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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
      DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS XIV
                COLEGIADO DE LETRAS




         GLEIDIANE SIONE DE OLIVEIRA




A PRÁTICA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DO PROFESSOR
     COM RELAÇÃO AO ENSINO DA LEITURA




                Conceição do Coité
                      2011
GLEIDIANE SIONE DE OLIVEIRA




A PRÁTICA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DO PROFESSOR
     COM RELAÇÃO AO ENSINO DA LEITURA




           Trabalho monográfico apresentado ao Departamento de
           Educação - Campus XIV, UNEB, como requisito avaliativo
           do Componente Curricular TCC, do curso de Letras com
           Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas –
           Licenciatura para obtenção do grau de Licenciada.


          Orientadora Profa. Ms: Cinira Félix Cardoso.




                       Conceição do Coité
                            2011
Simplesmente ler

                                 Ler sempre.
                                   Ler muito.
                            Ler “quase” tudo
              Ler com os olhos, os ouvidos,
                                  com o tato,
              pelos poros e demais sentidos.
           Ler com a razão e sensibilidade.
                       Ler desejos, o tempo,
               o som do silêncio e do vento.
           Ler imagens, paisagens, viagens.
                    Ler verdades e mentiras.
                Ler para obter informações,
                  inquietações, dor e prazer.
       Ler o fracasso, o sucesso, o ilegível,
               o impensável, as entrelinhas.
         Ler na escola, em casa, no campo,
               a estrada, em qualquer lugar.
                        Ler a vida e a morte.
Saber ser leitor tendo o direito de saber ler.
                       Ler simplesmente ler.

                     (Edith Chacon Theodoro)
Dedico essa obra, a todas educadores
que exercem sua profissão, em busca da
realização de um grande sonho, uma
educação melhor.
AGRADECIMENTOS




Agradeço a Deus pelo dom da vida e da sabedoria.
Agradeço aos meus pais, por terem conduzido meus primeiros passos e terem me
inserido no universo da educação.
Ao meu filho, Luiz Felipe por ser minha eterna fonte de luz, coragem e inspiração.
Ao meu esposo, Danilo pela compreensão da minha ausência durante minha caminhada
acadêmica.
Aos irmãos, tios em especial tio Normando, primos e amigos que escutam minhas
aspirações, acreditam em meu potencial e torcem pela concretização de meus objetivos.
A todos os meus professores da universidade pelo conhecimento passado e pelo saber
transmitido, de modo especial aos professores Itana Nunes, Cinira Félix Cardoso e
Deijair Ferreira pela paciência e dedicação ao serem meus orientadores.
Aos meus colegas pelo bom convívio durante esses cinco anos de caminhada, de modo
especial, Kelly, Mary, Bel e Jana pelo companheirismo.
Aos professores e alunos que contribuíram com os questionários, enriquecendo assim
meu trabalho.
Aos meus alunos, com quem na disponibilidade de troca, tenho aprendido tanto, todos os
dias.
Enfim agradeço a todos que de uma forma ou de outra contribuíram para o
desenvolvimento desse trabalho.
SUMÁRIO




INTRODUÇÃO                                                   09


CAPITULO 1. HISTÓRIA DA LEITURA NO BRASIL                    11


1.1 Conceito de Leitura                                      13


1.2 A postura do professor em relação ao ensino da Leitura   15


1.3 A contribuição da Leitura na formação crítica do aluno   17


CAPITULO 2. PASSOS METODOLÓGICOS                             20


CAPITULO 3. ANÁLISE DE DADOS                                 22


3.1 Perfil da escola                                         22


3.2 Perfil dos professores                                   23


3.3 Perfil dos alunos                                        28


CONSIDERAÇÕES FINAIS                                         31


REFERÊNCIAS                                                  33


ANEXOS                                                       34
RESUMO


Este trabalho se concretizou pela necessidade de conhecer a prática didático-pedagógica do
professor em relação ao ensino da leitura, sabendo que o mesmo é uma ferramenta de
fundamental importância no processo de ensino-aprendizagem de qualquer individuo. A
partir da análise dos questionários aplicados a professores e alunos do Colégio Estadual
“Osvaldo Cruz” sediado na cidade de Riachão do Jacuípe-Ba, constatou grande deficiência
na prática da leitura.
O objetivo desta monografia é avaliar a prática do professor diante do ensino da leitura, se o
mesmo desenvolve atividades que despertam no aluno o desejo pelo ato de ler, bem como
contribuir para que as práticas de leitura se transformem em atividades significativas e
prazerosas. O método utilizado na concretização deste trabalho foi a pesquisa de campo de
abordagem qualitativa, com a utilização de questionário para os professores e alunos, como
instrumento de coleta de dados, além da pesquisa bibliográfica. Observamos, através dessa
pesquisa, que o fracasso dos alunos, é percebível desde as séries iniciais até o ensino médio.
Percebemos, ainda, que outros fatores contribuem para essa problemática, tais como: a falta
de comprometimento dos gestores públicos em investimentos de recursos didáticos e a falta
de estimulo por parte da família, não deixando de ressaltar que em muitos casos os pais são
analfabetos.

PALAVRAS-CHAVE: Leitura. Prática. Aprendizagem. Estímulo. Professor.
SUMMARY


This work was achieved by the need to meet the didactic and pedagogical teacher the
teaching of reading, knowing that it is a crucial tool in the teaching-learning of any
individual. From the analysis of questionnaires given to teachers and students from
State College "Osvaldo Cruz" held in the city of Ba-Riachão Jacuípe, found major
deficiencies in the practice of reading.
The purpose of this monograph is to evaluate the practice of the teacher before the
teaching of reading, if it develops in the student activities that trigger the desire for the
act of reading as well as contribute to the reading practices become meaningful and
enjoyable activities. The method used in achieving this work was the field research of
qualitative approach, using a questionnaire for teachers and students as an instrument of
data collection, in addition to the literature. Observed through this research that the
failure of students, it is noticeable from the early grades through high school. We
noticed also that other factors contribute to this problem, such as the lack of
commitment of public investment in teaching resources and lack of encouragement
from family, not forgetting to point out that in many cases the parents are illiterate.

KEYWORDS: Reading. Practice. Learning. Stimulus. Teacher.
9



                                      INTRODUÇÃO




            A linguagem é um instrumento de comunicação social que permite a interação
entre os seus usuários em todas as camadas da sociedade. É por essa razão, que a leitura entra
nesse universo da comunicação, vez que é uma grande ferramenta de informação entre os
indivíduos da sociedade contemporânea.
            O interesse despertado pelo tema “leitura” veio das vivências em sala de aula, ao
deparar muitas vezes com alunos do ensino médio com grandes dificuldades na prática da
leitura; o desinteresse dos mesmos por essa atividade, e de estudos desenvolvidos no âmbito
acadêmico a partir de alguns autores que discutem a leitura como parte fundamental do
conhecimento social atual. Observamos, com frequência, que o fracasso que ocorre com os
alunos, tanto nas séries iniciais como também nas séries subsequentes, decorre, não só por
falta de estimulo da família, mas por “falhas” na prática docente. Mas não podemos negar
que, além desses motivos existem outros fatores que contribuem para essa problemática, tais
como: a falta de contato com materiais escritos, a situação econômica, o descaso dos gestores
públicos, entre outros. A partir da constatação de que um grande número de alunos chega ao
final do ensino fundamental com graves deficiências na leitura e na escrita, comprometemos,
nessa pesquisa, em estudar o tema e apontar elementos para auxiliar a prática pedagógica dos
educadores, bem como contribuir para tornar a prática docente mais eficaz e significativa, não
só para os professores de língua de língua materna, mas para as outras disciplinas também, já
que a leitura é uma atividade de todas as áreas.
            Dentro deste ponto de vista, propomos um estudo coerente dessa problemática
visando alcançar os seguintes objetivos centrais: pesquisar sobre a prática pedagógica dos
professores diante do ensino da leitura; como são desenvolvidas as atividades referentes à
mesma, apontando possibilidades de transformações relevantes no cotidiano escolar; discutir
sobre as dificuldades enfrentadas pelos alunos; bem como, contribuir de forma significativa
para que mudanças há muito esperadas, se concretizem nas salas de aula, considerando o
educador como principal agente e mediador nessa luta tão necessária na sociedade atual.
            Para desenvolver este trabalho, além das pesquisas bibliográficas, priorizamos os
questionários feitos para professores e alunos, fazendo um levantamento, a princípio, das
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fundamentações teóricas dos críticos que tratam do assunto pesquisado tais como:
Zilberman(1999), Kleiman (2007), Freire (1999), assim como também nas diretrizes dos
PCN, entre outros. Os questionários foram feitos no intuito de descobrirmos como está sendo
a prática didático-pedagógica do professor, com relação ao ensino da leitura na escola. Trata-
se de uma pesquisa qualitativa que tem como procedimento o estudo de caso.
            Os questionários aplicados com os professores tiveram como objetivo maior
conhecer o processo de ensino da leitura, com os dos alunos buscou descobrir quais são os
maiores obstáculos encontrados pelos mesmos no momento da leitura; quais os tipos de textos que
mais os atraem e se leem em outros ambientes além da escola.
            Este trabalho monográfico será estruturado em três capítulos, sendo o primeiro a
Fundamentação Teórica, contendo os seguintes itens: A História da Leitura no Brasil, O
Conceito de Leitura, A Postura do Professor em Relação ao Ensino de Leitura e concluímos
esse capitulo fazendo uma análise sobre A Contribuição da Leitura na Formação Crítica do
Aluno; no segundo, apresentaremos a Metodologia utilizada no decorrer dessa pesquisa e, no
terceiro capítulo mostraremos a Análise de Dados e os resultados obtidos no final desse
estudo. Finalmente, apresentaremos as Considerações Finais, legitimando nosso trabalho de
investigação. Assim, esperamos que reflexões aqui contidas possam servir de contribuição para
os profissionais da educação no intuito de melhorarem suas práticas, no que tange ao ensino-
aprendizagem da leitura e da escrita.
11



             CAPITULO 1. A HISTÓRIA DA LEITURA NO BRASIL




             Este capítulo aborda, os principais elementos, para o desenvolvimento da prática
da leitura no âmbito escolar, primeiro é preciso que se conheça o conceito de leitura, ter
consciência de que a leitura é uma atividade universal e de grande relevância no campo da
informação, em seguida, fazer uma análise da postura do professor em relação ao ensino da
leitura. Será que este, está exercendo uma prática coerente para tal função? Como está sendo
sua representação de leitor? E por fim ter em mente a importância da leitura para a formação
crítica do aluno para assim conscientizá-lo e despertar no mesmo o desejo pelo ato de ler.
             A sociedade brasileira no momento enfrenta grandes problemas no campo da
educação, mas vale ressaltar que este não é um problema recente, pois desde o início da
história da educação, existem grandes desafios; alguns já vencidos, graças a algumas lutas
travadas por professores e por todos que se mobilizam pela causa e sonham com uma
educação de qualidade.
             O momento é mais que oportuno para refletir sobre esses problemas da educação,
o porquê desse fracasso escolar, dessa evasão nas salas de aula e o que é mais grave, porque o
aluno tem tantas dificuldades diante da prática da leitura e o que faz do Brasil um país de
poucos leitores, talvez esses problemas sejam frutos da forma com foi e como é estruturada a
educação no Brasil, que valor foi atribuído a leitura?
             Não falamos em Leitura, sem fazer uma retrospectiva, sem retomarmos o passado
da História da Educação no Brasil, período em que a educação, a leitura era um privilégio de
poucos, pois apenas os mais favorecidos, a classe dominante, ou seja, a sociedade elitizada da
época é que tinha acesso, a essa prática e à política educacional desorganizada e desagregada
dos interesses da população e que durou por muitos anos. Só mais tarde é que a população foi
favorecida, graças ao processo de urbanização, porque, com o surgimento das indústrias,
surgem novas ações que favorecerão o processo educacional.
             A história da leitura no Brasil é marcada por descaso e abnegação do poder
público. Só, depois de mais de 300 anos, após a chegada dos portugueses, é que se dá início a
uma atividade que favorece uma população leitora no Brasil, como nos afirmam Lajolo e
Zilberman:
12



                         Só por volta de 1840 o Brasil do Rio de Janeiro, sede da monarquia, passa a
                         exibir alguns traços necessários para formação e fortalecimento de uma
                         sociedade leitora: estavam presentes os mecanismos mínimos para a
                         produção e circulação da leitura, como tipografias, livrarias e bibliotecas; a
                         escolarização era precária, mas manifestava-se o movimento visando à
                         melhoria do sistema; O capitalismo ensaiava seus primeiros passos graças à
                         expansão da cafeicultura e dos interesses econômicos britânicos, que
                         queriam um mercado cativo, mas em constante progresso (1999, p. 18).

              Com essas informações, identificamos um dos fatores que favorece o fracasso
escolar em nosso país. Somos herdeiros de um passado em que o descaso à educação era
grande e a circulação e produção da leitura eram precárias, pois direcionavam apenas os
interesses do sistema capitalista, que exigia profissionais mais qualificados e para isso se fazia
necessário a prática da leitura e da escrita, organizadas pelo sistema educacional de ensino.
              Essa carência da leitura foi uma realidade que prosseguiu durante toda história do
país, pois ainda hoje o Brasil é um país de poucos leitores, se comparado a outros países. Mas
não vedamos nossos olhos e fechamos nossas mentes, para reconhecermos que, com o passar
do tempo, muita coisa mudou, através de lutas travadas; pois a democratização da escola
passa a ser um fato consumado e a leitura recebe cada vez mais novas adaptações, e mesmo
assim reconhecemos que ainda há muito a ser feito, pois, infelizmente, a leitura não atingiu a
toda população, como afirma Lajolo:

                         Numa sociedade como a nossa, em que a divisão de bens de renda e de
                         lucros é tão desigual, não se estranha que desigualdade similar presida
                         também a distribuição de bens culturais, já que a participação em boa parte
                         destes últimos é mediada pela leitura, habilidade que não está ao alcance de
                         todos, nem mesmo de todos aqueles que foram à escola. (1999, p.106).

              Este fato lamentável se dá pela desigualdade social que se faz presente em nosso
país, o que reflete em uma má distribuição dos bens materiais e culturais, tornando a leitura
uma atividade de poucos, pois, até mesmo aqueles que frequentam a escola, não têm a leitura
como uma prática constante; reforçando, assim, a exclusão dos mesmos do magnífico mundo
das letras.
              Há tempos, o contato com a leitura estava ligado a questões de política e poder,
tanto que só uma pequena parte da sociedade tinha oportunidade de ir à escola, de aprender a
ler e a escrever. Contudo, com o passar do tempo, por meio de muita luta, é conquistada a
democratização do saber e, em consequência, o ingresso às instituições de ensino passa a ser
uma realidade para a população brasileira, porém não significa que todos os brasileiros com
idade escolar estejam frequentando a escola, e que todos tenham a mesma qualidade de
13



ensino, de recursos e materiais escolares. Bordini e Aguiar, (1993), afirmam que a escola logo
cedo traiu seu objetivo inicial, e talvez essa traição ocorresse pelo fato da escola ter sido
criação da burguesia.
           Neste contexto, a escola servia como meio de dominação da elite sobre os menos
favorecidos, e, como consequência, surge um grande número de analfabetos, porém, com o
passar do tempo, os fatos se modificaram e para o bem da sociedade, a leitura passa a ter uma
função social. E assim a leitura se concretiza e por meio das lutas um dia chegará ao pódio,
enfim será uma atividade de lazer, socialização e conscientização de todos os povos,
independente de cor, classe, ou função social.




1.1 Conceito de leitura



           A leitura tem sido ao longo do tempo, fonte de pesquisa para estudiosos, e
preocupação para pais, educadores e para todos aqueles em que acreditam que essa seja uma
atividade essencial, que deve fazer parte do dia-a-dia das pessoas. A leitura, com certeza, é
um dos maiores meios de comunicação do cidadão, é por meio dela que se tem acesso a
inúmeras informações, socializa-se e interage com o mundo. É uma atividade que se faz
presente em todas as instituições educacionais, tendo início na alfabetização e percorrendo por
todo nível de escolaridade.
           Sabemos que, em nosso país, a escola é a principal instituição responsável pelo
ensino da leitura, e que desenvolve o aprendizado do aluno, o que não significa que a leitura
seja apenas uma prática escolar, e sim, uma prática escolarizada; ou seja, uma pessoa mesmo
tendo aprendido a ler na escola, pode e deve exercer a prática da leitura, em outros ambientes,
como afirma Pietri:


                        Como discutido, a leitura não é uma prática escolar, mas uma prática
                        escolarizada. As práticas de leitura podem se desenvolver
                        independentemente da escola, ainda que a escola seja, numa sociedade como
                        a nossa, a principal instituição responsável pelo seu ensino (2007, p. 33).



           A partir dessas informações, fica claro que a leitura é uma atividade universal e
que não se restringe a um ambiente específico, mas acontece de muitos alunos não terem essa
14



percepção, e acreditam que só se deve ler na escola, ou para uma atividade que lhe é
destinada, e só leem se o professor mandar. E de quem será a culpa dessa atitude? Do aluno,
da sociedade, do professor da família? Com certeza, todos têm uma parcela de culpa, e não
procuraremos o responsável, vez que na família, também a criança deverá ser incentivada a
desenvolver o hábito da leitura. Mas, já que a leitura faz parte das atividades curriculares da
escola e cabe à mesma, ao professor, não só ensinar a decodificar as palavras, mas também
conscientizar seus alunos sobre a importância da leitura em seu crescimento pessoal; por isso
se faz necessário que a mesma seja uma atividade constante em suas vidas. A escola por sua
vez deve atentar que muitos dos alunos não têm uma base familiar boa, sendo a escola o único
ambiente capaz de socializá-los conscientizando-o sobre essas questões. A escola
disponibilizará para seus alunos materiais de qualidade, para que se sintam motivados, e não
atribuam à leitura a sensação de estarem lendo por obrigação e sim, por diversão, por
entretenimento. Os PCN afirmam que:


                       Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos
                       com os quais se defrontam, é preciso organizar o trabalho educativo para que
                       experimentem e aprendam isso na escola. Principalmente quando os alunos
                       não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos
                       leitores, quando não participam de práticas onde ler é indispensável, a escola
                       deve oferecer materiais de qualidade, modelos de leitores proficientes e
                       práticas de leituras eficientes (1997, p. 55).

           Esse pensamento deixa claro, a importância da escola selecionar materiais
qualificados para o desenvolvimento da prática da leitura e desenvolver projetos, que
conscientize seus alunos a respeito da importância da leitura, para o desenvolvimento
psicossocial, e principalmente desperte o desejo pelo ato de ler, e para isso se faz necessário
que os mesmos testemunhem exemplos, de bons leitores dentro do ambiente escolar, é nesse
momento que a imagem do professor entra com grande referência, já que o melhor
ensinamento é o bom exemplo, pois, de nada adianta um bom discurso em sala de aula, se o
professor não pratica a leitura com frequência. Sendo assim, a leitura trabalhada em sala de
aula, dará sentido ao mundo dos alunos, a seus desejos e a suas vivências, caso contrário, será
apenas mais uma tarefa obrigatória do Currículo Escolar que provocará desencanto frente a
um livro sugerido, para descontração e lazer. A constituição de sujeitos leitores torna-se
eficaz, no intuito de aproximar valores culturais, voltados para a confirmação da cidadania
que o mesmo, deve exercer.
15



1.2 A postura do professor em relação ao ensino da leitura




             A dificuldade que as pessoas têm de adquirir o hábito da leitura é muito grande, e
esta é uma situação que se faz presente em toda sociedade. Frequentemente vemos alunos do
ensino médio, ou até mesmo do ensino superior, com bastantes dificuldades para lerem.
Muitos “não sabem ler,” utilizamos este termo no sentido de ler e não conseguir compreender
o que leu. Diante deste fato lamentoso, questionamos o porquê? Qual a causa desse fracasso
na leitura? Será que o problema está na base desse aluno? Será que os professores das séries
iniciais utilizaram em suas práticas, atividades que estimulassem a leitura, no momento em
que inseriram a mesma na vida estudantil desse aluno?
             Vários questionamentos nos levam a pensar que o problema estará na prática
didático-pedagógica dos professores, principalmente os das séries iniciais, que têm uma
responsabilidade maior e que exige mais cuidado, pois é, nas séries iniciais, que se constrói o
leitor; por isso, não basta ensinar apenas a decodificar as palavras e sim a, compreender o
significado da mensagem transmitida pelo texto. Os PCN afirmam que é preciso quebrar
alguns conceitos atribuídos à leitura, e um deles é o de que a leitura seja apenas a
decodificação das palavras.


                        É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura.
                        A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras
                        em sons, sendo a compreensão consequência natural dessa ação. Por conta
                        desta concepção equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de
                        “leitores” capazes de decodificar qualquer texto, mas com enormes
                        dificuldades para compreender o que tentam ler. (PCN, 1997, p.55).

             Esse é o desafio da educação que as escolas precisam superar, para que os alunos
atinjam um grau de maior desenvoltura, descubram o magnífico mundo das letras,
conhecendo o segredo da leitura que os leva ao universo de aventuras e fantasias, assim como
ao mundo real. É essencial que o aluno atinja esse grau, para que mais adiante possa ser um
leitor, um cidadão crítico e atuante na sociedade em que está inserido. Desenvolver o hábito
da leitura no aluno é muito importante, pois a mesma proporciona a conscientização do
indivíduo.
16



            Sabemos que a leitura na escola tem chamado à atenção de pais, educadores e
estudiosos que acreditam ser uma necessidade fundamental, despertar no aluno o desejo pela
mesma, pois é o meio por que cada indivíduo se desenvolve individualmente e, nas condições,
em contato com os campos do conhecimento.
            É no âmbito escolar, que se inicia a formação do leitor, tendo como mediador
neste processo, o professor que, por sua vez, tornou-se o principal orientador na transmissão
do conhecimento diversificado.
            Na escola, fala-se muito sobre a importância da leitura, dos vários benefícios que
a mesma é capaz de proporcionar aos alunos e da capacidade de conscientização e criticidade,
mas a preocupação agora é a seguinte: Será que a Escola está trabalhando corretamente as
questões relevantes e referentes ao ensino da leitura? Será que o professor leva para sala de
aula materiais que contribuem para a formação do leitor crítico e reflexivo? São questões
como essas que devem ser manifestadas, a fim de oferecerem novos suportes para o ensino de
leitura nas escolas.
            Partindo desse principio, vemos a urgência de se apresentar para os alunos uma
leitura que norteie seu posicionamento e que seja capaz de torná-los leitores que
compreendam a essência do texto, estabelecendo relações com seu conhecimento prévio,
conhecimento que será reconhecido e valorizado pelo professor, porém o que acontece,
muitas vezes, é o seguinte: o professor não considera e não dá importância à experiência
pessoal do aluno, para a construção do sentido; desencorajando, assim, o desenvolvimento da
criticidade, como diz Freire em seu livro A importância do ato de ler.


                        A leitura de mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura
                        desde não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e
                        realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser
                        alcançada por sua leitura critica implica a percepção das relações entre o
                        texto e o contexto (1999, p. 11).



            Assim como respeitar as experiências dos estudantes, é concebível também a
postura do professor de executar sua prática pedagógica, utilizando o lúdico e a criatividade; a
fim de estimular o aluno para uma reflexão a respeito da leitura, vendo-a não só como um
objeto de dever, mas também lazer. É necessário também que o professor conscientize seus
alunos a respeito de que a leitura não serve apenas para o aprendizado, mas, para se
comunicar ampliar seus horizontes em relação ao mundo e às questões sociais. Configura-se,
17



então, como uma necessidade básica na vida de cada um e que será produtiva, para enriquecer
as relações interpessoais dentro do seu grupo, ou até mesmo no mercado de trabalho.
            Formar um leitor crítico não é uma tarefa fácil; entretanto, fica claro que se trata
de uma necessidade extremamente significativa e decisiva para a formação do aluno, como
leitor; por isso faz-se necessário empreender algumas mudanças na postura do professor,
quando o assunto for ensino de leitura; pois o professor planeja suas aulas, dando às
atividades de leitura a mesma importância que às demais, já que a leitura contribui não só para
a formação intelectual do individuo, mas para a formação moral e cultural; sendo um
conhecimento de base para todos os outros que venha a adquirir ao longo de sua vida; além de
servir também de entretenimento e prazer. Portanto, cabe a família, à escola e ao professor a
função de ensinar esse tipo de leitura sob estes paradigmas.
            Compete ao professor, também, ensinar seus alunos não só utilizando a teoria,
mas, também a prática, demonstrando seu exemplo de bom leitor, já que um leitor em
construção necessita de bons referenciais de leitores assíduos. Comprovamos nossa afirmação
com o seguinte trecho, retirado dos PCN:


                        Organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia. Para
                        os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura, que não
                        conhecem o valor que possui, é fundamental ver seu professor envolvido
                        com a leitura e com o que se conquista por meio dela. Ver alguém seduzido
                        pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também (1997, p. 58).

            Portanto formar leitores é algo que requer inovações na prática pedagógica,
atribuindo condições favoráveis para a prática de leitura, que não podem ser restritas, apenas
ao uso do livro didático; pois, na verdade, o uso que se faz dos demais materiais impressos,
dos demais gêneros textuais, é um grande aliado para o desenvolvimento da prática e do gosto
pelo ato de ler.


1.3 A contribuição da leitura na formação crítica do aluno


            Para um cidadão exercer seus direitos e deveres e, ao mesmo tempo, ser um
sujeito crítico e atuante, na sociedade, precisa saber ler, escrever e interpretar o que leu e
escreveu; esses são os principais elementos exigidos pela sociedade contemporânea que
marcada pela globalização e os avanços tecnológicos, aumenta, cada vez mais, as cobranças,
pois necessita urgentemente de uma população leitora. A leitura nunca foi tão essencial e
18



presente na vida das pessoas, como nos dias atuais, e tida como uma função social é vista
hoje, como um suporte que alicerça a personalidade do indivíduo.
             Mas a importância à prática da leitura não será atribuída, apenas para satisfazer as
exigências da sociedade, pois vale ressaltar que a mesma é o meio por que o aluno cresce
intelectualmente, desenvolvendo e aguçando seu posicionamento político diante do mundo e
quanto mais consciência o sujeito tiver desse processo, mais liberdade terá sua leitura,
desenvolvendo desta forma sua criticidade; assim vale ressaltar as reflexões de Antunes em
relação à leitura crítica.

                             A leitura se torna plena quando o leitor chega à interpretação dos aspectos
                             ideológicos do texto, das concepções que, às vezes sutilmente, estão
                             embutidas nas entrelinhas. O ideal é que o aluno consiga perceber que
                             nenhum texto é neutro, que por trás das palavras mais simples, das
                             afirmações mais triviais, existe uma visão de mundo, um modo de ver as
                             coisas, uma crença. (ANTUNES 2003, p. 81-82).

             Dessa maneira, afirmamos que o leitor levará em consideração seus
conhecimentos prévios que serão suporte para o entendimento dos aspectos sócio-político-
ideológicos. Visto que é, através da leitura, que o aluno consegue sua maior liberdade, a de
expressão, tornando-se um sujeito crítico e quebrando qualquer tipo de imposição por parte da
sociedade, cobrando e questionando os direitos que a sociedade, muitas vezes, oculta, pois a
leitura, sendo uma prática constante é capaz de desenvolver habilidades que possibilitem ao
aluno um posicionamento crítico, frente ao texto e ao seu meio social. E o que é mais
importante, o mesmo toma essa iniciativa, por conta própria; já que a leitura lhe dá condições
para isso, pois na leitura não há uma interferência direta, vez que o leitor, a partir de suas
leituras, reflete e chega a um pensamento próprio. Neste contexto, a leitura é vista como um
processo em que olhamos e entendemos o que foi escrito, ou seja, compreendemos o que o
texto quer dizer; mas é importante ressaltar que, para cada leitor há uma interpretação
diferente, assim concluiremos que, por de trás de cada leitor, há um escritor; pois, a partir de
cada leitura, o texto é reconstruído. Sendo assim, a compreensão será o foco principal do
processo ensino/aprendizagem na escola, a partir dos diferentes gêneros textuais. Nesta
análise, faz-se necessário uma leitura reflexiva por parte dos alunos, para que compreendam
as diversidades textuais que circulam a sua volta. Podemos comprovar essa afirmação nos
PCN.
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                       Uma prática constante de leitura na escola pressupõe o trabalho com a
                      diversidade de objetivos, modalidades e textos que caracterizam as práticas de
                      leitura de fato. Diferentes objetivos exigem diferentes textos e, cada qual, por
                      sua vez, exige uma modalidade de leitura. Há textos que podem ser lidos
                      apenas por partes, buscando-se a informação necessária; outros precisam ser
                      lidos exaustivamente e várias vezes (1997, p. 57).


           Sendo assim, as diversidades textuais exigem do leitor uma postura crítica, no
sentido de que os objetivos da leitura sejam pautados na busca de estratégias de interpretações
diferentes, tornando o ato de ler uma atividade significativa, em que o texto lido requer uma
análise interativa entre o texto e contexto, buscando relacionar as informações contidas no
texto com suas experiências de leituras anteriores e seu conhecimento de mundo.
           Para a formação do leitor crítico, é preciso rever alguns conceitos atribuídos ao
ensino de leitura, um deles é o de que ler seja apenas a decifração dos sinais gráficos. Faz-se
necessário também a presença de professores capacitados e habilitados para tal função, é
fundamental que o professor conheça as limitações de seus alunos, para assim lhe propor
atividades instigantes e desafiadoras que provoquem nos mesmos reestruturações de
conhecimentos prévios, despertando-lhe o interesse pela leitura do mundo, partindo, assim
para leitura da palavra. Precisa-se de professores que desenvolvam o gosto pela leitura, não só
com o seu discurso em sala de aula, mas com o exemplo de bom leitor.
           É importante, para o trabalho com a leitura que se utilize estratégias, as quais
oportunizem aos alunos adquirirem certa familiaridade para abordar o texto, adquirindo
intimidade com o escrito e criando maneiras individuais e confortáveis de entrar em contato
com a leitura e adquirir o sentido do que leu, e para isso se faz necessário um bom
planejamento e principalmente, coerente com a realidade do aluno leitor. Pois, é muito mais
estimulante para aluno, uma leitura que esteja próxima de suas experiências vividas.
           Nos próximos capítulos apresentaremos dados mais detalhados sobre o ensino da
leitura, como está sendo a prática docente e qual o valor que os alunos atribuem à leitura e
consequentemente descobrirmos que tipos de leitores estão sendo formados.
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CAPÍTULO 2. PASSOS METODOLÓGICOS




           Para que uma pesquisa alcance resultados positivos, e obtenha seus devidos fins
precisa ser organizada dentro de certos parâmetros de uma metodologia que traça um caminho
a ser percorrido. Dessa forma, para o desenvolvimento do tema de estudo, optamos por usar
como instrumento de coleta de dados um questionário para colhermos informações dos
professores e dos alunos de duas séries diferentes 8º e 9º anos, dos turnos: matutino e
vespertino, do Colégio Estadual “Osvaldo Cruz”, sediado no município de Riachão do
Jacuípe.
           A nossa intensão era em trabalharmos com entrevista oral, mas, por falta de
disponibilidade de tempo para realizar a entrevista com os professores, optamos, como
instrumento de coleta de dados, por um questionário. Os questionários foram entregues aos
professores e alunos na referida escola, alguns professores devolveram no mesmo dia, outros
devolveram alguns dias depois, já os alunos todos devolveram no mesmo dia. A escolha da
escola se deu pela acessibilidade ao espaço, porque é o local de trabalho da pesquisadora. Os
questionários foram aplicados com seis alunos e seis professores.
           Escolhemos trabalhar com questionários, por questão de facilidade e
acessibilidade, mas, ressaltamos que este não é um método muito aconselhável entre os
teóricos de metodologia, pois acreditam que essa fórmula de coleta de dados, não é tão fiel
quanto à entrevista, por exemplo; vez que a entrevista é um ato mais espontâneo, ao passo que
as respostas do questionário não têm muita credibilidade, porque as pessoas têm mais tempo
para responderem, o que lhes possibilita darem uma resposta não tão fiel. Comprovamos esse
pensamento com o fragmento a seguir:


                       De fato, nem sempre é possível que esse pesquisador julgue conhecimentos
                       do interrogado e o valor das respostas fornecidas: um interrogado pode
                       escolher uma resposta sem realmente ter opinião, simplesmente porque ele
                       sente-se compelido a fazê-lo ou não quer confessar sua ignorância. Ou então,
                       tendo uma consciência limitada de seus valores e preconceitos, fornecerá
                       respostas bastante afastadas da realidade. (LAVILLE, 1999, p.185).
21



             Assim confirmamos, o nosso pensamento anteriormente citado, de que as
respostas dadas ao questionário pode não corresponder com a prática do professor, que é
interrogado.
             Para uma melhor apreensão das informações coletadas, faremos a análise, a partir
das respostas fornecidas pelos alunos e professores, seguindo a ordem em que estas
ocorrerem.
             Aplicamos um questionário, com cinco perguntas para seis professores: quatro de
língua portuguesa e dois de outras disciplinas, a saber: um de História e um de Geografia. As
perguntas versaram sobre a realização efetiva do processo de leitura.
             Em relação aos alunos, também, abordamos a prática da leitura, que nos interessa
para a confirmação da investigação. É válido ressaltar que os nomes dos entrevistados não
aparecerão na pesquisa, mostrando-se apenas as iniciais dos seus nomes para manter o sigilo,
como também, identificados através das siglas PR para professor e AL para os alunos, sendo
que os respectivos professores também virão identificados pelos nomes das disciplinas que
atuam.
             Os dados coletados serão estudados e analisados no próximo capítulo desta
monografia. Para melhor discorrer sobre o tema, também realizamos um trabalho de pesquisa
bibliográfica, a partir do referencial teórico de alguns autores, como: Antunes (2003), Freire
(1999), Guedes (2006), Lajolo, (2002), Pietri (2007), Bordoni (1993), dentre outros; cujo
objeto de estudo é o ensino da Leitura.
             Assim, acreditamos que os dados coletados, através dos questionários, como
também o suporte teórico citado acima, tiveram grande relevância para a realização desse
estudo, que esperamos contribuir, para que educadores repensem suas práticas e aperfeiçoem
suas atividades de leitura e escrita, nas respectivas realidades.
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CAPÍTULO 3. ANÁLISE DE DADOS




             A referida análise apresenta os resultados e as reflexões decorrentes de um estudo
sobre “A Prática Didático-Pedagógica do Professor, com relação ao Ensino da Leitura”,
efetuado no Munícipio de Riachão do Jacuípe.
             Na intenção de se confirmarem as relações existentes entre os dados obtidos, com
o propósito de realização do estudo, buscamos a análise e interpretação dos dados coletados,
através dos questionários aplicados aos professores e alunos, para verificação de um resultado
significativo e relevante, para a conclusão da pesquisa.
             Ao fazermos a análise de dados, dividimos os elementos estudados em três
categorias e foram elas: Perfil da escola, Perfil do professor e Perfil do aluno.




3.1 Perfil da escola


             Sabemos que a escola hoje é tida como a principal instituição responsável pelo
processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, uma vez que é nela que o individuo
começa a dar seus primeiros passos no caminho do letramento e, por fim se tornará um
cidadão crítico e participativo. A escola é a responsável pela qualidade e quantidade de
produção desses dois processos. CAGLIARI, 2001, afirma que: “Tudo o que se ensina na
escola está diretamente ligado à leitura e depende dela para se manter e se desenvolver. A
leitura é a realização do objeto da escrita. Quem escreve, escreve para ser lido. O objeto da
escrita [...] é a leitura”.
             A partir desse pressuposto, escolhemos como objeto de estudo para a realização
desse trabalho, o Colégio Estadual “Osvaldo Cruz”, situado na praça Theodomiro Rodrigues
Mascarenhas, s/n, centro na cidade de Riachão do Jacuípe, Bahia. A mesma foi a primeira
escola pública do Município, tendo 60 anos de existência e sua estrutura física é de médio
porte. É composta de nove salas de aula, algumas bem arejadas; uma sala de professores ;
uma secretaria; uma sala para direção; uma biblioteca em que possui um acervo razoável; um
laboratório de informática; uma quadra poliesportiva; uma grande área de recreação; uma
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cozinha com depósito para merenda e um almoxarifado. A escola funciona nos turnos:
matutino, vespertino e noturno, e oferece o curso de Ensino Fundamental II regular, cursos de
Aceleração: I e II além do Ensino Médio, algumas turmas do EJA.
           Possui uma diretora, uma vice-diretora, um quadro de vinte e nove professores,
sendo que apenas dezessete são efetivos, dois porteiros, uma merendeira, cinco zeladoras,
cinco secretárias, dois digitadores e novecentos e vinte alunos, sendo que a maioria é da zona
urbana.
           Para um bom desenvolvimento da leitura, é importante que a escola, tenha uma
estrutura adequada para isso, com uma biblioteca de qualidade, com acervo e horário a
disponibilidade dos alunos. E nesse requisito a biblioteca do Colégio Estadual “Osvaldo
Cruz” deixa a desejar, pois um dos maiores problemas que encontramos na escola está na
biblioteca, por ser parte essencial à formação leitora de uma escola, ela apresenta falhas por
não ter um funcionário capacitado para tal função, no entanto fica muito tempo fechada, o que
muitas vezes dificulta as atividades relacionadas aos momentos de leitura, nesse espaço de
aprendizagem ao qual os alunos tem direito. Há falhas também no sistema de cadastro, pois
ainda vigora o sistema de anotações em cadernos, o que não dá muita segurança aos livros
emprestados. Diante do exposto, é importante pensar que mesmo encontrando escolas
públicas em situações adversas, torna-se necessário encará-las como um espaço que
possibilita ao aluno a apropriação do saber historicamente construído, pois ela é a grande
responsável pelas habilidades leitoras e produtoras, as quais constituem tarefas indispensáveis
na formação do discente.




3.2 Perfil dos professores


           Com o desenvolvimento acelerado da sociedade, aumentam cada vez mais as
exigências por parte da mesma; em virtude disso, os professores, mais do que qualquer
profissional, precisam ser adeptos, informados e atualizados com essas evoluções sociais, para
que direcionem seus alunos-leitores; futuros cidadãos que atuarão nessa sociedade, cada vez
mais carente, de indivíduos críticos e participativos. E é neste intuito que o professor
desempenha um papel fundamental no desenvolvimento intelectual e comportamental de seus
alunos, uma vez que os mesmos se espelham nos exemplos de seus professores, e para isso
precisam mostrar sua postura de bons leitores. Assim, o professor se comprometerá a
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redimensionar sua prática pedagógica e a se atualizar para obter melhores resultados no
ensino-aprendizagem da leitura e da escrita.
            É com essa consciência que os professores do Colégio Estadual “Osvaldo Cruz”,
especificamente os do 8º e 9º anos, supõe se que estão preparados para exercerem sua prática
docente, pois todos são graduados e alguns tem um curso de pós-graduação.
            Como já foi mencionado no capítulo anterior, esse estudo foi realizado com seis
professores, quatro de Língua Portuguesa, um de História e outro de Geografia. Escolhemos
essas disciplinas, por acreditarmos que, por serem disciplinas mais teóricas, têm a
possibilidade de conduzir os alunos à atividade de leitura, mas, isso não significa que as
demais estejam impossibilitadas de realizar atividades de leitura.
            Observamos que a maior preocupação dos professores da escola em questão é
tornar a leitura, cada vez mais, acessível aos seus alunos, pois acreditam que é através da
mesma que, os alunos expandem seus conhecimentos, assimilam e resignificam informações.
Comprovamos essa situação através de um fragmento do PR 01.


                        PR 01 (História)
                        Acredito que antes de qualquer assunto das disciplinas ou intensões das
                        aulas, o objetivo do educador é sempre tornar a leitura acessível aos
                        estudantes. É com a leitura que eles descobrem coisas e resignificam
                        informações.

            Essas palavras são pertencentes à resposta do professor de História dada à quarta
questão do questionário, em que foi feita a seguinte pergunta: Qual sua contribuição, como
educador, para o desenvolvimento da prática de leitura? Observamos que o professor em
questão acredita que o objetivo de qualquer educador, é tornar a leitura acessível aos seus
alunos, independente da disciplina em que atuam.
            No decorrer da analise de dados, foi possível notarmos claramente que as
respostas dos alunos correspondem às dos professores, uma vez que a maioria dos alunos
afirmou ter dificuldade na compreensão das leituras que fazem. Os professores responderam o
mesmo, afirmando que os maiores obstáculos enfrentados por seus alunos, é a dificuldade de
interpretação. Comprovamos esse fato com fragmentos de alguns professores:
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                         PR 01 (História)
                        A dificuldade de compreensão de certos termos e expressões; a ligação do
                        texto ao assunto; e a distancia de alguns temas envolto ao texto, mas que não
                        são discutidos, aparecem paralelos ao tema principal. (M. J. O. S)


                        PR 02 (Geografia)
                        Nas minhas aulas que chama atenção e procuro diversificar as minhas
                        atividades a leitura é prazerosa para alguns e com bastante dificuldades para
                        outros, por não compreenderem o que leem.
                        Devemos estimular bastante o educando para a civilização do mundo
                        moderno com boa leitura para que tenhamos bons interpretadores de mundo.
                        (A. L. B)


                        PR 03 (Português)
                        As dificuldades encontradas são: fazer eles lerem ou interpretarem uns por
                        vergonha outros por não gostar de ler. (A. N. C. M. F)


                        PR 04 (Português)
                        Eles têm dificuldades para relacionar os textos com suas leituras de mundo,
                        as vezes chegam a dizer que um determinado texto não têm nenhum valor
                        para sua vida, escolar nem social. (M. I. S. A)

                        PR 05 (Português)
                        Acredito que as moires dificuldades encontradas pelos alunos no momento
                        da leitura é conseguirem ler nas entrelinhas, pois a grande parte deles
                        tiveram uma alfabetização defitária, na qual não desenvolveram uma boa
                        prática de leitura e escrita. Mas quero salientar que os culpados não são os
                        professores das séries iniciais, mas também a negligencia da família e a falta
                        de comprometimento dos gestores públicos em investir em melhores
                        recursos didáticos. (L. L. L)


            Ao analisarmos a resposta do professor de Geografia observamos que tem
referência com um pensamento de Freire, em que diz o seguinte: “A leitura de mundo precede
a leitura da palavra” (1997, p. 11).
            Segundo as informações dos professores entrevistados, notamos que os alunos
têm dificuldade para relacionarem os textos lidos em sala de aula, com os assuntos
trabalhados pelos mesmos, e que um fator que dificulta bastante o desenvolvimento da leitura
é: a vergonha e a falta de gosto pela mesma, e que, um dos principais motivadores desse
quadro é falta de compromisso por parte da família em incentivar e conscientizar seus filhos a
respeito da importância da leitura em suas vidas, outro fator que contribui bastante, segundo
os professores, é o descaso do poder público para a melhoria na educação.
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           Além desses motivos, que favorecem as deficiências leitoras e produtoras no
âmbito escolar, encontramos outro fator, que, é o pensamento equivocado de que a
responsabilidade de ensinar o aluno a ler e escrever é responsabilidade apenas do professor de
Língua Portuguesa, sendo que o compromisso de promover essas práticas é responsabilidade
da escola e de qualquer professor independentemente de qualquer disciplina que atue.
Confirmamos com o trecho a seguir.

                       Ler e escrever são tarefas da escola, questões para todas as áreas, uma vez
                       que são habilidades indispensáveis para formação de um estudante, que é
                       responsabilidade da escola. Ensinar é dar condições ao aluno para que ele se
                       aproprie do conhecimento historicamente construído e se insira nessa
                       construção como produtor do conhecimento. Ensinar é ensinar a ler para que
                       o aluno se torne capaz dessa apropriação, pois o conhecimento acumulado
                       está escrito em livros, revistas, jornais, relatórios, arquivos (GUEDES e
                       SOUZA, 2004, p. 15).


           Dessa forma, ensinar a ler e a escrever é alfabetizar, é levar o aluno a possessão
do código escrito, é perceber que o aluno pode conquistar esses mecanismos de aprendizagem
em qualquer disciplina e não necessariamente ou exclusivamente nas aulas de Língua
Portuguesa. Um trabalho que utilize uma diversidade de gêneros textuais, portanto uma
prática pedagógica a ser desenvolvida por toda e qualquer disciplina. Então, é inegável ao
papel de um bom educador a preocupação com o processo de aprendizagem dos alunos.
Porém, um resultado satisfatório no que se refere à leitura e à escrita requer uma formação
persistida dos profissionais que atuam com o ensino da língua, a fim de que possam, no
ensino da leitura e da escrita, idealizar seus alunos como sujeitos atuantes, como cidadãos
capazes de transformarem a sociedade em que vivem.
           Segundo os professores entrevistados, os mesmos são movidos pela esperança de
mudar a realidade da educação brasileira, e que o maior interesse é buscar possíveis soluções
para as deficiências que envolvam a leitura e a escrita dos seus alunos, pois acreditam que,
muitas vezes, não há sucesso na aquisição dos conhecimentos necessários em suas disciplinas
devido às dificuldades encontradas pelos alunos no momento de lerem, escreverem e
interpretarem os assuntos propostos. Temos como exemplo um fragmento do PR 06.


                       PR 06 (Português)
                       Incentivo meus alunos a lerem e conscientizo-os a respeito da importância da
                       leitura em suas vidas. Pois acredito que haverá uma evolução na educação,
                       que chegaremos a um tempo que os bons leitores não serão tão escassos.
                       Essa esperança que encoraja minha caminhada. (G. S. O)
27




           A partir desse relato do PR 06, constatamos de fato que apesar das dificuldades
encontradas no desenvolvimento da leitura, os educadores persistem nessa luta para mudar tal
situação, pois são empenhados com a profissão de educar. Para tentar suprir essas
deficiências, os professores, compartilham suas experiências e buscam o máximo de
capacitação para aperfeiçoar sua prática, através de cursos oferecidos pelos órgãos
competentes.
           Notamos através das respostas, dadas pelos professores, que as leituras que mais
agradam seus alunos, são as leituras que mais se aproximam da realidade, o que tem muita
lógica, pois, é muito mais prazerosa a leitura que se assemelham as suas vivências, torna-se
muito importante a pratica do professor conhecer a realidade dos seus alunos, para assim
trabalhar com textos que se aproximem dessa realidade. Comprovamos com fragmentos do
PR 03 e o PR 05.


                       PR 03 (Português)
                       A leitura que eles mais gostam é de contos onde a narrativa mostra histórias
                       com fatos reais ou imaginários. (A. N. C. M. F)

                       PR 05 (Português)
                       Leituras que mais se aproximam da realidade dos alunos, geralmente são
                       vistos com mais prazer e interesse pelos mesmos, e os textos e os textos que
                       possuem tom humorísticos e narram histórias de amor. (L. L. L)


           Outro elemento que atraem a leitura aos alunos é a curiosidade, grande ferramenta
do conhecimento, pois é através da mesma que muitas vezes o aluno é movido a se debruçar
nos livros. Os professores de Geografia e História afirmaram que a leituras que mais agradam
seus alunos são aquelas que lhes despertam curiosidade, talvez essas sejam as disciplinas que
mais despertam curiosidade nos alunos, por serem as que mais trabalham com o estudo do
passado. Observamos as respostas dos PR 01 e 02.


                       PR 01(História)
                       As leituras que revelam informações curiosas e surpreendentes. Alguns
                       textos suscita o conhecimento do assunto; outras trazem itens valiosos dentro
                       do próprio assunto em debate. E os estudantes gostam mais desses últimos,
                       supostamente, por despertarem mais curiosidade. (M. J. O. S)
28



                        PR 02 (Geografia)
                        Informativa. Principalmente através de gráficos, mapas, experiências, enfim
                        tudo que lhe chama atenção e curiosidade. (A. L. B)

            É claro notarmos certa distância, entre as respostas de um professor para outro,
pois cada um responde dentro das necessidades das suas respectivas disciplinas, mas, é
notório que há em todas elas a possibilidade de trabalhar com a leitura. É justamente essa
variedade que compõe o conjunto de conhecimentos necessário para que aluno atinja um grau
de maior desenvoltura e criticidade, não deixando de ressaltar a interdisciplinaridade entre
elas, que possibilita o relacionar seus conhecimentos e descobrir o valor de cada disciplina,
não só para sua vida estudantil, mas, para sua vida social.
            Portanto, é inegável a qualquer educador que presa sua profissão, a preocupação com
o processo de aprendizagem dos seus alunos. Porém, um resultado satisfatório no que se refere ao
ensino de leitura requer uma formação continuada dos profissionais que atuam com o ensino da
língua, a fim de que possam, no ensino da leitura, conceber seus alunos como sujeitos atuantes,
como cidadãos ativos capazes de revolucionar a sociedade em que vivem.


3.3 Perfil dos alunos

            A partir dos questionários aplicados aos alunos do 7º e 8º ano, da referida escola,
observamos que todos os alunos afirmaram que leem em outras disciplinas, além da de
português, e que pratica, essa atividade em outros espaços, além da escola; o que nos faz
pensar que aquele pensamento equivocado citado acima estar perdendo a força. Os mesmos
afirmaram também que os principais obstáculos que encontram na prática da leitura, é a
dificuldade de interpretação que se torna mais difícil, quando encontram termos estrangeiros,
ou desconhecidos de seus vocabulários. Comprovamos com as respostas dos alunos
entrevistados:




                        AL 01 (8º ano)
                        Sim, sim em geografia, ciências, história e cidadania. Sim na internet, livros,
                        revistas, jornais e quando eu passo pelas ruas eu vejo lojas, supermercados
                        leio as promoções e tudo o que eu vejo eu quero ler. (J. da S. L).

                        AL 02 (8º ano)
                        Sim, sim as faço em várias disciplinas. E também faço em casa, na
                        biblioteca, em quanto viajo, na igreja, em livrarias etc. (M. L. C. C. G).
29




                     AL 03 (8º ano)
                     Faço leitura em todas as disciplinas exceto matemática. Também faço leitura
                     em casa, na biblioteca da cidade e viajando para outros locais. (K. dos S. L).

                     AL 04 (7º ano)
                     Sim eu faço leitura nas aulas de português, mas normalmente em outras
                     disciplinas não são praticada muitas leituras. E em curso em que eu faço são
                     praticada a leitura. (C. A. de B).

                     AL 05 (7º ano)
                     Sim. Sim. Sim, pois eu acho que ao ler você tem uma sensação de
                     “liberdade” ela lhe espira deixando mais “livre”. (L. G. A. L)

                     AL 06 (7º ano)
                     Faço leitura nas aulas de português, em outras disciplinas e em outros locais
                     além da escola. (T. P. dos S).

                     AL 01 (8º ano)
                     A dificuldade que eu tenho na prática da leitura é quando eu estou lendo um
                     texto e vejo uma palavra inglês ou grande que tenha vários significados. (J.
                     da S. L).


                     AL 02 (8º ano)
                     Algumas palavras que não conheço mas é sempre bom aprender novas
                     palavras por isso eu não me importo muito. (M. L. C. C.).

                     AL 03 (8ºano)
                     Palavras difíceis de interpretar, não saber onde parou, que personagem está
                     falando e quando acontece isso volto tudo de novo para entender melhor. (K.
                     dos S. L).

                     AL 04 (7º ano)
                     A única dificuldade na pratica da leitura que eu encontro é a falta de
                     interesse do meu interesse jovem. (C. A. B).

                     AL 05 (7º ano)
                     Minhas piores dificuldades são a interpretação, sinônimos, uso das aspas
                     (“ “), etc. (L. G. A. L).

                     AL 06 (7º ano)
                     Nenhuma (T. P. dos S).


          As respostas dadas pelos alunos nos faz pensar que a dificuldade de interpretação,
pode ser consequência da falta de conhecimento prévio dos mesmos, para com os textos
30



trabalhados em sala de aula, ou das atividades pedagógicas relacionadas à leitura. Assim faz-
se necessário, sempre que possível o professor trabalhar com textos próximos da realidade do
aluno, facilitando assim seu entendimento. Pietri afirma que:


                        A compreensão do texto, portanto, é possível graças aos conhecimentos
                        prévios que o leitor possui e a interação desses conhecimentos no momento
                        da leitura. Essa interação se torna mais evidente quando, ao lermos um texto,
                        nos deparamos com uma palavra desconhecida. Nesse momento, há pelo
                        menos duas opções: ou o deixamos de lado e vamos procurar em outros
                        lugares o significado da palavra (...), ou continuamos a lê-lo e tentamos, com
                        base nas demais informações que o texto apresenta, elaborar hipóteses sobre
                        o significado daquela palavra. (2007, p. 21).


            A partir das respostas dadas pelos alunos, percebemos que a maioria deles tem
problemas referentes à prática da leitura e que eles não conseguem atingir o ponto almejado
pelos professores que é a aquisição da leitura e da escrita convencional. Muitos sofrem com o
problema de interpretação, não conseguem entender aquilo que está nas entrelinhas de um
texto nem ter uma visão do mundo através do ato de ler, não conseguem contextualizar as
leituras que fazem que seja a aspiração maior dos professores, uma vez que todos querem que
seus alunos consigam ler bem e de maneira ampla, interpretando imagens e decodificando
palavras. Assim, buscando acabar com esses problemas, ou pelo menos diminuí-los muitos
educadores buscam aperfeiçoamento, tentando, assim, melhorar a realidade educacional de
seus alunos, mas para isso acontecer é necessário um trabalho educativo de qualidade já que
algumas crianças acabam saindo do ensino fundamental sem saber ler e escrever.
            Comprovamos que os alunos 01 e 02, afirmaram passar por essa dificuldade. É
importante ressaltar a maturidade do aluno 02, ao afirmar que os termos desconhecidos, não
são barreiras que lhes impeçam a ler, e consegue enxergar o beneficio que traz as palavras
novas ao seu vocabulário. Nem todos os alunos têm essa percepção, em alguns casos, esse
problema chega ser um bloqueio, ao desenvolvimento da leitura.
            Diante do exposto, acreditamos que esse trabalho de pesquisa, possa contribuir
para a necessidade de se investir na formação dos discentes, não apenas transformando-os em
bons leitores, mas em seres pensantes, construtores de visões de mundo, novos cidadãos,
críticos, participativos e livres, tendo êxito não só na sua vida profissional na social também.
31




                            CONSIDERAÇÕES FINAIS




           Frente ao crescimento acelerado das novas tecnologias de comunicação e
informação, faz-se cada vez mais necessária a formação de leitores críticos que sejam capazes
de ler e compreender o que leem, para que possam compreender melhor o mundo e sua
própria realidade. É nessa condição que a sociedade contemporânea propõe aos educadores
um desafio: ajudar criança e adolescentes a desenvolverem suas potencialidades de leitura e
escrita numa ampliação de visão de mundo. Assim podemos afirmar que não basta apenas
saber que a leitura é importante no desenvolvimento do aprendizado, pois é preciso se fazer
valer essa certeza, nas salas de aula, com a prática docente que contenha atividades que
concretizem a importância do hábito de ler.
           Partindo do pressuposto que todo educador é conhecedor de que, quase todas as
crianças, tornam-se leitoras graças aos esforços da escola, e que tantas outras entram na
escola, com a expectativa de logo aprenderem a ler, é fundamental que essa tarefa não se
limite apenas à pura decodificação, mas se estenda ao entendimento e à compreensão do
código escrito, exaltando o verdadeiro valor da leitura. Sendo assim faz-se necessário que as
escolas reorganizem seus planejamentos e que os professores revejam e avaliem suas práticas,
em relação ao ensino da leitura, para que se construam leitores maduros, capazes de
compreenderem quaisquer tipos de textos; que sejam bons escritores, já que a leitura traz
vários benefícios e um deles é de garantir ao leitor maior facilidade para escrever; além de
enriquecer o vocabulário. Os PCN (1997, p.53), atribuem a finalidade da leitura, como: “O
trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e,
consequentemente, a formação de escritores”. Sendo assim, a leitura evidentemente é à base
do processo de aprendizagem do aluno, que, se bem instruído, dará grandes passos e
conquistará espaços importantes na sociedade e principalmente na sua vida, enquanto leitor.
            Pesquisar e estudar a respeito da prática do professor diante ao ensino da leitura
foi uma experiência interessante e significante, pois analisamos a postura do professor como
construtor de leitores, detectamos e refletimos sobre as principais dificuldades vivenciadas
pelos alunos da escola investigada. Tais dificuldades abriram possibilidades na realização do
trabalho monográfico.
32



             Com os procedimentos mencionados anteriormente, e com o referencial teórico
dessa monografia, queremos contribuir para a formação de bons leitores, sensibilizando os
professores de que essa formação depende de uma prática de interpretação de textos e de uma
constante atividade de leitura. E vale a pena argumentar que para se realizar um trabalho
significativo com a leitura o qual possa resultar em um leitor crítico, é preciso primeiramente,
ser um leitor crítico também, e demonstrar isso para seus alunos, através de seu exemplo de
bom leitor. Portanto, formar o leitor crítico é uma necessidade de se construir cidadãos
também críticos, para lutarem por seus espaços na sociedade e no mercado de trabalho, sendo
autônomos e realizando seus ofícios com eficiência.
             É preciso, também, preocuparmo-nos com a formação do professor no que
compete ao ensino da leitura, por entendermos que muitos desses profissionais não gostam de
ler e/ou não cultivam este hábito, no entanto não desenvolvem práticas de leituras eficientes
em suas salas de aulas, por isso é importante que o poder público não invista apenas em livros
didáticos; reformas escolares, mas, principalmente na qualificação dos educadores.
             Com base nas discussões feitas, destacamos que a participação da família no
processo de aprendizagem é indispensável para que haja o desenvolvimento esperado no
ensino, mas também cabe à escola ao professor refletir sobre seu papel, enquanto formador de
leitores críticos e atuantes na sociedade, pois ela é o espaço social privilegiado para a
realização das práticas de leitura e escrita, visando à participação dos cidadãos no mundo em
que vivem.
             Sendo assim, é preciso que os professores sejam competentes e comprometidos
nas tarefas de leitura que dão cumprimento, a fim de que possam estimular em seus alunos o
ato de ler e escrever, não apenas por fazerem parte de uma sociedade letrada, mas para levá-
los à compreensão sobre a importância destes mecanismos para a verdadeira aquisição do
saber, do total exercício de cidadania e da liberdade de expressão.
             Assim, desejamos que os estudos propostos nesta monografia abram novos
caminhos para o aprimoramento da prática pedagógica, que os professores possam repensar
suas práticas e sirva como estímulo transformador para os profissionais de educação.
33




                                    REFERÊNCIAS



ANTUNES, Irandé. Aula de Português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial,
2003.


BORDONI, Maria da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira de. Literatura: a formação do leitor:
Alternativas Metodológicas. 2ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.


CAGLIARI, Luis Carlos. Alfabetização e lingüística. 10. ed. São Paulo: Scipione, 2001.


FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 33 ed. São Paulo: Cortez, 1999.


GUEDES, Paulo Coimbra. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS: que
língua vamos ensinar? São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

GUEDES, Paulo Coimbra; SOUZA, Jane Mari de. Leitura e escrita são tarefas da escola e não só
do professor de português. In: NEVES, Iara Conceição Bitencourt; SOUZA, Jusamara Vieira. Ler
e escrever compromisso de todas as áreas (Orgs.) 6. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2004.


LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para leitura do mundo. 6 ed. São Paulo: Ática,
2002.

LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. A formação da leitura no Brasil. 3ed. São Paulo:
Ática, 1999.


LAVILLE, Christian; DIOMNE, Jean. A construção do saber: Manual de metodologia da
pesquisa em ciências humanas. 1.ed. Porto Alegre: Editora USNG, 1999.


PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Língua Portuguesa (1ª a 4ª série), Brasil
Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, v. 2,
1997.


PIETRI, de Èmerson. Práticas de leitura e elementos para a atuação docente. Rio de
Janeiro, Lucerna, 2007.
34




ANEXOS
35




Anexo 1. Questionário aplicado aos professores


Universidade do Estado da Bahia-UNEB
Departamento de Educação-Campus XIV
Aluna: Gleidiane Sione de Oliveira

QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO PARA REALIZAÇÃO DE
TRABALHO MONOGRÁFICO DE FINAL DE CURSO DA UNEB-
CAMPUS XIV

No decorrer da prática docente presenciamos vários alunos chegarem ao ensino médio com
grandes dificuldades para ler. A partir desse problema, como também dos estudos
desenvolvidos, a partir de alguns teóricos que discutem a prática de leitura, como um
elemento fundamental do conhecimento social na atualidade, que surgiu nosso interesse por
pesquisar o tema: Leitura. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), orientado pela
professora Cinira Félix Cardoso com o titulo: “A Prática Didático-Pedagógica do Professor
com Relação ao Ensino da Leitura”, tem como objetivo maior pesquisar sobre a prática do
professor diante ao ensino da leitura e para isso fez-se necessário questionar alguns
professores e alguns alunos, lembrando que os dados dos mesmos serão mantidos em sigilo e,
se quiserem não será preciso se identificar.
Este trabalho de pesquisa contribuirá com as discussões acerca dessa temática, em busca de
subsídios para aperfeiçoar a nossa prática pedagógica, como também a de todos os professores
comprometidos com a educação.

COLÉGIO ESTADUAL OSVALDO CRUZ

PROFESSOR (A): _______________________________________________________


 1. Como se processam as atividades de leitura em suas aulas? Com que frequência?
     _____________________________________________________________________
     _____________________________________________________________________
     _____________________________________________________________________
     _____________________________________________________________________
     _____________________________________________________________________
     _____________________________________________________________________
     _____________________________________________________________________

 2. Qual tipo de leitura que mais agrada seus alunos?
    _______________________________________________________________________
    _______________________________________________________________________
    _______________________________________________________________________
    _______________________________________________________________________
    _______________________________________________________________________
36



    _______________________________________________________________________
    _______________________________________________________________________

3. Em sua opinião, quais são as maiores dificuldades encontradas por eles no momento da
   leitura?

      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________

4. Qual sua contribuição, como educador, para o desenvolvimento da prática de leitura?
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________

   5. Quais são as outras atividades desenvolvidas juntamente com as atividades de leitura?
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________




 “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles
cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim não
                                     morre jamais.”

                                                                 Rubem Alves
37




Anexo 2. Questionários aplicados aos alunos


Universidade do Estado da Bahia-UNEB
Departamento de Educação- Campus XIV
Aluna: Gleidiane Sione de Oliveira


QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO PARA REALIZAÇÃO DE
TRABALHO MONOGRÁFICO DE FINAL DE CURSO DA UNEB-
CAMPUS XIV

        No decorrer da prática docente presenciamos vários alunos chegarem ao ensino médio
com grandes dificuldades para ler. A partir desse problema, como também dos estudos
desenvolvidos, a partir de alguns teóricos que discutem a prática de leitura como um elemento
fundamental do conhecimento social na atualidade, que surgiu nosso interesse por pesquisar o
tema: Leitura. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), orientado pela professora Cinira
Félix Cardoso com o titulo: “A Prática Didático-Pedagógica do Professor com Relação ao
Ensino da Leitura”, tem como objetivo maior pesquisar sobre a prática do professor diante ao
ensino da leitura e para isso fez-se necessário entrevistar alguns professores e alguns alunos,
lembrando que os dados dos mesmos serão mantidos em sigilo e, se quiserem não será preciso
se identificar.
        Este trabalho de pesquisa contribuirá com as discussões acerca dessa temática, em busca
de subsídios para aperfeiçoar a minha prática pedagógica, como também a de todos os professores
comprometidos com a educação.


COLÉGIO ESTADUAL OSVALDO CRUZ

ALUNO (A):____________________________________________________________

 1. Você faz leitura nas aulas de português? E em outras disciplinas? E em outros locais,
    além da escola?
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
      _____________________________________________________________________
38



2. Quais as dificuldades que você encontra, na prática da leitura?
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
3. Qual o tipo de leitura de que mais gosta?
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________

4. As leituras que você faz, ajudam você a solucionar seus problemas do dia-a-dia?
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________

5. Quando você faz atividades de leitura, você realiza outras atividades?
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________


                 “A leitura de mundo precede a leitura da palavra”

                                                  Paulo Freire

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A prática didático pedagógica do professor com relação ao ensino da leitura

  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS XIV COLEGIADO DE LETRAS GLEIDIANE SIONE DE OLIVEIRA A PRÁTICA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DO PROFESSOR COM RELAÇÃO AO ENSINO DA LEITURA Conceição do Coité 2011
  • 2. GLEIDIANE SIONE DE OLIVEIRA A PRÁTICA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DO PROFESSOR COM RELAÇÃO AO ENSINO DA LEITURA Trabalho monográfico apresentado ao Departamento de Educação - Campus XIV, UNEB, como requisito avaliativo do Componente Curricular TCC, do curso de Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas – Licenciatura para obtenção do grau de Licenciada. Orientadora Profa. Ms: Cinira Félix Cardoso. Conceição do Coité 2011
  • 3. Simplesmente ler Ler sempre. Ler muito. Ler “quase” tudo Ler com os olhos, os ouvidos, com o tato, pelos poros e demais sentidos. Ler com a razão e sensibilidade. Ler desejos, o tempo, o som do silêncio e do vento. Ler imagens, paisagens, viagens. Ler verdades e mentiras. Ler para obter informações, inquietações, dor e prazer. Ler o fracasso, o sucesso, o ilegível, o impensável, as entrelinhas. Ler na escola, em casa, no campo, a estrada, em qualquer lugar. Ler a vida e a morte. Saber ser leitor tendo o direito de saber ler. Ler simplesmente ler. (Edith Chacon Theodoro)
  • 4. Dedico essa obra, a todas educadores que exercem sua profissão, em busca da realização de um grande sonho, uma educação melhor.
  • 5. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pelo dom da vida e da sabedoria. Agradeço aos meus pais, por terem conduzido meus primeiros passos e terem me inserido no universo da educação. Ao meu filho, Luiz Felipe por ser minha eterna fonte de luz, coragem e inspiração. Ao meu esposo, Danilo pela compreensão da minha ausência durante minha caminhada acadêmica. Aos irmãos, tios em especial tio Normando, primos e amigos que escutam minhas aspirações, acreditam em meu potencial e torcem pela concretização de meus objetivos. A todos os meus professores da universidade pelo conhecimento passado e pelo saber transmitido, de modo especial aos professores Itana Nunes, Cinira Félix Cardoso e Deijair Ferreira pela paciência e dedicação ao serem meus orientadores. Aos meus colegas pelo bom convívio durante esses cinco anos de caminhada, de modo especial, Kelly, Mary, Bel e Jana pelo companheirismo. Aos professores e alunos que contribuíram com os questionários, enriquecendo assim meu trabalho. Aos meus alunos, com quem na disponibilidade de troca, tenho aprendido tanto, todos os dias. Enfim agradeço a todos que de uma forma ou de outra contribuíram para o desenvolvimento desse trabalho.
  • 6. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPITULO 1. HISTÓRIA DA LEITURA NO BRASIL 11 1.1 Conceito de Leitura 13 1.2 A postura do professor em relação ao ensino da Leitura 15 1.3 A contribuição da Leitura na formação crítica do aluno 17 CAPITULO 2. PASSOS METODOLÓGICOS 20 CAPITULO 3. ANÁLISE DE DADOS 22 3.1 Perfil da escola 22 3.2 Perfil dos professores 23 3.3 Perfil dos alunos 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS 31 REFERÊNCIAS 33 ANEXOS 34
  • 7. RESUMO Este trabalho se concretizou pela necessidade de conhecer a prática didático-pedagógica do professor em relação ao ensino da leitura, sabendo que o mesmo é uma ferramenta de fundamental importância no processo de ensino-aprendizagem de qualquer individuo. A partir da análise dos questionários aplicados a professores e alunos do Colégio Estadual “Osvaldo Cruz” sediado na cidade de Riachão do Jacuípe-Ba, constatou grande deficiência na prática da leitura. O objetivo desta monografia é avaliar a prática do professor diante do ensino da leitura, se o mesmo desenvolve atividades que despertam no aluno o desejo pelo ato de ler, bem como contribuir para que as práticas de leitura se transformem em atividades significativas e prazerosas. O método utilizado na concretização deste trabalho foi a pesquisa de campo de abordagem qualitativa, com a utilização de questionário para os professores e alunos, como instrumento de coleta de dados, além da pesquisa bibliográfica. Observamos, através dessa pesquisa, que o fracasso dos alunos, é percebível desde as séries iniciais até o ensino médio. Percebemos, ainda, que outros fatores contribuem para essa problemática, tais como: a falta de comprometimento dos gestores públicos em investimentos de recursos didáticos e a falta de estimulo por parte da família, não deixando de ressaltar que em muitos casos os pais são analfabetos. PALAVRAS-CHAVE: Leitura. Prática. Aprendizagem. Estímulo. Professor.
  • 8. SUMMARY This work was achieved by the need to meet the didactic and pedagogical teacher the teaching of reading, knowing that it is a crucial tool in the teaching-learning of any individual. From the analysis of questionnaires given to teachers and students from State College "Osvaldo Cruz" held in the city of Ba-Riachão Jacuípe, found major deficiencies in the practice of reading. The purpose of this monograph is to evaluate the practice of the teacher before the teaching of reading, if it develops in the student activities that trigger the desire for the act of reading as well as contribute to the reading practices become meaningful and enjoyable activities. The method used in achieving this work was the field research of qualitative approach, using a questionnaire for teachers and students as an instrument of data collection, in addition to the literature. Observed through this research that the failure of students, it is noticeable from the early grades through high school. We noticed also that other factors contribute to this problem, such as the lack of commitment of public investment in teaching resources and lack of encouragement from family, not forgetting to point out that in many cases the parents are illiterate. KEYWORDS: Reading. Practice. Learning. Stimulus. Teacher.
  • 9. 9 INTRODUÇÃO A linguagem é um instrumento de comunicação social que permite a interação entre os seus usuários em todas as camadas da sociedade. É por essa razão, que a leitura entra nesse universo da comunicação, vez que é uma grande ferramenta de informação entre os indivíduos da sociedade contemporânea. O interesse despertado pelo tema “leitura” veio das vivências em sala de aula, ao deparar muitas vezes com alunos do ensino médio com grandes dificuldades na prática da leitura; o desinteresse dos mesmos por essa atividade, e de estudos desenvolvidos no âmbito acadêmico a partir de alguns autores que discutem a leitura como parte fundamental do conhecimento social atual. Observamos, com frequência, que o fracasso que ocorre com os alunos, tanto nas séries iniciais como também nas séries subsequentes, decorre, não só por falta de estimulo da família, mas por “falhas” na prática docente. Mas não podemos negar que, além desses motivos existem outros fatores que contribuem para essa problemática, tais como: a falta de contato com materiais escritos, a situação econômica, o descaso dos gestores públicos, entre outros. A partir da constatação de que um grande número de alunos chega ao final do ensino fundamental com graves deficiências na leitura e na escrita, comprometemos, nessa pesquisa, em estudar o tema e apontar elementos para auxiliar a prática pedagógica dos educadores, bem como contribuir para tornar a prática docente mais eficaz e significativa, não só para os professores de língua de língua materna, mas para as outras disciplinas também, já que a leitura é uma atividade de todas as áreas. Dentro deste ponto de vista, propomos um estudo coerente dessa problemática visando alcançar os seguintes objetivos centrais: pesquisar sobre a prática pedagógica dos professores diante do ensino da leitura; como são desenvolvidas as atividades referentes à mesma, apontando possibilidades de transformações relevantes no cotidiano escolar; discutir sobre as dificuldades enfrentadas pelos alunos; bem como, contribuir de forma significativa para que mudanças há muito esperadas, se concretizem nas salas de aula, considerando o educador como principal agente e mediador nessa luta tão necessária na sociedade atual. Para desenvolver este trabalho, além das pesquisas bibliográficas, priorizamos os questionários feitos para professores e alunos, fazendo um levantamento, a princípio, das
  • 10. 10 fundamentações teóricas dos críticos que tratam do assunto pesquisado tais como: Zilberman(1999), Kleiman (2007), Freire (1999), assim como também nas diretrizes dos PCN, entre outros. Os questionários foram feitos no intuito de descobrirmos como está sendo a prática didático-pedagógica do professor, com relação ao ensino da leitura na escola. Trata- se de uma pesquisa qualitativa que tem como procedimento o estudo de caso. Os questionários aplicados com os professores tiveram como objetivo maior conhecer o processo de ensino da leitura, com os dos alunos buscou descobrir quais são os maiores obstáculos encontrados pelos mesmos no momento da leitura; quais os tipos de textos que mais os atraem e se leem em outros ambientes além da escola. Este trabalho monográfico será estruturado em três capítulos, sendo o primeiro a Fundamentação Teórica, contendo os seguintes itens: A História da Leitura no Brasil, O Conceito de Leitura, A Postura do Professor em Relação ao Ensino de Leitura e concluímos esse capitulo fazendo uma análise sobre A Contribuição da Leitura na Formação Crítica do Aluno; no segundo, apresentaremos a Metodologia utilizada no decorrer dessa pesquisa e, no terceiro capítulo mostraremos a Análise de Dados e os resultados obtidos no final desse estudo. Finalmente, apresentaremos as Considerações Finais, legitimando nosso trabalho de investigação. Assim, esperamos que reflexões aqui contidas possam servir de contribuição para os profissionais da educação no intuito de melhorarem suas práticas, no que tange ao ensino- aprendizagem da leitura e da escrita.
  • 11. 11 CAPITULO 1. A HISTÓRIA DA LEITURA NO BRASIL Este capítulo aborda, os principais elementos, para o desenvolvimento da prática da leitura no âmbito escolar, primeiro é preciso que se conheça o conceito de leitura, ter consciência de que a leitura é uma atividade universal e de grande relevância no campo da informação, em seguida, fazer uma análise da postura do professor em relação ao ensino da leitura. Será que este, está exercendo uma prática coerente para tal função? Como está sendo sua representação de leitor? E por fim ter em mente a importância da leitura para a formação crítica do aluno para assim conscientizá-lo e despertar no mesmo o desejo pelo ato de ler. A sociedade brasileira no momento enfrenta grandes problemas no campo da educação, mas vale ressaltar que este não é um problema recente, pois desde o início da história da educação, existem grandes desafios; alguns já vencidos, graças a algumas lutas travadas por professores e por todos que se mobilizam pela causa e sonham com uma educação de qualidade. O momento é mais que oportuno para refletir sobre esses problemas da educação, o porquê desse fracasso escolar, dessa evasão nas salas de aula e o que é mais grave, porque o aluno tem tantas dificuldades diante da prática da leitura e o que faz do Brasil um país de poucos leitores, talvez esses problemas sejam frutos da forma com foi e como é estruturada a educação no Brasil, que valor foi atribuído a leitura? Não falamos em Leitura, sem fazer uma retrospectiva, sem retomarmos o passado da História da Educação no Brasil, período em que a educação, a leitura era um privilégio de poucos, pois apenas os mais favorecidos, a classe dominante, ou seja, a sociedade elitizada da época é que tinha acesso, a essa prática e à política educacional desorganizada e desagregada dos interesses da população e que durou por muitos anos. Só mais tarde é que a população foi favorecida, graças ao processo de urbanização, porque, com o surgimento das indústrias, surgem novas ações que favorecerão o processo educacional. A história da leitura no Brasil é marcada por descaso e abnegação do poder público. Só, depois de mais de 300 anos, após a chegada dos portugueses, é que se dá início a uma atividade que favorece uma população leitora no Brasil, como nos afirmam Lajolo e Zilberman:
  • 12. 12 Só por volta de 1840 o Brasil do Rio de Janeiro, sede da monarquia, passa a exibir alguns traços necessários para formação e fortalecimento de uma sociedade leitora: estavam presentes os mecanismos mínimos para a produção e circulação da leitura, como tipografias, livrarias e bibliotecas; a escolarização era precária, mas manifestava-se o movimento visando à melhoria do sistema; O capitalismo ensaiava seus primeiros passos graças à expansão da cafeicultura e dos interesses econômicos britânicos, que queriam um mercado cativo, mas em constante progresso (1999, p. 18). Com essas informações, identificamos um dos fatores que favorece o fracasso escolar em nosso país. Somos herdeiros de um passado em que o descaso à educação era grande e a circulação e produção da leitura eram precárias, pois direcionavam apenas os interesses do sistema capitalista, que exigia profissionais mais qualificados e para isso se fazia necessário a prática da leitura e da escrita, organizadas pelo sistema educacional de ensino. Essa carência da leitura foi uma realidade que prosseguiu durante toda história do país, pois ainda hoje o Brasil é um país de poucos leitores, se comparado a outros países. Mas não vedamos nossos olhos e fechamos nossas mentes, para reconhecermos que, com o passar do tempo, muita coisa mudou, através de lutas travadas; pois a democratização da escola passa a ser um fato consumado e a leitura recebe cada vez mais novas adaptações, e mesmo assim reconhecemos que ainda há muito a ser feito, pois, infelizmente, a leitura não atingiu a toda população, como afirma Lajolo: Numa sociedade como a nossa, em que a divisão de bens de renda e de lucros é tão desigual, não se estranha que desigualdade similar presida também a distribuição de bens culturais, já que a participação em boa parte destes últimos é mediada pela leitura, habilidade que não está ao alcance de todos, nem mesmo de todos aqueles que foram à escola. (1999, p.106). Este fato lamentável se dá pela desigualdade social que se faz presente em nosso país, o que reflete em uma má distribuição dos bens materiais e culturais, tornando a leitura uma atividade de poucos, pois, até mesmo aqueles que frequentam a escola, não têm a leitura como uma prática constante; reforçando, assim, a exclusão dos mesmos do magnífico mundo das letras. Há tempos, o contato com a leitura estava ligado a questões de política e poder, tanto que só uma pequena parte da sociedade tinha oportunidade de ir à escola, de aprender a ler e a escrever. Contudo, com o passar do tempo, por meio de muita luta, é conquistada a democratização do saber e, em consequência, o ingresso às instituições de ensino passa a ser uma realidade para a população brasileira, porém não significa que todos os brasileiros com idade escolar estejam frequentando a escola, e que todos tenham a mesma qualidade de
  • 13. 13 ensino, de recursos e materiais escolares. Bordini e Aguiar, (1993), afirmam que a escola logo cedo traiu seu objetivo inicial, e talvez essa traição ocorresse pelo fato da escola ter sido criação da burguesia. Neste contexto, a escola servia como meio de dominação da elite sobre os menos favorecidos, e, como consequência, surge um grande número de analfabetos, porém, com o passar do tempo, os fatos se modificaram e para o bem da sociedade, a leitura passa a ter uma função social. E assim a leitura se concretiza e por meio das lutas um dia chegará ao pódio, enfim será uma atividade de lazer, socialização e conscientização de todos os povos, independente de cor, classe, ou função social. 1.1 Conceito de leitura A leitura tem sido ao longo do tempo, fonte de pesquisa para estudiosos, e preocupação para pais, educadores e para todos aqueles em que acreditam que essa seja uma atividade essencial, que deve fazer parte do dia-a-dia das pessoas. A leitura, com certeza, é um dos maiores meios de comunicação do cidadão, é por meio dela que se tem acesso a inúmeras informações, socializa-se e interage com o mundo. É uma atividade que se faz presente em todas as instituições educacionais, tendo início na alfabetização e percorrendo por todo nível de escolaridade. Sabemos que, em nosso país, a escola é a principal instituição responsável pelo ensino da leitura, e que desenvolve o aprendizado do aluno, o que não significa que a leitura seja apenas uma prática escolar, e sim, uma prática escolarizada; ou seja, uma pessoa mesmo tendo aprendido a ler na escola, pode e deve exercer a prática da leitura, em outros ambientes, como afirma Pietri: Como discutido, a leitura não é uma prática escolar, mas uma prática escolarizada. As práticas de leitura podem se desenvolver independentemente da escola, ainda que a escola seja, numa sociedade como a nossa, a principal instituição responsável pelo seu ensino (2007, p. 33). A partir dessas informações, fica claro que a leitura é uma atividade universal e que não se restringe a um ambiente específico, mas acontece de muitos alunos não terem essa
  • 14. 14 percepção, e acreditam que só se deve ler na escola, ou para uma atividade que lhe é destinada, e só leem se o professor mandar. E de quem será a culpa dessa atitude? Do aluno, da sociedade, do professor da família? Com certeza, todos têm uma parcela de culpa, e não procuraremos o responsável, vez que na família, também a criança deverá ser incentivada a desenvolver o hábito da leitura. Mas, já que a leitura faz parte das atividades curriculares da escola e cabe à mesma, ao professor, não só ensinar a decodificar as palavras, mas também conscientizar seus alunos sobre a importância da leitura em seu crescimento pessoal; por isso se faz necessário que a mesma seja uma atividade constante em suas vidas. A escola por sua vez deve atentar que muitos dos alunos não têm uma base familiar boa, sendo a escola o único ambiente capaz de socializá-los conscientizando-o sobre essas questões. A escola disponibilizará para seus alunos materiais de qualidade, para que se sintam motivados, e não atribuam à leitura a sensação de estarem lendo por obrigação e sim, por diversão, por entretenimento. Os PCN afirmam que: Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se defrontam, é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. Principalmente quando os alunos não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos leitores, quando não participam de práticas onde ler é indispensável, a escola deve oferecer materiais de qualidade, modelos de leitores proficientes e práticas de leituras eficientes (1997, p. 55). Esse pensamento deixa claro, a importância da escola selecionar materiais qualificados para o desenvolvimento da prática da leitura e desenvolver projetos, que conscientize seus alunos a respeito da importância da leitura, para o desenvolvimento psicossocial, e principalmente desperte o desejo pelo ato de ler, e para isso se faz necessário que os mesmos testemunhem exemplos, de bons leitores dentro do ambiente escolar, é nesse momento que a imagem do professor entra com grande referência, já que o melhor ensinamento é o bom exemplo, pois, de nada adianta um bom discurso em sala de aula, se o professor não pratica a leitura com frequência. Sendo assim, a leitura trabalhada em sala de aula, dará sentido ao mundo dos alunos, a seus desejos e a suas vivências, caso contrário, será apenas mais uma tarefa obrigatória do Currículo Escolar que provocará desencanto frente a um livro sugerido, para descontração e lazer. A constituição de sujeitos leitores torna-se eficaz, no intuito de aproximar valores culturais, voltados para a confirmação da cidadania que o mesmo, deve exercer.
  • 15. 15 1.2 A postura do professor em relação ao ensino da leitura A dificuldade que as pessoas têm de adquirir o hábito da leitura é muito grande, e esta é uma situação que se faz presente em toda sociedade. Frequentemente vemos alunos do ensino médio, ou até mesmo do ensino superior, com bastantes dificuldades para lerem. Muitos “não sabem ler,” utilizamos este termo no sentido de ler e não conseguir compreender o que leu. Diante deste fato lamentoso, questionamos o porquê? Qual a causa desse fracasso na leitura? Será que o problema está na base desse aluno? Será que os professores das séries iniciais utilizaram em suas práticas, atividades que estimulassem a leitura, no momento em que inseriram a mesma na vida estudantil desse aluno? Vários questionamentos nos levam a pensar que o problema estará na prática didático-pedagógica dos professores, principalmente os das séries iniciais, que têm uma responsabilidade maior e que exige mais cuidado, pois é, nas séries iniciais, que se constrói o leitor; por isso, não basta ensinar apenas a decodificar as palavras e sim a, compreender o significado da mensagem transmitida pelo texto. Os PCN afirmam que é preciso quebrar alguns conceitos atribuídos à leitura, e um deles é o de que a leitura seja apenas a decodificação das palavras. É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons, sendo a compreensão consequência natural dessa ação. Por conta desta concepção equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de “leitores” capazes de decodificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler. (PCN, 1997, p.55). Esse é o desafio da educação que as escolas precisam superar, para que os alunos atinjam um grau de maior desenvoltura, descubram o magnífico mundo das letras, conhecendo o segredo da leitura que os leva ao universo de aventuras e fantasias, assim como ao mundo real. É essencial que o aluno atinja esse grau, para que mais adiante possa ser um leitor, um cidadão crítico e atuante na sociedade em que está inserido. Desenvolver o hábito da leitura no aluno é muito importante, pois a mesma proporciona a conscientização do indivíduo.
  • 16. 16 Sabemos que a leitura na escola tem chamado à atenção de pais, educadores e estudiosos que acreditam ser uma necessidade fundamental, despertar no aluno o desejo pela mesma, pois é o meio por que cada indivíduo se desenvolve individualmente e, nas condições, em contato com os campos do conhecimento. É no âmbito escolar, que se inicia a formação do leitor, tendo como mediador neste processo, o professor que, por sua vez, tornou-se o principal orientador na transmissão do conhecimento diversificado. Na escola, fala-se muito sobre a importância da leitura, dos vários benefícios que a mesma é capaz de proporcionar aos alunos e da capacidade de conscientização e criticidade, mas a preocupação agora é a seguinte: Será que a Escola está trabalhando corretamente as questões relevantes e referentes ao ensino da leitura? Será que o professor leva para sala de aula materiais que contribuem para a formação do leitor crítico e reflexivo? São questões como essas que devem ser manifestadas, a fim de oferecerem novos suportes para o ensino de leitura nas escolas. Partindo desse principio, vemos a urgência de se apresentar para os alunos uma leitura que norteie seu posicionamento e que seja capaz de torná-los leitores que compreendam a essência do texto, estabelecendo relações com seu conhecimento prévio, conhecimento que será reconhecido e valorizado pelo professor, porém o que acontece, muitas vezes, é o seguinte: o professor não considera e não dá importância à experiência pessoal do aluno, para a construção do sentido; desencorajando, assim, o desenvolvimento da criticidade, como diz Freire em seu livro A importância do ato de ler. A leitura de mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desde não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura critica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto (1999, p. 11). Assim como respeitar as experiências dos estudantes, é concebível também a postura do professor de executar sua prática pedagógica, utilizando o lúdico e a criatividade; a fim de estimular o aluno para uma reflexão a respeito da leitura, vendo-a não só como um objeto de dever, mas também lazer. É necessário também que o professor conscientize seus alunos a respeito de que a leitura não serve apenas para o aprendizado, mas, para se comunicar ampliar seus horizontes em relação ao mundo e às questões sociais. Configura-se,
  • 17. 17 então, como uma necessidade básica na vida de cada um e que será produtiva, para enriquecer as relações interpessoais dentro do seu grupo, ou até mesmo no mercado de trabalho. Formar um leitor crítico não é uma tarefa fácil; entretanto, fica claro que se trata de uma necessidade extremamente significativa e decisiva para a formação do aluno, como leitor; por isso faz-se necessário empreender algumas mudanças na postura do professor, quando o assunto for ensino de leitura; pois o professor planeja suas aulas, dando às atividades de leitura a mesma importância que às demais, já que a leitura contribui não só para a formação intelectual do individuo, mas para a formação moral e cultural; sendo um conhecimento de base para todos os outros que venha a adquirir ao longo de sua vida; além de servir também de entretenimento e prazer. Portanto, cabe a família, à escola e ao professor a função de ensinar esse tipo de leitura sob estes paradigmas. Compete ao professor, também, ensinar seus alunos não só utilizando a teoria, mas, também a prática, demonstrando seu exemplo de bom leitor, já que um leitor em construção necessita de bons referenciais de leitores assíduos. Comprovamos nossa afirmação com o seguinte trecho, retirado dos PCN: Organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia. Para os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura, que não conhecem o valor que possui, é fundamental ver seu professor envolvido com a leitura e com o que se conquista por meio dela. Ver alguém seduzido pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também (1997, p. 58). Portanto formar leitores é algo que requer inovações na prática pedagógica, atribuindo condições favoráveis para a prática de leitura, que não podem ser restritas, apenas ao uso do livro didático; pois, na verdade, o uso que se faz dos demais materiais impressos, dos demais gêneros textuais, é um grande aliado para o desenvolvimento da prática e do gosto pelo ato de ler. 1.3 A contribuição da leitura na formação crítica do aluno Para um cidadão exercer seus direitos e deveres e, ao mesmo tempo, ser um sujeito crítico e atuante, na sociedade, precisa saber ler, escrever e interpretar o que leu e escreveu; esses são os principais elementos exigidos pela sociedade contemporânea que marcada pela globalização e os avanços tecnológicos, aumenta, cada vez mais, as cobranças, pois necessita urgentemente de uma população leitora. A leitura nunca foi tão essencial e
  • 18. 18 presente na vida das pessoas, como nos dias atuais, e tida como uma função social é vista hoje, como um suporte que alicerça a personalidade do indivíduo. Mas a importância à prática da leitura não será atribuída, apenas para satisfazer as exigências da sociedade, pois vale ressaltar que a mesma é o meio por que o aluno cresce intelectualmente, desenvolvendo e aguçando seu posicionamento político diante do mundo e quanto mais consciência o sujeito tiver desse processo, mais liberdade terá sua leitura, desenvolvendo desta forma sua criticidade; assim vale ressaltar as reflexões de Antunes em relação à leitura crítica. A leitura se torna plena quando o leitor chega à interpretação dos aspectos ideológicos do texto, das concepções que, às vezes sutilmente, estão embutidas nas entrelinhas. O ideal é que o aluno consiga perceber que nenhum texto é neutro, que por trás das palavras mais simples, das afirmações mais triviais, existe uma visão de mundo, um modo de ver as coisas, uma crença. (ANTUNES 2003, p. 81-82). Dessa maneira, afirmamos que o leitor levará em consideração seus conhecimentos prévios que serão suporte para o entendimento dos aspectos sócio-político- ideológicos. Visto que é, através da leitura, que o aluno consegue sua maior liberdade, a de expressão, tornando-se um sujeito crítico e quebrando qualquer tipo de imposição por parte da sociedade, cobrando e questionando os direitos que a sociedade, muitas vezes, oculta, pois a leitura, sendo uma prática constante é capaz de desenvolver habilidades que possibilitem ao aluno um posicionamento crítico, frente ao texto e ao seu meio social. E o que é mais importante, o mesmo toma essa iniciativa, por conta própria; já que a leitura lhe dá condições para isso, pois na leitura não há uma interferência direta, vez que o leitor, a partir de suas leituras, reflete e chega a um pensamento próprio. Neste contexto, a leitura é vista como um processo em que olhamos e entendemos o que foi escrito, ou seja, compreendemos o que o texto quer dizer; mas é importante ressaltar que, para cada leitor há uma interpretação diferente, assim concluiremos que, por de trás de cada leitor, há um escritor; pois, a partir de cada leitura, o texto é reconstruído. Sendo assim, a compreensão será o foco principal do processo ensino/aprendizagem na escola, a partir dos diferentes gêneros textuais. Nesta análise, faz-se necessário uma leitura reflexiva por parte dos alunos, para que compreendam as diversidades textuais que circulam a sua volta. Podemos comprovar essa afirmação nos PCN.
  • 19. 19 Uma prática constante de leitura na escola pressupõe o trabalho com a diversidade de objetivos, modalidades e textos que caracterizam as práticas de leitura de fato. Diferentes objetivos exigem diferentes textos e, cada qual, por sua vez, exige uma modalidade de leitura. Há textos que podem ser lidos apenas por partes, buscando-se a informação necessária; outros precisam ser lidos exaustivamente e várias vezes (1997, p. 57). Sendo assim, as diversidades textuais exigem do leitor uma postura crítica, no sentido de que os objetivos da leitura sejam pautados na busca de estratégias de interpretações diferentes, tornando o ato de ler uma atividade significativa, em que o texto lido requer uma análise interativa entre o texto e contexto, buscando relacionar as informações contidas no texto com suas experiências de leituras anteriores e seu conhecimento de mundo. Para a formação do leitor crítico, é preciso rever alguns conceitos atribuídos ao ensino de leitura, um deles é o de que ler seja apenas a decifração dos sinais gráficos. Faz-se necessário também a presença de professores capacitados e habilitados para tal função, é fundamental que o professor conheça as limitações de seus alunos, para assim lhe propor atividades instigantes e desafiadoras que provoquem nos mesmos reestruturações de conhecimentos prévios, despertando-lhe o interesse pela leitura do mundo, partindo, assim para leitura da palavra. Precisa-se de professores que desenvolvam o gosto pela leitura, não só com o seu discurso em sala de aula, mas com o exemplo de bom leitor. É importante, para o trabalho com a leitura que se utilize estratégias, as quais oportunizem aos alunos adquirirem certa familiaridade para abordar o texto, adquirindo intimidade com o escrito e criando maneiras individuais e confortáveis de entrar em contato com a leitura e adquirir o sentido do que leu, e para isso se faz necessário um bom planejamento e principalmente, coerente com a realidade do aluno leitor. Pois, é muito mais estimulante para aluno, uma leitura que esteja próxima de suas experiências vividas. Nos próximos capítulos apresentaremos dados mais detalhados sobre o ensino da leitura, como está sendo a prática docente e qual o valor que os alunos atribuem à leitura e consequentemente descobrirmos que tipos de leitores estão sendo formados.
  • 20. 20 CAPÍTULO 2. PASSOS METODOLÓGICOS Para que uma pesquisa alcance resultados positivos, e obtenha seus devidos fins precisa ser organizada dentro de certos parâmetros de uma metodologia que traça um caminho a ser percorrido. Dessa forma, para o desenvolvimento do tema de estudo, optamos por usar como instrumento de coleta de dados um questionário para colhermos informações dos professores e dos alunos de duas séries diferentes 8º e 9º anos, dos turnos: matutino e vespertino, do Colégio Estadual “Osvaldo Cruz”, sediado no município de Riachão do Jacuípe. A nossa intensão era em trabalharmos com entrevista oral, mas, por falta de disponibilidade de tempo para realizar a entrevista com os professores, optamos, como instrumento de coleta de dados, por um questionário. Os questionários foram entregues aos professores e alunos na referida escola, alguns professores devolveram no mesmo dia, outros devolveram alguns dias depois, já os alunos todos devolveram no mesmo dia. A escolha da escola se deu pela acessibilidade ao espaço, porque é o local de trabalho da pesquisadora. Os questionários foram aplicados com seis alunos e seis professores. Escolhemos trabalhar com questionários, por questão de facilidade e acessibilidade, mas, ressaltamos que este não é um método muito aconselhável entre os teóricos de metodologia, pois acreditam que essa fórmula de coleta de dados, não é tão fiel quanto à entrevista, por exemplo; vez que a entrevista é um ato mais espontâneo, ao passo que as respostas do questionário não têm muita credibilidade, porque as pessoas têm mais tempo para responderem, o que lhes possibilita darem uma resposta não tão fiel. Comprovamos esse pensamento com o fragmento a seguir: De fato, nem sempre é possível que esse pesquisador julgue conhecimentos do interrogado e o valor das respostas fornecidas: um interrogado pode escolher uma resposta sem realmente ter opinião, simplesmente porque ele sente-se compelido a fazê-lo ou não quer confessar sua ignorância. Ou então, tendo uma consciência limitada de seus valores e preconceitos, fornecerá respostas bastante afastadas da realidade. (LAVILLE, 1999, p.185).
  • 21. 21 Assim confirmamos, o nosso pensamento anteriormente citado, de que as respostas dadas ao questionário pode não corresponder com a prática do professor, que é interrogado. Para uma melhor apreensão das informações coletadas, faremos a análise, a partir das respostas fornecidas pelos alunos e professores, seguindo a ordem em que estas ocorrerem. Aplicamos um questionário, com cinco perguntas para seis professores: quatro de língua portuguesa e dois de outras disciplinas, a saber: um de História e um de Geografia. As perguntas versaram sobre a realização efetiva do processo de leitura. Em relação aos alunos, também, abordamos a prática da leitura, que nos interessa para a confirmação da investigação. É válido ressaltar que os nomes dos entrevistados não aparecerão na pesquisa, mostrando-se apenas as iniciais dos seus nomes para manter o sigilo, como também, identificados através das siglas PR para professor e AL para os alunos, sendo que os respectivos professores também virão identificados pelos nomes das disciplinas que atuam. Os dados coletados serão estudados e analisados no próximo capítulo desta monografia. Para melhor discorrer sobre o tema, também realizamos um trabalho de pesquisa bibliográfica, a partir do referencial teórico de alguns autores, como: Antunes (2003), Freire (1999), Guedes (2006), Lajolo, (2002), Pietri (2007), Bordoni (1993), dentre outros; cujo objeto de estudo é o ensino da Leitura. Assim, acreditamos que os dados coletados, através dos questionários, como também o suporte teórico citado acima, tiveram grande relevância para a realização desse estudo, que esperamos contribuir, para que educadores repensem suas práticas e aperfeiçoem suas atividades de leitura e escrita, nas respectivas realidades.
  • 22. 22 CAPÍTULO 3. ANÁLISE DE DADOS A referida análise apresenta os resultados e as reflexões decorrentes de um estudo sobre “A Prática Didático-Pedagógica do Professor, com relação ao Ensino da Leitura”, efetuado no Munícipio de Riachão do Jacuípe. Na intenção de se confirmarem as relações existentes entre os dados obtidos, com o propósito de realização do estudo, buscamos a análise e interpretação dos dados coletados, através dos questionários aplicados aos professores e alunos, para verificação de um resultado significativo e relevante, para a conclusão da pesquisa. Ao fazermos a análise de dados, dividimos os elementos estudados em três categorias e foram elas: Perfil da escola, Perfil do professor e Perfil do aluno. 3.1 Perfil da escola Sabemos que a escola hoje é tida como a principal instituição responsável pelo processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, uma vez que é nela que o individuo começa a dar seus primeiros passos no caminho do letramento e, por fim se tornará um cidadão crítico e participativo. A escola é a responsável pela qualidade e quantidade de produção desses dois processos. CAGLIARI, 2001, afirma que: “Tudo o que se ensina na escola está diretamente ligado à leitura e depende dela para se manter e se desenvolver. A leitura é a realização do objeto da escrita. Quem escreve, escreve para ser lido. O objeto da escrita [...] é a leitura”. A partir desse pressuposto, escolhemos como objeto de estudo para a realização desse trabalho, o Colégio Estadual “Osvaldo Cruz”, situado na praça Theodomiro Rodrigues Mascarenhas, s/n, centro na cidade de Riachão do Jacuípe, Bahia. A mesma foi a primeira escola pública do Município, tendo 60 anos de existência e sua estrutura física é de médio porte. É composta de nove salas de aula, algumas bem arejadas; uma sala de professores ; uma secretaria; uma sala para direção; uma biblioteca em que possui um acervo razoável; um laboratório de informática; uma quadra poliesportiva; uma grande área de recreação; uma
  • 23. 23 cozinha com depósito para merenda e um almoxarifado. A escola funciona nos turnos: matutino, vespertino e noturno, e oferece o curso de Ensino Fundamental II regular, cursos de Aceleração: I e II além do Ensino Médio, algumas turmas do EJA. Possui uma diretora, uma vice-diretora, um quadro de vinte e nove professores, sendo que apenas dezessete são efetivos, dois porteiros, uma merendeira, cinco zeladoras, cinco secretárias, dois digitadores e novecentos e vinte alunos, sendo que a maioria é da zona urbana. Para um bom desenvolvimento da leitura, é importante que a escola, tenha uma estrutura adequada para isso, com uma biblioteca de qualidade, com acervo e horário a disponibilidade dos alunos. E nesse requisito a biblioteca do Colégio Estadual “Osvaldo Cruz” deixa a desejar, pois um dos maiores problemas que encontramos na escola está na biblioteca, por ser parte essencial à formação leitora de uma escola, ela apresenta falhas por não ter um funcionário capacitado para tal função, no entanto fica muito tempo fechada, o que muitas vezes dificulta as atividades relacionadas aos momentos de leitura, nesse espaço de aprendizagem ao qual os alunos tem direito. Há falhas também no sistema de cadastro, pois ainda vigora o sistema de anotações em cadernos, o que não dá muita segurança aos livros emprestados. Diante do exposto, é importante pensar que mesmo encontrando escolas públicas em situações adversas, torna-se necessário encará-las como um espaço que possibilita ao aluno a apropriação do saber historicamente construído, pois ela é a grande responsável pelas habilidades leitoras e produtoras, as quais constituem tarefas indispensáveis na formação do discente. 3.2 Perfil dos professores Com o desenvolvimento acelerado da sociedade, aumentam cada vez mais as exigências por parte da mesma; em virtude disso, os professores, mais do que qualquer profissional, precisam ser adeptos, informados e atualizados com essas evoluções sociais, para que direcionem seus alunos-leitores; futuros cidadãos que atuarão nessa sociedade, cada vez mais carente, de indivíduos críticos e participativos. E é neste intuito que o professor desempenha um papel fundamental no desenvolvimento intelectual e comportamental de seus alunos, uma vez que os mesmos se espelham nos exemplos de seus professores, e para isso precisam mostrar sua postura de bons leitores. Assim, o professor se comprometerá a
  • 24. 24 redimensionar sua prática pedagógica e a se atualizar para obter melhores resultados no ensino-aprendizagem da leitura e da escrita. É com essa consciência que os professores do Colégio Estadual “Osvaldo Cruz”, especificamente os do 8º e 9º anos, supõe se que estão preparados para exercerem sua prática docente, pois todos são graduados e alguns tem um curso de pós-graduação. Como já foi mencionado no capítulo anterior, esse estudo foi realizado com seis professores, quatro de Língua Portuguesa, um de História e outro de Geografia. Escolhemos essas disciplinas, por acreditarmos que, por serem disciplinas mais teóricas, têm a possibilidade de conduzir os alunos à atividade de leitura, mas, isso não significa que as demais estejam impossibilitadas de realizar atividades de leitura. Observamos que a maior preocupação dos professores da escola em questão é tornar a leitura, cada vez mais, acessível aos seus alunos, pois acreditam que é através da mesma que, os alunos expandem seus conhecimentos, assimilam e resignificam informações. Comprovamos essa situação através de um fragmento do PR 01. PR 01 (História) Acredito que antes de qualquer assunto das disciplinas ou intensões das aulas, o objetivo do educador é sempre tornar a leitura acessível aos estudantes. É com a leitura que eles descobrem coisas e resignificam informações. Essas palavras são pertencentes à resposta do professor de História dada à quarta questão do questionário, em que foi feita a seguinte pergunta: Qual sua contribuição, como educador, para o desenvolvimento da prática de leitura? Observamos que o professor em questão acredita que o objetivo de qualquer educador, é tornar a leitura acessível aos seus alunos, independente da disciplina em que atuam. No decorrer da analise de dados, foi possível notarmos claramente que as respostas dos alunos correspondem às dos professores, uma vez que a maioria dos alunos afirmou ter dificuldade na compreensão das leituras que fazem. Os professores responderam o mesmo, afirmando que os maiores obstáculos enfrentados por seus alunos, é a dificuldade de interpretação. Comprovamos esse fato com fragmentos de alguns professores:
  • 25. 25 PR 01 (História) A dificuldade de compreensão de certos termos e expressões; a ligação do texto ao assunto; e a distancia de alguns temas envolto ao texto, mas que não são discutidos, aparecem paralelos ao tema principal. (M. J. O. S) PR 02 (Geografia) Nas minhas aulas que chama atenção e procuro diversificar as minhas atividades a leitura é prazerosa para alguns e com bastante dificuldades para outros, por não compreenderem o que leem. Devemos estimular bastante o educando para a civilização do mundo moderno com boa leitura para que tenhamos bons interpretadores de mundo. (A. L. B) PR 03 (Português) As dificuldades encontradas são: fazer eles lerem ou interpretarem uns por vergonha outros por não gostar de ler. (A. N. C. M. F) PR 04 (Português) Eles têm dificuldades para relacionar os textos com suas leituras de mundo, as vezes chegam a dizer que um determinado texto não têm nenhum valor para sua vida, escolar nem social. (M. I. S. A) PR 05 (Português) Acredito que as moires dificuldades encontradas pelos alunos no momento da leitura é conseguirem ler nas entrelinhas, pois a grande parte deles tiveram uma alfabetização defitária, na qual não desenvolveram uma boa prática de leitura e escrita. Mas quero salientar que os culpados não são os professores das séries iniciais, mas também a negligencia da família e a falta de comprometimento dos gestores públicos em investir em melhores recursos didáticos. (L. L. L) Ao analisarmos a resposta do professor de Geografia observamos que tem referência com um pensamento de Freire, em que diz o seguinte: “A leitura de mundo precede a leitura da palavra” (1997, p. 11). Segundo as informações dos professores entrevistados, notamos que os alunos têm dificuldade para relacionarem os textos lidos em sala de aula, com os assuntos trabalhados pelos mesmos, e que um fator que dificulta bastante o desenvolvimento da leitura é: a vergonha e a falta de gosto pela mesma, e que, um dos principais motivadores desse quadro é falta de compromisso por parte da família em incentivar e conscientizar seus filhos a respeito da importância da leitura em suas vidas, outro fator que contribui bastante, segundo os professores, é o descaso do poder público para a melhoria na educação.
  • 26. 26 Além desses motivos, que favorecem as deficiências leitoras e produtoras no âmbito escolar, encontramos outro fator, que, é o pensamento equivocado de que a responsabilidade de ensinar o aluno a ler e escrever é responsabilidade apenas do professor de Língua Portuguesa, sendo que o compromisso de promover essas práticas é responsabilidade da escola e de qualquer professor independentemente de qualquer disciplina que atue. Confirmamos com o trecho a seguir. Ler e escrever são tarefas da escola, questões para todas as áreas, uma vez que são habilidades indispensáveis para formação de um estudante, que é responsabilidade da escola. Ensinar é dar condições ao aluno para que ele se aproprie do conhecimento historicamente construído e se insira nessa construção como produtor do conhecimento. Ensinar é ensinar a ler para que o aluno se torne capaz dessa apropriação, pois o conhecimento acumulado está escrito em livros, revistas, jornais, relatórios, arquivos (GUEDES e SOUZA, 2004, p. 15). Dessa forma, ensinar a ler e a escrever é alfabetizar, é levar o aluno a possessão do código escrito, é perceber que o aluno pode conquistar esses mecanismos de aprendizagem em qualquer disciplina e não necessariamente ou exclusivamente nas aulas de Língua Portuguesa. Um trabalho que utilize uma diversidade de gêneros textuais, portanto uma prática pedagógica a ser desenvolvida por toda e qualquer disciplina. Então, é inegável ao papel de um bom educador a preocupação com o processo de aprendizagem dos alunos. Porém, um resultado satisfatório no que se refere à leitura e à escrita requer uma formação persistida dos profissionais que atuam com o ensino da língua, a fim de que possam, no ensino da leitura e da escrita, idealizar seus alunos como sujeitos atuantes, como cidadãos capazes de transformarem a sociedade em que vivem. Segundo os professores entrevistados, os mesmos são movidos pela esperança de mudar a realidade da educação brasileira, e que o maior interesse é buscar possíveis soluções para as deficiências que envolvam a leitura e a escrita dos seus alunos, pois acreditam que, muitas vezes, não há sucesso na aquisição dos conhecimentos necessários em suas disciplinas devido às dificuldades encontradas pelos alunos no momento de lerem, escreverem e interpretarem os assuntos propostos. Temos como exemplo um fragmento do PR 06. PR 06 (Português) Incentivo meus alunos a lerem e conscientizo-os a respeito da importância da leitura em suas vidas. Pois acredito que haverá uma evolução na educação, que chegaremos a um tempo que os bons leitores não serão tão escassos. Essa esperança que encoraja minha caminhada. (G. S. O)
  • 27. 27 A partir desse relato do PR 06, constatamos de fato que apesar das dificuldades encontradas no desenvolvimento da leitura, os educadores persistem nessa luta para mudar tal situação, pois são empenhados com a profissão de educar. Para tentar suprir essas deficiências, os professores, compartilham suas experiências e buscam o máximo de capacitação para aperfeiçoar sua prática, através de cursos oferecidos pelos órgãos competentes. Notamos através das respostas, dadas pelos professores, que as leituras que mais agradam seus alunos, são as leituras que mais se aproximam da realidade, o que tem muita lógica, pois, é muito mais prazerosa a leitura que se assemelham as suas vivências, torna-se muito importante a pratica do professor conhecer a realidade dos seus alunos, para assim trabalhar com textos que se aproximem dessa realidade. Comprovamos com fragmentos do PR 03 e o PR 05. PR 03 (Português) A leitura que eles mais gostam é de contos onde a narrativa mostra histórias com fatos reais ou imaginários. (A. N. C. M. F) PR 05 (Português) Leituras que mais se aproximam da realidade dos alunos, geralmente são vistos com mais prazer e interesse pelos mesmos, e os textos e os textos que possuem tom humorísticos e narram histórias de amor. (L. L. L) Outro elemento que atraem a leitura aos alunos é a curiosidade, grande ferramenta do conhecimento, pois é através da mesma que muitas vezes o aluno é movido a se debruçar nos livros. Os professores de Geografia e História afirmaram que a leituras que mais agradam seus alunos são aquelas que lhes despertam curiosidade, talvez essas sejam as disciplinas que mais despertam curiosidade nos alunos, por serem as que mais trabalham com o estudo do passado. Observamos as respostas dos PR 01 e 02. PR 01(História) As leituras que revelam informações curiosas e surpreendentes. Alguns textos suscita o conhecimento do assunto; outras trazem itens valiosos dentro do próprio assunto em debate. E os estudantes gostam mais desses últimos, supostamente, por despertarem mais curiosidade. (M. J. O. S)
  • 28. 28 PR 02 (Geografia) Informativa. Principalmente através de gráficos, mapas, experiências, enfim tudo que lhe chama atenção e curiosidade. (A. L. B) É claro notarmos certa distância, entre as respostas de um professor para outro, pois cada um responde dentro das necessidades das suas respectivas disciplinas, mas, é notório que há em todas elas a possibilidade de trabalhar com a leitura. É justamente essa variedade que compõe o conjunto de conhecimentos necessário para que aluno atinja um grau de maior desenvoltura e criticidade, não deixando de ressaltar a interdisciplinaridade entre elas, que possibilita o relacionar seus conhecimentos e descobrir o valor de cada disciplina, não só para sua vida estudantil, mas, para sua vida social. Portanto, é inegável a qualquer educador que presa sua profissão, a preocupação com o processo de aprendizagem dos seus alunos. Porém, um resultado satisfatório no que se refere ao ensino de leitura requer uma formação continuada dos profissionais que atuam com o ensino da língua, a fim de que possam, no ensino da leitura, conceber seus alunos como sujeitos atuantes, como cidadãos ativos capazes de revolucionar a sociedade em que vivem. 3.3 Perfil dos alunos A partir dos questionários aplicados aos alunos do 7º e 8º ano, da referida escola, observamos que todos os alunos afirmaram que leem em outras disciplinas, além da de português, e que pratica, essa atividade em outros espaços, além da escola; o que nos faz pensar que aquele pensamento equivocado citado acima estar perdendo a força. Os mesmos afirmaram também que os principais obstáculos que encontram na prática da leitura, é a dificuldade de interpretação que se torna mais difícil, quando encontram termos estrangeiros, ou desconhecidos de seus vocabulários. Comprovamos com as respostas dos alunos entrevistados: AL 01 (8º ano) Sim, sim em geografia, ciências, história e cidadania. Sim na internet, livros, revistas, jornais e quando eu passo pelas ruas eu vejo lojas, supermercados leio as promoções e tudo o que eu vejo eu quero ler. (J. da S. L). AL 02 (8º ano) Sim, sim as faço em várias disciplinas. E também faço em casa, na biblioteca, em quanto viajo, na igreja, em livrarias etc. (M. L. C. C. G).
  • 29. 29 AL 03 (8º ano) Faço leitura em todas as disciplinas exceto matemática. Também faço leitura em casa, na biblioteca da cidade e viajando para outros locais. (K. dos S. L). AL 04 (7º ano) Sim eu faço leitura nas aulas de português, mas normalmente em outras disciplinas não são praticada muitas leituras. E em curso em que eu faço são praticada a leitura. (C. A. de B). AL 05 (7º ano) Sim. Sim. Sim, pois eu acho que ao ler você tem uma sensação de “liberdade” ela lhe espira deixando mais “livre”. (L. G. A. L) AL 06 (7º ano) Faço leitura nas aulas de português, em outras disciplinas e em outros locais além da escola. (T. P. dos S). AL 01 (8º ano) A dificuldade que eu tenho na prática da leitura é quando eu estou lendo um texto e vejo uma palavra inglês ou grande que tenha vários significados. (J. da S. L). AL 02 (8º ano) Algumas palavras que não conheço mas é sempre bom aprender novas palavras por isso eu não me importo muito. (M. L. C. C.). AL 03 (8ºano) Palavras difíceis de interpretar, não saber onde parou, que personagem está falando e quando acontece isso volto tudo de novo para entender melhor. (K. dos S. L). AL 04 (7º ano) A única dificuldade na pratica da leitura que eu encontro é a falta de interesse do meu interesse jovem. (C. A. B). AL 05 (7º ano) Minhas piores dificuldades são a interpretação, sinônimos, uso das aspas (“ “), etc. (L. G. A. L). AL 06 (7º ano) Nenhuma (T. P. dos S). As respostas dadas pelos alunos nos faz pensar que a dificuldade de interpretação, pode ser consequência da falta de conhecimento prévio dos mesmos, para com os textos
  • 30. 30 trabalhados em sala de aula, ou das atividades pedagógicas relacionadas à leitura. Assim faz- se necessário, sempre que possível o professor trabalhar com textos próximos da realidade do aluno, facilitando assim seu entendimento. Pietri afirma que: A compreensão do texto, portanto, é possível graças aos conhecimentos prévios que o leitor possui e a interação desses conhecimentos no momento da leitura. Essa interação se torna mais evidente quando, ao lermos um texto, nos deparamos com uma palavra desconhecida. Nesse momento, há pelo menos duas opções: ou o deixamos de lado e vamos procurar em outros lugares o significado da palavra (...), ou continuamos a lê-lo e tentamos, com base nas demais informações que o texto apresenta, elaborar hipóteses sobre o significado daquela palavra. (2007, p. 21). A partir das respostas dadas pelos alunos, percebemos que a maioria deles tem problemas referentes à prática da leitura e que eles não conseguem atingir o ponto almejado pelos professores que é a aquisição da leitura e da escrita convencional. Muitos sofrem com o problema de interpretação, não conseguem entender aquilo que está nas entrelinhas de um texto nem ter uma visão do mundo através do ato de ler, não conseguem contextualizar as leituras que fazem que seja a aspiração maior dos professores, uma vez que todos querem que seus alunos consigam ler bem e de maneira ampla, interpretando imagens e decodificando palavras. Assim, buscando acabar com esses problemas, ou pelo menos diminuí-los muitos educadores buscam aperfeiçoamento, tentando, assim, melhorar a realidade educacional de seus alunos, mas para isso acontecer é necessário um trabalho educativo de qualidade já que algumas crianças acabam saindo do ensino fundamental sem saber ler e escrever. Comprovamos que os alunos 01 e 02, afirmaram passar por essa dificuldade. É importante ressaltar a maturidade do aluno 02, ao afirmar que os termos desconhecidos, não são barreiras que lhes impeçam a ler, e consegue enxergar o beneficio que traz as palavras novas ao seu vocabulário. Nem todos os alunos têm essa percepção, em alguns casos, esse problema chega ser um bloqueio, ao desenvolvimento da leitura. Diante do exposto, acreditamos que esse trabalho de pesquisa, possa contribuir para a necessidade de se investir na formação dos discentes, não apenas transformando-os em bons leitores, mas em seres pensantes, construtores de visões de mundo, novos cidadãos, críticos, participativos e livres, tendo êxito não só na sua vida profissional na social também.
  • 31. 31 CONSIDERAÇÕES FINAIS Frente ao crescimento acelerado das novas tecnologias de comunicação e informação, faz-se cada vez mais necessária a formação de leitores críticos que sejam capazes de ler e compreender o que leem, para que possam compreender melhor o mundo e sua própria realidade. É nessa condição que a sociedade contemporânea propõe aos educadores um desafio: ajudar criança e adolescentes a desenvolverem suas potencialidades de leitura e escrita numa ampliação de visão de mundo. Assim podemos afirmar que não basta apenas saber que a leitura é importante no desenvolvimento do aprendizado, pois é preciso se fazer valer essa certeza, nas salas de aula, com a prática docente que contenha atividades que concretizem a importância do hábito de ler. Partindo do pressuposto que todo educador é conhecedor de que, quase todas as crianças, tornam-se leitoras graças aos esforços da escola, e que tantas outras entram na escola, com a expectativa de logo aprenderem a ler, é fundamental que essa tarefa não se limite apenas à pura decodificação, mas se estenda ao entendimento e à compreensão do código escrito, exaltando o verdadeiro valor da leitura. Sendo assim faz-se necessário que as escolas reorganizem seus planejamentos e que os professores revejam e avaliem suas práticas, em relação ao ensino da leitura, para que se construam leitores maduros, capazes de compreenderem quaisquer tipos de textos; que sejam bons escritores, já que a leitura traz vários benefícios e um deles é de garantir ao leitor maior facilidade para escrever; além de enriquecer o vocabulário. Os PCN (1997, p.53), atribuem a finalidade da leitura, como: “O trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e, consequentemente, a formação de escritores”. Sendo assim, a leitura evidentemente é à base do processo de aprendizagem do aluno, que, se bem instruído, dará grandes passos e conquistará espaços importantes na sociedade e principalmente na sua vida, enquanto leitor. Pesquisar e estudar a respeito da prática do professor diante ao ensino da leitura foi uma experiência interessante e significante, pois analisamos a postura do professor como construtor de leitores, detectamos e refletimos sobre as principais dificuldades vivenciadas pelos alunos da escola investigada. Tais dificuldades abriram possibilidades na realização do trabalho monográfico.
  • 32. 32 Com os procedimentos mencionados anteriormente, e com o referencial teórico dessa monografia, queremos contribuir para a formação de bons leitores, sensibilizando os professores de que essa formação depende de uma prática de interpretação de textos e de uma constante atividade de leitura. E vale a pena argumentar que para se realizar um trabalho significativo com a leitura o qual possa resultar em um leitor crítico, é preciso primeiramente, ser um leitor crítico também, e demonstrar isso para seus alunos, através de seu exemplo de bom leitor. Portanto, formar o leitor crítico é uma necessidade de se construir cidadãos também críticos, para lutarem por seus espaços na sociedade e no mercado de trabalho, sendo autônomos e realizando seus ofícios com eficiência. É preciso, também, preocuparmo-nos com a formação do professor no que compete ao ensino da leitura, por entendermos que muitos desses profissionais não gostam de ler e/ou não cultivam este hábito, no entanto não desenvolvem práticas de leituras eficientes em suas salas de aulas, por isso é importante que o poder público não invista apenas em livros didáticos; reformas escolares, mas, principalmente na qualificação dos educadores. Com base nas discussões feitas, destacamos que a participação da família no processo de aprendizagem é indispensável para que haja o desenvolvimento esperado no ensino, mas também cabe à escola ao professor refletir sobre seu papel, enquanto formador de leitores críticos e atuantes na sociedade, pois ela é o espaço social privilegiado para a realização das práticas de leitura e escrita, visando à participação dos cidadãos no mundo em que vivem. Sendo assim, é preciso que os professores sejam competentes e comprometidos nas tarefas de leitura que dão cumprimento, a fim de que possam estimular em seus alunos o ato de ler e escrever, não apenas por fazerem parte de uma sociedade letrada, mas para levá- los à compreensão sobre a importância destes mecanismos para a verdadeira aquisição do saber, do total exercício de cidadania e da liberdade de expressão. Assim, desejamos que os estudos propostos nesta monografia abram novos caminhos para o aprimoramento da prática pedagógica, que os professores possam repensar suas práticas e sirva como estímulo transformador para os profissionais de educação.
  • 33. 33 REFERÊNCIAS ANTUNES, Irandé. Aula de Português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003. BORDONI, Maria da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira de. Literatura: a formação do leitor: Alternativas Metodológicas. 2ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993. CAGLIARI, Luis Carlos. Alfabetização e lingüística. 10. ed. São Paulo: Scipione, 2001. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 33 ed. São Paulo: Cortez, 1999. GUEDES, Paulo Coimbra. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS: que língua vamos ensinar? São Paulo: Parábola Editorial, 2006. GUEDES, Paulo Coimbra; SOUZA, Jane Mari de. Leitura e escrita são tarefas da escola e não só do professor de português. In: NEVES, Iara Conceição Bitencourt; SOUZA, Jusamara Vieira. Ler e escrever compromisso de todas as áreas (Orgs.) 6. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2004. LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para leitura do mundo. 6 ed. São Paulo: Ática, 2002. LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. A formação da leitura no Brasil. 3ed. São Paulo: Ática, 1999. LAVILLE, Christian; DIOMNE, Jean. A construção do saber: Manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. 1.ed. Porto Alegre: Editora USNG, 1999. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Língua Portuguesa (1ª a 4ª série), Brasil Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, v. 2, 1997. PIETRI, de Èmerson. Práticas de leitura e elementos para a atuação docente. Rio de Janeiro, Lucerna, 2007.
  • 35. 35 Anexo 1. Questionário aplicado aos professores Universidade do Estado da Bahia-UNEB Departamento de Educação-Campus XIV Aluna: Gleidiane Sione de Oliveira QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO PARA REALIZAÇÃO DE TRABALHO MONOGRÁFICO DE FINAL DE CURSO DA UNEB- CAMPUS XIV No decorrer da prática docente presenciamos vários alunos chegarem ao ensino médio com grandes dificuldades para ler. A partir desse problema, como também dos estudos desenvolvidos, a partir de alguns teóricos que discutem a prática de leitura, como um elemento fundamental do conhecimento social na atualidade, que surgiu nosso interesse por pesquisar o tema: Leitura. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), orientado pela professora Cinira Félix Cardoso com o titulo: “A Prática Didático-Pedagógica do Professor com Relação ao Ensino da Leitura”, tem como objetivo maior pesquisar sobre a prática do professor diante ao ensino da leitura e para isso fez-se necessário questionar alguns professores e alguns alunos, lembrando que os dados dos mesmos serão mantidos em sigilo e, se quiserem não será preciso se identificar. Este trabalho de pesquisa contribuirá com as discussões acerca dessa temática, em busca de subsídios para aperfeiçoar a nossa prática pedagógica, como também a de todos os professores comprometidos com a educação. COLÉGIO ESTADUAL OSVALDO CRUZ PROFESSOR (A): _______________________________________________________ 1. Como se processam as atividades de leitura em suas aulas? Com que frequência? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 2. Qual tipo de leitura que mais agrada seus alunos? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________
  • 36. 36 _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 3. Em sua opinião, quais são as maiores dificuldades encontradas por eles no momento da leitura? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 4. Qual sua contribuição, como educador, para o desenvolvimento da prática de leitura? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 5. Quais são as outras atividades desenvolvidas juntamente com as atividades de leitura? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim não morre jamais.” Rubem Alves
  • 37. 37 Anexo 2. Questionários aplicados aos alunos Universidade do Estado da Bahia-UNEB Departamento de Educação- Campus XIV Aluna: Gleidiane Sione de Oliveira QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO PARA REALIZAÇÃO DE TRABALHO MONOGRÁFICO DE FINAL DE CURSO DA UNEB- CAMPUS XIV No decorrer da prática docente presenciamos vários alunos chegarem ao ensino médio com grandes dificuldades para ler. A partir desse problema, como também dos estudos desenvolvidos, a partir de alguns teóricos que discutem a prática de leitura como um elemento fundamental do conhecimento social na atualidade, que surgiu nosso interesse por pesquisar o tema: Leitura. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), orientado pela professora Cinira Félix Cardoso com o titulo: “A Prática Didático-Pedagógica do Professor com Relação ao Ensino da Leitura”, tem como objetivo maior pesquisar sobre a prática do professor diante ao ensino da leitura e para isso fez-se necessário entrevistar alguns professores e alguns alunos, lembrando que os dados dos mesmos serão mantidos em sigilo e, se quiserem não será preciso se identificar. Este trabalho de pesquisa contribuirá com as discussões acerca dessa temática, em busca de subsídios para aperfeiçoar a minha prática pedagógica, como também a de todos os professores comprometidos com a educação. COLÉGIO ESTADUAL OSVALDO CRUZ ALUNO (A):____________________________________________________________ 1. Você faz leitura nas aulas de português? E em outras disciplinas? E em outros locais, além da escola? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________
  • 38. 38 2. Quais as dificuldades que você encontra, na prática da leitura? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 3. Qual o tipo de leitura de que mais gosta? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 4. As leituras que você faz, ajudam você a solucionar seus problemas do dia-a-dia? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 5. Quando você faz atividades de leitura, você realiza outras atividades? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ “A leitura de mundo precede a leitura da palavra” Paulo Freire