UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS- UEMG
Aluno: Onofre de Paula Junior
Professora: Flávia Alcântara
Disciplina: Didática I
Avaliação Final 2025.1
Respostas
Questão 1
A transposição didática é o processo de transformação do saber científico (ou acadêmico)
em saber escolar, ou seja, em conteúdos que podem ser ensinados e aprendidos na escola. Há um
enorme abismo entre esses conhecimentos e o professor pode auxiliar, como mediador, a reduzir
essa distância, com intencionalidade pedagógica, trazendo esse conhecimento para a realidade do
aluno, fazendo sentido realmente.
O saber matemático que encontramos nos livros acadêmicos e artigos científicos tem como
principais caraterísticas a linguagem formal, estruturas abstratas e um nível de rigor que não
corresponde à realidade da maioria dos alunos. Esse saber, no cotidiano da sala, após ser
selecionado e adaptado para o currículo nos livros didáticos, orientações pedagógicas, toma forma
concreta ao ser ensinado pelo professor em sala de aula. O professor tem um papel essencial, o de
reconstruir pedagogicamente esses conhecimentos, levando em consideração o perfil da turma, o
repertório dos alunos, os objetivos de aprendizagem, bem como as possibilidades de mediação. O
professor precisa, então, assumir o papel de intérprete entre o saber matemático e os sujeitos
aprendentes.
Essa mediação exige escolhas delicadas. Por exemplo, ao ensinar um conceito como função,
o professor pode optar por iniciar com exemplos do cotidiano, como uma corrida de Uber que
depende da distância percorrida, para só então depois introduzir, gradualmente, as definições
formais. Essa decisão não reduz o rigor matemático, mas o torna acessível e significativo. O
conteúdo permanece, mas sua forma de apresentação é transformada em algo que possa ser
compreendido, manipulado e, sobretudo, apropriado pelos alunos.
No entanto, esse risco está longe de ser simples. O risco da transposição didática é que, ao
tentar aproximar o saber do aluno, o professor acabe simplificando demais o conteúdo, retirando
dele sua essência conceitual. Isso pode levar a uma aprendizagem superficial, centrada em regras e
procedimentos desconectados de significados. Por outro lado, se o professor mantiver o conteúdo
muito próximo do acadêmico, corre o risco de afastar os alunos, tornando a matemática inacessível
e desmotivadora. Portanto, realizar a transposição didática é um exercício de equilíbrio entre
complexidade e compreensão.
Nesse sentido, a transposição didática não é apenas uma tarefa técnica, mas também uma
prática ética e política, pois envolve o compromisso com a democratização do saber e com a
formação de sujeitos autônomos, críticos e capazes de pensar matematicamente o mundo que os
cerca.
Questão 2
a) Um dos aspectos pode ter sido a falta de sondagem da turma, a professora parece não ter
investigado o nível de conhecimento dos alunos, ela poderia ter verificado as preferências
dos estudantes, entender melhor o perfil da turma e assim preparar atividades adequadas e
atrativas.
A quebra com os métodos tradicionais de uma maneira abrupta, sem uma explicação prévia
da proposta nova, tanto para os alunos quanto para a coordenação pedagógica, criou uma
resistência em ambos, o que também distanciou a compreensão dos alunos da aplicação
prática dos exercícios. O uso da tecnologia feito sem a mediação adequada pode ter gerado
os baixos resultados na aprendizagem e nas avaliações institucionais, o que
consequentemente pode indicar que não houve acompanhamento contínuo da aprendizagem
durante o processo de ensino.
b) A forma de integrar as abordagens tecnológicas seria primeiro realizar um planejamento
estratégico, entender o perfil da turma e as demandas avaliativas. Alicar sondagens
diagnósticas para conhecer o nível e o domínio dos conteúdos prévios pelos alunos.
Conversar com os estudantes para compreender as suas preferências, interesses e
dificuldades. Mapear se há familiaridade com as tecnologias ou se será necessário um
processo de letramento digital. Contextualizar o conteúdo com a matriz de referência das
avaliações sem o objetivo de substituir, mas contextualizar. Fazer uma demonstração guiada
do uso de softwares (como o GEOGEBRA), depois permitir a exploração em grupos, só
após levar a abstração matemática com uso de fórmulas e propriedades. Mesclar momentos
com o software com o ensino mais formal, com atividades no quadro, dividindo as aulas em
um período expositiva e outro com a proposta mais investigativa. A tecnologia não deve ser
o centro ou apenas um modismo, mas ela deve ampliar a oportunidade de aprendizagem,
servindo como mais uma ferramenta para melhorar a experiência do ensino.
c) A escuta e a mediação docente são essenciais na evolução do aprendizado dos alunos, pois
permite que se apresente propostas mais adequadas e propícias a um ambiente de
aprendizagem significativo, inclusivo e humanizado. Cada aluno é único, tem sua história de
vida e formas diferentes de aprender. Alguns podem ser mais visuais, outros aprender mais
ouvindo a exposição do tema, a escuta permite identificar essas particularidades. O aluno se
sente respeitado quando é ouvido e motivado a participar ativamente da aula, isso fortalece o
seu senso de pertencimento. Também as dificuldades e barreiras da aprendizagem são
identificas por meio da escuta atenta e sensível. Assim, o professor consegue adaptar melhor
as estratégias ao contexto dos estudantes.
O professor que atua como mediador é um facilitador das aprendizagens. Ele não apenas
visa transmitir conteúdos, mas cria pontes entre o saber e o aluno, tornando o conhecimento
acessível, contextualizado e relevante. Ele incentiva o pensamento crítico e estimula a
autonomia, por meio de questionamentos, problematizações e interações, dessa forma,
garante a equidade, adaptando estratégias para atender a todos, especialmente alunos com
deficiências, transtornos de aprendizagem ou em situação de vulnerabilidade social.
Construindo assim, um escola mais inclusiva, onde todos tem voz e valor.
respostas avaliação Didática I MAtemática.docx

respostas avaliação Didática I MAtemática.docx

  • 1.
    UNIVERSIDADE DO ESTADODE MINAS GERAIS- UEMG Aluno: Onofre de Paula Junior Professora: Flávia Alcântara Disciplina: Didática I Avaliação Final 2025.1 Respostas Questão 1 A transposição didática é o processo de transformação do saber científico (ou acadêmico) em saber escolar, ou seja, em conteúdos que podem ser ensinados e aprendidos na escola. Há um enorme abismo entre esses conhecimentos e o professor pode auxiliar, como mediador, a reduzir essa distância, com intencionalidade pedagógica, trazendo esse conhecimento para a realidade do aluno, fazendo sentido realmente. O saber matemático que encontramos nos livros acadêmicos e artigos científicos tem como principais caraterísticas a linguagem formal, estruturas abstratas e um nível de rigor que não corresponde à realidade da maioria dos alunos. Esse saber, no cotidiano da sala, após ser selecionado e adaptado para o currículo nos livros didáticos, orientações pedagógicas, toma forma concreta ao ser ensinado pelo professor em sala de aula. O professor tem um papel essencial, o de reconstruir pedagogicamente esses conhecimentos, levando em consideração o perfil da turma, o repertório dos alunos, os objetivos de aprendizagem, bem como as possibilidades de mediação. O professor precisa, então, assumir o papel de intérprete entre o saber matemático e os sujeitos aprendentes. Essa mediação exige escolhas delicadas. Por exemplo, ao ensinar um conceito como função, o professor pode optar por iniciar com exemplos do cotidiano, como uma corrida de Uber que depende da distância percorrida, para só então depois introduzir, gradualmente, as definições formais. Essa decisão não reduz o rigor matemático, mas o torna acessível e significativo. O conteúdo permanece, mas sua forma de apresentação é transformada em algo que possa ser compreendido, manipulado e, sobretudo, apropriado pelos alunos. No entanto, esse risco está longe de ser simples. O risco da transposição didática é que, ao tentar aproximar o saber do aluno, o professor acabe simplificando demais o conteúdo, retirando dele sua essência conceitual. Isso pode levar a uma aprendizagem superficial, centrada em regras e procedimentos desconectados de significados. Por outro lado, se o professor mantiver o conteúdo muito próximo do acadêmico, corre o risco de afastar os alunos, tornando a matemática inacessível e desmotivadora. Portanto, realizar a transposição didática é um exercício de equilíbrio entre complexidade e compreensão. Nesse sentido, a transposição didática não é apenas uma tarefa técnica, mas também uma prática ética e política, pois envolve o compromisso com a democratização do saber e com a formação de sujeitos autônomos, críticos e capazes de pensar matematicamente o mundo que os cerca.
  • 2.
    Questão 2 a) Umdos aspectos pode ter sido a falta de sondagem da turma, a professora parece não ter investigado o nível de conhecimento dos alunos, ela poderia ter verificado as preferências dos estudantes, entender melhor o perfil da turma e assim preparar atividades adequadas e atrativas. A quebra com os métodos tradicionais de uma maneira abrupta, sem uma explicação prévia da proposta nova, tanto para os alunos quanto para a coordenação pedagógica, criou uma resistência em ambos, o que também distanciou a compreensão dos alunos da aplicação prática dos exercícios. O uso da tecnologia feito sem a mediação adequada pode ter gerado os baixos resultados na aprendizagem e nas avaliações institucionais, o que consequentemente pode indicar que não houve acompanhamento contínuo da aprendizagem durante o processo de ensino. b) A forma de integrar as abordagens tecnológicas seria primeiro realizar um planejamento estratégico, entender o perfil da turma e as demandas avaliativas. Alicar sondagens diagnósticas para conhecer o nível e o domínio dos conteúdos prévios pelos alunos. Conversar com os estudantes para compreender as suas preferências, interesses e dificuldades. Mapear se há familiaridade com as tecnologias ou se será necessário um processo de letramento digital. Contextualizar o conteúdo com a matriz de referência das avaliações sem o objetivo de substituir, mas contextualizar. Fazer uma demonstração guiada do uso de softwares (como o GEOGEBRA), depois permitir a exploração em grupos, só após levar a abstração matemática com uso de fórmulas e propriedades. Mesclar momentos com o software com o ensino mais formal, com atividades no quadro, dividindo as aulas em um período expositiva e outro com a proposta mais investigativa. A tecnologia não deve ser o centro ou apenas um modismo, mas ela deve ampliar a oportunidade de aprendizagem, servindo como mais uma ferramenta para melhorar a experiência do ensino. c) A escuta e a mediação docente são essenciais na evolução do aprendizado dos alunos, pois permite que se apresente propostas mais adequadas e propícias a um ambiente de aprendizagem significativo, inclusivo e humanizado. Cada aluno é único, tem sua história de vida e formas diferentes de aprender. Alguns podem ser mais visuais, outros aprender mais ouvindo a exposição do tema, a escuta permite identificar essas particularidades. O aluno se sente respeitado quando é ouvido e motivado a participar ativamente da aula, isso fortalece o seu senso de pertencimento. Também as dificuldades e barreiras da aprendizagem são identificas por meio da escuta atenta e sensível. Assim, o professor consegue adaptar melhor as estratégias ao contexto dos estudantes. O professor que atua como mediador é um facilitador das aprendizagens. Ele não apenas visa transmitir conteúdos, mas cria pontes entre o saber e o aluno, tornando o conhecimento acessível, contextualizado e relevante. Ele incentiva o pensamento crítico e estimula a autonomia, por meio de questionamentos, problematizações e interações, dessa forma, garante a equidade, adaptando estratégias para atender a todos, especialmente alunos com deficiências, transtornos de aprendizagem ou em situação de vulnerabilidade social. Construindo assim, um escola mais inclusiva, onde todos tem voz e valor.