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Automedicação
    Uso frequente de medicamentos por profissionais de enfermagem em hospitais públicos
                                                                Bárbara Fernanda Schafer1

O estudo investigou a prevalência de automedicação entre 1509 trabalhadores de enfermagem
 de hospitais públicos. O trabalho foi realizado em um hospital do Rio de Janeiro, Brasil. O uso
de medicamentos relacionados ao sistema nervoso central foi o de maior índice de uso assíduo
   pelos enfermeiros. A automedicação se tornou mais evidente em grupos de pessoas mais
    jovens e que passavam muito tempo trabalhando com pouco tempo para intervalos. As
 pessoas que se automedicavam geralmente com analgésicos não eram hipertensos, mas com
   distúrbios psíquicos menores e, na maioria das vezes, não praticavam exercícios físicos. A
  automedicação é frequente entre enfermeiros e deve-se fazer uma busca para a melhora e
   conscientização deles e da população em geral (BARROS, GRIEP, ROTENBERG2, 2009, em
         “Automedicação entre trabalhadores de enfermagem em hospitais públicos’’).


A automedicação é uma forma comum de autocuidado entre a população e enfermeiros. O
fato se relaciona ao pouco tempo que as pessoas têm para si mesmas. Outros aspectos como a
modernidade e a facilidade, e também as condições do ambiente de trabalho, aumentam o
consumo de medicamentos gradativamente (BARROS, GRIEP, ROTENBERG3, 2009).

O uso de medicamentos sem prescrição pode trazer e geralmente é a causa de vários
problemas colaterais, como doenças evolutivas. Logo, medicamentos administrados a longo
prazo podem causar doenças e complicações que são fatais ao organismo (BARROS, GRIEP,
ROTENBERG4, 2009).

O artigo buscou analisar o uso frequente de medicamentos com base em alguns objetivos:
identificar os medicamentos mais consumidos, investigar as características socioeconômicas,
verificar a prevalência de automedicação na enfermagem, e os padrões de saúde dos mesmos.
Acredita-se que a pesquisa possa subsidiar projetos que façam intervenção e que melhorem as
condições de trabalho e de saúde, buscando, assim, não só a conscientização dos enfermeiros,
e sim da população, melhorando a qualidade de vida (BARROS, GRIEP, ROTENBERG5, 2009).

O uso de medicamentos sem prescrição médica cresce exacerbadamente entre profissionais
da área da saúde, mas tem como foco principal enfermeiros e a equipe de enfermagem em
hospitais públicos (BARROS, GRIEP, ROTENBERG6, 2009). O crescimento está diretamente
relacionado a jovens, mulheres, ao acesso facilitado, falta de informação sobre os efeitos
colaterais, e serviço de saúde precário e também ao baixo nível de informação. E na população
um fator agravante é o alto índice de efeitos que os medicamentos administrados sem
prescrição causam se usados em longo prazo (BARROS, GRIEP, ROTENBERG7, 2009). A prática
é favorecida a cada dia, pois o acesso a fármacos é cada vez mais evidente. Outro fator que é
evidenciado é a falta de tempo que as pessoas têm para cuidar de si de uma forma correta, e
não se automedicando (BARROS, GRIEP, ROTENBERG8, 2009). Foram realizados pesquisas em


1
  Acadêmica do curso de Enfermagem, 1º semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
2
  Barros, Griep, Rotemberg (2009) Idem.
3
  Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
4
  Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
5
  Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
6
  Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
7
  Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
8
  Barros, Griep, Rotemberg,(2009) Id.
dois hospitais do Rio de Janeiro que têm como objetivo a investigação sobre o uso de
medicamentos por enfermeiros em hospitais públicos. Um dos hospitais é de grande porte e a
outra pesquisa foi realizada em um centro de saúde materno-infantil. Participaram do estudo
1509 funcionários de enfermagem (BARROS, GRIEP, ROTENBERG9, 2009).

A pesquisa teve como base um questionário que visava conhecer dados dos participantes. As
informações sobre o uso de medicamentos teve como principal pergunta o uso de
medicamentos nos últimos sete dias, quais foram e por que foram administrados. A pesquisa
foi embasada com uma lista de 14 medicamentos sendo classificados por uma letra,
considerando o órgão ou sistema que o fármaco atua. O projeto de pesquisa foi então
aprovado pelo Comitê de Ética e pela CONEP em Brasília (BARROS, GRIEP, ROTENBERG10,
2009).

Entre os trabalhadores de enfermagem o percentual de uso de medicamentos
(automedicação) foi de 24,2% que foi menor no que a de enfermeiros da rede básica 32,4%, e
já no Rio Grande do Sul o percentual foi de 53,3%. Em idosos o índice é assustador, de 77%. O
grupo de medicamentos que se destacou pelo uso exacerbado foi o dos analgésicos, que são
os que atuam diretamente no sistema nervoso, 43,4% (BARROS, GRIEP, ROTENBERG11, 2009).

A ciente pesquisa teve como principal estudo o uso de medicamentos de profissionais da
enfermagem na rede pública de saúde. O fato agravante está relacionado às poucas condições
de trabalho, com pouco descanso, levando à fadiga e ao uso de medicamentos diariamente,
com o intuito de aliviar principalmente, dores musculares, e também dores de cabeça
(BARROS, GRIEP, ROTENBERG12, 2009).

O uso de automedicação também está relacionado, e com a pesquisa se tornou evidente, o
uso de medicamentos por mulheres. O fato corrobora que as mulheres buscam mais o serviço
de saúde, cuidando mais de si mesmas. A automedicação está diretamente relacionada à faixa
etária mais jovem (BARROS, GRIEP, ROTENBERG13, 2009).

Outro aspecto concluído é que o uso de fármaco sem prescrição médica foi maior em pessoas
com altos níveis de escolaridade, mostrando que ele não se relaciona só com pessoas com
baixo índice de escolaridade, e sim, também com pessoas que mesmo sabendo os efeitos
usam e abusam de medicamentos (BARROS, GRIEP, ROTENBERG14, 2009).
Isto se relaciona ao conhecimento e ao maior poder aquisitivo, e também a fatores como a
não confiança em médicos e a maior autonomia perante a sua própria saúde (BARROS, GRIEP,
ROTENBERG15, 2009).

O uso de medicamentos está diretamente relacionado a sintomas não de doenças crônicas e
sim das chamadas ‘’comuns’’ e, portanto, frequentes na sociedade. Outro aspecto importante
é que os altos índices de automedicação estão ligados ao fato de que as pessoas praticam cada
vez menos exercícios físicos, o que está anexo aos melhores índices de saúde (BARROS, GRIEP,
ROTENBERG16, 2009).


9
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
10
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
11
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
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   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
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   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
15
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
16
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
Profissionais muito comprometidos com o trabalho, que não conseguem desligar-se das
tarefas por pelo menos alguns minutos, também são um dos principais agravantes dos altos
números de automedicação (BARROS, GRIEP, ROTENBERG17, 2009).
Outro problema é a falta de identificação de substâncias nos fármacos, podendo levar ao
esquecimento da composição do medicamento, não sabendo os efeitos colaterais que no
futuro poderão ocorrer (BARROS, GRIEP, ROTENBERG18, 2009).

O tema automedicação acaba não deixando claro os benefícios e os malefícios à saúde dos
enfermeiros. Prática que se relaciona a vários fatores tais como: a falta de tempo,
conhecimento e dinheiro para planos de saúde (BARROS, GRIEP, ROTENBERG19, 2009).
A automedicação é um assunto antigo na sociedade e que se agrava a cada dia. A prática está
cada vez mais assídua pelas pessoas, não só enfermeiros, mas sim pela população mundial em
geral. O estímulo que os fármacos dão, dando promessas rápidas de alívio só aumenta a
automedicação desenfreada (BARROS, GRIEP, ROTENBERG20, 2009).

Assim, o tema automedicação deve ser maior abordado ainda na graduação desses futuros
enfermeiros, para que se possa diminuir o perigo e os efeitos que eles causam à saúde. Deve-
se tentar melhorar os problemas ‘’comuns’’ com soluções menos prejudiciais ao futuro, como
exercícios físicos, uma das formas de controlar o estresse dos trabalhadores (BARROS, GRIEP,
ROTENBERG21, 2009).

Referências
BARROS, Aline Reis Rocha; GRIEP, Rosane Harter e ROTENBERG, Lúcia. Self-medication among
nursing workers from public hospitals. Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. 2009, vol.17, n.6,
pp. 1015-1022. ISSN 0104-1169. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692009000600014.
Acesso em: 20 jun. 12.




17
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
18
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
19
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
20
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
21
   Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR EM RELAÇÃO ÀS COMPRAS ON-LINE:
                     POR QUE ELA AINDA SOFRE RESISTÊNCIA?
                                                        Cristofer Gomes da Rocha22


 O artigo aqui escrito tem como interesse elucidar, exemplificar e entender o motivo pelo qual
  os cidadãos brasileiros ainda possuem certa resistência quando o assunto é a obtenção de
                  algum produto ou serviço de forma eletrônica e via internet.
   Muitos países já estão utilizando esta modalidade de compra com uma adesão bastante
grande por parte da população, como exemplo pode ser citado o país da Coreia do Sul, no qual
  a internet está fortemente integrada no quotidiano das pessoas, sendo possível inclusive a
compra de produtos vindos de supermercados que anunciam os produtos em pequenas placas
                       eletrônicas expostas nas estações de metrô do país.


Qualquer pessoa que tenha vivido na década de 70 e viu a criação da primeira rede de
computadores que se conectavam entre pontos distintos de um país, na qual era utilizada para
fins militares no período da Guerra Fria, não teria ideia de quão necessário este recurso, que
hoje é utilizado em escala mundial, se tornou para toda a humanidade.

Também é possível dizer que, quando a primeira montadora de carros em série, que foi criada
por Henry Ford e ofertava somente o mesmo modelo de carro para toda a população dos
Estados Unidos da América, ninguém se atreveria a dizer que outra empresa desenvolveria
uma estratégia para conquistar as vendas que Ford possuía na época, somente dando a opção
de cores variadas. Este é um exemplo clássico de Marketing e de como uma ideia
aparentemente simples pode render bons frutos ao seu idealizador.

Mas qual seria a relação entre estes conceitos? Na época que a internet surgiu, ou que Henry
Ford viveu, fica claro que estes dois conceitos não se relacionam de forma alguma, mas
atualmente eles estão muito ligados. A modalidade de compra e venda por intermédio da rede
mundial de computadores é, hoje, uma das formas mais cômodas de obter produtos ou
serviços para o consumidor final, que não precisa mais sair de casa para adquirir tudo, ou
quase tudo, que ele necessita para sua vida, ou para satisfazer seus desejos mais imediatos.
Algo que parece bastante comum para a população brasileira que tem acesso a computadores
e internet é o ato de realizar/obter produtos na comodidade de sua casa, mas nem todos têm
confiança nesta modalidade de aquisição, que vem conquistando cada vez mais, clientes por
todo Brasil. Dados de 2010 mostram que empresas varejistas on-line obtiveram um
faturamento de R$ 14,8 bilhões, sendo esses dados referentes somente ao Brasil e superiores
aos dados de 2009 em 40%.

Os números referentes à quantidade de consumidores que realizaram alguma forma de
compra via internet (conhecido como e-commerce23) estão em alta, sendo que à primeira vista,
parece muito promissora para qualquer organização que pretende investir nesta categoria de
aquisição de bens ou serviços. A quantidade de clientes que obtiveram produtos por
intermédio de páginas da internet em 2010 chegou ao valor de 23 milhões, sendo que desse
total, 5,4 milhões efetuaram sua primeira compra neste ano e estima-se que, este valor
consiga atingir 27 milhões de consumidores em 2011. Porém, o que ainda ocorre, mesmo com



22
  Acadêmico do curso de Marketing, 2° Semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
23
  The buying and selling of goods and services over the internet. Disponível
em:<http://dictionary.cambridge.org/dictionary/business-english/e-commerce?q=e-commerce>. Acesso em: 25
jun. 2012
toda divulgação a favor desta modalidade de aquisição é que, muitos indivíduos ainda sentem
certa desconfiança em relação à obtenção de produtos e serviços de maneira digital.

Vários fatores podem influenciar nessa falta de confiança dos clientes em relação ao e-
commerce. Um deles ainda predominante e bastante citado por quem alega não gostar de
realizar compras via internet, é a falta de segurança que os sites da internet oferecem. Roubo
de senhas, dados bancários, informações pessoais e sigilosas são sempre motivo para
preocupação entre pessoas que utilizam um computador pessoal, o que leva muitos a pensar
que seus dados poderão ser comprometidos quando se realiza a obtenção de algum produto
ou serviço de forma on-line. Quando surgiram os primeiros sites voltados ao comércio on-line,
era comum a falta de preocupação com segurança na internet, isso de modo geral e algo que
ainda ocorre nos dias de hoje, fazendo com que muitas pessoas tivessem seus dados roubados
por hackers24. Atualmente, isso ainda ocorre, até com mais frequência, devido ao aumento de
usuários de computador ao redor do mundo, mas acontece, muitas vezes, por erro do próprio
cliente/usuário que não tem uma preocupação imediata com seus dados, mas passa a ter
quando sente que eles foram interceptados. Claro que não é uma falha somente do usuário,
mas ele tem uma grande parcela de culpa no caso de algo dessa natureza ocorrer, já que a
quantidade divulgada de vezes que algum site classificado como “grande” sofreu ataques
maliciosos, é demasiadamente pequena.

Por outro lado, é também comum escutar consumidores mencionando a “impessoalidade” que
ocorre durante uma compra por e-commerce. O cliente não vê o seu objeto de desejo
pessoalmente, não consegue avaliar e tocar a sua futura compra, não tem o acompanhamento
de um profissional de vendas para assessorá-lo na escolha de um bom produto, informando-
lhe os benefícios e deméritos que o produto pode oferecer.

A preocupação com a segurança de dados pessoais atualmente, é algo que povoa a mente de
qualquer pessoa que utiliza um computador e ainda é causa dor de cabeça para muitos. Os
sites que efetuam vendas pela internet, em sua grande maioria, já possui um sistema de
segurança que ajuda e muito no combate aos ataques de hackers em seus bancos de dados.
Mas por que isso ainda ocorre? A resposta para isso é mais simples do que muitos imaginam; o
próprio usuário, na grande maioria dos casos, é quem está com o computador pessoal
infectado por algum programa malicioso, fazendo com que seus dados sejam
roubados/interceptados no momento que ele acessa qualquer endereço eletrônico e realiza a
digitação dos mesmos. O que pode ser sugerido nesse caso, é que o usuário/futuro comprador
faça checagens de rotina em seu PC, de modo que ele tenha certeza que ele está trabalhando
em um ambiente seguro.

Contudo, não se pode colocar toda a culpa da falta de segurança apenas no usuário. É sabido
que várias empresas, inclusive empresas de âmbito mundial, sofreram ataques de hackers que
obtiveram sucesso na apropriação de senhas de seus usuários/clientes. Nestes casos é
necessário que a própria empresa revise suas rotinas de segurança, utilizando um processo
conhecido como “criptografia25” que tem o objetivo de proteger os dados dos clientes criando
códigos que são codificados para dificultar ou anular o acesso de alguma pessoa que não tenha
o conhecimento de como decodificar este tipo de informação.



24
   A person who is skilled in the use of computer systems, often one who illegally obtains access to private
computer systems. Disponível em:<http://dictionary.cambridge.org/dictionary/american-
english/hacker?q=hacker>. Acesso em: 25 jun. 2012.
25
   The art of writing or solving codes. Disponível
em:<http://oxforddictionaries.com/definition/cryptography?region=us&q=cryptography>. Acesso em: 25 jun. 2012.
Em contrapartida, nem tudo está relacionado à segurança, outro ponto contra que já foi citado
foi o caso da “impessoalidade” nesta modalidade de compra. Este é um problema que não
possui uma solução realmente satisfatória, mas as empresas que trabalham com vendas on-
line e também a lei, já criou uma alternativa para tentar contornar este problema.

Muitas páginas que trabalham com e-commerce possuem atendentes que ficam 24 horas por
dia ao dispor do cliente, para sanar dúvidas, dar opiniões aos consumidores e com isso, retirar
um pouco daquela falta de contato humano na hora da aquisição do produto. Já no que diz
respeito à falta de contato físico do comprador com o produto, algo que a lei assegura e que é
cumprido pelas empresas, remete ao direito que o cliente tem de fazer a devolução do
produto em até três dias após a entrega, com direito a reembolso da quantia. Isto independe
de qualquer razão, inclusive sob a alegação de que o produto não o agradou em sua
totalidade.

É possível ser constatado que grande parte da desconfiança gerada por esta modalidade de
compra, é proveniente da falta de informação por parte da população em geral, mas também
têm a sua parcela de culpa, as próprias organizações varejistas on-line, que não põem em
prática uma campanha de divulgação de sua marca e serviços baseados na internet, para que
assim ocorra um entendimento e uma identificação dos consumidores para com o seu serviço.
O que algumas empresas hoje estão fazendo, citando como exemplo, o Pag-Seguro26, que hoje
faz divulgação também nos canais de TV aberta, sobre a facilidade que ele proporciona a quem
deseja efetuar a obtenção de algum produto por intermédio de algum serviço de e-commerce.
Este é um passo inicial, que muitas empresas devem tomar como tendência e fazendo-o, o
consumidor/potencial consumidor brasileiro começará a ter mais confiança e tomará gosto
por este formato de compras, que possivelmente se tornará padrão em um curto espaço de
tempo.

Referências
GARCIA, Gabriel Marin; SANTOS, Cristiane Pizzuti dos. O impacto das características pessoais
na intenção de compra pela internet e o papel da mediação da familiaridade e da atitude
ante a compra pela internet. São Paulo: RAM Revista de Administração Mackenzie, 2011.

JOIA, Luiz Antonio; OLIVEIRA, Luiz Cláudio Barbosa de. Criação e teste de um modelo para
avaliação de websites de comércio eletrônico. São Paulo: RAM Revista de Administração
Mackenzie, 2008.

SAMARA, Beatriz Santos; MORSCH, Marco Aurélio. Comportamento do consumidor: conceitos
e casos. São Paulo: Pearson, 2005.

TURBAN, Efraim; KING, David. Comércio eletrônico: estratégia e gestão. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2004.




26
  Em janeiro de 2007 o UOL adquiriu a BRpay, uma empresa de pagamentos on-line que ganhava destaque no e-
commerce brasileiro. Em abril de 2007 a BRpay foi escolhida pela InfoExame como a melhor solução para
pagamentos on-line e em julho de 2007, o UOL lançou o PagSeguro. Disponível em:<
http://blogpagseguro.com.br/about-2/>. Acesso em: 2 jul. 2012.
ENERGIAS RENOVÁVEIS E A SUSTENTABILIDADE DO PLANETA27
                   Tema amplamente discutido, mas pouco colocado em prática

                                                                                     Jader dos Reis Nichele28

Este artigo sustenta a ideia de que o planeta deve tomar decisões importantes relacionadas ao
   meio ambiente, visto que está em uma fase determinante a ponto de definir o futuro das
  próximas gerações, através de ações para diminuir os danos causados no passado, além de
  prevenir futuros problemas que irão surgir. A utilização de energias renováveis serve como
     base para análise de possíveis soluções dos problemas atuais enfrentados no Planeta.
PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade. Ambiental. Preservação.


A população do planeta aumenta a cada dia e o desenvolvimento econômico cresce em igual
ou até maior proporção dependendo de cada região. Porém, esse crescimento não tem
responsabilidade social com o meio ambiente, ou seja, lucro acima de qualquer custo,
ocasionando o consumo desenfreado de recursos não renováveis (petróleo, carvão e gás
natural) e aumentando o aquecimento global, visto que não são feitas as análises de riscos
ambientais apropriadas.

A energia eólica, solar, biomassa e outras, pertencem ao grupo de energias renováveis, surgem
como fontes auxiliares e fundamentais para atingir níveis de sustentabilidade ideais, pois elas
possuem uma gama de recursos inesgotáveis e suas consequências não são tão graves como,
por exemplo, a queima de combustíveis fósseis, que atualmente suprem aproximadamente
80% das necessidades mundiais de energia primária (SCHENBERG apud ENERGY, 2010, p.7).

No contexto atual existe uma imensa falta de informações sobre o uso consciente de energias
sustentáveis, que se podem atribuir às poucas informações que chegam até a sociedade, cujo
papel é fundamental para alavancar a ideia de sustentabilidade. Se as governanças atuais não
movimentam recursos e informações para melhoria desse campo, empresas privadas devem
servir de exemplo e investir em pesquisas e infraestrutura, para até mesmo usar seu poder de
persuasão e levar até aos lares da sociedade as práticas sustentáveis.

CONTEXTUALIZANDO O INÍCIO DA AGRESSÃO AO ECOSSISTEMA
A história do ecossistema do Planeta ajuda a fundamentar o quanto é importante a
preservação dos recursos disponíveis pela natureza. Pode-se começar no povo sumério há
3000 a.C (antiga Suméria e atual Curdistão), cujo desenvolvimento baseou-se na agricultura
irrigada entre os rios Tigres e Eufrates, porém o descuido levou à salinização do solo, e a
produção diminui e, consequentemente, a Suméria desapareceu. Outro exemplo importante
de civilizações extintas é referente aos famosos Maias há 900 a.C (México), que construíram
pirâmides e observatórios astronômicos, além de corrigir o solo para plantar milho, só que,
para isso, desmataram muito e a chuva diminuiu tanto que o povo ficou com fome e acabou se
extinguindo aos poucos até a chegada dos espanhóis. Casos mais recentes, como a explosão
em Chernobyl (1986) e o vazamento de gás de uma fábrica de pesticidas em Bhopal, na Índia
(1984), demonstram o quanto a população está vulnerável a desastres causados pelo próprio
homem.

Os exemplos mencionados são apenas uma amostra do quanto as civilizações já agrediram a
natureza e quais as consequências dessas ações contra ela. Isso é prova de que o homem pode

27
  Artigo científico para a disciplina de Leitura e Escrita na Formação Universitária.
28
  Acadêmico do curso de Tecnologias Digitais, 7º semestre, na Universidade de Caxias do Sul. Endereço Eletrônico:
jader.nichele@gmail.com
manter a posição de imperialismo sobre as terras no qual vive, porém ao descuidar-se e utilizar
indevidamente os recursos, acaba se tornando escravo de seus atos e pode provocar até
mesmo a extinção de civilizações.

UTILIZAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS PARA DESENVOLVIMENTO MUNDIAL
O século passado ficou marcado pelo uso incessante de matérias-primas como: carvão e
petróleo, pois eram de fácil obtenção e tinham alto poder de queima. Após a Revolução
Industrial a queima de combustíveis fósseis intensificou e depois da década de 70, atingiu
índices maiores ainda, fazendo com que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera
passasse de 270ppm (partes por milhão), na época anterior à Revolução Industrial, para
379ppm nos dias atuais (MENEGUELO, CASTRO apud PEARCE, 2007). Segundo Silva (2009,
p.155), “O crescimento industrial, sobretudo após a II Guerra Mundial, trouxe consigo
elementos indesejáveis que resultaram em poluição atmosférica e degradação ambiental,
provocadas pelo uso de combustíveis fósseis e seus subprodutos gasosos”, esses fatores
determinam que o desenvolvimento econômico do planeta ocorresse de modo não
sustentável.

Atualmente, no século XXI, através de estudos, as empresas e a sociedade têm noção do
quanto as gerações anteriores devastaram o Planeta e o que isso representa para o futuro das
nações. Sendo assim, a nova geração que nasce recebe o passivo de problemas deixado pelas
gerações anteriores e, obrigatoriamente, assume o papel de zelar pelo ecossistema atual.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizada no período
de 13 a 22 de junho no Brasil, denominada como Rio +20, teve como objetivo, conforme site
da ONU29, assegurar um comprometimento político renovado para o desenvolvimento
sustentável, avaliar o progresso feito até o momento e as lacunas que ainda existem na
implementação dos resultados dos principais encontros sobre desenvolvimento sustentável,
além de abordar os novos desafios emergentes.

O momento é oportuno para o Planeta, visto que ainda existem formas de contornar os
problemas, antes do esgotamento total dos recursos, porém há diversos motivos que
tornaram ineficaz este encontro, como: crise financeira em diversos países, não
comparecimento de importantes líderes mundiais, entre eles Barack Obama (Presidente dos
Estados Unidos) e David Cameron (1º Ministro do Reino Unido). O documento de 49 páginas,
resultado deste encontro, foi intitulado de “O Futuro que Queremos”, que segundo Marcelo
Furtado, Diretor-executivo do Greenpeace Brasil, em entrevista ao portal Terra, manifestou,
assim, seu ponto de vista: “Tudo o que defendíamos sobre metas, números e compromissos
desapareceram. A única coisa que temos hoje é uma promessa de um processo, que poderá
ser desenvolvido até 2015”.

Esta e outras opiniões sobre o Rio+20 se reúnem para concluir que a Conferência não obteve
os resultados esperados pela população, nada diferente do que em outros encontros de
líderes mundiais, que acabam convergindo as opiniões, visto que colocam a economia
financeira na frente de qualquer objetivo considerado por eles menor.

Se a iniciativa pública não toma as providências necessárias para fazer o Planeta tornar-se
ambientalmente sustentável, as empresas privadas devem iniciar as pesquisas e/ou uso de
energias limpas, com o intuito de assumir este papel, pois em futuro próximo já estarão
adaptadas às formas de trabalho eficazes e corretas. Para isso, podem se basear no estudo

29
  Site oficial da Organização das Nações Unidas (ONU), <http://www.onu.org.br/rio20/sobre/>. Acesso em: 30 jun.
12.
elaborado pelos pesquisadores Mark Z. Jacobson e Mark A. Delucchi,30 da Universidade da
Califórnia, em Davis, publicado na revista “Energy Policy”, que asseguram que 100% das
energias consumidas no Planeta poderiam ser obtidas de fontes completamente limpas e
renováveis em um prazo de três ou quatro décadas, além de que seriam economicamente
iguais às energias renováveis utilizadas atualmente.

Outro fator chave para a preservação mundial é a educação ambiental para as crianças, pois
elas farão parte da população que irá cultivar a ideia sustentável ou causar danos ao meio
ambiente, este futuro dependerá do contexto onde vivem e estudam. Conforme pesquisa do
canal de televisão Nickelodeon31, com 16 mil crianças entre 6 e 11 anos de sete países latino-
americanos, os brasileiros são os menos preocupados com o meio ambiente; já no México,
84% dos entrevistados se dizem sensíveis à causa. A pesquisa emerge a falta de incentivo à
cultura e à educação sobre o tema meio ambiente, principalmente no Brasil, fazendo com que
o ele seja cada vez mais esquecido e retirado do cotidiano de muitas crianças.

DISCUSSÃO DE RESULTADOS
Baseado em artigos de desenvolvimento econômico sustentável e políticas ambientais, nota-se
que a grande maioria dos países desenvolvidos e consequentemente os que mais poluem,
enfim, entraram em um denominador comum, ou seja, conscientização sobre os perigos que o
Planeta está sofrendo ambientalmente e a decisão de tomar medidas drásticas para evitar a
destruição do que restou do ecossistema. Apesar de tardia, esta decisão não se pode deixar de
comemorar esta ação, visto que poderia ocorrer em um ponto no qual não existisse mais como
contornar os problemas.

A sustentabilidade inicia dentro da casa de cada habitante do Planeta, pois conforme Rees em
entrevista para a Revista Época (Ed. 735 – Junho 2012), “Sustentabilidade é um problema
coletivo e precisa ser resolvido de forma coletiva”. A população necessita fazer sua parte e se
unir com a finalidade de salvar os recursos naturais e não só aguardar soluções oriundas dos
governos, pois dessa forma estará provando que não é omissa aos problemas do Planeta.

Um fator importante a destacar é que a sustentabilidade não está em foco apenas no quanto é
importante para a preservação do Planeta, mas também porque é uma boa fonte de
enriquecimento das empresas de diversos ramos. Essa disputa pelo mercado no ramo
ambiental ampliou fortemente a criação de novas tecnologias para uso de energias renováveis,
porém possuem valores altos e que normalmente assustam a todos.

A questão é quem e como devem ser pagos os investimentos para que as altas tecnologias
ligadas ao meio ambiente saiam do “papel” e tornem-se realidade ainda não está claro para
todos, e se o padrão de arquivamento de projetos for mantido, em um futuro bem próximo
não existirá tecnologia suficiente para salvar o Planeta. Portanto, há a necessidade de
converter todas as discussões em ações concretas, além de rever as políticas socioambientais
do Planeta, para que ocorra o desenvolvimento econômico sustentável e mantenha-se o
convívio harmonioso entre o homem e a natureza.

Referências
LUCON, Oswaldo; GOLDEMBERG, José. Crise financeira, energia e sustentabilidade no Brasil.
Estud. av., São Paulo, v. 23, n. 65, 2009 . Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
40142009000100009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 25 jun. 12.

30
     Pesquisa divulgada na Revista Online GloboRural. Disponível em <http://migre.me/9JH8w>. Acesso em: 2 jul. 12.
31
     Pesquisa divulgada na Revista Época, Edição 735, 2012.
MENEGUELLO, Luiz Augusto; CASTRO, Marcus Cesar Avezum Alves de. O Protocolo de Kyoto e
a geração de energia elétrica pela biomassa da cana-de-açúcar como mecanismo de
desenvolvimento limpo. Interações (Campo Grande), Campo Grande, v. 8, n. 1, mar. 2007 .
Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-
70122007000100004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 29 jun. 12.

REVISTA ÉPOCA. Brasil: Editora Globo, 2012, Edição Nº 735, Semanal.

SCHENBERG, Ana Clara Guerrini. Biotecnologia e desenvolvimento sustentável. Estud. av., São
Paulo, v. 24, n. 70, 2010 . Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
40142010000300002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 25 jun. 12.

SILVA, Darly Henriques da. Protocolos de Montreal e Kyoto: pontos em comum e diferenças
fundamentais. Rev. bras. polít. int., Brasília, v. 52, n. 2, dez. 2009 . Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
73292009000200009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 30 jun. 12.
Fontes de Energia
                                            Malefícios e Soluções
                                                                                   Priscila Cardozo da Silva32
     O artigo a seguir trata de novas fontes de energia e da forma com que são empregadas as
     fontes atuais, visando aumento na economia energética e diminuição da poluição do meio
                                              ambiente


O ser humano vive em busca de alternativas energéticas para suprir suas necessidades, uma
vez que suas fontes de energia estão esgotando. As principais formas de obtenção de energia
poluem o Planeta, prejudicando o meio ambiente o que vem acarretando como consequência
desabamentos, extinção de algumas variedades da fauna e da flora, aquecimento global, entre
outros problemas. O que resta momentaneamente é a busca por fontes alternativas de
energia que causem um impacto menor ao Planeta.

O artigo “Pesquisa e desenvolvimento na área de energia” de Goldemberg 33 (2000) apresenta
os principais pontos onde a energia é mal empregada, e as possíveis resoluções para os
problemas. Para a indústria, Goldemberg34 apresenta algumas tecnologias horizontais de
conservação de energia, entre as quais se destacam: caldeiras para a produção de vapor ou
água quente (usando queimadores de pequena emissão); sistemas de manejo energético para
processos industriais e construção; controle de processos (novos sensores, microeletrônica);
aquecimento infravermelho (secagem); aquecimento solar para indústrias, principalmente em
climas mais quentes.

Já para o setor residencial, Goldemberg35 explica que os problemas ligados ao consumo
exagerado de energia variam conforme o desenvolvimento do país. Em países desenvolvidos,
onde as moradias são bem estruturadas, são necessárias adaptações às novas formas de
arrecadação de energia que diminuam a utilização das fontes convencionais gerando
economia. Já os países subdesenvolvidos, que não possuem prédios e casas bem estruturadas,
a opção apresentada é o investimento em estruturas já adaptadas a essas formas, que,
embora tenham um custo um pouco mais alto que estruturas convencionais, não superam a
soma do custo estrutural e das adaptações necessárias nas estruturas padrão.

Quanto aos meios de transporte, ele afirma que os transportes rodoviários têm diminuído a
demanda por energia desde a década de 60, o que convencionalmente deveria contribuir com
a diminuição do número de automóveis por moradia, entretanto o número de moradias com
dois ou mais automóveis cresceu sistematicamente nas últimas décadas. Entre as alternativas
apresentadas por Goldemberg36 para a diminuição da energia utilizada e da poluição liberada
nos automóveis ele cita a melhoria na eficiência do motor, o uso de combustíveis alternativos
à gasolina e ao óleo diesel, o aproveitamento da energia do gás de escape, entre outros.

Sob outro ponto de vista, o artigo “Energia Nuclear Socialmente Aceitável como Solução
Possível para Demanda Energética Brasileira”, elaborado pelos acadêmicos da Faculdade de
Energia Elétrica e Computação/UNICAMP (MILANEZ, ALMEIDA e CARMO, 2006, apud CLERY,
2005, Science, Washington, EUA, v. 309, p. 1172-1175; HIRSCH, 2005, Nuclear Reactor Hazards:
Ongoing Dangers of Operating Nuclear Technology in the 21st Century. Greenpeace
International), apresenta a energia nuclear como uma alternativa para suprir a grande
32
   Acadêmica do curso de Engenharia Civil, 1º semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
33
   Goldemberg (2000), Idem.
34
   Goldemberg (2000), Id.
35
   Goldemberg (2000), Id.
36
   Goldemberg (2000), Id.
necessidade energética brasileira, argumentando que essa fonte de energia renovável é pouco
poluente, auxilia na conversão de resíduos perigosos para outros de menor duração, entre
outros fatores. Os autores do artigo concluem que além de ser a fonte alternativa mais viável
em termos econômicos, possuem um enorme potencial de geração de energia.

Embora existam várias fontes alternativas de energia, fatores limitantes como o difícil acesso,
devido aos altos custos, da maior parte da sociedade não permitem que essas fontes
renováveis sejam colocadas em prática.

Além de captações de raios solares, da energia eólica e da energia hidráulica, também existem
as usinas nucleares com grande potencial em produção de energia e baixo nível de poluição do
Planeta. Embora muito criticada devido a acidentes anteriores, na Ucrânia (Chernobyl-1986) e
no Japão (Fukushima Daiichi-2011), essa fonte de energia não é descartável, podendo ser
adotada para o fornecimento de energia nas próximas gerações.

No decorrer do desenvolvimento desse artigo, foi possível perceber que é indispensável a
expansão das pesquisas sobre novas alternativas energéticas menos poluentes e mais eficazes,
uma vez que os meios utilizados, além de estarem esgotando, estão destruindo o ambiente
habitado pelo homem. Portanto, além da diminuição do custo de algumas fontes de obtensão
de energia já citadas, um estudo determinado a aprimorar a segurança das usinas nucleares
seria de grande utilidade perante os benefícios que elas poderiam trazer se empregadas de
forma correta.

Referências
GOLDEMBERG, JOSÉ. Pesquisa e desenvolvimento na área de energia. São Paulo
Perspec.[online]. 2000, vol.14, n.3, pp. 91-97. ISSN 0102-8839.
<http://dx.doi.org/10.1590/S0102-88392000000300014>Acesso em: 19 jun. 12.

MILANEZ, JIMES; ALMEIDA, RICARDO; CARMO, FAUSTO. Energia Nuclear Socialmente
Aceitável como Solução Possível para a Demanda Energética Brasileira. Revista Ciências do
Ambiente Online. 2006. Vol.2, no1. ISSN 2179-9962.
<http://sistemas.ib.unicamp.br/be310/index.php/be310/article/viewFile/41/27>Acesso em:
26 jun.12.
Por que as mulheres agredidas ainda têm tanto medo de denunciar?
     Pesquisas comprovam que mulheres vítimas de agressão ainda têm medo de denunciar os
      agressores e em sua grande maioria não procuram as Delegacias de Proteção à Mulher
                                                                 Vanessa Pereira dos Santos37


 Mulheres com baixo grau de instrução têm mais medo de denunciar a agressão do que as que
  têm mais acesso às fontes de informação. Elas se sentem desamparadas e pouco acolhidas
              pelas políticas de defesa à mulher, excluindo-se das estatísticas.


Hoje, ainda muitas mulheres pensam que não podem denunciar seus maridos/companheiros
por agressão, sentem-se de certa forma dependentes deles e não têm um apoio social e
psicológico para, de fato, denunciarem. Mulheres entre 30 e 40 anos, de classe média baixa,
com grau baixo de instrução e donas de casa são características gerais do levantamento feito
por duas estudantes (SANTOS & MORÉ, 2011, “Repercussão da violência na mulher e suas
formas de enfrentamento”) da Universidade Federal de Santa Catarina onde se constatou que
esses fatores são relevantes para que elas sofram agressão e não procurem ajuda nas
Delegacias Especializadas.


Segundo Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio38 (2011) “Violência contra a mulher: levantamento
dos casos atendidos no setor de psicologia de uma delegacia para a mulher” as mulheres
agredidas não procuram auxílio nas delegacias por medo do agressor. Na mentalidade das
vítimas elas não têm condições de seguirem as vidas sozinhas, sem a companhia de um
homem, são dependentes financeira e afetivamente deles, deixando seus filhos sem um pai e
sem alguém para conduzir o caminho de suas vidas.


A pesquisa de Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio39 (2011) releva os dados observados no setor
de Psicologia da Delegacia para a Mulher da região metropolitana de Porto Alegre/RS, onde
constam os seguintes dados: idade da vítima, agressor (pai, marido, companheiro, parente,
vizinho, conhecido, desconhecido), situação conjugal, estado civil, emprego, profissão,
escolaridade, número de filhos, ocorrência de violência na família do agressor, uso de
álcool/drogas pelo agressor e uso de medicamentos psiquiátricos pela vítima.


Ambas as pesquisas revelaram que as mulheres agredidas têm baixo grau de escolaridade,
favorecendo a não denúncia do fato ocorrido. Muitas delas são trabalhadoras do comércio, o
que evidencia baixos salários e, consequentemente, baixa autoestima, pelo fato de
dependerem do marido/companheiro. Já as mulheres que recebem uma melhor remuneração
procuram por métodos de enfrentamento mais eficazes, não significando isso que mulheres de
classe média alta não sofram violência, pois devido à sua posição social e financeira, procuram
auxílio em consultórios particulares, fazendo com essa parcela de agredidas fique de certa
forma, escondida.


As mulheres que já têm um histórico de violência são mais favoráveis à agressão pelo fato de
compactuarem com o acontecido em outras épocas de sua vida, por isso elas se sentem
desprotegidas e desamparadas pela família, tornando a violência um fato comum na vida
conjugal.

37
   Acadêmica do curso de Engenharia Civil, 3º semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
38
   Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio (2011), Idem.
39
   Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio, Id.
O consumo abusivo de álcool pelo agressor tem se tornado um agravante para a prática da
violência. Valendo-se da embriaguez que a bebida causa, o agressor afirma, quando
denunciado, que foi somente naquele momento que consumou o fato por ter ingerido álcool.


Chega-se à conclusão de que o grau de escolaridade e a ocorrência de agressão anteriormente
são os maiores agravantes da violência contra a mulher. O mais assustador é que as mulheres
com maior grau de instrução também não têm coragem de denunciar os seus agressores,
somente procuram auxílio em clínicas particulares, isso faz com que não participem das
estatísticas levantadas.


Governantes, dirigentes e demais autoridades e saída é educar. Mulheres educadas e bem
informadas de seus direitos a proteções terão, sim, coragem de denunciar esses homens que
estão por aí batendo sem nenhum medo e sem nenhuma punição, é de governantes assim que
a sociedade precisa, que deem ao povo segurança. Às leitoras, mulheres, não deixem de
denunciar casos de violência ou se você souber de algum caso. Não fique calada, DENUNCIE.


Referências
GADONI-COSTA, Lila Maria, ZUCATTI, Ana Paula Noronha, DELL'AGLIO, Débora Dalbosco.
Violência contra a mulher: levantamento dos casos atendidos no setor de psicologia de uma
delegacia para a mulher. Estud. psicol. (Campinas), Jun 2011, vol.28, no. 2, p.219-227.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/paideia/v21n49/10.pdf>. Acesso em: 19 jun. 2012.


SANTOS, Ana Cláudia Went dos, MORÉ, Carmem Leontina Ojeda Ocampo. Repercussão da
violência na mulher e suas formas de enfrentamento. Estud. psicol. (Florianópolis), Mai 2011,
no. 49, p. 227-235.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v28n2/09.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2012.
O vento como fonte de energia inesgotável
                                         Potencial eólico do Brasil
                                                                        Davi Anderson de Farias40

 O potencial que o Brasil dispõe para a captação de energia eólica, tendo em vista nosso vasto
  litoral, as variadas serras e sertões, que são fontes inesgotáveis desse recurso imensurável,
 infinito e gratuito como fonte de energia e que por diferentes motivos não são efetivamente
                          utilizados para a geração de energia renovável.

O alto custo e desprendimento técnico para a construção dos complexos e estruturas,
vinculado ao sistema de captação e produção de energia eólica, pode ser um empecilho para
que este seja economicamente viável e eficaz quanto à sua produção de energia inviabilizando
o investimento maciço do orçamento brasileiro nesta área. No entanto, segundo Soccol et al
(2009) no texto “Tecnologia, Engenharia e Técnicas”, a energia eólica pode ser utilizada de
diversas formas como fonte de energia renovável já que pode ser encontrada em qualquer
lugar. Pode ser utilizada na forma de eletricidade, em turbinas eólicas, ou na agricultura, em
moinhos de ventos para bombeamento de água ou moagem de grãos. A energia cinética é
transformada em energia mecânica utilizando um rotor aerodinâmico onde a energia
mecânica pode ser transformada em energia elétrica através de um gerador elétrico
(MATTUELA, 2005 apud SOCCOL, 2009). Em várias áreas do Brasil, encontram-se características
que favorecem o uso desse tipo de energia, mas elas não são aproveitadas uma vez que
poderiam suprir todas as necessidades energéticas de uma fazenda, por exemplo.

A utilização da costa litorânea que o Brasil possui e que é extremamente favorável para a
captação dos ventos e utilização na produção de energia eólica deveria ser imediatamente
priorizada, já que de acordo com o texto “Crise Internacional I” de Lucon, Goldemberg (2009),
a produção de energia eólica produz cem vezes mais empregos do que na produção de energia
nuclear, para uma mesma quantidade de eletricidade gerada. Em todo o mundo existe uma
capacidade de 120 GW em turbinas eólicas que produzem 260 TWh de eletricidade que
economiza a emissão de 158 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera por ano, caso a
energia não fosse produzida a partir de fontes renováveis e sim fósseis.

Esse mercado fatura anualmente US$ 48 bilhões e gera mais 400 mil empregos. O EUA é o
maior em capacidade e 48% de suas inovações em energia de fontes renováveis são a partir do
vento, apud (GWEC, 2009). O governo brasileiro tem investido gradativamente em fontes de
energias renováveis, mas ainda é uma quantia irrisória se comparada ao percentual de energia
(nesse caso a eletricidade), que o Brasil consome e produz, já que estas vêm de fontes não
renováveis.

                                                Entre as outras tecnologias geradoras de eletricidade utilizadas no
                                                país estão a termonuclear, as termelétricas a gás natural e a óleo
                                                diesel, mas nenhuma delas contribui com uma porcentagem maior
                                                do que 7% do total. A introdução da biomassa, energia nuclear e gás
                                                natural reduziu a porcentagem da hidroeletricidade de 92% em 1995
                                                para 83% em 2002. A geração de eletricidade com biomassa
                                                (resíduos vegetais e bagaço de cana) em 2002 provinha de 159
                                                usinas, com uma capacidade instalada de 992 MW, ou 8% da energia
                                                elétrica de origem térmica do país. A grande maioria dessas usinas
                                                (com cerca de 952 MW) está localizada no Estado de São Paulo e usa
                                                bagaço de cana, um subproduto da produção de açúcar e álcool
                                                (GOLDEMBERG, 2007, DOSSIÊ ENERGIA).


40
     Acadêmico do curso de Engenharia Civil, 6º semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
Outra forma de energia que o País ainda é extremamente dependente é o petróleo e o gás
natural proveniente da extração do petróleo, o que é ainda mais intrigante, pois o país possui a
maior companhia nacional produtora de petróleo do mundo, a Petrobras, que por acaso é
estatal. No mundo há mais de 20 anos já existem protótipos de carros movidos à energia
elétrica, hidrogênio e até mesmo água, mas incrivelmente no Brasil ainda tem a maioria
esmagadora dos veículos automotores movidos a gasolina, que não por acaso é derivada do
petróleo.

A falta de investimento em energia eólica só pode ser justificada pela ignorância dos governos
passados e o descaso do atual. Ainda há esperanças, pois alguns estados da federação e até
próximos da nossa região, como é o caso de Lages-SC ou de Osório-RS, já contemplam
complexos para captação da energia dos ventos, que geram energia limpa, inesgotável e
segura. O que leva à reflexão: por que ainda, nos dias de hoje, o Brasil ainda produz,
predominantemente, energia através de hidrelétricas e fabrica carros que consomem
combustíveis fósseis, limitados, caros e não renováveis? Há outras formas e fontes de energias
renováveis que podem ser aplicadas no território, como usinas térmicas de biomassa, mas
existem outras formas de energia não renováveis como energia atômica, gás natural, usinas
movidas a carvão ou usinas movidas a diesel; cabe a cada governo investir no que trará
resultados e melhorias ao meio ambiente. As opções existem! Já o governo querer utilizá-las
de maneira inteligente, usufruindo da geografia e gozando dos resultados positivos ao meio
ambiente, é preciso esperar sentados.


Referências

LUCON, Oswaldo and GOLDEMBERG, José. Crise financeira, energia e sustentabilidade no
Brasil. Estud. av. [online]. 2009, vol.23, n.65, pp. 121-130. ISSN 0103-4014.
http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142009000100009. Acesso em: 13 jun. 12.

SOCCOL, Olívio José; ZITTERELL, Danieli Bariviera; ULLMANN, Mario Nestor and MIQUELLUTI,
David José. Wind power characterization in the Lages city - SC, Brazil. Braz. arch. biol. technol.
[online]. 2010, vol.53, n.5, pp. 1155-1160. ISSN 1516-8913. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-
89132010000500020. Acesso em: 13 jun. 12.

- 12 GOLDEMBERG, José and LUCON, Oswaldo. Energia e meio ambiente no Brasil. Estud. av.
[online]. 2007, vol.21, n.59 [cited 2012-07-04], pp. 7-20 . ISSN 0103-4014.
http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142007000100003. Acesso em: 13 jun. 12.
Adaptação gradativa de fontes renováveis
    Como uma implantação planejada e homeopática pode incentivar o uso de energias
  renováveis e minimizar os altos investimentos iniciais substituindo fontes não ecológicas
                                      gradativamente
                                                                         Yuri Pedroni Prado41

  A energia elétrica que hoje move o mundo é em sua maior parte provida por combustíveis
     fósseis e fontes não renováveis ultrapassadas e ineficientes. Nos últimos anos viu-se a
importância de substituir essas fontes atuais por tecnologias sustentáveis antes que o Planeta
  fique definitivamente marcado pela extração não controlada. Porém, uma transição bem-
 sucedida não ocorre de forma instantânea e requer um planejamento visionário e gradativo
                 para minimizar os sintomas de uma mudança de tal magnitude.

Nos dias de hoje, há um crescente interesse em tornar tudo o mais ecologicamente correto
possível. As atenções estão voltadas para as empresas verdes e adequações do gênero
mostram uma grande valorização social e política, pois as fontes usufruídas possuem um
limite, e com o tempo a natureza deixará de fornecer.

A enorme economia mundial produtiva exige um consumo colossal de energia. Tanto a
indústria quanto a população consomem cada vez mais energia elétrica, e segundo Kothari,
Tyagi e Pathak (2010) em seu artigo “Waste-to-energy: A way from renewable energy sources
to sustainable development” estima-se que no ano de 2100 o mundo irá consumir seis vezes
mais energia que nos dias atuais. Para países populosos e desenvolvidos, a razão de energia
consumida por energia produzida será descomunal, enquanto para países menores esta
relação será mais equilibrada.

Perante essa grande dependência de energia é impraticável uma migração instantânea de
fontes providas de combustíveis fósseis para fontes renováveis e ecológicas, pois as
adaptações necessárias são numerosas, e o investimento inicial colossal.

Uma alternativa a essa adaptação forçada é um desenvolvimento gradual e planejado para as
tecnologias renováveis, ou seja, ao invés de uma simples substituição de fontes de energia é
feita uma implantação de fonte renovável paralelamente à fonte principal, e a troca acontece
gradativamente conforme for surgindo mais necessidade de energia, até que
automaticamente as fontes renováveis irão substituir outros combustíveis não ecológicos de
forma que se tornem a principal fonte de energia, e futuramente a única. Essa iniciativa é
aplicável para iniciativa privada da indústria ou até mesmo para cidades.

Esse desenvolvimento planejado supera muitos obstáculos que são impostos para uma
adaptação rápida, pois o investimento inicial é reduzido e parcelado conforme é implantado o
sistema, e o bom planejamento pode ser desenvolvido com o passar da adaptação. De acordo
com Negro, Alkemade e Hekkert citado no artigo “Why does renewable energy diffuse so
slowly? A review of innovation system problems” um quesito de grande importância que ajuda
a garantir uma implantação bem-sucedida para uma fonte renovável é a infraestrutura do local
onde o captador de energia se encontra. Tendo em mente que cada fonte possui seu próprio
meio natural – cada fonte renovável necessita de fatores diferentes para uma boa
produtividade, como fortes ventos para energia eólica ou ondas para energia marítima – fica
evidente que investimentos do gênero são obrigatoriamente de longo prazo, pois uma
readaptação de infraestrutura é impraticável devida às singularidades que cada fonte

41 Acadêmico do curso de Engenharia de Controle e Automação, 7º semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
renovável apresenta em sua arquitetura e disposição geográfica, ou seja, áreas destinadas
para usinas de determinada energia renovável não podem ser facilmente remodeladas para
captação de outras energias ou as usinas deslocadas geograficamente sem que haja um
comprometimento crítico no beneficio do investimento. Isso justifica a importância do
planejamento.

Um empreendimento do gênero certamente é muito atraente teoricamente e muito bem visto
socialmente. O fato de uma indústria ou um complexo habitacional se tornar autossuficiente
energicamente é uma revolução tecnológica e ecológica que o mundo será obrigado a tornar
como uma diretriz. Porém, o impacto inicial de adaptação, a mobilização da iniciativa e o não
humilde investimento impõe uma grande barreira para esta transformação que só será
praticada pelos mais visionários investidores ou por uma massiva reforma social e política no
globo.

Não é descartada a chance de um aceleramento no processo visando uma rápida implantação,
mas é indispensável um controle total sobre o sistema, pois sempre que se tem uma ação
forçada há uma grande chance de rejeição.

Referências
Richa Kothari, V.V. Tyagi, Ashish Pathak. Waste-to-energy: A way from renewable energy
sources to sustainable development, Renewable and Sustainable Energy Reviews, Volume
14, Issue 9, December 2010, Pages 3164-3170, ISSN 1364-0321, 10.1016/j.rser.2010.05.005.
(http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364032110001437. Acesso em: 15 jun.
12).

Simona O. Negro, Floortje Alkemade, Marko P. Hekkert. Why does renewable energy diffuse
so slowly? A review of innovation system problems, Renewable and Sustainable Energy
Reviews, Volume 16, Issue 6, August 2012, Pages 3836-3846, ISSN 1364-0321,
10.1016/j.rser.2012.03.043.
(http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364032112002262. Acesso em: 13 jun.
12).
Aplicações para o óleo vegetal e gordura animal
               Óleos vegetais e gordura animal como fonte de energia para motor gerador ciclo
                                  diesel e transformadores elétricos
                                                                             Filipe Meneghetti42




 Tendo em vista a preocupação com o futuro do Planeta, alternativas menos danosas ao meio
  ambiente e que não sejam oriundas do petróleo começaram a surgir. Entre elas, o biodiesel,
     produzido a partir de gordura animal, pode substituir o uso do óleo diesel em motores
 geradores ciclo diesel, e o óleo vegetal, produzido a partir de algodão, babaçu, girassol, milho
  ou soja, pode substituir o óleo de origem mineral utilizado em transformadores. Aliados da
   preservação ambiental, essas opções renováveis também podem ser vantajosas no âmbito
               econômico, gerando inúmeros empregos em países como o Brasil.



A partir do século 20, preocupações com a escassez do petróleo e com a segurança ambiental
instigaram cientistas na busca por energias renováveis. Apesar de geralmente oferecerem boa
eficiência e baixo custo, companhias de energia elétrica e empresas preocupadas com o meio
ambiente investem em estudos de energias alternativas aos combustíveis fósseis. Nessa
esfera, o óleo mineral, oriundo do “ouro negro” e componente básico de transformadores e
motores geradores ciclo diesel, pode ter como alternativa para estas aplicações,
respectivamente, o óleo vegetal e a gordura de frango.

Transformadores são equipamentos indispensáveis nos sistemas de conversão e distribuição
de energia, seja ela renovável ou não. Segundo Silva et al (2011), em “Caracterização físico-
química e dielétrica de óleos biodegradáveis para transformadores elétricos”, os
transformadores são os equipamentos mais importantes do sistema elétrico de potência. Um
dos componentes essenciais para o funcionamento do transformador é o óleo, geralmente de
origem mineral. Este elemento é responsável pela refrigeração e isolamento dos circuitos
elétricos e magnéticos deste equipamento.

A sua importância na produção energética se contrapõe aos malefícios ao meio ambiente e à
escassez de sua matéria-prima. Desta forma, o óleo vegetal se torna uma opção racional ao
problema. De acordo com Silva et al43 (2011),o óleo de origem vegetal só emite dióxido de
carbono e água durante a sua combustão e é 97% biodegradável em 21 dias, contra 25,2% no
mesmo intervalo de tempo para o óleo mineral, o qual além de levar 15 anos para ser
totalmente degradado, é tóxico, oferece maiores riscos de acidente, tem pior tolerância à
umidade e oferece menor vida útil ao equipamento. A grande desvantagem desse óleo
biodegradável é a menor estabilidade à oxidação.


42
     Acadêmico do curso de Engenharia Civil, na Universidade de Caxias do Sul.
43
     Silva et al (2011), Idem.
As propriedades térmicas, físico-químicas e elétricas diferem entre os óleos minerais e
vegetais, mas isso não se torna um grande problema, podendo ser facilmente corrigido
mediante a adição de fluidos adequados. A qualidade de novos óleos isolantes ou em serviço é
normalizada pela NBR 15422 da BBNT (2006c). Para o Brasil, a produção de óleo vegetal pode
ser originada do algodão, babaçu, girassol, milho e soja.

No caso de motores geradores ciclo diesel, geralmente movidos a óleo diesel, uma alternativa
renovável é o biodiesel. Esse combustível pode ser originado da gordura animal, o que o
concede alta disponibilidade e baixo custo. O biodiesel é constituído por carbono neutro,
assim sua obtenção e queima não contribuem para o aumento das emissões de CO2 na
atmosfera. Além disso, conforme Da Silva et al (2011), em “Motor gerador ciclo diesel sob
cinco proporções de biodiesel com óleo diesel”, a produção de biodiesel de gordura animal
pode ser uma opção muito atrativa economicamente para regiões brasileiras como o Oeste do
Paraná e o Oeste de Santa Catarina, onde as cooperativas agroindustriais contribuem para
manter o Brasil na posição de 3º maior produtor de aves de corte do mundo (IBGE, 2010). A
produção de biodiesel à base de gordura residual de processamento de aves pode ser ofertada
a um custo menor que a produção do mesmo combustível através de outras fontes, e gerar um
grande número de empregos.

Segundo Da Silva et al44 (2011), apud Gomes et al (2008), analisando cinco cooperativas
agroindustriais do Oeste do Paraná, verificou-se que são abatidas 300.960.000 aves por ano.
Considerando-se a conversão de 95% de gordura de frango em biodiesel, o potencial anual de
produção de biodiesel é de 19.525.209kg. Porém, existem algumas desvantagens na utilização
do biodiesel em substituição ao óleo diesel, como a presença de contaminantes, como água e
sílica, que alteram as características do óleo lubrificante. Também são maiores os desgastes
pela abrasão, danos no motor e a deterioração precoce.

O biodiesel, produzido a partir da gordura de frango, é uma alternativa renovável ao óleo
diesel em motores geradores ciclo diesel. Dentre suas vantagens está o baixo custo de
produção e obtenção, a ampla disponibilidade de matéria-prima no Brasil, e o aumento de
emprego com o surgimento das refinarias para transformação em biodiesel e arrecadação da
gordura nas cooperativas e, principalmente, a sua obtenção e queima não contribuírem para o
aumento das emissões de CO2 na atmosfera.

Da mesma forma, a utilização do óleo vegetal como substituição ao óleo mineral para uso em
transformadores é uma opção vantajosa em relação à preservação ambiental, uma vez que só
emite dióxido de carbono e água durante a sua combustão, não é tóxico, oferece menores
riscos de acidente e maior vida útil ao equipamento onde será utilizado.


2
    Da Silva et al (2011), Id.
O óleo vegetal e a utilização de gordura animal para produção de biodiesel são opções
racionais para substituir os óleos minerais, uma vez que, apesar de uma menor eficiência,
reduziriam os malefícios ao meio ambiente e evitariam e escassez do petróleo.



Referências
DA SILVA, Marcelo J. et al. Motor gerador ciclo diesel sob cinco proporções de biodiesel com
óleo diesel. Rev. bras. eng. agric. ambient. [online]. 2012, v.16, n.3, p.320–326. Acesso em: 21
jun. 12.


SILVA, Claudia R et al. Caracterização físico-química e dielétrica de óleos biodegradáveis para
transformadores elétricos. Rev. bras. eng. agric. ambient. [online]. 2012, vol.16, n.2, pp. 229-
234. ISSN 1807-1929. Acesso em: 21 jun. 12.
LESÃO POR ESFORÇO REPETITIVO45
     Definição e método de prevenção para portadores de Lesão por Esforço Repetitivo (LER)
                                                                    Gláucia Zuleide Stumm46

   As lesões por esforço repetitivo consistem em um síndrome do sistema músculo esquelético
    caracterizada por dor crônica. Em um estudo feito com trabalhadores usuários do Sistema
  Único de Saúde (SUS) verificou-se que no perfil dos pacientes há um predomínio de Lesão por
  Esforço Repetitivo (LER) no sexo feminino. O objetivo deste trabalho e descrever os sintomas
   característicos de LER, bem como as características dos pacientes com esta lesão para uma
      maior efetividade no tratamento fisioterapêutico. Método: Trata-se de um estudo de
  divulgação científica. A pesquisa foi operacionalizada mediante a busca eletrônica de artigos
   indexados na base de dados Sceintific Eletronic Library Oline (Scielo), a partir das seguintes
 palavras chave: LER, fisioterapia, saúde do trabalhador. Discussão dos resultados: Verificou-se
  que o perfil dos pacientes é predominantemente de mulheres, que a renda pessoal é baixa, e
     que o trabalho é braçal ou de tarefas padronizadas e jornadas de trabalho ininterruptas.
 Conclusão: A sociedade faz com que as mulheres ultrapassem o limite do seu corpo e por isso
   elas são a maioria dos pacientes com LER. A evolução também influenciou no aumento dos
                                           casos de LER.

De acordo com Garbin, Neves e Batista47 (1998), em “Etiologia do senso comum: as Lesões por
Esforço Repetitivo na visão dos portadores” as lesões por esforço repetitivo consistem em uma
síndrome do sistema músculo esquelético caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não
por alterações observáveis, e se manifesta principalmente nos membros superiores em
decorrência da sua maior utilização no trabalho fabril.

Segundo Caetano, Cruz e Leite48 (2010) no texto “Perfil dos pacientes e características do
tratamento fisioterapêutico aplicado aos trabalhadores com LER/DORT”, em um estudo feito
com trabalhadores usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), verificou-se que no perfil dos
pacientes há um predomínio de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) no sexo feminino, e que a
renda pessoal não passa de um salário mínimo. Das ocupações encontradas, a maioria estava
relacionada com o trabalho braçal, e quanto ao tempo de trabalho em uma mesma função, a
média foi de dezesseis anos; os trabalhadores afirmaram impossibilidades na realização das
atividades da vida diária.

Conforme Augusto et al (2008), em “Perfil dos pacientes e características do tratamento
fisioterapêutico aplicado aos trabalhadores com LER/DORT”, o fisioterapeuta, ao atender o
paciente com LER, deve considerar que as representações a respeito da doença e do doente
podem influenciar nas formas de encaminhar a assistência fisioterapêutica. Este artigo tem por
objetivo descrever os sintomas característicos de LER, bem como as características dos
pacientes com está lesão para uma maior efetividade no tratamento fisioterapêutico.

Trata-se de um estudo de divulgação científica. A pesquisa foi operacionalizada mediante a
busca eletrônica de artigos indexados na base de dados Sceintific Eletronic Library Oline
(Scielo), a partir das seguintes palavras-chave: LER, fisioterapia, saúde do trabalhador. As
consultas incluíram somente periódicos dos anos de 1998, 2008 e 2010.



45
  Trabalho realizado na disciplina de Leitura e Escrita na Formação Universitária, no período de junho a julho de
2012, com orientação da professora Valneide Luciane Azpiroz.
46
   Acadêmica do curso de Fisioterapia da Universidade de Caxias do Sul.
47
   Garbin, Neves, Batista (1998), Idem.
48
   Caetano, Cruz e Leite (2010), Idem.
A amostra compreendeu as publicações de artigos indexados em periódicos, selecionados a
partir de uma leitura prévia dos resumos anexados, que seguiram os seguintes critérios de
inclusão: I) veículo de publicação: optou-se por artigos indexados, uma vez que são órgãos de
maior divulgação, de fácil acesso e passam por critérios rigorosos dos revisores antes da sua
publicação; II) idioma de publicação: artigos na íntegra em Língua Portuguesa; III) ano de
publicação: foram selecionados artigos publicados nos anos de 1998, 2008 e 2010; portanto,
trata-se de uma amostra intencional. De posse dos artigos, foi feita uma leitura analítica e
integral de cada estudo, procurando a identificação das principais ideias-chave, a
hierarquização dos principais achados e a síntese dos resultados.

Para melhor organização e compreensão, foi feito um tabelamento do material em que foram
escolhidos quatro dimensões de análises, a saber: Perfil dos pacientes; características das
profissões; sintomas da doença; e referências. Com isso, foi possível uma análise dos
resultados selecionados, a fim de se obter um panorama detalhado da produção científica nos
anos referidos sobre o tema.

Conforme Caetano, Cruz e Leite 49 (2010), as Ler representam o principal grupo de agravos à
saúde entre as doenças ocupacionais do País, elas podem ser definidas como manifestações ou
síndromes patológicas que se instalam insidiosamente em determinados segmentos do corpo
em consequência do trabalho realizado de forma inadequada.

Já para Caetano, Cruz e Leite 50 (2010) a adoção de novas tecnologias e métodos gerenciais,
verificada nas últimas décadas, facilitou a intensificação de trabalho que, aliada à instabilidade
no emprego, modificou o perfil de adoecimento e sofrimento dos trabalhadores.

A instrução normativa do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) apud Caetano, Cruz e
Leite51 (2010) declara que ela não se origina exclusivamente de movimentos repetitivos,
podendo ocorrer pela permanência prolongada dos segmentos corporais em determinadas
posições, assim como a necessidade de concentração e atenção do trabalhador para realização
das atividades laborais e a pressão imposta pela organização do trabalho.

De acordo com a Norma Técnica do INSS, apud Garbin, Neves e Batista52 (1998), as LER são
definidas como:

                                        Afecções que podem acometer tendões, sinóvias, músculos, nervos,
                                        fáscias, ligamentos, isolada ou associadamente, com ou sem
                                        degeneração de tecidos, atingindo principalmente, porém não
                                        somente, os membros superiores, região escapular e pescoço, de
                                        origem ocupacional, decorrente ou não, de: a) uso repetido de
                                        grupos musculares; b) uso forçado de grupos musculares e c)
                                        manutenção de postura inadequada.




Segundo Garbin, Neves e Batista53 (1998), as LER provocam diversas incapacidades, entre elas:
a diminuição da agilidade dos dedos, dificuldades para pegar, segurar e manusear pequenos
objetos e dificuldade de manter os membros superiores elevados.



49
   Caetano, Cruz e Leite (2010), Id.
50
   Caetano, Cruz e Leite (2010), Id.
51
   Caetano, Cruz e Leite (2010), Id.
52
   Garbin, Neves, Batista (1998), Id.
53
   Garbin, Neves, Batista (1998), Id.
Segundo Caetano, Cruz e Leite54 (2010) em um estudo feito com oitenta trabalhadores
usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) verificou-se que no perfil dos pacientes há um
predomínio de LER no sexo feminino, e em 84% dos casos a renda pessoal não passa de um
salário mínimo. De acordo com Caetano, Cruz e Leite55 (2010) das ocupações encontradas em
76 indivíduos entrevistados 95% estavam relacionados com o trabalho braçal e quanto ao
tempo de trabalho em uma mesma função a média foi de dezesseis anos, 78(97,5%) dos
trabalhares afirmaram impossibilidades na realização das atividades da vida diária.

De acordo com Garbin, Neves e Batista56 (1998), as LER denunciam um contexto de tarefas
padronizadas, movimentos pré-fixados, horas-extras excessivas, jornadas de trabalho
ininterruptas, pressão por produção, risco iminente de demissão.

Devido ao fato de a sociedade ser machista, isto é, de as ideias dos homens sempre
prevalecerem sobre as das mulheres faz com que, a todo o momento, elas necessitem
comprovar a eficácia do seu trabalho, e isso as leva a ultrapassar o limite do seu corpo e, por
isso, elas são a maioria dos pacientes com LER. Além disso, o fato de ter uma renda baixa
acaba impondo que se comportem como a sociedade exige para poder gerar o sustento dos
seus filhos que na maioria das vezes não tem a presença do pai.

A evolução também impôs a utilização de equipamentos que exigem muitas horas de trabalho
repetitivo o que aumenta ainda mais a incidência das LER, e nas localidades menos
privilegiadas onde ainda a evolução não se manifestou é o trabalho braçal e mal remunerado
que predomina aumentando ainda mais o número de pessoas expostas a sofrer com as LER.

Referências

AUGUSTO, V. G .et al. Um olhar sobre as LER/DORT no contexto clínico do fisioterapeuta.
Rev. bras. fisioter., Fev 2008, vol.12, no.1, p.49-56. ISSN 1413-3555. Acesso em: 3 jun. 12

CAETANO, V. C, CRUZ, D. T. LEITE, I. C.G. Perfil dos pacientes e características do tratamento
fisioterapêutico aplicado aos trabalhadores com LER/DORT em Juiz de Fora, MG. Fisioter.
mov. (Impr.), Set 2010, vol.23, no.3, p.451-460. ISSN 0103-5150. Acesso em: 3 jun . 12

GARBIN A. C, NEVES I. R, BATISTA R. M. Etiologia do senso comum: as Lesões por Esforço
Repetitivo na visão dos portadores. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. 1998; 1 (1): 43-
55. Acesso em: 3 jun. 12.




54
   Caetano, Cruz e Leite (2010), Id.
55
   Caetano, Cruz e Leite (2010), Id.
56
   Garbin, Neves, Batista (1998), Id.
Violência contra a mulher
                                            Desigualdades de gênero
                                                                                  Eduardo Borile Junior57


   Este trabalho tem por finalidade elucidar sobre o tema violência contra a mulher no Brasil.
  Baseado no contexto histórico de que o homem é superior à mulher, ele apresenta qual foi a
      primeira manifestação deste pensamento machista e preconceituoso tão presente na
sociedade atual. Os dados e elementos apresentados foram extraídos de um órgão de pesquisa
    reconhecido, o IBGE. Depois disso, é exposta a definição de violência, adota pela Política
   Nacional. Em seguida, há a menção da Lei Maria da Penha, o que é e por que recebeu este
 nome, além do Ligue 180, uma importante ferramenta para auxiliar que tais brutalidades não
                                     sejam mais cometidas.

O papel social da mulher, historicamente, tem se mostrado inferior em relação ao do homem.
O primeiro relato da construção de um conceito ideológico de superioridade masculina tem
seu primeiro alicerce estabelecido por volta de 2.500 anos atrás. No século I, em uma das
maiores metrópoles do mundo grego, a Alexandria (principal cidade portuária da Antiguidade)
já estava explícita a desigualdade de valor, entre homens e mulheres, o que comprova que
este não é um assunto fomentado somente na atualidade. A subordinação diante do homem,
desde a Grécia clássica, era vista como exemplo da superioridade masculina. Segundo Wilshire,
(apud RECHTMAN e PHEBO, 2001) Aristóteles escreveu que o conhecimento racional era a
mais alta conquista humana e, assim, os homens eram considerados superiores e mais divinos
que as mulheres, descritas como monstros desviados, pois eram emocionais e subjetivas,
enfim, uma espécie inferior.

Nesse contexto, o mundo estava cercado de dualismos hierárquicos, com dominação explícita
de um lado sobre o outro. Considerava-se que a alma tinha domínio sobre o corpo, que a razão
sobrepunha a emoção e que o masculino era superior ao feminino (RECHTMAN e PHEBO,
2001, p. 1).

Deve-se considerar, também que, muitas das antigas sociedades eram regidas por escrituras
tidas como sagradas de acordo com a religião, tais como a Bíblia, por exemplo. O Velho
Testamento deixa claro que as mulheres deveriam ser funcionárias de seus maridos. Um
trecho do livro de Colossenses (3,18) exemplifica como era tratada a relação marido x esposa:
“As mulheres, sejam submissas a seus maridos” (REVISTA SUPERINTERESSANTE – Edição 305,
junho de 2012, “A Bíblia como você nunca leu”, p .46).

Frequentemente, nota-se a presença de casos de esfera nacional e mundial, onde mulheres
são agredidas de forma brutal. Como esta violência pode ser praticada de diversas formas,
dificilmente são identificados tais atos (vale ressaltar que a agressão física, o maior nível de
violência, é considerada crime no Brasil). Desse modo, ao analisar detalhadamente esse
problema, torna-se mais fácil trabalhar-se em campanhas embasadas nas possíveis causas
desses crimes para traçar o perfil dos agressores, a fim de coibir e prevenir atos violentos que,
em muitos casos, são praticados pelo próprio companheiro da vítima. Apesar de ser um
fenômeno que ocorre em grande escala na população feminina, independentemente de cor,
idade, grau de escolaridade, religião, etc. pouco se sabe para estudar e avaliar a dimensão



57
 Acadêmico do curso de Comunicação Social – Jornalismo, 3°semestre, na Universidade de Caxias do Sul. E-mail:
eduardo.borilejr@gmail.com.
desse problema que, devido ao desconhecimento social, geralmente não recebe a atenção
necessária.

Tal falta de ação diante do assunto fortalece o modelo social vigente, onde atos violentos
diariamente vivenciados em âmbito social estão presentes nas distintas classes financeiras.
Como as atitudes agressivas (evidenciadas pela presença da instabilidade emocional) estão
presentes desde o início do processo civilizatório humano (disputas por alimentos, guerras,
movimentos sociais, etc.) elas manifestam-se de diversas formas. A análise da violência contra
as mulheres não foge à regra, visto que muitas vezes ela é simbólica, assim dificilmente
identificada (XIMENES, 1999, e MENEGHEL et al, 2003 apud GOMES et al, 2007,
“Compreendendo a violência doméstica a partir das categorias gênero e geração”).

O conceito familiar destaca-se por apresentar uma série de reproduções de desigualdades de
gênero. Ao considerar o homem como o chefe da casa, responsável pela manutenção
financeira da estrutura familiar, e a mulher como a provedora das tarefas matrimoniais
(serviço doméstico, cuidado dos filhos e, afins) devido a sua condição biológica de engravidar e
amamentar torna-se explícita as desigualdades das expectativas geradas em torno do
comportamento se homens e mulheres (GOMES et al, 2007, “Compreendendo a violência
doméstica a partir das categorias gênero e geração”).

 Nesse sentido amplo elencam-se possíveis causas para a disseminação dos preconceitos
estabelecidos pela sociedade assim como as violências sofridas pelas vítimas. A reprodução
natural dos atos violentos, presenciados na infância, podem servir de base para ações
agressivas futuras por parte do agressor. O contexto social contribui para a perpetuação dos
conceitos machistas presentes na sociedade moderna. Ao atribuir papéis de gênero (masculino
e feminino) evidencia-se a distinção entre supremacia e inferioridade. Outra possível causa
para o aumento dos índices de violência perante as mulheres pode estar relacionada a um
ciúme exagerado no relacionamento. No entrelace do tema à gestação, uma gravidez
indesejada enaltece o estado de espírito conturbado do agressor, favorecendo a prática da
violência doméstica. Assim como a falta de relações íntimas, durante o processo de gestação e
a falta de auxílio da família diante da vítima para tomar uma atitude perante o agressor.

Com a contínua inserção das mulheres, numa sociedade preconceituosa e machista, a visão do
homem (seja nas relações profissionais ou pessoais) tem se mostrado distorcida em relação às
recentes conquistas do sexo feminino. Segundo Alves (2012) “[...] ao contrário da mulher, a
percepção do homem, nas últimas décadas é de perda de poder e prestígio social. [...] A perda
de status é sentida [...] e, [...] ainda fere profundamente o orgulho de muitos deles”.

O aumento da competitividade profissional mostra-se cada vez mais presente, entre sexos
distintos. Dessa forma, muitos homens, ao verem-se desfavorecidos profissionalmente, diante
de uma mulher, utilizam seu relacionamento afetivo como uma válvula de escape para
compensar esta perda de poder. Assim, ele enxerga no convívio amoroso a possibilidade de
sentir-se novamente superior, importante e forte. Alves evidencia esta condição como a ideal
para o crescente aumento do índice de violência praticada contra mulheres:

                                      [...] vivenciar o poder é prazeroso. Neste processo, ele não
                                      costuma ter consciência dos seus motivos reais, assim como a
                                      mulher não se dá conta do quanto contribui com a sua
                                      passividade, mas o fato é que estas condições se tornam
                                      absolutamente favoráveis ao crescimento da violência contra
                                      a mulher.
Como é assunto que abrange muitas definições, o conceito desse ato covarde é muito amplo.
Segundo a Política Nacional de Enfrentamento, Violência contra as Mulheres compreende
diversos tipos de violência: a violência doméstica (que pode ser psicológica, sexual, física,
moral e patrimonial), a violência sexual, o abuso e a exploração sexual, o assédio sexual no
trabalho, o assédio moral, o tráfico de mulheres e a violência institucional. Diante dessa
imparcialidade conceitual, para a Política Nacional, violência contra a mulher é “qualquer ação
ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou
psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado” (Art. 1°).

No ano de 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou em seu
anuário, informações impactantes acerca do tema. Segundo ele, naquele ano, mais de um
milhão de mulheres foram vítimas de violência doméstica. A cada 15 segundos uma mulher é
agredida no Brasil. Para um terço das vítimas, as agressões começaram por volta dos 19 anos.
A violência doméstica é a maior causa de morte e invalidez de mulheres na faixa dos 16 aos 44
anos. No norte do País, 20% da população feminina afirmou já ter sofrido violência física. Dez
mulheres morrem a cada dia, em razão da violência no Brasil. De 100 brasileiras, pelo menos
25 foram vítimas de violência doméstica; 70% dos agressores são seus maridos, companheiros
ou ex-companheiros. De janeiro a outubro de 2010, 615 mil mulheres procuraram ajuda
através do ligue 180 (serviço gratuito e confidencial do Governo Federal).

Diante desses dados, a Lei Nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da
Penha cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Ela ganhou esse nome em homenagem à biofarmacêutica, Maria da Penha Maia Fernandes,
que por vinte anos lutou para ver seu agressor, Marco Antônio Herredia Viveros, preso.

Após ser sancionada, pelo então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ele entrou
em vigor em setembro do mesmo ano. Tal lei fez com que a violência contra a mulher deixasse
de ser tratada como um crime de menor potencial ofensivo. Além de dar mais visibilidade para
às atitudes masculinas de cunho agressivo, esta lei também acaba com as penas pagas em
cestas básicas ou multas. Além disso, ela prevê que, caso [...] a lesão for praticada contra
ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha
convivido [...] a pena pode variar de três (03) meses a três (03) anos (Art. 129 do Decreto-Lei
nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – parágrafo 9).

No ano de 2005, a Secretaria Brasileira de Políticas para as Mulheres (SPM) criou a Central de
Atendimento à Mulher. Desde a criação da Central, já foram realizados mais de dois (2)
milhões de atendimentos de casos relacionados à violência. Ao entrar em contato, as mulheres
recebem informações sobre o que devem fazer caso tenham sido vítimas de qualquer tipo de
violência. O Ligue 180 atende 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive feriados.

Segundo o relatório da SPM, apresentado em 27 de abril de 2012, a Central Ligue 180 registrou
de janeiro até março do mesmo ano, 201.569 atendimentos. Desse total, 24.755 foram
denúncias de violência, sendo que 58% foram reclamações de violência física.

Diante das informações implícitas nesse trabalho, percebe-se que o preconceito de que o
homem é um ser superior se comparado com a mulher, sempre foi descrito em diversas
sociedades. O tema violência contra a mulher, apesar de estar em voga, surgiu há mais de dois
milênios.

No Brasil, as pesquisas demonstram que tais atos covardes, ainda estão sendo praticados em
grande escala, mas que também estão sendo identificados mais cedo, por parte da mulher.
Com a criação da Lei Maria da Penha e do Ligue 180, elas ganharam um importante auxílio
para procurar ajuda nos momentos críticos, quando não sabem a quem recorrer.

É importante frisar que já fora dado um grande passo para coibir, prevenir e erradicar a
violência praticada contra as mulheres, mas que ainda há um grande e tortuoso caminho a
percorrer. As políticas públicas começam a valorizar as questões acerca deste tema, contudo
cabe à sociedade dar um basta nessas questões. Somente desse modo, cada um fazendo sua
parte é que tais leis, de fato, entram em vigor.

Assim, a busca pelo equilíbrio entre direitos e ações masculinas e femininas parece ser uma
meta digna de se considerar uma das chaves para a obtenção da igualdade de gênero. A
desconstrução de preconceitos e a reconstrução dos papéis de gênero é um objetivo a ser
alcançado.

REFERÊNCIAS
ALVES, Maristela Pacheco. Violência contra a Mulher, quem é o verdadeiro inimigo. In:
Coordenadoria Estadual da Mulher de Santa Catarina. Disponível em:
<http://www.cem.sc.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=55&Itemid=53&la
ng=> Acesso em 27 de junho de 2012.

AZEVEDO, Solange. A Maria da Penha me transformou num monstro. Natal. 2011 – Revista Isto
é 21.Jan.2011 - 21:00 | Atualizado em 17.Jun.12 – 13:15. Disponível em:
<http://www.istoe.com.br/reportagens/121068_A+MARIA+DA+PENHA+ME+TRANSFORMOU+
NUM+MONSTRO+> Acesso em 27 de junho de 2012.

BONFIM, Elisiane Gomes. LOPES, Marta Julia Marques. PERETTO, Marcele. 2010. Porto Alegre.
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Acesso em 21 de junho de 2012.

GOMES, Nardilene Pereira. DINIZ, Normélia Maria Freire. ARAÚJO, Anne Jacob de Souza,
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<http://www.scielo.br/pdf/ape/v20n4/19.pdf> Acesso em 20 de junho de 2012.

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<http://www.historiadomundo.com.br/idade-antiga/alexandria.htm> Acesso em 27 de junho
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http://bscw.rediris.es/pub/bscw.cgi/d425602/Viol%C3%AAncia%20contra%20a%20Mulher%2
0(Brasil).pdf). Acesso em 26 de junho de 2012.

REPÚBLICA, Presidência Da. Secretaria de Políticas para as mulheres – Política Nacional de
Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Disponível em:
<http://www.campanhapontofinal.com.br/download/informativo_03.pdf> Acesso em 28 de
junho de 2012.

REPÚBLICA, Presidência Da. Secretaria de Políticas para as mulheres. Secretaria Nacional de
Enfrentamento à Violência contra as mulheres. Relatório Trimestral – 2012. Disponível em:
<http://www.sepm.gov.br/noticias/documentos-1/relatorio-trimestral-ligue-180-2012>
Acesso em 28 de junho de 2012.

REPÚBLICA, Presidência Da. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI Nº 11.340, DE 7
DE AGOSTO DE 2006. Disponível na Internet: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11340.htm>Acesso em 28 de junho de 2012.

SUPERINTERESSANTE, Revista – Edição 305, junho de 2012. “A Bíblia como você nunca leu”.
Editora Abril.
Planejamento Urbano e Habitação de Interesse Social
                           Industrialização e Sub-Habitação em Caxias do Sul
                                                                      Gabrielle Oss Correa58

Esta pesquisa busca possíveis relações entre a localização das indústrias e o surgimento dos
núcleos de sub-habitação em Caxias do Sul a partir da década de 30 até os dias atuais. Partiu-
se da análise do contexto geral da cidade por períodos (1932, 1955, 1973, 1984 e 2010). Foi
constatado que a indústria é um atrativo de mão de obra, porém a localização das ocupações
irregulares não está ligada somente a ela, mas também pela busca de uma área de fácil acesso
aos serviços, geralmente ao longo de rodovias, áreas verdes/ institucionais de loteamentos
públicos ou de desinteresse público/ particular.


Este artigo tem como problema de pesquisa buscar possíveis relações sobre a influência das
atividades industriais no surgimento e crescimento de áreas de ocupação irregular na cidade
de Caxias do Sul. O processo de industrialização acarreta um aumento na demanda da
infraestrutura urbana, a qual não resolvida ocasiona o surgimento dos núcleos de sub-
habitação.

Segundo Benévoloi (1999), a relação entre expansão urbana e industrialização é um fenômeno
mundial, acarretando uma série de modificações na estrutura política, socioeconômica e
urbana de uma cidade. A indústria torna-se um atrativo para pessoas que buscam melhores
condições de vida, no entanto, a maior parte dessas pessoas que migra para a cidade não tem
condições econômicas para comprarem um pedaço de terra ou morarem em um local
apropriado para moradia. Com isso, passam a ocupar a periferia das cidades em áreas
impróprias como, por exemplo, encostas com grandes declividades, sem qualquer
infraestrutura. O poder público, através de programas habitacionais, não consegue
acompanhar a demanda exigida pela grande quantidade de pessoas que migram em busca de
trabalho, ocasionando assim a ocupação e o surgimento de núcleos de sub-habitação em áreas
de ocupação irregular (BENÉVOLOii, 1999).

Caxias do Sul, desde o inicio de sua colonização, apresenta características migratórias
marcantes e um crescimento acelerado a partir do início do século XIX com foco na atividade
industrial. A morfologia urbana da cidade modela-se a partir da criação de importantes vias de
tráfego ao longo de sua história, gerando aglomerações industriais e o surgimento de bairros,
loteamentos populares e consequentemente, núcleos de sub-habitação (HERÉDIAiii, 1997).

O presente trabalho tem como objeto de estudo a localização da indústria e o surgimento e
crescimento dos núcleos de habitação subnormal em Caxias do Sul, no âmbito de pesquisa
documental. A análise utilizou a identificação gráfica, em mapas, das maiores indústrias e as
principais aglomerações de habitação subnormal a partir da década de 30, época de registro
do primeiro núcleo de sub-habitação e devido ao levantamento realizado pela Intendência
Municipal sobre o capital das indústrias em Caxias do Sul.




58
     GABRIELLE OSS CORREA, acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo no 10º semestre.
A partir do ano de 1910, com a emancipação de Caxias do Sul, abertura de estradas e
melhorias nos sistemas de água gerou-se um grande desenvolvimento no setor industrial,
atraindo assim migrantes de outras áreas do Rio Grande do Sul, principalmente dos Campos de
Cima da Serra. Estes migrantes, não possuindo condições para pagar um aluguel ou adquirir
um terreno, foram se instalando nas áreas não urbanizadas na periferia da cidade, em áreas de
risco, próximo às estradas, surgindo assim os primeiros núcleos de sub-habitação de Caxias do
Sul (HERÉDIAiv, 1997).

Segundo análise realizada através de mapa locando as principais indústrias e núcleos de sub-
habitação nos anos de 1932, o setor industrial está, em grande parte, situado dentro do
perímetro urbano, onde as oficinas metalúrgicas e mecânicas estão próximo à Praça Dante
Alighieri, local do fluxo do comércio na época. Outras indústrias como os moinhos, serrarias,
ferrarias e vinícolas estão próximos da zona rural, pois necessitavam da queda dos rios para
gerar força motriz e também facilitando na obtenção da matéria-prima.

Durante a Era Vargas (1930 a 1945) muitas indústrias haviam sido declaradas de interesse
militar, o que levou um ritmo acelerado de produção, registrando um crescimento industrial e
empresarial significativo. O centro da cidade passou por transformações e houve a
necessidade de ampliação do perímetro urbano.

Neste momento, a estrada de ferro já não atendia mais a demanda de cargas e passageiros e
havia a necessidade de ligar o município ao restante do país. Em novembro de 1941, foi
entregue ao município a Estrada Federal (BR116), mudando o eixo de interesses da cidade que
sempre girou em torno da face oeste, onde se encontravam as duas vias de comunicação mais
importantes: a estrada Rio Branco e a estrada de ferro (MACHADO v, 2001).

Através de mapa com a localização das indústrias e núcleos de sub-habitação no ano de 1955,
é possível perceber uma descentralização das indústrias dentro do perímetro urbano da cidade
devido ao crescimento delas e ao alto preço da terra. Com a implantação da BR 116, diversas
indústrias passaram a se instalaram no lado leste da cidade no entorno da estrada federal.

Segundo Herédiavi (1997), a década de 60 teve grande dinâmica econômica e social, como
consequência da criação da Petrobrás e o chamado “milagre econômico brasileiro”, quando o
governo injetou grande capital nas indústrias, expandindo-as e modernizando. Em Caxias do
Sul, as indústrias receberam este auxílio e continuaram se deslocando para junto das estradas
acompanhadas do parcelamento do solo residencial como foi possível observar no mapa
gerado a partir das indústrias e núcleos de sub-habitação no ano de 1973.

O distanciamento do núcleo urbanizado ocorre por diferentes motivações, onde a indústria
busca acessibilidade e espaço para ampliar as instalações. Instalando-se ao longo das rodovias,
primeiramente ao longo da BR-116 (sentido Oeste e Sul) e posteriormente no sentido leste, ao
longo da RST-453. É possível relacionar a localização dos núcleos de habitação subnormal com
as aglomerações industriais neste período. Geralmente estes núcleos localizavam-se
adjacentes ou fora do perímetro urbano ou próximos à grande estradas.
Caxias do Sul, em 1975, já apresentava um parque industrial definido, onde predominavam
indústrias metal mecânicas, com a fabricação especialmente de transportes, motores,
implementos agrícolas e autopeças (GIRON e NASCIMENTOvii, 2010).

Segundo Herédiaviii (1997) e Machadoix ( 2001) a partir da década de 80, observa-se uma
alteração no sentido de crescimento urbano, mudando do sentido leste (BR116) para o lado
oeste, ao longo da RST 453. Na década de 90 com a expansão urbana e o crescimento
industrial, Caxias do Sul necessitava de infraestrutura para atender às grandes indústrias que
estavam sendo implantadas na cidade, com o risco de perdê-las para cidades como São
Leopoldo pela falta de energia elétrica em abundância. O impasse foi resolvido ligando ao
sistema Scharlau via Farroupilha, assim duplicando a RST 453 no sentido oeste.

Neste período começam as primeiras ocupações industriais ao longo da rodovia recém
duplicada em direção a Porto Alegre. Devido ao alto preço de terra e a falta de espaço no
centro urbano, as indústrias procuram localizar-se em novas áreas, inicialmente desabitadas,
próximo à rodovias para instalaram seus pavilhões. Com isso, há o início da urbanização no
entorno destas novas vias e o abandono do centro urbano para este tipo de atividade. Em
1990, o setor metal-mecânico já estava consolidado e Caxias do Sul já participava ativamente
da economia nacional através de grandes exportações principalmente de peças para meios de
transportes.

Através do mapa da situação local do município, observa-se que as aglomerações ao longo das
rodovias é uma característica marcante no processo de ocupação industrial de Caxias do Sul.
Com a construção das perimetrais Norte e Sul no início dos anos 2000, diversos pavilhões
industriais tornaram-se característicos ao longo deste novo eixo viário criado, ligando-se
diretamente à BR 116 e a RST 453.

Na porção noroeste da cidade há maior número de núcleos de sub-habitação devido ao baixo
preço da terra nestas áreas para a implantação de loteamentos populares, surgindo assim
assentamentos subnormais. O crescimento populacional nesta região propiciou o surgimento
de pequenas indústrias principalmente do setor metalmecânico e no entorno da RS 122, assim
sendo a implantação da indústria posterior à ocupação irregular (Machado x, 2001).

Logo, a grande demanda de mão de obra exigida pela indústria se torna um atrativo para
pessoas de baixa renda que buscam melhores condições de vida. O forte caráter industrial da
cidade ocasionou o fluxo contínuo de migrantes em Caxias do Sul desde o início de sua
ocupação. Foi possível observar através de pesquisa documental, o acelerado crescimento
populacional ao longo dos anos. Esse fluxo intensificou-se depois da Segunda Guerra Mundial,
quando algumas cidades que possuíam sua economia baseada na agricultura sofreram certa
“falência”.

    Através de pesquisa bibliográfica sobre a evolução da cidade, da análise de mapas em cinco
períodos de grande relevância, e da realização de entrevistas ao longo da pesquisa foi possível
observar algumas relações entre o crescimento da indústria e o surgimento de núcleos de sub-
habitação Também foi possível perceber como a localização dos aglomerados industriais é
influenciada diretamente pelas vias de acesso e escoamento de produção em cada período
analisado.
No entanto, não foi possível concluir se o local de surgimento dos núcleos de sub-habitação
está diretamente ligado a implantação de um indústria específica, entretanto acredita-se que,
sua localização depende de uma série de fatores que foram observados ao longo da pesquisa
tais como proximidade às vias de acesso, áreas desocupadas ou de desinteresse
público/particular.

Os migrantes ao chegarem à cidade costumam buscar um local para se instalar geralmente
próximo às vias de acesso ao trabalho e aos serviços, normalmente localizado na periferia
onde o preço da terra é baixo ou onde as chances de serem desalojados são menores. Com
isso, passam a ocupar áreas inicialmente impróprias a moradia, tais como: com grande
declividade que não foram urbanizadas, faixas de domínios de rodovias, áreas verdes
/institucionais de loteamentos que não possuem uso devido, espaços de desinteresse público
ou particular, como é o caso do cone do aeroporto e a faixa ao longo da via férrea.

Essas considerações puderam ser feitas através principalmente da análise gráfica dos mapas,
desde a década de 30 até os dias atuais. No entanto, apresentam limitações devido a
inexistência de dados na Prefeitura Municipal, pois até o ano de 1984, não eram mapeados as
áreas invadidas que não fossem de propriedade do município, gerando assim um crescimento
de 15 para 107 núcleos em apenas dez anos.




Referências
i
  BENÉVOLO, Leonardo. História da Cidade: São Paulo: Ed. Perspectiva, 1997.
ii
    BENEVOLO, Idem.
iii
     HERÉDIA. Vânia Beatriz Merlotti. Processo de Industrialização da Zona Colonial Italiana:
Caxias do Sul, EDUCS, 1997.
iv
    HERÉDIA, Id.
v
    MACHADO, Maria Abel. Construindo uma cidade: história de Caxias do Sul 1875/1950: Caxias
do Sul: Maneco Livraria & Editora, 2001.
vi
    HERÉDIA, Id.
vii
     GIRON, Loraine Slomp. NASCIMENTO, Roberto. Caxias Centenária: Caxias do Sul: EDUCS,
2010.
viii
     HERÉDIA, Id.
ix
    MACHADO, Id.
x
    MACHADO, Id.

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Textos blog

  • 1. Automedicação Uso frequente de medicamentos por profissionais de enfermagem em hospitais públicos Bárbara Fernanda Schafer1 O estudo investigou a prevalência de automedicação entre 1509 trabalhadores de enfermagem de hospitais públicos. O trabalho foi realizado em um hospital do Rio de Janeiro, Brasil. O uso de medicamentos relacionados ao sistema nervoso central foi o de maior índice de uso assíduo pelos enfermeiros. A automedicação se tornou mais evidente em grupos de pessoas mais jovens e que passavam muito tempo trabalhando com pouco tempo para intervalos. As pessoas que se automedicavam geralmente com analgésicos não eram hipertensos, mas com distúrbios psíquicos menores e, na maioria das vezes, não praticavam exercícios físicos. A automedicação é frequente entre enfermeiros e deve-se fazer uma busca para a melhora e conscientização deles e da população em geral (BARROS, GRIEP, ROTENBERG2, 2009, em “Automedicação entre trabalhadores de enfermagem em hospitais públicos’’). A automedicação é uma forma comum de autocuidado entre a população e enfermeiros. O fato se relaciona ao pouco tempo que as pessoas têm para si mesmas. Outros aspectos como a modernidade e a facilidade, e também as condições do ambiente de trabalho, aumentam o consumo de medicamentos gradativamente (BARROS, GRIEP, ROTENBERG3, 2009). O uso de medicamentos sem prescrição pode trazer e geralmente é a causa de vários problemas colaterais, como doenças evolutivas. Logo, medicamentos administrados a longo prazo podem causar doenças e complicações que são fatais ao organismo (BARROS, GRIEP, ROTENBERG4, 2009). O artigo buscou analisar o uso frequente de medicamentos com base em alguns objetivos: identificar os medicamentos mais consumidos, investigar as características socioeconômicas, verificar a prevalência de automedicação na enfermagem, e os padrões de saúde dos mesmos. Acredita-se que a pesquisa possa subsidiar projetos que façam intervenção e que melhorem as condições de trabalho e de saúde, buscando, assim, não só a conscientização dos enfermeiros, e sim da população, melhorando a qualidade de vida (BARROS, GRIEP, ROTENBERG5, 2009). O uso de medicamentos sem prescrição médica cresce exacerbadamente entre profissionais da área da saúde, mas tem como foco principal enfermeiros e a equipe de enfermagem em hospitais públicos (BARROS, GRIEP, ROTENBERG6, 2009). O crescimento está diretamente relacionado a jovens, mulheres, ao acesso facilitado, falta de informação sobre os efeitos colaterais, e serviço de saúde precário e também ao baixo nível de informação. E na população um fator agravante é o alto índice de efeitos que os medicamentos administrados sem prescrição causam se usados em longo prazo (BARROS, GRIEP, ROTENBERG7, 2009). A prática é favorecida a cada dia, pois o acesso a fármacos é cada vez mais evidente. Outro fator que é evidenciado é a falta de tempo que as pessoas têm para cuidar de si de uma forma correta, e não se automedicando (BARROS, GRIEP, ROTENBERG8, 2009). Foram realizados pesquisas em 1 Acadêmica do curso de Enfermagem, 1º semestre, na Universidade de Caxias do Sul. 2 Barros, Griep, Rotemberg (2009) Idem. 3 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 4 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 5 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 6 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 7 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 8 Barros, Griep, Rotemberg,(2009) Id.
  • 2. dois hospitais do Rio de Janeiro que têm como objetivo a investigação sobre o uso de medicamentos por enfermeiros em hospitais públicos. Um dos hospitais é de grande porte e a outra pesquisa foi realizada em um centro de saúde materno-infantil. Participaram do estudo 1509 funcionários de enfermagem (BARROS, GRIEP, ROTENBERG9, 2009). A pesquisa teve como base um questionário que visava conhecer dados dos participantes. As informações sobre o uso de medicamentos teve como principal pergunta o uso de medicamentos nos últimos sete dias, quais foram e por que foram administrados. A pesquisa foi embasada com uma lista de 14 medicamentos sendo classificados por uma letra, considerando o órgão ou sistema que o fármaco atua. O projeto de pesquisa foi então aprovado pelo Comitê de Ética e pela CONEP em Brasília (BARROS, GRIEP, ROTENBERG10, 2009). Entre os trabalhadores de enfermagem o percentual de uso de medicamentos (automedicação) foi de 24,2% que foi menor no que a de enfermeiros da rede básica 32,4%, e já no Rio Grande do Sul o percentual foi de 53,3%. Em idosos o índice é assustador, de 77%. O grupo de medicamentos que se destacou pelo uso exacerbado foi o dos analgésicos, que são os que atuam diretamente no sistema nervoso, 43,4% (BARROS, GRIEP, ROTENBERG11, 2009). A ciente pesquisa teve como principal estudo o uso de medicamentos de profissionais da enfermagem na rede pública de saúde. O fato agravante está relacionado às poucas condições de trabalho, com pouco descanso, levando à fadiga e ao uso de medicamentos diariamente, com o intuito de aliviar principalmente, dores musculares, e também dores de cabeça (BARROS, GRIEP, ROTENBERG12, 2009). O uso de automedicação também está relacionado, e com a pesquisa se tornou evidente, o uso de medicamentos por mulheres. O fato corrobora que as mulheres buscam mais o serviço de saúde, cuidando mais de si mesmas. A automedicação está diretamente relacionada à faixa etária mais jovem (BARROS, GRIEP, ROTENBERG13, 2009). Outro aspecto concluído é que o uso de fármaco sem prescrição médica foi maior em pessoas com altos níveis de escolaridade, mostrando que ele não se relaciona só com pessoas com baixo índice de escolaridade, e sim, também com pessoas que mesmo sabendo os efeitos usam e abusam de medicamentos (BARROS, GRIEP, ROTENBERG14, 2009). Isto se relaciona ao conhecimento e ao maior poder aquisitivo, e também a fatores como a não confiança em médicos e a maior autonomia perante a sua própria saúde (BARROS, GRIEP, ROTENBERG15, 2009). O uso de medicamentos está diretamente relacionado a sintomas não de doenças crônicas e sim das chamadas ‘’comuns’’ e, portanto, frequentes na sociedade. Outro aspecto importante é que os altos índices de automedicação estão ligados ao fato de que as pessoas praticam cada vez menos exercícios físicos, o que está anexo aos melhores índices de saúde (BARROS, GRIEP, ROTENBERG16, 2009). 9 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 10 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 11 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 12 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 13 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 14 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 15 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 16 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
  • 3. Profissionais muito comprometidos com o trabalho, que não conseguem desligar-se das tarefas por pelo menos alguns minutos, também são um dos principais agravantes dos altos números de automedicação (BARROS, GRIEP, ROTENBERG17, 2009). Outro problema é a falta de identificação de substâncias nos fármacos, podendo levar ao esquecimento da composição do medicamento, não sabendo os efeitos colaterais que no futuro poderão ocorrer (BARROS, GRIEP, ROTENBERG18, 2009). O tema automedicação acaba não deixando claro os benefícios e os malefícios à saúde dos enfermeiros. Prática que se relaciona a vários fatores tais como: a falta de tempo, conhecimento e dinheiro para planos de saúde (BARROS, GRIEP, ROTENBERG19, 2009). A automedicação é um assunto antigo na sociedade e que se agrava a cada dia. A prática está cada vez mais assídua pelas pessoas, não só enfermeiros, mas sim pela população mundial em geral. O estímulo que os fármacos dão, dando promessas rápidas de alívio só aumenta a automedicação desenfreada (BARROS, GRIEP, ROTENBERG20, 2009). Assim, o tema automedicação deve ser maior abordado ainda na graduação desses futuros enfermeiros, para que se possa diminuir o perigo e os efeitos que eles causam à saúde. Deve- se tentar melhorar os problemas ‘’comuns’’ com soluções menos prejudiciais ao futuro, como exercícios físicos, uma das formas de controlar o estresse dos trabalhadores (BARROS, GRIEP, ROTENBERG21, 2009). Referências BARROS, Aline Reis Rocha; GRIEP, Rosane Harter e ROTENBERG, Lúcia. Self-medication among nursing workers from public hospitals. Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. 2009, vol.17, n.6, pp. 1015-1022. ISSN 0104-1169. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692009000600014. Acesso em: 20 jun. 12. 17 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 18 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 19 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 20 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id. 21 Barros, Griep, Rotemberg, (2009) Id.
  • 4. COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR EM RELAÇÃO ÀS COMPRAS ON-LINE: POR QUE ELA AINDA SOFRE RESISTÊNCIA? Cristofer Gomes da Rocha22 O artigo aqui escrito tem como interesse elucidar, exemplificar e entender o motivo pelo qual os cidadãos brasileiros ainda possuem certa resistência quando o assunto é a obtenção de algum produto ou serviço de forma eletrônica e via internet. Muitos países já estão utilizando esta modalidade de compra com uma adesão bastante grande por parte da população, como exemplo pode ser citado o país da Coreia do Sul, no qual a internet está fortemente integrada no quotidiano das pessoas, sendo possível inclusive a compra de produtos vindos de supermercados que anunciam os produtos em pequenas placas eletrônicas expostas nas estações de metrô do país. Qualquer pessoa que tenha vivido na década de 70 e viu a criação da primeira rede de computadores que se conectavam entre pontos distintos de um país, na qual era utilizada para fins militares no período da Guerra Fria, não teria ideia de quão necessário este recurso, que hoje é utilizado em escala mundial, se tornou para toda a humanidade. Também é possível dizer que, quando a primeira montadora de carros em série, que foi criada por Henry Ford e ofertava somente o mesmo modelo de carro para toda a população dos Estados Unidos da América, ninguém se atreveria a dizer que outra empresa desenvolveria uma estratégia para conquistar as vendas que Ford possuía na época, somente dando a opção de cores variadas. Este é um exemplo clássico de Marketing e de como uma ideia aparentemente simples pode render bons frutos ao seu idealizador. Mas qual seria a relação entre estes conceitos? Na época que a internet surgiu, ou que Henry Ford viveu, fica claro que estes dois conceitos não se relacionam de forma alguma, mas atualmente eles estão muito ligados. A modalidade de compra e venda por intermédio da rede mundial de computadores é, hoje, uma das formas mais cômodas de obter produtos ou serviços para o consumidor final, que não precisa mais sair de casa para adquirir tudo, ou quase tudo, que ele necessita para sua vida, ou para satisfazer seus desejos mais imediatos. Algo que parece bastante comum para a população brasileira que tem acesso a computadores e internet é o ato de realizar/obter produtos na comodidade de sua casa, mas nem todos têm confiança nesta modalidade de aquisição, que vem conquistando cada vez mais, clientes por todo Brasil. Dados de 2010 mostram que empresas varejistas on-line obtiveram um faturamento de R$ 14,8 bilhões, sendo esses dados referentes somente ao Brasil e superiores aos dados de 2009 em 40%. Os números referentes à quantidade de consumidores que realizaram alguma forma de compra via internet (conhecido como e-commerce23) estão em alta, sendo que à primeira vista, parece muito promissora para qualquer organização que pretende investir nesta categoria de aquisição de bens ou serviços. A quantidade de clientes que obtiveram produtos por intermédio de páginas da internet em 2010 chegou ao valor de 23 milhões, sendo que desse total, 5,4 milhões efetuaram sua primeira compra neste ano e estima-se que, este valor consiga atingir 27 milhões de consumidores em 2011. Porém, o que ainda ocorre, mesmo com 22 Acadêmico do curso de Marketing, 2° Semestre, na Universidade de Caxias do Sul. 23 The buying and selling of goods and services over the internet. Disponível em:<http://dictionary.cambridge.org/dictionary/business-english/e-commerce?q=e-commerce>. Acesso em: 25 jun. 2012
  • 5. toda divulgação a favor desta modalidade de aquisição é que, muitos indivíduos ainda sentem certa desconfiança em relação à obtenção de produtos e serviços de maneira digital. Vários fatores podem influenciar nessa falta de confiança dos clientes em relação ao e- commerce. Um deles ainda predominante e bastante citado por quem alega não gostar de realizar compras via internet, é a falta de segurança que os sites da internet oferecem. Roubo de senhas, dados bancários, informações pessoais e sigilosas são sempre motivo para preocupação entre pessoas que utilizam um computador pessoal, o que leva muitos a pensar que seus dados poderão ser comprometidos quando se realiza a obtenção de algum produto ou serviço de forma on-line. Quando surgiram os primeiros sites voltados ao comércio on-line, era comum a falta de preocupação com segurança na internet, isso de modo geral e algo que ainda ocorre nos dias de hoje, fazendo com que muitas pessoas tivessem seus dados roubados por hackers24. Atualmente, isso ainda ocorre, até com mais frequência, devido ao aumento de usuários de computador ao redor do mundo, mas acontece, muitas vezes, por erro do próprio cliente/usuário que não tem uma preocupação imediata com seus dados, mas passa a ter quando sente que eles foram interceptados. Claro que não é uma falha somente do usuário, mas ele tem uma grande parcela de culpa no caso de algo dessa natureza ocorrer, já que a quantidade divulgada de vezes que algum site classificado como “grande” sofreu ataques maliciosos, é demasiadamente pequena. Por outro lado, é também comum escutar consumidores mencionando a “impessoalidade” que ocorre durante uma compra por e-commerce. O cliente não vê o seu objeto de desejo pessoalmente, não consegue avaliar e tocar a sua futura compra, não tem o acompanhamento de um profissional de vendas para assessorá-lo na escolha de um bom produto, informando- lhe os benefícios e deméritos que o produto pode oferecer. A preocupação com a segurança de dados pessoais atualmente, é algo que povoa a mente de qualquer pessoa que utiliza um computador e ainda é causa dor de cabeça para muitos. Os sites que efetuam vendas pela internet, em sua grande maioria, já possui um sistema de segurança que ajuda e muito no combate aos ataques de hackers em seus bancos de dados. Mas por que isso ainda ocorre? A resposta para isso é mais simples do que muitos imaginam; o próprio usuário, na grande maioria dos casos, é quem está com o computador pessoal infectado por algum programa malicioso, fazendo com que seus dados sejam roubados/interceptados no momento que ele acessa qualquer endereço eletrônico e realiza a digitação dos mesmos. O que pode ser sugerido nesse caso, é que o usuário/futuro comprador faça checagens de rotina em seu PC, de modo que ele tenha certeza que ele está trabalhando em um ambiente seguro. Contudo, não se pode colocar toda a culpa da falta de segurança apenas no usuário. É sabido que várias empresas, inclusive empresas de âmbito mundial, sofreram ataques de hackers que obtiveram sucesso na apropriação de senhas de seus usuários/clientes. Nestes casos é necessário que a própria empresa revise suas rotinas de segurança, utilizando um processo conhecido como “criptografia25” que tem o objetivo de proteger os dados dos clientes criando códigos que são codificados para dificultar ou anular o acesso de alguma pessoa que não tenha o conhecimento de como decodificar este tipo de informação. 24 A person who is skilled in the use of computer systems, often one who illegally obtains access to private computer systems. Disponível em:<http://dictionary.cambridge.org/dictionary/american- english/hacker?q=hacker>. Acesso em: 25 jun. 2012. 25 The art of writing or solving codes. Disponível em:<http://oxforddictionaries.com/definition/cryptography?region=us&q=cryptography>. Acesso em: 25 jun. 2012.
  • 6. Em contrapartida, nem tudo está relacionado à segurança, outro ponto contra que já foi citado foi o caso da “impessoalidade” nesta modalidade de compra. Este é um problema que não possui uma solução realmente satisfatória, mas as empresas que trabalham com vendas on- line e também a lei, já criou uma alternativa para tentar contornar este problema. Muitas páginas que trabalham com e-commerce possuem atendentes que ficam 24 horas por dia ao dispor do cliente, para sanar dúvidas, dar opiniões aos consumidores e com isso, retirar um pouco daquela falta de contato humano na hora da aquisição do produto. Já no que diz respeito à falta de contato físico do comprador com o produto, algo que a lei assegura e que é cumprido pelas empresas, remete ao direito que o cliente tem de fazer a devolução do produto em até três dias após a entrega, com direito a reembolso da quantia. Isto independe de qualquer razão, inclusive sob a alegação de que o produto não o agradou em sua totalidade. É possível ser constatado que grande parte da desconfiança gerada por esta modalidade de compra, é proveniente da falta de informação por parte da população em geral, mas também têm a sua parcela de culpa, as próprias organizações varejistas on-line, que não põem em prática uma campanha de divulgação de sua marca e serviços baseados na internet, para que assim ocorra um entendimento e uma identificação dos consumidores para com o seu serviço. O que algumas empresas hoje estão fazendo, citando como exemplo, o Pag-Seguro26, que hoje faz divulgação também nos canais de TV aberta, sobre a facilidade que ele proporciona a quem deseja efetuar a obtenção de algum produto por intermédio de algum serviço de e-commerce. Este é um passo inicial, que muitas empresas devem tomar como tendência e fazendo-o, o consumidor/potencial consumidor brasileiro começará a ter mais confiança e tomará gosto por este formato de compras, que possivelmente se tornará padrão em um curto espaço de tempo. Referências GARCIA, Gabriel Marin; SANTOS, Cristiane Pizzuti dos. O impacto das características pessoais na intenção de compra pela internet e o papel da mediação da familiaridade e da atitude ante a compra pela internet. São Paulo: RAM Revista de Administração Mackenzie, 2011. JOIA, Luiz Antonio; OLIVEIRA, Luiz Cláudio Barbosa de. Criação e teste de um modelo para avaliação de websites de comércio eletrônico. São Paulo: RAM Revista de Administração Mackenzie, 2008. SAMARA, Beatriz Santos; MORSCH, Marco Aurélio. Comportamento do consumidor: conceitos e casos. São Paulo: Pearson, 2005. TURBAN, Efraim; KING, David. Comércio eletrônico: estratégia e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004. 26 Em janeiro de 2007 o UOL adquiriu a BRpay, uma empresa de pagamentos on-line que ganhava destaque no e- commerce brasileiro. Em abril de 2007 a BRpay foi escolhida pela InfoExame como a melhor solução para pagamentos on-line e em julho de 2007, o UOL lançou o PagSeguro. Disponível em:< http://blogpagseguro.com.br/about-2/>. Acesso em: 2 jul. 2012.
  • 7. ENERGIAS RENOVÁVEIS E A SUSTENTABILIDADE DO PLANETA27 Tema amplamente discutido, mas pouco colocado em prática Jader dos Reis Nichele28 Este artigo sustenta a ideia de que o planeta deve tomar decisões importantes relacionadas ao meio ambiente, visto que está em uma fase determinante a ponto de definir o futuro das próximas gerações, através de ações para diminuir os danos causados no passado, além de prevenir futuros problemas que irão surgir. A utilização de energias renováveis serve como base para análise de possíveis soluções dos problemas atuais enfrentados no Planeta. PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade. Ambiental. Preservação. A população do planeta aumenta a cada dia e o desenvolvimento econômico cresce em igual ou até maior proporção dependendo de cada região. Porém, esse crescimento não tem responsabilidade social com o meio ambiente, ou seja, lucro acima de qualquer custo, ocasionando o consumo desenfreado de recursos não renováveis (petróleo, carvão e gás natural) e aumentando o aquecimento global, visto que não são feitas as análises de riscos ambientais apropriadas. A energia eólica, solar, biomassa e outras, pertencem ao grupo de energias renováveis, surgem como fontes auxiliares e fundamentais para atingir níveis de sustentabilidade ideais, pois elas possuem uma gama de recursos inesgotáveis e suas consequências não são tão graves como, por exemplo, a queima de combustíveis fósseis, que atualmente suprem aproximadamente 80% das necessidades mundiais de energia primária (SCHENBERG apud ENERGY, 2010, p.7). No contexto atual existe uma imensa falta de informações sobre o uso consciente de energias sustentáveis, que se podem atribuir às poucas informações que chegam até a sociedade, cujo papel é fundamental para alavancar a ideia de sustentabilidade. Se as governanças atuais não movimentam recursos e informações para melhoria desse campo, empresas privadas devem servir de exemplo e investir em pesquisas e infraestrutura, para até mesmo usar seu poder de persuasão e levar até aos lares da sociedade as práticas sustentáveis. CONTEXTUALIZANDO O INÍCIO DA AGRESSÃO AO ECOSSISTEMA A história do ecossistema do Planeta ajuda a fundamentar o quanto é importante a preservação dos recursos disponíveis pela natureza. Pode-se começar no povo sumério há 3000 a.C (antiga Suméria e atual Curdistão), cujo desenvolvimento baseou-se na agricultura irrigada entre os rios Tigres e Eufrates, porém o descuido levou à salinização do solo, e a produção diminui e, consequentemente, a Suméria desapareceu. Outro exemplo importante de civilizações extintas é referente aos famosos Maias há 900 a.C (México), que construíram pirâmides e observatórios astronômicos, além de corrigir o solo para plantar milho, só que, para isso, desmataram muito e a chuva diminuiu tanto que o povo ficou com fome e acabou se extinguindo aos poucos até a chegada dos espanhóis. Casos mais recentes, como a explosão em Chernobyl (1986) e o vazamento de gás de uma fábrica de pesticidas em Bhopal, na Índia (1984), demonstram o quanto a população está vulnerável a desastres causados pelo próprio homem. Os exemplos mencionados são apenas uma amostra do quanto as civilizações já agrediram a natureza e quais as consequências dessas ações contra ela. Isso é prova de que o homem pode 27 Artigo científico para a disciplina de Leitura e Escrita na Formação Universitária. 28 Acadêmico do curso de Tecnologias Digitais, 7º semestre, na Universidade de Caxias do Sul. Endereço Eletrônico: jader.nichele@gmail.com
  • 8. manter a posição de imperialismo sobre as terras no qual vive, porém ao descuidar-se e utilizar indevidamente os recursos, acaba se tornando escravo de seus atos e pode provocar até mesmo a extinção de civilizações. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS PARA DESENVOLVIMENTO MUNDIAL O século passado ficou marcado pelo uso incessante de matérias-primas como: carvão e petróleo, pois eram de fácil obtenção e tinham alto poder de queima. Após a Revolução Industrial a queima de combustíveis fósseis intensificou e depois da década de 70, atingiu índices maiores ainda, fazendo com que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera passasse de 270ppm (partes por milhão), na época anterior à Revolução Industrial, para 379ppm nos dias atuais (MENEGUELO, CASTRO apud PEARCE, 2007). Segundo Silva (2009, p.155), “O crescimento industrial, sobretudo após a II Guerra Mundial, trouxe consigo elementos indesejáveis que resultaram em poluição atmosférica e degradação ambiental, provocadas pelo uso de combustíveis fósseis e seus subprodutos gasosos”, esses fatores determinam que o desenvolvimento econômico do planeta ocorresse de modo não sustentável. Atualmente, no século XXI, através de estudos, as empresas e a sociedade têm noção do quanto as gerações anteriores devastaram o Planeta e o que isso representa para o futuro das nações. Sendo assim, a nova geração que nasce recebe o passivo de problemas deixado pelas gerações anteriores e, obrigatoriamente, assume o papel de zelar pelo ecossistema atual. A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizada no período de 13 a 22 de junho no Brasil, denominada como Rio +20, teve como objetivo, conforme site da ONU29, assegurar um comprometimento político renovado para o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até o momento e as lacunas que ainda existem na implementação dos resultados dos principais encontros sobre desenvolvimento sustentável, além de abordar os novos desafios emergentes. O momento é oportuno para o Planeta, visto que ainda existem formas de contornar os problemas, antes do esgotamento total dos recursos, porém há diversos motivos que tornaram ineficaz este encontro, como: crise financeira em diversos países, não comparecimento de importantes líderes mundiais, entre eles Barack Obama (Presidente dos Estados Unidos) e David Cameron (1º Ministro do Reino Unido). O documento de 49 páginas, resultado deste encontro, foi intitulado de “O Futuro que Queremos”, que segundo Marcelo Furtado, Diretor-executivo do Greenpeace Brasil, em entrevista ao portal Terra, manifestou, assim, seu ponto de vista: “Tudo o que defendíamos sobre metas, números e compromissos desapareceram. A única coisa que temos hoje é uma promessa de um processo, que poderá ser desenvolvido até 2015”. Esta e outras opiniões sobre o Rio+20 se reúnem para concluir que a Conferência não obteve os resultados esperados pela população, nada diferente do que em outros encontros de líderes mundiais, que acabam convergindo as opiniões, visto que colocam a economia financeira na frente de qualquer objetivo considerado por eles menor. Se a iniciativa pública não toma as providências necessárias para fazer o Planeta tornar-se ambientalmente sustentável, as empresas privadas devem iniciar as pesquisas e/ou uso de energias limpas, com o intuito de assumir este papel, pois em futuro próximo já estarão adaptadas às formas de trabalho eficazes e corretas. Para isso, podem se basear no estudo 29 Site oficial da Organização das Nações Unidas (ONU), <http://www.onu.org.br/rio20/sobre/>. Acesso em: 30 jun. 12.
  • 9. elaborado pelos pesquisadores Mark Z. Jacobson e Mark A. Delucchi,30 da Universidade da Califórnia, em Davis, publicado na revista “Energy Policy”, que asseguram que 100% das energias consumidas no Planeta poderiam ser obtidas de fontes completamente limpas e renováveis em um prazo de três ou quatro décadas, além de que seriam economicamente iguais às energias renováveis utilizadas atualmente. Outro fator chave para a preservação mundial é a educação ambiental para as crianças, pois elas farão parte da população que irá cultivar a ideia sustentável ou causar danos ao meio ambiente, este futuro dependerá do contexto onde vivem e estudam. Conforme pesquisa do canal de televisão Nickelodeon31, com 16 mil crianças entre 6 e 11 anos de sete países latino- americanos, os brasileiros são os menos preocupados com o meio ambiente; já no México, 84% dos entrevistados se dizem sensíveis à causa. A pesquisa emerge a falta de incentivo à cultura e à educação sobre o tema meio ambiente, principalmente no Brasil, fazendo com que o ele seja cada vez mais esquecido e retirado do cotidiano de muitas crianças. DISCUSSÃO DE RESULTADOS Baseado em artigos de desenvolvimento econômico sustentável e políticas ambientais, nota-se que a grande maioria dos países desenvolvidos e consequentemente os que mais poluem, enfim, entraram em um denominador comum, ou seja, conscientização sobre os perigos que o Planeta está sofrendo ambientalmente e a decisão de tomar medidas drásticas para evitar a destruição do que restou do ecossistema. Apesar de tardia, esta decisão não se pode deixar de comemorar esta ação, visto que poderia ocorrer em um ponto no qual não existisse mais como contornar os problemas. A sustentabilidade inicia dentro da casa de cada habitante do Planeta, pois conforme Rees em entrevista para a Revista Época (Ed. 735 – Junho 2012), “Sustentabilidade é um problema coletivo e precisa ser resolvido de forma coletiva”. A população necessita fazer sua parte e se unir com a finalidade de salvar os recursos naturais e não só aguardar soluções oriundas dos governos, pois dessa forma estará provando que não é omissa aos problemas do Planeta. Um fator importante a destacar é que a sustentabilidade não está em foco apenas no quanto é importante para a preservação do Planeta, mas também porque é uma boa fonte de enriquecimento das empresas de diversos ramos. Essa disputa pelo mercado no ramo ambiental ampliou fortemente a criação de novas tecnologias para uso de energias renováveis, porém possuem valores altos e que normalmente assustam a todos. A questão é quem e como devem ser pagos os investimentos para que as altas tecnologias ligadas ao meio ambiente saiam do “papel” e tornem-se realidade ainda não está claro para todos, e se o padrão de arquivamento de projetos for mantido, em um futuro bem próximo não existirá tecnologia suficiente para salvar o Planeta. Portanto, há a necessidade de converter todas as discussões em ações concretas, além de rever as políticas socioambientais do Planeta, para que ocorra o desenvolvimento econômico sustentável e mantenha-se o convívio harmonioso entre o homem e a natureza. Referências LUCON, Oswaldo; GOLDEMBERG, José. Crise financeira, energia e sustentabilidade no Brasil. Estud. av., São Paulo, v. 23, n. 65, 2009 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 40142009000100009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 25 jun. 12. 30 Pesquisa divulgada na Revista Online GloboRural. Disponível em <http://migre.me/9JH8w>. Acesso em: 2 jul. 12. 31 Pesquisa divulgada na Revista Época, Edição 735, 2012.
  • 10. MENEGUELLO, Luiz Augusto; CASTRO, Marcus Cesar Avezum Alves de. O Protocolo de Kyoto e a geração de energia elétrica pela biomassa da cana-de-açúcar como mecanismo de desenvolvimento limpo. Interações (Campo Grande), Campo Grande, v. 8, n. 1, mar. 2007 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518- 70122007000100004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 29 jun. 12. REVISTA ÉPOCA. Brasil: Editora Globo, 2012, Edição Nº 735, Semanal. SCHENBERG, Ana Clara Guerrini. Biotecnologia e desenvolvimento sustentável. Estud. av., São Paulo, v. 24, n. 70, 2010 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 40142010000300002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 25 jun. 12. SILVA, Darly Henriques da. Protocolos de Montreal e Kyoto: pontos em comum e diferenças fundamentais. Rev. bras. polít. int., Brasília, v. 52, n. 2, dez. 2009 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034- 73292009000200009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 30 jun. 12.
  • 11. Fontes de Energia Malefícios e Soluções Priscila Cardozo da Silva32 O artigo a seguir trata de novas fontes de energia e da forma com que são empregadas as fontes atuais, visando aumento na economia energética e diminuição da poluição do meio ambiente O ser humano vive em busca de alternativas energéticas para suprir suas necessidades, uma vez que suas fontes de energia estão esgotando. As principais formas de obtenção de energia poluem o Planeta, prejudicando o meio ambiente o que vem acarretando como consequência desabamentos, extinção de algumas variedades da fauna e da flora, aquecimento global, entre outros problemas. O que resta momentaneamente é a busca por fontes alternativas de energia que causem um impacto menor ao Planeta. O artigo “Pesquisa e desenvolvimento na área de energia” de Goldemberg 33 (2000) apresenta os principais pontos onde a energia é mal empregada, e as possíveis resoluções para os problemas. Para a indústria, Goldemberg34 apresenta algumas tecnologias horizontais de conservação de energia, entre as quais se destacam: caldeiras para a produção de vapor ou água quente (usando queimadores de pequena emissão); sistemas de manejo energético para processos industriais e construção; controle de processos (novos sensores, microeletrônica); aquecimento infravermelho (secagem); aquecimento solar para indústrias, principalmente em climas mais quentes. Já para o setor residencial, Goldemberg35 explica que os problemas ligados ao consumo exagerado de energia variam conforme o desenvolvimento do país. Em países desenvolvidos, onde as moradias são bem estruturadas, são necessárias adaptações às novas formas de arrecadação de energia que diminuam a utilização das fontes convencionais gerando economia. Já os países subdesenvolvidos, que não possuem prédios e casas bem estruturadas, a opção apresentada é o investimento em estruturas já adaptadas a essas formas, que, embora tenham um custo um pouco mais alto que estruturas convencionais, não superam a soma do custo estrutural e das adaptações necessárias nas estruturas padrão. Quanto aos meios de transporte, ele afirma que os transportes rodoviários têm diminuído a demanda por energia desde a década de 60, o que convencionalmente deveria contribuir com a diminuição do número de automóveis por moradia, entretanto o número de moradias com dois ou mais automóveis cresceu sistematicamente nas últimas décadas. Entre as alternativas apresentadas por Goldemberg36 para a diminuição da energia utilizada e da poluição liberada nos automóveis ele cita a melhoria na eficiência do motor, o uso de combustíveis alternativos à gasolina e ao óleo diesel, o aproveitamento da energia do gás de escape, entre outros. Sob outro ponto de vista, o artigo “Energia Nuclear Socialmente Aceitável como Solução Possível para Demanda Energética Brasileira”, elaborado pelos acadêmicos da Faculdade de Energia Elétrica e Computação/UNICAMP (MILANEZ, ALMEIDA e CARMO, 2006, apud CLERY, 2005, Science, Washington, EUA, v. 309, p. 1172-1175; HIRSCH, 2005, Nuclear Reactor Hazards: Ongoing Dangers of Operating Nuclear Technology in the 21st Century. Greenpeace International), apresenta a energia nuclear como uma alternativa para suprir a grande 32 Acadêmica do curso de Engenharia Civil, 1º semestre, na Universidade de Caxias do Sul. 33 Goldemberg (2000), Idem. 34 Goldemberg (2000), Id. 35 Goldemberg (2000), Id. 36 Goldemberg (2000), Id.
  • 12. necessidade energética brasileira, argumentando que essa fonte de energia renovável é pouco poluente, auxilia na conversão de resíduos perigosos para outros de menor duração, entre outros fatores. Os autores do artigo concluem que além de ser a fonte alternativa mais viável em termos econômicos, possuem um enorme potencial de geração de energia. Embora existam várias fontes alternativas de energia, fatores limitantes como o difícil acesso, devido aos altos custos, da maior parte da sociedade não permitem que essas fontes renováveis sejam colocadas em prática. Além de captações de raios solares, da energia eólica e da energia hidráulica, também existem as usinas nucleares com grande potencial em produção de energia e baixo nível de poluição do Planeta. Embora muito criticada devido a acidentes anteriores, na Ucrânia (Chernobyl-1986) e no Japão (Fukushima Daiichi-2011), essa fonte de energia não é descartável, podendo ser adotada para o fornecimento de energia nas próximas gerações. No decorrer do desenvolvimento desse artigo, foi possível perceber que é indispensável a expansão das pesquisas sobre novas alternativas energéticas menos poluentes e mais eficazes, uma vez que os meios utilizados, além de estarem esgotando, estão destruindo o ambiente habitado pelo homem. Portanto, além da diminuição do custo de algumas fontes de obtensão de energia já citadas, um estudo determinado a aprimorar a segurança das usinas nucleares seria de grande utilidade perante os benefícios que elas poderiam trazer se empregadas de forma correta. Referências GOLDEMBERG, JOSÉ. Pesquisa e desenvolvimento na área de energia. São Paulo Perspec.[online]. 2000, vol.14, n.3, pp. 91-97. ISSN 0102-8839. <http://dx.doi.org/10.1590/S0102-88392000000300014>Acesso em: 19 jun. 12. MILANEZ, JIMES; ALMEIDA, RICARDO; CARMO, FAUSTO. Energia Nuclear Socialmente Aceitável como Solução Possível para a Demanda Energética Brasileira. Revista Ciências do Ambiente Online. 2006. Vol.2, no1. ISSN 2179-9962. <http://sistemas.ib.unicamp.br/be310/index.php/be310/article/viewFile/41/27>Acesso em: 26 jun.12.
  • 13. Por que as mulheres agredidas ainda têm tanto medo de denunciar? Pesquisas comprovam que mulheres vítimas de agressão ainda têm medo de denunciar os agressores e em sua grande maioria não procuram as Delegacias de Proteção à Mulher Vanessa Pereira dos Santos37 Mulheres com baixo grau de instrução têm mais medo de denunciar a agressão do que as que têm mais acesso às fontes de informação. Elas se sentem desamparadas e pouco acolhidas pelas políticas de defesa à mulher, excluindo-se das estatísticas. Hoje, ainda muitas mulheres pensam que não podem denunciar seus maridos/companheiros por agressão, sentem-se de certa forma dependentes deles e não têm um apoio social e psicológico para, de fato, denunciarem. Mulheres entre 30 e 40 anos, de classe média baixa, com grau baixo de instrução e donas de casa são características gerais do levantamento feito por duas estudantes (SANTOS & MORÉ, 2011, “Repercussão da violência na mulher e suas formas de enfrentamento”) da Universidade Federal de Santa Catarina onde se constatou que esses fatores são relevantes para que elas sofram agressão e não procurem ajuda nas Delegacias Especializadas. Segundo Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio38 (2011) “Violência contra a mulher: levantamento dos casos atendidos no setor de psicologia de uma delegacia para a mulher” as mulheres agredidas não procuram auxílio nas delegacias por medo do agressor. Na mentalidade das vítimas elas não têm condições de seguirem as vidas sozinhas, sem a companhia de um homem, são dependentes financeira e afetivamente deles, deixando seus filhos sem um pai e sem alguém para conduzir o caminho de suas vidas. A pesquisa de Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio39 (2011) releva os dados observados no setor de Psicologia da Delegacia para a Mulher da região metropolitana de Porto Alegre/RS, onde constam os seguintes dados: idade da vítima, agressor (pai, marido, companheiro, parente, vizinho, conhecido, desconhecido), situação conjugal, estado civil, emprego, profissão, escolaridade, número de filhos, ocorrência de violência na família do agressor, uso de álcool/drogas pelo agressor e uso de medicamentos psiquiátricos pela vítima. Ambas as pesquisas revelaram que as mulheres agredidas têm baixo grau de escolaridade, favorecendo a não denúncia do fato ocorrido. Muitas delas são trabalhadoras do comércio, o que evidencia baixos salários e, consequentemente, baixa autoestima, pelo fato de dependerem do marido/companheiro. Já as mulheres que recebem uma melhor remuneração procuram por métodos de enfrentamento mais eficazes, não significando isso que mulheres de classe média alta não sofram violência, pois devido à sua posição social e financeira, procuram auxílio em consultórios particulares, fazendo com essa parcela de agredidas fique de certa forma, escondida. As mulheres que já têm um histórico de violência são mais favoráveis à agressão pelo fato de compactuarem com o acontecido em outras épocas de sua vida, por isso elas se sentem desprotegidas e desamparadas pela família, tornando a violência um fato comum na vida conjugal. 37 Acadêmica do curso de Engenharia Civil, 3º semestre, na Universidade de Caxias do Sul. 38 Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio (2011), Idem. 39 Gadoni-Costa, Zucatti & Dell’Aglio, Id.
  • 14. O consumo abusivo de álcool pelo agressor tem se tornado um agravante para a prática da violência. Valendo-se da embriaguez que a bebida causa, o agressor afirma, quando denunciado, que foi somente naquele momento que consumou o fato por ter ingerido álcool. Chega-se à conclusão de que o grau de escolaridade e a ocorrência de agressão anteriormente são os maiores agravantes da violência contra a mulher. O mais assustador é que as mulheres com maior grau de instrução também não têm coragem de denunciar os seus agressores, somente procuram auxílio em clínicas particulares, isso faz com que não participem das estatísticas levantadas. Governantes, dirigentes e demais autoridades e saída é educar. Mulheres educadas e bem informadas de seus direitos a proteções terão, sim, coragem de denunciar esses homens que estão por aí batendo sem nenhum medo e sem nenhuma punição, é de governantes assim que a sociedade precisa, que deem ao povo segurança. Às leitoras, mulheres, não deixem de denunciar casos de violência ou se você souber de algum caso. Não fique calada, DENUNCIE. Referências GADONI-COSTA, Lila Maria, ZUCATTI, Ana Paula Noronha, DELL'AGLIO, Débora Dalbosco. Violência contra a mulher: levantamento dos casos atendidos no setor de psicologia de uma delegacia para a mulher. Estud. psicol. (Campinas), Jun 2011, vol.28, no. 2, p.219-227. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/paideia/v21n49/10.pdf>. Acesso em: 19 jun. 2012. SANTOS, Ana Cláudia Went dos, MORÉ, Carmem Leontina Ojeda Ocampo. Repercussão da violência na mulher e suas formas de enfrentamento. Estud. psicol. (Florianópolis), Mai 2011, no. 49, p. 227-235. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v28n2/09.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2012.
  • 15. O vento como fonte de energia inesgotável Potencial eólico do Brasil Davi Anderson de Farias40 O potencial que o Brasil dispõe para a captação de energia eólica, tendo em vista nosso vasto litoral, as variadas serras e sertões, que são fontes inesgotáveis desse recurso imensurável, infinito e gratuito como fonte de energia e que por diferentes motivos não são efetivamente utilizados para a geração de energia renovável. O alto custo e desprendimento técnico para a construção dos complexos e estruturas, vinculado ao sistema de captação e produção de energia eólica, pode ser um empecilho para que este seja economicamente viável e eficaz quanto à sua produção de energia inviabilizando o investimento maciço do orçamento brasileiro nesta área. No entanto, segundo Soccol et al (2009) no texto “Tecnologia, Engenharia e Técnicas”, a energia eólica pode ser utilizada de diversas formas como fonte de energia renovável já que pode ser encontrada em qualquer lugar. Pode ser utilizada na forma de eletricidade, em turbinas eólicas, ou na agricultura, em moinhos de ventos para bombeamento de água ou moagem de grãos. A energia cinética é transformada em energia mecânica utilizando um rotor aerodinâmico onde a energia mecânica pode ser transformada em energia elétrica através de um gerador elétrico (MATTUELA, 2005 apud SOCCOL, 2009). Em várias áreas do Brasil, encontram-se características que favorecem o uso desse tipo de energia, mas elas não são aproveitadas uma vez que poderiam suprir todas as necessidades energéticas de uma fazenda, por exemplo. A utilização da costa litorânea que o Brasil possui e que é extremamente favorável para a captação dos ventos e utilização na produção de energia eólica deveria ser imediatamente priorizada, já que de acordo com o texto “Crise Internacional I” de Lucon, Goldemberg (2009), a produção de energia eólica produz cem vezes mais empregos do que na produção de energia nuclear, para uma mesma quantidade de eletricidade gerada. Em todo o mundo existe uma capacidade de 120 GW em turbinas eólicas que produzem 260 TWh de eletricidade que economiza a emissão de 158 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera por ano, caso a energia não fosse produzida a partir de fontes renováveis e sim fósseis. Esse mercado fatura anualmente US$ 48 bilhões e gera mais 400 mil empregos. O EUA é o maior em capacidade e 48% de suas inovações em energia de fontes renováveis são a partir do vento, apud (GWEC, 2009). O governo brasileiro tem investido gradativamente em fontes de energias renováveis, mas ainda é uma quantia irrisória se comparada ao percentual de energia (nesse caso a eletricidade), que o Brasil consome e produz, já que estas vêm de fontes não renováveis. Entre as outras tecnologias geradoras de eletricidade utilizadas no país estão a termonuclear, as termelétricas a gás natural e a óleo diesel, mas nenhuma delas contribui com uma porcentagem maior do que 7% do total. A introdução da biomassa, energia nuclear e gás natural reduziu a porcentagem da hidroeletricidade de 92% em 1995 para 83% em 2002. A geração de eletricidade com biomassa (resíduos vegetais e bagaço de cana) em 2002 provinha de 159 usinas, com uma capacidade instalada de 992 MW, ou 8% da energia elétrica de origem térmica do país. A grande maioria dessas usinas (com cerca de 952 MW) está localizada no Estado de São Paulo e usa bagaço de cana, um subproduto da produção de açúcar e álcool (GOLDEMBERG, 2007, DOSSIÊ ENERGIA). 40 Acadêmico do curso de Engenharia Civil, 6º semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
  • 16. Outra forma de energia que o País ainda é extremamente dependente é o petróleo e o gás natural proveniente da extração do petróleo, o que é ainda mais intrigante, pois o país possui a maior companhia nacional produtora de petróleo do mundo, a Petrobras, que por acaso é estatal. No mundo há mais de 20 anos já existem protótipos de carros movidos à energia elétrica, hidrogênio e até mesmo água, mas incrivelmente no Brasil ainda tem a maioria esmagadora dos veículos automotores movidos a gasolina, que não por acaso é derivada do petróleo. A falta de investimento em energia eólica só pode ser justificada pela ignorância dos governos passados e o descaso do atual. Ainda há esperanças, pois alguns estados da federação e até próximos da nossa região, como é o caso de Lages-SC ou de Osório-RS, já contemplam complexos para captação da energia dos ventos, que geram energia limpa, inesgotável e segura. O que leva à reflexão: por que ainda, nos dias de hoje, o Brasil ainda produz, predominantemente, energia através de hidrelétricas e fabrica carros que consomem combustíveis fósseis, limitados, caros e não renováveis? Há outras formas e fontes de energias renováveis que podem ser aplicadas no território, como usinas térmicas de biomassa, mas existem outras formas de energia não renováveis como energia atômica, gás natural, usinas movidas a carvão ou usinas movidas a diesel; cabe a cada governo investir no que trará resultados e melhorias ao meio ambiente. As opções existem! Já o governo querer utilizá-las de maneira inteligente, usufruindo da geografia e gozando dos resultados positivos ao meio ambiente, é preciso esperar sentados. Referências LUCON, Oswaldo and GOLDEMBERG, José. Crise financeira, energia e sustentabilidade no Brasil. Estud. av. [online]. 2009, vol.23, n.65, pp. 121-130. ISSN 0103-4014. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142009000100009. Acesso em: 13 jun. 12. SOCCOL, Olívio José; ZITTERELL, Danieli Bariviera; ULLMANN, Mario Nestor and MIQUELLUTI, David José. Wind power characterization in the Lages city - SC, Brazil. Braz. arch. biol. technol. [online]. 2010, vol.53, n.5, pp. 1155-1160. ISSN 1516-8913. http://dx.doi.org/10.1590/S1516- 89132010000500020. Acesso em: 13 jun. 12. - 12 GOLDEMBERG, José and LUCON, Oswaldo. Energia e meio ambiente no Brasil. Estud. av. [online]. 2007, vol.21, n.59 [cited 2012-07-04], pp. 7-20 . ISSN 0103-4014. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142007000100003. Acesso em: 13 jun. 12.
  • 17. Adaptação gradativa de fontes renováveis Como uma implantação planejada e homeopática pode incentivar o uso de energias renováveis e minimizar os altos investimentos iniciais substituindo fontes não ecológicas gradativamente Yuri Pedroni Prado41 A energia elétrica que hoje move o mundo é em sua maior parte provida por combustíveis fósseis e fontes não renováveis ultrapassadas e ineficientes. Nos últimos anos viu-se a importância de substituir essas fontes atuais por tecnologias sustentáveis antes que o Planeta fique definitivamente marcado pela extração não controlada. Porém, uma transição bem- sucedida não ocorre de forma instantânea e requer um planejamento visionário e gradativo para minimizar os sintomas de uma mudança de tal magnitude. Nos dias de hoje, há um crescente interesse em tornar tudo o mais ecologicamente correto possível. As atenções estão voltadas para as empresas verdes e adequações do gênero mostram uma grande valorização social e política, pois as fontes usufruídas possuem um limite, e com o tempo a natureza deixará de fornecer. A enorme economia mundial produtiva exige um consumo colossal de energia. Tanto a indústria quanto a população consomem cada vez mais energia elétrica, e segundo Kothari, Tyagi e Pathak (2010) em seu artigo “Waste-to-energy: A way from renewable energy sources to sustainable development” estima-se que no ano de 2100 o mundo irá consumir seis vezes mais energia que nos dias atuais. Para países populosos e desenvolvidos, a razão de energia consumida por energia produzida será descomunal, enquanto para países menores esta relação será mais equilibrada. Perante essa grande dependência de energia é impraticável uma migração instantânea de fontes providas de combustíveis fósseis para fontes renováveis e ecológicas, pois as adaptações necessárias são numerosas, e o investimento inicial colossal. Uma alternativa a essa adaptação forçada é um desenvolvimento gradual e planejado para as tecnologias renováveis, ou seja, ao invés de uma simples substituição de fontes de energia é feita uma implantação de fonte renovável paralelamente à fonte principal, e a troca acontece gradativamente conforme for surgindo mais necessidade de energia, até que automaticamente as fontes renováveis irão substituir outros combustíveis não ecológicos de forma que se tornem a principal fonte de energia, e futuramente a única. Essa iniciativa é aplicável para iniciativa privada da indústria ou até mesmo para cidades. Esse desenvolvimento planejado supera muitos obstáculos que são impostos para uma adaptação rápida, pois o investimento inicial é reduzido e parcelado conforme é implantado o sistema, e o bom planejamento pode ser desenvolvido com o passar da adaptação. De acordo com Negro, Alkemade e Hekkert citado no artigo “Why does renewable energy diffuse so slowly? A review of innovation system problems” um quesito de grande importância que ajuda a garantir uma implantação bem-sucedida para uma fonte renovável é a infraestrutura do local onde o captador de energia se encontra. Tendo em mente que cada fonte possui seu próprio meio natural – cada fonte renovável necessita de fatores diferentes para uma boa produtividade, como fortes ventos para energia eólica ou ondas para energia marítima – fica evidente que investimentos do gênero são obrigatoriamente de longo prazo, pois uma readaptação de infraestrutura é impraticável devida às singularidades que cada fonte 41 Acadêmico do curso de Engenharia de Controle e Automação, 7º semestre, na Universidade de Caxias do Sul.
  • 18. renovável apresenta em sua arquitetura e disposição geográfica, ou seja, áreas destinadas para usinas de determinada energia renovável não podem ser facilmente remodeladas para captação de outras energias ou as usinas deslocadas geograficamente sem que haja um comprometimento crítico no beneficio do investimento. Isso justifica a importância do planejamento. Um empreendimento do gênero certamente é muito atraente teoricamente e muito bem visto socialmente. O fato de uma indústria ou um complexo habitacional se tornar autossuficiente energicamente é uma revolução tecnológica e ecológica que o mundo será obrigado a tornar como uma diretriz. Porém, o impacto inicial de adaptação, a mobilização da iniciativa e o não humilde investimento impõe uma grande barreira para esta transformação que só será praticada pelos mais visionários investidores ou por uma massiva reforma social e política no globo. Não é descartada a chance de um aceleramento no processo visando uma rápida implantação, mas é indispensável um controle total sobre o sistema, pois sempre que se tem uma ação forçada há uma grande chance de rejeição. Referências Richa Kothari, V.V. Tyagi, Ashish Pathak. Waste-to-energy: A way from renewable energy sources to sustainable development, Renewable and Sustainable Energy Reviews, Volume 14, Issue 9, December 2010, Pages 3164-3170, ISSN 1364-0321, 10.1016/j.rser.2010.05.005. (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364032110001437. Acesso em: 15 jun. 12). Simona O. Negro, Floortje Alkemade, Marko P. Hekkert. Why does renewable energy diffuse so slowly? A review of innovation system problems, Renewable and Sustainable Energy Reviews, Volume 16, Issue 6, August 2012, Pages 3836-3846, ISSN 1364-0321, 10.1016/j.rser.2012.03.043. (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364032112002262. Acesso em: 13 jun. 12).
  • 19. Aplicações para o óleo vegetal e gordura animal Óleos vegetais e gordura animal como fonte de energia para motor gerador ciclo diesel e transformadores elétricos Filipe Meneghetti42 Tendo em vista a preocupação com o futuro do Planeta, alternativas menos danosas ao meio ambiente e que não sejam oriundas do petróleo começaram a surgir. Entre elas, o biodiesel, produzido a partir de gordura animal, pode substituir o uso do óleo diesel em motores geradores ciclo diesel, e o óleo vegetal, produzido a partir de algodão, babaçu, girassol, milho ou soja, pode substituir o óleo de origem mineral utilizado em transformadores. Aliados da preservação ambiental, essas opções renováveis também podem ser vantajosas no âmbito econômico, gerando inúmeros empregos em países como o Brasil. A partir do século 20, preocupações com a escassez do petróleo e com a segurança ambiental instigaram cientistas na busca por energias renováveis. Apesar de geralmente oferecerem boa eficiência e baixo custo, companhias de energia elétrica e empresas preocupadas com o meio ambiente investem em estudos de energias alternativas aos combustíveis fósseis. Nessa esfera, o óleo mineral, oriundo do “ouro negro” e componente básico de transformadores e motores geradores ciclo diesel, pode ter como alternativa para estas aplicações, respectivamente, o óleo vegetal e a gordura de frango. Transformadores são equipamentos indispensáveis nos sistemas de conversão e distribuição de energia, seja ela renovável ou não. Segundo Silva et al (2011), em “Caracterização físico- química e dielétrica de óleos biodegradáveis para transformadores elétricos”, os transformadores são os equipamentos mais importantes do sistema elétrico de potência. Um dos componentes essenciais para o funcionamento do transformador é o óleo, geralmente de origem mineral. Este elemento é responsável pela refrigeração e isolamento dos circuitos elétricos e magnéticos deste equipamento. A sua importância na produção energética se contrapõe aos malefícios ao meio ambiente e à escassez de sua matéria-prima. Desta forma, o óleo vegetal se torna uma opção racional ao problema. De acordo com Silva et al43 (2011),o óleo de origem vegetal só emite dióxido de carbono e água durante a sua combustão e é 97% biodegradável em 21 dias, contra 25,2% no mesmo intervalo de tempo para o óleo mineral, o qual além de levar 15 anos para ser totalmente degradado, é tóxico, oferece maiores riscos de acidente, tem pior tolerância à umidade e oferece menor vida útil ao equipamento. A grande desvantagem desse óleo biodegradável é a menor estabilidade à oxidação. 42 Acadêmico do curso de Engenharia Civil, na Universidade de Caxias do Sul. 43 Silva et al (2011), Idem.
  • 20. As propriedades térmicas, físico-químicas e elétricas diferem entre os óleos minerais e vegetais, mas isso não se torna um grande problema, podendo ser facilmente corrigido mediante a adição de fluidos adequados. A qualidade de novos óleos isolantes ou em serviço é normalizada pela NBR 15422 da BBNT (2006c). Para o Brasil, a produção de óleo vegetal pode ser originada do algodão, babaçu, girassol, milho e soja. No caso de motores geradores ciclo diesel, geralmente movidos a óleo diesel, uma alternativa renovável é o biodiesel. Esse combustível pode ser originado da gordura animal, o que o concede alta disponibilidade e baixo custo. O biodiesel é constituído por carbono neutro, assim sua obtenção e queima não contribuem para o aumento das emissões de CO2 na atmosfera. Além disso, conforme Da Silva et al (2011), em “Motor gerador ciclo diesel sob cinco proporções de biodiesel com óleo diesel”, a produção de biodiesel de gordura animal pode ser uma opção muito atrativa economicamente para regiões brasileiras como o Oeste do Paraná e o Oeste de Santa Catarina, onde as cooperativas agroindustriais contribuem para manter o Brasil na posição de 3º maior produtor de aves de corte do mundo (IBGE, 2010). A produção de biodiesel à base de gordura residual de processamento de aves pode ser ofertada a um custo menor que a produção do mesmo combustível através de outras fontes, e gerar um grande número de empregos. Segundo Da Silva et al44 (2011), apud Gomes et al (2008), analisando cinco cooperativas agroindustriais do Oeste do Paraná, verificou-se que são abatidas 300.960.000 aves por ano. Considerando-se a conversão de 95% de gordura de frango em biodiesel, o potencial anual de produção de biodiesel é de 19.525.209kg. Porém, existem algumas desvantagens na utilização do biodiesel em substituição ao óleo diesel, como a presença de contaminantes, como água e sílica, que alteram as características do óleo lubrificante. Também são maiores os desgastes pela abrasão, danos no motor e a deterioração precoce. O biodiesel, produzido a partir da gordura de frango, é uma alternativa renovável ao óleo diesel em motores geradores ciclo diesel. Dentre suas vantagens está o baixo custo de produção e obtenção, a ampla disponibilidade de matéria-prima no Brasil, e o aumento de emprego com o surgimento das refinarias para transformação em biodiesel e arrecadação da gordura nas cooperativas e, principalmente, a sua obtenção e queima não contribuírem para o aumento das emissões de CO2 na atmosfera. Da mesma forma, a utilização do óleo vegetal como substituição ao óleo mineral para uso em transformadores é uma opção vantajosa em relação à preservação ambiental, uma vez que só emite dióxido de carbono e água durante a sua combustão, não é tóxico, oferece menores riscos de acidente e maior vida útil ao equipamento onde será utilizado. 2 Da Silva et al (2011), Id.
  • 21. O óleo vegetal e a utilização de gordura animal para produção de biodiesel são opções racionais para substituir os óleos minerais, uma vez que, apesar de uma menor eficiência, reduziriam os malefícios ao meio ambiente e evitariam e escassez do petróleo. Referências DA SILVA, Marcelo J. et al. Motor gerador ciclo diesel sob cinco proporções de biodiesel com óleo diesel. Rev. bras. eng. agric. ambient. [online]. 2012, v.16, n.3, p.320–326. Acesso em: 21 jun. 12. SILVA, Claudia R et al. Caracterização físico-química e dielétrica de óleos biodegradáveis para transformadores elétricos. Rev. bras. eng. agric. ambient. [online]. 2012, vol.16, n.2, pp. 229- 234. ISSN 1807-1929. Acesso em: 21 jun. 12.
  • 22. LESÃO POR ESFORÇO REPETITIVO45 Definição e método de prevenção para portadores de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) Gláucia Zuleide Stumm46 As lesões por esforço repetitivo consistem em um síndrome do sistema músculo esquelético caracterizada por dor crônica. Em um estudo feito com trabalhadores usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) verificou-se que no perfil dos pacientes há um predomínio de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) no sexo feminino. O objetivo deste trabalho e descrever os sintomas característicos de LER, bem como as características dos pacientes com esta lesão para uma maior efetividade no tratamento fisioterapêutico. Método: Trata-se de um estudo de divulgação científica. A pesquisa foi operacionalizada mediante a busca eletrônica de artigos indexados na base de dados Sceintific Eletronic Library Oline (Scielo), a partir das seguintes palavras chave: LER, fisioterapia, saúde do trabalhador. Discussão dos resultados: Verificou-se que o perfil dos pacientes é predominantemente de mulheres, que a renda pessoal é baixa, e que o trabalho é braçal ou de tarefas padronizadas e jornadas de trabalho ininterruptas. Conclusão: A sociedade faz com que as mulheres ultrapassem o limite do seu corpo e por isso elas são a maioria dos pacientes com LER. A evolução também influenciou no aumento dos casos de LER. De acordo com Garbin, Neves e Batista47 (1998), em “Etiologia do senso comum: as Lesões por Esforço Repetitivo na visão dos portadores” as lesões por esforço repetitivo consistem em uma síndrome do sistema músculo esquelético caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não por alterações observáveis, e se manifesta principalmente nos membros superiores em decorrência da sua maior utilização no trabalho fabril. Segundo Caetano, Cruz e Leite48 (2010) no texto “Perfil dos pacientes e características do tratamento fisioterapêutico aplicado aos trabalhadores com LER/DORT”, em um estudo feito com trabalhadores usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), verificou-se que no perfil dos pacientes há um predomínio de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) no sexo feminino, e que a renda pessoal não passa de um salário mínimo. Das ocupações encontradas, a maioria estava relacionada com o trabalho braçal, e quanto ao tempo de trabalho em uma mesma função, a média foi de dezesseis anos; os trabalhadores afirmaram impossibilidades na realização das atividades da vida diária. Conforme Augusto et al (2008), em “Perfil dos pacientes e características do tratamento fisioterapêutico aplicado aos trabalhadores com LER/DORT”, o fisioterapeuta, ao atender o paciente com LER, deve considerar que as representações a respeito da doença e do doente podem influenciar nas formas de encaminhar a assistência fisioterapêutica. Este artigo tem por objetivo descrever os sintomas característicos de LER, bem como as características dos pacientes com está lesão para uma maior efetividade no tratamento fisioterapêutico. Trata-se de um estudo de divulgação científica. A pesquisa foi operacionalizada mediante a busca eletrônica de artigos indexados na base de dados Sceintific Eletronic Library Oline (Scielo), a partir das seguintes palavras-chave: LER, fisioterapia, saúde do trabalhador. As consultas incluíram somente periódicos dos anos de 1998, 2008 e 2010. 45 Trabalho realizado na disciplina de Leitura e Escrita na Formação Universitária, no período de junho a julho de 2012, com orientação da professora Valneide Luciane Azpiroz. 46 Acadêmica do curso de Fisioterapia da Universidade de Caxias do Sul. 47 Garbin, Neves, Batista (1998), Idem. 48 Caetano, Cruz e Leite (2010), Idem.
  • 23. A amostra compreendeu as publicações de artigos indexados em periódicos, selecionados a partir de uma leitura prévia dos resumos anexados, que seguiram os seguintes critérios de inclusão: I) veículo de publicação: optou-se por artigos indexados, uma vez que são órgãos de maior divulgação, de fácil acesso e passam por critérios rigorosos dos revisores antes da sua publicação; II) idioma de publicação: artigos na íntegra em Língua Portuguesa; III) ano de publicação: foram selecionados artigos publicados nos anos de 1998, 2008 e 2010; portanto, trata-se de uma amostra intencional. De posse dos artigos, foi feita uma leitura analítica e integral de cada estudo, procurando a identificação das principais ideias-chave, a hierarquização dos principais achados e a síntese dos resultados. Para melhor organização e compreensão, foi feito um tabelamento do material em que foram escolhidos quatro dimensões de análises, a saber: Perfil dos pacientes; características das profissões; sintomas da doença; e referências. Com isso, foi possível uma análise dos resultados selecionados, a fim de se obter um panorama detalhado da produção científica nos anos referidos sobre o tema. Conforme Caetano, Cruz e Leite 49 (2010), as Ler representam o principal grupo de agravos à saúde entre as doenças ocupacionais do País, elas podem ser definidas como manifestações ou síndromes patológicas que se instalam insidiosamente em determinados segmentos do corpo em consequência do trabalho realizado de forma inadequada. Já para Caetano, Cruz e Leite 50 (2010) a adoção de novas tecnologias e métodos gerenciais, verificada nas últimas décadas, facilitou a intensificação de trabalho que, aliada à instabilidade no emprego, modificou o perfil de adoecimento e sofrimento dos trabalhadores. A instrução normativa do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) apud Caetano, Cruz e Leite51 (2010) declara que ela não se origina exclusivamente de movimentos repetitivos, podendo ocorrer pela permanência prolongada dos segmentos corporais em determinadas posições, assim como a necessidade de concentração e atenção do trabalhador para realização das atividades laborais e a pressão imposta pela organização do trabalho. De acordo com a Norma Técnica do INSS, apud Garbin, Neves e Batista52 (1998), as LER são definidas como: Afecções que podem acometer tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias, ligamentos, isolada ou associadamente, com ou sem degeneração de tecidos, atingindo principalmente, porém não somente, os membros superiores, região escapular e pescoço, de origem ocupacional, decorrente ou não, de: a) uso repetido de grupos musculares; b) uso forçado de grupos musculares e c) manutenção de postura inadequada. Segundo Garbin, Neves e Batista53 (1998), as LER provocam diversas incapacidades, entre elas: a diminuição da agilidade dos dedos, dificuldades para pegar, segurar e manusear pequenos objetos e dificuldade de manter os membros superiores elevados. 49 Caetano, Cruz e Leite (2010), Id. 50 Caetano, Cruz e Leite (2010), Id. 51 Caetano, Cruz e Leite (2010), Id. 52 Garbin, Neves, Batista (1998), Id. 53 Garbin, Neves, Batista (1998), Id.
  • 24. Segundo Caetano, Cruz e Leite54 (2010) em um estudo feito com oitenta trabalhadores usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) verificou-se que no perfil dos pacientes há um predomínio de LER no sexo feminino, e em 84% dos casos a renda pessoal não passa de um salário mínimo. De acordo com Caetano, Cruz e Leite55 (2010) das ocupações encontradas em 76 indivíduos entrevistados 95% estavam relacionados com o trabalho braçal e quanto ao tempo de trabalho em uma mesma função a média foi de dezesseis anos, 78(97,5%) dos trabalhares afirmaram impossibilidades na realização das atividades da vida diária. De acordo com Garbin, Neves e Batista56 (1998), as LER denunciam um contexto de tarefas padronizadas, movimentos pré-fixados, horas-extras excessivas, jornadas de trabalho ininterruptas, pressão por produção, risco iminente de demissão. Devido ao fato de a sociedade ser machista, isto é, de as ideias dos homens sempre prevalecerem sobre as das mulheres faz com que, a todo o momento, elas necessitem comprovar a eficácia do seu trabalho, e isso as leva a ultrapassar o limite do seu corpo e, por isso, elas são a maioria dos pacientes com LER. Além disso, o fato de ter uma renda baixa acaba impondo que se comportem como a sociedade exige para poder gerar o sustento dos seus filhos que na maioria das vezes não tem a presença do pai. A evolução também impôs a utilização de equipamentos que exigem muitas horas de trabalho repetitivo o que aumenta ainda mais a incidência das LER, e nas localidades menos privilegiadas onde ainda a evolução não se manifestou é o trabalho braçal e mal remunerado que predomina aumentando ainda mais o número de pessoas expostas a sofrer com as LER. Referências AUGUSTO, V. G .et al. Um olhar sobre as LER/DORT no contexto clínico do fisioterapeuta. Rev. bras. fisioter., Fev 2008, vol.12, no.1, p.49-56. ISSN 1413-3555. Acesso em: 3 jun. 12 CAETANO, V. C, CRUZ, D. T. LEITE, I. C.G. Perfil dos pacientes e características do tratamento fisioterapêutico aplicado aos trabalhadores com LER/DORT em Juiz de Fora, MG. Fisioter. mov. (Impr.), Set 2010, vol.23, no.3, p.451-460. ISSN 0103-5150. Acesso em: 3 jun . 12 GARBIN A. C, NEVES I. R, BATISTA R. M. Etiologia do senso comum: as Lesões por Esforço Repetitivo na visão dos portadores. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. 1998; 1 (1): 43- 55. Acesso em: 3 jun. 12. 54 Caetano, Cruz e Leite (2010), Id. 55 Caetano, Cruz e Leite (2010), Id. 56 Garbin, Neves, Batista (1998), Id.
  • 25. Violência contra a mulher Desigualdades de gênero Eduardo Borile Junior57 Este trabalho tem por finalidade elucidar sobre o tema violência contra a mulher no Brasil. Baseado no contexto histórico de que o homem é superior à mulher, ele apresenta qual foi a primeira manifestação deste pensamento machista e preconceituoso tão presente na sociedade atual. Os dados e elementos apresentados foram extraídos de um órgão de pesquisa reconhecido, o IBGE. Depois disso, é exposta a definição de violência, adota pela Política Nacional. Em seguida, há a menção da Lei Maria da Penha, o que é e por que recebeu este nome, além do Ligue 180, uma importante ferramenta para auxiliar que tais brutalidades não sejam mais cometidas. O papel social da mulher, historicamente, tem se mostrado inferior em relação ao do homem. O primeiro relato da construção de um conceito ideológico de superioridade masculina tem seu primeiro alicerce estabelecido por volta de 2.500 anos atrás. No século I, em uma das maiores metrópoles do mundo grego, a Alexandria (principal cidade portuária da Antiguidade) já estava explícita a desigualdade de valor, entre homens e mulheres, o que comprova que este não é um assunto fomentado somente na atualidade. A subordinação diante do homem, desde a Grécia clássica, era vista como exemplo da superioridade masculina. Segundo Wilshire, (apud RECHTMAN e PHEBO, 2001) Aristóteles escreveu que o conhecimento racional era a mais alta conquista humana e, assim, os homens eram considerados superiores e mais divinos que as mulheres, descritas como monstros desviados, pois eram emocionais e subjetivas, enfim, uma espécie inferior. Nesse contexto, o mundo estava cercado de dualismos hierárquicos, com dominação explícita de um lado sobre o outro. Considerava-se que a alma tinha domínio sobre o corpo, que a razão sobrepunha a emoção e que o masculino era superior ao feminino (RECHTMAN e PHEBO, 2001, p. 1). Deve-se considerar, também que, muitas das antigas sociedades eram regidas por escrituras tidas como sagradas de acordo com a religião, tais como a Bíblia, por exemplo. O Velho Testamento deixa claro que as mulheres deveriam ser funcionárias de seus maridos. Um trecho do livro de Colossenses (3,18) exemplifica como era tratada a relação marido x esposa: “As mulheres, sejam submissas a seus maridos” (REVISTA SUPERINTERESSANTE – Edição 305, junho de 2012, “A Bíblia como você nunca leu”, p .46). Frequentemente, nota-se a presença de casos de esfera nacional e mundial, onde mulheres são agredidas de forma brutal. Como esta violência pode ser praticada de diversas formas, dificilmente são identificados tais atos (vale ressaltar que a agressão física, o maior nível de violência, é considerada crime no Brasil). Desse modo, ao analisar detalhadamente esse problema, torna-se mais fácil trabalhar-se em campanhas embasadas nas possíveis causas desses crimes para traçar o perfil dos agressores, a fim de coibir e prevenir atos violentos que, em muitos casos, são praticados pelo próprio companheiro da vítima. Apesar de ser um fenômeno que ocorre em grande escala na população feminina, independentemente de cor, idade, grau de escolaridade, religião, etc. pouco se sabe para estudar e avaliar a dimensão 57 Acadêmico do curso de Comunicação Social – Jornalismo, 3°semestre, na Universidade de Caxias do Sul. E-mail: eduardo.borilejr@gmail.com.
  • 26. desse problema que, devido ao desconhecimento social, geralmente não recebe a atenção necessária. Tal falta de ação diante do assunto fortalece o modelo social vigente, onde atos violentos diariamente vivenciados em âmbito social estão presentes nas distintas classes financeiras. Como as atitudes agressivas (evidenciadas pela presença da instabilidade emocional) estão presentes desde o início do processo civilizatório humano (disputas por alimentos, guerras, movimentos sociais, etc.) elas manifestam-se de diversas formas. A análise da violência contra as mulheres não foge à regra, visto que muitas vezes ela é simbólica, assim dificilmente identificada (XIMENES, 1999, e MENEGHEL et al, 2003 apud GOMES et al, 2007, “Compreendendo a violência doméstica a partir das categorias gênero e geração”). O conceito familiar destaca-se por apresentar uma série de reproduções de desigualdades de gênero. Ao considerar o homem como o chefe da casa, responsável pela manutenção financeira da estrutura familiar, e a mulher como a provedora das tarefas matrimoniais (serviço doméstico, cuidado dos filhos e, afins) devido a sua condição biológica de engravidar e amamentar torna-se explícita as desigualdades das expectativas geradas em torno do comportamento se homens e mulheres (GOMES et al, 2007, “Compreendendo a violência doméstica a partir das categorias gênero e geração”). Nesse sentido amplo elencam-se possíveis causas para a disseminação dos preconceitos estabelecidos pela sociedade assim como as violências sofridas pelas vítimas. A reprodução natural dos atos violentos, presenciados na infância, podem servir de base para ações agressivas futuras por parte do agressor. O contexto social contribui para a perpetuação dos conceitos machistas presentes na sociedade moderna. Ao atribuir papéis de gênero (masculino e feminino) evidencia-se a distinção entre supremacia e inferioridade. Outra possível causa para o aumento dos índices de violência perante as mulheres pode estar relacionada a um ciúme exagerado no relacionamento. No entrelace do tema à gestação, uma gravidez indesejada enaltece o estado de espírito conturbado do agressor, favorecendo a prática da violência doméstica. Assim como a falta de relações íntimas, durante o processo de gestação e a falta de auxílio da família diante da vítima para tomar uma atitude perante o agressor. Com a contínua inserção das mulheres, numa sociedade preconceituosa e machista, a visão do homem (seja nas relações profissionais ou pessoais) tem se mostrado distorcida em relação às recentes conquistas do sexo feminino. Segundo Alves (2012) “[...] ao contrário da mulher, a percepção do homem, nas últimas décadas é de perda de poder e prestígio social. [...] A perda de status é sentida [...] e, [...] ainda fere profundamente o orgulho de muitos deles”. O aumento da competitividade profissional mostra-se cada vez mais presente, entre sexos distintos. Dessa forma, muitos homens, ao verem-se desfavorecidos profissionalmente, diante de uma mulher, utilizam seu relacionamento afetivo como uma válvula de escape para compensar esta perda de poder. Assim, ele enxerga no convívio amoroso a possibilidade de sentir-se novamente superior, importante e forte. Alves evidencia esta condição como a ideal para o crescente aumento do índice de violência praticada contra mulheres: [...] vivenciar o poder é prazeroso. Neste processo, ele não costuma ter consciência dos seus motivos reais, assim como a mulher não se dá conta do quanto contribui com a sua passividade, mas o fato é que estas condições se tornam absolutamente favoráveis ao crescimento da violência contra a mulher.
  • 27. Como é assunto que abrange muitas definições, o conceito desse ato covarde é muito amplo. Segundo a Política Nacional de Enfrentamento, Violência contra as Mulheres compreende diversos tipos de violência: a violência doméstica (que pode ser psicológica, sexual, física, moral e patrimonial), a violência sexual, o abuso e a exploração sexual, o assédio sexual no trabalho, o assédio moral, o tráfico de mulheres e a violência institucional. Diante dessa imparcialidade conceitual, para a Política Nacional, violência contra a mulher é “qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado” (Art. 1°). No ano de 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou em seu anuário, informações impactantes acerca do tema. Segundo ele, naquele ano, mais de um milhão de mulheres foram vítimas de violência doméstica. A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Para um terço das vítimas, as agressões começaram por volta dos 19 anos. A violência doméstica é a maior causa de morte e invalidez de mulheres na faixa dos 16 aos 44 anos. No norte do País, 20% da população feminina afirmou já ter sofrido violência física. Dez mulheres morrem a cada dia, em razão da violência no Brasil. De 100 brasileiras, pelo menos 25 foram vítimas de violência doméstica; 70% dos agressores são seus maridos, companheiros ou ex-companheiros. De janeiro a outubro de 2010, 615 mil mulheres procuraram ajuda através do ligue 180 (serviço gratuito e confidencial do Governo Federal). Diante desses dados, a Lei Nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ela ganhou esse nome em homenagem à biofarmacêutica, Maria da Penha Maia Fernandes, que por vinte anos lutou para ver seu agressor, Marco Antônio Herredia Viveros, preso. Após ser sancionada, pelo então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ele entrou em vigor em setembro do mesmo ano. Tal lei fez com que a violência contra a mulher deixasse de ser tratada como um crime de menor potencial ofensivo. Além de dar mais visibilidade para às atitudes masculinas de cunho agressivo, esta lei também acaba com as penas pagas em cestas básicas ou multas. Além disso, ela prevê que, caso [...] a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido [...] a pena pode variar de três (03) meses a três (03) anos (Art. 129 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – parágrafo 9). No ano de 2005, a Secretaria Brasileira de Políticas para as Mulheres (SPM) criou a Central de Atendimento à Mulher. Desde a criação da Central, já foram realizados mais de dois (2) milhões de atendimentos de casos relacionados à violência. Ao entrar em contato, as mulheres recebem informações sobre o que devem fazer caso tenham sido vítimas de qualquer tipo de violência. O Ligue 180 atende 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive feriados. Segundo o relatório da SPM, apresentado em 27 de abril de 2012, a Central Ligue 180 registrou de janeiro até março do mesmo ano, 201.569 atendimentos. Desse total, 24.755 foram denúncias de violência, sendo que 58% foram reclamações de violência física. Diante das informações implícitas nesse trabalho, percebe-se que o preconceito de que o homem é um ser superior se comparado com a mulher, sempre foi descrito em diversas sociedades. O tema violência contra a mulher, apesar de estar em voga, surgiu há mais de dois milênios. No Brasil, as pesquisas demonstram que tais atos covardes, ainda estão sendo praticados em grande escala, mas que também estão sendo identificados mais cedo, por parte da mulher.
  • 28. Com a criação da Lei Maria da Penha e do Ligue 180, elas ganharam um importante auxílio para procurar ajuda nos momentos críticos, quando não sabem a quem recorrer. É importante frisar que já fora dado um grande passo para coibir, prevenir e erradicar a violência praticada contra as mulheres, mas que ainda há um grande e tortuoso caminho a percorrer. As políticas públicas começam a valorizar as questões acerca deste tema, contudo cabe à sociedade dar um basta nessas questões. Somente desse modo, cada um fazendo sua parte é que tais leis, de fato, entram em vigor. Assim, a busca pelo equilíbrio entre direitos e ações masculinas e femininas parece ser uma meta digna de se considerar uma das chaves para a obtenção da igualdade de gênero. A desconstrução de preconceitos e a reconstrução dos papéis de gênero é um objetivo a ser alcançado. REFERÊNCIAS ALVES, Maristela Pacheco. Violência contra a Mulher, quem é o verdadeiro inimigo. In: Coordenadoria Estadual da Mulher de Santa Catarina. Disponível em: <http://www.cem.sc.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=55&Itemid=53&la ng=> Acesso em 27 de junho de 2012. AZEVEDO, Solange. A Maria da Penha me transformou num monstro. Natal. 2011 – Revista Isto é 21.Jan.2011 - 21:00 | Atualizado em 17.Jun.12 – 13:15. Disponível em: <http://www.istoe.com.br/reportagens/121068_A+MARIA+DA+PENHA+ME+TRANSFORMOU+ NUM+MONSTRO+> Acesso em 27 de junho de 2012. BONFIM, Elisiane Gomes. LOPES, Marta Julia Marques. PERETTO, Marcele. 2010. Porto Alegre. Os registros profissionais do atendimento pré-natal e a (in)visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ean/v14n1/v14n1a15.pdf>. Acesso em 21 de junho de 2012. GOMES, Nardilene Pereira. DINIZ, Normélia Maria Freire. ARAÚJO, Anne Jacob de Souza, COELHO, Tâmara Maria de Freitas. 2007. Salvador. Compreendendo a violência doméstica a partir das categorias gênero e geração. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ape/v20n4/19.pdf> Acesso em 20 de junho de 2012. R7, Portal. In: Blog História do Mundo. Alexandria. Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/idade-antiga/alexandria.htm> Acesso em 27 de junho de 2012. RECHTMAN, M. e PHEBO, L. Pequena história da subordinação da mulher: As raízes da violência de gênero. Rio de Janeiro. 2001. Disponível em: http://bscw.rediris.es/pub/bscw.cgi/d425602/Viol%C3%AAncia%20contra%20a%20Mulher%2 0(Brasil).pdf). Acesso em 26 de junho de 2012. REPÚBLICA, Presidência Da. Secretaria de Políticas para as mulheres – Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Disponível em: <http://www.campanhapontofinal.com.br/download/informativo_03.pdf> Acesso em 28 de junho de 2012. REPÚBLICA, Presidência Da. Secretaria de Políticas para as mulheres. Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as mulheres. Relatório Trimestral – 2012. Disponível em:
  • 29. <http://www.sepm.gov.br/noticias/documentos-1/relatorio-trimestral-ligue-180-2012> Acesso em 28 de junho de 2012. REPÚBLICA, Presidência Da. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. Disponível na Internet: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11340.htm>Acesso em 28 de junho de 2012. SUPERINTERESSANTE, Revista – Edição 305, junho de 2012. “A Bíblia como você nunca leu”. Editora Abril.
  • 30. Planejamento Urbano e Habitação de Interesse Social Industrialização e Sub-Habitação em Caxias do Sul Gabrielle Oss Correa58 Esta pesquisa busca possíveis relações entre a localização das indústrias e o surgimento dos núcleos de sub-habitação em Caxias do Sul a partir da década de 30 até os dias atuais. Partiu- se da análise do contexto geral da cidade por períodos (1932, 1955, 1973, 1984 e 2010). Foi constatado que a indústria é um atrativo de mão de obra, porém a localização das ocupações irregulares não está ligada somente a ela, mas também pela busca de uma área de fácil acesso aos serviços, geralmente ao longo de rodovias, áreas verdes/ institucionais de loteamentos públicos ou de desinteresse público/ particular. Este artigo tem como problema de pesquisa buscar possíveis relações sobre a influência das atividades industriais no surgimento e crescimento de áreas de ocupação irregular na cidade de Caxias do Sul. O processo de industrialização acarreta um aumento na demanda da infraestrutura urbana, a qual não resolvida ocasiona o surgimento dos núcleos de sub- habitação. Segundo Benévoloi (1999), a relação entre expansão urbana e industrialização é um fenômeno mundial, acarretando uma série de modificações na estrutura política, socioeconômica e urbana de uma cidade. A indústria torna-se um atrativo para pessoas que buscam melhores condições de vida, no entanto, a maior parte dessas pessoas que migra para a cidade não tem condições econômicas para comprarem um pedaço de terra ou morarem em um local apropriado para moradia. Com isso, passam a ocupar a periferia das cidades em áreas impróprias como, por exemplo, encostas com grandes declividades, sem qualquer infraestrutura. O poder público, através de programas habitacionais, não consegue acompanhar a demanda exigida pela grande quantidade de pessoas que migram em busca de trabalho, ocasionando assim a ocupação e o surgimento de núcleos de sub-habitação em áreas de ocupação irregular (BENÉVOLOii, 1999). Caxias do Sul, desde o inicio de sua colonização, apresenta características migratórias marcantes e um crescimento acelerado a partir do início do século XIX com foco na atividade industrial. A morfologia urbana da cidade modela-se a partir da criação de importantes vias de tráfego ao longo de sua história, gerando aglomerações industriais e o surgimento de bairros, loteamentos populares e consequentemente, núcleos de sub-habitação (HERÉDIAiii, 1997). O presente trabalho tem como objeto de estudo a localização da indústria e o surgimento e crescimento dos núcleos de habitação subnormal em Caxias do Sul, no âmbito de pesquisa documental. A análise utilizou a identificação gráfica, em mapas, das maiores indústrias e as principais aglomerações de habitação subnormal a partir da década de 30, época de registro do primeiro núcleo de sub-habitação e devido ao levantamento realizado pela Intendência Municipal sobre o capital das indústrias em Caxias do Sul. 58 GABRIELLE OSS CORREA, acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo no 10º semestre.
  • 31. A partir do ano de 1910, com a emancipação de Caxias do Sul, abertura de estradas e melhorias nos sistemas de água gerou-se um grande desenvolvimento no setor industrial, atraindo assim migrantes de outras áreas do Rio Grande do Sul, principalmente dos Campos de Cima da Serra. Estes migrantes, não possuindo condições para pagar um aluguel ou adquirir um terreno, foram se instalando nas áreas não urbanizadas na periferia da cidade, em áreas de risco, próximo às estradas, surgindo assim os primeiros núcleos de sub-habitação de Caxias do Sul (HERÉDIAiv, 1997). Segundo análise realizada através de mapa locando as principais indústrias e núcleos de sub- habitação nos anos de 1932, o setor industrial está, em grande parte, situado dentro do perímetro urbano, onde as oficinas metalúrgicas e mecânicas estão próximo à Praça Dante Alighieri, local do fluxo do comércio na época. Outras indústrias como os moinhos, serrarias, ferrarias e vinícolas estão próximos da zona rural, pois necessitavam da queda dos rios para gerar força motriz e também facilitando na obtenção da matéria-prima. Durante a Era Vargas (1930 a 1945) muitas indústrias haviam sido declaradas de interesse militar, o que levou um ritmo acelerado de produção, registrando um crescimento industrial e empresarial significativo. O centro da cidade passou por transformações e houve a necessidade de ampliação do perímetro urbano. Neste momento, a estrada de ferro já não atendia mais a demanda de cargas e passageiros e havia a necessidade de ligar o município ao restante do país. Em novembro de 1941, foi entregue ao município a Estrada Federal (BR116), mudando o eixo de interesses da cidade que sempre girou em torno da face oeste, onde se encontravam as duas vias de comunicação mais importantes: a estrada Rio Branco e a estrada de ferro (MACHADO v, 2001). Através de mapa com a localização das indústrias e núcleos de sub-habitação no ano de 1955, é possível perceber uma descentralização das indústrias dentro do perímetro urbano da cidade devido ao crescimento delas e ao alto preço da terra. Com a implantação da BR 116, diversas indústrias passaram a se instalaram no lado leste da cidade no entorno da estrada federal. Segundo Herédiavi (1997), a década de 60 teve grande dinâmica econômica e social, como consequência da criação da Petrobrás e o chamado “milagre econômico brasileiro”, quando o governo injetou grande capital nas indústrias, expandindo-as e modernizando. Em Caxias do Sul, as indústrias receberam este auxílio e continuaram se deslocando para junto das estradas acompanhadas do parcelamento do solo residencial como foi possível observar no mapa gerado a partir das indústrias e núcleos de sub-habitação no ano de 1973. O distanciamento do núcleo urbanizado ocorre por diferentes motivações, onde a indústria busca acessibilidade e espaço para ampliar as instalações. Instalando-se ao longo das rodovias, primeiramente ao longo da BR-116 (sentido Oeste e Sul) e posteriormente no sentido leste, ao longo da RST-453. É possível relacionar a localização dos núcleos de habitação subnormal com as aglomerações industriais neste período. Geralmente estes núcleos localizavam-se adjacentes ou fora do perímetro urbano ou próximos à grande estradas.
  • 32. Caxias do Sul, em 1975, já apresentava um parque industrial definido, onde predominavam indústrias metal mecânicas, com a fabricação especialmente de transportes, motores, implementos agrícolas e autopeças (GIRON e NASCIMENTOvii, 2010). Segundo Herédiaviii (1997) e Machadoix ( 2001) a partir da década de 80, observa-se uma alteração no sentido de crescimento urbano, mudando do sentido leste (BR116) para o lado oeste, ao longo da RST 453. Na década de 90 com a expansão urbana e o crescimento industrial, Caxias do Sul necessitava de infraestrutura para atender às grandes indústrias que estavam sendo implantadas na cidade, com o risco de perdê-las para cidades como São Leopoldo pela falta de energia elétrica em abundância. O impasse foi resolvido ligando ao sistema Scharlau via Farroupilha, assim duplicando a RST 453 no sentido oeste. Neste período começam as primeiras ocupações industriais ao longo da rodovia recém duplicada em direção a Porto Alegre. Devido ao alto preço de terra e a falta de espaço no centro urbano, as indústrias procuram localizar-se em novas áreas, inicialmente desabitadas, próximo à rodovias para instalaram seus pavilhões. Com isso, há o início da urbanização no entorno destas novas vias e o abandono do centro urbano para este tipo de atividade. Em 1990, o setor metal-mecânico já estava consolidado e Caxias do Sul já participava ativamente da economia nacional através de grandes exportações principalmente de peças para meios de transportes. Através do mapa da situação local do município, observa-se que as aglomerações ao longo das rodovias é uma característica marcante no processo de ocupação industrial de Caxias do Sul. Com a construção das perimetrais Norte e Sul no início dos anos 2000, diversos pavilhões industriais tornaram-se característicos ao longo deste novo eixo viário criado, ligando-se diretamente à BR 116 e a RST 453. Na porção noroeste da cidade há maior número de núcleos de sub-habitação devido ao baixo preço da terra nestas áreas para a implantação de loteamentos populares, surgindo assim assentamentos subnormais. O crescimento populacional nesta região propiciou o surgimento de pequenas indústrias principalmente do setor metalmecânico e no entorno da RS 122, assim sendo a implantação da indústria posterior à ocupação irregular (Machado x, 2001). Logo, a grande demanda de mão de obra exigida pela indústria se torna um atrativo para pessoas de baixa renda que buscam melhores condições de vida. O forte caráter industrial da cidade ocasionou o fluxo contínuo de migrantes em Caxias do Sul desde o início de sua ocupação. Foi possível observar através de pesquisa documental, o acelerado crescimento populacional ao longo dos anos. Esse fluxo intensificou-se depois da Segunda Guerra Mundial, quando algumas cidades que possuíam sua economia baseada na agricultura sofreram certa “falência”. Através de pesquisa bibliográfica sobre a evolução da cidade, da análise de mapas em cinco períodos de grande relevância, e da realização de entrevistas ao longo da pesquisa foi possível observar algumas relações entre o crescimento da indústria e o surgimento de núcleos de sub- habitação Também foi possível perceber como a localização dos aglomerados industriais é influenciada diretamente pelas vias de acesso e escoamento de produção em cada período analisado.
  • 33. No entanto, não foi possível concluir se o local de surgimento dos núcleos de sub-habitação está diretamente ligado a implantação de um indústria específica, entretanto acredita-se que, sua localização depende de uma série de fatores que foram observados ao longo da pesquisa tais como proximidade às vias de acesso, áreas desocupadas ou de desinteresse público/particular. Os migrantes ao chegarem à cidade costumam buscar um local para se instalar geralmente próximo às vias de acesso ao trabalho e aos serviços, normalmente localizado na periferia onde o preço da terra é baixo ou onde as chances de serem desalojados são menores. Com isso, passam a ocupar áreas inicialmente impróprias a moradia, tais como: com grande declividade que não foram urbanizadas, faixas de domínios de rodovias, áreas verdes /institucionais de loteamentos que não possuem uso devido, espaços de desinteresse público ou particular, como é o caso do cone do aeroporto e a faixa ao longo da via férrea. Essas considerações puderam ser feitas através principalmente da análise gráfica dos mapas, desde a década de 30 até os dias atuais. No entanto, apresentam limitações devido a inexistência de dados na Prefeitura Municipal, pois até o ano de 1984, não eram mapeados as áreas invadidas que não fossem de propriedade do município, gerando assim um crescimento de 15 para 107 núcleos em apenas dez anos. Referências i BENÉVOLO, Leonardo. História da Cidade: São Paulo: Ed. Perspectiva, 1997. ii BENEVOLO, Idem. iii HERÉDIA. Vânia Beatriz Merlotti. Processo de Industrialização da Zona Colonial Italiana: Caxias do Sul, EDUCS, 1997. iv HERÉDIA, Id. v MACHADO, Maria Abel. Construindo uma cidade: história de Caxias do Sul 1875/1950: Caxias do Sul: Maneco Livraria & Editora, 2001. vi HERÉDIA, Id. vii GIRON, Loraine Slomp. NASCIMENTO, Roberto. Caxias Centenária: Caxias do Sul: EDUCS, 2010. viii HERÉDIA, Id. ix MACHADO, Id. x MACHADO, Id.