Indicadores socioeconômicos
África
Tema 3 – Unidade 8
Condições de vida no
continente
As condições de vida do povo africano são
péssimas, pois a qualidade dos serviços públicos
é precária e a população não desfruta de políticas
assistencialistas.
A dívida externa consome grande parte da receita
dos países africanos, além disso, existe ainda o
desvio de verbas, de recursos que deveriam ser
investidos em serviços sociais básicos (moradia,
saúde, educação, entre outros); por isso, grande
parte da população africana não desfruta de
políticas assistencialistas.
A qualidade dos serviços públicos é precária, o
que resulta no pior IDH do mundo.
O continente é rico em recursos minerais mas
esta riqueza não é utilizada para melhorar a
distribuição de renda e a qualidade de vida da
população. Veja mapa ao lado.
Saúde
• Na maioria dos países africanos, não há
condições de atendimento e infraestrutura
necessárias que garantem acesso à saúde
para a maioria da população.
• A África enfrenta inúmeros problemas,
especialmente sociais. No entanto, nas
últimas décadas uma doença tem impedido
o desenvolvimento do continente, a AIDS. A
contaminação começou no início dos anos
80, expandindo-se rapidamente, pois em
1990 já existiam 10 milhões de infectados.
• O acesso ao saneamento básico alcança
menos de 50% da população na maior parte
dos países africanos.
Ebola é uma doença causada por um vírus
de mesmo nome, e seu principal sintoma
é a febre hemorrágica, que causa
sangramentos em órgãos internos. O vírus
é nativo da África e é transmitido pelo
contato direto com o sangue, fluidos
corporais e tecidos de animais ou pessoas
infectadas.
Atendimento médico
• O acesso a médicos e a
medicamentos na África,
principalmente na porção
Subsaariana, é bastante precário.
• As más condições de vida e a
precariedade no atendimento
médico-hospitalar agravam a
disseminação de doenças como
malária, febre amarela, ebola e
meningite. No entanto, não se pode
ignorar que, diante de problemas de
saúde, grande parte da população
recorre ao saber local, transmitido
durante séculos e usado com sucesso
no tratamento de algumas doenças.
A expectativa de vida no continente
também é baixa quando
comparada às médias de outros
continentes. Em países como
Guiné-Bissau, Serra Leoa, República
Democrática do Congo, República
Centro-Africana e Zâmbia, esse
indicador está abaixo de 50 anos.
A AIDS
• A doença tem uma participação negativa
na configuração do IDH (Índice de
Desenvolvimento Humano) dos países
africanos no que diz respeito à esperança
de vida, isso porque o índice de
mortalidade é alto.
• O impacto da AIDS não se restringe
somente à perda de vidas, mas também
interfere diretamente na composição da
PEA (População Economicamente Ativa)
dos países, camada da população
composta por adultos que se encontram
inseridos no mercado de trabalho e
podem gerar renda, pois pode
comprometer um possível
desenvolvimento.
Na África Subsaariana há aproximadamente 25 milhões de pessoas infectadas pelo vírus
HIV, causador da aids, o que representa cerca de 70% dos portadores da doença no
mundo.
A expansão do vírus HIV na África é resultado
• Da falta de assistência médica adequada;
• da insuficiência de informação ou de campanhas esclarecedoras;
• do desemprego e pobreza;
• de hábitos culturais arraigados em detrimento do conhecimento científico.
Educação
• O acesso à educação se mostra
especialmente precário na África
Subsaariana, principalmente nas áreas
rurais.
• Na maioria dos países da África há
desigualdades quanto à permanência
de homens e mulheres nas escolas,
visto que, por questões culturais e
religiosas, os homens frequentam mais
as escolas e as universidades que as
mulheres, que têm as menores taxas de
alfabetização no continente.
Pobreza, fome e
conflitos
A África é o continente
com algumas das piores
situações em termos de
rendimentos.
A fome está presente em
vários países, onde muitas
vezes grande parte da
população sofre de
desnutrição crônica,
ingerindo menos de 2.400
calorias por dia.
Causas naturais
Seca, clima, terremotos,
inundações, pragas de insetos,
falta de chuva e água, falta de
semente e muitas outras causas
que já deixaram muitos mortos.
Causas humanas
Conflitos civis, guerras que
impedem a chegada de
alimentos nas regiões,
invasões, destruição de
colheitas, distribuição
ineficientes dos alimentos e
outras
E a monocultura, qual a sua relação com a
fome?
A produção monocultora produz
reflexos sociais negativos, isso
acontece porque o cultivo de
alimentos (inhame, mandioca, sorgo),
que fazem parte da dieta local, não é
produzido para dar lugar a produtos
de exportação. Por não serem
autossuficientes na produção de
alimentos, esses países são obrigados
a importar, o que agrava ainda mais os
problemas ligados à fome.
As melhores terras nas áreas tropicais
estão voltadas para os produtos
voltados à exportação, herança do
período colonial
O imperialismo europeu na África
A crescente industrialização na Europa no século XIX
necessitava cada vez mais de matérias-primas para abastecer
suas indústrias e de meios para expandir seus mercados
consumidores. Diante disso, os países europeus industriais
invadiram a África e a retalharam. A Ásia também foi tomada
pelas potências europeias.
A partilha do continente deu-se de forma arbitrária. A
demarcação das fronteiras não respeitou as populações
nativas. Tribos rivais ficaram confinadas entre as mesmas
fronteiras, enquanto tribos etnicamente relacionadas foram
separadas pelos limites estabelecidos.
As atuais fronteiras foram traçadas pelos colonizadores
europeus sem respeitar a antiga organização tribal e a
distribuição geográfica das etnias no continente. A ação dos
colonizadores, combinada com outros fatores, resultou em
vários problemas econômicos, sociais e territoriais e é
responsável por diversos conflitos nesse continente.
A fragmentação territorial
A Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, reuniu 14 potências
do século XIX para debater a ocupação do continente africano.
A demarcação das fronteiras não respeitou as populações nativas: grupos
rivais ficaram confinados entre as mesmas fronteiras, enquanto grupos
etnicamente relacionados foram separados pelos limites estabelecidos que
obedeceram somente aos interesses europeus.
Exploração colonial
• Os europeus impuseram sua língua, seu modo de vida e sua estrutura administrativa e passaram
a retirar minérios e a plantar produtos tropicais.
• As populações locais perderam terras para o plantio de lavouras para exportação, o que perdura
até hoje.
• Com a presença dos europeus, que impuseram sua cultura, alguns grupos se rebelaram e se
confrontaram. Como os africanos não tinham armas, foram facilmente derrotados, até porque
os europeus possuíam experiência em guerras.
• As imposições culturais foram no sentido de fazê-los vestir roupas, já que alguns grupos tribais
não tinham esse costume, mudança de hábitos alimentares, mudança da língua e religião
(introduzindo o catolicismo), mudança produtiva, enfim, houve a perda da identidade cultural.
A infraestrutura implantada pelos
europeus visava exclusivamente facilitar
o escoamento dos produtos que
retiravam de suas colônias e levavam
para a Europa, como a construção de
linhas férreas ligando áreas mineradoras
aos portos.
Assim sendo, as maiores cidades se
localizam no litoral do continente, para
onde as populações se deslocaram no
período da colonização.
A integração dos países africanos no
continente permanece pouco articulada.
Durante a colonização foram
construídas ferrovias e estradas que
conectavam o interior (as áreas
produtoras de gêneros de exportação)
somente aos portos. Esse processo foi
denominado sangria do território, já
que os recursos eram drenados para o
exterior.
A independência
• Com a independência dos territórios coloniais, a
partir de meados do século XX, essas fronteiras
foram, em linhas gerais, mantidas.
• Antigas rivalidades étnicas voltaram à tona e as
disputas políticas entre grupos concorrentes com
frequência resultaram em golpes de Estado e
conflitos armados.
• A independência política do continente não foi
acompanhada da respectiva independência
econômica e financeira, visto que as nações
independentes politicamente não conseguiram
alterar de forma efetiva as precárias condições de
vida da população.
Assim sendo, embora tenha ocorrido a
descolonização, o processo de estruturação da África
enfrenta vários problemas, tais como dificuldades
internas que remetem às questões políticas, as lutas
tribais, que são heranças da partilha; os governos
ditatoriais, que muitas vezes são extremamente
corruptos, e a dependência financeira.
Em apenas cem dias em 1994, cerca de 800
mil pessoas foram massacradas em Ruanda
por extremistas étnicos hutus. Eles vitimaram
membros da comunidade minoritária tutsi,
assim como seus adversários políticos,
independentemente da sua origem étnica.
Em termos econômicos, os países
mantiveram o mesmo modelo
exportador de produtos primários,
e a indústria praticamente não se
desenvolveu. As plantations, um
sistema de monocultura em
latifúndios priorizando os interesses
externos, continuaram ocupando
as melhores terras e grande parte
das populações da África continuou
vivendo da agricultura de
subsistência.
África: inserção global
Tema 4 – Unidade 8
A economia africana caracteriza-se
pelo modelo agrário-exportador, o
que coloca o continente em
desvantagem no mercado global, já
que exporta produtos mais baratos
e importa produtos
manufaturados.​
África na economia mundial
• Nos últimos anos, a economia
africana registrou expressivo
crescimento. O PIB do
continente triplicou entre 2000
e 2010, atingindo 1,5 trilhão de
dólares.
• Esse crescimento considerável
está relacionado à redução de
conflitos armados e às
renovadas políticas das classes
dirigentes que buscam mais
investimentos externos para os
países africanos.
Modelo agrário-exportador
Uma característica comum aos
países do continente é o papel
preponderante que
desempenham na economia
mundial como exportadores de
produtos primários de baixo
valor agregado, como gêneros
agrícolas tropicais e recursos
minerais ou energéticos.
O petróleo
A partir de meados do
século XX, com o
desenvolvimento das
indústrias petroquímicas
no continente, o petróleo
ganhou destaque. Hoje,
esse recurso natural é
extraído principalmente
na região do delta do Rio
Níger, na Nigéria, além de
ser encontrado em países
como Gana, Angola,
Gabão, Egito, Líbia e
Argélia
Indústria
É nas atividades primárias que está empregada a
maior parte da população economicamente
ativa (PEA) dos países africanos, com algumas
exceções, como nos casos da África do Sul,
Argélia, Egito e Tunísia. A atividade industrial é
bem pouco difundida, sendo a África o
continente com o menor índice de
industrialização no mundo.
A exceção é a África do Sul, que apresenta
diversificado parque industrial (com indústrias
químicas, mecânica, de papel, aeronáutica,
automobilística, têxtil, alimentícia, entre outros
tipos), sobretudo nos arredores da cidade de
Johanesburgo e da Cidade do Cabo.
Boa parte das indústrias que atuam em solo
africano é composta de transnacionais ou de
empresas ligadas a grupos tradicionais da
pequena elite africana que concentra os lucros.
Comércio e serviços
• Geralmente as atividades de comércio
e serviços absorvem grande parte da
mão de obra nas cidades africanas,
onde os tipos de comércio — como as
feiras, os mercados populares, e os
vendedores ambulantes e os
transportes — ocorrem na
informalidade, ou seja, sem que os
impostos devidos dessas atividades
sejam pagos e nem os trabalhadores
tenham acesso aos seus direitos.
• Em alguns desses países, mais de 90%
da população trabalha na
informalidade.
Comércio na beira da estrada próximo a Malawi / África
Integração econômica no contexto global
Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos se firmaram como o principal
parceiro econômico do continente africano.
Ainda existem intensas relações entre os ex-colonizadores e suas ex-
colônias. O Reino Unido, por exemplo, mantém influência política e
econômica por meio do Commonwealth, uma organização
intergovernamental formada principalmente por ex-colônias do Império
Britânico no mundo (veja mapa no próximo Slide).
A organização tem como objetivo a promoção da democracia, dos direitos
humanos, da liberdade individual, do igualitarismo, do livre comércio e da
paz mundial. Efetivamente, também garante a fluidez dos produtos ingleses
às ex-colônias que são dependentes da importação de bens
industrializados.
Relações com a China
É cada vez mais forte a relação que a China vem
estabelecendo com os países africanos.
Graças a seu elevado crescimento econômico, a China se
tornou a segunda maior economia do planeta, com base na
atividade industrial.
Além de petróleo, a China importa também algodão bruto,
cobre, minério de ferro, platina e madeira dos países
africanos. Em “troca”, investe em projetos de infraestrutura,
tais como a reconstrução de linhas de trem na Angola,
incluindo aquela para o porto em Benguela, usada para
escoar o cobre do Zâmbia. Novos projetos de barragens
estão sendo financiados na Zâmbia, Sudão e Etiópia. A
China também está financiando o desenvolvimento de
projetos como hospitais e escolas.
Apesar de contribuir para o desenvolvimento de países do
continente africano, a ação da China é questionada. Muitos
acusam os chineses de não transferirem tecnologia para os
africanos, usando mão de obra nativa apenas para os
postos de trabalho menos qualificados, e os cargos mais
altos sendo ocupados pelos próprios chineses.
União Africana (UA)
União Africana (UA) é a organização internacional que promove a integração entre os
países do continente africano nos mais diferentes aspectos.
Fundada em 2002 e sucessora da Organização da Unidade Africana (OUA), esta
organização , ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento
econômico em África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por
meio do programa Nova Parceria para o Desenvolvimento da África.

Unidade 8 temas 3 e 4 8º ano

  • 1.
  • 2.
    Condições de vidano continente As condições de vida do povo africano são péssimas, pois a qualidade dos serviços públicos é precária e a população não desfruta de políticas assistencialistas. A dívida externa consome grande parte da receita dos países africanos, além disso, existe ainda o desvio de verbas, de recursos que deveriam ser investidos em serviços sociais básicos (moradia, saúde, educação, entre outros); por isso, grande parte da população africana não desfruta de políticas assistencialistas. A qualidade dos serviços públicos é precária, o que resulta no pior IDH do mundo. O continente é rico em recursos minerais mas esta riqueza não é utilizada para melhorar a distribuição de renda e a qualidade de vida da população. Veja mapa ao lado.
  • 3.
    Saúde • Na maioriados países africanos, não há condições de atendimento e infraestrutura necessárias que garantem acesso à saúde para a maioria da população. • A África enfrenta inúmeros problemas, especialmente sociais. No entanto, nas últimas décadas uma doença tem impedido o desenvolvimento do continente, a AIDS. A contaminação começou no início dos anos 80, expandindo-se rapidamente, pois em 1990 já existiam 10 milhões de infectados. • O acesso ao saneamento básico alcança menos de 50% da população na maior parte dos países africanos. Ebola é uma doença causada por um vírus de mesmo nome, e seu principal sintoma é a febre hemorrágica, que causa sangramentos em órgãos internos. O vírus é nativo da África e é transmitido pelo contato direto com o sangue, fluidos corporais e tecidos de animais ou pessoas infectadas.
  • 4.
    Atendimento médico • Oacesso a médicos e a medicamentos na África, principalmente na porção Subsaariana, é bastante precário. • As más condições de vida e a precariedade no atendimento médico-hospitalar agravam a disseminação de doenças como malária, febre amarela, ebola e meningite. No entanto, não se pode ignorar que, diante de problemas de saúde, grande parte da população recorre ao saber local, transmitido durante séculos e usado com sucesso no tratamento de algumas doenças.
  • 5.
    A expectativa devida no continente também é baixa quando comparada às médias de outros continentes. Em países como Guiné-Bissau, Serra Leoa, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Zâmbia, esse indicador está abaixo de 50 anos.
  • 6.
    A AIDS • Adoença tem uma participação negativa na configuração do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos países africanos no que diz respeito à esperança de vida, isso porque o índice de mortalidade é alto. • O impacto da AIDS não se restringe somente à perda de vidas, mas também interfere diretamente na composição da PEA (População Economicamente Ativa) dos países, camada da população composta por adultos que se encontram inseridos no mercado de trabalho e podem gerar renda, pois pode comprometer um possível desenvolvimento.
  • 7.
    Na África Subsaarianahá aproximadamente 25 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV, causador da aids, o que representa cerca de 70% dos portadores da doença no mundo. A expansão do vírus HIV na África é resultado • Da falta de assistência médica adequada; • da insuficiência de informação ou de campanhas esclarecedoras; • do desemprego e pobreza; • de hábitos culturais arraigados em detrimento do conhecimento científico.
  • 8.
    Educação • O acessoà educação se mostra especialmente precário na África Subsaariana, principalmente nas áreas rurais. • Na maioria dos países da África há desigualdades quanto à permanência de homens e mulheres nas escolas, visto que, por questões culturais e religiosas, os homens frequentam mais as escolas e as universidades que as mulheres, que têm as menores taxas de alfabetização no continente.
  • 9.
    Pobreza, fome e conflitos AÁfrica é o continente com algumas das piores situações em termos de rendimentos. A fome está presente em vários países, onde muitas vezes grande parte da população sofre de desnutrição crônica, ingerindo menos de 2.400 calorias por dia. Causas naturais Seca, clima, terremotos, inundações, pragas de insetos, falta de chuva e água, falta de semente e muitas outras causas que já deixaram muitos mortos. Causas humanas Conflitos civis, guerras que impedem a chegada de alimentos nas regiões, invasões, destruição de colheitas, distribuição ineficientes dos alimentos e outras
  • 10.
    E a monocultura,qual a sua relação com a fome? A produção monocultora produz reflexos sociais negativos, isso acontece porque o cultivo de alimentos (inhame, mandioca, sorgo), que fazem parte da dieta local, não é produzido para dar lugar a produtos de exportação. Por não serem autossuficientes na produção de alimentos, esses países são obrigados a importar, o que agrava ainda mais os problemas ligados à fome. As melhores terras nas áreas tropicais estão voltadas para os produtos voltados à exportação, herança do período colonial
  • 11.
    O imperialismo europeuna África A crescente industrialização na Europa no século XIX necessitava cada vez mais de matérias-primas para abastecer suas indústrias e de meios para expandir seus mercados consumidores. Diante disso, os países europeus industriais invadiram a África e a retalharam. A Ásia também foi tomada pelas potências europeias. A partilha do continente deu-se de forma arbitrária. A demarcação das fronteiras não respeitou as populações nativas. Tribos rivais ficaram confinadas entre as mesmas fronteiras, enquanto tribos etnicamente relacionadas foram separadas pelos limites estabelecidos. As atuais fronteiras foram traçadas pelos colonizadores europeus sem respeitar a antiga organização tribal e a distribuição geográfica das etnias no continente. A ação dos colonizadores, combinada com outros fatores, resultou em vários problemas econômicos, sociais e territoriais e é responsável por diversos conflitos nesse continente.
  • 12.
    A fragmentação territorial AConferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, reuniu 14 potências do século XIX para debater a ocupação do continente africano. A demarcação das fronteiras não respeitou as populações nativas: grupos rivais ficaram confinados entre as mesmas fronteiras, enquanto grupos etnicamente relacionados foram separados pelos limites estabelecidos que obedeceram somente aos interesses europeus.
  • 14.
    Exploração colonial • Oseuropeus impuseram sua língua, seu modo de vida e sua estrutura administrativa e passaram a retirar minérios e a plantar produtos tropicais. • As populações locais perderam terras para o plantio de lavouras para exportação, o que perdura até hoje. • Com a presença dos europeus, que impuseram sua cultura, alguns grupos se rebelaram e se confrontaram. Como os africanos não tinham armas, foram facilmente derrotados, até porque os europeus possuíam experiência em guerras. • As imposições culturais foram no sentido de fazê-los vestir roupas, já que alguns grupos tribais não tinham esse costume, mudança de hábitos alimentares, mudança da língua e religião (introduzindo o catolicismo), mudança produtiva, enfim, houve a perda da identidade cultural.
  • 15.
    A infraestrutura implantadapelos europeus visava exclusivamente facilitar o escoamento dos produtos que retiravam de suas colônias e levavam para a Europa, como a construção de linhas férreas ligando áreas mineradoras aos portos. Assim sendo, as maiores cidades se localizam no litoral do continente, para onde as populações se deslocaram no período da colonização. A integração dos países africanos no continente permanece pouco articulada. Durante a colonização foram construídas ferrovias e estradas que conectavam o interior (as áreas produtoras de gêneros de exportação) somente aos portos. Esse processo foi denominado sangria do território, já que os recursos eram drenados para o exterior.
  • 16.
    A independência • Coma independência dos territórios coloniais, a partir de meados do século XX, essas fronteiras foram, em linhas gerais, mantidas. • Antigas rivalidades étnicas voltaram à tona e as disputas políticas entre grupos concorrentes com frequência resultaram em golpes de Estado e conflitos armados. • A independência política do continente não foi acompanhada da respectiva independência econômica e financeira, visto que as nações independentes politicamente não conseguiram alterar de forma efetiva as precárias condições de vida da população. Assim sendo, embora tenha ocorrido a descolonização, o processo de estruturação da África enfrenta vários problemas, tais como dificuldades internas que remetem às questões políticas, as lutas tribais, que são heranças da partilha; os governos ditatoriais, que muitas vezes são extremamente corruptos, e a dependência financeira. Em apenas cem dias em 1994, cerca de 800 mil pessoas foram massacradas em Ruanda por extremistas étnicos hutus. Eles vitimaram membros da comunidade minoritária tutsi, assim como seus adversários políticos, independentemente da sua origem étnica.
  • 17.
    Em termos econômicos,os países mantiveram o mesmo modelo exportador de produtos primários, e a indústria praticamente não se desenvolveu. As plantations, um sistema de monocultura em latifúndios priorizando os interesses externos, continuaram ocupando as melhores terras e grande parte das populações da África continuou vivendo da agricultura de subsistência.
  • 18.
    África: inserção global Tema4 – Unidade 8 A economia africana caracteriza-se pelo modelo agrário-exportador, o que coloca o continente em desvantagem no mercado global, já que exporta produtos mais baratos e importa produtos manufaturados.​
  • 19.
    África na economiamundial • Nos últimos anos, a economia africana registrou expressivo crescimento. O PIB do continente triplicou entre 2000 e 2010, atingindo 1,5 trilhão de dólares. • Esse crescimento considerável está relacionado à redução de conflitos armados e às renovadas políticas das classes dirigentes que buscam mais investimentos externos para os países africanos.
  • 20.
    Modelo agrário-exportador Uma característicacomum aos países do continente é o papel preponderante que desempenham na economia mundial como exportadores de produtos primários de baixo valor agregado, como gêneros agrícolas tropicais e recursos minerais ou energéticos.
  • 21.
    O petróleo A partirde meados do século XX, com o desenvolvimento das indústrias petroquímicas no continente, o petróleo ganhou destaque. Hoje, esse recurso natural é extraído principalmente na região do delta do Rio Níger, na Nigéria, além de ser encontrado em países como Gana, Angola, Gabão, Egito, Líbia e Argélia
  • 22.
    Indústria É nas atividadesprimárias que está empregada a maior parte da população economicamente ativa (PEA) dos países africanos, com algumas exceções, como nos casos da África do Sul, Argélia, Egito e Tunísia. A atividade industrial é bem pouco difundida, sendo a África o continente com o menor índice de industrialização no mundo. A exceção é a África do Sul, que apresenta diversificado parque industrial (com indústrias químicas, mecânica, de papel, aeronáutica, automobilística, têxtil, alimentícia, entre outros tipos), sobretudo nos arredores da cidade de Johanesburgo e da Cidade do Cabo. Boa parte das indústrias que atuam em solo africano é composta de transnacionais ou de empresas ligadas a grupos tradicionais da pequena elite africana que concentra os lucros.
  • 23.
    Comércio e serviços •Geralmente as atividades de comércio e serviços absorvem grande parte da mão de obra nas cidades africanas, onde os tipos de comércio — como as feiras, os mercados populares, e os vendedores ambulantes e os transportes — ocorrem na informalidade, ou seja, sem que os impostos devidos dessas atividades sejam pagos e nem os trabalhadores tenham acesso aos seus direitos. • Em alguns desses países, mais de 90% da população trabalha na informalidade. Comércio na beira da estrada próximo a Malawi / África
  • 24.
    Integração econômica nocontexto global Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos se firmaram como o principal parceiro econômico do continente africano. Ainda existem intensas relações entre os ex-colonizadores e suas ex- colônias. O Reino Unido, por exemplo, mantém influência política e econômica por meio do Commonwealth, uma organização intergovernamental formada principalmente por ex-colônias do Império Britânico no mundo (veja mapa no próximo Slide). A organização tem como objetivo a promoção da democracia, dos direitos humanos, da liberdade individual, do igualitarismo, do livre comércio e da paz mundial. Efetivamente, também garante a fluidez dos produtos ingleses às ex-colônias que são dependentes da importação de bens industrializados.
  • 26.
    Relações com aChina É cada vez mais forte a relação que a China vem estabelecendo com os países africanos. Graças a seu elevado crescimento econômico, a China se tornou a segunda maior economia do planeta, com base na atividade industrial. Além de petróleo, a China importa também algodão bruto, cobre, minério de ferro, platina e madeira dos países africanos. Em “troca”, investe em projetos de infraestrutura, tais como a reconstrução de linhas de trem na Angola, incluindo aquela para o porto em Benguela, usada para escoar o cobre do Zâmbia. Novos projetos de barragens estão sendo financiados na Zâmbia, Sudão e Etiópia. A China também está financiando o desenvolvimento de projetos como hospitais e escolas. Apesar de contribuir para o desenvolvimento de países do continente africano, a ação da China é questionada. Muitos acusam os chineses de não transferirem tecnologia para os africanos, usando mão de obra nativa apenas para os postos de trabalho menos qualificados, e os cargos mais altos sendo ocupados pelos próprios chineses.
  • 27.
    União Africana (UA) UniãoAfricana (UA) é a organização internacional que promove a integração entre os países do continente africano nos mais diferentes aspectos. Fundada em 2002 e sucessora da Organização da Unidade Africana (OUA), esta organização , ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento econômico em África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio do programa Nova Parceria para o Desenvolvimento da África.