SlideShare uma empresa Scribd logo
SE ESSA RUA FOSSE MINHA
Adélia Nicolete
2007
Público Alvo:
Crianças entre 6 anos e 10 anos
Personagens:
Vanessa – menina de 7 anos
Léo – seu irmão, de 10 anos
Juninho – amigo, de 10 anos
Sexta-feira. Toca o sinal de saída da escola. Vanessa, Léo e Juninho entram correndo, como se
tivessem saído de sua sala de aula. Encontram-se no meio da cena – o pátio.
OS TRÊS Sexta-feira!!! (Batem a palma da mão entre si)
Começam a cantar um rap, enquanto trocam o uniforme pela roupa de brincar (trocando adereços).
OS TRÊS Eu adoro esse barulho,
Eu adoro esse sinal!
Ainda mais se é sexta-feira, estudei semana inteira!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Já fiz a lição - sem ninguém mandar.
Ajudei em casa – sem ninguém mandar.
Tomei banho, comi, escutei, obedeci.
Então o que eu quero depois do sinal?
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Todo mundo tem direito de estudar
E tem direito de brincar também!
Não importa a cor, nem a religião.
Não importa o dinheiro, nem a condição!
Na nossa brincadeira todo mundo é igual!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Eu adoro esse barulho,
Eu adoro esse sinal!
Ainda mais se é sexta-feira, estudei semana inteira!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Meninos saem da cena enquanto repetem o refrão. Apenas Vanessa permanece cantando, empolgada,
sem perceber que está sozinha.
VANESSA Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Ao se perceber só, pára de cantar, tímida.
VANESSA Ué. Pra onde eles foram? Ô, gente! É sexta-feira, vamos brincar! Não
tem problema, eu brinco sozinha mesmo! (Canta e faz os gestos)
Quando eu era bebê, bebê, bebê
Eu era assim, eu era assim.
Quando eu era criança, criança, criança,
Eu era assim, eu era assim.
Quando eu era mocinha, mocinha, mocinha
Eu era assim, eu era assim.
Quando eu era mulher, mulher, mulher
Eu era assim, eu era assim.
Quando eu era mamãe, mamãe, mamãe
Eu era assim, eu era assim.
Quando eu era velhinha, velhinha, velhinha
Eu era assim, eu era assim.
Quando eu era mortinha, mortinha, mortinha
Eu era assim, eu era assim.
VANESSA (Fala) Ai, que chatice. Ninguém pra brincar... Eu até que gosto de brincar
sozinha, mas hoje... eu queria ver gente... Correr, pular, brincar de
esconde-esconde... (Usa um telefone imaginário) Alô. A Camila taí, por
favor? (Ao público) Viajou... (Ao telefone) Alô. A Suzana taí? (Ao público) Tá
com febre... Acho que não tenho outra opção. Vou ter de chamar o cara
mais chato da rua inteira. O cara mais chato do planeta, do universo: o
meu irmão... (Chamando o irmão) Léeo. Léooooo! Ô, Léo!
LÉO (Entra, mau humorado,se espreguiçando) Que foi?
VANESSA Sou eu. Vamos brincar?!
LÉO Foi pra isso que você me chamou? (Sai de novo) Não quero...
VANESSA Ei, volta aqui!
LÉO Me esquece, Vanessa.
VANESSA Estátua! (Ao público) Quem tem irmão mais velho sabe. (Faz uma
demonstração, usando o próprio irmão-estátua) Eles são mais altos, pra chamar
a gente de baixinha. São mais fortes, pra poder mandar na gente. Têm a
mão maior, pra empurrar a gente. E são mais chatos que qualquer outra
pessoa no mundo!!! (Dá um estalo nos dedos e desfaz a estátua) Brinca comigo,
Léo...
LÉO Não quero.
VANESSA Por que? A mãe te pôs de castigo?
LÉO Não! A mãe não me põe de castigo desde que eu tinha a sua idade!
VANESSA (Imitando o irmão) Desde que eu tinha a sua idade... Quem vê pensa que
você é muuuito mais velho que eu! Vamos brincar, vai.
LÉO Já falei que não quero. Não gosto de brincar com menina.
VANESSA Ih! Então vai ser difícil... O Paulinho, o Edu e o Pereba foram viajar. Só
sobrou menina na rua inteira...
LÉO Prefiro ficar de castigo, prefiro entrar num foguete e passar o resto da
minha vida no espaço; prefiro viver na selva, cheia de leões, tigres e
dinossauros do que brincar com você, Vanessa!
VANESSA (Ao público) Todo dia era a mesma coisa. Eu só chamava o Léo pra
brincar em último caso! E tinha de ficar agradando ele, até ele aceitar...
(Ao irmão) Puxa vida, Leozinho. Brinca comigo, vai...
LÉO (Ao público) Todo dia era a mesma coisa. Ela me chamava pra brincar e
não tem coisa pior pra um menino do que brincar com a irmã! Elas são
choronas, a gente não pode nem encostar nelas que elas já reclamam!
(Afasta a irmã, que estava suplicando) Sai do meu pé!
VANESSA Aaaaiiii!!!
LÉO (Ao público) Não falei? (Para Vanessa) Me larga, me deixa, desgruda! (Ao
público) Foi aí que a apareceu a minha salvação!
JUNINHO (Chama de fora) Léo. Ô, Léo.
LÉO (Ao público) Era o Juninho. Meu amigo da outra rua. Chapa quente
demais! (Para Juninho) Grande Juninho! Chega aí, amizade!
JUNINHO E aí, mano? Tudo certo?
LÉO Tudo.
JUNINHO E aí, Vanessa. Firmeza?
VANESSA (Apaixonada) Firmeza... (Os dois viram estátua e Vanessa faz a demonstração nos
dois para o público) O Juninho é o menino mais lindo da escola. E o
melhor amigo do meu irmão. Mas é muito diferente dele! Mais maduro...
Não é criança que nem o Léo. Quando ele chegou, eu sabia que a
brincadeira ia ficar mais legal. (Para Juninho) Juninho...
JUNINHO Que foi? Que é que tá pegando?
VANESSA O Léo não quer brincar comigo...
LÉO Não quero mesmo. Você é menina.
VANESSA (Nervosa) E daí? Meninas também brincam!
LÉO E é pequena!
VANESSA Só porque eu sou pequena você acha que...
LÉO (Corta, zombando) Não vai chorar, hein?
VANESSA Não vou chorar!
JUNINHO Olha, posso falar uma coisa? Acho que a gente tá é perdendo tempo.
Vamos brincar todo mundo e pronto!
VANESSA Eba! (Já vai dando as mãos para eles, cantando) Ciranda, cirandinha vamos
todos cirandar... (Meninos não se mexem. Vanessa muda de música, eles
continuam parados, sem paciência) A canoa virou, por deixar ela virar, foi por
causa do Juninho que não soube remar... (Desiste) Vocês não se mexem!
LÉO A gente não quer brincar de roda...
VANESSA (Arruma as mãos dos meninos para a brincadeira) A-do-le-tá, lê peti,
peti polá, lê café com chocolá, adoletá. Puxa o rabo do tatu, quem saiu
foi tu. Saiu! Saiu! (Se diverte sozinha)
LÉO Onde desliga essa menina, hein? A gente não quer brincar de adoleta!
VANESSA (Elétrica) Casinha. Casinha.
LÉO (Nervoso) Não falei? Brincadeira de menina! Ela só sabe brincar disso,
Juninho!
JUNINHO Calma, Léo! Que tal futebol?
VANESSA Futebol! Futebol! Cadê a bola? Chuta para Vanessa, que passa para
Juninho, que passa para Vanessa e é gol no Léo! É gooool!!!!! (Meninos
encaram Vanessa)
LÉO (Vencido) Tudo bem. Casinha.
VANESSA Eba!
LÉO Mas a gente manda, que a gente é mais velho.
JUNINHO Você é a mamãe.
VANESSA Tá bom.
LÉO Eu sou o pai.
VANESSA Eca!
JUNINHO E eu... o filho mais velho.
VANESSA Essa é a nossa casinha. Aqui é o quarto, a sala e a cozinha.
LÉO Não tem banheiro nessa casa?
VANESSA Tem... É... ali. Já está tudo arrumado. (Anuncia) Café da manhã!
Vanessa arruma a mesa imaginária. Tomam café da manhã.
VANESSA Come tudo, Juninho.
JUNINHO Pode deixar, mamãe.
VANESSA E veja se obedece o papai, hein? (Se arruma para sair)
JUNINHO Por que?
LÉO Como assim?
VANESSA (Limpando a boca para sair) A mamãe vai sair pra trabalhar.
LÉO Por que?
VANESSA Porque eu trabalho fora, esqueceu? Já tem comida do fogão, a roupa já
está lavada. Tchau.
LÉO E eu?...
VANESSA ... Você me ajuda muito em casa, enquanto está procurando emprego.
LÉO Assim eu não quero brincar.
VANESSA Ah, Léo...
LÉO Eu não quero ajudar em casa!
JUNINHO O meu pai ajuda...
VANESSA O nosso também. Quando ele ficou sem emprego, só a mamãe é que
trabalhava fora. Tchau. (Sai)
LÉO Mas eu não quero. Eu não acho isso certo.
JUNINHO Ela sair e a gente ficar?
LÉO É... Ela devia ficar, tomar conta da casa. O pai é que sai pra trabalhar.
JUNINHO A minha mãe também trabalha fora...
LÉO Mas isso aqui é uma brincadeira! (Chama) Vanessa! Vanessa. Vem cá.
VANESSA (Chegando) Eu não chamo Vanessa, chamo Bete.
LÉO Que Bete?
VANESSA A mãe. A mãe chama Bete. Se liga, Léo!
LÉO Eu tô falando com a Vanessa! Olha. A gente acha que você devia ficar
em casa...
JUNINHO A gente não, ele...
LÉO A mãe tem de cuidar dos filhos, obedecer o marido.
VANESSA Por que?
LÉO Porque é assim.
VANESSA Quem falou?
LÉO Nós!
JUNINHO Ele...
VANESSA Eu não concordo!
LÉO A mulher tem de cuidar da casa. Lavar, passar, cozinhar.
VANESSA Também pode trabalhar fora, sim. Pode estudar também.
LÉO Na minha brincadeira, não.
VANESSA A sua brincadeira é chata!
LÉO Então a gente não brinca mais!
JUNINHO Ainda bem que eu não tenho irmãos, viu?
LÉO (para Juninho) Menina é tudo igual.
VANESSA (Ao público) Menino é tudo igual. Bem que eu podia ter uma irmã...
Cada um emburra de um lado. Juntam-se, um de cada vez, para cantar.
LÉO (Canta) Lá em casa estava tudo muito bem
Era só eu, e eu era o rei!
Todos os brinquedos eram pra mim!
Eu dizia alguma coisa
Todos respondiam sim!
Até que chegou essa menina.
Quando chorava, ‘tava todo mundo em cima.
Foi meu fim!
VANESSA (Canta) Se eu soubesse como era duro
Tinha ficado lá, naquele escuro.
Tava quentinho, um silêncio bom
O único barulho era de um coração.
Mas sou curiosa, inventei de nascer!
Dei de cara com esse chato
Pra me aborrecer!
OS DOIS Quem tem irmãos
Sabe o que estou falando.
E quem não tem
Pode ir imaginando.
LÉO Ela fala muito e não desliga
Cada três conversas, uma é briga.
Se eu quero a, ela quer b
Eu sou mais velho: ela tem de obedecer!
VANESSA Ele não tem paciência e é muito teimoso
Por qualquer motivo vai ficando nervoso!
Se eu quero a, ele vai querendo b
Eu sou mais nova: ele devia me entender...
OS DOIS Quem tem irmãos
Sabe o que estou falando.
E quem não tem
Pode ir imaginando.
Quem tem irmãos
Sabe o que estou falando.
E quem não tem
Pode ir imaginando.
LÉO Vem cá, Juninho. Me diz se eu não tenho razão!
VANESSA Quem tem razão sou eu, não é não?
LÉO O Juninho é meu amigo. Ele vai concordar comigo!
VANESSA É meu amigo também! Não vem que não tem!
OS DOIS (Cantam) Quem tem irmãos
Sabe o que estou falando.
E quem não tem
Pode ir imaginando.
JUNINHO Eu acho que vocês dois estão brigando à toa... Eu gosto dos dois, e
queria ter irmãos como vocês, sem tirar nem pôr...
VANESSA Quer ser nosso irmão, Juninho? Nosso irmão de coração?
JUNINHO Vocês vão brigar comigo?
LÉO É claro!
JUNINHO Então eu quero!
Riem e se abraçam, os três.
JUNINHO Do que nós vamos brincar agora?
LÉO Polícia e bandido!
VANESSA Tô fora! Vôlei! (Fazem os gestos do jogo)
LÉO Fubeca! (Fazem os gestos do jogo)
JUNINHO Ping pong! (Fazem os gestos do jogo)
LÉO Peteca! (Fazem os gestos do jogo)
Cansam.
VANESSA Ai, cansei.
JUNINHO A gente podia brincar de escolinha.
VANESSA Oba!
LÉO (Reclama) Escolinha?...
VANESSA Escolinha! Eu quero. Eu adoro brincar de escolinha. Não tem coisa
melhor no mundo que brincar de...
LÉO (Interrompe) Tá bom! Mas fica quieta! A Vanessa é a professora.
JUNINHO Por que?
LÉO Por que não?
JUNINHO Eu quero ser o professor.
LÉO (Rindo) Você? Professor? Pára com isso. Ai...
JUNINHO Qual é o problema?
LÉO Homem, professor? Brincadeira de escolinha tem de ter professora.
VANESSA Ai! De novo essa história?
LÉO Tem coisa que é pra homem, tem coisa que é pra mulher.
JUNINHO Tem mulher que dirige caminhão, Léo!
LÉO Eu não acho certo.
VANESSA Mulher que pilota avião.
JUNINHO Mulher que dirige empresa. Mulher que é astronauta.
VANESSA Que é presidente da república!
LÉO Eu sei de tudo isso. Eu não sou burro!
VANESSA O Léo é assim mesmo. Ele não pensa muito pra falar as coisas...
LÉO (Beliscando a irmã) Já falei pra não me provocar.
VANESSA Aaaaaaiiiii!!!!
JUNINHO O que você fez, Léo?
VANESSA Ele me beslicou.
LÉO Não belisquei!
VANESSA Beliscou! Olha aqui, ó, tá ficando roxo! Olha, Juninho...
JUNINHO Tá feio mesmo...
LÉO Frescura!
VANESSA Eu vou contar pra mãe!
LÉO Não vai, não.
VANESSA Vou, sim.
LÉO Não vai, não.
VANESSA Vou. E ela vai te colocar de castigo.
LÉO Se você contar, eu nunca mais deixo você brincar na minha cabana.
VANESSA A cabana é nossa.
LÉO É minha. Fui eu que ganhei de aniversário.
VANESSA Eu vou contar...
LÉO Se você contar eu não deixo mais você acender a lâmpada de noite. Vai
ter de dormir no escuro, cheio de monstro. E eu vou assustar você.
JUNINHO Não faz assim com a menina, Léo...
VANESSA Além de beliscar a gente, fica ameaçando!
JUNINHO Ele não vai mais fazer isso, Vanessa. Eu não vou deixar.
VANESSA (Romântica) Obrigada, Juninho...
JUNINHO E aí? Vai brincar com a gente ou não vai?
LÉO O que eu vou ser?
VANESSA Aluno.
LÉO De jeito nenhum! Acabei de sair da escola, quero folga!
JUNINHO Vai ser o diretor, então.
LÉO O que é que o diretor faz?
VANESSA O diretor... ele... dirige! Ele... fica sentado na cadeira e... fica dirigindo
tudo de lá.
LÉO Não quero!
JUNINHO (Pensa) Dono da cantina.
LÉO Melhorou! Taí uma coisa que eu gosto. Dinheiro! (Montando a cantina, de
mentirinha) Venham todos, venham todos. (Faz os gestos, mostrando onde e
como estão dispostos os produtos) Coxinha, empadinha, pastel! Bolinho,
tortinha, pão de mel! Balas, bolachas, biscoitinhos - e eu, só recebendo o
dinheirinho! Venham todos.
VANESSA Ainda não é hora do recreio.
LÉO Ah, não? Tá bom. Então é hora de estudar. (Imita o sinal da escola)
Vanessa e Juninho já estão a postos como professor e aluna.
JUNINHO Vanessa, qual é o feminino de... doutor.
VANESSA Doutora!
JUNINHO Muito bem! O feminino de rei.
VANESSA ...Rainha!
JUNINHO E o feminino de... juiz?
VANESSA (Pensa, pensa, mas não sabe) ...É... (Pede ajuda para a platéia) É... juiza!
JUNINHO Certo!
VANESSA Mais pergunta, mais pergunta.
JUNINHO Vanessa, se você um dia, for passear com a sua mãe na cidade, e se
perder, o que você deve fazer?
LÉO Ela vai sentar e chorar!
JUNINHO Você tá na cantina, Léo. O que você faz, Vanessa?
VANESSA Procuro um guarda.
JUNINHO Certo! E daí?
VANESSA (Pensa. Parece uma gincana)... Eu peço ajuda.
JUNINHO Como?
VANESSA Falando o número do meu telefone, que eu sei de cor. E também sei o
meu endereço, desde que eu era desse tamaninho!
JUNINHO Muito bem.
VANESSA Mas eu não posso falar pra qualquer um o meu telefone e o meu
endereço. Minha mãe não deixa.
JUNINHO Gostei de ver, Vanessa. Você parece uma moça!
VANESSA (Romântica) Obrigada, Juninho...
LÉO Que aula mais chata! (Imita o sinal) Hora do recreio! Venham todos,
venham todos. Cachorro quente, misto quente, chiclete, sorvete!
VANESSA Nossa! Que gritaria!
LÉO A cantina é minha, eu vendo como eu quiser! O que você vai querer?
VANESSA Então eu quero um pastel.
LÉO De que?
VANESSA De...
LÉO (Entregando o pastel) Cebola, tó. (Para Juninho) E você, o que vai querer?
JUNINHO Um cachorro quente... (Léo entrega o lanche)
VANESSA Quanto é?
LÉO Sete reais.
VANESSA Que cantina cara! (Paga com dinheiro imaginário) Toma. Dez reais.
LÉO Seu troco. Dois reais.
VANESSA (Recebe e confere) Tá errado. Eu te dei dez pra cobrar sete. Dez menos
sete é três.
LÉO E daí?
VANESSA Você me deu só dois.
LÉO Toma um real em bala.
VANESSA Eu quero em dinheiro.
LÉO É a mesma coisa.
VANESSA Não é. A mãe falou que o troco tem de ser em dinheiro.
LÉO (Entrega) Toma! (Para Juninho) E o seu é dois e cinqüenta.
JUNINHO (Pagando) Tá aqui. Dois reais e uma bala.
LÉO Eu quero em dinheiro.
JUNINHO Você não falou que é a mesma coisa? (Juninho e Vanessa riem)
LÉO (Imita) Você não falou que é a mesma coisa? Ah, Juninho, pára de graça!
VANESSA (Zombando) Não fica nervoso, Léo!
LÉO Eu não tô nervoso!
VANESSA Tá, sim. (Juninho e Vanessa riem mais)
LÉO Chega. Eu não tô mais brincando.
JUNINHO Você não gosta de nada!
LÉO Escuta aqui, Juninho. Você é meu amigo ou é amigo dessa aí?
JUNINHO Sou amigo dos dois.
LÉO Só que eu te conheço há mais tempo. Nós somos meninos, temos a
mesma idade, estudamos na mesma classe.
JUNINHO E?...
LÉO Acho que você devia ser mais amigo meu do que dela.
JUNINHO Vamos combinar assim: na escola, na classe, eu sou seu melhor amigo.
Quando eu brincar só com a Vanessa, sou amigo dela. Quando estiver
com os dois...
VANESSA (Corta) Léo, você tem de aprender a dividir.
LÉO Só se eu cortar o Juninho ao meio!
Brincam de dividir o amigo. Vanessa puxa por um braço, Léo pelo outro, dizendo “Ele é meu”,
“O Juninho é meu!”. Todos acabam rindo.
JUNINHO Tá bom. Do que a gente vai brincar agora?
LÉO Eu quero brincar de médico!
VANESSA e JUNINHO Oba!
LÉO Eu sou pediatra.
VANESSA Que nem o doutor Fernando?!
LÉO É. Eu cuido de crianças.
VANESSA E você, Juninho?
JUNINHO Eu... quero cuidar de... gente que quebra o osso. Como é que chama,
mesmo? Aquele que coloca gesso.
LÉO (Exibido) Ortopedista!
JUNINHO Ortopedista, isso.
VANESSA E eu quero ser a médica que cuida... dos animais!
JUNINHO Veterinária?!
LÉO Não pode.
VANESSA Por que?
LÉO Porque é brincadeira de médico de gente!
LÉO Você vai ser a paciente, pronto.
VANESSA Ah, não quero ser a paciente...
LÉO Todo médico precisa de um doente, senão não dá pra brincar! Vai. Faz
de conta que você quebrou o braço. Quem você procura?
VANESSA (Ainda sem gostar muito de ser paciente) O Juninho...
LÉO Doutor Juninho!
VANESSA Doutor Juninho...
LÉO Vai lá, então.
JUNINHO Boa tarde.
VANESSA Boa tarde.
JUNINHO Qual é o seu nome?
VANESSA Bete.
JUNINHO Quantos anos você tem?
VANESSA Sete. Quer dizer, nove.
JUNINHO E o que aconteceu com o seu braço?
VANESSA Eu fui descer a ladeira lá de casa com a bicicleta. É uma ladeira muuuito
grande e cheia de palare, parare, palale...
JUNINHO Paralelepípedos.
VANESSA Isso! É cheia disso e eu fui descendo e precisava apertar o freio. Daí eu
fui apertar o freio e... ele não funcionou. E eu vi o chão vindo na minha
direção. Eu caí, tchum. Em cima do braço.
JUNINHO Vamos examinar. (Mexe delicadamente no braço dela)
VANESSA Ai!
JUNINHO Dói muito? (Vanessa confirma) Deixa eu ver o raio X. (Olha o exame) É...
acho que quebrou. Vamos ter de engessar.
VANESSA Vou ter de tomar injeção?
JUNINHO Acho que não.
VANESSA Eu não ligo de tomar injeção.
JUNINHO Não precisa. Só gesso.
Juninho finge que engessa o braço de Vanessa.
JUNINHO Pronto.
VANESSA Eu tenho prova na escola. Como é que vou escrever?
JUNINHO A professora vai te ajudar. O importante é você não faltar, tá bom?
LÉO E agora você tem de ir ao pediatra!
JUNINHO E agora você tem de ir ao pediatra...
VANESSA Tchau, doutor Juninho.
Vanessa vai até o “consultório” de Léo.
LÉO Boa tarde.
VANESSA Boa.
LÉO O que você está sentindo, Vanessa?
VANESSA ...
LÉO Vanessa...
VANESSA Eu não sou a Vanessa, sou a Bete.
LÉO O que você está sentindo?
VANESSA Nada. Eu vim aqui porque você mandou.
LÉO Você tem de sentir alguma coisa, senão não tem brincadeira!
VANESSA Tô sentindo... (Juninho aponta o braço engessado) O que? Ah! Tô sentindo
dor no braço que quebrou.
LÉO Abre a boca e fala “A”.
VANESSA A dor é no braço!
LÉO Abre a boca e fala “A”.
VANESSA (Obedece) A.
LÉO Humm...
VANESSA Que foi?
LÉO Nada... Agora vamos ver a barriga.
VANESSA Não tenho nada na barriga.
LÉO Mas precisa ver. (Apalpa a barriga)
VANESSA Ai. Não faz cócega. Eu não gosto de cócega.
LÉO Tô examinando. (Apalpa a barriga)
VANESSA Não gostei desse exame.
LÉO Ai, meu Deus! A paciente não tem que gostar ou não gostar!
VANESSA Eu não gostei.
LÉO Você não gosta de nada! Vamos ver o braço. (Apalpa o braço)
VANESSA Ai!
LÉO Que foi agora?
VANESSA É o meu braço quebrado, esqueceu?
LÉO Desculpa. Então vamos ver o pé.
VANESSA Meu pé tá bom!
LÉO E a perna, como tá? (Apalpa a perna)
VANESSA A perna tá boa também!
LÉO Não sei, não...
VANESSA Pode parar. A perna tá boa.
LÉO Preciso examinar direitinho.
VANESSA Ai, Léo. Não quero brincar mais disso.
LÉO Por que?
VANESSA Não gosto que fiquem pondo a mão em mim.
LÉO Tá machucando por acaso?
VANESSA Não.
LÉO Então? (Apalpa a perna)
VANESSA Então que eu não acho certo que ponham a mão em mim, Léo!
LÉO Eu não sou qualquer um. Eu sou seu irmão!
VANESSA E daí?
LÉO E daí que é diferente. Você não acha, Juninho?
JUNINHO Eu não acho nada...
VANESSA Como não acha nada? Você deixa qualquer um por a mão em você?
JUNINHO Eu não!
VANESSA A mãe falou que ninguém, mas ninguém mesmo pode pôr a mão em
mim se eu não quiser.
LÉO Mas eu sou irmão mais velho, eu posso!
JUNINHO Acho que mesmo assim, não pode não. Quem manda no corpo da gente
é a gente, Léo...
LÉO Não posso nem encostar!
VANESSA Encostar é diferente de beliscar, de passar a mão, de apertar.
LÉO Mas você falou que não tava machucando.
VANESSA Mesmo se for carinho, se eu falei que não quero é pra parar.
LÉO Você sempre estraga tudo, né, Vanessa? Ou é Bete?
VANESSA É Vanessa agora. E se você fizer de novo eu vou falar pra mãe.
LÉO A mãe não tá em casa.
VANESSA Eu falo pra vizinha.
LÉO A vizinha tem cachorro que morde!
VANESSA Eu falo pra moça do posto!
LÉO Ela tá dando vacina.
VANESSA Eu falo pro guarda.
LÉO Ele tá prendendo ladrão.
VANESSA Então sabe pra quem eu vou falar? Sabe pra quem? Pra professora. Que
a professora tá na escola, ela tá dando aula, eu vejo todo dia, ela te
conhece, ela gosta de mim, ela vai te chamar e vai te dar uma bronca!
JUNINHO Boa idéia, Vanessa!
LÉO Não vai!
VANESSA A prô falou que se estiver acontecendo coisa que a gente não gosta em
casa ou em qualquer lugar, a gente pode contar pra ela!
LÉO Pra professora não vale...
VANESSA Eu conto!
LÉO Tá bom... eu vou tentar não brigar mais com você...
VANESSA Nem vai fazer coisas que eu não gosto.
LÉO Tá bom.
JUNINHO Então acho que vocês têm de ficar de bem agora.
LÉO Foi ela quem brigou, ela que tem de pedir pra ficar de bem...
VANESSA Foi ele que me provocou, ele que pede...
JUNINHO Vamos, gente!
LÉO Eu te desculpo... se você me desculpar...
VANESSA Desculpa você primeiro.
LÉO Não! Desculpa você!
JUNINHO Os dois desculpam ao mesmo tempo!
VANESSA Que bom! (Abraça Léo) Assim a gente pode brigar outra vez! (Riem)
Dá o dedinho! (Dão-se os dedinhos)
Se abraçam, abraçam Juninho, pulam, se provocam.
VANESSA Vamos brincar de novo?
LÉO Vamos! De que?
VANESSA De alguma coisa em que a gente seja igual.
JUNINHO Isso mesmo!
LÉO Tá bom...
JUNINHO Ih... Mas tá escurecendo. Tenho de ir embora...
LÉO Ai, pára com isso, Juninho!
JUNINHO Amanhã eu levanto cedo pra ir pra escola! (Vanessa dá risada) Que foi?
VANESSA Amanhã é sábado!
OS TRÊS Hoje é sexta feira!
VANESSA Um, dois, três e...
OS TRÊS Sexta-feira!!! (Batem a palma da mão entre si)
Retomam o rap inicial.
OS TRÊS Eu adoro esse barulho,
Eu adoro esse sinal!
Ainda mais se é sexta-feira, e eu estudei a semana inteira!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Já fiz a lição - sem ninguém mandar.
Ajudei em casa – sem ninguém mandar.
Tomei banho, comi, escutei, obedeci.
E então o que eu quero depois do sinal?
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Todo mundo tem direito de estudar
E tem direito de brincar também!
Não importa a cor, nem a religião.
Não importa o dinheiro, nem a condição!
Na nossa brincadeira todo mundo é igual!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Eu adoro esse barulho,
Eu adoro esse sinal!
Ainda mais se é sexta-feira, e eu estudei a semana inteira!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
Rua! Quintal! Rua! Quintal!
FIM

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Recados da mãe joana gonçalves
Recados da mãe   joana gonçalvesRecados da mãe   joana gonçalves
Recados da mãe joana gonçalves
fantas45
 
Dias ad semana
Dias ad semanaDias ad semana
Dias ad semana
Lurdes Gomes
 
Ida ao Show da Ivete, segunda versão
Ida ao Show da Ivete, segunda versão Ida ao Show da Ivete, segunda versão
Ida ao Show da Ivete, segunda versão
studio silvio selva
 
O dia em que um monstro veio à escola
O dia em que um monstro veio à escolaO dia em que um monstro veio à escola
O dia em que um monstro veio à escola
Mafalda Souto
 
Uma Luz no Fim do Tunel
Uma Luz no Fim do Tunel    Uma Luz no Fim do Tunel
Uma Luz no Fim do Tunel
Giulio Benevides
 
Um monstrinho-no-jardim
Um monstrinho-no-jardimUm monstrinho-no-jardim
Um monstrinho-no-jardim
Joaquina Rafael Barbosa
 
Pp dia mundial da poesia1
Pp dia mundial da poesia1Pp dia mundial da poesia1
Pp dia mundial da poesia1
IsabelPereira2010
 
Slaides contos infantis na pré escola
Slaides contos infantis na pré escolaSlaides contos infantis na pré escola
Slaides contos infantis na pré escola
anaparecidaraca
 
artno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA
artno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGAartno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA
artno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA
Viviane Calasans
 
Ida ao show da ivete
Ida ao show da iveteIda ao show da ivete
Ida ao show da ivete
studio silvio selva
 
Cap 1
Cap 1Cap 1
Cap 1
Tsuki Chan
 
Assim sou eu
Assim sou euAssim sou eu
Assim sou eu
Sonia Andrade
 
Homenagem ao ozzy osbourne
Homenagem ao ozzy osbourneHomenagem ao ozzy osbourne
Homenagem ao ozzy osbourne
Sergio Rocha
 
O Diário de Juliana
O Diário de JulianaO Diário de Juliana
O Diário de Juliana
Cybele Meyer
 
Bons tempos
Bons temposBons tempos
#4 (cardinal 4)
#4 (cardinal 4)#4 (cardinal 4)
#4 (cardinal 4)
@rte Digital
 
A joaninha sem pintas respeito
A joaninha sem pintas   respeitoA joaninha sem pintas   respeito
A joaninha sem pintas respeito
Carolina Rosário
 

Mais procurados (17)

Recados da mãe joana gonçalves
Recados da mãe   joana gonçalvesRecados da mãe   joana gonçalves
Recados da mãe joana gonçalves
 
Dias ad semana
Dias ad semanaDias ad semana
Dias ad semana
 
Ida ao Show da Ivete, segunda versão
Ida ao Show da Ivete, segunda versão Ida ao Show da Ivete, segunda versão
Ida ao Show da Ivete, segunda versão
 
O dia em que um monstro veio à escola
O dia em que um monstro veio à escolaO dia em que um monstro veio à escola
O dia em que um monstro veio à escola
 
Uma Luz no Fim do Tunel
Uma Luz no Fim do Tunel    Uma Luz no Fim do Tunel
Uma Luz no Fim do Tunel
 
Um monstrinho-no-jardim
Um monstrinho-no-jardimUm monstrinho-no-jardim
Um monstrinho-no-jardim
 
Pp dia mundial da poesia1
Pp dia mundial da poesia1Pp dia mundial da poesia1
Pp dia mundial da poesia1
 
Slaides contos infantis na pré escola
Slaides contos infantis na pré escolaSlaides contos infantis na pré escola
Slaides contos infantis na pré escola
 
artno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA
artno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGAartno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA
artno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA
 
Ida ao show da ivete
Ida ao show da iveteIda ao show da ivete
Ida ao show da ivete
 
Cap 1
Cap 1Cap 1
Cap 1
 
Assim sou eu
Assim sou euAssim sou eu
Assim sou eu
 
Homenagem ao ozzy osbourne
Homenagem ao ozzy osbourneHomenagem ao ozzy osbourne
Homenagem ao ozzy osbourne
 
O Diário de Juliana
O Diário de JulianaO Diário de Juliana
O Diário de Juliana
 
Bons tempos
Bons temposBons tempos
Bons tempos
 
#4 (cardinal 4)
#4 (cardinal 4)#4 (cardinal 4)
#4 (cardinal 4)
 
A joaninha sem pintas respeito
A joaninha sem pintas   respeitoA joaninha sem pintas   respeito
A joaninha sem pintas respeito
 

Semelhante a Se essa rua fosse minha

Identificação / 1º Período (2011/12)
Identificação / 1º Período (2011/12)Identificação / 1º Período (2011/12)
Identificação / 1º Período (2011/12)
e- Arquivo
 
Amo vcs Ana Paula aluna do EEJ.JR
Amo vcs  Ana Paula aluna do EEJ.JRAmo vcs  Ana Paula aluna do EEJ.JR
Amo vcs Ana Paula aluna do EEJ.JR
tiesat
 
Trovadorismo
TrovadorismoTrovadorismo
Trovadorismo
Andre Guerra
 
Camargo emerson zíngaro - livro sertanejo não aprendi dizer adeus - Leonardo
Camargo emerson zíngaro -  livro sertanejo não aprendi dizer adeus - LeonardoCamargo emerson zíngaro -  livro sertanejo não aprendi dizer adeus - Leonardo
Camargo emerson zíngaro - livro sertanejo não aprendi dizer adeus - Leonardo
https://camargoemersonzingaro.wordpress.com
 
Anorexia - Dominique Brand
Anorexia - Dominique BrandAnorexia - Dominique Brand
Anorexia - Dominique Brand
Moradores do Ype
 
I love jonas brothers
I love jonas brothersI love jonas brothers
I love jonas brothers
alexyjonas
 
Semana dos avós
Semana dos avósSemana dos avós
Semana dos avós
larabaptista
 
Maneiras de Ser - Capítulo 95
Maneiras de Ser - Capítulo 95Maneiras de Ser - Capítulo 95
Maneiras de Ser - Capítulo 95
dnatv
 
Brinquedos e brincadeiras
Brinquedos e brincadeirasBrinquedos e brincadeiras
Brinquedos e brincadeiras
Adriana Vieira
 
Todos tem queler isso
Todos tem queler issoTodos tem queler isso
Todos tem queler isso
JNR
 
Todos Tem Que Ler Isto!
Todos Tem Que Ler Isto!Todos Tem Que Ler Isto!
Todos Tem Que Ler Isto!
13480
 
Alerta sobre abuso
Alerta sobre abusoAlerta sobre abuso
Alerta sobre abuso
PrLinaldo Junior
 
Entrevista Paulo Cesar Pinheiro
Entrevista Paulo Cesar PinheiroEntrevista Paulo Cesar Pinheiro
Entrevista Paulo Cesar Pinheiro
Paulo Souza
 
Teatro e Brincadeiras
Teatro e BrincadeirasTeatro e Brincadeiras
Teatro e Brincadeiras
Cateclicar
 
Hechisa
Hechisa Hechisa
Hechisa
Hechisa Thamis
 
Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem
144porhora
 
"Perfeição" - Cap. 27
"Perfeição" - Cap. 27"Perfeição" - Cap. 27
"Perfeição" - Cap. 27
lucas_vinicius2012
 
Manuel antonio pina 18-11-2013
Manuel antonio pina 18-11-2013Manuel antonio pina 18-11-2013
Manuel antonio pina 18-11-2013
Maria Manuela Torres Paredes
 
Tonico, um menino triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um menino triste - Vovó Mima BadanTonico, um menino triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um menino triste - Vovó Mima Badan
Mima Badan
 
Tonico, um Menino Triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um Menino Triste - Vovó Mima BadanTonico, um Menino Triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um Menino Triste - Vovó Mima Badan
Vovó Mima Badan
 

Semelhante a Se essa rua fosse minha (20)

Identificação / 1º Período (2011/12)
Identificação / 1º Período (2011/12)Identificação / 1º Período (2011/12)
Identificação / 1º Período (2011/12)
 
Amo vcs Ana Paula aluna do EEJ.JR
Amo vcs  Ana Paula aluna do EEJ.JRAmo vcs  Ana Paula aluna do EEJ.JR
Amo vcs Ana Paula aluna do EEJ.JR
 
Trovadorismo
TrovadorismoTrovadorismo
Trovadorismo
 
Camargo emerson zíngaro - livro sertanejo não aprendi dizer adeus - Leonardo
Camargo emerson zíngaro -  livro sertanejo não aprendi dizer adeus - LeonardoCamargo emerson zíngaro -  livro sertanejo não aprendi dizer adeus - Leonardo
Camargo emerson zíngaro - livro sertanejo não aprendi dizer adeus - Leonardo
 
Anorexia - Dominique Brand
Anorexia - Dominique BrandAnorexia - Dominique Brand
Anorexia - Dominique Brand
 
I love jonas brothers
I love jonas brothersI love jonas brothers
I love jonas brothers
 
Semana dos avós
Semana dos avósSemana dos avós
Semana dos avós
 
Maneiras de Ser - Capítulo 95
Maneiras de Ser - Capítulo 95Maneiras de Ser - Capítulo 95
Maneiras de Ser - Capítulo 95
 
Brinquedos e brincadeiras
Brinquedos e brincadeirasBrinquedos e brincadeiras
Brinquedos e brincadeiras
 
Todos tem queler isso
Todos tem queler issoTodos tem queler isso
Todos tem queler isso
 
Todos Tem Que Ler Isto!
Todos Tem Que Ler Isto!Todos Tem Que Ler Isto!
Todos Tem Que Ler Isto!
 
Alerta sobre abuso
Alerta sobre abusoAlerta sobre abuso
Alerta sobre abuso
 
Entrevista Paulo Cesar Pinheiro
Entrevista Paulo Cesar PinheiroEntrevista Paulo Cesar Pinheiro
Entrevista Paulo Cesar Pinheiro
 
Teatro e Brincadeiras
Teatro e BrincadeirasTeatro e Brincadeiras
Teatro e Brincadeiras
 
Hechisa
Hechisa Hechisa
Hechisa
 
Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem
 
"Perfeição" - Cap. 27
"Perfeição" - Cap. 27"Perfeição" - Cap. 27
"Perfeição" - Cap. 27
 
Manuel antonio pina 18-11-2013
Manuel antonio pina 18-11-2013Manuel antonio pina 18-11-2013
Manuel antonio pina 18-11-2013
 
Tonico, um menino triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um menino triste - Vovó Mima BadanTonico, um menino triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um menino triste - Vovó Mima Badan
 
Tonico, um Menino Triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um Menino Triste - Vovó Mima BadanTonico, um Menino Triste - Vovó Mima Badan
Tonico, um Menino Triste - Vovó Mima Badan
 

Mais de Adélia Nicolete

No camarim com Lélia Abramo
No camarim com Lélia AbramoNo camarim com Lélia Abramo
No camarim com Lélia Abramo
Adélia Nicolete
 
O livro de Jó
O livro de JóO livro de Jó
O livro de Jó
Adélia Nicolete
 
Ponto corrente
Ponto correntePonto corrente
Ponto corrente
Adélia Nicolete
 
O jogo do amor e do acaso
O jogo do amor e do acasoO jogo do amor e do acaso
O jogo do amor e do acaso
Adélia Nicolete
 
O que os meninos pensam delas
O que os meninos pensam delasO que os meninos pensam delas
O que os meninos pensam delas
Adélia Nicolete
 
As meninas
As meninasAs meninas
As meninas
Adélia Nicolete
 
Narradores de Javé Histórias de Minas
Narradores de Javé   Histórias de MinasNarradores de Javé   Histórias de Minas
Narradores de Javé Histórias de Minas
Adélia Nicolete
 
Auto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccio
Auto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccioAuto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccio
Auto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccio
Adélia Nicolete
 
A festa de babette (karen blixen)
A festa de babette (karen blixen)A festa de babette (karen blixen)
A festa de babette (karen blixen)
Adélia Nicolete
 
Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...
Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...
Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...
Adélia Nicolete
 
Fazer para aprender
Fazer para aprenderFazer para aprender
Fazer para aprender
Adélia Nicolete
 
Dinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgia
Dinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgiaDinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgia
Dinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgia
Adélia Nicolete
 
Artigo tramaadelia
Artigo tramaadeliaArtigo tramaadelia
Artigo tramaadelia
Adélia Nicolete
 
CRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAIS
CRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAISCRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAIS
CRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAIS
Adélia Nicolete
 
O que é a dramaturgia?
O que é a dramaturgia?O que é a dramaturgia?
O que é a dramaturgia?
Adélia Nicolete
 
Querô romance peça espetáculo pdf 1
Querô romance peça espetáculo pdf 1Querô romance peça espetáculo pdf 1
Querô romance peça espetáculo pdf 1
Adélia Nicolete
 

Mais de Adélia Nicolete (16)

No camarim com Lélia Abramo
No camarim com Lélia AbramoNo camarim com Lélia Abramo
No camarim com Lélia Abramo
 
O livro de Jó
O livro de JóO livro de Jó
O livro de Jó
 
Ponto corrente
Ponto correntePonto corrente
Ponto corrente
 
O jogo do amor e do acaso
O jogo do amor e do acasoO jogo do amor e do acaso
O jogo do amor e do acaso
 
O que os meninos pensam delas
O que os meninos pensam delasO que os meninos pensam delas
O que os meninos pensam delas
 
As meninas
As meninasAs meninas
As meninas
 
Narradores de Javé Histórias de Minas
Narradores de Javé   Histórias de MinasNarradores de Javé   Histórias de Minas
Narradores de Javé Histórias de Minas
 
Auto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccio
Auto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccioAuto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccio
Auto de paixão e da alegria, de Luís Alberto de Abreu - cannovaccio
 
A festa de babette (karen blixen)
A festa de babette (karen blixen)A festa de babette (karen blixen)
A festa de babette (karen blixen)
 
Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...
Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...
Reveillon e o desvio do peixe no fluxo contínuo do aquário – uma família, um ...
 
Fazer para aprender
Fazer para aprenderFazer para aprender
Fazer para aprender
 
Dinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgia
Dinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgiaDinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgia
Dinamicas coletivas de criação e novos sentidos da dramaturgia
 
Artigo tramaadelia
Artigo tramaadeliaArtigo tramaadelia
Artigo tramaadelia
 
CRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAIS
CRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAISCRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAIS
CRIAÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE JOGOS TRADICIONAIS
 
O que é a dramaturgia?
O que é a dramaturgia?O que é a dramaturgia?
O que é a dramaturgia?
 
Querô romance peça espetáculo pdf 1
Querô romance peça espetáculo pdf 1Querô romance peça espetáculo pdf 1
Querô romance peça espetáculo pdf 1
 

Se essa rua fosse minha

  • 1. SE ESSA RUA FOSSE MINHA Adélia Nicolete 2007 Público Alvo: Crianças entre 6 anos e 10 anos Personagens: Vanessa – menina de 7 anos Léo – seu irmão, de 10 anos Juninho – amigo, de 10 anos Sexta-feira. Toca o sinal de saída da escola. Vanessa, Léo e Juninho entram correndo, como se tivessem saído de sua sala de aula. Encontram-se no meio da cena – o pátio. OS TRÊS Sexta-feira!!! (Batem a palma da mão entre si) Começam a cantar um rap, enquanto trocam o uniforme pela roupa de brincar (trocando adereços). OS TRÊS Eu adoro esse barulho, Eu adoro esse sinal! Ainda mais se é sexta-feira, estudei semana inteira! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Já fiz a lição - sem ninguém mandar. Ajudei em casa – sem ninguém mandar. Tomei banho, comi, escutei, obedeci. Então o que eu quero depois do sinal? Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Todo mundo tem direito de estudar E tem direito de brincar também! Não importa a cor, nem a religião. Não importa o dinheiro, nem a condição! Na nossa brincadeira todo mundo é igual! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Eu adoro esse barulho, Eu adoro esse sinal! Ainda mais se é sexta-feira, estudei semana inteira! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal!
  • 2. Meninos saem da cena enquanto repetem o refrão. Apenas Vanessa permanece cantando, empolgada, sem perceber que está sozinha. VANESSA Rua! Quintal! Rua! Quintal! Ao se perceber só, pára de cantar, tímida. VANESSA Ué. Pra onde eles foram? Ô, gente! É sexta-feira, vamos brincar! Não tem problema, eu brinco sozinha mesmo! (Canta e faz os gestos) Quando eu era bebê, bebê, bebê Eu era assim, eu era assim. Quando eu era criança, criança, criança, Eu era assim, eu era assim. Quando eu era mocinha, mocinha, mocinha Eu era assim, eu era assim. Quando eu era mulher, mulher, mulher Eu era assim, eu era assim. Quando eu era mamãe, mamãe, mamãe Eu era assim, eu era assim. Quando eu era velhinha, velhinha, velhinha Eu era assim, eu era assim. Quando eu era mortinha, mortinha, mortinha Eu era assim, eu era assim. VANESSA (Fala) Ai, que chatice. Ninguém pra brincar... Eu até que gosto de brincar sozinha, mas hoje... eu queria ver gente... Correr, pular, brincar de esconde-esconde... (Usa um telefone imaginário) Alô. A Camila taí, por favor? (Ao público) Viajou... (Ao telefone) Alô. A Suzana taí? (Ao público) Tá com febre... Acho que não tenho outra opção. Vou ter de chamar o cara mais chato da rua inteira. O cara mais chato do planeta, do universo: o meu irmão... (Chamando o irmão) Léeo. Léooooo! Ô, Léo! LÉO (Entra, mau humorado,se espreguiçando) Que foi? VANESSA Sou eu. Vamos brincar?! LÉO Foi pra isso que você me chamou? (Sai de novo) Não quero... VANESSA Ei, volta aqui! LÉO Me esquece, Vanessa. VANESSA Estátua! (Ao público) Quem tem irmão mais velho sabe. (Faz uma demonstração, usando o próprio irmão-estátua) Eles são mais altos, pra chamar a gente de baixinha. São mais fortes, pra poder mandar na gente. Têm a mão maior, pra empurrar a gente. E são mais chatos que qualquer outra pessoa no mundo!!! (Dá um estalo nos dedos e desfaz a estátua) Brinca comigo, Léo... LÉO Não quero. VANESSA Por que? A mãe te pôs de castigo? LÉO Não! A mãe não me põe de castigo desde que eu tinha a sua idade! VANESSA (Imitando o irmão) Desde que eu tinha a sua idade... Quem vê pensa que
  • 3. você é muuuito mais velho que eu! Vamos brincar, vai. LÉO Já falei que não quero. Não gosto de brincar com menina. VANESSA Ih! Então vai ser difícil... O Paulinho, o Edu e o Pereba foram viajar. Só sobrou menina na rua inteira... LÉO Prefiro ficar de castigo, prefiro entrar num foguete e passar o resto da minha vida no espaço; prefiro viver na selva, cheia de leões, tigres e dinossauros do que brincar com você, Vanessa! VANESSA (Ao público) Todo dia era a mesma coisa. Eu só chamava o Léo pra brincar em último caso! E tinha de ficar agradando ele, até ele aceitar... (Ao irmão) Puxa vida, Leozinho. Brinca comigo, vai... LÉO (Ao público) Todo dia era a mesma coisa. Ela me chamava pra brincar e não tem coisa pior pra um menino do que brincar com a irmã! Elas são choronas, a gente não pode nem encostar nelas que elas já reclamam! (Afasta a irmã, que estava suplicando) Sai do meu pé! VANESSA Aaaaiiii!!! LÉO (Ao público) Não falei? (Para Vanessa) Me larga, me deixa, desgruda! (Ao público) Foi aí que a apareceu a minha salvação! JUNINHO (Chama de fora) Léo. Ô, Léo. LÉO (Ao público) Era o Juninho. Meu amigo da outra rua. Chapa quente demais! (Para Juninho) Grande Juninho! Chega aí, amizade! JUNINHO E aí, mano? Tudo certo? LÉO Tudo. JUNINHO E aí, Vanessa. Firmeza? VANESSA (Apaixonada) Firmeza... (Os dois viram estátua e Vanessa faz a demonstração nos dois para o público) O Juninho é o menino mais lindo da escola. E o melhor amigo do meu irmão. Mas é muito diferente dele! Mais maduro... Não é criança que nem o Léo. Quando ele chegou, eu sabia que a brincadeira ia ficar mais legal. (Para Juninho) Juninho... JUNINHO Que foi? Que é que tá pegando? VANESSA O Léo não quer brincar comigo... LÉO Não quero mesmo. Você é menina. VANESSA (Nervosa) E daí? Meninas também brincam! LÉO E é pequena! VANESSA Só porque eu sou pequena você acha que... LÉO (Corta, zombando) Não vai chorar, hein? VANESSA Não vou chorar! JUNINHO Olha, posso falar uma coisa? Acho que a gente tá é perdendo tempo. Vamos brincar todo mundo e pronto! VANESSA Eba! (Já vai dando as mãos para eles, cantando) Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar... (Meninos não se mexem. Vanessa muda de música, eles continuam parados, sem paciência) A canoa virou, por deixar ela virar, foi por causa do Juninho que não soube remar... (Desiste) Vocês não se mexem! LÉO A gente não quer brincar de roda... VANESSA (Arruma as mãos dos meninos para a brincadeira) A-do-le-tá, lê peti, peti polá, lê café com chocolá, adoletá. Puxa o rabo do tatu, quem saiu foi tu. Saiu! Saiu! (Se diverte sozinha) LÉO Onde desliga essa menina, hein? A gente não quer brincar de adoleta!
  • 4. VANESSA (Elétrica) Casinha. Casinha. LÉO (Nervoso) Não falei? Brincadeira de menina! Ela só sabe brincar disso, Juninho! JUNINHO Calma, Léo! Que tal futebol? VANESSA Futebol! Futebol! Cadê a bola? Chuta para Vanessa, que passa para Juninho, que passa para Vanessa e é gol no Léo! É gooool!!!!! (Meninos encaram Vanessa) LÉO (Vencido) Tudo bem. Casinha. VANESSA Eba! LÉO Mas a gente manda, que a gente é mais velho. JUNINHO Você é a mamãe. VANESSA Tá bom. LÉO Eu sou o pai. VANESSA Eca! JUNINHO E eu... o filho mais velho. VANESSA Essa é a nossa casinha. Aqui é o quarto, a sala e a cozinha. LÉO Não tem banheiro nessa casa? VANESSA Tem... É... ali. Já está tudo arrumado. (Anuncia) Café da manhã! Vanessa arruma a mesa imaginária. Tomam café da manhã. VANESSA Come tudo, Juninho. JUNINHO Pode deixar, mamãe. VANESSA E veja se obedece o papai, hein? (Se arruma para sair) JUNINHO Por que? LÉO Como assim? VANESSA (Limpando a boca para sair) A mamãe vai sair pra trabalhar. LÉO Por que? VANESSA Porque eu trabalho fora, esqueceu? Já tem comida do fogão, a roupa já está lavada. Tchau. LÉO E eu?... VANESSA ... Você me ajuda muito em casa, enquanto está procurando emprego. LÉO Assim eu não quero brincar. VANESSA Ah, Léo... LÉO Eu não quero ajudar em casa! JUNINHO O meu pai ajuda... VANESSA O nosso também. Quando ele ficou sem emprego, só a mamãe é que trabalhava fora. Tchau. (Sai) LÉO Mas eu não quero. Eu não acho isso certo. JUNINHO Ela sair e a gente ficar? LÉO É... Ela devia ficar, tomar conta da casa. O pai é que sai pra trabalhar. JUNINHO A minha mãe também trabalha fora... LÉO Mas isso aqui é uma brincadeira! (Chama) Vanessa! Vanessa. Vem cá. VANESSA (Chegando) Eu não chamo Vanessa, chamo Bete. LÉO Que Bete? VANESSA A mãe. A mãe chama Bete. Se liga, Léo! LÉO Eu tô falando com a Vanessa! Olha. A gente acha que você devia ficar
  • 5. em casa... JUNINHO A gente não, ele... LÉO A mãe tem de cuidar dos filhos, obedecer o marido. VANESSA Por que? LÉO Porque é assim. VANESSA Quem falou? LÉO Nós! JUNINHO Ele... VANESSA Eu não concordo! LÉO A mulher tem de cuidar da casa. Lavar, passar, cozinhar. VANESSA Também pode trabalhar fora, sim. Pode estudar também. LÉO Na minha brincadeira, não. VANESSA A sua brincadeira é chata! LÉO Então a gente não brinca mais! JUNINHO Ainda bem que eu não tenho irmãos, viu? LÉO (para Juninho) Menina é tudo igual. VANESSA (Ao público) Menino é tudo igual. Bem que eu podia ter uma irmã... Cada um emburra de um lado. Juntam-se, um de cada vez, para cantar. LÉO (Canta) Lá em casa estava tudo muito bem Era só eu, e eu era o rei! Todos os brinquedos eram pra mim! Eu dizia alguma coisa Todos respondiam sim! Até que chegou essa menina. Quando chorava, ‘tava todo mundo em cima. Foi meu fim! VANESSA (Canta) Se eu soubesse como era duro Tinha ficado lá, naquele escuro. Tava quentinho, um silêncio bom O único barulho era de um coração. Mas sou curiosa, inventei de nascer! Dei de cara com esse chato Pra me aborrecer! OS DOIS Quem tem irmãos Sabe o que estou falando. E quem não tem Pode ir imaginando. LÉO Ela fala muito e não desliga Cada três conversas, uma é briga. Se eu quero a, ela quer b Eu sou mais velho: ela tem de obedecer!
  • 6. VANESSA Ele não tem paciência e é muito teimoso Por qualquer motivo vai ficando nervoso! Se eu quero a, ele vai querendo b Eu sou mais nova: ele devia me entender... OS DOIS Quem tem irmãos Sabe o que estou falando. E quem não tem Pode ir imaginando. Quem tem irmãos Sabe o que estou falando. E quem não tem Pode ir imaginando. LÉO Vem cá, Juninho. Me diz se eu não tenho razão! VANESSA Quem tem razão sou eu, não é não? LÉO O Juninho é meu amigo. Ele vai concordar comigo! VANESSA É meu amigo também! Não vem que não tem! OS DOIS (Cantam) Quem tem irmãos Sabe o que estou falando. E quem não tem Pode ir imaginando. JUNINHO Eu acho que vocês dois estão brigando à toa... Eu gosto dos dois, e queria ter irmãos como vocês, sem tirar nem pôr... VANESSA Quer ser nosso irmão, Juninho? Nosso irmão de coração? JUNINHO Vocês vão brigar comigo? LÉO É claro! JUNINHO Então eu quero! Riem e se abraçam, os três. JUNINHO Do que nós vamos brincar agora? LÉO Polícia e bandido! VANESSA Tô fora! Vôlei! (Fazem os gestos do jogo) LÉO Fubeca! (Fazem os gestos do jogo) JUNINHO Ping pong! (Fazem os gestos do jogo) LÉO Peteca! (Fazem os gestos do jogo) Cansam. VANESSA Ai, cansei. JUNINHO A gente podia brincar de escolinha. VANESSA Oba! LÉO (Reclama) Escolinha?... VANESSA Escolinha! Eu quero. Eu adoro brincar de escolinha. Não tem coisa
  • 7. melhor no mundo que brincar de... LÉO (Interrompe) Tá bom! Mas fica quieta! A Vanessa é a professora. JUNINHO Por que? LÉO Por que não? JUNINHO Eu quero ser o professor. LÉO (Rindo) Você? Professor? Pára com isso. Ai... JUNINHO Qual é o problema? LÉO Homem, professor? Brincadeira de escolinha tem de ter professora. VANESSA Ai! De novo essa história? LÉO Tem coisa que é pra homem, tem coisa que é pra mulher. JUNINHO Tem mulher que dirige caminhão, Léo! LÉO Eu não acho certo. VANESSA Mulher que pilota avião. JUNINHO Mulher que dirige empresa. Mulher que é astronauta. VANESSA Que é presidente da república! LÉO Eu sei de tudo isso. Eu não sou burro! VANESSA O Léo é assim mesmo. Ele não pensa muito pra falar as coisas... LÉO (Beliscando a irmã) Já falei pra não me provocar. VANESSA Aaaaaaiiiii!!!! JUNINHO O que você fez, Léo? VANESSA Ele me beslicou. LÉO Não belisquei! VANESSA Beliscou! Olha aqui, ó, tá ficando roxo! Olha, Juninho... JUNINHO Tá feio mesmo... LÉO Frescura! VANESSA Eu vou contar pra mãe! LÉO Não vai, não. VANESSA Vou, sim. LÉO Não vai, não. VANESSA Vou. E ela vai te colocar de castigo. LÉO Se você contar, eu nunca mais deixo você brincar na minha cabana. VANESSA A cabana é nossa. LÉO É minha. Fui eu que ganhei de aniversário. VANESSA Eu vou contar... LÉO Se você contar eu não deixo mais você acender a lâmpada de noite. Vai ter de dormir no escuro, cheio de monstro. E eu vou assustar você. JUNINHO Não faz assim com a menina, Léo... VANESSA Além de beliscar a gente, fica ameaçando! JUNINHO Ele não vai mais fazer isso, Vanessa. Eu não vou deixar. VANESSA (Romântica) Obrigada, Juninho... JUNINHO E aí? Vai brincar com a gente ou não vai? LÉO O que eu vou ser? VANESSA Aluno. LÉO De jeito nenhum! Acabei de sair da escola, quero folga! JUNINHO Vai ser o diretor, então. LÉO O que é que o diretor faz? VANESSA O diretor... ele... dirige! Ele... fica sentado na cadeira e... fica dirigindo
  • 8. tudo de lá. LÉO Não quero! JUNINHO (Pensa) Dono da cantina. LÉO Melhorou! Taí uma coisa que eu gosto. Dinheiro! (Montando a cantina, de mentirinha) Venham todos, venham todos. (Faz os gestos, mostrando onde e como estão dispostos os produtos) Coxinha, empadinha, pastel! Bolinho, tortinha, pão de mel! Balas, bolachas, biscoitinhos - e eu, só recebendo o dinheirinho! Venham todos. VANESSA Ainda não é hora do recreio. LÉO Ah, não? Tá bom. Então é hora de estudar. (Imita o sinal da escola) Vanessa e Juninho já estão a postos como professor e aluna. JUNINHO Vanessa, qual é o feminino de... doutor. VANESSA Doutora! JUNINHO Muito bem! O feminino de rei. VANESSA ...Rainha! JUNINHO E o feminino de... juiz? VANESSA (Pensa, pensa, mas não sabe) ...É... (Pede ajuda para a platéia) É... juiza! JUNINHO Certo! VANESSA Mais pergunta, mais pergunta. JUNINHO Vanessa, se você um dia, for passear com a sua mãe na cidade, e se perder, o que você deve fazer? LÉO Ela vai sentar e chorar! JUNINHO Você tá na cantina, Léo. O que você faz, Vanessa? VANESSA Procuro um guarda. JUNINHO Certo! E daí? VANESSA (Pensa. Parece uma gincana)... Eu peço ajuda. JUNINHO Como? VANESSA Falando o número do meu telefone, que eu sei de cor. E também sei o meu endereço, desde que eu era desse tamaninho! JUNINHO Muito bem. VANESSA Mas eu não posso falar pra qualquer um o meu telefone e o meu endereço. Minha mãe não deixa. JUNINHO Gostei de ver, Vanessa. Você parece uma moça! VANESSA (Romântica) Obrigada, Juninho... LÉO Que aula mais chata! (Imita o sinal) Hora do recreio! Venham todos, venham todos. Cachorro quente, misto quente, chiclete, sorvete! VANESSA Nossa! Que gritaria! LÉO A cantina é minha, eu vendo como eu quiser! O que você vai querer? VANESSA Então eu quero um pastel. LÉO De que? VANESSA De... LÉO (Entregando o pastel) Cebola, tó. (Para Juninho) E você, o que vai querer? JUNINHO Um cachorro quente... (Léo entrega o lanche) VANESSA Quanto é? LÉO Sete reais.
  • 9. VANESSA Que cantina cara! (Paga com dinheiro imaginário) Toma. Dez reais. LÉO Seu troco. Dois reais. VANESSA (Recebe e confere) Tá errado. Eu te dei dez pra cobrar sete. Dez menos sete é três. LÉO E daí? VANESSA Você me deu só dois. LÉO Toma um real em bala. VANESSA Eu quero em dinheiro. LÉO É a mesma coisa. VANESSA Não é. A mãe falou que o troco tem de ser em dinheiro. LÉO (Entrega) Toma! (Para Juninho) E o seu é dois e cinqüenta. JUNINHO (Pagando) Tá aqui. Dois reais e uma bala. LÉO Eu quero em dinheiro. JUNINHO Você não falou que é a mesma coisa? (Juninho e Vanessa riem) LÉO (Imita) Você não falou que é a mesma coisa? Ah, Juninho, pára de graça! VANESSA (Zombando) Não fica nervoso, Léo! LÉO Eu não tô nervoso! VANESSA Tá, sim. (Juninho e Vanessa riem mais) LÉO Chega. Eu não tô mais brincando. JUNINHO Você não gosta de nada! LÉO Escuta aqui, Juninho. Você é meu amigo ou é amigo dessa aí? JUNINHO Sou amigo dos dois. LÉO Só que eu te conheço há mais tempo. Nós somos meninos, temos a mesma idade, estudamos na mesma classe. JUNINHO E?... LÉO Acho que você devia ser mais amigo meu do que dela. JUNINHO Vamos combinar assim: na escola, na classe, eu sou seu melhor amigo. Quando eu brincar só com a Vanessa, sou amigo dela. Quando estiver com os dois... VANESSA (Corta) Léo, você tem de aprender a dividir. LÉO Só se eu cortar o Juninho ao meio! Brincam de dividir o amigo. Vanessa puxa por um braço, Léo pelo outro, dizendo “Ele é meu”, “O Juninho é meu!”. Todos acabam rindo. JUNINHO Tá bom. Do que a gente vai brincar agora? LÉO Eu quero brincar de médico! VANESSA e JUNINHO Oba! LÉO Eu sou pediatra. VANESSA Que nem o doutor Fernando?! LÉO É. Eu cuido de crianças. VANESSA E você, Juninho? JUNINHO Eu... quero cuidar de... gente que quebra o osso. Como é que chama, mesmo? Aquele que coloca gesso. LÉO (Exibido) Ortopedista! JUNINHO Ortopedista, isso.
  • 10. VANESSA E eu quero ser a médica que cuida... dos animais! JUNINHO Veterinária?! LÉO Não pode. VANESSA Por que? LÉO Porque é brincadeira de médico de gente! LÉO Você vai ser a paciente, pronto. VANESSA Ah, não quero ser a paciente... LÉO Todo médico precisa de um doente, senão não dá pra brincar! Vai. Faz de conta que você quebrou o braço. Quem você procura? VANESSA (Ainda sem gostar muito de ser paciente) O Juninho... LÉO Doutor Juninho! VANESSA Doutor Juninho... LÉO Vai lá, então. JUNINHO Boa tarde. VANESSA Boa tarde. JUNINHO Qual é o seu nome? VANESSA Bete. JUNINHO Quantos anos você tem? VANESSA Sete. Quer dizer, nove. JUNINHO E o que aconteceu com o seu braço? VANESSA Eu fui descer a ladeira lá de casa com a bicicleta. É uma ladeira muuuito grande e cheia de palare, parare, palale... JUNINHO Paralelepípedos. VANESSA Isso! É cheia disso e eu fui descendo e precisava apertar o freio. Daí eu fui apertar o freio e... ele não funcionou. E eu vi o chão vindo na minha direção. Eu caí, tchum. Em cima do braço. JUNINHO Vamos examinar. (Mexe delicadamente no braço dela) VANESSA Ai! JUNINHO Dói muito? (Vanessa confirma) Deixa eu ver o raio X. (Olha o exame) É... acho que quebrou. Vamos ter de engessar. VANESSA Vou ter de tomar injeção? JUNINHO Acho que não. VANESSA Eu não ligo de tomar injeção. JUNINHO Não precisa. Só gesso. Juninho finge que engessa o braço de Vanessa. JUNINHO Pronto. VANESSA Eu tenho prova na escola. Como é que vou escrever? JUNINHO A professora vai te ajudar. O importante é você não faltar, tá bom? LÉO E agora você tem de ir ao pediatra! JUNINHO E agora você tem de ir ao pediatra... VANESSA Tchau, doutor Juninho. Vanessa vai até o “consultório” de Léo.
  • 11. LÉO Boa tarde. VANESSA Boa. LÉO O que você está sentindo, Vanessa? VANESSA ... LÉO Vanessa... VANESSA Eu não sou a Vanessa, sou a Bete. LÉO O que você está sentindo? VANESSA Nada. Eu vim aqui porque você mandou. LÉO Você tem de sentir alguma coisa, senão não tem brincadeira! VANESSA Tô sentindo... (Juninho aponta o braço engessado) O que? Ah! Tô sentindo dor no braço que quebrou. LÉO Abre a boca e fala “A”. VANESSA A dor é no braço! LÉO Abre a boca e fala “A”. VANESSA (Obedece) A. LÉO Humm... VANESSA Que foi? LÉO Nada... Agora vamos ver a barriga. VANESSA Não tenho nada na barriga. LÉO Mas precisa ver. (Apalpa a barriga) VANESSA Ai. Não faz cócega. Eu não gosto de cócega. LÉO Tô examinando. (Apalpa a barriga) VANESSA Não gostei desse exame. LÉO Ai, meu Deus! A paciente não tem que gostar ou não gostar! VANESSA Eu não gostei. LÉO Você não gosta de nada! Vamos ver o braço. (Apalpa o braço) VANESSA Ai! LÉO Que foi agora? VANESSA É o meu braço quebrado, esqueceu? LÉO Desculpa. Então vamos ver o pé. VANESSA Meu pé tá bom! LÉO E a perna, como tá? (Apalpa a perna) VANESSA A perna tá boa também! LÉO Não sei, não... VANESSA Pode parar. A perna tá boa. LÉO Preciso examinar direitinho. VANESSA Ai, Léo. Não quero brincar mais disso. LÉO Por que? VANESSA Não gosto que fiquem pondo a mão em mim. LÉO Tá machucando por acaso? VANESSA Não. LÉO Então? (Apalpa a perna) VANESSA Então que eu não acho certo que ponham a mão em mim, Léo! LÉO Eu não sou qualquer um. Eu sou seu irmão! VANESSA E daí? LÉO E daí que é diferente. Você não acha, Juninho? JUNINHO Eu não acho nada...
  • 12. VANESSA Como não acha nada? Você deixa qualquer um por a mão em você? JUNINHO Eu não! VANESSA A mãe falou que ninguém, mas ninguém mesmo pode pôr a mão em mim se eu não quiser. LÉO Mas eu sou irmão mais velho, eu posso! JUNINHO Acho que mesmo assim, não pode não. Quem manda no corpo da gente é a gente, Léo... LÉO Não posso nem encostar! VANESSA Encostar é diferente de beliscar, de passar a mão, de apertar. LÉO Mas você falou que não tava machucando. VANESSA Mesmo se for carinho, se eu falei que não quero é pra parar. LÉO Você sempre estraga tudo, né, Vanessa? Ou é Bete? VANESSA É Vanessa agora. E se você fizer de novo eu vou falar pra mãe. LÉO A mãe não tá em casa. VANESSA Eu falo pra vizinha. LÉO A vizinha tem cachorro que morde! VANESSA Eu falo pra moça do posto! LÉO Ela tá dando vacina. VANESSA Eu falo pro guarda. LÉO Ele tá prendendo ladrão. VANESSA Então sabe pra quem eu vou falar? Sabe pra quem? Pra professora. Que a professora tá na escola, ela tá dando aula, eu vejo todo dia, ela te conhece, ela gosta de mim, ela vai te chamar e vai te dar uma bronca! JUNINHO Boa idéia, Vanessa! LÉO Não vai! VANESSA A prô falou que se estiver acontecendo coisa que a gente não gosta em casa ou em qualquer lugar, a gente pode contar pra ela! LÉO Pra professora não vale... VANESSA Eu conto! LÉO Tá bom... eu vou tentar não brigar mais com você... VANESSA Nem vai fazer coisas que eu não gosto. LÉO Tá bom. JUNINHO Então acho que vocês têm de ficar de bem agora. LÉO Foi ela quem brigou, ela que tem de pedir pra ficar de bem... VANESSA Foi ele que me provocou, ele que pede... JUNINHO Vamos, gente! LÉO Eu te desculpo... se você me desculpar... VANESSA Desculpa você primeiro. LÉO Não! Desculpa você! JUNINHO Os dois desculpam ao mesmo tempo! VANESSA Que bom! (Abraça Léo) Assim a gente pode brigar outra vez! (Riem) Dá o dedinho! (Dão-se os dedinhos) Se abraçam, abraçam Juninho, pulam, se provocam. VANESSA Vamos brincar de novo? LÉO Vamos! De que?
  • 13. VANESSA De alguma coisa em que a gente seja igual. JUNINHO Isso mesmo! LÉO Tá bom... JUNINHO Ih... Mas tá escurecendo. Tenho de ir embora... LÉO Ai, pára com isso, Juninho! JUNINHO Amanhã eu levanto cedo pra ir pra escola! (Vanessa dá risada) Que foi? VANESSA Amanhã é sábado! OS TRÊS Hoje é sexta feira! VANESSA Um, dois, três e... OS TRÊS Sexta-feira!!! (Batem a palma da mão entre si) Retomam o rap inicial. OS TRÊS Eu adoro esse barulho, Eu adoro esse sinal! Ainda mais se é sexta-feira, e eu estudei a semana inteira! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Já fiz a lição - sem ninguém mandar. Ajudei em casa – sem ninguém mandar. Tomei banho, comi, escutei, obedeci. E então o que eu quero depois do sinal? Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Todo mundo tem direito de estudar E tem direito de brincar também! Não importa a cor, nem a religião. Não importa o dinheiro, nem a condição! Na nossa brincadeira todo mundo é igual! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Eu adoro esse barulho, Eu adoro esse sinal! Ainda mais se é sexta-feira, e eu estudei a semana inteira! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! Rua! Quintal! FIM