O Estudo da Bíblia e a Pós-Modernidade

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Palestra ministrada no I Aprofundamento Bíblico realizado na Igreja Batista Vida em Vitória da Conquista, Bahia.

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O Estudo da Bíblia e a Pós-Modernidade

  1. 1. O ESTUDO DA BÍBLIA E A PÓS-MODERNIDADE<br />Por Zwinglio Rodrigues<br />
  2. 2. “Conhecedores da Época”<br />“[...] dos filhos de Issacar, conhecedores da época, para saberem o que Israel devia fazer, duzentos chefes e todos os seus irmãos sob suas ordens.” 1º Cr 12:32<br />
  3. 3. PÓS-MODERNIDADE<br />“Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenha tempo de se solidificar como verdades [...] agora todas as coisas tendem a permanecer em fluxo,voláteis, desreguladas, flexíveis.”<br />ZygmuntBauman<br />
  4. 4. Características da Pós-Modernidade<br /><ul><li> Mudanças múltiplas: política, arte, ciência, economia, literatura, educação , relações humanas, etc.
  5. 5. Não é o abandono da Modernidade.</li></ul>**Existem ‘diferenças’, mas a Pós-Modernidade carrega a Modernidade.<br /> ** Na Era Moderna há a inversão do pólo transcendental para o terreno.<br />**Na Modernidade destaca-seacrença na razão e no progresso.<br /> **No século XX, a Razão começa a perder a razão e o progresso é posto em dúvida diante das grandes guerras, estragos ambientais e atrocidades.<br />
  6. 6. <ul><li>As “certezas” se diluem.
  7. 7. Ninguém sabe dizer para onde caminha sociedade.
  8. 8. Nas relações humanas, os vínculos devem ser rasos e múltiplos.</li></ul>“Substituímos os poucos relacionamentos profundos por uma profusão de contatos poucos consistentes e superficiais.”<br />Bauman<br /><ul><li>O amor tem prazo de validade.</li></ul>“A definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda [...] Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de “fazer amor”.<br />idem<br />
  9. 9. <ul><li>Tolerância: A supressão do ponto de vista pessoal sobre questões como religião, sexo e política, por exemplo.</li></ul>“A tolerância é a virtude do homem sem convicção.”<br />G.K.Chesterton<br /><ul><li> Relativismo: Não se pode julgar conceitos morais e religiosos, pois todos são válidos</li></li></ul><li>LEITURA E INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA E PÓS-MODERNIDADE<br />
  10. 10. “No bojo das relativizações da pós-modernidade encontramos propostas hermenêuticas que relativizam o sentido de um determinado texto. A partir da aplicação de uma hermenêutica filosófica e de teorias lingüísticas, os teóricos pós-modernos afirmam ser impossível o acesso ao sentido original do texto bíblico. Nesse sentido, temos, por exemplo, a filosofia hermenêutica de Hans George Gadamer. Este autor propunha que o sentido de um determinado texto torna-se sentido de fato quando da interação entre o leitor, o texto e o seu contexto. É a readerresponse (reação do leitor) que conta no processo interpretativo. Este tipo de abordagem transforma um determinado texto em um depósito de significados. Dada a incompletude do texto, o leitor o desconstrói trazendo à tona o seu – do leitor – significado.” <br />Zwinglio Rodrigues<br />
  11. 11. Hans Georg Gadamer<br />Reader<br />Response<br />=<br />Reação<br />do<br /> Leitor<br />
  12. 12. Deslocamento do Sentido<br />
  13. 13. E. D. Hirsch(1928 - )<br />Educador, crítico literário e professor da Universidade de Virgínia, EUA. Autor do livroValidityInterpretation[Validade em Interpretação].<br />
  14. 14. “Quando os críticos baniram o primitivo autor, eles próprios usurparam-lhe o lugar (como quem determina o significado), e isto levou infalivelmente a algumas das confusões teoréticas da época presente. Onde antes havia tão-só um autor (um determinante do significado), surgiu agora uma multiplicidade deles, cada qual trazendo consigo tanta autoridade quanto o seguinte. Banir o primitivo autor como o determinador do significado era rejeitar o único princípio normativo obrigatório que poderia emprestar validade a uma interpretação... Porque se o significado de um texto não é o do autor, então não há interpretação que possa corresponder ao significado do texto, uma vez que o texto não pode ter significado determinado ou determinável.” (HIRSCH apud VIRKLER, 1995, p. 16).<br /> <br />
  15. 15. Exegese<br />Termo oriundo do grego ex, “para fora”, e agein, “guiar<br />VERSUS<br />Palavra grega derivada de eis, “para dentro”, e egeestahi, “explicar”<br />Eisegese<br />
  16. 16. Um Exemplo<br />“O Maior Pecado Contra a Ceia”<br />Gênesis 14:18-20<br />&<br />1ª Coríntios 11:23-29<br />
  17. 17. Recuperação da Intenção Autoral<br />Interpretação Orientada Para o Leitor<br />Interpretação Orientada Para o Autor<br />Não podemos mais recuperar a intenção do autor, especialmente quanto aos textos antigos;<br />Não podemos saber o que estava na mente do autor, seus sentimentos, planos e intenções;<br />Há uma grande distância cultural e histórica.<br />O alvo não é o processo mental e nem os planos do autor envolvidos no processo da escrita;<br />A intenção autoral está no texto [análise contextual geral e imediata];<br />Informações sobre o autor, seu contexto histórico, circunstâncias auxiliam na compreensão do seu propósito... Porém é o texto quem determinará sua intenção.<br />
  18. 18. Sobre Significado e Significação<br /><ul><li>Significado</li></ul>“É a mensagem que o autor pretende transmitir por meio do texto. Interpretação é a busca por significado, isto é, pela mensagem pretendida pelo autor.”<br />Vanhoozer<br /><ul><li> Significação</li></ul>“Inclui todas as diversas formas pelas quais um texto pode ser lido e aplicado para além da intenção do autor.”<br />Dockery<br />
  19. 19. Um Exemplo<br />Salmo 23:1<br />
  20. 20. “Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado [significações], quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.”<br />Augustus Nicodemus Lopes<br />
  21. 21. Conclusão<br />“O pós-modernismo tem como estigma o total niilismo. No entanto, é impossível que esta atmosfera niilista na qual está chafurdada a sociedade atual resista ao poder transformador do Evangelho. “<br />Zwinglio Rodrigues<br />
  22. 22. Referências<br />BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido. RJ: Zahar, 2004.<br />_________ Identidade. RJ: Zahar, 2005.<br />DOCKERY, David S. Hermenêutica Contemporânea. SP: Vida, 2005.<br />LOPES, Augusto Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. SP: Cultura Cristã, 2004.<br />VANHOOZER, Kevin. Há um Significado Neste Texto? SP: Vida, 2005.<br />VIRKLER, Henry A. Hermenêutica. SP: Vida, 1995.<br />

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