Monografia a igreja na pós

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Monografia a igreja na pós

  1. 1. A IGREJA NA PÓS-MODERNIDADEEsta monografia é dedicada com muito amor e carinho à minha amada esposa Janice, quesempre me apoiou e incentivou a estudar. Minha linda filha Camily, meus pais e todos osdiscípulos da Igreja Batista Paz e Vida.AGRADECIMENTOSQuero primeiramente agradecer a Deus por ter me abençoado abrindo as portas para estudar epor colocar pessoas em meu caminho que muito me ajudaram: à minha irmã Margarete quedurante certo período de tempo investiu em meu ministério. Agradeço à FATES onde fiz doisanos de meu curso de bacharel em teologia. Agradeço ao STEB onde concluí o curso.Agradeço em geral a todas as pessoas que oraram por mim, que sempre acreditaram no meuchamado e apoiaram o meu ministério.RESUMOO presente trabalho “Igreja na pós-modernidade” visa mostrar ao leitor os perigos que rondamas igrejas evangélicas do Brasil na atualidade. Mostra também as oportunidades que a pós-modernidade oferece para a pregação do evangelho. No decorrer da monografia muitasquestões são levantadas, por exemplo: Como a Igreja pode ser relevante no mundo pós-moderno, sem cair numa espécie de secularismo? A Igreja tem alguma resposta ao homempós-moderno? Quais são os desafios que a igreja tem de enfrentar nesse inicio de século?Como criar um ambiente acolhedor e interessante para os jovens sem perder a essência doevangelho? Qual deve ser a conduta do pastor diante dos novos desafios? Estas sãoperguntas que o autor procura responder no desenvolvimento do trabalho. Ele usa umalinguagem clara, simples e direta sem muitos rodeios, sempre procurando caminhar de formaobjetiva. O autor não se reserva apenas a criticar a mentalidade do mundo pós-moderno, bemcomo a criticar a acomodação da igreja a esta nova maneira de pensar. Mas ele mostrasoluções para a igreja ser triunfante. Certamente que esse estudo pode ser um bom guia parase formar um fórum de debate entre acadêmicos de teologia e professores, entre pastores elíderes e entre os membros da igreja de forma geral, pois o assunto abordado nesse trabalhoganha importância à medida que o tempo vai passando.SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO........................................................................................102. O CIDADÃO PÓS-MODERNO...............................................................122.1. A mentalidade do cidadão pós-moderno...............................................132.2. Características do pós-modernismo que mais nos afetam...................153. DESAFIOS DA IGREJA NA PÓS-MODERNIDADE...............................193.1. Como pregar o evangelho numa sociedade pós-moderna?.................203.2. Igreja moderna: o desafio das crises ....................................................214. SOLUÇÕES PARA A IGREJA NA PÓS-MODERNIDADE.....................265. CONCLUSÃO.........................................................................................356. REFERÊNCIAS......................................................................................37
  2. 2. 1. INTRODUÇÃOComo a Igreja pode ser relevante no mundo pós-moderno sem cair numa espécie desecularismo? Qual deve se a postura adotada pela nova geração de pastores que estão selevantando? A Igreja tem alguma resposta ao homem pós-moderno? A resposta para estasperguntas não são simples de serem respondidas. Há muitas questões em jogo. São vários osdesafios a serem enfrentados.Os objetivos no desenvolvimento do tema é identificar quais são esses desafios, as crisesgeradas na cabeça dos cristãos, e as complexidades do homem pós-moderno. Nodesenvolvimento também se procura apontar as possíveis soluções para a igreja ser saudávelem um mundo que está cada vez mais distante do criador.O capítulo um trata das dificuldades que a igreja sempre enfrentou até chegar à era pós-moderna, a nova mentalidade que esta se formando principalmente na cabeça dos mais jovense como somos afetados por esta nova maneira de pensar.O capítulo dois aponta os desafios que os crentes têm de enfrentar para não se corromperfrente às muitas dificuldades diante de si. Como pregar o evangelho para uma sociedade cadavez mais fechada? Também procura mostrar as várias crises que isto tem gerado no seiofamiliar, na sociedade e até mesmo dentro da igreja.O terceiro e último capítulo faz alguns apontamentos de possíveis soluções para a igrejapenetrar na vida cada vez mais privada do cidadão pós-moderno. Mostra igualmente a posturaque os lideres das igrejas precisam ter diante dos vários modismos lançados e ditados pelamídia.A razão de se fazer uma monografia sobre a igreja na pós-modernidade é por se tratar de umassunto de suma importância primeiramente para os pastores e líderes. O pastor evangélicosente na pele diariamente o desafio de pastorear na pós-modernidade. Sabe também de pertoo que é lidar com o homem pós–moderno e suas complexidades. Em segundo lugar, a razãodeste trabalho é porque ele se justifica por tratar-se de um tema da atualidade com granderelevância para os evangélicos de modo geral e até mesmo pessoas de outros gruposreligiosos. O mundo vive um momento de grandes transformações e a igreja precisa estudá-lopara entendê-lo. Daí a importância desse estudo.2. O CIDADÃO PÓS-MODERNOA igreja do Senhor Jesus desde a sua fundação no século I até a atualidade vem enfrentandomuitos desafios para sobreviver. Em determinados momentos, parecia que ela seria esmagadapelo adversário de tão grande que eram as dificuldades.No século primeiro, por exemplo, os cristãos eram perseguidos, presos e muitos foram mortos.Tiago, um dos apóstolos da igreja, morreu ao fio da espada. Estevão, um dos sete diáconos, foiapedrejado sem misericórdia alguma. Pedro, Paulo e tantos outros cristãos foram mártires. Sercrente nunca foi uma tarefa muito fácil.O próprio Jesus, nunca prometeu que as coisas seriam fáceis. “Tenho-vos dito isto, para queem mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo16.33).Ele disse também que seriamos perseguidos, injuriados por causa do seu nome. “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o malcontra vós por minha causa” (Mt 5.11).É verdade que a igreja nunca teve sossego e ninguém deve se iludir pensando que é possívelviver o céu aqui na terra. O descanso da igreja será apenas quando chegar ao céu. Aqui naterra a igreja esta ainda militando, batalhando, lutando. Mas ninguém precisa desanimar. OSenhor disse: “edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt16. 18).
  3. 3. Talvez o primeiro século tenha sido a época de maior tribulação que a igreja já enfrentou. Noentanto, uma coisa é certa e todos concordam, foi a melhor fase da igreja espiritualmente. Aspessoas viviam a fé no Cristo ressurreto intensamente, mesmo sendo ameaçados pela prisão eaté mesmo pela morte não retrocederam. É impressionante o nível de unção derramado sobreaquele povo. Eles com alegria buscavam o Senhor de todo coração, tinham comunhão unscom os outros e falavam e mostravam o amor de Deus por onde passava (At 2.46).No século XX, já na era moderna, a civilização teve muitos progressos, principalmente noocidente. Mas com o progresso, a tecnologia e a informatização, vieram também novosproblemas. No campo religioso, a igreja teve de enfrentar o racionalismo, o materialismo e umacrescente onda de ateísmo. Isto obrigou a igreja a rever a sua apologética diante de novosobstáculos. Hoje, olhando para trás, vemos que aquelas dificuldades já não representammaiores perigos, podemos dizer seguramente que são desafios ultrapassados (GAMA FILHO,2004, p. 34).Porém foi no final do século XX que se iniciou uma nova era, como destaca Coelho Filho:Em 1989 o mundo foi sacudido de maneira como poucas vezes o fora anteriormente. Caiu omuro de Berlim. Poucas pessoas entenderam que não era apenas um evento, mas uma novaera na história da humanidade (2002, p. 12).Há algumas controvérsias quanto ao comentário citado acima. Alguns pensam que a pós-modernidade iniciou bem antes da queda do muro de Berlim. A questão maior é que todos ospensadores concordam no fato de que estamos na pós-modernidade.2.1 A mentalidade do cidadão pós-modernoNecessitamos saber agora como o mundo pensa e qual é a sua perspectiva de vida, parapoder comunicar o evangelho de modo eficiente. A mensagem nunca muda, ela é a mesma. Oapostolo Paulo disse que quem apresentar outro evangelho além do que ele apresentou sejamaldito (Gl 1.8,9). Isso não significa que os métodos tenham que ser os mesmos de sempre.Método é algo flexivo, ele muda de acordo com o tempo, cultura e de acordo com as pessoasque a igreja queira alcançar. O próprio Jesus se contextualizou com a cultura das pessoas parase comunicar eficientemente. Quando ele falava com pescadores usava uma linguagemcomum aos pescadores, usando figuras de linguagem relacionadas ao peixe, às redes e aomar. Quando estava com agricultores falava em sementes, campos prontos para a ceifa, arado,etc. Também sabia falar no nível dos mestres e doutores, como no caso de Nicodemos que eraconsiderado príncipe em Israel. Para cada tipo de pessoa Jesus sabia entrar e sair. Esta foi arazão do seu sucesso entre as pessoas, principalmente entre as mais pobres e humildes.Jesus não é apenas o salvador que morreu na cruz por nossos pecados. Ele é tambémexemplo, modelo e padrão de vida a seguir e os pregadores da atualidade precisam seguir oexemplo de Jesus, estudando as pessoas para comunicar a mensagem da cruz com eficiência.Porque querendo aceitar ou não, vivemos em um mundo novo, um mundo pós-moderno e comele o desafio de entender suas mudanças e como essas mudanças influenciam as pessoas noseu modo de pensar, sentir e agir. Cabe à igreja compreender estas mudanças para que elapossa assim contextualizar o seu modo de levar a mensagem de Deus.Pós-modernidade não é apenas mais um modismo. É uma atitude cultural assumida por umgrupo cada vez maior de pessoas, nas mais diversas áreas da vida humana. É uma mudançade hábitos que está a sepultar aquilo que conhecemos e praticamos. Um conjunto novo devalores na música, na literatura, na arte, nos filmes, nas novelas, no modo de vestir e no tratocom as pessoas. Portanto, pós-modernismo é o nome aplicado às mudanças ocorridas nasciências, nas artes e nas sociedades avançadas (COELHO FILHO).Já o pastor Alberto Pereira define a pós-modernidade da seguinte maneira:Pós-modernidade é uma atitude intelectual que se expressa numa série de procedimentosculturais que recusa os ideais, crítica ao modernismo e aos princípios e valores que constituemo suporte da cultura ocidental moderna. É uma época que está emergindo, substituindo aquelaem que estamos inseridos, moldando cada vez mais a nossa sociedade (2004, p. 1).
  4. 4. As mudanças que vem ocorrendo na sociedade é algo completamente novo. O mundo tem seafastado cada vez mais de Deus. O pecado tem se espalhado e multiplicado de maneiraavassaladora. No entanto, para o apostolo Paulo não era nenhuma novidade. O texto proféticode Paulo em (2Timóteo 3:1-5) revela o perfil dos homens dos últimos dias e este perfil seencaixa perfeitamente no homem pós-moderno, vejamos:Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homensamantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais emães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes,cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dosdeleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.Destes afasta-te.É assombroso, mas temos de admitir que esse seja o tempo que se refere o texto sagradoescrito pelo apostolo Paulo, pois as pessoas da nossa época atual têm o mesmo perfil daspessoas citadas no texto bíblico acima. Isto faz com que a responsabilidade da nova geraçãode pregadores frente ao mundo aumente mais ainda. A igreja não pode perder tempo e nemrecursos com coisas que não farão a diferença no Reino de Deus. É preciso investir o máximode esforço no trabalho de evangelização, porque Jesus está voltando, os sinais estão secumprindo e cada dia é precioso.Júlio Paulo Tavares Zabatiero escreveu um artigo referindo-se à geração pós-moderna com otítulo: A vida não refletida, apenas sentida. Ele acredita apropriadamente que uma dascaracterísticas fundamentais da chamada pós-modernidade é o abandono da reflexão críticaracional. Reconhecendo a incapacidade de a razão resolver todos os problemas humanos, aspessoas que aderem ao novo modo de ser pós-moderno preferem levar a vida a partir dosSentimentos e desejos e não da reflexão, ou, em linguagem bíblica, do discernimento. Sentir émais importante do que saber, e, sentir-se bem é o que realmente importa para o indivíduopós-moderno.2.2. Características do pós-modernismo que mais nos afetamUma das características do pós-modernismo que mais nos afetam é o colapso das crenças.Não há um conjunto de valores. O que se faz é desmantelar as regras e as estruturas. Cadaum acredita no que quer. Não importa se é certo ou errado. Se verdade ou mentira. Se moralou imoral. É o que eu penso. Quem se importa? O que os outros têm a ver com isso? É comodiz um refrão de uma música de funk, cada um no seu quadrado. Cada um faz a sua própriaregra, tem a sua própria verdade, diz o que é o seu certo ou o errado e não aceita que ninguémdê opinião na sua vida. Afinal de contas, “se conselho fosse bom, ninguém daria, venderia”.Outra característica é a busca de novidades exóticas. Normalmente as novidades são contra oestabelecido. Veja como a mídia cria mitos, cria conceitos, projeta sempre o que é contra oestabelecido. Esta atitude surge, por causa das duas características seguintes: estilo de vidaindividualista e falta de cosmovisão.Um estilo de vida individualista, hedonista (doutrina filosófica que faz do prazer objeto de vida)e narcisista (pessoa que pratica culto da sua própria pessoa). Os jovens de hoje sãoindividualistas, embora vivendo em "tribos". Não se espera deles patriotismo. São hedonistas,vivendo em função do prazer, não necessariamente sexual, mas a busca do que lhes éagradável. São narcisistas, no sentido de olharem mais para si que para o mundo. Isto não éuma prerrogativa exclusiva deles, mas de toda a cultura pós-moderna. O social e o outro sãoirrelevantes. O que vale é o próprio indivíduo.Outra característica do pós-modernismo que mais nos afeta é a falta de uma cosmovisão. Opós-moderno não tem uma cosmovisão nem mesmo posturas coerentes. É a pessoa que negaa existência de Deus, mas que crê em energia vinda de um cristal. Que nega a historicidade deJesus, mas acredita em duendes. "Nenhuma certeza pode ser imposta a ninguém", diz o pós-moderno (COELHO FILHO, 2002, p. 12).O quadro abaixo dá uma visão geral das características do homem pós-moderno.Verdade Relativa e não absoluta
  5. 5. Instituições Falharam em promover um mundo melhorAutoridade Sinônimo de opressão - crise de liderançaValores Não há padrão de certo e errado - troca do ético pelo estéticoViver Individualista, hedonista, narcisista e secularizadoReligião Menos dogmática e mais experimental e pragmáticaIdeologia Plural – todas têm suas verdadesPassatempo Buscar o novoBênção É um produto conquistadoPecado Não existe - não se sinta culpado liberte-se da culpaExistência Preciso pertencer a algum grupo - as tribos urbanasPrincípios Devem ser politicamente corretosRealidade È o que percebemos e o que sentimosProgresso De maneira sustentável - forte apelo ecológicoEspiritualidade Mística e esotéricaIn: PEREIRA, 2009A descrença nas instituições e nas figuras de autoridade é mais uma característica do pó-modernismo. As instituições sociais falharam em seu propósito de prover um mundo melhor.Os governos, a família, a escola, todos eles falharam. O jovem não crê na declaraçãoromântica do educador de que está formando mente e educando para o futuro. Não vê oprofessor encarar a profissão como uma vocação, mas como um ganha-pão somente. Não vêa escola como um lugar agradável nem crê no seu discurso de que estudando a pessoa podeter oportunidades (AMORESE, 1998; p. 89).A descrença nas instituições e nas figuras de autoridade acarretou no desenvolvimento trágicode uma característica que tem trazido muito sofrimento para os jovens da atualidade: é o seuespírito de rebeldia. John Stott (2003, p. 79), escritor inglês, em seu livro Eu creio na pregação,nos relata:Raras vezes, ou talvez nunca, na sua longa história, o mundo tem testemunhado semelhanterevolta autoconsciente contra a autoridade. Não é que o fenômeno do protesto e da rebeliãoseja novidade. Rm 8.7., mas o que parece ser novidade hoje é tanto a escala mundial dessarevolta, quanto os argumentos filosóficos com os quais essa é reforçada. Não pode haverdúvida de que o século xx foi envolvido numa revolução global, condensadas nas duas guerrasmundiais. A velha ordem esta cedendo à nova ordem mundial. Todas as autoridades aceitas(família, escola, universidade, estado, igreja, Bíblia, papa e Deus) estão sendo questionadas.Certamente o que Sttot disse acima é verdadeiro e constitui um dos maiores desafios que aigreja precisa vencer. Além de tudo, se quisermos alcançar o homem pós-modernoprecisaremos entendê-lo. Com a decepção da modernidade e a morte da razão o homem saiuem busca de novos paradigmas buscando significado para a sua vida.No próximo capítulo veremos melhor as dificuldades e os desafios que a igreja precisaenfrentar para alcançar o homem pós-moderno com o evangelho de salvação do SenhorJesus.3. DESAFIOS DA IGREJA NA PÓS-MODERNIDADEA pregação do evangelho nunca foi tarefa fácil em nenhuma época, e, cada geração dediscípulos é responsável por conquistar sua própria geração. O tempo passa e as pessoasmudam. Cada geração deve analisar e perceber quais são as barreiras que estão impedindo oevangelho de avançar e alcançar as pessoas.No meio evangélico há três tipos básicos de igrejas: primeiro a histórica, entre elas batistas,presbiterianas, metodista, congregacionais e outras. O segundo grupo é formado pelospentecostais que são as Assembléias de Deus, Deus é Amor, Brasil para Cristo, Quadrangular,etc. Já o terceiro grupo é o mais recente, chamado de neopentecostal, suas igrejas principaissão a Universal do reino de Deus, a Internacional da Graça e a Igreja Mundial do Poder de
  6. 6. Deus.Os históricos e os pentecostais se divergem em muitos assuntos, mas são unânimes paracriticar os neopentecostais. Alguns crentes das igrejas chamadas históricas ou conhecidasmais popularmente de tradicionais chegam a dizer que as igrejas neopentecostais não sãoevangélicas, mas seitas heréticas.Alguém pode argumentar que de fato existem algumas coisas em uma ou outra igrejaneopentecostal que são estranhas. Mas ninguém pode negar que justamente osneopentecostais estão “acertando na mosca” quando a questão é alcançar as massas. É bemverdade que são grupos que fazem bastante uso do pragmatismo, ou seja, pregam o que aspessoas querem ouvir, mas seus objetivos são alcançados e os templos estão quase semprelotados.Outros pontos positivos dos neopentecostais é o seu sistema de governo centralizado. Isto fazcom que os esforços e os recursos da igreja sejam concentrados nos objetivos traçados porseus líderes. Isto facilita muito realizar investimentos em propagandas, quase sempre usando afigura do líder da igreja. O uso maciço da mídia faz com que o pastor da igreja possa entrar nacasa do indivíduo, quebrando uma barreira que talvez de outra maneira não fosse possívelquebrar. Nessa questão os neopentecostais estão de parabéns, ninguém pode negar suaeficiência no uso da mídia.3.1. Como pregar o evangelho numa sociedade pós-moderna?Um dos desafios da igreja hoje é penetrar na vida das pessoas. Porque o cidadão modernonão consegue e não deseja abrir mão de seu conforto privado. Não deseja abrir mão de suaforma de pensar e de agir. Isso seria abrir mão de sua privacidade. O individualismo faz comque hoje em dia não haja sansões para as leis morais. Já descriminalizaram o adultério,querem descriminalizar o aborto, legalizar o casamento homossexual. Palavrão já não chocaninguém; os incomodados que se mudem. Por quê? Porque valores morais são coisasprivadas e ninguém tem nada que ver com isso, “contanto que eu fique dentro do meuquadrado”.Os dois maiores desafios da modernidade, portanto, são o individualismo e a desmoralizaçãode nossa sociedade. Sem falar do relativismo, a visão de que não há ponto de referência fixopelo qual a moralidade possa ser julgada. Todas as culturas e, em última instância, todos osestilos de vida, têm suas particularidades e em grande parte, muito além de qualqueravaliação. (LUTZER, 2007, p. 36). Essa é uma tendência que vem crescendo e tomando formana sociedade nesse início do século XXI.Já os métodos utilizados para evangelizar nos anos 70 e 80 não dão muitos resultados hoje emdia. Na verdade precisamos rever completamente nossos métodos e nos adequar para sermosmais eficientes na evangelização. A opinião de Isaltino Coelho Filho (2002, p. 11) é bem válidanessa questão:Não podemos esquecer que temos valores eternos como cristãos que somos. Há valorestemporários, locais e mutáveis. Há valores inegociáveis. O pregador e o pastor necessitam teruma cosmovisão cristã completa, saber de sua fé e de seus valores e vivê-los. Muitos pastoresnão têm uma visão global do mundo, e, o que é pior, muitos não tem sequer uma visão globalde sua fé, sabendo encaixar o mundo nela, analisando o mundo por ela. Sua fé é de pequenoscredos, sem uma visão ampla do evangelho. Isto é trágico para um pastor. Sem uma visãoglobal do evangelho fica difícil analisar o mundo.Mas infelizmente, é esta a realidade de boa parte de nossos pastores. Há uma crise nospúlpitos evangélicos. Em alguns pastores falta caráter, base sólida familiar, senso crítico,conhecimento bíblico/teológico e conhecimento filosófico. Por outro lado, alguns que têm estascoisas não têm unção, poder, amor pelas pessoas, piedade, vida de oração.Na opinião do Bispo Robinson Cavalcanti o grande desafio teológico e pastoral da pós-modernidade é que passamos a viver uma era de incertezas. As pessoas perderam suasconvicções. Não há mais paradigma seguro do que é certo ou errado. Infelizmente cada umtem a sua própria verdade. Tudo isto leva as pessoas a viverem em meio a muitas incertezas.
  7. 7. É por esta razão que é necessário levantar a voz profética na igreja.Deus levantou João Batista como profeta em Israel depois de aproximadamente quatrocentosanos de silêncio profético. Foi uma época muito difícil em Israel. Roma tinha o domínio e opovo vivia oprimido pelos romanos aguardando a vinda do Messias libertador. Surgiu entãouma voz que ecoou do deserto. João batista, o profeta, levanta a sua voz profética com umadura mensagem de arrependimento. “Apareceu João batizando no deserto, e pregando obatismo de arrependimento, para remissão dos pecados” (Mc 1.4).Segundo José Luiz Martins Carvalho, a influência dos perigos e desafios da pós-modernidadepode ser vislumbrada facilmente na vida da Igreja. Muitas igrejas evangélicas, consciente ouinconscientemente, têm até mesmo adotado modelos eclesiásticos e pastorais que carregamem si a marca clara do mundo pós-moderno.3.2. Igreja moderna: o desafio das crisesA primeira crise que vamos considerar é a crise moral. Uma das causas do enfraquecimentodos valores morais tradicionais é o processo de fragmentação da consciência do homemmoderno. Não há um conjunto de valores em que ele se baseie (MACARTHUR, 1998, p. 221).A crise moral de nosso tempo se manifesta de forma ambígua. Por um lado, aqueles valoresaprendidos dos nossos avós ainda estão lá, porque nunca foi negados explicitamente ecertamente nunca o serão; por outro lado, eles não têm mais forças sobre as pessoas. Porexemplo, uma jovem de nosso tempo é capaz de verbalizar em um programa de auditório queabomina uma “cantada” grosseira ou a abordagem indecorosa do chefe. No entanto, ela seveste e se porta de tal forma que indica por todas as hermenêuticas da linguagem não verbalque deseja ser abordada e conquistada (LUTZER, 2007, p. 37).Ainda se requer das pessoas, na vida prática, no dia a dia, por exemplo, que sejamverdadeiras, que digam a verdade. Ninguém gosta de ser enganado nem que lhe mintam. Masrepare que uma pessoa verdadeira, isto é, que sempre diz a verdade, que nunca mente, não éincentivada, encorajada, elogiada. Não há um consenso prático sobre esse valor. (AMORESE,1998, p. 119)A segunda crise é a crise intelectual. No que diz respeito à igreja, a crise intelectual resulta nadesvalorização de se formar pessoas que pensam. Não há interesse nas pessoas pelo estudobíblico. Elas não querem pensar, querem sentir. Não querem buscar, porque buscar dátrabalho, querem receber. Se me sinto bem numa igreja fico nela. Se me sinto bem com apregação, esse “pregador é de Deus”, se não senti nada, então Deus não esta aqui.O homem pós-moderno tem preguiça de pensar. É por essa razão que estamos perdendo osenso crítico. Aceitamos ideologias, filosofias e novos conceitos sem fazer a menor análise.Sem ao menos parar e pensar. É por essa razão que os cursos nas áreas de ciências humanasnas faculdades estão sendo cada vez menos procurados. É por causa disso que os alunos dasescolas públicas e privadas preferem apenas “passar um olho” numa apostila bem condensadaao estudar um livro. É mais fácil decorar o questionário do que realmente aprender.A terceira crise é a Crise de caráter. Onde há crise moral certamente também haverá uma crisede caráter. A moralidade humana é a base de um bom caráter. Talvez este seja o maiordesafio da igreja na pós-modernidade: levar as pessoas a serem transformadas pelo poder deDeus no seu caráter. A igreja é um instrumento de Deus para transformar pessoas egoístas,avarentas, amantes de si mesma em autênticos adoradores do Deus vivo. Quanto a esteassunto há ainda um problema que criamos. Rubens Amorese (ano 1998, p. 125) relata muitobem:A conseqüência imediata para a igreja se dá via cavalo de tróia. Trazemos o inimigo paradentro de casa. Para adaptar nossa mensagem, nosso discurso interno, nossa liturgia, nossacelebração, enfim, a essa nova realidade, criamos um cristo que salva mas não transforma;que tem poder, mas não convence. Que convence, mas não converte. Anunciamos umevangelho que propõe, mas não confronta (politicamente correto).Esta é a infeliz realidade da maioria das igrejas brasileiras. Isto vem acontecendo cada vezcom maior freqüência porque a igreja vem perdendo a unção. Raramente se ouve dos púlpitos
  8. 8. mensagens condenando o pecado, falando de arrependimento e da necessidade de confissão.Falta como já foi dito anteriormente a “voz profética”. As mensagens que descem dos púlpitosjá não estão mais tão ungidas, porque os discursos estão carregados de teor psicológicos emvez de serem ungidas pelo Espírito Santo.Podemos considerar também como aspectos da crise, a Crise da graça e cultura de mercado.A cultura da graça nos diz que recebemos o que não merecíamos. Por isso, damos graça.Nosso coração se enche de gratidão por havermos recebido algo que absolutamente jamaispoderíamos exigir nem reivindicar. A cultura do mercado diz que ainda não recebemos tudo oque merecíamos. Devemos exigir sempre mais pelo que pagamos. Afinal, você merece.A propaganda vem e lhe ensina que o melhor motivo para comprar aquele produto caro é vocêmesmo. Afinal, se você não acha que merece o melhor, quem lhe dará o devido valor? Alémdisso, como conseqüência, você passa a ser avaliado pelo que tem. Na cultura de mercado,ninguém presta atenção em alguém com o carrinho vazio no supermercado. Mas se o seucarrinho estiver cheio de produtos caros, terá seu momento de glória, mesmo que não passepelo caixa e saia de fininho, quando ninguém estiver vendo. Há pessoas que moram mal,comem mal em casa e possuem carros luxuosos porque querem a admiração e o aplauso daspessoas, mesmo que para alcançar tal objetivo contraiam muitas dívidas.As pessoas não te valorizam pelo que você é, mas por aquilo que você tem. Isto significa queos menos favorecidos serão cada vez menos valorizados e cada vez mais esquecidos.A igreja e os seculares meios de comunicação de massa não têm um relacionamento muitoamistoso. O item „ibope‟ é um fator problematizado. A lógica do mercado sobre a arte, a moralou a religião produz o “efeito ibope”. Só existem, só tem validade, só são dignas deconsideração, se “dão ibope”, ou seja, se há quem as consuma. Por exemplo: uma músicabonita para um adolescente passa a ser aquela que todo mundo está cantando. Não importa sefala de suicídio, se vai mandar todo mundo para o inferno, se manda “segurar o tcham” ou sevai “testar o sexo de uma garota com ar de professor”. A atitude mais correta, mais nobre,diante de uma dada situação não é mais aquela recebida da herança cultural, mas o que todomundo faz (ou a que todo mundo diz que faz; ou melhor, ainda, que a mídia diz que todomundo faz).É impressionante como a mídia manipula a opinião das pessoas, fazendo assim surgir em cenauma nova personagem, uma entidade moderna, chamada “opinião pública”. Personagemcriada pela mídia e controlada por ela, a opinião pública, na maioria das vezes não tem opiniãonem é pública. Mas, por meio de algumas entrevistas, a mídia é capaz de criar uma impressãode consenso sobre o que desejar. Daí, ter-se tornado no que se convencionou chamar de“quarto poder do Estado”. Esse poder tenta, hoje em dia, assumir o controle sobre os demais,elegendo pessoas nos outros três poderes, por meio da manipulação da opinião pública(AMORESE, 1998, p. 162; 164).Individualmente, o cristão deve desenvolver sua capacidade crítica em relação aos meios decomunicação. Deve se perguntar se poderia ler esta revista, ver este filme, assistir a estanovela em companhia de Jesus? Deve se perguntar se o Espírito Santo o acompanha em suaprogramação de lazer, qualquer que seja.A ausência desse senso crítico é o que enfraquece o cristão diante das tentações. Ele precisafazer um esforço consciente para viver uma vida agradável a Deus.Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos emsacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sedeconformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vossoentendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus(Rm 12.1,2).A Bíblia diz que o reino de Deus é tomado à força (Lc 16.16). Portanto, para não ser engolidopelo invertido sistema de valores do mundo é necessário um grande esforço mental eemocional no sentido de nunca aceitar qualquer coisa passivamente. Antes de qualquerdecisão é preciso pensar com cuidado, buscando enxergar com clareza. A melhor maneira defazer isso é analisar tudo sempre à luz da Palavra de Deus. A Palavra é luz que ilumina o
  9. 9. nosso caminho nas trevas (Sl 119. 115). O cristão que quer viver para o agrado de Deusprecisa guardar essa palavra em seu coração, ter a Bíblia como seu manual de vida e prática,ou ele será engolido pelo sistema que conspira contra Deus e seu povo. (CAIRNS, 1995, pag.185)4. SOLUÇÕES PARA A IGREJA NA PÓS-MODERNIDADEVimos nos capítulos anteriores que o homem pós-moderno e suas vertentes representam umgrande desafio para a igreja contemporânea. São muitas as crises alistadas. Às vezes somostentados a imaginar que essas coisas todas nada têm que ver com a igreja. Mas o nosso alertaé exatamente no sentido contrário. Aos poucos, vamos incorporando essa ou aquela atitudesem perceber. Tornamo-nos cínicos, para podermos sobreviver; consentimos, por falta dediálogo ou medo de magoar nossos jovens e perder importante fatia no mercado evangélico(AMORESE, 1998, p. 170).A intenção desse capítulo não é oferecer soluções finalizadas para a igreja ser uma maravilha.A proposta é apresentar algumas sugestões para melhorar a situação da igreja brasileira. Sãoidéias para se pensar um pouco, refletir, meditar. Sabemos, no entanto, que não podemos serapenas seres pensantes e contemplativos, assim, é preciso ação e esforço, muito esforço, nosentido de procurar viver no centro da vontade de Deus (LUTZER, 2007, p. 58).Em relação aos nossos cultos dominicais, o problema é que ninguém conversa com ninguém arespeito de si próprio, a não ser para contar vantagens. Há igrejas que seus cultos maisparecem desfiles de moda. E o que mais se fala quando chegam a casa é quem estava maisbem vestido, em vez de falarem como foi abençoado o culto.Uma boa sugestão para resolver esse problema é a realização de reuniões nos lares. Não paraestudos bíblicos, nos quais uma pessoa fica encarregada de expor as Escrituras enquanto osdemais tentam aprender a Palavra. Nem tão pouco para conversa fiada, sem sentido. Mas paracontar histórias, trocar experiências, valores que valham a pena socializar. Mas não se iludaachando que formar grupos pequenos na igreja é fácil. Geralmente, as pessoas são aversas aeste tipo de iniciativa. A maioria não quer se expuser porque é muito melhor e mais cômodopara elas participar de um grupo grande, onde possa ficar anônimas, sem ninguém percebersua presença.As células familiares trabalham na contramão do individualismo da pós-modernidade. Seuestilo e natureza trás o convívio social para dentro da igreja; que esta cada vez mais difícil. Opastor da igreja deve pregar valores que reforcem essa visão de grupos pequenos. Deve orarcom instância resistindo os espíritos contrários e deve se posicionar de maneira firme diante dacongregação (STTOT, 2003, p. 141).Normalmente as pessoas querem optar pela sua “preferência” religiosa sem ser importunadaspor opiniões contrárias. Os critérios que orientam essas escolhas são todos íntimos esubjetivos. Semelhantemente, também não tentarão impor sua nova opção de fé a ninguém.Na Igreja, o que antes era convicção, hoje é opção. Os mandamentos divinos passaram a sersugestões divinas. A igreja é orientada por aquilo que dá certo e não por aquilo que é certo.Isto é algo extremamente perigoso para a integridade da igreja, e, os líderes e os membrosprecisam estar atentos porque o mais importante para a igreja é a sua fidelidade a Deus.Sucesso e crescimento são os resultados que a igreja alcança por viver saudavelmente. ABíblia diz que a igreja quando começou no primeiro século era fiel ao Senhor. Os discípulosviviam em oração e ardente comunhão uns com os outros “e o senhor acrescentava os que iamsendo salvos” (At 2.47).Nossa tarefa apologética para esta era pós-moderna é restaurar a confiança na verdade. ABíblia continua sendo a Palavra de Deus. A Bíblia é um documento inspirado da revelaçãodivina, quer este ou aquele indivíduo receba ou não o seu testemunho. Devemos, pois, respeitoe obediência à Bíblia, não por ser letra fixa e estática, mas porque, sob a orientação do EspíritoSanto, essa letra é a Palavra viva do Deus vivo dirigida não só ao crente individual, mas àIgreja em geral.
  10. 10. Infelizmente, vivemos um paradoxo: por um lado, nunca se produziu tantos exemplares deBíblias como temos na atualidade. É a Bíblia da mulher, da família, do ministro, do jovem, doadorador e até de quem não tem tempo para ler a Bíblia (Bíblia resumida). Por outro lado, aspessoas lêem pouquíssimo o Livro Sagrado. Há inclusive uma grande parcela de pastores quesó lêem a Bíblia no dia em que vão pregar. Se aqueles que estão liderando as ovelhas têmesse nível de compromisso com a leitura da Bíblia, então o que podemos esperar do povocomum?Mas isso ainda não é o pior. Cresce no meio evangélico algumas idéias inadequadasrelacionadas à Bíblia. São teorias da teologia liberal que devastou completamente as igrejas damaior parte da Europa e deixou marcas terríveis nos Estados Unidos.Esses mestres negam a inspiração divina das Escrituras, querem negar a divindade de Cristo,a sua ressurreição corpórea e alegorizar a volta de Jesus.A igreja de Jesus jamais pode abrir mão da verdade absoluta, da verdade bíblica. Mesmo queseja criticada, ridicularizada, zombada, injuriada e maltratada. Verdade para os seguidores deCristo não é uma questão relativa, é uma questão de vida e morte. O seguidor verdadeiro deJesus Cristo não negocia a sua fé. Ele esta firmado em Cristo, tem certeza da sua salvação,sabe que os seus pecados foram perdoados. Esta é a verdade que ele não abre mão.A palavra doutrina é muito confundida nos círculos evangélicos. Principalmente no meiopentecostal. Alguns pensam que doutrina é o mesmo que usos e costumes, ou uma série depreceitos éticos regionais. Na verdade, doutrina é muito mais que isso. São ensinamentosteológicos fundamentados na Bíblia, que não estão condicionados ao tempo, cultura ou espaçogeográfico.O pastor Hernandes Dias Lopes, da primeira igreja presbiteriana de Vitória (2005, p. 20.) fezum comentário interessante a esse respeito:No mundo pós-moderno, não faz sentido discutir doutrina e teologia. Onde não existe verdadeabsoluta, não há espaço para a discussão de temas religiosos. Esse assunto deve serempurrado para a lateral da vida e para fora da agenda da igreja. As pessoas não seinteressam por doutrina, porque pensam que doutrina divide. Elas preferem temas maisamenos. Mas não há prática cristã sem doutrina. Antes de Paulo exortar a igreja, ele ensinavasobre doutrina. A doutrina é a base da moral. A teologia é a mãe da ética. O colapso moralpresente na sociedade e na igreja é a ausência da doutrina bíblica.Os apóstolos diferentemente do que acontece hoje evangelizavam com temas doutrinários.Pedro por exemplo, em seu primeiro sermão, faz uma exposição concisa da doutrina daressurreição. Como resultado, mais de três mil pessoas se converteram a Cristo.A igreja não pode perder a visão do Reino de Deus. Não pode perder a sua identidade cristã.Ela tem que ter uma visão bem clara e definida de quem ela é. Efésios (5.27) nos mostra estequadro: “Para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisasemelhante, mas santa e irrepreensível”.Todos nós gostaríamos de saber onde esta essa igreja. Parece que Jesus tem uma igrejadentro da igreja! Mas, como pode ser isto? É verdade, porque quando nos referimos à igreja deJesus, a noiva de Cristo, estamos nos referindo ao corpo místico de Cristo, e não a umainstituição chamada de igreja. (CAIRNS, 1995, pag. 322)A pós-modernidade apresenta à Igreja problemas e oportunidades imensas. Para superar osproblemas e aproveitar as oportunidades de crescimento, precisamos do discernimento doEspírito Santo e da compaixão de Jesus. Por isso, o principal desafio da missão da Igreja napós-modernidade é a qualificação da Igreja como povo de pessoas cheias do Espírito Santo.Ser cheio do Espírito é uma questão de sobrevivência praticamente. Ou a igreja é composta depessoas cheias da unção do Espírito para avançar contra o império das trevas, ou ela seráengolida. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade deJerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder (Lc 24.49).O revestimento de poder é algo imprescindível sobre os discípulos de Jesus para fazer a obrade Deus. Se o próprio Cristo realizou o seu ministério na unção do Espírito, quanto mais nós.Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou
  11. 11. fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele (At 10.38).A missão da igreja é testemunhar o que Cristo fez e ainda faz por onde ela passar e emqualquer lugar que estiver, conforme At 1.8. Nesta missão, há a promessa de que a presençade Jesus estaria com eles, veja Mateus 28.18-20:E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portantoide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e doEspírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis queeu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.A igreja como um organismo vivo crescerá naturalmente, desde que esteja saudável. Esse é otema mais discutido atualmente: o crescimento numérico da igreja. Nunca se produziu tantoslivros, nunca se realizou tantos seminários e tantos congressos como nos últimos vinte anossobre o crescimento da igreja. São temas que tratam de igrejas em células, igrejas compropósitos, rede ministerial, etc.De acordo com Rick Warren, uma das maiores autoridades na atualidade em crescimento daigreja, em seu excelente livro Igreja com propósitos (1997, p. 112), uma das maiores barreiraspara o crescimento da igreja é a cegueira cultural. E a melhor maneira de conhecer a cultura, opensamento e o estilo de vida das pessoas é conversando com elas.Não há como haver interação entre as pessoas se elas não conviverem juntas. A igreja precisasair das quatro paredes e ir ao encontro das pessoas. É preciso romper a barreira daindiferença, do comodismo, da apatia e da frieza espiritual. O povo de Deus precisa despertardo sono e avançar na conquista das nações com a pregação do evangelho de salvação deJesus Cristo.Nossas comunidades (igrejas locais), não podem ficar apenas na mesmice. Devem sercomunidades calorosas, sadias e acolhedoras. As pessoas devem ser ouvidas e levadas asério. Deve haver seriedade no trato, disciplina com amor e respeito. O jovem continuanecessitando de balizas, de um norte. Busca um guia, um líder confiável. O que leva os jovensa se envolverem com seitas exóticas e com alguns líderes que promovem a autolatria? É queesses líderes os aceitam e lhes servem de referencial. Nossas igrejas podem oferecer esteambiente ao jovem? Ela é agradável ou é um fardo? O pastor pode ser um referencial, nosentido de ser uma pessoa que sabe o que quer e para onde vai? O estilo de vida do pastor éinspirador? Ou ele é um desanimado e desencorajado peregrino?Toda mudança precisa passar primeiramente pela liderança. A conscientização precisa partirdaqueles que estão à frente das ovelhas do Senhor. A Bíblia diz que a quem mais é dado, maislhe será cobrado (Lc 12.48). Há pessoas que querem ser pastor porque acham bonito, masdesconhecem a imensa responsabilidade que tem diante de Deus. Um dia, todos teremos queprestar contas a Deus no dia do juízo.O ministro cristão para desempenhar o seu ministério com eficiência precisa ter váriasqualidades. Coerência é uma delas, apesar de existir uma crise de coerência lá fora. Porém, noministério ela é fundamental. (COELHO FILHO, 2002, p. 12) nos assegura que os jovens dehoje não querem simplesmente mestres, querem testemunhas. Querem pessoas que creiamnos valores que propagam. O pastor digno do nome é alguém que busca ser modelo. Hápastores que não amam as pessoas, mas o seu ministério, o seu trabalho, sua filosofiaministerial e, algumas vezes, o reino de Deus. Isto não é errado, mas se não ama gente terágrandes dificuldades em seu trabalho. Outros têm o ministério apenas como ganha-pão.Tratam as pessoas como se fossem coisas e dão personalidade às idéias e conceitos. "Vempara o meio", disse Jesus ao homem da mão mirrada. O educador e o líder cristão que seprezam colocam a pessoa no centro. Amamos nossos templos, nossos prédios, nossasinstituições. Mas e as ovelhas? É apenas um detalhe aborrecedor e irritante? Há líderesapaixonados por si e com comichão nos ouvidos e também na língua. Mas não ligam para aspessoas. Elas apenas fazem parte do seu trabalho, do seu ministério. Isto é grave. As pessoassabem quando são usadas e manipuladas e sabem quando são aceitas e amadas, mesmo quediscordemos delas.Precisamos amar o que fazemos. Uma das questões mais atacadas pela pós-modernidade é
  12. 12. exatamente a hipocrisia dos líderes. As pessoas possuem valor enquanto ser humano e lidarcom pessoas pressupõem amá-las. Pastorear pressupõe amar o trabalho que se faz.As perguntas que se seguem elaboradas pelo professor Isaltino Coelho Filho tem o objetivo delevar a liderança das igrejas a refletir o seu papel. (COELHO FILHO, 2002, p. 14) Tenho apreocupação de cuidar, de marcar a vida das pessoas, de deixar lembranças positivas, ou vejomeu ministério apenas pelo aspecto de cumprir uma missão?O ministério pastoral antes de qualquer coisa implica no cuidado com as ovelhas. Jesusquando se encontrou com Pedro após a sua ressurreição perguntou-lhe: você me ama? Entãoapascenta as minhas ovelhas (Jo 21:16, 17). O líder é um influenciador e como tal deve seconscientizar da oportunidade e responsabilidade que tem de deixar marcas positivas na vidadas pessoas que estão sob o seu cuidado.Considero-me, como pastor, um produto acabado ou procuro entender meu tempo? De queforma o faço? Que evidência tenho para provar isso?Pastor nenhum na face da terra é um produto acabado. O dia que o pastor se considerar umproduto acabado ele estará de fato acabado. Sócrates, o grande filósofo, disse que sábio éaquele que sempre procura mais sabedoria. O rei Salomão disse algo bem oportuno sobreisso. “Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal” (Pv 3.7). Opastor na realidade é uma ovelha como as outras, um ser humano com as mesmas carências,fraquezas e necessidades. Isto significa que ele também vive um processo de crescimento quenão pode parar (LUTZER, 2007, p. 81).Que características do pós-modernismo estou a ver em minhas ovelhas, mais comumente? Ena minha conduta?Essa é uma questão que vai exigir do pastor observação. O pastor inteligente ficará atento nasoscilações de comportamento do seu rebanho. E mais importante ainda, deverá ficar atento naprópria conduta. É sempre essencial para o líder cristão fazer constantes comparações entre operfil de um homem de Deus apresentado nas Escrituras e o seu comportamento no cotidiano.Estou na pós-modernidade, com o peso da velha autoridade da modernidade? Como reajo aesta constatação e como me situo para responder aos desafios pós-modernos?Esta é mais uma boa pergunta que exige reflexão. Na era moderna, em meados dos anos 70 einicio dos anos 80 era bem mais fácil exercer a liderança. O líder se apoiava sobre o seu podere raramente alguém ousava desafiar e questionar a sua autoridade. As coisas estão bemdiferentes na atualidade. Agora, o líder que insiste em um modelo de liderança baseado naforça dificilmente sobreviverá por muito tempo. As pessoas da pós-modernidade querem umlíder que as conquistem. Somente depois elas reconhecerão e se submeterão à sua autoridade(WARREN, 1997, p. 253).O que está no centro de minha visão pastoral?A visão pastoral deve ser absolutamente acima de qualquer interesse terreno. O pastor temque ter uma visão do Reino de Deus. Ele precisa encarar a igreja local da qual pastoreia comouma agência do Reino de Deus. Isto significa que tudo que o pastor leva a igreja a realizardeve estar relacionado com os interesses do Reino. Tendo os interesses do reino de Deusnorteando a sua visão, o pastor pode então desenvolver o seu ministério para a glória de Deus,sabendo que tudo quanto ele fizer será bem sucedido aos olhos do seu Senhor.Qual a minha visão de Igreja e qual o uso do púlpito que faço?Quanto à igreja, a primeira coisa que jamais poderá esquecer é que ela não é sua propriedade,como um negócio particular. Não é meramente o seu ganha pão, embora tenha direito a sersustentado pelos dízimos e ofertas dos fiéis. Não é também o seu império, onde ele possamandar e desmandar como bem entender. O pastor precisa saber que a igreja é de Deus; umacomunidade de pessoas salvas pelo precioso sangue de Jesus, que deve ser treinada eequipada para alcançar o mundo com a mensagem da cruz. Em relação ao púlpito, o pastordeve fazer uso dele com temor, tremor e reverência. Púlpito não é lugar de desabafo, mas deproclamação da verdade de Deus. Púlpito não é palanque de político, nem muito menos lugarde discursos vazios e sem sentido. Púlpito é o altar do Senhor, lugar onde o pastor se colocacomo porta-voz do Senhor. Púlpito é lugar de se fazer ouvir a voz profética de Deus. (STTOT,
  13. 13. 2003, p. 114).O líder evangélico não pode ser alguém levado por qualquer idéia facilmente. Sua mensagemdeve estar fundamentada na Palavra de Deus; por isto, é imprescindível que ele sature a suamente com as Escrituras sagradas e se dedique o máximo à oração. Ele deve ser uma pessoareflexiva. Pastor tem que ser um pensador, um formador de opinião, um influenciador. E comotal, deve levar a igreja a dar respostas relevantes para a vida real das pessoas. A mensagemprecisa despertar o interesse das pessoas. Ela deve ser bíblica, trazendo as respostas dasquestões pertinentes ao homem pós-moderno.A fé precisa ser viva numa igreja. Parece banal, mas isto tem nexo. A igreja não basta ter onome de cristã, isso apenas não muda a vida das pessoas. Ela deve expressar o carátercristão nas suas relações e no seu ambiente. O pós-moderno necessita ver uma igreja séria,espiritual, coerente em sua fé. As pessoas estão cansadas de tanta hipocrisia. De pessoas quediscursam bem, mas que não praticam nada do que falam (MACARTHUR, 1998, p. 287).Se o mundo mudou e as pessoas mudaram, a liderança cristã precisa mudar a sua maneira deinteragir com aqueles que são objeto do amor de Deus. Não que isso signifique que devemosmudar o evangelho ou barganhá-lo, definitivamente não. Mas o que devemos mudar é nossaestratégia, nossa liturgia, nossa linguagem, ou seja, o nosso modus operandi, pois a igreja nãopode mais pensar com a cabeça do século XX.5. CONCLUSÃORubens Amorese em seu livro Icabode: da mente de Cristo à consciência moderna comentaque não há como negar que existe uma guerra para ver quem vai impor a sua realidade, o seumundo sobre a civilização. É também verdade que essa guerra vai além do tempo e do espaço.Ela se estende às regiões celestiais.Que o inimigo é incansável e faz de tudo para destruir a igreja não é novidade para ninguém.No entanto, a igreja de Jesus precisa cumprir a sua missão apesar de toda luta, de todaperseguição e de todas as investidas de Satanás. Ela não pode se encolher nesse momentotão decisivo.Vimos que os desafios são imensos, mas não insuperáveis. São muitos, mas não impossíveisde serem vencidos. A noiva de Cristo pode ser perseguida, maltratada e ter alguns de seusmembros até mortos, mas ela jamais será destruída. Jamais será aniquilada e jamais seráextinta da face da terra como foi pretendida pelo inimigo. Desafios existem para ser superadose vencidos, essa deve ser a mentalidade do povo de Deus.Um dos desafios da igreja hoje é penetrar na vida das pessoas. Porque o cidadão modernonão consegue e não deseja abrir mão de seu conforto privado. Não deseja abrir mão de suaforma de pensar e de agir; isso seria abrir mão de sua privacidade.A conclusão desse trabalho consiste em afirmar que é possível ser uma igreja bíblica erelevante num mundo pós-moderno. No entanto, é necessário muito esforço e empenho. ABíblia diz que o Reino de Deus é tomado a força, e hoje, a igreja precisa reafirmarconstantemente sua fidelidade ao Senhor. Os valores do Reino de Deus devem ser enfatizadosfirmemente para que as ovelhas não caiam no engano do diabo.O resultado desse estudo nos leva a um interesse ainda maior pelo tema. Estudar o homem noseu aspecto filosófico sempre constituiu ponto de interesse para qualquer acadêmico deteologia ou teólogo. O pastor não pode parar de pesquisar esse assunto; mesmo porque acivilização está em constantes transformações e mudanças. O pregador do evangelho deve teruma mensagem relevante para as pessoas, trazendo do trono de Deus respostas para osmaiores anseios do coração do homem.6. REFERÊNCIASAMORESE, Rubens Martins. Icabode: da mente de Cristo à consciência moderna. Viçosa:Ultimato, 1998
  14. 14. Bíblia de Estudo Genebra. São Paulo: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. São Paulo:Vida Nova, 1995FILHO, Tácito da Gama. Apologética: o cristianismo em questão. Goiânia: Editora Ceteo, 2004LUTZER, Erwin E. Cristo entre outros deuses: Uma defesa da fé cristã numa era de tolerância.Rio de Janeiro: Casa Publicadora Assembléia de Deus, 2007MACARTHUR, Jr. John. Redescobrindo o ministério pastoral. Rio de Janeiro: Casa PublicadoraAssembléia de Deus, 1998STTOT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Editora Vida, 2003WARREN, Rick. Igreja com propósitos. São Paulo: Editora Vida, 1997. Acesso em 1 de dezembro de 2009, citação de PEREIRA, Alberto. Acesso em 10 de dezembro de 2009, citação de LOPES, Hernandes Dias. Acesso em 4 de dezembro de 2009. Acesso em 27 de novembro de 2009. Acesso em 10 de dezembro 2009. Acesso em: 12 de dezembro de 2009, citação de COELHO FILHO, Isaltino. Acesso em: 9 de dezembro de 2009. Acesso em 25 de no novembro de 2009

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