Lógica proposicional clássica 
= disciplina da Lógica iniciada pelos estóicos (Grécia, séc. III a.C.) 
e desenvolvida no séc. XX. 
Proposição 
= pensamento expresso numa frase declarativa com sentido 
Variável proposicional 
= símbolo que representa uma proposição 
(consoantes maiúsculas a partir do P) 
Forma proposicional 
= estrutura da proposição (sem qualquer conteúdo) 
As variáveis proposicionais surgem nas formas proposicionais
Proposição 
Simples = não tem qualquer operador 
Composta = tem algum operador 
Operador proposicional 
= expressão que acrescentada a uma ou a duas proposições (simples ou compostas) 
forma uma nova proposição 
Ex. 1 
Operador proposicional: “Toda a gente sabe que”. Frase: “Cinco é um número primo” 
Nova frase: “Toda a gente sabe que cinco é um número primo” 
Ex. 2 
Operador proposicional: “e”. Frases: “Sábado vou sair”, “Sábado vou divertir-me”. 
Nova frase: “Sábado vou sair e [sábado vou] divertir-me”
Operador [proposicional] verofuncional 
= aquele que faz com que 
[sabendo-se] o valor de verdade da(s) proposição(ões) sem ele 
determine / [sabe-se] 
o valor de verdade da proposição com ele 
Ex. 1 
operador não verofuncional: 
“O Asdrúbal gostaria que” 
Existe justiça social 
F 
O Asdrúbal gostaria que existisse justiça social 
? 
Operadores 
Unários = aplicam-se a uma proposição 
Binários = aplicam-se a duas proposições
Ex. 2 
Operador verofuncional: 
“É falso que” ou “não” 
É falso que Matosinhos fique a sul do Douro 
V 
Matosinhos fica a sul do rio Douro 
F 
Matosinhos não fica a sul do Douro 
V 
No caso do operador verofuncional “É falso que” ou “não” 
a sua colocação inverte o valor de verdade da proposição primitiva
Ex. 3 
Operador verofuncional: 
“e” 
O Pedro é estudante da ESAG e mora em Lavra 
F 
O Pedro é estudante da ESAG 
V 
O Pedro mora em Lavra 
F 
No caso do operador verofuncional “e” 
basta que uma das proposições intervenientes seja falsa 
para que a formada por elas ligadas pelo operador seja falsa
Ex. 4 
Operador verofuncional: 
“ou” 
A Luísa foi para a escola ou passear 
V 
A Luísa foi para a escola 
V 
A Luísa foi passear 
F 
No caso do operador verofuncional “ou” 
basta que uma das proposições intervenientes seja verdadeira 
para que a formada por elas ligadas pelo operador seja verdadeira
Tabelas de Verdade 
Tabela de verdade 
= dispositivo gráfico 
que exibe os valores de verdade de uma forma proposicional 
em cada uma das condições de verdade 
Condições de verdade 
= circunstâncias que tornam uma proposição verdadeira ou falsa 
Ex. 1 
“Três é um número par” 
Circunstâncias possíveis: I – três ser um número par. II – três não ser um número par. 
Na circunstância I a frase é verdadeira e na circunstância II a frase é falsa.
Ex. 2 
“O Xico caminha gingão e [o Xico] mastiga chiclete.” 
Existem quatro circunstâncias possíveis: 
I – O Xico caminhar gingão (V) e mastigar chiclete (V). 
II – O Xico caminhar gingão (V) e não mastigar chiclete (F). 
III – O Xico não caminhar gingão (F) e mastigar chiclete (V). 
IV – O Xico não caminhar gingão (F) e não mastigar chiclete (F). 
Valor de verdade da frase citada em cada uma das circunstâncias: 
• na circunstância I, a frase é V 
• na circunstância II, a frase é F 
• na circunstância III, a frase é F 
• na circunstância IV, a frase é F 
OBS: 
Com outro operador verofuncional, por exemplo “ou” em lugar de “e”, 
os resultados seriam diferentes (só na circunstância IV é que a frase citada seria F)
Ex. 1 
Tabela de verdade de: 
“2000 não foi um ano bissexto” 
Interpretação: P = 2000 foi um ano bissexto 
P Não P 
V F 
F V 
Proposição 
simples 
envolvida 
Circunstâncias 
possíveis 
Forma 
proposicional 
em questão 
Valores de verdade 
da forma proposicional 
em cada uma 
das circunstâncias 
possíveis
Exs. 2 e 3 
Tabelas de verdade de: 
“No sábado fico em casa e leio um livro” 
e de 
“No sábado fico em casa ou leio um livro” 
Interpretação: P = No sábado fico em casa. Q = No sábado leio um livro. 
P Q P e Q 
V V V 
V F F 
F V F 
F F F 
P Q P ou Q 
V V V 
V F V 
F V V 
F F F 
OBS: 
A tabela de verdade não diz se a proposição é V ou F, 
diz em que circunstâncias a proposição é V ou F.
A 
Quantas linhas tem uma tabela de verdade? 
2n 
Lógica bivalente: 
2 
valores de verdade 
(V e F) 
Número 
de 
variáveis 
Exemplos: 
Uma variável proposicional (P): 2 linhas. Duas variáveis proposicionais (P e Q): 4 linhas. 
Três variáveis proposicionais (P, Q e R): 8 linhas... 
B 
Quantas colunas tem uma tabela de verdade? 
À esquerda: uma coluna em baixo de cada variável proposicional 
À direita: uma coluna em baixo de cada operador
C 
Como se ordenam as linhas? 
Na tabela de verdade têm de estar representadas todas as circunstâncias possíveis 
A completude da tabela de verdade garante-se com uma convenção: à esquerda... 
1.º 
... colocam-se as variáveis proposicionais por ordem alfabética (P, Q, R, ...) 
2.º 
... e debaixo da: 
última (por exemplo R) intercalam-se V e F um a um (VF), 
penúltima (por exemplo Q) intercalam-se V e F dois a dois (VVFF), 
antepenúltima (por exemplo P) intercalam-se V e F quatro a quatro (VVVVFFFF), 
etc.
Disjunção [inclusiva] – operação lógica e designação da proposição composta 
Proposições 
intervenientes 
Linguagem natural 
(frases + operador) 
Formalização 
(variáveis proposicionais 
+ constante lógica) 
Disjuntas 
No Homem existe livre-arbítrio 
ou determinismo 
P∨Q 
P Q P ∨ Q 
V V V 
V F V 
F V V 
F F F 
Regra: 
A disjunção [inclusiva] é falsa quando ambas as disjuntas são falsas
Disjunção Exclusiva – operação lógica e designação da proposição composta 
Proposições 
intervenientes 
Linguagem natural 
(frases + operador) 
Formalização 
(variáveis proposicionais 
+ constante lógica) 
Disjuntas 
Os dias do mês são 
ou pares ou ímpares 
P∨Q 
P Q P ∨ Q 
V V F 
V F V 
F V V 
F F F 
Regra: 
A disjunção exclusiva é verdadeira (falsa) 
se as disjuntas tiverem valores de verdade diferentes (iguais).
OBS: 
“Inclusiva” se inclui a hipótese de ambas as disjuntas serem verdadeiras 
“Exclusiva” se exclui essa hipótese 
“Ou” / “ou... ou...” 
não garante a distinção que tem de se fazer intuitivamente em função do contexto 
Em Filosofia usa-se sobretudo a disjunção inclusiva. 
Variantes: 
O aluno é rapaz a menos que que seja rapariga 
O dia do mês é par a não ser que seja ímpar
Conjunção – operação lógica e designação da proposição composta 
Proposições 
intervenientes 
Linguagem natural 
(frases + operador) 
Formalização 
(variáveis proposicionais 
+ constante lógica) 
Conjuntas 
O Porto é uma cidade 
nortenha e litoral 
P∧Q 
P Q P ∧ Q 
V V V 
V F F 
F V F 
F F F 
Regra: 
A conjunção é verdadeira quando ambas as conjuntas são verdadeiras
Variantes: 
Tanto a conjunção quanto / como a disjunção são operações lógicas 
Quer o vermelho quer o verde são cores nacionais 
Portugal bem como / tal como a Espanha são países ibéricos 
Agosto foi quente mas / apesar de / embora / no entanto ventoso 
Nota: 
A lógica é indiferente a qualquer expressividade...
Condicional ou Implicação – operação lógica e designação da proposição composta 
Proposições 
intervenientes 
Linguagem natural 
(frases + operador) 
Formalização 
(variáveis proposicionais 
+ constante lógica) 
Antecedente e 
Consequente 
Se o individuo é 
português, [então o 
individuo] é europeu. 
Um individuo ser 
português implica que 
seja europeu. 
PQ 
P Q P  Q 
V V V 
V F F 
F V V 
F F V 
Regra: 
A condicional é falsa quando a verdade implica a falsidade.
OBS 1: 
A condicional ou implicação é a operação lógica menos intuitiva 
Declaração X: Se chover, então levo guarda-chuva 
1 – Chove (V) e levo guarda-chuva (V) 
2 – Chove (V) e não levo guarda-chuva (F) 
3 – Não chove (F) e levo guarda-chuva (V) 
4 – Não chove (F) e não levo guarda-chuva (F) 
Em que situações é a declaração X verdadeira ou falsa? 
Nas situações 1 (VV) e 4 (FF) é obviamente verdadeira. 
Na situação 2 (VF) é obviamente falsa. 
Na situação 3 (FV), menos obviamente, também é verdadeira 
(não foi dito o que se faria caso não chovesse, 
não foi dito que se levaria guarda-chuva se, e só se, chovesse)
OBS 2: 
A condicional ou implicação é a operação lógica menos intuitiva 
Se o cidadão é português, então é europeu. 
VV 
FV 
Ser português Ser europeu 
FF 
Onde se representa a hipótese VF no gráfico ?
OBS 3: 
A condicional ou implicação é a operação lógica menos intuitiva 
1 – não importa o valor de verdade 
de cada uma das proposições envolvidas (antecedente e consequente) 
2 – não importa se há realmente conexão entre as proposições 
3 – importa unicamente a relação entre os valores de verdade das proposições 
Exemplos de condicionais verdadeiras: 
“Se a Espanha é uma república, então fica na américa do sul” (FF) 
“Se a Espanha é uma república, então fica na europa” (FV) 
“Se a Espanha é uma monarquia, então fica na europa” (VV) 
Exemplo de condicional falsa 
“Se a Espanha é uma monarquia, então fica na américa do sul” (VF)
OBS 4: 
A condicional ou implicação é o único operador binário que não é comutativo 
(não é indiferente a ordem das proposições antecedente e consequente) 
P Q P  Q Q  P 
V V V V 
V F F V 
F V V F 
F F V V 
Quando o V implica o F a forma proposicional é F 
mas 
Quando o F implica o V a forma proposicional é V
OBS 5: 
As condicionais ou implicações intuitivamente verdadeiras exprimem 
condições suficientes e necessárias 
“Se um individuo é português, então é europeu” 
Condição suficiente 
(basta para...) 
Ser português Ser europeu 
Condição necessária 
(é imprescindível para...)
OBS 6: 
Variantes: 
“Se um individuo é português, então é europeu” 
A 
Ideia sempre presente: o antecedente é condição suficiente do consequente 
Se / caso / no caso de / sempre que o individuo é português, [então] é europeu 
B 
Ideia sempre presente: o consequente é condição necessária do antecedente 
O cidadão [não] é português somente se / [...] a menos que / [...] a não ser que 
for [seja] europeu
Bicondicional ou Equivalência – operação lógica e designação da proposição composta 
Proposições 
intervenientes 
Linguagem natural 
(frases + operador) 
Formalização 
(variáveis proposicionais 
+ constante lógica) 
Equivalentes 
Um número é par se, e só 
se, for divisível por dois. 
Um número ser par 
equivale a ser divisível 
por dois. 
PQ 
P Q P  Q 
V V V 
V F F 
F V F 
F F V 
Regra: 
A bicondicional ou equivalência é verdadeira (falsa) 
se as equivalentes tiverem valores de verdade iguais (diferentes).
OBS: 
Cada uma das proposições equivalentes exprime 
a condição suficiente e necessária do que é expresso pela outra 
e, 
por essa razão, as definições explícitas formulam-se através de equivalências 
Variantes: 
Um número é primo se, e só se / somente se / apenas se, é apenas divisível por si e 
pela unidade 
Dizer que uma figura geométrica é um triângulo equivale a dizer que tem três ângulos 
Homem é animal racional 
Se um número é par é divisível por dois e vice-versa
Negação – operação lógica e designação da proposição composta 
Proposição interveniente 
Linguagem natural 
(frase + operador) 
Formalização 
(variável proposicional + 
constante lógica) 
Matosinhos não fica a sul 
do Douro. 
É falso que Matosinhos 
fique a sul do Douro. 
P 
P P 
V F 
F V 
Regra: 
A negação inverte o valor de verdade da proposição
OBS: 
A negação pode estar implícita: in(m)- / des- / a- / ... 
nem (= e não) 
Variantes 
A situação é indesejável / desagradável /anormal / ... 
Não é verdade que / não é o caso que / Matosinhos seja uma cidade do interior 
O oceano que banha Matosinhos não é o Índico nem o Pacífico
Mnemónica 
P Q ∧ ∨  ∨  
V V V V V F V 
V F F V F V F 
F V F V F V V 
F F F F V F V
Formalização 
1.º 
Colocar a frase na forma canónica 
2.º 
Fazer a interpretação ou o dicionário 
(sempre pela afirmativa) 
3.º 
Formalizar 
(substituir cada frase por uma variável proposicional 
e cada operador por uma constante lógica)
Âmbito dos operadores 
Âmbito do operador = proposição(ões) afetada(s) pelo operador; 
pode ser maior ou menor 
Ao fazer as colunas da tabela de verdade segue-se por ordem crescente 
de âmbito do operador 
(começa-se pela do operador de menor âmbito 
e acaba-se com a do operador de maior âmbito: operador principal) 
1.º (das negações)  [ (P ∧ Q) ∨ R]  S 
2.º (da conjunção) 
3.º (da negação da conjunção) 
4.º (da disjunção) 
5.º (da negação da disjunção) 
6.º (da condicional)
Erros na determinação do âmbito (frequentemente do âmbito da negação) 
resultam em proposições não equivalentes 
Dicionário: P = O aluno chega atrasado. Q = O aluno tem falta 
 (P  Q) 
1.ª 
2.ª 
P  Q) 
1.ª 
2.ª 
É falso que se o aluno chega atrasado, 
tem falta 
Se o aluno não chega atrasado, 
tem falta 
P Q  (P  Q) 
V V F V 
V F V F 
F V F V 
F F F V 
2.ª 1.ª 
P Q P  Q 
V V F V 
V F F V 
F V V V 
F F V F 
1.ª 2.ª 
Nota: dizer “É falso que...” (no início da frase) em vez de “Não” reduz a ambiguidade.
Ambiguidade de âmbito 
Ambiguidade de âmbito = situação em que há mais do que uma maneira 
de entender o âmbito de um operador 
Domingo vou à praia ou leio um livro e vou ao cinema 
As vírgulas (na linguagem natural) tal como os parêntesis (na linguagem da lógica) 
eliminam a ambiguidade 
Domingo vou à praia, 
ou leio um livro e vou ao cinema 
Domingo vou à praia ou leio um livro, 
e vou ao cinema
Domingo vou à praia, 
ou leio um livro e vou ao cinema 
Domingo vou à praia ou leio um livro, 
e vou ao cinema 
Interpretação: P = Domingo vou à praia. Q = Domingo leio um livro. 
R = Domingo vou ao cinema 
P Q R P ∨ (Q ∧ R) 
V V V V V 
V V F V F 
V F V V F 
V F F V F 
F V V V V 
F V F F F 
F F V F F 
F F F F F 
2.ª 1.ª 
P Q R (P ∨ Q) ∧ R 
V V V V V 
V V F V F 
V F V V V 
V F F V F 
F V V V V 
F V F V F 
F F V F F 
F F F F F 
1.ª 2.ª 
Conclusão: as duas proposições não são equivalentes

Unidade 3 cap 1.2 (a)

  • 1.
    Lógica proposicional clássica = disciplina da Lógica iniciada pelos estóicos (Grécia, séc. III a.C.) e desenvolvida no séc. XX. Proposição = pensamento expresso numa frase declarativa com sentido Variável proposicional = símbolo que representa uma proposição (consoantes maiúsculas a partir do P) Forma proposicional = estrutura da proposição (sem qualquer conteúdo) As variáveis proposicionais surgem nas formas proposicionais
  • 2.
    Proposição Simples =não tem qualquer operador Composta = tem algum operador Operador proposicional = expressão que acrescentada a uma ou a duas proposições (simples ou compostas) forma uma nova proposição Ex. 1 Operador proposicional: “Toda a gente sabe que”. Frase: “Cinco é um número primo” Nova frase: “Toda a gente sabe que cinco é um número primo” Ex. 2 Operador proposicional: “e”. Frases: “Sábado vou sair”, “Sábado vou divertir-me”. Nova frase: “Sábado vou sair e [sábado vou] divertir-me”
  • 3.
    Operador [proposicional] verofuncional = aquele que faz com que [sabendo-se] o valor de verdade da(s) proposição(ões) sem ele determine / [sabe-se] o valor de verdade da proposição com ele Ex. 1 operador não verofuncional: “O Asdrúbal gostaria que” Existe justiça social F O Asdrúbal gostaria que existisse justiça social ? Operadores Unários = aplicam-se a uma proposição Binários = aplicam-se a duas proposições
  • 4.
    Ex. 2 Operadorverofuncional: “É falso que” ou “não” É falso que Matosinhos fique a sul do Douro V Matosinhos fica a sul do rio Douro F Matosinhos não fica a sul do Douro V No caso do operador verofuncional “É falso que” ou “não” a sua colocação inverte o valor de verdade da proposição primitiva
  • 5.
    Ex. 3 Operadorverofuncional: “e” O Pedro é estudante da ESAG e mora em Lavra F O Pedro é estudante da ESAG V O Pedro mora em Lavra F No caso do operador verofuncional “e” basta que uma das proposições intervenientes seja falsa para que a formada por elas ligadas pelo operador seja falsa
  • 6.
    Ex. 4 Operadorverofuncional: “ou” A Luísa foi para a escola ou passear V A Luísa foi para a escola V A Luísa foi passear F No caso do operador verofuncional “ou” basta que uma das proposições intervenientes seja verdadeira para que a formada por elas ligadas pelo operador seja verdadeira
  • 7.
    Tabelas de Verdade Tabela de verdade = dispositivo gráfico que exibe os valores de verdade de uma forma proposicional em cada uma das condições de verdade Condições de verdade = circunstâncias que tornam uma proposição verdadeira ou falsa Ex. 1 “Três é um número par” Circunstâncias possíveis: I – três ser um número par. II – três não ser um número par. Na circunstância I a frase é verdadeira e na circunstância II a frase é falsa.
  • 8.
    Ex. 2 “OXico caminha gingão e [o Xico] mastiga chiclete.” Existem quatro circunstâncias possíveis: I – O Xico caminhar gingão (V) e mastigar chiclete (V). II – O Xico caminhar gingão (V) e não mastigar chiclete (F). III – O Xico não caminhar gingão (F) e mastigar chiclete (V). IV – O Xico não caminhar gingão (F) e não mastigar chiclete (F). Valor de verdade da frase citada em cada uma das circunstâncias: • na circunstância I, a frase é V • na circunstância II, a frase é F • na circunstância III, a frase é F • na circunstância IV, a frase é F OBS: Com outro operador verofuncional, por exemplo “ou” em lugar de “e”, os resultados seriam diferentes (só na circunstância IV é que a frase citada seria F)
  • 9.
    Ex. 1 Tabelade verdade de: “2000 não foi um ano bissexto” Interpretação: P = 2000 foi um ano bissexto P Não P V F F V Proposição simples envolvida Circunstâncias possíveis Forma proposicional em questão Valores de verdade da forma proposicional em cada uma das circunstâncias possíveis
  • 10.
    Exs. 2 e3 Tabelas de verdade de: “No sábado fico em casa e leio um livro” e de “No sábado fico em casa ou leio um livro” Interpretação: P = No sábado fico em casa. Q = No sábado leio um livro. P Q P e Q V V V V F F F V F F F F P Q P ou Q V V V V F V F V V F F F OBS: A tabela de verdade não diz se a proposição é V ou F, diz em que circunstâncias a proposição é V ou F.
  • 11.
    A Quantas linhastem uma tabela de verdade? 2n Lógica bivalente: 2 valores de verdade (V e F) Número de variáveis Exemplos: Uma variável proposicional (P): 2 linhas. Duas variáveis proposicionais (P e Q): 4 linhas. Três variáveis proposicionais (P, Q e R): 8 linhas... B Quantas colunas tem uma tabela de verdade? À esquerda: uma coluna em baixo de cada variável proposicional À direita: uma coluna em baixo de cada operador
  • 12.
    C Como seordenam as linhas? Na tabela de verdade têm de estar representadas todas as circunstâncias possíveis A completude da tabela de verdade garante-se com uma convenção: à esquerda... 1.º ... colocam-se as variáveis proposicionais por ordem alfabética (P, Q, R, ...) 2.º ... e debaixo da: última (por exemplo R) intercalam-se V e F um a um (VF), penúltima (por exemplo Q) intercalam-se V e F dois a dois (VVFF), antepenúltima (por exemplo P) intercalam-se V e F quatro a quatro (VVVVFFFF), etc.
  • 13.
    Disjunção [inclusiva] –operação lógica e designação da proposição composta Proposições intervenientes Linguagem natural (frases + operador) Formalização (variáveis proposicionais + constante lógica) Disjuntas No Homem existe livre-arbítrio ou determinismo P∨Q P Q P ∨ Q V V V V F V F V V F F F Regra: A disjunção [inclusiva] é falsa quando ambas as disjuntas são falsas
  • 14.
    Disjunção Exclusiva –operação lógica e designação da proposição composta Proposições intervenientes Linguagem natural (frases + operador) Formalização (variáveis proposicionais + constante lógica) Disjuntas Os dias do mês são ou pares ou ímpares P∨Q P Q P ∨ Q V V F V F V F V V F F F Regra: A disjunção exclusiva é verdadeira (falsa) se as disjuntas tiverem valores de verdade diferentes (iguais).
  • 15.
    OBS: “Inclusiva” seinclui a hipótese de ambas as disjuntas serem verdadeiras “Exclusiva” se exclui essa hipótese “Ou” / “ou... ou...” não garante a distinção que tem de se fazer intuitivamente em função do contexto Em Filosofia usa-se sobretudo a disjunção inclusiva. Variantes: O aluno é rapaz a menos que que seja rapariga O dia do mês é par a não ser que seja ímpar
  • 16.
    Conjunção – operaçãológica e designação da proposição composta Proposições intervenientes Linguagem natural (frases + operador) Formalização (variáveis proposicionais + constante lógica) Conjuntas O Porto é uma cidade nortenha e litoral P∧Q P Q P ∧ Q V V V V F F F V F F F F Regra: A conjunção é verdadeira quando ambas as conjuntas são verdadeiras
  • 17.
    Variantes: Tanto aconjunção quanto / como a disjunção são operações lógicas Quer o vermelho quer o verde são cores nacionais Portugal bem como / tal como a Espanha são países ibéricos Agosto foi quente mas / apesar de / embora / no entanto ventoso Nota: A lógica é indiferente a qualquer expressividade...
  • 18.
    Condicional ou Implicação– operação lógica e designação da proposição composta Proposições intervenientes Linguagem natural (frases + operador) Formalização (variáveis proposicionais + constante lógica) Antecedente e Consequente Se o individuo é português, [então o individuo] é europeu. Um individuo ser português implica que seja europeu. PQ P Q P  Q V V V V F F F V V F F V Regra: A condicional é falsa quando a verdade implica a falsidade.
  • 19.
    OBS 1: Acondicional ou implicação é a operação lógica menos intuitiva Declaração X: Se chover, então levo guarda-chuva 1 – Chove (V) e levo guarda-chuva (V) 2 – Chove (V) e não levo guarda-chuva (F) 3 – Não chove (F) e levo guarda-chuva (V) 4 – Não chove (F) e não levo guarda-chuva (F) Em que situações é a declaração X verdadeira ou falsa? Nas situações 1 (VV) e 4 (FF) é obviamente verdadeira. Na situação 2 (VF) é obviamente falsa. Na situação 3 (FV), menos obviamente, também é verdadeira (não foi dito o que se faria caso não chovesse, não foi dito que se levaria guarda-chuva se, e só se, chovesse)
  • 20.
    OBS 2: Acondicional ou implicação é a operação lógica menos intuitiva Se o cidadão é português, então é europeu. VV FV Ser português Ser europeu FF Onde se representa a hipótese VF no gráfico ?
  • 21.
    OBS 3: Acondicional ou implicação é a operação lógica menos intuitiva 1 – não importa o valor de verdade de cada uma das proposições envolvidas (antecedente e consequente) 2 – não importa se há realmente conexão entre as proposições 3 – importa unicamente a relação entre os valores de verdade das proposições Exemplos de condicionais verdadeiras: “Se a Espanha é uma república, então fica na américa do sul” (FF) “Se a Espanha é uma república, então fica na europa” (FV) “Se a Espanha é uma monarquia, então fica na europa” (VV) Exemplo de condicional falsa “Se a Espanha é uma monarquia, então fica na américa do sul” (VF)
  • 22.
    OBS 4: Acondicional ou implicação é o único operador binário que não é comutativo (não é indiferente a ordem das proposições antecedente e consequente) P Q P  Q Q  P V V V V V F F V F V V F F F V V Quando o V implica o F a forma proposicional é F mas Quando o F implica o V a forma proposicional é V
  • 23.
    OBS 5: Ascondicionais ou implicações intuitivamente verdadeiras exprimem condições suficientes e necessárias “Se um individuo é português, então é europeu” Condição suficiente (basta para...) Ser português Ser europeu Condição necessária (é imprescindível para...)
  • 24.
    OBS 6: Variantes: “Se um individuo é português, então é europeu” A Ideia sempre presente: o antecedente é condição suficiente do consequente Se / caso / no caso de / sempre que o individuo é português, [então] é europeu B Ideia sempre presente: o consequente é condição necessária do antecedente O cidadão [não] é português somente se / [...] a menos que / [...] a não ser que for [seja] europeu
  • 25.
    Bicondicional ou Equivalência– operação lógica e designação da proposição composta Proposições intervenientes Linguagem natural (frases + operador) Formalização (variáveis proposicionais + constante lógica) Equivalentes Um número é par se, e só se, for divisível por dois. Um número ser par equivale a ser divisível por dois. PQ P Q P  Q V V V V F F F V F F F V Regra: A bicondicional ou equivalência é verdadeira (falsa) se as equivalentes tiverem valores de verdade iguais (diferentes).
  • 26.
    OBS: Cada umadas proposições equivalentes exprime a condição suficiente e necessária do que é expresso pela outra e, por essa razão, as definições explícitas formulam-se através de equivalências Variantes: Um número é primo se, e só se / somente se / apenas se, é apenas divisível por si e pela unidade Dizer que uma figura geométrica é um triângulo equivale a dizer que tem três ângulos Homem é animal racional Se um número é par é divisível por dois e vice-versa
  • 27.
    Negação – operaçãológica e designação da proposição composta Proposição interveniente Linguagem natural (frase + operador) Formalização (variável proposicional + constante lógica) Matosinhos não fica a sul do Douro. É falso que Matosinhos fique a sul do Douro. P P P V F F V Regra: A negação inverte o valor de verdade da proposição
  • 28.
    OBS: A negaçãopode estar implícita: in(m)- / des- / a- / ... nem (= e não) Variantes A situação é indesejável / desagradável /anormal / ... Não é verdade que / não é o caso que / Matosinhos seja uma cidade do interior O oceano que banha Matosinhos não é o Índico nem o Pacífico
  • 29.
    Mnemónica P Q∧ ∨  ∨  V V V V V F V V F F V F V F F V F V F V V F F F F V F V
  • 30.
    Formalização 1.º Colocara frase na forma canónica 2.º Fazer a interpretação ou o dicionário (sempre pela afirmativa) 3.º Formalizar (substituir cada frase por uma variável proposicional e cada operador por uma constante lógica)
  • 31.
    Âmbito dos operadores Âmbito do operador = proposição(ões) afetada(s) pelo operador; pode ser maior ou menor Ao fazer as colunas da tabela de verdade segue-se por ordem crescente de âmbito do operador (começa-se pela do operador de menor âmbito e acaba-se com a do operador de maior âmbito: operador principal) 1.º (das negações)  [ (P ∧ Q) ∨ R]  S 2.º (da conjunção) 3.º (da negação da conjunção) 4.º (da disjunção) 5.º (da negação da disjunção) 6.º (da condicional)
  • 32.
    Erros na determinaçãodo âmbito (frequentemente do âmbito da negação) resultam em proposições não equivalentes Dicionário: P = O aluno chega atrasado. Q = O aluno tem falta  (P  Q) 1.ª 2.ª P  Q) 1.ª 2.ª É falso que se o aluno chega atrasado, tem falta Se o aluno não chega atrasado, tem falta P Q  (P  Q) V V F V V F V F F V F V F F F V 2.ª 1.ª P Q P  Q V V F V V F F V F V V V F F V F 1.ª 2.ª Nota: dizer “É falso que...” (no início da frase) em vez de “Não” reduz a ambiguidade.
  • 33.
    Ambiguidade de âmbito Ambiguidade de âmbito = situação em que há mais do que uma maneira de entender o âmbito de um operador Domingo vou à praia ou leio um livro e vou ao cinema As vírgulas (na linguagem natural) tal como os parêntesis (na linguagem da lógica) eliminam a ambiguidade Domingo vou à praia, ou leio um livro e vou ao cinema Domingo vou à praia ou leio um livro, e vou ao cinema
  • 34.
    Domingo vou àpraia, ou leio um livro e vou ao cinema Domingo vou à praia ou leio um livro, e vou ao cinema Interpretação: P = Domingo vou à praia. Q = Domingo leio um livro. R = Domingo vou ao cinema P Q R P ∨ (Q ∧ R) V V V V V V V F V F V F V V F V F F V F F V V V V F V F F F F F V F F F F F F F 2.ª 1.ª P Q R (P ∨ Q) ∧ R V V V V V V V F V F V F V V V V F F V F F V V V V F V F V F F F V F F F F F F F 1.ª 2.ª Conclusão: as duas proposições não são equivalentes