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Índice 
Capa 
Com a combinação de teatro e educação, o coletivo 36Barra38 prepara jovens para o universo da atuação. 
Editorial 
Música 
Crônica 
Ilustração 
Literatura 
CAPA 
Rayssa Carvalho, aluna do curso de teatro / Fotografia por Adriane Ribeiro 
Estamos aqui na redação refletindo sobre o que é arte. Quer saber a conclusão? Espie só. 
Confira entrevista com a banda Victor Não Gosta e veja o porquê você pode gostar deles. 
A estudante Thayná Barbosa narra o conto de uma menina e de um cachorrinho que têm histórias bem parecidas. 
Com apenas 15 anos, Lola está escrevendo 
um livro. Saiba como ela começou esta empreitada e qual é a história que ela quer contar. 
Veja desenhos produzidos por ex-aluno do 7 com a ajuda da computação gráfica. 
11 
5 
6 
10 
16 
18
Coluna 
Listas 
Fotografia 
Confira o trabalho fotográfico do estudante Emanoell Porto Nobre e conheça suas táticas para tirar fotos artísticas usando apenas o celular. 
A aluna Karina Albuquerque opina sobre a “moda” do funk Ostentação. 
Dez frases que expressam a opinião de 
artistas sobre seu ofício. 
20 
24 
25
Editora e diretora responsável: Daniele Ribeiro 
Redação: Daniele Ribeiro e Cesma Alves 
Revisão: Eveline de Assis 
Editor de arte: Daniel Rodrigues 
Diagramação: Daniel Rodrigues 
Fotografia: Adriane Ribeiro 
Produção: Cesma Alves 
Supervisão: Rodrigo Lins 
Distribuição digital gratuita 
artno7 — REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA 
é uma publicação única feita exclusivamente para o Centro Educacional nº 7, Área Especial — Setor M Norte EQNM 36/38 Conjunto B — Taguatinga Norte, Brasília/DF, 72145-617 
(61) 3901-8206 
http://ced07taguatinga.blogspot.com.br/
editorial 
Se Expresse! 
O que é arte? O que é arte se não a materialização das expressões humanas? 
Sim, arte, esta palavra usada de forma tão refinada tem um significado mui-to 
simples: expressão. E quem de nós não se expressa? Todos nós exalamos 
emoções o tempo todo. Exteriorizamos os nossos pensamentos e sentimen-tos, 
defendemos nossas opiniões, enfatizamos o nosso ponto de vista... 
Arte nada mais é que dizer a sua verdade. E a sua verdade pode ser a verdade 
de outra pessoa, de um grupo de pessoas, de uma comunidade, de um país. 
Por isso, se expresse! Cante, toque, pinte, escreva, atue, grave, desenhe, 
fotografe. Arte é felicidade e é tristeza. Arte é o que te toca e conversa com 
sua alma. Isso é arte: uma conversa de almas. 
Nesta edição única de Artno7, vamos dar espaço para os artistas do Centro 
Educacional nº 7 de Taguatinga Norte mostrarem seus trabalhos e vamos in-centivar 
você, que quer ser um artista, mas pensa que isso é impossível, a 
começar a expressar a sua verdade. Afinal, o próximo sucesso mundial pode 
estar aí, na sua escola, e pode ser você. 
Daniele Ribeiro 
Editora e Diretora Responsável 
5
música 
Do que o Victor Gosta? 
A banda formada pelos amigos músicos e que começou 
na escola só tem certeza de uma coisa: música é o 
que eles gostam 
6
Os três amigos John Rocha (18), Victor Hugo Gomez Melo (18), e Victor Silva (19), formaram a banda Victor Não Gosta, há 10 meses. 
O grupo surgiu para atender aos espetáculos do grupo de teatro da escola e, durante os intervalos dos ensaios teatrais, faziam sessões musicais misturando suas músicas preferidas. Quando se deram conta, já eram uma banda com nome, rotinas de ensaios e estilo musical definido... quer dizer, nem tanto. 
Confira uma entrevista com os integrantes Victor Hugo, baterista e estudante do terceiro ano do ensino médio do 7, e Victor Silva, ex-aluno e guitarrista do trio, na qual eles falam sobre a cultura nas escolas, juventude, futuro musical e a mistura de estilos da banda. 
• 
Como vocês se conheceram? 
Victor Silva: Eu e o Victor Hugo nos conhecemos há quatro anos, quando fazíamos o ensino fundamental, mas formamos essa banda quando entramos para a seleção do grupo de teatro da escola. Já o nosso baixista, John, caiu de paraquedas na banda. Ele não estudava na escola, mas veio para o mesmo processo de seleção do grupo de teatro. Como ele não pôde se manter no grupo, devido a sua agenda pessoal, um tempo depois chamamos ele para participar da banda. 
Victor Silva (Guitarrista) 
7
• 
Qual o estilo musical da banda? Quais são as suas influências? 
Victor Silva: Somos influenciados por vários estilos musicais, Victor Hugo, o nosso baterista, traz referencias do heavy metal. O John, é influenciado pelo rock nacional dos anos 70. Já eu gosto dessa coisa mais jazz e MPB, mas podemos dizer que o que deu dessa mistura foi rock, um rock sem definição certa, mas é rock. 
Nós trazemos influências de tudo na verdade, de blues ao funk, de bossa nova ao samba, nos ensaios, às vezes a gente começa uma música no samba e terminamos no heavy metal, nos divertimos muito. 
• 
Como os alunos e os professores enxergam o fato de vocês terem uma banda que foi formada na escola? 
Victor Hugo: Meus amigos da escola acham sensacional eu ter uma banda, eles também gostam de rock então eles acham divertido, eu sempre chamo eles para os ensaios da banda e para os shows. Os professores também acham interessante e gostam muito, na escola eu sou o único que vai fazer faculdade de música. 
Victor Silva: A direção da escola é muito aberta para os projetos sociais e não é só focado para os alunos daqui, é aberto a comunidade, e agradecemos muito por ter esse espaço aqui. 
• 
E você sentiu algum diferença nas suas atividades escolares depois que começou a ensaiar com a banda? 
Victor Hugo: Senti muito efeito com relação à minha disciplina, na bateria você tem que ter muita disciplina com o instrumento, músico indisciplinado não vai pra frente, então eu apliquei essa disciplina também nos deveres de casa. A música facilita muito o entendimento das coisas, hoje eu vejo tudo com mais simplicidade. Na música, você entende todo o processo, tudo que está acontecendo e é mais fácil trazer isso pra sua vida de uma forma geral. 
• 
Vocês acreditam que as escolas deveriam investir mais em atividades culturais como a música? 
Victor Silva: Sim, com certeza. A mídia mostra assuntos que estão em evidência. As rádios tocam apenas um ou dois estilos de música, os estilos que estão mais estourados no momento, a TV também é limitada, então a escola tem esse espaço para educar os jovens e deve investir nisto sim. 
8 
• 
E como vocês se veem no futuro? Pretendem continuar a carreira musical? 
Victor Hugo: Da forma que estou tocando agora, eu me tornei um músico de sessão. Eu me vejo gravando em estúdio, sendo um músico contratado por outros músicos para participar da
Victor Hugo (Baterista) 
9 
gravação de um disco, fazer shows, etc. E eu já estou sendo chamado para fazer esses trabalhos. 
Victor Silva: Minha profissão original é programador, mas nestes anos todos trabalhando com música, eu percebi que posso trabalhar com algo voltado pra produção ou até mesmo trabalhar com outras mídias como o rádio, podcasts e produções teatrais. O que tiver envolvimento com produção musical, eu quero fazer.
crônica 
Maria Inês mora em um bairro pobre 
e distante, sua vida não é fácil. A me-nina 
vive em uma casa de dois cômo-dos, 
com a mãe e os quatro irmãos, 
sendo dois irmãos mais velhos do que 
ela, e dois irmãos mais novos. 
Um certo dia, andando pelas ruas de 
seu bairro, ela achou um cachorro 
abandonado. O bichinho estava feri-do 
e faminto. Maria Inês ficou mui-to 
triste, pois não poderia pegá-lo. 
Por mais que quisesse, ela não teria 
condições de cuidar do animal. A ga-rota 
também não tinha mesa cheia 
em casa, e nem uma cama quentinha 
para dormir. Dividia um colchão com 
seus dois irmão mais novos, enquanto 
sua mãe e os outros irmãos dormiam 
onde dava. 
Ela, então, teve uma grande ideia. 
Tirar várias fotos do cachorrinho e 
dar informações sobre ele no Face-book, 
com a esperança de alguém 
querer adotá-lo. A menina recebeu 
muitas curtidas, comentários e com-partilhamentos 
na rede social, toda 
a comoção foi bem além do que ela 
esperava. 
Foi aí que apareceu Cristina, sua ami-ga 
de escola desde a primeira série. 
A amiga tinha uma condição de vida 
melhor e ficou muito impressionada 
com a história do animal abandonado 
e doente. Cristina resolveu adotá-lo. 
Hoje, meses depois do acontecido, o 
animal está saudável, feliz e com as 
vacinas todas em dia. Tem todo o ca-rinho 
e o amor de sua dona. 
Maria Inês continua na mesma situ-ação 
em que estava. Nada mudou 
em sua casa. Ela ainda não tem uma 
mesa farta, e ainda divide o colchão 
com os irmãos mais novos na hora de 
dormir. Sua mãe agora tem dois em-pregos, 
para tentar melhorar a vida 
da família, mas ela e os dois irmãos 
mais velhos ainda dormem onde dá. 
Mas tudo bem, o Facebook como uma 
rede social que muitas vezes parece 
não ter utilidade, pode despertar so-lidariedade 
nas pessoas. Ajudou o ca-chorrinho 
a ter casa e comida. 
Quem sabe um dia não ajude a famí-lia 
da Maria Inês também. 
O cão e o Facebook 
Por Thayná Barbosa 
17 anos, aluna do primeiro ano 
do ensino médio 
10
teatro
De 
Viúva 
a Russo 
Aberto aos estudantes e jovens da comunidade, o Núcleo Permanente de Teatro, 
36Barra38 é a “menina dos olhos” dos alunos e professores do 7. Saiba como surgiu 
o grupo e conheça as estrelas do projeto 
Há exatos três anos o professor e en-tusiasta 
cultural Adalto Serra rece-beu 
o convite dos gestores do 7 para 
montar um grupo teatral na escola 
que ensinasse aos alunos a arte da in-terpretação. 
A atividade, que deveria 
ser em horário contrário ao das aulas, 
não estaria na grade curricular dos 
estudantes, ou seja, não seria obri-gatória 
e nem valeria nota. Se inscre-veriam 
apenas os alunos interessados 
em aprender e a montar peças. Sur-gia 
assim o 36Barra38, coletivo ar-tístico 
que é o maior orgulho do 7. 
Desde que iniciou as atividades em 
um teatro improvisado na escola, o 
grupo já produziu três espetáculos: 
Os Sete Gatinhos e Viúva, Porém 
Honesta, obras do escritor e drama-turgo 
Nelson Rodrigues — adaptadas 
pelo diretor e professor Adalto — e 
12
Russo, drama musical baseado na 
vida e obra do líder da banda Legião 
Urbana, Renato Russo, escrito e diri-gido 
pelo próprio educador. 
E a intenção é continuar a todo o va-por. 
O coletivo pretende melhorar a 
estrutura do teatro para expandir as 
apresentações ao maior número de 
espectadores possíveis e investir em 
divulgação dos espetáculos produ-zidos 
por eles. Atualmente, o grupo 
composto por 12 pessoas, entre alu-nos, 
ex-alunos e jovens da comuni-dade, 
abre inscrições para seleção 
de novos integrantes todos os anos. 
Então fique ligado no mural da esco-la 
para saber quando será a próxima 
seleção. 
Futuros Astros 
Estudante do segundo ano do ensino 
médio, Matheus Melarva, 16 anos, 
começou a se interessar por atuação 
desde muito cedo. Influenciado pelos 
artistas da TV, fez curso para repre-sentação 
circense ainda na infância, 
mas foi somente no ano passado que 
o adolescente encontrou a oportu-nidade 
que esperava. “Quando vi o 
anúncio no mural da escola, chamei 
todos os meus amigos para participa-rem. 
Apesar da desistência deles, eu 
fiquei porque gosto muito das aulas 
e deste mundo do teatro”, comenta. 
Tendo atuado em duas peças produ-zidas 
pelo coletivo — Viúva, Porém 
Honesta e Russo, o ator já consegue 
se ver nos grandes palcos e até sabe 
o gênero de atuação que quer seguir. 
“Me identifiquei muito com a comé-dia, 
o drama me deixa deprimido. Se 
eu me dedicar ao teatro profissional, 
pretendo ir para o rumo da comédia. 
Me faz bem”, afirma. 
De acordo com o jovem, é impor-tante 
ter esse espaço para manifes-tações 
artísticas nas escolas. “Assim 
como os esportes são incentivados 
nas escolas, o teatro também deve-ria 
ser. Teatro e esporte deveriam ter 
o mesmo espaço e o aluno ter a op-ção 
de escolher qual atividade quer 
fazer”, explica. 
Além de atuar, o adolescente preten-de 
fazer faculdade de Psicologia. A 
certeza de que o teatro sempre esta-rá 
presente em sua vida, é concreta. 
“Eu nunca vou abandonar o teatro, 
sempre irei assistir e fazer peças. 
Quando for psicólogo, vou recomen-dar 
para os meus pacientes que fa-çam 
teatro. Se me ajudou, pode aju-dar 
a qualquer pessoa”, finaliza. 
13 
Matheus Melarva (Aluno) Acervo 
pessoal
Um líder com visão 
Companheira de palco de Matheus, 
a adolescente Rayssa Carvalho, 16 
anos, aluna do 7 e uma das estrelas 
do espetáculo Russo, ingressou no 
36Barra38 no começo de 2013. Para 
a jovem, o curso só trouxe benefícios 
para a vida pessoal e escolar. “Antes 
de fazer teatro, eu era muito fecha-da. 
Hoje sou muito mais espontânea. 
Até para apresentar trabalhos na 
sala, já não tenho mais aquela timi-dez. 
Aprendi a me comunicar com as 
pessoas”, conta. 
A estudante acredita que este espaço 
para as artes nas escolas é incenti-vador 
e que pode mudar realidades. 
“Muitos alunos procuram uma opor-tunidade 
de fazer algo diferente, 
além de ficarem em casa só fazendo 
o dever de casa. Estudar é importan-te 
mas as atividades culturais acres-centam 
cultura à vida”, explica. 
Aliás, a moça já tem planos para o 
futuro profissional. “Eu pretendo 
levar o teatro como profissão. Que-ro 
fazer faculdade de artes cênicas. 
Mas tenho consciência de que preciso 
lutar muito para ter reconhecimento 
como atriz”, destaca. 
Em relação à importância dos jovens 
terem proximidade com a arte, a 
atriz é enfática: “Hoje em dia, os jo-vens 
só gostam de festas e baladas. 
Em uma peça de teatro, você tem 
contato com suas emoções mais pro-fundas. 
Isso não acontece em uma 
festa. Por isso recomendo a todos 
que venham ao teatro”, completa. 
Formado em artes plásticas e artes 
cênicas pela Universidade de Brasí-lia, 
o ator, diretor e professor Adalto 
Serra, 37 anos, está à frente do pro-jeto 
de levar arte para escolas públi-cas 
do Distrito Federal há seis anos. 
Adepto do modelo de educação hori-zontal 
— ensino em que o professor e 
os alunos estejam no mesmo nível de 
participação nas aulas, ele acredita 
que essa é a forma de ensino do fu-turo. 
“É assim que você conquista as 
pessoas, você as faz se sentirem par-te 
do processo. É muito chato para o 
aluno que não sabe nem para que ele 
está aqui”, ressalta. 
Segundo o professor, as aulas de 
teatro no coletivo são conduzidas 
14 
Rayssa Carvalho (Aluna)
15 
na maior parte do tempo na prática, 
inserindo os princípios teóricos jun-tamente 
com a elaboração das ati-vidades. 
“Estudar teatro é produzir 
teatro. Peça é para ser vista e para 
ser feita. Não acho legal eu chegar 
para eles e dar aulas sobre teorias do 
teatro. A prática é muito melhor”, 
acrescenta. 
O líder do grupo também defende 
um encaminhamento mais sensível 
em relação ao ensino nas escolas. 
“Depois de um tempo, você compre-ende 
que o papel da escola é este, 
formar um cidadão crítico, sensível e 
que consiga dialogar com o mundo de 
uma maneira mais humana. O teatro 
é uma ferramenta muito poderosa 
para não transformar a educação em 
uma educação vazia”, complementa. 
Acervo de figurino do grupo 
Abertura da peça Russo 
Ensaio da peça Russo 
Adalto Serra (Professor) Acervo pes-soal
ilustração 
Computação gráfica 
também é arte 
O ex-aluno do 7, César Fernandes 
Azenha, desde pequeno adora de-senhar. 
O estudante sempre utilizou 
papel e lápis de cor como ferramen-tas 
para expressar suas ideias. 
Em 2009, mesmo ano em que se for-mou, 
iniciou seus estudos nas dispi-clina 
de computação gráfica. A partir 
daí, o fascínio pelo desenho tomou 
novas formas. Agora, ele desenha uti-lizando 
o Adobe Illustrator, programa 
de computador usado para desenhos 
digitais. 
Confira abaixo, os trabalhos produzi-dos 
por meio dessa ferramenta mo-derna. 
Holden Efijy (2011) 
16
Batman (2011) 
Xadrez (2010) 
Olivia Dunham (2013)
literatura 
A Menina que 
Escreve Livros 
A adolescente Lola encantou-se pelo mundo dos livros aos 8 anos. Aos 14 
começou a escrever. Agora, ela se prepara para o maior desafio de sua vida 
18
Aos 15 anos de idade e com uma extensa lista de escritores preferidos — de Machado de Assis a Caio Fernando Abreu — a estudante Lorrayne Damasio, do segundo ano do ensino médio, decidiu colocar no papel toda sua inspiração literária e escrever o seu próprio romance. 
Mas, não se engane. Lola, como é conhecida entre os amigos, não é uma novata na arte da escrita. A moça já produziu 25 trabalhos entre poemas, sonetos e contos. Para o seu primeiro livro, ela se inspira no escritor norte- americano de livros juvenis John Green — autor de títulos como A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel — e nos ensinamentos dele para jovens escritores por meio das redes sociais. 
Com o título provisório de A Maldição das Famílias, a história tem tudo a ver com o universo em que a estudante vive: adolescência, escola, paixão, romance e rejeição. “A personagem principal chama-se Gabrielle, ela é descendente de nativos americanos, tem 17 anos e é bem popular na escola”, explica. 
Mas, como toda boa trama, esta também é cheia de reviravoltas e mistérios. “Um dia, aparece um garoto britânico na escola, bem misterioso. Gabrielle tenta se aproximar, mas ele se afasta. Tem uma maldição envolvendo a família dos dois, só que ela não sabe ainda”, revela. 
Na escola, a escritora encontra todo o apoio dos amigos e professores para aprimorar seu talento. “Quando estão apaixonadas, as minhas amigas logo me pedem para escrever poemas ou sonetos para os amados. Os professores também ajudam muito, revisando meus textos e dando toques”, acrescenta. 
Fora da sala de aula, uma outra parte do colégio também tem sido fundamental para a garota desenvolver o livro. “A biblioteca é meu lugar preferido, é muito calma e tem um espaço ótimo. Sempre tem livros novos e eu já encontrei vários que serviram para minhas pesquisas e estudos”, comenta. 
Para aqueles que querem começar a criar histórias, a escritora dá a dica: “Escrever é como abrir uma realidade fora a sua. Eu indico a todos, mesmo que não saibam escrever ou que não sejam fanáticos por livros como eu, que peguem uma folha e deixe fluir. Alguma coisa boa vai sair”, finaliza. 
O livro A Maldição das Famílias, terá em torno de 450 páginas e está previsto para sair no final do ano que vem. 
19
fotografia 
O click perfeito 
É possível tirar fotos artísticas usando apenas o celular? Jovem 
fotógrafo, aluno aqui do 7, prova que sim. E ele está no caminho certo 
para se tornar um profissional de sucesso 
O estudante do segundo ano do ensi-no 
médio, Emanoell Porto Nobre, de 
16 anos, começou a se interessar por 
fotografia desde que viu uma câme-ra 
digital jogada em casa e decidiu 
fotografar tudo o que chamava aten-ção 
em seu cotidiano, desde flores 
que decoravam seu jardim a pessoas 
caminhando nas ruas. Este interesse 
em “congelar” a imagem foi crescen-do 
a cada click e com a evolução da 
qualidade das câmeras dos celulares, 
levar um dispositivo fotográfico para 
onde quer que fosse se tornou muito 
mais prático e aprimorou o olhar do 
jovem para a captura do momento 
perfeito. Hoje, matriculado em um 
curso de fotografia e com o olhar 
20
bem treinado, ele garante: não é preciso ter um equipamento profissional para conseguir um bom resultado nas fotos. Leia a entrevista com o estudante e confira alguns de seus trabalhos fotográficos. 
• 
O que você mais gosta de fotografar? 
Gosto de fotografar tudo o que me chama atenção: pessoas, paisagens, flores e situações que somente eu mesmo irei entender. 
• 
Como você sabe que o momento que você está vivenciando é um momento perfeito para uma foto? 
Eu sempre componho minhas fotos antes de tirá-las, na minha cabeça eu já imagino como a foto ficará, crio uma história, coloco as situações em um contexto que vá funcionar para ela, e geralmente dá certo. Às vezes o cenário já está feito pela própria natureza e eu só registro a imagem. 
• 
Você acredita que um equipamento profissional influência na qualidade da foto ou o olhar do fotografo é mais importante no trabalho de composição das imagens? 
Entendo que a qualidade de uma câmera profissional é superior e às vezes isso é cobrado de mim no meu curso de fotografia, mas entre uma câmera profissional e um celular, 
21
eu ainda prefiro o celular por ser mais prático e mais leve. Por exemplo, se eu precisar subir em uma árvore para registrar uma situação de um outro ângulo, com a câmera profissional seria muito mais difícil, pois não é uma câmera prática. Com o celular, eu registro tudo rapidamente e a qualidade também é muito boa. 
• 
Lembra de algum momento que rendeu uma foto que mais lhe marcou? 
Uma das minhas preferidas é uma foto que eu tirei de uma idosa, ela estava querendo sorrir mas não conseguia, me dava a impressão de que ela queria ser feliz mas não podia, pois esta senhora já passou por tanta dor que estava imersa em muitas mágoas. Eu consegui transmitir tudo isso pela fotografia, a imagem ficou muito sensível e forte. 
• 
Você se inspira em algum fotógrafo famoso, músicas ou filmes para fotografar? 
Fotógrafo famoso, não. Eu evito procurar o trabalho de fotógrafos famosos, pois se eu ver uma coisa, vou querer fazer igual. Mas, em música sim, eu me espelho muito em música e o que ela me passa. Fui fazer um ensaio de uma amiga e me inspirei em uma música da Ana Larousse chamada Vai, Menina, e eu consegui transmitir o olhar que tenho desta música através desse ensaio. Faço muito isso. 
• 
Quais as suas aspirações para o futuro? Você acredita que ainda estará nesta área artística? 
Sim, com certeza pois a fotografia me faz muito bem. O trabalho é cansativo pois, depois de tirar as fotos 
22
eu tenho que escolher as melhores, observar a qualidade delas e editar. Mas, depois do trabalho concluído eu tenho uma sensação tão boa que todo o cansaço e o estresse não são nada perto do resultado final. Meu plano para o futuro é fazer um curso de Artes Cênicas na UnB, ou Publicidade e Propaganda, mas eu sempre estarei de alguma forma ligado a este mundo artístico e fotográfico. 
• 
Qual dica você dá para alguém que está querendo fotografar, mas se sente desanimado por não ter um bom equipamento? 
Desânimo é normal no começo, mas se a pessoa realmente quiser fazer isso mesmo, ela deve persistir e seguir os seus sonhos. O equipamento é o de menos quando a pessoa tem a vontade. 
Emanoell Porto Nobre (Fotógrafo) 
Contato para trabalho: 
emanoelpn@gmail.com 
23
coluna 
Os apelos do funk ostentação 
Hoje em dia, os estilos musicais es-tão 
cada vez mais amplos, pois a cada 
dia se renovam ideias, pensamentos 
e gostos, principalmente quando se 
trata do público teen. 
O público adolescente gosta de letras 
que retratam seu cotidiano, ou me-lhor, 
o jeito que queriam que fosse o 
seu cotidiano. E é o que acontece no 
funk ostentação. 
O chamado funk de ostentação faz 
cada vez mais sucesso entre as crian-ças 
e os adolescentes. Suas músicas 
falam sobre o poder que os funkeiros 
ganham em suas comunidades e fa-zem 
apologia aos hábitos de consumo 
de produtos e marcas. 
Particulamente, não gosto da mensa-gem 
que as letras deste tipo de funk 
passa aos jovens, pois atiça o consu-mismo 
exagerado dos ouvintes e pas-sa 
a eles a idea de que o legal é usar 
roupas caras e ter carros de luxo. 
Não acredito que consumismo seja 
algo positivo. Com ele se consegue 
uma felicidade postiça, um bem es-tar 
momentâneo, mas nunca algo du-radouro. 
A “modinha” do funk osten-tação 
será tão duradoura quanto a 
suposta felicidade que eles vendem. 
Penso que o funk ostentação tem um 
espaço muito maior do que deveria 
ter nas rádios e na televisão. Estas 
mídias poderiam dar mais espaço aos 
outros estilos musicais. Músicas que 
possam proporcionar aos ouvintes 
uma visão mais ampla sobre outras 
culturas e outros prazeres que não 
somente o consumo de bens mate-riais. 
Por Karina Albuquerque 
16 anos, aluna do primeiro ano 
do ensino médio 
24
listas 
10frases que 
expressam a 
opinião de 
artistas sobre 
arte 
1 — A arte existe porque a vida não 
basta. (Ferreira Gullar) 
2 — Cinema é a fraude mais bonita 
do mundo. (Jean-Luc Godard) 
3 — A plateia só é respeitosa quando 
não está a entender nada. 
(Nelson Rodrigues) 
4 — Imitação é uma forma de elogio. 
(Madonna) 
5 — Na minha opinião, a literatura 
— e a arte de modo geral — é uma 
forma precária, mas ainda sim pode-rosa 
de afirmar a imortalidade. 
(Ariano Suassuna) 
6 — Creio no riso e nas lágrimas como 
antídotos contra o ódio e o terror. 
(Charles Chaplin) 
7 — Todo mundo é uma estrela e me-rece 
o direito ao brilho. 
(Marilyn Monroe) 
8 — A vida não imita a arte, imita a 
má televisão. (Woody Allen) 
9 — A forma de governo mais adequa-da 
ao artista é a ausência de gover-no. 
Autoridade sobre ele e a sua arte 
é algo de ridículo. (Oscar Wilde) 
10 — A arte diz o indizível; exprime o 
inexprimível, traduz o intraduzível. 
(Leonardo da Vinci) 
25
2014

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artno7 - REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA

  • 1.
  • 2. Índice Capa Com a combinação de teatro e educação, o coletivo 36Barra38 prepara jovens para o universo da atuação. Editorial Música Crônica Ilustração Literatura CAPA Rayssa Carvalho, aluna do curso de teatro / Fotografia por Adriane Ribeiro Estamos aqui na redação refletindo sobre o que é arte. Quer saber a conclusão? Espie só. Confira entrevista com a banda Victor Não Gosta e veja o porquê você pode gostar deles. A estudante Thayná Barbosa narra o conto de uma menina e de um cachorrinho que têm histórias bem parecidas. Com apenas 15 anos, Lola está escrevendo um livro. Saiba como ela começou esta empreitada e qual é a história que ela quer contar. Veja desenhos produzidos por ex-aluno do 7 com a ajuda da computação gráfica. 11 5 6 10 16 18
  • 3. Coluna Listas Fotografia Confira o trabalho fotográfico do estudante Emanoell Porto Nobre e conheça suas táticas para tirar fotos artísticas usando apenas o celular. A aluna Karina Albuquerque opina sobre a “moda” do funk Ostentação. Dez frases que expressam a opinião de artistas sobre seu ofício. 20 24 25
  • 4. Editora e diretora responsável: Daniele Ribeiro Redação: Daniele Ribeiro e Cesma Alves Revisão: Eveline de Assis Editor de arte: Daniel Rodrigues Diagramação: Daniel Rodrigues Fotografia: Adriane Ribeiro Produção: Cesma Alves Supervisão: Rodrigo Lins Distribuição digital gratuita artno7 — REVISTA CULTURAL DE TAGUATINGA é uma publicação única feita exclusivamente para o Centro Educacional nº 7, Área Especial — Setor M Norte EQNM 36/38 Conjunto B — Taguatinga Norte, Brasília/DF, 72145-617 (61) 3901-8206 http://ced07taguatinga.blogspot.com.br/
  • 5. editorial Se Expresse! O que é arte? O que é arte se não a materialização das expressões humanas? Sim, arte, esta palavra usada de forma tão refinada tem um significado mui-to simples: expressão. E quem de nós não se expressa? Todos nós exalamos emoções o tempo todo. Exteriorizamos os nossos pensamentos e sentimen-tos, defendemos nossas opiniões, enfatizamos o nosso ponto de vista... Arte nada mais é que dizer a sua verdade. E a sua verdade pode ser a verdade de outra pessoa, de um grupo de pessoas, de uma comunidade, de um país. Por isso, se expresse! Cante, toque, pinte, escreva, atue, grave, desenhe, fotografe. Arte é felicidade e é tristeza. Arte é o que te toca e conversa com sua alma. Isso é arte: uma conversa de almas. Nesta edição única de Artno7, vamos dar espaço para os artistas do Centro Educacional nº 7 de Taguatinga Norte mostrarem seus trabalhos e vamos in-centivar você, que quer ser um artista, mas pensa que isso é impossível, a começar a expressar a sua verdade. Afinal, o próximo sucesso mundial pode estar aí, na sua escola, e pode ser você. Daniele Ribeiro Editora e Diretora Responsável 5
  • 6. música Do que o Victor Gosta? A banda formada pelos amigos músicos e que começou na escola só tem certeza de uma coisa: música é o que eles gostam 6
  • 7. Os três amigos John Rocha (18), Victor Hugo Gomez Melo (18), e Victor Silva (19), formaram a banda Victor Não Gosta, há 10 meses. O grupo surgiu para atender aos espetáculos do grupo de teatro da escola e, durante os intervalos dos ensaios teatrais, faziam sessões musicais misturando suas músicas preferidas. Quando se deram conta, já eram uma banda com nome, rotinas de ensaios e estilo musical definido... quer dizer, nem tanto. Confira uma entrevista com os integrantes Victor Hugo, baterista e estudante do terceiro ano do ensino médio do 7, e Victor Silva, ex-aluno e guitarrista do trio, na qual eles falam sobre a cultura nas escolas, juventude, futuro musical e a mistura de estilos da banda. • Como vocês se conheceram? Victor Silva: Eu e o Victor Hugo nos conhecemos há quatro anos, quando fazíamos o ensino fundamental, mas formamos essa banda quando entramos para a seleção do grupo de teatro da escola. Já o nosso baixista, John, caiu de paraquedas na banda. Ele não estudava na escola, mas veio para o mesmo processo de seleção do grupo de teatro. Como ele não pôde se manter no grupo, devido a sua agenda pessoal, um tempo depois chamamos ele para participar da banda. Victor Silva (Guitarrista) 7
  • 8. • Qual o estilo musical da banda? Quais são as suas influências? Victor Silva: Somos influenciados por vários estilos musicais, Victor Hugo, o nosso baterista, traz referencias do heavy metal. O John, é influenciado pelo rock nacional dos anos 70. Já eu gosto dessa coisa mais jazz e MPB, mas podemos dizer que o que deu dessa mistura foi rock, um rock sem definição certa, mas é rock. Nós trazemos influências de tudo na verdade, de blues ao funk, de bossa nova ao samba, nos ensaios, às vezes a gente começa uma música no samba e terminamos no heavy metal, nos divertimos muito. • Como os alunos e os professores enxergam o fato de vocês terem uma banda que foi formada na escola? Victor Hugo: Meus amigos da escola acham sensacional eu ter uma banda, eles também gostam de rock então eles acham divertido, eu sempre chamo eles para os ensaios da banda e para os shows. Os professores também acham interessante e gostam muito, na escola eu sou o único que vai fazer faculdade de música. Victor Silva: A direção da escola é muito aberta para os projetos sociais e não é só focado para os alunos daqui, é aberto a comunidade, e agradecemos muito por ter esse espaço aqui. • E você sentiu algum diferença nas suas atividades escolares depois que começou a ensaiar com a banda? Victor Hugo: Senti muito efeito com relação à minha disciplina, na bateria você tem que ter muita disciplina com o instrumento, músico indisciplinado não vai pra frente, então eu apliquei essa disciplina também nos deveres de casa. A música facilita muito o entendimento das coisas, hoje eu vejo tudo com mais simplicidade. Na música, você entende todo o processo, tudo que está acontecendo e é mais fácil trazer isso pra sua vida de uma forma geral. • Vocês acreditam que as escolas deveriam investir mais em atividades culturais como a música? Victor Silva: Sim, com certeza. A mídia mostra assuntos que estão em evidência. As rádios tocam apenas um ou dois estilos de música, os estilos que estão mais estourados no momento, a TV também é limitada, então a escola tem esse espaço para educar os jovens e deve investir nisto sim. 8 • E como vocês se veem no futuro? Pretendem continuar a carreira musical? Victor Hugo: Da forma que estou tocando agora, eu me tornei um músico de sessão. Eu me vejo gravando em estúdio, sendo um músico contratado por outros músicos para participar da
  • 9. Victor Hugo (Baterista) 9 gravação de um disco, fazer shows, etc. E eu já estou sendo chamado para fazer esses trabalhos. Victor Silva: Minha profissão original é programador, mas nestes anos todos trabalhando com música, eu percebi que posso trabalhar com algo voltado pra produção ou até mesmo trabalhar com outras mídias como o rádio, podcasts e produções teatrais. O que tiver envolvimento com produção musical, eu quero fazer.
  • 10. crônica Maria Inês mora em um bairro pobre e distante, sua vida não é fácil. A me-nina vive em uma casa de dois cômo-dos, com a mãe e os quatro irmãos, sendo dois irmãos mais velhos do que ela, e dois irmãos mais novos. Um certo dia, andando pelas ruas de seu bairro, ela achou um cachorro abandonado. O bichinho estava feri-do e faminto. Maria Inês ficou mui-to triste, pois não poderia pegá-lo. Por mais que quisesse, ela não teria condições de cuidar do animal. A ga-rota também não tinha mesa cheia em casa, e nem uma cama quentinha para dormir. Dividia um colchão com seus dois irmão mais novos, enquanto sua mãe e os outros irmãos dormiam onde dava. Ela, então, teve uma grande ideia. Tirar várias fotos do cachorrinho e dar informações sobre ele no Face-book, com a esperança de alguém querer adotá-lo. A menina recebeu muitas curtidas, comentários e com-partilhamentos na rede social, toda a comoção foi bem além do que ela esperava. Foi aí que apareceu Cristina, sua ami-ga de escola desde a primeira série. A amiga tinha uma condição de vida melhor e ficou muito impressionada com a história do animal abandonado e doente. Cristina resolveu adotá-lo. Hoje, meses depois do acontecido, o animal está saudável, feliz e com as vacinas todas em dia. Tem todo o ca-rinho e o amor de sua dona. Maria Inês continua na mesma situ-ação em que estava. Nada mudou em sua casa. Ela ainda não tem uma mesa farta, e ainda divide o colchão com os irmãos mais novos na hora de dormir. Sua mãe agora tem dois em-pregos, para tentar melhorar a vida da família, mas ela e os dois irmãos mais velhos ainda dormem onde dá. Mas tudo bem, o Facebook como uma rede social que muitas vezes parece não ter utilidade, pode despertar so-lidariedade nas pessoas. Ajudou o ca-chorrinho a ter casa e comida. Quem sabe um dia não ajude a famí-lia da Maria Inês também. O cão e o Facebook Por Thayná Barbosa 17 anos, aluna do primeiro ano do ensino médio 10
  • 12. De Viúva a Russo Aberto aos estudantes e jovens da comunidade, o Núcleo Permanente de Teatro, 36Barra38 é a “menina dos olhos” dos alunos e professores do 7. Saiba como surgiu o grupo e conheça as estrelas do projeto Há exatos três anos o professor e en-tusiasta cultural Adalto Serra rece-beu o convite dos gestores do 7 para montar um grupo teatral na escola que ensinasse aos alunos a arte da in-terpretação. A atividade, que deveria ser em horário contrário ao das aulas, não estaria na grade curricular dos estudantes, ou seja, não seria obri-gatória e nem valeria nota. Se inscre-veriam apenas os alunos interessados em aprender e a montar peças. Sur-gia assim o 36Barra38, coletivo ar-tístico que é o maior orgulho do 7. Desde que iniciou as atividades em um teatro improvisado na escola, o grupo já produziu três espetáculos: Os Sete Gatinhos e Viúva, Porém Honesta, obras do escritor e drama-turgo Nelson Rodrigues — adaptadas pelo diretor e professor Adalto — e 12
  • 13. Russo, drama musical baseado na vida e obra do líder da banda Legião Urbana, Renato Russo, escrito e diri-gido pelo próprio educador. E a intenção é continuar a todo o va-por. O coletivo pretende melhorar a estrutura do teatro para expandir as apresentações ao maior número de espectadores possíveis e investir em divulgação dos espetáculos produ-zidos por eles. Atualmente, o grupo composto por 12 pessoas, entre alu-nos, ex-alunos e jovens da comuni-dade, abre inscrições para seleção de novos integrantes todos os anos. Então fique ligado no mural da esco-la para saber quando será a próxima seleção. Futuros Astros Estudante do segundo ano do ensino médio, Matheus Melarva, 16 anos, começou a se interessar por atuação desde muito cedo. Influenciado pelos artistas da TV, fez curso para repre-sentação circense ainda na infância, mas foi somente no ano passado que o adolescente encontrou a oportu-nidade que esperava. “Quando vi o anúncio no mural da escola, chamei todos os meus amigos para participa-rem. Apesar da desistência deles, eu fiquei porque gosto muito das aulas e deste mundo do teatro”, comenta. Tendo atuado em duas peças produ-zidas pelo coletivo — Viúva, Porém Honesta e Russo, o ator já consegue se ver nos grandes palcos e até sabe o gênero de atuação que quer seguir. “Me identifiquei muito com a comé-dia, o drama me deixa deprimido. Se eu me dedicar ao teatro profissional, pretendo ir para o rumo da comédia. Me faz bem”, afirma. De acordo com o jovem, é impor-tante ter esse espaço para manifes-tações artísticas nas escolas. “Assim como os esportes são incentivados nas escolas, o teatro também deve-ria ser. Teatro e esporte deveriam ter o mesmo espaço e o aluno ter a op-ção de escolher qual atividade quer fazer”, explica. Além de atuar, o adolescente preten-de fazer faculdade de Psicologia. A certeza de que o teatro sempre esta-rá presente em sua vida, é concreta. “Eu nunca vou abandonar o teatro, sempre irei assistir e fazer peças. Quando for psicólogo, vou recomen-dar para os meus pacientes que fa-çam teatro. Se me ajudou, pode aju-dar a qualquer pessoa”, finaliza. 13 Matheus Melarva (Aluno) Acervo pessoal
  • 14. Um líder com visão Companheira de palco de Matheus, a adolescente Rayssa Carvalho, 16 anos, aluna do 7 e uma das estrelas do espetáculo Russo, ingressou no 36Barra38 no começo de 2013. Para a jovem, o curso só trouxe benefícios para a vida pessoal e escolar. “Antes de fazer teatro, eu era muito fecha-da. Hoje sou muito mais espontânea. Até para apresentar trabalhos na sala, já não tenho mais aquela timi-dez. Aprendi a me comunicar com as pessoas”, conta. A estudante acredita que este espaço para as artes nas escolas é incenti-vador e que pode mudar realidades. “Muitos alunos procuram uma opor-tunidade de fazer algo diferente, além de ficarem em casa só fazendo o dever de casa. Estudar é importan-te mas as atividades culturais acres-centam cultura à vida”, explica. Aliás, a moça já tem planos para o futuro profissional. “Eu pretendo levar o teatro como profissão. Que-ro fazer faculdade de artes cênicas. Mas tenho consciência de que preciso lutar muito para ter reconhecimento como atriz”, destaca. Em relação à importância dos jovens terem proximidade com a arte, a atriz é enfática: “Hoje em dia, os jo-vens só gostam de festas e baladas. Em uma peça de teatro, você tem contato com suas emoções mais pro-fundas. Isso não acontece em uma festa. Por isso recomendo a todos que venham ao teatro”, completa. Formado em artes plásticas e artes cênicas pela Universidade de Brasí-lia, o ator, diretor e professor Adalto Serra, 37 anos, está à frente do pro-jeto de levar arte para escolas públi-cas do Distrito Federal há seis anos. Adepto do modelo de educação hori-zontal — ensino em que o professor e os alunos estejam no mesmo nível de participação nas aulas, ele acredita que essa é a forma de ensino do fu-turo. “É assim que você conquista as pessoas, você as faz se sentirem par-te do processo. É muito chato para o aluno que não sabe nem para que ele está aqui”, ressalta. Segundo o professor, as aulas de teatro no coletivo são conduzidas 14 Rayssa Carvalho (Aluna)
  • 15. 15 na maior parte do tempo na prática, inserindo os princípios teóricos jun-tamente com a elaboração das ati-vidades. “Estudar teatro é produzir teatro. Peça é para ser vista e para ser feita. Não acho legal eu chegar para eles e dar aulas sobre teorias do teatro. A prática é muito melhor”, acrescenta. O líder do grupo também defende um encaminhamento mais sensível em relação ao ensino nas escolas. “Depois de um tempo, você compre-ende que o papel da escola é este, formar um cidadão crítico, sensível e que consiga dialogar com o mundo de uma maneira mais humana. O teatro é uma ferramenta muito poderosa para não transformar a educação em uma educação vazia”, complementa. Acervo de figurino do grupo Abertura da peça Russo Ensaio da peça Russo Adalto Serra (Professor) Acervo pes-soal
  • 16. ilustração Computação gráfica também é arte O ex-aluno do 7, César Fernandes Azenha, desde pequeno adora de-senhar. O estudante sempre utilizou papel e lápis de cor como ferramen-tas para expressar suas ideias. Em 2009, mesmo ano em que se for-mou, iniciou seus estudos nas dispi-clina de computação gráfica. A partir daí, o fascínio pelo desenho tomou novas formas. Agora, ele desenha uti-lizando o Adobe Illustrator, programa de computador usado para desenhos digitais. Confira abaixo, os trabalhos produzi-dos por meio dessa ferramenta mo-derna. Holden Efijy (2011) 16
  • 17. Batman (2011) Xadrez (2010) Olivia Dunham (2013)
  • 18. literatura A Menina que Escreve Livros A adolescente Lola encantou-se pelo mundo dos livros aos 8 anos. Aos 14 começou a escrever. Agora, ela se prepara para o maior desafio de sua vida 18
  • 19. Aos 15 anos de idade e com uma extensa lista de escritores preferidos — de Machado de Assis a Caio Fernando Abreu — a estudante Lorrayne Damasio, do segundo ano do ensino médio, decidiu colocar no papel toda sua inspiração literária e escrever o seu próprio romance. Mas, não se engane. Lola, como é conhecida entre os amigos, não é uma novata na arte da escrita. A moça já produziu 25 trabalhos entre poemas, sonetos e contos. Para o seu primeiro livro, ela se inspira no escritor norte- americano de livros juvenis John Green — autor de títulos como A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel — e nos ensinamentos dele para jovens escritores por meio das redes sociais. Com o título provisório de A Maldição das Famílias, a história tem tudo a ver com o universo em que a estudante vive: adolescência, escola, paixão, romance e rejeição. “A personagem principal chama-se Gabrielle, ela é descendente de nativos americanos, tem 17 anos e é bem popular na escola”, explica. Mas, como toda boa trama, esta também é cheia de reviravoltas e mistérios. “Um dia, aparece um garoto britânico na escola, bem misterioso. Gabrielle tenta se aproximar, mas ele se afasta. Tem uma maldição envolvendo a família dos dois, só que ela não sabe ainda”, revela. Na escola, a escritora encontra todo o apoio dos amigos e professores para aprimorar seu talento. “Quando estão apaixonadas, as minhas amigas logo me pedem para escrever poemas ou sonetos para os amados. Os professores também ajudam muito, revisando meus textos e dando toques”, acrescenta. Fora da sala de aula, uma outra parte do colégio também tem sido fundamental para a garota desenvolver o livro. “A biblioteca é meu lugar preferido, é muito calma e tem um espaço ótimo. Sempre tem livros novos e eu já encontrei vários que serviram para minhas pesquisas e estudos”, comenta. Para aqueles que querem começar a criar histórias, a escritora dá a dica: “Escrever é como abrir uma realidade fora a sua. Eu indico a todos, mesmo que não saibam escrever ou que não sejam fanáticos por livros como eu, que peguem uma folha e deixe fluir. Alguma coisa boa vai sair”, finaliza. O livro A Maldição das Famílias, terá em torno de 450 páginas e está previsto para sair no final do ano que vem. 19
  • 20. fotografia O click perfeito É possível tirar fotos artísticas usando apenas o celular? Jovem fotógrafo, aluno aqui do 7, prova que sim. E ele está no caminho certo para se tornar um profissional de sucesso O estudante do segundo ano do ensi-no médio, Emanoell Porto Nobre, de 16 anos, começou a se interessar por fotografia desde que viu uma câme-ra digital jogada em casa e decidiu fotografar tudo o que chamava aten-ção em seu cotidiano, desde flores que decoravam seu jardim a pessoas caminhando nas ruas. Este interesse em “congelar” a imagem foi crescen-do a cada click e com a evolução da qualidade das câmeras dos celulares, levar um dispositivo fotográfico para onde quer que fosse se tornou muito mais prático e aprimorou o olhar do jovem para a captura do momento perfeito. Hoje, matriculado em um curso de fotografia e com o olhar 20
  • 21. bem treinado, ele garante: não é preciso ter um equipamento profissional para conseguir um bom resultado nas fotos. Leia a entrevista com o estudante e confira alguns de seus trabalhos fotográficos. • O que você mais gosta de fotografar? Gosto de fotografar tudo o que me chama atenção: pessoas, paisagens, flores e situações que somente eu mesmo irei entender. • Como você sabe que o momento que você está vivenciando é um momento perfeito para uma foto? Eu sempre componho minhas fotos antes de tirá-las, na minha cabeça eu já imagino como a foto ficará, crio uma história, coloco as situações em um contexto que vá funcionar para ela, e geralmente dá certo. Às vezes o cenário já está feito pela própria natureza e eu só registro a imagem. • Você acredita que um equipamento profissional influência na qualidade da foto ou o olhar do fotografo é mais importante no trabalho de composição das imagens? Entendo que a qualidade de uma câmera profissional é superior e às vezes isso é cobrado de mim no meu curso de fotografia, mas entre uma câmera profissional e um celular, 21
  • 22. eu ainda prefiro o celular por ser mais prático e mais leve. Por exemplo, se eu precisar subir em uma árvore para registrar uma situação de um outro ângulo, com a câmera profissional seria muito mais difícil, pois não é uma câmera prática. Com o celular, eu registro tudo rapidamente e a qualidade também é muito boa. • Lembra de algum momento que rendeu uma foto que mais lhe marcou? Uma das minhas preferidas é uma foto que eu tirei de uma idosa, ela estava querendo sorrir mas não conseguia, me dava a impressão de que ela queria ser feliz mas não podia, pois esta senhora já passou por tanta dor que estava imersa em muitas mágoas. Eu consegui transmitir tudo isso pela fotografia, a imagem ficou muito sensível e forte. • Você se inspira em algum fotógrafo famoso, músicas ou filmes para fotografar? Fotógrafo famoso, não. Eu evito procurar o trabalho de fotógrafos famosos, pois se eu ver uma coisa, vou querer fazer igual. Mas, em música sim, eu me espelho muito em música e o que ela me passa. Fui fazer um ensaio de uma amiga e me inspirei em uma música da Ana Larousse chamada Vai, Menina, e eu consegui transmitir o olhar que tenho desta música através desse ensaio. Faço muito isso. • Quais as suas aspirações para o futuro? Você acredita que ainda estará nesta área artística? Sim, com certeza pois a fotografia me faz muito bem. O trabalho é cansativo pois, depois de tirar as fotos 22
  • 23. eu tenho que escolher as melhores, observar a qualidade delas e editar. Mas, depois do trabalho concluído eu tenho uma sensação tão boa que todo o cansaço e o estresse não são nada perto do resultado final. Meu plano para o futuro é fazer um curso de Artes Cênicas na UnB, ou Publicidade e Propaganda, mas eu sempre estarei de alguma forma ligado a este mundo artístico e fotográfico. • Qual dica você dá para alguém que está querendo fotografar, mas se sente desanimado por não ter um bom equipamento? Desânimo é normal no começo, mas se a pessoa realmente quiser fazer isso mesmo, ela deve persistir e seguir os seus sonhos. O equipamento é o de menos quando a pessoa tem a vontade. Emanoell Porto Nobre (Fotógrafo) Contato para trabalho: emanoelpn@gmail.com 23
  • 24. coluna Os apelos do funk ostentação Hoje em dia, os estilos musicais es-tão cada vez mais amplos, pois a cada dia se renovam ideias, pensamentos e gostos, principalmente quando se trata do público teen. O público adolescente gosta de letras que retratam seu cotidiano, ou me-lhor, o jeito que queriam que fosse o seu cotidiano. E é o que acontece no funk ostentação. O chamado funk de ostentação faz cada vez mais sucesso entre as crian-ças e os adolescentes. Suas músicas falam sobre o poder que os funkeiros ganham em suas comunidades e fa-zem apologia aos hábitos de consumo de produtos e marcas. Particulamente, não gosto da mensa-gem que as letras deste tipo de funk passa aos jovens, pois atiça o consu-mismo exagerado dos ouvintes e pas-sa a eles a idea de que o legal é usar roupas caras e ter carros de luxo. Não acredito que consumismo seja algo positivo. Com ele se consegue uma felicidade postiça, um bem es-tar momentâneo, mas nunca algo du-radouro. A “modinha” do funk osten-tação será tão duradoura quanto a suposta felicidade que eles vendem. Penso que o funk ostentação tem um espaço muito maior do que deveria ter nas rádios e na televisão. Estas mídias poderiam dar mais espaço aos outros estilos musicais. Músicas que possam proporcionar aos ouvintes uma visão mais ampla sobre outras culturas e outros prazeres que não somente o consumo de bens mate-riais. Por Karina Albuquerque 16 anos, aluna do primeiro ano do ensino médio 24
  • 25. listas 10frases que expressam a opinião de artistas sobre arte 1 — A arte existe porque a vida não basta. (Ferreira Gullar) 2 — Cinema é a fraude mais bonita do mundo. (Jean-Luc Godard) 3 — A plateia só é respeitosa quando não está a entender nada. (Nelson Rodrigues) 4 — Imitação é uma forma de elogio. (Madonna) 5 — Na minha opinião, a literatura — e a arte de modo geral — é uma forma precária, mas ainda sim pode-rosa de afirmar a imortalidade. (Ariano Suassuna) 6 — Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror. (Charles Chaplin) 7 — Todo mundo é uma estrela e me-rece o direito ao brilho. (Marilyn Monroe) 8 — A vida não imita a arte, imita a má televisão. (Woody Allen) 9 — A forma de governo mais adequa-da ao artista é a ausência de gover-no. Autoridade sobre ele e a sua arte é algo de ridículo. (Oscar Wilde) 10 — A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível. (Leonardo da Vinci) 25
  • 26. 2014