p.133). Seguindo essa linha de raciocínio, as atividades lúdicas devem ser percebidas comoum instrumento indispensável ao relacionamento entre educando e educadores, bem como noestímulo ao pensamento artístico. Independente da capacidade de criar, resolver problemas, asoficinas do Projeto FACE desperta o potencial de criador e melhora consideravelmente oensino-aprendizagem. Segundo Almeida (1998), a educação lúdica na formação global doindivíduo, pode vir a favorecer relações reflexivas, criadoras, inteligentes e socializadora,tornando o ato de educar compromisso consciente, permeado pelo prazer e pela satisfaçãoindividual. Nesse contexto, as atividades lúdicas entram em cena como um recurso útil que
  34. 34. 33auxiliará o professor a interagir com o aluno, permitindo assim, uma reflexão sobre aaprendizagem significativa cujo aluno vê sentido em produzir um texto que será apreciado porum público ouvinte.Por isso, a música não pode estar dissociada das práticas pedagógicas docotidiano escolar. Ela passa uma mensagem positiva e revela “a forma de vida mais nobre, aqual, a humanidade almeja, ela demonstra emoção, não ocorrendo apenas no inconsciente,mas tomando conta das pessoas, envolvendo-as” [...] (FARIA, 2001, p. 04). Comungandocom as ideias de Faria, sobre esta questão Loureiro diz que: A música no currículo escolar, valendo-se do espírito criativo e emancipador, busca ensinar os alunos a serem construtores ativos de um conhecimento crítico e transferível para outras situações e problemas, indo além do conhecimento artístico, ajudando-os a interpretar, a agir no mundo em que vivem , tornando-o cada vez mais belo. Os alunos podem criar e transformar o conhecimento, pensando em melhorar sua qualidade de vida, hoje e no futuro (2010, p.156). No trecho acima o autor nos leva a compreender o valor único que a músicadesenvolve no individuo, os professores mesmo não tendo conhecimentos específicos emrelação à música descobre por meio da linguagem musical novas maneiras, até entãodesconhecidas, para ensinar. Por isso, a música assume um papel diferenciado, transmitindoconhecimentos e habilidades para lidar com situações da escola e da sociedade.3.2 O projeto FACE e uma nova perspectiva para as aulas de Língua Portuguesa Pensar em educação é pensar no ser humano, nas suas relações vivenciadas, nocontexto onde está inserido. As aulas de Língua Portuguesa infelizmente, ainda sãoministradas através de metodologias inconsistentes, os livros didáticos, por exemplo, nãocondizem com a realidade do aluno provocando, assim, distanciamento e desinteresse pelaescola. Nesse sentido, é necessário proporcionar a criação de ambientes favoráveis para que oaluno não seja excluído nem inferiorizado e, que as oportunidades sejam iguais para todos,motivando-os, dessa forma, para uma aprendizagem contextualizada e desafiadora. Diante domencionado, alunos e professores quando questionados sobre a importância do projeto FACEpara o ensino de língua materna apresentaram as seguintes respostas:
  35. 35. 34 A Língua Portuguesa é um tanto complexa, a prática de atividades lúdicas envolve o aluno e incentiva a criação e a imaginação, tornando as aulas mais significativas e prazerosas. O projeto propicia a interação entre escola e comunidade, estimulando o aluno para o desenvolvimento de suas potencialidades (E2). O projeto além de despertar no aluno o interesse para as temáticas sociais voltadas para a sua realidade estende a aprendizagem para um nível além da sala de aula. Despertando assim, o interesse do aluno pela escola e ao mesmo tempo resgatando aqueles que se sentiam excluídos (E3). Os sujeitos revelam: o ensino através do projeto FACE deixa de ser simples ato dememorização, o professor atua como orientador e estimulador de todos os processos quelevam os alunos a construírem seus conceitos, valores, atitudes e habilidades. Percebe-se, queo projeto gera situações de aprendizagens ao mesmo tempo reais e diversificadas. Possibilita,assim, que “os educandos construam sua autonomia e compromisso com o social formando-sesujeitos culturais” (LEITE, 1996, p.28). Nesse enfoque, trabalhar com projetos é positivotanto para o aluno quanto para o professor. O aluno aprende mais do que aprenderia nasituação de simples receptor de informações. Outro fator importante a ser relatado, é a participação da família na escola, essaparceria contribui de forma positiva para a aprendizagem do aluno. Família e escola precisamcriar laços para atuar lado a lado como agentes facilitadores do desenvolvimento pleno doeducando. Constata-se também que o projeto serviu para mobilizar estudantes que estavamdesmotivados porque “através da música e da participação encontraram novas formas derepresentação social e realização das suas individualidades, sentindo-se valorizados por seremouvidos, por se tornarem autores e ampliaram capacidades de estabelecer relações”(REVISTA VIVA, p. 38). Segundo o informante (AP3): Depois de fazer parte do FACE aprendi conviver melhor com os colegas, respeitando seus estilos musicais e suas diferenças. Com os profissionais da música e professores aprendi a fazer minhas próprias composições.
  36. 36. 35 Os discursos relatam, dessa forma, que os envolvidos veem o projeto de maneirasatisfatória, tanto para o alunado quanto para os profissionais de educação, nota-se que é umprojeto diferenciado dos demais. É importante destacar, que as composições feitas pelosalunos nas oficinas do projeto são voltadas para temáticas sociais que permitem assim, umareflexão mais abrangente acerca dos temas abordados. Temos a fala do informante (E4) para acomprovação da assertiva: As letras das músicas se desenvolvem a partir de temáticas do cotidiano do aluno, que denota sentido tanto para quem faz quanto para o público ouvinte. Nesse sentido, reconhecer os valores atribuídos à música pelos alunos deve partir dopróprio cotidiano escolar, pois assim numa ação conjunta, o professor pode superar areprodução de ideias, normas e valores, dos modelos enraizados [...] (LOUREIRO, p.116).Dessa forma, entende-se que o educador precisa conhecer os gostos musicais dos alunosestabelecendo, assim, uma correspondência entre o conhecimento e o contexto onde estáinserido. O ensino da arte na educação básica (aí incluída a música) é ampliar o alcance e a qualidade da experiência artística dos alunos contribuindo para uma participação mais ampla e significativa na cultura socialmente produzida ou, melhor dizendo nas culturas, para lembrar sempre da diversidade. O efeito de um ensino que realmente cumpra esse objetivo vai além dos muros da escola, modificando o modo de o individuo se relacionar com a música e a arte (PENNA, 2010, p.99). Partindo desses pressupostos, o ensino de Língua Portuguesa hoje, deve favorecer aosalunos conhecimentos que permitam familiarizar-se com os mais variados tipos e gênerostextuais, contribuindo para que eles se tornem leitores eficientes, críticos; dando-lhe subsídiospara produzir textos com eficiência e motivando-os a escreverem por prazer e não porobrigação. O professor deve buscar nas produções de seus alunos os elementos e os recursosda enunciação que utilizaram para tornarem seus textos interessantes considerando essasproduções como produtos sociais que devem circular nas diversas esferas da sociedade. É poresse caminho que se chega à noção de educação como atividade mediadora. Percebe-se, quediferente da concepção de leitura mecânica, de apenas decodificação, o projeto FACE, vem
  37. 37. 36com uma nova perspectiva, levando em consideração os elementos culturais e sociais,respeitando a diversidade e a identidade do educando.3.3 A música e a interação sociocultural: ponte para a aprendizagem significativa deleitura e escrita. O processo de aprendizagem ocorre em decorrência da interação entre as pessoas, apartir de uma relação mútua, portanto, é em contato com o outro, que o indivíduo adquirenovas formas de pensar e agir, ou seja, apropria-se ou constrói novos conhecimentos, pois É preciso pensar a linguagem humana como lugar de interação, de constituição das identidades de representação de papéis, de negociação de sentidos, por palavras, é preciso encarar a linguagem não apenas como representação do mundo e do pensamento ou como instrumento de comunicação, mas sim, acima de tudo, forma de interação social (KOCK, 2003, p.128). Nessa perspectiva, na escola a interação, a troca de experiências desenvolve no aluno acapacidade de organizar, sintetizar, ou seja, o conhecimento passa a ser tratado de formaconstrutiva e proveitosa. Pode-se dizer que todas as funções no desenvolvimento constituemum processo de transformação, primeiramente o indivíduo realiza ações externas que serãointerpretadas pelas as pessoas ao seu redor, de acordo com os significados culturalmenteestabelecidos às suas próprias ações e assim, desenvolvem os seus processos psicológicosinternos. Pensando por esse viés, a leitura precisa ter significado para quem lê, pois o sentido daleitura é muito mais que uma decodificação de signos e símbolos. Ler é “um processo deinteração entre autor e leitor, mediada pelo texto” [...] (SOLÉ, 1998, p.22). No convívio comoutras pessoas, o homem tem necessidade de comunicar-se, dessa forma, usa a interação comos outros seres para construir e reconstruir seu próprio mundo. É preciso fazer uma re (elaboração) nas aulas de língua materna para que o educandopossa vivenciar diversas formas possíveis da leitura e da escrita, de se permitir participar doseu contexto intensamente. Para Silva,
  38. 38. 37 O processo de leitura apresenta-se como uma atividade que possibilita a participação do homem na vida em sociedade, em termos de compreensão do presente e passado e em termos de possibilidades de transformação do conhecimento, a leitura, se levada a efeito crítica e reflexivamente, levanta- se como um trabalho de combate à alienação (não-racionalidade), capaz de facilitar ao gênero humano a realização de sua plenitude (liberdade) (1997, p. 46). Pelo exposto, o ensino de Língua Portuguesa deve estar pautado numa concepção delíngua como processo de interação, segundo Geraldi (2002, p.106): A leitura é entendidacomo processo de interlocução entre leitor/texto/autor. O aluno leitor não é passivo, mas oagente que busca significações [...], Desse modo a música abre um leque de possibilidadespara que o aluno chegue nesse nível de conhecimento real. Através da música o aluno desenvolve a oralidade, enriquece o vocabulário, despertando o interesse para leitura e escrita de textos diversos, ou seja, fomenta o gosto pela produção textual e sensibiliza o aluno para escrever textos literários (E4). Como a fala desse informante depreende-se que a música serve como material para arealização de atividades voltadas para a leitura, a escrita e a oralidade e também deve-serressaltar a análise lingüística. Indagados de que forma a música contribuem para desenvolveras habilidades de leitura e escrita no ensino de língua. Os entrevistados deram as seguintesrespostas. A música desperta sentimentos, solta a imaginação, e o interesse de escrever melhor. Com a música as aulas ficam mais descontraídas, por isso o projeto deveria se estender durante todo o ano letivo e não ficar só no período da apresentação do FACE (AP1). A música no âmbito escolar acaba acarretando no maior interesse dos alunos com a escrita e a leitura que consequentemente ajuda no desempenho do aluno em outras disciplinas além de Língua Portuguesa (AP2). Neste sentido, a música propicia essas descobertas, à medida que o homem vaivivendo, experimentando e ampliando sua visão crítica e criativa sua capacidade deinterpretar. Entretanto, a escola deve instigar os educandos para que aprendam a processar o
  39. 39. 38texto e seus diferentes elementos que o compõem. Percebe-se que o projeto se preocupa comessa problemática, quando traz para o espaço escolar o ensino da música, possibilitando que opróprio aluno utilize recursos e estratégias de leitura, inerentes ao seu meio social. Odinamismo do projeto inova o ensino, permitindo que o aluno tenha contato com diferentesgêneros musicais que costumam ser apreciados por ele no seu contexto.
  40. 40. 39CONSIDERAÇÕES FINAIS A música não pinta o amor ou a aspiração de um dado individuo em dadascircunstâncias, ela pinta a própria paixão, o próprio amor, a própria aspiração [...] (Snayders,1997, p.104). A partir do momento em que a música é utilizada no processo ensino-aprendizagem, amplia a possibilidade de apreciação dos elementos musicais. A pesquisa partiu sobretudo, do desejo de contribuir de alguma maneira para que essametodologia seja aplicada nas escolas e venha favorecer de verdade um ensino em que osalunos possam ser tratados de igual para igual, oportunizando a todos compreenderem o realsignificado e a contribuição que esse recurso pode oferecer para tornar as aulas estimulantes eprazerosas. Os valores e pensamentos da sociedade são determinados pelo contexto vivido, e amúsica como toda arte, expressa valores e pode ser utilizada como meio para analisar eentender as transformações políticas e culturais ocorridas no mundo. Música e linguagem sãoentidades que servem ao indivíduo como veículo de comunicação e expressão. À medida queo homem vai vivendo, experimentando e ampliando-se sua visão crítica e criativa, vaidescobrindo sua capacidade de interpretar o mundo. A musicalização no espaço escolar nãoestá focalizada na formação de músicos ou compositores, mas sim despertar no aluno ointeresse em compreender as características da música e aprender a apreciar diferentes estilosmusicais. Desta forma, como todo conteúdo trabalhado em sala deve partir do conhecimentoprévio do educando, o professor quando utilizar a linguagem musical deve valorizar eestimular a troca de vivências musicais, para que a aprendizagem seja significativa eanimadora. Nesse sentido, a pesquisa traz a contribuição de poder oferecer caminhos pararessignificar o ensino e aprsentar elementos que possibilitem transformar a triste realidadeque permeia o espaço escolar. Pelo exposto, os resultados revelam que as metodologias e os recursos utilizados naaplicação do projeto FACE facilitam uma maior interação entre os alunos, apresenta a práticade leitura como uma atividade lúdica desenvolvendo, assim, o ato de ler como prática defruição e prazer.
  41. 41. 40 Ao fazer uma reflexão sobre o tema pesquisado percebeu-se, que a prática pedagógicalúdica possibilita também o desenvolvimento da espontaneidade, da criatividade e daexpressividade dos alunos tornando o espaço escolar agradável e criativo. Por isso, o lúdicopropicia uma compreensão de mundo e de conhecimento mais ampla para a aprendizagem doaluno. O projeto não pode ser considerado como instrumento para realizar milagres naeducação, mas, sua contribuição será relevante para que a leitura ocupe lugar de destaque naescola. Sugere-se, então, que outras escolas que não trabalham desse tipo de metodologiaconheçam o projeto a fim de tê-lo como referência, que o vejam como um estimulador doprocesso ensino-aprendizagem, principalmente para aqueles alunos que se sentemdesmotivados, uma vez que é visível a contribuição para o desenvolvimento cognitivo,linguístico, psicomotor e socioafetivo do aluno. Essa pesquisa não tem a pretensão de esgotar a discussão sobre a temática, mesmoporque, o tema é bastante amplo, com certeza, muita coisa poderia ser abordada. Espera-seque o presente estudo venha contribuir de alguma forma para que outros pesquisadores sedebrucem sobre o tema em destaque.
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  46. 46. ANEXOS
  47. 47. ANEXO 1 – QUESTIONÁRIOS UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV COLEGIADO DE LETRAS Maura Moreira da Silva Pesquisa para identificar de que forma a música pode contribuir para o ensino de língua maternaTEMA DA MONOGRAFIA: MÚSICA E O ENSINO DE LÍNGUA MATERNATÍTULO: O GÊNERO CANÇÃO E A LUDICIDADE NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA: ProjetoFACE – Uma experiência nas escolas estaduais Na sociedade atual são exigidos de cada indivíduo conhecimento e habilidades quepermitam a ele interpretar e analisar, de maneira crítica, a crescente quantidade deinformações veiculadas no meio midiático, que chegam com velocidades cada vez maiores.Aliado a isso, temos testemunhado nos últimos anos um intenso desenvolvimentotecnológico, cujos reflexos são percebidos cada vez mais em nossa sociedade. Nessecontexto conhecer e usar bem a língua materna faz-se necessário para que o cidadãoparticipe ativamente do mundo no qual está inserido. Partindo desses pressupostos, éimportante identificar de que forma a música pode contribuir para o ensino de línguamaterna de forma prazerosa e significativa.Professor entrevistado: ___________________________________________________Disciplina: ______________________________________________________________
  48. 48. Escola: ________________________________________________________________Data: _________________________________________________________________ Questionário da entrevista1º) Qual a importância do Projeto FACE pra você e para sua escola?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2º) Professor, ocorreram dificuldades no processo de implementação do projeto em suaescola? Se ocorreram, eles estão relacionadas a quê?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3°) Que procedimentos metodológicos são utilizados para a realização do projeto?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4º) Você enquanto professor, como analisa o desenvolvimento do projeto FACE ?( ) Bom( ) Regular( ) ÓtimoPor quê?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  49. 49. ______________________________________________________________________________________________________________________________________5º) Como é articulada a dinâmica de trabalho desenvolvida entre a coordenação pedagógica,professores e alunos envolvidos no projeto?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________6º) De que forma o projeto pode contribuir para o desenvolvimento da linguagem oral eescrita do aluno?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________7°) Que práticas de leitura são utilizadas durante as oficinas do projeto?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________8°) Qual a importância da ludicidade nas aulas de Língua Portuguesa?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________9°) Os alunos participam ativamente das atividades propostas nas oficinas do projeto? Deque forma?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  50. 50. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV COLEGIADO DE LETRAS Maura Moreira da Silva Pesquisa para identificar de que forma a música pode contribuir para o ensino de língua maternaTEMA DA MONOGRAFIA: MÚSICA E O ENSINO DE LÍNGUA MATERNATÍTULO: O GÊNERO CANÇÃO E A LUDICIDADE NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA: ProjetoFACE – Uma experiência nas escolas estaduais Na sociedade atual são exigidos de cada indivíduo conhecimento e habilidades quepermitam a ele interpretar e analisar, de maneira crítica, a crescente quantidade deinformações veiculadas no meio midiático, que chegam com velocidades cada vez maiores.Aliado a isso, temos testemunhado nos últimos anos um intenso desenvolvimentotecnológico, cujos reflexos são percebidos cada vez mais em nossa sociedade. Nessecontexto conhecer e usar bem a língua materna faz-se necessário para que o cidadãoparticipe ativamente do mundo no qual está inserido. Partindo desses pressupostos, éimportante identificar de que forma a música pode contribuir para o ensino de línguamaterna de forma prazerosa e significativa.Aluno entrevistado: ______________________________________________________Escola: _________________________________________________________________Data: __________________________________________________________________
  51. 51. Questionário da entrevista1º) Qual a importÀ

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