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07/05/2011

TOXICOFILIAS
Psicanalista Bruno Chagas
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As Toxicofilias investigam os problemas
derivados dos desdobramentos
causados pelo uso abusivo de SPA
(Substâncias Psicoativas) ao longo do
desenvolvimento da personalidade do
Sujeito indicando seus descaminhos e
desarranjos.
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Na etimologia da palavra temos:
• A palavra "Toxikon" tem origem grega e
significa veneno das flechas (usado na caça
desde a antiguidade).
• A palavra “philia” também de origem grega
e significa Forte inclinação ou afeição
doentia a alguma coisa; pendor, obsessão,
mania: necro (corpo morto), etc.
Logo temos em mente o individuo que tem
uma forte tendência utilizar um veneno.

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Observamos atualmente em nossa
contemporaneidade que este devido tema
merece uma grande atenção e investigação, uma
vez que é sabido que o álcool e a droga são
considerados, na atualidade, um grande
problema sob diversos aspectos. O uso de
produtos tóxicos tem efeitos que se desdobram
de várias formas na tessitura social. As
conseqüências do alcoolismo e da toxicomania
reverberam na forma de altas cifras no sistema
de saúde, na previdência social, no sistema
carcerário, judiciário, etc.
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VOLTANDO AO PASADO...
O homem faz uso de substâncias
psicotrópicas desde os tempos mais
remotos. Alguns estudiosos consideram
que determinados desenhos e pinturas
encontrados em pesquisas arqueológicas
possam ter sido inspirados após transe
provocado por algum tipo de droga.

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Os ancestrais estimulados pela fome,
procuravam ervas, raízes, folhas, flores,
sementes, fungos (cogumelos) etc.,descobrindo
acidentalmente que ingerindo algumas dessas
substâncias, poderiam ocorrer náuseas, malestar, convulsões, ou sentiriam mais força e
disposição para a caça e a sobrevivência; ou
ainda mais tranqüilos apesar dos perigos que
os ameaçavam. Também observaram que em
algumas ocasiões ocorriam alucinações que
“alimentavam a alma”.
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07/05/2011

assim ao longo do tempo foram acumulando
conhecimento que começaram a ser transmitidos
de geração em geração.
Estes conhecimentos eram utilizados principalmente
para aliviar dores e promover curas, fortalecendo
estes indivíduos com um grande poder dentro da
comunidade, que passaram a ter “status” de
feiticeiros e sacerdotes, quando também a religião
se fortalecia entre eles.

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O álcool, como substância lícita, participa
dos hábitos e costumes da humanidade,
desde tempos longínquos. Incorporado
até mesmo na eucaristia cristã, o vinho
representa o sangue do Cristo e celebra a
comunhão dos homens em sua fé.

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07/05/2011

A mesma Bíblia que narra essa história, adverte,
contudo, quanto à possibilidade do excesso. Noé
e Ló são exemplos que se mostram ilustrativos
nesse sentido. Se retrocedermos ainda mais na
história, encontraremos tanto a presença do
álcool, quanto os relatos da embriaguez. Baco,
para os romanos, e Dioniso, para os gregos, são
divindades pagãs que eram homenageadas em
celebrações e festins regados a álcool. Esses
eventos seriam impensáveis, sem o uso do
apreciado produto.
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Drogas
X
Contexto
X
Harmonia
Aura sagrada de
origem divina
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Que perspectivas as Toxicofilias podem trazer ao
nosso entendimento, veremos então a seguir
diversos pontos de vistas sobre o assunto,
sabemos que o modo de olhar influencia as
conclusões de cada um sobre o assunto.

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A Psicanálise
• Inserida no contexto da Reforma
Psiquiátrica e integrada na Saúde Mental, a
Psicanálise pode e deve contribuir com seus
subsídios para iluminar este terreno
obscuro, pois é uma boa oportunidade para
uma visão e uma leitura mais atenciosa de
alguma articulações teóricas sobre o
assunto.
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07/05/2011

A droga e o álcool no texto freudiano
Freud escreveu alguns
textos encontrados de
forma periférica em sua
obra sobre o assunto
álcool e drogas, mas o
assunto nunca se
tornou o foco de seus
estudos.
Psicanalista Bruno Chagas
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• O psicanalista se serve do assunto quando, por
exemplo, as alterações químicas causadas pelas
substâncias inebriantes, dão-lhe suporte aos
argumentos, auxiliando nas suas construções
teóricas em relação ao funcionamento psíquico ou
ainda na explanação do mecanismo de estados
patológicos específicos. Pode-se pensar que suas
observações sobre a relação do sujeito com os
produtos tóxicos permitem-no fazer considerações
importantes sobre aspectos relativos à economia
libidinal.
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07/05/2011

Über coca
• Num momento pré-psicanalítico, Freud
empreendeu algumas pesquisas com a
cocaína, produto que, naquele momento,
era relativamente novo para a Medicina e
ainda não havia sido encontrada sua
propriedade farmacológica mais
adequada.
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Freud teve acesso a autores que discutiram
sobre a cocaína. Entre eles, o Dr. Theodor
Aschenbrandt que, na publicação entitulada
“O efeito fisiológico e a importância do
muriato de cocaína sobre o organismo
humano”, relatava uma experiência ocorrida
no outono de 1863, na qual havia
administrado a droga a um batalhão da
artilharia bávara, durante manobras militares.
Aschenbrandt relata que a:
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propriedade “milagrosa” descrita por Mantegazza,
Moreno y Maïz, pelo Dr. Unanue, por von Tschudi,
etc.; que, em doses pequenas, o muriato de cocaína
– como se encontrava disponível para mim –
capacita muito mais o homem a suportar grande
esforço, fome e sede; e que, de fato, a cocaína deve
ser considerada um nutriente benéfico para os
nervos.

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Erythoxylon coca
• Outro autor a que Freud teve acesso foi
W. H. Bentley, médico e advogado, que
escreveu o artigo “Erythoxylon coca nos
vícios do ópio e do álcool”, publicado em
julho de 1878, na New Preparations. O
autor justifica seus achados nos
seguintes termos:
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Em pequenas quantidades, o ópio e o álcool
são estimulantes; levados adiante, são
hipnóticos; e, de acordo com a quantidade
ingerida, podem se transformar em venenos
narcóticos e causar até a morte. O habito de
usar se é contraído exatamente como o do
outro e, ao ser levado a um grau
suficientemente alto, torna-se irresistível.
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Pelo menos, este é o caso de quase todas as
vítimas... Ora, se a vítima do ópio ou do álcool
pudesse encontrar um preparado que
produzisse o seu estímulo costumeiro sem
deixar um sentimento de depressão, ela
poderia, com um pequenino exercício da
vontade, abandonar o vício e recuperar o seu
estado normal.
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• Na erythoxylon coca encontramos exatamente
esse elemento, pois, embora em doses
apropriadas ela seja capaz de produzir a
sensação mental mais exaltada, de um êxtase
muito maior do que qualquer coisa já
experimentada com o ópio ou o álcool, seus
efeitos se extinguem gradualmente após
algumas horas, deixando uma sensação de
alegre serenidade, à qual não se seguirá
qualquer depressão.
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• Tendo tido acesso a essa literatura
“panfletária” sobre a droga, Freud resolve
fazer algumas experiências. A curiosidade
freudiana parece se animar por um elemento
de natureza econômica acerca de um ganho
de energia observável a partir do uso da
cocaína. Em suas experiências, consoante com
suas fontes, Freud observou como o produto
era capaz de restabelecer o organismo
cansado, diminuir a fadiga, interferir no sono,
suprimindo sua necessidade.
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Segundo ele, o produto permitia um
ganho energético diante de desgastes
oriundos do exercício de atividades, ou
até mesmo em processos patológicos
como a neurastenia e a depressão, “a
depressão, como qualquer outra
manifestação neurótica, diminui a
sensação de energia e de virilidade; a
cocaína a restaura”.
JONES, E. A vida e a obra de Sigmund Freud. Vol. 1. Tradução Júlio Castañon
Guimarães. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1989. p. 95.

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Destacou, ainda, um aspecto analgésico e
anestésico, proveniente do uso da cocaína,
elemento que foi mais fartamente explorado
por Carl Koller e Leopold Königstein,
contemporâneos de Freud.
Para Freud essas pesquisas traziam questões
sobre uma energia que se ganha e que se
perde. Em seus estudos sobre a cocaína, um
aspecto de natureza econômica que norteou
toda sua lógica sobre o funcionamento do
aparelho psíquico parece estar de forma
embrionária no espírito de Freud.
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“A sexualidade na etiologia das
neuroses” (1898/1987)
Em “A sexualidade na etiologia das neuroses”
(1898/1987), Freud advertiu que os narcóticos
poderiam servir de substitutos da falta de
satisfação sexual. A masturbação era
comparada a um vício, da mesma maneira
que se encontra o “hábito” à droga.
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Adesividade e Tenacidade
Freud faz uma afirmação que nos parece
interessante destacar. Enquanto discorre
sobre a masturbação, fala das dificuldades
que se apresentam ao médico para se
tratar deste “vício”. Segundo o autor, há
uma adesividade (Propriedade que tem um corpo de aderir a outro.)
e uma tenacidade (Apego obstinado a uma idéia, a um projeto;
persistência.) ao recurso da masturbação.
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• Ele destaca: “Entregue a si mesmo, o
masturbador está acostumado, sempre que
acontece alguma coisa que o deprime, a
retornar a sua cômoda forma de satisfação”.
• Vol. III. 262
• O hábito dessa forma se apresenta com as
mesmas características de outros vícios. Se
na condução dos tratamentos para romper o
vício, o médico se contentar apenas em
privar o paciente da substância narcótica,
seu sucesso será meramente aparente.
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• Para Freud, o clínico deve se importar com a
fonte donde brotaria a necessidade
imperativa. O autor faz também uma
afirmação que ainda é muito atual: “A
pesquisa mais minuciosa geralmente mostra
que esses narcóticos visam a servir – direta
ou indiretamente – de substitutos da falta de
satisfação sexual; e sempre que a vida
sexual normal não pode ser restabelecida,
podemos contar, com certeza, com uma
recaída do paciente”.
• FREUD, S. Vol. III p. 262.
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• A atualidade desse enunciado parece apontar
para o aspecto de satisfação substitutiva oriunda
desta forma de satisfação. É corrente ainda na
contemporaneidade a idéia de que a satisfação
tóxica se encontra na posição de sucedâneo da
satisfação sexual. Deve-se levar em conta, porém,
que, nesse tipo de substituição, falta o valor fálico.
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Os chistes e o álcool como fator de
supressão da repressão
“Os chistes e sua relação com o inconsciente”
(1905/1977) faz referências ao uso do álcool, e a
embriaguez etílica é apresentada como um recurso
para driblar a repressão. Tal formulação leva Freud
a fazer uma aproximação dos efeitos colhidos num
chiste com a embriaguez, exatamente sob o aspecto
da supressão da repressão que o dito chistoso e a
exaltação etílica comportam.
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• Quando Freud demonstra o funcionamento da
técnica do chiste, aponta que a fonte de
obtenção do prazer colhido pelos falantes se dá
pela via da produção de um nonsense, um
efeito de absurdo que ocorre mediante um
recurso linguajeiro. Do chiste advém uma
experiência prazerosa porque ele interfere na
natureza econômica na “despesa psíquica ou
de um aliviamento da compulsão da crítica”
• Vol. VIII. p. 124
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• Nesse texto, o autor fala das
“Bierschwefel” (cervejadas),
os ditos espirituosos e
nonsense aos quais de tão bom
grado se entregam os
estudantes universitários.
Neles, “o estudante tenta
recuperar seu prazer na
liberdade de pensar, da qual
vai sendo mais e mais privado
pela aprendizagem da
instrução acadêmica”.
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Um efeito primário do álcool é efetivamente

diminuir o efeito da repressão. É dessa
qualidade que Freud fala:
Uma mudança no estado de espírito é o mais precioso dom
do álcool à humanidade e, devido a isso, o “veneno” não é
igualmente indispensável para todos. Uma disposição
eufórica, produzida endogenamente ou por via tóxica,
reduz as forças inibidoras, entre as quais o senso crítico,
tornando de novo acessíveis fontes de prazer sobre as
quais pesava a supressão.
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• Podemos também colher um efeito de
supressão na repressão, quando
escutamos a fala espirituosa do homem
embriagado. No apontamento freudiano,
chiste e embriaguez revelam o fio de um
mesmo princípio, no qual algo relativo à
censura é suprimido.
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Sobre o casamento feliz
Privilegiamos um “eixo” na
leitura do texto freudiano,
que é a droga como uma
espécie de tratamento ao
mal estar e também a
idéia de um enlace com o
produto, principalmente a
idéia do casamento feliz.
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Na série Contribuições à psicologia do
amor, no texto intitulado “Sobre a
tendência universal à depreciação na
esfera do amor” (1912/1970), Freud faz
elaborações sobre o antagonismo entre a
civilização e as moções pulsionais. Ele
sustenta a impossibilidade de harmonia
que existe entre os clamores de nossos
instintos sexuais e as exigências da
civilização
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O autor constata a precária junção entre as
moções afetivas e as moções sexuais, no que
se refere à escolha do objeto para sujeitos do
sexo masculino. Algo que parece uma
impossibilidade se estabelece no desfecho do
encontro amoroso. Uma operação de
rebaixamento do objeto surge como précondição necessária para que o sujeito possa
desejar.
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A observação freudiana destaca que há uma
clivagem em curso entre as moções afetivas e as
moções sexuais; e que, no homem, a eleição da
parceria amorosa considera uma exclusão: ou bem
se deseja ou bem se ama. Ao homem é possível
desejar, desde que se faça um rebaixamento
necessário de seu objeto – a mulher numa posição
inferiorizada – como uma prostituta.
Por outro lado, ele pode amar, mantendo a parceira
numa posição idealizada, de um objeto digno ao
amor, como o modelo do amor materno.
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Freud comenta ainda sobre os
obstáculos que se fazem necessários
erigir para que se torne mais valoroso
o atrativo do objeto. Ele estabelece
uma relação entre a qualidade da
satisfação e o acesso ao objeto.
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• No texto, Freud pergunta: “será verdade que, com a
satisfação do instinto, seu valor psíquico sempre cai
na mesma proporção?”
• Adiante, porém, afirma que existe algo que se
configura como uma relação harmoniosa: o
“casamento feliz” do bebedor com o vinho; neste
modo de satisfação, “o hábito reforça o vínculo que
prende o homem à espécie de vinho que ele bebe”.
• FREUD, S. Vol. XI. p. 193.
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• O bebedor não precisa aumentar suas
dificuldades ao acesso ao seu produto para que
tenha aumentada, proporcionalmente, a
qualidade de sua satisfação.

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• Lecoeur usa esta referência de Freud para
comentar sobre a relação do sujeito com um
produto: “A relação do bebedor com o vinho
faz exceção às modalidades da escolha do
objeto e, mais geralmente, às condições da
relação de amor”.
• LECOEUR, B. O homem embriagado – Estudos psicanalíticos sobre a
toxicomania e o alcoolismo, 1992. p. 20.

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• E lembra que o casamento é, de modo geral,
matéria de escárnio face às poucas satisfações
que proporciona: “o casamento apoia-se sobre
um amor antes de tudo miserável, pois
procura suprir a incapacidade da pulsão
sexual para reunir homem e mulher. Por isso o
casamento com o vinho é fora do comum, visto
que ele não se importa com os impasses do
sexo”.
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• O casamento feliz é um casamento que,
paradoxalmente, pretere o Outro. O casamento do
bebedor com o vinho visa contornar os efeitos do
encontro com o outro sexo.
• O modelo de um casamento feliz, que é tão distante
das condições reais nas quais ocorrem os
investimentos entre a libido e seus objetos, é
enunciado na relação do bebedor com o vinho como
o apanágio de um encontro feliz.
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• Nas relações entre os
homens com seus
objetos, obstáculos se
agigantam, sendo
necessários processos
como uma clivagem ou
um afastamento do
objeto para fazer seu
valor crescer, mas isto
não é o que podemos
constatar na relação do
bebedor com o vinho.

• O copo é um parceiro mudo que não faz
demandas nem solicitações. Este tipo de
relação “feliz” com um objeto produz uma
situação insólita, já que se apresenta de forma
contrária às relações afetivas que só fazem
denunciar suas impossibilidades intrínsecas,
reforçadas por suas raízes no processo
civilizatório.
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A escolha do parceiro amoroso, o
encontro com o outro sexo é sem
proporção, é o que surge como uma
constatação possível, e o alcoolista
parece querer se furtar deste
encontro.
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Mania e embriaguez
Em “Luto e melancolia” (1917/1974), Freud
aproxima a embriaguez alcoólica do
estado de mania, sendo que a forma de
exaltação encontrada nos dois estados
fornece ao psicanalista a possibilidade de
fazer uma analogia entre os quadros
psíquicos.
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O luto, habitualmente, diz respeito à
perda de um objeto ou de algo que seja
caro ao paciente. Compreende um
processo que cursa com a retirada da
libido do objeto que não se encontra mais
disponível e se faz acompanhar de um
processo sofrível, mas compreendido
como natural, não patológico.
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• Na melancolia, o paciente também se ressente de
uma perda, que tanto pode ser de um objeto, quanto
algo de natureza mais ideal. A melancolia, contudo,
adquire uma coloração mais sombria e cursa com uma
importante perturbação da auto-estima. No luto, o
mundo se encontra mais pobre e vazio; e, na

melancolia, é o próprio eu que se encontra neste estado.
•

FREUD, S. Luto e melancolia (1915) Vol. XIV. p. 251.

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Freud fará então um paralelo entre a
melancolia e a mania, localizando-as
como desordens que lutam com o mesmo
“complexo”. A diferença seria que a
melancolia sucumbe ao complexo e a
mania o domina ou o põe de lado. A
observação dos estados que surgem na
mania, a alegria, a exultação etc.,
depende de condições econômicas.
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Freud ilustra, dizendo que tais estados
ocorrem quando um grande dispêndio de
energia que era forçosamente imposto ao
paciente de repente se faz desnecessário,
liberando a quota de energia que se
encontrava mobilizada para tal finalidade.
Assim, a energia se encontrará disponível
para toda sorte de aplicações de descarga.
Ele diz:
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quando uma longa e árdua luta se vê afinal coroada de êxito, ou
quando um homem se encontra em condições de desfazer, de um
só golpe, de uma compulsão opressiva, alguma posição falsa que
teve que manter por muito tempo... Todas essas situações se
caracterizam pela animação, pelos sinais de descarga de emoção
jubilosa e por maior disposição para todas as espécies de ação –
da mesma maneira que na mania, e em completo contraste com a
depressão e a inibição melancólica.
• FREUD, S. Vol. XIV p. 259.

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Freud nos diz que a mania é um triunfo dessa
natureza e localiza: “A embriaguez alcoólica,
que pertence à mesma classe de estados, pode
(na medida que é exaltação) ser explicada da
mesma maneira; aqui, provavelmente, ocorre
uma suspensão, produzida por toxinas, de
dispêndios de energia na repressão”.

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Mais uma vez um aspecto
de natureza econômica
orienta o raciocínio do
psicanalista, de modo a
permiti-lo fazer uma
aproximação entre o
produto inebriante e
uma alteração psíquica.
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“O mal estar na civilização”
(1930/1974)
O uso de substâncias inebriantes figura como
uma via de tratamento que o sujeito utilizaria
para balizar os efeitos das pesadas pressões
que sofre mediante o processo da civilização.
A droga permitiria satisfações substitutivas,
alterando a sensibilidade, amortecendo o
encontro com o Outro.
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Nesta obra Freud sustenta que a vida do
homem na civilização, longe de ser uma
promessa de felicidade, configura-se como
fonte de intermináveis restrições, fator de
repressão, origem de mal-estares diversos,
que acaba por trazer ao homem muito mais
exigências que benesses.

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• Freud repertoria nesse texto
as fontes essenciais do malestar: nosso corpo
condenado à decrepitude, a
grandeza dos fenômenos da
natureza em contrapartida à
fragilidade do homem e,
finalmente, suas relações
com os outros homens.
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A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para
nós; proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções
e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não
podemos dispensar as medidas paliativas. „Não
podemos passar sem construções auxiliares. Existem
talvez três medidas desse tipo: derivativos
poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa
desgraça; satisfações substitutivas, que a diminuem;
e substâncias tóxicas, que nos tornam insensíveis a
ela. Algo desse tipo é indispensável.
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• As “construções auxiliares”
(Hilfskonstruktionen) surgem como medidas
possíveis, alternativas que o homem busca
para atenuar o sofrimento. A técnica do uso da
droga produz uma ação no corpo, “altera a sua
química”, mostrando-se um método grosseiro e
eficaz com a produção de sensações prazerosas
e “alterando, também, tanto as condições que
dirigem nossa sensibilidade, que nos tornamos
incapazes de receber impulsos desagradáveis”.
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Ao produzir uma ação tópica tão eficiente, essa via
que toma as proporções de um “tratamento” revelase aparentemente de grande eficácia.
Freud destaca o valor que o uso de produtos tóxicos
adquire como um lugar permanente na economia
libidinal, tanto de indivíduos quanto de povos. Isso
ocorre face à produção do prazer imediato, do grau
de independência do mundo externo, das
privilegiadas condições de sensibilidade encontradas
num mundo próprio quando se lança mão deste
eficiente “amortecedor de preocupações”
(Sorgenbrecher)
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Freud destaca o risco eminente de soluções que
consideram “o gozo antes da cautela”. No que
diz respeito à droga como solução, adverte
quanto ao risco inerente à nocividade deste
método. O uso de droga como tratamento do malestar é considerado por ele um “desperdício de
uma grande quota de energia que poderia ser
empregada para o aperfeiçoamento do destino
humano”.
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O uso de um produto como
tratamento possível ao malestar revela dessa forma
seus aspectos nocivos: o
refúgio num mundo próprio,
uma negligência com
aspectos do laço social que,
conforme Santiago:
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• “não pode ser apreendido senão a partir do
caráter cínico inerente à solução própria do
método químico de intoxicação, que, em
última instância, atinge o elemento autístico e
solitário desse modo de satisfação
substitutivo”, a satisfação tóxica determina o
desvio da satisfação sexual.
• SANTIAGO, J. A droga do toxicômano: uma
parceria cínica na era da ciência. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. p. 110.
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“O que parece importante, nessa
consideração sobre a parceria com a
droga, é o investimento maciço do sujeito
no produto, num movimento que o
promove a objeto único, encobrindo os
outros com sua sombra terrível.”

• Freud faz um paralelo sem precedentes entre a
droga e o sintoma, considerando este último
pela via da satisfação substitutiva. Da mesma
maneira que a fuga para a doença nervosa
como uma satisfação substitutiva pode se
configurar uma técnica vital, surge também a
intoxicação crônica para alguns sujeitos como
uma saída possível, de acordo com Freud:

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“O homem que, em anos posteriores,
vê sua busca da felicidade resultar
em nada ainda pode encontrar
consolo no prazer oriundo da
intoxicação crônica, ou então se
empenhar na desesperada tentativa de
rebelião que se observa na psicose.”
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• Santiago destaca no texto de Freud a
intoxicação crônica e a satisfação substitutiva.
Para este autor, a hipótese que deriva é a de
que Freud coloca a droga como “uma técnica
de substituição oriunda da insuficiência da
satisfação substitutiva do sintoma” e, a partir
disso, conclui que o interesse de Freud era
“acentuar na toxicomania, a posição do sujeito
quanto à saída do sintoma”

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O Tratamento que não é válido.
A idéia freudiana que a droga seria
para o sujeito uma espécie de
tratamento, supondo a idéia de um
bem estar possível ou para uma
tentativa de obtenção de prazer, mas
isso não é o que observamos
totalmente.
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Na toxicomania, o remédio se
transforma em veneno, visto que sua
ação parece não considerar dosagens
terapêuticas. Pelo contrário, vemos
um excesso que, na forma de um
imperativo, deixa algo transbordar,
produzindo inumeráveis efeitos
colaterais.
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07/05/2011

Seria a Toxicofilia uma nova forma de
sintoma?
A toxifilia é um conceito relativamente
novo que aparece no contexto da
Revolução Industrial. Não é um conceito
proveniente da clínica, mas, antes, da
idéia de saúde pública do fim do século
XIX
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Com o progresso da Química, que permitiu a extração
de alcalóides da papoula e da coca, vem à cena uma
proliferação de produtos cada vez mais poderosos,
como a morfina (1804), a cocaína (1860) e a heroína
(1874). Surgem também instrumentos
revolucionários para a Medicina, que visam uma
otimização em suas aplicações, como, por exemplo,
a seringa hipodérmica (1840), permitindo a
administração de drogas diretamente na corrente
sangüínea. De uma maneira absolutamente natural,
esses novos produtos originários do mundo médico
são introduzidos na vida social.
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07/05/2011

O enlace entre o
desenvolvimento tecnológico
e a criação e a oferta de
produtos produz o surgimento
de demandas nos mercados de
consumo. A droga pode ser
pensada nesse contexto como
apenas mais um entre tantos
outros elementos que a
ciência descobriu ou
potencializou.
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Os gadjets
Permitem a utopia do acesso a todos de modo
igualitário, quase regulador, na produção de
uma espécie de gozo uniformizado. Surgem
como necessários e capazes de realizar o
impossível. Essas próteses que anulam a
relação do homem com a falta, tamponam a
divisão subjetiva. Objetos que a ciência liga
aos homens, existindo para que o sujeito
possa deles gozar.
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“com a oferta criei a demanda”
A máxima de Lacan, encontra nos produtos e no
discurso do capitalismo uma encarnação fiel. A
droga na modernidade surge paradoxalmente
como um desses objetos que foi, senão
necessariamente criado, ao menos virtualmente
otimizado por avanços tecnológicos.

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O uso que se faz da droga na
atualidade poderia ser pensado nessa
vertente, como um tratamento, no
qual o sujeito se utiliza do pharmakon.
Porém, na toxicomania, assistiremos
algo que retorna de modo paradoxal,
como um remédio sem boa medida –
“um remédio que se torna veneno”
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• É o imperativo da obtenção de objetos, que
funciona como maneira de tratar a falta.
• A toxicomania surge como substituto das
formas usuais de manifestação dos
sintomas. Sabemos que os sintomas
habituais das neuroses, conforme propõe
Freud, portam uma dimensão de
ciframento e são passíveis de interpretação.
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Pressupõe uma divisão subjetiva, a ação
do recalque e do subseqüente retorno do
recalcado. Como diz Miller: “Alguma
coisa se cifra e se decifra, sem dúvida, nas
formações do inconsciente. Isto é evidente
em Freud. Mas também, para Freud,
alguma coisa se satisfaz no que se cifra e
se decifra”.
MILLER, J. A. Os seis paradigmas do gozo. Orientação Lacaniana. Os seis
paradigmas do gozo. Opção Lacaniana. Nº 26-27, abril, 2000. p. 88.
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• Maurício Tarrab adverte-nos quanto às
características destes “novos sintomas”: “A
toxicomania, a bulimia, a anorexia, os ataques
do pânico e tudo o mais que colocarmos neste
saco estão muito próximos do que Lacan
chamava a operação selvagem do sintoma, e
vão na contramão da vertente simbólica do
sintoma como mensagem. É o sintoma que não
pede nada, que é a fixação de gozo.”
TARRAB, M. Produzir novos sintomas.
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FIGUEIRÓ, A. M. C. L. Seminários. Agenda EBP. Minas Gerais: Instituto de
Psicanálise e Saúde Mental, agosto, 2003. p. 11.

Portadora da pulsão de morte, a clínica do consumo
é a clínica do aniquilamento do sujeito em sua
repetição, em sua solução ao mal-estar
contemporâneo. É por isso que fazemos de seu
campo os sintomas da nossa atualidade, que, ao
banalizar os ideais e ignorar as particularidades,
globaliza-se em seu apetite de consumo frenético,
na oferta em escala crescente dos objetos para a
satisfação e até mesmo nas extrapolações de um
bem-estar.
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Sem dúvida alguma, a subjetividade de nossa
época se encontra de tal modo afetada pelas
exigências do mercado, nutrido, ele próprio,
pela fabricação ininterrupta de objetos
ofertados pela ciência, que ela acaba por ter
perdidas as suas referências; ela acaba, enfim,
por ser consumida em seu próprio consumo.

FIGUEIRÓ, A. M. C. L. Seminários. Agenda EBP. Minas Gerais: Instituto de
Psicanálise e Saúde Mental, agosto, 2003. p. 11.
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O toxicômano, nesse
contexto, é este
sujeito que traz um
paradoxo
interessante: ele é
um consumidorconsumido.

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O capitalismo que manda gozar
Segundo Lacan a Psicanálise se funda em um cenário que
se podia localizar-se no seio da vida social um declínio da
imago paterna. A Viena de Freud é um local de
confluências, um centro efervescente de toda a sorte de
pessoas que buscavam oportunidades. Em meio a esta
situação assistimos diversas novas configurações familiares
frutos deste momento socio-econômico, e esse caminho se
rompe com o modelo clássico da família patriarcal, que
pouco a pouco vai se declinando.
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• Esse declínio produzia o que Lacan identificou, em “Os
complexos familiares”, como uma crise psicológica. A imago
paterna, na figura de seus representantes e substitutos,
claudica. Assim, Lacan anuncia como colhe na sua
experiência a personalidade desse pai que surge; “sempre de
algum modo carente, ausente, humilhada, dividida ou postiça.

É essa carência que, de acordo com nossa concepção do
Édipo, vem estancar tanto o ímpeto instintivo quanto a
dialética das sublimações”.
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• Mas a constatação que se pode fazer é que a
instância paterna, como o que pode organizar
as formas de gozo, apresenta-se, desde Freud
e, sobretudo com Lacan, em franca
decadência. Lacan diz que as neuroses daquela
época já se revelavam intimamente
dependentes das condições da família. Quando
a Psicanálise surgiu, já começava a decadência
das referências ligadas ao ideal, já vacilavam
os semblantes da cultura.
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Colhemos os efeitos...
“O complexo de Édipo é cada
vez menos a lei que estrutura o
gozo. A lei de ferro do mercado
impõe cada vez mais um outro
modo de estruturação do gozo
que não passa pela função do
pai”.
BENTES, L. De que padece o sujeito?
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Como diz Mandil:
“A cultura já não se ordena mais a partir
dos ideais. Estes não estão mais no lugar
de causa do desejo. Nesse lugar se
instalou o ganho de gozo, ratificado pela
chuva de objetos que caem sobre nossas
cabeças, tornados acessíveis pelos mais
diversos caminhos”.
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É na medida em que um sujeito pode usufruir alguns
produtos que lhe é garantido status social, que surge
na forma de reconhecimento pelo Outro. É um Outro
que nomeia e produz reconhecimento pela palavra.
„Eu sou‟, é uma nomeação que o sujeito recebe do
Outro. Miller nos aponta:

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Do lado do Outro, é o acolhimento, o
registro, a avaliação do sentido
subjetivo que culmina no
reconhecimento. Se Lacan se liga, desta
forma, ao tema do reconhecimento, a
ponto de fazer do desejo de
reconhecimento o desejo mais profundo
do sujeito, é na medida que, esse
reconhecimento implica uma satisfação
da ordem da comunicação.

Na atualidade, este enunciado „eu sou‟,
encontra-se fortemente identificado com o
produto que o sujeito pode consumir. E o
sujeito hoje, de certa maneira, é reconhecido
na marca que consome, tomando forma no
seguinte enunciado: „eu tenho, eu sou‟.

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É o que Lacan vai chamar de “pequenas fatias
de gozo”, “Tudo que nos é permitido gozar o é
por pedacinhos... Vemos nosso mundo cultural
se inundar dos substitutos do gozo que são os
nadicas de nada. São essas pequenas fatias de
gozo que conferem seu estilo próprio ao nosso
modo de vida e ao nosso modo-de-gozar”.

MILLER J. A. Os seis paradigmas do gozo. Os seis paradigmas do gozo.
Opção Lacaniana. Nº 26-27, abril, 2000. p. 100.
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• O sujeito, dessa forma, onde
se pensa gozador, é gozado.
• E mais do que senhor de uma
situação, ele parece ser dela
escravo. O efeito disso é o
que retorna como insatisfação
insolúvel. Uma repetição
conduz o sujeito à sensação
de que ele acaba por voltar
sempre ao mesmo lugar.
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Algo transborda como
impossível de localizar, e
isto se deve ao fato de que
os objetos não conseguem
tamponar o que é uma
falta estrutural.
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Essa busca pelos objetos, por esses gadgets
supostamente capazes de produzir alívio, está
fadada ao insucesso. A observação feita por
Freud, em “O mal estar na civilização”
(1929), sobre a intoxicação química como um
método de tratamento contra o sofrimento,
permanece nesse sentido absolutamente atual.
Nos nossos dias, porém, não é apenas a droga
que se oferece a esse propósito, ela é apenas
mais um, entre infinitos produtos.
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A proibição designa o objeto de gozo e,
por isto mesmo, sustenta o desejo. Não há
nenhuma proibição sobre o que ninguém
quer. O ordenamento „Não mentirás‟
produz o desejo de mentir. “Nesse „Não
mentirás‟ como lei, está incluída a
possibilidade da mentira como desejo
mais fundamental”.
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O Gozo...
“O sujeito é resultado de uma perda, a qual é
estrutural e estruturante”.
Mas o toxicômano é visto no imaginário social
como um sujeito que não se curva muito bem a
isso, poderíamos o considerar como um
demissionário do falo.

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“O gozo fálico é o que se sustenta nas
relações de poder, de competição social e nas
relações de trabalho, que envolvem dinheiro,
produção e poder. O toxicômano é aquele que
se recusa a participar dessas relações,
colocando-se à margem delas”.

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A toxicomania é alardeada como
um problema social, podemos
pensar que isto ocorre em face
dessa espécie de casamento que o
sujeito produz com a droga e o
subseqüente rompimento com as
relações sociais.

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No imaginário social é visto como um ser
degenerado entregue a voracidades. A colocação em
questão do que é suposto ser um tratamento
procurado na droga faz com que ele se torne ameaça
à ordem social, de vez que se verifica um vínculo
exclusivo que ocorre na forma de uma desmedida.
As drogas atuam como uma nova forma de
responder ao sofrimento, e o toxicômano surge
como aquele que não se submete a nenhum interdito
– ele não quer saber.
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Foge das formas homogeneizadas de gozo
impostas pela ordem social.
Assim, surge o toxicômano como um
indivíduo identificado ao gozo. Nesse sentido,
a toxicomania aparece como um paradigma do
sujeito moderno, um sujeito submetido,
empurrado ao consumo e identificado a um
objeto mais de gozar produzido pela indústria.

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A Droga é sobretudo a solução
Então, tal modo de gozo, diferente dos modos
admitidos pelo discurso dominante, faz com
que o fenômeno de consumo de drogas se
torne sintomático e insuportável pelo Outro
social. A toxicomania aparece como um fato
social designado logo à primeira vista como
sintoma da civilização, como sintoma do
Outro, pois, de fato, do lado do sujeito, a droga
é, sobretudo, uma solução.

Para o toxicômano, a droga
permite evitar o mal estar
do encontro com o Outro
sexo. A droga é uma
solução à angústia do
desejo do Outro, e do
encontro com o Outro
sexo.
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07/05/2011

Simmel
Ele cogitou que “O supereu alcoólico
é solúvel em álcool”. A investigação
dessa hipótese serviu como ponto de
start que nos levou a uma leitura
acerca do conceito de supereu.

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A vítima da melancolia embriaga o guardião, o
supereu, com o veneno. Assim elimina os
objetos no eu. Aparentemente nesse estado de
mania ele se torna condescendente ao veneno.
Como o supereu está paralisado pela toxina
(temporariamente castrado) cessam as
demandas. Ele se torna incapaz de mediar seus
interesses de auto-preservação, entre a realidade
externa e interna.
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• “a idéia de que o sujeito que adere ao consumo
excessivo de álcool, quase sempre, carrega
consigo as conseqüências devastadoras de um
supereu severo e exigente”.
• Assim, pensando o uso da droga ancorado na
linha evolucionista da libido que orienta a
relação com os objetos, a droga revelaria os
efeitos de uma fixação pré-genital, na qual as
satisfações substitutivas derivadas de seu uso
serviriam de suporte a um prazer não
genitalizado.
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A toxicomania é a tentativa do
sujeito de reprimir o que se falhou
pelo trabalho do recalque.
Bruno Chagas

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As amnésias posteriores nos
obrigam a pensar que a
embriaguez produz um “evento
sem sujeito”.
LECOEUR, B. Por que o supereu não é solúvel no álcool – O homem
embriagado – Estudos psicanalíticos sobre a toxicomania e o alcoolismo.
Centro Mineiro de Toxicomania – FHEMIG – Conferências da V Jornada
do CMT, Belo Horizonte, 1992. p. 73.

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• O supereu, como um precipitado que se
forma no eu, guarda os resíduos dessas
identificações. O supereu só é herdeiro, porque
guarda dentro a marca de uma lei que não se
apaga, “dando expressão permanente à
influência dos pais, ela perpetua a existência
dos fatores a que deve sua origem
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FREUD, S. O ego e o id (1923) Vol. XIX.. p. 64.
Freud, em “O eu e o isso”, revela-nos sobre o caráter
compulsivo do supereu, que opera no sujeito como um
imperativo categórico. O supereu permanece acessível às
influências externas posteriores, mas conserva a característica
de se manter afastado do eu e dominá-lo. O supereu traz o selo
de suas origens: “Tal como a criança esteve sob a compulsão
de obedecer aos seus pais, assim o eu se submete ao
imperativo categórico do seu supereu”.
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• Na medida em que vai localizando
como se manifestam na clínica as
relações entre eu, isso e supereu,
Freud encontra várias vezes a
presença do sentimento de culpa e é
levado a fazer considerações acerca
do assunto. Ele circunscreve o
sentimento de culpa como um
sinalizador entre as tensões
existentes entre o eu e o supereu.

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•

A culpa seria a própria expressão de uma condenação do supereu
dirigida ao eu. Freud vai apontar que esse sentimento pode ser um

poderoso empecilho ao tratamento, que pode se manifestar na forma
de uma reação terapêutica negativa, e diz ainda que se trata de: “um
sentimento de culpa, que está encontrando sua satisfação na doença e
se recusa a abandonar a punição do sofrimento”. A culpa surgiria
como resultado de injunções super-euóicas no eu.

• FREUD, S. Vol. XIX p. 62.

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• Os aspectos paradoxais do supereu parecem se
aplicar aos excessos em curso nas toxicomanias,
ainda que estas considerações não tenham sido
concebidas no âmbito da questão do álcool e da
droga. Essa posição parece aceitável porque não
observamos no toxicômano a debilitação de um
supereu da lei moral, mas, antes, a irrupção de
um imperativo sem sentido, resíduos de um
supereu que exorta e ordena ao sujeito que goze.
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“Nada força ninguém a gozar,
senão o supereu. O supereu é o
imperativo de gozo – goza!”.
LACAN, J. O seminário – Livro 20: Mais ainda 1985. p. 11.

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A tentativa do toxicômano de fugir à
submissão fálica, o conduz a um encontro com
um gozo que pode ser verdadeiramente
aniquilante. Furtar-se à circunscrição que o
gozo fálico produz, leva a um encontro
terrificante com um gozo que não conhece o
limite.

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O supereu do homem embriagado nos mostra
uma forma brutal do gozo que desconhece os
caminhos do prazer
O tratamento que o toxicômano visa revela
inúmeros efeitos colaterais. Se o toxicômano
supõe encontrar nos paraísos artificiais
conforto para a dor de existir na civilização, se
ele chega mesmo a lutar por este direito,
adiante se revelará o gozo como a outra face
do prazer.
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• Onde o toxicômano vê uma liberdade, ele
encontra a servidão.
• Essa visada sobre a toxicomania, permite
localizar, sobretudo, o aspecto da satisfação
substitutiva oriunda do tratamento que o
sujeito encontra no uso da droga. A
toxicomania ganha, assim, os contornos de um
curto-circuito na satisfação sexual.
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Usar a droga é uma forma de evitar todos os
embaraços que o encontro com o Outro sexo
coloca para um sujeito. O copo é um parceiro
mudo e o alcoolista costuma dizer mesmo com
muita freqüência que, em sua militância, ele
estava casado com o copo.
E não importa o divórcio com o laço social.
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• É a partir do Outro que se estabelece a dialética das
relações do sujeito e todo um campo se organiza a
partir das funções e atribuições que o Outro
delimita. Submeter-se ao significante fálico permite
que um sujeito funcione a partir da determinação de
atribuições, norma edipiana que normatiza um
sujeito, masculino ou feminino. Assim, romper com
o faz-pipi é tentar romper com toda a sorte de
atribuições que um sujeito sexuado comporta em
relação ao serviço sexual.
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O toxicomaníaco goza pedaço por pedaço, e
tudo que encontra é uma insatisfação
inarredável. Quando a lei não opera,
encontramos uma condição de anomia e um
Outro gozador nos impele mais e mais: goze,
goze além dos limites, goze até o seu próprio
fim.
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Mais concepções
sobre as
Toxicofilias:
UNESCO
CID-10
Jean Bergeret

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07/05/2011

A ADICÇÃO
Ódio, amor, coragem, medo, sexualidade,
conflito edipiano e vincular estão sempre
presentes nos sentimentos humanos, mas a
forma de senti-los e de expressá-los varia de
acordo com os sistemas repressores
desenvolvidos pelos controles sociais ao
significar e re-significar as manifestações
pulsionais.
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Seg, o Psicanalista
Francês Jean Bergeret o
termo Adicto – na
etimologia do latim
Addictus – designa a
pessoa que sofreu por
dividas, contraídas e não
honradas, e assim o
corpo reflete a tentativa
inconsciente de pagar
essa dívida.
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Assim a palavra Adicção insinua a
urgência da necessidade e a
insuficiência final de todas as
tentativas de satisfazê-la.
Quem sofre de dores toma uma injeção
de morfina e terá recebido a proteção
necessária, assim também são as
drogas que protegem contra estados
mentais dolorosos.
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A dimensão compulsiva da busca do objeto
é uma das principais características da
adicção e que aparece de forma violenta:
trata-se de uma relação na qual existe uma
escravidão de um sujeito a um objeto, que
possui um caráter “imperativo”,
obrigatório, que domina a relação e
compele o sujeito a buscar
incessantemente um mesmo objeto..
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07/05/2011

Destacamos, além do aspecto de sujeição
ao objeto, outra importante
característica no quadro da adicção, que
concerne ao estado no qual o sujeito se
encontra: entregue ao seu pulsional
excessivo que o submete e o apassiva.
Vemos assim que na base de
funcionamento psíquico da adicção
encontramos o traumático
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DROGAS:
“ É toda SUBSTÂNCIA ou PRODUTO que
ADMINISTRADO ao ORGANISMO VIVO, produz
MODIFICAÇÕES/ ALTERAÇÕES em uma ou mais
de suas FUNCÕES ORGÂNICAS quando
absorvidas pelo mesmo ser.” OMS
“ Narcótico: Substância que produz sono e
estupor e que ao mesmo tempo alivia a dor”
“ Entorpecente: substância que produz torpor.”
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07/05/2011

As drogas naturais são obtidas através de
determinadas plantas,de animais e de alguns
minerais. Exemplo a cafeína (do café), a nicotina
(presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o
THC tetrahidrocanabiol (da maconha). As drogas
sintéticas são fabricadas em laboratório,
exigindo para isso técnicas especiais. O termo
droga, presta-se a várias interpretações, mas
comumente suscita a idéia de uma substância
proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo,
modificando-lhe as funções, as sensações, o
humor e o comportamento.
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O termo droga envolve os analgésicos,
estimulantes, alucinógenos,
tranqüilizantes e barbitúricos, além do
álcool e substâncias voláteis. As
psicotrópicas, são as drogas que tem
tropismo e afetam o Sistema Nervoso
Central, modificando as atividades
psíquicas e o comportamento.

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As 2 faces da dependência:
DEPENDÊNCIA FÍSICA:
Estado no qual o organismo se ajusta à
presença de uma droga.”
DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA:
“Preocupação mental e emocional
devida aos efeitos da droga. É a
compulsão, a fissura.”

• Em “Alcoholism and Addiction” (1947),
Simmel estabelece quatro categorias de
bebedores: os bebedores sociais, os
bebedores reativos, os bebedores neuróticos
e os adictos alcoólatras.
• Será que poderíamos realizar um ligação com
os tipos de usuários propostos pela Unesco.
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07/05/2011

Tipos de usuários:
É útil distinguir vários tipos de
usuários de drogas, segundo
critérios científicos, para desfazer o
preconceito de que todo usuário
seja "viciado" ou "marginal".
Assim, a UNESCO distingue quatro
tipos:
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1 - Experimentador:
limita-se a experimentar uma ou várias
drogas, em geral por curiosidade, sem dar
continuidade ao uso;

2 - Usuário ocasional:
utiliza uma ou várias substâncias, quando
disponível ou em ambiente favorável, sem
rupturas nas relações afetivas, sociais ou
profissionais;
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07/05/2011

3- Usuário habitual ou "funcional":
faz uso freqüente, ainda que controlado, mas já
se observam sinais de rupturas;

4- Usuário dependente ou "disfuncional"
(toxicômano, drogadicto, dependente químico):
vive pela droga e para a droga,
descontroladamente, com rupturas em seus
vínculos sociais, podendo haver marginalização
e isolamento.
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CID- 10 suas classificações
A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e
Problemas Relacionados à Saúde) é uma
compilação de todas as doenças, sinais, sintomas,
queixas etc que existem. É publicada pela OSM –
Organização Mundial de Saúde e, com a
padronização desses códigos, é possível comparar
os aspectos nos mais diferentes países.
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07/05/2011

Semiologia, Nosologia, Nosografia

Estudo sobre o corpo humano. Francis Bacon,
1949.

Semiologia (faz parte da propedêutica):
palavra oriunda do grego (semeîon, sinal +
lógos, tratado, estudo racional).
Implica em um modo de se examinar um
paciente, atentando-se para os sinais e
sintomas que o mesmo apresenta (seus
aspectos isolados e, ao mesmo tempo, as
modalidades de seus arranjos). Por meio
da semiologia, chega-se usualmente ao
diagnóstico.
Em Lingüística: ciência geral que tem
como objeto todos os Psicanalista Bruno Chagas
sistemas de signos
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Nosologia e
Nosografia:
A nosologia (do grego 'nósos„ = "doença" +
'logos„
=
“estudo”,
"tratado",
"razão
explicativa") é a parte dos saberes da saúde (e
também um ramo da patologia) que trata das
enfermidades em geral e as classifica do
ponto de vista explicativo (isto é, em função
de
seus
mecanismos
ou
de
sua
etiopatogenia).
Enquanto
a
nosografia
ordena
as
enfermidades desde o aspecto meramente
descritivo (graphos = descrição).

68
07/05/2011

http://www.datasus.gov.br/cid10/v
2008/descrpesq.htm

F10-F19 Transtornos mentais e
comportamentais devidos ao uso
de substância psicoativa

Psicanalista Bruno Chagas
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Este agrupamento compreende numerosos
transtornos que diferem entre si pela gravidade
variável e por sintomatologia diversa, mas que
têm em comum o fato de serem todos
atribuídos ao uso de uma ou de várias
substâncias psicoativas, prescritas ou não por
um médico. O terceiro caractere do código
identifica a substância implicada e o quarto
caractere especifica o quadro clínico. Os
códigos devem ser usados, como determinado,
para cada substância especificada, mas deve-se
notar que nem todos os códigos de quarto
caractere podem ser aplicados a todas as
substâncias.

69
07/05/2011

Drogas que foram consumidas em
quantidades suficientes para
provocar uma intoxicação (quarto
caractere comum .0), efeitos nocivos
à saúde (quarto caractere comum
.1), dependência (quarto caractere
comum .2) ou outros transtornos
(quarto caractere comum .3-.9).

Psicanalista Bruno Chagas
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O diagnóstico de transtornos ligados à
utilização de múltiplas substâncias
(F19.-) deve ser reservado somente aos
casos onde a escolha das drogas é feita
de modo caótico e indiscriminado, ou
naqueles casos onde as contribuições de
diferentes drogas estão misturadas.

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70
07/05/2011

As subdivisões seguintes de quarto caractere
devem ser usadas com as categorias F10-F19:

.0 Intoxicação aguda
.1 Uso nocivo para a saúde
.2 Síndrome de dependência
.3 Síndrome [estado] de abstinência
.4 Síndrome de abstinência com
delirium
• .5 Transtorno psicótico
•
•
•
•
•

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As subdivisões seguintes de quarto caractere
devem ser usadas com as categorias F10-F19:

• .6 Síndrome amnésica
• .7 Transtorno psicótico residual ou de
instalação tardia
• .8 Outros transtornos mentais ou
comportamentais
• .9 Transtorno mental ou
comportamental não especificado

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71
07/05/2011

Este agrupamento contém as
seguintes categorias:
• F10 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de álcool
• F11 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de opiáceos
• F12 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de canabinóides
• F13 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de sedativos e hipnóticos
• F14 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso da cocaína
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Este agrupamento contém as
seguintes categorias:
• F15 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína
• F16 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de alucinógenos
• F17 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de fumo
• F18 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de solventes voláteis
• F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias
psicoativas
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72
07/05/2011

IMPORTANTE:
Maconha, cocaína e crack são drogas que
não provocam esse tipo de dependência
física, pois sua dependência é psíquica.
Existem apenas cinco substâncias
químicas que provocam dependência
física: a nicotina, o álcool, os opiáceos
(morfina, heroína), os benzodiazepínicos
(anseolíticos) e os barbitúricos (soníferos
e anticonvulsivos).

Todo habito é um
comportamento adquirido.
Alguns aprendem a consumir
em excesso, outros a não
consumir e outros a consumir
moderadamente.
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73
07/05/2011

"O nosso sistema nervoso está
preparado para responder aos
intoxicantes químicos quase da
mesma maneira que responde às
recompensas da alimentação, da
satisfação da sede e do sexo
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Através de toda a nossa história como
espécie, a intoxicação funcionou como os
impulsos básicos da sede, da fome ou do
sexo, por vezes obscurecendo todas as
outras atividades. A intoxicação é o
quarto impulso.

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74
07/05/2011

PREVENÇÃO:

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CAMINHOS DISPONÍVEIS:
• 1. Do medo - Os jovens não se aproximarão das
drogas se as temerem. Para se criar o medo,
basta mostrar somente o lado negativo das
drogas. Pode funcionar para crianças enquanto
elas acreditarem no adultos.
• 2. Das informações científicas - Quanto mais
alguém souber sobre as drogas, mais condições
terá para decidir usá-las ou não. Uma
informação pode ser trocada por outra mais
convincente e que atenda aos interesses
imediatos da pessoa.
Psicanalista Bruno Chagas
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75
07/05/2011

• 3. Da legalidade - Não se deve usar
drogas porque elas são ilegais. Mas e as
drogas legais? E todas as substâncias
adquiridas livremente que podem ser
transformadas em drogas?
• 4. Do princípio moral - A droga fere os
princípios éticos e morais. Esses valores
entram em crise exatamente na
juventude.
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• 5. Do maior controle da vida dos jovens Mais vigiados pelos pais e professores, os
jovens teriam maiores dificuldades em se
aproximar das drogas. Só que isso não é
totalmente verdadeiro. Não adianta
proteger quem não se defende.
• 6. Do afeto - Quem recebe muito amor
não sente necessidade de drogas. Fica
aleijado afetivamente que só recebe amor
e não o retribui. Droga é usufruir prazer
sem ter de devolver nada.
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76
07/05/2011

• 7. Da auto-estima - Quem tem boa
auto-estima não engole qualquer
"porcaria". Ocorre que algumas
drogas não são consideradas
"porcarias", mas "aditivos" para
curtir melhor a vida.
• 8. Do esporte - Quem faz esporte
não usa drogas. Não é isso o que a
sociedade tem presenciado. Reis do
esporte perdem sua majestade
devido às drogas.
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• 9. Da união dos vários caminhos - É um caminho
composto de vários outros, cada qual com sua própria
indicação. Cada jovem escolhe o mais adequado para
si. Por enquanto, é o que tem dado os resultados mais
satisfatórios.
• 10. Da Integração relacional - Contribuição para
enriquecer o caminho 9. Nesse trajeto, o jovem é uma
pessoa integrada consigo mesmo (corpo e psique), com
as pessoas com as quais se relaciona (integração social)
e com o ecossistema (ambiente), valorizando a
disciplina, a gratidão, a religiosidade, a ética e a
cidadania.
(Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª
edição)
Psicanalista Bruno Chagas
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77
07/05/2011

O RISCO DA RECAÍDA,

• Um contexto que evoque a satisfação sentida com
uma droga é capaz de quebrar a resistência e levar a
recaída.
• Algumas pessoas são incapazes de beber enquanto
estão sozinhas, mas que se entregam a noitadas em
excesso de consumo quando em companhia de
alguns amigos.
• A pessoa já se julgava livre das garras da droga, não
resiste quando encontra um contexto que lembre o
prazer que sentiu ao consumir determinada
substância.
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78
07/05/2011

• Os índices associados – corres, odores,
sons – podem desencadear, por um jogo
de mecanismos cerebrais, o desejo e a
necessidade de consumir outra vez a
substancia.

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79
07/05/2011

Em alguns casos a Psicanálise
pode auxiliar o sujeito a
realizar construções e
elaborações futuras e
(re)articular suas novas
demandas pulsionais com o
objeto, realizando assim um
encontro com o Outro sexo,
para a partir de então entrar
no contexto social e no
contexto do desejo.
Psicanalista Bruno Chagas
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Referências:
• MATOS, A. N. - UM SUPEREU QUE NÃO SE DILUI - Uma
investigação sobre as relações do supereu com as toxicomanias.
• Obras Completas de Freud.
• JONES, E. A vida e a obra de Sigmund Freud. Vol. 1. Tradução Júlio
Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1989.
• LECOEUR, B. O homem embriagado – Estudos psicanalíticos sobre
a toxicomania e o alcoolismo, 1992
• SANTIAGO, J. A droga do toxicômano: uma parceria cínica na era
da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.
• Outras citados durante o trabalho.

80
07/05/2011

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TOXICOFILIAS - VERTENTE PSICANALÍTICA

  • 1. 07/05/2011 TOXICOFILIAS Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com As Toxicofilias investigam os problemas derivados dos desdobramentos causados pelo uso abusivo de SPA (Substâncias Psicoativas) ao longo do desenvolvimento da personalidade do Sujeito indicando seus descaminhos e desarranjos. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 1
  • 2. 07/05/2011 Na etimologia da palavra temos: • A palavra "Toxikon" tem origem grega e significa veneno das flechas (usado na caça desde a antiguidade). • A palavra “philia” também de origem grega e significa Forte inclinação ou afeição doentia a alguma coisa; pendor, obsessão, mania: necro (corpo morto), etc. Logo temos em mente o individuo que tem uma forte tendência utilizar um veneno. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Observamos atualmente em nossa contemporaneidade que este devido tema merece uma grande atenção e investigação, uma vez que é sabido que o álcool e a droga são considerados, na atualidade, um grande problema sob diversos aspectos. O uso de produtos tóxicos tem efeitos que se desdobram de várias formas na tessitura social. As conseqüências do alcoolismo e da toxicomania reverberam na forma de altas cifras no sistema de saúde, na previdência social, no sistema carcerário, judiciário, etc. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 2
  • 3. 07/05/2011 VOLTANDO AO PASADO... O homem faz uso de substâncias psicotrópicas desde os tempos mais remotos. Alguns estudiosos consideram que determinados desenhos e pinturas encontrados em pesquisas arqueológicas possam ter sido inspirados após transe provocado por algum tipo de droga. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Os ancestrais estimulados pela fome, procuravam ervas, raízes, folhas, flores, sementes, fungos (cogumelos) etc.,descobrindo acidentalmente que ingerindo algumas dessas substâncias, poderiam ocorrer náuseas, malestar, convulsões, ou sentiriam mais força e disposição para a caça e a sobrevivência; ou ainda mais tranqüilos apesar dos perigos que os ameaçavam. Também observaram que em algumas ocasiões ocorriam alucinações que “alimentavam a alma”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 3
  • 4. 07/05/2011 assim ao longo do tempo foram acumulando conhecimento que começaram a ser transmitidos de geração em geração. Estes conhecimentos eram utilizados principalmente para aliviar dores e promover curas, fortalecendo estes indivíduos com um grande poder dentro da comunidade, que passaram a ter “status” de feiticeiros e sacerdotes, quando também a religião se fortalecia entre eles. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com O álcool, como substância lícita, participa dos hábitos e costumes da humanidade, desde tempos longínquos. Incorporado até mesmo na eucaristia cristã, o vinho representa o sangue do Cristo e celebra a comunhão dos homens em sua fé. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 4
  • 5. 07/05/2011 A mesma Bíblia que narra essa história, adverte, contudo, quanto à possibilidade do excesso. Noé e Ló são exemplos que se mostram ilustrativos nesse sentido. Se retrocedermos ainda mais na história, encontraremos tanto a presença do álcool, quanto os relatos da embriaguez. Baco, para os romanos, e Dioniso, para os gregos, são divindades pagãs que eram homenageadas em celebrações e festins regados a álcool. Esses eventos seriam impensáveis, sem o uso do apreciado produto. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Drogas X Contexto X Harmonia Aura sagrada de origem divina Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 5
  • 6. 07/05/2011 Que perspectivas as Toxicofilias podem trazer ao nosso entendimento, veremos então a seguir diversos pontos de vistas sobre o assunto, sabemos que o modo de olhar influencia as conclusões de cada um sobre o assunto. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com A Psicanálise • Inserida no contexto da Reforma Psiquiátrica e integrada na Saúde Mental, a Psicanálise pode e deve contribuir com seus subsídios para iluminar este terreno obscuro, pois é uma boa oportunidade para uma visão e uma leitura mais atenciosa de alguma articulações teóricas sobre o assunto. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 6
  • 7. 07/05/2011 A droga e o álcool no texto freudiano Freud escreveu alguns textos encontrados de forma periférica em sua obra sobre o assunto álcool e drogas, mas o assunto nunca se tornou o foco de seus estudos. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • O psicanalista se serve do assunto quando, por exemplo, as alterações químicas causadas pelas substâncias inebriantes, dão-lhe suporte aos argumentos, auxiliando nas suas construções teóricas em relação ao funcionamento psíquico ou ainda na explanação do mecanismo de estados patológicos específicos. Pode-se pensar que suas observações sobre a relação do sujeito com os produtos tóxicos permitem-no fazer considerações importantes sobre aspectos relativos à economia libidinal. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 7
  • 8. 07/05/2011 Über coca • Num momento pré-psicanalítico, Freud empreendeu algumas pesquisas com a cocaína, produto que, naquele momento, era relativamente novo para a Medicina e ainda não havia sido encontrada sua propriedade farmacológica mais adequada. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Freud teve acesso a autores que discutiram sobre a cocaína. Entre eles, o Dr. Theodor Aschenbrandt que, na publicação entitulada “O efeito fisiológico e a importância do muriato de cocaína sobre o organismo humano”, relatava uma experiência ocorrida no outono de 1863, na qual havia administrado a droga a um batalhão da artilharia bávara, durante manobras militares. Aschenbrandt relata que a: Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 8
  • 9. 07/05/2011 propriedade “milagrosa” descrita por Mantegazza, Moreno y Maïz, pelo Dr. Unanue, por von Tschudi, etc.; que, em doses pequenas, o muriato de cocaína – como se encontrava disponível para mim – capacita muito mais o homem a suportar grande esforço, fome e sede; e que, de fato, a cocaína deve ser considerada um nutriente benéfico para os nervos. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Erythoxylon coca • Outro autor a que Freud teve acesso foi W. H. Bentley, médico e advogado, que escreveu o artigo “Erythoxylon coca nos vícios do ópio e do álcool”, publicado em julho de 1878, na New Preparations. O autor justifica seus achados nos seguintes termos: Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 9
  • 10. 07/05/2011 Em pequenas quantidades, o ópio e o álcool são estimulantes; levados adiante, são hipnóticos; e, de acordo com a quantidade ingerida, podem se transformar em venenos narcóticos e causar até a morte. O habito de usar se é contraído exatamente como o do outro e, ao ser levado a um grau suficientemente alto, torna-se irresistível. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Pelo menos, este é o caso de quase todas as vítimas... Ora, se a vítima do ópio ou do álcool pudesse encontrar um preparado que produzisse o seu estímulo costumeiro sem deixar um sentimento de depressão, ela poderia, com um pequenino exercício da vontade, abandonar o vício e recuperar o seu estado normal. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 10
  • 11. 07/05/2011 • Na erythoxylon coca encontramos exatamente esse elemento, pois, embora em doses apropriadas ela seja capaz de produzir a sensação mental mais exaltada, de um êxtase muito maior do que qualquer coisa já experimentada com o ópio ou o álcool, seus efeitos se extinguem gradualmente após algumas horas, deixando uma sensação de alegre serenidade, à qual não se seguirá qualquer depressão. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Tendo tido acesso a essa literatura “panfletária” sobre a droga, Freud resolve fazer algumas experiências. A curiosidade freudiana parece se animar por um elemento de natureza econômica acerca de um ganho de energia observável a partir do uso da cocaína. Em suas experiências, consoante com suas fontes, Freud observou como o produto era capaz de restabelecer o organismo cansado, diminuir a fadiga, interferir no sono, suprimindo sua necessidade. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 11
  • 12. 07/05/2011 Segundo ele, o produto permitia um ganho energético diante de desgastes oriundos do exercício de atividades, ou até mesmo em processos patológicos como a neurastenia e a depressão, “a depressão, como qualquer outra manifestação neurótica, diminui a sensação de energia e de virilidade; a cocaína a restaura”. JONES, E. A vida e a obra de Sigmund Freud. Vol. 1. Tradução Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1989. p. 95. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Destacou, ainda, um aspecto analgésico e anestésico, proveniente do uso da cocaína, elemento que foi mais fartamente explorado por Carl Koller e Leopold Königstein, contemporâneos de Freud. Para Freud essas pesquisas traziam questões sobre uma energia que se ganha e que se perde. Em seus estudos sobre a cocaína, um aspecto de natureza econômica que norteou toda sua lógica sobre o funcionamento do aparelho psíquico parece estar de forma embrionária no espírito de Freud. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 12
  • 13. 07/05/2011 “A sexualidade na etiologia das neuroses” (1898/1987) Em “A sexualidade na etiologia das neuroses” (1898/1987), Freud advertiu que os narcóticos poderiam servir de substitutos da falta de satisfação sexual. A masturbação era comparada a um vício, da mesma maneira que se encontra o “hábito” à droga. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Adesividade e Tenacidade Freud faz uma afirmação que nos parece interessante destacar. Enquanto discorre sobre a masturbação, fala das dificuldades que se apresentam ao médico para se tratar deste “vício”. Segundo o autor, há uma adesividade (Propriedade que tem um corpo de aderir a outro.) e uma tenacidade (Apego obstinado a uma idéia, a um projeto; persistência.) ao recurso da masturbação. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 13
  • 14. 07/05/2011 • Ele destaca: “Entregue a si mesmo, o masturbador está acostumado, sempre que acontece alguma coisa que o deprime, a retornar a sua cômoda forma de satisfação”. • Vol. III. 262 • O hábito dessa forma se apresenta com as mesmas características de outros vícios. Se na condução dos tratamentos para romper o vício, o médico se contentar apenas em privar o paciente da substância narcótica, seu sucesso será meramente aparente. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Para Freud, o clínico deve se importar com a fonte donde brotaria a necessidade imperativa. O autor faz também uma afirmação que ainda é muito atual: “A pesquisa mais minuciosa geralmente mostra que esses narcóticos visam a servir – direta ou indiretamente – de substitutos da falta de satisfação sexual; e sempre que a vida sexual normal não pode ser restabelecida, podemos contar, com certeza, com uma recaída do paciente”. • FREUD, S. Vol. III p. 262. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 14
  • 15. 07/05/2011 • A atualidade desse enunciado parece apontar para o aspecto de satisfação substitutiva oriunda desta forma de satisfação. É corrente ainda na contemporaneidade a idéia de que a satisfação tóxica se encontra na posição de sucedâneo da satisfação sexual. Deve-se levar em conta, porém, que, nesse tipo de substituição, falta o valor fálico. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Os chistes e o álcool como fator de supressão da repressão “Os chistes e sua relação com o inconsciente” (1905/1977) faz referências ao uso do álcool, e a embriaguez etílica é apresentada como um recurso para driblar a repressão. Tal formulação leva Freud a fazer uma aproximação dos efeitos colhidos num chiste com a embriaguez, exatamente sob o aspecto da supressão da repressão que o dito chistoso e a exaltação etílica comportam. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 15
  • 16. 07/05/2011 • Quando Freud demonstra o funcionamento da técnica do chiste, aponta que a fonte de obtenção do prazer colhido pelos falantes se dá pela via da produção de um nonsense, um efeito de absurdo que ocorre mediante um recurso linguajeiro. Do chiste advém uma experiência prazerosa porque ele interfere na natureza econômica na “despesa psíquica ou de um aliviamento da compulsão da crítica” • Vol. VIII. p. 124 Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Nesse texto, o autor fala das “Bierschwefel” (cervejadas), os ditos espirituosos e nonsense aos quais de tão bom grado se entregam os estudantes universitários. Neles, “o estudante tenta recuperar seu prazer na liberdade de pensar, da qual vai sendo mais e mais privado pela aprendizagem da instrução acadêmica”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 16
  • 17. 07/05/2011 Um efeito primário do álcool é efetivamente diminuir o efeito da repressão. É dessa qualidade que Freud fala: Uma mudança no estado de espírito é o mais precioso dom do álcool à humanidade e, devido a isso, o “veneno” não é igualmente indispensável para todos. Uma disposição eufórica, produzida endogenamente ou por via tóxica, reduz as forças inibidoras, entre as quais o senso crítico, tornando de novo acessíveis fontes de prazer sobre as quais pesava a supressão. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Podemos também colher um efeito de supressão na repressão, quando escutamos a fala espirituosa do homem embriagado. No apontamento freudiano, chiste e embriaguez revelam o fio de um mesmo princípio, no qual algo relativo à censura é suprimido. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 17
  • 18. 07/05/2011 Sobre o casamento feliz Privilegiamos um “eixo” na leitura do texto freudiano, que é a droga como uma espécie de tratamento ao mal estar e também a idéia de um enlace com o produto, principalmente a idéia do casamento feliz. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Na série Contribuições à psicologia do amor, no texto intitulado “Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor” (1912/1970), Freud faz elaborações sobre o antagonismo entre a civilização e as moções pulsionais. Ele sustenta a impossibilidade de harmonia que existe entre os clamores de nossos instintos sexuais e as exigências da civilização Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 18
  • 19. 07/05/2011 O autor constata a precária junção entre as moções afetivas e as moções sexuais, no que se refere à escolha do objeto para sujeitos do sexo masculino. Algo que parece uma impossibilidade se estabelece no desfecho do encontro amoroso. Uma operação de rebaixamento do objeto surge como précondição necessária para que o sujeito possa desejar. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com A observação freudiana destaca que há uma clivagem em curso entre as moções afetivas e as moções sexuais; e que, no homem, a eleição da parceria amorosa considera uma exclusão: ou bem se deseja ou bem se ama. Ao homem é possível desejar, desde que se faça um rebaixamento necessário de seu objeto – a mulher numa posição inferiorizada – como uma prostituta. Por outro lado, ele pode amar, mantendo a parceira numa posição idealizada, de um objeto digno ao amor, como o modelo do amor materno. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 19
  • 20. 07/05/2011 Freud comenta ainda sobre os obstáculos que se fazem necessários erigir para que se torne mais valoroso o atrativo do objeto. Ele estabelece uma relação entre a qualidade da satisfação e o acesso ao objeto. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • No texto, Freud pergunta: “será verdade que, com a satisfação do instinto, seu valor psíquico sempre cai na mesma proporção?” • Adiante, porém, afirma que existe algo que se configura como uma relação harmoniosa: o “casamento feliz” do bebedor com o vinho; neste modo de satisfação, “o hábito reforça o vínculo que prende o homem à espécie de vinho que ele bebe”. • FREUD, S. Vol. XI. p. 193. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 20
  • 21. 07/05/2011 • O bebedor não precisa aumentar suas dificuldades ao acesso ao seu produto para que tenha aumentada, proporcionalmente, a qualidade de sua satisfação. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Lecoeur usa esta referência de Freud para comentar sobre a relação do sujeito com um produto: “A relação do bebedor com o vinho faz exceção às modalidades da escolha do objeto e, mais geralmente, às condições da relação de amor”. • LECOEUR, B. O homem embriagado – Estudos psicanalíticos sobre a toxicomania e o alcoolismo, 1992. p. 20. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 21
  • 22. 07/05/2011 • E lembra que o casamento é, de modo geral, matéria de escárnio face às poucas satisfações que proporciona: “o casamento apoia-se sobre um amor antes de tudo miserável, pois procura suprir a incapacidade da pulsão sexual para reunir homem e mulher. Por isso o casamento com o vinho é fora do comum, visto que ele não se importa com os impasses do sexo”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • O casamento feliz é um casamento que, paradoxalmente, pretere o Outro. O casamento do bebedor com o vinho visa contornar os efeitos do encontro com o outro sexo. • O modelo de um casamento feliz, que é tão distante das condições reais nas quais ocorrem os investimentos entre a libido e seus objetos, é enunciado na relação do bebedor com o vinho como o apanágio de um encontro feliz. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 22
  • 23. 07/05/2011 • Nas relações entre os homens com seus objetos, obstáculos se agigantam, sendo necessários processos como uma clivagem ou um afastamento do objeto para fazer seu valor crescer, mas isto não é o que podemos constatar na relação do bebedor com o vinho. • O copo é um parceiro mudo que não faz demandas nem solicitações. Este tipo de relação “feliz” com um objeto produz uma situação insólita, já que se apresenta de forma contrária às relações afetivas que só fazem denunciar suas impossibilidades intrínsecas, reforçadas por suas raízes no processo civilizatório. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 23
  • 24. 07/05/2011 A escolha do parceiro amoroso, o encontro com o outro sexo é sem proporção, é o que surge como uma constatação possível, e o alcoolista parece querer se furtar deste encontro. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Mania e embriaguez Em “Luto e melancolia” (1917/1974), Freud aproxima a embriaguez alcoólica do estado de mania, sendo que a forma de exaltação encontrada nos dois estados fornece ao psicanalista a possibilidade de fazer uma analogia entre os quadros psíquicos. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 24
  • 25. 07/05/2011 O luto, habitualmente, diz respeito à perda de um objeto ou de algo que seja caro ao paciente. Compreende um processo que cursa com a retirada da libido do objeto que não se encontra mais disponível e se faz acompanhar de um processo sofrível, mas compreendido como natural, não patológico. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Na melancolia, o paciente também se ressente de uma perda, que tanto pode ser de um objeto, quanto algo de natureza mais ideal. A melancolia, contudo, adquire uma coloração mais sombria e cursa com uma importante perturbação da auto-estima. No luto, o mundo se encontra mais pobre e vazio; e, na melancolia, é o próprio eu que se encontra neste estado. • FREUD, S. Luto e melancolia (1915) Vol. XIV. p. 251. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 25
  • 26. 07/05/2011 Freud fará então um paralelo entre a melancolia e a mania, localizando-as como desordens que lutam com o mesmo “complexo”. A diferença seria que a melancolia sucumbe ao complexo e a mania o domina ou o põe de lado. A observação dos estados que surgem na mania, a alegria, a exultação etc., depende de condições econômicas. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Freud ilustra, dizendo que tais estados ocorrem quando um grande dispêndio de energia que era forçosamente imposto ao paciente de repente se faz desnecessário, liberando a quota de energia que se encontrava mobilizada para tal finalidade. Assim, a energia se encontrará disponível para toda sorte de aplicações de descarga. Ele diz: Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 26
  • 27. 07/05/2011 quando uma longa e árdua luta se vê afinal coroada de êxito, ou quando um homem se encontra em condições de desfazer, de um só golpe, de uma compulsão opressiva, alguma posição falsa que teve que manter por muito tempo... Todas essas situações se caracterizam pela animação, pelos sinais de descarga de emoção jubilosa e por maior disposição para todas as espécies de ação – da mesma maneira que na mania, e em completo contraste com a depressão e a inibição melancólica. • FREUD, S. Vol. XIV p. 259. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Freud nos diz que a mania é um triunfo dessa natureza e localiza: “A embriaguez alcoólica, que pertence à mesma classe de estados, pode (na medida que é exaltação) ser explicada da mesma maneira; aqui, provavelmente, ocorre uma suspensão, produzida por toxinas, de dispêndios de energia na repressão”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 27
  • 28. 07/05/2011 Mais uma vez um aspecto de natureza econômica orienta o raciocínio do psicanalista, de modo a permiti-lo fazer uma aproximação entre o produto inebriante e uma alteração psíquica. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com “O mal estar na civilização” (1930/1974) O uso de substâncias inebriantes figura como uma via de tratamento que o sujeito utilizaria para balizar os efeitos das pesadas pressões que sofre mediante o processo da civilização. A droga permitiria satisfações substitutivas, alterando a sensibilidade, amortecendo o encontro com o Outro. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 28
  • 29. 07/05/2011 Nesta obra Freud sustenta que a vida do homem na civilização, longe de ser uma promessa de felicidade, configura-se como fonte de intermináveis restrições, fator de repressão, origem de mal-estares diversos, que acaba por trazer ao homem muito mais exigências que benesses. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Freud repertoria nesse texto as fontes essenciais do malestar: nosso corpo condenado à decrepitude, a grandeza dos fenômenos da natureza em contrapartida à fragilidade do homem e, finalmente, suas relações com os outros homens. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 29
  • 30. 07/05/2011 A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós; proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas. „Não podemos passar sem construções auxiliares. Existem talvez três medidas desse tipo: derivativos poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa desgraça; satisfações substitutivas, que a diminuem; e substâncias tóxicas, que nos tornam insensíveis a ela. Algo desse tipo é indispensável. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • As “construções auxiliares” (Hilfskonstruktionen) surgem como medidas possíveis, alternativas que o homem busca para atenuar o sofrimento. A técnica do uso da droga produz uma ação no corpo, “altera a sua química”, mostrando-se um método grosseiro e eficaz com a produção de sensações prazerosas e “alterando, também, tanto as condições que dirigem nossa sensibilidade, que nos tornamos incapazes de receber impulsos desagradáveis”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 30
  • 31. 07/05/2011 Ao produzir uma ação tópica tão eficiente, essa via que toma as proporções de um “tratamento” revelase aparentemente de grande eficácia. Freud destaca o valor que o uso de produtos tóxicos adquire como um lugar permanente na economia libidinal, tanto de indivíduos quanto de povos. Isso ocorre face à produção do prazer imediato, do grau de independência do mundo externo, das privilegiadas condições de sensibilidade encontradas num mundo próprio quando se lança mão deste eficiente “amortecedor de preocupações” (Sorgenbrecher) Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Freud destaca o risco eminente de soluções que consideram “o gozo antes da cautela”. No que diz respeito à droga como solução, adverte quanto ao risco inerente à nocividade deste método. O uso de droga como tratamento do malestar é considerado por ele um “desperdício de uma grande quota de energia que poderia ser empregada para o aperfeiçoamento do destino humano”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 31
  • 32. 07/05/2011 O uso de um produto como tratamento possível ao malestar revela dessa forma seus aspectos nocivos: o refúgio num mundo próprio, uma negligência com aspectos do laço social que, conforme Santiago: Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • “não pode ser apreendido senão a partir do caráter cínico inerente à solução própria do método químico de intoxicação, que, em última instância, atinge o elemento autístico e solitário desse modo de satisfação substitutivo”, a satisfação tóxica determina o desvio da satisfação sexual. • SANTIAGO, J. A droga do toxicômano: uma parceria cínica na era da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. p. 110. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 32
  • 33. 07/05/2011 “O que parece importante, nessa consideração sobre a parceria com a droga, é o investimento maciço do sujeito no produto, num movimento que o promove a objeto único, encobrindo os outros com sua sombra terrível.” • Freud faz um paralelo sem precedentes entre a droga e o sintoma, considerando este último pela via da satisfação substitutiva. Da mesma maneira que a fuga para a doença nervosa como uma satisfação substitutiva pode se configurar uma técnica vital, surge também a intoxicação crônica para alguns sujeitos como uma saída possível, de acordo com Freud: Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 33
  • 34. 07/05/2011 “O homem que, em anos posteriores, vê sua busca da felicidade resultar em nada ainda pode encontrar consolo no prazer oriundo da intoxicação crônica, ou então se empenhar na desesperada tentativa de rebelião que se observa na psicose.” Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Santiago destaca no texto de Freud a intoxicação crônica e a satisfação substitutiva. Para este autor, a hipótese que deriva é a de que Freud coloca a droga como “uma técnica de substituição oriunda da insuficiência da satisfação substitutiva do sintoma” e, a partir disso, conclui que o interesse de Freud era “acentuar na toxicomania, a posição do sujeito quanto à saída do sintoma” Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 34
  • 35. 07/05/2011 O Tratamento que não é válido. A idéia freudiana que a droga seria para o sujeito uma espécie de tratamento, supondo a idéia de um bem estar possível ou para uma tentativa de obtenção de prazer, mas isso não é o que observamos totalmente. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Na toxicomania, o remédio se transforma em veneno, visto que sua ação parece não considerar dosagens terapêuticas. Pelo contrário, vemos um excesso que, na forma de um imperativo, deixa algo transbordar, produzindo inumeráveis efeitos colaterais. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 35
  • 36. 07/05/2011 Seria a Toxicofilia uma nova forma de sintoma? A toxifilia é um conceito relativamente novo que aparece no contexto da Revolução Industrial. Não é um conceito proveniente da clínica, mas, antes, da idéia de saúde pública do fim do século XIX Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Com o progresso da Química, que permitiu a extração de alcalóides da papoula e da coca, vem à cena uma proliferação de produtos cada vez mais poderosos, como a morfina (1804), a cocaína (1860) e a heroína (1874). Surgem também instrumentos revolucionários para a Medicina, que visam uma otimização em suas aplicações, como, por exemplo, a seringa hipodérmica (1840), permitindo a administração de drogas diretamente na corrente sangüínea. De uma maneira absolutamente natural, esses novos produtos originários do mundo médico são introduzidos na vida social. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 36
  • 37. 07/05/2011 O enlace entre o desenvolvimento tecnológico e a criação e a oferta de produtos produz o surgimento de demandas nos mercados de consumo. A droga pode ser pensada nesse contexto como apenas mais um entre tantos outros elementos que a ciência descobriu ou potencializou. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Os gadjets Permitem a utopia do acesso a todos de modo igualitário, quase regulador, na produção de uma espécie de gozo uniformizado. Surgem como necessários e capazes de realizar o impossível. Essas próteses que anulam a relação do homem com a falta, tamponam a divisão subjetiva. Objetos que a ciência liga aos homens, existindo para que o sujeito possa deles gozar. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 37
  • 38. 07/05/2011 “com a oferta criei a demanda” A máxima de Lacan, encontra nos produtos e no discurso do capitalismo uma encarnação fiel. A droga na modernidade surge paradoxalmente como um desses objetos que foi, senão necessariamente criado, ao menos virtualmente otimizado por avanços tecnológicos. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com O uso que se faz da droga na atualidade poderia ser pensado nessa vertente, como um tratamento, no qual o sujeito se utiliza do pharmakon. Porém, na toxicomania, assistiremos algo que retorna de modo paradoxal, como um remédio sem boa medida – “um remédio que se torna veneno” Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 38
  • 39. 07/05/2011 • É o imperativo da obtenção de objetos, que funciona como maneira de tratar a falta. • A toxicomania surge como substituto das formas usuais de manifestação dos sintomas. Sabemos que os sintomas habituais das neuroses, conforme propõe Freud, portam uma dimensão de ciframento e são passíveis de interpretação. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Pressupõe uma divisão subjetiva, a ação do recalque e do subseqüente retorno do recalcado. Como diz Miller: “Alguma coisa se cifra e se decifra, sem dúvida, nas formações do inconsciente. Isto é evidente em Freud. Mas também, para Freud, alguma coisa se satisfaz no que se cifra e se decifra”. MILLER, J. A. Os seis paradigmas do gozo. Orientação Lacaniana. Os seis paradigmas do gozo. Opção Lacaniana. Nº 26-27, abril, 2000. p. 88. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 39
  • 40. 07/05/2011 • Maurício Tarrab adverte-nos quanto às características destes “novos sintomas”: “A toxicomania, a bulimia, a anorexia, os ataques do pânico e tudo o mais que colocarmos neste saco estão muito próximos do que Lacan chamava a operação selvagem do sintoma, e vão na contramão da vertente simbólica do sintoma como mensagem. É o sintoma que não pede nada, que é a fixação de gozo.” TARRAB, M. Produzir novos sintomas. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com FIGUEIRÓ, A. M. C. L. Seminários. Agenda EBP. Minas Gerais: Instituto de Psicanálise e Saúde Mental, agosto, 2003. p. 11. Portadora da pulsão de morte, a clínica do consumo é a clínica do aniquilamento do sujeito em sua repetição, em sua solução ao mal-estar contemporâneo. É por isso que fazemos de seu campo os sintomas da nossa atualidade, que, ao banalizar os ideais e ignorar as particularidades, globaliza-se em seu apetite de consumo frenético, na oferta em escala crescente dos objetos para a satisfação e até mesmo nas extrapolações de um bem-estar. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 40
  • 41. 07/05/2011 Sem dúvida alguma, a subjetividade de nossa época se encontra de tal modo afetada pelas exigências do mercado, nutrido, ele próprio, pela fabricação ininterrupta de objetos ofertados pela ciência, que ela acaba por ter perdidas as suas referências; ela acaba, enfim, por ser consumida em seu próprio consumo. FIGUEIRÓ, A. M. C. L. Seminários. Agenda EBP. Minas Gerais: Instituto de Psicanálise e Saúde Mental, agosto, 2003. p. 11. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com O toxicômano, nesse contexto, é este sujeito que traz um paradoxo interessante: ele é um consumidorconsumido. 41
  • 42. 07/05/2011 O capitalismo que manda gozar Segundo Lacan a Psicanálise se funda em um cenário que se podia localizar-se no seio da vida social um declínio da imago paterna. A Viena de Freud é um local de confluências, um centro efervescente de toda a sorte de pessoas que buscavam oportunidades. Em meio a esta situação assistimos diversas novas configurações familiares frutos deste momento socio-econômico, e esse caminho se rompe com o modelo clássico da família patriarcal, que pouco a pouco vai se declinando. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Esse declínio produzia o que Lacan identificou, em “Os complexos familiares”, como uma crise psicológica. A imago paterna, na figura de seus representantes e substitutos, claudica. Assim, Lacan anuncia como colhe na sua experiência a personalidade desse pai que surge; “sempre de algum modo carente, ausente, humilhada, dividida ou postiça. É essa carência que, de acordo com nossa concepção do Édipo, vem estancar tanto o ímpeto instintivo quanto a dialética das sublimações”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 42
  • 43. 07/05/2011 • Mas a constatação que se pode fazer é que a instância paterna, como o que pode organizar as formas de gozo, apresenta-se, desde Freud e, sobretudo com Lacan, em franca decadência. Lacan diz que as neuroses daquela época já se revelavam intimamente dependentes das condições da família. Quando a Psicanálise surgiu, já começava a decadência das referências ligadas ao ideal, já vacilavam os semblantes da cultura. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Colhemos os efeitos... “O complexo de Édipo é cada vez menos a lei que estrutura o gozo. A lei de ferro do mercado impõe cada vez mais um outro modo de estruturação do gozo que não passa pela função do pai”. BENTES, L. De que padece o sujeito? Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 43
  • 44. 07/05/2011 Como diz Mandil: “A cultura já não se ordena mais a partir dos ideais. Estes não estão mais no lugar de causa do desejo. Nesse lugar se instalou o ganho de gozo, ratificado pela chuva de objetos que caem sobre nossas cabeças, tornados acessíveis pelos mais diversos caminhos”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com É na medida em que um sujeito pode usufruir alguns produtos que lhe é garantido status social, que surge na forma de reconhecimento pelo Outro. É um Outro que nomeia e produz reconhecimento pela palavra. „Eu sou‟, é uma nomeação que o sujeito recebe do Outro. Miller nos aponta: 44
  • 45. 07/05/2011 Do lado do Outro, é o acolhimento, o registro, a avaliação do sentido subjetivo que culmina no reconhecimento. Se Lacan se liga, desta forma, ao tema do reconhecimento, a ponto de fazer do desejo de reconhecimento o desejo mais profundo do sujeito, é na medida que, esse reconhecimento implica uma satisfação da ordem da comunicação. Na atualidade, este enunciado „eu sou‟, encontra-se fortemente identificado com o produto que o sujeito pode consumir. E o sujeito hoje, de certa maneira, é reconhecido na marca que consome, tomando forma no seguinte enunciado: „eu tenho, eu sou‟. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 45
  • 46. 07/05/2011 É o que Lacan vai chamar de “pequenas fatias de gozo”, “Tudo que nos é permitido gozar o é por pedacinhos... Vemos nosso mundo cultural se inundar dos substitutos do gozo que são os nadicas de nada. São essas pequenas fatias de gozo que conferem seu estilo próprio ao nosso modo de vida e ao nosso modo-de-gozar”. MILLER J. A. Os seis paradigmas do gozo. Os seis paradigmas do gozo. Opção Lacaniana. Nº 26-27, abril, 2000. p. 100. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • O sujeito, dessa forma, onde se pensa gozador, é gozado. • E mais do que senhor de uma situação, ele parece ser dela escravo. O efeito disso é o que retorna como insatisfação insolúvel. Uma repetição conduz o sujeito à sensação de que ele acaba por voltar sempre ao mesmo lugar. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 46
  • 47. 07/05/2011 Algo transborda como impossível de localizar, e isto se deve ao fato de que os objetos não conseguem tamponar o que é uma falta estrutural. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Essa busca pelos objetos, por esses gadgets supostamente capazes de produzir alívio, está fadada ao insucesso. A observação feita por Freud, em “O mal estar na civilização” (1929), sobre a intoxicação química como um método de tratamento contra o sofrimento, permanece nesse sentido absolutamente atual. Nos nossos dias, porém, não é apenas a droga que se oferece a esse propósito, ela é apenas mais um, entre infinitos produtos. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 47
  • 48. 07/05/2011 A proibição designa o objeto de gozo e, por isto mesmo, sustenta o desejo. Não há nenhuma proibição sobre o que ninguém quer. O ordenamento „Não mentirás‟ produz o desejo de mentir. “Nesse „Não mentirás‟ como lei, está incluída a possibilidade da mentira como desejo mais fundamental”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com O Gozo... “O sujeito é resultado de uma perda, a qual é estrutural e estruturante”. Mas o toxicômano é visto no imaginário social como um sujeito que não se curva muito bem a isso, poderíamos o considerar como um demissionário do falo. 48
  • 49. 07/05/2011 “O gozo fálico é o que se sustenta nas relações de poder, de competição social e nas relações de trabalho, que envolvem dinheiro, produção e poder. O toxicômano é aquele que se recusa a participar dessas relações, colocando-se à margem delas”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com A toxicomania é alardeada como um problema social, podemos pensar que isto ocorre em face dessa espécie de casamento que o sujeito produz com a droga e o subseqüente rompimento com as relações sociais. 49
  • 50. 07/05/2011 No imaginário social é visto como um ser degenerado entregue a voracidades. A colocação em questão do que é suposto ser um tratamento procurado na droga faz com que ele se torne ameaça à ordem social, de vez que se verifica um vínculo exclusivo que ocorre na forma de uma desmedida. As drogas atuam como uma nova forma de responder ao sofrimento, e o toxicômano surge como aquele que não se submete a nenhum interdito – ele não quer saber. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Foge das formas homogeneizadas de gozo impostas pela ordem social. Assim, surge o toxicômano como um indivíduo identificado ao gozo. Nesse sentido, a toxicomania aparece como um paradigma do sujeito moderno, um sujeito submetido, empurrado ao consumo e identificado a um objeto mais de gozar produzido pela indústria. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 50
  • 51. 07/05/2011 A Droga é sobretudo a solução Então, tal modo de gozo, diferente dos modos admitidos pelo discurso dominante, faz com que o fenômeno de consumo de drogas se torne sintomático e insuportável pelo Outro social. A toxicomania aparece como um fato social designado logo à primeira vista como sintoma da civilização, como sintoma do Outro, pois, de fato, do lado do sujeito, a droga é, sobretudo, uma solução. Para o toxicômano, a droga permite evitar o mal estar do encontro com o Outro sexo. A droga é uma solução à angústia do desejo do Outro, e do encontro com o Outro sexo. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 51
  • 52. 07/05/2011 Simmel Ele cogitou que “O supereu alcoólico é solúvel em álcool”. A investigação dessa hipótese serviu como ponto de start que nos levou a uma leitura acerca do conceito de supereu. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com A vítima da melancolia embriaga o guardião, o supereu, com o veneno. Assim elimina os objetos no eu. Aparentemente nesse estado de mania ele se torna condescendente ao veneno. Como o supereu está paralisado pela toxina (temporariamente castrado) cessam as demandas. Ele se torna incapaz de mediar seus interesses de auto-preservação, entre a realidade externa e interna. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 52
  • 53. 07/05/2011 • “a idéia de que o sujeito que adere ao consumo excessivo de álcool, quase sempre, carrega consigo as conseqüências devastadoras de um supereu severo e exigente”. • Assim, pensando o uso da droga ancorado na linha evolucionista da libido que orienta a relação com os objetos, a droga revelaria os efeitos de uma fixação pré-genital, na qual as satisfações substitutivas derivadas de seu uso serviriam de suporte a um prazer não genitalizado. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com A toxicomania é a tentativa do sujeito de reprimir o que se falhou pelo trabalho do recalque. Bruno Chagas Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 53
  • 54. 07/05/2011 As amnésias posteriores nos obrigam a pensar que a embriaguez produz um “evento sem sujeito”. LECOEUR, B. Por que o supereu não é solúvel no álcool – O homem embriagado – Estudos psicanalíticos sobre a toxicomania e o alcoolismo. Centro Mineiro de Toxicomania – FHEMIG – Conferências da V Jornada do CMT, Belo Horizonte, 1992. p. 73. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • O supereu, como um precipitado que se forma no eu, guarda os resíduos dessas identificações. O supereu só é herdeiro, porque guarda dentro a marca de uma lei que não se apaga, “dando expressão permanente à influência dos pais, ela perpetua a existência dos fatores a que deve sua origem Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 54
  • 55. 07/05/2011 FREUD, S. O ego e o id (1923) Vol. XIX.. p. 64. Freud, em “O eu e o isso”, revela-nos sobre o caráter compulsivo do supereu, que opera no sujeito como um imperativo categórico. O supereu permanece acessível às influências externas posteriores, mas conserva a característica de se manter afastado do eu e dominá-lo. O supereu traz o selo de suas origens: “Tal como a criança esteve sob a compulsão de obedecer aos seus pais, assim o eu se submete ao imperativo categórico do seu supereu”. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Na medida em que vai localizando como se manifestam na clínica as relações entre eu, isso e supereu, Freud encontra várias vezes a presença do sentimento de culpa e é levado a fazer considerações acerca do assunto. Ele circunscreve o sentimento de culpa como um sinalizador entre as tensões existentes entre o eu e o supereu. 55
  • 56. 07/05/2011 • A culpa seria a própria expressão de uma condenação do supereu dirigida ao eu. Freud vai apontar que esse sentimento pode ser um poderoso empecilho ao tratamento, que pode se manifestar na forma de uma reação terapêutica negativa, e diz ainda que se trata de: “um sentimento de culpa, que está encontrando sua satisfação na doença e se recusa a abandonar a punição do sofrimento”. A culpa surgiria como resultado de injunções super-euóicas no eu. • FREUD, S. Vol. XIX p. 62. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Os aspectos paradoxais do supereu parecem se aplicar aos excessos em curso nas toxicomanias, ainda que estas considerações não tenham sido concebidas no âmbito da questão do álcool e da droga. Essa posição parece aceitável porque não observamos no toxicômano a debilitação de um supereu da lei moral, mas, antes, a irrupção de um imperativo sem sentido, resíduos de um supereu que exorta e ordena ao sujeito que goze. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 56
  • 57. 07/05/2011 “Nada força ninguém a gozar, senão o supereu. O supereu é o imperativo de gozo – goza!”. LACAN, J. O seminário – Livro 20: Mais ainda 1985. p. 11. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com A tentativa do toxicômano de fugir à submissão fálica, o conduz a um encontro com um gozo que pode ser verdadeiramente aniquilante. Furtar-se à circunscrição que o gozo fálico produz, leva a um encontro terrificante com um gozo que não conhece o limite. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 57
  • 58. 07/05/2011 O supereu do homem embriagado nos mostra uma forma brutal do gozo que desconhece os caminhos do prazer O tratamento que o toxicômano visa revela inúmeros efeitos colaterais. Se o toxicômano supõe encontrar nos paraísos artificiais conforto para a dor de existir na civilização, se ele chega mesmo a lutar por este direito, adiante se revelará o gozo como a outra face do prazer. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • Onde o toxicômano vê uma liberdade, ele encontra a servidão. • Essa visada sobre a toxicomania, permite localizar, sobretudo, o aspecto da satisfação substitutiva oriunda do tratamento que o sujeito encontra no uso da droga. A toxicomania ganha, assim, os contornos de um curto-circuito na satisfação sexual. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 58
  • 59. 07/05/2011 Usar a droga é uma forma de evitar todos os embaraços que o encontro com o Outro sexo coloca para um sujeito. O copo é um parceiro mudo e o alcoolista costuma dizer mesmo com muita freqüência que, em sua militância, ele estava casado com o copo. E não importa o divórcio com o laço social. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • É a partir do Outro que se estabelece a dialética das relações do sujeito e todo um campo se organiza a partir das funções e atribuições que o Outro delimita. Submeter-se ao significante fálico permite que um sujeito funcione a partir da determinação de atribuições, norma edipiana que normatiza um sujeito, masculino ou feminino. Assim, romper com o faz-pipi é tentar romper com toda a sorte de atribuições que um sujeito sexuado comporta em relação ao serviço sexual. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 59
  • 60. 07/05/2011 O toxicomaníaco goza pedaço por pedaço, e tudo que encontra é uma insatisfação inarredável. Quando a lei não opera, encontramos uma condição de anomia e um Outro gozador nos impele mais e mais: goze, goze além dos limites, goze até o seu próprio fim. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Mais concepções sobre as Toxicofilias: UNESCO CID-10 Jean Bergeret 60
  • 61. 07/05/2011 A ADICÇÃO Ódio, amor, coragem, medo, sexualidade, conflito edipiano e vincular estão sempre presentes nos sentimentos humanos, mas a forma de senti-los e de expressá-los varia de acordo com os sistemas repressores desenvolvidos pelos controles sociais ao significar e re-significar as manifestações pulsionais. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Seg, o Psicanalista Francês Jean Bergeret o termo Adicto – na etimologia do latim Addictus – designa a pessoa que sofreu por dividas, contraídas e não honradas, e assim o corpo reflete a tentativa inconsciente de pagar essa dívida. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 61
  • 62. 07/05/2011 Assim a palavra Adicção insinua a urgência da necessidade e a insuficiência final de todas as tentativas de satisfazê-la. Quem sofre de dores toma uma injeção de morfina e terá recebido a proteção necessária, assim também são as drogas que protegem contra estados mentais dolorosos. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com A dimensão compulsiva da busca do objeto é uma das principais características da adicção e que aparece de forma violenta: trata-se de uma relação na qual existe uma escravidão de um sujeito a um objeto, que possui um caráter “imperativo”, obrigatório, que domina a relação e compele o sujeito a buscar incessantemente um mesmo objeto.. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 62
  • 63. 07/05/2011 Destacamos, além do aspecto de sujeição ao objeto, outra importante característica no quadro da adicção, que concerne ao estado no qual o sujeito se encontra: entregue ao seu pulsional excessivo que o submete e o apassiva. Vemos assim que na base de funcionamento psíquico da adicção encontramos o traumático Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com DROGAS: “ É toda SUBSTÂNCIA ou PRODUTO que ADMINISTRADO ao ORGANISMO VIVO, produz MODIFICAÇÕES/ ALTERAÇÕES em uma ou mais de suas FUNCÕES ORGÂNICAS quando absorvidas pelo mesmo ser.” OMS “ Narcótico: Substância que produz sono e estupor e que ao mesmo tempo alivia a dor” “ Entorpecente: substância que produz torpor.” Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 63
  • 64. 07/05/2011 As drogas naturais são obtidas através de determinadas plantas,de animais e de alguns minerais. Exemplo a cafeína (do café), a nicotina (presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o THC tetrahidrocanabiol (da maconha). As drogas sintéticas são fabricadas em laboratório, exigindo para isso técnicas especiais. O termo droga, presta-se a várias interpretações, mas comumente suscita a idéia de uma substância proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, modificando-lhe as funções, as sensações, o humor e o comportamento. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com O termo droga envolve os analgésicos, estimulantes, alucinógenos, tranqüilizantes e barbitúricos, além do álcool e substâncias voláteis. As psicotrópicas, são as drogas que tem tropismo e afetam o Sistema Nervoso Central, modificando as atividades psíquicas e o comportamento. 64
  • 65. 07/05/2011 As 2 faces da dependência: DEPENDÊNCIA FÍSICA: Estado no qual o organismo se ajusta à presença de uma droga.” DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA: “Preocupação mental e emocional devida aos efeitos da droga. É a compulsão, a fissura.” • Em “Alcoholism and Addiction” (1947), Simmel estabelece quatro categorias de bebedores: os bebedores sociais, os bebedores reativos, os bebedores neuróticos e os adictos alcoólatras. • Será que poderíamos realizar um ligação com os tipos de usuários propostos pela Unesco. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 65
  • 66. 07/05/2011 Tipos de usuários: É útil distinguir vários tipos de usuários de drogas, segundo critérios científicos, para desfazer o preconceito de que todo usuário seja "viciado" ou "marginal". Assim, a UNESCO distingue quatro tipos: Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 1 - Experimentador: limita-se a experimentar uma ou várias drogas, em geral por curiosidade, sem dar continuidade ao uso; 2 - Usuário ocasional: utiliza uma ou várias substâncias, quando disponível ou em ambiente favorável, sem rupturas nas relações afetivas, sociais ou profissionais; Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 66
  • 67. 07/05/2011 3- Usuário habitual ou "funcional": faz uso freqüente, ainda que controlado, mas já se observam sinais de rupturas; 4- Usuário dependente ou "disfuncional" (toxicômano, drogadicto, dependente químico): vive pela droga e para a droga, descontroladamente, com rupturas em seus vínculos sociais, podendo haver marginalização e isolamento. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com CID- 10 suas classificações A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) é uma compilação de todas as doenças, sinais, sintomas, queixas etc que existem. É publicada pela OSM – Organização Mundial de Saúde e, com a padronização desses códigos, é possível comparar os aspectos nos mais diferentes países. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 67
  • 68. 07/05/2011 Semiologia, Nosologia, Nosografia Estudo sobre o corpo humano. Francis Bacon, 1949. Semiologia (faz parte da propedêutica): palavra oriunda do grego (semeîon, sinal + lógos, tratado, estudo racional). Implica em um modo de se examinar um paciente, atentando-se para os sinais e sintomas que o mesmo apresenta (seus aspectos isolados e, ao mesmo tempo, as modalidades de seus arranjos). Por meio da semiologia, chega-se usualmente ao diagnóstico. Em Lingüística: ciência geral que tem como objeto todos os Psicanalista Bruno Chagas sistemas de signos www.institutoarios.com Nosologia e Nosografia: A nosologia (do grego 'nósos„ = "doença" + 'logos„ = “estudo”, "tratado", "razão explicativa") é a parte dos saberes da saúde (e também um ramo da patologia) que trata das enfermidades em geral e as classifica do ponto de vista explicativo (isto é, em função de seus mecanismos ou de sua etiopatogenia). Enquanto a nosografia ordena as enfermidades desde o aspecto meramente descritivo (graphos = descrição). 68
  • 69. 07/05/2011 http://www.datasus.gov.br/cid10/v 2008/descrpesq.htm F10-F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Este agrupamento compreende numerosos transtornos que diferem entre si pela gravidade variável e por sintomatologia diversa, mas que têm em comum o fato de serem todos atribuídos ao uso de uma ou de várias substâncias psicoativas, prescritas ou não por um médico. O terceiro caractere do código identifica a substância implicada e o quarto caractere especifica o quadro clínico. Os códigos devem ser usados, como determinado, para cada substância especificada, mas deve-se notar que nem todos os códigos de quarto caractere podem ser aplicados a todas as substâncias. 69
  • 70. 07/05/2011 Drogas que foram consumidas em quantidades suficientes para provocar uma intoxicação (quarto caractere comum .0), efeitos nocivos à saúde (quarto caractere comum .1), dependência (quarto caractere comum .2) ou outros transtornos (quarto caractere comum .3-.9). Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com O diagnóstico de transtornos ligados à utilização de múltiplas substâncias (F19.-) deve ser reservado somente aos casos onde a escolha das drogas é feita de modo caótico e indiscriminado, ou naqueles casos onde as contribuições de diferentes drogas estão misturadas. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 70
  • 71. 07/05/2011 As subdivisões seguintes de quarto caractere devem ser usadas com as categorias F10-F19: .0 Intoxicação aguda .1 Uso nocivo para a saúde .2 Síndrome de dependência .3 Síndrome [estado] de abstinência .4 Síndrome de abstinência com delirium • .5 Transtorno psicótico • • • • • Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com As subdivisões seguintes de quarto caractere devem ser usadas com as categorias F10-F19: • .6 Síndrome amnésica • .7 Transtorno psicótico residual ou de instalação tardia • .8 Outros transtornos mentais ou comportamentais • .9 Transtorno mental ou comportamental não especificado Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 71
  • 72. 07/05/2011 Este agrupamento contém as seguintes categorias: • F10 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool • F11 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos • F12 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de canabinóides • F13 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos • F14 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Este agrupamento contém as seguintes categorias: • F15 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína • F16 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de alucinógenos • F17 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo • F18 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis • F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 72
  • 73. 07/05/2011 IMPORTANTE: Maconha, cocaína e crack são drogas que não provocam esse tipo de dependência física, pois sua dependência é psíquica. Existem apenas cinco substâncias químicas que provocam dependência física: a nicotina, o álcool, os opiáceos (morfina, heroína), os benzodiazepínicos (anseolíticos) e os barbitúricos (soníferos e anticonvulsivos). Todo habito é um comportamento adquirido. Alguns aprendem a consumir em excesso, outros a não consumir e outros a consumir moderadamente. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 73
  • 74. 07/05/2011 "O nosso sistema nervoso está preparado para responder aos intoxicantes químicos quase da mesma maneira que responde às recompensas da alimentação, da satisfação da sede e do sexo Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Através de toda a nossa história como espécie, a intoxicação funcionou como os impulsos básicos da sede, da fome ou do sexo, por vezes obscurecendo todas as outras atividades. A intoxicação é o quarto impulso. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 74
  • 75. 07/05/2011 PREVENÇÃO: Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com CAMINHOS DISPONÍVEIS: • 1. Do medo - Os jovens não se aproximarão das drogas se as temerem. Para se criar o medo, basta mostrar somente o lado negativo das drogas. Pode funcionar para crianças enquanto elas acreditarem no adultos. • 2. Das informações científicas - Quanto mais alguém souber sobre as drogas, mais condições terá para decidir usá-las ou não. Uma informação pode ser trocada por outra mais convincente e que atenda aos interesses imediatos da pessoa. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 75
  • 76. 07/05/2011 • 3. Da legalidade - Não se deve usar drogas porque elas são ilegais. Mas e as drogas legais? E todas as substâncias adquiridas livremente que podem ser transformadas em drogas? • 4. Do princípio moral - A droga fere os princípios éticos e morais. Esses valores entram em crise exatamente na juventude. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • 5. Do maior controle da vida dos jovens Mais vigiados pelos pais e professores, os jovens teriam maiores dificuldades em se aproximar das drogas. Só que isso não é totalmente verdadeiro. Não adianta proteger quem não se defende. • 6. Do afeto - Quem recebe muito amor não sente necessidade de drogas. Fica aleijado afetivamente que só recebe amor e não o retribui. Droga é usufruir prazer sem ter de devolver nada. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 76
  • 77. 07/05/2011 • 7. Da auto-estima - Quem tem boa auto-estima não engole qualquer "porcaria". Ocorre que algumas drogas não são consideradas "porcarias", mas "aditivos" para curtir melhor a vida. • 8. Do esporte - Quem faz esporte não usa drogas. Não é isso o que a sociedade tem presenciado. Reis do esporte perdem sua majestade devido às drogas. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com • 9. Da união dos vários caminhos - É um caminho composto de vários outros, cada qual com sua própria indicação. Cada jovem escolhe o mais adequado para si. Por enquanto, é o que tem dado os resultados mais satisfatórios. • 10. Da Integração relacional - Contribuição para enriquecer o caminho 9. Nesse trajeto, o jovem é uma pessoa integrada consigo mesmo (corpo e psique), com as pessoas com as quais se relaciona (integração social) e com o ecossistema (ambiente), valorizando a disciplina, a gratidão, a religiosidade, a ética e a cidadania. (Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª edição) Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 77
  • 78. 07/05/2011 O RISCO DA RECAÍDA, • Um contexto que evoque a satisfação sentida com uma droga é capaz de quebrar a resistência e levar a recaída. • Algumas pessoas são incapazes de beber enquanto estão sozinhas, mas que se entregam a noitadas em excesso de consumo quando em companhia de alguns amigos. • A pessoa já se julgava livre das garras da droga, não resiste quando encontra um contexto que lembre o prazer que sentiu ao consumir determinada substância. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 78
  • 79. 07/05/2011 • Os índices associados – corres, odores, sons – podem desencadear, por um jogo de mecanismos cerebrais, o desejo e a necessidade de consumir outra vez a substancia. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com 79
  • 80. 07/05/2011 Em alguns casos a Psicanálise pode auxiliar o sujeito a realizar construções e elaborações futuras e (re)articular suas novas demandas pulsionais com o objeto, realizando assim um encontro com o Outro sexo, para a partir de então entrar no contexto social e no contexto do desejo. Psicanalista Bruno Chagas www.institutoarios.com Referências: • MATOS, A. N. - UM SUPEREU QUE NÃO SE DILUI - Uma investigação sobre as relações do supereu com as toxicomanias. • Obras Completas de Freud. • JONES, E. A vida e a obra de Sigmund Freud. Vol. 1. Tradução Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1989. • LECOEUR, B. O homem embriagado – Estudos psicanalíticos sobre a toxicomania e o alcoolismo, 1992 • SANTIAGO, J. A droga do toxicômano: uma parceria cínica na era da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. • Outras citados durante o trabalho. 80