ψυχολογία
da Educação
• GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA
PSICOLOGIA DA
EDUCAÇÃO
GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA
1. O encontro entre a Psicologia e a
Educação
Colocar os conhecimentos psicológicos a
serviço da educação implica, para a prática
docente, confrontar os conhecimentos
teóricos, os métodos pedagógicos e os
procedimentos de ensino, numa constante
atitude reflexiva. Portanto, neste capítulo,
busca-se criar situações de incertezas, de
dúvidas, discutir suposições e, assim, criar
um espaço para novas reflexões, outros
paradigmas educacionais.
1.1 Distinções entre Psicologia e
Psicanálise
Um ponto de distinção entre elas é a
compreensão do que seja personalidade.
Para a Psicologia, os componentes da
personalidade derivam do latim persona,
que designa a máscara usada pelos atores
de teatro, cujas expressões correspondiam
a caracteres fixos e induziam o espectador
à expectativa de um comportamento
determinado.
Sigmund Freud
Sigmund Freud
1.2 Contribuições da dimensão “psi”
para as práticas
educativas
Sob essa perspectiva, a Psicologia do
desenvolvimento nos aponta uma visão de
evolução enquanto processo de apropriação da
experiência histórico-social pelo ser humano. Sob
o ponto de vista da dimensão “psi“ de orientação
interacionista, o conhecimento é construído por
meio das interações que o sujeito mantém com
seu ambiente, que tem uma função importante
no desenvolvimento humano.
1.2 Contribuições da dimensão “psi”
para as práticas
educativas
Por meio da Psicanálise, vamos entender
que o sujeito é um ser singular, único,
dotado de um psiquismo regido por uma
lógica específica. É também um
indivíduo que participa das relações
interpessoais e ocupa um lugar,
estabelecendo laços com o contexto
social no qual está incluído.
1.3 A sala de aula: o
professor/aluno/ conhecimento
A proposta para os dias de hoje é que o
educador tenha um olhar crítico-dialético.
Entende-se a educação como uma visão
de mundo a ser compartilhada com a
comunidade escolar, como um processo
de construção no qual os procedimentos
sociais, políticos e culturais são
desencadeados. O novo paradigma
educativo visa constituir uma rede de
interdependências pessoais, para realizar
as diversas atividades
pedagógicas.
1.3 A sala de aula: o
professor/aluno/ conhecimento
Tendo por referência a consideração da
psicologia aplicada à educação
compreendemos a sala de aula como campo
relacional de ensino e de aprendizagem, como
espaço de possibilidades interativas, de trocas
interpessoais, onde a ação educativa deixa de
exercer o controle e passa a ser uma atividade
que conduz ao crescimento e à flexibilidade
para as mudanças dos agentes escolares..
2. O mundo moderno e as
tecnologias
Na consideração da complexidade das questões do mundo moderno e
da sociedade, neste texto, busca-se salientar os aspectos afetivos e
emocionais presentes nas relações entre as pessoas nos dias de hoje.
Destaca-se a direção das páginas a seguir sob a ótica psicológica, da
dimensão subjetiva. Ainda, as contribuições da Psicologia e da
Psicanálise ao espaço relacional escolar.
Nessa direção pode-se dizer que o mundo atual se revela como
reconhecedor dos problemas e detentor da solução para os problemas
humanos. A sociedade na dinâmica da organização e das relações
sociais, propõe regras a serem seguidas para se ter sucesso profissional,
sucesso financeiro, sucesso no amor, realização dos sonhos, e não faltam
receitas de como consegui-los.
3. Problemas dos pais: crescendo
com o outro.
3.1 A família dos dias de hoje Tem-se discutido
muito sobre a relação pais/filhos e a tarefa dos
pais em educar filhos em diferentes campos do
saber: pedagogia, direito, medicina, sociologia,
psicologia, psicanálise entre outros. Neste texto,
propõe-se olhar essa relação a partir da
dimensão psíquica, quer dizer, voltada à
subjetividade, à afetividade, aos significados e
sentidos que pais e filhos dão, consciente e
inconscientemente, a esse encontro que se
mostra difícil, para ambos, nos dias hoje.
Do ponto de vista social, os pais
funcionam como grupo de referência aos
filhos. Uma vez que o bebê ao nascer
apresenta uma “dependência absoluta do
adulto” (WINNICOTT, 1999), a natureza da
responsabilidade dos pais é ética na tarefa
de educar os filhos. Os pais questionam
como impor limites, como educar, sem ser
severos demais, sem tomar posições
extremas. O que podemos afirmar é que,
com diálogo, amor e confiança mútuas
entre pais e filhos, a tarefa de “educar”
terá maior sucesso.
3.2 A responsabilidade social
dos pais
Um primeiro ponto sobre a questão da
responsabilização parental trata da decisão de ter
filhos, que está atrelada ao desejo de dar
continuidade à existência familiar, dar conta de uma
“expectativa” afetiva e de um ideal parental. Do ponto
de vista social, os pais funcionam como grupo de
referência aos filhos. Uma vez que o bebê ao nascer
apresenta uma “dependência absoluta do adulto”
(WINNICOTT, 1999)
Os pais questionam como impor limites, como educar,
sem ser severos demais, sem tomar posições
extremas. O que podemos afirmar é que, com
diálogo, amor e confiança mútuas entre pais e filhos,
a tarefa de “educar” terá maior sucesso
3.4 A importância do laço família-
escola
Vygotsky que liga o desenvolvimento do sujeito
à sua relação com o ambiente sociocultural. O
que significa dizer que todas as relações
significativas contribuem para o
desenvolvimento da pessoa nos espaços da
família e da escola. Para Vygotsky (1998), um dos
principais defeitos da prática educativa é a
separação dos aspectos intelectuais de um lado,
e os afetivos de outro, pois o funcionamento
psicológico tipicamente humano, segundo ele, é
o intelectual e o afetivo. Daí decorre a
importância dos laços familiares e que
antecedem os laços escolares.
4. O bebê e o enfrentamento do
educativo
Sabemos, hoje, que o ser humano, desde
o princípio de sua vida, é uma totalidade
biopsicossocial e que não é possível
separar ou privilegiar apenas um aspecto
do seu desenvolvimento, sem
comprometer os demais. Os cuidados nos
oferecidos às crianças pelos pais e pelas
creches, escolas e serviços médicos foram
sofrendo transformações na intenção de
privilegiar o desenvolvimento harmonioso
da criança em todos os seus aspectos. É
preciso investir em todas as
possibilidades humanas de crescimento
físico, social, intelectual e afetivo por meio
da busca de um ambiente mais favorável
para esse fim.
4.1 Desenvolvimento emocional
No desenvolvimento psíquico e emocional do indivíduo, um
aspecto é defendido por diversos estudiosos como de
fundamental importância: é a interação mãe-bebê. A relação
entre a mãe e seu filho, as influências entre ambos refletem
diretamente no desenvolvimento infantil e na sua personalidade
posterior.
para Winnicott (2001), as funções essenciais da mãe
suficientemente boa, resumidamente, são:
• o holding – que está relacionado com a capacidade
da mãe de se identificar com o seu bebê, refere-se ao como a
mãe segura ou carrega o bebê, como o toma para si, como seu;
• o manipular – são os cuidados da mãe com o bebê,
contribuindo para a formação do sentido do real para a criança;
• a apresentação de objetos – como a mãe apresenta o mundo
dos objetos ao bebê, dando ao filho capacidade de se relacionar
com os objetos e fenômenos do mundo.
• Estabelecer relações de proximidade e
individualidade
com a criança;
• Tocar a criança em situações variadas (como
massagens, atividades com água, barro etc.), e não
somente no momento de cuidar da higiene dela;
• Olhar nos olhos da criança quando se fala ou
brinca com ela;
• Deixar que ela possa escolher os brinquedos ou
alimentos, fazendo com que a criança perceba suas
necessidades, como fome, desconforto etc. e
manifeste-as para, então, atendê-las;
• Cuidando para não superproteger ou negligenciar,
dois pontos que podem desestruturar a organização
do self verdadeiro, causando posteriormente na
criança uma personalidade fraca e instável,
dificultando sua adaptação ao mundo.
4.2 O espaço educativo e o desenvolvimento
emocional
O desenvolvimento cognitivo é
muito mais conhecido dos
educadores do que o emocional.
Por isso, vamos apenas lembrar
dois autores mais significativos que
trouxeram grandes contribuições
para a Psicologia da Educação:
Piaget, por nos explicar a gênese da
lógica, e Vygotsky, por interessar-se
pelo desenvolvimento e
aprendizagem no contexto escolar.
Ambos têm trajetórias e conclusões
distintas, mas não contraditórias, o
que possibilita o aproveitamento de
suas contribuições para melhorar o
desenvolvimento cognitivo e a
aprendizagem da criança.
4.3 Desenvolvimento
cognitivo
Observando o brincar de uma
criança, Piaget (1970) constata
que o meio sempre provoca o
sujeito com questões
desafiadoras, levando-o a uma
busca de solução de
problemas. Para isso, a criança
vai usar as estruturas da
inteligência já existentes. Caso
estas sejam insuficientes para
resolver a nova exigência,
acaba por ocorrer um certo
desequilíbrio nas relações do
sujeito com o objeto. Na
interação, o objeto leva o
sujeito a
Estrutura cognitiva.
Piaget (1970) defende que:
• assimilar é incorporar novas experiências aos esquemas já estabelecidos. Assimila-se
quando se transforma um estímulo em algo próprio.Trata-se da incorporação de um novo
conceito ou experiência
aos esquemas existentes, por meio da atividade do
sujeito;
• acomodar consiste na modificação da nossa ação enquanto sujeitos. Quando se precisa
reagir a novas situações, não bastam os esquemas já disponíveis. Esses têm que ser
modificados. Por exemplo, na mamada, o bebê percebe que alguns movimentos usados
no sugar resultam em mais leite, resultando em nova forma de sugar. Então, a
acomodação refere-se a um ajustamento ou reorganização das estruturas feitos pelo
indivíduo, diante de uma situação nova. É mudar, transformar-se a partir de uma nova
influência. A acomodação é específica, pois é determinada pelo objeto. A assimilação
não existe sem acomodação, pois só haverá esquema de assimilação se houver sua
adaptação ao objeto.
4.4 O espaço educativo e o
desenvolvimento cognitivo
A partir desses pilares do processo de aprendizagem, Bueno (1998) faz um
apanhado da amplitude da psicomotricidade: Prática psicomotora educativa:
• condiciona todas as aprendizagens pré-escolares;
• leva a criança a tomar consciência de seu corpo e da lateralidade, a situar-se no
espaço, a dominar seu tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e
movimentos;
• Expressão – deve estar incluída em todas as atividades. Por meio dela, a criança
exprime seus sentimentos (manifestar)
• Comunicação – expressão e comunicação estão intimamente ligadas, pois, quando
o indivíduo aprende a expressar-se corporalmente, assume sua identidade e
relaciona-se com o mundo (ligar – unir – trocar).
• Afetividade – é um fator estimulante e necessário para o desenvolvimento
psicomotor. As primeiras comunicações da criança com o meio são de forma
psicomotora.
• Agressividade – é o resultado de um conflito entre o desejo de afirmação pela
ação e os obstáculos e interdições que a afirmação encontra (repressão –
introversão e compulsão).
• Limites – dar liberdade é resultante entre o proibir e o permitir. Um verdadeiro
relacionamento deve ser com respeito mútuo entre a criança e o adulto.
4.5 A organização da escola
enquanto espaço educativo
A organização do espaço
educativo para o
atendimento do bebê inclui a
busca de um equilíbrio entre
o prazer de estar com a
criança e a competência
profissional, para atingirmos
tanto a dimensão do
desenvolvimento cognitivo
quanto o emocional do bebê.
Isso implica disponibilidade
e criatividade na organização
5.3 Tarefa educativa do adulto para com a criança
6.2 Fracasso escolar e o contexto
social
Já há algum tempo vemos que em cursos de
capacitação e reciclagem ofertados em larga escala,
surgem teorias e mais teorias – algumas delas
estranhamente transformadas em métodos –
tentando dar conta das razões que levam alguns
alunos a fracassarem em seu percurso escolar. Está
em situação de fracasso escolar o aluno que não
acompanha a proposta curricular, a qual diz o que é
necessário aprender, define a sequência certa e em
quanto tempo o aprendizado deve ocorrer.
Tradicionalmente, a noção de fracasso escolar,
segundo Charlot (2000, p. 14), “é utilizada para
exprimir tanto a reprovação em uma determinada
série quanto a não aquisição de certos
conhecimentos ou competências”. O que significa
dizer que o fracasso escolar é tomado como desvio
do padrão ou deficiência sociocultural.
6.4 A dimensão “psi” e as situações
de fracasso escolar
Ora, esse valor é função de um ideal,
determinado imaginariamente no campo das
relações humanas. O ideal preestabelecido
aparece descrito no perfil do aluno esperado
pela escola, no perfil do aluno desejado pelo
professor, no ideal de cidadão adaptado ao
contexto social e à sociedade. Desse modo,
identifica-se que o olhar dirigido ao aluno
busca uma expectativa, um ideal, um
comportamento padrão e tem relação direta
com o aproveitamento e o desempenho escolar
do aluno, desconsiderando as suas
potencialidades e expectativas com o aprender.
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO.pptx FACEDDU Aula

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    1. O encontroentre a Psicologia e a Educação Colocar os conhecimentos psicológicos a serviço da educação implica, para a prática docente, confrontar os conhecimentos teóricos, os métodos pedagógicos e os procedimentos de ensino, numa constante atitude reflexiva. Portanto, neste capítulo, busca-se criar situações de incertezas, de dúvidas, discutir suposições e, assim, criar um espaço para novas reflexões, outros paradigmas educacionais.
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    1.1 Distinções entrePsicologia e Psicanálise Um ponto de distinção entre elas é a compreensão do que seja personalidade. Para a Psicologia, os componentes da personalidade derivam do latim persona, que designa a máscara usada pelos atores de teatro, cujas expressões correspondiam a caracteres fixos e induziam o espectador à expectativa de um comportamento determinado.
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    1.2 Contribuições dadimensão “psi” para as práticas educativas Sob essa perspectiva, a Psicologia do desenvolvimento nos aponta uma visão de evolução enquanto processo de apropriação da experiência histórico-social pelo ser humano. Sob o ponto de vista da dimensão “psi“ de orientação interacionista, o conhecimento é construído por meio das interações que o sujeito mantém com seu ambiente, que tem uma função importante no desenvolvimento humano.
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    1.2 Contribuições dadimensão “psi” para as práticas educativas Por meio da Psicanálise, vamos entender que o sujeito é um ser singular, único, dotado de um psiquismo regido por uma lógica específica. É também um indivíduo que participa das relações interpessoais e ocupa um lugar, estabelecendo laços com o contexto social no qual está incluído.
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    1.3 A salade aula: o professor/aluno/ conhecimento
  • 12.
    A proposta paraos dias de hoje é que o educador tenha um olhar crítico-dialético. Entende-se a educação como uma visão de mundo a ser compartilhada com a comunidade escolar, como um processo de construção no qual os procedimentos sociais, políticos e culturais são desencadeados. O novo paradigma educativo visa constituir uma rede de interdependências pessoais, para realizar as diversas atividades pedagógicas.
  • 13.
    1.3 A salade aula: o professor/aluno/ conhecimento Tendo por referência a consideração da psicologia aplicada à educação compreendemos a sala de aula como campo relacional de ensino e de aprendizagem, como espaço de possibilidades interativas, de trocas interpessoais, onde a ação educativa deixa de exercer o controle e passa a ser uma atividade que conduz ao crescimento e à flexibilidade para as mudanças dos agentes escolares..
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    2. O mundomoderno e as tecnologias Na consideração da complexidade das questões do mundo moderno e da sociedade, neste texto, busca-se salientar os aspectos afetivos e emocionais presentes nas relações entre as pessoas nos dias de hoje. Destaca-se a direção das páginas a seguir sob a ótica psicológica, da dimensão subjetiva. Ainda, as contribuições da Psicologia e da Psicanálise ao espaço relacional escolar. Nessa direção pode-se dizer que o mundo atual se revela como reconhecedor dos problemas e detentor da solução para os problemas humanos. A sociedade na dinâmica da organização e das relações sociais, propõe regras a serem seguidas para se ter sucesso profissional, sucesso financeiro, sucesso no amor, realização dos sonhos, e não faltam receitas de como consegui-los.
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    3. Problemas dospais: crescendo com o outro. 3.1 A família dos dias de hoje Tem-se discutido muito sobre a relação pais/filhos e a tarefa dos pais em educar filhos em diferentes campos do saber: pedagogia, direito, medicina, sociologia, psicologia, psicanálise entre outros. Neste texto, propõe-se olhar essa relação a partir da dimensão psíquica, quer dizer, voltada à subjetividade, à afetividade, aos significados e sentidos que pais e filhos dão, consciente e inconscientemente, a esse encontro que se mostra difícil, para ambos, nos dias hoje.
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    Do ponto devista social, os pais funcionam como grupo de referência aos filhos. Uma vez que o bebê ao nascer apresenta uma “dependência absoluta do adulto” (WINNICOTT, 1999), a natureza da responsabilidade dos pais é ética na tarefa de educar os filhos. Os pais questionam como impor limites, como educar, sem ser severos demais, sem tomar posições extremas. O que podemos afirmar é que, com diálogo, amor e confiança mútuas entre pais e filhos, a tarefa de “educar” terá maior sucesso.
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    3.2 A responsabilidadesocial dos pais Um primeiro ponto sobre a questão da responsabilização parental trata da decisão de ter filhos, que está atrelada ao desejo de dar continuidade à existência familiar, dar conta de uma “expectativa” afetiva e de um ideal parental. Do ponto de vista social, os pais funcionam como grupo de referência aos filhos. Uma vez que o bebê ao nascer apresenta uma “dependência absoluta do adulto” (WINNICOTT, 1999) Os pais questionam como impor limites, como educar, sem ser severos demais, sem tomar posições extremas. O que podemos afirmar é que, com diálogo, amor e confiança mútuas entre pais e filhos, a tarefa de “educar” terá maior sucesso
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    3.4 A importânciado laço família- escola Vygotsky que liga o desenvolvimento do sujeito à sua relação com o ambiente sociocultural. O que significa dizer que todas as relações significativas contribuem para o desenvolvimento da pessoa nos espaços da família e da escola. Para Vygotsky (1998), um dos principais defeitos da prática educativa é a separação dos aspectos intelectuais de um lado, e os afetivos de outro, pois o funcionamento psicológico tipicamente humano, segundo ele, é o intelectual e o afetivo. Daí decorre a importância dos laços familiares e que antecedem os laços escolares.
  • 19.
    4. O bebêe o enfrentamento do educativo Sabemos, hoje, que o ser humano, desde o princípio de sua vida, é uma totalidade biopsicossocial e que não é possível separar ou privilegiar apenas um aspecto do seu desenvolvimento, sem comprometer os demais. Os cuidados nos oferecidos às crianças pelos pais e pelas creches, escolas e serviços médicos foram sofrendo transformações na intenção de privilegiar o desenvolvimento harmonioso da criança em todos os seus aspectos. É preciso investir em todas as possibilidades humanas de crescimento físico, social, intelectual e afetivo por meio da busca de um ambiente mais favorável para esse fim.
  • 20.
    4.1 Desenvolvimento emocional Nodesenvolvimento psíquico e emocional do indivíduo, um aspecto é defendido por diversos estudiosos como de fundamental importância: é a interação mãe-bebê. A relação entre a mãe e seu filho, as influências entre ambos refletem diretamente no desenvolvimento infantil e na sua personalidade posterior. para Winnicott (2001), as funções essenciais da mãe suficientemente boa, resumidamente, são: • o holding – que está relacionado com a capacidade da mãe de se identificar com o seu bebê, refere-se ao como a mãe segura ou carrega o bebê, como o toma para si, como seu; • o manipular – são os cuidados da mãe com o bebê, contribuindo para a formação do sentido do real para a criança; • a apresentação de objetos – como a mãe apresenta o mundo dos objetos ao bebê, dando ao filho capacidade de se relacionar com os objetos e fenômenos do mundo.
  • 21.
    • Estabelecer relaçõesde proximidade e individualidade com a criança; • Tocar a criança em situações variadas (como massagens, atividades com água, barro etc.), e não somente no momento de cuidar da higiene dela; • Olhar nos olhos da criança quando se fala ou brinca com ela; • Deixar que ela possa escolher os brinquedos ou alimentos, fazendo com que a criança perceba suas necessidades, como fome, desconforto etc. e manifeste-as para, então, atendê-las; • Cuidando para não superproteger ou negligenciar, dois pontos que podem desestruturar a organização do self verdadeiro, causando posteriormente na criança uma personalidade fraca e instável, dificultando sua adaptação ao mundo. 4.2 O espaço educativo e o desenvolvimento emocional
  • 22.
    O desenvolvimento cognitivoé muito mais conhecido dos educadores do que o emocional. Por isso, vamos apenas lembrar dois autores mais significativos que trouxeram grandes contribuições para a Psicologia da Educação: Piaget, por nos explicar a gênese da lógica, e Vygotsky, por interessar-se pelo desenvolvimento e aprendizagem no contexto escolar. Ambos têm trajetórias e conclusões distintas, mas não contraditórias, o que possibilita o aproveitamento de suas contribuições para melhorar o desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem da criança. 4.3 Desenvolvimento cognitivo
  • 23.
    Observando o brincarde uma criança, Piaget (1970) constata que o meio sempre provoca o sujeito com questões desafiadoras, levando-o a uma busca de solução de problemas. Para isso, a criança vai usar as estruturas da inteligência já existentes. Caso estas sejam insuficientes para resolver a nova exigência, acaba por ocorrer um certo desequilíbrio nas relações do sujeito com o objeto. Na interação, o objeto leva o sujeito a
  • 24.
    Estrutura cognitiva. Piaget (1970)defende que: • assimilar é incorporar novas experiências aos esquemas já estabelecidos. Assimila-se quando se transforma um estímulo em algo próprio.Trata-se da incorporação de um novo conceito ou experiência aos esquemas existentes, por meio da atividade do sujeito; • acomodar consiste na modificação da nossa ação enquanto sujeitos. Quando se precisa reagir a novas situações, não bastam os esquemas já disponíveis. Esses têm que ser modificados. Por exemplo, na mamada, o bebê percebe que alguns movimentos usados no sugar resultam em mais leite, resultando em nova forma de sugar. Então, a acomodação refere-se a um ajustamento ou reorganização das estruturas feitos pelo indivíduo, diante de uma situação nova. É mudar, transformar-se a partir de uma nova influência. A acomodação é específica, pois é determinada pelo objeto. A assimilação não existe sem acomodação, pois só haverá esquema de assimilação se houver sua adaptação ao objeto.
  • 25.
    4.4 O espaçoeducativo e o desenvolvimento cognitivo A partir desses pilares do processo de aprendizagem, Bueno (1998) faz um apanhado da amplitude da psicomotricidade: Prática psicomotora educativa: • condiciona todas as aprendizagens pré-escolares; • leva a criança a tomar consciência de seu corpo e da lateralidade, a situar-se no espaço, a dominar seu tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos; • Expressão – deve estar incluída em todas as atividades. Por meio dela, a criança exprime seus sentimentos (manifestar) • Comunicação – expressão e comunicação estão intimamente ligadas, pois, quando o indivíduo aprende a expressar-se corporalmente, assume sua identidade e relaciona-se com o mundo (ligar – unir – trocar). • Afetividade – é um fator estimulante e necessário para o desenvolvimento psicomotor. As primeiras comunicações da criança com o meio são de forma psicomotora. • Agressividade – é o resultado de um conflito entre o desejo de afirmação pela ação e os obstáculos e interdições que a afirmação encontra (repressão – introversão e compulsão). • Limites – dar liberdade é resultante entre o proibir e o permitir. Um verdadeiro relacionamento deve ser com respeito mútuo entre a criança e o adulto.
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    4.5 A organizaçãoda escola enquanto espaço educativo A organização do espaço educativo para o atendimento do bebê inclui a busca de um equilíbrio entre o prazer de estar com a criança e a competência profissional, para atingirmos tanto a dimensão do desenvolvimento cognitivo quanto o emocional do bebê. Isso implica disponibilidade e criatividade na organização
  • 27.
    5.3 Tarefa educativado adulto para com a criança
  • 30.
    6.2 Fracasso escolare o contexto social Já há algum tempo vemos que em cursos de capacitação e reciclagem ofertados em larga escala, surgem teorias e mais teorias – algumas delas estranhamente transformadas em métodos – tentando dar conta das razões que levam alguns alunos a fracassarem em seu percurso escolar. Está em situação de fracasso escolar o aluno que não acompanha a proposta curricular, a qual diz o que é necessário aprender, define a sequência certa e em quanto tempo o aprendizado deve ocorrer. Tradicionalmente, a noção de fracasso escolar, segundo Charlot (2000, p. 14), “é utilizada para exprimir tanto a reprovação em uma determinada série quanto a não aquisição de certos conhecimentos ou competências”. O que significa dizer que o fracasso escolar é tomado como desvio do padrão ou deficiência sociocultural.
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    6.4 A dimensão“psi” e as situações de fracasso escolar Ora, esse valor é função de um ideal, determinado imaginariamente no campo das relações humanas. O ideal preestabelecido aparece descrito no perfil do aluno esperado pela escola, no perfil do aluno desejado pelo professor, no ideal de cidadão adaptado ao contexto social e à sociedade. Desse modo, identifica-se que o olhar dirigido ao aluno busca uma expectativa, um ideal, um comportamento padrão e tem relação direta com o aproveitamento e o desempenho escolar do aluno, desconsiderando as suas potencialidades e expectativas com o aprender.