SlideShare uma empresa Scribd logo
FERNANDA SUAIDEN | C. SOUZA DE MELO 
MARIA JOÃO PESSOA | MORGANA RECH 
MARTA CORTEZÃO| PEDRO BELO CLARA 
ESTEVAN DE NEGREIROS KETZER | TÂNIA ARDITO 
5ª Edição | NOV 2014
WWW.FACEBOOK.COM/CANALSUBVERSA 
CONTATO.SUBVERSA@GMAIL.COM 
@CANALSUBVERSA 
SubVersa 
| literatura luso-brasileira | 
© originalmente publicado em Novembro de 2014 sob o título de SubVersa © 
4ª Edição 
Responsáveis técnicas: 
Morgana Rech e Tânia Ardito 
Os colaboradores preservam seu direito de serem identificados e citados como autores desta obra. 
Esta é uma obra de criação coletiva. Os personagens e situações citados nos textos ficcionais são fruto da livre criação artística e não se comprometem com a realidade.
CANALSUBVERSA.com 
3 
4ª Edição 
Novembro de 2014 
PEDRO BELO CLARA | NO TEMPO DO AMOR | 4 
MORGANA RECH |MANIFESTO DAS DISTÂNCIAS | 6 
MARIA JOÃO PESSOA | PELO CAMINHO |12 
ESTEVAN DE NEGREIROS KETZER | SOBRE A INFELICIDADE DE ESCREVER: VILA-MATAS E COMPANHIA | 13 
MARTA CORTEZÃO | ATREVA-SE | 15 
TÂNIA ARDITO | HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA | 16 
FERNANDA SUAIDEN | EU ESTOU POR UM FIO | 23 
C. SOUZA DE MELO | JANELA | 26
CANALSUBVERSA.com 
4 
PEDRO BELO CLARA 
LISBOA, PORTUGAL. 
No tempo do amor eram alvas todas as rosas, 
azuis os horizontes de promessas e canções, 
verdes os céus dum oceano sem fim, 
doiradas as aves que a cada entardecer ao sol retornavam. 
No tempo da saudade todas as rosas são pedras. 
NO TEMPO DO AMOR
CANALSUBVERSA.com 
5 
MORGANA RECH 
PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL 
Fica terminantemente proibido o afastamento do namorado e da namorada por mais de 20 (vinte) dias, a contar das lágrimas da ida até o momento do reencontro. Em casos de obrigação de afastamento por motivo profissional, o afastado fica livremente convidado a enviar mensagens de amor ao remanescente, que de modo geral deve responder satisfeito e fazer o afastado sentir-se bem, mesmo longe, preferencialmente aliviando-lhe a culpa de ter se afastado. O afastado fica carinhosamente instruído a não sobrecarregar o remanescente de preocupações e ciúmes desnecessários, poupando-o da dor do desconhecido e do medo de perder o seu amor durante o afastamento. O remanescente também não deve criar motivos propositadamente agoniantes no afastado, e colaborar durante o período da espera com compreensão, carinho e sobretudo bastante saudade. 
MANIFESTO DAS DISTÂNCIAS
CANALSUBVERSA.com 
6 
Em casos de noivado, os dias de afastamento podem se estender até o período máximo de 30 (trinta) dias, comprometendo-se afastado e remanescente a aproveitarem o momento para cuidar de si e da sua individualidade antes da experiência do casamento, preferencialmente tendo preparado uma surpresa agradável. Todas as recomendações acima descritas a respeito das investidas no contato amoroso, mantém- se. As empresas públicas, privadas e mistas estão terminantemente proibidas de contratar noivos ou noivas para trabalhar em outra cidade, se ambos não estiverem de acordo. Em caso de discórdia amorosa em relação ao local de residência, a instituição contratante fica responsável por recolocar o profissional em cargo semelhante ou superior ao antigo. 
Em caso de grandes amores dificultados pela distância, poderá ser ativado o aviso de calamidade afetiva, em que as imobiliárias, as agências de emprego e inclusive os bancos públicos e privados devem contribuir e facilitar a vida do casal onde quer que queiram fixar as suas vidas, impedindo que a rotina árdua de adaptação desgaste o relacionamento. 
Em casos de amores que se comprove grande dispêndio de energia, dinheiro e tempo em função de sucessivos afastamentos, em que ambos estão deslocados de sua residência, mesmo tendo sido acionado o aviso de calamidade afetiva, a natureza, os búzios, os autos de fé e os anjos da guarda devem unir-se numa só força e conspirar a favor do relacionamento até quando ainda existir amor, mesmo que diminuído pela luta diária que é a vida.
CANALSUBVERSA.com 
7 
MARIA JOÃO PESSOA 
LISBOA, PORTUGAL 
Pelo caminho, fui engravidando 
de desilusões e desesperanças, 
deixando rastos de incertezas 
e migalhas de falsidades, 
restando os bolsos mais leves 
para a caminhada. 
Amadureci entretempo desejos, 
colhi silêncios das mãos do tempo 
e percebi, como o poeta, 
que só se ganha a viagem, 
que o castelo no alto da montanha 
é feito com as pedras do caminho. 
Que o tempo não se ganha, 
e quando passa, 
apenas pisa connosco o mesmo chão 
na busca interminável 
da estrada para o nosso coração. 
PELO CAMINHO
CANALSUBVERSA.com 
8 
ESTEVAN DE NEGREIROS KETZER 
PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL 
Me deterei tão somente em uma breve passagem de Bartleby e companhia, do escritor espanhol Enrique Vila-Matas. Tão coerente e prazeroso em seu processo de escrita, fica nítido o quanto orgulhoso está de sua obra repleta de escritores do “não”. Como veremos, o escritor espanhol mais celebrado da atualidade, saboreia o estudo minucioso e inventivo da famigerada tradição do “não” na literatura. A potência do delicado “prefiro não fazer” (I prefere not do) exaltada na história de Bartleby, de Herman Melville, um homem que preferia não fazer o que lhe fosse mandado em um escritório de advocacia em Wall Street. 
Melville não ficou conhecido por este conto durante sua vida. Talvez daí seu fracasso tenha sido tão celebrado pela crítica tardia, 
SOBRE A INFELICIDADE DE ESCVREVER: 
VILA-MATAS E COMPANHIA 
_____________
CANALSUBVERSA.com 
9 
como sempre acontece com relação aos escritores. Este reconhecimento tardio de suas criações, como o próprio Vila-Matas aponta, se dá justamente na mudança de sua prosa, pois Melville decide se dedicar à vida urbana, deixando de lado suas aventuras nos mares do sul. Foi a partir da decisão de ser um escritor “propriamente dito”, seguindo uma tradição típica dos lampejos místicos da famosa década de ouro da literatura estadunidense, em 1850 (dos autores Emerson, Thoreau, Hawthorne, Whitman). O discurso tão reconhecido do escritor representando as “antenas da sociedade”, na qual somente homens de uma pura e distinta sensibilidade são possuidores, tornou-se o elemento basilar da afirmação de uma identidade da cultura burguesa e sua gradual elitização. O que tornou Melville tão especial foi justamente seu caráter diferencial diante de um tema cotidiano: a negação de qualquer tarefa executiva em um ambiente de trabalho (não farei as comparações ao grupo Occupy Wall Street e a possibilidade de sermos aviltados por um ócio altamente mobilizador). Fica evidente que as viagens para os mares do sul chamam a atenção da classe média em ascensão, talvez muito mais, em um primeiro momento, do que a brancura assustadora da baleia Moby Dick. 
Tomada esta afirmativa, gostaria de pensar o que parece ser a bandeira de Vila-Matas em Bartleby e companhia. Uma passagem me tomou de assalto, na página 23 da edição brasileira: “Na verdade, a doença, a síndrome de Bartleby, vem de longe. Hoje chega a ser um mal endêmico das literaturas contemporâneas essa pulsão negativa ou atração pelo nada que faz com que certos autores literários jamais cheguem, aparentemente, a sê-lo.” A questão que me coloquei é porquê o não escrever literário seria justamente uma pulsão de morte? Que implicações danosas ela traz? Para um defensor da literatura sua resposta parece óbvia, mas para uma pessoa comum, destituída do conhecimento dos signos acadêmicos e avessa aos deleites da alta
CANALSUBVERSA.com 
10 
cultura, essa afirmação parece justamente sem sentido. O prazer de um literato (ainda um prazer para manter a distinção de Roland Barthes entre prazer, completo, e gozo, parcial) estaria justamente no meandro dos pensamentos, na exposição da linguagem de forma a que esta jamais seja comunicativa, mas exigência de uma produção de bem infinito, pluridade de significados, uma crítica sobre o mal estar da modernidade e seus deletérios avanços que destroem as relações humanas. 
Pensando com a tese proposta por Vila-Matas não haveria nada mais letal que deixar de escrever, portanto, essa afirmativa nega por completo qualquer outra coisa que um “escritor” possa de fato realizar de melhor em vida. Conhecer as trajetórias de Franz Kafka, André Gide, Paul Valéry, Ludwig Wittgenstein e Robert Walser pode não apenas nos divertir, mas também auxiliar na real reflexão de que eles tinham alguma coisa muito melhor para fazer do que passar a vida inteira dedicada à literatura. Essa constatação não parece tão clara em Vila- Matas. Esses escritores parecem ter mudado o rumo de uma trajetória aparentemente idealizada devido à incidência da literatura em algum nível de suas vidas. Essa mudança drástica na vida de um ser como o escritor parece ser apenas uma entre muitas outras atividades da vida humana desejada (Kafka queria se tornar jornalista em Berlim; Gide ansiava escrever um livro que nunca escreveu; Valéry cria um personagem avesso a todo o livro que não seja importante para sua vida; Wittgenstein publica dois livros em vida e resolve se tornar jardineiro; e Walser após muitas atividades discrepantes, entre elas a subserviência de um mordomo, termina por passar seus últimos anos de vida internado em um manicômio). Habita em cada um deles um homem completamente comum, incidental, em nada especial. A literatura nesses casos parece ser justamente o desejo de não ser comum, narrar uma história mais real do que o próprio real,
CANALSUBVERSA.com 
11 
ultrapassando inclusive o desejo de viver de um jeito simples. O que seria a salvação para Vila-Matas torna-se a desgraça para a vida pessoal dos escritores. Escritores com forte temor de se tornarem brancos, neutros, postos em pedestais de marfim que estão ao lado de títulos acadêmicos e prêmios literários de altíssimo mérito, certamente (ainda que as bancas julgadoras sejam, muitas vezes, escaladas por incompetentes e leitores diletantes, como bem denunciou Thomas Bernhard). 
A questão que fica parece ser, ao contrário de uma pulsão de morte, justamente a exigência por uma pulsão de vida. Talvez aqui a ingerência para tratar desse assunto seja menos especulativa, mas talvez mais conflituosa do que imaginávamos, pois, afinal, estamos diante de um desejo, de uma possibilidade em meio ao caos e talvez, mais diametralmente iconoclasta, há o desejo de não receber nem mesmo o rótulo de ser um formidável escritor. Escrever pode, nestas circunstâncias, ser menos auspicioso e tendencioso à formação de uma realização pessoal, ser mais penoso e difícil do que estar inscrito em uma cena literária. A possível inovação da escrita como um elemento de entretenimento e glamour contraria em muito um viver galgado nos afazeres ordinários da vida cotidiana com seus desafios mais “concretos” (onde comer e respirar também são importantes!). Não escrever é a realização de um desejo, ainda mais além do princípio do prazer, mais além do que o “prefiro não fazer” de Bartleby, ao evitar o desprazer a qualquer custo, mesmo que com isso a literatura deva perecer e dar lugar a outra coisa mais congruente com nossas possibilidades internas. Isso é, no mínimo, aprender a respeitar um limite que se coloca a cada um de nós.
CANALSUBVERSA.com 
12 
ATREVA-SE 
MARTA CORTEZÃO 
TEFÉ, AMAZONAS, BRASIL 
Atreva-se! Vire a página. Reinvente-se. Seja audácia, Imprudência, Alvoroço, Eloquência. 
Atreva-se! Perca a linha. Refaça-se. Seja brisa, Tempestade, Alquimia, Vanidade.
CANALSUBVERSA.com 
13 
Atreva-se! Arrisque dribles. Precipite-se. Seja Ícaro, Desobediente, Afoito, Inconsequente. 
Atreva-se! Esqueça o medo. Fortaleça-se. Seja rochedo, Imponente, Colossal, Envolvente. 
Atreva-se! Renuncie mágoas. Desapegue-se. Seja pássaro, Renascente Fênix. Poente. 
Atreva-se! Pinte o sete. Liberte-se. Seja cromático, Multifacetado, Crepuscular, Rio-mar.
CANALSUBVERSA.com 
14 
Atreva-se! Faça mudanças. Dinamize-se. Seja confiança, Mutante, Temporão, Desafiante. 
Atreva-se! Lute sempre. Revolte-se. Seja estrela, Radiante, Constelação Gigante.
CANALSUBVERSA.com 
15 
TÂNIA ARDITO 
SÃO PAULO – PORTO 
Júlio César conheceu Cleo em uma viagem de negócios, ele estava encarregado de solidificar uma sociedade com um empresário conhecido como o rei da cerveja, pai da dita moça. Apesar de bonita, Cleo não caiu nas graças de César – o poderoso, que preferia ser chamado só pelo segundo nome. Já que para ele, Cleo não passava de uma herdeira mimada e meio boba com aquela franjinha. Sem se conformar em ter passado meio despercebida e desafiada pelas amigas a fisgar o executivo, Cleo decidiu conquistar o mais novo sócio da família (segundo consta ela já tinha arrastado as asinhas para alguns outros sócios do pai, mas nenhum tão importante e poderoso quanto César). O pai, orgulhoso do súbito interesse da moça pelos negócios, que até o momento, junto com os irmãos, apenas cuidava de gastar a fortuna da família, resolveu que dentre os herdeiros, Cleo, seria a 
HISTÓRIA 
CONTEMPORÂNEA
CANALSUBVERSA.com 
16 
escolhida para estar à frente do império formado pelas inúmeras empresas. A herdeira, no seu terninho chic para ganhar um ar mais sério, tratou de se apróximar e conhecer melhor os negócios dos sócios, aliás, tudo o que ela queria era conhecer o négócio de César, que por sua vez viu o seu sossego acabar, já que com um divórcio nas costas e dois filhos já feito homens não estava para se enroscar. Entretanto, esqueceu-se da prudência quando Cleo apareceu em seu quarto de hotel, com dois botões do terninho abertos, deixando entrever uma interessante renda e dizendo que adoraria experimentar a maciez do tapete. 
Como protagonistas de um filme hollywoodiano iniciaram um ardente romance, que a cada cena ganhava contornos mais sérios, pois a moça percebeu que se amarrasse de vez o bonitão juntaria fortunas e acumularia um grandioso poder. Depois de tanta insistência da amante, César finalmente a levou para uma festa de família, o que foi um erro crasso, pois lá estava o primo Marco António, sorrindo com todos os dentes para Cleo, que correspondia com olhos cobiçosos. Não demorou muito para César ser colocado para escanteio, Cleo descobriu que o prestígio de César estava em declínio na medida inversa de Marco, além do mais o rapaz era mais jovem e charmoso. Porém, a história de Cleo com Marco foi daquelas entre tapas e beijos, acabando a pobrezinha com uma depressão após saber que Marco se casara e estava feliz em lua-de-mel na Itália. Mas, como a avó da moça costumava dizer, não há mal que sempre dure e este acabou até que rápido quando em um ensolarado domingo, a moça viu o motorista da família lavando o carro. Esquecida das esperanças do pai de vê-la comandando o seu império de cerveja, resolveu que seria uma boa passar as férias na Grécia, a ex-futura imperatriz partiu para um cruzeiro pelo Mediterrâneo, onde encontrou o seu verdadeiro amor, um biólogo especialista em serpentes venenosas. Quanto a César, acabou
CANALSUBVERSA.com 
17 
morrendo de um ataque cardíaco fulminante quando viu o filho participando de um abominável reality show, sem sequer conseguir dizer as suas últimas palavras.
CANALSUBVERSA.com 
18 
FERNANDA SUAIDEN 
LONDRINA, PARANÁ, BRASIL 
Eu estou por um fio 
A paciência 
Por um fio 
A calma 
Por um fio 
Um fio de náilon 
Um fio 
Que parece nunca estourar 
Um fio 
Para destruir a casa 
Para sair gritando 
Para te surrar a cara 
Um fio 
Para sair com uma automática 
Pela rua 
EU ESTOU 
POR UM FIO 
______________________________________
CANALSUBVERSA.com 
19 
Pela escola 
Pelo cinema 
Atirando 
Por um fio 
Para me libertar 
Mas o fio não se rompe 
E fica me dependurando de um lado para o outro 
Enquanto o banquinho caído 
Goza.
CANALSUBVERSA.com 
20 
C. SOUZA DE MELO 
BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS, BRASIL 
Olho pela janela. 
Sem luz nos postes, sem lua alguma. 
A rua inteira no silêncio. 
Não há vento, ou transeunte, 
Não há nenhuma distração. 
Não chove. 
Olho para a janela. 
E dentro dela, eu 
Vejo a morte. 
JANELA
CANALSUBVERSA.com 
21 
Edição e revisão: 
MORGANA RECH E TÂNIA ARDITO 
Recepção de originais: 
CONTATO.SUBVERSA@GMAIL.COM 
Diretrizes para publicação: 
WWW.CANALSUBVERSA/DIRETRIZES

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...
CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...
CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...
Cláudia Heloísa
 
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de AssisMemórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
jasonrplima
 
Memorias postumas de_bras_cubas - ok
Memorias postumas de_bras_cubas - okMemorias postumas de_bras_cubas - ok
Memorias postumas de_bras_cubas - ok
Claudia Lazarini
 
Otelo e Dom Casmurro
Otelo e Dom CasmurroOtelo e Dom Casmurro
Otelo e Dom Casmurro
acheiotexto
 
O tempo e o vento o arquilpe - erico verissimo
O tempo e o vento    o arquilpe - erico verissimoO tempo e o vento    o arquilpe - erico verissimo
O tempo e o vento o arquilpe - erico verissimo
Patrick François Jarwoski
 
Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas
Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubasLivros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas
Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas
Anna Vaz Boechat
 
Dom Casmurro
Dom CasmurroDom Casmurro
Dom Casmurro
Matheus Beleboni
 
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...
Isabella Silva
 
Quincas Borba
Quincas BorbaQuincas Borba
Quincas Borba
Cláudia Heloísa
 
Sinopse dos contos de lima barreto português
Sinopse dos contos de lima barreto   portuguêsSinopse dos contos de lima barreto   português
Sinopse dos contos de lima barreto português
Uelder Santos
 
Castro Alves
Castro  AlvesCastro  Alves
Castro Alves
030577
 
O tempo e o vento o retrato - - erico verissimo
O tempo e o vento   o retrato - - erico verissimoO tempo e o vento   o retrato - - erico verissimo
O tempo e o vento o retrato - - erico verissimo
Patrick François Jarwoski
 
Dom casmurro
Dom casmurroDom casmurro
Dom casmurro
Seduc/AM
 
Joaquim Maria Machado De Assis
Joaquim Maria Machado De AssisJoaquim Maria Machado De Assis
Joaquim Maria Machado De Assis
martinsramon
 
Machado de Assis
Machado de AssisMachado de Assis
Machado de Assis
martinsramon
 
Machado de Assis
Machado de AssisMachado de Assis
Machado de Assis
Robert Harris
 
Martins Fontes Apresentação
Martins Fontes   ApresentaçãoMartins Fontes   Apresentação
Martins Fontes Apresentação
marinhofontes
 
Amor perdicao
Amor perdicaoAmor perdicao
Amor perdicao
InsGonalves89
 
A morte-e-a-morte-e-quincas-berro-dagua
A morte-e-a-morte-e-quincas-berro-daguaA morte-e-a-morte-e-quincas-berro-dagua
A morte-e-a-morte-e-quincas-berro-dagua
Melyssa Queiroz
 
Asa novos percprof_teste mod.5
Asa novos percprof_teste mod.5Asa novos percprof_teste mod.5
Asa novos percprof_teste mod.5
Teresa Vasconcelos
 

Mais procurados (20)

CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...
CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...
CONFIRA A ATUALIZAÇÃO DESTA APRESENTAÇÃO EM https://www.slideshare.net/clauhe...
 
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de AssisMemórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
 
Memorias postumas de_bras_cubas - ok
Memorias postumas de_bras_cubas - okMemorias postumas de_bras_cubas - ok
Memorias postumas de_bras_cubas - ok
 
Otelo e Dom Casmurro
Otelo e Dom CasmurroOtelo e Dom Casmurro
Otelo e Dom Casmurro
 
O tempo e o vento o arquilpe - erico verissimo
O tempo e o vento    o arquilpe - erico verissimoO tempo e o vento    o arquilpe - erico verissimo
O tempo e o vento o arquilpe - erico verissimo
 
Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas
Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubasLivros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas
Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas
 
Dom Casmurro
Dom CasmurroDom Casmurro
Dom Casmurro
 
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...
 
Quincas Borba
Quincas BorbaQuincas Borba
Quincas Borba
 
Sinopse dos contos de lima barreto português
Sinopse dos contos de lima barreto   portuguêsSinopse dos contos de lima barreto   português
Sinopse dos contos de lima barreto português
 
Castro Alves
Castro  AlvesCastro  Alves
Castro Alves
 
O tempo e o vento o retrato - - erico verissimo
O tempo e o vento   o retrato - - erico verissimoO tempo e o vento   o retrato - - erico verissimo
O tempo e o vento o retrato - - erico verissimo
 
Dom casmurro
Dom casmurroDom casmurro
Dom casmurro
 
Joaquim Maria Machado De Assis
Joaquim Maria Machado De AssisJoaquim Maria Machado De Assis
Joaquim Maria Machado De Assis
 
Machado de Assis
Machado de AssisMachado de Assis
Machado de Assis
 
Machado de Assis
Machado de AssisMachado de Assis
Machado de Assis
 
Martins Fontes Apresentação
Martins Fontes   ApresentaçãoMartins Fontes   Apresentação
Martins Fontes Apresentação
 
Amor perdicao
Amor perdicaoAmor perdicao
Amor perdicao
 
A morte-e-a-morte-e-quincas-berro-dagua
A morte-e-a-morte-e-quincas-berro-daguaA morte-e-a-morte-e-quincas-berro-dagua
A morte-e-a-morte-e-quincas-berro-dagua
 
Asa novos percprof_teste mod.5
Asa novos percprof_teste mod.5Asa novos percprof_teste mod.5
Asa novos percprof_teste mod.5
 

Destaque

Grupo dirimencia bk2
Grupo dirimencia bk2Grupo dirimencia bk2
Grupo dirimencia bk2
elias melendrez
 
Product Research
Product Research Product Research
Product Research
cloestead
 
52 está tudo bem
52   está tudo bem52   está tudo bem
52 está tudo bem
Mylena Vasconcelos
 
Identifica os seguintes conectores e componentes
Identifica os seguintes conectores e componentes Identifica os seguintes conectores e componentes
Identifica os seguintes conectores e componentes
Jessica_filipa
 
SEO 2014: Новые клиенты из поисковых систем
SEO 2014: Новые клиенты из поисковых системSEO 2014: Новые клиенты из поисковых систем
SEO 2014: Новые клиенты из поисковых систем
Astra Media Group, Russia
 
Convenio 032-2012-mdp
Convenio 032-2012-mdpConvenio 032-2012-mdp
Convenio 032-2012-mdp
MarKCreative
 
54 louvemos ao redentor
54   louvemos ao redentor54   louvemos ao redentor
54 louvemos ao redentor
Mylena Vasconcelos
 
การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly
การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly  การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly
การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly
maruay songtanin
 
Estacion 5
Estacion 5Estacion 5
Estacion 5
rosahualpa
 
A síndrome de down
A síndrome de downA síndrome de down
A síndrome de down
Italo Cabral
 
Daniel boone comic strip
Daniel boone comic stripDaniel boone comic strip
Daniel boone comic strip
cjohnson34
 
Panduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smp
Panduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smpPanduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smp
Panduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smp
Nandang Sukmara
 
Kavanga Groupm
Kavanga GroupmKavanga Groupm
Kavanga Groupm
kavanga
 
Petunjuk teknis bos 2012 final revisi cap
Petunjuk teknis bos 2012 final revisi capPetunjuk teknis bos 2012 final revisi cap
Petunjuk teknis bos 2012 final revisi cap
Nandang Sukmara
 
Kavanga Groupm2
Kavanga Groupm2Kavanga Groupm2
Kavanga Groupm2
kavanga
 

Destaque (20)

Grupo dirimencia bk2
Grupo dirimencia bk2Grupo dirimencia bk2
Grupo dirimencia bk2
 
Product Research
Product Research Product Research
Product Research
 
52 está tudo bem
52   está tudo bem52   está tudo bem
52 está tudo bem
 
Identifica os seguintes conectores e componentes
Identifica os seguintes conectores e componentes Identifica os seguintes conectores e componentes
Identifica os seguintes conectores e componentes
 
SEO 2014: Новые клиенты из поисковых систем
SEO 2014: Новые клиенты из поисковых системSEO 2014: Новые клиенты из поисковых систем
SEO 2014: Новые клиенты из поисковых систем
 
PMP Certificate
PMP CertificatePMP Certificate
PMP Certificate
 
Art Reflecxions
Art ReflecxionsArt Reflecxions
Art Reflecxions
 
Convenio 032-2012-mdp
Convenio 032-2012-mdpConvenio 032-2012-mdp
Convenio 032-2012-mdp
 
54 louvemos ao redentor
54   louvemos ao redentor54   louvemos ao redentor
54 louvemos ao redentor
 
การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly
การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly  การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly
การสร้างนวัตกรรมชั่วพริบตา Innovation on the fly
 
Estacion 5
Estacion 5Estacion 5
Estacion 5
 
A síndrome de down
A síndrome de downA síndrome de down
A síndrome de down
 
ICE Project Award
ICE Project AwardICE Project Award
ICE Project Award
 
Daniel boone comic strip
Daniel boone comic stripDaniel boone comic strip
Daniel boone comic strip
 
Panduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smp
Panduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smpPanduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smp
Panduan pelaksanaan pendidikan berwawasan responsif gender untuk smp
 
Kavanga Groupm
Kavanga GroupmKavanga Groupm
Kavanga Groupm
 
19.07.12 8 p_r
19.07.12 8 p_r19.07.12 8 p_r
19.07.12 8 p_r
 
Petunjuk teknis bos 2012 final revisi cap
Petunjuk teknis bos 2012 final revisi capPetunjuk teknis bos 2012 final revisi cap
Petunjuk teknis bos 2012 final revisi cap
 
Kavanga Groupm2
Kavanga Groupm2Kavanga Groupm2
Kavanga Groupm2
 
IT Essentials
IT EssentialsIT Essentials
IT Essentials
 

Semelhante a Revista subversa 4ª ed.

10 livros para se ler
10 livros para se ler10 livros para se ler
10 livros para se ler
David Souza
 
Toda a Literatura
Toda a LiteraturaToda a Literatura
Toda a Literatura
Hildalene Pinheiro
 
Literatura Nos Vestibulares Do Rs
Literatura Nos Vestibulares Do RsLiteratura Nos Vestibulares Do Rs
Literatura Nos Vestibulares Do Rs
Edir Alonso
 
Angústia - material de aula.pdf
Angústia - material de aula.pdfAngústia - material de aula.pdf
Angústia - material de aula.pdf
rafabebum
 
O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010
O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010
O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010
Marcos Gimenes Salun
 
realismo-e-naturalismo-resumoparaaprovax
realismo-e-naturalismo-resumoparaaprovaxrealismo-e-naturalismo-resumoparaaprovax
realismo-e-naturalismo-resumoparaaprovax
FernandaRibeiro419723
 
Acre 3ª edição (março maio 2014)
Acre 3ª edição (março maio 2014)Acre 3ª edição (março maio 2014)
Acre 3ª edição (março maio 2014)
AMEOPOEMA Editora
 
GAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdf
GAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdfGAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdf
GAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdf
alealmeida14
 
Revista subversa 6ª ed.
Revista subversa 6ª ed.Revista subversa 6ª ed.
Revista subversa 6ª ed.
Canal Subversa
 
Literatura aula 16 - machado de assis
Literatura   aula 16 - machado de assisLiteratura   aula 16 - machado de assis
Literatura aula 16 - machado de assis
mfmpafatima
 
Modernismo 2ª fase (Poesia)
Modernismo  2ª fase (Poesia)Modernismo  2ª fase (Poesia)
Modernismo 2ª fase (Poesia)
Cynthia Funchal
 
Dom Casmurro
Dom CasmurroDom Casmurro
Dom Casmurro
Julhilson Júnior
 
Dom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdf
Dom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdfDom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdf
Dom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdf
hellenrodrigues6885
 
Dom Casmurro.pdf
Dom Casmurro.pdfDom Casmurro.pdf
Dom Casmurro.pdf
GuilhermeNeres7
 
Livros essenciais da literatura brasileira
Livros essenciais da literatura brasileiraLivros essenciais da literatura brasileira
Livros essenciais da literatura brasileira
Thalita Dias
 
Murilo mendes
Murilo mendes Murilo mendes
Murilo mendes
mbl2012
 
Sinopses livros janeiro
Sinopses livros janeiroSinopses livros janeiro
Sinopses livros janeiro
Susana Frikh
 
Representacao mulher contos
Representacao mulher contosRepresentacao mulher contos
Representacao mulher contos
Jéssica Santos
 
Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011
Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011
Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Portugues4em
Portugues4emPortugues4em
Portugues4em
Greice Gomes
 

Semelhante a Revista subversa 4ª ed. (20)

10 livros para se ler
10 livros para se ler10 livros para se ler
10 livros para se ler
 
Toda a Literatura
Toda a LiteraturaToda a Literatura
Toda a Literatura
 
Literatura Nos Vestibulares Do Rs
Literatura Nos Vestibulares Do RsLiteratura Nos Vestibulares Do Rs
Literatura Nos Vestibulares Do Rs
 
Angústia - material de aula.pdf
Angústia - material de aula.pdfAngústia - material de aula.pdf
Angústia - material de aula.pdf
 
O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010
O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010
O Bandeirante - n.211 - Junho de 2010
 
realismo-e-naturalismo-resumoparaaprovax
realismo-e-naturalismo-resumoparaaprovaxrealismo-e-naturalismo-resumoparaaprovax
realismo-e-naturalismo-resumoparaaprovax
 
Acre 3ª edição (março maio 2014)
Acre 3ª edição (março maio 2014)Acre 3ª edição (março maio 2014)
Acre 3ª edição (março maio 2014)
 
GAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdf
GAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdfGAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdf
GAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar o passado.pdf
 
Revista subversa 6ª ed.
Revista subversa 6ª ed.Revista subversa 6ª ed.
Revista subversa 6ª ed.
 
Literatura aula 16 - machado de assis
Literatura   aula 16 - machado de assisLiteratura   aula 16 - machado de assis
Literatura aula 16 - machado de assis
 
Modernismo 2ª fase (Poesia)
Modernismo  2ª fase (Poesia)Modernismo  2ª fase (Poesia)
Modernismo 2ª fase (Poesia)
 
Dom Casmurro
Dom CasmurroDom Casmurro
Dom Casmurro
 
Dom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdf
Dom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdfDom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdf
Dom Casmurro, Romance de Machado de Assis.pdf
 
Dom Casmurro.pdf
Dom Casmurro.pdfDom Casmurro.pdf
Dom Casmurro.pdf
 
Livros essenciais da literatura brasileira
Livros essenciais da literatura brasileiraLivros essenciais da literatura brasileira
Livros essenciais da literatura brasileira
 
Murilo mendes
Murilo mendes Murilo mendes
Murilo mendes
 
Sinopses livros janeiro
Sinopses livros janeiroSinopses livros janeiro
Sinopses livros janeiro
 
Representacao mulher contos
Representacao mulher contosRepresentacao mulher contos
Representacao mulher contos
 
Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011
Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011
Ensaio sobre a cegueira - 3ª E - 2011
 
Portugues4em
Portugues4emPortugues4em
Portugues4em
 

Revista subversa 4ª ed.

  • 1. FERNANDA SUAIDEN | C. SOUZA DE MELO MARIA JOÃO PESSOA | MORGANA RECH MARTA CORTEZÃO| PEDRO BELO CLARA ESTEVAN DE NEGREIROS KETZER | TÂNIA ARDITO 5ª Edição | NOV 2014
  • 2. WWW.FACEBOOK.COM/CANALSUBVERSA CONTATO.SUBVERSA@GMAIL.COM @CANALSUBVERSA SubVersa | literatura luso-brasileira | © originalmente publicado em Novembro de 2014 sob o título de SubVersa © 4ª Edição Responsáveis técnicas: Morgana Rech e Tânia Ardito Os colaboradores preservam seu direito de serem identificados e citados como autores desta obra. Esta é uma obra de criação coletiva. Os personagens e situações citados nos textos ficcionais são fruto da livre criação artística e não se comprometem com a realidade.
  • 3. CANALSUBVERSA.com 3 4ª Edição Novembro de 2014 PEDRO BELO CLARA | NO TEMPO DO AMOR | 4 MORGANA RECH |MANIFESTO DAS DISTÂNCIAS | 6 MARIA JOÃO PESSOA | PELO CAMINHO |12 ESTEVAN DE NEGREIROS KETZER | SOBRE A INFELICIDADE DE ESCREVER: VILA-MATAS E COMPANHIA | 13 MARTA CORTEZÃO | ATREVA-SE | 15 TÂNIA ARDITO | HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA | 16 FERNANDA SUAIDEN | EU ESTOU POR UM FIO | 23 C. SOUZA DE MELO | JANELA | 26
  • 4. CANALSUBVERSA.com 4 PEDRO BELO CLARA LISBOA, PORTUGAL. No tempo do amor eram alvas todas as rosas, azuis os horizontes de promessas e canções, verdes os céus dum oceano sem fim, doiradas as aves que a cada entardecer ao sol retornavam. No tempo da saudade todas as rosas são pedras. NO TEMPO DO AMOR
  • 5. CANALSUBVERSA.com 5 MORGANA RECH PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL Fica terminantemente proibido o afastamento do namorado e da namorada por mais de 20 (vinte) dias, a contar das lágrimas da ida até o momento do reencontro. Em casos de obrigação de afastamento por motivo profissional, o afastado fica livremente convidado a enviar mensagens de amor ao remanescente, que de modo geral deve responder satisfeito e fazer o afastado sentir-se bem, mesmo longe, preferencialmente aliviando-lhe a culpa de ter se afastado. O afastado fica carinhosamente instruído a não sobrecarregar o remanescente de preocupações e ciúmes desnecessários, poupando-o da dor do desconhecido e do medo de perder o seu amor durante o afastamento. O remanescente também não deve criar motivos propositadamente agoniantes no afastado, e colaborar durante o período da espera com compreensão, carinho e sobretudo bastante saudade. MANIFESTO DAS DISTÂNCIAS
  • 6. CANALSUBVERSA.com 6 Em casos de noivado, os dias de afastamento podem se estender até o período máximo de 30 (trinta) dias, comprometendo-se afastado e remanescente a aproveitarem o momento para cuidar de si e da sua individualidade antes da experiência do casamento, preferencialmente tendo preparado uma surpresa agradável. Todas as recomendações acima descritas a respeito das investidas no contato amoroso, mantém- se. As empresas públicas, privadas e mistas estão terminantemente proibidas de contratar noivos ou noivas para trabalhar em outra cidade, se ambos não estiverem de acordo. Em caso de discórdia amorosa em relação ao local de residência, a instituição contratante fica responsável por recolocar o profissional em cargo semelhante ou superior ao antigo. Em caso de grandes amores dificultados pela distância, poderá ser ativado o aviso de calamidade afetiva, em que as imobiliárias, as agências de emprego e inclusive os bancos públicos e privados devem contribuir e facilitar a vida do casal onde quer que queiram fixar as suas vidas, impedindo que a rotina árdua de adaptação desgaste o relacionamento. Em casos de amores que se comprove grande dispêndio de energia, dinheiro e tempo em função de sucessivos afastamentos, em que ambos estão deslocados de sua residência, mesmo tendo sido acionado o aviso de calamidade afetiva, a natureza, os búzios, os autos de fé e os anjos da guarda devem unir-se numa só força e conspirar a favor do relacionamento até quando ainda existir amor, mesmo que diminuído pela luta diária que é a vida.
  • 7. CANALSUBVERSA.com 7 MARIA JOÃO PESSOA LISBOA, PORTUGAL Pelo caminho, fui engravidando de desilusões e desesperanças, deixando rastos de incertezas e migalhas de falsidades, restando os bolsos mais leves para a caminhada. Amadureci entretempo desejos, colhi silêncios das mãos do tempo e percebi, como o poeta, que só se ganha a viagem, que o castelo no alto da montanha é feito com as pedras do caminho. Que o tempo não se ganha, e quando passa, apenas pisa connosco o mesmo chão na busca interminável da estrada para o nosso coração. PELO CAMINHO
  • 8. CANALSUBVERSA.com 8 ESTEVAN DE NEGREIROS KETZER PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL Me deterei tão somente em uma breve passagem de Bartleby e companhia, do escritor espanhol Enrique Vila-Matas. Tão coerente e prazeroso em seu processo de escrita, fica nítido o quanto orgulhoso está de sua obra repleta de escritores do “não”. Como veremos, o escritor espanhol mais celebrado da atualidade, saboreia o estudo minucioso e inventivo da famigerada tradição do “não” na literatura. A potência do delicado “prefiro não fazer” (I prefere not do) exaltada na história de Bartleby, de Herman Melville, um homem que preferia não fazer o que lhe fosse mandado em um escritório de advocacia em Wall Street. Melville não ficou conhecido por este conto durante sua vida. Talvez daí seu fracasso tenha sido tão celebrado pela crítica tardia, SOBRE A INFELICIDADE DE ESCVREVER: VILA-MATAS E COMPANHIA _____________
  • 9. CANALSUBVERSA.com 9 como sempre acontece com relação aos escritores. Este reconhecimento tardio de suas criações, como o próprio Vila-Matas aponta, se dá justamente na mudança de sua prosa, pois Melville decide se dedicar à vida urbana, deixando de lado suas aventuras nos mares do sul. Foi a partir da decisão de ser um escritor “propriamente dito”, seguindo uma tradição típica dos lampejos místicos da famosa década de ouro da literatura estadunidense, em 1850 (dos autores Emerson, Thoreau, Hawthorne, Whitman). O discurso tão reconhecido do escritor representando as “antenas da sociedade”, na qual somente homens de uma pura e distinta sensibilidade são possuidores, tornou-se o elemento basilar da afirmação de uma identidade da cultura burguesa e sua gradual elitização. O que tornou Melville tão especial foi justamente seu caráter diferencial diante de um tema cotidiano: a negação de qualquer tarefa executiva em um ambiente de trabalho (não farei as comparações ao grupo Occupy Wall Street e a possibilidade de sermos aviltados por um ócio altamente mobilizador). Fica evidente que as viagens para os mares do sul chamam a atenção da classe média em ascensão, talvez muito mais, em um primeiro momento, do que a brancura assustadora da baleia Moby Dick. Tomada esta afirmativa, gostaria de pensar o que parece ser a bandeira de Vila-Matas em Bartleby e companhia. Uma passagem me tomou de assalto, na página 23 da edição brasileira: “Na verdade, a doença, a síndrome de Bartleby, vem de longe. Hoje chega a ser um mal endêmico das literaturas contemporâneas essa pulsão negativa ou atração pelo nada que faz com que certos autores literários jamais cheguem, aparentemente, a sê-lo.” A questão que me coloquei é porquê o não escrever literário seria justamente uma pulsão de morte? Que implicações danosas ela traz? Para um defensor da literatura sua resposta parece óbvia, mas para uma pessoa comum, destituída do conhecimento dos signos acadêmicos e avessa aos deleites da alta
  • 10. CANALSUBVERSA.com 10 cultura, essa afirmação parece justamente sem sentido. O prazer de um literato (ainda um prazer para manter a distinção de Roland Barthes entre prazer, completo, e gozo, parcial) estaria justamente no meandro dos pensamentos, na exposição da linguagem de forma a que esta jamais seja comunicativa, mas exigência de uma produção de bem infinito, pluridade de significados, uma crítica sobre o mal estar da modernidade e seus deletérios avanços que destroem as relações humanas. Pensando com a tese proposta por Vila-Matas não haveria nada mais letal que deixar de escrever, portanto, essa afirmativa nega por completo qualquer outra coisa que um “escritor” possa de fato realizar de melhor em vida. Conhecer as trajetórias de Franz Kafka, André Gide, Paul Valéry, Ludwig Wittgenstein e Robert Walser pode não apenas nos divertir, mas também auxiliar na real reflexão de que eles tinham alguma coisa muito melhor para fazer do que passar a vida inteira dedicada à literatura. Essa constatação não parece tão clara em Vila- Matas. Esses escritores parecem ter mudado o rumo de uma trajetória aparentemente idealizada devido à incidência da literatura em algum nível de suas vidas. Essa mudança drástica na vida de um ser como o escritor parece ser apenas uma entre muitas outras atividades da vida humana desejada (Kafka queria se tornar jornalista em Berlim; Gide ansiava escrever um livro que nunca escreveu; Valéry cria um personagem avesso a todo o livro que não seja importante para sua vida; Wittgenstein publica dois livros em vida e resolve se tornar jardineiro; e Walser após muitas atividades discrepantes, entre elas a subserviência de um mordomo, termina por passar seus últimos anos de vida internado em um manicômio). Habita em cada um deles um homem completamente comum, incidental, em nada especial. A literatura nesses casos parece ser justamente o desejo de não ser comum, narrar uma história mais real do que o próprio real,
  • 11. CANALSUBVERSA.com 11 ultrapassando inclusive o desejo de viver de um jeito simples. O que seria a salvação para Vila-Matas torna-se a desgraça para a vida pessoal dos escritores. Escritores com forte temor de se tornarem brancos, neutros, postos em pedestais de marfim que estão ao lado de títulos acadêmicos e prêmios literários de altíssimo mérito, certamente (ainda que as bancas julgadoras sejam, muitas vezes, escaladas por incompetentes e leitores diletantes, como bem denunciou Thomas Bernhard). A questão que fica parece ser, ao contrário de uma pulsão de morte, justamente a exigência por uma pulsão de vida. Talvez aqui a ingerência para tratar desse assunto seja menos especulativa, mas talvez mais conflituosa do que imaginávamos, pois, afinal, estamos diante de um desejo, de uma possibilidade em meio ao caos e talvez, mais diametralmente iconoclasta, há o desejo de não receber nem mesmo o rótulo de ser um formidável escritor. Escrever pode, nestas circunstâncias, ser menos auspicioso e tendencioso à formação de uma realização pessoal, ser mais penoso e difícil do que estar inscrito em uma cena literária. A possível inovação da escrita como um elemento de entretenimento e glamour contraria em muito um viver galgado nos afazeres ordinários da vida cotidiana com seus desafios mais “concretos” (onde comer e respirar também são importantes!). Não escrever é a realização de um desejo, ainda mais além do princípio do prazer, mais além do que o “prefiro não fazer” de Bartleby, ao evitar o desprazer a qualquer custo, mesmo que com isso a literatura deva perecer e dar lugar a outra coisa mais congruente com nossas possibilidades internas. Isso é, no mínimo, aprender a respeitar um limite que se coloca a cada um de nós.
  • 12. CANALSUBVERSA.com 12 ATREVA-SE MARTA CORTEZÃO TEFÉ, AMAZONAS, BRASIL Atreva-se! Vire a página. Reinvente-se. Seja audácia, Imprudência, Alvoroço, Eloquência. Atreva-se! Perca a linha. Refaça-se. Seja brisa, Tempestade, Alquimia, Vanidade.
  • 13. CANALSUBVERSA.com 13 Atreva-se! Arrisque dribles. Precipite-se. Seja Ícaro, Desobediente, Afoito, Inconsequente. Atreva-se! Esqueça o medo. Fortaleça-se. Seja rochedo, Imponente, Colossal, Envolvente. Atreva-se! Renuncie mágoas. Desapegue-se. Seja pássaro, Renascente Fênix. Poente. Atreva-se! Pinte o sete. Liberte-se. Seja cromático, Multifacetado, Crepuscular, Rio-mar.
  • 14. CANALSUBVERSA.com 14 Atreva-se! Faça mudanças. Dinamize-se. Seja confiança, Mutante, Temporão, Desafiante. Atreva-se! Lute sempre. Revolte-se. Seja estrela, Radiante, Constelação Gigante.
  • 15. CANALSUBVERSA.com 15 TÂNIA ARDITO SÃO PAULO – PORTO Júlio César conheceu Cleo em uma viagem de negócios, ele estava encarregado de solidificar uma sociedade com um empresário conhecido como o rei da cerveja, pai da dita moça. Apesar de bonita, Cleo não caiu nas graças de César – o poderoso, que preferia ser chamado só pelo segundo nome. Já que para ele, Cleo não passava de uma herdeira mimada e meio boba com aquela franjinha. Sem se conformar em ter passado meio despercebida e desafiada pelas amigas a fisgar o executivo, Cleo decidiu conquistar o mais novo sócio da família (segundo consta ela já tinha arrastado as asinhas para alguns outros sócios do pai, mas nenhum tão importante e poderoso quanto César). O pai, orgulhoso do súbito interesse da moça pelos negócios, que até o momento, junto com os irmãos, apenas cuidava de gastar a fortuna da família, resolveu que dentre os herdeiros, Cleo, seria a HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
  • 16. CANALSUBVERSA.com 16 escolhida para estar à frente do império formado pelas inúmeras empresas. A herdeira, no seu terninho chic para ganhar um ar mais sério, tratou de se apróximar e conhecer melhor os negócios dos sócios, aliás, tudo o que ela queria era conhecer o négócio de César, que por sua vez viu o seu sossego acabar, já que com um divórcio nas costas e dois filhos já feito homens não estava para se enroscar. Entretanto, esqueceu-se da prudência quando Cleo apareceu em seu quarto de hotel, com dois botões do terninho abertos, deixando entrever uma interessante renda e dizendo que adoraria experimentar a maciez do tapete. Como protagonistas de um filme hollywoodiano iniciaram um ardente romance, que a cada cena ganhava contornos mais sérios, pois a moça percebeu que se amarrasse de vez o bonitão juntaria fortunas e acumularia um grandioso poder. Depois de tanta insistência da amante, César finalmente a levou para uma festa de família, o que foi um erro crasso, pois lá estava o primo Marco António, sorrindo com todos os dentes para Cleo, que correspondia com olhos cobiçosos. Não demorou muito para César ser colocado para escanteio, Cleo descobriu que o prestígio de César estava em declínio na medida inversa de Marco, além do mais o rapaz era mais jovem e charmoso. Porém, a história de Cleo com Marco foi daquelas entre tapas e beijos, acabando a pobrezinha com uma depressão após saber que Marco se casara e estava feliz em lua-de-mel na Itália. Mas, como a avó da moça costumava dizer, não há mal que sempre dure e este acabou até que rápido quando em um ensolarado domingo, a moça viu o motorista da família lavando o carro. Esquecida das esperanças do pai de vê-la comandando o seu império de cerveja, resolveu que seria uma boa passar as férias na Grécia, a ex-futura imperatriz partiu para um cruzeiro pelo Mediterrâneo, onde encontrou o seu verdadeiro amor, um biólogo especialista em serpentes venenosas. Quanto a César, acabou
  • 17. CANALSUBVERSA.com 17 morrendo de um ataque cardíaco fulminante quando viu o filho participando de um abominável reality show, sem sequer conseguir dizer as suas últimas palavras.
  • 18. CANALSUBVERSA.com 18 FERNANDA SUAIDEN LONDRINA, PARANÁ, BRASIL Eu estou por um fio A paciência Por um fio A calma Por um fio Um fio de náilon Um fio Que parece nunca estourar Um fio Para destruir a casa Para sair gritando Para te surrar a cara Um fio Para sair com uma automática Pela rua EU ESTOU POR UM FIO ______________________________________
  • 19. CANALSUBVERSA.com 19 Pela escola Pelo cinema Atirando Por um fio Para me libertar Mas o fio não se rompe E fica me dependurando de um lado para o outro Enquanto o banquinho caído Goza.
  • 20. CANALSUBVERSA.com 20 C. SOUZA DE MELO BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS, BRASIL Olho pela janela. Sem luz nos postes, sem lua alguma. A rua inteira no silêncio. Não há vento, ou transeunte, Não há nenhuma distração. Não chove. Olho para a janela. E dentro dela, eu Vejo a morte. JANELA
  • 21. CANALSUBVERSA.com 21 Edição e revisão: MORGANA RECH E TÂNIA ARDITO Recepção de originais: CONTATO.SUBVERSA@GMAIL.COM Diretrizes para publicação: WWW.CANALSUBVERSA/DIRETRIZES