revista do meio

amBiente
          Rebia Rede Brasileira de Informação Ambiental




                                                                                                Mãe Terra,
                                                                                                    perdoa-nos



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                                                                                                    Alternativas para acabar com as favelas
Projeto sem fins lucrativos
                   Distribuição gratuita




                                                                                                               Mapa da injustiça ambiental
                                           ano IV • abril 2010




                                                                                                       A greve verde dos servidores públicos
                                                                                          Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental
                                                                 Acesse: www.portaldomeioambiente.org.br
nesta edição 




                                                                                                                                    5
                                                                                                           Especial
                                                                          Momento crítico no planeta
                                                                                               por Marcelo Bancalero
Rebia – Rede Brasileira de Informação
Ambiental: organização da sociedade
civil, sem fins lucrativos, dedicada à
democratização da informação ambiental               Dia do Índio, Dia da Terra e Belo Monte
com a proposta de colaborar na formação
e mobilização da Cidadania Ambiental                                                  por Eloy Fassi Casagrande Jr.
planetária através da edição e distribuição
gratuita da Revista do Meio Ambiente,
Portal do Meio Ambiente e do boletim
digital Notícias do Meio Ambiente.                          Fórum Stop a destruição do mundo
CNPJ: 05.291.019/0001-58. Sede: Trav. Gonçalo
Ferreira, 777 - casarão da Ponta
da Ilha, Jurujuba - Niterói, RJ - CEP 24370-290
www.rebia.org.br
                                                                                                       Dia do Índio?
Conselho Consultivo e Editorial                                                                                por J. Rosha
Aristides Arthur Soffiati, Bernardo Niskier,
Carlos Alberto Muniz, David Man Wai Zee,
Flávio Lemos de Souza, Keylah Tavares,
Luiz Prado, Paulo Braga, Raul Mazzei,
Ricardo Harduim, Rogério Álvaro Serra de
Castro, Roberto Henrique de Gold Hortale
(Petrópolis, RJ) e Rogério Ruschel
Diretoria Executiva
Presidente do Conselho Diretor:
Vilmar Sidnei Demamam Berna,




                                                                                                                                                       10
escritor e jornalista
Presidente do Conselho Deliberativo:                   Alternativas para acabar com as favelas • 10
JC Moreira, jornalista
Presidente do Conselho Fiscal:                          Tecnologias sociais e o cenário externo • 12
Flávio Lemos, psicólogo                                        Água suja mata mais que guerras • 14
Superintendente Executivo
Gustavo da Silva Demaman Berna,                                Energia limpa ao alcance de todos • 15
biólogo pós-graduado em meio ambiente                   Mapa da injustiça ambiental é lançado • 16
(Coppe/UFRJ) e especialista em resíduos
sólidos • (21) 7826-2326 ID 11605*1                                  Nestlé financia a destruição • 18


                                                                                                                                    16
gustavo@rebia.org.br
                                                                 Animais ameaçados de extinção • 19
Moderadores dos Fóruns Rebia
Rebia Nacional (rebia-subscribe@                                               O que é hoarding? • 20
yahoogrupos.com.br): Fabrício Fonseca
Ângelo, jornalista ambiental                              Discursos vazios nas enchentes do Rio • 21
Rebia Norte (rebianorte-subscribe@                            Servidores públicos em greve verde • 22
yahoogrupos.com.br) – Rebia Acre: Evandro
J. L. Ferreira, pesquisador do INPA/UFAC                                   Jogo sujo de petroleira • 24
• Rebia Manaus: Demis Lima, gestor                   Boicote ruralista contra patrocínio a ONGs • 25
ambiental • Rebia Pará: José Varella, escritor




                                                                                                                                                       26
Rebia Nordeste (rebianordeste-subscribe@
                                                         III Congresso de Jornalismo Ambiental • 26
yahoogrupos.com.br) – Coordenador: Efraim                                 A dignidade do planeta • 28
Neto, jornalista ambiental • Rebia Bahia:
Liliana Peixinho, jornalista ambiental e                                           Espaço infantil • 29
educadora ambiental • Rebia Alagoas: Carlos
Roberto, jornalista ambiental • Rebia Ceará:                             Guia do Meio Ambiente • 30
Zacharias B. de Oliveira, jornalista, mestre
em Desenvolvimento e Meio Ambiente •                        Os artigos, ensaios, análises e reportagens assinadas expressam a
Rebia Piauí: Dionísio Carvalho, jornalista                   opinião de seus autores, não representando, necessariamente, o
ambiental • Rebia Paraíba: Ronilson José                                 ponto de vista das organizações parceiras e da Rebia.
da Paz, mestre em Biologia • Rebia Natal:
Luciana Maia Xavier, jornalista ambiental




                                                                                                                                                                 A linha fina da atmosfera da Terra e do sol são destaques nesta imagem fotografada
Rebia Centro-Oeste (rebiacentrooeste-
subscribe@yahoogrupos.com.br): Eric




                                                                                                                                                                 por um membro da tripulação a Estação Espacial Internacional, enquanto ônibus
Fischer Rempe, consultor técnico (Brasília)




                                                                                                                                                                 espacial Atlantis (STS-129) permanece ancorada com a estação. Crédito: ©Nasa
e Ivan Ruela, gestor ambiental (Cuiabá)               Redação: Tv. Gonçalo Ferreira, 777 - casarão da Ponta da Ilha, Jurujuba -
                                                                                 Niterói, RJ - 24370-290 • Tel.: (21) 2620-2272
Rebia Sudeste (rebiasudeste-subscribe@
yahoogrupos.com.br) - Rebia Espírito Santo:       Editor e Redator-chefe: Vilmar Sidnei Demamam Berna, escritor e jornalista.
Sebastião Francisco Alves, biólogo                  Em 1999 recebeu o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em
Rebia Sul (rebiasul-subscribe@yahoogrupos.                  2003, o Prêmio Verde das Américas www.escritorvilmarberna.com.br
com.br) - Coordenador regional: Paulo Pizzi,          http://escritorvilmarberna.blogspot.com/ Contatos: vilmar@rebia.org.br •
biólogo • Rebia Paraná: Juliano Raramilho,                                     Celulares (21) 9994-7634 e7883-5913 ID 12*88990
biólogo • Rebia Santa Catarina: Germano              Editor Científico: Fabrício Fonseca Ângelo, jornalista, mestre em Ciência
Woehl Junior, mestre e doutor em Física.             Ambiental, especialista em Informação Científica e Tecnológica em Saúde
Pessoa Jurídica                                       Pública • (21) 2710-5798 / 9509-3960 • MSN: fabricioangelo@hotmail.com
A Rebia mantém parceria com uma rede                           Skype: fabricioangelo • www.midiaemeioambiente.blogspot.com
solidária de OSCIPs (Organização da
                                                                                                        Produção gráfica:
Sociedade Civil de Interesse Público) que
                                                            Projeto gráfico e diagramação: Estúdio Mutum • (11) 3852-5489
respondem juridicamente pela finanças dos
                                                                  Skype: estudio.mutum • contato@estudiomutum.com.br
veículos de comunicação e projetos da Rebia:
                                                                         Impressão: Imprinta Express Gráfica e Editora Ltda.
• Associação Ecológica Piratingaúna
CNPJ nº 03.744.280/0001-30 – Sede à Rua                                                          Portal do Meio Ambiente
Maria Luiza Gonzaga, nº 217 - no bairro                                                 www.portaldomeioambiente.org.br
Ano Bom - Barra Mansa, RJ • CEP: 27323-300                   Webmaster: Rodrigo Oliveira da Silva • webmaster@rebia.org.br
– Utilidade Pública Municipal e isenta das                               Estagiário: Leandro Maia • consultor@rebia.org.br
inscrições estadual e municipal                                                                                      Comercial
• Prima – Mata Atlântica e Sustentabilidade              Linha direta com o editor: vilmar@rebia.org.br • Celular (21) 7883-5913
(Ministério da Justiça - registro nº                                             ID 12*88990 e 9994-7634 • Telfax: (21) 2610-2272
08015.011781/2003-61) – CNPJ nº                       Diretor: Maurício Cabral • (21) 7872-9293 ID 10*96559 • mauriciocabral@
06.034.803/0001-43 – Sede à Rua Fagundes                        revistadomeioambiente.org.br e mauriciocabral@rebia.org.br
Varela, nº 305/1032, Ingá, Niterói, RJ -          Representação em Brasília: Minas de Ideias Comunicação Integrada (Emília
CEP: 24210-520 – Inscrição estadual: Isenta                    Rabello e Agatha Carnielli • Brasília (61) 3408-4361 / 9556-4242
e inscrição Municipal: 131974-0                    Rio de Janeiro: (21) 2558-3751 / 9114-7707 • brasilia@minasdeideias.com.br
www.prima.org.br                                                               Skype: agatha.cn • www.minasdeideias.com.br



                                                                                                                                         revista do meio ambiente abr 2010
editorial




                                                                                     Progresso
texto Vilmar Sidnei Demamam Berna*




                                                e meio ambiente                                                                           Não é o meio ambiente que
                                                                                                                                          ‘atrapalha’ o progresso, como
                                                                                                                                          tem afirmado em alto e bom
                                                                                                                                          som o Deputado Aldo Rebelo,
                                                                                                                                          ou disse e desdisse a candidata
                                                                                                                                          do Lula à Presidência!

                                                                                                                                          rança de que com um órgão especifico para cui-
                                                                                                                                          dar do meio ambiente então estará bem! O ad-
                                                                                                                                          ministrador que pretender mudar isso terá de
                                                                                                                                          ter coragem e resistir ao chororo e às tentativas
                                                                                                                                          de boicotes do próprio nicho ambiental! E isso
                                                                                                                                          é bem humano e compreensível pois tende-
                                                                                                                                          mos a temer e a reagir ao que desconhecemos!
                                                                                                                                          Numa administração ecologizada os técnicos
                                                                                                                                          ambientais teriam muito mais oportunidades
                                     Caramba 4u (SXC)




                                                                                                                                          que numa administração ambiental comparti-
                                                                                                                                          mentalizada, pois mais órgãos terão de deman-
                                                                                                                                          dar esses conhecimentos ambientais!
                                                                                                                                            E enquanto isso não acontecer, continuare-
                                                                                                                                          mos assistindo a administrações ambientais
                                                        O problema está na forma como o meio ambiente vem sendo compre-                   fracas e isoladas dentro de administrações que
                                                        endido! Em vez dos governantes ou administradores públicos ou pri-                não se consideram comprometidas com o meio
                                                        vados ecologizarem todas as suas ações, principalmente a partir da                ambiente tanto quanto se acham comprometi-
                                                        década de 80, preferiram copiar modelos estrangeiros. Surgiram então              das com o desenvolvimento. E continuaremos
                                                        os ‘compartimentos estanques’ e por vezes impermeáveis com a preten-              assistindo administrações ambientais que fa-
                                                        são de ‘cuidar’ do meio ambiente.                                                 lam apenas para o próprio umbigo, que espe-
                                                          Calou-se, assim, todo um segmento da sociedade que teve suas ener-              cializaram-se em dizer o que NÃO se pode fa-
                                                        gias e esperanças canalizadas numa direção, além de se criarem verda-             zer com o meio ambiente, em vez de dizer o que
                                                        deiros nichos de emprego para técnicos e profissionais do setor e mes-            pode ser feito com ele sem destruí-lo!
                                                        mo nichos políticos para representantes ambientalistas da sociedade.                Nenhum ambientalista sensato quer a natu-
                                                          Aparentemente, tudo parecia bem, entretanto, esta é uma situação pa-            reza apenas para as plantas e os bichos, pois
                                                        radoxal por principio e que se mostra inadequada para tratar de um tema           nossa espécie também faz parte da natureza e
                                                        transversal, horizontal e multidisciplinar como o meio ambiente.                  tem todo direito ao desenvolvimento, à supera-
                                                          Ao se adotar este modelo criou-se, por um lado, um órgão para preser-           ção da miséria e à qualidade de vida.
                                                        var o meio ambiente, e por outro, na mesma administração, vários outros             Por outro lado, nenhum desenvolvimen-
                                                        órgãos para destruí-lo, ou que não levam o meio ambiente em conta em              tista sensato quer um tipo de progresso que
                                                        suas ações e políticas! E pior, que ficam impedidos de cuidar da questão          resulte numa terra arrasada atrás de si e de
                                                        ambiental já que existe, na mesma administração, um órgão para isso.              seus empreendimentos!
                                                        Ou porque na titularidade do órgão ambiental estão desafetos políticos              Entretanto, buscar a possível e desejável com-
                                                        ou o órgão ambiental ‘pertence’ politicamente a um outro partido da               patibilizacao entre progresso e meio ambiente
                                                        base de sustentação da Administração.                                             diante de administrações compartimentali-
                                                          O ideal seria uma administração ‘ecologista’ onde cada um e TODOS os ór-        zadas e quase sempre estanques entre si será
                                                        gãos de uma mesma administração tivessem responsabilidades de acordo              uma perda enorme de talentos e de energias,
                                                        com sua especificidade. Só para citar um exemplo disso, educação ambiental        que poderiam estar sendo empregados para
                                                        seria responsabilidade dos setores de Educação. Logo de cara essa proposta        encontrar soluções em vez de tentarem se des-
                                                        vai na contramão do que está aí, principalmente dos atuais detentores de car-     qualificar e demonizar mutuamente.
                                                        gos e posições políticas em setores ambientais. Então, não será nada fácil eco-   * Vilmar é escritor, autor de 20 livros, entre eles
                                                        logizar uma administração depois que ela construiu áreas de conforto para         A administração com consciência ambiental, das Edições
                                                        técnicos e políticos ligados ao setor ambiental e deu à sociedade e a espe-       Paulinas. Mais informações: www.escritorvilmarberna.com.br



        abr 2010 revista do meio ambiente
especial 




                                                                                                                                                            texto Marcelo Bancalero* (marcelobancalero@bol.com.br)
                                                                                                     Sofamonkez (SXC)
                                                                                                                        Estamos vivendo
                                                                                                                        um momento
                                                                                                                        crítico entre a
                                                                                                                        nossa civilização
                                                                                                                        e o planeta Terra
A própria linha fina já é quase a conclu-
são a que se propõe este texto dissertativo.
Onde se ousa a falar de um assunto que já
virou como que uma máxima nos meios de
                                                   Momento

                                                   crítico
comunicação. De repente, todo mundo re-
solve falar sobre a cruel situação em que a
humanidade deixou o planeta. Todo mundo
quer aliviar a própria consciência, arrotando
palavras em defesa à Natureza, contra os que
colaboram com o aquecimento global e tudo
o mais. Como se não tivéssemos todos, uma
parcela de culpa em tudo isso.
  Se formos analisar de um modo mais sincero,        Contudo, é necessário saber até que ponto
uma visão mais imparcial. Entenderemos que         estamos decididos a mudar nosso estilo de
a situação chegou a esse ponto, devido à cobi-     vida. Quanto estaremos dispostos a renunciar
ça (ou entenda-se estupidez), da humanidade        em nome da salvação do planeta. E o princi-
como um todo. Desde o descaso das grandes in-      pal, quantos de nós estamos preparados para
dustrias e nações. Até mesmo o nosso próprio       essa mudança radical.
descaso. Que vai do mal uso da água, energia         A Terra tem segundo a ciência, milhões de
elétrica e a fumaça de nossos carros até ao nos-   anos. E a Natureza sempre deu um jeito de man-
so consumismo desenfreado, que faz com que         ter a vida. Até que um dia não muito longe, o
as indústrias queiram produzir ainda mais.         homem apareceu por aqui. Mas quando esse
E assim o ciclo se renova, e a destruição segue    “bicho destacado da Natureza” (nas palavras de
seu curso (agora quase natural).                   Edgar Morin), descobre do que é capaz, a coisa
  Então, a solução não é somente nos unirmos       começou a mudar. E devida à ganância dessa
ao Greenpeace e ong’s por aí afora, vestindo       humanidade que recebe o adjetivo de “racional”,
camisas com frases de denúncias, colando           chegamos a essa situação. E agora ou nunca.
adesivos em nossos automóveis, artefatos es-       Devemos nos unir de uma maneira mais verda-
tes que também incitam a indústria a conti-        deira. Pois podemos estar vivendo um momen-
nuar a destruição. Não basta ficarmos indig-       to crucial, onde algo de mais real de vê ser feito.                  *O autor é escritor, poeta
nados com a situação como se não fôssemos            Assim, termino minhas palavras com a con-                          e estudante de Psicologia.
também responsáveis por ela. A indignação é        clusão já anunciada na linha fina: “Estamos                          Aprendeu o segredo da
sim legítima, desde que possamos compreen-         vivendo um momento crítico entre a nossa                             superação ao voltar a estudar
der as nossas parcelas de culpa.                   civilização e o planeta Terra”.                                      aos 30 anos na 5ª série do 1ºgrau



                                                                                                                             revista do meio ambiente abr 2010
texto Eloy Fassi Casagrande Jr., PhD (eloy.casagrande@gmail.com)    especial




                                                                                                                                                                                                  (Roosewelt Pinheiro/ABr)
                                                                                                                                                                    Em Brasília, manifestantes
                                                                                                                                                                    do Greenpeace despejam
                                                                                                                                                                    um caminhão de esterco
                                                                                                                                                                    na porta da Aneel, em
                                                                                                                                                                    protesto contra o leilão da
                                                                                                                                                                    Hidrelétrica de Belo Monte




                                                                    Dia do Índio, Dia da Terra
                                                                    e Belo monte
                                                                                                                                             momento que atravessa o Planeta, da urgência
                                                                                                                                             de se adotar um novo modelo de desenvolvimen-
                                                                                                                                             to, de gerar energia, de lidar com as questões da
                                                                                                                                             água e da uso da terra. De ser sustentável!
                                                                                                                                               Oposto a isto, vimos declarações de figuras
                                                                    Na mesma semana que o embate sobre a pro-                Queremos as     públicas defendendo a construção da usi-
                                                                    teção ambiental e desenvolvimento a qual-                 benesses do    na de Belo Monte, como do deputado Delfim
                                                                    quer custo aumentam, em relação a cons-                                  Neto, chamando aos que se opõe ao proje-
                                                                    trução da usina hidrelétrica de Belo Mon-
                                                                                                                                  BNDES e    to, de oposição ideológica, de um “bando de
                                                                    te, vimos imagens e mensagens produzidas                da isenção de    pessoas que vivem na idade da pedra, mas
                                                                    para comemorações do Dia do Índio e o Dia               impostos que     querem andar de automóvel”.
                                                                    da Terra, 19 e 22 de abril, respectivamente.       o governo oferece       Nada mais retrógrado e representativo do
                                                                      Estas datas se complementam, a medida que                              que esta visão de um ministro da época da
                                                                    a cultura indígena esteve sempre associada a
                                                                                                                           para construir    ditadura militar. Do tempo dos mega-proje-
                                                                    preservação da natureza, no seu estilo de vida      Belo Monte. Com      tos, de hidrelétricas para alimentar multina-
                                                                    respeitando a floresta, no seu convívio com a         metade disto se    cionais produtoras de alumínio. De quando
                                                                    fauna e flora, sem a ameaça de um predador,            pode construir    se pregava o crescimento do bolo para poder
                                                                    identificado como o homem branco.                                        distribuir, se referindo a economia que crescia
                                                                      Não faltaram belas imagens de seus rituais,
                                                                                                                       dezenas de usinas     com a dívida externa e que transformou o mi-
                                                                    de suas crianças brincando nos rios, de sua luta    solares e parques    lagre econômico dos anos 70, em pesadelo da
                                                                    para manter suas tradições, lembrando o quan-             eólicos para   década perdida dos anos 80!
                                                                    to a cultura indígena contribuiu para a língua          gerar energia      Daquele que participou ativamente dos ve-
                                                                    portuguesa-brasileira, para nossos hábitos ali-                          lhos slogans, “Brasil ame-o ou deixe-o”, “Prá
                                                                    mentares e para formação do nosso povo.
                                                                                                                        verdadeiramente      frente Brasil”, “Ninguém mais segura este país”!
                                                                      Depoimentos de especialistas e ambientalistas       limpa ao Brasil    Lembro de um slogan, este do povo, de um bloco
                                                                    chamaram a atenção do público para o delicado                            de carnaval de rua em Olinda, em 1980: “Delfim


               abr 2010 revista do meio ambiente
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                                                         Pela cura do
no bolso do povo”! O tempo passa e a visão pro-
gressista pura de Brasília não se renova, apesar
de completar 50 anos em pleno Século XXI! E a
sustentabilidade, senhor deputado?
  O mundo mudou. Os brasileiros querem an-
dar de carro sim, mas um carro elétrico-solar,
movido a células de hidrogênio ou a ar com-
primido, tecnologias que já estão resolvidas,
                                                         mundo
basta ultrapassar o lobby do petróleo para se-           Nos tempos mais difíceis,
rem implantadas. Também queremos energia
                                                         uma luz para a humanidade:
para nosso conforto, a eólica, a solar, as das
marés, a de biomassa, todas renováveis e que             a descoberta da Inversão
não contribuem para o aquecimento global.
  Queremos as benesses do BNDES e da isenção             Pela primeira vez um grupo de pessoas vindas de diversos países,
de impostos que o governo oferece para cons-             profissões e religiões reúnem-se em São Paulo, de 13 a 15 de maio,
truir Belo Monte. Com metade disto se pode               para debruçar-se sobre o estudo da causa primeira da destruição
construir dezenas de usinas solares e parques            do mundo e da humanidade: o ser humano.
eólicos para gerar energia verdadeiramente                 Por detrás de todo desastre e sofrimento existe um principal respon-
limpa ao Brasil. Sem inundar mais de 500 km2             sável: o ser humano – que, inconsciente de sua psicopatologia (maus
de terras cultiváveis, sem destruir florestas, sem       sentimentos, más intenções, valores invertidos, corrupção etc.), age
destruir habitats indígenas, sem desviar rios e          sem freios, numa empreitada suicida e homicida.
criar problemas ambientais ainda maiores.                  Um dos sinais mais claros de que o ser humano criou uma sociedade
  Queremos que o dinheiro público seja bem               invertida para viver é o fato de ele ter se deixado escravizar pela fan-
empregado, sem ir para as mesmas emprei-                 tasia do dinheiro. Não é o dinheiro que faz a riqueza, nem a saúde e
teiras, que desde o regime militar acumulam              muito menos o bem-estar e felicidade da humanidade, mas são as ati-
riqueza sem distribuir. Deputado, sua receita            tudes éticas, humanitárias, estéticas, espiritualizadas que fornecem
nunca funcionou, o bolo não foi dividido, e o            tudo de bom a todos, inclusive a riqueza material.
senhor insiste na mesma fórmula petrificada!               Outro exemplo são as leis que deveriam proteger e agilizar o cumpri-
  O modelo de geração de energia deve ser revis-         mento dos direitos humanos em todas as classes e nações. No entanto, o
to no Brasil. Estudos demonstram que cada me-            que se tem verificado é que elas vêm sendo elaboradas para preservar o
tro quadrado de painel fotovoltaico evita a inun-        poder e os privilégios daqueles que nem sempre dão o melhor exemplo.
dação de cerca de 60 metros quadrados para a               A inversão que prioriza o ter em relação ao ser vem causando a
geração elétrica. Se toda a superfície do lago a         grande mediocrização da civilização, que passou a colocar o consu-
ser formado pela Usina de Belo Monte fosse co-           mo daquilo que agrada os cinco sentidos em primeiro plano e a rejei-
berta com painéis fotovoltaicos, seriam geradas          tar o campo do conhecimento, da ciência, da tecnologia sustentável,
cerca de 44 GWp (gigawatts potência), ou seja,           das artes, da espiritualidade.
cerca de 20% da energia consumida no país.                 Há muito poderíamos ter tido a solução para problemas como o câncer,
  A proposta não é cobrir áreas tão extensas com         doenças hereditárias e autoimunes, cardiovasculares, psiquiátricas, entre
painéis, mas é um exemplo de seu potencial,              outras, se o lucro da indústria médico-farmacêutica não dominasse a pes-
onde novos modelos devem gerar energia de                quisa e a prática médica. Problemas de tóxico-dependência também es-
forma descentralizada. A cobertura de um está-           tariam resolvidos se a estrutura social fosse organizada de forma a prover
dio de futebol pode virar uma usina ou mesmo             os elementos básicos para a segurança, saúde e bem-estar dos cidadãos.
os telhados de vinte casas de um condomínio.               Estamos entrando numa era da humanidade em que deparamos com
  No final da década de 70, cada watt produ-             uma encruzilhada: ou nos tornamos seres mais conscientes, conhecedo-
zido por meio de células fotovoltaicas custa-            res dos nossos problemas interiores e responsáveis por nossos semelhan-
va 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4          tes e pela sociedade em que vivemos, dando início a uma era de incrí-
dólares. Especialistas estimam que quando o              vel desenvolvimento sustentável, saúde e prosperidade, ou assistiremos
valor baixar para entre 1,5 e 2 dólares, a ener-         (de forma ativa ou omissa) a extinção da vida no planeta Terra.Uma era
gia solar conseguirá competir com qualquer               em que a trilogia da beleza, verdade e bondade passará a estar presente
outro tipo de energia.                                   no nosso cotidiano ao invés da violência, da fome e da injustiça.
  Ao adotarmos medidas mais sustentáveis,
todos ganham. O índio ficará com suas ter-               Serviço:
ras, rios e florestas serão preservados, a agri-         Fórum Psico-Social Curando o Mundo pela Consciência (da Inversão)
cultura aumentará sua produção e deputa-                 Data: 13 a 15 de Maio de 2010
dos economistas se aposentarão, retornan-                Local: Colégio Stella Maris – São Paulo
do às suas cavernas!                                     Informações: www.stopforum.org
Eloy é Coordenador do Escritório Verde da Universidade   Fone: (11)3034.1550
Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR



                                                                                                               revista do meio ambiente abr 2010
especial




                                                                                                                                                               Dia do
texto J. Rosha (www.adital.com.br)




                                                                                                                                                               índio?
                                                                                                                                                               outras coisas, de uma organização social nos
                                                                                                                                                               moldes em que eles, colonizadores, conheciam.
                                                                                                                                                                 O que se fez, a partir daí, foi uma verdadei-
                                                                                                                                                               ra “limpeza étnica” no território brasileiro. Os
                                                                                                                                                               povos indígenas foram – e continuam sendo
                                                                                                                                                               – agredidos das formas mais impiedosas para
                                                                                                                                                               dar lugar ao modelo capitalista de “desenvol-
                                                                                                                                                               vimento” de tal sorte que nos 70 o governo
                                                                                                                                                               militar previa a completa eliminação deles
                                                                                                                                                               até o fim do século XX. Para o bem do povo
                                                                                                                                                               brasileiro e dos povos indígenas, a ditadura
                                                                                                                                                               militar de 64 não resistiu às pressões popula-
                                                                                                                                                               res e teve seu fim na metade dos anos 80.
                                                                                                                                                                 De cerca de 100 mil que eram nos anos 70,
                                                                                                                                                               na primeira década do século XXI eles pas-
                                                                                                                                                               saram a ser mais de 700 mil, de acordo com
                                                                                                                                                               dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
                                                                                                                                                               Estatística - IBGE.
                                                                                                                                                                 A partir das mobilizações para a Assembléia
                                                                                                                                                               Nacional Constituinte (1987-1988), as lutas do
                                                                                                                                                               movimento indígena passaram a ter maior
                                                                                                                                   É preciso desfazer
                                                                                                                                                               visibilidade. Precisamente a partir daí alguns
                                                                                                                                       esse equívoco:          conflitos ganham maior espaço nos notici-
                                     Rubens Nemitz Jr (www. fotopontocom.com)




                                                                                                                                  não existe e nunca           ários e, em muitos municípios onde antes se
                                                                                                                                     existiu índio no          dizia que não existiam mais indígenas, eles
                                                                                                                                                               surgem com muita força, incomodando prin-
                                                                                                                                   Brasil. Esse termo
                                                                                                                                                               cipalmente os grandes latifundiários. Torna-
                                                                                                                                      tem sido usado           ram-se alvo de campanhas difamatórias em-
                                                                                                                                   ao longo de cinco           preendidas por fazendeiros, mineradoras, mi-
                                                                                                                                    séculos com uma            litares e políticos. A luta pela demarcação da
                                                                                                                                                               terra indígena Raposa Serra do Sol, em Rorai-
                                                                                                                                       violenta carga
                                                                                                                                                               ma, é um dos exemplos disso.
                                                                                                                                       de preconceito            Com a Constituição de 1988 vem o reconheci-
                                                                                                                                                               mento, pelo Estado Brasileiro, dos direitos dos
                                                                                “Índio”, enquanto conceito para designar os primeiros habitantes,              povos indígenas à terra tradicionalmente ocu-
                                                                                é um termo genérico, impreciso. Quando os primeiros colonizadores              pada e a viver de acordo com seus costumes e
                                                                                chegaram, não encontraram “índios”, mas os Tupiniquim, Guarani,                tradições. Foram reconhecidas também suas
                                                                                Xukuru, Xavante e muitos outros que formavam uma população de                  formas próprias de organização, mas isso tem
                                                                                mais de cinco milhões de pessoas de vários povos e culturas diferentes.        ficado só no papel. Na prática, o estado tem fa-
                                                                                  Não foi só homens “pardos, ...nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas   lhado em formular políticas públicas que ga-
                                                                                vergonhas” – como escreveu Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal – que a      rantam e viabilizem esses direitos. A situação
                                                                                tripulação de Pedro Álvares Cabral encontrou. Foi muito mais que isso. Eles    da saúde é a que com muita propriedade ilus-
                                                                                encontram um tipo de organização social para o qual não tinham paradigma.      tra essa afirmação e a que tem causado maiores
                                                                                Para eles, a forma de organização social conhecida era o Estado – uma insti-   transtornos aos indígenas nos últimos anos.
                                                                                tuição ainda em formação naquele momento da história da Humanidade.              Desfazer o equívoco e o preconceito é, portan-
                                                                                Portanto, uma terra onde não havia um rei, um estado ou um exército para       to, um passo para compreender a importância
                                                                                repelir os invasores, era uma terra pronta para ser ocupada e dominada.        que têm os indígenas no mundo de hoje e sua
                                                                                  E para que pudessem ocupar o território e tomar posse dele, era preciso,     contribuição para outros povos do planeta.
                                                                                primeiro, negar aos indígenas a sua condição de povos pela ausência, dentre    Fonte: CIMI Norte 2



        abr 2010 revista do meio ambiente
Estrutura completa
                                      para eventos
                                        2 Salões de eventos:
                                     • Capacidade para até 120 PAX
                                              • Luz natural
                                           • Ar condicionado
                                             • Wireless LAN




                                            Gastronomia:
                                           • Regional e mineira
                                      • Receptivos a beira da piscina
                                  • Cafés da manhã, almoços e jantares
                                          no nosso aconchegante
                                         restaurante “da fazenda”
                                   • Coffee breaks temáticos em áreas
                                       verdes e varandas tranquilas

A apenas 1h30 do Rio de Janeiro   www.hotelfazendagalovermelho.com.br / gv@hotelfazendagalovermelho.com.br
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                                        Telefone: (24) 2491-9501 / 2491-9502
texto Zínia Baeta (Jornal Valor)   10 ecologia humana




                                    Favela nunca mais
                                     Juiz encontra alternativas para acabar com favelas                             jurídica e físico-territorial) – que deu origem
                                                                                                                    ao Moradia Legal – encarregado de fazer um
                                     São 10h30 da manhã de uma segunda-feira, quase 30 graus em Ribeirão            raio-X das favelas, levantar o número de famí-
                                     Preto (SP). O juiz João Gandini, titular da 2ª Vara de Fazenda do município,   lias e a situação de cada uma.
                                     deixa por algumas horas o conforto do ar-condicionado do gabinete e os           “Cada barraco foi numerado e os nomes das fa-
                                     34 mil processos sob sua responsabilidade para acompanhar a última etapa       mílias registrados”, afirma. O resultado do “cen-
                                     do projeto de urbanização de uma das mais antigas favelas da cidade – agora,   so” foi a constatação da existência de 4,5 mil fa-
                                     o bairro Monte Alegre. No local, não há mais barracos de madeira, mas casas    mílias, ou 20 mil pessoas nessas comunidades.
                                     de alvenaria. As 330 famílias que moram no bairro possuem água encanada        Em uma segunda etapa do projeto, foram esco-
                                     e energia elétrica. Com a demolição de 90 barracos, os becos deram passagem    lhidos os núcleos que deveriam ter prioridade e,
                                     a ruas, o que permite a coleta semanal de lixo, algo impensável até então.     a partir daí, buscou-se recursos para a retirada
                                       A urbanização da favela não foi proposta pelo Poder Executivo – apesar       de famílias de áreas de risco e ainda a urbaniza-
                                     de contar com verbas públicas e implementação técnica da Cohab – mas           ção das favelas onde a medida fosse viável.
                                     pelo magistrado, que há quatro anos idealizou o projeto Moradia Legal,           Foi necessário também propor alterações na
                                     responsável pelo encaminhamento de 1,7 mil famílias de Ribeirão Preto          legislação do município sobre o uso e ocupa-
                                     que vivem em situação precária.                                                ção do solo, com a criação de áreas de interesse
                                       O magistrado passou parte de sua vida no Jardim Ângela, bairro da zona       social – o que permite a concessão de isenções
                                     sul da cidade de São Paulo, que já foi considerado um dos mais violentos do    tributárias – e normas que coibissem a cons-
                                     país. Filho de um pequeno agricultor de Adolfo, cidade do interior de São      trução em áreas irregulares, para evitar o sur-
                                     Paulo, Gandini mudou-se com a família para a capital quando tinha dez          gimento de novas favelas.
                                     anos. Para ajudar nas despesas de casa, foi catador de papelão e vendedor        Quatro anos após o início do Moradia Legal,
                                     de sorvete, mas acabou realizando o grande sonho: aos 21 anos, entrou na       os resultados são animadores. Uma das áreas
                                     faculdade do Largo São Francisco. Gandini, que superou inúmeros obstácu-       escolhidas pelo programa está no entorno do
                                     los para chegar à magistratura, diz que gosta de solucionar o drama por trás   aeroporto do município. De lá serão retiradas
                                     de cada ação. “O processo é frio, um livro onde há um drama humano. O juiz     720 famílias, das quais 29 já estão instaladas
                                     tem que solucionar esse drama e não apenas o processo”, diz.                   em casas construídas pela prefeitura no bair-
                                       Foi com essa motivação e também inspirado em sua história de vida que        ro Paulo Gomes Romeu. As obras estão sendo
                                     Gandini saiu muitas vezes do gabinete para buscar uma solução real para os     custeadas pelo município, Estado e União. Se-
                                     diversos processos de reintegração de posse de áreas do município, que foram   gundo Gandini, R$ 47 milhões são provenien-
                                     invadidas e já possuíam alguma decisão judicial, mas sem resultado efetivo.    tes do Programa de Aceleração do Crescimen-
                                       O magistrado, acompanhado pelo também juiz Júlio César Dominguez, ti-        to (PAC) do governo federal.
                                     tular da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão, mobilizou a sociedade para      As demais 692 moradias, que estão em fase de
                                     resolver não só os processos que estavam sob sua mesa, mas também para         construção da cobertura, devem ser entregues
                                     acabar com as 34 favelas da cidade – mapeadas por ele e um fotógrafo, que      no máximo até o início de 2011. Para o local de
                                     sobrevoaram o município por 51 minutos em um helicóptero.                      transferência, a infraestrutura já está pronta: há
                                       Feito isto, Gandini buscou os governos municipal, estadual e federal, Câ-    creches, escolas e postos de saúde funcionando.
                                     mara de Vereadores, Ministério Público, empresários, uniu igrejas e contou       Outra área cujo projeto já foi finalizado é
                                     com muitos voluntários. Montou um grupo dividido por áreas (financeira,        o núcleo de Monte Alegre, hoje um bairro do


       abr 2010 revista do meio ambiente
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                                                                                                                                        Alex Wolcott (Flickr)
município, reconhecido por lei aprovada na Câ-      A urbanização            ções na rede elétrica, conhecidas como gatos,
mara. Para a urbanização, 90 barracos foram                                  foram solucionadas. O programa de desfaveli-
                                                    da favela não foi
derrubados para a abertura de ruas, canaliza-                                zação do Monte Alegre foi custeado pelo mu-
ção de água, esgoto, instalação de postes de luz    proposta pelo Poder      nicípio, com uma verba de R$ 3,8 milhões.
e a construção de três praças. As famílias, cujas   Executivo – apesar         Na favela Faiane, distrito de Bonfim Paulis-
casas deixaram de existir, foram transferidas                                ta, a solução para a área de risco veio de uma
                                                    de contar com
para moradias construídas pela Cohab, distan-                                parceria com a iniciativa privada. Gandini
tes cerca de um quilômetro da antiga favela.        verbas públicas          explica que 44 famílias serão retiradas para
As moradias são subsidiadas e as famílias pa-       e implementação          uma área contígua ao longo dos próximos
garão R$ 65,00 por mês, ao longo de dez anos,                                dois anos. As obras são custeadas por uma
                                                    técnica da Cohab –
para a aquisição do bem. As 330 casas que per-                               construtora, que está implantando um gran-
maneceram no núcleo são de alvenaria.               mas pelo magistrado,     de empreendimento residencial na região.
  Segundo Gandini, o programa fechou um             que há quatro anos         Outros dois núcleos também estão com
acordo com a CPFL Energia, que doou para                                     programas em andamento. Em Mangueiras,
cada casa do Monte Alegre relógios para a
                                                    idealizou o projeto      zona oeste de Ribeirão, as obras para a cons-
medição de energia, geladeiras, postinhos de        Moradia Legal,           trução de 384 apartamentos estão em fase
iluminação, chuveiro e lâmpadas econômi-            responsável pelo         de licitação pelo governo estadual. A favela
cas. Além disso, toda a reforma elétrica inter-                              de Várzea, zona norte, possui 530 famílias, e
na foi realizada pela companhia.                    encaminhamento           passa por estudos geológico e topográfico.
  O gerente de relações com o poder público         de 1,7 mil famílias      “Cerca de 1.700 famílias estão com a situa-
da CPFL, Luiz Carlos Valli, afirma que, além do     de Ribeirão Preto        ção resolvida ou encaminhada. Meu objetivo
aspecto social da medida – que permitirá aos                                 é que não existam mais favelas em Ribeirão
moradores terem contas de energia e forma           que vivem em             em alguns anos”, afirma o juiz.
de comprovação de endereço –, as adultera-          situação precária        Fonte: IHU Online / Jornal Valor




                                                                           • Carimbos automáticos
                                                                           • Cartões e panfletos coloridos
                                                                           • Impressos em geral
                                                                           • Placas de aço, metal, acrílico e outros
                                                                           • Crachás, broches, botons e acessórios
                                                                           • Sinalização de segurança e vias públicas
                                                                           • Imã de geladeira e carro
                                                                           • Chaveiros e brindes em geral
                                                                           • Xerox, encadernação, plastificação


       (22) 2762-0025 / 2770-4634 • sulimpress@gmail.com
                                                                                                                revista do meio ambiente abr 2010
texto Jacques Pena (Presidente da Fundação Banco do Brasil)   12 ecologia humana

                                                                                                                                                                          Em Cristalina (GO),
                                                                                                                                                                          unidade demonstrativa do
                                                                                                                                                                          Pais em plena produção

                                                                O Banco de Tecnologias
                                                                Sociais (BTS), disponível na
                                                                Internet, reúne mais
                                                                de 500 tecnologias sociais




                                                                                                                                                                                                     Marcia Gouthier/Agência Sebrae
                                                                tecnologias sociais
                                                                e o cenário internacional
                                                                Nos últimos 10 anos o Brasil vem se apresentando como um país                 surgem nesse mesmo contexto, apresentando
                                                                que se envolve em questões globais, demonstrando interesse em ofe-            alternativas de segurança alimentar em um
                                                                recer apoio aos países que enfrentam problemas socioambientais.               país que sofre com a falta de alimentos.
                                                                Essa aparição geralmente surge com a oferta de soluções que foram               O Pais promove um sistema de produção or-
                                                                aplicadas aqui e obtiveram resultados positivos no enfrentamento de           gânica de hortaliças, frutas e pequenos animais,
                                                                entraves para o desenvolvimento, como a desigualdade social, o acesso         tendo como pressupostos a racionalização de re-
                                                                à educação de qualidade e oportunidades de trabalho.                          cursos e o manejo ecológico da terra. Toda a pro-
                                                                  Os avanços no Brasil se devem a um fenômeno interessante e importante       dução acontece sem o uso de agrotóxicos, propi-
                                                                de ser observado – uma série de iniciativas feitas pelas próprias comuni-     ciando alimentos saudáveis e livres de quaisquer
                                                                dades e, às vezes, com o conhecimento técnico de universidades ou outros      interferências químicas. Já a irrigação é feita por
                                                                centros de pesquisa, para beneficiar pequenos grupos de famílias, mas que     meio de um sistema de gotejamento, o que evita
                                                                se expandiram e melhoraram as condições de vida de centenas de pessoas        o desperdício de água e possibilita a implanta-
                                                                e reforçaram as políticas públicas.                                           ção do modelo inclusive em regiões com poucas
                                                                  Esses projetos se tornaram cada vez mais completos e complexos, tendo em    reservas hídricas, como é o caso do Haiti.
                                                                vista a necessidade de se organizarem para abarcar o grande número de ma-       Moçambicanos e salvadorenhos também já
                                                                zelas sociais. Os projetos evoluíram para uma dinâmica diferente chamada      demonstraram interesse em conhecer as tec-
                                                                Tecnologia Social, que considera que produtos, técnicas ou metodologias se-   nologias sociais brasileiras. Eles querem saber
                                                                jam, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efeti-     o que as suas comunidades vêm fazendo para
                                                                vas soluções de transformação social e possam ser reaplicadas em escala.      mudar suas realidades. A Fundação Banco do
                                                                  Exemplo dessa evolução de tecnologias sociais, destacamos o Banco de        Brasil faz do incentivo à estas tecnologias sua
                                                                Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet. O BTS, idealizado e man-   contribuição para o desenvolvimento do nos-
                                                                tido pela Fundação Banco do Brasil, reúne mais de 500 tecnologias sociais     so país e acredita que elas podem, sim, fazer a
                                                                de diversas fontes e categorias e serve como um pólo disseminador de so-      transformação social de milhares de pessoas.
                                                                luções práticas e de reaplicação fácil para toda a sociedade.                 Fonte: David Telles - Fundação Banco do Brasil
                                                                  Essas tecnologias são de fácil aplicação e baixo custo, o que as tornam
                                                                eficazes em cenários de extrema pobreza ou aqueles afetados por desequi-      Comentário do leitor do Portal
                                                                líbrios ambientais. O recente episódio do Haiti reacendeu o debate sobre a    Se realmente todos tivessem a consciência social
                                                                forma como o Brasil pode ajudar a reconstruir aquele país e as tecnologias    muita coisa boa iria e vai acontecer no mundo,
                                                                sociais se mostraram a forma mais adequada. Tecnologias Sociais como a        isso é importante para existirmos como planeta
                                                                Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) – reaplicada em mais    neste imenso universo, é preciso tentar, é preciso
                                                                de 6 mil unidades, em 19 estados, pela Fundação Banco do Brasil em con-       arriscar, é preciso agir....
                                                                junto com diversos parceiros como BNDES, Petrobras, SEBRAE e governos –       Isabela Santos


              abr 2010 revista do meio ambiente
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1 água e saneamento




        Água suja
                                        mata mais que guerras
        De acordo com o estudo, intitulado “Água do-        Na Semana




                                                                                                     Chang Ha Park / Good Neighbors (www.goodneighbors.org)
        ente”, a falta de água limpa mata 1,8 milhão        Mundial da
        de crianças com menos de 5 anos de idade
        anualmente, o que representa uma morte
                                                            Água, o alerta
        a cada 20 segundos. Grande parte do despejo         de um relatório
        de resíduos acontece nos países em desenvol-        do Programa do
        vimento, que lançam 90% da água de esgoto           Meio Ambiente
        sem tratamento. No Brasil, uma das maiores
        causas de morte associada à falta de sanea-
                                                            das Nações
        mento é a diarreia. A doença mata cerca de 2,2      Unidas foi
        milhões de pessoas em todo o mundo anual-           duro: as águas
        mente. Mais da metade dos leitos de hospital        do planeta
        no planeta, diz o estudo, é ocupada por pessoas
        com doenças ligadas à água contaminada.
                                                            estão cada vez
          “Precisamos nos tornar mais inteligentes so-      mais poluídas
        bre a administração de água de esgoto se pre-       e mais pessoas
        tendemos sobreviver num mundo que cami-             morrem hoje
        nha para ter mais de 9 bilhões de habitantes
        até 2050”, alertou o diretor do Unep, o brasilei-
                                                            por causa dessa
        ro naturalizado alemão Achim Steiner.               contaminação
                                                            do que por
        Questão de direitos humanos                         todas as formas
          O relatório da Unep ressalta que dois milhões
        de toneladas de resíduos contaminam cerca de
                                                            de violência,
        dois bilhões de toneladas de água diariamente,      inclusive
        seja em rios ou oceanos, causando gigantescas       as guerras
        zonas mortas, sufocando recifes de corais e pei-
        xes. Para tentar solucionar o problema, o Unep
        recomenda sistemas de reciclagem de água
        e projetos para o tratamento de esgoto. Seu es-
        tudo coincide com outro relatório das Nações
        Unidas, publicado semana passada, que reve-
        la que uma entre cada seis pessoas no planeta
        não tem acesso à água potável e que até 2025,
        a estimativa é que dois terços da população
        mundial vão sofrer com a escassez de água.
          Em mensagem sobre a data, o secretário-ge-
        ral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a água
        é uma questão de direitos humanos e está li-
        gada a todos os objetivos da entidade, entre
        eles o desenvolvimento sustentável e a adap-
        tação aos efeitos das mudanças climáticas.
          Na Suíça, manifestantes espalharam em uma
        praça em Berna, capital do país, quatro mil ma-
        madeiras cheias de água poluída. No Reino
        Unido, ativistas do Greenpeace colocaram um
        vaso sanitário em frente ao Parlamento britâ-                         Crianças coletam água
        nico, em protesto contra a poluição das águas                         suja em garrafas, na
        e a falta de tratamento sanitário no planeta.                         região do Chade, país do
        Fonte: IHU Online / O Globo                                           centro-norte africano


abr 2010 revista do meio ambiente
energia 1




energia limPa




                                                                                                                                               texto Paula Gil (Efe)
A energia que em um futuro próximo ilumi-
nará nossas casas será limpa, barata e, para
a felicidade dos ferrenhos consumidores de
                                                    ao alcance de todos
luz, permitirá praticamente se desvincular          Gerador caseiro




                                                                                                                                  Divulgação
das companhias de energia elétrica.
                                                    promete
  Pelo menos é o que promete a Bloom Energy,
uma empresa californiana que há oito anos tra-      revolucionar
balha de forma secreta em uma nova fonte de         setor energético
energia. Esta semana, ela apresentou seu produ-     nos EUA
to a especialistas do setor e jornalistas.
  O Bloom Box, como se chama o aparelho,
é um inovador gerador que utiliza biocom-
bustíveis ou gás para produzir eletricidade e,
                                                                                                              Gerador de 500 kw
segundo seus criadores, permitirá a empresas
                                                                                                              instalado no eBay
e pessoas comuns gerar sua própria energia
de forma limpa e econômica.
                                                                          do Centro Nacional de Pesquisa de Pilhas de
  Por enquanto, os geradores têm o tamanho
                                                                          Combustível ao diário “Los Angeles Times”.
de um carro pequeno e custam em torno de
                                                                            Os especialistas opinam que ainda há muitas
US$ 800 mil. Embora a Bloom Energy insista
                                                                          questões por resolver antes de a inovação che-
que o investimento inicial pode ser recupera-
                                                                          gar às mãos de todos os consumidores, como
do em entre três e cinco anos, o preço não está
                                                                          por exemplo a vida útil do aparelho, que a
ao alcance da maioria. A empresa acredita que
                                                    A grande vantagem     Bloom Energy não esclareceu ainda. Pouca du-
em dez anos poderá fabricar geradores do ta-
                                                                          ração poderia significar o fracasso da invenção.
manho de um tijolo e a um preço em torno de         é que o gerador       Outros analistas apontaram que a inovação po-
US$ 3 mil, transformando cada consumidor
                                                    permitirá aos         deria ter um indesejável efeito sobre o preço do
em uma potencial central elétrica.
                                                    consumidores abrir    gás natural ou dos biocombustíveis, disparan-
  Por enquanto, só grandes empresas têm acesso
                                                                          do o valor pelo aumento na demanda.
ao aparelho e algumas companhias como Coca-         mão da companhia        Alguns temem também que o aparelho se
Cola e eBay testaram seu uso nos últimos me-
ses. O primeiro cliente da Bloom Energy foi outra
                                                    elétrica ou usá-      transforme em um novo Segway, aquele patine-
                                                    la só em casos de     te elétrico com o qual seus criadores esperavam
companhia do Vale do Silício, Google, que tem
                                                                          revolucionar o mundo do transporte há cerca de
instalado um gerador de 400 quilowatts em um        emergência, apesar    dez anos e que hoje é simplesmente uma curio-
de seus prédios e cobre com ele boa parte de seu
consumo elétrico desde julho de 2008.
                                                    de ser necessário     sidade para turistas em algumas cidades.
                                                                          Fonte: InfoBio / Folha Online
  A Bloom Energy não é a única empresa tra-         dispor de uma
balhando neste promissor setor, mas foi, tal-       provisão de gás ou          Leia matéria na íntegra em:
vez, a mais rápida. “Há provavelmente cerca                                     http:// www.portaldomeioambiente.org.br/
de 100 companhias trabalhando em algo mui-          biocombustível para         energia/ 3654-gerador-caseiro-promete-
to similar”, disse Jack Brower, diretor associado   fazê-lo funcionar           revolucionar-setor-energetico-nos-eua.html




                                                                                                          revista do meio ambiente abr 2010
1 denúncia socioambiental




        Mapa da injustiça
        Foi lançado o Mapa de Injustiça Ambiental e        A busca por socializar informações, desse modo,
        Saúde no Brasil. O trabalho, que está dispo-
                                                           pretende dar visibilidade a denúncias, permitindo
        nível na Internet, é resultado de um proje-
        to desenvolvido em conjunto pela Fundação          o monitoramento de ações e projetos que enfrentem
        Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Fundação de          situações de injustiças ambientais e problemas
        Atendimento Socioeducativo (Fase), com o           de saúde em diferentes territórios, como cidades,
        apoio do Departamento de Saúde Ambiental e         campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras
        Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde.
          O objetivo do mapeamento é apoiar a luta de
        inúmeras populações e grupos atingidos em          Mapa de exclusão da pesca na Baía de Guanabara
        seus territórios por projetos e políticas base-
        adas numa visão de desenvolvimento consi-
        derada insustentável e prejudicial à saúde. A
        busca por socializar informações, desse modo,
        pretende dar visibilidade a denúncias, permi-
        tindo o monitoramento de ações e projetos
        que enfrentem situações de injustiças am-
        bientais e problemas de saúde em diferentes
        territórios, como cidades, campos e florestas,
        sem esquecer as zonas costeiras.
          Os organizadores da iniciativa pedem que os
        visitantes do mapa preencham a página “Fale
        conosco”, dedicada a comentários, críticas, com-
        plementações e/ou correções de dados, assim
        como novas denúncias e sugestões.
          “O Mapa é de todas e todos nós. Mas, para
        que isso se torne uma realidade de fato e de
        direito, é fundamental que nos apropriemos
        dele e que, de agora em diante, ele se torne
        uma construção coletiva a serviço da justiça
        ambiental, da cidadania, da democracia e con-
        tra todo tipo de abuso, de exploração e de ra-
        cismo”, informam os coordenadores do mapa.

        Mapa da injustiça ambiental
          Este mapa de conflitos envolvendo injus-
        tiça ambiental e Saúde no Brasil é resulta-
        do de um projeto desenvolvido em conjunto
        pela Fiocruz e pela Fase, com o apoiodo De-
        partamento de Saúde Ambiental e Saúde do
        Trabalhador do Ministério da Saúde                 Legenda        Hidrografia        Ramal ferroviário Comperj             APA de Guapimirim
          O objetivo maior deste mapa é apoiar a luta                                                                                   GLP/GNL - Área
                                                                  Lagos, reservatórios                 Limite municipal
        de inúmeras populações e grupos atingidos/as                                                                              diretamente afetada
                                                                                                                                     GLP/GNL - Área de
                                                                                         Limites distritais no município
        em seus territórios por projetos e políticas ba-              Áreas alagadas
                                                                                                              de Itaboraí           influência indireta
                                                                                                                              Duto Comperj Sul - Área
        seadas numa visão de desenvolvimento consi-                 Estradas Federais     Áreas de proteção ambiental             diretamente afetada

        derada insustentável e prejudicial à saúde.                Estradas Estaduais          Faixa de dutos existente
                                                                                                                            Duto Comperj Sul - Área de
                                                                                                                                    influência indireta
          Nesse sentido, busca socializar informa-         Acesso rodoviário principal     Faixa de dutos Comperj - Sul
                                                                                                                              Outros existentes - Área
                                                                                                                                  diretamente afetada
        ções, dar visibilidade a denúncias e permitir                  Áreas urbanas
                                                                                                         Faixa de dutos     Outros existentes - Área de
                                                                                                        Comperj - Norte             influência indireta
        o monitoramento de ações e de projetos que                                                                            Polibrasil/Suzano - Área
                                                                     Área da Comperj              Outros dutos na Baía
        enfrentem situações de injustiças ambien-                                                       de Guanabara              diretamente afetada
                                                                             Ferrovia                                                     Reduc - Área
        tais e problemas de saúde em diferentes ter-                                                                              diretamente afetada




abr 2010 revista do meio ambiente
17




amBiental



 Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara            Para ter acesso ao laudo técnico do Ibama referente aos empreendimentos da
 (Ahomar) defendendo o meio ambiente e aqueles       Petrobras, na Baía de Guanabara, solicitado pelo MPF/RJ, fruto de representação da
    que sempre viveram em harmonia de maneira        Ahomar), em 2009, faça contato com o presidente da Ahomar, Alexandre Anderson:
                sustentável: o pescador artesanal                       (21) 2631-8289 / (21) 8626-3988, grupohomensdomar@gmail.com

ritórios e populações das cidades, campos e         acima de tudo, o Mapa está aberto para informar, para receber denúncias
florestas, sem esquecer as zonas costeiras.         e para monitorar as ações dos diversos níveis do Estado tomadas a respei-
  Os conflitos foram levantados tendo por base      to. Nesse sentido, ele está democraticamente a serviço do público em ge-
principalmente as situações de injustiça am-        ral e, principalmente, das populações atingidas, dos parceiros solidários e
biental discutidas em diferentes fóruns e redes     de todos e todas que se preocupam com a justiça social e ambiental.
a partir do início de 2006, em particular a Rede      O Mapa apresenta cerca de 300 casos distribuídos por todo o país e georre-
Brasileira de Justiça Ambiental (www.justica-       ferenciados. A busca de casos pode ser feita por Unidade federativa (UF) ou
ambiental.org.br). Esse universo não esgota as      por palavra chave. Clicando em cima do caso que aparece no mapa por estado
inúmeras situações existentes no país, mas re-      surge inicialmente uma ficha inicial com os municípios e populações atingi-
flete uma parcela importante de casos nos quais     das, os riscos e impactos ambientais, bem como os problemas de saúde rela-
populações atingidas, movimentos sociais e en-      cionados. Clicando na ficha completa do conflito aparecem as informações
tidades ambientalistas vêm se posicionando.         mais detalhadas, incluindo populações atingidas, danos causados, uma sín-
  Embora tenha contado com apoio governa-           tese resumida, uma síntese ampliada e as fontes de informação utilizadas.
mental para a sua realização (e esperamos             O Mapa pertence a todos/as os/as interessados/as na construção de uma
venha a ser utilizado pelo Ministério da Saú-       sociedade socialmente justa e ambientalmente sustentável. Por isso mesmo,
de e por outros órgãos e instâncias - federais,     cabe a nós não apenas usá-lo, mas também mantê-lo alimentado de novas
estaduais e municipais – na busca de dados          informações, fazendo dele um importante instrumento para o aprimora-
e diagnósticos para suas políticas e gestões),      mento da democracia e para a garantia dos direitos humanos e da cidadania
ele é direcionado para a sociedade civil. A ela     plena para cada habitante deste País. Sejam bem-vindas/os!
e às diferentes entidades que a conformam,          Fonte: Ecoagência / Envolverde



                                                                                                                revista do meio ambiente abr 2010
1 animais




        Financiando a
       destruição
        O vídeo da campanha
         do Greenpeace pode
          ser visto em http://
        www. greenpeace.org.
                    br/kitkat/




                                                                                                                                            Frames: ©Greenpeace
                                                                                          Nestlé financia destruição
                                                                                          de floresta e põe orangotangos
                                                                                          no rumo da extinção

        Protestos pipocaram por toda a Europa contra a destruição das florestas           se duplicou, alcançando a marca de 320.000 to-
        que servem de habitat para orangotangos na Indonésia. O motor dessa               neladas que entram em uma enorme gama de
        devastação, que colocou os primatas à beira da extinção, é a conversão            produtos, incluindo o chocolate mega popular
        do uso do solo de mata virgem para o plantio de palmáceas.                        KitKat, que não é vendido no Brasil.
           A Nestlé, que sustenta essa atividade comprando óleo de palma da                 “Toda vez que você der uma mordida em
        Indonésia para produzir chocolates como o KitKat, foi o alvo das mani-            um KitKat, você pode estar dando uma mor-
        festações no continente europeu, parte de uma campanha global que                 dida nas florestas tropicais da Indonésia, que
        o Greenpeace lançou contra a companhia. A Nestlé por enquanto con-                são fundamentais para a sobrevivência dos
        tinua jogando de ponta de lança no time das empresas que estimulam                orangotangos. A Nestlé precisa dar aos oran-
        a destruição das florestas tropicais.                                             gotangos uma pausa e parar de utilizar óleo
          Além de financiar a derrubada em massa de mata na Indonésia e em-               de palma de fornecedores que estão destruin-
        purrar os orangotangos para o abismo da extinção, a Nestlé está contri-           do as florestas”, disse Daniela Montalto, do
        buindo para agravar o aquecimento global. Florestas ajudam a regular              Greenpeace internacional.
        o clima e acabar com o desmatamento, uma das maneiras mais rápidas                  O lançamento do relatório segue numero-
        de reduzir as emissões de Co2 na atmosfera.                                       sas tentativas de convencer a Nestlé a cance-
          Foi por isso que escritórios da Nestlé na Inglaterra, Holanda e Alemanha        lar seus contratos com a Sinar Mas. Recente-
        acabaram sendo palco de protestos por ativistas do Greenpeace, pedindo            mente, o Greenpeace contactou várias vezes
        para que a empresa deixe de utilizar óleo de palma proveniente da destrui-        a empresa com provas sobre as práticas da
        ção de área antes ocupada por florestas na Indonésia.                             Sinar Mas, mas mesmo assim a Nestlé con-
          As manifestações concidiram com o lançamento de um novo relatório do            tinua usando o óleo de palma da Indonésia
        Greenpeace – Pega com a mão na cumbuca: como o emprego de óleo de pal-            em seus produtos.
        ma pela Nestlé tem um impacto devastador na floresta tropical, no clima             Diversas empresas importantes, incluindo a
        e nos orangotangos – que expõe os laços entre a Nestlé e fornecedores de          Unilever e Kraft, cancelaram os contratos de
        óleo de palma, como a Sinar Mas, que estão ampliando suas plantações em           óleo de palma com a Sinar Mas. A Unilever
        florestas de turfa (ricas em carbono) e nas florestas tropicias da Indonésia.     cancelou um contrato de 30 milhões de dólares
          Além da produção de óleo de palma, a Sinar Mas também é proprietá-              no ano passado. A Kraft cancelou o seu em fe-
        ria da Ásia celulose, a maior empresa de papel da Indonésia. A empresa            vereiro. “Outras grandes empresas estão agin-
        também infringe a lei da Indonésia ao destruir as florestas protegidas            do, mas a Nestlé continua fechando os olhos
        para cultivar plantações de óleo de palma.                                        para os piores infratores. É tempo de a Nestlé
          Como todos devem saber, a Nestlé é a maior empresa de alimentos e bebidas       cancelar seus contratos com a Sinar Mas e pa-
        do mundo. O que ninguém sabia até então era que a empresa também é um             rar de contribuir com a destruição das floresta
        grande consumidor de óleo de palma produzido às custas do desmatamento            tropical e de turfas,” frisou Montalto.
        das florestas tropicais. Nos últimos três anos, a utilização anual do óleo qua-   Fonte: Greenpeace / Reasul



abr 2010 revista do meio ambiente
Extinção
                                                                                                                                          19




                                                                                                                                                              texto Marcelo Szpilman, biólogo marinho e diretor do Instituto Ecológico Aqualung (instaqua@uol.com.br)
Com o objetivo de chamar a atenção dos gover-
nantes e da população para a necessidade de
preservação da vida em nosso Planeta, a ONU
                                                    à vista
lançou recentemente uma campanha elegen-
do 2010 como o “Ano da Biodiversidade”.             Animais ameaçados
  Em janeiro desse ano, o World Wildlife Fund
                                                    de extinção no “Ano
(WWF) divulgou uma lista com os principais
animais ameaçados de extinção. Apesar de            da Biodiversidade”
achar que nessa lista deveriam constar tam-
bém algumas espécies de tubarões vulneráveis
e em perigo de extinção, como o grande tuba-
rão-branco, vale a pena repassá-la e refletir so-
bre o comportamento do ser humano e sua ar-
rogante pretensão de se achar mais evoluído
e mais importante do que os outros seres que




                                                                                                                                     Diane Hammond (Flickr)
compartilham o mesmo Planeta.
  Fora as causas já bastante conhecidas, como
o desmatamento e o aquecimento global, am-          A borboleta monarca
bos diretamente relacionados com atividades           é uma das espécies
humanas que muitas vezes são inevitáveis                 mais ameaçadas
para proporcionar a todos nós proteção e con-
forto nas cidades, pode-se perceber que nessa       achar comida. Não à toa, eles têm aparecido nas praias brasileiras, mui-
lista existem animais também ameaçados pela         tas vezes magros demais ou muito doentes. Das 17 espécies de pinguins,
inadmissível perseguição para a extração de         12 já estão ameaçadas pelo aquecimento global.
partes de seu corpo para obtenção de produ-         5. Tartaruga-gigante: também conhecida tartaruga-de-couro, são um dos
tos supérfluos cujos benefícios apregoados não      maiores répteis do planeta e chegam a pesar 700 quilos. Estimativas mostram
têm nenhuma base científica comprovada.             que há apenas 2,3 mil fêmeas no Oceano Pacífico, seu habitat natural. O au-
1. Tigre: novos levantamentos indicam que           mento das temperaturas, a pesca e a poluição têm ameaçado sua procriação.
existem menos de 3,2 mil tigres na natureza.        6. Atum-azul: um dos ingredientes principais do sushi de boa qualidade,
Hoje, só restam apenas 7% do habitat natu-          o atum encontrado nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo está sendo ex-
ral destes animais. O extermínio dos tigres         tinto por causa da pesca predatória. Uma proibição temporária da pesca
também está ligado à falta de informação.           desta espécie de atum ajudaria suas populações a voltar a um equilíbrio.
Em muitas partes da Ásia, os tigres são caça-       7. Gorila das montanhas: podem deixar de existir na próxima década.
dos porque partes do seu corpo são conside-         Existem apenas 720 animais vivendo nas florestas da África, e outros 200
radas medicinais.                                   no Parque Nacional de Virunga, a maior área de preservação desta espécie.
2. Urso polar: o urso polar se tornou o principal   Em muitas partes da África, os gorilas são caçados porque partes do seu cor-
símbolo dos animais que perdem seu habitat          po são consideradas medicinais.
natural devido ao aquecimento global. A eleva-      8. Borboleta monarca: as temperaturas extremas são a principal amea-
ção da temperatura no Ártico é uma das princi-      ça destas borboletas, que todo ano cruzam os Estados Unidos em busca do
pais ameaças aos ursos, assim como os petrolei-     calor mexicano. Elas vivem em florestas de pinheiros, área cada vez mais
ros e os derramamentos de óleo na região.           ameaçada pelo aquecimento global e urbanização crescente.
3. Morsa: os mais novos animais a entrarem          9. Rinoceronte de Java: existem apenas 60 destes rinocerontes em seus habi-
para a lista dos ameaçados, as morsas tam-          tat natural. Como seu chifre é usado na medicina tradicional asiática, os rino-
bém são diretamente afetadas pelo aqueci-           cerontes são caçados de forma predatória. A expansão das plantações também
mento global. Em setembro, 200 morsas fo-           tem acabado com as florestas que abrigam a espécie. O Vietnã, país que era
ram encontradas mortas nas praias do Alasca.        um grande habitat dos rinocerontes, abriga apenas 12 animais no momento.
Com o derretimento das geleiras, os animais         10. Panda: restam apenas 1,6 mil pandas na natureza, de acordo com o
estão ficando sem comida.                           WWF. Eles vivem nas florestas da China, que estão cada vez mais ameaça-
4. Pinguim de Magalhães: o aquecimento              das pelo crescimento das cidades chinesas. Existe mais de 20 áreas de pro-
das correntes marítimas tem forçado os pin-         teção ambiental no país para proteger estes animais. Metade dos pandas
guins a nadarem cada vez mais longe para            vive hoje em áreas protegidas ou em zoológicos.


                                                                                                             revista do meio ambiente abr 2010
20 animais




        O que é
        HOARDING?
        A palavra tem o significado de esconder, colecionar
        e é o termo empregado para identificar um tipo de
        doença psíquica que atinge um grande número de
        protetores de animais




                                                                                                                                         Herman Brinkman (SXC)
        A pessoa começa abrigando alguns animais, na melhor das inten-
        ções e vai aos poucos perdendo a noção de espaço e de limites, até
        que tenha um número considerável de animais vivendo em sua casa,
        agora já totalmente inadequada para tantos bichos.
          Começa, então, a vedar portas e janelas, a impedir a entrada de pesso-
        as em sua casa, a descuidar-se completamente da higiene e já não aco-
        lhe apenas os animais que lhe são entregues, mas vai compulsivamen-             É bom ficar alerta para os primeiros sinais de
        te buscando mais e mais animais e os colocando prisioneiros nessa po-         ultrapassagem dos limites e evitar, ao máximo,
        cilga. É comum encontrar-se carcaças junto com lixo, restos de comida,        sobrecarregar aqueles protetores que já demons-
        roupas e camadas de fezes nesses “abrigos”.                                   tram alguma tendência para essa enfermidade.
          Segundo pesquisa divulgada pela PETA, tratam-se de pessoas inteligentes,      Os animais que morrem, freqüentemente
        educadas, com boa escolaridade, provenientes de famílias de classe media      não são retirados do local. O acumulador não
        em sua maioria, e muito bem intencionadas. Acreditam sinceramente que         tem a percepção da falta de higiene e dos ris-
        estão propiciando aos bichos um lugar seguro e muitas vezes só são “desco-    cos para a própria saúde e a dos animais. O
        bertos” quando morrem ou quando o cheiro de suas casas fica insuportável      acumulador não consegue dizer “não” a co-
        para os vizinhos. Recusam-se a doar os animais, mesmo para lares adequa-      locar mais um bicho em sua casa, por mais
        dos. É preciso ter em mente que se trata de uma doença, que requer trata-     que esteja superlotada ou que o animal re-
        mento psiquiátrico e retirada imediata dos animais sob sua proteção.          colhido esteja muito doente (contagiando os
          Todos nós, protetores, temos um pé no hoarding. Para nós, é quase im-       outros animais). Ele acha que o bicho esta-
        possível ver um animalzinho necessitado sem o impulso de recolhê-lo, sem      rá bem com ele, melhor do que em qualquer
        medir muito as reais possibilidades de espaço, alimentação e tratamento       outro lugar e “nega” que seus animais este-
        veterinário. É nosso dever ter em mente, em primeiro lugar, o bem-estar dos   jam em condições precárias de saúde. Cães e
        animais e isso inclui um abrigo e cuidados adequados.                         gatos são as principais vítimas: 65% de ga-
                                                                                      tos e 60% de cães, estão envolvidos nas ocor-
                                                                                      rências. Como o acumulador é uma pessoa
          Perfil dos “hoarders”                                                        mentalmente doente, há controvérsias em
                                                                                      relação à punição desse tipo de pessoa. Mas,
           Dr. Gary Patronek, veterinário americano, diretor do Centro para           de uma forma geral, o acumulador é enqua-
          Animais e Políticas Públicas da Universidade de Tufts e seu grupo           drado nos crimes de negligência e crueldade
          chamado “The Hoarding of Animals Research Consortium”, criado               contra os animais – maus-tratos.
          em 1997, conduziram uma pesquisa, em 1999, para delinear o perfil             Esse tipo de situação é preocupante, em
          do acumulador de animais, e chegaram às seguintes conclusões:               termos de saúde pública, em todo o Brasil.
          • 76% são mulheres.                                                         Não podemos mais fechar os nossos olhos.
          • 46% têm 60 anos ou mais.                                                  Envolve a vida desses animais que se en-
          • A maioria é de solteiros e mais da metade vive sozinho.                   contram confinados em muitas casas. “Cui-
          • Em 69% dos casos, fezes e urina de animais estavam acumuladas             dados” por pessoas extremamente doentes.
          nas áreas sociais da casa. Em mais de 25% dos casos, a cama do              É um caso de saúde pública.
          acumulador estava suja com fezes e urina.                                   Fonte: REASul / Blog dos cachorrinhos
          • Animais doentes ou mortos foram descobertos em 80% dos
          casos relatados, ainda que em 60% dos casos os acumuladores não
                                                                                            Leia matéria na íntegra em:
          reconhecessem o problema.
                                                                                            http:// www.portaldomeioambiente.org.br/
                                                                                            animais/3639-o-que-e-hoarding-.html



abr 2010 revista do meio ambiente
artigo 21




                                                                                                                                                         texto Luiz Prado (www.luizprado.com.br)
           discursos vazios
             nas enchentes do Rio                                                               punida pela “vingança da natureza” e outras
                                                                                                bobagens do gênero. De fato, a opção de Salz-
                                                                                                bruck foi a ocupação das margens dos rio e dos
                                                                                                topos de morro (estes, pelas mesmas razões que
                                                                                                a Corte portuguesa os reservava para a constru-
                                                                                                ção de fortalezas, castelos e igrejas).
                                                                                                  Já no caso de Passa Três, distrito de Rio Cla-
                                                                                                ro, no Rio de Janeiro, a ocupação de alto risco é
                                                                                                mais do que evidente. Mas ela se dá por falta
                                                                                                de opção numa região em que as autoridades
                                                                                                não buscaram alternativas para os pequenos
                                                                                                produtores e trabalhadores rurais.
                                                                                                  Não será por falta de terras para fazer lotea-
Vitor Abdala/ABr




                                                                                                mentos populares que essas pessoas investiram
                                                                     Morador observa o que      o seu pouco dinheiro nessas casas, mas sim por
                                                                     estou de sua casa depois
                                                                                                falta de loteamentos para a baixa renda. E o es-
                                                                     do deslizamento, no
                                                                     bairro Novo México,        gotos seguem direto para o ribeirão. Mas quem
                                                                     em São Gonçalo (RJ)        se importa com isso? Lá, o Ibama e as ONGs que
                                                                                                jantam nos restaurantes de luxo e jogam no ta-
               Quando se ouve o governo, em todos os ní-            O Brasil está se            petão ou na mídia das grandes cidades não vão.
               veis, pedir à população que abandone as áre-                                     Até porque não têm uma agenda positiva para
                                                                    acostumando a
               as de encostas, a primeira vontade que se                                        o problema da urbanização em geral. Com o já
               tem é mesmo vaiar, jogar ovos e tomates po-          isso: autoridades           antigo teatro de guerrilha, sonegam das cida-
               dres na cara deles. Fingem não saber ou não          que, tomadas                des as informações relevantes: os rios e o ar am-
               sabem mesmo que as pessoas moram em “áre-            pelo poder, não se          biente estão a cada dia mais poluídos.
               as de risco” por falta de opção – já que o país                                    Pois bem, as cidades foram, por lei, obrigadas
                                                                    responsabilizam
               não tem qualquer programa habitacional sig-                                      a elaborar planos diretores que renderam um
               nificativo há décadas, e o atual slogan é funda-     por nada, exceto            bom dinheiro a empresas de consultoria. De-
               mentalmente um programa de financiamento,            por slogans.                pois, esses planos foram e continuam sendo
               sem que sejam definidas áreas ou planejadas          “Minha chuva,               mudados ao sabor das conveniências da indús-
               as necessárias estruturas urbanas de transpor-                                   tria imobiliária, que privatiza os lucros e sociali-
                                                                    minha vida”
               tes rápidos e seguros, saneamento e similares.                                   za os custos, já que só depois, muito mais tarde,
                 Na maioria dos casos, as áreas de riscos pode-     poderia ser                 é que alguém vai pensar em coisas elementares
               riam não representar quaisquer riscos se as ne-      um deles                    como drenagem de águas pluviais e esgotos, tra-
               cessárias obras de contenção geológica fossem                                    tamento de esgotos, disponibilidade de trans-
               feitas. E aí, como está na moda, lá vem os evan-                                 porte público e de escolas, e outros “detalhes”.
               gélicos ambientalistas dizer que tudo aconte-                                      É bem fácil conclamar as pessoas que vivem
               ceu porque eles não foram ouvidos, ou porque                                     em “encostas” no Rio de Janeiro a sairem de lá.
               a lei otária não foi respeitada. Não se trata, de-                               A mesma usual falação, o mesmo desgastado
               finitivamente, de uma questão de leis, mas de                                    discurso balofo. Dá um pouco mais de traba-
               falta de políticas públicas e do uso do estado da                                lho programar obras de contenção adequadas
               arte na engenharia e no planejamento urbano.                                     – como as que abundam em áreas mais “no-
                 Rios são contidos com a análise séries histó-                                  bres” como a lagoa Rodrigo de Freitas.
               ricas de chuvas máximas, barragens que com-
               binem os múltiplos usos das águas – incluindo
               a regularização de vazões – e muros de arrimo         E o plano diretor?
               / contenção – todas coisas que já foram feitas,       O Rio de Janeiro continua sem um plano diretor de macro-drenagem.
               por exemplo, na Alemanha, no século XIX.              Quando falei isso na coluna de meio ambiente que faço com Ricardo
                 Da mesma forma, a estabilidade dos morros           Boechat e Rodolfo Schneider na Band News Rio FM, a assessoria
               é estudada por geólogos – ou, no passado, pela        de comunicações da prefeitura apressou-se a dizer que o plano
               observação – e não por leis e mitos. Se assim         havia sido recentemente contratado. Mas nada sobre quando serão
               não fosse, Salzburg não existiria ou já teria sido    disponibilizados os primeiros relatórios para o “distinto público”.


                                                                                                                            revista do meio ambiente abr 2010
verde
Colaboração Raquel Miguel   22 política ambiental


                                                                                                                                                                           Em ato em frente ao
                                                                                                                                                                           Congresso Nacional,
                                                                                                                                                                           servidores do Ibama,




                                                                     A greve
                                                                                                                                                                           MMA, ICMBio e SFB
                                                                                                                                                                           ‘escreveram’ com seus
                                                                                                                                                                           corpos “Greve Verde”
                            Cristina Gallo / Agência Senado




                                                              Pedimos assim, a gentileza de falarmos com                Você, que tem      No entanto, dentro do quadro da adminis-
                                                              você, que tem estado atento a tudo isso. Não                               tração pública federal, esta função tão im-
                                                                                                                     visto ocupações
                                                              há dúvida que muito vêm ocorrendo, não é                                   portante é relegada ao descaso já que o salá-
                                                              mesmo? E que nunca o estado do meio am-                irregulares, que    rio destes profissionais é de verdade um dos
                                                              biente tem influenciado tanto nossas vidas               tem lido sobre    mais baixos da esfera pública federal e o or-
                                                              e nosso dia-a-dia. No entanto, muito deve e           transposições de     çamento destes órgãos públicos e do Ministé-
                                                              pode ser feito para garantir um presente e um                              rio do Meio Ambiente também um dos mais
                                                                                                                  rios e construções
                                                              futuro melhor, mais seguro, mais humano,                                   baixos destinado pelo orçamento da União...
                                                              mais vivo e justo para a sociedade brasileira.               de grandes      Você sabia ainda que estes servidores (inte-
                                                                É exatamente para isso que existem as ações               barragens e    grantes da Carreira de Especialista em Meio
                                                              das instâncias ambientais públicas. Você sabia            hidrelétricas.   Ambiente do Ministério do Meio Ambiente
                                                              que o Ibama, o ICMBio, o MMA, o SFB e todos os                             - MMA), do Instituto Brasileiro do Meio Am-
                                                                                                                             Que tem
                                                              órgãos públicos federais ambientais possuem                                biente e dos Recursos Naturais Renováveis
                                                              em seu quadro técnicos fixos e concursados –               vivenciado o    (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conserva-
                                                              pessoas capacitadas que estudaram e estudam                aquecimento     ção da Biodiversidade (ICMBio) e Serviço Flo-
                                                              biologia, ecologia, geografia, sociologia, educa-             global, as   restal Brasileiro (SFB), estão em greve por tem-
                                                              ção ambiental, agronomia, e tantos outros sa-                              po indeterminado em resposta à intransigên-
                                                                                                                           mudanças
                                                              beres das áreas biológicas, exatas e sociais para                          cia do governo em negociar uma proposta dig-
                                                              protegerem a sociedade garantindo um meio               climáticas. Que    na de reestruturação da carreira?
                                                              ambiente saudável e um desenvolvimento sus-                 tem notado       Não? Pois, é... Ninguém sabe. Afinal, quem se
                                                              tentável e justo para a vida?                            mais secas, ou    importa? Para muitos, a paralisação das ativi-
                                                                Você sabia que os laudos, licenças, pareceres,                           dades dos agentes ambientais federais é um
                                                                                                                         mais chuvas.
                                                              multas, cuidados com áreas de proteção am-                                 alívio. Em greve, deixam de incomodar infra-
                                                              biental, ações de educação ambiental, entre            Rios mais sujos,    tores e aqueles que vêem o meio ambiente
                                                              outros, executados por estes técnicos que são       transbordamentos       como mais um dos empecilhos para o cresci-
                                                              independentes das questões políticas e econô-        mais constantes.      mento do país.
                                                              micas é que garantem o cumprimento das nor-                                  Apesar da falta de reconhecimento de sua
                                                                                                                  Peixes mais caros,
                                                              mas e leis que a nossa democracia escolheu?                                excelência técnica, da falta de infra-estrutu-
                                                              (só que este muitas vezes são descartados por         água mais cara...    ra, das deficientes condições de trabalho, dos
                                                              questões políticas e econômicas)                         Pedimos cinco     baixos salários, dos riscos físicos e orgânicos
                                                                Pois bem, este pequeno “exército” silencioso e             minutos de    a que estão expostos – incluindo ameaças de
                                                              incompreendido vêm trabalhado há anos para                                 morte em lugares remotos, ou enfrentamen-
                                                                                                                          sua atenção
                                                              garantir o que o artigo 225 da nossa constituição                          tos com infratores, os servidores da carreira de
                                                              brasileira garante e o que a ética aconselha.                              Especialista em Meio Ambiente têm cumpri-


     abr 2010 revista do meio ambiente
2


do a sua parte, superando metas do governo e        Quantas enchentes          esquivado em analisar o Aviso Ministerial,
expectativas da sociedade, bem como geran-                                     propondo alterações que não condizem com
                                                    teremos que
do resultados positivos para o país. Basta ve-                                 as realidades vividas pelos agentes ambien-
rificar a redução histórica dos índices de des-     viver, quantos             tais. Afinal, quem se importa se os escritórios
matamento, o número de licenças ambientais          deslizamentos,             do IBAMA estão sendo queimados no interior,
concedidas com critério e rigor, a melhoria dos                                como aconteceu tempos atrás em Guarantã
                                                    catástrofes, mortes
índices de conservação da biodiversidade e o                                   do Norte, Mato Grosso? Quem se importa se
fortalecimento da gestão das áreas protegidas       de gente, de rios, de      os agentes ambientais federais são feitos re-
e ameaçadas, entre outros.                          matas, de animais,         féns em Novo Progresso, Pará, cercados pela
  Tais resultados deram ao Brasil posição de des-                              população do município insuflada por co-
                                                    enfim de vida e
taque na reunião sobre o clima em Conpenha-                                    mandantes da região e impedidos de voltar
gue e foram, em muito, resultantes do esforço       beleza ainda terão         para casa? Quem se importa se os servidores
e dedicação dos servidores do IBAMA, ICMBio,        de ocorrer? Nós,           ambientais são processados pelo Ministério
SFB e MMA espalhados pelo Brasil afora.                                        Público por obedecerem ordens superiores e
  Estes servidores trabalham para garantir o di-
                                                    servidores públicos        assinarem licenças ambientais, ou então obe-
reito constitucional do brasileiro. Afinal, todos   da gestão ambiental        decerem à lei e não fornecerem licenças am-
têm direito ao meio ambiente ecologicamente         federal, além de           bientais a toque de caixa?
equilibrado, bem de uso comum do povo e es-                                      Quem se importa se agentes ambientais ar-
sencial à sadia qualidade de vida, impondo-se       lutarmos por um            riscam sua vida e têm sua integridade física
ao Poder Público e à coletividade o dever de de-    desenvolvimento            ameaçada diariamente nos mais distantes rin-
fendê-lo e preservá- lo para as presentes e futu-   sustentável, ético         cões do país, se passam noites no meio do mato
ras gerações? (Constituição Federal - Art. 225).                               sujeitos a perigos naturais, doenças tropicais e
  Mesmo sendo notório e indiscutível o esfor-       e justo, também            emboscadas feitas por infratores, trabalhando
ço, a dedicação e, principalmente, os resulta-      lutamos por                pela causa ambiental?
dos positivos alcançados por estes servidores,      melhores condições           Diante deste quadro fica a indagação se a
é nítida a falta de consideração do Governo Fe-                                questão ambiental é, de fato, uma das priori-
deral para com eles.                                trabalhistas para          dades do Governo Federal ou se figura apenas
  Basta comparar a Tabela de Remuneração            servimos melhor a          como bandeira para garantir uma boa imagem
dos Servidores Públicos Federais, publicada                                    junto à comunidade internacional.
                                                    sociedade. Assim,
em janeiro deste ano pelo Ministério do Pla-                                     Também protestamos fortemente contra
nejamento Orçamento e Gestão. Nela, verifica-       estamos em greve!!         um projeto de lei que poucos conhecem, o PLP
se que servidores de nível superior da carreira                                nº549/2009, que irá congelar os gastos públi-
de Especialista em Recursos Hídricos recebem                                   cos com a folha de pagamentos de funcioná-
aproximadamente 157% a mais que servidores                                     rios concursados por 10 anos. Isso, à primeira
de mesmo nível da carreira de Especialista em                                  vista parece bom, pois dá a impressão que o
Meio Ambiente (como se um especialista em                                      governo vai economizar, não é mesmo? Mas,
meio ambiente não necessitasse compreender                                     ao mesmo tempo que queremos sim que a
questões relacionadas a recursos hídricos!...). O                              verba pública seja bem gasta e revertida a be-
Especialista em Recursos Minerais possui ho-                                   nefícios sociais, este projeto de lei impede no-
norários 93% maiores que o Especialista em                                     vos concursos para adequação de quadros de
Meio Ambiente. O fiscal agropecuário de nível                                  funcionalismo público.
superior possui vencimentos 120% maiores que                                     Assim, imaginem a Polícia Federal sem po-
o de fiscal ambiental. E por aí vai...                                         der contratar novos agentes para dar maior
  Em 5 de novembro de 2009, o então Minis-                                     segurança nacional, o IBAMA e o ICMBio sem
tro Carlos Minc, reconhecendo a defasagem                                      poder adequar seu já diminuto quadro fun-
salarial dos servidores de sua pasta e a neces-                                cional para garantir a proteção ambiental?
sidade da reestruturação do plano de carreira                                  Ou pior ainda, este projeto de lei permite a
de especialista em Meio Ambiente, enviou ao                                    contratação. Assim poderemos até ter técni-
Ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, o                                    cos contratados, mas estes não serão tão in-
Aviso Ministerial nº 238/09/MMA (Esta rees-                                    dependentes das questões políticas e econô-
truturação pretende valorizar o profissional,                                  micas... é quase que uma forma de “privatiza-
de modo a garantir que seu esforço em prol de                                  ção” ou “politização” da coisa pública (único
um melhor futuro comum seja reconhecido e                                      ente neutro do tecido social).
evitar que profissionais qualificados abando-                                    Não vale mesmo à pena lutar para que
nem suas carreiras devido a salários incompa-           Leia matéria           isso não ocorra? Se você concorda conosco
tíveis com as responsabilidades).                       na íntegra em:         e quer um Brasil mais justo ajude-nos neste
  No entanto, desde então, a Secretaria de Re-          http:// www.portaldo   nosso movimento. Atenciosamente,
cursos Humanos/Min. Planejamento têm se                 meioambiente.org.br/   Cidadãos brasileiros como vocês.


                                                                                                         revista do meio ambiente abr 2010
2 política ambiental


                                                                                                         Também financiaram um estudo “suspeito”
     Alexander Korabelnikov (SXC)


                                                                                                        que nega que ursos polares estão em perigo e
                                                                                                        um instituto dinamarquês que produziu ma-
                                                                                                        terial usado como crítica à energia eólica.
                                                                                                         O relatório indica que o conglomerado, base-
                                                                                                        ado no Kansas, gastou quase três vezes mais
                                                                                                        do que a petrolífera ExxonMobil entre 2005 e
                                                                                                        2008 – US$ 25 milhões contra US$ 9 milhões –
                                                                                                        no financiamento de grupos antimudança cli-
                                                                                                        mática. Também empregou US$ 43,7 milhões
                                                                                                        com lobby direto e campanhas políticas.
                                                                                                         “É hora de a Koch Industries abandonar sua
                                                                                                        campanha suja e de bastidores contra a ação
                                                                                                        para combater a mudança climática”, disse
                                                                                                        ontem Kert Davies, diretor de pesquisas do
                                                                                                        Greenpeace nos EUA.

                                                                                                        Demonização
                                                                                                          O conglomerado não nega os números, mas
                                                                                                        afirma que o relatório oferece uma represen-
                                                                                                        tação incorreta de suas atividades e “distor-
                                                                                                        ce o histórico ambiental de suas empresas”.
                                                                                                          “As companhias Koch há muito apoiam a




                            jogo sujo
                                                                                                        pesquisa e o diálogo científicos sobre a mu-
                                                                                                        dança climática e as propostas de respos-
                                                                                                        ta [ao fenômeno]. Tanto a sociedade livre
                                                                                                        quanto o método científico exigem um de-




                                    de petroleira
                                                                                                        bate aberto e honesto de todos os lados, não
                                                                                                        a demonização e o silêncio daqueles com os
                                                                                                        quais você discorda”, disse a Koch em comu-
                                                                                                        nicado à imprensa.
                                                                                                          Sem nenhuma empresa operando com o
                                                                                                        nome, mas dona de marcas como a Lycra e os
                                    Um relatório divulgado no dia 30 de mar-       Petroleira dos EUA   copos de plástico Dixie, a Koch tem operações
                                    ço deste ano pela ONG Greenpeace acusa                              em mais de 60 países, que rendem US$ 100 bi-
                                                                                   deu US$ 50 mi
                                    umas das maiores companhias de petró-                               lhões anuais em vendas. Emprega cerca de 70
                                    leo dos EUA, a Koch Industries, de canali-     a céticos do clima   mil pessoas – é atualmente o segundo maior
                                    zar discretamente quase US$ 50 milhões                              grupo privado dos EUA, atrás da Cargill.
                                    em uma década (metade disso só entre 2005                             No Brasil, o grupo tem quatro subsidiárias
                                    e 2008) a uma rede de estudiosos e “think                           em operação: três em São Paulo (Koch Che-
                                    tanks” para “minar a confiança na ciência do                        mical Technology Group, Georgia-Pacific e
                                    clima e promover oposição à energia limpa,                          Invista) e uma no Rio de Janeiro (Koch Explo-
                                    nos EUA e internacionalmente”.                                      ration, de petróleo e gás natural).
                                      Entre os grupos que mais receberam fun-                             Procurado pela Folha, o presidente do Ins-
                                    dos da Koch estão os influentes Instituto                           tituto Cato, Ed Crane, disse em nota que “o
                                    Cato (mais de US$ 5 milhões de 1997 a 2008),                        Greenpeace parece mais interessado em
                                    Heritage Foundation (US$ 3,3 milhões no pe-                         nossas fontes de financiamento do que na
                                    ríodo), Mercatus Center (US$ 9,2 milhões de                         precisão das pesquisas sendo financiadas”.
                                    2005 a 2008) e Americanos pela Prosperida-                            “O ‘Climagate’ fala por essa precisão. Dito
                                    de (US$ 5,2 milhões de 2005 a 2008), segun-                         isso, 95% de nosso orçamento vem de fontes
                                    do o Greenpeace.                                                    não relacionadas [aos irmãos] Charles Koch
                                      No total, segundo o texto, a Koch ajudou                          e David Koch [controladores do conglomera-
                                    a pagar operações de mais de 20 organiza-                           do], e nenhuma verba dos Koch jamais foi de-
                                    ções que “repetidamente reproduziram e es-                          signada para um projeto específico.” O Cato
                                    palharam a história do chamado ‘climagate’                          tem em seu time o climatologista Pat Micha-
                                    [divulgação de e-mails de climatólogos, re-                         els, um dos mais célebres céticos, que esteve
                                    velando tentativa de negar informação a cé-                         no Brasil nesta semana.
                                    ticos do clima]”.                                                   Fonte: Murilo Marques / Folha Online



abr 2010 revista do meio ambiente
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                                                                                                                                                                              texto Mauro Zanatta
Boicote ruralista
                       a patrocinadoras de ONGs
A Frente Parlamentar Nacionalista, com-                    “Vamos dar essa
                                                     medalha a quem tiver
posta em sua maioria por ruralistas, amea-
                                                   interesse em prejudicar
çou iniciar um boicote a produtos de empre-           o Brasil”, disse Rebelo
sas patrocinadoras de ONGs ambientalistas.
“Se querem nos intimidar, estamos para aqui
reagir. Se não sabem dialogar, certamente o
Bradesco saberá”, disse o coordenador do mo-
vimento suprapartidário, o deputado Aldo Re-




                                                                                                                                         Janine Moraes/Câmara dos Deputados
belo (PCdoB-SP). Relator da comissão especial
de reforma do Código Florestal, ele sugere que
a pressão comece pelos produtores rurais. “As
cooperativas podem sugerir aos seus produ-
tores que fechem suas contas no Bradesco”,
afirmou, em referência à parceria mantida
pelo banco e a Fundação SOS Mata Atlântica,
a ONG que lidera a campanha para identificar
os “exterminadores” ruralistas.
  No mesmo tom usado pelas ONGs para cons-
tranger os ruralistas, a nova Frente Nacionalis-   A bancada                    ção, Roberto Klabin. “Sabíamos que era um ano
ta lançou o “Prêmio Joaquim Silvério dos Reis”,                                 eleitoral e que viria a reação. O Bradesco é um
                                                   ruralista na
sugerindo uma ligação entre o delator do mo-                                    parceirão de 20 anos, mas não temos patrocínio
vimento patriótico Inconfidência Mineira e as      Câmara reagiu                deles. Trabalhamos com direitos difusos e eles
motivações políticas de ONGs ambientalistas        ao lançamento                com interesses específicos”.
que atuariam em favor de interesses estran-        da campanha                    Os ambientalistas afirmam que a reação dos
geiros. “Vamos dar essa medalha a quem tiver                                    ruralistas é “desproposital, descabida” porque a
                                                   “Exterminadores
interesse em prejudicar o Brasil”, disse Rebelo.                                lista dos parlamentares ainda não está conclu-
“Quem patrocina essas ONGs são a Volkswa-          do Futuro”,                  ída. “Não queremos encrenca nem briga. Não
gen, a Coca Cola, a Colgate-Palmolive, estimu-     criada pelos                 tem lista, foi só uma indicação. Eles ainda serão
ladas pelos chiques e famosos de São Paulo”.       ambientalistas               informados antes do fim do processo. Não so-
O deputado Sarney Filho (PV-MA) foi aponta-                                     mos irresponsáveis”, disse Mantovani. “É uma
                                                   para identificar
do como principal articulador parlamentar do                                    reação muito maior do que a nossa ação, des-
movimento. Procurado pela reportagem, ele          os principais                proposital, descabida. Essa campanha pode ser
não foi localizado ontem.                          líderes do                   um fiasco, está mais na mão deles”.
  Os ruralistas acusam uma tentativa de intimi-    movimento                      O diretor da SOS Mata Atlântica afirmou que
dação por parte dos ambientalistas às vésperas                                  os deputados ruralistas romperam acordos fir-
                                                   de alteração das
das eleições de outubro. “É uma campanha di-                                    mados antes do início da tramitação da propos-
famatória, claramente intimidatória”, disse o      leis ambientais do           ta de um novo Código Florestal. “ Quem rom-
deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), presi-       país na tentativa            peu os debates foi uma parte dos ruralistas. Por
dente da comissão especial do Código.              de retardar                  isso, deixamos de ir a debates. Não vamos legi-
  Parceira do Bradesco na emissão de 200 mil                                    timar isso”, afirmou Mantovani. O diálogo ficou
                                                   a tramitação
cartões de crédito e 2 milhões de títulos de ca-                                insustentável, segundo ele, porque o projeto do
pitalização, a SOS Mata Atlântica afirma que       de propostas                 deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que prevê
os parlamentares estão “trilhando um cami-         de mudança no                a criação do Código Ambiental, acabaria com
nho perigoso” ao tentar rotular as ONGs como       Código Florestal             as principais regras e instituições ambientais
inimigas do setor rural. “Estão apelando, é um                                  do país. “O Colatto quer acabar com o Conama,
                                                   Brasileiro
caminho perigoso porque tem deputados pa-                                       o Sisnama e as unidades de conservação”, disse
trocinados pelas empresas do Klabin”, afirmou                                   Mario Mantovani, em referência ao colegiado
o diretor de Políticas Públicas, Mario Mantova-                                 de representação paritária e o sistema nacional
ni, em alusão ao grupo produtor de papel, celu-                                 que decide as regras ambientais brasileiras.
lose e embalagens do presidente da organiza-                                    Fontes: Reasul / RBrasil (Gabriel Strautman)
                                                                                Fonte: Último Segundo – iG

                                                                                                                 revista do meio ambiente abr 2010
texto Fabrício Fonseca Ângelo (msn: fabricioangelo@hotmail.com) fotos ©Comissão Organizadora - CBJA   2 comunicação ambiental

                                                                                                                                                                                                    Palestra da senadora Marina Silva:
                                                                                                                                                                                                    Até onde vai o desenvolvimento que não
                                                                                                                                                                                                    considera os limites dos ecossistemas?




                                                                                                        Meio ambiente e
                                                                                                       desenvolvimento
                                                                                                             Profissionais       Que melhor lugar do que o Mato Grosso, es-          Para a jornalista baiana Mariana Ramos, o
                                                                                                                                 tado berço do agronegócio e que abriga os         CBJA teve bons debates e palestrantes bem
                                                                                                             e estudantes
                                                                                                                                 maiores biomas do Brasil, para se debater         preparados. “Estava um pouco distante do
                                                                                                            de jornalismo        a relação harmoniosa entre Meio Ambien-           jornalismo ambiental nos últimos dois anos
                                                                                                                defendem         te e Desenvolvimento. Foi com esse objetivo       e a evolução na abordagem dos assuntos fi-
                                                                                                                  políticas      que o III Congresso Brasileiro de Jornalismo      cou nítida”, afirmou.
                                                                                                                                 Ambiental (CBJA) reuniu cerca de 300 pessoas        Mariana só lamentou o fato da pouca
                                                                                                             sustentáveis
                                                                                                                                 entre profissionais e estudantes na cidade de     abrangência de alguns temas importantes,
                                                                                                                                 Cuiabá, do dia 18 a 20 de março.                  como a questão da pesca predatória. “Ainda
                                                                                                                                   Segundo o secretário executivo do Núcleo de     sinto falta de mais enfoque em outros pro-
                                                                                                                                 Ecomunicadores dos Matos e membro da co-          blemas que não sejam o desmatamento”,
                                                                                                                                 missão organizadora do evento, André Alves, o     disse. Ela também destacou a apresentação
                                                                                                                                 CBJA foi importante para a discussão da ques-     de Marina Silva e o debate sobre Belo Monte
                                                                                                                                 tão ambiental principalmente da região Centro-    como os mais importantes.
                                                                                                                                 Oeste. “Acredito que houve um amadurecimen-
                                                                                                                                 to do jornalismo ambiental com essa discussão     Marina Silva
                                                                                                                                 no estado, que gerou impactos positivos”. Para      A senadora Marina Silva falou para um audi-
                                                                                                                                 Alves resultado foi importante para a região da   tório lotado sobre sua candidatura e os deba-
                                                                                                                                 Amazônia. “O estado do Mato Grosso não tem        tes ambientais que tem sido feitos, principal-
                                                                                                                                 costume de realizar eventos em jornalismo, ain-   mente no Congresso Nacional.
                                                                                                                                 da mais com a temática ambiental”, enfatizou.       Para Marina é fantástico que após 30 anos
                                                                                                                                   O congresso teve dez mesas redondas, além       de luta socioambiental haja um crescente au-
                                                                                                                                 de oficinas e lançamentos de livros. Os maio-     mento pela causas ambientais, que antes fica-
                                                                                                                                 res destaques ficaram por conta da palestra       vam restritas as ONGs e movimentos sociais.
                                                                                                                                 da senadora e pré candidata a presidência,        “São pessoas que querem o melhor para o Bra-
                                                                                                                                 Marina Silva (PV), o debate sobre a construção    sil. Como o país vai acompanhar as mudan-
                                                                                                                                 da hidrelétrica de Belo Monte e a apresenta-      ças climáticas? E a economia de baixo carbo-
                                                                                                                                 ção do chefe Afukaka Kuikuro do Parque Indí-      no? Nesse sentido, tem sido incrível a adesão
                                                                                                                                 gena do Xingu. “A mesa da senadora Marina         de pessoas de todas as áreas. A sociedade está
                                                                                                                                 Silva mobilizou muita gente, como políticos,      sentindo que precisa agir. Nada é mais forte do
                                                                                                                                 imprensa e curiosos, com isso divulgamos o        que uma ideia cujo tempo chegou”, ressaltou.
                                                                                                                                 evento para várias partes da região e do país”,     Ainda segundo a ex-ministra do Meio Ambien-
                                                                                                                                 analisou André Alves.                             te, já estamos ultrapassando os limites. “Se conti-


                       abr 2010 revista do meio ambiente
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                              Oficina Comunicação                                                          Palestra com Afukaka
                              Ambiental, com Fabrício                                                      Kuikuro, cacique do
                              Fonseca Ângelo                                                               Parque Indígena do Xingu




nuarmos neste ritmo, iremos inviabilizar a vida         Rio de Janeiro receberá IV CBJA                   Acredito que um
na terra. Em São Paulo, por exemplo, a tempera-           A cidade maravilhosa foi escolhida como
                                                                                                          dos principais pontos
tura subiu 3º nos últimos 30 anos”, apontou.            próxima sede do Congresso Brasileiro de Jor-
  Apesar das críticas sobre sua candidatura ter         nalismo Ambiental, que será em 2012, mesmo        desse congresso
apenas uma bandeira, a do meio ambiente, a              ano da Conferência da ONU para o Meio Am-         foi a consolidação
senadora foi enfática ao dizer que hoje sus-            biente (Rio + 20). Lugar de belas paisagens e
                                                                                                          da Rede Brasileira
tentabilidade não diz só respeito às florestas          gente acolhedora, o Rio de Janeiro hoje é refe-
e sim a toda estrutura social e econômica de            rencia na temática ambiental, sendo residên-      de Jornalistas
um país. “Esse discurso já está defasado, não           cia de diversos especialistas da área.            Ambientais (RBJA),
se pode falar em meio ambiente sem analisar               Para o jornalista Vilmar Berna, fundador da
                                                                                                          pois a interação entre
as questões culturais e sociais de uma região”.         Rede Brasileira de Informação Ambiental (Re-
Marina disse que apesar da situação crítica da          bia), a democratização da informação ambiental    as diversas faixas
questão ambiental no país, continua otimista.           não deve ser uma benesse dos poderosos para a     etárias foi nítida
“Sou uma mantenedora de utopias. Desenvol-              sociedade, mas uma conquista. “Sem informa-
vimento e sustentabilidade podem sim andar              ção ambiental independente e de qualidade, a
                                                                                                          durante os três dias
juntos. Só depende de nós, e os jornalistas têm         sociedade tenderá a reproduzir as mesmas esco-    de atividades
importante papel como mediadores capazes                lhas que nos trouxeram até o abismo da insus-     (Danielle Silva,
de despertar a sensibilidade das pessoas”.              tentabilidade socioambiental”, afirmou.
  A jornalista Danielle Silva veio do Rio de Janei-       Berna reforça que foi muito importante a de-    jornalista carioca)
ro para acompanhar os debates e gostou do que           cisão do III Congresso Brasileiro de Jornalismo
viu. “Acredito que um dos principais pontos des-        Ambiental, realizado agora em Cuiabá, pela
se congresso foi a consolidação da Rede Brasilei-       sua continuidade. “Nos sentimos orgulhosos
ra de Jornalistas Ambientais (RBJA), pois a inte-       pelo Rio de Janeiro ter sido escolhido para se-
ração entre as diversas faixas etárias foi nítida       diar o IV CBJA, em 2012. Desde já a Rebia esta-
durante os três dias de atividades”, analisou.          rá empenhada, com os demais parceiros, a tra-
  Ainda de acordo com Danielle o ambiente               balhar pelo seu sucesso. Até lá, teremos uma      *Jornalista, Mestre em Ciência
acolhedor proporcionou a troca de ideias entre          longa caminhada onde é importante enraizar        Ambiental, Especialista em
estudantes, jovens profissionais, jornalistas em        localmente este debate, principalmente entre      Informação Científica e
exercício e acadêmicos de diversas universida-          aquelas pessoas, veículos e organizações que      Tecnológica em Saúde, Editor
des do País. “Esse contato físico foi fundamental       compreendem a importância da democratiza-         Científico da Rebia - Rede
para recarregar nossas energias e assim criar-          ção da informação ambiental para uma socie-       Brasileira de Informação
mos novas discussões e nos engajarmos na luta           dade sustentável!”, finalizou.                    Ambiental e Editor do Portal
por um jornalismo ambiental parcial”, disse.            Com informações do site Dom Total                 Proqualis (www.proqualis.net)



                                                                                                               revista do meio ambiente abr 2010
texto Leonardo Boff*   2 artigo


                         Um tema central da Cúpula dos Povos so-             A Terra,




                                                                                                                                                           ©Nasa
                         bre as Mudanças Climáticas, reunida em
                                                                             sujeito de
                         Cochabamba de 19-23 de abril, convocada
                         pelo Presidente da Bolívia Evo Morales é o          dignidade
                         da subjetividade da Terra, de sua dignidade         e de direitos
                         e direitos. O tema é relativamente novo, pois
                         dignidade e direitos eram reservados somen-
                         te aos seres humanos, portadores de consciên-
                         cia e inteligência. Predomina ainda uma visão
                         antropocêntrica como se nós exclusivamente
                         fôssemos portadores de dignidade. Esquece-
                         mos que somos parte de um todo maior. Como
                         dizem renomados cosmólogos, se o espírito
                         está em nós é sinal que ele estava antes no
                         universo do qual somos fruto e parte.
                           Há uma tradição da mais alta ancestralida-
                         de que sempre entendeu a Terra como a Gran-
                         de Mãe que nos gera e que fornece tudo o que
                         precisamos para viver. As ciências da Terra e da
                         vida vieram, pela via científica, nos confirma-
                         ram esta visão. A Terra é um superorganismo
                         vivo, Gaia, que se autorregula para ser sempre




                                                                             Um planeta
                         apta para manter a vida no planeta. A própria
                         biosfera é um produto biológico, pois se origi-
                         na da sinergia dos organismos vivos com todos
                         os demais elementos da Terra e do cosmos.




                                                                             digno
                         Criaram o habitat adequado para a vida, a bios-
                         fera. Portanto, não há apenas vida sobre a Terra.
                         A Terra mesma é viva e como tal possui um va-
                         lor intrínseco e deve ser respeitada e cuidada
                         como todo ser vivo. Este é um dos títulos de sua
                         dignidade e a base real de seu direito de existir
                         e de ser respeitada como os demais seres.
                           Os astronautas nos deixaram este legado:          reprodução e de regeneração. Por isso, está em discussão um projeto na
                         vista de fora da Terra, Terra e Humanidade          ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, des-
                         fundam uma única entidade; não podem ser            floresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas, vitais para
                         separadas. A Terra é um momento da evolução         a manutenção dos climas e da vida.
                         do cosmos, a vida é um momento da evolução            Por fim há um último argumento que se deriva de uma visão quântica da
                         da Terra e a vida humana, um momento pos-           realidade. Esta constata, seguindo Einstein, Bohr e Heisenberg, que tudo,
                         terior da evolução da vida. Por isso, podemos       no fundo, é energia em distintos graus de densidade. A própria matéria é
                         com razão dizer: o ser humano é aquele mo-          energia altamente interativa. A matéria, desde os hádrions e os topqua-
                         mento em que a Terra começou a ter consciên-        rks, não possui apenas massa e energia. Todos os seres são portadores de
                         cia, a sentir, a pensar e a amar. Somos a parte     informação. O jogo das relações de todos com todos, faz com que eles se
                         consciente e inteligente da Terra.                  modifiquem e guardem a informações desta relação. Cada ser se relaciona
                           Se os seres humanos possuem dignidade e di-       com os outros do seu jeito de tal forma que se pode falar que surge níveis
                         reitos, como é consenso dos povos, e se Terra e     de subjetividade e de história. A Terra na sua longa história de 4,3 bilhões
                         seres humanos constituem uma unidade indivi-        de anos guarda esta memória ancestral de sua trajetória evolucionária. Ela
                         sível, então podemos dizer que a Terra participa    tem subjetividade e história. Logicamente ela é diferente da subjetividade
                         da dignidade e dos direitos dos seres humanos.      e da história humana. Mas a diferença não é de princípio (todos estão co-
                           Por isso não pode sofrer sistemática agres-       nectados) mas de grau (cada um à sua maneira).
                         são, exploração e depredação por um proje-            Uma razão a mais para entender, com os dados da ciência cosmológica
                         to de civilização que apenas a vê como algo         mais avança, que a Terra possui dignidade e por isso é portadora de direitos
                         sem inteligência e por isso a trata sem qual-       e de nossa parte de deveres de cuidá-la, amá-la e mantê-la saudável para
                         quer respeito, negando-lhe valor autônomo           continuar a nos gerar e nos oferecer os bens e serviços que nos presta.
                         e intrínseco em função da acumulação de               Agora começa o tempo de uma biocivilização, na qual Terra e Humani-
                         bens materiais. É uma ofensa à sua dignida-         dade, dignas e com direitos, reconhecem a recíproca pertença, a origem
                         de e uma violação de seus direitos de poder         e o destino comuns.
                         continuar inteira, limpa e com capacidade de        *Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possível. Vozes 2008



    abr 2010 revista do meio ambiente
espaço infantil 29




Você sabia que existem animais que estão praticamente desa-                             O que está sendo feito...
parecendo do planeta? Isso é, no mínimo, muito preocupante, pois                          No Brasil o órgão responsável por cuidar do
qualquer espécie, animal ou vegetal, por mais simples que seja, tem                     meio ambiente e especificamente de reverter
muito valor para o meio ambiente e é insubstituível.                                    o quadro da extinção animal é o IBAMA – Ins-
                                                                                        tituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Desrespeito ao meio ambiente é principal causa da extinção
                                                                                        Naturais Renováveis. Este órgão fiscaliza, mui-
  Quantas notícias vemos atualmente sobre desmatamento das flo-
                                                                                        tas vezes em conjunto com a Polícia Federal,
restas e queimadas em diversas regiões? Pense em quantos animais
                                                                                        tudo que é relativo ao meio ambiente, assim,
morrem ou ficam “desabrigados” por essas ações inconsequentes do
                                                                                        está sempre de alerta para as questões do des-
ser humano. Fica fácil perceber que o principal motivo da extinção
                                                                                        matamento, repressão ao tráfico de animais e
dos animais é a destruição de florestas, seja pelo desmatamento ou
                                                                                        possibilidades da procriação de espécies em
por queimadas. Só na Amazônia atualmente, a área total afetada pelo
                                                                                        cativeiro para diminuir o risco de extinção,
desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil Km2, a um
                                                                                        neste caso, depois de crescidos os animais são
ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano.
                                                                                        introduzidos em seu habitat natural.
  A poluição também contribui para a extinção de animais, pois pre-
judicam diretamente o ciclo de vida de muitas espécies.                                 Você também pode ajudar...
  Outro fator que contribui é a caça em busca de aproveitamento de                        Cada um de nós pode ajudar a combater
partes desses animais, como por exemplo, para obtenção de carne, gor-                   a extinção de animais mesmo estando longe
dura, peles, plumas, troféus e lembranças. A coleta de ovos para venda                  deles. Uma forma é denunciar qualquer tipo
também é bastante comum, pois gera lucro para os caçadores.                             de agressão ao meio ambiente.
  O tráfico de animais também é um fator de muita preocupação: de                         Com relação ao tráfico de animais, fica mais
acordo com Polícia Federal, a cada ano 12 milhões de animais, a maio-                   fácil de contribuir:
ria integrante da lista de espécies em extinção, são apanhados na                       • Não compre nenhum tipo de artesanato que
fauna brasileira e 30% deles são enviados ao exterior. Eles são trans-                  tenha partes retiradas de animais, como pe-
portados em condições precárias, ficam doentes e chegam a morrer                        nas, couro, etc.;
fora de seu habitat natural.                                                            •Não use roupas feitas de pele de animais;
                                                                                        • Observe que canários, maritacas e outras
     Veja matéria no site do Ibama sobre o assunto:
                                                                                        aves fazem parte das espécies de animais que
     http:// www.ibama.gov.br/fauna/trafico/procedimentos.htm
                                                                                        sofrem com o tráfico, portanto, oriente amigos
     Lista de animais em extinção:
                                                                                        e parentes que tenham o hábito de manter es-
     http://www.fiocruz/biosseguranca/Bis/infantil/fauna.htm
                                                                                        ses animais presos em gaiolas;
                                                                                        • Denuncie sempre que perceber ações de maus
Descubra aqui alguns animais em risco de extinção:
                                                                                        tratos e manutenção de animais em cativeiro.

T    A      M       A       N        D       U        A       Q      W        M         http://www.smartkids.com.br/especiais/animais-
                                                                                        em-extincao.html

Q    C      W       Q       T        C       L        D       S      J        J
                                                                                                                          s
V    P      R       R       G        O       E        F       R      Y        A                            Número         8
                                                                                                                l de 200
                                                                                                    At é o fina caram cerca
G    M      R       R       W        N       O        T       O      J        C               cien
                                                                                                             entifi
                                                                                                   tistas id espécies biológ -se
                                                                                                                                  icas
                                                                                                    ilhões d
                                                                                                              e                  fia
                                                                                                                         Descon
U    H      I       A       R        I       R        A       N      H        A           de 1,4 m o de extinção. ões, ainda
                                                                                                    ess             0 milh
                                                                                          em proc          ais de 3 parte delas em
                                                                                                  xiste m
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        Respostas: horizontal: tamanduá, ariranha e arara • vertical: jacaré e guará.




                                                                                                                      revista do meio ambiente abr 2010
Guia do Meio Ambiente                                                       Aqui o seu anúncio é visto por quem
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                                            Plante para colher no futuro
                                                                                                                  eak
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                                        PÚBLICO ALVO: Educadores, professores,                          e sor
                                        gestores ambientais, acadêmicos e profissionais da área
                                        DATA E HORÁRIO: Consultar
 PROPOSTA DA OFICINA:                   LOCAL: CRIAR oficina de estudos • Rua Lemos Cunha, 485 • Icaraí • Niterói
 Informar sobre questões ambientais     INSCRIÇÕES: Rua Eduardo Luis Gomes, 184 • Centro • Niterói
 e capacitar as pessoas a produzirem
                                                                                                                        Estúdio Mutum




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1• CURSO DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS FEDERAIS NÃO-REEMBOLSÁVEIS PARA PREFEITURAS E ONGS, com turmas
nos dias 20 e 21 e 22 de maio e 24, 25 e 26 de junho de 2010, no Hotel do Frade Golf Resort (http://www.hoteldofrade.
com.br/novo/home/index.php), com inscrição, hospedagem e alimentação incluídas, em Angra dos Reis, RJ. O curso visa
proporcionar conhecimento teórico e prático na identificação dos Programas por Ministério com recursos federais passíveis
de transferências a municípios e ONG´s, na elaboração de projetos e na montagem de propostas de apoio financeiro federal
não reembolsável, sem a intermediação de terceiros. Investimento: R$ 1.380,00

2• CARAVANA PARA O FESTIVAL DE TURISMO INTERNACIONAL DAS CATARATAS, entre os dias 16 e 20 de junho,
inclui hospedagem no Hotel Turrance, passagens aéreas, transfers, inscrição e city tour, na cidade de Foz do Iguaçu, PR.
O Festival de Turismo das Cataratas do Iguaçu é um evento aberto à comunidade de turismo, agentes de viagens, hoteleiros,
guias, estudantes, pesquisadores, representantes governamentais e da iniciativa privada. Seu principal objetivo é ser
uma ferramenta de negócios, envolvendo toda a cadeia de serviços do setor turístico. VIVÊNCIA TURISTICA - MÓDULO
FESTIVAL DAS CATARATAS DO IGUAÇU, entre os dias 16 e 20 de junho, Foz do Iguaçu, PR. INVESTIMENTO: R$ 920,00
- que poderá ser parcelado em três cheques de R$350,00 reais. Inclui: Estadia no Hotel Turrance (www.turrancehotel.com.
br), Material do Festival, Meia Pensão, atividades do Festival Internacional do Turismo, IV Fórum Internacional de Turismo
do Iguaçu, Visitas Técnicas, Atividades Sociais, I Mostra de Turismo, Feira de Turismo, Certificado de Participação, Visita
a Argentina, ao Parque Nacional do Iguassu, Visita a Usina Hidrelétrica de Itaipu e a Consultoria de Agentes de Viagens.
Em anexo seguem a programação. Para Maiores informações os interessados deverão entrar em contato com o Coord.
Pedagógico Msc José Mauro Farias - Tels: (21) 8632-0452, (21) 2588-1644, 2588-1328 - E-mail: josemaurofarias@ig.com.br




                                                                                                                             Foto: Luana Pagliarini e Gilson Filho




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Rma ed30-abril-2010

Rma ed30-abril-2010

  • 1.
    revista do meio amBiente Rebia Rede Brasileira de Informação Ambiental Mãe Terra, perdoa-nos 30 Alternativas para acabar com as favelas Projeto sem fins lucrativos Distribuição gratuita Mapa da injustiça ambiental ano IV • abril 2010 A greve verde dos servidores públicos Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental Acesse: www.portaldomeioambiente.org.br
  • 3.
    nesta edição 5 Especial Momento crítico no planeta por Marcelo Bancalero Rebia – Rede Brasileira de Informação Ambiental: organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, dedicada à democratização da informação ambiental Dia do Índio, Dia da Terra e Belo Monte com a proposta de colaborar na formação e mobilização da Cidadania Ambiental por Eloy Fassi Casagrande Jr. planetária através da edição e distribuição gratuita da Revista do Meio Ambiente, Portal do Meio Ambiente e do boletim digital Notícias do Meio Ambiente. Fórum Stop a destruição do mundo CNPJ: 05.291.019/0001-58. Sede: Trav. Gonçalo Ferreira, 777 - casarão da Ponta da Ilha, Jurujuba - Niterói, RJ - CEP 24370-290 www.rebia.org.br Dia do Índio? Conselho Consultivo e Editorial por J. Rosha Aristides Arthur Soffiati, Bernardo Niskier, Carlos Alberto Muniz, David Man Wai Zee, Flávio Lemos de Souza, Keylah Tavares, Luiz Prado, Paulo Braga, Raul Mazzei, Ricardo Harduim, Rogério Álvaro Serra de Castro, Roberto Henrique de Gold Hortale (Petrópolis, RJ) e Rogério Ruschel Diretoria Executiva Presidente do Conselho Diretor: Vilmar Sidnei Demamam Berna, 10 escritor e jornalista Presidente do Conselho Deliberativo: Alternativas para acabar com as favelas • 10 JC Moreira, jornalista Presidente do Conselho Fiscal: Tecnologias sociais e o cenário externo • 12 Flávio Lemos, psicólogo Água suja mata mais que guerras • 14 Superintendente Executivo Gustavo da Silva Demaman Berna, Energia limpa ao alcance de todos • 15 biólogo pós-graduado em meio ambiente Mapa da injustiça ambiental é lançado • 16 (Coppe/UFRJ) e especialista em resíduos sólidos • (21) 7826-2326 ID 11605*1 Nestlé financia a destruição • 18 16 gustavo@rebia.org.br Animais ameaçados de extinção • 19 Moderadores dos Fóruns Rebia Rebia Nacional (rebia-subscribe@ O que é hoarding? • 20 yahoogrupos.com.br): Fabrício Fonseca Ângelo, jornalista ambiental Discursos vazios nas enchentes do Rio • 21 Rebia Norte (rebianorte-subscribe@ Servidores públicos em greve verde • 22 yahoogrupos.com.br) – Rebia Acre: Evandro J. L. Ferreira, pesquisador do INPA/UFAC Jogo sujo de petroleira • 24 • Rebia Manaus: Demis Lima, gestor Boicote ruralista contra patrocínio a ONGs • 25 ambiental • Rebia Pará: José Varella, escritor 26 Rebia Nordeste (rebianordeste-subscribe@ III Congresso de Jornalismo Ambiental • 26 yahoogrupos.com.br) – Coordenador: Efraim A dignidade do planeta • 28 Neto, jornalista ambiental • Rebia Bahia: Liliana Peixinho, jornalista ambiental e Espaço infantil • 29 educadora ambiental • Rebia Alagoas: Carlos Roberto, jornalista ambiental • Rebia Ceará: Guia do Meio Ambiente • 30 Zacharias B. de Oliveira, jornalista, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente • Os artigos, ensaios, análises e reportagens assinadas expressam a Rebia Piauí: Dionísio Carvalho, jornalista opinião de seus autores, não representando, necessariamente, o ambiental • Rebia Paraíba: Ronilson José ponto de vista das organizações parceiras e da Rebia. da Paz, mestre em Biologia • Rebia Natal: Luciana Maia Xavier, jornalista ambiental A linha fina da atmosfera da Terra e do sol são destaques nesta imagem fotografada Rebia Centro-Oeste (rebiacentrooeste- subscribe@yahoogrupos.com.br): Eric por um membro da tripulação a Estação Espacial Internacional, enquanto ônibus Fischer Rempe, consultor técnico (Brasília) espacial Atlantis (STS-129) permanece ancorada com a estação. Crédito: ©Nasa e Ivan Ruela, gestor ambiental (Cuiabá) Redação: Tv. Gonçalo Ferreira, 777 - casarão da Ponta da Ilha, Jurujuba - Niterói, RJ - 24370-290 • Tel.: (21) 2620-2272 Rebia Sudeste (rebiasudeste-subscribe@ yahoogrupos.com.br) - Rebia Espírito Santo: Editor e Redator-chefe: Vilmar Sidnei Demamam Berna, escritor e jornalista. Sebastião Francisco Alves, biólogo Em 1999 recebeu o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em Rebia Sul (rebiasul-subscribe@yahoogrupos. 2003, o Prêmio Verde das Américas www.escritorvilmarberna.com.br com.br) - Coordenador regional: Paulo Pizzi, http://escritorvilmarberna.blogspot.com/ Contatos: vilmar@rebia.org.br • biólogo • Rebia Paraná: Juliano Raramilho, Celulares (21) 9994-7634 e7883-5913 ID 12*88990 biólogo • Rebia Santa Catarina: Germano Editor Científico: Fabrício Fonseca Ângelo, jornalista, mestre em Ciência Woehl Junior, mestre e doutor em Física. Ambiental, especialista em Informação Científica e Tecnológica em Saúde Pessoa Jurídica Pública • (21) 2710-5798 / 9509-3960 • MSN: fabricioangelo@hotmail.com A Rebia mantém parceria com uma rede Skype: fabricioangelo • www.midiaemeioambiente.blogspot.com solidária de OSCIPs (Organização da Produção gráfica: Sociedade Civil de Interesse Público) que Projeto gráfico e diagramação: Estúdio Mutum • (11) 3852-5489 respondem juridicamente pela finanças dos Skype: estudio.mutum • contato@estudiomutum.com.br veículos de comunicação e projetos da Rebia: Impressão: Imprinta Express Gráfica e Editora Ltda. • Associação Ecológica Piratingaúna CNPJ nº 03.744.280/0001-30 – Sede à Rua Portal do Meio Ambiente Maria Luiza Gonzaga, nº 217 - no bairro www.portaldomeioambiente.org.br Ano Bom - Barra Mansa, RJ • CEP: 27323-300 Webmaster: Rodrigo Oliveira da Silva • webmaster@rebia.org.br – Utilidade Pública Municipal e isenta das Estagiário: Leandro Maia • consultor@rebia.org.br inscrições estadual e municipal Comercial • Prima – Mata Atlântica e Sustentabilidade Linha direta com o editor: vilmar@rebia.org.br • Celular (21) 7883-5913 (Ministério da Justiça - registro nº ID 12*88990 e 9994-7634 • Telfax: (21) 2610-2272 08015.011781/2003-61) – CNPJ nº Diretor: Maurício Cabral • (21) 7872-9293 ID 10*96559 • mauriciocabral@ 06.034.803/0001-43 – Sede à Rua Fagundes revistadomeioambiente.org.br e mauriciocabral@rebia.org.br Varela, nº 305/1032, Ingá, Niterói, RJ - Representação em Brasília: Minas de Ideias Comunicação Integrada (Emília CEP: 24210-520 – Inscrição estadual: Isenta Rabello e Agatha Carnielli • Brasília (61) 3408-4361 / 9556-4242 e inscrição Municipal: 131974-0 Rio de Janeiro: (21) 2558-3751 / 9114-7707 • brasilia@minasdeideias.com.br www.prima.org.br Skype: agatha.cn • www.minasdeideias.com.br revista do meio ambiente abr 2010
  • 4.
    editorial Progresso texto Vilmar Sidnei Demamam Berna* e meio ambiente Não é o meio ambiente que ‘atrapalha’ o progresso, como tem afirmado em alto e bom som o Deputado Aldo Rebelo, ou disse e desdisse a candidata do Lula à Presidência! rança de que com um órgão especifico para cui- dar do meio ambiente então estará bem! O ad- ministrador que pretender mudar isso terá de ter coragem e resistir ao chororo e às tentativas de boicotes do próprio nicho ambiental! E isso é bem humano e compreensível pois tende- mos a temer e a reagir ao que desconhecemos! Numa administração ecologizada os técnicos ambientais teriam muito mais oportunidades Caramba 4u (SXC) que numa administração ambiental comparti- mentalizada, pois mais órgãos terão de deman- dar esses conhecimentos ambientais! E enquanto isso não acontecer, continuare- mos assistindo a administrações ambientais O problema está na forma como o meio ambiente vem sendo compre- fracas e isoladas dentro de administrações que endido! Em vez dos governantes ou administradores públicos ou pri- não se consideram comprometidas com o meio vados ecologizarem todas as suas ações, principalmente a partir da ambiente tanto quanto se acham comprometi- década de 80, preferiram copiar modelos estrangeiros. Surgiram então das com o desenvolvimento. E continuaremos os ‘compartimentos estanques’ e por vezes impermeáveis com a preten- assistindo administrações ambientais que fa- são de ‘cuidar’ do meio ambiente. lam apenas para o próprio umbigo, que espe- Calou-se, assim, todo um segmento da sociedade que teve suas ener- cializaram-se em dizer o que NÃO se pode fa- gias e esperanças canalizadas numa direção, além de se criarem verda- zer com o meio ambiente, em vez de dizer o que deiros nichos de emprego para técnicos e profissionais do setor e mes- pode ser feito com ele sem destruí-lo! mo nichos políticos para representantes ambientalistas da sociedade. Nenhum ambientalista sensato quer a natu- Aparentemente, tudo parecia bem, entretanto, esta é uma situação pa- reza apenas para as plantas e os bichos, pois radoxal por principio e que se mostra inadequada para tratar de um tema nossa espécie também faz parte da natureza e transversal, horizontal e multidisciplinar como o meio ambiente. tem todo direito ao desenvolvimento, à supera- Ao se adotar este modelo criou-se, por um lado, um órgão para preser- ção da miséria e à qualidade de vida. var o meio ambiente, e por outro, na mesma administração, vários outros Por outro lado, nenhum desenvolvimen- órgãos para destruí-lo, ou que não levam o meio ambiente em conta em tista sensato quer um tipo de progresso que suas ações e políticas! E pior, que ficam impedidos de cuidar da questão resulte numa terra arrasada atrás de si e de ambiental já que existe, na mesma administração, um órgão para isso. seus empreendimentos! Ou porque na titularidade do órgão ambiental estão desafetos políticos Entretanto, buscar a possível e desejável com- ou o órgão ambiental ‘pertence’ politicamente a um outro partido da patibilizacao entre progresso e meio ambiente base de sustentação da Administração. diante de administrações compartimentali- O ideal seria uma administração ‘ecologista’ onde cada um e TODOS os ór- zadas e quase sempre estanques entre si será gãos de uma mesma administração tivessem responsabilidades de acordo uma perda enorme de talentos e de energias, com sua especificidade. Só para citar um exemplo disso, educação ambiental que poderiam estar sendo empregados para seria responsabilidade dos setores de Educação. Logo de cara essa proposta encontrar soluções em vez de tentarem se des- vai na contramão do que está aí, principalmente dos atuais detentores de car- qualificar e demonizar mutuamente. gos e posições políticas em setores ambientais. Então, não será nada fácil eco- * Vilmar é escritor, autor de 20 livros, entre eles logizar uma administração depois que ela construiu áreas de conforto para A administração com consciência ambiental, das Edições técnicos e políticos ligados ao setor ambiental e deu à sociedade e a espe- Paulinas. Mais informações: www.escritorvilmarberna.com.br abr 2010 revista do meio ambiente
  • 5.
    especial texto Marcelo Bancalero* (marcelobancalero@bol.com.br) Sofamonkez (SXC) Estamos vivendo um momento crítico entre a nossa civilização e o planeta Terra A própria linha fina já é quase a conclu- são a que se propõe este texto dissertativo. Onde se ousa a falar de um assunto que já virou como que uma máxima nos meios de Momento crítico comunicação. De repente, todo mundo re- solve falar sobre a cruel situação em que a humanidade deixou o planeta. Todo mundo quer aliviar a própria consciência, arrotando palavras em defesa à Natureza, contra os que colaboram com o aquecimento global e tudo o mais. Como se não tivéssemos todos, uma parcela de culpa em tudo isso. Se formos analisar de um modo mais sincero, Contudo, é necessário saber até que ponto uma visão mais imparcial. Entenderemos que estamos decididos a mudar nosso estilo de a situação chegou a esse ponto, devido à cobi- vida. Quanto estaremos dispostos a renunciar ça (ou entenda-se estupidez), da humanidade em nome da salvação do planeta. E o princi- como um todo. Desde o descaso das grandes in- pal, quantos de nós estamos preparados para dustrias e nações. Até mesmo o nosso próprio essa mudança radical. descaso. Que vai do mal uso da água, energia A Terra tem segundo a ciência, milhões de elétrica e a fumaça de nossos carros até ao nos- anos. E a Natureza sempre deu um jeito de man- so consumismo desenfreado, que faz com que ter a vida. Até que um dia não muito longe, o as indústrias queiram produzir ainda mais. homem apareceu por aqui. Mas quando esse E assim o ciclo se renova, e a destruição segue “bicho destacado da Natureza” (nas palavras de seu curso (agora quase natural). Edgar Morin), descobre do que é capaz, a coisa Então, a solução não é somente nos unirmos começou a mudar. E devida à ganância dessa ao Greenpeace e ong’s por aí afora, vestindo humanidade que recebe o adjetivo de “racional”, camisas com frases de denúncias, colando chegamos a essa situação. E agora ou nunca. adesivos em nossos automóveis, artefatos es- Devemos nos unir de uma maneira mais verda- tes que também incitam a indústria a conti- deira. Pois podemos estar vivendo um momen- nuar a destruição. Não basta ficarmos indig- to crucial, onde algo de mais real de vê ser feito. *O autor é escritor, poeta nados com a situação como se não fôssemos Assim, termino minhas palavras com a con- e estudante de Psicologia. também responsáveis por ela. A indignação é clusão já anunciada na linha fina: “Estamos Aprendeu o segredo da sim legítima, desde que possamos compreen- vivendo um momento crítico entre a nossa superação ao voltar a estudar der as nossas parcelas de culpa. civilização e o planeta Terra”. aos 30 anos na 5ª série do 1ºgrau revista do meio ambiente abr 2010
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    texto Eloy FassiCasagrande Jr., PhD (eloy.casagrande@gmail.com) especial (Roosewelt Pinheiro/ABr) Em Brasília, manifestantes do Greenpeace despejam um caminhão de esterco na porta da Aneel, em protesto contra o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte Dia do Índio, Dia da Terra e Belo monte momento que atravessa o Planeta, da urgência de se adotar um novo modelo de desenvolvimen- to, de gerar energia, de lidar com as questões da água e da uso da terra. De ser sustentável! Oposto a isto, vimos declarações de figuras Na mesma semana que o embate sobre a pro- Queremos as públicas defendendo a construção da usi- teção ambiental e desenvolvimento a qual- benesses do na de Belo Monte, como do deputado Delfim quer custo aumentam, em relação a cons- Neto, chamando aos que se opõe ao proje- trução da usina hidrelétrica de Belo Mon- BNDES e to, de oposição ideológica, de um “bando de te, vimos imagens e mensagens produzidas da isenção de pessoas que vivem na idade da pedra, mas para comemorações do Dia do Índio e o Dia impostos que querem andar de automóvel”. da Terra, 19 e 22 de abril, respectivamente. o governo oferece Nada mais retrógrado e representativo do Estas datas se complementam, a medida que que esta visão de um ministro da época da a cultura indígena esteve sempre associada a para construir ditadura militar. Do tempo dos mega-proje- preservação da natureza, no seu estilo de vida Belo Monte. Com tos, de hidrelétricas para alimentar multina- respeitando a floresta, no seu convívio com a metade disto se cionais produtoras de alumínio. De quando fauna e flora, sem a ameaça de um predador, pode construir se pregava o crescimento do bolo para poder identificado como o homem branco. distribuir, se referindo a economia que crescia Não faltaram belas imagens de seus rituais, dezenas de usinas com a dívida externa e que transformou o mi- de suas crianças brincando nos rios, de sua luta solares e parques lagre econômico dos anos 70, em pesadelo da para manter suas tradições, lembrando o quan- eólicos para década perdida dos anos 80! to a cultura indígena contribuiu para a língua gerar energia Daquele que participou ativamente dos ve- portuguesa-brasileira, para nossos hábitos ali- lhos slogans, “Brasil ame-o ou deixe-o”, “Prá mentares e para formação do nosso povo. verdadeiramente frente Brasil”, “Ninguém mais segura este país”! Depoimentos de especialistas e ambientalistas limpa ao Brasil Lembro de um slogan, este do povo, de um bloco chamaram a atenção do público para o delicado de carnaval de rua em Olinda, em 1980: “Delfim abr 2010 revista do meio ambiente
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    7 Pela cura do no bolso do povo”! O tempo passa e a visão pro- gressista pura de Brasília não se renova, apesar de completar 50 anos em pleno Século XXI! E a sustentabilidade, senhor deputado? O mundo mudou. Os brasileiros querem an- dar de carro sim, mas um carro elétrico-solar, movido a células de hidrogênio ou a ar com- primido, tecnologias que já estão resolvidas, mundo basta ultrapassar o lobby do petróleo para se- Nos tempos mais difíceis, rem implantadas. Também queremos energia uma luz para a humanidade: para nosso conforto, a eólica, a solar, as das marés, a de biomassa, todas renováveis e que a descoberta da Inversão não contribuem para o aquecimento global. Queremos as benesses do BNDES e da isenção Pela primeira vez um grupo de pessoas vindas de diversos países, de impostos que o governo oferece para cons- profissões e religiões reúnem-se em São Paulo, de 13 a 15 de maio, truir Belo Monte. Com metade disto se pode para debruçar-se sobre o estudo da causa primeira da destruição construir dezenas de usinas solares e parques do mundo e da humanidade: o ser humano. eólicos para gerar energia verdadeiramente Por detrás de todo desastre e sofrimento existe um principal respon- limpa ao Brasil. Sem inundar mais de 500 km2 sável: o ser humano – que, inconsciente de sua psicopatologia (maus de terras cultiváveis, sem destruir florestas, sem sentimentos, más intenções, valores invertidos, corrupção etc.), age destruir habitats indígenas, sem desviar rios e sem freios, numa empreitada suicida e homicida. criar problemas ambientais ainda maiores. Um dos sinais mais claros de que o ser humano criou uma sociedade Queremos que o dinheiro público seja bem invertida para viver é o fato de ele ter se deixado escravizar pela fan- empregado, sem ir para as mesmas emprei- tasia do dinheiro. Não é o dinheiro que faz a riqueza, nem a saúde e teiras, que desde o regime militar acumulam muito menos o bem-estar e felicidade da humanidade, mas são as ati- riqueza sem distribuir. Deputado, sua receita tudes éticas, humanitárias, estéticas, espiritualizadas que fornecem nunca funcionou, o bolo não foi dividido, e o tudo de bom a todos, inclusive a riqueza material. senhor insiste na mesma fórmula petrificada! Outro exemplo são as leis que deveriam proteger e agilizar o cumpri- O modelo de geração de energia deve ser revis- mento dos direitos humanos em todas as classes e nações. No entanto, o to no Brasil. Estudos demonstram que cada me- que se tem verificado é que elas vêm sendo elaboradas para preservar o tro quadrado de painel fotovoltaico evita a inun- poder e os privilégios daqueles que nem sempre dão o melhor exemplo. dação de cerca de 60 metros quadrados para a A inversão que prioriza o ter em relação ao ser vem causando a geração elétrica. Se toda a superfície do lago a grande mediocrização da civilização, que passou a colocar o consu- ser formado pela Usina de Belo Monte fosse co- mo daquilo que agrada os cinco sentidos em primeiro plano e a rejei- berta com painéis fotovoltaicos, seriam geradas tar o campo do conhecimento, da ciência, da tecnologia sustentável, cerca de 44 GWp (gigawatts potência), ou seja, das artes, da espiritualidade. cerca de 20% da energia consumida no país. Há muito poderíamos ter tido a solução para problemas como o câncer, A proposta não é cobrir áreas tão extensas com doenças hereditárias e autoimunes, cardiovasculares, psiquiátricas, entre painéis, mas é um exemplo de seu potencial, outras, se o lucro da indústria médico-farmacêutica não dominasse a pes- onde novos modelos devem gerar energia de quisa e a prática médica. Problemas de tóxico-dependência também es- forma descentralizada. A cobertura de um está- tariam resolvidos se a estrutura social fosse organizada de forma a prover dio de futebol pode virar uma usina ou mesmo os elementos básicos para a segurança, saúde e bem-estar dos cidadãos. os telhados de vinte casas de um condomínio. Estamos entrando numa era da humanidade em que deparamos com No final da década de 70, cada watt produ- uma encruzilhada: ou nos tornamos seres mais conscientes, conhecedo- zido por meio de células fotovoltaicas custa- res dos nossos problemas interiores e responsáveis por nossos semelhan- va 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4 tes e pela sociedade em que vivemos, dando início a uma era de incrí- dólares. Especialistas estimam que quando o vel desenvolvimento sustentável, saúde e prosperidade, ou assistiremos valor baixar para entre 1,5 e 2 dólares, a ener- (de forma ativa ou omissa) a extinção da vida no planeta Terra.Uma era gia solar conseguirá competir com qualquer em que a trilogia da beleza, verdade e bondade passará a estar presente outro tipo de energia. no nosso cotidiano ao invés da violência, da fome e da injustiça. Ao adotarmos medidas mais sustentáveis, todos ganham. O índio ficará com suas ter- Serviço: ras, rios e florestas serão preservados, a agri- Fórum Psico-Social Curando o Mundo pela Consciência (da Inversão) cultura aumentará sua produção e deputa- Data: 13 a 15 de Maio de 2010 dos economistas se aposentarão, retornan- Local: Colégio Stella Maris – São Paulo do às suas cavernas! Informações: www.stopforum.org Eloy é Coordenador do Escritório Verde da Universidade Fone: (11)3034.1550 Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR revista do meio ambiente abr 2010
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    especial Dia do texto J. Rosha (www.adital.com.br) índio? outras coisas, de uma organização social nos moldes em que eles, colonizadores, conheciam. O que se fez, a partir daí, foi uma verdadei- ra “limpeza étnica” no território brasileiro. Os povos indígenas foram – e continuam sendo – agredidos das formas mais impiedosas para dar lugar ao modelo capitalista de “desenvol- vimento” de tal sorte que nos 70 o governo militar previa a completa eliminação deles até o fim do século XX. Para o bem do povo brasileiro e dos povos indígenas, a ditadura militar de 64 não resistiu às pressões popula- res e teve seu fim na metade dos anos 80. De cerca de 100 mil que eram nos anos 70, na primeira década do século XXI eles pas- saram a ser mais de 700 mil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A partir das mobilizações para a Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988), as lutas do movimento indígena passaram a ter maior É preciso desfazer visibilidade. Precisamente a partir daí alguns esse equívoco: conflitos ganham maior espaço nos notici- Rubens Nemitz Jr (www. fotopontocom.com) não existe e nunca ários e, em muitos municípios onde antes se existiu índio no dizia que não existiam mais indígenas, eles surgem com muita força, incomodando prin- Brasil. Esse termo cipalmente os grandes latifundiários. Torna- tem sido usado ram-se alvo de campanhas difamatórias em- ao longo de cinco preendidas por fazendeiros, mineradoras, mi- séculos com uma litares e políticos. A luta pela demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Rorai- violenta carga ma, é um dos exemplos disso. de preconceito Com a Constituição de 1988 vem o reconheci- mento, pelo Estado Brasileiro, dos direitos dos “Índio”, enquanto conceito para designar os primeiros habitantes, povos indígenas à terra tradicionalmente ocu- é um termo genérico, impreciso. Quando os primeiros colonizadores pada e a viver de acordo com seus costumes e chegaram, não encontraram “índios”, mas os Tupiniquim, Guarani, tradições. Foram reconhecidas também suas Xukuru, Xavante e muitos outros que formavam uma população de formas próprias de organização, mas isso tem mais de cinco milhões de pessoas de vários povos e culturas diferentes. ficado só no papel. Na prática, o estado tem fa- Não foi só homens “pardos, ...nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas lhado em formular políticas públicas que ga- vergonhas” – como escreveu Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal – que a rantam e viabilizem esses direitos. A situação tripulação de Pedro Álvares Cabral encontrou. Foi muito mais que isso. Eles da saúde é a que com muita propriedade ilus- encontram um tipo de organização social para o qual não tinham paradigma. tra essa afirmação e a que tem causado maiores Para eles, a forma de organização social conhecida era o Estado – uma insti- transtornos aos indígenas nos últimos anos. tuição ainda em formação naquele momento da história da Humanidade. Desfazer o equívoco e o preconceito é, portan- Portanto, uma terra onde não havia um rei, um estado ou um exército para to, um passo para compreender a importância repelir os invasores, era uma terra pronta para ser ocupada e dominada. que têm os indígenas no mundo de hoje e sua E para que pudessem ocupar o território e tomar posse dele, era preciso, contribuição para outros povos do planeta. primeiro, negar aos indígenas a sua condição de povos pela ausência, dentre Fonte: CIMI Norte 2 abr 2010 revista do meio ambiente
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    Estrutura completa para eventos 2 Salões de eventos: • Capacidade para até 120 PAX • Luz natural • Ar condicionado • Wireless LAN Gastronomia: • Regional e mineira • Receptivos a beira da piscina • Cafés da manhã, almoços e jantares no nosso aconchegante restaurante “da fazenda” • Coffee breaks temáticos em áreas verdes e varandas tranquilas A apenas 1h30 do Rio de Janeiro www.hotelfazendagalovermelho.com.br / gv@hotelfazendagalovermelho.com.br e 3h30 de São Paulo. Entre em contato conosco e peça já a sua proposta. Telefone: (24) 2491-9501 / 2491-9502
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    texto Zínia Baeta(Jornal Valor) 10 ecologia humana Favela nunca mais Juiz encontra alternativas para acabar com favelas jurídica e físico-territorial) – que deu origem ao Moradia Legal – encarregado de fazer um São 10h30 da manhã de uma segunda-feira, quase 30 graus em Ribeirão raio-X das favelas, levantar o número de famí- Preto (SP). O juiz João Gandini, titular da 2ª Vara de Fazenda do município, lias e a situação de cada uma. deixa por algumas horas o conforto do ar-condicionado do gabinete e os “Cada barraco foi numerado e os nomes das fa- 34 mil processos sob sua responsabilidade para acompanhar a última etapa mílias registrados”, afirma. O resultado do “cen- do projeto de urbanização de uma das mais antigas favelas da cidade – agora, so” foi a constatação da existência de 4,5 mil fa- o bairro Monte Alegre. No local, não há mais barracos de madeira, mas casas mílias, ou 20 mil pessoas nessas comunidades. de alvenaria. As 330 famílias que moram no bairro possuem água encanada Em uma segunda etapa do projeto, foram esco- e energia elétrica. Com a demolição de 90 barracos, os becos deram passagem lhidos os núcleos que deveriam ter prioridade e, a ruas, o que permite a coleta semanal de lixo, algo impensável até então. a partir daí, buscou-se recursos para a retirada A urbanização da favela não foi proposta pelo Poder Executivo – apesar de famílias de áreas de risco e ainda a urbaniza- de contar com verbas públicas e implementação técnica da Cohab – mas ção das favelas onde a medida fosse viável. pelo magistrado, que há quatro anos idealizou o projeto Moradia Legal, Foi necessário também propor alterações na responsável pelo encaminhamento de 1,7 mil famílias de Ribeirão Preto legislação do município sobre o uso e ocupa- que vivem em situação precária. ção do solo, com a criação de áreas de interesse O magistrado passou parte de sua vida no Jardim Ângela, bairro da zona social – o que permite a concessão de isenções sul da cidade de São Paulo, que já foi considerado um dos mais violentos do tributárias – e normas que coibissem a cons- país. Filho de um pequeno agricultor de Adolfo, cidade do interior de São trução em áreas irregulares, para evitar o sur- Paulo, Gandini mudou-se com a família para a capital quando tinha dez gimento de novas favelas. anos. Para ajudar nas despesas de casa, foi catador de papelão e vendedor Quatro anos após o início do Moradia Legal, de sorvete, mas acabou realizando o grande sonho: aos 21 anos, entrou na os resultados são animadores. Uma das áreas faculdade do Largo São Francisco. Gandini, que superou inúmeros obstácu- escolhidas pelo programa está no entorno do los para chegar à magistratura, diz que gosta de solucionar o drama por trás aeroporto do município. De lá serão retiradas de cada ação. “O processo é frio, um livro onde há um drama humano. O juiz 720 famílias, das quais 29 já estão instaladas tem que solucionar esse drama e não apenas o processo”, diz. em casas construídas pela prefeitura no bair- Foi com essa motivação e também inspirado em sua história de vida que ro Paulo Gomes Romeu. As obras estão sendo Gandini saiu muitas vezes do gabinete para buscar uma solução real para os custeadas pelo município, Estado e União. Se- diversos processos de reintegração de posse de áreas do município, que foram gundo Gandini, R$ 47 milhões são provenien- invadidas e já possuíam alguma decisão judicial, mas sem resultado efetivo. tes do Programa de Aceleração do Crescimen- O magistrado, acompanhado pelo também juiz Júlio César Dominguez, ti- to (PAC) do governo federal. tular da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão, mobilizou a sociedade para As demais 692 moradias, que estão em fase de resolver não só os processos que estavam sob sua mesa, mas também para construção da cobertura, devem ser entregues acabar com as 34 favelas da cidade – mapeadas por ele e um fotógrafo, que no máximo até o início de 2011. Para o local de sobrevoaram o município por 51 minutos em um helicóptero. transferência, a infraestrutura já está pronta: há Feito isto, Gandini buscou os governos municipal, estadual e federal, Câ- creches, escolas e postos de saúde funcionando. mara de Vereadores, Ministério Público, empresários, uniu igrejas e contou Outra área cujo projeto já foi finalizado é com muitos voluntários. Montou um grupo dividido por áreas (financeira, o núcleo de Monte Alegre, hoje um bairro do abr 2010 revista do meio ambiente
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    11 Alex Wolcott (Flickr) município, reconhecido por lei aprovada na Câ- A urbanização ções na rede elétrica, conhecidas como gatos, mara. Para a urbanização, 90 barracos foram foram solucionadas. O programa de desfaveli- da favela não foi derrubados para a abertura de ruas, canaliza- zação do Monte Alegre foi custeado pelo mu- ção de água, esgoto, instalação de postes de luz proposta pelo Poder nicípio, com uma verba de R$ 3,8 milhões. e a construção de três praças. As famílias, cujas Executivo – apesar Na favela Faiane, distrito de Bonfim Paulis- casas deixaram de existir, foram transferidas ta, a solução para a área de risco veio de uma de contar com para moradias construídas pela Cohab, distan- parceria com a iniciativa privada. Gandini tes cerca de um quilômetro da antiga favela. verbas públicas explica que 44 famílias serão retiradas para As moradias são subsidiadas e as famílias pa- e implementação uma área contígua ao longo dos próximos garão R$ 65,00 por mês, ao longo de dez anos, dois anos. As obras são custeadas por uma técnica da Cohab – para a aquisição do bem. As 330 casas que per- construtora, que está implantando um gran- maneceram no núcleo são de alvenaria. mas pelo magistrado, de empreendimento residencial na região. Segundo Gandini, o programa fechou um que há quatro anos Outros dois núcleos também estão com acordo com a CPFL Energia, que doou para programas em andamento. Em Mangueiras, cada casa do Monte Alegre relógios para a idealizou o projeto zona oeste de Ribeirão, as obras para a cons- medição de energia, geladeiras, postinhos de Moradia Legal, trução de 384 apartamentos estão em fase iluminação, chuveiro e lâmpadas econômi- responsável pelo de licitação pelo governo estadual. A favela cas. Além disso, toda a reforma elétrica inter- de Várzea, zona norte, possui 530 famílias, e na foi realizada pela companhia. encaminhamento passa por estudos geológico e topográfico. O gerente de relações com o poder público de 1,7 mil famílias “Cerca de 1.700 famílias estão com a situa- da CPFL, Luiz Carlos Valli, afirma que, além do de Ribeirão Preto ção resolvida ou encaminhada. Meu objetivo aspecto social da medida – que permitirá aos é que não existam mais favelas em Ribeirão moradores terem contas de energia e forma que vivem em em alguns anos”, afirma o juiz. de comprovação de endereço –, as adultera- situação precária Fonte: IHU Online / Jornal Valor • Carimbos automáticos • Cartões e panfletos coloridos • Impressos em geral • Placas de aço, metal, acrílico e outros • Crachás, broches, botons e acessórios • Sinalização de segurança e vias públicas • Imã de geladeira e carro • Chaveiros e brindes em geral • Xerox, encadernação, plastificação (22) 2762-0025 / 2770-4634 • sulimpress@gmail.com revista do meio ambiente abr 2010
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    texto Jacques Pena(Presidente da Fundação Banco do Brasil) 12 ecologia humana Em Cristalina (GO), unidade demonstrativa do Pais em plena produção O Banco de Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet, reúne mais de 500 tecnologias sociais Marcia Gouthier/Agência Sebrae tecnologias sociais e o cenário internacional Nos últimos 10 anos o Brasil vem se apresentando como um país surgem nesse mesmo contexto, apresentando que se envolve em questões globais, demonstrando interesse em ofe- alternativas de segurança alimentar em um recer apoio aos países que enfrentam problemas socioambientais. país que sofre com a falta de alimentos. Essa aparição geralmente surge com a oferta de soluções que foram O Pais promove um sistema de produção or- aplicadas aqui e obtiveram resultados positivos no enfrentamento de gânica de hortaliças, frutas e pequenos animais, entraves para o desenvolvimento, como a desigualdade social, o acesso tendo como pressupostos a racionalização de re- à educação de qualidade e oportunidades de trabalho. cursos e o manejo ecológico da terra. Toda a pro- Os avanços no Brasil se devem a um fenômeno interessante e importante dução acontece sem o uso de agrotóxicos, propi- de ser observado – uma série de iniciativas feitas pelas próprias comuni- ciando alimentos saudáveis e livres de quaisquer dades e, às vezes, com o conhecimento técnico de universidades ou outros interferências químicas. Já a irrigação é feita por centros de pesquisa, para beneficiar pequenos grupos de famílias, mas que meio de um sistema de gotejamento, o que evita se expandiram e melhoraram as condições de vida de centenas de pessoas o desperdício de água e possibilita a implanta- e reforçaram as políticas públicas. ção do modelo inclusive em regiões com poucas Esses projetos se tornaram cada vez mais completos e complexos, tendo em reservas hídricas, como é o caso do Haiti. vista a necessidade de se organizarem para abarcar o grande número de ma- Moçambicanos e salvadorenhos também já zelas sociais. Os projetos evoluíram para uma dinâmica diferente chamada demonstraram interesse em conhecer as tec- Tecnologia Social, que considera que produtos, técnicas ou metodologias se- nologias sociais brasileiras. Eles querem saber jam, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efeti- o que as suas comunidades vêm fazendo para vas soluções de transformação social e possam ser reaplicadas em escala. mudar suas realidades. A Fundação Banco do Exemplo dessa evolução de tecnologias sociais, destacamos o Banco de Brasil faz do incentivo à estas tecnologias sua Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet. O BTS, idealizado e man- contribuição para o desenvolvimento do nos- tido pela Fundação Banco do Brasil, reúne mais de 500 tecnologias sociais so país e acredita que elas podem, sim, fazer a de diversas fontes e categorias e serve como um pólo disseminador de so- transformação social de milhares de pessoas. luções práticas e de reaplicação fácil para toda a sociedade. Fonte: David Telles - Fundação Banco do Brasil Essas tecnologias são de fácil aplicação e baixo custo, o que as tornam eficazes em cenários de extrema pobreza ou aqueles afetados por desequi- Comentário do leitor do Portal líbrios ambientais. O recente episódio do Haiti reacendeu o debate sobre a Se realmente todos tivessem a consciência social forma como o Brasil pode ajudar a reconstruir aquele país e as tecnologias muita coisa boa iria e vai acontecer no mundo, sociais se mostraram a forma mais adequada. Tecnologias Sociais como a isso é importante para existirmos como planeta Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) – reaplicada em mais neste imenso universo, é preciso tentar, é preciso de 6 mil unidades, em 19 estados, pela Fundação Banco do Brasil em con- arriscar, é preciso agir.... junto com diversos parceiros como BNDES, Petrobras, SEBRAE e governos – Isabela Santos abr 2010 revista do meio ambiente
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    1 água esaneamento Água suja mata mais que guerras De acordo com o estudo, intitulado “Água do- Na Semana Chang Ha Park / Good Neighbors (www.goodneighbors.org) ente”, a falta de água limpa mata 1,8 milhão Mundial da de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente, o que representa uma morte Água, o alerta a cada 20 segundos. Grande parte do despejo de um relatório de resíduos acontece nos países em desenvol- do Programa do vimento, que lançam 90% da água de esgoto Meio Ambiente sem tratamento. No Brasil, uma das maiores causas de morte associada à falta de sanea- das Nações mento é a diarreia. A doença mata cerca de 2,2 Unidas foi milhões de pessoas em todo o mundo anual- duro: as águas mente. Mais da metade dos leitos de hospital do planeta no planeta, diz o estudo, é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada. estão cada vez “Precisamos nos tornar mais inteligentes so- mais poluídas bre a administração de água de esgoto se pre- e mais pessoas tendemos sobreviver num mundo que cami- morrem hoje nha para ter mais de 9 bilhões de habitantes até 2050”, alertou o diretor do Unep, o brasilei- por causa dessa ro naturalizado alemão Achim Steiner. contaminação do que por Questão de direitos humanos todas as formas O relatório da Unep ressalta que dois milhões de toneladas de resíduos contaminam cerca de de violência, dois bilhões de toneladas de água diariamente, inclusive seja em rios ou oceanos, causando gigantescas as guerras zonas mortas, sufocando recifes de corais e pei- xes. Para tentar solucionar o problema, o Unep recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos para o tratamento de esgoto. Seu es- tudo coincide com outro relatório das Nações Unidas, publicado semana passada, que reve- la que uma entre cada seis pessoas no planeta não tem acesso à água potável e que até 2025, a estimativa é que dois terços da população mundial vão sofrer com a escassez de água. Em mensagem sobre a data, o secretário-ge- ral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a água é uma questão de direitos humanos e está li- gada a todos os objetivos da entidade, entre eles o desenvolvimento sustentável e a adap- tação aos efeitos das mudanças climáticas. Na Suíça, manifestantes espalharam em uma praça em Berna, capital do país, quatro mil ma- madeiras cheias de água poluída. No Reino Unido, ativistas do Greenpeace colocaram um vaso sanitário em frente ao Parlamento britâ- Crianças coletam água nico, em protesto contra a poluição das águas suja em garrafas, na e a falta de tratamento sanitário no planeta. região do Chade, país do Fonte: IHU Online / O Globo centro-norte africano abr 2010 revista do meio ambiente
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    energia 1 energia limPa texto Paula Gil (Efe) A energia que em um futuro próximo ilumi- nará nossas casas será limpa, barata e, para a felicidade dos ferrenhos consumidores de ao alcance de todos luz, permitirá praticamente se desvincular Gerador caseiro Divulgação das companhias de energia elétrica. promete Pelo menos é o que promete a Bloom Energy, uma empresa californiana que há oito anos tra- revolucionar balha de forma secreta em uma nova fonte de setor energético energia. Esta semana, ela apresentou seu produ- nos EUA to a especialistas do setor e jornalistas. O Bloom Box, como se chama o aparelho, é um inovador gerador que utiliza biocom- bustíveis ou gás para produzir eletricidade e, Gerador de 500 kw segundo seus criadores, permitirá a empresas instalado no eBay e pessoas comuns gerar sua própria energia de forma limpa e econômica. do Centro Nacional de Pesquisa de Pilhas de Por enquanto, os geradores têm o tamanho Combustível ao diário “Los Angeles Times”. de um carro pequeno e custam em torno de Os especialistas opinam que ainda há muitas US$ 800 mil. Embora a Bloom Energy insista questões por resolver antes de a inovação che- que o investimento inicial pode ser recupera- gar às mãos de todos os consumidores, como do em entre três e cinco anos, o preço não está por exemplo a vida útil do aparelho, que a ao alcance da maioria. A empresa acredita que A grande vantagem Bloom Energy não esclareceu ainda. Pouca du- em dez anos poderá fabricar geradores do ta- ração poderia significar o fracasso da invenção. manho de um tijolo e a um preço em torno de é que o gerador Outros analistas apontaram que a inovação po- US$ 3 mil, transformando cada consumidor permitirá aos deria ter um indesejável efeito sobre o preço do em uma potencial central elétrica. consumidores abrir gás natural ou dos biocombustíveis, disparan- Por enquanto, só grandes empresas têm acesso do o valor pelo aumento na demanda. ao aparelho e algumas companhias como Coca- mão da companhia Alguns temem também que o aparelho se Cola e eBay testaram seu uso nos últimos me- ses. O primeiro cliente da Bloom Energy foi outra elétrica ou usá- transforme em um novo Segway, aquele patine- la só em casos de te elétrico com o qual seus criadores esperavam companhia do Vale do Silício, Google, que tem revolucionar o mundo do transporte há cerca de instalado um gerador de 400 quilowatts em um emergência, apesar dez anos e que hoje é simplesmente uma curio- de seus prédios e cobre com ele boa parte de seu consumo elétrico desde julho de 2008. de ser necessário sidade para turistas em algumas cidades. Fonte: InfoBio / Folha Online A Bloom Energy não é a única empresa tra- dispor de uma balhando neste promissor setor, mas foi, tal- provisão de gás ou Leia matéria na íntegra em: vez, a mais rápida. “Há provavelmente cerca http:// www.portaldomeioambiente.org.br/ de 100 companhias trabalhando em algo mui- biocombustível para energia/ 3654-gerador-caseiro-promete- to similar”, disse Jack Brower, diretor associado fazê-lo funcionar revolucionar-setor-energetico-nos-eua.html revista do meio ambiente abr 2010
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    1 denúncia socioambiental Mapa da injustiça Foi lançado o Mapa de Injustiça Ambiental e A busca por socializar informações, desse modo, Saúde no Brasil. O trabalho, que está dispo- pretende dar visibilidade a denúncias, permitindo nível na Internet, é resultado de um proje- to desenvolvido em conjunto pela Fundação o monitoramento de ações e projetos que enfrentem Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Fundação de situações de injustiças ambientais e problemas Atendimento Socioeducativo (Fase), com o de saúde em diferentes territórios, como cidades, apoio do Departamento de Saúde Ambiental e campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde. O objetivo do mapeamento é apoiar a luta de inúmeras populações e grupos atingidos em Mapa de exclusão da pesca na Baía de Guanabara seus territórios por projetos e políticas base- adas numa visão de desenvolvimento consi- derada insustentável e prejudicial à saúde. A busca por socializar informações, desse modo, pretende dar visibilidade a denúncias, permi- tindo o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças am- bientais e problemas de saúde em diferentes territórios, como cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras. Os organizadores da iniciativa pedem que os visitantes do mapa preencham a página “Fale conosco”, dedicada a comentários, críticas, com- plementações e/ou correções de dados, assim como novas denúncias e sugestões. “O Mapa é de todas e todos nós. Mas, para que isso se torne uma realidade de fato e de direito, é fundamental que nos apropriemos dele e que, de agora em diante, ele se torne uma construção coletiva a serviço da justiça ambiental, da cidadania, da democracia e con- tra todo tipo de abuso, de exploração e de ra- cismo”, informam os coordenadores do mapa. Mapa da injustiça ambiental Este mapa de conflitos envolvendo injus- tiça ambiental e Saúde no Brasil é resulta- do de um projeto desenvolvido em conjunto pela Fiocruz e pela Fase, com o apoiodo De- partamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde Legenda Hidrografia Ramal ferroviário Comperj APA de Guapimirim O objetivo maior deste mapa é apoiar a luta GLP/GNL - Área Lagos, reservatórios Limite municipal de inúmeras populações e grupos atingidos/as diretamente afetada GLP/GNL - Área de Limites distritais no município em seus territórios por projetos e políticas ba- Áreas alagadas de Itaboraí influência indireta Duto Comperj Sul - Área seadas numa visão de desenvolvimento consi- Estradas Federais Áreas de proteção ambiental diretamente afetada derada insustentável e prejudicial à saúde. Estradas Estaduais Faixa de dutos existente Duto Comperj Sul - Área de influência indireta Nesse sentido, busca socializar informa- Acesso rodoviário principal Faixa de dutos Comperj - Sul Outros existentes - Área diretamente afetada ções, dar visibilidade a denúncias e permitir Áreas urbanas Faixa de dutos Outros existentes - Área de Comperj - Norte influência indireta o monitoramento de ações e de projetos que Polibrasil/Suzano - Área Área da Comperj Outros dutos na Baía enfrentem situações de injustiças ambien- de Guanabara diretamente afetada Ferrovia Reduc - Área tais e problemas de saúde em diferentes ter- diretamente afetada abr 2010 revista do meio ambiente
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    17 amBiental Associação Homensdo Mar da Baía de Guanabara Para ter acesso ao laudo técnico do Ibama referente aos empreendimentos da (Ahomar) defendendo o meio ambiente e aqueles Petrobras, na Baía de Guanabara, solicitado pelo MPF/RJ, fruto de representação da que sempre viveram em harmonia de maneira Ahomar), em 2009, faça contato com o presidente da Ahomar, Alexandre Anderson: sustentável: o pescador artesanal (21) 2631-8289 / (21) 8626-3988, grupohomensdomar@gmail.com ritórios e populações das cidades, campos e acima de tudo, o Mapa está aberto para informar, para receber denúncias florestas, sem esquecer as zonas costeiras. e para monitorar as ações dos diversos níveis do Estado tomadas a respei- Os conflitos foram levantados tendo por base to. Nesse sentido, ele está democraticamente a serviço do público em ge- principalmente as situações de injustiça am- ral e, principalmente, das populações atingidas, dos parceiros solidários e biental discutidas em diferentes fóruns e redes de todos e todas que se preocupam com a justiça social e ambiental. a partir do início de 2006, em particular a Rede O Mapa apresenta cerca de 300 casos distribuídos por todo o país e georre- Brasileira de Justiça Ambiental (www.justica- ferenciados. A busca de casos pode ser feita por Unidade federativa (UF) ou ambiental.org.br). Esse universo não esgota as por palavra chave. Clicando em cima do caso que aparece no mapa por estado inúmeras situações existentes no país, mas re- surge inicialmente uma ficha inicial com os municípios e populações atingi- flete uma parcela importante de casos nos quais das, os riscos e impactos ambientais, bem como os problemas de saúde rela- populações atingidas, movimentos sociais e en- cionados. Clicando na ficha completa do conflito aparecem as informações tidades ambientalistas vêm se posicionando. mais detalhadas, incluindo populações atingidas, danos causados, uma sín- Embora tenha contado com apoio governa- tese resumida, uma síntese ampliada e as fontes de informação utilizadas. mental para a sua realização (e esperamos O Mapa pertence a todos/as os/as interessados/as na construção de uma venha a ser utilizado pelo Ministério da Saú- sociedade socialmente justa e ambientalmente sustentável. Por isso mesmo, de e por outros órgãos e instâncias - federais, cabe a nós não apenas usá-lo, mas também mantê-lo alimentado de novas estaduais e municipais – na busca de dados informações, fazendo dele um importante instrumento para o aprimora- e diagnósticos para suas políticas e gestões), mento da democracia e para a garantia dos direitos humanos e da cidadania ele é direcionado para a sociedade civil. A ela plena para cada habitante deste País. Sejam bem-vindas/os! e às diferentes entidades que a conformam, Fonte: Ecoagência / Envolverde revista do meio ambiente abr 2010
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    1 animais Financiando a destruição O vídeo da campanha do Greenpeace pode ser visto em http:// www. greenpeace.org. br/kitkat/ Frames: ©Greenpeace Nestlé financia destruição de floresta e põe orangotangos no rumo da extinção Protestos pipocaram por toda a Europa contra a destruição das florestas se duplicou, alcançando a marca de 320.000 to- que servem de habitat para orangotangos na Indonésia. O motor dessa neladas que entram em uma enorme gama de devastação, que colocou os primatas à beira da extinção, é a conversão produtos, incluindo o chocolate mega popular do uso do solo de mata virgem para o plantio de palmáceas. KitKat, que não é vendido no Brasil. A Nestlé, que sustenta essa atividade comprando óleo de palma da “Toda vez que você der uma mordida em Indonésia para produzir chocolates como o KitKat, foi o alvo das mani- um KitKat, você pode estar dando uma mor- festações no continente europeu, parte de uma campanha global que dida nas florestas tropicais da Indonésia, que o Greenpeace lançou contra a companhia. A Nestlé por enquanto con- são fundamentais para a sobrevivência dos tinua jogando de ponta de lança no time das empresas que estimulam orangotangos. A Nestlé precisa dar aos oran- a destruição das florestas tropicais. gotangos uma pausa e parar de utilizar óleo Além de financiar a derrubada em massa de mata na Indonésia e em- de palma de fornecedores que estão destruin- purrar os orangotangos para o abismo da extinção, a Nestlé está contri- do as florestas”, disse Daniela Montalto, do buindo para agravar o aquecimento global. Florestas ajudam a regular Greenpeace internacional. o clima e acabar com o desmatamento, uma das maneiras mais rápidas O lançamento do relatório segue numero- de reduzir as emissões de Co2 na atmosfera. sas tentativas de convencer a Nestlé a cance- Foi por isso que escritórios da Nestlé na Inglaterra, Holanda e Alemanha lar seus contratos com a Sinar Mas. Recente- acabaram sendo palco de protestos por ativistas do Greenpeace, pedindo mente, o Greenpeace contactou várias vezes para que a empresa deixe de utilizar óleo de palma proveniente da destrui- a empresa com provas sobre as práticas da ção de área antes ocupada por florestas na Indonésia. Sinar Mas, mas mesmo assim a Nestlé con- As manifestações concidiram com o lançamento de um novo relatório do tinua usando o óleo de palma da Indonésia Greenpeace – Pega com a mão na cumbuca: como o emprego de óleo de pal- em seus produtos. ma pela Nestlé tem um impacto devastador na floresta tropical, no clima Diversas empresas importantes, incluindo a e nos orangotangos – que expõe os laços entre a Nestlé e fornecedores de Unilever e Kraft, cancelaram os contratos de óleo de palma, como a Sinar Mas, que estão ampliando suas plantações em óleo de palma com a Sinar Mas. A Unilever florestas de turfa (ricas em carbono) e nas florestas tropicias da Indonésia. cancelou um contrato de 30 milhões de dólares Além da produção de óleo de palma, a Sinar Mas também é proprietá- no ano passado. A Kraft cancelou o seu em fe- ria da Ásia celulose, a maior empresa de papel da Indonésia. A empresa vereiro. “Outras grandes empresas estão agin- também infringe a lei da Indonésia ao destruir as florestas protegidas do, mas a Nestlé continua fechando os olhos para cultivar plantações de óleo de palma. para os piores infratores. É tempo de a Nestlé Como todos devem saber, a Nestlé é a maior empresa de alimentos e bebidas cancelar seus contratos com a Sinar Mas e pa- do mundo. O que ninguém sabia até então era que a empresa também é um rar de contribuir com a destruição das floresta grande consumidor de óleo de palma produzido às custas do desmatamento tropical e de turfas,” frisou Montalto. das florestas tropicais. Nos últimos três anos, a utilização anual do óleo qua- Fonte: Greenpeace / Reasul abr 2010 revista do meio ambiente
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    Extinção 19 texto Marcelo Szpilman, biólogo marinho e diretor do Instituto Ecológico Aqualung (instaqua@uol.com.br) Com o objetivo de chamar a atenção dos gover- nantes e da população para a necessidade de preservação da vida em nosso Planeta, a ONU à vista lançou recentemente uma campanha elegen- do 2010 como o “Ano da Biodiversidade”. Animais ameaçados Em janeiro desse ano, o World Wildlife Fund de extinção no “Ano (WWF) divulgou uma lista com os principais animais ameaçados de extinção. Apesar de da Biodiversidade” achar que nessa lista deveriam constar tam- bém algumas espécies de tubarões vulneráveis e em perigo de extinção, como o grande tuba- rão-branco, vale a pena repassá-la e refletir so- bre o comportamento do ser humano e sua ar- rogante pretensão de se achar mais evoluído e mais importante do que os outros seres que Diane Hammond (Flickr) compartilham o mesmo Planeta. Fora as causas já bastante conhecidas, como o desmatamento e o aquecimento global, am- A borboleta monarca bos diretamente relacionados com atividades é uma das espécies humanas que muitas vezes são inevitáveis mais ameaçadas para proporcionar a todos nós proteção e con- forto nas cidades, pode-se perceber que nessa achar comida. Não à toa, eles têm aparecido nas praias brasileiras, mui- lista existem animais também ameaçados pela tas vezes magros demais ou muito doentes. Das 17 espécies de pinguins, inadmissível perseguição para a extração de 12 já estão ameaçadas pelo aquecimento global. partes de seu corpo para obtenção de produ- 5. Tartaruga-gigante: também conhecida tartaruga-de-couro, são um dos tos supérfluos cujos benefícios apregoados não maiores répteis do planeta e chegam a pesar 700 quilos. Estimativas mostram têm nenhuma base científica comprovada. que há apenas 2,3 mil fêmeas no Oceano Pacífico, seu habitat natural. O au- 1. Tigre: novos levantamentos indicam que mento das temperaturas, a pesca e a poluição têm ameaçado sua procriação. existem menos de 3,2 mil tigres na natureza. 6. Atum-azul: um dos ingredientes principais do sushi de boa qualidade, Hoje, só restam apenas 7% do habitat natu- o atum encontrado nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo está sendo ex- ral destes animais. O extermínio dos tigres tinto por causa da pesca predatória. Uma proibição temporária da pesca também está ligado à falta de informação. desta espécie de atum ajudaria suas populações a voltar a um equilíbrio. Em muitas partes da Ásia, os tigres são caça- 7. Gorila das montanhas: podem deixar de existir na próxima década. dos porque partes do seu corpo são conside- Existem apenas 720 animais vivendo nas florestas da África, e outros 200 radas medicinais. no Parque Nacional de Virunga, a maior área de preservação desta espécie. 2. Urso polar: o urso polar se tornou o principal Em muitas partes da África, os gorilas são caçados porque partes do seu cor- símbolo dos animais que perdem seu habitat po são consideradas medicinais. natural devido ao aquecimento global. A eleva- 8. Borboleta monarca: as temperaturas extremas são a principal amea- ção da temperatura no Ártico é uma das princi- ça destas borboletas, que todo ano cruzam os Estados Unidos em busca do pais ameaças aos ursos, assim como os petrolei- calor mexicano. Elas vivem em florestas de pinheiros, área cada vez mais ros e os derramamentos de óleo na região. ameaçada pelo aquecimento global e urbanização crescente. 3. Morsa: os mais novos animais a entrarem 9. Rinoceronte de Java: existem apenas 60 destes rinocerontes em seus habi- para a lista dos ameaçados, as morsas tam- tat natural. Como seu chifre é usado na medicina tradicional asiática, os rino- bém são diretamente afetadas pelo aqueci- cerontes são caçados de forma predatória. A expansão das plantações também mento global. Em setembro, 200 morsas fo- tem acabado com as florestas que abrigam a espécie. O Vietnã, país que era ram encontradas mortas nas praias do Alasca. um grande habitat dos rinocerontes, abriga apenas 12 animais no momento. Com o derretimento das geleiras, os animais 10. Panda: restam apenas 1,6 mil pandas na natureza, de acordo com o estão ficando sem comida. WWF. Eles vivem nas florestas da China, que estão cada vez mais ameaça- 4. Pinguim de Magalhães: o aquecimento das pelo crescimento das cidades chinesas. Existe mais de 20 áreas de pro- das correntes marítimas tem forçado os pin- teção ambiental no país para proteger estes animais. Metade dos pandas guins a nadarem cada vez mais longe para vive hoje em áreas protegidas ou em zoológicos. revista do meio ambiente abr 2010
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    20 animais O que é HOARDING? A palavra tem o significado de esconder, colecionar e é o termo empregado para identificar um tipo de doença psíquica que atinge um grande número de protetores de animais Herman Brinkman (SXC) A pessoa começa abrigando alguns animais, na melhor das inten- ções e vai aos poucos perdendo a noção de espaço e de limites, até que tenha um número considerável de animais vivendo em sua casa, agora já totalmente inadequada para tantos bichos. Começa, então, a vedar portas e janelas, a impedir a entrada de pesso- as em sua casa, a descuidar-se completamente da higiene e já não aco- lhe apenas os animais que lhe são entregues, mas vai compulsivamen- É bom ficar alerta para os primeiros sinais de te buscando mais e mais animais e os colocando prisioneiros nessa po- ultrapassagem dos limites e evitar, ao máximo, cilga. É comum encontrar-se carcaças junto com lixo, restos de comida, sobrecarregar aqueles protetores que já demons- roupas e camadas de fezes nesses “abrigos”. tram alguma tendência para essa enfermidade. Segundo pesquisa divulgada pela PETA, tratam-se de pessoas inteligentes, Os animais que morrem, freqüentemente educadas, com boa escolaridade, provenientes de famílias de classe media não são retirados do local. O acumulador não em sua maioria, e muito bem intencionadas. Acreditam sinceramente que tem a percepção da falta de higiene e dos ris- estão propiciando aos bichos um lugar seguro e muitas vezes só são “desco- cos para a própria saúde e a dos animais. O bertos” quando morrem ou quando o cheiro de suas casas fica insuportável acumulador não consegue dizer “não” a co- para os vizinhos. Recusam-se a doar os animais, mesmo para lares adequa- locar mais um bicho em sua casa, por mais dos. É preciso ter em mente que se trata de uma doença, que requer trata- que esteja superlotada ou que o animal re- mento psiquiátrico e retirada imediata dos animais sob sua proteção. colhido esteja muito doente (contagiando os Todos nós, protetores, temos um pé no hoarding. Para nós, é quase im- outros animais). Ele acha que o bicho esta- possível ver um animalzinho necessitado sem o impulso de recolhê-lo, sem rá bem com ele, melhor do que em qualquer medir muito as reais possibilidades de espaço, alimentação e tratamento outro lugar e “nega” que seus animais este- veterinário. É nosso dever ter em mente, em primeiro lugar, o bem-estar dos jam em condições precárias de saúde. Cães e animais e isso inclui um abrigo e cuidados adequados. gatos são as principais vítimas: 65% de ga- tos e 60% de cães, estão envolvidos nas ocor- rências. Como o acumulador é uma pessoa Perfil dos “hoarders” mentalmente doente, há controvérsias em relação à punição desse tipo de pessoa. Mas, Dr. Gary Patronek, veterinário americano, diretor do Centro para de uma forma geral, o acumulador é enqua- Animais e Políticas Públicas da Universidade de Tufts e seu grupo drado nos crimes de negligência e crueldade chamado “The Hoarding of Animals Research Consortium”, criado contra os animais – maus-tratos. em 1997, conduziram uma pesquisa, em 1999, para delinear o perfil Esse tipo de situação é preocupante, em do acumulador de animais, e chegaram às seguintes conclusões: termos de saúde pública, em todo o Brasil. • 76% são mulheres. Não podemos mais fechar os nossos olhos. • 46% têm 60 anos ou mais. Envolve a vida desses animais que se en- • A maioria é de solteiros e mais da metade vive sozinho. contram confinados em muitas casas. “Cui- • Em 69% dos casos, fezes e urina de animais estavam acumuladas dados” por pessoas extremamente doentes. nas áreas sociais da casa. Em mais de 25% dos casos, a cama do É um caso de saúde pública. acumulador estava suja com fezes e urina. Fonte: REASul / Blog dos cachorrinhos • Animais doentes ou mortos foram descobertos em 80% dos casos relatados, ainda que em 60% dos casos os acumuladores não Leia matéria na íntegra em: reconhecessem o problema. http:// www.portaldomeioambiente.org.br/ animais/3639-o-que-e-hoarding-.html abr 2010 revista do meio ambiente
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    artigo 21 texto Luiz Prado (www.luizprado.com.br) discursos vazios nas enchentes do Rio punida pela “vingança da natureza” e outras bobagens do gênero. De fato, a opção de Salz- bruck foi a ocupação das margens dos rio e dos topos de morro (estes, pelas mesmas razões que a Corte portuguesa os reservava para a constru- ção de fortalezas, castelos e igrejas). Já no caso de Passa Três, distrito de Rio Cla- ro, no Rio de Janeiro, a ocupação de alto risco é mais do que evidente. Mas ela se dá por falta de opção numa região em que as autoridades não buscaram alternativas para os pequenos produtores e trabalhadores rurais. Não será por falta de terras para fazer lotea- Vitor Abdala/ABr mentos populares que essas pessoas investiram Morador observa o que o seu pouco dinheiro nessas casas, mas sim por estou de sua casa depois falta de loteamentos para a baixa renda. E o es- do deslizamento, no bairro Novo México, gotos seguem direto para o ribeirão. Mas quem em São Gonçalo (RJ) se importa com isso? Lá, o Ibama e as ONGs que jantam nos restaurantes de luxo e jogam no ta- Quando se ouve o governo, em todos os ní- O Brasil está se petão ou na mídia das grandes cidades não vão. veis, pedir à população que abandone as áre- Até porque não têm uma agenda positiva para acostumando a as de encostas, a primeira vontade que se o problema da urbanização em geral. Com o já tem é mesmo vaiar, jogar ovos e tomates po- isso: autoridades antigo teatro de guerrilha, sonegam das cida- dres na cara deles. Fingem não saber ou não que, tomadas des as informações relevantes: os rios e o ar am- sabem mesmo que as pessoas moram em “áre- pelo poder, não se biente estão a cada dia mais poluídos. as de risco” por falta de opção – já que o país Pois bem, as cidades foram, por lei, obrigadas responsabilizam não tem qualquer programa habitacional sig- a elaborar planos diretores que renderam um nificativo há décadas, e o atual slogan é funda- por nada, exceto bom dinheiro a empresas de consultoria. De- mentalmente um programa de financiamento, por slogans. pois, esses planos foram e continuam sendo sem que sejam definidas áreas ou planejadas “Minha chuva, mudados ao sabor das conveniências da indús- as necessárias estruturas urbanas de transpor- tria imobiliária, que privatiza os lucros e sociali- minha vida” tes rápidos e seguros, saneamento e similares. za os custos, já que só depois, muito mais tarde, Na maioria dos casos, as áreas de riscos pode- poderia ser é que alguém vai pensar em coisas elementares riam não representar quaisquer riscos se as ne- um deles como drenagem de águas pluviais e esgotos, tra- cessárias obras de contenção geológica fossem tamento de esgotos, disponibilidade de trans- feitas. E aí, como está na moda, lá vem os evan- porte público e de escolas, e outros “detalhes”. gélicos ambientalistas dizer que tudo aconte- É bem fácil conclamar as pessoas que vivem ceu porque eles não foram ouvidos, ou porque em “encostas” no Rio de Janeiro a sairem de lá. a lei otária não foi respeitada. Não se trata, de- A mesma usual falação, o mesmo desgastado finitivamente, de uma questão de leis, mas de discurso balofo. Dá um pouco mais de traba- falta de políticas públicas e do uso do estado da lho programar obras de contenção adequadas arte na engenharia e no planejamento urbano. – como as que abundam em áreas mais “no- Rios são contidos com a análise séries histó- bres” como a lagoa Rodrigo de Freitas. ricas de chuvas máximas, barragens que com- binem os múltiplos usos das águas – incluindo a regularização de vazões – e muros de arrimo E o plano diretor? / contenção – todas coisas que já foram feitas, O Rio de Janeiro continua sem um plano diretor de macro-drenagem. por exemplo, na Alemanha, no século XIX. Quando falei isso na coluna de meio ambiente que faço com Ricardo Da mesma forma, a estabilidade dos morros Boechat e Rodolfo Schneider na Band News Rio FM, a assessoria é estudada por geólogos – ou, no passado, pela de comunicações da prefeitura apressou-se a dizer que o plano observação – e não por leis e mitos. Se assim havia sido recentemente contratado. Mas nada sobre quando serão não fosse, Salzburg não existiria ou já teria sido disponibilizados os primeiros relatórios para o “distinto público”. revista do meio ambiente abr 2010
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    verde Colaboração Raquel Miguel 22 política ambiental Em ato em frente ao Congresso Nacional, servidores do Ibama, A greve MMA, ICMBio e SFB ‘escreveram’ com seus corpos “Greve Verde” Cristina Gallo / Agência Senado Pedimos assim, a gentileza de falarmos com Você, que tem No entanto, dentro do quadro da adminis- você, que tem estado atento a tudo isso. Não tração pública federal, esta função tão im- visto ocupações há dúvida que muito vêm ocorrendo, não é portante é relegada ao descaso já que o salá- mesmo? E que nunca o estado do meio am- irregulares, que rio destes profissionais é de verdade um dos biente tem influenciado tanto nossas vidas tem lido sobre mais baixos da esfera pública federal e o or- e nosso dia-a-dia. No entanto, muito deve e transposições de çamento destes órgãos públicos e do Ministé- pode ser feito para garantir um presente e um rio do Meio Ambiente também um dos mais rios e construções futuro melhor, mais seguro, mais humano, baixos destinado pelo orçamento da União... mais vivo e justo para a sociedade brasileira. de grandes Você sabia ainda que estes servidores (inte- É exatamente para isso que existem as ações barragens e grantes da Carreira de Especialista em Meio das instâncias ambientais públicas. Você sabia hidrelétricas. Ambiente do Ministério do Meio Ambiente que o Ibama, o ICMBio, o MMA, o SFB e todos os - MMA), do Instituto Brasileiro do Meio Am- Que tem órgãos públicos federais ambientais possuem biente e dos Recursos Naturais Renováveis em seu quadro técnicos fixos e concursados – vivenciado o (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conserva- pessoas capacitadas que estudaram e estudam aquecimento ção da Biodiversidade (ICMBio) e Serviço Flo- biologia, ecologia, geografia, sociologia, educa- global, as restal Brasileiro (SFB), estão em greve por tem- ção ambiental, agronomia, e tantos outros sa- po indeterminado em resposta à intransigên- mudanças beres das áreas biológicas, exatas e sociais para cia do governo em negociar uma proposta dig- protegerem a sociedade garantindo um meio climáticas. Que na de reestruturação da carreira? ambiente saudável e um desenvolvimento sus- tem notado Não? Pois, é... Ninguém sabe. Afinal, quem se tentável e justo para a vida? mais secas, ou importa? Para muitos, a paralisação das ativi- Você sabia que os laudos, licenças, pareceres, dades dos agentes ambientais federais é um mais chuvas. multas, cuidados com áreas de proteção am- alívio. Em greve, deixam de incomodar infra- biental, ações de educação ambiental, entre Rios mais sujos, tores e aqueles que vêem o meio ambiente outros, executados por estes técnicos que são transbordamentos como mais um dos empecilhos para o cresci- independentes das questões políticas e econô- mais constantes. mento do país. micas é que garantem o cumprimento das nor- Apesar da falta de reconhecimento de sua Peixes mais caros, mas e leis que a nossa democracia escolheu? excelência técnica, da falta de infra-estrutu- (só que este muitas vezes são descartados por água mais cara... ra, das deficientes condições de trabalho, dos questões políticas e econômicas) Pedimos cinco baixos salários, dos riscos físicos e orgânicos Pois bem, este pequeno “exército” silencioso e minutos de a que estão expostos – incluindo ameaças de incompreendido vêm trabalhado há anos para morte em lugares remotos, ou enfrentamen- sua atenção garantir o que o artigo 225 da nossa constituição tos com infratores, os servidores da carreira de brasileira garante e o que a ética aconselha. Especialista em Meio Ambiente têm cumpri- abr 2010 revista do meio ambiente
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    2 do a suaparte, superando metas do governo e Quantas enchentes esquivado em analisar o Aviso Ministerial, expectativas da sociedade, bem como geran- propondo alterações que não condizem com teremos que do resultados positivos para o país. Basta ve- as realidades vividas pelos agentes ambien- rificar a redução histórica dos índices de des- viver, quantos tais. Afinal, quem se importa se os escritórios matamento, o número de licenças ambientais deslizamentos, do IBAMA estão sendo queimados no interior, concedidas com critério e rigor, a melhoria dos como aconteceu tempos atrás em Guarantã catástrofes, mortes índices de conservação da biodiversidade e o do Norte, Mato Grosso? Quem se importa se fortalecimento da gestão das áreas protegidas de gente, de rios, de os agentes ambientais federais são feitos re- e ameaçadas, entre outros. matas, de animais, féns em Novo Progresso, Pará, cercados pela Tais resultados deram ao Brasil posição de des- população do município insuflada por co- enfim de vida e taque na reunião sobre o clima em Conpenha- mandantes da região e impedidos de voltar gue e foram, em muito, resultantes do esforço beleza ainda terão para casa? Quem se importa se os servidores e dedicação dos servidores do IBAMA, ICMBio, de ocorrer? Nós, ambientais são processados pelo Ministério SFB e MMA espalhados pelo Brasil afora. Público por obedecerem ordens superiores e Estes servidores trabalham para garantir o di- servidores públicos assinarem licenças ambientais, ou então obe- reito constitucional do brasileiro. Afinal, todos da gestão ambiental decerem à lei e não fornecerem licenças am- têm direito ao meio ambiente ecologicamente federal, além de bientais a toque de caixa? equilibrado, bem de uso comum do povo e es- Quem se importa se agentes ambientais ar- sencial à sadia qualidade de vida, impondo-se lutarmos por um riscam sua vida e têm sua integridade física ao Poder Público e à coletividade o dever de de- desenvolvimento ameaçada diariamente nos mais distantes rin- fendê-lo e preservá- lo para as presentes e futu- sustentável, ético cões do país, se passam noites no meio do mato ras gerações? (Constituição Federal - Art. 225). sujeitos a perigos naturais, doenças tropicais e Mesmo sendo notório e indiscutível o esfor- e justo, também emboscadas feitas por infratores, trabalhando ço, a dedicação e, principalmente, os resulta- lutamos por pela causa ambiental? dos positivos alcançados por estes servidores, melhores condições Diante deste quadro fica a indagação se a é nítida a falta de consideração do Governo Fe- questão ambiental é, de fato, uma das priori- deral para com eles. trabalhistas para dades do Governo Federal ou se figura apenas Basta comparar a Tabela de Remuneração servimos melhor a como bandeira para garantir uma boa imagem dos Servidores Públicos Federais, publicada junto à comunidade internacional. sociedade. Assim, em janeiro deste ano pelo Ministério do Pla- Também protestamos fortemente contra nejamento Orçamento e Gestão. Nela, verifica- estamos em greve!! um projeto de lei que poucos conhecem, o PLP se que servidores de nível superior da carreira nº549/2009, que irá congelar os gastos públi- de Especialista em Recursos Hídricos recebem cos com a folha de pagamentos de funcioná- aproximadamente 157% a mais que servidores rios concursados por 10 anos. Isso, à primeira de mesmo nível da carreira de Especialista em vista parece bom, pois dá a impressão que o Meio Ambiente (como se um especialista em governo vai economizar, não é mesmo? Mas, meio ambiente não necessitasse compreender ao mesmo tempo que queremos sim que a questões relacionadas a recursos hídricos!...). O verba pública seja bem gasta e revertida a be- Especialista em Recursos Minerais possui ho- nefícios sociais, este projeto de lei impede no- norários 93% maiores que o Especialista em vos concursos para adequação de quadros de Meio Ambiente. O fiscal agropecuário de nível funcionalismo público. superior possui vencimentos 120% maiores que Assim, imaginem a Polícia Federal sem po- o de fiscal ambiental. E por aí vai... der contratar novos agentes para dar maior Em 5 de novembro de 2009, o então Minis- segurança nacional, o IBAMA e o ICMBio sem tro Carlos Minc, reconhecendo a defasagem poder adequar seu já diminuto quadro fun- salarial dos servidores de sua pasta e a neces- cional para garantir a proteção ambiental? sidade da reestruturação do plano de carreira Ou pior ainda, este projeto de lei permite a de especialista em Meio Ambiente, enviou ao contratação. Assim poderemos até ter técni- Ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, o cos contratados, mas estes não serão tão in- Aviso Ministerial nº 238/09/MMA (Esta rees- dependentes das questões políticas e econô- truturação pretende valorizar o profissional, micas... é quase que uma forma de “privatiza- de modo a garantir que seu esforço em prol de ção” ou “politização” da coisa pública (único um melhor futuro comum seja reconhecido e ente neutro do tecido social). evitar que profissionais qualificados abando- Não vale mesmo à pena lutar para que nem suas carreiras devido a salários incompa- Leia matéria isso não ocorra? Se você concorda conosco tíveis com as responsabilidades). na íntegra em: e quer um Brasil mais justo ajude-nos neste No entanto, desde então, a Secretaria de Re- http:// www.portaldo nosso movimento. Atenciosamente, cursos Humanos/Min. Planejamento têm se meioambiente.org.br/ Cidadãos brasileiros como vocês. revista do meio ambiente abr 2010
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    2 política ambiental Também financiaram um estudo “suspeito” Alexander Korabelnikov (SXC) que nega que ursos polares estão em perigo e um instituto dinamarquês que produziu ma- terial usado como crítica à energia eólica. O relatório indica que o conglomerado, base- ado no Kansas, gastou quase três vezes mais do que a petrolífera ExxonMobil entre 2005 e 2008 – US$ 25 milhões contra US$ 9 milhões – no financiamento de grupos antimudança cli- mática. Também empregou US$ 43,7 milhões com lobby direto e campanhas políticas. “É hora de a Koch Industries abandonar sua campanha suja e de bastidores contra a ação para combater a mudança climática”, disse ontem Kert Davies, diretor de pesquisas do Greenpeace nos EUA. Demonização O conglomerado não nega os números, mas afirma que o relatório oferece uma represen- tação incorreta de suas atividades e “distor- ce o histórico ambiental de suas empresas”. “As companhias Koch há muito apoiam a jogo sujo pesquisa e o diálogo científicos sobre a mu- dança climática e as propostas de respos- ta [ao fenômeno]. Tanto a sociedade livre quanto o método científico exigem um de- de petroleira bate aberto e honesto de todos os lados, não a demonização e o silêncio daqueles com os quais você discorda”, disse a Koch em comu- nicado à imprensa. Sem nenhuma empresa operando com o nome, mas dona de marcas como a Lycra e os Um relatório divulgado no dia 30 de mar- Petroleira dos EUA copos de plástico Dixie, a Koch tem operações ço deste ano pela ONG Greenpeace acusa em mais de 60 países, que rendem US$ 100 bi- deu US$ 50 mi umas das maiores companhias de petró- lhões anuais em vendas. Emprega cerca de 70 leo dos EUA, a Koch Industries, de canali- a céticos do clima mil pessoas – é atualmente o segundo maior zar discretamente quase US$ 50 milhões grupo privado dos EUA, atrás da Cargill. em uma década (metade disso só entre 2005 No Brasil, o grupo tem quatro subsidiárias e 2008) a uma rede de estudiosos e “think em operação: três em São Paulo (Koch Che- tanks” para “minar a confiança na ciência do mical Technology Group, Georgia-Pacific e clima e promover oposição à energia limpa, Invista) e uma no Rio de Janeiro (Koch Explo- nos EUA e internacionalmente”. ration, de petróleo e gás natural). Entre os grupos que mais receberam fun- Procurado pela Folha, o presidente do Ins- dos da Koch estão os influentes Instituto tituto Cato, Ed Crane, disse em nota que “o Cato (mais de US$ 5 milhões de 1997 a 2008), Greenpeace parece mais interessado em Heritage Foundation (US$ 3,3 milhões no pe- nossas fontes de financiamento do que na ríodo), Mercatus Center (US$ 9,2 milhões de precisão das pesquisas sendo financiadas”. 2005 a 2008) e Americanos pela Prosperida- “O ‘Climagate’ fala por essa precisão. Dito de (US$ 5,2 milhões de 2005 a 2008), segun- isso, 95% de nosso orçamento vem de fontes do o Greenpeace. não relacionadas [aos irmãos] Charles Koch No total, segundo o texto, a Koch ajudou e David Koch [controladores do conglomera- a pagar operações de mais de 20 organiza- do], e nenhuma verba dos Koch jamais foi de- ções que “repetidamente reproduziram e es- signada para um projeto específico.” O Cato palharam a história do chamado ‘climagate’ tem em seu time o climatologista Pat Micha- [divulgação de e-mails de climatólogos, re- els, um dos mais célebres céticos, que esteve velando tentativa de negar informação a cé- no Brasil nesta semana. ticos do clima]”. Fonte: Murilo Marques / Folha Online abr 2010 revista do meio ambiente
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    2 texto Mauro Zanatta Boicote ruralista a patrocinadoras de ONGs A Frente Parlamentar Nacionalista, com- “Vamos dar essa medalha a quem tiver posta em sua maioria por ruralistas, amea- interesse em prejudicar çou iniciar um boicote a produtos de empre- o Brasil”, disse Rebelo sas patrocinadoras de ONGs ambientalistas. “Se querem nos intimidar, estamos para aqui reagir. Se não sabem dialogar, certamente o Bradesco saberá”, disse o coordenador do mo- vimento suprapartidário, o deputado Aldo Re- Janine Moraes/Câmara dos Deputados belo (PCdoB-SP). Relator da comissão especial de reforma do Código Florestal, ele sugere que a pressão comece pelos produtores rurais. “As cooperativas podem sugerir aos seus produ- tores que fechem suas contas no Bradesco”, afirmou, em referência à parceria mantida pelo banco e a Fundação SOS Mata Atlântica, a ONG que lidera a campanha para identificar os “exterminadores” ruralistas. No mesmo tom usado pelas ONGs para cons- tranger os ruralistas, a nova Frente Nacionalis- A bancada ção, Roberto Klabin. “Sabíamos que era um ano ta lançou o “Prêmio Joaquim Silvério dos Reis”, eleitoral e que viria a reação. O Bradesco é um ruralista na sugerindo uma ligação entre o delator do mo- parceirão de 20 anos, mas não temos patrocínio vimento patriótico Inconfidência Mineira e as Câmara reagiu deles. Trabalhamos com direitos difusos e eles motivações políticas de ONGs ambientalistas ao lançamento com interesses específicos”. que atuariam em favor de interesses estran- da campanha Os ambientalistas afirmam que a reação dos geiros. “Vamos dar essa medalha a quem tiver ruralistas é “desproposital, descabida” porque a “Exterminadores interesse em prejudicar o Brasil”, disse Rebelo. lista dos parlamentares ainda não está conclu- “Quem patrocina essas ONGs são a Volkswa- do Futuro”, ída. “Não queremos encrenca nem briga. Não gen, a Coca Cola, a Colgate-Palmolive, estimu- criada pelos tem lista, foi só uma indicação. Eles ainda serão ladas pelos chiques e famosos de São Paulo”. ambientalistas informados antes do fim do processo. Não so- O deputado Sarney Filho (PV-MA) foi aponta- mos irresponsáveis”, disse Mantovani. “É uma para identificar do como principal articulador parlamentar do reação muito maior do que a nossa ação, des- movimento. Procurado pela reportagem, ele os principais proposital, descabida. Essa campanha pode ser não foi localizado ontem. líderes do um fiasco, está mais na mão deles”. Os ruralistas acusam uma tentativa de intimi- movimento O diretor da SOS Mata Atlântica afirmou que dação por parte dos ambientalistas às vésperas os deputados ruralistas romperam acordos fir- de alteração das das eleições de outubro. “É uma campanha di- mados antes do início da tramitação da propos- famatória, claramente intimidatória”, disse o leis ambientais do ta de um novo Código Florestal. “ Quem rom- deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), presi- país na tentativa peu os debates foi uma parte dos ruralistas. Por dente da comissão especial do Código. de retardar isso, deixamos de ir a debates. Não vamos legi- Parceira do Bradesco na emissão de 200 mil timar isso”, afirmou Mantovani. O diálogo ficou a tramitação cartões de crédito e 2 milhões de títulos de ca- insustentável, segundo ele, porque o projeto do pitalização, a SOS Mata Atlântica afirma que de propostas deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que prevê os parlamentares estão “trilhando um cami- de mudança no a criação do Código Ambiental, acabaria com nho perigoso” ao tentar rotular as ONGs como Código Florestal as principais regras e instituições ambientais inimigas do setor rural. “Estão apelando, é um do país. “O Colatto quer acabar com o Conama, Brasileiro caminho perigoso porque tem deputados pa- o Sisnama e as unidades de conservação”, disse trocinados pelas empresas do Klabin”, afirmou Mario Mantovani, em referência ao colegiado o diretor de Políticas Públicas, Mario Mantova- de representação paritária e o sistema nacional ni, em alusão ao grupo produtor de papel, celu- que decide as regras ambientais brasileiras. lose e embalagens do presidente da organiza- Fontes: Reasul / RBrasil (Gabriel Strautman) Fonte: Último Segundo – iG revista do meio ambiente abr 2010
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    texto Fabrício FonsecaÂngelo (msn: fabricioangelo@hotmail.com) fotos ©Comissão Organizadora - CBJA 2 comunicação ambiental Palestra da senadora Marina Silva: Até onde vai o desenvolvimento que não considera os limites dos ecossistemas? Meio ambiente e desenvolvimento Profissionais Que melhor lugar do que o Mato Grosso, es- Para a jornalista baiana Mariana Ramos, o tado berço do agronegócio e que abriga os CBJA teve bons debates e palestrantes bem e estudantes maiores biomas do Brasil, para se debater preparados. “Estava um pouco distante do de jornalismo a relação harmoniosa entre Meio Ambien- jornalismo ambiental nos últimos dois anos defendem te e Desenvolvimento. Foi com esse objetivo e a evolução na abordagem dos assuntos fi- políticas que o III Congresso Brasileiro de Jornalismo cou nítida”, afirmou. Ambiental (CBJA) reuniu cerca de 300 pessoas Mariana só lamentou o fato da pouca sustentáveis entre profissionais e estudantes na cidade de abrangência de alguns temas importantes, Cuiabá, do dia 18 a 20 de março. como a questão da pesca predatória. “Ainda Segundo o secretário executivo do Núcleo de sinto falta de mais enfoque em outros pro- Ecomunicadores dos Matos e membro da co- blemas que não sejam o desmatamento”, missão organizadora do evento, André Alves, o disse. Ela também destacou a apresentação CBJA foi importante para a discussão da ques- de Marina Silva e o debate sobre Belo Monte tão ambiental principalmente da região Centro- como os mais importantes. Oeste. “Acredito que houve um amadurecimen- to do jornalismo ambiental com essa discussão Marina Silva no estado, que gerou impactos positivos”. Para A senadora Marina Silva falou para um audi- Alves resultado foi importante para a região da tório lotado sobre sua candidatura e os deba- Amazônia. “O estado do Mato Grosso não tem tes ambientais que tem sido feitos, principal- costume de realizar eventos em jornalismo, ain- mente no Congresso Nacional. da mais com a temática ambiental”, enfatizou. Para Marina é fantástico que após 30 anos O congresso teve dez mesas redondas, além de luta socioambiental haja um crescente au- de oficinas e lançamentos de livros. Os maio- mento pela causas ambientais, que antes fica- res destaques ficaram por conta da palestra vam restritas as ONGs e movimentos sociais. da senadora e pré candidata a presidência, “São pessoas que querem o melhor para o Bra- Marina Silva (PV), o debate sobre a construção sil. Como o país vai acompanhar as mudan- da hidrelétrica de Belo Monte e a apresenta- ças climáticas? E a economia de baixo carbo- ção do chefe Afukaka Kuikuro do Parque Indí- no? Nesse sentido, tem sido incrível a adesão gena do Xingu. “A mesa da senadora Marina de pessoas de todas as áreas. A sociedade está Silva mobilizou muita gente, como políticos, sentindo que precisa agir. Nada é mais forte do imprensa e curiosos, com isso divulgamos o que uma ideia cujo tempo chegou”, ressaltou. evento para várias partes da região e do país”, Ainda segundo a ex-ministra do Meio Ambien- analisou André Alves. te, já estamos ultrapassando os limites. “Se conti- abr 2010 revista do meio ambiente
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    27 Oficina Comunicação Palestra com Afukaka Ambiental, com Fabrício Kuikuro, cacique do Fonseca Ângelo Parque Indígena do Xingu nuarmos neste ritmo, iremos inviabilizar a vida Rio de Janeiro receberá IV CBJA Acredito que um na terra. Em São Paulo, por exemplo, a tempera- A cidade maravilhosa foi escolhida como dos principais pontos tura subiu 3º nos últimos 30 anos”, apontou. próxima sede do Congresso Brasileiro de Jor- Apesar das críticas sobre sua candidatura ter nalismo Ambiental, que será em 2012, mesmo desse congresso apenas uma bandeira, a do meio ambiente, a ano da Conferência da ONU para o Meio Am- foi a consolidação senadora foi enfática ao dizer que hoje sus- biente (Rio + 20). Lugar de belas paisagens e da Rede Brasileira tentabilidade não diz só respeito às florestas gente acolhedora, o Rio de Janeiro hoje é refe- e sim a toda estrutura social e econômica de rencia na temática ambiental, sendo residên- de Jornalistas um país. “Esse discurso já está defasado, não cia de diversos especialistas da área. Ambientais (RBJA), se pode falar em meio ambiente sem analisar Para o jornalista Vilmar Berna, fundador da pois a interação entre as questões culturais e sociais de uma região”. Rede Brasileira de Informação Ambiental (Re- Marina disse que apesar da situação crítica da bia), a democratização da informação ambiental as diversas faixas questão ambiental no país, continua otimista. não deve ser uma benesse dos poderosos para a etárias foi nítida “Sou uma mantenedora de utopias. Desenvol- sociedade, mas uma conquista. “Sem informa- vimento e sustentabilidade podem sim andar ção ambiental independente e de qualidade, a durante os três dias juntos. Só depende de nós, e os jornalistas têm sociedade tenderá a reproduzir as mesmas esco- de atividades importante papel como mediadores capazes lhas que nos trouxeram até o abismo da insus- (Danielle Silva, de despertar a sensibilidade das pessoas”. tentabilidade socioambiental”, afirmou. A jornalista Danielle Silva veio do Rio de Janei- Berna reforça que foi muito importante a de- jornalista carioca) ro para acompanhar os debates e gostou do que cisão do III Congresso Brasileiro de Jornalismo viu. “Acredito que um dos principais pontos des- Ambiental, realizado agora em Cuiabá, pela se congresso foi a consolidação da Rede Brasilei- sua continuidade. “Nos sentimos orgulhosos ra de Jornalistas Ambientais (RBJA), pois a inte- pelo Rio de Janeiro ter sido escolhido para se- ração entre as diversas faixas etárias foi nítida diar o IV CBJA, em 2012. Desde já a Rebia esta- durante os três dias de atividades”, analisou. rá empenhada, com os demais parceiros, a tra- Ainda de acordo com Danielle o ambiente balhar pelo seu sucesso. Até lá, teremos uma *Jornalista, Mestre em Ciência acolhedor proporcionou a troca de ideias entre longa caminhada onde é importante enraizar Ambiental, Especialista em estudantes, jovens profissionais, jornalistas em localmente este debate, principalmente entre Informação Científica e exercício e acadêmicos de diversas universida- aquelas pessoas, veículos e organizações que Tecnológica em Saúde, Editor des do País. “Esse contato físico foi fundamental compreendem a importância da democratiza- Científico da Rebia - Rede para recarregar nossas energias e assim criar- ção da informação ambiental para uma socie- Brasileira de Informação mos novas discussões e nos engajarmos na luta dade sustentável!”, finalizou. Ambiental e Editor do Portal por um jornalismo ambiental parcial”, disse. Com informações do site Dom Total Proqualis (www.proqualis.net) revista do meio ambiente abr 2010
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    texto Leonardo Boff* 2 artigo Um tema central da Cúpula dos Povos so- A Terra, ©Nasa bre as Mudanças Climáticas, reunida em sujeito de Cochabamba de 19-23 de abril, convocada pelo Presidente da Bolívia Evo Morales é o dignidade da subjetividade da Terra, de sua dignidade e de direitos e direitos. O tema é relativamente novo, pois dignidade e direitos eram reservados somen- te aos seres humanos, portadores de consciên- cia e inteligência. Predomina ainda uma visão antropocêntrica como se nós exclusivamente fôssemos portadores de dignidade. Esquece- mos que somos parte de um todo maior. Como dizem renomados cosmólogos, se o espírito está em nós é sinal que ele estava antes no universo do qual somos fruto e parte. Há uma tradição da mais alta ancestralida- de que sempre entendeu a Terra como a Gran- de Mãe que nos gera e que fornece tudo o que precisamos para viver. As ciências da Terra e da vida vieram, pela via científica, nos confirma- ram esta visão. A Terra é um superorganismo vivo, Gaia, que se autorregula para ser sempre Um planeta apta para manter a vida no planeta. A própria biosfera é um produto biológico, pois se origi- na da sinergia dos organismos vivos com todos os demais elementos da Terra e do cosmos. digno Criaram o habitat adequado para a vida, a bios- fera. Portanto, não há apenas vida sobre a Terra. A Terra mesma é viva e como tal possui um va- lor intrínseco e deve ser respeitada e cuidada como todo ser vivo. Este é um dos títulos de sua dignidade e a base real de seu direito de existir e de ser respeitada como os demais seres. Os astronautas nos deixaram este legado: reprodução e de regeneração. Por isso, está em discussão um projeto na vista de fora da Terra, Terra e Humanidade ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, des- fundam uma única entidade; não podem ser floresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas, vitais para separadas. A Terra é um momento da evolução a manutenção dos climas e da vida. do cosmos, a vida é um momento da evolução Por fim há um último argumento que se deriva de uma visão quântica da da Terra e a vida humana, um momento pos- realidade. Esta constata, seguindo Einstein, Bohr e Heisenberg, que tudo, terior da evolução da vida. Por isso, podemos no fundo, é energia em distintos graus de densidade. A própria matéria é com razão dizer: o ser humano é aquele mo- energia altamente interativa. A matéria, desde os hádrions e os topqua- mento em que a Terra começou a ter consciên- rks, não possui apenas massa e energia. Todos os seres são portadores de cia, a sentir, a pensar e a amar. Somos a parte informação. O jogo das relações de todos com todos, faz com que eles se consciente e inteligente da Terra. modifiquem e guardem a informações desta relação. Cada ser se relaciona Se os seres humanos possuem dignidade e di- com os outros do seu jeito de tal forma que se pode falar que surge níveis reitos, como é consenso dos povos, e se Terra e de subjetividade e de história. A Terra na sua longa história de 4,3 bilhões seres humanos constituem uma unidade indivi- de anos guarda esta memória ancestral de sua trajetória evolucionária. Ela sível, então podemos dizer que a Terra participa tem subjetividade e história. Logicamente ela é diferente da subjetividade da dignidade e dos direitos dos seres humanos. e da história humana. Mas a diferença não é de princípio (todos estão co- Por isso não pode sofrer sistemática agres- nectados) mas de grau (cada um à sua maneira). são, exploração e depredação por um proje- Uma razão a mais para entender, com os dados da ciência cosmológica to de civilização que apenas a vê como algo mais avança, que a Terra possui dignidade e por isso é portadora de direitos sem inteligência e por isso a trata sem qual- e de nossa parte de deveres de cuidá-la, amá-la e mantê-la saudável para quer respeito, negando-lhe valor autônomo continuar a nos gerar e nos oferecer os bens e serviços que nos presta. e intrínseco em função da acumulação de Agora começa o tempo de uma biocivilização, na qual Terra e Humani- bens materiais. É uma ofensa à sua dignida- dade, dignas e com direitos, reconhecem a recíproca pertença, a origem de e uma violação de seus direitos de poder e o destino comuns. continuar inteira, limpa e com capacidade de *Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possível. Vozes 2008 abr 2010 revista do meio ambiente
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    espaço infantil 29 Vocêsabia que existem animais que estão praticamente desa- O que está sendo feito... parecendo do planeta? Isso é, no mínimo, muito preocupante, pois No Brasil o órgão responsável por cuidar do qualquer espécie, animal ou vegetal, por mais simples que seja, tem meio ambiente e especificamente de reverter muito valor para o meio ambiente e é insubstituível. o quadro da extinção animal é o IBAMA – Ins- tituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Desrespeito ao meio ambiente é principal causa da extinção Naturais Renováveis. Este órgão fiscaliza, mui- Quantas notícias vemos atualmente sobre desmatamento das flo- tas vezes em conjunto com a Polícia Federal, restas e queimadas em diversas regiões? Pense em quantos animais tudo que é relativo ao meio ambiente, assim, morrem ou ficam “desabrigados” por essas ações inconsequentes do está sempre de alerta para as questões do des- ser humano. Fica fácil perceber que o principal motivo da extinção matamento, repressão ao tráfico de animais e dos animais é a destruição de florestas, seja pelo desmatamento ou possibilidades da procriação de espécies em por queimadas. Só na Amazônia atualmente, a área total afetada pelo cativeiro para diminuir o risco de extinção, desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil Km2, a um neste caso, depois de crescidos os animais são ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano. introduzidos em seu habitat natural. A poluição também contribui para a extinção de animais, pois pre- judicam diretamente o ciclo de vida de muitas espécies. Você também pode ajudar... Outro fator que contribui é a caça em busca de aproveitamento de Cada um de nós pode ajudar a combater partes desses animais, como por exemplo, para obtenção de carne, gor- a extinção de animais mesmo estando longe dura, peles, plumas, troféus e lembranças. A coleta de ovos para venda deles. Uma forma é denunciar qualquer tipo também é bastante comum, pois gera lucro para os caçadores. de agressão ao meio ambiente. O tráfico de animais também é um fator de muita preocupação: de Com relação ao tráfico de animais, fica mais acordo com Polícia Federal, a cada ano 12 milhões de animais, a maio- fácil de contribuir: ria integrante da lista de espécies em extinção, são apanhados na • Não compre nenhum tipo de artesanato que fauna brasileira e 30% deles são enviados ao exterior. Eles são trans- tenha partes retiradas de animais, como pe- portados em condições precárias, ficam doentes e chegam a morrer nas, couro, etc.; fora de seu habitat natural. •Não use roupas feitas de pele de animais; • Observe que canários, maritacas e outras Veja matéria no site do Ibama sobre o assunto: aves fazem parte das espécies de animais que http:// www.ibama.gov.br/fauna/trafico/procedimentos.htm sofrem com o tráfico, portanto, oriente amigos Lista de animais em extinção: e parentes que tenham o hábito de manter es- http://www.fiocruz/biosseguranca/Bis/infantil/fauna.htm ses animais presos em gaiolas; • Denuncie sempre que perceber ações de maus Descubra aqui alguns animais em risco de extinção: tratos e manutenção de animais em cativeiro. T A M A N D U A Q W M http://www.smartkids.com.br/especiais/animais- em-extincao.html Q C W Q T C L D S J J s V P R R G O E F R Y A Número 8 l de 200 At é o fina caram cerca G M R R W N O T O J C cien entifi tistas id espécies biológ -se icas ilhões d e fia Descon U H I A R I R A N H A de 1,4 m o de extinção. ões, ainda ess 0 milh em proc ais de 3 parte delas em xiste m A Q P C W P T V A M R que e ificar, a maior or ident florestas tropic ecem ais úmi das. p de ar R H Q A R A R A V S E regiões la-se que desap dia. u Calc s, a cada 100 espécie A I L S T O H Y B R Z Respostas: horizontal: tamanduá, ariranha e arara • vertical: jacaré e guará. revista do meio ambiente abr 2010
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    Guia do MeioAmbiente Aqui o seu anúncio é visto por quem se importa com o meio ambiente ANUNCIE AQUI (21) 2610-2272 Plante para colher no futuro eak ee br s Co te io PÚBLICO ALVO: Educadores, professores, e sor gestores ambientais, acadêmicos e profissionais da área DATA E HORÁRIO: Consultar PROPOSTA DA OFICINA: LOCAL: CRIAR oficina de estudos • Rua Lemos Cunha, 485 • Icaraí • Niterói Informar sobre questões ambientais INSCRIÇÕES: Rua Eduardo Luis Gomes, 184 • Centro • Niterói e capacitar as pessoas a produzirem Estúdio Mutum (rua atrás do Niterói Shopping) sua própria folha de papel reciclado artesanal, um negócio que pode CONTATOS e INSCRIÇÕES: (21) 3021-7771 • (21) 7681-3334 render muito lucro INVESTIMENTO: R$ 35,00 por pessoa • inclui CD, apostila e certificado
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