1. A diversidade das relações de trabalho no Brasil:
b) O trabalho na lavoura canavieira..
Professor DUDA COMPRI
HABILIDADES/ COMPETÊNCIAS.
 Compreender a organização social do trabalho como múltipla e
variada, em sociedades etnicamente diversificadas e em diferentes
cenários.
 Explicar as ligações entre o trabalho e as mudanças sociais ocorridas
nas sociedades.
 Estabelecer as ligações e os nexos que unem senhores e escravos nos
diversos espaços de produção do Brasil nos séculos XVI a XIX.
 Relacionar os diferentes processos de trabalho com as mudanças sociais
e econômicas ocorridas no Brasil.
 Compreender a organização social do trabalho nos diversos espaços de
produção no Brasil.
 Compreender as tensões e conflitos entre trabalhadores livres, escravos
e senhores como constituintes do mundo de trabalho.
INÍCIO DA COLONIZAÇÃO
Dois fatores se fizeram presentes para
que Portugal necessitasse iniciar a
colonização do Brasil:
A presença de invasores nas suas
terras americanas, em especial os
franceses;
A perda do monopólio da
exploração nas Índias Orientais.
A solução mercantilista para o início
da colonização foi o estabelecimento do
Plantation e a instalação do sistema de
Capitanias Hereditárias.
A Coroa Portuguesa, com recursos
limitados, delegou a tarefa de
colonização e exploração de
determinadas áreas a particulares,
através da doação de lotes de terra,
sistema utilizado inicialmente com
sucesso na exploração das ilhas
atlânticas.
ADMINISTRAÇÃO DAS CAPITANIAS.
 O Donatário constituía-se na autoridade máxima dentro da própria capitania,
tendo o compromisso de desenvolvê-la com recursos próprios, embora não
fosse o seu proprietário.
 O vínculo jurídico entre o rei de Portugal e cada donatário era estabelecido em
dois documentos: a Carta de Doação, que conferia a posse e recebia também
uma Sesmaria de dez léguas de costa. Devia fundar Vilas, distribuir terras a
quem desejasse cultivá-las.
 O donatário exercia plena autoridade no campo judicial e administrativo para
nomear funcionários e aplicar a justiça, podendo até decretar a pena de morte
para escravos, índios e homens livres.
 A Carta Foral que determinava direitos e deveres, tratava, principalmente, dos
tributos a serem pagos pelos colonos. Definia ainda, o que pertencia à Coroa e
ao Donatário. Se descobertos metais e pedras preciosas, 20% seriam da Coroa e,
ao Donatário caberiam 10% dos produtos do solo. A Coroa detinha o
monopólio do comércio do pau-brasil e de especiarias. O Donatário podia doar
sesmaria aos cristãos que pudessem colonizá-las e defendê-las, tornando-se
assim colonos.
O GOVERNO GERAL (1547/1548)
 No aspecto econômico, o sistema de Capitanias Hereditárias fracassou, em
função da grande distância da Metrópole, da falta de recursos e dos ataques
de indígenas e piratas. As únicas que prosperaram foram: Capitanias de
Pernambuco, que focou no cultivo da cana-de-açúcar, e São Vicente que,
além do açúcar, seus colonos se dedicam ao apresamento de índios para
venda no Nordeste.
 Após a tentativa fracassada de estabelecer as capitanias hereditárias, a
coroa portuguesa estabeleceu no Brasil um Governo-Geral como forma de
centralizar a administração, tendo mais controle da colônia, além de
prestar favor e ajuda aos Capitães Donatários.
 O primeiro governador-geral foi Tomé de Sousa, que recebeu a missão de
combater os indígenas rebeldes, aumentar a produção agrícola no Brasil,
defender o território e procurar jazidas de ouro e prata.
 Também começavam a existir Câmaras Municipais, órgãos políticos
compostos pelos "[homem-bom]". Estes eram os ricos proprietários que
definiam os rumos políticos das vilas e cidades. O povo não podia
participar da vida pública nesta fase.
O SISTEMA DE PLANTATION E O AÇÚCAR:
PLANTATION:
LATIFÚNDIO: O sistema de Capitanias
Hereditárias e as sesmaria determinou a posse
de grandes extensões de terra a uma só pessoa.
AGRO-EXPORTAÇÃO: A produção que
atende ao interesse do mercado externo, sem
levar em consideração o interesse local.
MONOCULTURA: Cultivo de apenas um
produto, no caso, o açúcar, produto lucrativo
na Europa.
ESCRAVISMO: A necessidade de muitos
braços, determina que Portugal opte por essa
forma de exploração do trabalho.
O TRABALHO NA LAVOURA CANAVIEIRA:
 A expedição de Martin Afonso de Sousa em 1530, determinada por D.
João III, O colonizador, deu início a colonização do Brasil.
 A colonização caracterizou-se como um desdobramento da expansão
marítima, por isso atendeu as exigências mercantilistas que levaram a
adoção da agro-manufatura açucareira.
 Escolha esta baseada na rentabilidade do produto, que fazia bastante
sucesso na Europa e na relativa experiência dos lusos nas ilhas atlânticas
(Canárias, Madeira e Açoure), lá existindo inclusive o Sistema de
Capitanias Hereditárias.
 A questão mais séria, era a da mão-de-obra. Considerando a
inviabilidade econômica do trabalho assalariado (oneraria o custo-
produção) iniciou-se utilizando a mão de obra indígena, pois era
barata e acessível, entretanto, diante das exigências operacionais da
exploração indígenas (captura, coerção e controle) e devido ao fato de
que esta mão-de-obra gerar lucros apenas para os colonos, o Estado
português, diante da lucratividade do tráfico negreiro, logo optou pela
mão-de-obra escrava.
ROTAS DO TRÁFICO NEGREIRO
A partir de 1560,
intensificou-se a utilização
da mão-de-obra africana,
rotulada de "peças"
africanas para os
engenhos.
Oriundas de várias
regiões como Guiné,
Angola, eram adquiridos
geralmente mediante
escambo de prisioneiros de
guerra ( aguardente,
tabaco, tecidos etc.).
Transportados pelos
chamados Tumbeiros,
milhares de seres humanos
foram violentamente
trazidos para a colônia
portuguesa no novo
mundo.
O NAVIO NEGREIRO
A viagem para o
Brasil era dramática,
cerca de 40% dos
negros embarcados
morriam durante a
viagem nos porões
dos navios
negreiros, que os
transportavam. Mas
no final da viagem
sempre havia lucro.
Os principais
portos de
desembarque no
Brasil eram a Bahia,
Rio de janeiro e
Pernambuco, de
onde seguiam para
outras cidades.
INTERESSES QUE LEVAM A ADOÇÃO DO TRÁFICO NEGREIRO
 O Tráfico Negreiro interessa a três figuras importantes do sistema
colonial:
 AO ESTADO: Que passa a arrecadar mais impostos com esta atividade,
já que o controle fiscal era efetivado nos portos da África.
 AOS COMERCIANTES PORTUGUESES: Lucram com a atividade, já
que o comércio de índios era mais lucrativo aos colonos.
 À IGREJA: Que vive neste momento o processo da Reforma
Prostestante e sente a perda de muitos fiéis. O tráfico de negros libera a
mão-de-obra indígena para a realização da Catequese e a conquista de
novos fiéis no Novo Mundo.
 OBS: O tráfico negreiro e a conseqüente generalização do trabalho
compulsório no Brasil, relaciona-se diretamente com o processo de
acumulação de capital na metrópole portuguesa, visto que a grande
lavoura colonial não se preocupava em prover o sustento dos
produtores, mas em produzir para o mercado.
O ENGENHO
A FÁBRICA DO AÇÚCAR
O engenho era a unidade de produção onde se localizavam os
canaviais, as plantações de subsistência, a fábrica do açúcar –
com sua moenda, a casa das caldeiras e a casa de purgar, a casa-
grande, a senzala, a capela, a escola e as habitações dos
trabalhadores livres – como o feitor, o mestre do açúcar, os
lavradores contratados, etc.
O trabalho na produção açucareira era tão bem dividido e
sistematizado que recebeu o nome de “agro-manufatura
açucareira” ou “fábrica do açúcar”, uma comparação, ainda que
precária da divisão do trabalho nas fábricas inglesas.
Havia alguns engenhos que produziam exclusivamente cachaça,
um dos produtos utilizados no escambo de negros africanos. Em
outros engenhos produtores de açúcar as destilarias de cachaça
funcionavam como atividades secundárias.
O PROCESSO DA
PRODUÇÃO DO
AÇÚCAR.
Na moenda a cana era
prensada para a extração
da garapa. Na casa das
caldeiras fazia-se a
apuração e a purificação
do caldo, que era aqui
engrossado. Na casa de
purgar, o caldo era
colocado em formas
especiais de barro para
esfriar, até o mestre “dá o
ponto”.
Depois desse processo,
o açúcar era encaixotado
e transportado para
metrópole. Daí, seguia
para a Holanda, onde era
refinado.
“Trabalho na produção de açúcar.” Gravura
do século XVII. Collection Roger-Viollet.
Atente que a gravura pretende demonstrar a intensidade do trabalho feito
por muitos braços.
OS “HOMENS LIVRES”
Os engenhos também mantinham alguns trabalhadores
assalariados, ocupados em ofícios diversos e como
supervisores do trabalho escravo, carpinteiros, mestre de
açúcar etc. Importante frisar que estes “homens livres”
eram totalmente dependente e subordinados ao Senhor de
Engenho, tendo estes o poder de vida e morte sobre
aqueles.
 O engenho arcava com gastos monetários na compra de
animais de tração, de lenha, etc.
Assim, a base econômica da formação social açucareira é o
escravismo; a grande lavoura é uma unidade de produção
que se caracteriza pela enorme extensão de terra e pelo uso
da mão-de-obra escrava.
PIRÂMIDE SOCIAL
DA SOCIEDADE
AÇUCAREIRA.
Em torno do
engenho, um tipo de
sociedade foi
desenvolvida. Suas
características:
Patriarcalismo: o
senhor de engenho
era o patriarca (chefe
masculino), cuja
autoridade era
inquestionável.
Concentrava em
suas mãos o poder
econômico, político e
ideológico.
CONDIÇÕES DE
VIDA DO ESCRAVO
As condições de
vida sub-humana dos
escravos, era
identificada por três
“pês”:
“Pão, Pano e Pau”.
Havia intensa
exploração dos
negros que
realizavam as tarefas
mais árduas no
processo de
beneficiamento da
cana-de-açúcar, além
de sofrerem
inúmeros castigos
corporais.
“Acoite” gravura de Jean Baptiste Debret
Gravura de Jean Baptiste Debret
Jean Baptiste Debret, artista francês, retratou inúmeras
situações do Brasil colonial, entre elas, a condição do
escravo.
A RESISTÊNCIA NEGRA
As formas de resistência opostas pelos escravos à opressão que a
escravidão lhes impunha, ia desde o descaso pelo trabalho e a
danificação dos meios de produção, até a morte de seus algozes e
a fuga para as matas em busca de liberdade.
É certo que, desde o século XVI, houve fugas e a formação de
comunidades de escravos ou quilombos, mas as condições de
escravidão eram tais que se tornava de todo impensável um plano
de revolta geral da massa escrava.
As resistências podiam ser individuais como: fugas, aborto,
suicídio, passividade no trabalho, assassinato, alcoolismo, banzo;
ou ainda poderiam ser coletivas como as revoltas e formação de
quilombos.
As práticas religiosas, consistiram numa evidente forma de
resistência cultural, que mesmo duramente combatidas acharam
no sincretismo praticado pela Igreja Católica uma oportunidade
de sobrevivência.
O SINCRETISMO RELIGIOSO
 Por causa da proibição de cultuar os seus Orixás, os escravos
começaram a associar suas divindades com os santos católicos para
exercerem sua fé disfarçadamente. Aguns exemplos:
 ORIXÁ: Iemanjá - SANTA CATÓLICA: Nossa Senhora da
Conceição:
Iemanjá é a deusa dos grandes rios, mares e oceanos na umbanda, ela é
cultuada como mãe de muitos orixás e identificada com Nossa Senhora
da Conceição - uma das manifestações católicas da Virgem Maria, mãe
de Jesus.
 ORIXÁ: Iansã - SANTA CATÓLICA: Santa Bárbara:
Esposa de Xangô, a Iansã do candomblé e da umbanda é a deusa dos
raios, dos ventos e das tempestades, o mesmo que Santa Bárbara.
 ORIXÁ: Oxalá - SANTO CATÓLICO: Jesus:
Na umbanda e no candomblé, Oxalá é a divindade que criou a
humanidade, por isso se identifica com Jesus, filho de Deus.
QUILOMBO DOS PALMARES
 Os quilombos, representaram a forma de reação coletiva e organizada
de maior impacto na luta dos negros contra a opressão e exploração dos
escravocratas.
 A partir do século XVII proliferaram em todas as partes da colônia. O
mais famoso, foi o de Palmares (1630-1695) que chegou a ocupar uma
área de vinte e sete mil quilômetros quadrados na serra da barriga em
Alagoas, liderados por Zumbir aproximadamente 20 mil escravos
desafiaram a ordem colonial escravista.
 Essa população sobrevivia graças à caça, à pesca, à coleta de frutas e à
agricultura (feijão, milho, mandioca, banana, laranja e cana-de-
açúcar). Complementarmente, praticava o artesanato: (cestas, tecido,
cerâmica e metalurgia).
 Os excedentes eram comercializados com as populações vizinhas, de tal
forma que colonos chegavam a alugar terras para plantio e a trocar
alimentos por munição com os quilombolas.
SERRA DA BARRIGA
NO ESTADO DE
ALAGOAS
No quilombo, os
negros africanos
procuraram se
organizar de acordo
com antigas regras
tribais baseadas na
autoridade local do
chefe de cada um dos
mocambos (núcleos).
Esses chefes estavam
submetidos a Ganga-
Zumba, em cujo
mocambo se reuniam.
Com a morte Ganga-
Zumba, assumiu o
poder em Palmares seu
sobrinho, Zumbi.
ORIGENS DO QUILOMBO DOS PALMARES
Apesar de sua existência datar, aproximadamente, desde 1602,
Palmares tornou-se um núcleo de grandes proporções a partir de
1630 em função da invasão dos holandeses ao Brasil e a
desorganização dos engenhos ocorridas em função deste
processo.
Os Holandeses invadiram o Brasil em duas oportunidades:
1624-1625: Os holandeses invadem a sede do Governo Geral do
Brasil, Salvador, entretanto, com o apoio dos Espanhóis, eles são
expulsos.
1630-1654: A invasão dá-se diretamente ao centro produtor de
açúcar, Recife e Olinda, no início houve forte resistência, mas
logo os senhores de engenho entenderem que uma injeção de
capital proposta por Maurício de Nassau e uma administração
mais liberal auxiliariam o desenvolvimento dos seus negócios.
Nessa oportunidade, houve grande fuga de negros dos engenhos.
ZUMBI DOS
PALMARES.
Zumbi nasceu em
Palmares, Alagoas, livre, no
ano de 1655, mas foi
capturado e entregue a um
Missionário quando tinha
aproximadamente seis anos.
Batizado 'Francisco', Zumbi,
aprendeu Português e
latim, e ajudava
diariamente na celebração
da missa. Apesar destas
tentativas de aculturá-lo,
Zumbi escapou em 1670 e
retornou ao seu local de
origem.
Zumbi se tornou
conhecido pela sua destreza
e astúcia na luta e já era um
estrategista militar
respeitável quando chegou
aos vinte e poucos anos.
A REPRESSÃO DA METRÓPOLE
Com a expulsão dos holandeses,
acentuou-se a carência de mão-de-obra
para a retomada de produção dos engenhos
de açúcar da região.
Dado o elevado preço dos escravos
africanos, os ataques a Palmares
aumentaram, visando a recaptura de seus
integrantes.
A prosperidade de Palmares, por outro
lado, atraía atenção e receio, e o governo
colonial sentiu-se obrigado a tomar
providências para afirmar o seu poder
sobre a região, Palmares funcionava
como um pólo de atração para os
escravos.
Foram necessárias, entretanto, cerca de
dezoito expedições, organizadas desde o
período de dominação holandesa, para
erradicar definitivamente o Quilombo dos
Palmares.
Busto de Zumbi do Palmares
em Brasília.
A DESTRUIÇÃO DE PALMARES
Após várias investidas relativamente
infrutíferas contra Palmares, o governador
da Capitania de Pernambuco, contratou o o
Bandeirante Domingos Jorge Velho para
erradicar de vez a ameaça dos escravos
fugitivos na região.
Em janeiro de 1694, após um ataque
frustrado, as forças do bandeirante
iniciaram uma empreitada vitoriosa, com
um contingente de seis mil homens, bem
armados e municiados, inclusive com
artilharia.
Um quilombola, Antônio Soares, foi
capturado e, mediante a promessa de
Domingos Jorge Velho de que seria
libertado em troca da revelação do
esconderijo do líder, Zumbi foi encurralado
e morto em uma emboscada, a 20 de
novembro de 1695.
O Bandeirante Domingos
Jorge Velho.
20 DE NOVEMBRO
DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
PARA REFLETIR

trabalhonalavouracanavieira.ppt

  • 1.
    1. A diversidadedas relações de trabalho no Brasil: b) O trabalho na lavoura canavieira.. Professor DUDA COMPRI
  • 2.
    HABILIDADES/ COMPETÊNCIAS.  Compreendera organização social do trabalho como múltipla e variada, em sociedades etnicamente diversificadas e em diferentes cenários.  Explicar as ligações entre o trabalho e as mudanças sociais ocorridas nas sociedades.  Estabelecer as ligações e os nexos que unem senhores e escravos nos diversos espaços de produção do Brasil nos séculos XVI a XIX.  Relacionar os diferentes processos de trabalho com as mudanças sociais e econômicas ocorridas no Brasil.  Compreender a organização social do trabalho nos diversos espaços de produção no Brasil.  Compreender as tensões e conflitos entre trabalhadores livres, escravos e senhores como constituintes do mundo de trabalho.
  • 3.
    INÍCIO DA COLONIZAÇÃO Doisfatores se fizeram presentes para que Portugal necessitasse iniciar a colonização do Brasil: A presença de invasores nas suas terras americanas, em especial os franceses; A perda do monopólio da exploração nas Índias Orientais. A solução mercantilista para o início da colonização foi o estabelecimento do Plantation e a instalação do sistema de Capitanias Hereditárias. A Coroa Portuguesa, com recursos limitados, delegou a tarefa de colonização e exploração de determinadas áreas a particulares, através da doação de lotes de terra, sistema utilizado inicialmente com sucesso na exploração das ilhas atlânticas.
  • 4.
    ADMINISTRAÇÃO DAS CAPITANIAS. O Donatário constituía-se na autoridade máxima dentro da própria capitania, tendo o compromisso de desenvolvê-la com recursos próprios, embora não fosse o seu proprietário.  O vínculo jurídico entre o rei de Portugal e cada donatário era estabelecido em dois documentos: a Carta de Doação, que conferia a posse e recebia também uma Sesmaria de dez léguas de costa. Devia fundar Vilas, distribuir terras a quem desejasse cultivá-las.  O donatário exercia plena autoridade no campo judicial e administrativo para nomear funcionários e aplicar a justiça, podendo até decretar a pena de morte para escravos, índios e homens livres.  A Carta Foral que determinava direitos e deveres, tratava, principalmente, dos tributos a serem pagos pelos colonos. Definia ainda, o que pertencia à Coroa e ao Donatário. Se descobertos metais e pedras preciosas, 20% seriam da Coroa e, ao Donatário caberiam 10% dos produtos do solo. A Coroa detinha o monopólio do comércio do pau-brasil e de especiarias. O Donatário podia doar sesmaria aos cristãos que pudessem colonizá-las e defendê-las, tornando-se assim colonos.
  • 5.
    O GOVERNO GERAL(1547/1548)  No aspecto econômico, o sistema de Capitanias Hereditárias fracassou, em função da grande distância da Metrópole, da falta de recursos e dos ataques de indígenas e piratas. As únicas que prosperaram foram: Capitanias de Pernambuco, que focou no cultivo da cana-de-açúcar, e São Vicente que, além do açúcar, seus colonos se dedicam ao apresamento de índios para venda no Nordeste.  Após a tentativa fracassada de estabelecer as capitanias hereditárias, a coroa portuguesa estabeleceu no Brasil um Governo-Geral como forma de centralizar a administração, tendo mais controle da colônia, além de prestar favor e ajuda aos Capitães Donatários.  O primeiro governador-geral foi Tomé de Sousa, que recebeu a missão de combater os indígenas rebeldes, aumentar a produção agrícola no Brasil, defender o território e procurar jazidas de ouro e prata.  Também começavam a existir Câmaras Municipais, órgãos políticos compostos pelos "[homem-bom]". Estes eram os ricos proprietários que definiam os rumos políticos das vilas e cidades. O povo não podia participar da vida pública nesta fase.
  • 6.
    O SISTEMA DEPLANTATION E O AÇÚCAR: PLANTATION: LATIFÚNDIO: O sistema de Capitanias Hereditárias e as sesmaria determinou a posse de grandes extensões de terra a uma só pessoa. AGRO-EXPORTAÇÃO: A produção que atende ao interesse do mercado externo, sem levar em consideração o interesse local. MONOCULTURA: Cultivo de apenas um produto, no caso, o açúcar, produto lucrativo na Europa. ESCRAVISMO: A necessidade de muitos braços, determina que Portugal opte por essa forma de exploração do trabalho.
  • 7.
    O TRABALHO NALAVOURA CANAVIEIRA:  A expedição de Martin Afonso de Sousa em 1530, determinada por D. João III, O colonizador, deu início a colonização do Brasil.  A colonização caracterizou-se como um desdobramento da expansão marítima, por isso atendeu as exigências mercantilistas que levaram a adoção da agro-manufatura açucareira.  Escolha esta baseada na rentabilidade do produto, que fazia bastante sucesso na Europa e na relativa experiência dos lusos nas ilhas atlânticas (Canárias, Madeira e Açoure), lá existindo inclusive o Sistema de Capitanias Hereditárias.  A questão mais séria, era a da mão-de-obra. Considerando a inviabilidade econômica do trabalho assalariado (oneraria o custo- produção) iniciou-se utilizando a mão de obra indígena, pois era barata e acessível, entretanto, diante das exigências operacionais da exploração indígenas (captura, coerção e controle) e devido ao fato de que esta mão-de-obra gerar lucros apenas para os colonos, o Estado português, diante da lucratividade do tráfico negreiro, logo optou pela mão-de-obra escrava.
  • 8.
    ROTAS DO TRÁFICONEGREIRO A partir de 1560, intensificou-se a utilização da mão-de-obra africana, rotulada de "peças" africanas para os engenhos. Oriundas de várias regiões como Guiné, Angola, eram adquiridos geralmente mediante escambo de prisioneiros de guerra ( aguardente, tabaco, tecidos etc.). Transportados pelos chamados Tumbeiros, milhares de seres humanos foram violentamente trazidos para a colônia portuguesa no novo mundo.
  • 9.
    O NAVIO NEGREIRO Aviagem para o Brasil era dramática, cerca de 40% dos negros embarcados morriam durante a viagem nos porões dos navios negreiros, que os transportavam. Mas no final da viagem sempre havia lucro. Os principais portos de desembarque no Brasil eram a Bahia, Rio de janeiro e Pernambuco, de onde seguiam para outras cidades.
  • 10.
    INTERESSES QUE LEVAMA ADOÇÃO DO TRÁFICO NEGREIRO  O Tráfico Negreiro interessa a três figuras importantes do sistema colonial:  AO ESTADO: Que passa a arrecadar mais impostos com esta atividade, já que o controle fiscal era efetivado nos portos da África.  AOS COMERCIANTES PORTUGUESES: Lucram com a atividade, já que o comércio de índios era mais lucrativo aos colonos.  À IGREJA: Que vive neste momento o processo da Reforma Prostestante e sente a perda de muitos fiéis. O tráfico de negros libera a mão-de-obra indígena para a realização da Catequese e a conquista de novos fiéis no Novo Mundo.  OBS: O tráfico negreiro e a conseqüente generalização do trabalho compulsório no Brasil, relaciona-se diretamente com o processo de acumulação de capital na metrópole portuguesa, visto que a grande lavoura colonial não se preocupava em prover o sustento dos produtores, mas em produzir para o mercado.
  • 11.
  • 12.
    A FÁBRICA DOAÇÚCAR O engenho era a unidade de produção onde se localizavam os canaviais, as plantações de subsistência, a fábrica do açúcar – com sua moenda, a casa das caldeiras e a casa de purgar, a casa- grande, a senzala, a capela, a escola e as habitações dos trabalhadores livres – como o feitor, o mestre do açúcar, os lavradores contratados, etc. O trabalho na produção açucareira era tão bem dividido e sistematizado que recebeu o nome de “agro-manufatura açucareira” ou “fábrica do açúcar”, uma comparação, ainda que precária da divisão do trabalho nas fábricas inglesas. Havia alguns engenhos que produziam exclusivamente cachaça, um dos produtos utilizados no escambo de negros africanos. Em outros engenhos produtores de açúcar as destilarias de cachaça funcionavam como atividades secundárias.
  • 13.
    O PROCESSO DA PRODUÇÃODO AÇÚCAR. Na moenda a cana era prensada para a extração da garapa. Na casa das caldeiras fazia-se a apuração e a purificação do caldo, que era aqui engrossado. Na casa de purgar, o caldo era colocado em formas especiais de barro para esfriar, até o mestre “dá o ponto”. Depois desse processo, o açúcar era encaixotado e transportado para metrópole. Daí, seguia para a Holanda, onde era refinado.
  • 14.
    “Trabalho na produçãode açúcar.” Gravura do século XVII. Collection Roger-Viollet. Atente que a gravura pretende demonstrar a intensidade do trabalho feito por muitos braços.
  • 15.
    OS “HOMENS LIVRES” Osengenhos também mantinham alguns trabalhadores assalariados, ocupados em ofícios diversos e como supervisores do trabalho escravo, carpinteiros, mestre de açúcar etc. Importante frisar que estes “homens livres” eram totalmente dependente e subordinados ao Senhor de Engenho, tendo estes o poder de vida e morte sobre aqueles.  O engenho arcava com gastos monetários na compra de animais de tração, de lenha, etc. Assim, a base econômica da formação social açucareira é o escravismo; a grande lavoura é uma unidade de produção que se caracteriza pela enorme extensão de terra e pelo uso da mão-de-obra escrava.
  • 16.
    PIRÂMIDE SOCIAL DA SOCIEDADE AÇUCAREIRA. Emtorno do engenho, um tipo de sociedade foi desenvolvida. Suas características: Patriarcalismo: o senhor de engenho era o patriarca (chefe masculino), cuja autoridade era inquestionável. Concentrava em suas mãos o poder econômico, político e ideológico.
  • 17.
    CONDIÇÕES DE VIDA DOESCRAVO As condições de vida sub-humana dos escravos, era identificada por três “pês”: “Pão, Pano e Pau”. Havia intensa exploração dos negros que realizavam as tarefas mais árduas no processo de beneficiamento da cana-de-açúcar, além de sofrerem inúmeros castigos corporais.
  • 18.
    “Acoite” gravura deJean Baptiste Debret
  • 19.
    Gravura de JeanBaptiste Debret Jean Baptiste Debret, artista francês, retratou inúmeras situações do Brasil colonial, entre elas, a condição do escravo.
  • 20.
    A RESISTÊNCIA NEGRA Asformas de resistência opostas pelos escravos à opressão que a escravidão lhes impunha, ia desde o descaso pelo trabalho e a danificação dos meios de produção, até a morte de seus algozes e a fuga para as matas em busca de liberdade. É certo que, desde o século XVI, houve fugas e a formação de comunidades de escravos ou quilombos, mas as condições de escravidão eram tais que se tornava de todo impensável um plano de revolta geral da massa escrava. As resistências podiam ser individuais como: fugas, aborto, suicídio, passividade no trabalho, assassinato, alcoolismo, banzo; ou ainda poderiam ser coletivas como as revoltas e formação de quilombos. As práticas religiosas, consistiram numa evidente forma de resistência cultural, que mesmo duramente combatidas acharam no sincretismo praticado pela Igreja Católica uma oportunidade de sobrevivência.
  • 21.
    O SINCRETISMO RELIGIOSO Por causa da proibição de cultuar os seus Orixás, os escravos começaram a associar suas divindades com os santos católicos para exercerem sua fé disfarçadamente. Aguns exemplos:  ORIXÁ: Iemanjá - SANTA CATÓLICA: Nossa Senhora da Conceição: Iemanjá é a deusa dos grandes rios, mares e oceanos na umbanda, ela é cultuada como mãe de muitos orixás e identificada com Nossa Senhora da Conceição - uma das manifestações católicas da Virgem Maria, mãe de Jesus.  ORIXÁ: Iansã - SANTA CATÓLICA: Santa Bárbara: Esposa de Xangô, a Iansã do candomblé e da umbanda é a deusa dos raios, dos ventos e das tempestades, o mesmo que Santa Bárbara.  ORIXÁ: Oxalá - SANTO CATÓLICO: Jesus: Na umbanda e no candomblé, Oxalá é a divindade que criou a humanidade, por isso se identifica com Jesus, filho de Deus.
  • 22.
    QUILOMBO DOS PALMARES Os quilombos, representaram a forma de reação coletiva e organizada de maior impacto na luta dos negros contra a opressão e exploração dos escravocratas.  A partir do século XVII proliferaram em todas as partes da colônia. O mais famoso, foi o de Palmares (1630-1695) que chegou a ocupar uma área de vinte e sete mil quilômetros quadrados na serra da barriga em Alagoas, liderados por Zumbir aproximadamente 20 mil escravos desafiaram a ordem colonial escravista.  Essa população sobrevivia graças à caça, à pesca, à coleta de frutas e à agricultura (feijão, milho, mandioca, banana, laranja e cana-de- açúcar). Complementarmente, praticava o artesanato: (cestas, tecido, cerâmica e metalurgia).  Os excedentes eram comercializados com as populações vizinhas, de tal forma que colonos chegavam a alugar terras para plantio e a trocar alimentos por munição com os quilombolas.
  • 23.
    SERRA DA BARRIGA NOESTADO DE ALAGOAS No quilombo, os negros africanos procuraram se organizar de acordo com antigas regras tribais baseadas na autoridade local do chefe de cada um dos mocambos (núcleos). Esses chefes estavam submetidos a Ganga- Zumba, em cujo mocambo se reuniam. Com a morte Ganga- Zumba, assumiu o poder em Palmares seu sobrinho, Zumbi.
  • 24.
    ORIGENS DO QUILOMBODOS PALMARES Apesar de sua existência datar, aproximadamente, desde 1602, Palmares tornou-se um núcleo de grandes proporções a partir de 1630 em função da invasão dos holandeses ao Brasil e a desorganização dos engenhos ocorridas em função deste processo. Os Holandeses invadiram o Brasil em duas oportunidades: 1624-1625: Os holandeses invadem a sede do Governo Geral do Brasil, Salvador, entretanto, com o apoio dos Espanhóis, eles são expulsos. 1630-1654: A invasão dá-se diretamente ao centro produtor de açúcar, Recife e Olinda, no início houve forte resistência, mas logo os senhores de engenho entenderem que uma injeção de capital proposta por Maurício de Nassau e uma administração mais liberal auxiliariam o desenvolvimento dos seus negócios. Nessa oportunidade, houve grande fuga de negros dos engenhos.
  • 25.
    ZUMBI DOS PALMARES. Zumbi nasceuem Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um Missionário quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado 'Francisco', Zumbi, aprendeu Português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar destas tentativas de aculturá-lo, Zumbi escapou em 1670 e retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.
  • 26.
    A REPRESSÃO DAMETRÓPOLE Com a expulsão dos holandeses, acentuou-se a carência de mão-de-obra para a retomada de produção dos engenhos de açúcar da região. Dado o elevado preço dos escravos africanos, os ataques a Palmares aumentaram, visando a recaptura de seus integrantes. A prosperidade de Palmares, por outro lado, atraía atenção e receio, e o governo colonial sentiu-se obrigado a tomar providências para afirmar o seu poder sobre a região, Palmares funcionava como um pólo de atração para os escravos. Foram necessárias, entretanto, cerca de dezoito expedições, organizadas desde o período de dominação holandesa, para erradicar definitivamente o Quilombo dos Palmares. Busto de Zumbi do Palmares em Brasília.
  • 27.
    A DESTRUIÇÃO DEPALMARES Após várias investidas relativamente infrutíferas contra Palmares, o governador da Capitania de Pernambuco, contratou o o Bandeirante Domingos Jorge Velho para erradicar de vez a ameaça dos escravos fugitivos na região. Em janeiro de 1694, após um ataque frustrado, as forças do bandeirante iniciaram uma empreitada vitoriosa, com um contingente de seis mil homens, bem armados e municiados, inclusive com artilharia. Um quilombola, Antônio Soares, foi capturado e, mediante a promessa de Domingos Jorge Velho de que seria libertado em troca da revelação do esconderijo do líder, Zumbi foi encurralado e morto em uma emboscada, a 20 de novembro de 1695. O Bandeirante Domingos Jorge Velho.
  • 28.
    20 DE NOVEMBRO DIADA CONSCIÊNCIA NEGRA
  • 29.